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IBTEL

Instituto Bíblico Teológico Elohim


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Fones: (92) 99458-4599/ 3581-2421

Básico em Teologia
COMO ENTENDER A
BÍBLIA?

Aluno (a):___________________________________
Curso de Capacitação Teológica do Obreiro
Como Entenderer a Bíblia?

Dados de catalogação
Instituto Bíblico Teológico Elohim: Hermenêutica
IBTEL– Manaus – AM, 2016
52 Páginas
Todos os direitos reservados ao Instituto Bíblico Teológico
Elohim. É proibida a reprodução total deste livro, a não ser em
citações breves, com indicação da fonte bibliográfica. Lei nº
8.635.
As citações foram extraídas da versão Almeida Revista e
Corrigida da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo em indicação ao
contrário.
1º Edição 2016
Fone: (92) 994584599; 35812421
Departamento de Ensino e Pesquisa Teológica. Pesquisado e

adaptado pela Equipe Redatorial para o Curso de capacitação

Teológica do IBTEL – Instituto Bíblico Teológico Elohim. Com

auxílio de adaptação e esboço de vários Mestres da Teologia.

Blog: bibliaexplicadateologicamente.blogspot.com
E-mail: ibtel2015@outlook.com
Facebook: IBTEL
ABREVIAÇÕES

a.C. - antes de Cristo.


ARA - Almeida Revista e Atualizada
ARC - Almeida Revista e Cor r ida
AT - Antigo Testamento
BV - Bíblia Viva
BLH - Bíblia na Linguagem de Hoje
cap. - capítulo; caps. - capítulos,
cf. - confere, compare.
d.C. - depois de Cristo.
Fig. - Figurado.
fig. - figurado; figuradamente,
gr. - grego
hb. - hebraico
IBB - Imprensa Bíblica Brasileira
Km - Símbolo de quilometro
lit. - literal, literalmente.
LXX - Septuaginta (versão grega do Antigo
Testamento)
m - Símbolo de metro.
MSS - manuscritos
NT - Novo Testamento
NVI - Nova Versão Internacional
p. - pagina.
ref. - referencia; refs. - referencias
ss. - e os seguintes (isto e, os versículos consecutivos
de um capitulo ate o seu final. Por exemplo: 1Pe 2.1ss,
significa 1Pe 2.1-25).
sec. - século (s).
v. - versículo; vv. - versículos.
ver - veja
APRESENTAÇÃO

Há uma decadência eclesiológica no que se refere ao preparo


do obreiro. Hoje, na era da pós-modernidade, muitos deles estão
despreparados para trabalharem nos departamentos que aplicarão
métodos importantíssimos, para chegarem a um bom resultado.
Encontramos na obra de Deus, milhares de irmãos com
dificuldades de desempenharem as suas funções e, muitas delas
são de grande relevância. Mas os mesmos, não sabem por onde
começar e como começar. Por isso, o INSTITUTO BÍBLICO
TEOLÓGICO ELOHIM (IBTEL) preparou um Curso de Capacitação
Teológica, para o desenvolvimento dos obreiros de uma forma geral.
Vocês vão dispor de um material, voltado para a área de como
elaborar e executar os projetos determinados por um concílio ou
uma mesa diretora. Haja vista, que muitos ministérios e
denominações fecharam as suas portas, porque o despreparo
daquele que estava na frente da obra era muito grande. E não
podemos colocar a culpa em Deus, pois Ele nos dá as ferramentas
para desempenharmos um bom trabalho. Contudo nós é que muitas
das vezes, não sabemos como utilizá-la para o crescimento de Seu
Reino e acabamos se frustrando.
Estudando conosco, o obreiro ou líder passará por 9 módulos
dentro da área teológica, que o levarão ao conhecimento básico,
mas de fundamental importância. Para aplicar com eficácia os
talentos e dons que o Espírito Santo distribuíra, precisamos nos
voltar e se dedicar mais e mais nos assuntos pertinentes
relacionados à obra do Eterno Deus.
Ao terminar este curso, o obreiro ficará mais abalizado para
desenvolver os projetos de sua igreja e ser um servo bom e fiel. O
estudo que será proposto é a base do alicerce para aqueles que
desejam servi a Deus com mais preparo e dedicação.

Dr. Diretor: Euler Lopes


Sumário
ABREVIAÇÕES...................................................................................4
APRESENTAÇÃO...............................................................................5
1. Capítulo
MANUSEANDO O TEXTO BÍBLICO................................................10
1.1. Introdução
1.2. O Estudo Exegético

2. Capítulo
OS MÉTODOS DA HERMENÊUTICA...............................................15
2.1. O que é Método?
2.2. Método Analítico
2.3. Método Temático
2.4. Método Biográfico

3. Capítulo
REGRAS BÁSICAS NA INTERPRETAÇÃO....................................21
3.1. Da primeira a terceira Regra
3.2. Segunda Regra Fundamental
3.3. Terceira Regra Fundamental
4. Capítulo
QUARTA E QUINTA REGRA............................................................33
4.1. Introdução
4.2. Quinta Regra Fundamental
4.3. Quinta Regra (paralelas de ideias)
4.4. Quinta Regra (paralelas de ensinos gerais)
5. Capítulo
LIVROS POÉTICOS COMO INTERPRETAR?.................................45
5.1. Introdução ao Assunto
5.2. Paralelismo Progressivo
5.3. Paralelismo Climático
5.4. Figuras de Linguagem
Referências Bibliográficas..............................................................52
Capítulo 1
MANUSEANDO O TEXTO BÍBLICO

1.1. INTRODUÇÃO

Os interpretes devem saber que na comunicação escrita


existem três componentes importantes para serem levados em
consideração os quais são: o autor, o texto e o leitor ou o
remetente a mensagem e o destinatário. Quando interpretamos a
mensagem bíblica, vemos que alguém o escreveu e os destinatários
os quais os textos estão se referindo.
Para interpretar bem os textos, os interpretes precisam
averiguar para quem a mensagem foi escrita e endereçada,
descobrindo assim, os costumes, a política e a cultura em que eles
estão inseridos.

1.1.1. O Leitor não determina o significado do texto.

Alguns interpretes, acreditam que o leitor determina o


significado de texto que está sendo analisado. De acordo com este
ponto de vista, o leitor é quem define o significado pelo processo de
“atualização”. Por meio dele, o leitor lê ou ouve o texto e começa o
processo de “decodificar1” o texto por conta própria. Conforme essa
visão, o leitor não precisa saber nada do contexto histórico em que o
texto foi produzido, nem o propósito do autor que escreveu, porque é
o próprio leitor quem ‘cria’ os significados do texto.
Este método concede uma interpretação do texto a partir de
uma leitura subjetiva. Mediante a isso, os vários leitores podem
interpretar o mesmo texto e tirarem conclusões diferenciadas.
Esse tipo de “interpretação” é praticado por muitos, mesmo não
sabendo as dificuldades que essa metodologia pode produzir. O
perigo de uma leitura “subjetiva” desse tipo, pode ser catastrófica

1
V.t. Escrever em linguagem clara e comum um texto escrito em código.

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quando se trata do texto bíblico, porque fere o princípio, pois o
sentido tem que sair do texto e não ser introduzido no texto pelo
leitor.
1.1.2. O texto não determina o significado.
Esta é uma maneira de entender o processo de interpretação
de alguns hermeneutas e suas assertivas 1. Eles dizem que é o
próprio texto que traz o sentido. De acordo com este ponto de vista,
o leitor não cria o sentido no texto, mas recebe o sentido diretamente
do texto.
Assim, o leitor participa no processo como ouvinte, deixando o
texto falar por si mesmo. Uma vantagem nesta maneira de tratar do
texto é que o leitor não pode modificar o que o texto diz, por que seu
papel é só como ouvinte. Como vemos anteriormente, uma
hermenêutica orientada pelo leitor e uma hermenêutica orientada
unicamente pelo texto também tem problemas. Muitos
interpretes, alegam que é o texto quem “produz” o sentido e este é
claramente visto por todos os leitores.
O problema desse método é que não tem como garantir, que o
leitor vai extrair corretamente o sentido do texto. De acordo com este
entendimento, o texto que o intérprete pretende esclarecer é
literatura e não possui em si mesma uma voz ativa, senão a voz do
hermeneuta. Pois quem escreveu o texto morreu e ele “perdeu”
controle sobre o seu escrito e o mesmo se torna emancipado2,
sujeito a qualquer interpretação que os leitores querem atribuir. Por
isso, uma interpretação conduzida do ponto de vista do próprio texto
tende a produzir interpretações heréticas.
Quando se trata do texto bíblico, o intérprete tem que entender
que o texto é o produto do pensamento do autor que escreveu
dentro de um contexto histórico específico, sob a orientação e
motivação do Espírito Santo. Não obstante, a Inspiração, não é uma
garantia de que a interpretação que é expostas pelos intérpretes, era
à intenção original do autor do texto. O fator determinante do sentido

1
Afirmação; aquilo que se afirma ou mantém-se como verdade.
2
adj. Independente. Que foi alvo de emancipação; que se conseguiu emancipar; livre.

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do texto não pode ser nem o leitor nem o próprio texto, mas o autor
do texto.
1.2.3. O autor como determinante do significado
Para descobrir o significado que o escritor bíblico expôs é
fundamental pra uma interpretação sincera. Muitos intérpretes
acreditam que o texto tem autoridade semântica 1 em si memo. Com
certeza, vocês já ouviram alguém dizer: “a minha bíblia diz assim” ou
“na minha bíblia está escrito dessa maneira,” produzindo para si
mesmo um significado diferente da outra bíblia. Isso nos explica o
motivo de tanta interpretação diferenciada e subjetiva.
Quando os autores bíblicos, escreveram os seus textos os
mesmos, tinham algo em mente para repassarem aos seus leitores.
O livro teológico do IBADEP nos afirma que:
O método mais tradicional para o estudo da bíblia, no
entanto, tem sido o de analisar o significado como
algo controlado pelo autor. De acordo com esse
ponto de vista, o significado é aquele que o escritor,
conscientemente, quis dizer ao produzir o texto.
Dessa maneira a epístola aos Romanos deve ser
interpretado á luz do que Paulo quis passar aos seus
leitores quando escreveu – se estivesse vivo bastaria
que nos dissesse o que desejava transmitir (IBADEP,
2005, p.18).

A argumentação primária declarada contra essa maneira de


interpretar os textos bíblicos é dizer que: “é impossível para o leitor
ou intérprete moderno entrar na mente de um autor que já morreu
para reconstruir o seu pensamento”. Antagônico a este argumento,
dizemos que a tarefa do intérprete não é “entrar” na mente do autor,
mas descobrir o significado do texto que o mesmo escreveu. A
distância que existe entre o autor do texto e o leitor nos tempos
modernos pode ser superada, pela ajuda de estudos vindos da
arqueologia, história e princípios hermenêuticos específicos. A

1
Linguística: Estudo do significado das palavras e da interpretação das frases e/ou
enunciados: análise semântica da frase. Análise da significação nas línguas naturais,
sendo ela sincrônica (de acordo com a evolução da língua) ou diacrônica (num tempo
passado).

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metodologia histórico-gramatical, reconhecida desde os primeiros
anos da história de hermenêutica, ainda é válida como uma maneira
de resgatar o sentido de um texto escrito há séculos. O
conhecimento dos elementos gramaticais do texto abre uma lacuna
para o seu sentido. Assim, podemos analisar como o escritor
original colocou seus pensamentos em forma escrita. A convicção
geral entre os intérpretes evangélicos é que o texto bíblico é
inspirado por Deus e que o Espírito Santo é capaz de guiar o crente
a compreender o texto.
Contudo, a atuação do Espírito na vida do intérprete não é
uma garantia de que a interpretação oferecida, seja correta e nem é
um substituto pela preparação acadêmica e estudo sério da Bíblia.
Nós acreditamos que o Eterno Deus foi quem motivou e capacitou os
escritores bíblicos a registrarem as palavras e também, o mesmo
Deus é capaz de nos guiar em toda verdade conforme Jo 16.13.
Observamos que o autor diante desse ponto de vista é o
que determina o significado no texto. Este a meu ver é o mais
coerente diante de um exame laborioso 2 da bíblia Sagrada.

1.2. O ESTUDO EXEGÉTICO


Segundo o Dicionário Teológico de Claudionor Correa
Andrade ( 200, p.150) o vocábulo exegese significa:
[Do gr. ek + egeomai, penso, interpreto, arranco para
fora do texto] É a prática da hermenêutica sagrada
que busca a real interpretação dos textos que
formam, no caso, o Antigo e o Novo Testamento.
Vale-se a exegese sagrada, pois, das línguas
originais (hebraico, aramaico e grego), da
confrontação dos diversos textos bíblicos e das
técnicas aplicadas na linguística e na filologia.
Então Exegese é o estudo cuidadoso e sistemático de um
texto para comentários, visando o esclarecimento ou interpretação
do mesmo. É o estudo objetivando subsidiar o passo da
interpretação do método analítico da hermenêutica. Este estudo é

2
Custoso; que demanda um esforço excessivo. Cuidadoso.

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desenvolvido sob as indagações de um contexto histórico e literário.
1.2.1. Para construir uma boa exegese.
a) Tenha uma vida afinada com o Espírito Santo, pois Ele é o
melhor interprete da Bíblia – (Jo 16.13; 14.26; I Cor 2.9 e 10).
b) Vá você mesmo diretamente ao texto não permitindo que
alguém pense por você, evitando assim a dependência de outra
pessoa para que você desenvolva ao máximo o seu potencial
próprio.
c) Procure o significado de cada palavra dentro do seu
contexto. Deve ser tomado conforme o sentido da frase nas
Escrituras, porque as palavras variam muito em suas significações.
1.2.2. Aplicação da exegese
A aplicação da exegese é realizada a partir das indagações
básicas sobre o contexto e o conteúdo do texto em exame.
a) Texto – É o capítulo, parágrafo ou porção bíblica que
encerra uma ideia completa, que se pretende estudar. Exemplo:
Mateus 5.1-12; 1Coríntios 11.1-3; João 14,6, etc.
b) Contexto – A parte que antecede o texto e a parte que é
precedida pelo texto.
1.2.3. Contexto Remoto ou Amplo
É o contexto remoto descreve o material bíblico nos capítulos
ao redor e mais distantes. Ele também pode influenciar o significado
da passagem em questão, porém, normalmente não de uma forma
tão direta quanto o contexto imediato.
Algumas vezes, os leitores consultam outros livros da Bíblia
escritos pelo mesmo autor, para observar como ele usa uma
determinada palavra ou frase em outras partes de seus escritos.
Pode-se até mesmo pesquisar uma ideia ao longo de todo o Antigo
Testamento ou de toda a Bíblia.
Texto João 14.6, Contexto amplo: Gênesis 1.1 a João 14.5 e
João 14.7 a Apocalipse 22.21.

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1.2.4. Contexto Imediato ou Próximo.
O contexto imediato refere-se às palavras ou frases nos
versículos mais próximos à palavra ou afirmação que se deseja
compreender. Normalmente, é o que mais influencia no significado.
Às vezes tomando-se o contexto imediato do texto, é o suficiente
para uma interpretação correta. Outras vezes será necessário lançar
mão do capítulo inteiro, ou do livro inteiro, ou ainda da Bíblia toda. O
próprio Pedro admitiu que há textos difíceis de entender: "os quais
os indoutos e inconstantes torcem para sua própria perdição" (2
Pedro 3:15 e 16).
1.2.5. Contexto Histórico.
O contexto histórico refere-se ao momento da História em que
o autor escreveu determinada passagem da Bíblia. Teremos uma
compreensão melhor do livro de Lamentações, por exemplo, se
soubermos que o autor estava descrevendo a condição de
Jerusalém depois de sua destruição em 587 a.C. Podemos entender
melhor o significado de um salmo de Davi, se soubermos a ocasião
em que ele foi escrito. Assim, o contexto histórico forma o pano de
fundo sobre o qual o autor bíblico compôs seu texto.
c) A arma principal do soldado cristão é a Escritura, e se
desconhece o seu valor ou ignora o seu legítimo uso, que soldado
será? (2Timóteo 2.15).
d) As circunstâncias variadas que concorreram na produção
do maravilhoso livro exigem do expositor que o seu estudo seja
meticuloso1, cuidadoso e sempre científico, conforme os princípios
hermenêuticos.

1
Quer dizer uma pessoa que faz as coisas com cautela e minuciosamente.

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Capítulo 2
OS MÉTODOS DA HERMENÊUTICA

2.1. O QUE É MÉTODO?


Método é a maneira ordenada de fazer alguma coisa. É um
procedimento seguido passo a passo com o objetivo de alcançar um
resultado. Durante séculos os eruditos religiosos procuraram todos
os métodos possíveis para aplicarem na bíblia para desvendarem os
seus “enigmas”, seus tesouros e segredos. Neste capítulo
abordaremos cinco métodos para um aproveitamento mais acurado 1
e profundo na análise da Escritura.
2.1.1. Método Analítico (OICA)
É o método utilizado nos estudos pormenorizados com
anotações de detalhes, por insignificantes que pareçam com a
finalidade de descrevê-los e estudá-los em todas as suas formas.
Os passos básicos deste método são:
• a) Observação
• b) Interpretação
• c) Correlação
• d) Aplicação

a) Observação
No primeiro passo a “observação”, o estudante assumirá
o papel de detetive, onde ele fará várias leituras do texto
selecionado, de preferência o estudante deve ter a mão para ler o
mesmo texto em traduções diferentes da Bíblia, como por exemplo,
na ARC – Almeida Revista e Corrigida, na ARA – Almeida Revista e
Atualizada, na NVI – Nova Versão Internacional, na NTLH – Nova
Tradução na Linguagem de Hoje, e também na Bíblia de Jerusalém.

1
Adj. Esmerado, apurado e aprimorado; desenvolvido com zelo, cuidado e atenção:
discurso acurado.

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b) Interpretação
É o passo que nos leva a buscar a explicação e o significado
(tanto para o autor quanto para o leitor) para entender a mensagem
central do texto lido. A interpretação deverá ser conduzida dentro do
contexto textual e histórico, com oração e dependência total do
Espírito Santo, analisando o significado das palavras e frases
chaves, avaliando os fatos, investigando os pontos difíceis ou
incertos, resumindo a mensagem do autor a seus leitores originais e
fazer a contextualização (trazendo a mensagem a nossa época ou
ao nosso contexto).
c) Correlação
É o passo que nos leva a comparar narrativas ou mensagem
de um fato escrito por vários autores, em épocas distintas em que
cada um narra o fato, em ângulos não coincidentes como, por
exemplo, a mesma narrativa descrita em Mc 10.46 e Lc 18.35, onde
o primeiro descreve "saindo de Jericó" e o segundo "chegando a
Jericó".
d) Aplicação
É o passo que nos leva a buscar mudanças de atitudes e de
ações em função da verdade descoberta. É a resposta através da
ação prática daquilo que se aprendeu. Um exemplo de aplicação é o
de pedir perdão e reconciliar-se com alguém ou mesmo o de
adoração à Deus.
2.2. MÉTODO ANALÍTICO
É o método utilizado nos estudos que abordam cada livro
como uma unidade inteira e procura o seu sentido como um todo, de
forma global. Neste caso determinam-se as ênfases principais do
livro, ou seja, as palavras repetidas em todo o livro, mesmo em
sinônimo e com isto a palavra-chave desenvolve o tema do livro
estudado.
2.2.1. No Método Sintético faça as seguintes perguntas:
O que leio? Tipo ou gênero de texto: Lei, história, Poesia;
Quem escreveu? Autoria- Destaque os autores;
Para quem escreveu? Destinatários: Pessoa, Israel, Igreja;

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Por que escreveu? Motivo - Razão, Pretexto, causa;
Quando escreveu? Tempo- Período aproximado;
O que escreveu? Conteúdo- Doutrina, Orientação.
Outra maneira de determinar a ênfase ou característica de um
livro é observar o espaço dedicado a certo assunto. Como por
exemplo, o capítulo 11 da Epístola aos Hebreus enfatiza a fé e em
todos os demais capítulos ela enfatiza a palavra “Superior”.
1. Primeiro Exemplo
Jesus é Superior:
a) Aos anjos – 1.4 f) Ao sacrifício – 9.23
b) A aliança – 7.22 g) Ao patrimônio – 10.34
c) A bênção – 7.7. h) A ressurreição – 11.35
d) A esperança – 7.19 i) A pátria – 11.16
e) A promessa – 8.6 j) A Moisés – 3.1 a 4
2. Segundo Exemplo
Agora vamos abordar o evangelho segundo Mateus para
obtermos uma visão panorâmica.
• Autor: Mateus
• Data: Cerca de 60 d.C. aproximadamente
• Tema: Jesus, o Messias e Rei
• Palavras-Chave: Reino dos Céus, Filho do Homem, Filho de
Deus,
• Versículos-chave: Mt 23.37-39
4. Propósito
Mateus escreveu este Evangelho:
• Para prover seus leitores de um relato da vida de Jesus, por uma
testemunha ocular;
• Para assegurar aos seus leitores que Jesus é o Filho de Deus e o
Messias, esperado desde os tempos remotos 1 predito pelos profetas
do Antigo Testamento;
• Para demonstrar que o reino de Deus se manifestou em Jesus de
maneira incomparável.

1
Adj. Que aconteceu há muito tempo; antigo. Que se encontra longe no tempo e/ou
no espaço; distanciado: território remoto.

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Os cinco principais Sermões
Os capítulos 5-25 de Mateus registram cinco principais
sermões e cinco principais narrativas de Jesus, em torno dos seus
atos poderosos como o Messias.
1. O Sermão da Montanha (Mt 5-7);
2. Instruções para os proclamadores itinerantes do reino de Deus
(Mt 10);
3. As parábolas a respeito do reino (Mt 13);
4. O caráter dos verdadeiros discípulos do Senhor (Mt18);
5. O sermão do Monte das Oliveiras, a respeito do fim dos
tempos (Mt 24-25).
2.3. MÉTODO TEMÁTICO.
É o método utilizado para estudar um livro com um assunto
específico, ou seja, no estudo do livro, terá um tema específico
definido. Como, exemplo temos as palavras: Fé, Salvação, Espírito
Santo que são temas muito extensos nas Escrituras Sagradas.
Vejamos:
2.3.1. As cinco características da Fé
a) Salvadora – Ef. 2.8 d) Grande – Mt 15.21 a 28
b) Comum – Tt 1.4; Jd 3 e) Vencedora – 1Jo 5.4
c) Pequena – Mt 14.28 a 31 f) Crescente – 2Ts 1.3
2.3.2. Observações para Método Temático
1 - Escolha um tema.
2 – faça uma relação de todos os versículos a serem
estudados.
3 – Faça as perguntas necessárias para cada versículo.
4 – Responda todas as perguntas que foram feitas.
5 – Tirem as Conclusões do Estudo
Exercícios
Tema: Conhecendo a Vontade Deus
(procure a palavra vontade na concordância e encontre
referências à vontade de Deus, vontade do Senhor).

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Perguntas sugeridas:
a) No que consiste a Vontade de Deus?
b) Por que tenho que fazer a vontade de Deus? (motivos,
consequências);
c) Como tenho que fazer a Vontade de Deus? (atitudes,
ações).
Tema: Obediência
(procure as palavras obedecer, obediência, guardar,
mandamentos, fazer)
Perguntas sugeridas:
a) Por que a obediência é importante?
b) Quais as consequências da obediência?
c) Quais as consequências da desobediência?
g) Como devo obedecer a Deus?
2.4. MÉTODO BIOGRÁFICO
Esta forma de estudo bíblico é muito proveitosa, pois vocês
terão a oportunidade de sondar o caráter das pessoas que o Espírito
Santo colocou na Bíblia, e de aprender sobre suas vidas.
2.4.1. Regras Para o Método Biográfico
1. Escolha o personagem que você quer estudar
2. Faça uma relação de todos os versículos a serem
estudados.
3. Perguntas a serem feitas. Quem era? O que fazia? Onde
morava? Quando viveu? Por que fez e o que fez? Qual o seu
caráter? Qual sua importância na história? Onde nasceu?
Quem foram seus pais? Qual sua vocação? Era casado? Com
quem? Teve filhos? Como eram? Como o personagem
morreu?
4. Responda todas as perguntas.
5. Escreva um breve esboço da vida do personagem. Inclua

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os acontecimentos e características importantes, declarando
os fatos, sem interpretação. Se possível mantenha o material
em ordem cronológica.
6. Tires as conclusões do Estudo.
2.4.2. Método Indutivo.
a) O método indutivo se baseia na convicção de que o Espírito
Santo ilumina a quem examina as escrituras com sinceridade, e que
a maior parte da Bíblia não é tão complicada que quem saiba ler não
possa entendê-la. Os Judeus Bereianos foram elogiados por
examinarem cada dia as escrituras "se estas coisas eram assim".
(At 17.10,11).
b) É óbvio que as obras literárias têm "partes" que se formam
no "todo". Existe uma ordem crescente de partes, de unidades
simples e complexas, até se formarem na obra completa.
c) A unidade literária menor, que o Estudo Bíblico Indutivo
emprega, é a palavra. Organizam-se palavras em frases, frases em
períodos, períodos em parágrafos, parágrafos em seções, seções
em divisões, e por fim, a obra completa.

Palavra: Unidade menor;


Frases: Reunião de palavras que formam um sentido completo;
Período: Reunião de frases ou orações que formam sentido
completo;
Parágrafos: Um discurso ou capítulo que forma sentido completo, e
que usualmente se inicia com mudança de linha.
Seção: Parte de um todo, divisão ou subdivisão de uma obra,
tratado, estudo.
Conclusão
Mediante o estudo em apreço, temos a plena consciência que
os métodos que foram abordados, são muito importantes para uma
boa interpretação. Os exegetas precisam dar mais atenção ao
mesmo, pois se isso for negligenciado, a interpretação fiel das
Escrituras terá sérios problemas.
INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 20
Capítulo 3
REGRAS BÁSICAS NA
INTERPRETAÇÃO

3.1. DA PRIMEIRA A TERCEIRA REGRA


Neste capítulo, abordaremos as três regras de Interpretação
das Escrituras. Para obtermos uma boa compreensão dos textos,
que estarão sendo analisados, os interpretes deverão usá-las para
terem êxitos e sucesso ao extrair do texto a verdadeira intenção
primária do autor. A não aplicação dessas regras, seja em qualquer
estudo de natureza hermenêutica, concernente a Palavra de Deus,
resultará numa verdadeira avalanches de problemas interpretativos.
Como já mencionei anteriormente, estamos num “mundo
cristão” com muitos “exegetas”1, cercando a Escritura, para dai tirar
suas conclusões, muitas das vezes subjetivas e transformando em
“doutrinas” para o próprio proveito. Para muitos, não importam o que
pregarem ou ensinarem, a importância é oferecer as pessoas a sua
eisegese2 “bíblica”. Muitos se denominam “mestres” da Bíblia, sem
mesmo terem uma visão geral da hermenêutica, teologia, teologia
histórica, doutrinas etc. Estes estão ensinando e pregando falácias
interpretativas e levando muitos infelizmente a obedecerem aos seus
“ensinos”.
Na realidade, todos nós praticamos hermenêutica diariamente.

1
[Do gr. ek + egeomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto] É a prática da
hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos que formam, no
caso, o Antigo e o Novo Testamento. Vale-se a exegese sagrada, pois, das línguas
originais (hebraico, aramaico e grego), da confrontação dos diversos textos bíblicos e
das técnicas aplicadas na linguística e na filologia.
2
Antônimo da exegese. De acordo com a hermenêutica sagrada, a exegese é a Bíblia
interpretando-se a si mesma. Na eisegese, o leitor impinge ao texto sagrado a sua
própria interpretação. A exegese e a mãe da ortodoxia. Já a eisegese pode dar
origem a muitas extravagancias doutrinarias.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 21


Quando lemos a Bíblia, deciframos dela o que subjetivamente
significa para nós. Muitos acreditam que uma pessoa sozinha,
possivelmente poderá compreendê-la mediante a iluminação do
Espírito para exercício de sua fé. Rejeitamos o catolicismo quando
diz que, “o entendimento da Palavra, só pode ser obtido através
dela” (igreja católica). É bem verdade que existem alguns princípios
gerais do método hermenêutico que precisam ser conhecidos e
utilizados na interpretação, principalmente pelos ensinadores e
pregadores da Palavra.
3.1.1. Regra áurea da Interpretação Bíblica
Os reformadores acreditavam que: “a Bíblia Interpreta a
própria Bíblia”. Esse é um slogan que vem sido defendido por muitos
teólogos ao longo dos séculos da era da Igreja. Eles levaram o povo,
que tem a bíblia com muito apreço, a entenderem que ela é a
autoridade máxima na questão da fé e da vida espiritual com Deus e
também na interpretação de seus textos.
De acordo com Lund e Nelson (1968, p.18) os mesmos
afirmam:
E a ninguém deve parecer estranho que insistamos
em que a primeira e fundamental regra da correta
interpretação bíblica deve ser a já indicada, a saber:
A Escritura explicada pela Escritura, ou seja: a Bíblia,
sua própria intérprete. Ignorando ou violando este
princípio simples e racional, temos encontrado, como
dissemos, aparente apoio nas Escrituras a muitos e
funestos erros. Fixando-se em palavras e versículos
arrancados de seu conjunto e não permitindo à
Escritura explicar-se a si mesma, encontraram os
judeus aparente apoio nela para rejeitar a Cristo.
Procedendo do mesmo modo, encontram os papistas
aparente apoio na Bíblia para o erro do papado e das
matanças com ele relacionadas, para não falar da
Santa Inquisição e outros erros do mesmo estilo [...].

Ao estudarem a Bíblia, terão que utilizarem, desta regra


básica de interpretação. Somos impedidos, de utilizarmos

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interpretações subjetivas para consubstanciar 1 as nossas próprias
ideias. O interprete analisará o texto e o contexto e depois concluir o
que realmente diz a Bíblia. As cinco regras fundamentais é o
desenvolvimento da regra Áurea da Bíblia. O entendimento dessas
regras resultará numa Interpretação coerente e uma aplicação
válida.

3.1.2. Primeira regra fundamental.


Trataremos agora das regras fundamentais na interpretação.
Pois será de grande importância na análise de extrair o sentido
correto do texto bíblico. Ela começa dizendo: “Enquanto for possível,
devemos tomar as palavras em seu sentido usual e comum”. Este
sentido das Escrituras é muito negligenciado por muitos interpretes
da Palavra. Existem passagens da Bíblia Sagrada, que estão no
sentido comum da época e, interpretá-los de outra forma é
menosprezar essa regra. Porém, tenha-se sempre em mente que o
sentido usual e comum não é sempre o sentido literal. Existem
partes da Bíblia, palavras e frases que devem ser interpretadas
nesse sentido – comum e usual. Na Bíblia existem expressões que
enpregando-se a literalidade perdem totalmente o sentido, que o
escritor quis passar.
3.1.3. Empregando a primeira regra.
Vejamos alguns exemplos:
Em Gênesis 6:12 diz: "Porque toda carne havia corrompido o
seu caminho sobre a terra" (ARC). Perguntamos: o que texto está
querendo dizer? Tomando aqui as palavras carne e caminho em
sentido literal, sentimos dificudade de entendê-la. Etretanto, tomando
em seu sentido comum, pois é repetido uma gama de vezes na
Bíblia, carne tem o sentido de “pessoa”, “seres humanos” e
caminho no sentido de “maneira de viver” , “comportamento”.
Interpretando dessa forma o texto, o mesmo fica bem objetivo e
poderá ser lido assim: “Porque as pessoas haviam corrompido a sua

1
v.t.d. Unir. Consolidar; efetuar a consolidação ou o fortalecimento de: o juiz
consubstanciou as novas leis. Resumir; ser a razão a unificação de múltiplas coisas: o
projeto consubstanciava muitos motivos de solucionar a crise.

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manaira de viver”
Em 2Rs 20, quando o texto Bíblico diz: “...Ordena a tua
casa, porque morrerá e não viverás”(ARC). Se formos interpretar
casa no sentido literal da palavra, o texto perde o sentido. Mas casa
naquele contexto de vida era entendida como: sua “vida”, seu
“reino”, seus “negócios” sua “família”. Para consubstanciar o nosso
raciocínio, também em Josué 24.15 encontramos na ultima frase, a
mesma palavra com o mesmo sentido usual e comum: “...porem eu e
a minha casa serviremos ao Senhor”(ARC). Casa no texto de Josué
é o mesmo que “família”.
Em lucas 1.69 "E nos levantou uma salvação poderosa na
casa de Davi" (ARA). Dificilmente extrairemos daqui alguma coisa
clara se tomarmos a palavra casa em sentido literal. Porém, sabendo
que, como símbolo e figura, casa ordinariamente significa “família”
ou “descendência”. Poderíamos lê assim; E nos levantou uma
salvação poderosa da “descendência” de Davi.
Jesus disse em Lucas 14.26: “Se alguém vier a mim e não
aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e
ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo."
Literalizando o texto, nós não conseguríamos vislumbrar, o
verdadeiro significado e uma grande verdade contida nas Escrituras.
Entretanto , lembrando-nos do hebraísmo, pelo qual Jesus está
expressando é identificado numa outra passagem que se encontra
em Mateus 10.37 "Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a
mim, não é digno de mim". No sentido usual e comum, o que Jesus
estava dizendo é, para aqueles que querem segui-lo, mas ama mais
as coisas, o mundo ou até mesmo a sua família, ao ponto de
menospresar o seu sacrifício e ensinamentos, não são digno de se
tornarem seus discipulos.
Devemos sepmre conhecer as expressões idiomáticas que
estão na biblia Sagrada para podermos extrair exegeticamente uma
correta Interpretação do texto. No livro de Ezequiel 3.1 está escrito:
E ele me disse: "Filho do homem, coma este rolo; depois vá falar à
nação de Israel (NVI)". Ficou agora mais difícil, se tomarmos a
palavra “comer o rolo de um livro” no sentido literal. Para quem

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 24


conhece, como era o formato dos rolos daquela época, saberia que
o texto, não está nos conduzindo para uma interpretação literal.
O pastor Antônio Gilberto (2004, p.10) em seu livro, nos diz
um pouco como eram feitos esses livros:
A Bíblia é um livro antigo. Os livros antigos tinham a
forma de rolos (Jr 36.2). Eram feitos de papiro ou
pergaminho. O papiro é uma planta aquática que
cresce junto a rios, lagos e banhados, no Oriente
Próximo, cuja entrecasca servia para escrever. Essa
planta existe ainda hoje no Sudão, na Galiléia
Superior e no vale de Sarom. As tiras extraídas do
papiro eram coladas umas às outras até formarem
um rolo de qualquer extensão. Este material gráfico
primitivo é mencionado muitas vezes na Bíblia,
exemplos: Êxodo 2.3; Jó 8.11; Isaías 18.2. Em certas
versões da Bíblia, o papiro é mencionado como
junco; de fato, é um tipo de junco de grandes
proporções. De papiro, deriva-se a nossa palavra
papel. Seu uso na escrita vem de 3.000 a.C.
Pergaminho é pele de animais, curtida e polida,
utilizada na escrita. É material gráfico melhor que o
papiro. Seu uso é mais recente que o do papiro. Vem
dos primórdios da Era Cristã, apesar de já ser
conhecido antes. É também mencionado na Bíblia,
como em 2Timóteo 4.13.
Observamos que o versículo 10 do livro de Jeremias derruba
toda e qualquer interpretação literal. O versículo 10 explica que o
profeta deveria receber em seu coração todas as palavras do
Senhor. Os judeus dessa época comumente usava a expressão
“comi o livro” em vez de “eu li o livro”. Essas palavras são um modo
de falar e ao mesmo temo um hebraísmo, ou seja, uma expressão
idiomática comum aos hebreus.
Outro exemplo, que pode ser observado estar em 1Corítios
15.31 que diz “ Eu protesto que cada dia morro gloriando-me em
vós, irmãos, por Cristo Jesus, nosso Senhor” Também se tomarmos
a palavra morrer no sentido literal, o significado do texto

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 25


Escriturístico1 perde totalmente, e ficamos longe de sabermos qual é
a correta Interpretação. Agora se tomarmos em uma linguagem
comum, veremos que se tornou fácil de descobrir o verdadeiro
sentido. A palavra morrer em 1Coríntios 15.31, é a mesma coisa
que dizer, “eu não vivo mais para o mundo”. “Vivo pela fé em Cristo
Jesus”. “Os meus desejos mundanos, a caca dia nego por causa
dELE”
Isso é tão verdade que Paulo na mesma linguagem e ideia
expressa em Gálatas 2.20: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo,
não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na
carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou
a si mesmo por mim”(ARA)
Observação:
Quanto o uso da primeira regra fundamental, deve se ter em
mente que “enquanto for possível” devemos tomar as palavras no
seu sentido usual e comum. Isso significa que nem sempre as
palavras deverão ser tomadas nesse sentido. Vejamos:
O Evangelho o qual Lucas foi o escritor nos mostra que,
quando Jesus ressuscitara dos mortos no capítulo 24, Ele, tendo
pedido algo para “comer” deram-lhe, peixe e Ele “comeu”, verso 43.
Fazendo uma análise de texto, percebemos que a palavra “comer”
aqui, não pode ter outro significado se não o literal. Existem
inúmeras passagens que têm a mesma aplicabilidade igualmente
nos textos supracitado.
Um exemplo totalmente diferente desse termo, encontramos
em Números 16.32 que diz: “e a terra abriu a sua boca e os engoliu
juntamente com suas famílias, com todos os seguidores de Corá e
com todos os seus bens” (NVI). Sabemos que a terra não tem boca,
propriamente dita, este é um texto contendo figura de linguagem.
Os exemplos referidos acima, nos mostram que nem sempre
as passagens das Escrituras vão se valer de uma Interpretação
utilizando-se da primeira regra e nem o literalismo como acabamos
de mostrar. Sempre devemos atentar ao termo “enquanto for

1
Adj. (escriturista+ico) Relativo à Escritura Sagrada

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possível” para aplicar o sentido usual e comum.

3.2. SEGUNDA REGRA FUNDAMENTAL


A segunda regra fundamental de Interpretação diz: “Sempre
deve tomar as palavras Bíblicas no sentido que indica o conjunto da
frase”.
A bíblia expressa uma linguagem que é dever de todo o
interprete analisá-la. Existem palavras que variam muito em seu
significado, segundo o sentido da frase em que ocorrem no texto.
Importa ao exegeta, averiguar e descobrir o pensamento que
o escritor queria expressar em tal passagem. Então tomando por
base, a regra de averiguar o conjunto da frase, pois fica mais fácil de
entender o que o autor queria transmitir. A aplicação dessa regra é
de suma importância, porque há palavras nas Escrituras, que
mudam de sentido de acordo com o conjunto da frase. Se não
atentarmos para essa regra a mesma faz com que o interprete, não
tenha uma boa e saudável compreensão das passagens.
3.2.1. Empregando a segunda regra.
A palavra “fé”, ordinariamente significa confiança; mas
também pode ter outro sentido. Lemos Paulo, por exemplo: "Agora
prega a fé que outrora procurava destruir" (Gl 1.23). Do conjunto da
frase entendemos que fé, aqui significa “crença”, ou seja, a “doutrina
do Evangelho”.
Outro exemplo do mesmo vocábulo, estar em Romanos 14.23
que diz: “ Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado,
porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.”
Entendemos que pelo conjunto da frase, verificamos que a palavra
fé aqui, ocorre no sentido de “convicção”. Poderíamos ler assim:
“Mas aquele que tem dúvida, se comer, está condenado, porque não
come com convicção, e tudo que não vem de uma convicção é
pecado”.
Semelhantemente a palavra Salvação que significa a princípio
para o cristão “a Obra de Cristo, o Sacrifício de Cristo”. Mas
dependendo do conjunto da frase ela pode tomar outros rumos. No
grego essa palavra tem vários significados. Pode significar
INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 27
livramento, libertação, a revelação do Evangelho, escape do castigo,
tirado do perigo, etc.
Em Atos 7.25 diz: “Ora, Moisés cuidava que seus irmão
entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; porém,
não compreenderam”(ARA). A palavra “salvar’ no texto não quer
dizer, salvação por meio da obra expiatória de Jesus, mas a
“libertação” da escravidão Egípcia.
Também em Romanos. 13.11 diz. E isto digo, conhecendo o
tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa
salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a
fé” (ARC). Usando a segunda regra nesse texto, percebemos que,
“Salvação” aqui equivale à “vinda de Cristo”. O mesmo se vê, em
Hebreus 2.3 que diz: “como escaparemos nós, se não atentarmos
para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada
pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram;”
Considerando o conjunto da frase, salvação aqui quer dizer toda a
revelação do Evangelho.
Analisando a palavra Graça:
O significado mais comum da palavra graça é favor, porém se
usa também com outros sentidos. Em Efésios 2.8 diz: “Porque pela
graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de
Des” Pelo conjunto da frase, entende-se claramente que graça
significa “misericórdia e favo imerecido de Deus”.
Em Atos 14.3 "Falando ousadamente no Senhor, o qual
confirmava a palavra da sua graça". Graça aqui significa a
“pregação do Evangelho”. Em 1Pe 1.13 "Esperai inteiramente na
graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo". O
conjunto da frase comunica aqui que a graça equivale à “bem-
aventurança” que Jesus trará em sua vinda. Em Tt 2.11 "A graça de
Deus se há manifestado trazendo salvação a todos os homens" A
palavra graça no texto está no sentido de “a revelação das boas
novas de Jesus”.
“Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e
estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 28


não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se
entregaram”. Hb 13.9 Considerando todo o conjunto, “graça”,
significa aqui a “doutrina do Evangelho”, em contraste às que tratam
de alimentos relacionados com as práticas judaicas.
Outro texto para analisarmos está em Ezequiel 36.26, que diz:
“E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito
novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um
coração de carne”. Isto é, uma “disposição terna e dócil”. Efésios 2.3
o apóstolo Paulo diz: “entre os quais todos nós também, antes,
andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da
carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como
os outros também”. “Carne” significa os desejos “sensuais e ilícitos”
da natureza caída.
“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade:
Aquele que se manifestou em carne foi justificado em espírito, visto
dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima,
na glória” (1Tm. 3.16). Observando o conjunto das palavras, e
entendemos que a frase, manifestou em carne, é o mesmo que
dizer; manifestou em “forma humana”. Em Gálatas 3.3, está escrito:
“Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis
agora pela carne”? Significa praticar as “cerimônias judaicas”, como
a “circuncisão”, que se faz na carne como é observado no conjunto
da frase.
E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre
nós e sobre nossos filhos (Mt. 27.25). Segundo essa regra, vimos
que “sangue”, aqui, ocorre no sentido de “culpa e consequências”,
por matar um inocente. Já em outra passagem da Escritura, a
mesmo palavra (sangue) estar em um sentido totalmente diferente.
Em efésios 1.7 o apóstolo Paulo disse: “Em quem temos a redenção
pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da
sua graça”. O conjunto da frase é um indicativo para dizermos que
“sangue” aqui significa a morte Expiatória de Jesus na Cruz.
Observação
A segunda regra fundamental de hermenêutica Bíblica, não
pode ser jamais descartada pelo interprete. Pois o seu descaso,
resultará numa interpretação sofrível. Observamos por inúmeros

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 29


exemplos acima, que diante do texto Bíblico, dependendo do
conjunto da frase, as palavras podem assumir outros significados.
Lavando aqueles que estão estudando, a olhar muitas das vezes
para essa regra, como fundamental em si mesma.
3.3. TERCEIRA REGRA FUNDAMENTAL
A terceira regra fundamental de interpretação diz: “É preciso
consultar o contexto de cada texto, a saber, os versículos anteriores
e posteriores ao texto Bíblico”. Na Bíblica, existem passagens que,
mesmo aplicando as duas regras estudadas a cima o interprete não
compreenderia a real Interpretação do texto em que se estuda. Nem
sempre é suficiente estudar apenas o conjunto da frase para
declarar o verdadeiro sentido de certas palavras. Neste caso, é
necessário observar um versículo ou vários versículos que precedem
e sucedem ao texto para poderem vislumbrar e terem uma correta
Interpretação.
A terceira regra de interpretação é conhecida como a “regra
do bom censo”. A não observação desta regra resultará em um
grave erro de Interpretação.
3.3.1. Empregando da terceira regra.
O apóstolo Paulo disse em Efésios 3.4: "pelo que, quando
ledes, podeis compreender o meu discernimento no mistério de
Cristo". Quando nos deparamos com essa passagem, encontramos
tal dificuldade de interpretá-la, e ficamos um tanto confusos com
respeito ao verdadeiro significado da palavra mistério. Entretanto,
pelos versículos anteriores e posteriores, observamos que a
expressão “mistério” quer dizer aqui à participação dos gentios nos
benefícios do Evangelho.
Observamos que a aplicação da terceira regra de
Interpretação Bíblica, em tal passagem, facilitou a compreensão da
mesma a ter um entendimento correto. Também em Mateus 13.3-8,
Jesus conta-nos uma parábola, a “parábola do semeador”. O
entendimento e o significado dessa parábola só podem ser
determinados se aplicarmos a terceira regra. Se fizermos uma
análise nos versículos 18 aos 23 do mesmo capítulo, temos a
mesma parábola sendo explicada por Jesus e seu real significado

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 30


sendo esclarecido por Ele.
Outro exemplo está em João 6.54-55 que diz: “ Quem come a
minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o
ressuscitarei no último Dia. Porque a minha carne verdadeiramente
é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida”. Esta
declaração de Jesus perturbou os seus discípulos ficaram e
começaram a murmurar, porque literatizavam o que Ele dissera sem
ao menos observar o contexto de suas palavras. Essa passagem só
pode ser entendida se aplicarmos a regra que estamos estudando.
Para vislumbrarmos1 o verdadeiro sentido da frase: “a minha “carne
verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é
bebida”, temos que voltar ao versículo 25 e segui até o 69, do
mesmo capítulo que é o seu contexto anterior e posterior.
Comer a carne e beber o sangue equivale, pois, a apropriar-se
pela fé do sacrifício vicário de Jesus na cruz e Pedro entendeu isso
quando disse: “... para onde iremos nós? Só tu tens as palavras da
vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o
Filho de Deus (Jo 6.68-69).

Em Mateus 16.28, Jesus disse: “Em verdade vos digo que


alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que
vejam vir o Filho do Homem no seu Reino”. Usando a terceira regra
de Interpretação, consultando o contexto veremos nos versículos a
seguir a explicação (Mt 17.12). Nesses textos observamos que
poucos dias depois Jesus levou os seus discípulos Pedro, Tiago e
João a um certo monte e transfigurou diante deles esses discípulos
viram Jesus glorificado conversando com Moisés e Elias (Mt 17.1-6).
O contexto por si só esclarece a passagem de Mateus 16.28 e isso
significa que eles viram Jesus no seu Reino (glorificado).
Em Gálatas 4.3,9-11, Paulo nos diz: "Assim também nós,
quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo
dos primeiros rudimentos do mundo.” O que significa os “rudimentos
do mundo”? Aqui nessa passagem, no seu contexto, ou seja, o que
vem depois da palavra nos explica que são práticas de costumes

1
Despontar; surgir aos poucos; começar a aparecer, entender com clareza.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 31


judaicos. Às vezes encontra-se uma palavra obscura aclarada no
contexto por sinônimo ou ainda por palavra oposta e contrária à
obscura. Assim por exemplo, a palavra "aliança" (Gál. 3.17), se
explica pelo vocábulo “promessa” que aparece no final do mesmo
versículo.
Aplicando a terceira regra Lund e Nelson (1968, p.33) afirma:
Paulo disse: "E, se alguém sobre este fundamento formar um
edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno,
palha", vemos pelo contexto que fala do próprio Cristo como o
fundamento do edifício, devendo-se tomar estas palavras no
sentido espiritual, representando, sem dúvida, doutrinas
legítimas e falsas com suas consequências. (1 Cor. 3.12.)A
expressão: "Será salvo, todavia, como que através do fogo",
explica-se a si mesma pelo contexto, o qual nos ensina que
não se trata de salvar uma alma qualquer, mas a servos de
Deus, e que não é fogo que se atiça em suas pessoas, mas
em sua infortunada construção de material, qual feno e palha;
além disso, que não é um fogo purificador, mas destruidor, a
saber, o fogo do escrutínio rigoroso no dia da manifestação de
Cristo; estes "cooperadores de Deus" salvar-se-ão, pois, no
sentido de um construtor que, na catástrofe do incêndio do
edifício que está levantando, pode escapar, sim, porém
perdendo tudo, exceto a vida. O que significa a mesma
expressão, dizendo: "será salvo", não mediante a
permanência no fogo, mas "como que através do fogo”.

A terceira regra de interpretação nos mostrou, como é


importante a sua maneira de tratar com pesagens que a
interpretação está no seu contexto anterior e posterior.
Observamos que, utilizando algumas passagens bíblicas,
afirmamos que a sua coerente interpretação intercorrera 1 de seu
contexto bíblico e assim trazendo o que o autor pretendia
comunicar com aquela passagem.

1
Sucedera, acontecera, ocorrera e sobreviera.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 32


Capítulo 4
QUARTA E QUINTA REGRA

4.1. INTRODUÇÃO
Percebemos que foram proveitosos os estudos das regras
anteriores para uma aplicabilidade 1 no que concerne a hermenêutica
bíblica. Neste capítulo 4 abordaremos a Quarta e Quinta regra
fundamental, para a interpretação dos textos Sagrados.
A quarta regra fundamental diz: “Sempre levar em
consideração o objetivo ou desígnio dos livros ou passagens bíblicas
que apresentam expressões ou ensinamentos obscuros de difícil
entendimento”.
Para o uso dessa regra tem que estudar todo o livro o qual
estar sendo analisado, lendo e estudando com muita atenção várias
vezes, levando em conta em que ocasião e as quais pessoas
originalmente foram escritos procurando a todo o momento por que o
autor escreveu daquela maneira. Alguns livros da Bíblia já trazem
estas informações como Rm 15:4; 2Tm. 3.16, 17; Jo 20.31; 2Pedro
3.2, Pv 1.1,4.
O interprete precisa estudar as circunstâncias que envolvem
os episódios de cada livro. Isso o levará a se aprofundar e assim
estará extraindo uma abordagem fiel concernente a Bíblia Sagrada
4.1.1. Empregando a quarta regra.
Em Lucas 10.25-37, Jesus fala sobre a parábola do “Bom
Samaritano”. Se o interprete atentar para o diálogo entre Ele e o

1
Qualidade do que ocasiona um efeito; empregar, colocar em prática: Característica
ou particularidade do que é aplicável.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 33


doutor da lei que precede2 a parábola verá que o objetivo do Mestre
era justamente responder a pergunta que o doutor da lei iria fazer
“quem é o meu próximo”? A parábola que Jesus conta responde a
pergunta do doutor, ao explicar que ele deve amar e ajudar as
pessoas quando estão em uma situação difícil, independente de
religião, raça e cor, pois assim como aquele que era samaritano e
não podia falar e ajudar um judeu, só por que existia uma briga
histórica entre os eles, mesmo assim o fez, não levando em
consideração a sua religião e ajudou aquele que estava em apuros.
Em 1João 3.9 diz: “Qualquer que é nascido de Deus não
comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode
pecar, porque é nascido de Deus”. Será que existe uma discrepância
da declaração de João dizendo: que quem é nascido de Deus não
pode mais pecar?
Em parte alguma João declara que os crentes são imunes ao
pecado ou que nunca pecam. Em 1João 3.9 o verbo está no tempo
presente e deveria ser traduzido da seguinte maneira: "Aquele que é
nascido de Deus não vive na prática do pecado".
O objetivo do livro era combater os falsos ensinos dos
gnósticos que estavam invadido as igrejas da época. Os gnósticos
ensinavam que eles por receberem um certo “conhecimento”
exotérico3, não eram capazes de cometerem pecados. Por isso é
que João disse: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-
nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1Jo 1.8). Os mesmos
gnósticos cometiam muitos pecados e perversão sexual. E João
resposte quem vive no pecado não são nascidos de Deus. Opondo-
se a esses dissolutos filhos do diabo, que os mesmos acreditavam
que podiam pecar e naturalmente com gosto pecavam: afirma João
que os nascidos de Deus, pelo contrário, tendo repugnância 4 e ódio
ao pecado, não podem praticar o pecado, ou continuar pecando,
como indica o texto original.

2
O que antecede; permanecer a frente de; acontecer antes de; ocorrer
anteriormente.
3
Adj. Diz-se das doutrinas filosóficas e religiosas ensinadas publicamente (doutrinas
esotéricas).
4
Característica do que repugna. Sentimento que denota repulsa; sensação de asco
ou aversão.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 34


Outro exemplo está na epístola de Tiago 2.24: “Vedes, então,
que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé”. Mas
Paulo disse: Por isso nenhuma carne será justificada diante dele
pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado
(Romanos 3.20.
Alguns críticos objetam que tanto Paulo, como Tiago estão se
contradizendo. Geisler e Howe em seu livro apologético nos
esclarece essa aparente contradição quando diz:
Tiago e Paulo estariam em contradição se estivessem falando
da mesma coisa, mas há várias indicações no texto de que não
foi este o caso. Paulo está falando da justificação perante Deus
por meio das obras da lei, ao passo que Tiago está falando da
justificação perante os homens por meio das boas obras. Isso
se evidencia pelo fato de que Tiago enfatiza que devemos
"mostrar" (2.18). A nossa fé tem de ser algo que possa ser visto
pelos outros em "obras" (2.18-20). Tiago reconheceu que
Abraão foi justificado perante Deus pela fé, não por obras, ao
dizer: "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para
justiça" (2:23). Quando ele acrescenta que Abraão foi justificado
"por obras" (v. 21), ele está falando do que Abraão fez que
podia ser visto pelas pessoas, ou seja, do oferecimento de seu
filho Isaque no altar (2:21-22). Paulo, por sua vez, está
destacando a raiz da justificação (a fé), enquanto Tiago está
destacando o fruto da justificação (as obras). Ambos, porém,
reconhecem essas duas coisas. Logo depois de afirmar que
somos "salvos pela graça, mediante a fé" (Ef 2.8-9). Paulo
rapidamente acrescenta: "somos feitura dele, criados em Cristo
Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou
para que andássemos nelas" (Ef 2:10). De igual modo, logo
depois de declarar que "não por obras de justiça praticadas por
nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou" (Tt 3:5-7),
Paulo compele "os que têm crido em Deus [que] sejam solícitos
na prática de boas obras" (Tt 3:8) 5.

Portanto não há contradição alguma entre Tiago e Paulo,


porque ambos estão falando de coisas diferentes. O conhecimento
da quarta regra beneficiará o interprete das Escrituras levando assim

5
GESLER e HOWE. 2009 p.533-534 (Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e
Contradição da Bíblia).

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 35


a determinar com clareza a interpretação das passagens bíblicas.

Todos aqueles que já leram o Novo Testamento


cuidadosamente, perceberam que o Evangelho segundo: Mateus,
Marcos, Lucas e João, são muitas das vezes diferentes nos seus
relatos e os sinóticos6 da mesma forma o fazem. Se utilizando da
quarta regra, a visão e o propósito desses evangelhos ficam mais
aclarados.
O Evangelho de Mateus fora escrito em especial para os
judeus.
Mateus trouxe um relato a respeito de Cristo dizendo e
afirmando que Ele era filho ou da geração de Davi. As promessas
messiânicas se cumpriram Nele. Este evangelho é o mais judaicos
dentre os outros, vejamos:
1. Ele se baseia na revelação, promessa e profecias do AT,
para comprovar que Jesus era o Messias de Israel há
muito esperado.
2. Nele a geração de Jesus retrocede até Abraão (Mt 1.1-
17).
3. Afirma repetidas vezes que Jesus é o “filho de Davi” (Mt
1.1; 9.27; 12.23; 15.20; 20.30-31; 21.9,15; 22.41-45).
4. Faz referências a costumes judaicos sem explicações e
isso difere dos outros evangelhos.
5. A palavra “cumprimento” é citada mais de 12 vezes.
6. O termo filho de Davi 9 vezes é declarado nesse
evangelho.
7. Existem mais de 100 alusões e referências do AT, nesse
evangelho.

Portanto o designo do livro, se for levado em consideração,


facilita bastante a compreensão de passagens como. O pastor
Carvalho Junior em seu livro (Coletânea de Curiosidades Bíblicas)
faz um breve comentário, sobre o evangelho segundo Mateus e

6
São assim considerados os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas porque, em
virtude de sua semelhança, permitem uma visão panorâmica da vida, obra, doutrina,
paixão, morte e ressurreição de Cristo Jesus.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 36


Marcos quando o mesmo disse:
Quando Mateus narra à parábola da semente e
refere-se à semente que caiu em boa terra, ele diz
que produziu à 100, 60 e 30 por um. Porém, quando
Marcos narra a mesma parábola contada por Jesus e
refere-se a semente que caiu em boa terra, ele diz
produziu à 30, 60 e 100 por um, Mt 13.8, Mc 4.8.
Você sabia que esta inversão é explicada pelo fato
de Mateus apresentar Jesus como Rei, e o Rei
começa de cima para baixo e Marcos apresenta
Jesus como servo, e servo começa de baixo para
cima? (Júnior, 2007, p.37).
Se os exegetas das Escrituras aplicarem esta quarta regra,
em suas interpretações, os mesmos serão grandemente
beneficiados no que tange a entender a verdade do texto bíblico.
Observação
A quarta regra de interpretação Bíblica e muito importante,
para aqueles que estão interpretando o texto. Esta regra requer
muito de um interprete examinando cuidadosamente o que está
sendo analisado.
Portanto, os interpretes devem se aplicar afundo no estudo da
quarta regra, dominando-a praticando-a, porque isso é o dever de
todo aquele que tem a Bíblia como um manual de fé e prática,
normativa, prescritiva e deve amá-la e obedecê-la.
4.2. QUINTA REGRA FUDAMENTAL
A quinta regra fundamental diz: “Sempre se deve consultar as
passagens paralelas”
As doutrinas Bíblicas, para ser estabelecidas precisam de
apoio em outros livros da Bíblia e repetidas para consubstanciar 1 o
que está sendo construído. A palavra “paralela” significa lado a lado,
e assim essa lei lida com o agrupamento de todas as passagens que
se relacionam com determinado assunto, quer elas usem a mesma
terminologia ou não.

1
v.t.d. Identificar-se; tornar-se unido ou ligado de modo íntimo.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 37


Ao estudar um assunto utilizando o uso comum, precisamos
de uma Concordância bíblica, uma boa ferramenta, para mostrar
onde os mesmos termos aparecem em outros lugares das
Escrituras. A importância dessa regra, é que o interprete
compreenderá passagens obscuras. A quinta regra fundamental se
divide em três: paralelas de palavras, paralelas de Ideias e paralelas
de ensinos gerais. Passagens paralelas são as que fazem
referência uma à outra, que tem entre si alguma relação, ou tratam
de um modo ou outro de um mesmo assunto.
4.2.1. Empregando a quinta regra (Paralelas de palavras).
Em Gálatas 6.17 o apóstolo nos diz: “Desde agora, ninguém
me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor
Jesus”.
As quatro regras, anteriormente estudadas não resolveriam o
problema desse texto. Entretanto fica mais fácil de compreendermos
quando comparamos com outra passagem paralela em 2Coríntios
11.23-25, onde o apóstolo diz que foi açoitado cinco vezes e três
vezes com varas. Era açoites tão cruéis que, se não deixavam a
pessoa morta, o mesmo tinha sequelas por toda a vida.
Comparando os paralelos de palavras, entendemos que as
marcas que Paulo trazia no corpo não eram chagas, porém marcas
ou sinais dos açoites sofridos por causa do Evangelho.
“Na carta aos Gálatas 3.27, disse o apóstolo: "de Cristo vos
revestistes". Em que consiste estar revestido de Cristo? Pelas
passagens paralelas em Romanos 13.13,14 e Col 3.12,14, tudo se
esclarece. O estar revestido de Cristo, por um lado consiste em ter
deixado as práticas carnais, como a luxúria, dissoluções, contenda
se ciúmes. E por outro, ter uma vida nova prática como manifestar: a
misericórdia, benignidade, humildade, mansidão, tolerância e
sobretudo o amor cujos atos os cristãos primitivos simbolizavam no
seu batismo, deixando-se sepultar e levantar em sinal de haverem
morrido para essas práticas mundanas e de haverem ressuscitado
em novidade de vida.
Consultando os paralelos de palavras, aprendemos que o

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 38


estar revestido de Cristo não consiste em haver adotado tal ou qual
túnica ou vestido “sagrado”, mas em adornos espirituais ou morais
próprios do Cristianismo simples, santo e puro.
Em Mateus afirmou Jesus: “pedi e dar-se-vos-á”. Muitos
cristãos acreditam, que esse texto é uma forma que garante a ela
que tudo que pedir de Deus, Ele vai conceder. Consultando
passagens paralelas entendemos que não é assim que devemos
interpretar o texto. Em Marcos 11.24 nos informa: “porque em
verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e
lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se
fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”. Esse texto deixa
bem claro que tem que pedir com “fé”. Em outra passagem Jesus
disse: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem
em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7) e
em 1Jo 5.14 está escrito: E esta é a confiança que temos nele, que,
se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.
Os paralelos de palavras nos trouxe a compreensão que,
para recebermos temos que estar ligados na videira verdadeira que
é Jesus: obedecendo e respeitando, pois a vontade Dele está em
primeiro lugar.
4.3. QUINTA REGRA (Paralelas de Ideias)
Para compreendermos a ideia concreta e certa do que ensina
os textos Bíblicos, pode ser obscuros ou questionáveis, devemos
consultar os ensinos, as narrativas e fatos contidos em textos ou
passagens que se relacionem com o texto obscuro.
4.3.1. Empregando as paralelas de ideias.
No livro de Hebreus 13.11, diz: “Jesus Cristo é o mesmo
ontem, e hoje, e eternamente”. O texto claramente quer nos ensinar
sobre a Imutabilidade de Cristo. Cristo sendo Deus em um corpo
Glorificado não muda. Ele tem todos os atributos divinos.
Comparando os textos que falam da imutabilidade de Cristo
perceberá que o escritor aos Hebreus está se referindo ao “ser de
Cristo” nesse caso ele não muda e nunca mudará pois esta é a ideia
interpretativa do textos nos paralelos de ideias.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 39


Outro exemplo estar em Mateus 16.18, quando Jesus disse:
"Sobre esta pedra edificarei a minha igreja". A igreja Católica por
causa desse texto, afirma que Pedro é o fundamento da igreja. Será
mesmo que Pedro é o fundamento da igreja? O próprio Pedro,
confirma que ele não é o fundamento, quando diz: “ E, chegando-vos
para Ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas
para com Deus eleita e preciosa”(1Pd 2.4 ). O fundamento da Igreja
é Jesus, e em Mateus 21.42-44, vemos Jesus mesmo como a pedra
fundamental ou "pedra angular", profetizada e tipificada no Antigo
Testamento. Paulo confirma e aclara a mesma ideia, dizendo aos
membros da igreja de Éfeso (2.20) que são "edificados sobre o
fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo Cristo
Jesus, a pedra angular, no qual todo edifício, bem ajustado cresce
para santuário dedicado ao Senhor".
Deste fundamento da igreja, posto pela pregação de Paulo,
"como prudente construtor" entre os coríntios, disse o apóstolo
"porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi
posto, o qual é Jesus Cristo" (1Cor 3.10,11). Quem é esta pedra?
Pelo paralelo das ideias dos textos a pedra se refere a Cristo.
4.4. QUINTA REGRA (Paralelas de Ensinos Gerais)
Entendemos, que para uma correta interpretação da Bíblia
Sagrada, os paralelos de palavras e ideias não são suficientes para
interpretar outros textos, pois é preciso recorrer ao contexto geral
das Escrituras, ou seja, aos ensinos gerais das Escrituras. Temos
indicações deste tipo de paralelos de ensinos gerais na própria
Bíblia.

4.4.1. Empregando as paralelas de Ensinos Gerais.


A quinta regra de Interpretação nos ajuda a elevar os nossos
conhecimentos acerca da Palavra de Deus. O ensino geral das
Escrituras, nos leva a olhar para uma doutrina Bíblica e perceber
como podemos vislumbrá-la pela mesma. Por exemplo:
A doutrina da Trindade será que tem apoio Bíblico? Fazendo
uma análise das Escrituras e usando paralelos de ensinos gerais
temos a absoluta certeza que ela tem apoio Bíblico. Vemos a

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 40


primeira menção de seu conceito no termo “Deus” que no hebraico é
Elohim. Esse substantivo estar na forma plural em Gênesis 1.1, diz o
texto: “No princípio, criou Deus os céus e a terra. O termo “Elohim”
(‫ֹלהים‬
ִ֑ ֱ‫ )א‬está no plural trazendo um indicativo de pluralidade de
pessoas dentro da divindade de Deus. Isto é tão verídico no livro de
Gênesis que se Moisés quisesse que nós entendêssemos, que Deus
era um só, em número e personalidade, ele empregaria o termo
hebraico “Eloah (‫ ) אלה‬que também significa Deus, mas está no
singular. No mesmo livro de Gênesis capítulo 1 versículo 26, está
escrito: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança..,” o verbo “na'asseh” (‫)נעֲ ֶׂ֥שה‬,ַֽ que
indica ação, está no plural trazendo pluralidade. O vocábulo Elohim é
empregado mais de 35, vezes em Gênesis capítulo 1 e 2, por Moisés
e sempre está no plural nesses textos.
No capítulo 11 verso 7 do mesmo livro: “Eia, desçamos, e
confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua
do outro”, assim mostrando também uma pluralidade. (grifo nosso).
Em Deuteronômio 6.4, diz: “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o
único Senhor”. A expressão “único” que no Hebraico é “Echad”
(‫ )א ַֽחד‬significa uma unidade composta e não uma unidade absoluta.
A palavra para unidade absoluta é “yechid” (‫ִָֽיד‬
ְ ‫ )יְ ַֽח‬e ela aparece em
Gênesis 22.2, como unidade absoluta.
Existem muitos outros textos que comprovam que Deus é uma
Trindade. A Bíblia está recheada de versículos. Em Isaías 48.16 e
61.1, o Filho está verbalizando enquanto faz referência ao Pai e ao
Espírito Santo. Compare Isaías 61.1 com Lucas 4.14-19 para ver
que é o Filho falando. Mateus 3.16-17 descreve o acontecimento do
batismo de Jesus. Nele se vê o Deus Espírito Santo descendo sobre
o Deus Filho enquanto o Deus Pai proclama Seu prazer no Filho.
Mateus 28.19 e 2Coríntios 13.14 são exemplos de 3 pessoas
distintas na Trindade.
Cada membro da Trindade é Deus: O Pai é Deus: João 6.27;
Romanos 1:7; I Pedro 1:2. O Filho é Deus: João 1.1, 14; Romanos
9.5, Colossenses 2.9; Hebreus 1.8; 1João 5.20. O Espírito Santo é
Deus: Atos 5.3-4; 1Coríntios 3.16 (Aquele que habita é o Espírito
Santo: Romanos 8.9; João 14.16-17; Atos 2.1-4). Portanto usando a

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 41


regra de paralelos de ensinos gerais na Bíblia compreendemos que
esta é uma doutrina presente nas Escrituras.
4.4.2. Agora sobre a Personalidade do Espírito Santo
aplicando os paralelos de Ensinos Gerais.
Gênesis 1:1,2 – No princípio criou Deus os céus e a terra. Ora,
a terra mostrava ser sem forma e vazia; e havia escuridão sobre a
superfície da água de profundeza; e a força ativa de Deus movia-se
por cima da superfície das águas. (Tradução do Novo Mundo, grifo
acrescentado).
As testemunhas de Jeová usam este versículo para atacar a
fé cristã na questão da personalidade do Espírito Santo. A maioria
das traduções do versículo 2 dizem que “o Espírito de Deus pairava
sobre as águas”. Mas a sociedade Torre de Vigia tem ensinado a
seus seguidores que o Espírito Santo é meramente uma força
impessoal a serviço de Deus.
Para provar isto a seus ouvintes as testemunhas de Jeová
citam este versículo segundo a Tradução do Novo Mundo. Esta é
uma situação na qual uma testemunha de Jeová não precisa
distorcer as Escrituras para encaixar as doutrinas que aprendeu. O
versículo vem pré-distorcido em sua própria Tradução do Novo
Mundo. Em outros textos, a tradução da Torre de Vigia fala do
“espírito santo”, escrito em minúsculas.
Para responder à alegação da testemunha de Jeová de que o
Espírito Santo é uma mera força impessoal, enfatize que
a Bíblia repetidamente se refere ao Espírito Santo como tendo
atributos pessoais. Por exemplo, mesmo a Tradução do Novo
Mundo revela que o Espírito Santo fala (At. 13:2), dá testemunho
(João 15:26), fala as coisas que ouve (João 16:13), sente-se
magoado (Is. 63:10) e assim por diante.
As testemunhas de Jeová dizem:
Ficaram eles “cheios” duma pessoa? Não, mas ficaram
cheios da força ativa de Deus. (Poderá Viver Para Sempre
no Paraíso na Terra página 40)… Então e Espírito Santo
não é uma pessoa… Mas será?

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 42


É claro que a Bíblia usa aí uma figura de linguagem onde
toma a parte pelo todo. Efésios 1:23 diz que Deus “preenche todas
as coisas”, o que concorda com Atos 2:4. Romanos 8.11 diz que o
Espírito Santo mora ou reside em nós, assim como Efésios 3.17 diz
que Cristo reside em nossos corações, da mesma forma que João
14.23 também fala da habitação em nós tanto do Pai, quanto do
Filho. Nada disso faz com que o Pai e o Filho deixem de ser
pessoas.
O que dizer da legião de demônios que se apossou de uma só
pessoa? Até mesmo as TJs defendem a personalidade dos
demônios. Lançando mão de tal raciocínio tão pouco Satanás seria
uma pessoa, pois diz a Bíblia que ele entrou em Judas (Lucas
22.3)1.
Diante do exposto acima, percebemos que o uso da quinta
regra, os paralelos de Ensinos Gerais aplicados em passagens
iguais as que abordamos, levará o interprete a ver melhor o seu
conteúdo e ensinos doutrinários das Escrituras.

Observação:
As regras de Interpretações Bíblicas nos remetem a um
patamar de responsabilidades. Esta leva o interprete a pensar,
analisar, pesquisar e tudo isso porque se trata da Palavra de Deus, o
que é muito sério.
A hermenêutica em muitos lugares é menosprezada, levando
assim a um caos teológico. Analisamos que a mesma é
importantíssima e fundamental e indispensável quando está se
buscando entender o que a Bíblia está se referindo. O verdadeiro
exegeta é um homem cheio de temor a Deus.

1
Fonte de pesquisa: “As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo”,
David A. Reed; trad. de Marcelus Virgílius Oliveira e Valéria Oliveira. - 2. ed. Rio de
janeiro: JUERP, 1990.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 43


INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 44
Capítulo 5
LIVROS POÉTICOS COMO
INTERPRETAR?

5.1. INTRODUÇÃO AO ASSUNTO


Aproximadamente a terça parte do Antigo Testamento fora
escrita em forma poética. Se tomarmos os livros ou partes desses
livros que foi escritos desta forma, daria um volume maior do que o
Novo Testamento.
Nos livros proféticos aparecem muitas poesias, e existem só
sete livros na Antiga Aliança, que não têm nenhum trecho poético
que são: Levítico, Rute, Esdras, Neemias, Ester, Ageu e Malaquias.
É de suma importância descobrir hermeneuticamente os Gêneros de
cada livro para assim estarmos interpretando corretamente os textos
Bíblicos. A poesia tem que ser vista como poesia. Passagens
poéticas não podem ser vistos como se fossem relatos históricos
nem podem ser tomados ao literalismo. Entretanto muitas vezes,
textos poéticos são citados fora de seu contexto imediato ou remoto
sem prestarem a devida atenção ao gênero literário dos livros.
É o que acontece, por exemplo, quando se fala sobre a
maneira como o homem arcaico 1 concebia o universo. Existem
textos fazendo referência a colunas e alicerces da terra (Jó 38.6; Sl
18.15; 24.2; 75.3; 104.5; 136.6; Pv 9.29). Os textos que hora
acabamos de citar são totalmente descritivos e de maneira alguma
estão ensinando princípios doutrinários, e são todos de essência
poética.

1
Adj. Que se pode referir a épocas antigas; que lembra tempos remotos; que faz
parte do que é antigo; antigo.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 45


5.1.1. Características da poesia hebraica
Uma das características marcantes da poesia hebraica é o
paralelismo e que ocorre quase em todos os livros poéticos e textos
proféticos.
5.1.2. No paralelismo sinonímico.
A segunda linha é quase que uma repetição da primeira. É
por isso que chamamos de “sinonímico” porque ocorre quando a
ideia da primeira parte do texto é expressa sinonimamente palas
palavras equivalentes da segunda parte. Vejamos alguns exemplos:
Sl 144.3: (1) "Senhor, que é o homem para que dele tomes
conhecimento?
(2) e o filho do homem para que o estimes?".
Sl 15.1: (1) “ Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo?
(2) Quem há de morar no teu santo monte?”
Sl 114. 1: (1) “Quando Israel saiu do Egito,
(2) e a casa de Jacó de um povo de língua estranha.”
Sl 1. 1: (1) “Bem aventurado o homem que não anda segundo
conselho dos ímpios,
(2) nem se detém no caminho dos pecadores nem se
assenta na roda dos escarnecedores.”
Observe que no Sl 144.3, o “homem” é sinônimo de “filho do
homem” e o termo “habitará” é o mesmo que “morar”. As palavras
grifadas servem para entender melhor essa questão.
5.1.3. No paralelismo Antitético.
A ideia da primeira parte, é apresentada na segunda,
normalmente introduzida por um “mas” ou “porém” dando-lhe um
contraste, uma oposição. Vejamos alguns exemplos:
Sl 20.7: (1) “Uns confiam em carros, outros em cavalos,
(2) nós porém, nos gloriamos em nome do Senhor
nosso Deus”
Sl 1.6: (1) “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos,
(2) mas o caminho dos ímpios perecerá.”
INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 46
Pv 14.28: (1) “Na multidão do povo, está a glória do rei,
(2) mas, na falta de povo, a ruína do príncipe”

Pv 15.1: (1) “A resposta branda desvia o furor,


(2) mas a palavra dura suscita a ira.”

5.2. PARALELISMO PROGRESSIVO


Encontramos também nos livros de Salmos, o paralelismo
Progressivo. Neste, o pensamento da primeira linha é completado e
desenvolvido na segunda linha. Vejamos alguns exemplos:
Sl. 29.2,11;
V. 2 (1) Dai ao Senhor a Glória devida ao seu nome;
(2) Adorai ao Senhor na beleza da sua santidade.
V.11 (1) O Senhor dá força ao seu povo,
(2) O Senhor abençoa o seu povo com paz.
No versículo 2 encontramos um pedido na primeira linha para
que os povos deem glórias a Deus, e na segunda linha, esse
pensamento de glorificação é ampliado para explicar como essa
adoração deve ser feita. No verso 11, na primeira linha, mostra a
ação de Deus em favor do seu povo e na segunda isso é
desenvolvido e ampliado.
5.3. PARALELISMO CLIMÁTICO
O Paralelismo Climático que representa a ideia de clímax1,
pois, nele, uma palavra da primeira linha é repetida na segunda com
o objetivo de acrescentar-lhe algo, sublimá-la ou realçar seu sentido,
levando ao ápice do pensamento. Esse tipo de paralelismo é
semelhante ao progressivo. A diferença e que, no progressivo, não
há a repetição de alguma palavra da primeira linha, o que acontece
no Climático. Vejamos alguns exemplos:
Sl 3:1-2: (1) “SENHOR, como se têm multiplicado os meus
adversários”!
(2) São muitos os que se levantam contra mim.

1
O ponto culminante, O mais alto.

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 47


Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus.”
Sl 103.20-21:
(1) Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magníficos em
poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua
palavra.
(2) Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros
seus, que executais o seu beneplácito.”

Sl 4:6-8:
(1) “Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? SENHOR exalta
sobre nós a luz do teu rosto. Puseste alegria no meu coração, mais
do que no tempo em que se multiplicaram o (2) seu trigo e o seu
vinho. Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu,
SENHOR, me fazes habitar em segurança.”
É necessário que os estudantes busquem outros tipos de
paralelismo, utilizando assim os exemplos destes para obterem uma
boa interpretação dos textos Bíblicos.
5.4. FIGURAS DE LINGUAGEM
Em decorrência dos estudos sobre os paralelismos nos livros
poéticos, destacaremos as figuras de estilos que irão ajudá-los a
reconhecer melhor a literatura hebraica.

Metáfora
Esta figura tem por base alguma semelhança entre dois objetos
ou fatos, caracterizando-se um com o que é próprio do outro. Ao
dizer Jesus: "Eu sou a videira verdadeira", Jesus se caracteriza com
o que é próprio e essencial da videira; e ao dizer aos discípulos:
"Vós sois as varas", caracteriza-os com o que é próprio das varas.
"Eu sou a porta, eu sou o caminho, eu sou o pão vivo; vós
sois a luz, o sal; edifício de Deus; ide, dizei àquela raposa; são os
olhos a lâmpada do corpo; Judá é leãozinho; tu és minha rocha e
minha fortaleza; sol e escudo é o Senhor Deus; a casa de Jacó
será fogo, e a casa de José chama e a casa de Esaú restolho", etc.
(João 15:1; 10:9; 14:6; 6:51; Mat. 5:13,14; 1 Cor. 3:9; Luc. 13:32;
INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 48
Mat. 6:22; Gên. 49:9; Sal. 71:3; 84:11; Obadias 18.)
Sinédoque
Faz-se uso desta figura quando se toma a parte pelo todo ou o
todo pela parte, o plural pelo singular, o gênero pela espécie, ou
vice-versa. Toma a parte pelo todo o Salmista ao dizer: “Minha
carne repousará segura” (ARC), em lugar de dizer: “meu corpo ou
meu ser”, que seria o todo, sendo a carne só parte de seu ser (Sl.
16.9). Toma o todo pela parte o Apóstolo quando sobre a Ceia do
Senhor: “todas as vezes que, beberdes o cálice”, em lugar de dizer
beberdes do cálice, isto é, parte do que contém no cálice. (1Cor.
11:26).
Metonímia
Emprega-se esta figura quando se emprega a causa pelo
efeito, ou o sinal ou símbolo pela realidade que indica o símbolo.
Vale-se Jesus desta figura empregando a causa pelo efeito ao dizer:
“...Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos”, em lugar de
dizer que têm os escritos de Moisés e dos profetas, ou seja o Antigo
Testamento (Luc. 16.29).
Os escritores empregam também o sinal ou símbolo pela
realidade. Quando Jesus disse a Pedro: "Se eu não te lavar, não
tens parte comigo". Aqui Jesus emprega o sinal de “lavar os pés”,
pela realidade de “purificar a alma”, porque o mesmo faz saber que
ter parte com Ele não depende da lavagem dos pés, mas da
purificação da alma. (João 13.8). Do mesmo modo João faz uso
desta figura, colocando o sinal pela realidade, ao dizer: ; “O sangue
de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”, pois é evidente
que aqui a palavra sangue indica toda a paixão e morte expiatória de
Jesus, a única coisa eficaz para satisfazer pelo pecado e dele
purificar o homem (1Jo 1.7).
Prosopopéia
Usa-se esta figura quando se personificam as coisas
inanimadas, atribuindo-lhes os feitos e ações das pessoas. O
apóstolo fala da morte como se fosse uma pessoa que pode ganhar
vitória ou sofrer derrota, ao perguntar: “Onde está, ó morte, o teu
INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 49
aguilhão?” (1Co 15.55). Em prega o apóstolo Pedro a
mesma figura, falando do amor, e referindo-se à pessoa que ama,
quando diz: “o amor cobre multidão de pecados” (1Pe 4.8). Como é
natural, ocorrerem com frequência estas figuras na literatura poética
do Antigo Testamento, dando-lhe assim uma formosura, vivacidade
e animação extraordinárias. Os apóstolos de maneira alguma
querem ensinar que “morte” ou “amor” são pessoas, mas sim
personificaçõ da linguagem poética em seus escritos.
Ironia
Faz-se uso desta figura quando se expressa o contrário do
que se quer dizer, porém sempre de tal modo que se faz ressaltar o
sentido verdadeiro. Paulo emprega esta figura quando chama aos
falsos mestres de “os tais apóstolos”, dando a entender ao mesmo
tempo que eles de modo nehum são apóstolos. (2Co. 11.5; 12.11).
Vale-se da mesma figura o profeta Elias quando no Carmelo disse
aos sacerdotes do falso deus Baal: “Clamai em altas vozes...e o
despertará”, dando-lhes a compreender, por sua vez, que era inútil
gritarem. (1 Reis 18.27.)
Semelhantemente Jó faz uso desta figura ao dizer a seus
amigos: "Vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria",
fazendo-os saber que estavam muito longe de serem tais sábios. (Jó
12:2.)
Hipérbole
É a figura pela qual se engandece ou diminui exageradamente
uma coisa e essa figura de linguagem permeia pela Bíblia Sagrada.
Fazem uso da hipérbole os exploradores da terra de Canaã,
quando voltam para contar o que ali haviam visto, dizendo: "Vimos
ali gigantes...e éramos aos nossos próprios olhos como
gafanhotos... as cidades são grandes e fortificadas até aos céus."
(Nm. 13.33; Deut. 1:28). O texto está querendo dizer que eles e suas
Cidades eram muito grandes em relação a eles.
Também João faz uso desta figura ao dizer: "Há, porém, ainda
muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas
uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros

INSTITUTO BÍBLICO TEOLÓGICO ELOHIM 50


que seriam escritos."(Jo 21.25).
Na realidade, João estava expressando que, Jesus quando
passou tres anos e meio cumprindo o seu prpósito aqui na terra, pois
Ele fez muitas coisas e João não estava descrevendo todos os
detalhes da obra feita pelo Mestre.
Alegoria
A alegoria é uma figura retórica que geralmente consta de
várias metáforas unidas, representando cada uma delas realidades
correspondentes. Costuma ser tão palpável a natureza figurativa da
alegoria, que uma interpretação ao pé da letra quase que se faz
impossível. Às vezes a alegoria está acompanhada, como a
parábola, da interpretação que exige.
Tal exposição alegórica nos faz Jesus ao dizer: “Eu sou o pão
vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente;
e o pão que eu darei pela vida do mundo, é a minha carne... Quem
comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna”.
Esta alegoria tem sua interpretação na mesma passagem da
Escritura (João 6.51-65.). Outra alegoria apresenta o Salmista (Sl
80.8-13) representando os israelitas, sua trasladação do Egito a
Canaã e sua sucessiva história sob as figuras metafóricas de uma
videira com suas raízes, ramos, etc., a qual, depois de trasladada,
lança raízes e se estende, ficando porém mais tarde multilada pelo
javali da selva e comida pelas bestas do campo (representando o
javali e as bestas poderes gentílicos).
Conclusão
Existem muitas outras figuras de retóricas nas Escrituras, que
a devida compreensão da mesma elucida a passagem em questão.
As figuras de retórica estão cheias de linguagens conotativas. Este é
indicado quando a ideias está além do sentido literal das palavras,
ampliando sua significação mediante a circunstância em que a
mesma é utilizada, assumindo um sentido figurado e diferenciando-
se totalmente do denotativo e literal.

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