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FLAVIO M .H E IN Z

organizador

.

Por outra história das elites

ISBN 85-225-0545-4

Copyright © Flávio M. Heinz

Direitos desta edição reservados à EDITORA FGV Praia de Botafogo, 190 — 14a andar 22250-900 — Rio de Janeiro, 41J — Brasil Tels.: 0800-21-7777 — 21-2559-5543

Fax:21-2559-5532

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Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação do copyright (Lei n° 9.610/98).

Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores.

1®edição — 2006

Revisão de originais: Claudia Martinelli Gama

Editoração eletrônica: Cristiana Ribas

Revisão: Aleidis de Beltran e Marco Antonio Corrêa

Capa: Studio Creamcrackers

Todas as traduções foram feitas por Flávio Madureira Heinz, exceto a do capítulo “A elite nacional” (“The national elite”), de Michael Conniff, realizada por Geraldo Korndõrfer.

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Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca M ario H enrique Sim onsen/FGV

Por outra história das elites / Flávio M. Heinz, organizador. — Rio de Janeiro : Editora FGV, 2006.

224p.

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Inclui bibliografia.

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1. Elites (Ciências sociais). I. Heinz, Flávio Madureira. II. Funda-

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ção Getulio Vargas.

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Biblioteca de Ciências Humanas e Educação-Antropologia

Berton e Cosmo Ltda Por outra história das elites

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75/2008

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18/01/2008

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regionais*

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Os estudos sobre elites conheceram um rápido avanço desde o advento do com ­ putador, cuja capacidade de análise e de arm azenam ento de inform ações perm itiu

colocar novas questões a dados preexistentes. Este capítulo foi construído a p artir de

três estudos de John W irth, Robert Levine e Joseph Love, que reuniram um banco de

dados biográficos sobre centenas de lideranças políticas ativas do início da República

brasileira até o Estado Novo, cobrindo os anos 1889-1937. Suas histórias paralelas dos estados de M inas Gerais, Pernam buco e São Paulo analisam esses dados, buscando retratar as elites políticas do período. Os autores definiram as elites com relação a um conjunto de posições formais julgadas relevantes para o exercício de poder político e

clientelism o, isto

é, eles usaram o critério posição preferencialm ente ao critério repu­

tação ou tom ada

de decisão.1

Este capítulo vai além desse esforço, realizando com parações sistem áticas entre as

três elites regionais e analisando um a elite am pliada resultante; adicionando e anali­ sando novos dados; colocando — com novas técnicas estatísticas — novas questões a

velhos dados; e com parando a elite am pliada

Alguns esclarecim entos sobre os três conjuntos regionais de dados se fazem neces­ sários: m ais do que am ostras das elites estaduais, essas elites constituem populações e são inteiram ente com paráveis entre si. Ainda, elas são apenas um a am ostra de todos os

resultante com outras elites políticas.2

* Publicado originalm ente sob

1Os estudos originais são: W irth (1977), I.evine (1978) e Love (1980). Para uma discussão dos três métodos de definição de elites políticas, ver o clássico artigo de Dahl (1958). Gos­ taríamos ainda de agradecer aos professores Levine e W irth o suprim ento de informações adicionais relativas à ocupação dos pais.

2 Utilizaremos doravante a expressão “elite ampliada” para designar o conjunto das três am ostras regionais (composite elite, no original). (N. do T.)

o título “Regional elites" (Conniff e McCann, 1991).

78

Por

outra

história

das

elites

estados e da elite nacional. Esses estados não podem ser considerados “típicos” — se

algum o é — nem sua seleção é aleatória. Foram escolhidos estados cujas elites exerce­ ram poder real durante um período em que os partidos estaduais se constituíam na única unidade coesa de organizarão política. São Paulo e Minas Gerais, com as maiores

populações e econom ias, dom inavam a política federal. Pernam buco, o mais

te estado do Nordeste, talvez seja o que m elhor representa os dilemas políticos, sociais e

econôm icos que sua região, assim com o hoje, colocava para o resto do país. Os estudos

originais foram além da simples com paração biográfica de idade, educação e ocupação,

no intuito de descobrir com o

ram acrescentadas, incluindo a participação em eventos políticos-chave, os atributos

sociais, os vínculos com o exterior, laços com outros estados, as ligações familiares, as características intra-estaduais (como origens urbanas e rurais ou procedência sub-regio-

form a a

nal) e os aspectos relativos à geração. Variáveis com binadas expandiram de tal análise que cerca de 100 variáveis foram codificadas ou derivadas.3

im portan­

esses políticos

atuaram com o elites. O utras variáveis fo­

Populações de 263 (São Paulo), 276 (Pernam buco) e 214 (M inas Gerais) pessoas

podem parecer pequenas em com paração com alguns outros estudos sobre elites, mas

os três estudos exploraram dim ensões que estudos de grupos maiores haviam ignora­

do.4 Por exem plo, os trabalhos trataram de

e vínculos com o exterior, am bos os

aspectos exigindo

pense um a m enor extensão do estudo, possibilitando um a visão de relações que um a

abordagem mais inclusiva — em term os de núm ero — possivelmente deixaria passar.

A análise de Love sobre a elite de São Paulo, por exemplo, fez surgir um a intrincada

rede de laços de fam ília e negócios, m ostrando com o 97 dos 263 m em bros do conjun­

to estavam interligados (ver figura).

família

rigorosa análise contextual. Esse m aior aprofundam ento talvez com ­

Os

contornos

da

elite

ampliada

Após esta breve introdução, voltam o-nos para o com portam ento da elite e as caracte­ rísticas de sua origem. Um im portante exemplo de com portam ento é a proporção em que os mem bros da elite se m antêm fiéis ao partido no poder (situação) ou rom pem suas fileiras. Este tópico foi tratado após se ter determ inado como membros das três elites atua- *ram em m om entos críticos. Primeiro, como as lideranças políticas se posicionavam quan­

to à escravidão um ano e meio antes da Abolição? Apenas 15% da coorte de idade relevante

(N = 322) tinham facilitado a libertação de escravos, com pequena variação regional. Se­ gundo, quais eram as filiações políticas dos mem bros da elite antes do golpe que pôs fim à

m onarquia, em 1889? Apenas 42% eram republicanos “históricos”, isto é, aqueles que eram

3 Definições explícitas e um a lista de variáveis estão em Love (1980:277-287).

4 Smith (1979), por exemplo, inclui 6 mil pessoas em um estudo do período 1900-71.

Elites

regionais

79

favoráveis à m udança do regime antes da queda do Im pério (N = 268). Os outros 58% eram adesistas que se converteram ao republicanismo depois que a República se tornara um fato, presumivelmente para continuar a habilitar-se a postos políticos. (Variações regio­ nais eram notáveis, como um a maioria de “históricos” entre os paulistas, contra apenas 23% entre os pernam bucanos.) Por essas duas medidas, a elite am pliada revelava então que a República seria com andada pelos conservadores desde seu início.

O utros testes confirm aram a natureza cautelosa da elite am pliada. D urante a tenta­

tiva de golpe de D eodoro da Fonseca, em 1891, e durante as únicas eleições presidenciais

em que houve efetiva disputa — 1910,1922 e 1930 — ,pelo menos 86% dos m em bros da

elite, em cada um a das disputas, adotaram a posição oficial dos respectivos partidos estaduais. Do m esm o m odo, apenas 8% da elite ampliada identificavam-se com os te­ nentes após a Revolução de 1930. (Os pernam bucanos eram relativam ente m enos caute­

losos, já que 19% se juntaram à facção tenentista.) Novamente, os dados m ostram elites estaduais pouco inclinadas a rom per fileiras com os grupos dom inantes. Houve pouca sobreposição entre as elites políticas e as lideranças sociais, ainda que dados incompletos possam parcialmente corroborar esta afirmação. Quase ninguém este­

ve associado ao m ovim ento operário, e nenhum m em bro da elite pertencia

rária ou camponesa. Surpreendentemente, poucos mem bros da elite ocuparam posições

em associações agrícolas, comerciais ou de advogados (5%, 3% e 4%, respectivamente). Menos de 20% pertenciam a clubes sociais de destaque. Essa ausência de correspondência pode ser parcialmente atribuída mais ao aparecimento tardio de muitas dessas organiza­ ções — após a I Guerra Mundial — que à falta de preeminência social dos políticos. Além

disso, a sobreposição cresce de baixos 11% em Minas para 27% em São Paulo, fato que

deve prim ordialm ente ter resultado da

Q uanto à educação, 70% da elite ampliada cursaram faculdades de direito, a maioria

esmagadora escolhendo realizar esses estudos em seu próprio estado. Em medicina gradua­ ram-se 8% e quase 8% diplomaram-se em engenharia. Apenas 2% seguiram formação mi­ litar. No total, 93% dos membros das elites possuíam formação universitária, fazendo delas

as elites políticas mais “educadas” para as quais pudemos localizar dados comparativos. Por

volta de 1940, apenas um a em 370 pessoas nesses três estados possuía títulos universitários,

o que significa que a probabilidade de um membro da elite ampliada ser diplomado por um a universidade era 345 vezes maior do que em relação ao cidadão com um .5

às classes ope­

maior urbanização do últim o estado.

A im portância dos títulos universitários na política brasileira antecede a Repúbli­

ca. O m odelo dos “m andarins” da elite política im perial, proposto por Eul-Soo Pang e Ron Seckinger, m ostra que a educação universitária era virtual requisito para um alto posto político.6 No entanto, com o advento da República, outro requisito imperial

5 Os dados educacionais e ocupacionais são do censo de 1940.

6 Pang e Seckinger, 1972: 217-218.

Elite de São Paulo

lAdolfo Gordol*

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José Silva

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Paulo Morais Barros

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João Sampaio

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Armando Sales

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J. Sampaio

Vidal

E. Pacheco Chaves

Armando

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A.C. Sales Jr.

J. Paulino Nogueira

J. Cardoso

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Antônio Prado

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A. Prado Jr.

Martinho

Prado Jr.

J. M. Whitaker

Fábio Prado

A. Ulhoa Cintra

Herculano Freitas

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Sampaio

 

Vidal

C. Altenfelder Silva

Paulo Nogueira Filho

Firmino Whitaker

A. Meireles Reis

V. Rodrigues Alves

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J. M. Rodrigues Alves

A. Arrudo Botclho

Carlos

Botelho

F. Morais

Pinto

Jorge Tibiriçá <

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Afrodísio Coelho

Luis Toledo Piza

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J. M. Martins Siqueira

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L. T. Piza Sobrinho

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O. Rodrigues Alves

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A. Carvalho

A. M. Alves Lima

F. Carvalho

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Bernardino de Campos

Domingos de Morais

Vitorino Carmilo

Luís Silveira

Carlos de Campos

Sílvio de Campos

Vicente Azevedo

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Vicente R V. Azevedo

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J. B. Melo Oliveira

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J. Lopes Chaves

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Elói Chaves

F. Souza Queiroz

 

O. E. Souza Aranha

Altino Arantes

A. Lacerda Franco

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82

Por

outra

história

das

elites

para a ocupação de altos postos — experiência política transregional — desapareceu,

em bora permanecesse a necessidade de educação universitária. No que concerne à ocupação, dois terços da elite política eram com postos de ad­ vogados, incluindo-se aqui aqueles que eram juizes. O político com um possuía 2,5 ocupações (e, em São Paulo, quase três), isso sem considerar “político” um a ocupação.

O pequeno núm ero de universitários form ados fazia frente a um núm ero m uito ex­

pressivo de

reira; eles, então, duplicavam ou triplicavam suas áreas de atividade. Engenheiros e médicos representavam, cada categoria, aproximadamente 10% das eli­ tes, enquanto militares constituíam apenas 3%, e clérigos menos de 1%. Além do mais, 28% dos membros trabalhavam como jornalistas e 27% como professores do ensino médio e superior. Q uando todas essas categorias são fundidas em um a só, descobre-se que 91% dos membros das elites exerciam um a profissão. Por volta de 1940, a probabilidade de esses m em ­ bros das elites possuírem um a profissão é 285 vezes maior do que o é para o cidadão comum. V oltando-se para as ocupações associadas à propriedade, encontram os um quar­

to da elite am pliada form ado por fazendeiros. Essa proporção parece reduzida, dado o

caráter predom inantem ente

rural da econom ia. Além disso, diferenças acentuadas

ocorrem entre os estados: os fazendeiros constituíam 38% da elite paulista, aproxim a­

dam ente o dobro de sua participação entre as elites de M inas e Pernam buco. Industri­ ais com punham 20% da elite am pliada, mas, novam ente, em São Paulo ocorre um a

participação m uito superior àquela dos outros estados. Comerciantes e banqueiros correspondiam respectivam ente a 12% e 14% do todo. Da elite am pliada, 34% eram

hom ens de negócio (com erciantes, industriais, banqueiros e interm ediários ou comis­

sários, investidores em estradas de ferro e proprietários de m inas). R eagrupando as

categorias, encontram os 28% ligados ao setor exportador agrícola (lideranças de asso­ ciações rurais, exportadores, proprietários de terras e comissários). Uma categoria com ­

posta cham ada “pro p rietário ”, e que inclui todos os detentores de

va com 47% dos m em bros de todas as elites. N ovam ente, a elite paulista apresenta um

envolvim ento m uito m aior nessa categoria (56% ) que as elites dos outros estados.7 A análise das ocupações dos pais dos m em bros da elite fornece inform ações sobre

as origens de classe da elite e sobre sua m obilidade social (ver tabela 1). Entre as 344

dem andas e oportunidades para

deixar-se confinar em um a simples car­

propriedade, conta­

7Seguindo o texto original, utilizaremos “proprietário” para designar o conjunto daqueles in­ divíduos que detêm propriedade privada, correspondendo esta a diferentes setores da atividade econômica, rural ou urbana, como definido no corpo do texto; quando se tratar de designar fazendeiros, por exemplo, utilizaremos sempre a categoria adjetivada “proprietário rural”; ain­ da, para traduzir a categoria businessmen, utilizaremos o termo “homens de negócio”. Preferi­ mos, neste caso, não utilizar o termo mais comum de “empresário”, ao qual recorreremos pos­ teriormente apenas em duas situações, para traduzir entrepreneur. (N. do T.)

Elites

regionais

83

pessoas cuja ocupação dos pais pôde ser identificada (46% do total), a esm agadora m aioria era com posta de profissionais liberais ou de proprietários de algum tipo, ou de am bos. Nove ou m enos (3% ) tinham pais cuja ocupação pode ou não ter sido de classe inferior (tropeiro e “o u tra”). Assim, com o esperado num a sociedade rural trad i­ cional, os m em bros da elite política derivam em larga escala dos estratos superior e m édio superior da sociedade.

Tabela

1

O cupação

do

p ai:

São

Paulo,

M inas

G e ra is,

Pernam buco

e

e lite

am pliada

Ocupação do pai

São Paulo

Minas Gerais

 

Número

%

Número %

A

d vo g a d o

 

45

3 4 ,6

17

18,3

M

édico

6

2 ,3

3

3,2

Jo

rn a lista

9

6 ,9

1

1,1

F

a ze n d e iro

61

4 6 ,9

53

5 7 ,0

C

o m

e rcia n te

10

7,7

7

7 ,5

Ind u strial

 

8

6 ,2

2

2,2

Banq ueiro

8

6 ,2

-

-

E

d u ca d o r

10

7 ,7

-

-

E

n g e n h e iro

2

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3

3 ,2

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-

-

-

-

O

fic ia l

do

E x é rc ito

8

6 ,2

3

3 ,2

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agistrado

9

6 ,9

6

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eg o ciante

 

de

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2

1,5

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-

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d m inistrad o r de estrad a de ferro

6

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-

-

Burocrata

de

 

b

aixo escalão

4

3,1

2

2 ,2

Burocrata

de

 

alto e sca lão

1

0 ,8

2

2 ,2

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ro p eiro

 

3

2,3

-

-

Fa

rm a cêu tico

1

0 ,8

-

-

O

utra

ocupação

 

Posições

so ciais

O

ficial da G uarda

 

N

acional

7

5 ,4

42

4 5 ,2

M

em bro da elite im perial

17

13,1

8

8 ,6

Total

 

130

93

Pernambuco

Ampliada

Número

%

Número

%

 

22

18,2

84

2 4 ,4

3

2,5

12

3,5

-

-

10

2,9

83

6 8 ,6

197

57 ,3

10

8,3

27

7,8

-

-

10

2,9

1

0,8

9

2,6

3

2,5

13

3,8

1

0 ,4

6

1,7

1

0 ,8

1

0,3

3

2,5

14

4,1

3

2,5

18

5,2

-

-

2

0,6

-

4

1,2

6

1,7

2

1,7

8

2,3

1

0 ,8

4

1,2

-

-

3

0.9

-

-

1

0,3

6

5 ,0

6

1,7

49

14,2

10

8,3

35

4 ,6

121 344

O b s.: Todos os percentuais foram arredondados. Ocupações foram m ulticodificadas. Ver as definições em Love (1980:285), exceto para as seguintes: burocrata de baixo escalão (funcionário público local ou provincial); burocrata de alto escalão (alto funcionário imperial) e tropeiro. O teste qui-quadrado de ajustamento indica que esta amostra não é influenciada pelas características dos membros da elite mais bem-sucedidos.

8 4

Por

outra

história

das

elites

A alta proporção de fazendeiros entre os pais merece um a nota especial. A m aio­ ria absoluta (197 em 344) era com posta de proprietários de terra. O segundo m aior

grupo era o de advogados. A inda entre os filhos (isto é, os m em bros da elite), quase

dois terços eram advogados e apenas um quarto era de proprietários de terra. Com o se poderia prever, os fazendeiros, um a vez que exercem um a ocupação “hereditária”, tam ­ bém “reproduzem a si m esm os” na m aior proporção, com o revela a tabela 2.

M em bros

O cu p a çã o

da

elite

com

a

Tabela

2

mesma

P e rce n tu a l

(% )

ocupação

de

seus

pais

Q u i-q u a d ra d o *

Fazendeiro

 

79,0

0 ,0000

O

ficial do

E xé rc ito

33,3

0 ,0106

C

o m e rcian te

27,7

0 ,0 0 0 0

M

édico

2 0 ,0

0,0001

In

d u strial

8,9

0 ,0018

En g e nh e iro

 

7,5

0 ,0 2 3 8

* Um nível de significância de 0,05 ou menor indica haver no mínimo 19 chances em 20 de

que a relação

não seja

casual.

As relações da elite com o estrangeiro são obviam ente um aspecto im portante —

ainda que com freqüência negligenciadas nos estudos sobre elites — , sobretudo em

países econom icam ente dependentes. Nossa com paração

te um terço de todo o grupo tinha algum tipo de vínculo com o exterior.8 Além disso, aqueles que dispõem de conexões com o estrangeiro tendem a ser os políticos mais

proem inentes. Um quinto do conjunto viveu no exterior ao m enos seis meses. Dos

três estados, São Paulo tem a elite exportadora com mais conexões com o estrangeiro,

enquanto M inas

Um tipo de vínculo com o estrangeiro é interessante em função de sua baixa incidência:

nascimento no exterior. Menos de 1% da elite política nasceu no estrangeiro, e apenas 4% tinham ao menos um dos pais nascidos no exterior. Isso é surpreendente dada a experiência

de imigração de massa vivida pelo Brasil naquele período. Além disso, havia pouca diferença entre os estados. Apesar do fato de São Paulo haver recebido metade de todos os imigrantes

do período estudado, sua elite possuía apenas um membro nascido no exterior (N = 239) —

Miguel Costa, que acompanhara seus pais da Argentina para o Brasil ainda criança. Os dados sobre conexões interestaduais das elites revelam m uitos vínculos. Um

quarto de todo o grupo desem penhou fora de seu estado de origem outras atividades

revela que aproxim adam en­

é o que tem menos conexões.

8 Vínculos com o exterior incluem importação e exportação; interesses econômicos em firmas estrangeiras ou esquemas de imigração; representação de firmas ou governos es­ trangeiros; nascimento no exterior; nascimento da esposa ou dos pais no exterior; período de residência ou estudo fora do país, distinções ou títulos estrangeiros.

Elites

regionais

85

além de postos no governo federal ou m andatos no Congresso. Dos m em bros da

política pernam bucana, 44% possuíam tais conexões, enquanto esse percentual é de 17% entre m em bros das elites paulista e m ineira. A parentem ente, essa descoberta re­

flete oportunidades econôm icas relativam ente escassas em Pernam buco. Dezesseis por

cento do grupo am pliado nasceu em um estado da Federação diferente daquele onde construiu sua carreira, com pouca diferença entre os três casos. Quase a mesma parte percentual realizou sua educação secundária fora do estado de origem. Uma variável am pliada com parando todas as ligações fora do estado de origem m ostrou que 57% do total possuíam tais ligações.9 Separadam ente, os m ineiros possuíam mais ligações

(72% ), enquanto os paulistas apresentavam m enor incidência (39%) destas. Entre os

últim os havia, aparentem ente, m enor propensão que entre os prim eiros a

no Rio de Janeiro, a ligação fora do estado de origem mais freqüente entre os m ineiros.

trabalhar

elite

Laços familiares eram um im portante elem ento que m antinha próxim as as elites. Dois quintos do total possuíam parentes na elite do m esm o estado. Surpreendente­

m ente, um estado de perfil tradicional como Pernambuco apresentou a m enor inci­

dência (34% ), com parado com os 46% de M inas Gerais e 43% de São Paulo. Em com ­

pensação, a elite de Pernam buco possuía a m aior incidência de parentes em outros

estados. São Paulo surpreende talvez por apresentar-se tão sem elhante aos demais es­

tados a este respeito, com o tam bém na ausência de penetração estrangeira. Um quinto

de todo o grupo pertencia, ou estava intim am ente relacionado, à elite im perial, e qua­

se m etade possuía algum tipo de parentesco com outros m em bros da própria elite,

com outras elites estaduais ou com a elite im perial.10 Os níveis superiores de liderança

parecem apresentar m aiores ligações familiares: 81% dos governadores possuíam la­

ços de parentesco com outros m em bros da elite, com parados com apenas 46% dos

não-governadores. Sexo, raça e religião da elite apresentam poucas surpresas. Apenas um a m ulher apare­ ce entre 753 m em bros da elite, e seu papel era menor: Maria Tereza de Azevedo participou

durante apenas um ano do Comitê Executivo do Partido Constitucionalista de São Paulo.

Raça era um tema sensível para a elite do período, e ser branco, um a condição assumida ou atribuída na esmagadora maioria dos casos. Em São Paulo, apenas duas pessoas eram re­

conhecidas como não-brancas: Francisco Glicério e A rm ando Prado; em Pernambuco, comentava-se que M anoel Lubambo possuía ancestrais africanos. Muitos mais devem ter

9 Laços interestaduais incluem nascimento, escolarização secundária, carreiras profissio­ nais ou postos governamentais em outros estados ou no Distrito Federal, excluindo o Con­ gresso ou postos no gabinete.

10 Parentesco foi definido de m odo a incluir relações de sangue, relações familiares criadas por m atrim ônio e primos. A definição de elite imperial inclui senadores e possuidores de títulos de barão ou superior.

86

Por

outra

história

das

elites

tido origem mestiça, mas tais assuntos eram raram ente evocados em público e não apare­

cem na m aior parte das biografias. O mesmo era verdade para a religião, já que pratica­ m ente todo m undo assumia ser católico ou de tradição católica, ainda que um certo nú­ mero fosse de não-praticantes. Encontram os apenas um núm ero insignificante de não- católicos (incluído um declarado ateísta), mas nenhum protestante. Uma classificação das bases políticas entre rural e urbano mostra que três quintos do total desenvolviam atividades nas cidades, norm alm ente na capital estadual. A va­ riação era contudo am pla, de 44% em M inas Gerais a 67% em São Paulo e 71% em

Pernam buco (visto que Belo H orizonte, capital de M inas Gerais, década de 1890, incluím os Juiz de Fora na categoria “u rb an o ”). Em

dade de um m em bro da elite residir em cidades era oito vezes superior à de um cida­ dão com um dos três estados: 61% da elite, com parados com apenas 8% da população

foi construída na geral, a probabili­

em geral, viviam nas capitais (ou em Juiz de Fora) em 1920. M ovim entação geográfica foi um a característica de pelo m enos duas das elites

estaduais estudadas (as inform ações sobre Pernam buco não estão disponíveis). Das elites m ineiras e paulistas, 70% tinham bases políticas em m unicípios diferentes da­

queles onde haviam nascido. Esse m ovim ento não era, contudo, sem pre direcionado às cidades: em São Paulo, 63% da elite vivendo ainda no interior (n = 71) não mais

residiam em seu m unicípio de origem. Para as elites, diferentem ente das massas, a dicotom ia rural-urbano era talvez pouco significativa. Em São Paulo, por exemplo, m etade daqueles m em bros da elite que eram

fazendeiros (n = 89) possuía suas bases políticas na capital estadual. Jorge Tibiriçá, o

pai do esquem a de valorização do café, duas vezes governador de São Paulo, e o ateísta anteriorm ente m encionado, não era menos fazendeiro por ter nascido em Paris. Mas a conexão urbana garantiu às elites o acesso às inform ações e oportunidades negadas às

massas rurais. A idade m édia com a qual os m em bros da elite ingressavam na política era de 44,2 anos, com pouca variação nos três casos. Isso parece surpreendente se considerarm os

que a grande m aioria prim eiro ocupava postos no âm bito estadual e que 44 anos era a idade média com a qual m inistros do gabinete assum iram suas funções durante o

Im pério (1822-89), isto é, em âm bito nacional." Para a elite republicana aqui consi­ derada, 35% do grupo ampliado, distribuído entre os três estados, ocuparam seu pri­ m eiro posto político antes dos 40 anos. Q uarenta por cento de m ineiros e pernam bu­ canos ocuparam postos antes dos 40 anos, com parados a apenas 25% dos paulistas. O últim o caso pode ser em parte explicado pela natureza mais form alm ente burocrática

do processo político naquele estado.12

11 Carvalho, 1974.

12Ver Love (1980:162-163, 165).

Elites

regionais

Uma análise das gerações revela outros aspectos do com portam ento da elite. As três gerações foram definidas como: pessoas nascidas em 1868 ou antes, que alcança­ ram a m aturidade antes da queda do Im pério; pessoas nascidas entre 1869 e 1888, que chegaram à m aioridade em m eados do período de quatro décadas da República Velha e testem unharam a prim eira cam panha presidencial, disputada em 1910; pessoas nas­

cidas durante a República (1889 e depois). Quase m etade de toda a elite inclui-se na

na

terceira geração. A tabela 3 classifica a elite am pliada por gerações e apresenta os valo

res das variáveis que eram significantes quando cruzadas por gerações (teste qui-qua-

drado no nível 0,05). As prim eiras duas colunas m ostram que, ao longo dos anos, a parte da elite per­ tencente às lideranças do Partido Republicano dim inuiu, enquanto cresceu a parte dos m em bros que eram líderes da oposição. Em São Paulo, a terceira geração encon­

trava-se com pletam ente excluída da liderança republicana do período anterior a 1930. Esse fato foi provavelm ente um fator significativo no descontentam ento que levou à fundação do Partido D em ocrático em São Paulo, em 1926.13

seguintes m ostram resultados previsíveis: m em bros da terceira

geração eram três — ou mais — vezes mais propensos a rom per com a situação que os

prim eiros; a experiência legislativa declinou através das gerações, mas um a m aioria da

terceira geração ainda cum priu m andatos nos níveis estadual e federal; e o ingresso na

elite antes dos 40 anos cresceu m uito com a terceira geração, que tendeu a afastar os

mais velhos após a Revolução de 1930. As três colunas seguintes dem onstram que hom ens de negócio, fazendeiros e o u ­

tros que estavam ligados à exportação, mais todos aqueles com vínculos com o exterior, tiveram m aior im portância na segunda geração. Isso parece sem elhante à experiência argentina: a geração de 1880 — correspondendo aproxim adam ente à nossa prim eira geração — estudou no país, mas seus filhos estudaram e viajaram para o exterior. Entre as profissões, a m aioria dos cruzam entos por geração não alcançou significância estatística. Das três que a apresentaram , a participação dos juizes declinou ao longo

das gerações, a dos educadores cresceu em 50% e a dos engenheiros mais que dobrou.

A elite que em ergiu da revolução de Getúlio Vargas, em 1930, merece tratam ento à parte, já que o evento se constitui num divisor de águas. A proxim adam ente um quarto

de toda a elite ingressou no grupo após o golpe. A centuadas diferenças separam as experiências dos três estados. São Paulo possui a m aior proporção de recém-chegados, 37%. Esse padrão deve m uito à form ação de novos partidos políticos assim com o à intervenção federal. M inas não sofreu intervenção federal, ainda que tenha um percen­ tual m aior de recém -chegados que Pernam buco, onde o establishment foi deposto.

prim eira geração, aproxim adam ente um terço na segunda geração e um um quinto

As três colunas

13 Ver Love (1980:117-118).

88

Por

outra

história

das

elites

Com parações entre os períodos anterior e posterior a 1930 m ostram m udanças tanto em educação quanto em ocupação. Apenas 2% dos m em bros da elite am pliada que ingressaram na política antes de 1930 eram m ilitares, com parados com 5% daqueles que ingressaram após esse ano. Ainda, é notável que esse percentual não seja ainda maior, visto a dívida de Vargas com seus apoiadores m ilitares. O grupo dos bacharéis (graduados em direito ou m edicina) caiu de 80%, entre as elites do período anterior a 1930, para 68% , entre aqueles que ingressaram na política durante o governo Vargas. Da m esm a form a, a proporção de hom ens de negócio caiu de 37% para 26%, o que se deu paralelam ente à dim inuição de sua participação entre as elites da terceira geração,

antes m encionada.

 

Tabela

3

C ruzam ento

 

das

g eraçõ es

da

e lite

com

va riá v e is

se le cio n a d as

(%)

G e ra çã o

E x p e riê n c ia

p o lítica

 

C o m

itê

C o m

itê

Ruptura

com

o

E xp e riê n cia

In g resso

exe cu tivo

exe cu tivo

 

establishm ent

leg islativa

na

elite

do

Partido

de

partido

durante

crise

antes

dos

R ep ub licano

de

oposição

 

nacional

40

anos

1 3 2 ,5

 

5,8

13,3

71,7

25,6

2 2 9 ,2

17,7

25,5

6 0 ,0

29,3

3 8,5

33,3

48,6

52,6

6 9 ,0

X 2

0 ,0 0 0

 

0 ,0 0 0

 

0 ,0 0 0

0,001

0 ,0 0 0

O cu p ação

 

V ínculos

Profissão

N eg ó cio s

1 32 ,5

2 4 1 ,9

3 2 5 ,9

X 2

0,011

 

com

exterio r

Exp o rtaçã o

Ju iz

Eo ucad or

Engenheiro

2 7 ,2

2 7 ,2

31 ,9

2 4 ,8

7,1

34,7

4 6 ,6

10,9

2 6 ,6

12,5

2 1 ,9

32 ,5

6 ,0

37,1

15,5

0 ,0 4 4

0 ,0 0 0

0 ,0 0 0

0,041

0,021

O bs.: Vínculos com o exterior, Negócios e Exportação são variáveis am pliadas (ver definições acim a).

Sucesso

na

elite

Após esboçar as linhas gerais da elite am pliada e das elites dos três estados,

podem os perguntar: que características distinguem os m em bros da elite m ais bem- sucedidos daqueles m enos bem -sucedidos? Tom ando em prestado um procedim en­ to do estudo de Peter Sm ith, podem os estratificar as posições atingidas para co­

locar

a questão: há correlações en tre sucesso (definido com o o m ais alto posto

ocupado) e o u tros atributos? Podém os codificar os postos políticos na seguinte classificação:

Elites

regionais

89

♦ presidentes, vice-presidentes e ministros;

♦ governadores e juizes do Supremo Tribunal Federal;

♦ outros postos diferentes de m inistro no Legislativo e no Executivo federal;

♦ com itês executivos dos partidos;

♦ secretários estaduais e presidentes dos tribunais estaduais;

♦ outros postos diferentes de secretário no Legislativo e no Executivo estadual.

m em bros dos

Essa classificação parece estar em consonância com ò poder dos cargos. A partici­

pação em com itês executivos era mais im portante que qualquer outro posto estadual,

exceto o de governador, porque os m em bros desses comitês lançavam candidatos para

m uitos outros po sto s.14 Porém , o governo foi sem pre um a posição-chave no sistema

político estadual e m esm o na constelação federal do poder. Os juizes do Suprem o ga­

rantem sua inclusão no segundo nível em razão de seu prestígio e relativa indepen­

dência em face do Executivo durante o período.

Podem os, com tal. classificaçãpj,çorrelacionar a ocupação do m ais alto p ostocom

as variáveis codificadas para m em bros da elite, no intuito dej>e conhecerem os atrib u ­

tos que parecem mais úteis ao avanço na carreira política.15Consideram os significantes

todas as correlações de nível 0,05.16 Tam bém exigimos para inclusão, de form a algo

arbitrária, um valor gama de m ais ou m enos 0,3.

Entre as variáveis políticas mencionadas, a experiência legislativa possui um a asso­

ciação razoavelmente forte com o sucesso, em especial para a elite de São Paulo (+0,35).

Esse fato reforça nossa visão de que há aí um a progressão de carreiras mais ordenada

que em Pernam buco. Não há resultados

abolicionistas de não-abolicionistas, ou republicanos históricos de monarquistas.

Entre lideranças não-políticas, o papel de advogados e m agistrados prestigiosos é

especialm ente notável em Pernam buco; de fato, há um a correlação perfeita entre su­

cesso e liderança da entidade dos procuradores (+1,0). Laços econôm icos com o exte­

rior eram aparentem ente im portantes apenas em São Paulo (+0,32 para exportador e

estatisticam ente significantes distinguindo

14 Ver Love (1982:63-64).

15 Depois de Smith, utilizaremos o coeficiente gama de correlação. Ver Smith (1979:107-

108).

16 Formação universitária completa e exercício de profissão liberal não produziram resul­ tados estatisticamente significantes quando correlacionados com o mais alto posto obtido porque havia pouca variância: mais de nove décimos do conjunto da elite se compunham de indivíduos formados em universidades e profissionais, estes atributos eram quase assu­ midos como critérios para presença na elite.

9 0

Por

outra

história

das

elites

+0,31 para gerente de um a com panhia estrangeira); laços interestaduais de vários ti­ pos aparecem mais intim am ente correlacionados com sucesso em Pernam buco (+0,37 para ocupantes de postos políticos fora do estado). Padrões educacionais m ostram que os bacharéis tinham m elhor desem penho em Pernam buco (+0,33), que os farm a­ cêuticos tinham m au desem penho em Minas (-0,45), que os engenheiros iam igual­

m ente mal nesses dois estados (-0,61) e que, surpreendentem ente, um a educação m i­

litar se constituía no pior título (um a correlação negativa perfeita, -1 ,0 ) para galgar

posições de sucesso no estado nordestino. Entre as ocupações, é notável que apenas duas estivessem positivam ente correlacio­ nadas acim a do nível +0,3. Atividade bancária e negócios im obiliários estavam mais

associados com a propriedade do que com profissões, e am bos estavam correlacionados com o sucesso exclusivam ente em São Paulo, com os níveis +0,33 e +0,51, respectiva­

m ente (neste estado, os industriais tam bém chegaram próxim o ao nível +0,3). C one­ xões familiares estavam associadas ao sucesso em M inas Gerais (+0,36 para laços no

interior da elite m ineira). C ontudo, “sucesso” não precisa — com o no estudo de Smith — ser definido em

term os do mais alto posto ocupado. Oferecemos aqui um a definição alternativa: o grau de sucesso num a elite é indicado pelo núm ero de posições ocupadas. Por esta

definição, A ntônio Carlos Ribeiro de A ndrada, governador de Minas que teria dito,

em 1930, “façam os a revolução antes que o povo a faça”, era o mais bem -sucedido: dos

753 m em bros

terços de todo o grupo ocuparam apenas um posto.17 U tilizando esse parâm etro para sucesso, observam os um a constelação algo dife­

rente de variáveis “úteis”. Q uanto à “longevidade” na elite, era decididam ente prejudi­ cial (-0,59) ter sido um republicano histórico em Pernam buco, da m esm a form a que era bastante prejudicial para um m em bro da elite paulista ter apoiado o golpe aborta­ do de D eodoro da Fonseca (-0,64). Experiência legislativa era claram ente útil nos es­ tados m ais ordenados de M inas Gerais e São Paulo (+0,47 e +0,62, respectivam ente), ao passo que ter sido líder da oposição era fator fortem ente negativo em Pernam buco (-0,54) — em bora não o fosse nos outros estados. Nas atividades não-políticas, a lide­ rança em um a entidade agrícola era im portante em São Paulo, mas o era duplam ente

a liderança em um a associação de advogados em Pernam buco (+0,90).

Q uanto aos laços externos, ser um exportador era útil para perm anecer na elite

em Pernam buco (+0,41),

enquanto possuir interesses em um a firma estrangeira era

im portante em São Paulo (+0,34). No tocante aos laços interestaduais, era previsivel-

m ente prejudicial para os m ineiros ter nascido fora do estado (-0,36) e, surpreenden­

tem ente, ainda mais prejudicial ter freqüentado um colégio fora de M inas (-0,57); da

das elites dos três estados, apenas ele ocupou 11 postos. Quase dois

17 Para uma análise do movimento de uma posição a outra, ver Love (1982:59-64).

Elites

regionais

91

m esm a form a, um a carreira no D istrito Federal e, especialm ente, num a agência inte­

restadual parece prejudicar os pernam bucanos (-0,38 e -1 ,0 ). Se a ocupação de

posto em outro estado ajudava os nordestinos na escalada ao “posto mais alto”, isto sugere que talvez necessitassem de ajuda externa para essa ascensão; no entanto, dei­ xar sua base estadual pode ter encurtado suas carreiras. (Esta visão é tam bém apoiada pela m uito baixa correlação de sucesso, nas duas definições, de Pernam buco em rela­

ção aos outros dois estados, como m ostrado adiante.) Em relação à educação, a formação em direito no próprio estado era im portante apenas em Pernam buco (+0,37) e um a atividade anterior com o de bacharel (no pró­ prio estado e fora dele) im portante em Pernam buco e M inas (+0,32 para ambos). Surpreendentem ente, a ausência de educação superior possuía correlação perfeitamente

negativa em São Paulo (-1,0), ainda que estatisticam ente não significante nos outros

dois estados. Quanto às ocupações, era im portante para os mineiros serem advogados para sobre­ viver na elite (+0,57); eles tinham m uito menores chances de avançar na política se fossem médicos (-0,48). Ser fazendeiro em Pernambuco era útil (+0,51). Com o já foi dito, ban­

queiros saíam-se bem nas elites paulista e mineira (+0,34 para ambos). Laços de família na mesma elite estadual eram, com o esperado, positivamente correlacionados em São Paulo (+0,37) e ainda mais em Minas Gerais (+0,53), onde qualquer laço familiar codificado (para as elites estaduais contem porâneas ou para a elite imperial) era tam bém fortemente positivo (+0,45). C ontrariam ente ao esperado, laços no interior da mesma elite estadual estavam negativamente correlacionados em Pernambuco (-0,45). Não obstante, laços fa­

miliares com a elite imperial eram úteis (+0,34) no estado do Nordeste. Assim com o para o grau de correspondência entre atributos de sucesso pelas duas

definições — mais alto posto obtido e núm ero de postos ocupados — , há considerável dispersão entre os valores das duas classificações. C ontudo, as seguintes regularidades eram observáveis: para M inas e São Paulo, a experiência legislativa era im portante em am bas as definições de sucesso, assim com o o era a liderança da associação de advoga­ dos em Pernam buco. Associação a um a firma estrangeira era im portante em São Pau­ lo, em am bos os tipos de definição, e um a experiência prévia ajudava para am bos os

um

tipos de sucesso nos outros dois estados.

Um teste para o grau de associação entre as duas definições de sucesso produziu um valor relativam ente alto: +0,53.18 Este valor é ainda superior para as am ostras de

São Paulo e M inas Gerais (+0,63 e +0,69), mas m uito mais baixo (+0,14) e estatistica­

m ente não significativo em Pernam buco. Assim, osjsernam bucanos que foram bem-

sucedidos nessas duas form as de sucesso político eram m uito m enos parecidos entre

si que o eram aqueles de São Paulo e M inas Gerais.

18 Foi usado gama.

92

Por

outra

história

das

elites

Comparações

internacionais

Nas considerações finais deste texto, explorarem os as form as pelas quais as elites

regionais brasileiras eram sim ilares ou diferentes de outras elites políticas. Este exercí­ cio é um a tentativa, pois todos &s estudos aqui levados em conta definem elite diferen­ tem ente. A m aioria das elites é nacional (em bora algumas incluam quadros executivos estaduais ou provinciais). A m aioria é de elites parlam entares, em bora algum as po u­ cas se constituam em mesclas de m em bros do Executivo, do Legislativo e de outros

g ru p o s.19 Estas com parações irão

da elite política brasileira, que é com o nos iremos referir, daqui em diante, ao grupo

am pliado das três elites estaduais. Com respeito à ocupação dos pais, o padrão brasileiro revela pais de classe média alta e de classe alta (95% ), contrastando com as elites políticas em três regimes ale­ mães (W eimar, regim e nazista e República Federal), onde os pais dos m em bros da

elite política possuíam ocupações de classe m édia baixa e de classe baixa nas seguintes proporções: 47% em 1925, 59% em 1940 e 54% em 19 5 5.20 M esm o no México de

Porfírio Diaz (1900-11), 11% dos m em bros da elite política tinham pais com ocupa­

pais de

classe baixa cresce para 17% no México revolucionário (1917-40) e para 24% na era

a elite

e senadores argentinos em

três m om entos de transição estudados por D arío C antón

tudo de C antón, nos três conjuntos de senadores e deputados, os nascidos no exterior cresceram de 10% a 53%, atingindo este percentual em 1946. Em contraste, apenas 0,6% da elite brasileira se com punha de pessoas nascidas fora do país e m enos de 4% possuíam pelo m enos um pai estrangeiro. Ambos os países tiveram a experiência de im igração de massa, mas os im igrantes na A rgentina foram mais bem -sucedidos na política, talvez em parte devido à m enor base populacional naquele país.

ções de classe baixa, com o “operário” e “cam ponês”. A parte de m em bros com

realçar o que parecem ser os contornos distintivos

pós-revolucionária brasileira pode ser

(1946-71).21 Levando em conta o nascim ento no exterior,

tam bém

contrastada com deputados

(1889, 1916 e 1946). No es­

Legisladores argentinos chegaram a altos postos mais cedo que seus pares brasi­ leiros. Em 1889, 85% dos últim os haviam ingressado no Parlam ento nacional antes

dos 40 anos e 4% tinham ocupado postos provinciais antes dos 35 anos. No estudo de C antón sobre a elite argentina, em 1889, 89% haviam ocupado postos regionais ou

19 Estes estudos são: Cantón (1966); Campo, Tezanos e Santín (1982); Daalder e Van Den

Berg (1982); Lasswell, Lerner e Rothwell (1952); Frey (1965); Higonnet e Higonnet (1969); Imaz (1970); Putnam (1976); Smith (1979); Zapf (1965).

20 Ocupações

14,5% e 16%, respectivam ente (Zapf,

de classe baixa eram, sozinhas,

1965:182).

Elites

regionais

93

federais antes dos 40 anos, com parados com 35% entre a elite brasileira. No entanto,

entre os congressistas argentinos de 1916 e 1946, a participação daqueles que ingressa­

ram na política antes dos 40 anos caiu de 69% para 41%. Ainda assim, o últim o

percentual era superior ao da elite brasileira.22

Os estudos de outras elites latino-am ericanas citados na nota 19 não oferecem dados sobre parentesco, mas as elites brasileiras não eram provavelm ente as únicas a

possuir extensas redes de relações. Robert Putnam observou que “43% dos m inistros dos gabinetes que governaram a H olanda entre 1848 e 1935 eram ligados por paren­

aproxim adam ente um sétim o dos deputados da Terceira

República francesa (1870-1940) possuía relações entre si; e (

de todos os congressistas norte-am ericanos entre 1790 e 1960 possuía parentes que tam bém haviam sido congressistas”.23 Suspeitam os que parentesco perm aneça com o

um a variável im erecidam ente negligenciada na m aioria dos estudos

Se os líderes políticos latino-am ericanos fossem tam bém proprietários de fábricas, plan­

tações ou fazendas (com o no caso de São Paulo), este fato não alteraria drasticam ente

nossa visão sobre os conflitos setoriais?24

Assim como se dá no tocante ao passado escolar, as diversas elites políticas para as

quais comparamos informações mostravam um a sobre-representação de graduados uni­

versitários em face da população em geral, num a proporção de 8 por 1 nos Estados Unidos para mais de 100 por 1 para os países subdesenvolvidos.25 A elite brasileira situa-se próxi­

ma ao final deste espectro, já que 93% de seus mem bros possuíam título universitário. A com paração de ocupações é complicada, visto que nem todos os autores utiliza­

ram m últipla codificação e que as definições eram diferentes. De qualquer form a, pro­

fissionais universitários26 predom inam em toda parte. A elite brasileira sobressai-se em

razão da alta proporção de seus membros que eram proprietários rurais ou hom ens de

tesco a outros m inistros; (

)

)

cerca de um décim o

de elites políticas.

negócios de algum tipo. O contraste é especialmente acentuado com relação à elite m e­ xicana, onde os proprietários rurais não constituíram mais que 4% e hom ens de negó­

cios alcançaram 6%, respectivam ente 25% e 34% no caso do Brasil (Sm ith dedica de fato um capítulo inteiro de seu livro à ausência de integração entre as elites econôm ica e

22 Cantón, 1966:46, 77. Recalculamos os percentuais para eliminar não-respostas e obter

um valor único para cada coorte, ponderando deputados e senadores pelo número em

cada câmara por ano em questão.

23 Putnam, 19/6:61.

24 Ver “ Topical review: the theory o f sectoral clashes" (Latin American Research Review, v. 4,

n. 3, p. 1-114, 1969).

25 Putnam , 1976:27.

26 Professionals, no original. (N. do T.)

%

94

Por

outra

história

das

elites

política). O m esm o padrão se manifesta no últim o Parlam ento da M onarquia de Julho, na França (1846-48), na qual apenas 13% dos deputados eram hom ens de negócios. De todos os deputados burgueses, apenas um décimo tinha ocupações nos negócios. Patrick e Trevor H igonnet com entam que “estes últim os núm eros são surpreendentem ente bai­

xos para um regime que era (.*.) descrito por M arx e Tocqueville com o um a sociedade

anônim a governando m uitos com vistas

a

grande m aioria não possuía ligação direta com o m undo dos negócios”.27 Duas outras elites parlam entares para as quais dispom os de dados ocupacionais são as câm aras de deputados da Espanha e dos Países Baixos. Em sete parlam entos espanhóis, 1879-1979, “em presário” e “fazendeiros”, os dois únicos grupos p roprietá­

rios identificados no estudo desta elite, representavam juntos, em m édia, 18% do total dos m em bros. Na câm ara holandesa dos anos 1848-1967, a média em quatro períodos

(definidos pela extensão do sufrágio) era de 11%.28 Talvez o mais curioso de todos seja o caso da elite política dos Estados Unidos (1877-

1934), consistindo no presidente, vice-presidente e mem bros do gabinete, dos quais 13%

eram hom ens de negócios e 2% proprietários rurais. Putnam observa, sobre as lideranças

nacionais norte-am ericanas

cios (ou filhos de hom ens de negócios) que ingressaram na elite política se manteve relati­ vamente pequena e não se modificou essencialmente ao longo do período no qual a Amé­ rica passou de um a sociedade predom inantem ente agrícola para um a sociedade predom i­ nantem ente industrial”.29 Esses dados estão em aparente contradição com um estudo an­

terior, sobre os membros do gabinete dos Estados Unidos, no qual a maioria era identificada

como de empresários durante o período 1889-1949. De qualquer forma, este últim o estu­

do m ostra que profissionais, mais do que proprietários, dom inaram mesmo nas elites go­ vernamentais (gabinetes nacionais) do Reino Unido, França e Alemanha.30

Se excetuarm os as constatações conflitantes relativas à elite de definição mais res­ trita que é esta dos Estados Unidos (isto é, um a elite exclusivam ente do Executivo), o baixo nível de participação dos proprietários é notável em toda parte, à exceção do

Brasil. A única elite que se aproxim a à do Brasil no concernente à participação de

proprietários é a da Argentina. Eram proprietários entre 24% e 45% dos parlam enta­

res argentinos nos três estudos

meros ainda são inferiores em um terço ao resultado brasileiro de 47%. O estudo de José Luis de Im az sobre a elite argentina inclui em presários em suas “equipes gover­

à vantagem m aterial de alguns poucos (

)

no período 1790-1940, que “a proporção de hom ens de negó­

de C antón, com a m édia ponderada

de 31%. Estes n ú ­

27 Higonnet e Higonnet, 1969:132.

28 Campo, Tezanos e Santín (1982:129); Daalder e Van Den Berg (1982:225, 227).

29 Putnam , 1976:188.

30 Lasswell, Lerner e Rothwell, 1952:30.

Elites

regionais

95

nantes” que, presum ivelm ente, incluem tam bém os proprietários de terra. Empresários constituíram entre 8% e 16% das equipes de 1936, 1941 e 1946, caíram em 1951 e subiram , então, para 24% e 32% nas equipes de 1956 e 1961.31

mais am plam ente penetrada pelos

proprietários do que foram outras elites. Ainda que não haja tendência de predom ínio

de proprietários nas elites políticas ocidentais, as pesquisas não provaram definitiva­ mente sua não-representatividade. A literatura m ostra que as elites políticas tendem igual­ m ente a ser form adas por profissionais de origem relativamente privilegiada, ligados a proprietários através de laços econômicos e sociais, ou ser form adas (em m enor núm e­

ro) pelos proprietários eles m esm os.32 Com o

buir im portância considerável à composição social da elite do Estado em países capita­ listas avançados reside na forte suposição de que esta influencia seus pontos de vista, suas disposições ideológicas e suas tendências políticas”.33 Esta afirm ação parece em prin­ cípio válida para a elite brasileira, que m anifestam ente não se sentia m uito pressionada para representar os interesses das classes trabalhadoras do cam po e da cidade, isso para não citar outros grupos excluídos — não-brancos, mulheres e imigrantes. Para ser claro, nossa descoberta sobre a relativam ente elevada participação de pro­ prietários no Brasil deve ser percebida com o aproxim ada. A codificação profissional m últipla no caso de algum as elites (incluindo a brasileira) aponta para percentuais maiores que a codificação simples. Os dados de Putnam , para os Estados Unidos, e de

Smith, para o México, eram , quanto à ocupação, codificados apenas no m om ento de entrar na elite, e as definições ocupacionais não eram idênticas. A elite brasileira pos­

sui m aior proporção de paulistas do que realm ente haveria em um estudo nacional, ainda que M inas Gerais e m esm o Pernambuco apresentem um a participação relativa­

m ente am pla de proprietários. Paulistas e m ineiros pesaram mais no processo político do que indica o seu núm ero de m inistros e presidentes. Não obstante, dentro destes limites, o fato de o Brasil sobressair-se em relação ao grau de ocupação de posições políticas pelos proprietários tende a levantar dúvidas — ao menos no que é concernente aos anos estudados — quanto à tão propalada hipótese da “relativa autonom ia” do

Estado brasileiro em face dos interesses econôm icos.34

Assim, a elite política

brasileira parece ter sido

afirma Ralph M iliband,“a razão para atri­

31 Imaz, 1970:27.

32 Nagle (1977:233, 248-49); Miliband (1969:66).

33 M ilib a n d , 1969:68.

34 Sobre a idéia da “relativa autonom ia” no Brasil, ver Faoro (1975). Sobre o período em

análise, conferir Pont (1987). Para a literatura sobre a “relativa autonom ia” em outros períodos da história brasileira e o argumento de que as políticas do Estado favoreceram interesses econômicos representados no governo, ver Love e Barickman (1986), e a réplica de Joseph Love a Maurício Font (Love, 1989).

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