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PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DE RONDÔNIA

PROCURADORIA DO CONTENCIOSO

EGRÉGIO JUÍZO DA 1ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE PORTO

VELHO - RO.

Processo nº 7053838-48.2017.8.22.0001
Autor: Mpro - Ministério Público De Rondônia
Réu: DER/RO e outros

ESTADO DE RONDÔNIA, pessoa jurídica de direito público interno, inscrita

no CNPJ sob nº 00.394.585/0001-71, atrvés da Procuradoria Geral do Estado, órgão de

representação judicial dos Poderes e Órgãos Autônomos, com fulcro nos artigos 132 da

CRFB/88 e 75, II, do CPC, por este Procurador de Estado subscritor, vem se manifestar pela

adesão ao pólo ativo nos autos do processo supra, com base nas razões fáticas e jurídicas a

seguir delineadas.

I – ERCORÇO FÁTICO

Trata-se de Ação Cautelar ajuizada pelo Ministério Público do Estado em que

pede (i) suspensão dos pagamentos acordados perante o Juízo Arbitral e (ii) afastamento

de agentes públicos dos cargos.

A sustentação dos pedidos é feita com base nos argumentos de (i) incapacidade

de contratar da construtora Ouro Verde, e sua consequente impossibilidade de demandar

no Juízo Arbitral, (ii) preclusão lógica de eventual direito de pleitear direito de

realinhamento, (iii) impossibilidade de se levar a controvérsia para o Juízo Arbitral ante a

ausência de existência da cláusula compromissória no edital da obra e também nos

contratos firmados, e outros.


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Citado para integrar a lide e intimado a se manifestar, o Estado vem apresentar

suas razões para o deslinde da questão.

É a síntese do necessário.

II – ESCLARECIMENTOS PRELIMINARES

Da leitura da peça inaugural, nota-se que o MPE buscar tolher suposto ato

ímprobo dos demandados.

Assim, a questão posta nos autos é saber se houve ou não dano ao erário e

quem são os responsáveis, fatos que interessam ao Estado de Rondônia, embora haja

divergência deste quanto a alguns argumentos levantados pelo MP.

III – (IN)CAPACIDADE DE CONTRATAR DA CONSTRUTORA OURO VERDE

Analisando os documentos postos nos autos, de fato se verifica a incapacidade

de a Construtora Ouro Verde contratar com a Administração.

A decisão tomada pelo Diretor Geral-DER-RO foi:

DECIDO pela aplicação de pena de MULTA, no valor de

R$101.588,70 à empresa CONSTRUTORA OURO VERDE

LTDA., inscrita no CNPJ sob o n° 04.218.548/0001-63, com

sede à Rua F, s/n°, Bairro Industrial, Ji-Paraná, na forma do que

dispõe a alínea “c”, da décima quinta cláusula, por

descumprimento às condições de durabilidade e garantia da da

obra, ínsita no art. 618, do Código Civil Brasileiro, além de


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aplicação da penalidade de suspensão do direito de licitar

e contratar com a Administração pelo prazo de 01 (um)

ano, conforme preceitos do art. 87, inciso II e III, da Lei nº

8.666/93. Retenha-se o valor dos créditos ou a garantia se

houver. Em não havendo crédito ou garantia, e não sendo

promovida a quitação espontânea do débito, remeta-se à

Procuradoria Jurídica/DER-RO, para promover a ação judicial

ao seu cargo. Publique-se. Registrese. Cumpra-se. Promovam-se

as comunicações legais e de estilo.

(DOE nº 2669, 27.03.2015, p.119/120 – Link

http://www.diof.ro.gov.br/data/uploads/2015/03/DOE_-27-

03-15.pdf)

Neste trilhar, a doutrina o jurista Jessé Torres Pereira Junior:

“A diferença do regime legal regulador dos efeitos da

suspensão e da declaração de inidoneidade reside no alcance de

uma e de outra penalidade. Aplicada a primeira, fica a empresa

punida impedida perante as licitações e contratações da

Administração; aplicada a segunda, a empresa sancionada

resulta impedida perante as licitações e contratações da

Administração Pública” (in Comentários à lei das licitações e

contratações da administração pública, 8 ed. rev., atual. e

ampl., Rio de Janeiro: Renovar, 2009, pags. 860 e 861)

Perceba que a Lei nº 8.666/1993 traz conceitos diferentes para Administração e


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Administração Pública:

Art. 6º Para os fins desta Lei, considera-se:

XI - Administração Pública - a administração direta e indireta

da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,

abrangendo inclusive as entidades com personalidade jurídica de

direito privado sob controle do poder público e das fundações por

ele instituídas ou mantidas;

XII – Administração - órgão, entidade ou unidade


administrativa pela qual a Administração Pública opera e atua
concretamente;

Portanto, em que pese a Construtora Ouro Verde poder contratar com outras

entidades da administração pública, não poderia com o DER, entidade que a aplicou a

sanção.

Outrossim, o saudoso Hely Lopes Meirelles discorreu que “a suspensão

provisória pode restringir-se ao órgão que a decretou ou referir-se a uma licitação ou a um tipo de

contrato, conforme a extensão da falta que a ensejou;” (in Licitação e contrato administrativo,

15º ed. 2010, p. 337).

Assim, aparentemente a Construtora Ouro Verde não poderia pleitear juízo

arbitral, em especial quando já havia operado a prescrição da pretensão ao

realinhamento.

IV – PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO A REALINHAMENTO

Outro fator que deve ser lembrado é a prescrição da pretensão de exigir o


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reajuste.

Colhe-se dos autos que a obra foi definitivamente entregue em 15.02.2011, de

modo que a empresária Ouro Verde tinha até 15.02.2016 para pleitear judicialmente o que

entendia de direito.

Ocorre que a empresária silenciou, mesmo tendo resposta negativa do DER

quanto ao reajuste pleiteado administrativamente, de modo que não poderia usar a via do

juízo arbitral para conquistar algo que lhe seria indeferido pelo Estado-juiz.

A aplicação do Decreto nº 20.910/32 visaria a preservação do patrimônio

público.

IV – DA ELEIÇÃO DO FORO

Quanto ao foro para dirimir eventuais divergências, a lei de licitações e

contratos ordena que seja o da sede da Administração:

Art. 55. […]

§2º Nos contratos celebrados pela Administração Pública com

pessoas físicas ou jurídicas, inclusive aquelas domiciliadas no

estrangeiro, deverá constar necessariamente cláusula que declare

competente o foro da sede da Administração para dirimir

qualquer questão contratual, salvo o disposto no §6º do art. 32

desta Lei.
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V – DA ATUAÇÃO DO PROCURADOR AUTARQUICO

Merece especial atenção a atuação do Procurador do DER, tendo em vista

razões de ordem legal (art. 184, CPC).

É necessário evitar a criminalização do entendimento jurídico.

Não socorre justiça que agentes com atribuição de interpretação da lei sejam

punidos por exercer o seu papel institucional.

Nota-se, por tanto, que ausente a prova de dolo ou fraude do Procurador, este

não poderá ser responsabilizado, já que atuou no estrito cumprimento do dever legal.

Se assim não for, o que dizer de sentenças reformadas pelo Tribunal? O que

dizer de notificações recomendatórias do MP que não são acolhidas judicialmente?

É notório que a livre manifestação do entendimento jurídico não é atribuição

exclusiva de um único órgão, merecendo, portanto, a cautela devida quanto a aplicação de

penalidades a quem não se prova dolo ou fraude.

VI – DOS PEDIDOS

Por tudo exposto, requer o Estado de Rondônia adesão ao polo ativo da ação.

Nestes termos pede deferimento.

Porto Velho, 23.03.2018.

Thiago Alencar Alves Pereira

Procurador do Estado