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O QUARTO MANDAMENTO

“Lembra-te do dia de Sábado, para o santificar.” Ex 20.8

Este é um tema bastante polêmico, pois, sucinta varias discussões


interpretativas desse mandamento, as tradições mais conhecidas são: os
judeus ortodoxos e adventistas, e do domingo alguns batistas e alguns
puritanos. Hoje, vamos refletir o que significa guardar o sábado e se ele
deve ser cumprido em nossos dias.

INTRODUÇÃO

O que significa a palavra sábado na bíblia?

(‫שַׁ בָּ ת‬, pronunciado "Shabat") significa "descanso," "cessação," ou


"interrupção" e é o sétimo dia da semana dedicado à oração e ao descanso,
pois segundo a tradição hebraica Deus descansou no sétimo dia após
completar a criação do universo (Gênesis 2:1-3).

A palavra “lembrar” (zâkar) diz respeito a “a criar um memorial” não é


simplesmente o pensar no mandamento, mas de guardar, cultivar, observar
como sagrado.

Portanto, aquele que “guardava” o shabat, era chamado de CHOMER, isto


é, um “guardião”, Luiz F. Pondé em seu livro “Os dez mandamentos
(+um)” comenta o seguinte:
“O ‘chomer’(em hebraico) é uma importante palavra para os judeus.
Todos eles sabem que significa “aquele que guarda”, mas que
teologicamente representa o modo mais pleno de relacionamento de Deus
com Sua Criação. Um homem judeu religioso que respeita o Shabat (o
sábado) se diz chomer shabat (guardião do sábado), e uma mulher,
chomeret shabat (guardiã do sábado)”.

E ele continua:

“[...] Daí, deduz-se o sentido espiritual no judaísmo. Uma pessoa que


guarda o sábado e, portanto, é vista como obediente a Deus não apenas
realiza a Mitzvá (o mandamento) com obediência, mas tem para com o
tempo e as ações dentro do tempo a justa atitude de reconhecer-se
guardião de algo de valor: a Criação e as ações dentro dela.”

Está claro que Deus ordenou o descanso do seu povo, vejamos, pois, quais
são os benefícios de se guardar o sábado, não apenas na perspectiva
teológica, mas, na cientifica também.

BENEFICIOS DO SHABAT (DESCANSO)

Segundo o Filosofo Darwinista Daniel Dennett e integrante do grupo “os


quatro cavaleiros do novo ateísmo”, afirma que os aspectos materiais e
imateriais são de grande importância para o ser humano, segundo Dennett a
atmosfera imaterial tem a mesma importância que a atmosfera material,
apesar de ser menos “evidente”. O aspecto imaterial, isto é, nossa mente
ou espirito, “respiram” conceitos, símbolos, significados e letras. Umas das
formas mais interessantes que essa atmosfera absorve é a questão do tempo
organizado como candelário, não simplesmente pelos dias, semanas, meses
e anos, mas pelas datas atribuídas e seus significados, estes significados
podem ser poéticos, sócias, culturais, científicos e religiosos. Portanto, é
inegável a necessidade harmônica do ambiente externo com o interno, pois,
na perspectiva psicológica as pressões externas acumulam no ambiente
interno, fazendo com que haja a necessidade da organização interior, por
isso, as religiões dividem seu tempo, entre o “sagrado e profano”, os
mulçumanos guardam a sexta, os judeus o sábado e boa parte dos cristãos o
domingo. Portanto, o quarto mandamento nos ensina que ao guardamos o
descanso, estamos estabelecendo um importante significado do mundo
interior com o externo, que refletem na nossa vida social, politica e
religiosa. Vejamos alguns benefícios:

- Os momentos sagrados interrompem as nossas atividades diárias, nos


dando a oportunidade de refletirmos coisas importantes da nossa vida e do
que está ao nosso redor que provavelmente não refletiríamos devido as
nossas ocupações, como por ex: Meditar sobre a forma como trabalhamos e
em que área devemos mudar, dar atenção as nossas relações sejam elas o
cônjuge ou família e amigos.

- A fisiologia do corpo humano e do cérebro, em razão das privações,


produzirá equilíbrio mental, a saúde do corpo, nos dando a possibilidade de
que doenças psicossomáticas ou outras em geral sejam evitadas.

- O descanso bíblico nos dá a possibilidade de ficarmos a sós com Deus,


isto é, ter comunhão com ele, através da oração, da leitura da palavra, mas
não só na leitura como na meditação, alguns crentes acham errado a ideia
de meditação, porque a palavra sugere praticas de religiões orientais, mas
na realidade meditar é uma realidade bíblica Sl 1.2.

- O Shabat é sinal da aliança que Deus havia feito com o seu povo, em Ez
20.20 nós vemos Deus convocando o seu povo para que guardassem o
descanso novamente, pois isto era o sinal da aliança e de que Deus era
quem os santificava (Ex 31.13,16).

- Guardar o descanso, significava ter gratidão pela salvação, em Dt 5.15


nós vemos Deus ensinando ao seu povo a necessidade de serem gratos pela
salvação e por isso ordenou o Shabat.

Quem nós somos?

Antes de tudo devemos primeiro lembrar quem somos. Em Romanos no


capitulo 11.25-26, Paulo diz que somos gentios e que quando entrar a
plenitude dos gentios, nós seremos um só Israel, isto é, uma Israel
espiritual, mostrando claramente que não fazemos parte da primeira
aliança, com promessas de aspectos físicos como: a terra prometida,
prosperidade, comer o melhor da terra e etc. Sendo assim o povo “gentio”
da nova aliança não estão debaixo das ordenanças da lei.

Então para que a lei?

Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente.

Paulo responde aos Gálatas 3.19: “Logo, para que é a lei? Foi
acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a
quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela
mão de um mediador”.

Outra poderia pergunta poderia ser sugerida, que é até quando durou a lei?
O próprio Jesus nos dá a resposta em João 16.16:

“A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o


evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele”.

Paulo ainda aos Gálatas nos diz:

“5.4- Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da
graça decaístes.”

“2.16 - Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei,
mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para
sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por
obras da lei nenhuma carne será justificada”.

Romanos 3:

19 Ora, nós sabemos que TUDO O QUE A LEI DIZ, aos que estão debaixo
da lei o diz, para que se cale toda boca e todo o mundo fique sujeito ao
juízo de Deus;

20 porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante


dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.

Então fica claro pra nós Cristãos que não temos obrigação de guardar o
Sábado, como foi supracitado que a obrigação de cumprir a lei ficou restrita
ao povo Israelita. Uma possível objeção pode surgir: A lei não serve? Ou e
a Parte moral da lei?

TESE
Em primeiro Lugar:

Os primeiros quatros mandamentos não são da parte moral da lei e sim da


parte espiritual, a moral serve como praticas corretas em relação ao nosso
próximo e nós mesmos. Já o aspecto espiritual da lei, diz a respeito a nossa
única e exclusiva relação com Deus.

Em Segundo Lugar:

Como vimos acima, a moral diz respeito a correta relação com o próximo e
com nós mesmos, mostrando que essa questão não está restrita apenas a
crentes, mas a não crentes também por meio da graça comum.

Em Terceiro Lugar:

Nós também já vimos que a primeira parte da lei, isto é, os quatro


primeiros mandamentos são partes do aspecto moral, fica obvio que quem
não é povo de Deus não pode cumprir tais ordenanças, provando que o
Shabat é um mandamento espiritual.

O sábado é um principio ou um dia?

Os judeus havia tornado o Shabat em um dia, mas na realidade quando


olhamos para o significado da palavra, vemos que o Shabat é um ato e não
a guarda de um dia, ou seja, era o cumprimento do principio NO sétimo
dia.

Sendo assim, fica inviável a guarda desse “sábado” para nós, pois, na nossa
realidade brasileira trabalhamos no dia de sábado, e mais, é impossível
determinar exatamente o sétimo dia. Nós usamos o calendário Gregoriano,
feito no século 16. Os judeus atuais usam o calendário ortodoxo,
estabelecido no terceiro século, e assim por diante.
Curiosidades Históricas

Uma das curiosidades era a restrição aos gentios


O Eterno ordenou exclusivamente aos judeus que observassem o shabat: "E
os filhos de Israel guardarão o shabat" ou "O Shabat será um sinal entre
Mim (O Criador) e Vós (povo judeu)". Assim sendo, os gentios (goym)
estão proibidos de guardá-lo, pois se o fazem estão transgredindo a Lei,
atribuindo para si o título de "filho (a) de Israel" sem de fato o ser e
cometendo Avodah Zarah (idolatria), pois estão adorando ao Criador de um
modo que ele não determinou. Um não judeu que “descansar” no Shabat é
passível de pena capital, a não ser que seja peregrino entre os filhos de
Israel (Talmude Babilônico - Sanhedrin 58 b - 59 a). Fonte: Wikipédia.

Outra curiosidade:
Povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses, dedicando o dia de
Sábado ao deus Saturno, o que originou em inglês a denominação Saturn's
day, posteriormente abreviada para Saturday, e no holandês aterdag, com o
significado de "Dia de Saturno".
Entre os romanos, por exemplo, este dia era dedicado a
Saturno, deus da agricultura, e representava um dia de descanso na semana
pela boa colheita.

E Então devemos guardar o Shabat?

A resposta é não!
Como dito acima, está claro que nós cristãos não vivemos pela obrigação
do cumprimento da lei, e que este era um sinal com a Israel física, apesar
de quê, o descanso é uma benção e nesse caso podemos descansar no final
de semana ou feriado porque já vimos acima os benefícios de descansar.

Jesus Cristo guardava o sábado?


Resposta: Não! Ele (mesmo como Judeu - como homem), Jesus Cristo,
VIOLAVA o sábado.

João 5:

16 Por isso os judeus perseguiram a Jesus, porque fazia estas coisas no


sábado.

17 Mas Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho
também.

18 Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só
violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se
igual a Deus.

19 Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si


mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele
faz, o Filho o faz igualmente.

Os discípulos de Jesus (apóstolos) guardavam o


sábado?
Resposta: Não!

Lucas 6:

»LUCAS 6:

1 E sucedeu que, num dia de sábado, passava Jesus pelas searas; e seus
discípulos iam colhendo espigas e, debulhando-as com as mãos, as comiam.

2 Alguns dos fariseus, porém, perguntaram; Por que estais fazendo o que não
é lícito fazer nos sábados?

3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nem ao menos tendes lido o que fez Davi
quando teve fome, ele e seus companheiros?

4 Como entrou na casa de Deus, tomou os pães da proposição, dos quais não
era lícito comer senão só aos sacerdotes, e deles comeu e deu também aos
companheiros?

5 Também lhes disse: O Filho do homem é Senhor do sábado.


E o domingo?

Uma questão importante devemos tratar é, e o domingo, ele é o dia do


Senhor?

O domingo é um dia do Senhor, assim como os outros, não há nada em


especial nele, na realidade um dia da semana só terá importância se nós
glorificarmos ao Senhor. Dito isto, podem surgir algumas possíveis
objeções que são insustentáveis e veremos o porquê:

A Primeira tentativa de objeção é que, alguns acham que o fato de alguns


acontecimentos como a ressureição de Cristo, o aparecimento de Cristo e o
evento do pentecostes terem ocorrido no dia de domingo, NÃO EXISTE
NENHUM TEXTO BIBLICO ordenando que a igreja guarde o domingo ou
dia que o domingo é dia do Senhor, vejamos o que ficou de ordem para a
igreja:

"Portanto, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão se
convertendo a Deus.
Pelo contrário, devemos escrever a eles, dizendo-lhes que se abstenham de
comida contaminada pelos ídolos, da imoralidade sexual, da carne de
animais estrangulados e do sangue.
Pois, desde os tempos antigos, Moisés é pregado em todas as cidades,
sendo lido nas sinagogas todos os sábados".
Atos 15:19-21

- Vamos Ler Atos 15.4-21

Vejamos o Édito de Constantino e porque o domingo foi estabelecido como


culto ao Senhor:

O chamado Édito de Constantino foi uma lei do imperador romano


Constantino, proclamada em 7 de março de 321 d.C.. O seu texto dizia:

“Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os


mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não
obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo
dos campos; visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão
adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não
se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu”.

Somente em 325 d.C. no Primeiro Concílio de Niceia o domingo seria


confirmado como dia de descanso cristão, e a guarda do sábado abolida
no Concílio de Laodiceia. Fonte: Wikipédia.

- Uma outra questão importante é que devemos compreender


hermeneuticamente os textos bíblicos, isto é, devemos considerar quando
um texto é narrativo e quando o texto é normativo.

Alguém pode dizer, mas a igreja se reunia no domingo antes do Édito, mas
como foi dito acima, os texto que narram isso não fazem no aspecto
normativo, uma provável tese sobre o culto no domingo é a ressurreição e
por causa do costume judaico de se reunir no sábado.

Quem guarda o sábado ou o domingo em lugar do sábado, como se isso


fosse um mandamento de Deus, está abraçando o legalismo. O cristianismo
não é cerimonialista, ritualista ou legalista.

Olha o que Paulo diz:

“Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou
bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das
luas novas ou dos dias de sábado.
Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém,
encontra-se em Cristo.”
Colossenses 2:16,17
Olha o que diz a CFW, no qual nesse aspecto discordo veementemente:

“Nas seções VII e VIII, do capítulo 21, sob o título – "Do Culto
Religioso e do Domingo" lemos o seguinte:

Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do


tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também, em sua
palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito
que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus
designou particularmente um dia em sete para ser um sábado
(descanso) santificado por ele; desde o princípio do mundo, até
a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último dia da semana; e
desde a ressurreição de Cristo já foi mudado para o primeiro dia
da semana, dia que na Escritura é chamado de domingo, ou Dia
do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o
sábado cristão.

Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo


devidamente preparado os seus corações e de antemão
ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante
todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras,
palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares
e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em
exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de
necessidade e misericórdia”.

A dicotomia ai está clara no texto, onde os autores entendem que o trabalho


é algo “secular” e não sagrado, isto é, uma forma de glorificar a Deus por
meio dele.

Concluo o estudo com as Palavras do Pastor e Teólogo Ciro Zibordi da


Assembleia de Deus:

“Em Romanos 15.4 está escrito: “tudo que dantes foi escrito para nosso
ensino foi escrito”. Isso significa que, embora o mandamento da guarda do
sábado tenha sido transmitido exclusivamente aos israelitas tirados do
Egito, nós podemos também, à semelhança deles, dedicarmos pelo menos
um dia para servir ao Senhor. E temos como tradição, e não por força de
mandamento, nos reunirmos aos domingos.

Finalmente, o sábado para Israel implicava cessação completa de


atividades. Nenhum trabalho podia ser realizado (Êx 16.23; 35.2,3; Jr
17.22; Mc 16.1). Até o comércio estava proibido (Am 8.5). Se tivéssemos
de guardar o domingo como substitutivo do sábado israelita, visto que se
trata de um mandamento eterno, não teríamos de fazer o mesmo? Que
fechem as livrarias e as cantinas dos templos, aos domingos!”