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Lírica Grega – Safo Epopeia grega – Homero ÉDIPO Era um escravo?

Era um descendente dele, ou


de sua família?
Eternal Afrodite, e ao trono adorno, Fala-me, Musa, do homem astuto que tanto vagueou, O SERVO Ai de mim! Isso é que me será horrível
De intrigas tecelã, ó Dial, te imploro: depois que de Troia destruiu a cidadela sagrada. dizer!
O peito não me firas com transtornos, Muitos foram os povos cujas cidades observou, ÉDIPO E para mim será horrível ouvir! Fala, pois!
Ó Dona, ou dolos. cujos espíritos conheceu; e foram muitos no mar Assim é preciso!
os sofrimentos por que passou para salvar a vida,
O SERVO Diziam que era filho dele próprio. Mas
Vem para aqui, porém, se em mim atenta, para conseguir o retorno dos companheiros a suas casas.
Mas a eles, embora o quisesse, não logrou salvar.
aquela que está no interior de tua casa, tua esposa, é
Um dia ao longe ouviste os meus agouros, quem melhor poderá dizer a verdade.
E da mansão do Pai então ausentas Não, pereceram devido à sua loucura,
insensatos, que devoraram o gado sagrado de Hipérion, ÉDIPO Foi ela que te entregou a criança?
Com carro de ouro, O SERVO Sim, rei.
o Sol — e assim lhes negou o deus o dia do retorno.
ÉDIPO E para quê?
Que tu mesma atrelaste, e à terra escura Destas coisas fala-nos agora, ó deusa, filha de Zeus. O SERVO Para que eu a deixasse morrer.
As breves aves vão te conduzindo, Nesse tempo, já todos quantos fugiram à morte escarpada ÉDIPO Uma mãe fez isso! Que desgraçada!
Asas batendo ao céu, o éter censuram, se encontravam em casa, salvos da guerra e do mar. O SERVO Assim fez, temendo a realização de oráculos
No ar vêm vindo, Só àquele, que tanto desejava regressar à mulher, terríveis...
Calipso, ninfa divina entre as deusas, retinha
ÉDIPO Que oráculos?
E pousam logo, ó Bem-Aventurada, em côncavas grutas, ansiosa que se tornasse seu marido.
Mas quando chegou o ano (depois de passados muitos
O SERVO Aquele menino deveria matar seu pai, assim
E indagas-me co’a face eterna em risos: diziam...
Que mal de novo eu tinha, eu ansiada outros)
no qual decretaram os deuses que ele a Ítaca regressasse, ÉDIPO E por que motivo resolveste entregá-lo a este
Aos teus avisos? velho?
nem aí, mesmo entre o seu povo, afastou as provações.
E todos os deuses se compadeceram dele, O SERVO De pena dele, senhor! Pensei que este
Que quer minha alma, então, que surja insana? todos menos Posêidon: e até que sua terra alcançasse, homem o levasse para sua terra, para um país
“A quem, com Persuasão, ora destino o deus não domou a ira contra o divino Ulisses. distante... Mas ele o salvou da morte para maior
Ao teu amor, ou quem, ó Safo, dana-te, desgraça! Porque, se és tu quem ele diz, sabe que tu
E desatina? és o mais infeliz dos homens!
ÉDIPO Oh! Ai de mim! Tudo está claro! Ó luz, que eu
Se é quem te foge, oh logo vai buscar-te, te veja pela derradeira vez! Todos agora sabem: tudo
E os dons, se enjeita, os seus logo envia, Tragédia Grega – Sófocles
me era interdito: ser filho de quem sou, casar-me
Não te ama agora? com quem me casei... e... e... eu matei aquele a quem
ÉDIPO De que cidadão tebano? De que família?
eu não poderia matar!
Vai depressa amar-te, Inda arredia. O SERVO Em nome dos deuses eu te peço, ó rei, não
Eis vem, e livra-me da ira tenaz, me perguntes mais nada!
E dês, já de uma vez, por terminadas ÉDIPO Tu és um homem morto se eu tiver de repetir
Todas coisas que a alma anseia: serás Minha aliada! essa pergunta!...
O SERVO Pois bem! Aquele menino nasceu no palácio
de Laio!