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Relatório de Parasitologia

Método de Ritchie

1. Introdução

O método de Ritchie é uma das técnicas de flutuação, porém a de Lutz é chamada


de sedimentação simples, enquanto que a de Ritchie é uma técnica de centrífugo-
sedimentação. Como se sabe, as técnicas de sedimentação se baseiam na densidade, na qual
a amostra a ser analisada no microscópio óptico é mais densa do que as partes líquidas na
qual foi preparada e purificada, e através da centrifugação as fases são separadas.
O método de Ritchie e o método de Blagg seguem o mesmo princípio, sendo que
são utilizados conservantes diferentes para a amostra de fezes, no primeiro usamos
formaldeído e no método de Blagg é utilizado MIF. O método de Ritchie pode ser usado
para a pesquisa de cistos de protozoários, ovos, e larvas de helmintos, tendo apresentado
uma grande eficiência na pesquisa de cistos de Giardia lamblia.
Como todos os outros métodos a amostra de fezes passa por etapas que auxiliam na
sua limpeza quanto a interferentes, sendo que neste método em especial é retirado o
excesso de gordura da amostra além de ser possível uma fixação prévia das estruturas que
serão avaliadas.
Embora os métodos de Lutz e de Ritchie sigam o mesmo princípio, há grandes
diferenças entre os dois, o que confere ao método de Ritchie uma eficiência muito maior,
entre elas a purificação da amostra através de centrifugações, e a quantidade de amostra
sedimentada. Algumas pesquisas indicam que entre os quatro métodos comentados - Lutz,
Willis, Faust e Ritchie – o de Ritchie é o que possui melhor eficiência, tanto em melhor
purificação da amostra, quanto o poder de evidenciar estruturas que não poderiam ser
observadas pelos outros métodos, muito embora haja espécies de parasitas que são melhor
observadas pelos outros métodos.
2. Objetivos

 Realização do Método de Ritchie, em uma amostra de fezes, com objetivo de


familiarização com ele, aplicando os procedimentos referentes ao método, com o intuito
de preparar uma amostra devidamente fixada para posterior observação microscópica.

3. Material Utilizado e Métodos

 Material Utilizado:

▪ Luvas descartáveis
▪ 2 gramas de fezes frescas
▪ Béquer
▪ Palheta de madeira
▪ Água
▪ Tubo de ensaio
▪ Funil
▪ Filtro de gaze
▪ Centrífuga
▪ SWAB
▪ Formaldeído 10%
▪ Acetato de Etila

 Métodos:

Com o auxílio de uma palheta de madeira, homogeneizou-se em um béquer


aproximadamente 2 gramas de fezes em água da bica, após a completa homogeneização a
solução foi filtrada para um tubo de ensaio.
Centrifugou-se o tubo de ensaio contendo a amostra a aproximadamente 2500 rpm
por cerca de 2 minutos. Repetiram-se estas etapas de homogeneização e centrifugação,
descartando o sobrenadante, até a obtenção de um sobrenadante límpido.
Após a lavagem, onde o sobrenadante foi descartado, foram acrescentados 5mL de
formaldeído, a solução foi homogeneizada e deixada sobre a bancada por cerca de 5
minutos.
Após os 5 minutos acrescentou-se 2 mL de acetato de etila e agitou-se a solução
rigorosamente por cerca de 30 segundos, a pressão do tubo foi retirada e a solução foi
centrifugada por cerca de 2 minutos a aproximadamente 2500 rpm.
Após a centrifugação, havia no tubo a formação de quatro fases, três delas foram
descartadas, sendo mantido apenas o sedimento. Ao sedimento adicionou-se algumas gotas
de formaldeído, e então foi estocado para posterior visualização ao microscópio óptico.

4. Discussão

No início do procedimento observa-se a filtração da amostra, o que tem como


objetivo a retirada de contaminantes que possam atrapalhar na sua visualização, como, por
exemplo, pedaços de alimentos. Além disso, a filtração também possui como objetivo a
visualização de estruturas parasitárias macroscópicas que podem estar presentes na
amostra, como, por exemplo, fragmentos de helmintos, podendo assim identificar a
presença de parasito sem a visualização da amostra no microscópio.
Assim como a filtração, a etapa de centrifugação, ou seja, a etapa de lavagem,
também têm como objetivo a retirada de contaminantes, para isso, a centrifugação retira as
impurezas presentes na amostra baseada na densidade da água, onde devido a diferença na
densidade dos diversos componentes presentes na amostra, alguns irão para o fundo após a
centrifugação, enquanto outros irão permanecer em solução, como as estruturas parasitárias
que pretendemos visualizar são mais densas do que a água, elas acabam indo para o fundo,
separando-se assim as estruturas parasitárias de diversos contaminantes, já que muitos deles
são menos densos ou possuem aproximadamente a mesma densidade da água, esta etapa é
então repetida diversas vezes para que quase todos os componentes fecais com densidade
menor ou igual a da água sejam retirados da amostra, o que pode ser constatado a partir da
observação do sobrenadante límpido após a centrifugação.
Após a etapa de lavagem, a adição de formaldeído 10% tem como propósito a
fixação das estruturas parasitárias presentes na amostra, enquanto que o acetato de etila é
adicionado para a extração de gorduras, por isso, após a centrifugação, é possível a
observação de 4 fases, onde uma delas é o tampão de gordura, resultado da ação do acetato
de etila sobre a amostra, observa-se também na superfície a formação de uma fase orgânica,
também devido a adição de acetato de etila, forma-se também uma fase entre o tampão de
gordura e o sedimento, a formação dessa fase é ocasionada pela presença de formaldeído
10%, o qual é mais denso que o acetato de etila, o formaldeído desempenha então um papel
fundamental, pois sem esta fase o tampão de gordura ficaria junto ao sedimento, não sendo
possível descartar este do tubo de ensaio.
A adição de formaldeído na última etapa possui como inteiro objetivo a fixação das
estruturas parasitárias presentes na amostra, atuando então na conservação destas para
posterior observação no microscópio.