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Universidade Agostinho Neto

Faculdade de Economia
Departamento de Ciências Sociais

IMPACTO DA DESVALORIZAÇÃO DO
KWANZA NA ECONOMIA DE
ANGOLA

Grupo 02:

Dados do Grupo:
Sala: A | Ano: 2º | Turno: Tarde | Semestre: II

O Professor: Sudica Semedo

Luanda 10 de Novembro de 2017


Universidade Agostinho Neto
Faculdade de Economia
Departamento de Ciências Sociais

Trabalho de avaliação da cadeira de Macroeconomia II, apresentado na Faculdade de


Economia da Universidade Agostinho Neto.

Grupo 02
Dados do Grupo:
Sala: A | Ano: 2º | Turno: Tarde | Semestre: II

Nº Nome: Nº Matricula Nota


1 Adilson Dala Bamba 109144
2 Crisner Nazaré Manuel
3 José Paulo Azevedo 103743
4 Panzo Cabeia Miguel 109734
5 Ronaldo Luís Ndala 109769

O Professor: Mestre Sudica Semedo

Luanda 10 de Novembro de 2017


SUMÁRIO

EPÍGRAFE ................................................................................................................................. IV
AGRADECIMENTOS ................................................................................................................ V
DEDICATÓRIA .......................................................................................................................... VI
RESUMO ................................................................................................................................... VII
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 8
1. A Moeda (Kwanza) .................................................................................................................... 9
1.1 Moeda (Kwanza) ............................................................................................................. 10
1.1.1 Taxa de câmbio: definição, determinação e influência nos resultados da
Balança Comercial. ................................................................................................. 11
2.Desvalorização do Kwanza ....................................................................................................... 18
2.1 Desvalorizações do Kwanza face à economia de Angola........................................... 19
2.2 Causas da desvalorização do Kwanza .......................................................................... 20
2.3 consequências da desvalorização do Kwanza ....................................................................... 21
2.4 Impacto da desvalorização do Kwanza .................................................................... 24
3. CONCLUSÃO ............................................................................................................................ 25
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................................. 26

Série Temporal Luanda 13 de novembro de 2017

III
EPÍGRAFE

“Empreender não é arriscado. Arriscado é trabalhar 35


anos para outra pessoa e depois viver da previdència
social.”
“Panzo Cabeia Miguel”

Desvalorização do Kwanza Luanda 13 de Novembro 2017

IV
AGRADECIMENTOS

A Deus todo poderoso por ter nos dados saúde e força para elaboração deste
trabalho. Ao Professor Sudica Semedo pela concessão do tema, e a todos que direta
ou indiretamente fizeram parte na elaboração do mesmo.

Desvalorização do Kwanza Luanda 13 de Novembro 2017

V
DEDICATÓRIA

A Deus que nos criou e foi criativo nesta tarefa.


Seu folego de vida em nós foi sustento e nos deu coragem
para questionar realidades e propor sempre um novo mundo
de possibilidades.

Desvalorização do Kwanza Luanda 13 de Novembro 2017

VI
RESUMO

O segredo para o crescimento econômico está na oferta de bens e serviços. Afirma-se


que um aumento na oferta de bens e serviços gera crescimento econômico porque tal
aumento irá desencadear a produção de bens e serviços. Sendo assim, para a
economia crescer, as políticas econômicas do governo têm de se concentrar na oferta
de bens e serviços, e implementar medidas para estimulá-la.

Uma das maneiras de Angola estimular sua competitividade seria através da


depreciação do Kwanza em relação ao dólar. Mas, isso não será suficiente tendo em
conta os grandes problemas estruturais que a nossa economia enfrenta.

Como qualquer medida económica, desvalorizar Kwanza traz vantagens e


desvantagens. Para Angola, traz vantagens em relação ao turismo, na medida em que
estimula a vinda de turista estrangeira e desestimula a saída de turistas que querem ir
ao exterior, Facilita a entrada de capitais, incentiva operações de crédito em moeda
estrangeira para investimentos.

O problema para Angolano são as desvantagens e por sinal é onde a nossa economia
neste momento perde mais, nomeadamente encarece produtos importados inclusive
tecnologia, maquinas e até matérias primas como é o nosso caso, dificulta o controlo
da inflação etc. Porque o Kwanza valorizado facilita o combate à inflação.

Palavras chave: Desvalorização; taxa de câmbioo; moeda (estrageira e nacional); inflação;


economia; desemprego.

Desvalorização do Kwanza Luanda 13 de Novembro 2017

VII
INTRODUÇÃO

A teoria econômica convencional afirma que desvalorizar a moeda de um país pode


ser algo bom para sua economia, dado que uma moeda mais baixa gera uma taxa de
câmbio mais desvalorizada, o que estimularia a produção nacional industrial e
consequentemente as exportações e o emprego.

A queda das taxas de câmbio torna a moeda nacional mais barata face às restantes. A
desvalorização da moeda tem um efeito benéfico sobre as exportações, que se tornam
mais baratas e competitivas; consequentemente, tem um efeito nefasto sobre as
importações, funcionando como instrumento corretor de desequilíbrios da balança de
pagamentos. Neste raciocínio, está sempre implícita uma aceitável elasticidade das
exportações e importações à taxa de câmbio, o que depende não só das condições do
mercado externo, mas fundamentalmente da estrutura econômica nacional. Se um
Estado não produz um determinado bem essencial, a sua importação não diminui,
mesmo quando há um aumento das taxas de câmbio.

O aumento das taxas de câmbio (valorização da moeda nacional) tem o efeito


contrário. As exportações tornam-se mais caras e perdem competitividade no mercado
internacional, ao passo que as importações tornam-se mais baratas.
Consequentemente, as empresas nacionais reduzem o seu volume de vendas, o que
gera menos cash flow empresarial, menos receitas fiscais, redução do volume da
produção, aumento da capacidade ociosa e do desemprego. A apetência pelas
importações pode provocar danos à estrutura produtiva interna, criando uma
dependência estrutural dos produtos do mercado externo.
O mesmo está constituído por dois capítulos, o primeiro capitula fala sobre a Moeda
(Kwanza), o segundo capítulo fala sobre a Desvalorização do Kwanza.
Problemática: qual impacto causaria a desvalorização da moeda numa economia?

Hipóteses: Isso geraria um crescimento econômico.

Objetivo geral: Investigar os impactos que a desvalorização do Kwanza pode intervir


dentro da economia de Angola.
Objetivos específicos:
 Analisar as motivações da Oferta da moeda
 Analisar os impactos da desvaloriazação Kwanza nos mercados
 Estudar o equilibrio da balança comercial
 Até em que ponto afecta na inflação

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

8
CAPÍTULO

1
A Moeda (Kwanza)

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

9
1.1 Moeda (Kwanza)

Em termos econômicos, moeda é tudo aquilo que é geralmente aceito para liquidar as
transações, isto é, para pagar pelos bens e serviços e para quitar obrigações, ou seja,
de acordo com esta definição, qualquer coisa pode ser moeda, desde que aceita como
forma de pagamento. Ela é considerada o instrumento básico para que se possa
operar no mercado. Pois a moeda atua como meio de troca.
Fuções da moeda
As principais funções da moeda são as seguintes:
1) Moeda como meio de troca: intermediário entre as mercadorias;
2) Moeda com unidade de conta: ser o referencial das trocas, o instrumento pelo
qual as mercadorias são cotadas;
3) Moeda como reserva de valor: poder de compra que se mantém no tempo, ou
seja, forma de se medir a riqueza.

Ao longo do tempo, a moeda evoluiu, primeiramente tínhamos a moeda-mercadoria


(sal, animais, etc), passando pela moeda metálica (ouro, prata, metais preciosos) até
chegarmos ao que temos hoje, o papel-moeda ou moeda fiduciária, para o qual não
existe qualquer tipo de lastro. Isto é, não existe a garantia física sustentando o valor da
moeda, e sua aceitação se deve à imposição legal do Governo.
Em Angola, o processo de evolução não foi diferente, inicialmente tinhamos moedas
mercadoria (boi, peixe seco, etc), mais tarde, passamos pelas moedas, zimbo, sal,
cobre, panos, escravos e o marfim, cauris. Depois surgiu a moeda metálica em
Angola, praticamente até final da ocupação holandesa 1649, Portugal não sentiu a
necessidade de introduzir a moeda metálica. Iniciou a sua introdução nos anos de
1694. Em 1762 é lançada a macuta como moeda privativa de Angola. Depois surgiu o
escudo e o Angolar. Em 11 de Novembro de 1976 surge em Angola a primeira moeda,
pois independência – o Kwanza – Lançada em circulação no dia 08/01/1977 Esta
nossa moeda que é um símbolo Nacional e que um marcou uma posição de Angola,
enquanto estado soberano. Sofreu também já várias transformações.1
Segundo a lei orgânica (nº 16/2010 de 18 de Julho de 2010) aprovada pela
Assembleia Nacional, no seu artigo 3º-1, consagra o BNA como Banco Central e
emissor e assegura a preservação do valor da moeda nacional;
Artigo 6º ‐ O Banco Central detém o direito exclusivo de emitir notas bancárias e
moedas metálicas, bem como moedas comemorativas,
‐ Assegura a preservação do valor da moeda nacional e a
- Administração do Meio Circulante no âmbito da política económica do País.

1
WWW. BNA. CO. AO (Lei Orgânica)

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1.1.1 Taxa de câmbio: definição, determinação e influência nos resultados
da Balança Comercial.

Taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações


(centavos) da moeda nacional. Em outras palavras, a taxa de câmbio funciona como
uma espécie de unidade de peso ou medida a ser aplicada no campo econômico,
servindo assim como referência do custo de uma determinada moeda em relação à
outra qualquer. As cotações apresentam taxas para a compra e para a venda da
moeda, assumindo maior ou menor valor com a evolução das transações financeiras
do dia.

Uma elevação da taxa de câmbio representa uma desvalorização do kwanzal com


relação ao dólar. Ao contrário, uma diminuição da taxa de câmbio representa uma
valorização do kwanza com relação ao dólar.

Uma desvalorização cambial tende a desestimular as importações e estimular as


exportações, pois no mercado interno encarece os bens importados e aumenta a
renda dos exportadores. No mercado externo barateia os bens que o país exporta.

1.1.2. Determinantes da taxa de cãmbio em Real

Quando tratamos a taxa de câmbio consideramos os conceitos de:

Taxa de câmbio nominal: é a relação entre quantidades de moeda.

Taxa de câmbio real: Corresponde ao relativo de preços entre o produto nacional e o


estrangeiro.

Por que isto? Porque os países têm reflexos do valor da moeda no preço das
mercadorias. Ou seja, há inflação. É exatamente para neutralizar o efeito da inflação
na definição da taxa de câmbio que se trata a referência dos preços de uma mesma
mercadoria em dois países.

A fórmula de obtenção da taxa de câmbio real é:

Onde:

q = taxa de câmbio real

E = taxa de câmbio nominal

P* = preço do produto estrangeiro

P = preço do produto nacional

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Um exemplo nos auxilia ilustrar a situação do câmbio no comércio entre dois países.
Vamos imaginar Angola comparando o valor de um carro com os Estados Unidos. A
taxa de câmbio nominal E é 1, o valor do carro nos Estados Unidos é US$ 12.000,00, e
o valor do carro em Angola é Akz 1992.000,00. Qual será a taxa de câmbio real entre os
dois países? Substituindo estes valores na equação temos:

( )
θ= = = =0,8

Uma observação para a obtenção do resultado: simplificou-se US$ da taxa nominal de


câmbio com US$ do valor do carro nos Estados Unidos, resultando o valor em reais no
numerador.

Este valor de 0,8 da taxa de câmbio real nos aponta que o carro é 20% mais barato nos
Estados Unidos. Podemos conferir então que tratamos os valores do carro nos dois
países relativos ao preço de comércio interno dos dois países.

Seguindo ainda o exemplo, na situação de aumento do valor nominal do real com


respeito ao dólar, imaginemos que E tenha aumentado para 1,25. Isto resulta na
desvalorização da taxa de câmbio real  que será 1,0. Esta desvalorização resulta que o
produto nacional ficou relativamente mais barato que o estrangeiro, uma vez que o
resultado será AKZ 15.000,00 o valor do carro em Angola e US$ 15.000,00 nos Estados
Unidos. Diante desta situação de câmbio é interessante para Angola exportar mais e
importar menos.

1.1.3 Mudanças na demanda e oferta de moeda estrangeira e influência nos


resultados do comércio

A pergunta que temos agora é: como se determina as taxas de câmbio? Do que já


trabalhamos anteriores sobre a relação entre o lado real e o lado monetário da economia,
podemos nos basear na relação entre a quantidade de moeda na economia e o valor
atribuído, em moeda, às mercadorias. Estamos tratando então da oferta de moeda e da
demanda de moeda. É a oferta e a demanda de moeda e seu equilíbrio que determinam a
taxa de câmbio.

Na figura abaixo são representadas as curvas de oferta e demanda em dólares com


preços medidos em Kwanza. Temos no eixo vertical a taxa de câmbio , em Kwanza
por dólar. Ou seja,  mede quantos Kwanzas valem um dólar. Se você tem 2 Kwanzas e
pode comprar com isto um dólar, então  = 2 Kwanzas/dólar. No caso de  aumentar
para AKZ 2,5/dólar, o dólar aumentou em valor, o que significa a desvalorização do real
(um dólar vale mais Kwanza agora). Ao contrário, se a taxa de câmbio cai para AKZ
1,5/dólar, o Kwanza valorizou com relação ao dólar e o preço do dólar em termos de
Kwanza diminuiu.

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Desvalorização

Taxa de cambio Oferta

Akz 2,5/dolar

Akz 2/dolar

Valorização Akz 1.5/dolar Demanda

As curvas acima mostram a oferta e a demanda de dólar em Angola. A curva de oferta


mostra a quantidade ofertada de dólares a diferentes preços em kwanzas. As empresas
que exportam bens ou ativos Angolanos aos Estados Unidos trocam dólares por kwanza
para reinvestir ou utilizar a renda recebida. Outro exemplo de oferta de dólar é um
investidor norte-americano que deseja investir em Angola. Ele precisa trocar dólares por
Kwanza, porque se utiliza apenas Kwanza em Angola.

A inclinação positiva da curva de oferta significa que quando o valor do dólar em


Kwanza aumenta, os exportadores e investidores estão dispostos a vender mais dólares.

A curva de demanda representa a quantidade demandada de dólares pelos brasileiros


residentes. Os indivíduos ou empresas brasileiras que desejam comprar bens ou ativos
norte-americanos necessitam de dólares para negociar. Por exemplo, para comprar dos
Estados Unidos uma máquina da linha de montagem de eletrodomésticos, a empresa
brasileira precisa trocar reais por dólares. E quando esta compra é mais interessante?
Quando a taxa de câmbio aprecia, tornando os dólares mais baratos em relação aos
reais. Isso torna os bens e os ativos norte-americanos mais baratos para os residentes
angolanos porque passa a serem necessários menos kwanzas para comprar cada dólar.
Quando os bens e ativos norte-americanos ficam mais baratos, os residentes preferem
mais dólares.

Portanto a curva de demanda tem inclinação negativa: a quantidade total demandada de


dólares aumenta quando o preço do dólar em kwanzas cai.

Quanto ao equilíbrio do mercado de câmbio estrangeiro, no gráfico acima temos a taxa


de câmbio Akz 2/dólar. Neste ponto a disposição de negociar dólares por Kwanza é
igual à disposição de negociar Kwanza por dólares.

1.1.4 Deslocamentos das curvas de oferta e de demanda de moeda estrangeira

As mudanças da demanda e da oferta de uma moeda alteram a taxa de câmbio de


equilíbrio. O gráfico abaixo mostra como o aumento da demanda, que desloca a curva
da demanda para a direita, eleva a taxa de câmbio ou a desvaloriza. Os dólares norte-
americanos tornam-se mais caros em relação ao Kwanza quando o preço do dólar norte-
americano em termos de kwanzas aumenta.

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Taxa de cambio Oferta

Akz 2,5/dolar Oferta

Akz 2/dolar aumetada

Akz 1.5/dolar

Demanda

Dólares

Acima temos então ilustrado que um aumento da demanda de dólares aumenta a taxa de
câmbio desvalorizando-a.

Fatores que deslocam a curva de demanda de dólares em Angola:

- Taxas de juros norte-americanas mais altas levam ao aumento da demanda de dólares;

- com retornos mais altos nos mercados norte-americanos os investidores de todo o


mundo, inclusive de Angola, desejarão comprar dólares para investir em ativos norte-
americanos;

- Preços menores dos bens e dos ativos norte-americanos levam ao aumento da demanda
de dólares;

- Crises em países como Angola provocam um deslocamento da curva de demanda de


dólares para a direita, pois os investidores internacionais, diante da crise desses países
avaliam o risco dos demais países com características semelhantes, fugindo desses
investimentos e migrando para investimentos em economias desenvolvidas e mais
estáveis.

E abaixo temos apresentado o gráfico que mostra os efeitos do aumento da oferta de


dólares, um deslocamento da curva de oferta para a direita. O aumento da oferta de
dólares leva à queda da taxa de câmbio, ou à valorização.

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

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Temos no gráfico que um aumento da oferta de dólares diminui a taxa de câmbio, ou a
valoriza. Taxas de juros mais altas ou preços menores em Angola aumentam a oferta de
dólares.

E o que afeta a oferta da moeda do país? Os mesmos fatores, ou seja, taxas de juros e
preços dos bens:

- taxas de juros mais altas em Angola levam os investidores estrangeiros a comprar


títulos da dívida brasileira ou outros ativos que paguem juros. A compra dos títulos
brasileiros pelos estrangeiros exige que esses investidores ofertem dólares para obter
reais, o que causa a valorização da taxa de câmbio do real por dólar;

- preços mais baixos em Angola levam ao aumento da oferta de dólares, pois mais
estrangeiros desejarão comprar bens e ativos angolanos. Um exemplo é a queda do
preço do aço laminado angolano. Isso aumenta a quantidade demandada de aço pelos
países estrangeiros, o que implica aumento da oferta de dólares.

1.2. Taxas de câmbio AKZ/USD nos diversos mercados

1.2.1 Mercado câmbial


O ambiente onde se realizam as operações de câmbio é denominado "mercado de
câmbio", responsável por conectar os interesses dos diversos agentes em negociar
moedas estrangeiras, comprando e vendendo de acordo com suas necessidades. Os
responsáveis pelo fornecimento das moedas são agentes autorizados pelo Banco
Central para operarem em tal setor financeiro, sendo incumbidos de repassar estas
divisas aos clientes que as necessitam (empresários, empreendedores, comerciantes,
etc.).
Uma taxa de câmbio muito acima das expectativas da política monetária e cambial
indica uma oferta de moeda menor que a procura. Para uma taxa muito inferior ao
esperado, surge a indicação de que há grande oferta de moeda na praça. Cabe
nesses casos ao Banco Central intervir no mercado cambial, aumentando a oferta de
dólares, em caso de escassez da moeda e taxa alta, ou então comprando dólares dos
participantes do mercado de modo a forçar uma alta da taxa cambial.2
No I trimestre de 2014 verificou-se uma apreciação do Kwanza em relação ao dólar norte-
americano em quase todos os mercados, à excepção das casas de câmbio (em termos
médios).

Concretamente, no mercado primário, no I trimestre, a taxa de câmbio média do


AKZ/USD, registou uma apreciação de 0,007% face ao USD. De forma oposta, nos
últimos 12 meses, isto é, de Março do ano anterior a Março do ano corrente, o Kwanza
depreciou face ao USD 1,696%, em termos médios.

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Nos Bancos Comerciais, o Kwanza também se apreciou face ao USD no I trimestre de
2014 em 0,016% (Divisas) e de 0,050% (Notas). Mas nos últimos 12 meses, a taxa de
câmbio AKZ/USD depreciou-se em 1,703% (Divisas) e 1,718% (Notas), respectivamente.

No mercado informal, a taxa de câmbio média do Kwanza face ao dólar apreciou-se


0,239, em termos trimestrais. E também se apreciou nos últimos 12 meses 1,183%.

Por último, nas casas de câmbio a taxa de câmbio AKZ/USD registou depreciações de
1,437% em termos trimestrais e de 0,559% em termos homólogos.

Relativamente à evolução das taxas de câmbio no mercado cambial, refira-se que, no III
Trimestre de 2015, continuou-se a verificar uma depreciação do Kwanza em relação ao
Dólar norte-americano em todos os mercados, destacando-se o mercado das casas de
câmbio.

Particularmente, a taxa de câmbio do Kwanza face ao Dólar no mercado primário registou


uma desvalorização de 37,62% em termos homólogos, nos bancos comerciais a
depreciação foi de 37,16% no caso das divisas e de 40,41% no caso das notas. Nas
casas de câmbio, a moeda depreciou 58,19% em termos homólogos.

No que respeita às taxas de câmbio reais, verificou-se que a taxa de câmbio real do
Kwanza face ao Dólar no mercado oficial se depreciou 23,24% em termos homólogos de
2014, ao passar de 72,50 Kz em Setembro de 2014 para os 89,35 Kz em Setembro de
2015.

Entre Outubro e Dezembro de 2016, o valor do Kwanza em relação ao Dólar norte-


americano manteve-se praticamente estável no mercado primário (0,01%), depreciou-se
em 0,12% no mercado secundário de divisas, 0,48% no secundário de notas, tendo-se
apreciado 17,18% nas casas de câmbio.

Em termos homólogos, o Kwanza depreciou-se face ao Dólar norte-americano em


22,60% no mercado primário, 22,72% no mercado secundário de divisas, 34,12% no
mercado secundário de notas e 71,16% nas casas de câmbio.

No mercado primário, o Kwanza manteve a sua cotação face ao Euro em termos


trimestrais de 185,379 Kwanzas. Em termos homólogos a moeda nacional registou uma
depreciação de 25,40% face ao Dólar norte-americano.

Entre Dezembro de 2016 e Março de 2017, o valor do Kwanza em relação ao Dólar norte-
americano manteve-se praticamente fixo no mercado primário (0,005%), no mercado
secundário de divisas depreciou-se (0,289%), registou-se ainda uma apreciação

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

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acentuada nas casas de câmbio (+12,669%) e no mercado secundário de notas
depreciou-se (2,873%). A certa estabilidade registada no mercado primário e secundário
e a apreciação nas casas de câmbio reflecte o compromisso de manter o Kwanza estável
face ao Dólar norte-americano.

Em termos homólogos, o Kwanza depreciou-se 3,3% face ao Dólar norte-americano no


mercado primário, 4,1% em nível dos bancos comerciais (mercado secundário de
divisas), 13,7% (mercado secundário de notas) e 8,7% nas casas de câmbio.

No mercado primário, o Kwanza manteve a sua cotação face ao Euro em termos


trimestrais (185,39 Kwanzas por Euro) e registou uma depreciação de 3,3% em termos
homólogos; o Kwanza depreciou-se cerca de 6,0% face ao Rand relativamente ao
trimestre anterior e em 19,6%, em termos homólogos.

O Kwanza valorizou-se em 5,9% em termos reais no mercado primário face a Dezembro


e 23,3%, em termos homólogos.

No mercado secundário de notas (casas de câmbio), o Kwanza valorizou-se em 32,8%


em termos reais comparativamente ao trimestre anterior e em 34,9% em doze meses.

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

17
CAPÍTULO

Desvalorização do Kwanza

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

18
2.1 Desvalorizações do Kwanza face à economia de Angola

Angola vive desde final de 2014 uma profunda crise económica e financeira, devido à
quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, e viu o Kwanza
desvalorizar-se mais de 60%, face ao dólar norte-americano, desde então.

Quando se fala em desvalorização da moeda, fala-se da sua perda de valor resultante


de vários fatores possíveis. O termo acima referido é utilizado no mercado cambial.
Dentro do mercado cambial, o conceito de desvalorização traduz genericamente a
diminuição da cotação de uma moeda nacional face à outras moedas resultante do
decurso normal do funcionamento dos mercados, ou seja, sem que as autoridades
monetárias do país em causa interfiram nesse processo. Nesses casos, a eventual
desvalorização, que corresponde ao oposto de um fenómeno de valorização, deriva da
relação entre a oferta e a procura da moeda em causa. .
Finalmente, deve dizer-se que, por vezes, o conceito de desvalorização também é
utilizado no âmbito do poder de compra associado à moeda e ao fenómeno de
inflação. Neste contexto, fala-se em desvalorização da moeda quando se verifica
inflação relevante e, como consequência, o poder de compra dos agentes económicos
diminui tendo em conta o aumento do nível de preços.
A depreciação do Kwanza é uma medida que vinha sendo defendida por empresários
angolanos, como forma de reduzir se a crescente procura por dólares no mercado.
José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), já defendeu uma
desvalorização na ordem dos 8%, média que se equipara ao crescimento actual do
sector produtivo.
A desvalorização do Kwanza nestas proporções era uma forma que o presidente da
AIA apontava para se travar a "acentuada" diferença entre a taxa de câmbio definida
pelo BNA e os valores praticados no mercado informal, aonde a nota de 100 USD
chega a ser comprada a 20 mil Kwanzas.
A última desvalorização 'brusca' do Kwanza ocorreu em Outubro de 2009 - situou-se
em cerca de 20%. Mas, ao contrário do que então sucedeu - a desvalorização
decorreu da realização de leilões de preços competitivos (comprava quem pagava
mais) -, a desvalorização de sexta-feira passada terá sido menor porque foi realizado
através de sessões de venda directa aos bancos, com um preço definido pelo BNA, o
que demonstra a sua preocupação em procurar controlar a estabilidade dos preços.

É certo que boa parte dos produtos e serviços que consumimos no mercado nacional
advém de países estrangeiros o que é rotulado de importações. Importa realçar que,
que as exportações, contribuem para o crescimento econômico ao passo que as
importações são um fator que subtrai do crescimento da economia. Mas é precisso
reconhecer que, a nossa produção não é suficiente para abastecer pelo menos 60%
do mercado por vários factor como, a produtividade, competitividade, fraca agricultura,
recursos humanos, energia, transportes etc., só para citar estes.

Por outro lado, a procura internacional pelos bens e serviços de um país é um


ingrediente importante para estimular o crescimento econômico, faz sentido, segundo
este pensamento, fazer com que os bens e serviços produzidos localmente sejam
atraentes para os estrangeiros. Uma das maneiras de fazer com que os bens
domesticamente produzidos sejam mais procurados por estrangeiros é fazendo com
que os preços destes bens sejam mais atraentes para eles. Como é do conhecimento
geral Angola está longe desta realidade devido os vários factores conhecidos.

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

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2.2 Causas da desvalorização do Kwanza

Uma das principais causas da desvalorização da moea é a oferta abundante da


mesma. Quando o BC emite moeda sem que haja um aumento real na econmia
(aumeto da produção e cnsequentemente na renda) causa uma inflação e se
desvalorizando em relação às outras medas, percebe-se que os juros caiem.
Pois, é do nosso conhecimento que a moeda é uma representação da riqueza de um
país e deve ser emitida quando há um aumento nas transações causadas pelo
crescimento do produto e que a velocidade de circulação da moeda ja não é o
suficiente para sastifazer as necessidades de moeda para transações.

Por esse motivo, se ouvirmos por ai os politicos dizendo que vai aumentar o salário
para tantos milis, isto quer dizer eu pasaremos pagando mais pelos produtos e
serviços a que viermos utilizar.
Menor demanda por moeda também irá desvaloriza-la. Um país que possui uma
balança comercial positiva (exporta mais do que importa) tende a ter sua moeda
valoreizada, ja que o que se exporta aqui terá que ser pago com moeda local e ai
haverá uma crescente demanda de nossa moeda, mas ao contrario, um país com
déficit na balança comercial tenderá a demantar mais moeda estrangeira e sua moeda
será pouco procurada.
Sendo assim, as causas da desvalorização da moeda são:
1) Oferta de moeda maior que a procura e vice-versa;
2) Défcit na balança comercial;
3) inflação( está relacionada com a primeira causa);
4) O crescimento negativo do PIB (Produto Interno Bruto)

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

20
2.3 consequências da desvalorização do Kwanza

Este estudo, de cariz breve, pretende apresentar algumas consequências da


desvalorização cambial num país, pelo que podemos e devemos aproveitar os
exemplos seguintes para replicar as possíveis e mais que prováveis consequências
em Angola.

1. Aumento dos preços

Essa é a consequência mais imediata e mais visível.

Uma moeda fraca, exemplo do Kwanza, que é uma moeda sem circulação monetária
fora das fronteiras da República de Angola, longe de afectar exclusivamente os preços
dos bens e serviços importados, afecta também todos os preços internos, inclusive
dos bens produzidos nacionalmente. A razão é óbvia: se a moeda enfraquece em face
de outras moedas congéneres estrangeiras, isso significa, por definição, que passa a
ser necessário ter uma maior quantidade de moeda nacional para adquirir o mesmo
bem ou serviço importado.

Bens produzidos nacionalmente também encarecem, pois as indústrias produtoras


utilizam bens e serviços importados ou, no mínimo, peças importadas.

Uma simples firma que utiliza computadores e precisa continuamente de comprar


peças de reposição vivenciará um grande aumento de custos.

Pior ainda: Os preços dos alimentos são diretamente afetados pela desvalorização da
moeda.

Consequentemente, as empresas e produtores angolanos dessas matérias-primas


passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo, gerando uma
diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus preços pela
escassez de bens e serviços em Angola.

A desvalorização cambial mexe com toda a estrutura de preços da economia,


aumentando a taxa de inflação, reduz o poder de compra dos consumidores, gera
aumento das taxas de juro do banco central, encarecendo o preço do dinheiro na
banca comercial, entre outras consequências directas e indirectas.

2. Falta de estímulo para o investimento

Qualquer moeda é antes de tudo um meio de troca, substituindo a troca directa de


bens por bens, como era feita há muitos séculos atrás. É através da moeda corrente
que permite os cálculos de custos e proveitos de projectos e investimentos.

Sendo o Kwanza uma moeda de circulação fechada, instável, sendo das moedas que
mais caiu em valor em 2015 e já no ano de 2016 teve num só dia a oportunidade de
cair 15% (04/01/2016), tal comportamento cambial influencia negativamente a vontade
de investir num país com este critério depreciativo.

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Quando investidores investem — principalmente os estrangeiros —, eles estão, na
prática, comprando um fluxo de renda ou lucro futuro. Para que investidores (nacionais
ou estrangeiros) invistam capital em actividades produtivas, eles têm de ter um mínimo
de certeza e segurança de que terão um retorno positivo.

Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição


é flutuante, há apenas incerteza no lado do investidor, independemente da sua
origem. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de
conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem
menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos num curto espaço de tempo,
também por isso os preços e margens aplicadas em Angola terão que ser
necessariamente maiores para compensar possíveis desvalorizações da moeda.

Para países em desenvolvimento como Angola, que precisam de investimentos


estrangeiros, essa questão da estabilidade da moeda é crucial, tal como o ponto
seguinte: o conhecimento.

E há outro factor: uma moeda estável cria as condições necessárias para a


transferência de conhecimento. O conhecimento acompanha o investimento: o capital
estrangeiro vem acompanhado de conhecimento estrangeiro.

Se um país desvaloriza continuamente a sua moeda, ele está mandando um sinal


claro aos investidores estrangeiros: mantenham o seu capital e conhecimento noutros
países.

O máximo a que um país de moeda fraca pode aspirar é utilizar para fins de curto
prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot Money").

Um país de moeda forte e estável envia um sinal bem diferente ao mundo: "tragam
seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam as suas fábricas aqui;
ensinem-nos tudo o que vocês sabem; e riqueza que vocês criarem aqui voltará para
vocês multiplicada e numa moeda que mantém seu valor".

E é exactamente por isso que uma moeda forte e estável é indispensável para o
crescimento económico. Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos
para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para
financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe. O investimento em tecnologia
é maior. O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior. O investimento
em infraestruturas é maior.

Quando a moeda é instável — ou passa por períodos de forte desvalorização, os


investidores preferem refugiar-se em investimentos tradicionais e mais seguros, como
títulos do governo, ouro, etc. Neste cenário, não há segurança para investimentos de
longo prazo, que são os que mais criam riqueza.

É exactamente por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta
desvalorização, (alta inflação de preços), são raros os investimentos vultosos de longo
prazo. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os
juros são altos. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta
desvalorização, os bens produzidos são de baixa qualidade. É por isso que, em países
cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, as pessoas são mais pobres.

Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos.

Desvalorização do Kwanza Luanda 10 de Novembro de 2017

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3. Desindustrialização

Segundo os alguns economistas, a desvalorização do câmbio é o segredo para


impulsionar a indústria e o sector exportador de qualquer país.

Ao desvalorizar-se o câmbio, segundo eles, as exportações são estimuladas e,


liderada por um aumento nas exportações, a indústria volta a produzir e, por
conseguinte, toda a economia volta a crescer.

O primeiro grande problema é que, no mundo globalizado em que vivemos, vários


exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, os
seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de várias
partes do mundo. Uma mineradora e uma siderúrgica têm de utilizar maquinaria de
ponta para fazer seus serviços. E elas também têm de comprar, continuamente, peças
de reposição. O mesmo vale para qualquer indústria.

Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem — e


irão aumentar —, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no
mercado internacional.

Em causa não é apenas o aumento dos custos de produção gerado pela


desvalorização da moeda.

Como explicado no item 1, a desvalorização cambial faz com que haja um aumento
generalizado dos preços. Consequentemente, o poder de compra real das pessoas
diminui. Com a renda em queda, as pessoas consomem menos. Consequentemente,
as vendas do comércio diminuem e os stocks acumulam-se nos armazéns, nas lojas,
etc.

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2.4 Impacto da desvalorização do Kwanza

No sistema financeiro actual, a causa principal da desvalorização está na


demanda/oferta de moeda no mercado. A acção típica causadora da desvalorização é
a emissão de notas superior a real necessidade do mercado. Quando o dinheiro a
circular no mercado é superior àquele que realmente o mercado necessita.

No nosso caso específico, o Kwanza está desvalorizado perante o USD porque a


quantidade a circular no mercado é muito superior a quantidade de USD disponível.

Os efeitos da desvalorização da moeda na economia de um país são vários,


dependendo do nível de importação e exportação. De um lado, a desvalorização torna
a importação muito mais cara. Comprar com moeda nacional bens avaliados em
moeda estrangeira torna-se mais custoso, porque esta já perdeu o peso que tinha
perante a moeda estrangeira. Este custo elevado na importação de bens provoca
inevitavelmente um efeito também na inflação, ou seja, no aumento dos preços dos
bens e serviços. Por outro lado, a desvalorização torna muito mais conveniente a
compra dos bens não importados e produzidos localmente. Comprar bens de um país
onde a moeda está desvalorizada torna-se muito mais conveniente, o que facilita a
exportação.

No nosso caso específico, com a desvalorização do Kwanza, os bens e serviços


produzidos em Angola tornam-se mais baratos para quem vive cá, enquanto os bens e
serviços produzidos no exterior tornam-se muito mais caros. Em menos de um ano, o
Kwanza sofreu uma grande desvalorização. Bens que, custando 1000,00 USD, há um
ano importavam-se com 107.000,00 Kz, hoje são necessários 155.000,00 Kz, estando
ao câmbio oficial estabelecido pelo BNA. Ao câmbio informal, que na verdade
representa o câmbio real, para a compra dos mesmos bens são necessários
420.000,00 Kz, o que demonstra uma tremenda desvalorização da moeda nacional.
Sendo o nosso um país que vive quase exclusivamente de importação, a
desvalorização da moeda nacional comporta enormes desvantagens para o orçamento
do país e para a população, que inevitavelmente.

Vê-se obrigada a enfrentar a subida quase irrefreável dos preços. Sendo também um
país que produz pouquíssimo internamente, muito pouco tem para exportar. Um dos
poucos sectores que podem sair beneficiados da presente desvalorização do Kwanza
é o turismo, com o incentivo ao turismo interno e a vinda de turistas estrangeiros para
o país. Com a desvalorização também se dá um incentivo ao investimento estrangeiro,
o que, porém necessita de outra série de factores para se poder efectivar.

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3. CONCLUSÃO

Dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, a


saúde da moeda irá determinar a saúde de toda a economia. Se a moeda é instável, a
economia também se torna instável.

Não há como uma economia se fortalecer se a sua moeda está enfraquecendo.

Essa destruição do poder de compra da nossa moeda tem de acabar. A carestia que
estamos vivenciando hoje não será resolvida enquanto o Kwanza não voltar a se
fortalecer. É impossível ter uma carestia minimamente tolerável se a sua moeda é
gerenciada por incompetentes.

Moeda desvalorizada não apenas não traz pujança a um país, como ainda é sinal de
debilidade econômica e de empobrecimento. Ninguém fica rico utilizando uma moeda
que compra cada vez menos. Isso é tão óbvio, que aparentemente não é necessário
ter doutorado em economia para ser capaz de entender isso.

Um país que possui uma balança comercial positiva (exporta mais do que importa)
tende a ter sua moeda valoreizada, ja que o que se exporta aqui terá que ser pagas
com moeda local e ai haverá uma crescente demanda de nossa moeda, mas ao
contrario, um país com déficit na balança comercial tenderá a demandar mais moeda
estrangeira e sua moeda será pouco procurada, como o caso de Angola onde as
exportações são maiores do que as importações.

Perante os factores apresentados acima, pode-se concluir que para o contexto


nacional, é mais conveniente termos uma moeda forte e valorizada, e não um
―Kwanza Burro‖, como de momento é vulgarmente chamado à moeda nacional.

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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

www.google.com
BNA, Relatório de Inflação, I trimestre, 2014-2017.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_econ%C3%B4mica
Entrevistas, observação e debates.
IV Jornada técnico-cientifica da FECUAN-2017
Jornal Mercado

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