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Análise de Momentos Fletores em Blocos Sobre Estacas

Calculados por Abordagens Simplificadas


Denise Vaz de Campos
Escola de Engenharia Civil/UFG, Goiânia, Brasil, denisevcampos@gmail.com

Douglas Magalhães Albuquerque Bittencourt


Escola de Engenharia Civil/UFG, Goiânia-GO, Brasil, engenheirobittencourt@gmail.com

Márcio Careli Moreira


Escola de Engenharia Civil/UFG, Goiânia-GO, Brasil, marciocareli@gmail.com

Maurício Martines Sales


Escola de Engenharia Civil/UFG, Goiânia-GO, Brasil, sales.mauricio@gmail.com

RESUMO: Tradicionalmente, o dimensionamento estrutural de blocos sobre estacas tem sido


executado de forma simplificada, desconsiderando o efeito tridimensional da peça estrutural.
Utilizar o conceito de radier estaqueado no cálculo enriquece o dimensionamento proporcionando
um conhecimento dos esforços internos com base numa distribuição de reações mais realistas no
bloco. O objetivo deste trabalho foi de verificar as diferenças no dimensionamento estrutural de
blocos sobre estacas utilizando os métodos tradicionais, teoria das vigas, e dois métodos numéricos,
um baseado em elementos finitos e outro híbrido que combina elementos finitos com elementos de
contorno. A principal comparação entre os métodos foi o momento fletor gerado no bloco após a
aplicação de carga vertical, por ser um dos principais parâmetros de dimensionamento da armação.
Nos métodos numéricos foram utilizados os programas DIANA e GARP, que fornecem os
momentos internos em todo o bloco de forma tridimensional. Serão apresentados blocos hipotéticos
com quatro, nove e 25 estacas com um pilar central e um caso de obra com 35 estacas e cinco
pilares. Das comparações executadas observou-se que no método manual e nos métodos numéricos
os momentos totais encontrados são muito próximos para os casos hipotéticos e discrepantes para o
caso real. Com relação à distribuição de momentos, observou-se com os métodos numéricos que
ela pode ser bastante variável ao longo das seções do bloco, sendo mais evidente à medida que se
aumenta a quantidade de estacas e de pilares na fundação.

PALAVRAS-CHAVE: Momento fletor, Bloco de estacas, Análise numérica.

1 INTRODUÇÃO tradicional de dimensionamento estrutural dos


blocos, a qual deveria ser aplicada em casos
O pouco espaço disponível para edificações com “poucas estacas” e com apenas um pilar
novas nos principais centros urbanos brasileiros por bloco.
tem motivado o desenvolvimento de edifícios Este trabalho, parte integrante da Dissertação
com vários pavimentos, cujos projetistas de Campos (2011), buscou avaliar a aplicação
estruturais têm optado pelo lançamento de de um destes métodos simplificados em grupos
poucos pilares. Com isso, haja vista o aumento com muitas estacas mediante à comparação de
dos esforços ao nível da fundação, verifica-se a resultados de momentos fletores obtidos por
necessidade de emprego de blocos de fundação este e por ferramentas computacionais que
com uma maior quantidade de estacas e, com empregam métodos numéricos para a obtenção
frequência, com mais de um pilar por bloco. dos esforços solicitantes.
Este cenário vai de encontro à metodologia
do contato do bloco com o solo, sendo des-
2 FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS consideradas no cálculo do momento fletor, que
pela Teoria de vigas é dado pela Equação 3.
Fisicamente, a reunião de estacas em um Nesta, σz representa a tensão vertical na
mesmo conjunto se dá por meio de um bloco de interface bloco-solo ou bloco-estaca, x o “braço
de ala-vanca” e dA o infinitesimal de área que
concreto armado, independentemente da
atua σz.
filosofia de projeto escolhida. Porém, em se
tratando de projeto, podem se destacar duas
M = ∑ Ri d i (2)
metodologias de concepção de fundações
estaqueadas. M = ∫ σ z xdA (3)
A metodologia tradicional de projeto de
fundações em estacas é denominada como bloco A segunda filosofia de projeto refere-se à
sobre estacas. Nessa abordagem, apenas o aplicação do conceito de radier estaqueado na
desempenho das estacas é considerado e o bloco concepção da fundação. Com esta metodologia,
tem, apenas, a função de ligação estrutural das pode-se considerar o sistema como um todo de
estacas. O cálculo dos esforços solicitantes forma tridimensional, observando-se a
negligencia a influência do solo circundante na influência das rigidezes dos elementos
distribuição das tensões. estruturais e das propriedades geotécnicas do
Os blocos sobre estacas são dimensionados solo. Além disso, podem ser contempladas as
manualmente pela teoria das vigas ou pela
interações radier-solo-estacas e o contato do
analogia das bielas e de tirantes. Os dois casos
foram desenvolvidos para situações em que se bloco com o solo, os quais influem
têm poucas estacas, entretanto são usualmente significativamente na distribuição de recalques
aplicados para blocos com várias estacas. Nessa e de tensões, o que interfere nos momentos
metodologia toda a carga aplicada no bloco é internos do bloco, objeto de estudo deste
distribuída entre as estacas, a partir da trabalho.
superposição de efeitos da carga vertical e dos O desenvolvimento mais eficaz do projeto de
momentos atuantes. Conforme apresentado por fundação em radier estaqueado se dá com a
Alonso (1983), a carga (Ri) atuante em uma aplicação de ferramentas computacionais e
estaca genérica i de coordenadas (xi, yi) é dada emprego de métodos numéricos, como o
pela da Equação 1: Método dos Elementos de Contorno (MEC) e o
Método dos Elementos Finitos (MEF).
P M y xi M x yi
Ri = ± ± (1)
n p ∑ xi2 ∑ yi2
3 FERRAMENTAS NUMÉRICAS
Em que P é a carga vertical resultante; np é o
número de estacas; e Mx e My são os momentos Para o cálculo do radier estaqueado foi utilizado
fletores na cota de arrasamento das estacas. o DIANA, um programa formulado totalmente
Neste artigo foi utilizada, no dimensio- em MEF, desenvolvido pela TNO (2008) para
namento dito “manual”, a teoria das vigas de atender principalmente a problemas de
forma simplificada, conforme prática usual de
engenharia civil, com possibilidade de
projeto de blocos sobre estacas. Nesta
concepção calcula-se o momento fletor na seção aplicações tridimensionais, axissimétricas,
desejada por meio da relação entre a reação de análise linear e não linear. Associado ao
cada estaca, dada pela Equação 1, e o braço de programa, pode-se utilizar um outro auxiliar, o
alavanca até a seção desejada, conforme FX+ for DIANA, para a realização do pré e do
apresenta a Equação 2, em que M é o momento pós processamento, o que facilita a entrada de
fletor na direção considerada e di a distância dados e a verificação dos resultados.
entre o centro da estaca i e a seção de No DIANA as estacas de seção transversal
referência. Esse procedimento de cálculo é circular foram substituídas por de seção
simplificado porque no projeto tradicional não quadrada, considerando para o cálculo do seu
se tem o conhecimento das reações decorrentes
lado o valor correspondente à média entre a área “B” de 3,9 m e 0,3 m de altura, as estacas têm
do círculo e o perímetro da estaca circular. As 15 m de profundidade e são quadradas com
análises foram todas lineares e elásticas. 0,3 m de lado e a distância entre cada estaca, de
Segundo Ottaviani (1975), esta substituição não eixo a eixo, é de 1,5 m. A carga aplicada foi de
altera significativamente as distribuições de 100 kPa nas duas áreas mostradas na Figura 1.
tensões e de deformações no sistema. As Figuras 2 e 3 apresentam os resultados
Outro programa utilizado para o cálculo dos apresentados por Poulos, Carter e Small (2001)
momentos no radier estaqueado foi o GARP e os obtidos com os programas DIANA e
(SMALL; POULOS, 2007), o qual pode ser GARP, respectivamente.
classificado como um programa híbrido, pois
emprega o MEF para a análise do radier e o
MEC para o conjunto estaca-solo utilizando
equações da Teoria da Elasticidade. Na versão
oito, utilizada na pesquisa, o programa possui
interface gráfica bastante amigável para a
entrada e a saída de dados. Trata-se de uma
ferramenta mais simplificada que a primeira,
pois as estacas são representadas por molas de
rigidez definida previamente pelo usuário e a
interação radier-solo-estaca é informada por
meio de fatores de interação calculados a partir
de elementos isolados e idênticos para
distâncias relativas pré-estabelecidas. Apesar
disso, o programa GARP permite o estudo do Figura 1. Vista em planta do problema utillizado na
comportamento de fundações estaqueadas com validação. Modificada de Poulos, Carter e Small (2001).
acurácia apreciável e com um tempo de
execução bastante inferior quando comparadas Imx (DIANA)
aos programas exclusivamente em MEF. Imy (DIANA)
Imx (Poulos; Carter; Small, 2001)
Imy (Poulos; Carter; Small, 2001)

4 VALIDAÇÃO DAS FERRAMENTAS 0.125


NUMÉRICAS
Momento normalizado Im .

0.100
No estudo de fundações em estacas por meio de
0.075
ferramentas numéricas é recomendável que se
desenvolva, inicialmente, a validação das 0.050
mesmas. Esta etapa do projeto consiste na
comparação de seus resultados com os de outros 0.025
programas mais aprimorados ou com os
provenientes de monitoramento de obras reais. 0.000
Para a calibração dos programas DIANA e -0.025
GARP comparam-se os resultados de momentos 0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50
fletores em um bloco sobre nove estacas,
apresentado por Poulos, Carter e Small (2001). Distância normalizada (x/B)
No problema, o solo possui módulo de
elasticidade de 20 MPa, coeficiente de Poisson Figura 2. Distribuição de momentos internos no bloco
de 0,4 e a 65 m de profundidade é considerado sobre nove estacas – validação DIANA.
indeslocável. O radier e as estacas possuem Os momentos obtidos na seção AA foram
módulo de elasticidade de 20000 MPa e apresentados em função do momento
coeficiente de Poisson de 0,2, o radier tem lado normalizado Imx = Mx/P e Imy = My/P pela
distância normalizada x/B. Os momentos 5.1 Casos hipotéticos
fletores apresentados seguem a convenção do
artigo original, em que o momento Mx Nos três primeiros casos as estacas possuiam
representa o momento fletor ao longo do eixo x 0,50 m de diâmetro (0,418 m de lado no
(em torno de y) e o My o momento ao longo de DIANA), comprimento de 10 m, distância entre
y (em torno de x). eixos de 1,254 m.
Os resultados obtidos apresentaram uma O módulo de elasticidade do concreto foi de
acurácia boa, com uma diferença pequena na 28000 MPa, do solo de 50 MPa, o coeficiente
projeção do pilar, quando o DIANA apresenta de Poisson do concreto de 0,2 e o do solo de
momento normalizado um pouco superior ao 0,3, o qual foi considerado homogêneo, com
apresentado por Poulos, Carter e Small (2001). domínio vertical de 32 m a partir da face
Com relação ao GARP, pode-se observar uma inferior do bloco. O carregamento foi aplicado
mesma tendência de curvatura do gráfico, mas no topo do bloco ao longo de uma região
um pequeno distanciamento entre os valores de quadrada de 0,418 m de lado, sendo que a carga
momento, o que se deve provavelmente aos resultante igual a 500 kN vezes a quantidade de
diferentes métodos numéricos utilizados. estacas.

Imx (GARP) 5.1.1 Bloco sobre quatro estacas


Imy (GARP)
Imx (Poulos; Carter; Small, 2001) Foi adotada uma altura de 0,80 m para o bloco.
Imy (Poulos; Carter; Small, 2001) A variação de momentos e o momento total na
seção central do bloco são mostrados na
0.125
Figura 4, em que se verifica um pico do
Momento normalizado Im .

0.100 momento máximo no centro do bloco nos


métodos numéricos e uma diminuição
0.075 significativa na periferia.
0.050
eixo y (m)
0.025
0.00 0.25 0.58 0.84 1.08 1.42 1.67 1.93
0.000 0
-0.025 100
My (KN.m/m) .

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5


200
Distância normalizada (x/B)
300
400
Figura 3. Distribuição de momentos internos no bloco
sobre nove estacas – validação GARP. 500
600
Diana (x=1.045) Momento total:
5 CASOS ANALISADOS GARP (x=1.08)
Diana: 499 KN.m
Garp: 510 KN.m
Manual (x=1.045)
Utilizando os programas DIANA e GARP, Manual: 627 KN.m
serão apresentados neste artigo os casos
hipotéticos de blocos sobre quatro, nove e 25 Figura 4. Variação do momento na seção central do bloco
sobre quatro estacas.
estacas com aplicação de carga em uma única
região e, com o GARP, um caso real de uma
A solução pelos métodos numéricos induz a
fundação associada com cinco regiões
melhores resultados na distribuição dos
carregadas e 35 estacas.
momentos. No método manual, comparado com
os métodos numéricos, observa-se um momento 5.1.3 Bloco sobre 25 estacas
menor no centro do bloco, ou seja, menor
quantidade de armação, e maior momento nas Foi adotada uma altura de 1,20 m para o bloco.
extremidades, ou seja, excesso de armação nesta A variação de momento e o momento total na
região. seção central são mostrados na Figura 6.
A variação do momento também ocorre em
5.1.2 Bloco sobre nove estacas relação a outras seções traçadas no mesmo
sentido. A Figuras 7 mostra o momento em
Foi adotada uma altura de 1,00 m para o bloco. outras seções do bloco. No DIANA, por
A variação de momento e o momento total, área exemplo, o momento máximo na seção central
sob o gráfico, na seção central são mostrados na AA é 5498 kN.m/m e na seção BB, distante
Figura 5. Percebe-se que o momento total é 0,627 m o momento máximo é 1889 kN.m/m,
praticamente o mesmo nas três análises e que o 2,9 vezes menor.
momento para a seção estudada é considerada
uniforme no método manual, mas no método eixo y (m)
numérico o momento sob o pilar e regiões 0.00 0.67 1.42 2.09 2.76 3.34 4.02 4.76 5.43
adjacentes atingiu valores até 80 % maiores que 0
na periferia.
1000

My (kN.m/m) . 2000
eixo y (m)
0.00 0.25 0.58 0.84 1.08 1.42 1.67 1.93 3000

0 4000
100
My (KN.m/m) .

5000
200
6000
300 Momento total:
Diana: 9381KN.m
400 Diana (x=2.926)
GARP (x=2.941) Garp: 10286KN.m
500 M anual (x=2.926) Manual: 9405KN.m
600
Momento total: Figura 6. Variação do momento na seção central do bloco
Diana (x=1.045) Diana: 499 KN.m sobre 25 estacas.
GARP (x=1.08) Garp: 510 KN.m
Manual (x=1.045) Manual: 627 KN.m Na seção CC, 1,254 m de distância da seção
AA o momento é praticamente o mesmo em
Figura 5. Variação do momento na seção central do bloco toda a seção variando de 720 kN.m/m para
sobre 9 estacas. 520 kN.m/m.
Considerando que a largura total do bloco é
Como o momento total é praticamente o de 5,852 m, em metade do bloco, nas regiões
mesmo nas três análises, pode-se dizer que a periféricas, os momentos foram uniformes e
área de aço necessária em qualquer um dos com valores absolutos atingindo metade do
métodos seria a mesma se para o cálculo obtido no método manual (1607 kN.m/m), com
utilizasse a média, porém ao armar o bloco por picos de momento somente na seção central.
seções conforme os diagramas de momento
apresentados ocorre uma diferença no peso total
e quantidade de aço. Além disso, para os blocos
maiores, pode-se reforçar a armação somente no
trecho desejado.
Foi previsto um comprimento de estaca sob o
eixo y (m)
bloco de 15 m (fck = 20 MPa), exceto pelas de
0.00 0.671.42 2.09 2.763.34 4.02 4.765.43 canto para as quais estipulou-se 12 m
0 (fck = 25 MPa), a fim de se ter uma distribuição
melhor das cargas nas estacas e de tensões no
1000 bloco.
A partir de valores de Nspt do local
My (kN.m/m) .

2000 estimaram-se os módulos de elasticidade das


camadas de solo, conforme se apresenta na
3000
Tabela 1. Foi adotado um coeficiente de
4000
Poisson de 0,3 para o solo e de 0,25 para o
concreto das estacas e do bloco.
5000 Neste caso, como há mais de um pilar,
eixo AA estudaram-se as suas séries de combinação de
eixo BB
6000 eixo CC carregamento, pois, nem sempre, os esforços
críticos dos pilares ocorrem ao mesmo tempo.
Figura 7. Variação do momento em 3 seções do bloco Esta inobservância pode acarretar em um
sobre 25 estacas, pelo Diana. projeto de fundação superdimensionado ou
inseguro, pois pode haver alguma combinação
5.2 Caso real de ações que resulte em solicitações não
previstas nos elementos de fundação, como por
Em uma obra de Goiânia-GO, verificou-se a exemplo, tração em estacas ou momentos
necessidade e a possibilidade de emprego de fletores no bloco, tracionando as suas fibras
uma fundação em radier estaqueado. Trata-se de superiores, mesmo que os cálculos usuais não
um bloco com 1,60 m de altura sobre 35 estacas indiquem tais ocorrências. Desta forma, foram
tipo Hélice Contínua Monitorada com 0,60 m avaliadas as séries de combinação de
de diâmetro, suportando as ações de cinco carregamento mais importantes, das quais se
pilares, conforme se apresenta na Figura 8. identificaram aquelas que conduziriam a
distribuições de momentos mais desfavoráveis.
Devido às características de cada método,
numérico e manual, as combinações e as seções
críticas não coincidiram no problema estudado.

P1 P2 Tabela 1. Módulo de elasticidade das camadas de solo.


Profundidade E
(m) (MPa)
0,00 – 4,00 60
4,00 – 6,00 74
6,00 – 12,00 95
P3 12,00 – 20,00 114
20,00 – 30,00 140

Assim como desenvolvido anteriormente, de


forma simplificada, os momentos internos no
bloco foram obtidos manualmente imaginando-
o como viga. Foram encontradas as seções ao
P4 P5 longo de cada direção do bloco onde ocorrem os
esforços cortantes nulos, os quais, por
definição, denotam a presença de um momento
máximo. As reações nas estacas foram
Figura 8. Configuração do radier sobre 35 estacas. determinadas a partir da Equação 1 e a
contribuição do pilar foi considerada 7637 kN.m.
calculando-se sua tensão de solicitação, que é Com relação aos momentos My as diferenças
definida pela relação entre a carga vertical e a de previsão entre os métodos são menores,
área da seção transversal do pilar, e o momento porém são ainda relevantes. Na seção crítica
atuante de forma uniformente distribuída ao para o método manual (x = 2,54 m), este previu
longo de sua dimensão correspondente ao um momento total de 10347 kN.m e o numérico
esforço calculado. de 12328 kN.m. Na seção em x = 3,32 m,
As Figuras 9 e 10 apresentam a comparação crítica no programa GARP, as diferenças são
de momentos ao longo de seções no bloco sobre maiores com relação aos máximos e ponto a
35 estacas. Uma vez que a combinação mais ponto, sendo que esse método obteve um
desfavorável não foi a mesma em ambos os momento total de 11686 kN.m e o manual de
métodos de cálculo empegrados, são 7565 kN.m.
apresentadas as distribuições para cada seção
crítica de cada procedimento. Eixo y (m)
0.0 0.9 1.8 2.7 3.6 4.5 5.4 6.3 7.2 8.1 9.0 9.9
Eixo x (m) 0
200 Manual (x=2.54m)
0 1.15 2.3 3.45 4.6 5.75 6.9 GARP (x=2.54m)
400 Manual (x=3.32m)
0 GARP (x=3.32m)
600
My (kN.m/m)

800
460 1000
1200
Mx (kN.m/m)

920 1400
1600
1380 1800
2000
2200
1840

Figura 10. Comparação de momentos My para o bloco


2300
sobre 35 estacas.
Manual (y=3.73m)
GARP (y=3.73m)
Manual (y=3.95m) Conforme comentado anteriormente, o
GARP (y=3.95m) método manual simplificado só consegue obter
um valor de momento para toda a seção.
Figura 9. Comparação de momentos Mx para o bloco Entretanto, como se pode observar nas figuras
sobre 35 estacas de distribuição de momento em seções
escolhidas, Figuras 9 e 10, a distribuição de
Com relação ao momento Mx (Figura 9), momentos no bloco é bastante heterôgenea, haja
observa-se que na seção crítica para o método vista a grande influência dos carregamentos não
numérico (y = 3,73 m) ocorre um momento uniformes ao longo do radier e do efeito
máximo de 2269 kN.m/m muito maior que o tridimensional inerente ao problema.
previsto manualmente (501 kN.m/m) e, da
mesma forma, com relação ao momento total, 5.3 Comparação entre os métodos
em que o o GARP previu um valor de 9075
kN.m e o manual apenas 3456 kN.m. Na seção Da carga vertical aplicada no bloco, a
crítica para o método manual as diferenças ao quantidade resistida pelas estacas nos métodos
longo da seção são menores, sendo que o manuais são consideradas iguais, e nos métodos
programa GARP previu um momento total de numéricos ocorre uma variação, concentrando a
8115 kN.m e o procedimento manual um de maior carga nas estacas de canto. Como o
espaçamento entre as estacas adotado foi armação, que varia conforme a distribuição de
baseado no dimensionamento manual, momentos.
aproximadamente igual a três vezes o diâmetro, Por fim, os estudos mostraram que a
o percentual de carga transferido ao solo pelo complexidade inerente aos sistemas de
bloco em todos os casos é pequeno, não fundações em estacas requer abordagens mais
chegando a 10 %. aprimoradas, que possam considerar todos os
O momento total, nos casos com um pilar fatores envolvidos a fim de obter um projeto
apenas, é próximo independentemente do mais realístico, seguro e econômico.
método de cálculo utilizado. Se fosse
desprezado o efeito tridimensional da peça REFERÊNCIAS
como no método manual, a armação dos blocos
ALONSO, U.R. Exercícios de fundações. São Paulo, ed:
seria a mesma, porém como os métodos
Edgard Blucher, 1983.
numéricos fornecem o diagrama de momentos CAMPOS, D.V. Dimensionamento de blocos sobre
em cada seção, então o dimensionamento pode estacas utilizando o conceito de radier estaqueado.
ser feito conforme o momento por região. 2011. 117p. Dissertação (Mestrado) – Universidade
Os resultados numéricos indicaram a Federal de Goiás, Escola de Engenharia Civil
Dissertação, Goiânia.
necessidade de se distribuir desigualmente a OTTAVIANI, M. Three-dimensional finite element
armação, aplicando-se mais aço onde é analysis of vertically loaded pile groups.
necessário, o que não reflete necessariamente Géotechnique, London, v. 25, n. 2, p. 159-174, 1975.
em aumento de custo, pois de uma forma geral POULOS, H. G.; CARTER, J. P.; SMALL, J. C.
o peso total de aço é proporcional ao momento Foundations and retaining structures – research and
practice. In: 15th INTERNATIONAL
total na seção. CONFERENCE ON SOIL MECHANICS AND
GEOTECHNICAL ENGINEERING, 2001, Istanbul.
Proceedings... Istanbul, 2001. v. 4, p. 2527-2606.
6 CONCLUSÕES SMALL, J.; POULOS, H. G. A method of analysis of pile
rafts. In: 10th AUSTRALIA NEW ZEALAND
CONFERENCE ON GEOMECHANICS. 2007,
Dos casos propostos e analisados, comparou-se Australia. Proceedings… Australia, 2007, v. 2, p. 550-
o momento gerado no interior do bloco e 555.
concluiu-se que: TNO BUILDING AND CONSTRUCTION RESEARCH.
• O bloco com quatro estacas tem um DIANA User’s Manual – Release 9.3. Delft,
comportamento muito semelhante para ambos Netherlands, 2008.
os métodos empregados, sem grandes variações
de momento;
• Nos demais blocos ocorreu uma grande
variação entre o momento máximo e o mínimo
para os métodos numéricos, pois este permite a
consideração de todos os fatores influentes no
comportamento da fundação. Nestes sistemas e
principalmente no com mais de um pilar,
verificou-se a importância do tratamento do
problema de forma mais rigorosa, pois o
método manual se mostrou bem menos eficaz,
pois pode subestimar consideravelmente o
momento fletor na peça;
• Nos dimensionamentos do bloco como
radier estaqueado pode ser utilizada uma
armação mais reforçada nas regiões mais
solicitadas ao passo que nas demais se pode
reduzir a armação, não implicando em alteração
de custos, mas em uma redistribuição da