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VERSÃO DO PROFESSOR

D I S C I P L I N A Didática e o Ensino de Geografia

Tendências no ensino de Geografia

Autoras

Sônia de Almeida Pimenta

Ana Beatriz Gomes Carvalho

aula

Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___


03
Nome:_______________________________________
Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministro da Educação
Fernando Haddad
Secretário de Educação a Distância – SEED
Carlos Eduardo Bielschowsky

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Estadual da Paraíba


Reitor Reitora
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Vice-Reitora Vice-Reitor
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Coordenador de Edição Diagramadores


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Projeto Gráfico Mariana Araújo (UFRN)
Ivana Lima (UFRN) Vitor Gomes Pimentel

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Nouraide Queiroz (UFRN) Rossana Delmar de Lima Arcoverde (UFCG)
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Carolina Costa (UFRN) Revisora de Língua Portuguesa
Maria Divanira de Lima Arcoverde (UEPB)
Editoração de Imagens
Adauto Harley (UFRN)
Carolina Costa (UFRN)

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - UEPB

Copyright © 2008  Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da
UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da UEPB - Universidade Estadual da Paraíba.
Apresentação

N
esta aula vamos conhecer as principais tendências no ensino de Geografia, suas
origens nas correntes teóricas da ciência geográfica e as possibilidades de aplicação
em sala de aula. Para aprofundar seus conhecimentos e facilitar a leitura desta aula,
recomendamos que você releia o material da disciplina Introdução à Ciência Geográfica. Lá
você encontrará os fundamentos das correntes de pensamento da Geografia referenciadas
nesta aula. Para acompanhar o processo de análise e reflexão proposto nesta aula, você
deverá rever o material, realizar as atividades e as leituras propostas.

Objetivos
Ao final desta aula, esperamos que você:

Compreenda as implicações da ambigüidade do objeto


1 de estudo da Geografia na prática educativa;

Relacione as dificuldades do conteúdo da disciplina e


2 sua abordagem em sala de aula;

Conheça a formação do professor e suas escolhas e


3 estratégias na condução da aprendizagem.

Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a 1


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
O professor de geografia e os
desafios da sala de aula

A
dificuldade com o objeto de estudo da Geografia é assunto debatido em todos os
eventos da disciplina. Recentemente, levantou-se um debate acirrado sobre as
implicações destes conflitos epistemológicos no ensino da Geografia nos níveis
básico. Isso significa reconhecer que a ambigüidades e os problemas da Geografia como
ciência, não estão restritos ao ambiente das universidades onde ela é investigada. Os
alunos da Educação Básica sofrem também com estes dilemas. Os livros didáticos são a
principal (e às vezes única) fonte de informação dos professores e passam ao longo do
tempo por crises em sua abordagem. O caráter ideológico da Geografia pode transformá-la
em um instrumento legítimo de construção da cidadania ou em um panfleto contestador
mal elaborado e ineficiente. A definição do papel do professor, diante da complexidade dos
conteúdos da disciplina, torna-se um mediador da leitura de mundo dos alunos em uma
sociedade em constante transformação.

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Atividade 1
Geografia: Isso serve, em primeiro lugar, para fazer a
Guerra (Yves Lacoste, 1988). Este livro é tão importante que
está indicado para leitura no corpo desta aula. Publicado na
França no final da década de 70, é um marco no pensamento
da ciência Geográfica e fundamental para o professor de
Geografia porque questiona a neutralidade da disciplina e
seu papel na sociedade. Foi amplamente discutido nos anos
seguintes a sua publicação e ainda hoje é um texto fundamental
para os professores de Geografia. Editora Papirus, 1ª Ed.1988.
Pesquise a importância deste livro para a Geografia e registre
suas descobertas aqui.

sua resposta

Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a 3


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
Diálogos no caminho
Em fevereiro de 2000, ao entrar em uma turma do 1° ano do Ensino Médio
como professora de Geografia, perguntei aos alunos se gostavam da disciplina.
Diante das expressões constrangidas, perguntei o que a disciplina tinha de
ruim ou desinteressante para que eu pudesse superar os aspectos negativos e
motiva-los. Um aluno mais falante resolveu se colocar:

– Bom , contra a Geografia mesmo a gente não tem nada não, só é muita
coisa para ler, mas é melhor que História. . O problema é que o nosso outro
professor era muito revoltado...

– Revoltado, como assim? ? Revoltado com vocês, com a escola, com


o livro?

Não professora, revoltado com o mundo, ele vivia gritando que o capitalismo
iria nos destruir, que nós éramos um bando de alienados e que ele odiava os
Estados Unidos. A senhora sabe né, a gente sonha em ir para a Disney...

Marxismo
Invariavelmente, percebemos um descompasso entre o enfoque no conteúdo escolhido
O Marxismo é o conjunto pelo professor e o público alvo ao qual este conteúdo se destina, como se emissor e receptor
de idéias filosóficas,
econômicas, políticas
utilizassem códigos completamente distintos. Um conteúdo com enfoque marxista em uma
e sociais elaboradas turma de ensino médio de uma escola de elite, será tão inócuo quanto um enfoque neoliberal
primariamente por Karl na escola pública da periferia.
Marx e Friedrich Engels e
desenvolvidas mais tarde
por outros seguidores.
Interpreta a vida social
conforme a dinâmica da
luta de classes e prevê
a transformação das

Estou no caminho certo?


sociedades de acordo com
as leis do desenvolvimento
histórico de seu sistema
produtivo.
Precisamos então fazer discursos diferentes, dependendo do perfil dos
nossos alunos? Isso não é incoerente?

Não se trata de forma alguma de modificar o discurso, mas apresentar os


Neoliberal
conteúdos densos da disciplina e distantes da realidade do aluno, possibilitando
Doutrina econômica a reflexão e construção do conhecimento a partir da realidade e vivência de
que defende a absoluta
cada um. Conceitos complexos como materialismo histórico, neoliberalismo,
liberdade de mercado
e uma restrição à globalização, entre outros, precisam ser apresentados dentro de um contexto
intervenção estatal sobre que levo o aluno a refletir e compreender suas reais dimensões na sociedade em
a economia, só devendo que vive. A importação de conceitos, idéias ou realidades distintas dos alunos,
esta ocorrer em setores
sem a contextualização necessária, conduzirá o processo de aprendizagem para
imprescindíveis e ainda
assim em grau mínimo. a memorização e repetição dos textos.

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Atividade 2

As Montanhas da Lua (Mountains of the Moon, 1990)

Sinopse: Em 1850 dois oficiais britânicos, Capitão Richard


Burton e Tenente John Speke, membros da Real Academia
de Geografia, começam uma aventura para descobrir a
fonte do Nilo. Conhecedores dos grandes perigos que os
aguardam, mas decidem enfrentar tudo e se embrenham
com sua expedição cada vez mais na selva inexplorada da
África onde nenhum homem branco jamais havia estado.
Mas essa jornada em busca da nascente do Rio Nilo,em
nome do Império Britânico da Rainha Victória tem seu preço
com fugas de carregadores, perda de mantimentos além de
outros perigos e infortúnios. Baseado no livro de William
Harrison que narra sobre essa expedição em busca dessa
nascente. Em homenagem à rainha, o grande lago na região
da descoberta, recebe o nome de Lago Victória nas divisas
hoje entre Quênia, Uganda e Tanzânia. Assista ao filme e
comente as correntes geográficas em que os geógrafos
estavam contextualizados naquele momento histórico,
refletindo sobre a sua importância para a Geografia hoje.

Pausa para orientação


Para prosseguir é preciso resgatar alguns conceitos do materialismo
histórico que são essenciais para a compreensão dos próximos temas que serão
abordados. Veja a seguir a reprodução do conceito de materialismo histórico
encontrado no Dicionário de Política de Norberto Bobbio:

“Para identificar o conteúdo essencial do materialismo histórico como


uma versão fundamental da atitude historicista no contexto político, poder-
se-á afirmar que ele constitui uma radicalização e um aprofundamento dos
enunciados hegelianos acerca da relação entre a evolução histórica das
estruturas econômicas e sociais e a individualidade das instituições e dos
valores político nas diversas épocas e lugares. O materialismo histórico

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elaborado por Marx e Engels pressupõe, em última instância, a eliminação de
todo componente idealístico e, em geral, metafísico da filosofia hegeliana da
sociedade e da história; traduz-se na concepção do desenvolvimento histórico
como processo de revolucionamento ininterrupto de todos os aspectos da vida
coletiva humana, cuja força motriz fundamental é constituída pela evolução
do modo de produção. Nesta perspectiva, a individualidade das instituições
e dos valores políticos surgidos nas diversas épocas e situações históricas
parece determinada pelas várias fases da evolução do modo de produção e
com elas relacionada. Pelo que se refere à doutrina dos direitos do homem e ao
modelo liberal do Estado, esses, longe de ser considerados como normas de
valor universal, são concebidos como superestruturas do modo de produção
burguês-capitalista e, por isso, historicamente condicionados e destinados a
ser superados com a passagem ao modo de produção socialista.

A historicização das instituições e dos valores políticos em relação à


evolução do modo de produção, proposta pelo materialismo histórico, possui
um significado político evidentemente progressista. Com efeito, esta orientação
teórica, embora critique o racionalismo abstrato do jusnaturalismo moderno,
aceita sua tendência racionalista fundamental, que se traduz numa crítica
às instituições existentes do ponto de vista das possibilidades racionais do
homem, e lhe acrescenta a consciência de que o progresso rumo a instituições
cada vez mais racionais é condicionado pela evolução histórica das estruturas
econômicas e sociais. De resto, a atitude progressista do Historicismo de origem
marxista pode assumir um pensador revolucionário ou reformista, segundo
que o desenvolvimento econômico-social e, conseqüentemente, político seja
concebido como um processo que se desenrola através de contradições e
rupturas, ou como uma evolução gradual.”(BOBBIO, 1986, p. 583).

O conceito de materialismo histórico reproduzido aqui pode ser encontrado nas mais
variadas formas em livros didáticos de Geografia, principalmente quando tratam de aspectos
históricos e econômicos de uma determinada região. Isso não significa que todos os autores
utilizaram a mesma concepção ou que será possível utilizar o materialismo histórico em todos
os conteúdos tratados pela disciplina. Um exemplo prático é a abordagem dos conteúdos
de Geografia Física. O fato destas abordagens aparentemente surgirem destituídas de uma
fundamentação ideológica, passam a falsa impressão de serem mais cientificas, ou neutras.
Esta falsa impressão pode levar o professor a acreditar que seria possível transmitir esta
“neutralidade” para os demais conteúdos da disciplina. Vamos levantar um debate a seguir
que poderá ser bastante revelador para esta questão.

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As diferentes correntes
e o ensino de geografia

A
Geografia vem passando nas últimas décadas, por um período de intenso debate sobre
as diferentes correntes de pensamento envolvidas com a sua produção científica.
Segundo Yves Lacoste, a raiz da “Geografia dos professores” está no embate entre
possibilismo e determinismo, uma Geografia limitada e limitante. Esta postura teórica e
metodológica está presente na maioria dos livros didáticos.

Pausa para orientação


Para prosseguir você precisará resgatar os conceitos das teorias do
pensamento geográfico que foram trabalhados na disciplina Introdução à
Ciência Geográfica, especialmente as aulas 8,9,10 e 15.

Segundo Oliveira (2003), o momento atual da Geografia é vivido por um


embate teórico-metodológico e prático em três frentes:

Frente 1: Temos no ringue uma briga entre a Geografia tradicional (descritiva e


determinista) e a chamada “new geography”, construída sobre o neopositivismo e
também apresentada como Geografia quantitativa, Geografia teorética, Geografia
moderna, Geografia pragmática etc.

Geografia Tradicional New Geography

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Frente 2: Neste ringue temos um embate entre a Geografia tradicional (descritiva
e determinista) e a Geografia crítica (fundamentada no materialismo histórico).

Geografia Tradicional Geografia Crítica

Frente 3: Este é o ringue mais movimentado, que está com a luta cada vez
mais acirrada entre a “new geography”, construída sobre o neopositivismo e a
Geografia crítica (fundamentada no materialismo histórico).

New Geography Geografia Crítica

Na prática, ainda não é possível afirmar a hegemonia desta ou daquela corrente. Ainda
segundo Oliveira (2003), o que se observa é a aparência de uma grande confusão entre a
maioria dos professores de Geografia que se vê envolta por uma discussão da qual não tem
participado. É da ampliação deste debate que nascerá a hegemonia desta ou daquela corrente.
Debate este que continuará com os problemas apontados no livro de Massimo Quaini:

“A Geografia revela hoje sua alma dualista: oscila e continua oscilando entre
determinismo e possibilismo, entre naturalismo e historicismo idealista, entre uma
causalidade materialista e um finalismo indeterminado. Isto é, de um lado, tende-se a
considerar como real somente a necessidade ou causalidade material (e, portanto, o
homem como ser natural determinado pelo ambiente e a sociedade humana reduzida a
um formigueiro); do outro, considera-se como real somente o finalismo ou a liberdade
da ação humana (e portanto, o ambiente como livre criação do homem)” (QUAINI,
1979, p. 22).

Para Vesentini (2003), o professor que elabora uma reflexão crítica sobre o seu
papel e o da Geografia como disciplina, percebe que, ao estar inserido numa sociedade
dividida por interesses antagônicos, a escola é um campo de luta de classes: serve para
a reprodução das relações de dominação, para a preparação do trabalho dócil ao capital e
como reprodutor da ideologia dominante. Neste aspecto, a função do ensino de Geografia é
a de difundir uma ideologia do “Estado-Nação”, tornar essa construção histórica como algo
natural. Assim, o estudo do Brasil deve começar pela área e formato do território, latitude e
longitude, destacando sua imensa riqueza e natural e o seu centro geográfico do país. Desta
forma, Brasil passa a significar território e não povo e sociedade, e governo passa a significar
administrar, gerenciar, e nunca fazer política no sentido verdadeiro da palavra.

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Atividade 3
Segundo o Professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira, “não somos o que muitas
vezes apenas pensamos ser, somos, isto sim, aquilo que produzimos, aquilo
que praticamos, pois não se mede um homem pelo que ele pensa de si e sim
pelo que ele efetivamente produz”. Considerando sua trajetória e sua prática
em sala de aula, escreva sobre sua identificação com uma das correntes do
pensamento geográfico. Explique por que você identifica sua prática pessoal
e profissional com esta corrente, refletindo sobre esta identificação. Publique
também no fórum desta aula no ambiente virtual, para compartilhar suas
impressões com seus colegas, enriquecendo o debate.

sua resposta

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O professor e seu discurso
Voltamos aqui para a questão proposta no início desta aula: o discurso do professor
será estruturado a partir de quais princípios? Vimos nos textos apresentados que a
neutralidade no papel do professor é impossível, todos nós carregamos nossa bagagem de
conhecimentos, nossas idéias e nossa posição político-ideológica que irá fundamentar-se
em uma determinada corrente do pensamento geográfico. Outra questão importante está
centrada no papel do professor, especificamente o professor de Geografia. Alguns professores
pensam (ou são encorajados a pensar) que seu papel em sala de aula está relacionado ao
processo de conscientização dos alunos, que serão formados ideologicamente a partir do
discurso do professor. Neste aspecto, Vesentini trata deste assunto questionando o conceito
de “conscientização”. Segundo ele,
“Esse termo está na moda atualmente entre os que se preocupam com a renovação
do ensino, e deriva da pedagogia de Paulo Freire. Mas ele é usado em dois sentidos
bastantes diferentes. Suas origens extrapedagógicas, como se sabe, localizam-se na
idéia de “consciência de classe” ou consciência “para si” (da classe, o “em si”).
E também o movimento operário foi alvo de uma polêmica entre os que pensavam que
a consciência deve ser trazida à classe de fora (através da parcela da pequena burguesia
que teria assumido o marxismo e o socialismo, e se organizado num partido; a classe
por si só seria incapaz de atingir uma consciência política mais profunda), e os que
pensavam que essa consciência ocorre na luta e pela luta (seja sindical, de greves,
operações tartaruga ou criando um partido) e que a classe não precisa que alguém
a organize ou conscientize. Muitos professores raciocinam em termos de classes
(sociais) de conscientização nessas formas apropriadas ao movimento operário.
Pensamos que isso é um equívoco. O educando, via de regra (estamos falando de
1° e 2° graus, evidentemente), não é um trabalhador (às vezes é) e sim uma criança
ou um adolescente que está se formando em termos de personalidade, e apresentam
diferenças importantes conforme a faixa etária ou a condição sócio-econômica. E a
escola não é o seu local de trabalho, nem um sindicato e nem um partido político.
Assim, fica difícil pensar-se em conscientização a partir do segundo sentido (das lutas
no trabalho...) e muitas pessoas aderem ao primeiro sentido, o de “doutrinação” (a
consciência que viria de fora, por outra pessoa ou classe). Dessa forma, essa parcela
(pequena, felizmente) de professores, passa a mudar uma ou outra coisa do conteúdo
e mantém ou até reforça, a forma autoritária de ensino: a relação professor como “dono
da verdade” e aluno como passivo decorador das lições” (VESENTINI, 2003, p. 114).

Estou no caminho certo?

E o que fazer para evitar cair nesse caminho? Como trabalhar com uma disciplina
de forte conteúdo ideológico sem caminhar nas trilhas da doutrinação?

10 Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a


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É fundamental entender a especificidade do processo educativo, que educação também
é uma forma de luta de classes, mas específica e diferente da fábrica ou do partido. E, na
realidade, o professor nunca irá “conscientizar” ninguém, mas no máximo contribuir para
que determinadas potencialidades do educando (a criticidade, a logicidade, a criatividade)
se desenvolvam. Mas esse desenvolvimento não é fruto de ensinamentos do professor, no
sentido de “ensinar a ser crítico”, mas sim resultado do aprendizado do aluno, do seu esforço
nas discussões, elaboração de atividades, leitura de textos etc. E, principalmente, da relação
entre o conteúdo a ser estudado com a sua vida, os seus problemas e do mundo onde vive.

Atividade 4

O autor (VESENTINI, 2003), é contundente em analisar o papel do professor que


realiza um discurso panfletário em sala de aula com pouco ou nenhum resultado
pragmático. Você concorda com esta análise? Registre aqui a sua análise
como você avalia o poder do discurso ideológico do professor (considere você
mesmo ou colegas seus de trabalho). A capacidade de influência do professor
está na articulação de seu discurso ou na sua empatia pessoal? Os alunos
reagem aos posicionamentos e idéias ou apenas refletem suas preferências
pessoas (simpatia, camaradagem, facilidade etc.)? Não esqueça da importância
em publicar sua opinião no fórum da disciplina.

sua resposta

Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a 11


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A importância do ensino de
geografia na construção do
pensamento geográfico

S
egundo Brabant (2003), a Geografia tem um papel de máscara ideológica e tende,
assim, a tornar-se aos olhos dos alunos uma disciplina arcaica, incapaz de dar conta
dos grandes enfrentamentos do mundo contemporâneo. Por outro lado, sua eficácia
ideológica parece embotada se a compararmos com outras disciplinas mais modernas. A
Geografia torna-se a vítima de um duplo processo de crise ligada ao seu conteúdo e ao seu
lugar na instituição escolar em via de reestruturação. Sua eficácia é contestada por discursos
mais modernos (Economia, Sociologia, etc). Marginalizada no momento de adaptação da
escola às necessidades profissionais, a Geografia está minada por sua aparente incapacidade
de dar conta das lutas onde o espaço está em jogo.

Para Vesentini (2003), os problemas com o ensino de Geografia, devem ser solucionados
por aqueles que estão envolvidos nestas lutas, e nunca por alguém de fora e supostamente
mais “competente”. Freqüentemente os professores da Educação Básica “clamam por um
especialista do ensino superior para estabelecer o conteúdo correto a ser ensinado aos
seus alunos. A cooperação entre os diversos níveis de ensino deve existir e é benéfica, mas
não deve degenerar em tutela do ensino superior sobre os outros. O Ensino Fundamental e
Médio, longe de ser apenas um apêndice do universitário (como geralmente se imagina), no
caso da Geografia possui claramente uma mão dupla (influências recíprocas) e muitas vezes
foi a partir do papel social do ensino que a Geografia acadêmica teve seu papel de pesquisa
reconhecido e legitimado. (VESENTINI, 2003, p. 116).

Estou no caminho certo?

Isso significa que a prática desenvolvida em sala de aula e os saberes praticados


com os alunos da Educação Básica são muito importantes para alimentar o
debate acadêmico nas Universidades?

Sem dúvida, a Geografia como ciência, necessita de sua construção realizada na base
de sua estrutura como um caminho de retro-alimentação para os debates acadêmicos sobre
seus pressupostos teórico-metodológicos. Veremos a seguir, o que se propõe para o ensino
de Geografia.

12 Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
A geografia que se ensina
Existe um grande descontentamento entre os professores que ensinam Geografia e
os alunos que são obrigados a aprender o que é ensinado. Este descontentamento está
associado aos mais diversos fatores que explicam a necessidade dos professores em buscar
respostas e orientações fora do debate entre seus pares. A dificuldade em optar por um
caminho seguro, mais dinâmico e atualizado no debate acadêmico da disciplina, fez com que
os professores buscassem orientação no material mais acessível: o livro didático. Vamos
apenas relembrar as dificuldades que qualquer professor enfrenta ao utilizar como orientação
e fundamentação teórica um livro didático.

Felizmente, as inúmeras contradições que constroem o pensamento geográfico,


alimentaram um debate acirrado entre os professores da rede de ensino fundamental e médio
e os pesquisadores das universidades. A partir deste movimento crítico, nasce uma proposta
para o ensino de Geografia nas escolas públicas. Este debate tem como objetivo transformar
o aluno de receptáculo de informação em um ser crítico, capaz, desde o início do processo de
aprendizagem de criar/construir o saber. Leia o texto complementar do Professor Ariovaldo
Umbelino de Oliveira, sobre esta proposta.

Educação e ensino de geografia na realidade brasileira


A Geografia, como as demais ciências que fazem parte do currículo do
Ensino Fundamental e Médio, procura desenvolver no aluno a capacidade de
observar, analisar, interpretar e pensar criticamente a realidade tendo em vista
a sua transformação.

Essa realidade é uma totalidade que envolve a sociedade e a natureza. Cabe


à Geografia levar a compreender o espaço produzido pela sociedade em que
vivemos hoje, suas desigualdades e contradições, as relações de produção que
nela se desenvolvem e a apropriação que essa sociedade faz da natureza. Para
entender esse espaço produzido, e necessário entender as relações entre os
homens, pois dependendo da forma como eles se organizam para a produção,
e distribuição dos bens materiais, os espaços que produzem vem adquirindo
determinadas formas que materializam essa organização social.

Nesse sentido, a Geografia explica como as sociedades produzem o


espaço, conforme o seus interesses em determinados momentos históricos e
que esse processo implica em transformação contínua.

Como são produzidos por sociedades desiguais, os espaços também


são desiguais: campo/cidade, regiões metropolitanas/cidades médias/cidades
pequenas, etc.

Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a 13


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
Essa base territorial, em que as sociedades vão transformando e construindo
historicamente, também se diferencia quanto aos elementos da natureza e
quanto à existência de recursos, que são desigualmente distribuídos.

A territorialidade implica a localização, a orientação e a representação


de dados sócio-econômicos e naturais, que contribuem para a compreensão
da totalidade do espaço. Essas habilidades – localização, orientação e
representação – também se tornam importantes à medida que elas se colocam
como instrumentos de conhecimento para a apropriação da natureza. As
sociedades, ao se apropriarem da natureza, precisam medi-la, controla-la e
domina-la. Tais habilidades também são apropriadas de forma diferenciada, em
sociedades com organização social próprias.

A organização social, na qual se coloca o seu grau de desenvolvimento


tecnológico, leva à apropriação dos recursos, sejam materiais ou sejam em
nível do conhecimento. Essa apropriação leva à maior ou menor interferência
da natureza.

A apropriação da natureza se dá pelo processo de trabalho, que é um ato


social. Portanto, dado que é pelo trabalho social que se estabelece a relação
sociedade natureza, é fundamental o entendimento da sociedade para entender
a natureza, já que esta é apropriada historicamente.

Por sua vez, a natureza envolve os diversos aspectos da realidade física


em si. O entendimento do seu processo de formação e transformação é
importante para a fundamentação científica que permitirá um posicionamento
crítico frente aos processos de apropriação da natureza que acabam levando à
sua degradação.

É nesses termos que a Geografia hoje se coloca. É nesses termos que


seu ensino adquire dimensão fundamental no currículo: um ensino que busque
incutir nos alunos uma postura crítica diante da realidade, comprometida com
o homem e a sociedade; não com o homem abstrato, mas com o homem
concreto, com a sociedade tal qual ela se apresenta, dividida em classes com
conflitos e contradições. E contribua para a sua transformação”. (OLIVEIRA,
2003, p.141-143).

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Concluindo o percurso

A
Geografia é uma disciplina envolvida em profundo questionamento quanto ao seu
objeto e método, há cerca de três década, que busca se livrar de paradigmas forjados
por mais de cem anos de domínio absoluto do positivismo clássico. É uma disciplina
que tem como memória incômoda uma certa ambigüidade em se aceitar como ciência
natural ou social. Enfim, um quadro de crise nos postulados tradicionais e de renovação
radical. Enquanto isso, o ensino de Geografia encontra um abismo intransponível entre a
evolução do pensamento geográfico com suas inúmeras correntes e mudanças e a prática
da disciplina em sala de aula. O debate realizado nas universidades não chega até o professor
que está em sala de aula, e que tem, na maioria dos casos, como única referência e orientação
o livro didático. Felizmente, nos últimos anos, vem acontecendo uma aproximação entre a
academia e os professores da rede de ensino que resultou em uma proposta para o ensino de
Geografia na rede pública. Cabe ao professor de Geografia na Educação Básica desenvolver nas
crianças, nos jovens e nos adolescentes (de forma conjunta com eles), a visão de totalidade
da sociedade brasileira. E esta totalidade é produto da unidade na diversidade, logo, síntese
de múltiplas determinações. E a transmissão desses conceitos passa necessariamente pela
questão ideológica, da ideologia de classe que o professor está inserido. Esta ideologia é que
dá parâmetros para a definição e escolha da Geografia que ele ensina.

Leituras complementares
CASTROGIOVANI, A.C., CALLAI,H. e KAERCHER, N. Ensino de Geografia: Prática e
Textualizações no Cotidiano. Porto Alegre, Mediação, 2007.

O autor traz à tona, discussões pertinentes à apreensão e compreensão do espaço


geográfico. Devido a pouca aproximação da escola com a vida ou cotidiano dos alunos, esta
não se manifesta de forma atraente frente ao mundo contemporâneo. Torna-se, portanto,
necessário trabalhar nos primeiros anos de escolarização, a valorização do espaço e do
tempo vivenciados.

VESENTINI, J.W. O Ensino de Geografia no Século XXI. Campinas, Papirus, 2007.

Esse livro traça um panorama do ensino da Geografia em cinco países (França, Estados
Unidos, Portugal, Espanha e México), além do Brasil, examinando as rápidas transformações
na atividade educativa, a fim de estimular a reflexão sobre o por que e para que ensinar
Geografia hoje

Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a 15


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
Resumo
Nesta aula, estabelecemos uma relação entre as principais correntes do
pensamento geográfico e a influência de suas teorias no ensino de Geografia
na Educação Básica. O alinhamento a uma destas correntes é determinante
para a escolha da prática pedagógica desenvolvida em sala de aula, seja através
dos livros didáticos escolhidos, textos complementares, apresentação de
conteúdos e formas de avaliação. A multiplicidade de conteúdos de Geografia
que permeiam diversas outras disciplinas, como a Matemática, Ciências,
História, Economia, Estatística etc. pode ser um excelente fator para ampliar as
estratégias pedagógicas utilizadas no aprendizado da disciplina. Ao conhecer os
conflitos, as divergências e a pluralidade de idéias desta disciplina, o professor
estará mais apto e seguro a escolher seu próprio caminho e alcançar o sucesso
em seu trabalho.

Auto-avaliação
Depois desta discussão sobre o ensino de Geografia, elabore um texto refletindo
1 sobre a prática da disciplina utilizada atualmente e quais os elementos que precisam
ser adequados ou modificados para transformar a Geografia que se ensina na
escola em uma disciplina que forma cidadãos críticos e capazes de transformar
a realidade.

Enumere os elementos das diferentes correntes com os quais você se identifica


2 e estabeleça uma relação deles com uma proposta inovadora para trabalhar uma
Geografia crítica.

Referências
CASTELLS, M. A Sociedade em Rede, São Paulo: Paz e Terra, 1999.

EVANS, T & NATION, D. Educational Technologies: reforming open and distance education.
In: Reforming Open and Distance Education. Londres: Koogan, 1993.

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16 Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a


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Anotações

Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a 17


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Anotações

18 Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
Anotações

Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a 19


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
Anotações

20 Aula 03  Didática e o Ensino de Geografi a


Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
Didática e o Ensino de Geografia – GEOGRAFIA

EMENTA

Síntese da disciplina forncecida pela autor. Nesse padrão teremos a fonte Helvética Medium Condensed, 11pt/16,
conhecida do projeto, porém, o alinhamento desse bloco de texto deverá ser 0 mm à esquerda e 5 mm à direita, sem
indentação de parágrafo (avanço de alguns milímetros na primeira linha de parágrafo).

AUTORAS

n  Sônia de Almeida Pimenta

n  Ana Beatriz Gomes Carvalho

AULAS

01   Didática e a prática educativa

02   Nome da Aula 02

03   Tendências no ensino de Geografia

04   Nome da Aula 04

05   Nome da Aula 05

06   Nome da Aula 06

07   Nome da Aula 07

08   Nome da Aula 08

09   Nome da Aula 09


Impresso por: Gráfica xxxxxx

10   Nome da Aula 10

11   Nome da Aula 11

12   Nome da Aula 12

13   Nome da Aula 13


1º Semestre de 2008

14   Nome da Aula 14

15   Nome da Aula 15