Você está na página 1de 40

Publicado em

Espanhol
Francês
Inglês
Português

A vida: Um dilema
químico?
Ouvindo a tristeza
Quão confiavel é a
Bíblia?
Dados e interpretaç o:
Sabendo a diferença
Volume 13
Meu escape do mundo
Número do oculto

3
Conteúdo Diálogo Universitário, um
periódico internacional de fé,
pensamento e ação, é publicado
Editorial Artigos três vezes por ano em quatro
3 Dia11 de setembro de 2001 e edições paralelas (espanhol, francês,
outros três dias inglês e português) sob o patrocínio
— John M. Fowler da Comissão de Apoio a
5 A Vida: Um dilema químico? Universitários e Profissionais
3 Cartas Por que o materialismo científico Adventistas (CAUPA), organismo da
Associação Geral dos Adventistas do
Perfis é inadequado como cosmovisão Sétimo Dia: 12501 Old Columbia
Pike; Silver Spring, MD 20904-6600;
20 Gwendolyn Winston Foster E.U.A.
— Vikki Montgomery — Clifford Goldstein
22 Michael Comberiate 9 Ouvindo a tristeza ´
VOLUME 13, NUMERO 3.
— Kimberly Luste Maran Copyright © 2001 pela CAUPA.
Reexaminando a depressão crônica Todos os direitos reservados.
Logos ´
à luz da graça de Deus. DIALOGO afirma as crenças
24 Caleb’s finest hour fundamentais da Igreja Adventista
— Roy Gane — Siroj Sorajjakool do Sétimo Dia e apóia sua missão.
Os pontos de vista publicados na
Resenha de Livro—Artigo 12 Quão Confiavel é a Bíblia? revista, entrtanto, representam o
26 Demolindo os icones da evolução Teorias humanas podem surgir e desaparecer, mas
pensamento independente dos
— Earl Aagaard autores.
“a palavra de nosso Deus permanece eternamente”. Equipe Editorial
Ponto de vista
Editor-chefe: Humberto M. Rasi
28 Êtica para cientistas: um chamado — Alberto R. Timm Editor: John M. Fowler
para responsabilidade Editores-Associados: Alfredo García-
— Katrina A. Bramstedt
15 Interpretação de dados: Marenko, Richard Stenbakken
Conhecendo a diferença Gerente Editorial: Julieta Rasi
Livros Interpretações opcionais e múltiplas de dados não
Consultores: James Cress, George
30 Jewelry in the Bible (Rodríguez) Reid
— Eloy Wade Editor de Texto: Beverly Rumble
são apenas possíveis, mas comprováveis. Secretária editorial: Esther Rodriguez
30 La perfección cristiana (Zurcher) Edições Internacionais: Julieta Rasi
— Edgar J. Escobar Suárez — Elaine Kennedy Secretárias editoriais internacionais:
31 Lutherans & Adventists Corinne Hauchecorne and Louise
Geiser (Francês)
in Conversation César Luís Pagani (Português)
— Rolf J. Poehler Representantes Regionais Julieta Rasi (Espanhol)
31 Secrets of Daniel: Wisdom and Dreams Divisão Afro-Oceano Índico: Japheth L. Agboka; Endereço: 22 Correspondência Editorial:
Boite Postal 1764. Abidjan, Costa do Marfim. E-mail: 12501 Old Columbia Pike
of a Jewish Prince in Exile (Doukhan) 102265.3722@compuserve.com
— Winfried Vogel Silver Spring, MD 20904-6600;
Divisão da África Oriental: Hudson I. Kibuuka. Endereço: E.U.A.
H.G.100, Highlands, Harare, Zimbábue. E-mail: Telefone; (301) 680-5060
Em Ação 100076.3560@compuserve.com Fax: (301) 622-9627
33 A Missão Maranhão no Brasil celebra Divisão Euro-Africana: Roberto Badenas. Endereço: P.O.Box 219, E-mail 74617.464@compuserve.com
tres seminários para estudantes 3000 Bern, 32 Suíça. E-mail: 74617.1776@compuserve.com ou
Divisão Euro Asiática: Heriberto Muller. Endereço: Krasnoyarskaya 104472.1154@compuserve.com
universitários Street 3, Golianovo, 107589 Moscou, Federação Russa.E-mail:
— Otimar Gonçalves hcmuller@esd-rda.ru Comissão (CAUPA)
33 Estudantes Universitários da Divisão Interamericana: Carlos Archbold e Bernardo Rodríguez. Presidente: Léo Ranzolin
Tanzânia Este celebram um retiro Endereço: P.O.Box 140760, Miami, Fl 33114-0760, E.U.A. E-mail: Vice-Presidentes: Baraka G.
74617.3457@compuserve.com & jovenes@interamerica.org Muganda, Humberto M. Rasi,
em Dar-es-Salaam Divisão Norte-Americana: Don Hevener e Richard Stenbakken.
— Christopher Mwasinga Richard Stenbakken
Endereço: 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, MD 20904- Secretária: Julieta Rasi
6600, E.U.A. E-mail: donhevener@cs.com & Members: John M. Fowler, Jonathan
Primeira Pessoa 74532.1614@compuserve.com Gallagher, Alfredo Garcia-
34 Livre afinal! Divisão Norte-Asiática do Pacífico: David S. F. Wong. Endereço: Marenko, Clifford Goldstein,
— Joe Jerus Koyang Lisan, P.O. Box 43, 783 Janghang-Dong, Lisan-Gu, Bettina Krause, Kathleen Kuntaraf,
Koyang City, Kyonggi-do 411-600, República da Coréia. E-mail: Vernon B. Parmenter, Gerhard
Inserção Intercâmbio dsfwong@ppp.kornet21.net Pfandl, Virginia L. Smith, Gary B.
Divisão Sul-Americana: Roberto de Azevedo e José M.B. Silva. Swanson
Endereço: Caixa Postal 02-2600, 70279-970 Brasília, DF, Brasil. E-
mail: educa@dsa.org.br CORRESPONDÊNCIA SOBRE
Divisão do Sul do Pacífico: Gilbert Cangy e Nemani Tausere. CIRCULAÇÃO: Deve ser dirigida ao
Endereço: Locked Bag 2014, Wahroonga, N.S.W. 2076, Austrália. Representante Regional da CAUPA
E-mail: Gilbert_Cangy@SDASPD.adventist.org.au & na região em que reside o leitor. Os
Ckingston@adventist.org.au nomes e endereços destes
União Sul-Africana: Jongimpi Papu. Endereço: P.O.Box 468, representantes encontram-se à
Bloemfontein 9300, Free State, África do Sul. E-mail: esquerda.
papu@freemail.absa.co.za
Divisão Sul-Asiática: Justus Devadas. Endereço: P.O.Box 2, HCF ASSINATURAS: US$12.00 por ano
Hosur, Tamil Nadu, 635110 Índia. E-mail:sudedn@vsnl.com (três números, via aérea). Ver
Divisão Sul-Asiática do Pacífico: Oliver Koh. Endereço: P.O.Box cupom na pág. 19 para detalhes.
040, Silang, Cavite 4118, Filipinas. E-mail: okoh@ssd.org
Divisão Trans-Européia: Paul Tompkins e Orille Woolford.
Endereço: 119 St. Peter’s Street, St. Albans, Herts., AL1 3EY Diálogo tem leitores em
Inglaterra. E-mail: 74617.1257@compuserve.com &
2 71307.1432@compuserve.com
113Diálogo
países 13:3
ao redor
2001do
mundo.
Dia 11 de setembro de
2001 e outros três dias Cartas
U
m dia que mudou o mundo”, proclamavam as manchetes de jornais por toda a Uma vantagem especial
Terra. Assim foi e assim será quando a história transformar o sangue daquele dia Conheço Diálogo desde meu primeiro
numa crônica da arrogância do mal. Nunca mais seremos as mesmas pes soas no ano como estudante numa escola públi-
modo como pensamos, fazemos compras, conversamos, viajamos, adoramos ou apenas ca. Recebíamos a revista como membros
vivemos. Quando aquilo que era bom, uma criação da mais fina inteligência e tecnologia do clube local CAUPA, e ficávamos ani-
humana, foi usado para fazer desabar as torres gêmeas de Nova Iorque, transformando os mados ao saber que outros estudantes
edifícios de aço e vidro num inferno para milhares de homens e mulheres inocentes, e adventistas eram também fieis em hon-
desenhando uma imagem de terror e incerteza ao redor do mundo. rar o sábado do sétimo dia, deixando de
A iniqüidade, em sua forma destilada, escrevia sobre os céus de uma grande cidade a assistir às aulas ou de fazer exames nesse
profética mensagem que ecoou como trovão séculos atrás: “Enganoso é o coração, mais dia. Nosso clube era muito ativo nas ig-
do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jer. 17:9). rejas locais, participando de programas
Para compreender isso precisamos volver-nos a outro dia que mudou o mundo. Infinit- de jovens, visitando doentes nos hospi-
amente pior em profundidade e escopo, em termos de tempo e espaço, foi o dia que trouxe tais e cantando para os membros do cor-
o conflito cósmico entre o bem e o mal à Terra, quando essa ainda estava em sua infância. po docente da universidade em suas ca-
Saber o que ocorreu naquele dia propicia ao cristão um entendimento mais profundo sas. Agora, como enfermeira registrada
da natureza do mal, em tempos como estes em que o terror nos deixa estupefatos, de- num hospital adventista, continuo len-
spindo-nos da inocência e desafiando-nos a compaixão. do a revista. Uma vantagem especial da
O primeiro dia que mudou o mundo raiou no lar perfeito de nossos primeiros pais. O Diálogo é a possibilidade de trocar corre-
Éden não era somente o lugar mais bonito de toda a criação de Deus; era também um spondência com os autores dos artigos e
símbolo majestoso do amor divino, onde o Criador comungava com Suas criaturas os entrevistados. Eu os congratulo por
numa base pessoal, face a face. Mas o mal, total e focalizado, tomou a forma de uma essa brilhante idéia.
serpente, bateu asas rumo à beleza e a perfeição da criação de Deus, e foi chocar-se con- Marqueza Bulahan
tra a inocência de Adão e Eva. Arrebatou a ligação direta que o Criador tinha com os Mindanao Sanitarium &
seres humanos e seqüestrou o mundo, levando-o a uma rota diabólica de pura in- Hospital
iqüidade, manifesta em milhares de formas ao longo dos corredores da história. Caos, Iligan City, FILIPINAS
assassinato, ódio, divisões entre os seres humanos, desespero solidão, sofrimento pes-
soal e coletivo tornaram-se a sorte dos viajantes deste planeta. O desafio da Janela 10/40
O clamor do Éden é uma mensagem simples: Deus não é responsável pelo mal neste O desafio de alcançar milhões de pes-
mundo. Ele ama o solitário, enxuga as lágrimas, cuida da viúva e do órfão, conforta o en- soas que vivem na Janela 10/40 (12:2)
lutado, compartilha a dor. Quem, então, é responsável por esse terror público e pela agonia fez em mim profunda impressão. Eu não
particular? Jesus nos deu uma breve resposta: “Um inimigo fez isto.” (Mateus 13:28) O in- estava consciente de que 40% da popu-
imigo que se empenha num combate mortal contra tudo quanto é bom e justo, o inimigo lação mundial não tinha ainda ouvido
que seqüestrou este mundo no Jardim do Éden, o inimigo que está ainda em ação, lançan- as boas-novas de Jesus Cristo e Sua sal-
do dúvidas sobre a bondade e o amor de Deus, lançando a semente da rebelião contra a vação. O artigo ajudou-me a orar mais
verdade e a justiça; o inimigo que buscou destruir o Filho de Deus no Gólgota e na cruz. inteligentemente pelas iniciativas que
Esse foi o segundo dia que mudou o mundo. Satanás tentou destruir o Filho de Deus visam a levar o evangelho àquela vasta
que sobre a cruz buscava renovar a linha de ligação entre o Criador e a humanidade decaí- área do mundo.
da. A torre da cruz devia ligar o Céu e a Terra, e Satanás pensou que havia tido êxito em Ileana Cobas
sua missão quando o Filho clamou: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Havana, Cuba
(Mateus 27:46) Deus, porém, não desamparara Seu Filho. A resposta ao terror e à contam-
inação de Satanás veio no dia da Páscoa, quando o Filho ergueu-Se em triunfo sobre a Argumentos e
morte e o pecado, e pôde oferecer a toda a humanidade redenção e reconciliação. encorajamento
Contudo, um terceiro dia em breve virá, o dia em que todo traço de maldade com Eu gostava de ler Diálogo quando
seu terror e temor, será erradicado de todo o Universo e não mais se levantará. estudava teologia numa escola adventis-
A resposta para a maldade sobre os céus de Nova Iorque e a maldade no coração e ta. Contudo, perdi contato com a revista
habitação humanos advirá, em breve, naquele dia final quando Jesus descer dos céus e depois de começar meus estudos na Uni-
a poderosa voz de Deus proclamar: “Está feito!” (Apocalipse 21:6) Feito com lágrimas. versidade Federal da Paraíba. Junta-
Feito com terror. Feito com maldade. Feito com morte. mente com outros estudantes univer-
A esse dia de esperança devemos nos apegar, mesmo ao defrontarmos estes tempos sitários adventistas, enfrento o desafio
de desesperança.
Segure-se a essa esperança, compartilhe-a, viva-a. Maranata!

Diálogo 13:3 2001 3


Cartas
diário das ideologias e filosofias con- mundo. Cada número da revista me en-
trárias a nossas convicções bíblicas. Pre- riquece intelectual e espiritualmente.
cisamos ter acesso a argumentos intelec- Obrigada!
tuais em favor de nossa fé, e ao encoraja- Andrea de Stael Ladislas
mento espiritual que Diálogo provê. Vaureal, FRANÇA
Como poderíamos obter a revista?
Gianna Gomes Ferreira Selo russo mostra igreja
Pernambuco, BRASIL adventista
Os leitores que apreciaram o artigo
Os editores respondem: sobre selos com temas adventistas, na
Temos o prazer de enviar-lhe um exem- Diálogo 13:2, estarão interessados em sa-
plar da Diálogo para mantê-la ligada Ë nos- ber que em julho de 2001, o serviço
sa revista. Para obter números futuros, você postal russo emitiu um selo mostrando
deverá contatar o diretor do Ministério Jo- o edifício de uma igreja adventista do
vem ou de Educação de sua União, que são sétimo dia em Ryasan, Rússia. O selo ad-
os responsáveis pela distribuição gratuita da ventista é parte de uma série de 14 selos patrocínio do programa de televisão ad-
Diálogo entre estudantes adventistas que que mostram lugares de culto de diver- ventista Faith for Today, e concluída em
freqüentam universidades públicas em seu sas religiões reconhecidas na Rússia. 1996. Sua arquitetura atraente é típica
território. A segunda opção é escrever a nos- Além das igrejas cristãs mostradas das igrejas protestantes na Rússia.
sos representantes regionais listados na pá- (Armênia Ortodoxa, Batista, Católica, Grande parte do trabalho foi feita por
gina 2, que lhe dirão como receber a revista Luterana, Pentecostal, Russa Ortodoxa e adventistas locais e voluntários de outros
novamente. Se todos esses contatos não der- Adventista do Sétimo Dia), a série inclui países. Acima da igreja há uma ilustração
em resultado, você poderá subscrever a Diál- edifícios religiosos de diferentes fés: representando a cruz, os três anjos de
ogo usando o cupom que se encontra em budista, judaica e maometana. Apocalipse 14 e o logotipo adventista.
cada número. Que Deus a abençoe em seus O serviço postal russo emitiu 340.000 Essa é a primeira vez na história da
estudos e fortaleça sua confiança nEle. estampilhas da série, com o valor de Rússia que uma igreja adventista do séti-
2,50 rublos (aproximadamente 11 cen- mo dia foi retratada em selo. O país re-
Enriquecida intelectual e tavos americanos) cada. conhece o papel construtivo que nossos
espiritualmente A iniciativa de produzir a série veio membros desempenham na sociedade,
Como a única estudante adventista do escritório de negócios religiosos do na agricultura, comunicação, educação,
de minha escola, por vezes sinto-me lut- Presidente V. V. Putin, para coincidir saúde, publicações e programas religio-
ando contra um sentimento de solidão. com o programa de atividades religiosas sos.
Contudo, Diálogo é uma amiga bem-vin- celebradas durante o verão de 2001, no Valerie Uvanov
da, que me mantém em contato com Centro Russo de Exposições em Moscou. Moscou, RÚSSIA
muitos adventistas em outras partes do A igreja de Ryasan foi construída sob o communication@esd-sda.ru

Cristão
Escrevam-nos!
Pertenço a uma igreja que Apreciamos seus comentários, reações
Tenho de Que aconteceu
decorar os três com os outros crê na adaptação de suas e perguntas, mas limitem suas cartas a
mandamentos sete? normas aos valores 200 palavras,. Escrevam para Dialogue
até o próximo mutáveis de nossa Letters: 12501 Old Columbia Pike; Silver
sábado. sociedade. Spring, MD 20902-6600, EUA. Podem
também usar o fax: 301-622-9627, ou
© Joel Kauffmann

E-mail: 105541.3200@compuserve.com.
As cartas selecionadas para publicação
poderão ser resumidas por necessidade
de clareza ou espaço.

4 Diálogo 13:3 2001


A vida: Um dilema
químico?
U
by Clifford Goldstein ma árvore desfolhada, uma estra- das, náufragas numa existência que ode-
da rural e dois homens sem-teto iam mas da qual não conseguem es-
lutando pela sobrevivência. É noite capar. Nem estão seguros de que devem
e tudo está envol to nas profundezas das tentar, por contarem com a promessa de
sombras dessa parte do planeta. Vladimir e que Godot virá. O fato de que Godot
Estragon esperam por uma misteriosa figu- nunca chega pouco importa; o que im-
ra, cuja promessa de vir os motiva a con- porta é a promessa de que ele o fará.
tinuarem existindo. Ao permanecerem em A peça de Beckett representa a polêmi-
sua atávica esperança de que Godot ca anticristã mais cruel desde as ácidas
Por que o materialismo chegue, um cortejo de sofrimento hu- invectivas de Voltaire, no século XVIII. É
mano passa em tropel diante deles. Ente- difícil imaginar qualquer cristão sério que
diados, não tanto por toda a dor, mas pela creia na Segunda Vinda, não se sentindo
científico é inadequado inutilidade da vida, eles buscam alternati- caricaturado, em alguma medida, na
va fazendo o bem, tal como erguer um patética tentativa de Vladimir e Estragon
cego que havia tropeçado e caído ao chão. de equilibrar seus temores e dúvidas a re-
como cosmovisão “Vamos, comecemos a trabalhar”, in- speito do sofrimento humano, com o
centiva Vladimir. “Num instante tudo se conceito de um Deus amorável e todo-
dissipará e novamente estaremos sozin- poderoso que prometeu vir para acertar
hos no meio do nada!” todas as coisas, mas nunca aparece.
Ao Vladimir estender mão, porém, cai Todavia, a tragicomédia de Beckett
e não consegue erguer-se. A despeito de em dois atos não faz pouco caso apenas
mais promessas de que Godot virá, eles da promessa, mas da vida sem a promes-
novamente se inclinam para a morte, sa, a promessa de algo além da Terra. O
desta vez planejando enforcar-se. Contu- que é pior? Uma falsa esperança ou espe-
do, não dispondo de uma corda, Estragon rança alguma? Conquanto implacável
toma o cordel que lhe segura as calças, para com a Segunda Vinda, “Esperando
mas essas desabam sobre seus tornozelos. Godot” é pior ainda para com a vida des-
Testando a força do cordel, eles puxam; umanamente brutalizada do secularista
esse se rompe e ambos quase caem. Deci- que existe tão-só para manter-se vivo. Ao
dem então encontrar uma corda melhor e ridicularizar a obtusa caricatura do viver
tentam novamente... mais tarde. alheio a um propósito final, Beckett
“Amanhã nos enforcaremos?”, pergun- lança uma indagação que tem dominado
ta Vladimir? “E se Godot não chegar? E se o mundo pós-cristão: Como se vive uma
ele vier?”, indaga Estragon. “Seremos sal- existência destituída de significado?
vos?” Godot, logicamente, nunca chega, A vida é por demais complicada,
o que significa que eles nunca se salvam. muito cheia de armadilhas e ardis ines-
Certamente não se supõem que isso perados para valer a pena ser vivida.
jamais ocorreria, razão por que, desde Quando as pessoas não têm qualquer pis-
sua primeira exibição no Theatre de ta quanto ao propósito de sua existência,
Babylone, em Paris, em 1953, a peça de quando apenas podem esboçar hipóteses
Samuel Beckett, “Esperando Godot” 1, se nebulosas de suas origens, quando tudo
encerra com aquelas duas almas atrofia- quanto se pode fazer é especular sobre o

Diálogo 13:3 2001 5


que advém com a morte, então causa ad- equilíbrio entre ambos ao final da história, interior se seque e entre em decadência.
miração imaginar como os seres hu- não existe (em última instância) e não A morte é um inimigo impossível de ser
manos ainda assim se dispõem a viver. pode existir (pela lógica). É um ou outro, caçado e destruído porque é feito daqui-
não ambos. Nenhuma das arquiteturas lo que somos. Num universo materialis-
O Drama filosóficas dessas visões é tão condensada- ta e de dimensão única, a vida e a morte
Como escreveu Francisco José mente tecida, tão perfeitamente acondi- são somente diferentes ingredientes da
Moreno, “não podemos nem libertar-nos cionada, para que até seus mais fiéis adep- mesma sopa. Os vivos são tão-só uma
da certeza da morte, nem conseguir en- tos deixem de tropeçar nas extremidades versão pubescente dos mortos.
tender a vida.”2 Quão incrível é que algo soltas. Não importa quão firmemente fun- O filósofo pré-socrático Protágoras de-
tão básico, tão fundamental como a vida, dida possa estar cada uma delas com suas clarou: “Com respeito aos deuses, se eles
não possa sequer ser justificado e muito crenças, ainda são somente crenças subje- existem ou não, eu não sei, devido à di-
menos explicada sua própria existência. tivas, encontros com os fenômenos, meras ficuldade do tópico e a brevidade da vida
Um dia nascemos e por fim nos consci- opiniões sempre maculadas pelo que foi humana.”3 Desde então, e ao longo dos
entizamos de nós mesmos, sendo a dor, tecido nos genes durante a concepção, ou pressupostos materialísticos da ciência
a fome e o temor muitas vezes nossas pelo que está borbulhando no ventre moderna, uma cosmovisão materialística
primeiras sensações ou auto-percepção. naquele instante particular do pensamen- teve uma longa história (em termos de
Recebemos algo que nenhum de nós bus- to. A crença, por fim, não tem qualquer tempo) mas escasso número de adeptos.
cou, planejou ou aceitou; não estamos peso sobre a verdade ou a falsidade de seu Somente nos últimos cento e poucos
seguros do que seja, do que significa, ou objeto. Não importa quão fervorosa, ela anos, porém, o secularismo erigiu todo o
mesmo por que o temos; esse algo é não pode tornar o falso verdadeiro, nem o edifício do pensamento ocidental, com
muito real e de ação imediata. Dor, triste- verdadeiro falso. O que é falso nunca exis- os líderes científicos e intelectuais procla-
za, perda, temor, permanecem absurda- tiu, mesmo quando apaixonadamente mando-o com o fervor dos cruzados.
mente inexplicáveis. Não obstante, ape- possamos crer que sim; o que é verdadeiro, Concebido sobre as ruínas da revolução
gamo-nos à vida mesmo tendo de perdê- em contraste, permanece, mesmo após cromwelliana do século XVII, nascendo
la de algum modo. É tudo isso quanto termos há muito deixado de crer nele. dos férteis ideais do Iluminismo, nutrido
está envolvido na existência humana? pela deusa da razão e encorajado invol-
“Esperando Godot” dividiu a real- Onde estamos? untariamente pelos chamados cristãos de
idade em duas esferas. A primeira é a Com seus cinco desprezíveis person- mente aberta e intelectuais, o secularis-
mecaniscista, ateísta e secular. Aqui as ver- agens num cenário estéril, Samuel Beck- mo alcançou sua maturidade no século
dades existem somente como equações ett dramatizou o dilema mais imediato XX. Agora está tão inserido na cultura
matemáticas; são amorais. A segunda é es- do Ocidente: Deus está morto, assim, ocidental, que temos de desviar os olhos
piritual. Transcende uma realidade unilat- aonde isso leva aqueles que foram criados de suas órbitas para ver os efeitos que ex-
eral e proclama que a verdade não se orig- à Sua imagem? Para Beckett, são deixados erceu sobre nossas mentes.
ina na criação, mas no Criador. No entre duas duras cadeias: uma, Cristo não Nunca antes houve movimento tão
primeiro caso, o ser humano é o meio, o veio como prometeu; duas, estamos amplo, institucionalizado e intelectual-
fim e tudo quanto há. No segundo, Deus numa triste condição porque Ele não o mente fértil para explicar a criação e to-
o é. No primeiro caso, a humanidade é o fez. Entre essas cruéis realidades, a hu- dos os seus predicados (a vida, a morte,
sujeito da verdade, no segundo, o objeto, manidade está amarrada com uma corda a moralidade, a lei, o propósito, o amor)
e um vasto abismo existe entre ambos. que não oferece escapatória. Como pode- sem um Criador.
Se a opção mecanicista for verdadeira, ria, quando o seu próprio nó é entrelaça- Afinal de contas, por que preocupar-
então nossa reação a longo prazo não do de toda a realidade, quando está feito se com os textos dos mortos quando ex-
importa de fato; o fim é o mesmo para com as únicas opções possíveis e quando iste a ciência dos vivos? O que podem
todos nós, não importa quem sejamos ou está unido pela lógica irredutível? Jeremias, Isaías e Paulo dizer possivel-
o que pensemos, cremos ou fazemos. Se “Nada há a fazer?”, resmunga Es- mente aos que nasceram sob Newton,
o segundo for verdadeiro, nossas reações tragon em vista de nada restar a ser feito. Einstein e Heisenberg? O Principia acaso
têm conseqüências eternas. Se o primeiro Francamente, nada pode ser feito, não não destronou o Apocalipse? Quem pre-
caso for verdadeiro, jamais saberemos; num universo em que nossos inimigos cisa do Senhor andando sobre a face do
no segundo, temos a esperança dos abso- mais inflexíveis e irredutíveis recusam-se abismo (Gênesis 1:2), quando Darwin
lutos. Entre esses dois centros de à submissão e não fazem prisioneiros, fez o mesmo sobre o H.M.S. Beagle?
gravidade, estende-se uma negra névoa. mas bombardeiam e atiram até que cada Envolta em números herméticos ex-
A opção de um meio-termo, um parede de célula desabe e tudo em seu pressos por cientistas e explicados por

6 Diálogo 13:3 2001


teorias bem elaboradas, a cosmovisão algo essencial e intrinsecamente humano áveis”, nem evoca o sublime. Fórmulas
secular tem atraído uma aura de objetiv- foi desperdiçado pelo caminho. Isaac químicas e D+ são parte da vida, logica-
idade, de validação que está (pelo Newton declarou: “Ó Deus! Eu penso os mente. Mas representam-na toda? Nunca!
menos na atualidade) além do alcance Teus pensamentos após Ti”, e Stephen Pensar que sim é submeter-se ao mínimo
da fé religiosa. A relatividade especial Hawking, ocupando a mesma cadeira de denominador possível, é decidir-se pela
tem desfrutado de provas que a morte e Newton em Cambridge, declarou: “A raça opção mais barata quando existem out-
ressurreição de Cristo não têm. humana é apenas uma escuma química ras, inspiradoras de maior esperança,
A despeito do aparente triunfo do sobre um planeta de tamanho moderado, mais ricas e promissoras.
racionalismo científico, sua vitória nunca girando em torno de uma estrela média,
foi ligada a nada, exceto a si próprio e a nos arrabaldes de uma dentre centenares Responsabilidade Moral
seus pressupostos dogmáticos. A cobertu- de bilhões de galáxias.”4 Entre ambos há De fato, num mundo puramente ma-
ra, de fato, não é tão perfeita quanto se toda uma dimensão, incapaz de caber em terialístico, químico e mecânico, como
tem ensinado, e quanto mais tempo en- tubos de ensaio ou conformar-se com fór- podem os seres humanos ser respon-
volver o mundo mais puída se torna, até mulas. O céu, em vez de ser o trono do sáveis por suas ações? Se somos contro-
que a realidade venha à tona através das universo, foi despedaçado e seus frag- lados apenas por leis físicas, somos se-
costuras. Certamente, o mundo se mani- mentos separados e pulverizados em melhantes ao vento ou ao processo de
festa como material através de nossos nada mais do que volúveis mitos espalha- combustão. Qualquer sociedade que
sentidos; indiscutivelmente, o pensamen- dos na imaginação humana. E agora, o tenha por base premissas puramente
to racional resolve charadas e ajuda jatos Deus que outrora reinou nesse céu, em materialistas teria que deixar livres seus
a voar; sem dúvida, a ciência tem disseca- vez disso, desapareceu, duas vezes remov- assassinos, tarados, ladrões, estupra-
do o átomo e construído ônibus espaci- ido desse trono (criado pelas criaturas que dores e todos os ofensores, porque so-
ais. Contudo, esses fatos não provam que Ele outrora criou). mos máquinas; e quem pode atribuir
o materialismo, o racionalismo e a ciên- Assim, o divino tem sido distorcido e culpabilidade moral a um equipamen-
cia abrigam o potencial ou mesmo os in- destronado a fim de ajustar-se à estrutura to? Seria o mesmo que levar um rifle AK-
strumentos para explicar toda a realidade, que pelos cem anos passados vem esta- 47 a julgamento por assassinato.
mais do que a física clássica somente ex- belecendo os limites de toda realidade. Nenhuma sociedade, mesmo aquelas
plica a conquista da Copa do Mundo pela Adicionalmente, aspectos integrais da ex- comprometidas com o secularismo, per-
França em 1998. istência humana têm sido penosamente mite tal impunidade moral, exceto entre
As equações definem inadequada- reduzidos pelo racionalismo científico a os criminalmente insanos. Assim sendo,
mente e com paixão uma realidade rebel- contêineres, que não podem estocá-los o que a sociedade diz, pelo menos im-
de, efusiva com pensamento, dinamica- mais do que uma rede de pesca pode plicitamente, é que se o materialismo
mente criativa. (The meaning of the conter piscinas de natação. Ética e amor, científico fosse verdadeiro, todos tería-
phrase is not clear to me. Until this mo- ódio e esperança transcendem não ape- mos de ser lunáticos. Toda cultura rejei-
ment, I didn’t receive the english origi- nas a Tabela Periódica de Elementos, mas ta o materialismo radical, crendo, em
nals to compare) Que algoritmo pode ex- a todas as outras 112 facetas da realidade vez disso, que somos seres moralmente
plicar a paixão de Hamlet, que fórmula o que a tabela representa. responsáveis, não manipulados por
arrulho de um pombo, que lei prognosti- A fórmula científica, não importa forças físicas deterministas além do nos-
car Um Campo de Trigo Com Vacas, de Van quão finitamente sintonizada e equilibra- so controle. Somos movidos, obvia-
Gogh? São as sinfonias de Beethoven e os da, não pode explicar plenamente o mente, por algo mais do que aquilo que
textos líricos de Shelley nada mais do que heroísmo, a arte, o temor, a generosidade, percebemos imediatamente, mesmo não
manuscritos sobre os quais eles foram o altruísmo, o ódio, a esperança e a sabendo do que se trata, mas apenas de
redigidos? Teorias e fórmulas, princípios e paixão. Uma cosmovisão que limite o seu que ali está e é real, e sem ele não sería-
leis não fazem as estrelas brilhar, os sabiás mundo e visão somente ao racionalismo, mos vivos, livres ou humanos.
voar, ou as mães alimentar os seus reben- ao materialismo e ao ateísmo científico, Immanuel Kant argumentava que o
tos, mais do que inscrever os símbolos perde de vista tudo quanto está além de- mero ato da razão supera a natureza,
E=MC2 sobre uma peça de urânio refina- les e que é tão parte integrante de nós, do transcende as emoções, manipula dese-
do causa uma explosão atômica. que somos, do que esperamos, daquilo a jos e incentiva instintos. Como podería-
que aspiramos, de amor e adoração, de mos jamais pensar pensamentos tran-
Esbanjando o essencial vida e morte. A escuma química não pon- scendentes se não houvesse algo ao nos-
Não obstante a grandiosidade das real- dera sobre mundos superiores, não visu- so redor, além da natureza, algo mais em
izações científicas dos últimos cem anos, aliza a eternidade, não escreve “Os Miser- relação às nossas mentes do que à carne

Diálogo 13:3 2001 7


que pulsa? Não haverá algum princípio no, não pode de fato ser validada mais Old Columbia Pike; Silver Spring, Maryland
declarando que os efeitos não podem ser do que a declaração: “A casa é vermelha 20904; U.S.A.
maiores do que suas causas? “O que a porque é vermelha.”
ciência não pode nos dizer”, afirmava o O problema para o cientificismo e o Notas e referências:
filósofo Bertrand Russell, “a hu- materialismo é: como se pode sair de um 1. Samuel Beckett, Waiting For Godot (New
York: Grove Press, 1954).
manidade não pode conhecer.” sistema para uma estrutura de referência 2. Francisco Jose Moreno, Between Faith and
Será mesmo? Então não podemos mais ampla, quando o próprio sistema Reason (New York: Harper Books, 1977), p. 7.
conhecer o amor, o ódio, a misericórdia, arroga-se abranger toda a realidade? 3. Quoted in From Thales to Plato, edited by
T. V. Smith (Chicago: Phoenix Books,
a bondade, o mal, a felicidade, a tran- O que acontece quando atingimos as 1956), p. 60.
scendência ou a fé. Por conhecê-los to- margens do Universo? O que há além? Se 4. Quoted in David Deutsch, The Fabric of
dos, porém, uma cosmovisão como a do houvesse uma estrutura de referência Reality (New York: Penguin Books, 1997),
pp. 177, 178.
materialismo científico, que diz que não mais ampla a partir de onde julgá-lo 5. David Berlinski, The Advent of the
podemos, é obviamente inadequada. (talvez Deus), então o próprio sistema não Algorithm (New York: Harcourt Books,
seria todo-abrangente, como o materialis- 2000), pp. 249, 250.
6. Timothy Ferris, Coming of Age in the Milky
A visão incompleta mo científico muitas vezes alega. “Em Way (New York: Doubleday, 1988), p. 384.
“Um desconfortável senso de nulidade suma”, escreveu o cientista Timothy Fer-
prevalece”, escreveu o matemático David ris, “não há e nunca haverá um completo
Berlinski, “e tem prevalecido por tanto e abrangente relato científico do Universo
tempo, que uma visão puramente física que possa ser comprovado como válido.” Diálogo grátis
ou material do Universo é algo incomple- Ciência e materialismo sempre terão de para você!
to; não pode abranger os fatos familiares ser admitidos... pela fé? O quê? Os limites Se você é estudante adventista que
e inescapáveis da vida ordinária.”5 inerentes à própria ciência requerem fé? freqüenta uma universidade não adven-
A ciência e o materialismo não po- Contudo, não é fé a crença em algo não tista, a igreja tem um plano que lhe per-
dem sequer justificar-se ou ter sua provado, fora do escopo da ciência, cujo mite receber Diálogo gratuitamente en-
própria existência, muito menos explic- inteiro propósito é provar as coisas em- quanto você for estudante. (Aqueles que
ar tudo o mais. O matemático austríaco piricamente? Não é o conceito de fé um não são mais estudantes podem assinar a
Kurt Gudel demonstrou que nenhum resquício de uma era distante, mítica, pré- revista Diálogo utilizando o cupom dela
sistema de pensamento, mesmo científi- racionalística e pré-científica? página 19). Entre em contato com o dire-
co, pode ser legitimado por qualquer Por basear-se no materialismo, a ciên- tor do departamento de educação ou do
coisa dentro do próprio sistema. Faz-se cia deixa implícito (ao menos hipoteti- departamento de jovens da sua união e
necessário sair de dentro do sistema e camente) que tudo devia ser acessível à solicite que seu nome seja incluído na lis-
contemplá-lo de uma perspectiva mais experimentação e validação empírica. ta de distribuição da revista para aquele
ampla e diferente a fim de avaliá-lo. Idealmente, não devia haver lugar para território. Inclua na carta seu nome e en-
Doutro modo, como pode alguém jul- a fé num universo científico; entretanto, dereço completos, o nome a universidade
gar, quando ele é seu próprio critério a própria natureza desse universo o re- que freqüenta, o curso que está fazendo e
empregado para emitir o juízo? Como quer. Que paradoxo! Dentro da con- o nome da igreja local da qual você é
podem os seres humanos estudar objeti- cepção materialística e científica, pois, membro. Você pode também escrever
vamente o ato de pensar, quando têm reina o potencial para algo além dela, para os nossos representantes nos en-
somente o ato de pensar para fazê-lo? algo fora dela, algo que explica por que dereços fornecidos na pág. 2, enviando
Por anos a razão tem reinado como o amor é mais do que uma função endó- cópia da sua carta para os diretores de-
rei epistemológico do Ocidente, o único crina, por que a ética é mais do que sín- partamentais de sua união, já menciona-
critério para julgar a verdade. Contudo, tese química, e por que a beleza é mais dos acima. Na América do Norte, você
quais têm sido os critérios para o julga- do que proporções matemáticas... algo, pode utilizar o nosso número de telefone
mento da razão? A própria razão! Mas talvez, divino? de discagem gratuita, 1-800-226-5478,
julgar a razão pela própria razão é como ou utilizar o fax 301-622-9627, ou E-mail:
definir uma palavra usando a própria 74617.464@compuserve.com ou rasij@
palavra como sua definição. É uma tau- Clifford Goldstein, um autor prolífico, é gc.adventiste.org Caso todos esses con-
tologia e as tautologias nada provam. editor do Guia de Estudo da Lição da Escola tatos deixem de produzir resultado, es-
Quão fascinante, pois, é que a própria Sabatina de adultos, junto à Associação creva para o nosso endereço editorial na
razão, o fundamento do pensamento, Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Seu pág. 2.
particularmente do pensamento moder- endereço para correspondência é: 12501

8 Diálogo 13:3 2001


Ouvindo a tristeza

N
by Siroj Sorajjakool ina sente-se frustrada consigo Depressão: os fatos
mesma. Ela não consegue desco- Nos Estados Unidos, um em cada qua-
brir quem é e por que existe. O tro indivíduos terá, provavelmente, a ex-
mundo exterior parece escuro, solitário periência de vivenciar, ao menos, um
e opressor. Ela fala sobre sua experiên- episódio de depressão em sua vida. Desse
cia: “Quando você se encontra nesse es- grupo, apenas 25 por cento obterá um di-
tado, não há mais empatia, nem intelec- agnóstico acertado, e desses, apenas a
to, nem imaginação, nem compaixão, quarta parte terá tratamento apropriado.
nem humanidade, nem esperança. Não O risco de depressão para as pessoas nasci-
Reexaminando a depressão é possível descansar, porque a ca- das nos últimos 30 anos é dez vezes mais
pacidade de planejar e executar os pas- alto do que para aquelas nascidas há 70.2
sos requeridos é demasiado difícil para A severidade desse mal reflete-se em
crônica à luz da graça de Deus. ser ativada, e as faculdades físicas sua persistência. Um estudo realizado
necessárias são demasiado difíceis de pelos psicólogos Gayle Belsher e Charles
operar... A depressão rouba-lhe a iden- Costello, mostra que aproximadamente
tidade e o impede de ver quem poderia 50 por cento das pessoas tratadas exper-
ser algum dia. Ela substitui sua vida por imentará recaída dentro de dois anos
um buraco negro.1 após um tratamento bem-sucedido.3 Ian
Para cada Nina, há centenas de outras Gotlib e Constance Hammen afirmam:
pessoas perdidas no mundo da de- “Só recentemente chegamos a com-
pressão. A depressão pode ser devasta- preender que para muitos sofredores de
dora, eu sei. Já estive lá. depressão grave, a desordem se repete
Demasiadas vezes precipitamo-nos no ou se torna crônica.”4
sentido de obter cura rápida para a de- Estudos também mostraram que os pa-
pressão. Vivemos numa sociedade de cientes tratados, embora tenham melho-
tratamento instantâneo mediante pílulas rado, estavam ainda mais deprimidos no
e cirurgias, com pouca tolerância para a fim da terapia do que pacientes não de-
dor ou o desejo de aprender algo dela. pressivos que faziam parte de grupos de
Mas antes de tratarmos da depressão, controle. O nível de atuação de pessoas
quero destacar dois fatores: Primeiro, deprimidas que receberam tratamento,
precisamos fazer uma distinção clara en- estava dentro de um desvio padrão mais
tre depressão crônica e depressão casual. baixo que o da população em geral, en-
A primeira é uma tendência natural de quanto que os que não receberam
sentir negativamente; a última focaliza- qualquer terapia, estavam operando a
se numa situação particular. Quando dois desvios padrões abaixo da norma.5
essa conjuntura é resolvida, a depressão Mesmo depois do tratamento, muitos
desaparece. Este artigo trata da primeira continuam a experimentar sintomas de
espécie. Segundo, subscrevo o uso de depressão em forma menos intensa. Para
medicações e outras formas de terapia. eles, a luta será contínua. Isso tem impli-
Também sou a favor do uso de recursos cações significativas no desenvolvimento
espirituais para tratar sentimentos de da espiritualidade, porque promove sen-
negatividade. timentos positivos diferentes da negativ-

Diálogo 13:3 2001 9


idade que lhes destrói o significado. oceano de irracionalidade, desejando que quanto despreza seus outros aspectos, so-
Como a construção do significado é uma talvez apenas mais um esforço as leve à mente levará à intensificação da ex-
função da teologia, a ausência de signifi- libertação do círculo vicioso. Mas o dese- periência negativa. “Um esquema de-
cação vai contra seu sentido básico. jo se transforma em dor mais profunda. O pressivo próprio intensifica o afeto nega-
jugo torna-se mais pesado. A espiral de- tivo, o qual, por sua vez, chama a
Depressão: o problema scendente atinge maior intensidade.”8 atenção para o ego. A conscientização
Um dos aspectos mais perniciosos da própria aumentada leva à uma auto-aval-
depressão crônica é que os indivíduos fi- O mecanismo da negatividade iação e motiva a pessoa a tentar reduzir a
cam presos a um ciclo de negatividade. O que causa esse ciclo de culpa e deses- discrepância. É aí que a negação se efetua
Karp escreve: “Depressão é um caso úni- pero? No final da década de 1970, Tom e o ciclo é perpetuado.”11
co, visto que os assaltos mais críticos Pyszczynski e Jeff Greenberg observaram Toda tentativa de autocorreção é
contra o ego vem de dentro... Em meio a em sua pesquisa uma relação entre de- acompanhada de um esquema depressivo
um episódio de depressão, os indivíduos pressão e a consciência de si mesmo. Esta próprio. A pessoa se mantém pensando
sentem um ódio muito maior de si mes- observação resultou em numerosos estu- em seus próprios fracassos. A mente só se
mos do que poderia ser expresso por dos e experimentos. Entenderam que in- lembra de coisas negativas, ao mesmo
outros contra eles.”6 Esses assaltos críti- divíduos deprimidos são altamente con- tempo em que atribui resultados positi-
cos contra o ego emergem concomi- scientes de si mesmos, com tendência de vos a fatores externos. Quanto maior a
tantemente ao desejo de se corrigir. Esse ficarem absortos no próprio ego. Estão, discrepância, tanto mais a pessoa se con-
processo começa com o estabelecimento usualmente, mais concentrados depois de scientiza do fracasso em atingir os alvos.
de metas e de um plano de lutas para al- um fracasso do que de um sucesso. Pyszc- “O afeto negativo intensificado, a culpa
cançá-las. Aquilo de que os indivíduos zynski e Greenberg perguntaram: “Por de si mesmo, a auto-avaliação e a dis-
deprimidos não estão conscientes, é que que esses indivíduos estão tão restritos a rupção de um comportamento bem-suce-
a negatividade anula.7 Eles procuram si, e por que se concentram mais em si dido e competente em outros domínios,
corrigir-se, ao mesmo tempo em que se mesmos depois de conhecerem um fracas- impele o conceito próprio recentemente
culpam. Quanto mais lutam, tanto mais so do que após lograrem êxito?” Eles es- desestabilizado para a negatividade.”12 O
longe estão de onde gostariam. Estão crevem: “Essencialmente consideramos a afeto negativo intensificado, por sua vez,
presos ao ciclo da depressão. depressão como a conseqüência de es- leva a maior conscientização de discrep-
Em minha experiência havida em um forços perseverantes para recuperar um ância, impelindo o paciente a tentar mais
centro de aconselhamento e num con- objeto perdido, quando isso é impossível. vezes; e assim o ciclo prossegue. O esque-
sultório psiquiátrico – também no trabal- Crê-se que essa perseverança ocorre quan- ma negativo próprio anula toda tentativa
ho com membros da igreja –, tenho ob- do o indivíduo perdeu a base primária de de fechar a brecha. Quanto mais tenta,
servado em indivíduos deprimidos esse sua estima própria, e não tem suficientes tanto pior a pessoa se sente.
ciclo comum. Eles tentam e tentam e fi- fontes opcionais das quais extraí-la. A per- Como pode o indivíduo deprimido
cam realmente cansados de lutar. É um severança, que se auto-regula, é calibrada sair deste ciclo de autocrítica? Creio que
ciclo do qual parece não poderem es- para produzir um alto nível de concen- o cristianismo oferece um instrumento
capar. Estão realmente enfadados consigo tração em si, o que produz uma espiral as- para uso dos deprimidos, ao lidarem
mesmos e não querem mais batalhar. cendente de efeitos negativos, culpabil- com a força negativa da depressão.
Lutam contra o ilógico, onde a racional- idade depreciativa própria e déficit moti-
idade não tem controle sobre a emoção. vacional, que resultam finalmente numa Quebrando o ciclo: uma reflexão
“Quando o pensamento dispara e a auto-imagem negativa e num estilo de- teológica
emoção é agitada, o ciclo deriva para uma pressivo de concentrar-se em si mesmo, As causas de depressão podem ser di-
espiral descendente. Pessoas nesse estado que perpetua seu estado depressivo.”9 versas. Podemos ter nascido com uma
dizem freqüentemente: ‘Sei que é ilógico, Uma pesquisa semelhante realizada tendência para a depressão ou experi-
mas simplesmente não posso parar.’ Estão por Paula Ray Pietromonaco, revela que a mentar eventos traumáticos que nos
presos num ciclo que parece infindável. estrutura própria de pessoas com de- submergem no desespero. Como quer
Continuam tentando, mesmo quando o pressão tende a ser menos complexa con- que se desenvolva, quando indivíduos
corpo experimenta fadiga extrema. O ceitualmente, e é organizada mais em estão expostos a estresse prolongado e
desejo profundo é, por vezes, expresso torno do afeto e menos em termos de não recebem tratamento apropriado,
como: ‘Por favor, detenha essa espiral e outros aspectos do ego.10 Isso é significa- enfrentam a probabilidade maior de
deixe-me descansar um pouco.’ Não ob- tivo porque a estrutura do ego, que se or- episódios depressivos posteriores.
stante, não podem deixar de tentar num ganiza em torno do afeto negativo en- O afeto negativo também causa uma

10 Diálogo 13:3 2001


percepção de ausência de valor. “Não demos ser nosso dever. Graça é onde Approaches to Depression: Theory, Research,
and Treatment, edited by Rick E. Ingram
sou bastante bom. Sou indigno.” No achamos descanso; e ela vem até nós. (New York: Plenum Press, 1990), p. 5.
relacionamento social isso pode se ex- Para romper o ciclo da depressão, pre- 3. Gayle Belsher and Charles G. Costello,
pressar na idéia de não-pertença, de ter cisamos aprender a estar presentes nele, “Relapse After Recovery from Unipolar
Depression: A Critical Review,”
de ganhar o direito de pertencer. Indi- aí ficarmos e aprendermos a estar no es- Psychological Bulletin 104 (1988)1: 84-96;
víduos deprimidos, portanto, tendem a curo desespero e escutar. Deus tem prop- see also Gerald L. Klerman and Myrna M.
confundir a consciência própria, que iciado a cada um de nós um processo Weissman, “Course, Morbidity, and Costs
of Depression,” Archives of General
tem uma base química com relações so- restaurador interno, que utiliza a dor Psychiatry 49 (1992): 831-834.
ciais e aceitação social. como parte natural do desenvolvimento 4. Ian H. Gotlib and Constance L. Hammen,
Em minha luta contra a depressão, humano. Essa cura não é necessaria- Psychological Aspects of Depression: Toward
a Cognitive-Interpersonal Integration (New
vi-me tentando fugir de mim mesmo. O mente a eliminação da depressão ou o York: John Wiley and Sons, 1992), p. 1.
sentimento de desconforto, mais o afeto livramento de sintomas depressivos, mas 5. Leslie A. Robinson, Jeffrey S. Berman, and
negativo constante que coloria minha um convite a descansar e permitir que a Robert A. Neimeyer, “Psychotherapy for the
Treatment of Depression: A Comprehensive
interpretação e avaliação do mundo ao força interior faça seu trabalho restaura- Review of Controlled Outcome Research,”
meu redor, impelia a entregar-me à bus- dor. Ao escutarmos, nossa compreensão Psychological Bulletin 108 (1990)1:40.
ca de um outro ego que, eu pensava, do que somos se aprofundará e promov- 6. Karp, p. 47.
7. Aaron T. Beck, Depression: Causes and
haveria de criar maior senso de confor- erá o processo de auto-diferenciação. Treatments (Philadelphia: University of
to. O desconforto levou-me a tentar ser Neste mundo, onde vivemos e lutamos, a Pennsylvania Press, 1972), pp. 17-23.
outra pessoa diferente da que eu real- graça de Deus nos convida a ouvir a fim 8. Siroj Sorajjakool, “Wu Wei (Non-Trying) in
Pastoral Care of Persons with Depression:
mente era. Isso se converteu numa bus- de encontrarmos um lugar de repouso. Coping With Negativity,” Ph.D.
ca espiritual complexa, levando a um Finalmente, duas sugestões práticas: Dissertation, Claremont School of
sentimento de angústia espiritual. Primeira: se você está lutando contra a Theology, 1999, p. 5.
9. Tom Pyszczynski and Jeff Greenberg,
Aprendi que o lado escuro de mim negatividade dia após dia, não tente corrigi- Hanging On and Letting Go: Understanding
mesmo me seguia como uma sombra. A la. Indivíduos deprimidos querem curar- the Onset, Progression, and Remission of
única maneira de me esconder era estar se da depressão. Não lutando com vigor, Depression (New York: Springer-Verlag,
1992), pp. 8, 9.
no escuro. Os deprimidos movem-se no você pode reduzir seu poder de controlar 10. Paula Ray Pietromonaco, “The Nature of
sentido do “dever” e não reconhecem sua vida. Segunda: permaneça na presença the Self-Structure in Depression,” Ph.D.
que o mecanismo da negatividade os im- de Deus. Os depressivos precisam aprender Dissertation, University of Michigan,
1983, abstract in Dissertation Abstracts
pele cada vez mais para trás. Quanto mais a ver-se como realmente são, e não através International 44 (1983) 10B:3243.
lutam, tanto mais apertado é o laço. De- da lente negativa da depressão. Somos 11. Sorajjakool, p. 111.
pressão é sintoma de um ego esvaziado. convidados a descansar em Deus. Talvez 12. Pyszczynski and Greenberg, p. 107.
Fugir dela equivale a esvaziar o ego ainda não nos sintamos sempre bem, mas po-
mais. Esse é freqüentemente o caso que se demos estar sempre em casa aí. É impor-
dá nos indivíduos com depressão crônica. tante aprender que podemos permanecer
Essa fuga é teologicamente prejudi-
cial. Em vez disso, o deprimido deveria
na presença de Deus, mesmo em meio a
sentimentos e pensamentos negativos.
Anunciando...
correr para a cruz de Cristo. Não há mel- Nascido na Tailândia, Siroj Sorajjakool
hor lugar de descanso do que ao pé da (Ph.D. pela Claremont School of Theolo-
O Quarto Congresso Interna-
cruz. A cruz é um convite para ir a Ele tais gy) leciona religião na Loma Linda Uni- cional de Nutrição Vegetari-
quais somos. Esforçar-se pelo “dever” versity. Seu endereço postal: School of ana terá lugar na Univer-
tenta-nos a minimizar o poder que a cruz Religion; Loma Linda, Califórnia 92350; sidade de Loma Linda, no Sul
tem de nos envolver. Sugere que o evento EUA. E-mail: ssorajjakool@rel.llu.edu da Califórnia, de 8 a 11 de
redentor não é completo e que precisa- abril de 2002.
mos ajudar Deus a nos salvar. A Bíblia, Notas e referências
contudo, é clara sobre esse ponto. Não Para se inscrever ou obter
podemos fugir de nós mesmos. Através 1. David Karp, Speaking of Sadness:
Depression, Disconnection, and the Meanings
mais informações, visite o
da cruz, Deus diz aos deprimidos: “Fique, of Illness (New York: Oxford University website da associação: www.
fique aqui mesmo. Não precisa ir a nen- Press, 1996), p. 24.
2. Martin E. P. Seligman, “Why is There So
vegetariannutrition.org
huma outra parte. Eu vou até você.”
Much Depression Today? The Waxing of
Nosso lugar de descanso não se acha em the Individual and the Waning of the
tentarmos tornar-nos aquilo que enten- Common,” Contemporary Psychological

Diálogo 13:3 2001 11


Quão Confiavel é a Bíblia?

A
by Alberto R. Timm autoridade do cristianismo deriva Harmonia interna das Escrituras
da Palavra de Deus. Cristo e Seus Nessa área precisamos considerar pelo
apóstolos consideravam as Escritu- menos duas questões fundamentais:
ras como a revelação de Deus, com uma Primeira, o relacionamento entre a Pala-
unidade fundamental entre seus vários vra de Deus e as culturas contemporâneas
ensinos (ver Mateus 5:17-20; Lucas 24:27, nas quais ela foi originalmente transmiti-
44, 45-48; João 5:39). Muitos pais da igre- da. Nas Escrituras, pode-se perceber facil-
ja e os grandes reformadores protestantes mente um constante diálogo entre princí-
do século 16 enalteciam a unidade e a pios universais e as aplicações específicas
Teorias humanas podem surgir confiabilidade das Escrituras. desses princípios, dentro de um contexto
Todavia, sob a forte influência do cultural particular. Tal percepção não
criticismo histórico do Iluminismo do pode ser considerada como condiciona-
e desaparecer, mas “a palavra século 18, um número considerável de mentos culturais que distorcem a unidade
teólogos e cristãos passou a considerar a básica da Palavra de Deus, mas precisa-
Bíblia como mero produto das antigas mente o oposto: princípios universais que
de nosso Deus permanece culturas dentro das quais foi concebida. transcendem qualquer cultura específica.
Conseqüentemente, a Bíblia não é mais Por exemplo, a Bíblia menciona várias
considerada como consistente e ocasiões nas quais Deus tolerou certos des-
eternamente”. harmônica em seus variados ensinos, e vios humanos de Seus planos originais,
sim como uma coleção de diferentes como nos casos de poligamia (ver Gênesis
fontes com contradições internas. Outro 16:1-15; 29:15-30:24, etc.) e divórcio (ver
golpe contra a autoridade e unidade das Mateus 19:3-12; Marcos 10:2-12). Existem
Escrituras foi desferido na segunda outras conjunturas onde os primeiros cris-
metade do século 20, pelo ataque furio- tãos foram aconselhados a respeitar certos
so do pós-modernismo. A nova tendên- elementos culturais específicos, como no
cia é enfatizar, não o verdadeiro signifi- caso respeitante às mulheres usarem véu
cado das Escrituras, mas os vários senti- ao orar ou profetizar (I Coríntios 11:2-16),
dos a ela atribuídos pelos seus leitores. e permanecer caladas na igreja (I Corín-
Já os adventistas do sétimo dia, por tios 14:34-35). Mas o teor geral das Escrit-
sua vez, continuam enfatizando a un- uras é que sua religião deve transcender e
idade, a autoridade e a confiabilidade das transformar o contexto cultural.
Escrituras. Mas para manter tal con- G. Ernest Wright explica que “o Antigo
vicção, o estudante bíblico deve achar re- Testamento dá eloqüente testemunho de
spostas honestas para as quatro seguintes que a religião cananita era o agente desin-
questões: 1) Que base existe para se falar tegrador mais perigoso que a fé de Israel
de harmonia nas Escrituras? 2) Como tinha de enfrentar” (ver Deuteronômio
tratamos algumas das principais áreas 7:1-6).1 Floyd V. Filson acrescenta que no
nas quais tal harmonia nem sempre é ev- primeiro século d.C. os judeus, e posteri-
idente? 3) Como o milagre da inspiração ormente os judaizantes, “reconheciam o
preservou a unidade da Palavra de Deus? fato de que o Evangelho era algo diferente
e 4) Qual o papel do Espírito Santo em das mensagens religiosas que haviam con-
nos ajudar a reconhecer essa unidade? hecido”, e que “isso estava rompendo

12 Diálogo 13:3 2001


com os limites do judaísmo contemporâ- Salmos imprecatórios. Alguns vêem os 7:12), Tiago está criticando a profissão
neo” (ver Mateus 5:20).2 salmos imprecatórios, com suas orações de antinominiana de uma fé “morta”, tão
A segunda questão que deve ser consid- vingança e maldição aos ímpios (ver destituída de frutos como a fé descom-
erada por aqueles que estão interessados Salmos 35; 58, 69; 109; 137, etc.), como prometida dos demônios (Tiago 2:17, 19).
em compreender a unidade das Escrituras, em direta oposição às amorosas orações de Erros fatuais. Existem aqueles que
é a perspectiva metodológica pela qual se Cristo e de Estêvão em favor dos seus in- negam a unidade básica da Palavra de
investiga as Escrituras. Do próprio teste- imigos (Lucas 23:34; Atos 7:60). Na tentati- Deus porque, pensa eles, ela contém um
munho das Escrituras percebe-se que a va de solucionar esse problema, não deve- grande número dos chamados “erros fat-
Bíblia está mais próxima do mundo orien- mos nos esquecer de que o Novo Testa- uais”. Muitos desses supostos “erros” não
tal, a partir de uma perspectiva mais mento cita os salmos imprecatórios como são realmente erros, mas apenas falta de
sistêmica e integral da realidade, do que inspirados e autorizados, e que no Antigo compreensão das verdadeiras questões
do mundo ocidental, com uma perspec- Testamento os inimigos do povo do con- envolvidas. Um exemplo disso é a manei-
tiva mais analítica e compartimentalizada. certo eram considerados inimigos do próp- ra como Edwin R. Thiele demonstrou que
Esse é um importante aspecto a ser levado rio Deus. Parece bastante evidente, portan- muitas das pretensas lacunas e discrepân-
em consideração ao definirmos nossa to, que esses salmos devem ser compreen- cias na cronologia bíblica dos reis de Isra-
abordagem metodológica das Escrituras. didos dentro da moldura teológica da teoc- el e Judá podiam ser sincronizadas.5 Ao
Se começarmos olhando indutiva- racia do Antigo Testamento. mesmo tempo, devemos reconhecer que
mente em busca de divergências nas Es- Problemas sinópticos. Provavelmente não temos condições de solucionar todas
crituras, acabaremos “encontrando nenhuma outra área tem gerado tanta as dificuldades das Escrituras.6
diferenças em vez de harmonia e un- controvérsia em relação à unidade da Pala- A despeito da existência de algumas
idade”. Se, por outro lado, principiar- vra de Deus, como o chamado problema imprecisões em detalhes insignificantes,
mos olhando dedutivamente, poderemos sinóptico. Jamais conseguiremos explicar existem evidências suficientes que demon-
descobrir uma unidade básica que inte- plenamente como os primeiros três Evan- stram que tais inexatidões não distorcem o
gra suas várias partes.3 Muitas incon- gelhos (Mateus, Marcos e Lucas) foram es- conceito básico comunicado pelo texto no
sistências aparentes podem ser harmo- critos; qual foi realmente a dependência qual aparecem, e não rompem a unidade
nizadas se avançarmos das grandes mol- de um para com o outro e como harmoni- básica da Palavra de Deus.
duras temáticas das Escrituras para os zar algumas pequenas discrepâncias nos Não obstante, alguns podem indagar:
detalhes menores, em vez de iniciarmos relatos paralelos. Robert K. McIver afirma Por que Deus permitiu que esses proble-
por esses pormenores e desconhecermos em The Four Faces of Jesus que “não existe mas permanecessem nas Escrituras? Não
as estruturas básicas às quais pertencem. razão para se supor que as informações poderia ter Ele corrigido alguns deles, de
trazidas à luz por uma acurada investi- modo que nossa compreensão fosse mais
Áreas problemáticas gação do problema sinóptico, provejam fácil? Essas não são perguntas fáceis de
Existem, porém, algumas áreas impor- qualquer base para se duvidar da histori- responder, mas creio que existam algu-
tantes de supostas “inconsistências” in- cidade fundamental dos eventos mencio- mas razões importantes pelas quais Deus
ternas da Bíblia, que as pessoas usam nados nos Evangelhos. Em realidade, elas não solucionou essas áreas problemáticas.
freqüentemente para solapar o conceito provavelmente comprovam o oposto, sen- Devemos reconhecer que Deus confiou
de sua unidade. Consideremos breve- do uma evidência da sua confiabilidade.”4 Sua mensagem a seres humanos – “vasos
mente cinco dessas áreas e vejamos como A justificação em Paulo e Tiago. Outra de barro” (II Coríntios 4:7) – e esses, por
esses problemas podem ser solucionados. área problemática que nem sempre tem sua vez, a transmitiram em sua linguagem
Tensões entre o Antigo e o Novo Testa- sido compreendida claramente por algu- imperfeita. Além disso, a Palavra de Deus
mentos. Algumas pessoas falam a respeito mas pessoas, é a clássica tensão entre a destinava-se a servir como uma “luz” para
de várias tensões dicotômicas entre o An- declaração de Paulo de que “o homem é o caminho (Salmo 119:105) dos seres hu-
tigo e o Novo Testamentos, referindo-se a justificado pela fé, independentemente manos de todas as épocas e lugares. Na
tópicos como a justiça de Deus versus Seu das obras da lei” (Romanos 3:28), e as pa- qualidade de “pão” espiritual (Mateus 4:4)
amor e a obediência à lei versus salvação lavras de Tiago de que “uma pessoa é jus- que testifica do “pão vivo que desceu do
pela graça. Essas tensões podem ser solvi- tificada por obras e não por fé somente” céu” (João 6:51), a Bíblia deveria falar a
das se reconhecermos claramente o rela- (Tiago 2:24). Mas essa tensão pode ser ricos e pobres, cultos e incultos, no con-
cionamento tipológico entre ambos os solucionada se tivermos em mente que texto em que eles viviam.
Testamentos, e que justiça e amor, lei e enquanto Paulo está respondendo ao uso Se a Bíblia fosse um livro de “unifor-
graça, são conceitos desenvolvidos ao legalístico das “obras da lei” como meio midade monótona”, as pessoas a leriam
longo de ambos os Testamentos. de salvação (Romanos 3:20; cf. 3:31; uma ou duas vezes e então a colocariam

Diálogo 13:3 2001 13


de lado como fazem com os jornais vel- sempre preservar esse escopo abarcante.8 mais firme sobre o qual ancorar a sua fé.
hos. Mas a Bíblia possui uma profunda, Sem endossar a infalibidade calvinis- Mas se a nossa âncora está firmada na
“rica e colorida diversidade de testemun- ta, temos razões suficientes para crer que própria Palavra, crendo que o seu testemu-
hos harmoniosos, todos eles revelando a Bíblia é infalível em seu propósito nho não é o resultado de invenções hu-
uma beleza rara e distinta”, que a tornam salvífico e confiável em seu completo manas, mas um dom divino para revelar
tão atrativa.7 Embora sua mensagem es- inter-relacionamento temático. De acor- Deus e o Seu amor redentivo à hu-
sencial seja perfeitamente compreensível, do com T. H. Jemison, nas Escrituras manidade, então não temos nada a temer
mesmo às pessoas comuns, a Bíblia pos- “existe unidade em seu tema – Jesus ou a perder. O Espírito Santo que gerou a
sui tal profundidade de pensamento que Cristo, Sua cruz e Sua coroa. Existe com- origem, a unidade e a autoridade da Pala-
todos os eruditos e pessoas simples que a pleta harmonia de ensinamentos – as vra, pode também iluminar a nossa mente
estudaram ao longo dos séculos, não fo- doutrinas do Antigo Testamento e as do para reconhecermo-la como tal. Teorias
ram capazes de esgotar o seu significado e Novo são as mesmas. Existe unidade de humanas podem surgir e desaparecer (ver
de solver todas as suas dificuldades. desenvolvimento – uma constante pro- Efésios 4:14), mas “a palavra de nosso Deus
gressão desde a criação e a queda, até a permanece eternamente” (Isaías 40:8).
O milagre da inspiração redenção e a restauração final. Existe
Mas como o milagre da inspiração sal- unidade na coordenação das profecias.”9 Alberto R. Timm (Ph.D. pela Andrews
vaguardou a unidade da Palavra de Deus? University) é professor de Teologia Histórica
Até que ponto podemos esperar harmo- A atuação do Espírito Santo no Centro Universitário Adventista de São
nia dentro das Escrituras? Deveríamos A unidade subjacente da Palavra de Paulo, Campus 2, e dirige o Centro de Pesqui-
supor, como algumas pessoas fazem, que Deus foi gerada pela direta atuação do sas Ellen G. White do Brasil. Seu endereço:
a Bíblia é confiável apenas em questões Espírito Santo na produção das Escritu- Caixa Postal 11; Engenheiro Coelho, SP
de salvação? Podemos isolar as partes ras. Paulo afirma em II Timóteo 3:16 que 13.165-970; Brasil. E-mail: atimm@unasp.br
cronológicas, históricas e científicas da “toda a Escritura é inspirada por Deus”.
Notas e referências
Escritura de seu propósito salvífico geral? Pedro acrescenta que “nenhuma profe- 1. Ernest Wright, The Old Testament Against
Como argumentei em outro artigo, a cia da Escritura provém de particular Its Environment (Chicago: Henry Regnery,
Bíblia reivindica para si uma natureza in- elucidação; porque nunca jamais 1950), p. 13.
2. Floyd V. Filson, The New Testament Against
tegral e abrangente, formando uma un- qualquer profecia foi dada por vontade Its Environment (London: SCM Press,
idade indivisível (Mateus 4:4; Apocalipse humana; entretanto, homens [santos] 1950), p. 96.
22:18, 19), e apontando para a salvação falaram da parte de Deus, movidos pelo 3. Ekkehardt Mueller, “The Revelation,
Inspiration, and Authority of Scripture,”
como seu objetivo (João 20:31; I Coríntios Espírito Santo” (II Pedro 1:20, 21). Ministry (April 2000) pp. 22, 23.
10:11). Além disso, a Escritura descreve a Uma vez que foi o Espírito Santo quem 4. Robert K. McIver, The Four Faces of Jesus:
salvação como uma ampla realidade gerou a unidade da Palavra de Deus, ape- Four Gospel Writers, Four Unique
Perspectives, Four Personal Encounters, One
histórica, relacionada a todos os demais nas Ele pode iluminar nossa mente para Complete Picture (Nampa, Idaho: Pacific
temas bíblicos. E é precisamente esse inter- percebermos a coesão que sustenta a Press Publ. Assn., 2000), p. 220.
relacionamento temático geral que torna Bíblia. Cristo prometeu aos Seus discípu- 5. See Siegfried H. Horn, “From Bishop
Ussher to Edwin R. Thiele,” Andrews
quase impossível para alguém falar da los que o Espírito Santo viria para guiá-los University Seminary Studies 18 (Spring
Bíblia em termos dicotômicos, como con- “a toda a verdade” (João 16:13). Paulo 1980):37-49; Edwin R. Thiele, “The
fiável em alguns tópicos e não em outros. declara que “o Espírito Santo ensina, Chronology of the Hebrew Kings,”
Adventist Review (May 17, 1984), pp. 3-5.
“Uma vez que o propósito primário da comparando coisas espirituais com espiri- 6. See Ellen G. White, Gospel Workers
Bíblia é desenvolver fé para a salvação tuais” (I Coríntios 2:13, NKJV). (Washington, D.C.: Review and Herald
(João 20:31), suas seções históricas, Publ. Assn., 1948), p. 312.
7. Seventh-day Adventists Believe: A Biblical
biográficas e científicas provêem, muitas Conclusão Exposition of 27 Fundamental Doctrines
vezes, apenas as informações específicas Hoje, lamentavelmente, muitos cris- (Washington, D.C.: Ministerial Association
necessárias para atingir esse propósito tãos perderam sua confiança nas Escritu- of the General Conference of Seventh-day
Adventists, 1988), p. 14.
(João 20:30; 21:25). Apesar de sua seletiv- ras e as estão relendo da perspectiva de 8. Alberto R. Timm, “Understanding
idade em algumas áreas do conhecimen- suas próprias tradições (tradicionalistas), Inspiration: The Symphonic and
to humano, isso não significa que as Es- da razão (racionalistas), da experiência Wholistic Nature of Scripture,” Ministry
(August 1999), p. 14.
crituras não sejam dignas de todo o crédi- pessoal (existencialistas), e mesmo da cul- 9. T. H. Jemison, Christian Beliefs:
to nessas áreas.” “Toda a Escritura é in- tura moderna (culturalistas). Cansados da Fundamental Biblical Teachings for Seventh-
spirada por Deus” (II Timóteo 3:16) e nos- aridez de tais ideologias humanas, muitos day Adventist College Classes (Mountain
View, Calif.: Pacific Press Publ. Assn.,
sa compreensão de inspiração deveria outros estão buscando um fundamento 1959), p. 17.

14 Diálogo 13:3 2001


Interpretação de dados:
Conhecendo a diferença
C
by Elaine Kennedy onsidere as seguintes declarações: separar os dados das interpretações jaz
Declaração 1: (A) é um ser hu- no contexto das alegações dos compên-
mano. (B) é um gorila. Entre A e B dios. Eles são as fontes primárias de in-
há muitas semelhanças, mas A possui formação em qualquer sala de aula; con-
muitos atributos superiores quando tudo, nas classes de ciências, os dados
comparado com B. comunicados são freqüentemente mais
Declaração 2: As semelhanças mos- interpretativos do que informativos. Os
tram que tanto A como o B têm uma ori- estudantes desde cedo precisam de tre-
gem comum. As superioridades sugerem inamento com respeito à identificação
Interpretações opcionais e que A evoluiu de B durante de milhões de dados em exercícios provenientes dos
de anos. compêndios. O desenvolvimento de tais
Declaração 3: As semelhanças mos- exercícios requerará esforço adicional
múltiplas de dados não são tram que tanto A como B tiveram uma por parte dos professores, mas deverá
origem comum: o Deus criador. Os produzir mais análise dos estudantes e
atributos superiores de A revelam que menos explicação dos professores, à me-
apenas possíveis, mas Deus escolheu criar seres humanos a Sua dida que a classe progride.
própria imagem, e que esse não foi o
caso na criação dos animais. Conhecendo a diferença
comprováveis. A declaração 1 é dado, informação— Que é informação? Qual é a diferença
observável, cognoscível e aberto à ex- entre informação e interpretação? A in-
periência. As declarações 2 e 3 são inter- formação consiste em mensurações e ob-
pretações dos fatos, uma feita por um servações, usadas como base de racio-
evolucionista e a outra por um criacion- cínio, discussão ou cálculo. 1 Dados ob-
ista. serváveis são normalmente considerados
Essa simples ilustração revela que o como fatos inalteráveis, mas podem ou
conhecimento ou informação pode ser di- não ser verdadeiros. À medida que a tec-
vidido em dois conceitos distintos: dados nologia e a ciência progredirem, “fatos”
e interpretação. Visto que os dados estão serão descartados, modificados ou substi-
sujeitos a variadas interpretações, tuídos por novos dados. Por exemplo,
estudantes e pesquisadores precisam dis- medições podem formar a base para
tinguir cuidadosamente entre a infor- identificação [avaliação], isto é, a inter-
mação que constitui os dados coligidos e a pretação de um objeto ou fenômeno. Os
“informação” deles derivada, que é apre- fósseis de organismos extintos são ami-
sentada como evidência em apoio de uma udadamente identificados com base em
hipótese. Os cientistas esforçam-se para medições das várias partes das estruturas
ser tão objetivos quanto possível, mas di- preservadas de seus corpos. A exatidão e
versos fatores (preconceitos) influenciam precisão das medições tornam difícil a
a escolha e a interpretação dos dados. identificação correta, porque sobre os
A distinção entre dados e interpre- muitos componentes de uma extinta fau-
tação não é menos importante na classe na conchosa, os cientistas não sabem se
de ciências do que no laboratório cientí- os grandes organismos que têm ou não
fico. A maior dificuldade no processo de estruturas semelhantes aos pequenos,

Diálogo 13:3 2001 15


representam diferentes espécies, gêneros, Quão válida é, justamente, a identifi- tral, que pode ser um fragmento de
ou estágios de desenvolvimento. As iden- cação? As identificações podem ser feitas outra espécie de rocha ou talvez
tificações ou cálculos em si não são da- usando comparações com padrões. Por uma parte do material conchoso,
dos, mas interpretações. Muito da con- exemplo, três finas seções podem ter a em torno do qual o carbonato de
trovérsia que existe na literatura científi- mesma composição mineral, mas os con- cálcio se precipitou. Essa infor-
ca é causada por um problema bastante tatos minerais podem ser bem diferentes. mação estrutural combinada com a
significativo: a interpretação feita a partir Se os grãos do mineral estão entrelaça- redondeza das partículas identifica
de limitados bancos de dados. Esse ponto dos, a rocha é ígnea. Se os grãos do miner- as contas como oólitos. Nesse ponto
precisa ser enfatizado em cada capítulo al estão alterados, distorcidos, alongados poder-se-ia pensar que o exercício
estudado nas aulas de ciência. e alinhados, é uma rocha metamórfica. Os estaria terminado, e que a identifi-
mesmos minerais juntamente consolida- cação é tão simples e direta como o
A complexidade de dados e dos formam uma rocha sedimentar. Quan- reconhecimento do mineral. Con-
interpretações do termos e procedimentos são bem tudo, um terceiro nível de interpre-
Como ilustração de uma complexa definidos, a identificação é bastante fácil tação é introduzido para explicar
interação entre dados e interpretações, e relativamente confiável. como os oólitos se formaram.
considere dois passos envolvidos no Visto que os dados são limitados ao 3. O terceiro nível depende de obser-
processo de simples identificação de que podemos mensurar ou observar vações feitas em ambientes atuais.
rochas e minerais. diretamente, os professores devem pro- Os geólogos sabem que os oólitos
Passo 1. interpretações das propriedades mover a capacidade de seus estudantes são formados próximos a uma pra-
luminosas dos minerais. As propriedades na interpretação de dados, de modo que ia, pela agitação da água salina
luminosas dos minerais são descritas a eles possam tirar conclusões dignas de quente e rasa.
partir do exame microscópico de uma confiança. Uma interpretação é uma ex- 4. Os pesquisadores aplicam esse con-
fatia muito delgada de rocha (comu- plicação, um modo de apresentar a in- hecimento às rochas oolíticas en-
mente chamada “seção delgada”). A luz formação em termos compreensíveis. As contradas em encostas de mon-
polarizada (ondas de luz que vibram interpretações são limitadas pela dis- tanhas. Em outras palavras, os
num plano particular) é usada para efet- ponibilidade dos dados e pelo precon- geólogos usam o que sabem a re-
uar uma série de testes sobre as pro- ceito do observador. speito do cenário moderno e inter-
priedades luminosas de cada seção del- pretam o quadro antigo de acordo
gada do mineral. Os testes provêem um Níveis múltiplos de interpretação com isso. Supõem que os oólitos
banco visual de dados sobre padrões de Existem diversos níveis de interpre- da montanha se formaram naque-
transmissão de luz. Os mineralogistas tação. Por exemplo, o nome oólito não le local, no passado, do mesmo
usam esses padrões para determinar a somente identifica um tipo particular de modo que os oólitos oceânicos ou
composição mineral da amostra. A iden- rocha, mas também implica numa os do Grande Lago Salgado em
tificação dos minerais é uma interpre- história inteira de exigências ambientais Utah. Essa interpretação implica
tação baseada nos dados de propriedade e de condições de depósito para sua for- que os oólitos não se formam de
luminosa. mação. Como pode um nome conter nenhum outro modo. O racio-
Passo 2. Determinação do tipo de rocha. tanta informação interpretativa? cínio parece bastante lógico e a
Examinando-se o contato de um miner- 1. Uma fina seção feita de partículas conclusão óbvia; contudo, essa as-
al com outro, e medindo quanto de cada arredondadas, semelhantes a con- sociação pode não ser verdadeira.
mineral acha-se presente, pode-se deter- tas unidas, precisa ser identificada, O exercício não terminou. Esta
minar o tipo de rocha. Um geólogo que em primeiro lugar, com respeito a série de interpretações é agora
identifica a rocha considera as infor- sua mineralização. Por con- acrescida a outros dados com múl-
mações das identificações do mineral seguinte, o primeiro nível de inter- tiplas interpretações, para nos le-
como sendo “dados”, embora a identifi- pretação é identificar a com- var à descrição final da exposição
cação da rocha seja realmente uma in- posição mineral das pequenas de uma rocha particular. Esse pro-
terpretação de uma interpretação. (Os contas. Com fins a essa ilustração, cesso é duplicado em outras ex-
“dados” mineralógicos foram determi- vamos identificá-las como partícu- posições ou afloramentos de rocha
nados originalmente a partir das infor- las de carbonato de cálcio. sobre uma região mais ampla, para
mações sobre a propriedade luminosa). 2. A identificação da estrutura dessa desenvolver um modelo.
O ponto é que o escopo do que constitui rocha feita de contas é baseada no 5. Os geólogos usam outros tipos de
um dado é realmente bastante estreito. reconhecimento de um objeto cen- rocha e dados adicionais para de-

16 Diálogo 13:3 2001


senvolver modelos que descrevem
eventos geológicos na história da
Terra. Por exemplo, grãos de quart- Can you find the data?
zo solidificados são chamados
The article below is typical of the science news published in newspapers around the
arenitos. Os desenhos dos arenitos
world. It contains a lot of information but not all of it is scientific data. Circle or underline
podem ser devidos a um processo
the data as you read through the “news” and then check your answers on page 18. What
conhecido como camadas cruza-
can you conclude from just the data?
das. Tipicamente, as camadas
cruzadas são formadas quando cor-
rentes (vento e/ou água) depositam
areia ou sedimento no sotavento
Rich Fossil Deposit Found
The New York Times, March 27, 1984. (Reprinted by permission.)
das dunas. Integrando uma ampla
coleção de dados e interpretações
What is believed to be the richest de- Age animals, said the specimens all
(minerais, rochas, oólitos e cama-
posit of early Ice Age fossils ever found seemed to be of the primitive types that
das cruzadas), os geólogos podem
in North America has been partly uncov- lived from 1.5 million to 1.9 million
agora desenvolver o quinto nível
ered in a quarry near Apollo Beach, Fla. years ago.
de interpretação: a modelagem. Os
It is expected that the deposit will ulti- The find was made by Frank Garcia,
modelos oferecem aos cientistas
mately yield as many as 60 species. an amateur paleontologist, regarded by
uma estrutura geral para o desen-
However, only after the deposit has Webb as “one of our best in Florida.”
volvimento de predições e aval-
been fully excavated, and the specimens Last fall, Garcia found a few tantalizing
iação de eventos que podem ter
assembled and prepared for study, will it specimens in the pit, from which sea-
ocorrido no passado.2
be possible to assess the full significance shells were being excavated for road sur-
Assim, a diferença distinta entre da-
of the find, researchers say. facing. This encouraged him to dig
dos e interpretação precisa ser utilizada
Those fossils found to date range deeper and, between two thick shell de-
ao se avaliar uma pesquisa. Os dados são
from Ice Age elephants (mammoths and posits, he found a highly concentrated
realmente medições e observações. As
mastodons) to long necked camels and bone deposit two feet thick.
interpretações tentam identificar ou ex-
what appears to be a new species of lla- The bones appear jumbled and disar-
plicar o que foi medido e observado. A
ma. There are bones from large birds re- ticulated, rather than as intact skeletons
validez de uma interpretação está basea-
sembling the California condor, the An- lying where the animal died. Such depos-
da sobre quão bem ela se acomoda aos
dean vulture, and a big extinct turkey its in Alaska have been attributed to water
dados disponíveis. As interpretações po-
vulture. action that swept many animal remains
dem mudar se a base de dados se altera.
Although the site is now near the into a single streambed. Webb believes
Essa interação entre dados e interpre-
edge of Tampa Bay, Dr. S. David Webb the deposits should provide much infor-
tações é que torna a ciência tão bem-
of the Florida State Museum in Gaines- mation on faunal exchanges between
sucedida e progressiva.
ville suspects, from the typical habitat of North and South America soon after the
such birds, that the animals were all liv- Isthmus of Panama rose from the sea and
Preconceito durante a aquisição de
ing far inland. The sea may have been provided a bridge between the continents.
dados
“pretty far out in the Gulf,” he said in a Species found in the pit seem to dis-
Os cientistas estão conscientes de que
telephone interview on Monday. play links to animals that evolved on
estão sujeitos a erros e equívocos. Por
Webb, a recognized authority on Ice both continents.
isso tentam manter uma atitude de obje-
tividade na pesquisa.3 Esse compromisso
com a objetividade criou uma espécie de
aura em volta dos cientistas e, infeliz- ram refutadas e as questões resolvidas. é científico; portanto, por definição, a
mente, a ciência desenvolveu uma ima- Assim se desenvolve um falso senso de ciência da criação não pode ser verda-
gem popular de “infalibilidade”. As pes- segurança na ciência. deira. Tal atitude deixa de reconhecer
soas freqüentemente preferem crer que Alguns cientistas pouco fazem para seus próprios preconceitos.4
os cientistas são objetivos e que lidam apagar tal reputação. Para complicar as Eis alguns preconceitos que influen-
com valores absolutos. Alguns pensam coisas, a comunidade científica adotou a ciam a ciência—alguns fatores técnicos,
mesmo que quando o cientista tira uma posição de que qualquer pesquisador sutis e inconscientes.
conclusão, todas as teorias contrárias fo- que tenha uma propensão religiosa não 1. Constrangimentos na amostra. O

Diálogo 13:3 2001 17


primeiro problema na coleta de 3. Constrangimentos tecnológicos. Os ci- atual.9 Sem artigos publicados, sem
dados é o preconceito na amostra- entistas têm agora a possibilidade dinheiro para a pesquisa. É tão sim-
gem. Todo cientista tem idéias pre- de incorporar grandes quantidades ples. Os rigorosos testes propostos
concebidas sobre a pesquisa, as de dados e interpretações a mode- pelo método científico podem sair
quais influenciam a seleção de da- los gerados por computadores, muito caros; assim, idéias e con-
dos. A amostragem aleatória ajuda através de análises que envolvem ceitos aparecem logo na imprensa e
a minimizar os problemas,5 mas reconhecimento de modelo. Con- são citados em publicações ulteri-
ainda mesmo há escolhas que fa- tudo, gigantescos bancos de dados ores. O arrocho financeiro está au-
vorecem uma hipótese particular. não significam necessariamente mentando o preconceito técnico ao
2. Erros sistemáticos. Um cientista que os modelos refletem adequada- limitar o processo experimental. Os
pode ter um “ponto cego”, uma mente sistemas e processos com- estudantes deveriam estar cientes
falha no reconhecimento de da- plexos. O desenvolvimento de de que o financiamento da pes-
dos. Por exemplo, é comum aos modelos simplificados mediante quisa tem bastante controle sobre a
paleontólogos que se especializam sistemas gerados por computador pesquisa publicada.
em fósseis de caracóis, coletar produz preconceito tecnológico,
maior variedade de gastrópodes na porque os parâmetros simplifica- Implicações para a ciência e a
montanha do que qualquer outro dos impõem limites na aplicação religião
lugar. No entanto, o mesmo indi- do modelo aos sistemas reais.7 Quando se trata da relação entre ciên-
víduo terá menos ostras e corais 4. Qualidade de dados. A análise de cia e religião, diversos pontos precisam ser
do que outros colecionadores de dados introduz preconceitos devi- notados. Primeiro, nem todos os dados
fósseis. Esses outros fósseis podem dos às interpretações qualitativas são mensurados corretamente, e às vezes é
ter uma influência significativa so- ou subjetivas inclusas. Por exemp- difícil diferenciar entre dados e interpre-
bre a interpretação daquele local, lo, na análise dos dados de potás- tação. Certamente muitas interpretações
mas o preconceito do pesquisador sio-argônio, a quantidade de opcionais de qualquer base de dados são
elimina tal contribuição. potássio e argônio pode ser medi- não somente possíveis mas prováveis. In-
Além dos problemas envolvi- da bem acurada e precisamente. terpretar os dados pode ser muito com-
dos na obtenção de dados, seu Todavia, é difícil saber exatamente plexo; não obstante, o cenário mais sim-
processamento pode introduzir o que os dados significam, e as ples é usualmente preferido ao mais com-
preconceitos técnicos sistemáti- conclusões relativas à idade de- plexo no desenvolvimento de teorias. Seg-
cos.6 pendem muito das numerosas undo, o preconceito está presente em
Um processo equivocado não pressuposições e problemas que qualquer interpretação, porque todas as
reconhecido ou uma fórmula surgem dentro do contexto da interpretações científicas são, no mínimo,
matemática aplicada incorreta- metodologia.8 A tecnologia atual parcialmente subjetivas. Terceiro, precisa-
mente, ou ainda uma análise es- não mede a idade da rocha direta- mos compreender a natureza da ciência e
tatística no processamento de da- mente, assim as conclusões são in- como os cientistas trabalham. As pessoas
dos, introduz um erro sistemático fluenciadas. Os dados descritivos por vezes ficam desanimadas porque as
ou preconceitos nos resultados. são ainda mais problemáticos. interpretações científicas estão mudando
5. Constrangimentos financeiros. O constantemente, e assim não sabem no
método científico requer testes rig- que crer. Contudo, essa é a natureza da
Answers to page 17 orosos antes que qualquer teoria ciência; é assim que ela avança. Uma vez
possa ser aceita. No entanto, con- que se compreenda realmente esse aspec-
The scientific data included in the strangimentos temporais e finan- to da ciência, as pessoas ficam relutantes
news item are: (1) In a quarry near ceiros limitam arduamente o pro- em basear crenças teológicas sobre dados
Apollo Beach, Florida, (2) disarticulat- cesso de testes. Novos dados são in- específicos ou conceitos científicos. Quar-
ed fossil bones were found, (3) some corporados na teoria corrente to, embora a ciência possa ser útil e prover
of which belonged to large birds. (4) porque é mais fácil ter material informação relevante, ela não deveria di-
The fossil bones were located between publicado se ele for geralmente tar a teologia de ninguém. Se se permite
two shell deposits (5) that were two aceito pela comunidade científica. que a ciência dite a teologia, então cada
feet thick. O processo de financiamento tem vez que as interpretações científicas mu-
uma incrível influência na pesquisa darem, a teologia precisa ser alterada,

18 Diálogo 13:3 2001


quer essa alteração seja consistente com que há um modo melhor de abordar a Sciences Press, 1989), p. 1.
4. Del Ratzsch, The Battle of Beginnings: Why
nossa crença e experiências ou não. Ao ciência. A partir dessa perspectiva, algu- Neither Side Is Winning the Creation–
mesmo tempo, a teologia não devia ditar ma harmonia entre a ciência e Bíblia Evolution Debate (Downers Grove, Illinois:
a ciência de ninguém. Conceitos tais pode ser reconhecida. Com efeito, os InterVarsity Press, 1996), pp. 158-179. See
also Philip E. Johnson, Darwin on Trial
como “fixidez das espécies”, baseados cristãos esperam harmonia porque re- (Downers Grove, Illinois: InterVarsity
numa teologia pessoal mantida por conhecem Deus como o Criador da Na- Press, 1991), pp. 6-12.
muitos nos séculos 17 e 18,10 e a teoria de tureza e de suas leis científicas. 5. Ayala et al, p. 5.
6. Ibid p. 5, 6.
uma “terra achatada” são algumas das 7. Ibid, p. 6.
idéias que contribuíram para o conflito Elaine Kennedy (Ph.D. pela Univer- 8. C M. R. Fowler, the Solid Earth: An
entre a ciência e a teologia. A Bíblia pode sidade do Sul da Califórnia) é geóloga e pes- Introduction to Global Geophysics
(Cambridge University Press, 1998), p.
fornecer hipóteses legítimas e constrangi- quisadora do Geoscience Research Institute. 192.
mento para a ciência. Com efeito, a Es- Seu endereço postal: 11060 Campus Street; 9 Francisco J. Ayala and Bert Black, “Science
critura, como fonte de informação, sugere Loma Linda, Califórnia, 92350; EUA. E- and the Courts,” American Scientist 81
(1998): 230-239.
avenidas de investigação que não seriam mail:ekennedy@univ.llu.edu Você também 10. J. Browne, The Secular Ark (New Haven,
consideradas pela maioria de pessoas não- pode consultar o web site do Instituto: Conn.: Yale University Press, 1983), pp.
cristãs. Tal pesquisa deveria reconhecer www.grisda.org 21-23.
11. Colin Norman, “Nobelists Unite Against
qualquer tendência bíblica que possa estar ‘Creation Science,’” Science 233 (1986):
presente, e todos os dados devem ser im- Notas e referências 935.
parcialmente avaliados. 1. Webster’s College Dictionary, 1991. 12. Ibid, p. 935.
2. Andrew D. Miall, Principles of Sedimentary 13. Alan Baharlou, 1978. Personal
Basin Analysis (New York: Springer- communication that echoes sentiment of
Conclusões Verlag, 1984), p. 3. James Hutton in 1788, “The results,
Os cientistas têm bastante confiança 3. Francisco Ayala, Robert McCormick therefore, of our present inquiry is, that
Adams, Mary-Dell Chilton, Gerald Holton, we find no vestige of a beginning—no
de que sabem o que estão fazendo. To- prospect of an end” (from Transactions of
Kumar Patel, Frank Press, Michael Ruse,
davia, especialmente na área das ori- and Philip Sharp, On Being a Scientist the Royal Society of Edinburgh).
gens, a ciência sozinha não pode avaliar (Washington, D.C.: National Academy of 14. 2 Peter 3:3-10.
a base de dados completa, porque a
abordagem científica não leva em con-
sideração a possibilidade de envolvi-
mento sobrenatural em a Natureza e na
Subscribe to Dialogue

A
fter long, hard work, you finally have your diploma in hand. Great! And
história de nosso planeta. A maioria dos
now that you’re in the big wide world, you’re doing your best to stay a
cientistas crê que há conflitos irreconcil-
committed Christian. A life-long learner. That’s tough! Stay in touch
iáveis entre a ciência e a Bíblia. Por ex-
with the best of Adventist thought and action around the globe. Get into Dia-
emplo, Ayala afirma: “Pretender que as
logue with us!
declarações de Gênesis sejam verdade
científica é negar toda a evidência.”12 A One year subscription (3 issues): US$12.00; Back issues: US$4.00 each.
evidência não prova uma longa nem
I’d like to subscribe to Dialogue in: ❏ English ❏ French ❏ Portuguese ❏ Spanish
uma curta história para a vida. A evidên-
cia disponível provê muito pouca infor- Issues: ❏ Begin my subscription with the next issue.
mação. Os dados não são o problema ❏ I’d like to receive these back issues: Vol.___, No.___
primário na reconciliação entre a ciên- Payment: ❏ I’m enclosing an international check or money order.
cia e a Bíblia. É a interpretação dos da- ❏ My MASTERCARD or VISA # is _________________________________
dos que apresenta conflitos. Tem sido Expiration Date _____________
dito: “Não somente é o presente a chave Please Print
do passado, mas a chave do futuro.”13 Name: _______________________________________________________________
Tanto os relatos históricos de um Address: _______________________________________________________________
Dilúvio universal quanto as declarações
proféticas do segundo advento de Cris- _______________________________________________________________
to, proclamam a falsidade de tal con- Mail it to: Dialogue Subscriptions, Linda Torske; 12501 Old Columbia Pike;
ceito.14 Para os cristãos, a Bíblia fornece Silver Spring, MD 20904-6600; U.S.A. Fax: 301-622-9627
uma fonte de informação que sugere E-mail: 110173.1405@compuserve.com

Diálogo 13:3 2001 19


Perfis
Gwendolyn
Winston Foster
Dialogue with Philadelphia’s Health and Fitness Czar

P
hiladelphia, Pennsylvania, native Gwendolyn Winston Foster has been a they do is so entrenched in tradition
health educator for most of her life. She considered becoming a physician and policy that we couldn’t do anything
like her brothers, but decided that she would rather prevent disease than exciting. As Health Czar, I’m account-
treat it. While raising her three young children, she moved to Loma Linda, Cali- able to the mayor, but I can work out-
fornia, where she earned a Master of Science in Public Health degree from Loma side the box. Someone said, “You and
Linda University. She continues to serve on its board. the mayor are alike; both of you are un-
When in 1978 the Allegheny East Conference of Seventh-day Adventists orthodox.” I said, “That’s right, we are.”
elected Foster to serve as its Health Ministries director, she set a precedent by
becoming the only full-time person in that position in the North American Divi- ■ You have worked for the church most of
sion. Always willing to innovate, she developed Fitness for Life, a lifestyle recon- your life, you came into this secular environ-
ditioning program that eventually became the basis for an annual two-week ment, and you’re a friend of the mayor.
live-in program on the conference campus in Pine Forge, Pennsylvania. People What was it like making the transition?
came from all over the United States to participate in “Fitness Camp,” where Scary. I had always worked in what I
she demonstrated dramatic results in helping people overcome chronic lifestyle now say is the “safe” environment of
diseases. the church. I had thought then that
For five years Foster hosted a “Fitness for Life” call-in talk show that was there were no challenges like the ones
broadcast on Philadelphia radio station WHAT. She also served as health editor there. Now I feel that God was prepar-
of Message, an Adventist journal targeted to African-Americans. In addition, ing me for these even greater challeng-
she developed a Lifestyle Certification program for lay people that was eventu- es.
ally adopted by the North American Division.
In February 2000, Mayor John Street of Philadelphia, Pennsylvania, an ■ What particular challenges did you face?
Adventist and lifelong friend of Foster’s, established the Office of Health and I wasn’t prepared for the political
Fitness and appointed Foster the Health Czar. She oversees the health initiative challenges. It’s a whole different con-
“Fun, Fit & Free” that has transformed the city, which had formerly been text: a dog-eat-dog world. Being a friend
dubbed the “Fattest City in the United States” by a national health magazine. of the mayor—when he introduced me
People from all over the world have come to Philadelphia to see how Foster op- he said, “She’s like my sister”— doesn’t
erates, and she has begun sharing her program model with other cities. help in the political world. In fact, it al-
In addition to her passion for health, Foster loves music. She served for many most hurts, because people are just wait-
years as music director for the Allegheny East Conference and has directed sev- ing for an opportunity to see if you get a
eral outstanding choirs. Her production of Handel’s Messiah at her church, special break. We’ve decided that won’t
Ebenezer Seventh-day Adventist in Philadelphia, is a favorite among music lov- happen. We have an understanding that
ers on the Eastern seaboard. there will be no special perks. If I get
something, it will be because I earned
■ How did your position, Health and Fitness it.” I said to myself, “It will be three or it—not because I got any special favors.
Czar, come about? four years before that happens,” so I al-
In 1996, when John Street was presi- most forgot about it. Of course, he men- ■ How do you prepare yourself for the chal-
dent of the Philadelphia City Council, tioned it again when he got elected. The lenges?
he said to me, “If I should run for may- position, Health Czar, developed because I usually get up at 4:30, but this
or, I’d like you to do some health things at first we discussed working within the morning I got up even earlier, at 3:45. I
in the city.” I said, “Yeah, right,” be- Department of Health, but we thought have to spend a solid two hours every
cause I always saw myself retiring from better of that because it’s almost impos- morning with the Lord. Part of that
the conference. He said, “Think about sible to change their structure. What time is spent walking in the park near

20 Diálogo 13:3 2001


our home. The more challenges I face, bring it up. Reporters ask, “Where did We want to study the Bible with you.”
the more time I have to spend with the you get your ideas?” I didn’t make up We meet Muslims and others, but most
Lord. If I miss a day, that’s when it’s the eight natural remedies, so I have to religious values and principles are the
scary. I say every day, “Lord, it’s going to tell them my background. same. I have no problem sharing my
be amazing today how You do things. faith. I love it!
How are You going to work this out?” ■ How does your staff relate to your Sab-
It’s an adventure, but I have to spend bath observance? ■ What advice would you give young people
the time with Him so I can know His You should hear the secretaries talk- starting their careers in a secular environ-
plan. I’m not smart enough. I certainly ing to people on the telephone when ment?
don’t have the political savvy. People someone asks if I would lead out in a You can witness in any arena. The
come to me and ask, “Where did you parade or a marathon on Sabbath. They best way is being out in the environ-
learn your politics?” I don’t have poli- say, ”Oh, that’s the Sabbath. Mrs. Foster ment and living it. People are tired of
tics; I just listen to the Lord. That’s liter- doesn’t accept those kinds of engage- hearing sermons; they want to see
ally how I operate every day. ments on Sabbath.” I let them go with them. Every one has a circle of influ-
it. If a church or hope to do those three ence. You may have no idea that people
■ What’s another challenge? times a year. In August, we had a pro- are watching you.
We have zero dollars. We started this gram at a hospital auditorium for seven
office with no dollars, zero, zippo, zilch. weeks, two nights a week. People didn’t ■ Tell me some of your success stories.
I had to raise the money for salaries to think it would work, but out of the 70 A school nurse was going to have her
bring in my staff. people who came, 67 finished, and 31 leg amputated, but she needed to have
never missed a night. That shows you it done before going back to school in
■ How did you raise the money? how desperate people are. We plan September. She heard about our pro-
I identified corporate partners. We those four times a year. We also have a gram and joined it. Of course, her diabe-
meet every first Friday of the month, 30-minute television show on Time tes was under control, her insulin dos-
and we talk about how we want to flesh Warner Cable that airs 7:30 a.m. and age had been cut in half, and she got to
out our program. Of course I had a basic p.m., seven days a week. We also have keep her leg. I received a letter from a
idea, having done it at the conference events for the public. “Dine Out on city worker who attended the seven-
for 23 years, but I still make our partners Healthy Street” happens once a month, week program. He told me he lost eight
an integral part of how the dollars come so local restaurants can show off their pounds, and his waist measurement
to the table. We don’t have anything efforts at making healthy menus avail- came down from 46 inches to 43 inches.
left over, but we go do exciting things so able. That’s the one time I get to see the He ended his letter by saying, “Thank
people will think we have big budgets. mayor because our schedules are so you for your program. Thank you to our
busy. We just held our second annual mayor for hiring a health czar.” Men’s
■ How big is your staff? Fun, Fit & Free Festival where the mayor Fitness magazine, which had designated
We have two secretaries; the city pro- and I led hundreds of Philadelphians on Philadelphia as the fattest city in the
vided one and the other wanted to join a three-mile walk from City Hall to the U.S. in 2000, came back, walked with us,
our staff. I hired Kemba Esmond (for- waterfront at Penn’s landing. Along gave us this big plaque, and congratulat-
merly of the Review and Herald Publish- with the Philadelphia 76ers basketball ed us for creating an awareness of
ing Association, Hagerstown, Mary- team co-owner Pat Croce, we created health—the likes of which had never
land), as my administrative assistant, “76 Tons of Fun,” a weight-loss program been created in the United States or
and Melchior Monk (formerly of Pine for the whole city. around the world.
Forge Academy, Pine Forge, Pennsylva-
nia) as my liaison from this office; their ■ How do you share your faith in the secular Interview by Vikki Montgomery.
salaries were raised by a local pharma- environment in which you work and live?
ceutical company. I don’t have to preach. The principles Vikki Montgomery is the associate
I teach point to a Creator. Most people editor of Liberty magazine. E-mail:
■ Is all of your staff Adventist? agree that an intelligent being had to montvi@nad.adventist.org
No, but they are Christians. Every- come up with these principles. Every- For information on the health programs
body knows that I am a Seventh-day Ad- one who goes through the programs is promoted by the city of Philadelphia, check
ventist. Hardly any article written about in more of a situation to hear the Cre- its web site: www.phila.gov or
me neglects to mention it. I always ator. They ask, “What else have you got? gwen.foster@phila.gov

Diálogo 13:3 2001 21


Perfis
Michael A. Comberiate
Diálogo com um adventista que é cientista de foguetes

M ichael A. Comberiate, diretor de sistemas da NASA (National Aero- ■ Você cresceu como católico. Como você
nautics and Space Administration), em Greenbelt, Maryland, trabalha soube a respeito da Igreja Adventista do Sé-
no Goddard Space Flight Center desde 1969. Ele possui mestrado em timo Dia?
eletrotécnica pela Universidade de Maryland. Como engenheiro, planejou Eu era um daqueles católicos que
circuitos eletrônicos para numerosos projetos de satélites. Algumas dessas realmente questionavam o que criam.
missões foram à Lua e além. Desde 1984, Comberiate empreendeu também Eu procurava entender estes mistérios:
mais de 50 projetos especiais (http://coolspace.gsfc.nasa.gov), envolvendo Três Pessoas num só Deus, o inferno
cooperação entre agências na produção de resultados rápidos com recursos eterno, vida após a morte e assim por
muito limitados. Por recomendação da National Science Foundation, a U.S. diante. Jamais recebi respostas satis-
Geological Survey deu seu nome a uma geleira, em reconhecimento às fatórias. Enquanto procurava, assisti a
contribuições de Michael à moderna exploração da Antártica e outras regiões alguns programas na televisão que fala-
remotas. vam do sábado do sétimo dia e do livro
Respeitado internacionalmente como um líder de idéias inovadoras, ele é do Apocalipse. Fiquei interessado e, um
bem conhecido por seu programa educacional especial chamado, “Seja um dia, minha esposa deu-me um folheto
Cientista”, patrocinado pelo Projeto Aqua da NASA. Desde 1995, seu trabalho da Igreja Adventista do Sétimo Dia, so-
junto à comunidade acadêmica, criou um meio prático e econômico de bre a qual eu pouco sabia. Eles estavam
distribuir, através dos Estados Unidos, sofisticados bancos de dados com oferecendo um seminário sobre o Apoc-
ferramentas e técnicas necessárias ao seu processamento e adaptação às alipse. Fui assisti-lo. A pessoa que profe-
atividades curriculares contínuas. ria as palestras veio até minha casa e
Os outros interesses de Comberiate incluem construção de casas e artes acabamos jogando golfe juntos. Estuda-
marciais. Ele ensina artes marciais desde 1968 e é faixa preta quinto dan mos esses assuntos por alguns anos. Fui
(grau). A participação em campeonatos nacionais e a construção de casas à igreja de Spencerville, Maryland, com
contribuíram para desenvolver nele um forte espírito empreendedor. Ele é ele e passei a freqüentar uma classe
também um viajante habitual, tendo já dado dezessete voltas ao redor do bíblica. Não pensei que pudessem dar
mundo, incluindo sete expedições ao Pólo Sul e três ao Pólo Norte. respostas às questões que eu tinha em
Comberiate descende de uma linhagem de católicos originária do primeiro minha mente mais do que qualquer out-
milênio. Sempre insatisfeito com explicações simplistas para sua fé, ele ra pessoa; mas eles as responderam de
questionou tudo e achou que a Bíblia tem mais respostas do que a maioria dos modo diferente e usaram somente a
cristãos reconhece. Aplicando sua experiência de engenheiro e cientista na Bíblia para isso. Foi uma surpresa para
compreensão desse texto milenar, Michael tem podido desvendar alguns mim. Assim fiquei com eles até obter as
mistérios da maneira lógica que um cientista de foguetes pode aceitar. respostas. Passei a freqüentar a igreja
Comberiate é casado com Karla, uma terapeuta ocupacional e educadora regularmente desde 1988 e fui batizado
doméstica. Eles têm dois filhos e moram numa das casas que construíram fora em setembro de 1994.
de Washington, D.C. Se você quiser enviar-lhes um cartão postal de qualquer
parte do mundo, simplesmente escreva: NASA Mike, 20777, EUA. ■ O que realmente o convenceu a tornar-se
um adventista?
Os mistérios que faziam sentido para
■ O que o inspirou a seguir uma carreira na começando quando eu cursava a escola
mim encaixavam-se perfeitamente na
Administração Nacional de Aeronáutica e elementar, e o lugar para onde eu iria
teologia adventista. Sua compreensão
Espaço (NASA), e a quanto tempo você tra- quando me formasse na Universidade
do estado dos mortos, a definição de in-
balha lá? de Maryland, na década de 1960, era a
ferno e o sábado do sétimo dia harmoni-
A corrida espacial estava apenas NASA. Trabalho lá há mais de 32 anos.
zam-se perfeitamente com uma visão

22 Diálogo 13:3 2001


ampla e que fazia sentido; assim fui cientista de foguetes está mais envolvi- com Deus sobre tudo o que estou fazen-
atraído para a Igreja Adventista. do com aplicações práticas e coisas que do, ao passo que no passado eu não con-
Você pode usar certos textos para pode produzir, do que em simplesmente siderava isso importante. Agora descobri
provar aquilo que quiser. Outra pessoa sentir-se bem. que há esse relacionamento com Deus
pode usar os mesmos textos para provar Como é, então, que ele acaba se tor- que depende de comunicação, e eu gas-
o oposto. Alguém tem de estar errado, nando uma dessas pessoas devotadas a to mais tempo procurando introduzir
mas como descobri-lo? O único modo crenças religiosas? A maioria das pessoas isso no que quer que esteja acontecen-
de solucionar o problema é tendo um considera a religião “o ópio do povo”. do. Quando estou bem, mau, feliz ou
quadro completo. A maior parte das ig- Você tem um sistema de crenças que o triste, converso com Deus.
rejas pára perante as enormes lacunas de faz sentir-se bem, mas o que Deus espera
sua compreensão. Sua versão do enigma é um relacionamento pessoal. ■ Você tem sido bem-sucedido em sua fé e
ainda está cheia de sérias roturas. Quan- Assim, como pode um cientista de trabalho?
do você lida com mistérios, tem espaço foguetes confiar em Deus? Quando o sá- Para mim “sucesso” é viver uma vida
para interpretações. A ciência é muito bio tem um relacionamento com Ele. mais plena e saber que Deus a está
semelhante: A não ser que você tenha as Você pode aprender a falar com Ele. Não partilhando comigo por causa do rela-
respostas, pode formular outra teoria. faz diferença se possui uma base cionamento íntimo que temos em tudo.
Uma vez que você não as saiba, pode dar matemática ou não. O importante é Espero continuar esse relacionamento
início a outra religião. Todos podem diz- manter um relacionamento com Deus. para sempre. A única diferença é que no
er: “Cremos na Bíblia, embora só com- Outra coisa importante é que o siste- Céu não haverá nem tristeza, nem en-
preendamos dez porcento dela. Assim, ma de crença faça sentido. Um cientista fermidade e nem esperas em filas.
noventa por cento de nossa visão são de foguetes pode confiar em Deus se o
compostos de lacunas. Mas aí as pessoas seu conceito sobre Ele faz bastante senti- ■ Que conselho você daria aos estudantes
encobrem esse fato, dizendo: “Espera-se do em vista das evidências observáveis. que lutam para conciliar o conhecimento
que você tenha fé” Isso é um insulto Se eu perguntasse a um ateu: “Em que científico com sua fé adventista?
para uma pessoa com mente científica. espécie de Deus você “não crê?”, haver- Posso ver como a teologia adventista
Fé no quê? Em buracos? ia de descobrir que os ateus também faz sentido lógico e se harmoniza tanto
Penso que nós, adventistas, temos crêem em Deus. Eles simplesmente não com a Bíblia como com os fatos ob-
um quebra-cabeça mais preenchido, e crêem num Deus pessoal. Em outras pa- serváveis. Você também pode fazer isso,
deveríamos usá-lo para defender nossas lavras, eles geralmente acreditam numa se pensar logicamente a respeito. Meu
interpretações da Bíblia, porque se você Causa Primária, que não teve princípio, conselho é que eles achem o modelo de
não conhece a verdade, certamente cr- mas sua questão é se a Causa Primária é como todos os mistérios de seu sistema
erá numa mentira. pessoal. Assim, quando você me diz: de crenças se harmonizam num quadro
“Você é um cientista de foguetes e não coerente, que tem sentido em termos de
■ O que presentemente o inspira a continu- crê em Deus, correto? Você crê em ‘Big evidência observável.
ar seu trabalho? Bangs’ e coisas semelhantes, mas não Explico esse quadro como eu o en-
Na NASA eu tinha a possibilidade de crê num Deus que tem um plano para tendo em meu website
fazer uma diferença positiva. Estamos nós aqui no planeta Terra?” Eu digo: [www.nasamike.com]. Você pode partir
na vanguarda da explosão tecnológica “Não, eu creio. Creio num Deus que daí e desvendar o enigma buscando res-
que é característica de nossa época. Isso pode pensar como eu, o que para mim postas de todo o coração. Você deve usar
está mudando o modo como fazemos as significa que Deus é pessoal.” o método científico para coligir os fatos,
coisas. mas então precisa tomar uma decisão
■ A conversão fez com que você reconsider- emocional sobre como irá responder
■ Conte-nos a respeito do seu livro How a asse suas aspirações profissionais? àquilo que entende ser a verdade.
Rocket Scientist Can Trust God (Como um Não. Minha conversão foi um proces-
Cientista de Foguetes Pode Crer em Deus). so lento, desenvolvido com o tempo. Entrevista por
Geralmente as pessoas pensam num Sempre me considerei como alguém que Kimberly Luste Maran
cientista de foguetes como alguém real- procura a verdade. Procuro respostas
mente lógico, um perito em matemática com todo o meu coração. Assim, onde Kimberly Luste Maran é editora-assis-
e nas coisas do mundo, que não está in- eu estava naquele tempo e onde estou tente da Adventist Review:
teressado em qualquer conjunto de agora não é tão importante, visto que www.adventistreview.org
crenças emocionais ou passionais. Um ainda estou procurando. Agora converso

Diálogo 13:3 2001 23


Logos
A hora mais gloriosa de
by Roy Gane Calebe

N ascido como escravo, com um


nome cujo significado é “cão”.
“Olá, menino escravo, qual é
seu nome?”
das, gigantes. Os corações se derreteram
e a Terra Prometida subitamente pareceu
pouco promissora. Perdendo sua ex-
periência pré-cristã, os israelitas murmu-
certo não ouviria Josué. Mas Calebe não
tinha essa ligação especial. Ele podia
facilmente ter-se posto ao lado dos out-
ros dez espias. Afinal, não constituíam
“Meu nome é Calebe, senhor.” raram: “Porquanto o Senhor nos abor- eles a maioria?
“Cão... hum, isso é apropriado.” rece, nos tirou da terra do Egito para nos Era a teocracia e não a maioria que
Mas Deus libertou Calebe e seu povo. entregar nas mãos dos amorreus e de- regia o coração de Calebe. A democracia
A maioria dos israelitas nunca com- struir-nos” (Deuteronômio 1:27). “O poderia ser uma coisa boa, mas nem
preendeu plenamente o que era a liber- perfeito amor lança fora o temor” (Com- mesmo o voto majoritário poderia des-
dade. Eles pensavam nela como leite e parar com I João 4:18). viar a determinação de Calebe de seguir
mel, em vez de panelas de carne e cebo- Moisés tentou tranqüilizar o povo, o Senhor. Talvez por um breve e bril-
las. Pensavam que o homem com sua mas o clamor dos queixosos simples- hante momento a coragem de Calebe
vara mágica devia levá-los confortavel- mente aumentou. Então um homem se acendeu uma centelha de esperança.
mente à Terra Prometida num instante. adiantou e exclamou: Has!, que em he- Mas foi logo apagada quando a maioria
Mas quando viram os obstáculos surgin- braico corresponde ao nosso “silêncio!”. assomou à plataforma e começou a dis-
do no horizonte, o alimento e a água Era Calebe de Judá. Ele não era um elo- cursar contrariamente. Decididos a
sumindo ou o homem com o cajado de- qüente orador motivacional, mas suas produzir depressão, falaram mal do país
saparecer numa montanha por algumas palavras deviam ser um lema e a que antes tinham louvado, dizendo que
semanas, sua liberdade tornou-se um declaração de missão de qualquer um “ele devora seus habitantes.” Eles exag-
caos, suas papilas gustativas se lem- que deseje entrar no descanso do Sen- eraram comparando-se a gafanhotos na
braram das panelas de carne do Egito e hor, na terra melhor que Ele prometeu. presença dos habitantes de Canaã. Dis-
eles ansiaram pela escravatura, porque Calebe insistiu: “Subamos e possuamos seram ter visto os nefilins, descendentes
era isso que eles eram—ainda escravos a terra, porque certamente prevalecere- dos famosos gigantes que viviam antes
no coração. mos contra ela” (Números 13:30). do Dilúvio. Canaã era um parque jurás-
Calebe era diferente. Ele sabia que a sico habitado por “humanossauros”.
liberdade era para servir um novo e divi- Quimérico? Durante toda aquela noite os israeli-
no Mestre. Outros olhavam ao seu redor “Certamente prevaleceremos.” Qui- tas regaram o deserto de Parã com suas
e queixavam-se a Moisés, mas Calebe via mérico?! Calebe sabia como eram as for- lágrimas, e na manhã seguinte, levant-
a coluna radiante de nuvem e glorifica- tificações e os gigantes porque, diferente- aram-se para se rebelar contra seus lí-
va ao Deus que o tinha libertado. mente do resto do povo, ele os tinha vis- deres Moisés e Aarão. Josué e Calebe ras-
Cedo ou tarde a diferença de atitude to. Seu povo carecia de pessoal, recursos, garam suas vestes e pleitearam com o
entre Calebe e o povo os levaria a uma infra-estrutura e orçamento para vencer povo, mas nada conseguiram em troca
colisão frontal. Aconteceu em Cades- os obstáculos. Mas quando Calebe disse : senão ameaças: A congregação prome-
Barnéia e no deserto de Parã, quando ele “Certamente prevaleceremos”, incluiu o teu apedrejá-los (Números 14:10).
voltou de espiar a terra de Canaã com Senhor no pronome “nós”, porque Deus Assim Deus sentenciou toda aquela
outros onze chefes de tribo. Os espias estava com Seu povo. geração a uma condenação apropriada
foram unânimes em afirmar que na ter- Por que então Josué, o outro espia, para seu crime. Não entrariam em
ra manava realmente leite e mel, e para não fez um discurso também? Ele con- Canaã e morreriam no deserto, exceto
provar isso trouxeram algumas frutas, cordou com Calebe. Mas ele havia sido Calebe e Josué. Ele distinguiu o leal
inclusive um gigantesco cacho de uvas. assistente de Moisés. Todo o mundo sa- Calebe com uma menção especial:
Mas dez dos espias deram destaque bia que ele tinha interesses na questão. “Porém o Meu servo Calebe, visto que
ao negativo: gente forte, cidades mura- O povo que não escutara a Moisés por nele houve outro espírito e perseverou

24 Diálogo 13:3 2001


em seguir-Me, Eu o farei entrar na terra tar ele seguindo ao Senhor, os gigantes que Calebe não ficou ocioso no deserto.
que espiou, e a sua descendência a pos- eram sua presa natural. Ele ajudou educar a geração seguinte a
suirá” (Números 14:24). Calebe estabeleceu-se em sua her- fazer o que ele fez: seguir o Senhor de
Depois de lamentar novamente, o ança. Mas ouvimos a seu respeito uma todo o coração, esperar grandes coisas, e
povo levantou-se na manhã seguinte pr- vez mais. Ele tinha uma filha chamada ter a certeza de que Deus proveria para
onto para partir: “Eis-nos aqui, e subire- Acsa e queria que ela se casasse com um os Seus, justamente como Calebe
mos ao lugar que o Senhor tem prometi- homem verdadeiro. Assim, como em proveu para sua filha. Aquela geração
do, porquanto havemos pecado” muitos contos de fadas, ele anunciou entrou na Terra Prometida, num mo-
(Números 14:40). Essa foi uma confissão que daria sua filha a um homem que re- mento de crise, e Otniel tornou-se o
sem arrependimento. Previamente indis- alizasse um ato heróico. Nesse caso, a primeiro dos juizes a libertar Israel.
postos a ir aonde Deus os conduzia, ago- façanha era tomar a cidade de Quiriate- Muitos de nós estudamos ou trabal-
ra queriam ir quando Ele não mais estava Sefer, que significa, “Cidade do Livro”. hamos numa cidade de livros. Houve
na direção. Contra a advertência de Otniel ganhou o prêmio e casou-se com batalhas intelectuais no passado e as
Moisés, “temerariamente tentaram subir Acsa, a quem Calebe deu uma gleba de haverá maiores ainda no futuro. Mas ag-
ao cume do monte” (verso 44) e foram terra. ora estamos na posição de Calebe du-
perseguidos em todo o sul da Palestina. Acsa sentiu-se grata pela terra, mas rante os 40 anos. Estamos ensinando ou
Ficando para trás, precipitando-se para prosperar nela sua família necessi- aprendendo como seguir o Senhor de
para a frente, latindo para a árvore erra- taria de água para irrigação. Assim en- todo o coração, em todos os caminhos, a
da. Minha casa, a qual estamos corajou Otniel a pedir um campo com despeito das fortificações, gigantes e
começando a chamar de “Terra dos fontes de águas. Mas Otniel receou pedir tribulações, ao lugar onde o “Cordeiro,
Caninos”, tem dois cães assim. Quando algo mais a seu poderoso sogro. Podem- que está no meio do trono, os apascen-
saio para um passeio, não é natural para os ouvir Acsa dizer: “Vá adiante, Otniel, tará, e lhes servirá de guia para as fontes
Shadow e Prince me seguirem. Es- ele é um bom homem. Você conquistou das águas da vida, e Deus limpará de
forçam-se para escapar da correia a fim uma cidade mas está com medo de falar seus olhos toda a lágrima” (Apocalipse
de serem o cão da frente. Facilmente se com meu pai?” Acsa acabou fazendo ela 7:17).
distraem com um bocado de caça ou um mesma o pedido a Calebe, e ele genero- No livro Primeiros Escritos, justamente
aroma “deliciosamente” repugnante. samente deu-lhe duas fontes (Josué antes de descrever sua primeira visão
Para conseguir controlar os bichinhos, 15:19; Juízes 1:15). (pág. 14), Ellen White escreveu: “Tenho
Connie, minha esposa, levou Shadow procurado apresentar um bom relatório
para ser adestrado. E embora ele e Con- A hora mais gloriosa de Calebe de algumas uvas da Canaã Celestial,
nie tenham tido desacordos sérios, está Portanto, qual foi a hora mais glori- pelo qual muitos me apedrejariam, da
aprendendo a acompanhar-nos enquan- osa de Calebe? Talvez seu discurso em mesma forma como a congregação dese-
to andamos. Isso leva tempo. Cades-Barnéia, quando ele enfrentou jou apedrejar Calebe e Josué por seu
Levou tempo para que os israelitas toda a congregação de Israel? Ou quem relatório. (Núm. 14:10). Mas eu vos de-
aprendessem a acompanhar o Senhor. sabe sua decisão de desafiar os gigantes claro, meus irmãos e irmãs no Senhor,
Ele os educou levando-os pelo deserto de Hebrom? Eu sugeriria outra possibil- que essa é uma terra muito boa e devem-
todo, longe de distrações. idade: A hora mais gloriosa de Calebe foi os subir para possuí-la.”
os 40 anos no deserto. Essa foi real-
Perseguindo os gigantes mente uma espera heróica. Se alguém Roy Gane (Ph.D. pela Universidade da
Quarenta anos não tornaram Calebe tinha direito de queixar-se era Calebe. Califórnia, Berkeley) ensina hebraico bíbli-
mais forte fisicamente. Nem di- Por causa dos erros dos outros ele foi pri- co e línguas do Antigo Oriente Médio no
minuíram sua confiança em Deus. vado de quarenta anos de vida na Terra Seventh-day Adventist Seminary, Andrews
Quando finalmente chegou o tempo de Prometida, onde poderia se deliciar com University. Seu endereço postal: Andrews
conquistar o país, Calebe, com seus 85 leite e mel, assentado debaixo de uma University; Berrien Springs, MI, 49104;
anos, pediu a pior vizinhança: Hebrom, videira ou figueira. Ele não precisava de EUA.
onde havia os maiores gigantes. Como todos aqueles anos extras de aprendiza-
um exemplo aos israelitas e para provar gem. Estava pronto para ir. Mas em vez
a verdade do que ele tinha dito em de apressar-se para conquistar Canaã
Cades-Barnéia, Calebe ofereceu-se para sozinho, ficou com o Senhor e Seu povo
enfrentar o maior desafio e expulsar os faltoso.
gigantes da cidade (Juízes 1:20). Por es- Aprendemos da história de Otniel

Diálogo 13:3 2001 25


Resenha de Livro—Artigo
Demolindo os
ícones da evolução
by Earl Aagaard

Ícones da que há bastante evidência para apoiar aq- ganismo original unicelular e sua forma
Evolução: uilo que é, superficialmente, uma presente. O famoso mapa de Haeckel faz
Ciência ou Mito? proposição absurda. Com efeito, compên- parecer que os embriões primitivos são
Revisão do livro dios de biologia de ginásio e faculdade notavelmente semelhantes, diferencian-
de Jonathan Wells provêem o que parece inicialmente ser a do-se cada vez mais com a idade. Contu-
(Washington, D.C.: evidência convincente que esperamos. do, durante seu estudo dos embriões de
Regnery Publishing O novo livro de Jonathan Wells diz vertebrados, Wells ficou sabendo que os
Inc., 2000, 338 que estamos sendo enganados. desenhos de Haeckel eram um caso clássi-
págs., feita pelo Dr. Wells é um teólogo (Ph.D. pela Univer- co de distorção da evidência. Em seu
Earl Aagaard sidade de Yale) e um biólogo molecular e mapa, Haeckel usou somente espécies cu-
de desenvolvimento (Ph.D. pela Univer- jos embriões concordavam com sua teor-

O
Universo foi planejado ou sidade da Califórnia, Berkeley). Ele ensin- ia. Não satisfeito com isso, ele apresentou
surgiu espontaneamente por ou biologia na Universidade do Estado da embriões que variavam de 1 a 10
meios naturais? Os cristãos con- Califórnia, em Hayword, e fez pesquisa milímetros em tamanho, como se fossem
hecem a resposta há séculos, desde a pós-doutoral em Berkeley. Wells disse que exatamente da mesma grandeza. Pior ain-
breve exposição de Paulo em Romanos entrou na Universidade da Califórnia da, ele com efeito falsificou alguns dos de-
1:20 até o livro de William Paley, Natu- convencido de que todos os organismos senhos, removendo partes de alguns em-
ral Theology. O desígnio, tão evidente no descendiam de um único ancestral co- briões e acrescentando partes a outros –
mundo natural, aponta diretamente mum, mas descobriu durante seus estudos tudo para fazer parecer que a evidência
para um Ser inteligente que planejou e de graduação dados conflitantes com a apoiava sua teoria. Finalmente, ele deixou
criou o Universo e tudo o que nele há. pretensão fundamental de Darwin. Essa fora os primeiros estágios de cada em-
A obra de Charles Darwin mudou essa descoberta deu origem ao livro de sua au- brião, porque neles os espécimes não são
certeza; gradualmente sua antipatia a tudo toria, Icons of Evolution. Nas próprias pala- nada semelhantes, o que contradizia ter-
o que recendesse a sobrenatural conquis- vras de Wells: “Um ícone é uma imagem minantemente sua tese.
tou a comunidade científica. A visão cujo significado vai muito além de uma Talvez a coisa mais chocante sobre a
científica moderna foi expressa por George mera figura. É um símbolo e também um história de Haeckel e seu mapa dos em-
Gaylord Simpson, em 1949: “Embora objeto de reverência.” Seu livro desmas- briões, é que a comunidade científica há
muitos detalhes restem ser revelados, já é cara dez dos maiores “ícones” da muito sabia de sua fraude! Alguns de seus
evidente que todos os fenômenos objeti- Evolução – as dez evidências principais próprios colegas criticaram Haeckel na
vos da história da vida podem ser explica- usadas para apoiar a teoria de Darwin. imprensa, acusando-o mesmo de falsifi-
dos por fatores puramente... materialistas. O mapa embriológico de Haeckel cação. Seu embuste não caiu no esqueci-
O homem é o resultado de um processo natural Visto que Wells estava estudando bio- mento, pois as falsificações foram peri-
sem desígnio, que não o tinha em mente.” logia de desenvolvimento, era natural que odicamente reexpostas na literatura
(itálico acrescentado). o primeiro “ícone” que ele começasse a profissional durante do século 20. Não
Hoje, a (ciência) é geralmente vista questionar fosse o mapa embriológico obstante, os embriões de Haeckel, de uma
como sendo regulada por evidências que produzido por Ernst Haeckel no século 19. forma ou outra, ainda aparecem em livros
podem ser percebidas. Ela usa medidas, Esse mapa ainda é usado em muitos com- de biologia como evidência da ancestral-
análise quantitativa, testes estatísticos, pêndios de biologia. Haeckel ensinava idade comum de todos os vertebrados. A
etc. Visto que os cientistas parecem con- que os embriões de vertebrados primitivos Biologia, de Raven and Johnson, publica-
vencidos por Darwin—a vida é produto eram todos muito semelhantes, porque da em 1999, diz aos estudantes univer-
da matéria, manipulada por leis naturais durante seu desenvolvimento cada em- sitários: “A história evolucionária de um
e eventos aleatórios conjugados à brião (no ovo ou no útero) passava pelos organismo pode ser observada nos desdo-
seleção—o indivíduo supõe naturalmente mesmos estágios de evolução entre o or- bramentos de seu desenvolvimento, com

26 Diálogo 13:3 2001


o embrião exibindo caraterísticas dos em- ismo exige. comunidade científica sabia ser falsa.
briões de seus ancestrais.” Como pode ser Isso explica a excitação dentro da co- Mais ícones
isso, numa comunidade dedicada a re- munidade científica sobre a Biston betular- Há outros oito ícones no livro, que vão
speitar a evidência onde quer que ela a ia, a mariposa salpicada. A história clássica desde os experimentos de Miller-Urey so-
conduza? Wells conta a história toda em é assim contada: Antes da Revolução In- bre a origem da vida, por meio do membro
seu livro, desmantelando convincente- dustrial e da intensa queima de carvão, a de um “pentadactilo” (ou cinco dedos),
mente essa peça de evidência fundamen- Inglaterra não tinha poluição. Nos parques que aparece em todos os vertebrados, até a
tal para a história darwiniana do desen- e florestas vivia a mariposa salpicada, com árvore genealógica de fósseis de cavalo; do
volvimento evolucionário. asas leves “salpicadas” de muitos pontos Archaeopteryx, que pode ser o ancestral de
A mariposa salpicada negros. Essa coloração servia de camufla- todos os pássaros ou simplesmente um
A mariposa salpicada britânica é o ícone gem para a mariposa dormir sobre os tron- pássaro antigo com dentes, dependendo a
no. 2 demolido por Wells. Tem sido uma cos das árvores cobertas de líquen. Antigas quem você pergunta. Aprendemos a
das histórias mais amplamente usadas nos coleções de insetos revelam que havia tam- história de cada um deles, mais a dos ten-
compêndios e sua perda é devastadora, bém umas poucas mariposas verdadeira- tilhões de Darwin, “a Árvore de Vida”, as
porque nenhum outro caso conhecido da mente escuras na população, mas essas se moscas das frutas de quatro asas e o “ícone
biologia se aproxima dele em termos de destacavam contra os líquenes levemente máximo” da evolução humana a partir de
poder persuasivo. Em síntese, quando Dar- coloridos, e sua capacidade de sobrevivên- primitivas criaturas simiescas. Wells de-
win escreveu The Origin of Species, ele sofria cia nunca pôde ser alta. Contudo, quando screve cuidadosamente cada caso e então
com a escassez de exemplos de seleção nat- o pó de carvão cobriu a paisagem em torno o compara à evidência científica publica-
ural no “mundo real”. Tudo o que ele po- das cidades industriais da Inglaterra, os da, tornando claro como cristal que cada
dia oferecer era uma situação substitutiva líquenes morreram e os troncos escureci- um deles, de um modo ou de outro, falsifi-
de “seleção artificial”, o método usado por dos das árvores não mais protegiam as ca a verdade a fim de convencer o público
criadores de cães, cavalos, pombos, etc., mariposas levemente coloridas. Seu núme- de que o darwinismo é verdadeiro.
para produzir as muitas variedades desses ro começou a decrescer, ao mesmo tempo Icons of Evolution tem sido atacado pela
animais domésticos e de fazenda, tão úteis em que as mariposas escuras, agora bem imprensa científica, embora a maior parte
à sociedade. Contudo, há dificuldades no camufladas quando dormiam, tiveram dos revisores admita que Wells está ao
uso da seleção artificial como exemplo op- uma explosão populacional. Finalmente, menos parcialmente correto em sua aval-
erativo da seleção natural. A seleção artifi- nas florestas poluídas, a proporção de iação dos ícones e de seu uso. A aborda-
cial requer uma inteligência preexistente mariposas escuras em relação às claras in- gem usual é chamar Wells de “criacionis-
para dirigir a procriação; para manter o ob- verteu-se. A mariposa salpicada foi ta”, ou mencionar que ele é membro da
jetivo final em mente, e para selecionar aparentemente uma reivindicação de Dar- Igreja da Unificação, como se ataques ad
variações que levem o animal mais próxi- win para a evolução ocorrente por meio hominem de algum modo resolvessem os
mo da “meta” visada pelo criador. Em a de seleção natural. problemas empíricos que seu livro eluci-
Natureza, segundo os darwinistas, não há Exceto que no princípio da década de da. O estilo de Wells é agradável e acessív-
inteligência, nem meta, nem planejamen- 1980, descobriu-se que a história tinha el, e qualquer um que esteja cursando bio-
to, o que torna a analogia extremamente uma falha fatal. As mariposas não logia no segundo grau pode acompanhar-
problemática. Ademais, os criadores têm pousam naturalmente sobre os troncos lhe os argumentos. Todo cristão com in-
descoberto que cada espécie possui um da árvores. As fotografias de todos os teresse nas origens e na “guerra” cultural
“envoltório de variabilidade” ao seu redor; compêndios eram falsificadas. Usavam-se entre teísmo e materialismo devia ler esse
há um limite ao que se pode conseguir mariposas mortas presas às árvores ou livro. Ele nos dá uma mensagem funda-
com seleção e procriação. Podemos criar espécimes vivos atordoados pela luz do mentalmente encorajadora: que a sabe-
cães tão grandes como os são-bernardo e dia e cuidadosamente posicionados no doria darwinista convencional não é
tão pequenos como o chihuahua, mas ponto onde seriam fotografados! Ade- apoiada cientificamente, tanto quanto a
nunca tão grandes quanto cavalos nem tão mais, em algumas áreas não poluídas pela comunidade científica gostaria que crêsse-
pequenos quanto camundongos. À medida fuligem, as mariposas tornaram-se mais mos. A prova está aqui, no uso duvidoso
que o tamanho (ou outro limite) é atingi- escuras ao mesmo tempo. Acontece que dos “Icones da Evolução”.
do, a fertilidade decresce até ao ponto da os cientistas realmente não sabem porque
reprodução tornar-se inviável. Não há ev- as mariposas salpicadas mudaram de cor; Earl Aagaard (Ph.D., Colorado State
idência de que essa limitação possa ser evi- não obstante, 20 anos mais tarde, alguns University) leciona biologia no Pacific
tada nas populações selvagens. Isso im- compêndios de biologia ainda estivessem Union College. Seu endereço: 1 Angwin Ave-
pede a diferenciação radical que o darwin- imprimindo as fotografias e recontando a nue, Angwin, Califórnia 94508, EUA. E-
história darwinista—uma história que a mail: eaagaard@puc.edu

Diálogo 13:3 2001 27


Ponto de Vista
Ética para cientistas:
by Katrina A. Bramstedt um chamado à
responsabilidade
Ao exercer qualquer profissão, nosso melhor modelo ético
é aquele provido por Cristo.

A
biotecnologia é um campo da las. Isso posto, os cientistas têm uma são companheiros devido à natureza da
medicina em rápida expansão. grande responsabilidade para com as pes- ciência como uma profissão. Mesmo a pre-
Os conceitos da série televisiva Star soas que neles confiam, especialmente sença de uma grande diferença de relacio-
Trek (Jornada nas Estrelas), tais como o es- porque muitos dos que se apóiam na ciên- namento havida entre professor e
caneamento do corpo e o tratamento de cia são os mais vulneráveis – os doentes. estudante ou empregador e empregado,
tumores com luz dirigida, são agora práti- não elimina a responsabilidade ética de
cas clínicas normais. Implantes estão dis- Honestidade intelectual dar crédito a quem de direito. Além disso,
poníveis para a terapia de uma série de Como essa responsabilidade toma for- tal atitude responsável promove relações
condições cardíacas, neurológicas e or- ma? De fato, a honestidade intelectual é amistosas e crescimento da ciência, quan-
topédicas. Próteses sintéticas1 e diferentes indispensável para uma pesquisa científi- do os cientistas confiam suficientemente
tipos de substituição de orgãos2 estão che- ca válida. Erros não intencionais são um no outro, ao ponto de partilharem en-
gando. Embora a intenção do cientista questões que diferem daquelas procedent- tre si experiências e conhecimentos.
seja criar uma tecnologia clínica benéfica, es de conduta acintosa, tais como falsifi- Freqüentemente, no curso de uma pes-
os passos entre a pesquisa, o desenvolvi- cação e plágio. Não somente é a falsifi- quisa, formam-se relações que podem po-
mento e os recursos providos ao paciente, cação de dados (mascaramento de infor- tencialmente prejudicar a credibilidade
são numerosos e complexos. As tecnolo- mações ou experiências, adulteração de dos cientistas ou de seu projeto. Esses rel-
gias que poderiam parecer moral e con- dados, etc.) uma violação da confiança acionamentos amiúde tomam a forma de
ceitualmente apropriadas, requerem uma que a sociedade deposita na ciência, como lucro financeiro, tal como a posse de
ponderação ética em cada fase de seu de- também resulta na malversação das escas- ações relacionadas com o projeto ou o pa-
senvolvimento. Mesmo depois da chegada sas finanças e invalida os futuros estudos gamento direto pelo patrocinador. Isso
da tecnologia ao mercado, a responsabil- originários do projeto em questão. Ade- pode ser chamado de um conflito de in-
idade ética não termina. De uma perspec- mais, uma pesquisa dessa natureza tem o teresses, porque tende a prejudicar a obje-
tiva cristã, a mordomia ética de nossos tal- efeito de retardar o progresso da ciência tividade do pesquisador durante o curso
entos dados por Deus e das tecnologias em benefício dos pacientes, porque reduz do projeto. À medida que o financiamen-
deles resultantes, é essencial ao crescimen- ou elimina oportunidades de financia- to de pesquisas pelo governo diminui, e o
to da ciência, para promover sua credibil- mento e cooperação com outros cientis- relacionamento entre universidade e in-
idade e maximizar o benefício de suas apli- tas. A ciência fraudulenta pode também dústria cresce constantemente, questões
cações clínicas. prejudicar os pacientes ao ocultar dados dessa natureza precisam ser exploradas
Um conceito-chave em toda pesquisa potencialmente negativos. por causa de seus efeitos para a ciência
empreendida é a confiabilidade. A so- O plágio pode aparecer em muitas for- como uma profissão, e para os pacientes a
ciedade em geral é inexperiente em assun- mas, mas sua manifestação mais proemi- quem as tecnologias devem beneficiar.
tos de pesquisa e ciência. Por causa disso, nente é a atribuição, por parte de um estu- Mesmo que conflitos de interesses tais
ela deposita sua confiança nos cientistas. dioso, da autoria do trabalho de outro a si como ligações financeiras não possam ser
Reconhece-os como peritos com treina- próprio. Isso não somente é desonesto, evitados, no mínimo deveriam ser revela-
mento e habilidades ímpares que ela mes- como também desrespeita a diligência e a dos a colegas cientistas e à sociedade (du-
ma não possui. Não tendo esse preparo e perícia que o colega empreendeu na con- rante a publicação do artigo, por exemp-
capacidade, as pessoas acham-se numa ceituação ou produção do trabalho. Embo- lo), num esforço de promover a abertura
posição vulnerável. A sociedade espera ra os dois colegas possam estar separados e a objetividade com relação aos dados
que os cientistas lidem com as questões por milhares de quilômetros e sejam gerados. Conquanto possa existir dual-
clínicas difíceis, na esperança de resolvê- desconhecidos um do outro, não obstante idade de interesses, nossas prioridades de-

28 Diálogo 13:3 2001


vem estar alinhadas eticamente. cientes em pesquisas clínicas, os cientis- grande volume de informações a seus
tas têm o dever moral de informá-los estudantes e colegas, e treiná-los a serem
Uso de animais claramente que o experimento está sen- bons conselheiros para outros. O bom
Se bem que este não seja um fórum de do efetuado para coletar dados em aconselhamento é também um testemun-
debates sobre a permissividade ética do benefício de futuros pacientes, e que ho para a sociedade, de que os cientistas se
uso de animais em pesquisa científica, é qualquer benefício imediato obtido pelo preocupam genuinamente com a
claro que poucas ou nenhumas tecnolo- participante na pesquisa é um bônus al- dignidade de sua profissão.
gias chegam à utilização de seres hu- truísta. Na prática de qualquer profissão, nosso
manos, sem primeiro realizar testes com É inapropriado para um cientista de- melhor modelo ético é provido por Cristo.
animais. Sabendo disso, o bem-estar de screver seu estudo de um modo que pode- A ciência é imperfeita e falível, porque os
animais de laboratório precisa ser lembra- ria gerar esperanças falsas para os partici- cientistas são imperfeitos e falíveis. Embo-
do. Segundo nosso dever cristão de pantes. A seleção de pessoas para a partici- ra possamos obter conhecimento, não so-
domínio sobre animais (Gênesis 9:2; pação em experimentos deveria ser feita mos oniscientes e podemos nos meter em
Daniel 2:38), isso bem poderia incluir as- segundo diretrizes estritas emanadas da áreas que alguns achariam ser eticamente
suntos de nutrição, hidratação, abrigo e mesa administrativa da instituição, usan- inapropriadas (ou seja, certos métodos de
cuidado veterinário ao longo do curso da do protocolos aprovados que respeitem a reprodução assistida, manipulação genéti-
experimentação laboratorial. Os estudos segurança e o bem-estar do participante. ca, pesquisa para o prolongamento da
deveriam ser planejados de modo a usar o Os participantes potenciais deveriam rece- vida, etc.). Uma vez que a Bíblia não é pre-
número mínimo de animais para o provi- ber informação ampla sobre o objetivo do scritiva nessas áreas “altamente técnicas”,
mento da validade científica e estatística. estudo e seus riscos, de maneira a poderem os cientistas cristãos deveriam buscar con-
Eles deveriam considerar o uso de modelos compreendê-los. Dever-lhes-ia ser permiti- selho de Deus mediante oração. Nosso Cri-
não-animais quando apropriados (isto é, do oferecerem-se espontaneamente, sem ador nos deu, como Seus administradores,
simulações de computador), e ser planeja- qualquer coerção, como voluntários para talentos e instrumentos para facilitar o
dos de modo a minimizar a dor e o sofri- o estudo. Os danos físicos ou psicológicos avanço da ciência e a promoção da saúde
mento para os irracionais. Todos os estu- deveriam ser minimizados. É preciso que dos pacientes, contudo, esses talentos e
dos deveriam ser aprovados por uma se permita aos participantes retirar-se da instrumentos não podem ser desacompan-
comissão de bem-estar animal, sob a su- pesquisa a qualquer tempo. Privacidade e hados da responsabilidade do uso ético.
pervisão de um veterinário licenciado. confidencialidade deviam ser mantidas, e Tanto o processo como os produtos do
Como ocorre com qualquer experiência os estudos genéticos deveriam incorporar emprego de nossos talentos, estão sujeitos
que se torne insignificante, essa deveria garantias adicionais e apropriadas, inclu- a responsabilidades éticas de respeito às
ser interrompida ou descontinuada, num indo aconselhamento genético. Os partici- pessoas que nos cercam, protegendo-as do
esforço de mordomia ética dos recursos (fi- pantes da pesquisa, quer humanos quer dano e maximizando os benefícios que
nanceiros e outros).3 animais, não deveriam ser usados como nossa pesquisa lhes pode prover.
meios para um fim. Como criaturas de
Aplicação humana Deus, eles são fins em si mesmos e deviam Katrina A. Bramstedt (Ph.D. pela Mo-
O objetivo final da maior parte da estar munidos de todas as proteções dis- nash University) é professora clínica asso-
pesquisa científica é a aplicação humana poníveis e tratados com respeito. ciada no Loma Linda University Center for
direta, e por isso experimentos clínicos Christian Bioethics. Seu endereço postal:
em seres humanos são uma prática cor- Aconselhamento Loma Linda, Califórnia, 92350; EUA. En-
rente. Um engano comum cometido por Um importantíssimo instrumento de dereço E-mail:bioethics@go.com
voluntários de muitos experimentos facilitação das responsabilidades éticas
clínicos, é que eles crêem que sua partic- que mencionei, é o aconselhamento. Tan-
ipação os beneficiará pessoalmente.4 to cientistas jovens como “maduros”, po- Notas e referências
Essa crença é especialmente um risco dem tirar benefício do aconselhamento
para pessoas que não têm seguro médico competente dado por colegas experientes.
e para as quais a participação num ex- Essa orientação deveria tomar a forma tan-
perimento clínico é seu único recurso de to de conselho técnico como de direciona-
“cuidado clínico”. Também é um risco mento moral. Além de prover direção me-
para pacientes que “experimentaram de diante instrução verbal ou escrita, bons
tudo” e consideram a experiência clíni- conselheiros também ensinam pelo exem-
ca sua “única esperança”. Ao incluir pa- plo. Devem ser capazes de transmitir

Diálogo 13:3 2001 29


Livros
Jewelry in the Bible, La perfección cristiana
por Ángel M. Rodríguez (Silver Spring, por Jean Zurcher (Madrid: Editorial Safeliz,
Maryland: General Conference Ministerial 1999; 174 págs., brochura).
Association, 1999; 125 págs.; brochura).
Revisto por Edgar J. Escobar Suárez.
Revisto por Eloy Wade.

O uso de jóias entre os adventistas do sétimo dia é um as


sunto delicado. Desde a definição de jóias até a parábola
do filho pródigo, que é recebido no lar com um anel, os ad-
A perfeição cristã significa vitória total sobre o pecado e a
eliminação de nossa natureza pecaminosa? Exige a per-
feição que nossa natureza corrompida e pecaminosa seja com-
ventistas gostam de debater a questão de seu uso ou não. pletamente destruída e não simplesmente neutralizada? A per-
(Você por certo já ouviu o argumento: O ornamento que toca feição cristã significa isenção de pecado aqui e agora?
a pele é jóia; o que adorna o vestido não é?) Essas e outras questões relacionadas perturbam muitos ad-
Tradicionalmente, a igreja adventista tem afirmado que o ventistas do sétimo dia. A edição revista de uma obra origi-
uso de jóias é proibido nas Escrituras e impróprio para um nalmente publicada em francês (1993) por Jean Zurcher, re-
cristão. Mas em tempos recentes, diversas vozes têm feito ob- sponde a essas e a outras indagações a partir de uma perspec-
jeção a esse ponto de vista, alegando que a Bíblia não só não tiva bíblica. As respostas são não somente satisfatórias, mas
condena o uso de jóias, como o promove. Essa é a origem do também constróem um paradigma hermenêutico para o estu-
presente estudo. do de um tópico vital da teologia cristã.
Depois de explicar seu propósito em escrever o livro, defin- Zurcher é um teólogo com seu coração enraizado na Bíblia
indo o que é jóia, indicando como a discussão é organizada e e serviço fundado na missão da igreja. Sua abordagem do
estabelecendo o fundamento das normas cristãs, o autor ex- tema segue diferentes e bem integradas propostas: do pastor,
amina tendências recentes no uso de jóias dentro da Igreja do missionário, do professor e do teólogo. Ele aborda o assun-
Adventista do Sétimo Dia. to dentro de um contexto holístico bíblico. Cava fundo no
O livro se divide em duas partes. A primeira trata de refer- Velho e Novo Testamentos, estudando palavras-chaves em sua
ências a jóias no Velho e no Novo Testamentos, discutindo língua original e colocando cada passagem em seus contextos
uso, atitudes e avaliando passagens relevantes. A segunda imediatos e maiores. Procura unidade e harmonia permitindo
parte desenvolve uma exegese de passagens pertinentes no que a Bíblia seja sua própria intérprete, e que diferentes
Novo Testamento, incluindo I Pedro 1 a 6, I Timóteo 2: 9 e 10, porções da Palavra expliquem-se umas às outras.
e I Timóteo 2:11 a 15. A segunda parte é uma reflexão e aval- Ao longo do desenvolvimento, organização e apresentação
iação dos fundamentos da prática adventista quanto a jóias. O do assunto, o autor usa textos bíblicos como base para suas
livro conclui com as implicações da questão para a igreja de conclusões. Essas conclusões são expressas concisa e clara-
hoje. O estudo tem três apêndices breves que provêem mente mediante estudos de caracteres bíblicos tais como Noé,
declarações oficiais da igreja e a posição de Ellen G. White so- Davi, Asa, João e Paulo. A doutrina da perfeição, afinal, é de
bre o assunto. natureza prática influenciando vidas.
O autor é bem organizado e logicamente persuasivo na O livro também apresenta subtópicos sobre a perfeição de
apresentação de seu material. A pesquisa e exegese utilizadas Deus, o convite de Jesus à perfeição e instrumentos divinos
nesta obra merecem ser tomadas a sério. O livro não é neces- que ajudam no aperfeiçoamento. Uma seção do livro trata da
sariamente tudo o que você gostaria de saber sobre jóias, mas perfeição de caráter do ponto de vista de Ellen G. White.
esclarece o tema à luz do que a Bíblia diz, e qual deveria ser a Da exposição de toda essa pesquisa, Zurcher tira uma con-
conduta e o estilo de vida do cristão. clusão: A perfeição é obra da graça de Deus ao habitar Ele em
nós mediante o Espírito Santo. A questão não é a isenção de
Eloy Wade (Ph.D. pela Andrews University) leciona teologia pecado, mas a habitação contínua na graça de Deus, reclaman-
na Universidad de Montemorelos, México. E-mail: do Suas promessas e obedecendo à Sua Palavra. Perfeição não é
ewade@montemorelos.edu.mx tanto um destino como uma direção – movendo-nos rumo ao
lar que Deus nos preparou, e ao mesmo tempo apegando-se a
Ele pela mão da fé. Sem apego a Jesus não há perfeição possível.

30 Diálogo 13:3 2001


O livro de Zurcher é uma contribuição valiosa à teologia gratuito da graça e a crença no Juízo Final.
cristã, pois esclarece questões envolvidas na doutrina da per- Contudo, importantes diferenças doutrinais e hermenêuticas
feição e nos desafia a experimentar a alegria da graça de Deus. permanecem, particularmente em relação às profecias apocalíp-
ticas. Ao passo que os adventistas apóiam pontos de vista luter-
Edgar J. Escobar Suárez (Ed.D. pela Andrews University) é Dire- anos fundamentais, os luteranos são também cristãos adventis-
tor de Departamento de Teologia, Antillean Adventist University, tas, incluindo em sua compreensão do “evangelho eterno”,
Mayagüez, Puerto Rico. ensinos distintos sobre os mandamentos e o sábado, santuário e
Lutherans & Adventists in julgamento, profecia e eventos finais, ética e estilo de vida. Por
Conversation: Report and outro lado, embora partilhando a esperança do advento, os
Papers Presented, 1994-1998 luteranos enfocam sua compreensão específica do evangelho
(Silver Spring, Maryland: General (justificação pela fé, liberdade cristã e os sacramentos). Os luter-
Conference of Seventh-day Adventists; anos estudam a Bíblia empregando o evangelho como uma
Geneva: The Lutheran World Federation, chave hermenêutica crítica e à luz do método crítico-histórico.
2000; 319 pp.; encademado). Os adventistas tomam a Escritura literalmente e como um todo.
Alguns adventistas poderiam desejar que se tivesse con-
Revisto por Rolf J. Poehler. seguido mais nestas conversações, embora representantes ad-
ventistas como Heinz e LaRondelle tenham ido além dos pon-
tos de vista tradicionais ou populares e Paulien seja enérgico
em construir pontes mediante diálogo.
D e 1994 a 1998, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Fed-
eração Mundial Luterana estiveram empenhadas em con-
versações bilaterais. A Federação representa 57 milhões de
Os adventistas que temem terem sido comprometidas as
doutrinas, postas água abaixo as crenças fundamentais e traí-
membros, mais de 95% dos luteranos em todo o mundo. Essas dos os ensinos distintivos, podem ficar descansados. Nada dis-
conversações teológicas intentaram obter melhor compreen- so aconteceu. Ao contrário, pontos de vista tradicionais foram
são mútua, remover preconceitos injustos e explorar áreas de afirmados. Mas para comunicá-los com êxito, os adventistas
acordo e desacordo. Os resultados estão no relatório final. precisam aprender a ouvir seriamente, dialogar genuinamente
O relatório também inclui 18 documentos eruditos apre- e beneficiar-se das experiências e discernimento de outros.
sentados durante as consultas, constituindo-se na maior parte O relatório deve provar-se útil tanto a luteranos como a
do livro. A linguagem, estilo, qualidade e abordagem desses adventistas que querem se compreender melhor.
documentos diferem consideravelmente, sendo alguns deles
mais substanciais e eruditos do que outros. Eles ajudam o le- Rolf J. Poehler (Th.D. pela Andrews University) leciona Teolo-
itor a compreender melhor áreas de convergência e divergên- gia Sistemática na Friedensau University, Alemanha. E-mail:
cia em relação a pontos doutrinais de ambas as comunhões de Rolf.Poehler@ThH-Friendensau.de
fé, enfocando as Escrituras, salvação, igreja e escatologia.
O resultado do diálogo é significativo em, pelo menos, três
aspectos: Primeiro, a aceitação, dos adventistas por parte dos Secrets of Daniel:
luteranos, como “uma igreja livre e uma comunhão cristã mun- Wisdom and Dreams
dial”, em vez de uma seita como ocorria no passado. Segundo, of a Jewish Prince in Exile
ambos os lados apelaram a seus membros para apresentarem o por Jacques B. Doukhan (Hagerstown,
outro lado “de modo verdadeiro e não polêmico” e recon- Maryland: Review and Herald Publ. Assn.,
hecerem seu “compromisso cristão básico”. Para os adventistas 2000; 191 págs.; brochura).
isso implica numa apreciação mais positiva de “outras igrejas
cristãs” e um conceito ponderado e não exclusivista de “rema- Revisto por Winfried Vogel.
nescente”. Terceiro, ambas as partes foram conclamadas a incre-
mentar as “relações entre igrejas” e a “cooperação consciente”,
que inclui oração conjunta, estudo da Bíblia e testemunho,
bem como reuniões pastorais e consultas teológicas.
Conquanto “cada comunhão de fé continue mantendo sua B aseado na edição francesa de 1993 sobre Daniel, este livro
de Jacques B. Doukhan oferece aos leitores de língua ingle-
sa uma profunda compreensão das profecias de Daniel. A ori-
identidade de convicções” bem como suas “ênfases distinti-
vas”, convergências teológicas significativas são manifestas. gem judaica do autor, seus dois doutorados em literatura he-
As áreas de concordância doutrinária incluem a primazia de braica e em interpretação do Velho Testamento, sua experiên-
Cristo, a autoridade das Escrituras, a salvação como um dom cia como professor na Europa, África e Estados Unidos, e sua

Diálogo 13:3 2001 31


habilidade em cavar fundo nas Escrituras (ver sua primeira Dukhan é um erudito com o coração de um pastor. Ele gas-
obra sobre Daniel, Daniel: The Vision of the End, 1977), qualifi- ta tempo para explicar muitas palavras hebraicas, aramaicas e
ca-o destacadamente para a feitura dessa bela contribuição so- alusões obscuras, ao mesmo tempo que facilita uma com-
bre o entendimento do livro de Daniel. preensão mais profunda do texto e sua relação com a reve-
Trabalhando presentemente como professor de exegese do lação de Deus no cânon bíblico como um todo. Suas con-
Velho Testamento hebraico e de estudos judaicos na Andrews clusões teológicas são baseadas na informação dos textos
University, o autor faz um comentário erudito sobre grande bíblicos. Por exemplo, ele mostra que a associação do carneiro
parte do texto bíblico. Ao mesmo tempo, ele usa de simpli- e do bode em Daniel 8 é uma clara referência à linguagem do
cidade em seu estilo literário e provê uma obra de fácil com- Dia da Expiação, preparando o leitor para o clímax no verso
preensão ao leitor. Considere alguns dos títulos dos capítulos: 14.
“O Gigante e a Montanha” (capitulo 2), “Leões Sob Encanto” Secrets of Daniel é uma contribuição bem-vinda à com-
(capitulo 6), ou “Requiem Para um Messias” (capitulo 9). Mes- preensão adventista sobre a profecia apocalíptica. Quem quer
mo quando apresenta profundas exegeses, ele alcança um cír- que goste de ser surpreendido mesmo por passagens bíblicas
culo de leitores mais amplo com novas intuições que tornam bem conhecidas, não somente apreciará a leitura deste livro
Daniel relevante para a erudição cristã e a vida. Ele nos torna mas obterá dela uma benção espiritual.
cônscios de associações lingüísticas, tais como que a ocorre
entre Daniel 1 e Gênesis 1, aguçando assim nossa consciência Winfried Vogel (Th.D. pela Andrews University) é presidente do
do conflito entre o Criador e o impostor, o que lança nova luz Seminar Schloss Bogenhofen. Seu endereço: Bogenhofen 1, A-4963
sobre a teologia de Daniel. St. Peter, Áustria. E-mail: wvogel@ssb.at

Learn English–Plus
this Summer in the U.S.A.!
Six weeks of English language
instruction plus Adventist History
and American cultural study tours.
June 24 —August 1, 2002
20 hours of English instruction per week.

The English Language Institute


at Atlantic Union College
338 MAIN STREET, SOUTH LANCASTER, MA 01561, U.S.A.

Telephone: 978-368-2444
1-800-282-2030 (in the U.S.A.)
Fax: 978-368-2015
E-mail: eli@atlanticuc.edu
www.atlanticuc.edu

32 Diálogo 13:3 2001


Em Ação
A Missão Maranhão ao materialismo, ao hedonismo e outras
errôneas filosofias de vida.
Estudantes
no Brasil realiza O terceiro foi realizado no mesmo Universitários da
três seminários mês, mas na Escola Secundária Adventis-
ta da cidade de São Luís, com 100
Tanzânia Este
para estudantes estudantes. O principal orador foi o Dr. participam de retiro
universitários Fadel Basile, que dirige o grupo Ciência e
Religião, em Belém. Palestras e discussões
em Dar-es-Salaam

O E
ministério jovem e a associação cobriram tópicos tais como cosmologia, studantes universitários de facul-
de estudantes universitários ad- a origem da vida, a criação dos seres hu- dades e universidades do Território
ventistas da Missão Maranhão, manos e o dilúvio – todos abordados a da Tanzânia Este reuniram-se em
no Brasil, patrocinaram no ano 2000 o partir de uma perspectiva bíblica. Dar-es-Salaam, entre 12 e 16 de abril de
terceiro encontro de seminários para Os seminários alcançaram seus prin- 2001, para realizar seu retiro anual. O
estudantes universitários adventistas. O cipais objetivos: (1) enfatizar os valores encontro teve como tema “Apressando
tema dos encontros foi “A Ciência da espirituais e morais comunicados pela Sua Segunda Vinda” e conteve men-
Salvação”, título extraído de uma Bíblia; (2) estudar como o cristianismo sagens inspiradoras proferidas por Ber-
declaração de Ellen White encontrada bíblico e a ciência, quando correta- nard Mambwe, presidente do campo,
no livro Evangelismo, pág. 185. mente compreendidos, podem ser har- Mika Musa, orador convidado e Christo-
O primeiro seminário realizou-se em monizados; (3) demonstrar o amor da pher Mwashinga Jr., diretor dos jovens e
maio, com a participação do Pr. Rainier igreja e o apoio que ela dá aos de ministérios dos campi.
Sales, no auditório da Universidade Es- estudantes universitários adventistas; Os participantes apresentaram re-
tadual do Maranhão, Campus de Caxias, (4) estimular o papel dos estudantes portagens sobre evangelismo nos campi,
e reuniu mais de 200 pessoas. como embaixadores de Cristo no cam- mostraram trabalhos referentes à vida
O segundo encontro teve lugar em pus universitário; (5) eleger a liderança estudantil e promoveram cânticos in-
outubro, também na Universidade Es- da Associação de Estudantes Univer- spiradores. Durante a última noite do
tadual do Maranhão, em Imperatriz, sitários Adventistas do Maranhão e retiro, eles revelaram seus dons artísticos
para universitários do sul desse Estado. planejar suas atividades futuras. num programa de talentos para a glória
A Dra. Zenilda Botte Fernandez, da Uni- de Deus.
versidade Federal do Pará, falou aos 120 Otimar Gonçalves—Diretor dos Min- Os estudantes do Território de Tan-
jovens presentes sobre o conhecimento istérios Jovens, Missão do Maranhão, Bra- zânia Este apreciam contatos com outras
espiritual como compreensão básica que sil. E-mmar@elo.com.br associações de estudantes adventistas, e
os cristãos precisam ter, a fim de resistir oram pelo êxito acadêmico e o testemu-
nho fiel de seus membros ao redor do
mundo.
—Christopher Mwashinga, Jr.

Diretor de Ministério de Jovens e Campi,


Tanzânia. E-mail: chmwashinga@yahoo.com

Encontro de estudantes universitários adventistas em Imperatriz, Maranhão, Brasil. Retiro de estudantes na Tanzânia.

Diálogo 13:3 2001 33


Primeira Pessoa
Livre afinal!
by Joe Jerus Minha fuga do mundo do ocultismo

A
noite estava fresca. Uma brisa suave estava perturbado. A consciência de que mais velha do que eu, havia sido curada
recordava-me que o outono termi eu estava vivendo na mesma casa onde de trismo [alteração motora nos nervos
naria em breve. Eu tinha vivido minha avó, uma médium espirita prati- trigêmeos, impedindo que o paciente
naquela casa desde o meu nascimento, ha- cante, fez-me ficar arrepiado. Haveriam movimente os maxilares] em sua infân-
via 17 anos. Conhecia cada canto. Minha de os maus espíritos tolher minha ale- cia, por um médium espírita. Minha mãe
cama era familiar. Nada de especial, nada gria recém-descoberta? Orei, apaguei a gostava de usar a tábua ouija quando
novo, mas aquela noite mudaria minha luz e dormi. Mas não por muito tempo. com suas amigas espíritas. Ela falava de
vida para sempre. Por algumas semanas No meio da noite acordei suando frio. alguns de seus parentes que também
um brilho interior me acompanhou por Ouvi um zumbido. Senti como se al- consultavam médiuns espíritas.
onde quer que eu fosse. Esse brilho vinha guém estivesse me atacando fisica- Eu tinha posto tudo isso de lado como
de minha recente descoberta de Jesus e da mente. Eu não podia mover-me ou falar. superstição. Ao chegar à adolescência, eu
esperança do advento. Como um adven- Seria isso um sonho? Talvez um pesade- quis conhecer a verdade sobre Deus reve-
tista do sétimo dia recém-batizado, eu es- lo? Não, minha impressão de estar semi- lada nas Escrituras. Queria conhecer a
tava desfrutando cada momento dessa jor- consciente era real. Minha mente estava Deus pessoalmente. Tinha conhecimento
nada de fé. Estudos bíblicos, oração, leitu- alerta e eu sabia que não devia depender de muitas histórias bíblicas que apren-
ra de material devocional e uma nova vida de minha força, mas do poder do Espíri- dera quando criança na igreja metodista,
no Espírito haviam-me trazido uma paz to Santo. Com toda força interior que eu em nossa pequena cidade ao norte de Illi-
mental que eu jamais experimentara. podia reunir, repeti em minha mente al- nois. Mas eu realmente não conhecia a
Mas aquela noite, em 1961, a coisa se- gumas das grandes promessas das Escrit- Deus. Um dia ouvi Billy Graham expli-
ria diferente. Eu acabara de ler sobre os uras e invoquei meu Deus para me livrar cando na TV o significado de ir a Cristo.
perigos do espiritualismo moderno no desse ataque. Subitamente, o assalto ces- Confessei meus pecados e fiz um com-
God Speaks to Modern Man, um livro ad- sou e experimentei paz sabendo que promisso com Deus, mas ainda não sabia
ventista muito popular na época. Fui para Deus me havia protegido. o que significava viver uma vida cristã. Eu
a cama com emoções confusas: fé num A batalha daquela noite juntou para tinha muitas perguntas acerca de Deus,
Deus que ama e cuida de Seus filhos, e mim muitas peças do quebra-cabeças, e Jesus, salvação e vida.
medo de viver num mundo onde Satanás comecei a ver a realidade da guerra entre Através de uma série de circunstân-
se empenha em batalha real contra aque- Cristo e Satanás. Enquanto eu não con- cias incomuns, matriculei-me no curso
les que amam a Deus. Ao deitar-me, as hecia ao Senhor e Sua fé salvadora, nen- bíblico por correspondência de A Voz da
histórias de minha avó, que havia faleci- hum mau espírito me amolou. Eu não Profecia. Eu tinha então 15 anos e logo
do oito anos antes do meu nascimento, dava muita atenção às histórias sobre comecei a estudar a Bíblia com um pas-
relampejaram em minha mente. Histórias minha avó ou mesmo o envolvimento tor adventista local, o Pr. Gordon Shu-
que minha mãe me contara. Minha avó, de minha mãe com o mundo dos espíri- mate. Ele removeu as dúvidas que eu
ouvi dizer, tinha poderes extraordinários. tos. Minha mãe também era praticante tinha quanto à Trindade, a divindade de
Ela podia falar com os mortos e prever a de ocultismo; ela falava em ver “fantas- Cristo, a Segunda Vinda e a salvação
fortuna e a desgraça de muitos. Ela pos- mas” e “espíritos”. Ela dizia ter estudado pela graça. No outono de 1961, em meu
suía poderes psíquicos e servia como pas- “ciência divina” e receber premonições último ano do curso secundário, fui ba-
tora de uma igreja espiritualista. acerca da morte de certas pessoas que ela tizado na igreja adventista.
Como menino, eu dava pouca conhecia em nossa pequena cidade. ***
atenção a essas histórias. Mas agora, por Freqüentemente ela estava certa. Mamãe Os assaltos de Satanás continuavam à
causa de meu novo relacionamento dizia que um curandeiro espirita a tinha medida que eu amadurecia em Cristo.
com Jesus e minha compreensão da curado de úlceras e pedras na vesícula. Contudo, em meados de 1960 houve
batalha que Satanás trava no mundo, eu Supunha-se que minha irmã, dez anos um tempo incomum nos Estados Unidos.

34 Diálogo 13:3 2001


O misticismo oriental e as práticas ocultas pensava que, expondo-os, poderia ajudar inimigo me pudesse fazer. Agora podia
invadiram a vida intelectual, social e espir- minha irmã a se interessar na Bíblia. Em hospedar-me sozinho em hotéis e desfr-
itual dos americanos como nunca dantes. vez disso, ela disse que eu estava projet- utar um sono normal, sem quaisquer
Milhares de jovens começaram a experi- ando meus pensamentos na tábua. Em ataques e sem deixar as luzes acesas. Isso
mentar drogas e freqüentar cultos místicos retrospecto, eu desejaria nunca ter tido não significava que a guerra havia ter-
que os levavam a rejeitar os valores cris- aquela experiência. Mas o Senhor prote- minado. O soldado cristão precisa con-
tãos. Meditação e mantras se tornaram geu-me de minha aventura imatura. stantemente guardar o coração e a
moda entre os jovens. Minha irmã caiu A experiência daquela terrível noite mente, e estar alerta ante as estratégias
sob a influência dessa mudança cultural repetiu-se muitas vezes quando eu estava sinuosas de nosso inimigo comum, o di-
através do que parecia ser um simples jogo na faculdade. Duas ou três vezes por se- abo.
– a tábua de ouija. Mediante esse instru- mana a batalha era travada no meio da Minha vitória tem sido total em vir-
mento ocultista ela se comunicava com noite, com uma fúria que me deixava en- tude da presença de meu Salvador em
nossos “parentes” mortos. A ouija tem o fraquecido. Mesmo durante os primeiros mim. Fugi do mundo do ocultismo por
alfabeto inglês e os números de zero a anos de minha vida conjugal com Nancy, causa do amor de meu Senhor. Durante
nove, com “sim” e “não” e “até logo” im- a luta continuava. Eu temia até dormir. os últimos 27 anos, em paz e em
pressos em grandes letras negras. Vem Muitas vezes eu deixava as luzes acesas, gratidão, tenho podido servir meu Sen-
com um ponteiro plástico munido de ex- com medo de que os espíritos voltassem. hor como capelão de campus, partilhan-
tremidades macias de feltro, que às vezes é Finalmente a libertação veio em do minha esperança com centenas de
movido pelos espíritos a letras e números 1975, quando descobri um novo livro jovens.
que expressam mensagens. sobre luta espiritual, The Adversary, de O que aprendi de minhas lutas? Há
No Natal de 1967, visitei minha irmã. Mark Bubeck. O livro mostrava diretriz- algo que você possa aprender da minha
Logo que cheguei à sua casa, ela quis que es bíblicas práticas. Foi escrito para experiência? Eis aqui:
eu visse a tábua ouija funcionar. Eu lhe aqueles que tinham participado do oc- 1. Lembre-se de que a luta com Satanás é
disse que estaria disposto se eu pudesse ultismo ou cresceram em lares envolvi- real. Ele está em guerra contra os santos
de Deus. Quanto mais perto você está de
fazer a primeira pergunta. Quando minha dos com o espiritismo, e que se sentiam
Deus, tanto mais deseja o Senhor tê-lo a
irmã e sua filha começaram a brincar com ameaçados por opressão demoníaca. O Seu lado. A guerra espiritual é real e
a tábua, nossos “parentes mortos” livro sugeria a “oração de guerra espiri- precisamos ser vigilantes (Efésios 6:12-14).
começaram a falar através dela. Eu imedi- tual”, reclamando a plena autoridade de 2. Não dê espaço a nenhuma das ativ-
atamente disse aos espíritos que parassem, Jesus. Eis um exemplo dessa oração: idades espíritas de Satanás. Seja a tábua
e perguntei: “Em nome do Senhor Jesus “Querido Senhor e Pai celestial. Eu ouija, música ritual ou meditação místi-
Cristo, quem são vocês? “ Eu esperava que entro pela fé no pleno poder e autoridade ca; fique tão longe delas quanto possív-
a tábua soletrasse a palavra “demônios”, da ressurreição do meu Senhor. Desejo el. Os instrumentos do ocultismo são
mas em vez disso, escreveram ousada- andar em novidade de vida, que é minha perigosos (Isaías 8:19).
mente “Lúcifer”. Perguntei quantos anjos mediante a ressurreição de meu Senhor... 3. Esteja totalmente comprometido em
haviam caído, e a tábua respondeu um Trago a poderosa verdade da vitória de sua experiência cristã. Faça com que seu
terço. Fiz outras perguntas para expor sua meu Senhor sobre a sepultura, contra to- cristianismo seja real. Conheça a Bíblia.
verdadeira identidade à minha irmã. As das as operações de Satanás em oposição Ore. Reclame a vitória de Cristo em tudo
respostas concordavam com o quadro à Tua vontade e planos para minha vida. o que você faz, e permita que Deus seja
bíblico de Satanás e seus demônios. O inimigo está derrotado em minha vida, seu companheiro constante. Revista-se
Os espíritos operantes da tábua ficar- porque estou unido ao Senhor Jesus Cris- da armadura do cristão que Paulo de-
am muito irados comigo. Ameaçaram ti- to na vitória de Sua ressurreição.” screve em Efésios 6:12-14. Sem nos iden-
rar-me a vida. O ponteiro sobre o qual os *** tificarmos com a vitória de Cristo, não
dedos de minha irmã e de minha sobrin- Nancy e eu começamos a fazer tais temos esperança de vitória.
ha estavam postos saiu da tábua e orações saturadas com as Escrituras. Não
começou a espetar meu estômago com estávamos repetindo apenas palavras,
força. Pedi aos espíritos que citassem João mas experimentando intencionalmente Joe Jerus é pastor ordenado da igreja ad-
8:12 onde Jesus disse: “Eu Sou a luz do o poder do Senhor ressurrecto. Ele é nos- ventista do sétimo dia e tem estado envolvido
mundo...”mas eles veementemente se re- sa vitória e estávamos reclamando essa diretamente no ministério público por mais
cusaram. Coloquei a Bíblia sobre a tábua. conquista como nossa. Como resultado, de 30 anos em campi na Califórnia. Seu en-
Eles a puxaram imediatamente e comecei a fruir um novo senso de liber- dereço eletrônico: joeynancy@msn.com
começaram a praguejar profusamente. Eu dade. Eu não tinha mais medo do que o

Diálogo 13:3 2001 35


Intercâmbio
Expand Your Fidele B. Batekreze: 35; male; single;
pursuing a university diploma in rural de-
velopment; interests: Christian music,
completed a degree in business adminis-
tration, now working at a bank; interests:
flower gardening, drawing, religious mu-

Friendship reading, ecology, and travel; correspon-


dence in English, French, or Swahili. Ad-
dress: 5220 E. Bellevue Street #123, Casa
sic, and reading; correspondence in En-
glish. Address: c/o Rural Bank of Narra,
Inc.; Narra, Palawan 5303; PHILIPPINES.

Network de Caro I; Tucson, Arizona 85712; U.S.A.


E-mail: batekreze@yahoo.com
Katherine Giraldo V.: 22; female; sin-
gle; studying computer science; interests:
Fawzi Benjamin: 32; male; single; aerobics and reading; correspondence in

A
dventist college/university students planning to study theology at Middle East Spanish. Address: Calle 102, No. 13-54,
College in Lebanon; hobbies: Bible study, Almacén Juvenil; Turbo, Antioquia; CO-
and professionals, readers of Dia-
religious music, nature, and collecting LOMBIA.
logue, interested in exchanging cor-
postcards; correspondence in Arabic or Joel González Ferreira: 26; male; sin-
respondence with colleagues in other parts English. Address: P.O. Box 451; Mosul; gle; studying chemical engineering at
of the world. IRAQ. Universidad Autónoma de Santo Domin-
William Kojo Boadu: 25; male; single; go; interests: research, making new
Afrifa Akwasi: 23; male; single; study- pursuing a diploma in education at Cen- friends, reading, and swimming; corre-
ing wildlife management; interests: soc- tral University College of Ghana; corre- spondence in Spanish or English. Ad-
cer, music, and watching movies; corre- spondence in English. Address: S.D.A. dress: Calle José Feliú #82, Viet-Nam; Los
spondence in English. Address: University Church; P.O. Box AS 66; Ashaiman, Tema; Minas; DOMINICAN REPUBLIC.
for Dev. Studies; Faculty of Agriculture, GHANA. Elizabeth C. Guillén M.: 19; female;
Hall A, Room 21; Tamale; GHANA. Fevy Calaor: 18; female; single; pur- single; pursuing a degree in basic educa-
Lucciana Alcantara: 23; female; single; suing a degree in criminology; hobbies: tion at Universidad Peruana Unión; in-
studying physiotherapy and tourism; in- watching MTV, music, reading, and terests: music, camping, and making
terests: singing, playing the piano, sports, travel; correspondence in English or Ta- new friends; correspondence in Spanish.
and classical music; correspondence in galog. Address: Rizal Pala-Pala, Zone 1; Address: Av. Haya de la Torre 537, La
Portuguese or Spanish. Address: Rua 03 de Iloilo City; 5000 PHILIPPINES. E-mail: Perla - Callao; Lima; PERU. E-mail:
Julho, No. 60, Japiím I; Manaus, Amazo- c.fevy@lovemail.com carely@upeu.edu.pe
nas; 69078-120 BRAZIL. Ruth Ceron: 31; female; single; a phar- Edwell Gumbo: 23; male; single; study-
Rickson A. Alferez: 21; male; single; macist; hobbies: reading, bicycling, domi- ing industrial metallurgy at Bulawayo
studying toward a degree in information no, and travel; correspondence in Spanish Polytechnic College; hobbies: chess,
technology; interests: singing, preach- or English. Address: Calle Luis F. Thomen sports, reading, and Christian music; cor-
ing, and outdoor activities; correspon- #309, Apt. 1-b, Ens. Quisqueya; Santo Do- respondence in English. Address: 4473
dence in English or Filipino. Address: mingo; DOMINICAN REPUBLIC. E-mail: Mkoba 17; Gweru; ZIMBABWE. E-mail:
Sangi; Toledo City, Cebu; PHILIPPINES. r_ceron_jimenez@hotmail.com edwellg@yahoo.com
E-mail: dels_gobenz@yahoo.com Maria V. Da Silva Coelho: 23; female; Lea A. Hermosura: 19; female; single;
Jasmine L. Amoko: 26; female; single; single; completing a degree in pedagogy studying toward a degree in accounting at
received a diploma in secretarial studies; at Universidade Estadual do Maranhao; Western Institute of Technology; hobbies:
interests: playing the guitar, singing, interests: making new friends and ex- singing, strumming the guitar, hiking,
swimming, and watching movies; corre- changing ideas; correspondence in Portu- and collecting stamps; correspondence in
spondence in English. Address: P.O. Box guese. Address: Rua do Fio 1172, Cangal- English. Address: Brgy, Yawyawan; Lem-
381; Badili, NCD; PAPUA NEW GUINEA. heiro; Caxias, MA; 65606-250 BRAZIL. ery, Iloilo; 5043 PHILIPPINES.
Mario Arias: 29; male; single; complet- Eunice L. Corneta: 45; female; single; a Lucila Hernández M.: 27; female; sin-
ed a degree in advertising; interests: midwife at a government hospital; inter- gle; completed a degree and teaches nutri-
painting, poetry, guitar music, and shar- ests: travel and making new friends; cor- tion; interests: religious activities, poetry,
ing my faith; correspondence in Spanish. respondence in English. Address: Lourdes music, and teaching in rural communi-
Address: Tulcan y Hurtado; Guayaquil; Clinic, Depita Subdivision; Koronadal, ties; correspondence in Spanish. Address:
ECUADOR. South Cotabato; 9506 PHILIPPINES. Universidad Adventista de Navojoa; Apar-
E-mail: cristianote@yahoo.com Fabricio Franck: 19; male; single; tado Postal #134; Navojoa, Sonora; MEXI-
Richard Emeka Awudu: 26; male; sin- studying electro-mechanics; interests: CO 85800.
gle; pursuing a degree in business admin- music, computers, and other cultures; Portik Istvan: 24; male; single; study-
istration; interests: travel, photography, correspondence in Spanish or English. ing theology at Adventist Institute in
music, and sports; correspondence in En- Address: Gaspar Doncel 1395; Catamarca; Budapest; interests: Bible study, health,
glish. Address: 71 Hospital Road; Abba, ARGENTINA. foreign languages, and nature; correspon-
Abia State; NIGERIA. Merle S. Gabinete: 31; female; single; dence in Romanian, English, German, or

Diálogo 13:3 2001 Insert37


A
Hungarian. Address: Str. Maciesului nr. Tacloban City; PHILIPPINES. E-mail: making new friends; correspondence in
32; Reghin 4225, Jud. Mures; ROMANIA. ehle_mc@hotmail.com Spanish or English. Address: Calle Eloy
E-mail: portikistvan@hotmail.com Gulielmo E. Martínez: 25; male; single; Gonzáles # 27 A, entre Lora y Avenida Ce-
Olabiwonnu A. Julius: 26; male; single; pursuing a degree in systems engineering; menterio; Reparto México, Las Tunas;
studying at Petroleum Training Institute; interests: sports, travel, camping, and ex- 75100 CUBA.
interests: reading and travel; correspon- changing postcards; correspondence in Prince Nana Yaw Ocran: 26; male; sin-
dence in English. Address: Petroleum Spanish. Address: Col. Lamatepec, Zona gle; pursuing a diploma in accounting; in-
Training Institute; P.M.B. 20, Effurun; C, Pasaje C #3; Santa Ana; EL SALVADOR. terests: listening to Christian music, sing-
Warri, Delta State; NIGERIA. E-mail: gem2@usa.com ing, reading, and making new friends;
Cynthia Kandiah: 29; female; single; Belen S. Mejia: 27; female; single; pur- correspondence in English. Addresss:
working as a nurse; interests: reading reli- suing a degree in agriculture, major in Awudome Estate S.D.A. Church; Box
gious books, travel, and drawing; corre- plant protection; interests: reading the Bi- 20112; Accra - Central; GHANA.
spondence in English. Address: 52 H., ble, religious music, travel, and collecting Ochien Odhiambo: 23; male; single;
Block 5, Asbhy Flats; 30450 Ipah, Perak; postcards and insects; correspondence in pursuing a degree in biology; hobbies:
MALAYSIA. English. Address: Department of Plant Pro- reading, sports, and making new friends;
Saw Myat Koh: 21; male; single; study- tection; Visayas State College of Agricul- correspondence in English. Address: De-
ing at Technical College; interests: swim- ture; Baybay, Leyte 6521-A PHILIPPINES. partment of Applied Science; Mombasa
ming, table tennis, and reading; corre- E-mail: belenskie_2000@yahoo.com Polytechnic; P.O. Box 90420; Mombasa;
spondence in English. Address: No. 5.c Julissa Susana Mejía: 25; female; sin- KENYA.
Court House Rd., Mayangone Dr.; Maw- gle; studying medicine; interests: reading, Michael C. Onwugbonu: 22; male; sin-
lamyine City; MYANMAR. Christian music, and making new friends; gle; studying mechanical engineering at
Boakye Vincent Kwame: 21; male; sin- correspondence in Spanish. Address: Rivers State University of Science and
gle; studying social sciences at Kwame Calle Respaldo Duarte; Edificio 15, No. 2, Technology; hobbies: reading, playing in-
University of Science and Technology; in- Los Alcarrizos; Santo Domingo; DOMINI- door games, soccer, and Bible study; cor-
terests: active sports, reading, and travel; CAN REPUBLIC. respondence in English. Address: No. 8
correspondence in English or German. Cleusa Mendes: 31; female; single; a Martins Street; Road 24 Extension, Agip
Address: Ideas Community Services; P.O. nurse; interests: health, medicinal plants, Estate, Mile 4; Port Harcourt, Rivers State;
Box A.A. 18; Agona, Ashanti; GHANA. travel, and Christian music; correspon- NIGERIA.
Charity A. de Leon: 22; female; single; dence in Portuguese, English, or Spanish. Lia Ortega D.: 47; female; teaches
completed a degree in physical therapy; Address: Jorge Street, 60, Jd. Lilah; São Spanish as a foreign language; interests:
hobbies: playing the piano, sports, col- Paulo, SP; 05885-300 BRAZIL. E-mail: sharing my faith, church activities, travel,
lecting stamps and currency from differ- asuelcle@hotmail.com and making new friends; correspondence
ent countries; correspondence in English. Andrew L. Miller: 30; male; single; in Spanish or Swedish. Address: Hospital-
Address: c/o Tropimo B. de Leon; Western teaching at a public school; hobbies: read- sgatan 24 A; 602 24 Norrkoping; SWE-
Mindanao Conference; P.O. Box 2389; ing, Bible study, gardening, and table ten- DEN. E-mail: lianely@usa.net
Gango, Ozamiz City; 7200 PHILIPPINES. nis; correspondence in English. Address: Yanina Paola Ovejero: 19; female; sin-
Devaughn Luke: 34; female; single; School Road, Westbury Road; St. Michael; gle; studying nursing at Instituto Agusti-
pursuing a degree in accounting; hobbies: BARBADOS. na Bermejo; interests: music, travel, and
Bible studies, travel, camping, and gospel Hollmann Morales: 20; male; single; making new friends; correspondence in
music; correspondence in English. Ad- studying medicine; interests: reading and Spanish or English. Address: Martín Fierro
dress: 7, Nabaclis Villa; East Coast Demer- listening to Christian music; correspon- 6332, entre Marqués de Aguado y Schu-
ara; GUYANA. dence in Spanish. Address: Texaco 3 1/2 man; Moreno, Buenos Aires; ARGENTI-
Christina Lumpihoi: 31; female; single; al Este; Estelí; NICARAGUA. E-mail: NA.
working as a nurse and pursuing a nurs- hollmann@yupimail.com Isaac Owusu: male; single; studying to-
ing degree; interests: travel, camping, mu- Mischeck Mzumara: 25; male; single; ward a degree in social science at Univer-
sic, and collecting stamps; correspon- studying English and history at Mzuzu sity of Cape Coast; interests: travel and
dence in English. Address: 465 Burmah University; hobbies: drama, reading, mu- music; correspondence in English. Ad-
Road; 10350 Penang; MALAYSIA. E-mail: sic, and learning about other cultures; dress: Box U.C. 168; University Post Of-
ctinal@waumail.com correspondence in English. Address: fice; Cape Coast; GHANA.
Helen S. Macawili: 21; female; single; Mzuzu University; Private Bag 1; Luwin- Gabriela Palade: 33; female; single; an
completed a degree in education with a ga, Mzuzu 2; MALAWI. economist; interests: nature, books, and
major in English; interests: music, Yanelis Núñez Alarcón: 23; female; sports; correspondence in Romanian or
books, collecting stamps, and travel; single; pursuing a degree in theology at French. Address: Str. Sh. Buzoianu 15, Bl.
correspondence in English. Address: Seminario Adventista de Cuba; interests: PA 1, SC. II, Ap. 25; TG. Bujor - 6265; RO-
Blk. 2, Lot 3, Phhc Subdivision; 6500 poetry, reading, collecting postcards, and MANIA.

Insert B
38 Diálogo 13:3 2001
Jacob Hayford Pappoe: 21; male; sin- tist school in Brazil; interests: education, ests: astronomy and cosmology, philoso-
gle; studying accounting at Valley View outdoor activities, crafts, and helping phy, history, and helping the poor; corre-
University; interests: hiking, singing, and others; correspondence in Portuguese or spondence in Serbian or English. Address:
reading; correspondence in English. Ad- English. E-mail: daisy_r@uol.com.br Bore Markovica 11; 11030 Belgrade; YU-
dress: P.O. Box KB; Korle-bu, Accra; GHA- Hanna Roca: female, single; completed GOSLAVIA. E-mail: barukel@hotmail.com
NA. studies in medicine in Bolivia; interests: Amanda van der Schyff: 21; female;
Leonardo Pedro: 27; male; single; teach- provide medical help to people in need, single; studying to become a teacher; in-
es computer science at Instituto Medio In- camping, and travel; correspondence in terests: music, children, poetry, and work-
dustrial in Bengela, Angola; interests: soc- Spanish, Portuguese, or English. E-mail: ing for God; correspondence in English.
cer, Christian music, and preaching; cor- hanymd@latinmail.com Address: P.O. Box 9800; Rustenburg; 0300
respondence in Portuguese or Spanish. Marta Guedes Rodovalho: 32; female; SOUTH AFRICA.
E-mail: leonardopedro@yahoo.com.br single; teaches arts at an Adventist Diana G. Serbezowa: 38; female; sin-
Aracely de la Peña B.: 26; female; school; interests: new friends, good mu- gle; teaching at a secondary school; hob-
single; completing a degree in account- sic, arts and crafts, and helping others; bies: classical and religious music, sharing
ing; interests: reading, poetry, and correspondence in Portuguese or Spanish. my faith, exchanging postcards, and col-
youth activities; correspondence in Address: Av. Frederico Tibery, 598, Bairro lecting Bibles in other languages; corre-
Spanish. Address: Av. Chihuahua 405; Tibery; Uberlandia, MG; 38406-075 BRA- spondence in Bulgarian or English. Ad-
Anahuac, Chihuahua; 31600 MEXICO. ZIL. dress: 21, Ivan Alexander St.; Sliven; 8800
E-mail: aracely.delapena@elfoco.com Angelica V. Rodriguez: 26; female; sin- BULGARIA.
Nansukusa Penny: 20; female; single; gle; completed a degree in graphic design; Charles T. Sexvornu: 22; male; single;
pursuing a degree in education; hobbies: interests: photography, poetry, and learn- pursuing a degree in agriculture at Uni-
reading, gospel music, photography, and ing about other countries; correspon- versity of Cape Coast; interests: soccer,
camping; correspondence in English. Ad- dence in Spanish. Address: Block 2840, travel, and listening to music; correspon-
dress: Mbale Central S.D.A. Church; P.O. Depto. 42; Romilio Concha, Villa Exótica; dence in English. Address: c/o Mr. E. T.
Box 122; Mbale; UGANDA. Calama, II Región; CHILE. Sexvornu; Airways Catering Ltd.; P.O. Box
Santa Martha Perdomo: 34; female; Cecilia Rojas Navarro: 33; female; di- 9460; K.I.A., Accra; GHANA.
divorced; working as a nurse; interests: vorced; a dentist; correspondence in Roberta Marinho da Silva: 25; female;
sharing my faith, travel, and health top- Spanish. Address: Calle Ciego de Avila single; pursuing a graduate degree in psy-
ics; correspondence in Spanish or English. #252 entre Soto y 5ta.; Ciego de Avila; copedagogy at Universidade Gama Filho;
Address: 146 E, 13 St.; Hialeah; Florida 65400 CUBA. interests: learning about other countries,
33010; U.S.A. Gladiel Reyes del Rosario: 19; male; cultures, and languages; correspondence
Andreane Uberti Pereira: 20; female; single; studying systems engineering; in- in Portuguese or Spanish. Address: Rua
single; pursuing a degree in pedagogy at terests: poetry, playing the piano, and Tangará, 435, Casa 2, Bonsucesso; Rio de
Centro Universitario Adventista, Campus singing; correspondence in Spanish. Ad- Janeiro, RJ; 21050-520 BRAZIL.
2; interests: collecting postcards and dress: Los Reyes Calle 4, Casa #7; Puerto Denise Muñiz Da Silva: 22; female; sin-
learning about other countries; corre- Plata; DOMINICAN REPUBLIC. E-mail: gle; originally from Brazil, studying En-
spondence in Portuguese or Spanish. Ad- gadiel182@hotmail.com glish and Spanish at a language school;
dress: Caixa Postal 11; Engenheiro Coel- Bineeta Sahay: 37; female; divorced; interests: music, collecting postcards,
ho, S.P.;13165-970 BRAZIL. E-mail: graduated from Fulton College, now learning about other cultures; correspon-
uberty@zipmail.com.br working as quality controller in a food dence in Portuguese or Spanish. Address:
Janitha Kalum Perera: 25; male; sin- factory; interests: nature, cooking, cre- Apartado de Correos 4542; 30.008 Mur-
gle; working in advertising; hobbies: trav- ative activities, and making new friends; cia; SPAIN. E-mail: denise.brasil@terra.es
el, hiking, photography, and collecting correspondence in English. Address: P.O. or denisebrasil@latinmail.com
stamps, coins, and leaves; correspon- Box 3818; Lautoka; FIJI ISLANDS. Zuleide Silva: 25; female; single; com-
dence in English or Sinhala. Address: # Jean Fernetta Samuel: 23; female; sin- pleted a degree in accounting in Brazil;
815, Batagama North Ja; Ela; SRI LANKA. gle; pursuing a degree in dental surgery; interests: reading, learning about other
E-mail: jkalum@sltnet.lk interests; music, cooking, helping others, countries, and friendship; correspon-
Pilar Elisa Pérez: 34; female; single; and collecting poems; correspondence in dence in Portuguese or English. E-mail:
completed a degree in early childhood ed- English. Address: Snow Hostel; Christian zusilva@yahoo.com.br
ucation; interests: reading, travel, music, Medical College; Ludhiana, Punjab; Dayane Figueiredo Silveira: female;
and swimming; correspondence in Span- 141008 INDIA. E-mail: jeanfern@usa.net single; studying urban architecture at
ish. Address: Calle Pío XII, No. 35, Escal- Aleksandar Santrac: 28; male; mar- Universidade do Sul de Santa Catarina;
era A, 1o., 3a.; 25003; Lérida; SPAIN. ried; teaching theology at Adventist correspondence in Portuguese. Address:
Daisy Ribeiro: 34; female; married, Theological Seminary and pursuing a doc- Rua Duarte Schutel 61, Apto. 704 centro;
with two children; working at an Adven- toral degree at Belgrade University; inter- Florianopolis, S.C.; BRAZIL. E-mail:

Diálogo 13:3 2001 Insert39


C
dfsilveira@uol.com.br Address: Bizoton 61 (Etimo) #1, Carre- TEMALA. E-mail: arvo82@hotmail.com
Sarita K. Singh: 31; female; single; four; Port-au-Prince; HAITI. E-mail: Juliet Vera Sansaricq: 25; female; sin-
pursuing a doctoral degree in education; roselainet@yahoo.com gle; specialized in economics, studying
hobbies: visiting and studying anything May Toledanes: 28; female; single; computing; interests: poetry, exchanging
that is mysterious such as ancient palaces working as an accountant; interests: hik- postcards, Christian literature, and music;
and monuments, and natural phenome- ing, mountaineering, Christian music, correspondence in Spanish. Address:
na; correspondence in English. Address: and cooking; correspondence in English. Calle A #17, entre Honorato Castillo y
S.D.A. Junior High School; Court Road, Address: Linmarr Apartelle; Lakandula St., Marcial Gómez; Ciego de Avila 1; 65100
Tadikhan Chawk; Moradabad, Uttar Agdao; 8000 Davao City; PHILIPPINES. E- CUBA.
Pradesh; INDIA 244001. mail: may_lanes99@yahoo.com Neil Eldon Wellington: 34; male; sin-
Lionel Tamme: 22; male; single; study- Osano Marques da Trinidade: 23; gle; a teacher of geography; hobbies: read-
ing engineering at University of Papua male; single; studying library science; ing, gospel music, and playing games;
New Guinea; interests: studying the Bible, interests: travel, making new friends, correspondence in English. Address: 63
sports, outdoor activities, and cooking; and helping others to meet Jesus; corre- Nabacalis Villa; East Coast Demerara;
correspondence in English. Address: P.O. spondence in Portuguese or Spanish. GUYANA.
Box 1180; Waigani, NCD 131; PAPUA Address: R. Joaquim Cortes, 192 - Cen- Anthony K. Wemakor: 24; male; sin-
NEW GUINEA. tro; Vitoria, ES; 29015-550 BRAZIL. gle; pursuing a degree in health science;
Daniel Takwa: 28; male; single; a E-mail: osanoes@bol.com.br interests: watching football, listening to
graduate student in business adminis- Jezel C. Ugmad: 25; female; single; music, and reading novels; correspon-
tration at the University of Manitoba; completed a degree in secretarial adminis- dence in English. Address: School of Med-
interests: learning Spanish, making new tration; interests: outdoor activities, reli- icine and Health Sciences; University for
friends, travel, and soccer; correspon- gious music, and sharing the good news Development Studies; P.O. Box TL 977;
dence in English, French, or Spanish. of salvation; correspondence in English. Tamale; GHANA.
Address: 24-461 Kennedy St.; Winnipeg, Address: 7215 Digson Bonifacio; Misamis
Manitoba; R3B 2N4 CANADA. E-mail: Occidental; PHILIPPINES.
eldtakwa@yahoo.ca Jonalyn Valdez: 21; female; single; pur-
Jeanne Tavae: 31; female; married; suing a degree in psychology; hobbies:
youth ministries director in the Adventist singing, reading, and cross-stitching; cor-
Mission; interests: exchanging ideas, respondence in English. Address: Baguio
learning about other cultures, and mak- Seventh-day Adventist Church; #46
ing new friends; correspondence in Bokawkan Road; 2600 Baguio City; PHIL-
French. Address: B.P. 95; Papeete; Tahiti; IPPINES.
FRENCH POLYNESIA. Leticia Vázquez: 31; female; single;
Virginia da Silva Tavares: 32; fe- pursuing a degree in psychology at Uni- If you are an Adventist college/university
male; single; completed a degree in versidad España; interests: psychology, student or professional and wish to be
executive secretarial science; interests: Christian instrumental music, travel, listed here, send us your name and post-
travel, sports, work with Adventist and making new friends; correspon- al address, indicating your age, sex, mar-
youth, and singing; correspondence in dence in Spanish, English, Italian, or ital status, current field of studies or de-
Portuguese, English, or Spanish. Ad- Portuguese. Address: Flamingos No. gree obtained, college/university you are
dress: Rua Afonso Sertao 26, 2o. Andar - 222, Frac. Silvestre Revueltas; Durango, attending or from which you graduated,
Ribeira; Salvador, Bahia; BRAZIL. E-mail: Durango; 34150 MEXICO. E-mail: hobbies or interests, and language(s)
virginia.tavares@telebahiacelular.com.br latisha_70@yahoo.com.me in which you would like to correspond.
Arlene Theolade: 32; female; single; Luis Sergio Vázquez: 23; male; single; Provide also your e-mail address. Send
born in French Guyana; completed a de- pursuing a degree in physical education your letter to Dialogue Interchange:
gree in history at Université Paris VIII; in- and sports; interests: camping, mountain- 12501 Old Columbia Pike; Silver
terests: religious literature, gymnastics, eering, travel, and cars; correspondence Spring, MD 20904-6600, U.S.A. Please
travel, and learning about other cultures; in Spanish or English. Address: Flamingos type or print clearly. You can also use
correspondence in French or English. Ad- 222, Fracc. Silvestre Revueltas; C.P. 34150; e-mail: 104472.1154@compuserve.com
dress: 3 Square de la Franche Comté; Durango, Durango; MEXICO. E-mail: We will list only those who provide all
93800 Epinay sur Seine; FRANCE. sheco_361@starmedia.com the information requested above. The
Roselaine Thermil: 21; female; single; Raquel Villeda O.: 19; female; single; journal cannot assume responsibility for
studying business administration at Ad- studying law at Universidad de San Car- the accuracy of the information submit-
ventist University of Haiti; interests: na- los; interests: music, poetry, reading, and ted or for the content of the correspon-
ture, music, computing, and youth activi- camping; correspondence in Spanish. Ad- dence that may ensue.
ties; correspondence in French or English. dress: 1a. Calle 3-88, Zona 1; Jalapa; GUA-

Insert D
40 Diálogo 13:3 2001

Você também pode gostar