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DIREITO AMBIENTAL

BENS PÚBLICOS AMBIENTAIS E COMPETÊNCIA


LEGISLATIVA AMBIENTAL

Por Fernanda Evlaine


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SUMÁRIO

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ...................................................................................................................... 3


2. BENS PÚBLICOS AMBIENTAIS ................................................................................................................. 4
3. COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS ................................................................ Error! Bookmark not defined.
4. LC 140/2011 .................................................................................................... Error! Bookmark not defined.
5. ART. 225, CF ........................................................................................................................................... 145
6. JULGADOS PERTINENTES ..........................................................................................................................17
7. DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO .................................................. Error! Bookmark not defined.
8. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA ................................................................................ Error! Bookmark not defined.
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ATUALIZADO EM 10/01/20181

Amiga e amigo cicleiro, esse é um assunto em que 99% das questões são resolvidas com a
mera leitura atenta da letra da lei. Por isso, optamos por trazer uma FUC com transcrição dos
dispositivos mais incidentes em prova, alguns comentários para elucidar a sua leitura e, é claro, aquele
1% (não diz vagabundo!!) de juris (#AjudaMarcinho) que a gente adora. Simbora?

BENS PÚBLICOS AMBIENTAIS E COMPETÊNCIA LEGISLATIVA AMBIENTAL

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Com o advento da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, as normas de


proteção ambiental são alçadas à categoria de normas constitucionais com a elaboração de capítulo
especialmente dedicado à proteção do meio ambiente, tema que permeia todo o texto constitucional.

Outra importante vantagem da constitucionalização da ordem pública ambiental é permitir o


controle de constitucionalidade de atos normativos hierarquicamente inferiores que, de alguma forma,
ultrajem as normas de proteção ambiental.

A atuação do Estado, a partir da Constituição de 1988, deve sempre estar direcionada à


implementação do princípio do desenvolvimento sustentável e à proteção do meio ambiente saudável.

Além disso, é importante observar que o direito ao meio ambiente equilibrado pressupõe o
cumprimento da obrigação de proteção ambiental.

A Constituição de 1988 protege o meio ambiente equilibrado tanto como direito


subjetivo, quanto como direito objetivo.
Dimensão Objetiva Dimensão subjetiva
Reconhece o direito ao meio ambiente Admite o meio ambiente equilibrado
equilibrado como dever ou tarefa como direito individual e de liberdade de
estatal.
cada indivíduo de acesso, uso e gozo de
um ambiente saudável.

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As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de
diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos,
porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do
material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas
jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos
eventos anteriormente citados.
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 O meio ambiente saudável é classificado pela doutrina clássica como interesse difuso e
de terceira geração.2
 Segundo recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, o grande risco oferecido, a
toda a humanidade, pelo dano ambiental, é um dos principais argumentos para que o direito a sua
reparação seja considerado imprescritível.

 Cabe destacar nesse momento, por estarem expressamente previstas na Carta Magna
de 1988, duas ações constitucionais imprescindíveis para a efetiva proteção do meio ambiente como
interesse transindividual: a Ação Civil Pública e a Ação Popular Ambiental.

2. BENS PÚBLICOS AMBIENTAIS

Os bens naturais situados no território nacional poderão sofrer, de alguma forma, influência
do Poder Público, pois, ainda que não sendo proprietário de todos os bens, o Estado pode instituir
regimes jurídicos específicos que afetem os recursos naturais. Nos termos da Lei de Política Nacional
do Meio Ambiente (Lei 6.938/81), são recursos ambientais a atmosfera, as águas interiores,
superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera,
a fauna e a flora.

 Os bens naturais, objetos do Direito Ambiental, normalmente são classificados como


"bens de uso comum do povo" ou como "bens de uso especial", em função de sua destinação ou
afetação a fins públicos.

 Importante frisar que a expressão "bem de uso comum do povo" utilizada no caput do
artigo 225 da Constituição de 1988 não se refere à classificação dos bens públicos. Ao atribuir a
característica de bem de uso comum do povo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, o intuito
do legislador constituinte foi o de reforçar a ideia de interesse transindividual no meio ambiente
saudável, tendo em vista a titularidade coletiva dos bens naturais. O Poder Público é mero gestor do
meio ambiente, que pode ser classificado como patrimônio público em sentido amplo, a ser
necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo.

#OLHAOGANCHO

Art. 225, §4º, CF: A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal
Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei,

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A VUNESP (TJ/SP – 2013) considerou correta a seguinte assertiva: O direito ao meio ambiente, como direito de terceira
geração ou terceira dimensão, apresenta uma estrutura bifronte, cujo significado consiste em contemplar direito de defesa
e direito prestacional.
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dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos
recursos naturais.

O termo “patrimônio nacional” é utilizado no sentido de valor e importância de tais biomas


para a proteção ambiental e não como bem pertencente à União. RE 300244, STF: “Não é a Mata
Atlântica, que integra o patrimônio nacional a que alude o artigo 225, §4º, da Constituição Federal,
bem da União”.

Ao atribuir a "titularidade" de alguns bens ambientais aos entes federados, a Constituição não
está outorgando a eles o domínio de todos esses bens. Como já analisado, o meio ambiente é um bem
de uso comum do povo, de titularidade coletiva. A União, os Estados ou os Municípios são os gestores
dos recursos naturais elencados na Constituição, sendo responsáveis, portanto, por sua administração
e por zelar pela sua adequada utilização e preservação, em benefício de toda a sociedade.

2.1. BENS FEDERAIS:


Art. 20. São bens da União:

I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;

II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções


militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;

Em resumo, as terras devolutas destinadas à conservação da natureza, indispensáveis à


preservação ambiental, são bens da União (art. 20, II, CRFB/ 1988), e podem ser classificadas como
bens públicos de uso especial, por possuírem destinação pública específica.

III - Os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem
mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou
dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;

Segundo os critérios definidos pela ANA (Agência Nacional de Águas), os trechos de rios que
compõem os cursos principais das bacias hidrográficas que transpassam ou compõem limites estaduais
são de domínio federal.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA

Possibilidade de os estados-membros disporem sobre fontes de abastecimento de água

É possível que o Estado-membro, por meio de decreto e portaria, determine que os usuários
dos serviços de água mantenham em suas casas, obrigatoriamente, uma conexão com a rede pública
de água.
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O decreto e a portaria estaduais também poderão proibir o abastecimento de água para as
casas por meio de poço artesiano, ressalvada a hipótese de inexistência de rede pública de
saneamento básico. STJ, 2ª Turma. REsp 1.306.093-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
28/05/2013 (Info 524).

IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as
ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto
aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;

V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;

VI - o mar territorial;

A definição dos conceitos de "plataforma continental", "zona econômica exclusiva" e "mar


territorial" foram consagrados na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, celebrada em
Montego Bay, Jamaica, em 1982.

O mar territorial brasileiro compreende uma faixa de doze milhas marítimas de largura
(cerca de 22 quilômetros), medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular, tal
como indicada nas cartas náuticas de grande escala, reconhecidas oficialmente no Brasil.

Já a zona econômica exclusiva (ZEE) brasileira compreende uma faixa que se estende das
doze às duzentas milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a
largura do mar territorial.

A plataforma continental, por sua vez, compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas
que se estendem além do seu mar territorial, em toda a extensão do prolongamento natural de seu
território terrestre ou até uma distância de duzentas milhas marítimas das linhas de base.
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(...)
VIII - os potenciais de energia hidráulica;

Assim, será considerado bem da União o potencial de energia hidráulica, mesmo que esteja
localizado em um rio cujo curso d' água seja restrito ao território estadual.

IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;

XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

§ 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem
como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo
ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos
minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva,
ou compensação financeira por essa exploração.

§ 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras


terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território
nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.

2.2. BENS ESTADUAIS:


Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:

I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas,


neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;

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OFF TOPIC: SIM, isso cai em prova. Manda quem pode, obedece quem quer passar. Partiu memorizar
essa abençoada e útil informação.
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II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas
sob domínio da União, Municípios ou terceiros;

III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;

IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

2.3. BENS MUNICIPAIS:


Os municípios, apesar de não contemplados expressamente na partilha constitucional,
obviamente têm o "domínio" de uma série de bens, como as ruas, praças, jardins públicos, os edifícios
públicos municipais, as unidades de conservação municipais, dentre outros.

3. COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS:

Na repartição de competências legislativas, o critério norteador será o princípio da


predominância do interesse, de modo que à União caberão aquelas matérias de predominante
interesse nacional (geral); aos Estados matérias de predominante interesse regional; e aos Municípios
matérias de predominante interesse local.

3.1. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO:

Importante perceber que quando o tema se refere à exploração econômica de recursos


naturais com potencial energético (como os recursos minerais, atividades nucleares e as águas para
geração de energia), a competência legislativa é privativa da União, mesmo porque nesses casos, os
referidos bens são da União (ex: recursos minerais, art. 20, IX da CRFB/ 1988) ou estão relacionados a
atividades monopolizadas pela União (ex: atividades nucleares, art. 177, V, da CRFB/ 1988).

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:


(...)
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;
(...)
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial;
(...)
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
(...)
XIV - populações indígenas;
(...)
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais;
(...)
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
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3.2. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DO ESTADO:

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem,
observados os princípios desta Constituição.

§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta
Constituição.

§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás
canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua
regulamentação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 5, de 1995)

§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas,


aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para
integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

3.3. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DO MUNICÍPIO:

Vale lembrar que, muito embora ao Município não tenha a Constituição instituído
competência legislativa exclusiva em matéria ambiental, nos termos do art. 30, I da CRFB/ 1988,
compete aos Municípios "legislar sobre assuntos de interesse local”.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #AJUDAMARCINHO: Inconstitucionalidade de Lei Municipal que


proíbe a queima da cana

O Município é competente para legislar sobre o meio ambiente, juntamente com a União e o
Estado-membro/DF, no limite do seu interesse local e desde que esse regramento seja harmônico com
a disciplina estabelecida pelos demais entes federados (art. 24, VI, c/c o art. 30, I e II, da CF/88).

O STF julgou inconstitucional lei municipal que proíbe, sob qualquer forma, o emprego de
fogo para fins de limpeza e preparo do solo no referido município, inclusive para o preparo do
plantio e para a colheita de cana-de-açúcar e de outras culturas.

Entendeu-se que seria necessário ponderar, de um lado, a proteção do meio ambiente obtida
com a proibição imediata da queima da cana e, de outro, a preservação dos empregos dos
trabalhadores que atuem neste setor. No caso, o STF entendeu que deveria prevalecer a garantia dos
empregos dos trabalhadores canavieiros, que merecem proteção diante do chamado progresso
tecnológico e da respectiva mecanização, ambos trazidos pela pretensão de proibição imediata da
colheita da cana mediante uso de fogo.
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Além disso, as normas federais que tratam sobre o assunto apontam para a necessidade de se
traçar um planejamento com o intuito de se extinguir gradativamente o uso do fogo como método
despalhador e facilitador para o corte da cana. Nesse sentido: Lei 12.651/2012 (art. 40) e Decreto
2.661/98. STF. Plenário. RE 586224/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/3/2015 (repercussão geral)
(Info 776).

#IMPORTANTE Os Municípios podem legislar sobre Direito Ambiental, desde que o façam
fundamentadamente. STF. 2ª Turma. ARE 748206 AgR/SC, Rel Min. Celso de Mello, julgado em
14/3/2017 (Info 857).
* #IMPORTANTE O Município tem competência para legislar sobre meio ambiente e controle
da poluição, quando se tratar de interesse local. Ex: é constitucional lei municipal, regulamentada por
decreto, que preveja a aplicação de multas para os proprietários de veículos automotores que
emitem fumaça acima de padrões considerados aceitáveis. STF. Plenário. RE 194704/MG, rel. orig.
Min. Carlos Velloso, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 29/6/2017 (Info 870).

3.4. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

(...)

VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos
naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;

VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;

VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;

(...)

§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer


normas gerais.

§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados.

§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência


legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.
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§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual,
no que lhe for contrário.

Pode-se dizer que existe um verdadeiro Paralelismo Triplo de Normas Ambientais


(#DeOlhoNaNomenclatura). A União editará as regras gerais; os Estados e o DF, observadas as normas
gerais, editarão normas observando seus interesses regionais, enquanto que os municípios as editará
de acordo com os interesses locais, mas sempre observando aquelas que lhe sobrepõem.

* #IMPORTANTE: As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são constitucionais. O art. 2º da Lei
federal nº 9.055/95, que autorizava a utilização da crisotila (espécie de amianto), é inconstitucional.
Houve a inconstitucionalidade superveniente (sob a óptica material) da Lei nº 9.055/95, por ofensa ao
direito à saúde (art. 6º e 196, CF/88); ao dever estatal de redução dos riscos inerentes ao trabalho por
meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso XXII, CF/88); e à proteção do meio
ambiente (art. 225, CF/88). STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Dias Toffoli, julgado em 24/8/2017 (Info 874) STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa
Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886)4.

3.5. COMPETÊNCIA MATERIAL (ADMINISTRATIVA):

Ao contrário da competência legislativa, a competência material não confere poder para


legislar sobre matérias por ela abrangidas, mas apenas atribui o poder de execução. A competência
material subdivide-se em competência material exclusiva e competência material comum.

 EXCLUSIVA: União.

Art. 21. Compete à União:

(...)

IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de


desenvolvimento econômico e social;

(...)

XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:

4Esse julgado é muito importante. Você precisa ler todo e ter conhecimento da fundamentação para compreender, ok?
Que tal dar uma pausa na FUC e correr para os comentários do nosso amigo Marcinho? #AJUDAMARCINHO. Basta acessar
o link: http://www.dizerodireito.com.br/2017/09/e-proibida-utilizacao-de-qualquer-forma.html
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a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 8, de 15/08/95:)

b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de


água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;

c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária;

d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras


nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território;

e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros;

f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;

(...)

XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de


âmbito nacional;

(...)

XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de


outorga de direitos de seu uso; (Regulamento)

XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento


básico e transportes urbanos;

(...)

XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio


estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio
de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:

a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e
mediante aprovação do Congresso Nacional;

b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos


para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
49, de 2006)
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c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de
radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 49, de 2006)

d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa; (Redação


dada pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)

XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;

XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em


forma associativa.

 COMUM: União, DF, Estados e Municípios.

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

(...)

VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;

VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;

VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;

IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais


e de saneamento básico;

X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração


social dos setores desfavorecidos;

XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de


recursos hídricos e minerais em seus territórios;

(...)

Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-
estar em âmbito nacional.

A regulamentação para a divisão das competências administrativas deve se dar por lei
complementar.
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Somente em 08/12/2011 é que veio a LC 140, distribuindo as competências administrativas
ambientais entre a União, Estados, Municípios e DF.

Vale lembrar que a delegação de atribuições de um ente ao outro pode abarcar não só o
licenciamento, mas tantas outras, desde que o delegatário possua um conselho do meio ambiente e
um órgão ambiental próprio.

a) Exclusiva União

I – MATERIAL b) Comum, cumulativa ou União, Estados, DF e Municípios


paralela (art. 23)

a) Privativa (art. 22) União

II – LEGISLATIVA b) Concorrente (art. 24) União, Estados e DF

c) Suplementar (art. 24, §2º) Estados

d) Exclusiva (art. 25, §§1º e 2º) Estados

4. LC 140/2011:

* Como dito anteriormente, inexistia Lei Complementar para regulamentar o tema das
competências materiais comuns, conforme determinava o art. 23, parágrafo único, da CF. Seu art. 1º
estabelece que:

Art. 1º Esta Lei Complementar fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do
parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência
comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao
combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora.

4.1. OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA LC 140/2011:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, no exercício da competência comum a que se refere esta Lei Complementar:

I - proteger, defender e conservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado, promovendo


gestão descentralizada, democrática e eficiente;
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A gestão é descentralizada para abranger a atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios. Também é democrática para assegurar a participação da população, com vários
instrumentos de inserção social. A gestão eficiente traduz a ideia de ecoeficiência que, nada mais é do
que a procura, cada vez mais, por tecnologias limpas que causem um menor impacto ambiental.

II - garantir o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico com a proteção do meio


ambiente, observando a dignidade da pessoa humana, a erradicação da pobreza e a redução das
desigualdades sociais e regionais;

São os três pilares do direito ambiental: desenvolvimento econômico, com proteção ao meio
ambiente e com equidade social.
Este objetivo decorre do Princípio do Desenvolvimento Sustentável. Busca-se um meio termo
entre o crescimento da economia e a manutenção de um meio ambiente ecologicamente equilibrado,
sempre com vista à redução da miséria.

III - harmonizar as políticas e ações administrativas para evitar a sobreposição de atuação


entre os entes federativos, de forma a evitar conflitos de atribuições e garantir uma atuação
administrativa eficiente;

Este é o grande objetivo desta lei complementar. Era, e ainda é, muito comum a briga entre as
esferas na tutela dos bens ambientais, principalmente no que concerne à competência para promover
o licenciamento ambiental 5 . Acontece muito de o IBAMA, (autarquia federal) e o órgão de
licenciamento estadual brigarem para ver quem irá conceder determinado licenciamento. Essa briga
ocorre tanto em um aspecto positivo (quem fará), quanto em um aspecto negativo (quem não precisa
fazer). Nada mais gera insegurança aos particulares do que este conflito e o grande objetivo desta lei é
harmonizar essa situação.
IV - garantir a uniformidade da política ambiental para todo o País, respeitadas as
peculiaridades regionais e locais.

Estas peculiaridades locais são respeitadas através da elaboração de políticas locais que
atendam às particularidades de cada região.

4.2. INSTRUMENTOS DE COOPERAÇÃO DA LC 140/2011:

5
Trataremos do licenciamento em capítulo próprio. Segura aê!
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Art. 4º Os entes federativos podem valer-se, entre outros, dos seguintes instrumentos de
cooperação institucional:
I - consórcios públicos, nos termos da legislação em vigor;

Estudamos os Consórcios Públicos no Direito Administrativo, que são criados pelas entidades
políticas para atender a objetivos comuns. Na área ambiental estes consórcios públicos são muito
importantes, principalmente na esfera municipal, pois muitas vezes estes entes não contam com
recursos suficientes para arcar com determinadas competências sozinhos. Assim, os consórcios
Públicos acabam sendo grandes alternativas para lidar com tais problemas, pois podem permitir a
criação de órgãos ambientais que sirvam a mais de um município.

II - convênios, acordos de cooperação técnica e outros instrumentos similares com órgãos e


entidades do Poder Público, respeitado o art. 241 da Constituição Federal;

Os convênios são mais utilizados para a delegação de competência de promover o


licenciamento ambiental. Por exemplo, o estado pode ser competente para o licenciamento ambiental
de determinada atividade, mas se, percebendo que o órgão municipal possui estrutura adequada para
tal tarefa, poderá, através de um convênio delegar esta competência licenciatória para o órgão
municipal. Existem, no entanto, algumas regras.
Para que o órgão municipal possa fazer isso é necessário que este tenha a estrutura e um
Conselho Municipal de Meio Ambiente. Todo ente, para que possa licenciar, precisa contar com um
conselho que na esfera federal é o CONAMA. A respeito dos convênios, vale conhecer o que dispõe o
art. 5º da Lei Complementar 140:

Art. 5º O ente federativo poderá delegar, mediante convênio, a execução de ações administrativas a
ele atribuídas nesta Lei Complementar, desde que o ente destinatário da delegação disponha de
órgão ambiental capacitado a executar as ações administrativas a serem delegadas e de conselho de
meio ambiente.
Parágrafo único. Considera-se órgão ambiental capacitado, para os efeitos do disposto no
caput, aquele que possui técnicos próprios ou em consórcio, devidamente habilitados e em número
compatível com a demanda das ações administrativas a serem delegadas.

III - Comissão Tripartite Nacional, Comissões Tripartites Estaduais e Comissão Bipartite do


Distrito Federal;
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Estas comissões são instâncias de deliberação para harmonizar as políticas ambientais dos
entes. A nacional tem composição paritária entre as três esferas, assim como as estaduais. No Distrito
Federal, cuja estruturação é diferente das dos Estados, a comissão é bipartite com representantes do
poder público federal e do DF.

IV - fundos públicos e privados e outros instrumentos econômicos;

Instrumentos Econômicos são mecanismos que importam na intervenção do Estado na


economia. É a transformação de dinheiro aplicado em ações voltadas ao meio ambiente. Os fundos
privados também podem ser criados por meios de instituições privadas, como alguns bancos fazem,
por exemplo. O fundo mais famoso é o Fundo Nacional do Meio Ambiente, para onde vão as multas
impostas pelo IBAMA, mas temos também um Fundo de Mudanças Climáticas criado em 2009.

V - delegação de atribuições de um ente federativo a outro, respeitados os requisitos


previstos nesta Lei Complementar;
VI - delegação da execução de ações administrativas de um ente federativo a outro,
respeitados os requisitos previstos nesta Lei Complementar.

Essas delegações serão feitas através de um convênio (art. 5º).

5. ART. 225, CF:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das


espécies e ecossistemas; (Regulamento)

II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as


entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; (Regulamento) (Regulamento)

III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a


serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei,
vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua
proteção; (Regulamento)
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Uma vez instituída uma área ambientalmente protegida (como uma unidade de conservação
da natureza), seja por decreto do Executivo ou por lei formal, a redução dos seus limites (alteração) ou
a sua supressão total somente serão permitidas através de lei específica. O intuito do Constituinte é
de dificultar o procedimento legal de alteração ou supressão de uma área ambientalmente protegida e
de facilitar a criação das mesmas, em respeito ao preceito constitucional de proteção do meio
ambiente ecologicamente equilibrado.

IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de


significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade; (Regulamento)

#IMPORTANTE: O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre a inconstitucionalidade


de norma que dispensava a realização do EIA (Estudo de Impacto Ambiental) em situações de
relevante impacto ambiental.
A Constituição não apenas exige a elaboração do EIA nos casos de licenciamento de atividades
de relevante impacto ambiental como, em respeito ao princípio da informação em matéria ambiental,
determina, expressamente, a sua publicidade.

V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias


que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; (Regulamento)

VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública


para a preservação do meio ambiente;

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco
sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a
crueldade. (Regulamento)

§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente
degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,


pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de
reparar os danos causados.

§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-


Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro
de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos
naturais.
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Importante ressaltar que tais biomas não constituem, por si só, Unidades de Conservação da
Natureza regidas pela Lei 9.985/00, tampouco podem ser considerados bens da União.

Segundo José Afonso da Silva, “declara a Constituição que os complexos ecossistemas


referidos no seu art. 225, §4º, são patrimônio nacional. Isso não significa transferir para a União o
domínio sobre as áreas particulares, estaduais e municipais situadas nas regiões mencionadas. Na
verdade, o significado primeiro e político da declaração constitucional de que aqueles ecossistemas
florestais constituem patrimônio nacional está em que não se admite qualquer forma de
internacionalização da Amazônia ou de qualquer outra área.”.

O Supremo Tribunal Federal já se manifestou nesse sentido, afirmando que a norma inscrita
no art. 225, parágrafo 4°, da Constituição não atua, em tese, como impedimento jurídico a efetivação,
pela União Federal, de atividade expropriatória destinada a, por exemplo, promover e a executar
projetos de reforma agrária nas áreas referidas nesse preceito constitucional.

Em que pese a Constituição de 1988 não ter transformado os biomas em bens da União,
importante destacar que a qualificação destas áreas como “patrimônio nacional” pressupõe a
submissão destes bens a um regime especial de utilização direcionado à preservação dos seus
atributos naturais e à manutenção da integridade dos ecossistemas por eles compostos.

§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações


discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental são bens da União (art. 20, II da
CRFB/ 1988) e podem ser classificadas como bens públicos de uso especial, por possuírem destinação
pública específica, qual seja, a proteção dos ecossistemas naturais. Por se tratarem de bens públicos
afetados a uma destinação pública, e em virtude de expressa previsão constitucional (artigo 225, § 5°
da CRFB/ 1988), as terras devolutas necessárias à proteção dos ecossistemas naturais são bens
públicos indisponíveis, outra característica dos bens públicos de uso especial.

§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei
federal, sem o que não poderão ser instaladas.

Além disso, essa atividade é monopólio da União. Depreende-se da análise do artigo 177, V e
de seu parágrafo 1°, que apenas a União poderá realizar as atividades de pesquisa, lavra,
enriquecimento processamento, industrialização e comércio de minérios e minerais nucleares e seus
derivados, não havendo qualquer possibilidade de sua exploração por agentes econômicos que não
estejam associados à estrutura do Estado.
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Verifica-se, portanto, que toda a atividade nuclear desenvolvida no país está exclusivamente
centralizada na União, com exceção dos radioisótopos, cuja produção, comercialização e utilização
poderão ser autorizadas sob o regime de permissão, conforme as alíneas “b” e “c” do inciso XXIII do
caput do art. 21 da CRFB/ 1988.

*§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram
cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais,
conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial
integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que
assegure o bem-estar dos animais envolvidos.

*#NOVIDADELEGISLATIVA #ATUALIZAOVADEMECUM #IMPORTANTE6: EC 96/2017

Houve a chamada reação legislativa com a promulgação da EC 96/2017: Veja a íntegra do § 7º que foi
inserido pela EC 96/2017 no art. 225 da CF/88:

Art. 225. (...) § 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se
consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações
culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza
imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica
que assegure o bem-estar dos animais envolvidos.

#OLHAOGANCHO: Efeito Backlash: A EC 96/2017 é um exemplo do que a doutrina constitucionalista


denomina de “efeito backlash”. Em palavras muito simples, efeito backlash consiste em uma reação
conservadora de parcela da sociedade ou das forças políticas (em geral, do parlamento) diante de uma
decisão liberal do Poder Judiciário em um tema polêmico.

#POLÊMICA: A EC 96/2017 é inconstitucional? Este será um belíssimo e imprevisível debate. No caso


de reversão jurisprudencial (reação legislativa) proposta por meio de emenda constitucional, a
invalidação somente ocorrerá nas restritas hipóteses de violação aos limites previstos no art. 60, e seus
§§, da CF/88. Em suma, se o Congresso editar uma emenda constitucional buscando alterar a
interpretação dada pelo STF para determinado tema, essa emenda somente poderá ser declarada
inconstitucional se ofender uma cláusula pétrea ou o processo legislativo para edição de emendas.

#RELEMBRAR: Com essa novidade cabe relembrar as conclusões do STF na ADI 5105 sobre reação
legislativa (Info 801):

a) O STF não subtrai ex ante a faculdade de correção legislativa pelo constituinte reformador ou
legislador ordinário. Em outras palavras, o STF não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou
emendas constitucionais em sentido contrário ao que a Corte já decidiu. Não existe uma vedação
prévia a tais atos normativos. O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a

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Mais informações em: http://www.dizerodireito.com.br/2017/06/breves-comentarios-ec-962017-emenda-da_7.html.
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jurisprudência. Trata-se de uma reação legislativa à decisão da Corte Constitucional com o objetivo de
reversão jurisprudencial.
b) No caso de reversão jurisprudencial (reação legislativa) proposta por meio de emenda
constitucional, a invalidação somente ocorrerá nas restritas hipóteses de violação aos limites previstos
no art. 60, e seus §§, da CF/88. Em suma, se o Congresso editar uma emenda constitucional buscando
alterar a interpretação dada pelo STF para determinado tema, essa emenda somente poderá ser
declarada inconstitucional se ofender uma cláusula pétrea ou o processo legislativo para edição de
emendas.
c) No caso de reversão jurisprudencial proposta por lei ordinária, a lei que frontalmente colidir com a
jurisprudência do STF nasce com presunção relativa de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao
legislador o ônus de demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente se afigura
legítima.
A novel legislação que frontalmente colida com a jurisprudência (leis in your face) se submete a um
controle de constitucionalidade mais rigoroso.
Para ser considerada válida, o Congresso Nacional deverá comprovar que as premissas fáticas e
jurídicas sobre as quais se fundou a decisão do STF no passado não mais subsistem. O Poder Legislativo
promoverá verdadeira hipótese de mutação constitucional pela via legislativa.

#SELIGANOSINÔNIMO #VAICAIRNASUAPROVA:
Reação retrógrada ou reação legislativa ou leis in your face.

#AJUDAMARCINHO: A grande dúvida será a seguinte: a proibição de que os animais sofram


tratamento cruel, prevista no art. 225, § 1º, VII, da CF/88, pode ser considerada como uma garantia
individual (art. 60, § 4º, IV)? Penso que sim. Conforme já explicado, o direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado é um direito fundamental de terceira geração, não podendo ser abolido
nem restringido, ainda que por emenda constitucional. Resta saber, no entanto, como o STF entenderá
o tema após o backlash, considerando que a primeira decisão foi extremamente apertada.

6. JULGADOS PERTINENTES:

→ STF: “Energia nuclear. Competência legislativa da União. Artigo 22, XXVI, da Constituição
Federal. É inconstitucional norma estadual que dispõe sobre atividades relacionadas ao setor nuclear
no âmbito regional, por violação da competência da União para legislar sobre atividades nucleares,
na qual se inclui a competência para fiscalizar a execução dessas atividades e legislar sobre a referida
fiscalização. Ação direta julgada procedente.” (ADI 1.575, de 07.04.2010).

→ STJ: “inexiste direito adquirido a poluir ou degradar o meio ambiente. O tempo é incapaz
de curar ilegalidades ambientais de natureza permanente, pois parte dos sujeitos tutelados – as
gerações futuras – carece de voz e de representantes que falem ou se omitam em seu nome”.
Passagem do Resp 948.921, de 23.10.2007
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→ Ainda de acordo com a Corte Superior “em tema de direito ambiental, não se cogita em
direito adquirido à devastação, nem se admite a incidência da teoria do fato consumado” (Resp
1394025, de 08/10/2013).

→ STF, julgamento do RE 609.748 AgR/RJ, de 23.08.2011: A teoria do fato consumado não


pode ser invocada para conceder direito inexistente sob a alegação de consolidação da situação fática
pelo decurso do tempo. Esse é o entendimento consolidado por ambas as turmas desta Suprema
Corte.

→ STJ: “as normas ambientais devem atender aos fins sociais a que se destinam, ou seja,
necessária a interpretação e a integração de acordo com o princípio hermenêutico in dúbio pro
natura” (Resp 1.367.923, de 27/08/2013).

7. DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO:

DIPLOMA DISPOSITIVO
Constituição Federal Artigos 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 30 e 225.
LC 140/2011 Arts. 1º, 2º e 3º e 4º

8. BIBLIOGAFIA UTILIZADA:

Esse material é uma fusão das seguintes fontes:

1. Direito Ambiental, coleção Sinopses – Talden Faria e outros – Editora Juspodivm.

2. Resumo de Direito Ambiental Esquematizado – Frederico Amado – Editora Juspodivm.

3. Coleção resumos para concursos, Direito Ambiental – Frederico Amado.

4. Informativos esquematizados do Dizer o Direito – Márcio André Cavalcante Lopes.

5. Anotações pessoais de aulas.