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TRABALHO DE DIREITO CIVIL IV – ANÁLISE CRÍTICA DE ACÓRDÃO

RESILIÇÃO UNILATERAL DO CONTRATO E DANOS MORAIS


O Acórdão trata-se de uma ação entre Idemir Roque Granna e BRF
S.A. Ambos faziam parte de uma relação contratual em que eram parceiros no
comércio de avicultura. O autor da ação é um produtor de pequeno porte que
tinha como objeto na relação contratual a criação ou o “engorda” das aves que
posteriormente seriam eviadas a Ré para o abatimento e a comercialização de
tais. A parceria comercial entre os dois polos é de longa data, ultrapassando o
período de 10 anos. O autor da ação pediu a condenação da ré por lucros
cessantes, no valor de 10 lotes ( equivalente a R$ 25.000 ), e por perdas e danos
no valor de 50 salários mínimos em decorrência da resilição unilateral do contrato
pela ré.
O prazo proposto pela empresa BRF é exíguo para uma resilição
unilateral de um contrato que perdura por tanto tempo. Foram 10 anos
produzindo, repentinamente uma das partes se vê surpreendida com a extinção
dessa parceria em 30 dias. Uma década se passou, e o produtor, que dependia
daquela produção, ficou a ver navios. Ao contrário da BRF que obviamente
depende dos produtores, mas não somente de só esse em questão. Embora já
havia sido prevista essa hípotese e tendo consideração que esse tipo de relação
acaba por se extinguir, o prazo de resilição em relação ao tempo total de contrato
não é condizente. Hipótese que é prevista no artigo 473 do Código Cível em seu
parágrafo único.
A hípotese levantada para uma possível utilização do CDC é afastada,
não há uma relação de consumo entre as partes. Além disso, o Tribunal tem o
entendimento que nas cláusulas de resilição unilateral do contrato deve ser
interpretado de forma mais favorável aos produtores rurais/avicultores. Assim,
reconhecendo que o produtor está em uma posição desfavorável em relação a
empresa BRF.
Tendo em vista essas disposições, acompanho a Desembargadora no
que tange a aplicação dos lucros cessantes e na improcedência pelos danos
morais. Os lucros cessantes pelo prazo precário da resilição do contrato em face
a todo o resto da relação contratual, embora sendo previsto em cláusula prévia,
a boa-fé é de certa forma afastada, e também, levando em consideração a
posição desfavorável do produtor em relação a ré. Os danos morais por sua vez
é afastado, em parte pela procedência do pedido por lucros cessantes e porque
a cláusula de resilição já era prévia, prevista como algo que poderia acontecer.
No acórdão não é disposto de forma clara a equivalência entre um lote e
o tempo gasto para produzi-lo. Assim, creio que a desembargadora fixou
arbitrariamente o valor de 3 lotes, não esclarecendo porque não poderia ser
maior ou menor o mesmo, discordando da desembargadora nesse ponto.

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