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Resenha

Reforma com os autores, o título decorre da seme-


lhança entre a questão previdenciária e os
previdenciária: desafios da preservação ambiental: ambos
necessitam de mudanças que ocasionam
uma questão custos imediatos e benefícios a longo pra-
demográfica? zo, além de não serem temas de interesse
político.
Na primeira parte do livro, que compre-
ende os cinco capítulos iniciais, os autores
Luana Junqueira Dias Myrrha* contextualizam a discussão da reforma no
Pamila Cristina Lima Siviero** cenário político e na mídia. No capítulo “Um
dia na casa das Garças”, são apresentados
alguns discursos dos políticos brasileiros so-
GIAMBIAGI, Fábio; TAFNER, Paulo. bre a previdência social, evidenciando-se a
Demografia a ameaça invisível dificuldade de inserir o tema nas campanhas
– O dilema previdenciário que o eleitorais e até mesmo de tratá-lo durante
Brasil se recusa a encarar. 1ª. ed. o mandato, uma vez que a maioria dos
Rio de Janeiro: Editora Elsevier, políticos acredita que “falar de Previdência
2010, 198p. ‘deselege’” (p. 8).
Já no capítulo “Outra vez?!” os autores
tentam desmistificar a reação esperada da
Lançado em 2010, o livro Demografia a população quando houver uma nova refor-
ameaça invisível, de Fábio Giambiagi e Paulo ma: “Outra vez?! Novamente querem que
Tafner, remete a uma aspiração de demógra- os velhinhos paguem a conta?” As notícias
fos, atuários, economistas e cientistas sociais lançadas na mídia que passam a ideia de
afeitos à reforma do sistema previdenciário que as duas reformas parciais realizadas no
do Brasil. O tema é de grande interesse para Brasil – uma no governo FHC, em 1997, e
a população brasileira. Composto por dezoito outra no governo Lula, em 2003 – afetaram
capítulos e prefácio escrito pelo ex-secretário negativamente a maioria dos aposentados
de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, estão completamente equivocadas. Não
Joaquim Levy, os autores redigiram a obra existe uma conta a ser paga, uma vez que
com o objetivo de “convencer”. Nesse sen- o governo transfere para os idosos mais do
tido, acreditam que se os dados, a situação que eles contribuíram. Em uma análise mais
dos outros países, bem como pontos de minuciosa de ambas as reformas, os autores
vistas alternativos forem claramente apre- mostram que as duas atingem mais inten-
sentados, é possível desarmar manifesta- samente os futuros aposentados por tempo
ções contrárias à reforma. O estudo está de contribuição do INSS e os servidores que
estruturado em quatro blocos: no primeiro, se aposentarão no futuro. Outro questiona-
discutem-se os traços gerais do tema; no mento comum é: “O fator previdenciário é
segundo, os dados principais; no terceiro, os injusto?” Com base no cenário internacional
pontos-chave que compõem o problema pre- e em argumentos convincentes, os autores
videnciário no Brasil em um contexto mundial concluem que não é errado contribuir por
e, finalmente, no quarto, é apresentada uma mais tempo e/ou se aposentar mais tarde
agenda de proposta para a reforma. para ter um fator previdenciário maior.
O título Demografia a ameaça invisível No capítulo “A revisão do IBGE, o furo
incita a curiosidade dos leitores. De acordo que ninguém deu”, os autores criticam no-

* Professora assistente I do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Doutoranda
em Demografia pela Universidade Federal de Minas Gerais – Cedeplar/UFMG.
** Professora assistente I do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Alfenas e Doutoranda
em Demografia pela Universidade Federal de Minas Gerais – Cedeplar/UFMG.

R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v. 27, n. 2, p. 457-461, jul/dez. 2010


Myrrha, L.J.D. e Siviero, P.C.L. Reforma previdenciária: uma questão demográfica?

vamente os jornais e o Congresso por não ao PIB triplicou em pouco mais de 20 anos,
demonstrarem preocupação com os resul- transformando-se na principal rubrica de
tados da revisão da projeção populacional gasto orçamentário federal. As justificativas
do IBGE realizada em 2008, voltando sua para esse aumento são: as regras generosas
atenção mais para a crise que o mundo de aposentadoria e pensão em face das
vivenciava naquele ano. No entanto, ao tendências demográficas do país, principal-
afirmar que “ninguém” estava atento aos mente aquelas referentes às aposentadorias
resultados da revisão, os autores excluem por tempo de contribuição, aposentadorias
a comunidade demográfica, o que é incor- femininas e a regra rural; o efeito dos rea-
reto. Os demógrafos já vêm discutindo, há justes do salário mínimo desde meados dos
bastante tempo, o rápido processo de en- anos 1990; e o baixo crescimento médio do
velhecimento e aumento da expectativa de PIB que “incha” o quociente.
vida da população brasileira, cujas conse- O capítulo “O orçamento estrangula-
quências são objeto de estudo e discussão do” dedicou-se à discussão do crescente
de artigos científicos, dissertações e teses. aumento das despesas do INSS sobre o
No capítulo “Uma questão preliminar: conjunto das despesas do governo central
a perda que não houve”, é analisado o ar- – “composto pelo agregado da soma do
gumento de muitos aposentados e alguns Tesouro Nacional/Banco Central e INSS”.
políticos de que é justo estender a todos os Considerando a participação no PIB de
aposentados reajustes iguais ao concedido cada despesa e sua variação no tempo,
ao salário mínimo. Os autores evidencia- os autores afirmam que os gastos com
ram que as aposentadorias acima de um os benefícios do INSS são os vilões do
salário mínimo acompanharam, grosso crescimento dos gastos públicos, sendo
modo, a inflação, a partir de meados da que mais de 80% desse acréscimo, entre
década passada. Para eles, não haver um 1991 e 2010, ocorreu com idosos e des-
ganho não significa que houve perda, ou pesas sociais, principalmente em relação
seja, simplesmente o ganho não ocorreu. aos gastos previdenciários e assistenciais
Cautelosamente, os autores ressaltam que daqueles que recebem um salário mínimo.
não estão afirmando que os idosos vivem Por meio de uma contabilidade de simples
bem e não têm razão para se queixar, mas entendimento, considerando que o Tesouro
que aumentar o valor da aposentadoria não e o INSS conjuntamente se denominam
resolverá o problema dos idosos com os governo central, os autores colocam em
gastos com saúde. xeque o argumento dos defensores da tese
Na segunda parte do livro, iniciada com da “Previdência superavitária”. Nesse sen-
o capítulo “A Previdência em números”, tido, a principal questão “não é que o INSS
busca-se determinar os responsáveis pelo tenha ‘déficit’, e sim que, no ‘bolo’ total de
aumento do gasto com a previdência so- despesas públicas, aquelas associadas ao
cial. Há os que acreditem que os principais pagamento de aposentados, pensionistas e
responsáveis por esse aumento são os assistência social vêm ocupando uma fra-
servidores, enquanto outros consideram ção cada vez maior do orçamento público”
que o problema está nas regras do INSS. Os (p. 64). Ademais, contestam a ideia de que
autores expõem duas questões do primeiro aumentar a eficiência do Estado resolverá
raciocínio: a reforma do sistema de aposen- o problema do gasto público, apesar de
tadoria dos servidores já foi feita, sendo que isso ser desejável e positivo para o país e
os novos servidores que entraram depois de a sociedade. E defendem o argumento das
2003 já estão sujeitos às novas regras; e, ao reformas mais profundas.
longo dos anos, as despesas com os servi- O impacto do aumento do salário míni-
dores não sofreram alterações significativas, mo sobre as despesas públicas, no Brasil, é
pois apresentaram o valor de 2% do PIB em discutido no capítulo “A política de elevação
1995 e 2009. Os autores concordam que o do salário mínimo: até quando”. De acordo
problema encontra-se nas regras do INSS, com os autores, este aumento vem inchando
uma vez que a despesa do INSS em relação as contas públicas, uma vez que 2/3 dos

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benefícios previdenciários e assistenciais aumento da esperança de vida é resultado


são indexados ao salário mínimo. Utilizando apenas da queda da mortalidade infantil e,
os dados da PNAD/2008, os autores consta- posteriormente, adulta. Entendemos que os
taram que a maioria desses beneficiários já autores provavelmente desejavam afirmar
saiu da pobreza, sugerindo que o efeito do que o aumento da idade mediana decorre
aumento do salário mínimo sobre a pobreza da redução da taxa de fecundidade (resul-
é residual e deixa de ser um instrumento de tado concreto da capacidade reprodutiva
redução desse fenômeno. Assim, os auto- da mulher), o que diminui a proporção de
res questionam por que manter indexado indivíduos na base da pirâmide etária.
o benefício do piso previdenciário ao valor Outra importante observação é que,
do salário mínimo, se ele já recuperou o apesar de as reduções na mortalidade in-
seu poder de compra e até ultrapassou. fantil terem sido as mais expressivas, espe-
Outra questão discutida é o fato de os be- cialmente no início do processo de transição
nefícios previdenciários de um piso terem demográfica, o aumento da esperança de
regras de reajustes diferenciadas daqueles vida no mundo e no Brasil decorre da re-
situados acima desse valor. Neste sentido, dução da mortalidade em todas as idades.
os autores acreditam que é necessário es- Comparando a transformação demográfica
tabelecer regras que preservem o valor dos brasileira com a de países europeus, os au-
benefícios, de forma a não comprometer as tores afirmam que o que há de inusitado é a
contas públicas e não limitar o crescimento velocidade acelerada com que esse proces-
do salário mínimo. so vem acontecendo no Brasil e ressaltam
A terceira parte do livro inicia-se no que, com a queda da natalidade, o ritmo
capítulo “O país jovem que envelhece”. Os de crescimento da população começou a
autores, inicialmente, salientam a lógica de se reduzir, aproximando-se, na década de
solidariedade intergeracional do princípio 1990, do nível de reposição (2,09%). Nessa
de repartição do sistema previdenciário análise, entendemos que provavelmente os
brasileiro. Como o déficit sempre recairá autores confundiram taxa de crescimento
sobre os ativos, e mais severamente nas com o nível (taxa) de fecundidade de repo-
gerações mais jovens, existe uma rigidez sição, que, no Brasil, é aproximadamente
no ajustamento dos benefícios em curso. No de 2,1 filhos por mulher.
entanto, a questão é que as transformações A taxa de reposição varia com o nível da
demográficas, apesar de não serem signi- mortalidade e é calculada com base na taxa
ficativas de um ano para o outro ou de um intrínseca de crescimento. Para se afirmar
governo para o outro, no prazo de 30 a 40 que taxa de crescimento está próxima do
anos serão extremamente representativas. nível de reposição, a população brasileira
Portanto, não adianta postergar a solução deve apresentar uma taxa de crescimento
do problema. igual a zero, o que não se observou na
Por meio de uma análise comparativa e década de 1990. Diante do acelerado pro-
temporal da taxa de crescimento demográfi- cesso de transição demográfica brasileira,
co e da idade mediana dos contingentes, os os autores ressaltam os grandes desafios
autores tentam demonstrar a magnitude do para o nosso sistema previdenciário, uma
processo de envelhecimento populacional vez que essa mudança vem acompanhada
que o mundo experimenta e experimentará pelo aumento da participação da população
nos próximos anos. Os autores justificam com mais de 60 anos. Eles também chamam
o aumento da idade mediana pela queda a atenção para o grupo dos superidosos
da “taxa de fertilidade” e pelo aumento (aqueles com mais de 75 anos), que em
da esperança de vida, decorrente da re- 2050 corresponderá a mais de 10% da po-
dução contínua da mortalidade infantil e, pulação brasileira.
atualmente, do decréscimo da mortalidade No capítulo “A Escandinávia é aqui: a
adulta. Discordamos dos argumentos de sobrevida dos que se aposentam”, é discu-
que a “taxa de fertilidade” provocou cres- tida a importância da esperança de vida ao
cimento das idades medianas e de que o nascer e esperança de vida condicionada à

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idade (no caso, à idade de aposentadoria). No capítulo “As viúvas e a Viúva-mãe”,


Enquanto a esperança de vida ao nascer discute-se a situação das pensões por
fornece uma ideia das condições gerais morte no Brasil. Os autores apontam que
de vida de uma população, a esperança os gastos do país com pensão por morte
de vida condicionada à idade indica as são elevados para nosso padrão demo-
condições de vida das pessoas mais velhas gráfico. A despesa brasileira é superior à
e permite analisar a necessidade de finan- de países com razão de dependência três
ciamento do sistema previdenciário, foco vezes maior, como Itália, Bélgica e Áus-
do livro em questão. Os autores defendem tria. Por outro lado, países com razão de
que, com o aumento da longevidade, have- dependência semelhante à observada no
rá um consequente aumento do tempo de Brasil apresentam gasto cerca de 2,5 vezes
duração dos benefícios previdenciários, o menor. Uma das razões apontadas para o
que implicará gastos cada vez maiores ao gasto elevado é a ausência de condiciona-
longo do tempo. lidades ao acesso à pensão por morte, cuja
São apresentadas, no capítulo “O mun- exigência é observada em diversos países.
do é das mulheres”, evidências da relação Somam-se a esse problema o fato de que a
entre o diferencial de mortalidade entre pensão por morte é um benefício concedido
homens e mulheres e a riqueza material, predominantemente às mulheres, para as
mensurada por meio do PIB per capita. quais a esperança de vida é mais elevada
Essa relação é positiva, pelo menos até do que dos homens, e o número crescente
certo limite de renda: à medida que o PIB de matrimônios intergeracionais, nos quais
per capita cresce, aumenta a diferença de homens mais velhos se casam com mulhe-
esperança de vida ao nascer entre os sexos. res mais jovens. Assim, os autores levantam
Os resultados sugerem que o crescimento as seguintes questões: a) seria adequado
econômico tem efeitos diferenciados nas impor algum tipo de restrição para o caso de
esperanças de vida: em um contexto de viúvas jovens, sem filhos menores ou com
crescimento econômico, as mulheres são pouco tempo de casamento?; b) em caso
inicialmente beneficiadas, o que ocorre bem de casamentos duradouros e pensionistas
mais tarde para os homens. No entanto, os de idade mais avançada, sem filhos menores
autores apresentam evidências da redução no domicilio, seria razoável uma redução?
da diferença de sobrevivência entre os se- Em ambos os casos, os autores defendem
xos, fenômeno que já vem sendo estudado a implementação de restrições.
em países desenvolvidos. Já no capítulo “Assistencialismo – o
Ainda neste capítulo, os autores comen- cidadão não contribui. E daí?”, o foco da
tam que a esperança de vida na idade de discussão são os benefícios assistenciais,
aposentadoria, relevante para a Previdência, que são concedidos sem o pré-requisito
apresenta comportamento inverso daquele da contribuição prévia do trabalhador. A
observado para a esperança de vida ao Loas (Lei Orgânica de Assistência Social)
nascer, visto que tem aumentado de forma concede um salário mínimo para o idoso
consistente, para ambos os sexos, porém de 65 anos e mais, cuja renda familiar per
de forma mais intensa entre as mulheres. capita seja inferior a ¼ de salário mínimo
Ressaltam que o sistema previdenciário e também às famílias com esse nível de
brasileiro não incorporou essas mudanças. renda per capita com pessoa portadora de
A maior longevidade feminina, especial- deficiência. Os autores mostram a expan-
mente à idade de aposentadoria, e o fato são desse benefício nos últimos anos, em
de as mulheres se aposentarem antes dos termos do aumento de concessões e da
homens, bem como a maior participação elevação do salário mínimo. Críticos desse
feminina no mercado de trabalho, exercerão tipo de política questionam não a existência
pressão sobre os gastos previdenciários no do benefício, mas sim a eficácia de cresci-
futuro. De acordo com os autores, em duas mentos contínuos em seu valor – aumentar o
décadas, as mulheres serão as “donas da valor do benefício não cumpre mais o papel
Previdência” (p.114). de tirar pessoas da exclusão. Concluem que

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as regras vigentes são iníquas e não incen- extrema relevância o ajuste de regras de
tivam a adesão ao sistema previdenciário, adesão ao sistema, especialmente no que
pois o Loas não é contabilizado no cálculo diz respeito à incorporação de trabalhadores
da renda per capita domiciliar. A proposta do mercado informal.
dos autores é eliminar a igualdade entre o Na parte final do livro, composta por dois
valor do benefício assistencial e o benefício capítulos, é apresentada uma agenda de
previdenciário, que é um retorno do esforço proposta para a reforma previdenciária. No
de contribuição. capítulo “A agenda previdenciária novamente
A capacidade de redução da pobreza – ou finalmente?”, criticando a postura passi-
do sistema previdenciário é discutida no va do presidente Lula em relação aos debates
capítulo “Nosso sistema previdenciário travados no Fórum da Previdência Social, em
combate a miséria?” Os autores apresentam 2007, os autores sugerem alguns critérios a
evidências de que o sistema previdenciário serem seguidos pelo próximo governo para
não foi desenhado para reduzir pobreza uma reforma previdenciária, especialmente
e miséria, especialmente pelo fato de que enfocada para o contingente populacional
a grande proporção dos pobres hoje, no que já se encontra no mercado de trabalho e
Brasil, são crianças. Com base em uma si- não está aposentado: “tratamento desigual a
mulação, os autores mostram que aumentar casos desiguais”; “carência”; “gradualismo”;
os benefícios da previdência social, além “paralelismo com o mundo”; e “adoção de
da inflação, tem impacto 12 vezes menor regras mais duras para os novos entrantes”
sobre a miséria. (p. 171). Com esse conjunto de critérios, os
Os efeitos da mudança de composição autores defendem a existência de quatro
do eleitorado brasileiro, resultante do en- regimes: aposentados atuais; trabalhadores
velhecimento populacional, nas reformas ativos a menos de três anos da aposentado-
do sistema previdenciário brasileiro são ria; trabalhadores ativos que não preenchem
discutidos no capítulo: “A economia políti- os requisitos para se aposentarem em três
ca da previdência social”. Com o aumento anos; e indivíduos que não ingressaram no
do contingente de maduros e idosos, sua mercado de trabalho. Giambiagi e Tafner
preferência tende a ganhar mais peso nas sugerem propostas de reforma distintas para
eleições. Como tais pessoas já estão no cada um dos grupos, contemplando: indexa-
mercado de trabalho e reformas no siste- ção do salário mínimo aos benefícios; regras
ma previdenciário afetam-nas no médio ou mais rigorosas aos novos entrantes; regras
curto prazo, seus interesses são preservar de transição para os ativos como aumento
as regras generosas hoje vigentes. da idade de aposentadoria para homens e
O capítulo “O cobertor é curto: quem mulheres; redução da diferença da idade de
ficou de fora?” aborda a eficiência na realiza- aposentadoria entre homens e mulheres; e
ção dos gastos públicos. Baseados no fato regras mais restritivas para as pensões.
de que a chance de ser pobre (ou extrema- No capítulo final deste excelente livro, “A
mente pobre) hoje no Brasil é muito maior hora da política: a maturidade necessária”,
entre as crianças do que entre os idosos, os discute-se que, embora várias mudanças já
autores questionam se seria possível, com tenham ocorrido após as reformas parciais
o mesmo volume de gastos, redistribuir os de 1988 e 2003, há ainda sérios problemas
recursos de modo a reduzir a pobreza e ex- a serem enfrentados. Giambiagi e Tafner
trema pobreza entre crianças e jovens sem finalizam levantando que os problemas
elevar o grau de pobreza e extrema pobreza previdenciários são um desafio ao líder e
entre idosos. Além disso, eles apontam para haverá certa perda de capital político. Este
fato de que a cobertura previdenciária, bem é um problema para o qual não se vislumbra
menor entre as crianças, aumentou para os solução fácil!
idosos e permaneceu praticamente constan-
te entre as crianças nas últimas duas déca-
das. Como as crianças e jovens dependem Recebido para publicação em 30/08/2010
dos pais para obter cobertura, torna-se de Aceito para publicação em 02/09/2010

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