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DIEGO FELIPE DE SOUZA

NARCISISMO: NEGAÇÃO DO VERDADEIRO SELF

Trabalho apresentado como


requisito parcial ao Módulo III do
Curso de Especialização em
Psicologia Corporal, ministrado
pelo Centro Reichiano.

Profª. Msc. Sandra Mara Volpi

CURITIBA
2014
NARCISISMO: NEGAÇÃO DO VERDADEIRO SELF
Diego Felipe de Souza

RESUMO
Este artigo traz um breve resumo da obra “Narcisismo” de Alexander Lowen.
No texto são abordadas algumas das principais ideias do livro, como a negação
do próprio self, os níveis de narcisismo e a excessiva preocupação com a
própria imagem.

Palavras-chave: Bioenergética. Lowen, Alexander. Narcisismo.

O livro de Lowen aborda o tema do narcisismo, um tipo de caráter que


tem seu nome originado do mito de Narciso. Narciso era um jovem que foi
amaldiçoado a se apaixonar por sua própria imagem. Por negar o amor de Eco,
que sempre repetia as ultimas palavras que ouvia, Narciso acabou morrendo
de inanição ao ficar hipnotizado olhando seu próprio reflexo em um lago. O
mito de Narciso significa que ao negar o sentimento de amar, Narciso negou os
próprios sentimentos, negando o próprio self.
Segundo Lowen (1985) os narcisistas podem ser caracterizados por
negarem seus próprios sentimentos, perdendo o contato com o seu próprio
self. Para Lowen os narcisistas, por medo da insanidade, reprimem os próprios
sentimentos, ou seja, eles têm medo de perderem o controle de si mesmos e
acabarem loucos. Portanto, a privação dos próprios sentimentos pode ser
considerada uma maneira que o indivíduo encontrou para poder sobreviver e
manter certo nível de sanidade. Lowen chega a questionar se não seria
sanidade maior negar o próprio self.
Lowen classifica o narcisismo em cinco níveis: Caráter fálico-narcisista,
caráter narcisista, personalidade de fronteira, personalidade psicopática,
personalidade paranóide. Nesta classificação, o caráter fálico narcisista seria o
indivíduo mais centrado na sua própria imagem e a personalidade paranóide é
o indivíduo que tem menos contato com a realidade (LOWEN, 1985).
Uma das características dos narcisistas é o investimento excessivo de
energia na própria imagem. A imagem pode ser a própria aparência física, um
status social, um cargo de poder, conhecimento, etc. Os Narcisistas, segundo
Lowen (1985), investem a maior parte de sua energia no ego, no eu, ou seja,
na própria imagem. Neste sentido, os narcisistas não conseguem ter uma
identificação com o próprio self; não conseguem ter uma autoaceitação dos
próprios sentimentos e sensações.
De acordo com Lowen (1985) uma das maneiras que os narcisistas
usam para negar os próprios sentimentos, é não os percebendo. Isso se dá
através do forte apego a uma imagem criada pela pessoa, e também através
da tensão crônica de certos músculos, como por exemplo, os músculos do
pescoço. Tal tensão acaba criando um amortecimento dos músculos, o que
resulta na não percepção e sensação dos mesmos por parte do indivíduo.
A não percepção dos próprios sentimentos por parte do narcisista, o
impede também de ter empatia pelos outros. O narcisista não consegue se
identificar com os sentimentos dos outros, porque nega o próprio sentimento.
Neste sentido cabe muito bem aos narcisistas o ditado popular “os fins
justificam os meios”, pois são capazes de usar as pessoas como objetos para
conseguirem atingir seus objetivos.
Lowen (1985) assinala que os narcisistas não são totalmente
desprovidos de sentimentos, mas que os expressam de uma forma distorcida
ou simulada. Os narcisistas tem grande dificuldade em vivenciar a própria
tristeza, e muitas vezes agem de forma colérica, como uma maneira de evitar
entrar em contato com o medo e o sentimento de tristeza. A negação desses
sentimentos funciona como repressão de situações negativas que foram
vivenciadas, em sua maioria na infância.
Em relação a busca dos narcisistas pelo poder, Lowen (1985) aponta
que isso se dá devido a um sentimento de inferioridade sentido pelo mesmo,
originado por alguma situação onde se sentiu humilhado por seus pais ou
alguém importante para ele. A busca pelo poder é, portanto, uma maneira que
o narcisista encontra para não se sentir mais humilhado, pois acredita que se
tiver poder suficiente ninguém mais poderá lhe humilhar e não se sentira mais
inferior.
Uma das razões para a negação dos sentimentos, segundo Lowen
(1985), é a excessiva, ou precária, estimulação das crianças quando ainda
bebês. A superestimulação gera sentimentos, que por alguma razão, não
podem ser expressos, ou seja, a energia não pode ser descarregada e fica
represada gerando tensão muscular crônica. A falta de estimulação, por sua
vez, resulta em um sentimento de desamparo, gerando uma tensão muscular
crônica a fim de não mais sentir, pois é menos doloroso não sentir do que sentir
que não pode ter ou ser.

REFERÊNCIA

LOWEN, Alexander. NARCISISMO: Negação do verdadeiro self São Paulo:


Cultrix, 1985.

AUTOR

Diego Felipe de Souza/SC – Psicólogo (CRP-12/10753). Está cursando


Especialização em Psicologia Corporal no Centro Reichiano, Curitiba - PR.
E-mail: psicologiadiego@gmail.com
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Lages, 25 de julho de 2014.

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