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AS CIDADES: PRINCIPAIS ÁREAS

DE FIXAÇÃO HUMANA

Pedro Moreira 2017/2018


As cidades: principais áreas de fixação
humana
• 4.1 A definição de «cidade»
• 4.2 A evolução das cidades
• 4.3 Fatores responsáveis pelo surgimento das cidades
• 4.4 As principais cidades no Mundo e o seu processo de
crescimento
• 4.5 Os problemas das cidades e as possíveis soluções
• 4.6 A organização funcional das cidades e as novas centralidades
• 4.7 Os diferentes tipos de plantas e o planeamento urbanístico
• 4.8 As cidades em Portugal
• 4.9 A interdependência dos espaços urbano e rural

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4.1 A DEFINIÇÃO DE «CIDADE»
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A definição de «cidade»
«Uma cidade é sempre uma criação, um elemento fundamental da
organização do espaço, um nó na malha de relações estabelecidas
voluntariamente entre habitantes; uma área humana inserida num
pedaço de solo, um facto de superfície de dimensões reduzidas mas de
maior significado pelas conexões que estabelece.»
Orlando Ribeiro

Pedro Moreira 2017/2018


A definição de «cidade»

Não existe uma definição de


cidade. Existem critérios para
definir o que é uma cidade, que
variam de país para país:
• Demográfico
• Administrativo/político (histórico) Rio de Janeiro, Brasil
• Funcional/Socioeconómico
• Modo de vida
• Paisagístico/arquitetónico

Leiria, Portugal
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Critérios
• Demográfico: Uma cidade possui mais habitantes do que uma vila ou
uma aldeia. Os valores podem variar: 200 habitantes na Dinamarca, 30
000 no Japão e 8000 em Portugal.
• Administrativo/político (histórico): Locais elevados a cidade, por
terem capacidade de decisão, por serem capital regional ou distrital,
ou por terem beneficiado desse estatuto através de forais ou
concessões régias.
• Funcional/Socioeconómico: Baseia-se no predomínio de atividades
económicas não agrícolas, nomeadamente a indústria e os serviços.
• Modo de vida: Baseia-se no vestuário, nos ritmos de vida e nos
comportamentos sociais característicos de quem vive nas cidades.
• Paisagístico/arquitetónico: A cidade é um aglomerado contínuo, que
se distingue da paisagem rural.

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4.2 A EVOLUÇÃO DAS CIDADES
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As primeiras cidades

As primeiras cidades localizaram-se no Médio Oriente, junto aos principais rios


(Tigre, Eufrates e Nilo), na Índia (rio Ganges) e na China (rio Amarelo), e ainda
não contrastavam muito com o espaço rural envolvente.

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A evolução das cidades

A civilização romana impulsionou o crescimento das


cidades com a construção de ruas pavimentadas,
aquedutos e termas, etc.

Na época medieval, a população concentrava-se em


fortalezas e castelos e as cidades ficavam dentro das
muralhas ou em locais altos para defesa dos ataques
inimigos.
Ruínas romanas

Com o Renascimento, as cidades foram valorizadas, através do comércio e da


construção de edifícios monumentais, com um aumento significativo da
população.

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A evolução das cidades
Na Revolução Industrial,
deu-se um grande
crescimento urbano, ou
urbanização (revolução
urbana).
A cidade cresceu para a
periferia devido aos
transportes e ganhou
espaço às áreas rurais.
Foram-se esbatendo os
limites entre a cidade e
o espaço rural (áreas
suburbanas).

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4.3 FATORES RESPONSÁVEIS PELO
SURGIMENTO DAS CIDADES
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Fatores responsáveis pelo surgimento das
cidades A proximidade das grandes
A decisão política para a cidades assumiu uma
localização de uma cidade tem considerável importância.
em vista o desenvolvimento e a
fixação de população em certas
regiões menos povoadas.

A localização no litoral permitia


a defesa, trocas comerciais e as
O relevo assumia uma especial comunicações.
importância na localização de
muitas cidades medievais que
se instalavam no cimo de
colinas, para uma defesa
facilitada.

A proximidade das minas de


Nos vales dos rios onde existem carvão e de ferro foi importante
áreas aplanadas, solos férteis e para o desenvolvimento
água, fundamental para das cidades que dependiam da
abastecer a população. matéria.

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4.4 AS PRINCIPAIS CIDADES
NO MUNDO E O SEU PROCESSO
DE CRESCIMENTO
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A taxa de urbanização

A urbanização consiste no processo de crescimento da população


residente nas cidades, que adota uma forma de vida distinta da do
meio rural.

Taxa de urbanização: Percentagem de população urbana, em


relação à população total do território.

População urbana
Tu (%) = x 100
População absoluta

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Taxa de urbanização do Mundo

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Países desenvolvidos
Urbanização iniciada com a Revolução
Industrial.

Mais intensa até meados do século XX,


tornando-se áreas metropolitanas/
/metrópoles (casos de Londres e Paris). Londres, Inglaterra

Atualmente, as cidades crescem muito pouco


ou até diminuem a sua população, devido à:
• redução do êxodo rural;
• descida da taxa de natalidade;
• crescente fixação de residências nas áreas
suburbanas.

Canberra, Austrália
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Países desenvolvidos
O crescimento das áreas urbanas em algumas regiões dos países
desenvolvidos (Europa, Estados Unidos da América e Japão, por exemplo)
deu origem à formação de contínuas manchas urbanas designadas por
conurbações. Quando duas ou mais conurbações se ligam, formam-se
megalópolis.

Conurbação – Extensa área urbana formada pela ligação entre cidades


inicialmente separadas.

Megalópolis – Extensa área urbanizada constituída por várias cidades


independentes, mas aglutinadas pelos subúrbios.

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Países em desenvolvimento

 A urbanização iniciou-se após a


Segunda Guerra Mundial e de uma
forma rápida (século XX).

 Atualmente, as cidades crescem Lagos, Nigéria


muito, devido:
o Intenso êxodo rural;
o Elevadas taxa de natalidade.

Maputo, Moçambique

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Revolução Industrial
Razões do crescimento das cidades
Desenvolvimento dos
Países desenvolvidos
transportes

Imigração

Elevado crescimento
natural
Países em
desenvolvimento
Êxodo rural

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A distribuição das cidades no Mundo acompanha a
distribuição irregular da população mundial.
Cidades como Tóquio, Paris, Londres, Nova Iorque,
São Paulo, Cidade do México, Xangai ou Bombaim
são consideradas as maiores cidades do Mundo.

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4.5 OS PROBLEMAS DAS CIDADES
E AS POSSÍVEIS SOLUÇÕES
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Os problemas das cidades
Impactos ambientais

Poluição atmosférica

Poluição sonora

Resíduos urbanos

Poluição atmosférica urbana


Falta de espaços verdes

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Os problemas das cidades

Impactos sociais
A dependência de produtos agrícolas e alimentares,
de água e energia torna a cidade vulnerável em caso
de rutura do abastecimento
Os transportes e o trânsito, com os engarrafamentos,
fazem desesperar quem tem de fazer, diariamente, o
percurso entre a periferia e a cidade
Sobrelotação dos equipamentos coletivos (escolas,
creches, hospitais)
O desemprego, as más condições de vida nos bairros
de lata e a exclusão de certas minorias (étnicas,
políticas e culturais) dão origem à marginalidade.
Os problemas da habitação manifestam-se na má
conservação dos edifícios e na falta de planeamento
urbano (construção excessiva). Tráfego intenso

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Soluções
As soluções surgem através do planeamento
urbanístico, que estabelece:
• regras para o crescimento da cidade, para a
localização de espaços verdes e de espaços
de lazer; Construção de espaços verdes
como o Central Park em Nova
• a substituição dos bairros de lata por Iorque
construções dignas;
• a definição de estratégias de combate à
poluição;
• a construção de vias rápidas de distribuição
do tráfego, como as circulares;
• a melhoria dos transportes públicos;
• a construção de parques de estacionamento
na entrada da cidade, para criar cada vez
mais cidades sustentáveis. Melbourne cidade sustentável
pelas políticas que aplica
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4.6 A ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL
DAS CIDADES E AS NOVAS
CENTRALIDADES
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A organização funcional das cidades
1. O centro, ou área de serviços e 4. A área industrial tem
comércio (baixa, ou CBD, do inglês vindo a deslocar-se para a
Central Business District), é a área de periferia das cidades, junto
maior acessibilidade, o centro de aos eixos de circulação,
negócios e de decisão. Aqui devido ao elevado preço dos
localizam-se atividades económicas, terrenos no centro das
bancos, seguradoras, finanças, além cidades.
de serviços que não se encontram
em cidades mais pequenas (serviços
raros).
5. As áreas de lazer e
recreio. Locais como
jardins e parques.
2. O centro histórico (com
monumentos e locais de
interesse turístico) é o local
mais antigo da cidade. 6. As áreas suburbanas, áreas
afastadas do centro da cidade,
3. A área residencial (que com grande acessibilidade, são
se diferencia por estratos locais onde habita a maioria da
socioeconómicos) ocupa a população que trabalha na
maior parte do espaço da cidade.
cidade.

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Funções das cidades
As cidades são compostas por áreas distintas, tendo cada uma
funções urbanas próprias.

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Funções das cidades
• Política – Parlamentos e outros edifícios
administrativos. Religiosa – Meca

• Religiosa – Templos e centros de peregrinação.

• Cultural – Museus.

• Científica – Centros universitários e científicos.


Residencial – Bairro operário, Leeds
• Residencial – Bairros residenciais.

• Econónica – Centros financeiros, bolsas, etc.

• Militar – Muralhas e castelos.

Económica – Bolsa de Nova Iorque

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Áreas funcionais

As áreas funcionais das cidades têm diferenças, podemos por isso


considerar quatro tipos de cidade.

Cidades antigas, tendo-se desenvolvido a partir de um centro histórico a que se


acrescentaram áreas de diferentes épocas (séculos XIX e XX). Conhecem um
fenómeno de suburbanização, tanto de bairros residenciais como da área
industrial.

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Cidades em cujo centro se desenvolveu uma área de negócios (CBD),
complementar da área industrial (onde reside o estrato socioecónomico baixo) e
de extensos bairros residenciais para os estratos socioeconómicos alto e médio
(que durante o dia se deslocam para o CBD).

Cidades da América Central e do Sul, com forte contraste entre áreas residenciais
ricas e pobres (favelas) e entre uma área central antiga (bairro colonial do tempo
do domínio português ou espanhol) e uma área central nova (centro de negócios).
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Cidades da África Subsariana, com um contraste entre o núcleo colonial (bairro
histórico, onde reside o estrato socioeconómico elevado) e um centro moderno,
de comércio e negócios. Há ainda áreas residenciais de transição com o espaço
rural (estratos socioeconómicos baixos).

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Novas centralidades

As baixas/centros históricos têm


vindo a conhecer um declínio,
devido à crise do comércio
tradicional, ao aparecimento de
novas formas de comércio e
serviços e ao envelhecimento da
sua população.

Surgiram novas centralidades


devido ao trânsito, à falta de
Parque das Nações em Lisboa
estacionamento e ao declínio
dos centros históricos.

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4.7 OS DIFERENTES TIPOS DE
PLANTAS E O PLANEAMENTO
URBANÍSTICO
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A morfologia urbana

Na caracterização de uma cidade, a morfologia urbana (traçado das ruas,


das praças e dos edifícios) é essencial e faz-se por meio da análise da
planta da cidade, que se vai alterando. Atualmente, algumas cidades,
como Lisboa, apresentam uma mistura de plantas.

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Planta irregular
• Irregularidades no traçado das ruas.
• Ruas estreitas e tortuosas.
• Cidades antigas e típica das cidades
muçulmanas.
• Ocupação do terreno feita ao acaso.
• Topografia do terreno muito acidentado.
• Cidades portuguesas com este traçado:
Lisboa (bairros de Alfama e Mouraria),
Silves e Moura.

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Planta radioconcêntrica
• Ruas organizam-se a partir do centro.
• Eixos circulares ao centro para maior
mobilidade.
• Planta típica das cidades medievais (com
castelo) e topografia irregular.
• Malha urbana desenvolve-se à volta das
muralhas do castelo.
• Cidades Portuguesas com este traçado:
Évora, Faro e Castelo Branco.

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Planta ortogonal
• Ruas que se cruzam formando ângulos
retos (muito ventosas).
• Resultam do planeamento.
• Planta generalizada na fase pós-industrial.
• Facilita a circulação dos transportes.
• A semelhança entre as ruas dificulta a
orientação.
• Cidades Portuguesas com este traçado:
Lisboa (na Baixa Pombalina), Chaves,
Espinho ou Angra do Heroísmo.

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4.8 AS CIDADES EM PORTUGAL
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As cidades em
Portugal
• Portugal continental:
concentração de população na
faixa litoral ocidental, entre o
Minho e a península de Setúbal,
com destaque para as áreas
metropolitanas de Lisboa e do
Porto. Despovoamento do
interior do país.
• Nos arquipélagos: a cidade do
Funchal, na ilha da Madeira, e
Ponta Delgada, na ilha de São
Miguel, nos Açores, apresentam
maior concentração.

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4.9 A INTERDEPENDÊNCIA DOS
ESPAÇOS URBANO E RURAL
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O espaço urbano e o espaço rural

Espaço rural – Espaço onde Espaço Urbano – Área (por vezes


continuam a predominar as difícil de delimitar) onde existe
atividades primárias. uma ou várias cidades que
atuam como polo de atração.

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População urbana e rural

População rural – Número de População urbana – População


habitantes que vivem em regiões que habita em espaços urbanos,
onde predominam atividades que se dedica maioritariamente,
rurais (agricultura, pecuária, a atividades comerciais e
silvicultura). serviços.

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Modo de vida urbano e rural
Áreas rurais Áreas urbanas
Profissão Atividades do setor primário: Atividades do setor secundário
agricultura, (indústria) e terciário (comércio e
pecuária e silvicultura. serviços).
Ocupação de Atividades de complemento agrícola Atividades de lazer: cinema, teatro,
(apanha de lenha), festividades desporto, música, visita a museus e
tempos livres
religiosas, pesca, caça e jogos passeios pedestres.
tradicionais.
Deslocações Reduzidas e de curta distância, uma Deslocações de casa para o trabalho, e
vez que a habitação e o local de vice-versa, ou deslocações para lazer e
trabalho estão próximos. comércio.
As deslocações são maioritariamente As deslocações são tendencialmente
a pé. feitas através de meios de transporte
motorizados.
Relações sociais As pessoas relacionam-se As pessoas mal se conhecem;
diariamente e os mais próximos o relacionamento é circunstancial e o
cumprimentam-se com aperto de cumprimento, quando acontece, é
mão ou beijo na face. apenas verbal.

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Complementaridade entre espaço urbano e
rural

Espaço urbano fornece


Tecnologia;
Vias de comunicação;
Transportes.

Espaço rural fornece


Produtos alimentares;
Áreas diversificadas de recreio e
lazer;
Contacto com o ambiente natural; As relações recíprocas de
Disponibilidade de mão de obra. complementaridade entre
a cidade e o campo.

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