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Cenários e tendências do turismo em âmbito local, regional, nacional e internacional

Entendendo o turismo

Para compreender o desenvolvimento do turismo, é preciso considerar os deslocamentos como parte da história da humanidade.
Seja para acompanhar a movimentação de animais, como acontecia na Antiguidade, seja para realizar negócios, como nos dias
atuais, o certo é que os homens sempre se deslocaram pela face da Terra. 

Da mesma forma que esses deslocamentos foram determinantes para a ocupação dos espaços pelos homens e para a
consolidação do domínio dos territórios pelas nações, eles foram de grande importância para o surgimento do turismo. 

Após o homem ter se fixado em um determinado lugar para morar e trabalhar, ele manteve o hábito de deslocar­se, realizando
viagens por motivações religiosas, esportivas, familiares, de saúde, de trabalho e de lazer. Assim, o turismo está relacionado aos
deslocamentos humanos e às viagens, porém com características e motivos específicos. 

Com o crescimento dos números de viagens, essa atividade passou a ter grande importância para a economia dos países,
resultando na necessidade de organizar estatísticas próprias para o turismo, de modo a facilitar as análises e os estudos de
mercado, do comportamento do setor e das perspectivas para o segmento. Segundo dados da Organização Mundial de Turismo
(OMT), o turismo representa uma das maiores indústrias mundiais e é um dos segmentos que mais geram empregos no mundo.

Você já parou para pensar sobre a complexidade e as dimensões econômicas, sociais, culturais e ambientais do
turismo? Compreendê­lo exige considerar as relações existentes entre visitante e lugar visitado, entre geração de
renda e interação social e entre valorização cultural e impacto ambiental. Portanto, precisamos, de início,
conhecer conceitos que integram essa atividade.

A primeira pessoa a definir turismo Para Robert McIntosh (1977), o A OMT, agência especializada das


com foco na ótica econômica foi turismo envolve mais do que Nações Unidas e principal
Herman von Schullern, em 1910: apenas componentes empresariais, organização internacional no
apresentando uma faceta campo do turismo, assim define
qualitativa: turismo:

"
Turismo é a soma das
operações, principalmente
"
Turismo pode ser definido
como a ciência, a arte e a
"
São as atividades que as
pessoas realizam durante as
de natureza econômica, que atividade de atrair e suas viagens e permanência
estão diretamente transportar visitantes, alojá­ em lugares distintos do seu
relacionadas com a entrada, los e cortesmente satisfazer entorno habitual, por um
a permanência e o suas necessidades e período consecutivo de
deslocamento de desejos.” tempo inferior a um ano,
estrangeiros para dentro e (apud BENI, 2003) com fins de lazer, negócios e
para fora de um país, cidade outros.”
ou região.”
(apud BENI, 2003)
Procurando abranger a essência total do assunto, Mário Beni conceitua turismo da seguinte forma:

(...) um elaborado e complexo processo de decisão sobre o que visitar, onde, como e a que preço. Nesse processo
intervêm inúmeros fatores de realização pessoal e social, de natureza motivacional, econômica, cultural, ecológica e
científica, que ditam a escolha dos destinos, a permanência, os meios de transporte e o alojamento, bem como o objetivo
da viagem em si para a fruição tanto material como subjetiva dos conteúdos de sonhos, desejos, de imaginação projetiva,
de enriquecimento existencial histórico­humanístico, profissional, e de expansão de negócios. Esse consumo é feito por
meio de roteiros interativos espontâneos ou dirigidos, compreendendo a compra de bens e serviços da oferta original e
diferencial das atrações e dos equipamentos a ela agregados, em mercados globais com produtos de qualidade e
competitivos (BENI, 2003, p. 37).

Com o avanço das tecnologias, o turista está cada vez mais informado e exigente. Para
fazer a escolha por uma determinada viagem, ele certamente pesquisou muito, o que
mostra que o processo se iniciou bem antes da concretização dessa viagem. O turista
praticamente já viajou para o destino muito antes de efetivamente fazê­lo, pois já viu
fotografias e folders, já visitou sites e já leu histórias de viagens para o local que escolheu.
Ele já tem informações sobre o destino da viagem, sabe qual é a melhor época para visitá­
lo, já traçou seu roteiro, já escolheu uma empresa para ajudá­lo e conhece bem os seus
direitos. Por isso, é fundamental que o profissional do turismo esteja muito bem preparado
para lhe atender.

Cenários e tendências do turismo

O turismo é um setor dinâmico, globalizado e fortemente influenciado por diversas variáveis, tais como renda per capita, taxa de
câmbio, crescimento da economia mundial, nível de crédito, taxa de juros, entre outras. 

É importante que os profissionais da área estejam atentos às tendências do cenário mundial, nacional e regional, para que sejam
capazes de compreender de que forma ele impactará o mercado de trabalho. Isso possibilita o desenvolvimento de práticas
inovadoras frente à realidade que se apresenta. 

Entre as principais tendências do setor de turismo para os próximos 15 anos, a OMT destaca estas:

A demanda terá contínuo crescimento.

As viagens tendem a ter seu tempo total reduzido. A tendência é que as pessoas viajem mais vezes
ao ano, em vez de fazer uma única e mais longa viagem no período de férias.

Nas próximas décadas, haverá um crescimento mais acelerado do turismo. Destinos consolidados
ou novos destinos turísticos podem se beneficiar disso. Com isso, surgirão também desafios no que
diz respeito à maximização dos benefícios sociais e econômicos e à minimização dos impactos
negativos que o turismo pode causar.

O padrão de crescimento do turismo em longo prazo será mais moderado, sustentável e inclusivo.
Vale ressaltar também:

O turista busca experiências únicas, autênticas e individuais.

A internet é cada vez mais usada para buscar viagens e destinos adequados ao comportamento e às
aspirações de cada um. O e­commerce tende a crescer no setor.

O avanço tecnológico e os hábitos resultantes da hiperconectividade têm um importante efeito sobre
a forma de consumo, uma vez que a informação é instantânea, fácil de ser obtida e não requer
presença física.

Cresce o uso das redes sociais no turismo. É clara a sua influência em decisões de viagens,
atrativos a visitar, serviços a serem utilizados, etc. Existem sites específicos que funcionam como os
antigos guias de viagens impressos e que dão opções e dicas para novos destinos, atingindo
milhares de pessoas. Além disso, atrações e destinos também passam por avaliação, o que gera
uma nova preocupação para esses atores.

A valorização dos elementos de sustentabilidade estará associada à proteção do meio ambiente, à
valorização das culturas tradicionais e à geração de benefícios para as comunidades (conceitos de
responsabilidade socioambiental e consumo sustentável).

Incertezas relacionadas ao setor de turismo e viagens

A regulação do mercado envolve vistos, imigração, terrorismo/segurança, oscilação do câmbio, infraestrutura aeroportuária. 

A variação das moedas não impacta somente viagens internacionais, como pode parecer inicialmente. Como diversas tarifas são
cotadas em dólar norte­americano e o preço do combustível de aviação é cotado em bolsas internacionais, por exemplo, a
flutuação cambial é um fator determinante, não importa qual seja a natureza da viagem. 

Outro fator determinante é a questão da segurança. Devido a atentados terroristas, as autoridades vêm aumentando as
exigências para que turistas possam entrar em seus países, como forma de tentar melhorar a segurança. Entre as medidas que
estão tomando, estão maior burocracia para obtenção de visto e medidas restritivas de imigração. Até mesmo em países onde as
exigências são mais brandas podem ocorrer problemas. Usando o princípio da reciprocidade, o Brasil, por exemplo, pode
restringir a entrada de turistas no país.

O crescimento da atividade turística no PIB brasileiro e sua potencial capacidade de gerar
trabalho, ocupação e renda são aspectos positivos resultantes da gestão turística
estabelecida no país, principalmente após a criação do Ministério do Turismo, em 2003. 

Vale ressaltar que, com o aumento da renda de uma grande parcela da população brasileira,
o turismo doméstico foi impulsionado. O financiamento da atividade vem ocupando espaço
de destaque no debate sobre políticas públicas, junto com demais áreas sociais não
protegidas constitucionalmente (como meio ambiente, cultura, esporte e lazer).

A profissão do guia de turismo
Quando falamos em viagens, pensamos na realização de sonhos, e logo vêm à mente imagens de areias brancas e água
cristalina, natureza exuberante, culinária exótica, monumentos históricos, entre outras. Existe todo um imaginário que envolve a
decisão e a escolha de cada indivíduo que sente necessidade de viajar, de poder desfrutar de bons momentos, de conhecer
novas culturas e novos lugares, de trocar experiências e de passar por vivências únicas.

Viajar é o momento da realização de um sonho, e o guia de turismo tem um papel fundamental nisso, pois é ele
quem conduz os viajantes por descobertas, fazendo parte desse momento. Cabe ao guia de turismo carregar as
informações que transmite de significado e valor, de forma que seu cliente seja estimulado a captar mais do que
apenas uma informação fria.

É como afirma o autor Carlos Picazo: “O guia, na realidade, é muito mais que um mero acompanhante ou orientador. Trata­se de
um artista que sabe conferir cor e calor a uma paisagem, de um mágico capaz de dar vida a pedras milenares, de um
acompanhante que consegue que os maiores deslocamentos pareçam curtos, de um profissional, em definitivo, que torna
possível que nos sintamos como em nossa própria casa no interior de um arranha­céu hoteleiro ou de uma cabana africana”
(PICAZO, 1996, apud CHIMENTI, 2007). 

Além disso, como todo profissional, o guia de turismo precisa atuar com eficiência. Ele deve cumprir os programas estabelecidos,
aparar as arestas dos desconfortos prováveis e possíveis e solucionar problemas junto a agências e serviços contratados, tudo
para satisfazer o seu cliente. 

O que ocorre na execução dos roteiros estabelecidos não deve chegar ao conhecimento do cliente, e tudo deve ser resolvido.
Portanto, a busca do conhecimento deve ser algo constante na vida do guia de turismo, que deve se manter sempre bem
atualizado devido à dinâmica da profissão, na qual não existe monotonia. 

É como afirma o autor Carlos Picazo: “O guia, na realidade, é muito mais que um mero acompanhante ou orientador. Trata­se de
um artista que sabe conferir cor e calor a uma paisagem, de um mágico capaz de dar vida a pedras milenares, de um
acompanhante que consegue que os maiores deslocamentos pareçam curtos, de um profissional, em definitivo, que torna
possível que nos sintamos como em nossa própria casa no interior de um arranha­céu hoteleiro ou de uma cabana africana”
(PICAZO, 1996, apud CHIMENTI, 2007). 

Além disso, como todo profissional, o guia de turismo precisa atuar com eficiência. Ele deve cumprir os programas estabelecidos,
aparar as arestas dos desconfortos prováveis e possíveis e solucionar problemas junto a agências e serviços contratados, tudo
para satisfazer o seu cliente. 

O que ocorre na execução dos roteiros estabelecidos não deve chegar ao conhecimento do cliente, e tudo deve ser resolvido.
Portanto, a busca do conhecimento deve ser algo constante na vida do guia de turismo, que deve se manter sempre bem
atualizado devido à dinâmica da profissão, na qual não existe monotonia.

A profissão do guia de turismo Consulte fontes diferentes que tratem do mesmo tema.


Compare o conteúdo apresentado e diferencie as
informações das opiniões.
Quando falamos em viagens, pensamos na
realização de sonhos, e logo vêm à mente Analise o conteúdo e aplique sobre ele um olhar crítico:
imagens de areias brancas e água cristalina, não acredite em tudo o que lê!
natureza exuberante, culinária exótica,
Questione as informações. Procure outras referências
monumentos históricos, entre outras. Existe todo para conferir se os dados indicados por um autor são
um imaginário que envolve a decisão e a escolha confirmados por outros autores.
de cada indivíduo que sente necessidade de
Procure textos que tenham sido escritos por especialistas
viajar, de poder desfrutar de bons momentos, de
no assunto. Verifique se a fonte consultada apresenta as
conhecer novas culturas e novos lugares, de trocar
referências bibliográficas em que ela se baseou.
experiências e de passar por vivências únicas.

Instituições acadêmicas e de pesquisa costumam ser


fontes confiáveis e atualizadas. Portanto, procure acessar
as informações publicadas pelas universidades.

Consulte outras fontes além da internet. Para que um livro


seja publicado, é necessário que ele passe por revisão e
pela aprovação de uma editora.

Você quer ler mais sobre o assunto? Acesse o material complementar sobre pesquisa e leitura.

Para que você possa compreender a importância do seu papel como futuro guia de turismo dentro de um cenário cada vez mais
globalizado, façamos um breve resgate histórico dessa profissão. Você conseguirá ter uma ideia melhor da grandiosidade da
atividade.

A profissão do guia de turismo
A condução de grupos de turismo no Brasil precedeu em algumas décadas o reconhecimento legal da profissão. Veja o que diz
Carvalho (2005):

Inicialmente, a atividade costumava ser realizada por importantes cargos da agência responsável pela viagem e era tida,
quase invariavelmente, como uma oportunidade de viajar (...). Posteriormente, os promotores de vendas foram
responsáveis pelo surgimento de uma nova categoria de acompanhantes, ou seja, o volume de vendas realizado por
esses profissionais passou a significar o passaporte de acesso às viagens operadas pelas agências. É nesse momento
que se configura o esboço de certo profissionalismo no guiamento de passageiros.

A condução de grupos de turismo no Brasil precedeu em algumas décadas o reconhecimento legal da profissão. Veja o que diz
Carvalho (2005):

Entre as diversas atividades do guia de turismo, estão: orientar e transmitir informações a
pessoas ou a grupos em visitas ou excursões urbanas, municipais, estaduais,
interestaduais, internacionais ou especializadas; cuidar de procedimentos burocráticos;
garantir a qualidade dos serviços; manter o controle do grupo e assegurar seu bem­estar;
apoiar o guia especializado; atuar em emergências e primeiros socorros; orientar operações
de câmbio; e orientar o motorista e cuidar do serviço de bordo em caso de viagem
rodoviária.

Além disso, é função do guia de turismo oferecer informações históricas e geográficas a respeito de atrativos turísticos. Segundo
Raposo (2004), o guia atua como um intérprete de sua região; ele ensina o visitante a olhar para além daquilo que os olhos
alcançam: “O guia vê com os olhos do visitante estrangeiro, mas fala com a alma e o conhecimento do seu país”.

Atuação do técnico em guia de turismo

O técnico em guia de turismo atua em órgãos de turismo; em empresas públicas, privadas e do terceiro setor; em operadoras e
agências de turismo e de viagens; em companhias aéreas; em parques; etc. Na maioria das vezes, ele opera de forma autônoma,
tendo como clientes diversas agências e operadoras. 

O Ministério do Turismo oferece em seu site um sistema de busca de profissionais cadastrados. É possível pesquisar pela classe,
pela cidade e por idiomas que falam, servindo como um serviço de divulgação gratuito aos profissionais regulamentados. 

No turismo, existe um leque muito grande de possibilidades de inovação. Este curso proporcionará a você o desenvolvimento de
um olhar crítico sobre a experiência turística, analisando aspectos positivos e negativos de vivências. 

GUIA DE TURISMO
Com esse novo olhar, você estará apto a desempenhar sua profissão com “algo a mais”, com uma vontade de buscar o diferente,
de criar o novo e de proporcionar experiências inesquecíveis.

Referências bibliográficas

BARBOSA, Ycarim Melgaço. História das viagens e do turismo. Coleção ABC do Turismo. São Paulo: Aleph, 2002. 
BENI, M. C. Política e estratégia do desenvolvimento regional: planejamento integrado e sustentável do turismo. Turismo em
Análise, 1999. 

BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo: Editora Senac, 2003. 

CARVALHO, Paulo Jorge de Oliveira. Formação do Guia de Turismo: do Ensino Médio à Universidade. In: TRIGO, Luiz
Gonzaga Godói. Análises Regionais e globais do turismo brasileiro. São Paulo: Roca, 2005. 

CHIMENTI, Silvia; TAVARES, Adriana de Menezes. Guia de turismo: o profissional e a profissão. 4. ed. São Paulo: Ed. Senac
São Paulo, 2013. 

COOPER, Chris; FLETCHER, John; WANHILL, Stephen; GILBERT, David; SHEPHERD, Rebecca. Turismo, princípios e
prática. Porto Alegre: Bookman, 2001. 

FRAGOSO, Suely; AMARAL, Adriana; RECUERO, Raquel. Métodos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Sulina, 2011. 

FUSTER, L. F. Teoría y Técnica del Turismo. Madri: Nacional, 1974. 

KRIPPENDORF, J. Sociologia do Turismo: para uma nova compreensão do lazer e das viagens. Rio de Janeiro: Civilização,
1989. 

PORTAL World Tourism Organization. Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2015. 

RAPOSO, Alexandre; CAPELLA, Marcia; CARDOSO, Claudia. Turismo no Brasil: um guia para o guia. Rio de Janeiro: Ed.
Senac Nacional, 2004.