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A PROTEÇÃO CONTRATUAL

Trabalho apresentado à
disciplina de Direito , do
curso de Direito,do
Consumidor da Faculdade de
Direito de
Guarulhos (FIG-UNIMESP).

Guarulhos
Agosto/2015

INTRODUÇÃO

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O Código de Defesa do Consumidor dedicou um capítulo para abordar
a proteção contratual. O objetivo do legislador consiste em tornar leal, clara,
transparente e equilibrada a relação entre consumidor e fornecedor tendo como
centro de partida a boa fé que deve haver entre os contratantes.

No campo dos contratos o CDC foi bastante inovador. Instituiu o


princípio da função social dos contratos, da boa-fé objetiva, do dever de
cooperação entre as partes, da proibição das cláusulas abusivas, da
conservação dos contratos e o direito de revisão, todos já abordados.

Tal avanço se deve ao fato de que nas relações de consumo há a


presença em grande escala dos contratos de adesão, cujas cláusulas são
previamente fixadas pelos fornecedores. Não há total liberdade para o
consumidor contratar com quem quiser, quando quiser e como quiser. O pacta
sunt servanda das relações privadas pressupõe o equilíbrio inexistente nas
relações de consumo.

Alguns desses princípios já estão positivados no Código Civil de 2002,


o que representa grande avanço para o direito brasileiro. Por isso, os contratos
que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não
lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo,
ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a
compreensão de seu sentido e alcance.

Trata-se do princípio da informação e da transparência. Por haver


flagrante desequilíbrio nos contratos de consumo é que as cláusulas
contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor, e as
declarações de vontade constantes de escritos particulares, recibos e pré-
contratos relativos às relações de consumo vinculam o fornecedor, ensejando
inclusive execução específica.

A boa-fé objetiva é representada por condutas do contratante que


demonstram seu respeito aos direitos da outra parte.

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Agir de boa-fé, entenda-se, não significa passar a defender, nas
negociações, os interesses do outro contratante. Isso não se exige de ninguém
e seria um extraordinário contrassenso: cada um continua perseguindo os seus
próprios interesses ao contratar e não precisa abrir mão deles. É necessário,
contudo, que as partes nutram mútuo respeito, que prestem sempre
informações completas, claras e verdadeiras, não enganem nem busquem
ocultar com subterfúgios aspectos essenciais ao negócio.

Se as ações ou omissões de um sujeito denunciam ou sugerem


desrespeito aos direitos do outro contratante, considera-se que ele descumpriu
o dever geral de boa-fé objetiva.

As consequências do descumprimento do dever geral de boa-fé


objetiva, portanto, são as mesmas de qualquer ilicitude: o outro contratante tem
direito à indenização pelos prejuízos que sofrer.

CONCEITO DE CONTRATO

Para Carlos Roberto Gonçalves contrato é a mais comum e a mais


importante fonte de obrigação, devido às suas múltiplas formas e inúmeras
repercussões no mundo jurídico

Para Deocleciano Torrieri Guimarães contrato é o acordo de vontades


entre duas ou mais pessoas, sobre objeto lícito e possível pelo qual se
adquirem, modificam, se conservam ou se extinguem direitos.

PROTEÇÃO CONTRATUAL

O CDC delimita todas as fases que cerca uma relação contratual, por
isso tratou de delimitar inclusive a fase pré contratual e dispõe nos artigos 30 e

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48 a respeito da proteção que o consumidor passa a ter em detrimento do
fornecedor.

Art. 30. Toda informação ou publicidade,


suficientemente precisa, veiculada por qualquer
forma ou meio de comunicação com relação a
produtos e serviços oferecidos ou
apresentados, obriga o fornecedor que a fizer
veicular ou dela se utilizar e integra o contrato
que vier a ser celebrado.

Constata-se que o art. 30 do CDC tem o condão de fazer prevalecer a


oferta em relação às cláusulas contratuais. Então, simbologicamente, é como
se o conteúdo do contrato fosse rasgado ou inutilizado e depois substituído
pelo teor da informação prestada quando do início da contratação. Em outras
palavras, todos os elementos que compõem a oferta passam a integrar
automaticamente o conteúdo do negócio celebrado.

Art. 48. As declarações de vontade constantes


de escritos particulares, recibos e pré-contratos
relativos às relações de consumo vinculam o
fornecedor, ensejando inclusive execução
específica, nos termos do art. 84 e parágrafos.

A proteção contratual já surge nesse momento, motivo pelo qual se


exige uma postura séria dos contratantes. O rompimento imotivado das
tratativas pode fazer com que surja a obrigação de indenizar, não por
inadimplemento, mas por ter havido quebra no dever de boa fé, lealdade e
honestidade, ou seja, houve quebra de confiança.

Dispõe o artigo 46 do Código de Defesa do Consumidor que os


contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os
consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento

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prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de
modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.

As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais


favorável ao consumidor.

O CDC protege a parte mais vulnerável nessa relação contratual, ou


seja, o consumidor, pois não permite cláusulas abusivas, obscuras ou de letra
miúda.

Outra vantagem que o consumidor obteve por meio do Código de


Defesa do Consumidor foi a possibilidade de poder desistir do contrato, no
prazo de sete dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do
produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e
serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone
ou a domicílio. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento, os
valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão,
serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados.

CLÁUSULAS ABUSIVAS

O artigo 422 do Código Civil, trata sobre a boa fé que deve servir de
parâmetro para embasar qualquer tipo de contrato, pois afirma que os
contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como
em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.

O Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 51 preconiza que são


nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que:

I - impossibilitem, exonerem ou
atenuem a responsabilidade do
fornecedor por vícios de qualquer
natureza dos produtos e serviços ou
impliquem renúncia ou disposição de
direitos. Nas relações de consumo
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entre o fornecedor e o consumidor
pessoa jurídica, a indenização poderá
ser limitada, em situações justificáveis;

II - subtraiam ao consumidor a
opção de reembolso da quantia já
paga, nos casos previstos neste
código;

III - transfiram responsabilidades a


terceiros;

IV - estabeleçam obrigações
consideradas iníquas, abusivas, que
coloquem o consumidor em
desvantagem exagerada, ou sejam
incompatíveis com a boa-fé ou a
eqüidade;

VI - estabeleçam inversão do ônus


da prova em prejuízo do consumidor;

VII - determinem a utilização


compulsória de arbitragem;

VIII - imponham representante


para concluir ou realizar outro negócio
jurídico pelo consumidor;

IX - deixem ao fornecedor a opção


de concluir ou não o contrato, embora
obrigando o consumidor;

X - permitam ao fornecedor, direta


ou indiretamente, variação do preço de
maneira unilateral;

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XI - autorizem o fornecedor a
cancelar o contrato unilateralmente,
sem que igual direito seja conferido ao
consumidor;

XII - obriguem o consumidor a


ressarcir os custos de cobrança de sua
obrigação, sem que igual direito lhe
seja conferido contra o fornecedor;

XIII - autorizem o fornecedor a


modificar unilateralmente o conteúdo
ou a qualidade do contrato, após sua
celebração;

XIV - infrinjam ou possibilitem a


violação de normas ambientais;

XV - estejam em desacordo com o


sistema de proteção ao consumidor;

XVI - possibilitem a renúncia do


direito de indenização por benfeitorias
necessárias.

(...)

Pode-se afirmar que a boa fé é o princípio mais importante que


rege as relações contratuais, vez que na sua ausência o contrato torna-
se nulo, pois a relação contratual exige lealdade, transparência e
honestidade entre os contratantes.

PROPAGANDA ENGANOSA E PUBLICIDADE

Outra proteção que o Código de defesa do consumidor confere é a


proteção contra propaganda enganosa.
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A propaganda enganosa é a que induzir o consumidor ao erro, ou seja,
que oferece um produto de qualidade inferior à contratada, esse tipo de
propaganda é expressamente proibida pelo CDC.

Determina o caput do art. 36 da Lei 8.078/1990 que “A publicidade


deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a
identifique como tal”. Trata-se da vedação, por ilicitude, da publicidade
mascarada, tida também com publicidade simulada ou dissimulada. É aquela
transmissão de informações que parece que não é publicidade, mas é
publicidade. Pode ser feito um paralelo com a simulação, vício social típico do
Direito Civil (art. 167 do CC/2002), pois, nos dois casos, há uma discrepância
entre a vontade interna e a vontade manifestada, isto é, entre aparência e
essência.

A publicidade pode ser conceituada como sendo qualquer forma de


transmissão difusa de dados e informações com o intuito de motivar a
aquisição de produtos ou serviços no mercado de consumo..

Em termos gerais, a tutela da informação pode ser retirada do art. 6º,


inc. III, da Lei 8.078/1990, que reconhece como direito básico do consumidor “a
informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e
preço, bem como sobre os riscos que apresentem”.

Ato contínuo, o inciso seguinte estabelece também como direito


fundamental dos vulneráveis negociais “a proteção contra a publicidade
enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como
contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos
e serviços” (art. 6º, inc. IV, do CDC).

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BIBLIOGRAFIA

 Coelho, Fábio Ulhoa. Curso de direito civil – contratos. 5ª. ed. São
Paulo : Saraiva, 2012.

 Gonçalves, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro, volume 3 - contratos e


atos unilaterais. 9. ed. São Paulo : Saraiva, 2012.

9
 Vade Mecum Saraiva / obra coletiva da autoria da Editora Saraiva com a
colaboração de Luiz Roberto Curia, Lívia Cespedes e Juliana Nicoletti.
17ª ed. atual e ampliada. São Paulo; Saraiva. 2014.

 Guimarães, Deocleciano Torrieri. Dicionário Técnico Jurídico. 14ª ed.


São Paulo: Rideel, 2011.

 Tartuce, Flávio Manual de direito do consumidor : direito material e


processual. 3ª. ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO,
2014.

 Gonçalves, Renato Afonso Como se preparar para o Exame de Ordem,


1.ª fase : direito do consumidor. 5ª. ed. - Rio de Janeiro : Forense ; São
Paulo : MÉTODO, 2014.

Contrato no Código de
Defesa do Consumidor
Determina a Constituição
Federal que o “Estado promoverá,
na forma da lei, a defesa do
consumidor” (art. 5º, XXXII). Em
cumprimento a essa determinação,
foi elaborado o Código de Defesa
do Consumidor (Lei n. 8.078/90),
que entrou em vigor em março de
1991, trazendo profundas
modificações à ordem jurídica
nacional, estabelecendo um
conjunto sistemático de normas, de
naturezas diversificadas, mas
ligadas entre si por terem como
suporte uma relação jurídica
básica, caracterizada como uma

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relação de consumo.
A nova legislação repercutiu
profundamente nas diversas áreas
do direito, inovando em aspectos
de direito penal, administrativo,
comercial, processual civil e civil,
em especial.
Com a evolução das relações
sociais e o surgimento do consumo
em massa, bem como dos
conglomerados econômicos, os
princípios tradicionais da nossa
legislação privada já não bastavam
para reger as relações humanas,
sob determinados aspectos. E,
nesse contexto, surgiu o Código de
Defesa do Consumidor atendendo a
princípio constitucional
relacionado à ordem econômica.
Partindo da premissa básica de
que o consumidor é a parte
vulnerável das relações de
consumo, o Código pretende
restabelecer o equilíbrio entre os
protagonistas de tais relações.
Assim, declara expressamente o
art. 1º que o Código estabelece
normas de proteção e defesa do
consumidor, acrescentando serem
tais normas de ordem pública e de
interesse social. De pronto,
percebe-se que, tratando-se de
relações de consumo, as normas de
natureza privada, estabelecidas no
Código de 1916, onde campeava o
princípio da autonomia da vontade,
e em leis esparsas, deixaram de ser
aplicadas. O Código de Defesa do
Consumidor retirou da legislação
civil, bem como de outras áreas do

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direito, a regulamentação das
atividades humanas relacionadas
com o consumo, criando uma série
de princípios e regras em que se
sobressai não mais a igualdade
formal das partes, mas a
vulnerabilidade do consumidor,
que deve ser protegido.
Os dois principais protagonistas
do Código de Defesa do
Consumidor são o consumidor e o
fornecedor. Incluídos se acham, no
último conceito, o produtor, o
fabricante, o comerciante e,
principalmente, o prestador de
serviços (art. 3º).
O novo Código Civil, ao tratar
da prestação de serviço (arts. 593
a 609), declara que somente será
por ele regida a que não estiver
sujeita às leis trabalhistas ou a lei
especial (art. 593). As regras do
Código Civil têm, pois, caráter
residual, aplicando-se somente às
relações não regidas pela
Consolidação das Leis do Trabalho
e pelo Código do Consumidor, sem
distinguir a espécie de atividade
prestada pelo locador ou prestador
de serviços, que pode ser
profissional liberal ou trabalhador
braçal. Todavia, ao tratar do
fornecimento de transportes em
geral, que é modalidade de
prestação de serviço, o novo
diploma inverteu o critério,
conferindo caráter subsidiário ao
Código de Defesa do Consumidor.
Aplica-se este aos contratos de
transporte em geral, “quando

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couber”, desde que não contrarie
as normas que disciplinam essa
espécie de contrato no Código
Civil (art. 732).
O Código do Consumidor
estabeleceu princípios gerais de
proteção que, pela sua amplitude,
passaram a ser aplicados também
aos contratos em geral, mesmo que
não envolvam relação de consumo.
Destacam-se o princípio geral da
boa-fé (art. 51, IV), da
obrigatoriedade da proposta (art.
51, VIII), da intangibilidade das
convenções (art. 51, X, XI e XIII).
No capítulo concernente às
cláusulas abusivas, o referido
diploma introduziu os princípios
tradicionais da lesão nos contratos
(art. 51, IV e § 1º) e da
onerosidade excessiva (art. 51, §
1º, III).
Pondera Sílvio Venosa que “os
princípios tornados lei positiva
pela lei de consumo devem ser
aplicados, sempre que oportunos e
convenientes, em todo contrato e
não unicamente nas relações de
consumo. Desse modo, o juiz, na
aferição do caso concreto, terá
sempre em mente a boa-fé dos
contratantes, a abusividade de uma
parte em relação à outra, a
excessiva onerosidade etc., como
regras gerais e cláusulas abertas de
todos os contratos, pois os
princípios são genéricos, mormente
levando-se em conta o sentido dado
pelo novo Código Civil”15.
Nesse diapasão, justifica

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Gustavo Tepedino16 a incidência
do conjunto de mecanismos de
defesa do consumidor nas relações
do direito privado em geral pela
aplicação direta dos princípios
constitucionais da isonomia
subs tancial, da dignidade da pessoa
humana e da realização plena de
sua personalidade. Assim, aduz, o
conjunto de princípios inovadores,
como a proteção da boa-fé
objetiva, a interpretação mais
favorável, a inversão do ônus da
prova diante da verossimilhança do
pedido ou da hipossuficiência, tem
pertinência com a preocupação
constitucional da redução das
desigualdades e com o efetivo
exercício da cidadania. Em
conclusão, afirma o mencionado
mestre, parece chegada a hora de
se buscar uma definição de um
conjunto de princípios ou de regras
que se constituam em normas gerais
a serem utilizadas não de forma
isolada em um ou outro setor, mas
de maneira abrangente, em
consonância com as normas
constitucionais, para que se possa,
a partir daí, construir o que seria
uma nova teoria contratual.
Adverte, ainda, Gustavo
Tepedino sobre as consequências
inquietantes que poderiam advir se
se admitisse a tese defendida pelo
Professor Natalino Irti, da
Universidade de Roma, de que
cada microssistema (Código de
Defesa do Consumidor, Estatuto da
Criança e do Adolescente, p. ex.)

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se feche em si mesmo, sendo
autossuficiente do ponto de vista
hermenêutico, já que cada estatuto
traz normalmente os próprios
princípios interpretativos. O exame
de cláusula contratual, afirma, não
poderá se limitar ao controle de
ilicitude, à verificação da
conformidade da avença às normas
regulamentares expressas
relacionadas à matéria. A atividade
interpretativa deverá, para além do
juízo de ilicitude, verificar se a
atividade econômica privada
atende concretamente aos valores
constitucionais (especialmente a
regra concernente à justiça
distributiva, à erradicação da
pobreza e à diminuição das
desigualdades sociais e regionais,
insculpida no art. 3º, III, e a
relativa ao objetivo central de
efetivação de uma sociedade em
que se privilegie o trabalho, a
cidadania e a dignidade humana,
prevista no art. 1º, III), só
merecendo tutela jurídica quando a
resposta for positiva. E tal critério
se aplica não só às relações de
consumo mas aos negócios
jurídicos em geral, ao exercício do
direito de propriedade, às relações
familiares e ao conjunto das
relações do direito civil17.
Vários desses princípios foram
reafirmados pelo novo Código
Civil, como os concernentes à boafé
objetiva, à onerosidade
excessiva, à lesão, ao
enriquecimento sem causa,

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aproximando e harmonizando ainda
mais os dois diplomas em matéria
contratual.
Em artigo que trata exatamente
da possibilidade de diálogo entre o
Código de Defesa do Consumidor e
o novo Código Civil, Cláudia Lima
Marques relembra que a Lei de
Introdução ao Código Civil (hoje
Lei de Introdução às Normas do
Direito Brasileiro) e o próprio
Código Civil de 2002 preveem a
aplicação conjunta (lado a lado)
das leis especiais, como o Código
de Defesa do Consumidor, e a lei
geral, como o novo diploma civil.
Com a entrada em vigor do Código
de 2002, salienta, fragmenta-se,
ainda mais, o combate às cláusulas
abusivas. São três os tipos de
regulamentação: a aplicação pura
do Código de 2002 para as
relações puramente civis, a
aplicação do Código de 2002 e das
leis especiais comerciais nos casos
de contratos entre comerciantes ou
interempresários, e a aplicação
prioritária do Código de Defesa do
Consumidor, nas relações mistas
entre um civil e um empresário,
isto é, entre um consumidor e um
fornecedor. Uma visão de diálogo
das fontes pode ajudar a transpor
conquistas de um microssistema
para o sistema geral e vice-versa.

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