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O DIRIETO DAS EMPRESAS EM CRISE

A empresa representa, juridicamente, uma atividade econômica organizada para


a produção ou circulação de bens ou serviços para o mercado.

Ela representa a maior parte das atividades que fazem parte da economia
moderna e delimita o âmbito de atuação do direito empresarial.

Este, ao disciplinar a atividade empresarial e os diversos atos nos quais ela se


concretiza, disciplina também a empresa em crise.

CRISES

1. CRISE DE RIGIDEZ

A crise de rigidez ocorre quando a atividade não se adapta ao ambiente externo,


demonstrando uma incapacidade de reação em face de mudanças.

A evolução da economia moderna exige certa flexibilidade, cuja ausência pode


representar problemas sérios para a atividade empresarial, inclusive a geração de novas
crises.

Ela tem origem normalmente em causas externas ao empresário (evolução


tecnológica, mudança de hábitos e gostos, a globalização, a mudança dos custos do
trabalho e das matérias primas, a concorrência e a ineficiência do sistema fiscal).

2. CRISE DE EFICIÊNCIA

De outro lado, as crises de eficiência se manifestam quando uma ou mais áreas


da gestão empresarial operam com rendimentos que não são compatíveis com a sua
potencialidade, isto é, rendem menos do que poderiam render.

Há também a possibilidade de tal crise advir de conflitos pessoais entre sócios,


administradores

3. CRISE ECONÔMICA
A a atividade tem rendimentos menores do que seus custos, isto é, trabalha no
prejuízo. Ela, a princípio, só interessa ao próprio empresário, porém, seus
desdobramentos podem gerar outras crises que afetam outros sujeitos.

4. CRISE FINANCEIRA

A crise financeira é “a constante incapacidade de a empresa fazer frente às


próprias dívidas, com os recursos financeiros à disposição”.

Trata-se de uma crise de liquidez, que inviabiliza o pagamento dos


compromissos do dia a dia.

5. CRISE PATRIMONIAL

Por fim, há a crise patrimonial, que representa o patrimônio insuficiente para


arcar com as dívidas, vale dizer, “a insuficiência de bens no ativo para atender a
satisfação do passivo”, isto é, trata-se da insolvência, em seu sentido mais econômico.

Tal crise pode gerar algumas preocupações, na medida em que pode aumentar o
risco de crédito.

SOLUÇÕES

As crises sempre afetam os interesses do exercente da atividade, mas nem todas


afetam outros interesses (credores, fisco, trabalhadores, comunidade...).

Aquelas que afetam apenas os interesses do empresário não ensejam maiores


preocupações do ordenamento jurídico, uma vez que devem ser solucionadas
internamente.

Aquelas que podem afetar interesses de terceiros ensejam grande preocupação


do mercado e do aparato estatal.

As crises de rigidez e de ineficiência, embora relevantes, não chegam a suscitar,


por si só, uma resposta do mercado ou uma resposta estatal para a crise.

1) SOLUÇÃO DE MERCADO
Pelos efeitos perniciosos que as crises econômicas, financeiras e patrimoniais
podem gerar, há a tendência de se buscar soluções para essas crises. Tais soluções, a
princípio, deveriam decorrer da própria atuação do mercado, isto é, sem a intervenção
estatal.

• Aquisição de ativos,
• Trespasse de estabelecimento
• Incorporação de sociedade
• Aquisição de controle.

Diante da impossibilidade da solução do mercado, o aparato estatal oferece


novas respostas a tais crises.

2) SOLUÇÃO ESTATAL

Como visto, as crises da empresa são perniciosas para a própria economia de um


país e, por isso, o próprio aparato estatal deve fornecer meios de superação dessas
crises, para proteger a própria economia do país.

Tais soluções estatais, a princípio, terão lugar apenas na impossibilidade de uso


das soluções do para superar as crises pelas quais passa a empresa.

O ordenamento jurídico brasileiro fornece duas soluções gerais: a recuperação


judicial e a recuperação extrajudicial. (Há a atuação do Poder Judiciário, não como
sujeito responsável pela reestruturação da atividade, mas como um sujeito que vai
acompanhar a aplicação dos procedimentos legalmente previstos).

A recuperação judicial, por definição legal, tem por objetivo “viabilizar a


superação da situação de crise econômico/financeira do devedor, a fim de permitir a
manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos
credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo
à atividade econômica” (Lei no 11.101/2005 – art. 47).

3) EMPRESAS NÃO RECUPERÁVEIS

Tais meios de solução das crises não são garantias da sua superação, mas apenas
tentativas de resolver os problemas. Contudo, a experiência nos mostra que, em muitos
casos, a crise não poderá ser superada. Diante disso, não há outro caminho a não ser o
da liquidação patrimonial, porquanto, se tal liquidação não ocorrer, a manutenção de
uma empresa inviável no mercado pode gerar prejuízos ainda maiores.
Fábio Ulhoa Coelho afirma, com razão, que “quando o aparato estatal é utilizado
para garantir a permanência de empresas insolventes inviáveis, opera-se uma inversão
inaceitável: o risco da atividade empresarial transfere-se do empresário para os seus
credores”.

Além do regime geral da falência, as mesmas atividades que ensejam maior


preocupação estatal (instituições financeiras e equiparados, seguradoras, sociedades de
capitalização, entidades de previdência privada e operadoras de planos de saúde)
possuem um regime próprio de liquidação patrimonial, denominado liquidação
extrajudicial (Lei no 6.024/74, Decretolei no 73/66 e Lei no 9.656/98). Mais uma vez o
regime especial se justifica pela importância de tais atividades para a economia do país
como um todo.

O DIREITO DAS EMPRESAS EM CRISE

Esse ramo do direito empresarial possui quatro objetivos fundamentais:19

• prevenir as crises;
• recuperar as empresas em crise;
• liquidar as empresas não recuperáveis; e
• punir os sujeitos culpados em tais crises.