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TRF 1

Analista

1 Tópicos atuais no Brasil e no mundo, relativos a economia, política, saúde, sociedade, meio
ambiente, desenvolvimento sustentável, educação, energia, ciência e tecnologia.. ................................. 1

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1357297 E-book gerado especialmente para ANA CRISTINA DE QUEIROZ RAMOS


1 Tópicos atuais no Brasil e no mundo, relativos a economia, política,
saúde, sociedade, meio ambiente, desenvolvimento sustentável,
educação, energia, ciência e tecnologia.

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Economia

Qual é o impacto do escândalo das carnes na economia brasileira?1


Terceiro maior produto de exportação do Brasil, atrás da soja e do minério de ferro, as carnes
brasileiras conquistaram o mundo, tornando-se sinônimo de qualidade em mais de 150 países.
Mas esse selo de garantia está sob risco desde a última sexta-feira, quando a Polícia Federal revelou
um esquema de adulteração envolvendo pelo menos 30 frigoríficos.
Por si só, pela natureza das descobertas, a operação Carne Fraca já teria o potencial de causar
estragos significativos no mercado interno. Afinal, qual brasileiro vai querer comprar - e consumir -
possível carne adulterada?
Mas o problema se torna ainda pior porque essa mesma pergunta está sendo feita pelos compradores
internacionais - nesta segunda-feira (20/03), países como China, Chile e Coreia do Sul, além da União
Europeia, suspenderam temporariamente as importações de empresas citadas na fraude.
Por causa disso, segundo economistas ouvidos pela BBC Brasil, o impacto na economia brasileira
pode ser "maior do que se imaginava".
Eles ressalvam, contudo, que tudo "dependerá de quanto vão durar os embargos e se mais países vão
aderir a ele".

'Péssimo momento'
Mas existe um consenso: a operação da PF veio em um "péssimo momento" para o agronegócio, um
dos pilares da economia brasileira, que vinha esboçando sinais de recuperação.
"O Brasil custou para abrir novos mercados e agora a imagem do país está abalada lá fora. É difícil
prever o que vai acontecer, mas não resta dúvida de que esse escândalo será prejudicial para a economia
brasileira", diz à BBC Brasil José Carlos Hausknecht, sócio diretor da MB Agro, braço agrícola da
consultoria MB Associados.
Em outras palavras: isso pode acarretar um prolongamento da recessão, afetando a vida de todos os
brasileiros.
Já segundo estimativa da consultoria LCA consultores, no pior dos cenários - se todos os países
fecharem as portas às importações de carne brasileira - o impacto no PIB pode ser de até 1 ponto
porcentual. A previsão oficial do governo, que deve ser revisada para baixo nos próximos dias, é de
crescimento de 1%.

Desemprego e inflação
A revelação do esquema de carne adulterada terá consequências para a economia brasileira, explicam
os especialistas, pela "importância do setor de carnes".
Atualmente, de toda a carne produzida no Brasil, 80% é consumida pelo mercado interno. O restante
vai para fora.
No ano passado, as exportações brasileiras do produto somaram mais de US$ 14 bilhões (R$ 43
bilhões), ou 7,5% do total exportado, atrás apenas do minério de ferro e da soja.
Além disso, o setor de carnes possui uma cadeia produtiva "muito extensa", com "efeitos indiretos",
lembra Gesner Oliveira, sócio da consultoria GO Associados.
Oliveira estima que uma redução de 10% nas exportações brasileiras de carne pode custar 420 mil
postos de trabalho e R$ 1,1 bilhão a menos em impostos - notícia nada positiva em um momento de crise
fiscal.

1
21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/qual-e-o-impacto-do-escandalo-das-carnes-na-economia-brasileira.ghtml

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Já a inflação também deve subir por causa do escândalo, "devido a algum tipo de recall das carnes já
distribuídas ao comércio", diz à BBC Brasil André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Apesar disso, ressalva ele, o impacto na subida dos preços deve ser residual, já que o peso total das
carnes no índice oficial (IPCA) é de apenas 3,69%.
"Nesse sentido, uma alta adicional de 2% nesses produtos iria criar um impacto de 7 pontos base (ou
0,07%) na inflação plena: neste caso, se o IPCA fosse de 4,50%, ele ficaria em 4,57%", afirma.
"Mas será preciso saber mais detalhes sobre como isso vai ocorrer, pois não há notícias de
desabastecimento e não se trata da totalidade de toda a cadeia da carne", acrescenta.

Concorrência e protecionismo
Os especialistas também apontaram que, por causa do escândalo, o Brasil poderia perder espaço para
outros competidores no mercado global de carnes.
Nesse sentido, segundo eles, seria um "grande retrocesso" para um setor que se tornou prioridade
durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).
Nesse período, recursos públicos foram direcionados (via BNDES, a agência nacional de fomento)
para a criação dos chamados "campeões nacionais" - com o apoio irrestrito do governo, empresas como
a JBS e a BRF formaram monopólios e se projetaram internacionalmente.
"Hoje em dia, o mercado é altamente competitivo. Qualquer deslize pode ser fatal", diz Oliveira, da GO
Associados.
Hausknecht, da MB Agro, concorda que o escândalo acaba gerando uma oportunidade para potenciais
concorrentes, mas avalia que, atualmente, pelas condições do mercado, não há competidores à altura do
Brasil.
"A Austrália, por exemplo, que poderia ser uma alternativa ao Brasil para a oferta de carnes à China,
ainda estão recompondo o rebanho", diz, em alusão à forte seca que forçou produtores australianos a
elevarem o escoamento de animais para o abate.
"Já os Estados Unidos, o segundo maior produtor mundial de carne bovina, tampouco tem muita
entrada no mercado chinês por causa da escalada da tensão entre Washington e Pequim."
"Por fim, a Índia também é outro grande exportador de carne bovina, mas ela é de pior qualidade",
completa.
Para Campos, da LCA Consultores, a maior consequência do escândalo é dar munição a governos
para impor mais tarifas alfandegárias ao Brasil, em um contexto de maior protecionismo no mundo.
"Trump (Donald Trump, presidente dos Estados Unidos) já deu sinais de que pretende lançar mão de
medidas protecionistas. Nesse caso, isso (escândalo das carnes adulteradas) pode ser usado como
desculpa", conclui.

Câmara aprova texto-base de projeto que prevê socorro a estados em crise2


Deputados ainda precisam analisar emendas para concluir a votação. Texto suspende o pagamento
das dívidas dos estados com a União em troca de contrapartidas de ajuste fiscal.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (18), por 301 votos a 127 (7 abstenções), o texto-
base do projeto de lei que prevê a recuperação fiscal dos estados em crise financeira.
Por se tratar de projeto de lei complementar, a proposta exigia, pelo menos, 257 votos favoráveis.
Para concluir a votação, contudo, os parlamentares ainda precisam analisar as chamadas emendas,
sugestões de deputados que podem alterar o teor do texto. Após a conclusão da análise pela Câmara, a
proposta seguirá para votação no Senado.
Enviado pelo presidente Michel Temer neste ano, o projeto suspende o pagamento das dívidas
estaduais com a União por três anos (prorrogáveis por mais três), desde que sejam adotadas medidas de
ajuste fiscal, as contrapartidas (entenda mais abaixo).
A aprovação do texto-base aconteceu após várias tentativas frustradas de votar o texto, que sofre
resistência por parte de parlamentares. Desde o início do mês, foram quatro adiamentos.

Entenda o projeto
Poderão aderir ao regime de recuperação fiscal aqueles estados que comprovarem estar em crise nas
contas. A expectativa é que o programa possa atender ao Rio de Janeiro, ao Rio Grande do Sul e a Minas
Gerais.
Para ter acesso ao benefício, os estados serão obrigados a cumprir uma série de contrapartidas de
ajuste fiscal, como a suspensão de concursos públicos e a proibição de reajustes salariais de servidores.

2
CALGARO, Fernanda. Câmara aprova texto-base de projeto que prevê socorro a estados em crise. G1, Brasília. Disponível em: <
http://g1.globo.com/politica/noticia/camara-aprova-texto-base-de-projeto-que-preve-socorro-a-estados-em-crise.ghtml> Acesso em 20 de abril de 2017.

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Para atender às exigências, os estados precisarão, antes, aprovar leis em nas respectivas
Assembleias Legislativas. O Rio de Janeiro, por exemplo, já aprovou tomou algumas medidas, como a
que autoriza a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).
Partidos de oposição são contrários ao texto e criticam a possibilidade de os estados poderem
privatizar empresas públicas de qualquer área.

Ponto a ponto
Pelo texto apresentado pelo relator, deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ), para ter direito de participar
do programa, o estado deverá, entre outros pontos:
Autorizar a privatização de empresas estatais de qualquer setor, desde que com aval do Ministério da
Fazenda;
Elevar a alíquota de contribuição previdenciária dos servidores para, no mínimo, 14% e, se necessário,
instituir alíquota previdenciária extraordinária e temporária;
Reduzir incentivos ou benefícios tributários em, no mínimo, 10% ao ano;
Rever o regime jurídico dos servidores estaduais para suprimir benefícios ou vantagens não previstos
no regime jurídico único dos servidores da União; o estado que já dispuser de uma Lei de
Responsabilidade Fiscal estadual não precisará atender a essa contrapartida;
Autorizar a realização de leilões de pagamento, nos quais será adotado o critério de julgamento por
maior desconto, para dar prioridade na quitação de débitos.
Durante a validade do regime de recuperação, o projeto ainda estabelece que os estados ficarão
proibidos de:
Conceder vantagem, aumento, reajuste ou adequação de salários a servidores;
Criar cargos ou funções que impliquem em aumento de despesa;
Alterar a estrutura de carreira que gere aumento de gastos;
Contratar pessoal, exceto as reposições de cargos de chefia e de direção que não gerem aumento de
despesa e as decorrentes de vacância de cargo efetivo ou vitalício;
Realizar concurso público, ressalvadas as hipóteses de reposição de cargos vagos;
Criar ou aumentar auxílios, vantagens, bônus, abonos ou benefícios de qualquer natureza;
Criar despesa obrigatória de caráter continuado;
Conceder ou ampliar incentivo ou benefício de natureza tributária do qual decorra renúncia de receita.

Requisitos
Poderão participar do programa somente os estados que comprovarem a situação fiscal delicada. Três
requisitos serão considerados para essa avaliação:
Receita corrente líquida anual (receita após as transferências devidas aos municípios) menor que a
dívida consolidada;
Despesas com pessoal, com juros e com amortizações, equivalentes a pelo menos 70% da receita
corrente líquida;
Valor total de obrigações financeiras contraídas maior que as disponibilidades de caixa.

Desemprego fica em 13,7% no 1º trimestre de 2017 e atinge 14,2 milhões3


Essa é a maior taxa da série do indicador, iniciada em 2012. Em 3 anos, número de desempregados
mais que dobrou no país.
O desemprego subiu para 13,7% no trimestre de janeiro a março, segundo dados divulgados nesta
sexta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad
Contínua. De acordo com o IBGE, essa foi a maior taxa de desocupação da série histórica, iniciada em
2012. No 1º trimestre, o Brasil tinha 14,2 milhões de desempregados, também batendo recorde da série
histórica.

3
SILVEIRA, Daniel. CAVALLINI, Marta. Desemprego fica em 13,7% no 1° trimestre de 2017 e atinge 14,2 milhões. G1 Economia. Disponível em: <
http://g1.globo.com/economia/noticia/desemprego-fica-em-137-no-1-trimestre-de-2017.ghtml> Acesso em 28 de abril de 2017.

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Taxa de desocupação, segundo a Pnad do IBGE (Foto: Editoria de arte/G1)

Em relação à taxa, as altas são de 1,7 ponto percentual frente ao trimestre de outubro a dezembro de
2016 (12%) e de 2,8 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2016 (10,9%).
Já em relação ao número de desocupados, o contingente cresceu 14,9% (mais 1,8 milhão de pessoas)
frente ao trimestre de outubro a dezembro de 2016 e 27,8% (mais 3,1 milhões em busca de trabalho) em
relação ao mesmo trimestre de 2016, segundo o IBGE.
Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, desde o 1º trimestre de
2014, o país perdeu cerca de 3 milhões de postos de trabalho com carteira assinada. De acordo com o
IBGE, a menor desocupação foi registrada no trimestre encerrado em fevereiro de 2014, quando havia
6,6 milhões de desempregados, ou seja, esse número mais que dobrou em três anos.
“O mercado de trabalho continua a apresentar deterioração. Perdemos mais de 1,8 milhão de postos
de trabalho, sendo que cerca de 70% dessa perda foi de empregos com carteira de trabalho assinada”,
diz Azeredo.
Já a população ocupada também bateu recorde - é o menor contingente desde o trimestre fevereiro-
abril de 2012. No trimestre encerrado em março, eram 88,9 milhões de pessoas no mercado de trabalho.
O recuo se deu tanto em relação ao trimestre anterior (-1,5%, ou menos 1,3 milhão de pessoas) como
em relação ao mesmo trimestre de 2016 (-1,9%, ou menos 1,7 milhão de pessoas).
“Na passagem do 4º trimestre para o 1º trimestre percebe-se uma redução da população ocupada e
consequentemente aumento da desocupação em função da dispensa das contratações temporárias do
final do ano. Mas, o que está em questão, é o fato de o Brasil manter esse ritmo da crise no mercado de
trabalho”, analisa Azeredo.

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Número de pessoas desocupadas, segundo a Pnad do IBGE (Foto: Editoria de arte/G1)

“Não tem absolutamente nada na Pnad Contínua que mostre uma melhoria no mercado de trabalho,
na geração de empregos, ou qualquer tipo de recuperação em qualquer tipo de inserção ou grupamento
de atividade”, completa o pesquisador.

Carteira assinada
Desse total, 33,4 milhões de pessoas que estavam empregadas no setor privado tinham carteira
assinada. Esse número também recuou em ambos os períodos de comparação: frente ao trimestre
outubro/dezembro de 2016 (-1,8% ou menos 599 mil pessoas) e ao trimestre janeiro/março de 2016 (-
3,5% ou menos 1,2 milhão de pessoas). Segundo o IBGE, foi o menor contingente de trabalhadores com
carteira assinada já observado na série histórica da pesquisa.
O pico de trabalhadores com carteira assinada foi registrado no trimestre encerrado em junho de 2014
- 33,9 milhões de trabalhadores.
Segundo Azeredo, a notícia mais impactante da pesquisa é a perda expressiva de empregos com
carteira assinada. “Perder postos de trabalho com carteira significa perda de arrecadação da Previdência,
perda de acesso ao seguro-desemprego, perda de garantias trabalhistas. Além disso, a carteira de

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trabalho serve como garantia de acesso ao crédito. A grande notícia que a Pnad Contínua traz neste
primeiro semestre do ano é que o mercado continua destruindo postos de trabalho”, disse Azeredo.
De acordo com o pesquisador, a queda do número de carteiras assinadas tem relação direta com a
conjuntura política e econômica do país. “Um cenário econômico conturbado, um cenário político instável,
isso traz desestabilização para o mercado de trabalho e seus efeitos são quase imediatos. Reestruturar
postos de trabalho, recompor carteira, isso demora”, afirma.
O número de empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (10,2 milhões)
apresentou queda em relação ao trimestre anterior (-3,2%), mas cresceu 4,7% (ou mais 461 mil pessoas)
em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
O número de trabalhadores por conta própria (22,1 milhões de pessoas) registrou estabilidade em
relação ao trimestre anterior (outubro a dezembro de 2016). Em relação ao mesmo período do ano
passado, houve queda de 4,6%, ou seja 1,1 milhão de pessoas a menos. “O trabalhador por conta própria,
que no início da crise segurou um pouco a população desocupada, mostra uma redução", diz Azeredo.
Já a categoria dos trabalhadores domésticos, estimada em 6,1 milhões de pessoas, se manteve
estável em ambos os trimestres comparativos, segundo o IBGE.

Nível de ocupação
O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi
estimado em 53,1% no trimestre de janeiro a março, apresentando queda de 0,9 ponto percentual frente
ao trimestre de outubro a dezembro de 2016, (54%).
Em relação a igual trimestre do ano anterior, houve retração de 1,7 ponto percentual, quando recuou
de 54,7% para 53,1%. Foi o menor nível da ocupação observado desde o início da série da pesquisa.

Rendimento
O rendimento médio foi estimado em R$ 2.110 no 1º trimestre de 2017, estável tanto ante o trimestre
de outubro a dezembro de 2016 (R$ 2.064) como mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.059).
Em relação ao trimestre anterior, houve alta para os empregados no setor público (1,9%) e para os
trabalhadores domésticos (1,7%). Em relação ao mesmo trimestre de 2016, apenas os empregados no
setor público apresentaram variação positiva (4,3%). Nas demais posições, foi estável.
“Há um crescimento do rendimento nominal do trabalhador. Isso mostra que você tem um aumento do
poder de compra da população, mas o efeito inflacionário sobre ele fez com que a massa de rendimento
se mantivesse estável”, explicou o pesquisador.

Por setores e atividades


Os grupamentos de atividade que mais têm sofrido deterioração dos postos de trabalho é a indústria
e a construção. De acordo com Azeredo, desde 2015, a indústria perdeu 1,9 milhão de postos e a
construção mais de 800 mil.
“Parte expressiva dessa perda de postos com carteira de trabalho assinada, certamente, vem da
indústria, que é o segmento mais organizado e com maior número de formalidade”, diz.
Em relação ao mesmo trimestre de 2016, houve redução de trabalhadores nos setores de construção
(-9,5% ou -719 mil pessoas), agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura (-8,0% ou -758
mil pessoas), indústria geral (-2,9% ou -342 mil pessoas) e serviços domésticos (-2,9% ou -184 mil
pessoas). Apenas o grupamento de alojamento e alimentação teve alta (11% ou mais 493 mil pessoas).

Caged
De acordo com os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em
março as demissões superaram as contratações em 63.624 vagas, resultado de 1.261.332 admissões e
de 1.324.956 demissões em março. No acumulado do primeiro trimestre de 2017, o país registrou o
fechamento de 64.378 postos de trabalho.

População brasileira já pagou R$ 1 trilhão em impostos este ano4


A marca de R$ 1 trilhão no painel do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi
registrada às 8h desta sexta-feira (16). O valor equivale ao total de impostos, taxas e contribuições pagos
pela população brasileira desde o dia 1º de janeiro de 2017.
Em 2016, o montante de R$ 1 trilhão foi alcançado em 5 de julho. O presidente da entidade, Alencar
Burti, explica que a arrecadação aumenta quando há crescimento econômico e elevação de impostos.
“Já que nossa economia não está crescendo, essa diferença de 19 dias reflete aumentos e correções
4
SOUZA, LUDMILLA. População brasileira já pagou R$1 trilhão em impostos esse ano. EBC Agência Brasil. Disponível em:
<http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-06/populacao-brasileira-ja-pagou-r-1-trilhao-em-impostos-este-ano> Acesso em 16 de junho de 2017.

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feitos em impostos e isenções, além da obtenção de receitas extraordinárias como o Refis [parcelamento
de débitos tributários]. Reflete também a inflação, que, apesar de ter caído, segue em patamar alto”,
analisa. Para Burti, “no segundo semestre, espera-se elevação da arrecadação em função da melhora da
atividade econômica”.

Arrecadação federal
O presidente da ACSP esclarece que, embora a arrecadação federal tenha caído em termos reais, é
o número nominal (sem descontar a inflação), o mesmo medido pelo Impostômetro, que deve ser
analisado. “Nosso painel não mede apenas tributos federais. Também entram na conta os estaduais e
municipais. O que temos que observar são os valores nominais, porque os gastos são todos nominais”.

Estados Unidos suspendem importação de carne fresca do Brasil5


Medida é anunciada após recorrentes preocupações sobre segurança dos produtos
BRASÍLIA - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira que suspendeu todas as
importações de carne in natura do Brasil. Em comunicado, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos,
Sonny Perdue, informou que há "preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos destinados
ao mercado americano".
Os EUA tinham passado mais de 10 anos sem comprar carne fresca brasileira e só reabriu o mercado
no ano passado. Os americanos são tradicionais importadores de carne industrializada do Brasil. A
decisão de suspender as importações é mais um revés para a indústria de carne, que enfrenta uma
sequência de problemas desde o início do ano, que afetam as exportações e o preço dos produtos e
comprometem toda a indústria cadeia do setor no Brasil.
As autoridades dos EUA informaram que a suspensão dos embarques permanecerá em vigor até que
o Ministério da Agricultura do Brasil tome medidas corretivas que os Estados Unidos considerem
satisfatórias.
O Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos Estados Unidos informou, em comunicado, que
desde março vem inspecionando todos os produtos de carne que chegam do Brasil ao país. As
autoridades recusaram a entrada para 11% dos produtos brasileiros de carne fresca, segundo o texto.
"Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de 1% das remessas do resto do mundo.
Desde a implementação do aumento da inspeção, foi recusada a entrada para 106 lotes de produtos
bovinos brasileiros devido a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde
animal. É importante notar que nenhum dos lotes rejeitados chegou ao mercado norte-americano",
informou o comunicado.
O governo americano disse ainda que o Brasil se comprometeu a resolver essas preocupações. Os
compradores dos Estados Unidos identificaram irregularidades provocadas pela reação à vacina da febre
aftosa na carne enviada ao país. Em alguns casos, a vacina pode provocar manchas internas na carne.
Na semana passada, o Ministério da Agricultura já havia suspendido as exportações de cinco frigoríficos
para os Estados Unidos.
"Garantir a segurança do fornecimento de alimentos da nossa nação é uma das nossas missões
críticas, e é uma tarefa que empreendemos com muita seriedade. Embora o comércio internacional seja
uma parte importante do que fazemos nos EUA, e o Brasil seja há muito tempo um dos nossos parceiros,
minha primeira prioridade é proteger os consumidores americanos. Foi isso o que fizemos ao interromper
a importação de carne fresca brasileira", disse o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny
Perdue, por meio de comunicado à imprensa.
O GLOBO procurou o Ministério da Agricultura, que ainda não se manifestou. Entre janeiro e maio
deste ano, o Brasil exportou US$ 18,9 milhões em carne fresca para os Estados Unidos, segundo dados
da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
— Isso é um absurdo e é inconsequente. Isso se trata de reação a um componente da vacina contra
a febre aftosa. É um prejuízo intangível. Nós levamos mais de 15 anos para abrir o mercado, estávamos
preparando para acessar os parceiros do Nafta, vamos ter que rever isso. Agora, além dos problemas
internos, tem isso. O problema é muito sério — disse o presidente da Abiec, Antonio Camardell,
acrescentando:
— O produtor não tem nada a ver com isso. O abscesso é oriundo de um componente da vacina. O
Brasil está perdendo o mercado americano por conta de uma falha de sistema.

5
VENTURA, M. SORIMA, N. J. Estados Unidos suspendem importação de carne fresca do Brasil. O Globo, Economia. Disponível em:
<https://oglobo.globo.com/economia/estados-unidos-suspendem-importacao-de-carne-fresca-do-brasil-
21508582?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo> Acesso em 23 de junho de 2017.

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O consultor Cesar de Castro Alves, da MB Agro, observa que o volume exportado de carne fresca para
os EUA não é significativo. Mesmo assim, a preocupação é com a sinalização que os EUA dão a outros
mercados importantes que o Brasil almejava entrar com esses produtos.
— O volume exportado de carne fresca aos EUA não é significativo. Mas a sinalização é ruim. O Brasil
começou a exportar carne fresca para os americanos no ano passado, depois de cerca de dez anos de
negociações. Com essa abertura, almejava entrar em mercados importantes como Japão e Coréia do Sul
— afirmou Alves.
O especialista ressalta que os EUA são muito cuidados com as exigências sanitárias estabelecidas
para carnes in natura.
— Carnes cujo rebanho não foi vacinado contra a febre aftosa, por exemplo, podem ser rejeitadas.
Isso não está relacionado a má qualidade do produto, mas à falta de cuidado com as exigências impostas
pelos EUA — diz o especialista.
Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a
notícia não poderia ter sido pior. Ainda mais agora, que os EUA decidiram facilitar as importações de
carnes da China.
— A notícia é lamentável. Foram longos anos de negociações para abrir o mercado americano. É uma
péssima notícia para nós — afirmou Castro.
Entre os produtores, a notícia é "péssima" e afeta ainda mais a credibilidade da carne brasileira.
— Para o Brasil em geral é uma questão de credibilidade. Infelizmente as instituições do Brasil estão
fragilizadas. Das mais altas e inclusive a segurança sanitária — disse o vice-presidente da Sociedade
Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto.
MINISTÉRIO JÁ HAVIA ANUNCIADO SUSPENSÃO DE EXPORTAÇÕES
Na quarta-feira, porém, o Ministério da Agricultura anunciou que já havia suspendido as exportações
de carne de cinco frigoríficos para os Estados Unidos, desde a semana passada. Segundo a pasta, o
mecanismo de "autossuspensão" permite que as exportações sejam retomadas de forma mais rápida,
após os problemas serem resolvidos.
Em nota, o ministério afirmou que trabalha para "prestar todos os esclarecimentos e correções no
sentido de normalizar a situação. A proibição está valendo desde a última sexta-feira e continuará em
vigor até que sejam adotadas 'medidas corretivas'".

Temer assina decreto que aumenta imposto sobre combustíveis. Veja quanto vai ficar6
Governo espera arrecadar R$ 10,4 bilhões com reajuste da PIS/Cofins sobre gasolina, etanol e diesel.
Preço do litro de gasolina pode ficar até R$ 0,41 mais caro nas refinarias.
O presidente Michel Temer (PMDB) assinou decreto nesta quinta-feira (20) aumentando tributos que
incidem sobre a gasolina, o diesel e o etanol. A alíquota do PIS/Cofins para a gasolina mais que dobrará,
passando dos atuais R$ 0,3816 por litro para R$ 0,7925 por litro. Ou seja, o litro do combustível poderá
ficar até R$ 0,41 mais caro nas refinarias. A estimativa de arrecadação com o aumento é de R$ 5,191
bilhões até o fim do ano.
Já a alíquota tributária para o diesel subirá de R$ 0,2480 por litro para R$ 0,4615 por litro do
combustível, com reforço de receitas de R$ 3,962 bilhões ao Tesouro até o fim do ano. Com isso, o litro
do diesel poderá ficar R$ 0,22 mais caro.
O aumento do PIS/Cofins para os produtores de etanol será menor, passando de R$ 0,1200 por litro
para R$ 0,1309 por litro, com impacto de apenas R$ 114,90 milhões na arrecadação. Na distribuição do
etanol, o PIS/Cofins estava zerado, mas voltará a ser cobrado em R$ 0,1964 por litro, com uma receita
esperada de R$ 1,152 bilhão ainda este ano.
No total, o governo espera arrecadar R$ 10,4 bilhões com a medida, que já passa a valer a partir de
amanhã, com a publicação do decreto no Diário Oficial. O Ministério da Fazenda informou que o preço
final dos combustíveis na bomba dependerá do valor que os postos repassarem do aumento de tributação
ao preço de venda ao consumidor final. Portanto, dependerá das condições de mercado.
Contingenciamento
O governo também anunciou um contingenciamento no Orçamento de R$ 5,9 bilhões como parte do
esforço para fechar as contas de 2017 em um cenário de queda na arrecadação federal. A decisão de
aumentar o tributo sobre os combustíveis também. Este ano o governo central tem como meta alcançar
um déficit primário de R$ 139 bilhões. Alterar essa previsão seria negativo perante os investidores e a
opção foi pela elevação de tributos. Neste ano até junho, a arrecadação total da Receita Federal registra

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PIERRY, FLÁVIA. Temer assina decreto que aumenta imposto sobre combustíveis. Veja quanto vai ficar. Gazeta do Povo. Disponível em: <
http://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/temer-assina-decreto-que-aumenta-imposto-sobre-combustiveis-veja-quanto-vai-ficar-
5d3uue5tg8vr4kgytqr835mf4>

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queda real (descontando a inflação) de 0,20% ante mesmo período do ano passado, com quedas
verificadas mês a mês.
Como o preço da gasolina vem caindo e a inflação está sob controle, a equipe econômica optou por
elevar o tributo sobre os combustíveis. Pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP) aponta que em maio o preço médio do litro da gasolina vendida ao consumidor
final nos postos do país era de R$ 3,617, com preço mínimo de R$ 2,96. Em julho, o preço médio da
gasolina caiu para R$ 3,487, sendo encontrado até a R$ 2,79.

Validade imediata
A elevação da alíquota do PIS e da Cofins foi a escolhida pois isso pode ser feito por decreto, com
validade imediata. Outros aumentos de tributos dependeriam de envio de projeto ao Congresso, o que
demoraria a valer e ainda dependeria da votação dos deputados e senadores em um momento político
conturbado para Temer. Neste ano, de janeiro a junho, a arrecadação da PIS/Cofins sobre combustíveis
soma R$ 10,5 bilhões, com uma queda de 13,2% ante mesmo período do ano passado, também
ocasionada pela redução no valor do litro dos combustíveis.
O espaço para cortes de gastos não obrigatórios está muito limitado e vai ficar ainda mais restrito nos
próximos anos. Em 2020, estima-se que os gastos obrigatórios do governo (que incluem a folha de
pagamento do funcionalismo público e o custeio da saúde, educação e Previdência) irão tomar todo o
Orçamento da União, sem restar espaço para investimentos, por exemplo.
Segundo levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, este ano o governo federal
conta com apenas R$ 39 bilhões em recursos que podem ser cortados ou contingenciados, e que incluem
o valor de investimentos públicos. Porém, com a vigência do limite de gastos públicos definido pela PEC
do Teto de Gastos (aprovada em 2016), em 2019 estarão disponíveis apenas R$ 12 bilhões no Orçamento
para gastos não obrigatórios e a partir de 2020 todo o Orçamento será tomado pelas despesas
obrigatórias.

PAC perde R$ 7,48 bilhões; governo remaneja recursos para áreas essenciais7
Planejamento confirma corte adicional de R$ 5,9 bilhões e anuncia remanejamento de R$ 2,2 bilhões
para atender a áreas essenciais. Ministro diz que obras do PAC não serão suspensas.
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, informou nesta quinta-feira (27) que o governo vai
bloquear e remanejar recursos em um valor total de R$ 8,1 bilhões com o objetivo de cumprir a meta fiscal
do governo, que é fechar o ano com um déficit de R$ 139 bilhões.
Oliveira confirmou o bloqueio de R$ 5,9 bilhões em gastos, anunciado na semana passada, e informou
que serão remanejados para outras áreas R$ 2,2 bilhões, o que totaliza os R$ 8,1 bilhões, dos quais R$
7,48 bilhões serão retirados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O ministro do Planejamento afirmou que o bloqueio de recursos do PAC não deve resultar, de imediato,
na suspensão de obras públicas.
"A expectativa é de recomposição dos limites ao longo do ano. Pode haver atraso nos empenhos, mas
isso poderá ser recuperado se conseguirmos reaver receitas", declarou o ministro.
Na lei orçamentária deste ano, aprovada pelo Congresso Nacional, os recursos para o PAC somavam
R$ 36,07 bilhões. Com os cortes realizados até agora, o valor caiu quase pela metade: para R$ 19,68
bilhões.
Além do PAC, o governo também vai remanejar recursos de emendas parlamentares.
Segundo Oliveira, o governo procura reaver R$ 2,1 bilhões em precatórios não sacados por seus
beneficiários; R$ 2,5 bilhões com a outorga de aeroportos; e R$ 1 bilhão com a privatização da Lotex.
Áreas essenciais
Entre as áreas consideradas essenciais pelo ministro do Planejamento e que serão contempladas pelo
remanejamento de R$ 2,2 bilhões, estão:
- fiscalização de trabalho escravo;
- defesa civil;
- Polícia Rodoviária Federal;
- Polícia Federal;
- sistema de controle do espaço aéreo;
- agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Levantamento realizado pelo G1 mostra que o corte de verba restringiu a atuação de vários órgãos e
setores dependentes do governo federal.

7
MARTELLO, ALEXANDRO. PAC perde R$7,48 bilhões; governo remaneja recursos para áreas essenciais. G1 Economia. Disponível em: <
http://g1.globo.com/economia/noticia/pac-perde-r-748-bilhoes-e-governo-remaneja-recursos-para-areas-essenciais.ghtml> Acesso em 28 de julho de 2017.

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Além do bloqueio adicional de R$ 5,9 bilhões em gastos no orçamento federal anunciado na semana
passada, o governo também subiu a tributação sobre os combustíveis.
O objetivo do governo, ao elevar tributos e bloquear gastos no orçamento, é tentar cumprir a meta
fiscal de 2017, fixada em um déficit (despesas maiores que receitas) de R$ 139 bilhões. A conta não inclui
as despesas com pagamento de juros da dívida pública.
A arrecadação neste ano tem ficado abaixo da esperada pelo governo. No ano passado, quando
estimou as receitas com impostos e tributos em 2017, o governo previa que a economia brasileira estaria
crescendo em um ritmo mais acelerado, o que não ocorreu.
Com o orçamento apertado e os gastos limitados pela regra do teto, que começou a valer neste ano,
o governo já reduziu investimentos e sofre para manter alguns serviços. Para analistas, as restrições
devem continuar nos próximos meses.
Apesar dos esforços da equipe econômica, economistas das instituições financeiras estimam que
o rombo das contas do governo ficará em 145,26 bilhões. O valor está acima da meta fiscal fixada para
2017, que é de um resultado negativo de até R$ 139 bilhões.

Bitcoin deve entrar na declaração do Imposto de Renda 20178


Embora não tenham regulamentação própria, investimentos em moedas digitais como o Bitcoin
precisam ser relacionados na declaração do Imposto de Renda
“Tenho investimentos em bitcoin. Devem ser declarados à Receita Federal?” A dúvida do militar
Romildo Alves, 24 anos, é a mesma de um número crescente de pessoas que costuma investir nas
chamadas moedas digitais. Morador da cidade goiana de Jataí, de passagem por Brasília pela
comemoração ao Dia do Exército, na semana passada, ele diz ter conhecido esse mercado há dois meses
por indicação dos vários amigos de quartel que fazem esse tipo de aplicação. “Será que o governo tributa
moeda virtual?” O Fisco diz que sim.
Esses investimentos têm tratamento fiscal semelhante ao de outros bens, como carros, joias e obras
de arte. “A obrigatoriedade de declarar bens móveis (exceto automóveis) se dá quando esses bens
ultrapassam R$ 5 mil”, informa a Receita Federal. “O contribuinte pode declarar suas moedas virtuais
pelos valores históricos de aquisição.” O imposto só será cobrado quando a moeda for vendida com lucro.
“Os ganhos obtidos com a alienação (de bitcoins, por exemplo) cujo total no mês seja superior a R$ 35
mil são tributados, a título de ganho de capital, à alíquota de 15%”, esclarece o órgão.
Bitcoin é uma das moedas criptográficas que, desde 2009, vêm despertando a atenção e até gerando
fortunas. As chamadas “moedas do futuro” têm circulação restrita à internet, em compras digitais. Elas
não têm regulação específica de autoridades monetárias, nem reconhecimento dos governos em geral e
não oferecem garantias. Mas já movimentam cerca de US$ 21 bilhões no mundo inteiro, segundo dados
do mercado.

Regra legal
A cotação do bitcoin numa casa de câmbio, na quinta-feira, era de US$ 1,3 mil, e as apostas são de
que, em dezembro, o valor chegará a US$ 2 mil. O designer gráfico Cássio Barbosa comprou US$ 240
em agosto de 2015, também tinha dúvidas sobre a necessidade de incluir a moeda virtual na declaração
do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2017, cujo prazo termina à meia noite da próxima sexta-
feira, dia 28. Ele disse que tem três bitcoins, adquiridos pelo equivalente a R$ 890, cujo valor convertido
oscila, agora, ao redor de R$ 4 mil.
O Fisco reconhece que, “como esse tipo de ‘moeda’ não possui cotação oficial, uma vez que não há
um órgão responsável pelo controle de sua emissão, não há uma regra legal de conversão dos valores
para fins tributários. Entretanto, essas operações deverão estar comprovadas com documentação hábil
e idônea para fins de tributação”, afirma a Receita.

Entenda o que é a meta fiscal e por que o governo revisou o número9


Com receitas abaixo do esperado, governo enfrenta dificuldade para cumprir meta e teve de prever
um rombo maior nas contas públicas em 2017 e 2018.
O governo anunciou nesta terça-feira (15) a revisão da meta fiscal para 2017 e 2018. Na prática, o
governo admitiu que não conseguirá fechar as contas públicas dentro da previsão orçamentária neste
ano e no ano que vem.

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AZELMA RODRIGUES. Bitcoin deve entrar na declaração do Imposto de Renda 2017. Correio Braziliense, Economia. Disponível em: <
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2017/04/22/internas_economia,590302/bitcoin-deve-entrar-na-declaracao-do-imposto-de-renda-
2017.shtml> Acesso em 11 de agosto de 2017.
9
VELASCO, CLARA. Entenda o que é a meta fiscal e por que o governo revisou o número. G1 Economia. Disponível em:
<http://g1.globo.com/economia/noticia/entenda-o-que-e-a-meta-fiscal-e-por-que-o-governo-revisou-o-numero.ghtml> Acesso em 16 de agosto de 2017.

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A nova meta prevê um rombo de R$ 159 bilhões nas contas públicas em 2017 e 2018. É um rombo
maior do que o previsto anteriormente, de R$ 139 bilhões para 2017 e R$ 129 bilhões em 2018.
Essa mudança poderá trazer consequências para a dívida pública, a nota de crédito do Brasil e a
própria credibilidade do governo.

O que é a meta fiscal?


É uma estimativa feita pelo governo da diferença entre a sua expectativa de receitas e de gastos em
um ano. Se essa diferença for positiva (ou seja, receitas maiores que gastos), a meta prevê um superávit
primário. Se for negativa (com gastos maiores que receitas), será um déficit primário.
Ao estabelecer um valor, o governo assume um compromisso público de como vai equilibrar as contas
públicas e manter a dívida pública sob controle.

Quem define a meta?


O próprio governo através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que precisa ser aprovada pelo
Congresso.

Por que o governo teve que reajustar a meta?


O governo enfrenta dificuldades em cumprir a meta fiscal porque a recuperação da economia brasileira
está mais lenta que o previsto e, com isso, a arrecadação com impostos e contribuições está ficando
abaixo do esperado. Na prática, a arrecadação cresceu menos de 1% no primeiro semestre. Como os
gastos públicos continuam a crescer, há um desequilíbrio financeiro.
"O grande problema é que o governo acreditou que algumas reformas iam acontecer e já reduziriam
os gastos agora. Eles acreditavam que a economia ia conseguir se recuperar com mais força e que teriam
mais receita. Não conseguiram cortar gastos como queriam, e a receita não aumentou", diz a professora
da Fecap.
Ela cita a reforma trabalhista, que foi aprovada no Congresso com mudanças, e as expectativas das
reformas tributária e da Previdência, que ainda não se concretizaram. "Com a reforma tributária, o governo
esperava ter força para aumentar e ajustar alguns tributos, o que não aconteceu. Já a reforma da
Previdência não traria redução de gastos hoje, mas sinalizaria ao mercado um comprometimento de
ajuste fiscal a médio prazo."

Quais são as consequências do reajuste?


O governo terá que cobrir um déficit fiscal maior (despesas maiores que as receitas). Para isso, ele
precisa captar recursos com a emissão de títulos públicos. Assim, ele consegue financiar os gastos que
foram liberados. Mas, como efeito, sua dívida pública fica maior em relação ao tamanho da economia,
assim como os juros a serem pagos.
"Estamos falando de um acréscimo que não é nada desprezível, R$ 20 bilhões que o governo vai ter
que tirar de algum lugar. Vai ter um aumento da dívida pública, então o ano que vem deve ter taxas de
juros mais altas. O investimento se torna mais caro, então deve ser menor em 2018", diz Inhasz.

Como o reajuste afeta a vida das pessoas?


O crescimento da dívida pública tem efeitos negativos na economia. Segundo a professora da Fecap,
a população deve sentir pouco o reajuste de maneira imediata, mas os efeitos terão mais força no ano
que vem. "Deve ter um aumento na inflação, que não deve ser um baita aumento, mas a população deve
sentir".

Como a meta fiscal é calculada?


O governo faz o planejamento do valor que vai gastar em determinado ano (despesas) e o total de
recursos esperados (receitas).
Os gastos são todas as despesas da máquina pública, exceto o pagamento de juros. "É tudo aquilo
que o governo gasta para colocar serviços à disposição das pessoas: educação, saúde, pagamento de
funcionários públicos, emissão de passaportes", diz Juliana Inhasz, professora de economia da Fundação
Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).
Já as receitas vêm da tributação – impostos diretos cobrados sobre o patrimônio e renda e tributos
indiretos sobre o preço de bens e serviços – e refinanciamentos, como o Refis.

O que acontece se o governo não cumprir a meta?


Ele desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal e perde credibilidade internacional. Para evitar isso,
o governo tem a possibilidade de reajustar a meta fiscal. As revisões na meta tornaram-se comuns durante

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o governo de Dilma Rousseff e acabaram vistas pelo mercado como sinônimo da falta de compromisso
com o orçamento público e com a retomada da economia.
"[O governo] sinaliza para o mercado que não tem dispositivo econômico suficiente para fazer ajustes
necessários para colocar as contas em ordem. As pessoas enxergam que, se hoje o governo não ficou
dentro da meta, ele pode fazer isso de novo, de dizer uma coisa e fazer outra, já que no início do ano, ele
se comprometeu com uma meta fiscal que depois teve que reajustar", diz Inhasz.
Segundo especialistas ouvidos pelo G1, porém, no contexto atual, o anúncio não compromete a
credibilidade da equipe econômica diante dos investidores.

O que o governo fez para tentar cumprir a meta?


Para tentar cumprir a meta deste ano, o governo já bloqueou gastos e aumentou tributos sobre os
combustíveis, por exemplo. Além disso, o governo já anunciou a adoção de um programa de incentivo
para demissão de servidores e planeja adiar o reajuste programado para o início do ano que vem.

Governo anuncia privatização da Casa da Moeda; leilão de aeroportos será no 2º semestre de


201810
Órgão, que fabrica notas de real e passaportes, deve ir a leilão no final do ano que vem. Anúncio ocorre
em meio a rombo das contas públicas e necessidade do governo de elevar arrecadação.
O governo federal anunciou nesta quarta-feira (23) que pretende privatizar a Casa da Moeda, órgão
que confecciona as notas de real, além de passaportes brasileiros, selos postais e diplomas.
A expectativa é de que o edital seja publicado no terceiro trimestre do ano que vem e que o leilão
ocorra no final de 2018. A Casa da Moeda está hoje vinculada ao Ministério da Fazenda.
O plano faz parte do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), que discute, dentro do governo
Michel Temer, as concessões e privatizações.
O PPI divulgou nesta quarta um calendário prevendo uma série de ações voltadas para leilão de novos
bens públicos, como aeroportos, rodovias e terminais portuários. O objetivo é de elevar as receitas do
governo em um momento de arrecadação fraca, e tentar cumprir a meta fiscal.
Segundo o ministro da secretaria-geral da Presidência, Moreira Franco, 57 novos ativos foram
disponibilizados para concessão ou desestatização nesta segunda fase do programa. A primeira foi
anunciada em setembro do ano passado e incluía 34 projetos.
Moreira Franco disse que o objetivo é "enfrentar a questão do emprego e da renda." O governo não
estimou quanto pretende arrecadar com os novos leilões, mas informou que eles representarão R$ 44
bilhões em investimentos ao longo da vigência dos contratos.
Nesta semana, o Ministério de Minas e Energia já havia anunciado a proposta de privatizar a
Eletrobras, através da venda de parte das ações da estatal que pertencem hoje à União. A proposta foi
aprovada nesta quarta pelo conselho do PPI.
Veja abaixo as propostas do governo para concessões e privatizações:

10
MARTELLO, A. MAZUI, G. Governo anuncia privatização da Casa da Moeda; leilão de aeroportos será no 2º semestre de 2018. G1, Economia. Disponível
em: <http://g1.globo.com/economia/noticia/em-meio-a-crise-governo-fortalece-programa-de-parcerias-e-quer-privatizar-casa-da-moeda.ghtml> Acesso em 24 de
agosto de 2017.

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(Foto: Arte/G1)

Rodovias
O governo anunciou que quer leiloar um trecho de 806 quilômetros da BR-364, entre Porto Velho, em
Rondônia, e Comodoro, no Mato Grosso, e relicitar o trecho de 634 km da BR-153, entre Anápolis, em
Goiás, e Aliança do Tocantins.
A BR-153 foi leiloada durante o governo Dilma Rousseff, em 2014, porém a concessionária Galvão
não cumpriu os investimentos previstos e teve o contrato encerrado.
A previsão oficial é realizar os leilões dos dois trechos no último trimestre de 2018.

Terminais portuários
O Ministério dos Transportes propôs ainda a concessão de 15 terminais portuários, que são áreas
dedicadas a movimentação de carga nos portos.
Os terminais que irão a leilão ficam nos portos de Belém (GLP e granéis líquidos), Vila do Conde
(granéis líquidos), Paranaguá (grãos) e Vitória (granéis líquidos).
A proposta do governo também inclui a prorrogação antecipada do terminal de fertilizantes do porto de
Itaqui e a autorização para ampliação de capacidade do Terminal Agrovia do Nordeste, no porto de Suape.
Os leilões estão previstos para 2018.

Aeroportos e controle aéreo


O PPI confirmou a previsão, já anunciada pelo governo, de que novos aeroportos sejam leiloados no
segundo semestre do ano que vem. De acordo com documento divulgado pelo PPI, o Ministério dos
Transportes propôs a concessão de 12 aeroportos, em dois blocos regionais:
Bloco Nordeste: Maceió, Aracaju, João Pessoa, Campina Grande, Juazeiro do Norte e Recife.
Bloco Centro-Oeste: Cuiabá, Sinop, Alta Floresta, Barra do Garças e Rondonópolis.
Além disso, segundo o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, o governo ainda vai estudar o
leilão dos aeroportos de Congonhas (SP), Vitória (ES) e Macaé (RJ). Na semana passada, o Ministério
do Planejamento deu como certo o leilão de Congonhas.
O documento confirma ainda a intenção do governo de vender a participação acionária da Infraero nos
aeroportos de Guarulhos, Confins, Brasília e Galeão, que foram leiloados durante o governo da ex-
presidente Dilma Rousseff.

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Além disso, o Ministério da Defesa incluiu na relação de projetos do PPI a proposta de uma Parceria-
Público Privada (PPP), na modalidade concessão administrativa, voltada ao serviço de transporte de
sinais de telecomunicações para o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e organizações
militares no país.
O projeto trata do controle do espaço aéreo, com previsão de investimento de R$ 1,1 bilhão ao longo
de 25 anos de concessão.

Energia elétrica
Consta ainda da lista o leilão de 11 lotes de linhas de transmissão de energia, além de subestações.
São novas estruturas, que serão construídas pelas empresas vencedoras dos leilões e que vão ampliar
a rede de transmissão de energia do país.
Os lotes estão distribuídos em dez estados: Bahia, Ceará, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí,
Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Tocantins.

Eletrobras
Sobre a Eletrobras, o governo informou que a redução da participação do governo na empresa será
feita por meio de emissão de papéis pela estatal, sem subscrição da União, que, com isso, perderá o
controle acionário.
"No entanto, a União manterá o poder de veto para garantir a preservação de decisões estratégicas
para o país. Esse modelo já tem sido usado com sucesso em países como Portugal, França e Itália",
informou.
De acordo com o governo, a venda injetará "expressivos recursos" no Tesouro Nacional, mas também
proporcionará a "modernização de processos, o aumento da eficiência e melhoria da governança, sem
que as tarifas sejam afetadas."
Na reunião desta quarta, o conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) aprovou a
proposta do Ministério de Minas e Energia de privatizar a Eletrobras.

Meta fiscal e crise econômica


O governo conta com a verba extra que virá das concessões e privatizações para elevar suas receitas
e conseguir fechar as contas em 2018.
Recentemente, propôs ao Congresso elevar o teto para o rombo das contas públicas em 2017 e 2018
para R$ 159 bilhões devido à arrecadação abaixo da esperada, reflexo da recuperação da economia mais
lenta que a prevista.
A meta atual já é de déficit (despesas maiores que receitas), ou seja, de resultado negativo, de R$ 139
bilhões em 2017 e de R$ 129 bilhões em 2018.
O fortalecimento do PPI também acontece em um momento de forte queda nos investimentos do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - que pode ter, em 2017, o menor orçamento em vários
anos - e de cortes no orçamento, feitos pelo governo, e que vem prejudicando a continuação de alguns
serviços públicos.
Segundo analistas, com a queda dos juros neste ano e o reforço do PPI, a expectativa é de que as
parcerias com o setor privado avancem nos próximos anos e ocupem um espaço maior no setor de
infraestrutura.

Temer: chineses reclamam da burocracia, mas querem investir mais no Brasil11


Futebol, aviões, cinema, vistos, Belo Monte, comércio eletrônico e investimentos em infraestrutura
formam o pot-pourri de anúncios que serão feitos nesta sexta-feira, 1.º, em Pequim, pelos presidentes do
Brasil, Michel Temer, e da China, Xi Jinping.
Alguns são novidade e outros, repaginação de decisões divulgadas nos últimos meses. Mas a segunda
visita de Temer ao país no espaço de um ano evidencia o papel crucial da nação da Ásia na economia
brasileira. Como todas as passagens de ocupantes do governo do Brasil pela China, esta deverá
contemplar a venda de aviões da Embraer.
A expectativa do lado brasileiro é o anúncio de contrato de 20 unidades com a Fuzhou Airlines, cujo
valor de tabela se aproxima de US$ 1,5 bilhão. Também repetindo o padrão de outras viagens, deverá
haver o anúncio de que a China dará autorização para a Embraer finalizar vendas divulgadas em outras
visitas presidenciais, mas não concretizadas.
O presidente brasileiro será recebido por Xi numa visita de Estado, a mais elevada e elaborada na lista
das interações diplomáticas entre líderes de diferentes países. Além do presidente da China, Temer
11
ESTADÃO CONTEÚDO. Temer: chineses reclamam da burocracia, mas querem investir mais no Brasil. Istoé, Economia. Disponível em: <
http://istoe.com.br/temer-chineses-reclamam-da-burocracia-mas-querem-investir-mais-no-brasil/> Acesso em 01 de setembro de 2017.

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também se reunirá com o primeiro-ministro Li Keqiang. Todos os eventos ocorrerão no Grande Palácio
do Povo, na Praça da Paz Celestial, sede dos congressos do Partido Comunista da China (PCC) que
definem a composição da liderança do país a cada cinco anos. O próximo ocorrerá em outubro.
Os primeiros compromissos do brasileiro depois da chegada à capital chinesa, nesta quinta-feira, 31,
foram reuniões sucessivas com representantes de quatro grandes empresas chinesas com negócios no
Brasil: State Grid, Huawei, Three Gorges Corporation e HNA.
De acordo com Temer, as companhias reclamaram da lentidão burocrática, mas manifestaram a
intenção de ampliar os investimentos no País. Compradora da fatia da Odebrecht no Aeroporto
Internacional Tom Jobim (RioGaleão), a HNA afirmou que pretende transformar o local num hub de
ligação entre a América Latina e a Ásia, segundo relato de uma fonte que acompanhou o encontro.
Neste sábado, 2, o presidente brasileiro voltará a falar ao setor privado, num seminário empresarial
que reunirá 300 participantes e no qual serão anunciados acordos entre empresas dos dois países. A
administração brasileira se valerá da reunião de Temer com Xi para destacar a concessão de licença
ambiental que permitirá o início das obras da linha de transmissão que a chinesa State Grid construirá
entre a Usina Belo Monte, no Pará, e a Região Sudeste.
Com 2.518 quilômetros de extensão, será a maior do País. A empresa havia obtido a licença prévia
em fevereiro, que permitia a realização de estudos de viabilidade, mas não o início da construção. A nova
licença foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama) no dia 18 e divulgada num curto comunicado.
Com capital de sobra, as empresas chinesas têm demonstrado interesse crescente por projetos de
infraestrutura no Brasil, principalmente nas áreas de energia, transportes e telecomunicações. Conforme
assessores do chefe do Executivo brasileiro, ele pretende realçar que o Brasil é um “porto seguro” para
investimentos de longo prazo, depois da reformulação de agências e marcos regulatórios, entre os quais
o de petróleo e gás. Também, na análise do Poder Executivo brasileiro, abordará as reformas que
reduziram custos e melhoraram o ambiente de negócios no País, como a trabalhista.
O Brasil deverá ainda se apresentar como um fornecedor seguro de produtos que alimentam o
crescimento chinês e a população de 1,4 bilhão de habitantes. De janeiro a julho, as exportações
brasileiras ao país asiático cresceram 33%, para US$ 30,8 bilhões. Num sinal da debilidade da economia
nacional, as importações tiveram expansão bem inferior, de 12%, e somaram US$ 14,5 bilhões.
O resultado gerou um saldo favorável ao Brasil de US$ 16,3 bilhões. Apesar de sucessivos governos
defenderem a necessidade de diversificação da pauta de exportações à China, pois continua concentrada
em poucas commodities: soja, minério de ferro e petróleo representam 80% dos embarques.

Petrobras anuncia nova alta e gasolina já sobe mais de 10% em setembro12


Passagem do furacão Harvey nos EUA é um dos motivos, segundo a estatal
SÃO PAULO - A Petrobras anunciou nesta segunda-feira nova elevação nos preços da gasolina em
suas refinarias, que passam a acumular alta de mais de 10% em poucos dias de setembro, após o furacão
Harvey fechar refinarias nos Estados Unidos e levar a uma disparada nos valores de referência do
combustível na semana passada.
A estatal disse em comunicado que o novo reajuste foi decidido por seu Grupo Executivo de Mercado
e Preços (GEMP), convocado quando há necessidade de reajustar os combustíveis em mais de 7% para
cima ou para baixo em um único mês.
Também nesta segunda-feira, a Petrobras anunciou alta de 3,3% na gasolina, a partir desta terça-feira.
Na semana passada a companhia já havia anunciado reajustes de 4,2% e 2,7% para a gasolina.
No diesel, o reajuste anunciado nesta segunda-feira foi marginal, de 0,1%. Antes o combustível havia
subido 0,8% e 4,4%.
“Na última semana, em face dos impactos do furacão Harvey na operação das refinarias, oleodutos, e
terminais de petróleo e derivados no Golfo do México, os mercados de derivados sofreram variações
intensas de preços”, disse a Petrobras em nota sobre os reajustes desta segunda-feira.
Apesar da convocação do grupo de preços para autorizar reajustes logo no início do mês, a Petrobras
afirmou que a avaliação dos executivos do GEMP é de que a companhia tem conseguido praticar valores
adequados às volatilidades dos mercados de derivados e do câmbio.
Especialistas do mercado já apontavam que os efeitos do Harvey deviam pressionar a Petrobras a
novos reajustes na gasolina, devido às promessas da companhia de não praticar preços abaixo da
paridade internacional.

12
REUTERS. Petrobras anuncia nova alta e gasolina já sobe mais de 10% em setembro. O Globo. Economia. Disponível em: <
https://oglobo.globo.com/economia/petrobras-anuncia-nova-alta-gasolina-ja-sobe-mais-de-10-em-setembro-
21783615?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo> Acesso em 05 de setembro de 2017.

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Os impactos da tempestade nos EUA, no entanto, começam a ser dissipados nesta semana, com
refinarias retomando lentamente suas atividades. Os preços de referência da gasolina nos Estados
Unidos caíam cerca de 4% nesta segunda-feira para os níveis mais baixos desde 25 de agosto, quando
o Harvey atingiu o continente.

Política

Papelão e substância cancerígena ou exagero? O que se sabe - e o que é dúvida - na Operação


Carne Fraca13
A BBC Brasil conversou com engenheiros de alimentos e especialistas em carnes para esclarecer o
que pode e o que não pode ser adicionado no processamento de carnes e quais as preocupações que a
investigação da PF deve despertar no consumidor.
Para alguns deles, a maneira como a operação foi divulgada acabou gerando uma desconfiança
"exagerada" sobre a carne brasileira.
"A polícia agiu mal com a maneira como divulgaram tudo. Acho que houve um certo exagero, para
precipitar a loucura que foi na imprensa ontem", disse à BBC Brasil o médico veterinário e especialista
em carnes Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.
A engenheira de alimentos Carmen Castillo, da ESALQ - USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz), pontua que alguns ingredientes citados nas acusações, como o ácido ascórbico, são
necessários para o processamento dos alimentos e é preciso tomar cuidado para não "demonizá-los".
"Não é problema usar esses ingredientes (em alimentos processados e embutidos), o problema é não
respeitar os níveis permitidos na lei", disse à BBC Brasil.
De acordo com a Polícia Federal, esse seria um dos delitos cometidos pelas empresas, que utilizavam
ingredientes no processamento de carnes em quantidades acima do que determina a regulamentação.
"Eles usam ácidos, outros ingredientes químicos, em quantidades muito superior à permitida por lei
pra poder maquiar o aspecto físico do alimento estragado ou com mau cheiro", explicou o delegado da
PF responsável pela investigação, Maurício Moscardi Grillo, em entrevista coletiva na sexta-feira.
A operação deflagrada pela PF foi a maior de sua história e revelou que empresas do setor, incluindo
as as gigantes JBS e a BRF, adulteravam a carne que vendiam no mercado interno e externo.
A investigação também revelou um esquema de propinas e presentes dados pelos frigoríficos a fiscais
do Ministério da Agricultura, que supostamente recebiam para afrouxar a fiscalização e liberar a
comercialização de carne vencida e adulterada.
Sobre as acusações, a JBS se manifestou dizendo que "é a maior interessada no fortalecimento da
inspeção sanitária no Brasil", ressaltando que "no despacho da Justiça Federal que deflagrou a operação,
não há qualquer menção a irregularidades sanitárias ou à qualidade dos produtos da JBS e de suas
marcas."
A BRF disse que "apóia a fiscalização do setor e o direito de informação da sociedade com base em
fatos, sem generalizações que podem prejudicar a reputação de empresas idôneas e gerar alarme
desnecessário na população."

Exagero?
O delegado Grillo explicou os problemas encontrados na carne das empresas investigadas pela
operação - que iam desde mudar a data de vencimento e a embalagem de carnes estragadas, que eram
usadas como matéria-prima para embutidos, até injetar água em frangos para alterar seu peso e mascarar
a deterioração de carnes com o uso de ácido ascórbico.
"São dois anos de análise de fatos, desde utilização de papelão por essas empresas - até essas que
já citei de grande porte (JBS e BRF) - para colocar esse tipo de situação em comidas, pra fazer enlatados,
e outras coisas que podem prejudicar a saúde humana. (...) Tudo isso mostra que o que interessa para
esse grupo é o capitalismo, é o mercado, independente da saúde pública", disse.
"Determinados produtos, cancerígenos até, em alguns casos, eram usados pra poder maquiar as
características de um produto estragado ou com cheiro."
Mas alguns especialistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam o modo como as informações foram
divulgadas como "sensacionalista".
"A divulgação da operação foi muito sensacionalista. Essa é uma questão pontual. Estou nesse
mercado, estudando e trabalhando, há 30 anos. Uma das empresas que dirijo importava carne do Uruguai
e da Argentinos até 2012. Hoje, 100% da carne que usamos é produzida no Brasil porque melhorou muito
a qualidade", afirma Sylvio Lazzarini, dono do restaurante Varanda Grill, em São Paulo.

13
19/03/2017 – Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39317738

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Já Felício ressaltou a importância da investigação e disse que a operação revela um problema no
setor, que "precisa de uma renovação no sistema de fiscalização". Ele destaca, porém, que é preciso
esclarecer melhor as informações divulgadas sobre ingredientes comuns na indústria de carnes, como o
ácido ascórbico, "que é utilizado no mundo todo".
Tanto Felício quanto Lazzarini apontaram o fato de que, ao anunciar a operação, a PF não explicitou
quais infrações foram cometidas por quais empresas, o que facilitaria uma "generalização" do problema.
A BBC Brasil procurou a Polícia Federal, mas não obteve resposta até o fechamento dessa
reportagem.

Papelão
Ao anunciar a operação, a PF mencionou que empresas envolvidas no esquema de corrupção
"usavam papelão para fazer enlatados (embutidos)".
Em uma das ligações telefônicas citadas no relatório da Polícia, funcionários da BRF falam sobre o
uso de papelão na área onde produzem CMS (carne mecanicamente separada, comumente usada na
produção de salsichas).
No áudio, é possível ouvir:
Funcionário: o problema é colocar papelão lá dentro do cms também né. Tem mais essa ainda. Eu vou
ver se eu consigo colocar em papelão. Agora se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter
que condenar.
Luiz Fossati (gerente de produção da BRF): ai tu pesa tudo que nós vamos dar perda. Não vamos
pagar rendimentos isso.
Pedro Felício acredita que a referência ao papelão não foi feita como ingrediente para o processamento
da carne. "Acho muito difícil isso ter acontecido. O que acontece é que tem áreas dentro das indústrias
que são chamadas de áreas limpas, onde não podem entrar embalagens secundárias, como caixas de
papelão", diz.
"Na gravação que ouvi, duas pessoas falavam em entrar com uma embalagem de papelão na área
limpa. Evitar papelão nessas áreas faz parte das boas práticas de manufatura, mas não fazer isso não é
o mesmo que usar papelão dentro da salsicha."
Em nota, a empresa BRF afirmou que "houve um grande mal entendido na interpretação do áudio
capturado pela Polícia Federal".
A empresa afirma que um de seus funcionários falava que tentaria embalar a carne em papelão. O
produto é embalado normalmente em plásticos.
"Na frase seguinte, ele deixa claro que, caso não obtenha a aprovação para a mudança de embalagem,
terá de condenar o produto, ou seja, descartá-lo", afirma a empresa.

Ácido ascórbico
O ácido ascórbico - a popular vitamina C - também foi citado pelo delegado da PF como algo utilizado
para "maquiar" o aspecto da carne.
"Eles usam ácido ascórbico e outras substâncias na carne pra maquiar essa imagem ruim que ficaria
se ela fosse expostas dessa forma. Inclusive cancerígenas. Então se usa esses produtos multiplicados
cinco, seis vezes pela quantia permitida pela lei para que não dê cheiro, e o aspecto de cor fique bom
também", disse Grillo.
A partir daí, muitas pessoas entenderam que o ácido ascórbico é uma substância potencialmente
cancerígena.
De acordo com a OMS, ela pode contribuir com distúrbios gastrointestinais, cálculos renais e outros
problemas de saúde se for consumida em excesso e por longos períodos de tempo, mas não há
evidências de relação direta com o câncer.
Falta saber que substâncias cancerígenas estariam sendo usadas e por quais empresas, de acordo
com a investigação da Polícia Federal.
Os especialistas alertam que o uso de ácido ascórbico na carne não é problema.
"O uso dele tem benefícios e não é para mascarar carne adulterada. Ele tem uma função nas carnes
processadas como antioxidante, ajuda a melhorar a estabilidade do sabor e reduzir o teor de nitrito
residual. O nitrito é um aditivo para realizar a cura, que é uma etapa importante no processamento da
maior parte dos produtos processados. Todo ingrediente não cárneo tem função a cumprir no
processamento de alimentos", afirmou Carmen Castillo.
Pedro Eduardo de Felício pontua que o ácido ascórbico "evita que a carne fique com uma coloração
marrom" e que "isso é feito no mundo todo".
A substância, segundo Felício, conseguiria mascarar a deterioração da carne no princípio, quando ela
só tem algumas manchas, mas não quando o estado é mais avançado.

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De qualquer forma, ela só deve ser usada somente em produtos embutidos como parte de seu
processamento, e não nas carnes que são vendidas como matéria-prima para estes produtos - nem nas
carnes compradas no supermercado.
"A carne usada como matéria-prima não deve ter qualquer aditivo, nem o ácido ascórbico. Se a Polícia
achou isso, não deveria acontecer", diz.

Salsicha de peru sem peru


A descoberta de que, no Paraná, alunos da rede pública estadual consumiram salsicha de peru sem
carne de peru - preenchida com proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango - deu início à
investigação de dois anos.
"Muitas vezes verificou-se a falta de proteína, por exemplo, numa merenda escolar, trocada por fécula
de mandioca ou então a proteína da soja, que é muito mais barata do que a carne, então substituía.
Muitas vezes até tinha a quantidade de proteína suficiente, mas não era a proteína da carne, era proteína
de outro alimento, que não traz as mesmas substâncias pro corpo humano como a carne", afirmou o
delegado.
O uso de soja e de fécula de mandioca são comuns na produção de embutidos em todo o mundo,
segundo os especialistas, porém é preciso respeitar as quantidades determinadas pela lei.
"É preciso observar as quantidades usadas, porque elas só podem ser usadas dentro dos limites da
lei. Senão, você tem um produto de carne que tem predominância de matérias-primas não cárneas", diz
Felício.

Injeção de água no frango


Segundo a PF, fiscais teriam descoberto que frangos da empresa BRF, a maior exportadora de frango
do mundo, teriam "absorção de água superior ao índice permitido".
"Injetar água no frango é um problemão com o qual o Brasil vive e luta contra há muito tempo. Há oito
anos que o Ministério da Agricultura é cobrado pelo Ministério Público que o frango não pode ter mais de
8% de água", afirma Felício.
"É uma luta difícil. Eu não duvido que isso aconteça muito por aí, mas existe um esforço para
combater."
A prática não chega a ser prejudicial à saúde, mas altera o peso da carne. "É uma fraude econômica",
diz o engenheiro.

Cabeça de porco
O uso da carne de cabeça de porco ou de boi em linguiças é discutido em uma das ligações
interceptadas entre os sócios do frigorífico Peccin e é proibido no Brasil. "Usavam cabeça de porco, animal
morto, tudo para fazer esse tipo de produtos, principalmente esses derivados, salsicha, linguiça, e outros
produtos", afirmou Grillo.
A utilização de cabeça de porco é admitida em outros países, segundo Felício. "Não será a melhor
linguiça do mundo, mas não é prejudicial à saúde. Será um produto comestível, mas de categoria inferior."
"No Brasil, essa carne é considerada como matéria-prima nas formulações de embutidos cozidos,
como mortadela, mas não em linguiças, que são cruas."

O consumidor deve se preocupar?


Segundo Sylvio Lazzarini, as irregularidades encontradas pela Polícia Federal devem ser punidas, mas
não representam a totalidade dos produtos feitos no Brasil e vendidos em supermercados e restaurantes.
"A carne brasileira evoluiu muito nos últimos anos e é muito segura. Senão o Brasil não exportaria para
os países asiáticos, e muito menos para os EUA, que tem um dos maiores controles fitossanitários do
planeta", diz Lazzarini.
Para o empresário, "irregularidades desse nível existem em todo o mundo porque bandidos existem
em todo lugar".
O Ministério da Agricultura divulgou nota também para acalmar os ânimos dos consumidores.
"O Serviço de Inspeção Federal é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo. Tem um
quadro de 2.300 servidores e inspeciona 4.837 unidades produtoras habilitadas para exportação para 160
países. Foi com este Serviço que construímos uma reputação de excelência na agropecuária e
conseguimos atender às exigências rigorosas de diferentes nações", afirma a pasta.
O delegado da PF chegou a ser questionado na coletiva de imprensa se seria correto afirmar que
"quase nenhum produto no mercado hoje está 100% livre dessas possíveis fraudes". Ele respondeu com
cautela, mas não escondeu sua preocupação.

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"É possível que a gente tenha consumido alimentos de baixa qualidade, no mínimo, com qualidade
inferior do que deveria ser fornecido."
"Hoje é realmente complicado. Tenho ido ao mercado e passeio um bom tempo até escolher um
produto, mudou esse aspecto na minha vida. É difícil porque a confiança que a gente tem nas empresas,
pelo menos da minha parte, mudou muito. São empresas que a gente considerava corretas, então
assusta. Obviamente deve ter empresas sérias, corretas, mas na investigação foi assim, foi aparecendo
uma, depois outra. Acho que a gente pode dizer que todas as empresas que a gente teve o azar ou a
sorte de investigar tiveram problemas sérios. Foram quase 40."
Para evitar problemas, Pedro Eduardo de Felício afirma que os consumidores devem conferir se os
estabelecimentos de onde compram carne vendem produtos com certificação de origem e de inspeção,
mesmo após as acusações de corrupção de inspetores federais.
"Este escândalo é de desvio de conduta de 33 funcionários, que foram afastados, entre mais de quatro
mil inspetores. E o Ministério da Agricultura estar tomando atitudes para corrigir o problema. A partir de
agora, todo mundo vai ficar alerta."
"Os erros que foram cometidos devem ser comprovados e punidos, com certeza. Mas eu não acredito
que essas acusações possam ser generalizadas, acho que esse foi problema localizado e o governo terá
que resolver", diz.

Seis perguntas para entender a operação Carne Fraca14


A Polícia Federal deflagrou, na manhã da última sexta-feira (17/03) a operação Carne Fraca, destinada
a combater a venda ilegal de carnes no país. A operação, a maior já realizada pela PF, contou com o
trabalho de mais de mil agentes, em sete Estados. Revelou uma extensa rede de corrupção - da qual
participavam empresários e dezenas de inspetores do governo - criada para garantir a comercialização
de carnes adulteradas e com data de validade vencida. A investigação implicou mais de 30 empresas,
entre elas as gigantes JBS e BRF - donas de marcas como Friboi, Sadia e Perdigão. As duas figuram
entre as maiores exportadoras mundiais de carne. Negam ter cometidos essas irregularidades.

O que houve?
De acordo com a Polícia Federal, ao menos 30 empresas produtoras de carne no Brasil adulteravam
a data de validade dos produtos comercializados. Para mascarar a aparência e o cheiro ruim da carne
vencida, eram usados produtos químicos - o ácido ascórbico e o ácido sórbico. As empresas também
injetavam água nas peças, para aumentar o peso dos produtos, e acrescentavam papelão no preparo de
embutidos. As carnes chegavam aos supermercados graças ao pagamento de propina a fiscais do
Ministério da Agricultura, que afrouxavam a vigilância. Nem sempre a propina envolvia dinheiro - até
mesmo caixas de carnes, frango e botas foram dadas como forma de pagamento pela vista grossa das
autoridades.

Havia envolvimento de políticos?


Segundo a Polícia Federal, a propina paga aos fiscais acabava alimentando os cofres de PP e PMDB.
A polícia, no entanto, ainda não conseguiu estabelecer por que essa divisão acontecia. Um dos envolvidos
no caso é o ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB- PR). Ele aparece em grampos interceptados
pela PF, conversando com Daniel Golçalves Filho, fiscal agropecuário e líder do esquema criminoso. Na
época, Serraglio ainda não era ministro, e a PF, apesar dos telefonemas, não encontrou indícios de crime
em sua conduta. Nas interceptações, também foram citados outros parlamentares do PMDB do Paraná -
como o deputado federal Sérgio Souza, da Frente Parlamentar da Agropecuária.

Quem comer a carne vencida vai ficar doente?


Não necessariamente - a carne que já passou da data de validade não tem uma aparência muito
diferente da carne boa, caso mantida sob refrigeração adequada. O que muda é o gosto, que logo
denuncia o produto ruim. Segundo especialistas consultados pelo jornal Folha de S. Paulo, haverá
problema se tiverem se proliferado, no produto, colônias de bactérias potencialmente nocivas, como
coliformes fecais. Nesse caso, o consumo da carne pode provocar enjoos, vômito e diarreia.

Para onde toda essa carne foi vendida?


As carnes eram comercializadas em todo o país e também exportadas. A agência de notícias
Bloomberg destacou que o esquema envolvia inclusive uma carga de carnes contaminada com salmonela
e que estava a caminho da Europa.

14
18/03/2017 – Fonte: http://epoca.globo.com/brasil/noticia/2017/03/seis-perguntas-para-entender-operacao-carne-fraca.html

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E o mercado externo? Como reagiu?
Na sexta-feira, quando foi deflagrada a operação, as ações da JBS caíra 10,6% e as da BRF caíram
7,3%. Em parte, pesou contra elas a má repercussão internacional do caso. O jornal americano The New
York Times chegou a dizer que o caso abala um dos poucos pilares ainda seguros da instável economia
brasileira, o agronegócio.

Haverá punições?
Por ora, a Justiça Federal do Paraná já decretou o bloqueio de R$1 bi em bens das investigadas. A
Polícia Federal também cumpriu 38 mandados de prisão - 34 deles para funcionários públicos. Foram
detidos, também, quatro executivos das empresas envolvidas. Entre eles, o gerente de Relações
Institucionais e Governamentais da BRF Brasil, Roney Nogueira dos Santos, e o diretor da BRF André
Luiz Baldissera.

Delação da Odebrecht envolve 24 senadores; veja quem são os citados15


Executivos e ex-dirigentes da construtora narraram suspeitas em delações premiadas.
O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a
Procuradoria Geral da República (PGR) a investigar 24 senadores, além de 8 ministros, 3 governadores
e 39 deputados. Os pedidos se baseiam na chamada lista de Janot, feita com base em delações de ex-
executivos da Odebrecht.
Veja os nomes dos senadores investigados:

Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado


Qual a suspeita: De acordo com a delação de funcionários da Odebrecht, o presidente do Senado
recebeu R$ 2 milhões para facilitar a conversão de medidas provisórias em lei.
O que ele diz: "Não tenho nenhuma informação sobre os nomes nem sobre os inquéritos. Os homens
públicos têm que estar sempre atentos e sem medo de fazer os enfrentamentos que a vida a pública nos
oferece. Vamos tocar a pauta do Senado naturalmente. Vamos tocar a pauta com naturalidade."

Antônio Anastasia (PSDB-MG), senador


Qual a suspeita: Citado em um dos inquéritos que tratam do senador Aécio Neves, Anastasia é
suspeito de receber vantagens indevidas em forma de doações de campanha eleitoral em 2009 e 2010.
O que ele diz: "Em toda sua trajetória, Anastasia nunca tratou de qualquer assunto ilícito com
ninguém."

Romero Jucá Filho (PMDB-RR), senador


Qual a suspeita: Citado em cinco inquéritos, o senador Romero Jucá é suspeito de receber dinheiro
em troca da aprovação de leis que interessavam a Odebrecht.
O que ele diz: "Sempre estive e sempre estarei à disposição da Justiça para prestar qualquer
informação. Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da legislação e tive todas as minhas
contas aprovadas."

Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG), senador


Qual a suspeita: Citado em cinco inquéritos, ele é suspeito de receber vantagens indevidas para
favorecer a Odebrecht em obras como das usinas de Jirau e fraudes em licitação em MG.
O que ele diz: A assessoria do senador informa, em nota, que ele "considera importante o fim do sigilo
sobre o conteúdo das delações, iniciativa solicitada por ele ao ministro Edson Fachin na semana passada,
e considera que assim será possível desmascarar as mentiras e demonstrar a absoluta correção de sua
conduta". A assessoria também afirmou que "é falsa e absurda a acusação de que Aécio teria participado
de algum ato ilícito envolvendo a licitação ou as obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais".

Renan Calheiros (PMDB-AL), senador


Qual a suspeita: Citado em quatro inquéritos, o senador é suspeito de pedir propina para a campanha
do filho ao governo de Alagoas, pedir propina para facilitar a implementação de leis de interesse da
Odebrecht e pedir propina para facilitar obras da construtora no sertão alagoano.
O que ele diz: "A abertura dos inquéritos permitirá que eu conheça o teor das supostas acusações
para, enfim, exercer meu direito de defesa sem que seja apenas baseado em vazamentos seletivos de
delações. Um homem público sabe que pode ser investigado. Mas isso não significa condenação prévia
15
G1. Delação da Odebrecht envolve 24 senadores; veja quem são os citados. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-
jato/noticia/delacao-da-odebrecht-envolve-24-senadores-veja-quem-sao-os-citados.ghtml> Acesso em 12 de abril de 2017.

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ou atestado de que alguma irregularidade foi cometida. Acredito que esses inquéritos serão arquivados
por falta de provas, como aconteceu com o primeiro", diz, em nota.

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), senador


Qual a suspeita: Segundo delações de Ariel Parente Costa, Alexandre Biselli, Cláudio Melo Filho,
Fabiano Rodrigues Munhoz, Benedicto Barbosa da Silva Júnior e João Antônio Pacífico Ferreira, em
2013, o então ministro de Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, recebeu valores que
totalizaram R$ 1,05 milhão por intermédio de Iran Padilha, indicado pelo próprio Bezerra.
O que ele diz: "A defesa afirma que não foi oficialmente comunicada, tampouco teve acesso à referida
investigação. Fernando Bezerra mantém-se, como sempre esteve, à disposição das autoridades a fim de
prestar quaisquer esclarecimentos que elas possam necessitar."

Paulo Rocha (PT-PA), senador


Qual a suspeita: Segundo as delações de Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro
da Silveira, ele é suspeito de solicitar vantagens indevidas não contabilizadas para a campanha eleitoral
de Helder Barbalho ao governo do Pará, em 2014.
O que ele diz: "Todos os recursos da minha companha de 2014 para o Senado Federal foram
repassados pela direção nacional e estadual do Partido dos Trabalhadores e estão todos declarados nas
prestações de contas junto ao TRE. A utilização desses recursos, empresas doadoras e doadores
individuais, enfatizo, obedeceram estritamente às normas da legislação eleitoral em vigor daquele ano."

Humberto Costa (PT-PE), senador


Qual a suspeita: Segundo delações de Marcelo Odebrecht, Rogério Santos de Araújo, Márcio Faria
da Silva, César Ramos Rocha, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Luiz Eduardo da Rocha
Soares, Humberto Costa foi indicado como sendo o “Drácula” na planilha de propinas e é suspeito de
solicitar vantagem indevida em um contrato superfaturado entre a empreiteira e a Petrobras. Ele é
suspeito de ter recebido um pagamento de R$ 590 mil.
O que ele diz: Em nota, diz que "espera a conclusão de inquérito aberto há mais de dois anos pelo
STF, e para o qual a Polícia Federal já se manifestou em favor do arquivamento - aguarda ter acesso aos
novos documentos para reunir as informações necessárias à sua defesa". "O senador, que já abriu mão
de todos os seus sigilos, se coloca, como sempre o fez, à disposição das autoridades para todos os
esclarecimentos necessários."

Edison Lobão (PMDB-PA), senador


Qual a suspeita: segundo depoimento de Henrique Serrano do Prado Valladares, o senador recebeu
R$ 5,5 milhões para interferir junto ao governo federal para anular a adjudicação da obra referente à Usina
Hidrelétrica de Jirau.
O que ele diz: o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que defende Lobão, diz que agora
poderá, em inquérito, fazer o "enfrentamento" das denúncias. O senador nega as denúncias e comprovará
que os acusadores não têm prova ou indício do que dizem, segundo o advogado.

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), senador


Qual a suspeita: O senador é suspeito de receber R$ 800 mil em vantagens indevidas para favorecer
a Odebrecht. Segundo o inquérito, as declarações de Alexandre José Lopes Barradas e Fernando Luiz
Ayres da Cunha Santos Reis são de que a soma foi solicitada pelo senador paraibano, "então candidato
ao governo do Estado da Paraíba, com a expectativa de receber futura contrapartida e de realizar obra
de saneamento naquele Estado".
O que ele diz: "Eu recebi, sim, uma doação da Braskem, que é do grupo Odebrecht, na campanha de
2014. Essa doação foi devidamente declarada na minha prestação de contas. Acontece que agora o
Ministério Público Federal está pedindo ao Supremo investigação, até mesmo, nessas doações legais
porque começa a surgir suspeitas de que alguns partidos fizeram lavagem de dinheiro através das
doações partidárias. E, cá para nós, tem que investigar, sim, até o fim, para que tudo seja devidamente
esclarecido", afirma, em postagem nas redes sociais.

Jorge Viana (PT-AC), senador


Qual a suspeita: Segundo delações de Hilberto Mascarenhas e Marcelo Odebrecht, Jorge Viana é
suspeito de pedir R$ 2 milhões para a campanha de seu irmão, Tião Viana (PT) ao governo do Acre em
2010.

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O que ele diz: "Sobre o envolvimento do meu nome e do governador Tião Viana, não há nenhuma
denúncia de corrupção contra nós, mas questionamentos sobre a arrecadação da campanha em 2010.
Vamos provar na Justiça o que dissemos antes: nossas campanhas foram dentro da lei e feitas com
dinheiro limpo."

Lídice da Mata (PSB-BA), senadora


Qual a suspeita: Segundo delação de José de Carvalho Filho, a construtora repassou R$ 200 mil não
contabilizados à campanha dela ao Senado em 2010.
O que ela diz: "Acho muito importante essa autorização do Supremo para a devida abertura dos
inquéritos. Espero que agora haja a quebra do sigilo de todo o processo, como ja havia solicitado. Tenho
a consciência tranquila e a confiança de que tudo será esclarecido. A seriedade da minha vida pública
fala por mim. Quem não deve não teme."

Ciro Nogueira (PP-PI), senador


Qual é a suspeita: Segundo o Ministério Público, Nogueira procurou José de Carvalho Filho, Cláudio
Melo Filho, Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Carlos José Fadigas de Souza Filho para solicitar
quantias para sua campanha eleitoral e para o PP. O senador recebeu R$ 300 mil em 2010, quando ainda
era deputado federal, e R$ 1,3 milhão em 2014, parcelado em duas vezes. A quantia foi repassada através
do setor de Operações Estruturadas do grupo Odebrecht. O codinome de Nogueira era "Cerrado".
O que ele diz: Assessores disseram não ter localizado o deputado.

Dalírio José Beber (PSDB-SC), senador


Qual a suspeita: Segundo o Ministério Público, Dalírio Beber é suspeito de articular o repasse de R$
500 mil ao então candidato, e agora prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, de quem participava da
campanha em 2012. A Odebrecht buscava o apoio de candidatos com maiores chances para garantir a
manutenção dos contratos de saneamento de água e esgoto no município.
O que ele diz: "Recebo com surpresa a inserção do meu nome no rol dos investigados. Não tive, até
o presente momento, qualquer acesso ao processo para conhecer o conteúdo do que me é atribuído.
Rechaço com veemência toda e qualquer denúncia de prática de ilícitos. Estou indignado, mas
absolutamente tranquilo, pois minha consciência em nada me acusa. Digo à sociedade brasileira, em
especial, aos catarinenses, que sempre confiaram em mim, que espero que rapidamente a verdade seja
restabelecida. Neste momento, coloco-me inteiramente à disposição da Justiça."

Ivo Cassol (PP-RO), senador


Qual a suspeita: Segundo o delator Henrique Serrano do Prado Valladares, o senador Ivo Cassol
recebeu "vantagem indevida" de R$ 2 milhões quando era governador de Rondônia por "favorecimento
nos procedimentos administrativos" referentes à execução das obras da usina hidrelétrica de Santo
Antonio.
O que ele diz: O senador afirma que sempre foi contra a isenção de impostos das usinas de Jirau e
Santo Antônio desde 2011 e que vai aguardar. “Mas eu posso dizer que para as usinas ou para a
campanha, eu não sei, se é algo do partido a nível nacional. Não tenho conhecimento do que é o inquérito,
então, por enquanto, eu não sei. Foi citado meu nome e eu só sei que eu peitei e não demos isenção de
imposto aí.”

Lindbergh Farias (PT-RJ), senador


Qual a suspeita: De acordo com o Ministério Público, os colaboradores relataram que o senador
recebeu vantagens indevidas não contabilizadas durante a campanha eleitoral dos anos de 2008 e 2010,
nos valores respectivos de R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões.
O que ele diz: "Mais uma vez confiarei que as investigações irão esclarecer os fatos e, assim como
das outras vezes, estou convicto que o arquivamento será o único desfecho possível para esse processo.
Novamente justiça será feita."

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), senadora


Qual a suspeita: Segundo o depoimento de Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, Vanessa
Grazziotin teria recebido repasses da Odebrecht em 2012, a pretexto de doação para sua campanha
eleitoral, mas sem o registro oficial.
O que ela diz: "A senadora esclarece que as doações feitas para suas campanhas foram oficiais,
declaradas e posteriormente aprovadas pela Justiça Eleitoral."

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Kátia Abreu (PMDB-TO), senadora
Qual a suspeita: Segundo delação de Cláudio Melo Filho, José de Carvalho Filho, Fernando Luiz
Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro da Silveira, a senadora Kátia Abreu é suspeita de ter recebido
R$ 500 mil, divididos em duas parcelas, em sua campanha eleitoral de 2014 ao Senado, por intermédio
de Moisés Pinto Gomes.
O que ela diz: "Lamentavelmente, por desconhecer o conteúdo da decisão do ministro Edson Fachin,
não tenho, neste momento, elementos suficientes que me permitam rebater as supostas acusações feitas
contra mim e o meu marido, mas afirmo categoricamente que, em toda a minha vida pública, nunca
participei de corrupção e nunca aceitei participar de qualquer movimento de grupos fora da lei. Estarei à
disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários de maneira a eliminar qualquer dúvida
sobre a nossa conduta. Sigo trabalhando no Senado pelo Brasil e pelo Tocantins. Minha história e minha
correção são a base fundamental da minha defesa."

Fernando Collor de Mello (PTC-AL), senador


Qual a suspeita: De acordo com depoimentos de Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e
Alexandre José Lopes Barradas, o senador recebeu R$ 800 mil não contabilizados para sua campanha
eleitoral em 2010, pagos pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht.
O que ele diz: a assessoria do senador disse que ele não vai se pronunciar no momento.

José Serra (PSDB-SP), senador


Qual a suspeita: Segundo delações de Arnaldo Cumplido de Souza Couto, Benedicto Barbosa da
Silva Júnior, Carlos Armando Guedes Paschoal, Luiz Eduardo da Rocha Soares, Roberto Cumplido, Fábio
Andreani Gandolfo e Pedro Augusto Ribeiro Novis, Serra é suspeito de receber doações ilegais em troca
de facilidades em contratos no estado.
O que ele diz: Em nota, o senador José Serra afirma que não cometeu nenhuma irregularidade e que
suas campanhas foram conduzidas pelo partido na forma da lei. Segundo ele, a abertura do inquérito pelo
STF servirá como oportunidade de demonstrar essas afirmações e a lisura de sua conduta.

Eduardo Braga (PMDB-AM), senador


Qual a suspeita: Segundo o delator Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, Eduardo Braga recebeu R$
1 milhão quando era governador do Amazonas da Odebrecht, dinheiro relativo à construção da Ponte do
Rio Negro.
O que ele diz: O senador desconhece o conteúdo das informações que levaram a PGR a pedir
abertura de inquérito. "Vale destacar que a abertura de inquérito não significa que os investigados
respondam por qualquer tipo crime. O senador Eduardo Braga, em caso de notificação, prestará todas as
informações necessárias à Justiça."

Omar Aziz (PSD-AM), senador


Qual a suspeita: Segundo o delator Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, José Lopes, empresário
ligado a Omar Aziz, fazia pedidos de pagamentos à Odebrecht para favorecer o consórcio da empresa
na construção da Ponte do Rio Negro.
O que ele diz: "Ninguém tem mais interesse do que eu na conclusão deste inquérito. Não tenho e
nunca tive nenhum tipo de relação com a Odebrecht. Essa empresa não teve sequer contratos ou
pagamentos recebidos no meu governo. Também não recebi nenhum centavo deles em campanha
eleitoral. O jornal 'O Globo' já inclusive publicou que, no documento divulgado pelo ministro Fachin, não
há qualquer referência de valor em meu nome."

Valdir Raupp (PMDB-RO), senador


Qual a suspeita: Segundo os delatores Henrique Serrano do Prado Valladares e Augusto Roque Dias
Fernandes Filho, o senador Valdir Raupp foi um dos destinatários de um "fundo" do Grupo Odebrecht e
da Construtora Andrade Gutierrez de até R$ 20 milhões devido à execução das obras da Hidrelétrica de
Santo Antonio, no Rio Madeira.
O que ele diz: "Afirma que recebeu com tranquilidade a sua citação na lista do ministro Fachin
publicada no dia de hoje, baseada em declarações de delatores que no desespero falam e ninguém pode
impedir. Este será o momento que o senador terá para provar que as doações legais destinadas ao
Partido foram declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral."

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Ricardo Ferraço (PSDB-ES), senador
Qual a suspeita: Segundo os executivos da Odebrecht Sérgio Luiz Neves e Benedicto Júnior, foi pago
caixa dois de R$ 400 mil para a campanha do capixaba ao Senado em 2010 por meio do setor de
operações estruturadas da construtora.
O que ele diz: "Foi com absoluta perplexidade e indignação que eu recebi a informação de que meu
nome está incluído na chamada lista do Fachin. Toda minha campanha foi declarada e como poderão
constatar na prestação de contas no TSE, esta empresa não foi doadora. Nunca tratei qualquer assunto
com essas pessoas e tampouco autorizei que alguém tratasse. Acionarei esses mentirosos judicialmente
para que provem as acusações."

Delação da Odebrecht envolve 8 ministros; veja quem são os citados16


Executivos e ex-dirigentes da construtora narraram suspeitas nas delações premiadas.
O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a
Procuradoria Geral da República (PGR) a investigar 8 ministros, 3 governadores, 24 senadores e 39
deputados. Os pedidos se baseiam na chamada lista de Janot, feita com base em delações de ex-
executivos da Odebrecht.
Veja os nomes dos ministros do governo do presidente Michel Temer:

Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro da Casa Civil


Qual a suspeita: Segundo delação de Marcelo Odebrecht, Padilha cobrava propinas para irrigar
campanhas eleitorais do PMDB envolvendo concessão de aeroportos.
O que ele diz: A defesa do ministro-chefe da Casa Civil, representada pelo criminalista Daniel Gerber,
afirma que todo e qualquer conteúdo de investigações será debatido exclusivamente dentro dos autos.

Gilberto Kassab (PSD), ministro da Ciência e Tecnologia


Qual a suspeita: Segundo depoimentos de Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Paulo Henyan Yue
Cesena, ele recebeu R$ 20 milhões em vantagens indevidas no período de 2008 e 2014, por suas
condições como prefeito de São Paulo e ministro das Cidades. Segundo declarações de Carlos Armando
Guedes Paschoal e Roberto Cumplido, foi um dos beneficiários de vantagem indevida paga a agentes
públicos em obras viárias de São Paulo em 2008.
O que ele diz: "O ministro confia na Justiça, ressalta que não teve acesso oficialmente às informações
e que é necessário ter cautela com depoimentos de colaboradores, que não são provas. Reafirma que os
atos praticados em suas campanhas foram realizados conforme a legislação."

Wellington Moreira Franco (PMDB), ministro da Secretaria-Geral da Presidência


Qual a suspeita: Segundo delação de Marcelo Odebrecht, Moreira Franco cobrava propinas para
irrigar campanhas eleitorais do PMDB envolvendo concessão de aeroportos.
O que ele diz: A assessoria do ministro informa que ele não vai comentar o assunto

Bruno de Araújo (PSDB-PE), ministro das Cidades


Qual a suspeita: Segundo as delações de João Antônio Pacífico Ferreira, Benedicto Barbosa da Silva
Júnior, Cláudio Melo Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares, Araújo recebeu repasses não contabilizados
de R$ 600 mil da Odebrecht entre 2010 e 2012 a pretexto de doação eleitoral, quando era deputado
federal. De acordo com o inquérito, ele agiu em defesa dos interesses da empresa no Congresso e é
acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
O que ele diz: "De acordo com a legislação eleitoral, solicitei doações para diversas empresas,
inclusive a Odebrecht, como já foi anteriormente noticiado. O sistema democrático vigente estabelecia a
participação de instituições privadas por meio de doações. Mantive uma relação institucional com todas
essas empresas.Em todo o meu mandato, sempre atuei em prol de interesses coletivos. Atuei de acordo
com a minha consciência."

Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), ministro das Relações Exteriores


Qual a suspeita: Segundo delações de Arnaldo Cumplido de Souza Couto, Benedicto Barbosa da
Silva Júnior, Carlos Armando Guedes Paschoal, Luiz Eduardo da Rocha Soares, Roberto Cumplido, Fábio
Andreani Gandolfo e Pedro Augusto Ribeiro Novis, Nunes recebeu ilegalmente R$ 500 mil do grupo
Odebrecht para financiar sua campanha para o Senado em troca de favores políticos.

16
G1, São Paulo. Delação da Odebrecht envolve 8 ministros; veja quem são os citados. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-
jato/noticia/delacao-da-odebrecht-envolve-8-ministros-veja-quem-sao-os-citados.ghtml> Acesso em 12 de abril de 2017.

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O que ele diz: O ministro das Relações Exteriores diz que as acusações são mentirosas, mas que só
vai comentar o tema após ter acesso ao pedido de inquérito.

Marcos Antônio Pereira (PRB), ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços


Qual a suspeita: Segundo delação de Marcelo Odebrecht, Pereira recebeu R$ 7 milhões da
construtora em favor do Partido Republicano Brasileiro (PRB) para campanha eleitoral de Dilma Rousseff.
O que ele diz: “O ministro está à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos
necessários, muito embora não tenha sido notificado oficialmente nem tenha conhecimento de nada
daquilo que é acusado. Marcos Pereira agiu sempre dentro da lei enquanto presidente de partido,
buscando doações empresariais respeitando as regras eleitorais, e esclarecerá não ter qualquer
envolvimento com atitudes ilícitas”.

Blairo Borges Maggi (PP), ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento


Qual a suspeita: Segundo os delatores João Antônio Pacífico Ferreira e Pedro Augusto Carneiro Leão
Neto, da Odebrecht, Blairo recebeu R$ 12 milhões durante campanha de 2006 ao governo do estado do
Mato Grosso. Segundo os delatores, o ministro tinha o apelido de "Caldo" dentro do sistema de propinas
da empresa.
O que ele diz: "Lamento que meu nome tenha sido incluído numa lista de pessoas citadas em delações
da Construtora Odebrecht, sem que eu tivesse qualquer possibilidade de acesso ao conteúdo para me
defender. Me causa grande constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na
qual não sei sequer do que sou acusado. Mesmo assim, gostaria de esclarecer que: 1. Não recebi
doações da Odebrecht para minhas campanhas eleitorais; 2. Não tenho ou tive qualquer relação com a
empresa ou os seus dirigentes. 3. Tenho minha consciência tranquila de que nada fiz de errado."

Helder Barbalho (PMDB), ministro da Integração Nacional


Qual a suspeita: Os delatores Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro da Silveira
afirmam que Barbalho, o senador Paulo Rocha (PT-BA) e o prefeito de Marabá, João Salame (PROS-
PA), solicitaram R$ 1,5 milhão para a campanha do ministro ao governo do Pará em 2014. A Odebrecht
desejava atuar como concessionária da área de saneamento básico no estado.
O que ele diz: "Ele nega que tenha cometido ilegalidades; reafirma que todos os recursos que recebeu
como doações para sua campanha em 2014 foram devidamente registradas junto ao TRE-PA, que
aprovou todas as suas contas; esclarece que não tinha e não tem qualquer ingerência sobre a área de
saneamento no município de Marabá; destaca sua estranheza com o codinome Cavanhaque, em toda
sua trajetória política, Helder Barbalho nunca usou cavanhaque."

Conheça Marcelo Odebrecht, o homem que comprou o Brasil: propinas chegaram a R$ 10


bilhões17
Como o executivo se tornou um dos homens mais poderosos do Brasil ao negociar nos
bastidores pagamentos bilionários a políticos e partidos até ser preso e condenado por Moro
“Lá em casa, quando as minhas meninas tinham uma briga, eu perguntava: ‘Quem fez isso?' Talvez
eu brigasse mais com quem dedurasse do que com aquele que fez o fato”. A resposta de Marcelo Bahia
Odebrecht, de 48 anos, quando questionado em 2015, na CPI da Petrobras, se tinha intenção de fazer
acordo de delação premiada, deixa clara a mudança de postura do hoje ex-presidente da maior
construtora da América Latina após um ano e oito meses atrás das grades.
A conduta arrogante e inconformada do empresário, que já esteve entre os 10 mais ricos do Brasil, se
transformou após sucessivas derrotas na Justiça (com habeas corpus negados sucessivamente) e da
condenação a 19 anos e quatro meses por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na
Operação Lava-jato. Em dezembro, Marcelo resolveu contar em detalhes tudo que sabia sobre
pagamentos ilegais que chegaram em nove anos a US$ 3,37 bilhões (mais de R$ 10 bilhões) para
políticos de quase todos os partidos, empresários, lobistas, sindicalistas e até lideranças indígenas.
Ao atender o pedido do promotor para falar olhando diretamente para a câmera, Marcelo revela, com
um certo ar de banalidade e distanciamento, os detalhes sobre negociações que ocorreram em gabinetes
e salas de reuniões e de estar dos principais nomes da política nacional. “Não conheço nenhum político
que consiga se eleger sem caixa 2. Isso não existe. O político pode até dizer que não sabia, mas o que
disser que não recebeu caixa 2 está mentindo”, afirmou.

17
. FONSECA, Marcelo. Conheça Marcelo Odebrecht, o homem que comprou o Brasil: propinas chegaram a R$10 bilhões. Disponível em:<
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2017/04/16/interna_politica,862501/conheca-marcelo-odebrecht-o-homem-que-comprou-o-brasil-propinas-cheg.shtml>
Acesso em 18 de abril de 2017.

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Ao longo das várias horas de depoimentos aos promotores e ao juiz Sérgio Moro, o empresário, que
se permite até a divagar até sobre a institucionalização do caixa 2 nas campanhas eleitorais e cita a
distribuição de dinheiro para partidos como forma de servir ao sistema político, admite que “ser um grande
doador é sempre melhor” para manter as relações com os grupos influentes. “Pagar caixa 2 virou coisa
tão comum que não era mais tratado como crime, era tratado como algo necessário. Fazia parte, já que
o caixa 1 era uma parte muito pequena de nossa contribuição”, justificou Marcelo.

Ascensão e queda
Herdeiro de uma dinastia de empreiteiros, o engenheiro civil baiano Marcelo Odebrecht entrou na
empresa da família logo ao se formar na Universidade Federal da Bahia, em 1992, e teve como primeiro
trabalho a construção de um edifício em Salvador. Ambicioso e metódico, rapidamente tomou conta de
outros projetos, como a construção de uma hidrelétrica em Goiás. Depois partiu para o exterior, trabalhou
na montagem de plataformas de petróleo na Inglaterra e fez um MBA nos EUA.
Voltou ao Brasil no fim dos anos 1990 como uma das maiores referências do setor de petroquímica.
Poucos anos depois, em 2002, assumiu a presidência da construtora Odebrecht. Aos 40 anos, em
dezembro 2008, ele chegou ao topo do conglomerado da família, o Odebrecht S.A., com 15 empresas.
Arrojado, avançou no setor de petroquímica com a consolidação da Braskem e abriu mais canteiros de
obras para a empresa em 21 países.
Sob a gestão de Marcelo, a Odebrecht saltou de uma receita de R$ 38 bilhões, em 2009, para R$ 107
bilhões em 2014. O crescimento representou também uma participação cada vez maior no jogo político.
Em seus depoimentos ele afirmou que doações e negociações com políticos são comuns na empresa há
décadas, mas com o aumento da importância da construtora na economia aumentaram também as
demandas de políticos por doações para campanhas.
“Até a década de 1980, os pagamentos não contabilizados eram feitas nas próprias obras. As
empresas que queriam fazer os pagamentos não contabilizados faziam. A partir da década de 1990, se
adotou o modelo que existe até hoje: gerar recursos não contabilizados e distribuir em off shores no
exterior. O modelo então foi evoluindo para gerar eficiência fiscal e não ter riscos fiscais”, explicou Marcelo
aos investigadores.
Em 2015, Marcelo apareceu na Revista Forbes como um dos mais ricos do Brasil, com fortuna
estimada em R$ 13,1 bilhões. Desde sua prisão, em 19 de junho de 2015, quando os agentes invadiram
o condomínio de luxo no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, Marcelo passou por uma transformação. As
ordens dadas aos outros diretores que dividiam cela na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, foram
aos poucos dando lugar a uma postura mais humilde, sempre com cabeça baixa (segundo agentes
policiais).
O empresário que afirmou que os delatores eram “dedos-duros” acabou obrigado a fazer o mesmo
para evitar passar mais de 10 anos na prisão, longe da família e do conforto no qual estava acostumado.
No acordo fechado com o Ministério Público Federal, os advogados de Marcelo conseguiram reduzir sua
pena e ele deve ficar preso em regime fechado até dezembro deste ano.

Delação da JBS aponta que Temer pedia propina desde 201018


Informação está no anexo 9 do acordo de colaboração firmado junto à Procuradoria-Geral da República
(PGR)
Em um dos trechos da delação de Joesley Batista, um dos proprietários da JBS, o empresário descreve
a relação que tinha com o presidente Michel Temer, detalha os pedidos de pagamento de propina feitos
pelo presidente e conta sobre o último encontro, ocorrido no Palácio do Jaburu, em março deste ano.
Segundo o delator, Temer solicitava pagamentos irregulares à empresa desde 2010.
A informação está no anexo 9 do acordo de colaboração firmado junto à Procuradoria-Geral da
República (PGR).
O empresário relata que conheceu Temer no escritório do peemedebista, em São Paulo. Joesley
atendeu a um primeiro pedido de R$ 3 milhões em propina, sendo R$ 1 milhão através de doação oficial
e R$ 2 milhões para a empresa Pública Comunicações. Os repasses foram registrados em notas fiscais.
No mesmo ano, o empresário também concordou com outro pedido do presidente para o pagamento
de propina de R$ 240 mil à empresa Ilha Produções. Joesley disse ter se encontrado Temer ao menos
20 vezes — no escritório de advocacia do peemedebista, na sua residência e no Palácio do Jaburu.

18
SCHUCH, MATHEUS. SORDI, JAQUELINE. Delação da JBS aponta que Temer pedia propina desde 2010. Gaúcha. Disponível em:
<http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/delacao-da-jbs-aponta-que-temer-pedia-propina-desde-2010-195975.html> Acesso em 19 de maio de 2017.

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Temer teria voltado a solicitar pagamentos em 2012
De acordo com a delação, em 2012, na campanha à prefeitura de São Paulo, Temer voltou a solicitar
pagamentos milionários para a campanha de Gabriel Chalita, o que ocorreu por meio de caixa 2. A partir
de então, estreitou-se a relação entre Joesley e Temer, "ficando claro que o então vice-presidente
operava, além de Wagner Rossi (então Ministro da Agricultura), em aliança com Geddel Vieira Lima,
Moreira Franco e Eduardo Cunha, entre outros".
Joesley descreve que, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Temer o chamou para
uma reunião para pedir uma propina de R$ 300 mil com o objetivo de pagar as despesas de marketing
político pela internet, pois "o mesmo estava sendo duramente atacado no ambiente virtual".
Quando Temer assumiu a presidência, o empresário estabeleceu um canal de interlocução, junto com
Geddel Vieira Lima, na qual enviava pedidos ao presidente. Entre os pedidos, Joesley lembra de ter
solicitado que ele realizasse uma intervenção no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) para que a instituição não vetasse a mudança da sede da JBS para o Exterior.
Após a queda de Geddel, Joesley afirma que teve dificuldades de manter o canal de interlocução com
Temer "e avançar agendas de seu interesse". Foi quando contatou o deputado federal Rodrigo Rocha
Loures (PMDB-PR) e, por meio dele, conseguiu uma reunião com Temer no Palácio do Jaburu. O
encontro ocorreu ema 7 de maio de 2017, e os assuntos foram descritos pelo empresário em tópicos.
Primeiro falam sobre assuntos econômicos, e logo a seguir Joesley "procurou tranquilizar Temer sobre
o risco de delações", dizendo que estava "cuidando" de Eduardo Cunha e de Lucio Funaro, ao que Temer
respondeu "importante manter isso". O empresário disse, ainda, que estava "tranquilo em relação às
investigações que lhe diziam respeito, a propósito de ter entrado em ajustes com autoridades do sistema
de Justiça".
Na sequência, Joesley pede ao presidente que lhe indique alguém para tratar dos interesses de ambos,
no que Temer menciona o próprio Loures. O empresário pediu, ainda, que Temer encontrasse uma
solução junto a Henrique Meirelles nos assuntos de interesse do Grupo JF, e exemplificou o pedido com
assuntos relacionados ao Cade e à CVM, além de questões relacionadas com o BNDES.
O encontro, que ocorreu à noite, é finalizado com Joesley indicando que o método de reunião noturna
e entrada discreta havia funcionado, no que Temer teria concordado.
A seguir, o documento descreve dois encontros de Joesley com Loures, em que o empresário pede
para o deputado interceder junto ao Cade, "pois uma empresa controlada pela JF precisava de liminar
para afastar o monopólio da Petrobras do fornecimento de gás para termelétrica do Grupo JF.
Ao final do documento, Joesley conta que ofereceu "lançar mais créditos na planilha a medida que
outras intercessões de Temer e Rodrigo em favor do Grupo JF fossem bem sucedidas em negócios tais
como energia a longo prazo e destravamento das compensações de crédito PIS/Cofins com débitos de
INSS". Afirma, ainda, que disse para o deputado, assim como havia feito com o presidente, que "estava
cuidando de Eduardo Cunha e Lucio Funaro". Loures teria indicado que isso "era bom".

Rocha Loures é afastado do mandato de deputado19


Câmara foi notificada da decisão do Supremo Tribunal Federal. Deputado do PMDB aparece na
delação dos donos da JBS e foi filmado recebendo mala de dinheiro.
O deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi afastado do cargo após decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF). O afastamento foi determinado em despacho do presidente Rodrigo Maia (DEM-
RJ) nos termos da decisão da Corte.
A Câmara foi notificada da decisão do STF na noite desta quinta-feira (18) e, no mesmo dia, determinou
a providência. Quando o conteúdo da delação começou a ser divulgado, Loures estava nos Estados
Unidos. Ele retornou ao Brasil nesta manhã.
Loures aparece na delação premiada dos donos do frigorífico JBS, Joeslye e Wesley Batista, como
intermediário do presidente Michel Temer para assuntos da empresa com o governo. Ele atuou para
resolver uma disputa relativa ao preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica do grupo JBS.
Quando o conteúdo da delação começou a ser divulgado, Loures estava nos Estados Unidos. Ele
retornou ao Brasil nesta manhã.

Mala de dinheiro
Reportagem do jornal "O Globo" relata que o dono da JBS marcou um encontro com Rocha Loures
em Brasília e contou sobre sua demanda no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Pelo
serviço, segundo "O Globo", Joesley ofereceu propina de 5%, e o deputado deu o aval.

19
G1. Rocha Loures é afastado do mandato de deputado. G1, Política. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/noticia/deputado-rocha-loures-e-afastado-
do-mandato-de-deputado.ghtml> Acesso em 19 de maio de 2017.

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De acordo com documentos da investigação obtidos pela TV Globo, o deputado afastado foi filmado
pela PF recebendo uma bolsa com R$ 500 mil enviados por Joesley, após combinar pagamento semanal
no mesmo valor pelo período de 20 anos.
A entrega de R$ 500 mil para Rocha Loures, feita por Ricardo Saud, diretor da JBS, ocorreu em São
Paulo. Depois de passar por três endereços em um mesmo encontro (um café em um shopping, um
restaurante e uma pizzaria), Loures deixa a pizzaria levando uma mala preta com o dinheiro.
Conforme o relatório, o valor semanal poderia chegar a R$ 1 milhão se o Preço de Liquidação das
Diferenças (PLD), valor fixado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em R$/MWh,
para a comercialização da energia, ultrapassasse R$ 400.
De acordo com "O Globo", Loures teria telefonado para o presidente interino do Cade, Gilvandro
Araújo, para interceder pelo grupo. O Cade informou, em nota, que a área técnica da Superintendência
Geral recomendou a instauração, inicialmente, de Procedimento Preparatório e, posteriormente, de
Inquérito Administrativo, procedimentos padrão para apurar denúncias anticoncorrenciais.

Retorno ao Brasil
Quando o conteúdo da delação dos donos da JBS foi divulgada, Loures estava em Nova York, nos
Estados Unidos, acompanhando o evento Person of The Year (personalidade do ano), no qual o prefeito
de São Paulo João Doria foi premiado. O deputado retornou ao Brasil nesta manhã.
Ele desembarcou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, às 7h35, uma hora depois de o avião
pousar, às 6h25.
No saguão do aeroporto, Loures foi chamado de "ladrão", "bandido" e algumas pessoas pediram
"cadeia". Ele não quis gravar entrevista, entrou em um táxi branco e não respondeu para qual cidade vai.

Temer revoga decreto que autorizou Forças Armadas na Esplanada20


Militares ocuparam ruas de Brasília após protesto de centrais sindicais terminar em vandalismo.
Ministro anunciou que o presidente mandou AGU acionar na Justiça responsáveis pelas depredações.
O presidente Michel Temer revogou nesta quinta-feira (25), por meio de uma edição extraordinária do
"Diário Oficial da União", o decreto que autorizou o uso de tropas das Forças Armadas na Esplanada dos
Ministérios.
No decreto que revogou o ato anterior, o presidente afirma que, "considerando a cessação dos atos
de depredação e violência e o consequente restabelecimento da Lei e da Ordem no Distrito Federal, em
especial na Esplanada dos Ministérios", ele decidiu retirar os militares das ruas de Brasília.
O decreto publicado nesta quinta-feira tem apenas dois artigos:
Art. 1º Fica revogado o Decreto de 24 de maio de 2017, que autoriza o emprego das Forças Armadas
para a Garantia da Lei e da Ordem no Distrito Federal;
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 25 de maio de 2017; 196º da
Independência e 129º da República.
A decisão se deu menos de 24 horas após a assinatura do decreto que determinou o envio de tropas
das Forças Armadas para o Distrito Federal. Na manhã desta quinta, Temer se reuniu, no Palácio do
Planalto, com ministros de seu núcleo político e de defesa para avaliar a eventual saída dos militares da
Esplanada.
Participaram da reunião com o presidente da República os ministros Raul Jungmann (Defesa), Eliseu
Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e
Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional).

Ações judiciais
Após a publicação da edição extra do "Diário Oficial", os ministros da Defesa e do GSI concederam
uma coletiva no Planalto para explicar a decisão de retirar as tropas do centro de Brasília.
Raul Jungmann afirmou aos jornalistas que, ao avaliar que a ordem havia sido "restaurada" na capital
federal, Michel Temer determinou a suspensão da operação de garantia da lei e da ordem.
O ministro da Defesa também comunicou que o presidente da República ordenou que a Advocacia-
Geral da União acione perícias em todos os imóveis federais da Esplanada dos Ministérios nos quais
foram registrados atos de vandalismo para que sejam ajuizadas ações judiciais – cíveis e criminais –
contra os autores dos atos de violência.
"A desordem não será tolerada. Não serão toleradas essas manifestações que descambem para o
vandalismo e para a violência", enfatizou.

20
AGUIAR, GUSTAVO. Temer revoga decreto que autorizou Forças Armadas na Esplanada. G1, Política. Disponível em: <
http://g1.globo.com/politica/noticia/governo-revoga-decreto-que-autorizou-atuacao-do-exercito-na-esplanada-dos-ministerios.ghtml> Acesso em 25 de maio de 2017.

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Segundo Jungmann, de 2010 a 2017, foram realizadas no país 29 ações de garantia da lei e da ordem,
nas quais as Forças Armadas são enviadas às ruas.

Envio das tropas


Michel Temer havia assinado nesta quarta (24) o decreto de garantia da lei e da ordem no Distrito
Federal que autorizou o uso de tropas militares na segurança de prédios públicos federais.
A decisão foi motivada pelos tumultos e atos de vandalismo registrados nesta quarta, na área central
de Brasília, durante a manifestação organizada por centrais sindicais para reivindicar que Temer deixe o
comando do Palácio do Planalto e também para protestar contra as reformas nas regras previdenciárias
e trabalhistas propostas pelo peemedebista.
O protesto, que havia iniciado de forma pacífica e reuniu 35 mil pessoas, segundo a Polícia Militar do
DF, terminou com 7 presos, 49 feridos e prédios públicos queimados e depredados.
Jungmann informou nesta quarta que seriam usados 1,5 mil militares para cumprir o decreto
presidencial – 1,3 mil do Exército e 200 fuzileiros navais.

Presidente da Câmara
Em meio à entrevista, o titular da Defesa foi indagado sobre o fato de ele ter atribuído ao presidente
da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o pedido para que os militares fossem enviados à
Esplanada. Na véspera, foi o próprio Jungmann quem informou que havia sido determinado o uso das
tropas para atender a uma solicitação do parlamentar do DEM.
A presença de tropas do Exército nas ruas da capital federal gerou polêmica, especialmente, no
Congresso Nacional. Assim que foi anunciado o envio dos militares para a área central de Brasília,
deputados da oposição questionaram duramente o presidente da Câmara no plenário da Casa.
O notícia causou discussões e tumulto durante a sessão da Câmara. Maia, porém, disse que havia
pedido a Temer o emprego da Força Nacional, e não das Forças Armadas.
Aos jornalistas, Jungmann disse nesta quinta-feira que houve um "mal-entendido".
"Houve um mal-entendido da comunicação. A decisão foi do presidente da República, ouvindo Defesa
e GSI. Era absolutamente necessário que ocorresse, e o senhor Rodrigo Maia não tem responsabilidade
sobre a decisão", justificou o ministro.
"Esse conflito [de versões] está devidamente esclarecido. A responsabilidade foi nossa", acrescentou.

Oposição
Inconformados com a autorização para as Forças Armadas policiarem o centro de Brasília,
parlamentares da oposição chegaram a apresentar projetos na Câmara e no Senado com o objetivo de
derrubar o decreto editado nesta quarta pelo presidente da República.
Além disso, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF)
mandado de segurança contra o ato da Presidência da República.
Na ação, o parlamentar pedi que a Suprema Corte derrubasse o decreto, argumentando que a medida
só cabia “quando esgotados todos os meios normais para o reestabelecimento da lei e da ordem”.
O mandado de segurança, que perdeu o objeto com a revogação do ato anterior do presidente da
República, será analisado pelo ministro Dias Toffoli.

Rollemberg
No mesmo dia em que Michel Temer deu aval para os militares ocuparem a Esplanada dos Ministérios,
o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), divulgou uma nota na qual classificou de
"medida extrema" o decreto presidencial. Rollemberg ressaltou no comunicado que a decisão do Planalto
não teve "anuência" do governo do DF.
Responsável pela segurança institucional do Palácio do Planalto, o general Sérgio Etchegoyen
contradisse o governador. Na versão do ministro do GSI, a conversa com o governo do Distrito Federal
foi "absolutamente harmônica" quanto ao uso do Exército para reforçar a segurança na região central de
Brasília.
"Não vou criar uma querela com o senhor governador do Distrito Federal. A conversa conosco foi
absolutamente harmônica. Não vamos imaginar que há uma briga com a polícia do DF", destacou.

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Polícia Federal deflagra a 2ª fase da Operação Carne Fraca21
Ex-superintendente do Mapa de Goiás foi preso preventivamente.
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (31) a 2ª fase da Operação Carne Fraca, que
investiga irregularidades na fiscalização de frigoríficos.
De acordo com a PF, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão
preventiva, que é por tempo indeterminado, em Goiás.
O principal alvo desta fase é Franciso Carlos de Assis, ex-superintendente regional do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás. Ele será levado para a
superintendência da PF em Curitiba, onde ficará à disposição da Justiça.
Franciso Carlos de Assis foi flagrado, conforme a PF, "em interceptações telefônicas destruindo provas
relevantes" para a apuração da Operação Carne Fraca. A PF ainda não explicou como ocorreu a
destruição das provas.
Esta nova etapa foi batizada de "Antídoto" em referência à uma ação policial com o objetivo de cessar
os atos criminosos do investigado e de preservar eventuais novas provas.
O ex-superintendente já é réu na Justiça, em ação penal relacionada à 1ª fase da operação. Segundo
a PF, ele participou de um esquema de corrupção entre uma grande empresa do ramo alimentício e o ex-
chefe do Serviço de Inspeção em Produtos de Origem Animal (Sipoa) de Goiás.
A partir desta nova etapa, os investigados podem responder, ainda segundo a PF, por obstrução de
investigação criminal.

1ª fase da Carne Fraca


A 1ª fase da operação foi deflagrada no dia 17 de março e cumpriu 309 mandados judiciais em seis
estados e no Distrito Federal. A ação apurou o envolvimento de fiscais do Mapa em um esquema de
liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.
Em abril, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, decidiu receber as cinco
denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF), referentes à primeira fase da operação.
Das 60 pessoas denunciadas, o magistrado resolveu acolher denúncias contra 59. Com isso, elas
passaram a ser consideradas rés nas ações penais que respondem junto à Justiça.
Atualmente, 24 pessoas seguem detidas em caráter preventivo, ou seja, não têm prazo para deixar a
cadeia.

Ex-ministro citado
O ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi citado na 1ª etapa da Carne Fraca. Na época,
ele ainda era ministro.
Em uma ligação grampeada, Osmar Serraglio chamou de "grande chefe" um dos líderes do suposto
esquema, o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa)
Daniel Gonçalves Filho.
No domingo (28), o presidente Michel Temer (PMDB) decidiu transferir o ministro Torquato Jardim do
Ministério da Transparência para o comando do Ministério da Justiça, substituindo Osmar Serraglio, que
estava no cargo desde março.

STF considera válida cota de 20% para negros em concurso público22


Dez ministros se manifestaram favoravelmente à lei. Corte analisa se cota vale para todos os poderes
e se deve ser aplicada em promoções internas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) votou pela validade de uma lei de 2014 que obrigou órgãos públicos
federais a reservar 20% de suas vagas em concursos públicos para negros.
O julgamento havia sido suspenso no mês passado, após o voto favorável de 5 dos 11 ministros. Nesta
quinta-feira (8), o debate foi retomado e os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio
Mello, Celso de Mello e Cármen Lúcia se manifestaram pela constitucionalidade da cota.
Em maio, já haviam votado a favor os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Edson
Fachin, Luiz Fux e Rosa Weber.
Apenas Gilmar Mendes não votou. Ele não participou da sessão porque participa do julgamento no
Tribunal Superior Eleitoral que analisa ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.

21
G1 PR, RPC CURITIBA. Polícia Federal deflagra a 2ª fase da Operação Carne Fraca. G1, Paraná, RPC. Disponível em:
<http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/policia-federal-deflagra-a-2-fase-da-operacao-carne-fraca.ghtml> Acesso em 31 de maio de 2017.
22
CARAM, BERNARDO. STF considera válida cota de 20% para negros em concurso público. G1 Política. Disponível em:
<http://g1.globo.com/politica/noticia/maioria-do-stf-considera-valida-cota-de-20-para-negros-em-concurso-
publico.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 09 de junho de 2017.

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A ação
A ação, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), visava sanar dúvidas sobre a aplicação
da lei, que vinha sendo questionada em outras instâncias judiciais.
No julgamento, os ministros acompanharam o voto do relator, que defendeu que a cota de 20% vale
para concursos da administração pública federal. A assessoria de imprensa do STF informou que a regra
é válida para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, no âmbito federal.
No voto, Barroso disse ainda que a definição não é obrigatória para órgãos estaduais e municipais,
mas pode ser seguida por eles.
Não ficou definido se a cota de 20% deve ser considerada nos concursos internos de promoção e de
transferência.
Por fim, o STF examinou se os órgãos públicos podem verificar eventuais falsas declarações de
candidatos cotistas.
O voto vencedor do relator admitiu essa verificação, por exemplo, por meio da autodeclaração
presencial, exigência de fotos e entrevista por comissões plurais posterior à autodeclaração.
Nesse caso, essa identificação deve ocorrer num processo no qual seja respeitada a dignidade da
pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa do candidato, recomendou o ministro.
A lei diz que, constatada a falsa declaração, o candidato poderá ser eliminado do concurso ou demitido
se for constatada a fraude após sua admissão no serviço público. Essa e outras dúvidas na aplicação da
lei deverão ser melhor definidas ao final do julgamento.
No início do julgamento, a OAB e a União se manifestaram a favor da manutenção da lei. Segundo a
ONG Educafro, que também participou da discussão, atualmente, 27% dos cargos federais são
preenchidos por negros, enquanto que na população, 55% das pessoas se declaram negras.

TSE absolve a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas Eleições 201423
Coube ao presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, desempatar o placar do julgamento
Por 4 votos a 3, os ministros que compõem o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) absolveram nesta sexta-
feira (9) a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas Eleições 2014. Votaram pela
absolvição os ministros Gilmar Mendes, que foi o voto de desempate, Napoleão Maia Nunes e os recém
indicados por Temer Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Votaram pela condenação os ministros Rosa
Weber, Luiz Fux e o relator Herman Benjamin.
Coube ao presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, desempatar o placar do julgamento. Por recair
sobre ele o peso da absolvição, o ministro fez um voto extenso. Justificou o motivo de ter votado pelo
prosseguimento da ação contra a chapa que agora absolve em 2015. Voto que foi citado pelo relator
Herman Benjamin várias vezes ao longo do julgamento.
— Havia sinais de que havia abusos, como na questão das gráficas. Mas aqui é como se fosse, no
máximo, o recebimento de uma denúncia. Quantas vezes recebemos denúncia que são depois excluídas.
Primeiro é preciso julgar para depois condenar. E é assim que se faz. O objeto dessa questão é sensível
e não se compara a qualquer outro porque trata da soberania popular.
O relator, ainda na quinta (8), ao finalizar o seu voto, já com a sinalização de que seria derrotado pelo
plenário, defendeu o uso das provas coletadas e das delações da Odebrecht, alvo de grande discussão
ao longo de todo o julgamento.
— Recuso papel de coveiro de prova viva. Posso participar do velório, mas não carrego caixão.
Dilma e Temer eram acusados de usar recursos de propina de contratos superfaturados da Petrobras
na campanha eleitoral que saiu vitoriosa por uma margem pequena da chapa de Aécio Neves, autor da
ação. O PSDB e o Ministério Público Eleitoral podem recorrer ao próprio TSE por meio de embargos de
declaração, assim como aconteceu no julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), mas
ainda não declararam se irão recorrer da decisão. Os embargos só podem ser apresentados após a
publicação do acórdão do julgamento, que deve demorar cerca de dez dias.
As sessões começaram na noite de terça-feira (6) e se estenderam até esta sexta (9). Somado, o
julgamento durou cerca de 30 horas, descontados os intervalos. A maior parte do tempo foi gasta na
discussão das preliminares (questões colocadas pela defesa sobre o processo, e não sobre o mérito) e
no voto do relator.
A única das sete preliminares apresentadas pela defesa aceita pela maioria dos ministros foi a de
descartar as delações da Odebrecht da ação de cassação, por terem sido reveladas depois do início da
ação (inicial).

23
LONDRES, MARIANA. TSE absolve a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2014. R7, Brasil. Disponível em: <
http://noticias.r7.com/brasil/tse-absolve-a-chapa-dilma-temer-por-abuso-de-poder-economico-e-politico-nas-eleicoes-2014-10062017> Acesso em 12 de junho de
2017.

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Apesar da maioria dos ministros entenderem que as delações da Odebrecht deveriam ser descartadas,
o relator Herman Benjamin centrou o seu voto pela condenação nas informações prestadas pelos
marqueteiros João Santana e Mônica Moura.
Para o relator, as investigações da Lava Jato revelaram o esquema de distribuição de propina e os
políticos tinham conhecimento de que recebiam dinheiro ilícito nas campanhas. Benjamin usou os
depoimentos dos marqueteiros para comprovar o uso de caixa 2.
Ele chegou a dividir a propina em caixa 2, propina-gordura, ou propina-poupança (dinheiro reservado
para ser usado depois) e caixa 3 (operações de empresas que serviram como "barriga de aluguel" para
que outras doassem mais dinheiro e seus nomes não aparecessem nas contabilidades das campanhas).
— A Odebrecht está na petição inicial, queria dizer que temos Petrobras, temos uma contratante da
Petrobras, temos pagamento tirado de um crédito rotativo de uma conta poupança para o partido do
governo e esses recursos foram utilizados para os marqueteiros dessa campanha de 2014. E que sejam
relacionados a débitos de 2010, 2012 é irrelevante, pois sem esses pagamentos, eles disseram em
depoimentos, não fariam a campanha. Por isso reconheço o abuso de poder político com altos impactos
nas eleições.
Em abril, quando o julgamento começou, o tribunal aceitou pedido da defesa de incluir novas
testemunhas no processo, o ex-ministro Guido Mantega e os delatores João Santana, Mônica Moura e
André Santana, estes três últimos presos na Operação Acarajé após a descoberta do departamento de
operações estruturadas (propina) da Odebrecht.
— A Odebrecht até merecia uma fase própria. Não é um capítulo, é um título inteiro. Uma empresa
que liderou o ataque à Petrobras e que está desde o início. A Odebrecht era a matriarca da manada de
elefantes que transformou a Petrobras numa savana africana para a reprodução da rapinagem.
O julgamento foi marcado pelo embate entre os ministros Herman Benjamin, relator, e Gilmar Mendes,
presidente da Corte, que tinham visões divergentes. Apesar das discussões dentro do plenário, Benjamin
e Mendes são amigos há mais de trinta anos.
Para tentar convencer os seus colegas tanto na preliminar quanto no mérito, Benjamin chegou a usar
um voto anterior de Gilmar Mendes no próprio processo, quando ele defendeu dar seguimento a ação.
Mendes acusou Benjamin de distorcer a sua visão e chegou a chamar o relator de 'falacioso' em
um de seus argumentos.
O relator focou o seu voto quanto ao mérito no uso de caixa 2 nas eleições. Também foi discutida a
importância da reforma eleitoral para acabar com arrecadações ilegais em eleições no Brasil, como disse
o relator.
— No Brasil ninguém fazia doações por questões ideológicas. Aqui era sempre na expectativa de
cooptação e favorecimento futuro ou já ocorrido.
Para Gilmar Mendes, houve "alargamento" do pedido inicial da ação. Para ele, a Odebrecht não tem
relação com o possível pagamento de propina da Petrobras a chapa. Ele ressaltou, contudo, que não
está negando a corrupção, mas se atendo aos fatos sobre a chapa eleitoral.
— Estamos discutindo abuso de poder econômico nas eleições.
Durante o julgamento das preliminares também foi discutido se recursos eram caixa 2 ou caixa 1
(doações legais de empresas para as campanhas). Um dos ministros, Admar Gonzaga disse que só caixa
1 deveria ser considerado. O argumento foi rechaçado pelo relator, e lembrado sempre no seu voto.
— Se foi montado um sofisticado esquema de arrecadação de dinheiro público, como não é caixa 2?
questionou o relator.
Admar Gozaga chegou a dizer que Benjamin estava tentando constranger os demais ministros.
Nos quatro dias de julgamento, apenas o assessor de Temer Gastão Toledo esteve no TSE para
acompanhar de perto das discussões. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que era presidente da
corte durante o julgamento do mensalão, também esteve no plenário em uma das sessões de discussão.

Último dia de julgamento


O último dia do julgamento, esta sexta (9), foi marcado pela finalização do voto do relator, que ao todo
levou nove horas em dois dias, e pelos votos dos demais ministros. Por um acordo entre os ministros,
cada um, tirando o relator, tinha vinte minutos para falar.
Além das leituras dos votos, o vice-procurador eleitoral Nicolao Dino pediu o impedimento do ministro
Admar Gonzaga, por ele ter sido, nas Eleições 2010, advogado da ex-presidente Dilma Rousseff. O
pedido foi negado pela corte e o presidente Gilmar Mendes chegou a suspender a sessão por cinco
minutos em função do pedido, seguido por uma manifestação acalorada do ministro Napoleão Maia
Nunes.

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Aprovação de Temer é de 7%, a menor marca em 28 anos, diz Datafolha24
Na estimativa do instituto, apenas José Sarney ficou abaixo, com 5% em 1989
BRASÍLIA — Apenas 7% dos brasileiros consideram o governo de Michel Temer como ótimo ou bom
— a menor marca apurada pelo Instituto Datafolha em 28 anos. Na série histórica, apenas José Sarney
ficou abaixo deste patamar, ao tocar 5% de aprovação em setembro de 1989, durante a crise da
hiperinflação.
A impopularidade do presidente aumentou desde a revelação da colaboração premiada dos donos da
JBS, que situaram Temer no centro de um esquema de corrupção nacional. Segundo o Datafolha, 69%
do público considerada a gestão ruim ou péssima, e 23% avaliam o governo como regular.
Mulheres, jovens e eleitores de renda mais baixa mostram mais indisposição com Temer, em
comparação com a média da população.
Em 1989, 68% consideravam ruim ou péssima a atuação de Sarney, enquanto 24% julgavam a
administração regular.
O novo levantamento do instituto ouviu 2.771 pessoas entre quarta-feira e a sexta-feira. Os novos
números evidenciam a queda da popularidade do presidente, que, há dois meses, somava 9% entre os
entrevistados que avaliavam a gestão como ótima ou boa. No fim de abril, 61% julgavam o governo como
ruim ou péssimo e 28% enxergavam uma administração regular.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ainda informou
que a nota do presidente caiu de 3 para 2,7 na nova pesquisa. Não souberam responder 2% dos
entrevistados.
A avaliação de Temer é pior que a de Dilma Rousseff às vésperas da conclusão do processo de
impeachment, quando a petista seria destituída pelo Congresso. Na época, ela tinha 13% de aprovação
e 63% de reprovação. A impopularidade do peemedebista é semelhante à da ex-presidente de agosto de
2015, quando Dilma amealhou 71% de avaliações de um governo ruim ou péssimo.
Além de Temer, Dilma e Sarney, apenas Fernando Collor atingiu índices tão negativos frente à
população. Ele somava 68% de ruim e péssimo, em setembro de 1992, ao sofrer impeachment.

Ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, é preso na Bahia25


Ele é suspeito de tentar obstruir investigações sobre recursos da Caixa.
Geddel teria tentado evitar que Funaro e Cunha fizessem delação.
A Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB da Bahia. Ele
é suspeito de tentar obstruir investigações sobre irregularidades na liberação de recursos da Caixa.
Os investigadores afirmam que o ex-ministro Geddel Vieira Lima tentou evitar que o doleiro Lúcio
Funaro e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, ambos presos pela Lava Jato, fizessem acordo de
delação premiada; e que Geddel procurou várias vezes a mulher de Funaro. Quem deu o alerta inicial foi
o próprio Funaro, em um depoimento em junho.
O doleiro disse às autoridades que: “estranha alguns telefonemas que sua esposa tem recebido de
Geddel Vieira Lima, no sentido de estar sondando qual seria o ânimo do declarante em relação a fazer
um acordo de colaboração premiada”.
Na decisão, o juiz federal Vallisney de Oliveira afirmou que esse fato “é gravíssimo”. Como prova,
Lúcio Funaro apresentou à polícia imagens de telas de celular que mostram mensagens enviadas por
Geddel à mulher do doleiro.
Os investigadores afirmam que esses novos elementos deixam claro que Geddel continua agindo para
obstruir as apurações de crimes. Ele está sendo investigado na Operação Cui Bono, deflagrada em
janeiro, que apura irregularidades na liberação de recursos da Caixa.
No pedido, o Ministério Público Federal disse que a prisão é necessária como proteção à ordem pública
e à ordem econômica, contra novos crimes em série que poderiam ser cometidos por Geddel. A prisão
tem caráter preventivo.
Na decisão, o juiz listou outros motivos para a prisão. Segundo o juiz, Geddel - mesmo após sair do
cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal - continuou a interferir no banco
indevidamente, usando sua influência política em negociações ilícitas em desfavor da empresa pública.
O juiz lembrou ainda que, em depoimento, Lúcio Funaro também disse que Geddel teria recebido
aproximadamente R$ 20 milhões em espécie a título de propina pela atuação no esquema ilícito. Dinheiro
que não foi localizado até hoje, e que pode ter sido escondido, escamoteado.

24
O GLOBO. Aprovação de Temer é de 7%, a menor marca em 28 anos, diz Datafolha. O Globo, Brasil. Disponível em:
<https://oglobo.globo.com/brasil/aprovacao-de-temer-de-7-menor-marca-em-28-anos-diz-datafolha-21515257> Acesso em 26 de junho de 2017.
25
G1. Ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, é preso na Bahia. G1, Jornal Nacional. Disponível em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/07/ex-
ministro-geddel-vieira-lima-do-pmdb-e-preso-na-bahia.html Acesso em 04 de julho de 2017.

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Pesou também, para a prisão de Geddel, informações passadas em delação premiada pelo empresário
Joesley Batista e pelo diretor jurídico do grupo J&F, Francisco Assis. Segundo Joesley, Geddel Vieira
Lima era o principal contato dele com o governo Temer, até ser afastado e substituído pelo ex-assessor
de Temer, Rodrigo Rocha Loures.

Lula é condenado na Lava Jato a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do triplex26


Na sentença, juiz Sergio Moro cita documentos e depoimentos que comprovam que apartamento no
litoral de SP era destinado ao ex-presidente, diz que há 'provas documentais' e que Lula 'faltou com a
verdade'.
O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância,
condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de
corrupção passiva e de lavagem de dinheiro.
A acusação é pela ocultação da propriedade de uma cobertura triplex em Guarujá, no litoral paulista,
recebida como propina da empreiteira OAS, em troca de favores na Petrobras.
Outros dois réus no mesmo processo também foram condenados, e quatro, absolvidos (veja a lista
completa abaixo).
É a primeira vez, na história, que um ocupante da Presidência é condenado por um crime comum no
Brasil. A sentença foi publicada nesta quarta-feira (12) e permite que o petista recorra em liberdade.
Na sentença, de 218 páginas, o juiz Moro resume as acusações que pesam contra Lula, relata os
argumentos da defesa e analisa as provas documentais, periciais e testemunhais. O magistrado afirma
que houve condutas inapropriadas por parte da defesa de Lula que revelam tentativa de intimidação da
Justiça e, por isso, até caberia decretar a prisão preventiva do ex-presidente. Porém, decidiu não mandar
prendê-lo por "prudência".
"[...] Considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver
certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de
se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente apresentar a sua
apelação em liberdade", diz a decisão.
Por "falta de prova suficiente da materialidade", o juiz absolveu Lula das acusações de corrupção e
lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento do acervo presidencial numa transportadora, que teria
sido pago pela empresa OAS.
Moro determinou ainda que Lula não pode exercer cargo ou função pública pelo dobro do tempo da
pena, ou seja, a 19 anos. A decisão, no entanto, só passa a valer após ser referendada por colegiado --
no caso, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
A defesa de Lula diz que o ex-presidente é "inocente". Os advogados declararam que a condenação
foi "politicamente motivada", que o julgamento "ataca o Estado de Direito no Brasil" e que Moro deveria
"se afastar de todas as suas funções". Durante o decorrer do processo, os advogados negaram que Lula
fosse dono do triplex.
Moro diz "que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo
contrário". "É de todo lamentável que um ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas
a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece,
enfim, o ditado 'não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você' (uma adaptação livre
de 'be you never so high the law is above you')", escreveu Moro na sentença.

Juiz Sérgio Moro condena ex-presidente Lula a 9 anos e 6 meses de prisão


O Ministério Público Federal (MPF) havia denunciado o ex-presidente por ter recebido R$ 3,7 milhões
em propina dissimulada da OAS por meio do triplex reformado no Condomínio Solaris e pelo pagamento
de R$ 1.313.747,24 para a empresa Granero guardar itens que Lula recebeu durante o exercício da
presidência, entre 2002 e 2010. Em troca, segundo a acusação, o ex-presidente conseguiria contratos da
Petrobras para a empresa.
Com a absolvição no caso do armazenamento, Moro considerou que Lula recebeu mais de R$ 2,2
milhões em propina. "Do montante da propina acertada no acerto de corrupção, cerca de R$
2.252.472,00, consubstanciado na diferença entre o pago e o preço do apartamento triplex (R$
1.147.770,00) e no custo das reformas (R$ 1.104.702,00), foram destinados como vantagem indevida ao
ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva", diz na sentença.

26
FONSECA, A. GIMENES, E. KANIAK, T. DIONÍSIO, B. Lula é condenado na Lava Jato a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do tríplex. G1, Paraná. Disponível
em: <http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/lula-e-condenado-na-lava-jato-no-caso-do-triplex.ghtml> Acesso em 13 de julho de 2017.

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Apartamento
Sobre o apartamento, Moro afirmou que, segundo o MPF, não teria havido o pagamento do preço pelo
ex-presidente, nem do apartamento nem das reformas feitas no imóvel.
Moro também lembrou que, segundo a defesa de Lula, o triplex 164-A jamais pertenceu ao ex-
presidente, e, embora tivesse sido oferecido a ele em 2014, não houve interesse na aquisição e, portanto,
não houve a compra.
Para o juiz, essa é a questão crucial do processo, pois se determinado que foi de fato concedida a Lula
pelo grupo OAS, sem o pagamento correspondente, haverá prova da concessão a Lula de um benefício
patrimonial considerável, estimado em R$ 2,424 milhões, e para o qual não haveria uma causa ou
explicação lícita.
Para o juiz, na resolução desta questão, não é suficiente um exame meramente formal da titularidade
ou da transferência da propriedade do triplex. Isso porque, segundo a acusação, a concessão do
apartamento ao ex-presidente Lula teria ocorrido de maneira "subreptícia", com a manutenção da
titularidade do bem com o grupo OAS, também com o objetivo de ocular e dissimular o ilícito.
Para Moro, apesar de não haver escritura em nome do ex-presidente, é preciso examinar as provas
documentais. O juiz afirmou que, embora não haja dúvida de que o registro da matrícula do imóvel aponte
que ele permanece em nome da OAS, isso não é suficiente para a solução do caso.
De acordo com Moro, nem a configuração do crime de corrupção, nem do crime de lavagem, que
pressupõe estratagemas de ocultação e dissimulação, exigiriam, para a sua consumação, a transferência
formal da propriedade do imóvel do grupo OAS para o nome do ex-presidente Lula.
Inicialmente, o condomínio onde está localizado o triplex era um empreendimento da Cooperativa dos
Bancários do Estado de São Paulo (Bancoop). A Bancoop passou por problemas financeiros, quebrou e
transferiu o empreendimento para o grupo OAS. Segundo o juiz, o ex-presidente teria pago, quando o
imóvel ainda pertencia à Bancoop, cerca de R$ 209 mil por um apartamento simples, de preço muito
inferior ao triplex.
Moro também aplicou a Lula uma multa. "Considerando a dimensão dos crimes e especialmente renda
declarada de Luiz Inácio Lula da Silva (cerca de R$ 952.814,00 em lucros e dividendos recebidos da LILS
Palestras só no ano de 2016), fixo o dia multa em cinco salários mínimos vigentes ao tempo do último ato
criminoso que fixo em 12/2014".

Provas
Os principais pontos da sentença que condenou o ex-presidente Lula
No decorrer da sentença, o juiz afirmou que há provas documentais contra o ex-presidente e que Lula
não apresentou resposta concreta. Disse que as reformas feitas no apartamento têm caráter de
personalização.
Uma das provas, segundo Moro, são rasuras em documentos de adesão da cota habitacional no
edifício do Guarujá. Os documentos foram encontrados no apartamento de Lula em São Bernardo do
Campo. O número 141, de um apartamento mais simples, foi escrito em cima de 174, que seria a primeira
numeração do triplex, que, depois, passou a 164-A.
Outra rasura foi identificada do lado esquerdo do documento, na palavra "triplex". Para Moro, essa
constatação revela que havia a pretensão de adquirir o apartamento.
Ainda de acordo com Moro, há registros documentais de que todos os cooperados com direito a
unidades da Bancoop tiveram que optar, em 30 dias, por celebrar novos contratos de compra e venda
com a OAS ou por desistir e solicitar a restituição do dinheiro.
Moro também afirma que a OAS informou sobre os empreendimentos que recebeu da Bancoop.
Consta no relatório que haveria 112 unidades no condomínio Solaris e que "foram vendidas para ex-
cooperados da Bancoop, bem como uma unidade do empreendimento para novo adquirente".
Apesar dessas informações, de que todas as unidades teriam sido vendidas, de que os antigos
cooperados tinham prazo de 30 dias para adquirir as novas unidades ou pedir o dinheiro de volta, e que
não consta que o ex-presidente Lula ou sua esposa, Marisa Letícia, teriam tomado qualquer uma das
providências.
Então, para Moro, o que se tem presente até o momento é que Lula e a esposa, diferentemente dos
demais cooperados do antigo empreendimento, não atenderam prazo de 30 dias contadas da assembleia
para celebrar novo contrato com a OAS ou para requerer a devolução do dinheiro.
Moro também sustenta que não há qualquer registro de que Lula e a família foram cobrados, pela
Bancoop ou pela OAS, para realizar formalmente qualquer uma das opções.
Neste ponto da sentença, o juiz evidencia que o triplex era do ex-presidente. Ele citou as declarações
de renda de Lula e de dona Mariza de que não houve alteração formal da contratação junto à Bancoop
ou à OAS antes do início das investigações --e afirmou que documentos apreendidos na sede da Bancoop

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mostram que a unidade estava reservada a Lula. Ressalta ainda que o triplex jamais foi colocado à venda,
ao contrário do apartamento mais simples, o 141, vendido em agosto de 2014.

Reforma é a prova, diz Moro


Moro também afirmou que a reforma do apartamento é prova de que o triplex é de Lula. O juiz lembrou
que "Léo Pinheiro realizou reformas expressivas durante todo o ano de 2014, com despesas de R$
1.104.702 incluindo a instalação de um elevador privativo para o triplex, instalação de cozinhas e
armários, retirada de sauna, demolição de dormitório e colocação de aparelhos eletrodomésticos". Disse
ainda que tal reforma não foi feita para nenhum outro apartamento no condomínio Solaris.
"Assim, por exemplo, não se amplia o deck de piscina, realiza-se a demolição de um dormitório ou
retira-se a sauna de um apartamento de luxo para incrementar o seu valor para o público externo, mas
sim para atender ao gosto de um cliente, já proprietário do imóvel, que deseja ampliar o deck da piscina,
que pretende eliminar um dormitório para ganhar espaço livre para outra finalidade, e que não se interessa
por sauna e quer aproveitar o espaço para outro propósito", diz Moro (veja íntegra das provas que
basearam a condenação no fim da reportagem).
Sérgio Moro destaca que a versão de Lula, de que ele sequer foi comunicado das reformas e que não
as solicitou, nem sua esposa, fica sem qualquer sentido. Em outro trecho, o juiz pergunta: "Afinal, por que
a OAS realizaria reformas personalizadas no apartamento se não fosse para atender um cliente
específico?".
Moro listou as notas fiscais da construtora responsável pela reforma, no valor de R$ 777.189,90 e
destacou que todas foram emitidas para a OAS.

E-mails e mensagens de telefone


Entre outras provas de que as reformas eram para Lula, Moro citou e-mails e mensagens de telefone.
Entre essas provas estão as que fazem referência ao projeto do "Guarujá" e ao da "Praia", e que foram
submetidos à aprovação da "Madame" ou "Dama". Sérgio Moro diz que "é inequívoco de que se trata de
projetos submetidos à esposa de Luiz Inácio Lula da Silva, como, aliás, confirmado pelos interlocutores.
Na sentença, Moro ressalta ainda as contradições nos depoimentos prestados pelo ex-presidente Lula.
Primeiro à Polícia Federal, em São Paulo, em março do ano passado, quando foi alvo da 24ª fase da
Lava Jato, e, depois, ao próprio Moro, em Curitiba. O juiz disse que o depoimento prestado em juízo e,
mesmo antes, o prestado ante a autoridade policial pelo ex-presidente, são absolutamente inconsistentes
com os fatos provados documentalmente".
Moro ressaltou que Lula, ao longo de seu depoimento, foi confrontado com todas essas contradições
entre as suas declarações, e o constante nos documentos, e não apresentou esclarecimentos concretos.
E que "a única explicação disponível para as inconsistências e a ausência de esclarecimentos
concretos é que, infelizmente, o ex-presidente faltou com a verdade dos fatos em seus depoimentos
acerca do apartamento triplex".
O juiz ainda menciona moro que testemunhas ligadas à OAS e ao condomínio também comprovam
que o apartamento era de Lula.
Na sentença, o juiz Sergio Moro também cita o depoimento do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro,
que confirmou que o triplex foi reservado à família de Lula em 2009, que a OAS não poderia vender o
imóvel e que a diferença de preço do imóvel e o custo das reformas seriam abatidos das dívidas de
propinas do Grupo OAS com o PT, ligado ao esquema da Petrobras.
A PT emitiu uma nota sobre a sentença na qual afirma que a condenação de Lula é "ataque à
democracia" e "conduzida por um juiz parcial".

Réus no processo
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente: condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 9
anos e 6 meses de prisão no caso do triplex. Absolvido dos mesmos crimes no caso do armazenamento
de bens.
Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS: condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro a 10 anos
de 8 meses de prisão no caso do triplex. Absolvido dos mesmo crimes no caso do armazenamento de
bens.
Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS: condenado por corrupção ativa a 6 anos
de prisão.
Paulo Gordilho, arquiteto e ex-executivo da OAS: absolvido da acusação de lavagem de dinheiro.
Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula: absolvido da acusação de lavagem de dinheiro.
Fábio Hori Yonamine, ex-presidente da OAS Investimentos: absolvido da acusação de lavagem de
dinheiro.

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Roberto Moreira Ferreira, ligado à OAS: absolvido da acusação de lavagem de dinheiro.

O que dizem os réus


Léo Pinheiro
Em nota, a defesa do ex-presidente da OAS afirmou que "a sentença reconheceu a efetividade da
colaboração prestada por Léo Pinheiro, que admitiu os ilícitos praticados e apresentou novas informações
e provas decisivas para o esclarecimento da verdade".

Agenor Franklin Magalhães Medeiros


"Eu e meu sócio aqui copiado, Luís Carlos Dias Torres, fizemos uma análise preliminar da sentença.
Vemos com bons olhos o reconhecimento pelo Dr. Moro da colaboração que nosso cliente deu para o
esclarecimento da verdade, a qual está lastreado em documentos contidos nos autos. Aliás, esse é o
nosso maior compromisso: colaborar com as autoridades para que a verdade dos fatos venha à tona,
independentemente de termos ou não um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público.
Ainda estudamos se iremos recorrer ou não da decisão", disse o advogado Leandro Falavigna.

Paulo Okamotto
"A absolvição do ex-presidente Lula e do ex-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto quanto à
acusação de lavagem de dinheiro pela manutenção do acervo presidencial demonstra que a Operação
Lava Jato está preenchida por ilegalidades e acusações que não constituem crime. A expectativa é que,
em razão do parecer da Procuradoria Geral da República perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ)
pelo trancamento da ação, o procurador Deltan Dallagnol não recorra da decisão preferida pelo juiz Sergio
Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba", afirma nota da defesa.

Fábio Hori Yonamine


A defesa de Fabio Hori Yonamine afirmou que "tem suas esperanças renovadas na Justiça Criminal
com a absolvição do réu pelos crimes imputados na denúncia sem fundamento concreto". A advogada
Carolina Fonti, do escritório Urquiza, Pimentel e Fonti Advogados, afirmou que "no caso do Triplex,
mesmo após a injusta e penosa exposição de Fabio durante o processo, a sentença muito bem
fundamentada não deixa dúvidas sobre a sua inocência".

Roberto Ferreira
A defesa afirmou que seu cliente foi absolvido, "como o esperado".

Outros processos de Lula


O ex-presidente é réu em outras duas ações da Lava Jato: uma ligada à Operação Janus, que trata
de contratos no BNDES, e outra relacionada à Operação Zelotes, que apura venda de medidas
provisórias.
Lula também foi denunciado no caso envolvendo o sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, no âmbito
da Lava Jato.
Ele é alvo ainda de dois inquéritos na Lava Jato: um sobre a formação de organização criminosa para
fraudar a Petrobras, e outro sobre obstrução das investigações ao tomar posse como ministro de Dilma.
Na Zelotes, ele é investigado em inquérito sobre a edição da medida provisória 471, que criou o Refis.

Temer sanciona texto da reforma trabalhista em cerimônia no Planalto27


Modificações na CLT foram aprovadas pelo Senado na última terça (11) em uma sessão tumultuada.
Governo prometeu alterar pontos da reforma por meio de medida provisória.
O presidente Michel Temer sancionou nesta quinta-feira (13) o projeto de reforma trabalhista aprovado
pelo Congresso Nacional.
A nova legislação altera regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e prevê pontos que
poderão ser negociados entre empregadores e empregados e, em caso de acordo coletivo, passarão a
ter força de lei. As novas regras entrarão em vigor daqui a quatro meses, conforme previsto na nova
legislação.
Ao discursar na solenidade de sanção da reforma trabalhista, o peemedebista também criticou o que
chama de “passionalização” na Justiça que, na opinião dele, gera instabilidade ao país.

27
LIS, LAÍS. Temer sanciona texto da reforma trabalhista em cerimônia no Planalto. G1 Política. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/noticia/temer-
sanciona-texto-da-reforma-trabalhista-em-solenidade-no-planalto.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 14 de julho de
2017.

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Temer argumentou que se "passionalizou" praticamente todas as questões que vão ao Judiciário.
Segundo ele, em vez de aplicar "rigidamente" a lei "sem qualquer emoção", há pessoas que usam
"ideologia" e "sentimentos psicológicos e sociológicos".
"Isso, naturalmente, quebra a rigidez, a higidez da ordem jurídica e, naturalmente, instabiliza o país.
Toda e qualquer desobediência à ordem jurídica significa precisamente a instabilização da ordem
jurídica", declarou o presidente da República.
'Não precisamos registrar que foi árduo o percurso', diz Temer sobre reforma trabalhista
Temer também enalteceu a atuação do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e do relator da
proposta na Câmara, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), na articulação política do projeto. Na
avaliação do presidente, foi "árduo o percurso" para aprovar a reforma das leis trabalhistas.
Aprovado pela Câmara em abril, o projeto da reforma trabalhista foi aprovado pelo Senado na última
terça-feira (11) em uma sessão tumultuada.
Com a reforma trabalhista, a negociação entre empresas e trabalhadores prevalecerá sobre a lei em
pontos como parcelamento das férias, flexibilização da jornada, participação nos lucros e resultados,
intervalo de almoço, plano de cargos e salários e banco de horas.
Outros pontos, como FGTS, salário mínimo, 13º salário, seguro-desemprego, benefícios
previdenciários, licença-maternidade, porém, não poderão ser negociados.

'Suposta crise'
Em meio ao discurso sobre a reforma trabalhista, Temer afirmou que o país vive uma ‘suposta crise’,
mas que há um “entusiasmo extraordinário” em relação às políticas públicas.
“Eu faço um registro curioso: nessas últimas semanas, certa e precisamente, em função de uma
suposta crise, o que tem acontecido é um entusiasmo extraordinário”, enfatizou.
O presidente também fez um balanço das medidas aprovadas, citando, além da reforma trabalhista,
as mudanças no ensino médio e a PEC do teto de gastos.
“Poderia elencar tudo que nós fizemos ao longo desses 14 meses e olhe: não são 4 anos, não são oito
anos, são 14 meses. E, toda a modéstia de lado, estamos revolucionando o país. Fizemos a reforma
trabalhista, a do ensino médio”, destacou.

Medida provisória
Diante da polêmica gerada em torno das modificações prometidas pelo Palácio do Planalto na
legislação aprovada nesta semana, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), voltou a
afirmar nesta quinta que o Executivo federal vai editar uma medida provisória para alterar os pontos
negociados com os congressistas.
O peemedebista afiançou durante a tramitação do projeto no Senado as mudanças exigidas, inclusive
por integrantes da base aliada, como o dispositivo que permite que gestantes trabalhem em ambientes
insalubres.
O acordo foi costurado com os senadores governistas para que o texto que chegou da Câmara não
fosse alterado no Senado. Se o texto retornasse para nova análise dos deputados, iria atrasar a sanção
das novas regras.
Segundo Jucá, o governo tem 119 dias para editar a MP que modificará a recém-aprovada reforma
trabalhista.
Antes da solenidade de sanção da reforma, o líder do governo no Senado divulgou o texto-prévio da
medida provisória que Michel Temer deve enviar ao Congresso com mudanças em nove pontos da
proposta.

Justiça do Trabalho
Convidado a participar da cerimônia de sanção da reforma trabalhista, o presidente do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra Filho, cumprimentou Michel Temer, em meio ao seu
discurso, pelo que classificou de “coragem, perseverança e visão de futuro" do chefe do Executivo federal
ao "abraçar" as mudanças na legislação trabalhista, o ajuste fiscal e a reforma previdenciária.
Gandra Filho afirmou ainda que a negociação coletiva, que é a espinha dorsal da reforma, é importante
porque, na avaliação dele, quem trabalha em cada segmento é que sabe as reais necessidades daqueles
trabalhadores.
“Aquilo que é próprio de cada categoria você estabelece por negociação coletiva, quem melhor
conhece as necessidades de cada ramo é quem trabalha naquele ramo”, disse.
Veja abaixo alguns pontos que a MP deve modificar:

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Gestantes e lactantes
Um dos pontos que a proposta de MP deve alterar é a possibilidade de que gestantes trabalhem em
locais insalubres. O texto original previa que gestantes deveriam apresentar atestado para que fossem
afastadas de atividades insalubres de grau médio ou mínimo.
A proposta de MP divulgada por Jucá determina que “o exercício de atividades insalubres em grau
médio ou mínimo, pela gestante, somente será permitido quando ela, voluntariamente, apresentar
atestado de saúde”.

Jornada 12x36
Outra ponto que o texto-prévio da MP pretende alterar é o que permitia que acordo individual entre
patrão e empregado pudesse estabelecer jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas ininterruptas de
descanso. A minuta divulgada por Jucá quer viabilizar essa jornada após acordo coletivo, ou convenção
coletiva.

Trabalhador autônomo
O texto aprovado prevê que as empresas poderão contratar autônomos e, ainda que haja relação de
exclusividade e continuidade, o projeto prevê que isso não será considerado vínculo empregatício.
A proposta de medida provisória quer alterar esse trecho para vedar a celebração de cláusula de
exclusividade no contrato com trabalhadores autônomos. Além disso, prevê que não será admitida a
restrição da prestação de serviço pelo autônomo a uma única empresa, sob pena de caracterização de
vínculo empregatício.

Prorrogação de jornada e insalubridade


O texto-prévio da MP também tem a intenção de modificar a lei sancionada no trecho que sobre a
negociação coletiva para estabelecimento de enquadramento do grau de insalubridade e prorrogação de
jornada em ambientes insalubres.
Pela minuta, isso será permitido por negociação coletiva, mas desde que sejam respeitadas normas
de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras do Ministério
do Trabalho.

Outros pontos
A minuta também promete alterar outros pontos da proposta relativos à contribuição previdenciária e
ao pagamento de indenizações por danos morais no ambiente do trabalho.
Além disso, o texto-prévio da MP que deverá ser enviada ao Congresso prevê mudanças para
salvaguardar a participação de sindicatos em negociações de trabalho.
Pela proposta, comissão de representantes dos empregados não substituirá a função do sindicato de
defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou
administrativas, sendo obrigatória a participação dos sindicatos em negociações coletivas.

Contribuição sindical
Durante a tramitação da proposta no Senado, chegou-se a postular, por senadores governistas, uma
sugestão de que a Casa Civil elaborasse uma proposta de eliminação gradual da obrigatoriedade da
contribuição sindical.
O objetivo era conquistar apoio de parlamentares ligados a sindicatos de trabalhadores.
A proposta aprovada pelo Congresso retira a obrigatoriedade dessa contribuição, o que foi alvo de
críticas de movimentos sindicais.
A proposta de medida provisória apresentada nesta quinta, no entanto, não trata do assunto.

JBS reúne documentos sobre R$1,1 bi em propinas e cita Temer e ministros, diz revista Época28
(Reuters) - O grupo de alimentos JBS movimentou 1,1 bilhão de reais em propinas entre 2006 e 2017,
incluindo pagamentos ao presidente Michel Temer e seus interlocutores, com repasses de recursos
também a diversos ministros de governo e políticos, afirma a revista Época em reportagem neste sábado.
As acusações vêm em um momento em que o presidente busca apoio de deputados para uma votação
em sessão extraordinária na Câmara em que os congressistas analisarão se autorizam o Supremo
Tribunal Federal (STF) a analisar denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer pelo
crime de corrupção prevista. A votação está prevista para quarta-feira.

28
REUTERS. JBS reúne documentos sobre R$1,1 bi em propinas e cita Temer e ministros, diz revista Época. Reuters. Disponível em: <
http://br.reuters.com/article/domesticNews/idBRKBN1AE0MI-OBRDN?feedType=RSS&feedName=domesticNews&utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter>
Acesso em 31 de julho de 2017.

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De acordo com a Época, a JBS tem se preparado para entregar uma série de documentos e evidências
sobre as irregularidades à PGR como prova de crimes descritos em delação premiada por executivos da
companhia.
A revista afirma que esses documentos mostram que a JBS teria distribuído 21,7 milhões de reais "a
pedido de Michel Temer para aliados políticos e amigos em campanhas eleitorais ou fora delas", sendo
que Temer teria recebido 2,2 milhões de reais com notas frias e 9 milhões de reais na forma de doação
oficial.
De acordo com a reportagem, o coronel João Baptista Lima, amigo do presidente, também teria
recebido um repasse de 1 milhão de reais em espécie em setembro de 2014, em dinheiro que segundo
a JBS deveria ir para Temer.
A matéria cita ainda cinco ministros do governo Temer que teriam recebido um total de 46,7 milhões
de reais em propinas da JBS: os titulares das pastas de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD),
Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB), das Cidades, Bruno Araújo (PSB), da Integração
Nacional, Helder Barbalho (PMDB) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB).
A lista dos beneficiados com dinheiro da JBS ainda incluiria governadores, senadores e deputados,
incluindo o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), de acordo com a época.
Procurados pela reportagem, os políticos negaram as acusações. Temer disse em nota à revista que
"jamais ordenou...pagamento a quem quer que seja" e afirmou que as acusações contra ele na delação
de executivos da JBS são "uma peça de ficção".

Emendas, promessas de cargos e pacote de bondades: veja as estratégias de Temer para barrar
denúncia na Câmara29
Denúncia por corrupção passiva contra presidente foi rejeitada nesta quarta-feira (2) em votação no
plenário e não será analisada pelo STF enquanto Temer estiver no cargo.
Bilhões liberados em emendas parlamentares, promessa de cargos a partidos, pacote de bondade
para a bancada ruralista e ministros em ação no plenário foram algumas das estratégias usadas pelo
governo Michel Temer para conseguir barrar na Câmara denúncia contra ele apresentada pela
Procuradoria Geral da República (PGR).
Era necessário o aval da Câmara para que a denúncia por corrupção passiva continuasse o trâmite no
Supremo Tribunal Federal (STF), e foi rejeitada nesta quarta-feira (2) por 263 votos, contra 227 pela
continuidade do processo.
No pronunciamento que fez após o resultado, Temer afirmou que a rejeição não foi uma vitória pessoal.
"A decisão soberana do parlamento não é uma vitória pessoal de quem quer que seja, mas é uma
conquista do estado democrático, da força das instituições e da própria Constituição", disse.

Emendas parlamentares
Nas três primeiras semanas de julho, mês que antecedeu à votação da denúncia contra Temer no
plenário da Câmara, o governo liberou R$ 2,11 bilhões em emendas parlamentares – valor equivalente
ao total de todo o primeiro semestre.
De janeiro a junho deste ano, o Planalto destinou R$ 2,12 bilhões para emendas, sendo R$ 2,02 bilhões
só no mês de junho, quando foi apresentada a denúncia contra Temer pela PGR e começou o processo
de análise na Câmara. Para efeito de comparação, nos cinco primeiros meses do ano, o governo liberou
R$ 102 milhões ao todo, mostra levantamento da ONG Contas Abertas.
O Planalto afirma que a liberação de emendas são uma imposição legal e que só está cumprindo a lei.

29
G1. Emendas, promessas de cargo e pacote de bondades: veja as estratégias de Temer para barrar a denúncia na Câmara. G1 Política. Disponível em:
<http://g1.globo.com/politica/noticia/emendas-promessas-de-cargos-e-pacote-de-bondades-veja-as-estrategias-de-temer-para-barrar-denuncia-na-camara.ghtml>
Acesso em 03 de agosto de 2017.

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Liberação de emendas parlamentares segundo a ONG Contas Abertas (Foto: Arte/G1)

Emendas são recursos previstos no Orçamento com aplicação indicada pelo parlamentar. Esse
dinheiro tem de ser obrigatoriamente empregado em projetos e obras nos estados e municípios. A
liberação dos recursos é obrigatória, e o governo tem todo o ano para fazer os repasses.
A primeira etapa da análise da denúncia na Câmara foi a votação de parecer na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ). Dos 40 deputados que votaram a favor de Temer, 36 receberam R$ 134
milhões em emendas em junho. A votação na comissão ocorreu em 13 de julho e rejeitou o parecer pela
continuidade da denúncia. Os deputados que votaram contra Temer receberam, no mesmo período,
metade do valor em emendas: R$ 66 milhões.
A CCJ aprovou por 41 a 24 o relatório alternativo do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) pela
rejeição da denúncia. Entre os parlamentares favoráveis a Temer, Abi-Ackel foi o que recebeu o maior
valor em emendas: R$ 5,1 milhões.
A oposição acusa Temer de comprar votos. A Rede e o PSOL pediram à PGR que investigue a
liberação de emendas pelo governo durante a tramitação da denúncia na Câmara.

Promessas de cargos
Na véspera da votação no plenário, Temer autorizou interlocutores a sinalizar a deputados com cargos
de 2º e 3º escalões para que eles votassem contra a denúncia da PGR, informou a colunista
do G1 Andréia Sadi.
Com a vitória na Câmara, Temer se prepara para enfrentar a demanda dos deputados do centrão por
mais espaço ministerial. Eles cobram do Planalto os cargos ocupados pelo PSDB no governo, informa
Sadi. O partido liberou a bancada, mas o líder tucano, Ricardo Trípoli, orientou voto contra Temer.
Segundo a colunista Cristiana Lôbo, partidos que fecharam questão a favor de Temer, em particular o
PP, PR e o próprio PMDB, cobraram do presidente mais espaço no governo em troca de apoio.
O Podemos e uma ala mais insatisfeita do PMDB pediram vagas no Incra, Funasa e Caixa Econômica
Federal.

Pacote de bondade para ruralistas


Para conquistar votos da bancada ruralista, que tem 231 deputados, Temer decidiu atender
importantes demandas do grupo.
Na véspera da votação no plenário, o governo publicou no "Diário Oficial da União" uma medida
provisória (MP) que permite aos produtores e empresários do agronegócio pagar dívidas previdenciárias
com desconto e mais prazo. O texto também reduz a alíquota paga pelos produtores ao Fundo de
Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).
As condições de pagamento das dívidas com contribuições previdenciárias permitem redução de 25%
no valor das multas, pagamento sem juros e em até 176 prestações. No mesmo dia em que publicou a
medida, Temer almoçou com membros da bancada ruralista.

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Os agrados aos ruralistas, porém, começaram ainda na fase de análise da denúncia na CCJ. Na época,
Temer anunciou R$ 103 bilhões do Banco do Brasil para a próxima safra e sancionou a lei criada a partir
da MP 759, chamada pelos ambientalistas de "MP da grilagem", informou "O Globo". Segundo o jornal, a
MP muda regras da reforma agrária e regula a compra de terras em áreas de proteção ambiental para
produção agrícola.

Ministros em ação
Além da atuação dos aliados na Câmara, Temer mobilizou sua tropa de choque no primeiro escalão
para garantir votos que barrassem a denúncia. Nos dias que antecederam à votação em plenário, os
ministros foram convocados a ficar em Brasília de "plantão" para atender às demandas dos deputados,
informou o colunista do G1 Gerson Camarotti.
Os ministros também atuaram diretamente no plenário – dez deles reassumiram os mandatos de
deputado para votar a favor de Temer e também articular apoios durante a votação.

Trocas na CCJ
Para derrotar na CCJ o parecer de Jorge Zveiter que recomendava a continuidade da denúncia, o
governo promoveu uma dança das cadeiras entre os membros da comissão. Os partidos aliados
fizeram 26 remanejamentos entre os integrantes do colegiado, substituindo deputados que haviam
indicado voto contra Temer.
O troca-troca causou protestos e críticas por parte da oposição e de parlamentares dissidentes da
base, que chegaram a recorrer ao STF na tentativa de anular as mudanças de membros da CCJ.

Municípios e estados
Na véspera da votação do parecer sobre a denúncia na CCJ, Temer anunciou um programa de apoio
a concessões nos municípios e estados, que prevê a destinação de R$ 5,7 bilhões para investimentos de
mobilidade urbana e saneamento, e um crédito de R$ 2 bilhões via Banco do Brasil para financiamento
de projetos de saúde, educação, eficiência energética, modernização da gestão e infraestrutura viária

Comissão da Câmara aprova texto-base da reforma política; saiba o que está previsto30
Parecer de Vicente Cândido foi aprovado após 9 horas de sessão. Entre outros pontos, ele propôs
sistema distrital misto, fundo para financiar campanhas e extinção do vice-presidente.
A comissão da Câmara destinada à análise de uma das propostas que estabelecem a reforma política
aprovou nesta quarta-feira (9), por 25 votos a 8, o texto-base do relatório apresentado pelo deputado
Vicente Cândido (PT-SP) – saiba mais abaixo o que está previsto.
O parecer de Vicente Cândido sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovado após
9 horas de sessão. Os deputados, contudo, não haviam concluído a análise do projeto até a última
atualização desta reportagem, isso porque, após o texto-base, eles passaram a analisar os destaques,
ou seja, sugestões que podem mudar a redação.
Após passar na comissão, a PEC seguirá para o plenário da Câmara, onde deverá ser aprovada em
dois turnos antes de seguir para o Senado. A proposta precisa do apoio mínimo de 308 deputados.
Como a sessão se estendia sem previsão de encerramento, a deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ)
distribuiu sanduíches a alguns parlamentares.
Entre outros pontos, o projeto cria um fundo para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos
e faz mudanças no sistema eleitoral.
Durante a sessão desta quarta, o relator esclareceu que o parecer dele não prevê o chamado
"distritão", modelo que ganhou força entre parlamentares e lideranças partidárias nos últimos dias,
embora o modelo possa ser incluído por meio de uma emenda apresentada por outro parlamentar.
No "distritão", acaba o quociente eleitoral e os mais votados são eleitos, ou seja, seria uma eleição
majoritária, como para presidente. Cada estado vira um distrito eleitoral. No caso de vereador, seria o
município. O eleitor vota em um nome no distrito. Os mais votados são eleitos.

Sistema eleitoral
A proposta aprovada pela comissão estabelece o sistema distrital misto a partir de 2022 nas eleições
para deputado federal, deputado estadual e vereador nos municípios com mais de 200 mil eleitores. O
modelo é uma mistura dos sistemas proporcional e majoritário.
Pelo texto, para escolher deputados federais, por exemplo, o eleitor votará duas vezes. Uma nos
candidatos do distrito e outra nas listas fechadas pelos partidos. A metade das vagas, portanto, iria para
30
CARAM, B. CALGARO, F. Comissão da Câmara aprova texto-base da reforma política; saiba o que está previsto. G1 Política. Disponível em:
<http://g1.globo.com/politica/noticia/comissao-da-camara-aprova-texto-base-da-reforma-politica-saiba-o-que-esta-previsto.ghtml> Acesso em 11 de agosto de 2017.

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os candidatos eleitos por maioria simples. A outra metade, preenchida conforme o quociente eleitoral
pelos candidatos da lista partidária.
No caso de municípios de até 200 mil eleitores, será adotado o sistema eleitoral de lista preordenada
nas eleições para vereador.

Eleições de 2018 e de 2020


Pela proposta elaborada pelo deputado Vicente Cândido, o sistema eleitoral será mantido como é hoje
em 2018 e em 2020, no modelo proporcional com lista aberta.
Nele, é possível votar tanto no candidato quanto na legenda, e um quociente eleitoral é formado,
definindo quais partidos ou coligações têm direito de ocupar as vagas em disputa. A partir desse cálculo,
são preenchidas as cadeiras disponíveis, proporcionalmente.
O sistema sofre críticas por permitir que candidatos com pouquíssimos votos sejam eleitos, "puxados"
por aqueles com mais votos do mesmo partido.
Na proposta de Cândido, a mudança está na limitação no número de candidatos. A depender do
número de vagas a serem preenchidas, cada partido terá um limite específico de candidatos que poderá
lançar.

Fundo de campanha
Ao apresentar o parecer, o relator Vicente Cândido (PT-SP) dobrou o valor previsto de recursos
públicos que serão usados para financiar campanhas eleitorais.
O projeto institui o Fundo Especial de Financiamento da Democracia, que será mantido com recursos
públicos, previstos no orçamento. Na versão anterior do relatório, Cândido havia estabelecido que 0,25%
da receita corrente líquida do governo em 12 meses seria destinada a financiar campanhas.
Havia uma exceção somente para as eleições de 2018, com o valor do fundo em 0,5% da Receita
Corrente Líquida, o que corresponderá a cerca de R$ 3,6 bilhões.
No novo parecer, Vicente Cândido tornou a exceção uma regra. Pelo texto reformulado, o valor do
fundo será de 0,5% da receita corrente líquida em 12 meses, de maneira permanente.

Extinção do cargo de vice


O relatório aprovado nesta quarta extingue da política brasileira as figuras de vice-presidente da
República, vice-governador e vice-prefeito.

Vacância da presidência
No caso de vacância do cargo de presidente da República, será feita eleição 90 dias após a vaga
aberta. Se a vacância ocorrer no último ano do mandato presidencial, será feita eleição indireta, pelo
Congresso, até 30 dias após a abertura da vaga.
A regra também valerá para governadores e prefeitos.

Mandato nos tribunais


O texto define que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal de Contas da União
(TCU) e de tribunais superiores serão nomeados para mandatos de dez anos.
A mesma regra valerá para os membros de tribunais de contas dos estados e dos municípios, tribunais
regionais federais e dos estados. Os juízes dos tribunais eleitorais terão mandato de quatro anos.

Posse
As datas das posses dos eleitos passarão a ser as seguintes:
6 de janeiro: governadores e prefeitos;
7 de janeiro: presidente da República;
1º de fevereiro: deputados e vereadores.

Suplente de senador
A proposta reduz o número de suplentes de senadores, de dois suplentes para um. Em caso de morte
ou renúncia do titular, será feita nova eleição para o cargo, na eleição subsequente. Esse substituto terá
mandato somente até o término do mandato do antecessor.
O texto define, ainda, que o suplente de senador será o candidato a deputado federal que ocupar o
primeiro lugar na lista preordenada do partido do titular do mandato.

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Imunidade do presidente da República
Inicialmente, Vicente Cândido chegou a propor estender aos presidentes da Câmara, do Senado e do
Supremo Tribunal Federal (STF) a imunidade garantida ao presidente da República.
Pela Constituição, o presidente não pode ser investigado por crime cometido fora do mandato. Diante
da reação negativa de diversos integrantes da comissão, o relator informou que retiraria a proposta do
parecer.

Tentativa de adiamento
O PSOL tentou adiar a votação do parecer, sob a justificativa de que seria preciso ouvir antes a
sociedade sobre o texto final, mas não conseguiu.
"Não querer ouvir a sociedade é novamente virar de costas para a opinião popular. Há uma sofreguição
de preservação de mandatos para o sistema continuar o mesmo", afirmou o deputado Chico Alencar
(PSOL-RJ).

Silval Barbosa entrega ao MPF imagens de políticos recebendo dinheiro31


Ex-governador de Mato Grosso fechou acordo de delação e entregou vídeos para comprovar
pagamento de propina em dinheiro vivo. TV Globo teve acesso às imagens com exclusividade.
O ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) entregou ao Ministério Público Federal
vídeos que mostram políticos do estado de diversos partidos recebendo dinheiro vivo. A TV Globo teve
acesso às imagens com exclusividade.
Segundo Silval Barbosa, as gravações foram feitas pelo então chefe de gabinete Silvio Cesar, que,
segundo o ex-governador, era quem entregava o dinheiro. O dinheiro, segundo o ex-governador, era de
esquemas de propina no estado.
A delação premiada de Silval Barbosa foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último
dia 9. O ex-governador foi preso em 2015 pela Operação Sodoma e é suspeito de chefiar uma
organização criminosa que cobrava propina de empresas em troca de incentivos fiscais. Em junho,
Barbosa começou a cumprir prisão domiciliar e é monitorado por tornozeleira eletrônica.
Nas imagens, o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB) aparece recebendo maços de
dinheiro e os colocando nos bolsos do paletó. Um dos maços chega a cair no chão, e Pinheiro se abaixa
para pegar.
Em outro vídeo, o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) recebeu o dinheiro em uma caixa de
papelão. Já o então deputado estadual Hermínio Barreto (PR) leva uma mala, onde coloca os maços.
A atual prefeita de Juara, Luciane Bezerra (PSB) guarda o dinheiro na bolsa. O ex-deputado estadual
Alexandre César (PT) recebe o dinheiro e coloca em uma mochila.

O que disseram os políticos


O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, disse que não fez nada ilícito e que vai comprovar isso na
Justiça.
O deputado estadual Oscar Bezerra, declarou que a esposa dele, Luciane Bezerra, prefeita de Juara,
recebeu dinheiro para quitar dívidas de campanha eleitoral.
O advogado de Silvio Cesar disse que não pode comentar porque a delação está sob sigilo.
Os demais citados não foram localizados pela reportagem.

Delação
Em outros trechos da delação, Silval Barbosa citou:
A suposta participação do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em um esquema de corrupção no
estado;
Pagamento de propina nas obras da Arena Pantanal;
Acordo entre políticos de diferentes grupos para eleger o atual governador, Pedro Taques (PSDB);
Cobrança de propina para que ele não fosse citado na CPI das obras da Copa.

Fachin recebe áudio da JBS que gerou revisão da delação premiada32


Ministro é relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Com base no áudio, o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, disse que JBS pode ter omitido informações.

31
BOMFIM, CAMILA. Silval Barbosa entrega ao MPF imagens de políticos recebendo dinheiro. G1 Política. Disponível em:
<http://g1.globo.com/politica/noticia/politicos-de-mt-aparecem-recebendo-dinheiro-em-delacao-de-silval-barbosa.ghtml> Acesso em 25 de agosto de 2017.
32
OLIVEIRA, MARIANA. Fachin recebe áudio da JBS que gerou revisão da delação premiada. G1, Política. Disponível em: <
http://g1.globo.com/politica/noticia/fachin-recebe-audios-da-jbs-que-geraram-revisao-da-delacao-premiada.ghtml> Acesso em 06 de setembro de 2017.

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O áudio que gerou a revisão do acordo de delação premiada de Joesley Batista e de outros dois
executivos da JBS chegou no início da tarde às mãos do ministro Luiz Edson Fachin, relator do caso no
Supremo Tribunal Federal.
O ministro ouvirá o áudio à tarde e decidirá o quanto antes sobre o sigilo do material. Ele pode liberar
parcial ou totalmente a divulgação do conteúdo, ou pode manter o segredo.
Em um pronunciamento nesta segunda (4), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou
que os investigadores obtiveram na última quinta-feira (31) os áudios, com conteúdo que ele classificou
de "gravíssimo".
Na gravação, segundo Janot, um dos donos da empresa, Joesley Batista, conversa com Ricardo Saud,
diretor institucional do grupo J&F (ao qual a JBS pertence) e um dos delatores da Lava Jato. Também
será investigado Francisco de Assis e Silva, advogado da empresa.
Com base nos áudios, Janot determinou investigação para apurar indícios de omissão de informações
de práticas de crimes no acordo de delação premiada dos executivos do grupo.
Segundo o procurador-geral, a gravação tem diálogo entre dois colaboradores "com referências
indevidas à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal".
Ainda nesta semana, Joesley, Saud e Assis serão chamados a depor e esclarecer a conversa gravada.
Caberá a Fachin, além de levantar o sigilo do áudio, avaliar que partes deverão ser excluídas por tratarem
da vida privada e íntima de pessoas não investigadas.

Ex-ministro Geddel Vieira Lima é preso após apreensão de R$ 51 milhões33


Ex-ministro já cumpria prisão domiciliar em Salvador. PF e MPF pediram nova preventiva para evitar
destruição de provas.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, foi preso preventivamente (sem prazo determinado) na
manhã desta sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal (PF) apreender R$ 51 milhões
em um imóvel supostamente utilizado pelo peemedebista.
A prisão foi determinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, em
uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa Econômica Federal. Além de
Geddel, a PF cumpre mandado de prisão preventiva contra Gustavo Ferraz – que, segundo as
investigações, é ligado ao ex-ministro – e outros três mandados de busca e apreensão, todos na capital
baiana.
Geddel deixou o prédio pouco depois das 7h, no banco de trás de uma viatura da PF, e chegou ao
aeroporto Luiz Eduardo Magalhães cerca de meia hora depois. Ele será levado para Brasília).
O ex-ministro já tinha sido preso preventivamente na operação, em julho, mas recebeu autorização do
desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, para cumprir prisão domiciliar.
Embora a decisão judicial determine que ele seja monitorado por tornozeleira eletrônica, isso não vinha
acontecendo pois o governo da Bahia não tem o equipamento.
Sete agentes e dois carros da PF entraram no condomínio de Geddel às 6h. Segundo a TV Bahia
(afiliada da Rede Globo), um vendedor ambulante, que estava na região, foi levado para dentro do
condomínio, possivelmente para servir de testemunha.
Segundo o MPF, a nova fase da operação busca apreender provas de crimes como corrupção passiva,
lavagem de dinheiro e organização criminosa, e que as medidas são necessárias para evitar a destruição
de provas.
O G1 tentou contato com a defesa de Geddel, mas não obteve resposta até a última atualização desta
reportagem.

Fortuna em outro imóvel


Na terça-feira (5), a PF apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento que seria utilizado por Geddel
em Salvador. O dono do imóvel afirmou à PF que havia emprestado o imóvel ao ex-ministro para que ele
guardasse pertences do pai, que morreu no ano passado.
Segundo o jornal "O Globo", a PF reuniu 4 provas que reforçam a ligação Geddel com o dinheiro. As
impressões digitais do ex-ministro foram encontradas no próprio dinheiro, uma outra testemunha
confirmou que o espaço tinha sido cedido a ele, e uma segunda pessoa é suspeita de ajudar Geddel na
destinação das caixas e das malas de dinheiro. Além disso, a PF identificou risco de fuga, depois da
divulgação da apreensão do dinheiro.
A apreensão do dinheiro é um desdobramento da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na
liberação de créditos da Caixa Econômica Federal. De acordo com o MPF, entre 2011 e 2013, Geddel

33
BOMFIM, CAMILA. Ex-ministro Geddel Vieira Lima é preso após apreensão de R$ 51 milhões. G1 Bahia. Disponível em: <
http://g1.globo.com/bahia/noticia/mpf-pede-prisao-preventiva-de-geddel-vieira-lima.ghtml> Acesso em 08 de setembro de 2017.

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agia para beneficiar empresas com liberações de créditos e fornecia informações privilegiadas para os
outros membros da quadrilha que integrava.
O ex-ministro virou réu em agosto em uma ação na Justiça Federal em Brasília por obstrução de
justiça. Ele é acusado de tentar atrapalhar as investigações. Em nota divulgada após a decisão da Justiça,
a defesa de Geddel rechaçou as acusações, a a que chamou de "fruto de verdadeiro devaneio e excesso
acusatório".
A defesa do ex-ministro não se manifestou sobre os R$ 51 milhões.

Ex-ministro de Lula e Temer


Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo em novembro de
2016. Ele foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma
obra na Ladeira da Barra, área nobre de Salvador. Geddel era um dos principais responsáveis pela
articulação política do governo Temer com deputados e senadores. Ele ficou no cargo por seis meses.
O peemedebista também foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010,
depois de ter sido crítico ferrenho do primeiro mandato do petista e defensor do governo Fernando
Henrique Cardoso (PSDB). No ministério, encampou a transposição do Rio São Francisco, que prometeu
efetivar em seu mandato.
Atuou como vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa entre 2011 e 2013, cargo do qual chegou a
pedir exoneração pelo Twitter à então presidente Dilma Rousseff, pela possibilidade de concorrer nas
eleições seguintes. Quem o convidou para o cargo foi Michel Temer. Foi derrotado por Otto Alencar (PSD)
na eleição ao Senado.
Formado em administração de empresas pela Universidade de Brasília, é natural de Salvador, onde
foi assessor da Casa Civil da Prefeitura entre 1988 e 1989. Em 1990, filiou-se ao PMDB, partido pelo qual
foi eleito cinco vezes deputado federal

Saúde

Hemorio também vai realizar vacinação contra a febre amarela34


A partir desta terça-feira (21/03), o Hemorio, no Centro da cidade, também vai passar a vacinar contra
a febre amarela. A unidade vai receber 500 doses da vacina por dia. E terá direito a recebê-la quem
passar pela triagem para doar sangue.
Ou seja, o doador passa pela triagem, se estiver apta faz a doação de sangue e depois recebe a
vacina. Quem passar pela triagem e não estiver apto a doar, recebe a vacina após a triagem. Essa é uma
estratégia adotada pela Hemorio, que prevê uma diminuição do número de doações. É que quem toma a
vacina tem de esperar no mínimo quatro semanas antes de voltar a doar sangue.
A corrida atrás de vacina contra a febre amarela nos postos do Rio e da Baixada Fluminense continua
nesta segunda-feira (20/03). Em Nova Iguaçu, por enquanto, só um posto está oferecendo as doses da
vacina para a febre amarela e as filas começaram na madrugada.
O posto Vasco Barcelos, no Centro de Nova Iguaçu, é o único que está vacinando contra a febre
amarela na cidade. Ao longo de toda a semana foram verificadas filas nas imediações do posto. A primeira
pessoa da fila desta segunda-feira, contou que chegou às 4h30 para garantir a vacina.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, nesta segunda-feira a vacinação segue em 34 postos
da cidade. No próximo sábado (25/03), haverá um dia de mobilização em todos os postos da cidade,
exclusivamente para a vacinação contra a febre amarela. E a partir do dia 27, a vacina começa a ser
ministrada em todos os 233 postos da cidade.

Brasil vive o pior surto da história de febre amarela silvestre; vacina é a melhor prevenção35
Brasil vive o pior surto da doença que mata uma em cada cinco pessoas. No Bem Estar desta quinta-
feira (02/02), o infectologista e consultor do programa, Dr. Caio Rosenthal explica que a vacina é a melhor
forma de proteção. Mas será que todo mundo tem que ir correndo se vacinar?
Se você mora em área de risco ou pretende viajar nos próximos dias, faça a vacinação o quanto antes.
Não há motivo para correria e antes de se vacinar, alguns pontos devem ser observados, como mostra
o quadro abaixo:

34
20/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/hemorio-tambem-vai-realizar-vacinacao-contra-a-febre-amarela.ghtml
35
02/02/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/brasil-vive-o-pior-surto-de-febre-amarela-silvestre-vacina-e-a-melhor-forma-de-prevencao.ghtml

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Idosos, gestantes e lactantes têm de falar com o médico antes de tomar a vacina. Portadores de
doenças autoimunes ou com histórico de doença do timo também.
Não devem tomar a vacina menores de 6 meses e pessoas que estejam com doença febril aguda,
tenham histórico de reações anafiláticas ao ovo de galinha e à gelatina e pessoas em tratamento com
imunossupressores.
Os macacos devem ser protegidos e suas mortes comunicadas às autoridades de Saúde. Eles também
são vítimas da doença e ao mesmo tempo sentinelas, cujas mortes alertam que um inimigo está próximo.

Doença da urina preta na Bahia: o que sabemos até agora36


Uma doença misteriosa chegou à Bahia. Pacientes aparecem na Região Metropolitana de Salvador
com dores fortes e com a urina de uma cor diferente. Os médicos não sabem dizer se o que causou as
dores foi um vírus, uma bactéria ou uma intoxicação.

Quais são os sintomas da doença?


Nos boletins divulgados, a doença é tratada como "mialgia [dor] aguda a esclarecer". Os principais
sintomas são dor muscular extrema, insuficiência renal e urina da cor preta. De acordo com o
infectologista Antônio Bandeira, coordenador do comitê de arboviroses da Sociedade Brasileira de
Infectologia (SBI) que acompanhou alguns dos casos em Salvador, é como se o indivíduo "tivesse feito
uma maratona em poucos segundos".
"É uma lesão muscular aguda, então a quantidade de mioglobina que está dentro do músculo acaba
saindo e vai para a urina. Ela acaba dando essa cor de Coca-Cola. Esse pigmento também tem uma ação
nefrotóxica (tóxica para os rins)", explicou.

36
12/01/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/doenca-da-urina-preta-na-bahia-o-que-sabemos-ate-agora.ghtml

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Quantas pessoas foram afetadas?
Até agora, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde da Bahia, foram 52 casos da doença. O
governo confirmou duas mortes. Um homem que apresentava os sintomas faleceu no dia 31 de dezembro,
no município de Vera Cruz. A vítima, no entanto, tinha outros problemas de saúde, como hipertensão,
além de idade avançada.
Nesta quarta-feira (11/01/17), a segunda morte foi confirmada. O óbito ocorreu no sábado (07/01/17),
em Salvador. Não foram divulgados os detalhes sobre o paciente.

Qual a região dos casos registrados?


Todos os casos foram registrados na região metropolitana de Salvador. Além da morte em Vera Cruz,
outro caso foi notificado em Lauro de Freitas, e 50 ocorreram na capital baiana. Os registros foram
contabilizados de 14 de dezembro a 5 de janeiro deste ano.

Como está caminhando a investigação dos órgãos de saúde?


Amostras de fezes de nove pacientes foram encaminhadas para o Instituto Oswaldo Cruz
(IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro. O órgão é referência na análise de amostras para identificar novas
doenças. As análises estão em andamento, mas o instituto pediu mais amostras de soro e de urina para
continuar a investigação. Não há um prazo para a entrega do laudo.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde da Bahia, 44 pacientes tiveram resultado negativo
para infecção bacteriana.
Há, ainda, a suspeita de que peixes consumidos na região tenham causado intoxicação. Por isso,
amostras consumidas por pessoas acometidas pela doença foram encaminhadas para o Instituto Adolfo
Lutz, em São Paulo, e para um laboratório dos Estados Unidos.

Como é feito o tratamento da doença?


Como não há uma confirmação das causas, o tratamento é feito com hidratação e analgésico. É
importante que o paciente não tome anti-inflamatório para não piorar a situação dos rins. O tempo para
um quadro um pouco mais suave dos sintomas varia de três dias até uma semana.

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Com tratamento, expectativa de vida de infectados com HIV já está 'perto do normal', diz
estudo37
Sucesso das terapias é resultado remédios com menos efeitos colaterais e mais eficientes
Jovens contaminados com HIV (vírus da imunodeficiência) que passam a tomar o coquetel de
remédios já conseguem ter uma expectativa de vida "bem perto da normal" graças a avanços no
tratamento, segundo um estudo publicado na revista científica britânica The Lancet.
Pessoas de 20 anos que começaram o tratamento antirretroviral em 2010 já têm uma expectativa de
vida 10 anos mais alta que a de jovens da mesma idade submetidos ao tratamento em 1996.
Médicos dizem que começar o tratamento cedo é crucial para conseguir atingir uma qualidade de vida
melhor e por mais tempo. Mas ONGs de ajuda a soropositivos alertam que muitas pessoas ainda vivem
sem saber que estão contaminadas.
Prevenção mais efetiva
Os autores do estudo, da Universidade de Bristol, disseram que o sucesso extraordinário dos
tratamentos para o HIV — que causa a AIDS, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida — resulta do
surgimento de novos remédios com menos efeitos colaterais e mais eficientes para impedir a proliferação
do vírus no corpo.
Também ficou mais difícil para o vírus conseguir criar resistência aos remédios mais recentes.
A evolução dos exames para detectar o vírus e dos programas de prevenção, aliados aos avanços no
tratamento de problemas de saúde causados pelo HIV, podem ter ajudado também, segundo o estudo.
A terapia antirretroviral envolve uma combinação de três ou mais remédios que bloqueiam o
desenvolvimento normal do HIV.
Eles já são considerados "umas das histórias de maior sucesso da saúde pública nos últimos 40 anos":
Três remédios uma vez por dia
Jimmy Isaacs, de 28 anos, descobriu ter sido infectado com o HIV por um parceiro sexual há três anos.
Desde então, ele toma três remédios uma vez por dia às 18h e continuará fazendo isso pelo resto de
sua vida.
"Minha saúde está perfeita. Eu tenho comido de maneira saudável e bebido de maneira saudável
também", disse.
"Isso não tem qualquer impacto no meu trabalho e também não impactou na minha vida social."
Foram necessárias duas mudanças de medicação para encontrar a combinação certa para ele, mas
depois disso, ele não sentiu mais qualquer efeito colateral.
"Eu ouvi muitas histórias ruins sobre os remédios nos anos 1990. Mas quando pesquisei mais a fundo
sobre o tema, percebi que os remédios haviam realmente mudado."
Nem todos os locais em que trabalhou demonstraram apoio quando souberam do diagnóstico, mas ele
diz que isso é pura "ignorância".
Seu chefe atual tem um comportamento diferente: chegou até a dar a ele uns dias de folga para viajar
pelo país e falar com estudantes e adolescentes sobre a prevenção ao HIV e o tratamento para o vírus.
A pesquisa analisou 88,5 mil pessoas com HIV de Europa e América do Norte que participaram de 18
estudos.
Eles basearam a previsão para a expectativa de vida em taxas de mortalidade durante os três primeiros
anos seguidos do início do tratamento.
Os autores descobriram que poucos pacientes que começaram o tratamento entre 2008 e 2010
morreram durante esse período — comparados com aqueles que começaram o tratamento entre 1996 e
2007.
A expectativa de vida para um paciente de 20 anos de idade que começou a terapia antirretroviral
depois de 2008, com baixa carga de vírus, é de 78 anos de idade — bem similar à do resto da população
saudável.
Michael Brady, diretor médico do Instituto Terrence Higgins Trust, entidade beneficente engajada
especialmente em campanhas para reduzir a contaminação pelo vírus HIV, disse que o estudo mostra
como as coisas mudaram desde o início da epidemia em 1980.
Mas ele afirma também que pessoas acima dos 50 anos agora representam um terço dos
contaminados com o vírus do HIV.
"Nós precisamos de um novo modelo para cuidar melhor dessas pessoas conforme elas vão ficando
mais velhas, uma forma de integrar melhor os primeiros cuidados com serviços especializados sobre o
HIV, e precisamos de uma conscientização maior para treinar as pessoas sobre o envelhecimento com
HIV, para que estejamos prontos para ajudar as pessoas a ter uma vida melhor", afirmou.

37
BBC Brasil. Com tratamento, expectativa de vida de infectados com HIV já está ‘perto do normal’, diz estudo. R7 notícias. Disponível em:
<http://noticias.r7.com/saude/com-tratamento-expectativa-de-vida-de-infectados-com-hiv-ja-esta-perto-do-normal-diz-estudo-11052017> Acesso em 11 de maio de
2017.

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Conquista
Para Helen Stokes-Lampard, que comanda a associação de clínicos gerais Royal College of GPs, é
"uma conquista tremenda o fato de a infecção que um dia teve um prognóstico tão ruim ser agora tão
'controlável' que pacientes com HIV estão conseguindo viver significativamente mais".
"Nós esperamos que o resultado desse estudo avance para acabar com qualquer estigma restante
associado com o HIV. E que ele garanta que pacientes com o vírus possam ter vidas saudáveis sem
qualquer dificuldade para conseguir emprego ou para conseguir um seguro de saúde."
A proporção de pessoas que têm o vírus do HIV mas ainda não foram diagnosticados tem caído
bastante nos últimos 20 anos. Mas estima-se que uma em cada oito pessoas contaminadas ainda não
sabe que têm o vírus.
O que é a terapia antirretroviral: Foi usada pela primeira vez em 1996 e envolve uma combinação de
três remédios ou mais para impedir a multiplicação do vírus HIV no corpo humano. O tratamento permite
a prevenção de danos causados pelo HIV no sistema imunológico. Remédios ainda mais eficientes
descobertos recentemente têm menos efeitos colaterais do que os primeiros. A OMS (Organização
Mundial da Saúde) recomenda que a terapia antirretroviral comece o mais cedo possível depois do
diagnóstico do vírus.

Pulgas têm resultado positivo para peste negra em algumas partes do Arizona38
Departamento de Saúde de Coconino e Navajo alertou a população para cuidados após testes darem
positivo para a doença.
O departamento de Saúde Pública dos condados de Coconino e Navajo, no Arizona, estão alertando
a população após testes com pulgas darem positivo para a peste negra, doença que matou milhões de
pessoas durante a Idade Média e ficou marcada como uma das mais devastadoras pandemias da história
humana.
"O Departamento de Saúde do Condado de Navajo está aconselhando o público a tomar precauções
para reduzir o risco de exposição a esta doença grave, que pode estar presente em pulgas, roedores,
coelhos e predadores que se alimentam esses animais. A doença pode ser transmitida a seres humanos
e outros animais pela mordida de uma pulga infectada ou pelo contato direto com um animal infectado",
informou a ABC News.
Alguns dos cuidados indicados pelo departamento de saúde são: não manipular animais doentes ou
mortos, usar antipulgas nos animais com frequência, usar repelente, evitar tocar em pulgas e roedores e
usar luvas de borracha e outras proteções quando limpar ou escovar animais selvagens.
Os sintomas da peste negra incluem dor de cabeça, febre, calafrios, fraqueza e inchaço dos gânglios
linfáticos.

Sociedade

Em 79º lugar, Brasil estaciona no ranking de desenvolvimento humano da ONU


O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou nesta terça-feira (21/03) o
Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), e o Brasil se manteve no 79º lugar no ranking que abrange
188 países, do mais ao menos desenvolvido. O relatório foi elaborado em 2016 e tem como base os
dados de 2015.
O IDH é um índice medido anualmente pela ONU e utiliza indicadores de renda, saúde e educação.
O ranking mundial de desenvolvimento humano dos países apresenta o índice de cada nação, que
varia de 0 a 1 – quanto mais próximo de um, mais desenvolvido é o país. No RDH divulgado nesta terça,
o Brasil registrou IDH de 0,754, mesmo índice que havia sido registrado em 2014.
Conforme o relatório da Pnud, esta foi a primeira vez desde 2010 que o IDH do Brasil se manteve no
mesmo patamar:

38
G1. Pulgas têm resultado positivo para peste negra em algumas partes do Arizona. G1 Bem Estar. Disponível em:
<http://g1.globo.com/bemestar/noticia/pulgas-tem-resultado-positivo-para-peste-negra-em-algumas-partes-do-arizona.ghtml> Acesso em 15 de agosto de 2017.

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A ONU divide os países entre os que têm o desenvolvimento humano "muito alto", "alto", "médio" e "baixo".

Veja na imagem abaixo quais países ocupam os primeiros lugares no ranking mundial de IDH; os que
estão próximos à faixa do Brasil; e os que ocupam os últimos lugares no ranking:

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América Latina
Na América do Sul, alguns países vizinhos ao Brasil apresentaram índices de desenvolvimento
humano melhores.
O Chile, por exemplo, ficou em 38º lugar, com IDH 0,847; a Argentina, em 45º lugar (IDH 0,827); o
Uruguai, em 54º lugar (IDH 0,795); e a Venezuela, em 71º lugar (IDH 0,767).
No Mercosul, o único abaixo do Brasil no ranking é o Paraguai, no 110º lugar (IDH 0,693). O país se
enquadra naqueles com desenvolvimento humano "médio", segundo a ONU. Outros países vizinhos,
como Equador (IDH 0,739) e Colômbia (IDH 0,727), ficaram nas posições 89 e 95, respectivamente.
Na América Central, também há países melhores classificados do que o Brasil. Cuba, por exemplo,
está no 68º lugar (IDH 0,775); Trinidad e Tobago, no 65º lugar (IDH 0,780); e Barbados, na 54ª posição
(IDH 0,795).

Brics
Entre os Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o país está atrás somente
da Rússia, no 49º lugar (IDH 0,804).
Na sequência, entre os países do grupo, aparecem China, no 90º lugar (IDH 0,738, excluída Hong
Kong); África do Sul, na 119ª posição (IDH 0,666); e Índia, no 131º lugar (IDH 0,624).

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Desigualdade
Ao elaborar o Relatório de Desenvolvimento Humano, o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento também divulga o "IDH ajustado à desiguldade".
Nem todos os países têm esse índice medido pela ONU. No caso do Brasil, o Pnud afirma que, se for
levado em conta o "IDH ajustado à desigualdade", o índice de desenvolvimento humano do país cairia de
0,754 para 0,561 e o Brasil cairia 19 posições no ranking mundial. Países vizinhos como Argentina e
Uruguai também perderiam posições, 6 e 7, respectivamente.
Entre os 20 primeiros países do ranking, classificados entre as nações com desenvolvimento humano
"muito alto", somente Países Baixos, Islândia, Suécia e Luxemburgo ganhariam posições, se levada em
conta a desigualdade social. Estados Unidos, Dinamarca e Israel, por exemplo, cairiam.

Escolaridade e expectativa de vida


Um dos itens que compõem o IDH é a expectativa de anos de estudo dos cidadãos. De 2010 a 2013,
esse número subiu de 14 anos para 15,2 anos, mas, desde então, não aumentou, se mantendo o mesmo
em 2014 e em 2015.
A média de anos de estudo, por outro lado, manteve neste ano a trajetória de crescimento que vem
sendo registrada desde 2010. Naquele ano, eram 6,9 anos. O número, então, subiu para 7,2 anos em
2012 e para 7,7 anos em 2014, por exemplo, chegando a 7,8 anos em 2015. A média brasileira, porém,
está abaixo das registradas no Mercosul e nos Brics.
Outro idem levado em conta na composição do IDH é a expectativa de vida ao nascer. Segundo o
relatório divulgado nesta terça, a expectativa dos brasileiros manteve a trajetória de crescimento dos
últimos. De 2014 para 2015, o índice subiu de 74,5 anos para 74,7 anos.
Desde 2010, o número tem subido. Naquele ano, eram 73,3 anos, depois, em 2011, passou para 73,6
anos; 73,9 anos (2012); e 74,2 anos (2013).

Metodologia
De acordo com a ONU, o Índice de Desenvolvimento Humano leva em consideração três fatores:
Saúde (expectativa de vida);
Conhecimento (média de anos de estudo e os anos esperados de escolaridade);
Padrão de vida (renda nacional bruta per capita).
Para formular o IDH, o Pnud informou que não coleta dados com os países analisados, mas, sim,
checa bases de dados internacionais, como da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
De acordo com as Nações Unidas, é comum, após a divulgação do IDH, países reivindicarem melhores
avaliações conforme dados próprios, contrariando o "princípio de independência" que o Pnud defende
para o ranking mundial.
O IDH divulgado nesta terça foi elaborado em 2016 com base nos dados de 2015. O relatório do Pnud
abrange 188 posições (no caso da China, o IDH de Hong Kong é divulgado em separado).
Segundo a ONU, o índice foi criado como uma forma de se contrapor ao critério de desenvolvimento
de um país tendo como base somente o resultado de crescimento econômico, medido pelo Produto
Interno Bruto (PIB).
O organismo internacional diz que outros critérios, como acesso à educação e expectativa de vida,
também devem ser usados para medir o desenvolvimento de um país.

Trabalhadores com mais de 65 anos ocupam menos de 1% das vagas formais39


Se a proposta de reforma da Previdência do governo federal for aprovada, a maioria dos brasileiros
terá que trabalhar além dos 65 anos para conseguir a aposentadoria integral e manter seu padrão de vida
na terceira idade. Quem optar por esse caminho, vai esbarrar em um número limitado de vagas formais
para os idosos no mercado de trabalho brasileiro.
Estimativas do IBGE apontam que a população brasileira tem cerca de 16 milhões de pessoas com
mais de 65 anos. No entanto, apenas 137,6 mil delas ocupam vagas formais no mercado de trabalho, de
acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2015. Esse grupo representa
apenas 0,3% dos 48 milhões de trabalhadores formais na economia brasileira em 2015.
Além dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que englobam os
trabalhadores celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT), os números da Rais
também incluem os servidores públicos federais, estaduais e municipais, além de trabalhadores
temporários.

39
12/01/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/trabalhadores-com-mais-de-65-anos-ocupam-menos-de-1-das-vagas-formais.ghtml

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1357297 E-book gerado especialmente para ANA CRISTINA DE QUEIROZ RAMOS
De acordo com a Rais de 2015, dos 5.570 municípios do país, 906 não tinham nenhum trabalhador
com essa idade. A maior parte dos municípios (4.234) tinha, cada um, menos de 50 trabalhadores com
65 anos ou mais.
Entre as cidades com trabalhadores acima de 65 anos, aquela que tem mais pessoas nessa condição
é São Paulo (15.756), seguida por Rio de Janeiro (10.935), Belo Horizonte (3.652), Brasília (3.508),
Fortaleza (3.116), Salvador (3.072), Porto Alegre (3.011), Curitiba (2.957), Recife (2.873) e Belém (1.897).

Reforma da Previdência
O governo federal apresentou no início de dezembro uma proposta para a reforma da Previdência
Social. Uma das principais mudanças é a criação de uma idade mínima de aposentadoria, de 65 anos,
para homens e mulheres. Essa regra inviabilizaria que trabalhadores mais jovens se aposentassem por
tempo de contribuição, como ocorre atualmente.
A proposta também muda o cálculo do benefício do aposentado. Para conseguir a aposentadoria
integral, o trabalhador deveria contribuir por 49 anos. Ou seja, apenas aqueles que começaram a trabalhar
com 16 anos teriam aposentadoria integral ao se aposentar com a idade mínima.
A proposta está em tramitação no Congresso Nacional e ainda pode sofrer modificações antes de
entrar em vigor.

Idosos na economia informal


De acordo com a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia
Camarano, o número de idosos com mais de 65 anos trabalhando sobe quando se considera também o
mercado informal.
Citando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, ela informou que
havia cerca de 2,82 milhões de trabalhadores com mais de 65 anos no país em 2014 – enquanto que a
população economicamente ativa somava mais de 100 milhões de pessoas.
"As pessoas se aposentam mais cedo. Aqui no Brasil, a legislação permite que as pessoas se
aposentem cedo e continuem trabalhando. Provavelmente, muitos dos que voltaram a trabalhar estão nas
atividades informais", avaliou a pesquisadora. Segundo ela, muitos trabalhadores com mais de 65 anos
atuam no setor de serviços ou na agricultura.
A pesquisadora defende a necessidade de se fazer uma reforma da Previdência no país, com aumento
da idade mínima, mas avaliou que é necessário oferecer um "pacote mais completo" para a população,
englobando também medidas de saúde e de capacitação de idosos para o mercado de trabalho.
Para o secretário de Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, esses
números mostram a "realidade do Brasil", onde os trabalhadores ingressam muito cedo no mercado de
trabalho.
De acordo com Severo, os empregadores são "preconceituosos". "Um trabalhador acima de 45, 50
anos não consegue voltar para o mercado de trabalho, que é altamente rotativo. Há uma resistência por
parte dos empregadores em contratar pessoas com mais idade, assim como os planos de Saúde [em
aceitar pessoas com mais idade]. É por isso que o mercado de trabalho exige pessoas jovens e, ao
mesmo tempo, com experiência, [o que é] uma contradição. Isso vai cada vez mais dificultando a vida de
quem tem mais idade", disse.
"A CUT é contrária a ter idade mínima para aposentadoria. Defendemos a lógica do tempo de
contribuição, de 30 anos para mulher e 35 para homem, como está hoje", afirmou ele.
Empresas terão de se adaptar
Segundo Celso Bazzola, especialista em Recursos Humanos e diretor da consultoria de RH BAZZ, o
mercado de trabalho mudou muito nos últimos anos. "Até 2007, 2008 havia uma tendência maior de não
absorver mão de obra com uma maior idade, mas as empresas vêm percebendo que a experiência é
importante. Isso já está mudando nos últimos anos", afirmou Bazzola.
Para ele, com a possibilidade de mudança nas regras de aposentadoria, com a instituição de uma
idade mínima de 65 anos, conforme a proposta do governo, o mercado de trabalho, principalmente, as
empresas, terão de começar a analisar a integração de profissionais mais experientes nos seus quadros
profissionais.
"Vai ser algo bastante gradativo e muito pontual [o aumento da contratação de pessoas com mais
idade]. Vai crescendo conforme acontece em outros países já", avaliou Bazzola.
Segundo o especialista em recursos humanos, os profissionais com mais idade tendem a atuar como
"tutores" para os mais jovens, em escolas, cursos universitários, "coaching", e engenharia por exemplo.
"Existe uma absorção interessante acima de 45 anos [nessas áreas]."

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Brasil tem greve e protestos em 25 estados contra as reformas de Temer40
Paralisação de 24 horas convocada por centrais sindicais e movimentos sociais acontece em todo o
país. Serviços de transporte coletivo, aeroportos e escolas são os principais afetados.
Diversas cidades em todo o país amanheceram com vias bloqueadas nesta sexta-feira (28/04), devido
à greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência, ainda em tramitação, e a Lei da
Terceirização.
A greve, que pretende ser maior em mais de 20 anos, foi convocada após a Câmara dos Deputados
aprovar a reforma trabalhista na quarta-feira. Convocada por centrais sindicais e movimentos sociais, a
paralisação foi acordada nos últimos dias em vários estados por meio de assembleias. Com adesão em
25 estados e no Distrito Federal, a greve e as manifestações afetaram, sobretudo, os serviços de
transporte coletivo, aeroportos e escolas.

Brasília
Rodoviários, metroviários, bancários, professores da rede pública e privada, servidores administrativos
do governo do DF e do Departamento de Trânsito (Detran), além de técnicos e professores da
Universidade de Brasília (UnB) prometeram parar suas atividades por 24 horas, informa a Central Única
dos Trabalhadores (CUT).
Também devem aderir vigilantes, trabalhadores do setor de hotéis, bares e restaurantes, servidores
da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), da Companhia Energética de Brasília (CEB) e
do Ministério Público da União, além dos trabalhadores do ramo financeiro, como os de transporte de
valores.

São Paulo
Pelo menos 15 categorias afirmaram que participarão da greve. Entre elas, estão professores da rede
pública estadual, municipal e particular, bancários, servidores municipais, trabalhadores da Saúde e
Previdência do estado e metalúrgicos do ABC.
Metroviários (com exceção da Linha Amarela), ferroviários (Linhas 7, 10, 11 e 12 da CPTM não
funcionarão) e rodoviários também cruzarão os braços por um dia, Já os funcionários dos Correios
decretaram greve nacional por tempo indeterminado.

Rio de Janeiro
A greve geral tem a adesão de funcionários do metrô, motoristas e cobradores de ônibus, policiais
civis, militares, federais; servidores da Justiça Federal e da Trabalhista; radialistas; petroleiros; carteiros
e aeroviários.
A Secretaria Estadual de Transportes, contudo, informou que os sistemas de metrô, trens, barcas e
ônibus intermunicipais funcionarão normalmente, ainda que com planos de contingência.
Professores das escolas públicas e particulares também prometeram aderir, mas as secretarias
estadual e municipal de Educação avisaram que as escolas abrirão normalmente e que os profissionais
que faltarem terão o ponto cortado.

Belo Horizonte
Rodoviários, metroviários, professores das redes pública e privada, servidores públicos, profissionais
da saúde, trabalhadores dos Correios, eletricitários, bancários, psicólogos, economistas, jornalistas,
radialistas, petroleiros e aeroportuários, entre outros, prometeram aderir à greve.
No caso dos professores das escolas municipais, foi aprovada uma greve de dois dias, que teve início
já na véspera. Professores e servidores da Universidade Federal de Minas Gerais também decidiram
parar. Algumas unidades do setor de saúde devem funcionar com escala reduzida, a exemplo do Hospital
de Pronto-Socorro João XXIII e dos hospitais Júlia Kubistchek e Odete Valadares.
O TRT-MG declarou feriado no órgão, suspendendo as audiências e os prazos que venceriam na data.
A BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Confins, afirmou que os serviços serão
oferecidos normalmente, mas pede que os passageiros se informem diretamente com as companhias
aéreas sobre a situação de seus voos.

Salvador
Rodoviários, bancários, professores das redes estadual e municipal, petroleiros, além de servidores
municipais, da Justiça e do Ministério Público Estadual afirmaram que irão parar as atividades. Os

40
DW. Brasil tem greve e protestos em 25 estados contra as reformas de Temer. DW Brasil. Disponível em: < http://www.dw.com/pt-br/brasil-tem-greve-e-
protestos-em-25-estados-contra-as-reformas-de-temer/a-38630159> Acesso em 28 de abril de 2017.

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médicos estaduais também informaram que vão suspender os atendimentos eletivos (como consultas),
mas que os serviços de urgência e de emergência serão mantidos.
No Aeroporto Internacional de Salvador, aeronautas anunciaram adesão ao movimento, e voos
poderão ser cancelados ou remarcados. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas orienta os
passageiros com viagem marcada para que entrem em contato com a empresa aérea e se informem
sobre possíveis cancelamentos e remarcações.

Recife
Policiais civis, federais, rodoviários federais, agentes penitenciários e guardas municipais do Recife
devem aderir à greve geral. Também prometeram parar servidores da Assembleia Legislativa e do
Ministério Público de Pernambuco, professores e servidores das redes estadual, municipal e privada de
educação e auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do estado. Houve adesão ainda de metalúrgicos,
petroleiros, químicos, indústria naval, construção pesada, bancários e comerciários.
Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT) determinou que os serviços de
ônibus e metrô funcionem com 50% da frota nos horários de pico e 30% nos demais períodos e
estabeleceu uma multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. O Sindicato dos Rodoviários de
Pernambuco, porém, informou que a paralisação está mantida.

Porto Alegre
Rodoviários, metroviários, aeroviários e bancários prometeram aderir à greve. Professores das redes
municipal, estadual, tanto do setor público quanto privado, também aprovaram a adesão.

Curitiba
Motoristas e cobradores de ônibus, professores e servidores das escolas municipais e estaduais,
servidores estaduais da saúde, aeroviários e trabalhadores da limpeza urbana decidiram paralisar nesta
sexta-feira.

34% dizem ter vergonha de ser brasileiros, segundo Datafolha41


Ainda segundo o levantamento, publicado pelo jornal 'Folha de S.Paulo', 63% se sentem mais
orgulhosos do que envergonhados.
Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta terça-feira (2) pelo jornal "Folha de S.Paulo" apontou
que 34% têm vergonha de ser brasileiros. O índice daqueles que têm mais orgulho do que vergonha de
ser brasileiros é de 63%, o menor valor para a série histórica, segundo o Datafolha.
O Datafolha questiona a população sobre o orgulho de ser brasileiro desde 2000. O menor resultado
havia sido em julho de 2016, quando 67% diziam se sentir orgulhosos. Já o menor índice dos
envergonhados havia sido em 2000, quando era de 9%.
A atual pesquisa ouviu 2.781 pessoas em 172 municípios na semana passada. A margem de erro de
2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O Datafolha também ouviu as pessoas sobre a avaliação do Brasil como lugar para viver. Para 54%,
o Brasil é um país ótimo ou bom para morar, uma queda de sete pontos percentuais desde o final do ano
passado. Para 26% é regular e para 20% é ruim ou péssimo.
Segundo o instituto, as duas avaliações, apesar de estar em queda, ainda mostram otimismo com o
país, já que a maioria sente orgulho de ser brasileiro e considera o Brasil um bom lugar para morar.

71% são contra reforma da Previdência, aponta pesquisa Datafolha42


Pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Instituto ouviu
2.781 pessoas nos dias 26 e 27 de abril.
Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (1º) pelo jornal “Folha de S.Paulo”
mostra que 71% dos brasileiros são contrários à reforma da Previdência e 23%, a favor. Veja os índices:
- Contra: 71%
- A favor: 23%
- Não sabe: 5%
- Indiferente: 1%

41
G1, BRASÍLIA. 34% dizem ter vergonha de ser brasileiros, segundo Datafolha. G1, Política. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/noticia/34-dizem-ter-
vergonha-de-ser-brasileiros-segundo-datafolha.ghtml> Acesso em 02 de maio de 2017.
42
G1. 71% são contra reforma da Previdência, aponta pesquisa Datafolha. G1 Economia. Disponível em: <http://g1.globo.com/economia/noticia/71-sao-contra-
reforma-da-previdencia-aponta-pesquisa-datafolha.ghtml> Acesso em 02 de maio de 2017.

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Segundo o Datafolha, 73% das mulheres e 69% dos homens são contrários à reforma. A rejeição é
maior entre os mais escolarizados (76% entre os que têm ensino superior, 73% entre os que têm ensino
médio e 64% entre os que têm ensino fundamental).
O instituto quis saber os principais pontos de crítica entre os entrevistados. São eles:
- Contribuição de 40 anos exigida para receber aposentadoria integral: 60%
- Idade mínima de 65 anos para homens: 27%
- Idade mínima de 62 anos para mulheres: 25%
- Todas essas propostas da reforma: 23%
Segundo o Datafolha, 66% tomaram conhecimento da proposta, sendo que estão:
- Mais ou menos informados: 39%
- Bem informados: 18%
- Mal informados: 9%
Segundo o Datafolha, entre os que se dizem informados, 78% são contra a reforma.
Para a maioria dos entrevistados, militares, policiais e professores deveriam ter as mesmas regras de
aposentadoria. A maior parte dos ouvidos (52%) também diz que o brasileiro se aposenta mais tarde do
que deveria; 38% acham que isso ocorre na idade adequada e 8%, mais cedo do que deveria.

Reforma trabalhista
O Datafolha também questionou os entrevistados sobre a reforma trabalhista. Para 64%, ela privilegia
mais os empresários que os trabalhadores; 21% consideram que o trabalhador será mais beneficiado.
Segundo a pesquisa, 58% acham que terão menos direitos com a reforma e 21%, que terão os mesmos
direitos que terão hoje; 11% acham que terão mais direitos.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e índice de
confiança de 95%. O Datafolha ouviu 2.781 pessoas em 172 municípios nos dias 26 e 27 de abril.

Alckmin e Doria deixam entrevista coletiva após protesto na região da Cracolândia43


Governador de São Paulo e Prefeito da capital paulista foram à região da Luz para falar sobre projeto
da Cracolândia. Manifestantes protestavam contra ações da Prefeitura e do governo do estado.
Manifestantes contrários às operações na Cracolândia interromperam a entrevista coletiva do prefeito
de São Paulo, João Doria (PSDB), e o governador, Geraldo Alckmin, marcada para a manhã desta quarta-
feira (24). Com a confusão, os dois acabaram abandonando o local sem concluir a entrevista e o evento
foi transferido para a sede da Prefeitura.
Doria e Alckmin começariam a falar sobre uma parceria público-privada para a construção de moradias
populares na região da Cracolândia, quando manifestantes entraram no estacionamento onde eles
estavam. Houve confusão e empurra-empurra, e Alckmin e Doria saíram em carro oficial.
Os manifestantes protestavam contra as ações da Prefeitura e do governo do estado na Cracolândia
nos últimos dias. No domingo, (21) operação contra o tráfico de drogas na região, no Centro da capital
paulista, deixou 51 pessoas detidas e afastou usuários de drogas dos quarteirões onde eles ficavam,
próximo à Luz. Nesta terça-feira, uma demolição de muro na região atingiu um imóvel vizinho e deixou
três pessoas feridas.
Nesta quarta-feira, manifestantes chegaram ao local onde estavam Alckmin e Doria aos gritos de
"fascistas". Eles criticaram a derrubada dos prédios da região sem diálogo com a comunidade que mora
nas proximidades.
"Eles dão terrenos públicos para várias instituições privadas, não conversam com os usuários, não
conversam com os moradores, vem tudo de cima pra baixo, entregando todos os terrenos públicos para
especulação imobiliária, construindo prédio em cima de sangue", disse um manifestante que vaiou o
prefeito e o governador e não quis se identificar.
Devido aos gritos, vaias e xingamentos dos manifestantes, o governador e o prefeito falaram
rapidamente no palanque. O evento não durou mais que três minutos. Os dois saíram sem falar com a
imprensa. "Está muita confusão, não dá pra falar aqui", disse Doria.
A coletiva ocorreu um dia após nova ação na região da Cracolândia contra o tráfico de drogas, que
teve disparo de bombas de efeito moral e barricadas feitas por moradores. Desde o último domingo (21),
com a ação que deteve 51 pessoas, a Prefeitura vem chamado a área de Nova Luz e vem prometendo a
revitalização da região. Usuários de drogas que viviam na Cracolândia têm se espalhado por várias partes
do Centro nos últimos dias.

43
BRANDT, M. PAULO, P. P. SANTIAGO, T. Alckmin e Doria deixam entrevista coletiva após protesto na região da Cracolândia. G1, São Paulo. Disponível em:
<http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/alckmin-e-doria-abandonam-entrevista-coletiva-apos-protesto-na-regiao-cracolandia.ghtml> Acesso em 24 de maio de 2017.

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Manifestação
Após a saída de Doria e Alckmin da coletiva nesta quarta, moradores e comerciantes da região
continuaram protestando pelo Centro. Renata Soares, que tem uma loja na Alameda Dino Bueno
reclamou das ações dos últimos dias na região. "Fecharam meu comércio sem eu ter direito de tirar nada
de dentro", disse Renata, que seguia na frente do ato acompanhada de 3 filhos pequenos.
O grupo pedia moradia e é contra a internação compulsória de usuários de drogas. Parte dos
manifestantes entrou na Duque de Caxias e chegou até a General Couto Magalhães, no Comando Geral
da Guarda Civil Metropolitana. O grupo que chegou ao local após a saída de Doria e Alckmin gritou em
coro "Doria, seu fujão, tem medo do povão".

Parada Gay tem protestos contra Temer em SP44


Manifestantes carregam cartazes e bótons contrários ao governo
SÃO PAULO - Além dos famosos e do clamor por mais tolerância, a 21ª Parada do Orgulho LGBT,
que atraiu segundo os organizadores mais de três milhões de pessoas às ruas de São Paulo neste
domingo, contou também com manifestações contrárias ao governo de Michel Temer.
Apesar de os gritos não terem dominado o evento, marcado por música alta vinda dos trios elétricos
que desfilaram pela Avenida Paulista, uma grande quantidade dos presentes carregava cartazes, faixas
e portava bótons com frases como “Amar sem Temer”.
— Eu sou 'Fora Temer', mas acho que nenhum governo nosso fez nada de especial pelas políticas
LGBT. A gente não vivia num paraíso antes. O que acontece agora é um avanço de políticas
conservadoras em diversas áreas e precisamos lutar contra isso. Existe uma desesperança muito grande
com o PMDB no poder — protestava Gabriel Furlan, estudante de publicidade da USP.
Era a primeira vez de Gabriel na parada. Ele estava com uma camiseta com os dizeres “Make America
Gay Again”, em referência ao slogan utilizado na campanha presidencial de Donald Trump nos EUA
("make america great again").
— Usei ela na empresa quando o Trump assumiu a presidência e quis usar aqui hoje, porque acho
que a América não se refere apenas aos Estados Unidos, mas sim todo o continente — conta o rapaz,
estagiário de uma grande empresa de tecnologia que é uma das apoiadoras do evento no país.
Apesar da mensagem bem humorada, Furlan reiterou a “desesperança” no avanço de políticas
públicas no governo Temer.
— Mas também precisamos nos manifestar. Não podemos perder força política — disse.
Na chegada de um dos trios elétricos na Avenida da Consolação, um dos que animavam a marcha
com microfones se despediu com gritos de “Fora Temer”. Vários se juntaram a ele, mas os gritos
cessaram rapidamente.
Uma faixa de protesto com os dizeres “Não me venham com indiretas” circulava no meio da avenida.
Alguns dos presentes na calçada deram risada do trocadilho, que remete tanto ao clima de “azaração”
presente na marcha quanto à possibilidade de eleições indiretas caso Michel Temer não permaneça na
presidência.
A atriz Malu Galli também esteve presente na marcha. Ela divulgou uma foto na Avenida Paulista e
acrescentou diversas hashtags na legenda, entre elas #todoscontraahomofobia e #foratemer.
“Minha vontade de ter ido para a parada LGBT é do tamanho da vontade que eu tenho que o Temer
caia fora. Fora Temer”, escreveu a internauta identificada por Camz no Twitter. “Se vocês acharam que
não ia ter um ‘Fora Temer’ na parada gay, estavam muito enganados”, disse outro usuário da rede social.
O prefeito João Doria (PSDB), em viagem com a família, não compareceu ao evento. Seu vice, Bruno
Covas, representou a prefeitura na marcha.

Bloqueios, paralisações e protestos marcam dia de greve geral em todo o Brasil45


Esta é a segunda greve geral nacional convocada pelas centrais sindicais; protesto é contrário à
aprovação das reformas da Previdência e trabalhista
Centrais sindicais e movimentos sociais convocaram, para esta sexta-feira (30), uma nova greve geral.
O protesto é contrário à aprovação das reformas da Previdência e trabalhista.
Esta é a segunda greve geral nacional convocada pelas centrais sindicais. A primeira ocorreu no dia
28 de abril, quando os trabalhadores de várias categorias pararam em diversas cidades do País.
Nesta sexta, a paralisação vem afetando os serviços básicos de saúde, as aulas, o trânsito e o
funcionamento do transporte público em diversos estados.

44
ARREGUY, JULIANA. Parada gay tem protestos contra Temer em SP. O Globo, Brasil. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/brasil/parada-gay-tem-
protestos-contra-temer-em-sp-21490767> Acesso em 19 de junho de 2017.
45
IG São Paulo. Bloqueios, paralizações e protestos marcam dia de greve geral em todo o Brasil. Ultimo Segundo, Brasil. Disponível em: <
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2017-06-30/greve-geral.html> Acesso em 30 de junho de 2017.

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São Paulo
Na Grande São Paulo, o transporte público não foi afetado. Todos os ônibus, trens e metrôs funcionam
normalmente. Quem está sofrendo reflexo das manifestações são os motoristas, que passam por vias
congestionadas por protestos, no centro, na Rodovia Anchieta e nas marginais.
Dentro do Aeroporto de Congonhas, manifestantes fizeram um ato no saguão de embarque. Apesar
disso, o aeroporto funciona normalmente. Do lado de fora, passageiros têm dificuldades para chegar até
o local, por conta do congestionamento causado pelos protestos, que seguem pacíficos. Em Cumbica, há
manifestação do lado de fora do aeroporto também, dificultando o acesso ao local.
Segundo a CUT, há a adesão de bancários, professores, petroleiros e profissionais da saúde no
estado.

Distrito Federal
O transporte público do Distrito Federal foi afetado pela greve. Ônibus de pelo menos quatro empresas
permaneceram nas garagens e estações de metrô amanheceram fechadas. De acordo com a Central
Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), pelo menos 13 categorias devem aderir ao
movimento.
Ônibus de pelo menos quatro empresas ficaram nas garagens e estações de metrô amanheceram
fechadas em Brasília
Além disso, o trânsito na Esplanada dos Ministérios foi bloqueado. A interdição começa na Rodoviária
do Plano Piloto, sentido Palácio do Planalto.
Além de 2.600 policiais militares na área central da cidade, 400 homens da Força Nacional estão,
desde as 5h, fazendo a segurança patrimonial dos ministérios.
Na greve de 28 de abril, vários prédios foram alvo de vandalismo. A operação seguirá até o fim do
protesto, que têm expectativa de público, segundo a PM, de 5 mil pessoas.
Para impedir a entrada de manifestantes com paus, pedras, granadas, barras de ferro ou qualquer
material que possa ser usado como arma, policiais militares montaram vários cordões de revista nos
acessos de pedestres ao local. Até mesmo os funcionários dos ministérios são abordados.
O prédio do Congresso Nacional também está com as visitas suspensas. O acesso à Câmara e ao
Senado só é permitido a parlamentares, servidores e pessoas credenciadas.
Também em Brasília, o Sindicato dos Professores (Sinpro) aderiu à paralisação e não há previsão de
aulas nas escolas públicas da capital. Na Universidade de Brasília (UnB) também não deve haver aula.
Assim como em São Paulo, os bancários também participam da manifestação. A previsão é de que as
agências fiquem fechadas durante todo o dia.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, por volta das 8h desta sexta, eram registrados 50 quilômetros de lentidão por conta
das manifestações. Às 6h20, a cidade entrou em estágio de atenção.
O estágio de atenção é um nível intermediário em uma escala de três - o de vigilância denota
normalidade no trânsito da cidade e o de alerta mostra que há problemas mais graves. O estágio de
atenção significa que há reflexos relevantes na mobilidade.

Manifestações provocaram vários bloqueios de vias no Rio de Janeiro


Às 7h35, haviam interdições na Avenida Brasil, na pista central, no sentido centro, na altura da Penha;
na Avenida 20 de Janeiro, que dá acesso ao Aeroporto Internacional Galeão/Tom Jobim e na Rua
Leopoldo Bulhões, na altura dos Correios.
O Sindicato dos Bancários informou que os trabalhadores da cidade estão aderindo à greve desta
sexta-feira. A expectativa do sindicato, que representa a categoria, é de que as agências bancárias, além
dos cinco centros administrativos dos bancos, não funcionem nesta sexta.
Além disso, a greve atinge também a área da educação. A Secretaria de Estado de Educação informou
que as unidades escolares funcionarão normalmente. Em contraponto, o Sindicato Estadual dos
Profissionais de Educação (Sepe) diz que os professores aderiram à greve.

Bloqueio e paralisação em todo o Brasil


Em Alagoas, os rodoviários paralisaram suas atividades entre as 8h e as 12h. Além disso, servidores
da Eletrobras e da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) também aderiram à greve.
No Espírito Santo, os ônibus circularam normalmente pela manhã, mas manifestantes bloquearam
uma via em frente à Rodoviária de Vitória.
Em Goiás, a saída de ônibus foi bloqueada, prejudicando a circulação dos carros. No Ceará, protestos
também impediram a circulação de ônibus. Além disso, os bancos não abriram. No Pará, os rodoviários

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paralisaram as atividades. Na Paraíba, os manifestantes também bloquearam a saída dos ônibus das
garagens.
Na Bahia, os veículos ferroviários também não circularam. O metrô, no entanto, opera normalmente.
No Maranhão, os bancários, professores da rede pública estadual, vigilantes, petroleiros, motoristas e
cobradores de ônibus, metalúrgicos, disseram que aderiram à greve.
Em Minas Gerais, manifestantes colocaram fogo em pneus, pela manhã, bloqueando uma importante
via em Belo Horizonte. O metrô abrirá apenas às 12h, mas os ônibus funcionam normalmente.
No Paraná, houve bloqueio de rodovias por manifestantes, assim como no Pernambuco. Em Santa
Catarina, o bloqueio na BR-282 resultou em um confronto entre a polícia e manifestantes.

Reformas propostas pelo governo


De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, as reformas
propostas pelo governo federal trazem riscos trabalhadores e para o País. “Não vai ter geração de
emprego, vai ter bico institucionalizado. Vai ser o fim do emprego formal, que garante direitos
conquistados, como férias e décimo terceiro salário”, diz Freitas.
Na última quarta-feira (28), houve aprovação do parecer favorável à reforma trabalhista na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
O governo federal argumenta que as reformas são necessárias para garantir o pagamento das
aposentadorias no futuro e a geração de postos de trabalho, no momento em que o país vive uma crise
econômica.

Deputados de oposição tentaram obstruir a votação da reforma trabalhista no plenário da


Câmara
O argumento é que, sem a aprovação da reforma da Previdência, a dívida pública brasileira entre
em "rota insustentável" e pode “quebrar” o país”, como disse o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.
Sobre a reforma trabalhista, o governo afirma que a proposta moderniza a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), de 1943. E que as novas regras, como a que define que o acordo firmado entre patrão e
empregado terá mais força que a lei, estimulará mais contratações.
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, diz que a ideia da greve geral
é tentar pressionar o Congresso Nacional para ampliar a negociação sobre as reformas. “As paralisações
e manifestações são os instrumentos que estamos usando para pressionar e ter uma negociação mais
séria em Brasília que não leve a um prejuízo aos trabalhadores”, diz.

Governo Temer empurra Brasil de volta ao mapa mundial da fome46


Jornal GGN - A crise econômica aumentou o desemprego no Brasil e ações deflagrados no governo
Temer, sob o guarda-chuva do ajuste fiscal, empurra o País de volta ao mapa mundial da fome da ONU.
Entre elas, a exclusão de pessoas do programa Bolsa Família e o corte no programa de agricultura
familiar, que tem impedido centenas de milhares de pessoas de terem renda suficiente para comprar
alimentos. É o que aponta reportagem publicada pelo jornal O Globo neste domingo (9).
Segundo o veículo, "três anos depois de o Brasil sair do mapa mundial da fome da ONU — o que
significa ter menos de 5% da população sem se alimentar o suficiente —, o velho fantasma volta a
assombrar famílias" no Brasil.
O alerta conta em relatório que será apresentado às Nações Unidas na próxima semana, sobre o
"cumprimento de um plano de ação com objetivos de desenvolvimento sustentável acordado entre os
Estados-membros da ONU, a chamada Agenda 2030".
O Globo ouviu de Francisco Menezes, coordenador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Soicias
e Econômicas) e consultor do ActionAid, que "o país atingiu um índice de pleno emprego, na primeira
metade desta década, mesmo os que estavam em situação de pobreza passaram a dispor de empregos
formais ou informais, o que melhorou a capacidade de acesso aos alimentos".
Mas a mudança na base de dados do Bolsa Família com o intuito de esvaziar o programa, realizada
no final do ano passado, além da "redução do valor investido no Programa de Aquisição de Alimentos da
Agricultura Familiar (PAA), que compra do pequeno agricultor e distribui a hospitais, escolas públicas e
presídios, são uma vergonha para um país que trilhava avanços que o colocava como referência em todo
o mundo".
O jornal lembrou que, ano passado, Temer promoveu um "pente-fino" no Bolsa Família com a desculpa
de que o programa estava cheio de beneficiários que adulteravam os dados para continuar recebendo a

46
NASSIF, LUIS. Governo Temer empurra Brasil de volta ao mapa mundial da fome. GGN. Disponível em: <http://jornalggn.com.br/noticia/governo-temer-
empurra-brasil-de-volta-ao-mapa-mundial-da-fome> Acesso em 11 de julho de 2017.

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ajuda de custo do governo sem ter necessidade. Com esse valor "economizado", Temer pretendia fazer
um reajuste no programa.
Porém, segundo O Globo, o pente-fino do governo só mostrou que a pobreza no Brasil avança a
passos largos, em meio à crise econômica.
"O resultado [do pente-fino], porém, foi a confirmação de um fenômeno de empobrecimento. Ao cruzar
bases de dados, a fiscalização encontrou mais de 1,5 milhão de famílias que tinham renda menor que a
declarada — haviam perdido o emprego, mas não atualizaram o cadastro — e, por isso, teriam direito a
benefícios maiores do que recebiam. Isso corresponde a 46% dos 2,2 milhões de famílias que caíram na
malha fina por inconsistência nos dados. E o prometido reajuste no benefício, que seria de 4,6%, foi
suspenso no fim do mês passado pelo governo, por falta de recursos."
No Facebook, a assessoria de Lula comentou a reportagem. "O Brasil estava no caminho da inclusão
social e da redução da fome e da miséria, com programas sociais que são referência em todo mundo.
Com a sabotagem promovida pelos golpistas e o golpe, o Brasil saiu desse caminho."

Refugiado sírio é atacado em Copacabana: 'Saia do meu país!'47


Mohamed Ali vendia esfirras na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de
Copacabana quando foi insultado
RIO - Um refugiado sírio foi vítima de um ataque em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Mohamed Ali,
de 33 anos, que vende esfirras e outros quitutes árabes, e foi agredido verbalmente por um homem por
causa do ponto de venda. Um vídeo da discussão foi publicado nas redes sociais e viralizou.
Nas imagens é possível ver um homem com dois pedaços de madeira nas mãos gritando: "saia do
meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bombas que
mataram, esquartejaram crianças, adolescentes. São miseráveis". Adiante no vídeo, ele ainda fala: "Essa
terra aqui é nossa. Não vai tomar nosso lugar não".
Os comerciantes chegam a derrubar a mercadoria de Mohamed no chão, que pergunta o motivo da
agressão. Os homens, então, falam novamente para ele sair do Brasil. Mohamed está no Brasil há três
anos e estava trabalhando na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Santa
Clara na sexta-feira, quando tudo aconteceu.
— Eu não entendi muito bem porque ele veio brigar comigo. De repente ele começou a gritar e me
pedir para sair. Ele falava muito rápido e não consegui compreender algumas coisas. Outras pessoas que
estavam traduzindo para mim. Sei que ele falou que os muçulmanos estavam invadindo o país e falando
de homens-bomba. Não esperava que isso pudesse acontecer comigo. Vim para o Brasil porque a guerra
me fez vir para cá. Vim com amor, porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras
culturas e religiões, e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista,
se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá — disse.
No vídeo, ainda é possível ouvir algumas pessoas defendendo Mohamed. Uma mulher ainda o orientou
a deixar o local diante da confusão. Ele, então, retira os pertences.
— Chegaram carros da polícia, da Guarda Municipal. Me falaram para registrar na polícia, mas não
quis. Não quero confusão. Quero apenas trabalhar em paz – disse.
No Facebook, diversos internautas pediram desculpas a Mohamed em nome dos brasileiros pelo
ocorrido:
"Olá, Mohamed Ali, boa noite. Em nome de todos os brasileiros e trabalhadores, peço desculpas pelo
que você passou enquanto trabalhava", escreveu uma internauta.
"Você é bem-vindo no Brasil. Perdoe este sujeito que te atacou, ele não sabe o que faz", disse outro.
Apesar do ocorrido e de ter medo de encontrar o homem que o ofendeu, Mohamed não tem intenção
de sair do Rio ou deixar de trabalhar em Copacabana.
– Passei a trabalhar em outro ponto para não encontrá-lo novamente, mas não vou sair daqui. Mudar,
trocar de casa, é difícil. Espero apenas que não aconteça novamente. Foi muito triste. Não quero outra
briga. Fico com medo. Trabalho sozinho – falou.
O titular da 12ª DP (Copacabana), Gabriel Ferrando, disse ter conhecimento das imagens, mas em
casos como o de Mohamed, a atuação da polícia depende de uma manifestação da vítima.
– O ofendido não compareceu para registrar e denunciar o feito. Ameaça e injúria dependem de
manifestação de vontade da vítima. Independente disso estamos analisando as imagens para tentar
localizar os envolvidos. Estamos diligenciando – disse.
Em nota, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI)
afirma que acompanha o caso do refugiado agredido. O órgão repudia o ataque de xenofobia, e afirma

47
VIANA GABRIELA. Refugiado Sírio é atacado em Copacabana: ‘Saia do meu país!’. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/rio/refugiado-sirio-
atacado-em-copacabana-saia-do-meu-pais-21665327?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo> Acesso em 04 de agosto de 2017.

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que já está em contato com a família do sírio, que participou do curso de português oferecido pela
secretaria no ano passado, para prestar a assistência necessária.
"É inaceitável casos de xenofobia e intolerância religiosa ainda aconteçam no Rio de Janeiro. Essas
pessoas saíram dos seus países por serem vítimas de algum tipo de perseguição e viram no Brasil uma
oportunidade de recomeço. Eles trazem uma grande contribuição para a economia do estado, além da
rica troca cultural com os fluminenses.", afirma, em nota, o secretário Átila A. Nunes.

Meio ambiente e sustentabilidade

Desenvolvimento sustentável48
Desenvolvimento sustentável é o modelo que prevê a integração entre economia, sociedade e meio
ambiente. Em outras palavras, é a noção de que o crescimento econômico deve levar em consideração
a inclusão social e a proteção ambiental

Gestão do Lixo
O lixo ainda é um dos principais desafios dos governos na área de gestão sustentável. No entanto, na
última década, o Brasil deu um salto importante no avanço para a gestão correta dos resíduos sólidos.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, em 2000, apenas 35% dos resíduos eram destinados
aos aterros.
Em 2008, esse número subiu para 58%. Além disso, o número de programas de coleta seletiva saltou
de 451, em 2000, para 994, em 2008.
Para regulamentar a coleta e tratamento de resíduos urbanos, perigosos e industriais, além de
determinar o destino final correto do lixo, o Governo brasileiro criou a Política Nacional de Resíduos
Sólidos (Lei n° 12.305/10), aprovada em agosto de 2010.

Créditos de Carbono
No mercado de carbono, cada tonelada de carbono que deixa de ser emitida é transformada em
crédito, que pode ser negociado livremente entre países ou empresas.
O sistema funciona como um mercado, só que ao invés das ações de compra e venda serem
mensuradas em dinheiro, elas valem créditos de carbono.
Para isso é usado o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução certificada
das emissões de gases de efeito estufa. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução
dos gases poluentes tem direito a comercializar os créditos.
Por exemplo, um país que reduziu suas emissões e acumulou muitos créditos pode vender este
excedente para outro que esteja emitindo muitos poluentes e precise compensar suas emissões.
O Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países que participam desse mercado, com cerca
de 5% do total mundial e 268 projetos.

Entenda como funciona o mercado de crédito de carbono49


A partir dos anos 2000, entrou em cena um mercado voltado para a criação de projetos de redução da
emissão dos gases que aceleram o processo de aquecimento do planeta.
Trata-se do mercado de créditos de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo
internacional que estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas
emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990.
O Protocolo de Quioto criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução
certificada das emissões. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução da emissão
de gases poluentes tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que têm
metas a cumprir.
“O ecossistema não tem fronteira. Do ponto de vista ambiental, o que importa é que haja uma redução
de emissões global”, ressalta o consultor de sustentabilidade e energia renovável, Antonio Carlos Porto
Araújo.
Durante a última Conferência do Clima (COP 17), realizada em 2011, na África do Sul, as metas de
Quioto foram atualizadas e ampliadas para cortes de 25% a 40% nas emissões, em 2020, sobre os níveis
de 1990 para os países desenvolvidos.
“Isso pode significar um fomento nas atividades de crédito de carbono que andavam pouco atraentes”,
disse Araújo, autor do livro “Como comercializar créditos de carbono”.

48
Fonte: http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20/desenvolvimento-sustentavel.html
49
Fonte: http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/04/entenda-como-funciona-o-mercado-de-credito-de-carbono

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O Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países que participam desse mercado, com cerca
de 5% do total mundial e 268 projetos. A expectativa inicial era absorver 20%. O mecanismo incentivou a
criação de novas tecnologias para a redução das emissões de gases poluentes no Brasil.

Cálculo
A redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) é medida em toneladas de dióxido de carbono
equivalente – t CO2e (equivalente). Cada tonelada de CO2e reduzida ou removida da atmosfera
corresponde a uma unidade emitida pelo Conselho Executivo do MDL, denominada de Redução
Certificada de Emissão (RCE).
Cada tonelada de CO2e equivale a 1 crédito de carbono. A ideia do MDL é que cada tonelada de CO2
e não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento possa ser negociada no mercado
mundial por meio de Certificados de Emissões Reduzidas (CER).
As nações que não conseguirem (ou não desejarem) reduzir suas emissões poderão comprar os CER
em países em desenvolvimento e usá-los para cumprir suas obrigações.

Consumo racional50
É um modo de consumir capaz de garantir não só a satisfação das necessidades das gerações atuais,
como também das futuras gerações. Isso significa optar pelo consumo de bens produzidos com tecnologia
e materiais menos ofensivos ao meio ambiente, utilização racional dos bens de consumo, evitando-se o
desperdício e o excesso e ainda, após o consumo, cuidar para que os eventuais resíduos não provoquem
degradação ao meio ambiente. Principalmente: ações no sentido de rever padrões insustentáveis de
consumo e diminuir as desigualdades sociais.
Adotar a prática dos três 'erres': Redução, que recomenda evitar o consumo de produtos
desnecessários; Reutilização, que sugere que se reaproveite diversos materiais; e Reciclagem, que
orienta reaproveitar materiais, transformando-os e lhes dando nova utilidade.

Aquecimento Global
O aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas no planeta. Diversas
pesquisas confirmam o aumento da temperatura média global. Conforme cientistas do Painel
Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século
XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Esse
aumento pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar
profundamente a biodiversidade, desencadeando vários desastres ambientais.
As causas do aquecimento global são muito pesquisadas. Existe uma parcela da comunidade científica
que atribui esse fenômeno como um processo natural, afirmando que o planeta Terra está numa fase de
transição natural, um processo longo e dinâmico, saindo da era glacial para a interglacial, sendo o
aumento da temperatura consequência desse fenômeno.
No entanto, as principais atribuições para o aquecimento global são relacionadas às atividades
humanas, que intensificam o efeito de estufa através do aumento na queima de gases de combustíveis
fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A queima dessas substâncias produz gases como
o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que retêm o calor proveniente das
radiações solares, como se funcionassem como o vidro de uma estufa de plantas, esse processo causa
o aumento da temperatura. Outros fatores que contribuem de forma significativa para as alterações
climáticas são os desmatamentos e a constante impermeabilização do solo.
Atualmente os principais emissores dos gases do efeito de estufa são respectivamente: China, Estados
Unidos, Rússia, Índia, Brasil, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Coreia do Sul. Em busca de
alternativas para minimizar o aquecimento global, 162 países assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997.
Conforme o documento, as nações desenvolvidas comprometem-se a reduzir sua emissão de gases que
provocam o efeito de estufa, em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta teve que ser
cumprida entre os anos de 2008 e 2012. Porém, vários países não fizeram nenhum esforço para que a
meta fosse atingida, o principal é os Estados Unidos.

Enfraquecido, Protocolo de Kyoto é estendido até 2020


Quase 200 países concordaram em estender o Protocolo da Kyoto até 2020. A decisão foi tomada
durante a COP-18, Cúpula das Nações Unidas sobre Mudança Climática realizada em Doha, no Catar.
Apesar do acordo, Rússia, Japão e Canadá abandonaram o Protocolo: assim, as nações que obedecerão
suas regras são responsáveis por apenas 15% das emissões globais de gases de efeito estufa. O acordo
50
Texto adaptado de http://www.wwf.org.br/natureza_
brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/

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evita um novo entrave nas negociações realizadas há duas décadas pela ONU. Na oportunidade, não foi
possível impedir o aumento das emissões de gases do efeito estufa.
Sem o acordo, a vigência do Protocolo se encerraria no começo de 2013. A extensão do Protocolo o
mantém ativo como único plano que gera obrigações legais com o objetivo de enfrentar o aquecimento
global. Rússia, Belarus e Ucrânia se opõem à decisão de estender o Protocolo para além de 2012. A
Rússia quer limites menos rígidos sobre as licenças de emissões de carbono que não foram utilizadas.
Todos os lados dizem que as decisões tomadas em Doha ficaram aquém das recomendações de
cientistas. Estes queriam medidas mais duras para evitar mais ondas de calor, tempestades de areia,
enchentes, secas e aumento do nível dos oceanos.

Conceito de desenvolvimento sustentável


Usar os recursos naturais com respeito ao próximo e ao meio ambiente. Preservar os bens naturais e
a dignidade humana. É o desenvolvimento que não esgota os recursos, conciliando crescimento
econômico e preservação da natureza.
Em Salvador, o TEDxPelourinho foi totalmente dedicado ao tema, e reuniu pensadores de diversas
áreas e regiões do país para compartilhar suas experiências e mostrar como estão ajudando a transformar
os centros urbanos em locais planejados para serem ocupados por pessoas. As iniciativas incluem
ciclovias, centros revitalizados, instrumentos de participação coletiva e empoderamento dos cidadãos,
mais solidários, inclusivos, saudáveis, verdes e humanas. Em relação a capital gaúcha, foi reconhecida
pela IBM com uma das 31 cidades do mundo merecedoras do prêmio Smarter Cities Challenge Summit.
O reconhecimento veio graças ao projeto Cidade Cognitiva, que tem o objetivo de simular os impactos
futuros sobre a vida do município, com as obras e ações realizadas no presente demandadas pelo
orçamento participativo - sistema no qual a tomada de decisões sobre investimentos públicos é
compartilhada entre sociedade e governo.
Quem também fez progressos da área também foi o Rio de Janeiro. A sede das Olimpíadas de 2016
tem investido em um moderno centro integrado de operações para antecipar e combater situações de
calamidade. A tecnologia, desenvolvida em parceria com a IBM, deve ser aplicada nas demais cidades
do país, segundo anunciou o presidente da empresa no Brasil Rodrigo Kede. O prefeito da cidade,
Eduardo Paes, chegou a palestrar em uma Conferência do TED explicando quatro grandes ideias que
devem conduzir o Rio (e todas as cidades) ao futuro, incluindo inovações arrojadas e executáveis de
infraestrutura.
Mobilizações populares: Os rapazes do Shoot the Shit da cidade de Porto Alegre, usam bom humor
para resolver os problemas locais. Ao longo do ano, o foi noticiado diversas iniciativas populares que
contribuem com as cidades brasileiras. Em Salvador, a jornalista Débora Didonê e seus companheiros do
projeto Canteiros Coletivos mostraram como estão transformando os espaços públicos da capital baiana
utilizando somente pás, mudas e a conscientização dos cidadãos locais.
Megacidades: Prefeitos das maiores cidades do mundo estiveram reunidos na Rio+20. Representantes
das maiores metrópoles do mundo se reuniram para trocar experiências sobre desenvolvimento
sustentável e traçar metas para reduzir os impactos dos grandes centros urbanos no planeta. Prefeitos
das 40 maiores cidades do mundo se encontraram em São Paulo para participar da C40 (Large Cities
Climate Leadership Group). Um dos destaques foi à assinatura de um protocolo de intenções destinado
a viabilizar suporte financeiro a grandes cidades, no intuito de que elas desenvolvam ações de
sustentabilidade. O documento foi assinado pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e pelo
prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, presidente da cúpula. Outro encontro decisivo aconteceu
durante a Rio+20, quando os líderes das 59 maiores cidades do mundo se comprometeram a reduzir em
até 248 milhões de toneladas as emissões de gases do efeito estufa até 2020. Na mesma ocasião, os
prefeitos firmaram o compromisso de engajar 100 metrópoles no caminho do desenvolvimento
sustentável até 2025.

Lixo Eletrônico
Um estudo da Organização Internacional do Trabalho, OIT, destaca que 40 milhões de toneladas de
lixo eletrônico são produzidas todos os anos. O descarte envolve vários tipos de equipamentos, como
geladeiras, máquinas de lavar roupa, televisões, celulares e computadores. Países desenvolvidos enviam
80% do seu lixo eletrônico para ser reciclado em nações em desenvolvimento, como China, Índia, Gana
e Nigéria. Segundo a OIT, muitas vezes, as remessas são ilegais e acabam sendo recicladas por
trabalhadores informais. Saúde - O estudo Impacto Global do Lixo Eletrônico, publicado em dezembro,
destaca a importância do manejo seguro do material, devido à exposição dos trabalhadores a substâncias
tóxicas como chumbo, mercúrio e cianeto.

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A OIT cita vários riscos para a saúde, como dificuldades para respirar, asfixia pneumonia, problemas
neurológicos, convulsões, coma e até a morte. Orientações - Segundo agência, simplesmente banir as
remessas de lixo eletrônico enviadas países em desenvolvimento não é solução, já que a reciclagem
desse material promove emprego para milhares de pessoas que vivem na pobreza. A OIT sugere integrar
sistemas informais de reciclagem ao setor formal e melhorar métodos e condições de trabalho. Outro
passo indicado no estudo é a criação de leis e associações ou cooperativas de reciclagem.

Poluição está matando o sagrado rio Ganges e intoxica os devotos hindus51


Uma corrente de resíduos está matando o Ganges, o rio indiano mais sagrado para o hinduísmo, que
passa por grandes centros de peregrinação, como Varanasi, onde milhões de devotos mergulham na
busca pela salvação, sem saber que cada gota dele é tóxica.
Para os crentes hindus, o Ganges é uma deidade que limpa os pecados depois de se banhar nos cinco
pontos (ghats) de peregrinação que há em sua passagem por Varanasi (norte da Índia), onde, além disso,
é possível venerar diariamente de várias maneiras: à distância, tocando levemente, mergulhando ou
inclusive bebendo sua água.
O lugar onde se manifesta essa devoção são ghats que conduzem à margem do rio desde as
abarrotadas ruas de Varanasi, onde diariamente milhares de pessoas realizam ritos menos espirituais
como lavar a roupa ou tomar banho.
Mas os dados são evidentes: em alguns pontos do Ganges na cidade o nível de bactérias fecais por
cada 100 mililitros chega a 31 milhões, como na confluência com a foz do rio Varuna, ou a 51 mil na
popular Tulsi ghat, quando o máximo recomendável para o banho são 500 e, para o consumo, zero.
São números de 20 de janeiro recopilados pela Fundação Sankat Mochan, uma organização com
laboratório próprio que batalha há 35 anos para devolver ao Ganges seu antigo esplendor, implementando
novas tecnologias para o tratamento efetivo de águas residuais.
"O estado do rio é uma lástima", declarou à Agência Efe o presidente da fundação, Vishwambhar Nath
Mishra, que afirma que a situação é ainda mais "alarmante" ao longo dos cinco quilômetros nos quais o
povo "interage" com ele.
Segundo um estudo publicado em 2006 na Revista Internacional de Saúde Meio Ambiental, nas águas
do Ganges em Varanasi é possível contrair cólera, hepatite A, febre tifoide, doenças gastrintestinais e
disenteria.
Para o presidente da Sankat Mochan, o "remédio" a esta problemática está em interceptar as águas
residuais, desviá-las do rio e tratá-las até um nível que se transformem em inócuas para o uso, usando
as mesmas depois para rega ou outros propósitos.
Mas Mishra criticou o fato de que até agora somente foram instalados cinco pontos de bombeamento
às margens do rio, alguns decorados com desenhos gigantes de deidades hindus, que "estão funcionando
acima de sua capacidade" e que, além disso, não tratam as bactérias fecais, algo que é feito por um novo
sistema que recomendaram.
Além disso, em sua opinião, longe de colaborar, as autoridades se limitam a lançar promessas
impossíveis de limpeza do Ganges.
A ministra de Recursos Hídricos indiana, Uma Bharti, "agora diz que ele estará limpo em 2018, antes
das próximas eleições parlamentares. Eu gostaria de saber qual varinha mágica ela conseguiu, porque
como vai completar em dois anos o que não foi feito em 30?", perguntou Mishra.
O problema da limpeza do Ganges não afeta só Varanasi. Ao longo de seus 2.525 quilômetros de
percurso, desde o alto do Himalaia até sua foz no oriental Golfo de Bengala, vivem 400 milhões de
pessoas, um terço da população indiana, que dependem estreitamente de suas águas.
Segundo a Missão Nacional para Limpar o Ganges, dependente do Ministério de Recursos Hídricos,
o rio recebe diariamente 12 mil milhões de litros de resíduos e só há capacidade para tratar um terço
deles, um problema sem solução apesar dos vários planos nacionais iniciados desde 1986.
Para fornecer seu grão de areia, algumas ONGs como a Sulabh International se ocupam de embelezar
a margem do rio em sua passagem por Varanasi limpando de resíduos com a ajuda de um exército de
voluntários.
Um desses trabalhadores, Ravi Sahni, declarou à Efe que há quatro meses a Sulabh International se
dedica a retirar diariamente "plásticos e demais sujeira" das margens do Ganges, para que as pessoas
possam ir até lá "e relaxar".
E assim elas fazem. Como os sacerdotes que sob uma sombrinha pintam símbolos religiosos, casais
sentados nas escadas para admirar o rio e vacas que vagam por ali, enquanto não deixam de arder as
piras funerárias daqueles que foram morrer em Varanasi para se libertar do ciclo das reencarnações.

51
23/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/poluicao-esta-matando-o-sagrado-rio-ganges-e-intoxica-os-devotos-hindus.ghtml

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ONG analisa 240 pontos de rios da Mata Atlântica e apenas 2,5% têm água com boa qualidade52
Um relatório elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica divulgado nesta quarta-feira (22/03) mostra
que a qualidade da água é considerada boa em apenas seis (2,5%) de 240 pontos analisados nas bacias
brasileiras situadas nesse bioma. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 22 de março como
o Dia Mundial da Água.
O documento traz o resultado de 1.607 análises da qualidade da água. São 73 municípios de 11
estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de
Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal.
Nenhum ponto monitorado apresentou a água com parâmetros necessários para ser considerada
ótima. Em 168 deles, 70% das regiões analisadas, a qualidade é regular. Em 63, ou 26,3%, é ruim. Três
pontos - 1,2% - têm o índice classificado como péssimo.

Critérios
As coletas foram feitas mensalmente no período de março de 2016 até fevereiro deste ano. São 16
critérios levados em consideração: temperatura da água, temperatura do ambiente, turbidez, espumas,
lixo flutuante, odor, material sedimentável, peixes, larvas e vermes vermelhos, larvas e vermes brancos,
coliformes totais, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial
hidrogeniônico (pH), fosfato (PO4) e nitrato (NO3).
Após a análise das amostras mensais em cada um dos pontos, foi feita a média dos resultados para
estabelecer o índice de qualidade.
“A principal causa da poluição dos rios monitorados é o despejo de esgoto doméstico junto a outras
fontes difusas de contaminação, que incluem a gestão inadequada dos resíduos sólidos, o uso de
defensivos e insumos agrícolas, o desmatamento e o uso desordenado do solo”, disse Malu Ribeiro,
coordenadora de Recursos Hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica.
De acordo com a fundação, em comparação com o ano anterior, 15 pontos apresentaram perda de
qualidade da água. Treze deles estão localizados em capitais e em bacias urbanas. Desses, oito estão
em São Paulo, na bacia hidrográfica do Rio Tietê; um na cidade do Rio de Janeiro, no Rio Pavuna; três
no Recife, no Rio Capibaribe; e três em João Pessoa, nos Rios Jaguaribe e Tambiá.

Fenômenos climáticos extremos prosseguirão em 2017, diz ONU53


Após um ano de 2016 com temperaturas em nível recorde no qual a banquisa (água do mar congelada)
no Ártico seguiu minguando e o nível do mar subindo, as Nações Unidas advertiram nesta terça-feira
(21/03) que os fenômenos climáticos extremos prosseguirão em 2017.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência especializada da ONU, publicou seu
relatório anual sobre o estado mundial do clima coincidindo com a jornada meteorológica mundial, que
será realizada em 23 de março.
"O relatório confirma que 2016 foi o ano mais quente já registrado. O aumento da temperatura em
relação à era pré-industrial alcançou 1,1ºC, ou seja, 0,06ºC mais que o recorde anterior de 2015", disse
o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em um comunicado.
Segundo a OMM, os fenômenos chamados extremos não apenas seguirão em 2017, mas os estudos
recentes "dão a entender que o aquecimento dos oceanos pode ser mais pronunciado do que se
acreditava".
Os dados provisórios dos quais a ONU dispõe revelam que o ritmo de crescimento da concentração
de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera não foi freado.
"Depois que o potente (fenômeno climático) El Niño de 2016 se dissipou, hoje assistimos a outras
alterações no mundo que não conseguimos elucidar, estamos ao limite de nossos conhecimentos
científicos sobre o clima", disse por sua vez o diretor do programa mundial de investigação sobre o clima,
David Carlson.
O fenômeno El Niño, que ocorre a cada quatro ou cinco anos com intensidade variável, provocou um
aumento da temperatura do Pacífico, desencadeando, por sua vez, secas e precipitações superiores à
média.
Em geral, este fenômeno chega ao seu ponto máximo no fim do ano, perto do Natal, daí seu nome,
em referência ao menino Jesus.
Por sua vez, o Ártico viveu ao menos três vezes neste inverno o equivalente polar de uma onda de
calor, segundo a OMM, que ressalta que em alguns dias a temperatura era próxima ao degelo.

52
22/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/ong-analisa-240-pontos-de-rios-da-mata-atlantica-e-apenas-25-tem-agua-com-boa-qualidade.ghtml
53
21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/fenomenos-climaticos-extremos-prosseguirao-em-2017-diz-onu.ghtml

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Segundo as conclusões dos pesquisadores, as mudanças no Ártico e o degelo da banquisa provocam
uma modificação geral da circulação oceânica e atmosférica que afeta, por sua vez, as condições
meteorológicas de outras regiões do mundo.
É o caso do Canadá e de grande parte dos Estados Unidos, que tiveram um clima suave pouco
habitual, enquanto na península arábica e no norte da África foram registradas no início de 2017
temperaturas anormalmente baixas.
Além disso, as temperaturas na superfície do mar foram em 2016 as mais altas já registradas e o
aumento do nível médio do mar prosseguiu, enquanto a superfície da banquisa no Ártico foi inferior à
normal durante grande parte do ano.

Mais de 100 pessoas morrem em 48h por causa da seca na Somália54


Cento e dez pessoas morreram no sul da Somália nas últimas 48 horas em consequência da seca,
anunciou o primeiro-ministro somali Hassan Ali Khaire.
Segundo ele, as vítimas também sofreram com diarreias severas provocadas pela água insalubre nas
regiões do sul da Somália. A maioria dos mortos é de crianças e idosos, segundo as autoridades.
A Somália decretou no final de fevereiro estado de catástrofe nacional pela seca que atinge o país e
ameaça a cerca de três milhões de pessoas.
A seca na Somália deixou 185 mil crianças em situação à beira da fome e nos próximos meses espera-
se que este número alcance 270 mil crianças, segundo o Unicef.

Trump anuncia saída dos EUA do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas55
Presidente prometeu negociar um retorno futuro ou fazer um novo acordo mais justo para os
americanos. Na campanha eleitoral, ele tinha prometido abandonar consenso da ONU nos primeiros 100
dias de governo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (1º) a saída de seu país
do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, mas prometeu negociar um retorno ou um novo acordo
climático em termos que considere mais justos para os americanos. Ele disse que o atual documento traz
desvantagens para os EUA para beneficiar outros países, e prometeu interromper a implementação de
tudo que for legalmente possível imediatamente.
"Para cumprir o meu dever solene de proteger os Estados Unidos e os seus cidadãos, os Estados
Unidos vão se retirar do acordo climático de Paris, mas iniciam as negociações para voltar a entrar no
acordo de Paris ou em uma transação inteiramente nova em termos justos para os Estados Unidos, suas
empresas, seus trabalhadores, suas pessoas, seus contribuintes ", disse Trump.
"Estamos saindo, mas vamos começar a negociar e veremos se podemos fazer um acordo justo. Se
pudermos, ótimo. Se não pudermos, tudo bem", disse. "Fui eleito para representar os cidadãos de
Pittsburgh, não Paris", completou.
Logo após o anúncio, no entanto, o prefeito de Pittsburgh, Bill Peduto, disse que irá "garantir que
seguiremos as diretrizes do Acordo de Paris para nosso povo, nossa economia e futuro."
Ao iniciar os procedimentos oficiais de retirada, respeitando a forma de saída prevista no acordo,
Trump desencadeia um longo processo que não será concluído até novembro de 2020 -- no mesmo mês
em que concorrerá à reeleição, garantindo que a questão se torne um grande tema de debate na próxima
campanha presidencial.
O acordo, assinado em dezembro de 2015 durante a cúpula da ONU sobre mudanças climáticas, COP
21, prevê que os países devem trabalhar para que o aquecimento fique muito abaixo de 2ºC, buscando
limitá-lo a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais.
A saída dos EUA, segundo maior produtor mundial de gás de efeito estufa, pode minar o acordo
internacional, o primeiro da história em que os 195 países da ONU se comprometem a reduzir suas
emissões.

Obama
O ex-presidente Barack Obama, que havia assinado o tratado em 2015, imediatamente reagiu ao
anúncio, dizendo que a administração Trump rejeita o futuro com essa retirada.
"Ainda que este governo tenha se unido a um pequeno grupo de países que ignoram o futuro, confio
nos nossos estados, empresas e cidades que darão um passo à frente e farão ainda mais para liderar o
caminho", disse.

54
05/03/2017. Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/mais-de-100-pessoas-morrem-em-48h-por-causa-da-seca-na-somalia.ghtml
55
G1. Trump anuncia saída dos EUA do acordo de Paris sobre mudanças climáticas. G1 Natureza. Disponível em: <http://g1.globo.com/natureza/noticia/trump-
anuncia-saida-dos-eua-do-acordo-de-paris-sobre-mudancas-climaticas.ghtml> Acesso em 02 de junho de 2017.

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Ao assinar em 2015, Washington tinha se comprometido a reduzir em 28% sua produção de gases de
efeito estufa, além de transferir cerca de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 9,6 bilhões) para países pobres
como forma de ajudá-los a lutar contra as mudanças climáticas.

Medida anunciada
Antes de ser eleito, Trump descreveu em várias ocasiões o aquecimento global como uma enganação
criada pela China para prejudicar as empresas americanas, e anunciou que iria “cancelar” o Acordo de
Paris nos primeiros 100 dias após sua posse.
Uma decisão necessária, segundo ele, para favorecer as empresas petrolíferas e produtores de carvão
dos EUA, e dessa forma garantir mais crescimento econômico e a criação de novos empregos. Depois
de tomar posse, Trump anunciou que teria estudado o acordo antes de tomar uma decisão sobre o
assunto.
O presidente norte-americano tem poderes suficientes para retirar os EUA do tratado. Isso porque o
texto foi denominado “acordo” para permitir que Barack Obama pudesse utilizar seus poderes
presidenciais para ratificá-lo sem pedir a permissão do Congresso, então controlado pelo Partido
Republicano, hostil a qualquer redução das emissões de poluentes. Por esse motivo, a delegação dos
EUA foi obrigada a negociar por muitas horas sobre essa complexa linguagem jurídica no dia da
assinatura do documento.

Veja os principais pontos do acordo do clima


Países devem trabalhar para que o aquecimento fique muito abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC
Países ricos devem garantir financiamento de US$ 100 bilhões por ano
Não há menção à porcentagem de corte de emissão de gases-estufa necessária
Texto não determina quando emissões precisam parar de subir
Acordo deve ser revisto a cada 5 anos
A decisão de Trump pode ter sérias consequências para o cumprimento das obrigações previstas pelo
tratado por parte de outros países e, mais em geral, sobre a condição climática do planeta, considerando
que o aquecimento global é um fenômeno que já está ocorrendo e que todos os anos perdidos na luta
contra esse fenômeno aumentam o risco de provocar efeitos irreversíveis sobre o clima.
Segundo levantamentos realizados por várias universidades e centros de pesquisa de diferentes
países do mundo, a saída dos EUA do Acordo de Paris acrescentaria 3 bilhões de toneladas de dióxido
de carbono (CO2) emitido por ano na atmosfera, aumentando a temperatura da Terra entre 0,1º e 0,3º C
até o final do século.

Apoio dividido
A decisão de Trump foi influenciada por uma carta assinada por 22 senadores republicanos, incluindo
o líder da bancada Mitch McConnell, que defendia a retirada dos EUA do tratado. Trump preferiu ignorar
a opinião de alguns dos seus assessores mais influentes, como a filha, Ivanka, o Secretário de Defesa,
James Mattis, e o Secretário de Estado Rex Tillerson, os quais defendiam que ele mantivesse os Estados
Unidos no acordo. Mattis em particular salientou como o Pentágono, o Ministério da Defesa dos EUA, já
está produzindo uma grande quantidade de pesquisas sobre o aumento do nível dos mares, a mudança
nas rotas marinhas para os navios de guerra por causa do derretimento das geleiras do Ártico e os efeitos
de secas ou de inundações sobre a segurança nacional americana.

ONU
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu oficialmente aos EUA para que não saíssem do
Acordo de Paris, sem obter nenhum resultado. Outros países, como Alemanha e França, expressaram
suas preocupações com a posição de Trump sobre o meio ambiente e mudanças climáticas. Até o Papa
Francisco tentou persuadir o presidente norte-americano em permanecer no acordo durante sua recente
visita no Vaticano, entregando-lhe uma cópia da encíclica “Laudato si'” que o Pontífice escreveu em 2015
sobre as complexas questões das mudanças climáticas. Os líderes do G7 criticaram a decisão de Trump
de deixar o tratado e os governos do Canadá, da China e a União Europeia já informaram que continuarão
a honrar seus compromissos com o Acordo de Paris mesmo se os EUA se retirarão.
A preocupação em nível global com a saída dos Estados Unidos é o efeito de emulação: outros países
poderiam ser influenciados a reduzir ou atenuar seus compromissos internacionais sobre a questão
climática ou até abandonar completamente o acordo.
A decisão de se retirar do acordo poderia sinalizar a intenção de Trump de cortar outras leis que limitam
a produção de gases poluentes nos EUA assinadas pelo seu antecessor Obama. Entretanto, a saída dos
EUA do Acordo de Paris não seria imediata. O processo poderá demorar até três anos, assim como

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estabelecido no próprio acordo, com diversas batalhas jurídicas e diplomáticas muito intensas, além do
grave desgaste de imagem internacional dos Estados Unidos.

O que é o Acordo de Paris


O Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas impõe aos países signatários conter o aquecimento
global em até 2º C em relação aos níveis pré-industriais, com o objetivo de não superar o 1,5º de aumento
da temperatura mundial até 2100.
Já hoje as temperaturas médias são de 1º acima dos níveis pré-industriais, uma mudança climática
ocorrida em larga parte nas últimas décadas. Com o acordo assinado em 2015 no final da Cúpula do
Clima de Paris (COP 21), 195 países signatários se comprometeram a reduzir suas emissões de gases
de efeito estufa. Entretanto, segundo muitos cientistas essas medidas seriam insuficientes para garantir
o respeito dos objetivos fixados e deveriam ser rapidamente atualizadas.
O Acordo de Paris foi assinado na cúpula anual da ONU sobre o clima COP 21, a vigésima-primeira
cúpula das Nações Unidas sobre o tema.
Segundo o próprio acordo, os países signatários não podem abandoná-lo antes de três anos, além de
um quarto ano para que o procedimento seja completado. Ou seja, Trump não poderia se livrar dos
vínculos legais do texto antes de 2020, sem cometer uma violação do direito internacional.
Uma alternativa para os EUA poderia ser aquela de abandonar completamente a Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) (a que organiza as cúpulas da COP), que
Trump criticou fortemente em diversas ocasiões no passado. Uma última opção poderia ser uma
renegociação dos objetivos de corte das emissões, obrigando todavia Washington a uma longa e difícil
negociação com os outros países.

Fenda faz 'curva' e torna iminente descolamento de iceberg gigantesco da Antártica56


Faltam apenas 13 km para bloco de gelo do tamanho do Distrito Federal se desprenda completamente,
afirmam cientistas.
A enorme rachadura na plataforma de gelo Larsen C, na Antártica, que pode gerar um dos dez maiores
icebergs do mundo, mudou radicalmente de direção.
"A fenda avançou por mais 16 km, com uma aparente e significativa curva à direita perto do final.
Agora, só faltam 13 km para que o iceberg se desprenda completamente", diz à BBC Adrian Luckman,
professor da Universidade de Swansea, no Reino Unido.
Ele acrescenta que a fissura pode estar "muito próxima".
Mas Luckman ressalva que nada ainda é totalmente certo.
Os dados mais recentes foram colhidos entre 25 e 31 de maio pelos satélites Sentinel-1 da União
Europeia.
Os registros foram feitos com a ajuda de radares por causa do início do rigoroso inverno, quando a
Antártica permanece praticamente no escuro.
Depois de ter avançado em dezembro, o ritmo de aumento estacionou depois que a fenda entrou na
chamada zona de "sutura", uma região de gelo flexível e mole.
Mas o cenário mudou no início do mês passado, quando a ponta da rachadura bifurcou, e a nova ponta
mudou de direção rumo ao oceano.
Quando o iceberg se desprender, o enorme bloco deve se afastar gradualmente da plataforma de gelo.
"Isso não deve acontecer rapidamente porque o Mar de Wedell é repleto de gelo, mas tenho certeza
de que será mais rápido do que todo o processo de ruptura dos últimos meses. Tudo dependerá das
correntes e dos ventos", explica Luckman.
O bloco de gelo que ameaça se desprender tem 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol
ou à área do Distrito Federal).
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártica. As plataformas de gelo são as porções
da Antártica onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Segundo cientistas, o descolamento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a
uma ruptura futura.
A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta oeste da Antártica, impedindo a
dissipação do gelo.
Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C há muitos anos. Recentemente,
porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de rupturas das plataformas de gelo
Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
56
BBC. Fenda faz ‘curva’ e torna iminente descolamento de iceberg gigantesco na Antártica. G1, Natureza. Disponível em:
<http://g1.globo.com/natureza/noticia/fenda-faz-curva-e-torna-iminente-descolamento-de-iceberg-gigantesco-da-antartida.ghtml> Acesso em 11 de julho de 2017.

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Mas, em dezembro, o ritmo aumentou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas
semanas.

Aquecimento global
Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por
décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não
têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, os cientistas permanecem preocupados sobre o impacto do descolamento desse iceberg
do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito
semelhante.
Como vai flutuar sob temperatura constante, o iceberg não aumentará o nível dos mares.
Mas novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que se desprenderiam em
direção ao oceano. Uma vez que esse gelo derrete, afeta o nível dos mares.
Segundo estimativas, se todo o gelo da Larsen C derreter, o nível dos mares aumentaria cerca de 10
cm.
Há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártica.

Justiça Federal suspende ação criminal que tornou acusados réus por homicídio no desastre
de Mariana57
Samarco, Vale, BHP Billiton, VogBR e 22 pessoas são rés na ação. Decisão foi dada após pedido de
anulação feito por advogado de dois réus, que alega ilegalidade em escutas telefônicas.
A Justiça Federal em Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais, suspendeu o processo criminal
que tornou rés 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR por causa do desastre
com a barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. A reportagem teve acesso à decisão,
que data de 4 de julho deste ano. A defesa do diretor-presidente licenciado da Samarco, Ricardo Vescovi,
e do diretor-geral de operações, Kleber Terra, alegou que escutas telefônicas usadas no processo foram
feitas de forma ilícita.
O despacho é assinado pelo juiz Jacques de Queiroz Ferreira. Os advogados de Ricardo Vescovi e
Kleber Terra pediram a anulação do processo, alegando que a quebra de sigilo telefônico ultrapassou
período judicialmente autorizado e que as conversas foram analisadas pela Polícia Federal e usadas pelo
Ministério Público Federal (MPF) na denúncia.
A pedido do MPF, companhias telefônicas foram oficiadas pela Justiça sobre o esclarecimento das
informações e o processo fica suspenso até que elas entreguem os dados solicitados. No pedido, o MPF
também se manifestou pela não interrupção do processo, o que não foi atendido pelo juiz.
Ainda conforme a Justiça, os advogados também afirmaram que houve desrespeito à privacidade dos
acusados porque dados fora do período requisitado – contudo informados pela própria Samarco – foram
analisados e considerados na denúncia.
“Acresceram que outra nulidade ocorreu quando da determinação dirigida à Samarco para que
apresentasse cópias das mensagens instantâneas (chats) e dos e-mails enviados e recebidos entre
01/10/2015 e 30/11/2015, visto que a empresa forneceu dados não requisitados, relativos aos anos de
2011, 2012, 2013 e 2014, que, da mesma forma, foram objeto de análise policial e consideradas na
denúncia, desrespeitando a privacidade dos acusados”, explica trecho da decisão.
O magistrado afirmou que a defesa dos réus levantou “duas graves questões que podem implicar na
anulação do processo desde o início” e determinou a suspensão do processo até a decisão sobre as duas
alegações.
Procurado pelo G1, o MPF contestou as alegações da defesa dos dois réus, afirmando que as
interceptações usadas na denúncia estão dentro do prazo legal.
“As interceptações indicadas pela defesa como supostamente ilegais sequer foram utilizadas na
denúncia, por isso, não teriam a condição de causar nulidade no processo penal”, informou o órgão em
nota.
Por telefone, o advogado Paulo Freitas, que representa Vescovi e Terra, reforçou que considera as
interceptações telefônicas ilegais.
O G1 entrou em contato com a Polícia Federal para saber sobre o período da quebra de sigilo
telefônico, mas a corporação respondeu apenas que ainda não foi informada oficialmente da suspensão
pela Justiça.

57
ZUBA, F. CRISTINI, F. ÂNGELO, P. Justiça Federal suspende ação criminal que tornou acusados réus por homicídio no desastre de Mariana. G1 Minas
Gerais. Disponível em: < http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/noticia/justica-federal-suspende-acao-criminal-que-tornou-acusados-
reus-por-homicidio-no-desastre-de-mariana.ghtml> Acesso em 08 de agosto de 2017.

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A Samarco, a Vale, a BHP e a VogBR disseram que não vão se pronunciar.

Desastre ambiental de Mariana


A barragem se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, em
Mariana, e atingindo várias outras localidades. Os rejeitos também atingiram mais de 40 cidades do Leste
de Minas Gerais e do Espírito Santo. O desastre ambiental, considerado o maior e sem precedentes no
Brasil, deixou 19 mortos. Um corpo nunca foi encontrado.
No dia 18 de novembro de 2016, a Justiça Federal aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público
Federal (MPF) contra 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR pelo rompimento
da barragem e eles se tornam réus por crimes ambientais e por homicídios.
Dentre as denúncias, 21 pessoas são acusadas de homicídio qualificado com dolo eventual - quando
se assume o risco de matar. Eles ainda respondem por crimes de inundação, desabamento, lesão
corporal e crimes ambientais. A Samarco, a Vale e a BHP são acusadas de nove crimes ambientais. A
VogBR e um engenheiro respondem pelo crime de apresentação de laudo ambiental falso.
Segundo o MPF, os acusados podem ir a júri popular e, se condenados, terem penas de prisão de até
54 anos, além de pagamento de multa, de reparação dos danos ao meio ambiente e daqueles causados
às vítimas.
A procuradoria pediu a qualificação do homicídio por motivo torpe, justificando ganância da empresa
e impossibilidade de defesa por parte das vítimas. "Em relação ao motivo torpe, o MPF trouxe indícios de
que a obtenção de rápidos lucros, sem que se atentasse devidamente para as condições da barragem,
pode ter contribuído para o ocorrido", descreveu o juiz Jacques de Queiroz Ferreira na decisão.
Em março deste ano, a 12ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais homologou em parte o acordo
preliminar firmado entre Ministério Público Federal (MPF) e as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton,
permitindo que instituições independentes façam um diagnóstico dos danos socioambientais causados
pelo rompimento da barragem de Fundão.
O juiz Mário de Paula Franco Júnior também aceitou a disponibilização de R$ 2,2 bilhões como garantia
para cumprimento das obrigações de custeio das análises e financiamento dos programas de reparação
ao meio ambiente e aos moradores atingidos. Desta quantia, R$ 100 milhões serão em aplicações
financeiras, R$ 1,3 bilhão em seguro garantia e R$ 800 milhões em ativos da Samarco.
Em julho deste ano, a Justiça Federal suspendeu o processo ambiental por causa da prorrogação,
para 30 de outubro, do prazo para que a Samarco e suas donas, a Vale e a BHP Billiton, cheguem a um
acordo com a União e o MPF em relação às medidas que serão tomadas como indenização pelo desastre
ambiental.

Governo recua e suspende permissão para exploração mineral em área de reserva58


Decisão não revoga decreto assinado por Temer; apesar da suspensão, governo dá sinais de que não
vai desistir de levar projetos da área de mineração para a região
BRASÍLIA - Após a polêmica envolvendo a extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados
(Renca), o governo recuou e determinou a paralisação de todos os procedimentos relativos à atividade
de mineradoras na área localizada entre o Pará e o Amapá. Na prática, a decisão não revoga o decreto
assinado pelo presidente Michel Temer, mas suspende, por ora, a permissão para que a exploração
mineral avance sobre a região amazônica.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, 31, o Ministério de Minas e Energia afirma que a decisão foi
tomada pelo ministro Fernando Coelho Filho após consultar Temer, que está em viagem à China. “A partir
de agora o ministério dará início a um amplo debate com a sociedade sobre as alternativas para a
proteção da região. Inclusive propondo medidas de curto prazo que coíbam atividades ilegais em curso”,
diz o texto.
Esse foi o primeiro recuo do governo em relação ao tema. No início da semana, o Palácio do Planalto
tentou criar uma cortina de fumaça reeditando o decreto, mas não mudou efetivamente nada do texto. O
debate sobre a Renca tem sido prejudicado por uma série de informações equivocadas, como o que dava
a ideia de que as reservas ambientais da região seriam o alvo da mineração, quando isso já é proibido
por lei e não era alvo do decreto inicial.
A pasta, no entanto, reconhece que a decisão foi tomada após as “legítimas manifestações da
sociedade e a necessidade de esclarecer e discutir as condições que levaram à decisão de extinção da
Renca”.

58
PERON, I. BORGES, A. Governo recua e suspende permissão para exploração mineral em área de reserva. Estadão, Sustentabilidade. Disponível em:
<http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,governo-recua-e-suspende-permissao-para-exploracao-mineral-em-area-de-reserva,70001959953> Acesso
em 01 de setembro de 2017.

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Segundo a nota, em 120 dias, o ministério vai apresentar ao governo e à sociedade as conclusões do
debate e as “eventuais medidas de promoção do seu desenvolvimento sustentável” para a região.
Apesar da suspensão, o governo dá sinais de que não vai desistir de levar projetos da área de
mineração para a região.
Diante dessa sinalização, entidades da sociedade civil continuam pressionando para que o decreto
seja completamente revogado. Além dos protestos, a questão foi judicializada. Na quarta-feira, 30, o juiz
federal Rolando Spanholo, da 21ª Vara do Distrito Federal, suspendeu o decreto que extinguia a Renca.
O PSOL também entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal, pedindo que a Corte reconheça a
ilegalidade do decreto de Temer.
A Renca foi criada em 1984, durante o regime militar, e possui uma área de 46.450 km² - tamanho
equivalente ao do Espírito Santo -, na divisa entre Pará e Amapá. A região possui reservas minerais de
ouro, ferro e cobre.

Educação

Câmara arquiva PEC que permitiria cobrança por cursos em universidades públicas59
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 395/14, que permitiria às universidades cobrarem por
cursos de pós-graduação lato sensu (especialização), de extensão e de mestrado profissional foi
arquivada. Eram necessários 308 votos para a aprovação da matéria em segundo turno na Câmara dos
Deputados, mas 304 parlamentares se posicionaram a favor e 139, contra.
O texto já havia passado pela Câmara em primeiro turno e alterava o Artigo 206 da Constituição
Federal, que determina a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Na ocasião, os
parlamentares aprovaram um substitutivo do deputado Cléber Verde (PRB-MA), que alterou a proposta
inicial para incluir o mestrado profissional como passível de cobrança. O tema foi o principal ponto de
polêmica entre os deputados. Parte da base aliada defendeu a medida, e a oposição contestou os
argumentos dos governistas, alegando que a proposta poderia levar à privatização do ensino público.
Antes da rejeição da PEC, Celso Pansera (PMDB-RJ) negou a intenção de privatizar o ensino público.
Para o deputado, a iniciativa iria suprir uma demanda do mercado por cursos de especialização. “A
modernização do sistema produtivo cria demandas pontuais por cursos de pós-graduação lato sensu (em
sentido amplo). As universidades públicas têm quadros preparados para prestar esse serviço ao futuro
do país e não conseguem porque a legislação não permite”, sustentou.
O líder do PSOL, Glauber Braga (RJ), disse que a cobrança de mensalidades flexibiliza o direito à
educação assegurado na Constituição e que a medida poderia acabar sendo estendida para outras
etapas de ensino. “Onde a gente vai parar? Primeiro é a vírgula da pós-graduação, depois a graduação
e depois a educação básica”, afirmou.

Especialistas temem queda de concursos públicos na educação após terceirização60


A sanção do projeto de lei que libera a terceirização para todas as atividades de empresas poderá, na
avaliação de especialistas, levar à redução de concursos públicos na área da educação e fortalecer a
administração de escolas por Organizações Sociais (OS), que poderão também cuidar da contratação de
professores. A questão gera polêmica entre sindicatos, que temem uma desvalorização dos docentes, e
desperta discussões jurídicas sobre a viabilidade desse tipo de contratação.
Aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados, o projeto, que aguarda sanção
presidencial, prevê a contratação terceirizada de trabalhadores sem restrições em empresas privadas e
na administração pública. O empresariado apoia a medida e por entender que poderá ajudar na
recuperação do emprego no país. O diretor do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF),
Cleber Soares, no entanto, teme que a medida tenha impacto negativo na educação com a redução de
investimento e precarização do trabalho.
“O trabalhador passa a ser descartável. O reflexo, em um primeiro momento, é que o professor vai
trabalhar muito, mas não se sabe quanto tempo conseguirá manter o ritmo. Vai adoecer e vai acabar
sendo demitido. E vai sair sem nenhum amparo”, diz Soares.
A situação do magistério no Brasil é frágil, sobretudo na educação básica: o professor brasileiro recebe
menos que a média mundial, e as avaliações mostram, ano a ano, que a qualidade do ensino precisa
melhorar para garantir a aprendizagem. A rotina de trabalho dos professores, em muitos locais do país,
é estafante. Dados da última edição da Prova Brasil, em 2015, mostram que a maioria dos professores
trabalha 40 horas ou mais (66%) e que 40% deles lecionam em duas ou mais escolas. Pelo menos um

59
29/03/2017 – Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-03/camara-arquiva-pec-que-permitira-cobranca-por-cursos-em-universidades
60
27/03/2017 – Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-03/especialistas-temem-reducao-de-concursos-na-educacao-apos-lei-da

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terço (34%) tinha remuneração básica abaixo do que é determinado pela Lei do Piso (Lei 11.738/2008)
para aquele ano, que era de R$ 1.917,78.
Para o professor Remi Castioni, da Universidade de Brasília (UnB), especialista em políticas públicas
em educação, a terceirização deverá ocorrer nas escolas por meio da parceria com as chamadas OSs,
algo que não é novo no setor. Essa possibilidade foi estabelecido na Emenda 20/1995, julgada
constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado. Segundo o professor, com a
emenda, o projeto aprovado semana passada pouco deverá mudar o cenário público juridicamente.
Ele afirma, porém, que, em um cenário de crise econômica, municípios e estados podem acabar
recorrendo às OSs ou à terceirização por questões financeiras, por já terem atingido os limites da Lei de
Responsabilidade Fiscal e por não poderem abrir concursos. “Diminui-se o comprometimento com
pessoal e recorre-se a pessoas jurídicas para continuar ofertando o serviço. Estados e municípios vão
lançar mão disso. É muito mais por necessidade de diminuir [gastos] e não sofrer sanções por parte do
Tesouro. Acaba sendo melhor terceirizar ou contratar OSs.”
Recentemente, o governo de Goiás propôs um sistema de administração de escolas por OSs. O
anúncio da medida gerou uma onda de ocupações e manifestações de professores e estudantes. As OSs
são entidades privadas, sem fins lucrativos. Neste modelo, os repasses públicos passam a ser feitos às
entidades que são responsáveis pela manutenção das escolas e pela garantia do bom desempenho dos
estudantes nas avaliações feitas pelo estado. As OSs também ficam responsáveis pela contratação de
professores e funcionários.

Escolas
A diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, diz que o setor
privado ainda analisa juridicamente o que pode ocorrer com a nova medida. Ela ressalta, no entanto, que
deve haver um cuidado grande na hora de contratar profissionais terceirizados. “As escolas têm
resistência a contratar funcionários terceirizados, vão ter também com professores”, diz. Segundo
Amábile, na educação básica, há resistência à terceirização exatamente pela importância do contato dos
funcionários com os alunos. "É importante que porteiros, faxineiros conheçam os estudantes, as famílias.”

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Idilvan Alencar, defende


também o vínculo do professor. “Pela natureza das escolas públicas, é muito importante o vínculo efetivo
dos professores para que seja possível o contínuo processo de formação em serviço, motivação para
atuar em todo o território nacional entre outros fatores que tornam o fortalecimento da carreira de docente
estratégica para garantir uma educação de qualidade.”

Legislação
Para a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Direito Rio Juliana Bracks, o texto aprovado
pela Câmara ainda precisará de esclarecimentos para que seja possível avaliar o real impacto da medida
na educação. Juliana lembra que, caso uma escola privada queira terceirizar professores terá que
obedecer a algumas regras. Se o professor for cobrado em relação ao cumprimento de horários ou outros
comportamentos, isso configurará uma relação direta. Ele poderá então recorrer à Justiça trabalhista. “A
partir do momento que o contratado trata com contratante com horário, por exemplo, acabou, o professor
passa a ter vínculo direto.”
A questão muda no setor público, uma vez que não há relação direta entre o trabalhador e o ente
federado. “Teremos um problema grave se os entes públicos saírem terceirizando a torto e a direito em
vez de fazer concurso público. Não posso substituir a força de trabalho por concurso e terceirizar, criando
uma relação mais leve e isenta de algumas responsabilidades”, diz.
De acordo com Juliana, a situação se agravará, caso seja aprovado pelo STF, o Recurso Extraordinário
760.931, que discute a responsabilidade subsidiária da administração pública por encargos trabalhistas
gerados pelo inadimplemento de empresa terceirizada. O recurso chegou a ser votado e houve empate.
O desempate caberá ao ministro recém-empossado Alexandre de Moraes. “Se a terceirizada quebrar e
sequer o Estado tiver responsabilidade, os trabalhadores estarão abandonados”, enfatiza Juliana.

Empresários e governo
Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a aprovação do projeto flexibiliza as regras para
terceirização de mão de obra e vai facilitar a contratação de trabalhadores. “Ajuda muito porque facilita
a contratação de mão de obra temporária, facilita a expansão do emprego. Empresas resistem à
possibilidade de aumentar o emprego devido a alguns aspectos de rigidez das leis trabalhistas”, disse no
último dia 21.

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Após a aprovação do projeto pelos deputados, vários setores da economia manifestaram-se a favor
da terceirização. De acordo com os empresários, a contratação de trabalhadores terceirizados, inclusive
na atividade-fim, permitirá aumento da competitividade e geração de emprego.

Governo quer que escolas exijam caderneta de vacinação de alunos61


A caderneta de vacinação poderá ser um item obrigatório para matrícula de estudantes nas escolas.
A medida, anunciada hoje (15/03), faz parte da colaboração entre os ministérios da Saúde e da Educação.
"Temos uma legislação que diz que poderá ser exigida a carteira de vacinação [pelas escolas]. Queremos
transformar esse 'poderá' em algo concreto", disse o secretário de Educação Básica do Ministério da
Educação (MEC), Rossieli Silva.
A parceria entre as pastas é permanente no âmbito do Programa Saúde na Escola. O governo quer,
em abril, atualizar essa parceria por meio de portaria para dar mais ênfase a medidas como a
obrigatoriedade da caderneta de vacinação. O documento poderá ser solicitado ainda este ano e nas
matrículas a partir do ano que vem.
A intenção é uma maior colaboração entre os setores da saúde e da educação. "[As escolas] poderão
explicar a importância disso para as famílias, explicar o calendário de vacinação. Às vezes, a família pode
não entender em que momento se deve dar essa vacina. É o papel proativo da educação", afirmou o
secretário.
Com as informações em mãos, as escolas e as secretarias municipais e estaduais poderão orientar as
famílias a buscar os postos de vacinação ou mesmo articular ações para vacinar um maior número de
estudantes.
O secretário ressaltou que o objetivo é orientar famílias e estudantes. Caso o estudante não tenha a
caderneta ou esteja desatualizada, ele não sofrerá nenhum tipo de punição. "Não é uma exigência que
impede a criança de participar, é um mecanismo de participação das escolas e dos sistemas no aumento
da eficácia da imunização do Brasil."

Vacinação nas escolas


A medida foi discutida em entrevista coletiva conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde,
quando foi anunciada a vacinação contra o HPV e a meningite C nas escolas este ano. Serão distribuídas
10,5 milhões de doses contra o HPV para vacinar 8,3 milhões de meninas e meninos. Já o público-alvo
da vacina contra meningite C é formado por 7,2 milhões de adolescentes de 12 e 13 anos.

Mudanças no Enem dividem opiniões62


As mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dividiram opiniões, e o assunto chegou aos
tópicos mais comentados nas redes sociais hoje (09/03). As provas deste ano serão aplicadas em dois
domingos seguidos, nos dias 5 e 12 de novembro, e não mais em um único fim de semana. Além disso,
na edição deste ano, a prova de redação será no primeiro dia, junto com as questões de linguagens e
ciências humanas. O segundo dia de aplicação será das exatas, com matemática e ciências da natureza.
As mudanças foram feitas com base em consulta pública realizada pelo Ministério da Educação (MEC).
Cerca de 600 mil pessoas participaram da consulta, que ficou disponível no período de 18 de janeiro a 17
de fevereiro. Dentre os participantes, 42,3% disseram preferir a prova em dois domingos seguidos; 34,1%,
no domingo e na segunda-feira - sendo segunda feriado; e, 23,6% optaram pela manutenção do formato
até então vigente, aplicação em um final de semana, no sábado e no domingo.
Adventista, Amanda Pereira, de 18 anos, gostou da alteração. Por causa da religião, até o ano
passado, os sabatistas, pessoas que guardam o sábado, passavam a tarde toda do primeiro dia de prova
em uma sala até que o sol se pusesse para, então, fazer o Enem à noite. Amanda fez o exame em 2014
e prometeu para si mesma que não repetiria a experiência.
A alteração trouxe, no entanto, desvantagens para quem pretendia fazer a prova em outra cidade. A
estudante Maya Carvalho, de 18 anos, mora em São Paulo, mas grande parte da família está em Brasília.
No ano passado, ela fez a prova na capital federal. Agora, viajar dois fins de semana seguidos será
inviável. "Prefiro ficar perto da família por conta do apoio, meu pai vai comigo até a porta da sala para me
abraçar. Agora, vai ficar difícil porque terei aula na semana de intervalo entre as provas."
Sobre a aplicação em dois domingos, Maya teme prejuízo para os alunos. "Eu acho meio estranho
porque, ao mesmo tempo em que há a ideia de que é possível se recuperar para a próxima prova com
mais tranquilidade, pode-se também perder o foco dos estudos."

61
15/03/2017 – Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-03/governo-quer-caderneta-de-vacinacao-obrigatoria-nas-escolas
62
09/03/2017 – Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-03/mudancas-no-enem-dividem-opinioes

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Dicas
O professor de português Marcelo Freire, do Colégio Único, em Brasília, estava em sala de aula
quando as mudanças foram anunciadas. Ele aproveitou para discutir as alterações com os alunos. "Eles
estão muito divididos", disse Freire.
Segundo Freire, a aplicação em dois domingos tem prós e contras, mas, no geral, deverá beneficiar
os estudantes. "Tem-se um dia de desgaste e, depois, uma semana para a próxima aplicação. Não tem
mais essa questão de domingo estar esgotado após um sábado de prova. O estudante poderá se
organizar e fazer a prova com mais tranquilidade no próximo domingo."
Freire também elogiou a nova distribuição das provas. No primeiro dia, o foco será em humanidades
e redação e, no segundo, em exatas. Até o ano passado, os estudantes faziam, no primeiro dia, as provas
de ciências da natureza e ciências humanas. No segundo, as provas de matemática, linguagens e
redação.
"A aplicação das provas de redação e matemática no mesmo dia sempre gerou problemas com o
tempo. As questões de matemática exigem tempo, e a redação, também. A mudança é positiva nesse
sentido. Vai ter mais leitura no primeiro dia, vai, mas tem a vantagem de não ter cálculo. No segundo dia
aumenta cálculo? Aumenta, mas o estudante não terá que fazer a redação", pondera.
Segundo o professor, os estudantes terão que mudar também a preparação. "O bom aluno é treinado
para fazer questões casadas. No ano passado, fazia questões de matemática e português, porque as
provas eram juntas, agora terá que treinar fazer questões de humanidades juntas e de exatas juntas".
Sobre a semana de intervalo entre as provas, Freire aconselha que ela não seja usada para o descanso,
mas para a revisão das disciplinas de exatas. "Descanso para o estudante, só quando passar na
universidade."

Uerj suspende ano letivo de 2017 por tempo indeterminado, devido à crise63
RIO - A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) decidiu que não voltará às aulas nesta terça-
feira, dia 1º de agosto, como estava previsto. De acordo com o reitor Ruy Garcia Marques, a decisão foi
tomada pelo conselho de diretores da universidade, devido aos atrasos nos salários dos funcionários e
nos pagamentos das bolsas para estudantes. Com a suspensão das atividades, não há previsão para
iniciar o primeiro semestre letivo de 2017.
Segundo Ruy Garcia Marques, a Uerj consultou mais de 50 empresas, mas nenhuma delas quis
participar da seleção para assumir o restaurante da universidade, pois teme ficar sem pagamento do
governo estadual.
Inicialmente, a Uerj comprimiria dois semestres em apenas sete meses, que seriam ministrados entre
agosto de 2017 e fevereiro de 2018. A medida era para ajustar o calendário e não precisaria mais dar
aulas durante os períodos de férias — isso, claro, se não houvesse mais nenhuma interrupção no serviço.

Leia a nota da instituição na íntegra:


“A Reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ouvido o Fórum de Diretores das Unidades
Acadêmicas, reunido em 31 de julho de 2017, vem informar que, a despeito das reiteradas manifestações
públicas em relação às precárias condições de funcionamento da Universidade, não houve qualquer
progresso das negociações com o governo do estado do Rio de Janeiro nas últimas semanas.
As condições de manutenção da universidade degradam-se cada vez mais com o não pagamento das
empresas terceirizadas, contratadas por meio de licitação pública: limpeza, vigilância e coleta de lixo
estão restritas, além de o Restaurante Universitário permanecer fechado.
Somam-se a isso os atrasos salariais dos servidores técnico-administrativos e docentes da
universidade (meses de maio, junho e – já nos próximos dias – julho, bem como o não pagamento do
décimo-terceiro salário do ano de 2016), os atrasos no pagamento de diversas bolsas, de docentes e
alunos, incluindo os cotistas, estes últimos especialmente punidos pela impossibilidade de deslocamento
à universidade ou de condições mínimas para prover a própria subsistência.
O atraso salarial, cada vez maior, gera endividamento crescente, insegurança, angústia e situações
de estresse incontroláveis, maximizadas naqueles que se veem impedidos até da simples compra de
medicamentos para manutenção básica da saúde.
No primeiro semestre de 2017, em consideração aos nossos estudantes e à população fluminense,
trabalhamos enfrentando todas essas adversidades que, a cada dia, se acentuam. Reconhecemos que,
neste momento, não podemos mais aceitar tal sacrifício de nossos servidores e de suas famílias.

63
O GLOBO. UERJ suspende o ano letivo de 2017 por tempo indeterminado, devido à crise. Extra. Disponível em: < https://extra.globo.com/noticias/rio/uerj-
suspende-ano-letivo-de-2017-por-tempo-indeterminado-devido-crise-21653236.html?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=Extra> Acesso em
01 de agosto de 2017.

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Atingimos um patamar insuportável que impede a universidade de bem exercer suas funções de
ensino, pesquisa e extensão. Também o nosso Hospital Universitário Pedro Ernesto padece do mesmo
problema e funciona com limitações quase impeditivas, diminuindo amplamente o atendimento à
população.
Tal situação nos avilta, ainda mais, pela atitude discriminativa adotada pelo governo do estado do Rio
de Janeiro, ao manter em dia, sem parcelamentos ou atrasos, os salários de muitos outros setores do
funcionalismo.
Todo o quadro acima mencionado nos impõe a decisão de não dar início ao semestre letivo no dia 1o
de agosto, conforme anteriormente previsto no calendário acadêmico. À medida que surjam novos fatos,
voltaremos a nos manifestar acerca do início das aulas.
Adiar o início das aulas não é parar a UERJ! Nossa universidade permanece ABERTA e VIVA!

Reitoria da UERJ”

Energia

Perda com “gatos” na rede elétrica chega a R$ 8 bi64


Todos os dias, um volume de energia suficiente para iluminar todo o Estado de Santa Catarina e seus
7 milhões de habitantes é roubado da geração elétrica nacional. São mais de 15 milhões de megawatts
de energia que, por hora, escorrem pelos cabos das ligações clandestinas, os famosos “gatos”, que só
em 2015 geraram prejuízo superior a R$ 8 bilhões.
Os dados apurados por novo estudo do Instituto Acende Brasil, especializado no setor elétrico, expõem
o tamanho do rombo financeiro que, no fim das contas, acaba sendo cobrado dos consumidores que
mantém suas contas e instalações em ordem. Isso ocorre porque as distribuidoras trabalham com
margem de preço suficiente para arcar com as diferenças entre a energia que compram das usinas
geradoras e aquela que efetivamente faturam para seus usuários. Caso contrário, correriam risco de ir à
bancarrota.
Na média, o roubo elétrico suga diariamente 5% da produção nacional de energia. A diluição, golpe
dado por milhões de instalações clandestinas, ajuda a ofuscar o tamanho do estrago. Os R$ 8 bilhões
furtados em 2015 e que não chamam a atenção da população superam, com folga, os R$ 6,2 bilhões que
a Petrobrás teve de declarar em baixas contábeis no mesmo ano, por conta da corrupção escancarada
pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
“Há um problema moral nisso tudo. A sociedade acaba tolerando uma situação dessas como se fosse
natural, porque se trata do que se costuma chamar de pequeno furto. Mas quando observamos a
dimensão do problema que é produzido, encaramos como a realidade do setor é assustadora”, diz Claudio
Sales, presidente do Acende Brasil.

Calote
Aos golpes, soma-se o peso da inadimplência. Clientes que somam mais de dois anos de atrasos no
pagamento da conta de luz geram prejuízo de mais R$ 3 bilhões por ano. Somados com os gatos, chega-
se a um rombo de R$ 11 bilhões.
As distribuidoras da região Norte do País concentram o maior número de fraudes. A Amazonas Energia
(AME), controlada pela estatal Eletrobrás, vê regularmente 32,5% da energia que lança pelas linhas de
transmissão do Estado ser consumida por instalações ilegais. Na Companhia de Eletricidade do Amapá
(CEA), esse volume foi de 28,1% em 2015.
O baque mais agressivo das fraudes é sentido pelo Rio de Janeiro. A Light, uma das maiores
distribuidoras do País, entrega energia para 4,2 milhões de clientes. Outras 1,75 milhão de unidades de
consumo, porém, (sejam consumidores formais da empresa ou não) roubam energia diariamente dos
postes cariocas. Na Baixada Fluminense, conforme números da própria empresa, 40% da carga são
desviadas por golpes. As fraudes consomem ainda 30% do que chega até as zonas Norte e Oeste do
Rio.
Do total da energia distribuída na área de concessão da empresa, 23,4% é furtada, o equivalente aos
6 mil megawatts consumidos por todas as residências do Espírito Santo. Nos cálculos da Light, se todos
esses furtos fossem eliminados, a tarifa de energia no Rio cairia 17%.
As maracutaias têm sobrecarregado as distribuidoras do Rio e, segundo a Light, provocado
interrupções no fornecimento. “Entre os dias 22 e 31 de janeiro a Light atendeu 30 mil chamados em
razão de interrupções”, declara a empresa. Apesar de o maior número de ligações irregulares ser nas

64
26/03/2017 – Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/perda-com-gatos-na-rede-eletrica-chega-a-r-8-bi/

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favelas, é nas mansões e nos bairros nobres do Rio que ocorrem os maiores assaltos elétricos. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mundo tem queda drástica de novas usinas a carvão (o que é ótimo)65


O boom das fontes de energia renovável nos últimos anos tem transformado o setor elétrico mundial
radicalmente. Mas os investimentos verdes não são os únicos responsáveis por esse processo. Um forte
movimento de “desinvestimento” nas fontes poluidoras mais tradicionais também contribui para a
transição energética.
Só no ano passado, o número total de centrais de energia a carvão em desenvolvimento despencou
em todo o mundo, com um declínio de 48% na atividade de pré-construção e um declínio de 62% em
novos projetos.
Os dados são de um relatório lançado nesta semana pela Ong ambientalista Greenpeace, Sierra Club
e CoalSwarm. Segundo o estudo, a queda drástica em 2016 está associada às mudanças nas políticas
energéticas em países como China e Índia, altamente dependentes dessa fonte poluente.
Houve uma dramática restrição a novos projetos de usinas de carvão pelas autoridades centrais
chinesas e uma redução financeira por parte de apoiadores de usinas a carvão na Índia. Só nos dois
países, mais de 100 projetos estão congelados.
Além do declínio no desenvolvimento de novos projetos, a pesquisa também aponta que um recorde
de 64 gigawatts de usinas de carvão foram desativados nos últimos dois anos, principalmente na União
Europeia e nos EUA, o equivalente a quase 120 grandes unidades geradoras.
De acordo com o relatório, a combinação da desaceleração no planejamento e construção de novas
usinas e o aumento expressivo no número de fechamentos de unidades obsoletas traz uma esperança:
de que seria possível manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-
industriais, e evitar os piores efeitos das mudanças climáticas, desde que os países continuem a acelerar
a ação.
Alguns países, no entanto, não conseguiram desenvolver seus setores de energia renovável em
sintonia com a tendência mundial e continuam a construir e planejar novas usinas de carvão altamente
poluentes. É o caso do Japão, Coréia do Sul, Indonésia, Vietnã e Turquia.

Setor energético poderia reduzir emissões em 70% até 205066


As emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) relacionadas ao setor de energia poderiam ser
reduzidas em 70% até 2050, e completamente eliminadas até 2060.
É o que aponta o novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em
inglês) divulgado nesta semana durante a reunião do G20 em Berlim.
Para que uma transição dessa magnitude ocorra, a participação das energias renováveis no
fornecimento de energia primária teria de aumentar para 65% em 2050, ante os 15% de 2015, diz o
relatório.
Um adicional de US$ 29 trilhões de investimento em fontes renováveis seria necessário até meados
do século, o que equivale a 0,4% do produto interno bruto (PIB) global.
Conforme o estudo, tais investimentos devem proporcionar um estímulo que, associado a outras
políticas de apoio ao crescimento, impulsionaria o PIB global em 0,8% em 2050.
Globalmente, o setor energético emitiu 32 gigatoneladas de CO2 relacionados em 2015. Para limitar o
aquecimento do Planeta em não mais do que 2 graus Celsius acima das temperaturas pré-industriais até
o final deste século, as emissões de gases efeito estufa precisam cair para 9,5 gigatoneladas em 2050,
segundo a Agência.
Tecnicamente, esta é uma transformação possível, mas exigirá reformas políticas significativas, custos
e inovação tecnológica adicionais, para garantir que cerca de 70% do mix global de fornecimento de
energia em 2050 seja de baixo carbono.
O estudo destaca que a maior parte do potencial de redução de emissões para os próximos anos
provém das energias renováveis e eficiência energética, mas todas as tecnologias de baixo carbono
(incluindo captura e armazenamento e fontes nucleares) desempenham um papel.
Atualmente as energias renováveis representam 24% da produção mundial de energia e 16% da oferta
de energia primária. Para alcançar a descarbonização, o relatório afirma que elas deverão representar a
maior parte da geração de energia em 2050, com base no crescimento rápido e contínuo, especialmente
para a solar e eólica.

65
25/03/2017 – Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/mundo-tem-queda-drastica-de-novas-usinas-a-carvao-o-que-e-otimo/
66
21/03/2017 – Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/setor-energetico-poderia-reduzir-emissoes-em-70-ate-2050/

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Gelo combustível, a promissora fonte de energia que a China extraiu do fundo do mar67
A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma quantidade considerável de
hidrato de metano, também conhecido como gelo combustível, que é tido por muitos como o futuro do
abastecimento de energia.
Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático comemoraram o feito. Isso
porque a tarefa é considerada altamente complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos
Estados Unidos, sem muito sucesso.
Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado como uma promissora fonte de
energia no mundo?

Reservas imensas
O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás.
"Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível molecular, veem-se as moléculas
de metano dentro das moléculas de água", explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de
Engenharia Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura.
Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de
pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada
de solo congelada dos polos.
O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a baixíssimas temperaturas.
Essa combinação rendeu-lhe o apelido de "gelo de fogo".
Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se decompõem em água e metano.
Um metro cúbico dessa substância libera cerca de 160 metros cúbicos de gás - ou seja, trata-se de um
combustível de grande potencial energético.
O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.

Países pioneiros
Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos 1960, mas foi há apenas dez
ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como extrai-lo dos sedimentos marinhos.
O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de energia natural. Outros países
líderes na prospecção de gelo combustível são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias
de petróleo.
Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido - o foco de suas explorações
tem sido nos hidratos de metano abaixo do permafrost do norte do Alasca e Canadá.

Por que importa?


Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se tornar uma fonte de energia
revolucionária que poderia ser fundamental para suprir necessidades energéticas no futuro.
Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas extremidades dos
continentes. Atualmente, vários países estão buscando maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável.
A China descreveu a extração feita na semana passada como "um feito importante".
Praven Linga compartilha dessa visão: "Em comparação com os resultados que temos visto na
pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram extrair uma quantidade muito maior de gás".
"É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano",
acrescentou.
Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de metano do que no xisto, do qual
pode ser extraído gás natural e óleo e também tem servido como alternativa energética.
"E essa é uma estimativa conservadora", ressalva Linga.
A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007 - uma área cuja soberania
tem sido disputada entre o país, o Vietnã e as Filipinas.
Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de exploração de todas as potenciais
reservas naturais escondidas abaixo da superfície.

Futuro
Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho.
"É a primeira vez que os índices de produção são realmente promissores", disse Linga. "Mas
acreditamos que só em 2025, na melhor das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções
comerciais", acrescenta.
67
BBC. Gelo combustível, a promissora fonte de energia que a China extraiu do fundo do mar. BBC Brasil. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/geral-40029080?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 29 de maio de 2017.

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Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de Shenhu, uma média de 16 mil
metros cúbicos de gás de elevada pureza por dia.
Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na exploração do material devem
seguir condutas bastante rígidas de controle para se evitar danos ambientais.
O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o aquecimento global, já que
se trata de um gás com um potencial de impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o
dióxido de carbono.

Maior torre de energia solar do mundo é construída em deserto de Israel68


Na paisagem das areias do deserto do Negev, no sul de Israel, uma torre de 250 metros de altura - o
equivalente a um prédio de 50 andares - se destaca. Trata-se da torre da usina solar de Ashalim, parte
do esforço das autoridades israelenses para produzir, até 2020, 10% de sua energia através de fontes
renováveis; hoje, este porcentual é de 2,5%.
A mais alta do mundo em um projeto de energia solar térmica concentrada (Concentrating Solar Power
- CSP, em inglês), a torre de Ashalim é circundada por 50.600 espelhos controlados por computador
(heliostatos), distribuídos por uma área de 3 km². Esses espelhos acompanharão a movimentação do sol
de modo a refletir luz sobre uma caldeira localizada no alto da torre, durante o maior tempo possível ao
longo do dia.
A radiação solar infravermelha capturada pelos espelhos e refletida sobre a caldeira criará um
processo térmico de vapor que moverá enormes turbinas, gerando energia elétrica "limpa". Quando
pronta, no primeiro trimestre de 2018, a usina de Ashalim produzirá 121 megawatts de energia solar,
suficientes para iluminar 125 mil casas, evitando a emissão anual de 110 mil toneladas de dióxido de
carbono.
"A eletricidade será gerada a partir do vapor da mesma forma que geraria uma usina de gás ou de
carvão, mas a energia não vem de combustíveis fósseis e sim do sol. É uma obra de porte para quem
quer investir em energia limpa", diz o engenheiro uruguaio Jacinto Durán-Sanchez, diretor-geral da usina
solar.

Conexão 24h
Os espelhos serão controlados remotamente até mesmo por telefones celulares dos engenheiros e
diretores. Diariamente, a areia do deserto acumulada sobre eles terá de ser retirada.
"Os heliostatos vão estar inclinados, levando os raios de sol e o calor até a caldeira para levar a água
a um vapor de 600 graus. Cada heliostato tem seu comando individual e remoto. Entre os espelhos há
torres de wi-fi para assegurar que estejam conectados 24h por dia", explica o engenheiro argentino
Claudio Nutkiewicz, outro latino-americano envolvido no projeto.
No mundo, existem atualmente apenas 10 usinas heliotérmicas com capacidade superior a 121 MW.
A maior é a de Ivanpah, no deserto do Mojave (EUA), inaugurada em 2014, com capacidade projetada
de 392 MW. Mas ela conta com três torres de 190 metros de altura cada uma (40 andares), que recebem
luz de 173.500 heliostatos.
O projeto de Israel é mais humilde no número de espelhos (um terço), mas inova ao contar com apenas
uma torre dez andares mais alta - que teria potencial maior na produção energética com custo menor do
que o de erguer diversas torres. Novos megaprojetos com torres altíssimas (ao invés de várias mais
baixas) estão em andamento. Uma delas, na Austrália, chegará perto da de Ashalim. A Aurora Solar
Energy terá uma torre de 227 metros de altura (48 andares).
A usina solar (ou heliotérmica) de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões e, faz parte de um
projeto mais amplo, o Megalim, uma joint-venture entre a General Electric (GE), a BrightSource (empresa
americana de energia solar que também construiu a usina de Ivanpah) e o fundo israelense Noy (que
investe em infraestrutura, com participação do Banco Hapoalim, o maior do país).
No total, o projeto é estimado, em US$ 820 milhões, incluindo mais duas obras complementares: uma
para armazenamento de energia solar de noite e outra de uma usina com tecnologia fotovoltaica para
produzir ainda mais energia. Juntos, os três projetos solares gerarão cerca de 310 MW - cerca de 2% das
necessidades de Israel.
Mas as usinas heliotérmicas também têm críticos. Nos Estados Unidos, ambientalistas apontam para
o fenômeno de aves mortas encontradas nas proximidades dessas centrais elétricas. Eles afirmam os
pássaros são incinerados pela luz refletida pelos espelhos, que pode alcançar 600° centígrados.

68
KRESCH, DANIELA. Maior torre de energia solar do mundo é construída em deserto de Israel. BBC Brasil. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/geral-41118402?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 08 de setembro de 2017.

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Ciência e tecnologia

Continente desaparecido há 200 milhões de anos é encontrado debaixo do Oceano Índico69


Sob as águas das Ilhas Maurício, no Oceano Índico, se escondem fragmentos de um continente que
desapareceu há 200 milhões de anos. É o que afirma uma equipe de pesquisadores da Universidade de
Witwatersrand, na África do Sul.
De acordo com a pesquisa, publicada na revista "Nature Communication", os fragmentos se
desprenderam do supercontinente Gondwana, quando este se desintegrou para formar a África, Índia,
Austrália, América do Sul e Antártida.
A descoberta foi feita a partir de um mineral chamado zircão, de 3 bilhões de anos, encontrado na
superfície da ilha. A revelação surpreendeu os geólogos, já que Maurício é uma ilha vulcânica jovem, que
não tem mais de 9 milhões de anos.

Fragmentação complexa
Acredita-se que os fragmentos encontrados no oceano, batizados coletivamente de Mauritia, são
pedaços da crosta terrestre que mais tarde foi coberta de lava de erupções vulcânicas da ilha.
"O fato de termos encontrado zircões desta idade mostra que nas Ilhas Maurício existem materiais da
crosta terrestre muito mais antigos que só poderiam ser originários de um continente", diz Lewis Anshwal,
principal autor da pesquisa.
A ruptura do Gondwana não foi um processo simples no qual o supercontinente se dividiu em dois,
mas uma fragmentação complexa que deixou pedaços de crosta terrestre de tamanhos diferentes "à
deriva na bacia do Oceano Índico em evolução".

Não houve contaminação


Não é a primeira vez, no entanto, que zircões desta idade são encontrados nas Ilhas Maurício.
Um estudo de 2013 encontrou vestígios do mineral na ilha, mas recebeu inúmeras críticas, indicando
que o material poderia ter aparecido ali por outros motivos - pelo vento ou contaminação, por exemplo.
Mas, depois de uma análise cuidadosa para evitar a contaminação cruzada com outros minerais,
Ashwal concluiu que os zircões "não poderiam ter sido introduzidos nas rochas pelo vento ou pelas ondas
do mar, nem poderiam ter sido transportados por aves, rodas de carros ou sapatos".
Para o pesquisador, as rochas só poderiam ter se originado a partir de uma erupção vulcânica.
A descoberta lança nova luz sobre os mecanismos a que estão submetidas as placas tectônicas.

Ciência: técnica pode tornar realidade a produção de "bebês sob medida"70


Uma nova técnica de edição do DNA conhecida como CRISPR promete grandes avanços na biologia
e na medicina, mas desperta polêmica pelo potencial de alterar genes humanos e produzir “bebês sob
medida”.
Uma nova técnica de manipulação do genoma conhecida como CRISPR/Cas9 (pronuncia-se “crísper-
cás-nove”) vem conquistando cientistas ao redor do planeta. Criada em 2012, hoje ela se popularizou e
promete impulsionar descobertas nas áreas de biologia e medicina.
A expectativa é que no futuro o uso da CRISPR/Cas9 em pesquisas possa curar doenças genéticas
alterando o DNA (conjunto de moléculas que carrega a informação genética de todos os seres vivos).
Mas essa técnica abre caminho para outra possibilidade: realizar uma “edição” do genoma de maneira
barata, fácil e precisa.
A CRISPR (sigla em inglês para “clustered regularly interspaced short palindromic repeats”; em
português, repetições palindrômicas curtas agrupadas e regularmente interespaçadas) é um mecanismo
de defesa do corpo humano. Trata-se de uma parte do sistema imunológico bacteriano, que mantém
partes de vírus perigosos ao redor para poder reconhecer e se defender dessas ameaças no futuro.
A segunda parte desse mecanismo de defesa é um conjunto de enzimas chamadas Cas, que podem
cortar precisamente o DNA e eliminar vírus invasores. Existem diversas enzimas Cas, mas a mais
conhecida é chamada Cas9. Ela vem da Streptococcus pyogenes, uma bactéria conhecida por causar
infecção na garganta.

69
03/02/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/continente-desaparecido-ha-200-milhoes-de-anos-e-encontrado-debaixo-do-oceano-
indico.ghtml
70
24/01/2017. Fonte: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/ciencia-tecnica-pode-tornar-realidade-a-producao-de-bebes-sob-
medida.htm

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Como funciona o método
O método usa uma proteína (enzima chamada Cas9) guiada por uma molécula de RNA que corta as
fitas de DNA em pontos específicos e ativa vias de reparo. É possível desativar, ativar ou inserir novos
genes. Embora tenha sido descoberta em 2012, a técnica tornou-se mais popular nos últimos dois anos.
Uma justificativa para isso é que ela permite que a modificação de genomas com uma precisão nunca
antes atingida.
“É como um canivete suíço que corta o DNA em um local específico e pode ser usado para introduzir
uma série de alterações no genoma de uma célula ou organismo”, diz a definição da técnica da bióloga
Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), uma das pioneiras na aplicação do
mecanismo.
Ao retirar partes defeituosas do genoma, pesquisadores estão conseguindo eliminar mutações em
células de animais e plantas. Em janeiro deste ano, cientistas norte-americanos utilizaram a técnica para
cortar a parte de um gene defeituoso em ratos com distrofia muscular de Duchanne, doença genética
rara. O experimento permitiu que as células dos animais produzissem uma proteína essencial para os
músculos. A pesquisa foi o primeiro caso de sucesso da CRISPR/Cas9 em mamíferos vivos.
Cientistas já estão encontrando novas formas de aplicações da técnica, como desenvolver terapias
que ajudem na cura de doenças como câncer, leucemia e hemofilia. Algumas pesquisas testam limites
éticos da ciência e reavivam os debates sobre experimentos com embriões humanos e mutações nos
genes humanos.
Com a técnica, seria possível “forçar” organismos a repassarem certos traços genéticos hereditários,
sejam naturais ou inseridos pelo método. O temor é que essa possibilidade abra precedentes para a
criação de “bebês sob medida”.
Por exemplo, cientistas poderão editar genes para gerar bebês com características físicas específicas,
como a cor dos olhos, do cabelo ou da pele. A possibilidade do “design” de bebês ainda não foi
comprovada, mas novas pesquisas podem avançar nessa questão.
Em 2017, o Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, obteve aprovação para testar a técnica em
embriões humanos. Eles esperam que, por meio da desativação de determinados genes, seja possível
compreender melhor os primeiros estágios do processo de desenvolvimento humano. O objetivo é
melhorar a eficácia dos tratamentos de fertilização.

O primeiro teste em humanos


No final de 2016, cientistas chineses já anunciaram testes de engenharia genética com embriões
humanos. A equipe queria consertar um gene defeituoso, causador da talassemia beta. O resultado da
edição não obteve sucesso --os genes modificados sofreram mutações aleatórias.
No estudo chinês, foram utilizados embriões não viáveis, que nunca poderiam gerar um bebê. Agora
os cientistas do Instituto Karolinska estão usando zigotos sadios que estavam congelados em clínicas de
fertilização, mas seriam descartados.
No Reino Unido, o uso da CRISPR/Cas9 foi aprovado recentemente para pesquisas em embriões
humanos que buscam melhorar a qualidade das fertilizações in vitro e reduzir o número de abortos.
Os especialistas afirmam que a edição em linhagens germinativas (óvulos e espermatozoides)
apresenta barreiras como o risco de edição imprecisa, dificuldade de prever efeitos danosos e dificuldade
de remoção da modificação. Serão necessários inúmeros experimentos para conseguir a possibilidade
da alteração de forma precisa e segura.
Outro temor da comunidade científica é que, em mãos erradas, a tecnologia que edita o DNA possa
reavivar ideologias perigosas como a eugenia, que prega a “melhoria genética” das populações humanas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o nazismo usou a eugenia para justificar o genocídio dos judeus e
de minorias. O Estado buscou eliminar da sociedade alemã qualquer tipo de pessoa que não fosse ariana
ou que apresentasse alguma deficiência mental ou física.
No entanto, o design de bebês ainda é realidade muito distante. Além da falta de pesquisas que
asseguram a estabilidade do processo, o tema deve passar por uma forte regulação judicial. Atualmente,
muitos países proíbem estudos com embriões humanos. No Brasil, a lei de biossegurança brasileira, de
2005, deixa claro ser proibida a “engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e
embrião humano”.
Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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Cientistas desenvolvem útero artificial para ajudar bebês prematuros71
Em estudos pré-clínicos com cordeiros, os pesquisadores conseguiram simular o ambiente do útero e
as funções da placenta.
Cientistas nos Estados Unidos desenvolveram um útero artificial a partir de uma bolsa preenchida por
fluido, conhecida como um suporte extrauterino que pode transformar o tratamento de bebês que nascem
extremamente prematuros, aumentando significativamente as chances de sobrevivência.
Em estudos pré-clínicos com cordeiros, os pesquisadores conseguiram simular o ambiente do útero e
as funções da placenta, dando a prematuros a oportunidade crucial para desenvolver os pulmões e outros
órgãos.
Aproximadamente 30 mil bebês, somente nos Estados Unidos, nascem prematuros em estado crítico
--entre 23 e 26 semanas de gestação, disseram os pesquisadores a repórteres por telefone.
Nesse período, um bebê pesa um pouco mais do que 500 gramas, seus pulmões ainda não conseguem
lidar com o ar e suas chances de sobrevivência são mínimas. A taxa de morte é de até 70 por cento, e
aqueles que sobrevivem enfrentam deficiências por toda a vida.
"Esses bebês têm uma necessidade urgente de uma ponte entre o útero da mãe e o mundo exterior",
disse Alan Flake, um cirurgião especializado no Hospital de Crianças da Filadélfia que liderou o
desenvolvimento do novo dispositivo.
O objetivo da equipe, disse Flake, era desenvolver um sistema extrauterino pelo qual bebês
extremamente prematuros poderiam ficar suspensos em câmaras preenchidas por fluido por algumas
semanas vitais até chegarem a idade de 28 semanas, quando suas chances de sobrevivência aumentam
drasticamente.
Pode demorar mais 10 anos, mas até lá Flake espera ter um dispositivo licenciado no qual bebês que
nascem muito prematuramente têm a chance de se desenvolver em câmaras preenchidas por fluido, em
vez de incubadoras com ventilação mecânica.

Ataque de hackers 'sem precedentes' provoca alerta no mundo72


Ataque exigirá 'investigação internacional para identificar os culpados', diz Europol. Empresas e órgãos
públicos de 14 estados mais o DF foram afetados no Brasil.
O ciberataque que atingiu diversos países nesta sexta-feira (12) é sem precedentes e exigirá
investigação internacional para a identificação dos culpados, informa a Europol, o serviço europeu de
polícia.
A onda de ataques atingiu quase uma centena de países em todo o mundo, afetando o funcionamento
de muitas empresas e organizações, como hospitais britânicos, a gigante espanhola Telefónica e a
empresa francesa Renault. No Brasil, empresas e órgãos públicos de 14 estados mais o Distrito Federal
também foram afetados.
"O ataque é de um nível sem precedentes e exigirá uma complexa investigação internacional para
identificar os culpados", afirmou em um comunicado a Europol.
Dezenas de milhares de computadores de uma centena de países, entre eles Rússia, Espanha, México
e Itália, foram infectados na sexta por um vírus "ransonware", explorando uma falha nos sistemas
Windows, exposta em documentos vazados da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos
(NSA).
Os ataques usam vírus de resgate, que inutilizam o sistema ou seus dados até que seja paga uma
quantia em dinheiro - entre US$ 300 e US$ 600 em Bitcoins, segundo o grupo russo de segurança
Kaspersky Lab. Ou seja, eles "sequestram" o acesso aos dados e pedem uma recompensa.

Empresas afetadas em todo o mundo


No Brasil, os ciberataques levaram várias empresas e órgãos públicos a tiraram sites do ar e
desligarem seus computadores:
Petrobras
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o Brasil
Tribunais da Justiça de São Paulo, Sergipe, Roraima, Amapá, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia e Santa Catarina
Ministério Público de São Paulo
Itamaraty
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
71
REUTERS. Cientistas desenvolvem útero artificial para ajudar bebês prematuros. Portal G1. Disponível em: < http://g1.globo.com/bemestar/noticia/cientistas-
desenvolvem-utero-artificial-para-ajudar-bebes-prematuros.ghtml> Acesso em 26 de abril de 2017.
72
FRANCE PRESSE. Ataque de hackers ‘sem precedentes’ provoca alerta no mundo. G1 Tecnologia e Games. Disponível em:
<http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/ataque-de-hackers-sem-precedentes-provoca-alerta-no-
mundo.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 15 de maio de 2017.

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De acordo com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência, as invasões ocorreram
em grande quantidade no país por meio de e-mails com arquivos infectados. Segundo o GSI, "não há
registros e evidências de que a estrutura de arquivos dos órgãos da Administração Pública Federal (APF)
tenha sido afetada".
O Serviço Público de Saúde britânico (NHS), quinto empregador do mundo, com 1,7 milhão de
trabalhadores, foi a principal vítima no Reino Unido. O gigante americano do correio privado FedEx, o
ministério do Interior russo e o construtor de automóveis francês Renault - que suspendeu sua produção
em várias fábricas da França "para evitar a propagação do vírus" - indicaram neste sábado à AFP que
também foram hackeados.
A companhia ferroviária pública alemã também está envolvida. Embora os painéis das estações
tenham sido hackeados, a Deutsche Bahn certificou que o ataque não teve nenhum impacto no tráfego.
Segundo a Kaspersky, a Rússia foi o país mais atingido pelos ataques. Os meios de comunicação
russos afirmam que vários ministérios, assim como o banco Sberbank, também foram atacados.
O centro de monitoramento do Banco Central russo IT "detectou uma distribuição em massa do
software daninho do primeiro e segundo tipo", revela um comunicado do Banco Central citado pelas
agências de notícias russas.
As autoridades americanas e britânicas aconselharam os particulares, as empresas e organizações
afetadas a não pagarem os hackers, que exigem um resgate para desbloquear os computadores
infectados.
"Recebemos múltiplos informes de contágios pelo vírus 'ransonware'", escreveu o ministério americano
de Segurança Interior em um comunicado. "Particulares e organizações foram alertados a não pagar o
resgate, já que este não garante que o acesso aos dados será restaurado".

'Grande campanha'
Este conjunto de ataques informáticos de envergadura mundial provocou inquietação entre os
especialistas em segurança. O ex-hacker espanhol Chema Alonso, responsável pela cibersegurança da
Telefónica - outro grupo afetado pelo ataque - declarou neste sábado em seu blog que "o ruído midiático
que este 'ransonware' produz não teve muito impacto real", já que "é possível ver na carteira bitcoin
utilizada que o número de transações" é fraco.
A Forcepoint Security Labs, outra empresa do setor, afirmou, por sua vez, que "uma campanha maior
de difusão de e-mails infectados" está sendo realizada, com o envio de 5 milhões de e-mails por hora
para divulgar um malware chamado WCry, WannaCry, WanaCrypt0r, WannaCrypt ou Wana Decrypt0r.
O NHS britânico tentou neste sábado tranquilizar seus pacientes, mas muitos deles temem um risco
de desordem, sobretudo nas urgências médicas, já que o sistema de Saúde Pública, austero, já estava à
beira da ruptura.
"Cerca de 45 estabelecimentos" do Serviço de Saúde Pública foram infectados, indicou neste sábado
a ministra britânica do Interior, Amber Rudd, na BBC. Muitos deles foram obrigados a cancelar ou adiar
as intervenções médicas.
Rudd acrescentou que "não houve um acesso malévolo aos dados dos pacientes". No entanto, começa
a aumentar a pressão sobre o governo conservador a poucas semanas das eleições legislativas de 8 de
junho. O Executivo foi acusado de não ter ouvido os sinais de alerta que advertiam para estes ataques,
já que a estrutura informática do NHS é especialmente antiga.

Como é o ataque
Os vírus de resgate são pragas digitais que embaralham os arquivos no computador usando uma
chave de criptografia. Os criminosos exigem que a vítima pague um determinado valor para receber a
chave capaz de retornar os arquivos ao seu estado original.
Quem não possui cópias de segurança dos dados e precisa recuperar a informação se vê obrigado a
pagar o resgate, incentivando a continuação do golpe.
O jornal "The New York Times" diz que os ataques podem ter usado uma ferramenta que foi roubada
da NSA, a agência de segurança nacional dos EUA. O vírus que se espalhou é o Wanna Decryptor,
variante do ransomware WannaCry, diz o jornal.
Segundo a Kaspersky, o vírus se espalha por meio de uma brecha no Windows, que a Microsoft diz
ter corrigido em 14 de março. Mas usuários que não atualizaram os sistemas podem ter ficado
vulneráveis.
A falha afeta as versões Vista, Server 2008, 7, Server 2008 R2, 8.1, Server 2012, Server 2012 R2, RT
8.1, 10 e Server 2016 do Windows.

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Cientistas dizem ter identificado mais antigo fóssil de Homo sapiens, e ele é 100 mil anos mais
velho do que se acreditava73
Restos encontrados no Marrocos haviam sido datados em 40 mil anos, mas nova pesquisa revelou
serem muito mais antigos. Estudo foi publicado na revista 'Nature'.
Fósseis de Homo sapiens descobertos no Marrocos - que tem entre 300 mil e 350 mil anos de idade -
fizeram recuar em 100 mil anos a data da origem de nossa espécie, segundo dois estudos publicados
nesta quarta-feira (7) na revista "Nature".
"Esta descoberta representa a origem da nossa espécie, o Homo sapiens mais velho já encontrado na
África e em qualquer outro lugar", explica o francês Jean-Jacques Hublin, diretor do departamento de
Evolução humana do Instituto Max Planck em Leipzig (Alemanha) e coautor do estudo.
Os fósseis foram descobertos em Jebel Irhoud, a cerca de 100 quilômetros de Marrakesh, durante a
década de 1960, ao lado de ossos de animais e ferramentas de pedra. Originalmente, esses fósseis foram
datados como tendo cerca de 40 ml anos de idade e eram considerados como uma forma de Neanderthal
da África. Mas análises feitas posteriormente colocaram em dúvida essas conclusões.
Hublin e sua equipe analisaram os fósseis e identificaram diversas características - incluindo as
morfologias facial, mandibular e dentária - similares aos humanos modernos recentes. Com base nessas
análises, os autores sugerem que os hominídeos de Jebel Irhoud fazem parte das primeiras fases
evolucionárias do Homo sapiens.
Até então, o fóssil mais antigo atribuído a uma forma moderna de Homo sapiens tinha sido datado com
195 mil anos

Japão cria GPS com margem de erro reduzida a centímetros74


Inauguração do novo sistema de localização será em 2018.
Margem de erro praticamente zerada possibilita novas aplicações.
Os japoneses vão inaugurar, em 2018, um sistema de localização por GPS muito mais preciso, com
uma margem de erro reduzida a centímetros.
O foguete que levou o novo satélite foi lançado da base de Tanegashima, no Sul do Japão. Quem diria
que algo que vai tão alto, fica orbitando no espaço, ajuda tanto a nossa vida aqui embaixo.
O sistema de GPS, que já existe há mais de 30 anos, é fundamental em várias áreas: nos orienta no
trânsito, ajuda na navegação marítima, no transporte aéreo, na segurança de cargas nas estradas.
Ninguém se perde com os satélites enviando informações de posicionamento.
O GPS que a gente conhece funciona bem, mas os japoneses acreditam que podem desenvolver um
sistema melhor. O que existe hoje tem uma margem de erro de dez metros, ou seja, os satélites não
fazem distinção se dobra uma esquina ou se está em outro ponto. O que os japoneses estão fazendo é
reduzir essa margem de erro de dez metros para dez centímetros.
O GPS hoje é possível com informações enviadas por satélites geoestacionários, que ficam parados
orbitando sobre pontos fixos na Terra. O sistema japonês será diferente: serão quatro satélites ao todo,
três sempre em movimento, fazendo um traçado em forma de oito.
Um ficará parado sobre Tóquio. Assim, mudando de posição, os especialistas garantem que não
haverá área de sombra, sem sinal, por exemplo, em locais cercados por prédios muito altos.
Com a margem de erro praticamente zerada, também vai ser mais fácil desenvolver outras aplicações:
os carros que rodam sozinhos, sem motorista, terão mais precisão; ficará mais segura a entrega de
mercadorias por drones; e até encontrar pessoas desaparecidas, como idosos, problema grave num país
com uma população que envelhece rápido.
Por enquanto, dois satélites foram lançados, mas a promessa é que em 2018 o japonês já terá um
GPS para chamar de seu.

Há água no interior da Lua, dizem cientistas75


Com dados de satélite, pesquisadores encontraram evidências de líquido preso no interior de rochas.
Estudo publicado na "Nature Geoscience" nesta segunda-feira (24) traz evidências de que há água no
interior da Lua.

73
FRANCE PRESSE. Cientistas dizem ter identificado mais antigo fóssil de homo sapiens, e ele é 100 mil anos mais velho do que se acreditava. G1, Ciência e
Saúde. Disponível em: <http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/homo-sapiens-e-100-mil-anos-mais-velho-do-que-se-acreditava-sugere-estudo.ghtml> Acesso
em 08 de junho de 2017.
74
G1. Japão cria GPS com margem de erro reduzida a centímetros. G1 Jornal Nacional. Disponível em: < http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2017/06/japao-cria-gps-com-margem-de-erro-reduzida-centimetros.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=jn> Acesso em
26 de junho de 2017.
75
G1. Há água no interior da Lua, dizem cientistas. G1, Ciência e Saúde. Disponível em: < http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/ha-agua-no-interior-da-
lua-diz-estudo.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 25 de julho de 2017.

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Combinando dados de satélite com informações de espectrômetros, cientistas da Universidade de
Brown (Estados Unidos) conseguiram perceber uma grande quantidade de líquido preso no interior de
rochas.
Espectômetros ajudam cientistas a verificar a presença de objetos no espaço pela análise do
comportamento da luz.
Evidências de água na Lua começaram a surgir partir de 2008, mas ainda acreditava-se que não havia
líquido em seu interior.
Antes, cientistas assumiam que era improvável que o hidrogênio teria sobrevivido ao calor do impacto
da formação do satélite. Por isso, o achado levanta também questões sobre as circunstâncias da
formação da Lua.
Os dados do estudo podem facilitar ainda missões de exploração na superfície lunar, já que talvez não
seja mais necessário levar grande quantidade de água da Terra para lá.

Mundo – Relações e conflitos

Nº de mortes em 'ataque químico' passa de 70 na Síria; ONU denuncia crimes de guerra76


O suposto ataque químico que matou pelo menos 72 civis em uma cidade do norte da Síria demonstra
os "crimes de guerra" continuam sendo cometidos no país, afirmou nesta quarta-feira (05/04) o secretário-
geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.
O balanço divulgado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) nesta quarta indica que
20 das mais de 70 vítimas são crianças. De acordo com a ONG, houve um ataque aéreo no reduto rebelde
da cidade de Khan Sheikhun, na província de Idlib. Logo em seguida, foi liberado um "gás tóxico" que a
instituição não sabe identificar. Civis morreram por e dezenas apresentaram problemas respiratórios,
vômitos e desmaios.
"Os horríveis acontecimentos de terça-feira demonstram, infelizmente, que os crimes de guerra
continuam na Síria e que o direito internacional humanitário é violado frequentemente", disse Guterres ao
chegar a Bruxelas, onde ocorre uma conferência sobre o conflito sírio.
Guterres afirmou que a ONU deseja estabelecer responsabilidades por estes crimes e expressou
confiança de que o Conselho de Segurança estará " à altura de suas responsabilidades".

Ação do regime?
Para a oposição ao presidente sírio, Bashar al-Assad, e para a União Europeia, o regime sírio é
responsável pelo bombardeio. O governo da Síria nega.
A Rússia nega ter atacado a região, mas afirma que a aviação de Damasco bombardeou um "depósito
terrorista" onde eram armazenadas "substâncias tóxicas" destinadas a combatentes no Iraque. Os russos
têm poder de veto no Conselho de Segurança e apoiam o presidente sírio Bashar al-Assad contra os
rebeldes.
Alguns minutos antes, o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, havia dito que
"todas as provas" apontam para o regime de Bashar al-Assad como responsável pelo suposto ataque.
"Todas as provas que vi sugerem que foi o regime de Al-Assad... usando armas ilegais contra seu
próprio povo", disse Johnson.
"É a confirmação de que se trata de um regime bárbaro que torna impossível aos nossos olhos que
imaginar que possa ter a menor autoridade na Síria após o fim do conflito", completou o ministro britânico.
A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu um grande esforço a favor das negociações
de paz sobre a Síria em Genebra, que tem a mediação da ONU. "Temos que unir a comunidade
internacional nas negociações", declarou Mogherini.
Estados Unidos, França e Reino Unido apresentaram na terça-feira (04/04) um projeto de resolução
ao Conselho de Segurança que condena o ataque químico na Síria e exige uma investigação completa e
rápida.

O que aconteceu?
Os aviões teriam atacado Khan Sheikhoun, que fica cerca de 50 km ao sul da cidade de Idlib, no início
da manhã desta terça-feira (04/04).
Hussein Kayal, um fotógrafo do grupo de jornalistas pró-oposição Edlib Media Center (EMC), disse à
agência de notícias Associated Press que ele foi acordado pelo som de uma explosão às 6h30 no horário
local.

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05/04/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/ataque-quimico-mata-dezenas-na-siria-o-que-se-sabe-ate-agora.ghtml e
http://g1.globo.com/mundo/noticia/vai-a-72-o-numero-de-mortos-apos-ataque-quimico-na-siria-diz-ong.ghtml

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Quando ele chegou ao local do ataque, disse não ter sentido cheiro de nada, mas viu pessoas no chão,
sem conseguirem se mover e com as pupilas contraídas.
Mohammed Rasoul, o chefe de um serviço caritativo de ambulâncias em Idlib, disse à BBC que os
médicos que ele transportava encontraram pessoas, muitas delas crianças, sufocando nas ruas.
O grupo Observatório Sírio também citou relatos de médicos dizendo que estavam tratando pessoas
com sintomas que incluíam desmaios, vômito e espuma na boca.
Um jornalista da agência de notícias AFP afirmou ter visto uma garota, uma mulher e dois idosos
mortos em um hospital, todos com espuma ainda visível ao redor da boca.
O jornalista também afirmou que o hospital foi atingido por um foguete na tarde de terça, e que médicos
que cuidavam dos doentes foram atingidos por pedras e destroços.
A procedência dos foguetes não está clara, mas o EMC e os Comitês de Coordenação Local, da
oposição ao governo, dizem que aviões alvejaram diversas clínicas.
Jornalistas pró-governo citaram fontes militares dizendo que houve uma explosão em uma fábrica de
armas químicas em Khan Sheikhoun - que teria sido causada por um ataque aéreo ou por acidente.

Que substância foi usada?


O Observatório Sírio de Direitos Humanos diz que não foi possível determinar que tipo de substância
teria sido usada no ataque.
O EMC e os Comitês de Coordenação Local afirmam que pode ter sido o gás sarin, que é altamente
tóxico e considerado 20 vezes mais letal do que o cianureto.
O sarin inibe a ação de uma enzima que desativa os sinais que as células nervosas humanas
transmitem aos músculos para relaxá-los. Isso faz com que o coração e outros músculos - incluindo os
envolvidos na respiração - tenham espasmos.
A exposição ao gás pode causar desmaios, convulsões e levar à morte por asfixia em minutos.
O especialista em armas químicas Dan Kaszeta disse à BBC que é difícil determinar se o sarin foi
usado no ataque apenas examinando vídeos, como os compartilhados nas redes sociais por
sobreviventes e jornalistas.
Ele afirmou que o ataque pode ter sido resultado de uma série de agentes químicos que "tendem a ter
efeitos semelhantes no corpo humano".
O sarin é quase impossível de detectar - é um líquido claro, sem cor e sem gosto que, em sua forma
mais pura, também não tem odor.

O sarin já foi usado antes na Síria?


O governo sírio foi acusado pelas potências ocidentais de atirar foguetes cheios de sarin em uma série
de subúrbios da capital, Damasco, que eram controlados pelos rebeldes em agosto de 2013, matando
centenas de pessoas.
O presidente Bashar al-Assad negou as acusações, culpando combatentes rebeldes, mas, em
seguida, concordou em destruir o arsenal químico da Síria.
Apesar disso, a Organização pela Proibição de Armas Químicas continua a documentar o uso de
químicos tóxicos em ataques na Síria.
Em janeiro de 2016, o órgão disse que amostras de sangue das vítimas de um ataque não especificado
no país mostrou que elas foram expostas ao sarin ou substância semelhante.

O que se sabe sobre o uso de outros agentes químicos?


Uma investigação conjunta da Organização pela Proibição de Armas Químicas com a ONU concluiu,
no último mês de outubro, que as forças do governo usaram gás cloro, que também provoca asfixia, como
arma ao menos três vezes entre 2014 e 2015.
Os investigadores também concluíram que militantes do grupo autodenominado Estado Islâmico, que
atua no país, usaram gás mostarda - que pode provocar cegueira, ferimentos na pele e morte.
A ONG de direitos humanos Human Rights Watch acusou recentemente helicópteros do governo de
soltarem bombas contendo gás cloro em áreas controladas por rebeldes em Aleppo em ao menos oito
ocasiões entre os dias 17 de novembro e 13 de dezembro de 2016, durante os estágios finais da batalha
pela cidade.
E na semana passada, dois ataques supostamente químicos foram registrados na província de Hama,
uma área controlada pelos rebeldes próxima a Khan Sheikhoun.

Qual foi a reação ao ataque desta terça?


A província de Idlib, onde os ataques ocorreram, é quase completamente controlada por uma aliança
rebelde e pelo grupo jihadista Hayat Tahrir Al-Sham, ligado à al-Qaeda.

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A região, onde vivem 900 mil pessoas, é frequentemente alvejada pelo governo e pela Rússia, sua
aliada, assim como pela coalizão contra o EI, liderada pelos Estados Unidos.
Não houve comentário oficial imediato após o ataque desta terça-feira, mas uma fonte militar disse à
agência de notícias Reuters que o governo "não usa e não usou" armas químicas contra a população.
O enviado dos grupos de oposição sírios na ONU, Staffan de Mistura, disse que o ataque foi "horrível"
e que deve haver uma "identificação clara de responsabilidades e prestação de contas" pelo ataque na
cidade.
Em um comunicado, o presidente francês François Hollande acusou o governo sírio de cometer um
"massacre".
O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, disse que Assad seria considerado
culpado de um crime de guerra caso seu governo seja responsável.
O Reino Unido e a França pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Em comunicado, o presidente americano Donald Trump também responsabilizou o governo Assad e
condenou o que chamou de "ações abomináveis" do regime.

Brexit: Reino Unido entrega carta e dá início à saída da União Europeia77


O Reino Unido deu início na manhã desta quarta-feira (29/03) ao processo de saída da União Europeia.
O afastamento efetivo só acontecerá depois de pelo menos dois anos de negociação com os outros 27
integrantes do bloco. Essa é a 1ª vez que um país pede para deixar o grupo.
O embaixador britânico na União Europeia, Tim Barrow, entregou nesta manhã ao presidente do
Conselho Europeu, Donald Tusk, uma carta que simboliza o acionamento do Artigo 50 do Tratado de
Lisboa – dando início às discussões sobre o processo de afastamento. A carta de seis páginas é assinada
pela pela premiê britânica, Theresa May.

Sem volta
Logo após a entrega da carta, Theresa May fez um pronunciamento no Parlamento britânico. “O Reino
Unido está deixando a União Europeia. Este é um momento histórico do qual não pode haver volta".
May também indicou a intenção de buscar um acordo comercial "audaz e ambicioso" ao mesmo que
tempo que negocia o Brexit.
A premiê fez um apelo pela união do Reino Unido no Parlamento britânico. "Agora é a hora de nos unir
nesta casa [do Parlamento] e em todo o país para garantir que trabalhamos para o melhor acordo possível
para o Reino Unido e para o melhor futuro possível para todos nós", declarou May. Na terça-feira, a
Escócia aprovou a realização de um novo referendo sobre a independência.

Obrigado e adeus
Tusk afirmou que a União Europeia está descontente com a saída da Grã-Bretanha. Para ele, não há
razão para dizer que esta quarta-feira é um dia feliz nem para o Reino Unido nem para a União Europeia.
O bloco tem o objetivo de minimizar o custo para os cidadãos europeus, os negócios e para os países
membros do bloco. "Já sentimos a sua falta, obrigado e adeus", declarou ao concluir uma breve coletiva
de imprensa, segundo a Reuters.
O presidente do Conselho Europeu já tinha prometido informar na sexta-feira (31/03) as primeiras
diretrizes do processo de negociação, mas uma resposta formal do bloco dificilmente será divulgada antes
do primeiro encontro oficial dos países membros, já sem a presença do Reino Unido, em 29 de abril.
Esta é a primeira vez que o artigo, criado em 2009, é invocado por um país que decide deixar o bloco,
O prazo de dois anos de negociações só pode ser prorrogado com uma aprovação unânime de todos os
países da União Europeia. A negociação é muito complexa pois exige rescisão de vários tratados
internacionais, acordos comerciais e uma nova política migratória.

Divórcio difícil
O processo para encerrar 40 anos de união não é automático e se anuncia um divórcio difícil, porque
tem de ser discutido com os outros 27 membros do bloco. O afastamento de um país-membro é inédito
no bloco.
A negociação é muito complexa, já que exige rescisão de vários tratados internacionais. Só com a
União Europeia, há pelo menos 80 mil páginas de acordos. Por isso, é provável que, após a negociação,
exista uma fase de transição.

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29/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/brexit-reino-unido-entrega-carta-e-da-inicio-a-saida-da-uniao-europeia.ghtml

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Principais dúvidas
1. Imigração
Em seu pronunciamento nesta manhã, May afirmou que a situação dos europeus no Reino Unido será
uma das prioridades da negociação.
Atualmente, cerca de 3 milhões de cidadãos europeus vivem no Reino Unido, vindos principalmente
da Polônia (850 mil), da República da Irlanda (330 mil) e de diversos países do antigo bloco soviético.
Esses podem pedir a residência permanente no Reino Unido quando completarem cinco anos vivendo no
país. Com a Brexit, o Certificado de Residência Permanente para Cidadão da UE, no entanto, deve deixar
de valer.
Ao longo das negociações, é preciso estabelecer uma nova política migratória, uma das principais
reinvindicações dos partidários da Brexit, que exigiam medidas mais restritivas. Analistas e políticos
ouvidos pela BBC disseram na época que a mudança será gradual e que ninguém terá de deixar o país
da noite para o dia.

2. Comércio
A participação na União Europeia permite que os países comprem e vendam produtos e serviços entre
si sem a aplicação de taxas e impostos dentro da área comum. O Reino Unido então passará a ter taxas
diferentes no comércio exterior com os países europeus em relação às praticadas agora, podendo
inclusive trocar de parceiros.
Segundo a União Europeia, o Reino Unido exporta principalmente para os EUA, a Alemanha e os
Países Baixos. Por sua vez, as suas importações vêm sobretudo da Alemanha, da China e dos EUA.

3. Compromissos europeus
Os defensores do Brexit alegavam que a contribuição do Reino Unido para União Europeia era muito
elevada. Nesse processo é preciso discutir quais são as dívidas britânicas com relação ao bloco, a
chamada, “conta do divórcio”, que poderá custar por volta de 50 bilhões de libras (mais de R$ 191 bilhões).
Outras questões que deverão ser discutidas são, por exemplo, regras de segurança para o cruzamento
de fronteiras; o "Mandado Europeu de Prisão", que é um mandado de prisão válido em todos os países
membros do bloco; a mudança de agências europeias que têm suas bases no Reino Unido.

Sem acordo?
May, no entanto, declarou em janeiro deste ano que o Reino Unido deixará o bloco mesmo que não
haja um pleno acordo nesse período. Segundo a primeira-ministra, ela está pronta a abandonar as
discussões se suas exigências não forem atendidas, e chegou a afirmar que “nenhum acordo para o
Reino Unido é melhor do que um acordo ruim para o Reino Unido”.
A decisão de sair da União Europeia, conhecida como Brexit, foi tomada em um referendo, realizado
em 23 de junho de 2016. Na ocasião, 51,9% dos britânicos optaram por deixar o bloco, o que provocou a
queda do então primeiro-ministro, David Cameron.
Após o referendo, o Brexit foi aprovado também pelo Parlamento britânico e no dia 16 de março deste
ano suas negociações receberam autorização formal da rainha Elizabeth 2ª.

Oposição escocesa
A decisão de deixar a União Europeia desapontou especialmente a população da Escócia, onde 66%
votaram contra o Brexit. Líderes políticos a favor da independência usaram o resultado como argumento
para justificar o pedido para um novo referendo sobre a independência do país.
O Reino Unido tenta barrar ou ao menos adiar a realização da nova consulta para o fim de 2018 ou
em 2019, que foi aprovada pelo parlamento escocês na terça-feira (28). A chefe de governo britânica já
chamou o novo referendo de "inaceitável", porém não há um artigo na Constituição que proíba a sua
realização.
Em 2014, a decisão de permanecer no Reino Unido foi aprovada com 55% dos votos em um plebiscito,
mas os nacionalistas escoceses acreditam que o temor de deixar a União Europeia será decisiva para
aprovação da independência do país.

Cuba sem Fidel: relembre a trajetória da ilha caribenha78


O líder cubano Fidel Castro morreu em novembro de 2016, após estar 49 anos à frente do regime
comunista.

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03/02/2017. Fonte: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/cuba-sem-fidel-relembre-a-trajetoria-da-ilha-caribenha.htm

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A Revolução Cubana ocorreu em 1959. Fidel Castro comandou o regime desde então e foi um dos
principais protagonistas da Guerra Fria (1945-1989).
Após a Revolução Cubana, os EUA mantêm uma política de sanções econômicas e isolamento de
Cuba. A tensão entre os dois países atinge pontos culminantes na Guerra Fria, após a invasão fracassada
da ilha na Baía dos Porcos, o bloqueio econômico e a Crise dos Mísseis, que quase levou a um confronto
militar direto entre EUA e URSS.
Desde 1962 os EUA mantêm um embargo econômico à ilha, com o objetivo de desestabilizar a
econômica cubana.
O fim da União Soviética fez Cuba perder os subsídios econômicos e forçou o país a realizar reformas
e aberturas políticas.
Em fevereiro de 2008, Fidel deu lugar a seu irmão, Raúl Castro, que hoje lidera o país e sinaliza uma
maior abertura política e econômica ao mundo.
Em 25 de novembro de 2016, morreu Fidel Castro, aos 90 anos de idade. Depois de receber
homenagens e viajar em caravana por várias províncias do país cubano, suas cinzas foram levadas para
o cemitério de Santiago de Cuba, onde foram enterradas.
O líder cubano ficou 49 anos à frente do regime comunista na ilha, instaurado após o golpe contra o
presidente Fulgêncio Batista, em 1959. Fidel entrou para a história como uma figura controversa: para
seus admiradores, ele foi um líder revolucionário, que resistiu ao imperialismo norte-americano e buscou
melhorar a qualidade de vida dos cubanos. Para os críticos, Fidel foi um ditador de um regime totalitário.
No início do século XX, Cuba era uma ilha caribenha sem importância no jogo político mundial. Em
1959 acontece a Revolução Cubana. Os guerrilheiros do Movimento 26 de julho, comandados por Fidel
Castro, Che Guevara, Raúl Castro e Camilo Cienfuegos, fazem uma ofensiva pelo país e derrubam o
regime do general Fulgêncio Batista, que se vê obrigado a fugir.
Batista era acusado de corrupção e de manter as desigualdades sociais e a miséria da população.
Além disso, era criticado pela oposição por sua proximidade com os Estados Unidos. Era visto como um
“fantoche” dos EUA, pois teria tornado a ilha um “quintal” dos norte-americanos.
A pequena ilha caribenha possui uma localização estratégica, a apenas 150 km da costa da Flórida.
Nos anos 1950, Havana, a capital cubana, era chamada de Miami do Caribe, com fortes investimentos
dos Estados Unidos na economia. Mas a maioria dos cubanos vivia na pobreza.
Fidel emergiu como líder do novo governo, com um discurso sobre igualdade e transformações sociais.
Ele começou uma série de radicais mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais.
Fidel nacionalizou empresas estrangeiras, confiscou bens e patrimônios e fez a reforma agrária. As
multinacionais norte-americanas e mais de 50.000 comércios foram expropriados e se tornaram
propriedade do Estado. Impactados pelas medidas, muitos cubanos foram para o exílio.
No campo social, Fidel realizou uma intensa campanha de alfabetização, erradicou a desnutrição
infantil, declarou a gratuidade do ensino e o fim da privatização da saúde. Eliminou ainda o racismo
institucional e fez o país se tornar uma potência olímpica. Sua medicina hoje é reconhecida como uma
das melhores do mundo.
Apesar das inovadoras reformas sociais, houve grande repressão daqueles que o regime designava
como inimigos da revolução. Fidel realizou prisões arbitrárias, reprimiu e matou opositores. Muitos
inimigos foram fuzilados.
Além da forte repressão, ele montou um regime de partido único (o Partido Comunista de Cuba) e não
permitiu que a população escolhesse seu presidente de forma democrática.
Depois da Revolução Cubana, a ilha exerceu um papel central durante a Guerra Fria (1945-1991). O
período foi marcado pelo conflito ideológico entre o mundo capitalista, unido sob a liderança dos
americanos, e o bloco comunista, alinhado com os soviéticos.
Em abril de 1961, depois da tentativa de invasão da Baía dos Porcos por milicianos cubanos que
queriam derrubar o regime com o apoio dos EUA, Fidel Castro declarou oficialmente o regime comunista
e se aproximou da União Soviética (URSS). Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos
(OEA), que alegou que o regime socialista era incompatível com os princípios da instituição.
A URSS passou a ser o principal apoiador dos cubanos, oferecendo um forte auxílio financeiro,
econômico e militar. A ilha exportava produtos primários (sobretudo açúcar e tabaco) a preços vantajosos
e importava produtos industrializados e derivados do petróleo a valores abaixo do mercado internacional.
Em 1962, os EUA anunciaram um bloqueio comercial e financeiro que pretendia sufocar a economia
de Cuba. Os cubanos foram impossibilitados de realizar transações financeiras e de receberem
concessões econômicas com instituições ou empresas norte-americanas.
No mesmo ano, Cuba autorizou a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha. As relações entre
EUA e Fidel foram cortadas, com o receio da possibilidade de soviéticos dispararem uma bomba nuclear
em cidades americanas. O então presidente americano, John F. Kennedy, ordenou um bloqueio naval

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contra Cuba e ameaçou atacar o país. As tensões aumentaram, mas um acordo diplomático fez a União
Soviética ceder e retirar os mísseis.
Em contrapartida, os EUA se comprometeram a retirar seus mísseis da Turquia e não invadir Cuba. O
episódio é conhecido como “Crise dos Mísseis” e representa o momento mais crítico e tenso da Guerra
Fria, que quase levou a um confronto militar direto entre EUA e URSS.
Durante a Guerra Fria, Fidel buscou promover o socialismo e aumentar sua influência em outros
países. Cuba enviou expedições militares à África e apoiou tropas rebeldes em países da América Central.
Também promoveu uma política de ajuda humanitária internacional, com o envio de médicos a diversos
países em desenvolvimento.
Em 1991, após a Queda do Muro de Berlim (1989), novas fronteiras políticas, estratégicas e
econômicas foram delineadas. A União Soviética entrou em colapso. Em Cuba, os subsídios soviéticos
foram cortados e a ilha sofreu um grave baque na economia, sendo incapaz de continuar as reformas
estruturais. O conjunto de países da comunidade socialista chegou a somar 75% do fluxo comercial e o
seu fim foi um golpe duro para o país caribenho.
Os próximos anos foram marcados pela escassez de produtos, falta de alimentos, falta de combustível
e apagões de energia elétrica nas cidades cubanas. No campo, a baixa produtividade agrícola gerou
problemas de segurança alimentar, e o governo cubano recorreu ao mercado internacional para se
abastecer de comida.
As sucessivas crises econômicas e a ausência de liberdade política e econômica geraram o fenômeno
dos “balseros”, pessoas que se aventuram pelo mar em precárias embarcações, tentando chegar aos
Estados Unidos a qualquer custo.
Apesar da tensão com Cuba, ao longo dos anos, os Estados Unidos apoiou imigrantes que fugiam da
ilha. Nos últimos 50 anos, mais de dois milhões de cubanos deixaram o país. Quase 80% migraram para
os EUA.
Em 1966, Os Estados Unidos criou a Lei de Ajuste Cubano, um dispositivo que permitia que cubanos
que chegassem ilegalmente aos Estados Unidos conseguissem residência. Em 1995 foi instaurada a
política de "pés secos, pés molhados", que permitia que os migrantes cubanos se beneficiassem de
mecanismos para obter residência permanente, enquanto os que eram interceptados no mar eram
devolvidos ao seu país. Em janeiro de 2016, esta política foi suspensa.

Cuba sem Fidel


Afastado por problemas de saúde, Fidel deixou, em 2006, o poder nas mãos do seu irmão e
companheiro de revolução, Raúl Castro. Desde então, o ex-presidente foi afastado do cenário político e
fazia raras aparições públicas.
No comando de Raúl Castro, o governo realiza algumas reformas para estimular a economia. Ele
permite que empresas estrangeiras se instalem no país e decretou o fim da equidade salarial, um dos
pilares do comunismo. Anunciou, ainda, o fim de restrições a compra e venda de propriedades privadas.
O país faz novas parcerias comerciais com a China, países da União Europeia e América Latina. A
cooperação com países como Brasil e Venezuela cresce. O turismo desponta como uma das principais
atividades econômicas.
Em março de 2016, o então presidente americano Barack Obama, fez uma visita a Cuba. Essa foi a
primeira visita de um presidente americano à ilha depois de 1959. O gesto simboliza uma histórica
reaproximação dos dois países. Também foi definida a reabertura das embaixadas, um marco para o
reestabelecimento das relações diplomáticas. Mas um tema ainda é tabu: o fim do embargo norte-
americano à ilha. Hoje, o comércio entre os países ocorre apenas no contexto da ajuda humanitária, como
a compra e venda de remédios e alimentos.
Cuba permanece como o único modelo socialista do continente americano. A abertura proporcionada
por Raúl Castro está sendo gradual e visa o estabelecimento de uma economia de mercado mais
equilibrada, sem necessariamente realizar reformas políticas expressivas.
Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

Sobe para três o número de mortos em protestos na Venezuela79


Membro da Guarda Nacional foi baleado em Caracas; governo acusa oposição
CARACAS — Um membro da Guarda Nacional foi morto na noite desta quarta-feira em Caracas,
elevando para três o número de vítimas durante os protestos realizados na Venezuela. Mais cedo, dois
jovens já haviam sido mortos.

79
O GLOBO com Agências Internacionais. Sobe para três número de mortos em protestos na Venezuela. Disponível em: <
http://oglobo.globo.com/mundo/sobe-para-tres-numero-de-mortos-em-protestos-na-venezuela-
21232749?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo> Acesso em 20 de abril de 2017.

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Segundo a Defensoria do Povo, o militar foi baleado por um franco-atirador. O deputado chavista
Diosdado Cabello, homem forte do regime, culpou o governador de Miranda, Henrique Capriles, e a
oposição pela morte.
— Acabam de assassinar um guarda nacional em San Antonio de los Altos. Capriles e seu combo de
assassinos estavam buscando mortos, desesperados. Mas aqui haverá justiça, tenham certeza de que
vai haver justiça — afirmou Cabello, em seu programa televisivo semanal.
Já haviam sido confirmadas as mortes de Carlos José Moreno Baron, de 17 anos, atingido por uma
bala na cabeça, na região de San Bernardino, em Caracas; e Paola Ramírez, de 23 anos, em San
Cristóbal, no estado de Táchira. Ambos, segundo a mídia local, foram atingidos por disparos feitos pelos
coletivos chavistas, embora não estivessem participando das marchas.
A oposição marcou um novo protesto para esta quinta-feira.
— Amanhã, na mesma hora, convocamos todo o povo venezuelano a se mobilizar. Hoje fomos milhões
e amanhã temos que reunir mais pessoas — declarou Capriles, em entrevista coletiva.

'Mãe de todas as marchas'


Chamada de "mãe de todas as marchas", a manifestação ocorreu um dia depois de o presidente,
Nicolás Maduro, ter denunciado em cadeia nacional uma tentativa de golpe de Estado “da direita
venezuelana, liderada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos”.
Sem fazer qualquer menção às mortes ocorridas durante as marchas, Maduro parabenizou a Força
Armada Nacional Bolivariana (Fanb) pelo “sucesso na largada do Plano Zamora”, anunciado na véspera
como a grande aposta do Palácio de Miraflores “para derrotar o golpe de Estado”.
— O Plano Zamora está dando resultados — comemorou, ao fim de uma manifestação convocada
para se contrapor, como de costume, aos protestos opositores.
A repressão também atingiu a imprensa: o sinal da TV do jornal colombiano “El Tiempo” foi retirado do
ar pelo governo quando transmitia ao vivo os protestos. Do Brasil, o chanceler Aloysio Nunes, acusou
Maduro de ser o responsável pela morte do manifestante em Caracas. “Aconteceu o que eu mais temia
na Venezuela: a repressão do governo matou um manifestante”, escreveu no Twitter.
— A repressão está se tornando cada vez mais violenta, existe uma vontade evidente de impedir as
ações da oposição — disse Carlos Correa, da ONG Espaço Público, que classifica a marcha de quarta-
feira como a maior dos últimos anos. — As pessoas estão decididas a continuar nas ruas. As declarações
de Maduro e do ministro da Defesa (Vladimir Padrino López) mostram um governo em guerra.
Na marcha, como em todas realizadas nos últimos dias — até durante a Semana Santa — dirigentes
de peso da Mesa de Unidade Democrática (MUD) como Capriles, estiveram presentes e foram atingidos
pela repressão. O uso de gás lacrimogêneo — inclusive de helicópteros — é cada vez mais intenso e
obrigou muitas pessoas a serem atendidas em hospitais.

MADURO ACUSA PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA


Um dos detidos foi o secretário geral do partido Primeiro Justiça (PJ, de Capriles) em Táchira, Gustavo
Gandica, acusado pelo governo de estar envolvido no suposto plano para derrubar Maduro.
— A violência é o último recurso do governo e, por isso, estamos vendo uma violência descontrolada.
Caracas virou uma espécie de Berlim, só que aqui o muro não é de cimento, e sim formado por militares
que não permitem que manifestantes da oposição cheguem ao centro da cidade — assegurou Carlos
Romero, professor da Universidade Central da Venezuela.
Para ele, o governo já se esqueceu da política, não se importa com a repercussão internacional e
ignora os alertas:
— Mais cedo ou mais tarde, um setor militar não acompanhará mais esta aventura repressiva, mas
pode levar meses.

Nicolás Maduro
Eleito em abril de 2013 para suceder Hugo Chávez, o presidente enfrenta forte pressão por conta da
escassez de alimentos e remédios, agravada pela queda dos preços do petróleo. Trava uma guerra
política contra o Parlamento, controlado pela oposição, que o chama de ditador.
Maduro acusou o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, de ter violando a
Constituição ao pedir à Fanb que “esteja ao lado do povo”. Em Caracas, há a sensação de que Borges
pode ser um dos próximos perseguidos.
— Borges, mais uma vez, cometeu um delito contra a Constituição e deverá ser processado. Ele está
pedindo, abertamente, um golpe de Estado e a divisão dentro da Fanb — disse, prometendo eleições “em
breve”, mas sem falar em datas.

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Já o presidente da AN assegurou que seu único objetivo é “pedir que a Constituição seja respeitada”.
E pela segunda vez em menos de um mês, a procuradora-geral da República, a chavista Luisa Ortega,
questionou publicamente o governo ao exigir a garantia ao direito de manifestações pacíficas.

Estados Unidos adiam construção do muro na fronteira com México80


Financiamento do muro colocou em risco votação orçamentária do governo.
Trump recuou e disse que aceita que o dinheiro seja liberado em setembro
A ameaça de uma paralisação do governo americano fez o presidente Donald Trump suspender, por
enquanto, uma das promessas mais repetidas na campanha eleitoral do ano passado.
A pressa acabou. É que a disputa política virou uma barreira maior do que o muro de 3.500 quilômetros
entre os Estados Unidos e o México, que Donald Trump prometeu durante a campanha presidencial.
Trump queria mais de US$ 1 bilhão para começar a construção. E queria a verba até sexta-feira (28),
prazo para que o Congresso aprove uma extensão do orçamento federal.
Mas o impasse sobre como financiar o muro estava colocando em risco a votação do orçamento, e
poderia forçar uma paralisação do governo americano.
Na segunda-feira (24), numa conversa fechada com jornalistas, Trump recuou e disse que aceita que
o dinheiro só seja liberado em setembro, quando começa um novo ano fiscal.
Nesta terça-feira (25), o presidente afirmou: “O muro vai ser construído. Temos tempo de sobra.”
Mas o muro pode não sair do papel da forma como foi prometido. Alguns senadores propõem uma
mistura de barreira física com barreira tecnológica, usando câmeras e sensores de movimento. O desafio
para Donald Trump vai ser explicar essa mudança para os eleitores dele.

Estado Islâmico assume autoria do ataque de Londres81


Atentado na London Bridge e no Borough Market deixou 10 mortos, entre eles 7 vítimas e 3 terroristas.
O grupo Estado Islâmico (EI) assumiu neste domingo (4), por meio de sua agência Amaq, que o ataque
de Londres foi promovido por soldados do grupo. O atentado deste sábado na London Bridge e no
Borough Market deixou 10 mortos, entre eles 7 vítimas e 3 terroristas.
Rita Katz, diretora do SITE Intel Group, que monitora a ação de grupos jihadistas na internet, postou
no Twitter a reivindicação do EI:
1) Breaking: #ISIS' #Amaq claims attacks in #London carried out by #ISIS fighters, according to its
sources pic.twitter.com/M7xOxzWQq7
— June 4, 2017
"Um destacamento de combatentes do Estado Islâmico promoveu o ataque de Londres ontem", diz a
mensagem da Amaq, segundo Katz. A palavra "destacamento", ainda de acordo com a diretora, mostra
que provavelmente o atentado foi coordenado com o grupo, e não apenas inspirado nele.
De acordo com a agência Reuters, o EI difundiu uma mensagem no sábado de manhã pelo aplicativo
Telegram convocando seus seguidores a promover ataques com caminhões, facas e armas durante o
Ramadã, mês sagrado de jejum e orações para os muçulmanos.
Os terroristas envolvidos no ataque ainda não foram identificados. A polícia de Londres disse que vai
divulgar seus nomes "assim que seja operacionalmente possível". O que se sabe é que três terroristas
foram mortos pela polícia, mas não está claro quantos agiram no total e se alguém conseguiu fugir. Entre
a primeira ligação aos serviços de emergência reportando o ataque e a morte dos três terroristas foram 8
minutos. Policiais dispararam 50 balas contra eles.
Uma testemunha disse à BBC que um dos terroristas gritou "isto é por Alá" enquanto atacava. Alguns
usavam coletes com explosivos falsos, segundo os policiais.

O ataque
Por volta das 21h (horário local, 18h em Brasília), os terroristas atropelaram com uma van os pedestres
que passavam pela London Bridge, um dos cartões-postais da cidade. Relatos de testemunhas apontam
que a van deixou a área reservada aos veículos na ponte e avançou contra os pedestres na calçada a
mais de 80 Km/h.
Depois os homens sacaram facas e passaram a atacar pessoas que estavam em bares e restaurantes
nas proximidades do Borough Market.

80
G1. Estados Unidos adiam construção do muro na fronteira com México. G1, Jornal Nacional. Disponível em: < http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2017/04/estados-unidos-adiam-construcao-do-muro-na-fronteira-com-mexico.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_content=jn>
Acesso em 26 de abril de 2017.
81
G1. Estado Islâmico assume autoria do ataque de Londres. G1 Mundo. Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/noticia/estado-islamico-assume-autoria-
do-ataque-de-londres.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 05 de junho de 2017.

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Vítimas
Sete pessoas morreram e pelo menos 48 foram levados de ambulância a cinco hospitais da cidade,
das quais 36 seguem internadas, 21 delas "em estado crítico", segundo as últimas informações dos
serviços de emergência. Outras pessoas foram atendidas no local. A polícia ainda não detalhou quantas
pessoas ficaram feridas no atropelamento em massa e quantas receberam ferimentos nos ataques à faca
que ocorreram pouco depois.
O Reino Unido ainda não divulgou a identidade das vítimas, o que pode demorar algum tempo. Mas
Canadá e França anunciaram que há um cidadão de cada país entre os mortos. Entre os feridos estão
sete franceses, um espanhol com ferimentos leves e um australiano, de acordo com seus respectivos
governos.

Detidos
A polícia deteve neste domingo 12 pessoas sob suspeita de envolvimento no ataque. Sete deles são
mulheres e cinco, homens. Os detidos têm idades variadas, de 19 a 60 anos. Um homem de 55 anos foi
liberado sem receber acusações. As buscas continuam em outros endereços.
A polícia disse que o público verá mais agentes - armados e desarmados - nas ruas da cidade, e que
as medidas de segurança nas pontes da cidade serão reforçadas.

3º ataque em 3 meses
O ataque deste sábado foi o terceiro em três meses. Em março, cinco pessoas morreram na ponte de
Westminster, na região do Parlamento, em um ataque semelhante, quando um homem atropelou algumas
pessoas e esfaqueou outras.
No dia 22 de maio, um homem-bomba matou 22 pessoas na saída do show da cantora americana
Ariana Grande, na Manchester Arena. Outras 59 pessoas ficaram feridas.
Neste domingo, um megashow com Ariana Grande, Justin Bieber, Miley Cyrus, Katy Perry e outros
artistas foi realizado em homenageiam às vítimas do atentado em Manchester. O show beneficente One
Love Manchester durou cerca de três horas e reuniu 50 mil pessoas no estádio de Old Trafford, na grande
Manchester.

Theresa May: 'basta'


Na manhã deste domingo, a premiê Theresa May falou à imprensa após se reunir com o comitê de
segurança na e atribuiu o atentado ao "extremismo islamita", antes da reivindicação do EI. May pediu
união para conter o terrorismo extremista. "Temos que ter uma estratégia robusta. Temos que revisar a
estratégia contra terrorista no Reino Unido. Se tivermos que aumentar as penas, faremos isso. Chegou a
hora de dizer: basta. Nossa sociedade precisa continuar com os nossos valores".
Para May, os ataques recentes não estão conectados, mas mostrariam uma nova "onda" na qual
"terrorismo gera terrorismo" e fica evidente que os terroristas estariam "copiando uns aos outros e usando
as mais cruéis formas de ataque".

Portugal vive sua maior tragédia em incêndio florestal82


Portugal está arrasada com o incêndio que matou pelo menos 61 pessoas e deixou cerca de 60 feridos.
Essa é, certamente, a maior tragédia registrada no país nas últimas décadas. O incêndio que atingiu
Pedrógrão Grande e região é o incidente que fez mais vítimas fatais na história recente de Portugal e já
é considerado um dos mais graves do mundo. O fogo começou no sábado e ainda não está totalmente
controlado.
O cenário nos vilarejos tomados pelo fogo assusta. Segundo relata a mídia portuguesa, há corpos
espalhados pelo chão esperando para serem recolhidos. Alguns estão cobertos com lençóis brancos.
Outros nem isso. Há inúmeras pessoas desaparecidas e outras tantas em desespero por terem perdido
parentes, vizinhos ou amigos. Pessoas com as quais conviviam diariamente e cuja família se conhecia a
gerações até tudo se acabar em chamas.
Para se ter uma ideia do estrago que o fogo causou nos vilarejos aos quais chegou é preciso entender
Portugal. O país tem pouco mais de 10 milhões de habitantes. Cerca de 1/3 da população vive na capital
Lisboa ou arredores. Outra parte reside em volta do Porto, cidade ao Norte do país. O país é pequeno e
praticamente todo mundo, de alguma forma, se conhece – ou conhece alguém que conhece alguém.
Pedrógão Grande é uma vila que pertence ao Distrito de Leiria, na região central do país, com menos
de 2 mil habitantes. Há inúmeros vilarejos em volta, que pertencem ao concelho – a divisão municipal
portuguesa difere da brasileira. Alguns desses vilarejos (ou aldeias, como chamam por aqui) têm 100
82
PUGLLERO, FERNANDA. Portugal vive sua maior tragédia em incêndio florestal. Correio do Povo. Disponível em: <
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Internacional/2017/6/620719/Portugal-vive-sua-maior-tragedia-em-incendio-florestal> Acesso em 19 de junho de 2017.

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habitantes. Outros, 30 ou menos. Há vilarejos onde sobreviveram apenas algumas pessoas para contar
a história e narrar os momentos de pavor ao tentar escapar das chamas e salvar pessoas – pois as casas
arderam.
Segundo informações preliminares, o fogo iniciou por causas naturais – presume-se que um raio tenha
colocado em chamas alguma árvore e, por causa do calor combinado à umidade, o fogo tenha se
espalhado rapidamente. A fumaça que emanou da floresta que fica no local tinha coloração branca – e é
extremamente tóxica. Sem informação sobre o perigo e sobre a grandeza do incidente, alguns moradores
tentaram fugir das chamas que poderiam chegar às suas casas e se dirigiram à principal estrada da região
– que agora ficou conhecida como “Estrada da Morte”, pois as pessoas que ali estavam acabaram
intoxicadas pela fumaça antes de serem carbonizadas pelas chamas.
Um dos maiores canais da televisão portuguesa sobrevoou a estrada com um drone. O cenário é
devastador. Os carros foram consumidos pelas chamas e, provavelmente, as pessoas desesperadas com
o avançar do fogo não sabiam para onde fugir. A maioria morreu dentro dos automóveis. Alguns foram
encontrados nas laterais da estrada e, presume-se, tenham morrido intoxicados antes de terem os corpos
queimados – pois quando uma pessoa morre queimada, coloca os membros em posição de defesa, o
que não se observou nas vítimas que estavam com os braços estendidos ao lado do corpo.
O governo português decretou luto oficial de três dias e promete investigar as causas do incêndio.
Alguns donativos já começam a chegar para ajudar as famílias das vítimas fatais e os sobreviventes a
reconstruírem suas vidas – se bem que talvez isso não seja possível, após o trauma de ver o fogo avançar
e nada ser feito. Muitos moradores locais criticam a lentidão das autoridades em apagar o incêndio:
“Deixaram-nos aqui para morrer”, disse um residente de Pedrógrão Grande a um site de notícias
português. As festas juninas foram suspensas por três dias em todo o país – junho é um mês festivo em
Portugal. O clima está pesado nas ruas e “toda a gente”, como dizem os portugueses, lamenta a tragédia.

Número de refugiados no mundo é o maior já registrado, diz relatório da ONU83


De acordo com os dados, números registrados em 2016 superam os de 2015, com um aumento de
mais de 330 mil pessoas que tiveram que ser deslocadas
Só no ano passado, cerca de 65,6 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar em todo o mundo.
Do total forçado a se deslocar, 10,3 milhões de pessoas são novas e cerca de dois terços (6,9 milhões)
delas se deslocaram dentro de seus próprios países. As crianças representam a metade do número total
dos refugiados de todo o mundo.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (19) por meio do maior levantamento sobre
deslocamentos no mundo, o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
De acordo com os dados, os números registrados em 2016 superam os de 2015, com um aumento de
mais de 300 mil pessoas. O número de refugiados aumentou, alcançando a marca de 22,5 milhões de
pessoas.
Conflitos políticos, guerras e perseguições são as principais causas dos deslocamentos. Desse total
de pessoas, 17,2 milhões estão sob a responsabilidade do Acnur, e o restante é formado por refugiados
palestinos. O conflito na Síria mantém o país como o local de origem do maior número de deslocados (5,5
milhões).
Ainda de acordo com o Acnur, se não for levada em conta a situação dos palestinos, os afegãos
continuam sendo a segunda maior população de deslocados (4,7 milhões) no mundo, seguidos pelos
iraquianos (4,2 milhões).
O Sudão do Sul também aparece em destaque nos números de 2016, onde “a desastrosa ruptura dos
esforços de paz contribuiu para o êxodo de 739,9 mil pessoas entre julho e dezembro. No total, já são
1,87 milhão de deslocados originários do Sudão do Sul”.
No fim do ano passado, a organização registrou que 40,3 milhões de pessoas foram forçadas a se
deslocar dentro de seus próprios países.
Além disso, a Síria, o Iraque e “o ainda expressivo deslocamento dentro da Colômbia foram as
situações de maior movimento interno. Esse tipo de deslocamento representa quase dois terços dos
deslocamentos forçados em todo o mundo”, acrescenta a organização.
Países receptivos
O relatório diz ainda que, em 2016, 2,8 milhões de pessoas pediram formalmente refúgio em outros
países. Para o Acnur, os números indicam a necessidade de consolidar mecanismos de proteção para
essas pessoas e de suporte para países e comunidades que apoiam pessoas deslocadas.
O retorno das pessoas para as suas casas, em conjunto com outras soluções como reassentamento
em outros países, significou melhores condições de vidas para muitos no ano passado.
83
IG SÃO PAULO. Número de refugiados no mundo é o maior já registrado, diz relatório da ONU. Último Segundo. Mundo. Disponível em: <
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2017-06-19/refugiados.html> Acesso em 19 de junho de 2017.

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"No total, cerca de 37 países aceitaram 189.300 refugiados para reassentamento. Cerca de meio
milhão deles tiveram a oportunidade de voltar para seus países, e aproximadamente 6,5 milhões de
deslocados internos regressaram para suas regiões de origem – embora muitos deles em circunstâncias
abaixo do ideal e com um futuro incerto”, afirma a organização.

Mais da metade da população mundial não tem acesso a saneamento básico, diz ONU84
Cerca de 4,5 bilhões de pessoas no mundo – bem mais da metade da população global atual de 7,6
bilhões de habitantes - não têm acesso a saneamento básico seguro, segundo relatório recente divulgado
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Já
a quantidade de moradores do planeta com algum saneamento básico é de 2,3 bilhões. A informação é
da ONU News.
O documento das Nações Unidas indica ainda que o número de pessoas sem acesso à água potável
em casa é de 2,1 bilhões em todo o mundo. Esta é a primeira vez que a OMS e o Unicef fazem um
levantamento global sobre água, saneamento básico e higiene.
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus afirmou que água potável encanada, saneamento e
higiene não deveriam ser privilégios apenas daqueles que vivem em centros urbanos e em áreas ricas.
Para ele, os governos são responsáveis por assegurar que todos tenham acesso a esses serviços.

Esgoto tratado
Desde 2000, quando foi lançada a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, bilhões de
pessoas ganharam acesso à água potável e saneamento, mas esses serviços não garantem
necessariamente o saneamento seguro, aquele que é ligado a uma rede de esgoto tratado.
Esse quadro gera doenças que podem ser mortais para crianças com menos de cinco anos de idade.
Todos os anos, mais de 360 mil menores morrem de diarreia, uma doença evitável. Já o saneamento
mal feito pode causar cólera, disenteria, hepatite A e febre tifóide, entre outros problemas.
O diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake, disse que ao melhorar esses serviços para todos, o
mundo dará às crianças a chance de um futuro melhor.
Em 90 países, o avanço na área de saneamento básico é muito lento, o que leva a crer que a cobertura
universal não será alcançada até 2030, quando se encerra o prazo para cumprimento da Agenda 2030,
que estabelece os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, que devem
ser implementados por todos os países até aquele ano.

Latrinas compartilhadas
Dos 4,5 bilhões de pessoas sem acesso a esgoto tratado, 600 milhões têm que compartilhar um toalete
ou uma latrina com moradores de outros lares. Já o número de pessoas que defecam a céu aberto é de
892 milhões. Devido ao aumento da população, essa situação tem crescido na África Subsaariana e na
Oceania.
O relatório indica ainda que, em países que passam por conflitos, as crianças têm quatro vezes menos
chance de usar serviços de abastecimento de água e duas vezes menos de ter o saneamento básico que
crianças em outros países.
Os serviços de água potável, saneamento básico e higiene são essenciais para que o mundo alcance
o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 3: assegurar uma vida saudável e promover o bem-
estar de todos, em todas as faixas etárias.

Mercosul submete Venezuela a 'suspensão política' do bloco85


Acordo inclui cláusula democrática que justificou a suspensão
Em reunião nesta manhã de sábado em São Paulo, representantes do Mercosul - bloco formado por
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - anunciaram a suspensão da Venezuela do bloco econômico.
"Desta vez, temos sanção de natureza política. Ainda que ela internalize os acordos e não tenha
reestabelecido a democracia, seguirá suspensa", explicou o ministro das relações exteriores, Aloysio
Nunes.
Os chanceleres do Mercosul tomaram a decisão com base no Protocolo de Ushuaia. O compromisso
assinado em 1998 inclui uma cláusula democrática que levou à suspensão política do país no bloco.

84
ONU NEWS. Mais da metade da população mundial não tem acesso a saneamento básico, diz ONU. EBC Agência Brasil. Disponível em: <
http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-07/mais-da-metade-da-populacao-mundial-nao-tem-acesso-saneamento-basico> Acesso em 13 de julho
de 2017.
85
ESTADO DE MINAS. Mercosul submete Venezuela a ‘suspensão política’ do bloco. Em.com.br. Disponível em:
<http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/08/05/internas_economia,889588/mercosul-submete-venezuela-a-suspensao-politica-do-bloco.shtml> Acesso
em 07 de agosto de 2017.

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Atualmente, o Brasil ocupa a presidência temporária do bloco. O encontro foi realizado na prefeitura de
São Paulo, no centro da cidade.
O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes chegou a antecipar, por meio de sua conta no
Twitter, que o Brasil pediria a suspensão da Venezuela do Mercosul. "É intolerável que nós tenhamos no
continente sul-americano uma ditadura. Houve uma ruptura da ordem democrática na Venezuela", disse.
"E, por consequência, o Brasil vai propor que ela seja suspensa do Mercosul até que a democracia volte.",
completou.
Desde abril, a Venezuela vive uma onda de manifestações a favor e contra o governo, muitas delas
violentas e que já deixaram cerca de 100 mortos e mais de mil feridos. O governo Maduro deu posse
nesta sexta-feira (4) a uma nova Assembleia Nacional Constituinte, que a oposição não aceita. A iniciativa
foi criticada pelo Mercosul, bloco do qual a Venezuela também faz parte, mas está suspensa por causa
dos conflitos políticos.
Eleita presidente da Assembleia Nacional Constituinte venezuelana, a governista Delcy Rodríguez
convocou para hoje (5) a primeira sessão do poder "plenipotenciário" para iniciar o processo que
reformará a Constituição e reordenará o Estado. Delcy também acusou a oposição de espalhar ideias
falsas sobre o que acontece no país e garantiu que "na Venezuela não há fome, na Venezuela há vontade
aqui não há crise humanitária, aqui há amor".

'Sou nazista, sim': o protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e
judeus86
Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras
de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.
Foi a cena - surreal, para muitos observadores - que desfilou aos olhos da pacata cidade universitária
de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.
O protesto, na noite da sexta-feira, foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento
"Unir a Direita", que acontece na tarde deste sábado na cidade e promete reunir mais de mil pessoas,
incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.
A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida
como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert
E. Lee de um parque municipal.
Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano,
buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas
vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de
outro.
Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam
palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência a imigrantes; "Vidas Brancas
Importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos Antifas", abreviação
de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.
Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se
apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos
manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas
Jefferson.
"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.
Em número bem menor, o grupo que fazia oposição à marcha foi expulso da estátua em poucos
minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua
vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.
A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto
ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.
"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia
não confirmou se houve presos.
Nazis
"Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim", afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma
discussão com um dos membros do grupo opositor.
Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam
tochas.

86
SENRA, RICARDO. ‘Sou nazista, sim’: o protesto da extrema direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus. BBC Brasil. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40910927?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 14 de agosto de 2017.

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A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. "Eu
aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento
para a minha filha", afirmou o pai.
"Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país", disse a mãe. A conversa foi
interrompida por um homem forte e careca. "Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque
dele!", afirmou, rindo, em referência ao repórter.
A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava "Judeus não vão nos substituir". Os três
seguravam tochas.
Outro homem afirmou que estava ali porque "têm o direito de se expressar".
"Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque
quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse
escândalo?", questionou o homem a um grupo de jornalistas.
Perto dali, sozinho, um rapaz jovem estendia a mão e fazia uma saudação nazista, enquanto era
fotografado por fotojornalistas e gritava: "Vocês não vão nos substituir".
As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados
confederados - derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK
rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.
Por muitas décadas, grupos supremacistas brancos promoveram linchamentos, enforcamentos e
assassinatos de negros.
Não houve referências ao presidente americano Donald Trump durante todo o ato. Mas as críticas à
imprensa eram constantes e faziam coro com o slogan de Trump: "Não temos medo de 'fake news', seus
mentirosos".
Chorando muito, uma estudante era amparada por amigos. "É pior do que a gente pensava. É muito
pior. Isso vai virar um inferno."
"A negra está assustada!", gritou uma mulher, rindo junto a um grupo de homens portando tochas.
Alt-right
O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como "uma parada
covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".
"A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica,
então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da
universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e
desprezível de intimidação visual em um campus universitário".
Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right,
uma abreviação de "alternative right", ou "direita alternativa", em português. O grupo é acusado de
racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.
Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de
julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em
Charlottesville.
Presidente de uma organização que define como "dedicada à herança, identidade e ao futuro de
pessoas de ascendência europeia nos EUA", Spencer ganhou visibilidade internacional por fazer a
saudação "Hail Trump, hail nosso povo, hail vitória", logo após a eleição do republicano.
Formado em filosofia política na Universidade de Chicago, Spencer já declarou que o ativista negro
Martin Luther King Jr. era uma "fraude" e um símbolo da "desconstrução da Civilização Ocidental".
Também disse que imigrantes latinos nos EUA estavam "se assimilando ao longo das gerações rumo
à cultura e ao comportamento dos afro-americanos" e lamentou que o país estivesse se tornando diferente
da "América Branca que veio antes".

Corpos foram levados pela lama em deslizamento em Serra Leoa; mais de 400 mortes estão
confirmadas87
No continente africano, o deslizamento é um dos mais devastadores em décadas. Mulheres e crianças
foram os mais atingidos
No local em que ocorreu um deslizamento, na cidade de Freetown, capital de Serra Leoa, a
coordenadora de emergência dos Serviços Católicos, Idalia Amaya, afirma ter ficado horrorizada ao ver
casas arrastadas, vilarejos soterrados e corpos flutuando por ruas alagadas pela lama que se espalhou
e já matou centenas de pessoas - mais de 400 mortes estão confirmadas e organizações humanitárias
estimam entre 600 e 1.500 desaparecidos. Em alguns bairros, há mais gente morta do que viva.

87
O POVO ONLINE. Corpos foram levados pela lama em deslizamento em Serra Leoa; mais de 400 mortes estão confirmadas. O Povo online. Disponível em:
<http://www.opovo.com.br/noticias/mundo/2017/08/agente-em-serra-leoa-diz-que-corpos-foram-levados-pela-lama.html> Acesso em 17 de agosto de 2017.

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Amaya relata que viu corpos descendo pelos córregos, enquanto muitas pessoas choravam e gemiam.
Em entrevista à Thomson Reuters Foundation, a assistente humanitária disse ter tido um visão horrível.
A encosta de uma montanha desmoronou na manhã da última segunda-feira, no subúrbio de Freetown,
o que soterrou dezenas de residências.
No continente africano, o deslizamento é um dos mais devastadores em décadas. Mulheres e crianças
foram os mais atingidos, já que os homens haviam saído cedo para trabalhar. Pelo menos 3 mil pessoas
estão desabrigadas e precisam de alimentos. Para Amaya, a chance de encontrar sobreviventes é
improvável.

Atentado com van em Barcelona deixa 13 mortos e mais de 100 feridos88


O Estado Islâmico reivindicou o ataque em um comunicado divulgado por sua agência de propaganda
Pelo menos 13 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas nesta quinta-feira em Barcelona,
quando uma van avançou sobre uma multidão em Las Ramblas, turística avenida da capital catalã, em
ataque terrorista reivindicado pelo grupo Estado Islâmico. "Nós podemos confirmar neste momento que
há 13 mortos e mais de uma centena de feridos", declarou à imprensa o ministro do Interior catalão,
Joaquim Forn, ao revisar para cima o balanço de feridos, que era de cinquenta pessoas.
O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque em um comunicado divulgado por sua agência de
propaganda Amaq e retransmitido pelo centro americano de vigilância dos sites extremistas, SITE.
Os autores "do ataque de Barcelona eram soldados do Estado Islâmico", indica o comunicado,
apontando que "a operação foi realizada em resposta aos pedidos de alvejar os Estados da coalizão"
internacional anti-extremista que atua na Síria e no Iraque.
Por volta das 17h locais (12h de Brasília), uma van atravessou a toda velocidade a mais turística das
avenidas de Barcelona, onde turistas espanhóis e estrangeiros costumam passear.

Muito sangue
"Estava ao lado, no Corte Inglés [loja de departamentos] e ouvi um barulho forte. Tentamos sair, mas
não pudemos. Vi quatro, cinco corpos no chão e pessoas tentado reanimá-los, e muito sangue", contou
Lily Sution, uma turista holandesa.
"Quando tudo aconteceu, saí correndo e vi destroços, quatro corpos no chão, pessoas socorrendo,
gente chorando e também havia muitos estrangeiros que perderam os seus familiares", contou à AFP
Xavi Pérez, de 26 anos e balconista.
Dois suspeitos foram detidos. O primeiro foi identificado pela Polícia como Driss Oukabir, disse à AFP
um porta-voz do sindicato policial SUP. Depois, o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont,
informou um segundo detido, sem dar maiores detalhes.
Este ataque remete a outros atentados terroristas na Europa com veículos, como o de Nice em 14 de
julho de 2016, quando um caminhão conduzido por um tunisiano foi lançado contra a multidão, matando
86 pessoas e deixando mais de 400 feridos.
O atentado provocou uma dura condenação da Casa Real espanhola.
"São uns assassinos, simplesmente uns criminosos que não vão nos aterrorizar. Toda a Espanha é
Barcelona. Las Ramblas voltarão a ser de todos", reagiu o Palácio real no Twitter.
"Os terroristas nunca derrotarão um povo unido que ama a liberdade diante da barbárie", assinalou o
chefe de Governo, Mariano Rajoy, que se deslocava até Barcelona junto com a sua vice-presidente e o
ministro do Interior, confirmou um porta-voz do governo à AFP.

Cenas de pânico
Enquanto a área de Las Ramblas na segunda cidade espanhola se mantinha cercada por um cordão
de segurança, a Polícia pediu à população que evitasse se deslocar. Inúmeros veículos de emergência e
policiais estavam no local, constatou um jornalista da AFP.
Em meio a cenas de pânico, alguns feridos foram levados ao Corte Inglés, aparentemente para receber
os primeiros socorros, indicou um jornalista da AFP. Os policiais pediam às lojas próximas ao local que
deixassem os pedestres entrar e fechassem as portas.
Outros agentes evacuaram a Praça Catalunha, enquanto diziam por alto-falantes: "ataque terrorista".
As autoridades ordenaram o fechamento das estações de metrô e de trem próximas à zona, enquanto
cancelavam todas as "atividades lúdicas" do dia na cidade.

88
AGENCE PRESSE-FRANCE. Atentado com van em Barcelona deixa 13 mortos e mais de 100 feridos. Em.com.br Internacional. Disponível em:
<http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/08/17/interna_internacional,892860/atentado-com-van-em-barcelona-deixa-13-mortos-e-mais-de-100-
feridos.shtml> Acesso em 18 de agosto de 2017.

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Condenação internacional
O ataque também foi condenado internacionalmente.
"Estamos consternados com o ataque em Barcelona. O Brasil se solidariza com o povo espanhol.
Nossos sentimentos à família das vítimas", escreveu o presidente Michel Temer em sua conta no Twitter.
"Os Estados Unidos condenam o ataque terrorista em Barcelona, na Espanha, e farão todo o
necessário para ajudar", tuitou o presidente Donald Trump.
O presidente francês, Emmanuel Macron, transmitiu "a solidariedade da França às vítimas", enquanto
a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que seu país "apoia a Espanha contra o terrorismo".
O presidente russo, Vladimir Putin, pediu que o mundo se una "em uma batalha intransigente contra
as forças do terror", após o violento ataque em Barcelona, informou o Kremlin.
"Nós pensamos com profunda tristeza nas vítimas do ataque revoltante de Barcelona - com
solidariedade e amizade nos espanhóis", escreveu Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã, Angela
Merkel, em sua conta no Twitter.
A Espanha, terceiro destino turístico mundial, permaneceu até agora à margem da onda dos atentados
do grupo Estado Islâmico em grandes cidade europeias como Paris, Bruxelas, Londres, Nice e Berlim.
Mas em 11 de março de 2004 sofreu os atentados extremistas mais sangrentos cometidos na Europa,
quando cerca de 10 bombas explodiram em vários trens de Madri deixando quase 200 mortos. Os ataques
foram reivindicados em nome da Al-Qaeda por uma célula islamita radical.

Míssil da Coreia do Norte sobrevoa o Japão89


Míssil balístico se quebrou em três partes e caiu no Oceano Pacífico, segundo NHK. Autoridade
japonesa diz que lançamento representou 'ameaça sem precedentes'.
A Coreia do Norte realizou um novo disparo de míssil balístico em direção ao Mar do Japão às 5h57
da manhã desta terça (29, horário local). O míssil saiu de uma localidade próxima a Sunan, alcançou uma
longa distância e cruzou o céu do Japão.
Segundo a emissora de TV japonesa NHK, o míssil se partiu em três pedaços e caiu no Oceano
Pacífico, a 1.180 kms de Cabo Erimo, em Hokkaido. Ele teria percorrido uma distância de 2.700 km a
uma altitude de aproximadamente 550 km.
O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe convocou uma reunião de emergência para discutir o
lançamento, antes da qual fez uma breve declaração à imprensa. "Nós faremos os maiores esforços para
proteger firmemente a vida das pessoas", disse.
O Secretário-geral do Gabinete do Japão, Yoshihide Suga, afirmou que a proximidade do míssil
representou uma ameaça sem precedentes e condenou o lançamento "nos mais fortes termos".
O presidente sul-coreano Moon Jae-in também convocou uma reunião sobre o assunto.
O Pentágono emitiu um comunicado no qual confirma o lançamento de um míssil que sobrevoou o
Japão, e afirma que ele não representou qualquer tipo de perigo para os Estados Unidos.
No último sábado (26), a Coreia do Norte realizou o disparo de três mísseis balísticos de curto alcance,
também em direção ao Mar do Japão. Segundo o Comando dos EUA no Pacífico, naquele dia o primeiro
e o terceiro falharam em seu lançamento e o segundo parece ter explodido quase imediatamente.

Elogio
Há pouco mais de dez dias, o presidente Donald Trump chegou a elogiar o líder norte-coreano Kim
Jong-un por sua "atitude sábia" ao afastar a possibilidade de um ataque. Na véspera, Jong-un tinha dito
que iria continuar observando as atitudes americanas, em vez de determinar um ataque imediato.
No dia 15 de agosto, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, disse que estava "satisfeito ao
ver que o regime de Pyongyang tinha demonstrado certo nível de contenção que não vimos no passado"
e até expressou a esperança de um futuro diálogo.
O otimismo foi compartilhado por Trump, que afirmou que respeitava o fato de que "ele (Jong-un) está
começando a nos respeitar". Segundo Trump, "talvez - provavelmente não, mas talvez - algo positivo
possa vir disso".
Um dia depois, no entanto, a agência estatal norte-coreana KCNA informou que o líder tinha ordenado
a produção de mais motores de foguetes de combustível sólido e ogivas de mísseis durante uma visita a
um instituto científico militar. Além disso, o diplomata Ju Yong Chol afirmou em uma conferência da ONU
que o arsenal nuclear de seu país nunca vai entrar na mesa de negociação.
"As medidas tomadas pela Coreia do Norte para fortalecer seu efetivo de defesa nuclear e desenvolver
foguetes intercontinentais são justificáveis e uma legítima opção de autodefesa diante de ameaças

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G1. Míssil da Coreia do Norte sobrevoa o Japão. G1 Mundo. Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/noticia/coreia-do-norte-lanca-missil-diz-tv-
japonesa.ghtml> Acesso em 29 de agosto de 2017.

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aparentes e reais", afirmou Ju em Genebra, fazendo referência às "ameaças nucleares constantes" dos
EUA.
"Enquanto a política hostil e as ameaças nucleares dos EUA não forem desafiadas, a Coreia do Norte
nunca colocará seu efetivo de defesa nuclear na mesa de negociações".

Crise com os EUA


A crise entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos se agravou no início de agosto, quando Pyongyang
anunciou que pretendia lançar quatro mísseis Hwasong-12 de médio alcance em um ataque nas
proximidades da ilha de Guam, território dos Estados Unidos no Oceano Pacífico.
Em reação, Trump prometeu responder "com fogo e fúria como o mundo nunca viu" se o país asiático
insistisse nas ameaças. Em resposta, o general Kim Rak Gyom, comandante da Força Estratégica do
Exército do Povo Coreano, disse que o presidente americano não tinha entendido. "Diálogo saudável não
é possível com um sujeito tão desprovido de razão e apenas força absoluta pode funcionar sobre ele".
O tom da discussão subiu, com Trump afirmando que que sua ameaça de responder com “fogo e fúria”
às provocações da Coreia do Norte talvez não tenha sido “forte o suficiente”. “É melhor a Coreia do Norte
começar a agir direito ou ela estará em apuros como poucos países já estiveram antes”, disse.
Por sua vez, os militares norte-coreanos prometeram "destruir sem perdão os provocadores que estão
fazendo tentativas desesperadas de sufocar a Coreia do Norte" e afirmaram que os Estados Unidos
iriam "sofrer uma derrota vergonhosa e uma condenação final", caso "persistam em suas aventuras
militares, sanções e pressões extremas".
As tensões pareciam ter sido reduzidas depois que Kim Jong-un, ao receber o plano de ataque a
Guam, anunciou que não iria autorizar imediatamente a ação, mas que preferia continuar observando o
comportamento e as ações dos EUA.
Em uma mensagem no Twitter, Trump reagiu da seguinte maneira: “Kim Jong-Un, da Coreia do Norte,
tomou uma decisão muito sábia e bem fundamentada. A alternativa teria sido catastrófica e inaceitável!”

Tempestade tropical Harvey chega à Louisiana, já em estado de emergência90


Região ainda não se recuperou completamente dos danos do furacão Katrina
CAMERON, EUA — Cinco dias depois de ter tocado a terra no Texas e deixado um lastro de destruição
e inundações, a tempestade Harvey chegou nesta quarta-feira à Louisiana, nos Estados Unidos. O estado
ainda não se recuperou completamente dos danos causados pelo furacão Katrina, em 2005. De acordo
com o NWS, quase 13 milhões de pessoas estão sob alerta ou observação de enchentes nas duas
regiões. Segundo o jornal "The New York Times", há relatos de 30 mortes no Texas, de acordo com
autoridades locais.
O Centro Nacional de Furacões anunciou que Harvey tocou a terra ao oeste da cidade de Cameron
com "chuvas torrenciais" que encheram as ruas do Sudeste do Texas e do Sudoeste do estado vizinho,
Louisiana.
O presidente americano, Donald Trump, declarou na segunda-feira estado de emergência no estado
de Louisiana diante do avanço da tempestade tropical Harvey para outras partes do país. O Serviço
Nacional de Meteorologia (NWS) previa até 63,5 centímetros de chuva no estado. O nível das chuvas
atingiu recorde contínuo no território americano, excluindo o Havaí, chegando a 125,3 centímetros. O
órgão informou que o ápice das inundações no Texas deve ocorrer na quarta e na quinta-feira.

Medidas de segurança em Houston


Em Houston, foram registrados 76 centímetros de chuva desde sexta-feira. O prefeito de Houston,
Sylvester Turner, impôs na terça-feira um toque de recolher de 00h às 5h da manhã. A medida foi tomada
para impedir roubos e invasões em propriedades vazias na cidade e já entrou em vigor por um período
indefinido. Após saques, assaltos à mão armada e pessoas que se fingem de policiais, reforços de
segurança vão ser trazidos de outras regiões dos EUA.
Até agora, 13 mil pessoas já foram resgatadas em Houston e seus arredores, segundo autoridades
locais. A cidade está abrindo mais abrigos de emergências para aliviar a multidão que se encontra em
um centro de convenções, no momento com 10 mil pessoas. Alguns dos moradores vão ser transferidos
para uma casa de shows e uma arena de basquete próximas. A cidade também abrirá um novo abrigo no
lado oeste, onde mais de 3 mil casas foram inundadas. Um outro centro em Humble vai abrigar pessoas
dos subúrbios ao norte da cidade, segundo o prefeito.

90
O GLOBO. Tempestade tropical Harvey chega à Louisiania, já em estado de emergência. O Globo, Mundo. Disponível em:
<https://oglobo.globo.com/mundo/2017/08/30/2273-tempestade-tropical-harvey-chega-louisiana-ja-em-estado-de-
emergencia?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo> Acesso em 31 de agosto de 2017.

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1357297 E-book gerado especialmente para ANA CRISTINA DE QUEIROZ RAMOS
Tempestade Harvey deixa milhares de desabrigados no Texas
A Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema) declarou no domingo que o fenômeno é o maior
desastre natural na história do Texas e deve levar a uma recuperação que poderá durar anos.
Após atingir o território americano como um furacão de categoria 4 — a segunda maior na escala
Saffir-Simpson — na noite de sexta-feira (25), Harvey se enfraqueceu para tormenta tropical, com ventos
de cerca de 110 km/h. Seu lento avanço pela região o torna muito perigoso, devido às chuvas torrenciais
que devem castigar a área com "enchentes prolongadas, perigosas e potencialmente catastróficas na
próxima semana", de acordo com o NWS.

Coreia do Norte anuncia teste com bomba de hidrogênio91


País afirma que artefato pode ser instalado em míssil intercontinental
Coreia do Norte testou neste domingo (03/09) sua bomba atômica mais potente até o momento, um
artefato termonuclear ou bomba H, que, segundo o regime, pode ser instalado em um míssil
intercontinental. Se confirmado, isso representa um importante e perigoso aumento de suas capacidades
militares.
O sexto experimento nuclear norte-coreano e segundo supostamente realizado com um artefato
termonuclear culmina um período de frenética atividade armamentista por parte do regime de Kim Jong-
un, após testar mais de uma dezena de mísseis balísticos desde o começo do ano, entre eles dois
intercontinentais.
Essa intensificação coincidiu com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro passado –
o de hoje é o primeiro teste atômico norte-coreano sob seu mandato –, e gerou uma das piores crises de
segurança na região nos últimos anos.
O novo experimento atômico ocorreu hoje (3) por volta das 12h30 (horário local, 0h30 em Brasília),
quando os institutos sismológicos de Seul, Tóquio e Pequim detectaram um forte terremoto de origem
aparentemente artificial devido a sua pouca profundidade e com hipocentro na província onde a Coreia
do Norte realizou seu teste nuclear anterior.
Algumas horas depois, a imprensa oficial norte-coreana anunciou que o país tinha testado com "total
sucesso" um artefato termonuclear que pode ser instalado em um dos seus mísseis balísticos
intercontinentais (ICBM).
"O teste foi realizado com uma bomba com poder sem precedentes", disse a locutora da rede estatal
KCTV Ri Chun-hee, a encarregada de dar as notícias mais importantes para o regime, acrescentando
que o experimento teve "duas fases" e foi executado por ordem direta do líder Kim Jong-un.
A intensidade da detonação detectada neste domingo pelos países vizinhos e pela Organização do
Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, na sua sigla em inglês) indica que se tratou de
um ensaio muito mais potente que os cinco anteriores executados pelo regime.
A explosão teve uma potência estimada próxima a 100 quilotons, cinco vezes maior que o teste atômico
norte-coreano anterior, de setembro do ano passado, e cerca de 11 vezes superior à detectada em janeiro
do mesmo ano, quando Pyongyang afirmou ter testado outra bomba de hidrogênio.
Uma análise posterior apontou que o teste de janeiro de 2016 foi de um artefato de características
inferiores a um termonuclear, e desta vez Seul e Tóquio assinalaram que ainda estão analisando os dados
recolhidos para determinar se tratou-se de uma bomba H.
O teste volta a demonstrar que a Coreia do Norte não tem intenção de abandonar seu programa
nuclear apesar da pressão sem precedentes da comunidade internacional e dos recentes apelos ao
diálogo de Washington e Seul.

Comunidade internacional condena teste


A Itália, Estados Unidos, China, Rússia, Japão, Coreia do Sul, França, além da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia condenaram o novo teste nuclear com uma bomba
de hidrogênio realizado pela Coreia do Norte neste domingo (3) A comunidade internacional repudiou a
nova violação das diversas resoluções do Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas
(ONU) e exigiram o fim dos programas nuclear e balístico do país asiático.
O ministro das Relações Exteriores, Angelino Alfano, chamou a atitude da Coreia do Norte de
"irresponsável" e condenou o novo teste dizendo que "é a mais clara violação de muitas resoluções do
Conselho de Segurança das Nações Unidas".
"A Itália expressa sua solidariedade com os países da região pelas consequências do comportamento
irresponsável de Pyongyang", diz a nota do governo italiano.

91
AGÊNCIA BRASIL E EFE. Coreia do Norte anuncia teste com bomba de hidrogênio. Época Negócios. Disponível em:
<http://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2017/09/coreia-do-norte-anuncia-teste-com-bomba-de-
hidrogenio.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=post> Acesso em 04 de setembro de 2017.

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O primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, entrou em contato por telefone com o presidente da
França, Emmanuel Macron, para comentar a situação, segundo fontes oficiais.
Em nota, o francês disse que "a comunidade internacional deve tratar esta nova provocação com a
maior firmeza, para que a Coreia do Norte volte incondicionalmente ao caminho do diálogo e proceda ao
desmantelamento completo, verificável e irreversível de seu programa nuclear e balístico".
De acordo com a Casa Branca, o presidente norte-americano, Donald Trump, telefonou para o
primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para conversar sobre uma possível medida para "maximizar a
pressão sobre a Coreia do Norte".
Na conversa, os dois líderes reafirmaram a importância de uma estreita cooperação entre os Estados
Unidos, a Coreia do Sul e o Japão diante da "crescente ameaça dos norte-coreanos" e ainda destacaram
que medidas serão discutidas na Assembleia Geral da ONU.
No Twitter, Trump disse que as palavras e ações da Coreia do Norte continuam sendo muito hostis e
perigosas para os Estados Unidos. O republicano ainda disse que o país se tornou uma grande ameaça
e um constrangimento para a China. Além disso, Trump convocou uma reunião de emergência do
Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para tratar o teste da Coreia do Norte.
Por sua vez, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, anunciou que irá "preparar
uma série de sanções, que apresentarei ao presidente" para punir os norte-coreanos.
"Aqueles que fazem negócios com eles (Coreia do Norte) não poderão fazer negócios conosco.
Trabalharemos com nossos aliados. Trabalharemos com a China", indicou ele.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "a Coreia do Norte ignorou a
oposição da comunidade internacional efetuando um novo teste nuclear. O governo chinês expressa forte
oposição e forte condenação".
"Nós recomendamos que a Coreia do Norte olhe para o forte desejo expressado pela comunidade
internacional sobre a questão da desnuclearização, apoiada seriamente pelo Conselho de Segurança da
Onu, para evitar tomar as ações erradas que pioram a situação", acrescentou.
Já o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o novo teste nuclear foi "uma ameaça de
segurança séria e imediata" que "aumenta ainda mais o perigo do regime" e "compromete seriamente a
paz e a segurança no país".
Por sua vez, a Otan se disse preocupada com as ações "desestabilizadoras de Pyongyang", porque
representam uma "ameaça para a segurança nacional e internacional". "A Coreia do Norte cessa
imediatamente todas as atividades nucleares, balísticas, totalmente verificáveis e irreversíveis existentes
e retoma o diálogo com a comunidade internacional", ressaltou Jens Stoltenberg, secretário-geral da
Otan. A União Europeia definiu o teste como uma "grave provocação" e acrescentou que se trata de uma
nova violação "direta e inaceitável" das obrigações internacionais de Pyongyang.
"A mensagem da União Europeia é clara: a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) deve
abandonar os seus programas nucleares, de armas de destruição em massa e de mísseis balísticos de
forma completa, verificável e irreversível e pôr fim imediatamente a todas as atividades relacionadas",
afirmou em comunicado a representante da União para Assuntos Exteriores, Federica Mogherini. O
Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu calma e que todos os envolvidos mantenham o
diálogo. Por sua vez, o presidente sul-coreano Moon Jae-in, disse que Seul "nunca permitirá que a Coreia
do Norte continue avançando com suas tecnologias nucleares e de mísseis", segundo a agência local
"Yonhap".

Governo da Colômbia e guerrilha ELN anunciam cessar-fogo bilateral92


O governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN), a última guerrilha ativa do país,
acertaram nesta segunda-feira (4) um cessar-fogo bilateral. O acordo, que deve entrar em vigor a partir
de 1° de outubro, é anunciado às vésperas da visita do papa Francisco ao país.
O cessar-fogo foi acertado durante o terceiro ciclo de negociações de paz que o governo do presidente
Juan Manuel Santos e o Exército de Libertação Nacional (ELN) mantêm no Equador desde fevereiro.
A trégua temporária entre o governo da Colômbia e o ELN obriga os rebeldes a interromper aos
sequestros, informou o presidente Santos durante um discurso na televisão. Segundo o chefe de Estado,
o acordo terá uma vigência de 102 dias, “e será renovado à medida que se cumpra e se avance nas
negociações sobre os demais pontos".
A guerrilha também se exprimiu pelas redes sociais: "Sim, podemos! Agradecemos a todas e todos
que apoiaram decididamente os esforços para alcançar este #CessarFogoBilateral", indicou a delegação
negociadora do ELN no Twitter.

92
RFI. Governo da Colômbia e guerrilha ELN anunciam cessar-fogo bilateral. RFI. Disponível em: <http://br.rfi.fr/americas/20170904-governo-da-colombia-e-
guerrilha-eln-anunciam-cessar-fogo-bilateral-0?ref=tw_i> Acesso em 05 de setembro de 2017.

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Os rebeldes confirmaram que o cessar-fogo está ligado à passagem do pontífice pelo país. "Dissemos
que a visita do papa Francisco deveria ser uma motivação extra para acelerar a busca de acordos, que
têm como principais destinatários as comunidades que padecem das consequências lamentáveis do
conflito", assinalou o ELN. O chefe da igreja católica já havia apoiado o acordo de paz com as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ao contrário das Farc, ELN têm influência religiosa


Enquanto as Farc – já desarmadas e convertidas em um partido político – foram uma organização
muito vertical, o ELN tem uma estrutura mais horizontal, com voz própria em cada frente. Presente em
uma dúzia de departamentos do país, o grupo teve menor capacidade de fogo que as Farc em todo o
território, mas sua base social, composta por milicianos, é mais ampla, segundo especialistas.
Como as Farc, o ELN foi financiado pelo narcotráfico, pela mineração ilegal, a extorsão e os
sequestros. Mas ao contrário das Forças Revolucionárias, é marcado por uma influência religiosa que
começou um ano após sua fundação, em 1964. Na época, o grupo recém-criado por sindicalistas e
estudantes, muitos deles simpatizantes de Che Chevara, uniu-se ao padre colombiano Camilo Torres
(1929-1966), seguido por três sacerdotes espanhóis, entre eles Manuel Pérez (1943-1998), que chegou
a comandar a guerrilha. Estes religiosos eram expoentes da Teologia da Libertação, corrente da Igreja
católica latino-americana que reivindica a luta em favor dos mais pobres.

Questões

01. (TJM/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP/2017) Com Trump eleito, medo toma conta
da comunidade muçulmana nos EUA
O país elegeu o republicano, querido pela maioria dos movimentos extremistas. Vivem nos EUA 3,3
milhões de muçulmanos, 1% da população. Na comunidade, é forte a fobia de uma Casa Branca sob a
guarda do empresário.
(Folha, 12.11.2016. Disponível em: <https://goo.gl/EzXE46>. Adaptado)

Tal fobia deve-se à proposta de campanha de Trump de


(A) vetar a entrada de muçulmanos nos EUA, especialmente de países com histórico terrorista.
(B) proibir a construção de novas mesquitas no país, impedindo a disseminação da religião.
(C) criminalizar o culto islâmico em espaços públicos, restringindo-o à prática doméstica.
(D) expulsar a população muçulmana estrangeira residente nos EUA, cassando os seus vistos.
(E) censurar a utilização de roupas muçulmanas, tais como o véu utilizado por mulheres.

02. (TJM/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP/2017) De saída do governo, o ex-ministro


da Cultura, Marcelo Calero, acusa o ministro Geddel Vieira Lima (Governo) de tê-lo pressionado para
favorecer seus interesses pessoais. Calero diz que o articulador político do governo Temer o procurou
pelo menos cinco vezes, por telefone e pessoalmente.
(Folha, 19.11.2016. Disponível em:<https://goo.gl/YjmzVm> . Adaptado)

Marcelo Calero acusa Geddel Vieira Lima de pressionar o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional), órgão subordinado à Cultura, a
(A) aprovar projeto imobiliário de interesse particular de Geddel localizado nas cercanias de bens
históricos tombados pelo patrimônio.
(B) financiar projetos de restauro de prédios históricos que pertencem a empresários próximos a
Geddel que pretendem explorá-los economicamente.
(C) rejeitar o tombamento de uma nova área que está em discussão no órgão para favorecer
empreendimentos que interessam a Geddel.
(D) direcionar projetos, investimentos e recursos voltados à preservação do patrimônio histórico na
região da base eleitoral de Geddel.
(E) nomear aliados e políticos próximos a Geddel para funções estratégicas e cargos de confiança do
órgão, favorecendo o loteamento de cargos.

03. (CRB – 6ª Região – Auxiliar Administrativo – QUADRIX/2017) Sobre as investigações da


chamada "Lava-Jato", analise as seguintes afirmativas.
I. O promotor público Sergio Moro é um dos principais agentes no que se refere ao andamento das
investigações, o que fez com que ele ficasse conhecido nacionalmente.
II. Até o momento, diversos políticos e representantes de empreiteiras foram denunciados, sendo que
alguns já foram presos.

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III. A denominação dada à operação é proveniente de uma investigação semelhante ocorrida em
postos de gasolina nos Estados Unidos nos anos 90.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) I e II, somente.
(C) I e III, somente.
(D) II, somente.
(E) todas.

04. (CRB – 6ª Região – Auxiliar Administrativo – QUADRIX/2017) “O comitê gestor do Fundo


Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) estabeleceu novas regras para o financiamento de
projetos para os anos de 2017 e 2018. Em reunião realizada nesta quarta-feira (30), o comitê definiu
questões como tecnologia e adaptação para orientar os programas que serão contemplados nos próximos
dois anos. Temas ligados a monitoramento e transparência também estão na lista. A iniciativa busca
manter a atuação do Fundo de acordo com os compromissos assumidos pelo Brasil, no contexto do
Acordo de Paris.”
http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2016/12/fundo-clima-definenovas-regras-para-os-proximos-dois-anos

A respeito do Acordo de Paris, assinale a alternativa correta.


(A) Assinado em 2002, dez anos após a Rio-92, tem como objetivo a redução na emissão de gases
que contribuem para o aquecimento global.
(B) O acordo insere-se na mesma política do Protocolo de Kyoto, porém, diferentemente deste, não foi
assinado pelos Estados Unidos.
(C) O principal objetivo do acordo diz respeito a limitar o aumento da temperatura global a no máximo
2°C em relação aos níveis pré-industriais.
(D) Grande parte dos países industrializados ainda não aceitaram o acordo, o que dificulta sua
implementação.
(E) O acordo tem por base a ideia de que a temperatura média global não sofre influência da ação
antrópica.

05. (Pref. de Lauro Muller/SC – Auxiliar Administrativo – Instituto Excelência/2017) Ártico tem ano
recorde de calor e derretimento maciço de gelo. Avaliação foi publicada no Arctic Report Card 2016,
relatório revisado por pares de 61 cientistas de todo o mundo.
Disponível< http://g1.globo.com/natureza/noticia/artico-temano-recorde-de-calor-e-derretimento-macico-de-gelo.ghtml>Acesso em 14 dez de 2016

Sobre essa notícia é INCORRETO afirmar:


(A) O Ártico quebrou recordes de calor no ano passado, quando um ar excepcionalmente quente
provocou o derretimento maciço de gelo e de neve e um congelamento tardio no outono.
(B) Os cientistas do clima dizem que as razões para o aumento do calor incluem a queima de
combustíveis fósseis que emitem gases causadores do efeito estufa, que prendem o calor na atmosfera,
bem como a tendência de aquecimento do oceano El Niño, que terminou no meio do ano.
(C) Essa tendência de aquecimento também levou a uma cobertura de gelo adulta e grossa que derrete
facilmente.
(D) Nenhuma das alternativas.

06. (Pref. Tremembé/SP – Oficial de Escola – Instituto Excelência/2017) O Impeachment de Dilma


Rousseff foi um dos acontecimentos recentes mais importantes do Brasil, do ponto de vista político.
Referente a isto, assinale a alternativa CORRETA:
(A) Em discurso, o ex-presidente Fernando Collor adotou um tom conciliador com a oposição, gritando
“Não vai ter golpe”.
(B) Como previsto no texto constitucional, Dilma Rousseff teve que se afastar temporariamente do
cargo. Seu vice, Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu interinamente o posto.
(C) Foi montada uma Comissão Especial de Impeachment para apurar as denúncias do processo,
ouvir testemunhas da acusação e da defesa e debater política e juridicamente o caso.
(D) Nenhuma das alternativas.

07. (CRB 6ª Região - Auxiliar Administrativo – Quadrix/2017). No final de 2016, faleceu o líder
político latino-americano Fidel Castro. Sobre Cuba, julgue as seguintes afirmativas.
I. Com a morte de Fidel Castro, o governo passou para as mãos de Raul Castro, seu irmão.

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II. O embargo econômico dos Estados Unidos em relação a Cuba encerrou-se a partir do encontro
entre os dois presidentes, na Cidade do Panamá, em 2015.
III. A maior parte dos empregos na ilha está concentrada no setor estatal.

Está correto o que se afirma somente em:


(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) I e III.

08. (Câmara de Maria Helena – Advogado – FAUL/2017) Votada recentemente pelo Senado Federal,
a chamada PEC 55 gerou uma série de protestos por todo o país. Assinale a alternativa que melhor define
essa PEC:
a) Medida provisória que promove alterações na estrutura do Ensino Médio, última etapa da educação
básica nacional.
b) Processo instaurado com base em denúncia de crime de responsabilidade contra alta autoridade
do poder executivo.
c) Proposta que altera a Constituição Federal e institui um novo regime fiscal no país, estabelecendo
um limite para os gastos do governo.
d) Trata-se da maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já conheceu,
centralizada em recursos desviados da Petrobras.

09. O Ministério da Saúde (BRASIL, 2016) confirmou recentemente a relação entre o vírus Zika e
_______________. As investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer questões como a
transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior
vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de
gravidez.

Preenche adequadamente a lacuna no fragmento acima:


(A) O surto de microcefalia na região Nordeste.
(B) O surto de encefalopatia na região Sul.
(C) A febre chikungunya na região Sudeste.
(D) A dengue hemorrágica na região Norte.
(E) A macrocefalia na região Sul.

10. (Prefeitura de Cipotânea – MG – Enfermeiro - REIS & REIS) “Apontada como um mecanismo
importante de financiamento cultural no Brasil, a ________________ é constantemente alvo de críticas e
voltou ao debate nacional por causa da extinção – agora revertida – do Ministério da Cultura na gestão
interina de Michel Temer. Esta Lei foi criada em 1991, durante o governo Collor, e permite que produtores
e instituições captem, junto a pessoas físicas e jurídicas, recursos para financiar projetos culturais. O valor
destinado a esses projetos pode ser deduzido integralmente do Imposto de Renda a pagar.”

Marque a alternativa que completa corretamente o enunciado acima:


(A) Lei Collor.
(B) Lei Rouanet.
(C) Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
(D) Lei Echer.

11. (TJ-SP – Assistente Social Jurídico – Vunesp – 2017) O presidente Michel Temer sancionou na
noite desta sexta-feira o projeto de lei que regulamenta a terceirização no país.
A iniciativa foi publicada em edição extra do “Diário Oficial da União” e inclui vetos parciais a três pontos
da proposta.
(Folha de S.Paulo, 31.03.2017)

O projeto de lei sancionado


(A) Isenta as empresas contratantes e contratadas dos serviços terceirizados de qualquer ação no
âmbito da Justiça do Trabalho e determina que todos os trabalhadores terceirizados devem se constituir
em microempresários, dessa forma responsáveis pelos tributos relacionados ao trabalho.

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(B) Determina que todas as empresas privadas podem terceirizar qualquer atividade profissional,
desde que todos os direitos trabalhistas sejam respeitados, e veta a utilização de trabalho terceirizado
para as empresas de economia mista e a administração pública, com exceção para a área de saúde.
(C) Limita a terceirização do trabalhador à denominada atividade-meio e, em caso de litígio trabalhista,
as empresas contratadas e contratantes devem ser acionadas conjuntamente na Justiça do Trabalho e
dividirão os custos das indenizações relacionadas a tais processos.
(D) Impede que a empresa de terceirização subcontrate outras empresas, prática denominada de
quarteirização, e amplia os direitos trabalhistas dos funcionários das empresas de terceirização, por
exemplo o aumento da multa sobre o valor dos depósitos do FGTS em caso de demissão sem justa
causa.
(E) Permite a terceirização de todas as atividades e autoriza a empresa de terceirização a subcontratar
outras empresas para realizar serviços de contratação, remuneração e direção do trabalho e atribui à
empresa terceirizada, em casos de ações trabalhistas, o pagamento dos direitos questionados na Justiça,
se houver condenação.

12. (CRBio-1ª Região – Auxiliar Administrativo – Vunesp – 2017) O ministro (...) foi escolhido para
ser o novo relator dos processos da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), em sorteio
realizado nesta quinta-feira (02.02) por determinação da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia.
O ministro vai herdar os processos ligados à operação que estavam com o ministro Teori Zavaski,
morto num acidente aéreo em janeiro. Estavam sob a relatoria de Teori 16 denúncias e outros 58
inquéritos relacionados à Lava Jato.
(Uol, https://goo.gl/NANZYF, 02.02.2017. Adaptado)

O novo relator escolhido por sorteio é o ministro


(A) Alexandre de Moraes
(B) Dias Toffoli
(C) Edson Fachin
(D) Gilmar Mendes
(E) Luiz Fux

13. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Vunesp – 2017) A crise atual entre os EUA e a
Coreia do Norte se intensificou em 8 de abril, quando, após um teste de míssil frustrado pela Coreia
do Norte, Trump disse ter enviado uma “armada muito poderosa” para a península coreana, uma
referência ao porta-aviões USS Carl Vinson e a um grupo tático.
(G1, 23.04.17. Disponível em: <https://goo.gl/20hQJx>. Adaptado)

Entre as reações da Coreia do Norte a essa ação norte-americana, é correto identificar


(A) a decisão de interromper o programa nuclear, o convite público a agentes de inspeção da ONU e
a aproximação com os países vizinhos.
(B) a ruptura com a moderada e conciliatória China, a ameaça de invasão da Coreia do Sul e a
hostilização do Japão.
(C) o seu desligamento da ONU, a expulsão dos diplomatas dos países ocidentais e a aliança com
outros países comunistas.
(D) o pedido de intermediação da China, o recurso à ONU para negociação e o aceno aos EUA com
uma proposta de acordo.
(E) a exibição pública do seu arsenal militar, a realização de novos testes de mísseis e a ameaça de
um ataque nuclear preventivo.

14. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Vunesp – 2017) Os chanceleres dos países
fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) farão uma reunião de emergência
neste sábado [1 de abril] em Buenos Aires para discutir sua reação à situação d a Venezuela. O tema
central deverá ser a suspensão do país do bloco econômico. É possível que se discuta uma medida
ainda mais dura: a expulsão.
(Estadão, 31.03.17. Disponível em: <https://goo.gl/w9Pv4N> . Adaptado)

Essa possível suspensão ou expulsão deve-se


(A) à aplicação da cláusula democrática, que determina alguma sanção nos casos de interrupção da
ordem democrática, como estaria ocorrendo na Venezuela.
(B) à realização de práticas irregulares de protecionismo e renúncia fiscal na Venezuela, contrariando
as políticas de livre comércio do bloco.

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(C) à recusa da Venezuela em aceitar as propostas que visam à construção de uma moeda única para
o bloco, o que atrasa o processo de integração.
(D) aos obstáculos impostos pela Venezuela às negociações dos tratados de comércio com os EUA,
destoando das decisões dos outros países do bloco.
(E) à iminência de guerra civil por conta da profunda crise social que atinge a Venezuela, retirando o
país da situação de paz interna exigida pelo bloco.

15. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Vunesp – 2017) O governo endureceu as


negociações com os parlamentares e deu um basta a novas concessões na reforma da Previdência,
rejeitando assim o lobby pesado de algumas categorias do serviço público, sobretudo com altos
salários.
(O Globo, 23.04.17. Disponível em: <https://goo.gl/E79kQQ> . Adaptado)

(A) a aplicação do fator previdenciário para servidores públicos e o direito à aposentadoria com menos
anos de contribuição do que os trabalhadores privados.
(B) a integralidade, que garante a aposentadoria com o último salário da carreira, e a paridade, que
garante ao servidor aposentado reajustes salarias iguais ao do pessoal da ativa.
(C) o período mínimo de 25 anos de contribuição, que passaria para 35 com a reforma, e o mínimo de
50 anos de idade para aposentar-se, que poderia aumentar para 60 anos.
(D) a estabilidade após dez anos de serviço e o pagamento, aos filhos, de pensão integral vitalícia no
caso de servidores públicos que venham a falecer.
(E) a não contribuição dos servidores com o INSS, destinado apenas à aposentadoria na iniciativa
privada, e o direito ao aumento real anual no valor da aposentadoria.

Respostas

01. Resposta: A.
"Vivem nos EUA 3,3 milhões de islâmicos, 1% da população. Na comunidade, é forte a fobia de uma
Casa Branca sob a guarda do empresário que prometeu dar um pontapé no “politicamente correto” e vetar
a entrada de islâmicos no país.
Trump enviou a ideia na esteira de atentados como o de San Bernardino e Orlando, cometidos por
adeptos dessa fé que, contudo, já eram naturalizados ou nascidos no país.
Ainda não se sabe como e se ele vai fazer tudo o que prometeu durante a campanha. O republicano
já havia recuado da proposta em parte, declarando que só baniria islâmicos de países com histórico
terrorista, como refugiados sírios."
(http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/11/1831788-com-trump-eleito-medo-toma-conta-da-comunidade-muculmana-nos-eua.shtml)

02. Resposta: A.
Segundo Calero, Geddel o procurou, em ao menos cinco ocasiões, em busca de conseguir, junto ao
Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) a liberação de um projeto imobiliário em área
tombada de Salvador, na Bahia. Vieira Lima afirmou para Calero ser dono de um apartamento no prédio,
que dependia de aprovação federal, após ter sido liberado pelo Iphan da Bahia, comandado por seus
aliados.

03. Resposta: D.
I. Errado - Sérgio Moro é juiz federal, e não promotor público.
II. Correto.
III. Errado - A operação tem esse nome porque, em seus primórdios, os grupos faziam uso de uma
rede de lavanderias em Brasília e postos de combustíveis para movimentar os valores oriundos de suas
práticas criminosas.

04. Resposta: C.
Na 21ª Conferência das Partes (COP21) da UNFCCC, em Paris, foi adotado um novo acordo com o
objetivo central de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança do clima e de reforçar a capacidade
dos países para lidar com os impactos decorrentes dessas mudanças.
O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países Parte da UNFCCC para reduzir emissões de gases
de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável. O compromisso ocorre no sentido de
manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais
e de envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

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Para que comece a vigorar, necessita da ratificação de pelo menos 55 países responsáveis por 55%
das emissões de GEE. O secretário-geral da ONU, numa cerimônia em Nova York, no dia 22 de abril de
2016, abriu o período para assinatura oficial do acordo, pelos países signatários. Este período se estende
até 21 de abril de 2017.
Para o alcance do objetivo final do Acordo, os governos se envolveram na construção de seus próprios
compromissos, a partir das chamadas Pretendidas Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC,
na sigla em inglês). Por meio das iNDCs, cada nação apresentou sua contribuição de redução de
emissões dos gases de efeito estufa, seguindo o que cada governo considera viável a partir do cenário
social e econômico local.
(Continua em: http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris)

05. Resposta: C.
No ártico existe uma camada de gelo adulta e grossa que demora para derreter, mas o aquecimento
global tem acelerado o derretimento dessa camada durante o verão. No inverno o mar recongela mas
formando uma camada de gelo jovem e fina que no próximo verão vai derreter muito mais rápido.

06. Resposta: C.
A Comissão Especial do Impeachment aprovou em sessão nesta quinta-feira (4), por 14 favoráveis e
5 contrários, o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que diz que a presidente afastada
Dilma Rousseff cometeu ilegalidades e recomenda que o caso seja levado a julgamento final.
Com a decisão, se encerraram os trabalhos da Comissão de Impeachment. A sessão durou quase três
horas, e 22 senadores discursaram. O parecer do relator Anastasia será agora votado pelo plenário
principal do Senado em sessão prevista para a próxima terça-feira (9). Se a maioria simples dos
senadores também aprovar o relatório de Anastasia, Dilma será levada a julgamento final, com início
previsto para o final deste mês.
Dos 21 integrantes da comissão, 20 tinham direito a voto, porque Raimundo Lira, presidente do
colegiado, só votaria em caso de empate. No entanto, foram registrados somente 19 votos porque o
senador Wellington Fagundes (PR-MT) não compareceu à votação por motivos pessoais e suplente dele,
Eduardo Amorim (PSC-SE), também não estava presente.
(http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/08/por-14-votos-5-comissao-especial-recomenda-que-dilma-seja-julgada.html)

07. Resposta: C
Em Cuba não são estatizados, somente, alguns poucos negócios como restaurantes para turistas
instalados em residências; pequenos aluguéis; alguns meios de transporte de passageiros, como os
caminhões adaptados da cidade de Santiago, operados pelos próprios proprietários. Existem, ainda, as
associações do estado com empresas estrangeiras, pequenos produtores agrícolas organizados em
cooperativas e a economia informal, esta, por definição, fora do controle estatal. Entretanto, até os cavalos
e as carruagens para turistas em Havana e Varadero pertencem a "Centros Eqüinos" estatais.
A economia socialista cubana tem como premissa maior o bem estar e a distribuição da riqueza. Por
isto, o emprego é um direito essencial para os cubanos. Como o desemprego não deve existir, há que se
inventar no que as pessoas devem trabalhar. Visto que a economia não tem condições de oferecer
trabalho para todos a partir de uma lógica voltada à otimização do emprego dos fatores, há um aumento
do setor serviços, além do nível requerido para o seu funcionamento ótimo. Algo como o enterrar e
desenterrar de garrafas da política anticíclica, porém, sem quaisquer outras conseqüências na demanda
do que sua concentração em bens de consumo de massa essenciais e pouco sofisticados, bem como no
decorrente direcionamento da oferta neste sentido. Devido à escassez de capital e de insumos, o
resultado desta forma especial de busca de emprego não amplia o volume da demanda global, mas incide
na distribuição de renda, pois equaliza o emprego pela média. Como os salários têm variações muito
pequenas de valor, embora não haja desemprego a não ser residual (a taxa é de 2,5%), o nível salarial é
muito baixo e, por vezes, também, o desempenho individual requerido, o que é contrabalançado pelo
elevado nível de educação da população e seus previsíveis efeitos na produtividade. Outro problema é
que a partir de certo ponto, unidades marginais de mão de obra não apenas se tornam desnecessárias,
como ainda podem levar a um quadro clássico de rendimentos decrescentes.
(Fonte: http://www.georgezarur.com.br)

08. Resposta: C
A PEC 55 “institui o Novo Regime Fiscal no âmbito dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da
União, que vigorará por 20 exercícios financeiros, existindo limites individualizados para as despesas
primárias de cada um dos três Poderes, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União”
(fonte: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/127337)

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09. Resposta: A
Mesmo sendo em menor número do que o surto em 2016, o nordeste ainda é a região que mais sofre
com casos de microcefalia no Brasil (Referência: <http://g1.globo.com/bemestar/noticia/brasil-confirmou-
165-casos-de-bebes-com-microcefalia-e-outras-alteracoes-ligadas-a-zika-em-2017.ghtml> Acesso em
21 de junho de 2017.).

10. Resposta: B
Segue na íntegra a notícia onde ainda há debates a respeito da lei Rouanet (Referência: <
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36364789> Acesso em 21 de junho de 2017.).

11. Resposta: E
Seria algo como uma “quarteirização”. As novas regras permitem que uma empresa terceirizada
terceirize o serviço para o qual ela foi contratada ou para que essas empresas encontrem outras para
executar esse serviço. Segue o link explicativo < http://g1.globo.com/politica/noticia/temer-sanciona-com-
3-vetos-projeto-da-camara-sobre-terceirizacao.ghtml>

12. Resposta: C
Como tem sido recorrente em notícias que envolvem política, é sabido que o ministro Edson Fachin foi
sorteado para a função de relator da Operação Lava Jato no lugar do ministro Teori Zavaski. Segue o link
com uma notícia do dia do sorteio <http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,edson-fachin-sera-o-
relator-da-lava-jato-no-stf,70001650453>

13. Resposta: E
Cerca de uma semana após esse episódio, Pyongyang dá uma resposta indireta ao presidente dos
Estados Unidos através de desfile organizado em comemoração à data de aniversário de seu avô. Segue
o link com a notícia na íntegra e imagens do arsenal exibido pelo líder exército norte-coreano.

14. Resposta: A
A data da questão remete a uma situação anterior. No dia seguinte os países que compõem o Mercosul
usaram a clausula democrática e infligiram nova suspensão à Venezuela (ela já havia sido suspensa em
dezembro de 2016). A nova suspensão é um grande passo em direção à expulsão do país do bloco.

15. Resposta: B
Próximo a data da notícia, Temer já havia feito reuniões para manter a reforma sem alteração, mesmo
com as reivindicações de vários setores. <https://oglobo.globo.com/economia/temer-reune-lideres-
determina-que-texto-da-reforma-da-previdencia-sera-votado-como-esta-21246160> . Após suas
recentes vitórias é provável que a base governista tenha força para aprovar a reforma da maneira que
está.

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