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FAMÍLIA E ESCOLA COM LIBRAS

Claudinéia Aparecida Martins FERREIRA1

Resumo:

Ao considerar a trajetória histórico-social da comunidade surda, caracterizada


por dificuldades e preconceitos, surge uma grande preocupação com a
escolarização do surdo e, conseqüentemente, com o ensino e aprendizado da
leitura e da literatura. Nesse sentido, o presente trabalho propõe discutir
questões sobre a importância da família e da própria instituição escolar para a
formação de crianças surdas leitoras num contexto educacional para surdos
nas escolas. Em se tratando de uma realidade precisa, temos por finalidade
evidenciar a importância das LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), para o
desenvolvimento do surdo fazendo uma abordagem de sua origem enfatizando
a importância do estudo da mesma e do seu ensinamento das escolas. Tem
como objetivo promover a sociabilização de deficiente auditivo em uma
sociedade dominante, a qual se encontram educadores não qualificados nesta
área de ensino e ambiente inadequado para o entendimento necessário do
aluno em estudo, relevando as maiores dificuldades dos professores e quais as
influências no processo ensino - aprendizagem que envolve os pais. Baseando-
se no princípio “igualdade de oportunidade” e “educação para todos”, é que se
questiona a escolarização aos alunos considerados portadores de
necessidades especiais, e um compromisso assumido pelo Brasil no combate a
exclusão de toda e qualquer pessoa no sistema educacional de ensino.
Obviamente enfrenta-se um desafio, tomar a escola um espaço aberto e
adequado ao ensino inclusivo. Sabe-se que muitos obstáculos são
encontrados, particularmente sobre os princípios da educação inclusiva para
que atenda as especificidades de cada aluno portador de deficiência auditiva,

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Graduação em Pedagogia, Especialização em Educação Inclusiva pelo Centro Universitário
Barão de Mauá, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. E-mail do autor
claudineia.mferreira@yahoo.com.br Orientador: Profª. Drª. Gisele Massafera.
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mas para que haja uma verdadeira inclusão, é preciso que os professores
também tenham apoio dos familiares do portador de deficiência, promovendo a
acessibilidade do mesmo em classe de ensino regular para que possa adquirir
incentivos a autonomia e o espírito critico criativo e passe a exercer a sua
cidadania. A criança desde muito cedo entra em contato com a leitura do
mundo que a cerca, mesmo antes de ser alfabetizada na escola. Ela aprende
muito com os exemplos que são observados a sua volta, neste caso, a família
é que lhe permite, ou pelo menos deveria permitir, o primeiro contato desta
com o mundo. Muitas vezes o primeiro contato fica sob a responsabilidade dos
educadores, pois a criança passa a maior parte do tempo em creches e em
escolas. De acordo com Eveline Charmeux (1995), a relação, dos pais com a
educação escolar, deve ser prescrita na complementaridade e não na
concorrência ou nas trocas de responsabilidades. A vivência em família deve
colaborar para o sucesso escolar da criança. Assim, modelos e exemplos
positivos de leitura no lar, fazem com que meninos e meninas percebam e
assimilem o valor e a função social do ato de ler e, por curiosidade,
identificação execute esse ato em suas vidas, tornando-se um hábito (SILVA,
1983, p. 56). Ao permitir experiências positivas de leitura às crianças, os pais
contribuem para a formação dessas enquanto leitoras — a maneira como veem
e encaram a leitura em casa refletem nas atitudes dos filhos. A criança deve
perceber a funcionalidade da leitura e dos vários textos que encontra em seu
cotidiano como por exemplo: as receitas, os manuais de instrução dos
aparelhos, as propagandas em jornais, revistas e outdoors, as
correspondências, as contas, os livros de literatura etc. Participar juntamente
com os pais das discussões sobre determinadas leituras, visitar e conhecer a
biblioteca e as livrarias, além da participação dos pais na leitura partilhada,
como ler as histórias infantis dos livrinhos ou contar histórias orais é muito
importante para a formação da criança leitora.“[...] Ter lembranças que
associem prazer à cultura na mais tenra idade significa uma possibilidade
maior de sucesso escolar (CHARMEUX, 1995, p. 119).” Pelo menos a família
deveria contribuir nesse sentido, para que depois, no processo de letramento, a
escola reforce e acrescente mais experiências para este sujeito que se torna
leitor. Porém, não é o que costuma acontecer, pois nem todas as famílias têm
esta consciência da importância da leitura em casa e muito menos se
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preocupam com a formação dos filhos leitores, delegando as responsabilidades


unicamente aos educadores e à escola.

Palavras chave: Família, Participação, Inclusão, Ensino de Libras.

1. Introdução

A grande importância da Libras para comunicação com os surdos, no


sentido que a família não só será" família vazia", mas uma única instituição que
promoverá igualdade e alargamento intelecto e individual dos surdos.
Determinou-se para o estudo a pesquisa qualitativa, do tipo bibliográfico,
contando como os teóricos a exemplo de: BEHARES, 1996, VESCHI, 2005,
STROBEL, 2008. Objetivou-se conduzir famílias a aprenderem e utilizarem
com os filhos a libras, com o intuito de desenvolvimento dos surdos e também
ajudaram os surdos a serem incluídos na sociedade. A inclusão existe e deve
iniciar na família, todos discutem e refletem sobre a inclusão, mas para a
aceitação, em relação a família, não existe. Também deduzimos que a Libras é
único meio de comunicação, sem a língua de sinais continuaram barreiras e
discussões sobre este tema.
Os Desafios na Comunicação entre Surdos e Família, propõe este tema
com a finalidade de ajudar os profissionais ou família ou até mesmos os
próprios surdos que lidam com família que tem filhos surdos que não aceitam a
língua de sinais como relacionarem-se melhor entre familiares. É por meio da
comunicação que o ser humano se integra, participa, convive e se socializa.
Nesse contexto, a família aparece como grande responsável, pois é nela que
se inicia a formação igualitária de um ser humano. Para isso acontecer, faz-se
necessário o estabelecimento de um canal de linguagem comum.
É na família que se inicia a sociedade, nela os indivíduos organizam
conceitos e buscam a maturidade por meio de trocas entre seus membros. Por
esse motivo, as maneiras de educar são incessantes. Trata-se de um processo
que vai do nascer ao morrer, sendo a família considerada, via de regra, a
principal responsável pela formação do caráter de uma pessoa.
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Neste contexto é importante saber qual o verdadeiro papel da família e


também quais são os desafios da família na comunicação com os surdos. Com
isso muitas famílias que moram nos interiores são basicamente excluído dessa
comunicação e às vezes constrói gesto para comunicação com os filhos surdos
e até confirmam a que "comunicam-se bem com seus filhos".
A família, de uma forma geral, desempenha a função de cuidar,
promover a saúde, o bem estar e dar proteção. Em uma família com filho
surdo, acrescenta-se a isto a função da aprendizagem de outra língua, a Libras
– Língua Brasileira de Sinais. É através da comunicação que o ser humano se
integra, participa, convive e se socializa entre família. Nesse processo, a
família aparece como grande responsável, pois é nela que se inicia a primeira
formação do ser humano. Para isso acontecer, é necessário o estabelecimento
de um canal de língua comum.
A família de uma forma única deve estabelecer o seu papel na formação
dos indivíduos. Os primeiros passos para o desenvolvimento natural e social do
ser humano são dados dentro da família, pois ela constitui o primeiro grupo no
qual a criança é inserida e tem suas primeiras experiências e relacionamentos
interpessoais.
As primeiras relações de afeto dos filhos são provenientes dos pais, e
esse convívio será responsável por futuros comportamentos no meio social,
permitindo ou não a sua adaptação. Esse papel da família contribuirá para que
o filho tenha uma aprendizagem mais humana, forme uma personalidade única,
desenvolva sua autoimagem e se relacione com a sociedade.
Ao refletirmos sobre a família, observamos que a mesma, ao interagir
com os filhos, ajudará a formar a personalidade, determinando aí suas
características sociais. Muitos fenômenos sociais são percebidos e examinados
em função de características da família. Nesse processo de troca, a família
está inserida na construção de um estado de maturidade que se dá por meio
da convivência com os filhos. As atitudes e comportamentos dos pais e demais
membros familiares, expressos por suas interações, têm um impacto decisivo
no desenvolvimento psicossocial de um filho.
A família atua não só no sentido de amparar física, emocional e
socialmente os seus membros, mas também esclarecendo o que é melhor ou
pior para seu crescimento, cabendo a ela a responsabilidade de proporcionar
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qualidade de vida aos mesmos. Os cuidados oferecidos pela família constituem


estratégias que favorecem o desenvolvimento humano à medida que
proporcionam amor, afeto, proteção e segurança dentro de um espaço de
inclusão e acolhimento aos filhos.
A principal satisfação dos filhos é ter uma boa relação entre os membros
da família, pois essa relação exerce importante papel para o desempenho
psíquico e, conseqüentemente, nas demais fases da vida. No processo de
relação familiar, a comunicação favorece a compreensão das dúvidas, a
demonstração de carinho e amor, entre outras coisas, uma vez que para
adquirir essas informações é necessário estabelecer-se uma mesma linguagem
(QUADROS, 2002).
É importante nos reportarmos à ideia de Quadros (2002), o qual
esclarece que a deficiência não é um problema da pessoa que a tem, mas sim
de quem a vê. Isto é de suma importância, pois a problemática que envolve
esses indivíduos está intimamente relacionada com o preconceito e a aceitação
dessa condição.
Dessa forma é preciso a importância da família como cooperadora para
o processo do desenvolvimento do surdo, no sentido de garantir a esse
indivíduo um futuro de independência e produtividade na sociedade. Também
devemos conceber a escola e a comunidade como parceiras, desenvolvendo
no surdo a sua autoestima e independência para escolher seu modelo de vida.
A família poderá auxiliar no desenvolvimento da linguagem de sua
criança. Segundo VESCHI, (2005, p. 51), "o desenvolvimento da criança surda
é proporcional á participação da família". Pais preparados e mães conscientes
de seu papel obtêm o aproveitamento de todas as oportunidades geradas no
lar.
Percebemos que "o quanto é importante à atuação da família na
construção educacional dos seus filhos". Nesse contexto, observamos que
atuam duas instituições cuja participação na vida do cidadão é de fundamental
importância: a família e a escola. Esta constrói o sujeito, o cidadão consciente
e aquela constroem o homem para viver de forma civilizada na sociedade que
pertence.
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2. O Apoio da Família na Escola.

A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais,


preferencialmente, no ensino regular é uma das principais metas da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação sendo assim o aluno surdo poderá ser incluído
no ensino regular. Com o propósito de compreender como é feita a inclusão do
aluno surdo, este trabalho abordou uma questão pertinente à organização do
espaço escolar no início da escolarização do aluno surdo: a ação pedagógica.
Esta abordagem se deu através de fundamentação teórica e estudo de caso.
Para melhor compreensão discorreremos sobre surdez, a importância da
linguagem, a educação de surdos no Brasil, a legislação referente à inclusão
do educando com surdez e relataremos as observações e depoimentos do
aluno surdo, da mãe do aluno e dos envolvidos no contexto escolar.
De acordo com a lei N°10.436, de 24 de Abril de 2002, a LIBRAS é
reconhecida como meio legal de comunicação e expressão e outros recursos
de expressão associados a ela.
A família tem um papel fundamental na vida de um portador de surdez,
principalmente quando ele é diagnosticado com o problema. No início é difícil
para o portador, ter que se adaptar a uma nova linguagem (LIBRAS), ter
paciência (pois nem sempre ele será compreendido por outras pessoas). Mas
qual seria o papel da família diante do diagnóstico de surdez?
Saber lidar com a nova realidade, ajustar as condições físicas e
psicológicas, adequar à estrutura familiar e fornecer todo suporte necessário
que o deficiente precisar. Além do mais a família será à base de sobrevivência
desse indivíduo, pois por mais que existam a LIBRAS, muitos desses
deficientes não conseguem ser compreendidos e acabam se sentindo tristes
podendo até adquirir um quadro depressivo.
A decisão do tema abordado sobre dificuldade de aprendizagem surgiu
através de inquietações. A sociedade escolar consiste na apropriação da
cultura humana, sendo trazida sobre a forma de conhecimento nas escolas.
A inclusão de alunos surdos no ensino regular é parte da necessidade desse
conhecimento ensino aprendizagem. As escolas que deveria oferecer um
ambiente acolhedor no processo de desenvolvimento educacional tornam-se
um ambiente sem comprometimento e de forma insatisfatória, deixando de
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fazer seu papel que seria possibilitar e revolucionar o sistema educacional


humano coerente e democrático, a favor dos alunos surdos e de seus
familiares.
Sabemos que o fato não é só incluir, mas sim que a escola reconheça as
necessidades diversificadas, abrindo espaço para a cooperação desta inclusão.
As dificuldades que os professores encontram na inclusão de alunos surdos,
trata-se da falta de conhecimento sobre a deficiência deles, ou seja, o
professor mesmo que ciente de que irá receber um aluno surdo não procura se
informar nem buscar meios para conhecer melhor a necessidade desse aluno.
É cada vez maior o número de alunos especiais em escolas públicas, à
discussão sobre a igualdade e permanência na escola implica na necessidade
de reverter conceitos padrões de aprendizagem e assim afirmar novos valores
na instituição.
A educação inclusiva hoje é uma realidade do nosso país e sabemos
que precisa possibilitar melhorias também com relação à afetividade entre os
colegas dentro e fora da sala de aula, voltado tanto para o aprendizado como
para o relacionamento entre os colegas e professores, pois as escolas
atualmente estão invadidas por uma onda chamada “indisciplina”, por parte de
alguns alunos, seja no convívio cotidiano escolar ou mesmo no aprendizado.
No convívio escolar entre os colegas entra as questões das provocações das
brigas físicas, dos xingamentos, resumindo o famoso Bullying. Já a indisciplina
por parte do aprendizado é causada pelo mau comportamento dos discentes
prejudicando-o na própria aprendizagem e também no desenvolvimento dos
colegas.
A indisciplina também é um dos fatores gravíssimos que constitui a
dificuldade no desempenho do trabalho dos docentes. Sendo assim caberá ao
professor buscar praticas educativas que possam mudar essa realidade.

Como podemos observar a real importância do apoio família-escola para


se obtiver uma educação de qualidade e possa promover o bem estar de todos.
Será que ausência de conhecimento sobre Libras (língua brasileira de
sinais) interfere na prática pedagógica dos professores.
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3. Objetivos:

Favorecer a aquisição das LIBRAS pela família, conscientizando-a sobre


sua importância para o desenvolvimento psicolinguístico e social do surdo (a).
Analisar os fatores relevantes sobre as dificuldades de aprendizagem
dos alunos surdos na sala de aula inclusiva.

5.1 Objetivo Geral:

Estabelecer mecanismo entre família e a escola promovendo um


desenvolvimento integral no processo educacional resultando uma melhor
qualidade de ensino.

5.2 Objetivo Específico:

a) Analisar o papel da família na educação dos filhos.


b) Aplicar palestras em reuniões informando os pontos favoráveis que a
parceria entre família e escola pode proporcionar ao aluno.
c) Discutir a responsabilidade que a família tem de educar e cuidar dos
filhos, conscientizando para que tenha presença assídua da família na escola.
d) Investigar se há a inclusão de alunos surdos na escola.
e) Observar no âmbito escolar quais são as maiores dificuldades que os
docentes encontra na sala inclusiva.
f) Verificar as metodologias que os docentes aplicam no ambiente
escolar.

4. Justificativa:

A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é a língua oficial da Comunidade


Surda Brasileira. É a língua L1, isto é, a língua natural do surdo. Por isso ela é
de fundamental importância para sua vida.
Através das LIBRAS, é possível que o surdo desenvolva sua capacidade
linguística, tornando mais fácil o aprendizado de qualquer outra língua,
inclusive o Português, pois já terá um elemento comparativo: a LS. Além disso,
ela é um instrumento que facilita a compreensão do mundo (a realidade que
nos cerca). Qualquer conceito é mais facilmente aprendido se pudermos
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compará-lo as situações vivenciadas por nós ou situações vivenciadas pela


nossa sociedade.
E como a maioria dos surdos são filhos de ouvintes que não sabem
LIBRAS, faz-se urgente o aprendizado desta língua por parte da família que é a
primeira escola na vida do surdo. Já que eles se comunicam em línguas
diferentes e de forma ineficiente.
Nesse sentido, a realização deste projeto justifica-se pela necessidade
da aquisição das Libras pela família do surdo a fim de tornar eficiente a
comunicação entre eles, e justifica pela necessidade de interação entre família
e escola. Tendo como foco principal incentivar os pais a acompanharem a vida
escolar dos filhos, objetivando suprir a necessidade e dificuldade de alguns
professores em lidar com alunos em sala de aula inclusiva.
Porém mesmo com o interprete em sala de aula, o professor devera simplificar
a metodologia especificamente para alunos com surdez profunda.
Existem dois tipos de surdez: O “parcialmente surdo e o surdo”. Portanto
os conteúdos curriculares devem ser passados com mais clareza para que eles
passem a compreender com mais facilidade, pois o papel do interprete é
apenas transmitir o conhecimento através da explicação do professor por meio
das Libras. Também a indisciplina dos colegas ouvintes é um dos fatores que
causa a falta de concentração desses alunos com deficiência auditiva, pois por
muitas vezes os colegas ouvintes atrapalha a concentração do aluno surdo.
Portanto o interesse em analisar sobre o tema abordado, nos faz repensar na
qualidade de ensino desses alunos surdos.

5. Fundamentação teórica:

Atualmente a inclusão escolar tem sido um grande desafio para os


alunos com deficiência auditiva, tendo em vista essa proposta foram
evidenciados as dificuldades assim como o acesso a educação, pois as
escolas não se adequam as necessidades educacionais desses alunos.
A falta de profissionais adequados e de recursos, não dá condições
necessárias para que a escola possa receber o aluno com surdez.
O intérprete constitui um elemento de importância primordial na educação dos
surdos, na esfera de classes regulares, pois um profissional que atua nesse
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âmbito deve ser devidamente capacitado para dominar a LIBRAS,


proporcionando aos surdos receber informações escolares em língua de sinais,
abrindo-lhes oportunidades para que possam construir competências e
habilidades na leitura e na escrita, tornando-se, portanto, letrados. (MENEZES,
2006). Segundo a pesquisadora Roseli Reis da Silva que aborda sobre a
conscientização e reflexão referente à escolha do livro didático, afirma que, o
livro deve ser adaptado conforme as necessidades dos alunos, no caso dos
surdos estes livros deveriam ser bilíngue para facilitar no ensino aprendizagem.
Os profissionais que atuam em sala especial com deficientes auditivos
são professoras formadas em magistério, estão cursando pedagogia e é
interprete de língua de sinais LIBRAS, são pessoas que tem conhecimento
sobre seu papel como docente e sabem da importância da inclusão na vida de
seus alunos, as mesmas afirmam que por serem de sala especial precisa ter
um olhar diferenciado dando mais apoio e atenção como, por exemplo: as
atividades propostas não fogem dos conteúdos curriculares, mas é aplicado
cuidadosamente através de figuras palavras e sinais.
Já em uma sala de inclusão os professores deveriam conhecer melhor
sobre o aluno surdo e assim poder rever suas metodologias, para que tanto o
professor quanto o aluno passem a compreender melhor o outro.
A introdução do intérprete em sala de aula é um avanço importante, mas
o professor deve se esforçar em aprender a língua de sinais, na busca do
dever de todo professor de escolas inclusivas, aprender a LIBRAS para
conseguir se comunicar com seus alunos não ouvinte sem a presença de um
intérprete, ou seja, de forma muito mais natural e humana. (BOTELHO, 2002)
Os professores precisam estar comprometidos com a proposta de inclusão
devendo acreditar no potencial dos seus alunos.
O ministério da educação, por intermédio da secretaria de educação
especial, considerando a constituição federal de 1988, que estabelece o direito
de todos a educação; a politica nacional de educação especial na perspectiva
da educação inclusiva, de janeiro de 2008;e o decreto legislativo n° 186,de
julho de 2008,que ratifica a convenção sobre os direitos das pessoas com
deficiências (ONU,2006),institui as diretrizes operacionais da educação
especial para o atendimento educacional especializado-AEE na educação
básica, regulamentado pelo decreto n° 6.571,de 18 de setembro de 2008.
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Como diz Mantoan (1997): “cabe a escola encontrar respostas educativas para
as necessidades de alunos e exigir dela uma transformação”. Nessa
perspectiva, cabe à instituição escolar se preparar para receber e atender as
necessidades dos seus educandos, para inserir nas salas regulares crianças e
jovens com necessidades especiais e possibilitá-lo um desenvolvimento
integral.
O ensino é ministrado de forma que difere radicalmente o proposto para
atender as especificidades dos educandos no cotidiano escolar, onde alunos
não conseguem aprender porque existe uma privação linguística do surdo
tornando-se uma barreira para os professores. Na pesquisa realizada, foi
abordada a seguinte questão: quais seriam os métodos utilizados pelo
professor da sala para que atendessem a necessidade do aluno com surdez.
Segundo Scoz (1996) o mediador escolar que neste caso o professor,
não interagir neste sentido o problema não será do aluno, nem da
aprendizagem, mas sim da escola, onde os rótulos estão sempre relacionados
às crianças que não aprendem, deslocando-se para a escola que não se ocupa
de uma mediação afetiva.
É necessário compreender que a aprendizagem é um processo social,
com meios facilitadores e variados para mediar o aprender, respeitando o
desenvolvimento dos alunos. Cabe ao professor rever métodos tradicionais,
reducionistas e inviabilizadores do prazer em aprender. Para muitos autores, as
discussões em torno da surdez, como a questão da LS, o pensamento é a
cognição do aluno surdo.
A aprendizagem é um processo individual porque cada um tem um jeito
de apropriar-se do conhecimento, o que acontece desde o nascimento e se
estende por todo vida.
Assim aprendizagem envolve pensamento, afeto, linguagem e ação
esses processo precisam estar em harmonia para que o sucesso seja obtido.
Existem vários tipos de deficiências auditivas, alguns consistem em uma perca
maior outro menor, onde a percepção de sons varia de acordo com o grau de
perda auditiva, assim como a idade que esta ocorreu, vão determinar
importantes diferenças em relação ao tipo de atendimento que ira receber.
Parcialmente surda Surdez leve: A pessoa apresenta perda auditiva de ate
quarenta decibéis. Essa perda impede que o aluno perceba igualmente todos
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os fonemas da palavra. Além disso, a voz fraca ou distante não é ouvida. Esse
aluno em geral, é considerado como desatento frequentemente pede para que
se repita o que foi falado. Surdez moderada: Pessoa que apresenta perda
auditiva entre quarenta e sessenta decibéis. Esses limites se encontram no
nível meio da percepção da palavra, sendo necessária uma voz de certa
intensidade para que seja conveniente percebida. Surda Surdez Severa:
Pessoa que apresenta perda auditiva entre setenta e noventa decibéis.
Esse tipo de perda auditiva vai permitir que ele identificasse alguns
ruídos familiares e poderá perceber apenas a voz forte. Surdez profunda:
Pessoa que apresenta perda auditiva superior a noventa decibéis. A gravidade
dessa perda e tanta que esta pessoa não consegue obter as informações
auditivas necessárias para identificar a voz humana, impedindo o de adquirir
naturalmente a linguagem oral.
Quanto maior a perda auditiva, maiores serão os problemas linguísticos
o que fará com que a pessoa surda precise de atendimento especializado.

6. Metodologia:

O presente trabalho constitui-se numa pesquisa qualitativa de caráter


exploratório desenvolvido em uma escola publica regular. O objetivo dessa
pesquisa e conhecer os processos de inclusão de alunos surdos nas
perspectivas de aprendizagem em contesto de uma sala onde (professores e
alunos) envolvidos são nas suas maiorias ouvintes.
A aquisição das Libras e da cultura surda pela família acontecerá
através de oficinas, filmes e palestras sobre assuntos relacionados. Como
também através de interação, debates, atividades...
O Presente projeto fará uso de pesquisa bibliográfica, com base em
livros, revista, artigos entre outros.

7. Técnicas para coleta de dados:

Compreende atividades relacionadas ao planejamento, execução,


controle e avaliação de funções de apoio social, pedagógico e administrativo
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em escolas públicas e privadas e demais instituições. Tradicionalmente são


funções que apoiam e complementam o desenvolvimento da ação social e
educativa intra e extraescolar. Os serviços de desenvolvimento educacional
são realizados em espaços como secretaria escolar, bibliotecas, manutenção
de infraestrutura, cantinas, recreios, portarias, laboratórios, oficinas, instalações
esportivas, almoxarifados, jardins, hortas, brinquedotecas e outros espaços
requeridos pela educação formal e não formal. Os serviços de desenvolvimento
social vão além do espaço escolar e buscam a integração do indivíduo na
sociedade, bem como melhoria de sua qualidade de vida. A organização
curricular destes cursos contempla estudos de ética, normas técnicas e de
segurança, redação de documentos técnicos, raciocínio lógico, além da
capacidade de trabalhar em equipes, com iniciativa, criatividade e
sociabilidade.

8. Análise e interpretação dos dados:

Sobre o processo de aprendizagem dos sinais, os familiares discutiram


sobre a importância de aprenderem os sinais, as dificuldades dessa tarefa para
eles, ouvintes, principalmente quanto a articulação e a rapidez das mãos.
Observaram que os filhos surdos têm mais facilidade para aprender LIBRAS do
que seus pais ouvintes. Algumas mães disseram recorrer, muitas vezes, ao
livro, quando desconhecem alguns sinais. Uma integrante relatou que
memoriza os sinais ensinando-os a outras pessoas. Outra mãe apontou a
importância do projeto para a filha superar o uso dos sinais domésticos,
passando a comunicar-se por LIBRAS. Uma das integrantes colocou que o filho
está deixando de falar algumas palavras e questionou o atendimento. Nesse
encontro foram enfatizados: o interesse na busca de caminhos para superar as
dificuldades de aprendizagem apontadas e o processo de ensino-
aprendizagem de LIBRAS não se realizar, conjuntamente, com a articulação do
Português na modalidade oral.
Devido às dificuldades das mães em aprenderem os sinais e de utilizá-
los na comunicação, muitas delas recorrem aos seus filhos ouvintes como
intérpretes, no grupo familiar, sobrecarregando-os. Essas dificuldades
aparecem, frequentemente, nos depoimentos de irmãos de
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crianças/adolescentes surdos. Nesse grupo, as mães perceberam a


necessidade de respeitar os limites de seus filhos ouvintes.
A visão do surdo como deficiente foi discutida enfatizando o preconceito
dos próprios pais e da sociedade em perceberem e em rotularem o surdo como
pouco inteligente, por falta de conhecimento do modo do surdo se comunicar e
da própria surdez. Remetem a discussão à organização do currículo no sistema
de educação especial, apontando a simplificação e a redução dos conteúdos
acadêmicos, contribuindo para a baixa qualidade desse sistema. Nesse
encontro, as integrantes refletem sobre a importância dos professores
perceberem todas as outras habilidades dos surdos, superando o foco
educacional sobre a perda auditiva. As mães colocam, novamente, a
necessidade de união das famílias, exigindo melhor qualidade de ensino para
os seus filhos. Para os familiares, uma melhor qualidade de ensino deveria
contemplar aspectos relacionados à cultura surda, uma vez que as mães
perceberam que os surdos se identificam e procuram os seus iguais.

9. Considerações Finais:

A partir das variáveis observadas nesta experiência no estudo sobre o


ensino de libras na educação fundamental nas escolas, foi possível observar
que a inclusão escolar e a educação dos alunos surdos, promovem algumas
modificações que devem ocorrer anteriores à sua presença na escola, como as
modificações que ocorrem à medida que as especificidades são identificadas,
bem como a capacitação dos profissionais que irão trabalhar diretamente com
eles.
Desta maneira, este artigo reafirma que a inclusão de alunos surdos na
sala de aula do ensino comum é uma proposta não relacionada somente com
as questões da surdez, mas com questões que envolvem uma diferença
diversificada num sentido de que outros caminhos pedagógicos devem ser
trilhados para que estes alunos possam vir a constituir-se como um sujeito
surdo pertencente a uma sociedade cuja maioria é de ouvintes. Dentre estes
ouvintes, outras diferenças também existem, pois vivemos em uma sociedade
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que também não reconhece as necessidades dos ouvintes, não tem um olhar
para suas particularidades.
Esses aspectos crítico - pedagógicos que envolvem o ensino de libras
para as séries iniciais sempre estarão sujeito a mudanças. Estas, não ocorrem
de modo rápido e também não são de fácil elaboração, pois os conceitos sobre
a educação e língua de sinais, necessitam serem reformulados e ao mesmo
tempo esses novos conceitos que circulam no interior escolar, devem ser
aceitos por todos na área da educação, sabendo que conflitarão com aqueles
já existentes.
Há muito que se fazer ainda no que se diz respeito sobre a educação
especial. As instituições de ensino precisam proporcionar mais recursos
linguísticos para os deficientes auditivos para que eles possam se desenvolver
de forma autônoma, preparando - se para os desafios do cotidiano fazendo a
diferença.
Desta forma, será no cotidiano da inclusão escolar, através das
experiências e reflexões das mesmas, que se estabelecerá no processo social,
as maneiras para a inclusão e quais serão as propostas pedagógicas utilizadas
para o ensino das crianças com necessidades educativas especiais.

10 Referências Bibliográficas:

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2005/(organização INES. Divisão de Estudo e Pesquisa – Rio de janeiro. P.
163.)

10. Anexos:

fig 01: o que é libras?

Fig 02: educador e educando


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Fig 03: palestra e interprete