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Versão preliminar Linfangites e Erisipelas Merisa Garrido

Linfangites e Erisipelas

Merisa Braga de Miguez Garrido

INTRODUÇÂO
Descritas desde a antiguidade, com base nos
relatos da Bíblia (doença de Jó), nas da
Mesopotâmia e com referência também
longínqua, nos de Tucídides, historiador
grego, quando da guerra do Peloponeso, estas
doenças não são até hoje muito estudadas,
apesar de serem freqüentes,1 sobretudo nos
países tropicais e nas camadas menos
favorecidas da população.
Na conceituação atual, linfangites são
processos inflamatórios e/ou infecciosos que
atingem vias linfáticas e por elas são
propagadas. De acordo com o agente
desencadeante, podemos classificá-las
(Quadro 1), considerando porém que a forma
infecciosa é a mais comum.2

Figura 1 - Linfangite de membro superior, devido a


injeção de droga; paciente toxicômano.

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Versão preliminar Linfangites e Erisipelas Merisa Garrido

Quadro 1. Etiologia As manifestações mais exuberantes das


Iatrogênicos
Não Cortes,
linfangites são observadas nos processos
Traumas
Iatrogênicos contusões, infecciosos, como nas erisipelas e nas
abrasões
Agentes
Queimaduras Pelo frio ou calor
linfangites necrotizantes. Nestas últimas há
físicos
sempre associação de germens,2,8,9 mas o
Irradiações Raios roentgen,
estreptococo está sempre no fulcro do
cobaltoterapia, laserterapia problema.
Drogas Imunossupressora,
quimioterapicas, injeção
Agentes abusiva de drogas por
químicos toxicômano
Venenos Parathion
Outros Silício, alumínio, ferro
Bactérias Gram-positivas, gram-
negativas
Vírus Da orofaringe
Fungos Sporotricum sckenkii,
Agentes
Candida albicans
biológicos
Outros Carcinomatose (metástases
cutâneasde infecção
aguda), Lupus, Artrite
reumatóide

As linfangites podem atingir vasos


superficiais e profundos, embora o
comprometimento destes últimos seja pouco
freqüente. Nos vasos superficiais, as lesões
cutâneas aparecem como estrias vermelhas de
largura variável, em direção centrípeta, que
se estendem até os linfonodos,3 produzindo o
seu entumescimento, ou seja, a adenite.
A erisipela é a linfangite infecciosa
caracterizada pelo comprometimento da pele
que apresenta eritema circinado, de rápida
disseminação por via linfática, a partir dos
Figura 2 - Vários agentes podem desencadear linfangite
capilares, atingindo também os linfonodos. O
ou erisipela, mas o estreptococos é a mais freqüente
agente2,4,5,6 é na maioria das vezes o bactéria responsável.
Streptococcus pyogenes - o beta hemolítico A
A infecção tem como porta de entrada uma
de Lancefield, mas pode ser também o B, o C
solução de continuidade da pele: ferimento,
e o G. Linfangites podem evoluir com poucos
arranhadura de gato, úlcera e, mais
sintomas, sendo apenas evidentes as
comumente2,3 uma micose interdigital. A
manifestações cutâneas. Isto ocorre não só
infecção pode, ainda, ser devida à lesão
nas linfangites não infecciosas, mas também
iatrogênica, decorrente de retirada da veia
nas erisipelas de repetição dos idosos ou
safena para revascularização de miocárdio ou
imunodeprimidos, devido ao comprometimento
de membros.
das funções do sistema linfático.
Não se pode esquecer que o sistema linfático
é responsável pela produção de anticorpos
(linfócitos B), tem funções imunológicas
(linfócitos T) e fagocitárias (células retículo-
endoteliais) presentes nos linfonodos. É ainda
o caminho de transporte de gorduras e
macromoléculas7 absorvidas do líquido
intersticial.

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DIAGNÓSTICO
CEFALÉIA
CALAFRIOS
NÁUSEAS
SINAIS
VÔMITOS
PROSTAÇÃO
DOR 40º EDEMA
ERITEMA
ADENITE
Figura 3 - Erisipela em perna com síndrome pós- BOLHAS
trombótica; a úlcera deve ter sido a porta de entrada
SINTOMAS FLICTENAS
para a infecção. DESCAMAÇÃO
Quadro 2 – Diagnóstico.

Figura 5 – Eritema.

Figura 4 - Micose interdigital (foto de Amélio Pinto-


Ribeiro).

DIAGNÓSTICO
Sintetizados no quadro 2 estão os sintomas e
as reações cutâneas que caracterizam a
doença; os sintomas são comuns às doenças Figura 6 - Eritema e eczema.
infecciosas, mas como precedem às
manifestações dérmicas, o próprio paciente,
nas recidivas, já diagnostica o surto de
erisipela, antes que apareçam os sinais na
pele. São, pois os sinais que firmam o
diagnóstico, que os sintomas apenas
permitem suspeitar.

Figura 7 - Edema e flictenas.

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EXAMES COMPLEMENTARES complicações, tais como: necroses, úlceras,


Não são necessários ao diagnóstico, mas úteis supurações, abscesso, fleimão, osteomielite;
para o acompanhamento da evolução da levando até o paciente ao êxito letal.
doença.
O hemograma e o VHS de simples realização
têm aqui sua indicação.

Figura 10 - Necrose de epiderme.

Figura 11 - Edema e necrose cutânea.

Figura 12 – Ulceração.

Figura 8 - Fase de descamação.

Figura 13 – Abscesso.

Figura 9 - Outro aspecto de descamação.

Evolução – Complicações
No decorrer de dias ou semanas o processo
infeccioso pode ceder, mesmo sem
tratamento, mas também pode evoluir com

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ocorrência do linfedema que é uma doença


invalidante.

LINFEDEMAS

15%
1
2
85%
Figura 14 – Mesma paciente da figura anterior, após a
cura; observe-se o desaparecimento do edema e a
1 - poslinfangíticos
cicatriz da incisão de drenagem.
2 - outras

Gráfico 1 – Distribuição dos linfemas quando a origem.

CRONIFICAÇÃO
CRONIFICAÇÃODO
DOPROCESSO
PROCESSOINFLAMATÓRIO
INFLAMATÓRIO

LINFANGITES
LINFANGITES

FATOR
FATOR

DESENCADEANTE
DESENCADEANTE TROMBOSE
TROMBOSE

EE
OBSTRUÇÃO
OBSTRUÇÃOLINFÁTICA
LINFÁTICA
AGRAVANTE
AGRAVANTE

DE
DE
LINFEDEMAS
LINFEDEMAS

Quadro 4 – Cronificação do processo inflamatório.

ERISIPELAS
ERISIPELAS
STREPTOCOCCUS PYOGENES

PROBLEMAS
PROBABILIDADE DE REINFECÇÃO
LINFANGITE
RESISTÊNCIA
NÃO CONFERE IMUNIDADE
ER BACTERIANA
Figura 15 - Imagem radiológica de osteomielite em
paciente portador de linfangite de repetição.

A doença não confere imunidade. As recidivas


são freqüentes e produzem a cronificação do LINFANGITE
LINFANGITES DEDE REPETIÇÃO
REPETIÇÃO
processo inflamatório.
Quadro 3 – Problemas associados as erisipelas.
O exudato de proteínas, fibrina, elementos
figurados, bem como lesões endoteliais que
conduzem a trombose troncular linfática,
acabam levando ao linfedema.10,11 Cerca de
85% dos linfedemas devem-se à linfangite de
repetição (gráfico 1). Daí a importância
médica e social do tratamento precoce e
correto das linfangites; evitando-se as
recidivas, conseqüentemente previne-se a

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TRATAMENTO
Depende do agente. Aqui será focalizado
apenas o tratamento dos processos
infecciosos, por serem os mais freqüentes
(quadro VI).
Quadro VI – Tratamento
GERAL – Repouso No leito, com
de acordo elevação do membro
com o afetado
quadro Febre – dor Antipiréticos,
16 - Linfedema após sucessivas crises de erisipela.
clínico Analgésicos
As linfangites e sobretudo as erisipelas Náuseas – vômitos – Hidratação,
atingem com mais freqüência os membros diarréia Medicação
sintomática
inferiores.
Eritema – prurido Antiistamínicos
Edema – processo Antinflamatórios,
inflamatório Corticóides
ERISIPELAS Infecção Antibióticos
Restauração do Linfocinéticos,
LOCALIZAÇÃO % fluxo Anticoagulantes
Profilático Antibioticoterapia
prolongada, Vacinas
MEMBROS INFERIORES 87 , 4
LOCAL Tratamento da pele
FACE 7,2 Tratamento da porta de entrada

TRONCO 2,9
Os antibióticos são imprescindíveis na
MEMBROS SUPERIORES 2 ,5 vigência de erisipela e de linfangites
Apud ZAEGEL R 12
necrotizantes.
Para o tratamento da erisipela, considerando-
Quadro V - Diagnóstico diferencial se o estreptococos como o agente responsável
Achados Tromboses venosas Linfangites pelo desencadearmento da doença, a primeira
Superfici Profun Superfic Profundas escolha é a penicilina G,13 prescrita do
ais das iais
seguinte modo: PENICILINA BENZATINA –
Lesão de Eventual - Freqüen Eventual
inoculação te na dose de 1.200.000 UI, com intervalos de
Calafrios - Eventu Freqüen Freqüent três a cinco dias.
al te e
Importante, ao prescrevê-la, é a
Febre rara < 38o C > 38o C > 38o C
Dor No Difuso Difuso Difuso
recomendação de injetá-la na região glútea;
trajeto injeção no deltóide pode ocasionar gangrena
Edema No Difuso Difuso Difuso dos dedos da mão; o líquido, alcançando uma
trajeto das artérias circunflexas que contornam o
Eritema No - Difuso Eventual
colo do úmero, segue a direção da artéria
trajeto ou linear
Adenite - - presente presente umeral, produzindo obstrução distal. Deve-se
Pele casca - - Freqüen - testar a sensibilidade do paciente à droga, a
de laranja te fim de evitar-se choque letal.
Cordão presente - - -
palpável
Vesículas - Nas Freqüen -
ou bolhas maciças te
Recidiva Freqüent Eventu Freqüen -
e al te

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Em casos de impossibilidade de prescrição da


penicilina, outros antibióticos servem ao
tratamento: Lincomicina – em doses de 600
mg, IM, de 12 em 12 horas, ou por via oral
500 mg de 8 em 8 horas. Em condições de
gravidade faz-se opção pela via endovenosa
de 600 mg do produto, a cada 8 ou 12 horas,
Figura 17 – Acidente por injeção de penicilina: gangrena em infusão de água destilada, soro fisiológico,
de dedos.
ou glicose a 5%.
Os bacteriostáticos também podem ser
usados: Eritromicina - em doses de 250 mg a
cada 6 horas, por via oral. Sulfa (800 mg),
associada ao Trimetropin (160 mg), prescrito
de 12 em 12 horas. É contra-indicado seu uso
em pacientes portadores de grave
insuficiência renal ou hepática. O período de
uso da medicação depende do controle da
infecção e das reações adversas.
Tratamento Local
A área afetada é tratada basicamente, com
medicação que se resume em anti-sépticos ou
cremes com antibióticos. Toda atenção é
necessária às reações alérgicas que certos
Figura 18– Desenho esquemático mostrando o mecanismo produtos algumas vezes desencadeiam.
da obstrução das artérias digitais por cristais de
Banhos com permaganato de potássio na
penicilina: a)artéria axilar; c) artéria circunflexa; d)
músculo deltóide; h) úmero; o) omoplata; cl) clavícula; co) concentração de 1/20.000, duas vezes ao dia,
costelas. A seta indica a direção do fluxo sanguíneo que são aconselháveis; concentrações mais fortes
se inverte, no nível da artéria circunflexa, pela pressão são irritantes e não aumentam seu poder anti-
da injeção de penicilina, levando os cristais à parte distal
séptico,2,13 como pensa o leigo.
do membro.
Creme de corticóide com gentamicina também
O tratamento pode ser feito
tem sua indicação.
ambulatorialmente, mas nos casos graves
impõe-se a internação hospitalar, e nesta A drenagem de bolhas é indicada somente
eventualidade a medicação é ministrada por quando seu conteúdo for de líquido não
via endovenosa: emprega-se a Penicilina G transparente; então, faz-se ressecção de
procaína cristalina em doses de 2.000.000 UI toda a epiderme descolada; na superfície
a 5.000.000 UI de quatro em quatro horas. cruenta aplica-se pomada de colagenase.
A drenagem de coleção purulenta deve ser
1ª ampla,14 colhendo-se material para cultura e
TRATAMENTO antibiograma de modo a modificar, se
necessária, a prescrição de antibiótico.
ESCOLHA Da porta de Entrada
CUIDADOS A porta de entrada mais comum é a micose
TESTAR SENSIBILIDADE interdigital. Tratá-la não significa apenas
APLICAR NAS NÁDEGAS
cuidar do surto do momento, mas prevenir
CASOS GRAVES
Penicilina Cristalina recidivas.2,8,15,16,17
ENDOVENOSA

PENICILINA BENZATINA O uso de antifúngicos é pois imprescindível. A


solução de violeta de genciana a 1/25.000, de
Quadro 7 – Tratamento.

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baixíssimo custo, representa excelente debilidade do hospedeiro, alastra-se aos


recurso terapêutico, a despeito de seu tecidos subjacentes.
desagradável aspecto estético: a coloração Nunca é demasiado lembrar que a maioria dos
roxa com que tinge a pele e as meias. doentes associam fatores predisponentes a
Tratamento Profilático baixa imunidade: idade avançada, obesidade, e
Conforme foi dito, a doença não confere doenças como diabetes, síndrome
imunidade ao indivíduo.18 O uso prolongado de postrombótica, arterioclerose, insuficiência
antibióticos16,,18,19,20 e quimioterápicos é cárdio-respiratória ou renal, lupus, câncer e
considerado o melhor tratamento para evitar- AIDS.
se recidivas. As opções para profilaxia são:
VARIANTES NA EVOLUÇÃO
a) penicilina benzatina na dose de 1.200.000
IDADE
UI a cada 20 dias, durante um ano. Nossa OBESIDADE
experiência com este procedimento2,8,21 é ESTADO NUTRICIONAL
muito boa e coincide com a de outros IMUNODEPRESSÃO IMUNODEPMIDOS

autores.16,17,18 DOENÇAS ASSOCIADAS: DIABETES


b) SULFA 400 mg + TRIMETROPIN 80 mg, ICR / IR
AEO
durante uma semana em cada mês. SPT
c) VACINAS, imunoparvum – solução de LUPUS
CÂNCER
células mortas de Corynebacterium AIDS
parvum, 4 mg intramuscular a cada sete
dias durante cinco semanas; após este Quadro 8.
período,22 passa-se a administrá-la uma A obesidade favorece a porta de entrada
vez ao mês, durante cinco meses. especialmente nos sulcos sub-glúteo ou
Linfangites Necrotizantes inguino-crural, dobras de pele macerada onde
facilmente se instalam micoses.
No consenso estabelecido na França por
várias Sociedades Científicas através de seus A Etipatogenia e Fisiopatologia estão
representantes e muitos outros esperts, de sintetizadas no quadro 9
acordo com a metodologia estabelecida pela
Agência Nacional de Acreditação e de ETIOPATOGENIA
ETIOPATOGENIA
Avaliação de Saúde deste país, foram ASSOCIAÇÃO
ASSOCIAÇÃO DEDE BACTÉRIAS
BACTÉRIAS
estabelecidos critérios a respeito do assunto. GRAM
GRAM POSITIVAS
POSITIVAS EE NEGATIVAS
NEGATIVAS
EE FUNGOS
FUNGOS
Houve entendimento quanto aos conceitos de
erisipela e fasciite necrosante, firmando-se a
idéia de que o comprometimento da FISIOPATOLOGIA
FISIOPATOLOGIA
ASSOCIAÇÃO
ASSOCIAÇÃO DE
DE INFECÇÃO
INFECÇÃO EE
aponeurose e tecidos subjacentes eram COAGULOPATIA
COAGULOPATIA DE
DE CONSUMO
CONSUMO
características desta última entidade LIBERAÇÃO
LIBERAÇÃODEDETOXINAS
TOXINAS
AÇÃO
AÇÃO SOBRE
SOBREOOSISTEMA
SISTEMAFIBRINOLÍTICO
nosológica, refutando-se a conceituação de LIBERAÇÃO
LIBERAÇÃODEDEENZIMAS
FIBRINOLÍTICO
ENZIMAS PROTEOLÍTICAS
PROTEOLÍTICAS
que fosse complicação de erisipela. 22
A nosso ver este é um dos aspectos mais
Quadro 9.
importantes a diferenciá-las das erisipelas,
além da própria evolução do processo
infeccioso.
Preferimsmo a designação de linfangites
necrotizantes a terminologia clássica de
fasciite necrosante, porque pensamos ser a
via linfática a disseminadora inicial do
processo que, por virulência do agressor ou

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QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO


É clínico, mas alguns exames podem e deve,
QUADRO
QUADRO CLÍNICO
CLÍNICO ser pedido. Curiosamente, talvez pelas
condições imunológicas do paciente, há uma
surpreendente leucopenia na fase inicial,
TEMPERATURA
TEMPERATURA >>40º
40º
GERAL VÔMITOS
VÔMITOS INCOERCÍVEIS
INCOERCÍVEIS elevando-se os leucócitos, com acentuada
DORES
DORESGENERALIZADAS
MAL
GENERALIZADAS eosinofilia a medida que se desenvolve
MAL ESTAR
ESTAR
PROSTAÇÃO
PROSTAÇÃO melhora clínica.
CONFUSÃO
CONFUSÃOMENTAL
MENTAL
Anti-estreptolisina (ASO), anti-
desoxirribonuclease B (ADB), anti-
INFECÇÃO DE GRAVE TOXICIDADE hialuronidase (AHT) mantêm-se elevadas por
tempo muito além da cura clínica.
Creatininofosquinase (CPK) costuma estar
Quadro 10.
elevada, quando há necrose muscular.
Sua sintomatologia, embora semelhante a das
Dada a baixa nutricional, comum nestes
erisipelas é mais ruidosa, vômitos incoercíveis
pacientes, observa-se hipolbuminemia e
e desidratação e temperatura acima de 40º, e
hipoferritinemia. 23
alem de dores acentuadas, embora possa
cursar apenas com febrícula. A confusão Cultura de secreções purulentas devem ser
mental é de prognóstico sombrio, indício da feitas, embora até no sangue, em casos de
virulência dos agentes microbianos e da grave bacteremia possa ser negativa, ainda com uso
toxicidade das reações por eles de técnica de imunofluorescência.
desencadeadas. Mascara outros sintomas; às Contudo podem auxiliar na terapêutica,
vezes o paciente parece estar anestesiado, embora não se deva postergar o uso de
não se queixa de dores. resultados laboratoriais.
O desenrolar da infecção na região acometida
dá-se de modo anárquico, alterando áreas de EXAMES
EXAMES COMPLEMENTARES
COMPLEMENTARES
ulcerações com outras de cianose ou palidês HEMOGRAMA
HEMOGRAMA
ou outras de bolhas e eritema. VHS
VHS
ASO
ASO >>400
400
O polimorfismo é tal e de modo ADB
ADB>>400
400
AHT > 128
AHT > 128
extraordinariamente rápido a infecção se PCR
PCR20mg
20mg/dl/dl
HIPOPROTEINEMIA
propaga ás estruturas sub-dérmicas, que logo HIPOPROTEINEMIA
HIPOFERRITINEMIA
HIPOFERRITINEMIA
se instala a necrose. TTPA-
TTPA-TP-
TP-TCA
TCA
PLAQUETAS
PLAQUETAS CPK
CPK
CULTURA
CULTURA
QUADRO
QUADRO CLÍNICO
CLÍNICO
SINAIS MAL DELIMITADOS
Quadro 12.
LOCAL ERITEMA
ERITEMAEEEDEMA
EDEMA TRATAMENTO
ÁREAS
ÁREAS DE
DECIANOSE
CIANOSEEEPALIDEZ
PALIDEZ
EQUIMOS ES
EQUIMOS ES Obrigatoriamente feito com o paciente
BOLHAS
BOLHAS
ULCERAÇÕES
internado e monitorizado quanto as suas
ULCERAÇÕES
funções vitais.
Nas linfangites necrotizantes há associação
RÁPIDA EVOLUÇÃO PARA NECROSE
de Gram-negativos (Pseudomonas, Proteus,
Klebisielas etc.), de outros Gram-positivos
Quadro 11. (Estafilococos) e de fungos (Cândida). É
difícil, muitas vezes, identificar o agente ou
agentes microbianos.

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É conveniente fazer-se com a Penicilina, A conduta terapêutica pode ser resumida nos
prescrição simultânea de: Gentamicina 60 ou quadros 13 e 14.
80 mg, intramuscular ou endovenosa, de 8 em
8 horas, de acordo com a gravidade do caso, TRATAMENTO
TRATAMENTO
por período de 7 a 10 dias, observando-se a
função renal. Amoxicilina, oxacilina,
cefafalosporinas, clindamicina, ou MONITORARIZACÃO
MONITORARIZACÃO
GERAL SUPORTE
ciprofloxacina podem também ser utilizadas. SUPORTENUTRICIONAL
NUTRICIONAL
ANTIBIÓTICOS
ANTIBIÓTICOS ENDOVENOSOS
ENDOVENOSOS
Na eventualidade de obter-se material que METRONIDAZOL
METRONIDAZOL
CORTICÓIDES
CORTICÓIDES
permita cultura, o antibiograma orienta o HEPARINA
HEPARINA
tratamento.
Outros medicamentos também podem ser INTERNAÇÃO OBRIGATÓRIA
utilizados:
a) metronidazol, 500 mg em solução Quadro 13.
endovenosa a cada 8 horas, faz parte do
arsenal terapêutico, principalmente em
casos graves, ou quando houver
TRATAMENTO
TRATAMENTO
associação de fungos.
b) corticóides – são utilizados, uma vez já
LOCAL DESBRIDAMENTOS
DESBRIDAMENTOS
iniciada a antibioticoterapia há pelo SUCESSIVOS
SUCESSIVOS
menos dois dias. É recurso de valia,5 mas OXIGENAÇÃO
OXIGENAÇÃO HIPERBÁRICA
HIPERBÁRICA
ENXERTIA
ENXERTIA CUTÂNEA
de administração cautelosa, observando- CUTÂNEA
se a evolução do quadro clínico, pois
algumas vezes interfere na resistência CURATIVOS COM MEMBRACEL
bacteriana, ou pode aumentar o risco de
insuficiência renal ou falência cardíaca,
em pacientes idosos ou com Quadro 14.
antecedentes. Em imunodeprimidos, A companhamos a evolução de uma paciente
tanto quanto em diabéticos, os cuidados tratada por oxigenação hiperbárica, cujo
devem ser redobrados4,8,20 e não raro há emprego é reconhecido como indicação quase
contra-indicação. A principal vantagem de que absoluta, mas de difícil acesso.
seu emprego é a ação no processo
Evidentemente que poucos pacientes
trombolinfangítico, favorecendo a
estudados nas várias séries que são relatadas
desobstrução dos vasos linfáticos.
na literatura não permitem conclusões
c) heparina – em doses endovenosas abalizadas. No caso acima mencionado a
semelhantes às utilizadas para o linfangite ocorreu em paciente diabético após
tratamento da trombose venosa profunda revascularização com safena in situ e o
deve ser prescrita com rigoroso controle paciente foi a óbito.
laboratorial, devido à administração
A enxertia cutânea é utilizada nas linfangites
simultânea de antibióticos e de
necrotizantes com grande perda de cobertura
analgésicos. A dose deve ser ajustada ao
cutânea; nestes casos procede-se à enxertia
caso. Atua na trombolinfangite, conforme
de pele retirada do membro contralateral, ou
opinião de vários autores.5,9,24
superior. Tal procedimento é feito na fase de
Concomitantemente às prescrições granulação, permitindo maior rapidez na
medicamentosas, de combate á infecção, e ao cicatrização e evitando reinfecções da área
choque ou de suporte nutricional faz-se cruenta. Usam-se retalhos de espessura
necessário sucessivos desbridamentos das mínima, retirados com dermátomo ou mesmo
áreas necrosadas. com navalha. A face externa dos enxertos é

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posta em contato com gase vaselinada, de


modo que fique bem estirada; a face oposta é
colocada sobre a área receptora, previamente
avivada, permitindo boa aderência do enxerto.
Não há necessidade de pontos de sutura.25 Ao
fim de cinco a oito dias obtem-se o resultado
desejado.

Figura 23 - Enxertos apostos na área cruenta.


Figura 19 - Linfangite necrotizante na fase aguda.
A enxertia cutânea foi por nós utilizada em
vários casos e recentemente, em uma única
vez, tivemos oportunidade de recobrir a área
de granulação com membranas de celulose
porosas deisdratadas (membracel), 26 que
permitiram excelente cicatrização. Valeria a
pena seu uso em outros casos e avaliar-se o
Figura 20 - Mesmo caso na fase de granulação.
beneficio deste curativo, do qual já temos
experiência em numerosos portadores de
úlcera venosa.
LINFAGITES IATROGÊNICAS
É Conveniente chamar-se á atenção para
problemas decorrentes de atos médicos,
relatados na literatura e que todos nós vemos
na prática diária. Referimo-nos ás lesões
linfáticas que são observadas após
revascularizações do miocárdio e, até mesmo
de membros inferiores. Decorrem de
Figura 21 - Retirada do enxerto da área doadora.
desatenção no exame do membro doador da
safena a servir como enxerto. Muitas vezes
passam despercebidas lesões micóticas
interdigitais, responsáveis por um surto
erisipeloso no pós-operatório. Outras o
descuido dá-se na própria retirada da safena,
trazendo comprometimento linfático, por
exérese de linfonodos, com linfangites ou
mesmo linfedema subseqüentes. 27
Na primeira condição posterga-se a alta
hospitalar e deve-se instituir toda a
Figura 22 - Enxerto colocado na gase; veja-se a programação terapêutica e profilática da
transparência do retalho a demonstrar sua fina
doença; na segunda, além disto é necessária a
espessura.
instituição de fisioterapia adequada,
compresão elástica e medicação linfocinética.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS e, conseqüentemente, o linfedema e a


De tudo o que foi exposto, o principal fato a invalidez.
reter na memória diz respeito à profilaxia, no
que uma campanha educacional visando o
cuidado com a higiene dos pés, muito
benefício traria não somente à população, mas
aos custos com a saúde, bem como o reflexo
na economia, indiretamente representado pelo
absenteísmo ao trabalho, ás aposentadorias
precoces, etc...
Por outro lado, é mister salientar a
responsabilidade médica nas linfangites
iatrogênicas e chamar a atenção para o
problema freqüente, mas nem sempre de boa
solução terapêutica. As recidivas são comuns

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Versão prévia publicada:


Nenhuma
Conflito de interesse:
Nenhum declarado.
Fontes de fomento:
Nenhuma declarada.
Data da última modificação:
25 de novembro de 2002.
Como citar este capítulo:
Garrido MBM. Linfangites e erisipelas. in: Pitta GBB,
Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular:
guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL; 2000.

Sobre a autora:

Merisa Braga de Miguez Garrido


Livre Docente pela Universidade Federal Fluminense
Sócio Emérito da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular
Membre d' Honneur du Collège Français de Pathologie Vasculaire
Membro Honorário da Academia Brasileira de Medicina Militar
Membro Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Endereço para correspondência:


Merisa Braga de Migueis Garrido
Av. Copacabana 1424, Apto 902
22070-010 Rio de Janeiro - RJ.
Fax: +21 523 4272
E-mail: guilhermepitta@lava.med.br

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