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MOBILIDADE URBANA

Considere os textos abaixo como motivadores para elaborar sua redação.

O que é mobilidade urbana?


A mobilidade urbana é um atributo das cidades e se refere à facilidade de deslocamentos de pessoas e bens
no espaço urbano. Tais deslocamentos são feitos através de veículos, vias e toda a infra-estrutura (vias,
calçadas, etc) que possibilitam esse ir e vir cotidiano. Isso significa que a mobilidade urbana é mais do que o
que chamamos de transporte urbano, ou seja, mais do que o conjunto de serviços e meios de deslocamento
de pessoas e bens. É o resultado da interação entre os deslocamentos de pessoas e bens com a cidade. Por
exemplo, a disponibilidade de meios e infra-estrutura adequados para os deslocamentos de pessoas e bens
numa área da cidade pode ajudar a desenvolver tal área. Do mesmo modo, uma área que se desenvolve vai
necessitar de meios e infra-estrutura adequados para os deslocamentos das pessoas e bens naquele local.
Pensar a mobilidade urbana é, portanto, pensar sobre como se organizam os usos e a ocupação da cidade e
a melhor forma de garantir o acesso das pessoas e bens ao que a cidade oferece (locais de emprego,
escolas, hospitais, praças e áreas de lazer) não apenas pensar os meios de transporte e o trânsito. Parece
um pouco óbvio, mas se olharmos nossas cidades, veremos que, muitas vezes, o carro parece mais
importante que as pessoas! Precisamos inverter tal lógica, e privilegiar as pessoas e suas necessidades de
deslocamento, para garantir o acesso amplo e democrático à cidade e ao que ela oferece.

http://www.polis.org.br/uploads/922/922.pdf

As cidades que consideram as políticas relacionadas à integração entre mobilidade e sustentabilidade


urbana garantem maior eficiência e dinamismo das funções urbanas, com maior e melhor circulação de
pessoas e mercadorias. Isto se reflete na valorização do espaço público, na sustentabilidade e no
desenvolvi- mento da cidade, conciliando as dimensões ambiental, social e econômica (Ministério das
Cidades e IBAM, 2004). Um dos problemas enfrentados pela maioria das cidades brasileiras, já atingindo
inclusive as de porte médio, refere-se à questão da mobilidade urbana. A dependência no uso do
automóvel tem causado grande impacto no fluxo de tráfego. Associado a este problema, as atuais políticas
de crescimento e desenvolvimento urbano não têm privilegiado a utilização de meios de transportes mais
sustentáveis (tais como, a bicicleta, o modo a pé e o transporte público). Como consequência do uso
indiscriminado do automóvel nas áreas urbanas, tem-se: o aumento dos congestionamentos, da energia
consumida no setor de transportes e do ruído e das emissões de gases tóxicos. Outro problema
visivelmente identificado nas áreas urbanas e que influencia diretamente no planejamento da mobilidade é
a crescente dispersão espacial, observada em muitas cidades, inclusive brasileiras. A localização de novas
residências e serviços nas áreas periféricas, localizadas distantes das áreas centrais, está afetando
diretamente a mobilidade nestas cidades. As cidades não estão preparadas para oferecer serviços a esta
nova demanda. Em alguns casos, é evidente a dissociação que existe entre o planejamento urbano e o de
transportes, particularmente na questão do planejamento do uso do solo urbano. Estas questões têm
contribuído para aumentar as disparidades na oferta de serviços aos diversos segmentos urbanos, com
consequência direta sobre a mobilidade urbana. (…)

Renata Cardoso Magagnin; Antônio Nélson Rodrigues da Silva. A percepção do especialista sobre o tema
mobilidade urbana.
In: http://www.revistatransportes.org.br/anpet/article/view/13/10

Art. 5o A Política Nacional de Mobilidade Urbana está fundamentada nos seguintes princípios:
I - acessibilidade universal;
II - desenvolvimento sustentável das cidades, nas dimensões socioeconômicas e ambientais;
III - equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo;
IV - eficiência, eficácia e efetividade na prestação dos serviços de transporte urbano;
V - gestão democrática e controle social do planejamento e avaliação da Política Nacional de Mobilidade
Urbana;
VI - segurança nos deslocamentos das pessoas;
VII - justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do uso dos diferentes modos e serviços;
VIII - equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros; e
IX - eficiência, eficácia e efetividade na circulação urbana.

Política Nacional de Mobilidade Urbana (LEI Nº 12.587, DE3 DE JANEIRO DE 2012.)


In: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12587.htm

(…)
Em que pese a importância das melhoras inegáveis nas condições de vida urbana, ainda que insuficientes, é
preciso considerar a persistência de problemas estruturais que geram precariedades, desigualdades e
vulnerabilidades nas cidades brasileiras.
Problemas estruturais que impõem limites e bloqueios aos avanços nessas melhoras e, em médio e longo
prazo, podem provocar retrocessos. São problemas diretamente relacionados aos padrões desiguais e
predatórios de ocupação do solo urbano e rural por parte de agentes do mercado fundiário e imobiliário
que operam em âmbitos formais e informais. São circuitos históricos sendo atualizados pela
remercantilização de espaços urbanos capturados pelas lógicas contemporâneas de diferentes frações de
capitais. Agentes do mercado imobiliário, altamente capitalizados com recursos obtidos no mercado
financeiro, são favorecidos pela oferta de créditos públicos e privados para a produção e aquisição
imobiliária. Circuitos da “financeirização” dos espaços urbanos também operam na implantação de grandes
empreendimentos comerciais e de projetos urbanos voltados para a renovação de áreas degradadas em
favor dos negócios imobiliários. Alguns desses projetos se aliam às estratégias dos grandes eventos culturais
e esportivos.
Os investimentos públicos em serviços, equipamentos e infraestrutura urbana se associam a essas frações
do mercado fundiário e imobiliário e se distribuem de modo desigual nos espaços das cidades, em
detrimento das áreas produzidas irregularmente e ocupadas pelos mais pobres. Beneficiam os que podem
pagar os altos preços dos terrenos e edificações urbanizados adequadamente. Os investimentos públicos
em infraestrutura de saneamento básico, drenagem, iluminação pública e fornecimento de energia elétrica
antecedem a ocupação e a instalação de atividades nesses espaços, que precisam ser também devidamente
conectados com os sistemas viários, comércios e polos de emprego da cidade. Com efeito, são espaços bem
servidos por áreas verdes e locais destinados a equipamentos comunitários.
Já nos espaços urbanos produzidos pelas frações informais do mercado fundiário e imobiliário, geralmente
localizados nas periferias das cidades onde as terras são mais baratas, ocorre processo inverso. Nesses
espaços apropriados pelos grupos com menor poder aquisitivo, a ocupação e a edificação ocorrem antes da
construção e instalação dos atributos básicos da urbanização adequada. Em geral, a apropriação da terra
ocorre irregularmente, à margem das normas e legislações urbanísticas. Os investimentos públicos em
serviços, equipamentos e infraestrutura urbana básica ocorrem anos depois, às vezes décadas após a
chegada dos moradores e de atividades não residenciais. Muitas vezes, esses investimentos são realizados
pelo poder público como se fosse um favor, uma dádiva comumente retribuída com votos e fidelidade
eleitoral.
Vale dizer que alguns espaços urbanos produzidos irregularmente, após se consolidarem a partir dos
investimentos públicos e privados, entram na mira de interesses de agentes do mercado imobiliário formal
voltado para a classe média e alta. Nesses casos, os moradores de baixa renda acabam saindo desses
espaços para viver em bairros mais baratos, alimentando os ciclos de “periferização” das periferias,
especialmente nas metrópoles em expansão.
(…)
É preciso dizer que, apesar dos avanços jurídicos e institucionais ocorridos nas duas últimas décadas,
estamos em um momento crítico. Grandes investimentos públicos estão sendo feitos nos espaços urbanos
do país, tanto na instalação de infraestrutura quanto na produção habitacional. As grandes e médias
cidades vivem um boom imobiliário produtor de excrescências como loteamentos fechados e condomínios
verticais constituídos por torres de apartamentos.
Nessas cidades vigoram práticas de formulação de planos diretores sem previsão de obras estruturais. A
realização de obras ocorre desassociada de processos de regulação e planejamento urbano. A
implementação do Estatuto da Cidade está praticamente paralisada; a construção do Sistema Nacional de
Habitação de Interesse Social caminha a passos de tartaruga; o marco legal do saneamento ambiental ainda
está para ser colocado em prática; e a Política Nacional de Mobilidade não saiu do papel.
Nesse contexto, a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, iniciada pelo Ministério das Cidades em
2003 e interrompida em 2005, simplesmente inexiste. É urgente reorientar esse Ministério para a
concretização da reforma urbana no país. É urgente arrancar o controle dos processos de produção dos
espaços urbanos das coalizões políticas conservadoras, clientelistas e patrimonialistas, que privilegiam
somente o valor de troca do solo das cidades em detrimento dos espaços para o exercício dos direitos e
vida social. Diante de tudo isso, é mais que urgente articular redes e coalizões em defesa do Direito à
Cidade.

Kazuo Nakano é arquiteto urbanista, técnico do Instituto Pólis, doutorando do Núcleo de Pesquisas
Populacionais (NEPO) da Universidade de Campinas (Unicamp).

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=907

As favelas se constituem através de um processo arquitetônico e urbanístico singular que compõe uma
estética própria, uma estética das favelas. (...) Um barraco de favela é construído pelo próprio morador,
inicialmente, a partir de fragmentos de materiais encontrados por acaso. A construção é cotidiana e
continuamente inacabada. (...) O tecido urbano da favela é maleável e flexível, é o percurso que determina
os caminhos. (...) As ruelas e becos são quase sempre extremamente estreitos e intrincados. Subir o morro
é uma experiência de percepção espacial singular, a partir das primeiras quebradas se descobre um ritmo
de andar que o próprio percurso impõe.

Adaptado de Paola Berenstein Jacques, “Estética das favelas”, em www.anf.org.br

O dia-a-dia das sociedades gira em torno dos objetos fixos, naturais ou criados, aos quais se aplica o
trabalho. Fixos e fluxos combinados caracterizam o modo de vida de cada formação social. Fixos e fluxos
influem-se mutuamente. A grande cidade é um fixo enorme, cruzado por fluxos enormes (homens,
produtos, mercadorias, ordens, ideias), diversos em volume, intensidade, ritmo, duração e sentido. Aliás, as
cidades se distinguem umas das outras por esses fixos e fluxos.

Milton Santos, “Fixos e fluxos – cenário para a cidade sem medo”, em O país distorcido. O Brasil, a
globalização e a cidadania. São Paulo: Publifolha, 2002

O geógrafo Milton Santos destaca o caráter sócio-cultural do tempo e do espaço. Para ele, o espaço não
representa um mero pano de fundo de processos sociais, mas é fato e fator social, que molda e é moldado
por processos sociais. O espaço, produto e produtor, compreende uma multiplicidade de tempos sociais,
tempos variados de pessoas, grupos, etnias e movimentos que se realizam simultaneamente na vida
cotidiana. O espaço, segundo Milton Santos, realiza-se como “simultaneidade”, reunindo a todos, com suas
múltiplas possibilidades, que são possibilidades diferentes de uso do espaço (território) relacionadas com
possibilidades diferentes de uso do tempo. E assim, a vida social, nas suas diferenças e hierarquias, dá-se
segundo os tempos diversos dos indivíduos que se entrelaçam num viver comum, dotado de espaços
pessoais diversos.

http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/VCSA-
8BNQP5/disserta_ao___deslocamentos_urbanos_e_desigualdades_sociais___arnaldo__montalvao.pdf?
sequence=1

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Riobaldo que tem a sabedoria dos grandes contadores de história, sabe do que fala quando diz que a vida é
um rodamoinho e que o demo está nas ruas. Ele sabe do que fala quando diz que o real não está no
começo, nem no final, mas no meio da travessia. “Digo: o real não está na saída nem na chegada; ele se
dispõe para a gente é no meio da travessia”.

Grandes Sertões: veredas, Guimarães Rosa

O trecho acima, da obra “Grandes Sertões Veredas”, ainda que não tenha por objetivo fazer uma reflexão
acerca da problemática da mobilidade urbana, bem se encaixa nas questões dos fluxos, deslocamentos e
travessias realizados pelos atores sociais em suas cotidianas mobilidades urbanas. O real está no meio da
travessia. Mas qual é o real que se impõe aos cidadãos no meio de suas múltiplas travessias no universo das
cidades? Qual a importância das questões ligadas à mobilidade urbana para os rumos de uma nação e do
convívio e plena realização de sua sociedade?

Elabore uma dissertação-argumentativa sobre o tema:

MOBILIDADE URBANA NO BRASIL


um balanço dos fluxos e travessias no cotidiano das cidades

- Dê um título para sua redação.

- Apresente uma proposta de intervenção que não desrespeite os direitos humanos.