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África, Diáspora e o Mundo Atlântico na

Modernidade: perspectivas historiográficas

Amailton Magno Azevedo1

Resumo
Este artigo investiga as novas produções historiográficas que atribuem à África e à Diáspo-
ra um outro papel na formação da Modernidade e do Mundo Atlântico. Retiram o caráter
de vitimização que sempre foi projetado à África Central e do Oeste em relação ao circuito
transatlântico. Essas produções indicam uma nova tendência historiográfica, onde as vi-
vências africanas e da Diáspora incidem na construção da cultura, da mentalidade mo-
derna e da formação do Brasil. O antigo paradigma de pensar a Modernidade a partir do
Estado Nação europeu e seu expansionismo unilateral cede lugar a um novo enfoque, em
que o espaço e a história atlântica fundam-se a partir de experiências marcadas pela mul-
tipolaridade de situações, ambientes, negociações, cartografias, resistências e memórias.
Palavras-chave: África, Diáspora, Brasil e o Mundo Atlântico.

Abstract
This article investigates the most recent historical productions which give Africa and the
Diaspora another role in the formation of the Modern and the Atlantic World. The victimi-
zation characteristic, which has always been projected to Central and Western Africa, has
been taken away. These recent productions indicate a new historical trend in which the
African experiences and the Diaspora influence the construction of the culture, the mo-
dern mentality and the formation of Brazil. The old paradigm of thinking modernity from
the point of view of the European State Nation and its unilateral expansion gives place to a
new focus; in which the Atlantic space and history are founded on the basis of experiences
marked by a diversity of situations, environments, negotiations, cartographies, resistances
and memories.
Keywords: Africa, Diaspora, Brazil and the Atlantic World.

1
Doutor em História Social e professor do Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais,
PUC-SP.

Cad. Pesq. Cdhis, Uberlândia, v.23, n.2, jul./dez. 2010 361


“Raptaram a princesa Ceddos, convertendo-os forçadamente.
Dior Yacine!” Essa política de islamização impetrada
contra os Ceddos coincide com a História
Num tom de preocupação, quatro do islamismo na África do Oeste quando
mulheres surgem em primeiro plano da sua penetração expandindo a região
na imagem emitindo várias vezes essa da Hauçalândia.
frase, para informar o rapto da prince- A figura do religioso católico euro-
sa Dior Yacine pelo povo Ceddo. O mo- peu aparece no filme negociando produ-
tivo do rapto: a recusa dos Ceddos em tos e escravos com o reino sem conse-
converterem-se ao islamismo. No filme guir interferir na sua política e cultura
Ceddo2 sob direção do senegalês Ous- interna. A partir desse filme é possível
mane Sembene, há a reconstrução da perceber como os africanos não sofrem
memória de um reino situado na África interferências significativas para deses-
do Oeste durante o século XVII. Nesse truturar os seus valores culturais como a
reino imaginário o rei está investido de importância da palavra e da oralidade; o
caráter divino, oriundo de uma linhagem respeito ao homem mais velho; as deci-
e família rica e com prestígio. Governa o sões políticas tomadas entre os anciãos;
reino cercado de uma nobreza islamiza- os símbolos (cajados) que representam a
da que o representa nas conversas com crença nos antepassados.
os outros pequenos régulos. Cercado de As relações de conflito e negocia-
sua corte e da nova política baseada no ção entre a cultura islâmica, os Ceddos
islã, pressiona os Ceddos, um dos povos e o catolicismo europeu ficam eviden-
que compõem o reino, a se converterem. tes quando do retorno da princesa Dior
Recusando a alinhar-se à nova política, Yacine do sequestro. Indignada com a
os Ceddos raptam a princesa Dior Yacine morte do pai, Dior Yacine se alia aos Ce-
para estabelecer o início de um diálogo, ddos matando o líder religioso islâmico,
e, para devolvê-la, vão exigir na negocia- retomando o poder do reino. Essa ação
ção, além da não conversão, a continui- da princesa nos permite refletir que nem
dade de suas práticas religiosas baseadas o islamismo e nem o catolicismo europeu
na crença aos ancestrais. darão o rumo na História do reino. É evi-
Sem atender às exigências dos Ce- dente que o diretor do filme propõe uma
ddos o rei ordenará inúmeras tentativas reconstrução que vai de encontro às suas
de resgate da princesa, mas sem suces- perspectivas políticas e estéticas no tem-
so. Diante dos fracassos o rei sofrerá um po em que foi produzido, obedecendo a
golpe. É assassinado pelos islâmicos que um projeto pautado pela descolonização.
passam a governar o reino e como pri- É um passado que projeta na contempo-
meira ação declaram a jihad contra os raneidade um ajuste de contas com a me-
mória da África. No entanto, Ousmanse
2
Ceddo. Diretor Ousmane Sembene, Senegal, 1977. Sembene, é considerado o pai do cinema

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africano anticolonial e é preciso levar em Entre os séculos XVI e XIX, a África
consideração o trabalho de pesquisa feito não viveu processos colonizadores e os
pelo diretor para rearranjar uma época. sistemas de pensamento político, eco-
Quando se compara o filme à li- nômico e cultural das sociedades africa-
teratura histórica há a confirmação de nas não haviam sido desestruturados5.
questões apresentadas nas imagens. Afirmação polêmica já que uma tradição
Isso se manifesta: quando alguém quer historiográfica nos educou a pensar as
fazer o uso da palavra, não pode dirigir- relações da África com o mundo atlân-
se diretamente ao rei, deve comunicar- tico a partir de perspectivas que a suge-
se com o porta-voz que o representa; rem apenas como acidente geográfico
a coragem assumida pelo filho do rei entre oriente e o ocidente. Os processos
que se dispõe a recapturar a princesa de desterramento, desterritorialização e
Dior Yacine – o que significa que, todo escravidão que provocaram as ondas mi-
aquele que pretende um dia ser rei deve gratórias da Diáspora foram vistos como
aparentar e provar sua coragem; o rei é um projeto balizado pelo expansionismo
absoluto mas governa com seus conse- do Estado Nação, da economia capitalis-
lheiros; sua riqueza advém da terra; é o ta e dos desdobramentos da modernida-
patriarca, o chefe do clã; a autoridade de europeia. Sendo assim, as Áfricas e as
máxima. Diásporas não são associadas a espaços e
A legitimação do poder está baseada vivências portadores de memórias, sabe-
na oralidade e ligada às ritualidades sagra- res e fazeres.
das, como a que transforma o rei em ances- Essa perspectiva nos condicionou
tral, passa a habitar o mundo dos mortos a projetar imagens da África a partir de
e é (Xangô, Ogum)3 rememorado e reavi- estranhamentos, imprecisões e estereóti-
vado pela tradição oral (Lukeni, Gezo) . Os 4
pos, tais como: África: ruído, obstáculo,
reis regiam seus exércitos para conquistar depósito de escravos e objeto de uso e
terras e coletar tributos. Residiam em pa- exploração. Ela é projetada na História a
lácios que simbolizavam poder e prestígio, partir de marcos temporais exteriores à
era o centro cultural do reino ou do Impé- sua historicidade, ficando submetida às
rio, produziam artefatos, controlavam o dinâmicas da expansão ocidental pau-
comércio e a burocracia. tadas pelo capitalismo e pelos interesses
dos Estados Nações europeus. Esse mo-
delo de análise serviu mais para a ocul-
3
SILVA, Alberto da Costa e. A Manilha e o Libam-
bo: a África e a escravidão de 1500 a 1700. Rio de tação das memórias das Áfricas do que
Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Na-
o contrário, seja do ponto de vista geo-
cional, 2002.
4
M’BOKOLO, Elikia. África Negra: História e Ci- gráfico, como um espaço acidental entre
vilizações: até o século XIX. Salvador: EDUFBA;
São Paulo: Casa das Áfricas, 2009. (Tomo I);
SOUMMONI, Elissé. O Daomé e o Mundo Atlân- 5
APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai: a
tico. Rio de Janeiro: Centro de Estudos Afro-Asiá- África na filosofia da cultura. Rio de Janeiro: Con-
ticos, 2001. traponto, 1997.

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o Índico e o Atlântico, seja cultural, pro- de bússola para os olhos do Império7; li-
jetado como o continente habitado por teraturas de viagem e aventura que pro-
monstros, gente deformada e estranha duziram discursos associando o negro
ao desenvolvimento do espírito e da His- às trevas, ao primitivo, à sensualidade e
tória. Constrói-se um imaginário sobre ao grotesco8; os discursos da museologia
a África no Ocidente como o não-lugar, que catalogaram e elaboraram um saber
a terra vazia, desertificada emocional e onde as memórias africanas foram asso-
racionalmente, transitando entre o ani- ciadas a um passado fossilizado e morto,
malesco, o selvagem e a infantilidade, a de expressões artísticas primitivas9.
ausência de memória. No imaginário pós-colonial os con-
Durante o imperialismo as ima- ceitos que são atribuídos para pensar a
gens sobre África se modificam, mas não África esbarram em superficialidades
para libertá-la do estranhamento, pelo como o continente da destruição e morte,
contrário, a imagem do negro-africano movendo-o para um espaço da memória
é classificada, tipificada a partir dos dis- onde habitam os desvalidos, os que não
positivos científicos baseados na falsa pertencem a esse mundo, os que devem
crença de que haveria uma inferioridade ser salvos, socorridos em sua miséria
racial. Não houve apenas a maquinaria abundante; pois ainda são incapazes de
de guerra e a invasão do espaço, mas a enfrentar seus próprios problemas. Por-
construção de discursos e representa- tanto, o lugar da África na História é a
ções que moveram a ação neocolonia- margem, escapando às conquistas da hi-
lista provocando a destruição do outro permodernidade e do progresso ociden-
enquanto narrativa. Esses discursos e tal. Há ainda um imperialismo da ima-
imagens etnocêntricos destruíram toda gem e do espaço.
e qualquer possibilidade de haver histó- A historiografia e a filosofia afri-
ria e humanidades na África6. Houve o canas e da Diáspora têm desconstru-
desenvolvimento de uma atitude textual ído esses olhares, redefinindo hori-
que se manifestou numa imaginação e zontes de abordagem e interpretação
representação estética, legitimando e au- sobre essas relações. Autores como Lin-
torizando o direito de invadir para con-
solidar uma pavimentação da História
dos povos africanos. 7
PRATT, Mary Louise. Os olhos do Império: relato
Variadas estratégias foram utiliza- de viagem e transculturação. Trad. Jezio Hernani
Bonfim Gutierre. Bauru, SP: EDUSC, 1999.
das para forjar o discurso colonialista, 8
OLIVEIRA, Ana Cristina. Continentes Negros
em She e The Story of an African Farm. Lisboa:
como os relatos de viagem pré-imperia-
Roma Editora, 2005.
listas que prepararam o terreno servindo 9
CUNHA, Marcelo Nascimento Bernardo da.
Teatro de Memórias, palco de esquecimentos:
culturas africanas e das diásporas negras em ex-
6
SAID, Edward. Cultura e Imperialismo. Trad. De- posições. 2006. Tese (Doutorado em História)-
nise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
1995. São Paulo, 2006.

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da Heywood10, John Thorthon11, Anthony análises. Seria o papel que os reis africa-
K. Appiah12, Alberto da Costa e Silva13, nos assumiram definindo rumos para o
Elikia M’Bokolo , Eliseé Soummouni ,
14 15
comércio de escravos tanto dentro como
Paul Gilroy16, Luiz Felipe de Alencastro17, fora de seus reinos, seja no espaço da
Boubakar Barri e outros alertam sobre
18
África central como na África do Oes-
o papel que as Áfricas e as Diásporas ti- te. E que essas relações redimensionam
veram na formação de novas memórias, uma reflexão sobre a História da África
saberes e fazeres no Mundo Atlântico. escapando às balizas temporais tangen-
Os rumos da História Atlântica baseada ciadas por condicionamentos externos às
no comércio escravista e outros produtos suas historicidades19, pois os reis foram
foram também impressos por reis afri- negociadores ativos nesse comércio, in-
canos na sua relação com reis europeus, terferindo na formação do Mundo Atlân-
com mercadores europeus e brasileiros, tico, da Modernidade e do capitalismo
nas migrações de milhões de escraviza- comercial.
dos que formaram a complexa rede de Outra questão sempre recorrente ao
relações tangenciadas por tensões, dis- pensar as relações da África com o Mun-
putas e negociações teatralizadas no fil- do Atlântico entre os séculos XVI e XIX
me Ceddo. é o de partir de uma temporalidade pré-
É possível identificar um ponto de colonial com práticas culturais tradicio-
convergência entre esses autores e suas nais. Valer-se dessa perspectiva é movê-
la a uma temporalidade presa à expansão
10
HEYWOOD, Linda M. Diáspora Negra no Brasil. europeia no Atlântico. É como se a África
São Paulo:Contexto, 2008.
11
THORNTON, John. A África e os africanos na tivesse adentrado ao terreno da História
formação do Mundo Atlântico – 1400-1800. Rio a partir desse evento em que se estabe-
de Janeiro: Elsevier, 2004.
12
APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai: a lecem contatos. A ruptura a esse modelo
África na filosofia da cultura. Rio de Janeiro: Con-
significa levar em consideração que as
traponto, 1997.
13
SILVA, Alberto da Costa e. A manilha e o Libam- memórias e saberes africanos antecede-
bo: a África e a escravidão de 1500 a 1700. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca
ram, preservaram-se e conviveram com
Nacional, 2002. culturas que mais se africanaram do que
14
M’BOKOLO, Elikia. África Negra: História e Ci-
vilizações: até o século XIX. Salvador: EDUFBA; o contrário. As políticas dos Obá, Oni e
São Paulo: Casa das Áfricas, 2009. (Tomo I) Mani Congo na região da África Central
15
SOUMMONI, Elissé. O Daomé e o Mundo Atlân-
tico. Rio de Janeiro: Centro de Estudos Afro-Asiá- e do Oeste revelam uma atitude que im-
ticos, 2001. pediu uma interiorização da colonização.
16
GILROY, Paul. O Atlântico negro: modernidade
e dupla consciência. São Paulo: Ed. 34; Rio de A historiografia sobre a África Cen-
Janeiro: Universidade Cândio Mendes; Centro de
tral avisa sobre sua contribuição e inter-
Estudos Afro-Asiáticos, 2001.
17
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos vi- ferência na formação do Mundo Atlânti-
ventes: a formação do Brasil no Atlântico Sul. São
Paulo: Companhia das Letras, 2001.
18
BARRY, Boubacar. Senegâmbia: o desafio da his- 19
M’BOKOLO, Elikia. África Negra: História e Ci-
tória regional. Rio de Janeiro: Centro de Estudos vilizações: até o século XIX. Salvador: EDUFBA;
Afro-Asiáticos, 2001. São Paulo: Casa das Áfricas, 2009. (Tomo I).

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co. Representando quase a metade dos Na região da África Central, o co-
escravos que saíram da África para as mércio transatlântico revela uma intensa
Américas, a cultura, a economia e a po- disputa entre europeus, entre reis africa-
lítica dos reinos dessa região se expandi- nos, e entre europeus e africanos, confi-
ram para a diáspora negra fomentando gurando uma complexa rede de tensões
a formação de novos saberes e fazeres20. e conflitos impossibilitando encontrar
Entre os diferentes reinos da África formas de dominação duradouras, he-
Central, o do Congo foi um daqueles que gemonias perenes deste ou daquele rei
imprimiu forte relação no espaço atlânti- africano, deste ou daquele país europeu.
co almejando uma política expansionista
para além das fronteiras internas, o que [...] nem todos os brancos que chegavam
do mar eram portugueses, e os povos
foi praticado com os europeus, sobretu-
que viviam nas cercanias no litoral logo
do com os portugueses. A historiografia
aprenderam a distingui-los. No início,
africana reconstruiu a memória do reino, eram raros: um ou outro barco caste-
levando em consideração na abordagem lhano ou francês, que vinha em busca de
as dinâmicas internas para sondar os ru- ouro e que muitas vezes se contentava
mos e tons da cultura e política da época com malagueta, ambar, almíscar, pelos
coutors, marfim, papagaios, macaqui-
de nascimento do Congo. Isso significou
nhos, gatos de algália, paus tintórios e
romper com uma visão aportuguesada
algum escravo22
sobre a sua história, construídas a partir
dos relatos de viajantes. Sua fundação
A presença de outros europeus in-
ainda é bastante desconhecida, no en-
comodava os portugueses, pois compro-
tanto, na tradição oral o ponto de fun-
metia o monopólio de suas transações
dação do Congo estaria localizado em
no Atlântico Sul com os reis africanos.
Mbanza Kongo ou São Salvador (nome
Diante desses cenários onde castelhanos
cristão), tendo em Nimi a Lukeni, o pri-
e franceses desejavam ampliar suas tran-
meiro Manicongo na segunda metade
sações comerciais, os portugueses recor-
do século XIV. A produção de cobre e
rem aos reis africanos para impedir essas
sal tornou o Congo uma força política e
relações 23.
econômica não só interna, mas também
Ao Manicongo interessava essa
mundialmente. Esse poder também se
aliança com os portugueses já que alme-
converteu em força militar o que permi-
java ampliar as relações de comércio com
tiu a expansão para o norte e sul do reino
o mundo atlântico e fortalecer interna-
estendendo-se do Congo atual ao norte
de Angola21.
Paulo: Casa das Áfricas, 2009. (Tomo I).
22
SILVA, Alberto da Costa e. A Manilha e o Libam-
20
HEYWOOD, Linda. Diáspora Negra no Brasil. bo: a África e a escravidão de 1500 a 1700. Rio de
São Paulo: Contexto, 2008. Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Na-
21
M’BOKOLO, Elikia. África Negra: História e Civi- cional, 2002, p. 451.
lizações: até o século XIX. Salvador: EDUFBA; São 23
Ibidem.

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mente o reino do Congo diante de outros de armas e prestígio. Mal os holandeses
reinos fronteiriços ao norte, ao sul e ao saíram de Luanda, Jinga voltou a nego-
leste, rumo ao interior da África Central. ciar com os portugueses, porque não de-
E os portugueses que conviviam com os sejava ver seu reino invadido. Tinha tam-
povos dessa região sofriam um processo bém o intuito de reaver sua irmã, Dona
de africanização, o que os distanciava da Bárbara, feita refém pelos portugueses.
cultura lusitana, por mais que quisessem Retoma o culto do catolicismo, faz um
se gabar de uma ligação com a Metrópo- acordo com os mesmos e vê o retorno
le. Seus filhos mestiços eram um nítido de Dona Bárbara que assumiria o poder
sinal de que a África estava mais dentro após a sua morte24.
deles do que o distante Portugal. Não foram apenas os europeus que
Quando, na segunda década do sé- imprimiram uma relação com os reis
culo XVI, Afonso I combateu os castelha- africanos. Os mercadores brasileiros e
nos e franceses a pedido dos portugue- indígenas também estreitaram relações.
ses, não significava uma obediência nem Seja como “bucha de canhão”, no caso
mesmo uma regra. Essa postura do reino dos índios trazidos pelos holandeses para
do Congo visava mundializar as relações combater os portugueses e seus aliados
com Europa e Américas. Essa política africanos no controle dos mares do sul;
expansionista do reino do Congo é obje- seja como combatentes que, aliados aos
tivada também por Afonso II, depois de portugueses, passaram a pressionar uma
assumir o trono em 1587, quando se opõe nova relação com a África Central25. “Era
à construção de uma fortaleza pelos por- do Brasil que provinham os socorros,
tugueses para impedir que os holandeses tanto para os holandeses quanto para os
comercializassem naquela região. Algu- portugueses, socorros que não faltavam
mas décadas mais tarde, em 1641, Nimi contingentes de brasilienses, isto é, de
Lukeni, ou Álvaro VI, estabelece uma índios e mamelucos”26.
aliança com os holandeses para expul- São essas redes de relações comer-
sar os portugueses. Essa tinha objetivo ciais, econômicas, militares e políticas
distinto: aos holandeses interessava dis- que informam sobre uma pluralidade de
putar o Atlântico Sul com os lusitanos, e memórias e vivências que tecem a his-
ao reino do Congo interessava romper a tória do Atlântico Sul como um espaço
secular aliança com os lusos, fortalecer- aberto, descontínuo, de múltiplas ten-
se internamente e restaurar a unidade do sões e disputas, de diferentes saberes e
reino.
24
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos vi-
Essa aliança com os holandeses foi
ventes: a formação do Brasil no Atlântico Sul. São
também uma política adotada pela rai- Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 279.
25
SILVA, Alberto da Costa e. A Manilha e o Libam-
nha Jinga do reino de Matamba, interes- bo: a África e a escravidão de 1500 a 1700. Rio
sada em abrir um corredor para o Atlân- de Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca
Nacional, 2002, p. 487.
tico para comercializar escravos em troca 26
Ibidem, p. 486.

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com dinâmicas temporais específicas de se informassem sobre quem e o que esta-
africanos, europeus, brasileiros-indíge- vam lidando. E isso fora utilizado pelos
nas. reis, na segunda metade do século XVII,
Em relação à África da Costa Oes- para estimular conflitos entre os euro-
te a historiografia africana e africanis- peus, já que sabiam dos seus interesses28.
ta também redimensiona o papel ativo No século XVIII, o escravo Gusta-
dos reis no comércio transatlântico. vus Vassa reconstruiu, no seu livro Los
Negociavam escravos e outros produ- Viajes de Equiano, suas memórias sobre
tos, compreendiam as línguas euro- a África, a escravidão e o mundo Atlân-
peias, comunicava-se por correspon- tico.
dência com reis europeus entre outras
ações. La parte de África conocida por el nom-
bre de Guinea, en la cual se efectúa el
No Atlântico norte, na região da
comercio de esclavos, se extiende a lo
Senegâmbia o comércio de escravos
largo de la costa por algo más de 3.400
e de ferro ditava os fluxos do comér- millas desde Senegal hasta Angola, e in-
cio entre mercadores e soberanos da cluye una diversidad de reinos. De ellos,
África. E ali, os portugueses não con- el de mayor envergadura es el reino de
seguiram imprimir um controle, sendo Benin, tanto por su extensión como por
su riqueza, la fertilidad e y labranza de
derrotados nos mares por franceses,
sus tierras, el poder de su rey, el núme-
ingleses e holandeses. Se as disputas
ro de sus habitantes y el temperamento
nos mares eram questões a serem re- guerrero de éstos.29
solvidas entre os europeus, em terra
“os africanos controlavam os mercados À história do reino do Benim é atri-
e dirigiam o comércio contra as aspi- buída uma imagem de força, riqueza e
rações exclusivistas dos portugueses glória. São memórias da sua infância
[...] Se o rei queria ferro e os barcos lu- “en Eboe” que emergem e o reconfortam
sos não o vendiam, iam comprá-lo aos diante da violência da escravidão vivida
franceses”.27 Essas ações dos reis afri- na embarcação. Vassa prefere esse cam-
canos desconstroem a ideia de passivi- po de conforto, pois eram as vivências
dade e descontrole da política interna que antecederam a dor do desterramento
do reino. e deslocamento da sua cultura provocado
Outro exemplo da atitude ativa de pelo tráfico. Essas lembranças, no entan-
interferência no Mundo Atlântico era a to, permitem-nos ir penetrando na vida
política que os reis adotaram de enviar cotidiana do reino, suas instituições, cos-
seus filhos ou súditos à Europa para que tumes e valores.

27
SILVA, Alberto da Costa e. A Manilha e o Libam-
bo: a África e a escravidão de 1500 a 1700. Rio 28
Ibidem, p. 454.
de Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca 29
VASSA, Gustavus. Los viajes de Equiano. Hava-
Nacional, 2002, p. 452. na: Editorial Arte y Literatura, 2002, p. 5.

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Nuestra vida es enteramente simple, ya chefe a moradia localizada no centro do
que, hasta el presente, los nativos des- terreno para demonstrar seu prestígio e
conocen los refinamientos culinarios
autoridade diante dos demais habitan-
que corrompen el paladar: bueyes, chi-
tes, de suas mulheres, filhos e escravos.
vos y aves constituyen la mayor parte de
su alimento y son, a la vez, la principal Vassa faz um ajuste de contas com
riqueza del país e los artículos funda- sua própria história que havia ficado num
mentales de su comercio. Las carnes se tempo marcado por lembranças de um
guisan en cazuelas: para darles sabor a povo alegre e afável como “las principales
veces usamos pimienta y otras especias
características de nuestra nación”; onde
y empleamos cenizas de madera a modo
“los nativos” acreditavam “en la existencia
de sal. Nuestros vegetales son principal-
mente plátanos, ñames, frijoles y maíz.30 de un Creador de todas las cosas”; onde os
médicos e curandeiros possuíam conheci-
Junto aos costumes culinários rela- mentos para livrar os doentes de suas en-
ta os costumes de higienização na relação fermidades praticando “sangrías aplican-
com os alimentos: “siempre nos lavamos do ventosas y eran muy diestros en curar
las manos antes de tocar los alimentos; heridas y extraer venenos”33, ou ainda re-
de hecho, nuestra pulcritud es extrema velando o seu treinamento militar para se
en todo momento, pero aquí resulta una transformar em um guerreiro desde a mais
ceremonia indispensable”31. tenra idade seguindo a tradição de seus an-
Essas práticas estavam também tepassados34.
vinculadas a rituais religiosos, na medi- Com a escravização, passa a con-
da em que o ato de alimentar-se era tam- viver com os horrores do Atlântico. Os
bém um ato de comunicação e respeito sentimentos de desconfiança, incerteza,
aos ancestrais, oferecendo uma pequena sofrimento e temores diante da nova re-
quantidade de bebida derramada ao chão alidade dão o tom das experiências vivi-
e uma porção de comida deixada em de- das por Vassa. Ele testemunha a violên-
terminados lugares para os antepassados cia praticada pelos brancos em relação
para proteger e livrá-los do infortúnio32. aos escravos definindo-os como “salvaje”
A arquitetura das moradias obede- posto a violência com que praticavam a
cia mais à funcionalidade do que ao or- escravidão: “De inmediato, varios miem-
namento estético. Cada chefe de família bros de la tripulación me manosearon y
possuía “un gran pedazo rectangular de me revisaron para comprobar si estaba
terreno” para organizar e administrar a sano; tuve el convencimiento de que ha-
vida da aldeia. Como responsável pela bía entrado en un mundo de malos espí-
organização da vida cotidiana, era do ritus que iban a matarme”35.

30
VASSA, Gustavus. Los viajes de Equiano. Hava- 33
VASSA, Gustavus. Los viajes de Equiano. Hava-
na: Editorial Arte y Literatura, 2002. p. 8 na: Editorial Arte y Literatura, 2002, p. 11, 13 e 16.
31
Ibidem. 34
Ibidem, p. 24.
32
Ibidem. 35
Ibidem.

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Na cultura de Vassa, a forma como lhe. Adotar essa perspectiva significava
é tratado, o ambiente do navio, a prática perder a esperança de um dia retornar à
do tráfico estavam associados ao mundo África. Agora era encarar os “sufrimien-
dos infortúnios. Se para os brancos signi- tos que son inseparables de este maldito
fica comércio e lucro, para ele significava comercio”38.
o mundo dos espíritos malévolos. O seu O novo Mundo, o Atlântico,
relato traz a memória de outros povos apresentava-se cotidianamente como
escravizados que também expressam pa- a nova história a ser vivida. Conta-
vor diante da escravidão: “una multitud tos com os índios do Caribe, viagem à
de negros de todos los tipos encadenados Inglaterra, aos Estados Unidos, o tra-
unos a otros con expresión de abatimien- balho escravo, o desejo de liberdade
to y pesar en cada uno de sus rostros”36. transformariam Vassa em outro ho-
São expressões que mostram a tris- mem com novos sentidos. Seria um
teza, resultado do abandono forçado da homem da Diáspora negra, tendo que
África. A escravidão provocaria uma rup- inventar estratégias, elaborar saberes
tura temporal na memória dos escravos. para sobreviver diante dos desafios da
Haveria um tempo do antes, com regis- escravidão, dos negócios nos mares, do
tro das vivências culturais da África, e cristianismo, da industrialização ingle-
o outro tempo marcado pelo agora, do sa e do capitalismo britânico. Depois
deslocamento e renovação de sentidos. de comprar sua liberdade, Vassa parte
Construir percepções no tempo da es- de fato para a exploração do mundo:
cravidão significava confundirem-se com Itália, Turquia, Portugal, no Ártico e fi-
os códigos dos brancos, suas atitudes, nalmente na Nicarágua onde se depara
valores e sentimentos. Vassa expressa te- com os índios Mosquito. Suas impres-
mores e dúvidas em relação ao compor- sões revelam imagens dos Mosquito e
tamento agressivo dos traficantes. “Les suas práticas de poder, o impacto da
pregunté si no habríamos de ser comidos escravidão sobre suas vidas e à incor-
por aquellos hombres blancos de aspecto poração do cristianismo modificando
tan horrible, caras rojas y pelo suelto” .
37
parte da cultura.
Um temor que para Vassa fazia
sentido, pois ele estava vivendo as pri- [...] cuatro indios mosquito que eran je-
fes en su propio país y que unos comer-
vações, as violências, a desesperança e a
ciantes ingleses habían traído aquí con
crueldade. Diante disso, a morte não era
fines egoístas. Uno de ellos, un joven de
descartada como uma possibilidade de unos dieciocho años, era hijo del rey de
escapar à dor. Ele “deseaba que la últi- los mosquito y aquí lo habían bautizado
ma amiga, la muerte” viesse reconfortar- con el nombre de Geoge.39

38
VASSA, Gustavus. Los viajes de Equiano. Hava-
36
Ibidem, p. 35. na: Editorial Arte y Literatura, 2002, p. 39.
37
Ibidem. 39
Ibidem, p. 141.

370 Cad. Pesq. Cdhis, Uberlândia, v.23, n.2, jul./dez. 2010


Múltiplas vivências e temporali- A escrita veio publicizar suas ideias na
dades que ao coexistir vão dando forma Inglaterra do século XVIII, contribuindo
ao Mundo Atlântico, como um espaço na luta antiescravagista. Em 1776, estava
pan-euro-afro-americano. Ao desembar- se preparando para retornar à África, em
car, em 1775, na Jamaica, Vassa oferece Serra Leoa, quando foi destituído por se
pistas de como os índios também foram opor ao modo como a colônia seria fun-
coinstituidores desse espaço transcultu- dada, em interesses próprios dos fun-
ral manifestado nos saberes e fazeres cionários da expedição. Foi um homem
comprometido com a causa da justiça e
[…] los
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nativos eran fuertes y de tempe- da liberdade, “[...] identificou-se com o
ramento guerrero, y en especial se jac- criminoso condenado, o necessitado, o
taban de no haber sido nunca conquis-
pobre [...]”41.
tados por los españoles. Eran grandes
bebedores de bebidas fuertes, cuando
Na região de origem de Vassa, na
las podían conseguir... Sin embargo, en África do Oeste, havia inúmeros outros
lo que a honestidad se refiere, parecían reinos e Estados, além do Benim, que
ser absolutamente superiores a cual- almejavam construir relações no mundo
quier otra nación de las que había cono- Atlântico para fortalecer internamente
cido.40
suas economias. Os Estados de Ajuda,
Adra, Popo, Daomé, Oió, entre outros,
Vassa é um observador astuto. Con-
foram os que transacionavam escravos
segue penetrar no mundo sensível dos
com os ingleses, franceses, dinamarque-
índios para explicar e demonstrar as
ses, holandeses, portugueses e brasilei-
particularidades da cultura. Não analisa
ros. Durante os séculos XVIII e XIX esse
a partir de impressões eivadas de estere-
comércio se intensificou aumentando
ótipos negativos muito comuns nos rela-
o número de homens e mulheres escra-
tos de viagem de europeus que os descre-
vizados para as plantações americanas.
viam como exóticos, inocentes, infantis,
Em relação ao Brasil, além dos reinos
esvaziados de crença e alma.
do Congo e N’Dongo da região da Áfri-
Vassa passou a significar na História
ca Central, o Estado do Daomé foi o que
da diáspora negra no Atlântico um dos
mais estreitou laços via comércio de es-
precursores do movimento abolicionista
cravos e azeite de dendê, sobretudo no
ao questionar os castigos, as violências, o
século XIX.
sofrimento, as dores da escravidão. Pro-
As memórias do Estado do Daomé
punha liberdade de expressão e fim da es-
revelam os intensos conflitos internos
cravidão. Antes de se transformar em um
homem letrado, a cultura oral permitiu
uma interpretação contrária ao cativeiro. 41
LINEBAUGH, Peter; REDIKER, Marcus. A Hi-
dra de Muitas Cabeças: marinheiros, escravos,
plebeus e a história oculta do Atlântico revo-
lucionário. São Paulo: Companhia das Letras,
40
Ibidem, p. 145. 2008, p. 260.

Cad. Pesq. Cdhis, Uberlândia, v.23, n.2, jul./dez. 2010 371


entre reis e os conflitos destes com os Diante da postura arredia de Adan-
europeus e brasileiros. A partir das me- dozan na relação com mercadores do
mórias de seus reis é possível também Mundo Atlântico e do desejo do rei Gezo
identificar a construção de um projeto em substituí-lo, haverá uma espécie de
de Estado à africana via comércio tran- preparação de golpe para tirá-lo do po-
satlântico. Entre o final do século XVIII e der. Gezo apresenta-se como um novo e
primeira metade do século XIX, o Estado diferente negociador buscando reatar os
do Daomé fora governado por dois reis, laços comerciais, apoiado por Francisco
Adandozan (1797-1818) e Gezo (1818- Félix de Souza, um brasileiro traficante
1858) que, mesmo assumindo posturas de escravos, mais interessado na conti-
diferentes, acionaram dispositivos po- nuidade dos negócios.
líticos, diplomáticos e comerciais para Durante sua ascensão, Gezo per-
tecer uma presença marcante no mundo cebeu que no século XIX o comércio de
Atlântico. escravos estava em declínio por força
As memórias de Adandozan foram da proibição do tráfico movida pelos in-
construídas sob diferentes óticas, entre as gleses. Gezo comercializou escravos até
quais a figura de um rei que foi injusto, quando pode. Com a proibição, passou a
autoritário, apegado demasiadamente ao adotar o azeite de dendê como comple-
poder. Essa imagem negativa de Adando- mento ao tráfico, renovando sua política
zan vincula-se a uma versão europeizada, econômica. Por pressão inglesa e com
já que nos relatos de viajantes europeus, o fim do tráfico de escravos, o reino do
ele era arredio a estrangeiros, chegando a Daomé dedicou-se apenas ao comércio
capturar portugueses tornando-os cativos do dendê. Pressinado pelos ingleses, por
e exigindo resgate. Nos relatos dos euro- força de um bloqueio econômico, Gezo
peus, Adandozan surgia como um tira- usa das relações próximas que tinha com
no provocando uma espécie de terror no os franceses para negociar o fim das san-
imaginário dos europeus . Internamente
42
ções sobre o seu Estado. Ao assinar um
a memória de Adandozan também não se tratado em que se comprometia com o
insere no panteão dos grandes reis, pois fim do tráfico de escravos, Gezo conse-
rompe com certas tradições, como a proi- gue acabar com o bloqueio dedicando-se
bição de sacrifícios humanos para oferecer a direcionar o Daomé para a produção e
aos ancestrais. Elissé Soummoni relativiza exportação do azeite de dendê.
essa memória de tirano atribuída a Adan- Ambos os reis do Daomé não tive-
dozan, politizando suas ações diante das ram postura passiva diante da presença
contingências colocadas no período de seu dos europeus. Ao contrário, Adandozan
governo. tinha uma postura não amistosa com os
portugueses e Gezo assumiu uma postu-
42
SOUMMONI, Elissé. O Daomé e o Mundo Atlân- ra de negociar com ingleses e franceses
tico. Rio de Janeiro: Centro de Estudos Afro-Asiá-
ticos, 2001, p. 65. para impedir que o reino entrasse em

372 Cad. Pesq. Cdhis, Uberlândia, v.23, n.2, jul./dez. 2010


declínio econômico. O reino do Daomé, des; Centro de Estudos Afro-Asiáticos,
apesar dessa transição comercial, conti- 2001.
nuou sendo um reino forte até a reconfi-
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