Você está na página 1de 42

14

PEQUENAS

CENTRAIS

ENERgIA

SoLAR

HIDRELÉTRICAS

362

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

CoNCEITo DE PCH

Inicialmente a Resolução n° 394 de 04/12/1998 da ANEEL carac- terizava como PCH toda a usina hidrelétrica de pequeno porte cuja capacidade instalada fosse superior a 1 MW e inferior a 30 MW, com área de reservatório inferior a 3 km².

Por meio da Lei n° 13.097/2015, que, entre outros assuntos, alterou

a legislação do setor elétrico, foram feitas mudanças na regulação das

autorizações para as PCHs. A principal alteração foi aumentar a capa- cidade mínima dos projetos desses empreendimentos de 1 MW para 3 MW. De acordo com a nova legislação, o aproveitamento de poten- cial hidráulico destinado à produção independente ou autoprodução de energia, mantidas as características de PCH, passou a ser de potên- cia superior a 3MW e igual ou inferior a 30 MW. Quando o empreendi- mento for destinado para produção independente ou autoprodução de energia, mas não tiver a característica de PCH, os limites são: potên- cia superior a 3 MW e igual ou inferior a 50 MW.

Uma PCH típica normalmente opera a fio d’água, isto é, o reser- vatório não permite a regularização do fluxo d’água. Com isso, em ocasiões de estiagem, a vazão disponível pode ser menor que a ca- pacidade das turbinas, causando ociosidade. Em outras situações, as vazões são maiores que a capacidade de engolimento das máquinas, permitindo a passagem da água pelo vertedouro (figura a seguir).

Por esse motivo, o custo da energia elétrica produzida pelas PCHs

é maior que o de uma usina hidrelétrica de grande porte (UHE), onde

o reservatório pode ser operado de forma a diminuir a ociosidade ou os desperdícios de água.

As PCHs são instalações que resultam em menores impactos am- bientais e se prestam à geração descentralizada. Comparando com as UHEs, as PCHs têm vantagens e desvantagens. Por serem menores, são mais baratas de construir, causam um dano ambiental menor e podem ser construídas em rios com menor vazão.

Apesar de as PCHs típicas normalmente operarem a fio d’água, esse tipo de fonte geradora pode ter estrutura de reservatório do tipo fio d’água ou de acumulação e ser classificada pela capacidade de regularização do reservatório, segundo os conceitos definidos no

Gerador Linha de transmissão Reservatório Vertedouro Transformador Estator Eixo Rotor Gerador turbina Fluxo de
Gerador
Linha de transmissão
Reservatório
Vertedouro
Transformador
Estator
Eixo
Rotor
Gerador
turbina
Fluxo de
água
Paleta
Água sob pressão
Turbina
Pás da turbina
Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

manual de Diretrizes para Estudos e Projetos de PCHs, publicado pela Eletrobras no ano 2000.

A figura a seguir mostra que, para implantação da PCH, parte do curso do rio foi desviada e a vazão reduzida em parte no curso princi- pal, sendo que a vazão normal é retomada após a casa de força.

As usinas a fio d’água são utilizadas quando as vazões de estiagem do rio são iguais ou maiores que a descarga necessária à potência a ser instalada para atender à demanda máxima prevista. Nesse caso, despreza-se o volume do reservatório criado pela barragem. Esse tipo de PCH apresenta, entre outras simplificações, a dispensa de estudos de regularizações das vazões e facilidades na elaboração do projeto (figura a seguir).

a dispensa de estudos de regularizações das vazões e facilidades na elaboração do projeto (figura a
NESSE MODELO O CURSO DO RIO É PRESERVADO uSina a Fio d’ÁGua
NESSE MODELO
O CURSO DO RIO
É PRESERVADO
uSina a Fio d’ÁGua

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

As PCHs de acumulação, com regularização mensal do reservató- rio, pressupõem uma regularização mensal das vazões médias diárias, promovida pelo reservatório. A figura a seguir apresenta o esquema de funcionamento de uma central hidrelétrica.

As PCHs de acumulação são empregadas quando as vazões de es- tiagem dos rios são inferiores à necessária ou quando se faz necessá-

rio o controle das vazões de cheia a fim de se evitar as inundações e para contenção da água.

Estudos de dimensionamento econômico-energético de uma PCH são desenvolvidos durante a fase de projeto básico, quando são ava- liadas sua factibilidade e atratividade para os possíveis investidores desse tipo de empreendimento, contemplando, inclusive, uma avalia- ção expedita de sua viabilidade, de acordo com a legislação vigente.

Na fase que antecede o projeto e a viabilidade, para implantação

de PCHs, encontram-se os estudos de inventário hidrelétrico da bacia

e das sub-bacias hidrográficas onde serão implantadas as PCHs, cujo

objetivo principal é avaliar o potencial energético e a economicidade,

a fim de fornecer subsídios à tomada de decisão de possíveis inves-

tidores. Para trechos de rio ou sub-bacias que apresentem apenas possibilidades de aproveitamento de seus potenciais hidroenergéti- cos por meio de PCHs, os estudos de inventário poderão ser feitos de forma amplificada, segundo a Resolução ANEEL n° 393, de 04/12/98.

e = f (Q.H) Vertedouro NAmax Op. Reservatório DepMax Casa de Força Vu Linhas de
e = f (Q.H)
Vertedouro
NAmax
Op.
Reservatório
DepMax
Casa de Força
Vu
Linhas de Transmissão
HB
Qt
NAmin
Op.
Duto
Turbina
Rio

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

A partir do inventário, define-se o dimensionamento econômi- co-energético da PCH, cujos resultados são apresentados à ANEEL quando do pedido de registro dos estudos para projeto básico da PCH. Só então são definidos a melhor alternativa de localização do eixo da barragem, o dimensionamento energético e o arranjo físico, objetivando a otimização do aproveitamento energético (compro- vação da viabilidade técnico-econômica e ambiental do empreendi- mento).

Os empreendimentos hidrelétricos podem ser divididos em dois grupos: os que operam integrados ao SIN e os que atendem a um mercado isolado. Quando os empreendimentos hidrelétricos ope- ram de forma interligada, deve ser seguida, para o dimensionamento e a avaliação da viabilidade técnica-econômica, a metodologia defini- da na publicação Instruções para Estudos de Viabilidade de Aprovei- tamentos Hidrelétricos, da Eletrobras/DNAEE (abril de 1997).

Locallização do eixo do barramento
Locallização do
eixo do barramento

Cabe esclarecer que as usinas integradas ao SIN, a critério do ONS, estão sujeitas às suas regras de operação, ou seja, o despacho dessas usinas é centralizado com operação otimizada. Em contrapartida, o ONS garante, ao empreendedor do projeto, uma energia assegurada durante todo o seu período de concessão, energia essa definida por ocasião do edital de licitação da outorga da concessão.

Usinas de potência menor ou igual a 30 MW, como as PCHs, são consideradas usinas não integradas, mesmo que estejam eletrica-

363

364

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

mente conectadas ao SIN. Essas usinas, portanto, não estão sujeitas às regras de operação do ONS.

A menos que o empreendedor faça um acordo operativo com o

distribuidor/comercializador local, não fica assegurada ao empreen- dedor nenhuma geração complementar à efetivamente gerada no empreendimento, ou seja, em períodos hidrologicamente desfavorá- veis, essas usinas não teriam a possibilidade de usufruir do benefício da interligação elétrica com o SIN. Em outras palavras, a operação oti- mizada do SIN garante teoricamente um maior aproveitamento do potencial hidrelétrico local, pois existem diversidades hidrológicas entre as diversas bacias hidrográficas que compõem o SIN.

Nesse caso, o dimensionamento ótimo do aproveitamento deve ter por base os benefícios incrementais de energia firme de correntes da sua entrada em operação, sendo esses benefícios de energia firme calculados para o período crítico do SIN.

Portanto, usinas não integradas, porém interligadas, poderão ser dimensionadas como se fossem usinas eletricamente isoladas“ótimo isolado”, a menos que o empreendedor consiga negociar um acordo operativo com o distribuidor/comercializador local para, de alguma forma, beneficiar-se da operação otimizada, o que lhe garantiria o suprimento adicional ao efetivamente gerado em situações hidrolo- gicamente desfavoráveis no local do empreendimento ou, de outra forma, admitir que a diferença entre a energia firme da usina, calcula- da como se fosse uma usina integrada, e o efetivamente gerado seria contratado no mercado SPOT a preços a serem cenarizados nos estu- dos econômico-energéticos.

PCHS No CENáRIo INTERNACIoNAL

A energia elétrica no mundo é produzida prevalentemente por

fontes fósseis, as maiores produtoras de gases de efeito estufa. Por isso, há grande preocupação mundial com a substituição de geração

de origem fóssil por fontes renováveis.

Entre as fontes de energia renováveis, destacam-se as PCHs, que são, de modo geral, projetos de menor volume de investimentos, de simples concepção e operação, menor prazo de conclusão, cus-

to de transmissão reduzido, maior facilidade de integração com locais isolados e maior facilidade na liberação de licenças ambien- tais. Além de serem subsidiadas e de possuírem tarifas diferencia- das, o que compensa o valor mais alto do MWh quando compara- do às grandes usinas hidrelétricas e outras fontes de geração de energia (figura a seguir).

e outras fontes de geração de energia (figura a seguir). Como possuem características de uma usina

Como possuem características de uma usina hidrelétrica de pe- queno porte, geralmente do tipo fio d’água, ou seja, sem grande ca- pacidade de acumulação e que aproveitam as quedas já existentes dos rios, há uma redução dos impactos ambientais.

No âmbito mundial, as usinas hidrelétricas são classificadas segun- do seu tamanho como pequenas hidrelétricas e grandes hidrelétricas, com base na capacidade instalada medida em MW como critério de definição. No entanto, não há um consenso mundial sobre definições a respeito de categorias de tamanho (IPCC, 2011 apud Egre e Mi- lewski, 2002). A tabela a seguir lista algumas das diferentes definições de PCH com base na capacidade máxima instalada.

País

Capacidade

Instalada

Brasil

≤= 30 MW

Canadá

≤= 50 MW

China

≤= 50 MW

União Europeia

≤=20 MW

Índia

≤= 25 MW

Noruega

≤= 10 MW

Suécia

≤= 1,5 MW

Estados Unidos

≤= 70 MW

Fonte: IPCC, 2011, Different states have different definitions of small hydropower.

As PCHs contribuem com cerca de 40 TWh por ano para a deman- da elétrica da Europa, embora haja potencial para se acrescentarem outros 50 TWh anuais.

ATUAção DAS PCHS Em ALgUNS PAíSES

O desenvolvimento do potencial hidrelétrico de um país pode ser relacionado com seu desenvolvimento econômico. Na nota técnica sobre a caracterização técnico-econômica da geração hidráulica (EPE, 2006), fica evidenciado que, de uma forma geral, países economicamente desenvolvidos apresentam uma taxa de aproveitamento de seu potencial hidráulico bastante superior à taxa dos países em desenvolvimento. O caso da França é emble- mático: 100% de seu potencial tecnicamente aproveitável já estão desenvolvidos. EUA, Noruega, Japão e Alemanha já desenvolve- ram, pelo menos, 60% de seu potencial. Em contraste, o Congo, na África, que possui o quinto maior potencial do mundo, desenvol- veu apenas 1% de seu recurso.

No Brasil, considerando as usinas em operação e aquelas em cons- trução ou cuja decisão de construir está tomada (concessão outorga- da), já foram aproveitados pouco mais de 30% do potencial. Mas o País mantém-se como detentor do terceiro maior potencial no mun- do, perdendo para a China e a Rússia. Tomados em conjunto, esses dois países mais o Brasil detêm mais de um terço do potencial tecni- camente aproveitável do mundo (gráfico a seguir).

PoTENCIAL HIDRELÉTRICo APRoVEITADo Em PAíSES SELECIoNADoS

% do potencial tecnicamente aproveitável Congo 1 Indonésia 4 Peru 6 Rússia 11 China 16
% do potencial tecnicamente aproveitável
Congo
1
Indonésia
4
Peru
6
Rússia
11
China
16
Colômbia
18
em construção ou licitada
Índia
18
Brasil
26.6
4,5
Canadá
37
Itália
45
55
Suíça
EUA
60
Noruega
61
Japão
64
Alemanha
83
França
100
0
20
40
60
80
100

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

EUA

O apoio do governo para as energias renováveis incluem progra-

mas de subvenção, créditos fiscais para produção e investimentos. Além disso, o país introduziu um programa especial, o Renewable Portfolio Standards (RPS), que obriga empresas de geração e forne- cimento elétrico a ter uma fração específica de sua energia vinda de fontes renováveis. Embora não haja uma legislação federal em vigor sobre o assunto, atualmente 29 estados americanos já adotam o pro- grama (Environmental Rules for Hydropower in State Renewable Por- tfolio Standards).

ALEmANHA

A Alemanha possui cerca de 50.000 represas ou açudes, mas ape-

nas 7.000 deles estão equipados com usinas hidrelétricas, o que signi-

fica que a grande maioria não está sendo aproveitada.

Atualmente, há um debate na Alemanha sobre a direção que a

Energiewende, ou transição energética, deveria tomar. De fato, o

setor de energias renováveis está se expandindo rapidamente. Mas

uma coisa é certa: a transição rumo a energias mais verdes não será bem-sucedida sem o eficiente armazenamento de energia.

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Além disso, recentemente realizou um estudo com a Escola Técnica Superior de Aachen, a Rheinisch-Westfälische Technische Hochschule (RWTH), demonstrando que um maior número de usinas hidrelétri- cas reversíveis poderia ser colocado em operação na Alemanha como uma substituição economicamente viável a um grande número de usinas convencionais de eletricidade usadas como reserva. A capaci- dade dessas usinas reversíveis adicionais poderia ser aproveitada para absorver uma quantidade ainda maior de energia eólica e solar que, do contrário, seria perdida.

Seja uma turbina-bomba reversível ou uma combinação de turbi- na e bomba, essas máquinas se provaram extremamente duradouras. Em muitos casos, funcionaram de forma confiável por várias décadas.

A Alemanha é um exemplo de país que utiliza o seu banco de de- senvolvimento para financiar obras de energias renováveis: o KFW, que é o banco alemão que mais realiza empréstimos no setor de energias renováveis, tendo aplicado, somente em 2008, 19,8 bilhões de euros dentro e fora do país. O programa do KFW concede emprés- timos com taxas de juros de 1% a 2% abaixo do valor de mercado, a serem pagos em prazos de 10 a 20 anos, voltados à geração de ele- tricidade proveniente de fontes solar fotovoltaica, biomassa, biogás, energia eólica, hidrelétrica e geotérmica e à eletricidade e ao calor provenientes de fontes renováveis geradas por meio de cogeração.

PRoDUção DE ENERgIA HIDRELÉTRICA NoS PRINCIPAIS PAíSES (Twh/ano)

365

CHINA

Na China, as PCHs já desempenham um papel importante no desenvolvimento da economia de algumas áreas rurais remotas. A eletrificação rural na China está baseada em energia hidrelétrica em pequena escala, onde existem mais de 45.000 PCHs, que tota- lizam 55 GW e produzem 160 TWh por ano. Muitas dessas usinas são usadas em redes centralizadas de eletricidade e constituem um terço da capacidade total de energia hidrelétrica da China, fornecendo serviços para mais de 300 milhões de pessoas (IPCC, 2012 apud Liu & Hu, 2010).

2.500 paíSeS SelecionadoS demaiS paíSeS (8.854 twh/ano) (6.146 twh/ano) 2.000 1.920 59% 1.670 1.488 1.500
2.500
paíSeS SelecionadoS
demaiS paíSeS
(8.854 twh/ano)
(6.146 twh/ano)
2.000
1.920
59%
1.670
1.488
1.500
Mundo: 15.000 TWh/ano
951
1.000
774
660
529
500
402
260
200
0
China
Rússia
Brasil
Canadá
Congo
Índia
EUA
Indonésia
Peru
Colômbia
TWh/ano

Fonte: Plano Nacional de Energia2030 - EPE

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

366

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

áUSTRIA

Cerca de 60% da eletricidade da Áustria é produzida em usinas hi- drelétricas e outros 37% provêm da queima de combustíveis fósseis. Os 3% restantes são gerados por fontes renováveis, tais como eólica, solar e biomassa.

mEDIção DE CoRRENTES mARINHA E FLUVIAL

A energia das ondas é uma fonte de ener- gia renovável que resulta da transformação da energia contida nas ondas marítimas em ener- gia elétrica. Esse tipo de tecnologia, embora não se encontre disponível de forma comercial, tem sido desenvolvida desde os anos 1970 em um conjunto de países com potencial para ex- plorar esse tipo de energia, que incluem o Rei- no Unido, Portugal, Noruega e Japão.

Os serviços de medição de correntes (perfilador de correntes acús- tico Doppler) são utilizados em estudos de travessias e rios para deter- minação de velocidade de corrente de rios, mares, lagos, etc.

A técnica Doppler é um método que permite perfilar o fundo de um rio e, simultaneamente, determinar a velocidade do fluxo nesse perfil. Para isso, o instrumento registra acusticamente (siste- ma Doppler) a velocidade bruta (velocidade do fluxo + velocidade da embarcação), calcula a velocidade da embarcação em relação ao fundo e, por consequência, avalia a velocidade do fluxo (cor- rente) (figura abaixo).

Ao contrário do que acontece na energia eó- lica, existe uma grande variedade de tecnolo- gias em desenvolvimento para a produção de energia das ondas, que resulta das diferentes formas pelas quais a energia pode ser captu- rada e também das diferentes profundidades e características geológicas das localizações escolhidas. Dessa forma, pode ser encontrada mais de uma centena de sistemas de energia das ondas em diversas fases de desenvolvi- mento (figura ao lado).

encontrada mais de uma centena de sistemas de energia das ondas em diversas fases de desenvolvi-
encontrada mais de uma centena de sistemas de energia das ondas em diversas fases de desenvolvi-

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Estudos iniciais apontam que o litoral brasileiro, com cerca de 8.000 km de extensão, seria capaz de receber usinas de ondas que produ- ziriam em torno de 80.000 MW. Mas, antes de pensar na implantação desse tipo de usina, é preciso testar conceitos e comprovar tanto a viabilidade como a confiabilidade dos projetos.

Com relação ao potencial das correntes fluviais, as técnicas de con- versão de energia são parecidas, contudo, a maioria dos projetos está em nível experimental e, apesar da alta aplicabilidade, faltam incenti- vos para esse tipo de pesquisa. A figura a seguir mostra a tecnologia Lucidenergy para geração de energia elétrica em tubulações de abas- tecimento de água.

O sistema de adutora d’água gerando energia elétrica captura energia da água que corre pelos sistemas hidráulicos das cidades. A água gira turbinas, colocadas dentro dos encanamentos, que acio- nam os geradores. A energia pode ser utilizada instantaneamente ou armazenada em bancos de baterias. É uma forma de energia que não causa nenhum impacto ambiental. A energia gerada pode ser utiliza- da no próprio tratamento de água, barateando o custo final da água ao consumidor.

Apesar da energia gerada pelo sistema não ser suficiente para ali- mentar uma cidade inteira, pode alimentar prédios públicos e parti- culares, residências, escolas, indústrias, etc. Ao contrário da energia solar ou eólica, o sistema pode gerar eletricidade em qualquer horário ou clima.

LEgISLAção AmbIENTAL DAS PCHS NA EURoPA

Do ponto de vista tecnológico, as PCHs são maduras e altamen- te desenvolvidas. Muitos pontos ainda precisam ser melhorados, como a necessidade de garantir uma melhor rota de passagem para os peixes.

Enquanto que usinas eólicas e solares vêm sendo incentivadas por subsídios governamentais, as PCHs vêm sendo deixadas para trás em alguns países, apesar das claras vantagens dessa tecnologia. Muitas unidades que se encontravam em operação vêm sendo desmonta- das, além disso, tornou-se muito difícil conseguir as licenças para no- vos projetos.

Na Europa, legislações como a Natura 2000 e a Water Framework Directive (Diretriz de Estrutura Hídrica) impactaram o setor de PCHs de forma significativa, pois não consideraram que o setor pode ser financeiramente sustentável desde que se estabeleçam regras justas de mercado. Os formuladores de políticas e legislação precisam ter em mente que a hidrogeração traz muito mais do que a simples pro- dução de eletricidade verde.

As PCHs são altamente eficientes na geração de energia, contri- buem para a estabilidade da rede e podem ser usadas para a irriga- ção e o controle de cheias, além de ter um ciclo de vida longo. Essa é uma questão central na perspectiva de um investidor, pois uma PCH pode operar por até 100 anos, provendo rendimentos contínuos por décadas.

O aproveitamento de novos potenciais com usinas de grande por-

te é, muitas vezes, impossível por motivos econômicos ou ecológicos, o que torna as usinas menores ainda mais atraentes. As PCHs podem ser combinadas com geração eólica, pois as turbinas eólicas podem ser conectadas às PCHs reversíveis para permitir que o excedente de eletricidade eólica gerada possa ser aproveitado para o bombeamen- to ou, na falta de vento, para a geração de energia. As duas fontes combinadas, PCHs e eólicas, possibilitam realizar um melhor planeja- mento da produção de energia.

PCHS No CENáRIo NACIoNAL

O número de PCHs em operação no Brasil é de 476, o que repre-

senta 4.824 MW instalados. Contudo, mais 2.311 MW devem entrar em operação nos próximos 5 anos, conforme informações dos leilões realizados e previstos para os dois próximos anos.

Estima-se que um cenário mais atraente de capacidade instalada seria possível se o preço teto para as PCHs fosse um pouco maior do que os atuais R$ 165,00/MWh. Apenas R$ 21,00 a mais do que esse li- mite já remunerariam todos os investimentos a serem feitos em PCHs no País.

todos os investimentos a serem feitos em PCHs no País. Conforme a ANEEL, existem ainda mais

Conforme a ANEEL, existem ainda mais 1.800 MW já inventariados de PCHs que poderiam, em 1 ano, ser transformados em projetos.

367

368

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

3 6 8 PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS HIDRáULICA No bRASIL Em mw 1.883 mw 4.824 mw 427

HIDRáULICA No bRASIL Em mw

1.883 mw 4.824 mw 427 mw
1.883 mw
4.824 mw
427 mw

EMPREENDIMENTOHIDRáULICA No bRASIL Em mw 1.883 mw 4.824 mw 427 mw EM OPERAÇÃO EMPREENDIMENTO EM CONSTRUÇÃO

EM OPERAÇÃO

EMPREENDIMENTOmw 1.883 mw 4.824 mw 427 mw EMPREENDIMENTO EM OPERAÇÃO EM CONSTRUÇÃO EMPREENDIMENTO COM CONSTRUÇÃO NÃO

EM CONSTRUÇÃO

EMPREENDIMENTO COM CONSTRUÇÃO NÃO INICIADAEMPREENDIMENTO EM OPERAÇÃO EMPREENDIMENTO EM CONSTRUÇÃO Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético Informações

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

Informações da Eletrobras apontam ainda a existência de mais 13.000 MW em PCHs, que poderiam já es- tar sendo inventariados nesse momento se a ANEEL não tivesse proibido a realização de novos inventários por meio do Despacho n° 483/2013, que, em 2010, foi justificado com a alegação de que estaria para entrar em vigor uma mudança na regulamentação atual.

A ANEEL é responsável por registrar, analisar e aprovar os estudos de inventário, de viabilidade e de pro- jetos básicos dos aproveitamentos hidrelétricos do País. Essas atividades estão fundamentadas no Decreto n° 4.970/2004, no Decreto n° 4.932/2003 e na Resolução Normativa ANEEL n° 116/2004. É a Superintendên- cia de Gestão e Estudos Hidroenergéticos (SGH) que exerce essas atribuições, de acordo com o Regimento Interno da ANEEL.

ETAPAS Do PLANEjAmENTo Do SEToR HIDRELÉTRICo

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

369

A figura a seguir mostra as etapas do planejamento do setor hidrelétrico. Escala de análise
A figura a seguir mostra as etapas do planejamento do setor hidrelétrico.
Escala de análise
Regional (bacia hidrográfica)
local (projeto)
Prazo dos estudos
indeterminado
2 anos
1 ano
6 meses
1 ano
4 anos
> 50 anos
Estágio de implementação
Estudos
Estudos
Leilão de
Projeto
Estudos
Construção
Operação
preliminares
de viabilidade
concessão
Básico
de inventário
4
6
8
1 2
Registro ANEEL
Aprovação ANEEL
Aprovação ANEEL
Aprovação ANEEL
9
3
5
7
Aprovação ANEEL
Registro AA*
Registro AA*
Registro AA*
licença instalação
licença operação
Registro ANEEL e AA
licença prévia

* Ato autorizativo Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

ETAPAS DE ImPLANTAção DE Um EmPREENDImENTo HIDRELÉTRICo

A figura a seguir mostra as etapas de implantação de um empreendimento hidrelétrico.

FaSe de eStudoS

FaSe de eStudoS

ANEEL

INVENTÁRIO

AAI

ANEEL

ANA

OLA

EVTE

EIA/RIMA

FaSe de eStudoS ANEEL INVENTÁRIO AAI ANEEL ANA OLA EVTE EIA/RIMA DESENVOLVEDOR
FaSe de eStudoS ANEEL INVENTÁRIO AAI ANEEL ANA OLA EVTE EIA/RIMA DESENVOLVEDOR

DESENVOLVEDOR

ANEEL ANA OLA EVTE EIA/RIMA DESENVOLVEDOR MME ANEEL EPE LP LEILÃO Fonte: Banco de Imagens do

MME

ANEEL

EPE

LP

LEILÃO

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

 

FaSe pré-operacional

   

FaSe operacional

   

ANEEL

 

ANEEL

 

ANA

ANA

OLA

OLA

Renovações da LO

 
LI LO

LI

LO

LI LO
LI LO
   
   
 

PROJETO

   

BÁSICO

 

CONSTRUÇÃO

 

OPERAÇÃO

 
 

EMPREENDEDOR

   

EMPREENDEDOR

 

370

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

mAPA DE LoCALIzAção DAS PRINCIPAIS PCHS No bRASIL

O gráfico a seguir mostra o mapa de localização das PCHs no Brasil.

MG MT RS SC GO RJ PR SP ES MS TO BA RO PA RR
MG
MT
RS
SC
GO
RJ
PR
SP
ES
MS
TO
BA
RO
PA
RR
PE
CE
PB
AL
Operação
AM
Construção
AP
Outorga
MA
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1.000
1.100
1.200
Total de PCHS em operação: 476

Individualizado

Remanescente

Total Estimado

Projeto Básico

Inventariado

Depois de concluídos os estudos de inventário, a ANEEL concede

registro para início dos estudos de viabilidade técnica e econômica. Paralelamente, ocorrem também os estudos socioambientais e o processo de licenciamento ambiental. Cabe ao empreendedor obter

a licença prévia junto aos órgãos ambientais, IBAMA ou entidades es- taduais. Também é necessária a Declaração de Reserva de Disponibi-

lidade Hídrica (DRDH), obtida junto aos órgãos gestores de recursos hídricos, Agência Nacional da Água (ANA) ou instituições estaduais.

É do MME a competência para considerar o empreendimento apto a

ser licitado e definir o tipo de leilão pelo qual será negociada a conces- são e também vendida a energia. Essas diretrizes constam de portaria ministerial.

A partir daí, cabe à ANEEL propor a minuta de edital de licitação, de acordo com as diretrizes definidas pelo MME, como a definição do dia do leilão, as formas de contratação da energia a ser ofertada e a data de entrada em operação das usinas a serem licitadas.

Toda essa fase é de competência da Superintendência de Conces- sões e Autorizações de Geração (SGC) e da Comissão Especial de Li- citação (CEL), criada para acompanhar todos os processos licitatórios nas áreas de geração e transmissão.

ETAPAS DE DESENVoLVImENTo DE PCHS

DRDH: Os aproveitamentos hidrelétricos, que demandam quantidades importantes de recursos hídricos e podem im- pactar, de forma significativa, a disponibilidade de água são analisados, outorgados e fiscalizados de forma diferenciada pela ANA.

Nos aproveitamentos hidrelétricos, dois bens públicos são objetos de concessão pelo poder público: o potencial de energia hidráulica e a água. Anterior à licitação da concessão ou da autorização do uso do potencial de energia hidráulica, a autoridade competente do setor elétrico deve obter a DRDH junto ao órgão gestor de recursos hídri- cos. Posteriormente, a DRDH é convertida em outorga em nome da entidade que receber da autoridade competente do setor elétrico a concessão ou autorização para uso do potencial de energia hidráu- lica, conforme disposições dos arts. 7° e 26°, da Lei n° 9.984, de 2000, art. 23° do Decreto n° 3.692, de 2000, e art. 9° da Resolução CNRH n° 37, de 2004. No caso de corpos de água de domínio da União, a ANA emite a DRDH e a converte em outorga conforme os procedimentos estabelecidos na Resolução da ANA n° 131/2003.

Em rios de domínio dos estados ou do Distrito Federal, o respec- tivo órgão gestor de recursos hídricos é o responsável pela emis- são da DRDH.

PoTENCIAL HIDRELÉTRICo (mw)

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

HISTóRICo DAS PCHS No bRASIL

A primeira microcentral hidrelétrica que se tem notícia foi construí- da na Irlanda do Norte, em 1883, para fornecer energia para um trem elétrico a partir de duas turbinas de 52 HP (1HP = 746 W).

No Brasil, em 1883, foi montado, em Diamantina um esquema para aproveitamento de energia hidrelétrica com 12 KW, dois geradores acionados por roda de água com um desnível de 5 m.

Desde então, a evolução diversificada do setor energético foi prodi- giosa e passou a influir em todos os setores da vida cotidiana. Dentro dessa diversidade, permaneceram, mais do que em nenhuma outra, as várias modalidades de centrais hidrelétricas.

As PCHs compõem 3,51% da matriz energética do País, uma im- portante parte da geração de energia no Brasil. Atualmente, o núme- ro de PCHs em operação é de 476. A figura a seguir mostra o potencial hidrelétrico – estados selecionados – 2013 – unidade MW.

371

Estudos de inventário: Estudos de engenharia para definição do potencial hidrelétrico de uma bacia hidrográfica, a partir da análise de divisão de quedas d’água e da definição prévia do aproveitamento ótimo desse potencial, ou seja, do número de aproveitamentos hidrelétricos que, no conjunto, propiciem o máximo de energia ao menor custo, com o mínimo de impactos sobre o meio ambiente e em conformidade com os cenários de utilização múltipla dos recursos hídricos.

Projeto básico: Compreende a etapa em que há mais detalha- mento dos estudos iniciais. No caso das PCHs, o detalhamento parte dos estudos de inventário. Para outras UHEs, o ponto de partida são os estudos de viabilidade. Em ambos os casos, é ne- cessária a concessão da licença prévia. A empresa vencedora de leilão ou autorizada pelo poder concedente para implantar o empreendimento deverá solicitar ao órgão ambiental a licença de instalação para poder iniciar a construção e, posteriormente, a licença de operação para que a usina possa começar a gerar comercialmente.

Estado

Inventário

Viabilidade

Construção

Operação

Total

Total Geral

Amazonas Bahia Goiás Minas Gerais Mato Grosso do Sul Mato Grosso Pará Paraná Rondônia Roraima Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo Tocantins

6.226

6.709

12.935

7.046

0

7

0

250

7.303

20.238

0

324

324

1.608

3.038

361

0

6.859

11.865

12.190

2.564

36

2.600

3.582

368

189

0

6.002

10.140

12.640

973

1.777

2.750

7.259

717

676

35

12.295

20.982

23.732

113

903

1.017

792

0

677

0

3.628

5.097

6.114

4.512

1.234

5.746

10.875

75

821

1.267

1.887

14.924

20.670

2.379

3.713

6.092

21.342

930

700

12.330

8.500

43.802

49.894

1.213

271

1.484

3.821

1.954

876

0

15.991

22.641

24.126

1.052

4.254

5.307

488

0

64

85

7.275

7.913

13.220

4.178

84

4.262

1.301

324

0

0

5

1.630

5.892

491

1.296

1.787

3.391

146

257

5

4.475

8.274

10.079

254

222

477

1.918

281

433

24

4.031

6.687

7.163

441

375

816

879

2.162

240

0

11.059

14.339

15.155

157

0

157

2.029

2.304

6

0

2.314

6.653

6.809

Total Brasil

25.992

22.253

48.244

69.733

16.735

4.570

14.185

91.392

196.616

245.760

Fonte: Banco de Imagens do setor Energético

372

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

O aumento da exploração do potencial de PCHs no Brasil aconte-

ceu a partir do ano de 1997, quando foi extinto o monopólio do Esta- do no setor elétrico e centenas de empresas empenharam recursos na elaboração de estudos e projetos de geração de energia renovável.

O Brasil, tal como diversos países, implantou políticas públicas de

apoio às fontes alternativas, entre as quais o desconto mínimo de 50% na TUST e na TUSD, um subsídio às fontes renováveis e o PROINFA.

Considerado o grande marco para a inserção de fontes renováveis no setor elétrico, o PROINFA, iniciado em 2002 com a aprovação da Lei n° 10.438/02, tinha como objetivo promover a contratação de proje- tos baseados em fontes classificadas como alternativas, como PCHs, eólicas e térmicas à biomassa, principalmente de bagaço de cana, por meio da fixação de metas para a participação dessas fontes no SIN.

De 1997 até hoje, mais de R$ 1 bilhão foram aplicados por investi- dores privados na elaboração e no licenciamento ambiental de cerca de 1.000 projetos de PCHs, totalizando mais de 9.000 MW em empre- endimentos protocolados na ANEEL.

PCHS No SEToR ELÉTRICo bRASILEIRo - ANo (2014)

Capacidade

PCHS/UHE de Itaipu

MW

%

Em Operação

5.247

37,5

Aprovados pela ANEEL sem Financiamento

427

3,1

Paralisados na ANEEL

1.460

10,4

Disponível para Apresentação de Projetos

1.880

13,4

Total

9.014

64,4

Usina de Itaipu

14.000

100,0

Fonte: Dados da ANEEL

Somados os potenciais de PCHs existentes, ilustrados na tabela anterior, há um total considerável de potência de, pelo menos, 9.000 MW, o que significa uma quantidade de potência na faixa de 65%

da Usina Binacional de Itaipu. As PCHs, contudo, seriam uma Itaipu distribuída e de baixos impactos ambientais, devido à diversidade de usinas espalhadas pelo País.

Em termos de potência já instalada, as PCHs responderam por 5.247 MW em 2014.

EVoLUção DA CAPACIDADE INSTALADA PoR FoNTE DE gERAção (mw) No bRASIL, Em DESTAQUE oS VALoRES PARA PCH

FONTE

2011(d)

2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020

2021

Renováveis

97.317

101.057

107.230

111.118

116.553

122.616

128.214

134.151

139.172

144.889

152.952

Hidro (a)

77.329

78.959

81.517

83.184

87.576

92.352

97.337

101.223

103.476

106.499

111.723

Importação (b)

6.275

6.200

6.120

6.032

5.935

5.829

5.712

5.583

5.441

5.285

5.114

Biomassa

7.750

8.908

9.164

9.504

9.554

9.604

9.704

10.454

11.404

12.304

13.454

Eólica

1.403

1.981

5.208

7.151

8.100

9.383

9.883

11.033

12.683

14.113

15.563

Urânio

2.007

2.007

2.007

2.007

2.007

3.412

3.412

3.412

3.412

3.412

3.412

Gás Natural

10.209

10.350

11.362

12.055

12.055

12.055

12.402

12.402

12.402

12.402

13.102

Carvão

1.765

2.845

3.205

3.205

3.205

3.205

3.205

3.205

3.205

3.205

3.205

Óleo Combustível

3.316

3.482

4.739

8.002

8.002

8.002

8.002

8.002

8.002

8.002

8.002

Óleo Diesel

1.197

1.395

1.395

1.395

1.395

1.395

1.048

1.048

1.048

1.048

1.048

Gás de Processo

687

687

687

687

687

687

687

687

687

687

687

TOTAL (c)

116.498

121.823

130.625

138.469

143.904

151.372

156.970

162.907

167.928

173.645

182.408

Notas: Os valores da tabela indicam a potência instalada em dezembro de cada ano, considerando a motorização das UHE. (a)Inclui a pane brasileira da UHE Itaipu (7.000 MW). (b)Estimativa de importação da UNE Itaipu não consumida pelo sistema elétrico Paraguaio. (c)Não considera a autoprodução, que, para os estudos energéticos, e representada como abatimento de carga. A evolução da participação da autoprodução de energia é descrita no Capítulo II. (d)Valores de capacidade instalada em dezembro de 2011, incluindo as usinas já em operaçâo comercial nos sistemas isolados. Fonte: EPE, 2012.

A grande popularidade da autoprodução de energia elétrica, nos dias de hoje, deve-se ao fato de que, em grande parte das proprie- dades rurais, passam rios com corredeiras ou quedas de água que podem ser aproveitados para obtenção de energia primária. Essa energia é, geralmente, usada para acionamento de máquinas estacio- nárias, geração de eletricidade e recalque de água para reservatórios mais elevados. Para os microaproveitamentos elétricos, podem-se utilizar, ainda, as rodas de água ou, dependendo da vazão ou queda disponível, as turbinas.

ImPACToS AmbIENTAIS

Os principais impactos ambientais causados pelas PCHs são os mesmos das grandes centrais hidrelétricas, só que em pequena escala:

• ocupação do solo pela formação do lago;

• alteração do leito original do rio;

• alteração da velocidade da água;

• alteração da qualidade da água;

• modificação sobre a fauna e flora aquática;

• vazão residual no trecho seco do rio.

Contudo, as PCHs não se utilizam de volumosas acumulações de água. O impacto causado em sua disponibilidade pode ser assim be- néfico ao meio ambiente, dependendo do projeto a ser considerado.

Um projeto capaz de traduzir essas alterações em benefício à na- tureza, ao homem e ao meio ambiente traz consigo as seguintes ca- racterísticas:

• pequenos reservatórios;

• impactos controlados;

• quedas naturais preservadas;

• assoreamento reduzido;

• criação/recuperação da APP do reservatório;

• pesquisa científica;

• resgate arqueológico;

• educação ambiental;

• regularização do regime hídrico dos rios (amortece os efeitos mais fortes das enchentes e, em períodos de seca, fornece água por meio dos seus reservatórios).

Uma PCH pode trazer inúmeros benefícios socioeconômicos, des- tacando-se:

• geração de empregos;

• aumento da participação da cota do ICMS;

• arrecadação de Impostos Sobre Serviços (ISS);

• atração de indústrias;

• novas oportunidades de negócios;

• melhoramento da infraestrutura local.

ImPACToS SobRE A ICTIoFAUNA

Os impactos de hidrelétricas em pequena escala em ecossistemas aquáticos, de modo geral, podem ser pequenos e localizados, porém os maiores impactos potenciais incidem sobre a população de peixes, pois as hidrelétricas criam (ou aumentam) obstáculos à sua migração.

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

A população de invertebrados no rio também será afetada pelo des- vio da água, que pode reduzir suas fontes de alimento.

A ictiofauna (conjunto das espécies de peixes que existem em uma determinada região biogeográfica) poderá ser modificada abaixo da represa, dentro dela e acima dela. A grande maioria das espécies de peixe de valor para o consumo humano é espécie migratória (espé- cies de piracema). Elas realizam grandes migrações de desova, além de migrações tróficas (migração alimentar que ocorre em direção ao sítio de alimentação) rio acima, pelas quais o transporte dos ovos e das larvas rio abaixo é compensado (figura a seguir).

Para elas, as barragens representam um obstáculo insuperável. De forma geral, peixes migratórios dos trópicos depositam seus ovos em afluentes dos rios. As larvas desses animais e os ovos que não eclodi- ram descem o rio, seguindo a correnteza, e amadurecem no caminho. Mas, para isso, eles dependem de águas turvas e agitadas, o que as represas, em geral, não têm.

no caminho. Mas, para isso, eles dependem de águas turvas e agitadas, o que as represas,

373

374

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Os peixes adultos também evitam água parada, principalmente na viagem de volta da piracema (como é chamada a subida para a deso- va). Para especialistas, a água parada da represa funciona como uma barreira durante essa subida. Além da barreira imposta pela barragem, que causa a interrupção do fluxo migratório da ictiofauna, há ainda os impactos resultantes da diminuição da vazão do rio no trecho entre a barragem e o canal de fuga.

Geralmente, esse trecho mantém apenas peixes de pequeno por- te, sendo que a quantidade de animais atraídos para esse trecho de- pende do período do ano e do volume de água vertido. Um impacto adicional, representado pela interrupção ou diminuição acentuada do volume vertido, pode ocasionar o aprisionamento ou mesmo a morte de peixes atraídos para a área durante o período chuvoso.

ExPLoRAção DA mATA ATLâNTICA

Em regras gerais, existem grandes diferenças entre o Decreto n° 750/1993 e a Lei n° 11.428/2006 no que diz respeito à exploração da vegetação. O decreto apenas determinava a observação de alguns requisitos para a exploração seletiva das vegetações primária e secun- dária em estágio avançado e médio de regeneração. Já a lei é muito mais detalhista sobre esse assunto, excepcionando poucas hipóteses para a exploração das vegetações primária e secundária em estágio avançado e médio. O art. 20, caput, da nova lei dispõe que a vegetação primária só pode ser suprimida em caso de utilidade pública, pesquisa científica e prática preservacionista.

Em todas as hipóteses, o estudo de impacto ambiental e seu respec- tivo relatório (E-A/RIMA) são essenciais. O mesmo se aplica à vegetação secundária em estágio avançado de regeneração. Quanto à vegetação em estágio médio de regeneração, aplicam-se os requisitos citados, acrescentando-se apenas o interesse social como uma das exceções à proibição de seu corte. Fragmentos florestais nesse estágio de rege- neração, compostos por mais de 60% de árvores nativas em relação às demais espécies ali existentes, podem ser suprimidos, desde que respeitadas a área de preservação permanente e a destinada à reserva legal. Entende-se ser necessária a criação de corredores ecológicos, o que pode ser prejudicado por esse dispositivo.

A vegetação secundária em estágio inicial de regeneração pode ser explorada desde que autorizada pelo órgão estadual competente. As

desde que autorizada pelo órgão estadual competente. As normas a ela aplicadas serão as mesmas referentes

normas a ela aplicadas serão as mesmas referentes à vegetação em es- tágio médio de regeneração na seguinte hipótese: quando o Estado possuir menos que 5% de sua área original de Mata Atlântica nos está- gios de vegetação primária e secundária.

Na nova compensação ambiental, além dos requisitos já mencio- nados, a Lei n° 11.428/2006 condiciona, em seu art. 17, a supressão de vegetação primária e secundária nos estágios avançado e médio autorizada legalmente a uma compensação ambiental. Esta se realiza por meio de destinação de área equivalente à extensão da área des-

matada, com as mesmas características ecológicas, na mesma bacia hidrográfica. Não sendo possível a compensação, em vez do cancela-

mento da autorização e da preservação do ecossistema, deve-se fazer reposição florestal, com espécies nativas, em área equivalente à des- matada, na mesma bacia hidrográfica. O legislador omitiu-se quanto

à impossibilidade de reconstruir um ecossistema em bom estado de regeneração por uma simples reposição florestal.

Há outra compensação ambiental vigente no País determinada pela Lei n° 9.985/2000, que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), também conhecida como compensação SNUC.

O art. 36, caput desta lei, prevê a compensação ambiental para os ca-

sos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significa- tivo impacto ambiental e determina que o montante de recursos a serem destinados pelo empreendedor para esta finalidade não pode ser inferior a 0,5% (meio por cento) dos custos totais previstos para a implementação do empreendimento. A compensação da lei da Mata Atlântica foi mais bem construída, sendo clara quanto à sua natureza indenizatória e detalhista sobre como deverá ser paga, o que facilita sua aplicação e concretização.

SANçõES PENAIS

Todo agente que gerar dano, por omissão ou por desrespeito, ao meio ambiente será punido penalmente, em especial, pelas normas da Lei n° 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais. Isso independe de ser o autor do ilícito pessoa física ou jurídica. Esse é um mérito do dis- positivo, já que a Lei de Crimes Ambientais aplicar-se-ia mesmo que não houvesse essa norma específica. A explícita legitimidade dada à pessoa jurídica para estar no polo passivo de uma ação penal ambien- tal firma a posição do legislador sobre o assunto.

Um novo tipo penal é inserido pelo art. 43 na Lei n° 9.605/1998, sob

o n° 38-A, e afirma como crime a conduta de destruir ou danificar ve-

getação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de re- generação, do Bioma Mata Atlântica, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção. A penalidade pode ser detenção, que varia de 1 a 3 anos, multa, ou a aplicação de ambas simultaneamente. Quando o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.

O que os agentes devem observar a esse respeito:

• a legislação ambiental (figura a seguir):

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Constituição Federal Legislação Estadual Política Nacional de Meio Ambiente SUDEMA: Licenciamento Resolução
Constituição
Federal
Legislação
Estadual
Política Nacional de
Meio Ambiente
SUDEMA:
Licenciamento
Resolução
Resolução
CONAMA
CONAMA 237/97
001/86
Licenciamento
EIA-RIMA
• o fluxograma do licenciamento ambiental (figura a seguir): Exigido EIA e RIMA Plano de
• o
fluxograma do licenciamento ambiental (figura a seguir):
Exigido
EIA e RIMA
Plano de
Audiência
Termo de
EIA e
Trabalho
Pública
Referência
RIMA
Audiência
Pública
Licença
Prévia
CONSEMA
Parecer
Técnico
Licença de
Instalação
LP
Indeferida
Licença de
Operação

375

376

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

• o fluxograma do controle ambiental (figura a seguir):

Avaliação de Diagnóstico Mitigação dos Monitoramento dos Impacto Ambiental Ambiental impactos ambientais
Avaliação de
Diagnóstico
Mitigação dos
Monitoramento dos
Impacto Ambiental
Ambiental
impactos ambientais
impactos ambientais
Diagnóstico do
meio físico a partir
do estudo da
dinâmica de cada
forma de interação
Avaliação dos impactos
no meio físico.
• Identificação e previsão das alterações
na dinâmica de cada forma de interação.
• Avaliação de significância de cada
alteração.
NÃO
A alteração é
significativa
SIM
Mitigação
dos impactos
no meio físico
Monitoramento
dos impactos
no meio físico
Não há impacto
no meio físico
(alteração é desprezível)
Há impacto no
meio físico

Sob a perspectiva da legislação ambiental, é importante uma am- pliação do corpo técnico dos órgãos ambientais, com isso, haveria a diminuição do tempo de análise e elaboração dos pareceres técnicos referentes aos pedidos de licenciamento, o que até poderia aproximar os dois lados da moeda “empreendedor x órgão licenciador” e, com isso, conseguir que o processo de licenciamento ambiental não seja um empecilho à implantação de empreendimentos e sim uma forma de viabilizá-los de forma ambientalmente mais correta.

Estimularia, também, que os empreendimentos não licenciados procurassem os órgãos ambientais para regularização ambiental. Im- portante também é a exigência de cumprimento integral da Avaliação

AmbientalIntegrada,instrumentoquepodesermuitoeficaz,vistoque

a construção de uma hidrelétrica não afeta apenas, de forma pontual,

o local onde é construída, e sim toda a bacia hidrográfica e os agentes que a compõem, principalmente bacias de relevância ambiental.

CoNFIgURAçõES UTILIzADAS

Partindo da concepção do arranjo da usina, cabe verificar:

• se o projeto apresenta trecho curto-circuitado ou não;

• o regime de operação da PCH e se ela necessita estocar água para gerar energia ou não.

Essas características irão se relacionar com a disponibilidade de água e, no caso da dupla negativa, o empreendimento não deverá comprometer a quantidade de água no leito natural da corredeira.

A redução da vazão do rio no trecho entre a barragem e o canal de

fuga poderá implicar na restrição do uso múltiplo da água, bem com

poderá causar a interrupção do fluxo migratório dos peixes.

Nas centrais a fio d’água, onde o desnível do trecho do curso d’água

é aproveitado para gerar o potencial hidráulico, ocorre o desvio da água do rio de seu leito natural, uma vez que a casa de máquinas se localiza afastada da barragem, sendo interligadas pelo circuito hi- dráulico. A queda é proporcionada em maior parte, aproveitando-se

a queda natural existente no rio. Nota-se uma enorme redução da área

alagada, uma vez que a barragem, nesse caso, não tem mais a função de agregar queda e sim permitir a captação e pequena preservação da água para operação da central.

Como contrapontos à redução do impacto causado pela redução de área, surgem novos impactos associados à formação de um Trecho de Vazão Reduzida (TVR), compreendido entre a barragem e a casa de força, afetando o próprio leito natural do rio e também a população lindeira que faz uso dessa água. A manutenção da vazão mínima nesse trecho vem sendo objeto de muita discussão entre empreendedores e órgãos ambientais, pois a vazão destinada a esse percurso é uma par- cela que não estará disponível para a geração.

Para o caso de PCHs, a Norma n° 4, “Norma de Projetos de Geração de PCH”, no item 3, subitem 3.9, estipula que, na elaboração de estu- dos e na concepção do projeto, deverá ser considerado que a vazão remanescente no curso d’água, a jusante do barramento, não poderá ser inferior à vazão mínima média mensal calculada com base nas ob- servações anuais no local previsto para o barramento, de acordo com

o Manual de PCH – Eletrobras/DNAEE (Mortari, 1997).

O canal de fuga é o canal situado na seção imediatamente a jusante

da PCH, entre a casa de força e o rio, por meio do qual a vazão turbina-

da é restituída ao rio. A sua elevação é de extrema importância, pois

é um dos fatores que influenciam a queda bruta, que é considerada

para o cálculo da potência gerada. A alteração do fluxo da água, tal como alargamento do leito do rio e redução da corrente, pode condu- zir à redução ou substituição de espécies nativas de peixes. Os arranjos

que causam uma redução na vazão têm o potencial de afetar a con- centração dos poluentes transportados pela água e dos organismos patogênicos.

A ecologia de uma área também pode ser afetada permanente- mente pelo estabelecimento do reservatório, que pode inundar áreas

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

de hábitat naturais, mas resultará em um hábitat novo que pode atrair outro tipo de fauna. As represas e os açudes pequenos têm outros efei- tos benéficos na ecologia, incluindo fluxo mais lento.

A vazão defluente de uma usina hidrelétrica é composta por duas parcelas: a vazão turbinada e a vazão vertida. A vazão turbinada é

377

de uma usina hidrelétrica é composta por duas parcelas: a vazão turbinada e a vazão vertida.

378

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

ImPoRTâNCIA DAS PCHS NA REgULARIzAção DA VAzão Do RIo

Quanto à capacidade de regularização do reservatório, os tipos de PCHs são: a fio d’água; de acumulação, com regularização diária do reservatório; e de acumulação, com regularização mensal do re- servatório.

As PCHs de fio d’água são empregadas quando as vazões de estia- gem do rio são iguais ou maiores que a descarga necessária à potência a ser instalada para atender à demanda máxima prevista. Nesse caso, despreza-se o volume do reservatório criado pela barragem. O siste- ma de adução deve ser projetado para conduzir a descarga necessária para fornecer a potência que atenda à demanda máxima.

O aproveitamento energético local é parcial e o vertedouro funcio- na na quase totalidade do tempo, extravasando o excesso de água. Esse tipo de PCH apresenta, entre outras, as seguintes simplificações:

dispensa estudos de regularização de vazões e de sazonalidade da carga elétrica do consumidor e facilita os estudos e a concepção da tomada d’água (figura a seguir).

REgULARIzAção DE VAzõES

Q i Q r J F M A M J J A S O N
Q
i
Q
r
J
F
M
A
M
J
J
A
S
O
N
D
Vagão

Mês

Na figura, no período entre abril e setembro, as vazões naturais (Qi) são menores que a vazão regularizada (Qr). Nesse caso, há necessida- de de armazenar água para atender à vazão regularizada no período mencionado.

As PCHs de acumulação com regularização diária do reservatório são empregadas quando as vazões de estiagem do rio são inferiores à necessária para fornecer a potência para suprir a demanda máxima do mercado consumidor e ocorrem com risco superior ao adotado no projeto. Nesse caso, o reservatório fornece o adicional necessário de vazão regularizada.

Por fim, as PCHs de acumulação com regularização mensal do re- servatório consistem em um projeto que considera dados de vazões médias mensais no seu dimensionamento energético, analisando as vazões de estiagem médias mensais. Pressupõe-se uma regularização mensal das vazões médias diárias, promovida pelo reservatório.

Com relação à agressão ambiental, esta se origina na demanda da água para outros usos conflitivos e na relevância ecológica do trecho impactado. A partir da existência desses fatores, cabe tentar tomar me- didas para minimizar os efeitos nocivos.

Entre as medidas mitigatórias, está a construção de uma barragem para peixes, que é uma medida de eficácia duvidosa. Outra medida que pode atenuar os problemas é a determinação de uma vazão re- manescente que deve permanecer no leito original da corredeira, pos- sibilitando a captação de água para outros usos e/ou mantendo um nicho ecológico significativo.

Contudo, entre as medidas possíveis de serem tomadas, está o pla- nejamento, que deve apresentar melhores resultados do ponto de vista ambiental. O planejamento deve ser formulado de acordo com interesses locais, a partir de uma visão regional (no âmbito da bacia hidrográfica), devendo buscar:

• valorar e comparar economicamente os impactos ambientais frente à oferta de energia;

• escolher o local de inserção mais adequado;

• definir o regime de operação ótimo, visando o uso final da energia.

Essas três ações evoluem a partir de um nível bastante complexo para um mais simplificado. Mesmo assim, com relação à comparação sugerida na primeira delas, por mais complexa que seja, é possível de- senvolvê-la, devendo-se, para isso, buscar elementos a partir do con- texto da bacia hidrográfica e seus habitantes.

Para que não existam problemas com a circulação dos peixes, quan- do se tratar de uma intervenção antrópica, deveria ser associado ao conceito de PCH uma exigência legal clara quanto às grades nas bocas de tomada d’água.

A partir de uma concepção-padrão de projeto de PCH, com baixo potencial impactante, sugere-se a padronização ou uniformidade do processo de licenciamento ambiental, com consequente encurtamen- to dos prazos para emissão das licenças.

USINAS REVERSíVEIS

As usinas reversíveis tiveram as suas origens na Suíça e na Itália, com a finalidade de armazenarem o excedente de energia produzido no período noturno, especialmente na madrugada. Atualmente, no mun- do, há 127 mil MW instalados.

As usinas reversíveis utilizam turbina-bomba e normalmente pos- suem um reservatório maior a montante e outro menor a jusante da casa de força. Elas operam nos horários de maior consumo de energia, turbinando água do reservatório superior para o reservatório inferior.

Nos horários de menor consumo de energia, funcionam bombean- do parte da água turbinada de volta para o reservatório superior para quando for novamente necessária água turbinada.

No Brasil, há duas usinas hidrelétricas reversíveis: a Usina Traição com 22 MW, capacidade de bombear 280 m 3 /s a 5 mca (mca = metros

a Usina Pedreiras com

de coluna d’água), dotada de turbinas

108 MW, capacidade de bombear 395 m 3 /s a 25 mca, dotada de turbi-

nas Francis, ambas no Rio Pinheiros em São Paulo.

Kaplans; e

reServa eStratéGica Hidrelétricas reversíveis dispõem de dois reservatórios para reusar a água na geração de
reServa eStratéGica
Hidrelétricas reversíveis dispõem de dois
reservatórios para reusar a água na geração de
energia e produzir mais eletricidade
Reservatório superior:
a
água desce do lago
e
passa pelas turbinas
para gerar eletricidade.
Casa de máquinas
subterrânea
Modo de geração
elétrica
Modo de
bombeamento
Reservatório
inferior: Em
momentos de
menor consumo
de energia, a água
é bombeada para
Turbinas e bombas:
o reservatório
superior para
ser reusada
na geração de
eletricidade.
as turbinas reversíveis
têm a dupla função
de gerar eletricidade e
de bombear água de
um reservatório para o
outro.

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

379

CENTRAIS gERADoRAS HIDRELÉTRICAS (CgHS)

Aproveitamentos dispensados de concessão ou autorização, devendo apenas ser comunicado ao poder concedente, para fins de registro, nos termos do art. 8° da Lei nº 9.074/1995, alterado pela Lei n° 13.097/2015 (figura a seguir).

alterado pela Lei n° 13.097/2015 (figura a seguir). A exemplo das PCHs, as Centrais Geradoras Hidrelétricas
alterado pela Lei n° 13.097/2015 (figura a seguir). A exemplo das PCHs, as Centrais Geradoras Hidrelétricas

A exemplo das PCHs, as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) também são geradoras de energia que

utilizam o potencial hidrelétrico para sua produção. A diferença é que as CGHs são ainda menores, tanto em

termos de tamanho como de potência. De acordo com a classificação da ANEEL, esses empreendimentos podem ter o potencial de gerar até 3 MW de energia (Lei n° 13.097, de 19 de janeiro de 2015).

Com essa ampliação, os empreendimentos que tenham até 3 MW de potência passam a ser classificados

comoCGHsenãomaiscomoPCHs.Comisso,respondemtambémàregulamentaçãoespecíficadessacate-

goria. Uma das simplificações decorrentes disso diz respeito às autorizações: as CGHs podem gerar energia

sem a necessidade de autorização ou concessão do poder público.

O Brasil conta com 505 unidades de CGHs instaladas em todo seu território, que representam 340 MW de

potência instalada. Com essa abrangência, essas centrais geram 0,25% do total da matriz energética do País. A ANEEL já autorizou a construção de 68 novas centrais.

Minas Gerais é o estado que possui o maior número de CGH em operação, com 126 empreendimentos, seguido de Santa Catarina, com 116, e Rio Grande do Sul, com 47 unidades e 32 MW instalados.

Os aproveitamentos de potenciais hidráulicos de até 3 MW independem de concessão ou autorização, porém devem ser comunicados ao órgão regulador e fiscalizador do poder concedente para fins de regis- tro. Esse processo de registro é gratuito, porém não isenta o empreendedor das responsabilidades ambien- tais e de recursos hídricos.

380

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Dependendo das peculiaridades (localização, obras civis, área de influência, etc.) do projeto e da estrutura técnica disponível, o proces- so de licenciamento ambiental envolverá órgãos das três esferas da administração pública (federal, estadual e municipal).

Os aproveitamentos de CGH podem comercializar energia elétrica com consumidor ou conjunto de consumidores reunidos por comu-

nhão de interesses de fato ou de direito, cuja carga seja maior ou igual

a

500 kW, observados determinados requisitos.

A

política governamental prevê, para os interessados em explorar

o

potencial hidráulico das CGHs, descontos de, no mínimo, 50% nas

tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão e distribuição.

mICRoCENTRAIS HIDRELÉTRICAS

As microcentrais hidrelétricas têm a habilidade de produzir energia suficiente para atender às necessidades básicas de um domicílio rural mesmo em pequenos potenciais hidráulicos.

Micro e minigeração distribuída:

• potência limitada a 100 kW na minigeração distribuída;

• potência entre 100 kW e 1 MW no caso de minigeração distribuída;

• possibilidade de compensação entre geração e consumo direto com a distribuidora.

A figura a seguir mostra projeto de instalação de microcentrais hi-

drelétricas.

Apesar do esforço que o Governo tem feito para levar energia elé- trica no campo por meio de sistemas interligados, ainda assim, em muitas localidades, isso é inviável, pois problemas como grandes extensões de redes convencionais, sistemas de geração descentrali- zados, redes isoladas ou sistemas individuais culminam na inviabiliza- ção de tais projetos.

Canal de Adução Barragem Área Inundada Casa de Força Rio (trecho de vazão reduzida) Rio
Canal de
Adução
Barragem
Área
Inundada
Casa de
Força
Rio (trecho de
vazão reduzida)
Rio

Frente a esse cenário, a racional implantação de microcentrais hi- drelétricas tornou-se uma alternativa plausível para as comunidades rurais à medida que oferece condições técnico-econômicas aliadas às novas tecnologias das unidades geradoras, sem contar que hoje a realidade, em função da alta demanda e da escassez energética do planeta, é muito mais complexa do que se pode imaginar.

Os pequenos aproveitamentos hídricos voltaram a receber subs- tancial atenção por parte dos órgãos federais.

Como funcionam as microcentrais hidrelétricas:

• uma queda d’água de um córrego, rio ou igarapé é uma fonte hidroenergética natural, renovável e gratuita. Essa energia pode ser transformada e reaproveitada em forma de eletricidade, re- duzindo significativamente os custos de uma propriedade;

• a energia cinético-hidráulica derivada dessa queda é convertida em energia mecânica por meio de uma turbina hidráulica, que, por sua vez, converte-a em energia elétrica por um gerador, sen- do essa energia transportada por sistemas de subtransmissão ou distribuição de energia;

• as microcentrais hidrelétricas podem fornecer energia elétrica para sítios, fazendas, comunidades rurais ou agroindústrias. Em suma, podem possuir várias concepções técnicas;

• as turbinas de ação (rodas PELTON) são as recomendadas para as microcentrais hidrelétricas, por se tratarem de tecnologia do- minada e já empregada em muitos empreendimentos;

• a configuração das microcentrais hidrelétricas é a fio d’água, não necessitando de reservatório para armazenar água;

• as microcentrais hidrelétricas são compostas de canal de adu- ção, grades de retenção, comporta, câmara de carga, tubulação forçada ou Penstock, casa de máquinas (ou de força) e linhas de subtransmissão e distribuição.

PCHS No RIo gRANDE Do SUL

Em 2014, existiam vários projetos de PCHs no Rio Grande do Sul com registros de outorga aceitos na ANEEL, mas vários foram revo- gados em virtude de indeferimentos de licenças de instalação. Isso fez com que aproximadamente 14 projetos no RS fossem revogados. Apenas um conseguiu a licença de instalação em 2014 e outro em 2015, conforme mostram dados do Banco de Informações de Gera- ção (BIG) da ANEEL.

Em grandes números havia, em 2014, algo em torno de 790 MWx de PCH disponível para ser implantada no RS. Se forem considerados os valores médios de mercado para implantar uma PCH, que seriam R$ 5 a 7 milhões por MW instalado, ter-se-iam R$ 3,9 a 5,5 bilhões de investimentos. E, posteriormente, ter-se-ia algo em torno de R$ 200 milhões/anuais, em retorno de ICMS.

Efetivamente, no período de janeiro de 2014 a abril de 2015, so- mente dois projetos de PCHs obtiveram licença de instalação emitida pela FEPAM-RS, são eles:

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

• PCH Serra dos Cavalinhos1 – 25 MW – licença de instalação em 2014;

• PCH Santa Carolina – 10,5 MW – licença de instalação em 2015.

Outras situações:

• PCH Cazuza Ferreira – 9,1 MW – licença de instalação em 2010 (anterior a 2014).

• Licenças indeferidas (Linha Jacinto e Linha Aparecida).

• Aguardando licença de instalação (Jardim e Morro Grande).

Contudo, existem cinco projetos de PCHs já outorgados, que já par- ticiparam de Leilões em 2014 e 2015 e estão com 100% da energia vendida. Quatro delas estão com as obras não iniciadas aguardando licença de instalação da FEPAM-RS. A tabela a seguir mostra as PCHs nos leilões.

381

O Estado do Rio Grande do Sul tem vocação para o setor por sua peculiar formação de relevo, com vastas regiões de morros, o que normalmente resulta em vales bem encaixados, facilitando a implan- tação dos empreendimentos hidrelétricos e evitando grandes áreas alagáveis.

Contudo, não é atraente, uma vez que sua política ambiental não está alinhada o suficiente para a atração desse tipo de empreendi- mento.

Situação das PCHS no RS

Número

Capacidade

em MW

%

Em Operação

50

559

41,4%

Em Construção

3

45

3,3%

Construção não Iniciada

14

220

16,3%

Projetos com Aceite da ANEEL

76

525

39,0%

TOTAL

143

1349

100%

Fonte: ANEEL

Obs.:

• Em construção: venceram leilões;

• Construção não iniciada: com suspensão por inviabilidade am- biental ou impasses judiciais;

• Projetos aceitos na ANEEL: outorga.

Data de realização do leilão

Tipo de Leilão Vendedor

 

Empreendimento

Rio

Investimento

Potência

(R$)

(MW)

13/12/13

Energia Nova

Coogervaapa

Linha Aparecida

Rio da Várzea

134.476.550,00

24,9

13/12/13

Energia Nova

Coogervajac

Linha Jacinto

Rio da Várzea

101.616.060,00

17,4

13/12/13

Energia Nova

Jardim

Jardim

Turvo

35.437.000,00

9,0

13/12/13

Energia Nova

Morro Grande

Morro Grande

Ituim

27.096.000,00

9,8

30/04/15

Energia Nova

Serra dos Cavalinhos I Energética S.A.

Serra dos Cavalinhos I

Rio das Antas

219.620.880,00

25,0

Fonte: CCEE

A tabela a seguir mostra as usinas do tipo PCH em operação.

 

Usina

Data

Potência (kW)

Município

 

Rio

Operação

Outorgada

 

Buricá

-

1.360

Indepedência – RS Inhacorá – RS

Buricá

Capigui

-

3.760

Passo Fundo – RS

Cacequi

Colorado

-

1.120

Tapera – RS

Puitã

Cotovelo do Jacuí

14/05/2001

3.340

Victor Graeff – RS

Jacuí

Ernestina

-

4.800

Ernestina – RS

Jacuí

Forquilha

-

1.000

Maximiliano de Almeida – RS

Forquilha

Furnas do Segredo

16/09/2005

9.800

Jaguari – RS

Jaguari

Guarita

-

1.760

Erval Seco - RS

Guarita

(CONTINUA)

382

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

(CONTINUAÇÃO)

Data

Potência (kW)

Usina

Operação

Outorgada

Município

Rio

Herval

1.440

Santa Maria do Herval – RS

Cadeia

Ijuizinho

-

3.600

Entre-Ijuís – RS

Ijuizinho

Mata Cobra

-

2.880

Carazinho – RS

Rio da Várzea

Passo do Inferno

-

1.332

São Francisco de Paula – RS

Santa Cruz

Passo do Meio

17/10/2003

30.000

Bom Jesus – RS

São Francisco de Paula – RS

Rio das Antas

Santa Rosa

01/01/1955

1.400

Três de Maio – RS

Santa Rosa

Ijuizinho

-

1.000

Eugênio de Castro – RS

Ijuizinho

Salto Forqueta

03/03/2003

6.124

Putinga – RS São José do Herval – RS

Foqueta

Linha Emília

31/01/2009

19.500

Dois Lajeados – RS

Carreiro

Cotiporã

23/12/2008

19.500

Cotiporã – RS

Carreiro

Caçador

31/10/2008

22.500

Nova Bassano – RS Serafina Corrêa – RS

Carreiro

Ferradura

31/12/2003

9.200

Erval Seco – RS

Redentora – RS

Guarita

Carlos Gonzatto

01/04/2006

9.000

Campo Novo – RS

Turvo

José Barasuol (Antiga Linha 3 Leste)

31/12/2003

14.335

Ijuí – RS

Ijuí

Esmeralda

23/12/2006

22.200

Barracão – RS

Pinhal – RS

Bernardo do José

São Bernardo

05/08/2006

15.000

Barracão – RS

Esmeralda – RS

Bernardo do José

Jararaca

15/04/2008

28.000

Nova Roma do Sul – RS Veranópolis – RS

Prata

Da Ilha

15/04/2008

26.000

Antôno Prado – RS Veranópolis – RS

Prata

Marco Baldo

20/05/2011

16.550

Braga – RS Campo Novo – RS

Turvo

Ouro

08/07/2009

16.000

Barracão – RS

Marmeleiro

Toca do Tigre

23/02/2013

11.840,30

Braga – RS Campo Novo – RS

Turvo

Pezzi

31/10/2012

19.000

Bom Jesus – RS Jaquirana – RS

Antas

Palanquinho

13/07/2010

24.165

Caxias do Sul RS Paula RS São Francisco de

Lajeado Grande

Criúva

12/05/2010

23.949

Caxias do Sul RS Paula RS São Francisco de

Lajeado Grande

(CONTINUA)

(CONTINUAÇÃO)

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

383

Data

Potência (kW)

Usina

Operação

Outorgada

Município

Rio

Santo Antônio

30/09/2005

4.500

Santa Rosa – RS Três de Maio – RS

Santa Rosa

Boa Fé

20/10/2011

24.000

Nova Bassano – RS Serafina Corrêa – RS

Carreiro

São Paulo

28/04/2012

16.000

Guaporé – RS

Nova Bassano – RS

Carreiro

Autódromo

18/11/2011

24.000

Guaporé – RS

Vista Alegre do Prata – RS

Carreiro

Rio São Marcos

31/12/2004

2.200

Caxias do Sul – RS São Marcos – RS

São Marcos

Engenheiro Ernesto Jorge Dreher

03/10/2009

17.870

Júlio de Castilhos – RS

Salto do Jacuí - RS

Ivaí

Engenheiro Henrique Kotzian

05/03/2011

13.000

Júlio de Castilhos – RS

Salto do Jacuí – RS

Ivaí

Albano Machado

11/02/2011

3.000

Nonoai – RS Trindade do Sul – RS

Lajeado do Lobo

Galópolis

18/02/2009

1.500

Caxias do Sul – RS

Arroio Pinhal

Moinho

17/09/2011

13.700

Barracão – RS Pinhal – RS

Bernardo do José

Rio dos Índios

04/05/2013

8.000

Nonoai – RS

Dos Índios

Tambaú

28/03/2013

8.806

Erval Seco – RS Redentora – RS

Guarita

Rastro de Auto

29/06/2013

7.020

Putinga – RS São José do Herval – RS

Forqueta

Serra dos Cavalinhos II

23/02/2013

29.000

Monte Alegre dos Campos – RS São Francisco de Paula – RS

Rio das Antas

Abranjo I

01/05/2014

4.860

Encruzilhada do Sul – RS

Abranjo

Morrinhos

20/11/2014

2.250

Barão do Triunfo – RS

São Jerônimo – RS

Arroio das Cachorras

RS-155

21/08/2012

5.982

Ijuí – RS

Das Ijuí

Bela União (Trincheira)

10/04/2015

2.250

Santa Rosa – RS Três de Maio – RS

Santa Rosa

Potência Total: 559.393,30 kW

384

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

A tabela a seguir mostra as usinas do tipo PCH em construção.

Data

Potência (kW)

Usina

Operação

Outorgada

Município

Rio

Cazuza Ferreira

9.102

São Francisco de Paula -RS

Lajeado Grande

Santa Carolina

10.500

André da Rocha -RS Muitos Capões - RS

Turvo

Serra dos Cavalinhos I

25.000

Rio das Antas

Monte Alegre dos Campos - RS São Francisco de Paula - RS

Potência Total: 44.602 kW

Fonte: ANEEL

A tabela a seguir mostra as usinas do tipo PCH com construção não iniciada.

Data

Potência(kW)

Usina

Operação

Outorgada

Município

Rio

Monte Cuco

30.000

Anta Gorda - RS Guaporé - RS

Guaporé

Quebrada Funda

16.000

Bom Jesus - RS Jaquirana - RS

Antas

Primavera do Rio Turvo

30.000

Ipê - RS Protásio Alves - RS

Turvo

Linha Aparecida

25.406,91

Cerro Grande - RS Liberato Salzano -RS Novo Tiradentes -RS

Várzea

Linha Jacinto

17.801,04

Liberato Salzano - RS Rodeio Bonito - RS

Várzea

Jardim

9.000

André da Rocha-RS

Turvo

Morro Grande

9.800

Muitos Capões - RS

Ituim

Bela Vista

5.500

Vacaria-RS

Socorro

Rincão São Miguel

9.750

Quevedos - RS São Martinho da Serra - RS

Toropi

Cachoeira Cinco

16.453

Quevedos - RS

Toropi

Veados

São Martinho

- RS

Quebra Dentes

22.360

Júlio de Castilios - RS Quevedos -RS

Toropi

Salto Guassupi

12.199

Júlio de Castilhos - RS São Martinho da Serra - RS

Guassupi

Rincão

10.000

Entre-Ijuís - RS

Ijuizinho

Touros IV

5.750

Bom Jesus - RS

Touros

Potência Total: 220.019,95 kW

Fonte: ANEEL

Cabe ainda salientar que no Rio Grande do Sul existem 47 usinas do tipo CGH, totalizando 31.037 MW (Balanço Energético do Rio Grande do Sul 2013 – ano-base 2012).

No caso do Rio Grande do Sul em específico, a Secretaria de Minas e Energia do Estado, por meio do assim denominado PEE, tem incentivado essa modalidade de empreendimento com programas especiais para o setor, além do estímulo à reativação de PCHs antigas e da repotenciação das existentes.

bACIAS E SUb-bACIAS HIDRogRáFICAS Do RIo gRANDE Do SUL - 2009

Sub-bacia hdirográfica 1 - Negro 2 - Camaquã 3 - Quaraí 4 - Santa Maria
Sub-bacia hdirográfica
1 - Negro
2 - Camaquã
3 - Quaraí
4 - Santa Maria
5 - Gravataí
6 -Vacacaí -Vacacai Mirim
7 - Sinos
8 - Caí
9 - Pardo
10 - Ibicuí
11- Apuê - Inhandava
12 - Passo Fundo
13 - Turvo - Santa Rosa - Santo Cisso
14 - Butuí - Icamaquã
15 - Piratini
16 - Mampituba
17 - Mirim - São Gonçalves
18 - Baixo Jacuí
19 - Alto Jacuí
20 - Iguí
21 - Várzea
22 - Taquari - Antas
23 - Lago Guaíba
24 - Litoral Médio
25 - Tramandaí

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

13 21 Erechim 12 Santa Rosa 11 15 20 Passo Fundo Cruz Alta 22 14
13
21
Erechim
12
Santa Rosa
11
15
20
Passo Fundo
Cruz Alta
22
14
19
Caxias do Sul
8
16
10 Santa Maria
9 Santa Cruz
7 25
do Sul
Uruguaiana
5
Porto Alegre
6 18
3
23
4
2
Bagé
24
1
Pelotas
17
Rio Grande
Bacia hdirográfica
Guaíba
Litorânea
Uruguai

Duas ferramentas importantíssimas são o zoneamento prévio e a solicitação de uma autorização prévia junto ao órgão ambiental, pois isso evita gastos desnecessários e investimentos iniciais mal- -sucedidos. Tal acompanhamento também está previsto no PEE, pois hoje existem muitos potenciais investidores. Das 25 bacias hidrográficas existentes, somente três estão devidamente inventariadas na ANEEL.

• Ijuí - Capacidade inventariada 396,90 MW;

• Taquari-Antas - Capacidade inventariada 1.093,20 MW;

• Alto e Baixo Jacuí - Capacidade inventariada 1.551,85 MW.

Principais estudos em fase de avaliação/apro- vação de inventário na ANEEL:

• Bacia do Rio Apuaê-Inhandava: 108,8 MW;

• Bacia do Rio Pardo: 54,65 MW;

• Bacia do Rio Camaquã: 94 MW.

Serão abordadas a seguir as principais bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul, bem como os principais rios cujos potenciais hidrelétricos ainda não foram explorados.

bACIAS E SUb-bACIAS HIDRogRáFICAS Do RS

O Rio Grande do Sul é um dos estados brasilei-

ros com maior disponibilidade de águas super- ficiais. Seu território é drenado por uma densa malha hidrográfica superficial e conta com três grandes bacias coletoras: a Bacia do Uruguai, a do Guaíba e a Litorânea. A Bacia do Uruguai faz parte da Bacia do Rio da Prata e abrange em tor- no de 61% da área total do Estado; a Bacia do Guaíba abrange 29%; e a Bacia Litorânea abran- ge 13% do total (mapa a seguir).

O uso do solo da Bacia do Uruguai está vin-

culado principalmente às atividades agrícolas, pecuárias e agroindustriais. A Bacia do Guaíba apresenta áreas de grande concentração indus- trial e urbana, sendo a mais densamente povoa- da do Estado, além de sediar o maior número de atividades diversificadas, incluindo as atividades agrícolas, pecuárias, agroindustriais, industriais, comerciais e de serviços. A Bacia Litorânea apre- senta usos do solo predominantemente vincula- dos às atividades agropecuárias, agroindustriais e industriais.

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Várzea Passo Turvo - Santa Rosa Santo Cristo Fundo Apuaê - Inhandava Piratini Ijuí Butui
Várzea
Passo
Turvo - Santa Rosa
Santo Cristo
Fundo
Apuaê - Inhandava
Piratini
Ijuí
Butui - Icampaquã
Alto Jacuí
Taquari - Antas
Mampituba
Caí
Pardo
Ibicuí
Sinos
Vacacaí -
Gravataí
Tramandaí
Vacacaí Mirim
Lago
Quaraí
Baixo Jacui
Guaíba
Santa Maria
Camaquã
Litoral Médio
Negro
Mirim - São Gonçalo
Região hidrográfica do Guaíba
Região hidrográfica do Litoral
Região hidrográfica do Uruguai
INVENTáRIo HIDRELÉTRICo
DA bACIA Do jACUí

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

Na Bacia do Jacuí, o Rio Jacuí é um dos principais e possui como importantes contribuintes os rios: Vacacaí-Mirim, Jacuí Mirim, Vacacaí, Pardo,Taquari e Jacuizinho.

385

386

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

APRoVEITAmENTo HIDRELÉTRICo - RIo jACUí A Bacia do Jacuí possui uma área de drenagem de
APRoVEITAmENTo HIDRELÉTRICo - RIo jACUí
A Bacia do Jacuí possui uma área de drenagem de 71.600 km 2 . A
precipitação média anual atinge 1.600 mm nas zonas do curso prin-
cipal do Rio Jacuí até a foz do Rio Jacuizinho, com uma vazão média
na foz da ordem de 1.900 m 3 /s. O valor mais baixo de precipitação fica
em torno de 1.200 mm por ano nas zonas entre Dona Francisca e o
RioTaquari (figura a seguir).
UHE Ernestina
A Bacia do Jacuí distribui-se ao longo de 65 municípios, sendo que
36 são banhados pelo Alto Jacuí, no Planalto Médio, e 29 pelo Baixo
Jacuí, nas regiões de depressão central e encosta inferior nordeste.
UHE Passo Real
UHE Passo Real
Na região, existe um potencial energético instalado de 971,2 MW
proveniente de quatro usinas hidrelétricas (Jacuí, Passo Real, Itaúba e
Dona Francisca) e duas pequenas hidrelétricas (Ernestina e Cotovelo
Jacuí). Contudo, o total inventariado, situação em março de 2003, é de
aproximadamente 1.045,75 MW. Considerando ainda o valor estima-
do de 516,1 MW, que totaliza 1.561,85 MW .
UHE Jacuí
UHE Itaúba
UHE Dona Francisca
Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

INVENTáRIo HIDRELÉTRICo DA bACIA Do URUgUAI

A Bacia do Uruguai estende-se entre os paralelos de 27° e 34° Lati-

tude Sul e os meridianos de 49°30’ e 58°15’ W. Abrange uma área de aproximadamente 384.000 km 2 , dos quais 174.494 km 2 situam-se no Brasil, equivalente a 2% do território brasileiro. Sua porção brasileira encontra-se na Região Sul, compreendendo 46.000 km 2 do estado de Santa Catarina. No Estado do Rio Grande do Sul, é delimitada ao Nor- deste pela Serra Geral, ao Sul pela fronteira com a República Oriental do Uruguai, a Leste pela Depressão Central Riograndense e a Oeste pela Argentina.

O Rio Uruguai possui 2.200 km de extensão, originando-se da con-

fluência dos Rios Pelotas e do Peixe, onde divide os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Delimita a fronteira entre o Brasil e a Argentina após a sua confluência com o Rio Peperi-Guaçu e, depois de receber a afluência do Rio Quaraí, que limita o Brasil e o Uruguai, marca a fronteira entre a Argentina e o Uruguai até sua foz. Possui uma vazão média anual de 3.600 m 3 /s e o volume médio de 114 km 3 de água.

3.600 m 3 /s e o volume médio de 114 km 3 de água. No Brasil,

No Brasil, seus principais afluentes são os rios: Canoas, Pelotas, Pas- so Fundo, Chapecó, Ijuí, Ibicuí e Quaraí. Na Argentina, integram-se na Bacia do Rio Uruguai os Rios Aguapey, Miriñiay e Gualeguaychu; e no Uruguai os Rios Daymán Quequay e Negro.

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Na parte brasileira da Bacia, além de algumas PCHs, os aprovei- tamentos de porte existentes são as UHEs Passo Fundo, Ita, Macha- dinho, Quebra-Queixo, Barra Grande e Campos Novos. Mais recen- temente, entraram em operação: Foz do Chapecó no Rio Uruguai; Monjolinho no Rio Passo Fundo. Está prevista também a implantação de Pai Querê, no Rio Pelotas.

Tiradentes Doutor do Sul Maurício Municípios gaúchos que terão terras inundadas Derrubados Cardoso Porto
Tiradentes
Doutor
do Sul
Maurício
Municípios
gaúchos que terão
terras inundadas
Derrubados
Cardoso
Porto
Machado
Esperança
Porto
do Sul
Mauá
panambi
Crissiumal
Tucunduva
Alecrim
Porto
Vera Cruz
Tuparendi
Santo
Garabi
ARGENTINA
parQue eStadual do turvo
Cristo
Porto
Lucena
Porto
Xavier
RS
Pirapó
Roque
Gonzales
São
Nicolau
Garruchos
20 km
Santo Antônio
das Missões

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

387

388

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Além dos aproveitamentos mencionados, cabe considerar o Com- plexo Hidrelétrico (Garabi e Panambi) localizado no Rio Uruguai, trecho internacional com potência de 2.200 MW, com área total de alagamento de 730 km 2 e investimentos de US$ 2,8 bilhões, incluído na segunda etapa do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O barramento da hidrelétrica de Garabi tem cota de 89 m, localização no km 863 do Rio Uruguai, e o barramento da hidrelétrica de Panambi tem cota de 130 m localizado no km 1.016 do rio.

INVENTáRIo HIDRELÉTRICo DA bACIA Do RIo TAQUARI-ANTAS

A Bacia hidrográfica Taquari-Antas está localizada a Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, entre as coordenadas geográficas de 28°10’ a 29°57’ de Latitude Sul, e 49°56’ a 52°38’ de Longitude Oeste. Abrange as províncias geomorfológicas do planalto meridional e depressão central. Possui área de 26.491,82 km², abrangendo muni- cípios como Antônio Prado, Veranópolis, Bento Gonçalves, Cambará do Sul, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Estrela e Triunfo, com população estimada de 1.207.640 habitantes.

e Triunfo, com população estimada de 1.207.640 habitantes. Os principais cursos de água são o Rio

Os principais cursos de água são o Rio das Antas, Rio Tainhas, Rio Lajeado Grande, Rio Humatã, Rio Carreiro, Rio Guaporé, Rio Forqueta, Rio Forquetinha e RioTaquari. O RioTaquari-Antas tem suas nascentes em São José dos Ausentes e desembocadura no Rio Jacuí. A captação de água na bacia destina-se à irrigação, ao abastecimento público, à

agroindústria e à dessedentação de animais. A Bacia do Taquari-Antas abrange parte dos Campos de Cima da Serra e Região do Vale do Ta- quari, com predomínio de agropecuária, e a região colonial da Serra Gaúcha, caracterizada por intensa atividade industrial. A figura a se- guir mostra a Bacia do Rio Taquari-Antas.

Altitude (m) 0 Rio Guaporé RioCarreiro 75 Rio da Prata 150 225 Rio das Antas
Altitude (m)
0
Rio Guaporé
RioCarreiro
75
Rio da Prata
150
225
Rio das Antas
300
375
450
Rio Forqueta
525
600
675
750
825
RioTainhas
900
975
1.050
1.125
n
1.200
RioTaquari
50 km
Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

O mapa a seguir mostra os municípios inseridos na bacia hidrográfica do SistemaTaquari-Antas.

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

389

hidrográfica do SistemaTaquari-Antas. PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS 389 Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

Fonte: Banco de Imagens do Setor Energético

390

PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Os principais empreendimentos implantados na Bacia hidrográfica Taquari-Antas pertencem à Compa- nhia Energética Rio das Antas (Ceran), que é a empresa responsável pela construção e operação do Com- plexo Energético Rio das Antas, situado na Região Nordeste do Rio Grande do Sul. O Complexo é formado pelas usinas hidrelétricas Monte Claro (130 MW), Castro Alves (130 MW) e 14 de Julho (100 MW).

A Ceran tem como acionistas a Geração de Energia S.A. (CPFL – 65%), a Companhia de Geração e Trans-

missão de Energia Elétrica (CEEE-GT – 30%) e a Desenvix (5%), organizações com forte reconhecimento e credibilidade no mercado nacional.

O empreendimento agrega 360 MW de potência ao SIN. Essa potência é equivalente ao consumo dos

sete municípios da área de influência do Complexo: Antônio Prado, Bento Gonçalves, Cotiporã, Flores da

Cunha, Nova Pádua, Nova Roma do Sul e Veranópolis, além de Carlos Barbosa, Caxias do Sul e Farroupilha.

A energia assegurada pelas três usinas é suficiente para atender a 630 mil famílias, com consumo médio

residencial de 200 kWh/mês.

A concessão para exploração do potencial energético, por 35 anos, foi objeto do Decreto de Outorga

datado de 19 de fevereiro de 2001, publicado no Diário Oficial da União em 20 de fevereiro do mesmo ano.

O Contrato de Concessão que regula as condições para exploração dos aproveitamentos foi assinado em

15 de março de 2001, estabelecendo à Ceran a condição de Concessionária de Produção Independente de Energia Elétrica e atribuindo-lhe todas as prerrogativas, direitos e obrigações pertinentes, nos termos da

legislação federal em vigor.

A tabela a seguir mostra inventário hidrelétrico da Bacia Rio Taquari-Antas (situação em 2013/base 2012).

da Bacia Rio Taquari-Antas (situação em 2013/base 2012). Identificação do Aproveitamento Características

Identificação do Aproveitamento

Características Energéticas

Nome do

Rio

Nome do

Aproveitamento

Municípios

Potência

Firme MW

Potência

Instalada

Energia

Firme

méd

(MW)

(MWh)

Antas

Monte Claro

Bento Gonçalves e Veranópolis

57,90

130,00

455.094

Antas

Castro Alves

Nova Roma do Sul e Nova Pádua

51,60

120,00

421.296

Antas

Muçum

Muçum, Roca Sales e Santa Tereza

49,40

112,00

388.284

Antas

14 de Julho

Bento Gonçalves e Cotiporã

42,40

98,00

333.264

Antas

São Marcos

São Marcos e

27,40

57,00

215.364

 

Antônio

Prado

Antas

São Manoel

Caxias do Sul e Serra Campestre da

23,90

51,00

187.854

Serra dos

Jaquirana e Bom Jesus

 

Antas

Cavalinhos

21,90

45,00

172.134

Rio Prata

Jararaca

Antônio Prado e Veranópolis

17,20

41,00

135.192

Rio Turvo

Primavera

Antônio Prado e Protásio Alves

15,40

36,00

121.044

Antas

Espigão Preto

Vacaria e São Paula Francisco de

16,40

34,00

128.904

Rio Prata

Da Ilha

Antônio Prado e Veranópolis

15,50

32,00

121.830

Antas

Passo do Meio

Bom Jesus e São F. de Paula

14,50

30,00

113.920

Guaporé

Monte Cuco

Anta Gorda

10,80

19,70

84.888

Guaporé

Paraíso

Anta Gorda

10,70

19,50

84.102

Ituim

Saltinho

Vacaria

10,30

19,50

80.958

Antas

São José

São Marcos e Caxias do Sul

10,30

17,90

80.958

Antas

São Bernardo

São Marcos

9,50

16,00

74.620

CONTINUA

CONTINUAÇÃO

Identificação do Aproveitamento

Características Energéticas

Nome do

Rio

Nome do

Aproveitamento

Municípios

Potência

Firme MW

Potência

Instalada

Energia

Firme

méd

(MW)

(MWh)

Carreiro

Caçador

Casca e Nova Bassano