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B ÍBLICAS

LIÇÕES
R E V I S TA PA R A E S T U D O S N A S E S C O L A S B Í B L I C A S

2º TRIMESTRE • 2013 • Nº 303

O que é ser igreja,


igreja, à luz
da Carta aos Efésios
MISSÃO DA
ESCOLA BÍBLICA

Transformar as pessoas em
discípulas de Cristo, através
do ensino e da prática da
palavra de Deus.
Copyright © 2013 – Igreja Adventista da Promessa
Revista para estudos na Escola Bíblica. É proibida a reprodução parcial
ou total sem autorização da Igreja Adventista da Promessa.

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

Diretor Alan Pereira Rocha


Conselho Editorial José Lima de Farias Filho
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Redação
Rua Boa Vista, 314 – 6º andar – Conj. A – Centro
Fone: (11) 3119-6457 – Fax: (11) 3119-2544
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Jornalista responsável Pr. Elias Pitombeira de Toledo (MTb. 24.465)


Redação e preparação Alan Pereira Rocha
de originais Alex S.C. Rodrigues
Andrei Sampaio Soares
Eleilton William de Souza Freitas
Genésio Mendes Jr.
Jailton Sousa Silva
Kassio Passos Lopes
Márcio Roberto Guimarães
Virginia Ronchete David Perez
Willian Robson de Souza
Revisão de textos Eudoxiana Canto Melo
Seleção de hinos Silvana A. de Matos Rocha
e ordem do culto
Leituras diárias Andrei Sampaio Soares
Projeto Gráfico Marcorélio Cordeiro Murta
Editoração Farol Editora
Capa Roberta Bassanetto
Atendimento e tráfego Geni Ferreira Lima
Fone: (11) 2955-5141
Assinaturas Informações na página 108
Impressão Gráfica Regente – Maringá, PR
Somos
igreja
O que é ser igreja, à luz
da Carta aos Efésios

SUMÁRIO

Apresentação ................................................... 5

1 Ser igreja é... Participar da comunidade local ...... 8

2 Ser igreja é... Desfrutar de bênçãos espitituais ... 15

3 Ser igreja é... Existir para a glória de Deus ......... 22

4 Ser igreja é... Viver a salvação pela graça .......... 29

5 Ser igreja é... Desfazer muros e construir pontes .. 36

6 Ser igreja é... Engajar-se no projeto de Deus ..... 43

7 Ser igreja é... Recusar a superficialidade da fé ... 49

8 Ser igreja é... Lutar pela unidade do corpo ........ 56

9 Ser igreja é... Abandonar a velha vida ............... 63

10 Ser igreja é... Andar como filhos da luz ............. 70

11 Ser igreja é... Cultivar relacionamentos santos ... 77

12 Ser igreja é... Saber que há uma guerra ............ 83

13 Projeto Proclamar: 130 sábado ......................... 90


Lição Bíblica especial:
Quando os cativos são libertos .......................... 91
Sugestão para programa de culto ..................... 97
Sermão: Deixe Deus usar a sua vida .................. 99
ABREVIATURAS DE LIVROS DA BÍBLIA
UTILIZADAS NAS LIÇÕES

ANTIGO TESTAMENTO NOVO TESTAMENTO


Gênesis Gn Mateus Mt
Êxodo Ex Marcos Mc
Levítico Lv Lucas Lc
Números Nm João Jo
Deuteronômio Dt Atos At
Josué Js Romanos Rm
Juízes Jz 1 Coríntios 1 Co
Rute Rt 2 Coríntios 2 Co
1 Samuel 1 Sm Gálatas Gl
2 Samuel 2 Sm Efésios Ef
1 Reis 1 Rs Filipenses Fp
2 Reis 2 Rs Colossenses Cl
1 Crônicas 1 Cr 1 Tessalonicenses 1 Ts
2 Crônicas 2 Cr 2 Tessalonicenses 2 Ts
Esdras Ed 1 Timóteo 1 Tm
Neemias Ne 2 Timóteo 2 Tm
Ester Et Tito Tt
Jó Jó Filemon Fm
Salmos Sl Hebreus Hb
Provérbios Pv Tiago Tg
Eclesiastes Ec 1 Pedro 1 Pe
Cantares Ct 2 Pedro 2 Pe
Isaías Is 1 João 1 Jo
Jeremias Jr 2 João 2 Jo
Lamentações Lm 3 João 3 Jo
Ezequiel Ez Judas Jd
Daniel Dn Apocalipse Ap
Oséias Os
Joel Jl ABREVIATURAS DE TRADUÇÕES E
Amós Am VERSÕES BÍBLICAS
Obadias Ob UTILIZADAS NAS LIÇÕES
Jonas Jn AM A Mensagem
Miquéias Mq ARA Almeida Revista e Atualizada
Naum Na ARC Almeida Revista e Corrigida
Habacuque Hc AS21 Almeida Século 21
Sofonias Sf ECA Edição Contemporânea de Almeida
Ageu Ag EP Edição Pastoral
Zacarias Zc NVI Nova Versão Internacional
Malaquias Ml KJA Tradução King James Atualizada
BV Bíblia Viva
NBV Nova Bíblia Viva
BJ Bíblia de Jerusalém
TEB Tradução Ecumênica da Bíblia
NTLH Nova Tradução na Ling. de Hoje

4 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


APRESENTAÇÃO

Todos estão a sua espera. Quando ela chega, faz com que todas as
pessoas presentes se levantem. As cabeças e os olhares se voltam para o
corredor central do templo para vê-la passar. É assim com toda noiva! Ela
passa o dia todo se preparando para aquele momento. Fica escondida dos
amigos e parentes, até que se ouça o som da marcha nupcial. Então ela
surge, bela e graciosa!
O encanto de uma “noiva mexe com todos. Ela é o centro da cerimônia
nupcial e irradia toda esperança e sonho naquele dia”.1 Cremos que essa
seja uma das razões de o Senhor ter escolhido essa figura para representar
a igreja. Ele queria que ela atraísse a atenção, sendo um lugar de esperan-
ça e fé num mundo cheio de desilusões. Ele desejava que as cabeças e os
olhares do mundo inteiro se voltassem para vê-la passar. A igreja é a noiva
mais linda do universo!
Nós somos a igreja; somos a amada do Senhor e estamos no centro dos
planos eternos dele. Infelizmente, muitas vezes, nós nos esquecemos disso
e perdemos de vista o que de fato é ser igreja e, assim, ignoramos as coisas
magníficas que podemos fazer ao lado do nosso noivo onipotente.
Sabemos que o Senhor edificou a sua igreja, aqui na terra, e trabalha para
conservá-la e expandi-la. Isso nos leva a uma reflexão: Qual é a razão de Cris-
to ter edificado a igreja e trabalhado por ela? O que significa ser a igreja de
Cristo? O que há de tão especial nessa noiva? Na Carta de Paulo aos Efésios,
encontramos as respostas.
Efésios é uma das várias cartas que Paulo escreveu enquanto estava preso
em Roma, por causa de Cristo (cf. At 28:30). Essa é considerada por muitos a
Rainha das Epístolas, e é também chamada de a coroa dos escritos de Paulo,2
devido à profundidade de seu conteúdo. Isso porque ela não foi escrita em

1. Swindoll (2006:9).
2. Lopes (2009:24).

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resposta a alguma circunstância específica ou controversa, como a maioria
das cartas paulinas; de modo que Paulo se deu o luxo de apenas expor o
conhecimento espiritual que havia acumulado, ao longo de quase trinta anos
de ministério e de caminhada com Jesus.
Stott, em sua introdução a essa epístola, afirma: “A carta aos Efésios é
um resumo, muito bem elaborado das boas novas do cristianismo e de suas
implicações. Ninguém pode lê-la sem ser compelido a adorar a Deus e a ser
desafiado a melhorar a sua vida cristã”. 3
O tema central desta carta é o mistério da gloriosa igreja de Cristo. O
apóstolo nos apresenta a essência do Evangelho de Cristo aplicada à prática
de vida da igreja. É impossível sair de uma leitura cuidadosa de Efésios com o
conceito de um evangelho privado ou individualista. Efésios é o evangelho da
igreja, pois “estabelece o propósito eterno de Deus de criar através de Jesus
Cristo um povo que se destaca em relevo brilhante contra o fundo sombrio
do velho mundo”.4
Nesta carta, o apóstolo usa algumas figuras para representar a igreja, entre
as quais se destacam três: a de corpo, do qual Cristo é cabeça (1:22-23); a de
um edifício, do qual Cristo é pedra fundamental (2:20-21), e a de um casal,
em que a igreja é a esposa e Cristo é o marido (5:25-32). Neste sentido, a
igreja é uma noiva que está sendo preparada para se encontrar com o seu
amado noivo. Logo, é imprescindível que nós, igreja de Cristo, dediquemo-
-nos ao estudo da Carta aos Efésios para entendermos quem somos, de fato,
e descobrirmos o que nosso Senhor espera de nós.
Por estas razões, apresentamos a vocês, com uma satisfação imensa,
esta série de lições bíblicas, intitulada: Somos igreja: o que é ser igreja,
à luz da Carta aos Efésios. Ao longo deste trimestre, vamos aprender
que ser igreja é participar da comunidade local, desfrutar de bênçãos espi-
rituais, existir para a glória de Deus e viver a salvação pela graça; é, ainda,
desfazer muros e construir pontes, engajar-se no projeto de Deus, recu-
sar a superficialidade da fé; é, igualmente, lutar pela unidade do corpo,
abandonar a velha vida e andar como filhos da luz; além disso, é cultivar
relacionamentos santos, e, por fim, saber que há uma guerra espiritual e
que estamos nela.

3. Stott (2007:7).
4. Idem, p.10.

6 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


Que o Senhor ilumine cada aluno no aprendizado. Que ele inspire cada
professor nas ministrações das aulas, e que, neste trimestre, tenhamos uma
Escola Bíblica ainda mais abençoada.
Ao Senhor Jesus, a pedra fundamental do edifício, a cabeça do corpo e
noivo da igreja, sejam dadas a glória e a honra devidas ao seu nome. Amém!

Pr. Alan Pereira Rocha


Diretor do Departamento de Educação Cristã

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1
SER IGREJA É...

Participar da
comunidade local
6 DE ABRIL DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 232 • BJ 108

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Apresentar ao aluno Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade
da Escola Bíblica uma
de Deus, aos santos e fiéis em Cristo Jesus
breve introdução à Carta
aos Efésios e mostrar o que estão em Éfeso: A vocês, graça e paz.
quanto é precioso o papel (Ef 1:1-2)
das comunidades locais,
no conceito bíblico de
igreja de Cristo.
INTRODUÇÃO
Pela graça de Deus, estamos iniciando
LEITURA DIÁRIA mais uma série de Lições Bíblicas. Desta
D 31/03 Ef 1:1-2 vez, estudaremos a Carta aos Efésios. Esta
S 01/04 Ef 1:3-6 é uma das várias cartas que Paulo escreveu,
T 02/04 Ef 1:7-10 quando estava aprisionado em Roma (cf. At
Q 03/04 Ef 1:11-14
28:30). É considerada por muitos a “Rainha
Q 04/04 Ef 1:15-17
das Epístolas”, devido à profundidade de
S 05/04 Ef 1:18-21
S 06/04 Ef 1:22-23 seu conteúdo, pois nos apresenta a essência
do evangelho de Cristo aplicada à prática
de vida da igreja.
É também considerada uma carta gêmea
de Colossenses, pois ambas foram escritas
no mesmo lugar e na mesma época e tra-
tam basicamente das mesmas questões. O
que muda é o enfoque central de cada uma.
Colossenses apresenta o glorioso Cristo da
igreja, enquanto Efésios apresenta a glorio-
sa igreja de Cristo. Aquela trata a respeito
de Cristo como cabeça da igreja, enquanto
Acesse os
Comentários Adicionais esta, da igreja como o corpo de Cristo. Quer
e os Podcasts entender o que é ser igreja? Basta estudar
deste capítulo em
www.portaliap.com.br Efésios, e, assim, conhecerá mais de perto a
noiva do Cordeiro.

8 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


I PARA A IGREJA SABER

No presente estudo, que tem dades, nessa que foi uma das maio-
como título “Ser igreja é participar res ações evangelísticas da história.
da comunidade local”, vamos apren- Entre aquelas cidades visitadas
der o quanto são importantes as por Paulo estava Éfeso. A primeira
igrejas locais, no plano eterno de vez em que ele ministrou ali foi ao
Deus. Para tanto, precisamos apre- fim da segunda viagem missionária,
ciar algumas questões fundamen- por volta do ano 53,1 mas não ficou
tais, que estão por trás da Carta aos muito tempo na cidade (At 18:18-
Efésios, tais como: o seu escritor, a 21). Dois anos mais tarde, já em sua
ocasião da escrita, os destinatários e terceira viagem, o pastor dos gentios
a sua mensagem. voltou àquele lugar e dedicou dois
1. O escritor da carta: Há certos anos de sua vida à evangelização de
personagens da história que dispen- toda a região (At 19).
sam apresentações, e Paulo é um Foi nessa época que Paulo fundou
desses. Mas vale a pena relembrar. uma forte igreja ali, numa cidade
Antes de se converter, ele era um fa- idólatra, dedicada ao culto à deusa
riseu tão devoto e dedicado que se Diana. Na visão dele, a plantação
tornou o líder do movimento anticris- de igrejas locais era essencial “para
tão, em Jerusalém (cf. Gl 1:13-14). o enraizamento do evangelho”,2 nas
Era o perseguidor implacável da igre- cidades e nos corações. Estrategica-
ja de Cristo. Mas, um dia, quando mente, por onde passava, discipulava
saiu para capturar os crentes, Paulo pessoas, treinava líderes e estabelecia
foi “capturado” por Jesus e transfor- comunidades cristãs locais. Em Éfeso,
mado num cristão (At 9:1-23). O per- não foi diferente.3 Por isso, Paulo co-
seguidor tornou-se perseguido. nhecia muito bem os cristãos dali e
Outrora, ele tinha a função de aca- os amava como pastor e amigo.
bar com a igreja, mas, agora, Cristo 2. A ocasião da carta: Qua-
o transformara em um plantador de se dez anos após ter fundado essa
igrejas pelo mundo. A Bíblia diz que, igreja, Paulo escreveu aos seus ami-
enquanto ele servia a Deus, em An- gos efésios. Na ocasião, estava pre-
tioquia, o Espírito Santo o chamou so em Roma, por causa de Cristo
para levar o evangelho aos gentios
(At 13:1-4). Em obediência ao cha- 1. Wiersbe (2006:8).
mado, ele saiu pelo Império Romano 2. Lidório (2007:11).
3. Para compreender melhor o ministério de
pregando a palavra. Fez três viagens Paulo em Éfeso, leia os capítulos 19 e 20 do
missionárias, passando por várias ci- Livro de Atos.

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(Ef 3:1, 4:1, 6:20). Com saudade, 12). Por sua vez, a expressão “pela
deseja compartilhar algumas revela- vontade de Deus” mostra que ele sa-
ções que o Espírito Santo lhe havia bia muito bem quem lhe havia dado
dado acerca de Cristo e da igreja. tal incumbência.
Se você quiser entender um pouco 3. O destino da carta: O início
melhor esse contexto histórico, leia da carta aos Efésios segue o padrão
Ef 6:21-22, compare com Cl 4:7-9 e das cartas paulinas, que, geralmen-
com a Carta a Filemom. te, tinham três partes: 1) A apre-
Em resumo, sabe-se que um es- sentação do remetente (escritor);
cravo chamado Onésimo havia fugi- 2) A descrição dos destinatários, e
do da casa de seu senhor, um cristão 3) A saudação.4 Sendo assim, após
chamado Filemom, que morava em se apresentar com alguns detalhes,
Colossos, cidade vizinha de Éfeso. Lá Paulo, agora, se volta para os des-
em Roma, Paulo encontrou Onési- tinatários. Ele está escrevendo aos
mo, evangelizou-o e convenceu-o a santos e fiéis em Cristo Jesus que es-
voltar para casa. Na mesma época, tão em Éfeso (Ef 1:1b).
Tíquico, colaborador de Paulo na Nessa bela descrição, vemos algu-
igreja em Colossos, foi visitar o após- mas características daqueles irmãos.
tolo na prisão. Em primeiro lugar, eram santos. Na
Desse modo, Paulo aproveitou a Bíblia, os “santos” não são pessoas
visita de seu amigo e enviou, pelas mortas que foram canonizadas, mas
mãos deste, três cartas: a Carta aos pessoas vivas que creem em Jesus
Efésios, a Carta aos Colossenses e a como Salvador. Os cristãos efésios
Carta a Filemom. Mandou também eram “santos” vivos. Esse termo “san-
com ele o servo fugitivo de volta. tos” (gr. hagioi) significa “separados”
Portanto, a epístola que estamos es- ou “consagrados”. Os efésios eram
tudando foi escrita em Roma, apro- separados para posse e uso de Deus.
ximadamente, no ano 62 d.C., pelas Em segundo lugar, eles eram fiéis. Esse
mãos de um pastor amoroso, que, termo (gr. pistoi) tem duas ideias em
mesmo na prisão e em pleno julga- seu significado: crença e fidelidade.
mento, estava preocupado com as Aqueles cristãos tinham fé em Jesus
igrejas que havia plantado. e eram obedientes a ele. Como bem
Em Efésios 1:1, ele se apresenta: afirmou Taylor: “O ato de crer resulta
Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela em fidelidade”. 5
vontade de Deus. O termo apóstolo Quanto à situação em que se en-
significa: “enviado em missão”. Era contravam os destinatários da carta,
assim que ele se via. Sentia-se in-
cumbido de ensinar a palavra e de
4. Taylor et al. (2009:115).
edificar aquelas igrejas (cf. Ef 4:11- 5. Idem.

10 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


também temos algumas informa- Éfeso a maravilha e as implicações
ções. Em primeiro lugar, estavam práticas de ser a igreja em Cristo”.6
em Cristo. Essa expressão aparece O que é ser igreja, à luz da Carta aos
quinze vezes em Efésios e mostra a Efésios? É desfrutar de bênçãos espi-
posição ou situação espiritual daque- rituais; é existir em comunidade, para
les que estão unidos a Jesus pela fé, a glória de Deus; é viver a salvação
que vivem e subsistem por meio de pela graça; é ser um corpo em Cristo;
Cristo, que têm comunhão com Cris- é lutar por esta unidade; é andar nos
to e se identificam com ele. E, como caminhos de Cristo, sem retornar aos
escreveu Paulo, quem está em Cris- caminhos do mundo de pecado; é ser
to, nova criatura é; as coisas velhas a noiva de Cristo; é buscar forças para
já passaram; eis que tudo se fez novo o combate espiritual. Esses conceitos
(2 Co 5:17 – grifo nosso). serão tratados nos próximos estudos
Em segundo lugar, eles participa- desta série.
vam de uma igreja local, em Éfeso; Contudo, cabe aqui uma pergunta:
pertenciam a uma comunidade cris- Na prática, o que é ser ou pertencer à
tã localizada no tempo e no espaço; igreja? A resposta é simples: das 109
eram cidadãos do mundo (estavam vezes em que a palavra eklesia apare-
em Éfeso) e cidadãos do céu (esta- ce no Novo Testamento referindo-se à
vam em Cristo). No Novo Testamen- igreja de Cristo, apenas 5 vezes é usada
to, a igreja é o corpo de Cristo. Por- restritamente para referir-se à igreja em
tanto, é impossível estar em Cristo geral, composta por crentes de todos
sem estar na igreja. No cristianismo, lugares e de todos os tempos, chamada
não há lugar para o individualismo. pelos teólogos de igreja universal.
4. O assunto da carta: Em nossos Em 9 ocasiões, todas em Efésios,
dias, temos visto um número cres- essa palavra tem duplo sentido: refe-
cente de crentes cujo lema é: “Cris- re-se tanto à igreja universal quanto à
to, sim; igreja, não!”. Obviamente, igreja local. Todavia, as 95 vezes res-
isso é uma grande contradição. Na tantes refere-se diretamente a igrejas
Bíblia, sobretudo, em Efésios, estar locais, ou seja, na Bíblia, principal-
em Cristo é sinônimo de ser igreja. mente nas cartas de Paulo, o conceito
Ninguém pode pertencer a Cristo, de igreja é ligado ao de igreja local.7
sem pertencer à igreja. Para Paulo, Ser igreja ou pertencer à igreja, indis-
a igreja é o grande projeto de Jesus cutivelmente, significa envolver-se e
Cristo, a partir da cruz. Ser cristão ou participar ativamente da vida de uma
pertencer a Cristo é, naturalmente, comunidade cristã local.
fazer parte desse projeto. Por isso,
em sua carta, o apóstolo tem como 6. Bíblia de Estudo de Genebra (2009:1566).
propósito “ensinar aos cristãos em 7. Douglas (1995:735).

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Na carta aos Efésios, podemos cristãs, como: comunhão, uso dos
ver isso, quando lemos: ... aos san- dons, relacionamentos etc. Onde
tos e fiéis em Cristo Jesus que estão aprendemos e vivenciamos essas
em Éfeso: A vocês, graça e paz (Ef bênçãos e práticas? Na igreja local!
1:1-2a – grifo nosso). Depois desta De fato, é nela que as coisas acon-
saudação, o apóstolo começa dis- tecem. Ser igreja é, entre outras coi-
correr sobre bênçãos espirituais que sas, estar e participar de uma comu-
são dadas à igreja e sobre práticas nidade cristã local.

01. Quem foi o escritor da Carta aos Efésios? Que ligação ele tinha
com a comunidade cristã de Éfeso? Fale também sobre o valor que ele
dava às igrejas locais. Baseie-se em Gl 1:13-14; At 18:18-21, 19:1-10.

02. Leia Ef 6:20-22; Cl 4:7-9; Fm 1-17, e responda: Onde Paulo estava,


quando escreveu a Carta aos Efésios? Como esta chegou ao seu
destino? Comente sobre o contexto histórico.

03. Com base no item 3 e em Ef 1:1, responda: Como Paulo descreveu


os destinatários de sua carta? Quem eles eram e qual a sua situação?

04. De acordo com o item 4, há um número crescente de crentes cujo


lema é: “Cristo, sim; igreja, não!”. Qual é a contradição dessa frase?
Para responder, leia Ef 1:1-3 e o item 4.

12 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


05. O assunto principal da Carta aos Efésios é a “igreja de Cristo”.
Mas, na prática, o que é ser ou pertencer a essa igreja? O que nossa
participação na igreja local tem a ver com isso?

II PARA A IGREJA VIVER

1. A igreja local é preciosa: par- Na comunidade cristã, aprende-


ticipe ativamente dela! mos a viver o evangelho, a cumprir
A igreja local é preciosa, porque os mandamentos da mutualidade. É
é nela que nos relacionamos e mi- aqui que amamos e somos amados,
nistramos uns aos outros, através que aceitamos e somos aceitos, que
dos dons espirituais. É através dela perdoamos e somos perdoados,
que nos tornamos agentes trans- que encorajamos e somos encora-
formadores da sociedade. Aqui, na jados, que edificamos e somos edi-
comunidade, vivemos e cumprimos ficados. É aqui que nos preparamos
a nossa missão proclamadora. Nela, para encontrar o nosso noivo: Je-
os pecadores vivenciam a salvação sus. Portanto, participe ativamente
em Cristo, são inseridos na unidade da igreja local em que o Senhor lhe
e acolhidos na comunhão. deu a honra de congregar.

06. Qual é a importância da igreja local em sua vida? O que significa


participar ativamente da igreja local?

2. A igreja local é preciosa: cui- Esta igreja, que está neste bairro, é es-
de firmemente dela! tratégica e preciosa aos olhos de Deus,
Qual é o endereço do templo onde pois nela se vê a face da incomparável
você congrega? Há quanto tempo você noiva de Jesus. É isso mesmo. Apesar
está congregando neste lugar? Esta é de suas fragilidades e falhas, Deus a
a comunidade cristã local em que o vê assim. Além disso, ela está neste
Senhor Jesus lhe permitiu congregar. endereço para que outras pessoas des-

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ta região tenham a oportunidade de financeiramente; respeite as autori-
ouvir o evangelho e ser salvas. dades eclesiásticas constituídas; es-
Sendo assim, é papel de cada teja presente nos cultos; lute pela a
membro da igreja local valorizá-la e unidade; trabalhe para que sua igre-
zelar por ela. Faça algo por sua igre- ja local cresça; faça tudo que tiver ao
ja: doe-se mais pelo fortalecimento seu alcance, para que ela seja cada
do corpo de Cristo; comprometa-se vez mais santa.

07. Dê exemplos de como podemos cuidar da igreja local onde


congregamos.

DESAFIO DA SEMANA

A noiva de Cristo tem sua face mais bem revelada na igreja lo-
cal. Como afirma Barclay, a ekklesia, em essência, é um grupo de
pessoas que se reúnem, não tanto por que decidiram agir assim,
“mas porque Deus as chamou para Si; não se reúnem tanto para
compartilharem dos seus próprios pensamentos e opiniões, mas
para escutarem a voz de Deus”. 8 Podemos vivenciar isso nas nos-
sas comunidades cristãs locais.
É na igreja local da qual participamos que aprendemos o evan-
gelho e é dela que saímos para praticá-lo. Ela é preciosa! Se você
quer, de fato, ser igreja de Cristo, faça parte ativamente da sua
igreja local. Quer um exemplo? Envolva-se em algum ministério
dentro dela. Escolha uma área em que você tem aptidão e dedi-
que-se com fidelidade, usando seus dons para edificar os demais
irmãos. Pense nisso!

8. Barclay (1985:46).

14 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


2
SER IGREJA É...

Desfrutar de
bênçãos espirituais
13 DE ABRIL DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 2 • BJ 293

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Levar o estudante da Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor
Bíblia a refletir sobre
Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as
as bênçãos espirituais
desfrutadas por aqueles bênçãos espirituais nas regiões celestiais em
que estão em Cristo Jesus, Cristo. (Ef 1:3)
e motivá-lo a desfrutar
dessas bênçãos com
gratidão e santidade. INTRODUÇÃO
Esta é a segunda lição desta nova série de
estudos na carta aos Efésios, e tem por título
LEITURA DIÁRIA
“Ser igreja é desfrutar de bênçãos espiritu-
D 07/04 Ef 2:1-3
ais!”. Este estudo abrange os versículos 3 a 14
S 08/04 Ef 2:4-5
T 09/04 Ef 2:6-7
do primeiro capítulo dessa carta considerada
Q 10/04 Ef 2:8-9 como a “coroa” dos escritos de Paulo.
Q 11/04 Ef 2:10-11 O texto em estudo é extremamente relevan-
S 12/04 Ef 2:12-13 te para nossos dias, pois nos traz um conceito
S 13/04 Ef 2:14-15 bíblico, próprio do Novo Testamento, acerca
das bênçãos de Deus. Ao longo do estudo,
aprenderemos sobre a origem das bênçãos, sua
natureza, sua abrangência e seus propósitos.
Isso nos ajudará a não apenas conhecermos as
bênçãos espirituais que o Deus Triúno nos con-
cede, mas a desfrutá-las de modo apropriado.

I PARA A IGREJA SABER

Acesse os Paulo estava preso em Roma e tinha todos


Comentários adicionais
e os Podcasts os motivos do mundo para estar triste, abatido
deste capítulo em e frustrado com Deus. No entanto, ele o esta-
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va glorificando e afirmando ser alvo das bên-

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çãos divinas. A pergunta é: Qual era Deus resolveu tornar-nos seus fi-
a sua concepção de bênção? Será lhos, quando ainda nem existíamos,
que era a mesma de alguns pregado- através da obra de Cristo, mesmo
res modernos televisivos? Vejamos o quando esta nem havia sido realiza-
que podemos aprender, durante o da. Segundo as palavras de Pedro,
estudo desta lição. essa eleição aconteceu segundo a
1. Fomos eleitos por Deus: É presciência de Deus Pai (1 Pd 1: 2),
assim que Paulo inicia o trecho que isto é, segundo o seu conhecimento
estamos analisando: Bendito seja o prévio sobre a nossa resposta à salva-
Deus e Pai de nosso Senhor Jesus ção. A eleição em Cristo deve levar-
Cristo, que nos abençoou com todas -nos a louvar a Deus, que, sabendo
as bênçãos espirituais nas regiões de antemão que o ser humano cairia
celestiais em Cristo (Ef 1:3). Aqui, em pecado, decidiu, sem qualquer in-
vemos a triunidade divina em ação. fluência externa, estabelecer o meio
O apóstolo mostra que toda bênção para a salvação da humanidade: a fé
que desfrutamos tem como origem em seu filho Jesus. Isso se chama gra-
o Pai, e o louva por isso. Paulo não ça, no mais puro sentido da palavra.
tem dúvida de que todo cristão é No entanto, o próprio texto ensi-
abençoado com “todas as bênçãos na-nos que ele nos elegeu para a sal-
espirituais”, uma possível referência vação em Cristo, para sermos santos
à ação do Espírito, que aplica a obra e irrepreensíveis (Ef 1:4b). Hagios é
de Cristo em nós. a palavra grega traduzida por “san-
Na continuação, lemos: Porque tos”, e significa ser diferente, sepa-
Deus nos escolheu nele antes da rado. A palavra “irrepreensível” é a
criação do mundo (v.4a). A partir da- tradução para a palavra grega amo-
qui, Paulo inicia sua exposição sobre mos, que significa “sem qualquer
as bênçãos espirituais desfrutadas espécie de mancha”.2 A santificação
pela igreja a partir da eleição. Eleger não é a causa, mas a prova da nos-
significa tomar ou escolher algo para sa eleição em Cristo.3 Os que foram
si. De acordo com esse texto, Deus eleitos na eternidade, com base no
Pai, em sua multiforme sabedoria e prévio conhecimento de Deus de
presciência, antes mesmo que hou- que aceitariam a oferta da salvação,
vesse mundo, formou um propósito vão viver em santidade. Ser igreja é
em sua mente. Esse propósito dizia ser eleito em Cristo.
respeito tanto a Cristo quanto a nós. 2. Fomos adotados pelo Pai: A
Ele colocou “a nós e a Cristo juntos eleição não é a única bênção que Pau-
na sua mente”.1
2. Lopes (2009:24).
1.Stott (2007:16). 3. Idem, p. 22.

16 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


lo menciona. Ele continua: Em amor “irmão mais velho” (Rm 8: 29), pois,
nos predestinou para sermos adota- o interesse divino é que sejamos
dos como filhos por meio de Jesus transformados em réplicas, imagens
Cristo, conforme o bom propósito da de Jesus Cristo e retratos vivos dele.5
sua vontade (v. 5-6 – NVI). Aqui, pre- Se nos parecermos com Jesus, sere-
destinar (gr. proorizo) significa “deci- mos “a cara do nosso Pai”: Vocês
dir de antemão”. Paulo quer explicar, são filhos queridos de Deus e por
nesse texto, que, na eternidade, Deus isso devem ser como ele (Ef 5:1). Ser
decidiu, por amor, que os eleitos, isto igreja é fazer parte de um povo ado-
é, os que creriam (v.19), seriam seus tado por Deus.
filhos, através de Jesus Cristo. 3. Fomos redimidos pelo Fi-
A Bíblia Viva traduz assim esse lho: As bênçãos continuam: Nele
versículo: Seu plano imutável sempre
temos a redenção por meio de seu
foi adotar-nos em sua própria famí-
sangue, o perdão dos pecados, de
lia (BV). Deus quis que fosse assim!
acordo com as riquezas da graça
A adoção é, sem sombra de dúvidas,
de Deus, a qual ele derramou sobre
uma das maiores bênçãos espirituais
nós (Ef 1:7-8 – NVI). Paulo explica
desfrutadas por nós, crentes em Je-
que, em Cristo, o cristão é redimido
sus. O Novo Testamento está cheio
e perdoado. A palavra “redenção”,
de referências a essa graça que Deus
que aparece no texto, significa
nos outorgou em Cristo: Mas, a to-
dos quantos o receberam, deu-lhes o comprar e libertar mediante o pa-
poder de serem feitos filhos de Deus, gamento de um preço,6 ou seja, so-
aos que creem no seu nome (Jo 1:12). mos abençoados porque Cristo nos
A igreja é formada por aqueles comprou para a liberdade (Hb 9:11-
que receberam Jesus como Senhor e 12). De acordo com as Escrituras,
Salvador, que creram em seu nome. não há condenação alguma para
Ou seja, todo cristão autêntico é um aqueles que estão em Cristo Jesus
filho adotivo de Deus: Porque todos (Rm 8:1). Através de seu sacrifício
sois filhos de Deus pela fé em Cristo vicário, Jesus cancelou a cédula que
Jesus (Gl 3:26). Paulo nos ensina que era contra nós (Cl 2: 14).
em Cristo recebemos o privilégio de Por sua vez, “perdão” (Ef 1:7)
nos tornarmos participantes da sua significa “levar embora”. Não há
herança (Rm.8: 17). qualquer acusação registrada contra
Essa filiação também subentende nós, pois os nossos pecados foram
responsabilidade.4 A responsabilida- levados embora através da morte de
de de nos parecermos com o nosso
5. Lopes (2009:25).
4. Stott (2007:19). 6. Wiersbe (2006:13).

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Cristo.7 Jesus é o Cordeiro de Deus garantir a autenticidade de um do-
que tira o pecado do mundo (Jo cumento, marcar uma propriedade e
1:29). A Escritura diz que Cristo se proteger contra violação e dano.9
entregou para ser morto, a fim de ti- De acordo com o texto, os cristãos
rar nossos pecados e assim nos livrar recebem o Espírito Santo quando cre-
deste mundo mau (Gl 1:4 – NTLH). em em Cristo, e são “selados” para o
Além disso, nós, crentes em Jesus, dia da redenção. Ser selado com o Es-
recebemos a iluminação da parte de pírito Santo significa recebê-lo, tornar-
Deus para compreendermos a sua -se habitação dele: Ou não sabeis que
vontade, que é fazer com que todas o vosso corpo é o templo do Espírito
as coisas sejam reunidas sob o do- Santo, que habita em vós, provenien-
mínio de Cristo (Ef 1:9-10). Na ple- te de Deus, e que não sois de vós mes-
nitude dos tempos, as duas criações mos? (1 Co 6: 19). O selo, então, é a
de Deus, todo o seu universo e a sua presença do Espírito na pessoa salva.
igreja por completo, serão unificadas Por haver alguns equívocos teoló-
sob Cristo, que é o cabeça supremo gicos acerca desse texto, vale ratificar:
das duas8 (Rm 8:17-23). Ser igreja é Todo cristão autêntico, no momento
fazer parte de um povo redimido e da sua conversão, foi selado com o
perdoado por Jesus. Espírito Santo prometido pelos profe-
4. Fomos selados com o Espíri- tas. O Espírito Santo é a sua garantia
to: No final do trecho, que estamos de que o cristão foi aceito por Deus,
estudando, Paulo apresenta mais de que agora lhe pertence e receberá
uma bênção espiritual: o selo com seus cuidados, até o dia da redenção.
o Espírito Santo: Nele, quando vo- Ser parte da igreja é ser selado pelo
cês ouviram e creram na palavra da Espírito e ter garantida a herança final.
verdade, o evangelho que os salvou, Somos a igreja de Cristo, o povo
vocês foram selados com o Espí- mais rico da terra. Portanto, louvemos
rito Santo da promessa, que é a ao nosso Deus, que nos abençoou
garantia da nossa herança (vv.13- com toda sorte de bênçãos espiritu-
-14a – grifo nosso). ais em Cristo Jesus. Louvemos-lhe por
Paulo está lembrando os irmãos nos eleger para a salvação em Cristo,
da cidade de Éfeso que, quando re- antes mesmo da criação do mundo.
ceberam o evangelho e creram que Louvemos-lhe por nos ter feito mem-
Jesus era o Cristo, foram selados com bros de sua família. Louvemos-lhe por
o Espírito Santo. Na antiguidade, um nos ter redimido e levado nossos pe-
selo era usado para três finalidades: cados embora. Louvemos-lhe por nos
ter selado com o Espírito Santo.
7. Idem.
8. Stott (2007:23). 9. Hendriksen (2005:109).

18 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


01. Leia o texto de Ef 1:3 e responda: O verdadeiro cristão tem motivos
para se alegrar em Deus? Qual a fonte das bênçãos que recebemos?

02. Leia Ef 1:4-6; 1 Pd 1:2; o item 1, e comente sobre o significado da


eleição e a sua base.

03. Leia Ef 1:7-10; o item 2, e comente sobre os diversos textos


bíblicos apresentados que tratam sobre a nossa adoção,
especialmente o de Efésios.

04. Leia Ef 1:11-12; o item 3, e explique, de acordo com o texto, o


significado de ser redimido e perdoado.

05. Leia Ef 1:13-14, o item 4, e responda: O que significa ser selado com
o Espírito Santo? Em que momento da vida do cristão isso acontece?

II PARA A IGREJA VIVER

1. Desfrute das bênçãos espiri- mamente grato a Deus por poder


tuais com gratidão. desfrutar de todas as suas bênçãos
O texto em estudo transmite-nos espirituais. Suas palavras, em Efésios
a clara ideia de que Paulo era extre- 1:3-14, dão-nos a entender que ele

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pretendia despertar em seus leitores berem o quanto são abençoadas espiri-
a consciência do quanto eram aben- tualmente em Cristo. Elas se esquecem
çoados espiritualmente, a fim de que de que Deus, por sua graça, fez-nos
fossem gratos a Deus por tudo. co-herdeiros com Cristo (Rm 8:17).
É muito comum, hoje em dia, ver- Cientes dessa verdade, agradeçamos
mos, na igreja, pessoas aborrecidas, ao Senhor; afinal, ser igreja é desfrutar
descontentes e infelizes, por não perce- das bênçãos de Deus com gratidão.

06. Após ler a primeira aplicação, discuta com a classe sobre a


importância de encontrarmos significado nas bênçãos espirituais
para vivermos com gratidão.

2. Desfrute das bênçãos espiri- A resposta está no texto: Deus nos


tuais com santidade. elegeu para sermos santos e irrepre-
Até aqui, pudemos ver o quanto ensíveis; adotou-nos para o imitar-
Deus foi e é generoso para conos- mos, como filhos amados (Ef 5:1);
co. Ele nos abençoou plenamente redimiu-nos e perdoou-nos para
em Cristo, elegendo-nos para a sal- vivermos debaixo da autoridade de
vação, adotando-nos como filhos, Cristo; selou-nos com o Espírito San-
redimindo-nos, perdoando-nos e to para sermos identificados como
selando-nos com o seu Espírito. Tudo sua propriedade particular. Agora
isso Deus fez por nós. Mas como lidar que você já sabe disso, desfrute des-
com isso, agora? Qual deve ser a nos- sas bênçãos com santidade.
sa postura, diante de tamanha graça?

07. Leia a segunda aplicação e discuta com a classe sobre os


privilégios e as responsabilidades dos cristãos.

20 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


DESAFIO DA SEMANA

Chegamos ao final deste estudo com a certeza de que somos


as pessoas mais abençoadas e bem-aventuradas deste mundo.
Aprendemos que as maiores e mais importantes bênçãos na vida
de um cristão não são materiais, mas, sim, espirituais. Aprendemos
que, por estarmos unidos com Cristo, podemos desfrutar do me-
lhor de Deus para a nossa vida.
Agora, quanto ao desafio semanal, a proposta é que estudemos
essa lição com um amigo, parente ou vizinho, com a finalidade
de lhes mostrar o quanto são abençoados os que se entregam a
Cristo. Mostre a essa pessoa o que é ser abençoado, segundo a
Bíblia. Feito isso, convide-a a participar da próxima lição, na igreja.
Aceita o desafio?

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3
SER IGREJA É...

Existir para a
glória de Deus
20 DE ABRIL DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 187 • BJ 315

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante Oro também para que os olhos do coração
da palavra de Deus
de vocês sejam iluminados, a fim de que
que precisamos, cada
vez mais, entender vocês conheçam a esperança para a qual ele
precisamente o nosso os chamou, as riquezas da gloriosa herança
chamado e vivenciar dele nos santos. (Ef 1:18 – NVI)
responsavelmente a
nossa missão, a fim de
glorificarmos a Deus.
INTRODUÇÃO
Alguém já disse que “a oração é o es-
LEITURA DIÁRIA pelho da vida interior”.1 Observe alguém,
D 14/04 Ef 2:16-18 quando estiver orando, e preste atenção ao
S 15/04 Ef 2:19-20 conteúdo da oração. Essa é uma das me-
T 16/04 Ef 2:21-22 lhores maneiras de descobrir as ambições e
Q 17/04 Ef 3:1-2 as principais ansiedades de alguém. Afinal,
Q 18/04 Ef 3:3-7
nós oramos por aquilo que é importante
S 19/04 Ef 3:8-10
S 20/04 Ef 3:11-13
para nós, e estas coisas estão presentes em
nossas orações.
Se alguém parasse para analisar as orações
de Paulo, chegaria à conclusão de que ele
era um cristão maduro. Dificilmente o veriam
orando por coisas materiais. De modo cons-
tante e objetivo, o apóstolo estava suplicando
pela igreja em favor de bênçãos espirituais.
Efésios 1:15-23 é uma dessas orações. Através
dela, temos muito a aprender sobre a razão
da existência da igreja.
Acesse os
Comentários adicionais
e os Podcasts
deste capítulo em
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1. Vaughan apud Lopes (2009:37).

22 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


I PARA A IGREJA SABER

O trecho de Efésios 1:15-23, na NVI, pelos outros (1:16). A caminhada de


começa com a expressão: “Por essa fé dessa igreja glorificava a Deus. As-
razão”. Esta expressão faz referência sim, em sua oração, Paulo pede que
a toda a descrição dos propósitos de ela continue progredindo na fé.
Deus aludida nos versículos anteriores Paulo pede a Deus que dê “espírito
(vv. 3-14). Paulo louva a Deus por ter de sabedoria e de revelação” àquela
abençoado a igreja e, depois, ora pe- igreja (v. 17). De acordo com Stott,2
dindo ao Senhor que a ajude a enten- embora o texto traga espírito com
der todas essas bênçãos (vv. 15-23). “e” minúsculo, é provável que a refe-
Quais, exatamente, são esses pedidos e rência seja ao Espírito Santo, o mestre
o que isso tem a ver com existir para a do povo de Deus.3 Neste caso, então,
glória de Deus? É o que veremos agora. Paulo estaria orando pelo ministério
1. Uma igreja em progresso con- de iluminação do Espírito na vida dos
tínuo: O ser humano foi criado para a crentes, que já são a sua morada.
glória de Deus, para agradar-lhe e ale- É somente através da atuação e da
grar-se nele. Mas, depois da queda no iluminação do Espírito Santo que nós,
Éden, a humanidade afastou-se desse crentes em Jesus, podemos nos tornar
propósito. Todavia, a Carta aos Efé- sábios e conhecer a Deus mais plena-
sios revela que a igreja é a retomada, mente. É bom lembrar que “Espírito
através de Jesus, do propósito eterno de revelação” não tem a ver com
de Deus para os seres humanos, e revelação além daquilo que já está
cumpre o seu papel, quando contri- revelado na Escritura, mas com uma
bui para que seus membros obede- iluminação da parte do Espírito Santo
çam a Deus e vivam a razão máxima na vida do crente, para que este pos-
de sua existência, isto é, vivam para o sa entender com clareza as verdades
louvor e glória de Deus. espirituais,4 e realmente compreender
Na igreja, os cristãos precisam ser quem é Cristo (v.17b – BV).
ensinados sobre a adoração a Deus, 2. Uma igreja com entendi-
o amor mútuo, o amor para com os mento claro: Na continuação de sua
de fora e a proclamação do evange- oração, o apóstolo faz um pedido a
lho. Na igreja de Éfeso, os crentes fo- Deus para que a igreja de Éfeso te-
ram ensinados a esse respeito, e, por nha os olhos do coração (...) ilumina-
isso, Paulo pode louvar a Deus pelo
testemunho deles (1:17). Os cristãos
2. Stott (2007:31).
de Éfeso tinham uma fé verdadeira
3. A NTLH diz: ... dê a vocês o seu Espírito.
em Jesus e um amor profundo uns
4. Cabral (1999:18).

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dos (v.18a). A expressão “iluminar os orando para que os crentes entendam
olhos do coração” deve ser entendida o quanto é gloriosa a herança que
como uma referência a “abrir a men- Deus lhes dará. Entendemos que esta
te” para a compreensão das verdades segunda interpretação é melhor, tan-
de Deus. Se uma igreja quer glorificar to pelo contexto (Ef 1:13-14) quanto
a Deus, em sua existência e atuação, pelo texto paralelo de Cl 1:12.
precisa entender essas verdades. E Em terceiro lugar, a igreja precisa
que verdades são essas? Enumerare- compreender o incomparável poder
mos, pelo menos, três delas. de Deus. Paulo também ora para que
Em primeiro lugar, a igreja precisa os cristãos de Éfeso compreendam o
compreender a esperança do chamado poder de Deus. É assim que a Nova
de Deus. A compreensão da “esperan- Tradução na Linguagem de Hoje
ça do chamamento” (Ef 1:18b) diz res- anuncia este pedido do apóstolo:
peito à expectativa que os cristãos pos- Peço que Deus abra a mente de vocês
suem diante do chamado divino. Deus para que vejam (...) como é grande
os chamou a algo, e eles precisam en- o seu poder que age em nós, os que
tender isso claramente. Todo cristão é cremos nele (Ef 1:19). Você já parou
alguém chamado para uma vida total- para pensar o quanto o Deus que
mente nova (cf. Rm 1:6-7; 1 Co 1:2,9; servimos é poderoso? Esse “poder é
2 Tm 1:9; 1 Pd 1:15; Gl 5:13). como um caudal impetuoso que ar-
Em segundo lugar, a igreja preci- rasta com sua força os obstáculos que
sa compreender o valor da herança encontra pelo caminho”.5 O apóstolo
de Deus. Efésios 1:18c pode ser uma quer que os crentes entendam isso.
referência à “herança” que Deus 3. Uma igreja com chefia cor-
recebe, como a tradução da Bíblia reta: Na sequência, Paulo apresenta
Viva sugere: Quero que vocês com- duas situações em que o grande po-
preendam que Deus enriqueceu por- der de Deus atuou: na ressurreição
que nós, que somos de Cristo fomos e na ascensão de Cristo. Por seu po-
dados a Ele!. Neste caso, Paulo está der, Deus ressuscitou Jesus dentre
dizendo que os crentes são a heran- os mortos (v.20a) e o fez assentar
ça de Deus e está orando para que a sua direita, nas regiões celestiais
entendam o quanto são preciosos. (v.20b), isto é, deu autoridade a
Contudo, é também possível en- Cristo para que administrasse o go-
tender que se trata de uma “heran- verno do céu e da terra.6 A metá-
ça” que Deus outorga, como a tra- fora emprestada é a dos príncipes
dução da Bíblia de Jerusalém sugere: terrenos, que conferem aos seus ge-
... para que entendam como é rica e
gloriosa a herança destinada ao seu
5. Lopes (2009:43).
povo. Neste segundo caso, Paulo está 6. Calvino (2010:228-229).

24 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


nerais a honra de sentarem ao seu qual ele é a cabeça. O bem-estar de
lado,7 posição esta de autoridade. um corpo humano depende de seu
Logo em seguida, no v. 21, temos bom funcionamento: a dependência
uma referência aos anjos. Eles são cha- das demais partes de um bom co-
mados de “principados”, “autorida- mando que procede da cabeça.8
des”, “domínios” e “poder”. Não se Essa metáfora mostra que existe
trata de diferentes tipos de anjos, mas uma união íntima e vital entre Cristo e
de uma possível hierarquia que existe a igreja. De Cristo, a “igreja deriva sua
entre eles. Investigar tal hierarquia não vida, seu poder e tudo quanto é neces-
é importante para nós, nem era para sário à sua existência”.9 Isto é fantásti-
Paulo. Ficamos com o que o evangelho co: Jesus ascendeu ao céu, mas deixou
diz sobre eles, isto é, que são podero- seu “corpo” na terra. A igreja é, de
sos, mas não podem ser comparados a alguma maneira, o prolongamento da
Cristo, em sublimidade e glória. Jesus encarnação de Cristo; “é o seu corpo
é superior a tudo e a todos. em ação na terra”.10 Neste sentido,
Por mais famosa que uma pessoa deve acontecer em torno dela o que
seja, não pode ser comparada a Cris- acontecia em torno de Jesus.
to. Seu poder não tem limites e não A igreja, como corpo de Cristo,
é passageiro. Ele vai desde esta era chefiada por ele, continua amando
até a que há de vir. Por isso mesmo, as pessoas como ele amou e anun-
Deus colocou todas as coisas debai- ciando a mesma mensagem que ele
xo de seus pés e o designou cabeça anunciou: as boas notícias aos povos,
de todas as coisas para a igreja (v.22 de que o reino de Deus chegou, de
– NVI). Jesus é chefe sobre todo o uni- que as pessoas precisam arrepender-
verso e sobre a igreja. Ele é chamado -se e depositar sua confiança inteira-
de “cabeça” da igreja, porque tem mente no Filho de Deus. Ela é o corpo
autoridade suprema sobre ela, assim de Cristo, o instrumento através do
como tem sobre o universo. Assim, se qual Jesus age. Sua capacitação para
quiser agradar a Deus, a igreja precisa essa missão vem do próprio Cristo,
entender o quanto ele é poderoso e que enche todas as coisas (Ef 1:23b).
submeter-se ao seu senhorio. A igreja é chamada, nesse texto, de
4. Uma igreja com um encargo “plenitude de Cristo” (v.23). Existem
solene: No último versículo de Ef 1, duas explicações para essa expressão.
temos verdades importantíssimas so- A palavra grega pleroma, traduzida
bre a igreja de Cristo. Paulo usa uma por “plenitude”, pode ser entendida
metáfora para ensinar algo sobre ela:
Cristo e sua igreja são um corpo, do
8. Davidson (1995:1666).
9. Lopes (2009:44).
7. Idem. 10. Idem.

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no sentido ativo, como “aquilo que texto confirma essa interpretação;
preenche”, ou no sentido passivo, afinal, nos vv. 20-22, Paulo mostra
como “aquilo que é preenchido”. A o senhorio e a soberania de Jesus so-
Nova Tradução na Linguagem de Hoje bre tudo.11 Dizer que a igreja, de al-
entende que o primeiro sentido é o guma maneira, completa esse Cristo
correto: A igreja (...) completa Cristo, supremo seria, no mínimo, incoeren-
o qual completa todas as coisas. A Bí- te. A igreja é a plenitude de Cristo;
blia Viva, por sua vez, entende que o porém, “é Cristo quem a enche e a
segundo sentido é o correto: ... [a igre- torna plena com a sua glória e a sua
ja] é o seu corpo, repleto dele mesmo. presença”.12 Ela é a sua representan-
Entendemos que o segundo sen- te, mas é ele quem a capacita.
tido é o correto, ou seja, a igreja é
a plenitude de Cristo, porque ele a
enche. Ela recebe força dele e é pleni- 11. Stott (2007:40).
ficada por ele. Segundo Stott, o con- 12. Cabral (1999:21).

01. Leia Ef 1:15-17; o item 1, e comente sobre as notícias que Paulo


tem a respeito da igreja de Éfeso e sobre o pedido que faz a Deus em
favor dela. O que ele está pedindo?

02. Em Ef 1:18, Paulo trata sobre duas verdades que a igreja de Éfeso
precisava compreender. Que verdades são essas? Baseie-se no item 2.

03. Leia Ef 1:19-21 e responda: Qual a terceira verdade que os efésios


precisavam compreender? O que Paulo diz sobre essa verdade, a fim
de que eles a aceitassem?

04. Em Ef 1:22-23, Paulo usa uma metáfora para se referir a Jesus


e a sua igreja. O que ele quis ensinar? Baseie-se nos três primeiros
parágrafos do item 4.

26 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


05. Paulo chama a igreja de “plenitude de Cristo”, em Ef 1:23. Cite as
duas explicações possíveis para essa expressão, com base nos dois
últimos parágrafos do item 4.

II PARA A IGREJA VIVER

1. Prossigamos em entender Em Ef 1:17, ele não usa a palavra


precisamente o nosso chamado. gnosis (conhecimento), mas epigno-
Fé e razão não são dois temas ir- sis, que denota um conhecimento
reconciliáveis. Viver pela fé não sig- mais amplo e mais preciso. No v.18
nifica viver sem saber o que pode Paulo suplica por entendimento do
acontecer amanhã. Viver pela fé não chamado, da herança e do poder
é sinônimo de ignorância intelectu- de Deus, e mostra reconhecer a im-
al. Não cometemos pecado, quando portância de a igreja pensar, racioci-
buscamos entender mais profunda- nar, meditar mais sobre o Deus em
mente a nossa fé, com base na reve- quem crê e sobre o que ele quer. Se
lação de Deus em sua palavra. Paulo ela não fizer isso, corre o risco de
ora para que o Espírito, mediante a adorá-lo de forma inadequada e não
palavra, dê um conhecimento mais atuar naquilo a que foi chamada.
amplo de Deus à igreja. Pensemos nisso seriamente.

06. Todos nós sabemos exatamente quem é o Deus que nos chamou, de
onde ele nos chamou, para que nos chamou e para onde nos chamou?
A igreja consegue viver para a sua glória, sem saber essas respostas?

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2. Prossigamos em vivenciar res- A igreja é a mão que realiza a
ponsavelmente a nossa missão. obra de Cristo, os pés que vão aos
De acordo com Efésios 1:22-23, a mais diferentes lugares, a voz que
igreja tem uma grande responsabili- pronuncia palavras de ânimo e es-
dade. Ela é o corpo de Cristo e sua perança aos que estão desespe-
representante na terra. Precisamos rados. Quando as pessoas olham
questionar se estamos vivenciando para as ações de nossas igrejas lo-
responsavelmente a nossa missão. cais, podem enxergar Jesus? Se a
Nesse corpo, cada parte é importan- resposta for sim, com toda certeza,
te e precisa agir como Jesus, em obe- essas igrejas estão vivendo para a
diência a ele, que é a cabeça. glória de Deus.

07. Cite ações práticas realizadas por Jesus que devem estar
presentes na vida cotidiana de uma igreja local.

DESAFIO DA SEMANA

Gostaríamos de desafiar a liderança local da igreja a reunir-se,


nesta semana, para conversar a respeito da igreja e perguntar se
ela está existindo para glória de Deus. Como descobrir isso? Re-
fletindo sobre o conhecimento que essa igreja tem a respeito de
Deus e como se relaciona com ele; refletindo sobre o amor que
ela, como um todo, demonstra em seu dia-a-dia e sobre o quanto
ela ama Jesus.
Que, nessa reunião, também se reflita sobre o chamado de
Deus. Porque ele permitiu que a igreja se estabelecesse no bairro
em que ela está? Ela tem sido um sinal de Deus, nessa comuni-
dade? Tem servido as pessoas como Jesus serviria? Nós oramos a
Deus para que cada igreja local entenda essas questões e não viva
apenas para si mesma, para sua própria glória, mas, sim, para a
glória de Deus. Façamos todos nós essa reflexão.

28 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


4
SER IGREJA É...

Viver a salvação
pela graça
27 DE ABRIL DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 24 • BJ 371

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar à igreja que Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e
a salvação que recebemos
isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem
é pela graça e que esta
nos capacita a viver das obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2:8-9)
para o Senhor com
gratidão, devoção,
humildade e santidade. INTRODUÇÃO
Chegamos, hoje, ao capítulo 2 da carta que
Paulo escreveu aos Efésios. Neste trecho das Es-
LEITURA DIÁRIA crituras, o apóstolo dá ênfase à salvação recebi-
D 21/04 Ef 3:14-15 da pela igreja de forma tão graciosa e imerecida.
S 22/04 Ef 3:16-17 O objetivo de Paulo, nesta carta, não é dizer à
T 23/04 Ef 3:18-19 igreja como poderia ser salva, mas, sim, lembrar-
Q 24/04 Ef 3:20-21 -lhe como já havia sido salva pela graça de Jesus.
Q 25/04 Ef 4:1-3
Relembrar esse glorioso fato é extremamente
S 26/04 Ef 4:4-6
S 27/04 Ef 4:7-8 benéfico. Trazer à memória tão grande salvação
é injetar no coração humano doses altíssimas de
louvor a Deus e reconhecimento por sua infinita
misericórdia. A lição de hoje tem esse propósito.
Aprenderemos, então, como podemos, como
comunidade cristã, viver a salvação pela graça;
afinal, ser igreja é viver essa salvação. Com a
Bíblia aberta, vamos ao estudo.

I PARA A IGREJA SABER

Não basta saber que a salvação é pela gra-


Acesse os
Comentários adicionais ça: é preciso vivê-la do mesmo modo. Em nos-
e os Podcasts sos dias, infelizmente, existe um abismo entre
deste capítulo em
www.portaliap.com.br o que se crê e o que se vive; entre teoria e prá-
tica. Há muito, somos conscientes do fato de

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que somos salvos pela graça de Je- Olhar para trás e recordar o triste
sus. A questão é: o que é necessário estado em que nos encontrávamos
à igreja para que viva a salvação pela sem Cristo produz gratidão em nos-
graça? Vejamos o que Paulo nos diz. sos corações. Paulo desejava ver uma
1. Gratidão: Muitos não gostam igreja cheia de gratidão a Deus. Por
de recordar o que ficou para trás. isso, evoca o seu triste passado. Uma
Paulo não sofria desse problema. Nos igreja que não olha para trás tem
primeiros três versículos do capítulo imensa dificuldade de viver a salva-
2, o apóstolo está claramente evo- ção que recebeu pela graça do Se-
cando o passado, fazendo-nos lem- nhor. Ser igreja é viver com gratidão
brar do caminho no qual “andáva- pela salvação recebida.
mos” sem Jesus e de como “éramos”, 2. Devoção: Nesta carta, Paulo
antes de conhecê-lo (v.3). leva a igreja não somente a visitar
Segundo ele, éramos escravos o lugar de onde viera, a sepultura
da carne, do mundo e do diabo. Da espiritual onde se encontrara morta
carne, porque andávamos em seus em seus pecados, mas também a vis-
desejos, fazendo sua a vontade (v.3); lumbrar o amor de Deus. Ele afirma:
do mundo, porque seguíamos o seu Deus, sendo rico em misericórdia,
curso (v.2), e do diabo, porque éra- pelo seu muito amor com que nos
mos guiados pelo príncipe da po- amou, estando nós ainda mortos em
testade do ar, do espírito que agora nossos delitos, nos vivificou junta-
opera nos filhos da desobediência mente com Cristo (Ef 2:5).
(v.2). Não importa se nascemos na O apóstolo está embasbaca-
igreja ou não: todos fomos achados do com tamanho amor. Faltam-
por Cristo nesse estado lamentável. -lhe adjetivos para descrevê-lo. Por
Nesse mau caminho, “todos isso, utiliza a expressão “muito nos
nós andávamos outrora”, afirmou amou”. Tal amor é inigualável. É
o apóstolo. Mas por que Paulo de- tão imenso que desafia toda e qual-
seja relembrar-nos desse passado quer definição.2 Aqueles, e somente
tão tenebroso? A razão é simples: aqueles, que o experimentam sa-
lembrar esse passado produz em bem o que ele é, ainda que nunca
nós gratidão. Quanto “mais os possam compreendê-lo em toda a
homens aprendem a ver a dimen- sua plenitude.3
são real de sua profunda condição Paulo deseja estimular a devo-
perdida, tanto mais apreciarão ção da igreja por Jesus. A melhor
também, pela graça de Deus, sua maneira que existe de fazer isso
maravilhosa libertação”.1
2. Idem, p. 139.
1. Hendriksen (2005:132). 3. Idem, p. 140.

30 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


é levá-la a vislumbrar o amor de todos nós. Trata-se de um presente,
Deus, a visitar o Calvário. Tal con- não de uma recompensa.5
templação do amor divino é extre- Jamais podemos conquistar a sal-
mamente importante para a vitali- vação. Se Deus não nos oferecesse
dade espiritual da igreja. Sem isso, essa dádiva, não seríamos salvos.
sua devoção por seu Senhor corre o Tampouco podemos merecê-la, pois
sério risco de desaparecer. não é concedida por obras. Isso é
Aqueles que não conseguem en- para que ninguém se glorie (v.9),
xergar o amor de Deus têm sua de- como explica o apóstolo Paulo. Ora,
voção por Cristo afetada para pior, não havendo, então, lugar para o
com o passar do tempo. Infelizmen- mérito humano, também não há lu-
te, muitos dizem que a mensagem gar para a arrogância humana.6
do amor de Deus é apenas para “não Lamentavelmente, muitas igrejas
cristãos”. É obvio que não. O após- tornam-se arrogantes. Pensam que
tolo está escrevendo para crentes. são as melhores, que são salvas por-
Essas palavras são dirigidas a todos que possuem méritos, que são dig-
nós. É imprescindível que os cristãos nas da salvação porque obedecem
vislumbrem sempre o amor de Deus. aos mandamentos. Não há nada
Ser igreja é viver com devoção. mais deplorável do que a arrogân-
3. Humildade: Após discorrer cia e nada é mais atraente do que a
sobre o estado lamentável em que humildade.7 Por isso, uma igreja que
nos encontrávamos sem Jesus – es- reconhece a graça de Deus será sem-
cravizados pela carne, pelo mundo pre humilde, diante dos outros e de
e pelo diabo – e sobre como Deus seu Senhor. Ser igreja é fazer parte
nos encontrou e nos amou, quando de um povo humilde, que entende a
estávamos mortos espiritualmen- salvação que recebeu.
te na sepultura de nossos pecados, 4. Santidade: Para que a igreja
o apóstolo só poderia concluir que viva a salvação que recebeu pela gra-
nossa salvação é somente por graça. ça de Jesus precisa manifestar grati-
Sendo assim, ele afirma categori- dão, devoção e humildade. Mas ain-
camente: Pela graça sois salvos, por da falta outro elemento igualmente
meio da fé; e isto não vem de vós, é importante: a santidade. Para viver a
dom de Deus (v.8). A fonte da sal- salvação pela graça, a igreja precisa
vação é a graça, o favor divino, sem vivê-la em santidade; precisa ter boas
qualquer obra ou mérito humano; é obras; afinal, de acordo com Paulo,
a amorosa gentileza de Deus para
com os que nada merecem,4 ou seja,
5. Lopes (2009:56).
6. Stott (2007:56).
4. Dudley (2006:243). 7. Dudley (2006:317).

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fomos criados em Cristo para as boas É interessante notarmos que o
obras, as quais Deus antes preparou apóstolo conclui essa parte do capí-
para que andássemos nelas (v.10). tulo 2 usando o mesmo verbo “an-
Precisamos entender que fomos dar” que usou no início deste capí-
salvos para as boas obras, não por tulo; mas apresenta um contraste
elas (v.9). A santidade, que se revela glorioso: antes, andávamos em nos-
em uma vida de boas obras, é o re- sos delitos e pecados, escravizados
sultado da salvação, não o seu meio. pela carne, pelo mundo e pelo diabo
A única obra capaz de nos salvar foi (v.1-3); mas, depois de alcançados
aquela realizada por Jesus, no Calvá- pelo amor de Deus e salvos por sua
rio. No entanto, uma vez que fomos graça (v.4-9), andamos em santidade
salvos por ele, certamente evidencia- (v.10). Ser igreja é viver em santida-
remos isso através da santidade. de e reconhecer que esta provém da
Quem é salvo pela graça, demons- salvação recebida pela graça.
tra isso através de uma vida santa. As Que glorioso é sabermos que
boas obras são indispensáveis para a fomos salvos pela graça de Jesus!
salvação – não como sua base ou meio, Não fizemos nada para merecer tão
mas, sim, como sua consequência e evi- grande salvação. O que podemos
dência.8 Afinal, a fé sem obras é morta fazer agora é vivê-la com profunda
(Tg 2:26). Uma igreja que persiste em gratidão, devoção, humildade e san-
obedecer aos mandamentos de Deus tidade. Era assim que Paulo desejava
e a praticar boas obras mostra que en- que a igreja de Éfeso vivesse. É assim
tende e valoriza a graça de Deus. que Deus deseja que a igreja de hoje
viva. Vejamos, a seguir, duas lições
que nos ajudam a viver dessa forma.
8. Stott (2007:57).

01. Com base em Ef 2:1-3 e no item 1, responda: Por que Paulo


desejava relembrar à igreja de Éfeso o seu passado tenebroso? Isso é
importante para a igreja, hoje?

02. Leia Ef 2:5; o item 2, e responda: Qual o objetivo do apóstolo, ao


escrever à igreja sobre o amor de Deus?

32 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


03. Ainda com base no item 2, responda: Muitos crentes pensam
que a mensagem do amor de Deus é apenas para “não cristãos”.
Você concorda?

04. A salvação pode ser conquistada ou merecida? A igreja pode


se orgulhar ou tornar-se arrogante por ter sido salva pela graça de
Deus? Baseie-se em Ef 2:8-9 e no item 3.

05. Responda, com base em Ef 2:10 e no item 4: A santidade é o meio


pelo qual podemos ser salvos ou é o resultado da salvação? Como
devemos viver, uma vez que fomos salvos pela graça?

II PARA A IGREJA VIVER

1. Uma vez salvos pela graça, Conquanto religiosa em sua prá-


demonstremos sempre devo- tica, com o passar do tempo, aquela
ção a Deus. igreja havia esfriado em seu amor
Nada estimula mais a nossa devoção por Jesus. É assim que muitas igrejas
por Cristo do que vislumbrarmos seu e cristãos se encontram hoje: religio-
grande amor por nós. Por saber disso, sos; porém, secos e vazios de amor
Paulo escreveu acerca do Deus que por Cristo. Frequentam a igreja, con-
muito nos amou (v.5). Quando uma tribuem, estudam a lição, escutam a
igreja deixa de vislumbrar o amor de pregação da palavra, oram, mas já
Deus, sua devoção se esvai, com o pas- não amam a Cristo como outrora.
sar do tempo. Foi isso que aconteceu Não podemos incorrer nesse mesmo
à igreja de Éfeso. Anos depois, Jesus erro. Em nossos corações, deve ha-
escreveu-lhe uma carta alertando-a a ver sempre devoção. É assim que a
voltar ao seu primeiro amor (Ap 2:1-4). igreja deve viver.

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06. Com base nesta primeira aplicação, reflita: Muitas igrejas se
encontram neste estado: religiosas em sua prática, mas destituídas
de amor e devoção por Cristo. E você? Como anda a sua devoção
por Jesus?

2. Uma vez salvos pela graça, A gratidão é essencial para vi-


demonstremos sempre grati- vermos a salvação que recebemos
dão a Deus. pela graça, pois aqueles que não
Lembrar os erros do passado com são gratos a Deus desprezam-na
saudade é um erro, mas recordar de facilmente. Igrejas ingratas nunca
como éramos, antes de Cristo nos en- se lembram do que Cristo lhes fez;
contrar, é extremamente salutar. Ele cantam músicas que não expressam
nos achou no túmulo de nossos peca- gratidão; vivem pedindo, sem agra-
dos, onde nos encontrávamos sepul- decer; exigem sempre de Deus, ao
tados. Ele nos encontrou atolados na invés de agradecer-lhe por tudo que
lama de nossas iniquidades. Lembrar já lhes fez. Pensemos nisto: fomos
isso traz ao coração um poderoso e salvos pela graça. Demonstremos
belo sentimento: gratidão. gratidão a Deus.

07. Com base na segunda aplicação, pense: Temos expressado


gratidão ao Senhor por tudo o que ele já fez? Qual o conteúdo de
nossas orações e canções na igreja? Temos realmente vivido de
maneira grata?

34 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


DESAFIO DA SEMANA

Aprendemos, neste estudo, como podemos viver a salvação


pela graça. Vimos que, para isso, é necessário que a igreja tenha
gratidão, devoção, humildade e santidade. Nosso desafio, nesta
semana, é aferirmos esses elementos em nossa vida pessoal e tam-
bém comunitária. Temos sido gratos a Deus? As músicas que can-
tamos expressam isso? E a pregação? E a oração?
Com relação à devoção, como anda seu coração, diante do Se-
nhor? Quando vai à igreja, canta, oferta, serve, ora, você o faz por
causa do amor de Cristo e com amor a Cristo? E a humildade?
Você se acha mais santo e melhor do que outros? Você tem vivido
em santidade? Como andam seus pensamentos? E o namoro ou
o casamento? Reflita em oração nessas perguntas, durante esta
semana. Permita que a palavra de Deus o transforme.

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5
SER IGREJA É...

Desfazer muros e
construir pontes
4 DE MAIO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 6 • BJ 104

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Explicar que Cristo, Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos
através da cruz, uniu
fez um e destruiu a barreira, o muro de
judeus e gentios num
só corpo e os reconciliou inimizade. (Ef 2:14)
com Deus, o que
resultou no que
chamamos de igreja.

INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA O apartheid, “vidas separadas”, era o
D 28/04 Ef 4:9-10 nome dado ao regime político de segregação
S 29/04 Ef 4:11 racial implantado na África do Sul, de 1948
T 30/04 Ef 4:12-13
a 1990, que consistiu na negação de direi-
Q 01/05 Ef 4:14
tos fundamentais à maior parte da popula-
Q 02/05 Ef 4:15-16
S 03/05 Ef 4:17 ção, pelo governo, formado por uma minoria
S 04/05 Ef 4:18-19 branca. As pessoas eram divididas em grupos
raciais (brancos, negros, mestiços etc.) e sepa-
radas em áreas residenciais distintas.
Os negros, os mais prejudicados, foram
privados de sua cidadania: não tinham direi-
to à saúde, nem à educação. Esse regime,
marcado pela violência, foi derrubado por
um grupo de oposição e de resistência li-
derado por Nelson Mandela, que foi eleito
presidente daquele país, em 1994. Pois bem,
Efésios 2 trata de um outro “apartheid”, ain-
da pior. Por causa do pecado, os seres hu-
Acesse os manos foram afastados de Deus e separados
Comentários adicionais
e os Podcasts uns dos outros.
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36 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


I PARA A IGREJA SABER

Enquanto os versículos:1-10 de Efé- Em segundo lugar, os gentios eram


sios 2 tratam do ser humano separado espiritualmente falidos. Sobre isso,
de Deus, os versículos 11-22 tratam, Paulo escreve: ... naquela época vocês
de forma especial, da situação dos estavam sem Cristo, separados da co-
gentios, que, antes de Cristo, eram to- munidade de Israel, sendo estrangei-
talmente separados da comunidade de ros quanto às alianças da promessa,
Israel (v. 14). Gentio é quem não faz sem esperança e sem Deus no mundo
parte do povo judeu. É o não-israelita. (Ef 2:12). A palavra mais apropriada
A maioria dos cristãos em Éfeso era for- para os não-judeus era “sem”.2 Esta-
mada por gentios. Nesse texto, o após- vam sem Cristo, sem cidadania, sem
tolo aponta o nosso triste passado, por alianças, sem esperança e sem Deus.
não fazermos parte do povo da alian- Assim era a vida dos efésios, antes de
ça, e mostra o que Cristo fez por nós. encontrarem a Cristo.
1. A separação: O apóstolo Note que Paulo iniciou o trecho
começa dizendo: Portanto, lem- com a expressão lembrem-se (v.11).
brem-se (Ef 2:11). Ele assinala dois Há algumas coisas que a Bíblia nos
fatos importantes que os efésios não manda esquecer, tais como as afron-
deveriam esquecer a respeito de seu tas de outras pessoas contra nós;
passado como gentios: Em primeiro mas essa questão, em particular, ja-
lugar, os gentios eram socialmente mais deve ser esquecida. Não deve-
desprezados. Os judeus, o povo da mos nos esquecer de quem éramos,
aliança, olhavam-nos com desdém. no passado, para percebermos a gra-
Entre esses dois povos havia uma ça do Deus que nos perdoou.3
barreira racial intransponível. 2. O reconciliador: Depois de
Os judeus diziam que os gentios fazer os efésios olharem para o
haviam sido criados por Deus para passado, Paulo os faz olhar para
serem combustível para o fogo do o presente: Mas agora, em Cristo
inferno. Era realizado o enterro sim- Jesus, vocês, que antes estavam
bólico de um rapaz judeu que casas- longe, foram aproximados median-
se com uma moça gentia. Não era te o sangue de Cristo (Ef 2:13). As
lícito a um judeu ajudar uma mulher palavras “mas agora” contrastam
gentia que estivesse dando à luz, com a expressão “antigamente”,
pois isso contribuiria para que outro do versículo 11, e apontam para a i
miserável gentio viesse ao mundo.1

2. Wiersbe (2006:27).
1. Stott (2007:23). 3. Stott (2007:23).

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ntervenção de Deus, pela graça, em paz estava sobre ele, e pelas suas fe-
favor dos pecadores. ridas fomos curados (Is 53:5).
Se quisermos entender essas 3. A reconciliação: Na sequência,
questões mais a fundo, precisamos Paulo começa a descrever o que Je-
fazer, aqui, uma pausa e voltar ao sus fez e como fez. Em primeiro lu-
início de tudo: Deus criou o ser hu- gar, ele derrubou o muro da separa-
mano para o louvor de sua glória. ção. O texto afirma: Pois ele é a nossa
Criou-o como expressão de si mes- paz, o qual de ambos fez um e des-
mo. Disse: Façamos o homem à nos- truiu a barreira, o muro de inimizade
sa imagem, conforme a nossa seme- (Ef 2:14). Esta figura do muro tem
lhança (Gn 1:26-27). Quem é esse base em algo que os crentes gentios
Deus? É o Deus Triúno. Trata-se de conheciam: em Jerusalém, havia, de
três pessoas distintas que se relacio- fato, um muro que impedia os gen-
nam. É essa unidade de três pesso- tios de se aproximarem do templo.
as que nós chamamos de Deus. Por O forasteiro que infringisse a regra
isso, a palavra “unidade” descreve poderia ser morto. A partir do conhe-
bem o nosso criador. cimento desse fato, Paulo lhes ensina
Então, reflita: o ser humano, ima- que, agora, todos têm acesso a Deus.
gem e semelhança de um Deus que, Em segundo lugar, Jesus anulou as
em essência, é unidade, obviamente, ordenanças segregadoras. O apósto-
foi criado para viver em unidade e lo escreve: ... anulando em seu cor-
em paz. De fato, no início, o Criador po a lei dos mandamentos expressa
olhava para a humanidade unida e em ordenanças (Ef 2:15). A partir de
via um só homem (cf. Gn 5:2). Esse Cl 3:11-16, entendemos que, aqui,
era o projeto original. Fomos criados Paulo se refere às leis sobre rituais,
para viver em paz com os semelhan- tais como a circuncisão e os sacrifí-
tes e em comunhão com o Criador. cios, que levantavam barreiras entre
Era assim no Éden. Mas, infeliz- os judeus e outros povos.
mente, o pecado entrou na história Em terceiro lugar, Jesus criou
e arruinou os relacionamentos. A uma nova humanidade. Paulo segue
inimizade entre Deus e os homens, dizendo: O objetivo dele era criar
entre os judeus e os gentios é conse- em si mesmo, dos dois, um novo
quência disso. Ainda bem que Jesus homem, fazendo a paz (Ef 2:15b –
veio a este mundo para colocar as grifo nosso). Essa expressão “novo
coisas em seus devidos lugares. Ele homem” significa “uma nova hu-
esteve entre nós em missão de paz. manidade”. Segundo Stott,4 a igreja
Assim, os afastados foram aproxima- é essa “nova humanidade”.
dos mediante o sangue de Cristo (Ef
2:13), pois, o castigo que nos trouxe 4. Idem, p.58.

38 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


De acordo com o versículo 14, Je- Realmente, Jesus Cristo é a nossa
sus evangelizou a paz entre judeu e paz (v.14). Ele fez a paz (Ef 2:15) e
gentio (representantes de toda a raça evangelizou a paz (v.17). Wiersbe7
humana), e fez destes um só homem afirma que, como Santo Juiz, ele
(v. 15). Logo, a igreja é “a retoma- poderia ter vindo declarar guerra
da, em Jesus, do propósito eterno de contra os rebeldes seres humanos;
Deus para a raça humana”.5 Esse seu contudo, graciosamente, veio em
propósito era restabelecer a unidade missão de paz. Chegou para aca-
entre os seres humanos e estabele- bar com o apartheid espiritual. Em
cer a sua igreja. Cristo, judeus e gentios têm paz en-
Em quarto lugar, Jesus desfez a tre si e o livre acesso a Deus (v.18),
inimizade entre Deus e os homens. pois o véu foi rasgado, quando o
Paulo completa, dizendo: ... e recon- Cordeiro morreu. A reconciliação
ciliar com Deus os dois em um cor- está consumada.
po, por meio da cruz, pela qual ele Chamamos de igreja de Cristo ao
destruiu a inimizade (v.16). O termo resultado dessa reconciliação. A uni-
“reconciliar”, aqui, significa “estabe- ficação de judeus e não-judeus, em
lecer paz entre”. 6 Nesse sentido, o Cristo, é a Noiva do Cordeiro. Em
apóstolo está ensinado que o grande Efésios 2:19-22, encontramos três
objetivo de Jesus, ao ir à cruz, era res- figuras que o apóstolo usou para
taurar a comunhão, perdida no Éden, ilustrar essa unidade da igreja. Em
entre Deus e os seres humanos. primeiro lugar, Paulo se refere a um
4. O resultado: Por causa do sa- só povo. O texto diz: Portanto, vocês
crifício de Cristo na cruz, hoje, temos já não são estrangeiros nem foras-
paz com Deus. É claro que o Deus teiros, mas concidadãos dos santos
de amor deseja reconciliar consigo (v.19a). Por sua vez, o apóstolo Pe-
os pecadores; mas, por ser santo dro nos ajuda a entender essa con-
e justo, não pode deixar o pecado dição da igreja, ao afirmar que ela
impune. Todavia, esse problema foi é o novo povo de Deus, raça eleita,
resolvido, quando o Filho veio para sacerdócio real, nação santa, povo
ser o sacrifício pelos nossos pecados. exclusivo de Deus (1 Pd 2:9).
Ele tomou o nosso lugar e pagou o Em segundo lugar, Paulo se refere
nosso débito com Deus. A dívida foi a uma só família: ... sois da família
paga e a inimizade, desfeita. de Deus (Ef 2:20). Na igreja, somos
todos irmãos e, por causa de Jesus,
temos o privilégio de chamar Deus
5. Kivitz, Ed René. Igreja: ser e pertencer. Dispo- de Pai, pois aos que creram em seu
nível em: <http://edrenekivitz.com/blog/tag/
igreja>. Acesso em: 6 de agosto de 2012.
6. Wiersbe (2006:28). 7. Idem, p.30.

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nome, deu-lhes o direito de se torna- santo no Senhor (Ef 2:20-21). Uni-
rem filhos de Deus (Jo 1:12 – NVI). da em Cristo, a igreja é um santo
Em terceiro lugar, Paulo se refere templo em construção, uma habita-
a um só templo. O apóstolo conclui ção de Deus, no Espírito (v.22). Nós,
seu ensino dizendo que os crentes igreja de Jesus, somos, individual e
foram edificados sobre o fundamen- coletivamente, casa de Deus. Antes,
to dos apóstolos e dos profetas, de nós, os gentios, estávamos aliena-
que Jesus Cristo é a principal pedra dos, longe do Pai e dos irmãos, mas
da esquina; no qual todo o edifício, fomos reconciliados. Cristo nos trou-
bem ajustado, cresce para templo xe de volta para casa.

01. Leia Ef 2:11, 3:8; At 9:15-17, e responda: O que é um gentio? Nós


somos gentios? Como os judeus viam as pessoas gentias?

02. Com base no comentário e em Ef 2:11-12, comente sobre a


situação social e espiritual dos gentios, antes de conhecerem a
Cristo. Quais os dois fatos importantes que os efésios não deveriam
esquecer? Aponte a razão para não esquecerem.

03. Em Ef 2:13, aprendemos que Jesus reconciliou os homens entre


si e os reaproximou de Deus. Comente sobre o acontecimento, lá no
Éden, que tornou necessária essa reconciliação.

04. Após ler Ef 2:14-16 e o item 3, responda: Quais foram as quatro


ações que Cristo fez, através da cruz?

40 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


05. Por que podemos afirmar que a igreja é “a retomada, em Jesus,
do propósito eterno de Deus para a raça humana”? Leia Ef 2:17-22
e comente as três figuras que Paulo usou para ilustrar a unidade da
igreja em Cristo.

II PARA A IGREJA VIVER

1. Ser igreja é desfazer muros. Estamos construindo muros que


O que é a igreja? É o grupo daque- afastam as pessoas, quando nos
les que foram alcançados pela graça. isolamos dentro das “quatro pa-
É o novo povo de Deus, uma comuni- redes”; quando pensamos apenas
dade (At 2:42-47): a comunidade do no bem-estar dos que estão den-
reino; é uma família (Ef 2:11-19): a tro e esquecemos aqueles que es-
família de Deus; é também um corpo tão lá fora; quando, por falta de
(Rm 12:5): o corpo de Cristo. Nesse sabedoria, perdemos os jovens
grupo, família, comunidade ou cor- para o mundo; quando agimos
po, todas as pessoas devem ser gra- sem paciência com os novos con-
ciosamente acolhidas, sem distinção vertidos; quando, por preconceito,
e preconceito. Ao edificar a igreja, não evangelizamos viciados, pros-
Jesus demoliu “os muros”. Mas, in- titutas, alcoólatras, descamisados
felizmente, em certas situações, nós, etc. Acorda, igreja! Nosso exem-
cristãos, levantamos outros “muros”, plo é Jesus. Devemos derrubar es-
no lugar dos que ele demoliu. ses muros.

06. Com base na primeira aplicação, tente identificar alguns “muros”


que acabamos erguendo.

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2. Ser igreja é construir pontes. A palavra de Deus nos afirma: Isso
Através da cruz, Cristo uniu os provém de Deus, que nos reconciliou
cristãos judeus e os cristãos gentios consigo mesmo por meio de Cristo
num só corpo, chamado igreja, e e nos deu o ministério da reconci-
aproximou-os de Deus. Ele entregou liação (2 Co 5:18). Como membros
sua vida para promover essa recon- da igreja de Cristo, devemos ser
ciliação. O que se espera daqueles “construtores de pontes”, embai-
que foram alcançados por essa gra- xadores da paz (2 Co 5:20). A igre-
ça? Espera-se que compartilhem a ja deve promover a união entre as
mensagem de paz com os que ainda pessoas e aproximá-las do Pai, por
estão em guerra com Deus. meio de Cristo.

07. Com base em 2 Co 5:17-21 e na segunda aplicação, comente


a frase “Ser igreja é construir pontes”. De que maneira podemos
exercer esse ministério da reconciliação?

DESAFIO DA SEMANA

Aprendemos, hoje, que a igreja é a retomada, em Jesus, do


propósito eterno de Deus para a raça humana. Fomos recriados,
por meio da cruz, para vivermos a comunhão do Éden, que fora
perdida. Cristo uniu todos nós (judeus e gentios) em um só corpo,
que ele chamou de igreja. De fato, “o grande objetivo de Jesus é
ter um corpo de pessoas, como igreja, que não apenas se amem,
mas que por tanto se amarem, tornam-se um só homem”.8
Que privilégio magnífico fazer parte desse plano eterno de
Deus! O nosso desafio é compreender a verdade bíblica de que ser
igreja é desfazer muros e construir pontes. Precisamos saber que,
uma vez reconciliados com o Pai e unidos uns aos outros num só
corpo, somos embaixadores dessa verdade. Foi-nos dado o minis-
tério da reconciliação. Devemos promover a paz.

8. Ramos (2000:41).

42 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


6
SER IGREJA É...

Engajar-se no
projeto de Deus
11 DE MAIO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 286 • BJ 165

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ajudar o estudante da O segredo é este: por meio do evangelho
Bíblia a compreender que
os não-judeus participam com os judeus das
o projeto de Deus é tornar
pessoas, de todos os bênçãos divinas. Eles são membros do mesmo
povos, membros do corpo corpo e participam da promessa que Deus fez
de Cristo e que nós nos por meio de Cristo Jesus. (Ef 3:6 – NTLH)
engajaremos neste projeto
evitando o preconceito e
suportando a aflição.
INTRODUÇÃO
Ser igreja é, acima de tudo, viver no centro
LEITURA DIÁRIA da vontade de Deus. Isso implica envolvimen-
D 05/05 Ef 4:20-21 to no projeto dele e submissão à sua palavra.
S 06/05 Ef 4:22-23 Paulo, servo de Deus, entendia isso, na prá-
T 07/05 Ef 4:24 tica. Após sua conversão, dedicou sua vida à
Q 08/05 Ef 4:25 obra do Senhor. Dizia ele: ... já não sou eu
Q 09/05 Ef 4:26
quem vive, mas Cristo vive em mim (Gl 2:20a).
S 10/05 Ef 4:27
O referido apóstolo se tornou um proemi-
S 11/05 Ef 4:28
nente pregador dos conselhos de Deus. Paulo
era uma peça essencial do projeto divino. Deus
o usaria para a revelação de seu mistério, que,
até então, não havia sido compreendido pela
mente humana (Ef 3:5). Por trás da revelação
desse mistério, está a realização do projeto de
Deus relacionado aos gentios. É sobre isso que
trataremos neste estudo.

Acesse os
I PARA A IGREJA SABER
Comentários adicionais
e os Podcasts Na antiguidade, Deus escolheu para si um
deste capítulo em
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culiar entre todos os povos, reino de sacerdo-

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tes e nação santa (Ex 19:5, 6). Israel, O que vem a ser o mistério revela-
no entanto, “rejeitou tanto a Jesus do ao sábio apóstolo? O projeto de
como a sua mensagem a respeito do Deus relacionado aos povos gentios,
Reino”.1 Por isso, perdeu todos esses como está escrito: ... os gentios são
privilégios, sendo que “seu lugar se- co-herdeiros, membros do corpo e
ria assumido por outros que se pro- co-participantes da promessa em
vassem dignos de tal participação”2 Cristo Jesus por meio do evangelho
(Mt 21:43; Mc 12:1-9). Essa informa- (v.6). Em outras palavras, os gentios,
ção nos ajudará a entender o concei- isto é, os não judeus, têm direito aos
to, os obstáculos, a relevância e os privilégios espirituais por meio do
despenseiros do projeto divino. evangelho, tanto quanto tinham os
1. O projeto divino e seu con- judeus como povo eleito. Isso mes-
ceito: Por mais sábio que seja, o ser mo. A igreja, formada por gente de
humano não é detentor de toda a sa- todas as tribos, línguas e nações, é o
bedoria. Muitas coisas ainda lhe estão povo de Deus na terra (1 Pd 2:9-10).
ocultas, e assim permanecerão, até Portanto, agora faz sentido pre-
que Deus decida revelá-las (Dt 29:29). gar o evangelho a esses povos, pois
Desse modo, no Novo Testamento, este é poder de Deus para salvação
Deus revela um mistério antes oculto, tanto do judeu quanto do grego (Rm
e o faz por intermédio do apóstolo 1:16), do etíope (At 8:27-38) etc.
Paulo: ... segundo a revelação, me foi Não foi à toa que o próprio Senhor
dado a conhecer o mistério (Ef 3:3). comissionou Paulo a pregar o evan-
De fato, nesse texto, a palavra gelho a todos os homens (At 9:15,
traduzida por mistério (gr. mistérion) 26:13-18). Cristo morreu para que
“não inclui a ideia de doutrina in- todo o que nele crê (independente-
compreensível, mas é uma verdade mente de etnia, língua, escolaridade
anteriormente oculta, que agora foi etc.) não pereça, mas tenha a vida
divinamente revelada”.3 As coisas es- eterna (Jo 3:16).
pirituais não podem ser compreendi- 2. O projeto divino e seus obs-
das por pessoas carnais, que não têm táculos: Engajar-se no projeto de
o conhecimento de Deus. Por isso, Deus não é isentar-se de sofrimento,
por meio de Paulo, o segredo divino mas é servir, apesar do sofrimento.
foi revelado aos seus santos apósto- Paulo se propôs a enfrentar os mais
los e profetas, no Espírito. (Ef 3:5) cruéis obstáculos, quando resolveu,
a mando de Deus, descortinar o
evangelho aos gentios. A oposição
1. Ladd (2001:101). que enfrentou foi violenta e covarde.
2. Idem, p.107. Pelo menos, dois grandes obstáculos
3. Lopes (2008:112-113). merecem ser observados aqui.

44 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


Em primeiro lugar, por se engajar táculos. Agora, porém, passaremos a
no projeto de Deus, Paulo enfrentou analisar outro aspecto desse projeto:
o preconceito. Unir judeus e gentios a sua relevância. Por ser relevante, foi
numa mesma comunidade era algo revelado por Deus no tempo apro-
inaceitável pela liderança judaica. Não priado. Alguns motivos atestam a re-
havia união entre esses povos. Para ter- levância do projeto divino, dentre os
mos uma ideia, segundo “os judeus or- quais, destacaremos três.
todoxos do tempo de Paulo, os gentios O primeiro motivo refere-se a uma
não passavam de ‘cães’, e a atitude de reconciliação completa. Por meio de
alguns dos judeus cristãos para com os Jesus, os cristãos gentios foram re-
gentios não era muito melhor”.4 conciliados com os cristãos judeus (Ef
A princípio, até o apóstolo Pedro 2:12-13). Sendo assim, as desaven-
teve dificuldade em aceitar os gentios ças entre ambos os povos não fazem
na comunidade cristã, mas logo en- sentido, pois pertencem ao mesmo
tendeu que Deus não faz acepção de Deus (Rm 3:29). Além disso, por meio
pessoas (At 10:28,34-36). Deus não de Cristo, os gentios também foram
aprova o preconceito em sua comu- aproximados de Deus (Ef 2:16).
nidade. Ele não nos ama pela cor que O segundo motivo refere-se a uma
temos, pela profissão que escolhe- inclusão eclesial. A igreja não é com-
mos ou pela pátria em que nascemos. posta somente de judeus, pois, em
O seu amor é incondicional. Sabendo Cristo, os gentios também foram nela
disso, Paulo continuou a pregar o incluídos pelo próprio Deus. Assim
evangelho entre os gentios (Ef 3:8). sendo, não pode haver judeu nem
Em segundo lugar, por se engajar no grego; nem escravo nem liberto; nem
projeto de Deus, Paulo enfrentou a per- homem nem mulher; porque todos
seguição. Dizer que os gentios tinham vós sois um em Cristo Jesus (Gl 3:28).
os mesmos direitos espirituais que os O terceiro motivo refere-se a uma
judeus era uma afronta. Por isso, Paulo herança espiritual. Além de membros
foi lançado na prisão e açoitado, sob a do mesmo corpo, os cristãos gentios
acusação de disseminar o preconceito são também co-herdeiros e co-parti-
contra os judeus (At 21:28-33). Porém, cipantes da promessa em Cristo Jesus
o apóstolo não murmurava; antes, por meio do evangelho (Ef 3:6). Não
agradecia a Deus pelo privilégio de so- há privilégios no corpo de Jesus. Tanto
frer por amor a Cristo (Cl 1:24). judeus quanto gentios, ricos e pobres,
3. O projeto divino e sua rele- altos e baixos, brancos e negros, inte-
vância: Até aqui, estudamos sobre o lectuais e leigos, têm parte nas bên-
conceito do projeto divino e seus obs- çãos espirituais. Glória a Deus por isso!
4. O projeto divino e seus des-
4. Wiersbe (2006:33). penseiros: Paulo se considerava

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um despenseiro do mistério divino se sentido. Sem hesitar, precisamos
(Ef 3:2). O “termo dispensação, oi- apresentar Jesus e a sua obra de sal-
konomia, indica uma pessoa encar- vação a todos os pecadores.
regada de administrar os bens do seu A segunda atitude de Paulo, no
senhor (Lc 16.1-8)”.5 Em outras pala- sentido de promover o projeto divi-
vras, o despenseiro assemelha-se ao no, foi o discipulado (Ef 3:4). A pro-
mordomo. Paulo, como despenseiro clamação era apenas uma parte de
ou mordomo, não tinha o “dever sua responsabilidade como despen-
de providenciar o alimento, mas de seiro. Além de pregar aos gentios,
prepará-lo e servi-lo. Não lhe cabia ele “também deveria ensinar-lhes
colocar o alimento na despensa, mas sobre sua posição maravilhosa em
prepará-lo e levá-lo à mesa”.6 Assim Cristo como membros do corpo, par-
sendo, duas importantes atitudes fo- ticipando da graça de Deus em pé de
ram por ele adotadas no sentido de igualdade com os judeus”.7
levar adiante o projeto divino. Com base no que aprendemos até
A primeira delas foi a procla- aqui, cabe uma importante reflexão:
mação. Disse ele: ... me foi dada Como despenseiros do evangelho,
esta graça de pregar aos gentios o qual tem sido a nossa atitude em
evangelho das insondáveis riquezas relação à proclamação? E o disci-
de Cristo (Ef 3:8). Tanto os gentios pulado, como tem sido encarado
quanto os judeus precisavam ouvir em nossas ações? A proclamação e
o evangelho e aceitar a sua propos- o ensino bíblico se complementam.
ta. Como despenseiros das verdades Mais do que trabalhar para que o
divinas, devemos imitar Paulo nes- evangelho seja aceito, precisamos
nos preocupar em fazê-lo entendido.
5. Lopes (2008:112).
6. Idem 5. 7. Wiersbe (2006:34).

01. O que é o mistério revelado ao apóstolo Paulo, de acordo com Ef


3:3,5? Baseie-se também no item 1.

02. Com base no item 2, fale sobre os obstáculos enfrentados por


Paulo, depois que este passou a se envolver no projeto de Deus.

46 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


03. Por que o projeto divino é relevante? Comente baseando-se em
Ef 2:12, 3:6; Gl 3:28, e no item 3.

04. Leia Ef 3:8; o item 4, e comente sobre a primeira atitude adotada


por Paulo como despenseiro do projeto divino.

05. Leia Ef 3:4; o item 4, e comente sobre a segunda atitude adotada


por Paulo como despenseiro do projeto divino.

II PARA A IGREJA VIVER

1. Para envolver-se no projeto Para engajar-se no projeto de


de Deus, evite a acepção. Deus, Paulo não podia ter acepção
Os gentios ou não judeus, por de pessoas; precisava estar perto dos
muito tempo, ficaram separados da gentios, comer com eles, falar com
comunidade de Israel e estranhos à eles. Nós, também, não podemos
aliança da promessa (Ef 2:12). Eram cair no erro de elitizar o evangelho.
chamados, ironicamente, de incircun- O rico e o pobre, o branco e o negro,
cisos pelos judeus (v.11). Porém, o o europeu e o africano, o jovem e o
sacrifício de Jesus tornou-os filhos de ancião precisam ser alcançados pela
Deus, quando aceitaram o Salvador (Jo mensagem do evangelho. Foi por to-
1:12). O evangelho chegou até eles! dos que Cristo morreu.

06. Por que é tão importante evitarmos a acepção de pessoas, ao nos


envolvermos no projeto de Deus?

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2. Para envolver-se no projeto Não pensemos que, pelo fato de
de Deus, suporte a aflição. sermos cristãos, as aflições não ba-
Tendo Paulo desenvolvido o terão em nossa porta. Neste mundo,
seu ministério entre os gentios (At teremos aflições (Jo 16:33). Mas, se
21:19), foi alvo de violenta oposição, quisermos estar envolvidos com o pro-
por parte dos judeus. Como um ban- jeto de Deus, precisamos suportá-las.
dido perigoso, foi lançado na prisão. Portanto, estejamos conscientes de
Lá, além de ter sido algemado, foi que, como despenseiros, serviremos ao
espancado como um fora da lei e mundo com o evangelho como ove-
ameaçado de morte (vv. 31-33). Por lhas no meio de lobos (Mt 10:16). Con-
tudo isso ele passou, ao se envolver tudo, faremos isso com alegria, porque
no projeto de Deus. até morrer por Jesus é lucro (Fp 1:21).

07. Por que é tão importante suportarmos a aflição, ao nos


envolvermos no projeto de Deus?

DESAFIO DA SEMANA

No estudo de hoje, aprendemos que o projeto de Deus foi re-


velado a Paulo, que o transmitiu aos demais apóstolos e também
aos gentios. Esse projeto ou mistério consiste em unir os cristãos
judeus e gentios em um só corpo, a igreja (Ef 3:6).8 Por isso, Paulo
lhes pregou a palavra, mesmo diante da oposição de muita gente.
Isso nos leva a um importante desafio: Que tal, nesta semana,
superarmos os nossos medos e preconceitos e falarmos de Cristo
àquele tipo de pessoa que, até agora, temos receio de evangelizar?
Que tal visitarmos uma favela, uma prisão, uma clínica de dependen-
tes químicos, ou, quem sabe, conversar com um homossexual sobre
a verdade do evangelho? A salvação é também para essas pessoas.

8. Idem, p.33.

48 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


7
SER IGREJA É...

Recusar a
superficialidade da fé
18 DE MAIO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 79 • BJ 68

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Levar o estudante a Oro para que, estando arraigados e alicerçados
compreender que, com
em amor, vocês possam, juntamente com
o poder fortalecedor
do Espírito e com a todos os santos, compreender a largura, o
presença de Cristo, a comprimento, a altura e a profundidade, e
igreja pode aprofundar- conhecer o amor de Cristo que excede todo
se na compreensão e na conhecimento, para que vocês sejam cheios de
prática do amor de Deus,
e, assim, viver uma vida
toda a plenitude de Deus. (Ef 3:18-19 – NVI)
cristã robusta.

INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA A vida na superfície é cômoda. Aliás, como
D 12/05 Ef 4:29
seres humanos, é assim que vivemos: sobre a su-
S 13/05 Ef 4:30 perfície terrestre. Nela, temos ar em condições
T 14/05 Ef 4:31 ideais, desfrutamos de mananciais de águas e
Q 15/05 Ef 4:32 locomovemo-nos com facilidade. Excluindo esse
Q 16/05 Ef 5:1 aspecto, as demais referências ao que está na
S 17/05 Ef 5:2
superfície, ao que é superficial ou a quem vive
S 18/05 Ef 5:3
na superficialidade são negativas. Nesta lição,
faremos o contraponto entre superficialidade e
profundidade, para tratar sobre a fé cristã.
A fé necessita de profundidade para ama-
durecer. Vivê-la na superfície é permanecer na
imaturidade, sem raízes ou alicerces profun-
dos. Como igreja de Cristo, devemos recusar
viver a nossa fé superficialmente, pois sabe-
mos que temos um Deus riquíssimo em graça
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Comentários Adicionais
e misericórdia. Por saber disso, Paulo expres-
e os Podcasts sou, em oração, seu desejo de que os crentes
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em Éfeso tivessem uma fé profunda. Ser igreja
é recusar a superficialidade da fé.

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I PARA A IGREJA SABER

A lição desta semana tem por base sas riquezas em Cristo. Em primei-
Efésios 3:14-21, trecho em que Pau- ro lugar, o apóstolo pede por for-
lo escreve uma oração considerada talecimento, através do poder do
por muitos a mais sublime de toda Espírito: Oro para que sejais inte-
a Bíblia Sagrada. Nela, o apóstolo riormente fortalecidos com poder
suplica a Deus, em favor da igreja, pelo seu Espírito (v. 16). É o poder
por maturidade. Ele se expressa por do Espírito que dá a capacitação
meio de uma oração porque rejeitar necessária à vida cristã.
a superficialidade da fé não é algo Note que esse poder precisa agir
fácil. Viver na superfície é cômodo. no íntimo. No texto grego, temos a
Rejeitar esse estado de conforto é expressão éso anthropon, que sig-
um desafio. Analisemos, então, a nifica “dentro do homem” ou no
oração do apóstolo. Vamos dividi-la “interior da pessoa humana”, e, na
em duas partes. época, era usada para descrever o
1. Um pedido por poder, para centro da personalidade humana;
que a superficialidade da fé seja era o oposto de “homem exterior”,
rejeitada: Paulo inicia sua oração que se referia à aparência humana.
dizendo: Por essa razão (v.14). A ra- O homem interior “era o centro da
zão em questão foi vista na última vontade, da inteligência, dos valo-
lição: o projeto de Deus relacionado res da pessoa humana”.1 Podemos
aos povos gentios de que fossem dizer que essa expressão é sinônima
co-herdeiros, membros do corpo de “coração”, que aparece no v.17.
e co-participantes da promessa em O Espírito Santo opera no inte-
Cristo Jesus por meio do evangelho rior do ser humano, que o visível e
(v.6). Em outras palavras, os gentios o aparente não alcançam. É pelo
têm direito aos privilégios espiritu- poder da presença do Espírito em
ais, por meio do evangelho, tanto nós que Cristo habita em nossos
quanto o tinham os judeus, como corações, em nosso “homem inte-
povo eleito. rior”, em nossas mentes. Stott afir-
A cruz igualou todas as pessoas: ma que “é precisamente mediante o
todos têm acesso a Deus, por meio Espírito que Cristo habita em nosso
do Espírito. Depois de anunciar coração”.2 Cristãos, por natureza,
essa verdade, Paulo ora para que são templos do Espírito Santo.
a igreja, composta por gente de
todas as tribos, línguas e nações,
1. Monteiro (2004:62).
seja madura e desfrute das glorio-
2. Stott (2007:96).

50 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


Ainda que essa seja uma verda- Só poderemos romper com a su-
de, aqui está em jogo não a habi- perficialidade quando nosso ser in-
tação propriamente dita, mas sua terior, nossas mentes e nossa perso-
qualidade. Como diz Hodge,3 a nalidade forem controlados por Cris-
questão é de intensidade. Lopes4 to.6 Oremos para que o Espírito, que
tem uma expressão muito inte- habita em nós, nos encha de Cristo,
ressante para isso: “... uma coisa cada dia mais, para que este tenha
é ter o Espírito residente, outra é acesso e controle sobre o íntimo de
ter o Espírito presidente”. Além de cada um de nós.
consolar e animar, o Espírito preci- 2. Um pedido por entendi-
sa reinar no coração do crente. E mento, para que a profundi-
como ele faz isso? Fazendo Cristo dade da fé seja alcançada: Na
habitar em nós mais plenamente. A continuidade de sua oração, o
escolha da palavra para a ideia da apóstolo roga a Deus que a igre-
“habitação” só vem a confirmar a ja tenha um amor, não superficial,
noção da intensidade. sem raízes, sem fundamento, mas
Dois verbos gregos são traduzidos profundo. Paulo sabia que, para
por “habitar”: paroikeo e katoikeo. exercitar o amor, a “igreja neces-
O primeiro significa habitar como es- sita do poder do Espírito Santo
trangeiro. Trata-se de uma habitação e precisa de Cristo habitando
temporária, da qual não temos posse nela”. Depois, ele suplica: Oro para
completa. O segundo foi utilizado no que vocês tenham raízes e alicerces
texto de Paulo e significa “estabele- no amor (v. 17b – NTLH).
cer-se em algum lugar”; também O apóstolo utiliza duas metáforas
traz a ideia de permanência, proprie- para se referir ao alcance da profun-
dade.5 O primeiro verbo refere-se a didade: “arraigar”, como uma árvo-
estar em uma morada com restrições re, e “alicerçar”, como um edifício.
e sem intimidade; o segundo, a estar A árvore e o edifício são a aparência,
confortavelmente em um ambiente mas sua saúde e firmeza encontram-
e sentir-se verdadeiramente em casa. -se, respectivamente, na profundida-
Paulo deseja que Cristo, por meio do de das raízes e na forte estrutura dos
Espírito, sinta-se em casa em nosso alicerces fincados profundamente
coração; afinal, trata-se da casa dele, na terra. Em se tratando da fé cristã,
definitiva e totalmente, não somente precisamos ter raízes e alicerces no
na sala de visitas. amor. Este deve “ser a base na qual
a vida é edificada”.7
3. Idem.
4. Lopes (2009: 91). 6. Idem, p.40.
5. Stott (2007: 97). 7. Lopes (2009:99).

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Prosseguindo, Paulo, em oração, mentos mais claros e elevados sobre
apresenta a razão pela qual pediu o amor de Deus.
que os cristãos estivessem arrai- Romper com a superficialidade
gados e alicerçados no amor: ... a da fé implica também crescer em
fim de que vos seja possível com- comunhão; afinal, Paulo não ora só
preender, juntamente com todos para que os cristãos compreendam o
os santos, a largura, o comprimen- amor, mas para que o conheçam (v.
to, altura e a profundidade (v.18) 19a). O verbo “conhecer”, que apa-
do amor de Cristo. Essas quatro rece no v.19, refere-se a um conhe-
medidas matemáticas referem- cimento alcançado pela experiência.
-se ao todo da sabedoria de Deus Por isso, a Bíblia Viva apresenta a
demonstrada no seu infinito amor seguinte tradução: ... e por si mes-
para a salvação da humanidade.8 mos experimentar este amor. Estar
Segundo Stott, parece legítimo di- “arraigado” e “alicerçado” em amor
zer que o amor de Cristo é suficien- implica relacionar-se em amor de
temente largo para abranger a to- maneira racional e prática.
talidade da humanidade, suficiente- É isto que o Senhor espera: cren-
mente comprido para durar por toda tes frutíferos, que atinjam a maio-
a eternidade, suficientemente pro- ridade da fé. Juntemos, então, as
fundo para alcançar o pecador mais partes da oração até aqui: o fortale-
degradado e suficientemente alto cimento e o poder operam no íntimo
para levá-lo ao céu.9 Veja com que do ser humano para que Cristo te-
grande amor Deus nos amou! Paulo nha residência permanente nele, de
quer que os cristãos compreendam tal maneira que ele se aprofunde no
essas questões, apesar de reconhe- conhecimento e na prática do amor.
cer que o amor de Deus excede todo Só assim pode caminhar para a in-
entendimento (v.19). tensificação da plenitude de Deus
Um detalhe importante da oração (v. 19c). Esse talvez seja o pedido
é que a compreensão dessa grandio- mais ousado de Paulo.
sidade do amor de Deus ocorre so- A plenitude ou perfeição de Deus
mente com todos os santos (v.18a). é o padrão que devemos desejar. Ca-
É impossível alguém se aprofundar minhamos, querendo ser, cada dia,
na compreensão do amor de Deus mais parecidos com ele. Assim, ao
sozinho. É na comunidade, com nos- fazermos comparações, na vida cris-
sos irmãos, com a troca de experiên- tã, olhamos para Cristo. Por isso, en-
cias, que caminhamos para entendi- chamo-nos de humildade, na busca
constante por nos parecermos mais
e mais com o Salvador e Senhor de
8. Calvino (2010:280).
9. Stott (2007:98). nossas vidas.

52 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


Por essas e outras razões, essa é cimento de Deus. A plenitude a que
considerada a mais sublime oração Paulo se refere é um alvo, o estado
da Bíblia, feita por um homem em final de perfeição. Como vimos, isso
prisão, que não foca suas petições só é possível por meio da abertura
em necessidades materiais, mas no para um relacionamento mais pro-
sublime aprofundamento do conhe- fundo com o Senhor.

01. Leia Ef 3:14-16 e comente com a classe sobre o primeiro pedido


de Paulo aos cristãos de Éfeso.

02. Por que Paulo ora pedindo a Cristo que habite nos corações
dos crentes efésios? Leia Ef 3:17a e explique o sentido da palavra
“habitar” e o que ela ensina.

03. Quais as duas metáforas para o crescimento profundo utilizadas


por Paulo e o que elas nos ensinam? Leia Ef 3:17b.

04. Uma vez que os crentes estão “arraigados” e “alicerçados” no


amor, podem “compreender” e “conhecer” o amor de Cristo. Como é
isso, na prática? Como entender Ef 3:18-19a? Baseie-se no item 2.

05. O que é a “plenitude de Deus”? Como o cristão caminha para


essa plenitude? Leia Ef 3:19 e os últimos parágrafos do item 2.

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II PARA A IGREJA VIVER

1. Recusar a superficialidade demos rejeitar as “riquezas de


da fé pode ser difícil, mas é fun- sua glória” e aceitar uma vida cris-
damental. tã superficial.
Um judeu costuma orar de pé. Não é natural do ser humano re-
Ao colocar-se de joelhos, para cusar a superficialidade; essa é uma
fazer a oração estudada por nós, tarefa difícil, que requer o podero-
nesta lição, Paulo demonstra so fortalecimento do Espírito Santo.
a importância do conteúdo de sua É de suma importância que a igre-
súplica (Ef 3:4). Aprofundar-se é ja assuma sua condição de habi-
uma necessidade fundamental da tação do Espírito, através de seus
igreja, porque somos “família do membros. Da mesma forma, cada
Pai”, isto é, carregamos o nome um precisa buscar ser cheio do Espí-
dele, como igreja. Assim, não po- rito, constantemente.

06. Leia a primeira aplicação e responda: Apesar de difícil, por que é


fundamental recusarmos a superficialidade da fé?

2. Recusar a superficialida- mente. Sem amor, é vã a nossa fé.


de da fé pode ser difícil, mas Por mais que seja difícil vivenciar-
é possível. mos esse amor, podemos fazê-lo e
Conhecer racionalmente algo ter uma vida cristã robusta. Paulo
não significa saber praticar o que se ora sabendo que serve a um Deus
conhece. Talvez você conheça toda capaz de fazer infinitamente mais
a teoria da natação, mas nunca te- do que pedimos ou pensamos, de
nha nadado. Somente a prática tra- acordo com seu poder que atua
rá o verdadeiro conhecimento dessa em nós (Ef 3:20). Peçamos a esse
atividade. Quanto ao amor, além de Deus que nos fortaleça com o seu
conhecermos sua profundidade em Espírito e que Cristo habite em nós
Cristo, precisamos praticá-lo. Ser intensamente. Quanto mais isso
igreja é amar uns aos outros, amar acontecer, mais entenderemos e vi-
o pecador e amar a Deus profunda- venciaremos o amor.

54 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


07. Leia a segunda aplicação e responda: Apesar de difícil, por que é
possível recusarmos a superficialidade da fé?

DESAFIO DA SEMANA

Estudamos sobre recusar a superficialidade da fé. Consegue


perceber isso em você? Será que está em sintonia com “todos os
santos”, para compreender o amor de Cristo? Será que você tem
aceitado o desafio de aprofundar-se no conhecimento de Cristo,
permitindo a ação poderosa do Espírito Santo em sua vida? Veja
que esse conhecimento profundo não conduz ao orgulho do sá-
bio, mas ao amor de Cristo. É na prática do amor que você pode
conhecê-lo mais e mais.
Para quem e em que circunstâncias você precisa demonstrar
mais amor? Que tal aproveitar os próximos dias para viver essas
verdades, orando para que isso se torne seu alicerce e fundamen-
to? Nesta semana, marque um encontro com outro cristão para
partilhar com ele o que Deus fez em sua vida, e peça-lhe que faça
o mesmo. Depois, na troca de experiências, louvem a Deus, pois,
assim, vocês verão o quanto o amor de Deus é grandioso.

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8
SER IGREJA É...

Lutar pela
unidade do corpo
25 DE MAIO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 21 • BJ 272

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Levar o estudante a Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo
entender quais são as
auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-
virtudes, as colunas, os
dons e os resultados da se a si mesmo em amor, na medida em que
unidade, a fim de que cada parte realiza a sua função. (Ef 4:16)
lute pela unidade da
igreja, usando seus dons e
ensinando a verdade. INTRODUÇÃO
A unidade é proporcionada por Deus, ne-
cessária à igreja e um desejo de todo mem-
LEITURA DIÁRIA
bro. Muito se fala sobre o assunto, muito se
D 19/05 Ef 5:4 lê, muito se estuda, muito se prega; entretan-
S 20/05 Ef 5:5
to, pouco se vive, de fato. Como a unidade
T 21/05 Ef 5:6
é uma marca significativa da igreja de Cristo,
Q 22/05 Ef 5:7-8
Q 23/05 Ef 5:9-10 esta precisa vivê-la plenamente.
S 24/05 Ef 5:11 Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, escre-
S 25/05 Ef 5:12-13 veu o texto de Efésios 4:1-16, a fim de revelar
questões imprescindíveis à unidade, que serão
analisadas na presente lição. Que você, estu-
dante, se dedique ao estudo deste assunto,
não apenas com o intuito de somar conheci-
mento ou criticar a realidade, mas com o em-
penho para promover a unidade.

I PARA A IGREJA SABER

Acesse os Nos primeiros três capítulos de Efésios,


Comentários Adicionais
e os Podcasts
Paulo trata de doutrina e benefícios obtidos
deste capítulo em por meio do sacrifício e da ressurreição de
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Cristo. Na sequência, trata dos deveres – os

56 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


que desfrutam das bênçãos pre- A terceira virtude é a longanimi-
cisam portar-se como verdadeiros dade (v.2c), que é a capacidade de
filhos de Deus – e faz uma convo- se ter longo ânimo e tolerar provo-
cação: se alguém é cristão, que viva cação, sem revidar. A palavra grega
como tal.1 Seu primeiro ensino, nes- traduzida por “longanimidade” dá
ta parte de Efésios, é sobre a unida- o sentido de não se apressar em re-
de da igreja. taliar.4 A quarta virtude necessária à
1. Virtudes necessárias à pre- preservação da unidade é a tolerân-
servação da unidade: Paulo lista cia (v.2d), que está implícita na ex-
virtudes necessárias para vivermos pressão “suportando-vos”. Suportar
de modo digno do nosso chamado transmite a ideia de saber tolerar as
(Ef 4:1-3). Essas virtudes são essen- fraquezas alheias em amor. Não exis-
ciais para a vida em unidade. A pri- te, nesta terra, ser humano perfeito.
meira delas é a humildade (v.2a), que Por isso, essa virtude é essencial nos
nada mais é do que o realismo acerca relacionamentos humanos.
de nós mesmos, ou seja, não nos con- Paulo incentiva os cristãos a se es-
siderarmos além, nem aquém do que, forçarem constantemente para man-
de fato, somos. ter a unidade: Façam todo esforço
Jesus foi um modelo perfeito de para manter a unidade do Espírito
humildade.2 Não considerou toda (v.3a). As virtudes anteriormente
a sua glória, ao rebaixar-se à forma mencionadas não podem “criar” a
humana. Quem somos nós para não unidade entre os crentes: ela é criada
o imitarmos? Pessoas humildes rela- pelo “Espírito”; por isso, é chamada
cionam-se facilmente, ao passo que de “unidade do Espírito”. Paulo ain-
as orgulhosas vivem promovendo da diz que a ligadura que a mantém
discórdia e maculando a união. é a paz (v.3b). Nosso desafio é pre-
A segunda virtude é a mansidão servar tanto uma quanto outra, pois
(v.2b), que é a qualidade da mode- são constantemente ameaçadas; daí
ração.3 A palavra grega traduzida a necessidade de cultivarmos as vir-
por “mansidão” servia para desig- tudes tratadas aqui.
nar um animal submetido à disci- 2. Colunas indispensáveis na
plina. Isso pode indicar que preci- unidade: Paulo passa a tratar sobre
samos ter todo o nosso corpo sob algo que sustenta a unidade da igre-
o controle de Deus. Pessoas mansas ja. Ele menciona sete colunas (Ef 4:4-
são mais acessíveis. 6). Destas, três se referem à triunida-
de: “um Espírito”, “um só Senhor”,
“um só Deus e Pai”. As demais se
1. Wiersbe (2006:44).
2. Foulkes (1983:90).
3. Stott (2007:105). 4. Foulkes (1983:91).

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referem à “experiência cristã com re- no evangelho de Jesus e é feito em
lação às três pessoas da Trindade”.5 nome da Trindade.
Então, vamos lá: Em sétimo lugar, há um só
Em primeiro lugar, há um só Pai (v.6). A igreja possui um Pai; por-
corpo (Ef 4:4), que é a igreja (1 Co tanto, é uma só família. Deus é so-
12:12-31), composta por todos os bre todos, porque governa a igreja;
tipos de pessoas, que divergem em é por todos, pois a sustenta, e em
termos de origem, posição social, todos, porque preenche ou habita os
temperamentos; contudo, consti- seus. O pronome todos indica que o
tuem apenas um corpo (Rm 12:5). relacionamento com Deus se faz não
Em segundo lugar, há um só Espíri- apenas na singularidade, mas tam-
to (v.4b), porque o corpo de Cristo, bém na unidade.
composto por pessoas de todas as 3. Dons ministeriais e a unida-
tribos, raças e nações, só é unificado de: O apóstolo Paulo deixa de lado
pelo Espírito Santo (cf. 1 Co 12:13). os elementos comuns aos cristãos e
Em terceiro lugar, há uma só espe- passa a enfocar o que lhes é distin-
rança (v.4c), que é a volta do Senhor to: os dons espirituais (Ef 4:7-11).6 A
Jesus e a vida eterna ao seu lado. unidade na igreja não significa uni-
Em quarto lugar, há um só Senhor. formidade, pois o corpo de Cristo
Quem é ele? É o Senhor Jesus Cristo, é composto por variados membros.
que morreu por nós, vive por nós e Portanto, a diversidade é sua carac-
voltará para nos buscar. terística, já que as pessoas possuem
Em quinto lugar, há uma só diferentes dons. Sabe a razão? Ele,
fé (v.5a). A fé a que o texto se re- em sua maravilhosa sabedoria, quer
fere é a que uma vez foi entregue que dependamos uns dos outros.7
aos santos (Jd 3), o conjunto de Assim, por mais simples que seja a
verdades que Cristo confiou a sua sua função ou por mais humilde que
igreja. Os cristãos verdadeiros po- seja o membro, ele é fundamental
dem até discordar de alguns pontos ao bom andamento da igreja.8
de interpretação secundários, mas Em Efésios, não temos menciona-
todos concordam nos assuntos fun- dos todos os dons; apenas alguns.
damentais da fé. Lemos que Deus constituiu uns para
Em sexto lugar, há um só ba- apóstolos, outros para profetas, ou-
tismo (Ef 4:5b), porque todos nós tros para evangelistas e outros para
apresentamos o mesmo testemu- pastores e mestres (4:11). Apóstolos
nho público da nossa fé. O batismo
é a demonstração pública da crença
6. Wiersbe (2006:46).
7. Foulkes (1983: 95).
5. Stott (2007:15). 8. Wiersbe (2006: 47).

58 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


foram somente os doze; não nome- membros usam os seus dons, todos
amos ninguém assim atualmente. são edificados e fortalecidos na uni-
Contudo, a palavra grega para após- dade da fé (Ef 4:13).
tolo traz a ideia de alguém que é en- 4. Resultados esperados na
viado. Os dotados deste dom são en- unidade: Em Efésios 4:13-16, Pau-
viados a implantar igrejas onde ainda lo mostra que o resultado básico da
não há. Profetas são aquelas pessoas unidade da igreja é seu crescimento
que recebem uma capacitação divina espiritual. Esse crescimento pode ser
para expor a palavra de Deus à igreja confirmado em três aspectos. O pri-
num grau incomum. O dom de pro- meiro é a maturidade espiritual (v.
feta é diferente do dom de profecia. 13). Uma igreja que se esforça dili-
Evangelistas são os dotados de ha- gentemente para manter a unidade
bilidade para expor o evangelho de está caminhando para a maturidade,
modo bastante acessível aos não cren- isto é, tem Cristo como referencial
tes. Claro que um dom especial para e caminha para se parecer com ele
pregar não isenta os demais cristãos cada dia mais.
de fazê-lo. Por fim, temos pastores e O segundo aspecto que confirma
mestres, que sãos dois dons em uma o crescimento espiritual da igreja é
função. Pastor é aquele que apascen- a estabilidade espiritual. Uma igreja
ta, ou seja, orienta e lidera os cristãos. que se esforça diligentemente para
Todo pastor é mestre; porém, nem manter a unidade não é levada por
todo mestre é pastor. Mestres são ca- ventos de doutrinas: O propósito é
pacitados a ensinar com maestria os que não sejamos mais como crian-
demais cristãos acerca da Bíblia.9 ças, levados de um lado para o outro
No versículo 12, de Efésios 4, Pau- pelas ondas, nem jogados para cá e
lo mostra que o alvo de Deus com os para lá por todo o vento de doutri-
dons é, em primeiro lugar, o aper- nas (v.14). A palavra grega traduzida
feiçoamento dos santos. Essa expres- por levados (v.14b) sugere a imagem
são traz a ideia de remendar redes de um barco sendo levado violenta-
(cf. Mt 4:21), ou, ainda, de restaurar mente pelas águas.
um osso partido. Em segundo lugar, Há charlatões no meio evangélico,
Deus visa ao desempenho do ser- há falsas doutrinas sendo difundidas.
viço. Aqui, o apóstolo mostra mais Somente uma igreja madura é capaz
uma vez que cada crente tem uma de rejeitá-los. Esses impostores usam
função a desempenhar na igreja. Em de artimanha e astúcia (v. 14c). “Ar-
terceiro lugar, Deus visa à edificação timanha” é a tradução para a palavra
do corpo de Cristo. À medida que os grega kubeia, usada em referência a
jogadores de dados trapaceiros. “As-
9. O Doutrinal (2012:118). túcia” é a tradução para panourgia,

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que indica a habilidade de ludibriar. O crescimento que há na igreja
Infelizmente, há crentes oscilantes, é proporcionado por Cristo e tem
sem convicção, que aceitam qual- como objetivo glorificá-lo. Paulo en-
quer novidade, por não serem firma- cerra o v. 16 afirmando que a saú-
dos na verdade. de do corpo provém de um cresci-
O terceiro e último aspecto que mento que emana da cabeça, ou
confirma o crescimento espiritual da seja, de Cristo; contudo, não isenta
igreja é a cooperação espiritual. Aju- cada membro de uma postura ativa
damos uns aos outros em verdade e altruísta em busca da edificação de
e amor (v.15-16). Vimos que alguns todo o corpo.10
enganam (os charlatões); mas a
igreja de Cristo transmite a verdade,
movida pelo amor, visando ao bene-
fício de outros (v. 15). 10. Calvino (2010:306).

01. Leia Ef 4:1-3, o item 1 do comentário e responda: Por que as


virtudes exigidas aos cristãos são fundamentais para a vida em
unidade? Fale sobre cada uma delas.

02. O item 2 do comentário trata sobre as colunas da unidade. Quais


são elas? Leia Ef 4:4-6.

03. Leia Ef 4:7-11; o item 3, e fale sobre os dons. Quais as razões de


termos dons diferentes?

04. Leia Ef 4:12; o último parágrafo do item 3, e comente sobre os


propósitos de Deus, ao conceder dons à sua igreja.

60 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


05. Leia Ef 4:13-16; o item 4, e comente com a classe sobre os
resultados produzidos pela unidade da igreja.

II PARA A IGREJA VIVER

1. A igreja luta pela unidade, que trazem responsabilidades.11 Os


quando usa seus dons com esmero. dons são para o serviço, e isso signifi-
Dom é a tradução para a palavra ca que os usamos para servirmos aos
charismata, e tem sua origem na pala- outros, não para nos destacarmos ou
vra charis, que significa graça. Dom é sermos servidos. Se não forem usa-
um presente recebido do Espírito San- dos para o benefício do corpo e para
to. Se é presente, não é recebido por promover a unidade deste, os dons
mérito, não é resultado de habilida- não têm valor.
des humanas. Sendo assim, deve ser
usado como requer aquele que o deu.
Não podemos nos envaidecer por
receber os dons, mas, sim, entender 11. Idem p.289.

06. Qual a forma correta de usarmos os dons? Por que o cristão não
deve se envaidecer por ter algum dom?

2. A igreja luta pela unida- conceito, entendendo que, mais do


de, quando ensina a verdade que regras, a verdade é uma pessoa,
com amor. o próprio Jesus (Jo 14:6). Sendo as-
A igreja precisa ser guiada pela sim, nossa conduta deve ser guiada
verdade, que costumamos entender por ele, de modo que evidenciemos
como um conjunto de normas bíbli- o amor.
cas a serem cumpridas. Isto está cer- Alguns cristãos estão dispostos
to; contudo, podemos ampliar esse a digladiar entre si, pois desejam

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manter a verdade, custe o que cus- também acontece, quando, visan-
tar. Costumam não refletir sobre do ao amor, os cristãos tornam-se
suas exigências, e, às vezes, con- permissivos. Verdade e amor pre-
tendem por questões supérfluas ou cisam ser equilibrados. Isso só será
tradicionalismos que não valem a possível quando formos cheios do
dissolução da unidade. O contrário Espírito Santo.

07. Como pode a igreja ensinar e viver a verdade com amor?


Como é possível manter uma postura amorosa e, ao mesmo tempo,
não permissiva?

DESAFIO DA SEMANA

O desafio para esta semana não é simples, mas é possível em


Cristo, o cabeça da igreja. Você verificou, na palavra de Deus, que,
sendo um cristão, precisa viver como tal. Cristãos que vivem de
modo digno são humildes, mansos, longânimes, tolerantes, amo-
rosos e pacíficos. Desafie-se a desenvolver essas virtudes, pois, as-
sim, estará promovendo a unidade.
Use os dons espirituais que você tem para a edificação do corpo
de Cristo. Não se considere superior a ninguém, por ter um dom
que lhe confere evidência. Se ainda não descobriu seu dom, peça
ao Espírito que o ajude a assumi-lo e usá-lo para o reino de Deus.
Seu pastor pode ajudá-lo a descobrir seu dom e a desenvolvê-lo.
Cuidado com os impostores no meio evangélico. Não se deixe le-
var por ventos de doutrina, mas se firme na palavra.

62 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


9
SER IGREJA É...

Abandonar
a velha vida
1 DE JUNHO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 138 • BJ 56

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Refletir a respeito de que, ... quanto ao trato passado, vos despojeis do
como igreja, não podemos
velho homem, que se corrompe segundo a
viver de forma pagã; an-
tes, devemos nos “despir” concupiscência do engano, e vos revistais do
do “velho homem” e nos novo homem, criado segundo Deus, em justiça
“revestir” da “nova nature- e retidão procedentes da verdade. (Ef 4:22-24)
za”, criada por Deus.

INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA
Imagine que você é convidado para um
D 26/05 Ef 5:14 casamento, e recebe o convite dos noivos
S 27/05 Ef 5:15
quando está voltando para casa, após um dia
T 28/05 Ef 5:16
cheio de trabalho. Então, além de pensar no
Q 29/05 Ef 5:17
Q 30/05 Ef 5:18 presente, certamente você irá pensar no que
S 31/05 Ef 5:19 vestirá. Se possível, é claro, não irá com uma
S 01/06 Ef 5:20 roupa velha: vestirá roupas novas. A lição de
hoje trata, não de um convite para uma fes-
ta, mas de um mandamento (Ef 4:17) para
“abandonarmos a velha vida” e nos “ves-
tirmos” com a nova roupa que ganhamos:
nossa nova natureza.
Viver de maneira nova é um dos quesitos
para o corpo de Cristo viver unido, como vi-
mos na lição da semana passada. Já que so-
mos igreja, temos, pela graça, o poder de
Deus para viver de acordo com sua lei, da
maneira que o agrada (Rm 8:7-10). Devemos
Acesse os
Comentários Adicionais aceitar esse desafio da Bíblia; afinal, ser igreja
e os Podcasts é fazer parte de um povo que abandonou a
deste capítulo em
www.portaliap.com.br velha vida.

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I PARA A IGREJA SABER

Que tal se desfazer de algumas novo andar não era uma vontade
coisas velhas? Como o ser humano apenas sua para os crentes (eu lhes
gosta de juntar coisas desnecessá- digo), mas era, também, do Senhor
rias! Quase todo mundo tem o seu (no Senhor insisto). É na autoridade
“quartinho da bagunça”. No que se de Deus que o apóstolo insiste, e, na
refere a nossa vida cristã, isso não autoridade de Deus, ele apresenta
pode acontecer, de maneira alguma. todas as recomendações do restante
Paulo diz aos cristãos de Éfeso que do capítulo 4.
precisam abandonar tudo o que faz Paulo não está se dirigindo a pa-
parte da “velha vida” e devem ser gãos, mas a crentes em Jesus. Deve-
controlados pela “nova natureza”. ria ser óbvio que estes não poderiam
Vamos ao estudo. mais viver como os gentios (v.18c). A
1. Um apelo incisivo: O trecho palavra “gentios” é usada, aqui, para
de Efésios em que se baseia esta lição se referir aos incrédulos, os que não
começa da seguinte maneira: Assim, pertencem a Cristo. Paulo faz o apelo
eu lhes digo, e no Senhor insisto, que solene porque sabe que, se não to-
não vivam mais como os gentios (Ef massem cuidado, até mesmo os con-
4:17 – NVI). O apóstolo conclama os vertidos poderiam continuar repro-
cristãos de Éfeso a um novo andar. duzindo, em certa medida, valores e
Viver como os gentios está em con- comportamentos da velha vida.
traste com o que ele diz no v.1 do 2. Recapitulando a velha vida:
mesmo capítulo: ... vivam da maneira Para que fique clara a sua admoes-
digna da vocação que receberam. tação do início do v. 17 de Efésios 4,
Esse apelo de Paulo está basea- Paulo apresenta algumas caracterís-
do na certeza que ele tinha de que ticas da vida do mundano incrédulo,
essa era a vontade de Deus para seu para contrastá-las com a nova vida
povo. Tal certeza torna-se clara na que os crentes receberam em Cristo.
expressão no Senhor insisto (NVI). A Vejamos como era a vida daqueles
tradução Almeida Revista e Atualiza- pagãos, conforme Efésios 4:17-19.
da traz a expressão no Senhor testi- Paulo começa dizendo que os pa-
fico. A palavra grega traduzida por gãos vivem na vaidade dos pensa-
“insisto” e “testifico” é marturomai, mentos (v.17), ou seja, suas mentes
que poderia também ser traduzida estão corrompidas. Sendo assim, tudo
por “declaro solenemente”. que estas produzem é manchado pelo
Paulo tinha, então, absoluta cer- pecado. Por isso, seus pensamentos
teza de que a exortação para um são obscuros, o que os leva a viverem

64 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


como se Deus não existisse. Na con- (v.20), ou aprenderam a conhecer
tinuação, Paulo mostra que tudo isso Cristo (BJ), e isso “significa ter um
nasce de um coração duro (v.18). relacionamento pessoal com ele de
Esse “coração”, aqui, é uma re- modo a conhecê-lo melhor a cada
ferência à mente, e o termo “duro” dia”.3 Uma coisa é aprender sobre
é a tradução para uma palavra que Cristo, ter informações sobre ele,
“podia ser usada num sentido médi- ouvir falar dele, num filme, numa
co para o endurecimento caloso”.1 classe batismal ou num estudo bíbli-
Por causa disso, eles são insensíveis, co; outra, bem diferente, é apren-
sem nenhuma tristeza pelo peca- der com Cristo, ter um encontro
do. A análise da velha vida mostra com ele e tê-lo como parceiro na
que, devido a sua insensibilidade, os caminhada cristã.
pagãos praticam todas as impure- O que aprendemos, nessa cami-
zas imagináveis. Suas mentes estão nhada? Em primeiro lugar, apren-
cheias de calos. demos a nos “despojar do velho
O apóstolo mostra, ainda, em homem” (v.22). Esse “despojar” é
Efésios, que os pagãos se entrega- como se chegássemos da rua e ti-
ram à dissolução para, com avidez, rássemos, de uma vez, toda a rou-
cometerem toda sorte de impureza pa suja. Segundo o texto, o “velho
(v.19). Por não “sentirem” que estão homem”, que é a velha natureza, é
errados, fazem tudo que lhes vem à corrompida por desejos enganosos
mente. Aqui, “dissolução” significa (concupiscência), ou seja, desejos
disposição para todo tipo de prazer, passageiros, falsos, que levam ape-
e “avidez”, o desejo de alguém por nas à destruição.
possuir tudo o que não lhe perten- Precisamos, então, de renova-
ce.2 Assim vivem os incrédulos: afas- ção! É por isso que, em segundo
tados de Deus, sem direção de vida, lugar, na caminhada com Cristo,
mortos em seus pecados (Ef 2:1). aprendemos a renovar o nosso
Como veremos na sequência, ser modo de pensar, revestindo-nos
igreja é viver na contramão da vida do novo homem. Essa renovação
que eles levam. começa na mente. É o que lemos
3. Tirando as roupas velhas no v. 23, na tradução Almeida Re-
e vestindo roupas novas: Em Ef vista e Atualizada: ... e vos renoveis
4:20-24, entendemos que os cren- no espírito do vosso entendimento.
tes em Jesus vivem de maneira dife- Espírito, aqui, é uma referência ao
rente, pois “aprenderam a Cristo” “homem espiritual”, ao cristão que
tem a mente de Cristo (1 Co 2:16).
1. Rienecker (1995: 395).
2. Lopes (2009:118). 3. Wiersbe (2006:51).

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O homem e a mulher salvos preci- mas, sim, o que traz edificação. Tam-
sam revestir-se do “novo homem”. bém os orienta a falarem apenas o
Mas como sabemos se estamos necessário (Tg 1:19), para o bem dos
revestidos desse novo homem? Pau- que ouvem (v.29).
lo diz que esse novo ser é criado por Paulo também ensina que o es-
Deus, para uma vida justa e reta tilo de vida do cristão pode ale-
(Ed 4:24b). Entendemos essa “justi- grar ou entristecer o Espírito Santo
ça” como uma referência ao homem (v.30). Este é “o Autor de toda vir-
que cumpre seus deveres para com o tude cristã e de todo bom fruto”,5
seu próximo, e “retidão” como uma uma pessoa divina. Sendo assim,
referência aos seus deveres para com em Efésios, Paulo orienta os cren-
Deus.4 Isso vem da verdade do evan- tes a não entristecerem o Espírito
gelho de Cristo, através da pregação de Deus, que, sendo “Santo”, abo-
e do estudo da palavra de Deus. Ser mina todo tipo de pecado e se en-
igreja é fazer parte de um povo que tristece pela falta de santidade dos
passou por essa transformação. filhos de Deus, inclusive quando
4. Mudando de vida: Em estes falam palavras torpes.
Ef 4:25-32, Paulo apresenta pecados Após alertar os cristãos efésios a
e virtudes. Ele começa pela mentira, não entristecerem o Espírito, Paulo
que deve ser deixada (v.25); em se- combate a amargura, manifestada
guida, apresenta a ira (v.26) como por quem guarda ressentimentos; a
uma possibilidade ao cristão (a “ira cólera, que é um sentimento de fú-
justa”), como indignação contra o ria; a ira, que é um coração ardendo
pecado (cf. Mt 21:12), mas alerta de raiva; a gritaria, que é o descon-
quanto ao perigo de ela se trans- trole total; as blasfêmias, que são in-
formar em algo perpétuo, que abri- sultos contra Deus e o próximo, e as
rá uma “porta” para o diabo agir malícias, que são a vontade de fazer
(v.27); por isso, orienta os crentes a mal ao próximo (v.31).6
abandoná-la, antes de o dia acabar, Em seguida, o apóstolo encora-
no pôr-do-sol. ja os crentes em Jesus à pratica das
Paulo também trata sobre o rou- boas atitudes. Paulo apresenta, no v.
bo, que deve ser combatido com tra- 32, três virtudes que eles deveriam
balho honesto, para sustento tanto cultivar: a primeira é a benignidade,
de quem trabalha quanto de quem que é a disposição mental para de-
necessita (v.28). No v.29, ele orien- monstrar amor pelos outros; a se-
ta os crentes a não falarem o que gunda é a compaixão, que é a dis-
é “torpe” ou “inconveniente” (EP),
5. Hendriksen (2005:263).
4. Foulkes (1983:109). 6. Idem (2005:265).

66 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


posição para ajudar o próximo com tida por alguém e imitar Deus Pai,
amor verdadeiro;7 a terceira e última que, através da morte de Cristo, na
virtude é o perdão, que é a atitude cruz, perdoa quem não merece per-
de não levar em conta a falta come- dão (v.32; 5:1). Ser igreja é viver essa
vida transformada. A seguir, veremos
duas lições práticas para a igreja.
7. Foulkes (1983:114).

01. Lendo Ef 4:17-19 e a argumentação presente nos itens 1 e 2, faça


uma recapitulação da vida dos pagãos. Como era a nossa vida, antes
de conhecermos a Cristo? Que incisivo apelo temos nesse texto?

02. Explique a expressão bíblica “aprendestes a Cristo”. O que ela quer


dizer? Baseie-se no primeiro parágrafo do item 3 e em Ef 4:20-21.

03. Com base em Ef 4:22, comente com a classe a expressão “despir-


se do velho homem”. Baseie-se no segundo parágrafo do item 3.

04. O que é o “revestir-se do novo homem”? Qual a maior


dificuldade que a nova vida nos traz? Baseie-se no último parágrafo
do item 3 e em Ef 4:23-24.

05. Confira Ef 4:25-32; o item 4, e fale sobre a prática da nova vida.

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II PARA A IGREJA VIVER

1. Abandonemos a velha vida: Viva a vida liberto das velhas prá-


Tiremos essa roupa velha logo! ticas! Vença o alcoolismo, a homos-
Você já foi arrancado do reino das sexualidade, a pedofilia, as drogas,
trevas e foi transportado para o reino a fofoca, a mentira, o adultério, o
de Cristo (Cl 1:13); por isso, as tre- crime, os vícios, com o poder de
vas que existiam em seu coração já Cristo. Lembre-se de que você já o
foram dissipadas pelo evangelho (2 conhece e já está livre da velha na-
Pd 1:19). Agora, falta-lhe a coragem tureza humana com seus pecados
para se despir do “velho homem”. (Rm 6:6; Cl 3:9). Peça a Deus, dia-
Você precisa, com a ajuda do Espíri- riamente, que o fortaleça.
to, tirar logo o que está corrompido.

06. Quais as atitudes práticas que nos mostram que nos “despimos”
do “velho homem”? Você tem conseguido se desfazer dos pecados
da velha vida?

2. Abandonemos a velha vida: como a luz do sol, que cresce até o


Vistamos essa roupa nova logo! seu momento mais claro (Pv 4:18).
Sendo nova criação de Deus (Rm Cresça na nova vida em Jesus. Leia
8:1), já podemos viver de maneira di- a Bíblia; leia bons livros; seja mode-
ferente. Porém, precisamos revestir- rado em tudo que fizer; fale coisas
-nos do “novo homem”. A cada dia, boas e edificantes; ajude quem pre-
precisamos renovar a nossa mente cisa; esqueça o mal que lhe fizeram;
com o que é bom (Rm 12:2; Fp 4:8). faça o bem a todas as pessoas; viva a
Isso certamente nos levará à prática nova vida, diariamente; vista-se com
das coisas que alegram o Espírito a nova natureza de Deus.
Santo. Vamos progredir, pois somos

07. Fale sobre atitudes práticas que mostram a nova natureza criada
segundo Deus. Como isso tem se desenvolvido em seu dia-a-dia?

68 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


DESAFIO DA SEMANA

Diante de tudo que estudamos hoje, você deve estar pensando


em sua vida. No que tem pensado, vivido e no que tem melhorado,
no que de bom você tem feito. Deus deseja que troquemos nossa
velha vida pela nova vida, segundo a sua graça. Essa nova vida é
demonstrada numa nova maneira de viver, com Deus, a família, a
igreja e os amigos.
Nesta semana, procure desafiar-se a não mais cometer os erros
de outrora; substitua a prática errada por uma nova prática (por
exemplo: se você fofocava, procure falar mais de Jesus). Peça po-
der de Deus, e veja que, de pouco em pouco, você se parecerá
mais com o próprio Deus. Cresça na graça e no conhecimento de
Jesus Cristo.

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10
SER IGREJA É...

Andar como
filhos da luz
8 DE JUNHO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 317 • BJ 34

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ensinar ao estudante da Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos
palavra de Deus, com
amados; e andai em amor, como Cristo
base em Efésios, que
a igreja é constituída nos amou e se entregou a si mesmo por
por aqueles que foram nós em oferta e sacrifício a Deus, em
chamados a andar como cheiro suave. (Ef 5:1-2)
filhos da luz.

INTRODUÇÃO
Uma das coisas que caracterizam o ser
LEITURA DIÁRIA igreja é o abandono da velha vida, que, com
certeza, demonstra a distância do ser humano
D 02/06 Ef 5:21-22
S 03/06 Ef 5:23 em relação a Deus (Ef 4:18). No presente estu-
T 04/06 Ef 5:24-25 do, veremos que, como filhos de Deus, somos
Q 05/06 Ef 5:26-27 não somente herdeiros de uma nova vida, no
Q 06/06 Ef 5:28 porvir, mas representantes, aqui e agora, de
S 07/06 Ef 5:29-30
um Pai amoroso, santo e verdadeiro, a quem
S 08/06 Ef 5:31-32
devemos imitar.
Existe um velho ditado, que diz: Tal pai,
tal filho. A ideia presente, neste provérbio
popular, é que, assim como é o pai, o filho é
ou será. Sabemos, entretanto, que nem sem-
pre as coisas são assim: nem todos os filhos
são iguais aos pais. Contudo, com relação à
igreja, que é o ajuntamento de pessoas fei-
tas, em Cristo, filhas de Deus, essa deve ser
uma verdade comum a todos. Aliás, uma exi-
Acesse os
Comentários adicionais gência das Escrituras é que os filhos de Deus
e os Podcasts exprimam o santo caráter de seu Pai em suas
deste capítulo em
www.portaliap.com.br condutas (Mt 5:43-48; Lc 6:35; 1 Jo 4:10-11).

70 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


I PARA A IGREJA SABER

Paulo é muito claro ao dizer que mente, não podemos imitar a Deus
nosso comportamento deve refletir criando um universo ou inventando
a santidade e pureza de Deus, vis- um método de satisfação das exi-
to que, em Cristo, nós nos torna- gências da justiça e da misericórdia
mos seus filhos; filhos imitam seus para salvar os seres humanos do
pais; por isso, como filhos de Deus abismo em que haviam se lançado.
devemos imitá-lo. Paulo argumenta Mas é surpreendente como Jesus,
que os filhos são como seus pais; por exemplo, é enfático em ensi-
eles aprendem pela imitação. Deus nar sobre a necessidade de sermos
é amor (1Jo 4.8); por isso, os crentes semelhantes a ele (Mt 5:43-48; Lc
devem andar em amor. Deus é luz 6:35-36; Jo 13:34). Por ser Deus,
(1Jo 5.8); portanto, os crentes de- Jesus deve ser imitado. Os apósto-
vem andar como filhos da luz. Deus los também enfatizaram esse ensi-
é verdade ( 1 Jo 5.6); por isso, os no (Rm 15:2-3, 7; Fp 2:3-8).
crentes devem andar em sabedoria1. Deus é infinito; nós, não. Porém,
1. Imitadores de Deus: Assim em nossa própria forma finita, po-
começa o trecho de Efésios que va- demos e devemos imitá-lo, ou seja,
mos analisar: Portanto, sejam imita- devemos copiar seu amor,3 e sua
dores de Deus (5:1 – NVI). A palavra santidade deve nos inspirar a sermos
“imitadores” é a tradução da expres- santos. A igreja é a nova criação de
são grega mimetai. Aparece inúme- Deus. Dela fazem parte pessoas que
ras vezes no Novo Testamento, para já passaram pela restauração divina,
indicar o ato de seguir um exemplo gente que em nada se parecia com o
humano; mas só aqui aparece com criador, pois vivia conforme o curso
o sentido de imitar o próprio Deus. deste mundo (Ef 2:1-3), mas, agora,
Ela tem a mesma origem da palavra compõe um ajuntamento em que
“mímica”. Os grandes oradores do Deus pode ser visto.
passado faziam uso da mímica para Portanto, o modelo de vida dos
serem eficientes em suas exposições. crentes em Deus deve expressar se-
Se você quiser ser um grande melhança com o Senhor. Imitar é a
orador, então imite os oradores do palavra de ordem, e a razão para isso,
passado. Mas, se você quiser ser segundo Paulo, é que somos filhos
santo, então imite Deus.2 Certa- amados (Ef 5:1b). Este fato acrescen-

1. Lopes (2009:128).
2. Idem. 3. Hendriksen (2005:268).

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ta ainda maior peso à admoestação. amor de Cristo o levou para o Calvá-
Nossos costumes e ações devem evi- rio. O seu sacrifício prova, de modo
denciar quem é nosso Pai. Ser igreja contundente, seu amor por nós.
é viver imitando Deus. Paulo diz que esse sacrifício é uma
2. Andando em amor: Na se- oferta de cheiro suave (5:2), numa
quência do capítulo 5, Paulo diz: comparação com os sacrifícios do
... e andai em amor (v.2). O verbo Antigo Testamento, descritos como
“andar” aparece cerca de cinco ve- de “aroma agradável” para expres-
zes em toda a carta (2:10, 4:1,17, sar sua aceitabilidade perante Deus.
5:8,15). É a tradução para a palavra Aos nossos olhos, a cruz pode pare-
grega peripateo, que, dentre tantas cer apenas uma cena de horror, mas
coisas, significa pisar ao redor, isto é, foi uma ação tão sublime e aceitável,
andar de maneira irrestrita, especial- perante o Pai, que encheu o céu de
mente como prova de habilidade; fragrância agradável, pois atendeu
no sentido figurado, significa viver; à justiça divina. Andemos em amor
comportar-se ou acompanhar, ou, como Cristo andou.
ainda, estar ocupado com4 alguma 3. Luz e não trevas: Chegamos
coisa; neste caso, estar ocupado a Efésios 5:2, e é interessante notar-
com o amor. mos como Paulo nos tira repentina-
A exortação de Paulo aos seus lei- mente da contemplação do amor sa-
tores é que façam do amor a prin- crificial de Cristo para a perversão do
cipal regra de suas vidas, a fim de amor, no adultério e no abuso sexu-
que tenham habilidade para andar al. Ele tinha consciência dos perigos
em amor. Para encorajar a igreja de que rondavam as igrejas, naquela re-
Éfeso a essa prática, Paulo evoca o gião: a imoralidade sexual grassava
exemplo do Senhor, cujo amor tem nos templos de Afrodite, em Corin-
duas características distintas dignas to, e de Diana, em Éfeso; era uma
de imitação. A primeira é que o amor prática comum naquele tempo.5
de Cristo é perdoador (Ef 4:32). Ele O Apóstolo não perde a opor-
nos ama e, por isso, nos perdoa. Seu tunidade de ser direto e específi-
amor é benevolente, capaz de eli- co. Numa sociedade que louvava
minar toda e qualquer culpa. Assim a promiscuidade e a perversão, ele
também devemos amar, a ponto de precisava ser contundente, e a igre-
desconsiderar as ofensas. ja precisava ser radicalmente san-
A segunda característica do amor ta. A prostituição e toda impureza
de Cristo é que é sacrificial (5:2b). O não deveriam ser nomeadas, isto
é, não deveriam ser assunto entre os

4. Bíblia de Estudo Palavras-chave Hebraico e


Grego (2011:2351). 5. Lopes (2009:129).

72 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


santos (v.3). A palavra prostituição, cuidado, sem a devida orientação e
ou imoralidade, é a tradução para prudência.8 A ideia de Paulo é que
porneia, que significa perversão se- seus leitores deveriam andar de
xual de quase todos os tipos e envol- modo preciso e cuidadoso.
ve, também, tudo que opera contra Há uma relação interessante en-
a santidade dos laços matrimoniais. tre os vv. 14 e 15. O resultado seria:
Isso não deve existir na igreja. “Não andem enquanto dormem!
Não apenas os pecados sexuais Despertem e vejam com prudência
deveriam ser erradicados da igreja: por onde andam”. Como imitadores
os pecados da língua também não de Deus e filhos da luz, os crentes
deveriam estar presentes na vida dos precisam andar em sabedoria.
crentes6 (v.4). Conversas tolas, gra- Andar como sábio não significa,
cejos obscenos, piadas com assun- necessariamente, ser genial ou aca-
tos imorais e coisas tais como estas demicamente treinado, mas, sim, ser
não devem existir no vocabulário capaz de aplicar com habilidade o
dos santos; ao invés disso, ações de que se conhece ou sabe. Andar com
graças, como diz Paulo (v.4 – NVI), sabedoria é andar compreendendo
que também alerta sobre a certeza o caminho e sabendo para onde vai.
do julgamento: ... os devassos e in- Quando um piloto não sabe para
continentes não herdarão o Reino onde está rumando, nenhum vento
de Deus; (...) porque por essas coisas é o certo.
vem a ira de Deus (vv.5-6). Paulo nos ensina que, além de
A igreja é a nova sociedade, a andarmos com sabedoria, precisa-
nova criação de Deus. Por essa razão, mos andar com o aproveitamen-
deve adotar padrões novos e san- to do tempo: Remindo o tempo
tos (5.26-27). Os salvos, que, antes, (v.16). “Remir” significa “resgatar
não apenas andavam em trevas, mas de perda ou prejuízo”, mas pode
eram trevas, agora, não só estão na
significar, também, “aproveitar
luz, mas são luz (5:8). A luz purifica,
oportunidade”.9 Oportunidade é um
ilumina, aquece, aponta a direção,
termo que vem do latim e significa
avisa sobre os perigos e produz vida.7
“em direção ao porto”. Indica um
4. Andando em sabedoria:
navio aproveitando o vento e a maré
A expressão vede prudentemente
para chegar ao ancoradouro em se-
como andais (v.15) significa “an-
gurança.10 A igreja deveria aproveitar
dem com cuidado e exatidão”. O
oposto seria andar de modo des-
8. Wiersbe (2006:60).
9. Bíblia de Estudo Palavras-chave Hebraico e
6. Idem. Grego (2011:2193).
7. Idem. 10. Wiersbe (2006:60).

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bem seu tempo, porque os dias eram tis. Em tempos como o nosso, nada
maus: de perseguição e hostilidade. é mais importante do que estarmos
Se os dias de Paulo eram maus, o no centro da vontade do Senhor.
que dizer dos nossos dias? Descobrimos Deus e entendemos
Entretanto, tudo isso seria inútil, sua vontade, à medida que nossa
se a igreja não entendesse a vontade mente é transformada (Rm 12:1-2).
do Senhor (v.17). Entender a vonta- Essa transformação só é possível por
de de Deus é essencial para andar meio da Palavra de Deus, da oração,
com sabedoria e enfrentar dias hos- da meditação e da adoração.

01. Leia Ef 5:1,8; o item 1, e responda: Como devemos viver, segundo


a palavra de Deus? O que significa ser um imitador?

02. Leia Ef 4:32, 5:2; o item 2, e comente com a classe sobre o


significado de andar em amor. Fale sobre as características do amor
de Cristo.

03. Leia Ef 5:3-6; o item 3, e responda: Que tipos de pecados


assediavam a igreja de Éfeso? Como filhos da luz, qual deve ser
nossa postura, frente a essas coisas?

04. Leia Ef 5:15 e responda: Que cuidados a igreja deve ter nestes
dias maus?

74 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


05. Leia Ef 5:16-17 e explique a expressão “remindo o tempo”. Fale
também sobre a importância de a igreja entender a vontade do Senhor.

II PARA A IGREJA VIVER

1. As práticas antigas devem Deus, devemos abandonar as práti-


ser banidas. cas das trevas.
A igreja de Jesus Cristo é forma- Não deve haver, no meio do reba-
da por pessoas de todas as raças e nho do santo Deus, nenhum tipo de
nações que amam a Cristo e se com- conduta que quebre a comunhão,
prometem a servi-lo. São pessoas que manche a pureza da igreja ou
que, um dia, pertenceram às trevas perverta a moral. A ordem é que se-
(Ef 5:8), mas, agora, são luz. Quando jamos santos, imitadores de Deus;
éramos trevas, vivíamos segundo o que sejamos sóbrios, andemos em
curso deste mundo, mas, agora que sabedoria, reflitamos a luz de Cristo
somos filhos da luz e imitadores de e abandonemos as práticas antigas.

06. Como, na prática, os costumes antigos podem ser banidos de


nosso modo de viver?

2. As práticas novas devem amor. No versículo 12, também le-


ser vividas. mos: ... andai como filhos da luz. No
Paulo desafia a igreja a andar em versículo 15, ainda lemos: ... vede
pureza. Sua ênfase é sobre a nova prudentemente como andais. A
vida contrastada com a velha vida. maneira de viver da igreja deve ser
No versículo 2, lemos: ... andai em coerente e deve refletir a pureza da-

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quele que a chamou das trevas para dormes (Ef 5:14). Por outro lado, é
a sua maravilhosa luz. animador ver a luz daqueles que, de
É triste sabermos de pessoas, na fato, se tornaram filhos da luz: gen-
igreja, que ainda não conseguiram te que expressa, em sua vida, a vida
desvencilhar-se das velhas práti- de Cristo. É isso que glorifica a Deus.
cas. Andam como que dormindo. Portanto, vivamos essa nova vida
A esses, diz Paulo: Desperta, tu que que ele nos deu.

07. Comente com a classe sobre nossa responsabilidade de vivermos


a nova vida em Cristo.

DESAFIO DA SEMANA

Ser igreja, como vimos, é andar como filhos da luz. Em Cristo,


fomos libertos das trevas; tivemos nossa vida iluminada. Agora,
somos representantes de Deus e nossa vida deve evidenciar quem
é o nosso Pai. Uma igreja de verdade não compactua com as im-
purezas de seu tempo. A verdadeira igreja não se mancha com as
sujeiras deste mundo. O verdadeiro filho de Deus anda na luz, não
nas trevas.
O desafio desta semana é que você faça um autoexame, reflita
sobre sua conduta e conclua se você tem andado como filho da luz
ou se ainda há muito da velha vida a ser erradicado de sua alma.
Faça isso nesta semana, e, na próxima semana, antes do próximo
desafio, tente identificar o quanto você mudou. Que Deus o ajude
e que sua vida resplandeça a luz de Cristo.

76 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


11
SER IGREJA É...

Cultivar relaciona-
mentos santos
15 DE JUNHO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 33 • BJ 48

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ajudar o estudante da E não vos embriagueis com vinho, no qual
Escola Bíblica a cultivar
há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,
relacionamentos santos,
ensinando-lhe que, para falando entre vós com salmos, entoando e
alcançar esse propósito, louvando de coração ao Senhor com hinos e
é necessário ser submisso cânticos espirituais. (Ef 5:18-19)
e respeitador para com
o próximo.
INTRODUÇÃO
Não é bom que o homem esteja só
LEITURA DIÁRIA
(Gn 2:18) é uma importante declaração divina,
D 09/06 Ef 5:33
no princípio, pouco antes da criação da mu-
S 10/06 Ef 6:1
T 11/06 Ef 6:2-3 lher. De fato, nós, seres humanos, não fomos
Q 12/06 Ef 6:4 criados para a solidão. Somos completamente
Q 13/06 Ef 6:5-8 relacionais. Por isso, Deus instituiu a família,
S 14/06 Ef 6:9 ao juntar homem e mulher. Ambos supririam
S 15/06 Ef 6:10
as necessidades relacionais um do outro.
Os relacionamentos, no entanto, não se limi-
tam à esfera familiar. Nós nos aproximamos das
pessoas e nos relacionamos com elas em outros
ambientes, tais como igreja, trabalho, escola
etc. É importante cultivarmos boas relações com
as pessoas; porém, mais que isso, precisamos
aprender a fazê-lo. A Bíblia, a palavra de Deus,
tem muito a nos ensinar a respeito.

I PARA A IGREJA SABER


Acesse os
Comentários adicionais
e os Podcasts Santidade é o propósito de Deus para os nos-
deste capítulo em
www.portaliap.com.br sos relacionamentos. Cristo morreu pela igreja, a
fim de santificá-la (Hb 13:12). Por isso, sede vós

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também santos em toda a vossa ma- a submissão não ignora o valor da Pa-
neira de viver (1 Pd 1:15), diz a Bíblia. lavra. Nenhuma autoridade está acima
E é assim que devem ser os relaciona- dos princípios da Bíblia (At 5:29). Por-
mentos entre irmãos em Cristo, entre tanto, a sujeição só será santa e agra-
marido e esposa, pais e filhos, patrões dável quando praticada dentro dos pa-
e empregados. No tocante a isso, ana- râmetros estabelecidos por Deus.
lisemos o ensino bíblico a seguir. Cuidado com os empecilhos à
1. Irmãos em Cristo: Paulo ob- submissão! O orgulho e o egoísmo
serva que, entre os membros do cor- são obstáculos fortíssimos a essa
po de Cristo, deve haver celebração prática santa. O orgulhoso acha-se
de louvor e gratidão a Deus (Ef 5:19- grande demais para se sujeitar a al-
20). Em seguida, ele completa: ... guém. O egoísta não se sujeita aos
sujeitando-vos uns aos outros no te- outros porque só pensa em si. Logo,
mor de Cristo (Ef 5:21). O verbo “su- para vencermos tais obstáculos, pre-
jeitar” é a tradução para a palavra cisamos ter o mesmo sentimento que
grega hupotasso, “que, na voz ativa, houve também em Cristo Jesus (Fp
significa ‘sujeitar’, ‘subordinar’ e, na 2:5). Como Jesus, os cristãos devem
voz passiva, tem o sentido de ‘ficar sujeitar-se e respeitar uns aos outros.
subordinado’, ‘ser submetido’”.1 2. Marido e esposa: O casamento
Nesse texto, trata-se do uso da voz foi feito para durar e para ser bênção
passiva. Isso implica que a expressão na vida dos cônjuges. Para que isso
de Paulo sujeitando-vos uns aos ou- aconteça, necessário é que o relacio-
tros significa que o cristão não apenas namento entre esposo e esposa seja
obedece a alguém, mas também abre saudável. Isso acontecerá se cada qual
mão dos próprios direitos em prol do fizer a sua parte. Quanto ao papel da
próximo, com humildade e amor; esposa, a Bíblia destaca: As mulheres
sacrifica-se para fazer que o relacio- sejam submissas ao seu próprio mari-
namento com o outro seja saudável.2 do, como ao Senhor (Ef 5:22).
Assim sendo, no corpo de Cristo, o Submissão é obediência sob a li-
cristão honra as autoridades, mas es- derança de alguém. Todo lar precisa
tas lhe fazem o bem. (Rm 13:1,4) de um líder. A liderança do lar cristão
A submissão não ignora o valor pes- foi confiada ao marido, o cabeça da
soal dos membros do corpo de Cristo. mulher (Ef 5:23). Essa é a vontade de
Quem é submisso não é inferior àquele Deus. Ao ser submissa, a esposa agra-
que está numa escala maior de hierar- da, acima de tudo, ao Senhor. Portan-
quia, na igreja do Senhor. Além disso, to, submissão não é sinal de inferiori-
dade, mas de fidelidade. É um item de
1. Champlin (1983:627). fundamental importância para o bom
2. Lopes (2007:32). relacionamento entre os cônjuges. Se

78 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


isso não for levado a sério, o relacio- Quanto aos filhos, a Bíblia orienta:
namento conjugal poderá desestabili- Filhos, obedecei a vossos pais no Se-
zar-se e a santidade inexistir no lar. nhor (Ef 6:1). Em outras palavras, é
A submissão não é o único papel papel do filho atender as ordens dos
da mulher em sua vida conjugal (Pv seus pais, de acordo com a vontade
31:10-31); porém, é de muita rele- do Senhor. O contrário disso é rebe-
vância. No que se refere ao papel do lião contra Deus. Além de obedecer,
marido, a Bíblia diz: Maridos, amai o filho também deve honrar aos pais
vossa mulher, como também Cristo (v.2). Honrar aos pais significa “mos-
amou a igreja e a si mesmo se en- trar respeito e amor por eles, cuidar
tregou por ela (Ef 5:25). O amor do deles enquanto precisarem de nós
marido para com sua esposa deve e procurar honrá-los pela maneira
ser constante. A “expressão amai como vivemos”.4 Vida longa têm os
é um imperativo presente (agapate) que procedem dessa maneira (v.3).
e significa ‘continuai amando’”.3 O Quanto aos pais, o texto sagrado
tempo passa, mas o amor, jamais. diz: E vós, pais, não provoqueis vos-
Além de constante, o amor do ma- sos filhos à ira, mas criai-os na disci-
rido para com a sua esposa deve ser plina e na admoestação do Senhor
sacrificial. O exemplo que ele deve (Ef 6:4). Aqui, Paulo “exorta os pais
seguir é o de Cristo, que entregou a não ‘excitarem as paixões ruins dos
a própria vida pela igreja. O marido filhos por severidade, injustiça, par-
não pode hesitar em se sacrificar pelo cialidade ou exercício irracional de
bem-estar de sua esposa. Não deve autoridade’”.5 A disciplina é neces-
desampará-la, tampouco maltratá-la; sária, mas não deve ser exagerada.
antes, deve sustentá-la e protegê-la, Não pode ser aplicada pela raiva,
lembrando que se tornou, no Senhor, mas mediante o amor, até porque o
uma só carne com ela (Gn 2:24). seu objetivo é restaurar.
3. Pais e filhos: Além dos cônju- Além de disciplinar, é dever dos pais
ges, o lar é, também, composto pe- admoestar os filhos, ou seja, instruir,
los filhos. A Bíblia observa que estes ensinar. Não pode haver negligência
são herança do Senhor (Sl 127:3). quanto a isso. É dos pais essa respon-
Por isso, o cuidado para com os fi- sabilidade, não da escola, da igreja,
lhos é muito importante. Para que muito menos da TV. É no lar que a
o relacionamento entre pais e filhos criança aprende a palavra de Deus, ca-
seja santo, a Bíblia adverte tanto a minhando, deitando-se e levantando-
estes quanto aqueles a adotar algu- -se (Dt 6:7). Na admoestação, os pais
mas atitudes fundamentais.
4. Wiersbe (2006:69).
3. Howard (2006:183). 5. Howard (2006:188).

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devem portar-se de maneira exemplar: tão trabalhando para impressionar.
nada de falar uma coisa e fazer outra. É isso que significa não servir à vista
4. Patrões e empregados: Após (v.6). A sinceridade é uma virtude do
dar orientações relacionadas à san- empregado cristão. Deus se agrada
tidade nos relacionamentos entre os de quem a cultiva (v.7).
irmãos em Cristo, marido e esposa e Aos patrões, Paulo ordena: ... de
pais e filhos, Paulo passa a tratar do igual modo procedei para com eles,
relacionamento entre servos e senho- deixando as ameaças, sabendo que
res. Os termos servos e senhores, de o Senhor, tanto deles como vosso,
Ef 6:4-9, referem-se a escravos cristãos está nos céus (v.9). O patrão cristão
e a senhores cristãos, donos de escra- é orientado a não explorar o seu
vos. A escravatura era comum no im- empregado. Não pode cobrar deste
pério romano e resultava “de pessoas mais do que lhe é de direito cobrar,
capturadas em guerra, culpados de cri- nem agir com ameaças. Deve tratá-
me, alguém vendido pelo pai quando -lo com respeito e consideração, sa-
criança, ou alguém desesperadamente bendo que “mesmo depois que um
endividado a um credor”.6 indivíduo torna-se um líder, deve
A nossa cultura, porém, não é escra- continuar liderando para servir”.7
vagista. Contudo, os princípios relacio- Naquela época, o senhor tinha to-
nados aos escravos e senhores podem dos os direitos sobre o escravo, até
ser utilizados aos empregados e pa- mesmo o direito de matá-lo, se este se
trões de hoje. É isso que faremos ago- rebelasse. Os senhores que os “con-
ra. Aos servos, Paulo escreve: ... obe- sideravam como mera propriedade,
decei a vosso senhor segundo a carne não hesitavam em maltratá-los e es-
com temor e tremor, na sinceridade do pancá-los brutalmente.”8 O evange-
vosso coração, como a Cristo (Ef 6:5). lho, no entanto, estava ensinando aos
Os empregados, portanto, de- senhores cristãos uma nova maneira
vem manter, para com os patrões, de lidar com um servo. Espancamen-
uma atitude de respeito. Não devem tos e brutalidade seriam substituídos
se aproveitar deles, mas trabalhar pelo respeito, pois servos e senhores
diligentemente, sem fazer “corpo servem, na verdade, a um só Deus.
mole” no trabalho ou fingir que es-
7. Wiersbe (2006:72).
6. Idem, p.189. 8. Howard (2006:189).

01. Leia Ef 5:21; o item 1 e responda: Que importante orientação


Paulo dá à igreja, no tocante ao relacionamento entre os irmãos em
Cristo? Fale sobre os obstáculos à prática da submissão.

80 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


02. Com base em Ef 5:22,25 e no item 2, comente sobre o papel do
marido e da esposa, no relacionamento conjugal.

03. Que orientação é destinada aos filhos? Baseie-se em Ef 6:1-2 e no


item 3.

04. Que orientação é destinada aos pais? Baseie-se em Ef 6:4 e no item 3.

05. No relacionamento entre patrão e empregado, qual o papel de


um para com o outro? Baseie-se em Ef 6:6-9 e no item 4.

II PARA A IGREJA VIVER

1. Em nossos relacionamentos, submissos? Como anda o nosso re-


sejamos submissos. lacionamento com os nossos pas-
Se quisermos cultivar relacionamen- tores? A submissão é a base desse
tos santos com os nossos irmãos em relacionamento? Há submissão em
Cristo, com os nossos líderes e com os nosso relacionamento conjugal?
nossos pais, não podemos extinguir a Se as nossas respostas a essas per-
prática da submissão. Essa prática não guntas forem positivas, glorifique-
é ultrapassada, mas bíblica e atual. É mos a Deus, pois essa é a vonta-
para nós, deste século presente, como de dele; se não, lancemos fora o
também o era para os irmãos que vive- orgulho e o egoísmo e passemos
ram antes de nós (Ef 5:21). a servir a Deus em submissão uns
Temos agradado a Deus, obede- aos outros.
cendo aos nossos pais e sendo-lhes

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06. Por que a submissão é tão importante em nossos relacionamentos?

2. Em nossos relacionamentos, O empregado cristão, antes de


sejamos respeitadores. tudo, é servo de Deus. O patrão cris-
Relacionamentos santos são, tam- tão, também. Tanto um quanto ou-
bém, respeitadores. Paulo escreveu tro deve agir com respeito. Nada de
a senhores e escravos, numa época exploração ou ameaça. Ao contrário,
em que aqueles eram autorizados, que haja respeito em nossas rela-
por lei, a maltratar estes, como se ções profissionais. Temos glorificado
fossem meras propriedades. Isso a Deus, no local de trabalho, res-
acontecia no mundo, mas, entre os peitando a patrões e empregados?
cristãos, tal prática foi expressamen- “Sim” é a resposta que o Senhor
te repudiada (Ef 6:9). quer ouvir de nós.

07. Por que o respeito é tão importante em nossos relacionamentos?

DESAFIO DA SEMANA

No estudo de hoje, aprendemos princípios importantes que nos


ajudam em nossas relações com os nossos irmãos em Cristo, côn-
juges, filhos, pais, patrões e empregados. Submissão, amor, res-
peito, honra, admoestação, disciplina e diligência são virtudes que
precisam ser praticadas. Bem-aventurado quem assim fizer.
Reflitamos acerca do nosso relacionamento conjugal. Busque-
mos, nele, mais amor e submissão. Dediquemo-nos a honrar e
respeitar os nossos pais, bem como os nossos líderes, no corpo de
Cristo, e os demais irmãos. Como patrões, respeitemos e valorize-
mos os nossos empregados. Como empregados, façamos o mes-
mo aos nossos patrões. Esse é o nosso desafio para esta semana.

82 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


12
SER IGREJA É...

Saber que
há uma guerra
22 DE JUNHO DE 2013 Hinos sugeridos – BJ 188 • BJ 239

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu
da palavra de Deus que
forte poder. Vistam toda a armadura de Deus,
estamos em guerra; apre-
sentar-lhe nosso inimigo, para poderem ficar firmes contra as ciladas
nossas armas e a maneira do diabo, pois a nossa luta não é contra
de nos comportarmos pessoas. (Ef 6:10-12a – NVI)
nessa guerra.
INTRODUÇÃO
Na jornada cristã, mais cedo ou mais tar-
LEITURA DIÁRIA de, todos nós descobrimos esta verdade: esta-
mos em guerra. Temos três inimigos ferozes:
D 16/06 Ef 6:11-12
S 17/06 Ef 6:13
o mundo, a carne e o diabo. Nesta lição, que
T 18/06 Ef 6:14-17 tem por base Efésios 6:10-20, trataremos da
Q 19/06 Ef 6:18-20 nossa luta contra o diabo. Antes, porém, de
Q 20/06 Ef 6:21-22 entrarmos neste assunto, precisamos partir de
S 21/06 Ef 6:23 um pressuposto bem sério: a cruz significou
S 22/06 Ef 6:24 a derrota de Satanás (Cl 2:15). Na cruz, Jesus
deu um golpe fatal no inimigo.
Satanás sabe que pouco tempo lhe resta.
Em sua segunda vinda, Jesus o eliminará com-
pletamente, aprisionando-o primeiro, por mil
anos, e, depois, aniquilando-o. No presente,
a paz da cruz é experimentada em meio às lu-
tas. O inimigo derrotado pelo nosso Senhor
tenta, a todo custo, fazer cair os crentes em
Jesus. Contudo, lembremos: não lutamos tão
somente para conseguir vitória: lutamos em
vitória; lutamos na força do Senhor (Ef 6:10).
Acesse os
Comentários adicionais De qualquer modo, ser igreja é ter consciên-
e os Podcasts cia dessa guerra e lutá-la. É isso que veremos,
deste capítulo em
www.portaliap.com.br neste último estudo sobre a Carta aos Efésios,
tratada nesta série de Lições Bíblicas.

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I PARA A IGREJA SABER

O Brasil foi invadido por um en- vra “ciladas”, ainda em Ef 6:11. Essa
sino antibíblico sobre batalha espi- é a tradução para a palavra grega
ritual: oração de guerra, demônios methodéias, que pode ser entendi-
territoriais, amarração de demônios, da como “métodos artificiosos” ou
quebra de maldições etc. são termi- “métodos de engano”. Esses “artifí-
nologias presentes nesse falso ensi- cios são ciladas perigosas que surgem
no. Daí a urgente necessidade de en- com ares de inocência, mas que são
tendermos o que a Bíblia diz sobre a preparadas para pegar de surpresa o
guerra que enfrentamos e a maneira crente desprevenido”.2 Satanás está
correta de nos posicionarmos nessa sempre na espreita para pegar cris-
condição. À luz de Efésios 6:10-20, tãos desatentos. Cuidemos! Ele não
analisaremos duas informações im- está para brincadeiras. A igreja não
portantes sobre a nossa batalha. pode ignorar essa realidade.
1. Conhecendo o campo de ba- Em segundo lugar, precisamos
talha: Contra quem lutamos? Não saber que o nosso inimigo não está
podemos lutar contra alguém que sozinho em suas investidas. O v. 12
não conhecemos. Há duas coisas alista o nome dos ajudantes do dia-
que precisamos saber sobre nosso bo. Neste texto, somos informados
inimigo: Em primeiro lugar, o escri- sobre a existência de “principados e
tor de Efésios mostra que ele não potestades”, de “dominadores des-
está para brincadeiras. O capítulo 6, te mundo tenebroso”, de “exércitos
versículo 11, refere às “ciladas do espirituais da maldade”. Não temos,
diabo”. O nome do nosso adversário aqui, diferentes tipos de anjos, mas
é “diabo”, do grego “diabolos”, que diferentes hierarquias entre eles.
significa “dado à calúnia”, “difama- O diabo não está sozinho: ele con-
dor”, “o que acusa com falsidade”. seguiu a terça parte dos anjos para
Ele é especialista em fazer isso. ajudá-lo. Por isso, mesmo “não sen-
O diabo é um “querubim” caído do onipresente, onisciente e onipo-
(Ez 28:12-17), o chefe geral de todos tente, tem seus agentes espalhados
os anjos que o acompanharam na por toda a parte, e esses seres caí-
sua rebelião contra Deus. Ele com- dos estão a seu serviço para guerrear
bate pessoalmente e comanda seus contra o povo de Deus”.3 Eles não
espíritos maus contra o crente.1 E tiram férias, não dormem e nem des-
como ele age? Atente para a pala-

2. Idem.
1. Cabral (1999:89). 3. Lopes (2009:179).

84 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


cansam. E quem faz parte do povo em nenhum desses extremos. Am-
de Deus precisa saber disso. bos são perigosos.
Não estamos lutando contra seres 2. Conhecendo as armas para a
humanos (v.12a, NTLH). Apesar de batalha: Diante do inimigo que nos
reais, nós não os vemos. Eles operam foi apresentado, o que devemos fa-
numa realidade invisível: nas regiões zer, segundo a palavra de Deus? Pau-
celestiais (v. 12c). Este termo, em Efé- lo apresenta duas ordens que estão
sios, serve para referir-se ao mundo conectadas: fortaleçam-se no Senhor
invisível da realidade espiritual, segun- e no seu forte poder (v.10). Não lu-
do Stott.4 Nós fomos abençoados com tamos com nossa própria força, mas
todas as bênçãos espirituais nessas re- com a de Deus. É nele que buscamos
giões (1:3), e estamos assentados lá fortalecimento. E como fazemos isso?
com Cristo Jesus (2:6). É nesses luga- Vestindo a armadura de Deus (v. 11).
res celestiais que ocorre essa guerra. Não é ordenado que façamos armas,
Porque entregamos a nossa vida a mas que tomemos as existentes.
Cristo, ganhamos uma posição eleva- Quando recebemos a Cristo como
da. Satanás e seus agentes lutam para Senhor, temos os equipamentos para
nos fazer perdê-la. Nossa luta “nos a guerra espiritual à nossa disposição.
lugares celestiais” é para mantermos Precisamos tão somente “vesti-los”.
essa posição em Jesus. E, se a luta é E para quê? A armadura é para per-
espiritual, não podemos lutar com manecermos firmes (v. 11) e resistir-
armas materiais: As armas com as mos ao dia mau (v. 13). Tomamos a
quais lutamos não são humanas; ao armadura para permanecermos fir-
contrário, são poderosas em Deus (2 mes diante dos ataques do inimigo,
Co 10:4 – NVI). São essas armas que que quer nos derrubar. Com a força
Paulo apresenta à igreja, em Efésios 6. de Cristo e a armadura proporciona-
É importante entendermos que da por ele, temos condições de con-
não devemos supervalorizar Satanás tinuar de pé nessa guerra espiritual.
e seus agentes. Há pessoas que en- Precisamos conhecer essa arma-
xergam o diabo em tudo: se o pneu dura, pois nenhum de nós está livre
do carro fura, consideram isso uma do dia mau. Não se trata de dia no
investida satânica! Por outro lado, sentido literal, de 24 horas, mas de
não podemos menosprezar Satanás, épocas ou oportunidades em que os
como que se ele não existisse e não espíritos malignos atacam a igreja
estivesse tentando prejudicar os se- com mais intensidade. A “roupa”
res humanos, criados à imagem e que nos capacita a resistirmos a es-
semelhança de Deus. Não caiamos ses dias é colocada à nossa disposi-
ção pelo Espírito Santo, quando acei-
4. Stott (2007:15). tamos a Cristo. Assim, inspirado na

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roupa de um soldado romano, Paulo fortes, feitas de couro; davam pro-
alista seis partes dessa armadura: teção e estabilidade nas batalhas; ti-
Em primeiro lugar, temos o cinto nham cravos em baixo, para garantir
da verdade (v. 14a). Era o cinto de maior apoio e impedi-lo de deslizar.7
couro que o soldado romano usava Para ficarmos inabaláveis no dia mau,
para amparar e proteger o abdô- precisamos do evangelho da paz, a
men; servia também para prender a boa nova que nos foi contada. Uma
túnica e sustentar a espada. O cinto vez que o recebemos, temos comu-
o deixava apto para a batalha, pois nhão com Deus. Não somos mais seus
garantia que o soldado não teria im- inimigos. Essa comunhão e essa “paz
pedimento algum, ao marchar.5 Por com Deus”, que vêm com o evange-
isso mesmo, esse elemento é compa- lho, garantem-nos firmeza no dia mau.
rado com a verdade do evangelho, Em quarto lugar, temos o escudo
que nos torna aptos para essa bata- da fé (v.16). A palavra escudo utili-
lha. Firmada na verdade, a igreja está zada por Paulo denota o longo escu-
pronta para a guerra. do retangular que cobria o soldado
Em segundo lugar, temos a cou- inteiro na batalha. Era feito de duas
raça da justiça (v. 14b). A couraça camadas de madeira coladas juntas
do soldado romano era feita de uma e cobertas, primeiro com linho e de-
placa de metal, que cobria a parte pois com couro. Era projetado para
frontal do corpo, desde o pescoço proteger os soldados contra as lan-
até a cintura.6 Paulo compara esse ças e flechas com pontas de fogo
elemento da armadura com a jus- (inflamadas).8 Esse escudo é com-
tiça, que, aqui, é uma referência à parado com a fé, a confiança que
justificação. Fomos declarados ino- depositamos em Cristo, no início da
centes por Deus, quando recebemos nossa jornada cristã. Podemos des-
a Cristo. Em dias maus, o inimigo cansar seguros. A nossa fé em Cristo
não pode mudar essa sentença. Ele funciona como um escudo protetor,
pode até nos acusar, mas suas calú- diante dos dardos do maligno.
nias não mudam o que Deus pensa Em quinto lugar, temos o capace-
de nós. Para ficar firme, diante das te da salvação (v.17a). O capacete do
ciladas dele, lembre-se: você é justo soldado romano, usualmente, era fei-
aos olhos de Deus. to de metal resistente, tal como bron-
Em terceiro lugar, temos as sandá- ze ou ferro.9 Servia para proteger a
lias do evangelho (v.15). As sandálias sua cabeça de golpes mortais. Quan-
que o soldado romano utilizava eram

7. Cabral (1999:90).
5. Stott (2007:212). 8. Stott (2007:216).
6. Lopes (2009:184). 9. Idem.

86 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


do é comparado à salvação, reflete o palavras gregas para se referir à espa-
ensino de que todo salvo por Cristo da dos soldados romanos: uma, que
está a salvo dos ataques mortais de descreve uma espada maior (gr. rhom-
Satanás. O diabo pode até lhe causar phaia), e outra, que descreve uma es-
dano, mas nunca lhe roubará a salva- pada menor, usada no combate corpo
ção. A não ser que você se apostate e a corpo (gr. machaira). É justamente
abandone a Cristo, nada e ninguém o esta última que aparece em Efésios
pode arrancar dos braços do Pai. 6. Esteja sempre pronto para usar a
Em sexto lugar, temos a espada do palavra de Deus, nos dias de intenso
Espírito (v.17b). Essa é a única parte da ataque do inimigo, para não sucumbir
armadura utilizada tanto para defesa diante de suas investidas. Jesus venceu
quanto para ataque. Existem duas o diabo utilizando a palavra.

01. O que o texto de Ef 6:11-12 nos ensina sobre o campo de batalha


em que a igreja está envolvida? Baseie-se no item 1.

02. No que se refere à guerra espiritual e à ação do diabo, quais são os


dois extremos que devemos evitar? Leia o último parágrafo do item 1.

03. Diante do inimigo que nos foi apresentado, o que devemos


fazer, segundo a palavra de Deus? Leia Ef 6:10-11,13 e comente
sobre as duas ordens presentes nesse texto. Para que precisamos da
armadura de Deus?

04. Leia Ef 6:14-15 e fale sobre as três primeiras partes da armadura de


Deus aludidas nesses versículos. Quais são elas e o que nos ensinam?

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05. Leia Ef 6:16-17 e fale sobre as três últimas partes do armamento
disponível a todo crente em Jesus, na guerra espiritual que enfrenta.

II PARA A IGREJA VIVER

1. Não descuidemos da oração, Ainda no mesmo versículo, somos


na guerra espiritual. exortados a orar também de forma
Os versículos finais de Ef 6 ins- perseverante (perseverem na ora-
truem-nos a tomar a armadura de ção). Precisamos entender que orar
Deus em oração. Precisamos estar em com perseverança não é orar até
constante comunhão com Deus, para fazer com que Deus atenda o nosso
conseguirmos “vestir” todas as partes pedido, como que se não aceitásse-
da armadura espiritual, em dias maus. mos a sua vontade, mas é orar ex-
No v.18, somos exortados a orar de pondo-lhe nosso interesse ou nossa
forma constante (orando em todo o preocupação em relação ao motivo
tempo) e vigilante (estejam atentos). da nossa oração. Que essa postura
Vigiar é orar de olhos abertos; é estar nos acompanhe sempre.
sempre atento, o tempo todo.

06. Leia Ef 6:18 e fale sobre que prática precisamos manter, na guerra
espiritual em que estamos envolvidos? Temos levado isso a sério?

2. Não negligenciemos a comu- nosco, e devemos nos esforçar para


nhão, na guerra espiritual. encorajarmos uns aos outros”.10 Fa-
Os últimos versículos deste capítulo zemos parte da família de Deus. Ser
de Efésios (vv. 19-20) apresentam um igreja é saber que há uma guerra em
ensino prático muito importante para que estamos envolvidos também como
todo cristão: não estamos sozinhos, uma família, em que um ajuda o outro.
nesta batalha. Há outros “soldados,
outros crentes que estão lutando co- 10. Lopes (2009:190).

88 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


Numa batalha, uma pessoa tem mos, mas por todos os santos (v.18d).
menos chance de vencer se estiver so- Há outros nesta luta. Não queremos
zinha do que se estiver acompanhada. que apenas nós consigamos ficar de
Por saber disso, Paulo faz o seguinte pé: temos interesse em que nossos
pedido: Orem também por mim (v.19). irmãos de fé também consigam. Por
Não oramos apenas por nós mesmos, isso, oramos: Não nos deixes cair em
diante da guerra espiritual que trava- tentação, mas livra-nos do maligno.

07. Leia Ef 6:19-20 e comente sobre aqueles que nos acompanham


na guerra espiritual. Como igreja, qual deve ser a nossa postura em
relação aos outros?

DESAFIO DA SEMANA

Pode ser que você esteja vivendo dias maus. Temos um inimigo
poderoso, mas que foi derrotado por Jesus, na cruz. Não igno-
remos seus ardis, mas tenhamos certeza de que o que está do
nosso lado é maior, muito maior! Tomemos a armadura de Deus.
Se você é crente em Jesus, ela está à sua disposição. Não precisa
fazer oração de guerra para consegui-la: o próprio Espírito Santo
lhe providenciou esse recurso, quando você recebeu a fé.
Tome a sua armadura, para permanecer firme nos dias maus.
Tome-a em oração, sem desconsiderar os outros soldados que es-
tão com você. Que tal procurar algum irmão em Cristo que não
teve a oportunidade de estudar esta lição e ainda tem conceitos
bem equivocados sobre a guerra espiritual e estudar com ele? Que
tal procurar alguém que esteja enfrentando “dias maus” e orar
com essa pessoa, mostrando o que a Bíblia ensina sobre o enfren-
tamento dos dias maus? Seu desafio é compartilhar e praticar este
ensino, durante esta semana. Que Deus o abençoe.

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13 SÁBADO o

Escola Bíblica,
Programa de Culto
e Sermão

90 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


13 29 DE JUNHO DE 2013
Quando os cativos
são libertos
Hinos sugeridos – BJ 353 • BJ 242

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante Eles atravessaram o mar e foram para a região
que, semelhantes a Jesus,
dos gerasenos. Quando Jesus desembarcou,
diante de pessoas cativas,
precisamos ser moderados, um homem com um espírito imundo veio dos
agir com firmeza e, depois sepulcros ao seu encontro. (Mc 5:1-2)
de vê-las libertas, desafiá-
las a contar aos outros o
que Cristo lhes fez.
INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA A lição desta semana tem como base a his-
tória do endemoniado gadareno. “Gerasa”,
D 23/06 Mc 5:1-3
S 24/06 Mc 5:4-5 ou “Gadara”, como lemos em algumas tradu-
T 25/06 Mc 5:6-8 ções, “é uma região, e não uma vila específica
Q 26/06 Mc 5:9-13 (5:1). O fato de que havia porcos sendo
Q 27/06 Mc 5:14-15
cuidados ali (c.f. 5:11) indica que a região era
S 28/06 Mc 5:16-17
habitada por gentios”.1 Imagine o benefício
S 29/06 Mc 5:18-20
que seria, para aquela população, receber Je-
sus. Alguém grandemente beneficiado foi o
endemoniado gadareno.
Dando prosseguimento às lições da série
“Aprendendo a evangelizar com Jesus”, es-
tudadas a cada 13º sábado, veremos o que
podemos aprender com Jesus, no que diz res-
peito à evangelização dos cativos, estudando
esse episódio. Jesus, ainda hoje, continua li-
bertando cativos e fazendo cumprir a Escritu-
ra, que diz: Deus Pai nos arrancou do poder
Acesse os
Comentários adicionais das trevas e nos transferiu para o Reino do seu
e os Podcasts Filho amado (Cl 1:13 – EP).
deste capítulo em
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1. Adeyemo (2010:1206).

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I AÇÕES DE JESUS NO EVANGELISMO

Você já presenciou um caso de al- Para completar a situação deplo-


guém que ficou possesso? Alguém rável daquele cidadão, a força de-
com uma força incomum, totalmente moníaca que o controlava era tão
fora de si? Nos dias de Jesus, os habi- grande que nenhuma corrente ou
tantes da terra dos gerasenos ou gada- algema conseguia deter sua força
renos tiveram de lidar com uma pessoa (vs.3-4). Marcos usa a palavra “le-
assim. Mas Jesus mudou a situação gião” para descrever o excessivo
daquele homem, que sofria por ser controle dos demônios. Essa palavra
oprimido. Vamos analisar essa história. era usada em referência às tropas ro-
1. Um homem possesso: Depois manas, compostas por cerca de seis
de enfrentar, pela madrugada, uma mil homens, que combatiam a favor
grande tempestade (Mc 4:35-41) e do Império Romano. Assim, aquele
acalmá-la divinamente, Jesus chegou homem estava possesso de muitos
com seus discípulos ao outro lado do espíritos (Mc 5:9). Ele, então, fora de
mar, em terra firme, na região de Ge- si e sem noção, cortava-se com pe-
rasa ou Gadara. Lá, havia outro cená- dras. Segundo Mateus, ninguém se
rio tempestuoso; agora, não mais na aproximava do local, devido a essa
natureza, mas na vida de um homem. possessão demoníaca (Mt 8:28).
O fato de Marcos e Lucas (8:26-39) 2. Um Jesus transformador:
mencionarem um endemoniado ape- Diante de tal cenário e de tal apri-
nas, não significa contradição a Mateus sionamento, aquele homem precisa-
(8:28-34), que menciona dois. É que va ser liberto. Já que a sua família e
Marcos e Lucas só especificaram um.2 a sociedade não foram capazes de
Com isso em mente, vamos à situa- transformá-lo, Jesus se manifestou
ção daquele homem. O relato do san- com poder suficiente para mudar
to evangelho aponta para um homem a sua situação. Jesus não era ou é
dominado por demônios. Seu proble- qualquer um: ele é o Filho do Deus
ma era espiritual (Mc 5:2), o que o le- Altíssimo (Mc 5:8). Não estava ali
vara para longe do convívio familiar e para “entrevistar” entidades demo-
social; afinal, ele fora morar dentro de níacas, mas para transformar a vida
um cemitério, “uma possibilidade real, daquele homem.
pois os sepulcros frequentemente se Os demônios estão debaixo da
localizavam nas cavernas”.3 autoridade de Jesus. Esse texto dei-
xa isso muito claro, por, pelo menos,
2. Hendriksen (2003:244). três motivos. Em primeiro lugar, os
3. Earle et al. (2006:252). demônios reconheceram a divindade

92 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


de Jesus. Veja o que eles fizeram: E, tal desejo e o convocou a fazer de
quando viu Jesus ao longe, correu e sua própria família, cidade e região
adorou-o. E, clamando com grande seu campo missionário.
voz, disse: Que tenho eu contigo, Je- Jesus transformou aquele homem
sus, Filho do Deus Altíssimo? (vv. 6-7). em um verdadeiro “monumento da
Observe que os demônios creem e re- graça”.4 Aquele que é a vida com-
conhecem a divindade de Cristo. pleta deu-lhe a graça de ser transfor-
Em segundo lugar, os demônios mado em “canal de transformação”,
confirmaram a autoridade de Jesus. através da pregação. Agora, era a
Isso fica muito claro no v. 7: Rogo-te hora de proclamar a todos que mu-
por Deus que não me atormentes (NVI dança sua vida sofrera.
– grifo nosso); e no v.10a: E rogou- Jesus o encontrou no caminho e
-lhe muito (grifo nosso). Os demônios lhe fez grande coisa. Mesmo sem ter
evidenciaram, de forma muito clara, merecimento, foi tratado com graça
que estavam debaixo da autoridade por Deus, que lhe proporcionou um
de Jesus. Em terceiro e último lugar, recomeço de vida (At 3:19). O ex-en-
os demônios obedeceram à vontade demoniado tornou-se um missionário,
de Jesus. No versículo 8, Cristo diz: Sai e “saiu para pregar as boas novas na
deste homem espírito imundo, e, de- região predominantemente gentia de
pois de ele lhes dar permissão, saíram e Decápolis, ou Dez cidades (MC 5:20)”.5
entraram nos porcos. Não há demônio Vimos, então, como Jesus tratou
que resistia ao poder de Jesus. tal homem desprezado por familia-
3. Uma missão a cumprir: Após a res e pela sociedade, devido ao seu
“gigantesca” expulsão de demônios estado de terrível possessão. O Se-
daquele homem e o grande prejuízo nhor transformou-o com seu imen-
para os porqueiros – afinal, uns dois so poder. Antes, seu estado era de
mil porcos morreram, após Jesus au- insanidade, mas depois que Cristo o
torizar que os demônios entrassem libertou, ele voltou à sanidade. Se-
neles (Mc 5:11-13) –, o tal gadareno, guiremos a lição com a praticidade
agora liberto e em sã consciência de desse fato real.
fé, queria seguir a Jesus, andar por
seus caminhos, com os outros discí- 4. Lopes (2006:264).
pulos; porém, o Senhor negou-lhe 5. Adeyemo (2010:1207).

01. Discuta com a classe sobre a importância de Jesus ir a Gadara.


Consulte Mc 5:1 e a introdução.

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02. Com base em Marcos 5:2-5 e no item 1, descreva a situação em
que se encontrava o gadareno.

03. Fale sobre a transformação do endemoniado, devido ao seu


encontro com Jesus. Consulte Mc 5:6-17 e o item 2.

04. Quando lemos Mc 5:18-20 e o item 3, como encaramos a missão


dada por Jesus ao gadareno?

II LIÇÕES DE JESUS NO EVANGELISMO

1. Diante de pessoas cativas, po todo. Jesus sabia quem era e o po-


seja moderado. der que tinha. Nós, diante de situações
Aquele endemoniado foi alvo do semelhantes, precisamos lembrar que
poder e da graça de Cristo. Por mais Deus está no comando e tem sob o seu
embaraçoso que seja depararmos controle até as legiões de demônios.
com uma cena de possessão demo- Contenha-se diante de alguém
níaca, não estamos livres disso. Bom cativo pelo inimigo. Você não
seria se nunca deparássemos com precisa ficar desesperado; tampou-
pessoas possessas. Mas, se o próprio co deve aproveitar o momento para
Cristo não foi poupado, não há ra- dar “show”. Você tem o Espírito de
zão para pensarmos que estaremos Deus, e, diante de você, estará quem
livres de situações semelhantes. precisa desesperadamente de Cristo.
Como agir nestas situações? Não desperdice a chance de levar
Precisamos lembrar-nos do modo o evangelho aos cativos. Onde eles
como Jesus agiu. Ele não se apavorou; estão? Olhe ao seu redor. Vença os
mas manteve a cabeça no lugar o tem- obstáculos à evangelização.

94 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


05. Fale sobre o esforço de levar Jesus aos cativos. O que você
precisa fazer para melhorar?

2. Diante de pessoas cativas, Talvez seja o caso de você es-


exerça autoridade. tar boquiaberto com a situação de
No serviço da evangelização, possi- uma pessoa conhecida, comple-
velmente encontraremos pessoas pos- tamente evolvida com as drogas,
sessas. Contudo, devemos lembrar a prostituição ou o roubo. Deus
que Jesus nunca monopolizou a au- pode usar você para levar Jesus
toridade para expulsar demônios. Ali- a essa pessoa. Ele se manifestou
ás, ele mesmo disse que alguns sinais para destruir as obras do diabo (1
acompanhariam os que cressem no Jo 3:8). Pela sua morte, aniquilou o
evangelho: ... em meu nome expulsa- que tinha o império da morte, isto
rão demônios (Mc 16:17). Na autori- é, o diabo (Hb 2:14). O inimigo
dade dele, podemos ordenar aos es- não pode agir fora da autoridade
píritos imundos que se retirem. Com suprema de Jesus. Ele foi derrota-
coragem e firmeza, façamos isso. do por Cristo, na cruz. Você e eu
Observe como aquele endemo- não precisamos andar com medo
niado gadareno estava com a vida da ação dos espíritos maus: Cris-
completamente destruída. Era uma to venceu e tem autoridade so-
calamidade para a sua família e para bre eles. A batalha já foi ganha.
a sociedade. Mas, um dia, aquele Estejamos firmes e disponhamo-
que nos dá vida completa encon- nos para pregar o evangelho tam-
trou-o e transformou-o. bém aos cativos.

06. Fale sobre a transformação que Jesus faz, mesmo em situações


difíceis, através da pregação. Você conhece um caso muito
complicado? Compartilhe, se possível.

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3. Diante de pessoas libertas, Todos fomos libertos por Jesus
constitua multiplicadores. Cristo, devido à graça do Pai (Ef 2:4-
Depois de libertar o gadareno, Je- 5). Somos salvos para compartilhar
sus foi constrangido a sair daquela re- essa graça que nos salvou. Todos
gião. Percebemos que aquelas pesso- nós sabemos que somos discípulos-
as estavam mais interessadas em sua -missionários do Senhor. Sendo as-
economia do que na libertação de sim, precisamos fazer discípulos (Mt
alguém. Ficaram com medo do ende- 28:19-20).
moniado liberto (Mc 5:15) e com rai- Todos nós temos a capacidade de
va, por causa do prejuízo que haviam contar para as pessoas ao nosso re-
tomado. Por isso, Jesus não pôde dor o que Jesus fez em nosso favor
pregar em Decápolis: teve de sair às e como ele teve misericórdia de nós.
pressas daquela região. Contudo, Não deixemos de desafiar aqueles
mesmo assim, as pessoas daquelas que um dia foram libertos por Jesus
cidades ouviram falar dele (Mc 5:20 a contar a sua experiência a outros,
– AS21), através do ex-endemoniado. a contar do grande amor de Jesus a
Jesus o desafiara a falar do evangelho outros. Constituamos multiplicado-
às pessoas que o cercavam. res da mensagem do evangelho.

07. Leia a primeira aplicação, e comente com a classe a nossa


responsabilidade, diante da libertação de uma pessoa cativa. Você
costuma contar o que Jesus fez por você a outros? Costuma desafiar
outros a fazerem o mesmo?

DESAFIO DA SEMANA

Diante desse maravilhoso relato bíblico de transformação, deve-


mos agir para levar o evangelho às pessoas que estão “presas” por
Satanás. Muitas pessoas não conseguiram ser libertas e continuam
escravizadas pelo inimigo. Mas lembremos: Deus é mais.
Nós temos a mensagem que liberta. Por isso, nesta semana e
nas que virão, ore e jejue mais pelas pessoas que você conhece
e que necessitam de libertação. Talvez, isso seja muito difícil para
você. Mas lembre: há um tipo de demônio que só pode ser expulso
com oração e jejum (Mt 17:21 – NTLH). Busque a Deus, e ele lhe
dará graça.

96 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


13o SÁBADO
Sugestão para programa de culto

Abertura Diretor: Então ouvi a voz do Senhor,


conclamando: “Quem enviarei? Quem
Hino: 92 BJ – “O Senhor da ceifa chama”
irá por nós?”
Leitura bíblica: Isaías 6:1-8 - NVI Todos: E eu respondi: Eis-me aqui.
Diretor: No ano em que o rei Uzias Envia-me!
morreu, eu vi o Senhor assentado num Oração
trono alto e exaltado, e a aba de sua ves-
te enchia o templo. Acima dele estavam Palavra pastoral
serafins; cada um deles tinha seis asas:
com duas cobriam o rosto, com duas co- Louvores:
briam os pés e com duas voavam.
Geração Metanoia
Igreja: E proclamavam uns aos ou- Compositores: Elio Mendes, Siderley Porcel, Pa-
blo Jr. / CD Geração Metanoia
tros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos
Exércitos, a terra inteira está cheia da sua Não quero viver
glória”. Ao som das suas vozes os baten- Minha geração
tes das portas tremeram, e o templo fi- Caminhando sem destino
cou cheio de fumaça. Pra qualquer lugar.
Eu não posso me calar,
Diretor: Então gritei: Ai de mim! Es- Se conheço a Luz.
tou perdido! Pois sou um homem de lá- Todo mundo precisa saber:
bios impuros e vivo no meio de um povo Jesus é salvação.
de lábios impuros; os meus olhos viram Deixa a Luz brilhar;
o rei, o Senhor dos Exércitos! Logo um Seu poder pode te transformar.
dos serafins voou até mim trazendo uma
Minha mente mudou;
brasa viva, que havia tirado do altar com Hoje posso ver
uma tenaz. Que sem ele não dá pra viver.
Igreja: Com ela tocou a minha boca e
Vou seguir a Jesus,
disse: “Veja, isto tocou os seus lábios; por Levarei minha cruz;
isso, a sua culpa será removida, e o seu Nego a mim mesmo;
pecado será perdoado”. Viva Cristo em mim!

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Quero fazer diferença Mostra-me tua glória,
Não ser mais um na multidão. Que enche a terra,
Eis-me aqui, Senhor, usa-me! Tua glória entre os povos,
Nova criação eu sou; Teus tesouros
Tudo novo se tornou, em Jesus. E riquezas,
Tua glória entre os povos.

Dedicação das ofertas Ofereço minha vida


(música instrumental) Igreja Bíblica da paz
Compositores: Claire Cloninger E Don Moen -
Louvores: http://letras.mus.br/igreja-biblica-da-paz/759743/
Consagração
Aline Barros Tudo o que sou, tudo o que tenho
http://letras.mus.br/aline-barros/44039/ Está diante de ti, Senhor.
Minhas tristezas e alegrias
Ao Rei dos reis consagro tudo o que sou; A ti entrego agora, Senhor.
De gratos louvores transborda o
meu coração. Ofereço minha vida a ti.
A minha vida eu entrego nas tuas mãos Usa o meu viver para tua glória.
meu Senhor, Os meus dias são teus, Senhor.
Pra te exaltar com todo meu amor. Que seja o meu louvor sacrifício agradável.
Eu te louvarei conforme a tua justiça Minha vida eu te dou.
E cantarei louvores pois tu és altíssimo.
O meu passado, o meu futuro,
Celebrarei a ti ó Deus com meu viver, Sonhos que um dia se realizarão,
Cantarei e contarei as tuas obras, Minha esperança e os meus planos,
Pois por tuas mãos foram criados Todo o meu ser pertence ao Senhor.
Terra céu e mar e todo ser que neles há.
Toda a Terra celebra a ti, com cânticos Ofereço minha vida a ti.
de júbilo, Usa o meu viver para tua glória.
Pois tu és o Deus criador. (bis) Os meus dias são teus, Senhor.
Que seja o meu louvor sacrifício agradável.
A honra, a glória, a força Minha vida eu te dou.
E o poder ao Rei Jesus,
E o louvor ao Rei Jesus. Dou-te porque me deste primeiro.
Tudo o que tenho já pertence ao Senhor.
A minha vida é tua somente.
Usa-me
Me rendo a ti, meu Senhor.
Diante do Trono / Compositor: Renan Uchôa -
http://letras.mus.br/diante-do-trono/287271/
Mensagem: “Deixe Deus usar
As nações esperam por ti, Senhor, a sua vida”
Pelos pés dos que anunciam boas novas,
Pelos olhos que se compadecerão, Momento de oração
Pelas mãos que feridas tocarão.
Quero ir por ti.
Hino: 189 BJ – “Um vaso de bênção”
Benção apostólica
Dá-me o teu coração.
Quero ver como tu vês
E amar os povos e as vidas perdidas.
Usa-me, sim, usa-me como um instrumento!
Usa-me!

98 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


Sermão

DEIXE DEUS USAR


A SUA VIDA
At 8:4-8,26-40

A paz de Cristo, irmãos. Deus, por sua graça, concedeu-nos mais essa
oportunidade para meditarmos na quarta mensagem bíblica da série “Pesca-
dores de homens”. Hoje, queremos tratar, de maneira muito pessoal, sobre
o tema “Deixe Deus usar sua vida”. O texto bíblico que nos servirá de base
é Atos capítulo 8, versículos 4 a 8 e, depois, versículos 26 a 40. Na versão
Almeida Revista e Atualizada diz:

Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a pala-
vra. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As mul-
tidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo
os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos
saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E
houve grande alegria naquela cidade.
Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do
Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se
levantou e foi. Eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha
dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que viera
adorar em Jerusalém, estava de volta e, assentado no seu carro, vinha len-
do o profeta Isaías. Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro
e acompanha-o. Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou:
Compreendes o que vens lendo? Ele respondeu: Como poderei entender,
se alguém não me explicar? E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a
ele. Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como
ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador,

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assim ele não abriu a boca. Na sua humilhação, lhe negaram justiça; quem
lhe poderá descrever a geração? Porque da terra a sua vida é tirada. Então,
o eunuco disse a Filipe: Peço-te que me expliques a quem se refere o pro-
feta. Fala de si mesmo ou de algum outro? Então, Filipe explicou; e, come-
çando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus. Seguindo eles
caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água, disse o eunuco:
Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? Filipe respondeu: É lícito,
se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo
é o Filho de Deus. Então, mandou parar o carro, ambos desceram à água, e
Filipe batizou o eunuco. Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arre-
batou a Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu cami-
nho, cheio de júbilo. Mas Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além,
evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia.

Provavelmente, a maioria já leu ou ouviu sobre essa história. Apesar disso,


precisamos conhecer melhor seus personagens. Vamos começar pelo eunuco
etíope. Ele era superintendente de todo o tesouro real, no reinado de Canda-
ce, rainha dos etíopes (At 8:27). Não sabemos muito mais que isso sobre ele.
Sabemos, contudo, que Deus estava agindo para salvar sua vida. Para isso,
usaria Filipe. Apesar de o Novo Testamento revelar quatro homens com esse
nome, o Filipe de Atos 8 é o diácono. No primeiro século, os cristãos de ori-
gem grega reclamavam que suas viúvas estavam sendo desprezadas na dis-
tribuição de alimentos. Os apóstolos, então, escolheram sete homens de boa
reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, que passaram a cuidar
dessa questão (At 6:1-3). Dentre esses diáconos, estava Filipe, que, durante a
perseguição aos cristãos, em Jerusalém, foi para Samaria.
A partir desse momento, Filipe começa a ser usado poderosamente por
Deus na proclamação (At 8:4-8). Tanto é assim que também é chamado de
Filipe, o evangelista (At 21:8). É interessante notar que, em pleno livro que
narra os atos dos apóstolos, um diácono é usado como qualquer um destes.
Deus não usa apenas apóstolos, pastores, missionários (as), obreiros (as),
diáconos ou diaconisas. Ele também usa pessoas comuns. Usa homem ou
mulher, criança ou idoso, negro ou branco, pobre ou rico. Deus pode usar
nossa vida para a pregação do evangelho. Precisamos deixá-lo fazer isso!
O que acontece, quando deixamos Deus usar a nossa vida? Com base em
Atos 8:4-8 e 8:26-40, temos três ensinos que respondem essa pergunta.
O primeiro deles é:

100 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


I – SE DEIXARMOS DEUS USAR A NOSSA VIDA NA PROCLAMAÇÃO,
A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO SERÁ NOTÓRIA
O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, revela que Deus deseja que to-
dos os homens sejam salvos (2Tm 2:4), e decidiu usar pessoas; decidiu usar-
-nos. Mas, não somos os protagonistas na proclamação. No livro de Atos,
os protagonistas não são os apóstolos, diáconos ou quaisquer outras pesso-
as, mas, sim, o próprio Espírito Santo. É ele quem atua poderosamente na
vida daqueles que permitem ser usados por Deus. Se deixarmos o Senhor
usar a nossa vida, na proclamação, a atuação do Espírito, que é Deus, será
notória. A partir do exemplo de Felipe, vejamos como se caracteriza essa
atuação do Espírito, na prática:
Em primeiro lugar, o Espírito atua oferecendo-nos sua companhia na pro-
clamação. O relato bíblico revela a presença do Espírito Santo, no início, no
meio e no fim dessa história. O versículo 26 diz que um anjo do Senhor falou
a Filipe. Neste caso, Lucas revela que esse anjo é, na realidade, o Espírito do
Senhor (vv.29,30). Filipe “está a serviço do Senhor, cujo Espírito se comunica
com ele por meio de um anjo”.1 Já os versículos 29 e 39 mostram o mesmo
Espírito falando e arrebatando o diácono. Aprendemos, nesses relatos, que
ele nos acompanha nas atividades evangelística e missionária. Não estamos
sós, quando falamos de Jesus. O Espírito de Deus está conosco.
Em segundo lugar, o Espírito atua oferecendo-nos sua orientação na pro-
clamação. Ainda nos versículos 26 e 29 de Atos 8, percebemos duas ex-
pressões importantes. A primeira é: ... falou a Filipe dizendo (v.26); a outra
é: ... disse o Espírito a Filipe (v.29). As duas são seguidas de orientações: ...
apronte-se e vá para o sul (...); chegue perto dessa carruagem e acompanha-a
(NTLH). Que maravilha saber que o Espírito de Deus não é apenas um compa-
nheiro na proclamação, mas, também, um orientador! Ele conhece caminhos
que nós desconhecemos. Conhece corações sedentos que nos passam des-
percebidos. Por isso, orienta-nos na proclamação.
Diante da sua orientação, precisamos obedecer-lhe! Dissemos que, nos
versículos 26 e 29, Filipe foi orientado; porém, não podemos esquecer que
as orientações foram em forma de ordens. Observem: ... apronte-se e vá;
chegue perto; acompanha-a. Aqui, não vemos pedido algum. Trata-se de
ordens do Espírito Santo ao servo de Deus. Como devemos agir diante de
uma ordem sua? Filipe nos ensina: ele se aprontou e foi e correndo. De-
vemos obedecer ao Senhor com preparo e urgência. Na proclamação, não

1. Kistemaker (2006:410).

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existe lugar para a desobediência. Obedeçamos, e a atuação do Espírito
será notória em nossa vida.
Pois bem, aprendemos que, se permitirmos que Deus use a nossa vida na
proclamação, a atuação do Espírito será notória. Vejamos, agora, o segundo
ensino sobre o que acontece, quando deixamos Deus usar a nossa vida:

II – SE DEIXARMOS DEUS USAR A NOSSA VIDA NA PROCLAMAÇÃO,


A APRESENTAÇÃO DO EVANGELHO SERÁ EFICAZ
O apóstolo Paulo diz que a fé vem pelo ouvir o evangelho a respeito
de Cristo (Rm 10:17 – NVI). Mas como os perdidos ouvirão o evangelho,
se não lhes falarmos a respeito? (Rm 10:14). Temos a sublime tarefa de
proclamar o evangelho de forma eficaz. Em Atos capítulo 8, Filipe é usado
por Deus para proclamar as boas novas sobre Jesus ao tesoureiro etíope, e
sua apresentação do evangelho foi eficaz. É importante entendermos que
uma apresentação eficaz do evangelho não acontece só quando a pessoa
evangelizada se converte: acontece quando o verdadeiro evangelho, em
sua essência, é proclamado no poder do Espírito. Devemos, então, ter
consciência de três questões:
Em primeiro lugar, precisamos ter consciência da necessidade da procla-
mação. A proclamação não pode ser negligenciada. Aqueles que recebem
poder e dependem do Espírito Santo não têm o direito de se calar perante
a necessidade de falar sobre a salvação em Jesus Cristo. Não podemos
cruzar os braços e terceirizar o “Fazei discípulos” de Cristo. As palavras do
eunuco etíope soam como um clamor dos não-salvos a nós, cristãos: Pois
como poderei entender, se alguém não me ensinar? (8:31). Assim como o
eunuco etíope, muitas pessoas, ao nosso redor, estão sedentas por Jesus
(Rm 10:14). O profeta Isaías nos ensina como atender essa necessidade:
Eis-me aqui, envia-me a mim (Is 6:8).
Em segundo lugar, precisamos ter consciência do conteúdo da proclama-
ção. Além de a proclamação ser necessária, tem um conteúdo inegociável.
Percebam que Filipe, por duas vezes, nos versículos 5 e 35, anuncia Jesus,
o Cristo. Em tempos em que muitas mensagens atrativas são pregadas, é
imprescindível sabermos que quem deseja ser usado pelo Pai, terá como
conteúdo da proclamação o Filho. O tesoureiro etíope, por exemplo, não
compreendia a quem o texto de Isaías 53:7,8 se referia. Então, Filipe passou
a ensinar-lhe. Kistemaker conclui que porções do Antigo Testamento expli-
cadas à luz dos ensinamentos, dos sofrimentos, da morte e da ressurreição

102 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


de Jesus formaram o sermão de Filipe.2 O foco não era Filipe ou o profeta
Isaías, mas o Servo Sofredor. O proclamador honesto das Escrituras sempre
“sairá de cena” (At 8:39) e terá um único conteúdo: Jesus.
Em terceiro lugar, precisamos ter consciência do método da proclamação.
Em Atos 8:31-35, Filipe, sendo usado por Deus, ensina-nos um método efi-
caz de proclamar. Primeiro, aborda o Etíope, perguntando: Entendes o que
estás lendo? (8:30). Uma boa abordagem permitirá um ambiente favorável.
Depois, ele se aproxima: ... e convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele
(8:31). Filipe aceita o convite e assenta-se junto ao eunuco. Não devemos
nos manter distantes e mecânicos na proclamação: precisamos nos envolver
com as pessoas. Em seguida, ele ensina: Filipe tomou a palavra e, começan-
do por esta escritura, anunciou-lhe a Jesus (8:35). Quem se propõe ser usado
por Deus, deve dispor de tempo e de certo conhecimento bíblico. Contudo,
todo método pode ser contextualizado. O conteúdo da proclamação é ine-
gociável, mas a maneira de proclamar é diversa.

Até aqui, aprendemos que, se permitirmos que Deus use a nossa vida na
proclamação, a atuação do Espírito será notória e a apresentação do evange-
lho será eficaz. Vamos, agora, ao último ensino.

III – SE DEIXARMOS DEUS USAR A NOSSA VIDA NA PROCLAMAÇÃO,


OS RESULTADOS PRÁTICOS SERÃO VISÍVEIS
Jesus disse aos seus discípulos, antes de retornar aos céus, que alguns
sinais acompanhariam os que cressem nele como Senhor (Mc 16:15-18). E
isso, de fato, aconteceu. Quando seus discípulos dispuseram-se a proclamar
o evangelho, vários resultados práticos foram vistos. O diácono Filipe viu três
bênçãos, como resultados da ação de Deus, através da sua vida. Em primeiro
lugar, Filipe viu milagres acontecerem. Os milagres acompanham a proclama-
ção. As pessoas “atendiam às palavras de Filipe especialmente pelo fato de
serem confirmadas por sinais: os possessos de espíritos imundos eram liber-
tos, e os paralíticos e coxos eram curados”.3
Um dos desafios para nossa geração é crer que Deus ainda realiza mila-
gres. Somos uma igreja que acredita e ora por curas e prodígios. A igreja de
Atos nunca deixou de pedir a Deus que continuasse estendendo a sua mão
para realizar sinais e feitos extraordinários pelo nome de Jesus (At 4:30b).

2. Kistemaker (2006:410).
3. Adeyemo (2010:1349).

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No livro de Atos, os sinais acompanhavam a pregação do evangelho. Aliás,
o próprio Jesus disse: Estes sinais acompanharão [gr. parakoloythései – “se-
guir ao lado”] os que crerem (Mc 16:17). E, depois, saindo os discípulos,
pregaram por toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando
a palavra com os sinais (Mc 16:20). Na obra missionária, não abandonemos
a súplica: “Senhor, realiza sinais extraordinários!”.
Em segundo lugar, Filipe viu pessoas sendo salvas. Uma dessas pessoas foi
o etíope, que experimentou a benção da salvação. O escritor Lucas relata:
... chegando a certo lugar onde havia água, disse o eunuco: Eis aqui água;
que impede que seja eu batizado? Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo
o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus
(8:36,37). Cumpriu-se na vida dele a condição de Jesus para a salvação:
Quem crer e for batizado será salvo (Mc 16:16). Nenhuma outra benção é
maior que a da salvação. O Deus abençoador é, principalmente, salvador e
conta conosco. Não esqueçamos: somos salvos para salvar.
Em terceiro lugar, Filipe viu grande alegria. As duas vezes em que Filipe
aparece, no capítulo 8, vemos a alegria tomar conta do cenário. Na primeira
vez, o povo daquela cidade ficou muito alegre (8:8). Trata-se dos samarita-
nos, povo sofrido, descriminado e com muitas enfermidades. Em tempos de
tanta tristeza, por causa de pobreza, violência, doença e morte, podemos,
também, ser usados por Deus para levar alegria a nossa comunidade. Na
segunda vez, o eunuco etíope continuou a sua viagem, cheio de alegria
(8:39 – NTLH). Ele era um homem importante, no reino etíope, mas, agora,
regozijava-se por fazer parte do reino de Deus. Não devemos pensar que
pessoas ricas ou bem-sucedidas não precisam dessa alegria. Deixemos Deus
nos usar para levarmos alegria a nossa casa, a nossa rua, ao nosso trabalho,
a nossa faculdade, enfim, onde nós estivermos.

CONCLUSÃO
Como vimos, Deus usou Filipe poderosamente para realizar seus desígnios
nos samaritanos e no tesoureiro etíope. Talvez Filipe não tivesse a consciên-
cia do alcance de suas obras. Mas, ao que tudo indica, o etíope também foi
usado por Deus no seu país, cumprindo, assim, o mandamento de ser tes-
temunha até os confins da terra. Samaria e a Etiópia foram alcançadas pelo
verdadeiro evangelho de Cristo. E nossa casa? E a nossa comunidade?
Irmãos, Deus é Deus de pessoas, como está escrito em Êxodo 3:6: Eu
sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus
de Jacó. Esse mesmo Deus usa pessoas para cumprir seus propósitos na

104 Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2013


proclamação. Essa honra foi negada aos anjos. Portanto, coloquemo-nos
à disposição dele. Não permitamos que cargos e funções dentro da igreja
nos limitem. Os presbíteros, diáconos, membros e congregados precisam
proclamar a boa notícia a respeito de Jesus. Somos desafiados a depender-
mos do Espírito Santo, na proclamação, para que as bênçãos da salvação,
dos milagres e da alegria alcancem pessoas sedentas por Cristo. Vamos nos
juntar ao grupo de Filipe, e deixemos que Deus nos use.

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