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Aquilo que é excluído da relação epistemo-somática é justamente aquilo que o corpo em seu

registro purificado vai propor à medicina.

A dicotomia cartesiana deixa de fora a apreensão do corpo – não como corpo imaginado – mas
do corpo “verdadeiro em sua natureza”.

Este corpo não é simplesmente caracterizado pela dimensão da extensão. Um corpo é algo
feito para gozar, gozar de si mesmo. A dimensão do gozo é completamente excluída disto que
chamei relação epistemo-somática. Isto porque a ciência é capaz de saber o que pode, mas
ela, não mais do que o sujeito que ela engendra, é incapaz de saber o que quer.

(Sobre os dispositivos do mundo moderno: há alguma coisa que não é um olho e que isola o
olhar como presente).

A segunda dimensão característica de sua presença no mundo – a primeira seria a epistemo-


somática, referente à ciência – é a dimensão ética. Aquela que se estende em direção ao gozo.

Duas balizas: primeiramente a demanda do doente, em segundo lugar o gozo do corpo.

Freud inventou aquilo que deveria responder à subversão da posição do médico pela ascensão
da ciência.

Situar a função do desejo: existe um desejo (inconsciente) porque existe algo de inconsciente,
ou seja algo da linguagem, que escapa ao sujeito em sua estrutura e seus efeitos e que há
sempre no nível da linguagem alguma coisa que está além da consciência. ...

Por isso é necessário fazer intervir esse lugar que chamei de lugar do Outro, que diz respeito a
tudo que é do sujeito. Substancialmente, é o campo em que se localizam os excessos de
linguagem dos quais o sujeito porta uma marca que escapa a seu próprio domínio. É neste
campo que se faz a junção com aquilo que chamei de pólo do gozo.

O prazer é uma barreira ao gozo. ... aquilo que chamo gozo, no sentido em que o corpo se
experimenta, é sempre da ordem da tensão, do forçamento, do gasto, até mesmo da proeza. É
somente em certo nível de dor – relacionada ao campo do gozo – que se pode experimentar
toda uma dimensão do organismo que de outra forma fica velada.

O desejo é de alguma forma o ponto de compromisso, a escala da dimensão do gozo na


medida em que de certo modo este desejo permite levar mais longe o nível da barreira de
prazer.

UM DOS MOTIFS DO TEXTO: Topologia do sujeiro -> suas superfícies e limites fundamentais
que se referem ao sujeito em sua duplas relação com o saber.

A linguagem é o que dá ao desejo inicialmente seu lugar; e o desejo tem sua primeira aparição
como desejo de saber.

A originalidade da posição do médico situa-se em torno da resposta a uma demanda de saber.

O inconsciente é uma fechadura tão precisa quanto possível e cujo manejo não é outro senão
abrir, de uma maneira inversa de uma chave, aquilo que está além de uma cifra, essa abertura
não pode mais que servir ao sujeito em sua demanda de saber.

A ciência mais que nunca suporta esse mito do sujeito suposto saber e isso é o que permite e
sustenta a existência do fenômeno da transferência em sua referencia mais primitiva e mais
enraizada no desejo de saber.