Você está na página 1de 11

17 e 18 de maio de 2016

ISSN 2358-0070

A IMPORTÂNCIA DA APLICABILIDADE DA MATEMÁTICA NO COTIDIANO:


Perspectiva do aluno Jovem e Adulto 1

Fábio Henrique Gonçalves Conceição2


Andréia Bispo dos Santos3
4
Bruno Viera de Menezes
5
Niquelle Leite Torres

RESUMO

Este texto apresenta em sua gênese um estudo realizado sobre as perspectivas de


alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) sobre a constatação da presença da
Matemática no cotidiano de suas vidas. Metodologicamente, inicia-se a partir de uma
pesquisa bibliográfica acerca do referido tema e culmina com uma enquete consultando
as impressões dos alunos a respeito da presença da Matemática no contexto social a que
pertencem. Sua finalidade está centrada na conscientização do papel/presença da
Matemática a favorecer o empenho pessoal.

Palavras-chave: Matemática. Cotidiano. Eja.

ABSTRACT

This paper presents in YOUR genesis hum study on the prospects of students of the
Youth and Adult Education (EJA ) About finding the presence of mathematics in THEIR
lives everyday . Methodologically Starts himself to from a literature search of that theme
about and culminates in a poll Querying as Impressions Students to respect the presence
of mathematics in the social context , one que belong. Its purpose IS focused on
awareness Paper / Presence of mathematics to favor the Personal Commitment .

Keywords: Mathematics. Daily. Eja

1
Artigo feito a partir de dados coletados junto aos aluno do Curso Letramentos Múltiplos na EJA
2
Graduado em licenciatura em Matemática pela UFS. Mestrando em Ensino de Ciências e Matemática pelo
NPGCIMA/UFS. Pós-Graduando em Docência da Educação Superior pela FAJAR.E-mail:
fabio030393@hotmail.com
3
Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe. Pós-Graduanda em Docência do Ensino
Superior. E-mail: andreiabsma@hotmail.com
4
Graduado em Sistemas para Internet pela FANESE. Pós- Graduado em Banco de dados
5
Graduada em Pedagogia pela UFS. Atualmente é Professora da Rede Municipal de Ensino de
Aracaju.
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

1 INTRODUÇÃO

Em meio às diversas temáticas discutidas no meio educacional, uma das questões


mais recorrentes são as lacunas de aprendizagem, em relação à Matemática, apresentas
por alunos durante a sua trajetória escolar. Diante de tais discussões percebe-se que
muitos pesquisadores defendem que a Matemática deve ser ensinada de modo que
favoreça o aluno a aplicar seus conceitos em seu contexto social (CONCEIÇÃO, 2015).
Assim, surgi à necessidade de favorecer um ensino que leve o educando a
problematizar os mais variados conceitos abordados na referida disciplina escolar. O
homem como ser social e integrante de uma cultura necessita do conhecimento
matemático na sua relação interpessoal, muitas vezes não sendo perceptível a sua
utilização. No entanto, ele o utiliza a sim como utiliza a sua língua materna (CONCEIÇÂO,
2015).
À medida que se defende a necessidade da utilização da Matemática no cotidiano,
inevitavelmente deve-se perceber que existem sujeitos envolvidos no processo de ensino
e aprendizagem, de um lado temos o sujeito que ensina ou media e do outro o que
aprende ou que constrói o conhecimento junto com o sujeito mediador. É inquestionável
que muitos professores de Matemática estão presos a um modelo de ensino que não
promove no aluno a mobilização da aprendizagem e nem a motivação para perceber que
a matemática estar presente em suas relações sociais (CONCEIÇÃO e ALMEIDA, 2012).
Ainda se questiona por que a Matemática torna-se, muitas vezes, distante da
realidade do educando. Uma resposta provável para tal questionamento está relacionada
à maneira como é abordada em sala de aula, ou à ostentação da sua simbologia social.
Além disso, à ausência de relacionamento com o contexto a que pertence, ou seja, ao
fato de ser apresentada como uma ciência isolada e não presente no cotidiano de todos,
sempre.
As demandas impostas pela sociedade atual contribuem para o aumento da
necessidade do conhecimento matemático. Contudo, a maneira como vem sendo
transmitido diminui o interesse do aluno por seu conhecimento aprofundado. Assim, ele
perde a ideia do que realmente é a Matemática quando não se valoriza a sua presença
associada a situações diversas do seu cotidiano. Os Parâmetros Curriculares Nacionais
nos dizem que: “A Matemática é componente importante na construção da cidadania, na
medida em que a sociedade se utiliza, cada vez mais, de conhecimentos científicos e
recursos tecnológicos, dos quais os cidadãos devem se apropriar” (BRASIL, 1998, p. 57)

95
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

Sendo assim, os profissionais da educação, principalmente os da área de exatas,


devem pesquisar métodos com a finalidade de demonstrar ao aluno a Matemática
presente no seu cotidiano e sua aplicabilidade no seu dia a dia. Nesse sentido, destaca-
se a importância do professor ser capaz de relacionar os conteúdos lecionados em sala
de aula à realidade do aluno, tornando-se agente transformador da realidade de ojeriza
que envolve a Matemática sob o ponto de vista dos alunos. Os Parâmetros Curriculares
Nacionais orientam que os alunos:
[...] saibam usar a Matemática para resolver problemas práticos do cotidiano; para
modelar fenômenos em outras áreas do conhecimento; compreendam que a
Matemática é uma ciência com características próprias, que se organiza via
teoremas e demonstrações; percebam a Matemática como um conhecimento
social e historicamente construído; saibam apreciar a importância da Matemática
no desenvolvimento científico e tecnológico (BRASIL, 2006, p. 69)
Levando em conta o que orienta os PCN, um dos objetivos da Matemática na
atualidade deve ser a preparação do aluno para estudar determinado conteúdo a partir da
sua aplicação no dia a dia, buscando formas para solucionar o problema dado. Tendo em
vista que às vezes, ele se depara com conteúdos desconhecidos, até com pouco nível de
complexidade e não conseguem assimilá-los pela falta de relação com sua realidade
(CONCEIÇÃO e ALMEIDA, 2012).
Este fato é bastante observado principalmente na Educação de Jovens e Adultos
(doravante EJA) formada em grande parte de um público constituído por trabalhadores de
funções manuais que muitas vezes deixaram de estudar na idade apropriada por conta do
seu contexto de vida, excluídos de vários contextos de prestígio social a exemplo da
escola (CONCEIÇÃO e ALMEIDA, 2012). Além disso, ao chegar a, o espaço escolar
noturno que buscam por exigência social ou laboral, encontra um professor que aborda
conteúdos matemáticos, admitidos socialmente como complexos, sem a necessária
conexão com o seu cotidiano, dificultando ainda mais a referida situação de relação com
a citada disciplina.
A Matemática, devido a sua relevância, interfere muito na formação intelectual e
também social, daí a importância de seu ensino ser assumido com compromisso social
com o educando e com o contexto social a que pertence. Entretanto, nos dias atuais,
percebe-se que no âmbito escolar, ainda se encontram professores presos à
apresentação de fórmulas, cálculos e equações que não condizem com as exigências
impostas pela sociedade contemporânea. O problema não é a abordagem a cálculos e
equações, mas sim à forma como são apresentados sem indício de estratégia a facilitar o
seu entendimento e utilização. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais:

96
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

A constatação de sua importância apóia no fato de que a Matemática desempenha


papel decisivo, pois permite resolver problemas da vida cotidiana. Do mesmo
modo, interfere fortemente na formação de capacidades intelectuais, na
estruturação do pensamento e na agilização do raciocínio dedutivo do aluno.
(PCN, 1997, p. 57)
Sendo assim, educadores que lecionam Matemática devem valorizar o
conhecimento que se manifesta no cotidiano escolar antes de abordar conteúdos
específicos. Valorizar o saber cotidiano gera reflexão aprofundada do papel da
Matemática e da escola, tendo em vista que o conhecimento habitual é adotado como
componente auxiliar na estratégia de apresentação da Matemática.
Neste trabalho defende-se a fundamental importância da aplicação da Matemática
a partir da sua relação com o cotidiano do aluno. Para tanto, procurou identificar a
perspectiva do educando da Educação de Jovens e Adultos em relação a este tema.

2 A MATEMATICA NO COTIDIANO

É inegável que a Matemática faz parte da vida e auxilia na resolução de situações


do dia a dia. Em muitas circunstâncias, as relações sociais são interceptadas pela
presença matemática, pois os cálculos, muitas vezes sem a devida percepção, estão
presentes no cotidiano, exigindo uma analise para enxergá-los nos mais diversos hábitos.
De acordo com Olga Guimarães Germano:
Quando acordamos, geralmente o nosso primeiro ato é ler as horas. Vivemos
fazendo cálculos. Quantas medidas de café preciso colocar? Quanto tempo levo
para chegar a escola? Quantas pessoas vêm a festa? De quantos salgadinhos vou
precisar? Quanto vou gastar? Quanto mede o terreno? Qual a temperatura? Quem
é maior? (GERMANO 1999, p. 211).
Dessa forma, parte-se do princípio que a Matemática proporciona uma variedade
de informações, atendendo a diferentes objetivos. Tal percepção deve ser estimulada
para a troca de conhecimento entre professor e aluno, reconhecendo ambas as
habilidades e expectativas. Identificando suas motivações para, desta maneira, ajudá-los
a ampliá-las, pois um dos grandes responsáveis, direta ou indiretamente pela qualidade
do que o aluno aprende é o professor, por isso acredita-se que deve ser estabelecido
entre o professor e aluno, um verdadeiro laço de amizade neste espaço de interação
comunicativa a se desenrolar em sala de aula.
Os obstáculos enfrentados pelos alunos na aprendizagem especialmente da
Matemática não vêm apenas de dentro da escola, mas também de casa, do trabalho e da
vida social (CONCEIÇÃO e ALMEIDA, 2013). Então, torna-se necessário que o professor

97
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

conheça primeiro alunos e suas particularidades. Tarefa árdua, mas essencial para o
processo de desenvolvimento da aprendizagem. Segundo Freire:
[...], o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se
solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser
transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar ideias de
um sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de ideias a serem
consumidas pelos mutantes. (FREIRE, 2005, p. 91)
O conhecimento matemático é um dos degraus para ascensão social, sendo a
escola responsável por sua construção. No entanto, é comum perceber que na atualidade
a escola, em alguns aspectos, não tem cumprido com as suas funções sociais, sendo a
principal contribuir na formação do aluno para suprir as demandas do mundo moderno.
A sociedade capitalista, a qual o aluno estar inserido, tem exigido competências e
habilidades para responder as problemáticas sociais, sendo assim é necessário que a
escola forme alunos preparados para tal.
Muitos alunos avançam para outros níveis do processo de escolarização formal
sem terem noção clara do que realmente é a Matemática quando poucos esperam tirar
proveito dos seus conteúdos específicos no seu cotidiano. Quiçá, a principal razão do
insucesso dos escolares em Matemática resulta da falta da aplicabilidade dos conteúdos
abordado no seu contexto social (CONCEIÇÃO e ALMEIDA, 2013).
No contexto escolar é comum perceber relatos onde alguns alunos afirma que os
professores de Matemática não mostram para que serve os conteúdos estudados. Dessa
forma, é de fundamental relevância que os educadores se dediquem para que os alunos
percebam a presença da Matemática em suas vidas considerando-a necessidade natural,
científica e social, ou seja, os professores devem fazer uma autocrítica ao analisarem com
que objetivo ensinam. Considera-se um dos objetivos da Matemática, a solução de
problemas do contexto social, pois se não existisse, não existiriam os avanços
tecnológicos com que se convive (CONCEIÇÃO, 2015).
Além disso, é importante salientar que vários temas matemáticos, ou mesmo todos,
estão intrinsecamente ligados à vida cotidiana, o que comprova que a Matemática tem
fundamentos teóricos para ser considerada uma disciplina elementar para a formação
intelectual do cidadão, ou seja, não é uma ciência que não tem nada a ver com o contexto
social em que o aluno se insere (RODRIGUES, 2001). Entretanto, ainda nos dias atuais,
grande parte dos educadores matemáticos não leva em consideração o conhecimento
matemático adquirido pelos indivíduos nas atividades cotidianas. Daí a necessidade de
resgatar a Matemática presente na vida para contribuir com a formação destes cidadãos
que anseiam superar desafios do mundo moderno e galgar aquilo que lhes foi negado

98
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

socialmente em outros contextos da vida. Em relação a alunos da EJA, isso se torna


muito importante (CONCEIÇÃO e ALMEIDA, 2013).

3 METODOLOGIA DO TRABALHO

Sabe-se que, a pesquisa é um meio importante para se aprofundar e


aprimorar o conhecimento, e serve como recurso que amplia a compreensão sobre os
fenômenos sociais. Este trabalho se anuncia inicialmente como uma pesquisa
bibliográfica para dar suporte às considerações a serem realizadas sobre os elementos
de base descritiva resgatados em enquetes. Sua abordagem quantitativa justifica-se pela
necessidade de descrever o objeto de estudo através de gráfico criados a partir dos
dados coletados, registrados e analisados cujo encadeamento metodológico segue três
etapas, a saber:
a) Levantamento do tema a partir de análise bibliográfica
b) Aplicação de questionários para a coleta de dados
c) Tabulação e análise dos dados obtidos com representação em forma de gráficos

3.1 Instrumentos e Processos de Coletas de Dados

O instrumento utilizado para a coleta de dados referentes às perspectivas dos


alunos da Educação de Jovens e Adultos sobre a presença da Matemática no cotidiano
foi um questionário composto por 05 questões de formato misto (questões subjetivas e
objetivas). Vale destacar que a ênfase foi dada apenas a duas questões, tendo em vista
que a outras seriam só para evidenciar possíveis contradições.

3.2 Amostra Considerada

A amostra investigada foi composta por 24 alunos sendo 12 homens e 12


mulheres, ou seja, 50% são do gênero masculino e 50% são do gênero feminino. O
objetivo de considerar a amostra neste formato foi avaliar igualmente a perspectiva de
homens e mulheres no que diz respeito à presença da Matemática no cotidiano. Todos os
investigados são alunos do Projeto: Letramentos Múltiplos na EJA, escolhidos
aleatoriamente dentre os alunos que compõem o Curso, parte do Projeto que atende a
alunos trabalhadores das empresas prestadoras de serviços da Universidade Federal de

99
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

Sergipe (UFS) e moradores dos arredores do Bairro Rosa Elze, São Cristóvão, Sergipe.
Estas são as características dos informantes para os quais a única exigência de ingresso
neste Curso foi a de já ter sido aluno de alguma série da Educação Básica, independente
de idade ou classe social, e, neste caso, aceitar participar da pesquisa, respondendo ao
questionário que lhe foi apresentado.

3.3 Operacionalização

Durante a aplicação do questionário eram sanadas as dúvidas no que diz respeito


à interpretação textual das questões, ou seja, o que se pedia na questão. Mas é
importante ressaltar que sem nenhuma interferência no que se apresenta como resposta.
Orientou-se para responderem de forma sincera e prudente, sem nenhuma pressão. Após
a aplicação os dados foram tabulados e transformados em gráficos que se apresentam a
seguir.

4 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS OBTIDOS

Nesta etapa da pesquisa cumpre-se o objetivo de organizar os dados obtidos para


discutir a presença de uma informação ou outra em contraste com o aporte teórico do
estudo. Procura-se compreender as informações contidas em gráficos acerca das
perspectivas tanto do gênero feminino quanto do gênero masculino e através dela
descrever, caracterizar o ponto de vista de alunos da EJA sobre a presença da
Matemática no seu meio social. É importante salientar os conceitos que compuseram a
construção da apresentação desta perspectiva:
1 - Compreensão
2 - Aplicação no Cotidiano - Resolução
Observe-se que na apresentação dos gráficos ocorre à constante sequência: os
primeiros dizem respeito aos dados informados pelas mulheres e logo após os dos
homens.

4.1 Compreensão

A Matemática há muito tempo vem sendo considerado “vilã” para muitos alunos,
tendo em vista que eles a identificam como algo muito complicada. Percebe-se que no

100
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

universo pesquisado tal constatação é confirmada através dos dados colhidos. Segundo
Rodrigues, a Matemática tem sido apontada como a disciplina que mais suscita dúvidas e
questionamentos dentro do contexto escolar, provocando desde a indiferença por parte
dos alunos até traumas pessoais (RODRIGUES, 2001, p.10). Neste estudo, foi constatado
que muitos alunos se consideram incapazes de aprendê-la, fato este que proporciona
grande defasagem em relação ao aprendizado de vários conteúdos matemáticos.
Concordando com Ferreira (1998, p.20):
Ao perceberem a Matemática como algo difícil e não se acreditando capaz de
aprendê-la, os estudantes, muitas vezes, desenvolvem crenças aversivas em
relação à situação de aprendizagem, o que dificulta a compreensão do conteúdo e
termina por reforçar sua postura inicial, gerando um círculo vicioso.
Conforme os gráficos 1 e 2, em relação ao primeiro tema é possível observar
significativas diferenças entre o ponto de vista feminino e o masculino em relação ao
tema: Compreensão da Matemática levando em consideração a variação qualificativa:
fácil, difícil ou muito difícil.

Gráfico 1. Perspectiva da figura feminina Gráfico 2. Perspectiva da figura masculina

Fonte: próprio autor Fonte: próprio autor

A partir dos 14 % de perspectiva feminina admitindo a Matemática como fácil


de compreensão e 0% dos homens a identificando como tal, é possível afirmar que a
figura feminina tem mais facilidade em compreender alguns conteúdos matemáticos. Em
todos os níveis de compreensão propostos o homem indica maior dificuldade de
compreensão: enquanto 65 % das mulheres a identificam como difícil, 68 % dos homens
afirmam-na como muito difícil. Docentes da EJA necessitam conferir atenção a este dado
e verificarem se eles se replicam em suas realidades escolares, refletindo em que sua
participação pode contribuir para uma melhor compreensão da referida disciplina.

101
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

4.2 Aplicação no Cotidiano–Resolução

A verdadeira aplicação da Matemática no cotidiano ocorre como resultado do


desenvolvimento e do aprofundamento de certos conceitos nela presentes. Para tanto, o
docente deve elaborar procedimentos a fim de introduzir no discente esta noção. Partindo
desse pressuposto, quando o educando se deparar com algum problema matemáticos
que tem aplicação direta no cotidiano sua resolução será fácil (CONCEIÇÃO e ALMEIDA,
2012).
Ao questionar os discentes se eles se deparassem com uma questão que tem
aplicação no cotidiano como seria a resolução. Foi possível observar, conforme gráficos 3
e 4, que:
Gráfico 1. Perspectiva da figura feminina Gráfico 2. Perspectiva da figura masculina

Fonte: próprio autor Fonte: próprio autor

A figura feminina mais uma vez está em destaque, pois 67% delas acham que se a
Matemática fosse aplicada ao cotidiano a resolução dos problemas matemáticos seriam
razoáveis e 16% acham que seria fácil. Enquanto a figura masculina 33% dos
questionados acham que a resolução seria difícil. Então se for fazer uma analise só
levando em consideração a opinião dos que acham que a resolução seria fácil ou
razoável veremos que a figura feminina perfaz um total de 83%, enquanto a figura
masculina 67%. Além disso, ao analisar a perspectiva de ambos ver-se que tanto a
maioria das mulheres quanto os homens acham que se encontrassem uma questão que
tem aplicação no cotidiano a resolução seria fácil ou razoável. Fato esse que justifica a
necessidade de se aplicar a Matemática no cotidiano. Acerca disso, Freire, nos diz:
Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a
disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a
constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a
vida? Por que não estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares

102
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos?(...)
(FREIRE, 1996, p. 30).
Freire ressalta que é importante que o docente faça uma mediação entre os
conhecimentos prévios que alunos já possuem, relacione-os com os temas discutidos em
sala, e faça um intercambio entre a Matemática e o contexto social em que os discentes
estão enquadrados. Fato esse que proporciona um enriquecimento teórico tanto para os
alunos bem como para o professor. E uma grande evolução metodológico para o docente.

5 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Aplicar a Matemática no contexto em que o aluno está inserido é uma maneira de


mostrá-los como esta ciência está presente em tudo na vida, enquanto muitos dizem: “Pra
que estudar Matemática, porque ela só serve para ser estudada na escola”. Para além
das convenções curriculares, é necessário mostrar a Matemática em circunstâncias
diversas da vida desde construção de uma casa à quantidade de células do nosso corpo,
na fabricação de um carro ou até mesmo na composição do calendário. Assim, não é
demais enfatizar a grandeza da Matemática através de situações do cotidiano e, desta
forma, constrói-se o conhecimento a partir do contexto de vida do educando.
Ratificamos que a prática pedagógica do professor de matemática, especialmente
na EJA, deve ser permeada pela abordagem de situações do cotidiano. Assim se
estabelece consonância com o que foi defendido por grandes mestres da Educação, a
exemplo de Freire, e da Matemática, como Dante. Para estes, ser professor é buscar e
estabelecer constante e incansavelmente relação entre conhecimento e contexto. Na
linguagem mais específica da Matemática, significa caminhar junto com o aluno através
de situações do seu dia a dia, respeitando as singularidades de cada um e, ao mesmo
tempo, integrando-as ao coletivo.
Enfim, chegando ao final deste texto, afirmamos a certeza de que para os alunos,
em especial da Educação de Jovens e Adultos, é de fundamental relevância que o
docente trabalhe os conteúdos matemáticos através de situações do dia a dia. Esta é a
proposta aqui defendida

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação-MEC. Secretaria de Educação Básica. Orientações


Curriculares para o Ensino Médio: Ciências da Natureza, Matemática e suas
Tecnologias. Brasília, 2006.
103
FAMA – Faculdade Amadeus
II Encontro Científico Multidisciplinar – Aracaju/SE – 17 e 18 de maio 2016

BRASIL. Lei de Diretrizes e bases para a Educação brasileira. Brasília,1998

CONCEIÇÃO, F. H. G.; ALMEIDA, M. J. de M. Dificuldades de Alunos da EJA em


Relação a Conteúdos Matemáticos. Disponível em:
<www.educonufs.com.br/cdvicoloquio/eixo_02/PDF/141.pdf>. Acesso em: mar. 2013.

CONCEIÇÃO, F. H. G.; ALMEIDA, M. J. de M. Contribuições do Projeto Pró-Docência


à Formação Docente Para Educação de Jovens e Adultos. Disponível em:
<http://midia.unit.br/enfope/2013/GT8/CONTRIBUICOES_PROJETO_PRO
_DOCENCIA_FORMACAO_DOCENTE_EJA.pdf>. Acesso em: mar. 2014.

CONCEIÇÃO, F. H. G. Situações-problema: Estratégica didática para o ensino de


matemática na educação de jovens e adultos. Disponível em: <https://dd8cb0b0-
a62cb3a1assites.googlegroups.com/site/anaisematpibid/edicaoatual/Situac%CC%A7
o%CC%83esproblema.pdf?>. Acesso em: mar. 2016.

FERREIRA, Ana Cristina. O desafio de ensinar - aprender matemática no noturno:


um estudo das crenças de estudantes de uma escola pública de Belo Horizonte.
Campinas; SP:[s,n],1998

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

GERMANO, Olga Guimarães. Sabor e Saber: Matemática é vida. In.:Salto para o


Futuro: Ensino Fundamental/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da
Educação, SEED, 1999.

RODRIGUES, Ronaldo Nogueira. Relação com o saber: um estudo sobre o sentido da


matemática em uma escola pública. São Paulo: PUC, 2001, p. 166

104