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Métodos de Amostragem

Levantamento da fauna de vertebrados


Espécies de vertebrados como bioindicadores

Prof. Msc. Aluísio Vasconcelos


Métodos de amostragem de vertebrados

• Armadilhas de interceptação e queda consistem de


recipientes enterrados no solo (pitfalls) e interligados por
cerca guia.
• Quando um pequeno animal se depara com a cerca,
geralmente a acompanha, até eventualmente cair no
recipiente mais próximo.
• Estas armadilhas são amplamente utilizadas para a
amostragem de anfíbios, répteis e pequenos mamíferos.
• Uma das vantagens do método é a captura de animais que
raramente são amostrados através dos métodos
tradicionais que envolvem procura visual.
• Armadilhas de queda, com ou sem cercas-guia, podem
ser utilizadas em vários tipos de estudos incluindo:
• levantamentos de riqueza;
• comparações de abundância relativa;
• estudos de marcação e recaptura (ecologia
de populações, monitoramento);
• estudos sobre atividade sazonal;
• amostragens de presas potenciais de
carnívoros.

• Em alguns casos, como ecologia de populações e


monitoramento, não é necessário o uso de cercas-guia.
• Estudo realizado na região de Santa Maria, RS
Armadilhas instaladas em série. Cada série consiste de uma
linha contínua composta de dez barris de plástico de 200 L
dispostos a cada 15m e interligados por cerca guia
construída com tela plástica de I m de altura.
Cerca passa sobre a
boca de cada barril.
As armadilhas
permanecem abertas
continuamente e são
inspecionadas 3 vezes
por semana.

Fig 1 Detalhe de extremidade de uma linha de armadilhas de queda com cerca-guia


- baldes 100 L e tela plástica de 60 cm de altura. A borda do balde fica ao nível
do solo.
• Armadilhas poderá ser confeccionadas com tonéis de metal
cortados ao meio (100-150 L), instalados a cada 10m e
interligados por cerca de tela de plástico de 100cm de
altura.
• Cada linha de armadilhas poderá ter de 50 a 100 m de
extensão, totalizando aproximadamente 500 m de cerca e
50 tonéis.

As armadilhas permanecem
abertas ininterruptamente e
inspecionadas diariamente
Vantagens e limitações do método
• Quando montadas e distribuídas de maneira adequada,
armadilhas de interceptação e queda são extremamente
eficientes em amostragens de anfíbios e répteis,
especialmente anuros e lagartos.
• As eficiências de captura podem servir de referência
para estimativas do esforço de amostragem necessário
para capturar um determinado número de anfíbios e
répteis.
• Por exemplo, com 100 recipientes inspecionados ao
longo de 30 dias é possível capturar 125 a 1.200 anfíbios e
répteis nos ambientes, independentemente do tamanho
dos recipientes (de 20 a 200 L) e do desenho dos blocos
de armadilhas.
• Além do preço do material utilizado, cavar um grande número
de buracos e instalar centenas de metros de cercas-guia
envolvem um trabalho considerável.
• Por esse motivo, armadilhas de queda não devem ser utilizadas
em estudos de curto prazo, como levantamentos de riqueza
em períodos inferiores a 20 dias.
• Outra limitação é o tipo de solo da área de estudo.

• Em locais pedregosos, o tempo e a energia


despendidos na instalação e manutenção
desfavorecem seu uso e, em locais alagados,
o uso das armadilhas torna-se inviável.
• O período de amostragens também pode ter forte influência
nas taxas de captura, especialmente para grupos com
atividade tipicamente sazonal, como a maioria dos anfíbios.

• Assim, dependendo dos objetivos da amostragem, um


planejamento levando em conta a sazonalidade do grupo a ser
amostrado pode levar à obtenção de altas taxas de captura
em um curto período.

• Por exemplo, amostragens realizadas durante os meses de maior


pluviosidade resultarão em maiores taxas de captura de anfíbios
do que aquelas feitas em meses de menor pluviosidade.
• Com armadilhas de interceptação e queda somente são
amostrados os animais que se deslocam sobre o chão ou
pela camada mais superficial do solo.
• Animais que se deslocam pela vegetação ou pelas camadas
mais profundas do solo raramente são amostrados.
• As armadilhas de interceptação e queda refletirão esta
seletividade.
• A efetividade das armadilhas depende da composição da
fauna a ser amostrada.
Altura da cerca depende do tipo e do tamanho dos animais
amostrados para:

• A maioria dos anfíbios e lagartos,


cercas de 50 a 60 cm.
• As cobras (tamanho médio a grande),
de 100 a 120 cm altura.
• A base da cerca enterrada, a 10 cm
de profundidade (Fig. 3);
• Para isso, recomendamos a
construção de uma vala, onde a Fig . 3. Armadilha de queda
cerca é encaixada e os espaços com cerca-guia, a cerca
laterais são preenchidos com solo. A passa pela parte superior
do recipiente. A linha
cerca deve ser mantida em posição tracejada representa o
vertical em toda sua extensão. nível do solo.
• Disposições de armadilhas de interceptação e queda:

• As mais comuns as linhas e as disposições radiais (Fig. 4).

Fig. 4. Exemplos de disposição de armadilhas de queda. As linhas representam cercas-


guia e os círculos, recipientes. A: disposições em linha. B: disposição radial.
• Um desenho amostral adequado para estudos que dependem
de réplicas e, geralmente de fácil instalação, é a distribuição
dos pontos amostrais ao longo de trilhas, cada ponto
composto por duas a quatro séries curtas de armadilhas
(Fig. 5).

Fig . 5 Distribuição de pontos amostrais equidistantes ao longo de trilhas , baseada em sugestão de HAYEK; BUZAS (1997). Cada ponto
amostral, neste caso, é composto por três linhas curtas de armadilhas, cuja posição e orientação, em cada ponto, é sorteada (sobre a
distância entre os pontos amostrais) .
• Armadilhas de interceptação e queda capturam, além de
anfíbios e répteis, vários outros animais: escorpiões e aranhas.
• Inspeção realizada da seguinte maneira:
• com um bastão, os detritos acumulados revolvidos para a detecção de
animais capturados;
• localizados os animais, recolher com pinças ou com as mãos protegidas por
luvas de raspa de couro;
• animais que não são de interesse para o estudo devem ser libertados .

• Serpentes podem ser removidas manualmente (por pessoas


que sabem distinguir seguramente espécies venenosas) ou
com auxílio de ganchos ou de pinções, no caso de
serpentes venenosas .
• Recomendamos uma inspeção cuidadosa ao longo da base da
cerca-guia, onde é comum o encontro de anfíbios e répteis.
• As inspeções das armadilhas devem ser feitas diariamente.
• Inspeções a cada 2 ou 3 dias também são possíveis, embora
possa ocorrer a morte e o apodrecimento de exemplares ou
predação dentro das armadilhas.
• A colocação de graxa formando um anel por dentro do
recipiente poderia impedir o acesso de formigas.
• As tampas dos recipientes, colocadas a 10-15cm sobre a boca
dos mesmos, poderiam dificultar o acesso de mamíferos e aves.
• Após chuvas fortes, uma coluna d'água, de altura variável,
pode permanecer no fundo do recipiente por várias horas ou
até alguns dias.
• A porosidade e o grau de compactação do solo, além do
tamanho dos orifícios no fundo do recipiente, determinam a
quantidade de água eventualmente acumulada.
• Em caso de inundações mais duradouras, recomendamos a
colocação de pedaços de isopor grosso (3 cm de
espessura) no fundo do recipiente, sobre o qual os animais
podem se abrigar da água.
• Ao final do estudo, as armadilhas devem ser desmontadas,
todo o material seja removido da área de estudos e os
buracos que alojavam os recipientes sejam preenchidos.
Amostragem por meio de armadilhas fotográficas
(câmeras-trap) - MAMÍFEROS
• O uso de armadilhas fotográficas (cameras-trap) tem sido cada
vez mais utilizado em trabalhos de pesquisa com o grupo de
mamíferos.
• As armadilhadas fotográficas podem serem colocadas em pontos
1000, 2000, 3000, 4000 e 5000m de cada transecto. Totalizando um
total de cinco armadilhas fotográficas/módulo.
• Armadilhas fotográficas dispostas em um raio de 50m do ponto
estabelecido, preferencialmente em local que favorecia a
passagem de mamíferos de médio e grande porte.
• Os equipamentos permaneceram em funcionamento 24 horas por
dia (amostragens diurna e noturna), durante seis ou mais dias
consecutivos.
Cuniculus paca, registrada
através da armadilha
fotográfica no km 4 do transecto
no módulo Carrapatinho ME

Eira barbara, registrada por armadilha


fotográfica no km 5 do transecto no
módulo Limeira MD.
Procura por vestígios

• Durante o trabalho de campo pode ser realizado também a:

• Procura ativa de indícios da presença de


mamíferos através de registros de pegadas,
fezes, carcaças, e outras evidências aleatórias
de ocorrência das espécies.
• A utilização de rastros como forma alternativa de registro de
mamíferos vem sendo empregada há algum tempo.
• Esta técnica baseia-se em dispor artificialmente blocos de areia ao
longo de trilhas. Metodologia cada vez mais utilizada, mostrando-
se bastante eficiente para levantamentos de mamíferos em um
curto período de tempo.
• Para trabalhos com espécies terrestres, em locais com
baixa densidade de mamíferos, esta técnica de
utilização de rastros pode ser tão, ou mais, eficiente
que a metodologia de amostragem em transecto
linear (Pardini et al. 2003).
• O método de parcelas de areia foi utilizado de forma padronizada
com os trabalhos de Pardini et al. (2003) e Scoss (2002), o que
consiste na utilização de uma linha com várias parcelas de areia
distantes 10m uma da outra.
• As parcelas correspondem a áreas de 50 por 50 cm preenchidas
com areia fina e úmida até uma altura de aproximadamente 3cm
e iscadas com um pedaço de banana.
• Cada parcela é previamente limpa, retirando-se a
vegetação e o folhiço, para colocação da areia em solo
limpo. A areia é descompactada e sua superfície
homogeneizada para que rastros de animais mais leves
sejam registrados.
• A cada dia as armadilhas eram vistoriadas, umedecidas e
a isca renovada.
• A identificação das pegadas baseia-se em experiência
prévia, auxiliada pela utilização do guia de campo de
Becker; Dalponte (1991).
• Em cada registro de presença foram anotados: a espécie,
a data, o local, com registro de presença das espécies em
cada área.
Pegada de Panthera onca registrada no módulo Limeira MD
• Pequenos mamíferos não voadores apresentam
hábitos extremamente variados, sendo verificadas
espécies fossoriais, semiaquáticas, arborícolas e
terrícolas.
• Desta forma, tanto para estudar os diferentes aspectos
da biologia destas espécies, quanto para realizar um
levantamento faunístico completo, é necessário o uso
de técnicas específicas para a sua captura.
• Para espécies de hábitos específicos foram
desenvolvidas técnicas particulares.
• Os métodos utilizados para amostragem da mastofauna incluem:
• Armadilhas de arame do tipo Young pequenas e médias
instaladas ao longo de transecções no solo, sub-bosque
(amarradas a ripas de madeira pregadas em árvores a cerca de
2m de altura).
• Maior parte dos estudos com pequenos mamíferos ainda utiliza as
armadilhas de arame (Young ou Tomahawk) ou alumínio
(Sherman) armadas sobre o solo e, eventualmente, no sub-
bosque.

Armadilha tipo Sherman

Armadilha de arame Young ou Tomahawk


• Armadilhas de passagem com entrada dupla, instaladas em rios e
córregos.
• Uma parte da armadilha fica parcialmente submersa, com a entrada
voltada na direção do maior fluxo d água do córrego (Fig. 6).
• Foram utilizados rochas, troncos, areia para formar barreiras que
permitissem ao animal uma única passagem, através da entrada da
armadilha.

Fig 6 Local de instalação de uma armadilha de dupla entrada utilizando rochas para direcionar a
entrada de Chironectes minimus (Cuíca d´água - rios e lagos do Sul do México até a Argentina)
• Uma técnica recentemente descrita (Graipel, 2003) propõe um
mecanismo extremamente simples e rápido para a instalação
de armadilhas no alto das árvores.
• Esta técnica permite a instalação de um número expressivo de
armadilhas em um dia, inclusive por uma única pessoa no alto
das árvores.
• Registrou-se um sucesso de captura superior ao de outros
estudos brasileiros publicados, o que pode estar relacionado
tanto ao tipo de armadilha utilizada, a plataforma e a diversos
outros fatores, como densidade das espécies ou poder de
atração da isca em função do ambiente, entre outros.
Figura 7. Técnica para captura de pequenos mamíferos no alto das
árvores. A roldana (em detalhe) e a plataforma não estão totalmente
suspensas. A – cabo para suspender a roldana; B – cabo para suspender
a plataforma; C –arame em forma de “V” invertido para dar sustentação
à armadilha; P – plataforma em forma de “⊂”; R – roldana Desenho
modificado de Vieira (1998).
Monitoramento de pequenos mamíferos arborícolas através
dos ninhos artificiais

• Ninhos artificiais de colmos de bambu gigante. Cada ninho


possui uma “janela de inspeção” e entradas de 51 mm de
diâmetro.
• Disposição dos ninhos artificiais e
escadas de madeira na estação

• Ao contrário da captura com o


uso de armadilhas em estudos de
CMR, o ninho artificial não possui
nenhum mecanismo para prender
o indivíduo até a chegada do
pesquisador.
Métodos de amostragens de aves

• Transectos lineares (Line Transect)


• O método de line transect foi desenvolvido e é mais apropriado
para levantamentos realizados a pé ou por veículos em terra.
• Os transectos utilizados devem ser distribuídos o melhor possível
dentro da área a ser amostrada.
• Esse método de transectos possui baixo custo operacional e
permite a detecção de um grande número de espécies.
• É difícil de ser implantado em locais florestais e ou montanhosos,
não estima abundância e nem tamanho populacional
corretamente; espécies que cantam e se deslocam pouco não
são detectadas e os dados morfológicos e biológicos não são
coletados.
• Strip Transect
• Os animais numa determinada “faixa” são avistados e
devidamente contados.
• Esta “faixa”, normalmente de forma retangular, possui uma
largura pré-determinada (L) e o transecto a ser percorrido para
realização do censo está situado no meio dela, dividindo a
área em duas partes com a metade da largura da faixa original
(L/2).
• Todos os animais presentes em ambos os lados do transecto, e
que se encontrem dentro da área pré-determinada devem ser
contados, enquanto que aqueles fora destes limites devem ser
ignorados.
• Pontos de escuta:
• Por esse método, em uma área delimitada faz-se o
levantamento dos cantos das aves.
• Tem a vantagem de estimar a densidade e o
tamanho populacional e ter baixo custo, porém
necessita de pessoal altamente treinado para
identificar os cantos, além disso, espécies que
cantam ou se deslocam pouco não são detectadas
(TERBORGH et al., 1990).
• Transecto por pontos
• Em uma área são demarcados pontos de escutas
separados por uma distancia de 150 m uns dos
outros (depende da área total).
• Cada ponto é amostrado por um período de 10 min
em cada uma das amostragens.
• Durante este tempo serão registrados todos os
indivíduos observados ou escutados.
• Estas observações serão realizadas nas 2 primeiras
horas da manhã, período de maior atividade das
aves.
• Captura e marcação
• As aves são capturas através de várias técnicas,
identificadas e marcadas. Detecta espécies,
permite uma estimativa relativamente precisa de
abundância, riqueza e diversidade, tamanho
populacional e taxas demográficas.
• Através deste método de levantamento é possível a
coleta de dados morfológicos e biológicos,
importante no monitoramento e manejo da
avifauna.
• Possui como desvantagem o alto custo de
implantação e a limitação para as aves de
pequeno porte.
• Captura com redes de neblina:
• Instaladas redes de neblina que foram abertas logo após o
nascer do sol, permanecendo abertas por um período de
cinco horas consecutivas.
• Cada individuo capturado foi fotografado e marcado
individualmente com anilhas metálicas (autorização órgão
responsável).
• Parede vertical finalizada, com conjunto de redes de
neblina aberto. Sistema aberto com o auxílio das amarras
de estabilização.