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PLEV – PROJETO LIBRAS NA ESCOLA E NA VIDA.

PROFESSORA: BRUNA
ALUNA: MADALENA MAGNO LEÃO.
INTERMEDIARIO: 01
DATA: 17/02/2017

PESQUISA DE LIBRAS: SOBRE TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO.


Estratégias de tradução nas línguas.

Segundo Chesterman (1997, p. 89), estratégias de tradução são “formas


explícitas de manipulação textual” possíveis de serem observadas no produto da
tradução em comparação ao texto de partida. Apesar de serem observadas no produto da
tradução, as estratégias são utilizadas durante o processo, objetivando, segundo
Chesterman, alcançar a melhor versão do texto, que deve ser uma versão coerente com
os propósitos da tradução. Além disso, as estratégias são utilizadas de acordo com os
problemas encontrados pelo tradutor que surgem durante o processo de tradução. Além
dos problemas, o propósito tradutório também pode orientar as estratégias que serão
utilizadas para que os objetivos propostos sejam alcançados no texto-alvo.
Esse autor classifica as modificações feitas pelo tradutor em três grupos de
estratégias, são eles: as estratégias sintático-gramaticais (representadas por G), as
estratégias semânticas (representadas por S) e as estratégias pragmáticas (representadas
por Pr).

O que é Interpretação?

Conceito:
Interpretação, do latim interpretatĭo, é a acção e o efeito de interpretar. Este
verbo aponta para a ideia de explicar ou declarar o sentido de algo, traduzir de uma
língua para outra, expressar ou conceber a realidade de um modo pessoal ou executar ou
representar uma obra artística.
A interpretação, por conseguinte, pode ser o processo que consiste em
compreender um determinado feito e sua posterior declamação.

Sistema da Língua de Sinais

Segundo Ronice Muller Quadros (2004), “língua é um sistema de signos


compartilhado por uma comunidade linguística comum”, ou seja, por meio da qual é
possível interagir com a pessoa surda no território brasileiro com a LIBRAS, que todos
conhecem os sinalizantes-visuais desta língua. A palavra Cultura vem do latim que
significa “cultivo agrícola”, e para a nossa vida o sentido pode ser traduzido o cultivo da
linguagem, da identidade. Há muitas discussões para o conceito de cultura, e
escolhemos uma definição simples definido por Strobel (2008), que diz:

[...] da mesma forma, um ser humano, em contato com o seu espaço cultural,
reage, cresce e desenvolve sua identidade, isto significa que os cultivos que fazemos são
coletivos e não isolados. A cultura não vem pronta, daí porque ela sempre se modifica e
se atualiza, expressando claramente que não surge com o homem sozinho e sim das
produções coletivas que decorrem do desenvolvimento cultural experimentado por suas
gerações passadas (STROBEL, 2008, p.19)

Podemos observar pela definição acima que, língua e cultura são termos
complementares um ao outro, que pela língua e pela cultura é que se pode formar uma
identidade, e mesmo assim, não sendo isolada, mas sempre gerando a interação entre
locutor e interlocutor. Em se tratando da Língua de Sinais, podemos refletir que a
Cultura Surda é caracterizada primeiramente por uma língua, a LIBRAS e a identidade
da pessoa surda se forma pelo uso desta língua, além de outras características
pertinentes à Cultura Surda, como a vida social, esportiva, artística, entre outras.

Deste modo, para aprender uma língua, é necessário entender sobre a cultura do
povo falante desta língua. No caso do tradutor-intérprete de LIBRAS, se faz necessário
ter o domínio da Língua Portuguesa e da Língua Brasileira de Sinais, e ter
conhecimento da cultura ouvinte e da Cultura Surda. Segundo Ronice Müller Quadros
(2004), tradutor é aquele que traduz uma língua para outra. A tradução técnica refere-se
ao processo que envolve uma língua, pelo menos escrita. E para a mesma autora, define-
se tradutor-intérprete da língua de sinais, aquele faz a tradução e interpretação da língua
de sinais para língua portuguesa e vice-versa, sendo em qualquer modalidade: oral,
escrita, sinalizada. Assim já pensamos que o perfil de um tradutor, parte do princípio de
dominar duas línguas no mínimo, além de saber sobre a cultura dessas línguas. Hoje já
se tem o reconhecimento do profissional tradutor-intérprete de LIBRAS pela LEI Nº
12.319 oficializada em 1º de setembro de 2010.

Podemos destacar o segundo artigo que diz: Art. 2o “o tradutor e intérprete terá
competência para realizar interpretação das 2 (duas) línguas de maneira simultânea ou
consecutiva e proficiência em tradução e interpretação da Libras e da Língua
Portuguesa.” Sendo assim, se faz necessário não somente conhecer a língua, mas ter a
proficiência em tradução-interpretação desta língua

Para se realizar um trabalho com tradução-interpretação em Língua de Sinais, é


de suma importância conhecer os dois tipos de tradução que existem, e que podem ser
alternativas de um trabalho feito com eficácia com o objetivo de que a mensagem do
interlocutor sendo o professor ao passar pelo mediador que é o tradutor-intérprete possa
ser compreendida pelo receptor que é o aluno surdo. Os dois tipos de tradução definidos
pela linguista Ronice Muller Quadros, como tradução-interpretação simultânea e
tradução-interpretação consecutiva que fazem parte da Tradução Inter linguística ou
tradução propriamente dita, definida por Jakobson no artigo “Sobre os aspectos
linguísticos da tradução” (1959) como interpretação linguísticos verbais por meio de
outra língua, sendo, neste caso, da LIBRAS para a língua portuguesa e/ou vice-versa.

A tradução-interpretação simultânea é aquela que é processada pelo tradutor de


uma língua fonte para o uma língua alvo, ao mesmo tempo da enunciação, ou seja,
podemos exemplificar neste caso uma tradução da LIBRAS num julgamento em que o
depoimento de um réu surdo precisa ser traduzido simultaneamente pelo tradutor de
LIBRAS ao juiz. Já a tradução-interpretação consecutiva é aquela que não acontece ao
mesmo tempo em que o enunciante usa a língua; acontece a enunciação numa língua e
posteriormente essa enunciação será traduzida e interpretada em outra língua. Neste tipo
de tradução, podemos citar várias situações como: a tradução-interpretação de um texto
escrito em português para a tradução visual em LIBRAS para um candidato num
concurso de vestibular.

Consideravelmente, é importante destacar que o tradutor-intérprete precisa saber


muito sobre as línguas envolvidas, entender e conhecer bem as culturas dos povos que
utilizam essas línguas, ter familiaridade com cada tipo de interpretação e se informar
antes sobre o assunto que será abordado no momento de tradução-interpretação. Podem
existir muitos problemas de equivalência durante uma tradução-interpretação de uma
língua para outra, como da LIBRAS para a Língua Portuguesa, que são línguas de
modalidades diferentes, de estruturas linguísticas bem diferentes, a exemplo, o sinal
“MÃE” é formado por dois morfemas na LIBRAS, “MÃE-BENÇÃO”, logo na tradução
do sinal em LIBRAS para Língua Portuguesa será somente a palavra MÃE. Pode-se
exemplificar com uma experiência vivenciada por uma surda que sinalizou a frase
“CUIABÁ MAMÃE LÁ, LIGAR JÁ MÉDICO, OK!”.

Conforme o conhecimento do momento de enunciação pode-se traduzir para


“Mamãe está lá em Cuiabá e já ligou para o médico, ok!”. No enunciado em questão,
não é apresentado problema de equivalência, pois os interlocutores usam a LIBRAS
diariamente e têm domínio da língua e da cultura surda. É possível haver problemas de
equivalência de uma língua para outra, dadas às culturas diferentes que as caracterizam.
Neste aspecto, podemos lembrar que existem muitos alfabetos manuais diferentes, em
acordo com a Língua de Sinais, pois sua construção ocorre conforme a cultura de um
determinado povo, usuário de uma língua e de uma cultura específica.

Numa situação comunicativa em que acontece a tradução simultânea pode-se ter


perdas, em que o sentido pode variar conforme a tradução feita, assim ter perdas de
sentido, o que o interlocutor realmente pretendia dizer e aquilo que o tradutor não
alcançou quanto ao sentido desejado pelo locutor. Já na tradução consecutiva, o
tradutor-intérprete tem mais vantagens para chegar a um bom resultado, pois pode
analisar o enunciado, tirar dúvidas quanto alguma palavra ou expressão desconhecida.
Pensemos num tradutor-intérprete que tem um pré-conhecimento sobre o assunto
abordado numa palestra, por exemplo, em que o tradutor terá grande eficiência no
momento de tradução, se souber o tema da palestra, os assuntos relacionados à palestra,
conhecer um pouco sobre o palestrante, suas referências, entre outros aspectos que
podem auxiliar na preparação da tradução.

Quanto as estratégias de tradução, é considerável citar, especialmente se


tratando da LIBRAS, o uso de classificadores, expressão facial e corporal, citado pelo
professor mestre Rimar Romano, em uma oficina de estudos de tradução – a boca de
surdo seria uma estratégia da expressão facial que ajuda a enunciar uma afirmação,
negação, indignação, dúvida, questionamento, entre outras situações comunicativas. Há
várias estratégias que os usuários da LIBRAS hoje utilizam para facilitar a
comunicação, conforme a cultura das regiões do Brasil, as estratégias podem modificar,
com expressões faciais ou corporais, uso de classificadores. Nesse sentido, podemos
citar a contação de estórias em LIBRAS para crianças Surdas, em que o tradutor-
intérprete educacional, na fase de aquisição da LIBRAS da criança surda, acaba sendo
professor-intérprete, usa muitas estratégias na hora de contar uma estória, pela
expressão, gestos, mímicas são estratégias em que, muitas vezes, são mais
compreendidas.

O profissional tradutor-intérprete precisa estar entre a língua e a cultura, ter o


domínio das duas faces, não apenas conhecer a LIBRAS, mas conhecer o os aspectos
culturais que permeiam esta língua, a Cultura Surda. Vale ressaltar que um profissional
ético nesta área conhece profundamente a sua língua materna e sua cultura, assim
poderá adquirir conhecimento na segunda língua tendo domínio da segunda língua da
outra cultura. O desempenho do TIL (Tradutor Intérprete de Língua de Sinais),
especificamente o educacional depende de ter o pleno domínio da língua e da Cultura
Surda, a sua atuação em sala de aula deve ser uma mediação que possibilitará o acesso
ao conhecimento pelo aluno surdo. Como afirma Mário Roney (2010) no artigo “A falta
de formação causa conflitos na sala de aula?” que esclarece:

O profissional Tradutor Intérprete de língua de Sinais é um dos recursos que


garante ao aluno surdo acesso a comunicação, sendo “mais um instrumento”, quero
deixar claro apenas mais um, existem outras possibilidades tais como, mudança
metodológica, Adequação curricular, avaliação diferenciada entre outras (Por Mário
Roney em Revista Nacional de Reabilitação Reação – nº 76, 2010)

O TIL como um instrumento na sala de aula, garante o acesso à comunicação,


possibilitando o conhecimento do aluno surdo à língua e à cultura. As questões de
relações pedagógicas entre tradutor-intérprete e professor regente pode também oferecer
melhores resultados em se tratando do aprendizado do aluno surdo, mas o que
destacamos aqui é que o TIL deve estar sempre se atualizando quanto a língua de sinais,
no caso a LIBRAS, e conhecer a Cultura Surda, a comunidade surda em que está
atuando.

Podemos dividir a interpretação nas seguintes modalidades: - interpretação


simultânea; - interpretação consecutiva; - interpretação sussurrada. Em quaisquer
processos de interpretação estão relacionados fatores tais como: memória, tomada de
decisões, categorização e estratégias de interpretação, por exemplo. Assim sendo, cada
uma das modalidades supracitadas exige habilidades e técnicas distintas do intérprete. A
este, portanto, cabe o gerenciamento das informações e dos conhecimentos de modo que
possa conduzir seu trabalho da melhor maneira. Como se vê interpretar é uma atividade
altamente complexa. Mas, seria possível minimizar tantas pressões e dificuldades? Dito
de outra forma, quais estratégias podem ser utilizadas no ato Tradução e Interpretação
da Libras.
Segundo Audrei, interpretativo? Vejamos os princípios de alguns modelos de
processamento, o primeiro é o modelo cognitivo, em que temos os seguintes passos:
1 - entendimento da mensagem na língua fonte;
2 - capacidade de internalizar o significado na língua alvo;
3 - capacidade de expressar a mensagem na língua alvo sem comprometer a
mensagem que chega à língua fonte. O processo seria: Mensagem original > Recepção e
compreensão > Análise e internalização > Expressão e avaliação > Mensagem
interpretada para a língua alvo. No modelo interativo os interlocutores (iniciador,
receptor e o intérprete); a mensagem, o ambiente (contexto físico e psicológico) e as
interações entre as categorias anteriores são elementos que implicam na interpretação.
Expandindo para o contexto da interpretação de língua de sinais, Quadros (2004: 76)
considera que são elementos importantes para se refletir:
1 - como a mensagem está sendo interpretada simultaneamente ou
consecutivamente?
2 - o espaço de sinalização que está sendo usado (amplo ou reduzido de acordo
com a audiência);
3 - fatores físicos (como iluminação e ruídos);
4 -feedback da audiência (movimento da cabeça e linguagem corporal);
5 - decisões em nível lexical, sintático e semântico.

Quando Mímica é Interpretação?

A mímica é uma forma de exprimir pensamentos e sentimentos através de


símbolos, como gestos e sinais; assim, ela integra a ciência da simbologia, a
sematologia, utilizada como meio de expressar o que se passa na mente e no campo
emocional através das linguagens que não se valem das palavras.

Nos dicionários é possível encontrar uma definição mais geral desta expressão –
transmissão de mensagens por meio de elementos da comunicação que dispensam o uso
de vocábulos; ato de arremedar o outro, de reproduzir gestos, propriedades,
manifestações faciais ou deslocamentos de outrem.

Este meio de expressão pode se resumir a uma simples brincadeira, um jogo, ou


uma categoria artístico-cultural, conjugada ao teatro ou drama, fundamentando-se,
assim, na mobilidade e nos gestos como elementos expressivos. Desta forma, é possível
narrar uma história ou relatar um evento se valendo da mímica.

O mímico utiliza o veículo corporal para transmitir seu comunicado. Mas ele não
deve ser confundido com o intérprete cômico dos filmes mudos, nos quais o ator
desempenha o papel de um personagem desengonçado em um determinado filme.
Vários destes profissionais realizam performances em espetáculos, com gestos e
manifestações fisionômicas. Nas peças que se valem da mímica, as palavras também
podem integrar a interpretação, desde que os principais recursos cênicos sejam a
mobilidade e a expressão facial do artista.

A mímica, enquanto gênero teatral pode ser Literal, quando o intérprete narra
enredos, relata eventos, elabora contextos ou gera atmosferas concretas por meio de
movimentos e do gestual apropriado; ou abstrata, quando o profissional enfoca
situações nada racionais, baseando suas expressões em símbolos e recursos abstratos.

Há muitas brincadeiras tradicionais e eventos lúdicos, tanto para crianças quanto


para adultos, que também utilizam a mímica, desta vez como entretenimento. Estes
jogos são ideais para o aprimoramento da capacidade de raciocinar e para melhorar a
relação social entre os participantes.

Na Grécia antiga ela era um recurso valioso nos palcos; no cinema mudo ela
também contribuía para uma melhor comunicação entre os intérpretes e a platéia. O
inesquecível Charles Chaplin, com seu memorável personagem Carlito, era um mestre
nesta arte. Com o advento do cinema falado, a mímica se deslocou para os palcos
teatrais e performances públicas.

Normalmente, nas brincadeiras, um dos jogadores é escolhido para atuar apenas


através da mímica, representando, assim, um objeto ou um tema pré-selecionado.