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Escola secundária de Tondela

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Tema 5: Problemas e
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Conceitos da Psicologia
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Tema 5: Problemas e Conceitos da Psicologia

As Grandes Dicotomias Relacionadas com a Explicação do


Comportamento Humano:

a) O objecto da psicologia: A psicologia é a ciência

do comportamento e dos processos mentais a ele

associados. O comportamento abrange reacções

observáveis (gestos, mímica, reacções hormonais…), e

processos mentais não directamente ou objectivamente

observáveis (impressões, crenças, mentalidades…).

Enquanto ciência a psicologia procura: descrever,

explicar, prever e controlar o comportamento.

b) As dicotomias em Psicologia: Ao longo da história do

pensamento, o Homem constituiu um objecto privilegiado

de interpretação. Aristóteles (séc. IV a.C.), com a sua obra

“Acerca da Alma”, é considerado o iniciador da psicologia

filosófica.
Em 1879, Wundt, ao fundar o primeiro Laboratório de

Psicologia Experimental, passa da psicologia filosófica

(+teórica) à experimentação científica (+prática): é o

começo da psicologia científica.

De Wundt até à actualidade foram sendo construídas teorias

diferenciadas ou mesmo opostas sobre o comportamento

baseadas em diferentes pressupostos, conceitos:

1º. Inato-adquirido: O comportamento e as capacidades

individuais radicam-se em mecanismos inatos ou, ao

invés, resultam da aprendizagem, da interacção do

indivíduo com o meio. A opção radical por um destes

aspectos é fundamental para motivar o comportamento.

2º. Continuidade-descontinuidade: no indivíduo e nas

espécies há um processo evolutivo contínuo, em que cada

nova etapa é a consequência dos passos anteriores, ou,

pelo contrário, há rupturas entre passados e presente?


3º. Estabilidade-mudança: Há quem defenda a existência

de um factor geral que, independentemente dos

contextos tende a prevalecer no indivíduo.

Contrariamente, outros autores preconizam a existência

de mudanças radicais no modo de ser e de agir.

4º. Interno-externo: o que sou e o modo como me

comporto resulta de factores intrínsecos ou extrínsecos?

5º. Individual-social: há quem enfatize o indivíduo como

reflexo do contexto social, contrariamente a outros que

fazem prevalecer a variável personalidade, o carácter.

c) A complexidade do comportamento: a dificuldade de


uma interpretação unânime do comportamento humano
resulta exactamente da complexidade do ser humano, num
conjunto de variáveis externas e internas em interacção.
Significa isto que a opção por apenas um dos aspectos
mencionados traduz-se por uma visão redutora, incompleta
daquilo que é o comportamento.
Conceitos Estruturadores de Diferentes Concepções
de Homem

a) As diferentes correntes da psicologia: As divergências


em psicologia não se devem apenas às dicotomias indicadas.
Há correntes diferentes que privilegiaram perspectivas
parcelares, baseadas em pressupostos distintos: umas –
Wundt e Freud – centraram-se na componente mental
(interna), outras – Watson – na componente
comportamental (externa) e outras ainda – Piaget – na
componente cognitivista e integradora.

b)A componente mental: Wundt e Freud

1º. Wundt e a introspecção controlada: - Objecto da

Psicologia para Wundt: estudar a consciência, os

processos e conteúdos mentais. Wundt procura

decompor tais conteúdos – perspectiva analítica – nos

seus elementos mais simples: as sensações elementares


(puras). Compreender como se associam ou se

estruturam (organizam), dando origem a conteúdos mais

complexos – concepção associacionista /estruturalista –

é o objectivo da Psicologia.

2º. Método utilizado: introspecção controlada / método


introspectivo, baseado na auto-observação e na auto-
descrição em contexto experimental.

Crítica à concepção de Wundt sobre a Psicologia:


quanto ao objecto (reduz o comportamento ao suporte
mental consciente), ao método (caracterizado pela
subjectividade) e à aplicabilidade (impraticável em
crianças, deficientes mentais, estados emocionais
extremos…).

3º. A oposição entre o associacionismo de Wundt e o


gestaltismo: a aprendizagem processa-se por captação e
somatório de estímulos ou pela captação de objectos
como um todo?

Documentários sobre Freud:1º. 2º. 3º

Freud (ver) e a Psicanálise: - As teses de Freud


introduziram uma revolução nas concepções sobre o modo
de entender o comportamento humano:
1º Porque defende a existência de uma força controladora
oculta do comportamento – o inconsciente;
2º Porque acha que as forças instintivas associadas a esta
força oculta tendem a prevalecer sobre a moral e a
racionalidade;
3º Porque procura demonstrar que cada pessoa, já desde
bebé, é levada a satisfazer tendências eróticas.

1º. O inconsciente: o comportamento é, na perspectiva de


Freud, orientado pela mente. A mente é constituída por
uma zona inconsciente e outra consciente. O inconsciente
é constituído pelo conjunto tendências instintivas e pelo
conjunto de aspectos que, tendo sido recalcados, não
satisfeitos, permanecem em “standby”; o inconsciente é
dominado por forças instintivas de vida (eros, prazer,
sexualidade) e por tendências de morte (agressividade,
ódio).

2º. A censura: - A tendência natural do Homem é a de

satisfazer os desejos do inconsciente. Só que às

tendências individuais do inconsciente opõe-se a

repressão social (materializada nas proibições, nas

normas, na moral). A censura é uma espécie de sentinela

vigilante que serve de travão à satisfação das tendências

instintivas socialmente condenáveis. No entanto, há

momentos em que ela se torna menos vigilante (durante


o sono, enquanto a pessoas falam descontraidamente): o

trabalho do psicanalista parte destes descuidos da

censura para poder reconstituir o passado problemático

de cada pessoa.

3º. A estrutura do psiquismo: - Numa primeira

explicação, Freud subdivide a mente em três zonas

diferenciadas: a do inconsciente, a do subconsciente e a

do consciente. Posteriormente acha que o psiquismo é

regido por três forças: o id (instância primitiva psíquica,

orientada por uma dinâmica do prazer, presente no

indivíduo desde o seu nascimento, constituída por


pulsões inatas, por desejos primários, pela busca do

prazer; é amoral e pressiona continuamente o ego para

concretizar as pulsões eróticas), o ego (tenta gerir as

tendências opostas do id e do superego; está ligado à

racionalidade, à consciência; forma-se a partir do

primeiro ano de vida e, porque tende a ser moral, opõe-

se aos desejos do id); o superego é hipermoral,

constituído por regras e proibições interiorizadas sob a

influência dos pais e da sociedade; é a base da

consciência moral e actua de forma inconsciente).


4º. Mecanismos de defesa do ego: - Embora o ego
procure conciliar as tendências opostas do id e do
superego, quando isto não é possível geram-se tensões e
conflitos tendentes a provocar neuroses. O ego faz-se
valer, então, de estratégias inconscientes que procuram
manter o equilíbrio intrapsíquico.

Dos mecanismos de defesa do ego, salientam-se:


- O recalcamento: leva a consciência a repelir
pensamentos ou tendências provocadores de ansiedade,
porque incompatíveis com a moral. O ego devolve ao id
todas as pulsões incompatíveis; estas podem, assim,
procurar formas disfarçadas de realização: através dos
sonhos, dos actos falhados, dos lapsos de linguagem…

- A regressão [regredir = voltar atrás]: incapaz de


enfrentar os problemas presentes, o indivíduo pode ser
levado a refugiar-se psicologicamente numa fase ou
estádio do desenvolvimento anterior. Assim, o
nascimento de uma irmão pode levar uma criança a
fazer chichi na cama (enurese) ou um adulto, face a
problemas, pode fugir à realidade refugiando-se em
atitudes infantis (dependência excessiva, choro,
chantagem...).

- A racionalização: leva o indivíduo a justificar ou a uma


explicar sob um ponto de vista lógico aquilo que foi
vivido emocional e conflituosamente.
Com justificações racionais tenta explicar-se de forma
"aceitável" porque se bateu no irmão, se faltou ao exame
médico, se mentiu ao marido ou à mulher, etc.

- A projecção: característica que leva a ver nos outros ou


a atribuir aos outros os defeitos ou males que recusa a
ver em si mesmo [apesar de os ter]. São reflexos desde
processo, frases como Fulano detesta-me; aquele
indivíduo não suporta críticas; a sociedade não tem ideais
solidários; a boneca é má..., quando é a pessoa que as
profere que tem esses sentimentos.

- O deslocamento: leva o indivíduo a transferir as pulsões,


os conflitos do objecto que está na sua origem [o objecto
natural] para um substituto [objecto substitutivo].
Exemplos: o funcionário que sofre de conflitos no
emprego e é agressivo ao chegar a casa; a criança que
desloca a cólera sentida pelos pais para a boneca

- A sublimação: leva o indivíduo a substituir um


comportamento, ou tendência, inaceitável por um
aceitável; a entregar-se a actividades socialmente
aceites, como forma disfarçada de realizar pulsões que
são condenáveis. A actividade é, assim, um substituto
simbólico do objecto pulsional. Exemplos: um pirómano
pode ingressar num corpo de bombeiros, modificando
as suas relações com o fogo, agora utilizadas de forma
socialmente reconhecida; o amor platónico pode
esconder desejos considerados inaceitáveis pelo sujeito.
A arte tem sido estudada como uma área que permite
sublimações.

- Formação reactiva - pela formação reactiva ou


inversão dos aspectos, o sujeito "resolve" o conflito
entre os valores e as tendências consideradas
inaceitáveis, apresentando comportamentos opostos às
pulsões. Assim, uma pessoa pode ser demasiado amável
e atenta com alguém que odeia; um sujeito afasta-se de
quem gosta; manifesta uma excessiva caridade para
esconder um sadismo latente; uma pessoa submissa e
dócil pode esconder um dominador violento.

5º. O método psicanalítico: - Sendo no inconsciente que


se situam as forças impulsionadoras do comportamento
geradoras de conflitos e neuroses, o método psicanalítico
usa técnicas que procuram descobri-las por trás das
aparências (uma vez que elas não se revelam
explicitamente). Para isso, o paciente, num clima
propiciador da descontracção, é levado a falar livremente
do seu passado e de tudo daquilo que lhe ocorre. Os
processos usuais de que a psicanálise se faz valer para
aceder aos conteúdos do inconsciente são:
 Associação livre: - Num ambiente propício ao
relaxamento, ao à-vontade – o divã, a média luz,
silêncio… – o paciente: vai falando espontaneamente,
para os seus botões, de tudo o que lhe ocorre. A atenção
do psicanalista centra-se sobretudo nos momentos em
que a conversa se torna ilógica, sem nexo aparente, nas
hesitações, nas tensões, nas lembranças
desagradáveis…

 Interpretação dos sonhos: - Os sonhos: são a forma

mais eficaz de o inconsciente realizar os seus desejos,

embora disfarçadamente. No sonho, a censura, apesar

de entorpecida, continua actuante, tornando o

agradável do sonho em desagradável ou dando-lhe um


aspecto absurdo. Não é o conteúdo manifesto – o sonho

tal como dele nos lembramos – que interessa como

objecto de análise, mas sim o conteúdo latente – o que

se esconde por trás da fachada que é o conteúdo

manifesto. O psicanalista: deve centrar-se no

aparentemente ilógico, no aparecimento de

determinados dados com força simbólica, na tendência

do paciente para não considerar importantes certos

aspectos.

 Análise dos actos falhados: - Os actos falhados:

esquecimentos de coisas, de palavras; os lapsos da

linguagem, trocar palavras, dizer o contrário do que se

queria; a falsa audição, ouvir o que não foi dito.


Resultam do conflito de duas intenções opostas: a do

consciente e a do inconsciente recalcado. A linguagem

está cheia de exemplos de actos falhados, pois na

rapidez com que se fala, o consciente é apanhado

desprevenido.

 O processo de transferência: - O paciente: ao falar


espontaneamente e ao reviver tendências, tensões,
emoções, transfere para o psicanalista as tensões que
tivera com outras pessoas. O psicanalista: procura
interpretar e relacionar as tensões, as atitudes
agressivas com o passado do paciente. Pode, no entanto,
dar-se o caso de se deixar envolver pelas tensões:
processo de contratransferência.

 Crítica:

– Contributo da psicanálise: - Deu conta da

importância da investigação do domínio oculto da

mente.
– Objecção: - O carácter subjectivo da investigação.

– Freud revolucionou as mentalidades da sua época,

por um lado, por acentuar o carácter tendencialmente

instintivo do comportamento (o homem, criança ou

adulto, como animal de desejos), por outro, por achar

que, contrariamente ao que parece, cada pessoa é

levada a satisfazer o que deseja, por fim, por defender

que o motor do comportamento é a libido (dinâmica do

prazer e da sexualidade).
c) A componente comportamental - comportamentalismo/behaviorismo:

 O Behaviorismo: - Esta corrente da psicologia

(também conhecida por comportamentalismo) foi

iniciada por Watson. (vídeo) Procura fazer uma

abordagem científica da psicologia, centrando-se para

isso no comportamento observável (directa ou

indirectamente) e pondo de lado os aspectos

subjectivos próprios da introspecção e da psicanálise.

 O comportamento e o objecto de estudo da

psicologia: - O objecto de estudo é o comportamento,

entendido como o conjunto de respostas

objectivamente observáveis dos organismos aos


estímulos do meio. Na perspectiva behaviorista a

pessoa é um ser vivo num meio que o influencia, sendo

o comportamento (reacção/resposta) resultado dos

estímulos ou situações específicas. É possível, por isso

mesmo, estabelecer um nexo de causalidade entre S

(estímulo/situação) e R (resposta/reacção).

Influenciado pela reflexologia, Watson defende que

também o ser humano, no contacto com o meio, é

condicionado pela repetição dos estímulos externos.

Como tal, S→R, ou seja, é possível prever as respostas

em função dos estímulos. (Esta noção automatizada de

comportamento será válida absolutamente para o

Homem?).

 O método da psicologia: - O método experimental é o


único que permite salvaguardar o carácter objectivo do
estudo do comportamento.
 A oposição entre o associacionismo e o
behaviorismo:

1. O Associacionismo tem como objecto a


consciência e como métodos a introspecção
controlada.
2. O Behaviorismo tem como objeto o
comportamento do Homem e do Animal e utiliza
o método experimental.

 O controlo do comportamento: -O pressuposto de que

o comportamento obedece a variáveis externas ao

indivíduo leva o behaviorismo a defender que é possível

levar (estimular) cada criança a ter o comportamento

pretendido. Skinner achava, por exemplo, possível

construir uma sociedade perfeita: bastaria uma

estimulação adequada. Trata-se de uma perspectiva que

exclui processos hereditários e a componente da

vontade e do livre-arbítrio.
 O carácter positivista do behaviorismo:

«Positivismo: Recusa da metafísica. Recusa tomar

em consideração qualquer proposição cujo conteúdo

não apresente, directa ou indirectamente, alguma

correspondência com factos verificados. Baseado no

empirismo: qualquer conhecimento deve a sua

validade à certeza sensível fornecida pela observação

sistemática que garante a intersubjectividade. (...)

todo o conhecimento advém da experiência interna ou

externa (...) não é o sujeito que impõe formas ao dado,

mas o dado que constitui o sujeito.»


d) A componente cognitiva – cognitivismo:

 Piaget e a psicologia genética (vídeo) – O termo

cognição designa conhecimento e inteligência. Foi a

questão da origem e desenvolvimento das estruturas

mentais que centrou a investigação de Jean Piaget (séc.

XX) e dos seus colaboradores um pouco espalhados por

todo o mundo. Daí falar-se de psicologia genética

entendida como a investigação da origem (génese)

evolutiva dos processos mentais.


 Conceitos da investigação de Piaget: - Estes conceitos
são importantes para perceber o que está em jogo em
cada estádio:

Estádio: - É a designação atribuída a cada fase


desenvolvimento. Em Piaget, cada estádio tem
características que permitem diferenciá-lo
qualitativamente dos outros: obedece a formas de
interagir com o mundo, de pensar e de sentir próprios.
Cada fase do desenvolvimento é idêntica em toda a
humanidade, independentemente dos contextos sócio-
geográficos e processa-se invariavelmente pela mesma
ordem. As competências de cada estádio são integradas
nas estruturas existentes: havendo, por isso, alterações,
há também continuidade.

Adaptação – O ser humano é um organismo, um ser


vivo com um património genético. Como todo o ser vivo,
tem de se adaptar ao meio para sobreviver. A adaptação
consiste num processo interactivo do organismo com o
meio que visa o equilíbrio. Neste processo, que leva ao
desenvolvimento das estruturas mentais e à
aprendizagem, interagem a assimilação e a
acomodação.
Assimilação e acomodação – São duas invariantes
funcionais, isto é, dois mecanismos presentes em toda a
adaptação. Pela assimilação, o indivíduo integra,
interioriza, aprende, novos dados da experiência, que
acrescenta aos dados já existentes nas estruturas
cognitivas [esquemas cognitivos]. Pela acomodação, as
estruturas cognitivas, os esquemas mentais, alteram-se
por influência da integração dos novos dados
assimilados.

Equilibração – É um mecanismo regulador da


assimilação e acomodação que permite ajustar,
equilibrar os dados já interiorizados com novos dados,
as antigas com as novas experiências.

Esquema – A ligação ao meio desencadeia uma


evolução intelectual de organização e complexidade
crescentes. O esquema é uma estrutura cognitiva,
mental, que permite ao indivíduo organizar,
categorizar, agrupar a realidade. Distinguem-se
esquemas de acção [dão-nos o conhecimento de como
fazer; permitem reagir de forma idêntica perante um
mesmo tipo de situação] e esquemas operatórios ou
conceptuais [relacionados com o saber pensar; tornam
possível a reversibilidade mental].

 Factores de desenvolvimento intelectual: - No


desenvolvimento cognitivo intervêm coordenadamente:
a hereditariedade, a maturação interna [factores
biológicos], a experiência física, a transmissão social e a
equilibração. A maturação traduz-se, pois, por uma
interacção de estruturas associadas ao indivíduo
[biológicas, genéticas, psicológicas] com as influências
do meio [físico, social, cultural].
 Estádios de desenvolvimento:

Estádio sensório-motor [0-18/24 meses]:

Mobiliza capacidades da criança ligadas à percepção

[captação sensorial] e ao movimento.

Traduz-se pelo desenvolvimento de uma inteligência

prática, ligada à acção, ao concreto; mas desligada do

pensamento. Órgãos dos sentidos, mãos e boca são

importantíssimos no desenvolvimento.
Este desenvolvimento parte de um conjunto de

esquemas de acção reflexos – os reflexos inatos. Em

interacção com o meio, o bebé começa a coordenar as

capacidades sensoriais.

A realidade, o mundo, no início é caótica; não há noção

de tempo, nem de espaço. Logo, não há percepção de

conjuntos, formas, diferenciação entre objectos e

pessoas ou entre o bebé e o que o envolve.

Esquemas de acção [competências] desenvolvidos no

primeiro ano: Agarrar ou puxar um objecto. Identificar

objectos, pessoas e a constância de formas. Aos 10

meses, a construção do objecto permanente.

Coordenação de actos intencionais: a acção regida pelo

princípio de causalidade [a criança chora para obter

colo, puxa para um objecto se aproximar…].


A partir dos 18 meses: a criança evolui de uma

inteligência sensório-motora para uma inteligência

representativa e simbólica [dominada pela imagem,

pela imaginação, pela palavra…]: passa-se de uma

inteligência prática para uma inteligência de

representações mentais [baseada no pensamento].

Estádio pré-operatório [2-7 anos] –

Subestádios do pensamento pré-conceptual e do

pensamento intuitivo:
Fase dominada pela construção de representações

mentais [função simbólica], concretizadas através da

linguagem, que precedem [pré] o raciocínio

[operatório].

Falar com os objectos, brincar ao faz-de-conta, tomar a

ficção [desenhos animados] por realidade evidenciam

que, nesta fase, há pensamento associado à imaginação

e um certo sincretismo entre realidade e fantasia.

O egocentrismo: é a característica central desta fase. A

criança vê a realidade de forma autocentrada, isto é,

não consegue perceber o ponto de vista dos outros. A

autocentração irá passando à descentração com o

aproximar do estádio seguinte.


Subestádio do pensamento pré-conceptual [dos 2 aos 4

anos]: caracterizado pelo pensamento mágico,

fantasioso, animista [que dá vida a tudo], realista

[confunde fantasia com realidade], finalista [para que

servem as coisas], artificialista [que vê tudo como uma

intervenção de alguém], sincrético.

Subestádio (vídeo) do pensamento intuitivo [dos 4 aos

7 anos]: caracterizado pelo pensamento em fase de

descentração, mas irreversível [capaz de emitir juízos

sobre resultados finais, mas incapaz de voltar

mentalmente ao ponto de partida]. O pensamento

intuitivo leva a criança a concluir com base naquilo que

sente: acha um quilo de lã mais leve do que um quilo de

chumbo porque ela é mais fofa…


Estádio das operações concretas [7-11/12 anos]:

Caracterizado pelo aparecimento do pensamento lógico,

pela capacidade de fazer operações mentais, pelo

pensamento reversível [operatório], mas tendo por

base questões ou objectos reais, concretos.

A reversibilidade permite ter a noção de conservação

da matéria sólida [7 anos], líquida [8 anos]; permite

apresentar argumentos com base nos princípios da

identidade [é a mesma água porque não se tirou nem

pôs mais], da reversibilidade [é a mesma água porque


se voltar ao copo anterior ficará igual], da compensação

[é a mesma água porque um copo é mais alto mas o

outro é mais largo].

São deste estádio a aquisição da noção de peso [9 anos],

de volume [11anos], de quantidade [número], de

tempo, de espaço, de velocidade; a capacidade de seriar

e de classificar.

Estádio das operações formais [11/12-15/16 anos]:

Fase dominada pelo pensamento abstracto e pela

tendência para o raciocínio hipotético-dedutivo

[formulação de hipóteses, de teorias abstractas].


É a idade da metafísica, da especulação.

O pensamento cria e é capaz de resolver enunciados

verbais, formais, independentes da realidade que leva

ao egocentrismo cognitivo [crença na capacidade de

resolver todos os problemas, ou de acreditar que as

próprias ideias são as melhores] próprio da

adolescência.

Entre as novas capacidades mentais, surge a

possibilidade de compreender princípios abstractos, o

que permite grande abertura a conceitos científicos e

filosóficos, que não tinha em fases anteriores. Não

admira, pois, que o adolescente se preocupe com ideais

morais, políticos, sociais e religiosos, mantendo

acaloradas discussões a seu respeito.


No final da adolescência, a inteligência formal

faculta, pois, a entrada do jovem num domínio novo,

que é o do pensamento puro. Ao terminar este período,

as estruturas intelectuais do adulto estão já instaladas,

e, no decorrer da vida adulta, adquirirão maior

mobilidade e maleabilidade, contribuindo para tal a

diversidade de experiências por que o ser humano vai

passando.

Vídeo das operações formais

Em resumo, Piaget defende que:


– O desenvolvimento cognitivo resulta da interacção
de factores internos (o indivíduo) e externos (o meio) e
faz parte do processo de adaptação: implica um
processo contínuo de ajustamento de cada ser vivo ao
meio.

– Factores que influenciam o desenvolvimento:


hereditariedade, experiência física, transmissão social e
equilibração.
– Invariantes funcionais (funções que não variam)
que acompanham o desenvolvimento: a assimilação que
integra, interioriza e incorpora novos dados e
informações; a acomodação que os ajusta e adapta; a
equilibração que auto-regula todo o processo.

– Esquemas mentais e de acção: - Um esquema é


uma espécie de fórmula geral. Por exemplo, a partir do
momento em que o bebé aprende (e o aprender é
mental e é acção) a segurar um pau, sabe segurar outros
objectos, sejam ou não paus. Ao aprender, assimilou e
ao aplicar a novos objectos demonstrou que acomodou
a capacidade a novos contextos. O esquema tem o lado
mental e o lado da acção. A construção de capacidades
progride por esquemas de complexidade crescente
(progride-se do mais fácil para o mais difícil).

Ver síntese sobre Piaget