Você está na página 1de 72

AULA 02

HISTOLOGIA
Prof. M.sc Luciana Lima de A. da Veiga
1- Célula
◦ A invenção de lentes de aumento e
a sua combinação no microscópio
permitiu uma maior compreensão
dos constituintes dos organismos.

◦ A célula é um micromundo cujas as


estruturas só podem ser observadas
com o auxilio de instrumentos e
técnicas especializadas que
comporta alguns riscos dos quais é
necessário está consciente.
◦ A célula é a menor unidade estrutural e funcional dos
organismos. Unidade estrutural porque as células
constituem os tecidos e os órgãos, e unidade
funcional porque são capazes de exercer as funções
básicas da vida, como metabolismo, produção de
energia e reprodução.

◦CLASSIFICAÇÃO DAS CÉLULAS:


◦As células são classificadas em: Procariontes e
eucariontes
Do grego: pro, primeiro; eu, verdadeiro, e karyon, noz,
núcleo.
Os Procariontes
◦ Os procariontes são as células que
não possuem envoltório nuclear
delimitando o material genético.
◦ Não possuem também organelas
membranosas e citoesqueleto, de
modo que não ocorre o transporte
de vesículas envolvidas na entrada
(endocitose) e na saída (exocitose)
de substâncias.
◦ É o caso das bactérias e das algas
azuis
Os Eucariontes
◦ As células eucariontes possuem
envoltório nuclear, formando um núcleo
verdadeiro, o que protege o DNA do
movimento do citoesqueleto;
◦ O citoplasma dos eucariontes, diferente
daquele dos procariontes, é subdividido
em compartimentos, aumentando a
eficiência metabólica, o que permite
que atinjam maior tamanho sem prejuízo
das suas funções.
◦ Essas células são encontradas nos
protozoários, fungos, plantas e animais
POR QUÊ?
◦ Como surgiu as células eucariontes, visto que as procariontes
são mais primitivas?
◦ As primeiras formas de vida na Terra deviam ser muito simples, constituídos por
uma única célula com organização procariótica. Esses seres foram evoluindo e
se diversificando com o passar dos anos.
◦ “As primeiras células eucarióticas teriam surgido a partir das células
procarióticas, que passaram a desenvolver dobramentos da membrana
plasmática, tornando-se ainda maiores e complexas. Esses dobramentos teriam
dado origem às organelas citoplasmáticas e à carioteca, estrutura membranosa
que delimita o núcleo, onde se concentra o material genético da célula.”
(LOPES; ROSSO, 2006, p. 27).
◦ Lopes e Rosso (2006), afirmam ainda que dentre as organelas membranosas,
apenas as mitocôndrias e os cloroplastos, parecem ter origem diferentes.
◦ Essas organelas responsáveis pela produção de energia das células animais e
vegetais respectivamente, teriam surgido de relações simbióticas – mutualismo,
entre seres procariontes aeróbios e eucariontes anaeróbios.
2 - O microscópio
2.1- Histórico
◦ Já na antiguidade havia tentativas de reforçar a visão com
auxílio de dispositivos óticos.
◦ Nas escavações de Nínive foram encontrados pedaços de
vidro usados como lentes.
◦ Aristóteles refere-se claramente a uma lente, e Seneca
descreveu o uso de globos de vidro para aumentar imagens.
◦ A partir do século XIV lentes começaram a ser usadas
comumente para corrigir defeitos de visão e como dispositivos
de aumento.
◦ Este uso atingiu seu apogeu com Leeuwenhoek,
que provavelmente deve ser considerado o
primeiro verdadeiro microscopista.
◦ Detentor de uma técnica extremamente
desenvolvida, levou o uso do microscópio
simples (uma lente ou lupa) ao seu nível mais
alto.
◦ Seus microscópios eram individualmente feitos
para cada amostra e alguns de seus “pequenos
animais” são examinados com aumentos de 300
vezes, façanha considerável mesmo em
comparação com alguns instrumentos
modernos.
◦ Paralelamente ao desenvolvimento do telescópio no século
XVII, surgiu o microscópio composto, constituído no mínimo de
uma lente objetiva e de uma ocular.
◦ A invenção do microscópio composto é controvertida.
◦ A maioria dos historiadores situa sua origem na Holanda, por
volta de 1600 e mencionam Jansen ou Lippershey como
inventores.
◦ Convencionemos que a verdadeira história do microscópio
começa em 1625, ano em Giovanni Faber cunhou o termo
microscópio.
◦ Os cem anos entre 1650 e 1750 podem ser
considerados como época do
desenvolvimento mecânico do microscópio.
◦ Em 1665 surgiu o célebre microscópio de
Hooke. Este é talvez o protótipo do
microscópio moderno, não só pela sua
construção, mas por sua íntima ligação com
Joseph Jackson
Lister, (1786-1869)
a Micrographia, sem dúvida a mais famosa
publicação de microscopia de sua época.
◦ Os microscópios de Cuff representam um
patamar no desenvolvimento do
microscópio, que só foi sensivelmente
ultrapassado após um século.
◦ Acompanhando o desenvolvimento da mecânica fina em
meados de século XVIII, Cuff passa do uso da madeira e couro
para o metal, e reúne pela primeira vez em um instrumento
focalização por parafuso, platina para amostras, espelho para
luz transmitida e refletida, que permitem equivalência com a
disposição moderna.
◦ E, inevitavelmente, uma das grandes novidades do século XVIII
que não poderia ter deixado de influenciar o microscópio.
◦ O instrumento construido pelos Adams para o Rei George III,
em prata e querubins, apesar de sua sofrível qualidade ótica,
merece a atenção da crônica histórica.
◦ A qualidade ótica dos microscópios não acompanhou o seu
desenvolvimento mecânico.
◦ O grande problema eram as aberrações, principalmente o
cromatismo. Além de só fornecer uma pequena imagem central
adequadamente focalizada, esta estava envolta por um halo
colorido que inviabilizava o estudo de detalhes.
◦ Nos cem anos entre 1800 e 1900 o microscópio finalmente conheceu
a maturação ótica correspondente ao seu desenvolvimento
mecânico.
◦ Em 1747 Euler desenvolveu a teoria da correção cromática.
◦ No final do século XVIII surgiram as primeiras tentativas de lentes
acromáticas, mas só em 1830 Amici e J.J.Lister avançaram
substancialmente na sua realização.
◦ Coube a Abbe a contestação de que “aumentos cada vez
maiores só dependeriam da perfeição de fabricação de
lentes”. Seus estudos mostraram que havia uma limitação
básica para a resolução de um sistema ótico, relacionada ao
diâmetro da lente e ao comprimento de onda da luz.
◦ Os trabalhos de Abbe resultaram na concepção das lentes
apocromáticas em 1887. Estas lentes oferecem padrões de
qualidade até então inexistentes, principalmente depois que
Abbe, seguindo a sugestão de J.W.Stephenson, projetou a
primeira lente de grande aumento de imersão a óleo, ou
homogênea.
POR QUÊ?
◦ Mas por que utilizar óleo na lente? Por que é preciso
colocar o óleo de imersão sobre a lâmina na hora da
microscopia?
◦ Geralmente ele é mais utilizado na microbiologia, em que os
microrganismos são melhores vistos na objetiva de 100x. Também é
bastante utilizado na hematologia, para a contagem diferencial.
◦ A partir da objetiva de 40x deve ser utilizado uma interface líquida entre
a objetiva e o material na lâmina. Essa interface líquida deve ter o
mesmo índice de refração da objetiva.
◦ Na objetiva de 100x, que é chamada de objetiva de imersão, deve ser
utilizado o óleo de imersão para que o índice de refração seja igual
para a lâmina de vidro e o óleo.
◦ Isto faz com que os raios luminosos não se dispersem ao atravessarem o
conjunto lâmina-óleo, permitindo a entrada de um grande cone de luz
na objetiva. E assim permite uma melhor resolução.
◦ A qualidade ótica final atingiu assim o seu mais alto grau no
início do século XX.
◦ A excelente correção das lentes apocromáticas foi estendida
por Boegehold a partir de 1938 às lentes plano apocromáticas,
cujo grande campo de visão corrigida as tornam especialmente
importantes para a microfotografia e metalografia.
◦ Mencionando ainda a introdução das camadas anti-refletoras,
para controle da luz difusa, vemos que em meados do século
XX, o microscópio atingiu praticamente os aumentos máximos
previstos pela teoria, não sendo esperados grandes
desenvolvimentos nesta direção.
◦ Evoluções importantes ocorreram no entanto no projeto dos
microscópios.
2.2- Princípios da Microscopia
◦ A primeira pergunta que ouvimos do leigo ao ver um microscópio é: Qual é o
aumento?
◦ Na verdade, o aumento que tanto impressiona o usuário ocasional de
microscopia, não é o parâmetro mais importante a considerar.
◦ Parece-nos, à primeira vista, que se dispuséssemos de instrumentos perfeitos
poderíamos examinar uma amostra com aumentos cada vez maiores, e
perceber detalhes cada vez menores, até distinguir os átomos, ou quem
sabe, as partículas que os compõem.
◦ Não é isto o que ocorre: existe uma limitação física, relacionada com a
radiação utilizada, para a menor distância entre dois pontos que permite
distingui-los separadamente.
◦ A esta distância chama-se “limite de resolução”, e um aumento maior não
revelará nenhum detalhe adicional da estrutura.
◦ O elemento fundamental para a formação de uma imagem ampliada é a lente.
◦ Seu entendimento básico é pela chamada ótica geométrica, onde consideramos
a luz como constituída de raios, que obedecem às leis da reflexão e da refração.
◦ As lentes comuns, baseadas em elementos esféricos, são no entanto sujeitas a
defeitos que independem da qualidade de sua fabricação, denominados de
aberrações.
◦ Dentre estas, as mais importantes são a aberração esférica e a aberração
cromática.
◦ A aberração esférica determina que raios axiais que atravessam a lente próximos
de seu eixo ótico são focalizadas em um ponto diferente daquele dos raios que
passam pela periferia. Este defeito é inerente a uma lente esférica, e para uma
lente isolada, só pode ser minimizado através da diminuição de seu diâmetro, ou
seja, utilizando apenas raios paraxiais.
◦ A aberração cromática refere-se ao comportamento com luz branca, que, como
sabemos, é constituída da soma de todas as cores do espectro luminoso. A
distância focal de uma lente depende da cor da luz; e portanto raios de cores
diferentes serão focalizados em pontos diferentes.
◦ Estes defeitos se agravam à medida que usamos uma lente mais “forte”, ou seja,
com maiores aumentos.
◦ Foi com o objetivo de minimizar esta dificuldade que surgiu o microscópio
composto, onde, pelo aumento sucessivo de duas lentes, obtemos o mesmo
aumento atingido por uma só lupa.
◦ A qualidade da imagem fornecida pelo conjunto, por exemplo, de 5 X x 10 X será
muito melhor do que a obtida por uma lente de 50 X.
◦ Estas aberrações podem ser largamente controladas caso utilizemos, ao invés de
lentes simples, combinações de lentes de diversos perfis e com vidros de diferentes
índices de refração.
◦ Da mesma maneira que em fotografia, dispomos para microscopia de lentes com
complexidade, preço e qualidade crescentes.
◦ Os mais importantes avanços foram obtidos no século XIX, com as lentes
acromáticas e apocromáticas.
◦ Existe outro comportamento da luz que não pode ser interpretado pelas leis da
ótica geométrica: é a difração, que exige que consideremos a luz como
constituída de ondas transversais que se propagam no espaço.
◦ Durante o século XIX , procurou-se aumentar o poder de resolução das lentes e
dos microscópios pela construção de lentes cada vez mais perfeitas, na suposição
de que isto levaria a aumentos crescentes, e supostamente, ilimitados.
◦ Em 1880, Abbe demonstrou que na verdade a resolução de uma lente era
limitada por difração, dependendo de sua abertura e do comprimento de onda
da luz, segundo:
d = 0.61 l / n . sen a
Onde:
l = é o comprimento de onda da luz;
n = o índice de refração do meio;
a = o ângulo de abertura da lente.
Este resultado pode ser considerado um dos mais importantes, senão a fórmula
fundamental da microscopia.
◦ Para que haja formação de uma imagem, precisamos também de “contraste”.
◦ Denominamos de contraste a capacidade de distinguir traços característicos da
estrutura sobre o plano de fundo.
◦ Citando Veríssimo, não podemos ver com clareza um “gato branco em campo de
neve”.

◦ Além da simples absorção ou reflexão de energia pela amostra existem vários


outros mecanismos de geração de contraste em microscopia.
◦ É claro que tudo o que vimos até agora resulta da interação entre a luz, objetos e
lentes, e portanto, com a matéria.
◦ No entanto, costuma-se estudar esta interação de maneira mais geral, analisando
o efeito de todo o espectro eletromagnético sobre a matéria.
2.3- Tipos de microscópios
◦ MICROSCÓPIO COMPOSTO OU ÓPTICO;
◦ MICROSCÓPIO ELETRÔNICO.
◦ MICROSCÓPIO COMPOSTO OU ÓPTICO:
◦ Este aparelho fornece imagens ampliadas dos objetos,
permitindo portanto a observação de estruturas invisíveis à vista
desarmada.
◦ Haviam vários defeitos nestes microscópio no principio do séc. XIX
a nível do acromatismo e esfericidade que atualmente já foram
corregidos com uma associação de lentes fabricados com
materiais especiais para esse fim, e as imagens têm vindo a ser
mais nítidas e cada vez mais pormenorizado.
◦ A ampliação é feita através de dois sistemas de lentes de
ampliação(objetivas e oculares)suportados por uma série de
peças mecânicos que permitem uma utilização prática desse
aparelho.
◦ TIPOS DE MICROSCÓPIO COMPOSTO
◦ 1) MICROSCÓPIO DE CAMPO LUMINOSO as amostras podem ser coradas ou não, ex.:
bactérias coradas, serve para determinação de elementos morfológicos. Aumento 1000-2000
vezes todos os m. compostos.
◦ 2) MICROSCÓPIO DE CAMPO OBSCURO amostras não coradas e utilizam-se lentes que
desviam raios luminosos onde aparece iluminado as amostras com fundo escuro e os
microrganismos vão exibir alguns dados morfológicos característicos em estado vivo e em
suspenção liquida.
◦ 3) MICROSCÓPIO DE LUZ ULTRAVIOLETA utiliza como fonte de luz as radiações ultravioletas
onde é vantajoso nas radiações visíveis e de condições de visibilidade e podem ser em
amostras coradas e não coradas e podem ser fotografadas e diferencia-se os componentes e
estruturas intracelulares com maior ou menor absorção das diferentes partes através da luz
ultra violeta.
◦ 4) MICROSCÓPIO DE CONTRASTE DE FASES se desviam raios luminosos com uma grande
intensidade, com vários graus de brilho, e fazem-se exames de estruturas celulares em células
vivas de microrganismos maiores: leveduras, algas, protozoários e bactérias.
◦ 5) MICROSCÓPIO DE FLUORESCENÇIA brilhante a corado por cor fluorescente e usa-se para
técnicas diagnósticas com diferentes organismos e com diferentes fluorescência onde vai
revelar a sua própria identidade como microrganismo.
◦ MICROSCÓPIO ELETRÔNICO:
◦ O físico francês De Broglie em 1924 descobriu que os elétrons possuíam uma natureza
ondulatória e que as radiações ultravioletas tinham menor comprimento de onda.
◦ Assim sendo na década de 30 o Prof. E. Ruska em 1933 constrói o 1º microscópio eletrônico
que na sua natureza é bastante volumoso e complexa tendo uma mesa com todos os
comandos incluindo um monitor e com um tubo metálico com vários metros de
comprimento.
◦ Na sua natureza á um emissor de feixes de elétrons quanto á radiação, um conjunto de
lentes eletromagnéticas, um sistema condensador, de objetivas, e de projetil.
◦ O comprimento de ondas usado é variável entre 0.005 nm.
◦ O poder de resolução máxima varia entre 0.5-0.2 nm = 500x m. óptico =10 Angst.
◦ E o poder de ampliação máxima de 250000X -500000X -1000000X de vezes.
◦ O seu funcionamento, no interior exige uma pressão de vácuo exagerado de(0.0001 a
0.0000001 mmHg), a uma voltagem de 4000 a 100000 volts, onde os seres vivos não
conseguem suportar vivos(uma desvantagem)por serem muito delgados(uma prévia
preparação), permitirão um nº suficiente de electrões o atravesse e forme uma imagem
observadas de ultraestruturas.
MICROSCÓPIO ELETRÔNICO DE VARREDURA OU REFLEXÃO
PRINCÍPIO
EM RESUMO
MICROSCOPIA DE LUZ (ÓPTICA)
•Meios de inclusão: parafina, paraplastr ou histosecr; resina

MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE TRANSMISSÃO


•Meios de inclusão: resina (epon, spurr), araldite

MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE VARREDURA


•Varredura da superfície do tecido ou injeção de resina
plástica nos vasos sanguíneos, para observação da
microvascularização

MICROSCOPIA CONFOCAL
•Varredura a laser
2.4- Técnicas de Microscopia
◦ Os tecidos a serem processados para estudo ao microscópio
devem ser preparados de modo a preservar sua estrutura
original ao máximo possível.
◦ Entretanto, isso não é possível e todos os preparados
apresentam artefatos, que são alterações produzidas nas
células pelas técnicas utilizadas.
◦ Podemos resumir os passos das técnicas histológicas com a
seguinte sequência:
Fixação dos tecidos, desidratação, inclusão, microtomia (corte
em fatias finas), coloração e montagem de lâminas.
◦ Para a formação da imagem ao microscópio de luz, o material biológico
deve ser fino o suficiente para a luz atravessá-lo.
◦ Podem ser realizados esfregaços de sangue e sêmen, por exemplo.
◦ A gota do material é espalhada na lâmina com o auxílio de uma outra
lâmina posicionada em ângulo de 45º.
◦ Células obtidas por raspagem da mucosa oral ou do colo uterino no exame
de Papanicolau são espalhadas na lâmina com a própria espátula da
coleta.
◦ Órgãos ou parte destes, no entanto, devem ser cortados em fatias bem finas.
◦ Para a obtenção de cortes histológicos, o primeiro passo é fixar o material
coletado para evitar a autólise e preservar a morfologia e a composição
química do tecido. Fixadores bastante usados são o formol (ou
paraformaldeído), o glutaraldeído e misturas fixadoras, como o líquido de
Bouin, que é preparado com formol, ácido acético e ácido pícrico, onde
cada substância tem uma qualidade e corrige o defeito da outra.
◦ Para a formação da imagem ao microscópio de luz, o material biológico deve
ser fino o suficiente para a luz atravessá-lo.
◦ Podem ser realizados esfregaços de sangue e sêmen, por exemplo.
◦ A gota do material é espalhada na lâmina com o auxílio de uma outra lâmina
posicionada em ângulo de 45º.
◦ Células obtidas por raspagem da mucosa oral ou do colo uterino no exame de
Papanicolau são espalhadas na lâmina com a própria espátula da coleta.
◦ Órgãos ou parte destes, no entanto, devem ser cortados em fatias bem finas.
◦ Para a obtenção de cortes histológicos, o primeiro passo é fixar o material
coletado para evitar a autólise e preservar a morfologia e a composição
química do tecido. Fixadores bastante usados são o formol (ou
paraformaldeído), o glutaraldeído e misturas fixadoras, como o líquido de Bouin,
que é preparado com formol, ácido acético e ácido pícrico, onde cada
substância tem uma qualidade e corrige o defeito da outra.
a) FIXAÇÃO
◦OBTENÇÃO DO MATERIAL E FIXAÇÃO:
◦ Uma boa preparação histológica se inicia com o uso
correto das técnicas de obtenção do material.
◦ Os cuidados devem ser observados já no sacrifício dos
animais de laboratório para o estudo histológico de seus
tecidos.
◦ Em se tratando de animais de laboratório o sacrifício pode
ser obtido através de técnicas como, traumatismo brusco,
intoxicação (overdose de anestésico) e perfusão/imersão.
◦ Objetivos da fixação
◦ A fixação paralisa o metabolismo celular e preserva as estruturas do tecido para os
tratamentos posteriores.
◦ A fixação evita a autólise celular, impede a proliferação de microrganismos, leva ao
endurecimento do tecido para que resista ao tratamentos posteriores.
◦ O fixador deve causar o mínimo de dano ao tecido e produzir o mínimo de artefatos.
◦ A escolha adequada da solução fixadora irá variar de acordo com o material que irá
ser usado para a inclusão.
◦ A solução de glutaraldeído 2,5% em tampão fosfato 0,1M, pH 7,4 ou a solução
“formalina neutra tamponada” (NBF) são comumente usadas.
◦ Os fixadores preservam a estrutura dos tecidos ao interagirem com os grupos aminos das
proteínas, através de pontes de hidrogênio.
◦ O glutaraldeído possui dois grupos aldeídos um em cada extremidade de sua estrutura
molecular que podem estabelecer pontes de hidrogênio entre as proteínas.
◦ As moléculas de formaldeído, no entanto, possuem apenas um grupamento aldeído,
sendo um fixador menos eficiente para alguns tipos de proteínas.
Tipos de fixação
◦ A técnica da perfusão para lavagem e fixação do tecido.
◦ A técnica de fixação por imersão
b) DESIDRATAÇÃO , INCLUSÃO E MICROTOMIA
◦ Objetivos
◦ Para a observação ao microscópio de luz a espessura da
secção do tecido presente em uma lâmina deve ser delgada
o suficiente para que possa ser atravessado por um raio de luz.
Para tal os tecidos devem ser criteriosamente preparados para
receber um meio endurecedor, ou seja meio de inclusão.
Desta forma será possível a obtenção de cortes delgados,
obtidos no processo de microtomia.
Tipos de inclusões e a importância da desidratação
◦ A inclusão pode ser feita utilizando a parafina (mais comumente usada) e as
resinas plásticas, como o glicol metacrilato.
◦ Após a fixação com as soluções aquosas de glutaraldeído ou formalina, os
tecidos devem ser desidratados, uma vez que a água presente nos tecidos não
é miscível em substancias apolares como a parafina e as resinas de inclusão.
◦ A desidratação será feita através de imersão numa bateria de soluções
alcoólicas em concentrações graduais e crescentes.
◦ A graduação pode ser iniciada, se necessário, a partir de 50% e terminando
finalmente em álcool absoluto.
◦ A graduação nas concentrações é imprescindível para que ocorra a
desidratação homogenia dos tecidos, evitando que ocorram danos na estrutura
tecidual.
◦ Algumas particularidades podem ser citadas quanto ao material de inclusão.
◦ Caso de parafinas:
O tecido deve ser tratado com uma substância de transição.
A inclusão em parafina é precedida pelo uso de substâncias químicas como o xilol, este miscível
tanto em álcool quanto em parafina.
Após a remoção do álcool, o tecido passa por uma infiltração em parafina líquida, esta mantida
em estufa a 56°C (ponto de fusão) e posteriormente o mesmo é transferido para o molde contendo
parafina líquida.
Em poucos minutos a parafina endurecerá e obter-se-á portanto, o "bloco" de parafina contento o
fragmento do tecido em seu interior.
◦ No caso da inclusão em resina como o glicol metacrilato:
O tecido é infiltrado com uma resina de infiltração por uma noite, e então incluído no molde
contendo a resina ainda líquida, sendo que esta endurece após algumas horas.
Como no caso da parafina, após o endurecimento, obtém-se um bloco de resina que contém o
fragmento de tecido em seu interior.
Os blocos serão a partir desta etapa levados para a microtomia e consequente obtenção das
secções, que serão então coletadas em lâminas de vidro.
No caso de inclusão em parafina, após a microtomia, o tecido é tratado com xilol novamente para
remoção da parafina e rehidratado, para que possa ser submetido à coloração.
c) COLORAÇÃO
◦ Objetivos
◦ Os cortes de tecidos apresentam-se incolores após a
microtomia.
◦ A coloração visa contrastar as estruturas teciduais.
◦ A ação da maioria dos corantes se baseia na interação entre
os radicais ácidos ou básicos dos elementos químicos dos
mesmos com os dos tecidos.
◦ No entanto existem outros tipos de corantes.
◦ Corantes ácidos e básicos
◦ Eosina e Hematoxilina: A hematoxilina é um corante básico que carrega uma carga
positiva na porção da molécula que irá conferir cor ao tecido.
◦ Corantes básicos reagem com componente aniônicos das células e tecidos, os quais
incluem grupos fosfatos, ácidos nucléicos, grupos sulfatos de glicosaminoglicanas e grupos
carboxila das proteínas.
◦ A habilidade de grupos aniônicos reagirem com corantes básicos é chamada basofilia,
estruturas celulares que se coram com corantes básicos são denominadas basófilas.
◦ Estruturas celulares que podem ser coradas com corantes básicos incluem
heterocromatina, nucléolo, RNA ribossômico, matriz extracelular da cartilagem. A
hematoxilina cora geralmente as estruturas em azul.
◦ Corantes ácidos reagem com componentes catiônicos das células e tecidos. Quando
usados juntamente com corantes básicos como a hematoxilina, coram o citoplasma,
filamentos citoplasmáticos e fibras extracelulares.
◦ A eosina geralmente cora as estruturas em vermelho ou rosa.
◦ Outros exemplos: corantes ácidos: fucsina ácida, azul de anilina e orange G; básicos: azul
de metileno, verde metil e azul de toluidina.
◦ Corantes ácidos e básicos
◦ Eosina e Hematoxilina: A hematoxilina é um corante básico que carrega uma carga
positiva na porção da molécula que irá conferir cor ao tecido.
◦ Corantes básicos reagem com componente aniônicos das células e tecidos, os quais
incluem grupos fosfatos, ácidos nucléicos, grupos sulfatos de glicosaminoglicanas e grupos
carboxila das proteínas.
◦ A habilidade de grupos aniônicos reagirem com corantes básicos é chamada basofilia,
estruturas celulares que se coram com corantes básicos são denominadas basófilas.
◦ Estruturas celulares que podem ser coradas com corantes básicos incluem
heterocromatina, nucléolo, RNA ribossômico, matriz extracelular da cartilagem. A
hematoxilina cora geralmente as estruturas em azul.
◦ Corantes ácidos reagem com componentes catiônicos das células e tecidos. Quando
usados juntamente com corantes básicos como a hematoxilina, coram o citoplasma,
filamentos citoplasmáticos e fibras extracelulares.
◦ A eosina geralmente cora as estruturas em vermelho ou rosa.
◦ Outros exemplos: corantes ácidos: fucsina ácida, azul de anilina e orange G; básicos: azul
de metileno, verde metil e azul de toluidina.
◦ Outras técnicas de coloração
◦ Hematoxilina e eosina são corantes adequados para evidenciar características estruturais,
mas eles não são capazes de revelar todos componentes celulares. Outras técnicas de
coloração são disponíveis para evidenciar diferentes componentes.

◦ Coloração pela prata – Algumas substâncias intra e extracelulares promovem a redução


do nitrato de prata que formam precipitados negros em estruturas como fibras reticulares
dos linfonodos, por exemplo.

◦ Associação de corantes - É a somatória de corantes diferentes, como o Tricrômico de


Gomori, que usa verde luz, cromotropo 2R e hematoxilina

Após a coloração as lâminas são montadas ou seja, os fragmentos são protegidos pela
cobertura com lamínulas de vidro.
Esta é colada na lâmina através de substâncias selantes como por exemplo o Entellan. Após
a secagem, as lâminas podem ser observadas ao microscópio de luz.
POR QUÊ?
A IMAGEM É INVERTIDA NO MICROSCÓPIO?
Para a forma que as lentes estão, ele é composto por duas
lentes uma ocular e outra objetiva, mas os raios de luz
quando passam essas lentes se invertem já que as lentes são
convergentes, esse mesmo fenômeno pode ser observado na
luneta.
Mas no microscópio a imagem é aumentada e na luneta é aproximada.
Resumo completo de um corte
histológico
3- Morfologia Celular
◦ O tamanho e a forma da célula estão relacionados à sua função
e são determinados por fatores extrínsecos e intrínsecos, como,
por exemplo, pressões externas, organização do citoesqueleto,
quantidade de citoplasma e de organelas e acúmulo de
produtos de reserva ou secreção.
◦ As células epiteliais são geralmente poliédricas, ou seja, com
várias faces.
◦ Quando a largura e o comprimento da célula são maiores que a
sua altura, a célula é dita pavimentosa.
◦ Quando a altura é igual à largura e ao comprimento, é
denominada cúbica.
◦ Quando a altura da célula é maior que a sua largura e o seu
comprimento, a célula é colunar (cilíndrica ou prismática).
◦ As células pavimentosas facilitam a passagem de substâncias
como ocorre com as células dos vasos sanguíneos (endotélio).
◦ As células cúbicas e colunares têm a altura aumentada pela
maior presença de organelas para exercer atividade de
secreção, absorção ou transporte de íons.
◦ O núcleo geralmente reflete a morfologia da célula, pois seu maior eixo é
paralelo ao eixo longitudinal da célula.
◦ Como frequentemente não se veem os limites das células (a membrana
plasmática é muito fina e não é visível ao microscópio de luz), pode-se ter
uma ideia da forma da célula pelo núcleo.
◦ Isso não é válido para células que retêm seus produtos de secreção ou de
reserva, porque o núcleo fica comprimido por essas substâncias. É o caso
da célula caliciforme do intestino, que sintetiza e armazena glicoproteínas
◦ No tecido conjuntivo, há uma grande variabilidade de células e
consequentemente formas celulares.
◦ Ocorre inclusive mudanças na morfologia em um tipo celular conforme o
estado funcional e o ambiente.
◦ Por exemplo, as células adiposas, inicialmente fusiformes, adquirem uma
forma esférica com o armazenamento de lipídios (Figura 1.4) e, no tecido
adiposo, por causa da compactação, podem ser poliédricas.
◦ No tecido nervoso, é muito comum células irregulares, com
prolongamentos que permitem o contato com outras células
◦ As células musculares têm uma maior constância na morfologia, sendo
adaptadas à atividade contrátil.
◦ São alongadas: fusiformes ou cilíndricas e, quando se contraem,
promovem o encurtamento do tecido (Figura 1.6)
4- Componentes celulares
◦ Consultar material de referência:
MONTANARI, T. Histologia: texto, atlas e roteiro de aulas práticas. 3. ed. Porto Alegre:
Edição do Autor, 229 p. digital, 2016. Disponível em: http://www.ufrgs.br/livrodehisto/

◦ COMPLEMENTAR COM AULAS DE BIOLOGIA CELULAR.


Questões:
◦ 1) Faça um breve linha do tempo sobre a invenção do microscópio.
◦ 2) Pensando na sugestão dada J.W.Stephenson à Abbe, o qual conseguiu projetar a primeira
lente de grande aumento com a imersão a óleo, ou homogênea, descreve a importância dessa
descoberta para a microscopia.
◦ 3) Apesar dos avanços das lentes que permitiram aumentar consideravelmente as estruturas
microscópicas, porque não podemos dizer que o aumento não é o fator mais importante para
um microbiologista?
◦ 4) Qual o impacto de se utilizar uma lente que não está apropriada para a observação
microscópica, como por exemplo as lentes comuns, do tipo esféricas?
◦ 5) Quais os tipos de microscópio desenvolvidos?
◦ 6) Os microscópios compostos ou óticos podem ser de quais tipos? Descreva basicamente cada
um deles.
◦ 7) Por que as células são consideradas as menores unidades vivas?
◦ 8) Quais são os dois tipos de células existentes e quais as diferenças entre elas?
◦ 9) Quais os são os passos das técnicas histológicas para obtenção de uma amostra para ser
observada no microscópio?
◦ 10) Em relação a forma como interagem os corantes no processo de coloração das amostras,
como estes podem ser classificados e quais as diferenças?
Referências
Livros:
◦ LOPES, Sônia; ROSSO, Sergio; Biologia volume único, 1ª Ed. São Paulo, Saraiva, 2005, 4ª tiragem 2006.
◦ MOL – MICROSCOPIA ON LINE: Guia interativo de microscopia. IB – USP. Disponível em:
http://www.icb.usp.br/mol/0iniciomol.html
◦ MONTANARI, T. Histologia: texto, atlas e roteiro de aulas práticas. 3. ed. Porto Alegre: Edição do Autor,
229 p. digital, 2016. Disponível em: http://www.ufrgs.br/livrodehisto/

Sites consultados:
◦ https://www.biomedicinapadrao.com.br/2013/10/por-que-utilizar-oleo-de-imersao-na.html
◦ http://www.portalsaofrancisco.com.br/biologia/microscopio
◦ http://fap.if.usp.br/~nandast/mev.html
◦ http://depto.icb.ufmg.br/dmor/pad-morf/histologicabasica.htm
◦ http://www.vidrariadelaboratorio.com.br/exercicio-de-visualizacao-microscopio-letras/

Você também pode gostar