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Inquérito Policial (IP)

O Inquérito Policial consiste em todas as diligências necessárias para o descobrimento dos fatos
criminosos, de suas circunstâncias e de seus autores e cúmplices, devendo ser reduzido a instrumento
escrito.

O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver
preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de
prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

Termo Circunstanciado = menor potencial ofensivo!!

Inquérito Policial = crimes complexos!!

A Lei Maria de Penha (termo circunstanciado): não se aplica a lei 9.099/95 aos crimes de menor potencial
ofensivo cometidos em situação de violência doméstica.

 estes serão apurados mediante IP.

**Código de Trânsito (art 291)

 termo circunstanciado (EM REGRA): crimes de lesão corporal culposa por acidente de trânsito.

**Nos crimes de lesão corporal culposa por acidente de trânsito (Ação Penal Pública condicionada à
representação).

Caberá a instauração de IP nos crimes de lesão corporal culposa por acidente de trânsito. (Ação Pública
Incondicionada)

 causada por motorista embriagado;


 causada por motorista em situação de racha ou exibição não autorizada;
 causada por motorista transitando em 50km/h acima da velocidade máxima permitida para a
via.

Características do IP:

- Escrito;

- Indisponível: não pode ser arquivado por autoridade policial;

**O MP requer (Promove) e o Juiz determina o arquivamento. Se o juiz descordar (art. 28 - CPP), deverá
encaminhar o inquérito ao Procurador Geral de Justiça, o qual poderá oferecer denúncia contra o indiciado
ou designar o promotor para oferecê-la. Se o Procurador Geral da Justiça insistir no arquivamento, o juiz
deverá homologa-lo.

O art. 28 teve alguns dispositivos não recepcionados pela CF, por ferir a independência funcional dos
membros do MP.

Não há IP no ECA, mas sim Procedimento de Apuração de Ato Infracional - PAAI.

- Se o MP requer o arquivamento do PAAI. Se o juiz da Vara da Infância descordar (art. 28 - CPP), deverá
encaminhar o auto ao Procurador Geral de Justiça, o qual poderá oferecer representação contra o menor
infrator ou designar outro membro (“longa manus”) para oferecê-la. Se o Procurador Geral da Justiça
insistir no arquivamento, o juiz deverá homologa-lo.

MP/COAF/CVM – Procedimento Investigatório preliminar – PIP


**Retomando as características do IP:

- Inquisitivo: não incidência de contraditório e ampla defesa. O indiciado não deixa de ter direitos.

**o único inquérito que admite contraditório é o instaurado pela PF a pedido do MJ para a expulsão de
estrangeiro, neste caso o contraditório é obrigatório. Lei 11.101/2005 - aboliu o inquérito judicial
falimentar, abolindo o contraditório por consequência.

Vícios do IP não maculam a ação penal.

art. 107 - CPP. Suspeição Policial

Autoridade: conduzido pela autoridade policial, presidido por Delegado de Polícia (tem atribuições, e não
jurisdição). Quem tem jurisdição é o Juiz.

Oficiosidade: em regra, agir de ofício.

Oficialidade: a investigação criminal cabe às Instituições Oficiais, não pode ficar a cargo.

- PF: apura os crimes de competência da JF.

- PC: apura infrações penais de competência da JE.

- PM: apura crimes militares

Lei 12.830/2013

Sigiloso: decretado pela autoridade policial quando necessário a elucidação dos fatos ou exigido pelo
interesse social.

SV nº 14 – STF. Direito de o defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de
prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de
polícia judiciaria, digam respeito ao direito de defesa.

Valor Probatório Relativo: Teoria dos frutos da árvore invenenada!!

Dispensável.

**Representação Fiscal – contém todos os elementos necessários (esgotada a via Administrativa - PAF ),
o MP pode oferecer denúncia. (Lei nº 8.137. Define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra
as relações de consumo, e dá outras providências.)

Documentos Inaugurais do IP:

- Auto de Prisão em flagrante;

- Portaria;

- Requerimento/Representação da Vítima ou de seu Representante Legal.

“Notitia Criminis” é o conhecimento por parte do delegado de polícia de que alguém ou algumas
praticaram uma infração penal.

Pode ser espontânea ou provocada

Três tipos:

1ª “Notitia Criminis” de cognição direto: quando o delegado toma conhecimento de uma infração penal
por meio de suas atividades rotineiras. (ex. leitura de um jornal, delação de um comparsa)
Notitia Criminis Inqualificada -> Denúncia Anônima

É vedado o anomimato

Denúncia -> investigação preliminar -> instaurar inquérito

Art. 5º CPP

§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação
pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar inquérito. (delacio criminis)

Delacio Criminis Postulatório -> quem comunicou pede providências ao delegado.

Prisão em flagrante <> auto de prisão em flagrante (art. 304, 306 do CPP)

2ª “Notitia Criminis” de Cognição Indireta: quando o delegado toma conhecimento de uma infração por
de um ato formal.

- Requisição do Juiz

- Requisição do MP

- Requisição do MJ

- Requerimento/Representação da Vítima ou de seu Representante Legal

“Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será


iniciado:

I - de ofício;

II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do


Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de
quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1º O requerimento a que se refere o no II conterá


sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus sinais


característicos e as razões de convicção ou de presunção
de ser ele o autor da infração, ou os motivos de
impossibilidade de o fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua


profissão e residência.

§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de


abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de
Polícia.

§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da


existência de infração penal em que caiba ação pública
poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à
autoridade policial, e esta, verificada a procedência das
informações, mandará instaurar inquérito.

§ 4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública


depender de representação, não poderá sem ela ser
iniciado.

§ 5º Nos crimes de ação privada, a autoridade policial


somente poderá proceder a inquérito a requerimento de
quem tenha qualidade para intentá-la.”

- Requerimento/Representação da Vítima ou de seu Representante Legal (Ação Penal Privada)

- Requisição do MJ ->não tem prazo como o Requerimento/Representação

3º Notitia Criminis de Cognição Forçada/Coercitiva: apresentação pelo autor do delito/infração penal para
o delegado de polícia para a realização do Auto de Prisão em Flagrante. (art. 302, incisos I, II e III)

Nos crimes de ação privada a autoridade policial só poderá proceder ao IP por requerimento de quem
tenha qualidade para intentá-la. (art. 19 CPP)

Logo que tiver conhecimento de infração penal a autoridade policial deve:

 Dirigir-se ao local cuidando para que não se alterem o estado e a conservação das coisas, até a
chegada dos peritos criminais;
 Apreender objetos que tiverem relação com os fatos, após liberação dos peritos;
 Colher todas as provas que servirem para esclarecimento do fato e suas circunstancias;
 Ouvir o ofendido.
 Ouvir o indiciado, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro,
devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
o O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do processo penal,
será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, constituído ou nomeado;
o O interrogatório do réu preso será realizado, em sala própria, no estabelecimento em
que estiver recolhido, desde que estejam garantidas a segurança do juiz, do membro do
Ministério Público e dos auxiliares bem como a presença do defensor e a publicidade do
ato;
o Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a requerimento das
partes, poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema de videoconferência
ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, desde
que a medida seja necessária para atender a uma das seguintes finalidades:
 prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o
preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir
durante o deslocamento; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
 viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja
relevante dificuldade para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou
outra circunstância pessoal; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
 impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima, desde que
não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos
do art. 217 deste Código; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
 responder à gravíssima questão de ordem pública.
 Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
o Identificação do suspeito, com outros dois, via espelho mágico;
o Identificação de objetos;
 Determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
o Encaminhar a mulher vítima de violência doméstica ao IML;
 Ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos
autos sua folha de antecedentes;
o Vucetich
o O menor identificado, salvo dúvida fundada, não será submetido à identificação
compulsória;(art. 109 – ECA)
o O integrante de organização criminosa civilmente identificado não será submetido à
identificação criminal.
 Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua
condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e
quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.
 Colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma
deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela
pessoa presa.

Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a
autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a
moralidade ou a ordem pública.

**Garantido o respeito ao direito de não produzir prova contra si mesmo

Atenção: o delegado no relatório final do IP não deve externar suas opiniões.

Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será
permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir.

Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de três dias, será decretada por despacho
fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério Público,
respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos
Advogados do Brasil (Lei n. 4.215, de 27 de abril de 1963)

Checar prazos do IP segundo a lei de drogas, lei de crimes contra a economia, e lei penal militar.

Requerimento de arquivamento em competência originária: quando o caderno investigatório e controlado


diretamente pelo PGJ ou PGR por se tratar de feito de competência originária o pedido de arquivamento
é dirigido diretamente ao tribunal. Cabe ao relator determinar o arquivamento.

Recurso institucional contra arquivamento promovido pelo PGR: preceitua o art. 12 da LOMP cabe ao
colégio de procuradores de justiça rever mediante requerimento de legitimo interessado nos termos da LO
decisão de arquivamento de IP ou peças de informação determinada pelo PGJ nos casos de sua atribuição
originária.

Arquivamento Implícito: a matéria está intimamente ligada coma obrigatoriedade de oferecimento de


razoes. Cabe ao órgão do MP oferecer as razoes suficientes para sustentar o seu pedido de arquivamento.
Sem elas, devem os autos retornar ao órgão ministerial para regularização. Não existe tecnicamente o
chamado pedido de arquivamento implícito ou tácito, é indispensável que o promotor se manifeste
claramente a respeito de cada um dos indiciados, fazendo o mesmo no concerne a cada um dos delitos
imputados a eles durante o inquérito, assim não pode igualmente denunciar um por crime e calar quanto
a outro(s). Guilherme Nucci

Recusando-se o Promotor a oferecer suas razoes devem os autos serem remetidos ao PGR para as medidas
administrativo pertinentes uma vez que o órgão ministerial não está cumprindo com zelo suas atribuições.

Arquivamento Indireto: a hipóteses do órgão ministerial deixar de oferecer denuncia por entender que o
juízo é incompetente para a ação penal. Guilherme Nucci entende inadmissível. Assim, os autos devem ser
encaminhados ao juízo competente.
Arquivamento Requerido pelo órgão do MPF. Cabe a um órgão colegiado analisar o pedido de
arquivamento feito pelo PGR e rejeitado por juiz federal. Dano ao patrimônio público do DF é dano simples.

Desarquivamento do IP. Provas novas. Sumula do STF.

O delegado requisita prazo para o juiz para continuar as investigações. Juiz abre vista ao promotor que
requisita diligências. Resta saber se as diligencias são intempestivas, ou estão de acordo com a legislação.

Art. 10 CPP – conclusão do IP pelo delegado.

Art. 16 CPP – requisição de diligências dentro da investigação.

IP e lei 1521/51 prazo de conclusão do IP segundo a lei de economia popular. 10 dias preso ou solto o
indiciado. E 2 (dois) dias para oferecer denúncia.

Art. 7. Os juízes irão recorrer de ofício sempre que absolverem os acusados em processos contra a
economia popular ou contra a saúde pública, ou quando determinar o arquivamento dos autos do
respectivo IP.

Crimes contra economia popular: pirâmide, agiotagem, pichardismo (crime contra a economia popular,
cometido por empresas que, falsamente, prometem devolver, após certo tempo, o dinheiro de
mercadorias que o cliente comprou)...

Prazos de conclusão do IP segundo a JF(Lei 5010/66). Indiciado preso, 15 dias sendo para concluir o IP
prorrogáveis por mais 15 dias quando for necessário.

Código de Processo Penal Militar. Se o indiciado estiver preso, 20 dias para concluir. Se solto, 40 dias
prorrogáveis por mais 20 dias.

Crimes de Competência Originária dos Tribunais (Lei 8.030/90). Estando o indiciado preso, o MP tem 5 dias
de prazo para oferecimento da denúncia. Se solto, 15 dias.

Lei de drogas.