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CAS-2018

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I-DIREITO CONSTITUCIONAL

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

1 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

PREÂMBULO

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional


Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício
dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade
fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na
ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos,
sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL.

TÍTULO I
1.1 Dos Princípios Fundamentais

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos


Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

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V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo,


o Executivo e o Judiciário.

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e


regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade
e quaisquer outras formas de discriminação.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais


pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;

IV - não-intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X - concessão de asilo político.

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Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração
econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à
formação de uma comunidade latino-americana de nações.

TÍTULO II
2 Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
2.1 DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta


Constituição;

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em


virtude de lei;

III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da


indenização por dano material, moral ou à imagem;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre


exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de
culto e a suas liturgias;

VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas


entidades civis e militares de internação coletiva;

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de


convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de


comunicação, independentemente de censura ou licença;

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X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem


consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de


dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou
instrução processual penal;

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as


qualificações profissionais que a lei estabelecer;

XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,


quando necessário ao exercício profissional;

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo


qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao


público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;

XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter


paramilitar;

XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem


de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;

XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas


atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em
julgado;

XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm


legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

XXII - é garantido o direito de propriedade;

XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;


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XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou
utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar


de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano;

XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada
pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;

XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou


reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;

XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:

a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da


imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;

b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem


ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais e associativas;

XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário


para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das
marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse
social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;

XXX - é garantido o direito de herança;

XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei
brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja
mais favorável a lei pessoal do "de cujus";

XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da
lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado;

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

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a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra
ilegalidade ou abuso de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e


esclarecimento de situações de interesse pessoal;

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a


direito;

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada;

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;

XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a


lei, assegurados:

a) a plenitude de defesa;

b) o sigilo das votações;

c) a soberania dos veredictos;

d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal;

XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;

XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades


fundamentais;

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à


pena de reclusão, nos termos da lei;

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a


prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os
definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e
os que, podendo evitá-los, se omitirem; (Regulamento)

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados,


civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

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XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas
aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio
transferido;

XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as


seguintes:

a) privação ou restrição da liberdade;

b) perda de bens;

c) multa;

d) prestação social alternativa;

e) suspensão ou interdição de direitos;

XLVII - não haverá penas:

a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;

b) de caráter perpétuo;

c) de trabalhos forçados;

d) de banimento;

e) cruéis;

XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a


natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com


seus filhos durante o período de amamentação;

LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime


comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;

LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de


opinião;

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LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente;

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal;

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em


geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;

LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença


penal condenatória;

LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal,


salvo nas hipóteses previstas em lei; (Regulamento).

LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal;

LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa


da intimidade ou o interesse social o exigirem;

LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados


imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer


calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por
seu interrogatório policial;

LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a
liberdade provisória, com ou sem fiança;

LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário
infiel;
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LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por
ilegalidade ou abuso de poder;

LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo,


não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
exercício de atribuições do Poder Público;

LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:

a) partido político com representação no Congresso Nacional;

b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e


em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros
ou associados;

LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma


regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e
das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

LXXII - conceder-se-á habeas data:

a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante,


constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter
público;

b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso,
judicial ou administrativo;

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência;

LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que


comprovarem insuficiência de recursos;

LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que
ficar preso além do tempo fixado na sentença;

LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide


Lei nº 7.844, de 1989)

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a) o registro civil de nascimento;

b) a certidão de óbito;

LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da


lei, os atos necessários ao exercício da cidadania.

LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável


duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação


imediata.

§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros


decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais
em que a República Federativa do Brasil seja parte.

§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem


aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Atos
aprovados na forma deste parágrafo)

§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja


criação tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

CAPÍTULO II
2.2 DOS DIREITOS SOCIAIS

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a


moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:

I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa,


nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros
direitos;

II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;

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III - fundo de garantia do tempo de serviço;

IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a


suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua
vinculação para qualquer fim;

V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;

VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo


coletivo;

VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem


remuneração variável;

VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da


aposentadoria;

IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;

XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e,


excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;

XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda


nos termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; (vide Decreto-Lei nº 5.452, de
1943)

XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de


revezamento, salvo negociação coletiva;

XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta


por cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º)

XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do
que o salário normal;

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XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração
de cento e vinte dias;

XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos


específicos, nos termos da lei;

XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta


dias, nos termos da lei;

XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde,
higiene e segurança;

XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou


perigosas, na forma da lei;

XXIV - aposentadoria;

XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5


(cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006)

XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;

XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;

XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir


a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;

XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo
prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois
anos após a extinção do contrato de trabalho;(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

b) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de


admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de


admissão do trabalhador portador de deficiência;

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XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou
entre os profissionais respectivos;

XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de


dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de
aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20,
de 1998)

XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício


permanente e o trabalhador avulso.

Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os


direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX,
XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições
estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações
tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas
peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a
sua integração à previdência social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
72, de 2013)

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:

I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato,


ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e
a intervenção na organização sindical;

II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau,


representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que
será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser
inferior à área de um Município;

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da


categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;

IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria


profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da
representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei;

V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;

VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de


trabalho;

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VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações
sindicais;

VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da


candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que
suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos
da lei.

Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de


sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei
estabelecer.

Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir


sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele
defender.

§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o


atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.

§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.

Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos


colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários
sejam objeto de discussão e deliberação.

Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição


de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o
entendimento direto com os empregadores.

CAPÍTULO III
2.3 DA NACIONALIDADE

Art. 12. São brasileiros:

I - natos:

a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros,


desde que estes não estejam a serviço de seu país;

b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que


qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
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c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que
sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na
República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a
maioridade, pela nacionalidade brasileira; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 54, de 2007)

II - naturalizados:

a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos


originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e
idoneidade moral;

b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa


do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que
requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela Emenda Constitucional de
Revisão nº 3, de 1994)

§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver


reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao
brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. (Redação dada pela Emenda
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados,


salvo nos casos previstos nesta Constituição.

§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:

I - de Presidente e Vice-Presidente da República;

II - de Presidente da Câmara dos Deputados;

III - de Presidente do Senado Federal;

IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;

V - da carreira diplomática;

VI - de oficial das Forças Armadas.

VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela Emenda Constitucional nº


23, de 1999)

§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:

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I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade
nociva ao interesse nacional;

II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação dada pela Emenda
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; (Incluído


pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente


em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o
exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de
1994)

Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.

§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas


e o selo nacionais.

§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.

CAPÍTULO IV
2.4 DOS DIREITOS POLÍTICOS

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:

I - plebiscito;

II - referendo;

III - iniciativa popular.

§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:

I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;

II - facultativos para:

a) os analfabetos;

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b) os maiores de setenta anos;

c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.

§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do


serviço militar obrigatório, os conscritos.

§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:

I - a nacionalidade brasileira;

II - o pleno exercício dos direitos políticos;

III - o alistamento eleitoral;

IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;

V - a filiação partidária; Regulamento

VI - a idade mínima de:

a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;

b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito


Federal;

c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital,


Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;

d) dezoito anos para Vereador.

§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal,


os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão
ser reeleitos para um único período subseqüente.(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 16, de 1997)

§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os


Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos
respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.

§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes


consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da
República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou

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de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:

I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;

II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior
e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de


sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício
de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade
das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de
função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. (Redação dada pela
Emenda Constitucional de Revisão nº 4, de 1994)

§ 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de
quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder
econômico, corrupção ou fraude.

§ 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça,


respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se


dará nos casos de:

I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;

II - incapacidade civil absoluta;

III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;

IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos


termos do art. 5º, VIII;

V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua
publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua
vigência. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 1993)

19
TÍTULO III
3 Da Organização do Estado
CAPÍTULO I
3.1 DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA

Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil


compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos,
nos termos desta Constituição.

§ 1º Brasília é a Capital Federal.

§ 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em


Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.

§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se


para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais,
mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do
Congresso Nacional, por lei complementar.

§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-


se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e
dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios
envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e
publicados na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 15, de 1996)

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o


funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou
aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

II - recusar fé aos documentos públicos;

III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

CAPÍTULO II
3.2 DA UNIÃO

Art. 20. São bens da União:

I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;

II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e


construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental,
definidas em lei;
20
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou
que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a
território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias
fluviais;

IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias
marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede
de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental
federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46,
de 2005)

V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;

VI - o mar territorial;

VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;

VIII - os potenciais de energia hidráulica;

IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;

XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

§ 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos


Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no
resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de
geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território,
plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação
financeira por essa exploração.

§ 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das


fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental
para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.

Art. 21. Compete à União:

I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações


internacionais;

II - declarar a guerra e celebrar a paz;

III - assegurar a defesa nacional;

21
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;

V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;

VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;

VII - emitir moeda;

VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de


natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as
de seguros e de previdência privada;

IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e


de desenvolvimento econômico e social;

X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;

XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os


serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos
serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:)

XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:

a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens; (Redação dada pela


Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:)

b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos


cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais
hidroenergéticos;

c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária;

d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e


fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território;

e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de


passageiros;

f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;

XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito


Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 69, de 2012) (Produção de efeito)

22
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros
militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal
para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e


cartografia de âmbito nacional;

XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de


programas de rádio e televisão;

XVII - conceder anistia;

XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas,


especialmente as secas e as inundações;

XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir


critérios de outorga de direitos de seu uso; (Regulamento)

XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação,


saneamento básico e transportes urbanos;

XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação;

XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de


fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e


exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e
reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus
derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:

a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins
pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional;

b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de


radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)

c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e


utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)

d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de


culpa; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)
23
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;

XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de


garimpagem, em forma associativa.

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,


aeronáutico, espacial e do trabalho;

II - desapropriação;

III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de


guerra;

IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;

V - serviço postal;

VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais;

VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;

VIII - comércio exterior e interestadual;

IX - diretrizes da política nacional de transportes;

X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial;

XI - trânsito e transporte;

XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;

XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;

XIV - populações indígenas;

XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros;

XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício


de profissões;

XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Distrito Federal e dos


Territórios e da Defensoria Pública dos Territórios, bem como organização

24
administrativa destes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69, de
2012) (Produção de efeito)

XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais;

XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular;

XX - sistemas de consórcios e sorteios;

XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias,


convocação e mobilização das polícias militares e corpos de bombeiros militares;

XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária


federais;

XXIII - seguridade social;

XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;

XXV - registros públicos;

XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;

XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para


as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados,
Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as
empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°,
III; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e


mobilização nacional;

XXIX - propaganda comercial.

Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre


questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:

I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e


conservar o patrimônio público;

II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas


portadoras de deficiência;

25
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e
cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;

IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de


outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;

V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à


tecnologia, à pesquisa e à inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85,
de 2015)

VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;

VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;

VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;

IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições


habitacionais e de saneamento básico;

X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a


integração social dos setores desfavorecidos;

XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e


exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios;

XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.

Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a


União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do
desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006)

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar


concorrentemente sobre:

I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;

II - orçamento;

III - juntas comerciais;

IV - custas dos serviços forenses;

V - produção e consumo;

26
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos
recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;

VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;

VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e


direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;

IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa,


desenvolvimento e inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de
2015)

X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;

XI - procedimentos em matéria processual;

XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;

XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;

XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;

XV - proteção à infância e à juventude;

XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.

§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a


estabelecer normas gerais.

§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a


competência suplementar dos Estados.

§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a


competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.

§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei


estadual, no que lhe for contrário.

27
CAPÍTULO III
3.3 DOS ESTADOS FEDERADOS

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que


adotarem, observados os princípios desta Constituição.

§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por
esta Constituição.

§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços


locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a
sua regulamentação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 5, de 1995)

§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões


metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos
de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de
funções públicas de interesse comum.

Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:

I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito,


ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;

II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio,


excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros;

III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;

IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa corresponderá ao triplo


da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e
seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.

§ 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes


as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades,
remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças
Armadas.

§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da


Assembléia Legislativa, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele
estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o que dispõem os

28
arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

§ 3º Compete às Assembléias Legislativas dispor sobre seu regimento interno,


polícia e serviços administrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos.

§ 4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual.

Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato


de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no
último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do
término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do
ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 16, de1997)

§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na


administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso
público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V.(Renumerado do parágrafo único,
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de


Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, observado o que
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

3.4 Dos Municípios

Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o
interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição,
na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:

I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para mandato de quatro


anos, mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País;

II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito até noventa dias antes do término do


mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de municípios
com mais de duzentos mil eleitores;

II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de


outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as
29
regras do art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil
eleitores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de1997)

III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subseqüente ao


da eleição;

IV - número de Vereadores proporcional à população do Município, observados os


seguintes limites:
a) mínimo de nove e máximo de vinte e um nos Municípios de até um milhão de
habitantes;
b) mínimo de trinta e três e máximo de quarenta e um nos Municípios de mais de
um milhão e menos de cinco milhões de habitantes;
c) mínimo de quarenta e dois e máximo de cinqüenta e cinco nos Municípios de
mais de cinco milhões de habitantes;

IV - para a composição das Câmaras Municipais, será observado o limite máximo


de: (Redação dada pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de
2009) (Produção de efeito) (Vide ADIN 4307)

a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000 (quinze mil)


habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição Constitucional nº
58, de 2009)

b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000 (quinze mil) habitantes


e de até 30.000 (trinta mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda
Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 30.000 (trinta mil)


habitantes e de até 50.000 (cinquenta mil) habitantes; (Redação dada
pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 50.000 (cinquenta mil)


habitantes e de até 80.000 (oitenta mil) habitantes; (Incluída pela
Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de 80.000 (oitenta mil)


habitantes e de até 120.000 (cento e vinte mil) habitantes; (Incluída pela
Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de 120.000 (cento e vinte


mil) habitantes e de até 160.000 (cento sessenta mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

30
g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 160.000 (cento e
sessenta mil) habitantes e de até 300.000 (trezentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de
2009)

h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 300.000 (trezentos mil)


habitantes e de até 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 450.000 (quatrocentos


e cinquenta mil) habitantes e de até 600.000 (seiscentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 600.000 (seiscentos mil)


habitantes e de até 750.000 (setecentos cinquenta mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 750.000 (setecentos e


cinquenta mil) habitantes e de até 900.000 (novecentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº
58, de 2009)

l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 900.000 (novecentos


mil) habitantes e de até 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.050.000 (um milhão


e cinquenta mil) habitantes e de até 1.200.000 (um milhão e duzentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de
2009)

n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.200.000 (um milhão


e duzentos mil) habitantes e de até 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de 1.350.000 (um milhão e


trezentos e cinquenta mil) habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº
58, de 2009)

31
p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.500.000 (um milhão
e quinhentos mil) habitantes e de até 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.800.000 (um


milhão e oitocentos mil) habitantes e de até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos
mil) habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional
nº 58, de 2009)

r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 2.400.000 (dois


milhões e quatrocentos mil) habitantes e de até 3.000.000 (três milhões) de
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº
58, de 2009)

s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 3.000.000 (três


milhões) de habitantes e de até 4.000.000 (quatro milhões) de
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº
58, de 2009)

t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 4.000.000 (quatro


milhões) de habitantes e de até 5.000.000 (cinco milhões) de
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 5.000.000 (cinco


milhões) de habitantes e de até 6.000.000 (seis milhões) de
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 6.000.000 (seis


milhões) de habitantes e de até 7.000.000 (sete milhões) de
habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58,
de 2009)

w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 7.000.000 (sete


milhões) de habitantes e de até 8.000.000 (oito milhões) de habitantes;
e (Incluída pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 8.000.000 (oito


milhões) de habitantes; (Incluída pela Emenda Constituição
Constitucional nº 58, de 2009)

32
V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por
lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, §
4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda
constitucional nº 19, de 1998)

VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais


em cada legislatura para a subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição,
observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei Orgânica e os seguintes limites
máximos: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores


corresponderá a vinte por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil habitantes, o subsídio máximo


dos Vereadores corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil habitantes, o subsídio máximo


dos Vereadores corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil habitantes, o subsídio máximo


dos Vereadores corresponderá a cinqüenta por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil habitantes, o subsídio


máximo dos Vereadores corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos


Vereadores corresponderá a setenta e cinco por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar
o montante de cinco por cento da receita do Município; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 1, de 1992)

VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no


exercício do mandato e na circunscrição do Município; (Renumerado
do inciso VI, pela Emenda Constitucional nº 1, de 1992)

IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que


couber, ao disposto nesta Constituição para os membros do Congresso Nacional e na

33
Constituição do respectivo Estado para os membros da Assembléia
Legislativa; (Renumerado do inciso VII, pela Emenda Constitucional nº
1, de 1992)

X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de


Justiça; (Renumerado do inciso VIII, pela Emenda Constitucional nº 1,
de 1992)

XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara


Municipal; (Renumerado do inciso IX, pela Emenda Constitucional nº
1, de 1992)

XII - cooperação das associações representativas no planejamento


municipal; (Renumerado do inciso X, pela Emenda Constitucional nº
1, de 1992)

XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da


cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do
eleitorado; (Renumerado do inciso XI, pela Emenda Constitucional nº
1, de 1992)

XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, parágrafo


único. (Renumerado do inciso XII, pela Emenda Constitucional nº 1, de 1992)

Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os


subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os
seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências
previstas no § 5o do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício

I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil)
habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição Constitucional nº
58, de 2009) (Produção de efeito)

II - sete por cento para Municípios com população entre cem mil e um e trezentos
mil habitantes (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de
2000)

II - 6% (seis por cento) para Municípios com população entre 100.000 (cem mil) e
300.000 (trezentos mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda
Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

III - seis por cento para Municípios com população entre trezentos mil e um e
quinhentos mil habitantes; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
25, de 2000)

34
III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população entre 300.001 (trezentos
mil e um) e 500.000 (quinhentos mil) habitantes; (Redação dada pela
Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

IV - cinco por cento para Municípios com população acima de quinhentos mil
habitantes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com
população entre 500.001 (quinhentos mil e um) e 3.000.000 (três milhões) de
habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição Constitucional
nº 58, de 2009)

V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população entre 3.000.001 (três
milhões e um) e 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; (Incluído
pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população
acima de 8.000.001 (oito milhões e um) habitantes. (Incluído pela
Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009)

§ 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de sua receita com
folha de pagamento, incluído o gasto com o subsídio de seus
Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

§ 2o Constitui crime de responsabilidade do Prefeito


Municipal: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste


artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês;


ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei


Orçamentária. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

§ 3o Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal o


desrespeito ao § 1o deste artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 25, de 2000)

Art. 30. Compete aos Municípios:

I - legislar sobre assuntos de interesse local;

II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;


35
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas
rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos
prazos fixados em lei;

IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;

V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os


serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter
essencial;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,


programas de educação pré-escolar e de ensino fundamental;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,


programas de educação infantil e de ensino fundamental; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços


de atendimento à saúde da população;

VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante


planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a


legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo


Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder
Executivo Municipal, na forma da lei.

§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos


Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de
Contas dos Municípios, onde houver.

§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito
deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos
membros da Câmara Municipal.

§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à


disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá
questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.

§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.

36
CAPÍTULO V
DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
Seção I
3.5 DO DISTRITO FEDERAL

Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei
orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por
dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição.

§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos


Estados e Municípios.

§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art.


77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados
Estaduais, para mandato de igual duração.

§ 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art.


27.

§ 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar.

Seção II
3.6 DOS TERRITÓRIOS

Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos


Territórios.

§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no


que couber, o disposto no Capítulo IV deste Título.

§ 2º As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional,


com parecer prévio do Tribunal de Contas da União.

§ 3º Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do


Governador nomeado na forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de
primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores públicos
37
federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência
deliberativa.

CAPÍTULO VII
3.7 DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Seção I
3.7.1 DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que


preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma
da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em


concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável
uma vez, por igual período;

IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele


aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com
prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;

V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes


de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de
carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se
apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;

VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei
específica; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

38
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas
portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;

IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para


atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;

X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art.


39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa
privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem
distinção de índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998) (Regulamento)

XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos


públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos
detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões
ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as
vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio
mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como
limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o
subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos
Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco
centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do
Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não


poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;

XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias


para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão


computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos
ulteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos


são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39,
§ 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)

39
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando
houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso
XI: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº


19, de 1998)

b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Redação dada pela


Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com


profissões regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)

XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange


autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas
subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder
público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas


áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores
administrativos, na forma da lei;

XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação,
cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias


das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer
delas em empresa privada;

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços,


compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que
estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos
termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e
econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. (Regulamento)

XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e


dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por
servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas
atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de
cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

40
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos
públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos.

§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato


e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei.

§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração


pública direta e indireta, regulando especialmente: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral,


asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação
periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de


governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de


cargo, emprego ou função na administração pública. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos


políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por


qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as
respectivas ações de ressarcimento.

§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de


serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa.

§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou


emprego da administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações
privilegiadas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da


administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado

41
entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas
de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - o prazo de duração do contrato;

II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e


responsabilidade dos dirigentes;

III - a remuneração do pessoal."

§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de


economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de
custeio em geral. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes


do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função
pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos
eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e
exoneração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o
inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em
lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado
aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas
Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos
Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte
e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados
Estaduais e Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47,
de 2005)

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no


exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de


seu cargo, emprego ou função;

II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função,


sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;

42
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários,
perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração
do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso
anterior;

IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato


eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para
promoção por merecimento;

V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores


serão determinados como se no exercício estivesse.

3.7.2 DOS SERVIDORES PÚBLICOS


(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no


âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os
servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações
públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4)

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão


conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por
servidores designados pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-4)

§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema


remuneratório observará: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos


componentes de cada carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - os requisitos para a investidura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,


de 1998)

III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de


1998)

§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a


formação e o aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação
nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a
celebração de convênios ou contratos entre os entes federados. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

43
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV,
VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei
estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o
exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e


os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio
fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional,
abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em
qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)

§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá


estabelecer a relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos,
obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os


valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará


a aplicação de recursos orçamentários provenientes da economia com despesas
correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de
programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento,
modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a
forma de adicional ou prêmio de produtividade. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)

§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser


fixada nos termos do § 4º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado
regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do
respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados
critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo


serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma
dos §§ 3º e 17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

44
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de
contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou
doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)

II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição,


aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de
lei complementar; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 88, de 2015)

III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo
exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a
aposentadoria, observadas as seguintes condições: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)

a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e


cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)

b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher,


com proventos proporcionais ao tempo de contribuição. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 2º - Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão,


não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se
deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão,


serão consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do
servidor aos regimes de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da
lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de


aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos
termos definidos em leis complementares, os casos de servidores: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

I portadores de deficiência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

II que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47,


de 2005)

III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a
saúde ou a integridade física. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

45
§ 5º - Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco
anos, em relação ao disposto no § 1º, III, "a", para o professor que comprove
exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação
infantil e no ensino fundamental e médio. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 20, de 15/12/98)

§ 6º - Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma


desta Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do
regime de previdência previsto neste artigo. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será
igual: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo


estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art.
201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso aposentado
à data do óbito; ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se


deu o falecimento, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral
de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela
excedente a este limite, caso em atividade na data do óbito. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter


permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 9º - O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para


efeito de aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de
disponibilidade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de


contribuição fictício. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de
inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos
públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de
previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de inatividade com
remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

46
§ 12 - Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores
públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios
fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em


lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de
emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 14 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que


instituam regime de previdência complementar para os seus respectivos servidores
titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a
serem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido
para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art.
201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 14 será instituído


por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e
seus parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência
complementar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes
planos de benefícios somente na modalidade de contribuição definida. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15


poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da
publicação do ato de instituição do correspondente regime de previdência
complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício


previsto no § 3° serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões


concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem o limite máximo
estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art.
201, com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos
efetivos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para
aposentadoria voluntária estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em
atividade fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição
previdenciária até completar as exigências para aposentadoria compulsória contidas no
§ 1º, II. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

47
§ 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social
para os servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do
respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, § 3º,
X. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá apenas sobre as


parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que superem o dobro do limite
máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que
trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for portador
de doença incapacitante. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados
para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda


Constitucional nº 19, de 1998)

I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 19, de 1998)

II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla


defesa; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de


lei complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)

§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele


reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de
origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em
disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará


em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu
adequado aproveitamento em outro cargo. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)

§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação


especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

48
Seção III
3.7.3 DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS
TERRITÓRIOS
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares,


instituições organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados,
do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18,
de 1998)

§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios,


além do que vier a ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e
do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art.
142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos
governadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 2º Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos


Territórios aplica-se o que for fixado em lei específica do respectivo ente
estatal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

TÍTULO IV
4 DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)
CAPÍTULO I
4.1 DO PODER LEGISLATIVO
SEÇÃO I
4.1.1 DO CONGRESSO NACIONAL

Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.

Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos,


pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.

49
§ 1º O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo
Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à
população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que
nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta
Deputados.

§ 2º Cada Território elegerá quatro Deputados.

Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito


Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.

§ 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de


oito anos.

§ 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro


em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.

§ 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes.

Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada


Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria
absoluta de seus membros.

Seção II
4.1.2 DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL

Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República,


não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as
matérias de competência da União, especialmente sobre:

I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;

II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de


crédito, dívida pública e emissões de curso forçado;

III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;

IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento;

V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da


União;

50
VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou
Estados, ouvidas as respectivas Assembléias Legislativas;

VII - transferência temporária da sede do Governo Federal;

VIII - concessão de anistia;

IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria


Pública da União e dos Territórios e organização judiciária e do Ministério Público do
Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69, de
2012) (Produção de efeito)

X – criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas,


observado o que estabelece o art. 84, VI, b; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)

XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração


pública; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

XII - telecomunicações e radiodifusão;

XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas


operações;

XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal.

XV - fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, observado


o que dispõem os arts. 39, § 4º; 150, II; 153, III; e 153, § 2º, I. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que


acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;

II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a


permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam
temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar;

III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do


País, quando a ausência exceder a quinze dias;

IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio,


ou suspender qualquer uma dessas medidas;

51
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;

VI - mudar temporariamente sua sede;

VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores,


observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º,
I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos


Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153,
III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar


os relatórios sobre a execução dos planos de governo;

X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do


Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;

XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição


normativa dos outros Poderes;

XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de


rádio e televisão;

XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;

XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;

XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;

XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos


hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais;

XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com


área superior a dois mil e quinhentos hectares.

Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas


Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos
diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente,
informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de
responsabilidade a ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela Emenda
Constitucional de Revisão nº 2, de 1994)

52
§ 1º Os Ministros de Estado poderão comparecer ao Senado Federal, à Câmara
dos Deputados, ou a qualquer de suas Comissões, por sua iniciativa e mediante
entendimentos com a Mesa respectiva, para expor assunto de relevância de seu
Ministério.

§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão


encaminhar pedidos escritos de informações a Ministros de Estado ou a qualquer das
pessoas referidas no caput deste artigo, importando em crime de responsabilidade a
recusa, ou o não - atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de
informações falsas. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de
1994)

Seção III
4.1.3 DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:

I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o


Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado;

II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não


apresentadas ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão
legislativa;

III - elaborar seu regimento interno;

IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação


ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para
fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de
diretrizes orçamentárias; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.

Seção IV
4.1.4 DO SENADO FEDERAL

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de


responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com
aqueles; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99)

53
II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do
Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o
Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de
responsabilidade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha de:

a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;

b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da


República;

c) Governador de Território;

d) Presidente e diretores do banco central;

e) Procurador-Geral da República;

f) titulares de outros cargos que a lei determinar;

IV - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição em sessão secreta, a


escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente;

V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos


Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;

VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o


montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios;

VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo
e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas
autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal;

VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em


operações de crédito externo e interno;

IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária


dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional


por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;

XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do


Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato;

54
XII - elaborar seu regimento interno;

XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação,


transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a
iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.

XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em


sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da
União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como
Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente
será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com
inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais
sanções judiciais cabíveis.

Seção V
4.1.5 DOS DEPUTADOS E DOS SENADORES

Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por


quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001)

§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos


a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001)

§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não


poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos
serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto
da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001)

§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após


a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por
iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus

55
membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo


improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa
Diretora. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o


mandato. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre


informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as
pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações.(Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora


militares e ainda que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa
respectiva. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de


sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa
respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que
sejam incompatíveis com a execução da medida. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 35, de 2001)

Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:

I - desde a expedição do diploma:

a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia,


empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço
público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;

b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que


sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;

II - desde a posse:

a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor


decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função
remunerada;

b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades
referidas no inciso I, "a";

56
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere
o inciso I, "a";

d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.

Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:

I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;

II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;

III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das
sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta
autorizada;

IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;

V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;

VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.

§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no


regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso
Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.

§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela
Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante
provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso
Nacional, assegurada ampla defesa. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76,
de 2013)

§ 3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da
Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou
de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.

§ 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à


perda do mandato, nos termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as
deliberações finais de que tratam os §§ 2º e 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional
de Revisão nº 6, de 1994)

Art. 56. Não perderá o mandato o Deputado ou Senador:

I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário


de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de
missão diplomática temporária;
57
II - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, ou para tratar, sem
remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o afastamento não
ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa.

§ 1º O suplente será convocado nos casos de vaga, de investidura em funções


previstas neste artigo ou de licença superior a cento e vinte dias.

§ 2º Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la se


faltarem mais de quinze meses para o término do mandato.

§ 3º Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador poderá optar pela


remuneração do mandato.

Seção VI
4.1.6 DAS REUNIÕES

Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2


de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 50, de 2006)

§ 1º As reuniões marcadas para essas datas serão transferidas para o primeiro dia
útil subseqüente, quando recaírem em sábados, domingos ou feriados.

§ 2º A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei


de diretrizes orçamentárias.

§ 3º Além de outros casos previstos nesta Constituição, a Câmara dos Deputados e


o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para:

I - inaugurar a sessão legislativa;

II - elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas


Casas;

III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República;

IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar.

§ 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de


fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das
respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo
cargo na eleição imediatamente subseqüente. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 50, de 2006)
58
§ 5º A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo Presidente do Senado
Federal, e os demais cargos serão exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de
cargos equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

§ 6º A convocação extraordinária do Congresso Nacional far-se-á: (Redação dada


pela Emenda Constitucional nº 50, de 2006)

I - pelo Presidente do Senado Federal, em caso de decretação de estado de defesa


ou de intervenção federal, de pedido de autorização para a decretação de estado de
sítio e para o compromisso e a posse do Presidente e do Vice-Presidente da República;

II - pelo Presidente da República, pelos Presidentes da Câmara dos Deputados e


do Senado Federal ou a requerimento da maioria dos membros de ambas as Casas, em
caso de urgência ou interesse público relevante, em todas as hipóteses deste inciso com
a aprovação da maioria absoluta de cada uma das Casas do Congresso
Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50, de 2006)

§ 7º Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso Nacional somente


deliberará sobre a matéria para a qual foi convocado, ressalvada a hipótese do § 8º
deste artigo, vedado o pagamento de parcela indenizatória, em razão da
convocação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50, de 2006)

§ 8º Havendo medidas provisórias em vigor na data de convocação extraordinária


do Congresso Nacional, serão elas automaticamente incluídas na pauta da
convocação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

Seção VII
4.1.7 DAS COMISSÕES

Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e


temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo
regimento ou no ato de que resultar sua criação.

§ 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto


possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que
participam da respectiva Casa.

§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:

I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a


competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da
Casa;

II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;

59
III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos
inerentes a suas atribuições;

IV - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa


contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas;

V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;

VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de


desenvolvimento e sobre eles emitir parecer.

§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação


próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das
respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal,
em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros,
para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o
caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil
ou criminal dos infratores.

§ 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso


Nacional, eleita por suas Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com
atribuições definidas no regimento comum, cuja composição reproduzirá, quanto
possível, a proporcionalidade da representação partidária.

Seção VIII
4.1.8 DO PROCESSO LEGISLATIVO
Subseção I
4.1.8.1 Disposição Geral

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:

I - emendas à Constituição;

II - leis complementares;

III - leis ordinárias;

IV - leis delegadas;

V - medidas provisórias;

VI - decretos legislativos;

VII - resoluções.

60
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração
e consolidação das leis.

4.1.8.2 Da Emenda à Constituição

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado


Federal;

II - do Presidente da República;

III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação,


manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal,


de estado de defesa ou de estado de sítio.

§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em


dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
respectivos membros.

§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos


Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

I - a forma federativa de Estado;

II - o voto direto, secreto, universal e periódico;

III - a separação dos Poderes;

IV - os direitos e garantias individuais.

§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por


prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Subseção

61
4.1.8.3 Das Leis

Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer


membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso
Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais
Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos
previstos nesta Constituição.

§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:

I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;

II - disponham sobre:

a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e


autárquica ou aumento de sua remuneração;

b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária,


serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios;

c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de


cargos, estabilidade e aposentadoria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18,
de 1998)

d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem


como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;

e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública,


observado o disposto no art. 84, VI; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001)

f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos,


promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a
reserva. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos


Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado
nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos
por cento dos eleitores de cada um deles.

62
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá
adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao
Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela


Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito


eleitoral; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 32, de 2001)

c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia


de seus membros; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e


suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)

II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer


outro ativo financeiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

III – reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32,


de 2001)

IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e


pendente de sanção ou veto do Presidente da República. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)

§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto


os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício
financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que
foi editada.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão


eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias,
prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso
Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas
decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

63
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória,
suspendendo-se durante os períodos de recesso do Congresso Nacional.(Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito


das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus
pressupostos constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias


contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em
cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a
votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver
tramitando. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida


provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua
votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)

§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos


Deputados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas


provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada,
pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)

§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que


tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após
a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas
e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela
regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida


provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado
o projeto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:

I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o


disposto no art. 166, § 3º e § 4º;

64
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.

Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da


República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na
Câmara dos Deputados.

§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de


projetos de sua iniciativa.

§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se


manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco
dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com
exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a
votação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados


far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo
anterior.

§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso


Nacional, nem se aplicam aos projetos de código.

Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só
turno de discussão e votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o
aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.

Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora.

Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao
Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.

§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte,


inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no
prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de
quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.

§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de


inciso ou de alínea.

§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República


importará sanção.

65
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de
seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos
Deputados e Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013)

§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao


Presidente da República.

§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado


na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua
votação final. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente
da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se
este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.

Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir
objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria
absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.

Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que
deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.

§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do


Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre:

I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia


de seus membros;

II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;

III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.

§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso


Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício

Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.

76 a 144.

66
CAPÍTULO II
4.2 DO PODER EXECUTIVO
Seção I
4.2.1 DO PRESIDENTE E DO VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado


pelos Ministros de Estado.

Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á,


simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último
domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do
mandato presidencial vigente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de
1997)

§ 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele


registrado.

§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido


político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.

§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á


nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois
candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos
votos válidos.

§ 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou


impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior
votação.

§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar,


mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.

Art. 78. O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em sessão


do Congresso Nacional, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a
Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a
união, a integridade e a independência do Brasil.

Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente
ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este
será declarado vago.

Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder- lhe-á, no de


vaga, o Vice-Presidente.

67
Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que
lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele
convocado para missões especiais.

Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância


dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o
Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal
Federal.

Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á


eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.

§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a


eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo
Congresso Nacional, na forma da lei.

§ 2º - Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus


antecessores.

Art. 82. O mandato do Presidente da República é de quatro anos e terá início em


primeiro de janeiro do ano seguinte ao da sua eleição. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 16, de 1997)

Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença


do Congresso Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob
pena de perda do cargo.

Seção II
4.2.2 Das Atribuições do Presidente da República

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;

II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da


administração federal;

III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta


Constituição;

68
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e
regulamentos para sua fiel execução;

V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;

VI – dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional


nº 32, de 2001)

a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar


aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída pela Emenda


Constitucional nº 32, de 2001)

VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes


diplomáticos;

VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do


Congresso Nacional;

IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;

X - decretar e executar a intervenção federal;

XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da


abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências
que julgar necessárias;

XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos
instituídos em lei;

XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes


da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-
los para os cargos que lhes são privativos; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 23, de 02/09/99)

XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo


Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o
Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco central e outros
servidores, quando determinado em lei;

XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas


da União;

69
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o
Advogado-Geral da União;

XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;

XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa


Nacional;

XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso


Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas,
e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;

XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;

XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;

XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;

XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de


diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição;

XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após


a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior;

XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;

XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;

XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.

Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições


mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao
Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os
limites traçados nas respectivas delegações.

4.2.3 Da Responsabilidade do Presidente da República

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que


atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:

70
I - a existência da União;

II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério


Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;

III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

IV - a segurança interna do País;

V - a probidade na administração;

VI - a lei orçamentária;

VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as
normas de processo e julgamento.

Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da
Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal
Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de
responsabilidade.

§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:

I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo


Supremo Tribunal Federal;

II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado


Federal.

§ 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver


concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular
prosseguimento do processo.

§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o


Presidente da República não estará sujeito a prisão.

§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser


responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

71
Seção IV
4.2.4 DOS MINISTROS DE ESTADO

Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de


vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos.

Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições


estabelecidas nesta Constituição e na lei:

I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da


administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos
assinados pelo Presidente da República;

II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;

III - apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no


Ministério;

IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou


delegadas pelo Presidente da República.

Art. 88. A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da


administração pública. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

Seção V
4.2.5 DO CONSELHO DA REPÚBLICA E DO CONSELHO DE DEFESA
NACIONAL
Subseção I
4.2.5.1 Do Conselho da República

Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da


República, e dele participam:

I - o Vice-Presidente da República;

II - o Presidente da Câmara dos Deputados;

III - o Presidente do Senado Federal;

IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;

V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;

72
VI - o Ministro da Justiça;

VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade,
sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e
dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a
recondução.

Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre:

I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;

II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.

§ 1º O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para


participar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada com o
respectivo Ministério.

§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da República.

4.2.5.2 Do Conselho de Defesa Nacional

Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da


República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado
democrático, e dele participam como membros natos:

I - o Vice-Presidente da República;

II - o Presidente da Câmara dos Deputados;

III - o Presidente do Senado Federal;

IV - o Ministro da Justiça;

V - o Ministro de Estado da Defesa; (Redação dada pela Emenda Constitucional


nº 23, de 1999)

VI - o Ministro das Relações Exteriores;

VII - o Ministro do Planejamento.

73
VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 23, de 1999)

§ 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional:

I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos


termos desta Constituição;

II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da


intervenção federal;

III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à


segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa
de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais
de qualquer tipo;

IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a


garantir a independência nacional e a defesa do Estado democrático.

§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho de Defesa


Nacional.

CAPÍTULO III
4.3 DO PODER JUDICIÁRIO
Seção I
4.3.1 DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:

I - o Supremo Tribunal Federal;

I-A o Conselho Nacional de Justiça; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45,


de 2004)

II - o Superior Tribunal de Justiça;

II-A - o Tribunal Superior do Trabalho; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 92, de 2016)

III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;

IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;

V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;

74
VI - os Tribunais e Juízes Militares;

VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

§ 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais


Superiores têm sede na Capital Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004)

§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em


todo o território nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá


sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:

I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante


concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do
Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de
atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de
classificação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

II - promoção de entrância para entrância, alternadamente, por antigüidade e


merecimento, atendidas as seguintes normas:

a) é obrigatória a promoção do juiz que figure por três vezes consecutivas ou


cinco alternadas em lista de merecimento;

b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva


entrância e integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antigüidade desta, salvo se
não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago;

c) aferição do merecimento conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de


produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela freqüência e aproveitamento
em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

d) na apuração de antigüidade, o tribunal somente poderá recusar o juiz mais


antigo pelo voto fundamentado de dois terços de seus membros, conforme
procedimento próprio, e assegurada ampla defesa, repetindo-se a votação até fixar-se a
indicação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

e) não será promovido o juiz que, injustificadamente, retiver autos em seu poder
além do prazo legal, não podendo devolvê-los ao cartório sem o devido despacho ou
decisão; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

75
III o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por antigüidade e merecimento,
alternadamente, apurados na última ou única entrância; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

IV previsão de cursos oficiais de preparação, aperfeiçoamento e promoção de


magistrados, constituindo etapa obrigatória do processo de vitaliciamento a
participação em curso oficial ou reconhecido por escola nacional de formação e
aperfeiçoamento de magistrados; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

V - o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e


cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal
Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em
nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária
nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou
inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal
dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos
arts. 37, XI, e 39, § 4º; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

VI - a aposentadoria dos magistrados e a pensão de seus dependentes observarão o


disposto no art. 40; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

VII o juiz titular residirá na respectiva comarca, salvo autorização do


tribunal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VIII o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por


interesse público, fundar-se-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo
tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VIII-A a remoção a pedido ou a permuta de magistrados de comarca de igual


entrância atenderá, no que couber, ao disposto nas alíneas a , b , c e e do inciso
II; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e


fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo
não prejudique o interesse público à informação; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública,


sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus
membros; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

76
XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser
constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco
membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da
competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antigüidade e a
outra metade por eleição pelo tribunal pleno; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

XII a atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo vedado férias coletivas nos
juízos e tribunais de segundo grau, funcionando, nos dias em que não houver
expediente forense normal, juízes em plantão permanente;(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

XIII o número de juízes na unidade jurisdicional será proporcional à efetiva


demanda judicial e à respectiva população; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
45, de 2004)

XIV os servidores receberão delegação para a prática de atos de administração e


atos de mero expediente sem caráter decisório; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 45, de 2004)

XV a distribuição de processos será imediata, em todos os graus de


jurisdição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais
dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do
Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber
jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional,
indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.

Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice,


enviando-a ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de
seus integrantes para nomeação.

Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:

I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de


exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a
que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em
julgado;

II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93,


VIII;

77
III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, §
4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

Parágrafo único. Aos juízes é vedado:

I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de


magistério;

II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;

III - dedicar-se à atividade político-partidária.

IV receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas


físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em
lei; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

V exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos


três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 96. Compete privativamente:

I - aos tribunais:

a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com


observância das normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo
sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e
administrativos;

b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem
vinculados, velando pelo exercício da atividade correicional respectiva;

c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da


respectiva jurisdição;

d) propor a criação de novas varas judiciárias;

e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o


disposto no art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça,
exceto os de confiança assim definidos em lei;

f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e


servidores que lhes forem imediatamente vinculados;

78
II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de
Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169:

a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores;

b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e


dos juízos que lhes forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus
membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;

d) a alteração da organização e da divisão judiciárias;

III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e


Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de
responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.

Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros
do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de
lei ou ato normativo do Poder Público.

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:

I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos,


competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor
complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os
procedimentos oral e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a
transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;

II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto,


universal e secreto, com mandato de quatro anos e competência para, na forma da lei,
celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada, o
processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional,
além de outras previstas na legislação.

§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça


Federal. (Renumerado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 2º As custas e emolumentos serão destinados exclusivamente ao custeio dos


serviços afetos às atividades específicas da Justiça. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.

79
§ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites
estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.

§ 2º O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados,


compete:

I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos


Tribunais Superiores, com a aprovação dos respectivos tribunais;

II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes


dos Tribunais de Justiça, com a aprovação dos respectivos tribunais.

§ 3º Se os órgãos referidos no § 2º não encaminharem as respectivas propostas


orçamentárias dentro do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder
Executivo considerará, para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os
valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites
estipulados na forma do § 1º deste artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004)

§ 4º Se as propostas orçamentárias de que trata este artigo forem encaminhadas


em desacordo com os limites estipulados na forma do § 1º, o Poder Executivo
procederá aos ajustes necessários para fins de consolidação da proposta orçamentária
anual. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização


de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei
de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de
créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais,


Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na
ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos,
proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos
créditos adicionais abertos para este fim. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 62, de 2009). (Vide Emenda Constitucional nº 62, de 2009)

§ 1º Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de


salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios
previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em
responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, e serão
pagos com preferência sobre todos os demais débitos, exceto sobre aqueles referidos
no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

80
§ 2º Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares, originários ou por sucessão
hereditária, tenham 60 (sessenta) anos de idade, ou sejam portadores de doença grave,
ou pessoas com deficiência, assim definidos na forma da lei, serão pagos com
preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equivalente ao triplo fixado em
lei para os fins do disposto no § 3º deste artigo, admitido o fracionamento para essa
finalidade, sendo que o restante será pago na ordem cronológica de apresentação do
precatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 94, de 2016)

§ 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de precatórios não


se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em leis como de pequeno valor que
as Fazendas referidas devam fazer em virtude de sentença judicial transitada em
julgado. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 4º Para os fins do disposto no § 3º, poderão ser fixados, por leis próprias,
valores distintos às entidades de direito público, segundo as diferentes capacidades
econômicas, sendo o mínimo igual ao valor do maior benefício do regime geral de
previdência social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 5º É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de


verba necessária ao pagamento de seus débitos, oriundos de sentenças transitadas em
julgado, constantes de precatórios judiciários apresentados até 1º de julho, fazendo-se
o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados
monetariamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 6º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados


diretamente ao Poder Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a
decisão exequenda determinar o pagamento integral e autorizar, a requerimento do
credor e exclusivamente para os casos de preterimento de seu direito de precedência ou
de não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu débito, o
sequestro da quantia respectiva. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de
2009).

§ 7º O Presidente do Tribunal competente que, por ato comissivo ou omissivo,


retardar ou tentar frustrar a liquidação regular de precatórios incorrerá em crime de
responsabilidade e responderá, também, perante o Conselho Nacional de
Justiça. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 8º É vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de


valor pago, bem como o fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução
para fins de enquadramento de parcela do total ao que dispõe o § 3º deste
artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 9º No momento da expedição dos precatórios, independentemente de


regulamentação, deles deverá ser abatido, a título de compensação, valor

81
correspondente aos débitos líquidos e certos, inscritos ou não em dívida ativa e
constituídos contra o credor original pela Fazenda Pública devedora, incluídas parcelas
vincendas de parcelamentos, ressalvados aqueles cuja execução esteja suspensa em
virtude de contestação administrativa ou judicial.(Incluído pela Emenda Constitucional
nº 62, de 2009).

§ 10. Antes da expedição dos precatórios, o Tribunal solicitará à Fazenda Pública


devedora, para resposta em até 30 (trinta) dias, sob pena de perda do direito de
abatimento, informação sobre os débitos que preencham as condições estabelecidas no
§ 9º, para os fins nele previstos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 11. É facultada ao credor, conforme estabelecido em lei da entidade federativa


devedora, a entrega de créditos em precatórios para compra de imóveis públicos do
respectivo ente federado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 12. A partir da promulgação desta Emenda Constitucional, a atualização de


valores de requisitórios, após sua expedição, até o efetivo pagamento,
independentemente de sua natureza, será feita pelo índice oficial de remuneração
básica da caderneta de poupança, e, para fins de compensação da mora, incidirão juros
simples no mesmo percentual de juros incidentes sobre a caderneta de poupança,
ficando excluída a incidência de juros compensatórios. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 62, de 2009).

§ 13. O credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a


terceiros, independentemente da concordância do devedor, não se aplicando ao
cessionário o disposto nos §§ 2º e 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de
2009).

§ 14. A cessão de precatórios somente produzirá efeitos após comunicação, por


meio de petição protocolizada, ao tribunal de origem e à entidade devedora. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 15. Sem prejuízo do disposto neste artigo, lei complementar a esta Constituição
Federal poderá estabelecer regime especial para pagamento de crédito de precatórios
de Estados, Distrito Federal e Municípios, dispondo sobre vinculações à receita
corrente líquida e forma e prazo de liquidação. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 62, de 2009).

§ 16. A seu critério exclusivo e na forma de lei, a União poderá assumir débitos,
oriundos de precatórios, de Estados, Distrito Federal e Municípios, refinanciando-os
diretamente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009)

§ 17. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aferirão


mensalmente, em base anual, o comprometimento de suas respectivas receitas

82
correntes líquidas com o pagamento de precatórios e obrigações de pequeno
valor. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94, de 2016)

§ 18. Entende-se como receita corrente líquida, para os fins de que trata o § 17, o
somatório das receitas tributárias, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de
contribuições e de serviços, de transferências correntes e outras receitas correntes,
incluindo as oriundas do § 1º do art. 20 da Constituição Federal, verificado no período
compreendido pelo segundo mês imediatamente anterior ao de referência e os 11
(onze) meses precedentes, excluídas as duplicidades, e deduzidas: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 94, de 2016)

I - na União, as parcelas entregues aos Estados, ao Distrito Federal e aos


Municípios por determinação constitucional; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 94, de 2016)

II - nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação


constitucional; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94, de 2016)

III - na União, nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios, a contribuição


dos servidores para custeio de seu sistema de previdência e assistência social e as
receitas provenientes da compensação financeira referida no § 9º do art. 201 da
Constituição Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94, de 2016)

§ 19. Caso o montante total de débitos decorrentes de condenações judiciais em


precatórios e obrigações de pequeno valor, em período de 12 (doze) meses, ultrapasse
a média do comprometimento percentual da receita corrente líquida nos 5 (cinco) anos
imediatamente anteriores, a parcela que exceder esse percentual poderá ser financiada,
excetuada dos limites de endividamento de que tratam os incisos VI e VII do art. 52 da
Constituição Federal e de quaisquer outros limites de endividamento previstos, não se
aplicando a esse financiamento a vedação de vinculação de receita prevista no inciso
IV do art. 167 da Constituição Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94,
de 2016)

§ 20. Caso haja precatório com valor superior a 15% (quinze por cento) do
montante dos precatórios apresentados nos termos do § 5º deste artigo, 15% (quinze
por cento) do valor deste precatório serão pagos até o final do exercício seguinte e o
restante em parcelas iguais nos cinco exercícios subsequentes, acrescidas de juros de
mora e correção monetária, ou mediante acordos diretos, perante Juízos Auxiliares de
Conciliação de Precatórios, com redução máxima de 40% (quarenta por cento) do
valor do crédito atualizado, desde que em relação ao crédito não penda recurso ou
defesa judicial e que sejam observados os requisitos definidos na regulamentação
editada pelo ente federado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94, de 2016)

83
Seção II
4.3.2 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos


dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade,
de notável saber jurídico e reputação ilibada.

Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo


Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do
Senado Federal.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da


Constituição, cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou


estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo
federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os


membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da
República;

c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de


Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o
disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas
da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 23, de 1999)

d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas
anteriores; o mandado de segurança e o habeas data contra atos do Presidente da
República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de
Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal
Federal;

e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o


Estado, o Distrito Federal ou o Território;

f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal,


ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta;

g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro;

h) (Revogado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)


84
i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou
o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à
jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma
jurisdição em uma única instância; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 22,
de 1999)

j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados;

l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de


suas decisões;

m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a


delegação de atribuições para a prática de atos processuais;

n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente


interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem
estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados;

o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer


tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;

p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade;

q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for


atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do
Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo
Tribunal Federal;

r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional


do Ministério Público; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

II - julgar, em recurso ordinário:

a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de


injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a
decisão;

b) o crime político;

III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou


última instância, quando a decisão recorrida:

a) contrariar dispositivo desta Constituição;

85
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.

d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

§ 1.º A argüição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta


Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da
lei. (Transformado do parágrafo único em § 1º pela Emenda Constitucional nº 3, de
17/03/93)

§ 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal,


nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de
constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente
aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas
esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
45, de 2004)

§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral


das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o
Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela
manifestação de dois terços de seus membros. (Incluída pela Emenda Constitucional nº
45, de 2004)

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação


declaratória de constitucionalidade: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004)

I - o Presidente da República;

II - a Mesa do Senado Federal;

III - a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito


Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda


Constitucional nº 45, de 2004)

VI - o Procurador-Geral da República;

VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

86
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;

IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

§ 1º O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações


de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal
Federal.

§ 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva


norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das
providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em
trinta dias.

§ 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em


tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da
União, que defenderá o ato ou texto impugnado.

§ 4.º (Revogado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação,


mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre
matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa
oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem
como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas


determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre
esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante
multiplicação de processos sobre questão idêntica. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou


cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação
direta de inconstitucionalidade.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou


que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que,
julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial
reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula,
conforme o caso. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

87
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros
com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 61, de 2009)

I - o Presidente do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Emenda


Constitucional nº 61, de 2009)

II um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo


tribunal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

III um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado pelo respectivo


tribunal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

IV um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado pelo Supremo Tribunal


Federal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

V um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela


Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VI um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Superior Tribunal de


Justiça; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VII um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VIII um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tribunal Superior


do Trabalho; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

IX um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho; (Incluído


pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

X um membro do Ministério Público da União, indicado pelo Procurador-Geral da


República; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

XI um membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo Procurador-Geral


da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição
estadual; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

XII dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados
do Brasil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

XIII dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um


pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

88
§ 1º O Conselho será presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal e,
nas suas ausências e impedimentos, pelo Vice-Presidente do Supremo Tribunal
Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 61, de 2009)

§ 2º Os demais membros do Conselho serão nomeados pelo Presidente da


República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado
Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 61, de 2009)

§ 3º Não efetuadas, no prazo legal, as indicações previstas neste artigo, caberá a


escolha ao Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

§ 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do


Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe,
além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da
Magistratura: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I - zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da


Magistratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou
recomendar providências; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação,


a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder
Judiciário, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as
providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do
Tribunal de Contas da União; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

III receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder


Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de
serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou
oficializados, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais,
podendo avocar processos disciplinares em curso e determinar a remoção, a
disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao
tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla
defesa; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

IV representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração


pública ou de abuso de autoridade; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

V rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e


membros de tribunais julgados há menos de um ano; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

89
VI elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças
prolatadas, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do Poder
Judiciário; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VII elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias,


sobre a situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho, o qual deve
integrar mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao
Congresso Nacional, por ocasião da abertura da sessão legislativa. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de Ministro-


Corregedor e ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-
lhe, além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as
seguintes: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos


magistrados e aos serviços judiciários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

II exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e de correição


geral; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

III requisitar e designar magistrados, delegando-lhes atribuições, e requisitar


servidores de juízos ou tribunais, inclusive nos Estados, Distrito Federal e
Territórios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 6º Junto ao Conselho oficiarão o Procurador-Geral da República e o Presidente


do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

§ 7º A União, inclusive no Distrito Federal e nos Territórios, criará ouvidorias de


justiça, competentes para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado
contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, ou contra seus serviços auxiliares,
representando diretamente ao Conselho Nacional de Justiça. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

90
Seção III
4.3.3 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três
Ministros.

Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados


pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de
sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada
a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

I - um terço dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais e um terço dentre


desembargadores dos Tribunais de Justiça, indicados em lista tríplice elaborada pelo
próprio Tribunal;

II - um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério


Público Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados
na forma do art. 94.

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

I - processar e julgar, originariamente:

a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e,


nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos
Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do
Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais
Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos
Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais;

b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado,


dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio
Tribunal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999)

c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas


mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição,
Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica,
ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 23, de 1999)

91
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no
art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes
vinculados a tribunais diversos;

e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados;

f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de


suas decisões;

g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da


União, ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do
Distrito Federal, ou entre as deste e da União;

h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for


atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou
indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos
órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça
Federal;

i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas


rogatórias; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

II - julgar, em recurso ordinário:

a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais


Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios,
quando a decisão for denegatória;

b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais


Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios,
quando denegatória a decisão;

c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional,


de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País;

III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância,


pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal
e Territórios, quando a decisão recorrida:

a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;

b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

92
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro
tribunal.

Parágrafo único. Funcionarão junto ao Superior Tribunal de Justiça: (Redação


dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-


lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção
na carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a


supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo
graus, como órgão central do sistema e com poderes correicionais, cujas decisões terão
caráter vinculante. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Seção IV
4.3.4 DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E DOS JUÍZES FEDERAIS

Art. 106. São órgãos da Justiça Federal:

I - os Tribunais Regionais Federais;

II - os Juízes Federais.

Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, sete


juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região e nomeados pelo Presidente
da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos,
sendo:

I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade


profissional e membros do Ministério Público Federal com mais de dez anos de
carreira;

II - os demais, mediante promoção de juízes federais com mais de cinco anos de


exercício, por antigüidade e merecimento, alternadamente.

§ 1º A lei disciplinará a remoção ou a permuta de juízes dos Tribunais Regionais


Federais e determinará sua jurisdição e sede. (Renumerado do parágrafo único, pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 2º Os Tribunais Regionais Federais instalarão a justiça itinerante, com a


realização de audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites
territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e
comunitários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

93
§ 3º Os Tribunais Regionais Federais poderão funcionar descentralizadamente,
constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à
justiça em todas as fases do processo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais:

I - processar e julgar, originariamente:

a) os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da


Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do
Ministério Público da União, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;

b) as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes


federais da região;

c) os mandados de segurança e os habeas data contra ato do próprio Tribunal ou


de juiz federal;

d) os habeas corpus, quando a autoridade coatora for juiz federal;

e) os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal;

II - julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos


juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal


forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho;

II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou


pessoa domiciliada ou residente no País;

III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro


ou organismo internacional;

IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens,


serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas,
excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça
Eleitoral;

94
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a
execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
reciprocamente;

V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste


artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei,


contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;

VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o


constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a
outra jurisdição;

VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade


federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;

IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a


competência da Justiça Militar;

X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de


carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as
causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;

XI - a disputa sobre direitos indígenas.

§ 1º As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde
tiver domicílio a outra parte.

§ 2º As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária


em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu
origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.

§ 3º Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos


segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência
social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se
verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também
processadas e julgadas pela justiça estadual.

§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o


Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da


República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de
tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá
95
suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou
processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 110. Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constituirá uma seção
judiciária que terá por sede a respectiva Capital, e varas localizadas segundo o
estabelecido em lei.

Parágrafo único. Nos Territórios Federais, a jurisdição e as atribuições cometidas


aos juízes federais caberão aos juízes da justiça local, na forma da lei.

Seção V
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 92, de 2016)

4.3.5 Do Tribunal Superior do Trabalho, dos Tribunais Regionais


do Trabalho e dos Juízes do Trabalho

Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho:

I - o Tribunal Superior do Trabalho;

II - os Tribunais Regionais do Trabalho;

III - Juizes do Trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 24,


de 1999)

§§ 1º a 3º (Revogados pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete


Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos e menos de
sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo
Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal,
sendo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 92, de 2016)

I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade


profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de
efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

II os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da


magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do


Trabalho. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
96
§ 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho,


cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e
promoção na carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

II o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exercer, na forma da


lei, a supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do
Trabalho de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões
terão efeito vinculante. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 3º Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar,


originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da
autoridade de suas decisões. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 92, de
2016)

Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não
abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o
respectivo Tribunal Regional do T rabalho. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 113. A lei disporá sobre a constituição, investidura, jurisdição, competência,


garantias e condições de exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999)

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada


pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público


externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

II as ações que envolvam exercício do direito de greve; (Incluído pela


Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e


trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato


questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

97
V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado
o disposto no art. 102, I, o; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação


de trabalho; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores


pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e


II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da


lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 1º Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.

§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é


facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza
econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as
disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas
anteriormente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do


interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo,
competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete


juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente
da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos,
sendo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade


profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de
efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

II os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade e


merecimento, alternadamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004)

98
§ 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a
realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites
territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e
comunitários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente,


constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à
justiça em todas as fases do processo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
45, de 2004)

Art. 116. Nas Varas do Trabalho, a jurisdição será exercida por um juiz
singular. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999)

Parágrafo único. (Revogado pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999)

Art. 117. e Parágrafo único. (Revogados pela Emenda Constitucional nº 24,


de 1999)

Seção VI
4.3.6 DOS TRIBUNAIS E JUÍZES ELEITORAIS

Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral:

I - o Tribunal Superior Eleitoral;

II - os Tribunais Regionais Eleitorais;

III - os Juízes Eleitorais;

IV - as Juntas Eleitorais.

Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete


membros, escolhidos:

I - mediante eleição, pelo voto secreto:

a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal;

b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça;

II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados


de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal
Federal.

99
Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-
Presidente dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e o Corregedor Eleitoral
dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no


Distrito Federal.

§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:

I - mediante eleição, pelo voto secreto:

a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça;

b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça;

II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no


Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo
Tribunal Regional Federal respectivo;

III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis
advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de
Justiça.

§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente-


dentre os desembargadores.

Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos


tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais.

§ 1º Os membros dos tribunais, os juízes de direito e os integrantes das juntas


eleitorais, no exercício de suas funções, e no que lhes for aplicável, gozarão de plenas
garantias e serão inamovíveis.

§ 2º Os juízes dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado, servirão por dois
anos, no mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos, sendo os substitutos
escolhidos na mesma ocasião e pelo mesmo processo, em número igual para
cada categoria.

§ 3º São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior Eleitoral, salvo as que


contrariarem esta Constituição e as denegatórias de habeas corpus ou mandado de
segurança.

§ 4º Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá recurso


quando:

100
I - forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei;

II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais


eleitorais;

III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições


federais ou estaduais;

IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou


estaduais;

V - denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou mandado


de injunção.

Seção VII
4.3.7 DOS TRIBUNAIS E JUÍZES MILITARES

Art. 122. São órgãos da Justiça Militar:

I - o Superior Tribunal Militar;

II - os Tribunais e Juízes Militares instituídos por lei.

Art. 123. O Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze Ministros vitalícios,


nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado
Federal, sendo três dentre oficiais-generais da Marinha, quatro dentre oficiais-generais
do Exército, três dentre oficiais-generais da Aeronáutica, todos da ativa e do posto
mais elevado da carreira, e cinco dentre civis.

Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República


dentre brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo:

I - três dentre advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de
dez anos de efetiva atividade profissional;

II - dois, por escolha paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério


Público da Justiça Militar.

Art. 124. à Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos
em lei.

Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e a


competência da Justiça Militar.

101
Seção VIII
4.3.8 DOS TRIBUNAIS E JUÍZES DOS ESTADOS

Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios


estabelecidos nesta Constituição.

§ 1º A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado, sendo a


lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça.

§ 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de


leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual,
vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão.

§ 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a


Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos
Conselhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por
Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte
mil integrantes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos


Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos
disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil,
cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais
e da graduação das praças. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar,


singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra
atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz
de direito, processar e julgar os demais crimes militares. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

§ 6º O Tribunal de Justiça poderá funcionar descentralizadamente, constituindo


Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em
todas as fases do processo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 7º O Tribunal de Justiça instalará a justiça itinerante, com a realização de


audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da
respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 126. Para dirimir conflitos fundiários, o Tribunal de Justiça proporá a criação
de varas especializadas, com competência exclusiva para questões agrárias. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

102
Parágrafo único. Sempre que necessário à eficiente prestação jurisdicional, o juiz
far-se-á presente no local do litígio.

CAPÍTULO IV
4.4 DAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)
SEÇÃO I
4.4.1 DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função


jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime
democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

§ 1º São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a


indivisibilidade e a independência funcional.

§ 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa,


podendo, observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e
extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de
provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de carreira; a lei
disporá sobre sua organização e funcionamento. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

§ 3º O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites


estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.

§ 4º Se o Ministério Público não encaminhar a respectiva proposta orçamentária


dentro do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo
considerará, para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os valores
aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites estipulados
na forma do § 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 5º Se a proposta orçamentária de que trata este artigo for encaminhada em


desacordo com os limites estipulados na forma do § 3º, o Poder Executivo procederá
aos ajustes necessários para fins de consolidação da proposta orçamentária
anual. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização


de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei
de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de
créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

Art. 128. O Ministério Público abrange:

103
I - o Ministério Público da União, que compreende:

a) o Ministério Público Federal;

b) o Ministério Público do Trabalho;

c) o Ministério Público Militar;

d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;

II - os Ministérios Públicos dos Estados.

§ 1º O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da


República, nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira,
maiores de trinta e cinco anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta
dos membros do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução.

§ 2º A destituição do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente


da República, deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado
Federal.

§ 3º Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios


formarão lista tríplice dentre integrantes da carreira, na forma da lei respectiva, para
escolha de seu Procurador-Geral, que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo,
para mandato de dois anos, permitida uma recondução.

§ 4º Os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Territórios


poderão ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo, na
forma da lei complementar respectiva.

§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos


respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o
estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros:

I - as seguintes garantias:

a) vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão
por sentença judicial transitada em julgado;

b) inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do


órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de
seus membros, assegurada ampla defesa; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 45, de 2004)

104
c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o
disposto nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

II - as seguintes vedações:

a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou


custas processuais;

b) exercer a advocacia;

c) participar de sociedade comercial, na forma da lei;

d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo


uma de magistério;

e) exercer atividade político-partidária; (Redação dada pela Emenda


Constitucional nº 45, de 2004)

f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas


físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em
lei. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 6º Aplica-se aos membros do Ministério Público o disposto no art. 95, parágrafo


único, V. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância
pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas
necessárias a sua garantia;

III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do


patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e
coletivos;

IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de


intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;

V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;

105
VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência,
requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar
respectiva;

VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei


complementar mencionada no artigo anterior;

VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial,


indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;

IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com
sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de
entidades públicas.

§ 1º A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo


não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta
Constituição e na lei.

§ 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da


carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do
chefe da instituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante concurso


público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do
Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de
atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 4º Aplica-se ao Ministério Público, no que couber, o disposto no art.


93. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 5º A distribuição de processos no Ministério Público será imediata. (Incluído


pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 130. Aos membros do Ministério Público junto aos Tribunais de Contas
aplicam-se as disposições desta seção pertinentes a direitos, vedações e forma de
investidura.

Art. 130-A. O Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de quatorze


membros nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela
maioria absoluta do Senado Federal, para um mandato de dois anos, admitida uma
recondução, sendo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I o Procurador-Geral da República, que o preside;

106
II quatro membros do Ministério Público da União, assegurada a representação de
cada uma de suas carreiras;

III três membros do Ministério Público dos Estados;

IV dois juízes, indicados um pelo Supremo Tribunal Federal e outro pelo Superior
Tribunal de Justiça;

V dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do


Brasil;

VI dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela


Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal.

§ 1º Os membros do Conselho oriundos do Ministério Público serão indicados


pelos respectivos Ministérios Públicos, na forma da lei.

§ 2º Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público o controle da atuação


administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres
funcionais de seus membros, cabendo lhe:

I zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, podendo


expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar
providências;

II zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a


legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério
Público da União e dos Estados, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para
que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo
da competência dos Tribunais de Contas;

III receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Ministério


Público da União ou dos Estados, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem
prejuízo da competência disciplinar e correicional da instituição, podendo avocar
processos disciplinares em curso, determinar a remoção, a disponibilidade ou a
aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar
outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa;

IV rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de


membros do Ministério Público da União ou dos Estados julgados há menos de um
ano;

107
V elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias sobre
a situação do Ministério Público no País e as atividades do Conselho, o qual deve
integrar a mensagem prevista no art. 84, XI.

§ 3º O Conselho escolherá, em votação secreta, um Corregedor nacional, dentre os


membros do Ministério Público que o integram, vedada a recondução, competindo-lhe,
além das atribuições que lhe forem conferidas pela lei, as seguintes:

I receber reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos membros


do Ministério Público e dos seus serviços auxiliares;

II exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e correição geral;

III requisitar e designar membros do Ministério Público, delegando-lhes


atribuições, e requisitar servidores de órgãos do Ministério Público.

§ 4º O Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil


oficiará junto ao Conselho.

§ 5º Leis da União e dos Estados criarão ouvidorias do Ministério Público,


competentes para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra
membros ou órgãos do Ministério Público, inclusive contra seus serviços auxiliares,
representando diretamente ao Conselho Nacional do Ministério Público.

Seção II
4.4.2 DA ADVOCACIA PÚBLICA
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Art. 131. A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através


de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos
termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as
atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.

§ 1º A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de


livre nomeação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco
anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada.

§ 2º O ingresso nas classes iniciais das carreiras da instituição de que trata este
artigo far-se-á mediante concurso público de provas e títulos.

§ 3º Na execução da dívida ativa de natureza tributária, a representação da União


cabe à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, observado o disposto em lei.

108
Art. 132. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em
carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a
participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, exercerão a
representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades
federadas. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Parágrafo único. Aos procuradores referidos neste artigo é assegurada estabilidade


após três anos de efetivo exercício, mediante avaliação de desempenho perante os
órgãos próprios, após relatório circunstanciado das corregedorias. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

SEÇÃO III
4.4.3 DA ADVOCACIA
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)

Art. 133. O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável


por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

SEÇÃO IV
4.4.4 DA DEFENSORIA PÚBLICA
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função


jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime
democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais
e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV
do art. 5º desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 80, de 2014)

§ 1º Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito


Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos
Estados, em cargos de carreira, providos, na classe inicial, mediante concurso público
de provas e títulos, assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e
vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais. (Renumerado do
parágrafo único pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia funcional e


administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, §
2º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 3º Aplica-se o disposto no § 2º às Defensorias Públicas da União e do Distrito


Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 74, de 2013)

109
§ 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a
indivisibilidade e a independência funcional, aplicando-se também, no que couber, o
disposto no art. 93 e no inciso II do art. 96 desta Constituição Federal. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)

Art. 135. Os servidores integrantes das carreiras disciplinadas nas Seções II e III
deste Capítulo serão remunerados na forma do art. 39, § 4º. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

TÍTULO V
5.1 Da Defesa do Estado e Das Instituições Democráticas
CAPÍTULO I
DO ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO
Seção I
5.1.1 DO ESTADO DE DEFESA

Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o


Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente
restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social
ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por
calamidades de grandes proporções na natureza.

§ 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua


duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da
lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes:

I - restrições aos direitos de:

a) reunião, ainda que exercida no seio das associações;

b) sigilo de correspondência;

c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;

II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de


calamidade pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes.

§ 2º O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias,


podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que
justificaram a sua decretação.

§ 3º Na vigência do estado de defesa:

110
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será
por este comunicada imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não for
legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial;

II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado


físico e mental do detido no momento de sua autuação;

III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias,
salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário;

IV - é vedada a incomunicabilidade do preso.

§ 4º Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o Presidente da República,


dentro de vinte e quatro horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao
Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta.

§ 5º Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado,


extraordinariamente, no prazo de cinco dias.

§ 6º O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu


recebimento, devendo continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa.

§ 7º Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa.

Seção II
5.1.2 DO ESTADO DE SÍTIO

Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o


Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para
decretar o estado de sítio nos casos de:

I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que


comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa;

II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira.

Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar


o estado de sítio ou sua prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido,
devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta.

Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua duração, as normas necessárias
a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois de
publicado, o Presidente da República designará o executor das medidas específicas e
as áreas abrangidas.

111
§ 1º - O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá ser decretado por mais
de trinta dias, nem prorrogado, de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá
ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada
estrangeira.

§ 2º - Solicitada autorização para decretar o estado de sítio durante o recesso


parlamentar, o Presidente do Senado Federal, de imediato, convocará
extraordinariamente o Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias, a fim de
apreciar o ato.

§ 3º - O Congresso Nacional permanecerá em funcionamento até o término das


medidas coercitivas.

Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I,
só poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas:

I - obrigação de permanência em localidade determinada;

II - detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes


comuns;

III - restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das


comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e
televisão, na forma da lei;

IV - suspensão da liberdade de reunião;

V - busca e apreensão em domicílio;

VI - intervenção nas empresas de serviços públicos;

VII - requisição de bens.

Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III a difusão de


pronunciamentos de parlamentares efetuados em suas Casas Legislativas, desde que
liberada pela respectiva Mesa.

Seção III
5.1.3 DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 140. A Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários,


designará Comissão composta de cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar
a execução das medidas referentes ao estado de defesa e ao estado de sítio.

112
Art. 141. Cessado o estado de defesa ou o estado de sítio, cessarão também seus
efeitos, sem prejuízo da responsabilidade pelos ilícitos cometidos por seus executores
ou agentes.

Parágrafo único. Logo que cesse o estado de defesa ou o estado de sítio, as


medidas aplicadas em sua vigência serão relatadas pelo Presidente da República, em
mensagem ao Congresso Nacional, com especificação e justificação das providências
adotadas, com relação nominal dos atingidos e indicação das restrições aplicadas.

CAPÍTULO II
5.2 DAS FORÇAS ARMADAS

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base
na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e
destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa
de qualquer destes, da lei e da ordem.

§ 1º Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na


organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas.

§ 2º Não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares.

§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-


lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

I - as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são


conferidas pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da
ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e,
juntamente com os demais membros, o uso dos uniformes das Forças
Armadas; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

II - o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil


permanente, ressalvada a hipótese prevista no art. 37, inciso XVI, alínea "c", será
transferido para a reserva, nos termos da lei; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 77, de 2014)

III - o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego
ou função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta,
ressalvada a hipótese prevista no art. 37, inciso XVI, alínea "c", ficará agregado ao
respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação, ser
promovido por antiguidade, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela
promoção e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de afastamento,

113
contínuos ou não, transferido para a reserva, nos termos da lei; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 77, de 2014)

IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 18, de 1998)

V - o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos


políticos; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

VI - o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou


com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo
de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 18, de 1998)

VII - o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de


liberdade superior a dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao
julgamento previsto no inciso anterior; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de
1998)

VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos VIII, XII, XVII, XVIII,
XIX e XXV, e no art. 37, incisos XI, XIII, XIV e XV, bem como, na forma da lei e
com prevalência da atividade militar, no art. 37, inciso XVI, alínea "c"; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 77, de 2014)

IX - (Revogado pela Emenda Constitucional nº 41, de 19.12.2003)

X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a


estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os
direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos
militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas
cumpridas por força de compromissos internacionais e de guerra. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei.

§ 1º Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos


que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência,
entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou
política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente
militar. (Regulamento)

§ 2º As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em


tempo de paz, sujeitos, porém, a outros encargos que a lei lhes atribuir. (Regulamento)

114
CAPÍTULO III
5.3 DA SEGURANÇA PÚBLICA

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de


todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e
do patrimônio, através dos seguintes órgãos:

I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal;

III - polícia ferroviária federal;

IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e


mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:" (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de


bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas
públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;

II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o


contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos
públicos nas respectivas áreas de competência;

III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de


fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela


União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento
ostensivo das rodovias federais. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela


União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento
ostensivo das ferrovias federais. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

115
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,
ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de
infrações penais, exceto as militares.

§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem


pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei,
incumbe a execução de atividades de defesa civil.

§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e


reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos
Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis


pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.

§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção


de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.

§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados


neste artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem pública e da


incolumidade das pessoas e do seu patrimônio nas vias públicas: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 82, de 2014)

I - compreende a educação, engenharia e fiscalização de trânsito, além de outras


atividades previstas em lei, que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana
eficiente; e (Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014)

II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aos


respectivos órgãos ou entidades executivos e seus agentes de trânsito, estruturados em
Carreira, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014)

§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional,


este a fará em votação única, vedada qualquer emenda.

Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.

116
TÍTULO VIII
6 Da Ordem Social
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÃO GERAL

Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o
bem-estar e a justiça sociais.

CAPÍTULO II
DA SEGURIDADE SOCIAL
Seção I
6.1 DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de


iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos
relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a


seguridade social, com base nos seguintes objetivos:

I - universalidade da cobertura e do atendimento;

II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e


rurais;

III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;

IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;

V - eqüidade na forma de participação no custeio;

VI - diversidade da base de financiamento;

VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão


quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados
e do Governo nos órgãos colegiados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta
e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições
sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei,


incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
117
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a
qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de


1998)

c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo


contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de
previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 20, de 1998)

III - sobre a receita de concursos de prognósticos.

IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele


equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

§ 1º - As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à


seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento
da União.

§ 2º A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma


integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e assistência social,
tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes
orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de seus recursos.

§ 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como


estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.

§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou


expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.

§ 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado,


majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total.

§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após
decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou
modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b".

§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes


de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.

118
§ 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador
artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime
de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade
social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da
produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão


ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da
utilização intensiva de mão-de-obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do
mercado de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

§ 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único


de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de
recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições sociais de


que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em montante superior ao
fixado em lei complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as


contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-
cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

§ 13. Aplica-se o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual,


total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre
a receita ou o faturamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

Seção II
6.2.2 DA SAÚDE

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante


políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção,
proteção e recuperação.

Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao


Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e
controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e,
também, por pessoa física ou jurídica de direito privado.

119
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada
e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes
diretrizes:

I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;

II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem


prejuízo dos serviços assistenciais;

III - participação da comunidade.

§ 1º O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com
recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios, além de outras fontes. (Parágrafo único renumerado para § 1º pela
Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão,


anualmente, em ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da
aplicação de percentuais calculados sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº
29, de 2000)

I - no caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro,


não podendo ser inferior a 15% (quinze por cento); (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 86, de 2015)

II – no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos


impostos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159,
inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos
respectivos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

III – no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos


impostos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159,
inciso I, alínea b e § 3º.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

§ 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos,
estabelecerá:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

I - os percentuais de que tratam os incisos II e III do § 2º; (Redação dada pela


Emenda Constitucional nº 86, de 2015)

II – os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde destinados aos


Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, e dos Estados destinados a seus
respectivos Municípios, objetivando a progressiva redução das disparidades
regionais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

120
III – as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas
esferas federal, estadual, distrital e municipal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
29, de 2000)

IV - (revogado). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 86, de 2015)

§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes


comunitários de saúde e agentes de combate às endemias por meio de processo
seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e
requisitos específicos para sua atuação. .(Incluído pela Emenda Constitucional nº 51,
de 2006)

§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional


nacional, as diretrizes para os Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de
agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias, competindo à União,
nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios, para o cumprimento do referido piso salarial. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 63, de 2010) Regulamento

§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da


Constituição Federal, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente
comunitário de saúde ou de agente de combate às endemias poderá perder o cargo em
caso de descumprimento dos requisitos específicos, fixados em lei, para o seu
exercício. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)

Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.

§ 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do


sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público
ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.

§ 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às


instituições privadas com fins lucrativos.

§ 3º - É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais


estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei.

§ 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de


órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento,
bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo
vedado todo tipo de comercialização.

Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos
termos da lei:

121
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a
saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos,
hemoderivados e outros insumos;

II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de


saúde do trabalhador;

III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;

IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento


básico;

V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e


tecnológico e a inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de
2015)

VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor


nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano;

VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e


utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;

VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.

Seção III
6.2.3 DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de
caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o
equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

I - cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; (Redação


dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; (Redação dada pela


Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Redação


dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa


renda; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

122
V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro
e dependentes, observado o disposto no § 2º. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

§ 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de


aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os
casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos
definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de
2005)

§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do


trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício


serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

§ 4º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter


permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qualidade de


segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de
previdência. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas terá por base o valor


dos proventos do mês de dezembro de cada ano. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos


da lei, obedecidas as seguintes condições: (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 20, de 1998)

I - trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se


mulher; (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

II - sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher,


reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para
os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o
produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal. (Incluído dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

123
§ 8º Os requisitos a que se refere o inciso I do parágrafo anterior serão reduzidos
em cinco anos, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo
exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e
médio. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 9º Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do tempo de


contribuição na administração pública e na atividade privada, rural e urbana, hipótese
em que os diversos regimes de previdência social se compensarão financeiramente,
segundo critérios estabelecidos em lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)

§ 10. Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho, a ser atendida


concorrentemente pelo regime geral de previdência social e pelo setor
privado. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao


salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em
benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)

§ 12. Lei disporá sobre sistema especial de inclusão previdenciária para atender a
trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda própria que se dediquem
exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que
pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes acesso a benefícios de valor
igual a um salário-mínimo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

§ 13. O sistema especial de inclusão previdenciária de que trata o § 12 deste artigo


terá alíquotas e carências inferiores às vigentes para os demais segurados do regime
geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005

Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado


de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo,
baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado
por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de


planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às
informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

§ 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais


previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de
previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como,

124
à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes,
nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União,


Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas,
sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de
patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá
exceder a do segurado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Distrito


Federal ou Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia
mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto patrocinadoras de
entidades fechadas de previdência privada, e suas respectivas entidades fechadas de
previdência privada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 5º A lei complementar de que trata o parágrafo anterior aplicar-se-á, no que


couber, às empresas privadas permissionárias ou concessionárias de prestação de
serviços públicos, quando patrocinadoras de entidades fechadas de previdência
privada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 6º A lei complementar a que se refere o § 4° deste artigo estabelecerá os


requisitos para a designação dos membros das diretorias das entidades fechadas de
previdência privada e disciplinará a inserção dos participantes nos colegiados e
instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto de discussão e
deliberação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

Seção IV
6.2.4 DA ASSISTÊNCIA SOCIAL

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,


independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:

I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;

II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;

III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;

IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a


promoção de sua integração à vida comunitária;

V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de


deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria
manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

125
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas
com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras
fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes:

I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas


gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às
esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência
social;

II - participação da população, por meio de organizações representativas, na


formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis.

Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a


programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco décimos por cento de sua
receita tributária líquida, vedada a aplicação desses recursos no pagamento
de: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

I - despesas com pessoal e encargos sociais; (Incluído pela Emenda Constitucional


nº 42, de 19.12.2003)

II - serviço da dívida; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos
ou ações apoiados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

CAPÍTULO III
6.3 DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
Seção I
6.3.1 DA EDUCAÇÃO

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o


saber;

III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de


instituições públicas e privadas de ensino;

126
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei,


planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de
2006)

VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

VII - garantia de padrão de qualidade.

VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar


pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de
2006)

Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados


profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou
adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa


e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade
entre ensino, pesquisa e extensão.

§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas


estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996)

§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e


tecnológica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996)

Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia
de:

I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de


idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram
acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de
2009) (Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela


Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,


preferencialmente na rede regular de ensino;

127
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de
idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística,


segundo a capacidade de cada um;

VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;

VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio


de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e
assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.

§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta


irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.

§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental,


fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola.

Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições:

I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;

II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.

Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de


maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e
artísticos, nacionais e regionais.

§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos


horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.

§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa,


assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e
processos próprios de aprendizagem.

Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em


regime de colaboração seus sistemas de ensino.

§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará


as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função
redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades
educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e

128
financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação


infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino


fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito


Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a
universalização do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
59, de 2009)

§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino


regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o


Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita
resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção
e desenvolvimento do ensino.

§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao


Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é
considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a
transferir.

§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no "caput" deste artigo, serão


considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos
aplicados na forma do art. 213.

§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento


das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de
padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de educação. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos


no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais
e outros recursos orçamentários.

§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a


contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da
lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

129
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do
salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos
matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser
dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:

I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros


em educação;

II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária,


filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas
atividades.

§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de


estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem
insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede
pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a
investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.

§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à inovação


realizadas por universidades e/ou por instituições de educação profissional e
tecnológica poderão receber apoio financeiro do Poder Público. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal,


com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração
e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a
manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e
modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas
federativas que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de
2009)

I - erradicação do analfabetismo;

II - universalização do atendimento escolar;

III - melhoria da qualidade do ensino;

IV - formação para o trabalho;

V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.

130
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação
como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 59,
de 2009)

Seção II
6.3.2 DA CULTURA

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão
das manifestações culturais.

§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-


brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para


os diferentes segmentos étnicos nacionais.

3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando


ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que
conduzem à: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)

I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 48, de 2005)

II produção, promoção e difusão de bens culturais; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 48, de 2005)

III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas


dimensões; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)

IV democratização do acesso aos bens de cultura; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 48, de 2005)

V valorização da diversidade étnica e regional. (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 48, de 2005)

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e


imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à
identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira, nos quais se incluem:

I - as formas de expressão;

II - os modos de criar, fazer e viver;

131
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às


manifestações artístico-culturais;

V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico,


arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o


patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.

§ 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação


governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela
necessitem.

§ 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e


valores culturais.

§ 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.

§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências


históricas dos antigos quilombos.

§ 6º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de


fomento à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o
financiamento de programas e projetos culturais, vedada a aplicação desses recursos no
pagamento de: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

I - despesas com pessoal e encargos sociais; (Incluído pela Emenda Constitucional


nº 42, de 19.12.2003)

II - serviço da dívida; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos
ou ações apoiados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

Art. 216-A. O Sistema Nacional de Cultura, organizado em regime de


colaboração, de forma descentralizada e participativa, institui um processo de gestão e
promoção conjunta de políticas públicas de cultura, democráticas e permanentes,
pactuadas entre os entes da Federação e a sociedade, tendo por objetivo promover o
desenvolvimento humano, social e econômico com pleno exercício dos direitos
culturais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)

132
§ 1º O Sistema Nacional de Cultura fundamenta-se na política nacional de cultura
e nas suas diretrizes, estabelecidas no Plano Nacional de Cultura, e rege-se pelos
seguintes princípios: Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

I - diversidade das expressões culturais; Incluído pela Emenda Constitucional nº


71, de 2012

II - universalização do acesso aos bens e serviços culturais; Incluído pela Emenda


Constitucional nº 71, de 2012

III - fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e bens


culturais; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

IV - cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e privados atuantes


na área cultural; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

V - integração e interação na execução das políticas, programas, projetos e ações


desenvolvidas; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

VI - complementaridade nos papéis dos agentes culturais; Incluído pela Emenda


Constitucional nº 71, de 2012

VII - transversalidade das políticas culturais; Incluído pela Emenda


Constitucional nº 71, de 2012

VIII - autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade


civil; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

IX - transparência e compartilhamento das informações; Incluído pela Emenda


Constitucional nº 71, de 2012

X - democratização dos processos decisórios com participação e controle


social; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

XI - descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e das


ações; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

XII - ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos públicos para a
cultura. Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

§ 2º Constitui a estrutura do Sistema Nacional de Cultura, nas respectivas esferas


da Federação: Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

I - órgãos gestores da cultura; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de


2012
133
II - conselhos de política cultural; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de
2012

III - conferências de cultura; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

IV - comissões intergestores; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

V - planos de cultura; Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

VI - sistemas de financiamento à cultura; Incluído pela Emenda Constitucional nº


71, de 2012

VII - sistemas de informações e indicadores culturais; Incluído pela Emenda


Constitucional nº 71, de 2012

VIII - programas de formação na área da cultura; e Incluído pela Emenda


Constitucional nº 71, de 2012

IX - sistemas setoriais de cultura. Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de


2012

§ 3º Lei federal disporá sobre a regulamentação do Sistema Nacional de Cultura,


bem como de sua articulação com os demais sistemas nacionais ou políticas setoriais
de governo. Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012

§ 4º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão seus respectivos


sistemas de cultura em leis próprias. Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de
2012

Seção III
6.3.3 DO DESPORTO

Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais,


como direito de cada um, observados:

I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua


organização e funcionamento;

II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto


educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;

III - o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não- profissional;

IV - a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional.

134
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições
desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.

§ 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da


instauração do processo, para proferir decisão final.

§ 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social.

CAPÍTULO IV
6.4 DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a


pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

§ 1º A pesquisa científica básica e tecnológica receberá tratamento prioritário do


Estado, tendo em vista o bem público e o progresso da ciência, tecnologia e
inovação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

§ 2º A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos


problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e
regional.

§ 3º O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência,


pesquisa, tecnologia e inovação, inclusive por meio do apoio às atividades de extensão
tecnológica, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de
trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

§ 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de


tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e
que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada
do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu
trabalho.

§ 5º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita


orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e
tecnológica.

§ 6º O Estado, na execução das atividades previstas no caput , estimulará a


articulação entre entes, tanto públicos quanto privados, nas diversas esferas de
governo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

135
§ 7º O Estado promoverá e incentivará a atuação no exterior das instituições
públicas de ciência, tecnologia e inovação, com vistas à execução das atividades
previstas no caput. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

Art. 219. O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de


modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e sócio-econômico, o bem-estar da
população e a autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal.

Parágrafo único. O Estado estimulará a formação e o fortalecimento da inovação


nas empresas, bem como nos demais entes, públicos ou privados, a constituição e a
manutenção de parques e polos tecnológicos e de demais ambientes promotores da
inovação, a atuação dos inventores independentes e a criação, absorção, difusão e
transferência de tecnologia. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

Art. 219-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão


firmar instrumentos de cooperação com órgãos e entidades públicos e com entidades
privadas, inclusive para o compartilhamento de recursos humanos especializados e
capacidade instalada, para a execução de projetos de pesquisa, de desenvolvimento
científico e tecnológico e de inovação, mediante contrapartida financeira ou não
financeira assumida pelo ente beneficiário, na forma da lei. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 85, de 2015)

Art. 219-B. O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) será


organizado em regime de colaboração entre entes, tanto públicos quanto privados, com
vistas a promover o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

§ 1º Lei federal disporá sobre as normas gerais do SNCTI. (Incluído pela


Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios legislarão concorrentemente


sobre suas peculiaridades. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

CAPÍTULO V
6.5 DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação,


sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o
disposto nesta Constituição.

§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena


liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social,
observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

136
§ 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

§ 3º Compete à lei federal:

I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar


sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em
que sua apresentação se mostre inadequada;

II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade


de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o
disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que
possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

§ 4º A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos,


medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do
parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios
decorrentes de seu uso.

§ 5º Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser


objeto de monopólio ou oligopólio.

§ 6º A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de


autoridade.

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão


atenderão aos seguintes princípios:

I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente


que objetive sua divulgação;

III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme


percentuais estabelecidos em lei;

IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons


e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de
pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no
País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)

§ 1º Em qualquer caso, pelo menos setenta por cento do capital total e do capital
votante das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens deverá
pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez
137
anos, que exercerão obrigatoriamente a gestão das atividades e estabelecerão o
conteúdo da programação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)

§ 2º A responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção da


programação veiculada são privativas de brasileiros natos ou naturalizados há mais de
dez anos, em qualquer meio de comunicação social. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 36, de 2002)

§ 3º Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia


utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados no art.
221, na forma de lei específica, que também garantirá a prioridade de profissionais
brasileiros na execução de produções nacionais. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 36, de 2002)

§ 4º Lei disciplinará a participação de capital estrangeiro nas empresas de que


trata o § 1º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)

§ 5º As alterações de controle societário das empresas de que trata o § 1º serão


comunicadas ao Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de
2002)

Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e


autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o
princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.

§ 1º O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, § 2º e § 4º, a contar


do recebimento da mensagem.

§ 2º A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no


mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.

§ 3º O ato de outorga ou renovação somente produzirá efeitos legais após


deliberação do Congresso Nacional, na forma dos parágrafos anteriores.

§ 4º O cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo,


depende de decisão judicial.

§ 5º O prazo da concessão ou permissão será de dez anos para as emissoras de


rádio e de quinze para as de televisão.

Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional


instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da
lei.

138
CAPÍTULO VI
6.6 DO MEIO AMBIENTE

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e
futuras gerações.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo


ecológico das espécies e ecossistemas; (Regulamento)

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e


fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material
genético; (Regulamento) (Regulamento)

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus


componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; (Regulamento)

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente


causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto
ambiental, a que se dará publicidade; (Regulamento)

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e


substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio
ambiente; (Regulamento)

VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a


conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que


coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou
submetam os animais a crueldade. (Regulamento)

§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio


ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público
competente, na forma da lei.

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os


infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

139
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o
Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização
far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio
ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações


discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida
em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.

§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se
consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam
manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal,
registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural
brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos
animais envolvidos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017)

CAPÍTULO VII
6.7 Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso
(Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o


homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em
casamento.

§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por


qualquer dos pais e seus descendentes.

§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos


igualmente pelo homem e pela mulher.

§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada Pela
Emenda Constitucional nº 66, de 2010)

§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade


responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado
propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada
qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
140
§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a
integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao


adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e
opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do


adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais,
mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Redação dada
Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência


materno-infantil;

II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as


pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração
social do adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o treinamento para
o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com
a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de
discriminação. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de


uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso
adequado às pessoas portadoras de deficiência.

§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:

I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o


disposto no art. 7º, XXXIII;

II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;

III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola; (Redação


dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional,


igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo
dispuser a legislação tutelar específica;

141
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer
medida privativa da liberdade;

VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e


subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou
adolescente órfão ou abandonado;

VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao


adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. (Redação dada
Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da


criança e do adolescente.

§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá
casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.

§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os


mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias
relativas à filiação.

§ 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em


consideração o disposto no art. 204.

§ 8º A lei estabelecerá: (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens; (Incluído


Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação das


várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas. (Incluído Pela
Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às


normas da legislação especial.

Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os
filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou
enfermidade.

Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas


idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-
estar e garantindo-lhes o direito à vida.

142
§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em
seus lares.

§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes


coletivos urbanos.

CAPÍTULO VIII
6.8 DOS ÍNDIOS

Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas,
crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente
ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus
bens.

§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em


caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à
preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua
reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.

§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse


permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos
lagos nelas existentes.

§ 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a


pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados
com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-
lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei.

§ 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos


sobre elas, imprescritíveis.

§ 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, "ad


referendum" do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em
risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do
Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que
cesse o risco.

§ 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por
objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a
exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes,
ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei
complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações
contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de
boa fé.

143
§ 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º.

Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para
ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério
Público em todos os atos do processo.

II DIREITO ADMINISTRATIVO
1 Direito Administrativo

1.1 Conceito
Direito Administrativo é o ramo do direito público que trata de princípios e
regras que disciplinam a função administrativa e que abrange entes, órgãos, agentes e
atividades desempenhadas pela Administração Pública na consecução do interesse
público 1.

Função administrativa é a atividade do Estado de dar cumprimento aos


comandos normativos para realização dos fins públicos, sob regime jurídico
administrativo (em regra), e por atos passíveis de controle.

A função administrativa é exercida tipicamente pelo Poder Executivo, mas pode ser
desempenhada também pelos demais Poderes, em caráter atípico. Por conseguinte,
também o Judiciário e o Legislativo, não obstante suas funções jurisdicional e
legislativa (e fiscalizatória) típicas, praticam atos administrativos, realizam suas
nomeações de servidores, fazem suas licitações e celebram contratos administrativos,
ou seja, tomam medidas concretas de gestão de seus quadros e atividades.

Função administrativa relaciona-se com a aplicação do Direito, sendo consagrada a


frase de Seabra Fagundes no sentido de que “administrar é aplicar a lei de ofício”. A
expressão administração pública possui, segundo Di Pietro 2, no entanto, dois sentidos:

• o sentido subjetivo, formal ou orgânico: em que é grafada com letras


maiúsculas, isto é, Administração Pública, e que indica o conjunto de órgãos e
pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do
Estado; e
• o sentido objetivo, em que o termo é grafado com minúsculas (administração
pública), sendo usado no contexto de atividade desempenhada sob regime de
direito público para consecução dos interesses coletivos (sinônimo de função
administrativa).

1.2 Fontes
São fontes do Direito Administrativo:

144
• os preceitos normativos do ordenamento jurídico, sejam eles decorrentes de
regras ou princípios, contidos na Constituição, nas leis e em atos normativos
editados pelo Poder Executivo para a fiel execução da lei;
• a jurisprudência, isto é, reunião de diversos julgados num mesmo sentido. Se
houver Súmula Vinculante, a jurisprudência será fonte primária e vinculante da
Administração Pública;
• a doutrina: produção científica da área expressa em artigos, pareceres e livros,
que são utilizados como fontes para elaboração de enunciados normativos, atos
administrativos ou sentenças judiciais;
• os costumes ou a praxe administrativa da repartição pública.

Ressalte-se que só os princípios e regras constantes dos preceitos normativos do


Direito são considerados fontes primárias. Os demais expedientes: doutrina, costumes
e jurisprudência são geralmente fontes meramente secundárias, isto é, não vinculantes;
exceto no caso da súmula vinculante, conforme sistemática criada pela Emenda
Constitucional nᵒ 45/04, que é fonte de observância obrigatória tanto ao Poder
Judiciário, como à Administração Pública direta e indireta, em todos os níveis
federativos.

1.3 Princípios
Segundo Alexy 3, princípios são mandamentos de otimização, que se caracterizam pelo
fato de poderem ser cumpridos em diferentes graus. A medida imposta para o
cumprimento do princípio depende: (a) das possibilidades reais (fáticas), extraídas das
circunstâncias concretas; e (b) das possibilidades jurídicas existentes.

Com o pós-positivismo os princípios foram alçados dos Códigos às Constituições,


ganhando status de normas jurídicas de superior hierarquia. Antes eram tidos como
pautas supletivas das lacunas do ordenamento, conforme orientação do art. 4ᵒ da Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro, mas com o avanço da hermenêutica
jurídica sabe-se que eles não são só sugestões interpretativas, pois eles têm caráter
vinculante, cogente ou obrigatório 4.

São princípios do Direito Administrativo expressos no caput do art. 37 da


Constituição:

• legalidade;
• impessoalidade;
• moralidade;
• publicidade; e
• eficiência, sendo que este último foi acrescentado pela Emenda Constitucional
nᵒ 19/98.

145
A legalidade administrativa significa que a Administração Pública só pode o que a lei
permite. Cumpre à Administração, no exercício de suas atividades, atuar de acordo
com a lei e com as finalidades previstas, expressas ou implicitamente, no Direito.

Impessoalidade implica que os administrados que preenchem os requisitos previstos no


ordenamento possuem o direito público subjetivo de exigir igual tratamento perante o
Estado. Do ponto de vista da Administração, a atuação do agente público deve ser feita
de forma a evitar promoção pessoal, sendo que os seus atos são imputados ao órgão,
pela teoria do órgão.

Publicidade é o princípio básico da Administração que propicia a credibilidade pela


transparência. Costuma-se diferenciar publicidade geral, para atos de efeitos externos,
que demandam, como regra, publicação oficial; de publicidade restrita, para defesa de
direitos e esclarecimentos de informações nos órgãos públicos.

Moralidade é o princípio que exige dos agentes públicos comportamentos compatíveis


com o interesse público que cumpre atingir, que são voltados para os ideais e valores
coletivos segundo a ética institucional.

Eficiência foi um princípio introduzido pela Reforma Administrativa 5 veiculada pela


Emenda Constitucional nᵒ 19/98, que exige resultados positivos para o serviço público
e satisfatório atendimento das necessidades públicas.

Além dos princípios constitucionais, existem princípios que foram positivados por lei,
como, por exemplo, no âmbito federal, também se extraem do art. 2ᵒ da Lei nᵒ
9.784/99: finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla
defesa, contraditório, segurança jurídica e interesse público.

2 Ato administrativo

2.1 Conceito

Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, ato administrativo é a declaração do Estado


ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da
lei, sob o regime jurídico de direito público e sujeita ao controle pelo Poder Público.
Observação:
Elementos presentes no conceito:
– Manifestação de vontade;
– Praticada pela Administração Pública ou por quem lhe faça às vezes;
– Sob o regime de direito público, Com prerrogativas em relação ao particular;
– Submissão ao controle judicial.
Diferenças:

146
Fato administrativo (para algumas bancas examinadoras é sinônimo de atos materiais),
são atos praticados pela Administração desprovidos de manifestação de vontade cuja
natureza é meramente executória.
Ex. Demolição de uma casa, construção de uma parede na Administração, realização
de um serviço etc.
Atos da Administração: são atos praticados pelo Poder Público sob o amparo do direito
privado. Neste caso, a Administração é tratada igualitariamente com o particular. É o
caso, por exemplo, da permuta, compra e venda, locação, doação etc.
Diante desta última diferenciação, é possível alegar que existem atos da Administração
(por terem sido praticados pelo Poder Executivo) que não são atos administrativos
(pois não são regidos pelo direito público).

2.2Requisitos ou elementos do ato:

Sujeito competente ou Competência;


Forma;
Finalidade;
Motivo;
Objeto ou conteúdo

Sujeito competente ou Competência:

É o poder decorrente da lei conferido ao agente administrativo para o desempenho


regular de suas atribuições. Somente a lei pode determinar a competência dos agentes
na exata medida necessária para alcançar os fins desejados. É um elemento sempre
vinculado.
Celso Antonio Bandeira de Mello enumera as principais características do elemento:
–– Exercício obrigatório para órgãos e agentes públicos;
–– Intransferível. Vale lembrar que a delegação permitida pela lei não transfere a
competência, mas sim a execução temporária do ato.
–– Imodificável pela vontade do agente;
–– Imprescritível, já que o não exercício da competência não gera a sua extinção.
A Lei 9784/99 permite a delegação e a avocação dos atos administrativos. Contudo,
em face do primeiro, a lei menciona:
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:
I – a edição de atos de caráter normativo;
II – a decisão de recursos administrativos;
III – as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

Forma

147
O ato deve respeitar a forma exigida para a sua prática. É a materialização, ou seja,
como o ato se apresenta no mundo real.
A regra na Administração Pública é que todos os atos são formais, diferentemente do
direito privado que se aplica a liberdade das formas.
È um elemento sempre vinculado, de acordo com a doutrina majoritária.
Todos os atos, em regra, devem ser escritos e motivados.
Excepcionalmente, podem ser praticados atos administrativos através de gestos e
símbolos. Ex. semáforos de trânsito, apitos de policiais etc.

Finalidade

A finalidade, segundo os ensinamentos de Di Pietro, é o resultado que a Administração


deve alcançar com a prática do ato. É aquilo que se pretende com o ato administrativo.
De acordo com o princípio da finalidade, a Administração Pública deve buscar sempre
o interesse público e, em uma análise mais restrita, a finalidade determinada pela lei. É
um elemento sempre vinculado.
Assim, o elemento pode ser considerado em seu sentido amplo (qualquer atividade que
busca o interesse público) ou restrito (resultado específico de determinada atividade
previsto na lei). O vício no elemento finalidade gera o desvio de finalidade, que é uma
modalidade de abuso de poder.

Motivo

Consiste na situação de fato e de direito que gera a necessidade da Administração em


praticar o ato administrativo. O pressuposto de direito é a lei que baseia o ato
administrativo, ao passo que o pressuposto de fato corresponde as circunstancias,
situações, acontecimentos, que levam a Administração a praticar o ato.
Não confundir motivo e motivação. Esta, por sua vez, é a demonstração dos motivos,
ou seja, é a justificativa por escrito de que os pressupostos de fato realmente existiram.
Por fim, vale lembrar que o motivo pode ser discricionário ou vinculado.
Segundo Edimur Ferreira de Faria, o motivo deve estar previsto na lei explícita ou
implicitamente. Se explícito, à autoridade não compete escolha; deve praticar o ato de
acordo com o motivo, sempre que a hipótese se verificar. Não estando o motivo
evidenciado na lei, cabe ao agente, no exercício da faculdade discricionária, escolher
ou indicar o motivo, devidamente justificado.
O renomado autor mineiro menciona a possibilidade de o motivo ser um elemento
vinculado na primeira situação narrada, ou discricionário na parte final de sua
conclusão.

Objeto ou conteúdo

É a modificação fática realizada pelo ato no mundo jurídico. São as inovações trazidas
pelo ato na vida de seu destinatário.

148
Exemplos:
Ato: licença para construir;
Objeto: permitir que o interessado edifique legitimamente;
Ato: Aplicação de multa;
Objeto: efetivar uma punição.
Segundo Fernanda Marinela, o objeto corresponde ao efeito jurídico imediato do ato,
ou seja, o resultado prático causado em uma esfera de direitos. Representa uma
conseqüência para o mundo fático em que vivemos e, em decorrência dele, nasce,
extingue-se, transforma-se um determinado direito. É um elemento vinculado e
discricionário.
Competência =Vinculado;
Forma = Vinculado;
Finalidade = Vinculado;
Motivo = Vinculado / Discricionário
Objeto = Vinculado/ Discricionário

2.3Atributos (características)

P- Presunção de legitimidade e veracidade dos atos administrativos;


A- Autoexecutoriedade;
T- Tipicidade;
I- Imperatividade.
a) Presunção de legitimidade e veracidade dos atos administrativos:
Conceito: os atos administrativos são presumidos verdadeiros e legais até que se prove
o contrário. Assim, a Administração não tem o ônus de provar que seus atos são legais
e a situação que gerou a necessidade de sua prática realmente existiu, cabendo ao
destinatário do ato o encargo de provar que o agente administrativo agiu de forma
ilegítima. Este atributo está presente em todos os atos administrativos.
Principais informações sobre o atributo:
Fundamento: Rapidez e agilidade na execução dos atos administrativos.
Natureza da presunção: Relativa, uma vez que pode ser desconstituída pela prova que
deve ser produzida pelo interessado prejudicado.
Inversão do ônus da prova: O particular prejudicado que possui o dever de provar que
a Administração Pública contrariou a lei ou os fatos mencionados por ela não são
verdadeiros.
Consequências:
– Até a sua desconstituição, o ato continua produzir seus efeitos normalmente;
– Tanto a Administração como o Poder Judiciário têm legitimidade para analisar as
presunções mencionadas.
b) Autoexecutoriedade
Conceito: os atos administrativos podem ser executados pela própria Administração
Pública diretamente, independentemente de autorização dos outros poderes.

149
De acordo com a doutrina majoritária, o atributo da autoexecutoriedade não está
presente em todos os atos administrativos, mas somente:
Quando a lei estabelecer. Ex. Contratos administrativos (retenção da caução quando
houver prejuízo na prestação do serviço pelo particular).
Em casos de urgência. Ex. Demolição de um prédio que coloca em risco a vida das
pessoas.
c) Tipicidade
Conceito: É o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras
previamente definidas pela lei como aptas a produzir determinados efeitos. O presente
atributo é uma verdadeira garantia ao particular que impede a Administração de agir
absolutamente de forma discricionária. Para tanto, o administrador somente pode
exercer sua atividade nos termos estabelecidos na lei.
Somente está presente nos atos unilaterais. Não existe tipicidade em atos bilaterais, já
que não há imposição de vontade da Administração perante a outra parte. É o caso dos
contratos, onde a sua realização depende de aceitação da parte contrária.
d) Imperatividade
Conceito: Os atos administrativos são impostos a todos independentemente da vontade
do destinatário. De acordo com Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, rigorosamente,
imperatividade traduz a possibilidade de a administração pública, unilateralmente,
criar obrigações para os administrados, ou impor-lhe restrições.
Este atributo decorre do poder extroverso do Estado, cuja principal característica é de
impor seus atos independentemente da concordância do particular.
Basta que o ato exista no mundo jurídico para que produza imperatividade.
No entanto, o atributo somente está presente nos atos que impõem ao particular
obrigação (comandos administrativos). Há imperatividade, portanto, nos atos de
apreensão de alimentos, interdição de estabelecimento etc.

2.4 Classificação

a) Quanto ao seu regramento:


Atos vinculados: praticados de acordo com a vontade da lei. São aqueles em que a lei
estabelece as condições e o momento da sua realização. Atos discricionários:
praticados com liberdade pelo administrador. Ou seja, são aqueles que a
Administração pode praticar com certa liberdade de escolha de seu conteúdo,
destinatário, conveniência, oportunidade e modo de execução.

b) Quanto ao destinatário:
Atos gerais: dirigidos a coletividade em geral. Tem finalidade normativa, atingindo
uma gama de pessoas que estejam na mesma situação jurídica nele estabelecida. Por
ter natureza erga omnes (aplicabilidade coletiva) não pode ser objeto de impugnação
individual.
150
Atos individuais: dirigidos a pessoa certa e determinada, criando situações jurídicas
individuais. Por gerar direitos subjetivos (direitos individuais) podem ser objeto de
contestação por seu titular.

c) Quanto ao seu alcance:


Atos internos: praticados no âmbito interno da Administração, incidindo sobre órgãos
e agentes administrativos.
Atos externos: praticados no âmbito externo da Administração, atingindo
administrados e contratados. Contudo, vale ressaltar que a obrigatoriedade destes atos
somente começa incidir após a sua publicação no Diário Oficial.

d) Quanto ao seu objeto:


Atos de império: praticados com supremacia em relação ao particular e servidor,
impondo o seu obrigatório cumprimento.
Atos de gestão: praticados em igualdade de condição com o particular, ou seja, sem
usar de suas prerrogativas sobre o destinatário.
Atos de expediente: praticados para dar andamento a processos e papéis que tramitam
internamente na administração pública. São atos de rotina administrativa.

e) Quanto a formação (processo de elaboração):


Ato simples: nasce por meio da manifestação de vontade de um órgão (unipessoal ou
colegiado) ou agente da Administração.
Ato complexo: nasce da manifestação de vontade de mais de um órgão ou agente
administrativo.
Ato composto: nasce da manifestação de vontade de um órgão ou agente, mas depende
de outra vontade que o ratifique para produzir efeitos e tornar-se exequível.

2.5 Espécies de atos administrativos:

a) Atos normativos:
Emanam atos gerais e abstratos visando correta aplicação da lei.
Ex:
Decreto: atos normativos exclusivo do chefe do executivo;
Regulamento: visa especificar mandamentos previstos ou não em leis;
Regimento: tem força normativa interna e visa reger funcionamento de órgãos;
Resolução: expedidos pelas altas autoridades do executivo para regulamentar matéria
exclusiva.
Deliberação: decisões tomadas por órgãos colegiados.
151
b) Atos ordinatórios:
Visa disciplinar o funcionamento da Administração e a conduta de seus agentes.
Ex:
Instruções: orientação do subalterno pelo superior hierárquico de como desempenhar
certa função;
Circulares: ordem escrita e uniforme expedida para determinados funcionários ou
agentes;
Avisos: atos de titularidade de Ministros em relação ao Ministério;
Portarias: atos emanados por chefes de órgãos públicos aos seus subalternos
determinando a realização de atos gerais ou especiais;
Ofícios: Comunicações oficiais realizadas pela Administração a terceiros;
Despachos administrativos: decisões tomadas pela Administração.

c) Atos negociais:
Declaração de vontade da Administração coincidente com interesses do particular.
Ex:
Licença: ato vinculado e definitivo (não precário) em que a Administração concede ao
Administrado a faculdade de realizar uma atividade.
Autorização: ato discricionário e precário em que a Administração concede ao
administrado a faculdade de exercer uma atividade.
Permissão: ato discricionário e precário em que a Administração concede ao
administrado a faculdade de exercer certa atividade nas condições estabelecidas por
ela;
Aprovação: análise pela própria administração de atividades prestadas por seus órgãos;
Visto: é a declaração de legitimidade de certo ato praticado pela própria
Administração como forma de exequibilidade;
Homologação: análise da conveniência e legalidade de ato praticado pelos seus órgãos
como forma de lhe dar eficácia;
Dispensa: ato administrativo que exime o particular do cumprimento de determinada
obrigação até então exigida por lei. Ex. Dispensa de prestação do serviço militar;
Renúncia: ato administrativo pelo qual o poder Público extingue unilateralmente um
direito próprio, liberando definitivamente a pessoa obrigada perante a Administração
Pública. A sua principal característica é a irreversibilidade depois de consumada.

d) Atos enunciativos:
A Administração certifica ou atesta um fato sem vincular ao seu conteúdo.
Ex: Atestado: são atos pelos quais a Administração Pública comprova um fato ou uma
situação de que tenha conhecimento por seus órgãos competentes;
Certidão: são cópias ou fotocópias fiéis e autenticadas de atos ou fatos constantes em
processo, livros ou documentos que se encontrem na repartição pública;

152
Pareceres: são manifestações de órgãos técnicos sobre assuntos submetidos à sua
consideração.

e) Atos punitivos:
Atos que emanam punições aos particulares e servidores. Assim, podem ser originados
do Poder de Polícia ou do Poder Disciplinar.

2.6 Invalidação do ato administrativo

Atendo-nos à Retirada do ato administrativo, sendo a Invalidação uma dessas


maneiras, é pertinente traçar um gráfico, mostrando outras situações e a motivação
destas, para em seguida, pinçar desse elenco, a Invalidação e,sob argumento de
doutrinações várias,apresentar em que circunstâncias ocorre esse fato propriamente
dito.
O professor de Direito Administrativo, Eduardo Sousa, em explanação sobre
Ato Administrativo, programa TV JUSTIÇA, foi categórico: Se um ato não preenche
todos os requisitos, então é um ato inválido, o ato inválido não pode permanecer como
se fosse válido, deve ser retirado, ou será retirado pela própria administração pública,
que tem o poder de rever seus próprios atos, ou pelo poder judiciário, por provocação
pelo interessado ou por quem de direito: o Ministério Público (Prova Final, rede LFG,
TV Justiça).
Depreende-se que dentre as invalidades, ora abordadas por alguns doutos na
matéria, ora abordadas por outros, Invalidação, propriamente dita, é a que se refere a
retirada do ato administrativo com base na legalidade, pois os vícios poderão alcançar
todos os elementos (vinculados) do ato administrativo.
O fundamento da invalidação do ato administrativo é o dever de obediência à
legalidade e à necessidade de restauração da ordem jurídica violada. Se um ato é
editado sem que se observe a norma legal, deverá ser fulminado, a fim de restaurar a
ordem jurídica (Jandira Keppi, Da invalidação dos Atos Administrativos, 2004).
O leque de opiniões doutrinárias sobre a questão da retirada dos atos
administrativos ou particularmente no que se refere Invalidação, é substancialmente,
diverso, razão pela qual se torna mais sensato abordar o tema de forma mais
simplificada, embora se façam indispensáveis as doutrinas analisadoras dessas
particularidades do Direito Administrativo.
A sustentação do respeito à legalidade para que seja retirado um ato administrativo, é
que o descumprimento da obrigatoriedade de um dos requisitos vinculativos, o torna
eivado de ilegitimidade, então, segundo Seabra Fagundes, um ato “absolutamente
inválido”.
Na visão de Heloisa Caldas Ferreira (2006) a invalidação de um ato poderá, às
vezes, trazer maior prejuízo que a sua permanência, dependendo isto da situação
exigente para o uso desse instituto.
153
Um ponto relevante a ser considerado é a questão da obrigatoriedade ou não da
Administração de invalidar um ato administrativo. Ao verificar a ilegalidade de um
ato, ou seja, a sua desconformidade com o ordenamento jurídico, a Administração
deve, a princípio, anulá-lo, em respeito ao Princípio da Legalidade. Porém, não é
impossível o aparecimento de situações em que a Administração Pública deixe de
invalidá-lo por motivo de interesse público e em virtude da gravidade do vício, pois,
em determinados momentos, o instituto da invalidação traria prejuízos muito maiores
se fosse aplicado. (Ferreira, Caldas Heloisa, Apontamentos a Respeito da Revogação e
da Invalidação dos Atos Administrativos e Suas Principais Diferenças, postagem
06/07/06) O ponto mais convergente quanto a invalidação do ato administrativo é a
ilegalidade, pois a desconformidade deste com o ordenamento jurídico já o faz nascer
com vício.
2.7 Anulação ou invalidação

Anulação é a retirada do ato administrativo em decorrência da invalidade (ilegalidade)


e poderá ser feita pela Administração Pública (princípio da autotutela) ou pelo Poder
Judiciário. Os efeitos da anulação são “ex tunc” (retroagem à origem do ato).
“A Administração pode declarar a nulidade de seus próprios atos” (sumula 346 do
STF). “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que
os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los por motivos e
conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvadas em todos
os casos, a apreciação judicial” (súmula 473 do STF). – A doutrina e a Jurisprudência
têm entendido que a anulação não pode atingir terceiro de boa-fé.
Categorias de invalidade: Para Hely Lopes Meirelles e Celso Antonio Bandeira de
Mello, o direito administrativo tem um sistema de invalidade próprio que não se
confunde com o do direito privado, pois os princípios e valores do direito
administrativo são diferentes. No direito privado, o ato nulo atinge a ordem pública e o
anulável num primeiro momento, atinge os direitos das partes (Há autores que trazem
ainda o ato inexistente), já no direito administrativo nunca haverá um ato que atinja
apenas as partes, pois todo vício atinge a ordem pública.
Para Hely Lopes Meirelles, só há atos nulos no direito administrativo. Entretanto, para
a maioria da doutrina há atos nulos e anuláveis, mas diferentes do direito privado. O
ato nulo não pode ser convalidado, mas o anulável em tese pode ser convalidado. – Há
ainda autores que trazem o ato inexistente, aquele que tem aparência de ato
administrativo, mas não é. Ex: Demissão de funcionário morto. O inexistente é
diferente do nulo, pois não gera qualquer consequência, enquanto o nulo gera, isto é
tem que respeitar o terceiro de boa-fé.

2.8 Revogação:

154
Revogação é a retirada do ato administrativo em decorrência da sua
inconveniência ou inoportunidade em face dos interesses públicos. Os efeitos da
revogação são “ex nunc” (não retroagem), pois até o momento da revogação os atos
eram válidos (legais).
A revogação só pode ser realizada pela Administração Pública, pois envolve juízo de
valores (princípio da autotutela). É uma forma discricionária de retirada do ato
administrativo.
Atos administrativos irrevogáveis:
Atos administrativos declarados como irrevogáveis pela lei;
Atos administrativos já extintos;
Atos administrativos que geraram direitos adquiridos (direito que foi definitivamente
incorporado no patrimônio de alguém);
Atos administrativos vinculados.
Para Celso Antonio Bandeira de Mello, invalidação é utilizada como sinônimo de
anulação. Para Hely Lopes Meirelles, a invalidação é gênero do qual a anulação e
revogação são espécies.

2.9 prescrição

Podemos conceituar a prescrição administrativa sob duas óticas: a da


Administração Pública em relação ao administrado e deste em relação à
Administração. Na primeira, é a perda do prazo para que a Administração reveja os
próprios atos ou para que aplique penalidades administrativas, de outro, é a perda do
prazo de que goza o particular para recorrer de decisão administrativa. (11)

Cumpre salientar, preliminarmente, que o instituto da prescrição administrativa


não se confunde com o da prescrição civil e o da prescrição penal, pois estes se
referem ao âmbito judicial. Faz-se conveniente, pois, conceituar o que venha a ser a
prescrição na seara do direito civil para solidificar, então, o entendimento de que não
se trata de prescrição, mas sim, de decadência administrativa.

Nesse ínterim, necessário se faz, igualmente, diferençar institutos de natureza


jurídica bastante semelhante, tais como a prescrição, decadência e preclusão, para,
somente assim, ter-se uma noção exata de qual deles seria mais coerente com o regime
jurídico-administrativo.

A prescrição seria, em singelas palavras, a extinção do direito de ação em razão


da inércia do seu titular pelo decurso de determinado lapso temporal. O que se
extingue é a ação e não propriamente o direito, ficando este incólume, impoluto.
Entretanto, este não terá nenhuma eficácia no plano prático, porquanto não poderá ser
efetivamente desfrutado. Observe-se a opinião dos doutos a respeito:

155
"A prescrição é a perda da ação atribuída a um direito e de toda sua capacidade
defensiva, em conseqüência do não-uso delas, durante um determinado espaço de
tempo. (...) CAMARA LEAL prefere a primeira opinião e a sustenta mostrando que,
historicamente, a prescrição foi introduzida no sistema pretoriano como exceção
oposta ao exercício da ação, com o escopo de extinguir-lhe os efeitos, pois o direito
podia sobreviver à extinção da ação". (12)

"Segundo QUICHERAT (Dictionnaire Latin-Français, veb. Praescribo), o termo


prescrição procede do vocábulo latino praescriptio, derivado do verbo praescribere,
formado de prae e scribere, com a significação de ‘escrever antes’ ou ‘no começo’ (...)
A prescrição tem por objeto as ações, por ser uma exceção oposta ao exercício da ação,
tem por escopo extingui-la, tendo por fundamento um interesse jurídico-social. Esse
instituto foi criado como medida de ordem pública para proporcionar segurança às
relações jurídicas, que seriam comprometidas diante da instabilidade oriunda de fato
de se possibilitar o exercício da ação por prazo indeterminado. (...) O que caracteriza a
prescrição é que ela visa a extinguir uma ação, mas não o direito propriamente dito".
(13) (grifos nossos)
Já a decadência revela-se como a extinção do próprio direito, pelo escoamento
do prazo legal estabelecido para seu devido exercício. Não pressupõe obrigatoriamente
uma ação como a prescrição, mas simplesmente um direito (geralmente potestativo).
Ademais, os prazos prescricionais interrompem-se e suspendem-se, enquanto os
decadenciais não. Confira os esclarecimentos da ilustre MARIA HELENA DINIZ, em
percuciente estudo sobre o assunto:

"Decadência é um vocábulo de formação vernácula, originário do verbo latino


cadere (cair); do prefixo latino de (de cima de) e do sufixo entia (ação ou estado);
literalmente designa a ação de cair ou o estado daquilo que caiu (Antônio Luiz da
Câmara Leal. Da prescrição e decadência. Rio de Janeiro, Forense, 1978, p. 9).

(...) A decadência é a extinção do direito pela inação de seu titular que deixa de
escoar o prazo legal ou voluntariamente fixado para seu exercício. O objeto da
decadência é o direito que, por determinação legal ou por vontade humana unilateral
ou bilateral, está subordinado à condição de exercício em certo espaço de tempo, sob
pena de caducidade.

(...) A prescrição supõe uma ação, cuja origem seria distinta da do direito, tendo
assim nascimento posterior ao do direito, e a decadência supõe uma ação cuja origem é
idêntica à do direito, sendo, por isso, simultâneo o nascimento da ação que o protege".
(14) (grifamos)

156
3 Controle e responsabilidade da administração
3.1 Controle administrativo

CONTROLE EXERCIDO PELO PODER EXECUTIVO SOBRE SEUS PRÓPRIOS


ATOS (CONTROLE ADIMINISTRATIVO)
O controle que o próprio Poder Executivo realiza sobre suas atividades, por
ser a forma mais comum de controle, é simplesmente denominado controle
administrativo.
É um controle de legalidade e de mérito, deriva do poder-dever de autotutela
que a Administração tem sobre seus próprios atos e agentes. O controle administrativo,
de uma forma geral, se dá mediante as atividades de fiscalização e os recursos
administrativos.
Conforme o órgão que realize o controle administrativo, podemos ter:
1. Controle hierárquico próprio: realizado pelos órgãos superiores, sobre os órgãos
inferiores, pelas chefias, sobre os atos de seus subordinados, e pelas corregedorias,
sobre os órgãos e agentes sujeitos à sua correção.
2. Controle hierárquico impróprio: realizado por órgãos especializados no
julgamento de recursos, como, por exemplo, as Delegacias de Julgamento da
Receita Federal e os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda.
3. Controle finalístico: realizado pela Administração Direta sobre as entidades da
Administração Indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e
sociedades de economia mista). É principalmente realizado pelos ministérios sobre
as entidades da Administração Indireta a eles vinculadas (p. ex., o controle exercido
pelo Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o INSS, autarquia
vinculada). A denominada supervisão ministerial encontra-se prevista no Decreto-
Lei nº 200/67 e tem por fundamento relação de vinculação existente entre a
Administração Direta, centralizada, e a Indireta. Não há, aqui, relação hierárquica
(de subordinação), uma vez que as pessoas jurídicas integrantes da Administração
Indireta, descentralizada, gozam de autonomia administrativa e financeira.
4.

3.2CONTROLE JUDICIAL

O controle judiciário, ou judicial, é o exercido pelos órgãos do Poder


Judiciário sobre os atos administrativos praticados pelo Poder Executivo, pelo Poder
Legislativo ou pelo Poder Judiciário, quando realiza atividades administrativas.
Esse controle sempre a posteriori, somente relativo à legalidade dos atos
administrativos. O controle judicial é sobretudo, um meio de preservação de direitos
individuais dos administrados (nisso diferindo do controle político, exercido pelo

157
Legislativo). O Poder Judiciário, no exercício de sua atividade jurisdicional, sempre
age mediante provocação do interessado ou do legitimado (em casos como o da ação
popular ou a ação civil pública pode não existir interesse direto do autor relativamente
ao bem ou direito lesado).
Mediante o exercício do controle judicial dos atos administrativos pode-se
decretar a sua anulação (nunca a revogação, decorrente do controle de mérito). A
anulação ocorre nos casos em que existe ilegalidade no ato administrativo e, por isso,
pode ser feita pela própria Administração (controle interno) ou pelo Poder Judiciário.
A anulação do ato, uma vez que este ofende a lei ou princípios administrativos, opera
efeitos retrospectivos, ex tunc, isto é, retroage à origem do ato, desfazendo as relações
dele resultantes. O ato nulo não gera direitos ou obrigações para as partes, não cria
situações jurídicas e não admite convalidação (a doutrina ortodoxa não admite a
existência de atos administrativos anuláveis, os quais seriam passíveis de saneamento).
Essa regra – o ato nulo não gera efeitos -, porém, há que ser excepcionada
para com os terceiros de boa-fé que tenham sido atingidos pelos efeitos do ato anulado.
Em relação a esses, em face da presunção de legitimidade que norteia toda a atividade
administrativa, devem ser amparados os direitos nascidos na vigência do ato
posteriormente anulado. É o caso, p. ex., do servidor que é ilegitimamente nomeado
para um cargo público. Anulada a sua nomeação, deverá ele, em princípio, repor todos
os vencimentos percebidos ilegalmente, mas, em amparo aos terceiros de boa-fé,
permanecerão válidos todos os atos por ele praticados no desempenho (ilegítimo) de
suas atribuições funcionais.
Já foi aqui afirmado que não se admite a aferição do mérito administrativo
pelo Poder Judiciário. Não faria sentido o juiz, pessoa voltada à atividade jurisdicional,
muitas vezes distante da realidade e necessidade administrativas, substituir, pela sua, a
ótica do administrador. Significa que, se fosse dado ao juiz decidir sobre a
legitimidade da valoração de oportunidade e convivência realizada pelo administrador
na prática de atos discricionários de sua competência, estaria esse mesmo juiz
substituindo o administrador no exercício dessa atividade valorativa, vale dizer,
substituindo o juízo de valor do administrador, mais afeito às coisas da Administração,
pelo seu próprio juízo valor ativo, evidentemente distanciado desse cotidiano.
Não se deve, entretanto, confundir a vedação de que o Judiciário aprecie o
mérito administrativo com a possibilidade de aferição pelo Poder Judiciário da
legalidade dos atos discricionários.
O que o Judiciário não pode é invalidar, devido ao acima explicado, a
escolha pelo administrador (resultado de sua valorização de oportunidade e
convivência administrativas) dos elementos motivo e objeto desses atos, que formam o
chamado mérito administrativo, desde que feita essa escolha dentro dos limites da lei.
Ora, no ato administrativo discricionário, além desses dois, temos outros três
elementos que são vinculados (competência, finalidade e forma) e, por conseguinte,
podem, e devem, ser aferidos pelo Poder Judiciário quanto à sua legalidade. Vale
repisar: o ato discricionário, como qualquer outro ato administrativo, está sujeito à

158
apreciação judicial; apenas em relação a dois de seus elementos – motivo e objeto –
não há, em princípio, essa possibilidade.
O mandado de segurança, a ação popular e a ação civil pública são alguns
dos principais meios judiciais de controle dos atos da Administração, alguns acessíveis
a todos os administrados, outros restritos a legitimados específicos. Em qualquer
hipótese, entretanto, devemos ter em mente a regra básica do nosso ordenamento
jurídico (art. 5º, XXXV, da CF) segundo a qual “a lei não excluirá a apreciação do
Poder Judiciário de lesão ou ameaça a direito.”

3.3 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

Desde os tempos do Império que a Legislação Brasileira prevê a reparação dos


danos causados a terceiros pelo Estado, por ação ou inação dos seus agentes.
Problemas de omissão, abuso no exercício de função e outros tipos de falhas sempre
existiram no serviço público, o que é perfeitamente plausível dadas as características
da administração pública, tanto do ponto de vista da sua complexidade quanto do seu
gigantismo.
As constituições de 1824 (Art. 179) e de 1891 (Art. 82), já previam a
responsabilização dos funcionários públicos por abusos e omissões no exercício de
seus cargos. Mas a responsabilidade era do funcionário, vingando até aí, a teoria da
irresponsabilidade do Estado.
Durante a vigência das Constituições de 1934 e 1937 passou a vigorar o
princípio da responsabilidade solidária. O lesado podia mover ação contra o Estado ou
contra o servidor, ou contra ambos, inclusive a execução. Porém o Código Civil/16,
em seu Art. 15, já tratava do assunto:
“As pessoas jurídicas de direito público são civilmente responsáveis por atos dos seus
representantes que nessa qualidade causem danos a terceiros, procedendo de modo
contrário ao direito ou faltando a dever prescrito por lei, salvo o direito regressivo
contra os causadores do dano”
Entretanto, a figura da responsabilidade direta ou solidária do funcionário
desapareceu com o advento da Carta de 1946, que adotou o princípio da
responsabilidade objetiva do Estado, com a possibilidade de ação regressiva contra o
servidor no caso de culpa. Note-se que, a partir da Constituição de 1967 houve um
alargamento na responsabilização das pessoas jurídicas de direito público por atos de
seus servidores. Saiu a palavra interno, passando a alcançar tanto as entidades políticas
nacionais, como as estrangeiras.
Esse alargamento ampliou-se com a Constituição de 1988, que estendeu a
responsabilidade civil objetiva às pessoas jurídicas de direito privado, prestadoras de
serviços públicos, os não essenciais, por concessão, permissão ou autorização.
Teorias da responsabilidade objetiva do Estado (segundo Hely lopes Meirelles):

159
a) teoria da culpa administrativa: a obrigação do Estado indenizar decorre da ausência
objetiva do serviço público em si. Não se trata de culpa do agente público, mas de
culpa especial do Poder Público, caracterizada pela falta de serviço público.
b) teoria do risco administrativo: a responsabilidade civil do Estado por atos
comissivos ou omissivos de seus agentes, é de natureza objetiva, ou seja, dispensa a
comprovação de culpa. “Para que se configure a responsabilidade objetiva do ente
público, basta a prova da omissão e do fato danoso e que deste resulte o dano material
ou moral”. Em seu Relato o Min. José Delgado continua “A ré (Prefeitura/SP) só
ficaria isenta da responsabilidade civil se demonstrasse – o que não foi feito – que o
fato danoso aconteceu por culpa exclusiva da vítima”. Portanto, basta tão só o ato
lesivo e injusto imputável à Administração Pública. Não se indaga da culpa do Poder
Público mesmo porque ela é inferida do ato lesivo da Administração. É fundamental,
entretanto, que haja o nexo causal. “Deve haver nexo de causalidade, isto é, uma
relação de causa e efeito entre a conduta do agente e o dano que se pretende reparar.
Inexistindo o nexo causal, ainda que haja prejuízo sofrido pelo credor, não cabe
cogitação de indenização”. Lembrando que a dispensa de comprovação de culpa da
Administração pelo administrado não quer dizer que aquela esteja proibida de
comprovar a culpa total ou parcial da vítima, para excluir ou atenuar a indenização.
Verificado o dolo ou a culpa do agente, cabe à fazenda pública acionar
regressivamente para recuperar deste, tudo aquilo que despendeu com a indenização da
vítima.
c) Teoria do risco integral: a Administração responde invariavelmente pelo dano
suportado por terceiro, ainda que decorrente de culpa exclusiva deste, ou até mesmo de
dolo. É a exacerbação da teoria do risco administrativo que conduz ao abuso e à
iniquidade social, com bem lembrado por
A Constituição Federal de 1988, em seu Art. 37, § 6º, diz:
“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa”.
E no Art. 5º, X, está escrito:
“são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação”
Vê-se por esse dispositivo que a indenização não se limita aos danos materiais. No
entanto, há uma dificuldade nos casos de danos morais na fixação do quantum da
indenização, em vista da ausência de normas regulamentadoras para aferição objetiva
desses danos.
Para Maria Helena Diniz ‘negar indenização pelo estado em qualquer de seus
atos que causaram danos a terceiros é subtrair o poder público de sua função
primordial de tutelar o direito’. ‘com isso, a responsabilidade civil do estado passa para
o campo do direito público, com base no princípio da igualdade de todos perante a lei,
pois entre todos devem ser distribuídos equitativamente os ônus e encargos’. Se o

160
dano foi causado pelo estado, e este atua em nome da sociedade, então a
responsabilidade acaba sendo desta, que deve suportar os custos pelos prejuízos, que,
por conseguinte, serão distribuídos, indiretamente, a cada indivíduo. Assim, a justiça
fica restabelecida, uma vez que o dano causado a um terceiro será absorvido por toda a
sociedade.
Excludentes de responsabilidade civil do Estado: São excluídos da
responsabilidade estatal os danos originados por caso fortuito, força maior, atos
judiciais e do Ministério Público.

4 Poderes da administração

4.1 Poder vinculado

Há atividades administrativas cuja execução fica inteiramente definida em


lei, que dispõe esta sobre todos os elementos do ato a ser praticado pelo agente. A
ele não é concedida qualquer liberdade quanto à atividade a ser desempenhada e, por
isso, deve se submeter por inteiro ao mandamento legal. Seu fundamento
constitucional é o princípio da legalidade, que requer à Administração a obediência
estrita aos termos da lei.
Alguns doutrinadores incluem, entre os poderes administrativos, o poder
vinculado como antagônico ao poder discricionário. Entretanto, a atividade
vinculada não é propriamente uma prerrogativa de direito público, qualificadora
do poder da Administração. Trata-se, na verdade, de uma imposição ao agente no
sentido de não se afastar do que a lei estritamente dispõe .
Tendo em vista essa ressalva, o poder vinculado pode ser definido como
aquele em que a lei estabelece todos os elementos, pressupostos ou requisitos do
ato, não havendo para o agente qualquer liberdade de escolha, como acontece no
exercício do poder discricionário. Caso o agente verifique a ocorrência do fato que
dá origem ao ato administrativo, seu dever é executá-lo nos exatos termos previstos na
lei.

4.2 Poder Discricionário

Poder Discricionário é aquele conferido por lei ao administrador público


para que, nos limites nela previstos e com certa parcela de liberdade, adote, no
caso concreto, a solução mais adequada satisfazer o interesse público. O
fundamento desse Poder é o princípio constitucional da separação dos Poderes, que
prevê a existência de atos reservados a cada um dos Poderes, havendo a reserva

161
judicial (Judiciário), a reserva legislativa (Legislativa) e a reserva administrativa
(Executivo).
Eventualmente, a Lei ou a Constituição determina que um ato seja
necessariamente realizado, mas ainda assim pode restar Poder Discricionário quanto ao
modo e o tempo de realizá-lo. É o caso, por exemplo, das políticas públicas.
Conveniência e oportunidade são os elementos nucleares do poder
discricionário. A primeira indica em que condições vai se conduzir o agente; a
segunda diz respeito ao momento em que a atividade deve ser produzida.

4.3Poder Hierárquico

a) Objetivo: ordenar, coordenar, controlar e corrigir as funções de seus órgãos e a


atuação dos agentes, estabelecendo a relação de subordinação entre os agentes;
b) Hierarquia: relação de subordinação entre os órgãos e os seus agentes dever de
obediência);
c) Determinações superiores devem ser cumpridas, a menos que sejam manifestamente
ilegais (o respeito hierárquico não suprime o senso do ilegal e do legal, do lícito e do
ilícito);
d) Faculdades implícitas do superior (dar ordens, fiscalizar, delegar e avocar
atribuições, e a de rever os atos dos inferiores);
subordinação: decorre do poder hierárquico e admite todos os meios de controle do
superior sobre o inferior;
e) Vinculação: resulta do poder de supervisão ministerial sobre a entidade vinculada
(Dec. 207/67 artigos 19 a 21);

4.4 Poder Disciplinar

a) Faculdade de punir internamente as infrações funcionais dos agentes públicos e


demais pessoas ligadas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração;
b) Objetiva a necessidade do aperfeiçoamento do serviço público;
c) Difere o poder disciplinar da Administração Pública (faculdade punitiva interna da
Adm.) do Poder Punitivo do Estado (finalidade social/ repressão a crimes e
contravenções penais);
d) Discricionariedade limitada (aplicar a penalidade que julgar cabível, oportuna e
conveniente);
e) Superior hierárquico: poder-dever (falta disciplinar, prevaricação e condescendência
criminosa);

162
f) Devido processo legal (apuração regular da falta disciplinar; Art. 5º, inciso LV,
CF/ampla defesa e contraditório): em não ocorrendo cabe mandado de segurança (lei
1.533/51);
g) Motivação da punição disciplinar (pressupostos de fato e de direito).

4.5 Poder Regulamentar Ou Normativo

a) Faculdade dos chefes do Poder Executivo (Presidente, Governadores ou Prefeitos) –


por meio decreto;
b) Ato administrativo geral, normativo e privativo (ato normativo derivado, pois ato
normativo originário cabe ao Poder Legislativo);
c) Explicar o modo e a execução da lei (regulamento de execução);
d) Prover situações não disciplinadas em lei – complementam as leis (regulamento
autônomo ou independente – alguns autores defendem a sua não existência);
e) Poder normativo da Administração: resoluções, portarias, deliberações, instruções,
regimentos (órgãos colegiados)
f) Congresso Nacional (art. 49, V, CF) pode sustar atos normativos do Executivo que
exorbitem do poder regulamentar e art. 5º, inciso XXXV, CF (apreciação do Poder
Judiciário);
g) Omissão do Poder Executivo: mandado de injunção e ação de inconstitucionalidade
por omissão.

4.6 Poder De Polícia

a) A Administração Pública se submete ao regime jurídico administrativo, composto


por prerrogativas (meios concedidos a Administração para assegurar o exercício de
suas atividades – autoridade) e sujeições (limites impostos à atuação da Administração
em benefício dos direitos do cidadão – liberdade individual);
b) Conceito legal: art. 78 do Código Tributário Nacional (CTN);
c) Poder de polícia administrativa que a Administração Pública exerce sobre todas as
atividades (liberdade) e bens (propriedade) que afetam ou possam afetar a
coletividade (competências exclusivas e concorrentes – interesse nacional, regional ou
local);
d) Condicionar e restringir o uso e o gozo de bens, atividades e direitos individuais, em
benefício da coletividade ou do próprio Estado (mecanismo de frenagem; limitações
administrativas-Ex. Número de andares de um prédio próximo do Aeroporto (não é
indenizável e por lei); servidão administrativa –Ex. Passagem de fios sobre
propriedade- pode ser indenizável-ônus real – por lei ou ato adm.);

163
e) Autoridade da Administração e a liberdade individual;
f) Espécies: polícia administrativa (incide sobre direitos e bens), polícia judiciária
(incide sobre as pessoas) e polícia da preservação da ordem pública (incide sobre as
pessoas);
g) Razão: interesse social;
h) Fundamento: supremacia do Estado sobre os administrados;
i) Objeto: bem, direito ou atividade individual;
j) Finalidade: proteção do interesse público (preventiva ou repressivamente);
l) Atributos: discricionariedade, auto-executoriedade e a coercibilidade;
m) Discrionariedade: livre escolha pela Administração; oportunidade e conveniência
em exercer o PP, bem como aplicar sanções e empregar meios legais para atingir o
interesse público (Ex.: altura, peso, local de circulação, horário de circulação etc);
n) Auto-executoriedade: faculdade da Administração em decidir e executar
diretamente sua decisão por seus próprios meios sem intervenção do Poder Judiciário
(não é punição sumária e sem defesa);
o) Coercibilidade: imposição das medidas coativas adotadas pela Adm.;
p) Meios de atuação: pode ser por atos normativos em geral – leis decretos, resoluções,
portarias, instruções etc – ou atos administrativos (preventivamente – fiscalização,
vistoria, ordem, notificações, autorizações, licença; repressivamente – dissolução de
passeata, interdição de atividade, apreensão de mercadorias deterioradas). Restrições
do Estado sobre a propriedade: ocupação temporária, requisição de imóveis,
tombamento, ordens, proibições, limitações administrativas, servidão administrativa,
desapropriação;
q) Extensão: proteção à moral, preservação da ordem pública, controle de publicações,
segurança das construções e transportes, comércio de medicamentos, indústria de
alimentos, uso de águas etc (polícia das profissões, de transportes, de diversões, de
comércio e indústria, de saúde, ecológica, de costumes – alcoolismo, entorpecentes,
jogo, vadiagem, mendicância, prostituição etc);
r) Condições de validade: competência, finalidade, forma, proporcionalidade da
sanção, legalidade dos meios empregados pela Administração Pública, necessidade e
eficácia;
s) Sanção: interdição de atividade, fechamento do estabelecimento, demolição da
construção, embargo da obra, vedação de localização de indústrias, destruição de
objetos, aferição de balanças em estabelecimento comercial (atuação preventiva),
dissolução de uma passeata (atuação repressiva) etc.

164
5 SERVIÇOS PÚBLICOS

5.1 Conceito
Segundo Hely Lopes Meirelles “serviço público é todo aquele prestado pela
Administração ou por seus delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer
necessidades essenciais ou secundárias da coletividade, ou simples conveniência do
Estado”. São exemplos de serviços públicos: o ensino público, o de polícia, o de saúde
pública, o de transporte coletivo, o de telecomunicações, etc.

5.2 Classificação

Os serviços públicos, conforme sua essencialidade, finalidade, ou seus


destinatários podem ser classificados em:
• públicos;
• de utilidade pública;
• próprios do Estado;
• impróprios do Estado;
• administrativos;
• industriais;
• gerais;
• individuais.

Públicos

São os essenciais à sobrevivência da comunidade e do próprio Estado. São


privativos do Poder Público e não podem ser delegados. Para serem prestados o Estado
pode socorrer-se de suas prerrogativas de supremacia e império, impondo-os
obrigatoriamente à comunidade, inclusive com medidas compulsórias. Exs.: serviço de
polícia, de saúde pública, de segurança.

De Utilidade Pública

São os que são convenientes à comunidade, mas não essenciais, e o Poder


Público pode prestá-los diretamente ou por terceiros (delegados), mediante
remuneração. A regulamentação e o controle é do Poder Público. Os riscos são dos
prestadores de serviço. Exs.: fornecimento de gás, de energia elétrica, telefone, de
transporte coletivo, etc. Estes serviços visam a facilitar a vida do indivíduo na
coletividade.

Próprios do Estado
165
São os que relacionam intimamente com as atribuições do Poder Público. Exs.:
segurança, política, higiene e saúde públicas, etc. Estes serviços são prestados pelas
entidades públicas (União, Estado, Municípios) através de seus órgãos da
Administração direta. Neste caso, diz-se que os serviços são centralizados, porque são
prestados pelas próprias repartições públicas da Administração direta. Aqui, o Estado é
o titular e o prestador do serviço, que é gratuito ou com baixa remuneração. Exs.:
serviço de polícia, de saúde pública. Estes serviços não são delegados.

Impróprios do Estado

São os de utilidade pública, que não afetam substancialmente as necessidades da


comunidade, isto é, não são essenciais. A Administração presta-os diretamente ou por
entidades descentralizadas (Autarquias, Empresas Públicas, Sociedades de Economia
Mista, Fundações Governamentais), ou os delega a terceiros por concessão, permissão
ou autorização. Normalmente são rentáveis e são prestados sem privilégios, mas
sempre sob a regulamentação e controle do Poder Público. Exs.: serviço de transporte
coletivo, conservação de estradas, de fornecimento de gás, etc.

Administrativos

São os executados pela Administração para atender às suas necessidades


internas. Ex.: datilografia, etc.

Industriais

São os que produzem renda, uma vez que são prestados mediante remuneração
(tarifa). Pode ser prestado diretamente pelo Poder Público ou por suas entidades da
Administração indireta ou transferidos a terceiros, mediante concessão ou permissão.
Exs.: transporte, telefonia, correios e telégrafos.

Gerais

São os prestados à coletividade em geral, sem ter um usuário determinado. Exs.:


polícia, iluminação pública, conservação de vias públicas, etc. São geralmente
mantidos por impostos.

Individuais

São os que têm usuário determinado. Sua utilização é mensurável. São


remunerados por tarifa. Exs.: telefone, água e esgotos, etc.

166
5.3 Regulamentação

A regulamentação e o controle do serviço público cabem sempre ao Poder


Público, o qual tem a possibilidade de modificação unilateral das cláusulas da
concessão, permissão ou autorização. Há um poder discricionário de revogar a
delegação, respondendo, conforme o caso, por indenização.

5.4 Formas de Prestação

A prestação do serviço pode ser centralizada ou descentralizada. Será


centralizada quando o Estado, através de um de seus órgãos, prestar diretamente o
serviço. Será descentralizada quando o Estado transferir a titularidade ou a prestação
do serviço a outras pessoas.
O serviço centralizado é o que permanece integrado na Administração Direta (art. 4º
do Decreto-Lei nº 200/67). A competência para a prestação destes serviços é da União
e/ou dos Estados e/ou dos Municípios. São da competência da União apenas os
serviços previstos na Constituição Federal. Ao Município pertencem os serviços que se
referem ao seu interesse local. Ao Estado pertencem todos os outros serviços. Neste
caso, o Estado tem competência residual, isto é, todos os serviços que não forem da
competência da União e dos Municípios serão da obrigação do Estado.
Os serviços descentralizados referem-se ao que o Poder Público transfere a titularidade
ou a simples execução, por outorga ou por delegação, às autarquias, entidades
paraestatais ou empresas privadas. Há outorga quando transfere a titularidade do
serviço. Há delegação quando se transfere apenas a execução dos serviços, o que
ocorre na concessão, permissão e autorização.
A descentralização pode ser territorial (União, Estados, Municípios) ou
institucional (quando se transferem os serviços para as autarquias, entes paraestatais e
entes delegados).
Não se deve confundir descentralização com desconcentração, que é a prestação dos
serviços da Administração direta pelos seus vários órgãos.
A prestação de serviços assim se resume:
É possível descentralizar o serviço por dois diferentes modos:

Outorga

Transferindo o serviço à titularidade de uma pessoa jurídica de direito público


criada para este fim, que passará a desempenhá-lo em nome próprio, como responsável
e senhor dele, embora sob controle do Estado. Neste caso, o serviço é transferido para
uma Autarquia, Empresa Pública ou Sociedade de Economia Mista. É a outorgada. Os
serviços são outorgados. Exs.: Telebrás, Eletrobrás.

167
Delegação

Transferindo o exercício, o mero desempenho do serviço (e não a titularidade do


serviço em si) a uma pessoa jurídica de direito privado que o exercerá em nome do
Estado (não em nome próprio), mas por sua conta e risco. Esta técnica de prestação
descentralizada de serviço público se faz através da concessão de serviço público e da
permissão de serviço público. É a delegação. Os serviços são delegados, sem transferir
a titularidade.
A concessão e a permissão podem ser feitas a um particular ou a empresa de cujo
capital participe o Estado, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.
Diz-se por outro lado que a prestação de serviço público é prestado de modo:

concentrado
Quando apenas órgãos centrais detêm o poder de decisão e prestação dos
serviços. Ocorre em Estados unitários. Não ocorre no Brasil.

desconcentrado

Quando o poder de decisão e os serviços são distribuídos por vários órgãos


distribuídos por todo o território da Administração centralizada. É o que ocorre no
Brasil que é uma República Federativa.
A concentração ou desconcentração são modos de prestação de serviços pela
Administração centralizada, União, Estados e Municípios.

5.5 Competência de prestação

“Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de
concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviço
públicos.

Parágrafo único. A lei disporá sobre:

I – o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o


caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de
caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão;

II- os direitos dos usuários;

168
III- política tarifária;

IV- a obrigação de manter serviço adequado.

Complementando, repartindo as competências, a Carta Magna estabelece o que


segue:
“Art. 21. Compete à União:

(...)

XII – explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:

Os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens;

Os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos


cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais
hidroenergéticos;

A navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aeroportuária;

Os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e


fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território;

Os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros;

Os portos marítimos, fluviais e lacustres;

(...)”

“Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que


adotarem, observados os princípios desta Constituição.
§ 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por
esta Constituição.
“art. 30. Compete aos Municípios:

(...)

169
V – organizar e prestar, diretamente ou sub regime de concessão ou permissão, os
serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem
caráter essencial;

VI – manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,


programas de educação pré-escolar e de ensino fundamental;

VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado serviços


de atendimento à saúde da população;

VIII – promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante


planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

IX – promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a


legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.”

“art. 32. (...)

§ 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos


Estados e Municípios.

6 Princípios básicos da administração


Os princípios básicos da administração pública são simples e lógicos, apesar que
se você for em qualquer repartição pública verá que pelo menos um destes princípios
são feridos brutalmente.

Princípio da legalidade: A administração pública esta vinculada à lei. Só

170
pode fazer o que a lei autoriza, ou seja, se não tem lei não pode fazer.

Princípio da impessoalidade: A administração tem que tratar todos de forma igual


sem discriminações ou benefícios. O ato administrativo e público não pode tem
influência de interesses pessoais.

Princípio da moralidade: Atuar com ética, com integridade de caráter, com


honestidade.

Princípio da publicidade: Agir com transparência afim que todos saibam o que esta
sendo feito. Toda a informação deve ser divulgada, com exceção as de segurança
nacional, defesa da intimidade e interesse social.

Princípio da eficiência: Atuar de forma rápida e precisa satisfazendo plenamente a


necessidade da população.

III DIREITO PENAL MILITAR

1 DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL MILITAR

Princípio de legalidade

Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal.

Lei supressiva de incriminação

Art. 2° Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando, em virtude dela, a própria vigência de sentença condenatória
irrecorrível, salvo quanto aos efeitos de natureza civil.

Retroatividade de lei mais benigna

§ 1º A lei posterior que, de qualquer outro modo, favorece o agente, aplica-se


retroativamente, ainda quando já tenha sobrevindo sentença condenatória irrecorrível.
171
Apuração da maior benignidade

§ 2° Para se reconhecer qual a mais favorável, a lei posterior e a anterior devem


ser consideradas separadamente, cada qual no conjunto de suas normas aplicáveis ao
fato.

Medidas de segurança

Art. 3º As medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença,


prevalecendo, entretanto, se diversa, a lei vigente ao tempo da execução.

Lei excepcional ou temporária

Art. 4º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua


duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado
durante sua vigência.

Tempo do crime

Art. 5º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda


que outro seja o do resultado.

Lugar do crime

Art. 6º Considera-se praticado o fato, no lugar em que se desenvolveu a atividade


criminosa, no todo ou em parte, e ainda que sob forma de participação, bem como
onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. Nos crimes omissivos, o fato
considera-se praticado no lugar em que deveria realizar-se a ação omitida.

Territorialidade, Extraterritorialidade

Art. 7º Aplica-se a lei penal militar, sem prejuízo de convenções, tratados e regras
de direito internacional, ao crime cometido, no todo ou em parte no território nacional,
ou fora dêle, ainda que, neste caso, o agente esteja sendo processado ou tenha sido
julgado pela justiça estrangeira.

Território nacional por extensão

§ 1° Para os efeitos da lei penal militar consideram-se como extensão do território


nacional as aeronaves e os navios brasileiros, onde quer que se encontrem, sob
comando militar ou militarmente utilizados ou ocupados por ordem legal de autoridade
competente, ainda que de propriedade privada.

Ampliação a aeronaves ou navios estrangeiros

172
§ 2º É também aplicável a lei penal militar ao crime praticado a bordo de
aeronaves ou navios estrangeiros, desde que em lugar sujeito à administração militar, e
o crime atente contra as instituições militares.

Conceito de navio

§ 3º Para efeito da aplicação dêste Código, considera-se navio tôda embarcação


sob comando militar.

Pena cumprida no estrangeiro

Art. 8° A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo


mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.

1.1 Crimes militares em tempo de paz

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

I - os crimes de que trata êste Código, quando definidos de modo diverso na lei
penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição
especial;

II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando


praticados: (Redação dada pela Lei nº 13.491, de 2017)

a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma


situação ou assemelhado;

b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à


administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou
civil;

c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza


militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra
militar da reserva, ou reformado, ou civil; (Redação dada pela Lei nº 9.299, de
8.8.1996)

d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da


reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob


a administração militar, ou a ordem administrativa militar;

173
f) revogada. (Redação dada pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra
as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso
I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem


administrativa militar;

b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade


ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no
exercício de função inerente ao seu cargo;

c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância,


observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;

d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em


função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e
preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente
requisitado para aquêle fim, ou em obediência a determinação legal superior.

§ 1o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos
por militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri. (Redação dada
pela Lei nº 13.491, de 2017)

§ 2o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos
por militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar
da União, se praticados no contexto: (Incluído pela Lei nº 13.491, de 2017)

I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente


da República ou pelo Ministro de Estado da Defesa; (Incluído pela Lei nº 13.491,
de 2017)

II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar,


mesmo que não beligerante; ou (Incluído pela Lei nº 13.491, de 2017)

III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da


ordem ou de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art.
142 da Constituição Federal e na forma dos seguintes diplomas legais: (Incluído
pela Lei nº 13.491, de 2017)

a) Lei no 7.565, de 19 de dezembro de 1986 - Código Brasileiro de


Aeronáutica; (Incluída pela Lei nº 13.491, de 2017)

174
b) Lei Complementar no 97, de 9 de junho de 1999; (Incluída pela Lei nº
13.491, de 2017)

c) Decreto-Lei no 1.002, de 21 de outubro de 1969 - Código de Processo Penal


Militar; e (Incluída pela Lei nº 13.491, de 2017)

d) Lei no 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral. (Incluída pela Lei


nº 13.491, de 2017)

2 DAS PENAS PRINCIPAIS

Penas principais

Art. 55. As penas principais são:

a) morte;

b) reclusão;

c) detenção;

d) prisão;

e) impedimento;

f) suspensão do exercício do pôsto, graduação, cargo ou função;

g) reforma.

Pena de morte

Art. 56. A pena de morte é executada por fuzilamento.

Comunicação

Art. 57. A sentença definitiva de condenação à morte é comunicada, logo que


passe em julgado, ao Presidente da República, e não pode ser executada senão depois
de sete dias após a comunicação.

175
Parágrafo único. Se a pena é imposta em zona de operações de guerra, pode ser
imediatamente executada, quando o exigir o interêsse da ordem e da disciplina
militares.

Mínimos e máximos genéricos

Art. 58. O mínimo da pena de reclusão é de um ano, e o máximo de trinta anos; o


mínimo da pena de detenção é de trinta dias, e o máximo de dez anos.

2.2 Pena até dois anos imposta a militar

Art. 59 - A pena de reclusão ou de detenção até 2 (dois) anos, aplicada a militar, é


convertida em pena de prisão e cumprida, quando não cabível a suspensão
condicional: (Redação dada pela Lei nº 6.544, de 30.6.1978)

I - pelo oficial, em recinto de estabelecimento militar;

II - pela praça, em estabelecimento penal militar, onde ficará separada de presos


que estejam cumprindo pena disciplinar ou pena privativa de liberdade por tempo
superior a dois anos.

Separação de praças especiais e graduadas

Parágrafo único. Para efeito de separação, no cumprimento da pena de prisão,


atender-se-á, também, à condição das praças especiais e à das graduadas, ou não; e,
dentre as graduadas, à das que tenham graduação especial.

Pena do assemelhado

Art. 60. O assemelhado cumpre a pena conforme o pôsto ou graduação que lhe é
correspondente.

Pena dos não assemelhados

Parágrafo único. Para os não assemelhados dos Ministérios Militares e órgãos sob
contrôle dêstes, regula-se a correspondência pelo padrão de remuneração.

2.3 Pena superior a dois anos, imposta a militar


176
Art. 61 - A pena privativa da liberdade por mais de 2 (dois) anos, aplicada a
militar, é cumprida em penitenciária militar e, na falta dessa, em estabelecimento
prisional civil, ficando o recluso ou detento sujeito ao regime conforme a legislação
penal comum, de cujos benefícios e concessões, também, poderá gozar. (Redação dada
pela Lei nº 6.544, de 30.6.1978)

Pena privativa da liberdade imposta a civil

Art. 62 - O civil cumpre a pena aplicada pela Justiça Militar, em estabelecimento


prisional civil, ficando ele sujeito ao regime conforme a legislação penal comum, de
cujos benefícios e concessões, também, poderá gozar. (Redação dada pela Lei nº
6.544, de 30.6.1978)

Cumprimento em penitenciária militar

Parágrafo único - Por crime militar praticado em tempo de guerra poderá o civil
ficar sujeito a cumprir a pena, no todo ou em parte em penitenciária militar, se, em
benefício da segurança nacional, assim o determinar a sentença. (Redação dada pela
Lei nº 6.544, de 30.6.1978)

Pena de impedimento

Art. 63. A pena de impedimento sujeita o condenado a permanecer no recinto da


unidade, sem prejuízo da instrução militar.

Pena de suspensão do exercício do pôsto, graduação, cargo ou função

Art. 64. A pena de suspensão do exercício do pôsto, graduação, cargo ou função


consiste na agregação, no afastamento, no licenciamento ou na disponibilidade do
condenado, pelo tempo fixado na sentença, sem prejuízo do seu comparecimento
regular à sede do serviço. Não será contado como tempo de serviço, para qualquer
efeito, o do cumprimento da pena.

Caso de reserva, reforma ou aposentadoria

Parágrafo único. Se o condenado, quando proferida a sentença, já estiver na


reserva, ou reformado ou aposentado, a pena prevista neste artigo será convertida em
pena de detenção, de três meses a um ano.

Pena de reforma

177
Art. 65. A pena de reforma sujeita o condenado à situação de inatividade, não
podendo perceber mais de um vinte e cinco avos do sôldo, por ano de serviço, nem
receber importância superior à do sôldo.

Superveniência de doença mental

Art. 66. O condenado a que sobrevenha doença mental deve ser recolhido a
manicômio judiciário ou, na falta dêste, a outro estabelecimento adequado, onde lhe
seja assegurada custódia e tratamento.

Tempo computável

Art. 67. Computam-se na pena privativa de liberdade o tempo de prisão


provisória, no Brasil ou no estrangeiro, e o de internação em hospital ou manicômio,
bem como o excesso de tempo, reconhecido em decisão judicial irrecorrível, no
cumprimento da pena, por outro crime, desde que a decisão seja posterior ao crime de
que se trata.

Transferência de condenados

Art. 68. O condenado pela Justiça Militar de uma região, distrito ou zona pode
cumprir pena em estabelecimento de outra região, distrito ou zona.

3 DAS PENAS ACESSÓRIAS


3.1 Penas Acessórias

Art. 98. São penas acessórias:

I - a perda de pôsto e patente;

II - a indignidade para o oficialato;

III - a incompatibilidade com o oficialato;

IV - a exclusão das fôrças armadas;

V - a perda da função pública, ainda que eletiva;

178
VI - a inabilitação para o exercício de função pública;

VII - a suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela;

VIII - a suspensão dos direitos políticos.

Função pública equiparada

Parágrafo único. Equipara-se à função pública a que é exercida em emprêsa


pública, autarquia, sociedade de economia mista, ou sociedade de que participe a
União, o Estado ou o Município como acionista majoritário.

3.2 Perda de pôsto e patente

Art. 99. A perda de pôsto e patente resulta da condenação a pena privativa de


liberdade por tempo superior a dois anos, e importa a perda das condecorações.

Indignidade para o oficialato

Art. 100. Fica sujeito à declaração de indignidade para o oficialato o militar


condenado, qualquer que seja a pena, nos crimes de traição, espionagem ou cobardia,
ou em qualquer dos definidos nos arts. 161, 235, 240, 242, 243, 244, 245, 251, 252,
303, 304, 311 e 312.

Incompatibilidade com o oficialato

Art. 101. Fica sujeito à declaração de incompatibilidade com o oficialato o militar


condenado nos crimes dos arts. 141 e 142.

Exclusão das fôrças armadas

Art. 102. A condenação da praça a pena privativa de liberdade, por tempo


superior a dois anos, importa sua exclusão das fôrças armadas.

Perda da função pública

Art. 103. Incorre na perda da função pública o assemelhado ou o civil:

I - condenado a pena privativa de liberdade por crime cometido com abuso de


poder ou violação de dever inerente à função pública;

179
II - condenado, por outro crime, a pena privativa de liberdade por mais de dois
anos.

Parágrafo único. O disposto no artigo aplica-se ao militar da reserva, ou reformado, se


estiver no exercício de função pública de qualquer natureza.

Inabilitação para o exercício de função pública

Art. 104. Incorre na inabilitação para o exercício de função pública, pelo prazo de
dois até vinte anos, o condenado a reclusão por mais de quatro anos, em virtude de
crime praticado com abuso de poder ou violação do dever militar ou inerente à função
pública.

Têrmo inicial

Parágrafo único. O prazo da inabilitação para o exercício de função pública


começa ao têrmo da execução da pena privativa de liberdade ou da medida de
segurança imposta em substituição, ou da data em que se extingue a referida pena.

Suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela

Art. 105. O condenado a pena privativa de liberdade por mais de dois anos, seja
qual fôr o crime praticado, fica suspenso do exercício do pátrio poder, tutela ou
curatela, enquanto dura a execução da pena, ou da medida de segurança imposta em
substituição (art. 113).

Suspensão provisória

Parágrafo único. Durante o processo pode o juiz decretar a suspensão provisória


do exercício do pátrio poder, tutela ou curatela.

Suspensão dos direitos políticos

Art. 106. Durante a execução da pena privativa de liberdade ou da medida de


segurança ìmposta em substituição, ou enquanto perdura a inabilitação para função
pública, o condenado não pode votar, nem ser votado.

Imposição de pena acessória

Art. 107. Salvo os casos dos arts. 99, 103, nº II, e 106, a imposição da pena
acessória deve constar expressamente da sentença.

Tempo computável

180
Art. 108. Computa-se no prazo das inabilitações temporárias o tempo de liberdade
resultante da suspensão condicional da pena ou do livramento condicional, se não
sobrevém revogação.

4 DOS CRIMES CONTRA A AUTORIDADE


OU DISCIPLINA MILITAR

4.1 DO MOTIM E DA REVOLTA


4.1.1 Motim

Art. 149. Reunirem-se militares ou assemelhados:

I - agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a cumpri-la;

II - recusando obediência a superior, quando estejam agindo sem ordem ou


praticando violência;

III - assentindo em recusa conjunta de obediência, ou em resistência ou violência,


em comum, contra superior;

IV - ocupando quartel, fortaleza, arsenal, fábrica ou estabelecimento militar, ou


dependência de qualquer dêles, hangar, aeródromo ou aeronave, navio ou viatura
militar, ou utilizando-se de qualquer daqueles locais ou meios de transporte, para ação
militar, ou prática de violência, em desobediência a ordem superior ou em detrimento
da ordem ou da disciplina militar:

Pena - reclusão, de quatro a oito anos, com aumento de um têrço para os cabeças.

181
4.1.2 Revolta

Parágrafo único. Se os agentes estavam armados:

Pena - reclusão, de oito a vinte anos, com aumento de um têrço para os cabeças.

Organização de grupo para a prática de violência

Art. 150. Reunirem-se dois ou mais militares ou assemelhados, com armamento


ou material bélico, de propriedade militar, praticando violência à pessoa ou à coisa
pública ou particular em lugar sujeito ou não à administração militar:

Pena - reclusão, de quatro a oito anos.

Omissão de lealdade militar

Art. 151. Deixar o militar ou assemelhado de levar ao conhecimento do superior o


motim ou revolta de cuja preparação teve notícia, ou, estando presente ao ato
criminoso, não usar de todos os meios ao seu alcance para impedi-lo:

Pena - reclusão, de três a cinco anos.

Conspiração

Art. 152. Concertarem-se militares ou assemelhados para a prática do crime


previsto no artigo 149:

Pena - reclusão, de três a cinco anos.

Isenção de pena

Parágrafo único. É isento de pena aquêle que, antes da execução do crime e


quando era ainda possível evitar-lhe as conseqüências, denuncia o ajuste de que
participou.

Cumulação de penas

Art. 153. As penas dos arts. 149 e 150 são aplicáveis sem prejuízo das
correspondentes à violência.

182
4.2 DA ALICIAÇÃO E DO INCITAMENTO

4.2.1Aliciação para motim ou revolta

Art. 154. Aliciar militar ou assemelhado para a prática de qualquer dos crimes
previstos no capítulo anterior:

Pena - reclusão, de dois a quatro anos.

4.2.2 Incitamento

Art. 155. Incitar à desobediência, à indisciplina ou à prática de crime militar:

Pena - reclusão, de dois a quatro anos.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem introduz, afixa ou distribui, em


lugar sujeito à administração militar, impressos, manuscritos ou material
mimeografado, fotocopiado ou gravado, em que se contenha incitamento à prática dos
atos previstos no artigo.

Apologia de fato criminoso ou do seu autor

Art. 156. Fazer apologia de fato que a lei militar considera crime, ou do autor do
mesmo, em lugar sujeito à administração militar:

Pena - detenção, de seis meses a um ano.

4.3 DA VIOLÊNCIA CONTRA SUPERIOR OU


MILITAR DE SERVIÇO
4.3.1Violência contra superior
183
Art. 157. Praticar violência contra superior:

Pena - detenção, de três meses a dois anos.

4.3.2Formas qualificadas

§ 1º Se o superior é comandante da unidade a que pertence o agente, ou oficial


general:

Pena - reclusão, de três a nove anos.

§ 2º Se a violência é praticada com arma, a pena é aumentada de um têrço.

§ 3º Se da violência resulta lesão corporal, aplica-se, além da pena da violência, a


do crime contra a pessoa.

§ 4º Se da violência resulta morte:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

§ 5º A pena é aumentada da sexta parte, se o crime ocorre em serviço.

4.3.3Violência contra militar de serviço

Art. 158. Praticar violência contra oficial de dia, de serviço, ou de quarto, ou


contra sentinela, vigia ou plantão:

Pena - reclusão, de três a oito anos.

4.3.4Formas qualificadas

184
§ 1º Se a violência é praticada com arma, a pena é aumentada de um têrço.

§ 2º Se da violência resulta lesão corporal, aplica-se, além da pena da violência, a


do crime contra a pessoa.

§ 3º Se da violência resulta morte:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Ausência de dôlo no resultado

Art. 159. Quando da violência resulta morte ou lesão corporal e as circunstâncias


evidenciam que o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo, a
pena do crime contra a pessoa é diminuída de metade.

4.4 DO DESRESPEITO A SUPERIOR E A


SÍMBOLO NACIONAL OU A FARDA
4.4.1Desrespeito a superior

Art. 160. Desrespeitar superior diante de outro militar:

Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.

4.4.2Desrespeito a comandante, oficial general ou oficial


de serviço

Parágrafo único. Se o fato é praticado contra o comandante da unidade a que


pertence o agente, oficial-general, oficial de dia, de serviço ou de quarto, a pena é
aumentada da metade.

Desrespeito a símbolo nacional


185
Art. 161. Praticar o militar diante da tropa, ou em lugar sujeito à administração
militar, ato que se traduza em ultraje a símbolo nacional:

Pena - detenção, de um a dois anos.

Despojamento desprezível

Art. 162. Despojar-se de uniforme, condecoração militar, insígnia ou distintivo,


por menosprêzo ou vilipêndio:

Pena - detenção, de seis meses a um ano.

Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se o fato é praticado diante da


tropa, ou em público.

4.5 DA INSUBORDINAÇÃO
4.5.1 Recusa de obediência

Art. 163. Recusar obedecer a ordem do superior sôbre assunto ou matéria de


serviço, ou relativamente a dever impôsto em lei, regulamento ou instrução:

Pena - detenção, de um a dois anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Oposição a ordem de sentinela

Art. 164. Opor-se às ordens da sentinela:

Pena - detenção, de seis meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.

Reunião ilícita

Art. 165. Promover a reunião de militares, ou nela tomar parte, para discussão de
ato de superior ou assunto atinente à disciplina militar:

Pena - detenção, de seis meses a um ano a quem promove a reunião; de dois a seis
meses a quem dela participa, se o fato não constitui crime mais grave.

186
4.5.2Publicação ou crítica indevida

Art. 166. Publicar o militar ou assemelhado, sem licença, ato ou documento


oficial, ou criticar públicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina
militar, ou a qualquer resolução do Govêrno:

Pena - detenção, de dois meses a um ano, se o fato não constitui crime mais
grave.

5 DOS CRIMES CONTRA O SERVIÇO


MILITAR E O DEVER MILITAR

5.1 DA INSUBMISSÃO
5.1.1 Insubmissão

Art. 183. Deixar de apresentar-se o convocado à incorporação, dentro do prazo


que lhe foi marcado, ou, apresentando-se, ausentar-se antes do ato oficial de
incorporação:

Pena - impedimento, de três meses a um ano.

Caso assimilado

§ 1º Na mesma pena incorre quem, dispensado temporàriamente da incorporação,


deixa de se apresentar, decorrido o prazo de licenciamento.

Diminuição da pena

§ 2º A pena é diminuída de um têrço:

a) pela ignorância ou a errada compreensão dos atos da convocação militar,


quando escusáveis;

b) pela apresentação voluntária dentro do prazo de um ano, contado do último dia


marcado para a apresentação.

187
Criação ou simulação de incapacidade física

Art. 184. Criar ou simular incapacidade física, que inabilite o convocado para o
serviço militar:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Substituição de convocado

Art. 185. Substituir-se o convocado por outrem na apresentação ou na inspeção de


saúde.

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem substitui o convocado.

Favorecimento a convocado

Art. 186. Dar asilo a convocado, ou tomá-lo a seu serviço, ou proporcionar-lhe ou


facilitar-lhe transporte ou meio que obste ou dificulte a incorporação, sabendo ou
tendo razão para saber que cometeu qualquer dos crimes previstos neste capítulo:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Isenção de pena

Parágrafo único. Se o favorecedor é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão


do criminoso, fica isento de pena.

5.2 DA DESERÇÃO
5.2.1 Deserção

Art. 187. Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar
em que deve permanecer, por mais de oito dias:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos; se oficial, a pena é agravada.

Casos assimilados

188
Art. 188. Na mesma pena incorre o militar que:

I - não se apresenta no lugar designado, dentro de oito dias, findo o prazo de


trânsito ou férias;

II - deixa de se apresentar a autoridade competente, dentro do prazo de oito dias,


contados daquele em que termina ou é cassada a licença ou agregação ou em que é
declarado o estado de sítio ou de guerra;

III - tendo cumprido a pena, deixa de se apresentar, dentro do prazo de oito dias;

IV - consegue exclusão do serviço ativo ou situação de inatividade, criando ou


simulando incapacidade.

Art. 189. Nos crimes dos arts. 187 e 188, ns. I, II e III:

Atenuante especial

I - se o agente se apresenta voluntàriamente dentro em oito dias após a


consumação do crime, a pena é diminuída de metade; e de um têrço, se de mais de oito
dias e até sessenta;

Agravante especial

II - se a deserção ocorre em unidade estacionada em fronteira ou país estrangeiro,


a pena é agravada de um têrço.

Deserção especial

Art. 190. Deixar o militar de apresentar-se no momento da partida do navio ou


aeronave, de que é tripulante, ou do deslocamento da unidade ou força em que
serve: (Redação dada pela Lei nº 9.764, de 18.12.1998)

Pena - detenção, até três meses, se após a partida ou deslocamento se apresentar,


dentro de vinte e quatro horas, à autoridade militar do lugar, ou, na falta desta, à
autoridade policial, para ser comunicada a apresentação ao comando militar
competente.(Redação dada pela Lei nº 9.764, de 18.12.1998)

§ 1º Se a apresentação se der dentro de prazo superior a vinte e quatro horas e não


excedente a cinco dias:

Pena - detenção, de dois a oito meses.

§ 2o Se superior a cinco dias e não excedente a oito dias: (Redação dada pela Lei
nº 9.764, de 18.12.1998)

189
Pena - detenção, de três meses a um ano.

§ 2o-A. Se superior a oito dias: (Incluído pela Lei nº 9.764, de 18.12.1998)

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Aumento de pena

§ 3o A pena é aumentada de um terço, se se tratar de sargento, subtenente ou


suboficial, e de metade, se oficial. (Redação dada pela Lei nº 9.764, de 18.12.1998)

Concêrto para deserção

Art. 191. Concertarem-se militares para a prática da deserção:

I - se a deserção não chega a consumar-se:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Modalidade complexa

II - se consumada a deserção:

Pena - reclusão, de dois a quatro anos.

Deserção por evasão ou fuga

Art. 192. Evadir-se o militar do poder da escolta, ou de recinto de detenção ou de


prisão, ou fugir em seguida à prática de crime para evitar prisão, permanecendo
ausente por mais de oito dias:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Favorecimento a desertor

Art. 193. Dar asilo a desertor, ou tomá-lo a seu serviço, ou proporcionar-lhe ou


facilitar-lhe transporte ou meio de ocultação, sabendo ou tendo razão para saber que
cometeu qualquer dos crimes previstos neste capítulo:

Pena - detenção, de quatro meses a um ano.

Isenção de pena

Parágrafo único. Se o favorecedor é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão


do criminoso, fica isento de pena.

190
Omissão de oficial

Art. 194. Deixar o oficial de proceder contra desertor, sabendo, ou devendo saber
encontrar-se entre os seus comandados:

Pena - detenção, de seis meses a um ano.

5.3 DO ABANDONO DE PÔSTO E DE OUTROS


CRIMES EM SERVIÇO
5.3.1Abandono de posto

Art. 195. Abandonar, sem ordem superior, o pôsto ou lugar de serviço que lhe
tenha sido designado, ou o serviço que lhe cumpria, antes de terminá-lo:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

5.3.2Descumprimento de missão

Art. 196. Deixar o militar de desempenhar a missão que lhe foi confiada:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, se o fato não constitui crime mais
grave.

§ 1º Se é oficial o agente, a pena é aumentada de um têrço.

§ 2º Se o agente exercia função de comando, a pena é aumentada de metade.

Modalidade culposa

§ 3º Se a abstenção é culposa:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

191
Retenção indevida

Art. 197. Deixar o oficial de restituir, por ocasião da passagem de função, ou


quando lhe é exigido, objeto, plano, carta, cifra, código ou documento que lhe haja
sido confiado:

Pena - suspensão do exercício do pôsto, de três a seis meses, se o fato não


constitui crime mais grave.

Parágrafo único. Se o objeto, plano, carta, cifra, código, ou documento envolve


ou constitui segrêdo relativo à segurança nacional:

Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.

Omissão de eficiência da fôrça

Art. 198. Deixar o comandante de manter a fôrça sob seu comando em estado de
eficiência:

Pena - suspensão do exercício do pôsto, de três meses a um ano.

Omissão de providências para evitar danos

Art. 199. Deixar o comandante de empregar todos os meios ao seu alcance para
evitar perda, destruição ou inutilização de instalações militares, navio, aeronave ou
engenho de guerra motomecanizado em perigo:

Pena - reclusão, de dois a oito anos.

Modalidade culposa

Parágrafo único. Se a abstenção é culposa:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Omissão de providências para salvar comandados

Art. 200. Deixar o comandante, em ocasião de incêndio, naufrágio, encalhe,


colisão, ou outro perigo semelhante, de tomar tôdas as providências adequadas para
salvar os seus comandados e minorar as conseqüências do sinistro, não sendo o último
a sair de bordo ou a deixar a aeronave ou o quartel ou sede militar sob seu comando:

Pena - reclusão, de dois a seis anos.

Modalidade culposa

192
Parágrafo único. Se a abstenção é culposa:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Omissão de socorro

Art. 201. Deixar o comandante de socorrer, sem justa causa, navio de guerra ou
mercante, nacional ou estrangeiro, ou aeronave, em perigo, ou náufragos que hajam
pedido socorro:

Pena - suspensão do exercício do pôsto, de um a três anos ou reforma.

5.3.3 Embriaguez em serviço

Art. 202. Embriagar-se o militar, quando em serviço, ou apresentar-se


embriagado para prestá-lo:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

5.3.4 Dormir em serviço

Art. 203. Dormir o militar, quando em serviço, como oficial de quarto ou de


ronda, ou em situação equivalente, ou, não sendo oficial, em serviço de sentinela,
vigia, plantão às máquinas, ao leme, de ronda ou em qualquer serviço de natureza
semelhante:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

6 DOS CRIMES CONTRA


A ADMINISTRAÇÃO MILITAR

193
6.1 DO DESACATO E DA DESOBEDIÊNCIA
6.1.1 Desacato a superior
Art. 298. Desacatar superior, ofendendo-lhe a dignidade ou o decôro, ou
procurando deprimir-lhe a autoridade:

Pena - reclusão, até quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave.

6.1.1.1 Agravação de pena

Parágrafo único. A pena é agravada, se o superior é oficial general ou comandante


da unidade a que pertence o agente.

Desacato a militar

Art. 299. Desacatar militar no exercício de função de natureza militar ou em razão


dela:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, se o fato não constitui outro crime.

Desacato a assemelhado ou funcionário

Art. 300. Desacatar assemelhado ou funcionário civil no exercício de função ou


em razão dela, em lugar sujeito à administração militar:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, se o fato não constitui outro crime.

6.1.2 Desobediência

Art. 301. Desobedecer a ordem legal de autoridade militar:

Pena - detenção, até seis meses.

Ingresso clandestino

194
Art. 302. Penetrar em fortaleza, quartel, estabelecimento militar, navio, aeronave,
hangar ou em outro lugar sujeito à administração militar, por onde seja defeso ou não
haja passagem regular, ou iludindo a vigilância da sentinela ou de vigia:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, se o fato não constitui crime mais
grave.

6.2 DOS CRIMES CONTRA O DEVER FUNCIONAL


6.2.1Prevaricação

Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-


lo contra expressa disposição de lei, para satisfazer interêsse ou sentimento pessoal:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

IV DIREITO PROCESSUAL PENAL MILITAR1

1 DA POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR


1.1 Exercício da polícia judiciária militar

Art. 7º A polícia judiciária militar é exercida nos têrmos do art. 8º, pelas seguintes
autoridades, conforme as respectivas jurisdições:

a) pelos ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, em todo o território


nacional e fora dêle, em relação às fôrças e órgãos que constituem seus Ministérios,
bem como a militares que, neste caráter, desempenhem missão oficial, permanente ou
transitória, em país estrangeiro;

1
Fonte http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1002.htm

195
b) pelo chefe do Estado-Maior das Fôrças Armadas, em relação a entidades que,
por disposição legal, estejam sob sua jurisdição;

c) pelos chefes de Estado-Maior e pelo secretário-geral da Marinha, nos órgãos,


fôrças e unidades que lhes são subordinados;

d) pelos comandantes de Exército e pelo comandante-chefe da Esquadra, nos


órgãos, fôrças e unidades compreendidos no âmbito da respectiva ação de comando;

e) pelos comandantes de Região Militar, Distrito Naval ou Zona Aérea, nos


órgãos e unidades dos respectivos territórios;

f) pelo secretário do Ministério do Exército e pelo chefe de Gabinete do


Ministério da Aeronáutica, nos órgãos e serviços que lhes são subordinados;

g) pelos diretores e chefes de órgãos, repartições, estabelecimentos ou serviços


previstos nas leis de organização básica da Marinha, do Exército e da Aeronáutica;

h) pelos comandantes de fôrças, unidades ou navios;

1.1.1 Delegação do exercício

§ 1º Obedecidas as normas regulamentares de jurisdição, hierarquia e comando,


as atribuições enumeradas neste artigo poderão ser delegadas a oficiais da ativa, para
fins especificados e por tempo limitado.

§ 2º Em se tratando de delegação para instauração de inquérito policial militar,


deverá aquela recair em oficial de pôsto superior ao do indiciado, seja êste oficial da
ativa, da reserva, remunerada ou não, ou reformado.

§ 3º Não sendo possível a designação de oficial de pôsto superior ao do


indiciado, poderá ser feita a de oficial do mesmo pôsto, desde que mais antigo.

§ 4º Se o indiciado é oficial da reserva ou reformado, não prevalece, para a


delegação, a antiguidade de pôsto.

Designação de delegado e avocamento de inquérito pelo ministro

§ 5º Se o pôsto e a antiguidade de oficial da ativa excluírem, de modo absoluto, a


existência de outro oficial da ativa nas condições do § 3º, caberá ao ministro
competente a designação de oficial da reserva de pôsto mais elevado para a instauração

196
do inquérito policial militar; e, se êste estiver iniciado, avocá-lo, para tomar essa
providência.

1.2 Competência da polícia judiciária militar

Art. 8º Compete à Polícia judiciária militar:

a) apurar os crimes militares, bem como os que, por lei especial, estão sujeitos à
jurisdição militar, e sua autoria;

b) prestar aos órgãos e juízes da Justiça Militar e aos membros do Ministério


Público as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos, bem como
realizar as diligências que por êles lhe forem requisitadas;

c) cumprir os mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar;

d) representar a autoridades judiciárias militares acêrca da prisão preventiva e da


insanidade mental do indiciado;

e) cumprir as determinações da Justiça Militar relativas aos presos sob sua guarda
e responsabilidade, bem como as demais prescrições dêste Código, nesse sentido;

f) solicitar das autoridades civis as informações e medidas que julgar úteis à


elucidação das infrações penais, que esteja a seu cargo;

g) requisitar da polícia civil e das repartições técnicas civis as pesquisas e exames


necessários ao complemento e subsídio de inquérito policial militar;

h) atender, com observância dos regulamentos militares, a pedido de apresentação


de militar ou funcionário de repartição militar à autoridade civil competente, desde que
legal e fundamentado o pedido.

2 DO INQUÉRITO POLICIAL MILITAR


2.1 Finalidade do inquérito

197
Art. 9º O inquérito policial militar é a apuração sumária de fato, que, nos têrmos
legais, configure crime militar, e de sua autoria. Tem o caráter de instrução provisória,
cuja finalidade precípua é a de ministrar elementos necessários à propositura da ação
penal.

Parágrafo único. São, porém, efetivamente instrutórios da ação penal os exames,


perícias e avaliações realizados regularmente no curso do inquérito, por peritos
idôneos e com obediência às formalidades previstas neste Código.

2.2 Modos por que pode ser iniciado

Art. 10. O inquérito é iniciado mediante portaria:

a) de ofício, pela autoridade militar em cujo âmbito de jurisdição ou comando


haja ocorrido a infração penal, atendida a hierarquia do infrator;

b) por determinação ou delegação da autoridade militar superior, que, em caso de


urgência, poderá ser feita por via telegráfica ou radiotelefônica e confirmada,
posteriormente, por ofício;

c) em virtude de requisição do Ministério Público;

d) por decisão do Superior Tribunal Militar, nos têrmos do art. 25;

e) a requerimento da parte ofendida ou de quem legalmente a represente, ou em


virtude de representação devidamente autorizada de quem tenha conhecimento de
infração penal, cuja repressão caiba à Justiça Militar;

f) quando, de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar, resulte indício da


existência de infração penal militar.

2.3Superioridade ou igualdade de pôsto do infrator

§ 1º Tendo o infrator pôsto superior ou igual ao do comandante, diretor ou chefe


de órgão ou serviço, em cujo âmbito de jurisdição militar haja ocorrido a infração
penal, será feita a comunicação do fato à autoridade superior competente, para que esta
torne efetiva a delegação, nos têrmos do § 2° do art. 7º.

198
Providências antes do inquérito

§ 2º O aguardamento da delegação não obsta que o oficial responsável por


comando, direção ou chefia, ou aquêle que o substitua ou esteja de dia, de serviço ou
de quarto, tome ou determine que sejam tomadas imediatamente as providências
cabíveis, previstas no art. 12, uma vez que tenha conhecimento de infração penal que
lhe incumba reprimir ou evitar.

Infração de natureza não militar

§ 3º Se a infração penal não fôr, evidentemente, de natureza militar, comunicará


o fato à autoridade policial competente, a quem fará apresentar o infrator. Em se
tratando de civil, menor de dezoito anos, a apresentação será feita ao Juiz de Menores.

Oficial general como infrator

§ 4º Se o infrator fôr oficial general, será sempre comunicado o fato ao ministro e


ao chefe de Estado-Maior competentes, obedecidos os trâmites regulamentares.

2.4Indícios contra oficial de pôsto superior ou mais


antigo no curso do inquérito

§ 5º Se, no curso do inquérito, o seu encarregado verificar a existência de


indícios contra oficial de pôsto superior ao seu, ou mais antigo, tomará as providências
necessárias para que as suas funções sejam delegadas a outro oficial, nos têrmos do §
2° do art. 7º.

2.5 Escrivão do inquérito

Art. 11. A designação de escrivão para o inquérito caberá ao respectivo


encarregado, se não tiver sido feita pela autoridade que lhe deu delegação para aquêle
fim, recaindo em segundo ou primeiro-tenente, se o indiciado fôr oficial, e em
sargento, subtenente ou suboficial, nos demais casos.

2.6 Compromisso legal

199
Parágrafo único. O escrivão prestará compromisso de manter o sigilo do inquérito
e de cumprir fielmente as determinações dêste Código, no exercício da função.

2.7 Medidas preliminares ao inquérito

Art. 12. Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal militar,
verificável na ocasião, a autoridade a que se refere o § 2º do art. 10 deverá, se possível:

a) dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o estado e a


situação das coisas, enquanto necessário; (Vide Lei nº 6.174, de 1974)

b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o fato;

c) efetuar a prisão do infrator, observado o disposto no art. 244;

d) colhêr tôdas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas


circunstâncias.

2.8 Formação do inquérito

Art. 13. O encarregado do inquérito deverá, para a formação dêste:

2.9 Atribuição do seu encarregado

a) tomar as medidas previstas no art. 12, se ainda não o tiverem sido;

b) ouvir o ofendido;

c) ouvir o indiciado;

200
d) ouvir testemunhas;

e) proceder a reconhecimento de pessoas e coisas, e acareações;

f) determinar, se fôr o caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a


quaisquer outros exames e perícias;

g) determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada, destruída


ou danificada, ou da qual houve indébita apropriação;

h) proceder a buscas e apreensões, nos têrmos dos arts. 172 a 184 e 185 a 189;

i) tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de testemunhas, peritos ou


do ofendido, quando coactos ou ameaçados de coação que lhes tolha a liberdade de
depor, ou a independência para a realização de perícias ou exames.

2.10 Reconstituição dos fatos

Parágrafo único. Para verificar a possibilidade de haver sido a infração praticada


de determinado modo, o encarregado do inquérito poderá proceder à reprodução
simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública, nem
atente contra a hierarquia ou a disciplina militar.

2.11 Assistência de procurador

Art. 14. Em se tratando da apuração de fato delituoso de excepcional importância


ou de difícil elucidação, o encarregado do inquérito poderá solicitar do procurador-
geral a indicação de procurador que lhe dê assistência.

2.12 Encarregado de inquérito. Requisitos

Art. 15. Será encarregado do inquérito, sempre que possível, oficial de pôsto não
inferior ao de capitão ou capitão-tenente; e, em se tratando de infração penal contra a
201
segurança nacional, sê-lo-á, sempre que possível, oficial superior, atendida, em cada
caso, a sua hierarquia, se oficial o indiciado.

2.13 Sigilo do inquérito

Art. 16. O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir que dêle tome
conhecimento o advogado do indiciado.

2.14 Inquirição durante o dia

Art. 19. As testemunhas e o indiciado, exceto caso de urgência inadiável, que


constará da respectiva assentada, devem ser ouvidos durante o dia, em período que
medeie entre as sete e as dezoito horas.

2.15 Inquirição. Assentada de início, interrupção e


encerramento

§ 1º O escrivão lavrará assentada do dia e hora do início das inquirições ou


depoimentos; e, da mesma forma, do seu encerramento ou interrupções, no final
daquele período.

2.16 Inquirição. Limite de tempo

§ 2º A testemunha não será inquirida por mais de quatro horas consecutivas,


sendo-lhe facultado o descanso de meia hora, sempre que tiver de prestar declarações
além daquele têrmo. O depoimento que não ficar concluído às dezoito horas será
202
encerrado, para prosseguir no dia seguinte, em hora determinada pelo encarregado do
inquérito.

§ 3º Não sendo útil o dia seguinte, a inquirição poderá ser adiada para o primeiro
dia que o fôr, salvo caso de urgência.

2.17 Prazos para terminação do inquérito

Art 20. O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o indiciado estiver
prêso, contado esse prazo a partir do dia em que se executar a ordem de prisão; ou no
prazo de quarenta dias, quando o indiciado estiver sôlto, contados a partir da data em
que se instaurar o inquérito.

2.18 Prorrogação de prazo

§ 1º Êste último prazo poderá ser prorrogado por mais vinte dias pela autoridade
militar superior, desde que não estejam concluídos exames ou perícias já iniciados, ou
haja necessidade de diligência, indispensáveis à elucidação do fato. O pedido de
prorrogação deve ser feito em tempo oportuno, de modo a ser atendido antes da
terminação do prazo.

2.19 Diligências não concluídas até o inquérito

§ 2º Não haverá mais prorrogação, além da prevista no § 1º, salvo dificuldade


insuperável, a juízo do ministro de Estado competente. Os laudos de perícias ou
exames não concluídos nessa prorrogação, bem como os documentos colhidos depois
dela, serão posteriormente remetidos ao juiz, para a juntada ao processo. Ainda, no seu
relatório, poderá o encarregado do inquérito indicar, mencionando, se possível, o lugar
onde se encontram as testemunhas que deixaram de ser ouvidas, por qualquer
impedimento.

203
Dedução em favor dos prazos

§ 3º São deduzidas dos prazos referidos neste artigo as interrupções pelo motivo
previsto no § 5º do art. 10.

2.20 Reunião e ordem das peças de inquérito

Art. 21. Tôdas as peças do inquérito serão, por ordem cronológica, reunidas num
só processado e dactilografadas, em espaço dois, com as fôlhas numeradas e
rubricadas, pelo escrivão.

2.21 Juntada de documento

Parágrafo único. De cada documento junto, a que precederá despacho do


encarregado do inquérito, o escrivão lavrará o respectivo têrmo, mencionando a data.

2.22Relatório
Art. 22. O inquérito será encerrado com minucioso relatório, em que o seu
encarregado mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas e os resultados
obtidos, com indicação do dia, hora e lugar onde ocorreu o fato delituoso. Em
conclusão, dirá se há infração disciplinar a punir ou indício de crime, pronunciando-se,
neste último caso, justificadamente, sôbre a conveniência da prisão preventiva do
indiciado, nos têrmos legais.

2.23Solução
§ 1º No caso de ter sido delegada a atribuição para a abertura do inquérito, o seu
encarregado enviá-lo-á à autoridade de que recebeu a delegação, para que lhe
homologue ou não a solução, aplique penalidade, no caso de ter sido apurada infração
disciplinar, ou determine novas diligências, se as julgar necessárias.

2.24Advocação
§ 2º Discordando da solução dada ao inquérito, a autoridade que o delegou poderá
avocá-lo e dar solução diferente.

204
Remessa do inquérito à Auditoria da Circunscrição

Art. 23. Os autos do inquérito serão remetidos ao auditor da Circunscrição


Judiciária Militar onde ocorreu a infração penal, acompanhados dos instrumentos
desta, bem como dos objetos que interessem à sua prova.

2.25 Remessa a Auditorias Especializadas


§ 1º Na Circunscrição onde houver Auditorias Especializadas da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica, atender-se-á, para a remessa, à especialização de cada uma.
Onde houver mais de uma na mesma sede, especializada ou não, a remessa será feita à
primeira Auditoria, para a respectiva distribuição. Os incidentes ocorridos no curso do
inquérito serão resolvidos pelo juiz a que couber tomar conhecimento do inquérito, por
distribuição.

§ 2º Os autos de inquérito instaurado fora do território nacional serão remetidos à


1ª Auditoria da Circunscrição com sede na Capital da União, atendida, contudo, a
especialização referida no § 1º.

2.26Arquivamento de inquérito. Proibição

Art. 24. A autoridade militar não poderá mandar arquivar autos de inquérito,
embora conclusivo da inexistência de crime ou de inimputabilidade do indiciado.

Instauração de nôvo inquérito

Art 25. O arquivamento de inquérito não obsta a instauração de outro, se novas


provas aparecerem em relação ao fato, ao indiciado ou a terceira pessoa, ressalvados o
caso julgado e os casos de extinção da punibilidade.

§ 1º Verificando a hipótese contida neste artigo, o juiz remeterá os autos ao


Ministério Público, para os fins do disposto no art. 10, letra c.

§ 2º O Ministério Público poderá requerer o arquivamento dos autos, se entender


inadequada a instauração do inquérito.

2.27 Devolução de autos de inquérito

205
Art. 26. Os autos de inquérito não poderão ser devolvidos a autoridade policial
militar, a não ser:

I — mediante requisição do Ministério Público, para diligências por ele


consideradas imprescindíveis ao oferecimento da denúncia;

II — por determinação do juiz, antes da denúncia, para o preenchimento de


formalidades previstas neste Código, ou para complemento de prova que julgue
necessária.

Parágrafo único. Em qualquer dos casos, o juiz marcará prazo, não excedente de
vinte dias, para a restituição dos autos.

3 DO PROCESSO PENAL MILITAR EM GERAL


3.1 DO PROCESSO
3.1.1 Direito de ação e defesa. Poder de jurisdição

Art. 34. O direito de ação é exercido pelo Ministério Público, como representante
da lei e fiscal da sua execução, e o de defesa pelo acusado, cabendo ao juiz exercer o
poder de jurisdição, em nome do Estado.

3.1.2 Relação processual. Início e extinção

Art. 35. O processo inicia-se com o recebimento da denúncia pelo juiz, efetiva-se
com a citação do acusado e extingue-se no momento em que a sentença definitiva se
torna irrecorrível, quer resolva o mérito, quer não.

Casos de suspensão

Parágrafo único. O processo suspende-se ou extingue-se nos casos previstos neste


Código.

206
V LEGISLAÇÃO APLICADA À PMERJ
1 Lei nº 443/1981 (EPMERJ) e suas alterações;

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,


Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:

ESTATUTO DOS POLICIAIS-MILITARES


TÍTULO I
GENERALIDADES
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º - O presente Estatuto regula a situação, obrigações, deveres, direitos e


prerrogativas dos policiais-militares do Estado do Rio de Janeiro.

Art. 2º - A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, subordinada ao Secretário de


Estado de Segurança Pública, é uma instituição permanente, organizada com base na
hierarquia e na disciplina, destinada à manutenção da ordem pública no Estado do Rio
de Janeiro, sendo considerada Força Auxiliar, reserva do Exército.

Art. 3º - Os integrantes da Polícia Militar, em razão de sua destinação constitucional,


formam uma categoria de servidores do Estado e são denominados policiais-militares.

§ 1º - Os policiais-militares encontram-se em uma das seguintes situações:


1. na ativa:
a) os policiais-militares de carreira;
b) os incluídos na Polícia Militar voluntariamente, durante os prazos a que se
obrigaram a servir;
c) os componentes da reserva remunerada da Polícia Militar, quando convocados; e
d) os alunos de órgãos de formação de policiais-militares da ativa.
207
2. na inatividade:
a) na reserva remunerada, quando pertencem à reserva da Corporação e percebem
remuneração do Estado, porém sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa,
mediante convocação;
b) reformados, quando, tendo passado por uma das situações anteriores, estão
dispensados, definitivamente, da prestação de serviço na ativa, mas continuam a
perceber remuneração do Estado.
*c) reserva remunerada e, excepcionalmente, os reformados, executando tarefa por
tempo certo. (NR)
* Alínea incluída pela Lei nº 5271/2008.

§ 2º - Os policiais-militares de carreira são os da ativa que, no desempenho voluntário


e permanente do serviço policial-militar, têm vitaliciedade assegurada ou presumida.

Art. 4º - O serviço policial-militar consiste no exercício de atividades inerentes à


Polícia Militar e compreende todos os encargos previstos na legislação específica,
relacionados com a manutenção da ordem pública.

Art. 5º - A carreira policial-militar é caracterizada por atividade continuada e


inteiramente devotada às finalidades precípuas da Polícia Militar, denominada
atividade policial-militar.

§ 1º - A carreira policial-militar é privativa do pessoal da ativa; inicia-se com o


ingresso na Polícia Militar e obedece à seqüência de graus hierárquicos.

§ 2º - É privativa de brasileiro nato a carreira de Oficial da Polícia Militar.

§ 3º - Constitui requisito indispensável para ingresso no Quadro de Oficiais Policiais-


Militares a conclusão do Curso da Escola de Formação de Oficiais da Corporação.

Art. 6º - São equivalentes as expressões na ativa, em serviço ativo, em serviço na


ativa, em serviço, em atividade ou em atividade policial-militar conferidas aos
policiais-militares no desempenho de cargo, comissão, encargo, incumbência ou
missão, serviço ou atividade policial-militar ou considerada de natureza policial-militar
nas organizações policiais-militares, bem como em outros órgãos do Estado, quando
previstos em lei ou regulamento.

208
"Ficam incluídos nos dispositivos do art. 6º in fine da Lei nº 443, de 1º de julho de
1981, e do art. 6º in fine da lei nº 880, de 25 de julho de 1985, respectivamente, os
servidores militares, no limite de 4 (quatro), lotados na Companhia Estadual de
Águas e Esgotos (CEDAE) .
(Decreto nº 41503, de 3 de outubro de 2008)

Art. 7º - A condição jurídica dos policiais-militares é definida pelos dispositivos


constitucionais que lhes forem aplicáveis, por este Estatuto e pela legislação que lhes
outorgam direitos e prerrogativas e lhes impõem deveres e obrigações.

Art. 8º - Os policiais-militares da reserva remunerada poderão ser convocados para o


serviço ativo, em caráter transitório e mediante aceitação voluntária, por ato do
Governador do Estado, desde que haja conveniência para o serviço.

Art. 9º - O disposto neste Estatuto aplica-se no que couber, aos policiais-militares


reformados, da reserva remunerada e aos capelães policiais-militares.

Parágrafo único - Os Capelães policiais-militares são regidos por legislação própria.

CAPÍTULO II
DO INGRESSO NA POLÍCIA MILITAR

Art. 10 - O ingresso na Polícia Militar é facultado a todos os brasileiros natos, sem


distinção de raça ou de crença religiosa, mediante inclusão, matrícula ou nomeação,
observadas as condições prescritas neste Estatuto, em lei e nos regulamentos da
Corporação.

Art. 11 - Para a matrícula nos estabelecimentos de ensino policial-militar destinados à


formação de oficiais, de graduados e de soldados, além das condições relativas à
nacionalidade, idade, aptidão intelectual, capacidade física e mental e idoneidade
moral, é necessário que o candidato não exerça, nem tenha exercido, atividades
prejudiciais ou perigosas à Segurança Nacional.

Parágrafo único - O disposto neste artigo e no anterior aplica-se, também, aos


candidatos ao ingresso nos Quadros de Oficiais em que é também exigido o diploma
de estabelecimentos de ensino superior reconhecido pelo Governo Federal e aos

209
Capelães Policiais-Militares.

* § 1º - O disposto no caput deste artigo e no art. 10 desta Lei aplica-se aos candidatos
ao ingresso nos Quadros de Oficiais em que é também exigido o diploma de
estabelecimentos de ensino superior reconhecido pelo Governo Federal e aos Capelães
Policiais-Militares.
* Incluído pela Lei 7858/2018.

* § 2º – Para ingresso no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar – CFO –


QOPM, além dos requisitos do caput deste artigo e do art. 10 desta Lei, é exigido o
título de bacharel em Direito, obtido em estabelecimento reconhecido pelo sistema de
ensino federal, estadual ou do Distrito Federal.
* Incluído pela Lei 7858/2018.

CAPÍTULO III
DA HIERARQUIA E DA DISCIPLINA

Art. 12 - A hierarquia e a disciplina são a base institucional da Polícia Militar. A


autoridade e a responsabilidade crescem com o grau hierárquico.

§ 1º - A hierarquia policial-militar é a ordenação da autoridade em níveis diferentes,


dentro da estrutura da Polícia Militar. A ordenação se faz por postos ou graduações;
dentro de uma mesmo posto ou de uma mesma graduação se faz pela antigüidade no
posto ou na graduação. O respeito à hierarquia é consubstanciado no espírito de
acatamento à seqüência de autoridade.

§ 2º - Disciplina é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis,


regulamentos, normas e disposições que fundamentam o organismo policial-militar e
coordenam seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo perfeito
cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes desse
organismo.

§ 3º - A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser mantidos em todas as


circunstâncias da vida, entre policiais-militares da ativa, da reserva remunerada e
reformados.

210
Art. 13 - Círculos hierárquicos são âmbitos de convivência entre os policiais-militares
da mesma categoria e têm a finalidade de desenvolver o espírito de camaradagem em
ambiente de estima e confiança, sem prejuízo do respeito mútuo.

Art. 14 - Os círculos hierárquicos e a escala hierárquica na Polícia Militar são fixados


no Quadro e parágrafo seguintes:

CÍRCULOS DE OFICIAIS POSTOS


Superiores Coronel PM
Tenente-Coronel PM
Major PM

Intermediários Capitão PM

Subalternos Primeiro-Tenente PM
Segundo-Tenente PM

CÍRCULO DE PRAÇAS GRADUAÇÕES


Subtenentes e Sargentos Subtenente PM
Primeiro-Sargento PM
Segundo-Sargento PM
Terceiro-Sargento PM

Cabos e Soldados Cabo PM


Soldado PM de 1ª Classe
Soldado PM de 2ª Classe

*Cabo
PM
Soldado
PM -
Classe A
Soldado
PM -
Classe B
Soldado

211
PM -
Classe C

* nova redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 1008/1986.

PRAÇAS ESPECIAIS
Freqüentam o Círculo de Aspirante-a-Oficial PM
Oficiais Subalternos

Excepcionalmente ou em reuniões Aluno-Oficial PM


sociais têm acesso ao Círculo
de Oficiais

§ 1º - Posto é o grau hierárquico do oficial, conferido por ato do Governador do Estado


e confirmado em Carta Patente.

§ 2º - Graduação é o grau hierárquico da praça, conferido pelo Comandante Geral da


Polícia Militar.

§ 3º - Os Aspirantes-a-Oficial PM e os Alunos-Oficiais PM são denominados praças


especiais.

* § 5º - A inclusão do Soldado PM dar-se-á sempre na Classe C de sua graduação; se


não for aprovado no Curso de Formação de Soldados, será excluído da Corporação,
por conveniência do serviço e inaptidão para a carreira policial-militar; se for
aprovado, permanecerá nessa Classe durante os 5 (cinco) primeiros anos de serviço
efetivo na Corporação.
* Nova redação dada pela Lei nº 1008/1986.

§ 6º - O Soldado PM de 2ª Classe, ao término de sua formação, aprovado nos exames


de instrução policial-militar, técnica e profissional, será declarado Soldado de 1ª
Classe.
* § 6º - Decorrido o prazo de 5 (cinco) anos, o Soldado PM - Classe C terá declarado
seu acesso à Classe B, na qual permanecerá até completar mais 10 (dez) anos de
serviço efetivo findos os quais será incluído na Classe A, até sua promoção ou

212
exclusão.
* Nova redação dada pela Lei nº 1008/1986.

§ 7º - O Soldado PM de 2ª Classe reprovado nos referidos exames será excluído da


Corporação por conveniência do serviço e inaptidão para a carreira policial-militar.
* § 7º - Além das condições precedentes para o acesso de Classes, outras poderão ser
estabelecidas por Decreto do Governador do Estado.
* Nova redação dada pela Lei nº 1008/1986.

§ 8º - Os graus hierárquicos inicial e final dos diversos Quadros e Qualificações são


fixados, separadamente, para cada caso, em lei especial.

§ 9º - Sempre que o policial-militar da reserva remunerada ou reformado fizer uso do


posto ou graduação, deverá fazê-lo com as abreviaturas indicativas de sua situação.

Art. 15 - A precedência entre policiais-militares da ativa, do mesmo grau hierárquico,


é assegurada pela antigüidade no posto ou na graduação, salvo nos casos de
precedência funcional estabelecida em lei ou regulamento.

§ 1º - A antigüidade em cada posto ou graduação é contada a partir da data da


assinatura do ato da respectiva promoção, nomeação, declaração ou inclusão, salvo
quando estiver taxativamente fixada outra data.

§ 2º - No caso de ser igual a antigüidade referida no parágrafo anterior, a antigüidade é


estabelecida:
1 - entre policiais-militares do mesmo Quadro, pela posição nas respectivas escalas
numéricas ou registro existentes na Corporação, na conformidade do art. 17;
2 - nos demais casos, pela antigüidade no posto ou na graduação anterior; se, ainda
assim, subsistir a igualdade, recorrer-se-á, sucessivamente, aos graus hierárquicos
anteriores, à data de inclusão e à data de nascimento para definir a precedência e, neste
último caso, o mais velho será considerado mais antigo;
3 - na existência de mais de uma data de inclusão, prevalece a antigüidade do policial-
militar que tiver maior tempo de efetivo serviço prestado na Corporação; e
4 - entre os alunos de uma mesmo órgão de formação de policiais-militares, de acordo
com o regulamento do respectivo órgão, se não estiverem especificamente
enquadrados nos itens 1, 2 e 3.

213
§ 4º - Em igualdade de posto ou de graduação, a precedência entre policiais-militares
de carreira na ativa e os da reserva remunerada que estiverem convocados é definida
pelo tempo de efetivo serviço no posto ou graduação.

§ 5º - Nos casos de nomeações simultâneas resultantes de concurso, a precedência será


estabelecida pela ordem de classificação final dos candidatos.

Art. 16 - A precedência entre as praças especiais e as demais praças é assim regulada:


I - Os Aspirantes-a-Oficial PM são hierarquicamente superiores às demais praças;
II - Os Alunos-Oficiais PM são hierarquicamente superiores aos subtenentes PM.

Art. 17 - A Polícia Militar manterá registros de todos os dados referentes ao seu


pessoal da ativa e da reserva remunerada, dentro das respectivas escalas numéricas,
segundo as instruções baixadas pelo Comandante Geral da Corporação.

Art. 18 - Os Alunos Oficiais PM são declarados Aspirantes-a-Oficial PM, ao final do


curso da Escola de Formação de Oficiais, pelo Comandante Geral da Polícia Militar,
na forma especificada em seu regulamento.

CAPÍTULO IV
DO CARGO E DA FUNÇÃO POLICIAIS-MILITARES

Art. 19 - Cargo policial-militar é um conjunto de atribuições, deveres e


responsabilidades cometidos a um policial-militar em serviço ativo.

§ 1º - O cargo policial-militar a que se refere este artigo é o que se encontra


especificado nos Quadros de Organização ou previsto, caracterizado ou definido como
tal em outras disposições legais.

§ 2º - As obrigações inerentes ao cargo policial-militar devem ser compatíveis com o


correspondente grau hierárquico e definidas em legislação ou regulamentação própria.

Art. 20 - Os cargos policiais-militares são providos com pessoal que satisfaça aos
requisitos de grau hierárquico e de qualificação exigidos para o seu desempenho.

Parágrafo único - O provimento de cargo policial-militar se fará por ato de nomeação


ou determinação expressa de autoridade competente.

214
Art. 21 - O cargo policial-militar é considerado vago a partir de sua criação e até que
um policial-militar nele tome posse, ou desde o momento em que o policial-militar
exonerado, ou que tenha recebido determinação expressa de autoridade competente, o
deixe e até que outro policial-militar nele tome posse, de acordo com as normas de
provimento previstas no parágrafo único do artigo anterior.

Parágrafo único - Consideram-se também vagos os cargos policiais-militares cujos


ocupantes tenham:
1 - falecido;
2 - sido considerados extraviados; e
3 - sido considerados desertores.

Art. 22 - Função policial-militar é o exercício das obrigações inerentes ao cargo


policial-militar.

Art. 23 - Dentro de uma mesma organização policial-militar, a seqüência de


substituições para assumir ou responder por funções, bem como as normas, atribuições
e responsabilidades relativas, são as estabelecidas na legislação ou regulamentação
próprias, respeitadas a precedência e qualificações exigidas para o cargo ou o exercício
da função.

Art. 24 - O policial-militar ocupante de cargo provido em caráter efetivo ou interino,


de acordo com o parágrafo único do art. 20, faz jus aos direitos correspondentes ao
cargo, conforme previsto em dispositivo legal.

Art. 25 - As obrigações que, pela generalidade, peculiaridade, duração, vulto ou


natureza, não são catalogadas como posições tituladas em Quadro de Organização ou
dispositivo legal, são cumpridas como Encargo, Incumbência, Comissão,
Serviço ou Atividade policial-militar ou de natureza policial-militar.

Parágrafo único - Aplica-se, no que couber, ao Encargo, Incumbência, Comissão,


Serviço ou Atividade policial-militar ou de natureza policial-militar, o disposto neste
Capítulo para Cargo Policial-Militar.

TÍTULO II
DAS OBRIGAÇÕES E DOS DEVERES POLICIAIS-MILITARES
CAPÍTULO I

215
DAS OBRIGAÇÕES POLICIAIS-MILITARES
Seção I
Do Valor Policial-Militar

Art. 26 - São manifestações essenciais do valor policial-militar:


I - o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever policial-militar
e pelo solene juramento de fidelidade Pátria e integral devotamento à manutenção da
ordem pública, até com o sacrifício da própria vida;
II - o civismo e o culto das tradições históricas;
III - a fé na elevada missão da Polícia Militar;
IV - o espírito de corpo, orgulho do policial-militar pela organização onde serve;
V - o amor à profissão policial-militar e o entusiasmo com que é exercida; e
VI - o aprimoramento técnico-profissional.

Seção II
Da Ética Policial-Militar

Art. 27 - O sentimento do dever, o pundonor policial-militar e o decoro da classe


impõem, a cada um dos integrantes da Polícia Militar, conduta moral e profissional
irrepreensíveis, com observância dos seguintes preceitos da ética policial-militar:
I - amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal;
II - exercer com autoridade, eficiência e probidade as funções que lhe couberem em
decorrência do cargo;
III - respeitar a dignidade da pessoa humana;
IV - cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das
autoridades competentes;
V - ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos
subordinados;
VI - zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e, também, pelo dos
subordinados, tendo em vista o cumprimento da missão comum;
VII - empregar todas as suas energias em benefício do serviço;
VIII - praticar a camaradagem e desenvolver permanentemente o espírito de
cooperação;
IX - ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada;
X - abster-se de tratar, fora do âmbito apropriado, de matéria sigilosa de qualquer
natureza;
XI - acatar as autoridades civis;

216
XII - cumprir seus deveres de cidadão;
XIII - proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular;
XIV - observar as normas da boa educação;
XV - garantir assistência moral e material aos seu lar e conduzir-se como chefe de
família modelar;
XVI - conduzir-se, mesmo fora do serviço ou quando já na inatividade, de modo que
não sejam prejudicados os princípios da disciplina, no respeito e do decoro policial-
militar;
XVII - abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais
de qualquer natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros;
XVIII - abster-se, na inatividade, do uso das designações hierárquicas:
1 - em atividades político-partidárias;
2 - em atividades comerciais;
3 - em atividades industriais;
4 - para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos
ou policiais-militares, excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica, se
devidamente autorizado; e
5 - no exercício de cargo ou função de natureza não policial-militar, mesmo que seja
da Administração Pública; e
XIX - zelar pelo nome da Polícia Militar e de cada um dos seus integrantes,
obedecendo e fazendo obedecer os preceitos da ética policial-militar.

Art. 28 - Ao policial-militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte da


administração ou gerência de sociedade ou dela ser sócio ou participar, exceto como
acionista ou quotista em sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade
limitada.

§ 1º - Os policiais-militares na reserva remunerada, quando convocados, ficam


proibidos de tratar, nas organizações policiais-militares e nas repartições públicas
civis, dos interesses de organizações ou empresas privadas de qualquer natureza.

§ 2º - Os policiais-militares da ativa podem exercer, diretamente, a gestão de seus


bens, desde que não infrinjam o disposto no presente artigo.

§ 3º - No intuito de desenvolver a prática profissional dos integrantes do Quadro de


Oficiais de Saúde, é-lhes permitido o exercício de atividade técnico-profissional, no
meio civil, desde que tal prática não prejudique o serviço e não infrinja o disposto

217
neste artigo.

Art. 29 - O comandante Geral da Polícia Militar poderá determinar aos policiais-


militares da ativa que, no interesse da salvaguarda da dignidade dos mesmos,
informem sobre a origem e natureza dos seus bens, sempre que houver razões que
recomendem tal medida.

CAPÍTULO II
DOS DEVERES POLICIAIS-MILITARES
Seção I
Conceituação

Art. 30 - Os deveres policiais-militares emanam de um conjunto de vínculos racionais,


bem como morais, que ligam o policial-militar à Pátria, à comunidade estadual e à sua
segurança e compreendem, essencialmente:
I - a dedicação integral ao serviço policial-militar e a fidelidade à Pátria e à instituição
a que pertence, mesmo com o sacrifício da própria vida;
* I - A dedicação integral ao serviço policial-militar, salvo as exceções previstas em
Lei, e a fidelidade à Pátria e à instituição a que pertence, mesmo com sacrifício da
própria vida.
* Nova redação dada pela Lei nº 2216/1994
II - o culto aos símbolos nacionais;
III - a probidade e a lealdade em todas as circunstâncias;
IV - a disciplina e o respeito à hierarquia;
V - o rigoroso cumprimento das obrigações e ordens; e
VI - a obrigação de tratar o subordinado dignamente e com urbanidade.

Seção II
Do Compromisso Policial-Militar

Art. 31 - Todo cidadão, após ingressar na Polícia Militar mediante inclusão, matrícula
ou nomeação, prestará compromisso de honra, no qual firmará a sua aceitação
consciente das obrigações e dos deveres policiais-militares e manifestará a sua firme
disposição de bem cumpri-los.

Art. 32 - O compromisso a que se refere o artigo anterior terá caráter solene e será
sempre prestado sob a forma de juramento à Bandeira e na presença de tropa formada,

218
tão logo o policial-militar tenha adquirido um grau de instrução compatível com o
perfeito entendimento de seus deveres como integrante da Polícia Militar, conforme os
seguintes dizeres: Ao ingressar na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,
prometo regular a minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir
rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado e dedicar-me
inteiramente ao serviço da Pátria, ao serviço policial-militar, à manutenção da
ordem pública e à segurança da comunidade, mesmo com o sacrifício da própria
vida.

§ 1º - O compromisso do Aspirante-a-Oficial PM será prestado no estabelecimento de


formação de Oficiais, de acordo com o cerimonial constante do regulamento daquele
estabelecimento de ensino. Esse compromisso obedecerá os seguintes dizeres: Ao ser
declarado Aspirante-a-Oficial da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
assumo o compromisso de cumprir rigorosamente as ordens legais das
autoridades a que estiver subordinado e dedicar-me inteiramente ao serviço da
Pátria, à manutenção da ordem pública e à segurança da comunidade, mesmo
com o sacrifício da própria vida.

§ 2º - Ao ser promovido ou nomeado ao primeiro posto, o Oficial PM prestará o


compromisso de Oficial, em solenidade especialmente programada, de acordo com os
seguintes dizeres: Perante a Bandeira do Brasil e pela minha honra, prometo
cumprir os deveres de oficial da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, e
dedicar-me inteiramente ao seu serviço.

Seção III
Do Comando e da Subordinação

Art. 33 - Comando é a soma de autoridade, deveres e responsabilidades de que o


policial-militar é investido legalmente, quando conduz homens ou dirige uma
organização policial-militar. O Comando é vinculado ao grau hierárquico e constitui
uma prerrogativa impessoal, em cujo exercício o policial-militar se define e se
caracteriza como Chefe.

Parágrafo único - Aplica-se à Direção e à Chefia de Organização Policial-Militar, no


que couber, o estabelecido para o Comando.

Art. 34 - A subordinação não afeta, de modo algum, a dignidade pessoal do policial-

219
militar e decorre, exclusivamente, da estrutura hierarquizada da Polícia Militar.

Art. 35 - O Oficial é preparado, ao longo da carreira, para o exercício de funções de


Comando, de Chefia e de Direção.

Art. 36 - Os Subtenentes e Sargentos auxiliam e complementam as atividades dos


Oficiais, quer no adestramento e no emprego dos meios, quer na instrução e na
administração; deverão ser empregados na execução de atividades de policiamento
ostensivo peculiares à Polícia Militar.

Parágrafo único - No exercício das atividades mencionadas neste artigo e no


comando de elementos subordinados, os subtenentes e sargentos deverão impor-se pela
lealdade, pelo exemplo e pela capacidade profissional e técnica, incumbindo-lhes
assegurar a observância minuciosa e ininterrupta das ordens, das regras do serviço e
das normas operativas, pelas praças que lhe estiverem diretamente subordinadas e a
manutenção da coesão e do moral das mesmas praças em todas as circunstâncias.

Art. 37 - Os Cabos e Soldados são, essencialmente, os elementos de execução.

Art. 38 - Às praças especiais cabe a rigorosa observância das prescrições dos


regulamentos que lhes são pertinentes, exigindo-se-lhes inteira dedicação ao estudo e
ao aprendizado técnico-profissional.

Art. 39 - Cabe ao policial-militar a responsabilidade integral pelas decisões que tomar,


pelas ordens que emitir e pelos atos que praticar.

CAPÍTULO III
DA VIOLAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES E DOS DEVERES
Seção I
Conceituação

Art. 40 - A violação das obrigações ou dos deveres policiais-militares constituirá


crime, contravenção ou transgressão disciplinar, conforme dispuserem a legislação ou
regulamentação específicas ou peculiares.

§ 1º - A violação dos preceitos da ética policial-militar será tão mais grave quanto
elevado for o grau hierárquico de quem a cometer.

220
§ 2º - No concurso de crime militar e de contravenção ou de transgressão disciplinar,
quando forem da mesma natureza, será aplicada somente a pena relativa ao crime.

Art. 41 - A inobservância dos deveres especificados nas leis e regulamentos ou a falta


de exação no cumprimento dos mesmos, acarreta para o policial-militar
responsabilidade funcional, pecuniária, disciplinar ou penal, consoante a legislação
específica ou peculiar.

Parágrafo único - A apuração da responsabilidade funcional, pecuniária, disciplinar


ou penal poderá concluir pela incompatibilidade do policial-militar com o cargo ou
pela incapacidade para o exercício das funções policiais-militares a ele inerentes.

Art. 42 - O policial-militar que, por sua atuação, se tornar incompatível com o cargo
ou demonstrar incapacidade no exercício de funções policiais-militares a ele inerentes,
será afastado do cargo.

§ 1º - São competentes para determinar o imediato afastamento do cargo ou


impedimento do exercício da função:
1 - o Governador do Estado;
2 - o Secretário de Estado de Segurança Pública;
3 - o Comandante Geral da Polícia Militar; e
4 - os Comandantes, os Chefes e os Diretores, na conformidade da legislação ou
regulamentação da Corporação.

§ 2º - O policial-militar afastado do cargo, nas condições mencionadas neste artigo,


ficará privado do exercício de qualquer função policial-militar, até a solução do
processo ou das providências legais cabíveis.

* Art. 42 A – O policial-militar que responder por malversação, alcance de dinheiro ou


valores públicos ou outra infração de que possa resultar demissão, licenciamento ex
offício ou exclusão, poderá ser suspenso preventivamente, a qualquer tempo, a critério
da autoridade que determinar a abertura da respectiva apuração, até decisão final do
processo.

* § 1º - Na hipótese prevista no “caput” deste artigo o recebimento do vencimento será


proporcional ao tempo de serviço, ressalvado o direito à diferença no caso de não

221
resultar do procedimento algumas das penas referidas no “caput” deste artigo ou pena
de suspensão igual ou superior a duração da suspensão preventiva.
* Declarado inconstitucional. Tribunal de Justiça - Órgão Especial - Representação por
Inconstitucionalidade nº 35/02.

§ 2º - A suspensão preventiva de que trata este artigo é medida acautelatória e não


constitui pena.

* Artigo acrescentado pela Lei nº 3598/2001.

Art. 43 - São proibidas quaisquer manifestações, tanto sobre atos superiores, quanto as
de caráter reivindicatórios ou político.

Seção II
Dos Crimes Militares

Art. 44 - O Código Penal Militar (CPM) relaciona e classifica os crimes militares, em


tempo de paz e em tempo de guerra e dispõe sobre a aplicação aos militares das penas
correspondentes aos crimes por eles cometidos, aplicando-se no que couber, aos
integrantes da Polícia Militar, as disposições estabelecidas no referido CPM.

Parágrafo único - Compete ao Tribunal estadual competente processar e julgar os


policiais-militares em segunda instância, nos crimes definidos em lei como militares.

Seção III
Das transgressões Disciplinares

Art. 45 - O Regulamento Disciplinar da Polícia Militar especificará e classificará as


transgressões disciplinares e estabelecerá as normas relativas à amplitude e aplicação
das penas disciplinares, à classificação do comportamento policial-militar e à
interposição de recursos contra as penas disciplinares.

§ 1º - Ao Aluno-Oficial PM aplicam-se, também, as disposições disciplinares previstas


no estabelecimento de ensino onde estiver matriculado.

§ 2º - As penas disciplinares de detenção ou prisão não podem ultrapassar a trinta dias.

222
Seção IV
Dos Conselhos de Justificação e Disciplina

Art. 46 - O Oficial presumivelmente incapaz de permanecer como policial-militar da


ativa será submetido a Conselho de Justificação, na forma da legislação própria.

§ 1º - O Oficial, ao ser submetido a Conselho de Justificação, será afastado do


exercício de suas funções, a critério do Comandante Geral da Polícia Militar, conforme
estabelecido em legislação própria.

§ 2º - O Tribunal estadual competente julgará os processos oriundos dos Conselhos de


Justificação, na forma estabelecida em lei.

§ 3º - A Conselho de Justificação poderá ser submetido o Oficial da reserva


remunerada ou reformado, presumivelmente incapaz de permanecer na situação de
inatividade em que se encontra.

Art. 47 - O Aspirante-a-Oficial PM, bem como as praças com estabilidade assegurada,


presumivelmente incapazes de permanecerem como policiais-militares da ativa, serão
submetidos a Conselho de Disciplina e afastados das atividades que estiverem
exercendo, na forma da regulamentação própria.

§ 1º - Compete ao Comandante Geral da Polícia Militar julgar, em última instância, os


processos oriundos dos Conselhos de Disciplina convocados no âmbito da Corporação.

§ 2º - A conselho de Disciplina poderá, também, ser submetida a praça na reserva


remunerada ou reformada, presumivelmente incapaz de permanecer na situação de
inatividade em que se encontra.

TÍTULO III
DOS DIREITOS E DAS PRERROGATIVAS DOS POLICIAIS-MILITARES
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS
Seção I
Enumeração

Art. 48 - São direitos dos policiais-militares:

223
I - a garantia da patente, em toda a sua plenitude, com as vantagens, prerrogativas e
deveres a ela inerentes, quando oficial, nos termos da legislação específica;
II - a percepção de remuneração correspondente ao grau hierárquico superior ou
melhoria da mesma quando, ao ser transferido para a inatividade, contar mais de 30
(trinta) anos de serviço e nos casos previstos no item 1 do inciso II e no inciso III, do
art. 96;
* II - A percepção de remuneração correspondente ao grau hierárquico superior ou
melhoria da mesma quando, ao ser transferido para a inatividade, contar mais de 30
(trinta) anos de serviço ou nos casos previstos no § 4º do art. 95 ou nos incisos II, III,
VII ou VIII do art. 96, sendo que, em todos estes casos, terá direito a percepção
integral do adicional de inatividade.
* Nova redação dada pela Lei nº 1657/1990.

* II - a percepção de remuneração correspondente ao grau hierárquico superior ou


melhoria da mesma, quando, ao ser transferido para a inatividade contar mais de 30
(trinta) anos de serviço ou nos casos previstos nos incisos II, III e IV do art. 96, sendo
que, em todos estes, terá direito à percepção integral do adicional de inatividade.
* Nova redação dada pela Lei nº 23145/1994.

III - a remuneração calculada com base no soldo integral do posto ou graduação


quando, não contando 30 (trinta) anos de serviço, for transferido para a reserva
remunerada ex-officio, por ter atingido a idade-limite de permanência em atividade no
posto ou na graduação ou ter sido abrangido pela quota compulsória; e
* III - a remuneração calculada com base no saldo integral do posto ou graduação
quando, não contando 30 (trinta) anos de serviço, for transferido para a reserva
remunerada ex-officio, por ter atingido ou a idade limite de permanência na
Corporação ou o tempo de permanência no posto ou, ainda, ter sido abrangido pela
quota compulsória.
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993.
IV - nas condições ou nas limitações impostas na legislação e regulamentação própria:
1 - a estabilidade, quando praça com 10 (dez) ou mais anos de tempo de efetivo
serviço;
2 - o uso das designações hierárquicas;
3 - a ocupação de cargo correspondente ao posto ou à graduação;
4 - a percepção de remuneração;
5 - a assistência médico-hospitalar para si e seus dependentes, assim entendida como o
conjunto de atividades relacionadas com a prevenção, conservação ou recuperação da

224
saúde, abrangendo serviços profissionais médicos, farmacêuticos e odontológicos, bem
como o fornecimento, a aplicação de meios e os cuidados e demais atos médicos e
paramédicos necessários;
6 - o funeral para si e seus dependentes constituindo-se no conjunto de medidas
tomadas pelo Estado, quando solicitado, desde o óbito até o sepultamento condigno;
7 - a alimentação, assim entendida como as refeições fornecidas aos policiais-militares
em atividade;
8 - o fardamento, constituindo-se no conjunto de uniformes, roupa branca e de cama,
fornecidos ao policial-militar na ativa de graduação inferior a 3º Sargento e, em casos
especiais, a outros policiais-militares;
9 - a moradia para o policial-militar em atividade, compreendendo:
a) alojamento, em organização policial-militar, quando aquartelado; e
b) habitação para si e seus dependentes, em imóvel sob a responsabilidade do Estado,
de acordo com a disponibilidade existente;
10 - o transporte, assim entendido como os meios fornecidos ao policial-militar para
seu deslocamento, por interesse do serviço quando o deslocamento implicar em
mudança de sede ou de moradia; compreende também as passagens para seus
dependentes e a translação das respectivas bagagens, de residência a residência;
11 - a constituição de pensão policial-militar;
12 - a promoção;
13 - a transferência a pedido para a reserva remunerada;
14 - as férias, os afastamentos temporários dos serviços e as licenças;
15 - a demissão e o licenciamento voluntários;
16 - o porte de arma, quando oficial em serviço ativo ou em inatividade, salvo o caso
de inatividade por alienação mental ou condenação por crimes contra a segurança do
Estado ou por atividades que desaconselhem aquele porte;
17 - o porte de arma, pelas praças, com as restrições impostas pela Polícia Militar;
18 assistência judiciária quando for praticada a infração penal no exercício da função
policial-militar ou em razão dela, conforme estabelecer a regulamentação especial; e
19 - outros direitos previstos em legislação específica ou peculiar.

*V - Jornada de 6 (seis) horas para o trabalho em turnos ininterruptos de revezamento;

*VI - A duração do trabalho normal não superior a 8 (oito) horas diárias e 40


(quarenta) horas semanais;

*VII - A remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta

225
por cento à do normal.

(incisos acrescentados pela Lei nº 1900/91)

§ 1º - A percepção da remuneração correspondente ao grau hierárquico superior ou


melhoria da mesma, de que trata o inciso II deste artigo, obedecerá ao seguinte:
1 - o oficial que contar mais de 30 (trinta) anos de serviço, após o ingresso na
inatividade, terá seus proventos calculados sobre o soldo correspondente ao posto
imediato, se existir na Polícia Militar posto superior ao seu, mesmo que de outro
Quadro; se ocupante do último posto da hierarquia da Corporação, o oficial terá os
proventos calculados, tomando-se por base o soldo do seu próprio posto acrescido de
percentual fixado em legislação própria.
2 - os Subtenentes, quando transferidos para a inatividade, terão os proventos
calculados sobre o soldo correspondente ao posto de Segundo-Tenente PM, desde que
contem mais de 30 (trinta) anos de serviço; e
3 - as demais praças que contem mais de 30 (trinta) anos de serviço, ao serem
transferidas para a inatividade, terão os proventos calculados sobre o soldo
correspondente à graduação imediatamente superior.

§ 2º - São considerados dependentes do policial-militar:


1 - a esposa
2 - o filho menor de 21 (vinte e um) anos, ou inválido ou interdito;
3 - a filha solteira, desde que não receba remuneração;
4 - o filho estudante, menor de 24 (vinte e quatro) anos, desde que não receba
remuneração;
5 - a mão viúva, desde que não receba remuneração;
6 - o enteado, o filho adotivo e o tutela, nas mesmas condições dos itens 2, 3 e 4;
7 - a viúva do policial-militar, enquanto permanecer neste estado, e os demais
dependentes mencionados nos itens 2, 3, 4, 5 e 6 deste parágrafo, desde que vivam sob
a responsabilidade da viúva; e
8 - a ex-esposa, com direito a pensão alimentícia estabelecida por sentença transitada
em julgado, enquanto não contrair novo matrimônio.
* 9 - a(o) companheira(o), nos termos da legislação em vigor; que viva sob sua
exclusiva dependência econômica, comprovada a união estável mediante procedimento
administrativo de justificação.
* Item acrescentado pelo art. 4º da Lei nº 4300/2004.

226
§ 3º - São ainda considerados dependentes do policial-militar, desde que vivam sob sua
dependência econômica, sob o mesmo teto e quando expressamente declarados na
organização policial-militar competente:
1 - a filha, a enteada e a tutelada, quer viúvas, separadas judicialmente ou divorciadas,
desde que não recebam remuneração;
2 - a mãe solteira, a madrasta viúva, a sogra viúva ou solteira, bem como separadas
judicialmente ou divorciadas, desde que, em qualquer dessas situações, não recebam
remuneração;
3 - os avós e os pais, quando inválidos ou interditos, e respectivos cônjuges, estes
desde que não recebam remuneração;
4 - o pai maior de 60 (sessenta) anos e seu respectivo cônjuge, desde que ambos não
recebam remuneração;
5 - o irmão, o cunha e o sobrinho, quando menores, ou inválidos ou interditos sem
outro arrimo;
6 - a irmã, a cunhada e a sobrinha solteiras, viúvas, separadas judicialmente ou
divorciadas, desde que não recebam remuneração;
7 - o neto, órgão, menor inválido ou interdito;
8 - a pessoa que viva no mínimo há 5 (cinco) anos sob a sua exclusiva dependência
econômica, comprovada mediante justificação judicial;
* 8 - a pessoa que viva no mínimo há cinco anos sob a sua exclusiva dependência
econômica, comprovada mediante procedimento administrativo de justificação;
* Nova redação dada pelo art. 6º da Lei nº 4300/2004.
* 9 - a companheira, desde que viva em sua companhia há mais de 5 (cinco) anos,
comprovada por justificação judicial; e
* Item revogado pelo art. 8º da Lei nº 4300/2004.
10 - o menor que esteja sob sua guarda, sustento e responsabilidade, mediante
autorização judicial.

§ 4º - Para efeito do disposto nos §§ 2º e 3º deste artigo, não serão considerados como
remuneração os rendimentos não provenientes do trabalho assalariado, ainda que
recebidos dos cofres públicos, ou a remuneração que, mesmo resultante de relação de
trabalho, não enseje ao dependente do policial-militar qualquer direito à assistência
previdenciária oficial.

Art. 49 - O policial-militar que se julgar prejudicado ou ofendido por qualquer ato


administrativo ou disciplinar de superior hierárquico poderá recorrer ou interpor
pedido de reconsideração, queixa ou representação, segundo legislação vigente na

227
Corporação.

§ 1º - O direito de recorrer na esfera administrativa prescreverá:


1 - em 15 (quinze) dias corridos, a contar do recebimento da comunicação oficial,
quanto a ato que decorra da inclusão em quota compulsória ou de composição de
Quadro de Acesso; e
2 - em 120 (cento e vinte) dias corridos, nos demais casos.

§ 2º - O pedido de reconsideração, a queixa e a representação não podem ser feitos


coletivamente.

§ 3º - O policial-militar só poderá recorrer ao Judiciário após esgotados ou recursos


administrativos e deverá participar esta iniciativa antecipadamente à autoridade à qual
estiver subordinado.

Art. 50 - Os policiais-militares são alistáveis, como eleitores, desde que oficiais,


aspirantes-a-oficial, alunos-oficiais, subtenentes e sargentos.

Parágrafo único - Os policiais-militares alistáveis são elegíveis, atendidas as


seguintes condições:
1 - se contarem menos de 5 (cinco) anos de serviço serão, ao se candidatarem a cargo
eletivo, excluídos do serviço ativo, mediante demissão ou licenciamento ex-officio; e
2 - se em atividade, com 5(cinco) ou mais anos de serviço, ao se candidatarem a cargo
eletivo, serão afastados, temporariamente, do serviço ativo e agregados, considerados
em licença para tratar de interesse particular, se eleitos, serão, no ato da diplomação
transferidos para a reserva remunerada, percebendo a remuneração a que fizerem jus,
em função do tempo de serviço.

Seção II
Da Remuneração

Art. 51 - A remuneração dos policiais-militares, devida com bases estabelecidas em


legislação própria, compreende:
I - na ativa:
1 - vencimentos, constituídos de soldo e gratificações; e
2 - indenizações; e
II - na inatividade:

228
1 - proventos, constituídos de soldo ou quotas de soldo e gratificações incorporáveis; e
2 - indenizações na inatividade.

Parágrafo único - O policial-militar fará jus, ainda, a outros direitos pecuniários em


casos especiais.

Art. 52 - O soldo é irredutível e não está sujeito a penhora, seqüestro ou arresto,


exceto nos casos previstos em lei.

Art. 53 - O valor do soldo é igual para o policial-militar da ativa, da reserva


remunerado ou reformado, de um mesmo grau hierárquico, ressalvado o disposto no
inciso II do caput do art. 48.

Art. 54 - Por ocasião de sua passagem para a inatividade, o policial-militar terá direito
a tantas quotas do soldo quantos forem os anos de serviço, computáveis para a
inatividade, até o máximo de 30 (trinta) anos, ressalvado o disposto no inciso III do
caput do art. 48.

Parágrafo único - Para efeito de contagem de quotas, a fração de tempo igual ou


superior a 180 (cento e oitenta) dias, será considerada 1 (um) anos.

Art. 55 - É proibido acumular remuneração de inatividade.

Parágrafo único - O disposto neste artigo não se aplica aos policiais-militares da


reserva remunerada e aos reformados quanto ao exercício de mandato eletivo, quanto
ao de função de magistério ou cargo em comissão ou quanto ao contrato para prestação
de serviços técnicos ou especializados.

Art. 56 - Os proventos da inatividade serão revistos sempre que, por motivo de


alteração do poder aquisitivo da moeda, se modificarem os vencimentos dos policiais-
militares em serviço ativo.

Parágrafo único - Ressalvados os casos previstos em lei, os proventos da inatividade


não poderão exceder à remuneração percebida pelo policial-militar da ativa no posto
ou na graduação correspondente aos dos seus proventos.

Seção III
Da Promoção

229
Art. 57 - O acesso na hierarquia da Polícia Militar, fundamentado principalmente no
valor moral e profissional, é seletivo, gradual e sucessivo e será feito mediante
promoções, de conformidade com a legislação e regulamentação de promoções de
oficiais e praças, de modo a obter-se um fluxo regular e equilibrado de carreira para os
policiais-militares.

§ 1º - O planejamento da carreira dos oficiais e das praças é atribuição do Comandante


Geral da Polícia Militar.

§ 2º - A promoção é um ato administrativo e tem como finalidade básica a seleção dos


policiais-militares para o exercício de funções pertinentes ao grau hierárquico superior.

* § 3º - O Policial Militar não será promovido se estiver condenado por crime comum
ou especial, inclusive o militar, por sentença transitada em julgado, ou se estiver sendo
submetido aos Conselhos de Justificação, de Disciplina ou à Comissão de Revisão
Disciplinar e, ainda, se não satisfizer as demais condições previstas no Decreto-Lei nº
216, de 18.07.1975, e no RPP aprovado pelo Decreto nº 7.766 de 28.11.84.
* Nova redação dada pela Lei nº 2109/1993.

Art. 58 - As promoções serão efetuadas pelos critérios de antigüidade e merecimento,


ou ainda por bravura e post-mortem.
* Art. 58 - As promoções serão efetuadas pelos critérios de antigüidade, merecimento,
tempo de serviço, bravura e “post-mortem.
* Nova redação dada pela Lei nº 3793/2002.
. ver: lei nº 3793/2002.

§ 1º - Em casos extraordinários e independentemente de vagas, poderá haver


promoções em ressarcimento de preterição.

§ 2º - A promoção de policial-militar feita em ressarcimento de preterição será


efetuada segundo os critérios de antigüidade ou merecimento, recebendo ele o número
que lhe competir na escala hierárquica como se houvesse sido promovido, na época
devida, pelo critério em que seria feita sua promoção.

Art. 59 - Não haverá promoção de policial-militar por ocasião de sua transferência


para a reserva remunerada ou reforma.

230
*Art. 60 - A fim de manter a renovação, o equilíbrio e a regularidade de acesso nos
diferentes Quadros, haverá anual e obrigatoriamente um número fixado de vagas à
promoção nas proporções a seguir indicadas:

* I – Coronéis: ¼ (um quarto) do efetivo previsto, nos respectivos Quadros;


* II – Tenentes-Coronéis: 1/10 (um décimo) do efetivo previsto, nos respectivos
Quadros;
* III – majores: 1/15 (um quinze avos) do efetivo previsto, nos respectivos Quadros.
*( Nova redação dada pelo art.1º da Lei 3498/2000)
IV - Nos Quadros de que trata o item 2 do inciso I do art. 96:
* IV . - Nos Quadros de que trata o item 3 do inciso I do art. 96:
* Nova redação dada pela Lei nº 794/1984.
1 - Oficiais do último posto previsto na hierarquia do seu Quadro: 1/10 do respectivo
Quadro;
2 - Oficiais do penúltimo posto previsto na hierarquia do seu Quadro: 1/12 do
respectivo Quadro.

§ 1º - O número de vagas para promoção obrigatória em cada ano-base para os postos


relativos aos incisos I, II, III e IV deste artigo, será fixado pelo Comandante Geral até
o dia 15 de janeiro do ano seguinte.

§ 2º - As frações que resultarem da aplicação das proporções estabelecidas neste


artigo, serão adicionadas cumulativamente aos cálculos correspondentes dos anos
seguintes, até completar-se, pelo menos 1 (um) inteiro, que, então será computado para
obtenção de uma vaga para promoção obrigatória.

§ 3º - As vagas serão consideradas abertas:


1 - na data da assinatura do ato que promover, passar para a inatividade, transferir de
Quadro, demitir ou agregar o policial-militar;
2 - na data fixada na Lei de Promoções de Oficiais (LPO) da ativa da Polícia Militar ou
seus regulamentos, em casos neles indicados; e
3 - na data oficial do óbito do policial-militar.

Seção IV
Das Férias e Outros Afastamentos Temporários do Serviço

231
Art. 61 - Férias são afastamentos totais do serviço, anual e obrigatoriamente
concedidos aos policiais-militares para descanso, a partir do último mês do ano a que
se referem e durante todo o ano seguinte.

§ 1º - O Poder Executivo Estadual fixará a duração das férias.

§ 2º - Compete ao Comandante Geral da Polícia Militar a regulamentação da


concessão das férias anuais.

§ 3º - A concessão de férias não é prejudicada pelo gozo anterior de licença para


tratamento de saúde, licença especial, por punição anterior decorrente de transgressão
disciplinar, pelo estado de guerra ou para que sejam cumpridos atos de serviço, bem
como não anula o direito àquelas licenças.

§ 4º - Somente em casos de interesse da Segurança Nacional, de manutenção da


ordem, de extrema necessidade do serviço ou de transferência para a inatividade, ou
para cumprimento de punição decorrente de transgressão disciplinar de natureza grave
e em caso de baixa a hospital, os policiais-militares terão interrompido ou deixarão de
gozar, na época prevista, o período de férias a que tiverem direito, registrando-se o fato
em seus assentamentos.

§ 5º - Na impossibilidade de gozo de férias no ano seguinte pelos motivos previstos no


parágrafo anterior, ressalvados os casos de transgressão disciplinar de natureza grave,
o período de férias não gozado será computado dia a dia, pelo dobro, no momento da
passagem do policial-militar para a inatividade e nesta situação para todos os efeitos
legais.

Art. 62 - Os policiais-militares têm direito, ainda, aos seguintes períodos de


afastamento total do serviço, obedecidas as disposições legais e regulamentares, por
motivo de:
I - núpcias: 8 (oito) dias;
II - luto: 8 (oito)dias;
III - instalação: até 10 (dez) dias;
IV - trânsito: até 15 (quinze) dias.

Art. 63 - As férias e outros afastamentos mencionados nesta seção são concedidos

232
com a remuneração prevista na legislação própria e computados como tempo de
efetivo serviço para todos os efeitos legais.

Seção V
Das Licenças

Art. 64 - Licença é a autorização para o afastamento total do serviço, em caráter


temporário, concedida ao policial-militar, obedecidas as disposições legais e
regulamentares.

§ 1º - A licença pode ser:


1 - especial;
2 - para tratar de interesse particular;
3 - para tratamento de saúde de pessoa da família; e
4 - para tratamento de saúde própria.

§ 2º - A remuneração do policial-militar licenciado será regulada em legislação


própria.

§ 3º - A concessão de licença é regulada pelo Comandante Geral da Policia Militar.

Art. 65 - A licença especial é a autorização para afastamento total do serviço, relativa


a cada decênio de tempo de efetivo serviço prestado, concedida ao policial-militar que
a requeira, sem que implique em qualquer restrição para a sua carreira.

§ 1º - A licença especial tem a duração de 6 (seis) meses, a ser gozada de uma só vez,
podendo ser parcelada em 2 (dois) ou 3 (três) meses, quando solicitado pelo
interessado e julgado conveniente pelo Comandante Geral da Corporação.

§ 2º - O período de licença especial não interrompe a contagem de tempo de efetivo


serviço.

§ 3º - Os períodos de licença especial não gozados pelo policial-militar são


computados em dobro para fins exclusivos de contagem de tempo para a passagem
para a inatividade e, nesta situação, para todos os efeitos legais.

§ 4º - A licença especial não é prejudicada pelo gozo anterior de qualquer licença para

233
tratamento de saúde e para que sejam cumpridos atos de serviço, bem como não anula
o direito àquelas licenças.

§ 5º - Uma vez concedida a licença especial, o policial-militar será exonerado do cargo


ou dispensado do exercício das funções que exerce e ficará à disposição do órgão de
pessoal da Polícia Militar, adido à organização policial-militar onde servir.

Art. 66 - A licença para tratar de interesse particular é a autorização para afastamento


total do serviço, concedida ao policial-militar com mais de 10 (dez) anos de efetivo
serviço, que a requeira com aquela finalidade.

* Art. 66 - A licença para tratar de interesse particular é a autorização para afastamento


total do serviço, concedida ao policial militar com mais de 05 (cinco) anos de efetivo
serviço, que a requeira com aquela finalidade, e somente poderá ser requerida a cada
10 (dez) anos da primeira concessão.
* Nova redação dada pela Lei 7714/2017.

§ 1º - A licença de que trata este artigo será sempre concedida com prejuízo da
remuneração e da contagem do tempo de efetivo serviço, exceto, quanto a este último,
para fins de indicação para a quota compulsória.

§ 2º - A policial-militar (PM-Fem) casada terá direito a licença para tratar de interesse


particular, independentemente de seu tempo de efetivo serviço, quando o marido for
mandado servir, ex-officio, fora do Estado do Rio de Janeiro, seja em outro ponto do
território nacional ou no estrangeiro, dependendo a licença de requerimento
devidamente instruído.

Art. 67 - À policial-militar (PM-Fem) gestante será concedida, mediante inspeção


médica, licença para tratamento de saúde própria, por quatro meses, sem qualquer
prejuízo dos vencimentos a que fizer jus.

Parágrafo único - Salvo prescrição médica em contrário, a licença a que se refere este
artigo será concedida a partir do início do oitavo mês de gestação.

Art. 68 - As licenças poderão ser interrompidas a pedido ou nas condições


estabelecidas neste artigo.

234
§ 1º - A interrupção da licença especial ou de licença para tratar de interesse particular
poderá ocorrer:
1 - em caso de mobilização e estado de guerra;
2 - em caso de decretação de estado de emergência ou de estado de sítio;
3 - em caso de emergente necessidade da segurança pública;
4 - para cumprimento de sentença que importe em restrição da liberdade individual;
5 - para cumprimento de punição disciplinar, conforme regulado pelo Comandante
Geral da Polícia Militar; e
6 - em caso de denúncia ou pronúncia em processo criminal ou indicação em inquérito
policial-militar, a juízo da autoridade que efetivou a denúncia, a pronúncia ou a
indiciação.

§ 2º - A interrupção de licença para tratar de interesse particular será definitiva quando


o policial-militar for reformado ou transferido ex-officio para a reserva remunerada.

§ 3º - A interrupção da licença para tratamento de saúde de pessoa da família, para


cumprimento de pena disciplinar que importe em restrição da liberdade individual, será
regulada pelo Comandante Geral da Polícia Militar.

Seção VI
Da Pensão Policial-Militar

Art. 69 - A pensão policial-militar destina-se a amparar os beneficiários do policial-


militar falecido ou extraviado e será paga conforme o disposto em legislação própria.

Art. 70 - A pensão policial-militar defere-se nas prioridades e condições estabelecidas


em legislação própria.

CAPÍTULO II
Das Prerrogativas

235
Seção I
Constituição e Enumeração

Art. 71 - As prerrogativas dos policiais-militares são constituídas pelas honras,


dignidades e distinções devidas aos graus hierárquicos e cargos.

Parágrafo único - São prerrogativas dos policiais-militares:


1 - uso de títulos, uniformes, distintivos, insígnias e emblemas policiais-militares,
correspondentes ao posto ou à graduação, quadro ou cargo;
2 - honras, tratamento e sinais de respeito que lhes sejam assegurados em leis e
regulamentos;
3 - cumprimento de pena de prisão, reclusão ou detenção somente em organização
policial-militar, cujo Comandante, Chefe ou Diretor tenha precedência hierárquica
sobre o preso ou detido; e
4- julgamento em foro especial, nos crimes militares.

Art. 72 - Somente em caso de flagrante delito, o policial-militar poderá ser preso por
autoridade policial, ficando esta obrigada a entregá-lo imediatamente à autoridade
policial-militar mais próxima, só podendo retê-lo na delegacia ou posto policial
durante o tempo necessário à lavratura do flagrante.

§ 1º - O Comandante Geral da Polícia Militar deverá ter a iniciativa de responsabilizar


a autoridade policial que não cumprir o disposto neste artigo e a que maltratar ou
consentir que seja maltratado qualquer preso policial-militar ou não lhe der o
tratamento devido ao seu posto ou à sua graduação.

§ 2º - Se durante o processo e julgamento no foro civil, houver perigo de vida para


qualquer preso policial-militar, o Comandante Geral da Polícia Militar, mediante
requisição da autoridade judiciária, mandará guardar os pretórios ou tribunais por força
policial-militar.

Art. 73 - Os policiais-militares da ativa, no exercício de funções policiais-militares,


são dispensados do serviço na instituição do Júri e do serviço na Justiça Eleitoral.

Seção II
Do uso dos Uniformes da Polícia Militar

236
Art. 74 - Os uniformes da Polícia Militar, com seus distintivos, insígnias e emblemas,
são privativos dos policiais-militares e simbolizam a autoridade policial-militar com as
prerrogativas que lhe são inerentes.

Parágrafo único - Constituem crimes previstos na legislação específica o desrespeito


aos uniformes, distintivos, insígnias e emblemas policiais-militares, bem como seu uso
por quem a eles não tiver direito.

Art. 75 - O uso dos uniformes com seus distintivos, insígnias e emblemas, bem como
os modelos, descrição, composição, peças acessórias e outras disposições, são os
estabelecidos na regulamentação própria da Polícia Militar.

§ 1º - É proibido ao policial-militar o uso de uniformes:


1 - em reuniões, propaganda ou qualquer outra manifestação de caráter político-
partidário;
2 - na inatividade, salvo para comparecer a solenidades militares e policiais-militares e,
quando autorizado, a cerimônias cívicas comemorativas de datas nacionais ou a atos
sociais solenes de caráter particular; e
3 - no estrangeiro, quando em atividades não relacionadas com a missão policial-
militar, salvo expressamente determinado ou autorizado.

§ 2º - Os policiais-militares na inatividade, cuja conduta possa ser considerada como


ofensiva à dignidade da classe, poderão ser definitivamente proibidos de usar
uniformes, por decisão do Comandante Geral da Polícia Militar.

Art. 76 - O policial-militar fardado tem as obrigações correspondentes ao uniforme


que use e aos distintivos, aos emblemas ou às insígnias que ostente.

Art. 77 - É vedado a qualquer elemento civil ou organizações civis usar uniformes ou


ostentar distintivos, insígnias ou emblemas que possam ser confundidos com os
adotados na Polícia Militar.

Parágrafo único - São responsáveis pela infração das disposições deste artigo, além
dos indivíduos que a tenham cometido, os diretores ou chefes de repartições,
organizações de qualquer natureza, firma ou empregadores, empresas e institutos ou
departamentos que tenham adotado ou consentido sejam usados uniformes ou

237
ostentado distintivos, insígnias ou emblemas que possam ser confundidos com os
adotados na Polícia Militar.

TÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES DIVERSAS
CAPÍTULO I
DAS SITUAÇÕES ESPECIAIS
Seção I
Da Agregação

Art. 78 - A agregação é a situação na qual o policial-militar da ativa deixa de ocupar


vaga na escala hierárquica do seu Quadro, nela permanecendo sem número.

Art. 79 - O policial-militar será agregado e considerado, para todos os efeitos legais,


como em serviço ativo, quando:
I - For nomeado para cargo policial-militar ou considerado de natureza policial-militar
ou de interesse policial-militar estabelecido em lei ou decreto, não previsto nos quadro
de organização da Polícia Militar, exceção feita aos membros das comissões de estudo
ou de aquisição feita aos membros das comissões de estudo ou de aquisição de
material e aos estagiários para aperfeiçoamento de conhecimentos policiais-militares
em organizações militares ou industriais, ainda que no estrangeiro;
II - for posto à disposição exclusiva de outra Corporação para ocupar cargo policial-
militar ou considerado de natureza policial-militar;
III - aguardar a transferência ex-officio para a reserva remunerada, por ter sido
enquadrado em quaisquer requisitos que a motivaram; e
IV - o órgão competente para formalizar o respectivo processo tiver conhecimento
oficial do pedido de transferência do policial-militar para a reserva remunerada.

§ 1º - A agregação do policial-militar nos casos dos incisos I e II é contada a partir da


data da posse do novo cargo, até o regresso à Polícia Militar ou a transferência ex-
officio para a reserva remunerada.

§ 2º - A agregação de policial-militar no caso do inciso III é contada a partir da data


indicada no ato que tornar público o respectivo evento.

§ 3º - A agregação de policial-militar no caso do inciso IV é contada a partir da data


indicada no ato que tornar pública a comunicação oficial, até a transferência para a

238
reserva remunerada.

Art. 80 - O policial-militar será agregado quando for afastado temporariamente do


serviço ativo por motivo de:
I - ter sido julgado incapaz temporariamente, após um ano contínuo de tratamento;
II - haver ultrapassado um ano contínuo de licença para tratamento de saúde própria;
III - haver ultrapassado 6 (seis) meses contínuos de licença para tratar de interesse
particular;
IV - haver ultrapassado 6 (seis) meses contínuos em licença para tratamento de saúde
de pessoa da família;
V - ter sido julgado incapaz definitivamente, enquanto tramita o processo de reforma;
VI - ter sido considerado oficialmente extraviado;
VII - haver sido esgotado o prazo que caracteriza o crime de deserção previsto no
Código Penal Militar, se oficial ou praça com estabilidade assegurada;
VIII - como desertor, ter-se apresentado voluntariamente, ou ter sido capturado e
reincluído a fim de se ver processar;
IX - se ver processar, após ficar exclusivamente à disposição da Justiça Comum;
X - ter sido condenado a pena restritiva de liberdade superior a 6 (seis) meses, em
sentença transitada em julgado, enquanto durar a execução, excluído o período de sua
suspensão condicional, se concedida esta, ou até ser declarado indigno de pertencer à
Polícia Militar ou com ela incompatível;
XI - ter sido condenado à pena de suspensão do exercício do posto, graduação, cargo
ou função prevista no Código Penal Militar;
XII - ter passado à disposição de qualquer Ministério, de órgãos do Governo Federal,
dos Governos Estaduais, dos Territórios ou do Distrito Federal, para exercer função de
natureza civil;
XIII - ter sido nomeado para qualquer cargo público civil temporário, não eletivo,
inclusive da administração indireta; e
XIV - ter-se candidatado a cargo eletivo desde que conte 5 (cinco) ou mais anos de
serviço.

§ 1º - A agregação de policial-militar nos casos dos incisos I, II, III e IV é contada a


partir do primeiro dias após os respectivos prazos e enquanto durar o evento.

§ 2º - A agregação de policial-militar nos casos dos incisos V, VI, VII, VIII, IX, X e
XI é contada a partir da data indicada no ato que tornar público o respectivo evento.

239
§ 3º - A agregação de policial-militar nos casos dos incisos XII e XIII é contada a
partir da data de posse no novo cargo, até o regresso à Polícia Militar ou transferência
ex-officio para a reserva remunerada.

§ 4º - A agregação de policial-militar no caso do inciso XIV é contada a partir da data


do registro como candidato, até sua diplomação ou seu regresso à Polícia Militar, se
não houver sido eleito.

Art. 81 - O policial-militar agregado fica sujeito às obrigações disciplinares


concernentes às suas relações com outros policiais-militares, militares e autoridades
civis, salvo quando titular de cargo que lhe dê precedência funcional sobre outros
policiais-militares ou militares mais graduados ou mais antigos.

Art. 82 - O policial-militar agregado ficará adido, para efeito de alterações e


remuneração, à organização policial-militar, que lhe for designada, continuando a
figurar no respectivo registro, sem número no lugar que até então ocupava, com a
abreviatura AG e anotações esclarecedoras de sua situação.

Art. 83 - A agregação se faz por ato do Governador do Estado, para os Oficiais, e pelo
Comandante Geral da Polícia Militar, para as praças.

Seção II
Da reversão

Art. 84 - Reversão é o ato pelo qual o policial-militar agregado retorna ao respectivo


Quadro tão logo cesse o motivo que determinou a sua agregação, voltando a ocupar o
lugar que lhe competir na respectiva escala numérica, na primeira vaga que ocorrer,
observado o disposto no § 3º do art. 98.

Parágrafo único - A qualquer tempo poderá ser determinada a reversão do policial-


militar agregado, nos casos previstos nos incisos IX, XII e XIII do art. 80.

Art. 85 - A reversão será efetuada mediante ato do Governador do Estado ou do


Comandante Geral da Polícia Militar, quando se tratar, respectivamente, de oficiais ou
de praças.

Seção III
Do Excedente

240
* Do Excedente e do Não Numerado
* Nova denominação dada pela Lei nº 3793/2002.

Art. 86 - Excedente é a situação transitória a que, automaticamente, passa o policial-


militar que:
I - tendo cessado o motivo que determinou a sua agregação, reverta ao respectivo
Quadro, estando com seu efetivo completo;
II - aguarde a colocação a que faz jus na escala hierárquica após haver sido transferido
de Quadro, estando o mesmo com seu efetivo completo;
III - é promovido por bravura, sem haver vaga;
*III - é promovido por bravura ou por tempo de serviço sem haver vaga;
* Nova redação dada pela Lei nº 764/1984
IV - é promovido indevidamente;
V - sendo o mais moderno da respectiva escala hierárquica, ultrapasse o efetivo do seu
Quadro, em virtude de promoção de outro policial-militar em ressarcimento de
preterição; e
VI - tendo cessado o motivo que determinou sua reforma por incapacidade definitiva,
retorne ao respectivo Quadro, estando este com seu efetivo completo.

§ 1º - O policial-militar cuja situação é excedente, salvo o indevidamente promovido,


ocupa a mesma posição relativa, em antigüidade, que lhe cabe na escala hierárquica,
com a abreviatura do Excd e receberá o número que lhe competir, em conseqüência da
primeira vaga que se verificar, observado o disposto no § 3º do art. 98.

§ 2º - O policial-militar, cuja situação é a de excedente, é considerado como em efetivo


serviço para todos os efeitos e concorre, respeitados os requisitos legais, em igualdade
de condições e sem nenhuma restrição, a qualquer cargo policial-militar, bem como à
promoção e à quota compulsória.

§ 3º - O Policial-Militar promovido por bravura ou por tempo de serviço, sem haver


vaga, ocupará a primeira vaga aberta, observado o disposto no § 3º do art. 98,
deslocando o critério de promoção a ser seguido para a vaga seguinte.
* Nova redação dada pela Lei nº 764/1984

§ 4º - O policial-militar promovido indevidamente só contará antigüidade e receberá o


número que lhe competir na escala hierárquica, quando a vaga que deverá preencher
corresponder ao critério pelo qual deveria ter sido promovido, desde que satisfaça os

241
requisitos para a promoção.

* § 5º - Não numerado é a situação na qual se encontra o Policial Militar promovido


por força de Lei de iniciativa privativa do Governador do Estado, conforme dispõe o
art. 112, § 1º, inciso II, alínea "a" da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, sem
ocupar vaga no Quadro, situação esta que ficará inalterada enquanto permanecer no
posto ou graduação que a motivou, sendo respeitada sua antigüidade com todos os
direitos assegurados pelos diversos diplomas legais afetos ao Policial Militar.
* Acrescentado pela Lei nº 3793/2002.

Seção IV
Do Ausente e do Desertor

Art. 87 - É considerado ausente o policial-militar que, por mais de 24 (vinte e quatro)


horas consecutivas:
I - deixar de comparecer à sua organização policial-militar, sem comunicar qualquer
motivo de impedimento; e
II - ausentar-se, sem licença, da organização policial-militar onde serve ou local onde
deve permanecer.
Parágrafo único - Decorrido o prazo mencionado neste artigo, serão observadas as
formalidades previstas em legislação específica.

Art. 88 - O policial-militar é considerado desertor nos casos previstos na legislação


penal militar.

Seção V
Do Desaparecido e do Extraviado

Art. 89 - É considerado desaparecido o policial-militar da ativa que, no desempenho


de qualquer serviço, em viagem, em operações policiais-militares ou em caso de
calamidade pública, tiver paradeiro ignorado por mais de 8 (oito) dias.

Parágrafo único - A situação de desaparecimento só será considerada quando não


houver indício de deserção.

242
Art. 90 - O policial-militar que, na forma do artigo anterior, permanecer desaparecido
por mais de 30 (trinta) dias, será oficialmente considerado extraviado.

CAPÍTULO II
DA EXCLUSÃO DO SERVIÇO ATIVO
Seção I
Da Ocorrência

Art. 91 - A exclusão do serviço ativo da Polícia Militar e o conseqüente desligamento


da organização policial-militar a que estiver vinculado o policial-militar, decorre dos
seguinte motivos:
I - transferência para a reserva remunerada;
II - reforma;
III - demissão;
IV - perda de posto e patente;
V - licenciamento;
VI - exclusão a bem da disciplina;
VII - deserção;
VIII - falecimento; e
IX - extravio.

Parágrafo único - A exclusão do serviço ativo será processada após a expedição de


ato do Governador do Estado, quando oficial, ou do Comandante Geral da Polícia
Militar, quando praça.

Art. 92 - O policial-militar da ativa, enquadrado em um dos incisos I, II e V do artigo


anterior ou demissionário a pedido, continuará no exercício de funções até ser
desligado da organização policial-militar em que serve.

§ 1º - O desligamento da organização policial-militar em que serve deverá ser feito


após a publicação, em Diário Oficial ou em Boletim da Corporação, do ato oficial
correspondente e não poderá exceder 45 (quarenta e cinco) dias da data da primeira
publicação oficial.

§ 2º - Ultrapassado o prazo a que se refere o parágrafo anterior, o policial-militar será


considerado desligado da organização a que estiver vinculado, deixando de contar
tempo de serviço para fins de transferência para a inatividade.

243
Seção II
Da Transferência para a Reserva Remunerada

Art. 93 - A passagem do policial-militar à situação de inatividade, mediante


transferência para a reserva remunerada, se efetua:
I - a pedido; e
II - ex-officio.

* Art. 94 - A transferência do policial militar para a reserva remunerada pode ser


suspensa, apenas, na vigência do estado de defesa ou de sítio, bem como em caso de
mobilização.
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993.

Art. 95 - A transferência para a reserva remunerada, a pedido, será concedida,


mediante requerimento, ao policial-militar que contar, no mínimo de, 30 (trinta) anos
de serviço.

§ 1º - O oficial da ativa pode pleitear transferência para a reserva remunerada mediante


inclusão voluntária na quota compulsória.

§ 2º - No caso do policial-militar haver realizado qualquer curso ou estágio de duração


superior a 6 (seis) meses, por conta do Estado, no exterior, sem haver decorrido 3
(três) anos de seu término, a transferência para a reserva remunerada só será concedida
mediante indenização de todas as despesas correspondentes à realização do referido
curso ou estágio, inclusive as diferenças de vencimentos.

* § 2º - No caso de o policial militar haver realizado qualquer curso ou estágio de


duração superior a 06 (seis) meses, por conta do Erário, no exterior ou em outro Estado
da Federação, sem haver decorrido 03 (três) anos de seu término, a transferência para a
reserva remunerada só será concedida mediante indenização de todas as despesas
correspondentes a realização do referido curso ou estágio, inclusive as diferenças de
vencimentos. (NR)
* Nova redação dada pela Lei nº 4475/2004.

* § 3º Poderá ser concedida transferência para a reserva remunerada, a pedido, e a


título precário,após apreciação e deliberação da Comissão de Promoção, ao Policial
Militar que estiver respondendo à sindicância ou a inquérito policial ou extra-policial,

244
ou a processo penal ou administrativo condicionada a sua efetivação no transitado em
julgado daqueles procedimentos legais.(NR)
* Nova redação dada pela Lei 5919/2011.

§ 4º - Facultar-se-á ao Policial Militar, mesmo não integrante do Quadro de Acesso,


requerer passagem para reserva remunerada, desde que conte 25 (vinte e cinco) anos
ou mais de efetivo serviço prestados à corporação.
* Nova redação dada pela Lei nº 1900/1991.

* Art. 96 - A transferência ex-officio do policial militar para a reserva remunerada


ocorrerá em um dos seguintes casos:
I - quando completar 60 (sessenta) anos de idade;
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

* II – quando completar o Coronel PM do Quadro de Oficiais da Polícia Militar


(QOPM) 4 (quatro) anos de permanência no posto, desde que conte com 30 (trinta)
anos de efetivo serviço;
* Nova redação dada pela Lei nº 5233/2008.

* III – quando completarem os demais Oficiais Superiores 06 (seis) anos de


permanência no último posto previsto na hierarquia de seus respectivos Quadros,
desde que contem com 30 (trinta) anos de efetivo serviço;
* Nova redação dada pela Lei nº 5233/2008.

* IV - for o oficial abrangido pela quota compulsória;


* IV - quando for abrangido pela quota compulsória;
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993
*( Inciso revogado pelo art.3º da Lei 3498/2000)

V - for a praça abrangida pelo quota compulsória, na forma a ser regulada pelo
Governador do Estado, por proposta do Comandante Geral da Polícia Militar;
* V - quando, se Oficial, concorrendo à constituição de Quadro de Acesso, estiver
considerado inabilitado para promoção, em caráter definitivo;
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

VI - for o oficial considerado não habilitado para o acesso, em caráter definitivo, no

245
momento em que vier a ser objeto de apreciação para ingresso em Quadro de Acesso;
* VI- quando, em se tratando de Tenente-Coronel:
1 - ou deixar de figurar no Quadro de Acesso pelo número de vezes fixado na
legislação disciplinadora das promoções, desde que conte, no mínimo, 25 (vinte e
cinco) anos de efetivo serviço;
2 - ou contar, no mínimo, 28 (vinte e oito) anos de efetivo serviço e for considerado
inabilitado.
a) ou para o acesso, por estar definitivamente impedido de realizar o Curso exigido
para promoção a Coronel PM;
b) ou para o acesso a Coronel PM, por 2 (duas) vezes, consecutivas ou não, pela
Comissão de Promoção de Oficiais, mesmo sem concorrer à constituição do Quadro de
Acesso;
** 3 - ou por não ter sido escolhido, por 2 (duas) vezes, consecutivas ou não, para a
promoção ao posto de Coronel PM, caso, em vez dele, tenha sido promovido Oficial
PM mais moderno;
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993
** ( Revogado pelo art. 1º da Lei nº 4024, de 11/12/2002 )

* 3 – ou por não ter sido escolhido após a inclusão em 04 (quatro) quadros de acesso,
consecutivos ou não, para a promoção ao posto de Coronel PM, desde que conte com
30 (trinta) anos de efetivo serviço prestado à Corporação.
* Incluído pela Lei nº 5233/2008.

VII - quando ultrapassar 2 (dois) anos, contínuos ou não, em licença para tratamento
de interesse particular;
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

VIII - quando ultrapassar 2 (dois) anos contínuos, em licença para tratamento de saúde
de pessoa da família;
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

IX - ultrapassar 2 (dois) anos, contínuos ou não, em licença para tratamento de


interesse particular;
* IX - quando passar a exercer cargo público civil permanente (art. 42, § 3º, da
Constituição Federal);

246
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

X - ultrapassar 2 (dois) anos contínuos em licença para tratamento de saúde de pessoa


da família;
* X - quando, aceitando cargo, emprego ou função pública civil temporária, não
eletiva, da administração direta, indireta ou fundacional, permanecer, na condição de
agregado, afastado por mais de 2 (dois) anos, contínuos ou não (art. 42, § 4º, da
Constituição Federal);
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993
* XI - quando for diplomado em cargo eletivo, na forma do inciso II do § 8º do art. 14
da Constituição Federal;
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

* XII - quando, em se tratando de Subtenente PM ou 1º Sargento PM, for considerado


pela Comissão de Promoções de Praças com conceito profissional desfavorável para
ingresso no Curso de Habilitação ao QOA/QOE, por 2 (duas) vezes, consecutivas ou
não, desde que tenha, no mínimo, ou venha a ter, também no mínimo, 30 (trinta) anos
de efetivo exercício.
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

XIII - ser diplomado em cargo eletivo, na forma do item 2, parágrafo único, do art. 50.

* XIV - For o Subtenente PM ou 1º. Sargento PM considerado inabilitado para


inclusão em Quadro de Acesso ao Curso de Habilitação ao QOA/QOE, por 2 (duas)
vezes, consecutivas ou não, pela Comissão de Promoções de Praças, desde que conte
mais de 30 (trinta) anos de efetivo serviço.
* Inciso acrescentado pelo artigo 4º da Lei nº 820/1984

* § 1º Excetuam-se da regra do caput deste artigo os Oficiais


Superiores ocupantes dos cargos de Secretário de Estado, de
Coordenador Militar da Secretaria de Estado da Casa Civil, de
funções similares na Assessoria Militar da Presidência da
Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - ALERJ, na
Diretoria-Geral de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça,
na Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério

247
Público, de Comandante Geral da Polícia Militar, de Coordenador
Adjunto da Coordenadoria Militar da Secretaria de Estado da
Casa Civil, de Chefe do Estado-Maior Geral da Polícia Militar, de
Chefe de Gabinete do Comando-Geral da Polícia Militar, de
Corregedor Interno da Polícia Militar, de Comandantes dos 1º, 2º,
3º, 4º, 5º, 6º, e 7º Comando de Policiamento da área, Comandantes
do Comando de Operações Especiais, Comando de Policiamento
Especializado, Comando de Polícia Ambiental, Coordenadoria de
Polícia Pacificadora, bem como os demais Oficiais Superiores da
Polícia Militar em exercício de cargo ou função na Coordenadoria
Militar da Casa Civil e do Tribunal de Contas do Estado do Rio de
Janeiro e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro,
os quais, preenchidos os requisitos elencados neste artigo, serão
transferidos para a inatividade quando de suas exonerações ou
dispensas dos respectivos cargos ou funções.
* Nova redação dada pela Lei 7554/2017.

* § 2º - A transferência para a reserva do policial-militar enquadrado no inciso IX


deste artigo será efetivada no posto ou na graduação que tinha na ativa, podendo
acumular os proventos a que fizer jus na inatividade com a remuneração do cargo
público para o qual for nomeado.
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

* § 3º - A nomeação do policial-militar para os cargos, empregos, ou função pública de


que tratam os incisos IX e X deste artigo somente poderá ser feita:
1- pela autoridade federal competente, mediante requisição ao Governador do Estado,
quando o cargo for da alçada federal; e
2 - pelo Governador do Estado ou mediante sua autorização, nos demais casos.
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

* § 4º - Enquanto o policial-militar permanecer no cargo de que trata o inciso X:


1 - é-lhe assegurada a opção entre a remuneração do cargo, emprego ou função pública
e a do posto ou graduação;
2 - somente poderá ser promovido por antigüidade; e
3 - o tempo de serviço é contado apenas para aquela promoção e para a transferência

248
para inatividade.
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

* Revogado pela Lei nº 2109/1993.

* § 5º - Ficam excetuados da regra fixada no inciso X deste artigo os policiais militares


que servem na Secretaria de Estado da Polícia Militar e no Gabinete Militar da
Governadoria do Estado, os quais, por exercerem funções de natureza tipicamente
policial militar, não passarão à condição de agregados (art. 42, § 4º, da Constituição
Federal).
* Nova redação dada pela Lei nº 2206/1993

* Revogado pela Lei nº 6351/2012.

Nota: o art. 2º da Lei nº 4024, de 11/12/2002 "Art. 2º - Será promovido ao posto de


Coronel PM o Tenente Coronel PM, integrante do Quadro de Acesso por Merecimento
(QAM), contando, no mínimo, com 32 (trinta e dois) anos de serviço, que requerer
promoção à Comissão de Promoção de Oficiais da Polícia Militar (CPOPM).

§ 1º - O requerimento que trata este artigo deverá ser protocolizado até 10 (dez) dias
antes das datas de promoções previstas na legislação em vigor, e as vagas porventura
surgidas, serão preenchidas a partir de 1º de janeiro de 2003.

§ 2º - O Coronel PM promovido com base neste artigo passará, automaticamente, para


a reserva remunerada, na data de sua promoção."

Art. 97 - A quota compulsória, a que se refere o inciso IV do artigo anterior, é


destinada a assegurar a renovação, o equilíbrio, a regularidade de acesso e a adequação
dos efetivos da Corporação.

Art. 98 - Para assegurar o número de vagas à promoção na forma estabelecida no art.


60, quando este número não tenha sido alcançado com as vagas ocorridas durante o

249
ano considerado ano-base, aplicar-se-á a quota compulsória a que se refere o artigo
anterior.

§ 1º - A quota compulsória é calculada deduzindo-se das vagas fixadas para o ano-base


para um determinado posto:
1 - as vagas fixadas para o posto imediatamente superior no referido ano-base; e
2 - as vagas havidas durante o ano-base e abertas a partir de 1º de janeiro até 31 de
dezembro, inclusive.

§ 2º - Não estão enquadradas no item 2 do parágrafo anterior as vagas que:


1 - resultarem da fixação de quota compulsória para o ano anterior ao ano-base; e
2 - abertas durante o ano-base, tiverem sido preenchidas por Oficiais excedentes nos
Quadros ou que a eles houverem revertido em virtude de terem cessado as causas que
deram motivos à agregação, observado o disposto no § 3º deste artigo.

§ 3º - As vagas decorrentes da aplicação direta da quota compulsória e as resultantes


das promoções efetivadas nos diversos postos em face daquela aplicação inicial, não
serão preenchidas por oficiais excedentes ou agregados que reverterem virtude de
haverem cessado as causas da agregação.

§ 4º - As quotas compulsórias só serão aplicadas quando houver, no posto


imediatamente abaixo, oficiais que satisfaçam as condições de acesso.

Art. 99 - A indicação dos oficiais que integrarem a quota compulsória obedecerá às


seguintes prescrições:

* I - Inicialmente, serão apreciados os requerimentos apresentados pelos Oficiais da


ativa que, contando, no mínimo 20 (vinte) anos de efetivo serviço prestado à
Corporação, pedirem a sua inclusão na Cota Compulsória, dando-se atendimento, por
prioridade em cada posto, aos mais idosos;
* Nova redação dada pela Lei nº 2109/1993.
II – Se o número de Oficiais voluntários na forma do inciso I não atingir o total de
vagas da quota fixada em cada posto, este total será completado, ex offício, pelos
Oficiais que forem os mais idosos e, em caso de mesma idade, os mais antigos.
*( Nova redação dada ao § 1º, pelo art. 1º da Lei 3408/2000)

250
1 - contarem, no mínimo 28 (vinte e oito) anos de efetivo serviço se Coronel PM ou 25
(vinte e cinco) anos de efetivo serviço se Tenente-Coronel PM ou Major PM;
2 - possuírem interstício para promoção, quando for o caso;
3 - integrarem as faixas dos que concorrem à constituição dos Quadro de Acesso por
antigüidade ou merecimento; e
4 - satisfizerem as condições dos itens 1, 2 e 3, na seguinte ordem de prioridade:
a - não possuírem as condições regulamentares para a promoção, ressalvada a
incapacidade física até 6 (seis) meses contínuos ou 12 (doze) meses descontínuos;
dentre eles, os de menor merecimento a ser apreciado pelo órgão competente da
Polícia Militar; em igualdade de merecimento os de mais idade e, em caso de mesma
idade, ou mais modernos;
b - deixarem de integrar os Quadros de Acesso por merecimento pelo maior número de
vezes no posto, quando neles tenha entrado oficial mais moderno, em igualdade de
condições, os de menor merecimento a ser apreciado pelo órgão competente da Polícia
Militar; em igualdade de merecimento, os de mais idade e, em caso de mesma idade,
os mais moderno; e
* c) Forem os de menor merecimento e, em igualdade de condições, os mais Idosos.
* Nova redação dada pela Lei nº 2109/1993.

* § 1º - O Oficial indicado para integrar a quota compulsória, na forma do inciso II,


passará a condição de Não Numerado (NN), podendo permanecer nesta situação até
incidir em outro dispositivo do art. 96 desta Lei.
*( Nova redação dada ao § 1º, pelo art. 1º da Lei 3408/2000)

* § 2º - O Oficial que permanecer na situação indicada no parágrafo anterior gozará


dos direitos de sua antigüidade e ocupará o mesmo lugar na escala hierárquica,
substituindo-se a numeração ordinária no Almanaque pela designação Não Numerado
(NN).
*( Nova redação dada ao § 1º, pelo art. 1º da Lei 3408/2000)

* Revogado pela Lei nº 2109/1993.

* § 4º -
* Revogado pela Lei nº 2109/1993.

*§ 5º - Durante os anos de 1991, 1992, 1993 e 1994 a fração a que se refere o inciso I
do art. 60 será de ¼ do efetivo existente nos respectivos Quadros.

251
* Acrescentado pela Lei nº 1900/1991.

* § 6º - Os Oficiais ocupantes dos cargos mencionados na alínea “a” do § 1º do art. 96


não serão apreciados pelo órgão próprio da Polícia Militar nem concorrerão à
indicação para integrarem a quota compulsória.
* Acrescentado pela Lei nº 2315/1994.

Art. 100 - O órgão competente da Polícia Militar organizará, até o dia 31 (trinta e um)
de janeiro de cada ano, a lista dos oficiais destinados a integrarem a quota
compulsória, na forma do artigo anterior.

§ 1º - Os Oficiais indicados para integrarem a quota compulsória anual serão


notificados imediatamente e terão, para apresentar recursos contra essa medida, o
prazo previsto no item 1 do § 1º do art. 49.

§ 2º - Não serão relacionados para integrarem a quota compulsória os oficiais que


estiverem agregados por terem sido declarados extraviados ou desertores.

Seção III
Da Reforma

Art. 101 - A passagem do policial-militar à situação de inatividade, mediante reforma,


se efetua ex-officio.

Art. 102 - A reforma de que trata o artigo anterior será aplicada ao policial-militar que:

* I - Atingir 62 (sessenta e dois) anos de idade;


* Nova redação dada pela Lei nº 2109/1993.

II - for julgado incapaz definitivamente para o serviço ativo da Polícia Militar;


III - estiver agregado por mais de 2 (dois) anos, por ter sido julgado incapaz
temporariamente, mediante homologação de Junta Superior de Saúde, ainda que se
trate de moléstia curável;
IV - for condenado à pena de reforma, prevista no Código Penal Militar, por sentença

252
transitada em julgado;
V - sendo oficial, a tiver determinada pelo Tribunal estadual competente, em
julgamento por ele efetuado em conseqüência de Conselho de Justificação a que foi
submetido; e
VI - sendo Aspirante-a-Oficial PM ou Praça com estabilidade assegurada, for para tal
indicado, ao Comandante Geral da Polícia Militar, em julgamento de Conselho de
Disciplina.

Parágrafo único - O policial-militar reformado, na base dos incisos V ou VI, só


poderá readquirir a situação policial-militar anterior:
1 - no caso do inciso V, por outra sentença do Tribunal estadual competente e nas
condições nela estabelecidas; e
2 - no caso do inciso VI, por decisão do Comandante Geral.

Art. 103 - Anualmente, no mês de fevereiro, o órgão competente da Corporação


organizará a relação dos policiais-militares que houverem atingido a idade-limite de
permanência na reserva remunerada, a fim de serem reformados.

Parágrafo único - A situação de inatividade de policial-militar da reserva remunerada,


quando reformado por limite de idade, não sofre solução de continuidade, exceto
quanto às condições de convocação.

Art. 104 - A incapacidade definitiva pode sobrevir em conseqüência de:


I - ferimento recebido na manutenção da ordem pública ou enfermidade contraída
nessa situação, ou que nela tenha sua causa eficiente;
II - acidente em serviço;
III - doença, moléstia ou enfermidades adquirida, com relação de causa e efeito a
condições inerentes ao serviço;
* IV - tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia malígna, cegueira, lepra, paralisia
irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, mal de Parkinson, pêndigo,
espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave e outras moléstias que a lei indicar
com base nas conclusões da medicina especializada; e
* Síndrome de Imunodeficiência Adquirida ( SIDA/AIDS ), incluída pela Lei nº
1493/1989.
V - acidente ou doença, moléstia ou enfermidade, sem relação de causa e efeito com o
serviço.

253
§ 1º - Os casos de que tratam os incisos I, II, e III deste artigo serão provados por
atestado de origem ou inquérito sanitário de origem, sendo os termos do acidente,
baixa ao hospital, papeletas de tratamento nas enfermarias e hospitais e os registros de
baixa, utilizados como meios subsidiários para esclarecer a situação.

§ 2º - Os policiais-militares julgados incapazes por um dos motivos constantes do


inciso IV deste artigo, somente poderão ser reformados após a homologação, por Junta
Superior de Saúde, da inspeção de saúde que concluiu pela incapacidade definitiva,
obedecida a regulamentação própria da Polícia Militar.

§ 3º - Nos casos de tuberculose, as Juntas de Saúde deverão basear seus julgamentos,


obrigatoriamente, em observações clínicas, acompanhadas de repetidos exames
subsidiários, de modo a comprovar, com segurança, a atividade da doença, após
acompanhar sua evolução até 3 (três) períodos de 6 (seis) meses de tratamento clínico-
cirúrgico metódico atualizado e, sempre que necessário, nosocomial, salvo quando se
tratar de formas grandemente avançadas no conceito clínico e sem qualquer
possibilidade de regressão completa, as quais terão parecer imediato de incapacidade
definitiva.

§ 4 º - O parecer definitivo a adotar, nos casos de tuberculose, para os portadores de


lesões aparentemente inativas, ficará condicionado a um período de consolidação
extranosocomial, nunca inferior a 6 (seis) meses, contados a partir da época da cura.

§ 5º - Considera-se alienação mental todo caso de distúrbio mental ou neuromental


grave persistente, no qual esgotados os meios habituais de tratamento, permaneça
alteração completa ou considerável na personalidade, destruindo a autodeterminação
do pragmatismo e tornando o indivíduo total e permanentemente impossibilitado para
qualquer trabalho.

§ 6º - Ficam excluídas do conceito de alienação mental as epilepsias psíquicas e


neurológicas, assim julgadas pelas Juntas de Saúde.

§ 7º - Considera-se paralisia todo o caso de neuropatia grave e definitiva que afeta a


motilidade, sensibilidade, troficidade e mais funções nervosas, no qual, esgotados os
meios habituais de tratamento, permaneçam distúrbios graves extensos e definitivos,
que tornem o indivíduo total e permanentemente impossibilitado para qualquer
trabalho.

254
§ 8º - São também equiparados às paralisias os casos de afecção ósteo-músculo-
articulares graves e crônicos (reumatismos graves e crônicos ou progressivos e
doenças similares), nas quais, esgotados os meios habituais de tratamento,
permaneçam distúrbios extensos e definitivos, quer ósteo-músculo-articulares
residuais, quer secundários das funções nervosas, motilidade, troficidade ou mais
funções, que tornem o indivíduo total e permanentemente impossibilitado para
qualquer trabalho.

§ 9º - São equiparados à cegueira, não só os casos de afecções crônicas, progressivas e


incuráveis, que conduzirão à cegueira total, como também os de visão rudimentar que
apenas permitam a percepção de vultos, não suscetíveis de correção por lentes, nem
removíveis por tratamento médico-cirúrgico.

Art. 105 - O policial-militar da ativa, julgado incapaz definitivamente por um dos


motivos constantes dos incisos I, II, III e IV do artigo anterior, será reformado com
qualquer tempo de serviço.

Art. 106 - O policial-militar da ativa, julgado incapaz definitivamente por um dos


motivos constantes do inciso I do art. 104, será reformado com a remuneração
calculada com base no soldo correspondente ao grau hierárquico imediato ao que
possuir na ativa.
Nota: art. 4º da Lei nº 4024, de 11/12/2002 "Art. 4º - O Policial Militar ou Bombeiro
Militar que for transferido para a inatividade incapaz para o serviço militar fará jus a
gratificação de tempo de serviço nos seus valores máximos."

* § 1º - Aplica-se o disposto neste artigo aos casos previstos nos incisos II, III e IV do
artigo 104.
* Nova redação dada pela Lei nº 1008/1986

§ 2º - Considera-se, para efeito deste artigo, grau hierárquico imediato.


1 - o de Primeiro-Tenente PM, para Aspirante-a-Oficial PM e Subtenente PM;
2 - o de Segundo-Tenente PM, para Primeiro-Sargento PM, Segundo-Sargento PM e
Terceiro-Sargento PM; e
3 - o de Terceiro-Sargento PM, para Cabo PM e Soldado PM.

255
§ 3º - Aos benefícios previstos neste artigo e seus parágrafos poderão ser acrescidos
outros relativos à remuneração, estabelecidos em leis tanto específicas como
peculiares, desde que o policial-militar, ao ser reformado, já satisfaça às condições por
elas exigidas.

§ 4º - O direito do policial-militar previsto no art. 48, inciso II, independerá de


qualquer dos benefícios referidos no caput e no § 1º deste artigo, ressalvado o disposto
no parágrafo único do art. 146.

§ 5º - Quando a praça fizer jus ao direito previsto no art. 48, inciso II, e,
conjuntamente, a um dos benefícios a que se refere o parágrafo anterior, aplicar-se-á
somente o disposto no § 2º deste artigo.

Art. 107 - O policial-militar da ativa, julgado incapaz definitivamente por um dos


motivos constantes do inciso V do art. 104, será reformado:
I - com remuneração proporcional ao tempo de serviço, se oficial ou praça com
estabilidade assegurada; e
II - com remuneração calculada com base no soldo integral, do posto ou graduação,
desde que, com qualquer tempo de serviço, seja considerado inválido, isto é,
impossibilitado total e permanentemente para qualquer trabalho.

Art. 108 - O policial militar reformado por incapacidade definitiva que for julgado
apto em inspeção de saúde por Junta Superior, em grau de recurso ou revisão, poderá
retornar ao serviço ativo ou ser transferido para a reserva remunerada, conforme
dispuser regulamentação especial.

§ 1º - O retorno ao serviço ativo ocorrerá se o tempo decorrido na situação de


reformado não ultrapassar 2 (dois) anos e na forma do disposto no § 1º do art. 86.

§ 2º - A transferência para a reserva remunerada, observado o limite de idade para


permanência nessa reserva, ocorrerá se o tempo transcorrido na situação de reformado
ultrapassar 2 (dois) anos.

Art. 109 - O policial-militar reformado por alienação mental, enquanto não ocorrer a
designação judicial do curador, terá sua remuneração paga aos seus beneficiários,
desde que estes o tenham sob sua guarda e responsabilidade e lhe dispensem
tratamento humano e condigno.

256
§ 1º - A interdição judicial do policial-militar reformado, por alienação mental, deverá
ser providenciada junto ao Juízo competente, por iniciativa de beneficiários, parentes
ou responsáveis, até 60 (sessenta) dias a contar da data do ato da reforma.

§ 2º - A interdição judicial do policial-militar e seu internamento em instituição


apropriada, policial-militar ou não, deverão ser providenciados pela Corporação
quando:
1 - não existirem beneficiários ou responsáveis ou estes não promoverem a interdição
conforme previsto no parágrafo anterior; ou
2 - não forem satisfeitas as condições de tratamento exigidas neste artigo.

§ 3º - Os processos e os atos de registro de interdição do policial-militar terão


andamento sumário, serão instruídos com laudo proferido por junta policial-militar de
saúde e isentos de custas.

Art. 110 - Para fins de passagem à situação de inatividade, mediante reforma ex-
officio, as praças especiais e demais praças, constantes do quadro a que se refere o art.
14, são considerados como:
I - Segundo-Tenente PM: os Aspirantes-a-Oficial PM;
II - Aspirante-a-Oficial PM: os Alunos-Oficiais PM, qualquer que seja o ano;
III - Terceiro-Sargento PM: os alunos do Curso de Formação de Sargentos PM; e
IV - Cabo PM: os alunos do Curso de Formação de Cabos PM.

Seção IV
Da Demissão, da Perda do Posto e da Patente e da Declaração de Indignidade ou
incompatibilidade com o Oficialato

Art. 111 - A demissão da Polícia Militar, aplicada exclusivamente aos Oficiais, se


efetua:
I - a pedido; e
II - ex-officio.

Art. 112 - A demissão a pedido será concedida mediante requerimento do interessado:


I - sem indenização aos cofres públicos, quando contar mais de 5 (cinco) anos de
oficialato na Polícia Militar, ressalvado o disposto no § 1º deste artigo; e

257
II - com indenização das despesas feitas pelo Estado, com a sua preparação e
formação, quando contar menos de 5 (cinco) anos de oficialato.
* II - com indenização das despesas feitas pelo Estado com sua preparação e formação,
quando Aspirante-a-Oficial ou, se Oficial, contar menos de 5 (cinco) anos de
Oficialato.
* Nova redação dada pela Lei nº 2315/1994.

* § 1º - A demissão a pedido só será concedida mediante a indenização de todas as


despesas correspondentes, acrescida, se for o caso, das previstas no inciso II, quando o
Aspirante-a-Oficial ou Oficial tiver realizado qualquer curso ou estágio, no País ou no
exterior, e não tenham decorrido os seguintes prazos:
* Nova redação dada pela Lei nº 2315/1994.
1 - 2 (dois) anos, para curso ou estágio de duração igual ou superior a 2 (dois) meses e
inferior a 6 (seis) meses;
2 - 3 (três) anos, para curso ou estágio de duração igual ou superior a 6 (seis) meses e
igual ou inferior a 18 (dezoito) meses; e
3 - 5 (cinco) anos, para curso ou estágio de duração superior a 18 (dezoito) meses.

§ 2º - O cálculo das indenizações a que se refere o inciso II e o parágrafo anterior, será


efetuado pela Polícia Militar.

* § 3º - O Aspirante-a-Oficial ou Oficial demissionário, a pedido, não terá direito a


qualquer remuneração, sendo a sua situação militar definida pela Lei do Serviço
Militar.
* Nova redação dada pela Lei nº 2315/1994.

§ 4º - O direito à demissão a pedido pode ser suspenso na vigência de estado de guerra,


estado de emergência, estado de sítio ou em caso de mobilização.

Art. 113 - O oficial da ativa que passar a exercer cargo ou emprego público
permanente, estranho à sua carreira e cuja função não seja de magistério, será,
imediatamente, mediante demissão ex-officio, transferido para a reserva, onde
ingressará com o posto que possuía na ativa, não podendo acumular qualquer provento
de inatividade com a remuneração do cargo ou emprego público permanente.

Art. 114 - O oficial perderá o posto e a patente se for declarado indigno do oficialato,

258
ou com ele incompatível por decisão do Tribunal estadual competente, em decorrência
de julgamento a que for submetido.

Parágrafo único - O Oficial declarado indigno do oficialato, ou com ele incompatível,


e condenado à perda de posto e patente só poderá readquirir a situação policial-militar
anterior por outras sentença do Tribunal mencionado neste artigo e nas condições nela
estabelecidas.

Art. 115 - O Oficial que houver perdido o posto e a patente será demitido ex-officio,
sem direito a qualquer remuneração ou indenização e terá a sua situação militar
definida pela Lei do Serviço Militar.

Art. 116 - Ficará sujeito à declaração de indignidade para o oficialato, ou de


incompatibilidade com o mesmo, o oficial que:
I - for condenado, por tribunal civil ou militar, em sentença transitada em julgado, a
pena restritiva de liberdade individual superior a 2 (dois) anos;
II - for condenado, em sentença transitada em julgado, por crimes para os quais o
Código Penal Militar comina essas penas acessórias e por crimes previstos na
legislação especial concernente à Segurança do Estado;
III - incidir nos casos, previstos em lei própria, que motivam o julgamento por
Conselho de Justificação e neste for considerado culpado; e
IV - houver perdido a nacionalidade brasileira.

Seção V
Do Licenciamento

Art. 117 - O licenciamento do serviço ativo se efetua:


I - a pedido; e
II - ex-officio.

§ 1º - O licenciamento a pedido poderá ser concedido, desde que não haja prejuízo
para o serviço, à praça engajada ou reengajada, desde que conte, no mínimo, a metade
do tempo de serviço a que se obrigou.

§ 2º - A praça com estabilidade assegurada, quando licenciada para fins de matrícula


em Estabelecimento de Ensino, de Formação ou Preparatório de outra Força Auxiliar
ou das Forças Armadas, caso não conclua o curso onde foi matriculado, poderá ser

259
reincluído na Polícia Militar, mediante requerimento ao Comandante Geral.

§ 3º - O licenciamento ex-officio será feito na forma da legislação própria:


1 - por conclusão de tempo de serviço;
2 - por conveniência do serviço; e
3 - a bem da disciplina.

§ 4º - O policial-militar licenciado não tem direito a qualquer remuneração e terá sua


situação militar definida pela Lei do Serviço Militar.

§ 5º - O policial-militar licenciado ex-officio, a bem da disciplina, receberá o


Certificado de Isenção do Serviço Militar, previsto na legislação que trata do serviço
militar.

Art. 118 - O Aspirante-a-Oficial PM e as demais praças empossadas em cargo público


permanente, estranho à sua carreira e cuja função não seja de magistério, serão
imediatamente licenciados ex-officio, sem remuneração e terão sua situação militar
definida pela Lei do Serviço Militar.

Art. 119 - O licenciamento poderá ser suspenso na vigência do estado de guerra,


estado de emergência, estado de sítio, em caso de mobilização, calamidade pública ou
perturbação da ordem pública.

Seção VI
Da Exclusão da Praça a Bem da Disciplina

Art. 120 - A exclusão a bem da disciplina será aplicada ex-officio ao Aspirante-a-


Oficial PM ou às Praças com estabilidade assegurada:
I - quando assim se pronunciar o Conselho Permanente de Justiça ou tribunal civil,
após terem sido essas praças condenadas, em sentença transitada em julgado, a pena
restritiva de liberdade individual superior a 2 (dois) anos ou, nos crimes previstos na
legislação especial concernente à Segurança do Estado, a pena de qualquer duração;
II - quando assim se pronunciar o Conselho Permanente de Justiça, por haverem
perdido a nacionalidade brasileira; e
III - que incidirem nos casos que motivarem o julgamento pelo Conselho de Disciplina
previsto no art. 47 e nele forem considerados culpados.

260
Parágrafo único - O Aspirante-a-Oficial PM ou a praça com estabilidade assegurada
que houver sido excluído a bem da disciplina, só poderá readquirir a situação policial-
militar anterior:
1 - por outra sentença do Conselho Permanente de Justiça e nas condições nela
estabelecidas, se a exclusão for conseqüência de sentença daquele Conselho; e
2 - por decisão do Comandante Geral da Polícia Militar, se a exclusão for
conseqüência de ter sido julgado culpado em Conselho de Disciplina.

Art. 121 - É da competência do Comandante Geral da Polícia Militar o ato de exclusão


a bem da disciplina do Aspirante-a-Oficial PM, bem como das praças com estabilidade
assegurada.

Art. 122 - A exclusão da praça a bem da disciplina acarreta a perda do seu grau
hierárquico e não a isenta da indenização dos prejuízos causados à Fazenda Estadual
ou a terceiros, nem das pensões decorrentes de sentença judicial.

Parágrafo único - A praça excluída a bem da disciplina receberá o Certificado de


Isenção Militar, previsto na legislação que trata do serviço militar, sem direito a
qualquer remuneração ou indenização.

Seção VII
Da Deserção

Art. 123 - A deserção do policial-militar acarreta a interrupção do serviço policial-


militar, com a conseqüente demissão ex-officio, para oficial, ou exclusão do serviço
ativo, para a praça.

§ 1º - A demissão do oficial, ou a exclusão da praça com estabilidade assegurada,


processar-se-á após 1 (um) ano de agregação, se não houver captura ou apresentação
voluntária antes desse prazo.

§ 2º - A praça sem estabilidade assegurada será automaticamente excluída após


oficialmente declarada desertora.

§ 3º - O policial-militar desertor, que for capturado ou que se apresente


voluntariamente depois de haver sido demitido ou excluído, será reincluído no serviço
ativo e a seguir agregado para se ver processar.

261
§ 4º - A reinclusão em definitivo do policial-militar de que trata o parágrafo anterior
dependerá da sentença do Conselho de Justiça.

Seção VIII
Do Falecimento e do Extravio

Art. 124 - O policial-militar na ativa que vier a falecer será excluído do serviço ativo e
desligado da organização a que estiver vinculado, a partir da data da ocorrência do
óbito.

Art. 125 - O extravio do policial-militar da ativa acarreta interrupção do serviço


policial-militar com o conseqüente afastamento temporário do serviço ativo, a partir da
data em que o mesmo for oficialmente considerado extraviado.

§ 1º - A exclusão do serviço ativo será feita 6 (seis) meses após a agregação por
motivo de extravio.

§ 2º - Em caso de naufrágio, sinistro aéreo, catástrofe, calamidade pública ou outros


acidentes oficialmente reconhecidos, o extravio ou o desaparecimento do policial-
militar da ativa será considerado como falecimento, para fins deste Estatuto, tão logo
sejam esgotados os prazos máximos de possível sobrevivência ou quando se dêem por
encerradas as providências de salvamento.

Art. 126 - O policial-militar reaparecido será submetido a Conselho de Justificação ou


a Conselho de Disciplina, por decisão do Comandante Geral da Polícia Militar, se
assim for julgado necessário.

Parágrafo único - O reaparecimento do policial-militar extraviado, já excluído do


serviço ativo, resultará em sua reinclusão e nova agregação, enquanto se apuram as
causas que deram origem ao seu afastamento.

CAPÍTULO III
DA REABILITAÇÃO

Art. 127 - A reabilitação do policial-militar será efetuada:


I - de acordo com o Código Penal Militar (CPM) e o Código de Processo Penal Militar

262
(CPPM), se tiver sido condenado, por sentença definitiva, a quaisquer penas prevista
no CPM; e
II - de acordo com a legislação que trata do serviço militar, se tiver sido excluído ou
licenciado a bem da disciplina.

Parágrafo único - Nos casos em que a condenação do policial-militar acarretar sua


exclusão a bem da disciplina, a reabilitação prevista na legislação que trata do serviço
militar poderá anteceder à efetuada de acordo com o CPM e o CPPM.

Art. 128 - A concessão de reabilitação implica em que sejam cancelados, mediante


averbação, os antecedentes criminais do policial-militar e os registros constantes de
seus assentamentos policiais-militares ou alterações, ou substituídos seus documentos
comprobatórios de situação militar pelos adequados à nova situação.

CAPÍTULO IV
DO TEMPO DE SERVIÇO

Art. 129 - Os policiais-militares começam a contar tempo de serviço na Polícia Militar


a partir da data de seu ingresso na Corporação.

§ 1º - Considera-se como data de ingresso, para fins deste artigo:


1 - a do ato em que o policial-militar é considerado incluído em uma Organização
Policial-Militar;
2 - a de matrícula em órgão de formação de policiais-militares; e
3 - a do ato de nomeação.

§ 2º - O policial-militar reincluído recomeça a contar tempo de serviço a partir da data


de sua reinclusão.

§ 3º - Quando, por motivo de força maior, oficialmente reconhecida, decorrente de


inundação, naufrágio, incêndio, sinistro aéreo e outras calamidades, faltarem dados
para contagem do tempo de serviço, caberá ao Comandante Geral da Polícia Militar
arbitrar o tempo a ser computado, para cada caso particular, de acordo com os
elementos disponíveis.

Art. 130 - Na apuração do tempo de serviço policial-militar será feita a distinção entre:
I - tempo de efetivo serviço; e

263
II - anos de serviço.
* III - anos ou tempo de efetivo serviço prestado à Corporação.
* Acrescido pela Lei nº 2109/1993.

Art. 131 - Tempo de efetivo Serviço é o espaço de tempo, computado dia a dia, entre a
data de ingresso e a data-limite estabelecida para a contagem ou a data do
desligamento do serviço ativo, mesmo que tal espaço de tempo seja parcelado.

§ 1º - Será, também, computado como tempo de efetivo serviço:


1 - o tempo de efetivo serviço prestado nas Forças Armadas ou Auxiliares; e
2 - o tempo passado dia a dia, nas Organizações Policiais-Militares, pelo policial-
militar da reserva remunerada da Corporação, que for convocado para o exercício de
funções policiais-militares.

§ 2º - Não serão deduzidos do tempo de efetivo serviço, além dos afastamentos


previstos no art. 63, os períodos em que o policial-militar estiver afastado de suas
funções em gozo de licença especial.

§ 3º - Ao tempo de efetivo serviço de que tratam este artigo e seus parágrafos, apurado
e totalizado em dias, será aplicado o divisor 365 (trezentos e sessenta e cinco), para a
correspondente obtenção dos anos de efetivo serviço.

* § 4º - Para contagem do tempo ou dos anos de efetivo serviço prestado à Corporação,


será computado, exclusivamente, o tempo de serviço prestado à Polícia Militar do
Estado do Rio de Janeiro ou às Corporações às quais ela sucedeu.
* Acrescido pela Lei nº 2109/1993.

Art. 132 - Anos de Serviço é a expressão que designa o tempo de efetivo serviço a que
se refere o artigo anterior e seus parágrafos, com os seguintes acréscimos:
I - tempo de serviço público federal, estadual ou municipal, prestado pelo policial-
militar anteriormente à sua inclusão, nomeação ou reinclusão na Polícia Militar;
II - 1 (um) ano para cada 5 (cinco) anos de tempo de efetivo serviço prestado pelo
Oficial do Quadro de Saúde, até que esse acréscimo complete o total de anos de
duração normal do curso universitário correspondente, sem superposição a qualquer
tempo de serviço policial-militar ou público eventualmente prestado durante a
realização deste mesmo curso;
III - o tempo de serviço computável como anos de serviço em legislação específica ou

264
peculiar, prestado nas Forças Armadas ou Auxiliares;
IV - tempo relativo a cada licença especial não gozada, contado em dobro; e
V - tempo relativo a férias não gozadas, contado em dobro.

§ 1º - Os acréscimos a que se referem os incisos II, IV e V serão computados somente


no momento da passagem do policial-militar à situação de inatividade e, nessa
situação, para todos os efeitos legais, inclusive quanto à percepção definitiva de
gratificação de tempo de serviço, ressalvado o disposto no § 2º do art. 99.

§ 2º - Os acréscimos a que se referem os incisos I e III serão computados somente no


momento da passagem do policial-militar à situação de inatividade e para esse fim.

§ 3º - Não é computável, para efeito algum, salvo para fins de indicação para a quota
compulsória, o tempo:
1 - que ultrapassar de 1 (um) ano, contínuo ou não, em licença para tratamento de
saúde de pessoa da família;
2 - passado em licença para tratar de interesse particular;
3 - passado como desertor;
4 - decorrido em cumprimento de pena de suspensão de exercício do posto, graduação,
cargo ou função, por sentença transitada em julgado; e
5 - decorrido em cumprimento de pena restritiva de liberdade, por sentença transitada
em julgado, desde que não tenha sido concedida suspensão condicional da pena,
quando, então, o tempo correspondente ao período da pena será computado apenas
para fins de indicação para a quota compulsória e o que dele exceder, para todos os
efeitos, caso as condições estipuladas na sentença não o impeçam.

§ 4º - Uma vez computado o tempo de efetivo serviço e seus acréscimos, previstos nos
arts. 131 e 132, e no momento da passagem do militar à situação de inatividade, por
motivos previstos nos incisos I, II, III, IV, V, VI e VII do art. 96 e nos incisos II e II do
art. 102, a fração de tempo igual ou superior a 180 (cento e oitenta) dias será
considerada 1 (um) ano para todos os efeitos legais.

Art. 133 - O tempo que o policial-militar passou ou vier a passar afastado do exercício
de suas funções, em conseqüência de ferimentos recebidos em acidentes quando em
serviço, na defesa da pátria, na garantia dos poderes constituídos e na manutenção da
lei e da ordem, ou de moléstia adquirida no exercício de qualquer função policial-
militar, será computado como se ele o tivesse passado no exercício daquelas funções.

265
Art. 134 - O tempo de serviço passado pelo policial-militar no exercício de atividades
decorrentes ou dependentes de operações de guerra, será regulado em legislação
específica.

Art. 135 - O tempo de serviço dos policiais-militares beneficiados por anistia será
contado como estabelecer o ato legal que a conceder.

Art. 136 - A data limite estabelecida para final da contagem dos anos de serviço, para
fins de passagem para a inatividade, será a do desligamento em conseqüência da
exclusão do serviço ativo.

Art. 137 - Na contagem dos anos de serviço não poderá ser computada qualquer
superposição dos tempos de serviço público (federal, estadual e municipal ou passado
em órgão da administração indireta) entre si, nem com os acréscimos de tempo, para os
possuidores de curso universitário, e nem com o tempo de serviço computável após a
inclusão na Polícia Militar, matrícula em órgão de formação de policial-militar ou
nomeação para posto ou graduação na Corporação.

CAPÍTULO V
DO CASAMENTO

Art. 138 - O policial-militar da ativa pode contrair matrimônio, desde que observada a
legislação civil específica.

CAPÍTULO VI
DAS RECOMPENSAS E DAS DISPENSAS DO SERVIÇO

Art. 140 - As recompensas constituem reconhecimento dos bons serviços prestados


pelos policiais-militares.

§ 1º - São recompensas policiais-militares:


1 - os prêmios de Honra ao Mérito;
2 - as condecorações por serviços prestados;

266
3 - os elogios, louvores e referências elogiosas; e
4 - as dispensas de serviço.

§ 2º - As recompensas serão concedidas de acordo com as normas estabelecidas nos


regulamentos da Polícia Militar.

Art. 141 - As dispensas de serviço são autorizações concedidas aos policiais-militares


para afastamento total do serviço, em caráter temporário.

Art. 142 - As dispensas de serviço podem ser concedidas aos policiais-militares:


I - como recompensa;
II - para desconto em férias; e
III - em decorrência de prescrição médica.

Parágrafo único - As dispensas de serviço serão concedidas com a remuneração


integral e computadas como tempo de efetivo serviço.

TÍTULO V
DISPOSIÇÕES GERAIS, TRANSITÓRIAS E FINAIS

Art. 143 - A transferência para a reserva remunerada ou a reforma não isentam o


policial-militar da indenização dos prejuízos causados à Fazenda ou a terceiros, nem
do pagamento das pensões decorrentes de sentença judicial.

Art. 144 - A assistência religiosa à Polícia Militar é regulada em legislação própria.

Art. 145 - É vedado o uso, por parte de organização civil, de designações que possam
sugerir sua vinculação à Polícia Militar.

Parágrafo único - Excetuam-se das prescrições deste artigo as associações, clubes,


círculos e outras organizações que congreguem membros da Polícia Militar, e que se
destinem, exclusivamente, a promover intercâmbio social e assistencial entre policiais-
militares e seus familiares e entre esses e a sociedade civil.

Art. 146 - Ao policial-militar beneficiado por uma ou mais das Leis nºs 288, de
08.06.48, 616, de 02.02.49, 1156, de 12.07.50 e 1267, de 09.12.50, que em virtude do
disposto no art. 60 deste Estatuto não mais usufruirá as promoções previstas naquelas

267
leis, fica assegurada, por ocasião da transferência para a reserva remunerada ou da
reforma, a remuneração de inatividade relativa ao posto ou graduação a que seria
promovido em decorrência da aplicação das referidas leis.

Parágrafo único - A remuneração de inatividade assegurada neste artigo não poderá


exceder, em nenhum caso, à que caberia ao policial-militar, se fosse ele promovido até
2 (dois) graus hierárquicos acima daquele que tiver por ocasião do processamento de
sua transferência para a reserva ou reforma, incluindo-se, nesta limitação, a aplicação
do disposto no § 1º do art. 48 e no art. 106 e seu § 1º.

Art. 147 - Aos policiais-militares integrantes da Polícia Militar do antigo Estado do


Rio de Janeiro, fica assegurada a aplicação da Lei Estadual nº 3775, de 19.11.58.

Art. 148 - Aos policiais-militares integrantes da Polícia Militar do antigo Distrito


Federal, transferidos para o ex-Estado da Guanabara ou nele reincluídos, por força da
Lei Federal nº 3752, de 14.04.60, e do Decreto-Lei Federal nº 10, de 28.06.66, além do
estabelecido no Decreto-Lei Estadual nº 92, de 06.05.75, e neste Estatuto, aplicar-se-á,
também, no que couber, o disposto na Lei Federal nº 5959, de 10.12.73.

Art. 149 - O Poder Executivo, no prazo de 30 (trinta) dias, providenciará a designação


de uma Comissão composta de representantes das Secretarias de Estado de Segurança
Pública, de Administração, de Fazenda e de Planejamento e Coordenação Geral, para
elaborar projeto de lei relativo à pensão policial-militar.

Art. 150 - O cônjuge de policial-militar, sendo servidor estadual ou municipal, será, se


o requerer, designado para a sede do Município onde servir o policial-militar, sem
prejuízo de qualquer dos seus direitos, passando, se necessário, à condição de adido,
ou posto à disposição de qualquer órgão do serviço público estadual.

Art. 151 - Quando, por necessidade do serviço, o policial-militar mudar a sede de seu
domicílio, terá assegurado o direito de transferência e matrícula, para si e seus
dependentes, para qualquer estabelecimento de ensino do Estado independentemente
de vaga e em qualquer grau ou nível.

Parágrafo único - O Poder Executivo regulamentará, mediante decreto, a aplicação do


disposto neste artigo.

268
Art. 152 - As disposições deste Estatuto não retroagem para alcançar situações
definidas anteriormente à data de sua vigência.

APROVA O REGULAMENTO DISCIPLINAR DA


POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE
JANEIRO – RDPM E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
Art. 153 - Após a vigência do presente Estatuto, serão a ele ajustados todos os
dispositivos legais e regulamentares que com ele tenham ou venham a ter pertinência.

Art. 154 - São adotados na Polícia Militar, em matéria não regulada na legislação
estadual, as leis e regulamentos em vigor no Exército Brasileiro, no que lhe for
pertinente.

Art. 155 - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogados os
Decretos-Leis nºs 215, de 18.07.75, e 323, de 01.09.76, a Lei nº 323 , de 18.06.80, e
as demais disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 01 de julho de 1981.

A. DE P. CHAGAS FREITAS
Governador

2-DECRETO Nº 6.579 DE 05 DE MARÇO DE 1983

O Governador do Estado do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições legais, e


tendo em vista o que consta do processo nº E-09/397.500/82, decreta:

Art. 1º - Fica aprovado o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado do Rio


de Janeiro – RDPM, que com este baixa.

Art. 2º - Fica abolido o uso, na Polícia Militar do Estado, dos dispositivos aprovados
pelos Decretos federais nº 3.274, de 16.11.38, e 3.494, de 27.11.38, que aprovaram
269
respectivamente os Regulamentos Disciplinar e de Comando e Serviço da Polícia
Militar do antigo Distrito Federal, e adotados na Polícia Militar do antigo Estado da
Guanabara.

Art. 3º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogado o
Decreto nº 3.367, de 30.04.38, que aprovou o Regulamento Disciplinar da Polícia
Militar do antigo Estado do Rio de Janeiro, e as demais disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 05 de março de 1983.

A. DE P. CHAGAS FREITAS, Fernando Schwab.

ANEXO A QUE SE REFERE O DECRETO Nº 6.579/83

REGULAMENTO DISCIPLINAR DA POLÍCIA MILITAR


DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

TÍTULO I
Disposições Gerais

CAPÍTULO I
Generalidades

Art. 1º - O Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro


(RDPM) tem por finalidade especificar e classificar as transgressões disciplinares,
estabelecer normas relativas à amplitude e à aplicação das punições disciplinares, à
classificação do comportamento policial – militar das Praças e à interposição de
recursos contra a aplicação das punições.

Parágrafo único – São também tratadas, em parte, neste Regulamento, as


recompensas específicas no Estatuto dos Policiais-Militares.

Art. 2º - A camaradagem torna-se indispensável à formação e ao convívio da família


policial-militar, cumprindo existir as melhores relações sociais entre os policiais-
militares.

270
Parágrafo único – Incumbe aos superiores incentivar e manter a harmonia e a
amizade entre seus subordinados.

Art. 3º - A civilidade é parte da educação policial-militar e, como tal, de interesse vital


para a disciplina consciente. Importa ao superior tratar os subordinados, em geral, e os
recrutas, em particular, com urbanidade e justiça, interessando-se pelos respectivos
problemas. Em contrapartida, o subordinado é obrigado a todas as provas de respeito e
deferência para com seus superiores, em conformidade com os regulamentos policiais-
militares.

Parágrafo único – As demonstrações de camaradagem, cortesia e consideração,


obrigatórias entre os policiais-militares, devem ser dispensadas reciprocamente aos
militares de outras corporações.

Art. 4º - Para efeito deste Regulamento, todas as atuais Organizações Policiais-


Militares, previstas na Lei de Organização da Polícia Militar, bem como as que forem
criadas posteriormente, serão denominadas “OPM”.

Parágrafo único – Para efeito deste Regulamento, os Comandantes, Diretores e


Chefes de OPM e o Ajudante-Geral serão considerados genericamente como
“Comandante”.

CAPÍTULO II
Princípios Gerais da Hierarquia e da Disciplina

Art. 5º - A hierarquia policial-militar é a ordenação da autoridade, em níveis


diferentes, por postos e graduações.

Parágrafo único – A ordenação dos postos e graduações na Polícia Militar se faz


conforme preceitua o Estatuto dos Policiais-Militares.

Art. 6º - A disciplina policial-militar é a rigorosa observância e o acatamento integral


das leis, regulamentos, normas e disposições, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento
do dever por parte de todos e de cada um dos componentes do organismo policial-
militar.

§ 1º - São manifestações essenciais de disciplina:

1) a correção de atitudes;
2) a obediência pronta às ordens dos superiores hierárquicos;

271
3) a dedicação integral ao serviço;
4) a colaboração espontânea à disciplina coletiva e à eficiência da Instituição;
5) a consciência das responsabilidades;
6) a rigorosa observação das prescrições regulamentares.

§ 2º - A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser mantidos permanentemente


pelos policiais-militares na ativa e na inatividade.

Art. 7º - As ordens devem ser prontamente obedecidas.

§ 1º - Cabe ao policial-militar a inteira responsabilidade pelas ordens que emitir e pelas


conseqüências que delas advierem.
§ 2º - Cabe ao subordinado, ao receber ordem, solicitar os esclarecimentos necessários
ao seu total entendimento.
§ 3º - Quando a ordem importar em responsabilidade criminal para o executante,
poderá o mesmo solicitar sua confirmação por escrito, cumprindo à autoridade que a
emitiu atender à solicitação.
§ 4º - Cabe ao executante, que exorbitar no cumprimento da ordem recebida, a
responsabilidade pelos excessos e abusos que cometer.

CAPÍTULO III
Esfera de Ação do Regulamento Disciplinar e Competência para a sua Aplicação

Art. 8º - Estão sujeitos a este Regulamento os policiais-militares na ativa e os na


inatividade.

Parágrafo único – Os alunos dos Órgãos de formação de policiais-militares também


estão sujeitos aos regulamentos, normas e prescrições dos Estabelecimentos em que
estejam matriculados.

Art. 9º - As disposições deste Regulamento se aplicam também aos policiais-militares


na inatividade, quando, ainda que no meio civil, se conduzam de modo a prejudicar os
princípios da hierarquia, da disciplina, do respeito e do decoro policiais-militares,
incluídas as manifestações por intermédio da imprensa.

Art. 10 – A competência para aplicar as prescrições contidas neste Regulamento é


conferida ao cargo e não ao grau hierárquico, sendo competentes para aplicá-las:

I – o Governador do Estado, a todos os integrantes da Polícia Militar;


II – o Comandante-Geral, aos que estiverem sob o seu Comando;

272
III – o Chefe do Estado-Maior, o Comandante do Policiamento da Capital, o
Comandante do Policiamento do Interior, os Comandantes de Policiamento de Área e
os Diretores dos Órgãos de Direção, aos que servirem sob suas ordens e em OPM
subordinadas;
IV – o Subchefe do Estado-Maior, o Ajudante-Geral e os Comandantes de OPM, aos
que estiverem sob suas ordens;
V – os Subcomandantes de OPM, Chefes de Seção, de Serviços e de Assessorias, cujos
Cargos sejam privativos de Oficiais superiores, aos que servirem sob suas ordens;
VI – os demais Chefes de Seção, Comandantes de Subunidades incorporadas ou
destacadas e de Pelotões destacados, aos que servirem sob suas ordens.

Parágrafo único – A competência conferida aos Chefes de Seções de Órgãos de


Direção é extensiva aos Chefes de Serviços e de Assessorias, limitando-se contudo, às
ocorrências relacionadas com as atividades inerentes ao serviço de suas respectivas
repartições.

Art. 11 – Todo o policial-militar que tiver conhecimento de fato contrário à disciplina


deverá participar ao seu Chefe imediato, por escrito ou verbalmente. Neste último
caso, deve confirmar a participação, por escrito, no prazo máximo de 48 horas.

§ 1º - A parte de que trata este artigo deve ser clara, concisa e precisa, conter os dados
capazes de identificar as pessoas e coisas envolvidas, o local a data e hora da
ocorrência e caracterizar as circunstâncias do fato, sem tecer comentários ou opiniões
pessoais.
§ 2º - Quando, para a preservação da disciplina e de decoro da Corporação, a
ocorrência exigir uma pronta intervenção, o policial-militar de maior antigüidade que
presenciar ou tiver conhecimento do fato mesmo sem que possua ascendência
funcional sobre o transgressor, deverá tomar imediatas e enérgicas providências,
podendo, se for o caso, prendê-lo em nome da autoridade competente, à qual, pelo
meio mais rápido, dará ciência da ocorrência e das providências em seu nome tomadas.
§ 3º - Nos casos de participação de ocorrência com policial-militar de OPM diversa
daquela a que pertence o signatário da parte, será este direta ou indiretamente
notificado da solução dada, no prazo máximo de 6 (seis) dias úteis. Expirando este
prazo, deve o signatário da parte comunicar a citada ocorrência à autoridade a que
estiver subordinada.
§ 4º - A autoridade a quem a parte disciplinar e dirigida deve dar solução no prazo
máximo de quatro dias úteis, podendo, se necessário, ouvir as pessoas envolvidas,
obedecidas às demais prescrições regulamentares, na impossibilidade de solucioná-la
nesse prazo, o motivo deverá ser publicado em boletim e, desse modo, o prazo poderá
ser prorrogado por até 20 (vinte) dias.
§ 5º - A autoridade que receber a parte, não sendo competente para solucioná-la, deve
encaminhá-la a seu superior imediato.

273
Art. 12 – No caso de ocorrência disciplinar envolvendo policiais-militares de mais de
uma OPM, caberá ao Comandante, imediatamente superior na linha de subordinação
apurar ou determinar a apuração dos fatos, procedendo de conformidade com o art. 11
e seus parágrafos, do presente regulamento, com os que não sirvam sob a sua linha de
subordinação funcional.

Parágrafo único – No caso de ocorrência disciplinar envolvendo militares das Forças


Armadas e policiais-militares, a autoridade policial-militar competente deverá tomar as
medidas disciplinares referentes aos elementos a ela subordinados, informando o
escalão superior sobre a ocorrência, as medidas tomadas e o que tiver sido apurado, e,
ainda, dando ciência do fato ao Comandante Militar interessado.

TÍTULO II
Transgressões Disciplinares

CAPÍTULO I
Especificações das Transgressões

Art. 13 – Transgressões disciplinares é qualquer violação dos princípios da ética, dos


deveres e das obrigações policiais-militares, na sua manifestação elementar e simples,
e qualquer ação ou omissão contrária aos preceitos estatuídos em leis, regulamentos,
normas ou disposições, desde que não constituam crime.

Art. 14 – São transgressões disciplinares:

I – todas as ações ou omissões contrárias à disciplina policial-militar especificadas no


Anexo I do presente regulamento;
II – todas as ações, omissões ou atos, não especificados na relação de transgressões do
Anexo citado, que afetem a honra pessoal, o pundonor policial-militar, o decoro da
classe ou o sentimento do dever e outras prescrições contidas no Estatuto dos Policiais-
Militares, leis e regulamentos, bem como os praticados contra regras e ordens de
serviço estabelecidas por autoridades competentes.

CAPÍTULO II
Julgamento das Transgressões

274
Art. 15 – O julgamento das transgressões deve ser precedido de um exame e de uma
análise que considerem:

I – os antecedentes do transgressor;
II – as causas determinantes da transgressão;
III – a natureza dos fatos ou dos atos que a constituírem;
IV – as conseqüências que dela possam advir.

Art. 16 – No julgamento das transgressões podem ser levantadas causas que as


justifiquem ou circunstâncias que as atenuem e/ou as agravem.

Art. 17 – São causas de justificação:

I – ter sido cometida a transgressão na prática de ação meritória, no interesse do


serviço ou da ordem pública;
II – ter sido cometida a transgressão em legítima defesa, própria ou de outrem;
III – ter sido cometida a transgressão em obediência à ordem superior;
IV – ter sido cometida a transgressão pelo uso imperativo de meios violentos a fim de
compelir o subordinado a cumprir rigorosamente o seu dever, no caso de perigo,
necessidade urgente, calamidade pública, manutenção da ordem e/ou da disciplina;
V – ter havido motivo de força maior, plenamente comprovado e justificado;
VI – nos casos de ignorância, plenamente comprovada, desde que não atente contra os
sentimentos normais de patriotismo, humanidade e probidade.

Parágrafo único – Não haverá punição quando for reconhecida qualquer causa de
justificação.

Art. 18 – São circunstâncias atenuantes:

I – o bom comportamento;
II – a relevância de serviços prestados;
III – ter sido cometida a transgressão para evitar mal maior;
IV – ter sido cometida a transgressão em defesa própria, de seus direitos ou de outrem,
desde que não constitua causa de justificação;
V – a falta de prática no serviço.

Art. 19 – São circunstâncias agravantes:

I – o mau comportamento;
II – a prática simultânea ou conexão de duas ou mais transgressões;
III – a reincidência da transgressão, mesmo punida verbalmente;

275
IV – o conluio entre duas ou mais pessoas;
V – a prática de transgressão durante a execução de serviço;
VI – o cometimento da falta em presença de subordinados;
VII – haver abusado o transgressor de sua autoridade hierárquica;
VIII – a prática de transgressão com premeditação;
IX – a prática da transgressão em presença de tropa;
X – a prática da transgressão em presença do público.

CAPÍTULO III
Classificação das Transgressões

Art. 20 – A transgressão da disciplina deve ser classificada, desde que não haja causa
de justificação, em:

I – leve;
II – média;
III – grave.

Parágrafo único – A classificação da transgressão compete a quem couber aplicar a


punição, respeitadas as considerações estabelecidas no art. 15 deste Regulamento.

Art. 21 – A transgressão da disciplina deve ser classificada como “grave” quando, não
chegando a configurar crime, constitua ato que afete o sentimento do dever, a honra
pessoal, o pundonor policial-militar ou o decoro da classe.

TÍTULO III
Punições Disciplinares

CAPÍTULO I
Gradações e Execução das Punições

Art. 22 – A punição disciplinar objetiva o fortalecimento da disciplina.

Parágrafo único – A punição deve ter em vista o benefício educativo ao punido e à


coletividade a que ele pertence.

276
Art. 23 – As punições disciplinares a que estão sujeitos os policiais-militares, segundo
a classificação resultante do julgamento da transgressão, são as seguintes, em ordem
crescente de gravidade:

I – advertência;
II – repreensão;
III – detenção;
IV – prisão e prisão em separado;
V – licenciamento e exclusão a bem da disciplina.

Parágrafo único – As punições disciplinares, cerceadoras de liberdade não podem


ultrapassar de trinta dias.

Art. 24 – Advertência – é a forma mais branda de punir. Consiste numa admoestação


feita verbalmente ao transgressor, podendo ser em caráter reservado ou ostensivo.

§ 1º - Quando feita ostensivamente, a advertência, poderá sê-lo na presença de


superior, no círculo de seus pares ou na presença de toda ou parte da OPM.
§ 2º - A advertência, por ser verbal, não constará das alterações do punido, devendo,
entretanto, ser registrada em sua ficha disciplinar.

Art. 25 – Repreensão – é a punição que, publicada em boletim, não priva o punido da


liberdade.

Art. 26 – Detenção – consiste no cerceamento da liberdade do punido, o qual deve


permanecer no local que lhe for determinado, normalmente o quartel, sem ficar, no
entanto confinado.

§ 1º - O detido comparece a todos os atos de instrução e serviços.


§ 2º - Em casos especiais, a critério da autoridade que aplicou a punição, o Oficial ou
Aspirante-a-Oficial pode ficar detido em sua residência.

Art. 27 – Prisão – consiste no confinamento do punido em local próprio e designado


para tal.

§ 1º - Os policiais-militares dos diferentes círculos de Oficiais e Praças estabelecidos


no Estatuto dos Policiais-Militares não poderão ficar presos no mesmo compartimento
§ 2º - São lugares de prisão:

Para Oficial e Aspirante-a-Oficial – o determinado pelo Comandante do


aquartelamento.
Para Subtenente e Sargento – compartimento denominado “Prisão de Subtenente e
Sargento”.

277
Para as demais Praças – compartimento fechado denominado “Xadrez”.

§ 3º - Em casos especiais, a critério da autoridade que aplicou a punição, o Oficial ou


Aspirante-a-Oficial pode ter sua residência como local de cumprimento de prisão,
quando esta não for superior a 48 horas.
§ 4º - Quando a OPM não dispuser de instalações apropriadas, cabe à autoridade que
aplicou a punição solicitar ao escalão superior local para servir de prisão em outra
OPM.
§ 5º - Os presos disciplinares devem ficar separados dos presos à disposição da Justiça.
§ 6º - Compete à autoridade que aplicar a primeira punição de prisão à praça, ajuizar
da conveniência e necessidade de não confinar o punido tendo em vista os altos
interesses da ação educativa da coletividade e a elevação moral da tropa. Nesse caso,
esta circunstância será fundamentadamente publicada em Boletim da OPM e o punido
terá o quartel por menagem.

Art. 28 – A prisão deve ser cumprida sem prejuízo da instrução e dos serviços
internos; quando o for com prejuízo, essa condição deve ser declarada em Boletim.

Parágrafo único – O punido fará suas refeições no refeitório da OPM, a não ser que o
Comandante determine o contrário.

Art. 29 – Em casos especiais, a prisão pode ser agravada para “prisão em separado”,
devendo o punido permanecer confinado e isolado e fazer suas refeições no local da
prisão.

Parágrafo único – A prisão em separado deve constituir, em princípio, a parte inicial


do cumprimento da punição e não poderá exceder à metade da punição aplicada.

Art. 30 – O recolhimento de qualquer transgressor à prisão, sem nota de punição


publicada em Boletim Interno da OPM, só poderá ocorrer por ordem das autoridades
referidas nos incisos I, II e III do art. 10 deste Regulamento.

Parágrafo único – O disposto neste artigo não se aplica no caso configurado no § 2º


do art. 11, ou quando houver:

1) presunção ou indício de crime;


2) embriaguez;
3) ação de psicotrópicos;
4) necessidade de averiguação;
5) necessidade de incomunicabilidade.

Art. 31 – Licenciamento e Exclusão a bem da disciplina consiste no afastamento, “ex


– offício”, do policial-militar das fileiras da Corporação, conforme prescrito no

278
Estatuto dos Policiais-Militares.

§ 1º - O licenciamento a bem da disciplina deve ser aplicado à Praça sem estabilidade


assegurada, mediante a simples análise de suas alterações, por iniciativa do
Comandante da OPM, ou por ordem das autoridades relacionadas nos incisos I, II e III
do art. 10 deste Regulamento, quando:

1) a transgressão afetar o sentimento do dever, a honra pessoal, o pundonor policial-


militar e o decoro da classe;
2) no comportamento “Mau”, verificar-se a impossibilidade de melhoria de
comportamento, conforme o disposto neste Regulamento.

§ 2º - A exclusão a bem da disciplina deve ser aplicada ao Aspirante-a-Oficial e à


Praça com estabilidade assegurada, de acordo com o prescrito no Estatuto dos
Policiais-Militares.

CAPÍTULO II
Normas para Aplicação e Cumprimento das Punições

Art. 32 – A aplicação da punição compreende uma descrição sumária, clara e precisa


dos fatos e circunstâncias que determinaram a transgressão, o enquadramento da
punição e a conseqüente publicação em Boletim da OPM.

§ 1º - Enquadramento – É a caracterização da transgressão, acrescida de outros


detalhes relacionados com o comportamento do transgressor, o cumprimento da
punição ou a justificação. No enquadramento são necessariamente mencionados:

1) a transgressão cometida, em termos precisos e sintéticos, a especificação em que a


mesma incida pelos números constantes do Anexo I ou no inciso II do art. 14, não
devendo ser emitidos comentários deprimentes e/ou ofensivos, permitidos, porém os
ensinamentos decorrentes, desde que não contenham alusões pessoais;
2) os artigos, itens e parágrafos das circunstâncias atenuantes e/ou agravantes, ou
causas de justificação;
3) a classificação da transgressão;
4) a punição imposta;
5) o local de cumprimento da punição, se for o caso;
6) a classificação do comportamento militar em que a Praça punida permaneça ou
ingresse;
7) a data do início do cumprimento da punição, se o punido tiver sido recolhido de
acordo com o § 2º do art. 11;
8) a determinação para posterior cumprimento, se o punido estiver baixado, afastado

279
do serviço ou à disposição de outra autoridade.

§ 2º - Publicação em Boletim – É o ato administrativo que formaliza a aplicação da


punição ou a sua justificação.
§ 3º - Quando ocorrer causa de justificação, no enquadramento e na publicação em
Boletim, menciona-se a justificação da falta, em lugar, da punição imposta.
§ 4º - Quando a autoridade que aplica a punição não dispuser de Boletim para a sua
aplicação, esta deve ser feita, mediante solicitação escrita, no da autoridade
imediatamente superior.

Art. 33 – A aplicação da punição deve ser feita, com justiça serenidade e


imparcialidade, para que o punido fique consciente e convicto de que a mesma se
inspira no cumprimento exclusivo de um dever.

Art. 34 – A publicação da punição imposta a Oficial ou Aspirante-a-Oficial, em


princípio, deve ser feita em Boletim Reservado, podendo ser em Boletim Ostensivo, se
as circunstâncias ou a natureza da transgressão assim o recomendarem.

Art. 35 – A aplicação da punição deve obedecer às seguintes normas:

I – a punição deve ser proporcional à gravidade da transgressão, dentro dos seguintes


limites:

1) de advertência até 10 dias de detenção, para transgressão leve;


2) de detenção até 10 dias de prisão, para a transgressão média;
3) de prisão à punição prevista no art. 31 deste Regulamento para a transgressão grave.

II – a punição não atingirá o máximo previsto no inciso anterior, quando ocorrerem


apenas circunstâncias atenuantes.
III – a punição deve ser dosada quando ocorrerem circunstâncias atenuantes e
agravantes.
IV – por uma única transgressão não deve ser aplicada mais de uma punição.
V – a punição disciplinar não exime o punido da responsabilidade civil que lhe couber.
VI – na ocorrência de mais de uma transgressão, sem conexão entre si, a cada uma
deve ser imposta a punição correspondente. Em caso contrário, as de menor gravidade
serão consideradas como circunstâncias agravantes da transgressão principal.

§ 1º - No concurso de crime e transgressão disciplinar, quando forem da mesma


natureza, deve prevalecer a aplicação da pena relativa ao crime, se como tal houver
capitulação.
§ 2º - A transgressão disciplinar será apreciada para efeito de punição, quando da
absolvição ou da rejeição de denúncia e arquivamento do processo.

280
Art. 36 – A aplicação da primeira punição classificada como “prisão” é da
competência das autoridades referidas nos incisos I, II, III e IV do art. 10 deste
Regulamento.

Art. 37 – Nenhum policial-militar deve ser interrogado em estado de embriaguez ou


sob a ação de psicotrópicos.

Art. 38 – O início do cumprimento da punição disciplinar deve ocorrer com a


distribuição do Boletim da OPM que publicar a aplicação da punição.

§ 1º - O tempo de detenção ou prisão, antes da respectiva publicação em boletim, não


deve ultrapassar de 72 horas.
§ 2º - A contagem do tempo de cumprimento da punição vai do momento em que o
punido for recolhido até aquele em que for posto em liberdade.

Art. 39 – A autoridade que necessitar punir seu subordinado, estando ele à disposição
ou a serviço de outra autoridade, deve requisitar a esta a apresentação do transgressor,
para aplicar-lhe a punição.

Parágrafo único – Quando o local determinado para o cumprimento da punição não


for a sua OPM, pode-se solicitar à autoridade sob as ordens da qual sirva o punido, que
determine o recolhimento deste diretamente ao local designado.

Art. 40 – O cumprimento da punição disciplinar, por policial-militar afastado do


serviço, deve ocorrer após a sua apresentação, pronto na OPM, salvo nos casos de
preservação da disciplina e do decoro da Corporação.

Parágrafo único – Para o fim de cumprimento de punição disciplinar, a interrupção


das licenças especial, para tratar de interesse particular ou para tratamento de saúde de
pessoa da família somente ocorrerá quando autorizada pelas autoridades referidas nos
inciso I, II, III e IV do art. 10 deste Regulamento.

Art. 41 – As punições disciplinares, de que trata este Regulamento, devem ser


aplicadas de acordo com as prescrições nele estabelecidas. A punição máxima que
cada autoridade referida no art. 10 deste Regulamento poderá aplicar, acha-se
especificada no Quadro de Punição Máxima (Anexo II).

§ 1º - Quando duas autoridades de níveis hierárquicos diferentes, ambas com ação


disciplinar sobre o transgressor, conhecerem de transgressão, à de nível mais elevado
competirá punir, salvo se entender que a punição está dentro dos limites de
competência da de menor nível, caso em que esta comunicará ao superior a sanção
disciplinar que aplicou.
§ 2º - Quando uma autoridade, ao julgar uma transgressão, concluir que a punição a

281
aplicar está além do limite máximo que lhe é autorizado, solicitará à autoridade
superior, com a ação disciplinar sobre o transgressor, a aplicação da punição devida.

Art. 42 – A interrupção da contagem de tempo da punição, nos casos de baixa a


hospital ou enfermaria e outros, vai do momento em que o punido for retirado do local
de cumprimento da punição até o seu retorno.

Parágrafo único – O afastamento e o retorno do punido ao local de cumprimento da


punição devem ser publicados em Boletim.

CAPÍTULO III
Modificações na Aplicação das Punições

Art. 43 – A modificação da aplicação de punição pode ser realizada pela autoridade


que a aplicou ou por outra superior e competente, quando tiver conhecimento de fatos
que recomendem tal procedimento.

Parágrafo único – As modificações da aplicação da punição são:

1) anulação;
2) relevação;
3) atenuação;
4) agravação.

Art. 44 – A anulação da punição consiste em tornar sem efeito a sua aplicação.

§ 1º - A anulação deve ser concedida quando for comprovada a ocorrência de


injustiças ou ilegalidades na sua aplicação;
§ 2º - A anulação far-se-á em obediência aos seguintes prazos:

1) em qualquer tempo e em qualquer circunstância, pelas autoridades especificadas nos


incisos I e II do art. 10 deste Regulamento;
2) no prazo de 60 (sessenta) dias, pelas demais autoridades.

§ 3º - A anulação, se concedida durante o cumprimento da punição, importa em ser o


punido posto imediatamente em liberdade.

Art. 45 – A anulação da punição deve eliminar toda e qualquer anotação ou registro de


sua aplicação, nas alterações do policial-militar.

282
Art. 46 – A autoridade que tome conhecimento de comprovada ilegalidade ou injustiça
na aplicação de punição e não tenha competência para anulá-la ou não disponha dos
prazos referidos no § 2º do art. 44 deste Regulamento, deve propor a anulação à
autoridade competente, fundamentadamente.

Art. 47 – A relevação de punição consiste na suspensão de cumprimento da punição


imposta.

Parágrafo único – A relevação da punição pode ser concedida:

1) quando ficar comprovado que foram atingidos os objetivos visados com a aplicação
da mesma, independentemente do tempo de punição a cumprir;
2) por motivo de passagem de Comando, data de aniversário da OPM ou data nacional,
quando já tiver sido cumprida pelo menos metade da punição.

Art. 48 – A atenuação consiste na transformação da punição proposta ou aplicada em


uma menos rigorosa, se assim o exigir o interesse da disciplina e da ação educativa do
punido.

Art. 49 – A agravação é a transformação da punição proposta ou aplicada em outra


mais rigorosa, se assim o exigir o interesse da disciplina e da ação educativa do
punido.

Parágrafo único – A “prisão em separado” é considerada como uma das formas de


agravação de punição de prisão para praça.

Art. 50 – São competentes para anular, relevar, atenuar e agravar as punições impostas
por si ou por seus subordinados as autoridades discriminadas no art. 10, devendo essa
decisão ser justificada em Boletim.

TÍTULO IV
Comportamento Policial-Militar

Art. 51 – O comportamento policial-militar das Praças espelha o seu procedimento sob


o ponto de vista disciplinar.

§ 1º - A classificação, reclassificação e melhoria de comportamento, são da


competência do Comandante-Geral e dos Comandantes de OPM, obedecido o disposto
neste capítulo e necessariamente publicadas em Boletim.
§ 2º - Ao ser incluída na Polícia Militar, a Praça será classificada no comportamento

283
“BOM”.

Art. 52 – O comportamento policial-militar das Praças deve ser classificado em:

I – Excepcional – quando no período de 8 (oito) anos de efetivo serviço não tenha


sofrido qualquer punição disciplinar;
II – Ótimo – quando no período de 4 (quatro) anos de efetivo serviço tenha sido punida
com até uma detenção;
III – Bom – quando no período de 2 (dois) anos de efetivo serviço, tenha sido punida
com até 2 (duas) prisões;
IV – Insuficiente – quando, no período de 1 (um) ano de efetivo serviço, tenha sido
punida com até 2 (duas) prisões;
V – Mau – quando, no período de 1 (um) ano de efetivo serviço, tenha sido punida
com mais de 2 (duas) prisões.

Art. 53 – A reclassificação do comportamento das Praças, com punição de mais de 20


(vinte) dias, agravada para “prisão em separado”, é feita automaticamente para o
comportamento “Mau”, qualquer que seja o seu comportamento anterior.

Art. 54 – A contagem de tempo para melhoria de comportamento opera


automaticamente nos prazos estabelecidos no art. 52 deste Regulamento, contados a
partir da data em que se encerra o cumprimento da punição.

Art. 55 – Para o exclusivo efeito de classificação, reclassificação e melhoria de


comportamento, de que trata este capítulo:

I – 2 (duas) repreensões equivalem a 1 (uma) detenção;


II – 2 (duas) detenções equivalem a 1 (uma) prisão.

TÍTULO V
Direitos e Recompensas

CAPÍTULO I
Apresentação de Recursos

Art. 56 – Interpor recursos disciplinares é o direito concedido ao policial-militar que


se julgue, ou julgue subordinado seu, prejudicado, ofendido ou injustiçado por superior
hierárquico, na esfera disciplinar.

Parágrafo único – São recursos disciplinares:

284
1) o pedido de reconsideração de ato;
2) a queixa;
3) a representação.

Art. 57 – Reconsideração de Ato – é o recurso interposto mediante requerimento, por


meio do qual o policial-militar, que se julgue, ou julgue subordinado seu, prejudicado,
ofendido ou injustiçado, solicita à autoridade que praticou o ato, que reexamine sua
decisão e reconsidere seu ato.

§ 1º - O pedido de reconsideração de ato deve ser encaminhado através da autoridade a


quem o requerente estiver diretamente subordinado.
§ 2º - O pedido de reconsideração de ato deve ser apresentado no prazo máximo de
dois dias úteis, a contar da data em que o policial-militar tomar oficialmente
conhecimento dos fatos que o motivaram.
§ 3º - A autoridade a quem é dirigido o pedido de reconsideração de ato, deve dar
despacho ao mesmo no prazo máximo de quatro dias úteis.

Art. 58 – Queixa – é o recurso disciplinar, normalmente redigido sob forma de ofício


ou parte, interposto pelo policial-militar que se julgue injustiçado, dirigido diretamente
ao superior imediato da autoridade contra quem é apresentada a queixa.

§ 1º - A apresentação da queixa só é cabível após o pedido de reconsideração de ato ter


sido solucionado e publicado em Boletim da OPM onde serve o queixoso.
§ 2º - A apresentação da queixa deve ser feita dentro de um prazo de cinco dias úteis, a
contar da publicação em Boletim da solução de que trata o parágrafo anterior.
§ 3º - O queixoso deve comunicar, por escrito, à autoridade de quem vai se queixar, o
objeto de recurso disciplinar que irá apresentar.
§ 4º - O queixoso deve ser afastado da subordinação direta da autoridade contra quem
formulou o recurso, até que este seja julgado. Deve, no entanto, permanecer na
localidade onde se situa a OPM em que serve, salvo no caso da existência de fatos que
contra-indiquem essa permanência.

Art. 59 – Representação – é o recurso disciplinar, normalmente redigido sob forma de


ofício ou parte, interposto por autoridade que julgue subordinado seu estar sendo
vítima de injustiça ou prejudicado em seus direitos, por ato de autoridade superior.

Parágrafo único – A apresentação desse recurso disciplinar deve seguir os mesmos


procedimentos prescritos no art. 58 e seus parágrafos, deste Regulamento.

Art. 60 – A apresentação de recurso disciplinar, mencionado no parágrafo único do


art. 56 deste Regulamento, deve ser feita individualmente; tratar de caso específico;
cingir-se aos fatos que o motivaram; fundamentar-se em novos argumentos, provas ou

285
documentos comprobatórios e elucidativos e não apresentar comentários.

§ 1º - O prazo para a apresentação de recurso disciplinar, pelo policial-militar que se


encontre cumprindo punição disciplinar, executando serviço ou ordem que motive a
apresentação do mesmo, começa a ser contado logo que cessem as situações referidas.
§ 2º - O recurso disciplinar que contrarie o prescrito neste capítulo será considerado
prejudicado pela autoridade a quem foi destinado, cabendo a esta mandar arquivá-lo e
publicar sua decisão em Boletim, fundamentadamente.
§ 3º - A tramitação de recurso deve ter tratamento de urgência em todos os escalões.

CAPÍTULO II
Cancelamento de Punições

Art. 61 – Cancelamento de punição é o direito concedido ao policial-militar de ter


cancelada a averbação de punições e outras notas a elas relacionadas, em suas
alterações.

Art. 62 – O cancelamento da punição é conferido ao policial-militar que o requerer


dentro das seguintes condições:

I – Não ser a transgressão objeto da punição, atentatória ao sentimento de dever, à


honra, ao pundonor policial-militar ou ao decoro da classe;
II – Ter bons serviços prestados, comprovados pela análise de suas alterações;
III – Ter conceito favorável de seu Comandante;
IV – Haver completado, sem qualquer punição:

a) 9 (nove) anos de efetivo serviço, quando a punição a cancelar for de prisão;


b) 5 (cinco) anos de efetivo serviço, quando a punição a cancelar for detenção ou
repreensão.

Art. 63 – A entrada de requerimento para cancelamento de punição, bem como a


solução dada ao mesmo, devem contar em Boletim.

Parágrafo único – A solução do requerimento de cancelamento da punição é da


competência do Comandante-Geral, exceto quando a punição houver sido aplicada
pelo Governador do Estado, quando caberá a esta autoridade a solução.

Art. 64 – O Comandante-Geral pode cancelar uma ou todas as punições de policial-


militar que comprovadamente tenha prestado relevantes serviços, independentemente
das condições enunciadas no art. 62 do presente Regulamento e do requerimento do
interessado.

Art. 65 – Todas as anotações relacionadas com as punições canceladas devem ser

286
tingidas de maneira que não seja possível a sua leitura. Na margem onde for feito o
cancelamento, deve ser anotado o número e a data do Boletim da autoridade que
concedeu o cancelamento, sendo essa anotação rubricada pela autoridade competente
para assinar as folhas de alterações.

CAPÍTULO III
Das Recompensas

Art. 66 – Recompensas constituem reconhecimento dos bons serviços prestados por


policiais-militares.

Art. 67 – Além de outras em leis e regulamentos especiais, são recompensas policiais-


militares:

I – o elogio;
II – as dispensas do serviço;
III – a dispensa da revista do recolher e do pernoite, nos centros de formação, para
alunos de cursos de formação.

Art. 68 – O elogio pode ser individual ou coletivo.

§ 1º - O elogio individual, que coloca em relevo as qualidades morais e profissionais,


somente poderá ser formulado a policiais-militares que se hajam destacado do resto da
coletividade no desempenho do ato de serviço ou ação meritória. Os aspectos
principais que devem ser abordados são os referentes ao caráter, coragem,
desprendimento e inteligência, às condutas civil e policial-militar, à competência como
instrutor, Comandante ou administrador e à capacidade física.
§ 2º - Só serão registrados nos assentamentos dos policiais-militares os elogios
individuais obtidos no desempenho de funções próprias a policial-militar e concedidos
por autoridade com atribuição para fazê-lo.
§ 3º - O elogio coletivo visa a reconhecer e a ressaltar um grupo de policiais-militares
ou fração de tropa ao cumprir destacadamente uma determinada missão.
§ 4º - Quando a autoridade que elogiar não dispuser de Boletim para a publicação, esta
dever ser feita mediante solicitação escrita, no da autoridade imediatamente superior.

Art. 69 – As dispensas do serviço, como recompensas, podem ser:

I – dispensa total do serviço, que isenta de todos os trabalhos da OPM, inclusive os de


instrução;
II – dispensa parcial do serviço, quando isenta de alguns trabalhos, que devem ser
especificados na concessão.

287
§ 1º - A dispensa total do serviço é concedida pelo prazo máximo de 8 (oito) dias, não
devendo ultrapassar o total de 16 (dezesseis) dias, no decorrer de um ano civil, e não
invalida e direito de férias.
§ 2º - A dispensa total do serviço para ser gozada fora da sede, fica subordinada às
mesmas regras de concessão de férias.
§ 3º - A dispensa total de serviço é regulada por período de 24 horas, contados de
Boletim a Boletim, e a sua publicação deve ser feita, no mínimo, 24 horas antes de seu
início, salvo por motivo de forma maior.

Art. 70 – As dispensas da revista do recolher e do pernoite no quartel podem ser


incluídas em uma mesma concessão e não justificam a ausência do serviço para o qual
o aluno está ou for escalado e nem da instrução a que deva comparecer.

Art. 71 – São competentes para conceder as recompensas de que trata este capítulo, as
autoridades especificadas no art. 10 deste Regulamento.

Art. 72 – São competentes para anular, restringir ou ampliar as recompensas


concedidas por si ou por seus subordinados as autoridades especificadas no art. 10,
devendo essas decisões ser justificadas em Boletim.

TÍTULO VI
Disposições Finais

Art. 73 – Os julgamentos a que forem submetidos os policiais-militares, perante


Conselho de Justificação ou Conselho de Disciplina, serão conduzidos segundo
normas próprias ao funcionamento dos referidos Conselhos.

Parágrafo único – As causas determinantes que levam o policial-militar a ser


submetido a um desses Conselhos, “ex-officio” ou a pedido e as condições para a sua
instauração, funcionamento e providências decorrentes, estão estabelecidas na
legislação que dispõe sobre os citados Conselhos.

Art. 74 – O Comandante-Geral baixará instruções complementares necessárias à


interpretação, orientação e aplicação deste Regulamento.

ANEXO I AO REGULAMENTO DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO


RIO DE JANEIRO

288
RDPM

I – INTRODUÇÃO

As transgressões disciplinares, a que se refere o inciso I do artigo 14 do


RDPM, são neste Anexo enumeradas e especificadas. A numeração deve servir de
referência para o enquadramento e publicação em Boletim Interno, da punição ou da
justificação da transgressão. As transgressões de números 121 e 125 referem-se
especificamente aos policiais-militares femininos.
No caso das transgressões a que se refere o inciso II do art. 14 do RDPM,
quando do enquadramento e publicação da punição ou justificação, deve ser feita, tanto
quanto possível, alusão aos artigos, parágrafos, letras e números das leis,
regulamentos, normas ou ordens que foram contrariadas ou contra as quais tenha
havido omissão.
A classificação da transgressão (“Leve”, “Média” ou “Grave”) é de
competência de quem a julga, levando em consideração o que estabelecem os
Capítulos II e III do Título II deste Regulamento.

II – RELAÇÃO DE TRANSGRESSÕES

1) Faltar à verdade.
2) Utilizar-se do anonimato.
3) Concorrer para a discórdia ou desarmonia e/ou cultivar inimizade entre camaradas.
4) Freqüentar ou fazer parte de sindicatos ou associações profissionais com caráter de
sindicatos ou similares.
5) Deixar de punir transgressor da disciplina.
6) Não levar faltas ou irregularidades que presenciar, ou de que tiver ciência e não lhe
couber reprimir, ao conhecimento de autoridade competente, no mais curto prazo.
7) Deixar de cumprir ou de fazer cumprir normas regulamentares na esfera de suas
atribuições.
8) Deixar de comunicar a tempo, ao superior imediato, ocorrência no âmbito de suas
atribuições, quando se julgar suspeito ou impedido de providenciar a respeito.
9) Deixar de comunicar ao superior imediato ou, na ausência deste, a qualquer
autoridade superior, toda informação que tiver sobre iminente perturbação da ordem
pública ou grave alteração de serviço, logo que disto tenha conhecimento.
10) Deixar de informar processo que lhe for encaminhado, exceto em caso de
suspeição ou impedimento, ou absoluta falta de elementos, hipótese em que estas
circunstâncias serão fundamentadas.

289
11) Deixar de encaminhar à autoridade competente, na linha de subordinação e no
mais curto prazo, recurso ou documento que receber, desde que elaborado de acordo
com os preceitos regulamentares, se não estiver na sua alçada dar solução.
12) Retardar ou prejudicar medidas ou ações de ordem judicial ou parcial de que esteja
investido ou que deva promover.
13) Apresentar parte ou recurso sem seguir as normas e preceitos regulamentares, ou
em termos desrespeitosos, ou com argumentos falsos ou de má fé, ou mesmo sem justa
causa ou razão.
14) Dificultar ao subordinado a apresentação de recursos.
15) Deixar de comunicar ao superior a execução de ordem recebida tão logo seja
possível.
16) Retardar a execução de qualquer ordem.
17) Aconselhar ou concorrer para não ser cumprida qualquer ordem de autoridade
competente, ou para retardar a sua execução.
18) Não cumprir ordem recebida.
19) Simular doença para esquivar-se ao cumprimento de qualquer dever policial-
militar.
20) Trabalhar mal, intencionalmente ou por falta de atenção, em qualquer serviço ou
instrução.
21) Deixar de participar a tempo, à autoridade imediatamente superior, impossibilidade
de comparecer à OPM, ou a qualquer ato de serviço.
22) Faltar ou chegar atrasado a qualquer ato de serviço em que deva tomar parte ou
assistir.
23) Permutar serviço sem permissão de autoridade competente.
24) Comparecer o policial-militar a qualquer solenidade, festividade ou reunião social,
com uniforme diferente do marcado.
25) Abandonar serviço para o qual tenha sido designado.
26) Afastar-se de qualquer lugar em que deva estar por força de disposição legal ou de
ordem.
27) Deixar de se apresentar, nos prazos regulamentares, à OPM para que tenha
transferido ou classificado e às autoridades competentes, nos casos de comissão ou
serviço extraordinário, para os quais tenha sido designado.
28) Não se apresentar ao fim de qualquer afastamento do serviço ou, ainda, logo que
souber que o mesmo foi interrompido.
29) Representar a OPM e mesmo a Corporação, em qualquer ato, sem estar
devidamente autorizado.
30) Tomar compromisso pela OPM que comanda ou em que serve sem estar
autorizado.
31) Contrair dívidas ou assumir compromisso superior às suas possibilidades,
comprometendo o bom nome da classe.
32) Esquivar-se a satisfazer compromissos de ordem moral ou pecuniária que houver
assumido.
33) Não atender a observação de autoridade competente para satisfazer débito já

290
reclamado.
34) Realizar ou propor transações pecuniárias, envolvendo superior, igual ou
subordinado. Não são considerados transações pecuniárias os empréstimos em
dinheiro seu auferir lucro.
35) Fazer, diretamente ou por intermédio de outrem, transação pecuniária envolvendo
assunto de serviço, bens da Administração Pública ou material proibido, quando isso
não configurar crime.
36) Não atender à obrigação de dar assistência à sua família ou dependentes
legalmente constituídos.
37) Deixar de providenciar a tempo, na esfera de suas atribuições,, por negligência ou
incúria, medidas contra qualquer irregularidade de que venha a tomar conhecimento.
38) Recorrer ao Judiciário sem antes esgotar todos os recursos administrativos.
39) Retirar ou tentar retirar de qualquer lugar sob jurisdição policial-militar, material,
viatura ou animal, ou mesmo deles servir-se, sem ordem do responsável ou
proprietário.
40) Não zelar devidamente, danificar ou extraviar, por negligência ou desobediência a
regra ou norma de serviço, material da Fazenda Nacional, Estadual ou Municipal, que
esteja ou não sob sua responsabilidade direta.
41) Ter pouco cuidado com o asseio próprio ou coletivo, m qualquer circunstância.
42) Portar-se sem compostura em lugar público.
43) Freqüentar lugares incompatíveis com seu nível social e o decoro da classe.
44) Permanecer a Praça em dependência da OPM, desde que seja estranho ao serviço,
sem consentimento ou ordem de autoridade competente.
45) Portar a Praça arma regulamentar sem estar de serviço ou sem ordem para tal.
46) Portar a Praça arma não regulamentar sem permissão por escrito da autoridade
competente.
47) Disparar arma por imprudência ou negligência.
48) Içar ou arriar Bandeira ou Insígnia, sem ordem para tal.
49) Dar toques ou fazer sinais, sem ordem para tal.
50) Conversar ou fazer ruído em ocasião, lugares ou horas impróprias.
51) Espalhar boatos ou notícias tendenciosas.
52) Provocar ou fazer-se, voluntariamente, causa ou origem de alarme injustificável.
53) Usar violência desnecessária no ato de efetuar prisão.
54) Maltratar preso sob sua guarda.
55) Deixar alguém conversar ou entender-se com proso incomunicável, sem
autorização de autoridade competente.
56) Conversar com sentinela ou preso incomunicável.
57) Deixar que presos conservem em seu poder instrumentos ou objetos não
permitidos.
58) Conversar, sentar-se ou fumar a sentinela ou plantão-da-hora ou, ainda, consentir
na formação ou permanência de grupo ou de pessoa junto a seu posto de serviço.
59) Fumar em lugar ou ocasiões onde isso seja vedado, ou quando se dirigir a superior.
60) Tomar parte em jogos proibidos ou jogar a dinheiro os permitidos, em área

291
policial-militar ou sob jurisdição policial-militar.
61) Tomar parte, em área policial-militar ou sob jurisdição policial-militar, em
discussão a respeito de política ou religião, ou mesmo provocá-la.
62) Manifestar-se publicamente a respeito de assuntos políticos ou tomar parte,
fardado, em manifestações da mesma natureza.
63) Deixar o superior de determinar a saída imediata, de solenidade policial-militar ou
civil, de subordinado que a ela compareça em uniforme diferente do marcado.
64) Apresentar-se desuniformizado, mal uniformizado ou com o uniforme alterado.
65) Sobrepor ao uniforme insígnia ou medalha não regulamentar, bem como,
indevidamente, distintivo ou condecoração.
66) Andar o policial-militar a pé ou em coletivos públicos com uniforme inadequado,
contrariando o RDPM ou normas a respeito.
67) Usar traje civil o Cabo ou Soldado, quando isso contrariar ordem de autoridade
competente.
68) Ser indiscreto em relação a assunto de caráter oficial cuja divulgação possa ser
prejudicial à disciplina ou à boa ordem do serviço.
69) Dar conhecimento de fatos, documentos ou assuntos policiais-militares a quem
deles não deva Ter conhecimento e não tenha atribuições para neles intervir.
70) Publicar ou contribuir para que sejam publicados fatos, documentos ou assuntos
policiais-militares que possam concorrer para desprestígio da Corporação ou firam a
disciplina ou a segurança.
71) Entrar ou sair de qualquer OPM o Cabo ou Soldado, com objetos ou embrulhos,
sem autorização do Comandante da Guarda ou autorização similar.
72) Deixar o Oficial ou Aspirante-a-Oficial, ao entrar em OPM onde não sirva, de dar
ciência da sua presença ao Oficial-de-Dia e, em seguida, de procurar o Comandante ou
o mais graduado dos Oficiais presentes, para cumprimentá-lo.
73) Deixar o Subtenente, Sargento, Cabo ou Soldado, ao entrar em OPM onde não
sirva, de apresentar-se ao Oficial-de-Dia ou seu Substituto legal.
74) Deixar o Comandante da Guarda ou agente de segurança correspondente de
cumprir as prescrições regulamentares com respeito à entrada ou a permanência na
OPM de civis e militares ou policiais-militares estranhos à mesma.
75) Penetrar o policial-militar, sem permissão ou ordem, em aposentos destinados a
superior ou onde esse se ache, bem como em qualquer lugar onde a entrada lhe seja
vedada.
76) Penetrar ou tentar penetrar o policial-militar em alojamento de outra Subunidade,
depois de revista do recolher, salvo os que, pelas suas funções, sejam a isto obrigados.
77) Entrar ou sair de OPM com força armada, sem prévio conhecimento ou ordem da
autoridade competente.
78) Abrir ou tentar abrir qualquer dependência de OPM fora das horas de expediente,
desde que não seja o respectivo Chefe ou sem sua ordem escrita com a expressão
declaração de motivo, salvo situações de emergência.
79) Desrespeitar regras de trânsito, medidas gerais de ordem policial, judicial ou
administrativa.

292
80) Deixar de portar o policial-militar o seu documento de identidade, estando ou não
fardado, ou de exibi-lo quando solicitado.
81) Maltratar ou não Ter o devido cuidado no trato com animais.
82) Desrespeitar em público as convenções sociais.
83) Desconsiderar ou desrespeitar a autoridade civil.
84) Desrespeitar Corporação Judiciária, ou qualquer de seus membros, bem como
criticar, em público ou pela imprensa, seus atos ou decisões.
85) Não se apresentar a superior hierárquico ou de sua presença retirar-se, sem
obediência a às normas regulamentares.
86) Deixar, quando estiver sentado, de oferecer o seu lugar a superior, ressalvadas as
exceções prescritas no Regulamento de Continências, Honras e Sinais de Respeito das
Forças Armadas.
87) Sentar-se a Praça, em público, à mesa em que estiver Oficial ou vice-versa, salvo
em solenidade, festividade, ou reuniões sociais.
88) Deixar deliberadamente de corresponder a cumprimento de subordinado.
89) Deixar o subordinado, quer uniformizado, quer em traje civil, de cumprimentar
superior, uniformizado ou não, neste caso desde que o conheça, ou de prestar-lhe as
homenagens e sinais regulamentares de consideração e respeito.
90) Deixar ou negar-se a receber vencimentos, alimentação, fardamento, equipamento
ou material que lhe seja destinado ou deva ficar em seu poder ou sob sua
responsabilidade.
91) Deixar o Oficial ou o Aspirante-a-Oficial, tão logo seus afazeres o permitam, de se
apresentar ao Oficial de maior posto e ao substituto legal imediato, da OPM onde
serve, para cumprimentá-los, salvo ordem ou instrução a respeito.
92) Deixar o policial-militar, presente a solenidade internas ou externas onde se
encontrarem superiores hierárquicos, de saudá-los de acordo com as normas
regulamentares; quando a solenidade for externa, porém em recinto fechado, os
Oficiais se apresentarão individualmente, à maior autoridade presente; quando a maior
autoridade presente for superior ao Comandante-Geral, também este será
cumprimentado individualmente.
93) Deixar o Subtenente ou Sargento, tão logo seus afazeres o permitam, de se
apresentar ao seu Comandante ou Chefe imediato.
94) Dirigir-se, referir-se ou responder de maneira desatenciosa a superior.
95) Censurar ato de superior ou procurar desconsiderá-lo.
96) Procurar desacreditar seu igual ou subordinado.
97) Ofender, provocar ou desafiar seu superior.
98) Ofender, provocar ou desafiar seu igual ou subordinado.
99) Ofender a moral, por atos, gestos e/ou palavras.
100) Travar discussões, rixa ou luta corporal, com seu igual ou subordinado.
101) Discutir, ou provocar discussão, por qualquer veículos de comunicação, sobre
assuntos políticos, militares ou policiais-militares, excetuando-se os de natureza
exclusivamente técnica, quando devidamente autorizados.
102) Autorizar, promover ou tomar parte em qualquer manifestação coletiva, seja de

293
caráter reivindicatório, seja de crítica ou de apoio a ato de superior, com exceção das
demonstrações íntimas de boa e sã camaradagem e com o conhecimento do
homenageado.
103) Aceitar, o policial-militar qualquer manifestação coletiva de seus subordinados,
salvo a exceção do número anterior.
104) Autorizar, promover ou assinar petições coletivas dirigidas a quaisquer
autoridades.
105) Dirigir memoriais ou petições a qualquer autoridade, sobre assuntos de alçada do
Comando-Geral da Polícia Militar, salvo em grau de recursos e na forma prevista neste
Regulamento.
106) Ter em seu poder, introduzir ou distribuir, em área policial-militar ou sob a
jurisdição policial-militar, publicações, estampas ou jornais que atentem contra a
disciplina, a segurança ou a moral.
107) Ter em seu poder ou introduzir, em área policial-militar ou sob a jurisdição
policial-militar, inflamável ou explosivo, sem permissão da autoridade competente.
108) Ter em seu poder, introduzir ou distribuir, em área policial-militar, tóxicos ou
entorpecentes, a não ser mediante prescrição da autoridade competente.
109) Ter em seu poder ou introduzir, em área policial-militar ou sob jurisdição
policial-militar, bebidas alcoólicas, salvo quando devidamente autorizado.
110) Fazer uso, estar sob ação ou induzir outrem a uso de tóxicos, entorpecentes ou
produtos alucinógenos, salvo os casos de prescrições médicas.
111) Embriagar-se ou induzir outrem à embriaguez, embora tal estado não tenha sido
constatado por médico.
112) Usar o uniforme, quando de folga, se isso contrariar ordem de autoridade
competente.
113) Usar, quando uniformizado, barba, cabelos, bigode ou costeletas excessivamente
compridos ou exagerados, contrariando disposições a respeito.
114) Utilizar ou autorizar a utilização de subordinados para serviços não previstos em
regulamento.
115) Dar, por escrito ou verbalmente, ordem ilegal ou claramente inexeqüível, que
possa acarretar ao subordinado responsabilidade, ainda que não chegue a ser cumprida.
116) Prestar informações a superior, induzindo-o em erro, deliberada ou
intencionalmente.
117) Omitir, em nota de ocorrência, relatório ou qualquer documento, dados
indispensáveis ao esclarecimento de fatos.
118) Violar ou deixar de preservar local de crime ou contravenção.
119) Soltar preso ou detido ou dispensar parte de ocorrência, sem ordem de autoridade
competente.
120) Participar o policial-militar da ativa de firma comercial,, de emprego industrial de
qualquer natureza, ou nelas exercer função ou emprego remunerado.
121) Usar, quando uniformizada, cabelos excessivamente compridos penteados
exagerados, maquilagem excessiva, unhas excessivamente longas e/ou esmalte
extravagante.

294
122) Usar, quando uniformizada, cabelos de cor diferente do natural ou peruca, sem
permissão da autoridade competente.
123) Andar descoberta, exceto nos postos de serviços, entendidos esses como salas
designadas para o trabalho das policiais.
124) Freqüentar, uniformizada, cafés, bares, ou similares.
125) Receber visitas nos postos de serviço, ou distrair-se, com assuntos estranhos ao
serviço.

ANEXO II AO REGULAMENTO DISCIPLINAR DA POLÍCIA


MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (RDPM)

ANEXO II – Quadro de PUNIÇÃO MÁXIMA, referido no art. 41 deste


Regulamento, que poderá aplicar a autoridade competente, obedecido o
disposto no Capítulo I do Título III
POSTO DE Autoridades definidas no art. 10, (incisos)
GRADUAÇÃO
Oficiais da Ativa I) e II) III) IV) V) VI)

30 dias de 20 dias de 15 dias de 6 dias de repreensão


prisão prisão prisão prisão
Oficiais na 30 dias de - - - -
Inatividade prisão
Aspirante-a-Oficial 30 dias de prisão 10 dias de 8 dias de
e Subtenentes da prisão detenção
Ativa (1)
Sargentos, Cabos e 30 dias de prisão 15 dias de 8 dias de
Soldados da Ativa prisão detenção
(1) (2) (3)
Asp. Of., Subten., 30 dias de - - -
Sgt., Cb. E Sd. Na prisão
inatividade (3)
Alunos das Escolas 30 dias de prisão 10 dias de 8 dias de
de Formação de prisão detenção
Oficiais (2) (4)

Alunos de Órgão
de Formação de
Sargentos (2) (4)

Alunos de Órgão

295
de Formação de
Soldados (2) (4)

(1) Exclusão a bem da disciplina – Aplicável nos casos previstos no parágrafo 2º


do art. 31 e no art. 73.
(2) Licenciamento a bem da disciplina – Aplicável nos casos previstos no
parágrafo 1º do art. 31.
(3) Prisão em separado – Art. 29 do parágrafo único do art. 49.
(4) Parágrafo único do art. 8º.
ANEXO III AO
REGULAMENTO
DISCIPLINAR DA
POLÍCIA MILITAR DO
ESTADO DO RIO DE
JANEIRO (RDPM)

MODELOS DE NOTA DE PUNIÇÃO

O Sd PM (RG.......................) FULANO DE TAL, da 3ª Cia. PM, por Ter usado


de violência desnecessária no ato de efetuar a prisão do civil FULANO, quando
no serviço de “PO”, no dia 05 do corrente (nº 53 do Anexo I, com as agravantes
dos nº3 e 5 do art. 19, tudo do RDPM; transgressão grave), fica preso por 15
(quinze) dias; ingressa no comportamento “Insuficiente”.
O Sd PM (RG......................)
FULANO DE TAL, do 1º
Esqd. Pol. Mont., por Ter
sido encontrado no interior
do quartel em estado de
embriaguez no dia 03 do
corrente (n. 111 do Anexo I,
com agravante do nº 1 do art.
19, tudo do RDPM;
transgressão grave), fica
preso por 15 (quinze) dias;
permanece no
comportamento “Mau”. A
presente punição é a contar
de 03 de julho de 1980, data
em que o mesmo foi
recolhido à prisão.

O Sd PM (RG....................) FULANO DE TAL, da 4ª Cia PM, por ter chegado


atrasado para o serviço do dia 20 do corrente (n. 22 do Anexo I, com as
296
atenuantes do n. 1 do art. 18, tudo do RDPM; transgressão leve), fica
repreendido; ingressa no comportamento “bom”.

DORJ I de 07-03-83.

3 LEI Nº 279, DE 26 DE NOVEMBRO DE 1979.

DISPÕE SOBRE A REMUNERAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR E DO CORPO


DE BOMBEIROS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E DÁ OUTRAS
PROVIDÊNCIAS.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,


Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:

TÍTULO I
Disposições Preliminares

CAPÍTULO I
Conceituações Gerais

Art. 1º - Esta lei dispõe sobre a remuneração dos integrantes da Polícia Militar e do
Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, a qual compreende vencimentos ou
proventos e indenizações, e dá outras providências.

Art. 2º - Para os efeitos desta lei adotam-se as seguintes conceituações:


I - Corporação - denominação dada à Polícia Militar e/ou ao Corpo de Bombeiros;
II - Comandante-Geral - título genérico dado ao Oficial que exerce a direção geral das
atividades da Corporação;
III - Organização - denominação genérica abreviada de Organização Policial-Militar
ou de Bombeiro-Militar, dada a Corpo de Tropa, Repartição, Estabelecimento ou a
qualquer outra unidade administrativa ou operacional da Corporação;
IV - Comandante - título genérico correspondente ao de Diretor, Chefe ou outra

297
denominação que tenha ou venha a ter aquele que, investido de autoridade decorrente
de lei ou regulamento, for responsável pela administração, emprego, instrução e
disciplina de uma Organização;
V - PM e BM - designação abreviada dos integrantes da Polícia Militar e do Corpo de
Bombeiros, respectivamente, independente do posto ou graduação;
VI - Sede - território do município, ou dos municípios vizinhos, quando ligados por
freqüentes meios de transporte, dentro do qual se localizam as instalações de uma
Organização considerada, onde são desempenhadas as atribuições, missões ou
atividades cometidas ao PM ou BM;
VII - Efetivo Serviço - real desempenho de cargo, comissão, encargo, incumbência,
serviço ou atividade inerente à Corporação, pelo PM ou BM em serviço ativo;
VIII - missão - dever oriundo de ordem específica de comando, direção ou chefia;
IX - Função - exercício das obrigações inerentes ao cargo ou comissão.

TÍTULO II
Da Remuneração na Ativa

CAPÍTULO I
Da Remuneração

Art. 3º - A remuneração do PM ou BM na ativa compreende:


I - Vencimentos: quantitativo mensal em dinheiro devido ao PM ou BM na ativa,
compreendendo o soldo e as gratificações;
II - Indenizações: de conformidade com o Capítulo V.

Parágrafo Único - O PM ou BM na ativa faz jus, ainda, a outros direitos constantes


do Capítulo VI.

CAPÍTULO II
Do Soldo

Art. 4º - Soldo é a parte básica dos vencimentos inerentes ao porto ou à graduação do


PM ou BM na ativa.

Parágrafo Único - O soldo do PM ou BM é irredutível, não está sujeito à penhora,


seqüestro ou arresto, exceto nos casos especificamente previstos em lei.

298
Art. 5º - O direito do PM ou BM no soldo tem início na data:
I - do ato de promoção, de nomeação ou de apresentação por convocação para o
serviço ativo, para Oficial;
II - do ato de declaração, para Aspirante-a-Oficial;
III - do ato de promoção, para as praças;
IV - da inclusão na Corporação;
V - da apresentação à Corporação, quando de nomeação inicial, para qualquer posto ou
graduação;
VI - do ato de matrícula, para os alunos de Escola ou Centro de Formação de Oficiais
ou Praças.

Parágrafo Único - Nos casos de retroação, o soldo será devido a partir da data
declarada no respectivo ato.

Art. 6º - Suspende-se temporariamente o direito do PM ou BM ao soldo, quando:


I - em licença para tratar de interesse particular;
II - agregado para exercer função de natureza civil em qualquer órgão da
administração direta ou indireta, federal, estadual ou municipal, ou por ter sido
nomeado para qualquer cargo público civil temporário, não eletivo, inclusive da
administração indireta, respeitado o direito de opção;
III - na situação de desertor.

Art. 7º - O direito ao soldo cessa na data em que o PM ou BM for desligado da ativa


por:
I - anulação de inclusão, licenciamento ou demissão;
II - exclusão a bem da disciplina ou perda de posto e patente;
III - transferência para a reserva remunerada ou reforma;
IV - falecimento.

Art. 8º - O PM ou BM considerado desaparecido ou extraviado em caso de calamidade


pública, em viagem, no desempenho de qualquer serviço ou manobra, terá o soldo
pago aos que teriam direito à sua pensão.

§ 1º - No caso previsto neste artigo, decorridos 6 (seis) meses, far-se-á a habilitação


dos beneficiários, na forma da lei, cessando o pagamento do soldo.

§ 2º - Verificando-se o reaparecimento do PM ou BM, apuradas as causas de seu

299
afastamento, caber-lhe-á, se for o caso, o pagamento da diferença entre o soldo a que
faria jus se tivesse permanecido em serviço e a pensão recebida pelos beneficiários.

CAPÍTULO III
Das Gratificações

SEÇÃO I
Disposições Preliminares

Art. 9º - Gratificações são as partes dos vencimentos atribuídas ao PM ou BM, como


estímulo e compensação por atividades profissionais, bem como pelo tempo de
permanência em serviço.

Art. 10 - O PM ou BM, em efetivo serviço, fará jus às seguintes gratificações:


I - de Tempo de Serviço;
II - de Habilitação Profissional;
III - de Regime Especial de Trabalho Policial-Militar ou Bombeiro-Militar.

Art. 11 - Suspende-se o pagamento das gratificações ao PM ou BM:


I - nos casos previstos no art. 6º desta lei;
II - no cumprimento de pena restritiva de liberdade individual, decorrente de sentença,
transitada em julgado;
III - em licença, por período superior a 6 (seis) meses contínuos, para tratamento de
saúde de pessoa da família;
IV - que tiver excedido os prazos legais ou regulamentares de afastamento do serviço;
V - afastado do cargo ou comissão, por incapacidade profissional ou moral, nos termos
da legislação e regulamentos vigentes;
VI - no período de ausência não justificada.

Art. 12 - O direito às gratificações cessa nos casos do art. 7º desta lei.

Art. 13 - O PM ou BM que, por sentença passada em julgado, for absolvido do crime


que lhe tenha sido imputado, terá direito às gratificações que deixou de receber no
período em que esteve afastado do serviço à disposição da Justiça.

Parágrafo Único - Do indulto, perdão, comutação ou livramento condicional, não


decorre direito ao PM ou BM a qualquer remuneração a que tenha deixado de fazer

300
jus, por força de dispositivo legal.

Art. 14 - As gratificações devidas ao PM ou BM desaparecido ou extraviado serão


pagas nas mesmas condições do soldo, conforme previsto no art. 8º e seus parágrafos,
desta lei.

Art. 15 - Para fins de cálculo das gratificações, tomar-se-á por base o valor do soldo
do posto ou graduação que efetivamente possua o PM ou BM.

SEÇÃO II
Da Gratificação de Tempo de Serviço

Art. 16 - A Gratificação de Tempo de Serviço é devida por quinquênio de tempo de


efetivo serviço prestado.
*Art. 16 - A gratificação de tempo de serviço é devida por triênio de tempo de efetivo
serviço prestado.
* Nova redação dada pela Lei nº 1123/87.

Art. 17 - Ao completar cada quinquênio de tempo de efetivo serviço, o PM ou BM


percebe a Gratificação de Tempo de Serviço, cujo valor é de tantas quotas de cinco por
cento do soldo do seu posto ou graduação, quantos forem os quinquênios de tempo de
efetivo serviço.
Parágrafo único - O direito à gratificação começa no dia seguinte em que o PM ou
BM completar cada quinquênio, computado na forma da legislação vigente e
reconhecido mediante publicação em boletim da Organização, conforme a norma
observada na Corporação.
*Art. 17 - Ao completar cada triênio de tempo efetivo de serviço, o PM ou BM
perceberá a Gratificação de Tempo de Serviço, cujo valor será para o 1º triênio de 10%
(dez por cento ) e os demais de 5% (cinco por cento), calculados sobre o soldo de
posto ou graduação, limitada a vantagem a 9 (nove) triênios.
Parágrafo único - O direito à Gratificação de Tempo de Serviço se iniciará no dia
seguinte ao que o PM ou BM completar cada triênio, na forma da legislação e
reconhecido mediante publicação em Boletim da Organização, conforme a norma
observada na Corporação.
* Nova redação dada pela Lei nº 1123/87.

SEÇÃO III
Da Gratificação de Habilitação Profissional

301
Art. 18 - A Gratificação de Habilitação Profissional é devida pelos cursos realizados
com aproveitamento em qualquer porto ou graduação, com os percentuais a seguir
fixados:
I - trinta e cinco por cento:
Curso Superior de Polícia Militar ou Curso Superior de Bombeiro Militar;
II - vinte por cento:
Cursos de aperfeiçoamento ou equivalente, de Oficiais ou de Sargentos;
III - quinze por cento:
Cursos de especialização ou equivalente, de Oficiais ou de Sargentos;
IV - dez por cento:
Curso de formação de Oficiais ou de Sargentos;

V - dez por cento:


Curso de especialização ou equivalente, de Cabos ou de Soldados;
*V - 35% (trinta e cinco por cento) e 25% (vinte e cinco por cento): Curso de
Especialização ou equivalente de Cabos e Soldados, respectivamente;
* Nova redação dada pela Lei nº 1521/1989.
* *V - 75% (setenta e cinco por cento) e 65% (sessenta e cinco por cento): Curso de
Especialização ou equivalente de Cabos e Soldados, respectivamente;
* Nova redação dada pela Lei nº 1591/1989.
* Revogado pela Lei nº 1690/1990.

VI - cinco por cento:


Curso de formação de Soldado.
*VI - 30% (trinta por cento) e 20% (vinte por cento): Curso de Formação de Cabos e
Soldados, respectivamente.
* Nova redação dada pela Lei nº 1521/1989.
*VI - 70% (setenta por cento) e 60% (sessenta por cento): Curso de Formação de
Cabos e Soldados, respectivamente.
* Nova redação dada pela Lei nº 1591/1989.
* V - 75% (setenta e cinco por cento): curso de Formação de Cabos e de Soldados”.
* Renumerado com nova redação pela Lei nº 1690/1990.

§ 1º - A equivalência de cursos será estabelecida pelo Comandante-Geral da


Corporação.

302
§ 2º - Somente poderá ser considerado para os efeitos deste artigo, curso de
especialização ou equivalente, aquele que, com duração igual ou superior a três meses,
tiver aplicação na Corporação.

§ 3º - Ao PM ou BM que possuir mais de um curso, apenas será atribuída a


gratificação de maior valor percentual.

§ 4º - A gratificação estabelecida neste artigo é devida a partir da data de conclusão do


respectivo curso.

SEÇÃO IV
Da Gratificação de Regime Especial de Trabalho
Policial-Militar ou de Bombeiro-Militar

Art. 19 - A Gratificação de Regime Especial de Trabalho Policial-Militar ou de


Bombeiro-Militar é devida ao PM ou BM para compensar o permanente desgaste
físico e psíquico provocado pela elevada tensão emocional inerente à profissão.

§ 1º - A Gratificação de que trata este artigo é fixada nos seguintes percentuais:

I - noventa e cinco por cento:


Oficiais e Subtenentes, PM ou BM;
II - oitenta por cento:
Aspirante-a-Oficial e soldados de segunda classe PM ou BM;
III - cem por cento:
Sargentos, PM ou BM; e
IV - cento e vinte por cento:
Cabos e soldados de primeira classe, PM ou BM.

*I - cento e vinte por cento:


Oficiais, Aspirante-a-Oficial, Subtenente e Sargentos, PM ou BM;
*II - cento e trinta por cento:
cabos e solados de primeira classe, PM ou BM; e
*III - oitenta por cento
Soldado de Segunda Classe, PM ou BM.
*( Nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº 329/80 )

303
* I - 135% (cento e trinta e cinco por cento): Oficiais Superiores PM ou BM;
* Nova redação dada pela Lei nº 1690/1990.
* II - 120% (cento e vinte por cento): Oficiais Intermediários e Subalternos PM ou
BM;
* Nova redação dada pela Lei nº 1690/1990.
* III - 95% (noventa e cinco por cento): Aspirantes-a-Oficial PM ou BM; Alunos da
ESFO, PM ou BM; Subtenentes e Sargentos, PM ou BM; Cabos e Soldados Classes
“A”, “B” e “C”, PM ou BM, e Soldados do Curso de Formação, PM ou BM.
* Nova redação dada pela Lei nº 1690/1990.

§ 2º - A percepção da Gratificação de que trata este artigo será regulamentada pelo


Poder Executivo.

CAPÍTULO IV
Das Indenizações

SEÇÃO I
Disposições Preliminares

Art. 20 - Indenização é o quantitativo em dinheiro, isento de qualquer tributação,


devida ao PM ou BM para ressarcimento de despesas impostas pelo exercício de suas
funções.

Parágrafo Único - As indenizações compreendem:


I - Diárias;
II - Ajuda de custo
III - Transporte.

Art. 21 - As indenizações devidas ao PM ou BM desaparecido ou extraviado, serão


pagas nas mesmas condições do soldo, conforme o previsto no art. 8º e seus
parágrafos, desta lei.

SEÇÃO II
Das Diárias

Art. 22 - Diárias são indenizações destinadas a atender às despesas extraordinárias de


alimentação e de pousada e são devidas ao PM ou BM durante seu afastamento de sua

304
sede por motivo de serviço.

Art. 23 - As diárias compreendem a Diária de Alimentação e a Diária de Pousada.

Parágrafo Único - A Diária de Alimentação é devida inclusive nos dias de partida e


nos de chegada.

Art. 24 - O valor da Diária de Alimentação será regulado pelo Poder Executivo, por
decreto.

Parágrafo Único - O valor da Diária de Pousada é igual ao valor atribuído à Diária de


Alimentação.

Art. 25 - Compete ao Comandante da Organização providenciar o pagamento das


diárias e, sempre que for julgado necessário, deve efetuá-lo adiantadamente, para
ajuste de contas quando do pagamento da remuneração, condicionando-se o
adiantamento à existência de recursos orçamentários próprios.

Art. 26 - Não serão atribuídas diárias ao PM ou BM:


I - quando as despesas com alimentação e alojamento forem asseguradas;
II - nos dias de viagem, quando no custo da passagem estiverem compreendidas a
alimentação e/ou a pousada;
III - cumulativamente com a Ajuda de Custo, exceto nos dias de viagem, em que a
alimentação e/ou a pousada não estejam compreendidas no custo das passagens,
devendo neste caso ser computado apenas o prazo estipulado para o meio de transporte
efetivamente utilizado;
IV - durante o afastamento da sede por menos de oito horas consecutivas.

Art. 27 - No caso de falecimento do PM ou BM, seus herdeiros não restituirão as


diárias que ele haja recebido adiantadamente.

Art. 28 - O PM ou BM, quando receber diárias, indenizará a Organização em que se


alojar ou se alimentar, de acordo com as normas vigentes.

Art. 29 - Quando as despesas de alimentação e/ou de pousada a que se refere o inciso I


do art. 26 desta lei, forem realizadas pelas Organizações de outras Corporações, a
indenização respectiva será feita pela Corporação.

305
Art. 30 - O Comandante-Geral baixará instruções regulando na Corporação o valor e o
destino das indenizações referidas nos arts. 28 e 29.

SEÇÃO III
Da Ajuda de Custo

Art. 31 - A Ajuda de Custo é a indenização para o custeio de despesas de viagem,


mudança e instalação, exceto as de transporte, paga adiantadamente ao PM ou BM,
salvo seu interesse em recebê-la no destino.

Art. 32 - O PM ou BM terá direito à Ajuda de Custo quando movimentado para:


I - cargo ou comissão cujo desempenho importe na obrigação de mudança de sede,
com o desligamento ou não da Unidade onde serve, obedecido o disposto no art. 40
desta lei;
II - comissão superior a três e inferior a seis meses, cujo desempenho importe em
mudança de sede, sem desligamento de sua Unidade, receberá na ida os valores
previstos no art. 40 deste lei e na volta a metade daqueles valores;
III - por missão inferior ou igual a três meses, cujo desempenho importe em mudança
de sede, sem transporte de dependente e sem desligamento da Unidade, receberá a
metade dos valores previstos no art. 33 desta lei, na ida e na volta.

Parágrafo Único - Fará jus também à Ajuda de Custo o PM ou BM, quando


deslocado com a Organização ou fração dela, que tenha sido transferida de sede.

Art. 33 - A Ajuda de Custo devida ao PM ou BM será igual:


I - ao valor correspondente ao soldo, quando não possuir dependente;
II - a duas vezes o valor do soldo, quando possuir dependente expressamente
declarado.

Art. 34 - Não terá direito à Ajuda de Custo o PM ou BM:


I - movimentado por interesse próprio ou em virtude de operações de manutenção da
ordem pública;
II - desligado de escola ou curso por falta de aproveitamento ou por interesse próprio,
ainda que preencha os requisitos do art. 39 desta lei.

Art. 35 - Restituirá a Ajuda de Custo o PM ou BM que houver recebido nas formas e

306
circunstâncias abaixo:
I - integralmente e de uma só vez, quando deixar de seguir destino a seu pedido;
II - pela metade do valor recebido e de uma só vez, quando, até seis meses após ter
seguido para nova Organização, for, a pedido, movimentado, dispensado, licenciado,
demitido, transferido para a reserva, exonerado ou entrar em licença;
III - pela metade do valor, mediante desconto pela décima parte do soldo, quando não
seguir destino por motivo independente de sua vontade.

§ 1º - Não se enquadra nas disposições do inciso II deste artigo a licença para


tratamento de saúde própria.

§ 2º - Ao receber a Ajuda de Custo o PM ou BM liquidará, integralmente, o débito


anterior referente a qualquer outra Ajuda de Custo.

Art. 36 - Na concessão de Ajuda de Custo, para efeito de cálculo de seu valor,


determinação do exercício financeiro, constatação de dependente e tabela em vigor,
tomar-se-á como base a data do ajuste de contas.

Parágrafo Único - Se o PM ou BM for promovido, contando antigüidade de data


anterior à do pagamento da Ajuda de Custo, fará jus à diferença entre o valor desta e
daquela a que teria direito no novo posto ou graduação.

Art. 37 - A Ajuda de Custo não será restituída pelo PM ou BM ou seus beneficiários,


quando:
I - após ter seguido destino, for mandado regressar;
II - ocorrer o falecimento do PM ou BM, mesmo antes de seguir destino.

SEÇÃO IV
Do Transporte

Art. 38 - O PM ou BM movimentado, por interesse do serviço, tem, por conta do


Estado, direito a transporte, nele compreendidas a passagem e a translação da
respectiva bagagem, de residência à residência, se mudar em observância a prescrições
legais, regulamentares.

§ 1º - Se a movimentação do PM ou BM importar em mudança de sede, os seus


dependentes e um empregado doméstico terão o direito previsto neste artigo.

307
§ 2º - Os dependentes e o empregado doméstico com o direito previsto nesta Seção, só
poderão usufruí-lo se viajarem no período compreendido entre quinze dias antes e
noventa dias após o deslocamento do PM ou BM.

§ 3º - Quando o PM e BM falecer em serviço ativo, seus dependentes e o empregado


doméstico terão direito, até noventa dias após o falecimento, ao transporte, por conta
do Estado, para a localidade no território estadual, onde fixarem residência.

Art. 39 - O PM ou BM terá direito a transporte por conta do Estado, quando tiver de


efetuar deslocamento fora da sede, nos seguintes casos:
I - interesse da Justiça ou da disciplina;
II - realização de concurso para ingresso em escola ou curso de interesse da
Corporação;
III - por motivo de serviço decorrente do desempenho de sua atividade;
IV - realização de inspeção de saúde, baixa à organização hospitalar ou alta dessa, em
virtude de prescrição médica.

Art. 40 - Quando o transporte não for realizado pelo Estado, o PM ou BM será


indenizado da quantia correspondente às despesas decorrentes do direito a que se
refere esta Seção, obedecidos os limites estabelecidos pelo Poder Executivo.

Art. 41 - O Poder Executivo, através de decreto, regulamentará o disposto nesta Seção.

CAPÍTULO V
Dos Outros Direitos

SEÇÃO I
Salário-família

Art. 42 - Salário-família é o auxílio em dinheiro pago ao PM ou BM para custear, em


parte, a educação e assistência a seus filhos e outros dependentes.

Parágrafo Único - O salário-família é devido ao PM ou BM no valor e nas condições


previstas na legislação vigente.

308
Art. 43 - O salário-família é isento de tributação e não sofre desconto de qualquer
natureza.

SEÇÃO II
Da Assistência Médico-hospitalar

Art. 44 - O Estado proporcionará ao PM ou BM e a seus dependentes, assistência


médico-hospitalar, através das Organizações de Saúde da Corporação, de acordo com
o disposto nesta Seção.

Art. 45 - Em princípio, as Organizações de Saúde da Corporação destinam-se a


atender o pessoal delas dependentes.

Art. 46 - O PM ou BM da ativa terá hospitalização e tratamento custeados pelo


Estado, em virtude dos motivos especificados nos incisos I, II e III do art. 79 desta lei.

§ 1º - A hospitalização para o PM ou BM não enquadrado neste artigo será gratuita até


sessenta dias, consecutivos ou não, em cada ano civil.

§ 2º - Todo PM ou BM terá tratamento por conta do Estado, ressalvadas as


indenizações estabelecidas pelo Comandante-Geral.

Art. 47 - Para os efeitos do disposto no artigo anterior, a internação do PM ou BM em


clínica ou hospital especializado ou não, estranho à Corporação, será autorizada nos
seguintes casos:
I - de urgência, quando as organizações hospitalares da Corporação não puderem
atender;
II - quando as organizações hospitalares da Corporação não dispuserem de clínica
especializada necessária;
III - quando não houver organização hospitalar da Corporação no local e não for
possível ou viável deslocar o paciente para outra localidade;
IV - quando houver convênio firmado pela Corporação.

*Art. 48 - A assistência médico-hospitalar ao PM ou BM e seus dependentes será


prestada com os recursos provenientes:
I - da contribuição mensal obrigatória de três por cento do soldo do PM ou BM.

309
* I - da Contribuição mensal obrigatória de cinco por cento do soldo do PM ou BM;”
* Nova redação dada pela Lei nº 1628/90.
* I - Revogado pelo § 1º do artigo 48 da lei 3189/99
II - da contribuição do Estado através de dotação específica consignada no orçamento,
de valor igual ao das contribuições referidas no inciso anterior;
III - de indenizações estabelecidas pelo Comandante-Geral;
IV - de doações, legados e outros.

Parágrafo único - Os recursos de que trata este artigo serão escriturados sob a rubrica
de Fundo de Saúde da Corporação, e geridos por uma Comissão designada pelos
respectivos Comandantes-Gerais, em conta vinculada no Banco do Estado do Rio de
Janeiro - BANERJ.

Art. 49 - A assistência médico-hospitalar ao PM ou BM e seus dependentes,


considerados na forma dos arts. 101 e 102 desta lei, será prestada de acordo com as
normas e condições de atendimento estabelecidas pelo Comandante-Geral.

SEÇÃO III
Do Funeral

Art. 50 - O Estado assegurará sepultamento condigno ao PM ou BM.

Art. 51 - O Auxílio-funeral é o quantitativo concedido para custear as despesas com o


sepultamento do PM ou BM.

Art. 52 - O Auxílio-funeral equivale a duas vezes o valor do soldo do posto ou


graduação do PM ou BM falecido, não podendo ser inferior a duas vezes o valor do
soldo do Cabo.

* Art. 52 - O auxílio funeral corresponderá a 02 (duas) vezes o valor do soldo do


policial militar ou do bombeiro militar falecidos, exceto se tratar de 3º Sargento, Cabo
e Soldado, quando equivalerá, no mínimo, a 02 (duas) vezes o valor do respectivo
soldo e no máximo, a duas vezes o valor do soldo do 2º Sargento.
* Nova redação dada pela Lei nº 2366/1994.

Art. 53 - Ocorrendo o falecimento do PM ou BM, as seguintes providências devem ser


observadas para a concessão do Auxílio-funeral:

310
I - antes de realizado o enterro, o pagamento do Auxílio-funeral será feito a quem de
direito pela Organização a que pertencia o PM ou BM, independentemente de qualquer
formalidade, exceto a da apresentação do atestado de óbito;
II - após o sepultamento do PM ou BM, não se tendo verificado o caso do inciso
anterior, deverá a pessoa que o custeou, mediante apresentação do atestado de óbito,
solicitar o reembolso da despesa, comprovando-a com os recibos em seu nome, dentro
do prazo de trinta dias, sendo-lhe, em seguida, reconhecido o crédito e paga a
importância correspondente aos recibos, até o valor limite estabelecido no artigo
anterior;
III - caso a despesa com o sepultamento, paga de acordo com o inciso anterior, seja
inferior ao valor do Auxílio-funeral estabelecido, a diferença será paga aos
beneficiários habilitados à pensão militar ou no Instituto de Previdência do Estado do
Rio de Janeiro (IPERJ), mediante requerimento;
IV - decorrido o prazo de trinta dias, sem reclamação do Auxílio-funeral por quem
haja custeado o sepultamento do PM ou BM, será o mesmo pago aos beneficiários
habilitados à pensão militar ou no Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro
(IPERJ), mediante requerimento.

Art. 54 - Em casos especiais e a critério da autoridade competente, poderá o Estado


custear diretamente o sepultamento do PM ou BM.

Parágrafo Único - Verificando-se a hipótese de que trata este artigo, não será pago,
aos beneficiários, o Auxílio-funeral.

Art. 55 - Cabe ao Estado, por solicitação da família, a transladação do corpo do PM ou


BM falecido em manutenção da ordem pública ou em acidente em serviço, para
qualquer localidade no território estadual.

Art. 56 - Para atender as despesas do funeral de dependente, o PM ou BM terá direito


ao adiantamento correspondente até o valor de dois soldos do seu porto ou graduação,
indenizável em vinte e quatro meses.

Parágrafo Único - Este benefício será concedido ao PM ou BM, se requerido no prazo


de trinta dias contados da data do falecimento, de acordo com normas baixadas pelo
Comandante-Geral.

SEÇÃO IV
Da Alimentação

311
Art. 57 - Tem direito à alimentação por conta do Estado:
I - O PM ou BM servindo ou quando em serviço em Organização com rancho próprio,
ou ainda, em operação PM ou BM;
II - o funcionário civil vinculado à Corporação;
III - o preso civil quando recolhido à Corporação.

*Art. 58 - A etapa é a importância em dinheiro correspondente ao custeio da ração e


seu valor será fixado semestralmente pelo Poder Executivo, por decreto.
* Art. 58 -A etapa é a importância em dinheiro correspondente ao custeio da ração e
seu valor será fixado, mensalmente, pelo Poder Executivo, através de decreto.
*( Nova redação dada pelo art. 1º da Lei 1575/89)

Art. 59 - Toda Organização deverá ter rancho próprio, em condições de proporcionar


rações preparadas aos seus integrantes.

§ 1º - O PM ou BM, quando sua Organização ou outra nas proximidades do local de


serviço ou expediente, não lhe possa fornecer alimentação por conta do Estado e, por
imposição do horário de trabalho e distância de sua residência, seja obrigado a fazer
refeições fora da mesma, tendo despesas extraordinárias de alimentação, fará jus:
1 - a seis vezes o valor da etapa fixado, quando em serviço de duração de vinte e
quatro horas;
2 - à metade do previsto no inciso anterior, quando em serviço ou expediente de
duração igual ou superior a oito horas de efetivo trabalho, mas inferior a vinte e quatro
horas.

§ 2º - O direito de que trata o parágrafo anterior poderá ser estendido, a critério do


Comandante-Geral, ao PM ou BM que serve em destacamentos da Corporação no
interior do Estado.

Art. 60 - O Cabo ou soldado, quando em férias regulamentares ou licenciado por


moléstia infecto-contagiosa e não for alimentado por conta do Estado, receberá
indenização correspondente ao valor da etapa comum.

Parágrafo Único - É vedado o desarranchamento para o pagamento da etapa em


dinheiro.

312
SEÇÃO V
Do Fardamento

Art. 61 - O Aluno-Oficial e a praça de graduação inferior a Terceiro-Sargento têm


direito, por conta do Estado, a uniforme e roupa de cama, de acordo com as tabelas de
distribuição estabelecidas pela Corporação.

Art. 62 - O PM ou BM, ao ser declarado Aspirante-a-Oficial ou promovido a Terceiro-


Sargento, faz jus a um auxílio para aquisição de uniforme no valor de três vezes o
soldo de sua graduação.

Parágrafo Único - Igual direito tem aquele que ingressar no oficialato por nomeação
ou promoção.

Art. 63 - Ao Oficial, Subtenente ou Sargento que requerer, quando promovido, será


concedido um adiantamento correspondente ao valor do soldo do novo posto ou
graduação, para aquisição de uniforme.

§ 1º - Este adiantamento não será pago com o auxílio previsto no artigo anterior, em
razão da mesma declaração, nomeação ou promoção.

§ 2º - A concessão prevista neste artigo far-se-á mediante despacho em requerimento


do PM ou BM ao seu Comandante, ouvido previamente o órgão de finanças da
Corporação.

§ 3º - A reposição do adiantamento será feita mediante desconto mensal no prazo de


vinte e quatro meses.

§ 4º - O adiantamento referido neste artigo poderá ser requerido a cada quatro anos, se
o PM ou BM permanecer no mesmo porto ou graduação, podendo ser renovado no
caso de promoção desde que liquide o saldo devedor do adiantamento anteriormente
recebido.

Art. 64 - O PM ou BM que perder ou tiver seus fardamentos danificados em sinistro


havido em qualquer Organização, em deslocamento a serviço ou em serviço, receberá
um auxílio correspondente ao valor de até três vezes o soldo do seu posto ou
graduação, desde que não tenha direito a uniforme por conta do Estado.

313
Parágrafo Único - Ao comandante do prejudicado cabe arbitrar o valor deste auxílio
em função do dano sofrido.

TÍTULO III
Da Remuneração na Inatividade

CAPÍTULO I
Da Remuneração e Outros Direitos

Art. 65 - A remuneração do PM ou BM na inatividade - na reserva remunerada ou


reformado - compreende:
I - Proventos;
II - Auxílio-invalidez.

Parágrafo Único - A remuneração do PM ou BM na inatividade será revista sempre


que, por motivo de alteração do poder aquisitivo da moeda, se modificar a
remuneração do PM ou BM na ativa.

Art. 66 - O PM ou BM ao ser transferido para a inatividade faz jus:


I - ao valor de um soldo do último posto ou graduação que possuía na ativa;
II - ao transporte, por conta do Estado, nele compreendidas a passagem e a translação
da respectiva bagagem para si, seus dependentes e um empregado doméstico, para o
domicílio onde fixará residência dentro do território estadual.

§ 1º - Quando o transporte não for realizado pelo Estado, o inativo será indenizado da
quantia correspondente às despesas decorrentes efetivamente realizadas, obedecidos os
limites estabelecidos pelo Poder Executivo.

§ 2º - O direito ao transporte prescreve após decorridos cento e vinte dias da data da


publicação oficial do ato de transferência para a inatividade.

§ 3º - Se o inativo falecer no decorrer do prazo estabelecido no parágrafo anterior, os


seus dependentes e o empregado doméstico farão jus ao transporte de que trata este
artigo, até o final desse prazo.

Art. 67 - O PM ou BM, na inatividade, faz jus ainda, no que for aplicável, aos direitos

314
constantes das Seções I, II e III do Capítulo V do Título II desta lei.

Parágrafo Único - Para cálculo do Auxílio-funeral do inativo, será considerado o


soldo do posto ou graduação que serviu de base para o cálculo do seus proventos.

CAPÍTULO II
Dos Proventos

SEÇÃO I
Disposições Preliminares

Art. 68 - Proventos são o quantitativo em dinheiro que o PM ou BM percebe na


inatividade, quer na reserva remunerada, quer na situação de reformado, constituídos
pelas seguintes parcelas:
I - soldo ou quotas de soldo;
II - gratificações incorporáveis.

Art. 69 - Os proventos são devidos ao PM ou BM, quando for desligado da ativa em


virtude de:
I - transferência para a reserva remunerada;
II - reforma;
III - retorno à inatividade após convocação para o serviço ativo.

Parágrafo Único - O PM ou BM de que trata este artigo continuará a perceber sua


remuneração, até a publicação de seu desligamento no boletim da Corporação, o que
não poderá exceder de quarenta e cinco dias da data da primeira publicação oficial do
ato.

Art. 70 - Suspende-se, temporariamente, o direito do PM ou BM à percepção dos


proventos na data de sua apresentação em Organização, quando, na forma da
legislação em vigor, retornar à ativa ou for convocado para o desempenho de cargo em
comissão na Corporação.

Art. 71 - Cessa o direito à percepção dos proventos na data:


I - do falecimento/
II - do ato em que o oficial perca o posto e a patente;
III - do ato de exclusão da praça.

315
Art. 72 - O valor dos proventos do PM ou BM será fixado em apostila, que será
lavrada pelo órgão pagador competente da Corporação e devidamente julgado pelo
Tribunal de Contas do Estado.

SEÇÃO II
Das Parcelas dos Proventos

Art. 73 - O soldo constitui a parcela básica dos proventos a que faz jus o PM ou BM
na inatividade, e seu valor será igual ao do PM ou BM da ativa do mesmo posto ou
graduação.

§ 1º - Para efeito de cálculo, o soldo dividir-se-á em quotas, correspondente cada uma


a um trigésimo do seu valor.

§ 2º - O soldo ou quotas de soldo a que fizer jus o PM ou BM na inatividade


constituirão a base de cálculo para o pagamento das gratificações, auxílios e outros
direitos.

Art. 74 - Na inatividade o PM ou BM terá direito a tantas quotas de soldo quanto


forem os anos de serviço, computáveis para o mesmo fim até o máximo de trinta.
Parágrafo Único - Para efeito de contagem de quotas, a fração de tempo igual ou
superior a cento e oitenta dias será considerada como um ano.

Art. 75 - O oficial que contar mais de 35 (trinta e cinco) anos de serviço, quando
transferido para a inatividade, terá os proventos calculados sobre o soldo
correspondente ao do posto imediato, se na Corporação existir esse posto.

Parágrafo Único - O oficial, nas condições deste artigo, se ocupante do último posto
da hierarquia da Corporação, terá os proventos calculados sobre o soldo desse posto,
acrescido de vinte por cento.

Art. 76 - O Subtenente, quando transferido para a inatividade, terá os proventos


calculados sobre o soldo correspondente ao posto de Segundo-Tenente, desde que
conte mais de trinta anos de serviço.

Art. 77 - As demais praças que contem mais de trinta anos de serviço, ao serem

316
transferidas para a inatividade, terão os proventos calculados sobre o soldo
correspondente ao da graduação imediatamente superior.

Art. 78 - Serão incorporados aos proventos, integralmente, as Gratificações de Tempo


de Serviço e de Habilitação Profissional, e na proporção de 1/30 (um trinta avos) por
ano de efetivo exercício, a de Regime Especial de Trabalho Policial-Militar ou
Bombeiro-Militar, tendo em vista o que dispõe o art. 24 do Decreto-Lei nº 667, de
02.07.69, nas seguintes condições:
I - Oficiais com 35 (trinta e cinco) anos de efetivo serviço:
1) Coronel - 15% (quinze por cento) do soldo;
2) Tenente-Coronel, Major e Capitão - 30% (trinta por cento) do soldo;
3) Demais postos - 40% (quarenta por cento) do soldo;
II - Oficiais e Subtenentes com 30 (trinta) anos de efetivo serviço - 25% (vinte e cinco
por cento) do soldo;
III - Sargentos com 30 (trinta) anos de efetivo serviço - 30% (trinta por cento) dos
soldo;
IV - Cabos - 50% (cinqüenta por cento) do soldo ou quota do soldo; e
V - Soldados - 80% (oitenta por cento) do soldo ou quota do soldo.
Parágrafo Único - Os valores percentuais da Gratificação de Regime Especial de
Trabalho Policial-Militar ou Bombeiro-Militar, referidos neste artigo, poderão ser
reajustados, de acordo com as possibilidades do erário estadual.

* Art. 78 - Serão incorporadas aos provimentos, integralmente, as Gratificações


de tempo de serviço e de Habitação Profissional e, na proporção de 01/30 (um
trinta avos) por ano de efetivo serviço, a de Regime especial de Trabalho policial-
Militar ou de Bombeiro-Militar, tendo em vista o que dispõe o Art. 24 do Decreto-
Lei nº 667, de 02/07/69, nas seguintes condições:

I - quarenta e cinco por cento;


Oficiais, Aspirantes-a-Oficial, subtenente e Sargentos, PM ou BM;
II - cinqüenta e cinco por cento
cabos, PM ou BM: e

III - oitenta e cinco por cento:


Soldado, PM ou BM.

§1º - A base de cálculos para o pagamento das gratificações previstas neste artigo,

317
dos auxílios e de outros direitos dos policiais-militares e dos bombeiros-militares
na inatividade remunerada será o valor do saldo, ou das quotas do saldo até o
máximo de trinta, à que o policial-militar ou bombeiro-militar fizer jus na
inatividade.

§2º - Nos casos previstos no artigo anterior, aplicar-se-á o percentual


correspondente à graduação, cujos saldos servir de base ao cálculo dos proventos.
*( Nova redação dada pelo art.2º da Lei nº 329/80 )

SEÇÃO III
Dos Incapacitados

Art. 79 - O PM ou BM incapacitado terá seus proventos referidos ao soldo integral do


posto ou graduação em que foi reformado ou do correspondente ao grau hierárquico
superior ao que possuía na ativa, de acordo com a legislação em vigor, e as
gratificações incorporáveis a que fizer jus, quando reformado pelos seguintes motivos:
I - ferimento recebido na manutenção de ordem pública, no exercício de missão
profissional de bombeiro ou enfermidade contraída nessas situações, ou que nelas
tenha sua causa eficiente;
II - acidente em serviço;
III - doença, moléstia ou enfermidade adquirida, com relação de causa e efeito a
condições inerentes ao serviço;
IV - acidente ou doença, moléstia ou enfermidade, embora sem relação de causa e
efeito com o serviço, desde que seja considerado inválido, impossibilitado total e
permanentemente para qualquer trabalho.

Parágrafo Único - Não se aplicam as disposições do presente artigo ao PM ou BM


que, já na situação de inatividade, passe a se encontrar na situação referida no inciso
IV, a não ser que fique comprovada, por Junta de Saúde da Corporação, relação de
causa e efeito com o exercício de suas funções enquanto esteve na ativa.

Art. 80 - O oficial ou a praça com estabilidade assegurada, reformado por


incapacidade definitiva decorrente de acidente, doença, moléstia ou enfermidade, sem
relação de causa e efeito com o serviço, ressalvados os casos do inciso IV do artigo
anterior, perceberá os proventos nos limites impostos pelo tempo de serviço
computável para a inatividade, observadas as condições estabelecidas nos arts. 74 e 78
desta lei.

318
Parágrafo Único - O oficial com mais de cinco anos de serviço ou a praça com
estabilidade assegurada, que se encontrar nas condições deste artigo, não poder
perceber como proventos, quantia inferior ao soldo do posto ou graduação atingido na
inatividade, para fins de remuneração.

CAPÍTULO III
Do Auxílio - Invalidez

Art. 81 - O PM ou BM da ativa que foi ou venha a ser reformado por incapacidade


definitiva e considerado inválido, impossibilitado total e permanentemente para
qualquer trabalho, não podendo prover os meios de subsistência, fará jus a um Auxílio-
invalidez no valor de vinte e cinco por cento da soma da base de cálculo com a
Gratificação de Tempo de Serviço, desde que satisfaça a uma das condições abaixo
especificadas, devidamente declarada por Junta de Saúde da Corporação:
I - necessitar de internação em instituição apropriada, da Corporação ou não;
II - necessitar de assistência ou de cuidados permanentes de enfermagem.

§ 1º - Para percepção do Auxílio-invalidez, o PM ou BM ficará sujeito a apresentar,


anualmente, declaração de que não exerce atividade remunerada e, a critério da
administração, a submeter-se, periodicamente, à inspeção de saúde de controle; no
caso de oficial mentalmente enfermo e do praça, a declaração deverá ser firmada por
dois oficiais da ativa da Corporação.

§ 2º - O Auxílio-invalidez será suspenso automaticamente pelo Comandante-Geral, se


for verificado que o PM ou BM beneficiado exerce ou tenha exercido, após o
recebimento do auxílio qualquer atividade remunerada, sem prejuízo de outras sanções
cabíveis, bem como se, em inspeção de saúde, for constatado não se encontrar nas
condições previstas neste artigo.

§ 3º - O PM ou BM no gozo do Auxílio-invalidez terá direito a transporte por conta do


Estado, dentro do território estadual, quando for obrigado a se afastar de seu domicílio
para ser submetido à inspeção de saúde de controle, prevista no § 1º deste artigo.

§ 4º - O Auxílio-invalidez não poderá ser inferior ao soldo de Cabo.

CAPÍTULO IV
Das Situações Especiais

319
Art. 82 - O PM ou BM reformado ou da reserva remunerada, que na forma da
legislação em vigor, retornar à ativa, ou for convocado para o desempenho de cargo ou
comissão na Corporação, perceberá a remuneração da ativa do seu posto ou graduação,
a contar da data da apresentação, perdendo, a partir daí, direito à remuneração da
inatividade.

§ 1º - Por ocasião de sua apresentação, o PM ou BM de que trata este artigo terá


direito, mediante requerimento e a critério do Comandante-Geral, a um auxílio para
aquisição de uniformes, correspondente ao valor do soldo de seu porto ou graduação.

§ 2º - O PM ou BM de que trata este artigo ao retornar à inatividade, terá sua


remuneração recalculada em função do novo cômputo de tempo de serviço e das novas
situações alcançadas pelas atividades que exerceu, de acordo com a legislação em
vigor.

* Art. 82-A. Ao PM ou BM da reserva remunerada e, excepcionalmente, o reformado,


exceto quando convocado para o desempenho de cargo ou comissão na Corporação,
que prestarem tarefa por tempo certo, será conferido Adicional ‘Pro Labore’.

§1º O prestador da tarefa por tempo certo estabelecida pelo caput deste artigo, além do
Adicional “Pro Labore”, também fará jus aos seguintes benefícios, enquanto
permanecer na situação de prestação de tarefa por tempo certo:

I - adicional de férias, correspondente a 1/3 (um terço) do Adicional ‘Pro Labore’ do


mês de início das férias;

II - 13º salário correspondente ao Adicional ‘Pro Labore’.

§2º O Adicional “Pro Labore” previsto no caput deste artigo não será incorporado aos
proventos de inatividade militar;

§ 3° O valor adicional de que trata o caput deste artigo não poderá ser inferior ao
menor piso salarial estabelecido em Lei pelo Estado do Rio de Janeiro.
* Artigo incluído pela Lei nº 5271/2008.

Art. 83 - As disposições do art. 74 não se aplicam ao PM ou BM amparado por

320
legislação que lhe assegure, por ocasião da passagem para a inatividade, vencimentos
integrais.

Art. 84 - O PM ou BM que retornar à ativa ou for reincluído, faz jus à remuneração,


na forma estipulada nesta lei para às situações equivalentes, na conformidade do que
foi estabelecido no ato do retorno ou reinclusão.

Parágrafo Único - Se o PM ou BM fizer jus a pagamento relativo a períodos


anteriores à data do retorno ou reinclusão, receberá a diferença entre a importância
apurado no ato do ajuste de contas e a recebida a título de remuneração, pensão ou
vantagem, nos mesmos períodos.

Art. 85 - No caso do retorno ou reinclusão com ressarcimento pecuniário, o PM ou


BM indenizará os cofres públicos, mediante encontro de contas, das quantias que
tenham sido pagas à sua família, a qualquer título.

TÍTULO IV
Dos Descontos em Folha de Pagamento

CAPÍTULO I
Dos Descontos

Art. 86 - Desconto é o abatimento que o PM ou BM pode sofrer em seus vencimentos


ou proventos, para cumprimento de obrigações assumidas ou legalmente impostas.

Art. 87 - São consideradas bases para desconto:


I - Para o PM ou BM da ativa, o soldo do posto ou graduação, acrescido das
gratificações incorporáveis;
II - Para o PM ou BM inativo, os proventos.

*Art. 87 - São consideradas bases para desconto:


I - Para o PM ou BM da ativa, o soldo do posto ou graduação, acrescidos da
Gratificação de Tempo de Serviço e a Indenização de Habilitação Profissional;
II - Para o PM ou BM inativo, o soldo ou quotas de soldo, Gratificação de Tempo de
Serviço e Indenização de Habilitação Profissional.
* Nova redação dada pela Lei nº 658/1983.

321
Art. 88 - Os descontos são classificados em:
I - Contribuição para:
1 - a Pensão Militar;
2 - o Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro;
3 - a Caixa Beneficente e/ou Caixa de Pecúlio da Corporação;
4 - a Assistência Médico-hospitalar.
II - Indenizações:
1 - a Órgãos Federais, Estaduais ou Municipais, em decorrência de dívida.
III - Consignações:
1 - em favor das entidades consideradas consignatárias;
2 - para pensão alimentícia;
3 - para aluguel ou aquisição de residência do PM ou BM;
4 - para outros fins determinados pelo Comandante-Geral.

Art. 89 - São descontos obrigatórios ou constantes dos incisos I e II do artigo anterior


e do item 2 do inciso III do mesmo artigo, se em cumprimento de sentença judicial.

* Art. 89 – São descontos obrigatórios os constantes do inciso I do artigo anterior,


exceto o seu item 3 - "a Caixa Beneficente e/ou Caixa de Pecúlio da Corporação", do
inciso II e o item 2 do inciso III do mesmo artigo, se em cumprimento de sentença
judicial.
* (Nova radação dada pela Lei nº 3492/2000)

Art. 90 - São autorizados todos os demais descontos não mencionados no artigo


anterior.

Art. 91 - Podem ser consignantes os PM ou BM em qualquer situação.

Art. 92 - O Poder Executivo Estadual especificará as entidades que podem ser


consideradas consignatárias.

CAPÍTULO II
Dos Limites

Art. 93 - Para os descontos, são estabelecidos os seguintes limites, referidos às bases


para desconto:
I - quantia estipulada por lei ou regulamento;

322
II - até setenta por cento para os descontos previstos nos itens 2 e 3 do inciso III do art.
88 desta lei;
III - até trinta por cento para os descontos não enquadrados nos incisos anteriores.

Art. 94 - Em nenhuma hipótese, o PM ou BM poderá receber mensalmente quantia


líquida inferior a trinta por cento das bases para desconto, mesmo nos casos de
suspensão do pagamento das gratificações.

Art. 95 - Os descontos obrigatórios têm prioridade sobre os autorizados.

§ 1º - A importância devida à Fazenda Estadual, ou a pensão judicial supervenientes a


averbações já existentes será obrigatoriamente descontada dentro dos limites
estabelecidos neste Capítulo.

§ 2º - Na ocorrência do disposto no parágrafo anterior, serão assegurados aos


consignatários os juros de mora, às taxas legais vigentes, decorrentes da dilatação dos
prazos estipulados.

§ 3º - Verificada a hipótese do parágrafo anterior, só será permitido novo desconto


autorizado, quando este estiver dentro dos limites fixados neste Capítulo.

Art. 96 - O desconto originado de crime previsto no Código Penal Militar não impede
que, por decisão judicial, a autoridade competente proceda a buscas, apreensões legais,
confisco de bens e seqüestro no sentido de abreviar o prazo de indenizações à Fazenda
Estadual.

Art. 97 - A dívida para com a Fazenda Estadual, no caso do PM ou BM desligado da


ativa será obrigatoriamente cobrada, de preferência por meios amigáveis, e na
impossibilidade desses, pelo recurso ao processo de cobrança fiscal referente à Dívida
Ativa do Estado.

TÍTULO V
Disposições Diversas

Capítulo I
Disposições Gerais

323
Art. 98 - O valor do soldo será fixado para cada posto ou graduação com base no
soldo do posto de Coronel PM ou BM observados os índices estabelecidos na Tabela
de Escalonamento Vertical anexa a esta lei.

Parágrafo Único - A Tabela de soldo resultante da aplicação do escalonamento


vertical, deverá ser constituída por valores arredondados de múltiplos de trinta.

Art. 99 - Qualquer que seja o mês considerado, o cálculo parcelado de vencimentos


terá o divisor igual a trinta.

Parágrafo Único - O Salário-família é sempre pago integralmente.

Art. 100 - A remuneração do PM ou BM falecido é calculada até o dia do seu óbito,


inclusive, e paga aos beneficiários habilitados.

Art. 101 - São considerados dependentes do PM ou BM:


I - a esposa;
II - o filho menor de vinte e uma anos e o filho inválido ou interdito;
III - a filha solteira, desde que não receba remuneração;
IV - o filho estudante, menor de vinte e quatro anos, desde que não receba
remuneração;
V - a mãe viúva, desde que não receba remuneração;
VI - o enteado, o adotivo e o tutelado, nas mesmas condições dos incisos II, III e IV
deste artigo.
* VII — a(o) companheira(o), nos termos da legislação em vigor, que viva sob sua
exclusiva dependência econômica, comprovada a união estável mediante procedimento
administrativo de justificação.
* Inciso incluído pelo art. 3º da Lei nº 4300/2004.
Parágrafo Único - Continuarão compreendidas nas disposições deste artigo a viúva,
enquanto permanecer neste estado, e os demais dependentes mencionados, desde que
vivam sob a responsabilidade dela.

Art. 102 - São ainda considerados dependentes do PM ou BM, desde que vivam sob
sua dependência econômica, sob o mesmo teto o quando expressamente declarados na
sua Organização:
I - a filha, a enteada e a tutelada, viúvas, separadas judicialmente ou divorciadas, desde

324
que não recebam remuneração;
II - a mãe solteira, a madrasta viúva e a sogra viúva ou solteira, bem como separadas
judicialmente ou divorciadas, desde que, em qualquer dessas situações, não recebam
remuneração;
III - os avós e pais, quando inválidos ou interditos;
IV - o pai maior de sessenta anos, desde que não receba remuneração;
V - o irmão, o cunhado e o sobrinho, quando menores, inválidos ou interditos, sem
outro arrimo;
VI - a irmã, a cunhada e a sobrinha, solteiras, viúvas, separadas judicialmente ou
divorciadas, desde que não recebam remuneração;
VII - o neto órfão, menor, inválido ou interdito;
* VIII - a pessoa que viva sob sua exclusiva dependência econômica no mínimo há
cinco anos, comprovada mediante justificação judicial.
* Inciso revogado pelo art. 8º da Lei nº 4300/2004.

CAPÍTULO II
Disposições Especiais

Art. 103 - Aplicam-se ao PM ou BM da ativa que tenha operado, a partir de 17 de


novembro de 1950, comprovadamente com Raios X e/ou substâncias radioativas, as
disposições da Lei nº 1234, de 14.11.50.

Art. 104 - É assegurado ao PM ou BM em qualquer situação o pagamento definitivo


da gratificação prevista no artigo anterior, por quotas correspondentes nos anos de
efetiva operação com Raios X e/ou substâncias radioativas, desde que conste nos seus
assentamentos o devido registro, observadas as disposições seguintes:
I - o direito à percepção de cada quota é adquirido ao fim de um ano no desempenho
da função considerada;
II - o valor de cada quota é igual a um décimo da gratificação integral correspondente
ao último posto ou graduação em que o PM exerceu a referida atividade;
III - o número de quotas abonadas a um mesmo PM ou BM não poderá exceder de
dez;
IV - o PM ou BM reformado por moléstia contraída no exercício da referida função
terá assegurado, na inatividade, o pagamento definitivo da gratificação de que trata
este artigo pelo seu valor integral, dispensadas outras exigências.

325
Art. 105 - Cabe ao Poder Executivo fixar, mediante decreto, as vantagens eventuais a
que fará jus o PM ou BM designado para missão fora do Estado ou no Exterior.

CAPÍTULO III
Disposições Transitórias

Art. 106 - As gratificações e indenizações estabelecidas nesta lei são devidas a partir
da sua vigência, sem direito a percepção de atrasados.

Art. 107 - O PM ou BM que estiver no gozo de gratificações não previstas nesta lei
em razão de sentença judicial, poderá optar pela situação nela definida, no prazo de
sessenta dias, contado da sua publicação, caso contrário, permanecerá no regime em
que se encontra.

Art. 108 - O PM ou BM beneficiado por uma ou mais das Leis nºs 288, de 08.06.48,
616, de 02.02.49, 1156, de 12.06.50, e 1267, de 09.12.50, e que, em virtude de
disposições legais, não, mais faz jus às promoções previstas nas mencionadas leis, terá
considerado como base para o cálculo dos proventos o soldo do posto ou graduação a
que seria promovido.

§ 1º - Essa remuneração não poderá exceder, em nenhum caso, a que caberia ao PM ou


BM, se fosse ele promovido até dois graus hierárquicos acima daquele que tiver por
ocasião do processamento de sua transferência para a reserva ou reforma, incluindo-se
nesta limitação os demais direitos previstos em lei que asseguram proventos de grau
hierárquico superior.

§ 2º - O oficial, se ocupante do último posto da hierarquia da Corporação, beneficiado


por uma ou mais das leis a que se refere este artigo, terá os proventos resultantes da
aplicação do disposto no § 2º do art. 73 desta lei aumentados de vinte por cento.

Art. 109 - Em qualquer hipótese, o PM ou BM, em virtude de aplicação inicial desta


lei, venha a fazer jus mensalmente a uma remuneração inferior à que vinha recebendo,
terá direito a um complemento igual ao valor da diferença.

Parágrafo Único - Esse complemento decrescerá progressivamente até a sua completa


extinção, obsorvido por quaisquer acréscimos de remuneração.

326
Art. 110 - A despesa com a execução desta lei será atendida com recursos
orçamentários do Estado do Rio de Janeiro e da União.

Art. 111 - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, produzindo seus efeitos
a partir de 1º de janeiro de 1980, revogadas as Leis nºs 1786, de 04.12.68, 2276, de
21.11.73, do antigo Estado da Guanabara, e o Decreto-Lei nº 294, de 18.02.76, e
demais disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1979.

A. DE P. CHAGAS FREITAS
Governador

327
4 DECRETO Nº 544, DE 07 DE JANEIRO DE 1976
,
Conceitua acidente em serviço e dá outras providências

O GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, com fundamento no art. 70,


incisos III e IV da Constituição Estadual,

DECRETA:

Art. 1º - Considera-se acidente em serviço, para os efeitos previsto na legislação em


vigor relativa à Policia Militar, aquele que ocorra com o policial-militar da ativa,
quando:

1- no exercício de suas atribuições funcionais, durante o expediente normal, ou quando


determinado por autoridade, em sua prorrogação ou antecipação;

2- no decurso de viagens em objeto de serviço, prevista em regulamentos, programas


de cursos ou autorização por autoridade competente;

3- no cumprimento de ordem emanada de autoridade competente;

4- no decurso de viagens impostas por motivo de movimentação efetuada no interesse


do serviço ou a pedido;

5- no deslocamento entre a sua residência e a Organização Policial-Militar em que


serve ou local de trabalho, ou aquele em que sua missão deva ter início ou
prosseguimento, e vice-versa;

6- em ocorrência policial, na defesa e manutenção da ordem pública mesmo sem


determinação explícita; e

7- no exercício dos deveres previstos em leis, regulamentos, ou instruções baixadas


por autoridade competente.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo ao policial-militar que, embora


aguardando transferência para a inatividade, esteja, comprovadamente, transmitindo o
exercício de suas funções ao seu substituto, bem como ao policial-militar da reserva
remunerada, quando convocado para o serviço ativo.

Art. 2º - Consideram-se, também, acidente em serviço, para os fins estabelecidos na


legislação vigentes, os ocorridos nas situações do artigo anterior, ainda quando não
328
sejam eles a causa única e exclusiva da morte ou perda ou redução da capacidade do
policial-militar, desde que, entre o acidente e a morte ou incapacidade para o serviço
policial-militar, haja relação de causa e efeito.

Art. 3º - Não se aplica o disposto no presente Decreto quando o acidente for resultado
de crime doloso, transgressão disciplinar, imprudência ou desídia do policial-militar
acidente ou subordinado seu, com sua aquiescência.

Parágrafo único. Os casos previstos neste artigo serão devidamente comprovados em


Inquérito Policial-Militar ou sindicância.

Art. 4º - O presente Decreto aplica-se aos policiais-militares que faleceram nas


condições nele previstas, a partir da vigência do Decreto-lei nº 215, de 18 de Julho de
1975.

Art. 5º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as


disposições em contrário.

ATO DO PODER EXECUTIVO

DECRETO Nº 7.644 DE 15 DE OUTUBRO DE 1984

ALTERA o Decreto nº 544 de 07/01/76, que conceitua acidente em serviço.


O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO JANEIRO no uso de suas atribuições
legais;

DECRETA:

Art. 1º - o art. 1º do Decreto nº 544 de 07/01/76, fica acrescido do inciso VIII, com a
seguinte redução:

VIII – em circunstância cuja causa determinante adverte de sua condição do policial-


militar, apurada em IPM, Sindicância ou Averiguação

Art. 2º - O presente decreto entrará em vigor na data de sua publicação , revogadas as


disposições em contrário.

NOTA: CABE TAMBÉM OS PRÉ-REQUISITOS DA LEI Nº 8.213/91 - RGPS,


DE CONFORMIDADE COM O ARTIGO 5º DA LEI Nº 9.717/98, E §§ 4º E 12
DO ART. 40 DA CRFB/88.
ROTEIRO PARA SE DAR ENTRADA EM INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO

329
SANITÁRIO DE ORIGEM – ISO, IRDSO/MEx/2001 - IR 30-34, Portaria 064-
DGP/MEx.

Com relação à DOENÇA suposta ser adquirida em serviço (trabalho), deve-se


primeiramente enquadrá-la como DOENÇA DO TRABALHO segundo as Legislações
do INSS/SUS/Ministério da Saúde, em particular a RESOLUÇÃO INSS/CD 10, de
1991, em anexo, onde em seus anexos são dados os PROTOCOLOS MÉDICOS para
doenças do Trabalho (Serviço), dará um pouquinho de trabalho, mas valerá a pena; isto
somado ao enquadramento às outras legislações sobre DOENÇAS DO TRABALHO.

Além dessas Leis, ele vai ainda enquadrá-la nas Portarias Nº. 113-DGP/MEx/2001 e
Portaria Nº. 1.174/MD/2006 do Ministério da Defesa, que tratam da Avaliação de
Incapacidade dos militares do Exército, concomitante ao artigo do respectivo Estatuto
Militar nos disposições finais.

Ou seja, primeiro ter-se-á de COMPROVAR o nexo de causa e seus efeitos


relacionado ao serviço, depois corroborar a incapacidade de acordo com as referidas
Legislações do INSS/SUS/MS Portarias do Exército Brasileiro.

Feito tal enquadramento detalhado e amparado na LEI, ter-se-á subsídios para solicitar
a INSTAURAÇÃO DE UM INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM - ISO, de
conformidade com as IRDSO/MEx/2001 - IR 30-34, Portaria 064-DGP/MEx, cujo
modelo de requerimento apresenta-se a seguir, devendo serem feitas as devidas
adequações ao caso concreto.

Anexar todos os documentos, conforme as PROVAS que corroboram os fatos


alegados, mais os documentos previstos no art. 19 das IRDSO/MEx – IR 30-34.

Lembrando ainda que, ao Paciente não podem ser negados quaisquer documentos
relativos a sua saúde, conforme as Resoluções do Conselho Federal de Medicina -
CFM, em particular a Resolução CFM Nº. 1.246/88 - Código de Ética, dentre outras
que relatam os Direitos do Paciente, sendo que os próprios Advogados e Juízes pouco
ou nada sabem sobre esse tipo de Legislação específica, que deve também ser
levantada.

Com relação ao ISO, ele deverá voltar para unidade onde serve o militar, e uma cópia
autenticada DEVERÁ lhe ser fornecida, por DETERMINAÇÃO da própria IRDSO no
seu artigo 28, parágrafo único.

Este, então, é o melhor caminho para, o militar com ou sem Advogado seguir para
obter-se TECNICAMENTE o que pretende.

Outra descoberta é que, a Isenção de Imposto de Renda na Fonte NÃO fica atrelada à

330
INVALIDEZ, nem tão pouco é o Estatuto dos PM/BM que Legisla sobre tal isenção,
mas, tão somente, a Lei Nº. 7.713/88 com redação dada pela Lei Nº. 11.025/2004, nos
seus incisos XIV, e XXI, do art. 6º, cujo direito também se estende ao ACIDENTE
EM SERVIÇO E A MOLÉSTIA PROFISSIONAL, conforme previsto nas Leis citadas
no início dessas orientações. Ou seja, comprovando-se DOENÇA ADQUIRIDA POR
ACIDENTE EM SERVIÇO OU, AO MENOS, DE NEXO E CAUSA E EFEITO AO
SERVIÇO, ter-se-á automaticamente direito também à Isenção do Imposto de Renda
Retido na Fonte - IIRRF, e ainda ter-se-á direito à Promoção ao último Posto se for
ACIDENTE EM SERVIÇO de acordo com Lei Estadual/RJ Nº. 3.996/2002, ou, no
mínimo, remuneração calculada soldo do Posto imediato, sendo apenas de Nexo de
Causa e Efeitos ao Serviço, conforme o respectivo artigo do Estatuto Militar da
Corporação do Militar.

Além dessas Leis, ele vai ainda enquadrá-la nas Portarias Nº. 113-DGP/MEx/2001 e
Portaria Nº. 1.174/MD/2006 do Ministério da Defesa, que tratam da Avaliação de
Incapacidade dos militares do Exército, concomitante ao artigo do respectivo Estatuto
Militar nos disposições finais.

Ou seja, primeiro ter-se-á de COMPROVAR o nexo de causa e seus efeitos


relacionado ao serviço, depois corroborar a incapacidade de acordo com as referidas
Legislações do INSS/SUS/MS Portarias do Exército Brasileiro.

Feito tal enquadramento detalhado e amparado na LEI, ter-se-á subsídios para solicitar
a INSTAURAÇÃO DE UM INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM - ISO, de
conformidade com as IRDSO/MEx/2001 - IR 30-34, Portaria 064-DGP/MEx, cujo
modelo de requerimento apresenta-se a seguir, devendo serem feitas as devidas
adequações ao caso concreto.

Anexar todos os documentos, conforme as PROVAS que corroboram os fatos


alegados, mais os documentos previstos no art. 19 das IRDSO/MEx – IR 30-34.

Lembrando ainda que, ao Paciente não podem ser negados quaisquer documentos
relativos a sua saúde, conforme as Resoluções do Conselho Federal de Medicina -
CFM, em particular a Resolução CFM Nº. 1.246/88 - Código de Ética, dentre outras
que relatam os Direitos do Paciente, sendo que os próprios Advogados e Juízes pouco
ou nada sabem sobre esse tipo de Legislação específica, que deve também ser
levantada.

Com relação ao ISO, ele deverá voltar para unidade onde serve o militar, e uma cópia
autenticada DEVERÁ lhe ser fornecida, por DETERMINAÇÃO da própria IRDSO no
seu artigo 28, parágrafo único.

331
Outra descoberta é que, a Isenção de Imposto de Renda na Fonte NÃO fica atrelada à
INVALIDEZ, nem tão pouco é o Estatuto dos PM/BM que Legisla sobre tal isenção,
mas, tão somente, a Lei Nº. 7.713/88 com redação dada pela Lei Nº. 11.025/2004, nos
seus incisos XIV, e XXI, do art. 6º, cujo direito também se estende ao ACIDENTE
EM SERVIÇO E A MOLÉSTIA PROFISSIONAL, conforme previsto nas Leis citadas
no início dessas orientações. Ou seja, comprovando-se DOENÇA ADQUIRIDA POR
ACIDENTE EM SERVIÇO OU, AO MENOS, DE NEXO E CAUSA E EFEITO AO
SERVIÇO, ter-se-á automaticamente direito também à Isenção do Imposto de Renda
Retido na Fonte - IIRRF, e ainda ter-se-á direito à Promoção ao último Posto se for
ACIDENTE EM SERVIÇO de acordo com Lei Estadual/RJ Nº. 3.996/2002, ou, no
mínimo, remuneração calculada soldo do Posto imediato, sendo apenas de Nexo de
Causa e Efeitos ao Serviço, conforme o respectivo artigo do Estatuto Militar da
Corporação do Militar.

OUTROS COMENTÁRIOS A RESPEITO DO DECRETO 544

Decreto n° 544 de 07 Janeiro de 1976

Conceitua acidente de serviço e dá outras providências.


O Governador do Estado do Rio de Janeiro..., Decreta.

Art. 1° Considera-se acidente em ato de serviço, para os efeitos previstos na legislação


em vigor relativa à PM, aquele que ocorre com POLICIAL MILITAR DA ATIVA,
quando:

I. No exercício de suas atribuições funcionais, durante o expediente normal, ou quando


determinado por autoridade competente em sua prorrogação ou antecipação;

II. No decurso de viagens em objeto de serviço, previstas em regulamentos, programas


de cursos ou autorizadas por autoridades competentes;

III. No cumprimento de ordem emanada de autoridade competente;

IV. No decurso de viagem imposta por motivo de movimentação efetuada no interesse


de serviço ou a pedido;

V. No deslocamento entre a sua residência e a organização policial militar em que


servir ou no local de trabalho, ou naquele que sua missão deva ter início ou
prosseguimento, e vice-versa;

332
VI. Em ocorrência policial militar, na defesa e manutenção da ordem pública, mesmo
sem determinação explicita;

VII. No exercício dos deveres previstos em leis, regulamentos ou instruções baixadas


por autoridades competentes;

VIII. Em circunstancias cuja causa determinante advenha de sua condição de policial


militar, apurada em IPM, Sindicância ou Averiguação (Acréscimo decretado no Dec.
N° 7644 15 out 84).

PARAGRAFO ÚNICO: Aplica-se o disposto neste artigo ao PM que, embora


aguardando transferência para a inatividade, esteja, comprovadamente, transmitindo o
exercício de suas funções ao seu substituto, bem como ao PM da reserva remunerada,
quando convocado para o serviço ativo.

Art 2° Considerem-se, também, acidente em serviço, para fins estabelecidos na


legislação vigente, os ocorridos nas situações do artigo anterior, ainda quando não
sejam eles a causa única e exclusiva da morte ou da perda ou redução da capacidade do
PM, desde que, entre o acidente e a morte ou incapacidade para o serviço policial
militar haja relação de causa e efeito.

Art 3° Não se aplica o disposto no presente Decreto quando o acidente for resultado de
crime doloso, transgressão da disciplina, imprudência ou desídia do PM acidentado ou
de subordinado, ou com sua aquiescência.

PARAGRAFO ÚNICO Os casos previstos neste artigo serão devidamente


comprovados em IPM ou Sindicância.

5 DECRETO-LEI Nº 667, DE 2 DE JULHO DE 1969.


Reorganiza as Polícias Militares e os
Corpos de Bombeiros Militares dos
Estados, dos Território e do Distrito
Federal, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , usando das atribuições que lhe confere o


§ 1º do artigo 2º do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,

DECRETA:
333
Art 1º As Polícias Militares consideradas fôrças auxiliares, reserva do Exército,
serão organizadas na conformidade dêste Decreto-lei.

Parágrafo único. O Ministério do Exército exerce o contrôle e a coordenação das


Polícias Militares, sucessivamente através dos seguintes órgãos, conforme se dispuser
em regulamento:

a) Estado-Maior do Exército em todo o território nacional;

b) Exércitos e Comandos Militares de Áreas nas respectivas jurisdições;

c) Regiões Militares nos territórios regionais.

Art 2º A Inspetoria-Geral das Polícias Militares, que passa a integrar,


organicamente, o Estado-Maior do Exército incumbe-se dos estudos, da coleta e
registro de dados bem como do assessoramento referente ao contrôle e coordenação,
no nível federal, dos dispositivos do presente Decreto-lei.

Parágrafo único. O cargo de Inspetor-Geral das Polícias Militares será exercido


por um General-de-Brigada da ativa.

Art. 3º - Instituídas para a manutenção da ordem pública e segurança interna nos


Estados, nos Territórios e no Distrito Federal, compete às Polícias Militares, no âmbito
de suas respectivas jurisdições: (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

a) executar com exclusividade, ressalvas as missões peculiares das Forças


Armadas, o policiamento ostensivo, fardado, planejado pela autoridade competente, a
fim de assegurar o cumprimento da lei, a manutenção da ordem pública e o exercício
dos poderes constituídos; (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

b) atuar de maneira preventiva, como força de dissuasão, em locais ou áreas


específicas, onde se presuma ser possível a perturbação da ordem; (Redação dada pelo
Del nº 2010, de 12.1.1983)

c) atuar de maneira repressiva, em caso de perturbação da ordem, precedendo o


eventual emprego das Forças Armadas; (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

d) atender à convocação, inclusive mobilização, do Governo Federal em caso de


guerra externa ou para prevenir ou reprimir grave perturbação da ordem ou ameaça de
sua irrupção, subordinando-se à Força Terrestre para emprego em suas atribuições
específicas de polícia militar e como participante da Defesa Interna e da Defesa
Territorial; (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

334
e) além dos casos previstos na letra anterior, a Polícia Militar poderá ser
convocada, em seu conjunto, a fim de assegurar à Corporação o nível necessário de
adestramento e disciplina ou ainda para garantir o cumprimento das disposições deste
Decreto-lei, na forma que dispuser o regulamento específico. (Redação dada pelo
Del nº 2010, de 1983)

§ 1º - A convocação, de conformidade com a letra e deste artigo, será efetuada


sem prejuízo da competência normal da Polícia Militar de manutenção da ordem
pública e de apoio às autoridades federais nas missões de Defesa Interna, na forma que
dispuser regulamento específico. (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 2º - No caso de convocação de acordo com o disposto na letra e deste artigo, a


Polícia Militar ficará sob a supervisão direta do Estado-Maior do Exército, por
intermédio da Inspetoria-Geral das Polícias Militares, e seu Comandante será nomeado
pelo Governo Federal. (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 3º - Durante a convocação a que se refere a letra e deste artigo, que não poderá
exceder o prazo máximo de 1 (um) ano, a remuneração dos integrantes da Polícia
Militar e as despesas com a sua administração continuarão a cargo do respectivo
Estado-Membro. (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

Art. 4º - As Polícias Militares, integradas nas atividades de segurança pública dos


Estados e Territórios e do Distrito Federal, para fins de emprego nas ações de
manutenção da Ordem Pública, ficam sujeitas à vinculação, orientação, planejamento e
controle operacional do órgão responsável pela Segurança Pública, sem prejuízo da
subordinação administrativa ao respectivo Governador. (Redação dada pelo Del nº
2010, de 1983)

CAPíTULO II
Estrutura e Organização

Art 5º As Polícias Militares serão estruturadas em órgão de Direção, de Execução


e de Apoio de acôrdo com as finalidades essenciais do serviço policial e as
necessidades de cada Unidade da Federação.

§ 1º Considerados as finalidades essenciais e o imperativo de sua articulação pelo


território de sua jurisdição, as Polícias Militares deverão estruturar-se em grupos
policiais. Sendo essas frações os menores elementos de ação autônoma, deverão dispor
de um chefe e de um número de componentes habilitados indispensáveis ao
atendimento das missões básicas de polícia.

335
§ 2º De acôrdo com a importância da região o interêsse administrativo e
facilidades de comando os grupos de que trata o parágrafo anterior poderão ser
reunidos, constituindo-se em Pelotões, Companhias e Batalhões ou em Esquadrões e
Regimento, quando se tratar de unidades montadas.

3º - Os efetivos das Polícias Militares serão fixados de conformidade com


critérios a serem estabelecidos em regulamento desse Decreto-lei. (Redação dada
pelo Del nº 2010, de 1983)

Art. 6º - O Comando das Polícias Militares será exercido, em princípio, por


oficial da ativa, do último posto, da própria Corporação. (Redação dada pelo Del nº
2010, de 1983)

§ 1º - O provimento do cargo de Comandante será feito por ato dos Governadores


de Estado e de Territórios e do Distrito Federal, após ser o nome indicado aprovado
pelo Ministro de Estado do Exército, observada a formação profissional do oficial para
o exercício de Comando. (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 2º - O Comando das Polícias Militares poderá, também, ser exercido por


General-de-Brigada da Ativa do Exército ou por oficial superior combatente da ativa,
preferentemente do posto de Tenente-Coronel ou Coronel, proposto ao Ministro do
Exército pelos Governadores de Estado e de Territórios e do Distrito
Federal. (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 3º - O oficial do Exército será nomeado para o cargo de Comandante da Polícia


Militar, por ato do Governador da Unidade Federativa, após ser designado por Decreto
do Poder Executivo, ficando à disposição do referido Governo. (Redação dada pelo
Del nº 2010, de 1983)

§ 4º - O oficial do Exército, nomeado para o Comando da Polícia Militar, na


forma do parágrafo anterior, será comissionado no mais alto posto da Corporação, e
sua patente for inferior a esse posto.

§ 5º - O cargo de Comandante de Polícia Militar é considerado cargo de natureza


militar, quando exercido por oficial do Exército, equivalendo, para Coronéis e
Tenente-Coronéis, como Comando de Corpo de Tropa do Exército. (Redação dada
pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 6º - O oficial nomeado nos termos do parágrafo terceiro, comissionado ou não,


terá precedência hierárquica sobre os oficiais de igual posto da
Corporação. (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 7º - O Comandante da Polícia Militar, quando oficial do Exército, não poderá


desempenhar outras funções no âmbito estadual, ainda que cumulativamente com suas

336
funções de comandante, por prazo superior a 30 (trinta) dias. (Redação dada pelo Del
nº 2010, de 1983)

§ 8º - São considerados no exercício de função policial-militar os policiais-


militares ocupantes dos seguintes cargos: (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

a) os especificados no Quadro de Organização ou de lotação da Corporação a que


pertencem; (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

b) os de instrutor ou aluno de estabelecimento de ensino das Forças Armadas ou


de outra Corporação Policial-Militar, no país ou no exterior; e (Incluído pelo Del nº
2010, de 1983)

c) os de instrutor ou aluno de estabelecimentos oficiais federais e,


particularmente, os de interesse para as Polícias Militares, na forma prevista em
Regulamento deste Decreto-lei. (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 9º - São considerados também no exercício de função policial-militar os


policiais-militares colocados à disposição de outra corporação Policial-
Militar. (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 10º - São considerados no exercício da função de natureza policial-militar ou de


interesse policial-militar, os policiais-militares colocados à disposição do Governo
Federal, para exercerem cargos ou funções em órgãos federais, indicados em
regulamento deste Decreto-lei. (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 11 - São ainda considerados no exercício de função de natureza policial-militar


ou de interesse policial-militar, os policiais-militares nomeados ou designados
para: (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

a) Casa Militar de Governador; (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

b) Gabinete do Vice-Governador; (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

c) Órgãos da Justiça Militar Estadual. (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

§ 12 - O período passado pelo policial-militar em cargo ou função de natureza


civil temporário somente poderá ser computado como tempo de serviço para promoção
por antigüidade e transferência para a inatividade. (Incluído pelo Del nº 2010, de
1983)

§ 13 - O período a que se refere o parágrafo anterior não poderá ser computado


como tempo de serviço arregimentado. (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

337
Art 7º Oficiais do serviço ativo do Exército poderão servir no Estado-Maior ou
como instrutores das Polícias Militares, obedecidas para a designação as prescrições
do artigo anterior, salvo quanto ao pôsto.

Art. 7º - Os oficiais do Exército, da ativa, poderão servir, se o Comandante for


oficial do Exército, no Estado-Maior das Polícias Militares ou como instrutores das
referidas PM, aplicando-se-lhes as prescrições dos parágrafos 3º e 7º do artigo
anterior. (Redação dada pelo Del nº 2010, de 1983)

Parágrafo único - O oficial do Exército servindo em Estado-Maior das Polícias


Militares ou como instrutor das referidas PM é considerado em cargo de natureza
militar. (Incluído pelo Del nº 2010, de 1983)

CAPÍTULO III
Do Pessoal das Polícias Militares

Art 8º A hierarquia nas Polícias Militares é a seguinte:

a) Oficiais de Polícia:

- Coronel

- Tenente-Coronel

- Major

- Capitão

- 1º Tenente

- 2º Tenente

b) Praças Especiais de Polícia:

- Aspirante-a-Oficial

- Alunos da Escola de Formação de Oficiais da Polícia.

c) Praças de Polícia:

- Graduados:

- Subtenente

- 1º Sargento

338
- 2º Sargento

- 3º Sargento

- Cabo

- Soldado.

§ 1º A todos os postos e graduações de que trata êste artigo será acrescida a


designação "PM" (Polícia Militar).

2º Os Estados, Territórios e o Distrito Federal poderão, se convier às respectivas


Polícias Militares: (Redação dada pelo Del 2.106, de 6.2.1984)

a) admitir o ingresso de pessoal feminino em seus efetivos de oficiais e praças,


para atender necessidades da respectiva Corporação em atividades específicas,
mediante prévia autorização do Ministério do Exército; (Redação dada pelo Del 2.106,
de 6.2.1984)

b) suprimir na escala hierárquica um ou mais postos ou graduações das previstas


neste artigo; e (Redação dada pelo Del 2.106, de 6.2.1984)

c) subdividir a graduação de soldado em classes, até o máximo de três. (Incluída


pelo Del 2.106, de 6.2.1984)

Art 9º O ingresso no quadro de oficiais será feito através de cursos de formação


de oficiais da própria Polícia Militar ou de outro Estado.

Parágrafo único. Poderão também, ingressar nos quadros de oficiais das Polícias
Militares, se convier a estas, Tenentes da Reserva de 2ª Classe das Fôrças Armadas
com autorização do Ministério correspondente.

Art 10. Os efetivos em oficiais médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários,


ouvido o Estado-Maior do Exército serão providos mediante concurso e acesso gradual
conforme estiver previsto na legislação de cada Unidade Federativa.

Parágrafo único. A assistência médica às Polícias Militares poderá também ser


prestada por profissionais civis, de preferência oficiais da reserva ou mediante
contratação ou celebração de convênio com entidades públicas e privadas existentes na
comunidade, se assim convier à Unidade Federativa.

Art 11. O recrutamento de praças para as Polícias Militares obedecerá ao


voluntariado, de acôrdo com legislação própria de cada Unidade da Federação,
respeitadas as prescrições da Lei do Serviço Militar e seu regulamento.

339
Art 12. O acesso na escala hierárquica tanto de oficiais como de praça será
gradual e sucessivo, por promoção, de acôrdo com legislação peculiar a cada Unidade
da Federarão, exigidos os seguintes requisitos básicos:

a) para a promoção ao pôsto de Major: curso de aperfeiçoamento feito na própria


corporação ou em Fôrça Policial de outro Estado;

b) para a promoção ao pôsto de Coronel: curso superior de Polícia, desde que haja
o curso na Corporação.

CAPÍTULO IV
Instrução e Armamento

Art 13. A instrução das Polícias Militares limitar-se-á a engenhos e controlada


pelo Ministério do Exército através do Estado-Maior do Exército, na forma deste
Decreto-lei.

Art 14. O armamento das Polícias armas de uso individual inclusive automáticas,
e a um reduzido número de armas automáticas coletivas e lança-rojões leves para
emprêgo na defesa de suas instalações fixas, na defesa de pontos sensíveis e execução
de ações preventivas e repressivas nas Missões de Segurança Interna e Defesa
Territorial.

Art 15. A aquisição de veículos sôbre rodas com blindagem leve e equipados com
armamento nas mesmas especificações do artigo anterior poderá ser autorizada, desde
que julgada conveniente pelo Ministério do Exército.

Art 16. É vedada a aquisição de engenhos, veículos, armamentos e aeronaves fora


das especificações estabelecidas.

Art 17. As aquisições de armamento e munição dependerão de autorização do


Ministério do Exército e obedecerão às normas previstas pelo Serviço de Fiscalização
de Importação, Depósito e Tráfego de Produtos Controlados pelo Ministério do
Exército (SFIDT).

CAPÍTULO V
Justiça e Disciplina

Art 18. As Polícias Militares serão regidas por Regulamento Disciplinar redigido
à semelhança do Regulamento Disciplinar do Exército e adaptado às condições
especiais de cada Corporação.

Art 19. A organização e funcionamento da Justiça Militar Estadual serão


regulados em lei especial.

340
Parágrafo único. O fôro militar é competente para processar e julgar o pessoal das
Polícias Militares nos crimes definidos em lei como militares.

Art 20. A Justiça Militar Estadual de primeira instância é constituída pelos


Conselhos de Justiça previstos no Código de Justiça Militar. A de segunda instância
será um Tribunal Especial, ou o Tribunal de Justiça.

CAPÍTULO VI

Da competência do Estado-Maior do Exército, através da Inspetoria-Geral das


Polícias Militares

Art 21. Compete ao Estado-Maior do Exército, através da Inspetoria-Geral das


Polícias Militares:

a) Centralizar todos os assuntos da alçada do Ministério do Exército relativos às


Polícias Militares, com vistas ao estabelecimento da política conveniente e à adoção
das providências adequadas.

b) Promover as inspeções das Políticas Militares tendo em vista o fiel


cumprimento das prescrições deste decreto-lei.

c) Proceder ao contrôle da organização, da instrução, dos efetivos, do armamento


e do material bélico das Polícias Militares.

d) Baixar as normas e diretrizes para a fiscalização da instrução das Polícias


Militares.

e) Apreciar os quadros de mobilização para as Polícias Militares de cada Unidade


da Federação, com vistas ao emprêgo em suas missões específicas e como
participantes da Defesa Territorial.

f) Cooperar no estabelecimento da legislação básica relativa às Polícias Militares.

CAPÍTULO VII
Prescrições Diversas

Art 22. Ao pessoal das Polícias Militares, em serviço ativo, é vedado fazer parte
de firmas comerciais de emprêsas industriais de qualquer natureza ou nelas exercer
função ou emprêgo remunerados.

Art 23. É expressamente proibido a elementos das Polícias Militares o


comparecimento fardado, exceto em serviço, em manifestações de caráter político-
partidário.

341
Art 24. Os direitos, vencimentos, vantagens e regalias do pessoal, em serviço
ativo ou na inatividade, das Polícias Militares constarão de legislação especial de cada
Unidade da Federação, não sendo permitidas condições superiores às que, por lei ou
regulamento, forem atribuídas ao pessoal das Fôrças Armadas. No tocante a cabos e
soldados, será permitida exceção no que se refere a vencimentos e vantagens bem
como à idade-limite para permanência no serviço ativo.

Art 25. Aplicam-se ao pessoal das Polícias Militares:

a) as disposições constitucionais relativas ao alistamento eleitoral e condições de


elegibilidade dos militares;

b) as disposições constitucionais relativas às garantias, vantagens prerrogativas e


deveres, bem como tôdas as restrições ali expressas, ressalvado o exercício de cargos
de interêsse policial assim definidos em legislação própria.

Art 26. Competirá ao Poder Executivo, mediante proposta do Ministério do


Exército declarar a condição de "militar" e, assim, considerá-los reservas do Exército
aos Corpos de Bombeiros dos Estados, Municípios, Territórios e Distrito Federal.

Parágrafo único. Aos Corpos de Bombeiros Militares aplicar-se-ão as disposições


contidas neste Decreto-lei. (Redação dada pelo Del nº 1.406, de 24.6.1975)

Art 27. Em igualdade de pôsto e graduação os militares das Fôrças Armadas em


serviço ativo e da reserva remunerada têm precedência hierárquica sôbre o pessoal das
Polícias Militares.

Art 28. Os oficiais integrantes dos quadros em extinção, de oficiais médicos,


dentistas, farmacêuticos e veterinários nas Polícias Militares, poderão optar pelo seu
aproveitamento nos efetivos a que se refere o artigo 10 dêste Decreto-lei.

Art 29. O Poder Executivo regulamentará o presente Decreto-lei no prazo de 90


(noventa) dias, a contar da data de sua publicação.

Art 30. Êste Decreto-lei entra em vigor na data de sua publicação ficando
revogados o Decreto-lei número 317, de 13 de março de 1967 e demais disposições em
contrário.

Brasília, 2 de julho de 1969; 148º da Independência e 81º da República.

A. COSTA E SILVA
Aurélio de Lyra Tavares

342