Você está na página 1de 5

BEIRA

Therapeutic inter vention scoring


Therapeutic
intervention scoring
system-28 (TISS-28):

system-28 (TISS-28): diretrizes


Diretrizes para
aplicação

DO
para aplicação

LEITO
THERAPEUTIC INTERVENTION SCORING SYSTEM-28 (TISS-28): DIRECTIONS FOR APPLICATION

THERAPEUTIC INTERVENTION SCORING SYSTEM-28 (TISS-28): DIRECTRICES PARA SU APLICACIÓN

Katia Grillo Padilha, Regina Marcia Cardoso de Sousa,Ana Maria Kazue Miyadahira,
Diná de Almeida Lopes Monteiro da Cruz, Maria de Fátima Fernandes Vattimo,
Miako Kimura, Sonia Aurora Alves Grossi, Maria Claudia Moreira da Silva,
Valéria Ferraz Cruz, Adriana Janzanti Ducci1

RESUMO ABSTRACT RESUMEN 1 Enfermeiros integrantes


do grupo de Pesquisa em
O Therapeutic Intervention Therapeutic Intervention Scoring El Therapeutic Intervention Enfermagem em UTI
Scoring System-28 (TISS-28) é System-28 (TISS-28) is a tool Scoring System-28 (TISS-28) es da EEUSP. Diretório dos
um instrumento que permite that enables the measurement of un instrumento que permite Grupos de Pesquisa do
CNPq.kgpadilh@usp.br
dimensionar carga de trabalho de the nursing work load in Intensive dimensionar carga de trabajo de
enfermagem em Unidade de Tera- Care Units and the estimate of enfermería en una Unidad de
pia Intensiva e estimar gravidade how grave the disease is. In this Terapia Intensiva y estimar la
da doença. Apresenta-se nesta study are presented the opera- gravedad de la enfermedad. Se
publicação as definições opera- tional definitions for its applica- presenta en esta publicación las
cionais para sua aplicação, pr- tion, proposed by a group of definiciones operacionales para
oposta por um grupo de espe- specialists in the area, with su aplicación, propuesta por un
cialistas na área, com vistas a the aim of rendering uniform the grupo de especialistas en el área,
uniformizar o significado de cada meaning of each of the items con vistas a uniformizar el
um dos itens e evitar vieses de and preventing interpretation significado de cada uno de los
interpretação. biases. items y evitar sesgos de
interpretación.

DESCRITORES KEY WORDS DESCRIPTORES


Cuidados intensivos. Intensive care. Cuidados intensivos.
Índice de gravidade de doença. Severity of illness index. Indice de severidade de la
Carga de trabalho. Workload. enfermedad.
Enfermagem. Nursing. Carga de trabajo.
Enfermería.

Recebido: 17/03/2004
Aprovado: 19/11/2004
229
Rev Esc Enferm USP
2005; 39(2):229-33.
INTRODUÇÃO DEFINIÇÕES OPERACIONAIS
Katia Grillo Padilha
Regina Marcia C. de Sousa
Ana Maria Kazue Miyadahira O Therapeutic Intervention Scoring System Atividades básicas
Diná de A. L. M. da Cruz
Maria de Fátima F. Vattimo
(TISS) é um sistema de medida de gravidade e de
Miako Kimura carga de trabalho de enfermagem UTI, criado em 1. Monitorização padrão. Sinais vitais horários,
Sonia Aurora Alves Grossi 1974 e atualizado em 1983, que tem como base a registros e cálculo regular do balanço hídrico.
Maria Claudia M. da Silva
Valéria Ferraz Cruz
quantificação das intervenções terapêuticas, se- Aplica-se ao paciente que, em qualquer perí-
Adriana Janzanti Ducci gundo a complexidade, grau de invasividade e odo das 24 horas, tenha recebido controle de al-
tempo dispensado pela enfermagem para a reali- gum parâmetro vital continuamente ou pelo me-
zação de determinados procedimentos no doen- nos a cada uma hora e cálculo do balanço hídrico,
te crítico (1-2). pelo menos a cada 24 horas.

Com o intuito de tornar o índice mais ajusta- 2. Laboratório. Investigações, bioquímicas e


do para medir a carga de trabalho de enfermagem microbiológicas.
e facilitar a aplicação prática, ampla modificação Aplica-se a pacientes submetidos a qualquer
foi realizada, em 1996, que resultou na versão exame bioquímico ou microbiológico, indepen-
TISS-28 (Anexo A) (3). dente da quantidade, realizados em laboratório
ou à beira do leito.
Nessa nova estrutura o índice, além de sofrer
redução do número de itens, teve mudanças ex- 3. Mediação única. Endovenosa, intramuscular,
pressivas na sua configuração, com o agrupa- subcutânea, e/ou oral.
mento de itens afins. O sistema passou a ser com- Inclui os pacientes que receberam uma ou
posto, então, por sete categorias de intervenções mais droga por via IM, SC, VO ou uma única dro-
terapêuticas, assim denominadas: atividades bá- ga endovenosa. Considere a quantidade de dro-
sicas, suporte ventilatório, cardiovascular, renal, gas e não a freqüência de administração. Não se
neurológico, metabólico e intervenções específi- aplica como droga EV o soro de manutenção.
cas. Com essa reestruturação, o escore TISS-28
permite não só estimar as intervenções e, portan- 4. Medicações endovenosas múltiplas. Mais do
to, a gravidade indireta dos pacientes, como tam- que uma droga. Injeções únicas ou contínuas.
bém dimensionar a carga de trabalho de enferma- Inclui os pacientes que receberam duas ou
gem na UTI, uma vez que cada ponto TISS-28 mais drogas por via endovenosa. Considere a
consome 10,6 minutos do tempo de trabalho de quantidade de drogas e não a freqüência de ad-
um profissional da equipe de enfermagem na as- ministração. Não se aplica como droga EV o soro
sistência ao doente crítico (3). de manutenção.

O sistema foi traduzido e validado para a lín- 5. Troca de curativos de rotina. Cuidado e pre-
gua portuguesa (4), possibilitando a sua utiliza- venção de úlceras de decúbito e troca diária de
ção no nosso meio. Na aplicação prática, porém, curativo.
enfermeiros intensivistas têm referido dúvidas Aplica-se ao paciente que recebeu uma ou
relacionadas à definição de alguns itens do duas sessões de troca de curativos, independente
instrumento, o que motivou a elaboração desse do número de locais e do tipo de curativo ou que
texto. recebeu qualquer intervenção de prevenção de
úlcera de pressão.
Assim, tendo por finalidade auxiliar os enfer-
meiros de UTI no preenchimento do TISS-28, à 6. Trocas freqüentes de curativos. Troca freqüen-
beira do leito, apresentam-se as definições te de curativo (pelo menos uma vez por turno
operacionais padronizadas, por meio de consen- de enfermagem) e/ou cuidados com feriadas
so, por enfermeiros intensivistas e docentes do extensas.
Grupo de Pesquisa Enfermagem em Cuidados Aplica-se ao paciente que recebeu um míni-
Intensivos da Escola de Enfermagem da USP mo de três sessões de troca de curativos, inde-
familiarizados com a sua aplicação. Acredita-se pendente do numero de locais e do tipo de cura-
que esse guia possa contribuir para uma coleta tivo ou pelo menos uma troca de curativo de feri-
de dados mais fidedigna , na medida em que per- da extensa.

230
Rev Esc Enferm USP
mite a uniformização do conteúdo de cada item
entre diferentes aplicadores. 7. Cuidados com drenos. Todos (exceto sonda
nasogástrica)
2005; 39(2):229-33.
Aplica-se a pacientes que estejam com qual- Aplica-se ao paciente que tenha recebido duas
Therapeutic
quer sistema de drenagem instalado. Inclui sonda ou mais drogas vasoativas, independente do tipo intervention scoring
vesical de demora (S.V.D). e exclui sonda e da dose ( noradrenalina, dopamina, dobutamina, system-28 (TISS-28):
Diretrizes para
nasogástrica (SNG). nitroprussiato de sódio, etc.) aplicação

Suporte ventilatório 14. Reposição endovenosa de grandes perdas


volêmicas. Administração de volume > 4,5 litros/
8. Ventilação mecânica. Qualquer forma de ven- dia, independente do tipo de fluido administrado.
tilação mecânica/ventilação assistida com ou sem Aplica-se a paciente que tenha recebido quan-
pressão expiratória positiva final, com ou sem tidade maior do que 4,5 litros de solução por dia,
relaxantes musculares; respiração espontânea independente do tipo de fluido administrado.
com pressão expiratória positiva final.
Aplica-se ao paciente em uso do aparelho de 15. Cateter arterial periférico.
ventilação mecânica de modo contínuo ou intermi- Aplica-se ao paciente que tenha usado um ou
tente, em qualquer modalidade, com ou sem tubo mais cateteres em artéria periférica.
endotraqueal (CPAP, BPAP “Desmame”).
16. Monitorização do átrio esquerdo. Cateter de
9. Suporte ventilatório suplementar. Respira- artéria pulmonar com ou sem medida de débito
ção espontânea através do tubo endo traqueal cardíaco.
sem pressão expiratória positiva final; oxi- Aplica-se ao paciente que tenha usado cateter
gênio suplementar por qualquer método, exce- em artéria pulmonar.
to aplicação de parâmetros de ventilação
mecânica. 17. Via venosa central.
Aplica-se ao paciente em respiração espontâ- Aplica-se ao paciente com um ou mais catete-
nea, com ou sem traqueotomia ou tubo endo- res em veia venosa central, excluindo cateter de
traqueal, que tenha recebido suplementação de oxi- Swan-Ganz.
gênio por qualquer método, executando-se aque-
18. Ressuscitação cardiopulmonar, após parada
les métodos que dependem de aparelho de venti-
cardiorrespiratória nas últimas vinte e quatro
lação. Nestes casos o paciente pontua no item
(24) horas (exclui soco precordial).
anterior.
Aplica-se ao paciente que tenha tido PCR e
10. Cuidados com vias aéreas artificiais. Tubo recebido medidas de reanimação, excluindo soco
endotraqueal ou traqueotomia. precordial.
Aplica-se ao paciente em uso de tubo orotra-
queal, nasotraqueal ou traqueotomia. Suporte renal

11. Tratamento para melhora da função pul- 19. Técnicas de hemofiltração. Técnicas dialíticas.
monar. Fisioterapia, torácica, espirometria Aplica-se ao paciente que tenha recebido qual-
estimulada, terapia de inalação, aspiração quer tipo de procedimento dialítico, intermitente
endotraqueal. ou contínuo.
Aplica-se ao paciente que tenha recebido qual-
20. Medida quantitativa do débito urinário
quer tratamento para a melhora da função pulmo-
nar, realizado em qualquer freqüência. Inclui exer- Aplica-se ao doente com controle de diurese,
cícios respiratórios com aparelho. com ou sem algum tipo de cateter urinário.

21. Diurese ativa.


Suporte cardiovascular
Aplica-se ao paciente que tenha recebido qual-
12. Medicação vasoativa única. Qualquer droga quer droga para estimular a produção de urina
vasoativa. (Furosemide, Manitol, Aldactone, Diamox,
Aplica-se ao paciente que tenha recebido so- Higroton, etc.)
mente uma droga vasoativa, independente do tipo
de dose (noradrenalina, dopamina, dobutamina, Suporte neurológico
nitroprussiato de sódio, etc.)

231
22. Medida de pressão intracraniana.
13. Medicação vasoativa múltipla. Mais uma dro- Aplica-se ao paciente que mantém artefatos
ga vasoativa, independente do tipo e dose. para monitorização da PIC.
Rev Esc Enferm USP
2005; 39(2):229-33.
Suporte metabólico Aplica-se ao paciente submetido a uma ou
Katia Grillo Padilha
Regina Marcia C. de Sousa mais intervenções diagnósticas ou terapêuticas
Ana Maria Kazue Miyadahira
23. Tratamento medicamentoso da acidose/ realizadas fora da UTI.
Diná de A. L. M. da Cruz alcalose metabólica complicada.
Maria de Fátima F. Vattimo
Aplica-se ao paciente que recebeu droga es- Obs: Critérios de exclusão são aplicadas em
Miako Kimura
Sonia Aurora Alves Grossi pecífica para a correção de acidose ou alcalose quatro condições: “medicação endovenosa múl-
Maria Claudia M. da Silva metabólica, excluindo-se a reposição volêmica tipla” exclui “medicação única”, “ventilação me-
Valéria Ferraz Cruz
para corrigir alcalose (Bicarbonato de Sódio, cânica” exclui “suporte ventilatório suplemen-
Adriana Janzanti Ducci
Cloreto de amônia, Diamox, etc.). tar”, “medicação vaso ativa múltipla” exclui “me-
dicação vasoativa única”, “intervenções especí-
24. NPT-Nutrição Parenteral Total. ficas múltiplas na UTI” excluem “intervenções
Aplica-se ao paciente que recebeu infusão especificas únicas na UTI”.
venosa central ou periférica de substâncias
com a finalidade de suprir as necessidades CONSIDERAÇÕES FINAIS
nutricionais.
A definição operacional dos itens de qual-
25. Nutrição enteral através da sonda
quer instrumento de medida constitui elemento
nasogástrica ou outra via gastrointestinal.
essencial para o sucesso dos resultados que se
Aplica-se ao paciente que recebeu substân- pretende alcançar, o que também se aplica para o
cias com a finalidade de suprir as necessidades TISS-28.
nutricionais, através de sonda, por qualquer via
do trato gastrointestinal. Porém, a despeito da importância dessas defi-
nições operacionais, sua existência, por si só, não
Intervenções específicas é suficiente para garantir uma coleta de dados que
resulte em informações corretas e fidedignas.
26. Intervenção específica única na UTI.
Intubação naso / ortotraqueal ou traqueos- No caso do TISS-28, para que isso ocorra,
tomia, introdução de marca-passo, cardiover- antecedendo a aplicação propriamente dita, é in-
são, endoscopia, cirurgia de emergência nas dispensável que os enfermeiros envolvidos na
ultimas 24 horas, lavagem gástrica: não estão coleta de dados conheçam as finalidades do ín-
incluídas intervenções de rotina sem conseqü- dice, sua indicação, contribuições e limitações, o
ências diretas para as condições clínicas do que exige treinamento prévio e sistematizado, in-
paciente, tais como radiografias, icnografias, clusive, com teste piloto voltado à “calibragem”
eletrocardiograma, curativos, introdução de dos profissionais que aplicarão o instrumento.
cateter venoso ou arterial. Também é fundamental que se atente para os
Aplica-se ao paciente submetido a uma única itens excludentes, a fim de que não haja atribui-
intervenção diagnóstica ou terapêutica, dentre ção errônea de pontuação.
as listadas, realizada dentro da UTI.
Enfim, embora o sucesso da aplicação do
27. Intervenções específicas múltiplas na UTI. TISS-28 dependa da sua disponibilidade na uni-
Mais do que uma conforme descritas acima. dade, da existência de instruções escritas para
Aplica-se ao paciente submetido a duas ou utilização e do treinamento dos aplicadores, a
mais intervenções diagnósticas ou terapêuticas, motivação e envolvimento dos enfermeiros da
dentre as listadas, realizadas dentro da UTI. UTI é que garantirão o sucesso da implantação
do instrumento, uma vez que, certamente, serão
28. Intervenções específicas fora da UTI. Pro- solicitados a complementar informações, nem
cedimentos diagnósticos ou cirúrgicos. sempre disponíveis nos registros existentes.
REFERÊNCIAS

(1) Cullen DJ. Therapeutic intervention scoring sys- (3) Miranda DR, Rijk AD, Schaufeli W. Simplified
tem: a method for quantitative comparison of therapeutic intervention scoring system: the TISS-
patient care. Crit Care Med 1974; 2 (2): 57-60. 28 itens-results from a multicenter study. Crit Care
Med 1996; 24 (1): 64-73.
(2) Keene AR, Cullen DJ. Therapeutic intervention

232 scoring system: update 1983. Crit Care Med 1983; (4) Nunes B. Tradução para o português e validação
11(1): 1-3. de um instrumento de medida de gravidade em UTI:
Therapeutic Intervention Scoring System–28
Rev Esc Enferm USP (TISS-28) [dissertação] São Paulo (SP): Escola de
2005; 39(2):229-33. Enfermagem da USP; 2000.
ANEXO Therapeutic
intervention scoring
TISS - 28 system-28 (TISS-28):
Diretrizes para
aplicação

233
Rev Esc Enferm USP
2005; 39(2):229-33.