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o LIVRO DO PROFETA

ISAÍAS
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A ÚLTIMA INVASÃO
ASSÍRIA
(Is 10:28-32)

Sob o comando de Jeroboão 11, Israel domina a


Síria, ao norte, até ·a entrada de Hamate" (2Rs
14:25). Sob o comando de Peca, Israel recua para
a área ao sul da Galileia e oeste do rio Jordão


Micmás

Após a vitória da Assíria sobre Damasco, Acaz


encontra Tiglate-Pileser ali, e, tendo visto um
altar pagão, ordena que o sumo sacerdote
construa uma réplica dele no temp lo de
Jerusalém (2 Rs 16:9-11 I

Quando Judá é ameaçado por Israel e Damasco, Deus envia Isaías para encorajar
o rei. Acaz rejeita a ajuda de Deus, e Isaías dá o sinal de Emanuel e a profecia
segu inte de Maer-Salai-Hás-Baz (ARC, "Rápi do-Despojo- Presa-Segura~ ARA; cf. ls 7:8;
8:1, 3). Então, com a previsão de conquistas posteriores pela Assíria (ls 7:20; 8:4-8;
10:5), é dada uma promessa de que um "restante" volveria (ls 10:20-23)

O MINISTÉRIO DE ISAÍAS
DURANTE OS REINADOS DE PECA E ACAZ
(c. 73 5 a.C .; Is 7-11 ; 2Cr 5:26; 2Rs 15 , 16)

O 5 10 15 20 km
L---~----~----~--~

Peca vai em direção ao sul (P) para aumentar seu Assíria , com tesouros do templo, a fim de se salvar.
domínio; Rezim, de Damasco , fa z o mesmo (R, R), A Assíria toma Dam asco e mata Rezim, e, pouco tempo
ameaça ndo Judá e tomando Elate dos judeus (2Rs 16:5, depois, Peca é morto da mesma maneira como assassinou
6). Ameaçado de ambos os lados , Acaz rejeita a ajuda de seu antecessor. • E;
Deus (Is 7; 8) e compra a ajuda de Tigl ate- Pileser, da
o LIVRO DO PROFETA
ISAÍAS

INTRODUÇÃO

I. Título - O título do livro nos manuscritos hebraicos e na LXX é "Isaías". Ele tam-
bém é chamado de "o livro do profeta Isaías" (Lc 4:17) e "o profeta Isaías" (At 8:30). Nas
bíblias hebraicas, ele está na seção "Profetas",lJrecedido imediatamente pelos livros dos Reis
e seguido por Jeremias, Ezequiel e "Os Doze" (ver vol. 1, p. 13).
2. Autoria - O profeta Isaías é o autor do li vro que leva seu nome. Filho de Amoz e
descendente da linhagem real, ele foi chamado na juvent ude para o ofício de profeta (T5,
749), no final do reinado de Uzias (Azarias, 790-739 a.C.), durante a corregência de Jotão
(PR, 305). Isso sugere que o chamado ocorreu ent re os anos 75 0 e 739 a.C. Seu ministério
continuou por pelo menos 60 anos (PR, 310), abrangendo os reinados de Uzias, Jotão, Acaz
e Ezequias (ver Is 1:1; sobre a data dos reinados, ver vol. 2, p. 62). O fato de Isaías não men-
cionar Manassés, cujo reinado começou em 686 a.C ., e de ter estado entre "um dos pri-
meiros a cair" no massacre liderado por Manassés sobre os que permaneceram fiéis a Deus
(PR, 382; 2Rs 21:16), indica que seu minis tério terminou logo após a morte de Ezequias,
em 686 a.C. Nesse caso, seu ministério deve ter começado pouco depois de 745 a.C. É pro-
vável que as mensagens proféticas de Isaías 1 a 5 tenham sido dadas entre os anos de 745
e 739, talvez durante o último ano do reinado de Uzias, mas antes da visão do cap. 6 (PR,
306) . Enquanto pensava em abandon ar a missão profética, tendo em vista a resistência que
encontraria (cf. Jr 20:7-9), Isaías teve a visão da glória divina (PR, 307) e nela encontrou
encorajamento e confirmação do encargo divino a ele confiado.
Isaías era casado e tinha dois filhos, "Um -Resto-Volverá" e "Rápido-Despojo-Presa-
Segura" (Is 7:3; Is 8:3). Em Jerusalém, cenário principal de suas obras, tornou-se pregador da
corte e exerceu influência considerável. Por muitos anos foi conse lheiro político e religioso
da nação. Seu ministério profético, junto com o de Miqueias, e, possivelmente também, a
influência direta de Oseias no reino do norte contribuíram para as reformas realizadas por
Ezequias. Manassés, porém, seguiu a po lítica ímpia de seu avô Acaz. Ele aboliu as reform as ..,. ~
de seu pai Ezequias e tirou a vida de homens que tinham encorajado a adoração ao verda-
deiro Deus. Segundo o Talmude babilônico, Isaías foi morto por Manassés (ver PR, 382).
As palavras de Hebreus 11: 37, de que alguns fora m "serrados pelo meio", sugerem o desti no
de Isaías (ver Ellen G. White, Material Suplementar sobre Is l:l ).
Por cerca de 25 séc ulos não se questionou a autoria do livro de Isaías. Contudo, durante
o século 19, alemães eruditos da Alta Crítica começaram a questionar sua unidade original
(ver p. 73). A opinião desses pesquisadores chegou a ganhar força. Finalmente, foi quase uni-
versal a aceitação do ponto de vista de que o livro fora escrito por pelo menos dois autores :
um primeiro Isaías teria escrito os cap. l a 39 e realizado sua obra no final do 8° século a.C.,

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COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

e um segundo Isaías, ou Deutero-lsaías, teria escrito os cap. 40 a 66 no final do exílio babi-


lônico. Existem diversas modificações dessa teoria. Alguns críticos atribuem mais da metade
do livro de Isaías ao período macabeu, ou seja, ao 2° século a.C.
Um dos principais argumentos desses críticos para uma dupla autoria é que os cap.
40 a 66 parecem ter sido escritos não a partir do ponto de vista de um autor do final do
go século a.C., mas do ponto de vista de alguém próximo ao final do cativeiro babilônico.
Eles consideram a menção de Ciro pelo nome (Is 44:28; 45:1) como ev idência conclusiva
de que esses capítulos foram escritos durante a época de Ciro, isto é, na segunda metade
do 6° séc ulo a.C. É evidente que esse conceito se baseia na suposição de que a presciência
profética é impossível.
No entanto, o fa to de Isaías mencionar Ciro não é um argumento a favor de um a data
tardia para o livro. Em vez disso, é uma evidência da sabedoria e da presciência divinas. Em
todo o livro há predições com respeito ao futuro. Dentre elas, há profecias acerca da queda
dos reis de Israel e da Síria (Is 7:7, 8, 16), da destruição de Tiro (Is 23), da derrota da Assíria
(14:25; 31:8; 37:6, 7, 29, 33-35), da humilhação de Babilônia (14:4-23), da tolice de se con-
fiar no Egito (30 :1-3; 31:1-3) e dos feitos de Ciro (44:28; 45:1-4). De fato, Isaías apresenta
a presciência de Deus como testemunho eloquente da sabedoria e do poder divinos (ver Is
41:21-23 ; 42:9; 43:9; 44:7, 8; 45:11, 21; 46:9, 10; 48:3, 5-8).
Há muitas evidências de unidade de pensamento e expressão entre a primeira e a última
parte do livro. Por exemplo, uma característica de Isaías é o uso de "o Sa nto de Israel" como
um título para Deus. Essa expressão ocorre 25 vezes em Isaías e apenas seis vezes no res-
tante do AT. No entanto, ela não é exclusiva de nenhuma parte de Isaías. De fato, ocorre
12 vezes nos cap. 1 a 39, e 13 vezes nos cap. 40 a 66. O título "o Poderoso de Israel [ou "de
Jacó"]" ocorre apenas no livro de Isaías (1:24; 49:26; 60:16). Semelh anças de estilo e lin-
guagem entre a primeira e a segunda parte do livro são muito mais notáveis do que suas
supostas diferenças.
Embora o tema e o estilo literário dos cap. 40 a 66 difiram consideravelmente dos cap.
1 a 39, um tema básico permeia ambas as seções: o livramento de inimigos políticos e espi-
rituais, e a opressão física e espiritual. Na primeira seção do livro, Isaías, cujo nome signi-
fica "Yahweh é auxílio", ou "Yahweh é sa lvação", apresenta a libertação do pecado, da Síria
;1; .- e da Assíria, e de outros inimigos, por meio de arrependimento, reforma e fé em Deus.
A segunda seção trata do livramento em relação a Babilônia e, finalmente, do domíni o do
pecado por meio da fé no Libertador vindouro. Uma unidade fundamental de pensamento
e propósito permeia todo o livro, apesar da diferença temática.
A primeira seção do livro atinge o clímax na libertação dos exércitos da Assíria sob o
comando de Senaqueribe. Na última seção, anuncia-se profeticamente o fim do cativeiro
babilônico. Uma transição semelhante se verifica no livro de Ezequiel, com a queda de
Jerusalém, em 586 a.C., desde a antecipação do cativeiro até a restauração. Além disso, os
primeiros capítulos de Isaías registram mensagens dadas por Isaías durante sua juventude.
Os últimos capítulos refletem maturidade de percepção profética e esti lo literário cm·acte-
rísticos de alguém de mais idade. Como resultado, a segunda seção se mostra como uma
obra-prima que supera , em profundidade de pensamento e majestade de expressão, mesmo
as mais belas passagens da primeira seção.
Os prime iros capítulos de Isaías tratam das invasões de Judá pelos assírios. Os últimos
capítulos antec ipam o fim do cativeiro babilônico. A missão de Isaías era manter firme o

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ISAÍAS

reino de Judá quando o reino do norte desaparecia ao ser levado em cativeiro pelos assí-
rios. Por meio de Isaías, os líderes puderam entender a natureza e o significado dos aconte-
cimentos daquele momento. Era propósito divino que Judá aprendesse com o triste destino
do reino do norte e, como resultado, se voltasse para Deus com arrependimento sincero.
A invasão assíria, ao final, quase fez submergir o pequeno reino de Judá, mas foi contida em
Jerusalém por um ato divino. Os habitantes de Judá, no entanto, não deram atenção à adver-
tência implícita da história e às advertências mais explícitas de Jeremias de que um destino
semelhante os aguardava, a menos que se desviassem de seus maus caminhos.
Assim, a partir do cap. 40, Isaías prevê o cativeiro babilônico, mas assegura que o livra-
mento final é tão certo quanto o experimentado pouco antes diante do poderio assírio. Além
disso, a libertação dos inimigos nacionais torna-se, para os que confiam em Deus, uma pro-
messa da libertação final do domínio do pecado. Todas as diferenças entre as duas seções do
livro podem ser harmonizadas, tendo-se como base o contexto dos eventos históricos trans-
formadores, a consequente mudança no tema da profecia e uma possível mudança no estilo
literário de Isaías com o passar dos anos.
Embora alguns críticos tenham atribuído um a porção considerável do livro de Isaías ao
período macabeu, existe evidência de que naqu ele tempo todo o livro existia como uma só
unidade. O autor Jesus ben Sirac (em cerca de 180 a.C.) creditou várias seções do livro de
Isaías ao profeta do mesmo nome (ver Eclesiástico 48:23-25 ).
Contudo, a evidência mais impressionante de que o livro de Isaías foi considerado como
uma só unidade, séculos antes de Cristo, vem de antigos manuscritos bíblicos que datam
desse período. Eles foram encontrados, em 1947, numa caverna próxima ao Mar Morto.
Dentre esses estão dois rolos do livro de Isaías conhecidos como 1Qis" e 1Qisb. Não há qual-
quer evidência de que os cap. 1 a 39 ten ham existido por si mesmos como um documento
independente dos cap. 40 a 66. Todas as evidências apontam para o contrário. H á várias
razões para se acreditar que Isaías, o profeta, foi o autor de todo o livro que leva seu nome.
O NT cita com frequência o livro de Isaías, sem fazer distinção entre os cap. 1 a 39 e
40 a 66. As passagens mais longas de Isaías citadas no NT estão alistadas a seguir. É evi- <~~ ::7.
dente que Cristo e os apóstolos aceitavam o livro como um único volume escrito pelo pro-
feta Isaías, e podemos fazer o mesmo com segurança. São dign as de nota as referências
específicas de Cristo a Isaías 6:9 e lO; e 53:1, citadas em João 12:38-41, em que Ele credita
ao profeta a autoria de ambas as seções do livro. Paulo também fa z o mesmo (ver Rm 9:27,
29, 33; 10:15, 16 , 20, 21).

Referência em Isaías Citação do Novo Testamento


1:9 Rm 9:29
6:9, 10 Mt 13:14, 15
6:9, 10 ]o 12:40, 41
6:9, 10 At 28:25-27
9:1, 2 Mt 4:14-16
10:22, 23 Rm 9:27,28
11:10 Rm 15:12
29:13 Mt 15:7-9
29:13 Me 7:6, 7
40:3 Mt 3:3
40:3 Me 1:3

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COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

40:3 Jo 1:23
40:3-5 Lc 3:4-6
42:1-4 Mt 12:17-21
53:1 ]o 12:38
53:1 Rm 10:16
53:4 Mt8:17
53:7,8 At 8:32, 33
61:1, 2 Lc 4:18, 19
65:1,2 Rm 10:20, 21

O comentarista de Isaías tem à disposição dois manuscritos hebraicos desse livro cerca
de mil anos mais antigos do que qualquer outro manuscrito bíblico hebraico já conhecido.
Esses documentos de valor incalculável, conhecidos como rolos do Mar Morto de Isaías,
despertam atenção especial. A descoberta, as características gerais e a importância desses
e de outros rolos hebraicos, encontrados nas cavernas próximas ao Mar Morto, a partir de
1947, são referidas no vol. l, p. 8 a ll.
Dos dois rolos de Isaías encontrados na primeira caverna, próxima ao Khirhet Qumrân,
o que contém o livro completo (vendido primeiramente ao monastério sírio em Jerusalém)
é designado como 1Qis". O rolo incompleto (vendido para a Universidade Hebraica) é cha-
mado de 1Qis". Ambos estão no Santuário do Livro em Jerusalém. Eles eram parte da biblio-
teca de uma comunidade essênia e foram guardados na caverna antes do fim da guerra dos
judeus (66-73 d.C.), conforme demonstra a escavação profissional da caverna e do Khirhet
Qumrân. Ambos datam do 2° ou do 1o século a.C. O 1Qis" parece ser mais antigo do que o
l Qish Eles serão descritos brevemente, visto que as diferenças mais importantes, em relação
ao texto massorético, podem ser observadas nos comentários sobre os versículos envolvidos.
O livro completo denominado 1Qls" foi publicado em fac -símiles e tran sliterado em carac-
teres hebraicos modernos por Millar Burrows (The Dead Sea Scrolls of St. Marh 's Monastery,
vol. 1 [New Haven: American Schools of Oriental Research, 1950]), e gerou muitos estudos
eruditos. Em geral, esse primeiro rolo ele Isaías mostra grande harmonia com o bem conhe-
;g ,.. ciclo texto massorético. Porém, o escriba de 1Qls" não era um profissional, e sua escrita não
era tão legível quanto a elo lQisb. Ele cometeu muitos erros. Tem-se a impressão de que
alguns elos erros se devem ao fato de que ele não escutava bem, visto qu e algumas par-
tes parecem ter sido ditadas por alguém. Também há evidência de que a cópia usada como
modelo tinha algumas lacunas ou espaços em branco. Assim, qu ando chegava a uma pas-
sagem que estava faltando, o escriba deixava um espaço em bra nco na sua cópia e, mais
tarde, copiava essa parte de outra cópia, talvez mais perfeita. Algumas vezes, o escriba cal-
culou mal o qu e faltava, e o espaço deixado para ser preenchido provava ser insuficiente .
O res ultado foi que as seções inseridas com frequência passaram da margem.
Notam-se algumas omissões do texto nas quais os olhos do escriba, ou da pessoa que
ditava o texto, pularam de certa palavra para mesm a palavra um pouco mais adi a nte, per-
dendo todas as palavras intermediárias. Esse erro é comum por parte de escribas e ocorre
com frequência em manuscritos elo Novo Testamento, sendo chamado ele hom eoteleuto.
Acréscimos ao texto são poucos e breves, não exced endo algum as palavras. Há mui tas varia-
ções textuais, mas a maioria delas é sem importância e grande parte não afeta o significado
do texto. H á milhares ele variações ortográficas, como é de se esperar num manuscrito mil
anos mais antigo do que o seguinte manuscrito hebraico mais antigo do mesmo li vro .

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ISAÍAS

O rolo 1Qisb é bem menos completo do que o 1Qis•. Quando o professor Eleazar L.
Sukenik, da Universidade Hebraica de Jerusalém , o adquiriu dos donos ou descobridores,
o rolo se encontrava em péssimas condições. Depois de ter sido desenrolado, percebeu-se
que o que restava do rolo preservava fragmentos de Isaías lO; 13; 16; 19; 22; 26; 28-30; 35;
37 a 41; e 43 a 66. Os fragmentos que contém material textual até o cap. 37 são pequenos
e menos informativos do que os da última parte do livro, que foi razoavelmente bem pre-
servada, embora em cada página haja grandes ou pequenos rasgos no couro, e, portanto,
lacunas no texto. O estado de preservação desse rolo é lamentável, considerando que seu
texto é bem superior em qualidade ao do 1Qis".
A esc rita do rolo 1Qis" revela ter sido obra de um escriba experiente, com bela caligrafia
e que, nesse trabalho, quase não cometeu erro. Desse rolo, preservou-se o suficiente para
garantir a conclusão de que as partes que faltam não diferem das encontradas, em sua har-
monia notável com o texto massorético. Em todo o 1Qish, apenas oito variantes do texto mas-
sorético foram consideradas importantes para serem citadas neste Comentário e, mesmo
essas, têm relativamente pouca importância (ver com. deIs 38:13; 41:11 ; 43:6; 53:11; 60:19,
21; 63:5; 66:17). As demais variantes são ainda menos significativas.
As partes preservadas mostram tão poucas variações em relação ao texto massorético
que alguns eruditos críticos, a princípio, recusaram-se a crer na antiguidade de um rolo
que mostrava peculiaridades textuais consideradas por eles como de origem bem mais tar-
dia. O segundo rolo de Isaías revela que o texto foi transmitido praticamente sem mudan-
ças desde a época de Cristo, ao passo que o 1Qis" exemplifica outros textos daquela época,
copiados com menos cuidado. 1Qish foi editado por Eleazar L. Sukenik e publicado postu-
mamente por N. Avigad, na obra The Dead Sea Scrolls of the Hebrew University (Jerusalém:
Universidade Hebraica, The Magnes Press, 1955).
Na caverna 4 de Qumran, foram encontrados fragmentos de 15 manuscritos de Isaías,
sendo 14 escritos em couro e um em papiro, publicados nas décadas seguintes (ver P. W.
Skehan, Biblical Archaeologist 19 [1956], p. 86, 87; Skehan, Revue Biblique 63 [1956], p. 59).
Na caverna 5 de Qumran, encontrou-se um pequeno fragmento de Isaías (J. T. Milik, em <~ ::1
Discoveries in the ]udaean Desert, III: Les 'Petites Grottes' de Qurm·ân [Oxford, 1962] , p. 173);
e nas cavernas de Murabba 'ât encontrou-se um manuscrito com partes de Isaías l:l-14, do
2° século d.C. (ibid, Il: Les Grottes de Murabba 'ât [Oxford, 1961], p. 79, 80).
Aparentemente Isaías era um livro bem popular em Qumran, pois mais exemplares dele
foram encontrados nas ll cavernas do que de qualquer outro livro da Bíblia, com exceção
de Deuteronômio, do qual havia dois exemplares a mais do que de Isaías.
3. Contexto Histórico - A locali zação cronológica do livro de Isaías é precisa, e o
período em que foi escrito é bem con hecido na história do antigo Oriente Médio. Isaías foi
chamado para o ministério profético antes da visão da glória divina registrada no cap. 6, e
seu ministér io continuou durante os rein ados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Is 1:1). De
acordo com a cronologia experimental empregada neste Comentário (ver vol. 2, p. 62, 68, 70),
Uzias morreu por volta do ano 739 a.C . e Ezequias morreu em 686, sendo sucedido por seu
filho Manassés. Os reis da Assíria durante esse período foram: Tiglate-Pileser III (745 -727
a.C .), Salmaneser V (727-722), Sargão II (722 -705 ), Senaqueribe (705 -68 1) e Esar- H adom
(68 1-669). Esses reis foram os governantes mais poderosos que essa nação teve. Sendo assim ,
Isaías desempenhou seu ministéri o durante o apogeu ela supremacia assíria, quan do parecia
que a Assíria logo teria controle completo do mundo oriental. Tiglate-Pileser III iniciou um a

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COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

série de campanhas militares contra as nações vizinhas, o que colocou mais e mais nações
do a ntigo Oriente Médio sob o controle assírio. A Assíria chegou a ser considerada como o
grande terror do mundo, e nenhum povo parecia forte o suficiente para resistir ao seu pod er.
Em 745 a.C., Tiglate-Pileser invadiu Babilônia, em 744 marchou contra o nordeste, e de
743 a 738 empreendeu grandiosas campanhas contra o noroeste e oeste que o fizeram se
confrontar com Menaém, de Israel, e "Azriau de lauda" (provavelmente Azarias [Uzias] de
Jud á). Azarias parece ter sido o principal promotor de uma grande coalizão de nações ociden-
tais com o objetivo de impedir que a Assíria assumisse o controle da região Mediterrânea .
Em 737 a.C., a campanha de Tiglate-Pileser foi outra vez direcionada ao nordeste, contra
a região da Média. Mas, em 736, ele estava de volta ao noroeste, onde se envolveu num a
luta desesperada de cinco anos para ter a Ásia ocidental por completo sob seu domínio. Em
735, sua campanha foi direcionada con tra Urartu, na região da atu al Armênia. Em 734, ele
guerreou contra a Filístia, e em 733 e 732 contra Damasco. Em 731, esteve mais um a vez
em Babilônia, e em 730, segundo os registros, ficou em seu país. Mas, em 729, esteve de
novo em Babilônia, onde "tomou as mãos de Bel" e se tornou rei de Babilônia com o título
de "Pulu" (ver vol. 2, p. 44). Em 727, houve outra campanha contra Damasco (pa ra mais
informações sobre o reinado de Tiglate-Pileser, ver o vol. 2, p. 43-46).
Embora os registros de Salmaneser V (ve r vol. 2, p. 45) sejam bem incompletos, sabe-se
que sua maior campanha foi contra a nação de Israel. Ele sitiou Samaria por três a nos , de
725 a 723 a.C . (cômputo inclusivo), quando a cidade foi conquistada (723/722) e o antigo
reino de Israel desapareceu para sempre.
É possível que Sargão li (ver vol. 2, p. 45, 46) estivesse no comando do exército que con-
quistou Samaria em 723/722 a.C. Ele começou a reinar em 722/721 a.C. e se tornou , tal-
vez, o maior monarca militar da históri a da Assíria. Sargão li empree ndeu uma série de
campanhas contra o nordeste (Babilôni a), o noroeste e o litoral do Mediterrâneo. Em 720,
ele desbaratou rebeliões no noroeste e no oeste, e, em 715, subjugou algum as tribos árabes
&l .- e recebeu tributo de vários governantes egípcios pouco importantes. Em 711, enviou Tartã
(ver com. de 2Rs 18: 17) para acabar com uma rebelião em Asdode (cf. Is 20: 1). Em 709,
Sargão se tornou rei de Babilônia.
Senaqueribe (ver vol. 2, p. 46-50) começou a reinar em 705 a.C., e em 703 derrotou
l\llerodaque-Baladã, de Babilônia. Em 701, ele realizou a famosa "terceira ca mpanha", que
o confrontou com a Fenícia , Filístia e com Jud á. Praticamente todos os países asiáticos do
Mediterrâneo, incluindo Moabe, Amom e Edorn, foram subjugados e forçados a pagar tri-
buto. Contudo, essa campanha não foi um êxito absoluto, pois Jerusalém não foi conquis-
tada. Senaqueribe retornou ao oeste em outra campanha não mencion ada nos registros
assírios (ver com. de 2Rs 18:13), na qual ele outra vez ameaçou Jerusalém, mas foi forçado
a voltar para a Assíria depois que um anjo do Senhor an iquilou seu exército (Is 37:36, 37).
Durante esse período, o Egito e Babilônia eram relativamente fracos ; contudo, lutaram
algumas vezes contra as investidas assírias. Merodaque-Baladã, de Babilônia, foi muito ativo
durante os reinados de Sargão e Senaqueribe, e Tiraca, do Egito, liderou um exército contra
Senaqueribe durante sua segunda invasão aJudá (ver com. de 2Rs 18:13 ; 19:9).
4. Tema- Isaías viveu num mundo conturbado. Tanto pa ra Judá quanto para Israel era
urn a época de perigo e crise. O povo de Deus estava trilhando os caminhos do pecado. Sob
o governo de Azarias (Uzias), em Jud á, e Jeroboão li, em Israel, ambas as nações tinh am
se fortalecido e prosp erado. Porém, a prosperidade materia l trouxe o declínio espiritu al.

76
ISAÍAS

O povo abandonou a Deus e Seus caminhos de justiça. As condições sociais e morais em


ambas as nações eram bem parecidas. Em toda parte havia injustiça, pois os juízes acei-
tavam suborno e os governan tes estavam interessados primeira mente em prazer e ganho
pessoal. Predominavam a cobiça, a avareza e o vício. Os ricos se tornavam mais ricos e os
pobres mais pobres, e muitos se afundaram na pobreza, sendo reduzidos a escravos. As con-
dições sociais e morais da época são descritas com detalhes por Isaías e seus contemporâ-
neos Miqueias, Amós e Oseias. Muitos do povo abandonaram o culto a Yahweh e seguiam
os deuses pagãos. Outros se apegavam a formas exteriores da religião, mas nada sabiam de
seu verdadeiro significado e poder.
Isaías advertiu o povo de que isso não podia mais continuar. Yahweh abandonari a Seu
povo que, embora professasse buscar a justiça, seguia os caminhos do mal. Ele teve uma
visão da santidade de Deus e da urgente necessidade da nação de conhecer o Senhor e Seus
caminhos de justiça e amor. Ele viu a Deus sentado no trono, exaltado e supremo, con-
tudo, profundamente interessado nas questões da Terra, chamando as pessoas ao arre pen-
dimento, sempre disposto a perdoar, mas obrigado por Seu próprio caráter justo a punir os
que persistiam nos maus caminhos. Isaías chamou a atenção para o fato de que o caminho
da justiça é o caminho da vida, paz e prosperidade, mas o caminho da maldade é cheio de
problemas e dor. Ele se esforçou para ensinar ao povo o verdadeiro significado da religião e
a verdadeira natureza de Deus. Ele fez apelos para um mundo mais puro e melhor. A nação
foi advertida de que a insistência no caminho do mal resultaria em rápida destruição. Deus
usaria os assírios como ferramenta para executar a justiça contra uma nação de hipócritas
que estabelecia decretos injustos, se recusava a fa zer justiça aos necessitados, tirava os direi-
tos do pobre, fazia das viúvas suas presas e roubava os órfãos . Por isso, Isaías deixou claro
que o dia da visitação e desolação era certo e aconteceria em breve. ... ~
Isaías afirmou que o mundo inteiro era governado por um só Deus, um Deus que exigia
justiça, não apenas dos hebreus, mas de todas as nações da Terra, e que julgaria todos os
povos que persistissem na maldade . Os juízos divinos cairiam sobre a Assíria e Babilônia,
sobre a Filístia e o Egito, sobre Moabe, Síria e Tiro. Por fim, o mundo todo seria arruinado
por ca usa da iniquidade. Apenas Deus seria exaltado, e Seu povo O adoraria num novo
mundo de perfeita alegria e paz.
Isaías era estadista, bem como profeta. Ele amava profundamente sua nação e falou de
forma convicta e corajosa contra toda atitude contrária ao interesse nacional. Ele viu a tolice
de se confiar no auxílio do Egi to, e chamou a atenção dos líderes de Judá para o fato de que
o conselho de seus sábios seria confundido e que o próprio Egito seria dividido, com suas
cidades e habitantes lutando entre si.
Ele falou contra a tolice de se confiar em alianças terrenas na tentativa de se fm·tale-
cer. Enfatizou o fato de que o conselho dos homens resultaria em nada, e que apenas os
que depositassem sua confiança em Deus prevaleceriam. O povo de Deus poderia encon-
trar força na presença do Senhor, mas recusou a oferta da misericórdia e da proteção divina .
Apesar da ruína iminente, Isaías constantemente se referia a um remanescente que seria
fiel ao Senhor e que, por isso, seria salvo. Com exceção desse remanescente, o professo povo
do Senhor ser ia consumido por completo, como Sodoma e Gomorra. O remanescente, porém,
confiaria no Santo de Israel e aprenderia a andar nos Seus caminhos.
Isaías muitas vezes se refere ao Senhor como "o Santo de Israel". Sendo santo, Ele exigia
que Seu povo também o fosse, e, sendo justo, não poderia tolerar a iniquid ade. Isaías ansiava

77
COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

por novos céus e nova terra e por uma nova Jerusalém, que seria a "cidade de justiça" (Is l :26).
Para Isaías, a santidade envolvia mais que observância zelosa de cerimônias e ordenanças
religiosas. Na verdade, isso ofendia ao Senhor a menos que fosse acompanhada de uma
reforma de caráter e uma vida santa e sem culpa.
Com respeito a Israel, é evidente que Isaías esperava que apenas alguns indivíduos esca-
passem do destino iminente. No entanto, em relação aJudá, ele acreditava haver a esperança
de uma saída para os perigos. Contudo, deixou claro que o único caminho seguro estava em
retornar para Deus e Seus caminhos de justiça e santidade.
Na última parte do livro, cap. 40 a 66, Isaías apresenta uma das figuras mais vívidas de
Israel e do Deus de Israel encontradas na Bíblia. Ali se encontra a descrição bíblica mais
comovente do sofrimento de Cristo (Is 53). Ali está uma das figuras mais reveladoras da
Bíblia sobre a grandeza e bondade infinitas de Deus. Também se apresenta a grande mis-
são da igreja. Isaías viu claramente que Cristo viria como uma "luz para os gentios" e que
Sua mensagem de salvação alcançaria "até a extremidade da terra" (Is 49:6). Ele chamou
Sião a se despertar e vestir suas roupas formosas (52: 1), a alargar o espaço de sua tenda e
estender o toldo de sua habitação em preparação para o tempo glorioso em que herdaria as
nações e faria com que as cidades desoladas fossem habitadas (54:2, 3). Ele ordenou que
a; ,. Sião se levantasse e resplandecesse, pois a glória do próprio Senhor estava sobre ela e as
nações se encaminhavam para a sua luz e os reis para seu resplendor (60:1-3; sobre princí-
pios de interpretação dessas visões, ver p. 12-25).
Com justiça, Isaías é chamado de profeta messiânico. Nenhum outro parece ter tido uma
visão tão clara da santidade e grandeza de Deus, da pessoa e da missão de Cristo, e do pro-
pósito glorioso de Deus para Sua igreja. Merecidamente ele é considerado como o rei dos
célebres profetas de Israel, e seus escritos como a obra-prima de todos os escritos proféticos.

5. Esboço.
I. Isaías é chamado a combater a apostasia nacional, 1-6.
A. Introdução: o ministério profético de Isaías, 1:1.
B. Apelo para se voltar para Deus, 1:2 -31.
J. A rebelião de Israel e a punição corretiva por parte de Deus, 1:2-9.
2. A futilidad e do formalismo na religião, l: 10- 15.
3. Bênção pela obediência; castigo pela rebelião persistente, I. J 6-31.
C. O plano divino para Judá; o fracasso do povo, 2-5.
I. A reunião das nações, 2: I -5.
2. O fracasso de Judá, 2:6-9.
3. O grande dia de Deus, 2:10-22.
4. O fracasso dos líderes de Judá, 3: 1-15.
5. A condi ção do povo, 3:16-4:1.
6. Libertação e restauração do remanescente justo, 4:2-6.
7. A decepção de Deus com o fracasso de Judá, 5:1-7.
8. Enum e ração das transgressões de Israel, 5:8-25.
9. A retribuição divina, 5:26-30.
O. Isaías: o mensageiro de Deus a uma nação apóstata, 6:1-!3.
l. A visão da majestade de Deus, 6:1-7.
2. Confirmação do chamado e da missão de Isaías, 6:8-13.

78
ISAÍAS

11. Libertação do poder da Síria e da Assíria, 7- 12.


A. A mensagem de Isaías a Acaz, 7.
I. Promessa de vitória sobre Israel e Síria, 7: 1-9.
2. O sinal do livramento, 7:10-25.
B. Predita a invasão de Judá pelos assírios, 8- 10.
I. O sinal da invasão, 8: 1-8.
2. Judá deve confiar no poder divino, não no humano, 8:9-22 .
3. Livramento final com a vinda do Messias, 9: 1-7.
4. Impenitência persistente e punição corretiva, 9:8-10:4.
5. A queda da Assíria, o cetro da ira divina, 10:5-34.
C. O reino messiânico, 11-1 2.
I. Livramento e restauração por meio do Messias, l i 1-9.
2. Reunião dos gentios e dos judeus exi lados, li: I 0-16 .
3. Um canto de libertação, 12:1-6.
III. Libertação do jugo de Babilônia e de outras nações, 13- 23 .
A. Uma mensagem solene sobre Babilônia, 13:1 - 14:23.
I. A desolação de Babilônia, 13: 1-22.
2. A libertação de Israel do jugo babilônico, 14:1-3.
3. A queda do rei de Babilônia. 14:4-23.
B. Mensagem solene sobre a Assíria, 14:24-28.
C. Mensagem solene sobre a Filístia, 14:29-32.
D. Mensagem solene sobre Moabe, 15-1 6.
E. Mensagem solene sobre Damasco (Síria), 17.
F. Mensagem solene sobre a Etiópia, 18.
G. Mensagem solene sobre o Egito, 19-20.
H. Mensagem solene sobre Babilônia, 21:1 -10.
I. Mensagem solene sobre Dumá (Seir ou Edom), 21:11-12.
]. Mensagem solene sobre a Arábia, 21:13 -1 7.
K. Mensagem solene sobre Judá e Jer usa lém, 22.
L. Mensagem solene sobre Tiro, 23.
IV. Libertação do domínio de Satanás: o grande dia de Deus, 24- 35.
A. Desolação da terra, 24.
B. Livramento do povo de Deus, 25- 27.
I. Cântico de louvor e vitória, 25.
2. Cântico de confiança em Deus, 26:1 - 27:1.
3: Cântico da vinha do Senhor, 27:2-6.
4. Reunião dos remanescentes de Israel, 2 7:7- 13.
C. Advertência solene a Israel e Judá , 28- 29.
I. Aflição de Efraim (Israel), 28: 1-6.
2. Advertência aos líderes de Jerusalém, 28:7-29.
3. Advertência à cidade de Davi, Ariel (Jerusalém), 29: 1-1 7.
4. Redenção e restauração de Jacó, 29:18-24.
D. A tolice de se confiar no Egito, 30-31.
I. Aflição para os que confiam no Egito, 30: 1-14.
2. Misericórdia para os que confiam em Deus, 30:15-33.

79
COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

3. A derrota do Egito e da Assíria, 3 1.


E. O reino messiânico, 32-35.
l. Um rei reina com justiça, 32-33 .
2. O di a da vingança do Senhor, 34 .
3. Cântico da nova Terra, 35.
V. Interlúdio hi stórico, 36-39.
A. As invasões de Judá pela Assíria, 36-37.
l. A primeira mensagem de Rabsaqué a Ezequias , 36: 1-37:7.
2. A segunda mensagem de Rabsaqué a Ezequias, 37:8-1 3.
3. A súplica de Ezequias, 37:14-20.
4. Promessa de libertação e se u cumprimen to, 37:21-38.
B. A enfermidade e o restabeleci men to de Ezequias, 38-39.
1. Enfermidade e recuperação da saúde, 38.
2. O s mensageiros de Merodaque-Baladã, 39 .
VI. Triunfo do plano divino: a libertação e o Libertador, 40-53.
A. Uma base sólida para se confiar nos propósitos divinos, 40- 47.
1. Confiança em Deus: Sua palavra permanece para sempre, 40-41.
2. O "Servo" de Deus, Cristo, 42.
3. O "servo" de Deus, Israel, 43:1-44:23.
4. O "servo" de Deus, Ciro, 44:24-46:13.
5. A queda de Babilônia, 47.
B. Israel é desafiado a cumprir seu papel messiâ nico, 48-52:1 2.
I. Exortação a aprender a lição do cativeiro, 48.
2. Exortação a representar a Deus diante das nações, 49.
~ !to 3. Exortação a abandonar os conselhos da sa bedoria humana, 50 .
4. Exortação a cumprir corajosamente o chamado divino, 51 1-52:12.
C. O "servo" sofredor de Deus, o Messias, 52:13- 53: 12.
VII. A reunião das nações, 54-62.
A. O papel de Israel no plano divino, 54-56.
I. A herança de Israel: ganhar o mundo para Deus, 54.
2. A mensagem de salvação dirigida a todos, 55.
3. Uma casa de oração para todos os povos , 56.
B. Chamado à reforma, 57- 59.
l. Súplica fervorosa para que Israel retorne para De us , 57.
2. O verd adeiro espírito da religião pessoal, 58.
3. Súplica fervo rosa para se abandonar o pecado, 59.
C. Israel deve ser lu z para as nações, 60-62.
l. O destino glorioso de Israel, 60.
2. Israel deve proclamar as boas-novas da salvação, 61.
3. O galardão de Israel pelo serviço fiel , 62.
VIII. Es tabelecimen to do reino mess iâ nico, 63-66.
A. O grande di a de Deus, 63:1 - 65: 16.
l. O dia da vingança, 63:1-6.
2. As mi sericórdias de Deus para com Seu povo, 63 :7-19.
3. Oração por transformação e livramento, 64.

80
ISAÍAS

4. Deus rep reende Seus servos e os aceita, 65: 1-1 6.


B. Deus res taura a terra , 65:17-66:24.
I. A nova Terra, 65:17-25.
2. Misericórdia para os servos de Deus , destruiç ão dos inimigos, 66:1-21.
3. Deus é justificado di ante do universo; todos O adoram, 66:22-24.

CAPÍTULO 1
1 Isaías se queixa de ]udá por sua rebelião; 5 lamenta seus juízos, 1Ocensura toda sua devoção;
16 exorta ao arrependimento, com promessas e ameaças, 21 lamenta sua maldade e
anuncia os juízos divinos, 25 promete graça e 28 prevê a destruição dos ímpios.

l Visão de Isaías, filho de Amoz, que ele teve teríamos tornado como Sodoma e semelhan-
a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias , tes a Camorra.
Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá. lO Ouvi a palavra do SENHOR, vós, príncipes <11 ~
2 Ouvi, ó céus, e dá ouvidos , ó terra , por- de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus,
que o SENHOR é quem fala: Criei filhos e os vós, povo de Camorra.
engrandeci, mas eles estão revoltados contra ll De que Me serve a Mim a multidão de vos-
Mim. sos sacrifícios?- diz o SENHOR. Estou farto dos
3 O boi conhece o seu possuidor, e o jumen- holocaustos de carneiros e da gordura de animais
to, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem cevados e não Me agrado do sangue de novilhos,
conhecimento, o Meu povo não entende. nem de cordeiros, nem de bodes.
4 Ai desta nação pecaminosa, povo carrega- 12 Quando vindes para comparecer perante
do de iniquidade, raça de malignos, filhos cor- Mim, quem vos requereu o só pisardes os Meus
ruptores; abandonaram o SENHOR, blasfemaram átrios?
do Santo de Israel, voltaram para trás. 13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o in-
5 Por que haveis de ainda ser feridos, visto censo é para Mim abominação, e também as
que continuais em rebeldia? Toda a cabeça está Festas da Lua Nova, os sábados , e a convocação
doente, e todo o coração, enfermo. das congregações; não posso suportar iniquida-
6 Desde a planta do pé até à cabeça não há de associada ao ajuntamento solene.
ne le coisa sã, senão feridas, contusões e chagas 14 As vossas Festas da Lua Nova e as vossas
inflamadas, umas e outras não espremidas, nem solenidades, a Minha alma as aborrece; já Me são
atadas, nem amolecidas com óleo. pesadas; estou cansado de as sofrer.
7 A vossa terra está assolada , as vossas ci- 15 Pelo que, quando estendeis as mãos, es-
dades, consumidas pelo fogo ; a vossa lavoura condo de vós os olhos; sim , quando multiplicais
os estranhos devoram em vossa presença; e a as vossas orações, não as ouço, porque as vossas
terra se acha devastada como numa subversão mãos estão cheias de sangue.
de estranhos. 16 Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade
8 A filha de Sião é deixada como choça na de vossos atos de diante dos Meus olhos; cessai
vinha, como palhoça no pepinal , como cidade de fazer o mal.
sitiada. 17 Aprendei a fazer o bem; atendei à justi-
9 Se o SENHOR dos Exércitos não nos ti- ça, repreendei ao opressor; defendei o direito do
vesse deixado alguns sobreviventes, já nos órfão, pleiteai a causa das viúvas.

81
1:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

18 Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; satisfações aos Meus adversários e vingar- Me-
ainda que os vossos pecados sejam como a es- ei dos Meus inimigos.
carlata, eles se tornarão brancos como a neve; 25 Voltarei contra ti a Minha mão, purificar-
ainda que sejam vermelhos como o carmesim, te-ei como com potassa das tuas escórias e tira-
se tornarão como a lã. rei de ti todo metal impuro.
19 Se quiserdes e Me ouvirdes, comereis o 26 Restituir-te-ei os teus juízes, como eram
melhor desta terra. antigamente, os teus conselheiros, como no
20 Mas, se recusardes e fordes rebeldes, se- princípio; depois, te chamarão cidade de jus-
reis devorados à espada; porque a boca do SENHOR tiça, cidade fiel.
o disse. 27 Sião será redimida pelo direito, e os que
21 Como se fez prostituta a cidade fiell Ela, se arrependem, pela justiça.
que estava cheia de justiça i Nela, habitava a re- 28 Mas os transgressores e os pecadores
tidão, mas, agora, homicidas. serão juntamente destruídos; e os que deixarem
22 A tua prata se tornou em escórias, o teu o SENHOR perecerão.
licor se misturou com água. 29 Porque vos envergonhareis dos carvalhos
23 Os teus príncipes são rebeldes e compa- que cobiçastes e sereis confundidos por causa
nheiros de ladrões; cada um deles ama o subor- dos jardins que escolhestes.
no e corre atrás de recompensas. Não defendem 30 Porque sereis como o carvalho, cujas folhas
o direito do órfão, e não chega perante eles a murcham, e como a floresta que não tem água.
causa das viúvas. 31 O forte se tornará em estopa, e a sua obra,
24 Portanto, diz o Senhor, o SENHOR dos em faísca; ambos arderão juntamente, e não ha-
Exércitos, o Poderoso de Israel: Ah! Tomarei verá quem os apague.

1. Visão de Isaías. Este é o título que o e Nínive. As visões de Isaías se referiam em


próprio Isaías deu ao livro. O termo "visão" especial aJudá e a Jerusalém, mas também
indica a revelação em si, em vez de o pro- às nações vizinhas e ao mundo como um
cesso pelo qual foi dada. Antigamente um todo. Por meio da "visão de Isaías", podem-se
profeta era chamado de "vidente" (ISm 9:9), ver as coisas como Deus as vê e como esco-
mas o termo caiu em desuso. No entanto, os lhe revelá-las por meio do profeta.
profetas continuaram a ser videntes no sen- Filho de Amoz. A única ocorrência
tido de que, com percepção inspirada, eram deste nome na Bíblia. Nada mais se sabe
capazes de ver coisas não reveladas a pes- sobre o pai de Isaías. Não se deve confun-
soas comuns. Em visão, os olhos do profeta dir o nome Amoz com Amós. No hebraico,
traspassavam o véu que separava este mundo os dois nomes se diferenciam claramente. <~~ :2
do mundo espiritual, e viam o que o Senhor A respeito de Judá e Jerusalém. Ver
revelava. O Senhor podia revelar o signifi- Is 2:1; 3:1; 4:3; 5:3; 40:2; 52:1; 62:1; 65:9, 19.
cado dos acontecimentos, as coisas porvir ou As mensagens de Isaías eram dirigidas pri-
o propósito divino com respeito a indivíduos meiramente ao povo de Judá e Jerusalém, e
ou nações. As mensagens de advertência, tinham o objetivo de despertá-lo. É prová-
admoestação e instrução eram frequentes. vel que muitas das mensagens tenham sido
Todas essas são encontradas na "visão" de faladas diretamente ao povo em forma de
Isaías. Na "visão de Obadias" (Ob I) e no sermões.
"livro da visão de Naum" (Na l:l), o Senhor Nos dias. De acordo com a cronologia
revelou Seu propósito com respeito a Edom empregada neste Comentário, Uzias morreu

82
ISAÍAS 1:4

em 740/739 a.C., e Ezequias, em- 687/686 Israel não tem conhecimento. O ter-
(ver p. 75, 76). mo "Israel", neste caso, refere-se especifi-
2. Ouvi, ó céus. Ver com. de Dt 32:1; camente a Judá no sentido de que, como
cf. Mq 6:1. O primeiro discurso de Isaías descendentes de Jacó, eram herdeiros das
começa com uma acusação ao professo promessas feitas aos pais da nação (ver com.
povo de Deus. Sua falha em não aprovei- do v. 1, 8).
tar as oportunidades dadas por Deus causa 4. Ai desta nação pecaminosa. Aque-
assombro. Por assim dizer, Isaías pede aos les que Deus escolheu para ser "povo santo ao
habitantes dos céus para testemunhar o SENHOR" (Dt 14:2) se transformaram numa
espetáculo extraordinário, um recurso lite- nação pecaminosa. Sua impiedade se devia
rário semelhante em propósito ao usado por à ingratidão diante das bênçãos concedidas
Joel (Jl 1:2, 3), designado a impressionar os a eles (ver com. de Dt 8:10-20 ; Os 2:8, 9;
sentidos embotados do povo pela gravidade Rm 1:21, 22). Ao se esquecerem de que era
da transgressão. Deus quem lhes proporcionava todos os bens
Os habitantes de outros mundos conhe- que desfrutavam, apostataram abertamente
cem a lei de Deus e sabem da rebelião dos e desobedeceram. O esquecimento passivo
habitantes deste mundo contra o Céu. Eles se converteu em rebelião ativa.
entendem o plano da salvação e sabem das Raça de malignos. Ver com. deIs 5:4.
oportunidades dadas a Israel como o povo Os que podiam ter sido "santa semente"
escolhido. Assim, Deus os chama como tes- (Is 6:13) se tornaram em planta produtora
temunhas da estranha postura daqueles de fruto inútil.
pelos quais Ele fez grandes coisas, tendo a Abandonaram o SENHOR. Isto é, pre-
rejeição como resposta. Diante do universo, feriram outro senhor, o príncipe do mal (ver
o povo rebelde de Deus é culpado, e a ati- com. de Jo 8:44).
tude que Ele está prestes a tomar contra os Blasfemaram. O amor divino "não se
rebeldes é justificada. irrita" (lCo 13:5, ARC; cf. Ez 18:23, 31, 32;
Criei. A relação entre Deus e o povo é 2Pe 3:9), mas Israel tinha desprezado a tal
como a de pai e filho. Tudo que um pai pode- ponto a graça de Deus e desconsiderado de
ria fazer por seus filhos, De us fez por Seu tal forma Seus preceitos que Ele não poderia
povo. Como objetos de Seu cuidado paternal, mais tolerá-los sem negar Seu próprio caráter
o povo de Deus deveria ter aceitado as respon- e confirmar a Israel em seus maus caminhos.
sabilidades de filhos bem como os privilégios. Santo de Israel. A expressão favo-
Estão revoltados. Eles recusavam se rita de Isaías. Ele a emprega 25 vezes, ao
submeter à autoridade do Pai celestial e igno- passo que todos os outros escritores do AT
ravam o que Ele requeria deles. a usam apenas seis vezes. Quando Isaías viu
3. O boi. Os animais domésticos conhe- a Deus pela primeira vez em visão, sentado
cem quem os alimenta. Até os irracionais em Seu trono, também ouviu o coro angeli-
sabem onde encontrar alimento e, por con- cal cantar "santo, santo, santo é o SENHOR
seguinte, têm certa ligação com quem os ali- dos Exércitos" (Is 6:3). O caráter santo de
menta. No entanto, aquele povo não tinha De us impressionou o profeta de forma pro-
isso. Desatentos e ingratos quanto ao cui- funda. Ele reconheceu a Deus como, acima
dado amoroso do Pai celestial, eles eram de tudo, um ser santo, e desejou ser seme-
culpados da mais ingrata insensatez. Eles lhante a Ele. A partir de então, a grande
sequer demonstraram ter a inteligência de tarefa da vida de Isaías era manter diante
animais irracionais. de Israel a figura da santidade de Deus e a

83
1:5 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

importância de se abandonar o pecado e do crítica e confusa. O paciente estava pres-


esforço para se alcançar a santidade. tes a perecer em sua condição repugnante.
Voltaram para trás. Em vez de se apro- 7. A vossa terra está assolada. O pro-
:;; ~~> ximarem cada vez mais de Deus e andar com feta passa de uma descrição figurada da ter-
Ele, eles se separaram do Senhor. Tinham se ra (v. 2-6) para a descrição literal. A figura
distanciado ainda mais da vereda da sa nti- usada nesta passagem representa, de forma
dade. Oseias, contemporâneo de Isaías, afir- apropriada , a situação de Judá na época das
mou com tristeza que "como vaca rebelde, se invasões assírias. Com sua costumeira cruel-
rebelou Israel" (Os 4:16). dade implacável, os assírios tinham devasta-
5. Por que [...]? Ou, "onde?" O corpo do o país, queimando, saqueando e matando.
está tão coberto de feridas que o pai hesita Muitas das cidades fortes foram tomadas, in-
em continuar punindo, embora seja necessá- contáveis vilas pequenas foram destruídas, e
rio, e, por misericórdia, prefere não golpear a maior parte da terra foi assolada. Parecia
o filho onde as feridas de punições anterio- que o fim havia chegado.
res ainda não sararam. A terra se acha devastada. O rolo do
Feridos. Os pecados do professo povo Mar Morto lQis" (ver p. 73, 74; vol. l, p. 8)
de D e us lhe provocaram aflição. Quanto diz "sua desolação está sobre ela".
mais cometia pecado, maior era o peso de 8. A filha de Sião. Isto é, Jerusalém
sua aflição (ver Is 5: 18). Isaías se esforçou (ver Lm 2:8, lO , 13, 18; Mq 4:8, lO, 13).
para argumentar com eles, perguntando- Antigamente, Sião era a fortaleza dos jebu-
lhes por que tinham escolhido agir tão seus, a cidade de Davi (2 Sm 5:7; lRs 8: 1;
nesciamente. Apresenta-se a figura de um ver com. do SI 48:2), no entanto, mais tarde,
filho que persiste na rebelião e por suas más o nome foi usado num sentido amplo para
ações é castigado vez após vez até todo o designar toda a cidade. Com frequência se
corpo ficar ferido. emprega a figura poética de uma mulher para
Continuais em rebeldia. Em vez disso, designar um a cidade com seus habitantes
"continuais em revolta". Isaías não estava pre- (ver Sl45:l2; Is 47:1 ; Lm 2:15 ).
dizendo uma rebelião, mas explicando que a Choça. Isto é, uma cabana onde o vigi -
persistência na maldade era a razão dos con- lante da vinha ou os membros de uma famí-
tínuos açoites disciplinantes . lia viviam durante a vindima. Os que viv iam
6. Não há nele coisa sã. Todo o corpo nessas estruturas ficavam isolados do res-
sofre. Em toda parte, em Jerusalém e Judá, tante da comunidade e desprotegidos. Essa
Isaías via os resultados da transgressão. era a situação de Jerusalém durante o período
Chagas inflamadas. Isto é, feridas em questão.
abertas, purulentas e sangrentas. O pecado Palhoça no pepinal. Pepinos e plan-
é algo detestável que não se pode curar com tas semelhantes são comuns no Oriente. Em
remédios humanos. De forma figurada, pode- geral, construía-se uma cabana num campo,
se dizer que ele produz uma grande quan- onde o vigilante vivia durante o verão para
tidade de feridas infectadas e abertas, que vigiar as colheitas contra os ladrões.
não foram atadas nem tratadas com "óleo" Cidade sitiada. Na época da invasão de
(em geral, na Palestina se empregava o azeite Senaqueribe, Jerusalém estava litera lmente
de oliva para esse fim). Israel não estava cercada pelos exércitos assírios . Foi a única
doente apenas por dentro, mas seu exte- cidade que continuou resistindo quando todo
r ior revelava os efeitos terríveis do ven eno o restante da terra de Judá tinha caído em
do pecado. A nação es tava num a situação mãos inimigas.

84
ISAÍAS 1:13

9. O SENHOR dos Exércitos. Este é o 15:22; Sl40:6; 51:16-19; Jr 6:20; 7:3-12; 14:12;
título divino proclamado pelos anjos na visão Os 6:6; Am 5:21-24; Mq 6:6-8).
que Isaías teve da glória de Deus (Is 6:3). Ele 12. Para comparecer perante Mim.
se refere a Deus como comandante dos exér- Comparecer perante Deus era a frase comum
citos do Céu. que significava visitar o templo nas grandes
Alguns sobreviventes. Toda a Judeia, festividades religiosas (Êx 34:23; SI 42:2;
com exceção de Jerusalém, caiu em mãos 84:7). Os hebreus tinham a crença correta
inimigas. Apenas a capital permaneceu, apa- de que quando iam ao templo estavam na
rentemente indefesa e em grave perigo. Não presença imediata de Deus. É verdade que
fossem "alguns sobreviventes", a nação de o santuário havia sido construído para que
Judá teria tido um fim igual ao de Sodoma o Senhor habitasse entre eles (Êx 25:8). Mas
e Gomorra. nem necessariamente todos que iam ao tem-
10. Vós, príncipes de Sodoma. O tí- plo experimentavam a presença de Deus. Por
tulo "Sodoma", aplicado de forma figurada a meio de Isaías, o Senhor proclama que Ele
Judá, tendo-se em vista as condições seme- habita "no alto e santo lugar, mas também
~ ~> lhantes que prevaleciam ali, constitui uma com o contrito e abatido de espírito" (Is 57: 15).
terrível acusação à nação que professou viver 13. Ofertas vãs. Sacrifícios sem contri-
em nome de Deus. Os líderes do país tinham ção e arrependimento genuíno eram ofereci-
se distanciado tanto do Senhor que, na prá- dos em vão (lSm 15:22; Mt 5:24; Me 12:33).
tica, diferiam bem pouco dos líderes das na- Abominação. Em vez de Se deleitar com
ções mais pecaminosas da terra. Por isso, uma a oferta de incenso suave, o Senhor estava
solene exortação lhes foi dirigida, uma men- muito insatisfeito. As formalidades da reli-
sagem de Deus que predizia o destino de toda gião nada significam quando lhes falta o ver-
a nação, a menos que ela se arrependesse. dadeiro espírito. Deus deixou claro que onde
11. De que me serve [...]? Judá ainda falta obediência , até a oração é uma abomi-
tinha a aparência de uma nação religiosa. nação (Pv 28:9).
Muitos sacrifícios eram oferecidos no templo, Festas da Lua Nova, os sábados.
mas havia pouca religião verdadeira. Embora Os dias sagrados mencionados nesta passa-
se mantivessem as formas externas de reli- gem ocorrem juntos outras vezes (2Rs 4:23;
gião, o professo povo de Deus tinha esque- 2Cr 8:13; Am 8:5). Observar esses dias era
cido o que o Senhor realmente queria deles. parte essencial da religião hebraica . Eles
Estavam dispostos a oferecer sacrifícios, mas foram apontados pelo próprio Senhor, e Ele
não a dar o coração ao Senhor. Eles conhe- foi quem pediu a Israel que os observasse
ciam as formas da religião, mas não enten- (Êx 23: 12-17; L v 23; Nm 28, 29; Dt 16: 1-17).
diam que necessitavam de um Salvador, nem A observância exterior dessas formas de reli-
compreendiam o significado de justiça. Isaías gião, porém, não era suficiente. Rituais e
se esforçou para despertar o povo e fazer com cerimônias não têm significado quando falta
que percebesse a tolice de seus caminhos. justiça. Deus deixou claro que a observân-
Por meio de várias perguntas incisivas, ele cia formal dos dias sagrados que Ele mesmo
esperava fazê-los compreender que uma reli- ordenou era ofensiva sem obediência.
gião de formas exteriores era ofensiva aos lniquidade. A ideia é que os serviços
olhos de Deus. Através dos séculos, os por- religiosos solenes, quando acompanhados
ta-vozes de Deus se esforçaram para deixar de uma vida iníqua, são ofensa ao Senhor.
claro que o que Deus pede é obediência e não Na época de Isaías, os hebreus davam muita
sacrifício, retidão e não ritualismo (ver lSm importância às formas da religião, mas pouca

85
I: 14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

importância à retidão. Muitos que obser- Ele reconheceU a contaminação do pecado e


vavam rigidamente as ordenanças form ais pediu a Deus um coração puro (v. 10), e sua
da lei cerimonial violavam abertamente as oração foi atendida. Todo pecador necessita
ordens solenes da lei divina . Sua atitude de purificação moral ; seu coração deve ser
constituía zombaria à religião e uma vergo - limpo. D eus quer limpar toda maldade elo
nha à vista de D eus. pecador (Jr 4:14). Ele exorta o pecador a lim-
14. Minha alma as aborrece. D eus par as m ãos da iniquidade (Tg 4: 8). Ele pro-
Se dirigia a um grupo de pessoas que era m mete escrever Suas leis no coração (Jr 31:33)
muito religiosas exteriormente. Participava m e limpar a pessoa de toda injustiça (1Jo 1: 9).
das cerimôni as porque pensavam que assim Isaías disse a Jerusalém para vestir roupas
teriam o favor de Deus . Mas o Senhor lhes formosas, pois estava chegando a hora em
disse que estava insatisfeito com sua atitude. que o impuro não mais entraria ali (Is 52:1).
Ele odi ava a observância das festas, rejeitava a João declarou que nada imundo entraria na
adoração e Se ressentia da hipocrisia. Na ver- cidade sa nta (Ap 21:2 7). A lição que Isaías
dade, o povo desafiava a Deus ao se recusar se esforçou para ensinar a Israel era de que
andar em Seus caminhos, e nenhum manto Deus, "o Santo de Israel", requer santidade
de formalismo religioso poderia cobrir seus de Seu povo.
&; li" pecados . Cessai de fazer o mal. Deus exortou os
15. Quando estendeis as mãos. Quan- judeus a deixar o pecado. Ele é santo, e eles
do os hebreus oravam, com frequência es- deviam ser santos. O mal deve ser retirado
tendiam as mãos em direção a Deus (ver da vida de todo filho de Deus. O pecado não
Êx 9:29, 33; 17: 11 ; IRs 8:22; Ed 9:5; Jó ll:l 3; existirá na atmosfera pura do Céu , e os qu e
SI 88:9; 143:6). entram ali usam as vestes da justiça.
Não as ouço. Ver Sl66:18; Tg 4:3. Deus 17. Aprendei a fazer o bem. Os que
não ouve orações de hipócritas, apenas dos servem a Deus odiarão o mal e amarão o bem
sinceros (M t 6: 5; Lc 18:14). Orações podem (A m 5:15). A pessoa passivamente boa, que
ser longas e frequentes e, contudo, não ter apenas se refreia de fazer o mal, não é sufi-
valor (Mt 6:7). As orações de pessoas qu e cientemente cristã. A bondade é um princípio
praticam o mal, cujas mãos estão man cha- ativo, e o cultivo da retidão é a garantia mais
das de sangue e que persistem em seus maus segura contra a iniquidade. Qualquer que
caminhos não alcançarão o trono da graça. tenha sido a inclinação anterior, a pessoa deve
Nos dia s de Isaías, os hebreus pa reciam ser não só deixar de fazer o mal , mas apresen-
religiosos e oravam muito , mas se recusavam tar esforços sinceros para fazer o bem. Para
a abandonar o pecado. Suas orações não par- atingir esse objetivo, é preciso firmeza de pro-
tiam do coração. Deus deixou claro que Se pósito e a ajuda do Céu. Ninguém nasce na
recusava a ouvi-los . vida cristã com perfeição de caráter; deve-se
Cheias de sangue. O rolo IQis" do Mar aprender devaga r e com dificuldade, a andar
Morto (p. 73, 74; ver vol. l , p. 8) acrescenta nos caminhos de D eus. Com estudo e dili-
"e seus dedos, de culpa", resultando num dís- gência, paciência e p erseverança, determ i-
tico cuja prim eira parte é "as vossas m ãos nação e prática, todos podem, com o tempo,
estão cheias de sangue". adquirir hábitos de vida correta . Toda pes-
16. Lavai-vos. O pecado resulta em con- soa correta já passou pelo processo lento e
ta minação moral e decadência espiritual. difícil de aprender a fazer o bem , e ninguém
Quando Davi pecou, sua oração foi: "Lava- aprende de verdade a fazer o bem até que os
me, e ficarei mais alvo que a neve" (SI 51:7). caminhos sa ntos lhes sejam familiares.

86
ISAÍAS 1:20

Repreendei ao opressor. De preferên- raciocínio foi conferida e a melhor forma de


cia, "corrigi a opressão" ou "fazei justiça ao usar esse dom é descobrir os benefícios da
mal". Muitos em Israel eram oprimidos por obediência e os males da transgressão.
seus irmãos. Era dever daqueles que amavam Ainda que os vossos pecados. O pior
a Deus corrigir isso. Os opressores deviam ser pecador pode encontrar conforto e espe-
refreados, e os oprimidos precisavam de alívio. rança nesta promessa. Deus assegura que
Defendei o direito do órfão. Aque- não importa qual tenha sido a culpa, quão
les que amam o que é correto defenderão grave tenha sido o pecado, é possível serres-
a causa dos órfãos e buscarão que a justiça taurado à pureza e santidade. Esta promessa
lhes seja feita. tem a ver não apenas com os resultados do
Pleiteai a causa das viúvas. O pobre pecado, mas com o pecado em si. Ele pode
e o necessitado, o desafortunado e oprimido ser erradicado e banido por completo da vida.
precisavam desesperadamente de alívio. Os Com a ajuda de Deus, o pecador pode asse-
líderes do professo povo de Deus estavam gurar o domínio completo de todas as fra-
tirando vantagem dessas classes desafortu- quezas (ver com. de l}o 1:9).
nadas e se enriquecendo às suas custas. Essa 19. Se quiserdes e Me ouvirdes.
situação demandava um ponto final. Amor Isaías apresenta os frutos da obediência.
verdadeiro e simpatia deviam se manifestar Uma vida de alegria e bênçãos é o resultado
nos esforços para corrigir o mal e estabelecer natural da obediência às leis divinas, pois
a justiça a todos. Nenhuma religião é digna Deus não pode abençoar os que não fazem
de seu nome se não luta contra os problemas o melhor que podem. As alegrias do Céu não
desta vida e se não anda em harmonia com são dons arbitrários de Deus àqueles que O
os princípios do reino dos céus. Uma reli- seguem, mas o resultado natural de cumprir
gião que consiste na observância de cerimô- com o que Ele requer. Deus apresenta diante
;;:: .. nias magnificentes, mas que negligencia as do ser humano os caminhos da retidão por-
necessidades dos órfãos e das viúvas, é sem que são corretos e atraem bênçãos.
sentido (ver com. de Tg 1:27). Comereis. Esta promessa se aplica tanto
18. Vinde. Deus convida o ser humano a a este mundo como ao porvir. A colheita da
se encontrar com Ele para discutir seus pro- obediência é feita não só no Céu, mas tam-
blemas com liberdade e franqueza. Ele não é bém na Terra (ver com. de Mt 19:29). Antes
um juiz imprudente ou um tirano arbitrário, de Israel entrar na terra prometida, Moisés
mas um pai amoroso e amigo. Deus Se inte- declarou as bênçãos que resultariam dos
ressa por tudo que afeta o ser humano e Se caminhos do Senhor (Dt 28:1-13). Isaías
preocupa com seu bem-estar. Todas as adver- enfatiza que estas bênçãos não tinham sido
tências divinas são dadas para o bem do ser concedidas por causa da falha de Israel em
humano. Ele deseja que todos compreendam obedecer às ordens do Senhor. Deus assegu-
isso e creiam. Dificilmente seria possível rou, então, que as bênçãos ainda podem ser
conceber uma demonstração mais encanta- deles caso se arrependessem e andassem nos
dora do maravilhoso amor e da bondade de caminhos da retidão.
Deus do que a encontrada neste misericor- 20. Se recusardes. O que condena o
dioso convite para arrazoar com o Senhor dos pecador não é um decreto arbitrário de Deus.
céus e da terra. Deus é razoável; Ele deseja Ele apenas colhe o que ele mesmo plantou.
que as pessoas percebam que é para o bem Assim como as bênçãos acompanham o viver
delas abandonar o pecado e andar nos cami- correto, as dores acompanham a iniquidade.
nhos da retidão. A capacidade humana de Quando se transgridem os mandamentos

87
I :21 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

divinos, o resultado inevitável é a morte. Isso Viajantes nos caminhos e pessoas que se alo-
nada mais é que a consequência da lei natu- javam nas cidades corriam risco de ser ataca-
ral de causa e efeito. Quando se afastou de dos e mortos, e isso numa terra onde o povo
Deus, Israel inevitavelmente trilhou o cami- professava santidade e fingia religiosidade.
nho da ruína. Moisés deixou isso claro antes 22. A tua prata. Com duas figuras apro-
de Israel entrar na terra prometida (Dt 28:15- priadas, Isaías contrasta o presente com o
68). Quando o ser humano se rebela contra passado. O caráter do povo tinha se degene-
Deus e se recusa a obedecer à Sua lei, auto- rado da prata preciosa para escória. O vinho
maticamente abre a porta para a destruição. puro da retidão e a santidade foram diluídos.
Cada pessoa decide seu destino, cabe apenas a Jesus empregou figura similar ao falar do sal
ela determinar se seu futuro será feliz ou não. que perde o sabor (Mt 5:13).
A grande verdade que Isaías apresentou ao 23. Os teus príncipes. Oseias declara
povo de Deus é que o pecado, ao final e por si que "todos os seus príncipes" eram "rebeldes"
só, traz a destruição. A iniquidade jamais será a (Os 9: 15). Os principais de Israel eram teimo-
base para a alegria e as bênçãos eternas. Num sos e rebeldes contra o Senhor, e mestres em
sentido real, os pecadores se autodestroem. todo tipo de crime (Is 3:12; 9: 16; Mq 3: 11).
A boca do SENHOR o disse. Deus pre- Companheiros de ladrões. Os líderes
disse as consequências invitáveis do pecado, de Israel, cujo dever era fazer com que a lei
mas isso está longe de ser um decreto arbi- fosse cumprida, na verdade tinham parceria
trário. Ele não se compraz na morte do ímpio secreta com os que violavam seus preceitos.
(Ez 18:23, 31, 32; 33:11). Mas, sabedor do Os oficiais não detinham os criminosos que
resultado inevitável do pecado, Ele adverte infestavam as estradas, pois repartiam com
sobre os resultados da desobediência (ver eles o lucro pelos roubos .
Os 13:9; 14:1; Rm 6:2 1, 23; Tg 1:15; 2Pe 3:9). Cada um deles ama o suborno. Mi-
21. Como se fez prostituta. Sião, queias declara que "o príncipe exige condena-
outrora a cidade fiel, se tornou infiel. Outrora ção, o juiz aceita suborno" (Mq 7:3). Em troca
a esposa de Yahweh, ela se distanciou dEle de todo serviço os governantes de Israel espera-
e se entregou a outros. Tornou-se prostituta vam uma recompensa. O suborno era comum.
(ver Jr 2:20, 21; Ez 16; Os 2). A experiên- Não defendem. Os juízes se fazi am de
cia de Israel mostra o quanto o ser humano surdos para com os órfãos e as viúvas, que
pode cair. Uma vez puro e reto, escolhido em geral não tinham condições de oferecer
por Deus e amado por Ele, Israel se distan- recompensas como as oferecidas pelos opres-
ciou muito do Senhor e dos caminhos da sores. Era fácil para um juiz adiar por tempo
retidão. Tendo sido verdadeiro, obediente indefinido a audiência de casos de pessoas
e santo, Israel se tornou vil e corrupto, um pobres (ver Lc 18:2-5).
g::., notável exemplo dos terríveis frutos da infi- 24. O Poderoso de Israel. Título simi-
delidade a Deus. lar para Deus é usado em Isaías 49:26; e
Agora, homicidas. A justiça se retirou, 60:16 . Os juízes na terra prometida não
e a corrupção e depravação se puseram em estavam interessados nos pobres, de quem
seu lugar. A cidade de santos tinha se tornado podiam esperar pouca recompensa , mas a
cidade de homicidas e perversos. Oseias apre- causa do pobre tinha chegado perante Aquele
senta um quadro semelhante: "Como hor- que governa o Céu e julga toda a Terra. Esses
das de salteadores que espreitam alguém, opressores dos pobres não percebiam que
assim é a companhia dos sacerdotes, pois atraíam contra si mesmos todo o poder do
matam no caminho para Siquém" (Os. 6:9). Céu. O Senhor deu a seguinte mensagem

88
ISAÍAS 1:28

por meio de Isaías: "Eu contenderei com os haveria outra vez juízes fiéis como Samuel,
que contendem contigo" (Is 49:25). Davi e Salomão. Israel seria uma nação ideal
Meus adversários. Os inimigos dos jus- com dirigentes ideais. ~8
tos são inimigos de Deus . O Senhor é con- Cidade fiel. Haverá uma Jerusalém
tra a injustiça e a opressão de todo tipo. Os caracterizada pela justiça somente quando
que tiram vantagem dos fracos colocam-se a nova Jerusalém descer dos céus depois dos
como adversários de Deus. Do mesmo modo, mil anos (Ap 21:1, 2). Então, a cidade será
os líderes de Israel estavam rapidamente se governada por Jesus, o Filho de Davi, que
colocando numa posição em que Deus seria "executará juízo e justiça", e a cidade ideal,
forçado a tomar uma atitude contra eles. assim como seu Rei, será chamada "SENHOR,
Vingar-Me-ei dos Meus inimigos. Justiça Nossa" (Jr 33:15, 16; cf. Ez 48:35).
Deus não é vingativo ao trazer juízo sobre 27. Redimida pelo direito. Ou, "redi-
os transgressores. Seu propósito é salvar, mida com justiça". Um justo Juiz irá redi-
não destruir, mas o pecado requer punição. mir e restaurar Sião por meio de julgamento
Embora o propósito divino seja, se possível, justo. Em harmonia com decretos justos, a
salvar o pecador, os que persistem na iniqui- escória da cidade pecaminosa será eliminada
dade precisam perceber que está chegando a por completo.
hora quando deverão encarar o Juiz de toda Os que se arrependem. Literalmente,
a Terra, que jura não ter por inocente o cul- "os que retornam dela". Os "convertidos" de
pado (Êx 34:7; Nm 14:18). Sião são os que reconhecem seus pecados
25. Voltarei contra ti a Minha mão. e se arrependem. Apenas eles serão justos,
O Juiz de toda a Terra é também o Salvador e apenas eles serão salvos. Sião será uma
da humanidade. A culpa de Israel certa- cidade santa, governada por um Deus santo
mente seria julgada, mas o penitente seria e habitada por um povo santo (ver ls 4:2-4).
salvo. Com as ameaças de punição, Deus A justiça de Cristo será o meio e o objetivo da
prometeu livramento. Jerusalém deveria ser salvação. Sendo que Cristo é justo, todos os
julgada, mas também seria salva. Embora a habitantes da cidade santa serão justos, pois
cidade fiel tivesse se tornado uma prostituta serão como Ele (lJo 3:2). A justiça de Cristo é
(v. 21), ainda podia vir a ser cidade santa, a imputada e conferida a todos os Seus segui-
"nova" Jerusalém, "ataviada como noiva ador- dores. A salvação inclui a justiça que Ele
nada para seu esposo" (Ap 21:2; cf. Is 62:4). imputa para expiar os pecados cometidos,
O Senhor voltaria a mão sobre Seu povo para e a justiça que Ele confere capacita a viver
redimi-lo e restaurá-lo. acima do pecado. Assim, a humanidade será
Escórias. Restos de fundição (ver Is 1:22; totalmente restaurada à imagem de Deus, na
cf. Ml 3:2, 3). Deus removeria a escória qual foi criada no princípio (Gn 1:27).
acumulada da iniquidade se tão somente 28. Destruídos. Os que se rebelam con-
Israel se mostrasse disposto a que Ele o tra Deus e permanecem no pecado perecerão.
fizesse. O fogo da aflição removeria a escó- A rebelião contra o Céu é um desafio para
ria, e apenas o ouro puro do caráter santo per- que Yahweh demonstre Sua força, e o resul-
maneceria (Jó 23:10). tado é inevitável. A destruição é total e certa.
Metal. Literalmente, "escória". Todos os Perecerão. Apenas Deus é fonte de vida.
traços vis de caráter seriam removidos, e só Não pode haver existência separada dEle.
o ouro puro permaneceria. Ao abandonar a Deus, o ímpio terá apenas
26. Restituir-te-ei os teus juízes. O pro- um destino, que é a morte. "O salário do
feta ansiava pela chegada do tempo em que pecado é a morte" (Rm 6:23), e "a alma que

89
1:29 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

pecar, essa morrerá" (Ez 18:4); pois os rebel- 30. O carvalho. Da mesma forma que
des "sofrerão penalidade de eterna destrui- os objetos da natureza que adoravam, o povo
ção, banidos da face do Senhor" (2Ts 1:9). também pereceria.
"Os ímpios, no entanto, perecerão, e os ini- Que não tem água. Sem água nenhum
migos do SENHOR serão como o viço das pas- jardim pode florescer. O Senhor é fonte de vida
tagens; serão aniquilados e se desfarão em (SI 36:9), e os que O abandonam, deixam o
fumaça" (SI 37:20). "Todos os que cometem manancial de águas vivas (]r 2:13). Assim como
perversidade serão como o restolho; o dia que um jardim sem água se transforma num árido
vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, deserto, sem Deus, Israel se converteria num
de sorte que não lhes deixará nem raiz nem campo desolado. Ao abandonar o Senhor, a
ramo" (Ml 4:1); e "serão como se nunca fonte de vida, Israel selou seu próprio destino.
tivessem sido" (Ob 16). "Mais um pouco de 31. Estopa. A estopa, parte inferior do
tempo, e já não existirá o ímpio; procurarás linho ou da juta, quando pronto para tecer,
o seu lugar e não o acharás" (SI 37:10). é altamente inflamável. Os que se conside-
29. Carvalhos. Do heb. 'elim , árvores de ram fortes serão consumidos no fogo inex-
algum tipo, talvez a espécie terebinto. tinguível que devorará o ímpio.
Jardins. Ver Is 65:3 ; 66: 17. Estes jar- E a sua obra. Tanto o ímpio como suas
dins, provavelmente, eram áreas cultivadas obras perecerão no fogo consumidor dos últi-
ao redor de uma árvore ou bosque central. mos dias (2 Pe 3:7, 10).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

5 ~ PR, 314 16, 17 ~OTN, 590; CBV, 18, 19 ~ T6, 200


5, 6 ~ OTN, 266; CBV, 70; 224, 227; MJ, 124; PR, 18-20 ~ T5, 630; T6, 149
CC, 43 315; CC, 44; TM, 146; 19 ~ MCH, 164; T2, 166,
6~PR,315 T2, 289, 565 ; T5, 630; 234
9 ~ PR, 324 T6, 149 21 ~ T8, 250
§._ 10-12 ~ OTN, 590 ; PR, 323 16 -19 ~ FEC, 221 21-23 ~ FEC, 222
11-1 3 ~ Te, 232 17 ~ CM, 128; Ed, 141; 25 ~ CM, 165; OTN, 107;
11-1 5 ~ CBV, 341 MCH, 242; MJ, 348 PR, 188; T1, 83; T3, 67;
12 ~ T5, 626 18 ~ Ed, 231; FEC, 239; T5, 81; T7, 214
15 ~ CBV, 342 MDC, 8; CBV, 123; PR, 25-27 ~ T7, 152
15-20 ~ T2, 36 315; CC, 43, 49; Te, 287; 28 ~Te, 33
T4, 294

CAPÍTULO 2
1 Isaías profetiza a vinda do reino do Messias. 6 A iniquidade é a causa do desamparo por parte
de Deus. 10 Ele exorta a temer, por causa dos efeitos poderosos da majestade divina.

l Palavra que, em visão, veio a Isaías, filho de da Casa do SENHOR será estabelecido no cimo
Amoz, a respeito de Judá e Jerusalém. dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para
2 Nos últimos dias, acontecerá qu e o monte ele afluirão todos os povos.

90
ISAÍAS 2:2

3 Irão muitas nações e dirão: Vinde, e su- 12 Porque o Dia do SENHOR dos Exércitos
bamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus será contra todo soberbo e altivo e contra todo
de Jacó, para que nos ensine os Seus caminhos, aquele que se exalta, para que seja abatido;
e andemos pelas Suas veredas; porque de Sião l3 contra todos os cedros do Líbano, altos,
sairá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém. mui elevados; e contra todos os carvalhos de
4 Ele julgará entre os povos e corrigirá mui- Basã;
tas nações; estas converterão as suas espadas em 14 contra todos os montes altos e contra todos
rel has de arados e suas lanças, em podadeiras; os outeiros elevados;
uma nação não levantará a espada contra outra 15 contra toda torre alta e contra toda mu-
nação, nem aprenderão mais a guerra. ralha firme;
5 Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz 16 contra todos os navios de Társis e contra
do SENHOR. tudo o que é belo à vista .
6 Pois, Tu , SENHOR, desamparaste o Teu povo, 17 A arrogância do homem será abatida, e
a casa de Jacó, porque os seus se encheram da cor- a sua altivez será humilhada; só o SENHOR será
rupção do Oriente e são agoureiros como os filis- exaltado naquele dia.
teus e se associam com os filhos dos estranhos. 18 Os ídolos serão de todo destruídos.
7 A sua terra está cheia de prata e de ouro, 19 Então, os homens se meterão nas cavernas
e não têm conta os seus tesouros; também está das rochas e nos buracos da terra , ante o terror
cheia de cavalos , e os seus carros não têm fim. do SENHOR e a glória da Sua majestade, quando
8 Também está cheia a sua terra de ídolos; Ele Se levantar para espantar a terra.
adoram a obra das suas mãos , aquilo que os seus 20 Naquele dia, os homens lançarão às tou-
próprios dedos fi zeram. peiras e aos morcegos os seus ídolos de prata e
9 Com isso, a gente se abate, e o homem se os seus ídolos de ouro, que fizeram para ante eles
avilta; portanto, não lhes perdoarás . se prostrarem,
lO Vai, entra nas rochas e esconde-te no 21 e meter-se-ão pelas fendas das rochas
pó, ante o terror do SENHOR e a glória da Sua e pelas cavernas das penhas , ante o terror do
majestade. SEN HOR e a glória da Sua majestade, quando Ele
ll Os olhos altivos dos homens serão abati- Se levantar para espantar a terra.
dos, e a sua altivez será humilhada; só o SENHOR 22 Afastai-vos, pois, do homem cujo fôlego
será exaltado naquele dia. está no seu nariz . Pois em que é ele estimado?

1. A respeito de Judá e Jerusalém. Ver (D t 31:29); (5) o resultado final de uma ação
§ 1> com. de Is l:l. (Pv 14:1 2; 23:32; Is 47:7); (6) o "fim" do ano
2. Nos últimos dias. Do heb. 'acharith (Dt ll: 12); e (7) o fim de um período de
hayyami1n. 'Acharith, "último", em geral provação (Jó 42:12). Na profecia bíblic a,
designa o final de qualquer período, seja 'acharith é relacionado com: (l) o fim do
curto ou longo. 'Acharith ocorre relacio- poderio da Grécia (Dn 8:23); (2) o fim dos
n ado com: (l) o fina l dos 430 anos de per- 1260 e 2300 a nos (D n 10:14; 8: 19); (3) a reu-
manência no Egito (ver com . de Gn 15:1 3, nião das nações no fim dos tempos (Is 2:2;
16) quando Israel tomaria posse de Canaã Mq 4:1 ); (4) a batalha de Gogue e Magogue
(Gn 49:1); (2) o fina l da peregrinação no imediatamente antes do estabelecime nto
d eserto (Dt 8:16); (3) o final de um período do reino m essiânico (Ez 38:6, 7, 16); (5) o
futuro de tribulação e exílio (Dt 4:30; grande dia do juízo final (]r 23:20; 30:24); e
Os 3:5); (4) o final de um período histórico (6) a destruição final dos ímpios (SI 37:38).

91
2:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

'Acharith é traduzido com frequência Terra, patrocinado pelo cristianismo apóstata


na LXX por eschatos, "último", "final ". É o e designado a converter o mundo (ver 1Ts 5:1-
oposto de re'shith, "princípio" (ver com. de Gn 5; Ap 13:11-17; etc.); (3) que descreve o plano
l:l), como se observa em Isaías 41:22; 46:10, original de Deus no qual o Israel literal devia
em que "anteriores" e "princípio" contrastam se torn ar Seu instrumento para salvação do
com "fim" e "antiguidade". mundo, mas que, devido ao fracasso e à rejei-
O uso bíblico de 'acharith torna evidente ção de Israel, essa previsão será cumprida
que o contexto deve , em cada caso, deter- p elo povo escolhido de D eu s no pre sente
minar quão distante está esse "fim". O con- ao proclamar a mensagem do evangelho aos
texto de "nos últimos dias" (Is 2:2) se refere à lugares mais remotos da Terra.
manifestação da "majestade" de Deus (v. 10), Como qualquer passagem das Escrituras,
a "n aquele dia" em que "o SENHOR será exal- a única forma de se determin ar o verdadeiro
tado" (v. 11 , 17), ao "Dia do SEN HOR" (v. 12), significado de Isaías 2:2 a 4 e sua importân-
e ao tempo "quando Ele Se levantar para cia para a igreja atual é estudar o tema no
espantar a terra" (v. 19; comparar Is 2:10- contexto das Escrituras como um todo e veri-
21 com Ap 6:14-1 7). O contexto da mensa- ficar o que a própria Bíblia tem a dizer sobre
gem paralela de Miqueia s 4:1-4 menciona o isso. H á claros estudos quanto aos problemas
tempo quando "o SEN HOR reinará sobre eles de certas interpretações literais referentes
no monte Sião, desde agora e para sempre" ao retorno dos judeus para a Palestina e ao
(Mq 4:7) e se refere ao tempo de restauraç ão papel de Israel no plano divino (ver p. 12-25).
do "primeiro domínio" a Sião (v. 8) e do cati- Ellen G. White comenta a mensagem para-
veiro babilônico (v. 10). Portanto, os "últimos lela de Miqueias 4:1 a 3 e afirma que essa
dias" de Isaías 2:2 precedem imediatamente passagem é uma das muitas "lições práticas"
o es tabelecimento do reino messiânico. que contêm "grande animação" para a igreja
Segundo claros princípios de interpre- atual (CPPE , 455, 45 6).
tação (ver p. 16, 17), a era messi ânica, no D eve-se notar que Miqueias 4:1 a 3 é
plano original de Deus para Israel, devia ter praticamente idêntico a Isaías 2:2 a 4. Um
ocorrido como o clímax do período de res- estudo do contexto de Miqueia s escla-
tauração depois do cativeiro babilônico (ver rece a passagem paralela de Isaías. Isaías e
PR, 703 , 704). No entanto, Israel frac assou Miqueias foram contemporâneos por mui-
em cumprir as condições mediante as quais tos anos.
Deus poderia ter cumprido as muitas pro- O monte da Casa do SENHOR. N a
§.- messas de glória nacional e domínio univer- LXX, Isaías 2:2 diz: "o monte do SEN HOR
sal para Israel; e , como resultado, a previsão e a C asa de Deus". "A C asa do SEN HOR"
de Isaías 2:1 a 4 nunca se cumpriu com o é o nome comum que o AT dá ao templo
Israel literal. (lRs 8:63; etc.), que ficava no monte Moriá
Acontecerá. Existem diferentes inter- (ver com. de 2Cr 3:1 ; cf. Jr 26:18; Mq 3:12).
pre tações para a mensagem dos v. 2 a 4: Esse "lugar" que o SEN HOR escolheu como
(I ) que se refere a um milênio, quando haverá centro para a adoração (Dt 12:5, 6, 14; 16:16)
paz na terra, quando os judeus serão restau- se tornou o centro e símbolo do judaísmo
rados a seu lar original e à sua antiga posi- (lRs 8: 29, 30 ; etc.). O sistema religioso
ção como povo escolhido de D eus, quando judaico estava tão estreitamente ligado ao
governarão a Terra e converterão o mundo; templo e seu serviço que sua de struição,
(2) que d escreve um fa lso reavivamento em 586 a .C., e outra vez em 70 d.C. , deixou
religioso que se dará no final da história da em grande parte esse sistem a interrompido.

92
ISAÍAS 2:3

Quando Jeremias predisse a destruição do AT, em especial em Isaías (PR, 367, 368).
templo, os líderes religiosos da nação cla- Ele fala que os gentios correriam a Israel
maram por sua morte (ver Jr 26: 1-9). A fals a por causa do Senhor, seu Deus (Is 55:5),
acusação de que Jesus tinha dito que Ele das nações chegando de longe (45 :14; 49:6 -
destruiria o templo foi o pior ataque que as 8, 12, 18, 22) para se unir a Israel (14:1) e
falsas testemunhas poderiam ter maquinado ao Senhor (56:6), de Deus pessoalmente
contra Ele (Me 14:58; 15:29; cf. Jo 2:19). conduzindo-as ao Seu "santo monte", que
Os átrios interiores do templo eram os úni- como resultado se tornaria "casa de oração
cos locais em Jerusalém dos quais os gen- para todos os povos" (56:7, 8), e dos gentios
tios eram excluídos sob pena de morte (ver apresentando sua riqueza a Jerusalém (60:3-
At 21:28-31). ll). Jeremias fala de todas as nações gentias
Sendo assim , dizer que "o monte da Casa chegando "desde os fins da terra" (Jr 16: 19)
do SENHOR" seria exaltado ao "cimo dos mon- e se reunindo "em nome do SENHOR, a
tes" era equivalente a dizer que o Deus de Jerusalém" (Jr 3: 17, AA). Zacarias previu o
Israel seria honrado acima das demais reli- tempo em que "muitas nações se ajuntarão ao
giões e dos outros deuses. A palavra "monte" SENHOR" e serão Seu povo (Zc 2:11), e "mui-
é um símbolo de poder e, portanto, de domí- tos povos e poderosas nações" iriam "bus-
nio nacional (ver Is 2:14; Jr 51:25; Ez 6:2, 3; car em Jerusalém o SENHOR dos Exércitos"
36:1, 4; Zc 4:7; Ap 17:9, lO). Daniel apre- (Zc 8:21, 22, AA; cf. Zc 14:16). Dessa forma,
senta o reino de Deus se transformando ao final, o reino de Israel ocuparia toda a
numa "grande montanha, que encheu toda Terra (PJ, 290; Zc 9:9, 10). As nações que
terra" (Dn 2:35). Outras ilustrações mostram se recusassem a cooperar com o plano de
os gentios indo ao "monte santo" de Deus Deus de se unir a Israel pereceriam (Is 60: 12;
(Is 11:1, lO; 56:6-8). cf. 54:3) e seriam "desapossadas" (PJ, 290).
No cimo dos montes. Do heb. bero'sh Esse quadro glorioso do triunfo final da ver-
heharim, que pode também ser traduzido dade nunca foi cumprido pelo Israel literal,
como "no topo dos montes", "no principal mas será pelo Israel espiritual. Isaías 2:1 a 5
dos montes" ou "como o principal dos mon- torna-se, dessa forma, um quadro do glo-
tes". Em todos os casos, o significado é o rioso triunfo do evangelho por meio do ins-
mesmo. Se "o monte da Casa do SENHOR" trumento escolhido de Deus em nossos dias,
é uma expressão figurada para a religião de Sua igreja (ver com. de Ap 18:1 ; e também
Israel, então "os montes" devem representar p. 21-23).
as outras religiões da terra. Por estar estreita- 3. Irão muitas nações e dirão. O v. 2
mente ligada ao judaísmo como fé religiosa, a fala de "todos os povos" afluindo a Jerusalém.
nação de Israel seria da mesma forma "esta- Nesta passagem e em outras, os profetas do
belecida" acima de outras nações da Terra AT repetidamente- algumas vezes com as
(ver p. 14, 15; PP, 314). mesmas palavras - apresentam o que mui-
Para ele afluirão todos os povos. De tas nações dirão. Em reconhecimento à <4 ~
acordo com o plano original de Deus para óbvia superioridade de Israel como nação
Israel como instrumento para a salvação do (D t 4:6, 7; 28:10; Is 61:9, lO; 62:1, 2; Jr 33:9;
mundo, chegaria o tempo em que as nações Ml 3:12) e admitindo que seus "pais her-
da Terra reconheceriam a superioridade e a daram só mentiras" (Jr 16: 19), as nações
liderança de Israel como nação (p. 15-17). estrangeiras diriam umas às outras: "Vamos
O quadro glorioso da exaltação de Israel como depressa suplicar o favor do SENHOR e bus-
nação se repete vez após vez nos profetas do car ao SENHOR" (Zc 8:21), e a Israel: "Iremos

93
2:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

convosco, porque temos ouvido que Deus o SENHOR dos Exércitos" (Zc 14:16). Isso
está convosco" (Zc 8:23). Esta promessa da aconteceria depois que "todas as nações que
reunião das nações para adorar o Deus verda- vieram contra Jerusalém" (Zc 14:16) tives-
deiro jamais se cumpriu com o Israel literal, sem sofrido o castigo divino (14:12 , 13, 19)
devido a sua falha em cumprir as condições, e o Senhor reinando como "Rei sobre toda
mas se cumprirá, de forma espiritual, com o a terra" (14:9; comparar com Ez 38:8, 16 ,
povo de Deus (ver p. 19, 21, 22). 18, 20-23; 39:1-3; Zc 12:2, 3, 8, 9; 14:1-3).
Vinde, e subamos. Se Israel tivesse sido De Sião sairá. Jerusalém devia ter
fiel a Deus, estas palavras teriam estado nos permanecido de pé "no orgulho de sua
lábios dos gentios, quando homens de outras prosperidade, rainha de reinos" para ser
nações reconhecessem as vantagens de se "estab elecida como a poderosa m etrópole
honrar o verdadeiro Deus. da Terra" (DTN, 577). O templo (PR, 46),
Ao monte do SENHOR. O mesmo que bem como a cidade, "teria permanecido
"o monte da Casa do SENHOR", no v. 2. É outra para sempre" (GC, 19). As n ações da Terra
forma de dizer "vamos a Jerusalém". O rolo teriam honrado os judeus , e os reconhe -
1Qis" do Mar Morto (p. 86-88; ver também vol. cido como depositários e expositores da
1, p. 8) omite a frase "ao monte do SENHOR'. lei divina a toda a humanidade (Dt 4:7, 8;
À Casa. Isto é, ao templo em Jerusalém Rm 3:1, 2). Os princípios revelados por meio
(ver com. do v. 2). de Israel deviam ter sido "o meio de restau-
Deus de Jacó. Equivalente a "Deus de rar no homem a imagem moral de Deus"
Israel". Quando Deus fez aliança com Jacó, (PJ, 286). E, "na medida em que o número
deu-lhe o nome de "Israel" (ver com. de Gn de Israel aumentasse, deveriam ampliar
32:28). O fato de os gentios não dizerem sim- os limites até que seu reino abarcasse o
plesmente "subamos a Jerusalém", e sim, mundo" (PJ, 290).
"subamos ao monte do SENHOR, e à casa do 4. Ele julgará. Nem todas as nações da
Deus de Jacó", indica verdadeira compreen- Terra estariam dispostas a obedecer à "pala-
são de que a grandeza de Israel se deveria à vra do SENHOR, de Jerusalém" (v. 3). Aqueles
cooperação do povo com o plano divino e à que se recusassem a se submeter à autori-
escolha de adorar o verdadeiro Deus. dade de Deus, exercida por meio dos judeus
Para que nos ensine os seus cami- como povo escolhido, se uniriam para conse-
nhos. Isaías fala das n ações correndo a guir por força das armas o que não estariam
Jerusalém "por amor do SENHOR, teu Deus" dispostos a obter h armonizando o caráter
(Is 55:5). Ao se achegarem ao Senhor "para O com a lei de Deus (Jr 25:32; Ez 38:8 -1 2;
servirem, e para amarem o nome do SENHOR" Jl3:1, 12; Zc 12:2-9; 14:2). Ao alcançarem e
(Is 56:6), o templo se tornaria literalmente sitiarem Jerusalém, eles descobririam para
"casa de oração para todos os povos" (v. 7; seu espanto que estavam entrando em con-
ver p. 15-17). flito com o Deus dos céus (Jr 25: 31-33) e
Andemos pelas Suas veredas. As que Ele os julgaria (Jl 3:9-17) e os destrui-
pessoas chegariam de todas as nações para ria ali (Is 34:1-8; 60:12; 63:1-6; 66:15-18).
unir seus interesses aos de Israel, dizendo: Quando os gentios se reunissem nas proximi-
"Iremos convosco, porque temos ouvido que dades do vale de Josafá (]13:2, 12), localizado
D eus está convosco" (Zc 8:23). Ao final, "um bem ao leste de Jerusalém, Deus se assen- <11 §:
restante" de todos os povos da Terra será taria "para julgar todas as nações em redor"
para o nosso Deus (Zc 9:7) e todas as nações (Jl 3:12). A palavra Yehoshafat, "Josafá", lite-
"subirão de ano em ano para adorar o Rei, ralmente, significa "Yahweh julgará".

94
ISAÍAS 2:4

Corrigirá muitas nações. Contra acreditam que um retorno literal dos judeus
Jerusalém "se juntarão todas as nações da à Palestina anuncia sua restauração à aliança
terra" (Zc 12:3), mas Deus "protegerá os dos tempos do AT interpretam Isaías 2:1 a
h abitantes de Jerusalém" (Zc 12:8) e des- 4 e a passagem paralela de Miqueias (4:1-3)
truirá "todas as nações que vierem contra como uma previsão de mil anos de paz,
Jerusalém" (Zc 12:9). Esses eventos nunca quando os judeus governarão a Terra e a con-
se cumpriram com o Israel literal, devido ao verterão a Deus. É evidente que essa inter-
fracasso da nação em cumprir a missão que pretação não tem base bíblica (ver p. 12, 23,
lhe fora designada. Contudo, como afirma 24). Numa tentativa de demonstrar o erro
João (Ap 20:7-15), essa profecia se cumprirá desse ensinamento não bíblico, alguns pro-
quando, no fim do milênio, Satanás seduzir puseram que o esse texto de Isaías se refere a
"as nações [... ] da terra, Gogue e Magogue, um falso reavivamento religioso. Essa suges-
a fim de reuni-las para a peleja" (v. 8) e sitiar tão deve ser examinada à luz de passagens
"o acampamento dos santos" (v. 9). Então, os similares no AT. As Escrituras aplicam de
ímpios estarão diante de Deus e serão "julga- forma consistente a figura aqui apresentada
dos, segundo as suas obras, conforme o que se à situação que teria prevalecido caso Israel
achava escrito nos livros" (v. 11 , 12), "julgados, tivesse sido fiel a Deus , isto é, ao ajunta-
um por um, segundo as suas obras" (v. 13). mento dos gentios (ver p. 12-25). A infideli-
As nações da Terra saberão que o Senhor é dade de Israel, porém, tornou impossível a
Deus (Ez 38:23; ver Zc 12:4; Ap 19:19-21). realização desse objetivo. Por isso, o cum-
Relhas de arados. Do heb. 'ittim, ins- primento se dará com o Israel espiritual na
trumentos agrícolas, provavelmente "enxadas" proclamação final do evangelho às nações
ou "picaretas". No acadiano, a palavra signi- da Terra (Ap 14:9-11; 18:1-4; ver p. 21-23).
fica "arado". O contraste é claro: armas de Ellen G . White cita parte da passagem
guerra são transformadas em instrumentos paralela de Miqueias 4:1 a 3, junto com
de paz. Quando os inimigos de Israel fossem Isaías 54:11 a 14 e Jeremias 31:33 e 34, como
superados, os que restassem (ver Zc 14:16) uma das muitas "lições práticas na Palavra
transformariam suas armas de guerra em ins- de Deus, lições que Cristo queria que os pro -
trumentos de paz. Esse era o plano de Deus, fessores e os pais apresentassem às crianças
que não se cumpriu com o Israel literal. na escola e no lar", e uma das passagens das
Uma nação não levantará. Quando Escrituras que "contêm grande animação" e
os inimigos tivessem sido superados, as "um tesouro de preciosas pérolas" (C PPE ,
nações que permanecessem se submete- 455, 456; ver também 454). Se Isaías 2:1 a
riam de forma voluntária à liderança de 4 e Miqueias 4:1 a 3 constituem uma lição
Israel. Das muralhas de Jerusalém "parti- prática de "grande animação" para o povo de
ria a pomba da paz em direção de todas as Deus hoje, dificilmente essas passagens des-
n ações" (OTN, 577). "Jerusalém habitará creveriam um falso reavivamento religioso.
segura" (Zc 14: 11). "Estranhos não passarão Porém, quando as palavras desses profetas
mais por ela" (Jl 3:17). A cidade faz justiça são consideradas dentro do contexto de pas-
ao seu nome, uma possessão de paz ou fun- sagens similares do AT, então se destaca sua
damento de paz. Outra vez, o plano origi- importância. Deve-se observar que:
nal de Deus para Israel não se realizou por l. Isaías afirma que a mensagem dos v. 2
causa da apostasia. a 5 se refere a "Judá e Jerusalém" (Is 2:1 ; cf.
Nem aprenderão mais a guerra. Mq 4:2), o povo escolhido de Deus. Em todo
Comparar com Os 2:18 e Sl 46:9. Os que o AT, "Judá e Jerusalém" sempre se referem

95
2:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

ao povo de Deus, apesar de suas imperfei- 3. As palavras de Isaías 2:2 são as pala-
ções e defeitos, e Deus o reconhecia assim vras do Senhor, não as de "muitas nações"
(ver Nm 23:21). Aqueles a quem Deus não (v. 3). É o próprio Deus que afirma no v. 2 a
reconhece como Seu povo jamais são desig- verdade que "todos os povos afluirão" para
2rr- nados como "Judá e Jerusalém". Ele nunca se "o monte da Casa do SENHOR". Representar
dirige a Babilônia ou ao Egito e Edom como como um falso reavivamento religioso o que
"Judá e Jerusalém". Há ainda o apelo à "casa Deus diz é negar que Deus sabia do que
de Jacó", no v. 5. A gloriosa perspectiva da estava falando. No v. 2, Deus diz que "todos
recompensa pela fidelidade a Deus devia ter os povos afluirão" para "o monte da Casa do
sido um forte incentivo a Israel para cami- SENHOR", e no v. 3, que "muitas nações" dirão:
nhar na luz do Senhor (ver CPPE , 455, 45 6). "Vinde, e subamos ao monte do SENHOR".
2. Algumas vezes enfatizam-se as pala- É óbvio que esses dizeres estão em harmonia
vras "irão muitas nações e dirão" (v. 3) como com Deus, não em oposição a Ele.
evidência de que o que dizem está em oposi- 4. Se as palavras que o povo diz no v. 3
ção ao que disse o Senhor. No entanto, deve- representam um falso reavivamento religioso,
se notar que aqui a afirmação das "nações" expressões semelhantes do AT também deve-
está completam ente em harmonia com a riam ser compreendidas assim.
vontade de Deus revelada em outros textos 5. Afirmar que as palavras de Isaías 2:3
da Sua Palavra, e seria bastante apropriada correspondem ao clamor de "paz e segurança"
nos lábios daqueles que sinceramente amam (1Ts 5:3) implica passar por alto a importân-
o Senhor. Além disso, os mesmos pensa- cia de outras passagens do AT (como Sl46:9;
mentos, frequentemente expressos com Os 2:18). A promessa adicional de M iqueias
as palavras semelhantes, estão nos lábios 4:4, proferida pelo Senhor, nesse contexto
dos gentios convertidos ao judaísmo em (v. 5-8), torna evidente que essas palavras
todo o AT. Por exemplo, em Zacarias 8:21 se referem à paz eterna do reino messiânico
a 23 se afirma: "Vamos depressa suplicar o (ver ls 32:15-18).
favor do SENHOR e buscar ao SENHOR dos Deus deixou claro que nos últimos dias
Exércitos [.. .] Virão muitos povos e podero- haverá um falso reavivamento religioso. Mas,
sas n ações buscar em Jerusalém ao SENHOR ao se estudarem as evidências, conclui-se
dos Exércitos e suplicar o favor do SENHOR. que Isaías não se refere a tal reavivamento.
Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Naquele Cristo predisse que as mensagens dos
dia, sucederá que pegarão dez homens, de ministros do fal so reavivamento religioso
todas as línguas das nações, pegarão, sim, na seriam de natureza tal que, se possível,
orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos enganariam os próprios eleitos (Mt 24:23-
convosco, porque temos ouvido que Deus 27). "Tão meticulosamente a contrafação se
está convosco". Nesse caso, os "povos" ou parecerá com o verdadeiro, que será impos-
"nações" dizem o mesmo que em Isaías 2:3, sível distinguir entre ambos sem o auxílio
e Deus confirma o que dizem com o ajun- das Escrituras Sagradas" (GC , 593). Quando
tamento das nações em Israel. Seria difícil chegar a hora, somente o amor genuíno à ver-
conceber que as palavras de Isaías 2:2 a 4 dade e uma atenção diligente às instruções
representam um falso reavivamento e as de contidas na Bíblia e no Espírito de Profecia
Zacarias 8: 21 -23, um reavivamento genuíno poderão proteger dos enganos do inimigo,
(ver também Dt 4:6, 7; Is 45:14 ; 49:6, 12, 18, dos espíritos sedutores e das doutrinas de
22; 55:5 ; 56:6-8 ; 61:3- ll; Jr 3:17; 16:19; Zc demônios (Os 4: 6; 2Ts 2:9-12; T6 , 401; T8,
2: 11 ; 14:16; M l 3:1 2). 298; TM, 475).

96
ISAÍAS 2:5

Com exceção daqueles que conhecem e os oponentes, mas que suportem a mais
amam a verdade, o mundo todo se desviará acurada e perscrutadora averiguação" (T5,
por esses enganos (ver Ap 13:13-15; GC , 708). Com respeito ao falso reavivamento
562). Quando as igrejas cristãs se unirem , religioso, o Espírito de Profecia apresenta
líderes religiosos populares verão nessa união grande riqueza de informações. Ao se tratar
um grande movimento para evangelizar o desse assunto, pode-se confiar nas muitas
mundo. De fato, ensinarão que o mundo todo passagens bíblicas que claramente predizem
se converterá (GC, 588, 589; PE, 261; cf. tal movimento. Nisso, como em toda expo-
282). Esse falso reavivamento precede a pro- sição das Escrituras, em especial das men-
clamação da última grande mensagem divina sagens dos profetas do AT, é preciso seguir
de misericórdia e advertência, apresentada de perto princípios h ermenêuticas sólidos
em Apocalipse 18: 1 a 4, sendo uma tenta- (ver p. 12-25).
tiva de impedir que a humanidade aceite a 5. Casa de Jacó. Quando o profeta
mensagem divina (GC , 464). Com esse cla- Isaías pronunciou esta mensagem , o reino
mor de "paz e segurança", Satanás desej a do norte, as dez tribos, ainda não tinha sido
criar na humanidade uma falsa sensação de levado em cativeiro. Embora as mensagens
~ ... segurança , da qual não despertarão antes de Isaías se dirigissem primeiramente ao
que seja tarde demais (lTs 5:1-5 ; cf. Jr 6:14; povo de Judá e Jerusalém (ver com. deIs 1:1),
8: 11 ; PE, 282; PP, 104; GC , 562; PJ, 411 ; seu apelo para caminhar na luz do Senhor
T 5, 715). A esse grande e falso movimento se estendeu às doze tribos. Embora a apos-
religioso se unirão todos os que têm uma tasia do reino do norte fosse quase completa ,
forma externa de piedade, mas que negam a misericórdia divina ainda apelava a Israel
seu poder (2Tm 3: 1, 5). a voltar para Deus antes que terminasse o
Como o falso reavivamento será muito dia da salvação.
semelhante ao verdadeiro, naturalmente Andemos. A gloriosa perspectiva que
a descrição bíblica do verdadeiro também agu ardava Israel, profetizada nos v. 1 a 4 ,
pode, em certa medida, descrever o falso. inspirou o profeta a fazer um apelo como-
Assim, em textos como Apocalipse 14:6 a vente para caminhar na luz do Senhor. Quem
11 e 18:1-4, entre outros, que devem servis- vê o que Deus tem preparado para os que O
tos como descrições claras do verdadeiro rea- amam e O servem não se contenta com con-
vivamento da piedade como a obra final do quistas medíocres.
evangelho, é possível, sem dúvida, encon- Obediência ao dever é a única evidência
trar pontos que Satanás tentará falsificar. válida de que se aceitou com sinceridade a
Deve-se considerar toda a revelação divina oferta divina de misericórdi a. De fato, a fé
com respeito a essas coisas num esforço sin- não acompanhada de obras de obediência é
cero de se preparar para a grande crise que declarada como "morta" (Tg 2:26). Diz-se que
se aproxima. os que ouvem a palavra do Senhor, mas negli-
Diante das pretensões proféticas e da genciam cumpri-la são como quem constrói
exegese errônea do sionismo e de outros a casa sobre a areia (Mt 7:26, 27).
movimentos que confundem e aplicam mal Luz do SENHOR. Isto é, a luz da verdade
as profecias do AT, com interpretações ima- que o Senhor enviou por meio de Seus pro-
ginativas, "nunca nos permitamos o emprego fetas. Nos dias de Isaías, essa luz era a sal-
de argumentos que não sejam inteiramente vação por meio do Messias prometido, que,
retos. [... ] Devemos apresentar argumentos quando veio, disse de Si mesmo que era "a
legítimos, que não somente façam silenciar luz do mundo" (ver com. de Jo 8: 12). Ele era

97
2:6 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

a "verd adeira luz", "a luz dos homens'! o significado é o mesmo: Israel tinha se asso-
(]o 1:9, 4). Cristo apelou aos líderes de Israel ciado aos estrangeiros, "dando-se as mãos"
de Sua época para andarem na luz enquanto no sentido de entrar em acordo com eles e
a luz ainda estivesse entre eles (]o 12:35, 36; compartilhar causas comuns. Israel não era
cf. ]o 1:9-1 2). mais um povo separado e peculiar. Eram um
6. Desamparaste o Teu povo. Em vez com o mundo ao seu redor quanto a política,
de perceber o glorioso destino que Deus pla- comércio, religião e iniquidade (comparar
nejara, eles praticamente se apostataram. Os com 2Co 6:14).
judeu s já não eram verdadeiros, fiéis e obe- 7. De prata e de ouro. Judá tinha se
dientes ao Senhor. Estavam abandonados familiarizado com o comércio, e seu principal
e deixados de lado por causa de suas gra- interesse era o lucro material. A nação pos-
ves iniquidades. Deus não estava com eles suía abun dância de prata e ouro, mas care-
nem a favor deles, mas contra eles, porque cia de justiça e fé. O reinado de Uzias tinha
se voltaram para o pecado. Essa era a rea- sido longo e próspero. Ele teve êxito contra
lidade, um contraste m arcante com a pers- os filisteus e os árabes, e recebia tributo dos
pectiva gloriosa que Isaías tinha acabado de amonitas (2Cr 26:7, 8). Com a prosperidade,
apresentar. Os v. 6 a 9 descrevem a condi- houve luxo e declínio moral. Pode-se ter uma
ção de Israel naquele momento, enquanto ideia da extensão da riqueza de Judá nos dias
os v. lO a 22 descrevem o resultado inevitá- de Isaías com o tributo que Senaqueribe
vel: o que aconteceria no "Dia do SENHOR" afirma ter recebido de Ezequias, que incluía
(v. 12). Tendo em vista a apostasia de Israel, 30 talentos de ouro (mais de uma tonelada;
esse dia traria escuridão e terror à "casa de vervol. 1, p. 142), 800 talentos de prata (mais
Jacó", o professo povo de Deus, bem como de 27 toneladas), pedras preciosas e muitos
ao restante do mundo. outros tesouros.
Corrupção do Oriente. Babilônia Cavalos. Por meio de Moisés, o Senhor
ficava ao oriente da Palestina, famosa por instruiu Israel a n ão multiplicar cavalos
seus astrólogos , agoureiros e feiticeiros para si (Dt 17:16); e Samuel advertiu que,
Sl ~~> (Dn 2:2, 27; 4:7; 5:7, 11). Por abandonar o ao nomear um rei, o povo se veria obri-
Senhor e seguir a religião falsa do Oriente, gado a manter cavalos e carros (lSm 8:11,
Israel perdeu o favor divino . 12). Salomão teve muitos cavalos e carros
Como os filisteus. Os h abitantes da (lRs 10:25-29), e Uzias, sem dúvida, seguiu
Palestina foram expulsos diante de Israel por seu exemplo nisso. Na época do AT, cava-
causa das muitas abominações que pratica- los eram usados principalmente na guerra.
vam, como ouvir "os prognosticadores e os A multiplicação de cavalos e carros faria com
adivinhadores" (Dt 18:10-14). Como os babi- que o povo deixasse de confiar em Deus
lônios, os filis teu s tinham seus sacerdotes para confiar em coisas materiais. Miqueias
e ocultistas e seus adivinhos (lSm 6: 2), e o 5:10, 12 e l3 declara que, como vingança, o
professo povo de Deus estava seguindo seu Senhor destruirá os cavalos e carros, junto
exemplo. Em vez de ir a Deus em busca de com os ídolos , agoureiros e feiticeiros.
luz, eles procuravam os líderes , associados 8. Está cheia a sua terra de ídolos.
ao príncipe das trevas . O reinado de Acaz foi caracterizado por grande
E se associam com os filhos dos declínio moral, em que rei e povo abandona-
estranhos. Nesta passagem o hebraico ram o verdadeiro Deus e passaram a adorar
é obscuro. Alguns sugerem a tradução: ídolos. Faziam-se imagens a Baal (ver vol. 1,
"eles se dão as mãos". De qualquer forma , p. 151), sacrifícios humanos eram oferecidos

98
ISAÍAS 2:13

aos deuses pagãos, altares eram erigidos em grandeza e majestade pelo que realmente é,
toda a Jerusalém, lugares altos para queimar o Criador e Mantenedor não só deste mundo,
incenso a ídolos eram dedicados em toda a mas do universo. Ele se assenta exaltado no
terra, e um altar pagão foi erigido no átrio trono de Sua glória, como juiz de todos os
do templo, onde ficava o altar de bronze de povos da Terra e Rei do universo.
Salomão (2Rs 16:10-14; 2Cr 28:2-4, 23-25) . . Naquele dia. "Aquele dia" é "o Dia do
9. O homem se avilta. As palavras SENHOR" (v. 12), quando Jesus volta para
"gente" e "homem" expressam a distinção reinar, redimindo Seu povo e destruindo os
implícita nos termos heb. 'adam, "homem", ímpios (Is 13:9; 34:8).
como ser humano, e 'ish, "homem", como 12. O Dia do SENHOR. "O Dia do
diferente de mulher. Era considerado mais SENHOR" é o dia da ira de Deus sobre nações
honroso ser um "homem", 'ish, do que mera- individualmente e sobre o mundo. Quando
mente um ser humano, 'adam, como deixa uma nação se torna tão ímpia, de modo que
claro o hebraico do Salmo 49:2. O signifi- seu destino é selado e o juízo final pronun-
cado nesse caso é que os homens serão humi- ciado contra ela pelo Senhor, esse é "o Dia
lhados e apresentados diante do Senhor. Eles do SENHOR" para esse povo particular. Esses
não se humilham, pois são orgulhosos e arro- dias do Senhor específicos e localizados sobre
gantes, mas serão humilhados na vinda do Israel (Am 5: 18), Judá e Jerusalém (Lm 2:22;
Senhor (ver Is 2:10-12). Ez 13:5; Sf 1:7, 14, 18; 2:2, 3; Zc 14:1),
Não lhes perdoarás. Quando "o Dia Babilônia (Is 13:6, 9), Egito (Jr 46:10; Ez 30:3)
do SENHOR" (v. 12) chegar, o tempo de graça e Edom e os pagãos em geral (Ob 15) eram
para os pecadores terá passado e não pode- tipos do grande dia do juízo do Senhor que
rão se arrepender (ver Os 13:14; cf. Hb 9:28). virá sobre todo o mundo (lTs 5:2; 2Pe 3:10;
Deus não pode perdoá-los porque não dese- ver também Is 34:8; Jl1:15; 2:1; 3:14; Zc 14:1 ;
jam o perdão. Ml4:5). As profecias de um "Dia do SEN HOR"
10. Entra nas rochas. Na Palestina com efeitos locais também descrevem com
havia muitas covas e cavernas, que eram frequência o "Dia do SENHOR" num sen-
abrigos naturais em tempo de perigo (ver tido universal no fim do mundo. Da mesma
Jz 6:2; 15:8; 1Sm 13:6; 24:3; 1Rs 18:4). No forma, Jesus mesclou previsões da queda de
grande dia do Senhor, as pessoas fugirão com Jerusalém com as de Sua segunda vinda.
terror para qualquer lugar de refúgio, pro- Soberbo e altivo. "A soberba precede
curando se abrigar das calamidades que cai- a ruína, e a altivez do espírito, a qu e da"
rão sobre a terra (ver Ap 6:15). O rolo 1Qlsa (Pv 16:18). A soberba fez com que a huma-
do Mar Morto não contém a última frase de nidade se voltasse contra Deus e pass asse
Isaías 2:9, nem o v. lO . a oprimir o semelhante. O orgulho indu z a
s"' li. Os olhos altivos. As pessoas têm desafiar a Deus, atraindo Sua ira. Assim, o
desafiado o Deus do Céu. Elas exalta m poder do Céu se volta contra os orgulhosos.
suas próprias opiniões acima dos decretos A destruição deles bem como de suas obras
de Deus. No grande dia do acerto de con- é só questão de tempo. Isaías viu o professo
tas, os soberbos e orgulhosos serão humilha- povo de Deus se jactar e se gloriar de su as
dos diante do Senhor dos céus (ver Is 13: ll). próprias conquistas. Também o viu humi-
Só o SENHOR. Comparar com o SI lhado no pó diante do Criador no grande
46:10. Quando o Senhor vier em poder e gló- dia do juízo.
ria, toda carne será como erva diante dEle. 13. Os cedros do Líbano. Em seu
O Senhor será reconhecido em toda a Sua orgulho e glória, nações e indivíduos são

99
2:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

comparados com frequência a árvores majes- 19. Nas cavernas das rochas. Ver
tosas (Is 14:8; Ez 31:3-14; Dn 4:10-23; Zc com. do v. 10. Outra vez se descreve a busca
11:1, 2) que podem ser cortadas e destituí- por um abrigo nas inúmeras covas e fendas
das de sua glória. nas rochas da Palestina, que proporcionam
14. Os montes altos. Com frequência um meio eficaz de fuga e defesa diante do
montes representam reinos na Bíblia. Assim perigo (comparar com Os 10:8; Ap 6:15 , 16).
como a ira de Deus cairá sobre o soberbo e Espantar a terra. Do heb. 'aras, "levar
o altivo no grande Dia do Senhor, também um choque", "tremer". Um grande terremoto
cairá sobre as nações orgulhosas. Nações que acompanhará a volta de Cristo (comparar com
se gloriam e se levantam contra o Senhor Is 2:21; Ap 11:19; 16:18). Isso trará desolação a
dos exércitos serão humilhadas e desoladas. toda a terra, engolindo grandes cidades, remo-
15. Toda torre alta. Em contraste vendo ilhas de seus lugares e arrancando mon-
com a defesa que Deus provê para os Seus, tes de seus fundamentos. É a voz de Deus que
esta é a que o ser humano inventa. Uzias faz a terra tremer (ver GC, 637).
tinha fortalecido em grande medida as defe- 20. Toupeiras. Criaturas que vivem sob a
sas de Judá , construindo torres fortes em terra, ou em covas, ruínas e construções aban-
Jerusalém, aumentando os muros da capital donadas. É para lugares como esses que as pes-
e construindo torres nas áreas rurais. Seus soas fogem em busca de abrigo (v. 10, 19, 21).
sucessores deram continuidade a essas obras Ídolos de prata. Homens que fogem da
(2Cr 26:9, 10; 27:3, 4; 32:2- 6; Is 22:8-11; Os presença de Deus para as cavernas rejeitam
8: 14). Nenhuma dessas defesas poderia fic ar seus ídolos, que então reconhecem como
em pé no dia da ira de Deus. incapazes de ajudá-los. Estes não são neces-
16. Os navios de Társis. Grandes navios sariamente ídolos literais, mas podem ser
transportavam metais no Mediterrâneo e tesouros de ouro e prata. Eles se provam
no Mar Vermelho, para comercializá-los em inúteis e incapazes de salvar, e são rejeita-
terras distantes (ver 1Rs 10:22; 22:48; 2Cr dos como vãos.
20:36). O juízo dos céus cairi a sobre todas 21. Pelas fendas das rochas. Isaías
essas empresas comerciais, motivadas pelo repete a figura do v. 19, com alguns ac rés-
egoísmo e pela cobiça. cimos e mudanças. Este é o clímax da visão
Tudo o que é belo à vista. O hebraico apresentada a Isaías com respeito aos terrí-
desta fra se já foi considerado obscuro. Porém , veis acontecimentos que virão sobre a terra.
estudos posteriores revelaram que o termo O cumprimento dessa profecia está próximo
sehyyah, cujo significado antes era tido como (ver T7, 141), e o Senhor Se revelará para
"figura", significa "navio". Portanto, a frase fazer tremer terrivelmente a terra e julgar
deve ser traduzida como "todos os navios aqueles qu e, de forma consciente , rejeitaram
belos" ou "todos os navios desejáveis". O con- Sua misericórdia e violaram Sua lei .
texto - a primeira parte do versículo - con- 22. Afastai-vos, pois, do homem. Se
firma essa definição. A LXX também tra z esse será o destino dos maus, por que ainda
"navios". Em egípcio, shti significa "navio". confiar neles? O povo de Deus confiava em
17. A arrogância do homem. Ver o sua própria sabedoria e na ajuda de vizinhos
v. 11. A mensagem de condenação dos orgu- pagãos. Eles deviam ter se voltado para o
lhosos e altivos é reiterada com o objetivo de Senhor e teriam encontrado ajuda e força.
se dar ênfase. Humilhação e vergonha serão O sentido das palavras "afastai-vos, pois,
~ ,. o destino último dos que pensam e agem de do homem" é similar ao da advertência ele
forma contrária aos propósitos do Senhor. Cristo aos discípulos, registrada em Mateus

100
ISAÍAS 2:22

10:17: "Acautelai-vos dos homens." Vez após pode fazer para que se deposite nele con-
vez, Deus advertiu Israel a não depositar sua fiança? Os seres humanos se gloriam e desa-
confiança na força humana, fo sse a deles fiam o grande Deus do céus, rejeitando Sua
mesmos ou de nações vizinhas como Egito e palavra e recusando andar nos Seus cami-
Assíria, mas sim a ter confiança no que Ele nhos. Essas pessoas perecerão, juntamente
faria por eles, se fossem fiéis. Assim como no com as coisas que fizeram, ao passo que
Mar Vermelho, em Jericó e diante dos por- Deus e a verdade jamais deixarão de exis-
tões de Jerusalém nos dias de Senaqueribe, tir. Por que buscar a pessoas que se volta-
Deus podia provar a suficiência de Seu poder. ram contra Deus? De toda a civilização que
Cujo fôlego. Estas palavras enfatizam a o ser humano construiu e da qual se tanto
fragilidade da vida humana (ver Gn 2:7; 7:22; gloria, nada valerá a pena ser conservado. As
Sll46:3, 4). Deus deu ao ser humano fôlego e torres altas e muralhas, os navios de Társis,
vida, e quando o fôlego falta , a vida cessa. Por os tesouros de ouro e prata perecerão no dia
que depender da ajuda de seres mortais e frá- quando o Senhor "Se levantar para espantar
geis quando Deus promete direção e forç a? a terra" (v. 19). Naquele dia, o soberbo e o
Em que é ele estimado? Ou, "que valor altivo serão humilhados, e apenas o Senhor
ele tem?" O que é o ser humano, e o que ele será exaltado.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

5- FEC, 222; T 3, 160, 190 17, 18 - PR, 727 GC , 638; PR, 727; PP,
8, 9 - PR, 306 19 - OE, 265; LS, 412; MJ, 341
10-12 - GC , 638 89; T 7, 141; T8, 36 21 - PE , 34; MJ, 89; T8, 36
11- PR, 186 20 - Ev, 63; T1, 169; BS, 22- FEC, 222 ; TM, 376,
11, 12- PR, 306 266 476, 483; T5, 301
17 - T1 , 140; T2, 281 20, 21 - PJ, 372; CM, 224 ;

CAPÍTULO 3
1 A grande confusão que advém do pecado. 9 A imprudência do povo. 12 Opressão e cobiça
por parte dos governantes. 16 Juízos contra as mulheres por seu orgulho.

Porque eis que o Senhor, o SENHOR dos 5 Entre o povo, oprimem uns aos outros, cada
Exércitos, tira de Jerusalém e de Judá o sustento um , ao seu próximo; o menino se atreverá contra
e o apoio, todo sustento de pão e todo susten- o ancião, e o vil , contra o nobre.
to de água; 6 Quando alguém se chegar a seu irmão e
2 o valente, o guerreiro e o juiz; o profeta, o lhe disser, na casa de seu pai: Tu tens roupa,
adivi nho e o ancião; sê nosso príncipe e toma sob teu governo esta
3 o capitão de cinquenta, o respeitável, o con- ruína;
selheiro, o hábil entre os artífices e o encanta- 7 naquele dia, levantará este a sua voz, dizen-
dor perito. do: Não sou médico, não há pão em minha casa ,
4 Dar-lhes-ei meninos por príncipes, e crian- nem veste alguma; não me ponhais por prínci -
ças governarão sobre eles . pe do povo.

101
3:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

8 Porque Jerusalém está arruinada , e Judá, emproado, de olhares impudentes, andam a passos
caída; porquanto a sua língua e as suas obras são curtos, fazendo tinir os ornamentos de seus pés,
contra o SENHOR, para desafiarem a Sua glorio- 17 o Senhor fará tinhosa a cabeça das filhas
sa presença. de Sião, o SENHOR porá a descoberto as suas
9 O aspecto do seu rosto testifica contra eles ; vergonhas .
e, como Sodoma, publicam o seu pecado e não 18 Naquele dia, tirará o Senhor o enfeite dos
o encobrem. Ai da sua alma! Porque fa zem mal anéis dos tornozelos, e as toucas , e os ornamen-
a si mesmos. tos em forma de meia-lua;
lO Dizei aos justos que bem lhes irá; porque 19 os pendentes , e os braceletes, e os véus
comerão do fruto das suas ações. esvoaçantes ;
11 Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua 20 os turbantes, as cadeiazinhas para os
paga será o que as suas próprias mãos fi zeram. passos, as cintas, as caixinhas de perfumes e
12 O s opressores do Meu povo são crianças, e os amuletos;
mulheres estão à tes ta do seu governo . Oh l Povo 21 os sinetes e as joias pendentes do nariz;
meu I Os que te guiam te enganam e destroem o 22 os vestidos de festa, os mantos, os xales
caminho por onde deves seguir. e as bolsas;
l3 O SENHOR Se dispõe para pleitear e Se 23 os espelhos, as camisas finíssimas, os ata-
apresenta para julgar os povos. vios de cabeça e os vé us grandes.
14 O SENHOR entra em juízo contra os an- 24 Será que em lugar de perfume h averá po-
ciãos do Seu povo e contra os seus príncipes. Vós dridão, e por cinta, corda; em lugar de encres-
sois os que con sumistes esta vinha; o que rou- padura de cabelos, ca lvície ; e em luga r de veste
bas tes do pobre está em vossa casa. suntuosa, cilício; e m arca de fogo, em lugar de
15 Que h á convosco que esmagais o Meu formosura.
povo e moeis a face dos pobres? - diz o Senhor, 25 Os teus homens cairão à espada, e os teus
o SENHOR dos Exércitos. valentes, na guerra.
16 Diz ainda mais o SENHOR: Visto que são 26 As suas portas chorarão e estarão de luto;
altivas as filhas de Sião e andam de pescoço Sião, desolada, se assentará em terra.

1. De Jerusalém e de Judá. Esses fome literal a uma escassez de líderes capa-


nomes representam o professo povo de Deus, zes. A nação sofreri a com a falta de lide-
que, na época de Isaías , tinha se distanciado rança assim como o corpo sofre com a falta
do Senhor; e, contudo, professavam , em vão, de alimento. Quando os estadistas fossem
a religião. Atualmente no mundo prevalece eliminados, as responsabilidades do governo
u ma situação similar, e, nestes últimos dias, recairiam sobre os ombros de pessoas inca-
2 ~~> o povo que adora a Deus com os lábios, mas pazes. O resultado inevitável seria a ruína
cujo coração está distante dEle, necessita da nacional (ver v. 2-5).
mesma mensagem (ver com . de Mt 15:7-9). 2. O juiz; o profeta. Os v. 2 e 3 alis-
O sustento e o apoio. O Senhor estava tam os diferentes tipos de líderes que eram
prestes a remover de Judá os dois principais o apoio da nação. N enhum país pode per-
elementos necessários à vida: o pão e a água. manecer sem líderes fortes. No entanto ,
A expressão "sustento de pão" é comum na esses servidores seriam tirados de Judá, e,
Bíblia (ver Lv 26:26; Ez 4:16; 5: 16; 14:13). como resultado, haveria debilidade e desor-
Sem dúvida, Isaías se refere à fome literal, ganização nacional. O Senhor não diz que
mas o contexto parece aplicar as figura s da iria removê-los de forma deliberada, apen as

102
ISAÍAS 3:9

chama atenção para a lei da causa e do efeito. "ingratos, irreverentes" e "inimigos do bem"
Ele permitiu que Israel escolhesse seus líde- (2Tm 3:1-4).
res, que governassem como o povo gostaria 6. Tu tens roupa. Tentativas seriam
de ser governado. feitas de se confiar a liderança a homens
3. O respeitável. Ou, "o homem de posi- ricos, ignorando o fato de que a posse de
ção". Este versículo prossegue com a lista bens materiais não é evidência de habilidade
de líderes hábeis que seriam tirados de Judá para governar.
- oficiais do exército, funcionários civis, Esta ruína. Em referência à nação como
todas as pessoas necessárias para tornar uma se já estivesse desolada. Os tempos estariam
nação forte e próspera. Esses homens foram longe de ser prósperos.
levados a Babilônia por Nabucodonosor (ver 7. Não sou médico. Esta é a resposta
2Rs 24:14; cf. Jr 24:1; Dn 1:3, 4). do irmão a quem se convoca a governar sobre
4. Dar-lhes-ei meninos. O manejo das a "ruína" (v. 6). O apelo é negado, e o cargo
questões nacionais estaria nas mãos de pes- de "médico" não é preenchido. Não é dele a
soas com mente de meninos. Homens sem tarefa de curar as feridas de outros. Se há
habilidade seriam escolhidos para governar a uma obra de restauração a ser feita, que outro
nação. Haveria grande necessidade de líderes assuma a responsabilidade. Fosse qualifi-
capazes, e, como resultado, tudo iria de mal cado ou não, ele recusaria a responsabili-
a pior. "Meninos" - indivíduos caprichosos, dade de liderar.
sem clareza de pensamento e de sabedoria 8. Jerusalém está arruinada. Na
para agir- tomariam as decisões e controla- época das invasões de Senaqueribe (ver
riam o destino da nação. Sob tais condições, vol. 2, p. 71, 72), o reino de Judá tinha sido
a desintegração nacional seria rápida e certa. em grande parte redu zido a ruínas. O rei
5. Oprimem uns aos outros. Nações Ezequias foi forçado a pagar um elevado
com governantes sábios e capazes não sofrem tributo imposto pelo rei assírio (ver com.
com injustiça e opressão. Um esforço deter- de Is 2:7). Embora Senaqueribe não tenha
minado da parte dos líderes de um país a fim conseguido invadir Jerusalém, o restante da
de promover igualdade e justiça prevenirá nação estava em suas mãos. ...;;:;
abusos que resultem na ruína da civilização. A sua língua e as suas obras. Isaías
Quando cidadãos de uma nação constante- apresenta o motivo da humilhação que Israel
mente são oprimidos por seus semelhantes, a tinha sofrido e a completa ruína que se segui-
confiança e prosperidade são enfraquecidas. ria: o povo tinha abandonado ao Senhor, e,
Onde há injustiça, engano, violência e opres- como resultado, Ele não mais podia abençoá-
são, a nação vai abaixo, e o dia de acerto de lo e protegê-lo. Tanto em palavras como em
contas certamente virá. Isso aconteceu em atos, o professo povo de Deus tinha se rebe-
todas as eras. Ocorreu em Judá nos dias de lado contra Ele.
Isaías e ocorre hoje. A corrupção prepara o Para desafiarem a Sua gloriosa pre-
caminho para o caos e a ruína. sença. Literalmente, se "rebelar diante dos
O menino se atreverá. Os jovens sem olhos de Sua glória", isto é, na Sua presença
experiência rejeitariam o conselho dos mais (ver v. 9). Deus é longânimo e compassivo, e
velhos. Conforme apresentado no decálogo, espera muito antes de punir o culpado. Mas
o primeiro dever para com o próximo é hon- a hora do acerto de contas, embora demore,
rar seus pais (Êx 20:12; cf. Lv 19:32). Os peri- certamente virá.
gos preditos para os últimos dias incluem 9. O aspecto do seu rosto. Literal-
crianças "desobedientes aos pais" e homens mente, "seu apreço pelos rostos", isto é sua

103
3: lO COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

parcialidade (ve r At 10:34). Esses ímpios não declaração de um fato fundamental. Nada
distinguiam entre o certo e o errado; faziam o no mundo é mais certo do que o fato de que
que queriam. A conveniência era o que valia , plantar o mal produ z o mal. Quando pessoas
não a justiça. Seus atos testemunhavam con- plantam iniquicl ade, elas e o mundo ao seu
tra eles à vista do Céu. redor, sem dúvida, terão um a colheita de dor.
Como Sodoma, publicam o seu Israel estava se destruindo com sua iniqui-
pecado. Os homens de Sodoma pecaram dade. Era necessário inc ulcar esse fato de
abertamente. A cid ade era famosa por sua forma indelével no coração de todos a fim
impiedade, e o povo se deleitava com sua ele que pudessem se desviar do pecado, e,
reputação de fazer o mal. Não pretendiam como resultado, a nação ser sa lva. Não há
fazer o bem e publicamente se jactavam da maior patriota ou cidadão de mais valor do
maldade. Esse tipo de pecadores estava em que o pregador da retidão. Do início até o
franca rebelião contra Deus e não se esfor- fim , Isaías fez isso diante de seu povo, e, em
çava pa ra esconder o fato. Nesse estágio, o certa medida , seus esforços tiveram sucesso.
vício já não re ndia homenagem alguma à Sua pregação influenciou uma reforma, e
virtud e ao fing ir fazer o bem. H av ia uma assim a nação se livrou da tragédia que teria ,
demonstração aberta de vício e iniquidade, mais cedo, arruinado o país.
bem como ne nhuma vergonha de se fa zer o Mal lhe irá. O rolo lQi s" do M ar Morto
que era errado. As cid ades de Israel eram (ver p. 86; ver também vol. l, p. 7) di z: "o mal
como as cidades da planície: estava m madu- acontecerá a ele".
ras para a destruição. 12. Os opressores do Meu povo são
Fazem mal a si mesmos. O pecado crianças. Alguns imagin a m que es tas pala-
semeia as sementes de sua própri a destrui - vras se referem à idad e dos reis de Jud á
ção. A impiedade do pecador é acompanhada nesse tempo, mas isso dificilme nte é ver-
ele um a taça de amargura e m aldade que dade porque os gove rna ntes durante a
qu eimará a alma e destruirá o ser. Todos que época de Isaías não eram demasiado jovens
praticam o m al chamam o mal para si, e não quando começara m a reinar. Jotão tinha 25
o bem. quando su biu ao trono (2 Rs 15: 33), Acaz
10. Dizei aos justos. O que se planta tinha 20 (2 Rs 16:2) e Ezequ ia s, 25 (2 Rs
se colhe. Os justos plantam boa semente , o 18:2). Aza rias (Uzias), porém, tinha ape nas
que produzirá boa colheita. A grande lição 16 quand o se tornou rei (2 Rs 15: 2), mas é
que o ser hum a no precis a aprender é que evidente que o ministério de Isaías começou
tudo aquilo que se planta se colhe. O maior apenas no final do reinado de Azarias (ver Is
erro que pais ou professores podem come- 6: 1). Manassés tinha 12 (2 Rs 2 1: 1) e Josias
ter é permitir q ue crianças e jovens pensem apenas oito (2Rs 22:1) qu a ndo com eça ram a
que, quando pl a ntam o mal, podem colher reinar. Visto qu e os reis do tempo de Isaías
o bem. Uma maldição foi pronunciada sobre não eram literalmente "cr ia nças", ta mpouco
o pecador. Portanto, qu e ninguém diga ao é provável que se us ofici ais foss e m "c rian-
pecador em Sião que o f uturo será bom para ças" num sentido litera l. O sign ificado é
ele. Isso não vai acontecer, pois Deus pro- que os govern a ntes da época eram cria n-
nunciou uma maldição. Somente aquele que ças e m seu critério e capac idade. Faltavam 1i:
abandona o pecado e faz o bem pode espe- líderes experientes, no trono , no la r e em
rar a bênção do Céu. toda parte . É claro qu e isso era especial-
li. Ai do perverso! Este n ão é um mente verdade no caso de Acaz, que come-
decreto a rbitrário el a parte de Deus , mas a ço u a reinar poucos a nos depois de Isaías

104
ISAÍAS 3:16

ter recebido seu chamado, e que foi suce- estava em si mesmos em vez de no bem-es-
dido pelo bom rei Ezequias. tar do povo que governavam.
Mulheres estão à testa do seu O que roubastes do pobre. Os pobres
governo. Outra vez o significado é que o eram defraudados pelos governantes. A razão
país era governado por homens sem apti- para o empobrecimento do povo era a cobiça
dão para a liderança. Embora as palavras daqueles que ocupavam posições influentes
"crianças" e "mulheres" não devam ser con- e de poder.
sideradas de forma literal, a influência das 15. Esmagais o Meu povo. O povo
arrogantes e dissolutas "filhas de Sião" des- de Israel era o povo de Deus. O pobre e
critas nos v. 16 a 24 deve ter impactado de desafortunado também era filho de Deus e
forma indireta os assuntos do estado. Em tinha grande valor para o Céu, assim como
vez de ajudar seus maridos, essas mulhere s os ricos. Deus observava toda injustiça e res-
foram um estorvo, e, em vez de ensinarem ponsabilizaria o opressor por suas malda-
aos seus filhos os caminhos da retidão, os des. Em razão de sua debilidade e pobreza, o
conduziram nos caminhos do mal. fraco e o necessitado dependem de todos os
Os que te guiam. Um líder ocupa posi- que professam ser servos de Deus. Oprimir o
ção de grande responsabilidade, pois o povo pobre é violar os princípios básicos do reino
irá aonde ele apontar. Quando um líder toma dos Céus. Deus não olhará com agrado
a direção errada, toda uma nação é des- os que se enriquecem à custa do pobre, e
viada. Os líderes civis e religiosos da época depois tentam aliviar a consciência dando
de Isaías estavam guiando o professo povo de ofertas ao Senhor desses ganhos adquiridos
Deus por caminhos de iniquid ade e destrui- de forma imprópria.
ção. O mundo atual está sob más influências 16. As filhas de Sião. Depois de ter
que estão lenta, mas seguramente guiando descrito a situação dos príncipes e anciãos
os seres humanos pelos caminhos do mal, de Israel, Isaías se volta para suas esposas
cujo fim é a destruição eterna. Assim como e filhas, que eram tão corrompidas quanto
no tempo de Isaías, hoje se necessita de lide- eles. Em nenhum outro lugar na Bíblia há
rança capaz. uma descrição tão detalhada da decadência
13. O SENHOR Se dispõe. Quando o feminina. As mulheres do tempo de Isaías
mal atinge o limite determinado pelo Senhor, são descritas exatamente como eram: vãs,
Ele executará juízo (PR , 364; T5, 208, 524). arrogantes, altivas, orgulhosas, interessa-
Cessa a intercessão e começa a execução das em si mesmas em vez de no Senhor e
do juízo. Deus roga a Seu povo que se arre- nas necessidades das pessoas ao seu redor.
penda e abandone o mal antes que seja Esse é um contraste marcante com a figura
tarde demais. que Pedro apresenta da mulher cristã ideal
14. Os anciãos. Isto é, os anciãos e líde- (lPe 3:1-5). A arrogância era a característica
res que governavam o país. Eles eram "cegos, principal das "filhas de Sião", ao passo que
guias de cegos" (Mt 15:14). O povo buscava o traço preeminente que D eus desejaria ver
neles direção e sabedoria, e era conduzido a refletido na vida dessas mulheres era "um
caminhos de maldade e insensatez. espírito manso e tranquilo".
Consumistes esta vinha. A vinha Andam. As mulheres de Sião imitavam
representa a nação de Israel (Is 5:7; ver 1:1, as prostitutas a fim de atrair a atenção dos
8, 27; 2:1 , 3; 3: 1, 8, 16; 4:3, 4). Os líderes civis homens . Com pescoços emproados e olhos
e religiosos eram os vigias da vinha. Em vez impudentes, com passos curtos e olhares
de cuidarem dela , a devoravam. Seu interesse sedutores, as mulheres andavam pelas ruas,

105
3:17 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

procurando atrair a atenção para si mesmas Cadeiazinhas para os passos. Do heb.


e fazer vítimas pelo seu poder (ver Pv 7:6-21). se'adoth, "braceletes", provavelmente usados
Os ornamentos de seus pés. Em nas pernas, e talvez também nos braços.
alguns países do Oriente pequenos sinos Mulheres orientais com frequência enfeita-
de prata eram atados aos tornozelos, os vam as pernas da mesma forma que os braços.
quais tilintavam quando a pessoa andava. Cintas. Do heb. qishurim, "faixas", para
Usavam-se braceletes nos braços e nas per- a cabeça ou para o peito. Este era um enfeite
;:: .. nas, e estes também tilintavam quando as usado principalmente pelas noivas. O termo
moças caminhavam pelas ruas. As "filhas de qishurim é também traduzido como "cinto"
Sião" seguiam os costumes das nações vizi- (Jr 2:32).
nhas corrompidas. Caixinhas de perfumes. Literalmente,
17. Fará tinhosa a cabeça. As mulhe- "caixas de hálito", provavelmente caixas de
res seriam acometidas de várias enfermida- perfume ou garrafas com essências.
des e seriam vítimas de invasores brutais que Amuletos. Do heb. lechashim, "encantos"
as despiriam de suas vestes caras. ou "amuletos", que continham provavelmente
18. O enfeite. Literalmente, "a beleza". palavras mágicas e eram usados para produ zir
O enfeite dos anéis dos tornozelos. um efeito mágico em quem os usasse.
Do heb. 'al:wsim, literalmente, "ornamento 21. Sinetes. Do heb. tabba'oth, "anéis"
de tornozelo", da raiz 'al:ws, "sacudir bracele- para os dedos ou para as orelhas, também
tes", "tilintar". Ahas é traduzido como "tinir", "anel de sinete" (ver Gn 41:42; Êx 35 :22; Nm
no v. 16. 31:50; Et 8:8).
Toucas. Do heb. shevisirn, talvez "redes Joias pendentes do nariz. Ou, "anéis
de cabelo" ou "faixas para cabeça", de ouro de nariz", joia muito comum no Oriente,
ou prata usadas na cabeça de orelha a orelha. tanto nos dias atuais quanto nos antigos.
Ornamentos em forma de meia-lua. 22. Vestidos de festa. "Vestidos for-
Do heb. saharonim, literalmente, "pequenas mais", "ves tidos especiais"; ou ainda "finos
luas", talvez pendentes em forma de lua cres- trajes" (Zc 3:4). Esses vestidos eram usa-
cente usados como colar. No antigo Oriente, dos apenas em ocasiões especiais, e eram
usavam-se muitos tipos de ornamentos para retirados antes de se retom ar as atividades
o pescoço, feitos de ouro ou prata, ou de cotidianas.
pedras preciosas. Mantos. Ou, "túnicas", "sobrevestes".
19. Pendentes. Do heb. netifoth, "gotas". Xales. Do heb. mitpachoth, um longo
É provável que fossem pendentes para orelhas. "manto" usado sobre a túnica. O termo mit-
Braceletes. Os braceletes eram, e ainda pachoth designa o manto usado por Rute
são, o enfeite preferido nos países do Oriente. (Rt 3:1 5). O rolo 1Qisa do Mar Morto (ver
Em sua maioria eram grandes e chamativos, p. 86-88; vol. 1, p. 7) omite "os xales".
e usavam-se muitos de uma vez só. Bolsas. Do heb. charitim, provavelmente
Véus. Do heb. re'aloth , "véu s" longos e sacos ou sacolas de mão (ver 2Rs 5:23).
esvoaçan tes. 23. Espelhos. Do heb. gilyonim, da raiz
20. Turbantes. Do heb. pe'erim, enfei- galah, "descobrir", "revelar". Não se sabe ao
tes de cabeça de vários tipos, talvez incluindo certo se gilyonim se refere a "vestes trans-
diade mas, laços, chapéus e pentes decora- parentes", como creem alguns que seguem
dos. A palavra pe'eri1n é usada para desig- a LXX, ou "espelhos", como sugerem outros
nar as "tiaras" sacerdotais (Êx 39:28; ver que seguem a Vulgata. Vestidos transparen-
Ez 44:18). tes eram comuns no Egito antigo, e podem

106
ISAÍAS 3:25

ter sido adotados pelas mulheres da após- Marca de fogo, em lugar de for-
tata Judá. Espelhos de metal polido também mosura. Esta tradução se baseia no texto
eram comuns no antigo Oriente (ver com. de hebraico massorético (ver vol. 1, p. 10-12),
Êx 38:8). Visto que outros itens da lista se que diz lú-tachath yofi. Tanto a LXX quanto
referem a artigos que eram vestidos, gilyo- a Vulgata omitem a frase por completo,
nirn. provavelmente indique artigos de ves- embora a revisão da LXX feita por Luciano
tuário ou alguns objetos usados como parte traga a tradução interpretativa tauta sai anti
da roupa. hallopismou, "tudo isso [será] para ti em vez
Camisas finíssimas. Vestes de linho de adorno". Isso torna a última frase do v. 24
fino, às vezes, comparadas à seda mais pura um resumo de todo o versículo em vez de
ou à mais fina gaze, eram muito apreciadas o item final da lista de calamidades. A tra-
no antigo Oriente. dução da ARA se baseia na crença de que o
Atavios de cabeça. Ou, "turbantes", heb. lú provém do verbo hawah, "queimar",
que completavam o traje, e sobre os quais "chamuscar", "marcar". Não se conhece
se colocava o véu. nenhum outro caso em que lú seja empre-
24. Perfume. Provavelmente extraído gado assim, e é muito duvidoso que esse
do bálsamo. seja seu significado neste caso. Tradutores
Podridão. Ou, "cheiro de ranço". Muitos e comentaristas modernos seguem a tra-
que viviam no luxo seriam destituídos das dução da ARA, sugerindo que as mulhe-
riquezas terrenas e levados cativos a países res de Jerusalém seriam marcadas como
estrangeiros. Os assírios eram mestres cruéis. escravas (ver a tradução de Moffatt) como
~ ~ Senaqueribe afirma ter levado 200.150 do o gado é marcado com ferro quente. A des-
povo de Judá cativo para a Assíria, em 701 coberta do rolo 1Qlsa do Mar Morto, que
a.C. Dentre os cativos, ele menciona em data de cerca de 125 a.C., e, portanto,
especial filhas da casa real, concubinas do mil anos antes do texto massorético mais
rei e músicos, tanto homens como mulhe- antigo de Isaías (ver p. 86-88; vol. l, p. lO),
res. Muitas das "filhas de Jerusalém" que soluciona o problema com lú-tachath yofi
exibiam seu luxo quando Isaías pronunciou hosheth: "assim em vez de beleza, vergo -
a severa repreensão, sem dúvida, estavam nha", sendo bosheth, "vergonha" (ver com.
entre as que, despojadas de seus enfeites, de 2Sm 2:8). O heb. lú assume seu signifi-
foram levadas para a Assíria em desgraça e cado normal como conjunção: "assim", "por-
vergonha. Em vez do perfume aromático do tanto", neste caso, introduzindo a frase que
bálsamo havia podridão de miséria, pesti- resume o v. 24 de Isaías 3. Ki é traduzido
lência e morte. como "porque" em Isaías 5:7; 51:3, por exem-
E por cinta, corda. Em vez de uma plo. Assim, Isaías 3:24 ilustra de forma inte-
faixa bordada, havia trapos - uma corda ao ressante o valor da descoberta dos rolos de
redor dos lombos em vez de uma "cinta". Isaías para dar a conhecer o texto original
Encrespadura de cabelos. Do heb. hebraico.
miqsheh, "penteado artificial". Em vez de 25. À espada. Nos juízos que sobre-
um cabelo bonito e bem adornado, se veria viriam, os habitantes de Judá cairiam pela
a cabeça raspada da escrava. espada de exércitos invasores. É impossí-
Veste suntuosa. Do heb. pethigil, uma vel dizer quantos milhares em Judá perece-
"veste" fina e trabalhada. Em vez dessa veste, ram nas mãos dos assírios durante os dias
haveria apenas cilício ou uma tira de pano de Isaías. Se mais de 200 mil homens e
de saco para cobrir os lombos. mulheres foram levados cativos na época da

107
3:26 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

invasão por Senaqueribe em 701 a.C., é pos- 26. As suas portas. Jerusalém é descrita
sível que o número de mortos nessa primeira como uma mulher sentada no chão, deso-
campanha fosse ainda maior (ver com. de lada e aflita, chorando amargamente sobre
2Rs 18:13). Contudo, deve-se lembrar que os terrores que lhe sobrevieram. A expe-
Senaqueribe costumava exagerar. riência do antigo Israel foi registrada "para o
Os teus valentes, na guerra. Sena- nosso ensino" (Rm 15:4), "para advertência
queribe menciona as tropas de elite de Eze- nossa" (l Co 10: ll ), com o propósito de evi-
quias caindo em suas m ãos. Sem dúvida, tarmos cometer os mesmos erros (lCo lO: l-
muitos dos soldados mais valentes perece- lO) e, assim, podermos cumprir o propósito
ram e muitos outros foram levados cativos glorioso que Deus tem para Seu povo (ver
à distante Assíria. Hb 3:7, 8, 12-15 ; 4:1-3, ll , 14, 15).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

l-26- Tl, 270 lO - T8, 250 T5, 88


l-4- PR, 323 lO, ll - Ed, 146; GC , 540; 14-16- PR, 306
8 - PR, 324 Tl, 469; T2 , 648; T 3, 18-23 - PR, 306
9 - PP, 455 272; T5, 431 25 - Tl, 270
12 - FEC , 222 ; PR, 324;

CAPÍTULO 4
Na culminação dos males, o reino do Messias será um santuário.

1 Sete mulheres, naquele dia, lançarão mão 4 quando o Senhor lavar a imundícia das fi-
de um homem, di zendo: Nós mesmas do nosso lhas de Sião e limpar Jerusalém da culpa do san-
próprio pão nos sustentaremos e do que é nosso gue do meio dela , com o Espírito de justiça e com
nos vestiremos ; tão somente queremos ser cha- o Espírito purificador.
madas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio. 5 Criará o SENHOR, sobre todo o monte de
2 Naquele dia, o Renovo do SENHOR será de Sião e sobre todas as suas assembleias, uma
beleza e de glória; e o fruto da terra , orgulho e nuvem de dia e fum aça e resplendor de fogo cha-
adorno para os de Israel que forem salvos . mejante de noite; porque sobre toda a glória se
3 Será que os restantes de Sião e os que fi - estenderá um dossel e um pavi lhão,
carem em Jerusalém serão chamados santos ; 6 os quais serão para sombra contra o calor
todos os que estão inscritos em Jerusalém, para do dia e para refúgio e esconderijo contra a tem-
a vida, pestade e a chuva.

I. Sete mulheres. "Naquele dia"- o As mulheres apelariam aos poucos homens


dia da guerra (ver com. de Is 3:24-26) - os restantes para se casarem com elas. Muitas
jovens hebreus cairiam diante dos exérci- delas, que viviam no luxo e conforto, orgu-
tos d a Assíria ou seriam levados cativos. lhosas de seu esplendor, se aproximariam
Haveria várias mulheres para cada homem. de um homem para lhe pedir a proteção e

108
ISAÍAS 4:2

o conforto que o casamento lhes proporcio- similares de divisão inadequada de capítu -


naria. Elas declarariam sua disposição para los, ver com. de ISm 4: I; 24: I; 2Rs 7:1; II :2 I;
trabalhar por seu alimento, roupa, o que nor- 24:20). Isaías 4:I descreve o clímax do cas-
malmente é responsabilidade dos homens tigo divino sobre as degeneradas filhas de
em Israel (Êx 21:10). Num tempo em que Sião.
a poligamia já era comum , tal situação a Tira o nosso opróbrio. No hebraico
aumentaria ainda mais. esta frase é imperativa. Para as mulheres
Alguns aplicam a situação descrita no v. 1 hebreias r era vergonha não ter filhos, e até
diretamente à igreja, sugerindo que as "sete um(castigo por pecado (Gn 30:23; ISm I:6 ;
mulheres" representariam cristãos nomi- 1
Lc 1:25). \ As mulheres de Judá deseja riam
nais, e "um homem", Cristo. Essas mulheres, ser mães e apelariam aos homens qu e res-
explicam , "lançarão mão" do cristianismo, tassem para que se tornassem seus marid os.
não com si nceridade (ver Mt 25:1-13), mas 2. Naquele dia. Ver com. do v. I.
apenas superficialmente, tendo em vista ape- Outra vez, refere-se ao dia do juízo de Deus
nas vantagem pessoal. As "sete mulheres" sob re Israel, mas este versículo introdu z um
desejariam sustentar-se de seu "próprio pão" aspecto mais claro. Ao mesmo tempo que o
em vez do "verdadeiro pão do céu" (]o 6:32) e dia do Senhor trará destruição aos ímpios,
vestir-se do que é delas- os "trapos de imun- trará salvação aos justos (ver Mt I6: 27; Rm
dícia" de Isaías 64:6 - em vez da veste da 2:6- 10; Ap 22: I2). Os v. 2 a 6 apresentam a
justiça de Cristo (M t 22:ll-I2). Lido dessa fig ura de Cristo, "o Renovo" (ver com. de Is
forma, Isaías 4:1 enfatizaria o valor da since- 11:1), como redentor e libertador, e a obra glo-
ridade na vida religiosa , em oposição à jus- riosa que fará por Seu povo. Originalmente
tiça própria e hipocrisia . Outros comparam essa previsão teria sido cumprida pelo Israel
as "sete mulheres" a grupos religiosos da cris- literal, mas por causa de sua queda como
tandade que têm "forma de piedade", mas nação, ela será cumprida pelo Israel espi-
negam-lhe "o poder" (2Tm 3:5). ritual (ver p. I2-25), na segunda vinda de
Aplicações figurativas das palavras de Cristo.
Isaías podem ter valor espiritual. É sempre O Renovo. Nas profecias messiânicas,
possível que as declarações de um profeta Cristo é chamado ele "o Renovo" (Is II : I;
tenham um significado sec undário. Porém, Jr 23:5, 6; 33: I5 ; Zc 3:8; 6:I2; ver também
não há um comentário inspirado sobre esta PR, 592). A nação ele Israel seria desolada,
passagem para apoiar o estudante da Bíblia como se fosse uma árvore murcha (ver Is 5:7),
nessa aplicação sec undária. Por isso, este mas um renovo brotaria da semente de Davi
Comentário atribui apenas um sentido his- e produziria frutos ele justiça. O Israel lite-
tórico e imediato a este texto. A mensagem ral pereceria como nação, mas Jesus , fina l-
de Isaías 3: I6 a 4:1 foi originalmente dirigida mente faria com qu e a terra flores cesse
ao povo de Jerusalém que viv ia na época do com justiça. A figura ele uma terra desolada
profeta (ver p. I2-25), como torna evidente que, após longa espera, produz fruto abun-
~ ... o contexto. dante ocorre várias vezes nas Esc rituras (ver
Naquele dia. Isto é, o dia descrito em Sl 72: I6; Ez 34:27; 47:6-9; Os 2:I5, 2I, 22 ;
Isaías 3:24 a 26. Não há quebra na linha de Jl 3:I8; Am 9:I3).
pensamento entre os cap. 3 e 4. A divisão O fruto da terra. A terra prometida era
do tema neste ponto tende a obsc urecer o originalmente uma terra fértil (Êx 3:8; 33:3;
significado do cap. 4, que deve ser conside- Nm 13:27; Dt 8:7-IO). Ela produziria seus fru-
rado um a continuação do 3 (sobre exemplos tos em abundância se o povo de Deus fosse

I09
4:3 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

fiel (Dt 28:1-12). Mas, se fosse infiel, haveria 43:3, 14; 45:11; 47:4; 48:17; 49:7; 54:5; 55:5;
seca, desolação e morte (Lv 26:14-39; Dt 28:15- 60:9, 14). Esse mesmo título é encontrado
48; Os 2: 1-13). No final, Deus seria misericor- fora de Isaías apenas seis vezes na Bíblia
dioso com Seu povo, o qual seria restaurado ao (2Rs 19:22; SI 71:22; 78:41; 89:18; Jr 50:29;
favor divino. Toda a terra seria restaurada e os 51:5). O objetivo constante de Isaías era que
frutos da justiça a encheriam (ver Is 35; 44:3-6; Israel abandonasse seus pecados e se tor-
55:10-13; 60:21; 61; 62; Jr 3:18, 19; Ez 34:25-31; nasse um povo santo.
Os 1:10; Jl2:19-27; Am 9:13-15; cf. 2Pe 3:13). Todos os que estão inscritos. Deus
Para os de Israel que forem sal- mantém um registro de cada indivíduo na
vos. Isto é, o remanescente que sobreviver. terra. Os nomes de alguns estão registra-
O rolo 1Qis" do Mar Morto (ver p. 86-88; dos no livro da vida (ver Êx 32:32; SI 69:28;
vol. 1, p. 7) acrescenta: "e os de Judá". Isaías Ez 13:9; Dn 12:1; JVII 3:16; Fp 4:3; Ap 3 5; · ~
deixa claro que os que permanecessem fiéis 13:8; 21:27). Todos cujos nomes não forem
ao Senhor, e pelos quais Deus abençoaria riscados do livro da vida entrarão no reino
a terra, escapariam da devastação causada de Deus como povo santo.
pela guerra descrita em Isaías 3:25 e 26 (ver 4. Imundícia. Todo aquele que desejar
Is 10:20-22; 37:31, 32). Na época das inva- abandonar seus pecados será limpo de sua
sões por Senaqueribe, toda a terra de Judá, imundícia pelo sangue de Cristo. "O san-
com exceção da cidade de Jerusalém, caiu gue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo
temporariamente nas mãos dos invasores pecado" (lJo 1:7). "Se confessarmos os nossos
assírios. Só em Jerusalém ficou um pequeno pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar
remanescente. Não fosse esse remanescente, os pecados e nos purificar de toda injustiça"
a destruição de Judá teria sido completa (lJo 1:9; cf. SI 51:2, 10, 11).
como a de Sodoma e Gomorra (Is 1:9). Para Purificador. Do heb. ba'er, literalmente,
esse pequeno remanescente, Isaías trans- "fogo", mas, no sentido figurado, "ódio" ou
mitiu a promessa: "O que escapou da casa "fúria". O rolo 1Qis" do Mar Morto (ver p. 86;
de Judá e ficou de resto tornará a lançar raí- vol. 1, p. 7) traz s'r, literalmente, "tempes-
zes para baixo e dará fruto por cima; porque tade", mas, no sentido figurado, "ira", em vez
de Jerusalém sairá o restante, e do monte de ba'er (b'r no texto hebraico sem vogais [ver
Sião, o que escapou. O zelo do SENHOR dos vol. 1, p. 1, 2]). Devido à semelhança das
Exércitos fará isto" (Is 37:31, 32). Assim como letras hebraicas transliteradas s e b, pode-se
haveria um remanescente naqueles dias que facilmente confundir uma com outra, em
não cairia nas mãos do inimigo, nestes últi- especial em palavras como s'r e b'r, em que
mos dias também haverá um remanescente os sentidos figurados de ambas são pratica-
que o Senhor preservará e que não cairá mente idênticos. O significado da última
não mãos do inimigo (ver p. 35-36; com. de frase do v. 4 é o mesmo, não importa qual
Dt 18:15; GC, 37; PR, 592; PP, 283-288). termo seja aceito como a leitura original.
3. Serão chamados santos. O grande A LXX e a Vulgata seguem o texto masso-
tema da mensagem de Isaías é a santidade. rético, e trazem "fogo" (NVI, BJ). A "nuvem
Ele viu o Senhor sentado no Seu trono e de dia e fumaça" e "resplendor de fogo cha-
ficou profundamente impressionado com o mejante de noite" (v. 5) se referem à mani-
caráter santo de Deus (Is 6:3). O título que festação visível da presença de Deus que
ele aplica constantemente a Deus é "o Santo acompanhou Seu povo na jornada do Egito
de Israel" (Is 1:4; 5:19, 24; 10:20; 12:6; 17:7; a Canaã (Êx 13:21; Nm 9:15; 10:34; 14:14).
29:19; 30:11, 12, 15; 31:1; 37:23; 41:14, 16, 20; Assim como Jesus esteve com Seus filhos

110
ISAÍAS 4:6

para guiar, proteger e abençoar, Ele tam- antigos. Os olhos do escr iba pulam uma seção
bém está com eles hoje na caminhada para curta do documento do qual está copiando,
a Ca naã celestial (ver Zc 2:5). entre uma palavra e a mesma palavra repe-
5. E resplendor. O rolo 1Qls" do Mar tida um pouco mais adiante.
Morto (ver p. 86-88; vol. 1, p. 7) omite essas Sobre toda a glória. Como um pavi-
palavras, como também a primeira parte do lhão, a presença divina proverá direção, segu-
v. 6 até a palavra "dia". É óbvio que isso decorre rança, certeza e paz.
de erro por parte do escriba que copiou o 6. Refúgio. O pavilhão que D eus pro-
rolo do Mar Morto, ou já estava faltando mete a Seu povo os protegerá de dificulda-
no documento do qual ele fez a cópia. Tais des e perigos que possam ameaçá-lo (ver
erros são comuns nas cópias de manuscritos Sl27:5; 91:1; Is 26:3, 4).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

2, 3 - GC, 485; PR, 592; 3- GC, 37 5, 6- PP, 283


T5, 476 4- OTN, 107 6 - PP, 191

CAPÍTULO 5
1 Com a parábola da vinha, Deus pronuncia um juízo severo. 8 Juízos sobre a cobiça,
11 a lascívia, 13 a impiedade 20 e a injustiça. 26 Os executores dos juízos divinos.

l Agora, cantarei ao meu amado o cântico 7 Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é
do meu amado a respeito da Sua vinha. O meu a casa de Israel, e os homens de Judá são a plan-
amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. ta dileta do SENHOR; Este desejou que exerces-
2 Sachou-a, limpou-a das pedras e a plantou sem juízo, e eis aí quebrantamento da lei ; justiça,
de vides escolhidas; edificou no meio dela uma e eis aí clamor.
torre e também abriu um lagar. Ele esperava que 8 Ai dos que aju ntam casa a casa, reúnem
desse uvas boas , mas deu uvas bravas. campo a campo, até que não haja mais lugar, e
3 Agora, pois, ó moradores de Jerusa lém e ficam como únicos moradores no meio da te rra!
homens de Judá, julgai, vos peço, entre Mim e 9 A meus ouvidos disse o SEN HOR dos Exér-
a Minha vinha. ci tos: Em verdade, muitas casas ficarão desertas,
4 Que mais se podia fazer ainda à Minha vinha, até as grandes e belas, se m moradores.
que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu lO E dez jeiras de vinha não darão mais do
~ ~ que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas? que um bato, e um ômer cheio de semente não
5 Agora, pois, vos farei saber o que preten- dará mais do que um efa.
do fazer à M inh a vin ha: tirarei a sua sebe, para ll Ai dos que se levantam pela manhã e se -
que a vinha sirva de pasto; derribarei o seu muro, guem a bebedice e contin uam até alta noite, até
para que seja pisada; que o vinho os esquentai
6 torná-la-ei em deserto. Não será podada, 12 Liras e harpas, tamboris e flautas e vin ho
nem sachada, mas crescerão nela espinheiros e há nos seus banquetes; porém não consideram
abrolhos; às nuvens darei ordem que não derra- os feitos do SENHOR, nem olham para as obras
mem chu va sobre ela. das Suas mãos.

111
5:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

13 Portanto, o Meu povo será levado cativo, 24 Pelo que, como a língua de fogo consome
por falta de entendimento; os seus nobres terão o restolho, e a erva seca se desfaz pela chama,
fome , e a sua multidão se secará de sede . assim será a sua raiz como podridão, e a sua flor
14 Por isso, a cova aumentou o seu apeti- se esvaecerá como pó; porq uanto rejeitaram a le i
te, abriu a sua boca desm esuradamente; para lá do SENHOR dos Exércitos e desprezaram a pala-
desce a glóri a de Jerusa lém, e o seu tumulto, e o vra do Santo de Israel.
seu ruído, e quem nesse meio fo lgava. 25 Por isso, se ace nde a ira do SENHOR contra
15 E ntão, a gente se abate, e o homem se avil- o Seu povo, povo contra o qual estende a mão e
ta; e os olhos dos altivos são humilhados. o fere, de modo que tre mem os montes e os seus
16 Mas o SENHOR dos Exércitos é exaltado em cadáveres são como monturo no meio das ruas.
juízo; e Deus, o Santo, é santificado em justiça. Com tudo isto não se aplaca a Sua ira, mas ai nda
17 E ntão, os cordeiros pas tarão lá como se no está estendida a Sua mão.
seu pasto; e os nômades se nutrirão dos campos 26 Ele a rvorará o estandarte para as nações
dos ricos lá abandonados. distantes e lhes assobiará para que venham das
18 Ai dos qu e puxam para si a iniqu idade extremid ades da terra; e vê m apressadamente.
com cordas de injustiça e o pecado, como com 27 Não há entre elas cansado, nem quem tro -
tirantes de carro l pece ; ninguém tosqueneja, nem dorme; não se
19 E di zem: Apresse-S e Deus, leve a cabo a lhe desata o cinto dos seus lombos, ne m se lhe
Sua obra , para que a vejamos; aproxime -Se, ma- rompe das sandá lias a correia.
nifeste-Se o conselho do Sa nto de Israel, para 28 As suas fl echas são agudas , e todos os
que o conheça mos. seus arcos, retesados; as unhas dos seus cava los
20 Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, di zem-se de pederneira, e as rodas dos seus ca r-
mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escurida- ros , um redemoinho.
de; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! 29 O seu rugido é como o do leão; ru gem
21 Ai dos que são sábios a seus próprios olh os como filh os de leão, e, rosnando, ar rebatam a
e prudentes em seu próprio conceito! presa, e a leva m, e não há quem a livre.
22 Ai dos que são heróis para beber vinho e 30 Bramam contra eles naquele dia, como o
va lentes para misturar bebida fort e, bramido do mar; se alguém olhar para a terra, eis
23 os q ua is por suborno justificam o perver- que só há trevas e angústia, e a luz se esc urece
so e ao justo negam justiça i em densas nu vens.

I. Agora, cantarei. Is aías é, a lg u - O cântico do meu amado. Como


mas veze s , profe ta da d estruição e, outras outros profe tas , Isa ías era um poeta h a bili-
vezes, profeta d a e sperança . E le se expressa doso e apresentou muitas de suas mensagens
~ ... com palavras te rnas e afe tuosas , e logo em e m forma de poesia e música (Is 6: 10-1 3;
seguida com palavras d e ira e fúri a. E m 9 :2 -21; 10:1 -11 , 13 -1 9, 28-34; 11:1-9, 12-1 6;
Isaías 1:10 , e le se dirig iu aos líderes d e 12; 13:2-22; 14:4 -2 1, 24-32; 15 ; 16:1-11 ; 17: 1-
Je ru sa lé m como "prínc ipes de Sodoma" e 6 , 10-14; 18; 19 :1-15 ; 2 1: 1-15 ; 22:1- 8; e tc .).
ao povo com o "povo d e Gomorra". Nes te O meu amado. O "a mado" é D eus, e
ve rsícu lo, e le se aprese nta a Israel como um a vi nha é a n ação de Is rael (ver SI 8 0: 8 -1 6 ;
trovador, ca nta ndo uma canção pa triota q ue M t 2 1: 33-41 ).
d ele ita seu povo. Isso le mbra a lg uns dos sa l- Outeiro fertilíssimo. O "outeiro fert i-
mo s de D a v i e os C â nticos de Sa lomão (ver líssimo" era a te rra de Canaã, poss ivelm e nte
a inda Am 6:5). se re feria a Je rusa lé m e m espec ia l.

11 2
ISAÍAS 5:6

2. E a cercou (ARC). O heb. 'azaq, professavam ser o povo de Deus. O cân-


tradu zido como "cercou", significa "cavar" tico da vinha, como tal , está concluído, e o
no hebraico bíblico. A tradução "cercou" se Senhor, o "amado" desse cântico, fal a a Seu
baseia no hebraico pós-bíblico. Contudo, o povo por meio do profeta.
contexto deixa claro que a vinha tinha uma Julgai. Sião é instada a sugerir a sen-
cerca, ou "muro", ao seu redor (Is 5:5; cf. tença contra si mesma (ver Mt 21:40, 41 ).
Mt 21:33). Deus colocou uma cerca prote- Outra vez, Deus convida Seu povo a negociar
tora ao redor de Seu povo para salvaguardá- com Ele (ver Is 1:18). Esse pedido é justo, e
lo. Sua locali zação na regi ão montanhosa eles teriam que admitir a justiça divin a - e
central da Palestina, longe do contato ime- sua própria culpa - se considerassem os fatos
diato com as nações vizinhas, era uma sal- com equidade.
vaguarda. A lei de Deus e as mensagens 4. Que mais se podia fazer [... ]? A per-
e nviadas por meio dos profetas eram valio- gunta é com frequência o meio mais eficaz
sas proteções designadas para manter seu de se trazer a verdade à tona . Isaías deixa
povo longe do mal. claro com essa pergunta sagaz que o Senhor
Pedras. Talvez as pedras representem os fez tudo o que era possível por Israel. Ele lh e
povos nativos do país, com sua religião idó- proveu todos os recursos para o desenvolvi -
latra e costumes ímpios. mento de um caráter que se assemelhasse
Vides escolhidas. Elas representam o ao Seu, e eles eram os únicos cu lpados pelo
povo de Israel, cuidadosamente escolhido fracasso (ver p. 17-20).
pelo próprio Deus (ver v. 7) . 5. Tirarei a sua sebe. Deus removeria a
Torre. A torre aponta para o templo proteção de Seu povo e permitiria que os ini-
(OTN, 596). migos o despojassem e o espalhasse. Como
Um lagar. Pode se referir a instituições, resultado da transgressão, a vinha se torna-
como as escolas dos profetas, que eram o ria um deserto.
meio de Deus inculcar virtudes como reti- 6. Torná-la-ei em deserto. Não foi
dão, justiça, honestidade e pureza. Deus quem desolou Israel; mas, ao retirar
Uvas. A vinha foi plantada para produ- Sua proteção, permitiu que inimigos estra n-
zir fruto, o mesm o propósito da figueira, na geiros, nesse caso, a Assíria e, mais tarde,
parábola de Lucas 13:6 a 9 (ver Mt 21:19, 34). Babilônia e Roma, cumprissem Sua vontade
As uvas representam os frutos do caráter, o (ver com. de 2Cr 18:18; 22:8). Depois, Isaías
caráter divino que Israel devia exibir diante fa la que o Senhor utilizou a Assíria como o
do mundo (ver p. 14-17). "cetro" de Sua "ira" e a "vara" de Sua "indig-
Uvas bravas. Em vez de produzir os nação" para punir Israel (Is 10:5-7).
frutos do Espírito, Israel produ ziu frutos da Nem sachada. O cuidado é essencia l
carne (ver Gl 5:19-23). Atos de crueldade e para que uma vinha seja produtiva. Sem poda
injustiça, desonestidade e engano, intempe- e cultivo irá finalmente se deteriorar em um
rança e imoralidade, desrespeito para com deserto. A cessação da poda e da cavadura
os direitos dos pobres e oprimidos e o tirar aponta para a retirada dos meios proporcio-
vantagem de viúvas e órfãos - esses eram os nados por Deus para o cultivo moral e espi-
males que os profetas reprovava m constan- ritual (Lc 13:8; Jo 15:2).
temente; isso são as "uvas bravas". Espinheiros e abrolhos. A vinha
3. Homens de Judá. Isaías continua a outrora floresce nte se tornaria um deserto
se dirigir aos homens de Judá e Jerusalém desolado. Em vez de uvas, produziria nada
(ver Is 1:1 ; 2:1; 3:1; 4:3, 4), aqueles que além de espinhos e abrolhos. Até os céus

11 3
5:7 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

reteriam suas bênçãos, e a terra se tornaria 8. Ai dos que. Isaías enumera uma série
árida e estéril. É Deus que concede vida e de "ais" que sobreviriam a Israel como resul-
bênçãos (Tg 1:17); mas, Quando retém Suas tado das ofensas especificamente menciona-
bênçãos, o resultado é desolação e morte. das em conexão com cada desgraça. Essas
7. A vinha. Deus deixa claro para o povo ofensas são as "uvas bravas" do v. 2. Não é
o significado de Sua mensagem. A aplicação possível alistar todos os pecados do povo;
específica dessa mensagem à nação após- nomeiam-se apenas os mais característicos
tata recorda a incisiva repreensão de Natã a dessa época de impiedades.
Davi: "Tu és o homem" (2Sm 12:7); e a severa Ajuntam casa a casa. Esta expressão
reprovação de Jesus aos judeus: "O reino de representa o pecado da cobiça e da ambição.
Deus vos será tirado e será entregue a um Deus queria que Israel fosse uma nação de
povo que lhe produza os respectivos frutos" pequenos proprietários de terra. A fim de
(Mt 21:43). evitar a formação de latifúndios, criou-se o
A casa de Israel. Embora a missão de ano do jubileu (Lv 25:13; 27:24) e a lei que
Isaías se dirigisse em primeiro lugar ao reino permitia que a mulher herdasse proprieda-
de Judá, algumas de suas mensagens se apli- des (Nm 27:1-ll; cf. 33:54; 36). No entanto,
cavam também ao reino de Israel. A parábola essas leis foram desrespeitadas, e, como con-
da vinha claramente aponta para Judá (v. 3), sequência, em vez de um grande número
mas a mensagem de reprovação e de destrui- de pequenos proprietários de terra, houve o
ção iminente era tão apropriada para Israel crescimento de uma classe de proprietários
quanto para Judá. O termo "Israel" é empre- ricos, e outra, de trabalhadores pobres sem
gado com frequência para designar a nação propriedades. Muitos do povo foram reduzi-
de Judá (ver Is 1:3; 4:2; 8:18; 31:6; Mq 1:14; dos à escravidão, e outros eram forçados a
3:1; 6:2). Mas o fato de se mencionarem tanto pagar arrendamentos exorbitantes. Miqueias,
"a casa de Israel" quanto "os homens de Judá" contemporâneo de Isaías, também denun-
parece indicar que a mensagem se aplica a ciou esse mal (Mq 2:2).
ambos. Se "Israel", nesse caso, aponta para No meio da terra. Isto é, assegurar
o reino do norte, essa profecia teria sido feita um monopólio. As classes ricas não tinham
antes de 722 a.C., quando o reino do norte interesse no bem-estar do povo em geral.
foi destruído. Embora a maior preocupação Preocupavam-se apenas com seus próprios
de Isaías fosse Judá, é compreensível que um interesses. Eles não se importariam caso o
profeta de Deus de vez em quando profeti- pobre fosse banido por completo. A situa-
zasse sobre o vizinho que estava ao norte de ção estava chegando a um ponto em que os
Judá, em sua hora crítica, quando já se apro- pobres logo perderiam o pouco que lhes res-
ximava seu fim. tava, e somente os ricos usufruiriam dos pro-
Desejou que exercessem juízo. Deus dutos da terra.
desejou que Seu povo exercesse justiça; mas, 9. Muitas casas. Aqueles que despo-
em vez disso, viu derramamento de sangue, jassem seus vizinhos para aumentar seu pró-
injustiça e opressão. prio patrimônio não desfrutariam por muito
Clamor. O "clamor" provinha daqueles tempo os resultados de suas medidas opres-
que sofreram opressão ou cujo sangue ino- sivas. Em vez de encontrar prosperidade e
cente fora derramado (ver Gn 4:10; Dt 24:15; felicidade, encontrariam pobreza e ruína
Tg 5:4; Ap 6:9, lO). Os justos não tratam um nacional. A situação chegaria a tal ponto -<~ e
ao outro de forma que clamores por ajuda que propriedades grandes e bonitas fica-
subam aos céus. riam desabitadas.

114
ISAÍAS 5:17

I O. Dez jeiras. A palavra hebraica para o pecado, escolhe a morte. De forma clara
acre denota especificamente a terra que e constante Deus sinalizou quais seriam os
poderia ser arada em um dia por uma junta resultados da transgressão. Além disso, a
de bois. Um "bato" equivalia a 22 litros (ver experiência do passado mostrou o resultado
vol. 1, p . 145). Em outras palavras, a terra terrível da desobediência. Os povos de Israel
praticamente não daria retorno. e de Judá revelava completa "falta de enten-
Um ômer. Dez efas (o mesmo que dez dimento" ao persistirem no mal, e, com isso,
batos) equivaliam a um ômer; sua produção asseguravam a própria destruição. Foram des-
era apenas de um efa. Em vez de haver um truídos porque lhes faltou o conhecimento,
aumento na produção, a colheita produzi- que tinham rejeitado (Os 4:6).
ria bem menos que a quantidade do que foi 14. A cova. Do heb. she'ol, a morada sim-
semeado. O quadro apresentado é de der- bólica dos mortos (ver com. de 2Sm 12:23;
rota e ruína. 22:6).
li. Bebedice. O segundo pecado alis- Aumentou o seu apetite. Isto é, a fim
tado é embriaguez e intemperança. O pro- de acomodar o grande número dos que che-
fesso povo de Deus era viciado em bebida gavam da terra dos vivos.
forte. Eles se levantavam cedo para ter mais A glória de Jerusalém. Os nobres de
tempo para beber. Desde a manhã até a Jerusalém, o povo, todos os que se gloriavam
noite, muitos só pensavam em vinho (ver Is na pompa daquele momento e tinham prazer
22:13; 28:7; Os 4:11; Am 6:6). na iniquidade seriam destruídos.
12. Harpas. Ou, lira. A música tinha 15. O homem se avilta. Comparar com
um papel importante em suas orgias (ver Am Is 2:9, 11, 17. Homens de todas as classes
6:5, 6). Em vez de ser usada para glória de seriam humilhados, tanto o pequeno quanto
Deus, a música se tornara um instrumento o grande. A destruição iminente não poupa-
poderoso nas mãos do inimigo para trazer ria ninguém.
ruína à alma. 16. Exaltado em juízo. Isto é, hon-
Não consideram. A consciência des- rado e vindicado em Seus atos de justiça.
ses glutões se havia cauterizado por causa Ao final, o pecado resulta em humilhação,
de suas desenfreadas orgias. A verdade e o mas a retidão e a justiça trazem/,) honra e gló-
direito foram esquecidos, e o coração estava ria. Os atos do Senhor Lhe tr~zem honra e
aberto para toda forma de maldade. A luxú- glória diante de todo o universd.
ria tomou o lugar do amor, e violência e ter- Santificado em justiça. Literalmente,
ror substituíram a retidão. "o santo Deus Se mostra santo em justiça".
13. Será levado cativo. Literalmente, A maneira justa como Deus lida com o ser
"irem para o cativeiro". O povo ainda não humano prova que Seu caráter é santo.
tinha sido levado cativo (ver com. do v. 7), O povo escolhido deve ter o caráter de Deus.
mas Isaías já apresenta as razões do cati- Israel tinha perdido de vista o fato de que
veiro. Ele o apresenta como um fato consu- Deus é santo, e falhou em compreender a
mado. O povo de Israel foi levado cativo em importância e o significado da justiça. Ciente
723/722 a.C. do caráter excelso de Deus, Isaías tinha a
Falta de entendimento. Todo pecado é constante preocupação de que Israel devia
tolice. Aqueles que permanecem no pecado também se tornar santo e justo. Ele sempre
não são sábios, mas tolos. O pecado tem seu manteve esse ideal diante de si.
salário, não de prosperidade, paz e honra, mas 17. Como se no seu pasto. Ver Ez
de vergonha, pesar e morte. O que escolhe 34: ll-15. Apresenta-se o Israel restaurado

115
5:18 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

como ovelhas que se alimentam juntas com enviadas pela misericórdia divina, ao final,
alegria e em paz. se tornará tão perverso que será incapaz de
Lá abandonados. O texto hebraico do distinguir entre o bem e o mal. Sinceramente
restante do v. 17 é obscuro. A tradução da pensa que o certo é errado e o errado, certo.
AA, "e nos campos desertos se apascenta- Quando a perversidade chega a tal ponto, a
rão cevados e cabritos" se baseia na LXX e é destruição não pode mais ser adiada.
apropriada ao contexto. De acordo com essa 21. Sábios a seus próprios olhos.
tradução , terras que eram deserto seriam Confiantes de que sabem mais do que
transformadas em pasto, onde animais Deus, esses perversos impenitentes se tor-
domésticos se alimentariam juntos e em paz. nam "nulos em seus próprios raciocínios", e
18. Puxam para si a iniquidade. O ter- seu "coração insensato" fica encerrado em
i!!"' ceiro ai é dirigido àqueles que persistem nos trevas (Rm 1:21; ver OTN, 213). Sua pretensa
maus caminhos, com plena consciência do sabedoria é loucura consumada (Rm 1:22).
que fazem. Por vontade própria se ligaram O mundo está cheio de pessoas que olham
com cordas às suas iniquidades, e resistem com desdém para aqueles que creem em
a cada influência destinada a libertá-los (ver Deus e obedecem à Sua palavra. Encontram
Is 61:1). defeitos em tudo o que Deus fez e em tudo
Tirantes de carro. A corda de carro o que Se propõe fazer. Pessoas assim atraem
é mais grossa e mais forte do que a corda pesar sobre si mesmas e sobre o mundo ao
comum. Representa um estágio avançado redor. O que elas precisam é atender às subli-
de rebelião em que os ímpios ficam presos a mes palavras do salmista: "Aquietai-vos e
seus pecados com laços impossíveis de serem sabei que Eu sou Deus" (SI 46:10).
desfeitos. Ao persistirem no mal, selam sua 22. Heróis para beber vinho. Este
própria destruição. "ai" é semelhante ao pronunciado contra
19. Apresse-Se Deus. Esses pecado- os beberrões de vinho nos v. ll e 12. Mas
res desafiam a Deus a ir em frente com o aquele ai é simplesmente contra um grupo
que Ele pretende fazer com o espírito per- dado à bebida. Neste caso, o ai mostra a
verso deles. Sua rebeldia contra Deus é relação entre a bebida e as injustiças men-
desafiadora. Is aías constantemente indicou cionadas no v. 23 como resultantes de seu
a certeza da destruição iminente. O nome uso. Esses homens eram "heróis" na bebida
de seu segundo filho, "Rápido- Despojo- e valentes na prática da iniquidade.
Presa-Segura" (Is 8:3) significa "o despojo 23. Justificam o perverso. Isto é,
se apressa, a presa se precipita". Esse nome "absolvem o culpado". O que é correto não
foi um sinal para Israel da proximidade da significa nada para esta classe. Eles estão
destruição que Isaías predizia (Is 8: 18). No dispostos a isentar a pessoa mais ímpia em
entanto, o povo ignorava as advertências troca de ganho material. Por suborno, decla-
divinas. Diante das solenes mensagens de ram o justo culpado e o ímpio, inocente. Eles
Isaías sobre o juízo iminente, eles respon- não têm moral. O seu modo de vida é caro,
diam com escárnio: "Que Deus apres se a des- e farão tudo para assegurar os meios neces-
truição da qual tu sempre falas. Queremos sários para mantê-lo. Quando pessoas assim
vê-la com nossos próprios olhos." Assim pro- se assentam para governar, a nação chega a
vocavam a própria ruína (comparar com um estado calamitoso.
Ml 2: 17; 3: 13). 24. A língua de fogo consome o res-
20. Ao mal chamam bem. O que tolho. Literalmente, "o pasto seco destinado
resiste persistentemente às advertências para a chama é consumido". O rolo IQis" do

116
ISAÍAS 5:27

Mar Morto (ver p. 86; vol. I, p. 7) diz: "como ocorrido não muito antes de o profeta Amós
fogo chamejante ele se consome". A última ter recebido seu chamado (Am l:l ). A lem-
frase se assemelha ao que traz a LXX: "quei- brança desse evento ainda estava vívida
mados juntos por um fogo incontrolável". na mente do povo quando Isaías deu es ta
Como podridão. Esses homens são cor- mensagem.
ruptos em extremo e perecerão em sua pró- Monturo. Literalmente, "refu go" ou
pria corrupção. Tão rapidamente quanto o "como lixo" (NTLH). Na hora do terremoto,
pasto seco pega fogo e é reduzido a cinzas, muitos fugiram para as ru as, onde foram
assim serão consumidos. mortos , ficando espalhados os corpos.
A lei do SENHOR. Terríveis são os resul- Está estendida a Sua mão. Isto é, em
tados quando a lei do Senhor é rejeitada (ver juízo (ver Is 9:12, 17, 21; 10:4). Sobre a ira de
GC, 586), pois sem ela não há como deter- Deus, ver SI 85:4; Is 12:1; Os 14:4; e sobre
minar o certo e o errado. Foi por terem Sua mão estendida para matar e destruir, ver
abandonado a lei de Deus que essas pes- Êx 3:20; 9: 15 ; 2Sm 24:16; Is 14:27.
soas afund aram de tal form a na iniquidade 26. O estandarte. Do heb. nes, "sin al",
a ponto de se envolverem em práticas como "es tandarte". Antigamente o meio de comu-
as descritas nos v. 8 a 23 . nicação mais veloz era um sinal de fo go ou
Desprezaram a palavra. A palavra de fumaça que podia ser visto do alto de um a
Deus é sempre verdadeira e justa. Mas essas montanha a outra. D e form a se melh ante,
pessoas desprezaram Sua santa palavra (ver Deus anunci a que enviará uma mensagem
com. do v. 21), e, quando se toma essa ati- para as nações . Esse antigo meio de comu-
tude, resta pouca esperanç a. nicação proporcionou a Isaías um a figura
25.Airado SENHOR. Ver com. deJz2:20; que usava com frequência (ver Is 11:10, 12;
2Rs 13: 3; 17:11. É algo terrível suscitar a ira 13:2; 18: 3; 49:22; 62: 10). O "es tand a rte" de
do Senhor. O Senhor Deus é "compassivo, Deus devia ser um sinal n a terra ou nos
clemente e longânimo e grande em misericór- cé us. Era uma mensagem enviada por meio
:s ~ dia e fidelidade" (Êx 34:6). Ele ama o pecador, de um a njo ou de um ser hum ano , por um
mas odeia o pecado. Não isentará o culpado, fenômeno natural ou por qualquer outro
nem pode fazer isso e continuar sendo coe- meio que se pudesse empregar para falar
rente com Seu próprio caráter, a menos que, ao coração dos seres humanos . Quando
e até que, o culpado se arrependa de seus D eus fal ar às n ações , elas respond erão
maus ca minhos. Quando a íníquidade atinge enviando seus exércitos (ver Is 5:2 6 -30).
um ponto além do qual não há espera nça, a Neste caso, Isaías se refere e m especial aos
paciência divina cessa e começa o mini stério ass írios, que logo invadiriam a Palestina
da ira (T 5, 208; T9, 13). Na época da men- (ver Is 10:5-7).
sagem de Isaías, a iniquidade de Israel tinha Assobiará. Como o "estandarte" era um
quase atingido esse ponto. sinal para os olhos, o "assobio" seria para os
Tremem os montes. É provável que ouvidos. Ambos seriam compreendidos pelas
seja uma referência a algum terrível terre- nações, as quais responderiam rapidamente
moto que causou grande destruição e foi con- ao chamado do Senhor.
siderado como um juízo dos Céus. Ao que 27. Não há entre elas cansado. O qua-
tudo indica, esse terremoto ocorreu durante dro dos v. 27 a 30 é de um exército que avança
o reinado de Uzias, possivelmente na última com rapidez (ver Is 10:28-33). O exército
parte de seu reinado, poucos anos antes de avança em perfeita ordem para cumprir sua
sua morte. Esse deve ter sido o terremoto missão. Nada o impedirá. No passado, Deus

11 7
5:28 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

havia impedido o ataque dos egípcios quando leão: feroz, valente, forte e determinado.
avançaram contra Sua vontade (Êx 14:23-25). A presa não escapará. Deus deu a esse exér-
Entre elas. O rolo 1Qisa do Mar Morto cito ordens para marchar, e o propósito
(ve r p. 86; vol. 1, p. 7) omite esta expressão, divino será cumprido.
assim como a LXX. 30. Bramam. O profeta usa outra figura
28. As suas flechas são agudas. O exér- de linguagem, comparando a aproximação
cito está pronto para a batalha. Suas armas dos assírios com as águas de uma enchente
estão prontas, seus cavalos foram preparados que arrasa tudo diante de si e deixa deso -
para a longa e dura jornada, e as rodas dos car- lação e ruína por onde passa (ver Is 8:7, 8).
ros giram como um redemoinho. Eis que só há trevas e angústia. O ru-
29. O seu rugido. Isto é, rugido de gido do mar é seguido pela escuridão e pelo
guerra. O exército se aproxima como um terror da tempestade.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1, 2 - PJ, 214, 284; GC, 20; 123; T5, 117, 195, 240 332; T3, 207, 324; T5,
PR, 17 7 - PJ, 214, 285, 298; PR, 62,438
2 - PJ, 215 17, 711; T8, 114 20, 21- PP, 360; T8, 114
3-7 - AA, 15; PJ, 290; PR, 8, 11, 12- PR, 306 22 - PR, 306
19 11-13- T8 , 114 22-24- CBV, 346
4- PJ, 218, 298 ; DTN, 596; 20 - AA, 431; GC, 192, 229, 23, 24 - PP, 360
GC, 20; T1, 510; T2, 557; OE , 264; CBV, 346; 24- T8, 97, 115
MCH, 87; PR, 178; T1,

CAPÍTULO 6
1 Isaías tem a visão do Senh.or em Sua glória. 5 Ele fica aterrorizado, e Deus confirma
seu ch.amado. 9 O profeta apresenta a obstinação do povo e sua consequente ruína.
13 Um remanescente será salvo.

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o meio de um povo de impuros lábios, e os meus


Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!
e as abas de Suas vestes enchiam o templo. 6 Então, um dos serafins voou para mim, tra-
2 Serafins estavam por cima dEle; cada um zendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar
tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas com uma tenaz;
cobria os seus pés e com duas voava. 7 com a brasa tocou a minha boca e disse:
3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Eis qu e ela tocou os teus lábios; a tu a iniquida-
Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; de foi tirada, e perdoado, o teu pecado.
toda a terra está cheia da Sua glória. 8 Depois disto, ouvi a voz do Senhor, qu e
4 As bases do limiar se moveram à voz do que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por Nós?
clamava, e a casa se encheu de fumaça. Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.
5 Então, di sse eu: ai de miml Estou perdido! 9 Então, disse Ele: Vai e dize a este povo: Ouvi,
Porque sou homem de lábios impuros, habito no ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.

118
ISAÍAS 6:1

lO Torna insensível o coração deste povo, fiquem sem moradores, e a terra seja de todo
endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, ass olada,
para que não venha ele a ver com os olhos, a 12 e o SENHOR afaste dela os homens, e no
ouvir com os ouvidos e a entender com o cora- meio da terra seja grande o desamparo.
ção, e se converta, e seja salvo. l3 Mas, se ainda ficar a décima parte dela,
li Então, disse eu: até quando, Senhor? tornará a ser destruída . Como terebinto e como
Ele respondeu: Até que sejam desoladas as carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda
cidades e fiqu em sem habitantes, as casas fic a o toco, assim a santa semente é o seu toco.

1. No ano. É provável que o ano foss e O Senhor assentado sobre um alto e


740/739 a.C. Certamente a data é uma infor- sublime trono. Esta manifestação da gló-
m ação importante. No ano em que Uzias ri a divina ocorreu quando Isaías visitava os
encerrou seu longo reinado de 52 anos, o sagrados recintos do templo (PR, 307). Deus
Senhor concedeu uma visão ao jovem Isaías pretendia que Isaías tivesse uma visão mais
confirmando seu chamado pa ra o ministé- a mpla do que a proporcionada pelo contexto ~ ~
rio profético e lhe deu uma mensagem de político. Deus queria que ele soubesse que a
reprovação para Israel (PR, 305 -3 07; T5 , despeito de todo o poder da Assíria, Ele e ra
749, 750). A época era de p erigo e cris e . supremo em Seu trono e estava no controle
O grande rei assírio Tiglate-Pileser III tinha de tudo. Moisés teve uma visão semelhante de
subido ao trono em 745, e quase de ime- D eus (Êx 24:10). Mais de um século antes
diato começou uma série de campanhas que da época de Isaías, o profeta Micaías viu o
levaram à conquista da maior parte da Ásia Senhor sentado sobre Seu trono, e ao Seu
ocidental (ver p. 76). Em 745, ele marchou lado os exércitos do Céu (lRs 22:19). Na pri-
contra Babilônia; em 744, invadiu o territó- meira parte do reinado de Uzias, Amós tam-
rio ao nordeste da Assíria; e, entre 743 e 738 , bém viu o Senhor em pé do lado do altar, no
fez campanhas anuais contra o noroeste . Em átrio do templo (Am 9:1). Mais tarde, durante
seus registros, esse Tiglate-Pileser menciona o cativeiro babilônico, tanto Daniel (Dn 7:9)
com frequência "Azriau de Iaud ", que é em quando Ezequiel (Ez 1:1 ; 10:1-5) tiveram
geral identificado como Azarias (Uzias) de visões do Senhor em Seu trono, assim como
Judá, que era evidentemente o líder da resis- João na ilha de Patmos (Ap 4:1-6). Qu ando
tência contra a agressão assíria entre os paí- perigos cerca m o povo de Deus e os pode-
ses da região mediterrânea da Ásia. Também res das trevas parecem prestes a prevalecer,
se menciona "Menaém de Israel ". Uzias mor- Deus convida Seus fiéis a olharem para Ele,
reu enquanto Tiglate-Pileser realizava cam- sentado no Seu trono, dirigindo as questões
panhas contra o Ocidente. O homem que dos céus e da Terra, para que tenham espe -
tinha resistido fortemente à Assíria não exis- rança e coragem (ver Ed, 173).
tia mais . Qual seria então o destino de Jud á? Suas vestes enchiam o templo.
Todo o mundo cairia nas mãos dos exércitos Quando teve a visão, Isaías estava orando
assírios? Por causa de seus pecados , o pro- no átrio do templo (PR, 307). Diante dele,
fesso povo de Deus tinha perdido a proteção as portas do templo pareciam se abrir; e, no
divina. O poderio assírio parecia invencível, luga r santíssimo, ele viu o próprio Deus sen-
e era apenas uma questão de tempo até que tado sobre Seu trono. O heb. helwl, pala-
Judá fosse de rrotado e a Assíria controlasse vra em geral usada para designar o templo,
o Orie nte M édio. o designa como o "templo" ou "palácio", do

11 9
6:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

grande Rei dos céus (ver Sl 11:4; 29:9; Hc Fumaça. Como a de incenso, refletindo
2:20) . As vestes são a infinita glória de Deus. a glória de Deus. O monte Sinai é descrito
João aplica essa visão a Cristo (ver Jo 12:41). coberto de fumaça e tremendo grandemente
2. Serafins. Do heb. serafi1n, lite- (ver Êx 19:18). No fim de todas as coisas, o
ralmente, "os que queimam" ou "os que templo se enche de fumaça por causa da gló-
brilham". ria de Deus (ver Ap 15:8).
Seis asas. Em Apocalipse 4:8, as criatu- 5. Ai de mim! Isaías estava pronun-
ras viventes que João viu ao redor do trono ciando "ais" sobre os pecadores dentre o
também tinham seis asas. No entanto, as povo de Deus (Is 5:8-30). Nesse momento, ao
criaturas viventes que Ezequiel viu tinham estar na presença do Deus santo, ele percebe
quatro asas (Ez 1:6). Isaías vê anjos com duas sua própria imperfeição de caráter. Todos
asas para cobrir o rosto, em atitude de reve- passam pela mesma experiência quando se
rência diante de Deus, duas asas para cobrir aproximam de Deus.
os pés e duas para voar. Ezequiel vê as cria- Os meus olhos viram. Esta visão de
turas viventes com duas asas para o corpo e Deus na Sua santidade e glória deu a Isaías
duas estendidas para cima (Ez 1:11). um conceito de sua pecaminosidade e insig-
3. Santo, santo, santo. Os anjos ao nificância . Ao olhar para Deus e depois para
redor do trono de Deus se impressionam com si mesmo, ele percebeu que não era nada
o principal atributo divino: perfeita santi- em comparação com o Eterno. Na presença
dade de caráter. As criaturas viventes que do "Santo de Israel" (Is 5:24), viu sua culpa.
João viu ao redor do trono também diziam: Moisés escondeu a face quando esteve na
"Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o presença de Deus (Êx 3:6), e Jó odiou a si
Todo-Poderoso" (Ap 4:8). Deus quis impri- mesmo e se a rrepende u no pó e na cinza
mir na mente de Isaías o conceito de Sua (]ó 42:6).
santidade a fim de que o profeta mantivesse 6. Do altar. O altar de incenso (ver
esse atributo do caráter divino constante- com. de Êx 30:1-5), sobretudo um altar de
mente diante de Seu povo. Desse modo, eles intercessão (ver com. de Êx 30:6-8). João viu " til
seriam encorajados a abandonar seus peca- orações que partiam do coração de pecado-
dos e aspirar à santidade. O rolo 1Qis" do res arrependidos apresentadas com incenso
Mar Morto (ver p. 86; vol. 1, p. 7) omite as diante do trono da graça (Ap 8:3, 4).
palavras "dizendo", e a palavra "santo" ocorre 7. Tocou a minha boca. O carvão do
apenas duas vezes. altar representava o poder purificador e refi-
Cheia da Sua glória. Comparar com nadar da graça divina , e também uma trans-
Is 40:5 . A percepção da glória e da santi- formação de caráter. A partir de então, o
dade de Deus fará com que os seres huma- anseio de Isaías por seu povo era que eles
nos se humilhem perante Ele. Num tempo também fossem purificados e transforma-
em que trevas cobriam "a terra e a escuri- dos. A grande necessidade hoje é de lábios
dão, os povos" (Is 60:2), Isaías ansiava pela tocados com fogo santo do altar de Deus.
hora quando toda a Terra estaria coberta da 8. Envia-me a mim. A resposta de
glória divina. Isaías foi imediata. Como Paulo, Isa ías tinha
4. As bases do limiar. Literalmente, "as expectativa acerca de Israel: que o povo
bases dos umbrais", isto é, os orifícios onde foss e salvo (ver Rm 10:1). Ele sabia que o
os pivôs das portas se apoiavam. Os funda- juízo estava prestes a cair sobre o culpado,
mentos do templo pareciam tremer ao som e ansiava ver seu povo abandonar o pecado.
da voz de Deus. A partir de então, a única tarefa de Isaías era

120
ISAÍAS 6 :1 3

transmitir a mensagem divina de advertência q ue a situação que o Senhor tinha des-


e esperança a fim de que Israel enxergasse o crito pudesse persistir por mais tempo.
amor e a santidade de Deus, e, como resul- Certamente, depois de um tempo, o povo
tado, fosse salvo. cairi a em si e aceitaria a mensagem de sa l-
9. Ouvi, ouvi. Como muitos outros pro- vação e libertação. Daí sua pergunta.
fetas , Isaías assumiu uma tarefa difícil. Deus Até que sejam desoladas as cidades.
o advertiu de que Sua mensagem seria em A triste resposta que o Senhor deu a Isaías
grande parte ignorada e que, a despeito de foi que a situação prevaleceria até que Judá
tudo que pudesse fazer, o povo continua- tivesse se destruído. Não havia esperança
ria nos maus caminhos. O fracasso aparente de arrepend imento, nenhum a esperança de
seria su a sina infeliz, mas certamente não salvação. Um rem anescente seria salvo e,
maior do que a testemunhada no mini stério por caus a desse grupo fiel, Isa ías devia pro-
de Jesus (Mt 13: 14, 15; Jo 12:37-41) e Paulo clamar a mensagem de sa lvação. A nação,
(At 28:26 , 27). Essas palavras de Isaías são porém, como um todo se recusaria deixar os
citadas vez após vez como apli cáveis também ca minhos maus. Essa recusa, ao fin al, tra-
nos tempos do NT. Contudo, Isaías teve a ria a ruína completa e irremedi ável. As cida-
certeza de que sua obra n ão seria de todo des fic ariam desertas, e a terra , desolada e
vã, pois Deus lhe revelou que um rema nes- aba ndonada. O pecado não tra z felicid ade ,
cente seria salvo (Is 1:9; 6:13; 10:21). Paulo, mas desgraça; em vez de prosperidade, ruín a;
porém, percebeu já em seus dias q ue os em vez de vida, morte. Essa é a grande lição
judeus tinham tomado sua decisão final e que o porta-voz divino apresenta ao mundo
não eram mais o povo de Deus (At 28:26- vez após vez (ver Lv 26 :31-33; Is 1:20; 5:9;
28; Rm 9-ll ). 14: 17, 20 ; ]r 4:7, 20, 23-27; 7:3 4; 9:1 1; 26:6,
10. Torna insensível o coração. 18; Mq 3:12; etc.).
A percepção espiritual de Israel estava tão 12. Afaste dela os homens. Referência
obscurecida que eles seriam incapazes de ao cativeiro, primeiramente pela Assíria nos
ouvir até as mais comoventes mensagens dias de Isaías, e depois, por Babilônia, um
enviad as pelo Céu. A situação seria similar séc ulo mais tarde . O povo seria levado para
à do faraó, quando seu coração foi endure- terras distantes. Isso foi predito por Moisés,
cido e e le recusou a mensagem do Senhor de forma condicional, antes mesmo de Israel
dada por Moisés (ver com. de Êx 4:21 ). Nos ter entrado na terra prometida (Lv 26:33;
dias de Isaías, não foi o Senhor que cegou os Dt 4:26-28; 28 :64).
olhos do povo ou que lhes endureceu o cora- Grande o desamparo. A terra q ue
ção; eles mesmos provocaram essa situação Deus queria ver florescer como um solo fér-
sobre si quando rejeitaram as advertências til se tornaria um deserto e es taria abando-
divinas . A cada rejeição da verdade, o cora- nada. Em vez de prosperidade, haveria r uína.
ção se torna mais duro e a percepção espiri- 13. A décima parte. Pelo fato de alguns
tual, mais obscurecida, até que finalmente não detalhes do hebraico deste texto não estarem
mais se discernem as coisas espirituais. Deus cla ros, a tradução e a interpretação são difí-
não se alegra com a morte dos ímpios e fa z ceis. Uma tradução litera l seria: "E ainda nela <C f;j
todo o possível para que abandonem seus maus [isto é, na terra; ver v. 12] estará uma décima
caminhos, a fim de que vivam e não morram parte e ela [a terra ou a décima parte] voltará
(Ez 18:23-32; 33: 11 ; 1Tm 2:4; 2Pe 3:9). [ou restará ou retornará], e ela [a terra ou a
11. Até quando, Senhor? Isaías tinha décim a parte] queimará como terebinto e
uma triste perspectiva. Era difícil acreditar como carvalho, que ao ser cortado fica o tronco

121
6:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

nela [a terra ou a décima parte; ou "neles", 10:21; etc.). Não se deve relacionar nenhum
indicando o terebinto e o carvalho] e uma significado particular ao fato de que o rema-
semente santa no seu tronco." O sentido nescente seria "uma décima parte" do origi-
básico do versículo está claro. Os v. 11 e 12 nal. Na Bíblia, dez é um número pequeno,
descreveram a desolação de Judá na época algumas vezes indefinido, e uma décima
do cativeiro babilônico. Embora a terra fosse parte seria, da mesma forma, um número
deixada desolada por completo, isso não sig- pequeno.
nificaria o fim de Israel como nação (ver Como terebinto. Árvore da qual se
Jr 4:27; 5:10, 18; 30:11; 46:28). A nação se extrai a terebintina. Nada restaria da árvore
levantaria outra vez. O quadro é de um povo a não ser o toco, mas dele cresceria uma nova
que persiste na perversidade, cego e surdo às árvore. Portanto, a mensagem era de enco-
mensagens divinas até que seja levado para o rajamento e esperança. A obra de Isaías não
cativeiro. Mas, apesar disso, se vislumbra a seria de todo vã; no final um remanescente
certeza de que a terra não permanecerá total- seria salvo.
mente abandonada para sempre e o propósito A santa semente. No "toco" restaria
de Deus para ela será finalmente cumprido vida que, ao final, produziria novamente e
(PR, 309, 310; comparar com o nome do se tornaria uma nova árvore. A árvore é uma
primeiro filho de Isaías, "Sear-Jasube", que figura comum no AT para representar o povo
significa literalmente, "[Um] resto volverá"). de Deus (ver Is 65:22; Jr 17:8; cf. Dn 4:14,
A ideia de que um "remanescente" volta- 23). Desta "santa semente" surgiria um Israel
ria ocorre repetidamente no livro (Is 4:2, 3; novo e glorioso.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-13 - CEd, 90; CE, 59; 5 - OTN, 246; GC, 471 6-ll - PR, 308
TM, 213 5-8- CEd, 90; CE, 59; OE, 22 7- PR, 314
I- MDC, 43 6, 7- AA, 208; CPPE, 370 ; 8- CE, 20, 26, 27; CS, 32;
1-5- CPPE, 374; PR, 307 FEC, 207; TM, 256; T4, OE, 451; MDC, 109;
1-7 - CBV, 432; T8, 281 529; T5, 252, 581; T6, CBV, 148; MJ, 25; TM,
1-8 - OE, 21; T5, 750; T7, 153 88; T7, 241, 251; T8, 29, 413; T6, 49, 325, 333; T8,
3- GC, 471; PR, 310, 313, 37, 297 33, 185; T9, 46, 135
371; T5, 751 6-8 - FEC, 472; T6, 325 11-13- PR, 309

CAPÍTULO 7
1 Acaz teme Rezim e Peca e é consolado por Isaías. 1O Acaz se recusa a receber um sinal,
mas Deus lhe concede o sinal do 1Vlessias. 17 Sua punição virá por meio da Assíria.

I Sucedeu nos dias de Acaz, filho de Jotão, 2 Deu-se aviso à casa de Davi: A Síria está
filho de Uzias, rei de J udá, que Rezim, rei da aliad a com Efraim. Então, ficou agitado o
Síria, e Peca, filho de Remalias, rei de Israel, coração de Acaz e o coração do se u povo, como
subiram a Jerusalém , para pelejarem contra ela, se agitam as árvores do bosque com o vento.
porém não prevaleceram contra ela. 3 Disse o SENHOR a Isaías: Agora, sai tu com

122
ISAÍAS 7: l

teu filho, que se chama Um-Resto-Volverá, ao en- filho e lhe chamará Emanuel.
contro de Acaz, que está na outra extremidade 15 Ele comerá manteiga e mel quando sou-
do aqueduto do açude superior, junto ao cami- ber despreza r o mal e escolher o bem.
nho do campo do lavadeira, 16 Na verdade, antes que este menino saiba
4 e dize-lhe: Acautela-te e aquieta-te; não desprezar o mal e escolher o bem, será desam-
~ .,. temas, nem se desanime o teu coração por causa parada a terra ante cujos dois reis tu tremes de
destes dois tocos de tições fumegantes; por causa medo.
do ardor da ira de Rezim , e da Síria, e do filho 17 Mas o SENHOR fará vir sobre ti , sobre o
de Remalias. teu povo e sobre a casa de teu pai, por intermédio
5 Porquanto a Síria resolveu fazer-te mal , do rei da Assíria, dias tais, quais nunca vieram,
bem como Efraim e o filho de Remalias, dizendo: desde o dia em que Efraim se separou de Judá.
6 Subamos contra Judá , e amedrontemo-lo, 18 Porque há de acontecer que, naquele dia,
e o conquistemos para nós, e façamos reinar no assobiará o SENHOR às moscas que há no extre-
meio dele o filho de Tabeal. mo dos rios do Egito e às abelhas que andam na
7 Assim di z o SENHOR Deus: Isto não subsis- terra da Assíria;
tirá, nem tampouco acontecerá. 19 elas virão e pousarão todas nos vales pro-
8 Mas a capital da Síria será Damasco, e o fundos, nas fendas das rochas, em todos os es-
cabeça de Damasco, Rezim, e de ntro de sessen- pinhos e em todos os pastios.
ta e cinco anos Efraim será destruído e deixa- 20 Naquele dia, rapar-te-á o Senhor com um a
rá de ser povo. navalha alugada doutro lado do rio, a saber, por
9 Entretanto, a capital de Efraim será meio do rei da Assíria, a cabeça e os cabelos das
Samaria, e o cabeça de Samaria, o filho de vergonhas e tirará também a barba.
Remalias; se o não crerdes, certamente, não 21 Naquele dia, sucederá que um home m
permanecereis. manterá apenas uma vaca nova e duas ovelhas,
lO E continuou o SENHOR a falar com Acaz, 22 e será tal a abundância de leite que elas
dizendo: lhe darão, que comerá manteiga; manteiga e mel
li Pede ao SENHOR, teu Deus, um sinal, quer comerá todo o restante no meio da terra.
seja e mbaixo, nas profundezas, ou em cima, nas 23 Também, naq uele dia, todo lugar em que
alturas . houver mil vides, do valor de mil sidos de prata,
12 Acaz, porém, disse: Não o ped irei, nem será para espinheiros e abrolhos.
tentarei ao SENHOH. 24 Com flechas e arco se entrará aí, porque
13 Então, disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa os espinheiros e abrolhos cobrirão toda a terra.
de Davi: acaso, não vos basta fatigardes os ho- 25 Qua nto a todos os montes, que os homens
mens, mas ainda fatigais também ao meu Deus? costumam sachar, para ali não irás por temeres
14 Portanto, o Senhor mesmo vos dará um os espinhos e abrolhos; serão para pasto de bois
sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um e para serem pisados de ovelhas.

1. Nos dias de Acaz. Ver tabela, vol. 2, Rezim, rei da Síria e Peca. Fontes
p. 62. Ao que tudo indica, es ta mensage m assírias indicam que Uzias havia adotado
foi transmitid a por volta de 734 a.C ., pró- uma posiç ão firme contra a Assíria, e talvez
ximo ao início do reinado de Acaz (ver tam bém seu filho Jotão , mas Acaz era ami-
com. do v. 16). Sobre o contexto histórico gável. Acaz env iou ouro e prata tirados do
dos eventos mencionados aqui, ver vol. 2, templo e de seu próprio palácio a Tiglate-
p. 70-71. Pileser a fim de obter ajuda da Assíria (ver

123
7:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

com . de 2Rs 16:5-10). Em 2 Reis 15:29, diante do povo essa mensagem do retorno do
observa-se qu e Peca, de Israel, era con- remanescente (ls 4:2, 3; 10: 21; etc.).
tra a Assíria, porque Tiglate- Pileser inves- Açude superior. O suprimento de água
tiu contra ele; e por meio de fontes assírias da cidade sempre foi importante em casos de
também se sabe que o mesmo se dava com sítio. O "açude superior" foi identificado com
Rezim, da Síria. Provavelmente, a maior o açude da fonte de Giom, conhecido como
parte das n ações da Ásia ocidental estava fonte da Santa Mari a ou fonte da Virgem
nesse mom ento unida contra a Assíria, e o (ver mapa , vol. 2, p. 679). Estava situado no
ataque de Pec a e Rezim sobre Acaz tinha o va le de Cedrom ao leste de Ofel e ao sul da
propósito de depô-lo e estabelecer um novo área do templo. Foi de Giom que Ezequi as,
rei, e talvez forçar Judá a se unir contra mais tarde, fez seu famoso aq ueduto, o túnel
a Assír ia. de Siloé (2Rs 20:20; 2Cr 32:30), que levava
Não prevaleceram. Judá tinh a sofrido água ao tanque de Siloé, dentro da cidade.
uma derrota desastrosa nas mãos de Peca Nos dias de Acaz, essa fonte estava fora da
e Rezim, e Elate, no golfo de Áqaba, tinha cidade e, sem dúvid a, estudou-se a maneira
caído nas mãos da Síria (ver 2Cr 28:5-15; de levar a água para dentro da cidad e para
~ ,. 2Rs 16:6). Mas, embora sitiada, a cidade de que, em caso de sítio, os inimigos não pudes-
Jerusalém não foi tomada (2Rs 16:5). sem usá-la.
2. Deu-se aviso. Isto é, comun icou- 4. Aquieta-te; não temas. Com a ajuda
se a Acaz, o representante da casa de Davi. do Senhor, n ão havia motivo para temer.
O ataque era diretamente contra a dinas- O rei , porém , se recusou a confiar em Deus
tia de Davi, visto que o propósito era depor e, como resultado, se desesperou quando fo i
Acaz e estabe lecer um novo rei, da casa de confrontado por circunstâ ncias com as quai s
Tabeal, no trono de Judá (v. 6). não sabia lid a r.
Ficou agitado. Ou, "estremeceu-se". Dois tocos de tições. Uma expres-
Acaz estava aterrorizado com a perspectiva são depreciativa. Os debilitados reinos
de ser deposto (v. 6). Como apóstata, ele não da Síria e de Israel, ass im como seus reis ,
confiava e m Deus , e parecia que seu reino embora parecessem fortes , não eram mais
logo sucumbiria. que restos de tições fumega ntes . Qu ase
O coração. O rolo 1Qls" do Mar Morto h aviam se ex tinguido. Restava-lhes ape-
não contém estas palavras. nas um pouco de vida. Deus predisse odes-
3. Agora, sai. Embora Acaz fosse um rei tino deles a fim de qu e Acaz pudesse segu ir
ímpio, o Senhor não tinha intenção de permi- uma estratégia inteligente. Acaz devi a se
tir que a dinastia de Davi fosse extinta (ver preocupar com o poder crescente da Assíria,
Gn 49:10 ; 2Sm 7:12, 13). Portanto, Isaías foi não com os reinos cambalea ntes da Síria ou
enviado ao rei para lhe informar do propó- de Israel. Durante os 40 ou 50 anos seguin-
sito do Senhor de preservar Jud á e derrotar tes, Jud á seria quase totalmente engolido pela
os invasores. Assíria , contudo Acaz seguia uma política
Sear-Jasuhe (ARC). Literalmente, "Um- que in ev itavelmente faci litaria a vitória dos
Resto-Volverá" (ARA). Deus designou que assírios.
Isaías e seus filhos fossem como sinais para 6. Contra Judá. O pl ano era conquis-
o povo (Is 8:18). O mesmo se de u com o tar Judá.
contemporâneo de Isaías, Oseias, cujos Façamos reinar. Acaz devia ser deposto,
filhos também tinham nomes significativos a dinastia de Davi chegaria ao fim, e um
(Os 1:4-9). Isaías manteve constantemente novo rei "o filho de Tabeal", seria colocado

124
ISAÍAS 7:11

no trono. Não se conhece a identidade desse espa lh ar os povos súditos foi planejada para
novo rei , ma s acredita-se que fosse sírio, visto apagar a antiga identid ade e lealdade nacio -
que o nome "Tabeal" é aramaico e significa nais. As dez tribos foram absorvidas de ta l
"bom [é] Deus". Israel e Síria tinham chegado maneira pelos povos vizi nhos que são, com
a um acordo sobre o novo monarca "fanto- frequência, chamadas de as tribos "p erdi-
che" que assumiria o trono de Davi. das". Muitos provenientes dessas tribos, mais
7. Isto não subsistirá. A casa de Davi tarde, uniram -se aos cativos de Judá e retor-
não cairia. O plano proposto por Israel e Síria naram com eles após o exílio, mas como indi-
estava direcionado contra Deus, e não pode- víduos de uma comunidade judaica que era
ria dar certo. Deus tinha outros planos para a continuação do antigo reino de Jud á, não
a casa de Davi (ver Gn 49:10 ; 2Sm 7:12). de Israel.
Ele não permitiria que homens interferis- Outra interpretação é de que os 65 anos
sem em Seu propósito para Judá, ou que aca- tenham começado por volta da época do
bassem com a dinastia por meio da qual o terremoto, durante o reinado de Uzias ou
Messias viria. Jeroboão II. Esse terremoto foi o sin al dos
8. Dentro de sessenta e cinco anos. juízos do Senhor sobre Israel, mencionados
O significado desta predição é incerto. por Amós. Caso isso esteja correto, Isaías se
Segundo a cronologia dos reis empregada refere aqui meramente à queda de Sa ma ria
de forma experimental neste Comentário em 723/722 a.C . Isso é possível, m as não
(ver vol. 2, p. 62, 126, 127, 82 1), a prediç ão provável, pois não se sabe a data exata do
foi feita por volta de 73 4 a.C. , e nenhum a terremoto. Visto que não se tem um ponto
cronologia data a ascensão de Acaz antes de início definido dos 65 anos , não é possível
de 742 . Contudo, por volta de 722 , Israel, o nem necessário determinar o significado da
reino do norte, chegou ao fim com a queda predição. Em todo caso, uma profecia espe-
de Samaria nas mãos dos assírios. Eruditos cífica como essa era clara e significat iva para
~ ~~- mod ernos concl uíram qu e a frase introdu- o povo em cujos dias foi dada. Obviamente,
zida com estas palavras foi inserida por um era mais importante que eles a ente nd es-
escriba posterior. Eles entendem que esta sem do que nós.
declaração parece interromper a corrente de 9. Se o não crerdes. Era evidente que
pensamento entre os v. 8 e 9. Mas não há evi- Acaz não cria no que Deus assegurava: que
dência segura de que a fras e tenha sido inse- Peca e Rezim não teriam êx ito em seus pla-
rida posteriormente. nos . Ele ainda estava com medo. "Sem fé
Supondo que o número 65 estivesse no é impossível agradar a Deus" (Hb 11: 6), e
texto original de Isaías, e não há razão con- muito me nos se submeter à Sua lidera nça
vincente para se pensar o contrário, podem-se sábia e misericordiosa.
sugerir dois cumprimentos possíveis. Sessenta 11. Pede ao SENHOR, teu Deus, um
e cinco anos após 73 4 a.C ., na contagem sinal. Deus fez esta oferta para fortalecer
inclusiva, daria em 670, quando Esar-Hadom a fé de Acaz. Sinais como este são dados
(68 1-669) reinava sobre a Assíria. É fato que co m frequência para firmar a fé de mentes
Esar-Hadom (e depois dele seu sucessor vacilantes.
Osnapar) tra nsportou alguns povos m eso- Quer seja embaixo. Para os massoretas
potâmios para o ant igo território do reino (ver vol. 1, p. 10, 11), o texto hebraico conso-
do norte (Ed 4: 2-10). Isso ocorreu tempos nantal h'mq sh'lh significava ha'emeq she'alah,
depois de Israel ter chegado ao fim como literalmente, "[na] profundidade demanda".
nação (72 3/722 a.C.) . A estratégia assíria de Porém, revisões posteriores da LXX e por

125
7:12 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

parte de tradutores gregos, muitos séculos de Davi" designa o próprio Acaz. Do mesmo
antes dos massoretas, consideraram h'mq modo, alguns consideram o plural "vos" do
sh'lh como ha'emeq she'olah, "as profundezas v. 14 como uma forma equivalente do pronome
da sepultura". Não há como saber que inter- "nós" impessoal, e concluem que o "sinal" foi,
pretação esteja correta, embora a estrutura portanto, dado a Acaz pessoalmente, como o
gramatical das palavras no hebraico favo- representante da "casa de Davi" e na sua posi-
reça "a profundidade da sepultura" (sobre o ção como rei e líder de Judá. Outros suge-
significado de "sepultura", ver com. de 2Sm rem que o plural "vos" se refere a Acaz e seus
12:23; 22:6; Pv 15:11; para outros casos em sucessores no trono de Davi.
que há um contraste entre a altura dos céus e Sinal. Do heb. 'oth, "sinal", "prova",
a profundidade da "sepultura", ver Dt 32:22; "marca", "lembrete". No AT, um 'oth pode
Jó 11:8; Sl86:13; 139:8). ou não ser um milagre. Em essência, assim
12. Não o pedirei. Acaz se recusou como no caso do arco-íris da aliança (Gn
a ser persuadido. Ele não queria acreditar, 9:12), do sábado (Êx 31:13; Ez 20:12, 20), do
e não queria saber de nada que o ajudasse sangue do cordeiro pascal sobre os umbrais
a crer. Ele tinha estabelecido sua política, (Êx 12:13) e dos incensários de Corá, Datã
estava determinado a levá-la adiante e temia e Abirão (Nm 16:38), o 'oth era um lembrete
tudo que pudesse influenciá-lo a mudar. visível de uma importante verdade espiritual.
O auxílio que procurava era o da Assíria, Os "sinais" no Egito (Êx 4:8; 7:3; Dt 4:34;
não o de Deus. etc.) e os sinais dados a Gideão (Jz 6: 17) e
Nem tentarei ao SENHOR. Isto é, não a Ezequias (2Rs 20:8, 9; Is 38:7, 8) eram
colocarei o Senhor à prova pedindo um sinal. milagres designados a despertar cooperação
Com isso, Acaz revelou sua teimosia e rebe- e inspirar fé. Sem exceção, um "sinal" con-
lião contra Deus. O Senhor ofereceu ajuda sistia de um objeto ou ato cujo propósito era
e direção, mas ele escolheu confiar na ajuda confirmar ou recordar a verdade espiritual
da Assíria. Acaz estava determinado a não ou a mensagem profética ligada a ele pela
ter nada a ver com Deus, e manifestou isso Inspiração. O elemento miraculoso podia
com toda clareza. estar presente ou não. Uma das caracterís-
14. O Senhor mesmo vos dará. Acaz ticas essenciais de um "sinal" era que fosse
teria um sinal do Senhor a despeito de sua literalmente visível à pessoa ou às pessoas
vontade, mas o Senhor escolheria o sinal. a quem fosse dado, a fim de que, por sua
Para encorajar aqueles que permaneceriam vez, os olhos da fé pudessem perceber a von-
fiéis nos anos de crise por vir, Deus enten- tade de Deus e se apegar firmemente às Suas
deu ser conveniente proporcionar a certeza promessas. Sempre que alguém pediu um
de que estaria com eles. A nação tinha rece- "sinal", como Deus convidou Acaz a fazer
bido um sinal por meio de "Sear-Jasube", o (Is 7:11), ou quando o próprio Deus escolheu
primogênito de Isaías (ver com. do v. 3; cf. o "sinal", ele foi literalmente visível àqueles
Is 8:18), cujo nome significava "Um-Resto- a quem foi dirigido.
Volverá" e cuja presença era um lembrete Em relação a isso, é importante obser-
constante de que nas futuras invasões assí- var a declaração de Isaías: "Eis-me aqui, e
5 ~> rias um remanescente seria salvo. os filhos que o SENHOR me deu, para sinais
Vos. No v. 13, é possível notar que "vos" se e para maravilhas em Israel da parte do
refere à "casa de Davi", isto é, a casa real de SENHOR dos Exércitos" (Is 8:18), cujo sig-
Judá, da qual Acaz era representante. Parece nificado é aclarado pelo fato de ocorrer na
também que, nos v. 1 e 2, a expressão "casa mesma sequência profética com o "sinal"

126
ISAÍAS 7:14

prometido em Isaías 7:14. Os nomes "Isaías", informações sobre este caso, ver Problems in
"Sear-Jasube" e "Maer-Salal-Hás-Baz", que Bible Translation, p. 152-157).
significam, respec tivamente, "O Senhor O termo hebraico empregado para desig-
salvará", "Um-Resto-Volverá" e "Rápido- nar uma virgem é bethu.lah, que significa pre-
Despojo-Presa-Segura", todos falaram com cisamente "virgem" e nada mais, nos 50 casos
eloqu ência de acontecimentos relacionados em que ocorre no AT. No emprego bíblico, .. ~
às iminentes e repetidas invasões assírias a uma bethu.lah era, por definição, uma mulher
Judá. Isaías e seus filhos eram "sinais" desig- para se casar, jovem ou não, embora prova-
nados por Deus para assegurar, se possível, a velmente jovem, que não havia tido contato
cooperação de Acaz e Judá durante os anos com nenhum homem. A palavra 'almah não é
de crise que acompanhariam o colapso e o usada nenhum a vez com referência à virgin-
cativeiro do reino do norte, Israel. dade, como ocorre com bethu.lah e seus deri-
A virgem. Do heb. 'almah. Esta pala- vados. Bethu.lah não tem equivalente cognato
vra, singular e plural, ocorre apenas nove masculino, mas com frequência é usada em
vezes no AT (Gn 24:43; Êx 2:8; lCr 15:20; relação a bachu.r, "jovem seleto" ou "jovem
SI 46, introdução; 68:25; Pv 30:19; Ct 1:3; excelente". Bachur e bethulah descrevem os
6:8; ls 7:14) e nunca num contexto em que mais altos ideais hebraicos de juventude,
seu significado preciso esteja claro. Essa como 'elem e 'almah indicam maturidad e
incerteza tem gerado diferenças de opinião física. Sem exceção, usam-se bachu.r e
quanto à tradução de 'alrnah como "virgem" bethulah quando se mencionam claramente
ou "mulher jovem". Têm-se feito grandes integridade moral e virgindade; e nunca se
esforços para provar que o termo significa empregam 'elem e 'almah nesse sentido.
exclusivamente um ou o outro, mas, até o Isaías descreve Deus Se alegrando com
momento, a evidência apresentada em favor Seu povo como "o jovem [bachu.r] desposa a
de qualquer das posições não foi suficiente donzela [bethu.lah]" (Is 62 :5). É interessante
para convencer os estudiosos do hebraico. que Sião, como um símbolo do povo de Deus ,
Lexicógrafos do hebraico concordam que uma "virgem pura", parthenos (2Co 11 :2),
'almah vem da raiz 'alam, "estar maduro seja mencionado (2 Rs 19:21 ; ls 37:22; 62:5;
[sexualmente]", e que a palavra 'alrnah denota Jr 14:17; 31:4; Lm 1:15; etc.) como bethulah,
uma "mulher jovem", capaz de ter filhos. mas nunca como 'almah. De fato, nunca
Tanto 'almah como 'elem, a forma masculina se emprega 'alrnah para designar o povo de
da palavra, indicam de forma clara maturi- Deus. O Senhor só pode aceitar uma igreja
dade física, mas não há evidência absoluta propriamen te descrita como bethu.lah. Deus
de que impliquem virgindade ou estado civil. se interessa mais pelo caráter do que pela
Contudo, deve-se observar que, em Cântico idade. Isaías usa bethu.lah cinco vezes (Is
dos Cânticos 6:8 e 9, "virgens", 'alamoth (plu- 23:4, 12; 37:22; 47:1; 62:5), e se quisesse
ral de 'almah), estão classificadas com "rai- que a jovem de Isaías 7: 14 fosse compreen-
nh as" e "concubinas" em contraste com uma dida como uma "virgem", no sentido estrito
jovem "imaculada". De acordo com o termo da palavra, pela lógica, ele usaria bethu.lah
h ebraico 'almah (Is 7:14), ela podia já ter neste caso também. Porém, quando citou
concebido (ver, a seguir, "conceberá") ; e, se Isaías 7:14, Mateus usou a palavra parthenos,
ela ainda era virgem quando Isaías escre- que significa estritamente "virgem" (sobre as
veu isso, haveria, então, outro nascimento suas razões para isso, ver com. de Mt 1:23).
miraculoso similar ao de Jesus, o que cria- O contexto de Isaías 7:14, junto ao que foi
ria um grande problema teológico (para mais dito anteriormente com relação às palavras

127
7:17 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

e Rezim se opuseram a Acaz, que tinha se a 25•, governou o Egito de 715 a 663, apro-
aliado com Tiglate-Pileser (2Rs 16:5-7). Judá ximadamente. Quando Senaqueribe atacou
não tinha razão para temer se seus líderes tão Judá , evidentemente a segunda invasão (ver
somente confiassem na promessa implícita vol. 2, p. 49), Tiraca (ver vol. 2, p. 36, 49, 50,
no nome Emanuel: "Deus [está] conosco". 144; e com. de 2Rs 18:13; 19:9), o quarto rei
No tempo em que a criança Emanuel tivesse da 25• dinastia (ver vol. 2, p. 36, 62), amea-
cerca de dois anos de idade, os reinados de çou deter o avanço da Assíria (ver 2Rs 19:9;
Peca e Rezim chegariam ao fim. Isso seria Is 37:9). É provável que muitos do povo de
em 732 a.C., o segundo dos dois anos em que Judá tenham confiado que o Egito os livra-
Tiglate-Pileser faria guerra contra Damasco ria da Assíria (2Rs 18:21). O rei "etíope" é
(comparar com Isaías 8:3, 4, em que se pre- chamado aqui de "mosca", porque as mos-
diz outra vez o tempo do cumprimento dessa cas incomodam, e os egípcios provariam
profecia; ver ainda 2Rs 15:30; 16:9). ser um estorvo em vez de um auxílio para
17. Mas o SENHOR fará vir sobre ti. Judá. Isaías ressalta a tolice do povo de Deus
Acaz tinha deixado claro que não pediria o em buscar ajuda do Egito (Is 30:1-7; 31:1-3).
auxílio divino. Em vez disso, ele planejava O Senhor, não o Egito, é que salvaria Judá
confiar na Assíria (2Rs 16:5-7). No entanto, da Assíria (Is 31:4-9; 37:33-36).
Isaías o advertiu que a Assíria não ajudaria Às abelhas. A Assíria é comparada a
Judá, e sim será fonte de angústia (Is 7:17- uma abelha. Abelhas, neste caso, simbolizam
20; 8:7, 8; 10:6). Mais tarde, quando a Assíria um inimigo persistente (Dt 1:44; SI 118:12).
invadiu Judá, este buscou ajuda do Egito, O ferrão de uma abelha , embora doloroso,
mas isso também foi em vão (Is 30:1-3; 31:1- é raramente fatal. A Assíria iria contra Judá
3, 8). O profeta tenta esclarecer tudo isso como o cetro da ira divina (Is 10:5-7), mas a
ao rei. nação não pereceria.
Rei da Assíria. Dias de trevas e perigo 19. Elas virão. Continua a metáfora da
estavam diante de Judá, dias de angústia invasão dos insetos . Os egípcios e assírios
como não havia desde a revolta de Jeroboão invadiriam todas as partes do país como mos-
dois séculos antes. O rei da Assíria invadi- cas e abelhas.
ria não só Israel, mas também Judá. Se Judá 20. Naquele dia. Isto é, ao mesmo
tivesse buscado ao Senhor, Ele teria derra- tempo. O profeta dá mais detalhes com res-
mado Suas bênçãos e não teria permitido que peito aos eventos em Judá.
os assírios invadissem a nação. Isaías bus- Uma navalha alugada. A metáfora
cou ferventemente guiar o rei e seu povo de muda. Isaías tinha comparado Judá a um -4 5
volta para Deus, mas eles se recusaram. Por homem doente, em cujo corpo não havia
essa razão, a Assíria teria permissão de inva- nenhuma parte sã (I s 1:5, 6). Desta vez, a
dir o país. nação é comparada a um homem sujeito à
18. Assobiará o SENHOR às moscas. indignidade suprema de ter os pelos e cabe-
Assobiará às moscas para reunir os exércitos los raspados da cabeça aos pés, incluindo a
desde distantes partes do Egito. O período da barba. Os orientais consideravam isso uma
24• dinastia do Egito foi , aproximadamente, desgraça.
de 750 a 715 a.C. No entanto, contemporâ- Doutro lado do rio. O Eufrates (ver
nea dessa dinastia havia outra fundada por com. de Js 24:2). A Assíria seria um instru-
Piye, um poderoso líder da Núbia, que fin al- mento nas mãos do Senhor para devastar e
mente estendeu seu domínio até o sul do humilhar a impenitente Judá (comparar com
Egito (ver vol. 2, p. 36). Essa dinastia etíope, a metáfora empregada em Is 10:5-7).

130
ISAÍAS 8 :6

da ndo-lhes ampla oportunidade de con - nos dias de Peca, Tiglate-Pile ser tomou
siderar seu significado (ver mais detalhes "a Gileade e à Galileia, a toda a terra de Naf-
no v. 8). ta li, e levou os seus habitantes para a Assí-
2. Testemunhas. Para atestarem a ria", e Oseias matou Peca e tomou seu trono.
autenticidade e, desse modo, enfatizar a E, de acordo com 2 Reis 16:7 a 9, quando
importância do documento. Urias foi o sacer- Acaz pediu a ajuda da Assíria, Tiglate- Pile-
dote chamado mais tarde por Acaz para cons- ser tomou Damasco, levou cativo seu povo
truir um novo altar para o templo segundo e matou Rezim. Em vez de confiar na ajuda
o padrão de um altar que ele tinha visto em divina, Acaz pediu a Tiglate- Pileser para sal-
Damasco (ver com. de 2Rs 16: 10, 11). Não vá-lo das mãos dos reis de Israel e da Síria
se conhece a identidade de Zacarias. (2 Rs 16:7). Mas, ao fazer isso, Acaz abr iu as
3. Profetisa. A esposa de Isaías tam- portas para a destruição de Judá. O cron ista
bém devia ter o dom profético e o auxi liava declara que, por causa de Acaz, o Senhor
em seu ministério. As mulheres que exer- humilhou a Judá e, embora Tiglate-Pileser
ciam esse dom eram chamadas de "profeti- tenha atendido, ele "o pôs em aperto , em vez
sas" (Jz 4:4; 2Rs 22:14; 2Cr 34:22; Lc 2:36). de fortalecê-lo" (2C r 28:19, 20).
Por outro lado, esse título pode ter sido dado 6. As águas de Siloé. Este aqueduto
a ela simplesmente por ser esposa de um pro- flu ía da fonte de Giom, numa caverna na
~ · feta. Maer-Salal-Hás-Baz era o segundo fi lho colin a oriental de Jer usalém , cujas águas
de Isaías (ver Is 7:3). Como o primogênito de formavam um riacho que enchia o antigo
Isaías foi um sinal para o povo de que um Tanque de Siloé. Mais tarde, Ezequias cons-
"resto volveria". O segundo seria um sinal de truiu um túnel (no qual se encontrou a ins-
um juízo que não tardaria em chegar. crição de Siloé ver vol. 2, p. 48, 71) o qual
4. Meu pai. Com a idade de um ano, uma levava as águas de Giom para um novo tan-
criança em geral sabe dizer "papá" e "mamá". que de Siloé dentro da cidade. Essas águas
Antes que a criança tivesse dois anos, os assí- calmas de Siloé representavam a mensagem
rios devastariam Israel e Síria. Essa profe- de segurança contra a Assíria, implícita no
cia se cumpriu em 732 a.C., quando Peca e nome Emanuel, "Deus conosco". Recusar
Rezim perderam seus tronos, e, mais tarde, as calmas águas de Siloé era o mesmo que
a vida (Is 7:16; cf. 2Rs 15:30; 16:9). Assim, o recusar o conselho de Deus. Ao buscar ajuda
ato de escrever o nome Maer-Salal-H ás-Baz da Assíri a, Acaz atraiu sobre Judá "as águas
num tablete era um sinal de que os assírios do Eufrates, fortes e impetuosas", pois "o rio",
logo viri am para saquear Samaria e despo- "o rei da Assíria", transbordaria "por todas as
jar a Síria (ver com . de Is 8:1). Israel e Síria suas ribancei ras" e inundaria "a largura da
caíram nas mãos da Assíria . Judá foi pou- tua terra [Judá]" (v. 7, 8). Tudo isso es tava
pado por um tempo. Deus tinha dito a Acaz implícito no nome Maer-Salal-Hás -Baz,
para não temer (Is 7:4), e predisse o nasci- "Rápido- D espojo-Presa-Segura" (ver co m.
mento de uma criança, Emanuel, que seria do v. 1).
um sinal para assegurar que o Senhor esta- Diante de Rezim. O sign ificado do
ria com Jud á e o pouparia do destino infeliz lembrete do v. 6 é obscuro diante do co n-
de seus vizinhos ao norte. texto. Ac az e o povo estavam com um medo
Num tabl ete de argila , Tiglate-Pileser mortal de Rezim e Peca, filhos de Remalias
escreveu que o povo de Israel depôs seu rei, (Is 7: 1, 2). Com base numa correção do texto
e que ele então colocou Oseias no trono (ver hebraico, alguns traduziram a últim a frase
vol. 2, p. 69). De acordo com 2 Reis 15:29 e 30, como "derretendo de medo diante de Rezim

133
8:7 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

e do filho de Remalias" (ARA; etc .). Se bem Em princípio foi para o bem deles que essa
que essa frase concorde com o contexto, tam- mensagem foi dada.
bém envolve uma reconstrução bem impro- 9. Enfurecei-vos. Do heb. ro 'u, de ra'a',
vável do hebraico. Outros, supondo que a que pode significar também "ser mau", "irri-
frase seja uma inserção editorial antiga, suge- tar-se", ou "quebrar-se". Do mesmo modo,
riram que fosse omitida, para que a ideia ro'u significaria também "estar irritado" ou
da primeira parte do v. 6 seguisse natural- "estar quebrado". É provável que os traduto-
mente no v. 7. Porém, deve-se observar que res da Vulgata Latina tenham considerado
o rolo 1Qis" do Mar Morto confirma o texto o texto hebraico sem vogais (ver vol. 1, p. 3,
massorético. 10, 11) da palavra ro'u como sendo da raiz
7. As águas do Eufrates. Aqui, o rio ra'ah, "ter negócios um com outro", e desse
Eufrates simboliza a Assíria (ver com. de Js modo traduziram ro'u como congregamini,
24:2; c f. Jr 4 7:2). As posteriores invasões assí- "reuni-vos", ou "associai-vos". As traduções
rias a Judá são descritas como um rio que da NTLH e da ACF segu em essa possível
transborda em suas ribanceiras e inunda os leitura da Vulgata Latina. Os tradutores da
campos vizinhos. Estas águas primeiramente LXX parecem ter tido diante de si um texto
engoliriam a nação de Israel e, depois, inun- hebraico que trazia de'u em vez de ro'u, e
dariam (Is 7:8) Judá. Os assírios com fre- traduziram de'u para o grego como gnõte,
quência se referiam a seus exércitos como "saber". No hebraico, as letras r e d são quase
uma inundação que destruía nações. idênticas e podem ser facilmente confundi-
8. Penetrarão em Judá. Por causa de das (ver p. xxi; para exemplos, ver com. de
sua desobediência e descrença, a terra de Gn 10:4; 25:15; Js 9:4; 1Sm 12:11; 2Sm 8:12;
Judá não permaneceria totalmente livre do 23:30). De'u vem da raiz yada', "saber", e a
ataque da Assíria. Israel pereceria por com- forma de'u seria traduzida como "sabei-o".
pleto, mas Judá não seria vencido inteira- De'u está mais em harmonia com o contexto,
mente. Pequena a princípio, a inundação e pode ser traduzido como "tornai conheci-
~ .,.. cresceria em tamanho até "ao pescoço" de mento", ou "sabei vós". No hebraico, Isaías
Judá (ver Is 30:28). A história registra que, 8:9, tem forma poética, e a tradução "sabei
ao final, toda a terra de Judá, com exceção da vós" formaria um paralelismo com as pala-
cidade de Jerusalém, caiu temporariamente vras "dai ouvidos" (vervol. 3, p. 9-12).
nas mãos da Assíria (ver com. de 2Rs 18:13). Ó povos. Ou, "ó nações". Isaías fala
As alas estendidas. Em vez disso, "de às nações pagãs que pensariam em "tomar
suas asas", em referência às correntes de água conselho" (cf. v. 10, ARC) contra Deus e as
do rio transbordando nas ribanceiras. O rio adverte de que "Deus está conosco". Na forma
representava o rei da Assíria (v. 7). poética do v. 9, "ó povos" forma um parale-
Emanuel. Sobre este nome, ver com. de lismo com "de países longínquos".
Is 7:14. A menção do nome Emanuel é um 10. Forjai projetos. Deus é capaz de
lembrete de que Israel podia ter tido Deus reduzir a nada todos os planos dos ímpios
com eles. Israel, porém, perdeu por com- para frustrar Seu propósito. Ele fez isso nos
pleto a presença divina, e o mesmo quase dias de Acaz.
aconteceu com Judá. Muitos dos líderes do Deus é conosco. Do heb. 'Immanu
povo de Judá tinham abandonado ao Senhor, 'El, as mesmas palavras transliteradas no
e como resultado Sua presença não pode- v. 8 como Emanuel. Os v. 9 e 10 apresen-
ria estar com eles. No entanto, outros, um tam o significado da mensagem, centrada
pequeno remanescente fiel, seriam salvos. em Emanuel, que Deus estava tentando

134
ISAÍAS 8:14

imprimir no coração do povo. No fim , os tinham conspirado ou estavam "confedera-


planos dos assírios não prevaleceriam con- dos" contra Judá (Is 7:2, 5, 6), e Acaz, por sua
tra o povo de Deus porque Ele estava "com" vez, tinha feito aliança com a Assíria contra
eles (ver Is 10:5-12). Isaías pregou fervoro- Israel e Síria (2Rs 16:7-9). Acaz e o povo de
samente esta mensagem ao povo de Judá e, Judá temiam a conspiração sírio-israelita, ou
sem dúvida, muitos aprenderam a confiar confederação, e tinham se unido aos pagãos
em D eus. O rei Ezequias, filho de Acaz, foi numa tentativa de se contrapor à mesma.
um deles. Quando Senaqueribe atacou Judá, Acaz foi repreendido pelo Senhor porque
Ezequias encorajou o povo com as inspira- confiou na ajuda dos pagãos em vez de no
doras palavras: "Sede fortes e corajosos, não auxílio divino. Aliar-se com idólatras foi uma
temais , nem vos assusteis por causa do rei ofensa ao Deus dos céus por parte de Seu
da Assíria, nem por causa de toda a multi- povo. Deus queria que o povo se mantivesse
dão que está com ele; porque Um há conosco independente, separado do mundo. Deve-se
maior do que está com ele. Com ele está tomar conselho com D eus e encontrar força
o braço da carne, mas conosco, o SENHOR, nEle. Apenas assim se pode ter a presença do
nosso D eus, para nos ajudar e p ara guerrear Senhor para concluir Sua obra no mundo. Se
nossas guerras" (2Cr 32:7, 8). Por ele ter con- o povo de Deus faz alianças com os que não
fiado, o Senhor esteve com Ezequias e, ao O temem, a política dos homens inevitavel-
final, 185 mil do exército de Senaqueribe mente pisa os princípios do Céu, e a obra do
foram mortos numa só noite pelo anjo do Senhor sofre. Nossa força não está na asso-
Senhor (2Rs 19:35). ciação íntima com o mundo, mas na cuida-
11. Pelo caminho deste povo. Isaías dosa separação dele.
não devia ceder à tendência popular de se 13. Ao SENHOR dos Exércitos, a Ele
distanciar de Deus. O Senhor deu uma santificai. Ou, "considerai santo o Senhor
ordem enfática, "tendo forte a m ão sobre dos Exércitos". Isaías teve uma visão da san-
mim". Assim, Isaías não teria dúvidas quanto tidade de Deus (Is 6:1-4), e nesse momento
ao caminho a seguir. chamava o povo de Judá a reconhecer a santi-
12. Não chameis. Embora Deus falasse dade do Senhor. A menos que o povo tivesse
a Isaías pessoalmente, Ele se dirigiu a "este uma visão da infinita santidade de Deus,
povo" (v. ll). Deus continua falando ao povo jamais poderia alcançar santidade.
no v. 15. No v. 16, outra vez, Ele se dirige a Seja Ele o vosso espanto. Ver com. de
~ ,. Isaías pessoalmente. Dt 4:10; 6:2. Um povo que temesse a Deus
Conjuração. Do heb. qesher, "conspi- não precisaria temer o homem. Acaz estava
ração", como é traduzida a palavra em mais com medo de Peca e Rezim porque recusou
da m e tade dos casos (2Sm 15:12; 2Rs 15:15, temer ao Senhor. Contudo, o temor de Deus
30; Ez 22:25; etc.). Em 2 Crônicas 23:13 e é bem diferente do temor do homem. Temer
outros textos, é traduzida como "traição"; só o Senhor não significa ter medo dEle , mas
em Isaías 8:12 é traduzida como "conjura- mostrar-Lhe respeito, confiar nEle e amá-Lo,
ção". Nesse sentido, denota uma "confedera- vir à Sua presença com alegria.
ção" formada contra alguém. Hoje, a palavra 14. Ele vos será santuário. Do
"confederação" é usada em geral no sentido heb. miqdash, "lugar sagrado", "santuário".
de "aliança", embora ainda signifique tam- Aqueles que temiam o Senhor (ver com. do
bém "uma combinação de pessoas para pro- v. 13) encontrariam um refúgio do perigo
pósitos ilegais". A palavra é usada, neste (ver com. de SI 91: l). Isaías tentou desviar
caso, com esse último sentido. Síria e Israel o povo das coisas terrenas e aproximá-lo

135
8:15 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

de Deus. Cristo foi e é o verdadeiro "santuá- ímpios e colocando algumas restrições sobre
rio" de Israel. eles além das quais não se pode seguir, é que
Pedra de tropeço. Jesus Se referiu a Si a continuidade da vida é possível na Terra.
mesmo como a Rocha (Mt 21:42-44). Paulo Todo servo de Deus pode agradecer o fato
citou Isaías 8:14 com referência a Cristo (Rm de Deus ser como laço e armadilha para os
9:33), e Pedro fez uma aplicação detalhada ímpios, pois de outro modo não haveria paz,
deste versículo (lPe 2:6-8). Durante a cons- alegria, liberdade ou esperança para os habi-
truç ão do tempo de Salomão, não se podia tantes da Terra.
encontrar lugar para determinada pedra 15. Tropeçarão e cairão. O Senhor
enorme cortada e transportada para o local está se referindo primeiramente ao povo do
do templo. Por muito tempo, ela ficou no tempo de Isaías. Contudo, em todas as eras,
caminho dos construtores, sem uso e rejei- os que se rebelam contra Deus e Sua lei tam-
tada. Porém, no final, descobriu-se que essa bém "tropeçarão e cairão", ao recusarem as
era a pedra mais importante de toda a estru- advertências da Palavra de Deus. Os que, por
tura, a pedra angular, e foi finalmente colo- falta de discernimento espiritual, não enten-
cada na posição vital (ver DTN, 597, 598). dem as mensagens da Palavra de Deus, com
Jesus é a pedra angular do judaísmo há tanto frequência fazem com que essas mensagens
tempo rejeitada. se tornem em tropeço para quem está sob sua
Para os que não conheciam a Cristo, Ele influência. Ninguém será enganado se tiver
era uma pedra de tropeço e ofensa. Ele estava percepção espiritual e amor pela verdade.
constantemente no caminho deles, impedindo- 16. Resguarda o testemunho. Esta era
os de levar adiante seus planos e cumprir seus a tarefa de Isaías. Estas palavras se referem
desígnios ímpios. A pedra na qual tropeçaram ao antigo costume de atar um documento
era a pedra angular do próprio Céu, sem a qual e selá-lo. Alguns dos papiros aramaicos
é impossível ter vida, alegria e paz. judaicos do 5° século a.C., descobertos em
Às duas casas de Israel. Esta frase Elefantina, no Egito, foram encontrados
torna evidente que Isaías se dirige não ape- ainda amarrados com linha e o nó selado com
nas a Judá, mas também a Israel. Tanto Israel argila estampado com impressão de um selo
quanto Judá se voltaram contra o Senhor e talhado (ver vol. 3, p. 687). Essa era a forma
Sua lei, e encontraram nEle ofensa em vez de confirmar a au tenticidade do conteúdo do
de o santuário de vida e esperança que Ele documento e mantê-lo intacto. Assim deve
prometeu ser. ser com as palavras de Deus e Sua lei . Isaías
Laço e armadilha. A metáfora da pedra tinha dado uma mensagem vital ao povo, a
muda para a da armadilha, para ressaltar mensagem divina de vida para a nação. Essa
outro aspecto do problema. Cristo e Sua mensagem devia ser preservada com diligên-
mensagem seriam como laço ou armadilha cia. Deus tinha dado a Israel Sua santa lei,
:!: ~ para os habitantes ímpios de Jerusalém. Ele e obediência a ela significava vida a toda a
que deveria ser vida, esperança e proteção humanidade. Era vital que a lei fosse guar-
de toda a humanidade seria armadilha para dada intacta ao longo das eras, que sequer
os que se recusassem a andar em Seus cami- um i ou til fosse mudado ou invalidado por
nhos. Porém, só assim a vida pode ser preser- algum motivo (ver com. de Mt 5:17, 18) .
vada na terra. Se os ímpios pudessem andar 17. Esperarei. Isaías é quem fala. Esta
sem restrições em seus maus caminhos, logo é sua resposta pessoal à mensagem de Deus
destruiriam a si mesmos e aos habitantes da nos v. 12 a 16. Não importa o que os outros
Terra. Somente cortando as atividades dos fizessem, o profeta afirma seu propósito de

136
ISAÍAS 8:20

obedecer a Deus e encontrar nEle confiança Necromantes. Ver com. de Lv 19:31 ; <e ~
e força. Dt 18:11. Por meio de suas iniquidades, os
Esconde o Seu rosto. Deus jamais filhos de Israel haviam se separado de Deus,
esconde o rosto de forma arbitrária de qual- assim como fez Saul, até que o Senhor já
quer nação ou pessoa. No entanto, quando não lhes respondi a (ver com. de 1Sm 28 :6).
o ser humano Lhe dá as costas, Ele esconde E, como Saul, o povo buscava demônios para
Seu rosto dele (ver Is 59:1, 2). Deus não falará ter direção e ajuda. O espiritualismo preva-
para sempre a quem não quer ouvir. Foi por lecia, como hoje, e o povo buscava a direção
Israel se recusar a ouvir a Palavra do Senhor dos espíritos.
e a obedecer à Sua lei que Ele escondeu deles Murmuram. Do heb. tsafaf, "sussurrar",
a face. A experiência da nação como um todo "chilrear" (ver com. de Lv 19:31). O médium
é similar à de Saul quando o Senhor já não sussurrava. Nestas palavras se nota um tom
o ouvia (ISm 28:6). de ridicul arização e desprezo. Os emissá-
A Ele aguardarei. Não importa qual rios do di abo com frequência empregavam os
seja a experiência dos outros, Isaías busca- meios mais sem sentido e degradantes para
ria a Deus, ouviria Suas palavras e andaria fa zer contato com os espíritos. Ao consultar
nos Seus ca minhos (ver Js 24: 15). os espíritos de demônios, as pessoas se tor-
18. Eis-me aqui, e os filhos. Conforme nam como eles em caráter e ações. Satanás
indicado por seus nomes (ver com. de Is exerce influência praticamente ilimitada
7: 14), Isaías e seus fil hos tinham sido orde- sobre aqueles que abandonam a "lei" e o "tes-
nados por Deus a serem sinais ao povo de temunho" (Is 8:20) e preferem ouvir men-
Judá. Por meio deles , Deus proc lamou uma sagens mais agradáveis dos espíritos maus.
mensagem vital ao povo. O nome "Isaías" sig- Não consultará o povo ao Seu Deus?
nifica "o Senhor salvará". De fato, o nome de Em vez de proc urar os médiuns para conse-
Isaías é o tema do livro que leva seu nome lho. Foi o auge da tolice o fato de Israel aban-
(ver p. 72). Com relação às circun stâncias donar a Deus, o autor da vida, e se entregar
imediatas, isso significava salvação do poder ao autor da miséria e da morte.
de Israel, da Síria e da Assíria. O nome do A favor dos vivos se consultarão os
primogênito de Isaías, Sear-Jasube, significa mortos? Vistos que "os mortos não sabem
"[Um]-Resto-Volverá", e essa criança com seu coisa nenhuma" (Ec 9:5), é óbvio que não
nome significava para o povo que um rema- podem ser consultados e que qualquer
nescente seria sa lvo. Deus não iria destruir intento de fazê-lo é engano. Não há maior
Judá por completo dessa vez, como plane- insensatez do que aba ndon ar o Deus vivo e
jou fazer com Israel. O nome do segundo se colocar sob a influência do autor da morte.
filho de Isaías, Maer-Salal-Hás-Baz, signi- Aqueles que recusam a verdade porqu e ela
fica "Rápido-Despojo-Presa-Segura". Esse não lhes agrada ficam indefesos contra as
filho era um lembrete constante de qu e o men tiras do diabo (ver 2Ts 2:10, 11).
juízo se aproximava rapidamente e que logo 20. À lei. Do heb. tomh, indicando toda
cairia sobre os que rejeitassem a graça de a vontade revelada de Deus. Este é o termo
De us. Para os que eram fiéis e verdadeiros a bíblico comum para os escritos inspirados, em
Ele, a criança Emanuel era a certeza da con- especial os de Moisés (ver com. de Nm 19:14;
tínua companhia de Deus. Dt 4:44; 30:10; 31 :9; Pv 3:1; vervol. 1, p. 13,
19. Quando vos disserem. Isaías con- 14). Isaías desvia a atenção do povo das pa la-
dena as fontes de conselho nas quais Acaz e vras e da sabedoria de homens e de demô-
muitos em Judá confiavam. nios para a sabedoria revelada de Deus.

137
8:21 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Os profetas de Deus eram suas testemu- irritados por sua situação, culpam os líderes
nhas, ou porta-vozes, e o "testemunho" que humanos pelo que passam, amaldiçoam a
davam era a mensagem divina de sabedoria Deus porque colherão os resultados da deso -
e vida. Isaías dirige o ser humano à Palavra bediência. O profeta des creve bem a expe-
de Deus como o padrão da verdade e o guia riência dos rebeldes de todas as eras. Em
para o viver correto. Deus Se revelou na Sua Isaías 9:1 a 8, sua visão inspirada contem-
Palavra. O que quer que alguém diga que não pla brevemente o futuro, o tempo do pri-
esteja em harmonia com essa Palavra não tem meiro advento de Cristo, a luz que dissiparia
luz em si mesmo (ver com. de Is 50:10, 11). a escuridão do ser humano com os brilhan-
21. Duramente oprimidos e famin- tes raios do Sol da Justiça (Ml 4:2; ver com.
tos. Isaías se refere àqueles que rejeitaram de Mt 1:23).
Deus e a luz de Sua Palavra, em particular 22. Olharão. Estas pessoas olham para
aos que rejeitaram a mensagem profética o céu, mas sem perceber Deus ou a luz.
de Isaías 7 e 8. Todos eles caminhavam Então olham para a terra e encontram ape-
pela escuridão, em perplexidade e angús- nas angústia de alma e perplexidade. Sem
tia, ansiando por algo que não sabiam o Deus, o mundo é um enigmático labirinto de
quê, procurando algo que jamais poderiam incerteza e angústia . O Messias, pelo qual
encontrar, estando longe de Deus. Em tre - o profeta anseia (Is 9:1-7), é a única luz e a
vas e inquietação, sem luz e sem esperança, esperança de um futuro melhor.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

9 - Ev,617 13- T8, 38, 103 TS, 193


lO- PR, 330 13, 14 - PR, 330 19, 20 - GC, 559; PP, 687;
:E ~ 10-13 - Ev, 618 13-15- OTN, 598 HR, 397
11, 12 - Ev, 26 14, 15- TS , 691 20- CS, 459; Ev, 260; GC ,
11-13 - LS, 322; TM, 463; 15- FEC, 284 vii, 452, 593; OE, 301,
T6, 17 16- GC, 452; T6, 332 309; LS, 322; MDC , 145;
ll-20-T7, 153 18- LA, 159, 536; PJ, 196; TM, 30, 110, 119, 46 3,
12- CEd, 31; LS, 321; T8, Te, 270; TI, 547; OC, 503; TS, 199, 301, 575,
42, 160, 161 561, 565; T2, 366 625, 691; T8, 299
12, 13- FEC, 484 19- PE, 59; PP, 684; 22 - PR, 373, 681

CAPÍTULO 9
1 A alegria a ser desfrutada com o nascimento e o reino do Messias. 8 Os juízos sobre
Israel por causa do orgulho, 13 da hipocrisia 18 e impenitência.

1 Mas para a terra gue estava aflita não conti- 2 O povo que andava em trevas viu grande
nuará a obscuridade. Deus, nos primeiros tempos, luz, e aos gue viviam na região da sombra ela
tornou desprezível a terra de Zebu Iom e a terra de morte, resplandeceu-lhes a luz .
Naftali; mas, nos últimos, tornará glorioso o cami- 3 Tens multiplicado este povo, a alegria lhe
nho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios. aumentaste; a legram-se e les diante de Ti , como

138
ISAÍAS 9:1

se alegram na ceifa e como exultam quando re- Com tudo isto, não se aparta a Sua ira , e a mão
partem os despojos. dEle continu a ainda estendida.
4 Porque Tu quebraste o jugo que p esava 13 Todavia , este povo não se voltou para
sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o quem o fere, nem busca ao SENHOR dos Exércitos.
cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; 14 Pelo que o SENHOR corta de Israel a cabe-
5 porque toda bota com que anda o guerrei- ça e a cauda, a palma e o junco, num mesmo dia.
ro no tumulto da batalha e toda ves te revolvida 15 O ancião, o homem de respeito, é a ca -
em sa ngue serão queimadas, servirão de pas to beça; o profeta que ensina a mentira é a cauda .
ao fogo . 16 Porque os guias deste povo são enganado-
6 Porque um menino nos nasceu, um filho res, e os que por eles são dirigidos são devorados .
se nos deu ; o governo está sobre os Seus ombros; 17 Pelo que o Senhor não Se regozija com os
e o Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, jovens dele e não Se compadece dos seus órfãos
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; e das suas viúvas, porque todos eles são ímpios
7 para que se aumente o Seu governo, e ve nha e malfazejos, e toda boca profere doidices. Com
paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu tudo isto, não se aparta a Sua ira, e a mão d Ele
reino, para o estabelecer e o firmar mediante continua ainda estendida .
o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. 18 Porque a maldade lavra como um fogo ,
O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto. ela devora os espinheiros e os abrolhos ; ace nde
8 O Senhor enviou uma palavra contra Jacó, as brenhas do bosque, e estas sobem em espes-
e ela caiu em Israel. sas nuvens de fumaça .
9 Todo o povo o saberá, Efraim e os mora- 19 Por causa da ira do SENHOR dos Exércitos,
dores de Samaria, que em soberba e altivez de a terra está abrasada, e o povo é pas to do fogo ;
coração dizem: ninguém poupa a seu irmão.
lO Os tijolos ruíram por terra, mas tornare- 20 Abocanha à direita e ainda tem fome, de-
mos a edificar com pedras lavradas; cortaram-se vora à esquerda e não se farta; cada um come a
os sicômoros , mas por cedros os substituiremos. carne do seu próximo:
11 Portanto, o SENHOR suscita contra ele os 21 Manassés ataca a Efraim, e Efraim ataca a 1 ~
adversários de Rezim e instiga os inimigos. Manassés, e ambos, juntos, atacam a Judá. Com
12 Do Oriente vêm os siros , do Ocidente, os tudo isto, não se aparta a Sua ira, e a mão dEle
filisteus e devoram a Israel à boca escancarada. continua ainda estendida.

I. Aflita. Literalmente, "m ais pesarosa", tribos que estavam mais ao norte de Israel.
isto é, à que se deve dar grande consideração e, Isaías se deu conta de que isso era resultado
portanto, ser honrada ou feita gloriosa. O para- da escurid ão espiritual e, com visão profé -
lelo do v. 2 entre "sombra" e "lu z" parece reque- tica, conte mplou a "grande lu z" (v. 2, 6, 7),
rer um contraste no v. 1, entre aflição e honra . que dissipa rá a escuridão dos seres huma-
A obscuridade. Na Bíblia hebraica, nos (Jo 1:4-9; 8:12; 9:5). As mesmas regiões
Isaías 9:1 corresponde a Isaías 8:23. Os v. 1 que viram tanta angústia veriam uma reve-
a 7, de Isaías 9, estão intima me nte relacio- lação de glória e luz. A descrição é a da
nados aos versículos finais do cap. 8, que vinda do M essias ao mundo com a m e n sa-
apresentam um quadro de extrema miséria gem de vida e e sperança. O Sol da Justiça
e esc uridão. Nos dias de Isaías, os exércitos brilhará (Ml 4: 2) sobre um mundo imerso
da Assíria impuseram miséria e escuridão em trevas e trará salvação em Suas asas (ve r
(Is 9:2) para Z e bulom e N a ft a li, duas d as OTN, 34, 35).

139
9:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Zebulom. Na época em que Isaías escre- 723/722 a.C., a Galileia esteve literalmente
veu estas palavras, a terra de Israel vivia em em trevas, sujeita a poderes estrangeiros e
angústia, principalmente as regiões fronteiri- sem o ministério de um sacerdote ou pro-
ças ao norte e ao leste, pois Tiglate-Pileser III feta, até a vinda do Messias.
invadira o país e tomado a "Quedes, a Hazor, 3. A alegria lhe aumentaste. Vinte
a Gileade e à Galileia, a toda a terra de manuscritos hebraicos, a Siríaca e os tar-
Naftali, e levou os seus habitantes para a guns trazem lo em vez de lo', "lhe aumen-
Assíria" (2Rs 15:29). taste" em vez de "não" (KJV), que parece
O caminho do mar. Na Antiguidade, mais apropriado ao contexto. O profeta des-
davam-se nomes descritivos às estradas (ver creve um dia mais feliz, quando o Messias
Nm 21:22; Dt 1:2; ver com. de Nm 20:17; terá vindo para Seu povo, trazendo paz e
Dt 2:27). Alguns identificam "o caminho alegria. Eles seriam em maior número (ver
do mar" com a famosa rota das caravanas Is 26:15; Ez 36:10, 11) e sua felicidade se
que ia desde Damasco e das regiões além multiplicaria.
do Jordão, passava pela Galileia, até o mar Como se alegram na ceifa. Isto é, ale-
Mediterrâneo (ver com. de Me 2:14). Outros gria como a dos trabalhadores na época de
identificam "o caminho do mar" com a rota colheita, que para os agricultores é a mais feliz
costeira que ia em direção ao norte para Tiro do ano. No outono, os hebreus tinham a Festa
e Sidom. dos Tabernáculos, tempo de grande alegria e
Galileia dos gentios. A Quedes men- ações de graça (ver Ne 8:17). Alegravam-se
cionada em 2 Reis 15:29 ficava na Galileia, porque sabiam que Deus estava com eles
e era uma cidade de refúgio (Js 20:7; 21:32). (FI 3:1; 4:4). Cristo veio para proclamar paz <4 ~
Nos dias de Salomão, o distrito da Galileia e felicidade (Is 61:3; Lc 2:13, 14).
se estendia até a região de Tiro (lRs 9:11). 4. Quebraste o jugo. Cristo quebraria
O nome "Galileia" significa "círculo" ou "cir- o jugo do pecado e aliviaria a humanidade
cuito". A Galileia dos tempos do NT tinha da opressiva carga de culpa e ansiedade que
uma área um pouco maior que a antiga. pesa tanto (Is 61:1, 2; ver com . de Lc 4:18,
Ela era chamada de "Galileia das nações" 19; Mt 11:28-30).
porque era habitada por população mista, No dia dos midianitas. Durante os
da qual apenas uma pequena porção era dias dos juízes, Israel esteve com frequên-
judaica. Contudo, essa região estava ligada ao cia sob a dura mão de um opressor, mas era
mundo por meio de estradas que levavam a finalmente libertado por um herói nacional
Damasco, ao Eufrates, à Mesopotâmia, Tiro, (vervol. 2, p. 30-35). Gideão teve uma vitória
Ásia Menor, Europa ao norte e a Samaria, gloriosa sobre um inimigo esmagador, que-
Judeia e Egito ao sul. Foi nessa região, aces- brou o poder dos midianitas e libertou o povo
sível ao mundo, que Jesus passou a maior (Jz 7: 19-25).
parte de Seu ministério. 5. Toda bota. A figura é de luta e der-
2. Grande luz. Para o povo da Galileia, ramamento de sangue, de tumulto, agitação
que vivia numa escuridão tão impenetrável, e morte, mas de vitória final e queima dos
uma grande luz logo brilharia (ver Jo 1:4-9). restos da batalha. O conflito entre Cristo e
A mente do profeta foi dirigida à vinda do Satanás atinge o clímax na grande batalha
Messias ao mundo. Estas palavras se cum- do Armagedom, o prelúdio do reino eterno
priram no começo do ministério público de do Messias (Sl46:6-9; 76:2, 3; Is 63:1-6; Ez
Cristo na Galileia (ver com. de Mt 4:12-16). 38:21, 22; 39:9; ]13:11, 16; Zc 9:9, lO; 14:13;
Desde a época do cativeiro das dez tribos em Ap 16:14, 16; 19:11-19).

140
ISAÍAS 9:8

6. Um menino nos nasceu. Isaías con- Ef 3:9; Cll:l6; Hb 1:2; cf. Gn 1:26). Nenhuma
clui a descrição da era vindoura de paz com outra palavra a não ser "Pai" expressa de forma
uma notável profecia sobre o grande Príncipe tão completa o amor e o cuidado de Jesus
da Paz. A paz jamais será alcançada neste para com Seu filhos. Quando Cristo gover-
mundo por meio de esforços humanos. Na nar, será como pai para Seu povo (Is 22:21,
descrição do Rei vindouro, que reinará com 22; cf. Ap 3:7).
justiça e santidade, Isaías emprega termos Príncipe da Paz. Ver Zc 9:9, 10; Ef
que não podem pertencer a nenhum gover- 2:14. A paz só existe onde há justiça (Is 32 :17,
nante terreno. 18), e Jesus é o rei justo (]r 23:5, 6; 33:15, 16),
Sem dúvida há apenas uma pessoa em que imputa e concede Sua própria justiça ao
todo o universo a quem se possa aplicar esta ser humano. Ele veio ao mundo para trazer a
descrição: Cristo. Em nenhum outro lugar da paz (Lc 2:14; Jo 14:27; ver também Fp 4:7).
Bíblia se encontra ideia tão excelsa, tamanha 7. Seu governo. Daniel prediz que o
beleza de expressão, intensidade de senti- reino de Cristo esmiuçará todos os reinos da
mento na descrição do Salvador e Rei vin- Terra e "consumirá todos estes reinos, mas
douro. De fato, Isaías teve a visão do Senhor ele mesmo subsistirá para sempre" (Dn 2:44;
da glória quando essas palavras foram escri- cf. Ap 11 :15). O anjo Gabriel declarou que
tas. A mão de Deus estava sobre ele e um "o seu reinado não terá fim" (Lc 1:33).
anjo guiava sua pena, assim como no caso O trono de Davi. Ele foi um símbolo
de outros escritores do AT. No Salmo 110, de Cristo, e é por meio de Cristo que o
Cristo é apresentado como o Rei vindouro, trono de Davi será estabelecido para sempre
que será "sacerdote para sempre, segundo a (Gn 49:10; 2Sm 7:11-13; SI 89:3, 4, 29, 36;
ordem de Melquisedeque" (v. 4). No Salmo 132:11, 12;Jr 23:5; 33:17; Lc 1:32; ver com. de
2, Ele é descrito regendo as nações com vara Dt 18:15; 1Cr 28:7; Mt 1:1).
de ferro; e no Salmo 45 é descrito cavalgando O juízo e a justiça. Literalmente, "com
em majestade. justiça e com retidão" (ver Is 11:4, 5; 16:5).
O governo. Cristo governará sobre todo O zelo. Por que o Senhor fará tudo isso?
o Céu e a Terra (ver Dn 2:44, 45; Mt 25:31; Ele é movido por zelo santo e ardente, por
28:18; Lc 1:32, 33; 1Co 15:25, cf. Sl 110:1; um espírito de amor. O seu amor não pode .. :;:,
Fp 2:10; Ap 11:15). permanecer inativo. Quando Ele pensa
Maravilhoso Conselheiro. Ver Is 11:2, no ser humano perdido em pecado, isso o
3; 25:1; 28:29. Este nome encerra a ideia de impulsiona a realizar obras de graça e per-
sabedoria, amabilidade e consideração, um dão . Não há poder maior que o amor, nada
nome que suscitaria adoração e louvor de que possa mover alguém a fazer maior sacri-
todos os seres no Céu, na Terra e em todo o fício ou mais vigoroso serviço. O amor todo-
universo (ver Fp 2:9-11; Ap 5:12, 13). abrangente de Cristo O move a governar com
Deus Forte. Jesus, o Filho, não é menos espírito de serviço abnegado, com "juízo e
Deus que o Pai. Ele é um com o Pai desde a justiça".
eternidade (ver SI 90:2; Pv 8:22-30; Mq 5:2; 8. Contra Jacó. Como o contexto torna
]o 1:1; 14:9, 11; DTN, 19). claro (v. 9-17), a mensagem apresentada em
Pai da Eternidade. Assim como Deus, seguida é dirigida "contra Jacó" como pressá-
o Pai, é eterno, Cristo também o é. Isaías o gio do juízo divino. Este versículo dá início
chama de Pai porque Ele é o Pai de toda a a uma nova seção, que se estende até o
humanidade de uma forma especial, como cap. 10:4, na qual o Senhor repreende a nação
Criador do ser humano e do mundo (]o 1:3; de Israel. A visão do Rei que reinará em glória

141
9:9 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

termina, e o profeta volta a atenção para os mostrando sua perversidade e rebeldia con-
problemas da situação imediata. A época é a tra a vontade do Céu.
mesma que a dos capítulos anteriores, pois 11. Os adversários. O Senhor enviaria
Rezim, da Síria, ainda está vivo (v. li), e a os assírios, inimigos de Rezim, contra Israel.
mensagem deve, portanto, ter sido dada entre Em 2 Reis 15:29, está o relato das medidas
735 e 732 a.C., quando Rezim morreu . de Tiglate-Pileser contra Peca.
Em Israel. O v. 8 menciona tanto Jacó 12. Os siros. Nesse momento, a Síria
quanto Israel. A mensagem de Isaías 9:8 até era aliada de Efraim contra Judá (Is 7:1, 2),
10:4 é primeiramente dirigida às dez tri- mas o Senhor prometeu colocar os siros con-
bos rebeldes, em geral chamadas de Efraim tra Israel, seu antigo inimigo. Alianças entre
ou Samaria (Is 9:9, 21). No v. 14, é muito nações do Oriente eram efêmeras, e o aliado
provável que se empregue o termo "Israel" de hoje podia se tornar um inimigo implacá-
para se referir à nação do norte. No v. 8, no vel no dia seguinte. Os siros atacariam Israel
entanto, "Israel " se refere à nação do norte, desde o norte e o leste, e os filisteus viriam
Israel, e "Jacó", à do sul, ou Judá . sendo esté contra eles do sul e do oeste. Os hebreus
o caso, o sentido é que o Senhor enviou a tinham o leste como referência (ver com. de
mensagem por meio de Judá a Israel. Porém, Gn 29:1 ; Êx 3:1; Nm 3:23). Assim, os siros
num sentido mais geral, Isaías, com fre- provinham do "Oriente" e os filisteus, do
quência, usa os termos Jacó e Israel para "Ocidente".
todo o povo de Deus (ver Is 10:20-22; 27:6 ; Continua ainda estendida. A mesma
29:23; 40:27; 41:8, 14; 43:1, 22, 28; 44:5; expressão é usada com relação a outros juí-
46:3; 48:1, 12; 49:6). Após a queda final do zos (ver Êx 7:19; 8:5; Is 5:25). O Senhor tinha
reino do norte , ambos os termos, em geral, ferido Israel com juízos, mas Sua mão estava
se referem aJudá. estendida como se fosse mandar mais juí-
9. Efraim. O Senhor tinha assegurado zos sobre a nação. Tiglate-Pileser III tomou
que os planos de Efraim e da Síria con- grande parte de Israel, mas não o destruiu;
tra Judá não teriam êxito (Is 7:4-7). Eles o cerco de Salmaneser V, ainda por vir, tra-
já tinham passado por alguns reveses, mas ria o fim completo da nação.
Peca, de Israel, ainda estava determinado a 13. Não se voltou. Deus enviou Seus
continuar o ataque a Judá. juízos, não para destruir, mas para que o
Em soberba e altivez de coração. povo se arrependesse. Contudo, eles falha-
Com arrogância perversa, Peca se recusou ram em aceitar as mensagens de repreensão,
a aceitar as advertências dadas por meio de e continuaram em iniquidade e perversidade.
Isaías, e decidiu seguir adiante com seus pla- Por isso, outros juízos mais severos, inevita-
nos contra Acaz. velmente cairiam.
10. Tornaremos a edificar. Isaías se Para quem o fere. Ver Is 1:5, 6.
refere ao fracasso dos esforços anteriores 14. Corta de Israel. Visto que Israel
de Peca, que, nesse contexto, fazia planos não se arrependeu, o Senhor não podia fazer
para recuperar o que havia perdido (ver Is mais nada além de enviar mais juízos, que
7:1). É como se um edifício de tijolos tivesse cortariam deles "cabeça e cauda" (ver com .
sido demolido, mas Peca o reconstruísse de do v. 13). A nação seria destruída por com- ... ~
novo, desta vez com pedras. Os "sicômoros", pleto, e os juízos cairiam em especial sobre
tendo sido cortados, (ver com. de Lc 17:6; aqueles que desviaram a nação (ver v. 16).
19:4), seriam substituídos por cedros, mais A palma e o junco. A palma se refere
caros e duráveis (ver l Rs 10:27). Ele estava aos nobres e aos governantes do país. O junco

142
ISAÍAS 9:21

pode se referir aos que fingiam humildade boas árvores da floresta, então a iniquidade
(Is 58:5), ou, de acordo com Isaías 9:14 e 15, irromperia como fogo para consumir a si
aos falsos profetas. mesma. O pecado seria punido; na realidade,
15. O ancião. Ver Is 3:2, 3. Príncipes, traria sua própria destruição (ver Is 33:11, 12;
juízes, oficiais civis e militares estavam den- Jr 21:14; ]11:19, 20; Hb 6:8). Desse modo, a
tre os líderes mais importantes da nação. terra ficaria limpa, pronta para o crescimento
O juízo seria particularmente severo para da nova vegetação (ver 2Pe 3:10-13).
essa classe. 19. A terra está abrasada. Ver com.
Que ensina a mentira. A classe mais dos v. 1, 2. O profeta vê uma cena de caos
desprezível da nação era o grupo responsá- e confusão. As pessoas estão confusas, e o
vel por prover liderança espiritual, mas que país está coberto de trevas. Paixão e amar-
conduzira o povo pelos caminhos do erro e gura, ódio e vício, injustiça e crueldade dila-
da necessidade. Isaías não os poupou nas ceraram de tal modo o coração das pessoas
mensagens de repreensão (Is 28:7; 29:9, lO) . e inflamaram seu espírito que todas se vol-
16. São enganadores. Nações devem tavam contra o próximo. Tal será o efeito
ter líderes, mas líderes, às vezes, conduzem final do mal quando "a espada de cada um
na direção errada. Muitas nações foram des- se voltará contra o seu próximo" (Ez 38:21)
truídas porque seus líderes desviaram o povo. e quando cada um "levantará a mão contra
A pessoa que aspira à liderança deve consi- o seu próximo" (Zc 14:13).
derar com seriedade as pesadas responsabi- 20. A carne do seu próximo. Uma
lidades desse posto. O destino de uma nação descrição vívida dos efeitos finais da cobiça
depende do conselho e do exemplo de seu e da corrupção. No fim, o egoísmo con-
líder. Israel falhou porque seus líderes des- some a si mesmo. Aquele que não se inte-
viaram o povo. ressa pelo bem-estar de seu próximo está,
17. Não se regozija. O rolo 1Qis• do na verdade, trabalhando contra seus pró-
Mar Morto traz "não tem piedade", que prios interesses. Ninguém pode, ao final, ser
parece se harmonizar melhor com o contexto. perfeitamente feliz e próspero a menos que
Ímpios. Ver com. de Mt 6:2; 7:5; 23:3, 13. seu próximo também esteja feliz. Quando
Quando Israel caiu, o povo estava totalmente alguém se exalta, oprimindo seu próximo,
entregue ao mal. Eles ainda professavam a prepara caminho para a própria destruição.
religião, mas se regozijavam abertamente Quando nações se destroem a fim de pro-
com a iniquidade. Todas as classes estavam mover seus interesses egoístas, cometem a
envolvidas, e todos sofreriam, do jovem até maior das tolices, pois estão se destruindo a
o velho. Quando a iniquidade chegou a esse si mesmas e ao mundo em que vivem. Assim
ponto, a justiça exigiu que caíssem os juízos. como no passado, nações e indivíduos se des-
18. Lavra como um fogo. Esta é uma truíram mutuamente por causa de discórdia
descrição impressionante dos efeitos da ini- e cobiça, o mundo hoje está no processo de
quidade. O pecado mata, mas não cura. provocar a própria destruição.
A iniquidade queima e cria cinzas e desola- 21. Manassés ataca a Efraim. Essas
ção, mas não conserta ou constrói. Abrolhos duas tribos eram irmãs e tinham interesses
e espinhos, destinados apenas para a destrui- em comum. Mas, quando Efraim se levan -
ção, simbolizam a iniquidade que prevalecia tou contra Manassés e vive-versa, a destrui-
entre o povo (ver Is 5:6; 7:23-25; 10:17; 27:4; ção de ambas foi inevitável. E quando essas
32:13). Quando o país estivesse coberto de duas tribos se levantaram contra sua irm ã
espinhos e abrolhos, de modo a asfixiar as Judá, estavam assegurando que logo viria seu

143
9:21 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

próprio fim . Nenhuma nação pode supor- Continua ainda estendida. No capí-
tar por muito tempo tal confusão de crime, tulo seguinte h á outra série de crimes para
:!'" concupiscência e sangue, como foi o caso os quais a m ão do Senhor continuou esten-
do reino do norte durante os primeiros anos dida para punir. Isso dá continuidade à linh a
de Isaías. de pensamento.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1, 2- PR, 373 5- GC , 37, 642 , 672 T5, 729


2 - CPPE , 469; OTN, 56; 6 - OTN , 25, 56, 363, 578 ; 6, 7- T8, 145; PR, 688
PR, 688; T8, 306 Ed, 73; GC, 46 ; MDC , 12, 17, 21 - T6 , 304 ; T7, 265
27; PP, 34, 755; TM , 222;

CAPÍTULO 10
1 Ais sobre os tiranos. 5 Assíria, a vara dos hipócritas, por seu orgulho, será destruída .
20 Um remanescente de Israel será salvo. 24 Israel é consolado com a
promessa de libertação do poder da Assíria.

1 Ai dos que decretam leis inju stas, dos que 9 N ão é Calno como Carque mis? Não
escrevem leis de opressão, é H a mate como Arpade? E Samaria , como
2 para negarem justiça aos pobres , para arre - Damasco?
batarem o direito aos aflitos do Meu povo, a fim lO O Me u poder atingiu os reinos elos ído-
de despojare m as viúvas e rouba rem os órfãos! los , ainda que as suas im age ns de escultura eram
3 M as que fareis vós outros no dia do cas- melhores do que as de Jerusalém e do que as de
tigo, na calam idade que vem de longe? A quem Samaria.
recorrereis para obter socorro e onde deixa reis a 11 Porventura, como fi z a Samaria e aos seus
vossa glória? ídolos, não o faria igua lmente a Jerusalém e aos
4 N ada mais vos resta a fazer, senão dobrar- seus ídolos?
vos entre os prisioneiros e ca ir entre os mortos. 12 Por isso, aconte cerá que, h ave ndo o
Com tudo isto, não se aparta a Sua ira, e a mão Senhor acabado toda a Sua obra no monte Sião
dEle continua ainda estendida. e em Jeru salém, então, castiga rá a arrogâ ncia do
5 Ai da Assíria, cetro da Minha ira I A vara em coração do rei da Assíria e a desmedid a a ltivez
sua m ão é o instrumento do Meu fu ro r. dos seu s olhos;
6 Envio-a contra uma nação ímpia e contra o 13 porquanto o rei disse: C om o p oder da
povo da Minha indignação lhe dou ordens, para que minha mão, fi z isto, e com a minha sabedoria,
dele roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha porque sou inte ligente; removi os limites dos
para ser pisado aos pés, como a lama elas ruas. povos, e roubei os seus tesouros, e como valente
7 Ela, porém, assim não pensa, o seu coração abati os que se assentava m em tronos.
não entende assim ; antes, intenta consigo mesma 14 Meti a mão nas riquezas dos povos como
destruir e desa rraigar não poucas nações. a um ninho e, como se ajuntam os ovos abando-
8 Porque di z: Não são meus príncipes todos nados, assim eu ajuntei toda a terra, e não hou ve
e les reis? quem movesse a asa, ou abrisse a boca , ou pi asse.

144
ISAÍAS 10:3

15 Porventura, gloriar-se-á o machado con- 24 Pelo que assim diz o Senhor, o SENHOR
tra o que corta com ele? Ou presumirá a serra dos Exércitos: Povo Meu, que habitas em Si ão,
contra o que a maneja? Seria isso como se a vara não temas a Assíria, quando te ferir com a vara
brandisse os que a levantam ou o bastão levan- e contra ti levantar o seu bastão à maneira dos
tasse a quem não é paul egípcios;
16 Pelo que o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, 25 porque daqui a bem pouco se cumpri-
enviará a tísica contra os seus homens, todos gor- rá a Minha indignação e a Minha ira, para a
dos, e debaixo ela sua glória acenderá uma quei- consumir.
ma, como a queima ele fogo. 26 Porque o SENHOR dos Exércitos suscitará
17 Porque a Luz de Israel virá a ser como contra ela um flagelo, como a matança de Midiã
fogo, e o seu Santo, como labareda , que abrase e junto à penha de Orebe; a sua vara estará sobre
consuma os espinheiros e os abrolhos ela Assíria, o mar, e ele a levantará como fe z no Egito.
num só dia. 27 Acontecerá, naq uele dia , que o peso será
18 Também consumirá a glória da sua flo- tirado elo teu ombro, e o seu jugo, elo teu pescoço,
resta e elo seu campo fértil, desde a alma até ao jugo que será despedaçado por causa da gordura.
corpo; e será como quando um doente se definha. 28 A Assíria vem a Aiate, passa por Migram
19 O resto elas árvores da sua floresta será e em Micmás larga a sua bagagem.
tão pouco, que um menino saberá escrever o nú- 29 Passa o desfilad eiro, aloja-se em Geba, já
mero delas . Ramá treme, Gibeá de Saul foge.
20 Acontecerá, naquele dia, que os restan- 30 Ergue com estrídulo a voz, ó filha de '
tes ele Israel e os ela casa ele Jacó que se tiverem Galim! Ouve, ó Laísl Ohl Pobre Anatote!
~ · salvado nunca mais se estribarão naquele que os 31 Maclmena se dispersa; os moradores de
feriu , mas, com efeito, se estribarão no SENHOR , Gebim fogem para salvar-se.
o Santo ele Israel. 32 Nesse m esmo dia, a Assíria parará em
21 Os restantes se converterão ao Deus forte, Nobe; agitará o punho ao monte da filh a de Sião,
sim , os restantes de Jacó. o outeiro de Jerusalém.
22 Porque ainda que o teu povo, ó Israel, seja 33 Mas eis que o Senhor, o SENHOR dos
como a areia elo mar, o restante se converterá; des- Exércitos, cortará os ramos com violência, as ár-
truição será determinada, transbordante de justiça. vores ele alto porte serão derribadas, e as altivas
23 Porque uma destruição, e essa já determi- serão abatidas.
nada, o Senhor, o SENHOR elos Exércitos, a exe- 34 Cortará com o ferro as brenhas da flores-
cutará no meio de toda esta terra. ta, e o Líbano cairá pela mão ele um poderoso.

I. Leis injustas. Israel e Judá eram cul- pobre, o Senhor, ao levantar essa pergunta,
pados do mal denunciado nesta passagem, que fa z com que pronunciem julgamento con-
é o mesmo já denunciado em Judá (Is 1:23; tra si mesmos. Esses juízes injustos sabi a m
5:23). O crime era a injustiça contra o pobre o suficiente de justiça e equidade para te r
e o necessitado, contra viúvas e órfãos, desa- a consciência de que e ram culpados e que
fortunados e oprimidos. As pessoas pensavam não escapariam no dia do castigo divino.
apenas em si mesmas e em seus interesses. Isaías havia de clarado como os ímpios
O mal dessa época era o egoísmo e a cobiça, um fugiriam para a s roch as e cave rnas para
mal que estava corroendo o coração do povo. se esconderem da glória no dia do Senhor,
3. No dia do castigo. Em vez de pro- "quando Ele Se levantar para espa ntar a
nuncia r julgamento contra os opressores do terra" (Is 2:19).

145
10:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

4. Os prisioneiros. O texto hebraico do revogados a fim de que se realizassem os


início do v. 4 não é claro. Porém, a ideia é propósitos de Deus (ver com. de 2Cr 18:18;
que os juízes injustos dos v. 1 a 3, no dia da 22:8; Dn 4:17).
visitação do Senhor, estarão entre os prisio- 8. Meus príncipes. Os líderes da
neiros, humilhados e atemorizados diante do Assíria se gloriavam de que seu poder e sua
Juiz do universo, e terão o mesmo destino: glória eram tão excelsos que os monarcas
serão contados com os mortos. das nações vizinhas pareciam como nada
5. Cetro da Minha ira. Após ter enu- diante deles. Os governantes da Assíria se
merado os crimes pelos quais Seu povo pro- deleitavam em apresentar longas listas de
fesso seria julgado, o Senhor apresentou os reis vassalos que lhes pagavam tributo e os
meios que empregaria para executar o juízo reverenciavam.
contra ele. Deus decretou a sentença, e a 9. Calno como Carquemis. Calno
Assíria será o instrumento pelo qual a sen- (Calné), Kullani para os assírios, foi uma
tença será executada. A Assíria é comparada cidade tomada pela Assíria em 738 a.C. O rei
a uma navalha alugada (Is 7:20). Pisiris, de Carquemis, pagou tributo a Tiglate-
6. Nação ímpia. Isto é, Judá, pois, Pileser, em Arpade, em 743 . Carquemis
nesse tempo, Samaria já havia sido subju- estava situada na curva do Eufrates, cerca
gada (v. 11). de 600 km a noroeste de Jerusalém, e Kullani
Roube a presa. Isso lembra o nome do ficava a 75 km ao sudoeste de Carquemis.
filho de Isaías: Maer-Salal-Hás-Baz (Is 8:3), Hamate como Arpade. Dezenove dis-
que significa "Rápido-Despojo-Presa-Segura". tritos de Hamate foram subjugados pela
O Senhor ordenou que a Assíria executa sse Assíria em 743 a.C., ou logo depois. Arpade
juízo contra Israel e Damasco (Is 8:4) e tam- teve um papel importante nas campanhas
bém contra Judá. assírias de 743 até 740. Arpade ficava a
7. Não entende assim. Esta é uma poucos quilômetros de Kullani; e Hamate ,
revelação interessante sobre o modo como o no Orontes, estava a 190 km ao norte pelo
Senhor age com as nações. Quando alguns leste de Damasco. Damasco ficava a cerca
~ ~~- poderes precisaram ser castigados, o Senhor de 160 km a nordeste de Samaria.
usou a Assíria como vara para punir. No Samaria, como Damasco. As campa-
entanto, a Assíria não tinha ideia de que nhas de Tiglate-Pileser, de 733 e 732 a.C.,
estava sendo usada como instrumento nas foram contra Damasco, e em 727 houve
mãos do Senhor. Tanto quanto sabiam os ainda outra campanha contra essa cidade.
líderes assírios, suas políticas foram deter- Samaria foi sitiada por Salmaneser V e
minadas por seus próprios interesses egoís- tomada em 723/722 (ver vol. 2, p. 70, 144),
tas. Em outras palavras, não era o Espírito e seus cidadãos foram levados cativos para a
do Senhor que movia a Assíria contra Israel Assíria . Contudo, a maior parte das regiões
e Judá . Então, como é possível dizer que norte e leste do reino de Israel já tinha sido
a Assíria foi um instrumento nas mãos do subjugada por Tiglate-Pileser, por volta de
Senhor? A mão protetora de Deus foi reti- 732, alguns anos antes de Samaria ser for-
rada do povo contra o qual o castigo tinha çada a se submeter ao domínio assírio.
sido decretado, e assim a Assíria pôde cum- 10. Os reinos. A Assíria tinha conse-
prir sua vontade egoísta e má. É assim que o guido dominar as cidades importantes cita-
Senhor cumpre Sua vontade soberana num das no v. 9. Seus deuses não tiveram poder
mundo que está em rebelião contra Ele. para protegê-las contra a Assíria, que consi-
Os propósitos de homens e demônios eram derava seus deuses superiores sobre todos os

146
ISAÍAS 10:13

outros, e cria que suas vastas conquistas con- contra Judá ou qualquer outra nação sem o
firmavam isso. Para o rei assírio, e para todos aval do Senhor. A Assíria precisava apren-
os povos antigos, a grandeza de um deus era der que há um Deus nos céus interessado no
medida pelo poder da nação que o adorava. que é justo, um Deus que fará com que todos
Portanto, os "deuses" de Jerusalém e Samaria os transgressores recebam o que merecem,
foram considerados inferiores aos deuses das mesmo aqueles que exteriormente professam
muitas nações já conquistadas pela Assíria. adorá-Lo. A Assíria era culpada diante de
ll. A Samaria e aos seus ídolos. Deus pela cruel dominação de muitos países
Os assírios criam que os deuses das outras do Oriente. Seus crimes contra o ser humano
nações eram semelhantes aos seus. Para eles, e contra Deus, seu orgulho, sua arrogância e
o Deus de Jerusalém não era diferente do perversidade demandavam punição, e por
deus de nenhuma outra cidade. Visto que o essas razões o Senhor a castigou (sobre os
Deus de Samaria tinha falhado em salvá-la, princípios de Deus ao lidar com as nações,
da mesma forma o Deus de Jerusalém não ver Ed, 173-184; ver com. de Dn 4:17).
seria capaz de protegê-la do poder da Assíria. Os limites dos povos. Isto é, limites
12. Toda a Sua obra. Deus tinha nacionais. Era propósito da Assíria eliminar
uma tarefa para cumprir: trazer juízo sobre essas fronteiras e impedir revoltas posterio-
Sião e Jerusalém. A Assíria seria o instru- res por meio de uma política de deportação
mento dEle para desempenhar essa tarefa. em massa. Em consonância com essa polí-
Mas, quando a obra estivesse concluída, o tica iniciada pela Assíria, o povo de Israel foi
Senhor puniria a Assíria por seu orgulho e levado a vários lugares na Mesopotâmia e na
arrogância. Média (2Rs 17:6), e o povo de Babilônia, Elão
Castigará. O hebraico diz, literalmente, e de outras nações distantes foi estabelecido
"pedirei contas". A versão ARC mantém a nas cidades de Israel (2Rs 17:24; Ed 4:9, 10).
mudança da terceira pessoa, na primeira Roubei os seus tesouros. Ver com. do
parte do versículo, no hebraico, para a pri- v. 14. A Assíria tinha orgulho de suas depre-
meira pessoa aqui ("visitarei"), talvez para dações e crueldades. Inscrições de reis assí-
dar ênfase. rios revelam a jactância pela pilhagem e pelo
13. Minha mão. Comparar com Dn sangue derramado. Elas listam com deta-
4:30. A análise da política assíria apresentada lhes a quantidade de prata e ouro, gado e
em Isaías 10:13 justifica o juízo de Deus con- bens levados, o número de corpos deixados
tra essa nação. À primeira vista, pode parecer empalados em estacas, as pirâmides de cor-
injusto que o Senhor usasse a Assíria para pos deixadas fora dos muros das cidades e
realizar a tarefa para depois puni-la por ter rios de sangue com os quais haviam banhado
feito o que Ele queria (ver com. de Êx 4:21 ; montes e planícies. Deus conhecia essa jac-
9:16). No entanto, a razão disso está clara. tância, e apresentou os motivos por que era
A Assíria pensava só em si mesma, não em necessário que a Assíria prestasse contas.
Deus (ver com. de Is 10:7). Ela deseja ape- Como valente. Literalmente, "como um
nas saquear e conquistar. Quando humilhou déspota", "como um tirano". A mesma palavra
Jerusalém, considerou a si e a seu deus como hebraica é traduzida como "touro" ou "touros"
~ .,.. mais fortes que Jerusalém e seu Deus. (SI 50:13; Is 34:7), pois se interpreta que esse
Os assírios não sabiam que, ao cumprir atributo de força designe um animal de força
os próprios desígnios, estavam sendo usa- excepcional. A Assíria se vangloriava sem
dos por Yahweh para realizar Seus propó- cessar de seu poder e habilidade de subjugar
sitos, e que não seria capaz de fazer nada e humilhar outros povos poderosos da Terra.

147
10:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

14. Como se ajuntam os ovos. Ver Obviamente os homens mencionados , isto


com. do v. 13. Os tesouros e as posses das é, guerreiros, não eram literalmente "gordos",
nações eram considerados pela Assíria como mas sim fortes e vigorosos. Aqui, "todos gor-
meros despojos a serem levados. Com pala- dos" se referem aos governantes da Assíria ,
vras muito semelhantes à linguagem deste e, talvez, também ao exército assírio. Deus
texto, os reis assírios se gloriavam de se apo- colocaria Sua mão sobre eles e ficariam defi - .c 2j
derarem dos tesouros de povos vizinhos e nhados e esqueléticos. Em outras palavras,
distantes . Por exemplo, a famosa biblioteca o poder assírio desapareceria.
de Assurbanípal continha, em grande parte, Fogo. Deus poria fogo nos seus glorio-
registros e objetos tomados durante as con- sos palácios e os converteria em montões
quistas assírias. de ruínas fumegantes (ver Am 1:4). Um
Não houve quem movesse. Por onde século depois de Isaías ter feito essa decla-
os exércitos assírios passavam, deixavam ração, o império assírio ficou em ruínas.
morte e devastação. Os reis assírios descre- Nínive foi reduzida a cinzas, e Assur, Calá
vem regiões bonitas que deixaram desabita- e Dur Sharrukin foram cobertas pela areia
das, inteiramente desoladas e desertas . Isaías do deserto.
apresentou um quadro vívido e exato da arro- 17. A Luz de Israel. Para o pecado e
gância desses reis. os pecadores, a glória divina é fogo consu-
15. Gloriar-se-á o machado [... ]? midor (ver Êx 24:17; Dt 4:24; 9:3 ; Is 33:14;
A Assíria foi um instrumento nas mãos do Hb 12:29). O brilho do Deus santo é a gló-
Senhor, mas se vangloriava como se fosse ria e a alegria dos redimidos, mas é chama
mais poderosa do que Deus . Os reis da que consome "espinhos" e "abrolhos", metá-
Assíria conheciam pouco sobre Yahweh, qu e foras empregadas por Isaías ao descrever a
Se assenta no trono do universo e conduz os obra nefasta do pecado (ver com. deIs 9:18).
povos d a Terra, colocando e tirando qu em Em Ezequiel2:6 também se usa essa expres-
deseja (ver Dn 5:19). Nenhum monarca ter- são figurativa para designar os ímpios; em
reno pode fazer algo sem ter a permissão de Hebreus 6:8, do mesmo modo, fala-s e de
Deus, e nenhuma nação pode continuar a espinhos e abrolhos como os frutos amal-
existir em oposição à vontade divina. Como diçoados do mal, cujo fim é ser queimado.
todas as outras nações da Terra, a Assíria Num só dia. Estas palavras apontam
era "como um pingo que cai de um balde para uma destruição rápida e repentina que
e como um grão de pó na balança" diante cairia sobre os assírios. Isaías antevê cenas
do poder de Deus (Is 40:15). A Assíria pre- como a destruição de 185 mil homens do
cisava aprender que a mão de Deus "está exército de Senaqueribe em uma noite
estendida sobre todas as nações", e que Sua (Is 37:36).
mão jamais poderá ser retirada por um ser 18. A glória da sua floresta. Num
humano (Is 14:26, 27). dia, o poderio assírio tinha força e glória;
Como se a vara brandisse. Literal- no outro, tinha desaparecido da terra , como
mente, "fazer-se grandioso". uma vasta floresta arruinada pelo fogo. Na
Os que a levantam. Literalmente, Bíblia, pessoas e nações ímpias são compa-
"aquele que a levanta", isto é, Deus. radas a árvores majestosas , cujo orgulho e
16. Todos gordos. A palavra traduzida beleza serão destruídos (Ez 31:3-18; Dn 4:10-
como "gordos" é usada de forma simbólica 26; cf. Is 30:27-33).
(ver com. de Gn 49:20; Ez 34:16-18); é tam- Um doente se definha. Do heb. noses,
bém traduzida como "robustos" (Jz 3:29). particípio do verbo nasas, "vacilar", que

148
ISAÍAS 10:24

significa neste caso, literalmente, "alguém depositaria confiança. Finalmente, eles reco-
que vacila". Alguns sugerem o significado nheceriam na Assíria um mestre cruel em
"homem enfermo". A LXX diz "o que foge", vez de um amigo e auxi liador. Demonstrou-se
assim como a Vulgata. Os assírios eram vis- que a confiança em Deus era o único cami-
tos avançando de todos os lados, e parecia nho para segurança e vitória.
que nada poderia detê-los. Contudo, o pro- 21. Os restantes se converterão. Do
feta previu o tempo quando a Assíria se tor- heb. she'aryashuv. Isaías tinha em mente seu
naria enferma e cairia. Ela vacilaria e cairia. filho Sear-Jasube (ver com. de Is 7:3). A ver-
Esta tradução de nasas é mais apropriada ao dade suprema que Isaías apresentou a Israel,
contexto dos v. 16 a 19, e em especial o v. 18. contudo, foi a lição de Emanuel, "Deus
19. O resto das árvores. Isto é, do povo conosco" (ver com. deIs 7:14; 8:8). Quando
(ver com. do v. 18). Pode ser uma referên- o povo colocou a confiança no Senhor, que
cia à destruição do exército de Senaqueribe estava com eles, os maiores poderes da Terra
diante dos portões de Jerusalém (Is 37:36), não puderam prevalecer. D eus permitiu que
visto que ele e parte de suas forças expedi- o povo tivesse essas experiências difíceis com ... ~
cionárias voltaram para Assíria (Is 37:37; ver o fim de convertê-lo (ver com. de Is 10:13).
com. de 2Rs 19:36). Mas, depois que o "fogo" 22. A areia do mar. O prometido retorno
(Is 10: 16) consumisse a "floresta", restariam do remanescente era uma mensagem de espe-
bem poucas "árvores", tão poucas que uma rança e também de destruição. Para aqueles
criança as poderia contar. que se recusaram a retornar para o Senhor
20. Os restantes de Israel. Após e continuaram com sua conduta hipócrita
observar que alguns poucos assírios escapa- e mundana, a mensagem do "restante" não
riam do juízo, o profeta se volta para aqueles trouxe espera nça. A promessa de restaura-
em Israel que sobreviveriam à invasão assí- ção e salvação era apenas para o "restante".
ria. Poucas vezes a destruição foi completa. Todos os demais se perderiam. Os transgres-
Até na nação do norte houve alguns que per- sores e os que conheciam a Deus só no nome
maneceram após os assírios terem feito sua não escapariam dos juízos que logo cairiam
obra. Em Judá, o povo de Jerusalém e alguns sobre o país. Embora Israel fosse como areia
outros escaparam da destruição resultante do mar (ver Gn 22:17; 32:12), apenas o fiel
da invasão de Senaqueribe. O profeta sem- remanescente seria salvo.
pre retom a a ideia do retorno, ou da sobrevi- Destruição será determinada. Deus
vência de um remanescente, incorporada ao permitiria que o país fosse destruído, mas o
nome de seu filho, Sear-Jasube (Is 7:3; ver resultado seria um povo mais reto. Embora
também 10:21, 22; 11:11, 16; 46:3). punitiva, a disciplina seria antes corre-
Nunca mais. Acaz confiou na Assíria tiva. O juízo sobre os ímpios não poderia
(2Rs 16:7-9; 2Cr 28:16-21) em vez de em ser evitado, mas um restante se converteria
Deus. Porém, os assírios não foram leais ao Senhor, e neles Deus cumpriria a obra
a Judá, ou a qualquer outra nação. Eles se de justiça. O apóstolo Paulo aplica este
interessavam apenas em si mesmos. O pro- versículo à grande obra final do Senhor na
pósito de Deus era que, depois da terrível Terra (Rm 9:27, 28; cf. 2Pe 3:10-13).
destruição ocorrida em Judá pelas mãos 23. Destruição. Devastação que con-
de Senaqueribe, o remanescente confiasse sumiria tudo (ver Is 28:22).
nEle. Foi Ele quem lhes deu livramento 24. Não temas. Esta é a aplicação prá-
em resposta à oração sincera de Ezequias tica da mensagem de Isaías (ver com. de
(Is 37:14-36), e nEle o remanescente fiel Is 7:4, 7, 9). Os assírios seriam como uma "vara"

149
10:25 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

para punir (ver com. deIs 10:5), mas deviam de alguma invasão assíria específica, ou se é
ser temidos. Eles feririam, mas não destrui- simplesmente uma descrição poética da maré
riam. Isaías manda o povo permanecer fiel a de invasões que inundou a terra de Judá (ver
Deus e confiar nEle, e assim seria poupado. com. de Is 8:7, 8). Na época da invasão (no
Embora muitos se perderiam, um remanes- 14° ano de Ezequias), Senaqueribe não se
cente seria salvo. O remanescente não devia aproximou de Jerusalém a partir do norte.
temer. Deus envia mensagem similar hoje. Seus exércitos alcançaram a costa marítima
À maneira dos egípcios. Faraó tinha do Mediterrâneo em Sidom, e então mar-
exercido toda sua ira contra os israelitas no charam em direção ao sul para a Filístia, e
Egito, mas não pôde impedir o êxodo. Os assí- de lá avançaram terra adentro em direção às
rios também eram poderosos e cruéis, mas cidades de Judá. Foi para Laquis, sudoeste
um remanescente escaparia de seus ataques. de Jerusalém, que Ezequias enviou a men-
25. Indignação. Isto é, a ira do Senhor sagem prometendo tributo (2Rs 18:14). No
contra os ímpios, tanto entre os que pro- entanto, parece ter havido duas invasões de
fessavam adorá-Lo quanto entre os pagãos. Senaqueribe (ver vol. 2, p. 46, 49). O poema
Os ímpios pereceriam, e então a indigna- de Isaías apresenta de forma vívida o terror
ção do Senhor cessaria. Mais uma vez a des- que acometeria os habitantes de Jerusalém
truição dos exércitos assírios é predita (ver à medida que a força inimiga se aproximava -- ~
com . do v. 19). cada vez mais da cidade, devastando o país.
26. A matança de Midiã. Isaías (9:4) Alguns supõem que nesta passagem se
se referiu à quebra da vara do "opressor, como descreva um real avanço de tropas assírias
no di a dos midianitas". Desta vez, ele nova- a Jerusalém, talvez as de Sargão, cujo regis-
mente compara a destruição iminente dos tro foi perdido. Isso é possível, mas imprová-
assírios com a derrota dos midianitas e de vel. Pode ser que se refira ao avanço de parte
seus líderes (Jz 7: 19-25). do exército de Senaqueribe enviado contra
A sua vara. No Egito, o faraó manejou Jerusalém enquanto a outra parte se dirigia
uma vara de opressão, mas Deus, uma vara ao Egito. O propósito desse poema é descre-
de libertação. Quando a vara do Senhor foi ver o terror dos habitantes de Jerusalém e
estendida sobre o mar, os exércitos egípcios áreas vizinhas ao ver o inimigo se aproximar.
pereceram. Assim como o Senhor castigou os Nem todas as cidades mencionadas fica-
inimigos de Seu povo no passado, Ele outra vam numa rota que normalmente um exér-
vez feriria os que atacassem Sião nos dias cito seguiria. Aiate ficava provavelmente
de Isaías. O que já fez uma vez, o Senhor em Ai, 15,5 km ao norte , pelo leste de
fará novamente. O remanescente fiel sem- Jerusalém. A partir dela, o exército marchou
pre triunfará, não os ímpios. em direção ao sul para Migram e Micmás,
27. Por causa da unção (ARC). O sig- 11,5 km ao norte de Jerusalém, onde o exér-
nificado desta expressão não está claro. A pa- cito deixou a bagagem. Não se sabe se a rota
lavra traduzida como "unção" significa "óleo" moderna, que data dos tempos romanos , é
ou "gordura" (ARA). Traduz-se "unção" por- a rota mais antiga. É possível que a antiga
que se usava óleo no rito de unção. estrada fosse mais próxima das cidades aqui
28. Vem a Aiate. Aqui se inicia um mencionadas .
poema que descreve um invasor se aproxi- 29. Passa. De Micmás, a rota segue por
mando desde o norte até as imediações de meio de um desfiladeiro e sobe para Geba ,
Jerusalém, causando terror nos habitantes. a lO km de Jerusalém . Ramá, de Benjamim
Não está claro se o poema foi uma profecia (2,5 km ao oeste de Geba), e Gibeá, a cidade

150
ISAÍAS 10:34

de Saul (3,5 km ao sul de Ramá), estavam Oriente, mas ela devia aprender que há um
na estrada direta entre Micmás e Jerusalém. Deus que rege as nações. Isaías proferiu pala-
30. Galim. Foi identificada como vras encorajadoras a Ezequias, com respeito à
Khirbet Ka'kul, dois quilômetros a sudeste maneira como o Senhor revelaria Seu poder
de Gibeá, de Saul (lSm 25:44); e Laís não era contra os exércitos de Senaqueribe e salva-
longe dali. Anatote, lar de Jeremias, ficava ria Jerusalém (ver 2Rs 19:20-34).
três quilômetros a sudeste de Gibeá e qua- 34. E o Líbano cairá. Quando ata-
tro a nordeste de Jerusalém. cou Judá, o poderoso Senaqueribe afrontou
31. Madmena. Madmena e Gebim não o Senhor com sua altivez: "Com a multidão
foram localizadas, mas acredita-se que fica- dos meus carros subi ao cimo dos montes,
vam um pouco ao norte de Jerusalém. ao mais interior do Líbano; deitarei abaixo
32. Nobe. Cidade do sacerdote Aime- os seus altos cedros e seus ciprestes escolhi-
leque e local do tabernáculo nos dias de dos, chegarei a suas pousadas extremas, ao
Saul (lSm 21:1), Nobe ficava possivelmen- seu denso e fértil pomar" (2Rs 19:23). Essas
te no monte Scopus, a nordeste de Jerusa- palavras podem ser compreendidas tanto de
lém. O poema diz que o invasor agitaria o forma literal como figurada. Os assírios cer-
punho ao monte da filha de Sião, isto é, Je- tamente planejavam cortar os lindos cedros
rusalém, um alvo tão próximo e, contudo, do Líbano para uso próprio. Mas, da mesma
completamente fora de seu alcance. Fora forma, queriam destruir as nações simbo-
dos muros da cidade e incapaz de entrar, lizadas por árvores majestosas (ver com. de
Rabsaqué usou de palavras desafiadoras Is I 0: 19). Israel já tinha sido cortado, e Judá
(2Rs 18:19-35). seria o próximo.
33. SENHOR dos Exércitos. Ver vol. I, Porém, o Senhor deixou claro que a esse
p. 150. Isaías desvia o olhar dos atemoriza- respeito tudo seria conforme Sua direção
dos habitantes de Jerusalém e contempla o e vontade, não segundo o propósito de um
Senhor dos Exércitos no trono do universo, homem . Israel tinha sido destruído somente
olhando Seu povo. A Assíria tinha se van- porque Deus tinha retirado Sua mão prote-
gloriado de que poderia cortar os cedros e tora. Ao final, Judá também cairia, como o
os ciprestes do Líbano (2Rs 19:23), mas o próprio Isaías predisse (Is 2:11-13). Contudo,
Senhor deixa claro que derrubará as gran- o Senhor é que derrubaria a árvore majes-
des "árvores" (ver com. deIs 10:19) e cortará tosa de Judá, não a Assíria, como pensava '"'t
"as brenhas da floresta" (v. 34). Essa é uma Senaqueribe. Isaías predisse a destruição da
continuação das metáforas dos v. 18 e 19. altiva e poderosa Assíria, mas sem esquecer
O homem propõe, mas Deus dispõe. A orgu- que o orgulho de Judá também seria humi-
lhosa e arrogante Assíria planejava derrubar lhado, que essas "árvores", outrora bonitas e
Judá como fizera a outras nações do antigo majestosas, seriam cortadas diante do Senhor.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

I, 2- PR, 306 10, l i - PR, 352 20 - PR, 299


5- PR, 291, 349 I8 - T8,4I 24-27 - PR, 350

151
ll: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

CAPÍTULO 11
1 O reino pacifico do Messias. 10 A restauração de Israel e a vocação dos gentios.

1 Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das lO Naquele dia, recorrerão as nações à ra iz


suas raízes, um renovo. de Jessé que está posta por estandarte dos povos;
2 Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, a glória lhe será a morada.
o Espírito de sabedoria e de entendimento, o 11 Naquele dia, o Senhor tornará a esten-
Espírito de conselho e de fortaleza, o Esp írito der a mão para resgatar o restante do Seu povo,
de conhecimento e de temor do SENHOH. que for deixado, da Assíria , do Egito, de Patros,
3 Deleitar-se-á no temor do SENHOH ; não jul- da Etiópia , de Elão, de Sinar, de Hamate e das
gará segundo a vista dos Seus olhos, nem repreen- terras do mar.
derá segundo o ouvir dos seus ouvidos; 12 Leva ntará um estandarte para as nações,
4 mas julgará com justiça os pobres e decidi- ajuntará os desterrados de Israel e os disper-
rá com equ idade a favor dos mansos da terra; fe- sos de Judá recolherá desde os quatro confins
rirá a terra com a vara de Sua boca e com o sopro da terra.
dos Seus lábios matará o perverso. 13 Afastar-se-á a inveja de Efraim, e os ad-
5 A justiça será o cinto dos Seus lombos, e a versários de Judá serão eliminados; Efraim não
fide lidade, o cinto dos Seus rins. invejará aJudá, e Judá não oprimirá a Efraim.
6 O lobo habitará com o cordeiro, e o leopar- 14 Antes, voarão para sobre os ombros dos
do se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão filisteus ao Ocidente; juntos, despojarão os fi-
novo e o animal cevado andarão juntos, e um pe- lhos do Oriente; contra Edom e Moabe lança-
quenino os guiará. rão as mãos, e os filhos de Amam lhes serão
7 A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas sujeitos.
crias juntas se deitarão; o leão comerá palha 15 O SENHOR destruirá totalmente o braço
como o boi. do mar do Egito, e com a força do Seu vento mo-
8 A criança de peito brincará sobre a toca da verá a mão contra o Eufrates, e, ferindo-o, divi-
ás pide, e o já desmamado meterá a mão na cova di-lo-á em sete canais, de sorte que qualquer o
do basilisco. atravessará de sandá lias.
9 Não se fará mal nem dano algum em todo 16 Haverá caminho plano para o restante do
o Meu santo monte, porque a terra se encherá Seu povo, que for deixado, da Assíria , como o
do conhecimento do SENHOH , como as águas houve para Israel no dia em que subiu da terra
cobrem o mar. do Egito.

l. Do tronco. Literalmente, "o toco" ou por punição divina , restando apenas o tronco.
"ri zoma"; traduzida como "tronco" também O Senhor tinha grandes pl anos para a nação
em Jó 14:8 e Isaías 40:24. hebraica quando esta foi estabelecida. Era
Um rebento. O capítulo anterior des- Seu propósito que ela foss e uma mensageira
~ ... creve uma punição que envolve Assíria de luz e da verdade para o mundo, e que
e Judá. As bonitas e frondosas "árvores" de sua influência benéfica crescesse até envol-
Judá seriam cortadas por causa d a iniqui- ver toda a Terra e leva r vida e paz a todos.
dade. O texto é semelhante ao de Daniel4: 10 Mas, devido à desob ediência, a nação seria
a 26, em que Nabucodonosor e seu reino são humilhada e levada cativa (sobre os propósi-
comparados a uma árvore majestosa cortada, tos de Deus para Israel, ver 12-25).

152
ISAÍAS 11:4

Contudo, por meio da semente de Davi, 3. Deleitar-se-á no temor do SENHOR.


um Rei se levantaria e cumpriria o que Davi Do heb. ruach, literalmente, "Ele o inspirará ".
e seus sucessores no trono de Judá falh a- Ele se alegra em fazer a vontade do Senhor.
ram em realizar. Quando a nação fos se Sua mente é a mente de Deus, Sua vontade,
cortada, e restasse apenas um tronco, bro- a de Deus (ver Jo 10:30; 14:10). Jesus reve-
taria d as raízes ap arentemente sem vida lou que é divino e viveu a justiça de D eus
um renovo que cresceria e floresceria (ver diante dos homens . Na verdade, esse foi um
Is 4:2; 53:2; Ap 5:5; 22:16). Ele se torna- dos motivos pelos quais Ele veio à Terra (ver
ria um a "árvore" de justiça e, fina lmente, com . de Mt 1:23; Lc 2:49).
cobriria toda a Terra, trazendo paz e feli- A vista dos seus olhos. Os seres huma-
cidade a todos. A descrição é de uma era nos tendem a julgar pela aparência, mas o
dourada vindoura, de alegria e esplendor, conselho de Cristo é: "não julgueis segundo
quando toda a Terra se alegrará em justiça a aparência, e sim pela reta justiça" (Jo 7:24;
e os inimigos da retidão e da paz serão des- ver com. de 1Sm 16:7). Diz-se de Jesus que:
truídos completamente. Isaías retoma essa "conhecia a todos" e "sabia o que era a natu-
cena vez após vez (ver Is 35:6-10; 65:17-25; reza humana" (Jo 2:24, 25). Todo cristão deve
66:22, 23). O Messias é o renovo justo (ver ev itar julgar "segundo a vista dos seus olhos",
Jr 23:5, 6; 33 :15-1 7; Zc 3:8; 6: 12, 13; sobre bem como repreender outros "segundo o
a natureza dupla da promessa feita a Davi, ouvir dos seus ouvidos". Muitos cristãos for-
ver com. de Dt 18: 15). mam opiniões precipitad as sobre seus irmãos
2. O Espírito do SENHOR. A natureza e os criticam sem motivos reais.
do Messias e de Sua missão claramente é 4. Com justiça. Os juízes eram corrup-
esboçada nos v. 1 a 5 (ver também Is 61:1-3; tos, aproveitavam-se dos pobres e desafort u-
Mt 3: 16, 17; Jo 1:33; ver com. de Lc 4:18-21 ). nados, e os ricos oprimiam viúvas e órfãos
De sabedoria e de entendimento. (Is 1:23; 10:1 , 2; Jr 5:28; Am 2:6; 4:1 ; 5:10,
Distinguem-se os termos heb. chokmah, 11; 8:4-6; Zc 7: 10). Havia um contraste notá-
"sabedoria", e binah, "entendimento" (ver vel entre o espírito do Messias prometido e
com. de Pv 1:2; sobre o crescimento de o espírito daquele tempo. Justiça, equidade,
Jesus em sabedoria, ver com. de Lc 2:52 ; misericórdia e consideração para com as
cf. Is 50:4; sobre a sabedoria e a missão de necessidades dos pobres e oprimidos são os
Cristo, ver com. de M e 1: 35; 3:13). A mais princípios que caracterizam o rei ideal (ver
excelsa sabedoria vem somente de Deus (ver SI 72:2, 3, 12- 14).
SI 111: 10). Ninguém pode ensinar sabedoria Decidirá. Do heb. yakach, "pedir contas". -<1. ~
ao Deus onisciente (Jó 38:4-41; Is 40:13 , 14). Ferirá a terra. Isaías descreve o Messias
Ele sabe tudo, entende tudo e leva tudo em retornando à Terra para subjugar os inimigos
consideração: passado, presente e futuro, em e assumir o reino eterno (ver Dn 2:43, 44;
tudo o que diz ou fa z. Ap 19:11-2 1; cf. Ap 12:5; 14:14 -2 0). Então
Conhecimento. Do heb. da'ath (ver "ferirá " os governantes injustos da Terra.
com. de Pv 1:2; cf. Jó 28:28; SI 111:10; Pv Quando estabelecer Seu reino, Cristo "esmiu-
1:7; Ec 12:13). Ao ensinar os seres humanos çará e consumirá" todos as nações da Terra
o temor ao Senhor, a loucura dos caminhos (Dn 2:44) e "e com cetro de ferro as regerá e
da impiedade, e a sabedoria da retidão, Jesu s as reduzirá a pedaços como se fossem objetos
deu evidências inquestionáveis de que era o de barro" (Ap 2:27; cf. Sl2:8, 9). Uma "afiada
Messias (ver Mt 13:54; Jo 7: 15; ver com. de espada de dois gumes" sai da boca de Cristo
Me 6:2). (Ap 1:16), o qual destrói o Anticri sto "com

153
11:5 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

o sopro de sua boca" (2Ts 2:8; ver também O bem-estar de um será o de todos. O egoísmo
Os 6:5). Assim como Cristo criou tudo com será coisa do passado. O único pensamento
a palavra de Sua boca (Sl 33:6, 9; Jo l:l-3), do ser humano será para o bem de seu pró-
Ele destruirá tudo o que é mau. ximo e o viver para a glória de Deus.
5. O cinto dos seus lombos. O Messias A terra se encherá. Comparar com
é descrito vestido de justiça. A metáfora Hc 2:14. Uma única palpitação de harmo-
indica a estrita consideração por justiça e nioso júbilo vibrará por toda a vasta criação
verdade, integridade e fidelidade. O Messias (GC, 678).
seria a própria encarnação da justiça. Em 10. As nações. Esta é uma profecia
contraste, o Anticristo trabalha "com todo sobre Cristo e a proclamação do evangelho
engano de injustiça" (2Ts 2:10). Os seguido- a todo o mundo (ver p. 15-17). Em todas as
res de Cristo usarão as mesmas vestes de jus- partes da Terra, o Messias será considerado
tiça que Ele usa (ver com. de Mt 22:11, 12; o meio de salvação do pecado. Mensageiros
cf. Is 61:1 O; Ap 3: 18). de Cristo serão Seus representantes, apon-
Rins. Literalmente, os "lombos", a parte tando-O como o sinal distintivo para guiar os
do corpo entre as costelas falsas e os ossos povos da Terra no caminho de luz e bênçãos.
do quadril. Em contraste, a palavra tradu- À raiz de Jessé. Ver com. do v. l.
zida como "lombos" se refere aos quadris e à Morada. Do heb. nuach, "lugar de des-
parte inferior das costas. canso" ou "moradas"; ver Jo 14:2, 3. Os que
6. O lobo. O reino do Messias fará encontram a Cristo encontram paz e des-
mudanças no reino animal bem como na vida canso, uma paz que o mundo não pode dar
humana. Derramamento de sangue e cruel- e que os ímpios jamais conhecerão. A expe-
dade não existirão mais. Os instintos bási- riência mais abençoada possível para um ser
cos do mundo animal serão transformados humano é desfrutar o "descanso" que Cristo
por completo. A lei do reino de Deus será a oferece, descanso dos cuidados e fardos do
lei da vida e do amor. Ali não haverá morte, pecado (ver com. de Mt 11 :28). Desse modo,
nem doença, nem dor. o ser humano pode encontrar neste mundo
7. Pastarão. Não haverá animais carní- uma breve e feliz amostra do descanso glo-
voros na nova Terra. Todas as criaturas vive- rioso e da paz do mundo eterno.
rão em amizade umas com as outras e com 11. Tornará. Isto é, em contraste com
o ser humano. a libertação do Egito. Os hebreus sempre
8. Áspide. Do heb. sij'oni, "serpente relembravam com alegria a libertação do jugo
venenosa". do Egito e a entrada na terra prometida. No
Desmamado. Assim como os animais futuro, haveria a libertação do cativeiro babi-
pequenos não terão medo de criaturas que, lônico. Era propósito de Deus que, quando
neste mundo, são seus inimigos mortais, os judeus retornassem do cativeiro, tendo
na nova Terra as crianças não terão nada a aprendido as lições que Ele queria que apren-
temer. Ali não se conhecerá a inimizade e o dessem, rapidamente se colocassem à altura
medo entre animais ou seres humanos. de Seu plano glorioso para eles como nação. _.. ~
9. O meu santo monte. Isto é, o reino Assim, o mundo logo seria preparado para
de Cristo, que encherá toda a Terra (Dn 2:35). a vinda do Messias e para a proclamação
Ele será santo porque Deus é santo e seus do evangelho (ver p. 16). No entanto, Israel
habitantes compartilharão Sua natureza. Ali falhou outra vez, e a libertação prometida
não ferirão nem destruirão, porque os interes- será cumprida no fim do mundo, quando
ses de um não conflitarão com os do outro. Deus estender Sua mão para libertar Seu

154
ISAÍAS 11:16

povo deste mundo mau e guiá-lo à Canaã Dn 7:18; 12:1; Ap 19:2; ver com. de Dt 18:15).
celestial (ver com. de Ap 18:4). O estabelecimento do reino messiânico levará
12. Israel [... ] Judá. No que se refere à derrota completa de todos os seus inimigos.
às nações literais de Israel e Judá , o cum- Quando Cristo vier, o reino que estabelecer
primento da promessa feita aqui ocorreu na (ver Mt 25:31) "esmiuçará e consu mirá todos
libertação do cativeiro babilônico. Contudo, estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para
a falha em viver à altura dos privilégios glo- sempre" (Dn 2:44).
riosos concedidos a eles, ao retornarem do 15. O braço do mar do Egito. Isto é,
cativeiro, tornou inevitável sua rejeição como o que se conhece como golfo de Suez, um
nação (ver com. do v. 11). Portanto, essa pro- braço do Mar Vermelho. Suas águas outra
messa será cumprida no Israel espiritual, vez se secariam, talvez de forma figurada
a igreja (ver p. 21-23). Da mesma forma, e não literal, para facilitar outra libertação
essas palavras apontam para a grande obra miraculosa e gloriosa do Egito.
de libertação do pecado realizada no mundo O Eufrates. Do heb. hannahar, usado
todo. Em todas as partes, homens e mulhe- comumente no AT para se referir ao Eufra-
res estão atuando como sinais distintivos, ou tes (ver Gn 15:18; ver com. de Gn 24:10).
faróis, guiando pessoas no caminho da luz e O Eufrates se secaria para preparar o cami-
da verdade. A obra de Deus no mundo con- nho para a libertação do jugo babilônico.
temporâneo é o cumprimento da profecia de As duas nações da Antiguidade que mais
Isaías e também um sinal de coisas maiores duramente oprimiram o povo hebreu foram
no futuro (ver com. de Ap 18:4). Egito e Babilônia, e ambas foram feridas
Os quatro confins. O rolo IQis" do pela mão do Senhor a fim de livrar Seu
Mar Morto não tem a palavra "quatro". povo. O Egito foi ferido no êxodo, quando
13. A inveja de Efraim. A história do o Senhor secou as águas do Mar Verme-
povo de Deus foi de ciúmes, inveja, proble- lho. Babilônia foi ferid a perto do fim dos
mas, dissensões e guerra. A visão de Isaías 70 anos de cativeiro (que no tempo de
do futuro não seria perfeita ou completa se Isaías estava ainda no futuro), quando
não incluísse a cura das antigas feridas e a Ciro desviou o Eufrates de seu curso para
reconciliação entre Israel e Judá. Antes da que pudesse tomar a cidade de Babilônia
extinção final do reino do norte, Ezequias (ver Is 44:27, 28; ver com. de Jr 51:36). Foi
empreendeu esforços sinceros para desper- depois da conquista da cidade de Babilô-
tar um espírito de reconciliação convidando nia (ver com. de Ed l:l ) que Ciro promul-
os membros das tribos do norte a irem a gou o decreto permitindo aos judeus deixar
Jerusalém para a celebração da Páscoa nacio- Babilônia, retornar à Judeia e reconstruir
nal (2Cr 30). o templo (2Cr 36:22, 23; Ed l:l-6). Assim
14. Filisteus. Os povos aqui mencionados como Deus libertou os hebreus dos egípcios
eram antigos inimigos de Israel. Essa profecia e, depois , dos babilônios, Ele libertará todo
era condicional e se cumpriria se Israel fosse Seu povo fiel no fim dos tempos.
fiel a Deus (ver Jr 18:7-10). Como resultado 16. Caminho. Assim como Deus
do persistente fracasso de Israel em coope- guiou Seu povo em segurança pelo "terrível
rar com D eus, a nação perdeu as bênçãos deserto" (Dt I: 19), e mil anos depois os tirou
divinas, e o Senhor não podia subjugar os ini- de Babilônia (ver Is 19:23 -25 ; 35:8), Ele con-
migos como teria feito (ver p. 18). Contudo, duzirá em segurança o remanescente no ter-
essa promessa se cumprirá na igreja hoje, rível tempo de angústia predito por Daniel
pois Deus vencerá todos os seus inimigos (ver (ver com. de Dn 12:1; cf. Jr 30:7).

155
12:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

~~ Assíria. Isto é, Mesopotâmia, o berço e no Mar Vermelho permanecia vivo na


da Assíria. Nos dias de Isaías, Babilônia memória do povo. Continuamente eles
era uma província da Assíria (ver vol. 2, relembravam esses eventos dramáticos
p. 37-39; ver com. de Ed 6:22). como evidência de que Deus era o Deus
Como o houve. O maravilhoso poder verdadeiro e que eles eram Seu povo
de Deus demonstrado na terra do Egito escolhido.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1- AA, 223 T3, 444 lO - PR, 695


1-5- OTN, 56; PR , 695 6- PE, 18; GC, 676; Tl, 68 10-12 - PR, 376
2, 3 - AA, 224 9 - OTN, 828; Ev, 456; GC, 11 - PE, 70, 74, 86; T6, 133;
4- OTN, 103; Ed, 182; 676; PR, 371; Tl, 36; T6, T7, 172; T9, 51
131; T8, 47

CAPÍTULO 12
Ação de graças dos fiéis pelas misericórdias de Deus.

l Orarás naquele dia: Graças Te dou, ó 4 Direis naquele dia: Dai graças ao SENHOR,
SENHOR, porque, ainda que Te iras te contra mim, invocai o Seu nome, tornai manifestos os Seus
a Tua ira se retirou, e Tu me consolas. feitos entre os povos, relembrai que é excelso o
2 Eis que Deus é a minha salvação; confia- Seu nome.
rei e não temerei, porque o SENHOR Deus é a 5 Cantai louvores ao SENHOR, porque fez coi-
minha força e o meu cântico; Ele se tornou a sas grandiosas; saiba-se isto em toda a terra.
minha salvação. 6 Exulta e jubila, ó habitante de Sião, porque
3 Vós, com alegria, tirareis água das fontes grande é o Santo de Israel no meio de ti.
da salvação.

1. Graças te dou, ó SENHOR. Este 2. Deus é a minha salvação. No tempo


capítulo é um salmo de ação de graças, uma da invasão de Senaqueribe, foi Deus que sal-
continuação apropriada do capítulo anterior, vou Seu povo, não os muros que cercavam
no qual o Messias liberta os justos das mãos Sião ou os exércitos de Judá (Is 37:33-36). Nos
dos opressores. Como o cântico de Moisés últimos dias, o remanescente fiel será salvo do
(Êx 15) foi cantado pelos filhos de Israel após poder do inimigo pelas mãos do Senhor.
a libertação do jugo egípcio, outro cântico de O SENHOR Deus. Do heb. Yah Yahweh,
libertação será cantado quando "o Senhor uma repetição do nome sagrado, primeiro na
tornará a estender a mão para resgatar o forma abreviada e depois na completa, talvez
restante do Seu povo" (Is 11: 11). Hinos de como ênfase. Esta repetição do nome divino
triunfo semelhantes estão nos cap. 25 e 26. é característica de Isaías.
Após a vitória final, os remidos de todas as 3. Fontes da salvação. Quando os
eras cantam um cântico de triunfo (Ap 15:3). israelitas estavam no deserto, Deus lh es

156
Tadmor •

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\.) Í l) • Haza r-Enã?
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·'· · -. ..······

ARUBU ou ÁRABES

O REINO DE JUDÁ
NO TEMPO DE ISAÍAS
(c. 700 a.C.)

25 50 75 lOOkm

nro independen te
Cidades •
"Pmvfnckls assírias indicadas por maiúsculas italizJdJs
ISAÍAS 12:6

deu água da rocha (Êx 17:6; Nm 20:8-11). 5. Coisas grandiosas. Incontáveis são
Esse milagre foi celebrado mais tarde com os atos de misericórdia da parte de Deus para
uma cerimônia impressionante na Festa dos com Seus filhos. Então, por que não relembrá-
Tabernáculos (ver OTN, 449). A água era los e cantar louvores ao Senhor por Suas
retirada da fonte de Siloé (ver com. deIs 8:6) misericórdias? Cantar afasta o desânimo, o
e levada ao templo, num recipiente de ouro, medo e a tentação e fortalece contra os ardis
e colocada no altar do holocausto. Quando do diabo.
os sacerdotes iam para a fonte, acompanha- 6. O Santo de Israel. Ver com. deIs 1:4.
dos de um coro de levitas, muitos adoradores O profeta não representava um Deus dis-
os seguiam para beber da água viva que jor- tante, que Se encerra num Céu santo, mas
rava da fonte da colina do templo. Jesus men- um Deus que habita com Seu povo (Is 57:15;
cionou essa cerimônia (Jo 7:37), quando, no 66:1, 2). O fato de Deus estar com Seu povo
último dia da festa, Ele convidou o povo a ir -Emanuel, "Deus conosco"- era a mensa-
a Ele e beber. Cristo é a fonte da qual flui a gem da vida do profeta e de suas palavras
água que traz vida e cura às nações (Ez 47:1 ; (ver Is 7:14; 8:8, lO). Os que foram libertos
~ .,.. Jl 3:18; Zc 14:8; ver OTN, 37). do pecado interior e dos inimigos exterio-
4. Tornai manifestos os Seus feitos. res (ver com. do v. 1) não podem permane-
O povo de Deus é encorajado a relembrar as cer em silêncio. Não é suficiente pensar que
misericórdias divinas e a contar a outros as só no futuro, sobre o mar de vidro, será o
bênçãos recebidas. Se houvesse mais louvor momento de se unir ao cântico dos remi-
entre o povo de Deus haveria menos desâ- dos. É nosso privilégio nesta vida alçar a voz
nimo e crítica. O ser humano falha em não e cantar, com a alegria e a paz do Céu no
relembrar as misericórdias do Céu e, com coração. Este hino de louvor (Is 12) conclui
isso, tende a se esquecer de Deus (Rm 1:21- o que é chamado de "Livro de Emanuel", da
23) e a se demorar nos erros de seus irmãos. profecia de Isaías.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-6- PR, 321 2, 3- OTN, 449 T6, 86


1- CPPE, 242 3- CPPE, 371; PP, 412; 6- PR, 351, 581

CAPÍTULO 13
1 Deus passa em revista Seus exércitos. 6 Ele ameaça destruir Babilônia
por meio dos medos. 19 A desolação de Babilônia.

Sentença que, numa visão, recebeu Isaías, Minha ira, os que com exultação se orgulham.
filho de Amoz, contra a Babilônia. 4 Já se ouve sobre os montes o rumor como
2 Alçai um estandarte sobre o monte escal- o de muito povo, o clamor de reinos e de nações
vado; levantai a voz para eles; acenai-lhes com a já congregados. O SENHOR dos Exércitos passa
mão, para que entrem pelas portas dos tiranos. revista às tropas de guerra.
3 Eu dei ordens aos Meus consagrados, sim, 5 Já vêm de um país remoto, desde a extremi-
chamei os Meus valentes para executarem a dade do céu, o SENHOR e os instrumentos da Sua

159
13:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

indignação, para destruir toda a terra. voltará para o seu povo e cada um fugirá para a
6 Uivai, pois está perto o Dia do SENHOR; vem sua terra.
do Todo-Poderoso como assolação. 15 Quem for achado será traspassado; e aque-
7 Pelo que todos os braços se tornarão frou- le que for apanhado cairá à espada.
xos, e o coração de todos os homens se derreterá. 16 Suas crianças serão esmagadas peran-
8 Assombrar-se-ão, e apoderar-se-ão deles te eles; a sua casa será saqueada, e sua mulher,
dores e ais, e terão contorções como a mulher violada.
parturiente; olharão atônitos uns para outros; o 17 Eis que Eu despertarei contra eles os
seu rosto se tornará rosto flamejante. medos, que não farão caso de prata, nem tam-
9 Eis que vem o Dia do SENHOR, dia cruel, pouco desejarão ouro.
com ira e ardente furor, para converter a terra em 18 Os seus arcos matarão os jovens; eles não
assolação e dela destruir os pecadores. se compadecerão do fruto do ventre; os seus olhos
10 Porque as estrelas e constelações dos céus não pouparão as crianças.
não darão a sua luz; o sol, logo ao nascer, se es- 19 Babilônia, a joia dos reinos, glória e orgu-
curecerá, e a lua não fará resplandecer a sua luz. lho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra,
11 Castigarei o mundo por causa da sua mal- quando Deus as transtornou.
dade e os perversos, por causa da sua iniquidade; 20 Nunca jamais será habitada, ninguém mo-
farei cessar a arrogância dos atrevidos e abaterei rará nela de geração em geração; o arábio não ar-
a soberba dos violentos. mará ali a sua tenda , nem tampouco os pastores
12 Farei que os homens sejam mais escas- farão ali deitar os seus reba nhos.
sos do que o ouro puro, mais raros do que o ouro 21 Porém, nela, as feras do deserto repou-
de Ofir. sarão, e as suas casas se encherão de coru-
13 Portanto, farei estremecer os céus; e a jas; al i habitarão os avestruzes, e os sátiros
~ ~ terra será sacudida do seu lugar, por causa da pularão ali.
ira do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia 22 As hienas uivarão nos seus castelos; os
do Seu ardente furor. chacais, nos seus palácios de prazer; está pres-
14 Cada um será como a gazela que foge e tes a chegar o seu tempo, e os seus dias não se
como o rebanho que ninguém recolhe; cada um prolongarão.

1. Sentença. Ou, "carga". Em sentido as nações. Isaías começa com Babilônia e,


técnico, como aq ui , "oráculo", "mensagem logo, fala de Moabe, Síria, Etiópia e Tiro.
solene". Isaías emprega este título com fre- No período patriarcal, Babilônia era a grande
quência nas mensagens contra diversos povos potência do Oriente. Mas, cerca de 800
(ver Is 15:1; 17:1; 19:1; 21:1; 22 :1; 23:1). Esta anos antes do tempo de Isaías, Babilônia foi
profecia continua até Isaías 14:28 (ver com. ofuscada por nações como Egito, Assíria e o
deIs 14:1). E la foi dada no ano 716/715 a.C . império heteu gue ocuparam posições domi-
(ver com . de ls 14:28). Depois de ter trans- nantes no antigo Oriente Médio.
mitido uma série de mensagens contra Jud á Embora, nos dias de Isaías, Babilônia
e Jerusalém, Isaías dirige a atenção a outras fosse um reino vassalo do império assírio,
nações. Esta seção inclui os cap. 13 a 23 . ela começava a recuperar seu poder perdido,
As mensagens não eram destinadas primei- e dentro de mais um século se tornaria outra
ramente às nações às quais fazem referên- vez a nação principal da Ásia Ocidental. Em
cia, mas ao povo de Deus, Israel, a fim de 729/728 a.C., Tiglate-Pi leser III, da Assíria,
gue pudesse entender como Deus lida com se tornou rei de Babilônia, governando com

160
ISAÍAS 13:6

o nome de Pulu, e em 709 Sargão se tor- Rumor como o de muito povo. Lite-
nou rei de Babilônia. Durante os reinados de ralmente, "barulho de tumulto".
Sargão e Senaqueribe, Merodaque-Baladã, Passa revista às tropas. Comparar
de Babilônia, se tornou uma séria ameaça com Jr 50:9, 10, 14, 29-31; Ez 38:14-16;
ao poder assírio. Ele foi expulso de Babilônia Jl 3:1, 2, 9-17; Sf 3:8; Zc 14:2, 3; Ap 16:13,
várias vezes, mas sempre regressava. Foi 14; 17:14, 17; 19:11-21. O exército é revis-
Merodaque-Baladã que fez aliança com tado para a batalha contra Babilônia. Deve-se
Ezequias, para ajudá-lo nas lutas contra a notar que Isaías 13 é intitulado "profecia con-
Assíria. Enfurecido pelas frequentes revol- tra Babilônia" (v. 1), e que em sua totalidade
tas de Babilônia, Senaqueribe, em 689, des- o capítulo é uma previsão literal da queda
truiu a cidade, que foi reconstruída mais e desolação da Babilônia histórica. Mas os
tarde naquele século (sobre esse período, escritores do NT apresentaram a queda da
ver vol. 2, p. 37-41, 71, 72, 141, 142. Babilônia histórica como um tipo da queda
2. Alçai um estandarte. Deus daria da Babilônia simbólica (ver Ap 14:8; 17:16;
o sinal para a destruição de Babilônia. Foi 18:4; 19:2). Portanto, a descrição dada neste
Ele que dirigiu as questões entre as nações versículo da queda da Babilônia histórica
de modo que um poder após outro atentasse pode também ser considerada uma descrição
para a cidade orgulhosa e ímpia até que, da queda da Babilônia simbólica com todos
finalmente, fosse destruída por completo. os detalhes aplicados à queda da Babilônia
O estandarte colocado sobre um monte seria simbólica (sobre o duplo cumprimento de
visto claramente, e assim foi com o sinal algumas previsões, ver com. de Dt 18:15 ; e
do Senhor para a destruição de Babilônia. também p. 21, 22).
Mover as mãos ou acenar era um gesto de ira De guerra. Ou seja, "batalhar" ou "para
e ameaçava juízo contra a cidade (ver com. batalha".
de ls 10:32). 5. Os instrumentos. Isto é, os meios
O monte escalvado. Literalmente, usados por Deus para levar juízo sobre
"monte plano" ou "monte descoberto". Babilônia. Contra o Egito e outras nações,
3. Meus consagrados. Ou, "meus dedi- assim como no fim do mundo, Deus mani-
cados", pessoas separadas para uma tarefa festa Sua "indignação" (ver Êx 7:19- 12:30;
específica. Os assírios (Is 10:5), os babilônios ls 26:20; 34:2-8; Na 1:5-7; Ap 14:10; 15:1).
(Jr 25:9; Hc 1:6) e, mais tarde, os medos e 6. O Dia do SENHOR. Esta expressão
persas (Is 13:17; 45:1-4; cf. Dn 5:30, 31) tive- ocorre pelo menos 20 vezes nos escritos dos
ram que desempenhar seus papéis divina- profetas do AT. É sempre empregada com
mente designados na história. referência ao tempo do juízo divino sobre
~ ... Os que com exultação se orgulham. uma cidade ou nação (em vez de indivíduos),
Literalmente, "orgulhosos de minha arrogân- ou ao castigo final dos habitantes de todo
cia". A Assíria (ver ls 10:7-14) e Babilônia o mundo. Em contraste, as Escrituras des-
(ver Dn 4:30 ; 5:20-28) foram orgulhosas e crevem o que se pode chamar de "o Dia do
arrogantes ao exercerem o poder dado a elas Senhor" como o "dia da salvação" (ls 49:8;
pelo Céu. 2Co 6:2), "tempo aceitável" (SI 69:13, ARC;
4. Os montes. No hebraico, o cap. 13 é ls 49:8), quando ainda perdura o tempo da
poético, e Isaías provavelmente usa "montes" graça para os seres humanos e para as nações
num sentido poético simples. É improvável (ver SI 95:7, 8, Hb 4:7).
que esses "montes" sejam simbólicos porque Por outro lado, "o Dia do Senhor" é
esta não é um a profecia simbólica. quando, historicamente, se encerra o tempo

161
13:7 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

de graça de uma cidade ou nação, e, por fim, Como assolação. Nas Escrituras, "o Dia
o destino de todos é fixado para sempre. do Senhor" jamais é mencionado como um
Durante o "dia da salvação", pessoas e nações tempo quando os seres humanos terão uma
estão livres para exercer o poder que Deus dá segundo chance, outra oportunidade de acei-
para escolher entre o bem e o mal, mas com tar a salvação. "O Dia do Senhor" é sem-
a chegada do "Dia do Senhor", a vontade de pre um dia de juízo, destruição e trevas (ver
Deus se torna suprema, não sendo mais limi- Jl l:l5; 2:1, 2; Am 5:18-20; etc.).
tada pelo exercício da vontade humana. 7. Frouxos. Literalmente, "relaxados",
O "Dia do Senhor" contra Judá (ver ls "caídos". Esta postura das mãos reflete sen-
2:12; Jll:l5 ; 2:1; Sf 1:7) foi , portanto, quando, timento de desânimo, impotência e, às vezes,
como nação, não mais se permitiu que conti- como neste caso, desespero. Em momentos
nuasse no seu caminho ímpio e o juízo divino de desespero ou terror, deixamos as mãos caí-
caiu sobre ela (ver Ez 12:21-28). O mesmo se rem em sinal de impotência (ver Hb 12:12).
deu com o reino do norte, Israel (Am 5:18), 8. A mulher parturiente. Esta figura
com o Egito (Ez 30:3), Edom (Ob 15) e com de linguagem descreve com frequência dor e
outras nações da Antiguidade (ver Dn 5:22- angústia extremas (ver SI 48:6; Jr 4:3 1; 6:24;
31). O que acontece com uma cidade ou 13:21 ; 49:24; 50:43).
nação quando chega o "Dia do Senhor" é Flamejante. As pessoas se olham com
similar ao que acontecerá ao mundo todo terror, o medo é refletido no olhar com a
no final do tempo da graça. Em Mateus 24, intensidade de uma chama.
por exemplo, a descrição feita por Cristo do 9. O Dia do SENHOR. Ver com. do v. 6.
"Dia do Senhor", sobre a cidade de Jerusalém Converter a terra em assolação.
e a nação judaica, é similar ao que se dará O pecado não produz vida e prosperidade,
com o mundo todo na vinda de Cristo na mas desolação, ruína e morte. O pecado dei-
"consumação do século" (Mt 24:3; Lc 21:20; xou desoladas nações prósperas como Assíria
cf. Mt 24:30). Portanto, princípios aplica- e Babilônia, destruiu muitas das maiores ci-
dos ao "Dia do Senhor", referentes ao juízo dades da Terra e, finalmente , deixará desola-
sobre qualquer cidade ou nação, também se do o mundo todo. Escritores do NT aplicam
aplicam ao "Dia do Senhor" a sobrevir ao esta profecia, originalmente uma descrição
mundo como um todo. Uma descrição profé- da queda literal de Babilônia, à desolação
tica do AT sobre o destino de uma cidade ou da Babilônia espiritual na segunda vinda de
nação antiga em termos do "Dia do Senhor" Cristo (ver com. do v. 4).
se aplica também , em princípio, ao "grande Destruir os pecadores. A destrui-
Dia do SENHOR" (Sf 1:14) no fim dos tem- ção do pecador não é, como imaginam
pos. Tendo em vista que os escritores do NT alguns, um ato arbitrário da parte de Deus.
consideram o destino da antiga Babilônia O Senhor ama os pecadores e deseja salvá-los
como um tipo do destino da Babilônia espi- (Ez 18:23, 31, 32; 2Pe 3:9). Mas é o pecado
ritual (ver com . deIs 13:4), e por aplicarem que finalmente destrói o pecador. As pes-
a expressão o "Dia do Senhor" ao tempo de soas que trilham o caminho da iniquidade,
Cristo voltar à Terra para julgar (ICo 5:5 ; ao final , se tornam tão corruptas, cruéis e
2Co 1:14; 1Ts 5:2; 2Pe 3:10), "o Dia do irracionais, que as medidas tom adas para
Senhor" sobre Babilônia, conforme descrito prejudicar o próximo terminam envolvendo-
em Isaías 13, em muitos aspectos, é também os em ruína . "Se alguém derramar o san-
~ · uma descrição do "grande Dia do Senhor" no gue do homem, pelo homem se derramará
fim dos tempos. o seu" (Gn 9:6). "Todos os que lançam mão

162
ISAÍAS 13:19

da espada, à espada perecerão" (Mt 26:52; 14. A gazela que foge. Ou, "como uma
cf. Ap 13:10). A História comprova a veraci- gazela perseguida" (BJ; ver com. do v. 4). Nos
dade dessas declarações. Babilônia tomou a últimos dias, os ímpios de todas as nações
espada e foi destruída por ela. Isso também estarão espalhados como ovelhas sem pas-
aconteceu com os heteus, a Assíria, Grécia tor. Assim como os animais assustados pro-
e Roma. Um dia esse princípio selará odes- curam lugares que antes foram locais de
tino deste mundo pecaminoso. abrigo e refúgio, os ímpios buscarão um lugar
10. As estrelas. Com frequência se para se esconder da ira de Deus, mas não
menciona a escuridão sobrenatural que blo- encontrarão.
queará a luz dos luminares do céu como um 15. Será traspassado. O profeta conti- .,. ~
dos fenômenos que acompanham o grande e nua a descrição da queda de Babilônia, apli-
terrível "Dia do SENHOR" (Jl 2:10, 11; 13:15, cada pelos escritores do NT à segunda vinda
16; Am 8:9; ver também Mt 24:29; Me 13:24, de Cristo (ver com. do v. 4). Os babilônios
25; Lc 21:25; Ap 6:12, 13; GC 636, 637; ver fogem diante de seus inimigos.
PE, 41). 17. Os medos. No tempo de Isaías, a
li. Castigarei o mundo. A justiça Assíria era o principal inimigo de Babilônia.
requer que o errado seja punido. Deus é No ano 689 a.C., por exemplo, os exércitos
justo, e não permitirá que a impiedade fique de Senaqueribe destruíram essa cidade por
impune. Os pecadores devem compreender completo (ver vol. 2, p. 46). Porém, o reino
que certamente o dia de prestação de con- dos medos era, na ocasião, um poder rela-
tas virá (ver Ec 8:11). tivamente insignificante. Aqui, a profecia
12. Mais escassos. O juízo sobre os prevê um tempo quando a Média teria um
ímpios envolve a despovoação da Terra, con- papel proeminente na queda de Babilônia.
vertendo-a em assolação (v. 9). Apenas os Quando Babilônia caiu nas mãos de Ciro,
remanescentes justos escaparão da destrui- em 539, os medos cooperaram com os persas.
ção. Poucos em número, eles serão "precio- Na luta final, Dario, o medo, desempenhou
sos" ou "raros" como o ouro de Ofir. papel importante (Dn 5:31). Isaías também
13. Estremecer os céus. Com respeito predisse o papel que Ciro desempenharia
à queda da Babilônia histórica, os v. 13 e 14 na luta contra Babilônia (Is 44:27, 28; 45: 1-3).
são uma descrição simbólica da completa Porém, a ruína final de Babilônia ocorreu
desolação retratada de forma mais literal nos séculos mais tarde (ver com. do v. 19).
v. 19 a 22. Mas, em relação ao fim do mundo, Prata. Os medos são descritos como
este texto é literal (ver Hb 12:26; Ap 6:14; um povo cuja principal preocupação não era
PP, 340). Tremendos cataclismos marcarão riqueza. Eles buscavam o poder. Seu inte-
as cenas finais da história terrestre (ver Ap resse não era saquear, mas conquistar.
6:14; 16:18, 21). É a voz de Deus que "abala 19. Ajoia dos reinos. Um século depois
os céus e a terra" (GC, 636; cf. Is 2:21). da época em que Isaías viveu, Babilônia, sob
Do Seu ardente furor. Isto é, contra a dinastia dos caldeus, atingiu o auge de
a Babilônia histórica (ver v. 19; ver com. do seu poder e teve renome universal por seu
v. 4). Em relação à Babilônia mística e ao fim esplendor e beleza.
do mundo, as cenas descritas aqui consti- Sodoma. Ver com. de Gn 19:24. Jeremias,
tuem os eventos finais da sétima das sete que conheceu Babilônia no apogeu de seu
últimas pragas, quando "lembrou-Se Deus poder, também predisse que a queda seria
da grande Babilônia, para dar-lhe o cálice do como a de Sodoma e Gomorra (Jr 50:40).
vinho do furor da Sua ira" (Ap 16:19). Sua destruição seria absoluta; jamais seria

163
13:20 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

reconstruída (Jr 51:64). Esse também será nômades de beduínos que vagueiam pelo
o destino da Babilônia espiritual, no fim deserto na parte oriental da Palestina.
do mundo (Ap 18:21). Durante o tempo de Não armará ali a sua tenda. Desde
Isaías, a cidade de Babilônia foi destruída por a desolação de Babilônia na antiguidade
completo por Senaqueribe (ver com. do v. 17), (ver com. do v. 19), o lugar não é habitado.
porém, foi logo reconstruída por seu filho, Visitantes de gerações passadas, algumas
Esar-Hadom. Mais tarde, quando se tornou vezes, relataram que beduínos daquela redon-
rei de Babilônia, Nabucodonosor fez dela uma deza evitavam as ruínas devido a um temor
das cidades mais belas do mundo antigo. Ao supersticioso. Isso pode realmente ter sido
conquistarem Babilônia em 539 a.C., os verdade no passado, mas a razão que os beduí-
medos e persas não destruíram a cidade, nos dão hoje é simplesmente que as ruínas
mas fizeram dela sua capital. Meio século antigas não fornecem um lugar apropriado
depois, quando a cidade se rebelou, Xerxes a para se habitar ali. Como nos milênios pas-
destruiu parcialmente. Daí em diante jamais sados, "o arábio não armará ali a sua tenda".
foi reconstruída por completo, tendo perdido Contudo, caso beduínos se estabeleces-
sua antiga grandeza. Contudo, ela se tornou sem no local da antiga Babilônia não inva-
capital de Alexandre o Grande, depois que lidaria a previsão de Isaías. O que o profeta
ele a tomou em 331 a.C .. Portanto, essa pro- tinha em mente não era tanto seus muros
fecia de Isaías se cumpriu alguns séculos altos e palácios majestosos, mas a religião
após sua morte. e a cultura pagãs e seu poderio militar. Sua
Quando Seleuco Nicator (312-280 a.C.) descrição da cidade como uma ruína aban-
reinou sobre a parte oriental do império ale- donada declara em tom enfático que o orgu-
xandrino (ver com. de Dn 7:6), Babilônia per- lhoso império de sua época desapareceria da -. ~
deu sua posição importante. Por volta de 305, Terra. Os séc ulos testemunham a exatidão
esse rei estabeleceu uma nova capital às mar- da previsão de Isaías, pois nada resta daquela
gens do Tigre, 54 km ao norte de Babilônia, civilização antiga além de ruínas (ver tam-
onde ficava Opis, e a chamou de Selêucia, em bém com. de Ez 26:14).
homenagem a si mesmo. Os materiais e parte 21. As feras do deserto. Após ter sido
da população da nova cidade foram tirados de abandonado, o local da antiga Babilônia se
Babilônia, cuja grandeza foi então destruída tornou habitat de animais selvagens. Em vez
de forma permanente. No entanto, Babilônia de homens fortes e lindas mulheres, feras do
continuou tendo relativa importância por deserto habitariam a cidade.
mais dois séculos. No tempo de Estrabão, Horríveis animais (ARC). Do heb.
em cerca de 20 a.C. ou um pouco depois, a 'ochim, palavra que ocorre apenas aqui e
maior parte da cidade tinh a se torn ado uma cujo significado é incerto. Imagina-se que a
vasta desolação (Strabão, xvi.l.S), embora palavra 'ochim imite o uivar de um animal.
ainda habitada. No reinado de Trajano (98- Alguns creem que o termo se refira à "coruja"
117 d.C.), estava completamente arruinada. (ARA); outros traduzem 'oclúm como "chio".
20. Nunca jamais será habitada. Avestruzes. Do heb. benoth ya'anah.
Qua ndo estava em ruínas, Babilônia foi Sátiros. Do heb. se'irim, plural de sa'ir,
finalmente abandonada. Um século depois literalmente, "peludo" ou "desgrenhado".
de Isaías, Jeremias fez uma previsão simi- Visto que os bodes são peludos, a expres -
lar (Jr 51:37). são "peludo" passou a significar "bode".
O arábio. O termo "arábio" é empre - O nome Seir (Gn 32:3) vem da mesma
gado como designaç ão geral para as tribos palavra hebraica. Mais tarde, empregou-se

164
ISAÍAS 13:22

sa'ir com referência a demônios ou divinda- lúgubre produzido pelas várias criaturas sel-
des mitológicas com suposta aparência de vagens mencionadas neste versículo.
bodes, mas não há evidência de que Isaías, Chacais. Do heb. tannim, "chacais". A tra-
neste caso, refira-se a demônios. As outras dução "dragões" (KJV) deve-se à confusão de
criaturas mencionadas em Isaías 13:21 e tannim com tannin, que significa "dragão" ou
22 são animais literais. Conforme usada "baleia" (ver com. de SI 74:13).
aqui, sa'ir significa simplesmente "bode Está prestes a chegar. A cidade de
[selvagem]". Babilônia foi destruída por Senaqueribe,
22. Hienas. Do heb. 'iyyim, provavel- em 689 a.C., durante o tempo de Isaías
mente "chacais" ou "hienas". Em vez da (ver com. dos v. 17, 19). Porém, esse não foi
música alegre das festas babilônicas se ouvi- seu final definitivo, visto que a cidade
ria nas ruínas dos palácios antigos o som foi reconstruída.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

6- CC, 638 12- LA, 32; CC, 193; CS, 538; T2, 184, 593; T3,
7, 8- PP, 340 285; PJ, 374; OTN, 287, 254; T4, 541, 607; T5,
9- PE, 66; CC, 310; 790; FEC, 87; MDC, 98, 439, 482; T9, 186
PP, 167 81, 89; CBV, 182; MCH, 13- PP, 340
ll - Ev, 219; OC, 310; PR, 121, 263; MJ, 108; PP, 19 - Ed, 176
276, 532; PP, 340 223; HR, 49; Te, 287; T1, 19-22- PR, 533

CAPÍTULO 14
1 A misericordiosa restauração de Israel por parte de Deus. 4 Hino triunfal sobre a
queda de Babilônia. 24 O propósito divino contra a Assíria.
29 A Palestina é ameaçada.

I Porque o SENHOR Se compadecerá de Jacó, 5 Quebrou o SENHOR a vara dos perversos e


e ainda elegerá a Israel, e os porá na sua própria o cetro dos dominadores,
terra; e unir-se-ão a eles os estrangeiros, e estes 6 que feriam os povos com furor, com golpes
se achegarão à casa de Jacó. incessantes, e com ira dominavam as nações, com
2 Os povos os tomarão e os levarão aos luga- perseguição irreprimível.
res deles, e a casa de Israel possuirá esses povos 7 Já agora descansa e está sossegada toda a
por servos e servas, na terra do SENHOR; cati- terra. Todos exultam de júbilo.
varão aqueles que os cativaram e dominarão os 8 Até os ciprestes se alegram sobre ti, e os
seus opressores. cedros do Líbano exclamam: Desde que tu caís-
3 No dia em que Deus vier a dar-te descan- te, ninguém já sobe contra nós para nos cortar.
so do teu trabalho, das tuas angústias e da dura 9 O além, desde o profundo, se turba por ti, · ~
servidão com que te fizeram servir, para te sair ao encontro na tua chegada; ele, por
4 então, proferirás este motejo contra o rei tua causa, desperta as sombras e todos os prínci-
da Babilônia e dirás: Como cessou o opressor! pes da terra e faz levantar dos seus tronos a todos
Como acabou a tirania! os reis das nações.

165
14:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

10 Todos estes respondem e te dizem: Tu 22 Levantar-Me-ei contra eles, diz o SENHOR


também, como nós, estás fraco? E és semelhan- dos Exércitos; exterminarei de Babilônia o nome
te a nós? e os sobreviventes, os descendentes e a posteri-
11 Derribada está na cova a tua soberba, e, dade, diz o SENHOR.
também , o som da tua harpa; por baixo de ti, uma 23 Reduzi-la-ei a possessão de ouriços e a la-
cama de gusanos, e os vermes são a tua coberta. goas de águas; varrê-la-ei com a vassoura da des-
12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, truição, diz o SENHOR dos Exércitos.
filho da alva! Como foste lançado por terra, tu 24 Jurou o SENHOR dos Exércitos, dizendo:
que debilitavas as nações! Como pensei, assim sucederá, e, como determi-
13 Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao nei, assim se efetuará.
céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu 25 Quebrantarei a Assíria na Minha terra e
trono e no monte da congregação me assentarei, nas Minhas montan has a pisarei, para que o seu
nas extremidades do Norte; jugo se aparte de Israel, e a sua carga se desvie
14 subirei acima das mais altas nuvens e serei dos ombros dele.
semelhante ao Altíssimo. 26 Este é o desígnio que se formou concer-
15 Contudo, serás precipitado para o reino nente a toda a terra; e esta é a mão que está es-
dos mortos, no m ais profundo do abismo. tendida sobre todas as nações.
16 Os que te virem te contemplarão, hão de 27 Porque o SENHOR dos Exércitos o deter-
fitar-te e dizer-te: É este o homem que fazia es- minou ; quem , pois, o invalidará? A Sua mão está
tremecer a terra e tremer os reinos? estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?
17 Que punha o mundo como um deserto e 28 No ano em que morreu o rei Acaz, foi pro-
assolava as suas cidades? Que a seus cativos não nunciada esta sentença:
deixava ir para casa? 29 Não te alegres, tu, toda a Filístia, por estar
18 Todos os reis das nações, sim, todos eles , quebrada a vara que te feri a; porque da estirpe
jazem com honra, cada um, no seu túmulo. da cobra sairá uma áspide, e o seu fruto será uma
19 Mas tu és lançado fora da tua sepultu- serpente voadora.
ra, como um renovo bastardo, coberto de mor- 30 Os primogênitos dos pobres serão apas-
tos traspassados à espada, cujo cadáver desce à centados, e os necessitados se deitarão seguros;
cova e é pisado de pedras. mas farei morrer de fome a tua raiz, e serão des-
20 Com eles não te reunirás na sepultura, por- truídos os teus sobreviventes.
que destruíste a tua terra e mataste o teu povo; a 31 Uiva, ó porta; grita, ó cidade; tu, ó Filístia
descendência dos malignos jamais será nomeada. toda, treme; porque do Norte vem fumaça, e nin-
21 Preparai a matança para os filhos, por guém há que se afas te das fileiras.
causa da maldade de seus pais, para que não se 32 Que se responderá, pois, aos mensagei-
levantem, e possuam a terra, e encham o mundo ros dos gentios? Que o SENHOR fundou a Sião,
de cidades. e nela encontram refúgio os aflitos do Seu povo.

I. O SENHOR Se compadecerá de de Israel, tomado cativo pelos babilônios.


Jacó. Este capítulo continua a profecia do Logo depois de conquistar Babilônia, Ciro
cap. 13 a respeito da queda de Babilônia (Is promulgou seu memorável decreto autori-
13:1 ; cf. 14:28). A mensagem chegou a Isaías zando os judeus a voltar para seu lar e recons-
no ano 716/715 a.C. (ver v. 28; voL 2, p. 62). truir o templo (2Cr 36:22 , 23; Ed 1:1-3).
A queda de Babilônia pelas mãos dos medos Estrangeiros. Isto é , gentios. Isaías
e persas resultaria na libertação e restauração introduz um de seus temas favoritos:

166
ISAÍAS 14:7

o grande ajuntamento de pessoas de todas as Visto que, neste caso, mashal se aplica à seção
nações para adorar o Deus verdadeiro (ver inteira, os v. 4 a 28, e não apenas à excla-
p. 15). Ele retoma esse tema vez após vez mação do v. 4, é preferível a tradução "pará-
(Is 44:5; 54:2 , 3; 55:5; 56:4-8; 60:1-5; etc.). bola" (ver Sl49:4; Ez 17:2; 24:3). Esta seção se
Esta profecia se cumpriu em parte no tempo aplica à Babilônia histórica (ver Is 13:1; 14:28;
do AT (ver p. 16), e de forma mais completa ver também com. deIs 14:1; sobre a aplicação
~ ,.. no grande ajuntamento de gentios nos tem- à Babilônia espiritual, ver com. de Is 13:4).
pos apostólicos (At 10:1, 2, 48; 11:18; 13:46- Quando fosse liberto do cativeiro (Is 14:1-3),
4 8; etc .). Também tem se cumprido hoje o povo de Israel zombaria de seu opressor.
à medida que pessoas de todas as nações O rei da Babilônia. Ele era o principal
conhecem o evangelho de Cristo. responsável pela política babilônica (sobre
2. Os povos. O rolo 1Qisa do Mar Morto "o rei da Babilônia" como designação simbó -
traz "muitos povos". lica de Lúcifer, ver com. do v. 12).
Dominarão os seus opressores. Se A cidade dourada (ARC). A tradução
os judeus tivessem servido ao Senhor com do heb. madhevah, "dourada", faz supor que
zelo quando voltaram de Babilônia, era plano a palavra seja derivada do aramaico dahav,
divino que dominassem a terra (ver p. 17). "ouro". Contudo, a p alavra hebraica para
Finalmente, todos teriam reconhecido uns "ouro" é zahav, e não h avia razão para os
aos outros como irmãos. Todos teriam ado- hebreus empregarem uma palavra para "dou-
rado ao Senhor e se alegrado com a salvação. rada" derivada do aramaico em vez de uma de
Contudo, os judeus falharam outra vez, após sua própria língua. Portanto, sugeriu-se que
o cativeiro, em andar em harmonia com o madhevah foi considerada como marhevah,
ideal divino (ver p. 18), e nunca reconhece- "terror", sendo que as letras hebraicas para r
ram o glorioso privilégio que poderia ter sido e d são semelhantes (ver p. xxi) e facilmente
deles. Porém, quando os santos triunfarem confundidas. A LXX, a Siríaca e os Targuns
no final da história deste mundo, o povo de apoiam a leitura "terror", assim como o rolo
Deus de todas as eras dominará seus opres- 1Qisa do Mar Morto. Uma forma equivalente
sores (Dn 7: 14, 18, 27). da palavra é traduzida como "perturbam" em
3. Dar-te descanso. Assim como os Cântico dos Cânticos 6:5. Portanto, parece
israelitas tinham sido escravos no Egito, provável que a última frase devesse ser "ces-
seriam cativos em Babilônia; e, como D eus sou o terror", ou "tirania" (ARA). Isso a torna
lhes dera descanso da servidão no Egito, paralela à frase "cessou o opressor!" (ver com.
assim lhes daria descanso do cativeiro. A terra de Is 13:19; e Nota Adicional a Daniel 4).
prometida seria esse local de descanso, mas 5. A vara. Vara e cetro são símbolos de
Israel, por causa do pecado, outra vez não poder. O Senhor quebraria por completo o
entrou no descanso prometido. Portanto, esta poder de Babilônia (ver com. de Is 13:19-22).
promessa está reservada para o Israel espi- 6. Que feriram os povos. Babilônia,
ritual, que será reunido de todas as nações que na sua fúria feria as nações com "gol-
e liberto da tentativa final de Babilônia de pes incessantes" e as dominava com ira, se
escravizar o mundo. O povo de Deus final- tornaria objeto da ira e seria ferida com gol-
mente encontrará "descanso" na Canaã celes- pes recorrentes, dos quais não se recupera-
tial, a terra renovada . ria (ver Jr 50:23).
4. Motejo. Do heb. mashal, palavra tra- 7. Toda a terra. Literalmente, a des-
duzida na ARA como "provérbio" 22 vezes e crição do mundo quando o rei de Babilônia
como "parábola" seis vezes (vervol. 3, p. 1061). cessasse sua obra (v. 4), e simbolicamente,

167
14:8 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

quando o governo de Satanás chegar ao fim da morte (ver Ap 20:10). O autor da morte
(ver com. de Is 13:4). Somente então a terra provará de seu fruto amargo.
terá descanso e sossego. O destino de Satanás ll. Cova. Da mesma palavra hebraica
trará alegria ao povo de Deus, pois a opres- traduzida como "além" no v. 9.
são terá acabado, e os santos herdarão a Terra Tua soberba. Toda a pompa e ostenta-
renovada e reinarão para sempre. Num sen- ção do mal desaparecem na frieza do túmulo.
tido figurado, o mundo todo, que por tanto O outrora poderoso governante de Babilônia
tempo gemeu sob a maldição do mal, se rego- e dos exércitos do mal (ver com. dos v. 4, 12)
zija ao se libertar do poder do opressor. será completamente humilhado no pó. Alou-
8. Ciprestes. Do heb. beroshim, "zim- cura da arrogância e do orgulho será ridicula-
bros [fenícios]". O "rei da Babilônia" (v. 4) rizada (ver SI 2: 1-4).
é comparado a uma árvore (ver Dn 4:11, Harpa. Ou, "harpas" (ver vol. 3, p. 17).
§ ~~> 22; cf. Jz 9:8-15; Ez 31:16). As outras "árvo- Gusanos. Do heb. rimmah, "larva". A pa-
res" da "floresta" se regozijam quando essa lavra "vermes" deriva de tole'ah. O orgulhoso
"árvore" pretensiosa e arrogante é cortada. rei de Babilônia está no she'ol, sobre uma cama
Os monarcas assírios se gabavam de terem de gusanos, coberto com vermes. "Os cami-
cortado as florestas e deixado o país como nhos da glória conduzem ao túmulo."
um deserto (ver Is 37:24) . Do mesmo modo, 12. Estrela da manhã. Do heb. helel,
os exércitos de Babilônia devastaram os paí- literalmente "brilhante", da raiz halal, que
ses conquistados (ver Jr 25:11). Haverá ale- significa "emitir luz", "brilhar", "ser bri-
gria universal quando a obra de destruição lhante". O substantivo helel e seus equi-
for concluída. "Apóstolos e profetas" exul- valentes em línguas afins era comumente
tarão com a queda da Babilônia espiritual empregado com referência ao planeta Vênus
(Ap 18:20; c f. 19: 1-6). como uma estrela da manhã por causa de
Ninguém já sobe contra nós para nos seu brilho sem igual. Vênus é o mais bri-
cortar. Ninguém chega para cortar as árvo- lhante de todos os planetas e, quando atinge
res, e as florestas da terra se regozijam com seu esplendor máximo, é sete vezes mais bri-
seu livramento. lhante que Sírio, a mais refulgente de todas
9. O além. Do heb. she'ol (ver com. as estrelas fixas. Quando está localizada
de Pv 15:11), a morada figurada dos mor- numa posição favorável, é facilmente visível
tos. A mesma palavra é traduzida como a olho nu ao meio-dia. A LXX traduz helel
"cova" (Is 14: 11). She'ol é personificado sau- como heõsphoros, "estrela da manhã", literal-
dando o rei de Babilônia (ver v. 15). Aqueles mente, "o que traz a alva", designação grega
a quem matou lhes dão as boas-vindas, a comum para Vênus quando aparecia no céu
quem uma vez escravizou povos como um pela manhã.
tirano, e enviou outros à morte. De forma O nome Lúcifer vem do latim e significa
figurada, os poderes do mal serão tirados de "portador de luz". O termo, conforme usado
seus "tronos" na Terra para descer às sombras aqui, foi primeiramente identificado com
da morte (ver Ap 20:10, 14). Ezequiel usou Satanás por Tertuliano, Jerônimo e outros pais
a mesma metáfora (Ez 32:18-32; comparar da igreja primitiva, sendo depois empregado
com Is 24:22; Ap 6:15, 16; 19:20). com esse sentido na Idade Média. Pedro se
lO. Como nós. O rei de Babilônia, que refere a Cristo como phõsphoros, "estrela da
matou tantos outros, seria morto. Satanás alva" (2Pe 1:19), que, literalmente, significa
(ver com. dos v. 4, 12), que conduziu tantos à "portador de luz". Em Apocalipse 22:16, Ele
ruína e à morte, finalmente entrará no reino é chamado de "a brilhante Estrela da manhã

168
ISAÍAS 14:17

['estrela da alva']". Aplicados a Satanás, os da cidade. Supunha-se que Anu , o m ais


diferentes termos (helel, heõsphoros, Lúcifer, importante dos antigos deuses de Babilônia,
etc.) refletem a posição elevada que ele tivera tinha seu trono no terceiro céu. Sua cons-
no Céu, ao lado de Cristo, e indicam que ele é telação estava entre as estrelas polares, ao
o rival de Cristo. Nenhum desses termos é um redor das quais todas as outras giravam.
nome próprio, embora todos tenham esse sen- Com frequência, a mitologia pagã repre-
tido; em vez disso, são termos atributivos que sentava os deuses se reunindo numa mon-
denotam a elevada posição da qual Lúcifer tanha ao norte. Alguns creem que Isaías fez
caiu. Essa descrição se aplica a Satanás antes uso desta figura ao descrever as pretensões
de sua queda, quando, depois de Cristo, era de Lúcifer (v. 12), "rei da Babilônia" (v. 4).
o mais poderoso no Céu e líder das hos- O nome Baal-Zefom (Êx 14:2) significa lite-
tes angélicas (ver descrição mais ampla de ralmente "Baal do norte".
Satanás, sob a designação de "rei de Tiro", no 14. Semelhante ao Altíssimo. Lúcifer
com. de Ez 28:12-19). desejava ser como Deus em posição, poder
Lançado por terra. Na guerra contra e glória, mas não em caráter. Ele desejava
Cristo, Satanás foi derrotado, expulso do para si a honra que a hoste angélica pres-
Céu e lançado para a terra (ver Ap 12:7-9; tava a Deus. Sendo apenas uma criatura, ele
ver com . de Ez 28: 16-18). buscou a honra devida somente ao Criador.
Debilitavas as nações. Comparar com Em vez de procurar tornar Deus supremo
;: ... os v. 4-6, 9-11. nas afeições da hoste angélica, buscou para
13. Acima das estrelas de Deus. Ver si mesmo o primeiro lugar.
com. de Jó 38:7. O desejo por exaltação pró- 15. Reino dos mortos. Do heb. she'ol,
pria foi a causa da queda de Lúcifer. Antes morada figurada dos mortos (ver com. do
da queda, ele era o anjo mais belo e sábio. v. 9). Da elevada posição à qual aspirava,
Orgulhou-se excessivamente da honra que Satanás seria lançado às profundezas mais
Deus lhe conferiu e buscou glória ainda maior. baixas, e ali seria esquecido (ver Lc lO: 18;
Monte da congregação. Do heb. har- Ap 12:9). H á uma série de contrastes mar-
mo'ed; ou , "monte de Deus", n a passagem cantes em Isaías 14:4 a 19, entre exaltação
paralela de Ezequiel 28:16. Lúcifer aspirava e completa humilhação.
a sentar-se no "monte da congregação", mas No mais profundo do abismo.
o Senhor o lançaria "fora do monte de Deus". Literalmente, "as partes mais remotas da cis-
O rei de Babilônia era um pagão, e, na mito- terna". Aqui, "abismo" é sinônimo de she'ol, a
logia pagã, os deuses se reuniam num alto morada figurada dos mortos. Este emprego
monte, onde decidiam as questões da Terra. do heb. bor, "abismo", é comum no AT (ver
O rei da Babilônia histórica (ver com. de ls Is 24:22; Ez 31:14, 16; etc .)
14:4) tentaria usurpar o controle dos deuses, 16. Os que te virem. Repete-se a figura
isto é, ter suprema autoridade sobre as ques- dos v. 9 e lO. Os "mortos", os "príncipes da
tões da Terra. Como rei da Babilônia espi- terra", que precederam Lúcifer no "abismo"
ritual (ver com. de v. 4), Satan ás de forma (v. 15), fitam-no com surpresa quando ele
similar aspirava a impor sua vontade sobre desce para se juntar a eles. Deve-se ter em
as questões do Céu, isto é, governar o uni- mente que toda esta seção emprega uma lin-
verso de Deus. guagem simbólica (ver com. de v. 4).
Nas extremidades do Norte. O Salmo É este o homem [... ]?Ver com. do v. lO.
48 :2 situa o monte Sião "para os lados do 17. Assolava as suas cidades. Uma
Norte", isto é, ao norte da principal parte descrição literal das conquistas babilônicas

169
14:18 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

(ver com. dos v. 4, 6). Quando Deus estava dos pecadores. M as, nesses milhares de
prestes a criar este mundo, Lúcifer, o "rei anos , tudo o que fez foi devastar este mundo
da Babilônia" espiritual (ver com. do v. 4), e matar pessoas. No lugar da honra e da gló-
quis ser consultado. Ele pensou que pudesse ria que com tanta ânsia buscou, fez de si
melhorar a obra de D eus e prometeu um objeto de completa vergonha e desgraça.
nível de existência mais elevado àqueles 21. Preparai a matança. Isto é, para
que o seguissem. Mas, quando assumiu o os "filhos" do "rei de Babilônia" (ver com.
controle deste mundo, não fez nada além de v. 4; comparar com Jl 3:9-17). Morte e
de transformá-lo num deserto amaldiçoado. destruição serão o destino final de todos os
Finalmente, todos verão que Satanás fez do filhos da iniquidade. Finalmente, o próprio
mundo um vasto deserto, muito diferente Satanás e todo seu exército da maldade serão
do belo mundo que saiu das mãos de Deus devorados pelas chamas e reduzidos a cin-
(Gn 1: 31). Desolação e morte, não alegria e zas (ver Ez 28:16-18; Ml4:1 , 3; Ap 20:9, 10).
vida, são os resultados inevitáveis do governo Por causa da maldade. Ver com. de
de Satanás. Ez 18:2.
Não deixava ir para casa. O "rei da 22. Babilônia. Tanto o "rei de Babilônia"
Babilônia" histórica (ver com. de v. 4) man- (ver com. de v. 4) como Satanás, o "rei" da
tinha seus povos cativos em completa sujei- Babilônia espiritual, se exaltaram (ver Dn
ção (comparar com a atitude do rei do Egito, 4:30, 37; Is 14:13). O nome Babilônia signi-
em Êx 5:2). O rei de Babilônia teria o mesmo fica "portão de Deus" (ver com. de Gn 10:10;
destino que infligia a outros . Do mesmo 11:9), mas provará ser o portão do inferno.
modo, Lúcifer em atitude desafiadora se Em vez de algo glorioso, a Babilônia his-
recusa a libertar os presos que mantém no tóric a se tornaria em vergonha. Ignomíni a
cárcere da morte (Jd 9). e reprovação, em vez de glória e honra,
18. No seu túmulo. Ver com. do v. 19. seriam seu destino. Nome e posses, ami-
Durante os mil anos , os ímpios estarão nos gos e parentes, filho e ne to, descendente e
seus túmulos (ver Is 24:22). posteridade, tudo seria cortado da famo sa
19. Lançado fora da tua sepultura. cidade. Ninguém restará para dar continui-
Devido ao ódio ao "rei de Babilônia" (ver dade a seu nome. O mesmo se dará no fim
;::: ... com. do v. 4), a ele seria negada uma sepul- dos tempos com a Babilônia espiritual (ver
tura honrosa (ver 2Cr 24:25). Durante os mil Ap 18:4, 21-23).
anos, Satanás experimentará a morte em 23. Vassoura da destruição. A cidade
vida. Ao redor dele estarão todos os ímpios orgulhosa é comparada a resíduo e lixo, que
mortos, mas ele mesmo não poderá encon- deve ser varrido. Babilônia contaminara a
trar o descanso da morte. Para ele não haverá terra , e não tinha o direito de permanecer
alívio da miséria e do remorso, nem do hor- onde continuaria a ofender o ser humano e
ror que trouxe sobre a Terra. Será um cadá- o próprio Deus. O mundo ficaria mais limpo
ver vivo para o qual um túmulo comum seria quando essa imundícia fosse varrida. Com
honroso demais (comparar com Is 14:9-11). essas palavras é concluída a sentença con-
Pisado de pedras. Comparar com o tra Babilônia.
v. 15. 24. Como pensei. A longa mensagem
20. Não te reunirás. Ver com. do v. 19. contra Babilônia é seguida de um pronuncia-
Mataste o teu povo. Ver com. do v. 6. mento contra a Assíria (v. 24 -27). A Assíria
Quando o ser humano pecou, Satanás se tor- estava acostumada a seguir seu próprio
nou o príncipe deste mundo e o governante caminho. Com o poder de seus exércitos,

170
ISAÍAS 14: 31

ela imaginava que podia impor sua vontade 29. Toda a Filístia. Ver com. de Êx 15:14.
ao mundo. Porém, Deus lhe ensinaria que Áspide. De uma serpente comum sairia
é Ele que controla a Terra. Nenhum propó- outra ainda mais vil e venenosa , e dela, por
sito contrário à Sua vontade pode prevalecer. sua vez, sairia uma serpente voadora. É como
25. A Assíria. Estas palavras se refe- se o vento suscitasse o redemoinho, ou do
rem ao tempo quando Senaqueribe invadiu chacal nascesse um dragão.
a Judeia e enviou parte de seu exército para 30. Os primogênitos dos pobres
sitiar Jerusalém. Seu jugo seria pesado para serão apascentados. Entrelaçada à profe-
a terra por um tempo, mas , finalmente, Deus cia do juízo contra a Filístia está um a pro-
quebraria esse jugo e libertaria o povo. messa de prosperidade para os pobres e
26. A mão. Quando Isaías teve uma desafortunados de Judá. Esta deveria ser a
visão da grandeza de Deus, também perce- obra de Cristo, o Filho ideal do rei de Judá
beu a insignificância do ser humano. Nessa (ver SI 72:2-4). Os "primogênitos" dos pobres
época, o mundo todo estava atemorizado são aqueles que herdam uma porção dupla ,
com o poder assírio. Isaías, porém, viu o não de riquezas, mas de pobreza.
Senhor como "quem na concha de Sua mão Farei morrer. O rolo lQis" do Mar
mediu as águas e tomou a medida dos céus a Morto diz "matarei".
palmos", diante de quem as nações são consi- Tua raiz. Da raiz de Jud á viria o Rei
deradas "como um pingo que cai de um balde que o salvaria, mas a raiz do adversário de
e como um grão de pó na balança" (Is 40:12, Judá, aqui mencionada, seria destruída pela
15). Somente aquele que conhece a Deus fome. Judá seria ferido por seus adversários ,
tem um entendimento claro das questões mas haveria um remanescente que voltaria e
humanas. "Todas as nações são perante Ele seria salvo (Is 10:20, 21; ver com. de Is 7:3).
como coisa que não é nada; Ele as considera Contudo, os rem anescentes dos inimigos de
me nos do qu e nada, como um vácuo" (v. 17). Judá pereceriam.
Para alguém que viu a Deus sentado sobre 31. Ó Filístia toda. O profeta visuali-
o trono eterno, a Assíria não era motivo de zava um tempo quando a Filístia (ver com. do
maus presságios nem de temor. No tempo de v. 29) não mais existiria . Toda a naç ão seria
provação, quando a Assíria parecia prestes a destruída. Como fumaça vinda do norte, um
esmaga r sua terra, Judá precisava muito de juízo cairia sobre a Filístia. Invasores babilô-
uma mensagem de encorajamento como esta. nios se aproximaram da Palestina a pa rtir do
27. Voltar atrás. Isaías viu a mão de norte para trazer juízos sobre a terra (Jr 1:14;
Deus estendida em juízo contra a Assíria e 4:6; 6:1, 22; Ez 1:4). Um século mais tarde,
as outras nações de seu tempo, e sabia que se predisse outra vez juízo desde o norte con-
não havia poder nos céus ou na Terra que a tra a Filístia (Jr 47:2).
fi zesse voltar atrás. Quando se propõe a fa zer Fumaça. Provavelmente, a fumaça de
algo, Deus cumpre o que deseja , a despeito cidades e vilas incendiadas por um exérc i-
~ ... da vontade humana (ver Nm 23:19; Jó 9:12; to invasor.
Is 43:13; Dn 4: 32, 35). Estas palavras con- Ninguém há que se afaste. Tod a a
cluem a mensagem contra a Assíria. frase diz, literalmente, "ningué m se aparta
28. No ano. Aqui começa outra profecia de seu objetivo", significando neste contexto
c urta, desta vez contra a Filístia (v. 28-32). "nenhum desertor nas suas fileiras". O ini -
Acaz morreu em cerca de 715 a .C. e foi migo desceria como uma unidade, sem dese r-
sucedido por seu filho Ezequias que gover- tores, e como um só homem cairia sobre sua
nou sozinho. vítima, a Fílístia.

17 1
14:32 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

32. Aos mensageiros. Talvez uma dele- Babilônia e Filístia, a pergunta natural seria
gação real enviada para consultar o profeta, sobre o destino de Judá . A resposta é dada
que então responde. Depois de transmitir rapidamente: "O Senhor fundou a Sião", e,
mensagens de destruição contra a Assíria, portanto, ela não tem nada a temer.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

3-6- CC, 660 12-14- CPPE, 32; PE, 145; 14 - OTN, 435
4 - PR, 515 HR , 14; T1, 293; T5, 702 18-20 - CC, 660
7 - CC, 673 12-17- CC, 659 23 - Ed, 176; PR, 533
12 - OTN, 435; CC, 669; 13, 14 - OTN, 21, 22; CC , 24-28 - PR, 350
PP, 496; HR, 25, 427 494, 504; PP, 35 26, 27 - Ev, 65

CAPÍTU~O 15
'I '·
~
O estado lamentável de Moahe.

l Sentença contra Moabe. Certamente, cujos fugitivos vão até Zoar, novilha de três anos;
numa noite foi assolada Ar de Moabe e ela está vão chorando pe la subida de Luíte e no caminho
destruída; certamente, numa noite foi assolada de Horonaim levantam grito de desespero;
Qui r de Moabe e ela está destruída. 6 porque as águas de Ninrim desaparecem;
2 Sobe-se ao templo e a Dibom, aos altos, seca-se o pasto, acaba-se a erva, e já não há ver-
para chorar; nos montes Nebo e Medeba, lamen- dura alguma,
ta Moabe; todas as cabeças se tornam calvas, e 7 pelo que o que pouparam, o qu e ganharam
toda barba é rapada. e depositaram eles mesmos levam para além das
3 Cingem-se de panos de saco nas suas ruas; torrentes dos salgueiros;
::; ~o nos seus terraços e nas suas praças, andam todos 8 porque o pranto rod eia os limites de Moabe;
uivando e choram abundantemente. até Eglaim chega o seu clamor, e ainda até Beer-
4 Tanto Hesbom como Eleale andam gri- Elim, o seu lamento;
tando; até Jaza se ouve a sua voz; por isso, os 9 porque as águas de Dimom estão cheias de
armados de Moabe clamam; a sua alma treme sangue; pois ainda acrescentarei a Dimom: leões
dentro dele. contra aqueles que escaparem de Moabe e con-
5 O meu coração clama por causa de Moabe, tra os restantes da terra.

1. Sentença contra Moabe. Ou, A famosa Pedra Moabita, encontrada nas ruí-
"mensagem solene com respeito a Moabe". nas de Dibom, em 1868 (ver vol. l, p. 100,
Nos cap. 15 e 16, Isaías profere uma profe- 101; vol. 2, p. 946, 947), conta da sujeição
cia contra o vizinho a les te de Judá, Moabe. de Moabe a Onri e Acabe, e de sua revolta
Pouco se sabe da geografia política e da his- exitosa contra seu próprio rei, Mesha (ou
tória de Moabe, e, portanto, muito dessa Mesa ver 2Rs 3:4-7). Cidades como Dibom,
profecia não está claro. Com frequên- Nebo, Med eba, Jaza (Yahats) e Horonaim
cía, Israel e Moabe guerreavam entre si. (Hauronen), mencionadas nesta profecia

172
ISAÍAS 15:8

(Is 15:2,4, 5), também são citadas na Pedra capturada por Mesha e acrescentada ao
Moabita. Em Jeremias 48, está registrada distrito de Dibom.
uma profecia similar contra Moabe que Os armados de Moabe. Era tão terrível
emprega quase as mesmas palavras. o açoite que viria sobre Moabe que mesmo
Ar. Do heb. 'ar, palavra que se supõe ser os soldados estariam em pânico e gritariam
uma variante de 'ir, significando "cidade". de terror. Os que deveriam ajudar não pode-
Não se conhece nenhuma cidade com o riam fazê-lo, os que deviam ter coragem se
nome de Ar (comparar com "a cidade de encheriam de terror.
Moabe", em Nm 22:36). 5. O meu coração. A cena represen-
2. Dibom. Nesta cidade foi encontrada tada diante do profeta é tão terrível que seu
a Pedra Moabita (ver com. do v. l). Ela está coração se comove de piedade e clama pelo
19 km ao leste do Mar Morto e cinco ao povo ferido.
norte de Arnom. Nebo e Medeba estão Zoar. Esta cidade provavelmente fi-
próximas ao limite norte do Mar Morto. cava próxima ao limite sul do Mar Morto . .,. ~
Na famosa Pedra Moabita, o rei Mesha se Temporariamente poupada na destruição
vangloria de ter sido ordenado por Quemos de Sodoma e Gomorra, ela foi mais tarde
a tomar Nebo de Israel, e de ter sitiado a destruída e, então, ao que tudo indica, re-
cidade e matado 7 mil homens, mulheres construída (ver com. de Gn 19:22-24, 30).
e crianças, os quais ofereceu a seu deus. Novilha de três anos. O texto hebraico
Mesha declara que Medeba foi tomada por traz Eglath shelishiyyah, "Eglate, a terceira",
Onri, que, com seu filho Acabe, a ocupou e sendo assim, uma cidade nas proximida-
por muitos anos. des de Zoar.
Calvas. Raspavam-se cabeça e barba Luíte. Comparar com Jr 48:5. O local
em sinal de profunda tristeza. Esse costume desta cidade é desconhecido.
pode ter tido alguma relação com a idola- Horonaim. É mencionada por Mesha
tria, visto que os israelitas foram proibidos de na Pedra Moabita (ver com. do v. I) como
segui-lo (Lv 19:27; 21:5; Dt 14:1; cf. Jr 7:29; uma cidade conquistada por ele a mando
16:6; Ez 7:18; Mq 1:16). de Quemos . É mencionada outra vez em
4. Hesbom. O pranto seria ouvido Jeremias 48:3, 5 e 34.
ainda mais ao norte. Hesbom (Tell Heshân) 6. As águas de Ninrim. Mencionadas
está cerca de lO km ao norte de Medeba e também em Jeremias 48:34, e talvez seja
24 km a nordeste da foz do Jordão. Eleale o local de um reservatório usado para fins
ficava num monte 2,7 km a nordeste de de irrigação. Acredita-se que Ninrim ficava
Hesbom. Quando os israelitas ocupa- junto a um leito de rio que desembocava
ram o país, o território ficou com Rúben nas margens ao sudeste do Mar Morto.
(Nm 32:3, 37), mas depois foi tomado por Quando o reservatório foi destruído, a área
Moabe (ver Is 16:9; Jr 48:34). A localiza- ficou desolada.
ção de Jaza não é exata, mas pode ter sido 7. Torrentes dos salgueiros. A situa-
próxima a Medeba. Os israelitas derrota- ção desesperadora em Moabe fez com que os
ram Seom , rei dos amorreus , nesse lugar habitantes fugissem para um lugar conhecido
(Nm 21:23 , 24; Dt 2:32, 33; Jz ll:20 , 21), como o "ribeiro dos salgueiros", cuja locali-
e a cidade passou a fazer parte do terri- zação é desconhecida.
tório de Rúben (Js 13:15, 18). De acordo 8. Eglaim. Nenhum dos lugares men-
com a Pedra Moabita, Jaza foi a sede dos cionados no v. 8 foi identificado com
israelitas na luta contra Mesha, mas foi exatidão.

173
15:9 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

9. As águas de Dimom. Este lugar não Ainda acrescentarei. Apesar do terrí-


foi identificado. Possivelmente, seja o mesmo vel juízo sangrento, outros juízos se segui-
que Dibom (v. 2). N esse caso, "as águas" riam. Nesta passagem, leão possivelmente
poderiam ser as de Arnom. Alguns as con- seja um símbolo de outros invasores (ver
sideram como um riacho perto de Madmena. Jr 4:7; 5:6).

CAPÍTULO 16
1 Moabe é exortado a render obediência ao reino do Messias e 6 é ameaçado por
causa do orgulho. 9 O profeta lamenta por Moabe. 12 O juízo contra Moabe.

l Enviai cordeiros ao dominador da terra , murchos; os senhores das nações talaram os me-
desde Sela, pelo deserto, até ao monte da filha lhores ramos da vinha de Sibma, que se estende-
de Sião. ram até Jazer e se perderam no deserto, sarmentos
2 Como pássaro espantado, lançado fora do que se estenderam e passaram além do mar.
ninho, assim são as filhas de Moabe nos vaus do 9 Pelo que prantearei, com o pranto de Jazer,
Arnom, que dizem: a vinha de Sibma; regar-te-ei com as minhas lá-
3 Dá conselhos, executa o juízo e fa ze a tua grimas, ó H esbom, ó Eleale; pois, sobre os teus
sombra no pino do meio-dia como a noite; escon- frutos de verão e sobre a tua vi ndima, caiu já dos
de os desterrados e não descubras os fugitivos . inimigos o eia, como o de pisadores.
4 H abitem entre ti os desterrados de Moabe, 10 Fugiu a alegria e o regozijo do pomar; nas
serve-lhes de esconderijo contra o destruidor. vinhas já não se canta, nem há júbilo algum; já
Quando o homem violento tiver fim , a destruição não se pisarão as uvas nos lagares. Eu fiz cessar
for desfeita e o opressor deixar a terra , o eia dos pisadores.
5 então, um trono se firm ará em benignidade, 11 Pelo que por Moabe vibra como harpa o
e sobre ele no tabernáculo de D avi se assentará Meu íntimo, e o Meu coração, por Quir-Heres.
com fidelidade um que julgue, busque o juízo e 12 Ver-se-á como Moabe se cansa nos altos,
não tarde em fa zer justiça. como entra no santuário a orar e nada alcança.
6 Temos ouvido da soberba de Moabe, sober- 13 Esta é a palavra que o SENHOR há muito .-;;l
bo em extremo; da sua arrogância, do seu orgu- pronunciou contra Moabe .
lho e do seu furor ; a sua jactância é vã. 14 Agora, porém, o SENHOR fala e di z: Dentro
7 Portanto, uivará Moabe, cada um por de três anos , tais como os de jornaleiros, será en-
Moabe; gemereis profundamente abatidos pelas vilecida a glória de Moabe, com toda a sua gran-
pastas de uvas de Quir-Haresete. de multidão; e o restante será pouco, pequeno
8 Porque os campos de Hesbom estão e débil.

I. Enviai cordeiros. Quando Onri Sela. Ver com. de 2Rs 14:7; cf. Jr 48:28.
e Acabe subjugaram Moabe, este pagou Sela significa "rocha", e acredita-se ter sido
tributo a Israel na form a de cordeiros e o nome da capital de Edom. O povo de
carneiros (2Rs 3:4). A partir de então, Moabe foi forçado a deixar suas cidades,
Moabe teria que pagar um tributo similar fugir para o deserto e se estabelecer nas
aJudá. rochas. Então, numa condição desolada, eles

174
ISAÍAS 16:8

foram chamados a reconhecer a supremacia e não a crueldade que traz segurança, paz e
do "monte da filha de Sião" com pagamento prosperidade aos povos da Terra. Se Moabe
de tributo. fosse misericordioso, seu trono seria estabe-
2. Pássaro espantado. Ou, "um pás- lecido; caso contrário, a nação seria destruí-
saro fugitivo" ou "um pássaro perdido", uma da. O Senhor ouviu "o escárnio de Moabe"
ilustração dos fugitivos de Moabe, que não contra Seu povo e por isso declarou "Moabe
sabiam onde buscar refúgio. será como Sodoma", e anunciou que Ele seria
3. Dá conselhos. Alguns creem que "terrível contra eles" (Sf 2:8 , 9, 11).
estas palavras são dirigidas a Sião pelos 6. Da soberba de Moabe. O orgulho e
moabitas, que foram forçado s a deixar seu a arrogância eram as evidentes fraquezas de
país; outros as veem como conselhos dados Moabe e as principais razões para sua des-
pelo profeta ao povo humilhado de Moabe. truição (ver Jr 48:29; Sf 2:10).
Parece que o último caso é o mais prová- Sua arrogância. Literalmente, "seu
vel. Depois de levar juízo sobre Moabe, o falar ocioso", "sua jactância" (comparar com
Senhor aconselha seus derrotados habitan- Jr 48:30). A altivez de Moabe era falsa e pro-
tes quanto ao caminho em que devem andar. varia ser vã.
Dali em diante, deveriam andar com jus- 7. Uivará Moabe. Se Moabe tivesse
tiça e ser misericordiosos com os vizinhos. dado ouvidos ao conselho do Senhor, seu
No dia da calamidade de Judá, o povo de trono teria sido es tabelecido com justiça e
Moabe se regozijou com a tribulação do povo misericórdia; mas, visto que se recusou , o
de Deus (ver Jr 48:27; Sf 2:8). Desta vez, o resultado seria pesar e destruição. Toda a
Senhor lhes adverte a mostrar bondade para nação choraria de angústia quando chegasse
com Judá, a não tomar vantagem dos exila- a hora da destruição.
dos forçados, a buscar refúgio em Moabe. Pastas de uvas. Literalmente, "bolos
Assim como as sombras da noite, eles deve- de uva". Em Oseias 3:1, a mesma palavra é
riam esconder os fugitivos e não entregá-los traduzida como "bolos de passas" (ver com.
a seus perseguidores. de 2Sm 6:19; Ct 2: 5). Talvez bolos de uvas
4. Habitem entre ti. Moabe é adver- fossem um dos principais produtos de Quir-
tido a permitir que os estrangeiros de Judá Haresete, e seus habitantes lamentariam a
se refugiem no seu meio e a escondê-los dos perda de seu principal meio de sobrevivência.
que buscavam destruí-los. Esta mensagem 8. Hesbom. Ver com. de Is 15:4.
foi dada a Moabe um século antes de os Sibma. Esta cidade foi designada a
babilônios invadirem Judá, quando milha- Rúben (Nm 32:37, 38; Js 13: 15, 19) e era
res de judeus buscaram refúgio em Moabe famosa por suas uvas (Jr 48:32). As vinhas <111 ~
(Jr 40:11). No entanto, naquele tempo o con- deste país belo e próspero foram destruídas
selho não foi levado em conta, e os moabitas pelos invasores cruéis . A cidade de Sibma
se deleitaram com as desgraças que caíram situava-se próxima a H esbom, mas sua loca-
sobre Judá (Jr 48:26, 27). Por essa razão, um lização é incerta. A figura dos ramos das
terrível juízo cairia sobre Moabe (Sf 2:8, 9). vinhas moabitas que se estendiam em várias
5. Em benignidade. As palavras do v. 4, direções talvez sugira os lugares aos quais
uma advertência a Moabe, também se apli- o produto de suas vinhas era exportado, na
cam ao reino de Cristo. O profeta parece forma de bolos de passas.
divisar um tempo quando um representan- Até Jazer. Isto é, os ramos da florescente
te da casa de Davi, o Messias (ver com. de vinha de H esbom e Sibma se estendiam ao
Is 11:1), governará Moabe. É a misericórdia norte até Jazer, uma cidade na fronteira norte

175
16:9 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

(oeste ou noroeste de Rabá, de Amom), origi- acompanhando um canto fúnebre. O pro-


nalmente em Gileade (Nm 32:1 , 3, 35 ; 2Sm feta expressa empatia para com o povo con -
24:5; 1Cr 26:3 1). Eles se estendiam ao leste tra quem profere a mensagem.
no deserto árabe, e ao oeste atravessavam o 12. Moahe se cansa. Quando Moabe se
Mar Morto e reapareciam nas ladeiras de apresentar no lugar alto de seu deus, embora
En-Gedi (Ct 1:14). As palavras de Isaías des- se fatigue com tantos encantamentos e ora-
crevem as vinhas floresc entes de Hesbom e ções, Quemos não ouvirá (ver lRs 18:26-29).
Sibma como uma só vinha que se estendia 13. Há muito. Literalmente, "desde
em todas as direções (ver Jr 48:32). então", uma expressão hebraica que signi-
9. Caiu já dos inimigos o eia. A última fica "antigamente", "no passado". Em Isaías
parte do v. 9 diz, literalmente, "pois caiu um 48:3, 5 e 7, é traduzido como "desde a anti-
grito sobre teus frutos de verão e sobre tua guidade", "desde aquele tempo" e "há muito",
colheita". Em tempos de paz e prosperidade e em 2 Samuel 15:34, "como fui , dantes".
este seria o grito de júbilo dos ceifeiros; mas, O significado é que a mensagem de Isaías é
em tempo de guerra (ver com. do v. 7), seria o apenas uma repetição de antigas mensagens
grito do invasor ao tomar posse da colheita e transmitidas.
destruir árvores e vinhas. Os targuns trazem 14. Dentro de três anos. Declarações
"caiu um saqueador". O profeta se junta aos prévias do juízo contra Moabe não tiveram
habitantes de M oabe para chorar por suas um limite específico de tempo.
desgraças. Tais como os de jornaleiros. Um jor-
10. Alegria. A época de colheita nos naleiro trabalha enquanto dura seu contrato.
campos e nas vinhas era um período de ale- Ele não permanece além desse período.
gria e celebração. Em vez disso, lágrimas Assim seria com o juízo prestes a cair sobre
tomariam o lugar do riso . Moabe. Estabeleceu-se um tempo para esse
11. Coração. Considerado pelos hebreus juízo, e isso não poderia ser adiado.
como o órgão das emoções (ver com. de Gn Pequeno e débil. Moabe não seria des-
43: 30). Aqui as emoções são descritas como truído por completo. Um remanescente per-
vibrantes e tristes como as notas de uma lira maneceria, mas seria pequeno e débil.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

3, 4 - CBV, 188

CAPÍTULO 17
1 Sú·ia e Israel são ameaçados. 6 Um remanescente abandona a idolatria. 9 O restante
é punido por causa da impiedade. 12 O pesar dos inimigos de Israel.

Sentença contra Damasco. Eis que sem haver quem os espante.


Damasco deixará de ser cidade e será um mon- 3 A fortaleza de Efraim desaparecerá, como
tão de ruínas. também o reino de Damasco e o restante da Síria;
2 As cidades de Aroer serão abandonadas ; serão como a glória dos filhos de Israel, di z o
hão de ser para os rebanhos, que aí se deitarão SENHOR dos Exércitos.

176
ISAÍAS 17:5

E;"' 4 Naquele dia , a glória de Jacó será apoucada, foram abandonados ante os filhos de Israel, e
e a gordura da sua carne desaparecerá. haverá assolação;
5 Será, quando o segador ajunta a cana do lO porquanto te esqueceste do Deus da tua
trigo e com o braço sega as espigas, como quem salvação e não te lembraste da Rocha da tua for-
colhe espigas, como quem colhe espigas no vale taleza. Ainda que faças plantações formosas e
dos Refains. plantes mudas de fora,
6 Mas ainda ficarão alguns rabiscos, como 11 e, no dia em que as plantares, as fizeres
no sacudir da oliveira; duas ou três azeitonas na crescer, e na manhã seguinte as fizeres florescer,
ponta do ramo mais alto, e quatro ou cinco nos ainda assim a colheita voará no dia da tribulação
ramos mais exteriores de uma árvore frutífera, e das dores incuráveis.
diz o SENHOR, Deus de Israel. 12 Ai do bramido dos grandes povos quebra-
7 Naquele dia, olhará o homem para o seu mam como bramam os mares, e do rugido das na-
Criador, e os seus olhos atentarão para o Santo ções que rugem como rugem as impetuosas águas!
de Israel. 13 Rugirão as nações, como rugem as muitas
8 E não olhará para os altares , obra das suas águas, mas Deus as repreenderá, e fugirão para
mãos, nem atentará para o que fizeram seus longe; serão afugentadas como a palha dos mon-
dedos, nem para os postes-ídolos, nem para os tes diante do vento e como pó levado pelo tufão.
altares do incenso. 14 Ao anoitecer, eis que há pavor, e, antes
9 Naquele dia, serão as suas cidades for- que amanheça o dia, já não existem. Este é o qui-
tes como os lugares abandonados no bosque ou nhão daqueles que nos despojam e a sorte daque-
sobre o cimo das montanhas , os quais outrora les que nos saqueiam.

I. Sentença contra Damasco. Ver serão abandonadas para sempre", como se


com. de Is 13:1. Os v. 1 a 11 são uma men- falasse de Damasco. As cidades dentro do
sagem contra Damasco e Israel. Deve-se lem- território designado seriam tão completa-
brar de que, nos dias de Acaz, a Síria se uniu mente destruídas que dali em diante os reba-
a Israel contra Judá, e que Isaías tinha pre- nhos pastariam no local onde houve cidades
dito a derrota da Síria e de Israel (Is 7:1-16). florescentes.
Esta profecia fala de juízos mais amplos. 3. De Efraim. Efraim, o reino do norte,
De ser cidade. Um forte golpe viria ou Israel, ainda está ligado à Síria na mente
sobre Damasco; ela não mais faria parte das do profeta. Visto que se uniram para ata-
grandes cidades do mundo. Por um tempo, car Judá (2Rs 16:5; Is 7:1, 2), as duas nações
a cidade pareceu ter ficado em ruínas, mas sofreriam o mesmo juízo decretado pelo
foi finalmente reconstruída , pois um século Senhor (ver com. deIs 7:4, 7, 16).
depois , Jeremias transmitiu outras mensa- A glória. A glória de Israel foi efêmera.
gens contra ela (Jr 49:23-27). Assim também seria com os restantes da Síria.
2. As cidades de Aroer. Na Síria não 4. Jacó. Clara referência a Efraim, o
se conhece nenhum distrito com este nome, reino do norte. As dez tribos seriam extintas .
embora houvesse uma cidade com o mesmo Portanto, esta mensagem deve ter sido trans-
nome no território israelita, ao leste do Jordão mitida antes de 723/722 a .C., data quando
(Nm 32:34; Dt 2:36; 3:12; Js 13:25; 2Sm o reino do norte chegou ao fim (ver vol. 2 ,
24:5). Provavelmente, para evitar essa apa- p. 69, 144).
rente dificuldade, ou talvez seguindo outro 5. O segador. A metáfora desta vez é a
texto hebraico, a LXX diz: "suas cidades de um segador que colhe "trigo" (ver com.

177
17: 6 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

de Lv 2:14) no campo. Da mesma forma, as vão buscaria proteção por meio de rituais
cidades de Israel seriam cortadas pelo cruel idólatras.
invasor assírio. Plantações formosas. Plantações como
No vale dos Refains. Este era o pedre- trigo, cevada ou diferentes tipos de vegetais
goso, porém fértil , "vale dos gigantes" ao sul ou flores, plantados em cestas e potes e que
de Jerusalém, na direção de Belém (ver com. germinavam rapidamente. Eram conside-
de Js 15:8). rados como símbolos do poder mágico dos
6. Rabiscos. Do heb. 'oleloth, o ato de deuses da fer tilidade. Embora fo ssem con-
"catar" uvas ou azeitonas, mas não o grão. sideradas poderosas, essas divindades não
A referência é à colheita das azeitonas, como possuíam força alguma e nada podiam fazer
~ 11> deixa claro o restante do versículo. A ideia por seus adoradores.
é mais uma vez a de um restante que esca- Mudas de fora. Literalmente, "bro-
pará da destruição geral , dessa vez em Israel. tos" ou "rebentos" de "[deuses] estranhos ou
Muito embora o juízo viesse, e a nação como "[deuses] ilícitos" (ver 8144:20; 81:9), talvez
um todo sofresse um golpe devastador, uns brotos usados de uma forma similar às "plan-
poucos restariam, como as azeitonas na tações formosas".
ponta dos ramos mais altos da árvore depois 11. A colheita. Não poderia haver
de terem sido violentamente sacudidos. Esse colheita abundante dessas plantas cujo cresci-
conceito de um restante aparece vez após vez mento era forçado . Como as plantas cresciam
em todo o livro de Isaías (ver Is 10:20-22; rapidamente, assim tamb ém se enfraque-
11 :11 , 16; 37:4, 32). O "restante" é sempre ciam rapidamente. A ideia parece ser de que
o grupo que sobrevive a um tempo de puni- o povo, tendo abandonado a Deus, sua força
ção divina sobre Judá por suas transgressões. real, buscaria em vão a força dos deuses da
Presume-se que o restante tenha aprendido fertilidade. Essas divindades n ão dariam
a obedecer e que permanecerá fiel a Deus. mais do que uma colheita de dor e decep-
7. Olhará o homem para o seu ção no dia do perigo e da derrota.
Criador. O juízo não seria em vão, pois 12. Grandes povos. O poder contra
faria com que o devoto e sincero dirigisse quem esse ai é pronunciado não é revelado.
os olhos a Deus. A importante mensagem Porém, era algum inimigo do povo de Deus
de Isaías ao povo era: "Eis aí está o vosso que viria contra ele como as águas de uma
Deus!" (Is 40:9). Pode ser necessário sofrer grande inundação, ameaçando destruí-lo por
amarga desilusão e desastre para que as pes- completo. Há uma profecia assim a respeito
soas desviem os olhos das coisas terrenas, da Assíria (Is 8:7, 8), que pode ser o poder
mas os juízos do Senhor finalmente fariam mencionado aqui .
com que desviassem o olhar dos ídolos e o 13. Deus as repreenderá. Embora
voltassem para o Criador. os exércitos assírios sob o com ando de
8. O que fizeram seus dedos. Isto é, Senaqueribe ameaçassem inundar por com-
os ídolos (ver Dt 4:28; Is 2:8; 31:7; 37:19; Os pleto a Judá, o Senhor interviria (ver Is
14:3; Mq 5:13). Os pagãos buscavam ajuda 37:36). Em vez de derrotar Israel, o inimigo
dos deuses que eles mesmos tinham feito. seria derrotado.
Os hebreus encontravam auxílio no D eus Como a palha dos montes. Os sím-
que era seu criador. bolos empregados aqui expressam bem a
10. Da Rocha. Deus é a real defesa de completa fraqueza e insignificância dos exér-
Seu povo (Sl 28:1; 31:2; 62:2; 71: 3; 89:26; citos assírios diante do poder de D eus. N um
95: 1). Ao abandonar ao Senhor, o povo em momento, avançariam como as impetuosas

178
ISAÍAS 18 :1

ondas de um mar poderoso, ameaçando des- 14. Antes que amanheça. A noite, que
truir a terra de Judá; e no outro, seriam como para Sião começou com escuridão e pavor,
palha lançada pelo vento. findou com vitória e regozijo (ver Is 37:22-36).
Tufão. Literalmente, "roda". Supõe-se Daqueles que nos despojam. D e
que se trata do cálice de um cardo (Gundelia acordo com os registros de Senaqueribe, ele
tournefortii) que, ao secar-se, toma a forma levou um grande despojo de Judá na sua pri-
de um a roda . meira invasão (ver vol. 2, p. 46).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

7, 8- PR, 320

CAPÍTULO 18
1 Deus cuida de Seu povo e destrói os etíopes. 7 O crescimento do povo de Deus.

l Ai da terra onde há o roçar de muitas asas orvalho no calor da sega.


de insetos, que está alé m dos rios da Etiópia ; 5 Porque antes da vindima, ca ída já a flor, e
2 que envia embaixadores por mar em navios quando as uvas amad urecem , então, podará os
de papiro sobre as águas, dizendo: Ide, mensa- sarmentos com a foice e cortará os ramos que
geiros velozes, a uma nação de homens altos e de se estendem.
pele brunida, a um povo terrível, de perto e de 6 Serão deixados juntos às aves dos montes
longe; a uma nação poderosa e esmagadora, cuja e aos an imais da terra; sobre eles veranearão as
terra os rios dividem. aves de rapina, e todos os a nimais da terra pas-
3 Vós, todos os habitantes do mundo, e vós, os sarão o inverno sobre eles.
moradores da terra, quando se arvorar a bandei- 7 Naquele tempo, será levado um presente ao
ra nos montes, olhai; e, quando se tocar a trom- SEN HOR dos Exércitos por um povo de homens
beta, esc utai. a ltos e de pele brun ida, povo terrível, de perto e
4 Porque assim me disse o SEN HOR: Olhando de longe; por uma nação poderosa e esmagadora,
da Minha morada, estarei ca lmo como o ardor cuja terra os rios dividem, ao lugar do nome do
q uieto do sol resplandecente, como a nuvem do SENHOR dos Exércitos, ao monte Sião.

1. Ai da terra onde há o roçar de A 25a d in astia comandou o Egito desde


muitas asas de insetos. Literalmente, cerca de 715 a 663 a. C. , quando o Egito
"a terra de grilos alados" ou "a terra de ventos foi governado por um a linhagem de reis
uivantes". O termo hebraico tsiltsal, "grilos", "etíopes" (na verdade, núbios ; ver vol. 2,
é traduzido como "gafanhoto" (Dt 28:42) e p. 35, 36). Tiraca, que es teve no trono desde
"címbalos" (2Sm 6: 5; SI 150:5 ). Aqui sere- cerca de 690 a 664 a.C., é o mesmo Tiraca
fere à Etiópia (ver com. de Gn 10: 6). Um (2 Rs 19:9), que Senaqueribe esperava en-
disco de sol com asas estendidas era um em- contrar quando marc hou contra a Judeia.
blema egípcio popular. Neste capítulo e no Qua ndo os "etíopes" ava nç aram desde onde
seguinte, a Etiópia e o Egito estão juntos. hoje é o Sudão e estenderam seu domínio

179
18:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

a todo o Egito, ameaçando os exércitos da controle das questões humanas (ver com.
Assíria, que estavam nessa época invadin- de Dn 4:17, 37). É Deus quem ordena a
do a Judeia, os israelitas, que costumavam marcha das nações. Em sentido figurado,
confiar em homens e cavalos em vez de é Ele quem levanta o estandarte sobre os
em Deus, buscaram o auxílio da Etiópia. cumes dos montes da Terra (ver Is 5:26),
O Senhor queria que Seu povo compreen- direcionando as nações sobre o que deve m
desse que sua única defesa estava nEle e ou não fazer.
não nas forças do Egito. Afinal, os egípcios 4. Estarei calmo. O v. 4 apresenta um
eram apenas homens e ímpios. Aquela era quadro claro de como o Sen hor faz valer
a ocasião de ter uma sentença pronunciada Sua vontade entre as nações (ver Ed, 173).
contra eles. Era melhor estar sob as asas do Seus olhos estão sobre tudo, e Sua mão
Todo-Poderoso (SI 17:8; 57:1 ; 91:4) do que es tá no controle. De form a e quilibrada,
sob as asas sussurrantes do Egito. Esse país decreta juízo ou bênçãos, tratando todos
podia parecer formidável, mas sua força fa- os povos segundo Sua infinita sab edoria
lharia quando Deus pronunciasse a senten- e justiça. Nada acontece sem seu conhe-
ça contra ele (ver com. de Is 19: 1). cimento; nenhum juízo cai sem Sua per-
2. Que envia embaixadores. Esses missão. Quando o grão está maduro para a
embaixadores podem ter sido enviados para colheita Ele envia seus ceifeiros para cum-
convidar Judá a se aliar aos egípcios contra prir a missão.
a Assíria. 5. Podará [... ] e cortará. A descrição
Por mar. Imagina-se que seja um a de Isaías da obra dos ceifeiros divinos con-
referência ao Nilo. Como ocorre no árabe tinua (ver Mt 13:39; Ap 14:14-20). A Terra
moderno, esta designação parece ser empre- é um vasto campo de colheita. Quando,
gada para gra ndes rios como o Nilo e o em infinita sabedoria, o Senhor vê que
Eufrates (ver Is 19:5; 21:1; Na 3:8). No Nilo, uma nação está pronta para a destruição,
usavam-s e navios feitos de papiro e junco. Ele envia seus ceifeiros para cortá-la (ver
Ide, mensageiros velozes. O hebraico Dn 4:13-15 ; 5:25-31).
da segunda parte do v. 2 é obscuro, e há 6. Deixados juntos às aves. Quando o
sugestões diferentes sobre como deveria ser Senhor conclui Sua obra e uma nação recebe
traduzido. Porém, Isaías parece advertir a o castigo, é como se os brotos e ramos tives-
Etiópia, ou o Egito, de que ao enviar embai- sem sido cortados, para ser dispersos sem
:§"' xadores aJudá os enviava a uma naç ão dis- cuidado e deixados aos animais da terra e
persa e aflita em resultado da guerra. As às aves do céu.
invasõ es assírias deva staram o país, des- 7. Será levado um presente. Ret rata-se
truindo-o como numa enchente (ve r Is 8:7, a nação destruída como uma oferta, ou "pre-
8) e deixando-o de solado e humilhado. sente", ao Senhor. A guerra traria sofri-
Os egípcios não ganhariam nada se aliando mento, desolação e dor. A nação de Judá
aJudá, e este último não teria a ajuda do seria ferida, dispersa, pisada e despojada por
Egito. seus inimigos, mas o resultado final seria
3. Todos os habitantes. Todos os uma nova naç ão que reconheceria e servi-
povos devem saber qu e o Senhor está no ria ao Senhor.

180
ISAÍAS 19:1

CAPÍTULO 19
1 A confusão do Egito. 11 A tolice de seus príncipes. 18 O convite para o Egito
se unir ao povo de Deus. 23 O pacto entre Egito, Assíria e Israel .

l Sentença contra o Egito. Eis que o SENHOR, errar o Egito os que são a pedra de esquina das
cavalgando uma nuvem ligeira, vem ao Egito; os suas tribos.
ídolos do Egito estremecerão diante dEle, e o 14 O SEN HOR derramou no coração deles
coração dos egípcios se derreterá dentro deles. um espírito estontea nte; eles fizeram estontear
2 Porque farei com que egípcios se levantem o Egito em toda a sua obra , como o bêbado quan-
contra egípcios, e cada um pelejará contra o seu do cambaleia no seu vômito.
irmão e cada um contra seu próximo; cidade con- 15 N ão aproveitará ao Egito obra alguma que
tra cidade, reino contra reino. possa ser feita pela cabeça ou cauda, pela palma
3 O espírito dos egípcios se esvaecerá dentro ou junco.
deles, e anularei o seu conselho; eles consulta- 16 Naquele dia, os egípcios serão como mu-
rão os seus ídolos, e encantadores, e necroman- lheres; tremerão e temerão ao levantar-se da mão
tes, e feiticeiros. do SENHOR dos Exércitos, que Ele agitará con-
4 Entregarei os egípcios nas mãos de um tra eles.
senhor duro, e um rei fero z os dominará, diz o 17 A terra de Judá será espanto para o Egito ;
Senhor, o SEN HOR dos Exércitos. todo aquele que dela se lembrar encher-se-á de
5 Secarão as águas do Nilo, e o rio se torna- pavor por causa do propósito do SENHOR dos
rá seco e árido. Exércitos, do que determinou contra eles.
6 O s canais exalarão mau cheiro, e os braços 18 Naquele dia , haverá cinco cidades na terra
do Ni lo dimi nuirão e se esgotarão; as canas e os do Egito que fa larão a língua de Canaã e farão
juncos se murcharão. juramento ao SENHOR dos Exércitos; uma delas
7 A relva que está junto ao N ilo, junto às se chamará Cidade do Sol.
suas ribanceiras, e tudo o que foi semeado junto 19 Naquele dia, o SENHOR terá um a ltar no
dele se secarão, serão levados pelo vento e não meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá
subsistirão. ao SENHOR na sua fronteira.
8 Os pescadores gemerão, suspirarão todos os 20 Servirá de sinal e de testemunho ao
que lançam anzol ao rio, e os que estendem rede SENHOR dos Exércitos na terra do Egito; ao
sobre as ág uas desfalecerão. SENHOR clamarão por causa dos opressores, e
9 Consternar-se-ão os gue trabalha m em Ele lhes enviará um sa lvador e defensor que os
linho fin o e os gue tecem pano de algodão. há de livrar.
lO Os seus grandes serão esmagados, e todos 21 O SENHOR Se dará a conhecer ao Egito,
~ 11> os jornaleiros andarão de alma entristecida. e os egípcios conhecerão o SENHOR naquele
ll Na verdade, são néscios os príncipes de dia; sim , eles O adorarão com sacrifícios e ofer-
Zoã; os sábios conselheiros de Faraó dão conse- tas de manjares, e farão votos ao SENHOR , e os
lhos estúpidos; como, pois, direis a Faraó: Sou cumprirão .
filho de sábios, filho de antigos reis? 22 Ferirá o SENHOR os egípcios , ferirá, mas
12 Onde estão agora os te us sábios? os curará; converter-se-ão ao SENHOR, e Ele lhes
Anunciem-te agora ou informem-te do qu e o atenderá as orações e os curará.
SEN HOR dos Exércitos determinou contra o Egito. 23 N aquele dia , haverá estrada do Egito até
13 Loucos se tornaram os príncipes de Zoã, à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios,
enga nados estão os príncipes de Mênfis ; fazem à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios.

181
19:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

24 Naquele dia, Israel será o terceiro com os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, Meu
egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra; povo, e a Assíria, obra de Minhas mãos , e Israel,
25 porque o SENHOR dos Exércitos os Minha herança.

1. Sentença contra o Egito. Sobre a 3. Anularei o seu conselho. Ao con-


palavra "sentença", ver com. deIs 13:1. Este fundir os egípcios, o Senhor os humilhou. <e §
capítulo pode ser considerado como uma con- Eles buscaram seus ídolos por direção e
tinuação do 18, pois nessa época a Etiópia sabedoria, mas o resultado foi ap enas mais
(Núbia) e o Egito eram um, sendo que o confusão e tolice, que apressou a ruína
Egito era governado por vários reis etíopes da nação.
(ver com. de Is 18:1). Contudo, a descrição 4. Um senhor duro. Estas pal av ras
tem um contraste marcante com a apresen- não se referem necessariamente a um único
tada no cap. 18. No cap. 19, Deus é descrito governante, pois foram muitos os reis duros e
cavalgando "uma nuvem ligeira", trazendo cruéis. Elas podem se referir à Assíria como
juízo sobre essa terra infeliz. Num sentido nação em vez de a um único rei; e, mais
figurado, até os deuses do Egito estremece- tarde, ao domínio babilônico, persa, mace-
riam diante do Deus dos céus. dônico, romano, árabe ou britânico sobre a
2. Egípcios se levantem contra. Esta terra do Egito. No seu orgulho e esplendor,
é uma descrição exata do tipo de desastre os egípcios tinham recusado por completo o
que com frequência significava derrota para conselho do Senhor, que então permitiu que
os egípcios. Se os egípcios tivessem permane- caíssem nas mãos de tiranos.
cido unidos, nenhuma nação da Antiguidade 5. O rio. Provavelmente o Nilo (ver
poderia derrotá-los. Ao sul eram protegidos com. de Is 18:2). O Egito dependia do Nilo.
pelas cataratas do Nilo, ao leste e oeste, pelas Sempre que o nível do rio estava baixo demais
areias do deserto, e, ao norte, pelo mar. Suas para fluir aos canais de irrigação, ocorria um
defesas naturais eram ideais. No entanto, os desas tre econômico (ver com. de Gn 41:34).
egípcios provaram ser seus piores inimigos. O nível baixo do Nilo deixava todo o sistema
A inquietação interna e as dissensões resul- de irrigação completamente seco.
taram em fraqueza e ruína. Quando egípcios 6. Os rios apodrecerão (ARC). Pro-
se voltavam contra egípcios, como faziam vavelmente, o complexo do Delta do Nilo e
com frequência; quando em várias partes do os canais de irrigação.
país, reis locais se levantavam e buscavam Os braços do Nilo. Literalmente, "rios
assegurar a supremacia sobre seus vizinhos, o do Egito". A palavra usada para "braços" é
resultado era no mínimo anarquia e caos e, às ye'or (ver com. de Gn 41:1 ).
vezes, conquista por um inimigo estrangeiro. 7. Secarão. O Egito exis tia graças ao
Mais tarde, os governantes egípcios contrata- Nilo (ver com. de Gn 41:34). Heródoto decla-
ram mercenários estrangeiros para protegê- rou que o Egito era o "presente do Nilo".
los de outros egípcios e , como resultado Quando o Nilo estava baixo, a plantação ao
disso, os gregos começaram a ter considerá- longo das margens murchava (v. 6) e seca-
vel influência sobre os egípcios. Finalmente, vam as colheitas semeadas ao lado do rio e
em 525 a.C., Cambises, da Pérsia, marchou de seus canais de irrigação.
contra o Egito e foi coroado o primeiro faraó 8. Os pescadores. A pesca era uma
da 27" dinastia. Os dias de glória e indepen- das importantes ocupações do Egito. Com
dência egípcias chegaram ao fim. o nível baixo de água, o suprimento de peixe

182
ISAÍAS 19 :18

seria restrito, e os egípcios seriam privados 13. Os príncipes de Mênfis. Ver


de um importante item da alimentação. Jr 46:19; Ez 30:13, em que o Senhor decreta
9. Linho fino. A produção de linho juízo contra esta capital egípcia e seus ídolos.
também era uma ocupação importante no Esta era um a das principais cidades reais do
Egito. Aqui se descreve a falência da indús- baixo Egito, e foi o primeiro ponto de ataque
tria de linho, mas, possivelmente, a referên- quando os assírios invadiram o país.
cia seja, de forma figurada, à falência de toda 14. Espírito estonteante. Literalmente,
a indústria. "um espírito oscilante", isto é, de incerteza,
Pano de algodão. Literalmente, "[gêne- não de sabedoria. Toda a verdadeira sabedo-
ros] brancos", indicando talvez "algodão ria procede de Deus. O s líderes do Egito se
branco" (ver com. de Et 1: 6; comparar com o tornaram tolos e se encontravam num es tado
uso da palavra "púrpura" para indicar "estofas de completa confusão. Sua perversidade e
de púrpura"; ver com. de Et 1:6; cf. At 16:14). confusão não procediam de Deus , mas da
10. Seus grandes. A mesma palavra é recusa em andar nos caminhos divinos .
traduzida como "fundame ntos" (Slll: 3). Se Em sua insegurança e vacil aç ão, eles se <~~ §
esse for o sentido aqui, a ideia é de que os tra nsforma ram em ébrios cambaleantes, dig-
"fundamentos" da vida e da indústria egíp- nos de pena.
cias seriam esmagados, significando que "as 15. Cabeça ou cauda. Isto é, toda
colunas da terra [Egito] serão despedaçadas" clas se de pessoas, líderes orgulhosos e pobres
(TB). Todas as classes sofreri am com a fome humildes . N a confusão e angústia, n ada
severa. A cena é a de um juízo severo, que podiam fazer.
cairia sobre todos. 16. Serão como mulheres. Descreve-se
Todos os jornaleiros. A tradução da um estado de terror e desespero, de fraqueza
KJV ("os que fazem aç udes") baseia-se nos e pâni co. A varonilidade do Egito desapa-
Targuns e na Vulgata. A leitura literal do receria, e os homens seriam tão temerosos
texto hebraico consonantal (vervol. 1, p. 1, 2) como as mulheres.
é "todos os trabalhadores contratados enfren- 17. Espanto para o Egito. Judá era uma
tarão problemas". das nações mais fracas do antigo Oriente, e
11. Os príncipes de Zoã. O s gregos o Egito uma das mais fortes. Mas, quando o
chamavam Zoã de Tânis. A cidade foi fun- Senhor mandas se juízos sobre o Egito, sua
dada sete anos depois de Hebrom (Nm 13:22). autoconfiança se perderia. O Egito rejeitou o
Estava situada no Delta, num dos braços conselho do Senhor e, fin almente, seu povo
orientais do Nilo. Esta cidade se tornou ficaria atemorizado diante daqueles que O
a capital de Ram sés li, no século 13 a.C . honravam e serviam. O s acontecime ntos
U m século depois de Isaías, o profeta seriam tais que os ímpios reconheceri am a
Ezequiel pronunciou um severo juízo sobre mão de Deus estendida contra eles .
a cidade (Ez 30:14). 18. Naquele dia. Isto é, quando o Egito
12. Determinou. Enquanto os idólatras compreender a tolice e a futilid ade de se opor
conselheiros do fa raó planejava m e prediziam à vontade de Deus (v. 17; comparar com a
grandes coisas para o Egito, Isaías revelava mesma expressão em Is 2:11 , 17; 4:2; 26: 1;
a intenção do Senhor de humilhar o país. 29: 18; 52:6; Jl 3: 18; Zc 2:11 ; 9:1 6; 12:8; 13:1 ;
Se os famosos magos do Egito tivessem sido 14:4, 9; Ml 3:17). "Naquele dia" parece ser
sábios, teriam buscado cumpri r a vontade do um a expressão típica dos profetas acerca do
Se nhor, acon selhando a nação a seguir Seus tempo quando Deus Se revelar às nações e
ca minhos (ver Is 47:13 -15 ). estabelecer seu reino messiânico. O res tante

183
19:19 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

de Isaías 19 (v. 18-25) é uma profecia con- outro em Leontópolis, no Delta, próximo a
dicional do tempo quando, de acordo com o Mênfis, construído em resposta ao pedido de
plano original de Deus para a evangelização Onias a Ptolomeu Filometor e Cleópatra por
do mundo (ver p. 16, 21), os egípcios reco- volta de 150 a.C. Porém , é muito improvável
nhecerem o verdadeiro Deus e O servirem que este versículo se refi ra a um desses tem-
como o povo hebreu fazia (ver v. 25). plos. A profecia dos v. 18 a 25 é es tritamente
Cinco cidades. Poderiam ser cinco condicional (ver com. do v. 18). Os egípcios
cidades específicas, cujos nomes não estão nunca jurara m lealdade ao verdadeiro Deus
aqui (sugeriu-se H eliópolis, Leontópolis, (v. 18) e nunca se tornaram Seu povo (v. 25).
Elefantina, Dafne e Mênfis), ou poderia ser Esta predição jamais se cumpriu, em parte,
simplesmente um número simbólico. Dentre porque Israel foi infiel à sagrada missão
os egípcios pagãos, que por muito tempo que lhe foi confiada (ver p. 17-2 1). Se Israel
rejeitaram a mensagem da graça divina , mui- tivesse sido leal, povos de todas as nações,
tos se voltariam para o Senhor e aprenderiam incluindo o Egito, teriam se voltado para o
a "língua" e os costumes do povo de Deus Senhor (ver Zc 14: 16-19). Centros de adora-
(ver p. 16). Em Sofonias 3:8 a lO , há uma ção ao verdadeiro Deus teriam substituído
descrição similar (ver também Zc 14:16-19). aqueles nos quais deuses pagãos eram ado-
Juramento. Isto é, fa riam um voto de rados. O profeta previu um tempo quando
lealdade ao Senhor, reconhecendo o verda- o mundo se voltaria para o Senhor e O ser-
deiro Deus. viria. Contudo, como res ultado do fracasso
Cidade do Sol. Do heb. 'ir haheres, lite- de Israel, essa profecia condicional não pôde
ralmente, "a cidade da destruição". Quinze se cumprir. Mas, na Te rra renovada , toda s
manuscritos hebraicos, o rolo do Mar Morto as nações dos salvos adorarão ao Senhor
1Qis'\ a versão de Símaco da LXX, a Vulgata (Is 11:9; 45:22, 23; Dn 7:27) .
e o árabe trazem 'ir hacheres, ou o seu equi- 20. Ele lhes enviará um salvador.
valente, "a cidade do sol". O nome da cidade A profecia condicional continua (ver com.
egípcia de Heliópolis significa "cidade do do v. 18).
sol". Heliópolis é o nome grego da cidade de Que os há de livrar. Do heb. rab, de
Om, mencionada em Gênesis 41:45 e 50 . onde vem a palavra rabi, que significa "meu
Estava situada próximo ao declive oriental grandioso". O rolo 1Qis" do Mar Morto diz
do Nilo, cerca de 30 km ao norte de Mênfis yrd, que pode ser tanto do te rmo radah,
(Nofe; ver Is 19:13, ACF), e quase ao oeste "governar", "dominar"; ou do yarad, "descen-
do limite norte do golfo de Suez. Jeremias der", "descer". No primeiro caso, a última
se refere à cidade como Bete-Semes, palavra parte do v. 20 seria "ele governará e os liber-
hebraica para "casa do sol " (Jr 43: 13). Esta tará"; e no último, "ele descerá e os livrará",
cidade era o centro da adoração ao Sol. Se 'ir que é o mais provável.
hacheres estiver correto, Isaías está comen- 21. Conhecerão o SENHOR. "Naquele
tando o fato de que, das "cinco cidades" que dia" (v. 18). As bênçãos do evangelho não
"farão juramento ao SENHOR dos Exércitos", seriam possessão exclusiva de Israel (ver
uma seria a Cidade do Sol, centro egípcio p. 15-17).
de culto ao Sol. 22. Ferirá, mas os curará. A mensa-
19. O SENHOR terá um altar. Dois gem de Isaías para o Egito começou com
templos hebreus foram erigidos mais tarde uma profecia de juízo e destruiç ão (v. 1-17).
no Egito: um em Elefantina, construído O Senhor, porém, é Deus de misericórdia.
antes de 525 a.C. e destruído em 410; e o Ele fere para depois curar. O objetivo de

184
ISAÍAS 20:1

Deus ao enviar juízos não é destruir, mas 25. Egito, Meu povo. Os israelitas che-
restaurar, para o Egito, bem como para Judá. garam a se considerar o povo exclusivo do
23. Do Egito até à Assíria. Isaías pre- Senhor. Eles se esqueceram de que E le é
disse o dia quando o Egito e a Assíria adora- o Deus de toda a Terra e que deseja que
riam ao Senhor (ver com. do v. 18). As nações todas as nações sejam sa\vas. Isaías mos-
viveriam juntas em paz e irmandade, com tra ao povo de Israel sua~ oportunidades e
júbilo em servir ao Senhor. Esta profecia terá responsabilidades . O temp0 viria quando a
seu cumprimento na Terra renovada, quando Assíria pagã, bem como o Egito, conhece-
todos O conhecerão "desde o menor até ao riam a D eus . Oseias teve uma visão seme-
maior deles" (Jr 31: 34; cf. Is 11:16; 35:8). lhante (Os l:lO).

CAPÍTULO 20
Símbolo prefigurao cativeiro do Egito e da Etiópia.

I No ano em que Tartã, enviado por Sargão, 4 assim o rei da Assíria levará os presos do
rei da Assíria, veio a Asdode, e a guerreou, e a Egito e os exilados da Etiópia, tanto moços como
tomou , velhos, despidos e descalços e com as nádegas
2 nesse mesmo tempo, falou o SENHOR por in- descobertas, para vergonha do Egito.
termédio de Isaías, filho de Amoz, dizendo: Vai, 5 Então, se assombrarão os israelitas e se en-
solta de teus lombos o pano grosseiro de profe- vergonharão por causa dos etíopes, sua esperan-
ta e tira dos pés o calçado. Assim ele o fez, indo ça, e dos egípcios, sua glória.
despido e descalço. 6 Os moradores desta região dirão n_a que-
3 Então, disse o SENHOR: Assim como Isaías, le dia: Vede, foi isto que aconteceu àqueles em
Meu servo, andou três anos despido e descal- quem esperávamos e a quem fugimos por socor-
ço, por sinal e prodígio contra o Egito e contra ro, para livrar-nos do rei da Assíria! Como, pois,
a Etiópia, escaparemos nós?

I. Tartã. Literalmente, "comandante", contra a Assíria. Enviaram um pedido a


sendo tartã o título do comandante-em-chefe "Pir'u [faraó?], rei de Musru [Egito?], para
dos exércitos assírios, não seu nome pessoal. que fosse aliado deles, mas [que era] incapaz
Nos anais do 11 o ano de Sargão (711 a.C.), de salvá-los". Quando Sargão atacou Asdode,
registra-se que Azuri, rei de Asdode, se rebe- o usurpador grego fugiu "para o território
lou contra a Assíria e que Sargão imedia- de Musru, que pertence à Etiópia", e um
tamente enviou um exército, depôs Azuri, assírio foi feito governador. O rei da Etiópia
e colocou seu irmão mais novo, Aimiti, no estava atemorizado com o avanço de Sargão
trono de Asdode. Contudo, os asdoditas se e, rapidamente, tomou medidas para fazer
recusaram a aceitar o rei que da Assíria lhes paz com a Assíria: prendeu o grego e o enviou · ~
impôs, e em lugar dele colocaram um aventu- à Assíria.
reiro grego no trono. De acordo com os anais Sargão. Por muitos anos , a única referên-
de Sargão, outras cidades filisteias, com cia disponível a esse importante rei assírio foi
Judá, Edom e Moabe, se juntaram na batalha esta declaração. Antes, céticos contestavam a

185
20:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

exatidão histórica deste texto, mas durante as período de três anos, para recordar ao povo
escavações em Khorsabad, nos anos de 1843 a humilhação que viria do Egito.
a 1845, Paul-Émile Botta descobriu o palácio 4. Levará os presos do Egito. Sargão
de Sargão, junto com suas famosas inscrições não deixou registros de uma invasão ao Egito,
que falam da história deste importante rei. mas, se "Musru", para onde o usurpador grego
2. Solta de teus lombos o pano gros- fugiu, era o Egito (ver com. do v. 1), é prová-
seiro. Em geral se usavam panos de saco vel que muitos egípcios que fizeram parte do
em sinal de luto, e soltá-lo era, portanto, um movimento contra a Assíria tenham sido do
sinal de alegria (SI 30:11). Mas, neste caso, mesmo modo enviados à Assíria em humi-
o pano de saco parece ter sido a veste dis- lhação, como retratado aqui. No entanto, nos
tintiva de Isaías, como as vestes de pelos de reinados de Esar-Hadom (681-699 a.C.) e
camelo de João Batista (Mt 3:4) e o cinto de de Assurbanípal (669-627?), o Egito foi, em
couro e pelos de Elias (2Rs 1:8). várias ocasiões, invadido pelos exércitos assí-
Despido. Ver com. de 1Sm 19:24. A pala- rios, e muitos cativos, mesmo da linhagem
vra 'aram, "despido", tanto pode significar real, foram levados à Assíria.
completamente nu ou parcialmente vestido. 6. Ilha (ARC). Do h eb. 'i, "ilha", ou,
Neste caso (como em Is 58:7; Ez 18:7, 16; Mq como neste caso, "costa". Os povos de toda
1:8), aponta-se o último significado. Isaías a costa da Pale stina, incluindo Filístia e
deixou de lado sua veste exterior e usou ape- Fenícia, e talvez Chipre, fizeram parte da
nas as vestes interiores, uma prática comum revolta contra os assírios, mas foram dura-
no Oriente até hoje, principalmente entre os mente dominados. Eles descobriram, para
trabalhadores. O ato seria sinal de humilha- sua tristeza, que nem com a ajuda do Egito e
ção, privação e vergonha. da Etiópia poderiam resistir ao poder assírio.
3. Três anos. Não está claro se Isaías Fugimos. O rolo 1Qisa do Mar Morto diz
se vestiu continuamente assim por três anos "confiamos [no apoio]". De qualquer forma,
ou apenas em vários intervalos durante um o significado será o mesmo.

CAPÍTULO 21
1 O profeta lamenta o cativeiro do povo e tem uma visão da queda de Babilônia pelas
mãos dos medos e persas. 11 Edom despreza o profeta e é advertido
a se arrepender. 13 O tempo da calamidade da Arábia.

Sentença contra o deserto do mar. Como 4 O meu coração cambaleia, o horror me apa-
os tufões vêm do Sul, ele virá do deserto, da hor- vora; a noite que eu desejava se me tornou em
rível terra. tremores.
2 Dura visão me foi anunciada: o pérfido pro- 5 Põe- se a mesa, estendem-se tapetes,
cede perfidamente, e o destruidor anda destruindo. come-se e bebe-se. Levantai-vos, príncipes, untai
Sobe, ó Elão, sitia, ó Média; já fiz cessar todo gemer. o escudo.
3 Pelo que os meus lombos estão cheios de 6 Pois assim me di sse o Senhor: Vai, põe o
angústias; dores se apoderaram de mim como as atalaia, e ele que diga o que vir.
de parturiente; contorço-me de dores e não posso 7 Quando vir uma tropa de cavaleiros de
ouvi r, desfaleço -me e não posso ver. dois a dois, um a tropa de jumentos e uma tropa

186
ISAÍAS 21:7

de camelos, ele que escute diligentemente com 12 Respondeu o guarda: Vem a manhã, e tam-
grande atenção. bém a noite; se quereis perguntar, perguntai; vol-
8 Então, o atalaia gritou como um leão: tai, vinde.
~ ~<- Senhor, sobre a torre de vigia estou em pé con- 13 Sentença contra a Arábia. Nos bosques da
tinuamente durante o dia e de guarda me ponho Arábia, passareis a noite, ó caravanas de dedanitas.
noites inteiras. 14 Traga-se água ao encontro dos seden-
9 Eis agora vem uma tropa de homens, ca- tos; ó moradores da terra de Tema, levai pão aos
valeiros de dois a dois. Então, ergueu ele a voz e fugitivos.
disse: Caiu, caiu Babilônia; e todas as imagens 15 Porque fogem de diante das espadas, de
de escultura dos seus deuses jazem despedaça- diante da espada nua, de diante do arco armado
das por terra. e de diante do furor da guerra.
lO Oh! Povo meu, debulhado e batido como 16 Porque assim me disse o Senhor: Dentro
o trigo da minha eira! O que ouvi do SENHOR de um ano, tal como o de jornaleiro, toda a gló-
dos Exércitos, Deus de Israel, isso vos anunciei. ria de Quedar desaparecerá.
ll Sentença contra Dumá. Gritam-me de 17 E o restante do número dos flecheiros, os
Seir: Guarda, a que hora estamos da noite? valentes dos filhos de Quedar, será diminuto,
Guarda, a que horas? porque assim o disse o SENHOR, Deus de Israel.

1. Sentença. Ver com. de Is 13:1. 4. O meu coração cambaleia. Isto é,


O deserto do mar. A nação contra a "minha mente está confusa".
qual se dirige esta mensagem solene, embora A noite que eu desejava. O temor do
o título não contenha seu nome, é eviden- profeta reflete o de Belsazar e dos babilônios
temente Babilônia (ver v. 2, 9; PR, 531; cf. na noite do banquete (ver v. 5), a qual Isaías
v. 4). A LXX omite "do mar". Isaías parece previu nessa "dura visão" (v. 2; ver PR, 531).
comparar a vasta imensidão do deserto com 5. Põe-se a mesa. Ver Dn 5:1-4; Jr 51:39.
o mar. Alguns traduzem esta expressão como Uma festividade desenfreada marcou a noite
"deserto arenoso". da queda de Babilônia nas mãos dos exérci-
Ele virá. Não está claro se o que vem é a tos da Média e da Pérsia.
"sentença" ou a invasão medo-persa a Babilônia Estendem-se tapetes. Do heb. safoh
(ver v. 2). O último parece mais provável, pois o hatsafith, literalmente, "ordene [os ass en-
v. 2 diz que os elamitas e médios devem subir tos]", isto é, arrumem os tapetes ou sofás nos
e sitiar. Neste caso, essa invasão é comparada quais os convidados se re clinariam durante
a um tufão que vem do sul (do heb. negeb; ver o banquete.
com. de Gn 12:9), e a terra da Média seria a 6. Põe o atalaia. Primeiramente, mos-
"horrível terra" à qual Isaías se refere. trou-se a Isaías a aproximação do exército
2. Dura visão. O profeta tem uma visão elamita e médio (v. 2), depois, os festivos
dura e terrível de um poder saqueador, trai- babilônios (v. 4, 5) e, então, a entrada das
dor, violento e destruidor. Esse era Babilônia forças invasoras na cidade (v. 6-9) . O pro-
(ver Is 14:4, 6), "o opressor". Elão e Média feta se identifica como um atalaia nos muros
foram chamados a subir contra ela para pôr de Babilônia antes de sua queda, e como tal
um fim ao gemido e miséria que causava. relata o que vê.
3. Desfaleço-me. A cena de destruição 7. Uma tropa de cavaleiros de dois a
apresentada ao profeta é tão horrível que ele dois. Provavelmente, "cavaleiros a par" (ARC).
fica completamente desfalecido. Isaías vê o inimigo avançando para o ataque.

187
21:8 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

8. Um leão. Do heb. 'aryeh. O rolo 1Qis" 12. Vem a manhã. A resposta do atalaia
do Mar Morto diz hr'h (ha'roeh), "o que vê". é misteriosa e prevê coisas ruins. Ele não dá
A declaração seria: "o que vê [isto é, o 'ata- uma resposta definitiva, simplesmente diz que,
laia' do v. 6] gritou". O que diz o rolo do Mar embora a manhã possa vir, haverá noite outra
Morto l Qls" se harmoniza melhor com o vez. Há pouca luz ou esperança no porvir.
contexto. As horas adiante são escuras, lúgubres e incer-
9. Ergueu ele a voz e disse. O ata- tas. Assim seria o futuro de Edom: ser pisado
laia ainda está falando . Ele não responde a sob os pés por uma sucessão de conquistado-
alguém que se dirigiu a ele. De acordo com res e, finalmente, reduzido à completa desola-
o emprego da expressão hebraica, uma pes- ção. O atalaia de Deus sobre os muros de Sião
soa pode falar em resposta a uma situação , hoje deve estar pronto para responder àque-
ou, como aqui, expressar sua reação ao que les que perguntam que hora é da longa noite
observa (ver Mt 11:25; 17:4, 17; ver com. de da Terra, e para quando se pode aguardar o
!;? 11- Jó 3:2). alvorecer do dia eterno (ver CC, 632).
Caiu Babilônia. Este é o clímax da cena Se quereis perguntar. Estas palavras
que o profeta relata (ver com. do v. 6). Os ído- pressupõem uma expectativa de saber o sig-
los de Babilônia fora m humilhados até o pó; nificado da resposta do atalaia. Ele não lhes
eles não conseguiram proteger a orgulhosa deu uma resposta definitiva, e permanece-
cidade (Jr 50:2; 51:17, 18, 47, 52; cf. Is 47:13- ram na escuridão. Poderiam perguntar outra
15; comparar com Jr 51:8; Ap 14:8; 18:2). vez, se desejassem , mas não haveria certeza
10. Debulhado. O texto diz, literal- de que uma segunda pergunta obteria res-
mente, "pisado meu, filho da minha eira". Na posta mais satisfatória do que a primeira.
Bíblia, com frequência, o juízo é comparado 13. Sentença contra a Arábia. Ver
a uma colheita (ver Is 41:15; Jr 51:33; Am 1:3; com. deIs 13:1. Esta é outra profecia difícil
Mq 4: 13; Hc 3:12; Mt 13:39; Ap 14:14-20). de se compreender. Caravanas de dedanitas
11. Sentença contra Dumá. Ver com. de passariam a noite no deserto Árabe. Parece
Is l3: l. A LXX diz "Edom" em vez de "Dumá". que os dedanitas habitavam as proximida-
Dumá era um dos descendentes de Ismael des de Tema, ao sul de Dumá e sudeste de
(Gn 25:14; 1Cr 1:30). Visto que a profecia Edom (ver Jr 49:7, 8). Dedã era famosa por
menciona o monte Seir, alguns situam Dumá seu comércio (Ez 27: 15, 20). Em Jeremias
em Edom, mas não se conhece nenhuma 25:23 e 24, se mencionam tanto Dedã como
cidade edomita com este nome. Por isso, Tema em relação com "os reis da Arábia" e
alguns consideram Dumá como um nome o "misto de gente que habita no deserto".
simbólico para Edom. Porém, havia uma Jeremias e Ezequiel também tinham men-
Dumá no deserto Árabe, a leste de Edom , sagens de destruição para Dedã (Jr 49:8; Ez
a qual podia estar ligada aos ismaelitas. 25:13). Dedã foi identificada com o oásis de
Guarda. Ver com. do v. 6. el-'Ula , no norte de Hejaz.
A que hora estamos da noite? Literal- 14. Traga-se água. As palavras indicam
mente, "o que da noite?", talvez significando o pedido dos dedan itas (v. 13), que foram for-
"que hora é da noite?" (ver T6, 407). Alguns çados a fugir do inimigo sem provisões. Seus
em Edom perguntam com urgência e insis- vizinhos, os temanitas, foram chamados a se
tência ao profeta quais são as novas. A hora compadecer de sua sede e fome.
é de escuridão e perigo, e eles estão ansiosos Ao encontro. Literalmente, "encontrar".
para saber quando a man hã virá, trazendo Terra de Tema. Tema e Dumá são alis-
alívio da ansiedade e do medo. tadas como descendentes de Ismael (ver

188
ISAÍAS 21:17

Gn 25:13 -15 ; ICr 1:29, 30). Tema está situada dentro de um ano sobre toda a região desé r-
no deserto Árabe, 264 km a sudoeste de tica do norte da Arábia. Tiglate-Pileser III
Dumá, e 480 km a leste da ponta da penín- declara que impôs duro castigo sobre Samsi,
sula do Sinai. uma rainha árabe. Afirma ter matado 1,1
16. Um ano. O rolo IQi sa do Mar Morto mil de seu povo e tomado 30 mil camelos e
traz "três anos". • 20 mil cabeças de gado. Da mesma forma,
Tal como o de jornaleiro. Ver com. de Sargão declara ter recebido tributo de uma
Is 16:14. Um jornaleiro trabalharia apenas o rainha árabe na forma de pó de ouro, mar-
tempo pelo qual foi contratado. O sign ificado fim, cavalos e ca melos , e declara ta mbém
é que a queda de Quedar não seria adiada. ter dom inado outras tribos árabes que nunca
Dentro de um ano, o juízo certamente cairia. tinham pagado tributo. Contudo, não se sabe
Quedar. Quedar é alistada como uma o ano exato em que isso ocorreu.
tribo ismaelita, como também Dumá e Tema 17. Restante . Do h eb. she'ar, "rema-
(ver Gn 25:13-15 ). Mas, em outra parte, nescente" (ver Is 10:20, 21, 22; 11:11 , 16;
Quedar parece ser um ter mo geral para 14:22; 16:14; 17: 3). Sargão declara que , ao
designar povos nômades do deserto Árabe derrotar as tribos árabes de Tamud, Ibadidi,
~ · (SI 120:5; Ct 1:5; cf. Is 42:11 ; 60:7; Jr 2: 10). Marsimanu e H aiapa, deportou os resta ntes
Isaías proclama um longo juízo que cairia e os estabeleceu em Samaria.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

4- PR, 531 T6, 431 12- Ev, 218; T2, 194; T4,
11 - Ev, 144; T4, 592; 11 , 12- GC, 632; TM, 231; 592;T6, 26
T I, 430; T6, 407

CAPÍTULO 22
1 O profeta lamenta a invasão de ]udá pelos persas. 8 Ele reprova a sabedoria humana
e a alegria mundana. 15 Profetiza a destruição de Sebna 20 e sua substituição
por Eliaquim, que prefigurao reinado do Messias.

I Sentença contra o vale da Visão. Q ue tens da ruína da fi lha do meu povo.


agora, que todo o teu povo sobe aos telhados? 5 Porque dia de a lvoroço, de atropelamento
2 Tu, cidade que estavas cheia de aclama- e confu são é este da parte do Senhor, o SENHOR
ções, cidade estrepitosa, cidade a legre i Os teus dos Exércitos, no vale da Visão: um derriba r de
mortos não foram mortos à espada, nem morre- muros e clamor que vai até aos montes.
ram na guerra. 6 Porque E lão tomou a aljava e vem com car-
3 Todos os teus prínc ipes fogem à uma e são ros e cavaleiros; e Quir descobre os escudos .
presos sem que se use o arco; todos os teus que 7 Os teu s mais formosos vales se enchem
for am encontrados fora m presos, sem embargo de ca rros, e os cavaleiros se põem em ordem às
de já estarem longe na fuga. portas.
4 Portanto, digo: desviai de mim a vis ta e 8 Tira-se a proteção de Judá. Naquele dia,
chorarei amargamente; não insistais por causa olharás para as armas da Casa do Bosque.

189
22:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

9 Notareis as brechas da C idade de Davi , 17 Eis que como homem forte o SENHOR te <11 ~
por serem muitas, e aj untareis as ág uas do açude arrojará violentamente; agarrar-te-á com firm eza,
inferior. 18 enrolar-te-á num invólucro e te fará rolar
lO Também contareis as casas de Jerusalém e como uma bola para terra espaçosa; ali morrerás,
delas derribareis, para fortalecer os muros. e ali acabarão os carros da tua glóri a, ó tu, vergo-
11 Fareis também um reservatório entre os nha ela casa do teu senhor.
dois muros para as águas do açude velho, mas 19 Eu te lançarei fora do teu posto, e serás
não cogitais de olhar para cima, para aquele que derribado da tua posição.
suscitou essas calamidades, nem considerais na- 20 Naquele dia, chamarei a l\lleu servo
quele que há muito as formou . Eliaquim , filho de Hilquias ,
12 O Senhor, o SENHOR dos Exércitos, vos 21 vesti- lo-ei da tua túnica, cingi-lo-ei com a
convida naquele dia para chorar, prantear, rapar tua faixa e lhe entrega rei nas mãos o teu poder, e
a cabeça e cingir o cilício. ele será como pai para os moradores de Jerusalém
13 Porém é só gozo e alegria que se veem; e para a casa de Jud á.
matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se 22 Porei sobre o seu ombro a chave ela casa
carne, be be-se vinho e se diz: Comamos e be- de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará,
bamos, que amanhã morreremos. e ninguém abrirá.
14 l\llas o SENHOR dos Exércitos Se decla- 23 Fincá-lo-ei como estaca em luga r firm e,
ra aos meus ouvidos, dizendo: Certamente, es ta e ele será como um trono de honra para a casa
mald ade não será perdoada, até que morrais, di z de seu pai .
o Senhor, o SENHOR dos Exércitos. 24 Nele, pendurarão toda a responsabilida-
15 Assim diz o Senhor, o SENHOR dos de da casa ele seu pai, a prole e os descenden-
Exércitos: Anda, vai ter com esse admini stra- tes, todos os utensílios menores, desde as taças
dor, com Sebna, o mordomo, e pergunta-lhe: até as garrafas.
16 Que é que tens aq ui? Ou a qu em tens tu 25 Naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos,
aq ui , para que abrisses aqui uma sepultura, la- a estaca que fora fincada em lugar firme será ti -
vrando em lugar alto a tua sepu ltura, cin zelando rada, será arrancada e cairá, e a ca rga que nela
na rocha a tua própria morada? estava se desprenderá, porque o SENHOR o di sse.

1. Sentença. Ver com . de Is 13:1. 2. Aclamações. Literalm ente, "ruído".


Vale da Visão. Jerusa lé m é o "vale da Não foram mortos à espada. Enqu a nto
Visão", como a própria mensagem torna claro o país de Judá era devas tado pelos exércitos
(ver v. 4, 8 -10). assírios e multidões morriam, os habitan-
Que tens agora [... ]? Litera lm ente, tes de Jerusalé m n ão estavam arrisc a ndo a
"o que a ti , assim?", ou seja, "o que aconteceu vida no campo d e batalha , ajudando se us
que ages assim?" compatriotas. Em vez disso, es tavam envol-
Todo o teu povo. Literalmente, "todos vidos numa estranha e tumultuada busca
vós". por prazer. Era um pecado agir assim num
Aos telhados. Os telhados p lanos das tempo quando ta ntos de seus irmãos esta-
casas d a Palestina eram loc ais de várias ati- vam sofrendo a morte e a pobreza (v. 4-ll ),
vidades (Jz 16:27; Ne 8:16). Em é poca d e principalme nte visto que Deus proclamou
grande p erigo, o povo se reunia nos telhados , luto (v. 12).
despreocupadamente, comendo e beb endo 3. Todos os teus príncipes fogem.
(ver v. 13). Talvez Isaías se refira a uma trégua n o

190
ISAÍAS 22:12

sítio a Jerusalém, causado pela aproxima- Casa do Bosque. O arsenal real. Os


ção de Tiraca com seu exército etíope (ver esc udos de ouro (mais tarde, bronze) da
Is 37:8, 9), o que deu a alguns dos príncipes guarda real eram guardados na Casa do
de Jerusalém uma oportunidade de fugir da Bosque do Líbano (ver com. de 1Rs 10:1 7;
cidade . Essa interrupção do sítio, embora 14:27). Retrata-se o povo buscando suas
temporária, pode ter sido considerada pelo armas de defesa.
povo de Jerusa lém como marco do fim do 9. As brechas. Diante da ameaça de
perigo assírio, o que pode ter levado à ale- ataque, o povo de Jerusalém percebeu várias
gria geral. partes do muro da cidade de Davi que preci-
São presos sem que se use o arco. savam de reparo urgente (2Cr 32: 5).
É incerto o significado da expressão hebraica Açude inferior. Ver com. de 2Cr 32:4.
assim traduzida. Alguns sugerem a tradução Um reservatório construído especialmente
"sem o arco, foram presos", indicando que, para suprir a cidade com água durante um
na tentativa de escapar, os líderes foram cap- cerco e também para privar de água o ini-
turados sem suas a rmas e sem ter se envol- migo fora da cidade.
vido na batalha. 10. Contareis as casas. Fez-se um a
4. Desviai de mim a vista. Isaías é lista das casas de Jerusalém, algumas das
profundamente afetado com a triste situa- quais foram selecionadas para serem demo-
ção de Jerusalém, e pede que o deixem só. lidas, a fim de prover material para conser-
Mais tarde, Jeremias também chorou amarga- tar os muros da cidade.
mente pelo destino da cidade, a qual chamou 11. Um reservatório entre os dois
de "filha de meu povo" (Lm 3:48; cf. Jr 8:1 9). muros. É provável que este "reservatório"
5. Dia de alvoroço. Isaías descreve um fosse o túnel construído por Ezequias para
dia de angústia e desespero quando o ini- levar água da antiga fonte em Giom, a um a
migo cerca a cidade e derruba seus muros distância de 533 m ao sudoeste, a outro reser-
com máquinas de guerra, e o povo clama vatório, conhecido como tanque de Siloé (ver
aos montes (ver Is 2:19, 21; Os 10:8; cf. Lc vol. 2, p. 71). Do lado de fora do muro ante-
23:30; Ap 6:16). rior, e também mais além do aqueduto de
Vale da Visão. Ver com. do v. l. Ezequias e do tanque de Siloé, se construiu
6. Elão tomou a aljava. Entre as for- um segundo muro (ver com. de 2Cr 32: 5).
ças assírias que invadiram a Judeia estavam Todo o suprimento de água de Giom estava
arqueiros habilidosos de Elão (Jr 49:35). disponível aos habitantes de Jerusalém, mas
Quir. Não se sabe a exata localização de era completamente inacessível ao inimigo
Quir. Em 2 Reis 16:9, é mencionada como o fora da cidade. Os muros protegiam o sis-
lugar ao qu al Tiglate- Pileser levou cativo o tema de fornecimento de água.
povo de Damasco (ver Am 1:5). Que há muito as formou. Muitos
Descobre os escudos. Isto é, se pre- em Jerusalém já não buscavam a proteção
~ .. para para a batalh a. de Deus, mas dependiam de seus próprios
7. Os teus mais formosos vales. Havia recursos e invenções. Eles se esq ueceram de
muitos vales ao redor de Jerusalém, incluindo que o Senhor era o verdadeiro construtor da
os de Hinom e Cedrom. Estes se encheriam cidade, e só Ele podia dar o auxílio necessá-
de forças hostis ataca ndo a cidade. rio em tempo de angústi a.
8. Tira-se a proteção. Isto é, revelam - 12. O Senhor [... ] vos convida
se as defesas secretas de Judá, tornando pos- naquele dia para chorar. O perigo que
sível vencer a nação. assolava a cidade deveri a levar o povo ao

19 1
22:13 COM ENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

arrependimento e à oração. Isso ocorreu com muitos anos, e da qu al se levou uma in s-


Ezequias (Is 37:1-4, 15-20). Tendo em vista a crição ao Museu Britânico. Essa inscrição
aproximação do dia do Senhor, Joel da mesma diz: "Este é [o sepulcro de Sebna], que está
forma convidou o povo a se voltar a Deus com sobre a casa . Não há prata nem ouro, mas
jejum e pranto, para que Ele foss e misericor- [seus ossos] e os ossos de sua serva esposa.
dioso (11 2:12-17). Amaldiçoado seja quem o abrir! " (Os co l-
13. É só gozo e alegria que se veem. chetes indi cam um a restauração conjectu-
A despeito da situação desesperadora, o povo rai de porções incompletas e ilegíveis d a ~ ~
não se voltou para Deus, m as continuou inscrição no seu estado atua l).
em bebed eiras e banquetes. Eles tinham 17. O SENHOR te arrojará violenta-
se entregado à sensualidade desenfreada, mente. Sebna não ocuparia o sepulcro, mas
da qual nada poderia dissu adi-los (compa- morreria num país estrangeiro.
rar com o que Paulo diz sobre a filosofia de 18. E te fará rolar. Isaías predisse vivi-
Epicuro, em 1Co 15:32). damente o destino de Sebna.
14. Esta maldade. O povo recusou se Terra espaçosa. Provavelmente a
voltar para o Senhor, e a iniquidade não pôde Mesopotâmia.
ser perdoada. Isso não foi um decreto arbi- Os carros. O orgulho foi a fraqu eza de
trário da parte de Deus . Enquanto persis- Sebna. Ele adquiriu um ca rro esplêndido,
tiam na perversidade , o Senhor não podia que o acompan haria ao cativeiro.
salvá-los. 19. Eu te lançarei fora. O Senhor
15. Com Sebna. A posição de Sebna removeria Sebna de sua posição de honra.
como tesoureiro era uma das mais importan- Quando os mensageiros de Senaqueribe
tes no reino. Talvez foss e o vizir real, agindo chegaram a Jerusalém, outro já estava em
em favor do rei em todas as questões impor- seu lugar sobre a casa (ver com. do v. 2 1),
tantes do país, o que podia incluir finanças enquanto ele assumiu a posição inferior de
nacionais, que stões internas e responsabi- escrivão (Is 36:22).
lidade pela casa real. Como regente, Jotão 20. Meu servo Eliaquim. Ele não é
"tinha o cargo da casa" (2Rs 15:5). mencionado antes, e nada se sabe de seu
16. Uma sepultura. Isaías se indignou passado.
com a arrogância de Sebna. Parecia ter subido 21. Vesti-lo-ei. Eli aquim deveria ass u-
ao poder havia pouco tempo, se enriquecido mir a posição de Sebna, junto com as vestes
e ainda não possuía uma sepultura familiar e o cinto, insígni as da função. Esta predição
onde enterrar seus antepassados. Portanto, logo se cumpriu (Is 36:22; cf. Pv 16 :18 ;
decidiu construir uma majestosa sepultura Dn 4:3 7; Lc 14:11).
para honrar-se em sua posição de importân- Ele será como pai. Diferente de Sebna,
cia e assegurar um lugar na memóri a d as Eliaquim exerceri a a fu nção com sabedo-
gerações futuras. Em vez de devotar esfor- ria, governando para o bem do povo e sendo
ços para salvar a nação no tempo de perigo, como "pai" para ele quando necessário. Nada
seu principal objetivo era promover seus inte- se sabe de suas atividades posteriores a não
resses pessoais. Sepulcros talhados na rocha, ser o fato de que estava à frente da delega-
do tipo que Sebna estava construindo para si, ção que atendeu os enviados de Senaqueribe
são comuns nos arredores de Jerusalém . que foram exigir a rendição de Jerusa lém
Nahman Avigad identificou a tumba de (Is 36 :11, 22).
Sebna com um a que se encontra nas ladei- 22. A chave. Como mordomo rea l,
ras do Monte d as Oliveiras, descoberta há Eli aquim tinh a as chaves do palácio.

192
ISAÍAS 22:25

23. Como estaca. Ou, "como uma se aplica a Eliaquim, que, a despeito de
cavilha", fosse para firmar uma tenda ao todas as coisas boas que se diz até aqui a seu
chão ou para pendurar artigos domésticos . respeito, ao final se provará indigno, como
Aqui se usa no último sentido, como sím- seu antecessor, e será retirado de sua posição
bolo de algo firme e seguro e no qual se de confiança e honra. Outros creem que isso
pode confiar. não pode se aplicar a Eliaquim, pois parece
Um trono de honra. Eliaquim seria impróprio que uma predição de vergonha
uma honra para a casa de seu pai, humilde venha tão próxima a uma de honra, sem
até então. É o Senhor que exalta o pobre e explicação. Neste versículo, encontra-se o
o humilde a posições de confiança e honra clímax de uma solene mensagem contra Judá
(1Sm 2:7, 8; ver com. de Lc 14:11). e Jerusalém (ver com. do v. 1). Esta parte
24. Toda a responsabilidade. Literal- pode se referir à nação em geral, e não a
mente, "todo o peso [ou honra]". Continua o Elíaquim como indivíduo. Essa cavilha seria
emprego do símbolo de uma cavilha onde se arrancada, o que ali estivesse pendurado,
penduram objetos. cairia, e o fim seria desgraça e ruína. Foi
25. Será arrancada e cairá. Este ver- esse o destino de Jerusalém e Judá, e daque-
sículo suscita discussão. Alguns creem que les contra quem se dirigiu essa "sentença".

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

23- Ev, 177; PR, 348; T9, 27, 112

CAPÍTULO 23
1 A derrota de Tiro. 17 O retorno infeliz.

Sentença contra Tiro. Uivai, navios de 7 É esta, acaso, a vossa cidade que an -
Társis, porque está assolada, a ponto de não haver dava exultante, cuja origem data de remo-
nela casa nenhuma, nem ancoradouro. Da terra tos dias , cujos pés a levaram até longe para
de Chipre lhes foi isto revelado. estabelecer-se?
2 Calai-vos, moradores do litoral, vós a quem 8 Quem formou este desígn io contra Tiro,
os mercadores de Sidom enriqueceram, navegan- a cidade distribuidora de coroas, cujos merca-
do pelo mar. dores são príncipes e cujos negociantes são os
3 Através das vastas águas, vinha o cereal mais nobres da terra?
dos canais do Egito e a ceifa do Nilo, como a tua 9 O SENHOR dos Exércitos formou este de -
renda, Tiro, que vieste a ser a feira das nações. sígnio para denegrir a soberba de toda beleza e
4 Envergonha-te, ó Sidom, porque o mar, a envilecer os mais nobres da terra .
~ .,_ fortaleza do mar, fala, dizendo: N ão tive dores de lO Percorre livremente como o Nilo a tua
parto, não dei à luz, não criei rapazes, nem edu- terra, ó filh a de Társis; já não há quem te
quei donzelas. restrinja.
5 Quando a notícia a respeito de Tiro che- l l O SENHOR estendeu a mão sobre o mar e
gar ao Egito, com ela se angustiarão os homens . turbou os reinos; deu ordens contra Canaã, para
6 Passai a Társis, uivai, moradores do litoral. que se destruíssem as suas fortalezas.

193
23:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

12 E disse: Nunca mais exultarás, ó oprimida 16 Toma a harpa , rodeia a cidade, ó mere-
virgem filh a de Sidom; levanta-te, passa a Chipre, triz, entregue ao esquecimento; canta bem, toca,
mas ainda ali não terás descanso. multiplica as tuas canções, pa ra que se recor-
13 Eis a terra dos caldeus, povo que até há dem de ti.
pouco não era povo e que a Assíria destinara para 17 Findos os setenta anos, o SENHOR aten-
os sátiros do deserto; povo que levantou suas tor- tará para Tiro, e ela tornará ao salário da sua
res, e arrasou os palácios de Tiro, e os conver- impureza e se prostituirá com todos os reinos
teu em ruínas. da terra.
14 Uivai, navios de Társis, porque é destruí- 18 O ganho e o salário de sua impureza serão
da a que era a vossa fortale za! dedic ados ao SENHOR; não serão entesourados,
15 Naquele dia , Tiro será posta em esqueci- nem guardados, mas o seu ganho será para os
mento por setenta anos, segundo os dias de um que h abitam perante o SENHOR, para que te-
rei ; mas no fim dos setenta anos dar-se-á com nham comida em abundância e vestes finas.
Tiro o que consta na canção da meretriz:

1. Sentença contra Tiro. Ver com. de que carregavam metais (ver com. deIs 2:16)
Is 13:1. Tiro e Sidom eram as principais cida- e outras mercadorias (Ez 27:12). Neste caso,
des da grande nação marítima da Fenícia a referência é a navios que voltavam de Társis.
(ver vol. 2, p. 52-54), e, portanto, esta men- A profecia de Isaías retrata os grandes navios
sagem é do juízo divino contra a Fenícia. de Társis carregados de riquezas, navegando
Tiro e Sidom eram com frequência alvo de pelo Mediterrâneo até o porto de origem em
ataque de grandes nações do antigo Oriente Tiro, os quais, pouco antes de ali chegarem,
Médio, incluindo Assíria e Babilônia e, mais ficam sabendo que a cidade foi conquistada.
tarde, de Alexandre o Grande. A qual des- Nem ancoradouro. Os navios não
ses ataques se refere Isaías? Provavelmente a tinham mais porto aonde ir.
todos. Certamente o Senhor tinha uma men- Chipre. Ver com. de Nm 24:24. Esta
sagem para a Fenícia na época de Isaías, e seria a última escala na viagem da Espanha
a profecia, ou "sentença", incluiria medidas a Tiro, quando a tripulação ficaria sabendo
contra Tiro, tomadas por Tiglate-Pileser III, do desastre sobrevindo a seu porto natal.
Sargão li e Senaqueribe. Mas, sem dúvida, 2. Calai-vos. Ou, "emudecei-vos", de
a profecia é de natureza mais abarcante e se espanto, angústia e terror.
refere também a tempos posteriores, quando Litoral. Ou, "a costa" da Fenícia.
o juízo predito se tornaria ainda mais com- Sidom. O termo Sidom com frequência
pleto, como nos dias de Nabucodonosor e representa toda a Fenícia. Na Antiguidade, a
Alexandre o Grande (sobre a profecia para- cidade de Sidom foi mais importante do que <~ ::§
lela de Ezequiel, ver Ez 26- 28; ver o uso de Tiro (ver vol. 2, p. 53) . Os gregos dos tempos
figuras semelhantes, em Is 23:2, 8, 11, 15, homéricos e os assírios, às vezes, usavam o
17; Ap 17:2, 5; 18:2, 3, 5, 11, 23; ver também termo Sidom nesse sentido. Tiro era conhe-
com. de ls 47:1 ; Jr 25:12; 50:1; Ez 26:13). cida como a metrópole dos sidônios, e o rei
Navios de Társis. Em geral, acredita- de Tiro como "rei dos sidônios" (ver com. de
se que Társis era uma colônia fenícia da 1Rs 16:31).
Espanha (ver com . de Gn 10:4). "Navios de 3. A semente do Canal (ARC). Era (1)
Társis", várias vezes mencionados com relação uma parte do Nilo, (2) um corpo de água não
a Tiro, provavelmente eram grandes navios identificado na fronteira oriental do Egito ou

194
ISAÍAS 23:12

(3) o Wâdi el-'Arish (o "Rio do Egito"), comu- 9. O SENHOR dos Exércitos. Isaías
mente considerado como o limite sudoeste responde à pergunta do v. 8. Tiro se opõe
da Palestina (ver com. de 1Cr 13:5). É evi- arrogantemente ao Deus do Céu, supondo
dente que a "semente do Canal" significa o ser maior do que Ele (Ez 28:2-8), mas o
"cereal" (ARA) do Egito. A feníci a impor- Senhor a redu zirá à humilhação e vergonh a
tava cereais do Egito, e navios fenícios, sem (ver Is 13: 11 ; 14:24, 26, 27). A destruição
dúvida, os transportavam. de Tiro seria uma demonstração a todos de
Do Nilo. Ver com. deIs 19:5, 6. como o Senhor humilha o orgulho e a arro-
4. Envergonha-te. Não ter descen- gância humana.
dência era considerado grande desgraça 10. Percorre livremente como o Nilo
(ver com. de Gn 16:4; 20:18; 30:23; 38:25). a tua terra. O rolo 1Qlsa do Mar Morto diz:
Retrata-se Sidom lamentando o fato de não "trabalha a tua terra", e a LXX parece con-
ter filhos. Ela está só, desolada e abando- cm·dar com essa versão. O significado deste
nada, pranteando seu desamparo e impotên- versículo não está claro, e há várias inter-
cia (ver Is 47:7-9; Ap 18:7). pretações. A terra mencionada é a "filh a de
Fortaleza. Do heb. ma'oz, "refúgio". Társis", isto é, a própria Társis, ou seus habi-
5. Quando a notícia. A primeira frase tantes. Eles deixarão sua cidade como um rio
diz, literalmente, "quando no Egito se ouvir qu e transborda e irão aonde puderem .
a notícia". Ao saber da destruição da Fenícia, Já não há quem te restrinja. Isto é,
o Egito ficari a angustiado. Visto que os assí- estão livres para fazer o que quis erem , e
rios tinham se vingado de Tiro e Sidom, esta- Tiro não pode mais restringi-los. Depois da
vam em posição de atacar o Egito. Nos dias queda de Tiro, as colônias fenícias depen-
de Nabucodonosor e Alexandre o Grande, deriam de si mesmas . Algumas (como
a conquista de Tiro antecedeu a invasão do Cartago) se tornaram ainda mais podero-
Egito (ver Ez 29:18-20). sas que Tiro.
6. Uivai. A destruição de Tiro trari a 11. Turbou os reinos . A mão do Senhor
angústia a toda a costa da Fenícia (ver com. estava estendida sobre muitas nações , e elas
do v. 2) e a outras áreas que dependiam do estremeciam até os fundamentos. No sen-
comércio fenício. Os habitantes de Tiro que tido figurado, Deus estava turbando o mundo
podiam escapar da cidade fugiriam a luga- todo, a fim de cumprir Sua vontade (ver
res distantes como Társis. Is 2: 19; cf. Ag 2:6, 7; Hb 12:26, 27). Nesse
7. Vossa cidade que andava exul- processo, muitas nações seriam removidas e
tante. O profeta ironicamente se refere à outras estabelecidas.
então futura destruição de Tiro (ver o cân- Canaã. Do heb. K ena'an, Canaã, nome
tico satírico contra Babilônia, em Is 14:4 - com o qual os fenícios se autodesignavam.
23). Havia colônias fenícias espalhadas pelas 12. Nunca mais exultarás. Retrata-se
margens do Mediterrâneo, do Mar Negro e a destruiç ão fin al dos fenícios. O que quer
da costa atlântica da Europa. que fi zessem , não teriam êxito. Até esse
8. Quem formou este desígnio [... ]? momento, Sidom tinha perma necido vir-
Quem é responsável pela destruição que gem; ela fora capaz de se proteger contra a
humilhará Tiro? Tiro era uma cid ade forte e invasão. Porém, seria despida de sua veste
poderosa, mas um poder maior pronunciou de virgindade e redu zid a à vergonha e repro-
juízo contra ela. vação diante do mundo inteiro. Se os fení-
Cujos mercadores. Comparar com cios fugi ssem para Chipre (ver com. do v. l )
Ap 18:23. não encontraria m desca nso, pois ali também <11 ~

195
23:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

cairiam nas mãos do inimigo. Não haveria Portanto, essa expressão pode indicar o período
como escapa r. da ocupação babilônica.
13. Não era povo. O hebraico do v. 13 Dar-se-á com Tiro o que consta na
é obscuro. Na época de Isaías, a Assíria mar- canção da meretriz. Tiro desejava a supre-
chou contra Tiro, mas n ão a conquistou. macia comercial e faria qualquer coisa pelo
Mais tarde, Nabucodonosor a sitiou por 13 lucro. Quanto a isso, ela era como a pros-
anos terríveis (ver Ez 28:18). Talvez aqui se tituta Babilônia, que se vendeu para obter
profetize essa campanha de Nabucodonosor. ganho (Is 47:15 ; Ap 17:2; 18:3).
14. Uivai. Ver com. do v. l. A profecia da 16. Toma a harpa. Uma lira . Tiro recor-
destruição de Tiro termina do mesmo modo reria mais uma vez a seus exitosos ardis para
como começa. Os "navios de Társis", dos fení- seduzir os mercadores a negociar com ela a
cios, lamentariam que Tiro, sua fortaleza, fim de lucrar às suas custas . Ela é compa-
estaria em ruínas . rada a um a prostituta que toca e canta, e usa
15. Setenta anos. É difícil fazer uma essas habilidades para seduzir homens des-
aplicação literal desta profecia, pois a his- prevenidos (ver Pv 7:7-21). Babilônia também
tória de Tiro não é suficientemente conhe- fez uso de "enc antamentos" para estender sua
cida. Não é possível especificar quando os influência (Is 47:9, 12; Ap 17:4; 18:3).
70 a nos começaram nem quando termina- 17. E se prostituirá. Isto é, as relações
ram. Alguns creem que o período corres- ilícitas que Tiro mantinha com outras nações
panda aos 70 a nos do cativeiro judaico em visando ao lucro. Honra , direito, justiça e
Babilônia (2Cr 36:21; Jr 25 :11 ; 29:10; Dn 9:2; decência foram esquecidos para se obter
Zc 1:1 2; 7:5), que começaram com a primeira lucro. Emprega-se a mesma expressão no
conquista de Jerusalém por Nabucodonosor caso da Babilônia mística (Ap 17:2; 18:3).
e term inaram com o retorno dos judeus O mundo não era diferente naquela época.
sob ordens de Ciro e Dario, da Pérsia. A maldição de Babilônia e Tiro será a mesma
Nabucodonosor começou o cerco de 13 anos da era moderna.
a Tiro pouco depois de conquistar e destruir 18. Serão dedicados ao SENHOR. Isto
Jerusalém em 586 a.C. Tiro foi uma cidade é, "algo consagrado". Prediz-se a destrui ção
importante também durante o período persa, de Tiro e o triunfo final de Sião. Apesar de
sendo conquistada outra vez por Alexa ndre, seus ardis, Tiro não continu aria para sempre
em 332 a.C. enganand o e defraudando as pessoas. Ela
Segundo os dias de um rei. É provável cairia, mas Jeru salém triunfaria. A prostituta
que a palavra "rei" seja usada com referência Babilônia teria o mesmo destino (Jr 51:7, 8;
a "reino", como em Daniel 2:44; 7: 17; e 8:21. Ap 17:1 , 5, 16; 18:2, 7-23) .

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

18 - TM , 335

196
ISAÍAS 24:1

CAPÍTULO 24
1 Os juízos de Deus sobre a Terra. 13 Um remanescente honra a Deus. 16 Com esses
juízos, Deus antecipa o estabelecimento de Seu reino.

Eis que o SENHOR vai devastar e desolar a 13 Porque será na terra, no meio destes povos,
terra, vai transtornar a sua superfície e lhe dis- como o varejar da oliveira e como o rebuscar,
persar os moradores. quando está acabada a vindima.
2 O que suceder ao povo sucederá ao sacer- 14 Eles levantam a voz e cantam com ale-
dote; ao servo, como ao seu senhor; à serva, como gria; por causa da glória do SENHOR, exultam
à sua dona; ao comprador, como ao vendedor; ao desde o mar.
que empresta, como ao que toma emprestado; ao 15 Por isso, glorificai ao SENHOR no Oriente
credor, como ao devedor. e, nas terras do mar, ao nome do SENHOR, Deus
!2 ~>- 3 A terra será de todo devastada e totalmen- de Israel.
te saqueada, porque o SENHOR é quem proferiu 16 Dos confins da terra ouvimos cantar:
esta palavra. Glória ao Justo! Mas eu digo: definho, definho,
4 A terra pranteia e se murcha; o mundo en- ai de mim! Os pérfidos tratam perfidamente; sim,
fraquece e se murcha; enlanguescem os mais os pérfidos tratam mui perfidamente.
altos do povo da terra. 17 Terror, cova e laço vêm sobre ti, ó mora-
5 Na verdade, a terra está contaminada por dor da terra.
causa dos seus moradores, porquanto transgri- 18 E será que aquele que fugir da voz do ter-
dem as leis, violam os estatutos e quebram a ror cairá na cova, e, se sair da cova, o laço o
aliança eterna. prenderá; porque as represas do alto se abrem, e
6 Por isso, a maldição consome a terra, e os tremem os fundamentos da terra.
que habitam nela se tornam culpados; por isso, 19 A terra será de todo quebrantada, ela to-
serão queimados os moradores da terra, e pou- talmente se romperá, a terra violentamente se
cos homens restarão. moverá.
7 Pranteia o vinho, enlanguesce a vide, e 20 A terra cambaleará como um bêbado e
gemem todos os que estavam de coração alegre. balanceará como rede de dormir; a sua trans -
8 Cessou o folguedo dos tamboris, acabou gressão pesa sobre ela, ela cairá e jamais se
o ruído dos que exultam, e descansou a alegria levantará.
da harpa . 21 Naquele dia, o SENHOR castigará, no céu,
9 Já não se bebe vinho entre canções; a bebi- as hastes celestes, e os reis da terra, na terra.
da forte é amarga para os que a bebem. 22 Serão ajuntados como presos em masmor-
1O Demolida está a cidade caótica, todas as ra, e encerrados num cárcere, e castigados depois
casas estão fechadas, ninguém já pode entrar. de muitos dias.
11 Gritam por vinho nas ruas, fez-se noite 23 A lua se envergonhará, e o sol se confun-
para toda alegria, foi banido da terra o prazer. dirá quando o SENHOR dos Exércitos reinar no
12 Na cidade, reina a desolação, e a porta está monte Sião e em Jerusalém; perante os seus an-
reduzida a ruínas. ciãos haverá glória.

197
24 :1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

1. Devastar e desolar a terra. Como 5. A terra está contaminada. Deus


todas as mensagens proféticas de Isaías, é santo. Ele deu Sua lei para manter o ser
a do cap. 24 foi originalmente dirigida ao humano puro e o mundo incontaminado.
Israel literal e descreve o modo como Deus Ao rejeitarem essa lei, os seres humanos con-
deixaria a terra desolada e como teria ven- taminam a si mesmos e o mundo. O con-
cido os inimigos de Israel se este tivesse tágio do pecado alcança o solo abaixo dos
sido fiel. Mas, em vista da infidelidade pés, o alimento, a água e o ar (ver Gn 3:17;
desse povo, essa profecia, como outras, será Nm 35:33; SI 107:34). A cada ano, a Terra
cumprida com o povo de Deus hoje (ver p. se torna mais e mais corrompida. Se Deus
17-23). João aplica essa descrição da Terra não interviesse, chegaria um tempo quando
à sua condição desolada durante o milê- a corrupção do pecado depreciaria a raça
nio (Ap 20). humana de tal modo que seria impossível
Isaías fala dos juízos de Deus sobre diver- viver (ver Gn 6:5, 11 , 12; OTN, 36, 37).
sas nações (Is 13-23). Mas, a partir deste Aliança eterna. Ver com. de Jr 31:31-
capítulo , sua visão profética se dirige ao 33; Ez 16:60.
horizonte mais amplo da história. Nos cap. 6. A maldição consome. Não é Deus,
24 a 28, ele descreve as cenas finais, quando e sim Satanás, o instigador do pecado, o
o povo de Deus será liberto e seus inimigos, responsável pela maldição que resulta dele.
derrotados. Neste capítulo, o profeta apre- Em toda parte, as forças do mal estão ope-
senta uma descrição vívida da Terra depois rando e se pode ver claramente a obra de
que os reis forem subjugados (v. 21, 22) e Satanás (OTN, 636; GC, 589). Na doença e
antes de o Senhor dos Exércitos reinar "no na morte, em terremotos e tempestades, em
monte Sião e em Jerusalém" (v. 23). incêndios e enchentes, manifesta-se a obra
Vai transtornar a sua superfície. do mal. A transgressão das leis de Deus não
Literalmente, "desconsertar sua face". Esta trouxe paz e prosperidade, mas problemas,
é uma descrição das catástrofes que estreme- pestilência, dor e morte.
cerão o mundo na segunda vinda de Cristo Queimados. Provavelmente, a quarta
(ver Sl46:l-3, 6, 8; Ap 6:16; 16:18-20). praga (Ap 16:8, 9).
2. O que suceder ao povo. Na volta de Poucos homens restarão. É provável
Cristo, não haverá classes favorecidas; todos que isto se refira aos justos remanescentes,
~ · sofrerão as mesmas calamidades. Pobre e que não sofrerem os juízos divinos.
rico, alto e baixo, pessoas de todas as clas- 7. Pranteia o vinho. As vinhas são des-
ses, raças e profissões terão a mesma sorte truídas e os frutos da terra, consumidos no
(ver Ap 6:15; 19:18). calor consumidor da quarta praga (Ap 16:8, 9;
3. De todo devastada. Quando Cristo GC, 628). Cessou o cântico dos alegres
voltar, todos os ímpios vivos serão mortos e ceifeiros, pois a Terra está desolada.
todos os justos subirão com Ele para o Céu 8. Tamboris. Ver vol. 3, p. 15, 16.
(ver Jr 25:30-33; Lc 17:26, 29, 30; 1Ts 5:3; Harpa. Lira; vervol. 3, p. 17-19. Quando
Ap 19:11-21; 20:4-6). A terra ficará desolada sobrevierem as calamidades dos últimos
(ver Jr 4:25) . dias, as pessoas não mais pensarão em "rego-
4. Os mais altos do povo da terra. zijo" ou "alegria" (ver Jr 7:34; 16:9; 25:10;
Literalmente, "os altos do povo". Aqueles Ap 18:22; cf. Ez 26:13; Os 2:11).
que se exaltaram a posições acima de seu 9. Entre canções. Em geral , a bebida
próximo serão humilhados pelo Senhor (ver está associada a festividade e prazer. Naquele
ls 2:1 1, 12, 17; 13:11). dia, o Senhor transformará as fes tas em

198
ISAÍAS 24:18

pranto e as canções, em lamento (Am 8:10; como a região da luz, no amanhecer. As "ter-
cf. Dn 5:1-6). ras do mar" podem se referir às ilhas do Mar
10. Caótica. Do heb. tohu, "caos", Mediterrâneo, sendo um termo poético para
"vazio", "vaidade". Em Gênesis 1:2, a pala- "ocidente". A palavra yam, "mar", designa com
vra é traduzida como "sem forma". Não está frequência o "ocidente" (e é traduzida assim
claro se "a cidade" representa Babilônia (ver em Gn 28:14; Nm 34:6; etc.). Se esse é o sig-
Jr 51:8), se a palavra "caótica" significa sua nificado em Isaías 24:15, deve-se entender
corrupção moral (ver 1Sm 12:21; Is 41:29) que de todas as partes se ouvem louvores a
ou se tanto "a cidade" quanto seu estado Deus (ver v. 16).
caótico simbolizam o mundo todo. Ambas 16. Glória ao Justo! Ouvem-se cân-
seriam apropriadas ao contexto e à ideia ticos em honra a Cristo, o Justo (ver v. 15).
bíblica. O mundo retornará ao seu primi- Nessa hora, é inapropriado cantar "glórias"
tivo estado caótico. aos seres humanos, por mais "justos" que
11. Gritam por vinho. Os seres sejam (compare com o cântico universal de
humanos tentam escapar da calamidade louvor a Deus, em Ap 19:1-6).
embriagando-se. Definho. O significado do hebraico é
Fez-se noite para toda alegria. O sol incerto. O profeta parece se desviar da glória
da alegria se pôs e caíram as sombras da futura para a vergonha e miséria do presente.
noite eterna (ver Jr 8:20). O ser humano, por "Definho" é um termo empregado como sím-
fim, se desperta para o fato de que, ao excluir bolo de fraqueza e tristeza, resultado dos juí-
Aquele que é a luz da vida, trouxe sobre si zos divinos (Sll06:15; ver Is 10:16; cf. 17:4).
uma noite sem fim. Após um breve vislumbre das alegrias do
12. Desolação. "A cidade" (v. lO) ficou povo de Deus na hora do livramento, Isaías
arruinada. O mundo todo foi reduzido a um se volta às aflições e decepções dos perdidos,
deserto desolado, sem luz ou vida. e segue a descrição do terrível juízo porvir.
13. Oliveira. Ver com. de Is 17:6. Em Perfidamente. Quando for tarde de-
sua visão da destruição da Terra, Isaías tem mais, os seres humanos perceberão sua des-
um vislumbre da salvação do remanescente lealdade para com Deus. A mesma palavra
(ver Is 1:9; 10:20-22; 11:11). Eles serão como é traduzida como "deslealdade", em Êxodo
as poucas azeitonas que permanecem numa 21:8. Implica um curso de ação direta-
árvore "quando abalada por um vento forte" mente contrário ao conhecimento do que
(Ap 6:13), ou como as poucas uvas queres- é correto.
tam quando a colheita chega ao fim. 17. Terror, cova e laço. Descrevem-se
14. Cantam. Quando em toda parte em rápida sucessão os terrores e calamidades
houver pranto e ranger de dentes por causa que cairão sobre os ímpios. Jeremias 48:44
dos horrores a sobrevirem ao mundo, os jus- apresenta esta mesma sucessão de juízos.
tos verão que sua tristeza se transforma em Nenhum ímpio escapará dos efeitos das sete
alegria e que se inicia a alegre manhã da últimas pragas; o que escapar de uma será
§: > eternidade (ver Is 25:8, 9). pego pela outra (Is 24: 18).
15. Glorificai ao SENHOR. Há mui- 18. As represas do alto. Cedo ou tarde
tas razões para que os justos glorifiquem a a ruína certamente virá, pois morte e destrui-
Deus. Não fosse por Sua graça, pereceriam ção virão de todas as direções. Toda a natu-
com o mundo. reza foi desviada de seu curso (GC, 636; cf.
No Oriente. Do heb. 'urim, de 'or, "luz". Gn 7:11; 8:2). Dos céus descerá fogo em vez
É possível que 'urim se refira ao "Oriente" de chuva (SI 50:3; 2Pe 3:7, 10, 12).

199
24:19 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Os fundamentos. A Terra se estreme- do ar" (E f 2:2), e aos líderes invisíveis do mal,


cerá pela voz de Deus (SI 46:2, 3; Is 2:19; como "os dominadores deste mundo tene - ·~
Hb 12:26, 27; Ap 16:18). broso" que habitam "nas regiões celestes"
19. De todo quebrantada. Do heb. (Ef 6:12). Ele fala do tempo quando Cristo
parar, literalmente, na forma aqui empre- os subjugará (lCo 15:24, 25). Isaías prevê
gada, "se sacode daqui para lá". Parar é tra- o tempo quando anjos e homens maus
duzida como "despedaçou", em Jó 16:12. serão punidos (ver Mt 25:41; 2Pe 2:4, 9;
Violentamente se moverá. Do heb. Ap 20:10-15 ).
mut, literalmente, na form a aqui empregada, 22. Como presos. Satanás e suas le-
significa "vacilará". giões de anjos maus, "as hostes celestes",
20. Balanceará como rede de dor- do v. 21 , e "os reis da terra" serão "ajuntados
mir. Literalmente, "balançar para frente e como presos". Os primeiros estarão confi-
para trás como uma barraca". A "barraca" nados a esta Terra, que , em seu estado caó-
era um abrigo temporário para se pass ar tico (v. 1, 3, 19, 20), será sua prisão por mil
a noite enquanto se vigiava a vinha (ver anos (ver com. de Ap 20:1, 2, 7); e os últi-
Is 1:8). O texto hebraico de Isaías 24:1 9 e mos serão confinados na prisão da sepultu-
20 não dá espaço a conjecturas de que a ra (ver com. de Ap 20:5).
Terra será movida de sua órbita durante o Masmorra. Do heb. bor, uma "cisterna"
grande dia do Senhor. Essa descrição se cavada para armazenar água. Durante a esta-
refere ao terremoto por ocasião do retorno ção seca, ou quando não era usada como
de Cristo, que será a maior calamidade que "cisterna", servia de prisão (ver Gn 37:20;
jamais houve (ver Ap 16:18-20). Todo o con- Jr 38:6-1 3; Zc 9:11; etc.). A palavra bor tam-
torno da superfície terrestre será mudado. bém é usada como sinônimo de "sepultura"
Montes serão abalados de seus fundamen- (Sl30:3; Sl88:4, 5; Is 14:15; 38:18; etc.).
tos, ilhas serão deslocadas, e a superfície Depois de muitos dias. Isto é, após os
terre stre se assemelhará às ondas de um mil anos (ver Ap 20:2-7; GC 661 ). Depois
mar tempes tuoso (ver Sl46:2, 3, 6). O após- desse tempo, Satanás será solto de sua pri-
tolo Pedro (2 Pe 3:7, 10-13) apresenta outra são por um curto período, e os ímpios mor-
descrição vívida da completa destruiç ão a tos se levantarão para se preparem para a
sobrevir ao mundo. Das ruínas, o Senhor conquista da nova Jerusalém (ver com. de
criará "novos céus e nova terra, nos quais Ap 20:7-9).
habita justiça". 23. O sol se confundirá. A fonte de
21. Os reis da terra. Do heb. marom, luz mais gloriosa que se conhece se torna
traduzido como "os mais altos do povo", no insignificante quando comparada à glória
v. 4, que são "da terra". Contudo, no v. 18, de Cristo (ver Is 60:19, 20; Ap 21:23; 22:5).
a mesma palavra ocorre outra vez como Quando o SENHOR dos Exércitos
"alto", ao que tudo indic a referindo-se ao reinar. Refere-se ao glorioso dia quando os
"céu" (Gn 7: 11). Em Isaías 24:21, as pala- santos reinarão com Cristo em alegria e gló-
vras "os reis da terra, na terra" implica que a ria eternas. A nova Jerusalém será a capital
frase "no céu, as hastes celestes" se refere da Terra, e Cristo reinará para sempre (Jr
a Satanás e aos anjos maus. Paulo se refere a 3:17; Dn 2:44; 7:14; Zc 14:4, 9; Ap 11:15;
Satanás como "o príncipe d a potestade 21:2-5; 7: 15-1 7).

200
ISAÍAS 25:1

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1 - GC, 657; PR, 537, 726 5- T5, 144; T9, 267 16 - T2, 198, 234
1-8 - Ed, 180; T9, 14 5, 6- GC, 657; PR, 537, 726 20- DTN, 780; PP, 340
3- GC, 657 8- PR, 726 22 - GC, 661
4, 5 - CS, 461 ; GC, 590 14 - Ed, 307; PR, 730 23 - DTN, 458

CAPÍTULO 25
1 O profeta louva a Deus por Seus juízos, 6 pela proteção 9 e pela salvação vitoriosa.

l Ó SENHOR, Tu és o meu Deus; exaltar-Te- 7 Destruirá neste monte a coberta que envol-
ei a Ti e louvarei o Teu nome, porque tens feito ve todos os povos e o véu que está posto sobre
maravilhas e tens executado os Teus conselhos todas as nações .
antigos, fiéis e verdadeiros. 8 Tragará a morte para sempre, e, assim , en-
2 Porque da cidade fizeste um montão de pe- xugará o SENHOR Deus as lágrimas de todos os
dras e da cidade forte, uma ruína ; a fortaleza dos rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do Seu •::8
estranhos já não é cidade e jamais será reedificada. povo, porque o SENHOR falou.
3 Pelo que povos fortes Te glorificarão, e a ci- 9 Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso
dade das nações opressoras Te temerá. Deus, em quem esperávamos, e Ele nos salvará ;
4 Porque foste a fortaleza do pobre e a fortale- este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na Sua
za do necessitado na sua angústia; refúgio contra a salvação exultaremos e nos alegraremos .
tempestade e sombra contra o calor; porque dos ti- lO Porque a mão do SENHOR descansará neste
ranos o bufo é como a tempestade contra o muro, monte; mas Moabe será trilhado no seu lugar, como
5 como o calor em lugar seco. Tu abaterás o se pisa a palha na água da cova da esterqueira;
ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor ll no meio disto estenderá ele as mãos, como
p ela sombra da espessa nuvem, assim o hino as estende o nadador para nadar; mas o SEN HOR
triunfal dos tiranos será aniquilado. lhe abaterá a altivez, não obstante a perícia das
6 O SENHOR dos Exércitos dará neste monte a suas mãos;
todos os povos um banquete de coisas gordurosas, 12 e abaixará as altas fortalezas dos seus
uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com muros; abatê-las-á e derribá-las-á por terra, até
tutanos e vinhos velhos bem clarificados. ao pó.

1. Exaltar-Te-ei. Este capítulo, em par- tardia. Muito antes de criar este mundo, Deus
ticular os v. 1 a 5, é um cântico de louvor. Se reuniu com Cristo para discutir o plano a
O profe ta ergue a voz em agradecimento ao ser seguido no caso do surgimento do pecado.
Senhor por acabar com o reino do pecado Cristo Se ofereceu e Se tornou o "Cordeiro
e estabelecer Seu reino glorioso, conforme que foi morto desde a fundação do mundo"
anunciado em Isaías 24:23. (Ap 13:8). Então começou o "conselho de
Os Teus conselhos antigos. O plano paz" (Zc 6:13, TB; ver PP, 63) entre Cristo
para a salvação do homem não foi uma ideia e o Pai em favor da humanidade perdida .

201
25:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

O propósito eterno de Deus era que o ser 5. O ímpeto dos estranhos. Isto é, de
humano desfrutasse a vida; e, para que isso "estrangeiros" (ver com. de Êx 12:19). O pen-
se cumprisse, empregaram -se todos os recur- samento do versículo anterior continua
sos dos Céus (ver Is 46:1 O). com mudança nas metáforas empregadas .
2. Da cidade. Provavelmente uma Compara-se a opressão pelos estrangeiros ao
referência a Babilônia (ver com. de Is 14:4; calor sufocante de uma seca prolongada que
24:10), o centro simbólico das forças do mal queima os pastos e abrasa a terra.
no tempo de Isaías. Babilônia se levantou Sombra. O "calor" será dissipado por
contra Jerusalém; e, por meio desse cen- uma "nuvem" que Deus manda para fazer
tro pagão, Satanás fez grandes esforços para sombra sobre Seu povo.
controlar o mundo. Mas ele seria reduzido a O hino. Literalmente , "o cântico" (ver
um montão de ruínas (sobre o cumprimento SI 119:54; Is 24:16; etc.). Quando o Senhor
desta profecia nos dias de Isaías, ver com. intervier, o cântico dos inimigos do povo de
deIs 13:19-2 2; 14:4). Poucos dias antes da Deus será silenciado.
segunda vinda de Cristo, a Babilônia espiri- 6. Neste monte. Isto é , o monte Sião
tual será destruída (Ap 18:10, 21). A destrui- (ver com. de SI 48:2; cf. Is 24:23).
ção da Babilônia aponta para a destruição do Um banquete de coisas gordurosas.
poder de Satanás (ver com. deIs 14:4-23; Jr A fest a de coroação de Cristo (ver com. de
51:24-26, 41, 53, 55, 64). Ap 19:7-9). Isaías vislumbra o tempo quando
3. Povos fortes. O texto hebraico não a Babilônia espiritual (ver com. de v. 2) será
tem artigo antes de "povos" nem de "cida- destruída (Ap 19:2) e a nova Jerusalém será a ~ g
des", portanto, a aplicação é geral, em vez capital da nova Terra (Ap 21:1-3). Deus
de particular. Quando o Senhor destruiu chama os seres humanos a aceitar Seu con-
Babilônia (ver com. do v. 2), esperava-se que vite a esse banquete (Mt 22:2-4, 9, 10; cf.
outras nações reconhecessem Seu poder. Em Lc 14:16, 17; sobre a aplicação dupla das pro-
Apocalipse 11:8 e 13, se diz que o juízo der- fecias de Isaías, ver com. de Is 24:1 cf. p.
ramado sobre a "cidade que, espiritualmente, 20-23; ver com. de Dt 18:15).
se ch ama Sodoma e Egito" deixou as outras 7. O véu. Neste mundo, a humanidade
pessoas "aterrorizadas", as quais deram "gló- caminha na sombra das trevas, com um véu
ria ao Deus do céu". No Salmo 76:9 e 10, o sobre os olhos. Pode ser um véu de tristeza ou
Senhor Se levanta "para julgar e salvar todos pranto, ou de ignorância (Is 29:10; lCo 13:12;
os humildes da terra", o que resulta em lou- 2Co 3:12-18; Ef 4:18). Esse véu cobre o mundo
vor a Deus por parte das nações. todo, embora esteja levantado no caso das pes-
4. A fortaleza. Esta verdade se aplica a soas que aceitam a Cristo. Não haverá, porém,
todo livramento que o Senhor dá ao pobre e véu algum naquele dia feliz quando "a terra se
necessitado em relação aos opressores. Nos encherá do conhecimento do SENHOR, como
dias de Isaías , isso se aplicou à destruição as águas cobrem o mar", e quando "toda a terra
dos exércitos de Senaqueribe que marcharam est[ar]á cheia da Sua glória" (Is 11:9; 6:3).
contra Judá. Nos dias de Daniel, a aplicação Nações. Esta promessa inclui o povo de
é à queda de Babilônia (ver com. de Is 14:4-6), Deus de todas as eras e nações .
e, na segunda vinda de Cristo, se aplica à des- 8. Tragará a morte. Isaías apresenta
truição de todos os poderes do mal. uma descrição gloriosa da ressurreição, a
A tempestade. As forças do mal são vitória sobre a morte quando Jesus voltar a
comparadas a uma tempestade terrível que reinar. Paulo (1Co 15:54, 55 ) e João (Ap 7:17;
golpeia um muro. 21:4) falam do mesmo tema.

202
ISAÍAS 25 : I2

Para sempre. Ver Sl44:23; Is 34:10. do povo de Deus. Por séculos, os moabi-
Enxugará[... ] as lágrimas. Comparar tas foram um espinho na carne de Israel,
com Ap 2I:4. mas, então, eles e todos os seus inimigos
Opróbrio. Isto é, a ignomíni a e o opró- serão para sempre domin ados (so bre pro-
brio a que os justos de todas as eras foram fecias de juízo contra Moabe, ver Is I5; I6;
submetidos durante sua permanência n a Jr 48 ; Ez 25:8-Il).
Terra. Então a zombaria dos pagãos "onde A palha. Misturada com esterco pelas
está o seu Deus?" (SI 79: lO) vai se ca lar para patas do gado. Noutra metáfora, o Senhor
sempre. Os justos não mais são oprimidos e pisa o lagar (Is 63:3; Ap I4: 20).
afligidos, mas vitoriosos, coroados com jus- 11. Como as estende o nadador para
tiça e cantando louvores de júbilo eterno. nadar. Estas palavras se referem a Moabe,
9. Este é o nosso Deus. Este alegre que luta contra as águas turbulentas da
grito de triunfo sai dos lábios dos santos angústia , esforçando-se em vão para escapar.
quando Cristo surge nas nuvens dos céus . O salmista orava por livramento do mar de
Seu sincero clamor por livramento se trans- dificuldades em que se encontrava (SI 69:I,
forma em hinos de louvor. 2, I4, I5 ). Alguns imaginam que é o Senhor
Em quem esperávamos. Depois do que descansará Sua mão ao pisar a "pa lh a"
surgimento de muitos falso s Cristos (ver (Is 25:10).
com. de Mt 24:24) e depois da obra-prima A altivez. Literalmente, "seu orgulho".
do engano satânico, a personificação de 12. As altas fortalezas. Moabe é des-
Cristo (GC , 624), os santos reconhecerão crito como uma fortaleza alta e forte que
com júbilo Aquele em quem esperaram será vencida pelo Senhor. A nação nova-
com paciência por muito tempo. Os ímpios mente simboliza num sentido geral todos os
aclamaram Satanás como se fosse Cristo, e inimigos do povo de Deus (ver com. do v. 6) .
como o salvador do mundo, mas os santos Assim, prediz-se a destruição de todas as for-
negaram a Satanás sua lealdade e a dedica- talezas dos exércitos das trevas e o aniqui-
ram a Jesus. lamento de todas as forças do mal. Todos os
10. Neste monte. Ver com. do v. 6. pagãos serão destruídos, e somente o povo
Moabe. Neste grande hino de lou- de Deus será exa ltado no grande dia da ira
vor, Moabe representa todo s os inimigos divina (ver Dn 7:27).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

I - PR, 702 8 - PJ, I80; GC, 650; 9 - PJ, 42I; PE , IIO, 287;
4 - CBV, 32; PR, 725 PR, 724 GC, 644; MCH, 343;
7 - PR,37I 8, 9- Ed, I82; GC, 300; HR, 4ll; TI, 354; T8, 253 -.1=!
PR, 728

203
26: I COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

CAPÍTULO 26
Cântico de confiança na proteção que vem de Deus, 5 por Seus juízos 12 e pelo
favor em benefício de Seu povo. 20 Exortação a se esperar em Deus.

Naquele dia, se entoará este cântico na 12 SENHOR, concede-nos a paz, porque todas
terra de Judá: Temos uma cidade forte; Deus lhe as nossas obras Tu as fazes por nós.
põe a salvação por muros e baluartes. 13 Ó SENHOR, Deus nosso, outros senhores
2 Abri vós as portas, para que entre a nação têm tido domínio sobre nós; mas graças a Ti so-
justa, que guarda a fidelidade. mente é que louvamos o Teu nome.
3 Tu , SENHOR , conservarás em perfeita paz l4lVIortos não tornarão a viver, sombras não
aquele cujo propósito é firme; porque ele con- ressuscitam; por isso, os castigaste, e destruíste,
fia em Ti. e lhes fizeste perecer toda a memória.
4 Confiai no SENHOR perpetuamente, porque 15 Tu, SENHOR, aumentaste o povo, aumen-
o SENHOR Deus é uma rocha eterna; taste o povo e tens sido glorificado; a todos os
5 porque Ele abate os que habitam no alto, confins da terra dilataste.
na cidade elevada; abate-a, humilha-a até à terra 16 SENHOR, na angústia Te buscaram; vindo so-
e até ao pó. bre eles a Tua correção, derramaram as suas orações.
6 O pé a pisará; os pés dos aflitos , e os pas- 17 Como a mulher grávida, quando se lhe
sos dos pobres. aproxima a hora de dar à luz, se contorce e dá gri-
7 A vereda do justo é plana; Tu, que és justo, tos nas suas dores, assim fomos nós na Tua pre-
aplanas a vereda do justo. sença, ó SENHOR!
8 Também através dos Teus juízos, SENHOR, 18 Concebemos nós e nos contorcemos em
Te esperamos; no Teu nome e na Tua memória dores de parto, mas o que demos à luz foi vento;
está o desejo da nossa alma. não trouxemos à terra livramento algum, e não
9 Com minha alma suspiro de noite por Ti e, nasceram moradores do mundo.
com o meu espírito dentro de mim, eu Te procuro 19 Os vossos mortos e também o meu cadá-
diligentemente; porque, quando os Teus juízos ver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai,
reinam na terra, os moradores do mundo apren- os que habitais no pó, porque o Teu orvalho, ó
dem justiça. Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará
lO Ainda que se mostre favor ao perverso, à luz os seus mortos.
nem por isso aprende a justiça; até na terra dare- 20 Vai, pois, povo meu, entra nos teus quar-
tidão ele comete a iniquidade e não atenta para tos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só
a majestade do SENHOR. por um momento, até que passe a ira.
ll SENHOR, a Tua mão está levantada, mas 21 Pois eis que o SENHOR sai do Seu lugar,
nem por isso a veem; porém verão o Teu zelo pelo para castigar a iniquidade dos moradores da terra;
povo e se envergonharão; e o Teu furor, por causa a terra descobrirá o sangue que embebeu e já não
dos Teus adversários, que os consuma. encobrirá aqueles que foram mortos.

1. Naquele dia. Isto é, o grande dia de esperança e confiança do povo de Deus,


do Senhor retratado nos cap. 24 e 25. Este quando as dificuldades inundarem a Terra
dia será de angústia e destruição para os e Cristo estiver prestes a voltar para reinar.
ímpios, mas de salvação e alegria para o Temos uma cidade forte. Nos dias de
povo de Deus. Este capítulo é um cântico Isaías, esta cidade era a Jerusalém histórica e

204
ISAÍAS 26:9

o monte Sião (Is 24:23). Senaqueribe empre- arrogante queria estar acima das estrelas de
gou o poder da Assíria contra Jerusalém, Deus (ver com. de Is 14:4, 13). A Babilônia e
g"' mas não a conquistou (ver com. de Is 36; a Jerusalém espirituais sempre foram arqui-
37). O que o poder humano não podia fazer inimigas no grande conflito (ver com. de
pela cidade, o poder divino fez. Deus fez de Is 14:4; Ap 17:5; 18:24; sobre a queda literal
Jerusalém uma fortaleza e cidade de salva- de Babilônia, ver Is 13:19-22; sobre a queda
ção, cujos muros eram intransponíveis. da Babilônia espiritual, ver Ap 16:19; 17:16;
2. A nação justa. Jerusalém será cha- 18:2, 6, 8, 20-23; 19:2).
mada "cidade de justiça, cidade fiel" (Is 1:26), 6. Os pés dos aflitos. Isto é, do povo
porque seus habitantes serão santos e justos. oprimido de Deus (ver com. de Mt 5:3).
Apenas os que são leais a Deus e que O ser- Antigamente, os conquistadores eram repre-
vem com fidelidade podem esperar entrar sentados em monumentos de vitória com os
"na cidade pelas portas" (Ap 22:14; ver com. pés no pescoço dos inimigos conquistados.
de Mt 7:21-27). Esta passagem diz que o afligido e o humilde
Que guarda a fidelidade. Isto é, "per- pisarão os pés sobre a orgulhosa Babilônia,
manece fiel". que se prostrará perante eles. O fiel povo
3. Em perfeita paz. Literalmente, de Deus por muito tempo suportou a cruel
"em paz, paz". Paz perfeita será a herança opressão de Babilônia, mas os papéis se
dos santos no reino de Deus, e pode ser a inverterão. Babilônia será humilhada no pó,
feliz experiência dos filhos de Deus no pre- e o povo de Deus triunfará sobre ela. Isaías
sente. Perfeita submissão à vontade divina 14:2 diz: "cativarão aqueles que os cativaram
traz a bênção da serenidade perfeita. O cris- e dominarão os seus opressores". O mesmo
tão maduro está em paz com Deus, con- se dará com a Babilônia espiritual.
sigo mesmo e com o mundo ao redor. Paulo 7. Plana. Literalmente, "suave" ou
fala dessa experiência (2Co 11:23-28; "nivelada".
cf. Is 4:8-IO), propõe uma filosofia do sofri- Tu, que és justo. Deus é justo ao lidar
mento (2Co 4:17, 18) e expressa a segurança com justos e ímpios. Ele abre o caminho
de quem confia em Deus (Fl4:7). Problemas para aqueles que O servem, guiando-os nas
e agitação podem rodear o povo de Deus, veredas da justiça e direcionando-os sempre
contudo, ele ainda desfruta calma e paz de adiante e acima em direção aos portões da
espírito das quais o mundo nada sabe. Essa cidade eterna.
paz interior se reflete no semblante alegre, Aplanas. Literalmente, "suavizas", "nive-
temperamento tranquilo e na vida fervorosa las". Em vez de "aplanas a vereda do justo",
que estimula as pessoas ao redor. A paz do o rolo 1Qis" do Mar Morto diz: "faz seguro
cristão não depende das condições de paz o caminho dos justos".
no mundo, mas se o Espírito de Deus habita 8. Juízos. Ver com. de Sl119:7.
em seu coração (ver com. de Mt ll:28-30; O desejo. Os justos anseiam ser como
Jo 14:27). Deus e estar com Ele. O "nome" de Deus
4. O SENHOR Deus. Ver com. deIs 12:2. revela Seu caráter e vontade. O desejo sin-
Uma rocha eterna. Cristo é a "Rocha cero do povo de Deus é de uma manifestação
eterna" para todos os que aprendem a con- plena de Sua vontade, para que possa andar
fiar nEle (Is 17: lO; ver com. de Dt 32:4; Mt nos caminhos e propósitos divinos.
16:18; 1Co 10:4). 9. Com minha alma. A alma de Isaías
5. Na cidade elevada. Talvez Babilônia suspira por Deus como a do salmista (SI42:l,
(ver com. de Is 25:2), a cidade cujo rei 2; 62:1, 5; 63:1, 5, 6). Quer o ser humano

205
26: lO COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

compreenda ou não, os desejos do coração a se submeter ao seu controle, mas reconhe-


só podem ser satisfeitos com o conhecimento cia apenas um Senhor: Deus. Louvar o nome
de Deus e a comunhão com Ele. Sem Deus, de Deus é honrá-Lo e ser fiel a Ele.
sempre falt ará algo no coração e na vida que 14. Mortos. Isto é, os inimigos de Israel
nada neste mundo pode suprir plenamente. que buscaram destruí-lo. Isso aconteceu com
Teus juízos. Os juízos de Deus impres- o exército egípcio no Mar Vermelho e com
sionam a todos, exceto pecadores insensíveis. os assírios sob o comando de Senaqueribe.
Por meio desses juízos, muitos se retiram dos 15. Aumentaste o povo. Isto é, Judá .
caminhos do mal para trilhar as veredas da Em contraste, todos os inimigos de Judá
~ .,. justiça. Há aqueles que se preocupam tanto pereceram (v. 14). A cena de vitória retra-
com as coisas deste mundo que nada, a não tada se cumprirá somente quando Cristo
ser os juízos divinos, os despertarão. tiver todos os inimigos sob Seus pés (SI ll 0: l;
10. Favor. O oposto de "juízos" (v. 9). Mt 22:44) e quando "os reinos deste mundo"
A prosperidade não consegue obter o mesmo forem sujeitados ao Seu governo sábio e justo
que a adversidade. Alguns não apreciam a (ver Dn 2:44; Ap 11:15). Deus cumprirá na
bondade nem aprendem com ela. Embora Terra renovada o que teria cumprido em
rodeados de uma atmosfera de bondade e Israel se a nação tivesse sido fiel a Ele (ver
justiça, eles não correspondem, mas conti- p. 14-1 7).
nuam agindo de forma injusta. Não perce- A todos os confins da terra dila-
bem que Deus sabe e se importa. taste. De acordo com o plano original de
11. Nem por isso a veem. Quando Deus , as fronteiras de Israel seriam esten-
Deus ergue a mão para guiar e proteger Seu didas pouco a pouco até que abarcassem o
povo, os ímpios não veem. Isso acontece por- mundo todo (ver p. 15-17). Quando Israel
que estão cegos para as coisas espirituais. No rejeitou a Cristo, e foi, por sua vez, rejeitado,
entanto, virá o tempo quando serão força- a igreja cristã herdou a promessa da expansão
dos a ver. Então, se envergonharão da esco- nacional, a ser cumprida definitiva e comple-
lha que fizeram . tamente na nova Terra (ver p. 17, 21 , 22).
Zelo. Do heb. qin'ah, "ardor", "pai- 16. Na angústia Te buscaram. Eles
xão", "zelo". Esta parte do v. ll se harmo - buscaram a Deus como resultado do castigo.
niza melhor com o contexto da seguinte Dificuldades estimulam a busca sincera de
forma: "verão [Teu] ardor por [Teu] povo, e pessoas ansiosas por livra mento.
se envergonharão". 17. Como a mulher. A comparação
O Teu furor, por causa dos Teus expressa a amarga angústia e consternação
adversários. Isto é, "o fogo [reservado] para do povo de Deus na hora da provação (Jr 4:31;
Teus inimigos". 6:23, 24; 30:6; ver com. de Is 13:8) . Essa
12. Concede-nos a paz. Fogo para os dolorosa exp eriência será seguida de uma
inimigos de Deus (v. li ), mas para os jus- eternidade de alegria (ver ]o 16:20, 21).
tos , paz. 18. O que demos à luz foi vento.
Por nós. Deus trabalha constantemente Séculos de esforço não parecem ter produ-
por Seu povo, nunca contra ele. As provas zido resultados dignos. Israel sentia ter ser-
e decepções que experimentam são para vido a Deus em vão. As gloriosas promessas
seu bem. não foram cumpridas. Nas p. 14 a 17, há um
13. Outros senhores. Provavelmente esboço do plano original de Deus para Israel,
uma referência a nações como Egito e e o frac asso da nação em cumprir o plano
Assíria. Por algum tempo, Israel foi forç ado divino e receber as bênçãos prometidas .

206
ISAÍAS 26:21

19. Os vossos mortos. Das experiências eram mortos, o povo de Deus devia perma-
insatisfatórias do presente, a atenção do pro- necer nos seus lares (Êx 12:22, 23). Durante
feta é dirigida novamente às alegrias glorio- as sete pragas, Deus convida Seu povo a fazer
sas do futuro, quando "os mortos em Cristo dEle seu esconderijo, que Ele seja para eles
ressuscitarão" para estar com o Senhor (lTs "refúgio e fortaleza, socorro bem presente
4:16, 17). Ezequiel comparou a restauração nas tribulações" (SI 46:1). Assim protegido,
dos judeus após o cativeiro babilônico à res- Seu povo não deve temer "ainda que a terra
surreição dos mortos (Ez 37: 1-14). A liberta- se transtorne e os montes se abalem no seio
ção do poder do inimigo foi um símbolo da dos mares" (Sl46:2; cf. 25:5; 91:1-10). A ira
libertação maior do poder de Satanás e da de Deus dura "por um momento" (Is 54:8; cf.
morte. O retorno dos judeus da Babilônia Sl30:5). O juízo é, para o Senhor, "obra estra-
histórica prefigurou a libertação de todo o nha" (Is 28:21); mas o momento da ira divina
povo de Deus da Babilônia espiritual (ver contra os ímpios é também o de livramento e
com. de Ap 18:2, 4). triunfo do povo de Deus .
Que habitais no pó. Isto é, na sepul- 21. Descobrirá o sangue. Esta Terra
tura (Gn 3:19 ; Ec 12:7). está poluída por crimes e por sangue inocente
20. Ira. Isto é, a ira de Deus contra os ini- derramado, que clama por vingança, como
migos. A "ira" de Deus tomará forma nas sete o sangue de Abel (Gn 4:10; Ap 6:10; 18:20,
últimas pragas (Ap 14:10; 15:1; cf. Is 34:2; 24; 19:2; sobre a vingança do Senhor sobre os
R, ._ Na 1:6). Enquanto os primogênitos no Egito ímpios, ver Mq 1:3-9; Jd 14, 15; Ap 19:11 -21).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-4 - Ed, 167 4- MCH, 10; PP, 413; PR, 278; T6, 195,404
2 - MCH, 266; PR, 366; TM, 386 20, 21 - PJ, 178; GC, 634;
HR, 413; Tl, 61 7- TM, 438 PR, 725; TM, 182
3 - AA, 510 ; PJ, 174; DTN, 9- PR, 309 21 - Ev, 26 ; GC , 657; PR,
33 1; OE , 263; MDC, 32, 9, 10 - PP, 332 278; PP, 339; HR, 415 ;
55; CBV, 289; MCH, 10, 19 - DTN, 786; PE , 16; GC, TM, 458 ; T2, 446;
181, 336, 338; PR, 545; 300;PR, 728;T1,60 T7, 141; T8, 53
HR, 317; T2, 327 20 - Ed, 181; FEC, 545;

CAPÍTULO 27
1 O cuidado de Deus para com Sua vinha. 7 As punições divinas
diferem dos juízos. 12 Os judeus e os gentios.

1 Naquele dia, o SENHOR castigará com a Sua 3 Eu, o SENHOR, a vigio e a cada momento a
dura espada, grande e forte , o dragão, serpente regarei; para que ninguém lhe faça dano, de noite
veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o e de dia Eu cuidarei dela .
monstro que está no mar. 4 Não há indignação em Mim. Quem Me dera
2 Naquele dia, dirá o SENHOR: Cantai a vinha espinheiros e abrolhos diante de Mim! Em guer-
deliciosa I ra, Eu iria contra eles e juntamente os queimaria .

207
27:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

5 Ou que homens se apoderem da Minha deserto; ali pastam os bezerros, deitam-se e de-
força e façam paz comigo; sim, que façam paz voram os seus ramos.
comigo. 11 Quando os seus ramos se secam, são que-
6 Dias virão em que Jacó lançará raízes, flores- brados. Então, vêm as mulheres e lhes deitam
cerá e brotará Israel, e encherão de fruto o mundo. fogo, porque este povo não é povo de entendi-
7 Porventura , feriu o SENHOR a Israel como mento; por isso, Aquele que o fez não Se com -
àqueles que o feriram? Ou o matou, assim como padecerá dele, e Aquele que o fo rmou não lhe
àqueles que o mataram? perdoará.
8 Com xô!, xô! e exílio o tratas te ; com forte 12 Naquele dia , em que o SENHOR debulha-
sopro o expulsaste no dia do vento oriental. rá o seu cereal desde o Eufrates até ao ribeiro
9 Portanto, com isto será expiada a culpa de do Egito; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhi-
Jacó, e este é todo o fruto do perdão do seu pecado: dos um a um .
quando o SENHOR fizer a todas as pedras do altar 13 Naquele dia, se tocará uma grande trom-
como pedras de cal feitas em pedaços, não fica- beta, e os que andavam perdidos pela terra da <4 ~
rão em pé os postes-ídolos e os altares do incenso. Assíria e os que forem desterrados para a terra
lO Porque a cidade fortificada está solitária, do Egito tornarão a vi r e adorarão ao SENHOR no
habitação desamparada e abandonada como um monte santo em Jerusalém .

I. Leviatã (ARC). Ver com. de Jó seria um monstro simbólico bastante apro-


41:1; Sl 74:13, 14. Na mitologia cananeia priado para designar o Egito. Havia muitos
antiga, "leviatã " era uma serpente de sete crocodilos no rio Nilo. Isaías (cap. 27, 30, 31)
cabeças qu e lutava contra os deuses e as menciona várias vezes o Egito, e isso tende a
forças do bem, portanto, era considerado confirmar a ideia de que o "leviatã" aqui seja,
uma incorporação das forças do mal. Textos em primeiro lugar, símbolo do Egito (compa-
cananeus antigos de Ras-Shamra (ver vol. I , rar o "dragão", em Is 27:1 , com o de Ez 29:3;
p. 107, 108) falam de um monstro, "Lotã", cf. Is 32:2 , 4).
de sete cabeças, o qual se crê ser o mesmo O Apocalipse descreve Satanás como
referido n a Bíblia como "leviatã" (do heb. "um dragão, grande, vermelho, com sete
liwyathan). No antigo mito mesopotâ- cabeças" (Ap 12:3), e declara que "Miguel
mico da criação, havi a uma tradição de e os seus anjos pelejaram contra o dragão"
um conflito original entre os deuses e e que "foi expulso o grande dragão, a antiga
um dragão. serpente , que se chama diabo e Satanás,
Essas e outras lendas pagãs parecem indi- o sedutor de todo o mundo" (Ap 12:7, 9).
car um conceito confuso, mas persistente, Aquele "dia", quando o Senhor matará o
de Satanás como uma serpente envolvida "leviatã", deve ser o dia quando "o SENHOR
numa luta mortal contra a descendência da sai do Seu lugar, para castigar a iniquidade
mulher (Gn 3:15; cf. Ap 12:3, 4). O "leviatã", dos moradores da terra" (Is 26:21 ). Mas não
em Jó, como fica claro a partir do contexto, é está claro se as palavras de Isaías podem ser
um animal literal (Jó 41:1, ACF), o qual em aplicadas a Satanás.
geral acredita-se ser o crocodilo. O salmista, 2. A vinha deliciosa. Isaías entoou um
referindo-se à destruição do exército egípcio, triste cântico sobre Israel (Is 5:1-7), descrito
no Mar Vermelho, fala que o Senhor fez em como uma vinha infrutífera. Nesta passagem,
pedaços "as cabeças do leviatã" (SI 74:13, o cântico é de alegria, pois a vi.nha finalmente
14, ACF). Um crocodilo de muitas cabeças enche de frutos o mundo todo (Is 27:6).

208
ISAÍAS 27:9

3. Eu, o SENHOR, a vigio. O contraste um contraste entre o modo como Deus lid a
entre esta vinha e a anterior é marcante. com Seu povo e como lida com os inimigos.
Em Isaías 5:1-7, o Senhor tirou a cerca da O povo de Deus pode sofrer prova e tribu-
vinha, deixou-a desolada e ordenou que chuva lação, mas não será destruído por completo.
nenhuma caísse sobre ela. No exemplo ante- Deus "fere" Seu povo para o benefício dele
rior, diz-se de forma específica que a vinha (ver Hb 12:5-11 ; Ap 3:19), não para destruí-
era "a casa de Israel, e os homens de Judá" lo, mas para mudar seus defeitos de caráter.
(Is 5:7). Aqui também parece ser assim (ver 8. Com medida (ARC). Ou, possivel-
Is 27:6). Cristo também comparou os discí- mente, "uma medida dupla". A "medida" é
pulos aos ramos de uma videira (Jo 15: 1-8). se'ah (vervol. 1, p. 144, 145; sobre o contexto,
4. Não há indignação em Mim. Deus ver com. do v. 7). O Pai celeste pune Seus
não está irado com Sua vinha. filhos apenas para o bem deles. Seu propósito
Espinheiros e abrolhos. Na vinha não é ferir, mas curar (ver Jr 10:24). Os juí-
anterior, e spinhos e abrolhos tomaram o zos de Deus sobre Seu povo são com clemên-
lugar da vinha original, e o Senhor pronun- cia e misericórdia.
ciou sentença contra Israel (Is 5:6). Espinhos Com forte sopro. Literalmente, "o
e abrolhos representam a obra do inimigo; expulsou [isto é, Judá] com seu alento vee-
Deus os queimará (ver Mt 13:30). mente", ou "ele expeliu seu lento severo".
5. Apoderem da Minha força. Ou, O significado não está totalmente claro.
"minha proteção". Na hora do conflito, O vento oriental era quente, seco, sufocante,
quando o inimigo direciona seus esforços que vinha do deserto, um símbolo apropriado
contra o povo de Deus, a igreja é adver- de morte e destruição (Gn 41:6; Jó 27:21;
tida a buscar a proteção divina. Se a igreja Sl48:7; Jr 18:17; Os 13:15). No sentido figu-
faz isso, os esforços do inimigo não terão rado, esse vento representa juízos que Deus
êxito. O povo de Deus terá feito as pazes permite virem sobre Seu povo. Diz-se que o
com Ele e O terão como amigo. Podem con- "vento oriental" é o "alento" de Deus. A puni-
fiar nEle e, mesmo em meio às maiores pro- ção parecia decorrente de causas naturais,
vações, ficarão em paz. Estas palavras são embora na realidade, fosse ordenada ou per-
particularmente apropriadas ao tempo de mitida por Deus.
angústia, durante as sete últimas pragas, Expulsaste. Literalmente, a frase diz:
quando Satanás fará tudo o que puder contra "ao mandá-lo embora, contendes com ele".
os santos. Não está claro o sentido exato das palavras
6. Jacó. Isto é, Israel (ver com. de Gn 32:28). de Isaías. Pode ser que esteja se referindo ao
Fruto. Ver com. de Is 5:2; Jo 15:2-8. cativeiro babilônico posterior, que era uma
Deus planejou que Israel proclamasse a sal- disciplina (ver ls 48:10; Jr 30:11-17; Os 2:6-
vação ao mundo todo (ver p. 15 -17). Quando 23; Mq 4:10-12).
a nação de Israel falhou, a tarefa foi dada ao 9. A culpa de Jacó. É propósito do
Israel espiritual, os cristãos. A igreja, com- Senhor purificar Seu povo, não destruí-lo
~ ~ posta de gentios e judeus, é representada (ver com. dos v. 7, 8). A punição do v. 8 é ins-
por ramos injetados para substituir os ramos trumento de purificação.
naturais rejeitados da árvore de Israel (ver O fruto. Isto é, o resultado. O "fruto"
Rm ll:ll , 12, 15-26). da punição, arrependimento e perd ão, será a
7. Feriu o SENHOR a Israel [... ]? remoção de todo vestígio de idolatria. O cati-
Feriu Deus o Seu próprio povo como feriu veiro babilônico curou a idolatria dos judeus
os que guerreavam contra ele? Isaías traça (PR, 705).

209
27:10 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Como pedras de cal. As pedras do altar compararam os ímpios a árvores cortadas


serão esmagadas como se fossem cal, e os e lançadas ao fogo (Mt 3:10; Jo 15:6). Paulo
postes-ídolos (do heb. 'asherim; ver com . de comparou os judeus aos ramos naturais cor-
Êx 34:13; Dt 7:5; 16:21; 2Rs 17:10) serão des- tados e substituídos pelos ramos enxertados:
truídos. Deus permite que provações sobre- a igreja (Rm 11:12-20).
venham a Seu povo a fim de purificá-lo de 12. Naquele dia. Ver com. deIs 26:1, 2.
suas iniquidades. Debulhará. Literalmente, "bater", isto é
10. A cidade fortificada. Isto é, Jeru- "trilhar [grão]", a fim de separá-lo da palha.
salém, como símbolo do povo de Deus. Esse é o grande dia do juízo, quando o trigo
O que era uma cidade florescente se tor- é reunido no celeiro celestial e a palha é
naria um deserto. Onde havia casas, seria queimada (JI 3:13; Mt 3:12; 13:39, 40;
pasto (ver Is 7:23-25). Esta profecia se cum- Ap 14:14-19).
priu um século depois , em 586 a.C. (ver Ribeiro do Egito. A terra prometida a
Dn 9:16, 17). Israel se estendia do rio Eufrates ao rio do
11. E lhes deitam fogo. Esta é uma Egito (ver com. de Gn 15:18; 1Rs 4:21; 8:65).
continuação da última parte do versículo As nações dentro dessas fronteiras seriam
anterior. Uma árvore cujos ramos não têm "debulhadas", e suas terras , dadas ao povo
folhas (v. 10) murcha e morre. A madeira escolhido de Deus.
fica seca. Os ramos são cortados e usados Um a um. Deus reúne os justos um a um,
como lenha para o fogo. A metáfora é seme- não coletivamente, mas como indivíduos.
lhante à de Ezequiel 31:12 e 13, em que a 13. Naquele dia. Ver com. de Is 26:1;
queda da Assíria é comparada a uma árvore 1l:l6; sobre a libertação de Israel do cati-
cujos ramos caem. João Batista e Jes us veiro, ver p . 16 , 18.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

2, 3- PR, 22 488; OTN, 259; FEC , 7 19; PP, 726; HR, 98; Te,
3- PJ, 218; FEC, 264 465; GC , 619; MDC, 195 ; TM, 191; T2, 287;
5- LA, 207, 214; OC, 478; 144; CBV, 90, 248; T3, 240; T5, 471; T8, 177
CS, 539; PJ, 156, 388 , MCH, 14, 316, 318; MS, 6 - PR , 22, 703
418; CM , 87; CPPE , 156, 42 ,28~ PR,326, 58~

CAPÍTULO 28
1 O profeta condena Efraim por seu orgulho e embriaguez. 5 O remanescente entrará
no reino do Messias. 7 Reprovado o erro. 9 A falta de vontade de aprender, 14 e a
segurança dos fiéis. 16 A promessa do Messias. 18 A segurança será provada.
23 O povo é exortado a considerar a sábia providência divina.

I Ai da soberba coroa dos bêbados de 2 Eis que o Senhor tem certo homem va-
Efraim e da flor caduca da sua gloriosa for- lente e poderoso; este, como uma queda de
mosura que está sobre a parte alta do fertilís- saraiva, como uma tormenta de destrui ção e
simo vale dos vencidos do vinhol como um a tempestade de impetuosas ág uas

210
ISAÍAS 28:1

que transbordam, com poder as derribará por passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, por-
terra. que, por nosso refúgio, temos a mentira e debai-
3 A soberba coroa dos bêbados de Efraim xo da falsida de nos temos escondido.
será pisada aos pés. 16 Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis
4 A flor caduca da sua gloriosa formosura , que Eu assentei em Sião uma pedra, pedra já pro-
que está sobre a parte alta do fertilíssimo vale, vada, pedra preciosa, angular, solidamente assen-
será como o figo prematuro, que amadurece antes tada; aquele que crer não foge.
do verão, o qual, em pondo nele alguém os olhos, 17 Farei do juízo a régua e da justiça, o
mal o apan ha, já o devora. prumo; a saraiva varrerá o refúgio da mentira, e
5 Naquele dia, o SENHOR dos Exércitos será a as águas arrastarão o esconderijo.
coroa de glória e o formoso diadema para os res- 18 A vossa aliança com a morte será anula-
tantes de Seu povo; da, e o vosso acordo com o além não subsistirá;
6 será o espírito de justiça para o que se as- e, quando o dilúvio do açoite passar, sereis es-
senta a julgar e fortaleza para os que fazem re- magados por ele.
cuar o assalto contra as portas. 19 Todas as vezes que passar, vos arrebata-
7 Mas também estes cambaleiam por causa rá, porque passará manhã após manhã, e todos
do vinho e não podem ter-se em pé por causa os dias, e todas as noites; e será puro terror o só
da bebida forte ; o sacerdote e o profeta camba- ouvir tal notícia.
leiam por causa da bebida forte, são vencidos pelo 20 Porque a cama será tão curta, que nin- •8
vin ho, não podem ter-se em pé por causa da be- guém se poderá estender nela; e o cobertor, tão
bida forte ; erram na visão, tropeçam no juízo. estreito, que ninguém se poderá cobrir com ele.
8 Porque todas as mesas estão cheias de vô- 21 Porque o SENHOR Se levantará , como
mitos, e não há lugar sem imundícia . no monte Perazim, e Se irará, como no vale de
9 A quem, pois, se ensinaria o conhecimen- Gibeão, para realizar a Sua obra, a Sua obra es-
to? E a quem se daria a entender o que se ouviu? tranha, e para executar o Seu ato, o Seu ato
Acaso, aos desmamados e aos que foram afasta- inaudito.
dos dos seios maternos? 22 Agora, pois, não mais escarneçais, para
lO Porque é preceito sobre preceito, preceito que os vossos grilhões não se façam mais fortes;
e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais porque já do Senhor, o SENHOR dos Exércitos,
regra ; um pouco aqui, um pouco ali. ouvi falar de uma destruição, e essa já está de-
ll Pelo que por lábios gaguejantes e por lín- terminada sobre toda a terra.
gua estran ha falará o SENHOR a este povo, 23 Inclinai os ouvidos e ouvi a minha voz;
12 ao qual ele disse: Este é o descanso, dai atendei bem e ouvi o meu discurso.
descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas 24 Porventura, lavra todo dia o lavrador,
não quiseram ouvir. para semear? Ou· todo dia sulca a sua terra e a
13 Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será esterroa?
preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; 25 Porventura, quando já tem nivelado a su-
regra sobre regra, regra e mais regra ; um pouco perfície, não lhe espalha o endro, não semeia o
aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para cominho, não lança nela o trigo em !eiras, ou ce-
trás, e se quebrantem, se enlacem, e sejam presos. vada, no devido lugar, ou a espelta, na margem?
14 Ouvi, pois, a palavra do SENHOR, homens 26 Pois o seu Deus assim o instrui devida-
escarnecedores, que dominais este povo que está mente e o ensina.
em Jerusalém. 27 Porque o endro não se trilha com
15 Porquanto dizeis: Fizemos aliança com instrumento de trilhar, nem sobre o cominho se
a morte e com o além fi zemos acordo; quando passa roda de .carro; mas com vara se sacode o

2 11
28:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

endro, e o cominho, com pau. carro e os seus cavalos.


28 Acaso, é esmiuçado o cereal? Não; o lavra- 29 Também isso procede do SENHOR dos
dor nem sempre o está debulhando, nem sempre Exércitos; Ele é maravilhoso em conselho e gran-
está fazendo passar por cima dele a roda do seu de em sabedoria.

I. Soberba coroa. Ou, "a orgulhosa 5. Os restantes. Quando Israel caiu, os


coroa". de Judá permaneceram relativamente fiéis ao
Bêbados de Efraim. Este capítulo é Senhor, e para eles o Senhor era uma coroa
a única mensagem de Isaías de reprovação de glória (ver Os 1:6, 7; 4:15-17; 11:1 2) .
dirigida especificamente ao reino do norte 6. O espírito de justiça. Deus deu
(embora se mencione também Jerusalém no ao bom rei Ezequias espírito de sabedo-
v. 14). Portanto, deve ter sido transmitida antes ria e bom juízo que, em tempos de crise, o
da conquista de Samaria pelos assírios em capacitaram a tomar sábias decisões. Isso
723/722 a.C. Samaria, a "soberba coroa" de salvou a nação da destruição que sobre-
uma nação de bêbados, foi repreendida mais veio a Israel no norte. Deus promete este
de uma vez pela embriaguez (Am 4:1, 2; 6:1, espírito de discernimento aos líderes em
6). Com frequência, os profetas advertiram todo tempo.
sobre esse vício (Is 5:11, 12; 28:7, 8). Porém, Contra as portas. Ou, "às portas". Os
como deixa claro o contexto, Isaías se refere assírios tinham avançado aos portões de
em primeiro lugar aos líderes do reino do Jerusalém, e sua queda parecia inevitável,
norte, que estavam bêbados tanto literal como mas o Senhor fez as hostes assírias retroce-
figuradamente e eram incapazes de guiar a derem e Judá foi salvo (ver Is 37:35 -37).
nação em harmonia com a vontade de Deus. 7. Também estes cambaleiam.
Da flor caduca. Desde a morte de O povo de Judá, em particular seus líde-
Jeroboão 11, em 753, até a queda do reino, res, também tinham se tornado escravos
30 anos depois, todos puderam ver como do vinho. Mesmo os sacerdotes e profe-
diminuía a força e a glória de Israel. O reino tas, que deveriam dar exemplo, se desvia-
estava se desintegrando com rapidez (ver ram. Na embriaguez, eles cambaleavam e
com. de 2Rs 15:29; 1Cr 5:26). Quando Isaías perambulavam fora do caminho. Os falsos
transmitiu esta mensagem, a nação era, de profetas estavam embriagados enquanto
fato, uma "flor murcha" (NVI) . apresentavam suas mensagens, e os sacer-
Fertilíssimo vale. Samaria ficava num dotes tropeçavam em seu serviço sagrado. · ~
vale bonito e fértil. Ao se entregarem ao vinho e à bebida forte,
2. Homem valente. Isto é, Assíria, o eles já não podiam fazer "diferença entre
"cetro" da "ira" divina (ver com. de Is 7:17- o santo e o profano e entre o imundo e o
20; 10:5). limpo" (Lv 10:9, 10).
3. Pisada. Isto é, pelos invasores assírios. Tropeçam no juízo. Literalmente, "con-
4. Figo prematuro. Ver com. de Me fusos". Eles não podiam pensar com clareza
11 :13. A plantação regular era colhida no mês e lógica.
de agosto . Os primeiros figos, que amadu- 8. Não há lugar sem imundícia.
reciam em junho, eram considerados uma Retratam-se as piores características da
iguaria especial (ver Os 9:10; Mq 7: 1). Eram embriaguez (ver v. 8). Os sacerdotes e o povo
colhidos com rapidez e logo devorados. Assim estavam contaminados, literal e espiritual-
seria com Samaria. mente.

212
ISAÍAS 28:15

9. A quem, pois, se ensinaria [...]? Os encontraram o descanso que lhes pertencia


sacerdotes e profetas, cujo ofício era ensi- (ver também com. de Hb 3:18, 19; 4:1-ll).
nar o povo, tinham se desviado e, portanto, 13. Caiam para trás. Deus falou a Seu
não podiam exercer suas responsabilidades povo com clareza e simplicidade, e ele não
(ver com. de Mt 23:16). A mente deles estava tinha desculpas. Assim, os conselhos, que
tão obscurecida que Deus não podia lhes tinham o propósito de trazer bênçãos, se
ensinar. Portanto, era necessário que fossem colocavam como testemunhas contra eles.
postos de lado e que novos líderes fossem A "principal pedra , angular" da verdade
escolhidos: homens que fossem humildes tinha se tornado para eles "pedra de tropeço
e dispostos, zelosos e espirituais. Os anti- e rocha de ofensa" (l Pe 2:6-8; cf. Is 28: 16).
gos líderes cuja mente estava empalidecida O que lhes foi dado como auxílio se tornou
deviam ser substituídos por homens a quem motivo para queda (ver com. de Rm 7:10).
Deus pudesse transmitir Suas mensagens 14. Homens escarnecedores. Os
de verdade e sabedoria. Embora os sacerdo- líderes do povo de Deus rejeitaram a ins-
tes mais experientes pudessem considerá- trução divina e escarneceram das advertên-
los como bebês, eram humildes, submissos cias dadas a eles. Isaías estava se dirigindo
e capazes de aprender os caminhos de Deus. aos mesmos homens que, em sua sabedoria
10. Preceito sobre preceito. A ver- mundana, tinham zombado de seus ensina-
dade deve ser apresentada de forma clara e mentos e persistiram em defender uma polí-
lógica, um ponto conduzindo naturalmente tica que resultaria na ruína nacional. Com
ao outro. Só assim os seres humanos podem palavras amargas de reprovação, Isaías lhes
conhecer a fundo a verdade. A instrução deve advertiu em linguagem inconfundível sobre
ser dada como se fosse para crianças, repe- o destino que lhes aguardava (ver com. dos
tindo o mesmo ponto vez após vez, e indo de v. 21-23).
um ponto ao outro por meio de etapas fáceis 15. Dizeis. Os escarnecedores do v. 14
e suaves, de modo que pessoas cuja mente falam, e essa é sua resposta sarcástica à men-
foi obscurecida pelo pecado sejam capazes sagem solene de advertência registrada nos
de a acompanhar. Tal instrução pode pare- v. 1 a 13.
cer simples, mas é eficaz. Aliança com a morte. Isaías tinha
11. Língua estranha. Isto é, "uma lín- advertido que esses homens cairiam para trás,
gua estrangeira". Deus tinha falado ao povo que se quebrantariam e seriam enlaçados e
na língua deles por meio de Seus m ensa- presos (v. 13). Os escarnecedores, porém, ape-
geiros, os profetas, mas eles não ouviram. nas riam e expressavam despreocupação. A
Então, falaria com eles por outros meios, pri- morte, diziam eles, tinha concordado em dei-
meiramente os assírios e, mais tarde, os babi- xá-los viver a despeito dos decretos do Céu.
lônios, os persas e os romanos. Paulo aplica Declararam que certamente não morreriam
esta passagem a homens cujo falar era incom- por seus erros (ver com. de Gn 3:4).
preensível aos ouvintes (lCo 14:21). Além. Do heb. she'ol, o reino figurado
12. Este é o descanso. O verdadeiro dos mortos (ver com . de Pv 15:11). She'ol é
descanso só pode ser encontrado se a reve- apresentado de forma figurada como uma
lada vontade de Deus for ouvida e obede- nação estrangeira com a qual os "escarnece-
cida. Jesus convidou os cansados a ir a Ele, dores" fizeram a aliança. O rei dessa nação
e prometeu dar-lhes descanso (Mt 11 :28). é a "morte".
No entanto, Israel e Judá recusaram ouvir Esses líderes do povo professo de Deus
(ver com. de Is 6:9, lO) e, por isso, não eram tão vis e réprobos que escarneciam

213
28: 16 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

abertamente da verdade e da justiça. O ímpio correta para com Deus e para com o próximo
rei Acaz, pai de Ezequias, fez uma aliança (ver com. de Mt 5:19-22), enaltecendo e hon-
com a Assíria e aceitou os deuses e os cultos rando a lei (Is 42:21). Isaías continua a figura
assírios; de fato, substituiu o altar do Senhor do v. 16, extraída da construção de um edi-
em Jerusalém por um altar pagão (2 Rs 16:7- fício. A igreja de Deus teria a Cristo como
18). Eles esperavam escapar dos açoites ser- "pedra angular", e se lhe exigiria alcançar as
~ .,_ vindo ao diabo. normas divinas de retidão e justiça (ver com.
O dilúvio do açoite. Isto é, os juízos de Mq 6:8; cf. 1Pe 2:5-10).
divinos que Isaías tinha predito (ver Is 8:8). Prumo. Um prumo é usado para deter-
Nosso refúgio. Os escarnecedores minar se muros, janelas e portas estão em
falavam de suas p róprias crenças e políticas harmonia com o fundam ento, para que a
como "mentira". Eles sabiam que estavam construção seja estável e simétrica.
falando falsidades, m as por alguma razão Saraiva varrerá. Somente uma estru-
preferiam isso à verdade . tura construída sobre Cristo e Seus padrões
16. Sião. Ver com . de Sl 48:2 . de justiça, retidão e verdade pode permane-
Uma pedra. Os líderes de Judá, com- cer segura (ver com. de Mt 7:24-27). Aqueles
pletamente enganados, estavam construindo que constroem sobre um fundamento falso
sobre a areia. Ruína e destruição seria o des- verão que sua estrutura não pode suportar
tino inevitável da nação se os líderes con- a prova do tempo (comparar com Ap 16:21).
tinu assem no m au caminho (ver com . de O refúgio. Isto é, o refúgio de mentiras
Is 3:12). Necessitava-se melhor fundamento. (ver com. do v. 15).
Pedra preciosa, angular. O Messias 18. Aliança com a morte. Ver com. do
(ver Mt 2 1:42; At 4: lO, ll ; Rm 9:33; E f 2:20; v. 15. Planos que ignoram a Deus resultarão
lPe 2:6-8). Eis a Pedra já provada sobre a em amarga decepção, ao fin al.
qual a igreja podia estar em segurança. Por 19. Todas as vezes que passar. Ou,
mais poderosa que fosse a tempestade a açoi- "quando passar". O profeta continua com a
tar a estrutura erguida, esse fundamento figura de uma enchente que golpeia a casa.
jamais cederia (ver com . de Mt 7:24-27). E ra Os escarnecedores (v. 14) pensavam que tal
comum o uso de antigas pedras angulares enchente jamais viria e que sua estrutura
(ver com. de Mt 21 :42; sobre Cristo como a de mentiras permaneceria (ver Mt 7:26, 27;
Rocha sobre a qual se construiu a igreja, ver cf. 2Pe 3:3-7). Quando o ser humano cair
com. de Mt 16:18). em si, seu despertar será triste, pois sua casa
Não foge. A expressão hebraica pode sig- de mentiras estará se desmoronando ao seu
nificar também "não se alarma", "não age por redor (ver CC, 562).
impulso". Aquele que tem fé em Cristo pode Terror. Somente quando for tarde demais
caminhar ad iante com perfeita confiança; os escarnecedores entenderiam a "notícia",
jamais precisará fugir precipitadamente. Ele ou "mensagem", que Isaías pronunciava con-
não se alarmará em meio a circunstâncias tra eles (ver Jr 8:20), e ela lhes aterrorizaria.
difíceis, mas confiará em Deus (ver com. de 20. A cama será tão curta.
Is 26:3, 4). A figura muda. A "cama" representa a polí-
17. Farei do juízo a régua. Literalmente, tica seguida pelos lídere s d e Jud á. Essa
"porei a justiça como um a linha de medir". política, diziam, traria p az e descanso à
A injustiça prevalecia, mas o Messias (ver nação. Mas Isaías adverte que seria insu-
com . do v. 16) restauraria nos seres humanos ficiente para satisfazer suas necessidades.
o conhecimento do que constitui a conduta Não compreendiam a verdadeira natureza

214
ISAÍAS 28:25

de sua condição como nação e o tipo de Grilhões não se façam mais fortes.
remédio, ou "cama", necessária para trazer A resistência apenas acrescentaria a culpa e
o bem-estar nacional. Suas estratégias eram aumentaria a punição (ver Jr 28:10, 13).
insuficientes para atender as demandas da Uma destruição, e essa já está deter-
situação em que o povo se encontrava. Os minada. Literalmente, "uma decisão para
recursos nos quais confiavam não os sal- aniquilar", isto é, erradicar da terra o pecado
variam. Os esquemas supostamente inte- e extirpar os pecadores.
ligentes, contudo maus, aos quais os seres 23. Inclinai os ouvidos. Nos v. 23 a 29,
humanos com frequência recorrem, certa- Isaías apresenta uma lição tirada do trabalho
mente trarão nada além de decepção e ver- de um agricultor - lavrar, semear e trilhar-,
gonha. O único refúgio seguro em tempos mas deixa a interpretação da parábola para
de dificuldades é confiar no Senhor e fazer o leitor. Assim como existe uma época apro-
o que é reto (ver SI 37:3). priada para cada um desses processos agríco-
21. Como no monte Perazim. Quando las, também o Agricultor celestial, no devido
;::; ~~> Davi foi ungido rei, os filisteus ficaram con- tempo, fará o que deve ser feito (ver Is 5:1-
tra ele, mas foram mortos em Perazim e 7; Tg 5:7). Os escarnecedores (Is 28:14, 21,
Gibeão (lCr 14:8-16). Assim como o Senhor 22) não deveriam se enganar e pensar que
Se manifestou ao derrotar os inimigos de o tempo da colheita pode ser adiado inde-
Davi, também Ele subjugará os inimigos de finidamente. Deus lida com o ser humano
Sião nos últimos dias. segundo suas necessidades individuais, seja
Sua obra estranha. Deus é, por natu- com punição ou com misericórdia, mas sem-
reza, misericordioso, clemente e longânimo pre segundo o que é melhor para cada um
(Êx 34:6, 7; Ez 18:23, 32; 33:11; 2Pe 3:9). (ver OTN, 224, 330; MDC, 150).
É estranho a Ele causar dor e sofrimento, 24. Lavra todo dia. Nenhum lavrador
punição e morte às Suas criaturas. Mas, experiente passará todo o tempo lavrando ou
ao mesmo tempo, Ele "não inocenta o cul- semeando, apesar da importância desses pro-
pado" (Êx 34:7). Às vezes, a justiça divina cessos. Mas é essencial que cada atividade
parece demorar tanto que os seres humanos seja realizada no tempo certo. Nenhum dos
concluem que jamais virá (Ec 8:11; Sf 1:12; processos continua para sempre; assim é com
Ml2: 17; 3: 14) e que podem continuar impu- o Agricultor celestial.
nes nos seus caminhos maus. Todos que 25. Nivelado a superfície. Isto é, "pre-
presumem tirar vantagem da longanimi- parado a superfície". Cada semente é plan-
dade e misericórdia divinas são advertidos tada de forma específica no lugar preparado
de que o juízo é certo (ver Ez 12:21-28; ver para ela. Um tipo de semente é espalhado,
com. de Is 28:14, 22, 23). Quando Cristo outro semeado em fileiras, e ainda outro
vier como guerreiro para subjugar os ini- enterrado em sua cova. Deus adapta Seu
migos (Ap 19:11-21), as pessoas O verão modo de lidar com o ser humano de acordo
atuando num papel que parece bem dife- com o que é melhor para cada um.
rente de tudo o que já viram . O Cordeiro Endro. Do heb. qetsach. Imaginava-se
de Deus então aparecerá como "o Leão da que fosse uma erva cultivada como forra-
tribo de Judá" (Ap 5:5). gem, mas ela foi identificada como Nigella
22. Não mais escarneçais. Ver com. sativa, ou cominho preto. Esta planta cresce
do v. 15. Isaías roga que não mais escar- cerca de 50 em e geralmente tem flo-
neçam das advertências da destruição res amarelas, às vezes, azuis. Suas várias
vindoura. sementes pretas e aromáticas são usadas no

215
28:27 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Oriente como tempero e também para auxi- 28. É esmiuçado o cereal? O objetivo
liar na digestão. do trilho não é esmagar e arruinar o grão,
Cominho. Do heb. lwmmon, o "comi- mas separá-lo da palha. Porém, o método
nho" dos tempos do NT, também Cuminum leve usado para trilhar o cominho (ver com.
cyminum (ver com. de Mt 23:23). Ele se asse- do v. 27) seria ineficaz para trilhar grãos
melha em aroma e aparência às sementes usados para fazer pão. Usava-se com fre-
alcaravia, mas é menos saborosa. Como o quência trilhos pesados, cavalos ou gado,
endro, este também é usado no Oriente para nos casos do trigo, painço, espelta e cevada.
auxiliar na digestão. Da mesma forma, o Senhor precisa empregar
O trigo. Literalmente, "painço", um métodos mais severos ao lidar com alguns.
cereal inferior ao trigo e usado em geral pelas No entanto, mesmo as punições mais pesa-
classes mais pobres. das não duram para sempre. O objetivo de
Cevada. Cereal mais usado pelas clas- Deus não é destruir, mas apenas separar a
ses pobres. O significado da palavra tradu- palha inútil do valioso grão. Quando esse
zida como "devido lugar" é desconhecido. objetivo é atingido, cessa o trilho.
Espelta. Um tipo de trigo de qualidade 29. Maravilhoso em conselho. Os juí-
inferior. zos divinos não se baseiam em vingança, mas
Na margem. Literalmente, "determina em justiça e sabedoria. Quando entende os
uma fron teira". caminhos de Deus, o ser humano O consi-
27. O endro não se trilha. Um fazen- dera, de fato, um maravilhoso conselheiro
deiro que usasse um trilho pesado para tri- (Is 9:6).
lhar sementes, para as quais seria suficiente Grande em sabedoria. Literalmente,
uma leve batida com uma vara, seria consi- "fez grande o êxito". D eus não é só onis-
derado tolo. O que Isaías quer dizer é que ciente, mas também onipotente; não apenas
alguns indivíduos, assim como o endro e o sábio, mas todo-poderoso. Ele não é apenas
cominho, reagem sati~fatoriamente a uma "grande em sabedoria", mas também pode
trilha leve. O Senhor pode lidar de forma fazer com que Seus planos alcancem o resul-
~ "' mais gentil com eles do que com outros. tado pretendido.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

5- GC , 301 , 650; PR, 733 T2, 420, 536, 605; T3, 16, 17- MDC, 151
9-13 - TM, 418 565; T4, 127; TS, 665; 17- Ed, 178; TM, 182, 384
9-17 - TM, 383 T6, 68, 196, 416; T7, 66, 17, 18- GC, 562
lO- AA, 206; LA, 232, 289, 73, 136; T8, 161, 298; 21 - DTN, 582; GC, 627;
481; CEd, 37; OC, 185; T9, 105, 126, 134, 240; P~ l39,628; T5, 77
CES, 68; CPPE, 42 , 129, BS , 77 21, 22- TM, 384, 420
169; Ed, 123; Ev, 51, 152, 13 - TS, 691 23-29- CPPE, 314
199, 201, 338, 344; FEC, 15- GC, 560; TS, 82; 26 - Ed, 219
141 , 268, 288; MCH, 34; T6, 195 26, 29 - FEC , 326; LS, 355;
PR, 325; Te, 158, 169, 16- DTN, 413, 598; CBV, 199
244; Tl, 156, 390; MDC, 152 29- T4, 539

216
ISAÍAS 29: l

CAPÍTULO 29
1 O severo juízo divino sobre Jerusalém. 7 A insaciabilidade dos inimigos. 9 A loucura
13 e a grande hipocrisia dos judeus. 18 Promessas de santificação para os piedosos.

l Ai da Lareira de Deus, cidade-lareira palavras de um livro selado, que se dá ao que


de Deus, em que Davi assentou o seu arraial! sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele respon-
Acrescentai ano a ano, deixai as festas que com- de: Não posso, porque está selado;
pletem o seu ciclo; 12 e dá-se o livro ao que não sabe ler, dizen-
2 então, porei a Lareira de Deus em aperto, e do: Lê isto, peço-te ; e ele responde: Não sei ler.
haverá pranto e lamentação; e ela será para Mim 13 O Senhor disse: Visto que este povo se
verdadeira Lareira de Deus. aproxima de Mim e com a sua boca e com os
3 Acamparei ao derredor de ti, cercar-te-ei seus lábios Me honra, mas o seu coração está
com baluartes e levantarei tranqueiras contra ti . longe de Mim, e o seu temor para comigo consis-
4 Então, lançada por terra, do chão falarás, te só em mandamentos de homens, que maqui-
e do pó sairá afogada a tua fala; subirá da terra nalmente aprendeu,
a tua voz como a de um fantasma; como um 14 continuarei a fazer obra maravilhosa no
cochicho, a tua fala, desde o pó. meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um
5 Mas a multidão dos teus inimigos será como portento; de maneira que a sabedoria dos seus
o pó miúdo, e a multidão dos tiranos, como a sábios perecerá, e a prudência dos seus pruden-
palha que voa; dar-se-á isto, de repente, num tes se esconderá.
instante . 15 Ai dos que escondem profundamente o
6 Do SENHOR dos Exércitos vem o castigo seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras
com trovões, com terremotos, grande estrondo, fazem às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem
tufão de vento, tempestade e chamas devoradoras. nos conhece?
7 Como sonho e visão noturna será a multi- 16 Que perversidade a vossa! Como se o olei-
dão de todas as nações que hão de pelejar contra ro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu
a Lareira de Deus, como também todos os que artífice: Ele não me fez ; e a coisa feita dissesse
pelejarem contra ela e contra os seus baluartes e do seu oleiro: Ele nada sabe.
a puserem em aperto. 17 Porventura, dentro em pouco não se con-
8 Será também como o faminto que sonha verterá o Líbano em pomar, e o pomar não será
que está a comer, mas, acordando, sente-se vazio; tido por bosque?
ou como o sequioso que sonha que está a beber, 18 Naquele dia, os surdos ouvirão as pala-
~ ,. mas, acordando, sente-se desfalecido e sedento; vras do livro, e os cegos, livres já da escuridão e
assim será toda a multidão das nações que pele- das trevas, as verão.
jarem contra o monte Sião. 19 Os mansos terão regozijo sobre regozijo no
9 Estatelai-vos e ficai estatelados, cegai-vos SENHOR , e os pobres entre os homens se alegra-
e permanecei cegos; bêbados estão, mas não de rão no Santo de Israel.
vinho; andam cambaleando, mas não de bebi- 20 Pois o tirano é reduzido a nada , o escar-
da forte . necedor já não existe, e já se acham eliminados
10 Porque o SENHOR derramou sobre vós o todos os que cogitam da iniquidade,
espírito de profundo sono, e fechou os vossos 21 os quais por causa de uma palavra conde-
olhos, que são os profetas, e vendou a vossa ca- nam um homem, os que põem armadilhas ao que
beça, que são os videntes . repreende na porta, e os que sem motivo negam
11 Toda visão já se vos tornou como as ao justo o seu direito.

217
29:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

22 Portanto, acerca da casa de Jacó, assim diz Meu nome; sim, santificarão o Santo de Jacó e
o SENHOR, que remiu a Abraão: Jacó já não será en- temerão o Deus de Israel.
vergon hado, nem mais se empalidecerá o seu rosto. 24 E os que erram de espírito virão a ter en-
23 Mas , quando ele e seus filhos virem a obra tendimento, e os murmu radores hão de aceitar
das Minhas mãos no meio deles, santificarão o instrução.

I. Lareira de Deus. Ou, "Ariel" (ARC). Levantavam-se rampas contra os muros da


Um nome simbólico que se aplica à Jerusalém cidade, e se traziam máquinas de guerra
ou a uma parte dela. Não se conhece a etimo- para derrubar as defesas (ver Jr 33:4; Ez 4:2).
logia e o significado desta palavra, e pode ter Essa é uma boa descrição do método usado
sido cunhada por Isaías. Pode ter sido uma por Senaqueribe para tomar Jerusalém (ver
palavra enigmática semelhante a Sesaque 2Rs 19:32).
(]r 25:26, ARC), que representava Babilônia 4. Lançada por terra. Jerusalém,
(ver com. de Jr 51 :41). Há a possibilidade de o embora não fosse tomada, seria humilhada
nome significar "altar de Deus" (ver Ez 43:15, até ao chão. Completamente humilhado,
16, em que a palavra é traduzida como "altar", Ezequias enviou seus embaixadores ao rei
na ACF). Outros sugerem a tradução "leão assírio, admitindo seu erro, implorando favor
de Deus". Este e os capítulos seguintes pare- e expressando disposição de aceitar as exi-
cem se referir à invasão de Senaqueribe a gências feitas (2Rs 18:14). Jerusalém é com-
Judá e ao inútil cerco a Jerusalém. Antes parada a um inimigo capturado, humilhado
da invasão assíria, Deus deu claras adver- diante de quem o conquistou , com a face
tências dos terrores que sobreviriam . Os no chão e balbuciando votos de submissão,
judeus foram repreendidos pela hipocrisia, na esperança de salvar a vida (ver com. de
teimosia e pelo fracasso em não entender a Lv 19:31; Dt 18: 11).
importância dos eventos anunciados . 5. Inimigos. Isto é, os exércitos que cer-
Acrescentai ano a ano. O povo conti- cavam a cidade.
nuava com seus afazeres sem se preocupar Num instante. Sobre o inesperado livra-
com o futu ro, como se um ano fosse seguir mento de Jerusalém, ver Is 37:36.
ao outro sem mudança na rotina de vida pra- 6. Vem o castigo. Jerusalém seria "visi-
zerosa. Celebravam as festas anuais e con- tada" (ARC) com juízos divinos. Com fre-
tinuavam adorando no templo, contudo se quência emprega-se linguagem similar para
envolviam em crimes que ameaçavam des- descrever os momentos em que Deus Se
truir a nação (ver Is 1:4, 10-13, 21-23). revela (Êx 19: 16; SI 77:18; Hb 12:18, 19;
2. Porei a Lareira de Deus em Ap 8:5; 11:19; 16:18). Aqui, as palavras podem
aperto. O Senhor pronunciou juízo contra ser uma representação figurada dos terrores
Jerusalém , e a cidade será para Ele como da guerra, ou uma descrição literal de alguma
"lareira" - talvez como um "altar" (ver com. terrível convulsão da natureza que açoitou
do v. 1) sobre o qual seus habitantes seriam os exércitos assírios (ver com. de 2Rs 19: 35).
o sacrifício (ver Ez 11:3, 7). 7. Como sonho. Um sonho vem e vai
3. Acamparei ao derredor de ti. rapidamente. As forças assírias desapare-
Jerusalém é retratada como sitiada. Cenas ceriam como um sonho do qual se acorda
como as descritas nesta passagem aparecem (SI 73: 19, 20).
com frequência nas esculturas assírias (ver 8. Como o faminto. Na imaginação dos
~ ,.. com . de Ez 4:2; ver vol. 2, ilustração da p. 47). assírios, eles já tinham engolido Jerusalém .

21 8
ISAÍAS 29:14

Senaqueribe tinha certeza da vitória, mas o povo de Jerusalém do que se o profeta as


Deus de repente frustrou suas expectativas, tivesse escrito e selado, a fim de que não
destruindo o exército sitiador e o enviando pudessem ser lidas. Descrença e desobe-
para casa de mãos vazias (ver Is 37:36, 37). diência tinham impedido de forma tão efi-
9. Tardai (ARC). Isaías convida o povo caz que a luz celestial chegasse até eles,
de Jerusalém a fazer uma pausa nas suas ati- que era como se nunca tivesse sido reve-
vidades para considerar a real natureza de lada. Para os que se recusam a estudar a
sua situação. Bíblia e crer em suas solenes advertências,
Ficai estatelados. Literalmente, "olhem ela é como um livro selado. Os profetas
com espanto um para o outro". deram ao mundo mensagens inspiradas de
Cegai-vos. Literalmente, "contemplai luz e esperança, mas hoje, como outrora,
[com ansiedade] ao redor e olhai". o mundo caminha na escuridão porque se
Bêbados estão, mas não de vinho. recusa a enxergar (ver com. de Os 4:6).
Isaías desvia o olhar dos exércitos assírios 12. Ao que não sabe ler. Isto é, que
e se dirige mais uma vez para o povo de professa não compreender os caminhos de
Jerusalém . Ele lhes havia transmitido uma Deus, como os videntes do v. lO. Uma pessoa
mensagem que podia tê-los feito tremer, mas pode ser sábia nas coisas deste mundo, mas
estavam como em um estupor, incapazes de analfabeta para as coisas de Deus. Ao mesmo
perceber a importância solene da advertên- tempo, alguém pode ser um mero novato nos
cia. Haviam perdido a sensibilidade e a razão, conhecimentos mundanos e, contudo, sábio -.;;,
não por causa da embriaguez, mas porque nas coisas de Deus. Preconceito e descrença
estavam tão ocupados com as questões ter- fecham os olhos do entendimento espiritual
renas que não podiam compreender a men- para o que Deus tem revelado com vistas ao
sagem celestial (ver com. do v. 1). esclarecimento e bênção do mundo.
10. Fechou os vossos olhos. Ver com. 13. Com os seus lábios. O povo de
deIs 6:9, 10. O povo de Judá andava tateando Jerusalém professava religiosidade, mas no
como cegos, como se em letargia (ver com. coração sequer conhecia a Deus. Assim
do v. 9). Os olhos do entendimento estavam também era nos dias de Cristo (ver com.
fechados . Os líderes, cuja responsabilidade de Mt 7:21-23; 15:8, 9; 23:4; Me 7:6-9);
era guiar os assuntos da nação, tinham per- o povo era hipócrita (ver com. de Mt 6:2).
dido todo senso de direção. Os videntes, que A adoração consistia de um ritual despro-
profetizavam por dinheiro, estavam com- vido de verdadeira comunhão com o Céu
pletamente cegos. Deus tinha lhes enviado (ver 2Tm 3:5). Imaginavam que o desempe-
mensagem após mensagem, mas a cada rejei- nho exterior cumpria os requerimentos divi-
ção da luz se tornavam mais cegos, e a per- nos e que mereciam o favor divino (ver com.
cepção da verdade ficou embotada. Nesse de Mq 6:6-8).
sentido é que o Senhor "fechou" os olhos 14. A sabedoria dos seus sábios.
deles (ver com. de Êx 4:21). Quando o ser humano não leva Deus em
11. Toda visão. Isto é, tudo o que Isaías consideração, sua sabedoria se torna tolice.
tinha falado a eles. Por não amar a luz, é deixado na escuridão
Um livro selado. Era comum que (ver 2Ts 2:12; cf. Os 4:6). Essa foi a expe-
documentos fossem enrolados e selados riência dos líderes judeus. Escureceram o
(ver com. de Ne 9:38; ver também ilus- conselho com "palavras sem conhecimento"
tração, vol. 3, p. 67). As mensagens sole- (Jó 38:2), e a luz da nação foi condenada a
nes de Isaías não tinham mais valor para se transformar em trevas.

219
29:15 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

15. Quem nos vê? Buscavam esconder esses representantes de Deus a fim de pro-
a hipocrisia, as motivações e ações, na espe- vocarem sua queda e silenciarem a voz de
rança de que nem o homem nem Deus detec- repreensão.
tassem seu verdadeiro caráter. Sem motivo. Do heb. tohu, traduzido
16. Que perversidade a vossa! Ten- como "sem forma", em Gênesis 1:2. As acusa-
tavam fazer com que o oleiro seguisse as ções com as quais se procurava fazer Isaías
ordens do barro. Achavam que sua sabedo- parecer um ofensor não tinham fundamento.
ria era maior do que a do Criador. Esses líde- Negam ao justo o seu direito. Isto é,
res espirituais eram ateus que, na prática, planejavam deliberadamente perverter a jus-
se mascaravam sob o disfarce da religião. tiça (ver Êx 23:6; Am 5:12; Ml 3:5).
17. Dentro em pouco. Isaías não era 22. Já não será envergonhado. Abraão
só profeta de castigos, mas também de espe- e Jacó aqui representam o verdadeiro povo
rança . Ele era um verdadeiro otimista; não de Deus. Assim como o Senhor tinha liber-
via apenas a escuridão do presente, mas tam- tado os pais da nação, também libertaria
bém a luz gloriosa do futuro (ver com. de Is seus descendentes dos inimigos. O ataque
9:2). Embora Judá perecesse e seus campos de Senaqueribe traria vergonha e temor, mas
férteis não dessem mais frutos, chegaria o Isaías previu um dia melhor, pelo qual os
tempo quando a terra seria novamente frutí- fiéis podiam aguardar.
fera, quando "o deserto se tornará em pomar, 23. Temerão o Deus de Israel.
e o pomar será tido por bosque" (Is 32:15; ver Revela-se a vitória final da justiça. O "tirano"
também Is 35:1; 41:17-19; 55:13). (v. 20) foi reduzido a nada, Israel não seria
18. Os cegos [... ] as verão. Ver com. mais envergonhado (v. 22), e seus filhos, per-
deIs 6:9, lO. Isaías previu um tempo quando didos por muito tempo, seriam reconduzi-
as condições dos v. 1O a 12 seriam revertidas dos ao redil. Quando os fiéis de toda a Terra
(comparar com Is 35:5, 6; 42:7; 52:15; 60:1-5; forem levados ao redil, se juntarão a Jacó em
Lc 1:79; 4:18; Jo 8:12; At 26:17, 18; 2Co 4:4; adoração e servirão ao Senhor.
Ef 1:18). 24. Os murmuradores. No tempo de
19. Os mansos. Chegaria o tempo em Isaías, como no deserto (Êx 17:2, 7; Nm
que o evangelho seria proclamado a todos os 14:22; 20:3; Dt 1:27; 6:16; SI 95:10, 11;
povos da Terra, para o pequeno e o grande, 106:25). Isaías proclama que existe espe-
para o pobre e o rico (ver p. 15 -17). rança até mesmo para o coração mais duro
20. O tirano. O inimigo de Deus e de e rebelde .
Seu povo. Provavelmente, uma referência a Hão de aceitar instrução. Muitos
Senaqueribe e sua fala arrogante (ver v. 5; cf. que erraram (ver Is 28:7; 29: 10-13) esca-
Is 25:4, 5). A verdade aqui declarada se aplica parão das trevas (Is 29: 18) e aprenderão
a todo inimigo que se opõe ao progresso da com as experiências pelas quais passaram.
obra de Deus. Embora a grande maioria do povo não apro-
21. Condenam um homem. Talvez veitasse as mensagens de conselho e adver-
Isaías tivesse sido acusado de falta de patrio- tência repetidamente enviadas por meio do
tismo por causa de suas mensagens de repro- mensageiro de Deus, haveria um pequeno
vação e advertência. Os que são repreendidos "remanescente" (ver Is 1:9, ARC; 11:11, 16;
se voltam contra quem os repreende e tentam etc.) cujo coração reagiria e se voltaria para
inventar meios, embora injustos, de enganar o Senhor.

220
ISAÍAS 30:1

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

9- PE, 123; T5, 259 13-16 - TM, 96 18-24- TM, 383


13- T1, 188 18, 19- CBV, 194; PR, 697; 21- TM, 408
13, 14- T8, 78 T8, 78 22-24 - AA, 382
13-15- TM, 382 18-21 - TM, 96 24- PR, 697

CAPÍTULO 30
1 O profeta adverte o povo por sua confiança no Egito 8 e por menosprezar a palavra
de Deus. 18 As misericórdias de Deus. 27 A ira de Deus e a alegria
do povo com a destruição da Assíria.

1 Ai dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que 10 Eles dizem aos videntes: Não tenhais vi-
executam planos que não procedem de Mim sões ; e aos profetas: Não profetizeis para nós o
e fazem aliança sem a Minha aprovação, para que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, profeti-
acrescentarem pecado sobre pecado! zai-nos ilusões;
2 Que descem ao Egito sem Me consultar, 11 desviai-vos do caminho, apartai-vos da ve-
buscando refúgio em Faraó e abrigo, à sombra reda; não nos faleis mais do Santo de Israel.
do Egito! 12 Pelo que assim diz o Santo de Israel: Visto
3 Mas o refúgio de Faraó se vos tornará em que rejeitais esta palavra, confiais na opressão e
vergonha, e o abrigo na sombra do Egito, em na perversidade e sobre isso vos estribais,
confusão. 13 portanto, esta maldade vos será como a
4 Porque os príncipes de Judá já estão em Zoã, brecha de um muro alto, que, formando uma
e os seus embaixadores já chegaram a Hanes. barriga, está prestes a cair, e cuja queda vem de
5 Todos se envergonharão de um povo que de repente, num momento.
nada lhes valerá, não servirá nem de ajuda nem 14 O SENHOR o quebrará como se quebra o
de proveito, porém de vergonha e de opróbrio. vaso do oleiro, despedaçando-o sem nada lhe pou-
6 Sentença contra a Besta do Sul. Através da par; não se achará entre os seus cacos um que sirva
terra da aflição e angústia de onde vêm a leoa, o para tomar fogo da lareira ou tirar água da poça.
leão, a víbora e a serpente volante, levam a lom- 15 Porque assim diz o SENHOR Deus, o Santo
bos de jumento as suas riquezas e sobre as cor- de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes,
covas de camelos, os seus tesouros, a um povo está a vossa salvação; na tranquilidade e na con-
que de nada lhes aproveitará. fiança, a vossa força, mas não o quisestes.
7 Pois, quanto ao Egito, vão e inútil é o seu au- 16 Antes, dizeis: Não, sobre cavalos fugire-
xílio; por isso, lhe chamei Gabarola que nada faz. mos; portanto, fugireis ; e: Sobre cavalos ligei-
8 Vai, pois, escreve isso numa tabuinha pe- ros cavalgaremos; sim , ligeiros serão os vossos
rante eles, escreve-o num livro, para que fique perseguidores.
registrado para os dias vindouros, para sempre, 17 Mil homens fugirão pela ameaça de ape-
perpetuamente. nas um; pela ameaça de cinco, todos vós fugi-
9 Porque povo rebelde é este, filhos mentiro- reis, até que sejais deixados como o mastro no
sos , filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. cimo do monte e como o estandarte no outeiro.

221
30:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

18 Por isso, o SENHOR espera, para ter mise- 26 A luz da lua será como a do sol, e a do sol ,
~ 1> ricórdia de vós, e Se detém , para Se compade- sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia
cer de vós, porque o SENHOR é Deus de justiça; em que o SENHOR atar a ferid a do Seu povo e
bem-aventurados todos os que n Ele esperam. curar a chaga do golpe que Ele deu .
19 Porque o povo h abitará em Sião, em 27 Eis o nome do SENHOR vem de longe, ar-
Jerusalém ; tu não chorarás mais ; certamente, dendo na Sua ira, no meio de espessas nuvens; os
Se compadecerá de ti , à vo z do teu clamor e, Seus lábios estão cheios de indignação, e a Sua
ouvindo-a , te responderá. língua é como fogo devorador.
20 Embora o Senhor vos dê pão de angústia e 28 A Sua respiração é como a torrente que
água de aflição, contudo, não se esconderão mais transborda e chega até ao pescoço, para peneirar
os teus mestres; os teus olhos verão os teus mestres. as nações com peneira de destruição; um freio de
21 Quando te desviares para a direita e quan- fazer errar estará nos queixos dos povos.
do te desviares para a esquerda, os teus ouvidos 29 Um cântico h averá entre vós , como na
ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é noite em que se celebra fes ta santa ; e alegria de
o caminho, andai por ele . coração, como a daquele que sai ao som da flauta
22 E terás por contaminados a prata que reco- para ir ao monte do SENHOR, à Rocha de Israel.
bre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as 30 O SE NHOR fará ouvir a Sua voz majestosa
tuas imagens de fundição ; lançá-las-ás fora como e fará ver o golpe do Seu braço, que desce com
coisa imunda e a cada uma dirás : Fora daq ui! indignação de ira, no meio de chamas devorado-
23 Então, o Senhor te dará chuva sobre a tua ras, de chuvas torrenciais, de tempestades e de
semente, com que semeares a terra, como tam- pedra de saraiva.
bém pão como produto da terra, o qual será far to 31 Porque com a voz do SENHOR será apa-
e nutritivo; naquele dia, o teu gado pastará em vorada a Assíria, quando Ele a fere com a vara .
lugares espaçosos. 32 Cada pancada castigadora, com a vara ,
24 Os bois e os jumentos que lavram a terra que o SENHOR lhe der, será ao som de tamboris e
comerão forragem com sal, alimpada com pá e harpas ; e combaterá vibrando golpes contra eles.
forqui lha. 33 Porque há muito está preparada a foguei-
25 Em todo monte alto e em todo outeiro ra, preparada para o rei; a pira é profunda e larga,
elevado haverá ribeiros e correntes de águas, no com fogo e lenha em abundância; o assopro do
dia da grande mata nça quando caírem as torres. SENHOR, como torrente de enxofre, a acenderá.

1. Ai dos filhos rebeldes. Isaías ainda mais um pecado ao buscar o auxílio do Egito
tem em m ente a invasão de Senaqueribe, contra a Assíria.
quando Rabsaqué zombou de Ezequias por 2. Refúgio. Isto é, se refugiar na proteção.
confiar no Egito (2Rs 18: 19, 21 ; Is 36:4, 6). À sombra do Egito. Uma terra de sol
Este capítulo mostra que um grupo consi- quase constante e pouca sombra. Nessa
derável de Judá era a favor da aliança com época, o Egito era fraco e incapaz de prestar
o Egito. Em vez de se voltarem para Deus e ajuda efetiva contra a Assíria. Poucos anos
confiarem nEle, esses covardes se rebelaram depois disso, o Egito foi invadido pelos exérci-
contra Deus e buscaram o auxílio dos pagãos. tos de Esar- H a dom e Assurbanípal (ver vol. 2,
Para acrescentarem pecado sobre p. 37). O grupo de Judá que era a favor do
pecado. Foi por causa dos pecados de Judá Egito e que lhe pediu ajuda não p ediu con-
que se p ermitiu aos exércitos assírios mar- selho a Deus porque sabia que estava agindo
char contra a nação. Desta vez, Judá cometeu contrariamente à Sua vontade. Ao entrar na

222
ISAÍAS 30: ll

terra prometida, Israel foi proibido de fazer pelo Neguebe e pelo deserto do Egito para
;;;"' aliança com os povos vizinhos (Êx 23:32, 33; buscar ajuda de uma nação da qu al D eus os
Dt 7:2; Jz 2:2). Quando Josué fez aliança com havia libertado. A terra pela qual passaram
os gibeonitas, ele o fez sem pedir o conselho era desolada, habitada por animais selvagens,
de Deus (Js 9:14). víboras e serpentes venenosas.
3. Em vergonha. O Egito era uma 7. Gabarola que nada faz. Talvez,
nação fraca nessa época (ver com. do v. 2). "Raabe [Egito; ver com. de SI 87:4; cf. Is
Senaqueribe zombou dos judeus por terem 51:9], a inativa". O Egito prometeria ajuda,
procurado uma nação que não podia ajudá- mas, na verdade, não fari a coisa alguma
los, e declarou que a "cana esmagada" do quando seu auxílio fosse necessário.
Egito furaria as mãos de qualquer um que 8. Escreve-o num livro. A verdade que
se apoiasse nela (Is 36:6; 2Rs 18:21). Isaías estava prestes a declarar não era impor-
4. Estão em Zoã. Uma cidade cons- tante só para aquele momento. Nela havia
truída no braço que passava por Tânis do uma lição para gerações futuras (ver ICo
Nilo, identificada com a atual vila de Tsân IO:ll). Raabe (ver com. de Is 30:7), o dragão
el-Hagar, na parte ocidental do Delta. Visto (ver Is 51 :9; ver com. de Jó 9: 13), representava
que o D elta do Nilo está em constante alar- ninguém mais que Satanás, o gra nde enga na-
gamento, de modo que as bocas do Nilo dor (Ap 12:9). Aqueles que aba ndonara m o
estão bem mais ao norte do qu e nos tempos Senhor e buscaram a ajuda do Egito estava m
bíblicos, é provável que Zoã fosse um porto na verdade se voltando para Satanás e, ao faze-
na foz do rio na época de Moisés. A cid ade rem isso, buscavam em vão por socorro, pois
tinha sido construída sete anos depois de Satanás era um inimigo derrotado, que não
H ebrom (N m 13:22). Os hicsos (ver com. podia sequer salvar a si mesmo. A mensagem
de Gn 39:1; 45 :10) fizeram desta cidade a ser escrita num livro é dada imediatamente.
sua capital e a chamaram de Avaris, que, Para os dias vindouros. Os Targuns, a
mais tarde, foi chamada de Tânis pelos gre - Siríaca e a Vulgata dizem: "para testemunho".
gos. Um século depois de Isaías, no tempo 9. Povo rebelde. Israel tinha seguido
de Ezequiel, ainda parecia ser um a cidade Satanás em sua rebelião e guerra contra
importante (Ez 30:14). Deus. Como seus pais, antes deles (]o 8:4 4),
Hanes. É a Heracleópolis na parte orien- tinham se refugiado na mentira (ver com. de
tal do Delta ou a Heracleópolis no banco oci- Is 28: 15).
dental do Nilo, cerca de 90 km ao sul pelo 10. Profetizai-nos ilusões. Qu ando foi
oeste de Mênfis. expulso do Céu, o único objetivo de Satanás
5. De um povo. Isto é, "por causa de um era enganar o mundo (Ap 12:9). Ao praticar
povo". A aliança com o Egito só produ ziu ver- o engano, o povo de Judá estava seguindo o
gonha. Suas promessas de ajuda se provaram diabo. Eles escolheram ignorar os profetas
inúteis, pois isso provocou a ira da Assíria de Deus, cujas mensagens eram sempre mal
sobre Judá . Foi a aliança de Oseias com o recebidas. Tanto se desviaram da verd ade
Egito e sua recusa de pagar tributo à Assíria que estavam satisfeitos com o erro, e dese-
que, alguns anos antes, movera Salmaneser javam mensagens que os fi zessem se sentir
contra Samaria (2Rs 17:4-6). confortáveis em seus erros.
6. A Besta do Sul. Nesta mensagem 11. Apartai-vos. Eles sabiam que Isaías
solene, o profeta retrata vividamente a viagem era um profeta verdadeiro, mas não queriam
vergonhosa dos emissá rios, com jumentos e nada com ele nem com Deus. A simples ideia
camelos carregados de presentes, no caminho de santidade os enchia de ressentimento e ódio.

223
30:12 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

12. Pelo que. Deus reage à atitude des- dez mil (Lv 26:8). Porém, por causa da perver-
crita nos v. 8 a 11. O povo, isto é, a maioria sidade de Judá, a bênção prometida se inver-
deles, não ouviria, mas as palavras de Isaías teria. Durante a época de Isaías, Piankhi,
testemunhariam contra eles no dia do juízo. do Egito (ver vol. 2, p. 36, 62), se jactou de
Na opressão e na perversidade. que com a ajuda de seu deus, Amam, "mui-
O rolo 1Qls" do Mar Morto diz "te regozija- tos darão as costas a uns poucos, e um der-
rás", em vez de "na perversidade". Esses ímpios rotará mil". Contudo, em tom de zombaria,
oprimiam o fraco e então se vangloriavam do Isaías proclamou que quem fugiria seriam as
que faziam. A justiça e a disposição de ouvir forças do Egito, nas quais os réprobos judeus
~ ~- a razão caracterizam os verdadeiros filhos de estavam depositando sua confiança.
Deus. Com sua recusa arrogante de ouvir as Como o mastro. Judá ficaria sozi-
palavras de Isaías , esses ouvintes réprobos nha como uma árvore solitária no cimo de
deram prova da justiça da sentença pronun- um monte, ou como um estandarte num
ciada sobre eles. outeiro. Todos veriam o terrível resultado da
13. Prestes a cair. Uma barriga num transgressão.
muro alto mostra que ele está prestes a cair. 18. Por isso. Deus não queria mandar
A estrutura construída por esses homens sobre Seus filhos desviados os juízos com os
estava sobre um fundamento de areia, e quais os ameaçava, e com Sua misericórdia
certamente seria arruinada (ver com. de lhes daria toda oportunidade possível para
Mt 7:26, 27). arrependimento e salvação.
14. O vaso do oleiro. Uma vez que- 19. Habitará em Sião. Estas pala-
brado em pedaços, um vaso de barro jamais vras consoladoras dirigidas aos habitantes
pode ser emendado para uso. Assim seria de Jerusalém foram muito apropriadas para
com os homens ímpios de Jerusalém. Total o período de ansiedade e angústia que se
destruição os aguardava. seguiu à queda de Samaria e ao cativeiro de
Sem nada lhe poupar. Ou seja, Ele não Israel. Assegura-se aos habitantes de Sião
terá compaixão. que não sofreriam o mesmo destino de seus
15. Em vos converterdes e em sos- vizinhos do norte. Deus ouviria seu cla-
segardes. A única esperança de Judá era mor e os salvaria, bem como à cidade (ver
abandonar o caminho do mal e se voltar para Is 37:21-36).
Deus. Ao fazer isso, encontraria confiança, 20. Pão de angústia. Esta predição
descanso e paz. Ao buscar a força humana, se cumpriu durante a invasão de Senaque-
encontrara apena s decepção, problemas e ribe a Judá, quando somente Jerusalém
derrota. Mas a confiança em Deus traria paz, permaneceu.
tranquilidade e força. Não se esconderão mais. Os juízos
16. Sobre cavalos. A Assíria tinha prestes a cair sobre o país fariam parecer que
introduzido a cavalaria, e os judeus confia- Deus o tinha abandonado (ver SI 13:1 ; 83:1 ;
vam nesses animais a fim de resisti-la. Isaías etc.). Finalmente, os mestres fiéis de Judá,
declara que os cavalos seriam úteis apenas Isaías e seus companheiros, seriam reconhe-
para facilitar a retirada. Na Antiguidade, usa- cidos, e sua fé, recompensada. Eles e suas
va-se o cavalo quase que exclusivamente para mensagens seriam vindicados quando Deus
a guerra. livrasse Jerusalém.
17. Pela ameaça de apenas um. Deus 21. Ouvirão. Deus lhes daria a direção do
tinha prometido que, se fossem fiéis, cinco Espírito Santo para guiá-los no caminho reto e
deles perseguiriam cem, e cem perseguiriam corrigi-los quando estivessem para se desviar.

224
ISAÍAS 30:28

Todos que desejam podem ouvir o "cicio tran- Da mesma forma, Deus regaria a terra com
quilo e suave" (IRs 19:12). a graça celestial, transformando os desertos
22. Imagens esculpidas. Com temor a secos do mundo em lindos jardins e campos
Deus, Ezequias e os fiéis de Judá destruiriam florescentes (ver Is 35:1, 2; 41:17-19; 43:19,
as imagens esculpidas e todos os monumen- 20; 44:3, 4; 55:1; Jo 4:10, 13, 14; 7:37-39).
tos de idolatria (ver 2Cr 31: 1). Esses objetos No dia. Isto é, o dia em que Deus sub-
de adoração seriam descartados como com- jugaria todos Seus inimigos (ver Is 66:16;
pletamente inúteis. Assim como os perversos Jr 25:33; Zc 14:1-3, 8, 9 ; etc; ver também
habitantes de Jerusalém não queriam nada p. 17).
com o Santo de Israel (Is 30: 11), tampouco o Caírem as torres. As torres fortificadas
remanescente fiel desejaria ter alguma rela- que guardam os muros das cidades inimigas
ção com a idolatria. cairiam (comparar com a queda da Babilônia
23. O Senhor te dará chuva. A chuva espiritual , em Jr 51:8, 29; Ap 16:19; 18: 21; ver
após a semeadura era a "chuva temporã" (ver com. deIs 13:1-18).
com. de Jl 2:23), que caía no outono (ver 26. A luz [...] do sol. Isaías descreve
vol. 2, p. 92, 93). Esta promessa incluía tanto um mundo em que não haverá nada que se
bênçãos temporais como espirituais. A nação interponha para ofuscar a luz da lua ou do
receberia bênçãos nos cestos e na amassa- sol (ver Zc 14:6, 7; Ap 21:23).
~ · deira, nos frutos da terra e no aumento do Sete vezes. Não se pode afirmar se isso
gado e dos rebanhos (Dt 28:3-5; Jl 2:24-26) significa um aumento exato de sete vezes na
e, além disso, teria o Espírito Santo de Deus intensidade de luz visível, ou se "sete vezes"
(Jl 2:28, 29; At 2:17, 18). significa simplesmente um grande aumento
24. Que lavram a terra. Ver com. de de lu z, ou perfeição qualitativa em vez de
Gn 45:6. quantitativa.
Forragem com sal. Literalmente, "for- 27. Nome do SENHOR. Deus Se levanta
ragem mista" ou "forragem úmida", isto é, para defender a causa de Seu povo sitiado (ver
"mistura", supostamente um tipo superior Ap 19:11-21; GC, 633, 642, 656; T6, 406).
de alimento para o gado. Os bois e jumen- É Cristo quem leva o nome de Deus (Êx 23:21).
tos que lavravam a terra teriam o melhor ali- Cheios de indignação. O tempo da
mento. Em geral, se alimentavam de cevada indignação divina será o das sete últimas
misturada com palha, mas "então" (v. 23), pragas (Ap 15:1, 7; 16:1). Quando vier nova-
disse Isaías, mesmo os jumentos se alimenta- mente, Cristo matará os ímpios com "o sopro
riam com os melhores cereais, talvez com sal dos Seus lábios" (Is 11:4), com chamas de
ou ervas alcalinas. A ideia era de que have- fogo (SI 50:3; 97:3; 2Pe 3:10).
ria abundância. Os seres humanos também 28. Torrente que transborda. A ira de
estariam muito melhor. Cristo é retratada como torrente que inunda,
Forquilha. Instrumento para separar a que a tudo arrasta (ver Is 8:8).
palha do trigo (ver com. de Mt 3:12). Para peneirar as nações. O trigo deve
25. Correntes de águas. Isaías con- ser separado da palha (ver com. de Mt 3:12;
templa ribeiros nas montanhas e mon- 13:38-40). A palha queimada é reduzida a
tes , normalmente secos e sem vegetação. nada (ver com . de Ec 1:2), e o instrumento
Mesmo os lugares mais improváveis produ- empregado no processo de separação é, por-
ziriam colheita abundante. O profeta previu tanto, chamado de "peneira de destruição".
uma época áurea na qual a terra seria res- Um freio. A figura muda, e as nações
taurada à sua beleza e fertilidade originais. são retratadas como controladas por um

225
30:29 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

poder que as impele à destruição contra a 31. Assíria. No tempo de Isaías , a


própria vontade. Assíria era o maior inimigo de Judá. Esta
29. Festa santa. É provável que seja a previsão aponta para a destruição do exército
Festa dos Tabernáculos, no outono quando de Senaqueribe (ver Is 37:36). Assim como
se colhiam os frutos (Lv 23:34, 39-43 ; Ne os assírios feriam com vara, também seriam
8:14-18). Era uma ocasião de grande alegria. feridos com a vara da ira de Deus. Do mesmo
Em tempos posteriores, a festa incluía um modo, todos os ímpios, finalmente, serão
ritual noturno em que o pátio do templo era feridos com "vara de ferro" (SI 2:9; Ap 2:27;
iluminado com grandes lâmpadas levanta- 12:5; cf. Is 19:15).
das em dois altos estandartes, que ilumina- 32. Cada pancada. O texto hebraico
vam a cidade (ver DTN, 463). A Festa dos da primeira frase do v. 32 é obscuro. Vários
Tabernáculos era com frequência chamada manuscritos antigos trazem "cada golpe da
de "a festa" (lRs 8:2; 2Cr 7:8, 9). A cerimônia vara de castigo". De acordo com essa leitura,
das luzes celebrava a coluna de fogo que tinha cada panc ada do juízo divino sobre a Assíria
guiado Israel na marcha pelo deserto e apon- seria recebida com cânticos de vitória e rego-
tava adiante para a vinda do Messias como a zijo por parte do povo de Deus.
Lu z do mundo. Nessa ocasião, o povo se diri- 33. A fogueira. Mais uma vez menciona-
gia a Jerusalém com grande alegria, cantando se a destruição do exército de Senaqueribe
cânticos sagrados e toca ndo instrumentos. em linguagem simbólica (ver com. do v. 30).
Rocha de Israel. Ver Dt 32:4; SI 18:2, Este nome foi dado ao vale de Hinom, ao
~ .,.. 31, 46 ; Is 2:10; 17: 10. sul de Jerusalém , onde seres humanos,
30. Sua voz majestosa. Numa lin - em especial crianças , eram sacrificados a
guagem bastante simbólica, Isaías descreve Moloque (ver com. de 2Rs 16:3; 23:10; Jr 7:31;
a derrota dos exércitos assírios (ver v. 31). cf. Jr 19:6, 11-1 3). Esse lugar se tornou sím-
Usa-se linguagem similar em outras pas- bolo do fogo dos últimos dias. A translitera-
sagens para descrever eventos da segunda ção grega do termo heb. ge Hinnom (vale de
vinda de Cristo (Ap 16:18-21 ; 19:15). Hinom), Geerma, é sempre traduzida como
Que desce com indignação de ira. "inferno", no NT (ver com. de Mt 5:22).
Literalmente, "a descida". Nesse caso, a "fogueira" é o lugar onde os
Chuvas torrenciais. Literalmente, inimigos do Senhor serão consumidos pelo
"o romper [de nuvens]". fogo (ver Is 33 :14; Hb 12:29; Ap 20:9).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1, 2- TM, 380 PR, 596; TM, 89, 383; T8, 305


8-13 - TM, 382 CC, 71 24- T1, 229, 334, 414; T6,
lO- PE, 228, 273; TI, 249, 18 - TS, 195 56; T7, 153
321; T2, 440; T3 , 259; T4, 18, 19 - CS, 456 26- CBV, 506; T8 , 42
13, 16~ 231;T5,430, 678 20- PR, 723 28-32 - PR, 366
10-13- TM, 89 21 - CM, 126; FEC , 188, 29, 30 - GC, 635
11- CC, 28 526; MDC, 118; CBV, 30- PE , 15, 285
15 - MDC , 101 ; MJ, 97; 439; MCH, 42, 88; TM, 33- HR , 428
211; T4, 444; T 7, 213;

226
ISAÍAS 31:5

CAPÍTULO 31
1 O profeta mostra a insensatez de se confiar no Egito e de abandonar a Deus.
6 Ele exorta o povo à conversão 8 e prediz a queda da Assíria.

l Ai dos que descem ao Egito em busca de SENHOR dos Exércitos descerá , para pelejar sobre
socorro e se estribam em cavalos; que confiam o monte Sião e sobre o seu outeiro.
em carros , porque são muitos, e em cavaleiros, 5 Como pairam as aves, assim o SENHOR dos
porque são mui fortes, mas não atentam para o Exércitos amparará a Jerusalém; prote gê -la-á ..,. ~
Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR! e sa lvá- la-á, poupá -la-á e livrá-la-á.
2 Todavia, Este é sábio, e faz vir o mal , e não 6 Convertei-vos , pois, ó filhos de Israel,
retira as Suas palavras; Ele Se levantará contra Àquele de quem tanto vos afastastes.
a casa dos malfeitores e contra a ajuda dos que 7 Pois , naquele dia , cada um lançará fora
praticam a iniquidade. os seus ídolos de pra ta e os seus ídolos de
3 Pois os egípcios são homens e não deuses; ouro, que as vossas mãos fa bricaram para
os seus cavalos, carne e não espírito. Quando o peca rdes.
SENHOR estender a mão, cairão por terra tanto o 8 Então, a Assíria cairá pel a espada, não
auxiliador como o ajudado, e ambos juntamente de homem; a espada, não de homem, a devo-
serão consumidos. rará; fugirá diante da espada , e os seus jovens
4 Porque assim me disse o SENHOR: Como serão sujeitos a traba lhos forçados.
o leão e o cachorro do leão rugem sobre a sua 9 De medo não atinará com a sua rocha de
presa , ainda que se convoque contra eles grande refúgio; os se us príncipes, espavoridos, deser-
número de pastores, e não se espantam das suas tarão a bandeira , di z o SENHOR, cujo fogo está
vozes, nem se abatem pela sua multidão, assim o em Sião e cuja fornalha, em Jerusalém.

1. Descem ao Egito. Isaías continua 2. Todavia, este é sábio. Há um tom sar-


a repreender (ver Is 30:2-7) os líderes de cástico nestas palavras. Aqueles que buscaram
Judá por buscar a ajuda do Egito contra a ajuda do Egito imaginavam que sua estratégia
Assíria. A cavalaria de Judá era tão fraca política era sábia. Mas Isaías lhes recorda que
que os assírios ironicamente ofereceram Deus unicamente é sábio e Ele cumpre Suas
2 mil cavalos a Ezequias se este pudesse ameaças contra os que desprezam Sua palavra.
arranjar-lhes cavaleiros (Is 36:8). Os líde- 3. Os egípcios são homens. A des-
res hebreus tentara m remediar essa debili- peito de toda sabedoria da qual se orgulha-
dade apelando ao Egito. vam e dos recursos materiais, os egípcios
E se estribam em cavalos. Isto é, eram seres humanos. Isaías ressalta que a
"dependem de cavalos". Na Antiguidade, força de uma nação não está nas suas van-
cavalos eram usados quase que exclusiva- tagens materiais, mas no vigor moral e espi-
mente para a guerra. Deus concedeu uma ritual de seus líderes e de seu povo.
vez a Israel uma vitória notável sobre os cava- 4. Como o leão. Uma ilustração vívida
los e carros do faraó (Êx 14:9, 17, 18, 23, do poder e do cuidado divinos .
27; 15:19), mas foi esquecido, e Seu povo 5. Pairam. O Senhor é representado
buscou o Egito como fonte de auxílio, nesse como um pássaro de asas abertas sobre
tempo uma nação relativamente fraca (ver seus filhotes. Assim o Senhor protegeria
vol. 2, p. 37). Jerusalém (ver SI 57:1; 91:4).

227
31:6 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

E, passando (ARC). Do heb. pasach, era o juízo da parte do Senhor (Dt 32:41, 42;
a mesma palavra usada em Êxodo 12:13, 1Cr 21:16; Is 34:5, 6; 66:16; Jr 9:16; Ez 9:1;
23 e 27, quando o Senhor "passou" sobre 21:9-14, 20).
Seu povo sem ferir seus primogênitos; daí 9. Não atinará com a sua rocha. A pri-
o nome "Páscoa". Talvez, ao usar a pala- meira frase diz, literalmente, "sua rocha [signi -
vra pasach, o objetivo de Isaías fosse relem- ficando 'seu abrigo' ou 'sua fortaleza'] passará
brar o grande livramento concedido aos [por causa do] horror". A "rocha" da força assí-
antepassados . ria se desmoronaria (sobre o termo heb. sela',
6. Convertei-vos. Um dos maiores obje- "rocha", ver com. do SI 18:2).
tivos de Isaías era levar o povo de Judá de Seus príncipes. Isto é, os "oficiais" do
volta a Deus, e assim salvar a nação. A menos exército assírio, que literalmente seriam
que eles abandonassem o erro, teriam o "desertados do estandarte" ou "desertariam
mesmo destino de Israel (2Rs 17:6). do estandarte", ao perceberem que Deus
7. Lançará fora os seus ídolos. Em defendia Sião.
Isaías 2:20, o povo é retratado como quem Cujo fogo está em Sião. O Senhor é
se desfaz de seus ídolos quando se é tarde retratado como "fogo devorador" (Is 33:14;
demais. Então, fazem isso com espírito de Hb 12:29). Os assírios seriam "devorados"
penitência e voltam ao Senhor (2Cr 31:1). quando atacassem Jerusalém . O "fogo" sim-
8. A Assíria cairá. Não foi a mão do bólico do tempo de Isaías se torna em fogo
homem que destruiu o exército de Senaque- literal na hora do ataque à nova Jerusalém, no
ribe, mas a de Deus (Is 37:36). A "espada" final dos mil anos (Ap 20:9; cf. Zc 14:2, 3).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

6 - PR, 333

CAPÍTULO 32
1 As bênçãos do reino do Messias. 9 Desolação é predita.
15 Promessas de êxito na restauração.

1 Eis aí está que reinará um rei com justiça, do fraudulento jamais se dirá que é magnânimo.
e em retidão governarão príncipes. 6 Porque o louco fala loucamente, e o seu
2 Cada um servirá de esconderijo contra o coração obra o que é iníquo, para usar de impie-
vento, de refúgio contra a tempestade, de tor- dade e para proferir mentiras contra o SENHOR,
rentes de águas em lugare s secos e de sombra para deixar o faminto na ânsia da sua fome e
de grande rocha em terra sedenta. fazer que o sedento venha a ter falta de bebida.
3 Os olhos dos que veem não se ofuscarão, e 7 Também as armas do fraudu lento são más;
os ouvidos dos que ouvem estarão atentos. ele maquina intrigas para arruinar os desvali-
4 O coração dos temerários saberá compreen- dos, com palavras falsas, ainda quando a causa
der, e a língua dos gagos falará pronta e distinta- do pobre é justa.
mente. 8 Mas o nobre projeta coisas nobres e na sua
5 Ao louco nunca mais se chamará nobre, e nobreza perseverará.

228
Vista Aérea do Sítio da Antiga Susã
O rio Shavur (provave lmente parte do Ulai), qu e é visíve l à esquerda, faz limite com a atual vil a de Shush , que
é adj acente às ruínas da antiga cidade de Susa (a Susã bíblica). A elevação no centro é chamada de Oute iro da
Acrópole, em cujo topo es tão as ruínas do palác io real. Podem-se ver claramente as trincheiras dos escavadores e
as 8reas escavadas. Atrás do Outeiro ela Acrópole es tá o Oute iro ele Apadana , onde fi cava o grande sa lão ele festas .
A direita, fica parte ele um elos vários outeiros que cobrem as ruínas ela antiga cidade.

O Rei Merodaque-Baladã
(721-709 e 703 a.C.), de Babilônia,
Investe um Alto Oficial
Este monume nto, ele loca liclacle cl esco nhe-
cicla, é uma pedra limite que represe nta o rei
Marcluque-Apal-ldclina (Me roclaq ue-Ba laclã), à
esqu erda , impondo as mãos sobre um de seu s
oficiais. No alto elo monum ento estão re pre-
sentações simbólicas ele divi ndades c hamadas
com o teste munh as: da esqu erda para a dire ita,
o deus Nabu , represe ntado pe lo símbol o ele um
escriba e um dragão com c hifres; N inhu rsag,
representado pelo sím bolo ele um templo com
superestrutura em forma ele Omega; Ea, re pre-
sentado pelo símbolo ele uma rã e uma cabra
com corpo ele peixe; e Marduqu e , represe ntado
pelo símbo lo ele um dragão e a ponta ele uma
lança (ve r com. ele ls 39: I ; ver também co m.
ele 2Rs 20 12).

229
Placas de Marfim do Palácio de Sargão, em Calá
Esses fragm e nto s de pla cas de marfim foram en contra dos por Layard há mais de l 00 anos nas ruínas do
palácio de Sargão 11 , em N imrud, antiga C alá. Eles são muito se melhantes às placas de marfim e ncontradas
nas escavações el e Samaria, em 1932. Provavelmente, essas pl acas perten ciam à "casa de marfim" de Ac abe (ve r
com. de I Rs 22: 39) e decoravam as paredes e as mobílias elo palácio (ver Am 3 : 15; 6:4 ). Os marfin s ele Samari a
mostram tam anha semelhança com os elo palácio el e Sargão qu e é possíve l co ncluir qu e os marfin s ele Sargão sã o
parte dos saqu es fe itos pe lo exército do rei na conquista ele Samaria.

230
ISAÍAS 32:9

9 Levantai-vos, mulheres que viveis des- guarda servirão de cavernas para sempre, folga
preocupadamente, e ouvi a Minha voz; vós, fi- para os jumentos selvagens e pastos para os
lhas , que estais confiantes, inclinai os ouvidos às rebanhos;
Minhas palavras. 15 até que se derrame sobre nós o Espírito lá
lO Porque daqui a um ano e dias vireis a tre- do alto; então, o deserto se tornará em pomar, e
mer, ó mulheres que estais confiantes, porque a o pomar será tido por bosque;
vindima se acabará, e não haverá colheita. 16 o juízo habitará no deserto, e a justiça mo-
11 Tremei, mulheres que viveis despreocupa- rará no pomar.
damente; turbai-vos, vós que estais confiantes. 17 O efeito da justiça será paz, e o fruto da
Despi-vos, e ponde-vos desnudas, e cingi com justiça, repouso e segurança, para sempre.
panos de saco os lombos. 18 O Meu povo habitará em moradas de paz,
12 Batei no peito por causa dos campos apra- em moradas bem seguras e em lugares quietos
zíveis e por causa das vinhas frutíferas. e tranquilos,
13 Sobre a terra do Meu povo virão espinhei- 19 ainda que haja saraivada, caia o bosque e
ros e abrolhos, como também sobre todas as casas seja a cidade inteiramente abatida.
onde há alegria, na cidade que exulta. 20 Bem-aventurados vós, os que semeais
14 O palácio será abandonado, a cida- junto a todas as águas e dais liberdade ao pé do
de populosa ficará deserta; Ofel e a torre da boi e do jumento.

1. Reinará um rei com justiça. Isaías 4. Temerários. Comparar com Is 6:10.


desvia a atenção do iminente ataque assí- Os "temerários" são os que não tomam tempo
rio a Jerusalém (Is 31:8, 9) para se referir para meditar em alguma coisa em busca de ..,. ~
ao tempo de paz que viria a seguir. Depois conclusões sólidas. No entanto, no tempo
da retirada de Senaqueribe, em 701 a.C., prometido da restauração, eles vão agir com
seguiu-se um tempo de paz sob o justo rei- prudência. Abençoados com entendimento
nado de Ezequias (ver vol. 2, p. 71, 72). De claro e perspicaz, não gaguejarão e falarão
forma similar a derrota de todas as forças com intrepidez.
de Satanás será seguida do eterno reinado 5. Fraudulento. O versículo diz, literal-
de Cristo em justiça e glória. Como de cos- mente, "o tolo não mais será chamado nobre,
tume, o quadro profético de paz e segurança nem o patife, honroso". O ser humano não
depois da tribulação une a descrição das gló- mais confundirá ignorância com sabedoria
rias do mundo porvir com a era messiânica. ou trevas com luz. Não chamarão ao mal
Nesse contexto messiânico, o "rei" é Cristo. bem e ao bem, mal (Is 5:20).
2. Varão (ARC). O Messias seria para 6. Proferir mentiras. Isaías retrata de
Seu povo uma fonte de conforto, contenta- forma vívida as ações do "louco". Nos dias
mento e descanso, um lugar de proteção e melhores do porvir, as pessoas serão reco-
abrigo. No deserto seco e abrasador, Ele seria nhecidas pelo que são, não pelo que alegam
como um ribeiro de águas vivas ou como a ser. O pecador será classificado como tal, e
sombra refrescante de uma grande rocha. receberá justo castigo.
3. Não se ofuscarão. A situação predita 8. O nobre. Isto é, o generoso. Ele não
em Isaías 6:9 e 10 seria revertida. Os olhos sofrerá por ser generoso.
do entendimento espiritual seriam abertos 9. Mulheres que viveis despreocupa-
para que o ser humano compreendesse as damente. Isaías se dirige às mulheres favo-
coisas de Deus. recidas de Jerusalém, que, por viverem de

231
32:10 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

forma opu lenta, são as que mais sofreriam Pomar. Em primeiro lugar, uma expres-
as dificuldades de um cerco. Anteriormente, são simbólica (Is 32:16; cf. Is 5:1-7; Gl 5:22,
as altivas "filhas de Sião" foram repreendi- 23). Chegaria o tempo em que o Espírito de
das (Is 3: 16-26). Deus seria derramado sobre o mundo, o que
10. Um ano e dias. Literalmente, "dias faria com que regiões espiritualmente áridas
sobre um ano". Em pouco mais de um ano, e desoladas florescessem como a rosa. Este
sobreviriam dificuldades às mulheres des- era um dos temas favoritos de Isaías (Is 29: 17;
preocupadas do v. 9. 35:1; 41:17-20; 55 :13).
A vindima se acabará. A perda literal Será tido por bosque. O que já era
da vindima, com a consequente escassez de um campo fértil se tornaria ainda mais
vinho para as ocasiões festivas. Ou pode ser produtivo.
uma linguagem figurada para se descrever a 16. Juízo. A justiça floresceria no que
perda de todas as formas de alegria . havia sido antes um deserto moral, e a jus-
11. Tremei, mulheres. Elas são cha- tiça do que já era um campo fértil em nada
madas a lamentar e a se arrepender, a ves- se diminuiria.
tir panos de saco em vez de vestes caras. 17. O efeito da justiça. A justiça é o
Era tempo de orar e jejuar, não de fazer ban- resultado de se viver em harmonia com a
quetes e festas. vontade de Deus. Deus é amor, e todos os
12. Batei no peito. Esta atitude é uma Seus mandamentos são "justiça" (Sl11 9: 172).
maneira de os orientais expressarem pesar Aqueles que amam a Deus de todo o cora-
e angústia. A prosperidade logo daria lugar ção e ao próximo como a si mesmos estão
a desolação e miséria. em paz com Deus e com o mundo ao redor.
Vinhas frutíferas. Ver com. do v. 10. A paz duradora prevalece apenas onde existe
13. Espinheiros e abrolhos. Símbolo sólido fundamento de justiça. Sem justiça,
de desolação (ver com . de ls 7:23-25). não pode haver paz (Is 48:22). Os que se
Casas onde há alegria. As majestosas apegam ao pecado jamais encontrarão paz,
mansões onde os ricos se reuniam para ban- não importa o quanto a busquem. É essen-
quetes e bebedeiras. A previsão do v. 13 se cial a todos os povos entender esse princípio
cumpriu em parte durante a invasão de Sena- importante e fund amental.
queribe, mais completamente quando Nabu- 19. Ainda que haja saraivada. Os Tar-
codonosor saqueou o país e, ainda mais tarde, guns dizem: "a floresta é destruída por com-
quando os romanos devastaram a terra de Judá. pleto". Em contraste com as "moradas de paz"
14. Palácio. As gloriosas construções dos justos (v. 18), a desolação será o d es tino ~ &.
humanas ficari am em ruínas . dos ímpios (ver Ap 16:19; 18:2, 21).
Folga para os jumentos selvagens. 20. Semeais junto a todas as águas.
Ver com. de Is 7:25. Aos que trabalham com fidelidade promete-
15. Até que se derrame sobre nós o se uma colheita abundante e segura.
Espírito. Estas palavras se cumpriram em Do boi e do jumento. Os judeus empre-
parte na grande reforma feita por Ezequias, gavam tanto bois quanto jumentos na agri-
mas de forma mais completa no Pentecostes cultura (D t 22:10; Is 30:24). Estes eram
(Jl 2:28; At 2: 17; ver também Os 6:3; Jl 2:23; os animais domés ticos de carga no antigo
Zc 10:1; Ap 18:1). Oriente.

232
ISAÍAS 33:1

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

2- AA, 432 ; DTN, 103; 18 - CS, 423; CPPE, 343; LS, 208, 214; MJ, 217;
CBV, 124; MJ, 98; PP, GC, 675 TM, 425; T3, 406, 420;
413; T2 , 48, 100; T8, 130 20 - AA, 345; CEd, 7, 53; T4, 76; T5, 381, 389, 403;
8 - T9, 253 CS, 465; SC, 153; CE, T6, 314; T7, 19, 36; T8,
17- AA, 566; DTN, 337; 4, 10, 113; PJ, 40, 85; 146; T9, 35, 127, 132;
GC, 277; MCH, 176 CM, 129; OP, 93; CES, BS, 73,266
55; Ed, 109; Ev, 63, 129;

CAPÍTULO 33
1 Os juízos de Deus contra os inimigos. 13 Os privilégios dos fiéis.

I Ai de ti, destruidor que não foste destruí- lO Agora, Me levantarei, diz o SENHOR; levan-
do, que procedes perfidamente e não foste trata- tar-Me-ei a Mim mesmo; agora, serei exaltado.
do com perfídia! Acabando tu de destruir, serás ll Concebestes palha, dareis à luz restolho;
destruído, acabando de tratar perfidamente, serás o vosso bufo enfurecido é fogo que vos há de
tratado com perfídia. devorar.
2 SENHOR, tem misericórdia de nós ; em ti 12 Os povos serão queimados como se queima
temos esperado; sê tu o nosso braço manhã após a cal; como espinhos cortados, arderão no fogo .
manhã e a nossa salvação no tempo da angústia. 13 Ouvi vós, os que estais longe, o que tenho
3 Ao ruído do tumulto, fogem os povos; quan- feito; e vós, os que estais perto, reconhecei o Meu
do tu te ergues, as nações são dispersas. poder.
4 Então, ajuntar-se-á o vosso despojo como se 14 Os pecadores em Sião se assombram , o
ajuntam as lagartas; como os gafanhotos saltam, tremor se apodera dos ímpios ; e eles pergun -
assim os homens saltarão sobre ele. tam: Quem dentre nós habitará com o fogo de-
5 O SENHOR é sublime, pois habita nas altu- vorador? Quem dentre nós habitará com chamas
ras; encheu a Sião de direito e de justiça. eternas?
6 Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tem- 15 O que anda em justiça e fala o que é reto;
pos, abundância de salvação, sabedoria e conhe- o que despreza o ganho de opressão; o que, com
cimento; o temor do SENHOR será o teu tesouro. um gesto de mãos, recusa aceitar suborno; o que
7 Eis que os heróis pranteiam de fora, e os tapa os ouvidos , para não ouvir fa lar de homicí-
mensageiros de paz estão chorando amarga mente. dios, e fech a os olhos, para não ver o mal ,
8 As estradas estão desoladas, cessam os 16 este habitará nas alturas; as for talezas das
que passam por elas; rompem-se as alianças, rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será
as cidades são desprezadas, já não se faz caso dado, as suas águas serão certas .
do homem. 17 Os teus olhos verão o Rei na Sua formosu-
9 A terra geme e desfa lece ; o Líbano se e n- ra, verão a terra que se estende até longe.
vergonha e se murcha; Saram se torna como um 18 O teu coração se recordará dos terrores,
deserto, Basã e Carmelo são despidos de suas dizendo: Onde está aquele que registrou, onde, o
folhas. que pesou o tributo, onde, o que contou as torres?

233
33:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

19 Já não verás aquele povo atrevido, povo de por el es não navegará.


fala obscura, que não se pode entender, e de lín- 22 Porque o SENHOR é o nosso juiz, o SENHOR
gua bárbara, ininteligível. é o nosso legisl ador, o SENHOR é o nosso Rei; Ele
20 Olha para Sião, a cidade das nossas soleni- nos sa lvará.
dades; os teus olhos verão a Jerusa lém, habitação 23 Agora, as tuas enxárcias estão frouxas ; não
tranquila , tenda que não será removida, cujas es- podem ter firm e o mastro, nem estender a vela.
~ .,. tacas nunca serão arrancadas, nem rebentada ne- Então, se repartirá a presa de abundantes des-
nhuma de suas cordas. pojos; até os coxos participarão de la.
21 M as o SENHOR ali nos se rá grandioso, 24 Nenhum morador de Jerusa lém dirá : Es tou
fará as vezes d e rios e correntes largas; barco doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-
nenhum de remo passará por e les, navio grande se-lhe-á a sua iniquidade.

1. Ai de ti. Este capítulo foi sem dúvida aniquilamento dos invasores e da fuga pre-
inspirado no juízo que caiu sobre os exérci- cipitada dos poucos sobreviventes. Como
tos de Senaqueribe (Is 37:36). Os invaso- lagartas e gafanhotos devoram tudo o que é
res tinh am devastado Judá, mas o Senhor o verde, os hebreus no tempo devido despoja-
libertaria do poder dos opressores. O capí- riam os orgulhosos assírios.
tulo alterna um grande consolo para os fiéis 5. O SENHOR é sublime. O espetacular
com severas repreensões para os ímpios. aniquilamento dos exércitos assírios (Is 37:36)
A visão profética de Isaías vislumbra tam- rendeu honra e renome ao verdadeiro Deus.
bém a gloriosa era messiânica (ver com . de Encheu a Sião. Presumia-se que a
Is 32: 1). lição da invasão de Senaqueribe resultaria
Que não foste destruído. As guerras num reaviva mento religioso na cidade de
agressivas da Assíria contra seus vizinhos Jerusalém e nas vilas de Judá.
foram devastadoras. Seu interesse principal 6. Estabilidade. Judá encontraria força
era saquear, e com esse propósito enviava e estabilidade, não em exércitos armados ,
seus exércitos. Mas, ao final , ela recebe- mas em Deus e na lea ldade à Sua vontade
ria a paga com a mesma moeda (ver Mt 7: 2; revelada (ver Jó 28 :28; Sl 111: 10; Pv 1:7).
cf. Jr 50:15, 29; 51:24; Ap 13:10). 7. Os mensageiros de paz. As condi-
2. Em Ti temos esperado. Ver com. ções de paz que os assírios determin a ram
de Is 25:8, 9. aos mensageiros de Ezequias eram tão duras
O nosso braço. Muitos manuscritos (2Rs 18:14-16) que eles choraram "amarga-
hebraicos antigos, os Targuns e a Siríaca tra- mente". Quando os enviados hebre us se
zem "nosso braço". Isaías pede ajuda a seu encontraram com Rabsaqué, acharam seus
próprio povo, talvez em especial aos defen- termos de rendição tão duros que voltaram
sores da cidade. A frase seguinte "nossa sal- "com suas vestes rasgadas" (2Rs 18:37).
vação" se refere claramente aos que estavam 8. As estradas estão desoladas. As
com ele em Jerusalém. estradas de Jud á não m ais estavam aber-
3. As nações são dispersas. Refere-se tas aos viajantes. O exército de Senaqueribe
à destruição dos exércitos de Senaqueribe tinha reduzido a terra a tal condição que não
(ver Is 37:36, 37). Nessa ocasião, a "arrogân- mais se ousava viajar pelas estradas.
cia" dos assírios (Is 37:29) causou sua derrota. Cidades. O rolo 1Qis" do Mar Morto
4. O vosso despojo. Isto se refere ao traz 'edim, "tes temunhas", no lugar de 'i.ri.m,
saque do acampamento assírio depois do "cidades", sendo que a única diferença no

234
ISAÍAS 33:18

texto consonantal é entre ode o r (ver vol. 1, Com um gesto de mãos. Isto é, num
p. 2; ver com. de Gn 10:4). gesto indicando recusa em ter lucros ilícitos.
9. A terra geme. Todo o país de Judá foi O que tapa os ouvidos. Isto é, se recusa
devastado durante a invasão assíria. O mesmo a participar de planos contra a vida de pes-
ocorreu com outros distritos da Palestina. soas inocentes.
10. Agora, Me levantarei. A difi- Fecha os olhos. O Senhor é "tão puro
culdade humana é a oportunidade divina. de olhos que não pode ver o mal" (Hc 1:13).
Quando parecia não haver esperança, e que Os que O servem também não toleram o mal.
o último vestígio de resistência por parte de 16. Este habitará nas alturas. Isto é,
Judá seria logo esmagado pelo conquistador em segurança. Cidades antigas eram cons-
cruel, o Senhor Se levantou para libertar o truídas "nas alturas" para se proteger contra
restante de Jerusalém. invasores. Ocupar um terreno alto é sempre
11. Concebestes palha. Este versículo vantajoso na guerra.
enfatiza a futilidade e vaidade das preten- As fortalezas. Os que amam e servem ao
sões assírias. Todos os esforços produziriam Senhor desfrutam proteção e cuidado quando
apenas palha. As estratégias ousadas termi- em dificuldades. Esta promessa será um con-
nariam devorando quem as tramara. forto especial ao povo de Deus durante a
~ .,. 12. Como se queima a cal. Eles seriam grande crise dos últimos dias, quando encon-
destruídos por completo, como se queima a trará lugares seguros fora do alcance dos que
cal, ou como espinhos ardem no fogo. buscam destruí-lo (ver Sl 61:2, 3; 9l:l, 2).
13. Reconhecei o Meu poder. Ao Enquanto os ímpios sofrerão por falta de ali-
imputar o juízo sobre a Assíria, Deus ensi- mento e água (ver Ap 16:4-9; cf. CC, 626, 628),
nou a todos a futilidade da sabedoria e da os santos terão as necessidades satisfeitas.
força humana. Com frequência, Ele permite 17. O rei. Durante as provas e tribula-
que uma situação atinja o ponto crítico para ções dos últimos dias, o povo de Deus encon-
que, ao intervir, o ser humano reconheça a trará consolo na expectativa da vinda de
autoridade e o poder divinos. Cristo. Eles O verão em glória (ver com. de
14. O fogo devorador. Deus é fogo Is 25:8, 9), e a terra da promessa que contem-
consumidor para os ímpios (Hb 12:29). plaram com os olhos da fé, como se estivesse
Somente os "limpos de coração [... ] verão a "longe" (Is 33: 17), se tornará uma realidade.
Deus" (Mt 5:8) e viverão. As perguntas fei - 18. Recordará dos terrores. Liberto
tas aqui são similares às do Salmo 15:1; e dos inimigos, o povo de Deus meditará nas
24:3. Isaías responde no versículo seguinte. cenas terríveis pelas quais passou. As pro-
15. O que anda em justiça. Respostas vas do passado parecerão um sonho. Isso
semelhantes são apresentadas nos Salmos acontec eu quando Jerusalém foi livrada
15:2-5; e 24:4. Sem dúvida, a justiça é essen- dos exércitos de Senaqueribe , e aconte-
cialmente uma questão de coração e mente, cerá outra vez com os santos na segunda
mas também de se "andar na luz" (1Jo 1:7). vinda de Cristo.
Conceitos corretos se refletirão em palavras Onde está aquele que registrou[ ... ]?
e atos corretos. Passada a prova, os judeus perguntavam:
O ganho de opressão. A Assíria tinha Onde estão os escribas assírios, qu e fixa-
se enriquecido oprimindo nações mais fra- vam o tributo a ser exigido de cada vítima?
cas. No entanto, muitos em Jerusalém e Judá E os senhores do cerco? Todos tinham desa -
tinham reunido suas riquezas de forma simi- parecido, e tudo estava em paz. Do mesmo
lar (ver com. de Is 5:7). modo, na segunda vinda de Cristo, os fiéis se

235
33:19 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

regozijarão na libertação das mãos daqueles Barco nenhum de remo. Nenhum na-
que havia pouco buscavam matá-los. vio inimigo navegaria seus rios (ver Ez 47:1 ;
19. Povo atrevido. Os insolentes, cruéis ]13:18; Zc 14:8; Ap 22:1) .
e zombadores invasores assírios, não mais 23. Tuas enxárcias. Continua a mesma
existiriam. Em vez de verem os assírios, figura do v. 21. O inimigo é como um navio
veriam "o Rei na Sua formosura" (v. 17; com- cujas enxárcias es tão soltas, cujo mastro ~ ~
parar com Êx 14:13). vacila e cuja vela é inútil. A vitória dos san-
20. Olha para Sião. Os invasores tos é a vergonha e a derrota para seus inimi-
hostis se foram; todo perigo desapareceu. gos. Os "coxos", que em geral não prestam
A cidade santa está em paz (comparar com serviço militar, tomam parte na vitória e des-
]13:1 6-20). pojam seus inimigos.
Nossas solenidades. Ver com. de Lv 23:2. 24. Estou doente. Não haverá doen-
21. Rios e correntes largas. Uma des- tes na terra renovada, nem de corpo nem
crição da fertilidade e da beleza da terra pro- de alma (ver Jr 31:34). A cura da enfermi-
metida restaurada. Aqui estão os "rios" e as dade e o perdão dos pecados ocorrem jun-
"correntes" que "alegram a cidade de Deus" tos (ver SI 103:3; Mt 9:2, 6). Cristo restaura
(SI 46:4; comparar com o rio, em Ez 47). das moléstias físicas e espirituais.

COMENTÁRIOS D E ELLEN G. WHITE

5, 6 - FEC, 353 16 - DTN, 122; PE, 56, T2, 355; T7, 12; T8, 253,
6 - Ed, 229; PR, 83 282; GC, 629, 635; 331; T9, 193
13-17 - 0P, 74 MDC, 111 ; HR, 129, 20-22 - Ed, 182
14 - T1, 123; T4 528 406; T1, 174 21, 22- PR, 321
14-16 - GC, 626; PR, 725; 17 - CPPE, 209; DTN, 632; 23 - MDC, 62
T2,446 Ev, 503; PE, 67; MCH, 24 - Ed, 271; GC, 676;
15-17- Ed, 141 347; PR, 321; TM, 21; PR, 729; T9, 286

CAPÍTULO 34
1 Os juízos com os quais Deus vinga Seu povo. 11 A desolação
dos inimigos. 16 A certeza da profecia.

l C hegai-vos, nações, para ouvir, e vós, povos, 4 Todo o exército dos céus se dissolverá , e os
escutai; ouça a terra e a sua plenitude, o mundo céus se enrolarão como um pergaminho; todo o
e tudo quanto produz. seu exército cairá, como cai a folha da vide e a
2 Porque a indignação do SENHOR está con- folha da figueira.
tra todas as nações , e o Seu furor, contra todo o 5 Porque a Minha espada se embriagou nos
exército delas; Ele as destinou para a destruição céus; eis que, para exercer juízo, desce sobre Edom
e as entregou à matança. e sobre o povo que destinei para a destruição.
3 Os seus mortos serão lançados fora, dos 6 A espada do SENHOR está cheia de sangue,
seus cadáveres subirá o mau cheiro, e do sangue engrossada da gordura e do sangue de cOl·dei-
deles os montes se inundarão. ros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros;

236
ISAÍAS 34:4

porque o SEN HOR tem sacrifício em Bozra e gran- 13 Nos seus palácios, crescerão es pi-
de matança na terra de Edom. nhos, e urtigas e cardos, nas suas fort alezas ;
7 Os bois selvagens cairão com eles, e os no- será uma habitação de chacais e morada de
vilhos, com os touros; a sua terra se embriaga- ave struzes.
rá de sangue, e o seu pó se tornará fértil com a 14 As feras do deserto se encontrarão com
gordura. as hienas, e os sátiros clamarão uns para os ou-
8 Porque será o dia da vingança do SEN HOR , tros; fantasmas ali pousarão e acharão para si
ano de retribuições pela causa de Sião. lugar de repouso .
9 Os ribeiros de Edom se transformarão 15 Aninhar-se-á ali a coruja, e porá os seus
em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua terra ovos, e os chocará , e na sombra abrigará os
se torn ará em piche ardente. seus filhotes; também ali os abutres se ajunta-
lO Nem de noite nem de dia se apagará; rão, um com o outro.
subirá para sempre a sua fumaça; de geração 16 Buscai no livro do SENHOR e lede: Ne-
em geração será assolada , e para todo o sem- nhuma destas criaturas falhará , nem uma nem
pre ninguém passará por ela. outra faltará; porqu e a boca do SENHOR o or- <t ~
ll Mas o pelicano e o ouriço a possuirão; o denou, e o Seu Espírito mesmo as ajuntará.
bufo e o corvo habitarão nela. Estender-se-á sobre 17 Porque Ele lançou as sortes a favor delas ,
ela o cordel de destruição e o prumo de ruína. e a Sua mão lhes repartiu a terra com o cor-
12 Já não haverá nobres para proclamarem del; para sempre a possuirão, através de gera-
um rei; os seus príncipes já não existem. ções habitarão nela.

I. Ouça a terra. A mensagem de Isaías com Jl 3:2; Zc 12:2-9; 14:2, 3; Ap 16: 14, 16;
34 não é apenas para Judá, mas para todas 17:14; 19:11-19).
as nações e para todas as épocas. Isaías des- Ele as destinou para a destruição.
creve o terrível e triste destino dos ímpios, Do heb. charam, "devotar à destruição" (ver
tanto nos seus dias quanto no fim dos tem- com. de 1Sm 15:3).
pos. Ele contempla o grande dia da matança, 3. O mau cheiro. Isto é, de guerreiros
quando os ímpios serão mortos e seus cor- inimigos mortos. Quando Deus destruiu as
pos ficarão espalhados como os do exér- forças de Senaqueribe, os corpos dos mortos
cito de Senaqueribe após a visita do a njo ficaram espalhados como lixo (ver ls 66: 16;
destruidor da p arte do Senhor (ls 37:36). Jr 25:33; Ez 39: 11 -20; Ap 19 :17-2 1).
Na destruição do exército assírio, ele vê de Os montes se inundarão. Ou, "se tor-
a ntemão o destino final de todos os exérci- narão líquidos", "fluirão" (ver Ap 14:20).
tos do mal que lutam contra Deus. Edom 4. O exército dos céus. Isto é, o Sol, a
(v. 5) representa os inimigos do bem porque, Lua e as estrelas (ver 2Rs 21:3; 23: 5; Jr 8:2;
com frequência, ele foi o mais cruel e impie- 33:22; e tc .). Em vez de "todo o exército dos
doso dos inimigos de Judá (ver 2Cr 28: 17; céus se dissolverá", o rolo 1Qisa do Mar
Ez 35; Am 1:11 ; Ob). Morto traz "as profundezas se abrirão e todo
2. Indignação. Ver com. deIs 26:20. o exército dos céus se enfraquecerá".
Contra todo o exército delas. Assim Dissolverá. Ver com. de Is 13:10, 13;
como D e us estava indignado contra os exér- 24:23; Hb l:l0-14.
citos assírios que atacaram Jerusalém, tam- Os céus se enrolarão. Referência ao
bém estará contra todas as forças do mal céu atmosférico (ver com. de 2Pe 3:7, 10-12;
que se levantarão contra Seu povo (comparar Ap 6:14; cf. ls 24:19, 20; Jr 4: 23, 28).

237
34:5 C OM ENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Cairá. Ver com. de Mt 24:29; Ap 6: 13. (ver com. de Is 34:5, 6) será punida por s ua -. ~
5. Minha espada. A espada do Senhor persistente hostilidade contra o povo esco-
simboliza Seus juízos sobre os ímpios (com- lhido de Deus (ver Is 63:1 -4; cf. Jr 46:10;
parar com Dt 32:41, 42; Jr 46: 10; Ap 19:13, sobre a aplicação deste versícu lo ao grande
15, 21). Dia de Deus, ver GC, 673).
Edom. Ver com . de Ez 35: 15. Com fre- 9. Enxofre. As figuras do v. 9 se baseiam
quência, todos os inimigos do povo de Deus na destruição de Sodoma e Gomorra (ver
são tipificados por alguma nação cujo ódio com. de Gn 19: 24). A região ocupada por
e crueldade foram particularmente amargos. essas cidades fica provavelmente no limite
Esse foi o caso do Egito, Babilônia, Edom, sul do Mar Morto (ver com. de Gn 14:3) .
A mam e M oab e. Embora parentes próxi- Ainda hoje se pode encontrar ali petró-
mos dos judeus, os edomitas sempre mani- leo e betume. Quando Cristo voltar, toda
fes taram um particular rancor contra eles a Terra será devas tada numa grande catás-
(ver com. de Is 34:1). É possível que, sob trofe (2Pe 3: 10, 12; Ap 20:10, 14).
o pretexto da invasão assíria, Edom tenha 10. A sua fumaça . Expressões simila-
se unido aos assírios para descarregar sua res são usadas em Apocalipse 14:11 ; e 19:3.
ira contra Judá e, talvez por isso, o nome de A destruição de Sodoma e Gomorra é apre-
Edom esteja associado com o da Assíria nesta sentada como um exemplo do "fogo eterno",
sentença condenatória de Isaías. Os juízos que destruirá os ímpios (Jd 7). Essas cidades,
divinos sobre Edom ilustram o grande di a cuja destruição é "exemplo a quantos venham
de Deus (ver com. deIs 63 :1- 6). a viver impiamente", foram consumidas
6. Sacrifício em Bozra. Esta era "a cinzas" (2Pe 2:6). Todos os ímpios serão des-
uma importante cidade de Edom (Is 63:1 ; truídos por completo da mesma forma e "se
cf. Gn 36:33; l Cr 1:44) situada 38, 5 km desfarão em fumaça" (SI 37:20). A orgulhosa
ao sudes te do Mar Morto. Amós predisse Babilônia, cuja fumaç a "sobe pelos séculos
a destruição de seus palácios (Am 1:12), e dos séculos" (Ap 19:3), será "consumida no
Jeremias declarou que ela se tornaria deso - fogo" (Ap 18:8). O fogo do juízo final não dei-
lação e opróbrio (Jr 49: 13, 22). Os cordei- xará dos ímpios "nem raiz nem ramo" (Ml4:l ;
ros, bodes e carneiros representam o povo cf. Sl 37:9, lO ; Ob lO), como se jamais tives-
de Edom, que seria morto como animais no sem existido (ver Ez 28:18, 19; Ob 16).
sacrifício. Jeremias usa uma figura de lin- 11. O pelicano. Do heb. qa'ath, um pás-
guagem similar (Jr 46 :10). saro não identificado, impuro, possivelmente
7. Bois selvagens. Do heb. re'emim (ver uma espécie de coruja ou ave de rapin a.
com. de Nm 23:2 2). O s animais deste ver- É traduzido como "pelicano" em outros tex-
sículo, que representam as nações for tes da tos (Lv 11:18; Dt 14: 17).
Terra, acompanhariam os frágeis, ou seja, os Ouriço. Do heb. qipod, talvez "porco
cordeiros, bodes e carneiros do v. 6, ao local espinho". Em Sofonias 2: 14 o "ouriço" e o
de sacrifício. "pelicano" são mencionados juntos de novo.
8. O dia da vingança. Literalmente, O cordel de destruição e o prumo
"o caso", num sentido legal. As nações aqui são de ruína. Do heb. tohu [... ] bohu, os mes-
representadas como participantes do grande mos termos traduzidos como "sem forma" e
conflito entre Cristo e Satanás, aliadas do "vazia" em Gênesis 1: 2, com o significado
mal contra Sião, a cidade de Deus (comparar de "caótico" e "desabitado" (ver com. de
com Zc 3:1 , 2). Descreve-se a aparente tar- Gn 1:2). A mesma figura vívida da Terra se
dança da hora da retribuição, na qual "Edom" verá durante o milênio (ver com. de Is 24:1, 3;

238
ISAÍAS 3 4:16

Ap 20:1-3; sobre a palavra aqui traduzida Fantasmas. Do heb. lilith, uma pala-
como "cordel", ver com. de Is 28:17). vra cujo significado é "demônio ímpio", em
12. Para proclamarem. O significado acadiano.
do hebraico da primeira fras e do v. 12 é obs- 15. A coruja. Do heb. qipoz, talvez uma
curo. Lê-se, literalmente, "seus nobres, e não pequena serpente. O rolo 1Qis" do Mar Morto
h á um reino para proclamarem". traz qipod, que seria "ouriço" (ver com. do v. 11)
Já não existem. Todos os líderes de ou, possivelmente, a coruja de orelha curta.
Edom fugiriam, e o reino ficaria um caos. 16. No livro do SENHOR. Além das
13. Chacais. Ver com. de Is 13:22. Escrituras, em nenhuma outra fonte h á in-
Avestruzes. Ver com. de Is 13:21. formação sobre o que acontece quando
14. Sátiros. Ver com. deIs 13:21. Os "a indignação do SENHOR está contra todas as
versículos ll a 15 apresentam uma descri- nações" (ver com. do v. 2).
ção bastante simbólica do mundo em estado Faltará. Literalmente, "sentir falta",
caótico. "ansiar.
. "

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

2 - GC, 672; HR, 428 4 - DTN, 780 8 - GC, 673; HR, 429; TS, 212

CAPÍTULO 35
1 O florescer do reino do Messias. 3 Os fracos são encorajados.

O deserto e a terra se alegrarão ; o ermo 7 A areia esbraseada se transformará em


exultará e florescerá como o narciso. lagos, e a terra sedenta, em mananciais de águas;
2 Florescerá abundantemente, jubilará de ale- onde outrora viviam os chacais, crescerá a erva
gria e exultará; deu-se-lhes a glória do Líbano, com canas e juncos.
o esplendor do Carmelo e de Saram; eles verão 8 E ali haverá bom caminho, caminho que se
~ .. a glória do SENHOR, o esplendor do nosso Deus. chamará o Caminho Santo; o imundo não pas-
3 Fortalecei as mãos frou xas e firmai os joe- sará por ele, pois será somente para o Seu povo;
lhos vacilantes. quem quer que por ele caminhe não errará, nem
4 Dizei aos desalentados de coração: Sede mesmo o louco.
fortes, não temais . Eis o vosso Deus. A vingança 9 Ali não haverá leão, animal feroz não pas-
vem, a retribuição de Deus; Ele vem e vos salvará. sará por ele, nem se achará nele; mas os remi-
5 Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se dos andarão por ele.
desimpedirão os ouvidos dos surdos; lO Os resgatados do SENHOR voltarão e virão
6 os coxos saltarão como cervos, e a língua a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna
dos mudos cantará; pois águas arrebentarão no coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão,
deserto, e ribeiros, no ermo. e deles fugirá a tristeza e o gemido.

239
35: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

1. O deserto e a terra se alegra- Chacais. Ver com. de Is 13:22.


rão. Este capítulo apresenta um quadro 8. Bom caminho. Ver com. deIs 11:16;
inspirador de como será a terra restaurada. 19:23-25. Se o povo de Israel tivesse sido
As regiões áridas e desérticas do mundo não fiel a Deus, a terra da promessa teria sido
mais existirão. restaurada à sua fertilidade e beleza edêni-
O narciso. Do heb. chavatseleth, que se cas (ver v. 1-4, 7), e as enfermidades teriam
imagina ser o narciso, uma flor comum na desaparecido deles (ver v. 5, 6; ver também
Palestina. Outros a identificam com o açafrão p. 14, 15). De todas as nações teriam che-
ou a prímula. Os v. l e 2 retratam a beleza e gado pessoas sinceras em buscam da ver-
a fragrância que florescem novamente após dade, as quais teriam trilhado "o Caminho
a libertação da maldição do pecado. Santo" até Jerusalém para aprender do ver-
2. Líbano. Os montes do Líbano, o dadeiro Deus (ver p. 15-17). "O Caminho
monte Carmelo e a planície de Sarom eram Santo" não seria para o "imundo" ou hipó-
famosos por seu verdor e beleza. Em Isaías crita; contudo, seria tão claro que mesmo os
33:9, uma maldição despojou essas regiões mais simples, se honestos na busca pela ver-
de seu verdor e as deixou desertas. Contudo, dade, não se perderiam nele. Todos "os res-
seriam restauradas por Deus à sua beleza gatados do Senhor" finalmente iriam a Sião
edênica (ver Is 41:19; 55:12 , 13; 65 :10). por esse caminho "com cânticos de júbilo, [e]
3. Fortalecei. Ou, "firmai". Os mensa- alegria eterna coroaria sua cabeça" (ver com.
geiros de Deus devem encorajar as pessoas deIs 35 :10; cf. Is 52:1; Jl 3:17). No entanto,
a olhar adiante para as glórias da terra reno- Israel foi infiel e, por isso, não alcançou o
vada e a confiar no poder divino para libertá- glorioso destino que poderia, e as promes- ~ ~
las deste mundo amaldiçoado pelo pecado. sas deste capítulo pertencem ao novo Israel
4. A vingança vem. Isto é, sobre os ini- (C BV, 159, 160; ver p. 21-23).
migos, para salvar os féis (ver Mt 25:32 , 34, Caminho que. Dezenove manuscri-
41). A destruição dos inimigos do povo de tos hebraicos, incluindo o rolo 1Qisado Mar
Deus prepara o caminho para a libertação, Morto, e a Siríaca não contêm estas palavras.
e o conhecimento disso deve encorajar e dar 9. Não haverá leão. Na Antiguidade,
esperança a Seus filhos (ver Is 25:9; Jo 14:1-3; os leões eram uma séria ameaça a viajan-
Tito 2:13). tes de regiões desoladas e selvagens. Deus
5. Os olhos dos cegos. Esta promessa assegurava , porém, uma viagem segura aos
se cumprirá tanto literal quanto simbolica- que viajassem a Jerusalém pelo Seu santo
mente. Pessoas espiritualmente cegas (Is 6:9, caminho.
lO) terão a visão espiritual restabelecida e o 10. Os resgatados. Isto é, os de todas
entendimento moral desobstruído. Na terra as nações que aceitassem a salvação.
renovada, todas as moléstias físic as também Com cânticos. A jornada para Sião
serão curadas . era feliz. Peregrinos que iam a Jerusalém
6. Águas arrebentarão. Também será participar das festas o faziam com o cora-
realidade de form a literal e simbólica (ver ção cheio de alegria e com ações de graça
com. do v. 5; sobre a aplicação simbólica, ver a Deus. Cantavam salmos de louvor (ver
Sl46:4; Zc 13:1; Jo 4:10; 7:37; e sobre o cum- SI 121 ; 122) ao imaginar as horas felizes
primento literal, ver Ez 47: 1-12; Ap 22:1 , 2). que teriam na cidade sagrada, em compa-
7. A terra sedenta. Fertilidade e beleza nhia de outros e em comun hão com Deus.
vão caracterizar até as regiões da terra que Esta seria a experiência dos "resgatados" de
agora são estéreis e áridas. todas as nações.

240
ISAÍAS 36: l

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

l-lO- CBV, 160; T8, 78 3, 4- Tl , 370; T4, 131; TS, 6-8- PR, 729
l - OTN, 305; GC, 675; 489 8- AA, 53; Ed, 170; FEC,
MCH, 139; T6, 24, 308 3-6- PR, 728 340; GC, 320; T2, 692
l , 2- PP, 542 5-10- PP, 542 lO - Ed, 167; MCH, 344;
2- GC, 302; PR, 313, 733 6- PP, 413; TS, 565 MJ, 116; PR, 730; San, 95
6, 7- PR, 234

CAPÍTULO 36
1 Senaqueribe invade ]udá. 4 Enviado por Senaqueribe com persuasão blasfema,
Rabsaqué incita o povo a se rebelar. 22 Ezequias é informado de suas palavras.

1 No ano décimo quarto do rei Ezequias, 9 Como, pois, se não podes afugentar um só
subiu Senaqueribe, rei da Assíria, contra todas capitão dos menores dos servos do meu senhor,
as cidades fortificadas de Judá e as tomou. confias no Egito por causa dos carros e cavaleiros?
2 O rei da Assíria enviou Rabsaqué, de Laquis lO Acaso, subi eu agora sem o SENHOR con-
a Jerusalém, ao rei Ezequias, com grande exér- tra esta terra, para a destruir? Pois o SENHOR
cito; parou ele na extremidade do aqueduto do mesmo me disse: Sobe contra a terra e destrói-a .
açude superior, junto ao caminho do campo do 11 Então, disseram Eliaquim , Sebna e Joá
lavadeira. a Rabsaqué: Pedimos-te que fales em aramaico
3 E ntão, saíram a encontrar-se com ele aos teus servos, porque o entendemos, e não nos
Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, Sebna, fales em judaico, aos ouvidos do povo que está
o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o cronista. sobre os muros.
4 Rabsaqué lhes disse: Dizei a Ezequias: 12 Mas Rabsaqué lhes respondeu: Mandou-
Assim diz o sumo rei, o rei da Assíria: Que con- me, acaso, o meu senhor para dizer-te estas pa- .-Sl
fiança é essa em que te estribas? lavras a ti somente e a teu senhor? E não, antes,
5 Bem posso dizer-te que teu conselho e aos homens que estão assentados sobre os muros,
poder para a guerra não passam de vãs palavras; para que comam convosco o seu próprio excre-
em quem , pois, agora confias, para que te rebe- mento e bebam a sua própria urina?
les contra mim? 13 Então, Rabsaqué se pôs em pé, e clamou
6 Confias no Egito, esse bordão de cana es- em alta voz em judaico, e disse: Ouvi as palavras
magada , o qual, se alguém nele apoiar-se, lhe en- do sumo rei, do rei da Assíria.
trará pela mão e a traspassará; assim é Faraó, rei 14 Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias;
do Egito, para com todos os que nele confiam. porque não vos poderá livrar.
7 Mas , se me dizes: Confiamos no SENHOR, 15 Nem tampouco Ezequias vos faça confiar
nosso Deus, não é esse aquele cujos altos e altares no SENHOR, dizendo: O SENHOR certamente nos
Ezequias removeu e disse aJudá e a Jerusalém: livrará, e esta cidade não será entregue nas mãos
Perante este altar adorareis? do rei da Assíria.
8 Ora, pois, empenha-te com meu senhor, rei 16 Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim
da Assíria, e dar-te-ei dois mil cavalos, se de tua diz o rei da Assíria: Fazei as pazes comigo e vinde
parte ac hares cavaleiros para os montar. para mim ; e comei, cada um da sua própria vide

241
36: 1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

e da sua própria figueira, e bebei, cada um da 20 Quais são, dentre todos os deuses destes
água da sua própria cisterna; países, os que livraram a sua terra das minhas
17 até que eu venha e vos leve para uma terra mãos, para que o SENHOR livre a Jerusalém das
como a vossa; terra de cereal e de vinho, terra de minhas mãos?
pão e de vinhas. 21 Eles, porém, se calaram e não lhe respon-
18 Não vos engane Ezequias, dizendo: deram palavra; porque assim lhes havia ordenado
O SENHOR nos livrará. Acaso, os deuses das na- o rei, dizendo: Não lhe respondereis.
ções livraram cada um a sua terra das mãos do 22 Então, Eliaquim, filho de Hilquias, o
rei da Assíria? mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de
19 Onde estão os deuses de Hamate e de Asafe, o cronista, rasgaram suas vestes , vieram
Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim? ter com Ezequias e lhe referiram as palavras de
Acaso, livraram eles a Samaria das minhas mãos? Rabsaqué.

1. E aconteceu (ARC). Este capítulo Açude superior. Ver com. de 2Rs 18:17.
marca o início de uma nova seção do livro 3. Eliaquim. Ver com. de 2Rs 18:18.
de Isaías. O s cap . 36 a 39 são de natureza 4. Em que te estribas. Ver com. de
principalmente histórica em vez de profética 2Rs 18:19.
e tratam d as invasões de Senaqueribe, da 5. Bem posso dizer-te. Cerca de 20
doença de Ezequias e da visita dos enviados manuscritos hebraicos antigos, o rolo lQls"
de Merodaque-Baladã. Estes capítulos são do Mar Morto e o texto paralelo em 2 Reis
paralelos, e em grande medida idênticos a 18:20 (ARC) trazem "D izes tu". A primeira
2 Reis 18: 13 a 20:19. Em geral, deve-se bus- parte do versículo diz, literalmente: "Tu
car nos comentários desta passagem a inter- dizes, certamente a palavra dos lábios, plano
pretação desses capítulos. e força para a guerra", que significa "Tu dizes,
No ano décimo quarto. Ver com. de certamente [nossos] planos e força [são ade-
2Rs 18:13 . Senaqueribe se tornou rei da quados] para a guerra".
Assíria, em 705 a.C. e fez sua primeira cam- Poder para a guerra. Ver com. de 2Rs
panha contra as cidades de Judá em 701. No 18:20. Ezequias pagava tributo para a Assíria,
seu próprio relato sobre essa campanha, no como seu pai Acaz antes dele (2Rs 16:7, 8).
qual declara ter conquistado 46 da s cida- Foi sua recusa em pagar tributo que levou os
des muradas de Judá, enumera as seguintes exércitos da Assíria contra ele.
razões para a expedição: (1) o fato de Ezequias 6. Cana esmagada. Ver com. de 2Rs
ter se recusado se submeter ao jugo assírio; 18:21.
(2) ter pedido socorro ao Egito e à Etiópia; e 7. Removeu. Ver com. de 2Rs 18:22 ;
(3) ter ajudado os filisteus de Ecrom na rebe- cf. 2Cr 31:1.
lião contra a Assíria e aprisionando seu rei 8. Dois mil cavalos. Ver com. de 2Rs
Padi, que tinha sido leal à Assíria. 18:23. Está claro que Judá não tinha cava-
2. Enviou Rabsaqué. Ver com. de laria treinad a. Os assírios zombaram de
2Rs 18:17, 19. Este era o título do principal Ezequias por ter presumido resisti-los com
copeiro do rei da Assíria. Ele era um impor- uma cavalaria tão débil. ·~
tante oficial militar, colaborador do Tartã e 9. Confias no Egito. Ver com. de 2Rs
do Rabe-Saris, no comando das forças assí- 18:21, 24. Antes, Isaías tinha repreendido os
rias enviadas contra Jerusalém. líderes de Judá por confiar no poderio militar
Laquis. Ver com. de 2Rs 18:14. e pela aliança com o Egito (Is 30:1-4; 31: 1),

24 2
ISAÍAS 36:22

e os advertiu de que a confiança no Egito O desafio de Senaqueríbe era na realidade


seria inútil (Is 30:7; 31:3). um desafio ao próprio Deus .
10. O SENHOR mesmo me disse. 16. Fazei as pazes comigo. Ver com .
Ver com. de 2Rs 18:25. Numa de suas ins- de 2Rs 18:31. Rabsaqué fez grandes promes-
crições, Senaqueribe afirma ter recebido sas para que o povo foss e desleal a Ezequias
a sanção de seu deus Asur para atacar os e se aliasse a Senaqueribe.
inimigos. 17. Como a vossa. Ver com. de 2Rs 18:32.
11. Em aramaico. Ver com. de 2Rs Se fosse propósito de Senaqueribe dar ao
18:26. Era propósito dos enviados assírios povo de Judá o que prometia , ele os teria
fazer com que os habitantes de Jerusalém se deixado no seu próprio país. A ame aça de
rebelassem contra seu rei e amedrontá-los de levá-los a uma terra distante provava que
modo que se submetessem. suas palavras era m zombaria e promes -
12. Assentados sobre os muros. sas vãs.
Ver com. de 2Rs 18:27. Os enviados de 18. Os deuses. Ver com. de 2Rs 18:33 .
Senaqueribe fizeram parecer que estavam 19. De Hamate. Ver com. de 2Rs 18:34.
mais interessados no bem-estar dos habitan- Samaria tinha caído nas mãos dos assí-
tes de Jerusalém do que o próprio Ezequias. rios apenas 22 anos antes desse ataque de
Que importava a Senaqueribe que num Senaqueribe a Judá. O fato de a capital do
prolongado cerco o povo comesse o pró- reino do norte não ter resistido ao poder assí-
prio excremento e bebesse a própria urina? rio foi considerado como evidência clara de
A única forma de evitar isso, di ziam, era o que Jerusalém também seria derrotada.
povo se rebelar contra seu rei. 20. Dentre todos os deuses. Ver com.
13. Em judaico. Ver com . de 2Rs 18:28. de 2Rs 18:35.
14. Não vos engane. Ver com. de 2Rs 21. Eles, porém, se calaram. Ver com.
18:29. Rabsaqué retrata Ezequias como um de 2Rs 18:36. Não havia resposta efetiva para
enganador vanglorioso, interessado apenas os arrogantes enviados assírios. Somente
em si mesmo e que não se importava com o Deus poderia lhes dar resposta adequada ,
bem-estar de seu povo. e Ezequias creu que Ele o faria. Nada que
15. Nem tampouco Ezequias vos os enviados hebreus pudessem ter dito teria
faça . Ver com. de 2Rs 18:30. A menos que feito com que Senaqueribe desistisse de seu
os assírios pudessem distanciar o povo de objetivo. Portanto, Ezequias lhes ordenou
seu Deus , não poderiam submetê-los ao seu sabiamente que se calassem .
poder. Portanto, a questão era be m clara: 22. Rasgaram suas vestes. Ver com.
lealdade a Deus ou aliança com o rei assírio. de 2Rs 18:37.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

11 , 13-20 - PR, 353 21, 22 - PR, 354

243
37: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

CAPÍTULO 37
1 Ezequias, de luto, solicita que Isaías ore pelo povo. 6 Isaías os conforta. 8 Senaqueribe,
indo ao encontro de Tiraca, envia uma carta blasfema a Ezequias. 14 A oração
de Ezequias. 21 Isaías profetiza contra o orgulho de Senaqueribe,
e sua destruição, e o bem de Sião. 36 Um anjo destrói os assírios.
37 Senaqueribe é morto em Nínive por seus filhos.

I Tendo o rei Ezequias ouvido isto, rasgou as 11 Já ten s ouvido o que fi ze ra m os reis ela
~ ~ suas vestes, cobriu-se de pano de saco e e ntrou Assíria a todas as terras, como a s destruíra m
na Casa do SE NHOR. totalmente ; e crês tu que te livra ri as?
2 E ntão, enviou a Eliaquim , o mordomo, a 12 Porve ntura, os de us e s das n ações li vra -
Sebna, o e scrivão, e aos anciãos dos sace rdotes , ra m os povos que m e us pais des truíram: G ozã ,
com veste s de p a no de saco, ao profeta Isaías , Harã, Rezefe e os filho s de Éden , que estavam
filho de Amoz, em Tel assar?
3 os quais lhe di ssessem: Assim di z Ezequias: l3 Onde está o rei de Hamate, e o rei de Arpade,
Este di a é dia de a ngústia, de castigo e de opró- e o rei da cidade de Sefarvaim , de Hena e ele Iva?
brio; porque filh os são chegados à hora de nas- 14 Te ndo Ezequi as rec ebido a carta das mãos
cer, e não há força para dá-los à luz . dos mensageiros, leu-a; então, subiu à C asa do
4 Porventura, o SENHOR, teu De us, terá ou- SENHOR , estende u-a perante o SENHO R
vido as palavras de Rabsaqué, a qu e m o rei da 15 e orou ao SEN HOR , di zendo:
Assíri a , seu se nhor, enviou para afrontar o Deus 16 Ó SENHOR elos Exércitos, D e us de Israe l,
vivo, e repreenderá as p alavras qu e o SENHOR que es tás entronizado acima elos qu e rubins, Tu
ouviu ; faz e, p ois, tuas oraç ões pelos que ainda somente és o De us de tod os os reinos da terra;
subsistem. Tu fizeste os cé us e a te rra .
5 Foram, pois, os servos do rei Ezequias ter 17 Inclina, ó SENHOR , os ouvidos e ouve; abre,
com Isaías; SENHOR, os olhos e vê ; ouve tod as as palavras
6 Isaías lhes diss e : Dizei isto a Vosso senhor: de Senaqueribe, as qu a is ele enviou para a fron-
Assim di z o SENHOR: Não temas por causa das tar o Deus vivo.
palavras que ouviste, com as qu ais os servos do 18 Verd ade é, SEN HOR, que os reis da Assíria
rei da Assíria blasfemaram contra Mim. assolaram todos os pa íses e suas terras
7 E is qu e me te re i nele um es pírito, e ele, ao 19 e lançaram no fogo os de uses de les, por-
ouvir certo rumor, voltará para a sua terra; e nela qu e deus es não eram , senão obra de mãos de ho-
E u o fare i cair morto à espada . mens, m adeira e pedra ; por is so, os destruíram.
8 Voltou, poi s, Rabsaqué e encontrou o rei 20 Agora, pois, ó SEN HOR , nosso D e us, livra -
ela Assíri a pelejando contra Libna; porqu e ouvi- nos das suas mãos , para que todos os reinos da
ra qu e o rei já se havia retirado de Laquis. terra saibam que só Tu és o SENHOR.
9 O rei ouviu que, a res peito de T iraca , rei 21 Então, Isaías , filh o de Amoz, man -
da Eti ópia, se di zia: Saiu pa ra gu er rea r contra dou di zer a Ezequias: Assim diz o SEN HOR , o
ti. Assim que ouviu isto, e nviou me nsageiros a Deus ele Israel: Visto que me pedi ste acerca de
Ezequias, dize nd o: Senaqu eribe, rei da Assíria,
l O Assim fala reis a Ezequias , rei de Judá: Não 22 esta é a pa lavra qu e o SEN HOR fa lou ares-
te e ngane o teu D eus, em quem confias, di ze n- peito dele: A virgem , filh a ele Sião , te despreza e
do: Jerusal ém não será e ntregue nas mãos do rei zomba ele ti ; a filha de Jeru salé m me neia a cabe-
ela Assíria. ça por detrás ele ti.

244
ISAÍAS 37:9

23 A quem afrontaste e de quem blasfemas- ano o que daí proceder; no terceiro ano, porém,
te? E contra quem alçaste a voz e arrogantemen- semeai e colhei, plantai vinhas e comei os seus
te ergueste os olhos? Contra o Santo de Israel. frutos.
24 Por meio dos teus servos, afrontaste o 31 O que escapou da casa de Judá e ficou de
Senhor e disseste: Com a multidão dos meus resto tornará a lançar raízes para baixo e dará
carros, subi ao cimo dos montes, ao mais interior fruto por cima;
do Líbano; deitarei abaixo os seus altos cedros e 32 porque de Jerusalém sairá o restante, e do
os ciprestes escolhidos, chegarei ao seu mais alto monte Sião, o que escapou. O zelo do SENHOR
cimo, ao seu denso e fértil pomar. dos Exércitos fará isto.
25 Cavei e bebi as águas e com a planta de 33 Pelo que assim diz o SENHOR acerca do
meus pés sequei todos os rios do Egito. rei da Assíria: Não entrará nesta cidade, nem
26 Acaso, não ouviste que já há muito dis- lançará nela fl echa alguma, não virá perante
pus Eu estas coisas, já desde os dias remotos o ela com escudo, nem há de levantar tranquei-
tinha planejado? Agora, porém, as faço executar ras contra ela.
e Eu quis que tu reduzisses a montões de ruínas 34 Pelo caminho por onde vier, por esse volta-
as cidades fortificadas. rá; mas nesta cidade não entrará, diz o SENHOR.
27 Por isso, os seus moradores, debilita- 35 Porque Eu defenderei esta cidade, para
dos, andaram cheios de temor e envergonhados; a livrar, por amor de Mim e por amor do Meu
i!) ~~> tornaram-se como a erva do campo, e a erva servo Davi .
verde, e o capim dos telhados, e o cereal quei- 36 Então, saiu o Anjo do SENHOR e feriu
mado antes de amadurecer. no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco
28 Mas Eu conheço o teu assentar, e o teu mil; e, quando se levantaram os restantes pela
sair, e o teu entrar, e o teu furor contra Mim. manhã, eis que todos estes eram cadáveres.
29 Por causa do teu furor contra Mim, e por- 37 Retirou-se, pois, Senaqueribe, rei da
que a tua arrogância subiu até aos Meus ouvidos, Assíria, e se foi; voltou e ficou em Nínive.
eis que porei o Meu anzol no teu nariz, e o Meu 38 Sucedeu que, estando ele a adorar na casa
freio , na tua boca, e te farei voltar pelo caminho de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer,
por onde vieste. seus filhos , o feriram à espada e fugiram para a
30 Isto te será por sinal: este ano se come- terra de Ararate; e Esar-Hadom, seu filho, rei-
rá o que espontaneamente nascer e no segundo nou em seu lugar.

1. Rasgou as suas vestes. Ver com. de 4. Terá ouvido. Ver com. de 2Rs 19:4.
2Rs 19:1. A presença de Ezequias na "Casa Deus pode salvar "totalmente" todos os que
do SENHOR" estava em harmonia com o con- vão a Ele, "vivendo sempre para interceder
selho de Joel1:8 a 14, dado em outro tempo por eles" (Hb 7:25).
de crise. 6. Não temas. Ver com. de 2Rs 19:6 .
2. Ao profeta Isaías. O rei estava num 7. Meterei nele um espírito. Ver com.
dilema tal que somente um profeta do Deus de 2Rs 19:7.
verdadeiro podia indicar uma saída. 8. Libna. Ver com. de 2Rs 19:8.
3. Dia de angústia. Ver com. de 2Rs 9. Tiraca. Ver com. de 2Rs 19:9; ver
19:3 . Assim como Deus respondeu às ora- também vol. 2, p. 36, 49. A aproximação de
ções sinceras de Seu povo nos dias de Isaías, Tiraca fez com que Senaqueribe renovasse
Ele sempre o ouvirá e livrará (ver SI 46:5- seus esforços para assegurar a submissão
ll; 91). imediata de Ezequias.

245
37:10 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Enviou mensageiros. O rolo 1Qis• do 19. Deuses não eram. Ver com. de 2Rs
Mar Morto diz que "ele enviou mensageiros 19:18.
novamente". 20. Todos os reinos. Ver com. de 2Rs
10. Não te engane. Ver com. de 2Rs 19:19.
19:10. Como falhou em tomar Jerusalém 21. Assim diz o SENHOR. Isaías, aparen-
pelas armas, Senaqueribe estava fazendo temente, não estava presente quando Ezequias
esforços desesperados para tomá-la por fez sua oração sincera, mas o Senhor infor-
meio de palavras. Sua mensagem, desta vez, mou ao profeta acerca da oração e da resposta
foi bem parecida com a anterior (Is 36: 15, favorável que lhe seria dada. Nesse tempo de
18-20), apenas mais dramática e desafiante. crise nacional, Deus não deixaria Seu povo
11. A todas as terras. Ver com. de 2Rs sem esperança (ver com. de 2Rs 19:20).
19:1 1. Os reis assírios eram desalmados e 22. A virgem. Como uma virgem, Sião
cruéis, orgulhavam-se de sua crueldade. Com foi ameaçada por Senaqueribe, que estava
o horror de seus feitos sangrentos esperavam determinado a humilhá-la perante o mundo.
aterrorizar o coração dos homens e das nações, No entanto, Sião corajosamente se negou a
a fim de submeter o mundo ao seu controle. se submeter à Assíria, e Deus a recompensa-
12. Gozã, Harã. Ver com. de 2Rs 19:12. ria por sua fidelidade (ver com. de 2Rs 19:21).
13. De Hamate. Ver com. de 2Rs 19:13 . 23. O Santo. Ver com. de 2Rs 19:22.
A mesma pergunta já tinha sido feita com Foi a Ele que Sião foi prometida em casa-
respeito aos deuses de Hamate e Arpade mento e, ao vituperá-la, a Assíria insultava a
(Is 36:19) e, desta vez, sobre os reis dessas Deus . Por honra de Seu próprio nome, Deus
cidades. A resposta implícita é que eles ti- defenderia Sião.
nham tido o destino terrível de todos que ou- 24. Disseste. Ver com. de 2Rs 19: 23.
saram resistir aos exércitos assírios. O rolo O homem estava colocando a si mesmo e a
1Qis• do Mar Morto acrescenta "Samaria" sua débil força contra o poder de um Deus
depois de "lva". onipotente. A exemplo de Lúcifer, Senaque-
14. Recebido a carta. Ver com. de 2Rs ribe era culpado de se gloriar de si mesmo.
19:14. Sua ênfase estava em si mesmo: "meus carros",
16. Acima dos querubins. Ver com. "eu subi", "eu deitarei abaixo" e "eu chegarei"
~ ,.. de 2Rs 19:15. (cf. Is 14:13, 14). As inscrições de Senaque-
17. Para afrontar. Ver com. de 2Rs ribe são repletas de jactâncias como essas.
19:16. Para Ezequias, as palavras de Porém, mais uma vez se demonstraria que
Senaqueribe se dirigiam não a ele, mas a "a soberba precede a ruína" (Pv 16:18) e que
Deus. Ezequias governava como represen- "Deus resiste aos soberbos" (Tg 4:6).
tante de Deus na terra . 25. Cavei e bebi. Senaqueribe conti-
18. Assolaram todos os países. nuava a se vangloriar de seu poder e invenci-
A Assíria es tava no auge de seu poder. Tiglate- bilidade. Nada podia detê-lo. As dificuldades
Pileser III (745-727 a. C), Salmaneser V (727- que sobrevêm a mortais comuns nada sig-
722), Sargão II (722-705) e Senaqueribe nificavam para ele (ver com. de 2Rs 19:24).
(705-68 1) foram os maiores reis que a Assíria Águas. O rolo 1Qis• do Mar Morto diz:
teve, e sob seu domínio as nações da Ásia "águas de estrangeiros", como em 2 Reis 19:24.
Ocidental foram esmagadas e devastadas. Se 26. Faço executar. Ver com. de 2Rs
Senaqueribe se orgulhava, Ezequias admitiu 19:25. Se Deus não tivesse deixado de pro-
que não o fazia sem motivos. O rolo 1Qis• do teger as nações, os exércitos da Assíria não
Mar Morto omite "e suas terras". teriam prevalecido contra elas.

246
ISAÍAS 37:38

27. Debilitados. Ver com. de 2Rs mas não procederiam com as operações
19:26. usuais de um cerco. Nenhuma arma seria
28. Eu conheço o teu assentar. lançada contra os muros para permitir o
O rolo 1Qisa do Mar Morto diz: "conheço avanço das máquinas de guerra e dos arquei-
teu levantar e teu assentar" (ver Lm 3:63). ros, e nenhum inimigo conseguiria entrar
Deus adverte Senaqueribe de que conhece na cidade. Parecia que Jerusalém estava no
seus feitos e intenções. As palavras "sair" e limiar de um cerco desesperador, mas esse
"entrar" incluem todas as atividades da vida cerco não se realizaria.
(ver SI 121:8; 139:2, 3). 35. Por amor de Mim. Ao defender
29. O Meu anzol no teu nariz. Ver Jerusalém, Deus estava defendendo Sua
com. de 2Rs 19:28. Os assírios com fre- própria majestade e honra contra a blas-
quência recorriam às mais bárbaras cruel- fêmia de Senaqueribe (ver com. do v. 24).
dades no tratamento com suas vítimas. 36. O Anjo do SENHOR. Ver com. de
Senaqueribe seria tratado como tratou os 2Rs 19:35. Em geral, os anjos são envia-
outros. Emprega-se a mesma figura para se dos para salvar e não para destruir. Nada
referir ao que finalmente acontecerá aos que se sabe do método empregado pelo anjo
praticam a iniquidade (Is 30:28; Ez 38:4). nesta ocasião, mas qualquer que tenha sido,
30. Por sinal. Ver com. de 2Rs 19:29. a visitação foi repentina e arrasou com a
Ezequias e o povo de Judá foram assegura- força dos sitiadores. Em harmonia com a
dos de que Deus lhes daria um sinal, como antiga relutância de registrar informações
fazia com frequência (Is 7:11, 14; 38:8), desfavoráveis nas crônicas nacionais, os
como garantia do cumprimento da predi- registros assírios não mencionam esta catás-
ção. A invasão assíria tinha paralisado todas trofe. Várias explicações lendárias carecem
as atividades agrícolas normais, mas asse- de valor.
gurou-se ao povo que haveria alimento sufi- 37. Senaqueribe. É interessante que
ciente. Pode ser que o ano seguinte fosse Senaqueribe tenha sido poupado. Talvez
um ano sabático, durante o qual suficiente ele estivesse com a parte de seu exército
alimento cresceria por si mesmo. Porém, no enviado contra Tiraca (v. 9; ver 2Rs 19:9,
terceiro ano se retomaria a vida normal com e mapa, vol. 2, p. 1053). Talvez o Senhor o
suas atividades. O cumprimento desta pre- tenha feito voltar à sua terra natal envergo-
dição dentro do tempo determinado seria nhado e humilhado como uma lição do que
um sinal da certeza do cumprimento da pro- ocorre a quem se coloca contra Deus (ver
messa mais ampla dos v. 31 e 32. com. de 2Rs 19:36).
31. O que escapou. Ver com. de 2Rs 38. Seus filhos, o feriram. Ver com.
19:30. de 2Rs 19:37. Embora se permitisse que
32. O zelo do SENHOR. Ver com. de Senaqueribe voltasse para a Assíria, ele não
2Rs 19:31. Apenas a intervenção divina sal- escapou de uma morte violenta. Os regis-
varia Judá. Sem Deus não havia esperança. tros assírios e babilônicos confirmam o
Israel já tinha sido destruído, e parecia que relato bíblico de seu assassinato pelas mãos
~ 11> nada poderia impedir que Judá tivesse o de seus filhos. Senaqueribe foi morto em
mesmo destino . 681 a.C., e Esar-Hadom começou a reinar.
33. Levantar tranqueiras. Ver com. Não se sabe quanto tempo depois de seu
de 2Rs 19:32. Os soldados de Senaqueribe retorno de Jerusalém isso aconteceu (ver
já estavam acampados ao redor da cidade, vol. 2, p. 49, 50).

247
38:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

16- PP, 62 23 - GC, 287 38 - PR, 361

CAPÍTULO 38
1 Ao receber a mensagem sobre a morte, Ezequias ora e tem a vida prolongada.
8 O sol retrocede dez graus como sinal do cumprimento da promessa.
9 O cântico de Ezequias em agradecimento.

Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma 12 A min ha habitação foi arrancada e remo-
enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta vida para longe de mim, como a tenda de um
Isaías, fil ho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o pastor; Tu, como tecelão, me cortarás a vida
SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque mor- da urdidura , do dia para a noite darás cabo
rerás e não viverás. de mim .
2 Então, virou Ezequias o rosto para a pare- 13 Espero com paciência até à madruga-
de e orou ao SENHOR. da, m as Ele, como leão, me quebrou todos os
3 E disse: Lembra-Te, SENHOR, peço-Te, de ossos; do dia para a noite darás cabo de mim.
que andei diante de Ti com fidelidade, com in- 14 Como a andorinha ou o grou , assim eu
teireza de coração e fiz o que era reto aos Teus chilreava e gemia como a pomba; os meus olhos
olhos; e chorou muitíssimo. se cansavam de olhar para cima. Ó Senhor, ando
4 Então, veio a palavra do SENHOR a Isaías, oprimido, responde Tu por mim.
dizendo: 15 Que direi? Como prometeu, assim me fe z;
5 Vai e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, passarei tranquilamente por todos os meus anos ,
o Deus de Davi , teu pai: Ouvi a tua oração e vi depois desta amargura da minha alma.
as tuas lágrimas ; acrescentarei, pois, aos teus 16 Senhor, por estas disposições Tuas vivem
dias quinze anos . os homens, e inteiramente delas depende o meu
6 Livrar-te-ei das mãos do rei da Assíria, a ti espírito; portanto, restaura-me a saúde e faze-
e a esta cidade, e defenderei esta cidade. me viver.
7 Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal 17 Eis que foi para minha paz que tive eu
de que o SENHOR cumprirá esta palavra que falou : grande amargura; Tu, porém, amaste a minha
8 eis que farei retroceder dez graus a som- alma e a livraste da cova da corrupção, porque
bra lançada pelo sol declinante no relógio de lançaste para trás de ti todos os meus pecados.
Acaz. Assim, retrocedeu o sol os dez gra us que 18 A sepultura não Te pode louvar, nem a
já havia declinado. morte glorificar-Te; não esperam em Tua fideli-
9 Cântico de Ezequias , rei de Judá, depois de dade os que descem à cova.
ter estado doente e se ter restabelecido: 19 Os vivos, somente os vivos, esses Te lou-
lO Eu disse: Em pleno vigor de meus dias, hei va m como hoje eu o faço; o pai fará notória aos
de entrar nas portas do além; roubado estou do filhos a Tua fid elidade.
~ I> resto dos meus anos . 20 O SENHOR veio salvar-me; pelo que, tan-
11 Eu disse: já não verei o SENHOR na terra gendo os instrumentos de cordas, nós o louva-
dos viventes; jamais verei homem algum entre os remos todos os dias de nossa vida, na Casa do
moradores do mundo. SENHOR.

248
ISAÍAS 38:13

21 Ora, Isaías dissera: Tome-se uma pasta de 22 Também dissera Ezequias: Qual será o
figos e ponha-se como emplasto sobre a úlcera; e sinal de que he i de subir à Casa do S E NHOR?
ele recuperará a saúde.

1. Naqueles dias. Ver com. de 2Rs 20:1. O v. 9 é o subtítulo do salmo, e é similar a


2. Orou. Ver com. de 2Rs 20:2 . vários dos cabeçalhos encontrados no livro
3. Com inteireza de coração. Ver de Salmos. Como muitos salmos, o poema é
com. de 2Rs 20:3. Neste tempo de crise, um registro de uma experiência individual,
Ezequias pode ter sentido que a nação pre- escrita de forma a ser usada na adoração no
cisava de seus serviços e que era completa- templo. O tema do poem a é a experi ência
mente correto que apresentasse seu honroso de um homem que esteve face a face com a
passado como razão por qu e lhe devia ser morte, orou com sinceridade por sua vida e
permitido viver. teve sua oração atendida. Talvez para tornar
5. Assim diz o SENHOR. Ver com. de o poema adequado à liturgia, não se mencio-
2Rs 20:4, 5. As lágrimas de Ezequias toca- nem itens de natureza mais pessoal.
ram o coração de Deus, que interveio. 10. Em pleno. Literalmente, "em meio
6. Livrar-te-ei. O livramento seria a". Neste tempo, Ezequias tinha , provavel-
duplo, ou seja, da morte e das mãos de mente, cerca de 40 anos (ver com. ele 2Rs
Senaqueribe. Satanás estava determin ado 18:2, 13).
a causar a morte de Ezequias e a queda 11. Não verei o SENHoR. A morte n ão ~ ~
de Jerusalém. Sem dúvida, pensava que se o traria à presença de Deus , mas cortaria sua
Ezequias estivesse fora do caminho, seus comunicação com Ele, assim como com os
esforços para a reforma cessariam e a queda homens (ver Jó 14:21; 17:13; SI 6:5; 115:1 7;
de Jerusalém poderia acontecer mais rapi- 146:4; E c 9:5, 6; Is 38: 18).
damente. O rolo 1Qisa do Mar Morto acres- 12. A minha habitação. Um a "tenda"
centa ao versículo "por amor de Mim e por nômade que poderia ser rapid a mente
amor de Davi, Meu servo" (ver 2Rs 20:6). mudada de um lugar a outro. De acordo com
7. Como sinal. Ver com. de 2Rs 20:8 . a figura, a habitação de Ezequias seria reti-
A despeito das aparências, Ezequias seria rada da terra dos vivos para a dos mortos (ver
curado. O sinal antes da cura foi dado para 2Co 5:1-3; cf. Fp 1:23).
fortalecer sua fé e a de seu povo (ver com. Tu [... ] me cortarás. Literalm ente ,
de Is 37:30). "enrolarás". Ezequi as estava tecendo a teia
8. Farei retroceder. De acordo com da vida, mas seu modelo seria mudado .
2 Reis 20:9 e 10, Ezequias pôde escolher se Deveria parar de tecer antes que o modelo
queria que a sombra do relógio de sol retroce- fosse concluído, e tirá-la do tear. N es ta
desse ou se adiantasse. Ele escolheu o mais figura, Ezequias expressa su a desilusão e
difícil. Aqui o registro está resumido (ver frustração quanto à perspectiva de cessa r
com. de 2Rs 20:10, 11). pre maturamente o que lhe parecia uma
9. Cântico de Ezequias. Este salmo de tarefa pela metade.
Ezequias (v. 9-20) não se encontra no regis- 13. Espero com paciência. Literal-
tro de 2 Reis . Parece que os v. 21 e 22, ori- mente, "eu me compus", "eu me ca lei". No
ginalmente, seguiam o v. 8. Mas, na form a Salmo 131:2, a mesma expressão hebraic a
presente do registro, o poema de Ezequias foi é traduzida como "fiz calar e sossegar a
inserido dentro ela narrativa e não depois dela. minha alma". Ao encontrar-se com um

249
38:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

inimigo impl acável , a enfermidade , diante que causou tanta angústi a para Ezequi as não
da qual se se ntia indefeso, Ezequias enca- foi para seu mal, mas em seu benefício. Deus
rou a perspec tiva de se conformar com o olhou para ele com compaixão e o resgatou
qu e pareci a inevitável. No rolo 1Qisb do da cova da corrupção. Foi o poder do amor
M a r Morto, não há este versículo, mas ele divino que o sa lvou do poder da morte.
es tá no rolo 1Qis". Todos os meus pecados. A cura física
14. Como a andorinha. Ezequia s com- era uma certeza tangível da cura espiritual.
para seu clamor com o gemido dos pássa ros O perdão divino não é simplesmente uma
mencionados. Às vezes , ele se queixava em transação legal que libera alguém de pagar
voz alta; às vezes, seu clamor era interno e por suas ofensas passadas; é um poder trans-
inaudíve l. Ele mal tinha forças para levan- formador que restaura e fortalece a natureza
tar os olhos a De us e clamar por libertação espiritual do ser humano e o molda à im a-
do terror que estava sobre ele como um car- gem moral do Criador.
rasco com sua arma apontada. 18. A sepultura. A morte cessa por com-
Responde Tu por mim. Literalmente, pleto todo pensamento e atividade (ver com.
"sê meu fiador" ou "levanta-Te por mim". de Sl 115:17; 146:4; Ec 9: 5). O que a ngus-
A figura é a de um devedor que se encontra tiava Ezequias era a ideia de que na morte
nas mãos do credor exigente. A morte pres- ele não poderia agradecer nem louvar a Deus
siona Ezequias a quitar sua dívid a de ime- (Sl6:5 ; 30:9; 88:10, 11; 115:1 7).
diato, e o rei apela para que Deus o resga te. 19. Fará notória aos filhos a Tua
15. Assim me fez. O significado do fidelidade. A gratid ão inspirou Ezequias
v. 15 não é claro. Alguns sugerem que se a falar a outros da fidelidade e bondade de
refere à surpresa do enfermo por sua rec upe- Deus.
ração repentin a, e que lhe faltam palavras 20. Salvar-me. A prontidão de Deus em
para expressar a gratid ão a Deus. Outros salvar Ezequi as o indu ziu a expressar nes te
creem que se encontrava impossibilitado de salmo a alegri a que se ntiu (ver com. do v. 9).
falar, consternado por ter sido ferido, ao que Nós o louvaremos. O restante do v. 20
parece, por Deus. Se o Senhor, a quem con- está na form a de um pós-escrito que dec la ra
siderava como amigo, permitiu-lhe qu e che- o propósito do rei em compor o salmo e sua
gasse aos portões da morte, o que ele podia intenção qu anto à form a de usá-lo.
di zer? Nada há mais a fazer do que chorar 21. Uma pasta de figos. Isto é, uma
e lame ntar a má sorte e passar os dia s em cataplasma de figo s (ver com. de 2Rs 20:7).
amargura de alm a. O Senhor podia curar Ezequias se m o uso
16. Por estas disposições Tuas vivem desta ca taplasma; mas, se existem remédios
os homens. O ser humano vive pela pala- naturai s, Deus qu er que seja m usados para a ..., ~
vra de Deus (Dt 8: 3; Mt 4:4), seja no corpo cura. Usá-los não demon stra falta de fé; pelo
ou espiritualm ente. Qua ndo Ezequias foi contrário, recusa r-se a faze r isso é pres unção
curado fisica mente, também teve restaura- e revela falta de discernim ento.
ção espiritual. Ao restaurar a saúde físic a do 22. O sinal. Ver co m. de 2Rs 20:8 .
rei, o Senhor lhe concedeu muito mais do Por meio de Isa ías, o Senhor já tinh a dito a
que ele pedira (ver Is 38: 17; Mt 9: 2-7). Ezequias que ele seri a curado e qu e, no te r-
17. Para minha paz. Isto é, "paz" no cei ro di a, seri a capaz de ir à Casa do Senhor
mais amplo sentido, "tudo o qu e é bom para (2Rs 20:5; sobre a natu reza deste sinal, ver
mim" ou "o qu e é para meu bem". A afli ção com. de Is 38:7, 8).

250
ISAÍAS 39:2

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1 - PR, 340; T5, 336 18, 19- GC , 546


10-20 - PR, 343 21 - CBV, 232

CAPÍTULO 39
1 Merodaque-Baladã envia mensageiros a Ezequias por causa de sua milagrosa
recuperação, e conhece os tesouros do rei. 3 Ao saber disso,
Isaías prediz o cativeiro babilônico.

l N esse tempo, Merodaque -Baladã, filh o Respond eu Ezequias: Viram tudo quanto há em
de Baladã, rei da Babilônia, enviou car tas e um minha casa ; coisa nenhuma há nos meu s tesou-
presente a Ezequias, porque soube que estivera ros que eu não lhes mostrasse.
doente e já tinha convalescido. 5 Então, disse Isaías a Ezequias: Ouve a pa-
2 Ezequias se agradou disso e mostro u aos lavra do S E NHOR dos Exércitos:
mensageiros a casa do seu tesouro, a prata, o ouro, 6 Eis que virão dias em que tudo quanto hou-
as especia rias, os óleos finos, todo o seu arsenal e ve r em tua casa, com o que entesouraram teus pais
tudo quanto se achava nos seus tesouros; ne nhu- até ao dia de hoje, será levado para a Babilôni a;
ma coisa houve, nem em sua casa, nem em todo não ficará coisa alguma, di sse o SEN HOR .
o seu domínio, que Ezequias não lhes mostrasse. 7 Dos teus próprios filh os, que tu gera res ,
3 Então, Isaías, o profeta, veio ao rei Ezequi as tomarão, para que sejam eunucos no palácio do
e Ihe disse: Que foi que aqu eles homens di sseram rei da Babilôni a.
e donde vieram a ti? Responde u Ezequias: De 8 Então, disse Ezequi as a Isaías: Boa é a pa-
uma terra longínqua viera m a mim , da Babilôni a. lavra do SEN HOR q ue disseste. Poi s pe nsava:
4 Perguntou ele: Que viram em tu a casa? Haverá paz e segurança em meus dias .

I. Merodaque-Baladã. Ver com. de 2Rs na amarga luta contra os esfo rços assírios para
20:12; ver também vol. 2, p. 72. Este nome dominar todo o antigo O riente Médio.
é comum nas in scrições assírias de Sargão 2. Ezequias se agradou. Ele se enva-
e Senaqueribe. Merodaque-Baladã, original- ideceu com essa in esperada atenção de um
mente governador de Bit-Yakin, um pequeno rei de Babilônia, e ficou feli z com o interesse
estado ao norte do golfo Pérsico, foi rei de de outros em resistir à Assíria. Porta nto,
Babilônia de 721 a 709 a.C , e novamente por Ezequias recebeu bem os enviados babi-
um curto período em 703 . Na época da enfer- lônios como aliados e amigos, sem im agi-
midade de Ezequias e quando esses homens na r que em pouco tempo, Babilônia toma ria
foram enviados, ele era um rei no exílio. C omo o lugar da Assíria como o gra nde pode r do
Ezequias tinha resistido Senaqueribe de Oriente e que um de seus re is conqui sta-
forma tão decidida, Merodaque- Baladã o con- ria Judá.
siderou um aliado valioso. O s enviados, apa- Mostrou aos mensageiros a casa.
re ntemente, foram parabenizar Ezequias por Sobre a tolice de Ezequi as em faze r isso, ve r
sua recuperação, e talvez garantir sua ajuda com . de 2Rs 20:1 3.

251
39:3 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

3. Então, Isaías, o profeta, veio. 6. Levado para a Babilônia. Ver com.


Antes Isaías proferira mensagens contra de 2Rs 20:17.
alianças com estrangeiros (Is 8:9-13; 30:1-7; 7. Teus próprios filhos. Ver com. de
31:1-5). 2Rs 20:18 .
4. Que viram [... ]? Ver com. de 2Rs 8. Boa é a palavra. Esta atitude reflete
20:15. Salomão tinha previsto o tempo o egoísmo do rei (ver com. de 2Rs 20:19).
quando pessoas chegariam de terras distan- Paz e segurança. Ver com. de 2Rs
tes para aprender sobre o Deus de Israel (lRs 20:19. Ezequias foi consolado com a ideia de
8:41-43; ver também p. 15, 16). A falh a em que Deus lhe mostraria favor em adiar sua
aproveitar a oportunidade de testemunhar punição. Muitas vezes, Deus adiou a exe-
do verdadeiro Deus mostrou a ingratidão de cução de uma sentença quando as pessoas
Ezequias pela bênção de ter sua saúde res- se arrependeram e se mostraram submis-
taurada (Is 38:1, 9). sas a Ele (ver 1Rs 21:28, 29; 2Rs 22:18-20).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1- PR, 344 3, 4 - PR, 346


2 - PR, 345 5-8- PR, 347

CAPÍTULO 40
1 O anúncio da restauração. 3 O preparador do caminho. 9 A pregação das boas-
novas. 12 O profeta mostra a onipotência de Deus, 18 sua grandeza
incomparável e, 26 co1n isso, conforta o povo.

I Consolai, consola i o Meu povo, diz o vosso 7 seca-se a erva, e caem as flores, soprando
Deus. ne las o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo
2 Falai ao coração de Jerusalém , brada i-lhe é erva;
que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua 8 seca-se a erva , e cai a sua flor, mas a pa-
iniquidade está perdoada e qu e já recebe u em lavra de nosso Deus permanece e tern amente .
dobro das mãos do SENHOR por todos os seus 9 Tu, ó Sião, qu e anuncias boas-novas, sobe
pecados. a um monte alto! Tu, que anun cias boas-novas a
3 Voz do que clama no deserto: Preparai o Jerusalém, ergue a tua voz fortem ente; leva nta-a,
caminho do SENH OR; endireitai no ermo vere- não temas e dize às cidades de Judá: Eis aí está
da a nosso Deus. o vosso De us I
4 Todo vale será aterrado, e nivelados, todos lO Eis que o SEN HOR Deus virá com poder,
os montes e outeiros; o que é tortuoso será retifi- e o Se u braço dominará; eis que o Se u galar-
cado, e os lugares escabrosos, aplanados. dão está com Ele, e diante dEle , a Sua re-
5 A glória do SENHOR se manifestará, e tod a comp e nsa.
a carne a verá, pois a boca do SENHOR o disse. li Como pastor, apascentará o Seu reba -
6 Uma voz diz: Clama; e alguém pergunta: nho; entre os Seus braços recolherá os cordei -
Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda rinhos e os levará no se io; as que amamentam
a sua glória, como a flor da erva; Ele guiará mansamente.

252
ISAÍAS 40: l

12 Quem na concha de Sua mão med iu as 22 Ele é o que está assentado sobre a redon-
águas e tomou a medida dos céus a palmos? deza da terra, cujos moradores são como gafa-
Quem recolheu na terça parte de um efa o pó nhotos; é Ele quem estende os céus como cortina
da terra e pesou os montes em romana e os ou- e os desenrola como tenda para neles habitar;
teiros em balança de precisão? 23 é Ele quem reduz a nada os príncipes e
13 Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, torna em nulidade os juízes da terra.
como Seu conselheiro, o ensinou? 24 Mal foram plantados e semeados, mal se
14 Com quem tomou Ele conselho, para que arraigou na terra o seu tronco, já se secam, quan-
Lhe desse compreensão? Quem O instruiu na do um sopro passa por eles , e uma tempestade
vereda do juízo, e Lhe ensinou sabedoria, e Lhe os leva como palha.
mostrou o caminho de entendimento? 25 A quem, pois, Me comparareis pa ra que
15 Eis que as nações são consideradas por Eu lhe seja igual? - diz o Santo.
~ "' Ele como um pingo que cai de um balde e como 26 Levantai ao alto os olhos e vede. Quem
um grão de pó na balança; as ilhas são como pó criou estas coisas? Aquele que faz sair o Seu exér-
fino que se levanta. cito de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele
16 Nem todo o Líbano basta para queimar, chama pelo nome; por ser Ele grande em força e
nem os seus animais, para um holocausto. forte em poder, nem uma só vem a faltar.
17 Todas as nações são perante ele como coisa 27 Por que, pois, dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel:
que não é nada; ele as considera menos do que O meu caminho está encoberto ao SENHOR , e o
nada, como um vácuo. meu direito passa despercebido ao meu Deus?
18 Com quem comparareis a Deus? Ou que 28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus,
coisa semelhante confrontareis com Ele? o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se
19 O artífice funde a imagem, e o ourives a cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinha r
cobre de ouro e cadeias de prata forja para ela. o Seu entendimento.
20 O sacerdote idólatra escolhe madeira 29 Faz fort e ao cansado e multiplica as for-
que não se corrompe e busca um artífice perito ças ao que não tem nenhum vigor.
para assentar uma imagem esculpida que não 30 Os jovens se cansam e se fatigam, e os
oscile . moços de exaustos caem,
21 Acaso, não sabeis? Porventura, não ouvis? 31 mas os que esperam no SENHOR renovam
Não vos tem sido anunciado desde o princí- as suas forças, sobem com asas como águias,
pio? Ou não ate ntastes para os fundamentos correm e não se cansam, caminham e não se
da terra? fatigam.

1. Consolai o Meu povo. Este capí- dos enviados de Babilônia. Nos capítulos
tulo dá início à terceira e última parte do seguintes, a mensagem do profeta é total-
livro de Isaías (sobre o Dêutero-lsaías, ver mente diferente tanto no conteúdo quanto
p. 71-76). Em muitos aspectos, os cap. 40 a no estilo. Pronunciamentos de juízos e des-
66 constituem a parte mais importante da truição ficam em sua maioria no passado,
profecia de Isaías. Os cap. l a 35 consistem e o restante do livro fa la das promessas do
em grande parte de uma série de repreen- derramamento da graça de Deus sobre os
sões contra a transgressão e pronuncia- justos. Em geral, considera-se que os cap.
mentos de juízos futuros. Os cap. 36 a 39 40 a 66 são o motivo de Isaías ser chamado
relatam a invasão de Senaqueribe, a enfer- de "profeta do evangelho". Aqui, em lingua-
midade e recuperação de Ezequias e a visita gem sublime e inspirada, Isaías apresenta o

253
40:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

futuro glorioso de Israel como o "servo" fiel retorno de Seu povo a Ele, ocupando assim
de Deus, a libertação em relação a todos os a posição de Seus representantes na Terra.
inimigos, a vinda do Messias e o estabeleci- Eles são libertos do poder de Babilônia ,
mento do reino messiânico. reocupam a terra da promessa, e os lugares
A mente do profeta visualiza o tempo desolados da Terra se tornam "como o jar-
quando Deus terá compaixão de Seu povo e dim do SENHOR" (Is 51: 3).
lhe concederá as bênçãos da justiça e da paz. 2. Falai ao coração. O livro de Isaías se
Nesta seção, há muitas predições a res- inicia com uma dura mensagem de repreen-
peito do Messias, Seu caráter e ministé rio, são a Jerusalém (Is 1:2-10). Ela era então
a vida e o serviço abnegado e Sua morte. "cidade sitiada" e ímpia como Sodoma e
Descreve-se o crescimento da igreja e a par- Gomorra (Is 1:8-10). Mas , nesse momento,
ticipação dos gentios. Também há descri- Isaías prevê um tempo quando "sua milíci a"
ções fascinantes da Terra restaurada à paz e é finda e Deus lhe envia uma mensagem de
beleza edênicas. Israel, isto é, o povo de Judá consolo. O castigo foi dado por causa de seus
(visto que o reino do norte não existia mais), pecados e, nessa circunstância, são ofereci-
é visto como o povo escolhido de Deus, Seu dos perdão e restauração.
"servo", Seu "escolhido", em quem Deus Se Da sua milícia. Isto inclui as invasões
~ .. compraz (Is 42:1 ; etc.). militares do tempo de Isaías, as conquistas de
A ameaça da Assíria, o principal inimigo Babilônia sob o comando de Nabucodonosor,
de Judá, nos cap. 1 a 39, ficou no passado, ao mais de um século depois e, no sentido figu-
menos em grande parte; e, por meio do pro- rado, a milícia mais ampla da igreja contra os
feta Isaías, Deus prepara Seu povo para uma poderes das trevas em todas as eras. Olhando
calamidade ainda maior: o cativeiro babilô- adiante, com visão profética , para o tempo
nico um século mais tarde. Na nova seção, de restauração no final do cativeiro babilô-
que tem início com o cap. 40, Deus encon- nico, Isaías fala confiantemente, como se os
tra os israelitas desanimados por causa do inimigos de Israel já estivessem derrotados
aparente fracasso de Seu propósito para eles (ver vol. 1, p. 3).
como naç ão. Por isso os insta a vislumbrar 3. Preparai. Era propósito de Deus que,
com fé a perspec tiva gloriosa que os aguar- com a libertação do cativeiro babilônico,
dava no retorno do cativeiro (ver p. 18, 19). Israel como nação se esforçasse ao m áx imo
Na primeira parte do livro, Isaías pro- para se preparar e preparar as nações vi zi-
clama uma mensagem de repreensão; mas nhas para a vinda do Messias. Um glorioso
aqui, apresenta promessas de consolo e futuro aguardava a nação, pois o progra ma
esperança. A seção anterior fala da impie- divino seguiria aceleradamente e sem inter-
dade do povo; esta fala da justiça de Deus. rupções até que o Messias surgisse e Seu
Os cap. 1 a 39 falam principalmente do êxito reino eterno fosse estabelecido (ver p. 16,
do inimigo em desviar o povo de Deus de 17). O processo de preparo alcançaria o clí-
seus elevados propósitos. Os cap. 40 a 66 max na vida e no ministério de João Batista, a
falam do êxito do Senhor em fazer Israel vol- cuja obra se referem estas palavras (ver com.
tar à posição ideal como a luz e a esperança de Mt 3:3). Do mesmo modo, é privilégio da
do mundo, e apresentam um quadro notá- igreja, no presente, prepa rar o caminho do
vel do Messi as como Servo de Deus, e dos Senhor, para que volte à Terra com poder e
que seguem Seus passos e são Suas teste- glória. Assim como no caso do Israel antigo,
munhas. Além disso, há descrições sublimes esta obra de preparação é dupla, e consiste
el e Deus como a esperança de Seu povo e do primeiramente de uma transformação de

254
ISAÍAS 40:11

caráter e, em segundo lugar, da proclama- espiritual com o qual o ser hum ano subsistirá
ção do evangelho a toda a humanidade (com- (Mt 4:4; Jo 6:48 -63). A verdade nunca mud a,
parar com Is 62:1 0-12; Ml3 :2). pois seu Autor é "o mes mo ontem , e hoje, e
O caminho. Sobre o simbolismo empre- eternamente" (Hb 13:8, ARC). Aqueles qu e
gado aqui, ver com. de Mt 3:3. vão a Ele em busca de alimento para a alm a
4. Todo vale. Os preparos para a vinda jamais terão fome (Jo 6:35) ou sede (Jo 4 :14).
de um monarca terreno envolviam o reparo 9. Sião. Ver com. de SI 48:2. As "boas-
do ca minho por onde ele passaria , para que novas" são a mensagem da bondade e do per-
não houvesse dificuldades no percurso. Com dão de Deus. Num tempo de perigo e trevas,
relação à vinda do Messias, estas palavras Sião tem uma mensagem de esperança e luz.
têm aplicação espiritual (ver com. de Mt 3:3). Israel era o mensageiro apontado para leva r
Era obra de João Batista convidar a todos a essas boas-novas ao mundo (ver p. 13-17).
preparar o coração e a vida para a vinda de Eis aí está o vosso Deus! Vez após
Jesus (Mt 3:5 -1 2; Lc 3:3-17). Os mensagei- vez, nesta seção do livro, Isaías aponta para
ros de Deus nos últimos dias devem procla- evidências do infinito poder de D eus, de
mar mensagem semelhante. modo a encorajar os desanimados habitan-
5. A glória do SENHOR. Conforme tes de Judá a crer que as gloriosas promessas
revelada na vida e no ministério do Senhor ainda podem ser deles (ver Is 40:4, 5, 8, lO,
Jes us (Jo 1:14; 2:11; 2Pe l:l6; ver com. de 15, 17, 18, 26 -29; 41:20; 42:13 , 14; 43:13 -19;
Lc 2:5 2). Na segunda vinda de Cristo, os 44:6; etc.). O grande erro do professo povo de
seres hum anos contemplarão a Sua glória Deus foi tirar os olhos do Senhor e Criador
(Mt 16:27; 25:3 1; Ap 1:7). e olhar para si mesmo. Eles prec isavam de
6. Que hei de clamar? O mensageiro uma visão de Deus e de Sua misericórdia e
do Senhor estava perplexo. Que mensagem justiça . A Isaías foi dada tal visão no tempo
apropriada poderia dar num tempo em que de seu chamado para o ministério profético
a nação estava sofrendo por causa de seus (Is 6:l, 3). Depois de ter visto a Deus, estava
pecados? Que mensagem havia para Sodoma apto a ajudar o povo a vê- Lo, pois só assim
~ · e Gomorra (Is 1:9, lO) no dia da destruição? podiam ter vida e esperança. A maior tarefa
Toda a carne é erva. Comparar com Jó já confiada aos mortais é chamar homens e
14:2; Sl90:5 ; l02:ll; 103:15; Tg l:lO; lPe 1:24. mulheres perdidos a contemplar o Redentor.
7. Soprando nelas o hálito do SENHOR. 10. Deus virá. Isaías descreve a vinda
Como vento abrasador, o fôlego do descon- do Senhor para julgar (Is 25:9; 62: ll , 12; Ap
tentamento de Deus reduz a nada os conse- 22:12). O braço de Deus está estendido com
lhos dos ímpios. O que é imundo não pode misericórdia aos justos e com juízo aos ímpios
subsis tir na Sua presença. Deus envia Seu (Is 51:5; 52:10; 63:5; cf. Mt 25 :33, 34, 46).
Espírito a fim de que os imundos e ímpios Galardão. Também , "salário", isto é, a
sejam transformados e renovados à imagem recompensa a ser paga pelo trabalho rea li-
de seu Criador, mas, se resi stirem, perecerão zado (ver Is 49:4; 62: ll ).
como a flor do campo. li. Como pastor. O cuidado solícito
8. Seca-se a erva. O ser humano não é de Cristo por Seu povo, alimentando-o e
imortal. No que se refere ao elemento básico protegendo-o do perigo, é, com frequênci a,
d a vid a, ele não é superior à erva do campo comparado ao trabalho de um pastor amo-
(ver Ec 3:9-21). roso e fiel no cuidado de suas ovelhas (ve r
A palavra de nosso Deus. A von - SI 23:1; 77:20; 80:1; 95:7; 100:3 ; Jr 13: 17;
tade revelad a de Deus constitui o alimento 31:10; Ez 34:ll- l6; 37:24; Mt 9 :36; 18:12;

255
40:12 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Lc 15:4; Jo 10:11; 1Pe 2:25). O pastor reúne faria saber a Seu povo que essa poderosa
suas ovelhas, carrega aquelas que estão fra- nação era nada diante dEle. Quando se
cas demais para caminhar e guia gentil- teme a Deus não é necessário tem er os gran-
mente as que estão prestes a dar cria (ver des poderes humanos. A desp eito dos pla-
Gn 33:13). Assim também, Cristo tem todo nos e propósitos do ser humano, Deus faz
cuidado com Seu rebanho. Deus não é um cumprir Sua vontade (ver Is 14:24-27; ver
mestre insensível ou um tirano cruel, mas a com. de Dn 4:17).
própria personificação do amor. 16. Nem todo o Líbano basta. Com-
12. Quem na concha de Sua mão parar com SI 50:10-12 . Os hebreus davam
mediu. A descrição sublime que Isaías apre- muita importância aos sacrifícios como parte
senta da sabedoria, do poder e da maj estade da religião. Isaías, no entanto, diz que, se
eterna de Deus não tem paralelo (ver ]ó 38:4- toda a madeira das grandes florestas do
37). Outra vez, em Isaías 40:26 a 28; e 41:19 Líbano fosse usada como combustível para
e 20, o profeta se refere ao poder de Deus um grande sacrifício composto de todos os
manifestado nas obras da criação (comparar animais que vivessem ali, essa oblação não
com Sl96:5; ver com. deIs 41:21). Deus é o seria suficiente para a majestade de Deus.
grande artífice do universo, que fez os céus e 18. Com quem. Ver com. do v. 9. Quan-
a Terra. Para Ele não há tarefa grande demais do se compreende a grandiosidade e infini-
nem responsabilidade pequena demais. tude de Deus percebe-se a completa tolice
Coisas infinitamente grandes e incompreen- da idolatria. Muitos h ebreus es tavam se-
síveis para o ser humano são como nada para guindo os pagãos em seus cultos aos ídolos,
Ele. É nosso privilégio confiar num Deus e Isaías tentou fazer com que voltassem a
grandioso, sábio e bom. Toda Sua sabedoria servir e a adorar o verdadeiro Deus .
e poder estão à disposição dos que creem e 19. O artífice. Os ídolos são obras das
confiam nEle (comparar com Is 57:15; ver mãos do ser humano, mas este é obra das mãos
DTN, 827). de Deus. Nos dias de Isaías, pessoas emprega-
13. Quem guiou. Ao ser confrontado vam suas habilidades e os metais mais precio-
com uma tarefa difícil, em geral, uma pessoa sos para fabricar ídolos. No entanto, mesmo
busca outros que têm experiência para obter assim, eram apenas produtos de mãos huma-
conselho e direção. Deus não pede nem pre- nas. Que virtude poderia haver em ter como
cisa da ajuda de ninguém . Não existe nin- objetos de adoração coisas feitas pelo ser
guém mais sábio ou capaz do que Ele. Paulo humano? Isaías adverte a que adorem o ver-
cita esta passagem de Isaías em Romanos dadeiro Deus porque Ele é o criador. Que
11:33 e 34, ao mencionar a sabedoria e o tolice adorar aquilo que se fazl É como se o
conhecimento infinitos de Deus (ver tam- Criador adorasse as próprias criaturas!
bém lCo 2:16). 20. Madeira. O pobre, que não pode
7, ~ 14. Na vereda do juízo. Esta série de fazer um ídolo de metal precioso o faz de
perguntas tem a ver com conhecimento e madeira. Mas, ao fazer esse ídolo , o que ele
sabedoria, temas que ocorrem repetidas vezes tem além de madeira? Por quanto tempo
em Provérbios. Deus é a fonte e a personifi- durará? Até que a madeira apodreça. Isaías
cação da sabedoria, e todo conhecimento e apresenta a seu povo a tolice de se adorar
compreensão vêm dEle (ver com. de Pv 1:7). deuses feitos por mãos humanas.
15. As nações. Nos dias de Isaías, a 21. Acaso, não sabeis? Vocês estão
Assíria era a nação mais poderosa da Terra, sem conhecimento? O bom senso não lh es
temida por todas as outras. Mas o Senhor mostra a tolice de suas ações? Isaías apela às

256
ISAÍAS 40:28

intuições básicas do ser humano, sem men- Em marcante contraste com Deus, as divin-
cionar o mandamento ou a revelação divina. dades dos pagãos: Baal, Moloque, Ishtar, etc .,
Mesmo sem o benefício da revelação, o ser são imaginações vis, a própria deificação dos
humano tem senso o suficiente para perce- vícios e paixões humanos.
ber que ídolos feitos por mãos humanas não 26. Levantai ao alto os olhos. Se
são objetos adequados para adoração (ver os seres humanos apenas levantarem os
Rm 1:18-23). olhos para o céu, terão o privilégio de con-
22. A redondeza. Do heb. chug, a templar evidência indiscutível do Criador e
grande abóbada celeste ou, possivelmente, o Mantenedor de todas as coisas (ver Sl19: 1-3;
horizonte, como também em Jó 22:14. Em At 14: 17; Rm 1:19-23). Ele Se assenta acima
Provérbios 8:27, a mesma palavra hebraica é de todo o exército dos céus e governa o uni-
traduzida como "horizonte". Acima do grande verso que criou. Ao se contemplar o número
universo que criou, o Senhor dos céus reina de estrelas, sua disposição ordenada, sua gló-
supremo. Alguns encontraram neste versí- ria e beleza, não se pode deixar de impres-
culo evidência de que Isaías sabia, suposta- sionar-se com a insignificância humana em
mente por meio de revelação, que a Terra é contraste com o poder transcendente de
redonda. De fato, ele deve ter sabido disso. Deus. Todos os corpos celestes seguem sua
No entanto, o heb. chug parece indicar um órbita, cada um tem seu lugar, nome e fun-
círculo em vez de uma esfera. A evidência de ção na grande órbita sideral.
que ele sabia da esfericidade da Terra deve 27. Meu caminho está encoberto.
vir de outras fontes. A descrição aqui parece Muitos em Judá pensavam que Deus os tinha
ser a de Deus entronizado acima da abóbada esquecido e que Ele não os tratava com jus-
celeste. Mesmo os homens mais poderosos tiça. Havia muitas coisas, porém, que eles
são insignificantes em comparação a Ele. próprios não compreendiam. Assentado no
No "Céu dos céus" (lRs 8:27), Deus habita, Seu trono nos céus, Deus vê tudo, sabe e con-
e o estende como se fosse .uma cortina (ver sidera tudo. Ele pesa com cuidado todo fato ,
SI 104:2; cf. Is 66:1). tanto passado como presente, tanto futuro
23. Os príncipes. Deus remove reis e como passado. Não há nada que não consi-
extermina nações. Os governantes do mundo dere, nenhum detalhe Lhe escapa. Tudo o
ocupam seus tronos somente enquanto Ele que fa z é sábio, correto, justo e bom. Que é
permite (ver SI 75:7; Jr 27:5; Dn 2:21; 4:17, o ser humano para se sentir negligenciado ou
25; At 17:26; Rm 13:1; ver Nota Adicional a tratado com injustiça por Deus?
Daniel 4). Por que temer os reis de Babilônia, 28. Não sabes? Ver com. do v. 21.
Assíria, Egito ou qualquer outro poder O eterno Deus. Quão velho é o mais
enquanto Deus for Deus? ancião e quão sábio é o mais sábio dos seres
24. Mal foram plantados. Os supos- humanos que se compare ao eterno Deus?
tos poderosos da Terra não são superiores Este mundo não existe mais que por um
à erva que murcha ou à flor que cai (v. 8). momento, em comparação com a eterni-
Desaparecem quando o hálito do Senhor dade. O mais sábio dos sábios é, na melhor
sopra sobre eles (v. 7). das hipóteses, a encarnação da fraqueza e
25. Diz o Santo. O atributo caracterís- da tolice, em comparação com o Eterno.
tico de Deus não é tanto Sua grande sabedoria Ninguém pode sondar a profundidade da
~ ,. e Seu poder como o é Sua perfeita santidade. providência e da sabedoria divina (SI 145: 3;
Esse é o segredo de Sua sabedoria e de Seu Rm 11 :33). Ele que "conta o número das
poder. A justiça é o fund amento de Seu trono. estrelas", e cujo "entendimento não se pode

257
40:29 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

medir", é bom e misericordioso o suficiente com paciência Sua direção (ver com. de
para suprir as necessidades do ser humano Is 30:21; cf. 57:15).
(SI 147:3-5; ver At 14:17). Renovam as suas forças. A vid a cristã
29. Faz forte. O Deus que não desfalece é um processo cons tante de receber de e
anima o coração desfalecido. Qu aisquer que dar a Deus. A força aumenta no serviço ao
sejam as necessidades humanas , Deus pode Mestre (cf. Me 5:30), mas sempre há novos
supri-las (ver Sl104:27; 145:15). Os que com suprimentos de graça e vitalidade da parte
espírito manso e humilde reconhecem suas dAquele que nunca Se cansa. A pessoa que
próprias fragilidades e faltas podem ter a cer- não recebe continuamente força de D eus
teza de que suas necessidades serão satisfei- logo se encontrará num estado em que será
tas (Is 57:15; Mt 5:3-6). O ouvido de Deus incapaz de servi-Lo (ver OTN, 827).
está sempre atento ao clamor daqueles que se Como águias. Uma bela visão da
sentem incapazes de realizar as tarefas que natureza é a de uma águia planando no
têm adiante e que desejam a ajuda do Céu. céu, cada vez mais alto, sem esforço apa-
É na debilidade humana que o poder de Deus rente. De mesmo modo, o filho de Deus
se aperfeiçoa (2Co 12:9). Esse fato tem sido que recebe força do alto é capaz de ir sem-
comprovado na vida de inúmeras pessoas. pre ad iante e para cima, conquistando
30. Os jovens. Jovens no ápice do vigor novas alturas (ver SI 103:5). Dia após dia
ficam fracos e exaustos; mesmo pessoas no é privilégio do cristão seguir, mediante a
começo da vida alcançam um ponto em que graça , de vitória em vitória (ver 1Co 15:57;
lhes faltam as forças. Muitas lutas são per- 2Co 2:14; Ed 18; OTN, 679). A força divina
didas por causa da debilidade do corpo e do é recebida progressivamente, e o progresso
espírito, mesmo da parte dos mais fortes . é constante. Surgem met as cada vez mais
31. Os que esperam no SENHOR. elevadas, e finalmente o cristão conquista
Isto é, buscam o Senhor com sinceridade e "o prêmio da soberana vocação de Deus em
humildade por sabedoria e força , e esperam Cristo Jesus" (Fp 3:14).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1 -OTN, 826; PR, 722 9, lO - PJ, 415 25, 26 - GC , 437; PR, 316
1-5 - OTN, 135 9-11- OTN, 476, 826; T6, 20 25-31 - T8, 39
2 - PR, 729 9-17- TM, 478 26 - CPPE, 456; PP, 115 ;
3- se , 169; eM , 190; lO - Ev, 332; T2, 160, 520 CC, 86
Ev, 88, 579; MM, 330; lO, 11 - PR, 697; T8, lO, 39 26-29 - Ed, 115
T9, 96, 114 11 - OE, 211; CBV, 162; PP, 27 - TM, 447
3, 4 - OTN, 215 191 ; BS, 24 27-31 - PR, 316
3-8 - T8, 9 12 - Ed, 35 ; MCH, 336; PP, 28 - FEC, 276; PR, 164
4 - FEC, 251; T8, lO 302;T4, 261 28-31 - TM, 479
5- OTN, 103; GC, 301 ; PR, 12-28- CBV, 431 29 - PJ, 157; CBV, 268 ; T7,
689, 733;T6, 19 12-31 -T8, 261 69, 87, 244
7, 8- Ed, 183 15 - TI, 536 29-31 - MJ, 142
8- PJ, 350; GC, 288; MDC , 15-17- PR, 185; T3, 194 30, 31- PJ, 147
148; PR, l8 7;P~ 754 18-29 - OTN, 282 31 - MCH, 277; T 7, 243;
9- OP, 60; PR, 315, 696 22 - T1, 536 T8, 11

258
ISAÍAS 41:1

CAPÍTULO 41
1 Deus argumenta com Seu povo, relembrando-lhe Suas misericórdias,
10 as promessas 21 e a vaidade dos ídolos.

l Calai-vos perante Mim, ó ilhas, e os povos l3 Porque Eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo
renovem as suas forças; cheguem-se e, então, pela tua mão direita e te digo: Não temas, que
falem ; cheguemo-nos e pleiteemos juntos. E u te ajudo.
2 Quem suscitou do Oriente aquele a cujos 14 Não temas, ó vermezinho de Jacó, povo-
passos segue a vitória? Quem faz que as nações zinho de Israel; Eu te ajudo, diz o SENHOR, e o
se Lhe submetam, e que Ele calque aos pés os teu Redentor é o Santo de Israel.
reis, e com a Sua espada os transforme em pó, e 15 Eis que farei de ti um trilho cortante
com o Seu arco, em palha que o vento arrebata? e novo, armado de lâminas duplas; os mon-
3 Persegue-os e passa adiante em segurança , tes trilharás, e moerás, e os outeiros redu zirás
por uma vereda que seus pés jamais trilharam. a palha.
4 Quem fez e executou tudo isso? Aquele que 16 Tu os padejarás, e o vento os levará, e rede-
desde o princípio tem chamado as gerações à moinho os espalhará; tu te alegrarás no SENHOR
existência, Eu, o SENHOR, o primeiro, e com os e te gloriarás no Santo de Israel.
últimos Eu mesmo. 17 Os aflitos e necessitados buscam águas,
5 Os países do mar viram isto e temeram, os e não as há, e a sua língua se seca de sede; mas
fins da terra tremeram, aproximaram-se e vieram. Eu, o SENHOR, os ouvirei, Eu, o Deus de Israel ,
6 Um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: não os desampararei.
Sê forte. 18 Abrirei rios nos altos desnudos e fontes no
7 Assim, o artífice anima ao ourives, e o que meio dos vales; tornarei o deserto em açudes de
alisa com o martelo, ao que bate na bigorna, di- águas e a terra seca, em mananciais.
zendo da soldadura: Está bem feita. Então, com 19 Plantarei no deserto o cedro, a acácia, a
pregos fixa o ídolo para que não oscile. murta e a oliveira; conjuntamente, porei no ermo
8 Mas tu , ó Israel, servo Meu, tu, Jacó, a o cipreste, o olmeiro e o buxo,
quem elegi, descendente de Abraão, Meu amigo, 20 para que todos vejam e saibam, consi-
9 tu, a quem tomei das extremidades da terra, derem e juntamente entendam que a mão do
e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem SENHOR fez isso, e o Santo de Israel o criou.
disse: Tu és o Meu servo, Eu te escolhi e não te 21 Apresentai a vossa demanda, diz o
rejeitei , SENHOR; alegai as vossas razões, diz o Rei de Jacó.
lO não temas, porque Eu sou contigo; não 22 Trazei e anunciai-nos as coisas que hão
te assombres, porque Eu sou o teu Deus; Eu te de acontecer; relatai-nos as profecias anterio-
fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a Minha res, para que atentemos para elas e saibamos
destra fiel. se se cumpriram ; ou fazei-nos ouvir as coisas
ll Eis que envergonhados e confundidos futuras.
serão todos os que estão indignados contra ti; 23 Anunciai-nos as coisas que ainda hão de
serão reduzidos a nada, e os que contendem con- vir, para que saibamos que sois deuses; fazei bem
tigo perecerão. ou fazei mal, para que nos assombremos, e jun-
12 Aos que pelejam contra ti, buscá-los-ás, tamente o veremos.
porém não os acharás; serão reduzidos a n ada 24 Eis que sois menos do que nada, e menos
e a coisa de nenhum valor os que fazem guer- do que nada é o que fazeis; abominação é quem
ra contra ti. vos escolhe.

259
41:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

25 Do Norte suscito a um, e ele vem, a um 27 Eu sou o que primeiro disse a Sião: Eis!
desde o nascimento do sol, e ele invocará o Meu Ei-los aí! E a Jerusalém dou um mensageiro de
nome; pisará magistrados como lodo e como o boas-novas.
oleiro pisa o barro. 28 Quando Eu olho, não há ninguém; nem
26 Quem anunciou isto desde o princípio, mesmo entre eles há conselheiro a quem Eu per-
a fim que o possamos saber, antecipadamente, gunte, e Me responda.
para que digamos: É isso mesmo? Mas não há 29 Eis que todos são nada; as suas obras são
quem anuncie, nem tampouco quem manifes- coisa nenhuma; as suas imagens de fundição,
te, nem ainda quem ouça as vossas palavras. vento e vácuo.

1. Calai-vos. Deus ordena aos povos de seus decretos. Foi Deus quem suscitou Seu
terras distantes a ouvir em silêncio Sua voz servo Ciro e subjugou as nações da Terra
(sobre o contexto, ver com. de Is 40:1). diante dele (ver Is 44:28; 45:1-5; ver com.
Renovem as suas forças. Ver com. deIs 41:4, 8).
de Is 40:31. Neste e em capítulos posterio- A primeira metade de Isaías 41:2 diz, lite-
res, Isaías apresenta o Senhor como amigo ralmente, "quem suscitou do Oriente, jus-
e libertador de Israel em relação ao poder tiça [ou vitória ou vindicação] o encontrará
de Babilônia (ver Is 43:14; 44:26-28; 45:1-6; a seus pés". Assim Isaías descreve o vito-
46:1, 2; 47; 48:14, 20). Babilônia, que con- rioso avanço de Ciro, quando um após outro
fiava tanto em seus ídolos e se gloriava contra de seus inimigos se inclinariam perante ele
Deus e Seu povo, está destruída, mas os san- em submissão.
tos terão livramento glorioso. A libertação de 3. Uma vereda. Ciro escreveu um novo
Israel do cativeiro babilônico e seu retorno a capítulo na história oriental. Suas conquis-
Jerusalém simboliza a libertação do povo de tas se estenderam desde as margens do mar
Deus do poder do inimigo nos últimos dias, Egeu, ao oeste, até Partia, as regiões do rio ~ ~
pouco antes de entrar na Jerusalém celestial Laxartes, e as extensas estepes além do mar
(ver Ap 18:1-4; 22:14). Cáspio, ao leste. A rapidez e a vasta extensão
2. O justo (ARC). Isto é, Ciro (ver de suas conquistas deram-lhe a reputação de
com. deIs 44:28; 45:1), rei da Pérsia, que maior monarca do Oriente de sua época. Tal
destruiu o império babilônico e libertou os era sua fama que até hoje seu nome é lem-
judeus (2Cr 36:22, 23; Ed 1:1-4; 5:13-15; brado. Diferente dos conquistadores que o
6:3-5). Deus suscitou Ciro em "justiça", para precederam, Ciro era generoso e relativa-
reconstruir a cidade de Jerusalém e libertar mente humano para com os inimigos venci-
os cativos (Is 45: 13). Ciro era um símbolo dos. Nenhum general antes dele se igualou
de Cristo, que também foi chamado "em como estrategista e conquistador.
justiça" (Is 42:6) e cuja tarefa era "procla- 4. Quem fez [...]? Foi Ciro que se tor-
mar libertação aos cativos" (Is 61: 1). Assim nou por si só o grande conquistador da
como Ciro derrotou a antiga Babilônia, tam- Antiguidade, ou foi a mão de Deus que agiu
bém Cristo derrotará a Babilônia mística no Oriente? É Deus que ordena tudo o que
(Ap 16:19; 17:1, 5; 18:2, 21). Ciro foi muito ocorre na Terra e no Céu. É Ele que define as
honrado na Antiguidade como homem ínte- tarefas a serem desempenhadas pelos seres
gro e corajoso, e singular entre os antigos humanos e que direciona Seus servos no
conquistadores do Oriente por seu ele- tempo devido para executar Seus decretos.
vado caráter e pela justiça e sabedoria de Os propósitos de Deus são ordenados desde

260
ISAÍAS 41:8

o princípio, e século após século Ele chama Do mesmo modo, um "servo" do Senhor é
os seres humanos a cumprir Sua vontade. aquele que O serve e O ama, alguém que
5. Os fins da terra. Mesmo as regiões presta serviço abnegado.
remotas da Terra ficaram perplexas e ater- No hebraico, a palavra 'adhon significa
rorizadas com as rápidas conquistas de Ciro "Senhor" e "mestre", e é complemento de
(ver com. de Dn 8:4). Um poder sobrenatural 'eved, "servo". Quando a palavra "Senhor",
parecia acompanhá-lo e dirigi-lo para alcan- escrita apenas com inicial maiúscula, ocorre
çar todos os seus objetivos. no AT, traduz a palavra heb. 'Adhonai, como
6. Um ao outro ajudou. Numa tenta- no Salmo 8:1 (ver vol. 1, p. 149, 150).
tiva de deter as conquistas de Ciro, as nações Nesta seção do livro de Isaías, às vezes,
se consultavam entre si. Lídia fez aliança 'eved se refere a Israel como o "servo" do
com Egito e Babilônia contra Ciro. Senhor, como aqui e em Isaías 41 :9; 42: 19;
7. O artífice. Os artífices que se ocupa- 43:10; 44:1,2, 21; 45:4; 48:20; 49:3, 5; 54:17;
vam na fabricação de imagens uniram 63:17; 65:8, 9, 13, 15; 66:14.
esforços, para se animarem e se ajudarem Ao se referir a Israel, 'eved implicava
mutuamente na multiplicação de deuses, os a relação da aliança, em virtude da qual
quais esperavam que os livrassem das mãos Israel tinha se tornado "servo" de Yahweh
de Ciro. As nações da Terra buscavam seus (ver Êx 19:3-9; 24:3-8). De acordo com
falsos deuses para frear um movimento ins- essa aliança, Israel devia adorar e servir ao
pirado e dirigido pelo Senhor do Céu. Senhor, obedecendo os Seus mandamentos
8. Mas tu, ó Israel. Para as nações da e, como Seu representante, guiar todas as
Terra, Ciro era um conquistador, mas para outras nações a servir e obedecer a Deus (ver
Israel, um libertador. Ao chamar Ciro a p. 13-17). No contexto relacionado à aliança,
Seu serviço, Deus não rejeitou Israel, con- com o sentido que Isaías dá à palavra 'eved ao
tudo, reafirmou o chamado feito a seus pais se referir a Israel, o termo tem muitos signi-
(Êx 19:5, 6). Os nomes Israel e Jacó são usa- ficados que, em geral, escapam a quem não
dos alternadamente para representar tanto conhece o idioma original.
Jacó quanto seus descendentes (ver com. de Emprega-se o termo 'eved com menos
Gn 32:28). frequência para designar o Messias como o
Servo Meu. O termo "servo", do heb. "Servo" do Senhor para a salvação da huma-
'eved, é característico de toda esta seção do nidade (Is 42:1; 49:6; 50:10; 52:13; 53:11).
livro de Isaías (cap. 40-66) e, com a ideia de Assim, em Isaías 53, o Messias é represen-
libertação por meio do grande Conquistador, tado como o "Servo sofredor" de Yahweh (ver
constitui seu tema (ver com. de Rt 2:20). Is 52:13; 53:2, 11). Antes da vinda de Jesus, os
'Eved combina a ideia de adoração com a comentaristas judeus em geral reconheciam
de serviço. Um 'eved não só servia seu mes- a aplicação de Isaías 53 ao Messias. Mas,
tre, mas também, presume-se, o honrava. desde então, quase sempre negam seu sen-
Portanto, o termo significava muito mais tido messiânico, e explicam que aqui, como ~ ~
que mero serviço em troca de salário, indi- em outras passagens, o "servo" designa um
cando que o serviço prestado era a manifes- personagem da época, ou Israel como povo.
tação exterior de uma atitude interior. Esse Em Isaías 56:6, 'eved designa proséli-
serviço não era forçado, mas realizado com tos judeus, isto é, gentios convertidos à fé
disposição (ver Êx 21:5, 6). O serviço físico judaica. Por sua vez, em Isaías 65:15, pode-
acompanhava o do coração. A mão auxi- se entender 'eved como uma referência par-
liadora demonstrava um coração amoroso. ticular aos cristãos, visto que os "servos" do

261
41:9 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Senhor ali mencionados serão chamados por de Senaqueribe. Aquele que luta contra o po-
outro nome (ver lPe 2:9, lO). Já em Isaías vo de Deus, luta contra o próprio Deus. Com
44:26, 'eved parece aplicar-se ao próprio pro- a ajuda do Senhor, o servo mais débil supera
feta Isaías. todos os poderes das trevas . Todo aquele que
9. Das extremidades da terra. Deus luta contra Deus ou contra Seu povo final-
chamou Abraão para sair de Ur e ser Seu mente perecerá, enquanto o humilde e fiel
representante bem como fundador da nação herdará a terra (Sl 37:9-l1 , 20, 29, 37, 38; Mt
de Israel. Quatrocentos e trinta anos depois 5:5). Em vez de "perecerão", o rolo lQisb do
de Abraão ter entrado na terra da promessa Mar Morto diz "se secarão".
(Êx 12:40, 41 ; Gl3: 17), Israel foi chamado do 12. Nada. Aniquilação será o destino
Egito para, outra vez, entrar na mesma terra; final dos inimigos de Deus (SI 37:9, lO, 20;
mas, dessa vez, como "reino de sacerdotes e Pv 10:2 5; Ob 16; Ml 4:1 ). O rolo lQis" do
nação santa" (Êx 19:5, 6). Neste caso, porém, Mar Morto omite as palavras "buscá-los-ás,
é provável que Isaías esteja se referindo em porém não os acharás".
particular à reunião dos exilados proceden- 13. Eu [... ] te tomo pela tua mão
tes das terras pelas quais tinham sido espa- direita. Um sinal de acordo e amizade (ver
lhados (ver Is 11 :16; 56:8; etc.). com. de Am 3:3). Neste caso, é um sinal da
Eu te escolhi. Israel pertencia a Deus aliança. Israel pertencia a Deus e desfrutava
por direito de escolha divina, para ser Seu da direção, força e proteção divinas.
representante na Terra (ver p. 13, 14). Ele 14. Ó vermezinho de Jacó. Deus
não o rejeitou, a despeito de seus pecados e relembra ao povo de Israel que ele não têm
apesar de a Assíria ter espalhado as tribos do valor ou força em si mesmo. Sem Deus ele
norte, e apesar de que Jud á logo seria levado era fra co, desvalido e insignificante, pron-
ao exílio por Nabucodonosor. Isaías enfatiza tos a ser desprezado e pisado (ver Jó 25:6;
essa ideia vez após vez (ver Is 42:1 ; 43:1, lO ; Sl22:6).
44:8 , 21; 45:4; 55:3, 4; 65:8, 9, 22). O desâ- O teu Redentor. O Santo de Israel é
nimo de Israel, implícito em Isaías 40:1 e 2, o redentor de Seu povo. Os judeus estavam
se devia ao temor de que Deus tivesse aban- perdidos e aparentemente sem esperança,
donado a nação (ver com. de 2Rs 19:30; ver mas Deus Se comprometia a fazer em seu
também Is 37:31; 40:1-5 , 9-ll ; cf. Is 5:1 -7). favor o que faria um parente próxi mo (Lv
10. Não temas. Nos dias de Isaías, 25:47-49; ver com. de Rt 2:20). Isaías, com
havi a muitos motivos para temer. O reino frequência, apresenta Deus como o reden-
do norte tinha sido destruído pelo poderio tor de Seu povo (Is 35:9, lO ; 43:1 , 14; 44:6,
militar da Assíria, e parecia que Judá não 22-24; 47:4; 48:17, 20; 49:26; 52:9; 54:5). Jó
resistiria mais. O povo necessitava de uma também reconheceu a Deus como seu reden-
mensagem de conforto e esperança, e Isaías tor (Jó 19:25).
buscava inspirá-lo com coragem e ânimo (ver O Santo de Israel. Ver com. de Is 40:25.
Is 40:1 , 2; 41:13, 14; 43:5 ; 44:2). 15. Os montes trilharás. No antigo
Eu sou contigo. Nos dias de Isaías, os Oriente, trilhava-se o trigo com pesados
judeus necessitavam da promessa implícita trilhos de lâminas cortantes (ver Am 1:3).
no nome Emanuel (ver com. de Is 7:1 4), de Israel tinha sido cruelmente "trilhado" pela
que Deus estaria com eles. Assíria, e Babilônia viria da mesma forma
11. Envergonhados e confundidos. contra Judá. Mas, finalmente, quem trilhou
Esta promessa se cumpriu de forma impres- seria trilhado (ver ]r 51:2, 33; cf.Dn 7:21 , 22, <1 ~
sionante com a destruição do exército 25, 27; Mq 4:13). Os "montes" representam

262
ISAÍAS 41: 22

os poderes ímpios da Terra (ver Jr 51:25 ; Olmeiro. Árvore não identificada com
Dn 2:35). precisão.
16. O vento os levará. Literalmente, Buxo. Provavelmente o cipreste do Líbano.
"os separará". Depois de trilhado o trigo, a 20. A mão do SENHOR. Os esforços
palha era separada do grão. No dia do juízo humanos não são suficientes para transfor-
divino, quando Deus Se levantar para "tri- mar este mundo pecaminoso. O mundo mau
lhar" a Terra, os ímpios provarão ter menos será transformado por meio d a influência
valor do que a palha (Sll:4; Dn 2:35; M l4:l ; do Espírito de Deus , e o ser humano deve
ver com. de M t 3:1 2; 13:41, 42). compreender a necessidade de cooperar com
17. Buscam águas. Quando os juízos Deus para ter um mundo melhor. Deus criou
de Deus caírem sobre os ímpios , eles fica- o ser humano justo, e só Ele pode recriá-lo
rão sem alimento e água, m as o povo de como um ser justo (ver 2Co 5: 17). É o Senhor
D eus terá suas necessidades satisfeitas (ver que coloca no coração o desejo de santidade
com. de Is 33: 16). Também é verdade que (ver Fp 2:13). Tudo o que vemos neste mundo
serão satisfeitos os povos espiritualmente em termos de paz, beleza, justiça e pureza
sedentos e fam intos da Terra (ver Is 55:1; é resultado da atu