Você está na página 1de 3

Moreno (PE), em 09 de abril de 2018.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Por meio desta, o Ex-Prefeito do Município do Moreno/PE, Dilsinho Gomes, vem a


público esclarecer os fatos acerca da Auditoria Especial, julgada pelo TCE/PE ainda em
primeira instância administrativa, que trata do fornecimento de merenda escolar para o
Município do Moreno no ano de 2016.

Importante consignar que a Primeira Câmara do Tribunal de Contas de Pernambuco,


quando do julgamento do Processo TC nº 1605228-6, ao entender pela irregularidade da
execução do fornecimento da Merenda Escolar, imputou mera culpa “in vigilando” ao
Ex-Prefeito, ou seja, este seria responsável pelas irregularidades apontadas porque teria
suposta obrigação de fiscalizar os atos de seus subordinados, à exemplo do Secretário
de Educação, Gestor do Contrato e membros da Comissão de Licitação.

Acontece que o TCE/PE, nesta primeira análise, esqueceu-se de enfrentar o fato,


apontado na defesa, de que, para os atos exarados pela Secretaria de Educação, o Ex-
Prefeito não era o ordenador de despesas, ou seja, o Gestor da Pasta, qual seja, o
Secretário de Educação, era, em última análise, o responsável pela vigilância sobre os
gastos com merenda escolar, por ser o Ordenador de Despesas, legalmente constituído,
da referida Pasta, assim, o Ex-Prefeito não poderia ser responsabilizado por qualquer
eventual falha na execução do objeto.

Bom que se diga, ainda, que seria impossível o Prefeito fiscalizar todos os atos exarados
por todos os servidores de todas as Pastas Municipais, por isso há uma delegação da
ordenação de despesas que descentraliza o comando de gastos, exatamente para melhor
ocorrer a fiscalização interna, porém, a equipe de Auditoria do TCE/PE buscou imputar
responsabilidade ao defendente em razão de um suposto dever genérico de fiscalizar e
revisar os atos dos seus subordinados.

Não obstante, não há qualquer ato exarado por mim na contratação da empresa
fornecedora da merenda escolar, ou, menos ainda, quando da execução da entrega da
merenda. Ademais, como dito, eu não era o ordenador de despesas da Pasta da
Educação, como se percebe na vasta documentação colacionada ao Processo.

Inclusive, o próprio Tribunal de Contas de Pernambuco já se manifestou, diversas


vezes, no sentido de excluir a responsabilidade do Prefeito (ou ex-Prefeito), em
situações nas quais não atua diretamente na contratação nem na execução do objeto
contratado, como, por exemplo, no julgamento, ocorrido em 2015, do Processo TC n°
0920028-9 que tratou da execução de diversos contratos do Município do Cabo de Santo
Agostinho, que assim ficou assentado:

“Ao final e ao cabo, após a discussão do mérito no âmbito da Egrégia Primeira


Câmara, deliberou-se pela exclusão do então Prefeito, Sr. Luiz Cabral de Oliveira
Filho, do rol de responsáveis pelas irregularidades configuradas nos autos referentes
às contas de gestão, posto que o mesmo não detinha a atribuição de ordenador de
despesas.”

Quanto às irregularidades nas entregas da Merenda Escolar apontadas no julgamento


pela Primeira Câmara, as mesmas serão esclarecidas quando do Recurso a ser
interposto, já que eventual alteração nas marcas de alguns produtos entregues, não
causou prejuízo às crianças e nem ao Município, pois a nutricionista encarregada, que
era Coordenadora de Nutrição no Município à época, afirmou, em documento
denominado Parecer n° 05/2016 – Referente ao Processo TC n° 1605228-6 (documento
anexado àqueles autos), que “os materiais efetivamente recebidos e utilizados pela
Prefeitura sempre guardaram correspondência em quantidade e qualidade com aqueles
contratados, sendo por vezes ainda melhores”.

Bem como, a ocasional solicitação de produtos não constantes na Ata de Registro de


Preços n° 010/2013 e/ou no Contrato n° 041/2013, decorreu, tão somente, de
necessidades ou contingências específicas, seja por variações do mercado, seja por
adequações dos cardápios, efetivadas pontualmente pela Coordenação de Nutrição, em
benefício dos alunos. Todos os insumos da Merenda, correspondentes a pontuais
adequações de planilha, foram entregues com a observância dos preços de mercado.

Como está comprovado no processo do TCE/PE, e certamente será enfrentado pelo


Pleno daquela Casa, a Equipe de Auditoria pesquisou licitações de outros municípios
do Estado, através do Sistema LICON, apontando suposto superfaturamento, porém,
não levou em consideração que, diferentemente dos demais municípios pesquisados,
em Moreno a merenda é entregue diretamente nas escolas, e não em uma central única,
o que acarreta aumento dos custos de transporte e logística, ou seja, a Auditoria
comparou como iguais, situações bem diversas entre si.

As características da cidade do Moreno determinaram que a entrega da Merenda


ocorresse daquela forma, diretamente às escolas, uma vez que seria muito mais caro
contratar um outro serviço de distribuição da merenda, com pagamento de veículos de
grande e pequeno porte, seguro, motoristas, auxiliares, dentre outros custos existentes,
o que maquiaria o custo direto da merenda, mas aumentaria indiretamente o gasto do
Município.

Na verdade, a contratação da merenda respeitou o Princípio da Economicidade,


considerando que muitas das escolas são localizadas na zona rural, o que implica no
aumento do custo na merenda em face da logística na entrega dos produtos,
demonstrando que, para o caso do Município do Moreno, não se aplica a situação dos
municípios utilizados como base de comparação pela equipe do TCE/PE.

O fato é que não houve prejuízo aos alunos, nem ao Erário, em face do procedimento
então adotado, tudo conforme está provado nos autos, mas que infelizmente não fora
devidamente enfrentado pela Primeira Câmara do TCE/PE, mas que certamente será
assentado e enfrentado pelo Pleno daquela Casa, quando do Julgamento do Recurso a
ser interposto.

Sem mais para o momento, me coloco à disposição de todos para quaisquer outros
esclarecimentos.

DILSINHO GOMES

Interesses relacionados