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Bomba injetora: todo cuidado é pouco
Veja como identificar os problemas da bomba injetora e retirá­la corretamente em casos de manutenção

Carolina Vilanova

A bomba injetora é um dos componentes mais importantes do sistema de alimentação dos veículos diesel. Ela é responsável
por injetar o combustível no motor para que ocorra a combustão. Esse trabalho é realizado em conjunto com o regulador de
rotação, que controla todas as faixas de rotação de acordo com a carga aplicada ao motor e o seu funcionamento, dosando a
quantidade de diesel injetado e o inicio de injeção correto para a melhor combustão.
Nos motores eletrônicos esse processo é gerenciado pelas unidades eletrônicas de comando. Mas, nos modelos mecânicos, a
bomba é regulada manualmente por profissionais especializados (bombistas) e com o auxílio de ferramentas específicas, além
de diversos testes realizados em um equipamento apropriado. Quando a bomba está regulada e o motor em bom estado, o
funcionamento  é  perfeito  e  respeita  as  leis  de  emissão  de  poluentes,  proporcionando  desempenho  e  consumo  estabelecidos
pela montadora.

O caminho do diesel
O  combustível  é  aspirado  do  tanque  até  a  bomba  injetora  pela  ação  positiva  de  uma  bomba  de  transferência  (pré­
alimentadora).  Em  seguida,  passa  por  um  pré­filtro  para  remover    as  partículas  contaminantes.  A  bomba  de  transferência,
então, fornece à injetora o combustível em baixa pressão. O diesel passa pelo filtro de combustível antes de chegar à bomba.
Ela  comprime  o  combustível  até  os  injetores,  onde  atingem  altas  pressões,  necessárias  para  a  atomização  e  queima  nas
câmaras  de  combustão,  enviando­o  por  linhas  individuais,  para  cada  injetor.  Ao  alcançar  o  injetor,  o  combustível
comprimido  provoca  o  acionamento  da  agulha  que  veda  os  orifícios  do  injetor  com  a  câmara  de  combustão,  vencendo  a
carga de uma mola e calços que determinam sua pressão de abertura e possibilita a entrada do diesel de forma otimizada. A
fuga de combustível ao redor da agulha para refrigeração é recolhida pelo coletor de retorno, que o envia por uma conexão e
pela tubulação de retorno ao tanque.

Conceito e modelos

Existem inúmeros modelos e tipos de bombas injetoras. A diferença entre elas está na aplicação quanto à potência do motor
que  vai  equipar.  Algumas  aplicações  foram  projetadas  para  ser  instaladas  na  parte  traseira  do  motor,  com  o  objetivo  de
reduzir ruídos, devido à carga maior aplicada nos motores modernos.

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Paulo Souza, gerente de Assistência Técnica da Bosch, afirma que as bombas podem ser classificadas nos modelos em linha
ou distribuidora, sendo que os portes são divididos por potência de saída, da seguinte maneira: M, A, MW, P, R, H e VE. A
bomba  em  linha  possui  as  saídas  dispostas  em  linha  e  a  colocação  dos  tubos  de  pressão  é  seqüencial.  As    bombas
distribuidoras  demandam  cuidados  na  hora  de  encaixar  os  tubos  de  pressão,  pois  deve­se  verificar  a  saída  que  vai  para  o
primeiro cilindro do motor, e depois, identificar o sentido de giro da bomba. Os tubos devem ser encaixados nessa ordem. É
importante lembrar que cada motor tem a sua seqüência.

Diagnósticos
Antes  de  retirar  a  bomba  do  motor,  é  preciso  verificar  onde  está  o  problema.  Sintomas  como  falha  e  oscilação  no
funcionamento do motor, ruídos fortes (como se estivesse serrando), variação de rotação, excesso de fumaça e aumento no
consumo de combustível podem indicar possíveis avarias no sistema.
No  entanto,  é  preciso  checar  outros  componentes,  para  evitar  que  a  bomba  injetora  seja  retirada  sem  haver  necessidade.
“Pergunte  para  seu  cliente  se  ele  notou  a  perda  de  rendimento  ou  alteração  da  fumaça  do  veículo  após  abastecimento.
Verifique  se  os  filtros  de  combustível  e  de  ar  estão  em  ordem,  inspecione  se  há  vazamento  de  combustítvel”,  comenta
Souza.
A pressão dos injetores deve estar de acordo com a tabela de aplicação, assim como a taxa de compressão e o ponto estático
do motor. Verifique se o turbo, o intercooler e a regulagem de válvulas estão dentro dos padrões. Cheque também se o motor
apresenta bloqueio no início de injeção.

Manutenção preventiva

A troca dos filtros dentro do prazo estipulado, a purga do sistema para verificar se existe água e evitar deixar que o veículo
ande com pouco combustível no tanque são cuidados imprescindíveis para a vida útil do sistema de injeção. Procure postos
de  bandeira  ou  de  sua  confiança,  pois  combustível  de  má  qualidade  ou  contaminado  pode  danificar,  além  do  sistema,  o
motor.
A manutenção preventiva demanda uma checagem no sistema de acordo com o manual do proprietário. Esse procedimento
pode incluir a limpeza dos bicos e o ajuste do início de injeção e da pressão de abertura do bico. “O ideal é levar o veículo
até  um  especialista  para  fazer  a  revisão,  pois  ele  terá  todas  as  ferramentas  adequadas  para  realizar  o  serviço”,  comenta  o
gerente da Bosch.
Ao  checar  a  bomba  injetora,  deve­se  verificar  o  volume  de  injeção  nos  vários  regimes  de  trabalho  do  motor  como  marcha
lenta, limite de rotação, ajuste do plena carga. O tanque de combustível também merece uma atenção periódica: verifique se
há água em seu interior e, caso o resultado seja positivo, faça a drenagem do sistema. Para realizar a checagem observe o
líquido no decantador do filtro (um copo de sedimentação). Presença de água no sistema, geralmente, apresenta uma fumaça
de cor branca durante funcionamento do motor, esta também ocasiona danos sérios ao sistema de injeção e a lubricidade do
diesel é comprometida.

Desmontagem e montagem
Para  cada  modelo  de  bomba  e  regulador  existe  um  conjunto  de  ferramentas  apropriados  para  se  trabalhar.  A  Bosch
recomenda a aquisição dos equipamentos para impedir danos maiores. Os bombistas, devem ter conhecimento profundo do
assunto, pois esse é um componente muito complexo e de extrema importância para o funcionamento de um motor.
Um  dos  primeiros  itens  que  o  profissional  deve  saber  ao  instalar  uma  bomba  é  identificar  a  frente  da  peça,  que  é  o  lado
oposto  da  haste  de  regulagem.  Para  saber  qual  o  modelo  do  casco  da  bomba,  fique  atento  à  placa  de  identificação  do
fabricante. Lá estão todas as informações necessárias para a correta aplicação.
Nessa  edição,  fizemos  um  passo­a­passo  da  remoção  e  instalação  da  bomba  injetora  do  tipo  A,  utilizada  nos  motores

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Cummins  6CTAA  de  8,3  litros,  desenvolvido  para  atender  aplicações  de  até  215  hp.  Esse  propulsor  equipa  modelos
Volkswagen Titan 17.220 e 23.220, e os Ford 1.722 e 2.322. Acompanhe a desmontagem da bomba injetora do tipo A, que
equipa esse motor:

1) Remova as tubulações e o solenóide de corte de combustível. Depois, localize o Ponto Morto Superior (PMS) no cilindro
1 e trave­o com o pino de trava (pin lock). O mecânico deve empurrar o pino de sincronização dentro do comando, girando
lentamente a árvore de manivelas. Obs.: Não esqueça de afastar o pino depois que encontrar o PMS.

2)  Remova  a  tampa  de  acesso,  a  porca  e  a  arruela  da  engrenagem  acionadora  da  bomba.  Com  o  auxílio  do  sacador  T
(Sacador de Engrenagem de Bomba Injetora nº. 3824469), solte a engrenagem do eixo da bomba.

3)  Algumas  bombas  têm  suporte  de  fixação,  caso  tenha  é  preciso  retirá­lo.  Agora,  trave  a  bomba  antes  de  removê­la,
retirando  o  pino  de  sincronização  e  invertendo  a  sua  posição.  Obs.:  Coloque  um  aviso  para  mostrar  que  a  bomba  está
travada, evitando que alguém vire o eixo e quebre o pino ou o próprio eixo, danificando o equipamento.

4) Tire a tubulação de alta pressão. Lembre­se que todos os orifícios devem ser vedados para impedir que entre impurezas
na peça. (Foto 4)

5)  Solte  as  porcas  de  fixação  com  ferramentas  adequadas,  pois  o  acesso  aos  parafusos  é  difícil,  e  por  fim  retire  a  bomba

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injetora. Para instalar a bomba, realize a operação inversa da desmontagem, com atenção para os torques especificados pelo
fabricante.

Fique atento

• O Bombista deve devolver a bomba lacrada para o mecânico, com o ponto de bomba ajustado na bancada de testes.
• Certifique­se que na montagem o motor está em PMS.
• Com um pano umedecido em um desengraxante que não contenha água, limpe bem a engrenagem acionadora e o eixo da
bomba  ou  produtos  químicos  que  possam  danificar  as  borrachas.  (como  álcool  etílico,  por  exemplo).  Para  dar  aderência  e
não sair fora do ponto.
• O bombista já deixou a bomba no ponto, o mecânico só tem de instalar a peça no motor.
• A regulagem da bomba deve ser feita por especialistas, seguindo os parâmetros da bancada de testes.
• O corte de óleo deve ser realizado com a ajuda de uma bomba elétrica.

Protocolo de medição
• Colocar a bomba para funcionar em uma bancada de testes.
• Conferir o início de débito, que depende do motor.
• Conferir o volume injetado em todas as faixas de rotação e em cada saída da bomba
• Efetuar o teste de marcha lenta, limite de rotação e teste de pressão do LDA com e sem pressão de carga.
• Conferir o tubo de teste da bancada e o porta injetor.

Na bancada são realizados:
• Teste de início de débito
• Teste com o relógio comparador: precisão de 0,01 mm que deve ser usado no ajuste das chapas que sustentam as flanges
do elemento.
• Escala de grau: serve para verificar se a bomba está acelerando o que devia: os valores dependem do modelo do motor
• Teste para reconhecer a posição do acelerador.
• Posição do modelo do regulador
• Regulagem da haste de regulagem, com relógio de comparação
• Verificar a marcha lenta – por meio do parafuso do batente do acelerador.
•  Teste  de  regulador:  cursos  e  posição  da  luva,  certeza  que  o  regulador  da  bomba  está  dentro  dos  parâmetros  (fazer  a
regulagem para ajuste da luva).
• Teste de plena carga.

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