INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010

Degradação do Concreto em Ambiente Agressivo Contaminado com Sulfato.
Degradation of Concrete in Aggressive Environment with Sulfate Contamination
Felipe Santana Lopes (1)
(1) Bacharel em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica - ITA Av. Dr. Eduardo Cury, 200 apto 112 CEP – 12242-001 São José dos Campos – SP lopes.santana@gmail.com

Resumo
O artigo traz uma pesquisa sobre como um ambiente agressivo, que contenha sulfato em solução, pode produzir a degradação do concreto. Apresenta, brevemente, as concepções de durabilidade e desempenho. Mostra as formas de ataque por sulfato e classes de classificação do ambiente para diferentes normas. Cita algumas formas de evitar o ataque de sulfato e afirma a importância de considerar uma análise do ambiente para se obter o melhor projeto para o concreto a ser usado. Palavras-Chaves: Concreto, sulfato, ataque.

Abstract
The paper offers a compilation about aggressive environments with sulfate solutions that can produce concrete degradation. Shortly presents the ideas of durability and performance. Describes sulfate attack types and environments classifications over different standards. Tells about prevention of sulfate attack and affirm the importance of consider the environment analysis to achieve a better concrete design. Keywords: Concrete, sulfate, attack.

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conservem suas segurança. (ABNT NBR6118. a estanqueidade e impermeabilidade. como: fundações. Apresenta os mecanismos de degradação característicos e discute a classificação do ambiente segundo diferentes normas.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 1 INTRODUÇÃO O desenvolvimento de megalópoles mundiais força o advento da ciência para se obter mais espaço. estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil. servicibilidade. tanques de combustíveis. Estruturas onde o concreto está em contato com o solo ou água. 2003) Seguindo o conceito da norma. como o módulo de elasticidade. Também deve-se entender que durabilidade das estruturas pode ser definida em função da segurança. sendo este fator principal e limitante para a durabilidade do material. a vida útil é o período de tempo durante o qual se mantêm as características das estruturas de concreto. bem como de execução dos reparos necessários decorrentes de danos acidentais. solidez e estética obtidas mediante manutenção contínua. mostra exemplos de obras no referido ambiente. Todas sujeitas à ação do meio ambiente. canalizações de efluentes. e quando utilizadas conforme preconizado em projeto. Primeiramente. o artigo apresenta uma revisão bibliográfica. 2 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS 2. 1994). túneis. Ainda. resistência. a resistência do concreto é inversamente proporcional à sua porosidade. vida útil e durabilidade As estruturas de concreto devem atender aos requisitos mínimos de qualidade classificados quanto a estrutura: capacidade resistente. garagens. desde que atendidos os requisitos de uso e manutenção prescritos pelo projetista e pelo construtor. e é muito importante considerar a durabilidade para essas estruturas.1 Estruturas. apresenta caminhos para minimizar a degradação ao ataque por sulfatos. antes das considerações finais. Aborda a caracterização do ambiente agressivo “contaminado com sulfato” quanto ao ataque das estruturas de concreto simples. Outras propriedades influenciam na durabilidade do concreto. câmaras ou caixas subterrâneas. conforto e infraestrutura. 2003) Em relação às exigências de durabilidade as estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que. Termina ressaltando a importância de projetar o concreto realizando uma análise do ambiente para que a durabildidade seja compatível ao cenário previsto. desempenho em serviço e durabilidade (ABNT NBR6118. sob as condições ambientais previstas na época do projeto. 2 . Por fim. (MEHTA e MONTEIRO.

1992). reagem com os componentes do a sulfatados concreto e gás carbônico. Dentre do escopo d trabalho abordou-se apenas os ambientes do se agressivos de solos contaminados com sulfatos. s sulfatos 3 . o conjunto físico-químico que influência a estrutura se físico químico de concreto no qual está inserido. como o monóxido de carbono (CO). água do mar entre outros. Estas substâncias podem ser encontradas em locais de alto tráfego de automóveis e áreas industriais (SILVA. Pode ser um ambiente industrial. Entende-se por ambiente agressivo.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA REITORIA PÓS INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA INFRA ABRIL / 2010 Na figura 1 é apresentada uma idéia de como pode se relacionar os conceitos de durabilidade e desempenho. região costeira.2 Ambiente Agressivo São os principais agentes de transporte de substâncias deletérias: a água. 2. Cada ambiente vai expor a estrutura mais ou menos aos dif diferentes tipos de degradação. substâncias gasosas. Poluentes atmosféricos. Figura 1 – Relações existentes entre os conceitos de durabilidade do concreto e desempenho das estruturas (CEB. 1995). o solo e o ar. monóxido de nitrogênio (NO) ou dióxido de enxofre (SO2). sólidas ou líquidas presentes na atmosfera de centros urbanos podem causar alterações na forma de poluição. ar Na forma de águas ácidas de chuva e solos sulfatados.

contendo elevados teores de sulfato de sódio (Na2SO4) e sulfato de magnésio (MgSO4). presença de infiltrações. 1998). Grande importância deve ser dada para a durabilidade das estruturas neste ambiente desde a concepção das mesmas. corrosão de armaduras e ataques por microorganismos. água. lençol freático etc. 2001). bicarbonatos. desagregações do concreto e da argamassa. a água do solo. Em obras subterrâneas. Tratando-se de obras subterrâneas. Vale lembrar a dificuldade prática de inspeção e acompanhamento da degradação que sofrerão no decorrer da vida de serviço de tais peças. sódio e potássio existem em solos argilosos ou outros solos. o meio “solo” acaba sendo muito específico sendo necessário um estudo detalhado da composição química do mesmo. acarretando problemas de degradação por ataque de sulfatos. Solos compostos por gipso (minério da gipsita – CaSO4⋅2H2O). que por processos químicos e físicos resultam em degradações do concreto como ataque por ácidos. magnésio. há a formação de ácido sulfúrico devido à presença de bactérias anaeróbias produtoras de ácido sulfídrico. 2000) Os sulfatos de cálcio. A sua distribuição é muito heterogênea podendo-se verificar concentrações muito diferentes em zonas distanciadas de apenas alguns metros (COUTINHO.2. argamassas ou outros produtos de base cimentícia. No caso de galerias com infiltração de esgoto. Os meios agressivos contendo sulfatos podem ser: água do mar. (CARVALHO et al. aparecimento de fissuras. 2000 e AGUIAR. resistividade e pH.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 2. (SILVA. bem como a umidade. lençol freático e/ou rios podem-se infiltrar no concreto devido à sua alta porosidade. solos e outros fatores. lençol freático. Relatam degradações em reservatórios enterrados e em galerias pluviais onde ocorreram manifestações como corrosão de armadura. Ainda.2. frequentemente em quantidades consideráveis. sulfatos.2 Solos com contaminação de sulfato. A análise do solo deve conter quantitativos químicos de teores de carbonatos.1 Estruturas de Concreto em presença de sulfatos. associados à ação de águas de chuva. água de pântanos 4 . são grandes fontes de sulfatos no ataque em estruturas de concreto. cloretos e sulfatos. 1995). Para a análise da água é necessário obter os teores químicos de substâncias agressivas ao concreto. carbonatação e corrosão (ABREU. destaca-se a agressividade do meio imposto pela presença de ar. 2. uma vez que estes depósitos são em geral de origem marinha (evaporitos). deteriorando o concreto por perda de massa..

mas diferenciada pela presença de líquidos contendo partículas sólidas.Causas naturais de deteriorações (SOUZA E RIPPER. 2. 1998) Causas próprias Devido à porosidade do concreto Reações internas do concreto Expansão de constituintes do cimento Ação de cloretos Ataque de ácidos e sais Presença de anidrido carbônico Presença de água Elevação da temperatura interna do concreto Variação de temperatura Insolação Vento Água Ataque de bactérias Causas químicas Causas Naturais Causas físicas Causas biológicas Os mecanismos de deterioração do concreto armado se dividem basicamente em mecanismos físicos e químicos.1 Mecanismos Químicos Ocorrem devido à interação dos constituintes da pasta do cimento com o meio ambiente externo. 2006) 2. coesão e resistência dos concretos utilizados em estruturas subterrâneas e em regiões industriais (AL-AMOUNDI. A erosão é similar à abrasão.3. esgotos. 5 . 2005) 2. Por meio de abrasão. 1998).3. quando inserido em locais com elevada concentração de sulfatos. erosão e cavitação.3 Mecanismos de Deterioração do Concreto As causas naturais intrínsecas aos processos de deterioração estão divididas conforme o Quadro 1. Tabela 1 . chuvas ácidas e até agregado contendo pirita constituinte do concreto. A abrasão pode ser definida como o desgaste por atrito entre um sólido e o concreto. (SOUZA e RIPPER.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 (decomposição de matéria orgânica). (SOUZA. 2002 tradução nossa).1 Ataque por Sulfatos O concreto. A cavitação é caracterizada pela ruptura de bolhas de vapor formadas em fluxos de água. Estas reações acarretam perda de massa. Reações envolvendo a formação de produtos expansivos são provenientes de contato de SO4 em soluções aquosas. está sujeito a alterações químicas na matriz da pasta. (MEDEIROS. efluentes industriais.1.

unb. Mg. tipo de cimento e. o sulfato presentes nos tijolos podem atacar. mas resulta em muitos outros casos. Tais ataques ocorrem. quando o concreto está em contato com a água do mar e lençóis freáticos contaminados. Logo após. a argamassa. Ataque do tipo ácido. Por exemplo. uma vez que os mecanismos de interação com a matriz cimentícia são característicos de cada sal. com o transporte de água pelos poros do concreto (GENTIL. Uma linha de frete de reação é bem definida pode ser vista nas seções polidas. oxidação de sulfitos em argilas adjacentes ao concreto (produz ainda ácido sulfúrico também agressivo). A solo por exemplo) que O Ataque externo é mais comum. A fonte solúvel incorporada ao concreto durante o processo de gipsita1 no agregado. (SOUZA. 2006) A porosidade do concreto e a elevada quantidade de sulfatos encontrados em solos são responsáveis pelo ataque dos sulfatos. então. em sua maioria. da hidratação de anidrita. forma de prevenção.etc) aos quais está associado. Esse ataque decorre tipicamente por sulfatos de potássio e sódio. a composição e microestrutura do concreto sofre alteração. Comumente são: fissuramento extensivo. O ataque por sulfato pode ser de origem externa ou interna. Outro fator quanto importante para o ataque são as condições de exposição. A qualidade está relacionada com a relação a/c. Como outras fontes de sulfato pode-se citar: água do mar. Como o artigo foca-se em ambientes agressivos.é diferente para cada um dos cátions (Ca. A maior ou menor facilidade da ocorrência de reações com sulfatos é influenciada pela água e. no longo prazo.delayed ettringite formation) O ataque por sulfato são conhecidos por três tipos. Essas deteriorações de maneira geral conduzem a perda de resistência à compressão do concreto. perda de aderência entre a pasta de cimento e agregado. Fe .INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 O mecanismo de ataque para o ânion SO42. principalmente. alteração da composição da pasta de cimento com a conversão do sulfato em etringita com posterior formação de gipsita. expansão. a parte mais suscetível das estruturas são aquelas abaixo ou logo acima no nível d´água no solo.br/glossario/index. Como o ataque por sulfato acontece em solução. ocorrendo geralmente quando água contendo sulfato dissolvido penetra no concreto. interna deve-se a uma mistura. não se detalhou o ataques interno. Na. A pasta de cimento hidratada é progressivamente reduzida a uma massa granular que expõe os 1 Mineral sulfato de cálcio hidratado: CaS4. gesso. de amplo uso como material de construção.O A gipsita tem origem principalmente sedimentar em evaporitos.html 6 . Fonte: http://ig. O controle de qualidade produtivo é uma externa devido sulfatos em solução no meio externo (água no penetram no concreto. consequentemente. 1996). A gipsita calcinada dá origem ao sulfato de cálcio anidro. a formação tardia de etringita (DEF . pela qualidade do concreto. reações bacterianas que produzem dióxido de enxofre que produzirá também o ácido e na alvenaria.

(Al-AMOUDI.Al2O3.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 agregados.7H2O → 3CaSO4.1.3. A) ácido. Figura 2 – Tipos de ataque por sulfato. 3CaO.3CaSO4.2H2O “gesso” + 2NaOH + 8H2O (1) Reação com sulfato de cálcio: 4CaO.2H2O + 3Mg(OH)2 + 2SiO2aq (3) 2 3 Em geral o ataque por sulfatos incide sobre o aluminato tricálcico do cimento hidratado 3CaO.19H2O + 3(CaSO4. o sulfato de sódio reage com o hidróxido de cálcio livre.31H2O + Ca(OH)2 “aluminato” “etringita” (2) 2.1 Sulfato de cálcio e sulfato de sódio Enquanto que o sulfato de cálcio apenas reage com o aluminato de cálcio hidratado para formar sulfoaluminato de cálcio.2H2O) + 16H2O→3CaO. + MgSO4. Reação com sulfato de magnésio: 3CaO2. pois decompõe os silicatos de cálcio hidratados e reage com o aluminato e hidróxido de cálcio.3.1. Esse modo de falha é atribuído principalmente a formação de gipsita. formando o Sulfoaluminato de cálcio hidratado (Etringita3). B) Expansivo. E terceiro tipo como “descascamento” caracterizado pela formação de cascas em camadas na superfície.Al2O3 (designação simplificada C3A).Al2O3. 2002.2 Sulfato de Magnésio O sulfato de magnésio tem uma ação mais devastadora do que os outros sulfatos. C) Descascamento.tradução nossa) Segundo tipo “expansão e fissuramento”. 2002 – adaptado tradução nossa).3CaSO4.1.SiO2aq. Reação com sulfato de sódio: Ca(OH)2 + Na2SO4. Pode levar a redução da área de seção transversal. 2.Al2O3. (Al-AMOUDI.31H2O 7 .1. formando-se sulfato de cálcio que por sua vez reage com a aluminato. As fases de aluminato hidratadas2 são atacadas pelos íons sulfato.10H2O → CaSO4.

ou regiões onde chove raramente.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 2. tanques industriais. Tabela 2 – Classificação da agressividade ao concreto. Agressividade Fraca Moderada Forte Muito Forte Classificação geral do tipo de ambiente para efeito de projeto Rural Submersa Urbana1) 2) 1) Marinha Industrial1) Industrial1) 3) Respingos de maré CAA I II III IV Risco de Deterioração da Estrutura Insignificante Pequeno Grande Elevado 1) Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda (um nível acima) para ambientes internos secos (salas. No Brasil as norma técnicas da ABNT. Os cimentos Portland resistentes aos sulfatos têm teores menores de aluminatos. MgSO4⋅7H2O. definindo graus de agressividade do meio Tabelas 2 e 3. são CaSO4⋅2H2O. ao invés das fases aluminato. passou a ser viável a avaliação da vida útil expressa em número de anos e não mais em critérios apenas qualitativos de adequação da estrutura a um certo grau de exposição. Infelizmente. Fe2(SO4)3. NBR 6118 e 12655.1. (SOUZA. com umidade relativa do ar menor ou igual a 65%. (SOUZA. O ataque simultâneo de sulfatos e carbonatos. dormitórios.3 Ataque por taumasita4 (TAS . (HELENE. cozinhas e áreas de serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com concreto revestido com argamassa e pintura). 1997) Os sais que contêm sulfato mais importantes. esta característica necessariamente não previne a formação de taumasita uma vez que o ataque ocorre preponderantemente no silicato de cálcio hidratado (C-S-H5). partes da estrutura protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos. galvanoplastia. Al2(SO4)3. SrSO4.thaumasite form of sulfate attack). C-S-H: abreviação de silicato de cálcio hidratado. 2006) São disponíveis algumas faixas de classificação dos ambientes agressivos de maneira geral e também no meio aquoso de diversas fontes e países. Consequentemente. 2) Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (um nível acima) em obras em regiões de clima seco. pela agressividade ao concreto. 3) Ambientes quimicamente agressivos.3. conforme NBR 12655:2006.1. armazéns de fertilizantes e indústrias químicas. 8 .4 Caracterização do Ambiente Agressivo O estudo da durabilidade das estruturas de concreto armado e protendido tem evoluído graças ao maior conhecimento dos mecanismos de transporte de líquidos e de gases agressivos nos meios porosos como o concreto. resulta na formação de taumasita. (NH4)2SO4. ZnSO4. branqueamento em indústrias de celulose e papel. Na2SO4⋅10H2O e K2SO4. FeSO4. estabelecem requisitos para concreto exposto a soluções contendo sulfatos. associado a baixa temperatura. 2. banheiros. 2006). 4 5 Taumasita com composição usual (CaSiO3 ⋅CaCO3 ⋅CaSO4 ⋅15H2O) é um mineral de sílica. CuSO4.

10 a 0.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 Tabela 3 – Requisitos para concreto exposto a soluções contendo sulfatos conforme NBR 12655:2006 Condições de exposição em função da agressividade Fraca Moderada** Severa*** Sulfato solúvel no solo (SO4) % em massa 0.1997).45 Fck. devem ser obrigatoriamente usados cimentos resistentes a sulfatos (NBR 5737).94 Nível de exposição aos sulfatos desprezível moderado forte muito forte desprezível fraco regular forte S-3 moderado S-2 forte 1500 S-1 muito forte ligeiramente agressivo moderadamente agressivo altamente agressivo Sulfato (SO42-) na água. publicado em 1966 Norma canadense A23.00 a 0.20 Sulfato solúvel (SO4) presente na água ppm 0 a 150 150 a 1500 Acima de 1500 Relação a/c máximo -0.50 0. mínimo (agregado normal ou leve) MPa -35 40 *Baixa relação água/cimento ou elevada resistência podem ser necessárias para a obtenção de baixa permeabilidade do concreto ou proteção contra a corrosão da armadura ou proteção a processos de congelamento e degelo.10 0. ppm 0 ≤ SO4 ≤ 150 150 ≤ SO4 ≤ 1500 1500 ≤ SO4 ≤ 10000 > 10000 0 ≤ SO4 ≤ 150 150 ≤ SO4 ≤ 1500 1500 ≤ SO4 ≤ 10000 > 10000 150 ≤ SO4 ≤ 1500 ≤ SO4 ≤ 10000 > 10000 200 ≤ SO4 ≤ 600 600 ≤ SO4 ≤ 3000 3000 ≤ SO4 ≤ 6000 Norma européia EN206-1:2000 Há ainda uma outra opção que é avaliação através de determinações específicas conforme os valores referenciais propostos pelo CEB / FIP Model Code 1990. (SOUZA. 2006) Norma técnica Norma ACI 318M-02 (Building code requirements for structural concrete) Manual do Concreto do U.20 Acima de 0. S. Tabela 5 – Classificação da agressividade ambiental visando a durabilidade do concreto. Existem também normas internacionais que indicam o grau de agressividade por exposição aos sulfatos (Tabela 4).1. ***Para condições severas de agressividade. **Água do mar. (SOUZA. Bureau of Reclamation Concrete Manual. 9 . conforme algumas normas técnicas existentes em outros países. apresentados na Tabela 5 (HELENE. 2006) Tabela 4 – Nível de exposição aos sulfatos em função da concentrações de SO42-.

túneis entre outras. (MEHTA e MONTEIRO.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA REITORIA PÓS INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA INFRA ABRIL / 2010 3 Recomendações de prevenção ao ataque por sulfato Sendo uma etapa inicial do processo de proteção aconselha–se a produção de concreto aconselha se com resistência química adequada ao caso. total Figura 3: Efeitos do tipo e consumo de cimento e da adição de cinzas volantes sobre o ataque por sulfato ao concreto. no caso de um cimento Portland com alto teor de C3A. o nível da água e sua variação sazonal. 10 . A figura à direita mostra que. revelaram (figura à esquerda) que a baixa permeabilidade do concreto (alto consumo de cimento) era mais importante na redução da taxa de deterioração do que o teor de C3A redução no cimento. muros de arrimos (umas das faces em contato com solo). compactação rigorosa e cura apropriada. a adição de aditivos minerais (cinzas volantes) oferece uma alternativa pra controlar o ataque por sulfato. com baixa relação água/cimento. reduzindo o teor reduzindo efetivo de C3A no material cimentício total. bem como a escolha de um cimento adequado ão (Portland Pozolânico). Os resultados de um estudo de longo prazo com corpos corpos-de-prova de concreto expostos a solo sulfatado (contendo prova 10% de Na2SO4) em Sacramento. mais especificamente na permeabilidade do material. Aquelas onde se encontram totalmente submersas são menos prejudicas comparativamente. Maior atenção deve ser dada nos casos de estruturas parcialmente saturadas (onde possa ocorrer evaporação. Assim. Califórnia. Estruturas na faixa de oscilação de nível d´água. galerias. 1994). Fatores que influenciam o ataque por sulfato: a quantidade e natureza do sulfato (sua atores concentração). normalmente a forma de controlar o ataque de sulfato é atuando na qualidade do concreto. porosidade do solo e o fluxo da água subterrânea. a forma de construção e a qualidade do concreto (tipo de cimento empregado). especificamente. como é mais difícil impedir que a água com sulfato entre em contat com o contato concreto. visando obter desta forma baixa taxa de absorção e permeabilidade.

Verificou-se também que 11 . 4 Obras em ambientes contaminados com sulfatos. as estruturas no solo dificultam o acompanhamento da situação concreto em serviço. Na figura 3. Obter a diminuição da permeabilidade. (AL-AMOUNDI.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 Para proteger o concreto ao ataque por sulfato. Aliado ao fato. Nesse contexto. Os fatores que influenciam o ataque por sulfato são: a quantidade e natureza do sulfato (sua concentração). a forma de construção e a qualidade do concreto (tipo de cimento empregado). do tipo e dosagem de cimento e aditivos e barreiras preventivas entre o meio externo e o concreto são fatores decisivos para a obtenção dos resultados em campo ao longo da vida de serviço do concreto. O efeito das misturas com altas concentrações de sais presentes no Golfo Pérsico é extremamente prejudicial à durabilidade das estruturas. acompanha-se como diferentes projetos de concreto alterando a composição. o nível da água e sua variação sazonal. portanto. tanques de tratamento de esgoto. uma melhor caracterização do ambiente agressivo onde será inserida a estrutura de concreto é crucial para a concepção do projeto. Um exemplo de estudo de patologias pode ser visto no trabalho sobre as câmaras e caixas de passagem de redes subterrâneas de energia elétrica de Curitiba. O efeito final de redução da resistência da estrutura de cimento. na permeabilidade do material. consumo de cimento e adição de cinza volante conduzem a concretos apresentando melhor reposta a deterioração e expansão ao logo do tempo. com espessuras adequadas de concreto. obras portuárias. 2002 tradução nossa). são outros pontos preventivos importantes a serem observados. tipo de cimento e uso de aditivos minerais. orienta-se o controle da relação água cimento. 2005) 5 Considerações Finais Percebe-se que a o ataque por sulfato é uma questão importante a ser considerada. porosidade do solo e o fluxo da água subterrânea. o projeto da estrutura. na durabilidade da mesma é preocupante. ou seja. a única forma de controlar o ataque de sulfato é atuando na qualidade do concreto. Na galeria de obras que normalmente já se prever medidas de mitigação para o ataque por sulfatos estão. Como é impossível impedir que a água com sulfato entre em contato com o concreto. galerias subterrâneas de concreto. Dessa forma. aliado ao controle do processo de adensamento e de cura. (MEDEIROS.

2002.COMITE EURO-INTERNATIONAL DU BETON.up. Corrosão. permitirá que maior segurança e qualidade sejam incorporadas as obras e a sociedade se beneficie. Curitiba. Fortaleza: IBRACON. III-A-012. 3 ed. Anais em CD-ROM do 42º IBRACON. NBR 6118:2003 . 1. 2005. [Consultado em 22/04/2010] GENTIL. 2003.ABNT. A. e ações preventivas (quanto a degradação do concreto por ataque de sulfatos). ABNT. Fortaleza. L. p. 42º. 1997. CARVALHO. ABREU. COSTA. H. In: Congresso Brasileiro do Concreto.fe. .C. FIGUEIREDO FILHO. HELENE. J. Agregados para Argamassas e Betões. Fortaleza: IBRACON. V. Porto Alegre 1998. COUTINHO. Vida Útil das Estruturas de Concreto . J. In: Cement and Concrete Composites. a normatização de parâmetros de classificação de ambientes. Fortaleza. S. 142 p. 6 Referências Al-AMOUDI.S.br/dspace/handle/1884/7277 [Consultado em 22/04/2010]. 1992. G. Suíça. 1997. Recuperação de dois reservatórios enterrados. 12 .pdf. 24 305–316.pt/~jcouti/agregpart1. R. O.Procedimento. MAREGA. Associação Brasileira de Normas Técnicas . Efeito das adições minerais na resistividade elétrica de concretos convencionais.INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA ABRIL / 2010 como o ataque por sulfato ocorre em solução. Anais em CD-ROM do 42º IBRACON. v.. B. 1999 Disponível em http://paginas.Projeto de Estruturas de Concreto . CEB .Attack on plain and blended cements exposed to aggressive sulfate environments. In: IV Congresso Ibero Americano de Patologia das Construções e VI Congresso de Controle da Qualidade CON PAT-97. III-E005. E. M. W. AGUIAR. 1-30.B . R. Paulo R. 143p. 2000. Livros Técnicos e Científicos.Universidade Federal do Paraná. JURLAN JÚNIOR.. Patologias que comprometem a durabilidade do concreto em galerias de águas pluviais. Porto Alegre. IV Congresso Ibero Americano de Patologia das Construções e VI Congresso de Controle da Qualidade CON PAT-97. de.ufpr. 42º. a concentração de sulfatos no solo como na água (mar ou subterrânea) assume um papel importante para a divisão dos níveis de agressividade. Bulletin D’Information nº 183. In: Congresso Brasileiro do Concreto. Disponível em http://dspace. Dissertação de mestrado.. MEDEIROS. 345p. J.c3sl. Rio de Janeiro: 1996. L. Durable Concrete Structures. 2000. Dissertaçao (mestrado) . Portanto. Estruturas subterrâneas de concreto: levantamento de manifestações patológicas na região metropolitana de Curitiba e análise de sistemas de reparo. T.

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