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PRÁTICAS PSICOSSOCIAIS NAS UNIDADES DE SAÚDE: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA PSYCHOSOCIAL

PRÁTICAS PSICOSSOCIAIS NAS UNIDADES DE SAÚDE:

REFLEXÕES A PARTIR DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA

PSYCHOSOCIAL PRACTICES IN THE HEALTH UNITS: REFLECTIONS IN THE FIELD OF COMMUNITY SOCIAL PSYCHOLOGY

Resumo

Maria de Fátima Quintal de Freitas 1 Joselene Miriani 2

O presente artigo faz uma discussão sobre as relações da prática psicológica em unidades de saúde e suas relações com a psicologia social comunitária. Analisa as influências do modelo clínico na prática dos psicólogos no campo da saúde pública, e enfoca os desafios e dificuldades enfrentados por profissionais que trabalham nas unidades de saúde. São feitas algumas reflexões sobre as lacunas da formação em psicologia na saúde pública e estabelece relações com as contribuições da psicologia social comunitária.

Palavras chave: Saúde Pública e Psicologia Social Comunitária; Práticas Psicológicas em Unidades de Saúde; Psicologia Social Comunitária e Formação em Saúde Pública

Abstract

The present article makes a discussion about relations between psychological practical in health units and community social psychology. It analyzes the clinical model influence in the psychologist’s practices in the field of the public health, and focuses the challenges and difficulties faced for professionals who work in the health units. Some reflections are made about imperfections during psychology formation process in public health and connect relations with community social psychology contributions.

Key-words:

Health Units; Community Social Psychology and Trainning in the Public Health

Health Public and Community Social Psychology; Psychological Practices in the

1 Dra. em Psicologia Social pela PUC-SP, e Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Contatos: fquintal@terra.com.br 2 Mestre em Psicologia pela UFPR e Professora da Faculdade Ingá (Uningá). Maringá. Paraná. Contatos:

josimiriani@hotmail.com

PRÁTICAS PSICOSSOCIAIS NAS UNIDADES DE SAÚDE: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA As relações

PRÁTICAS PSICOSSOCIAIS NAS UNIDADES DE SAÚDE:

REFLEXÕES A PARTIR DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA

As relações entre Psicologia e Saúde Pública passam a se tornar mais visíveis a

partir da década de 90 e, consequentemente, adquirem uma maior importância seja para

uma discussão sobre a formação, seja para as práticas a serem desenvolvidas neste campo.

Presenciamos um movimento de ampliação de várias áreas de atuação, no campo das

Ciências Humanas e Sociais, assim como fortificam-se as demandas da sociedade civil

para com diversos profissionais quanto às suas possibilidades de inserção e atuação.

Assim é que em relação à Psicologia, apresenta-se, paulatinamente, a possibilidade

de um novo campo de trabalho, e de inserção em espaços antes não conhecidos ou

comuns, potencializando assim um processo de aproximação e deselitização da psicologia

para com a maioria da população, ao mudar sua forma de trabalhar, indo de modelos

diádicos e clínicos, para propostas grupais e dentro de uma perspectiva mais social

(Freitas, 1998, 2002) . O presente artigo propõe-se a trazer alguns informes sobre a

prática 3 desenvolvida por psicólogos em unidades de saúde, buscando interfaces disto com

o processo de formação que receberam, com o intuito de serem feitas,aqui, algumas

reflexões sobre este ‘fazer psicossocial em saúde’ a partir da ótica da psicologia social

comunitária.

É a partir dos anos 90 que passamos a ver as relações entre psicologia e saúde

pública tornarem-se objeto de algumas pesquisas visando não só uma análise disto, mas

também o encontro de lacunas que possam ser aprimoradas no processo de formação dos

futuros psicólogos. A atuação dos psicólogos junto á atenção primária em saúde, presente

em vários dos estudos realizados, mostra vários tipos de dificuldades que este profissional

enfrenta (Boarini, 1996; Dimenstein, 1998; Carvalho e Yamamoto, 1999; Batista, 2000;

Joselene, 2005).

Entre elas aparecem a falta de preparo, por parte do profissional, para enfocar e

encaminhar alternativas para os problemas da clientela atendida nas unidades de saúde; ao

enfrentamento de dilemas relativos ao “quê fazer” que vá além de uma proposta clínica; e

3 Parte das informações colhidas sobre a prática nas unidades de saúde deriva de dados obtidos na Dissertação de Mestrado intitulada: “Práticas Psicológicas em Unidades Básicas de Saúde e Psicologia Social Comunitária: Desafios e possibilidades” (Programa de Pós-Graduação em Educação, UFPR, 2005), de Joselene Miriani, sob a orientação de Dra.Maria de Fátima Quintal de Freitas.

às formas de aproximação e de se fazer ente nder junto à comunidade em geral,

às formas de aproximação e de se fazer entender junto à comunidade em geral, além da quebra de expectativas quanto a soluções rápidas e mágicas esperadas, junto com os estereótipos sobre o que faz um psicólogo nesse contexto. De maneira geral, poder-se-ia dizer que estas dificuldades localizam-se em três grandes eixos: um, situado nas questões relativas às relações estabelecidas entre o profissional de psicologia e a unidade de saúde, esta sendo vista como estrutura público-estatal e como receptora de inúmeras demandas da comunidade; outro, relativo ao trabalho, em si, realizado em termos de metodologias, encaminhamentos e alternativas encontradas para lidar com esta realidade; e, por fim, um terceiro eixo relacionado às ligações existentes deste profissional para com a equipe multi- profissional.

Relação Psicologia e Saúde Pública: desafios e necessidades Ao longo das inúmeras práticas que vêm sendo desenvolvidas, ligadas às temáticas relativas ao binômio saúde-doença e suas condições de superação/manutenção, tem se observado que o trabalho da psicologia, no contexto das unidades de saúde, não tem sido diferente àquele preconizado nos moldes tradicionais de formação. O que se tem observado, independentemente de quais sejam os referenciais epistemológicos adotados, é que a prática da psicologia nas unidades de saúde, de maneira geral, tem se dado dentro do tradicional modelo clínico. Neste modelo predomina a relação diádica entre o profissional e o usuário de saúde, tendo matizes fortemente colocados em uma hierarquia de saberes, ao lado de uma perspectiva de análise em que “algo” parece não ir bem na estrutura psíquica do indivíduo, quase independentemente das condições reais de vida, que poderiam tornar esse indivíduo mais suscetível a uma vida saudável, ou ao contrário, impactada por fatores de adoecimento. Lastimavelmente, esta preocupação para com a vida concreta das pessoas, considerando-a um elemento crucial na potencialização de vidas mais saudáveis (ou menos), ainda não faz parte da prática corrente dos profissionais de psicologia, quando se inserem em outros espaços de atuação distintos dos seus consultórios particulares (Freitas, 2003). Esta constatação que, infelizmente, vem persistindo ao longo dos últimos quase 20 anos – a despeito de em meados dos anos 80, como resultado de uma luta do CFP, ter havido a criação do cargo de psicólogo nos postos de saúde da época (hoje, unidades de

saúde) – indica algumas preocupações que parecem-nos necessárias de serem analisadas, se se pretende uma

saúde) – indica algumas preocupações que parecem-nos necessárias de serem analisadas,

se se pretende uma formação em psicologia que seja comprometida com a realidade

concreta das pessoas, e se se deseja que este campo se junte a outros no sentido de serem

construídas possibilidades de atuação junto aos programas de políticas públicas, que sejam

mais conseqüentes e contemplem propostas de ação comunitária, cujos resultados possam

ser estendidos a todos.

Além disto, através dos inúmeros programas interdisciplinares e de intervenção em

comunidade, pode-se observar, de maneira inconteste, que tem havido um descompasso

entre o psicólogo (sua formação e suas práticas) e as exigências e demandas do serviço

público de saúde. Boarini (1996) aponta que a atividade do psicólogo nesse setor necessita

de uma definição: “

é possível afirmar, sem risco de errar, que a intervenção do

psicólogo no nível primário da saúde publica, ainda, busca (por) uma definição” (p.104-

105).

Quando se discute a relação da psicologia com a saúde pública, a questão da

formação profissional do psicólogo aparece como um aspecto importante a ser

considerado, em especial porque diante das dificuldades e desafios sobre o que fazer em

relação aos usuários, no contexto da saúde, é isto que surge como objeto de análise e

avaliação.

Ao longo dos anos de formação, a atividade clínica foi privilegiada e aparece

evidenciada na prática dos psicólogos nas unidades de saúde. Obviamente se isto tem este

destaque é, no mínimo, porque tal ênfase também foi dada durante os cursos de formação,

que enfatizaram um processo de qualificação dos futuros psicólogos baseado na formação

clínica tradicional, enfocando os aspectos do indivíduo no âmbito psicológico. Entretanto,

o que as diversas práticas têm revelado é que tal formação, em si, não tem sido suficiente

para o enfrentamento dos desafios e das dificuldades nesse campo de atuação em saúde,

numa perspectiva da saúde pública e comunitária.

Sobre o Movimento da Psicologia em Direção ao Campo da Saúde: um breve resgate A orientação clínica caracterizou a atividade da psicologia desde sua formação até

os dias de hoje, contribuindo para a construção de uma profissão dentro desta expectativa

de atuação e, consequentemente, consolidando modelos individuais e psicologizantes de

prática e os efeitos desse tipo de orientação para a psicologia enquanto profissão. Este foi

prática e os efeitos desse tipo de orientação para a psicologia enquanto profissão. Este foi já o primeiro informe de relevância a respeito da profissão desde os seus primórdios, no Brasil, nos anos 70. A primeira pesquisa realizada no Brasil sobre as relações entre Psicologia e Profissão foi a da Profa. Dra. Sylvia Leser de Mello, da USP-SP, em 1975. Esta investigação foi desenvolvida em 1970, junto a psicólogos(as) que haviam se graduado até essa data. A análise dos dados obtidos trouxe, já àquela época, reflexões importantes sobre a prática e o perfil do profissional que estava sendo formado, mostrando

a grande ênfase que já iniciava sua trajetória hegemônica no campo da orientação clínica e individual, privilegiando os trabalhos desenvolvidos em consultórios ou clínicas psicológicas (Mello, 1975). Segundo Mello (1975), nessa época, um pouco mais de 10 anos após a regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil, 52% dos psicólogos tinham na clínica a atividade principal de sua profissão, entendendo-se clínica, como

descrito pela autora, aquelas atividades desenvolvidas em consultório particular e dirigidas

a uma pequena parcela da população. Deriva-se, daí, também que esta parcela deveria possuir um razoável poder aquisitivo a fim de poder pagar pelos serviços prestados por este profissional. Desta maneira, a maioria da população já estaria excluída desta possibilidade de atendimento ou prática, em especial naquela ocasião, quando não havia ainda o serviço do psicólogo nas unidades e postos de saúde pública, portanto, gratuitos à população. Outra informação importante nesta pesquisa relaciona-se ao fato de que havia uma preferência explícita, por parte do profissional de psicologia, para o desenvolvimento de suas atividades de forma autônoma, consolidando-se assim o modelo do profissional liberal. Além disto, nesta ocasião, como ainda o mercado de trabalho era incipiente para este tipo de profissional, havia a possibilidade dos psicólogos poderem manter mais de uma ocupação dentro de sua profissão, atuando em vários espaços, como clínicas, organizações e outros. Entretanto, já naquela ocasião, a investigadora responsável por este levantamento importante sobre a profissão, alertava que este destaque e privilégio da clínica como forma de atuação, e dos vários espaços de trabalho como possibilidades de ampliação da prática e dos ganhos seriam transitórios. A meados dos anos 70, já havendo um aumento na abertura de vários cursos de psicologia, acompanhado pelo aumento dos profissionais no mercado assim como por

novas demandas e a busca por outros tipos de atuação, constituir-se-iam em fatores responsáveis para

novas demandas e a busca por outros tipos de atuação, constituir-se-iam em fatores responsáveis para esta transitoriedade da prática clínica, abrindo-se possibilidades para uma certa institucionalização do trabalho desse profissional. Hoje, pode-se dizer que parte desta previsão aconteceu, ou seja, que houve uma certa transitoriedade da clínica apenas na sua faceta de ser realizada nos consultórios, mas quanto ao modelo clínico verifica-se que é ainda predominante. Assim, pode-se ainda afirmar que continua a haver a hegemonia das práticas clínicas, somente que hoje elas acontecem não mais se restringindo a um único espaço, e sim em lugares antes inimagináveis para aquele modelo que predominava nos anos 60 e 70 (Freitas, 2005). Isto em parte aconteceu porque, de um lado, este profissional não sobrevive mais como autônomo, dependendo de algum tipo de vinculação, seja formal ou informal, em cargos públicos ou em atividades ligadas a ONGs nos campos da saúde, educação e políticas afirmativas. Por outro lado, revela, também, que os cursos de psicologia continuam com os mesmos modelos tradicionais e dominantes na formação principal dos futuros psicólogos. Quando a profissão completa 25 anos de existência no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) realiza um grande levantamento acerca das atividades do psicólogo no país, revelando um quadro que se modifica a respeito da inserção profissional do psicólogo (CFP, 1988). Apesar de algumas inovações, a distribuição geral dos psicólogos, por área de atuação, não se difere muito daquele apontado na primeira investigação, nos idos dos anos 70. A clínica aparece em primeiro lugar, sendo considerada por Bastos (1988) como um modelo hegemônico de atuação dentro da psicologia. É apontada a falta de adequação desse modelo tradicional de atuação – clínico e no nível individual – à nossa realidade nacional, em termos do seu distanciamento dos problemas vividos pela população.

Já a partir dos anos 80 delineia-se um novo panorama para a Psicologia como profissão no país. A atividade clínica tradicional - realizada no consultório e voltada a uma pequena parcela da população - não apresenta mais uma demanda suficiente para inserir no mercado o contingente de profissionais que oferecem seu trabalho nessa área. A grave crise econômica, vivida há alguns anos no país, traz repercussões para as possibilidades de absorção pelo mercado dos novos contingentes de profissionais, além

dos altos índices de desemprego e sub-empr ego, gerando redução qualitativa e quantitativa nos padrões

dos altos índices de desemprego e sub-emprego, gerando redução qualitativa e quantitativa nos padrões de vida da maioria da população. A profissão de psicólogo também é afetada, reduzem-se as chances de sobreviver como profissional liberal:“A situação de crise econômica é um poderoso condicionante externo, também, para o segmento autônomo da categoria, ao pauperizar a classe média, reduzindo o seu poder de acesso aos serviços psicológicos” (Bastos, 1990, p. 39). Ao lado disto, no campo da saúde pública o psicólogo – já como cargo reconhecido nas unidades de saúde desde 1985 - passa a integrar as equipes de saúde. A inserção do psicólogo nas equipes de saúde é decorrente dos esforços de dois movimentos no campo da saúde: a Reforma Sanitária e a Reforma Psiquiátrica. Estes movimentos buscavam uma mudança na perspectiva de assistência à saúde, saindo de uma lógica curativa e individual e indo para referenciais pautados em uma visão de saúde mais coletiva. Além dos movimentos citados houve também as reivindicações do CFP e dos Conselhos Regionais de psicologia para a criação do cargo de psicólogo na saúde pública, cuja implantação vai acontecendo em tempos diferentes de estado para estado e região. (Dimenstein, 1998). Este é um movimento que tem seus correlatos ao mesmo processo que já vinha acontecendo no campo da Psicologia Social Comunitária (PSC). O que se passa na PSC é um movimento de buscar outras alternativas de atuação e inserção para o psicólogo, a fim de que possa estar mais próximo da realidade concreta da população, realizando trabalhos dentro de uma perspectiva que não fosse nem a-histórica e nem psicologizante e que pudesse, enfim, colocar sua profissão a serviço da sociedade e da comunidade, comprometendo-se com a superação dos fatores de exclusão, opressão e marginalização nos quais a maioria das pessoas viviam (Freitas, 1998). A questão da insuficiência dos modelos e concepções tradicionais, para lidar e enfrentar os problemas reais da população, coloca-se como primordial para a Psicologia Social Comunitária, e inicia-se na mesma direção, ao final dos anos 80 e mais fortemente quase uma década depois, para os trabalhos da psicologia no campo da saúde, em especial os da saúde pública e comunitária. É para isto que as dificuldades da prática dos profissionais neste campo apontam. Assim, considerando as dificuldades encontradas pelos psicólogos quando atuam no contexto da saúde pública e a íntima relação de tais dificuldades com a formação profissional,

pretendemos discutir esta problemática a part ir do que os profissionais que estão fazendo em

pretendemos discutir esta problemática a partir do que os profissionais que estão fazendo em seus trabalhos nas Unidades Básicas de Saúde.

Sobre a Prática dos(as) Psicólogos(as) nas Unidades Básicas de Saúde(UBS) Foram levantadas informações, através de entrevistas semi-estruturadas, realizadas junto a psicólogas (em um total de oito) que atuavam em unidades de saúde básica, no interior do Estado do Paraná. Parte destas informações estão apresentadas, aqui, em especial no que se refere ao trabalho realizado e às dificuldades enfrentadas, assim como às possibilidades de resolução.

Conhecendo estes profissionais e dando voz às suas dificuldades Todas as entrevistadas fizeram sua graduação em instituições públicas de renome nacional, sendo a quase totalidade (sete) em universidade pública do próprio estado e região. Além disto, todas relatam terem continuado parte de seus estudos, fazendo algum tipo de curso de especialização em sua região ou estado e distribuídas da seguinte maneira:

em Saúde Mental (quatro); na área de Educação ou Psicopedagogia (três); em Formação em Psicanálise (três); em Psicoterapia Infantil (uma). Há ainda uma entrevistada que fez um Aperfeiçoamento em Saúde Mental pela Fiocruz. Em todos os cursos indicados e através de observações das próprias participantes verifica-se que há um predomínio, ou uma forte influência, da Psicanálise como eixo central de abordagem, formação e preparação para a prática nos campos nos quais são tratados os temas dos cursos em questão. Em alguns deles além da influência psicanalítica, aparecem outros conteúdos e recortes epistemológicos que parecem permitir uma abrangência maior, como é o caso do curso de Saúde Mental, que contemplou também a discussão sobre a Luta Antimanicomial e a atuação do psicólogo nas UBS. Apenas nos cursos ligados ao campo da Educação é que o referencial psicanalítico apareceu apenas como vertente secundária, não deixando de ser considerado. No grupo de entrevistadas pode-se dizer haver dois grupos no quesito tempo de formação: há um grupo em que o tempo é superior a 14 anos, e no outro, as profissionais se localizam em terem entre 4 e 5 anos de formadas. Quanto às práticas já desenvolvidas, anteriormente, antes do ingresso nas UBS, as entrevistadas indicaram uma variedade de

trabalhos e atuações que se distribuíram da seguinte maneira: a maioria já trabalhou em clínica

trabalhos e atuações que se distribuíram da seguinte maneira: a maioria já trabalhou em clínica particular (seis); três em trabalhos na área organizacional; duas com trabalhos na área da educação; duas com trabalhos na área social de prefeituras; uma trabalhando com a psicologia do esporte; e uma com “menores infratores” (expressão utilizada pela entrevistada). As práticas realizadas junto às UBS não se apresentam como exclusivas para todas, havendo metade das profissionais que desempenham outras atividades para além das UBS. Entre estas outras atividades encontra-se, para todas, a prática de consultório em clínica particular como importante, e uma delas ainda atua também no Conselho Tutelar de sua região.

Quanto às contribuições do processo formativo pelo qual passaram, sete das entrevistadas apontam ter havido várias contribuições. Entre estas contribuições, importantes para o trabalho que realizam hoje, encontram-se, fundamentalmente, os estágios realizados nas unidades ou postos de saúde, empregando os Grupos Operativos e estudando as teorias que foram abordadas (três entrevistadas). Depois, outras contribuições da formação recebida são indicadas pelas psicólogas como se relacionando às atitudes do profissional, no sentido deste ter uma “visão crítica e social do homem” e de despertar a consciência da “necessidade de estar sempre estudando”. Uma das entrevistadas diz que não houve contribuição da sua formação para estar atuando hoje nesta área das UBS. O relato desta entrevistada é contundente no sentido de afirmar que o que faz hoje foi aprendido no dia a dia, e que os conhecimentos que recebeu em sua formação são muito distantes da realidade com a qual trabalha e enfrenta as dificuldades cotidianas. Já em relação à formação, naquilo que pode ter ficado aquém ou não ter preenchido em termos de necessidades, ao focalizar o trabalho atual, todas as entrevistadas apontam deficiências ou lacunas. A principal delas refere-se ao caráter específico e restrito da formação, que não permitiu um conhecimento ampliado, assim como não levou a uma compreensão mais generalista sobre os acontecimentos e fenômenos psicológicos, assim como não dá acesso a outras áreas de atuação da psicologia, para além das tradicionais que viram em seus cursos, de tal modo que, por exemplo, o campo da psicologia social

comunitário é algo desconhecido e novo, e que não foi tratado ou estudado em seus

comunitário é algo desconhecido e novo, e que não foi tratado ou estudado em seus cursos, mesmo para as mais novas de formação. Ainda outras lacunas são indicadas pelas psicólogas e que têm algum peso no desenvolvimento de seu trabalho. Entre tais deficiências ou lacunas encontram-se: a falta de discussão e estudo de conteúdos relativos às patologias e à Luta Antimanicomial; como fazer um psicodiagnóstico; e conteúdos sobre trabalhar com grupos e com equipes multiprofissionais. As razões para tais deficiências, em parte, são indicadas como se devendo a aspectos individuais, ligados à falta de maturidade do estudante e à necessidade do profissional de ir em busca daquilo que faltou.

Sobre as Atividades Várias são as atividades descritas pelas entrevistadas identificadas como:

atendimento individual, visita domiciliar, realização de grupo de gestantes, reunião/orientação em equipes do PSF (Programa Saúde da Família) ou somente com os ACSs (Agentes Comunitários de Saúde), reunião de colegiado ou com a equipe geral da Unidade, realização de grupo de adolescentes, grupo ou acompanhamento a pacientes egressos de hospital psiquiátrico, grupos de artesanato, grupo de crianças, grupo de cuidadores de acamados, e grupo de familiares de alcoolistas. Os atendimentos individuais acontecem dentro dos padrões psicoterápicos tradicionais, seguindo a formação recebida em sua graduação. As visitas domiciliares acontecem quando realizadas dentro da programação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipes do PSF. Ainda quanto às atividades realizadas na equipe de PSF, há a informação de se caracterizar por atividades de orientação e treinamento aos agentes comunitários de saúde. Vários são os trabalhos de grupo indicados pelas psicólogas, referindo-se a atividades, situações e pessoas distintas. Assim, por exemplo, os grupos de artesanato, em geral, não são coordenados pela psicóloga, mas sim pelas Agentes Comunitárias de Saúde, tendo apenas o acompanhamento daquela profissional. Já os trabalhos realizados junto aos grupos de gestante têm um caráter informativo, fornecendo alguns conhecimentos importantes às mulheres nas reuniões grupais. O trabalho com pacientes egressos do hospital psiquiátrico aparece em apenas uma UBS e é realizado com atividades artísticas e dentro da perspectiva do que é denominado de trabalho de inclusão social.

No trabalho desenvolvido, de acordo com o relato das entrevistadas, verifica-se haver um predomínio do

No trabalho desenvolvido, de acordo com o relato das entrevistadas, verifica-se haver um predomínio do emprego do referencial psicanalítico, em especial para as atividades de atendimento individual e psicoterápico. Este embasamento está presente e tem certa prevalência na formação destes profissionais, revelando o que a história de construção da profissão, no sul do país indica. Em outras palavras, houve uma forte migração de psicólogos latinos durante o período da repressão na Argentina e Chile, nas décadas de 60 a 80, com formação psicanalítica, e que se instalaram nas cidades e capitais da região sul e promoveram seus círculos de formação em psicanálise. No relato destas profissionais sobre as razões de empregarem este referencial em sua prática na saúde nas unidades básicas, apontam o fato de que este foi o único que conheceram, em sua trajetória na graduação ou como profissionais. Assim sendo, as estratégias e recursos utilizados são os tradicionais e de uso clínico, como a psicoterapia breve de orientação psicanalítica, seja no atendimento individual e em grupo, o uso de testes psicológicos e a realização de grupos operativos. Apesar desta forte influência, algumas delas indicam tentar modificar suas práticas, buscando sair dos caminhos tradicionais da psicologia clínica, mas não apontam claramente como isto acontece, ou que recursos acabam utilizando. Algumas das psicólogas dizem usar um “modo diferente de lidar com o sofrimento humano, com mais acolhimento”; ou em outros momentos reconhecem a necessidade da busca de caminhos alternativos. Estas profissionais são as que têm mais de 15 anos de formação e que fizeram curso de especialização em saúde mental e em educação. Isto parece indicar que os intentos de sair dos modelos tradicionais aparece para profissionais que tiveram mais situações nas quais se defrontaram com vários problemas e dificuldades, decorrente do seu tempo maior de trabalho; e também são profissionais que tiveram, de algum modo, algum contato fora do campo específico da psicanálise e psicologia, derivado dos cursos de especialização nas áreas correlatas, o que pode lhes ocasionar outros questionamentos e possibilidades. Apesar de trabalharem em unidades de saúde e nas propostas de saúde pública, em que há a prescrição dos chamados trabalhos em equipe, as psicólogas relatam que essa prática interdisciplinar e em equipe não vem acontecendo de maneira adequada. Apontam alguns fatores que mostram como os diversos profissionais compreendem e percebem esse

tipo de trabalho. Algumas relatam que a pr ática em equipe acontece quando há a

tipo de trabalho. Algumas relatam que a prática em equipe acontece quando há a necessidade de alguma situação ser discutida por vários profissionais em um espaço comum. Os motivos para a não realização deste tipo de trabalho, vão desde aspectos individuais, como a “natureza egoísta do ser humano”, passando por fatores ligados à formação profissional, até a atribuição de razões externas como a sobrecarga de trabalho da equipe e a indefinição quanto aos modelos atenção à saúde a serem adotados na rede pública, deixando os profissionais sem uma diretriz clara sobre o quê fazer e os procedimentos de trabalho conjunto a serem realizados. Aparece como maior dificuldade, apontada por estas profissionais em seu cotidiano de trabalho, a sobrecarga de atividades e a constante solicitação para que desenvolvam outros trabalhos dentro da sua UBS. São indicados também como dificuldade, para a realização de suas atividades, a falta de capacitação técnica e a falta de recursos materiais, ao lado de não saber como lidar com a condição social do usuário da UBS, cuja condição social, de moradia e de vida, muitas vezes é de pouco conhecimento dos profissionais dentro da unidade de saúde. As psicólogas relatam que os usuários apresentam problemas de moradia, falta de emprego, aposentadoria, falta de perspectiva com os quais estas profissionais dizem sentirem-se impotentes. Relatam, também, dificuldades quanto à falta de recursos materiais para trabalhar com os grupos, como o de artesanato, por exemplo. Ainda apontam a sobrecarga da equipe de trabalho, o pouco ou inexistente tempo para discutir e refletir sobre as ações, impedindo que haja um trabalho, de fato, em equipe. Outras, ainda, apontam a dificuldade para fazer trabalhos dentro das expectativas do que seria um trabalho em uma equipe de saúde da família, pelo fato de pouco conhecerem tanto o campo, como as atribuições específicas nesse tipo de atividade. Dessa forma, acabam se restringindo ao atendimento individual, e com aquilo que aprenderam, ou seja, o recorte clínico.

Neste contexto, vale aqui destacar a crítica feita por uma profissional que aponta a restrição e a inadequação do modelo de atendimento clínico, como a psicoterapia breve, para o tipo de vida e problemática dos usuários, seja porque há um alto comprometimento dos pacientes, seja porque o profissional pouco conhece esta realidade.

Para o enfrentamento destas dificuldades e impasses apontam algumas estratégias como: dividir as tarefas com

Para o enfrentamento destas dificuldades e impasses apontam algumas estratégias como: dividir as tarefas com a equipe de trabalho procurando discutir as alternativas de ação; racionalizar seu trabalho, não respondendo a todas as solicitações feitas e se limitando a realizar aquilo que é possível; buscar solução nas habilidades pessoais que possui, do como por exemplo ser mais atenciosa e compreensiva com o paciente; e em alguns casos, buscar saídas individuais como ir fazer a sua psicoterapia. Assim, o que se verifica é que as psicólogas tentam resolver suas dificuldades, buscando adequações técnicas como: uma melhor triagem, avaliação da motivação para o tratamento, ser mais compreensiva para com o paciente, e até dar retorno pelo telefone aos pacientes. Outra saída relatada diz respeito à divisão das tarefas com a equipe da Unidade de Saúde. As psicólogas entrevistadas dizem que conversam com a equipe explicam o que é possível fazer e o que não é, mas que em última instância o que conseguem, mesmo, fazer é desenvolver atendimentos individuais. Outras ainda indicam buscar na sua própria terapia e procura da supervisão de casos com outros profissionais, uma alternativa para a resolução dos problemas que enfrentam em seu trabalho, mas que isto lhes produz um gasto muito alto e nem sempre conseguem arcar com este ônus.

Tecendo Algumas Considerações Apesar de observarmos um certo “desbravamento” na realização dos trabalhos, em termos de descobrirem caminhos, já que parece que a sua formação pouco contribuiu para irem além dos modelos tradicionais, todas as entrevistadas apontaram dois aspectos importantes. Um deles refere-se ao fato de considerarem a ajuda ao usuário como a maior contribuição de seu trabalho, enfatizando, de novo, a perspectiva clínica e psicoterápica. Decorre daqui, a explicitação de um certo distanciamento e desconhecimento para com as condições concretas de vida deste usuário, ao mesmo tempo que revela uma formação recebida em termos de desconsiderar os aspectos históricos e sociais da produção do fenômeno psicológico (Martín-Baró, 1987). O segundo aspecto refere-se ao fato de todas, de maneiras e intensidades diferentes, revelarem estar satisfeitas com o trabalho que realizam, seja pelo fato de poderem atender as pessoas, seja por terem agora um contato maior com esta realidade, seja por se sentirem fazendo algo para este tipo de população, ou por colocarem a psicologia mais próxima e conhecida a esta realidade. Motivações e

satisfações desta natureza parecem se manter presentes nos trabalhos que aproximam o profissional da realidade

satisfações desta natureza parecem se manter presentes nos trabalhos que aproximam o

profissional da realidade concreta da população e tem se mostrado freqüentes em trabalhos anteriores (Freitas, 2002). As mudanças indicadas como desejadas em seus trabalhos referem-se ou a aspectos materiais e de recursos, ou algum aspecto pontual relativo à condição do usuário.

O que as entrevistas revelaram – repetindo achados anteriores (Silva,1992;

Yamamoto,2000) - é que a prática do psicólogo, no campo da saúde pública, tem permanecido como uma extensão da clínica tradicional. Ao lado disto, tem havido um movimento de considerar e analisar as relações entre a saúde e as condições concretas de existência das pessoas. Isto exige que os profissionais envolvidos neste campo devam ter, agora, uma formação muito mais generalista do que anteriormente, aliando seus conhecimentos específicos a esta análise mais crítica e histórica. Em outras palavras, no contexto contemporâneo das políticas públicas, não faz mais sentido haver profissionais que pouco conheçam e compreendam os determinantes sócio-históricos dos fenômenos com os quais trabalham, sejam eles médicos, enfermeiros, assistentes sociais,

fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais ou psicólogos. Infelizmente, nem sempre tem sido esta a preocupação da psicologia, no processo de formação de seus profissionais, mesmo que nos últimos anos tenha se ampliado um discurso de comprometimento com as questões sociais. Isto em parte porque os cursos ainda permanecem, em sua essência, ancorados em visões tradicionais e com uma compreensão do fenômeno psicológico ainda distante da realidade sócio-histórico que o constitui.

Os pressupostos presentes na atividade vinculada à chamada saúde pública implica

ao menos em dois aspectos importantes: um, relativo à perspectiva coletiva, grupal e social da ação em saúde dirigida ao usuário, assim como à ênfase dada às relações travadas nos contextos concretos de vida das pessoas, sejam trabalho, comunidade ou escola; outro, uma preocupação para com a prevenção e promoção de saúde, antagonizando-se assim à prática clínica individual cujo eixo principal localizou-se, em sua história, na atividade de caráter curativo (Silva, 1992). O relato das psicólogas entrevistadas, aqui apresentado, mostra que, estes dois aspectos, infelizmente, ainda não são contemplados em sua prática profissional dentro das unidades de saúde. Verifica-se uma atuação psicológica ainda caracterizada pela atividade

clínica tradicional, embora algumas tentem cam inhos alternativos à prática tradicional que resultam em trabalhos

clínica tradicional, embora algumas tentem caminhos alternativos à prática tradicional que resultam em trabalhos inespecíficos e inseguros quanto aos seus objetivos. Isto nos faz, então, pensar no tipo de formação que sempre privilegiou um modelo individual, clínico e de caráter predominantemente curativo. Neste momento, pode-se então indagar sobre que aspectos estariam faltando a este tipo de prática, dentro de uma perspectiva da saúde pública. Em outras palavras, que desafios e que lacunas os psicólogos enfrentam no cotidiano de seus trabalhos nas unidades de saúde, cujo usuário é um forte representante da maioria da população brasileira? Este movimento de tentativa de aproximação da psicologia à maioria da população,

à sua realidade e vida, é um movimento que iniciou-se já nos anos 60, quando o gérmen daquilo que mais tarde iríamos conhecer como sendo a psicologia social comunitária, era

lançado, através de tentativas de levar a psicologia para as comunidades, favelas, cortiços

e bairros populares. Isto acontecia seja em São Paulo, no Rio de Janeiro, Porto Alegre,

Recife (Freitas, 2002). Nesta época, na zona leste da cidade de São Paulo, inicia-se o movimento de saúde numa perspectiva coletiva e participativa, o que mais tarde daria já as bases para os vários movimentos de saúde e moradia que iriam gestar a reforma na saúde pública. Nesta época, também havia psicólogos, ao lado de outros profissionais, buscando uma maneira - coletiva, em equipe e participativa - de trabalhar e colocar-se ao lado da população na defesa de seus direitos, incluindo-se aí o direito à vida e à saúde. Os germens de uma prática social e comunitária para qualquer profissional estavam lançados no início destes trabalhos. Alguns derivaram em projetos ou programas comunitários, ao lado de vários movimentos populares. Outros permaneceram dentro do campo da saúde, sendo que nas outras profissões a discussão sobre saúde pública e comunitária aconteceu antes ao do campo da psicologia, que foi ainda resistindo dentro do modelo clínico e individual. Hoje, diante do quadro que temos presenciado, ao lado da continuidade, ainda, em vários centros de formação de novos psicólogos numa perspectiva tradicionalmente clínica curativa, cabe perguntar sobre as relações entre a saúde pública e as práticas dos psicólogos. Uma consideração a ser feita aqui é aquela referida a se é ou não necessária esta relação. Ou seja, devemos formar profissionais dirigidos a uma atuação em saúde pública?

Embora possa ser estranho duvidar desta pertinência, isto tem por objetivo explicitar o compromisso que

Embora possa ser estranho duvidar desta pertinência, isto tem por objetivo explicitar o compromisso que temos quanto ao papel social e político que todo e qualquer profissional tem diante de sua gente e país. Assim, se a maioria da população somente tem acesso aos serviços dentro de uma estrutura de serviços públicos, também os psicólogos deveriam ser preparados para isto. Isto, por sua vez, exige que haja esta formação e, mais do que isto, uma formação que coloque frequentemente o profissional em contato com a realidade concreta da população. Ou seja, que conhecimentos possui o profissional sobre o tipo de vida, moradia, família e condições de sobrevivência do seu usuário da unidade de saúde? E como isto afeta o trabalho que realiza? È dentro desta preocupação que os trabalhos da Psicologia Social Comunitária podem trazer algumas contribuições, dirigidas á inserção, envolvimento e atuação que o psicólogo comunitário deve ter para com a vida concreta das pessoas com as quais trabalha. Isto, por sua vez, exige que possua, aprimore e desenvolva alguns domínios e habilidades que situam-se no campo da investigação-participante e das análises das necessidades vividas pelas pessoas, utilizando os marcos teórico-conceituais derivados da construção psicososcial do homem em sua vida concreta. Assim, dentro da perspectiva dos trabalhos da psicologia social comunitária e visando uma formação e preparação destes profissionais para o campo da saúde pública, acredita-se que alguns desafios deveriam ser enfrentados, na medida em que se pudesse responder adequadamente alguns questionamentos relativos a: a) como analisar as relações interpessoais dentro da dinâmica comunitária e da relação profissional e usuário de saúde; que instrumentos para conhecer e avaliar as condições de vida destes usuários e como isto pode afetar, explicita ou implicitamente, as crenças numa condição de vida mais saudável ou não; b)] como avaliar as necessidades vividas pelas pessoas e que lugar, no leque das necessidades sentidas, isto tem de tal modo que possa afetar o grau de adesão às propostas de promoção e prevenção da saúde; e c) como estabelecer uma relação horizontal, e partícipe entre os diferentes profissionais da equipe de trabalho, contribuindo para que possam criar formas de avaliação do impacto de seu trabalho, seja na perspectiva interna ou externa.

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