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Utilização de jet grouting em substituição à parede diafragma

como elemento de contenção e estanqueidade em obras no centro


de São Paulo.
Jean Rodrigo Garcia - Doutorando em Engenharia Civil
Unicamp, Campinas-SP, Brasil, eng.garcia@gmail.com

Marcos L. V. Guimarães - Consultor de engenharia de fundações


MAG PROJESOLOS, São Paulo-SP, Brasil, magproj@terra.com.br

Paulo José Rocha de Albuquerque - Professor Associado


Unicamp, Campinas-SP, Brasil, pjra@fec.unicamp.br

RESUMO: Apresenta-se neste artigo, uma avaliação sob a viabilidade técnica de duas propostas de
solução geotécnica em contenção e fundação, levando em consideração os aspectos geológicos e
geotécnicos do subsolo da obra, o qual está localizada na região central de São Paulo, próximo ao
Vale do Anhangabaú. Inicialmente, em solução concebida em paredes de diafragma, mas que
devido às peculiaridades geológico-geotécnicas observadas no local, fez-se necessária alterá-la para
evitar possíveis inconvenientes construtivos. Para tanto, apresentou-se uma nova solução em jet
grouting, que se mostrou mais eficaz em determinados aspectos, porém, demandou um controle
mais eficaz do processo executivo, exigindo a utilização de instrumentação para monitoramento das
deformações do maciço e consequentemente da estrutura das edificações próximas aos pontos de
execução do sistema de consolidação em jet grouting.

Palavras Chave: Jet Grouting, parede de diafragma e estrutura de contenção.

1 INTRODUÇÃO caso, os problemas são agravados devido às


restrições existentes nos centros das grandes
Apresenta-se como grande desafio da metrópoles. No caso de São Paulo, trata-se da
engenharia geotécnica, a construção de zona de máxima restrição de circulação
edificações em locais densamente urbanizados (ZMRC), a qual apresenta restrições de
e com presença de lençol freático horário para circulação e limitações de peso
praticamente aflorado, como acontece na para trafegar nestes locais com veículos de
região central da cidade de São Paulo. carga. Para tanto, a solução em jet grouting e
estacas raiz, mostra-se bastante versátil, com a
Inicialmente para viabilizar a construção de utilização de equipamentos menores e mais
até três níveis de subsolo neste edifício, foram leves, além dos respectivos processos
projetadas paredes de diafragma, as quais executivos serem mais pontuais,
além de funcionarem como elemento de fragmentando a execução em etapas menores
contenção e fundação, poderia diminuir, e com consumo dos insumos em uma escala
devido ao seu comprimento de 25 m de amplamente fracionada.
profundidade, a pressão hidrostática devido
ao lençol freático aflorado. Devido às Para verificação do comportamento da
dificuldades inerentes ao processo executivo pressão hidrostática devido ao nível d’água,
de paredes diafragma, como por exemplo, utilizou-se o método dos elementos finitos,
grande espaço físico necessário para analisando duas situações, primeiramente com
operacionalização do equipamento de a parede diafragma e posteriormente com o jet
escavação e acessórios, e volumes de grouting.
concretagem acentuados e ininterruptos não
foi possível optar por este sistema. Neste
2 ASPECTOS GEOLÓGICOS E Os resultados obtidos, a partir das sondagens
GEOTÉCNICOS realizadas no local da obra, indicaram às
características do subsolo ao longo da
Vários ensaios de investigação do subsolo profundidade, tanto em termos da composição
foram necessários para realizar o mineralógica, quanto em termos de resistência
dimensionamento de um projeto geotécnico pelos valores de Nspt (figura 1). Analisando a
compatível às solicitações da superestrutura e figura 1 verifica-se que os valores de Nspt
esforço exercido pela pressão do nível d’água apresentam-se praticamente constantes até a
aflorado. As investigações geotécnicas foram profundidade de 10 m, apresentando
compostas por cinco ensaios de sondagem crescentes até 25 m de profundidade. Entre 25
SPT, sendo que em duas delas acresceram-se e 40 m de profundidade verificou-se elevada
as medidas de torque; realizaram-se também variabilidade nos valores do Nspt.
ensaios de CPTU, os quais possibilitaram
realizar medidas de poro-pressão e também NSPT

obter uma melhor classificação do solo, 0 20 40 60 80


0
inclusive na identificação de “lentes” de areia.
A partir dos resultados obtidos através da S1C
realização de ensaios de campo, que 5
S2
juntamente com as correlações realizadas a S3B
partir destes resultados, pôde-se apresentar 10 S4
uma ampla análise que contribuirá no S6
conhecimento das condições geológicas e 15
geotécnicas para obras realizadas no centro
antigo da cidade de São Paulo, na região do
Profundidade (m)

20
Vale do Anhangabaú, próxima ao Teatro
Municipal.
25

2.1 Aspectos da geologia local 30

Segundo Suguio et al. (1971), a formação São


35
Paulo corresponde a depósitos de sistema
fluvial meandrante, sendo constituída por
areias grossas a médias que gradam para 40

areias mais finas, até siltes e argilas.


A idade oligocênica é atribuída a esta 45

unidade, embora ainda seja problemática a Figura 1 – variação dos valores de Nspt em
obtenção de dados precisos para análise profundidade
palinológica ou mesmo material fossilífero
que permitam datar a formação São Paulo, Na figura 2, apresentam-se os valores da
conforme Riccomini & Coimbra (1992). razão T/N, obtidos para as profundidades
entre 15 e 40 m de profundidade, onde se
percebe grande dispersão dos resultados
2.2 Ensaios de investigação do subsolo comparados com a linha tracejada, a qual
local representa a relação de T/N=1,2, razão esta
representativa do comportamento de vários
Foram realizados ensaios de caracterização do tipos de solos da bacia de São Paulo.
perfil estratigráfico do subsolo da obra, onde Peixoto (2001) menciona que através das
através de ensaios de sondagem, SPT, SPT-T relações T/N não é possível uma classificação
e ensaio de penetração contínua, CPTU, pode- textural ou geológica dos solos, porém é
se obter os parâmetros resistência do solo e possível ter-se uma noção do comportamento
pressão neutra. do solo. A recomendação é que valores de
T/N não devem ser utilizados isoladamente,
devendo-se trabalhar sempre com a média de
determinada camada do solo, sob o risco de se Resistência de Ponta Total Corrigida - qc
(kPa)
inferir um comportamento errado da camada. 0
(-1,36)
2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
De acordo com os valores médios de T/N da 0

figura 2, observa-se que para profundidades 1

de 12 à 23m verificou-se um solo areno- 2

argiloso, cuja relação T/N média é de 1,60. 3

De 23 à 36m observou-se um solo tipo areia 4

argilosa, com T/N médio igual a 1,05 e de 36 5

à 40m verificou-se também a presença de 6

7
areia argilosa, porém bastante compacta, em
8
que T/N médio é igual a 1,00. 9
Razão - T / N

Profundidade
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 10

(m)
10 11
T / N = 1,2
12
S3B
15
S4 13

20 14

) 15
m
( 25
ed 16
ad
id30 17
unf
ro 18
P35
19

20
40
20,50
21

45 Figura 3 – valores de resistência de ponta do solo (qt)


Figura 2 – variação dos valores de Torque em
profundidade
Atrito Lateral - fS
Nas figuras 3, 4 e 5, apresentam-se os valores (-1,36)
(kPa)
0 50 100 150 200 250 300
obtidos no ensaio CPTU de atrito lateral (fs), 0

resistência de ponta total (qt) e pressão neutra 1

(u2). Verifica-se na figura 5, que alguns 2

“picos” da pressão u2, a qual é representativa 3

de camada de areias intercaladas por camadas 4

de solo argiloso. 5

De acordo com os valores verificados no 6

ensaio CPTU, juntamente com os valores de 7

SPT e SPT-T, pode sugerir provável 8

característica do subsolo local, o qual 9


Profundidade

apresenta camadas superficiais de argila 10


(m)

siltosa e areia fina à média pouco argilosa 11

para profundidades de até 6 m. Para 12

profundidades maiores entre 6 e 12 m, 13

14
constatou-se a presença de argila siltosa
15
média, roxa e cinza, e de 12 à 23 m verificou-
16
se uma areia de granulação variada argilosa, 17
fofa a medianamente compacta. De 23 à 36 m 18
observou-se um solo tipo areia de granulação 19
variada pouco argilosa, compacta e amarela e 20
de 36 à 40 m verificou-se a presença de areia 21
20,50

fina e média pouco argilosa, compacta a Figura 4 – valores de resistência por atrito lateral (fs)
muito compacta de cor amarelada.
No gráfico da figura 6, apresenta-se os valores
Pressão Neutra - u2
(kPa) de razão de atrito, os quais analisados
-100
(-1,36)
400 900 1400 conjuntamente com os valores de qc, fs e u2,
0
pôde-se obter a classificação do subsolo de
1
acordo com Robertson & Campanella (1983).
2

4
3 SISTEMA DE CONSOLIDAÇÃO DO
5
SOLO
6
O sistema utilizado para consolidação do solo
u2 = pedra porosa situada na base do
cone
7

8
através de injeção de calda de cimento
9 utilizou-se o método JSG (Jumbo Special
Grout) ou JG (Jumbo Grout) - tubo duplo com
Profundidade

10

emprego de ar comprimido de acordo com


(m)

11

12 Nakanishi & Yahiro (1975), Karol (2003) e


13 Abramento et al. (1998).
14 Os serviços de “JSG” foram iniciados, a partir
15 da realização de colunas testes, em local onde
16 fosse possível escavá-las para verificação
17 visual e dimensional da geometria das colunas
18 formadas pelo sistema “JSG”, conforme
19
disposição de locação apresentada na figura 7.
20 xipófagas
20,50
21
∅ 1,8m ∅ 1,8m ∅ 1,8m ∅ 1,8m
Figura 5 – valores de pressão neutra do solo (u2)
Coluna 1 Coluna 2 Coluna 3 Coluna 4

Razão de atrito - Rf (kPa) 2,5m


1,5m 2,5m
(-1,36)

0
0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00
Figura 7 – Disposição das colunas testes
1

2 Argila As colunas de jet grouting teste foram


3
siltosa dimensionadas e executadas de acordo com os
4 parâmetros, na qual somente os parâmetros da
5 coluna teste aprovada estão apresentados na
6 tabela 1, sendo assim, foram dimensionados
7 de acordo com as características de resistência
8 e da estratigrafia do subsolo local.
9 Argila
Profundidade (m)

10 Tabela 1 – Parâmetros utilizados para realização dos


11
testes in-loco
Areia PARÂMETROS TESTES coluna 4 UNIDADES
12
argilosa Consumo de cimento: 500 kgf / m³
13
consumo por metro linear de coluna: 26,0 sacos
14
pressão de injeção: 400 kgf / cm²
15
diâmetro do bico: 2,9 mm (1 só bico no hidromonitor)
16
fator a/c: 1
17 areia vazão do bico: 90 l / min
18 tempo de execução: 8,4 min / m

19 s / subida contínua e constante de 5


tempo de injeção: 17
cm (1,2 cm / giro)
20 rotação da composição: 11,7 rpm
20,50
21 velocidade de subida: 12 cm / min

Figura 6 – valores da razão de atrito ar comprimido - pressão: 7 bar

ar comprimido - vazão: 340 pcm


Devido à condição local de resistência do solo de uma determinada área de influência da
aferidos através dos ensaios de SPT-T e obra.
CPTU, fez-se necessária a utilização de Para tanto, previu-se a instalação de alguns
diferentes diâmetros de jet grouting, além da tipos de instrumentação, são eles: pinos
determinação de alguns parâmetros internos para medidas de nivelamento;
geotécnicos necessários à determinação das medidas de nível d’água (MNA’s) e
características de resistência à compressão e piezômetro (PZ); inclinômetros e pinos de
atrito lateral do solo. É importante ressaltar, recalque.
que a partir dos resultados obtidos, analisou-
se a relação T/N ao longo da profundidade,
estimou-se parâmetros do solo, como ângulo 4.1 Monitoramento dos recalques
de atrito e coesão, e também da carga de
ruptura das estacas. A sistemática adotada para leitura e registro
A partir dos resultados obtidos através da da variação do deslocamento vertical
realização de ensaios de campo, que (recalques) de edificações ou estruturas em
juntamente com as correlações realizadas a relação a um ponto fixo de referência,
partir destes resultados, pôde-se apresentar conhecido como Referência de Nível (RN).
uma ampla análise que vem contribuir no O processo tem por objetivo monitorar o
conhecimento das condições geológicas e recalque de edificações ou estruturas
geotécnicas para obras realizadas no centro localizadas em zonas afetadas pela construção
antigo da cidade de São Paulo, na região do de uma determinada obra, ou atividade que
Vale do Anhangabaú, próxima ao Teatro interfira no maciço que serve de fundação
Municipal. para as referidas edificações ou estruturas.
Os parâmetros utilizados para consolidação
do subsolo local foram plenamente validados, Durante a execução das primeiras colunas de
ou seja, os parâmetros de pressão de injeção, jet grouting (colunas nº 4), junto aos edifícios
ar e fluido, assim como velocidade de rotação de divisa, pode-se verificar através do gráfico
e ascensão mostraram-se satisfatórios apresentado na figura 7, que devido à
somente para a coluna nº4, tanto na formação execução dessas colunas iniciou-se um
das características geométricas das colunas de processo de levantamento das fundações do
jet grouting, quanto na resistência do material edifício vizinho (pinos das figuras 8 e 9),
consolidado, o qual foi extraído para teste de obtidos pelas leituras dos pinos de recalque
resistência à compressão simples. instalados na estrutura destes edifícios.

INSTRUMENTAÇÃO PARA CONTROLE DO RECALQUE DA


EDIFICAÇÃO EXISTENTE
4 INSTRUMENTAÇÃO INSTALADA 25,0
S 18

20,0 S 19

Tendo em vista o aspecto de segurança e S 20

complexidade de uma obra de execução de jet


15,0
S 21
Recalque (mm)

grouting, principalmente pelo fato desta 10,0


S 22

encontrar-se em uma região densamente 5,0

urbanizada, entende-se que é fundamental que


se realize um acompanhamento dos efeitos 0,0

decorrentes da execução do sistema “JSG” e -5,0

também do comportamento da execução de


26/2/11 18/3/11 7/4/11 27/4/11 17/5/11 6/6/11 26/6/11 16/7/11 5/8/11 25/8/11

Data
escavações profundas, através de Figura 8 - Comportamento dos recalques nos pinos
instrumentação geomecânica. Inclui-se, para devido à execução de jet grouting Ed. 1
tanto, o monitoramento da estabilidade
interna dos maciços, medidas de
deslocamento no maciço, controle de recalque
nos imóveis e estruturas adjacentes e
acompanhamento dos níveis freáticos, dentro
INSTRUMENTAÇÃO PARA CONTROLE DO RECALQUE DA Inclinômetro I-02
EDIFICAÇÃO EXISTENTE - REGIÃO B EIXO A

S 07 0
55
SP 01

SP 02
45 SP 03

S 04
Recalque (mm)

35 S 05

S 08 -5
S 09
25

15

5
-10

-5

Profundidade (m)
07/01/11 26/02/11 17/04/11 06/06/11 26/07/11 14/09/11

Datas

Figura 9 - Comportamento dos recalques nos pinos


devido à execução de jet grouting Ed.2 -15

Através das figuras 8 e 9, pode-se verificar


que em termos acumulados chegou-se a
atingir valores maiores que 15 mm e 55 mm, -20
Obra
respectivamente, provocando assim recalques -
+
A++

ascensionais, ou seja, de levantamento destes -


B+
edifícios. Tendo em vista esse grave Eixo B Eixo A

incidente, fez-se necessário redimensionar os -25


-20 -10 0 10 20

parâmetros das colunas testes, onde foi Deslocamento Horizontal (mm)

proposto a execução de colunas de jet Figura 10 - Comportamento dos inclinômetros


grouting, com pressões menores e durante a execução de JG.
consequentemente reduziu-se o diâmetro para Inclinômetro I-02
1,20 m. Neste caso, as colunas passaram a EIXO B

contar com o processo de pré-ruptura 0

hidráulica com pressão de 30.000 kPa e


injeção de consolidação de 20.000 kPa. Esta
proposta foi indicada como potencial solução
para todas as colunas de jet grouting junto às
-5

divisas com vizinhos e com as ruas próximas.


O sucesso da solução relatada acima pode ser
verificado através da estabilização dos -10
recalques medidos através do gráfico da
figura 8, onde após os “picos”, os recalques
Profundidade (m)

foram mantidos praticamente sem alterações


significativas. -15

Nas figuras 10 e 11 são apresentados os


resultados do monitoramento através dos
inclinômetros instalados até 25 m de
profundidade, os quais têm a função de -20 Obra

monitorar o maciço para pequenas


+
- A+
+

deformações. Inicialmente, instala-se o -


B+
inclinômetro e realiza-se a primeira leitura e Rua Dom José de
Eixo A

na seqüência segue-se o monitoramento -25


Eixo B

-20 -10 0 10 20
sistemático dia-a-dia. Deslocamento Horizontal (mm)

Figura 11 - Comportamento dos inclinômetros


durante a execução de JG.
Os inclinômetros foram instalados em pontos
estratégicos, de maneira a monitorar as
regiões de maior risco para a estrutura interna
da edificação, ruas e edificações vizinhas. O
processo tem por finalidade monitorar a
variação do deslocamento horizontal, em duas
direções ortogonais de pontos no interior de
um maciço afetado por atividade relacionada
à implantação de uma obra subterrânea, ou
algum tipo de escavação. O instrumento é
composto por um tubo especial de alumínio
com ∅ interno de 75 mm com segmentos de Figura 12 - Distorções limites associadas aos danos
1,5 a 3,0 m, e com ranhuras localizadas em em edificações (Velloso e Lopes, 2004).
dois diâmetros ortogonais, para a introdução
posterior do torpedo de leitura. Sua
extremidade inferior deve ser vedada com um 5 ANÁLISE NUMÉRICA DA PRESSÃO
cap. HIDRÁULICA (SUB-PRESSÃO)

Nota-se nas figuras 10 e 11, que o processo de Apresentam-se nas figuras 13 e 14, as duas
consolidação do solo através do sistema JSG, situações propostas e verificadas como
mesmo quando executada a 5 m ou mais de solução de engenharia para inibir a pressão
distância do ponto de instalação dos hidrostática devido ao nível d’água após a
inclinômetros, foi possível constatar escavação do subsolo. Para tanto, os
perturbações no eixo destes ao longo da problemas apresentados nas figuras abaixo
profundidade. Desta maneira, percebe-se que são avaliados numericamente pelos métodos
a influência do sistema de consolidação dos elementos finitos.
abrange um raio bem superior ao da coluna
que está sendo formada. N.A.(0 m)
Sub-solo ( - 4,0 m )

4.2 Tolerância de recalques em estruturas

De acordo com Moraes (1976), os recalques


diferenciais máximos não-prejudiciais à Solo
estabilidade da superestrutura de edifícios
residenciais e comerciais estão
compreendidos para distorções angulares Parede
entre 1/400 a 1/250. Um levantamento mais diafragma
completo dos danos causados por recalques
diferenciais foi feito Bjerrum (1963) e
complementado posteriormente por Vargas e Figura 13 – Malha para solução em parede diafragma
Silva (1973), após a observação de edifícios
altos nas cidades de São Paulo e Santos,
Estado de São Paulo, conforme ilustra a
figura 12.
N.A.(0 m)
Sub-solo ( - 4,0 m )

jet grouting

Solo

Figura 16 – Simulação pelo Método dos Elementos


Figura 14 – Malha para solução em jet grouting Finitos (jet grouting)

Os resultados são apresentados nas figuras 15


e 16 para as soluções em parede diafragma e 6 CONCLUSÕES
jet grouting, respectivamente, verificando-se
os resultados do comportamento da pressão A partir dos resultados obtidos através da
hidrostática, obtidos a partir da simulação realização de ensaios de campo, pôde-se
numérica pelo método dos elementos finitos, apresentar uma ampla análise que contribui no
a qual é menor na cor azul na superfície e conhecimento das condições geológicas e
aumenta gradativamente ao longo da geotécnicas para obras realizadas no centro da
profundidade, onde assume seu maior valor cidade de São Paulo, na região do vale do
na cor alaranjado. Anhangabaú, próxima ao Teatro Municipal.

Nota-se que para solução em parede Para o sucesso das obras, as quais utilizam o
diafragma, figuras 13 e 15, há uma sistema de consolidação JSG – Jumbo Special
diminuição da pressão hidrostática na região Grout, principalmente quando executados em
do subsolo (azul mais intenso). Já na figura 14 pressões elevadas, devem ser instrumentadas
e 16, através da consolidação de lateral e de adequadamente para monitorar o entorno da
fundo da região do subsolo com jet grouting, obra e permitir ao engenheiro responsável a
a diminuição da pressão hidrostática se dá correta tomada de decisão, a fim de evitar
regionalmente e suficientemente, possíveis inconvenientes ao longo da
possibilitando a escavação sem maiores realização do projeto geotécnico.
dificuldades.
É imprescindível a realização de colunas
testes de jet grouting, previamente no local da
obra, antes da efetiva execução do projeto em
si. Isto porque, o sistema de consolidação em
JSG é uma solução geotécnica de inúmeras
variáveis, as quais podem ser melhor
comprovadas através da realização de testes in
loco.
Através das simulações numéricas por
elementos finitos, verificou-se que o projeto
geotécnicos em parede diafragma podem ser
otimizados de maneira a afetar em menor
escala as características da curva do lençol
Figura 15 – Simulação pelo Método dos Elementos freático, consequentemente evitando possíveis
Finitos (Parede diafragma) implicações técnicas atribuídas a este
conhecido problema de alteração no nível Robertson, P.K. & Campanella, R.G.(1983)
freático. “Interpretation of cone penetrometer test, Part
De acordo com as inúmeras condicionantes e I: Sand”, in: Canadian Geotch.Journal ,20(4),
variáveis existentes para o dimensionamento 718-733.
de um projeto geotécnico, verifica-se o caráter
imprescindível de que os parâmetros obtidos Suguiu, K., Fúlvaro, V.P., Coutinho, J.M.V.
nos ensaios de investigação e caracterização (1971) Tipos de Contatos e Estruturas
sejam criteriosamente planejados e eficazes à Sedimentares Associadas da Bacia de São
determinação das características físico- Paulo – In: XXV Congresso Brasileiro de
mecânicas da estratigrafia do subsolo local, Geologia – Vol. 2.
implicando diretamente no sucesso ou
fracasso de um projeto geotécnico. Vargas, M.; Silva, F.R. O problema das
fundações de edifícios altos: experiência em
São Paulo e Santos. In: Conferência Sul-
AGRADECIMENTOS Americana Sobre Edifícios Altos, 1973, Porto
Alegre. Anais... PortoAlegre: ASCE/IABSE,
Os autores agradecem à projetista MAG 1973.
Projesolos pelos dados fornecidos.
Velloso, D.A.; Lopes, F.R. (2004)Fundações,
Critérios de projeto – Investigação do Subsolo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – Fundações Superficiais. São Paulo: Oficina
de Textos, Vol. 1. 290p.
Abramento, M.; Koshima, A; Zirtis, A. C.
(1998)- Fundações: Teoria e Prática. Reforço
do Terreno; PINI-ABMS ABEF, 2ª
edição/Agosto. 751p.

Bjerrum, L. (1963) Interaction between


structure and soil, in: Proceedings, European
CSMFE, Wiesbaden , v.1. p.135-137,

Karol, R. H. (2003), Chemical Grouting and


Soil, Third Edition, Rutgers University, New
Brunswick, New Jersey, U.S.A.
Moraes, M. C. (1976) Estruturas de
Fundações, McGraww-Hill Book Company
do Brasil, 172p.

Nakanishi e Yahiro (1975). Manual Técnico


Tecnogeo, São Paulo.

Peixoto, A. S. P. (2001) Estudo do ensaio


SPT-T e sua aplicação na prática de
engenharia de fundações / Tese de Doutorado
- Unicamp. Campinas, SP: 489p.

Riccomini, C.; Coimbra, A.M. (1992) –


“Geologia da Bacia Sedimentar” – Solos da
Cidade de São Paulo – ABMS/SP e ABEF –
São Paulo, SP.