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Doença de Parkinson e exercício físico


Parkinson’s Disease and physical exercise

Vanessa de Araújo Rubert1, Diogo Cunha dos Reis2, Audrey Cristine Esteves3

RESUMO SUMMARY
A Doença de Parkinson (DP) é descrita como uma desordem The Parkinson’s disease (PD) is described as a neurodegenerative
neurodegenerativa que afeta a população idosa, a qual compro- illness which affects the old aged population, which compromi-
mete os neurônios dopaminérgicos da substância negra, culmi- ses the dopamine neurons of the substantia nigra, culminating
nando no déficit de dopamina no corpo estriado influenciando in the dopamine deficit in the striated body - structures that are
na modulação do movimento. Entre os sintomas encontrados part of the Central Nervous System - influencing in the modu-
em pacientes com DP destacam-se: acinesia ou bradicinesia, lation of the movement. Among the symptoms found in the PD
rigidez, tremor de repouso, instabilidade postural, em alguns are distinguished: akinesia or bradikinesia, rigidity, rest tremor,
casos existe também comprometimento de ordem cognitiva, postural instability, in some cases can also occur implication of
afetiva e autonômica. Sendo assim, pretende-se com este estu- cognitive order, affective and autonomic. In such case, it is inten-
do verificar na literatura os benefícios do exercício físico (EF) ded with this study to verify in literature the benefits of the phy-
para indivíduos com DP. Com este estudo, pôde-se observar que sical exercise (PE) for people with PD. With this study, it could
existem poucos trabalhos na literatura enfocando esta temática, be observed that there are few papers in the literature focusing
mas parece haver uma tendência em acreditar que o exercício this thematic, but it seems to have a trend in believing that the
físico regular (aeróbico) é benéfico para pacientes com DP, pois regular physical exercise (aerobic exercise) is well accepted for
reduz sintomas como a hipocinesia, bradicinesia, distúrbios da patients with DP and being recognized as an auxiliary mean to
marcha, degeneração neuronal, sendo então reconhecido como traditional therapies (withmedication).
uma ferramenta que auxilia a terapia medicamentosa.

Unitermos: Doença de Parkinson. Exercício Físico. Trans- Keywords: Parkinson Disease. Exercise. Movement Disor-
tornos Motores. ders.

Citação: Rubert VA, Reis DC, Esteves AC. Doença de Parkinson e Citation: Rubert VA, Reis DC, Esteves AC. Parkinson’s Disease andphy-
exercício físico. sical exercise.

Endereço para correspondência:


Diogo Cunha dos Reis
Laboratório de Biomecânica – Centro de Desportos – Universidade
Trabalho realizado no Centro de Desportos da Universidade
Federal de Santa Catarina – Campus Universitário – Trindade – CEP
Federal de Santa Catarina-UFSC.
88040-900 – Florianópolis – SC – Brasil.
Fone: (48) 3721 8530
1. EducadoraFísica, Especialista em Cinesiologia, Pesquisadora do
E-mail: diogo.biomecanica@gmail.com
Laboratório de Biomecânica, – Centro de Desportos, UFSC.
2. Educador Físico – Mestrando em Educação Física – Laboratório de
Biomecânica – Centro de Desportos – UFSC. Recebido em: 10/03/06
3. Educadora Física, Mestre em Ciência do Movimento Humano, Revisão: 11/03/06 a 05/09/06
Pesquisadora do Laboratório de Biomecânica, Centro de Desportos, Aceito em: 06/09/06
UFSC. Conflito de interesses: não

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INTRODUÇÃO III: lentidão significativa dos movimentos corporais,
A doença de Parkinson (DP) é uma doença disfunção do equilíbrio de marcha e ortostático, dis-
degenerativa do sistema nervoso central, com impli- função generalizada moderadamente grave, estágio
cações profundas para o indivíduo, causando princi- IV e V: sintomas graves, locomove-se por uma dis-
palmente déficits nas funções motoras, mas também tância limitada, rigidez e bradicinesia, perda total
poderá ser responsável por outras manifestações sis- da independência, respostas imprecisas a levodopa e
têmicas associadas e nas funções autônomas1,2. doenças neuropsiquiátricas13.
A DP está entre as doenças neuro-degenera- A Levodopa é a principal droga utilizada para
tivas de maior incidência em pessoas idosas3. Apro- a DP, entretanto esse tratamento tem inúmeras des-
ximadamente, 0,1% da população geral e 1% da vantagens, pois ela não contém a progressão da do-
população acima de 65 anos é acometida por essa ença, apenas ameniza os sintomas. No decorrer do
síndrome, sendo deste apenas um pequeno número tratamento a droga perde sua eficácia e muitos efei-
de pessoas sofrem de demências4,5. tos colaterais sérios podem ocorrer tal como a acine-
A DP foi descrita pela primeira vez em 1817, sia, sintomas de psicoses, aumento do tempo na fase
por James Parkinson. Através de observações e exa- sem medicamento, hipocinesia e outros sintomas.
mes clínicos, Parkinson descreveu sintomas que são Considerando esses efeitos, pondera-se a hi-
até a atualidade aceitos como as principais mani- pótese que a prática regular de exercícios físicos (EF)
festações da DP: tremor, rigidez muscular, acinesia, poderá beneficiar as pessoas acometidas pelo Parkin-
anomalias posturais e anormalidades na marcha1. son, se não responsável pela cura, mas tendo papel
Conforme o autor citado, a etiologia do Pa- importante para amenizar ou retardar o apareci-
rkinson tem sido controversa, associa-se à genética, mento dos sintomas e garantir alguma independên-
ao estresse, exposição a ambientes tóxicos e infeccio- cia para os parkinsonianos.
sos. Há uma tendência em acreditar que a morte do Assim, pretende-se com este estudo verificar
tecido neural é causada pelo estresse oxidativo, devi- os efeitos do exercício físico para portadores de DP,
do à redução de glutation, um sistema antioxidante por meio de revisão bibliográfica.
importante capaz de neutralizar os radicais livres,
mesmo assim, por enquanto não se tem uma causa MÉTODO
definida para essa degeneração6. As fontes de dados pesquisadas consistiram-se
Em exames neurológicos podem ser obser- basicamente de artigos científicos publicados em pe-
vadas perdas extensas de células do mesencéfalo, riódicos internacionais disponíveis on-line no portal
conhecidas como substância negra pars compacta Periódicos da Capes (http://www.periodicos.capes.
(SNc)3,7. Esta diminuição celular leva a crer que a gov.br), no qual foram pesquisadas as seguintes pa-
DP é causada por um colapso na comunicação entre lavras-chave: Doença de Parkinson e exercício físico.
a SNc e o striatum, dessa sinapse resulta a liberação As consultas se limitaram à produção científica dos
de dopamina3. A perda de neurônios da SNc causa últimos dez anos, publicadas nos idiomas português
um esgotamento de dopamina nos gânglios de base o e inglês.
que causa alterações na elaboração de acetilcolina1,8. Os dados foram comparados com a intenção
A deficiência de dopamina produz um grave efeito de verificar as tendências dos estudos bem como os
no sistema extrapiramidal resultando em déficits na resultados reportados por estes em relação à adoção
coordenação muscular e nas atividades musculares, de programas de exercícios físicos em pacientes com
com isso resultando em problemas na manutenção DP em diversos estágios.
da postura, alterações na marcha, coordenação fina, Procurou-se dar ênfase nas discussões sobre as
enrijecimento muscular e outros9-12. alterações das respostas sintomáticas do quadro clí-
Devido à progressão da DP, em 1967, Hoehn nico do paciente durante o período de realização das
e Yahr classificaram-na em estágios, que represen- atividades físicas bem como a melhoria da qualidade
tam o grau de dificuldade do paciente, variando de de vida do paciente.
I a V. Estágio I: sinais e sintomas em um lado do
corpo, leves e inconvenientes, porém não incapaci- RESULTADOS E DISCUSSÃO
tantes, usualmente presença de tremor em um mem- Na Tabela 1 encontram-se especificados os artigos
bro; estágio II: sintomas bilaterais, disfunção míni- utilizados na discussão da dos efeitos do EF nos portadores
ma, comprometimento da postura e marcha; estágio da DP, acompanhados por uma breve descrição destes.

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Tabela 1. Descrição dos estudos encontrados que tratam dos efeitos dos exercícios físicos nos portadores da Doença de Parkinson.
AUTOR, ANO NÚMERO DE PACIENTES DESCRIÇÃO DO ESTUDO CONCLUSÕES
Portadores da DP sedentários apresentaram ní-
veis de Vo2 máximo abaixo dos moderadamen-
Avaliação do Vo2 máximo, função respi- te ativos e dos não portadores, demonstrando
13 homens e 3 mulheres
Canning et al, 199719 ratória e marcha em portadores da DP que em indivíduos com leve a moderada DP os
portadores da DP.
moderadamente ativos e sedentários. exercícios aeróbicos regulares mantém normal
sua capacidade cardiovascular apesar do déficit
neurológico.
Efeitos de uma semana de caminhada São registradas melhoras gerais nos pacientes
11 homens e 8 mulheres
Lökk, 200013 em terreno montanhoso nas capacidades ao fim da semana de treinamento, porém estas
portadores da DP.
funcionais. não são mantidas após 18 semanas.
Observaram-se melhorias significativas para a
4 semanas de treinamento de marcha
5 homens e 5 mulheres porta- performance motora, para a deambulação e
Miyai et al, 200015 em esteira, apoiando frações progressi-
dores da DP. para as atividades da vida diária (AVD). Resul-
vas do peso corporal.
tados melhores que os da fisioterapia comum.
Comparação dos efeitos da fisioterapia
O treinamento da marcha apresentou efeitos
tradicional com um método de treina-
12 homens e 12 mulheres maiores e mais duradouros (se estendendo por
Miyai et al, 200216
mento da marcha em esteira, apoiando
portadores da DP. até três meses após a interrupção das interven-
frações progressivas do peso corporal,
ções) para a velocidade da marcha e a cadência.
após um mês de intervenção.
Ambos os tipos de treinamento melhoraram
Comparação dos efeitos de um progra-
o equilíbrio e aumentaram os níveis de força
ma de treinamento de equilíbrio e um
muscular localizada, porém os ganhos foram
Hirsch et al, 200318 15 portadores da DP. programa combinando equilíbrio e resis-
maiores para o programa combinado. Esses
tência muscular de membros inferiores,
ganhos persistiram durante pelo menos 4
após 10 semanas de intervenção.
semanas.
Comparação dos efeitos de um trei-
Observou-se uma melhora significativa na
namento de marcha em esteira com
velocidade e comprimento do passo depois do
apoio progressivo do peso do corpo com
12 homens e 5 mulheres treinamento da marcha na esteira, mostrando
Pohl et al, 200317 o método de reabilitação da marcha
portadores da DP. uma redução relevante na fase de duplo apoio
através da facilitação neuromuscular
da marcha e nenhuma mudança significativa
proprioceptiva, após 4 dias de interven-
depois do FNP tradicional.
ção controlada.
A atividade física pode funcionar reduzindo
Revisão de estudos sobre os resultados
Smith e Zigmond, a degeneração de neurônios dopaminérgicos
Revisão. dos exercícios físicos sobre a recuperação
200314. e o desenvolvimento dos sintomas da DP nos
funcional do cérebro.
pacientes.
Sutoo e Akiyama, Revisão de estudos sobre os efeitos dos Alguns sintomas da DP podem ser melhorados
Revisão.
200320. exercícios físicos nos sintomas da DP. através de exercícios físicos.

Foram encontrados poucos estudos que façam Em um estudo, foram testados 10 pacien-
uma relação direta entre o EF e a DP, contudo obser- tes com DP por quatro semanas com o objetivo de
vou-se uma tendência em acreditar que o EF é capaz comparar os efeitos da fisioterapia convencional
de amenizar os efeitos do desuso assim como alguns com um treinamento de caminhada apoiando fra-
sintomas da doença (hipocinesia, bradicinesia, dis- ções progressivas (treadmill) do peso do corpo15. Os
túrbios da marcha, degeneração neuronal). autores sugerem que seções de 45 minutos três ve-
No início do quadro de Parkinson a ativida- zes por semana de caminhadas com a sustentação
de física pode funcionar reduzindo a degeneração de parcial do peso do corpo, além de ser um trabalho
neurônios dopaminérgicos e o desenvolvimento dos aeróbico para essas pessoas, apresentam melhoras
sintomas da DP nos pacientes14. Logo no inicio do de- significativas para a amplitude e velocidade da pas-
senvolvimento da doença, pacientes podem aprender sada, qualidades essas que agem na melhoria e esta-
a realizar estratégias de comportamento alternativas bilidade da marcha. Assim, para pessoas com DP o
que irão conduzir para menor comprometimento do treinamento de passadas com apoio parcial do peso
sistema motor, mudança essa que é freqüentemente ob- do corpo, produz mais melhorias significativas para
servada em modelos animais, que ao serem forçados a a performance motora, para a deambulação e para
utilizar o membro com características iniciais da doen- as atividades da vida diária (AVD) que a fisioterapia
ça, apresentaram evolução mais lenta dos sintomas. comum.

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Em outro, comparando a fisioterapia tradicio- esses ganhos são importantes para conservar a capa-
nal com este outro método, foi verificado que esse cidade funcional e prevenir lesões por quedas.
tipo de atividade tem um efeito duradouro na mar- Um estudo onde se submete pacientes de Pa-
cha dos pacientes com Parkinson agindo principal- rkinson a caminhadas diárias nas montanhas, regis-
mente sobre o arrastar dos pés característicos desses trou-se melhoras gerais nestes pacientes, portanto a
pacientes e no número de passos16. Os autores ainda integração de pacientes em programas de exercício
sugerem que essa prática aumenta o tempo de ação de baixa a moderada intensidade é uma interven-
do medicamento. ção efetiva para reduzir o declínio das capacidades
O treadmill tem sido uma promissora terapia no funcionais13. Este autor acredita que a recuperação
processo de reabilitação de pacientes com anomalias da performance física e as capacidades orgânicas
na marcha e mais recentemente tem sido utilizado fortalecidas aumentam a autoconfiança e auto-sufi-
em pacientes com DP e resultando em melhoras nos ciência do paciente ajudando na reintegração dele à
parâmetros de marcha maiores que as terapias con- sociedade.
vencionais17. Em um estudo com indivíduos portadores
Os autores citam ainda que técnicas recentes da DP classificados como moderadamente ativos e
de reabilitação de problemas neurológicos começam sedentários, foi observado que os sedentários apre-
a incluir exercícios aeróbios e circuit training no trata- sentavam níveis de VO2 máximo menores que in-
mento dessas pessoas. A prática de atividades físicas divíduos saudáveis da mesma faixa etária, enquan-
tem ocasionado alguns benefícios motores para in- to que os moderadamente ativos alcançaram níveis
divíduos com DP, embora seja percebida um pouco de VO2 acima dos valores esperados como normal
mais devagar que em indivíduos saudáveis17. para pessoas com DP, mesmo assim continuavam
Em um estudo com 17 pacientes portadores apresentando a típica marcha do Parkinson (compri-
da DP, comparam os efeitos do treadmill com apoio mento de passo reduzido e cadência elevada)19. Estes
progressivo do peso do corpo com o método conven- resultados, segundo os autores sugerem que aqueles
cional de tratamento de distúrbios da marcha através indivíduos com leve a moderada DP se desempenhar
de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) exercícios aeróbicos regularmente mantém normal
e uma intervenção controle17. Neste estudo é com- sua capacidade cardiovascular apesar do déficit neu-
provada uma melhora significativa na velocidade e rológico, o que se torna importante visto que o prin-
comprimento do passo depois do treadmill, mostran- cipal para as pessoas com DP é a manutenção da
do uma redução relevante na fase de duplo apoio qualidade de vida (QV).
da marcha e nenhuma mudança significativa depois Outro ganho referido por pacientes com Pa-
do FNP tradicional ou no grupo controle. Demons- rkinson, participantes de um programa de EF re-
trando com isso que esta atividade física pode ser um gular foi uma melhora significativa na memória re-
fator importante para evolução da marcha. cente, diminuição de náuseas e menor incontinência
Em um trabalho com 15 pessoas com Doen- urinária e retenção de líquidos20.
ça de Parkinson, foram averiguados os efeitos de um Exercícios modificam o funcionamento do cé-
treinamento com sobrecarga no equilíbrio e na resis- rebro, mas os mecanismos de como isso acontece ain-
tência muscular, encontram efeitos positivos, desta- da são desconhecidos, estudos sugerem que isso ocorre
cando aumento da latência antes da queda em 15%, porque o EF intenso disponibiliza cerca de 7 a 18% a
redução em 20% a incidência de quedas, efeitos mais que o grupo controle (sem exercício), íons cálcio
esses que permaneceram inalterados por ao menos (Ca2+) para o cérebro, essa oferta de Ca2+ estimula a
4 semanas depois do término do treinamento18. O síntese de dopamina20. O nível de dopamina no neos-
treinamento ainda melhorou a capacidade de man- triatum e núcleo caudado, em ratos submetidos a EF
ter o equilíbrio durante condições de instabilidade. intenso por 120 minutos, estiveram respectivamente
A resistência muscular dos ísquios tibiais, quadríceps 31% e 28% mais elevado que no grupo controle. A
e gastrocnêmico aumentou, sendo este último o que perda dopaminérgica no striatum é um dos maiores
mais apresentaram melhoras, esses músculos se man- sintomas da DP e o tratamento mais freqüente é a
tiveram mais vigorosos que no início do treinamento, reposição através do L-DOPA, o percussor imediato
mesmo que os participantes não tendo se mantido da dopamina. Assim sendo, alguns sintomas da DP
em treinamento18. Os autores ainda destacam que podem ser retificados pelo EF20.

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Foram encontrados mais efeitos benéficos na Devido a escassez de estudos enfocando os
combinação de EF e o programa de medicamentos efeitos dos EF na DP há a necessidade de realização
do que com a terapia medicamentosa unicamente. E de outros estudos enfocando os efeitos dos diferentes
também aponta a AF como uma tendência de adap- tipos de exercícios físicos (aeróbicos e anaeróbicos),
tação para tratamentos convencionais13. na busca da ampliação dos conhecimentos a respei-
Observaram que o EF intenso provoca um pe- to de medidas terapêuticas opcionais aos indivíduos
queno, no entanto significativo aumento do GDNF que desejam amenizar os efeitos/sintomas da DP.
no striatum, hormônio esse que tem sido especulado
como “fator de sobrevivência”, ou seja, tem papel CONCLUSÕES
protetor contra substâncias danosas aos neurônios Parece haver uma tendência em acreditar que
dopaminérgicos14. Na presença dele os neurônios o exercício físico regular, principalmente o aeróbico,
dopaminérgicos aumentam de tamanho e apresen- é benéfico para pacientes com DP, pois reduz sinto-
tam processos mais longos formando uma rede mais mas como a hipocinesia, bradicinesia, distúrbios da
densa de dendritos e axônios que células não expos- marcha, degeneração neuronal, sendo então reco-
tas ao fator. nhecido como um meio auxiliar às terapias tradicio-
O treinamento e a reabilitação com o uso de nais (medicamentosa).
sobrecarga podem estimular uma plasticidade no
cérebro e na medula espinhal e até mesmo a neu-
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