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SPREAD BANCÁRIO: EVOLUÇÃO DE SEUS

COMPONENTES E AGENDA DO BANCO CENTRAL

________________________________

José Ricardo Roriz Coelho


Vice-Presidente da FIESP
Diretor Titular do DECOMTEC

Fevereiro de 2017
Resumo Executivo
• O Brasil possui a mais alta taxa de spread bancário do mundo. Em 2015, o spread médio
brasileiro foi de 31,3 p.p., enquanto o spread médio de países comparáveis* foi de 1,9 p.p. Ou
seja, o spread brasileiro foi 16,4 vezes maior
• A inadimplência, que é frequentemente apontada como a maior causa do spread, não explica
essa diferença.
o A Itália, por exemplo, possui inadimplência 3 vezes maior que o Brasil e spread 8 vezes
menor
o Mesmo se não considerarmos a Itália, a inadimplência brasileira foi 3,4 vezes maior do
que a dos países comparáveis, enquanto nosso spread foi 19,7 vezes maior
• Frequentemente argumenta-se que o crédito direcionado é responsável pelo elevado spread.
Isso não se justifica porque:
o Em 2016, a concessão do crédito direcionado respondeu por menos de 10% da
concessão total
o A taxa de spread do crédito direcionado responde por apenas 18% da taxa de spread
total
o Mesmo o spread do crédito direcionado brasileiro ainda é o segundo maior entre os países
comparáveis
2
* Países que calculam o spread com metodologia igual à brasileira: Itália, Japão, Nova Zelândia, Suécia, Chile e Malásia
Resumo Executivo
• Entre 2011 e 2016, o spread do crédito livre passou de 26,4 p.p. para 40,2 p.p., ou
seja, aumentou 13,8 p.p. ou 52%
• Segundo o Banco Central, o spread pode ser decomposto em cinco fatores:
inadimplência, margem líquida, custos administrativos, impostos e compulsório
• O aumento do spread entre 2011 e 2016 (52%) não se justifica pelo aumento dos
custos incorridos pelas instituições financeiras, já que:
• A inadimplência aumentou 30,2%, ou seja, menos do que o aumento do spread
(52%)
• O recolhimento obrigatório sobre depósitos (compulsório + exigibilidade
adicional) caiu
• Os impostos diretos tiveram aumento de alíquota de 33% (CSLL) e 20% (IR sobre
Juros de Capital Próprio), ambos menores do que o aumento do spread
• Os custos administrativos cresceram apenas 4,3% em termos reais
• A variação da margem líquida não pode ser mensurada, mas entre 2011 e 2015, o
único a setor da economia brasileira que registrou aumento no retorno sobre o 3
patrimônio líquido foi o setor financeiro
Resumo Executivo
• Em fevereiro de 2017, o Banco Central anunciou uma agenda para diminuição do spread,
estruturada em três pilares: adimplência e garantias; custos administrativos;
concorrência e subsídios cruzados
• Medidas microeconômicas como aperfeiçoar cadastro positivo e limitar o uso do rotativo do
cartão de crédito são positivas e devem ser colocadas em prática.
• É preciso que dessa vez os resultado apareçam, pois várias das medidas anunciadas
agora são similares às que já apareciam em 1999, em projeto anterior do Banco Central, e
que, quando implementadas tiveram efeito muito limitado sobre o spread.
• A revisão do crédito direcionado não pode ser a prioridade do Governo e do Banco
Central porque :
 O crédito direcionado representou menos de 10% das concessões em 2016;
 Responde por apenas 18% da taxa média de spread da economia;
 Nunca teve seus “efeitos negativos” propriamente mensurados
• Antes de qualquer mudança no crédito direcionado é preciso que as medidas anunciadas
para aumento da adimplência e segurança jurídica produzam os efeitos desejados e
4
diminuam a taxa de spread total
1 Introdução

2 Brasil na Comparação Internacional

3 A questão do Crédito Direcionado

4 Decomposição do Spread Bancário

5 Conclusão: avaliação da agenda do BC

5
1 Introdução

2 Brasil na Comparação Internacional

3 A questão do Crédito Direcionado

4 Decomposição do Spread Bancário

5 Conclusão: avaliação da agenda do BC

6
Recentemente, o Banco Central lançou uma
agenda para redução de spread, com o objetivo de
reduzi-lo de maneira “estrutural e sustentável”.

7
Essa inciativa tem gerado repercussões na
imprensa

Valor Econômico 08/02/2017

Folha de São Paulo 06/02/2017 8


O spread bancário no Brasil é muito alto, há muito
tempo e tem sido objeto de estudos da FIESP há
pelo menos 8 anos

Spread Médio - Operações com Recursos Livres


45,0
40,0
35,0
30,0
Média: 27,7 p.p.
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
-
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016

9
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
Nos últimos três anos, uma combinação de
redução nas concessões e aumento do spread,
criou uma grave crise de crédito no mercado
brasileiro.
Concessão de Crédito Livre Spread Médio –
(trilhões de R$ de dez/2016) Operações com Recursos Livres
Queda de 22% em 4 anos
Aumento de 64% em 4 anos
7,0 45
40,2
6,0 40
35 31,8
5,0 4,4 4,6 4,6 30
4,1 24,5 26,0
4,0 25 22,6
3,4
20
3,0
15
2,0 10
1,0 5
0
0,0 2012 2013 2014 2015 2016
2012 2013 2014 2015 2016
10
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
1 Introdução

2 Brasil na Comparação Internacional

3 A questão do Crédito Direcionado

4 Decomposição do Spread Bancário

5 Conclusão: avaliação da agenda do BC

11
O Brasil tem a mais alta taxa
de spread bancário do mundo
Em 2015, o spread brasileiro foi de 31,3 p.p., enquanto
o spread médio dos países comparáveis foi de 1,9 p.p.
Ou seja, o spread brasileiro foi 16,4 vezes maior.

Spread Bancário Médio – 2015 (p.p.. ao ano)


35
31,3
30 16,4 x

171 países, entre 25

2000 e 2015 20

15
Média: 1,9
10
6 países com metodologia igual 5 3,5
2,0 1,9 1,8 1,5
à brasileira no cálculo do spread: 0,7
0
Chile, Itália, Japão, Malásia, Nova Brasil Itália Nova Chile Suécia Malásia Japão
Zelândia, Suécia Zelândia
12
Fonte: FMI. Elaboração: Decomtec/Fiesp
A distância entre os spreads vinha
diminuindo, mas passou a crescer a partir
de 2014 e hoje é a maior da série
Spread Médio (2000 a 2015)
Brasil Países Selecionados
50,0
45,0
39,6
40,0
35,0 31,3
30,0
25,0
12,5 x
20,0 14,6 x
16,4 x
15,0
10,0 9,5 x

5,0 3,7
1,5
0,0 Fonte: FMI. 13
2000200120022003200420052006200720082009201020112012201320142015
Elaboração: Decomtec/Fiesp
A inadimplência, um dos fatores mais frequentemente citados
como justificativa para o spread muito alto, não está entre as
maiores.

Sem considerar o crédito direcionado, a inadimplência no Brasil é a 55ª do mundo

Inadimplência (> 90 dias) - 2015 - em porcentagem da carteira de crédito


60

50
Grécia, Itália, Bulgária,
40
Sem o crédito Romênia, Portugal,
Incluindo o crédito Hungria, Rússia,
direcionado, a
30 direcionado, a
inadimplência Espanha e Índia tem
inadimplência
brasileira fica em 55ª.
20 brasileira é ainda inadimplência maior
menor: 77ª posição. que a nossa
10

0
Bangladesh

Costa Rica
Senegal
Italy

Middle income

Mexico
Cyprus

Ukraine

Portugal

Macedonia, FYR

Mozambique

Malaysia

Cambodia
Belarus

Azerbaijan

Jordan

Peru

Austria

Australia
Croatia

Maldives

Nigeria

Latvia

Netherlands

United Kingdom

Macau
Greece

Djibouti

Vanuatu

Malta

Bhutan

Thailand

Philippines

Argentina
Iceland
Bulgaria

Ghana

Spain

Ecuador
Guinea

Brasil - total (nov/16)

Canada
Kazakhstan

Brasil - rec. livres (nov/16)

South Africa

Kuwait

Uzbekistan
Tonga
Gabon

India

Uganda

Qatar

Sweden
Romania

Pakistan

St. Vincent/Grenadines

Mauritius

Botswana

Turkey
Vietnam

El Salvador

Israel

Guatemala
United States

Switzerland
Solomon Islands
14
Fonte: Banco Mundial e Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
A Itália é um caso ilustrativo: tem inadimplência maior do
que a brasileira e spread muito menor

A Itália tem inadimplência três vezes maior e spread oito vezes menor do que o Brasil

Entre 2013 e 2015, a inadimplência italiana foi muito maior do que a brasileira. Ela girou ao redor
de 17,5 % da carteira, contra 4,7% no Brasil. Nosso spread, no entanto, foi mais de 8 vezes maior
que o da Itália

Inadimplência 2013-15 Spread 2015


35% 35%
31,30%
30% 30%

25% 25%

17,50%
- 8x
20%
+ 3x 20%

15% 15%

10% 10%
4,70% 3,50%
5% 5%

0% 0%
Brasil Itália Brasil Itália 15
A inadimplência não é capaz de justificar o diferencial do
entre o spread brasileiro e dos outros países

Mesmo sem considerar a Itália, a inadimplência brasileira em 2015 foi apenas 3,4 vezes
maior que nos demais países, enquanto o spread foi 19,7 vezes maior.

Inadimplência Spread
4,9 30,6
4,8
4,5
25,4
22,4
2,7 x 2,8 x 3,4 x 19,7 x
13 x
1,8 1,6 11,8 x
1,4

1,9 2,0 1,5

média Brasil - média Brasil - média Brasil - média Brasil - média Brasil - média Brasil -
recursos recursos recursos recursos recursos recursos
livres livres livres livres livres livres

2013 2014 2015 2013 2014 2015 16


1 Introdução

2 Brasil na Comparação Internacional

3 A questão do Crédito Direcionado

4 Decomposição do Spread Bancário

5 Conclusão: avaliação da agenda do BC

17
Frequentemente se afirma que o crédito direcionado
produz efeitos negativos sobre o spread, sem que isso
tenha disso quantificado.
• Apesar de o estoque de crédito direcionado ter chegado a praticamente 50% do estoque de crédito total, quando
se mede a concessão de crédito em 2016, o crédito direcionado respondeu por apenas 9,9% do total
• Além disso, em 2016, o spread do crédito livre respondeu por cerca de 82,0% da taxa total de spread e o
crédito direcionado, por apenas 18,0%

Spread - Livre, Direcionado e Total


Crédito Direcionado - Participação no
45
Crédito Concedido em 2016 Crédito Livre
40
35 Total 82%
30
25
Crédito Livre 18%
20
90,1% 9,9% Crédito 15 Crédito
Direcionado Direcionado
10
5
0
jan/15

set/15

jan/16

set/16
fev/15

abr/15

nov/15

fev/16

abr/16

nov/16
jul/15

jul/16
mai/15

mai/16
mar/15

ago/15

mar/16

ago/16
out/15

out/16
jun/15

jun/16
dez/15

dez/16
18
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
Frequentemente se afirma que o crédito direcionado
produz efeitos negativos sobre o spread, sem que isso
tenha disso quantificado.
• Apesar de o estoque de crédito direcionado ter chegado a praticamente 50% do estoque de crédito total, quando
se mede a concessão de crédito em 2016, o crédito direcionado respondeu por apenas 9,9% do total
• Além disso, em 2016, o spread do crédito livre respondeu por cerca de 82,0% da taxa total de spread e o
crédito direcionado, por apenas 18,0%

Spread - Livre, Direcionado e Total


Crédito Direcionado - Participação no
45
Crédito Concedido em 2016 Crédito Livre
40
35 Total 82%
30
Não se explica a afirmação de que o
25
Crédito Livre fim do crédito direcionado produziria 18%
20 um grande efeito sobre o spread
90,1% 9,9% Crédito 15 total, já que menos de 20% do total Crédito
Direcionado se explica pelo direcionado Direcionado
10
5
0
jan/15

set/15

jan/16

set/16
fev/15

abr/15

nov/15

fev/16

abr/16

nov/16
jul/15

jul/16
mai/15

mai/16
mar/15

ago/15

mar/16

ago/16
out/15

out/16
jun/15

jun/16
dez/15

dez/16
19
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
O spread dos recursos direcionados no Brasil é o
segundo spread mais alto entre os países
comparáveis

Spread Médio (2011-2015)


Direcionado no Brasil vs. Total em Países Comparáveis Mesmo se 100% do
4,00
3,6 crédito no Brasil fosse
3,5
3,50 concedido com o spread
3,00 2,9 de crédito direcionado,
2,50
ainda teríamos
praticamente o mesmo
2,00 1,8
1,6 spread do Chile e maior
1,50 1,3 do que todos os outros
1,00 0,8 países comparáveis.
0,50

0,00
Chile Brasil - Itália Nova Malásia Suécia Japão
Direcionado Zelândia 20
1 Introdução

2 Brasil na Comparação Internacional

3 A questão do Crédito Direcionado

4 Decomposição do Spread Bancário

5 Conclusão: avaliação da agenda do BC

21
Considerando apenas o spread livre, entre
março de 2011 (início da série) e dezembro de
2016, o aumento do spread foi de 52%
Taxa de Captação e Spread – Crédito Livre
Total Taxa Básica
Captação
60 Taxa
Spread Taxa Total
Captação
50 Mar/11 12,1 26,4 38,5

40 Jun/13 9,6 21,5 31,1


40,2 p.p.
Dez/16 11,8 40,2 51,9
30 Spread
26,4 p.p. Var.
20 21,5 p.p. Mar/11 -0,3 p.p. 13,8 p.p. 13,4 p.p.
Dez/16
10 Var.
Taxa de Captação * Mar/11 -2% +52% +35%
Dez/16
0
set/11

set/12

set/13

set/14

set/15

set/16
mar/11
jun/11

mar/12
jun/12

mar/13
jun/13

mar/14
jun/14

mar/15
jun/15

mar/16
jun/16
dez/11

dez/12

dez/13

dez/14

dez/15

dez/16
22
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp * Diferença entre a taxa de juros e o spread.
Segundo o Banco Central, o spread livre tem 5
componentes:

Decomposição do Spread Bancário


do Crédito Livre (Média 2011-2016) Compulsório: 3%
Vimos que o
100,0% Custo Administrativo: 4% spread das
90,0%
operações livres
80,0%
Impostos Diretos: 21%
aumentou 52%
70,0% entre 2011 e 2016.
60,0% Margem Líquida: 26%
50,0% Que
40,0% componentes do
30,0% spread
20,0% Inadimplência: 46% justificariam essa
10,0% elevação?
0,0%
23
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
No período analisado (2011 a 2016), a
inadimplência – também de operações com
recursos livres – aumentou 30,2%, bem menos do
que os 52% de aumento do spread
Spread e Inadimplência - Recursos Livres Componente aumentou
Spread Inadimplência tanto quanto o spread?
45 Inadimplência: + 30,2% 7

40 6 INADIMPLÊNCIA

Inadimplência (%)
Spread (p.p.)

5
35 COMPULSÓRIO
4
30
3 IMPOSTOS
25
2
20 1 CUSTOS ADM.
Spread: + 52,0%
15 0
MARGEM LÍQ.
jul/12
jul/11

jul/13

jul/14

jul/15

jul/16
nov/11

nov/12

nov/13

nov/14

nov/15

nov/16
mar/11

mar/12

mar/13

mar/14

mar/15

mar/16
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp 24
Mudanças no compulsório também não
justificam a variação no spread
O recolhimento obrigatório total* (compulsório) em proporção da
carteira de empréstimos como proporção da carteira de crédito caiu
Componente aumentou
Recolhimento Obrigatório como proporção da Carteira Total
de Empréstimos tanto quanto o spread?
25% 22,8%
INADIMPLÊNCIA
20%

15% 13,8% COMPULSÓRIO

10% IMPOSTOS
5%
CUSTOS ADM.
0%

mar/16
mar/11

nov/11
mar/12

nov/12
mar/13

nov/13
mar/14

nov/14
mar/15

nov/15

nov/16
jul/11

jul/12

jul/13

jul/14

jul/15

jul/16
MARGEM LÍQ.

* “Recolhimentos obrigatórios de instituições financeiras”, incluindo compulsório e exigibilidade adicional. 25


Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
A tributação sobre a atividade bancária
aumentou no período, mas não num montante
que justifique o aumento do spread
 Lembrete: aumento spread = 52%

Componente aumentou
Os impostos diretos pagos por instituições financeiras
tanto quanto o spread?
que tiveram alteração no período foram:
INADIMPLÊNCIA
• A CSLL (Contribuição sobre o Lucro Líquido) dos
bancos subiu de 15% para 20% em setembro de
COMPULSÓRIO
2015, ou seja, aumentou em 33%.
IMPOSTOS
• A alíquota de IR incidente nos Juros sobre o
Capital Próprio foi aumentada de 15% para 18%
CUSTOS ADM.
(aumento de 20%) ao final de setembro de 2015.
MARGEM LÍQ.

26
Os custos administrativos aumentaram em 4,3%
em termos reais, no período todo, também muito
menos do que os 52% de aumento do spread
 Lembrete: aumento spread = 52%

Custos Administrativos - Bancos Componente aumentou


R$ constantes (Ind. 2011=100) tanto quanto o spread?
112
110 110,0 INADIMPLÊNCIA
108
107,1
106 105,8 COMPULSÓRIO
104 104,3
103,2
102 IMPOSTOS
100 100
98 CUSTOS ADM.
96
94 MARGEM LÍQ.
2011 2012 2013 2014 2015 2016
27
Fonte: Banco Central. Elaboração: Decomtec/Fiesp
OBS: os custos aumentaram mesmo com o
número de agências e funcionários caindo, em
3% e 5%*, respectivamente
 Lembrete: aumento spread = 52%

Número de Agências Bancárias -


50 maiores bancos do país Funcionários (milhares) – 5 maiores bancos do país
-3,0%
19.500 - 5%
18.968 Ano BB Caixa Bradesco Itaú Santander Soma
19.000 em 5
18.404 anos
18.500
2011 113,8 85,6 104,7 104,5 54,6 463,2
18.000
17.500 2012 114,2 92,9 103,4 97,0 54,0 461,5
17.000
16.500 2013 112,2 98,2 100,5 95,7 49,6 456,2
16.000
15.500 2014 111,6 100,3 95,5 93,2 49,3 449,9
15.000
2011* 2016* 2015 109,2 97,0 92,9 90,3 50,0 439,4
28
Fonte: Banco Central e Relatórios das instituições referidas. Elaboração: Decomtec/Fiesp * Das 5 maiores instituições financeiras
Não é possível medir a variação margem líquida do
setor, mas, apesar da crise, o retorno líquido do
setor financeiro foi o único a aumentar entre 2011
e 2015 *
ROE - Empresas Abertas e Maiores Fechadas*
IT CONST CIVIL TELECOM SERVIÇOS
Variação do
Retorno/PL
Setor Retorno/PL
COMÉRCIO ELÉTRICO FINANCEIRO em 2015
2015/2011
20,0%
Financeiro 16,4% +14%
15,0%
Indústria 0,9% -88%
10,0% Elétrico -0,4% -103%
Comércio -0,4% -104%
5,0% Serviços -1,5% -113%
Const.
0,0% -3,4% -147%
Civil
Telecom -5,0% -168%
-5,0%

-10,0%
2011 2012 2013 2014 2015
29
Fonte: Valor PRO e CEMEC. Resultados de 2016 das empresas fechadas que publicam balanço ainda não foram divulgados
Com exceção da margem, os componentes:
inadimplência, compulsório, impostos e outros
custos administrativos não justificariam o
aumento de 52% do spread observado entre 2011
e 2016. Aumento esse que fez com que o spread
brasileiro chegasse a 16,4 vezes o spread dos
países comparáveis

30
1 Introdução

2 Brasil na Comparação Internacional

3 A questão do Crédito Direcionado

4 Decomposição do Spread Bancário

5 Conclusão: avaliação da agenda do BC

31
Em fevereiro de 2017, o Banco Central lançou
uma agenda para redução de spread, que conta
com três blocos de medidas

Concorrência e Subsídios
Adimplência e garantias Custos administrativos
Cruzados

• Diferenciação de • Aprimorar
• Cartão de crédito
preços (permitir contratação de
mais eficiente e
desconto para operações por
barato (limitação do
pagamento em meios eletrônicos
rotativo, fim
dinheiro) • Simplificar regras do
exclusividade do
• Limitação do compulsório
credenciamento)
Rotativo • Aprimorar regulação
• Reavaliar impacto
• Aperfeiçoamento do sobre arranjos de
do crédito
cadastro positivo pagamentos
direcionado
• Duplicata eletrônica

32
Como avaliamos a agenda do BC?

 Medidas microeconômicas (limitar rotativo do cartão;


aperfeiçoar cadastro positivo; etc...) são positivas e devem
ser colocadas em prática.

 No entanto, o diagnóstico de que a inadimplência é a


principal causa do elevado spread já aparecia em 1999,
quando foi lançado o Projeto “Juros e Spread Bancário” pelo
Banco Central. Da mesma forma, várias das medidas
anunciadas agora são similares às que foram anunciadas
naquela época.
33
Da agenda que o Banco Central lançou em 1999,
várias medidas foram tomadas, sem que o
spread tenha tido uma redução significativa... Que efeito sobre o spread essas
medidas tiveram de fato ?
Frente Medida Implementação Spread Médio das Operações de Crédito com
Assimetria Recursos Livres*
Criação do Cadastro
de Maio de 2011 45
Positivo
Informação Alienação
40
Sistema de Info.
Assimetria Criação do Sistema de Fiduciária
de Informações de Crédito Novembro de 2002 35
Lei de Falências
Informação do Banco Central 30
Eficiência
Reforma do Sistema de 25
do Sistema Abril de 2002
Pagamentos Brasileiro
Financeiro 20 Reforma Sist.
Alienação Fiduciária de Pagtos. Cadastro Positivo
15
não apenas para bens
Garantias Novembro de 2014
móveis, mas para 10
títulos e outros créditos

mar/01
dez/01

mar/04
dez/04

mar/07
dez/07

mar/10
dez/10

mar/13
dez/13

mar/16
dez/16
jun/00

set/02
jun/03

set/05
jun/06

set/08
jun/09

set/11
jun/12

set/14
jun/15
Modificação Lei de
Garantias 2005
Falências
34
Fonte: Banco Central
* A quebra se deve a uma mudança de metodologia do cálculo pelo Banco Central
 Ao escrever sobre a agenda do BC, José Paulo Kupfer em coluna para
o Estado de São Paulo, 14/02/2017 (“Velha Novidade”), destaca que:
“(...) se a história ensina alguma coisa, não custa ter cautela com
os resultados desse novo esforço”

 Esperamos que dessa vez medidas se transformem, efetivamente, na


queda do spread. Vimos que no passado, não foi isso que aconteceu.
As medidas que possam ter contribuído positivamente, tiveram impacto
muito pequeno, ou até mesmo, de efeito contrário ao pretendido

Além disso, há algo de preocupante na agenda:


a revisão do crédito direcionado 35
Segundo o BC, o crédito direcionado tem rentabilidade menor
para as instituições financeiras, que, para compensar isso,
aumentam o spread do crédito livre. É criada uma
segmentação do mercado em que “uns pagam muito porque
outros pagam muito pouco” ...
No entanto: o spread médio da
Spread - Livre, Direcionado e Médio economia é explicado, em sua maior
parte pelo crédito livre, que tem volume
45
muito maior de concessão: em 2016,
40 80% da taxa de spread total era
35 Crédito Livre explicada pela taxa de spread de
30 recursos livres
Total
25
Se o crédito direcionado acabasse, e
20 as duas taxas de spread (livre e
15 direcionado) convergissem para a
10
Crédito média, o spread total das operações
Direcionado de crédito ainda ficaria na faixa de 30
5
p.p. ao ano, valor elevadíssimo.
0

36
É preciso definir prioridades: mudança no crédito
direcionado não é uma delas. O efeito seria baixo
no spread médio da economia e desastroso para
o investimento produtivo no país

Se a inadimplência é apontada, há quase 20 anos, como a maior causa do spread, é


preciso que sejam tomadas as medidas para reduzi-la, inclusive porque ela é
alimentada pelo próprio spread muito elevado. Medidas que tratem de problemas
como insegurança jurídica e assimetria de informações também são positivas.

Essas devem ser as prioridades da agenda do spread e não a redução do crédito


direcionado, que:
 Representou menos de 10% das concessões em 2016;
 Explica menos de 20% da taxa média de spread da economia;
 Nunca teve seus “efeitos negativos” propriamente mensurados

Não podemos correr o risco de ver o spread do crédito livre não cair (como no
passado) e eliminarmos fontes de crédito com taxas minimamente praticáveis.
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