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XVII ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA

Universidade de Fortaleza
16 a 18 de outubro de 2017

Homens autores de violência de gênero: uma questão identitária


Aluísio Ferreira de Lima (PQ), Kevin Samuel Alves Batista (PG)
1 Mestrado em Psicologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza-CE
2 Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza-CE

kevin.sab@gmail.com

Palavras-chave: Identidade-metamorfose-emancipação.Teoria Crítica. Homens autores de violência de gênero. Gênero

Resumo
Este escrito é fruto das metamorfoses da pesquisa de mestrado “Homens que agridem: estudo sobre as
narrativas de história de vida de homens autores de violência de gênero na cidade de Fortaleza”. Busco
aqui problematizar os homens autores das violências de gênero sob a ótica da Psicologia Social
criticamente orientada, especificamente, pautado nos estudos sobre identidade como metamorfose humana
e os estudos de gênero. Esta pesquisa parte da relação entre estes homens e as políticas de identidade
forjadas na atual conjuntura social. Para atingir o objetivo proposto, percorri vias não hegemônicas de
pensamento, recorrendo a Bruner (2008), Ciampa (1987), Lima (2010/2012), Mead (2009), Ricoeur (2014) e
Butler (2003). As ciências, de modo geral, nos últimos séculos, operacionalizam uma racionalidade de
controle, ou seja, uma racionalidade que busca, a todo custo, explicar a realidade no mundo e dar uma
prescrição em forma de solução para toda forma de atividade humana. Diante disso, apresento aqui vias
que sustentam discussões sobre as categorizações das identidades humanas. Esses questionamentos
versam sobre homens autores de violência de gênero, os quais são atravessados por práticas científico-
jurídicas, as quais lançam discursos massificantes. A partir das contribuições dos autores estudados, foi
possível levantar as discussões do “si mesmo” social. Além de suscitar que identidade é narrativa. Dá-se
por interpretações autorreferenciais, possibilitando a construção de personagens e performances repostas
ou não. Esses movimentos humanos são metamorfoses de si em busca de emancipação. O que recai sobre
as considerações de homens autores de violência, compreendendo que suas identidades são
metamorfoses na dialética permanência e mudança. Portanto, considerá-los enquanto categoria ou como
“personagem coletiva” faz parte de processos aprisionantes de políticas de identidade.

Introdução
Esta pesquisa busca problematizar as violências de gênero sob a ótica da Psicologia Social
criticamente orientada, especificamente, com base nos estudos sobre identidade como metamorfose
humana em busca de emancipação. Tal articulação é motivada pela pesquisa de mestrado “Homens que
agridem: estudo sobre as narrativas de história de vida de homens autores de violência de gênero na cidade
de Fortaleza”, atualmente em prosseguimento. Esta pesquisa orienta-se pela relação entre as violências de
gênero cometidas por homens e as políticas de identidade forjadas na atual conjuntura social. Desse modo,
cabe aqui tecer quais bases são pertinentes para um pensamento crítico sobre Identidade Humana e
apontar as relações destes fundamentos com as articulações da pesquisa proposta.
Constantemente, homens que já foram autores de violência de gênero são percebidos pelas
ciências jurídicas enquanto agressores e punidos enquanto tais. As ciências psicológicas, por sua vez,
lançam um discurso técnico, com base em um ideal patologista, no qual, tais homens são encaixados em
personalidades doentias e perversas. Neste sentido, é possível dizer que, tais ciências, “tendem a reduzir a
complexidade da identidade a personagens fetichizadas, sustentadas por um reconhecimento perverso.”
(LIMA, 2010, p. 137).
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As ciências, de modo geral, nos últimos séculos, operacionalizam uma racionalidade de controle, ou
seja, uma racionalidade que busca, a todo custo, explicar a realidade no mundo, e não somente isso, mas,
dar uma prescrição em forma de solução para toda forma de atividade humana. George Mead (2009)
esboça certo incômodo quanto à dependência social de tudo que se chama “método científico”. No tocante
a identidade humana, seguindo essas tradições mais cientificistas, podemos encontrar verdadeiros scripts
de personalidade ou diagnósticos humanos, os quais determinam e estipulam os traços de
diferença/igualdade entre humanos. Aqui cabe uma atenção ao poder dominante e produtor que as teorias
de identidade e “personalidade”, possuem sobre os sujeitos. Diante dessa produção de realidades, faz-se
necessário apresentar pensamentos que buscam explorar as questões identitárias fundamentando-se nas
dimensões sociais e políticas e atravessam as construções identitárias. Esses veios não hegemônicos
apresentam possibilidades que destoam do pensamento orquestrado dominante sobre a identidade humana
e podem contribuir para a formação de um pensamento contemporâneo norteado pela emancipação
humana diante de sistemas científicos e sociais redutores e limitantes das formas de vida.

Metodologia
Esta pesquisa foi desenvolvida com base na Pesquisa Qualitativa de cunho bibliográfico, buscando
em seu decorrer responder às questões levantadas de forma mais ampla possível. Neste sentido, os
aportes teóricos do estudo são: Bruner (2008), Ciampa (1987), Lima (2010/2012), Mead (2009), Ricoeur
(2014) e Butler (2003). A partir da literatura específica com articulações com a Psicologia Social Crítica
(CIAMPA, 1987 e LIMA, 2012), procedi às análises e o estudos dos dados, realizando diálogos entre os
teóricos e reflexões de ordem crítica sobre suas postulações.

Resultados e Discussão
Seguindo vias dissonantes ao pensamento tradicional, podemos apreciar contribuições de
pensadores que ensaiaram apresentar as relações entre indivíduo e sociedade. Estes plantaram o gérmen
do pensamento sobre a subjetividade enquanto elemento social. George Mead (2009), como já citado,
introduz a discussão de um “si mesmo” social. Trata a construção desse si mesmo como elemento possível,
necessariamente, pela relação com outros indivíduos. O indivíduo, até em seus processos mais primários,
como o pensamento, é um indivíduo social. Segundo este autor, o pensamento é um processo que faz
referência direta ao outro. Para ele, pensar é uma conversação com o “si mesmo” por meio de símbolos
comuns na experiência com os outros.
Em sua argumentação, Mead utiliza-se de um exemplo condizente ao tema da pesquisa proposta.
O autor aborda a questão do delito, indagando em que condições ele se dá. Questiona como é possível, por
um lado, proteger a sociedade de um delinquente e, por outro, reconhecer as condições que são
responsáveis pela aparição deste delinquente. E ainda, traz uma reflexão, no mínimo, provocadora, sobre
qual procedimento pode ser estabelecido para proteger a sociedade contra o delinquente e ao mesmo
tempo proteger o indivíduo contra as condições injustas nas quais tem vivido. Nessas linhas podemos
encontrar um pensamento voltado para as origens sociais dos fenômenos humanos e reflexões sobre as
produções de subjetividade, mesmo que sucintamente. Em vias consonantes a essas, Paul Ricoeur (2014),
apresenta a perspectiva sobre identidade enquanto narrativa. Segundo ele, a identidade da personagem se
dá por narrativas ao longo da história. Aqui o elemento temporalidade tem bastante significação. Nesta
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perspectiva, a identidade não é sedimento, pelo contrário, a identidade se dá pela ação narrada e esta é
composta em enredo.
Jerome Bruner (2008), por sua vez, lança mão da “psicologia cultural”, que é uma Psicologia
interpretativa, para desenvolver um pensamento sobre conceito de “si mesmo” como um conjunto de
interpretações e narrações autorreferenciais. Neste sentido, o “si mesmo” ou self se constitui para além dos
registros cognitivos e da história. Trata-se das resultantes de eventos, as narrativas do narrador sobre estes
eventos, as interpretações possíveis dessas narrativas e seus registros ou não registros.
Acerca da temática de violência de gênero e cultura do machismo, Bruner apresenta uma reflexão
fundamental para se pensar as relações de gênero e a experiência de narrativas autobiográficas no
ocidente. O teórico expõe que algumas histórias são escolhidas e outras não, dependendo dos parâmetros
sociais vigentes. Algumas concepções do si mesmo podem ser versões “forçadas” de si e, neste sentido,
são usadas para controle político de um grupo hegemônico sobre outro. Suscita ainda que, a cultura
ocidental fatidicamente machista do si mesmo, ao longo dos anos, marginalizou as autobiografias das
mulheres em virtude da “adoção de um cânon integralmente machista de escrita autobiográfica” (p.142).
Desse modo, uma narrativa autobiográfica está impregnada de elementos sociais, sendo possível perceber
a eleição de “histórias oficiais” como resultante dos ditames sociais.
Para o autor supracitado, essas contribuições não buscam negar outras perspectivas científicas,
mas mostrar “como é que as mentes e as vidas humanas são reflexos da cultura e da história bem como
dos recursos biológicos e físicos. [...] até as mais fortes explicações causais da condição humana não
podem ter um sentido plausível sem serem interpretações à luz do mundo simbólico que constitui a cultura
humana.” (p.165). Logo, a partir dessas contribuições e de muitas outras, uma gama de pensadores em
várias áreas de conhecimento passa a perceber a categoria Identidade Humana, não como estrutura
estática e imutável, mas como produto das dialéticas indivíduo/sociedade; interioridade/exterioridade;
história/estória e permanência/mudança.
Nesta seara, a Psicologia Social de orientação crítica consegue transcender os modelos
tradicionais, de base descritiva e estatística, e adotar uma metodologia dialética. A compreensão da
metodologia de narrativa de história de vida, é que o particular materializa o universal, neste sentido, as
narrativas das pessoas denunciam a conjuntura macrossocial.
Dessarte, entendo identidade de acordo com Lima; Ciampa (2012), enquanto categoria social. O
estudo da identidade pode ajudar a esclarecer, tanto como se dão as construções das desigualdades,
quanto às formas de resistências individuais e coletivas aos processos de massificação. Estudar identidade
de homens autores de violência de gênero pode auxiliar na compreensão do fenômeno de violência de
gênero, bem como, buscar um espaço possível de reflexão e possibilidade de emancipação desses homens
de tais personagens opressoras.
Os trabalhos desenvolvidos sobre a perspectiva de identidade, enquanto Metamorfose (Ciampa,
1987), apostam na contínua transformação do ser humano, mesmo que “disfarçada” de identidade
permanente. Identidade é metamorfose e metamorfose é vida. Esse é o desenvolvimento dinâmico de cada
um. Neste sentido, mesmice e mesmidade são processos complementares e contínuos. Enquanto há vida,
haverá metamorfose e nesse processo há fragmentos de emancipação humana.

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Diante do exposto, com respeito ao potencial de transformação social dessa pesquisa, cabe
apresentar as narrativas de história de vida como modelo de compreensão crítica dos relatos dos
participantes e busca pela construção de novas realidades. Nas narrativas, aparências de não-
transformação serão expressadas, todavia, é possível desvendar, nestas aparências, a ideologia da “não
transformação do ser humano como condição para não transformação da sociedade” Lane (1987) in
CIAMPA (1987, p.10). Lima (2010) apresenta, ainda, que a influência do discurso social é determinante para
a construção da identidade. A influência dos outros é fundamental para a formação e reposição de
personagens, uma vez que reconhecimento e representação são concomitantes e podem ser contínuos.
Entretanto, os personagens exercidos podem, devido a necessidade de reconhecimento, vir a se
transformar em fetiche, tal qual, para Marx, a mercadoria torna-se. Identidade, então, será sempre uma
identidade pressuposta, sendo ela mesma uma resposta à pressuposição.
As personagens escolhidas pelo sujeito parecem ter ligação direta com a relação de poder que elas
dão acesso. Nesse sentido, o processo de mesmice dá ao sujeito a sensação de imutabilidade, de
estagnação da identidade. Na compreensão de Ciampa (1987), tal condição é ‘fetichismo da personagem’
ou ‘identidade mito’. Para Lima (2012), quando não há um reconhecimento recíproco, ou quando este é feito
de forma desumana, os indivíduos sofrem a experiência de aprisionamento a esses processos, o que
impede a concretização emancipatória da identidade. Isto serve aos ideais do capital, pois torna o ser
humano refém de uma suposta identidade atemporal e imutável, impedindo a busca por emancipação.
Nem toda reposição de identidade, porém, expressa alienação e heteronomia. Pode ser fruto de
uma atitude positiva diante da vida. A questão, então, é que os indivíduos não se transformem em
prisioneiros das personagens que estão sendo, de seus papéis ou das situações vivenciadas. Neste
sentido, pode-se compreender que um homem pode agir com violência hoje, todavia, vir a ter outros
posicionamentos distintos. Um homem que agride ou agrediu não deve ser entendido como “O agressor”.
Os papéis que uma pessoa desempenha no momento atual não dizem da realidade completa dela.
Deste modo, as personagens são vistas como momentos, degraus, círculos em constante
transformação e movimentos de progressão e regressão. As pessoas se expressam sempre por
personagens, e a expressão de alguém nunca poderá ser reproduzida e/ou apreendida em sua totalidade.
O imperativo ético desta concepção de identidade é que “não há como determinar um a priori para as
formas de vida e a identidade dos sujeitos. Cada biografia deve expressar uma história única que possa,
tanto identificá-la como uma singularidade dotada de direitos individuais, quanto uma universalidade que
expressa uma coletividade” (LIMA, 2012, p. 21).
No tocante às articulações entre as categorias gênero e identidade, Judith Butler (2003), em sua
obra “Problemas de Gênero”, considera que as relações de gênero estão intrinsecamente conectadas às
normatividades e discursos dominantes. A autora supracitada discute as questões de gênero centrando sua
tese na não dualidade sexo/gênero. A autora discute as dimensões representacionais e políticas do gênero,
e trabalha para construir a noção possível de performatividade, como negação das essencialidades e
tentativa de nomeação das elaborações de gênero. Todavia, admite que, no campo político, haja uma
exigência pela representatividade, assim, esse elemento estará sempre presente, não sendo possível negá-
lo ou superá-lo. Para a filósofa, as dimensões de gênero possuem interseções com modalidades raciais,
classistas, étnicas, sexuais e outras, de modo que se torna impossível dissociar a noção de gênero de suas

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interseções políticas, culturais e discursivas na qual é forjada. Destarte, Butler considera que gênero é uma
produção discursiva e cultural, configurando-se como performance persistente ou não.
Com amparo na crítica às dicotomias que a divisão sexo/gênero produz, a pensadora parte para a
crítica do sujeito como ‘sujeito uno’ que é produzido, na esfera da política representacional, principalmente
pelas instâncias jurídicas. Ela entende não ser possível reduzir um sujeito a uma identidade, sem limitá-lo.
Portanto, esse ideal de sujeito unitário pode ser prejudicial mesmo com pressupostos emancipatórios. Para
Butler, o exercício preciso sobre gênero na dimensão política é “justamente formular, no interior dessa
estrutura constituída, uma crítica às categorias de identidade que as estruturas jurídicas contemporâneas
engendram, naturalizam e imobilizam” (p.22).
Diante de tais colocações, uma relação é factível com a temática de homens apreendidos como
“agressores”. A esfera da jurídica criminal, com o discurso de prevenção e punição sobre atos de violência
contra a mulher, nomeia os homens autores destas violências como “agressores” e tal representação ganha
força nos discursos oficiais e não oficiais. Cabe refletir, até que ponto essa categoria identitária não reforça
a naturalização e imobilização dos sujeitos assim representados. Neste sentido, outras questões ainda
podem surgir sobre as práticas de categorização, tais como, quem são os homens tidos por “agressores”?
Eles são “agressores” – como identidade estática–?
Entendo que estes são sujeitos capturados pela cultura machista que se perpetua por gerações. As
constituições de suas masculinidades parecem se dá por meio de rituais eminentemente violentos.
Seguindo esse veio, Boris (2002) coloca que a violência é um critério pertencente aos rituais de formação
das masculinidades. Parece que esses homens, principalmente os judicializados, passam por um processo
próximo ao que Lima (2010) chama de “reconhecimento perverso”, uma vez que lhes são atribuídos
diagnósticos sociais que desconsideram toda a sua história, podendo fazê-los crer que o problema é de
ordem individual apenas e “que reduz as infinitas possibilidades de criação das personagens à
representação de uma identidade fetichizada, estigmatizada”. (p. 230).
A captura da subjetividade desses homens, desta forma, sucede pela lógica de reprodução da
violência como possibilidade única de existir; a captura, pelo Legislativo, uma vez que a Lei Maria da Penha
(2006), em toda a sua redação, os trata apenas como “agressores” e não como homens, bem como a mídia
e a opinião pública; recebem rótulos marcantes para a formulação de suas subjetividades e punições,
muitas vezes, ineficazes.
Ainda para Butler (2003), a noção binária masculino/feminino está completamente
descontextualizada “analítica e politicamente separada da constituição de classe, raça, etnia e outros eixos
de relação de poder, os quais tanto constituem a ‘identidade’ como tornam equívoca a noção singular de
identidade” (p. 21). Sobre tais problemáticas de gênero e identidade, a filósofa reflete sobre a possibilidade
de um feminismo pautado em novas noções de gênero e identidade. Para ela, “se a noção estável de
gênero dá mostras de não mais servir como premissa básica da política feminista, talvez um novo tipo de
política feminista seja agora desejável para contestar as próprias reificações de gênero e da identidade”
(p.23).
Essa proposta de um feminismo com base na variabilidade das categorias identidade e gênero se
aproxima com a compreensão da Psicologia Social Crítica, já citada anteriormente. Ancorado nessas
discussões posso afirmar que para melhores análises das violências de gênero, é preciso superar o binômio

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“Mulheres vítimas” versus “Homens agressores”, dar importância às narrativas dos homens autores de
violência e investigar os processos que envolvem a elaboração do gênero e da identidade desses homens.
Na direção de uma perspectiva crítica da sociedade capitalista, os fenômenos sociais podem ser
compreendidos como produtos e produtores de formas de viver, o que se aplica ao conceito de gênero.
Lima (2009), por sua vez, expressa a noção de que o discurso social é determinante para elaborar a
identidade na formação e reposição de personagens. Assim, na compreensão da Psicologia Social Crítica,
como já citado, essa condição pode ser denominada de ‘fetichismo da personagem’ e, ainda, ‘identidade
mito’. Isto serve aos ideais do capital, pois torna o ser humano refém de uma suposta identidade atemporal
e imutável, impedindo-o de buscar a emancipação.

Conclusão
A título de considerações finais, cabe afirmar que as questões relacionadas aos homens autores de
violências de gênero podem ter muitas contribuições dos estudos concernentes a identidade humana. Como
exposto anteriormente, muitas das discussões acerca das identidades sustentam questionamentos sobre as
organizações sociais e as estruturas sociais, evidenciando que o particular materializa o universal. Todavia,
considerações homogeneizantes dos homens autores de violência devem ser consideradas como manejos
das políticas de identidade que barram as possibilidades emancipadoras dos sujeitos, aprisionando em
formas previamente estabelecidas de personagens identitárias. Considero importantíssima a aproximação
do campo de estudos em masculinidades com as elaborações críticas sobre identidade-metamorfose-
emancipação, para assim, considerar os fragmentos de emancipação nas narrativas de história de vida
desses homens. Portanto, problematizar as identidades desses homens autores de violência, acarreta em
uma problematização da conjuntura social da qual estes são produtos e produtores.

Referências

BRUNER, Jerome. Actos de Significado. Lisboa: Edições 70, 2008.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução: Renato Aguiar.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CIAMPA, Antonio da Costa. A Estória do Severino e a História da Severina: um ensaio de Psicologia


Social. São Paulo: Brasiliense, 1987.

LIMA, Aluísio Ferreira de; CIAMPA, Antonio da Costa. Metamorfose humana em busca de emancipação: a
identidade na perspectiva da Psicologia Social Crítica. In: LIMA, A. F. Psicologia Social Crítica: Paralaxes
do Contemporâneo. Porto Alegre: Sulina, 2012.

LIMA, Aluísio Ferreira de. Metamorfose, anamorfose e reconhecimento perverso: a identidade na


perspectiva da Psicologia Social Crítica. São Paulo: FAPESP, EDUC, 2010.

MEAD, George H. El problema de la sociedad. Como llegamos a ser nosotros mismos. In, G. H. Mead.
Escritos políticos y filosóficos. Buenos Aires: Fundo de Cultura Econômica, 2009.

RICOEUR, Paul. O si mesmo como um outro. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

Agradecimentos
Agradecemos à UFC e à CAPES pelo apoio e incentivo para articulação de ideias e lutas políticas.
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