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BUREAU OF RECLAMATION

BRASIL

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MANUAL DE
Operação e Manutenção
de Projetos de Irrigação
IRRIGAÇÃO
BRASÍLIA - DF
2002
Todos os Direitos Reservados
Copyright © 2002 Bureau of Reclamation
Os dados desse Manual estão sendo atualizados por técnicos do Bureau of Reclamation.
Estamos receptivos a sugestões técnicas e possíveis erros encontrados nessa versão. Favor
fazer a remessa de suas sugestões para o nosso endereço abaixo, ou se preferir por e-mail.
1ª Edição: Outubro de 1993
2ª Edição: Dezembro de 2002
Meio Eletrônico
Editor:
BUREAU OF RECLAMATION
SGA/Norte - Quadra 601 - Lote I - Sala 410
Edifício Sede da CODEVASF
Brasília - DF
CEP - 70830-901
Fone: (061) 226-8466
226-4536
Fax: 225-9564
E-mail: burec2001@aol.com

Autor
Ronald Effertz - Engo de Operação e Manutenção - “Bureau of Reclamation”
Douglas C. Olson - Engo de Planejamento - “Bureau of Reclamation”
Rod Vissia - Engo de Planejamento - “Bureau of Reclamation”
Humberto Arrumategui - Engo de Planejamento – IICA
Equipe Técnica do Bureau of Reclamation no Brasil
Catarino Esquivel - Chefe da Equipe
Ricardo Rodrigues Lage - Especialista Administrativo
Evani F. Souza - Assistente Administrativo
Tradutores
Lucia Ribeiro Marques - Embaixada dos Estados Unidos
Thais Caruso A. da Silva - Embaixada dos Estados Unidos
Revisão Técnica
CODEVASF – Vários Especialistas
Composição e Diagramação:
Print Laser - Assessoria Editorial Ltda

Ficha Catalográfica:

Carter, Val H.
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação / Ronald
Effertz .. [et al.]. — Brasília: 2002
381 p. : il. (Manual de Irrigação, v.4)
Trabalho elaborado pelo Bureau of Reclamation, do Depar-
tamento de Interior, dos Estados Unidos, por solicitação da Se-
cretaria de Infra-Estrutura Hídrica do Ministério da Integração
Nacional do governo brasileiro.
1. Operação - Manutencão - Projeto de Irrigação I. Effertz,
Ronald II. Título. III. Série.

CDU 631.153 : 626.81/.84


Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APRESENTAÇÃO

Em maio de 1986, o Banco Mundial aprovou um Contrato de Empréstimo para a


elaboração de estudos e projetos de irrigação no Nordeste do Brasil. O Contrato inclui
recursos para assistência técnica à Secretaria de Infra-Estrutura Hídrica e, para isto, foi
assinado - em novembro de 1986 - um acordo com o “Bureau of Reclamation”, do Depar-
tamento do Interior, dos Estados Unidos.

A assistência abrange a revisão de termos de referência, estudos básicos, setoriais


e de pré-viabilidade; projetos básicos e executivos; especificações técnicas para constru-
ção de projetos de irrigação; critérios, normas e procedimentos de operação e manuten-
ção de projetos de irrigação; apresentação de seminários técnicos; acompanhamento da
construção de projetos; formulação de recomendações de políticas relativas ao desenvol-
vimento da agricultura irrigada.

O trabalho de assistência é realizado por uma equipe residente no Brasil, e por


pessoal temporário do Bureau, do Centro de Engenharia e Pesquisa de Denver, Colorado,
Estados Unidos. A equipe residente conta com especialistas em planejamento, projetos
de irrigação, barragens, hidrologia, sensoriamento remoto e operação e manutenção.

O Bureau vem prestando estes serviços há mais de dezesseis anos. Neste período,
obteve um conhecimento bastante amplo sobre a agricultura irrigada, no Brasil. Devido a
este conhecimento e à grande experiência do Bureau, em assuntos de irrigação, o Minis-
tério da Integração Nacional, solicitou que fossem elaborados manuais técnicos, para
utilização por órgãos governamentais (federais, estaduais e municipais), entidades priva-
das ligadas ao desenvolvimento da agricultura irrigada, empresas de consultoria, empreiteiras
e técnicos da área de irrigação.

A coleção que ora é entregue a esse público é um dos resultados do Contrato


mencionado. Ela é composta dos seguintes Manuais:

„ Planejamento Geral de Projetos de Irrigação


„ Classificação de Terras para Irrigação
„ Avaliação Econômica e Financeira de Projetos de Irrigação
„ Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação
„ Especificações Técnicas Padronizadas
„ Standard Technical Specifications
„ Avaliação de Pequenas Barragens
„ Elaboração de Projetos de Irrigação
„ Construção de Projetos de Irrigação

Para sua elaboração contou com o trabalho de uma equipe de engenheiros e espe-
cialistas do “Bureau of Reclamation”, por solicitação do governo brasileiro.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

O objetivo dos Manuais é apresentar procedimentos simples e eficazes para serem


utilizados na elaboração, execução, operação e manutenção de projetos de irrigação.

Os anexos 10, 11 e 12 do “Manual de Operação e Manutenção de Projetos de


Irrigação” foram redigidos por técnicos do Instituto Interamericano de Cooperação para a
Agricultura - IICA. O anexo do “Manual de Avaliação de Pequenas Barragens” foi elabora-
do pelo Grupo de Hidrometeorologia da Superintendência de Desenvolvimento do Nordes-
te - SUDENE, em convênio com o “Institut Français de Recherche Scientifique pour le
Developement en Cooperation” - ORSTOM.

Foram publicadas, separadamente, pelo IBAMA / SENIR / PNUD / OMM (Instituto


Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, Secretaria Nacional de Irrigação,
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Organização Meteorológica Mun-
dial), as “Diretrizes Ambientais para o Setor de Irrigação”. Estas diretrizes devem ser
seguidas em todas as etapas de planejamento, implantação e operação de projetos de
irrigação.

O Bureau of Reclamation agradece a gentil colaboração da CODEVASF (Compa-


nhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) e do DNOCS (Departamento Nacio-
nal de Obras Contra as Secas) pela disponibilização de informações sobre Leis e Normas
Técnicas Brasileiras.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Sumário

APRESENTAÇÃO ............................................................................................................ 3

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 8
1.1 Objetivo do MANUAL ..................................................................................... 8
1.2 Orientação .................................................................................................... 8
1.3 Conteúdo ...................................................................................................... 9

2. PROGRAMA DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO ......................................................... 10


2.1 Geral .......................................................................................................... 10
2.2 Emancipação dos Projetos ............................................................................. 10
2.2.1 Emancipação dos Projetos Públicos de Irrigação Existentes ................... 11
2.2.1.1 Programa de Envolvimento Público .................................... 13
2.2.1.2 Formação do Distrito de Irrigação ..................................... 13
2.2.1.3 Contrato com o Distrito de Irrigação .................................. 14
2.2.1.4 Métodos de Operação e Manutenção do Projeto ................. 16
2.2.1.5 Operação das Estruturas Principais ................................... 16
2.2.1.6 Seleção da Equipe do Distrito de Irrigação .......................... 17
2.2.1.7 Treinamento dos Funcionários do Distrito de Irrigação ......... 17
2.2.1.8 Reabilitação das Estruturas do Projeto ............................... 17
2.2.1.9 Transferência das Informações e Documentos .................... 17
2.2.1.10 Inspeção de Transferência ............................................... 17
2.2.1.11 Cronograma de Emancipação ........................................... 18
2.2.2 Emancipação dos Novos Projetos Públicos de Irrigação ......................... 18
2.2.2.1 Construção .................................................................... 20
2.2.2.2 Preparação dos Termos de Referência (TOR)
para o Contrato da Operação e Manutenção Inicial (OMI) ..... 20
2.2.2.3 Licitação para o Contrato da OMI ..................................... 20
2.2.2.4 OMI do Projeto pela Empresa Selecionada .......................... 21
2.2.2.5 Elaboração dos Contratos com Irrigantes ........................... 21
2.2.2.6 Seleção e Assentamento dos Irrigantes e Assinatura
do Contrato dos Irrigantes com o Órgão Público ................. 22
2.2.2.7 Treinamento dos Irrigantes .............................................. 22
2.2.2.8 Seleção do Gerente para o Distrito de Irrigação .................. 22
2.2.2.9 Treinamento do Gerente .................................................. 22
2.2.2.10 Trabalho do Gerente com a Empresa OMI .......................... 22
2.2.2.11 Fornecimento de Manuais para Operação e Manutenção de
Estruturas, Sistemas e Equipamentos; e Projeto Básico e
Detalhamento do Projeto Básico à Empresa de OMI ............. 22
2.2.2.12 Seleção de Empregados Chaves para o Distrito de Irrigação . 23
2.2.2.13 Treinamento dos Empregados Chaves ............................... 23
2.2.2.14 Organização do Distrito de Irrigação .................................. 23
2.2.2.15 Eleição do Conselho Administrativo ................................... 23
2.2.2.16 Gerente e Empregados Chaves - Funcionários do
Distrito de Irrigação ........................................................ 23

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2.2.2.17Assinatura do Contrato entre o Distrito de


Irrigação e o Órgão Público .............................................. 23
2.2.2.18 Transferência dos Contratos entre o Órgão
Público e os Irrigantes para o Distrito de Irrigação ............... 23
2.2.2.19 Inspeção do Projeto para Emancipação .............................. 23
2.2.2.20 Operação e Manutenção do Projeto pelo Distrito de
Irrigação, com Apoio da Empresa (OMI) ............................. 23
2.2.2.21 Projeto Totalmente Emancipado ........................................ 24
2.3 Pós-Emancipação do Projeto .......................................................................... 24
2.3.1 O&M das Estruturas Principais pelo Órgão .......................................... 24
2.3.1.1 Organização ................................................................... 25
2.3.1.1.1 Pessoal ........................................................ 25
2.3.1.1.2 Organização Funcional .................................... 25
2.3.1.1.3 Elementos Físicos (Almoxarifado) ..................... 25
2.3.1.2 Operação ...................................................................... 25
2.3.1.2.1 Normas e Instruções Operacionais Detalhadas ... 26
2.3.1.2.2 Plano de Irrigação .......................................... 26
2.3.1.2.3 Procedimentos Operacionais (PO) .................... 27
2.3.1.2.4 Procedimentos de Emergência ......................... 27
2.3.1.2.5 Medição e Registros ....................................... 27
2.3.1.3 Manutenção ................................................................... 27
2.3.1.3.1 Normas Gerais .............................................. 28
2.3.1.3.2 Programas de Trabalho ................................... 28
2.3.1.3.3 Diretrizes ...................................................... 28
2.3.1.4 Relacionamento do Órgão Público com os
Distritos de Irrigação ....................................................... 30
2.3.1.5 Gerenciamento das Bacias Hidrográficas ............................ 31
2.3.2 Controle do Uso da Água ................................................................. 31
2.3.3 Administração dos Contratos entre o Órgão Público e os
Distritos de Irrigação ........................................................................ 32
2.3.4 Programa de Revisão da Operação e Manutenção (RO&M) .................... 32
2.3.5 Assistência Técnica aos Distritos de Irrigação ..................................... 32
2.3.5.1 Informações mais Recentes sobre Tecnologia e Pesquisa ..... 33
2.3.5.2 Programa de Manejo e Conservação da Água ..................... 33
2.3.5.2.1 Manejo da Água e Programação de
Irrigações Parcelares ...................................... 34
2.3.5.2.2 Programação do Fornecimento de Água
pelo Sistema de Distribuição ........................... 38
2.3.6 Administração das Terras do Governo ................................................ 40
2.3.7 Programa de Empréstimo - Reabilitação Maior ..................................... 41
2.3.8 Banco de Dados de Operação e Manutenção ....................................... 42
2.3.9 Participação no Processo de Planejamento/Elaboração de Novos Projetos 43
2.3.10 Normas de Segurança para o Pessoal de O&M .................................... 43
2.3.10.1 Origens de Acidentes ...................................................... 43
2.3.10.2 Elementos do Programa de Segurança ............................... 44

3. ORGANIZAÇÃO DA OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO (DO ÓRGÃO) ................................ 45


3.1 Geral .......................................................................................................... 45
3.2 Estrutura Organizacional ................................................................................ 46
3.3 Funções ...................................................................................................... 46

4. MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO ......................................................................... 50


4.1 Geral .......................................................................................................... 50
4.2 M&A - Departamento de Operação, Manutenção e Emancipação ........................ 51
4.3 M&A - Unidade Central de M&A .................................................................... 52
4.3.1 Tipos de Informação ........................................................................ 52

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

4.3.2 Fontes de Dados ............................................................................. 53


4.3.3 Coleta de Informações ..................................................................... 53
4.3.4 Relatório ........................................................................................ 54
4.3.5 Estudos Especiais ............................................................................ 57

5. CAPACITAÇÃO .................................................................................................... 58
5.1 Geral ............................................................................................. 58
5.2 Novo Modelo .................................................................................. 58
5.3 Treinamento “em serviço”, “in loco” .................................................. 59
5.4 Capacitação dos Quadros da Sede e das Diretorias Regionais ................ 60

ANEXOS ...................................................................................................................... 61
ANEXO 1 - FUNÇÕES DO DISTRITO DE IRRIGAÇÃO ................................................. 62

ANEXO 2 - REGIMENTO INTERNO DO DISTRITO DE IRRIGAÇÃO ................................ 67

ANEXO 3 - CONTRATO ENTRE O ÓRGÃO PÚBLICO E O


DISTRITO DE IRRIGAÇÃO ............................................................................. 80

ANEXO 4 - CONTRATO ENTRE O DISTRITO DE IRRIGAÇÃO E OS IRRIGANTES............ 88

ANEXO 5 - GUIA PARA A PREPARAÇÃO DE PROCEDIMENTOS


PERMANENTES (PPO) PARA A OPERAÇÃO DE BARRAGENS E
RESERVATÓRIOS ......................................................................................... 92

ANEXO 6 - REVISÃO DA OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO (RO&M) .............................. 128

ANEXO 7 - ESBOÇO DO RELATÓRIO DE MONITORAMENTO


PARA AS OBRAS DE REABILITAÇÃO ........................................................... 147

ANEXO 8 - ESBOÇO DO RELATÓRIO DE MONITORAMENTO DA


EMANCIPAÇÃO DOS NOVOS PROJETOS ...................................................... 154

ANEXO 9 - TIPOS DE PROJETOS .......................................................................... 164

ANEXO 10 - ADMINISTRAÇÃO, GERENCIAMENTO E OPERAÇÃO


DE PERÍMETROS IRRIGADOS ....................................................................... 166

ANEXO 11 - PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E CONTROLE DA


MANUTENÇÃO DAS OBRAS DOS PERÍMETROS IRRIGADOS ........................... 261

ANEXO 12 - CÁLCULO DOS CUSTOS DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO E


DETERMINAÇÃO DE TARIFAS DE ÁGUA NOS PERÍMETROS IRRIGADOS .......... 302

ANEXO 13 - SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DAS ATIVIDADES DE


OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO ...................................................................... 360

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

INTRODUÇÃO

1.1 Objetivo do MANUAL

O objetivo deste MANUAL é apresentar diretrizes básicas para auxiliar o governo


brasileiro na implementação e acompanhamento de um programa de operação e manuten-
ção de projetos de irrigação que possuam estruturas de propriedade do governo. O MA-
NUAL foi especialmente preparado para o Brasil.

Na época da preparação deste MANUAL, o documento intitulado “Resenha Setorial


da Irrigação no Brasil” já estava concluído e cogitado para servir como política oficial do
governo brasileiro. As duas conclusões básicas da “Resenha” são as seguintes:

1) A irrigação privada deve ter mais ênfase do que a irrigação pública.

2) Os projetos públicos de irrigação existentes devem ser emancipados, isto é, as


organizações de irrigantes devem assumir a responsabilidade pela sua operação e
manutenção.

Este MANUAL destina-se aos órgãos do governo (CODEVASF, DNOCS), responsá-


veis por projetos de irrigação públicos (Tipo “E”) e “mistos” (Tipo “D”). Projetos “mistos”
são aqueles com algumas estruturas públicas de irrigação e outras privadas. As defini-
ções dos Tipos de Projetos de Irrigação segundo a “Resenha” são apresentadas no Anexo
11. Este MANUAL destina-se aos projetos que possuem algumas obras hidráulicas e/ou
sistemas de irrigação públicos. Considera-se que todos esses projetos estão ou serão
emancipados.

1.2 Orientação

O MANUAL foi redigido para servir como base de gerenciamento e administração, a


ser usado pela unidade organizacional existente nos órgãos do governo brasileiro, respon-
sável pelas funções referentes à operação e manutenção dos projetos públicos e mistos.
É orientado para os tipos de funções e atividades relacionadas com o programa de O&M.
Refere-se ao relacionamento do órgão público com as entidades formadas de irrigantes
(chamadas distritos de irrigação, neste MANUAL), definindo as responsabilidades, os
direitos e as funções de cada um, tendo sido escrito de acordo com a “Resenha”.

O corpo do MANUAL trata da filosofia, da estratégia e dos aspectos administrati-


vos, a nível da sede e a nível das diretorias regionais, de um programa de supervisão,
fiscalização e apoio técnico aos distritos de irrigação responsáveis diretamente pela ope-
ração e manutenção dos perímetros irrigados. Além disso, é esboçado um programa de
emancipação de perímetros em funcionamento, bem como daqueles a serem implantados.

Não se pretende aprofundar aspectos e programas necessários para o melhoramen-


to da produção dos perímetros públicos, já que este é um tema complexo que foge das
especializações dos técnicos do “Bureau of Reclamation” que elaboraram este MANUAL.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

1.3 Conteúdo

O MANUAL possui cinco capítulos, sendo o primeiro uma orientação sobre mesmo.

O Capítulo 2 descreve as funções do programa de operação e manutenção de


projetos públicos, de acordo com a “Resenha”, as atividades e funções referentes à
emancipação dos projetos existentes e dos novos projetos, assim como as funções do
órgão referentes à O&M, após emancipação dos projetos.

O Capítulo 3 trata das providências organizacionais referentes ao gerenciamento


das funções descritas no capítulo 2.

O capítulo 4 trata do monitoramento e da avaliação dos projetos, assim como das


atividades referentes às funções descritas no capítulo 2.

O Capítulo 5 aborda os aspectos relativos à capacitação de pessoal nos diferentes


níveis.

Além dos cinco capítulos, o MANUAL contém treze anexos que tratam de diversos
temas relacionados à Operação e Manutenção de perímetros irrigados de responsabilida-
de dos distritos de irrigação, assim como de contratos, revisões e monitoria.

Os quatro últimos anexos foram preparados através do convênio CODEVASF/IICA e


referem-se, especificamente, a todos os aspectos de operação, manutenção e administra-
ção dos perímetros irrigados pelos distritos de irrigação. Estes anexos são, na realidade,
manuais específicos que proporcionam as ferramentas técnicas e as habilidades necessá-
rias para um gerenciamento eficaz e racional dos perímetros irrigados. Apresentam-se na
forma como foram elaborados pelos técnicos do convênio acima referido.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

PROGRAMA DE
OPERAÇÃO
E MANUTENÇÃO

2.1 Geral

São os seguintes os principais objetivos dos órgãos públicos quanto ao programa


de operação e manutenção dos projetos públicos de irrigação:

a) A concretização dos objetivos dos projetos públicos de irrigação, como planejado:

– Produção agrícola;
– Renda familiar agrícola;
– Criação de oportunidades de emprego.

b) A intensificação da economia regional e nacional, devido à operação dos projetos


públicos de irrigação;

c) O ressarcimento do investimento financiado pelo governo, a ser feito pelos irrigantes;

d) A operação do projeto, segundo as leis federais e estaduais.

O programa de operação e manutenção dos projetos públicos, no que se refere aos


órgãos federais de irrigação envolvidos, deve consistir de:

„ Emancipação dos projetos existentes, atualmente operados pelo governo federal;


„ Emancipação dos novos projetos em fase de construção;
„ Funções de gerenciamento e de administração relacionadas aos projetos públicos,
depois de sua emancipação.

Eventualmente, o primeiro elemento desse programa será eliminado, uma vez que
todos os projetos existentes estejam emancipados.

Nesse programa, tanto os órgãos públicos de irrigação envolvidos como os distritos


de irrigação têm funções e responsabilidades importantes.

Este capítulo trata das funções e atividades dos órgãos públicos de irrigação, como
também dos distritos de irrigação, relativas ao programa de O&M do governo.

2.2 Emancipação dos Projetos

A emancipação do projeto é o processo de transferência da operação e manutenção


de suas estruturas e sistemas, assim como da administração, cuja responsabilidade passa
do órgão público para a associação de irrigantes (ou distrito de irrigação).

O processo de emancipação é tanto físico como financeiro. Do ponto de vista


financeiro, a meta é a completa independência financeira do distrito de irrigação em todos
os aspectos de operação, manutenção e administração dos perímetros, incluindo a manu-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

tenção de fundos para reposição e para emergências e os custos relacionados a assistên-


cia técnica à produção. Quando os perímetros estiverem emancipados, a tarifa de água
terá que gerar recursos suficientes para todos estes custos. Entretanto, no início do
processo de emancipação, tanto no que se refere aos projetos existentes, quanto aos
projetos novos, o órgão público terá que financiar parte dos custos de operação, manu-
tenção e administração e assistência técnica, que poderá incluir até o influxo de recursos
iniciais nos fundos de reposição e emergência.

Quaisquer custos de reabilitação de estruturas, sistemas e equipamentos em esta-


do precário de conservação deverão ser também, financiados pelo órgão público.

Para que o processo de emancipação seja bem sucedido são imprescindíveis a


programação e a orçamentação de recursos suficientes para estas atividades, da parte
dos órgãos públicos.

A emancipação financeira requer um melhoramento significativo na área de produ-


ção nos perímetros públicos para que os irrigantes consigam pagar a tarifa de água e
ainda obtenham um retorno razoável a sua família. Os órgãos públicos devem elaborar um
programa de melhoramento à produção, que prossiga paralelamente ao processo de eman-
cipação física dos perímetros.

2.2.1 Emancipação dos Projetos Públicos de Irrigação Existentes

As funções dos órgãos públicos responsáveis pela emancipação do projeto são:

„ Elaboração e execução de um programa de “envolvimento público”;


„ Assistência aos irrigantes visando à organização do distrito de irrigação;
„ Elaboração, negociação e efetivação de um contrato com o distrito de irrigação,
visando à O&M e ao ressarcimento dos custos do projeto;
„ Assistência aos irrigantes na seleção dos meios para operação do projeto, ou seja,
se essa operação será feita através de contrato ou pelos próprios funcionários do
distrito de irrigação;
„ Tomada de decisões quanto à O&M pelo governo, ou pelo distrito de irrigação, de
algumas estruturas de grande porte do projeto; se esta O&M for realizada pelo
governo, o estabelecimento de procedimentos de O&M serão coordenados com o
distrito de irrigação, que se responsabilizaria pela O&M dos demais sistemas hidrá-
ulicos de uso comum do projeto;
„ Assistência ao distrito de irrigação na seleção e treinamento da equipe de O&M;
„ Reabilitação das estruturas e dos sistemas do projeto, quando necessária, antes
que o distrito de irrigação assuma suas operações;
„ Fornecimento ao distrito de irrigação de manuais, desenhos dos projetos, relatórios
e outras informações pertinentes;
„ Inspeção final das estruturas e dos sistemas do projeto, antes que o distrito assuma
suas operações.

As funções e reponsabilidades dos irrigantes são as seguintes:

„ Formação do distrito de irrigação;


„ Seleção de como será feita a O&M do projeto, por contrato ou pelos funcionários do
distrito de irrigação;
„ Participação nas decisões sobre a O&M de algumas estruturas principais, que pos-
sivelmente seriam realizadas pelo governo federal;
„ Contratação e treinamento da equipe de O&M;
„ Negociação e assinatura de um contrato para O&M, e ressarcimento ao governo
dos custos do projeto;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Elaboração do Execução do
Programa de Programa de Através de Preparação Anúncio Seleção do
Envolvimento Envolvimento Contrato dos TOR dos TOR Vencedor
Público Público

Seleção do
Método de
O&M

Através dos Contratação Treinamento


Funcionários da Equipe da Equipe
do Distrito

Fornecimento
Organização
de Manuais. Emancipação
do Distrito
Desenhos e
de Irrigação
Informações

Negociação e
Assinatura do Reabilitação
Contrato de Inspeção de
das Obras
Transferência
O&M e do Projeto
Ressarcimento

Elaboração do Seleção do
Através do
Contrato de Método de O&M
Distrito de
O&M e das Estruturas
Irrigação
Ressarcimento Principais

Elaboração do
Através do Processo de
Órgão Coordenação
de O&M

Figura 2.1 Esquema de Emancipação de Projetos Existentes

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Participação na inspeção final das estruturas do projeto, antes da emancipação


definitiva;
„ Responsabilidade pela adequada O&M das estruturas e sistemas, de acordo com os
manuais, com o contrato entre o governo e o distrito, e com a lei brasileira, após a
emancipação definitiva.

A Figura 2.1 mostra as funções mencionadas acima, de forma esquematizada. O


cronograma desse processo é apresentado no Item 2.2.1.11.

2.2.1.1 Programa de Envolvimento Público

O programa de envolvimento público é um processo pelo qual os beneficiários do


projeto são consultados e incluídos na tomada de decisões.

Os objetivos desse programa são:

„ Informar os irrigantes sobre a intenção do governo de emancipá-lo;


„ Informar os irrigantes sobre o processo para a sua emancipação;
„ Trabalhar estreitamente com os irrigantes, para atingir a sua emancipação.

O programa de envolvimento público deve ser planejado de tal modo que:

„ Seja claro e compreensível aos irrigantes;


„ Seja integrado cuidadosa e sistematicamente no processo de tomada de decisões.

Esse programa deve abranger a divulgação de informações através de livretos,


artigos em jornal, anúncios no rádio e na televisão e cartazes. Reuniões bem organizadas
com os grupos de irrigantes são um meio eficaz de informar e receber sugestões e opiniões
dos beneficiários. Uma das atividades importantes do programa é o estabelecimento de
um processo pelo qual os irrigantes selecionam ou elegem alguns representantes do seu
grupo para trabalharem junto com o órgão público durante a emancipação, até que o
distrito de irrigação esteja formado e entre em operação. Esses representantes e o pessoal
do órgão devem informar, periodicamente, a todo o grupo de irrigantes, as decisões
tomadas e o andamento do processo de emancipação.

2.2.1.2 Formação do Distrito de Irrigação

Para que um projeto possa ser emancipado, deve ser criada uma entidade legal que
represente seus irrigantes, assine contratos, conduza a operação e manutenção das es-
truturas e sistemas do projeto, assim como sua administração. Essa entidade é o distrito
de irrigação, e normalmente consiste de:

„ Assembléia Geral (todos os irrigantes);


„ Conselho de Administração;
„ Conselho Fiscal;
„ Organização para operação e manutenção das estruturas e sistemas do projeto, e
atividades administrativa e de produção.

O último item normalmente é formado por um gerente geral e três divisões.

A organização típica do distrito de irrigação encontra-se na Figura 2.2.

Os objetivos do distrito são:

a) Administrar, operar e manter, diretamente ou através de empresas especializadas,


as obras da infra-estrutura de irrigação de uso comum, compreendendo as estrutu-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ras básicas e os equipamentos de adução, condução e distribuição de água, as


captações, as estações de bombeamento, a rede de drenagem e a rede viária inter-
na do distrito;

b) Administrar, operar e manter o prédio, os equipamentos de O&M e os veículos de


uso da administração e de apoio às atividades do distrito;

c) Definir os critérios, a forma, o volume e os horários de distribuição da água aos


irrigantes, e medir a água distribuída, observando o plano de irrigação previamente
adotado;

d) Propor aos órgãos públicos, observando as normas do Poder Público, a fixação de


tarifas correspondentes ao consumo da água, cobrá-las dos irrigantes, coletá-las
devidamente e repassar aos órgãos públicos a parcela de amortização dos investi-
mentos nas obras da infra-estrutura de irrigação de uso comum financiadas pelo
governo;

e) Contratar firmas especializadas, até que os irrigantes tenham condição de fazê-lo,


para os serviços de apoio à produção, tais como: assistência técnica, extensão
rural, treinamento e comercialização necessários aos irrigantes;

f) Estimular e apoiar o associativismo, incentivando a criação de empresas ou coope-


rativas, com o propósito de proporcionar maior eficiência técnica e econômica ao
processo de produção, comercialização e prestação de serviços de interesse dos
irrigantes; e
g) Preservar a função social, a racionalidade econômica e a utilidade pública do uso da
água e dos solos, assim como do meio ambiente.

O órgão público, através de seu programa de envolvimento público, deve dar assis-
tência aos irrigantes para seleção de alguns de seus membros, que irão trabalhar junta-
mente com ele nas atividades de formação do distrito de irrigação. Essas atividades
abrangem:

„ A divisão do projeto em distritos eleitorais;


„ A criação do regimento interno para operação do distrito de irrigação;
„ A eleição dos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal.

O Anexo 2 apresenta um exemplo de um regimento interno característico para um


distrito de irrigação.

Após a eleição do Conselho de Administração, esse grupo deve substituir o grupo


temporário de representantes do projeto, para trabalhar com o órgão na finalização do
processo de emancipação.

2.2.1.3 Contrato com o Distrito de Irrigação

A emancipação do projeto exige um contrato entre o órgão público e o distrito de


irrigação com as seguintes características:

„ Define as responsabilidades do distrito de irrigação quanto à operação, manutenção


e administração do projeto;
„ Define as responsabilidades do órgão público e distritos referentes ao fornecimento
de água, inspeções, reabilitação das obras do projeto anterior à emancipação, etc;
„ Define as condições de ressarcimento do investimento financiado pelo governo, a
ser feito pelos irrigantes.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Assembléia
Geral

Conselho de Conselho
Administração Fiscal

Gerência
Executiva

Unidade de Unidade de Unidade de


Administração Operação e Apoio
e Finanças Manutenção à Produção

O Anexo 1 apresenta as funções das várias unidades do distrito de irrigação

Figura 2.2 Organização Típica

O órgão público deve preparar a primeira versão desse contrato e negociá-la com o
distrito de irrigação. Quando houver acordo mútuo, a versão final do contrato é preparada
e assinada por ambas as partes.

O Anexo 3 apresenta um exemplo típico desse contrato. Embora tal anexo conte-
nha todos os elementos do contrato, os básicos são:

„ As condições de operação e manutenção das estruturas e a administração dos


assuntos referentes ao projeto;
„ As condições para estabelecimento de tarifas de água para cobrir os custos de
operação e manutenção, e ressarcimento ao governo pelo seu investimento no
projeto;
„ A criação e a manutenção de um fundo de emergência, para financiamento de
reparos de avarias inesperadas nas estruturas do projeto;
„ A criação e a manutenção de um “fundo de reserva” para financiar a recuperação
periódica dos equipamentos e das estruturas do projeto;
„ O direito do governo de monitorar e inspecionar a operação, a manutenção e a
administração do projeto;
„ A responsabilidade do governo em fazer com que as estruturas e os sistemas do
projeto se encontrem em excelentes condições físicas e operacionais, antes da sua
transferência para o distrito de irrigação;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ O recurso legal do governo e do distrito de irrigação, no caso de não cumprimento


dos termos do contrato por qualquer uma das partes.

2.2.1.4 Métodos de Operação e Manutenção do Projeto

Essencialmente, existem duas opções para operação e manutenção do projeto pelo


distrito de irrigação:

A. Contratar diretamente somente a equipe de gerenciamento e administração para as


unidades organizacionais do distrito de irrigação, e contratar uma empresa privada
para a operação e manutenção das estruturas do projeto, a assistência técnica aos
irrigantes e o serviço de comercialização da produção.

B. Contratar diretamente todos os funcionários necessários à operação, manutenção e


administração do projeto.

Na opção A, o distrito de irrigação contrata diretamente a gerência executiva, os


chefes das unidades de administração e finanças, operação e manutenção, e apoio à
produção, assim como a equipe administrativa necessária (secretária, contador, escriturá-
rios). O restante do pessoal é fornecido através de contrato com empresas privadas.

Na opção B, o distrito de irrigação contrata diretamente toda a equipe necessária,


inclusive canaleiros, operadores de bombas, mecânicos, operadores de máquinas, etc.

O órgão público deve fornecer ao conselho de administração do distrito todas as


informações necessárias para avaliar as vantagens e desvantagens das duas opções. Se
for escolhida a opção A, o órgão deve dar assistência ao distrito na preparação dos
termos de referência para os serviços que serão contratados e também no próprio proces-
so de contratação. Se for escolhida a opção B, o órgão deve dar assistência nos critérios
e procedimentos de seleção dos funcionários, como também providenciar o seu treina-
mento.

2.2.1.5 Operação das Estruturas Principais

Pode haver ocasião em que o órgão público e o distrito de irrigação concordem que
a operação e manutenção de algumas estruturas principais fique a cargo do órgão. Por
exemplo, quando uma grande barragem e reservatório servem a mais de um perímetro, ou
quando um perímetro muito extenso possui grandes estruturas de operação complexa, tal
como uma estação principal de bombeamento, a operação e manutenção dessas estrutu-
ras poderiam ficar diretamente sob responsabilidade do órgão público.

Normalmente, a operação de todas as estruturas do projeto é transferida para o


distrito, mas, em circunstâncias especiais como as descritas acima, pode-se tomar uma
decisão diferente, no que diz respeito à operação de algumas estruturas principais. O
órgão público deve fornecer ao distrito de irrigação todas as informações necessárias a
uma tomada de posição, além de apresentar suas próprias recomendações. A decisão
deve ser tomada juntamente com o distrito de irrigação.

Se as estruturas principais ficarem sob a responsabilidade do órgão público, deve


ser estabelecido um método para a operação coordenada dessas estruturas e daquelas
operadas pelo distrito de irrigação. Por exemplo, se o abastecimento principal de água for
feito através de estruturas operadas pelo órgão, serão necessários procedimentos de
solicitação e remessa de água às estruturas do distrito de irrigação. Do mesmo modo, os
períodos em que essas estruturas maiores estiverem fechadas para manutenção devem
estar muito bem coordenados com o distrito de irrigação, a fim de que não haja interrup-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ção no fornecimento básico de água. O órgão também precisa organizar sua equipe de
operação e manutenção dessas estruturas principais.

2.2.1.6 Seleção da Equipe do Distrito de Irrigação

Em ambas as opções tratadas no Item 2.2.1.4, o distrito de irrigação deve contratar


sua equipe, sendo mais reduzida na opção A do que na opção B. O órgão deve dar
assistência ao distrito na determinação do número e do tipo de cargos a serem ocupados,
na descrição das responsabilidades e requisitos de cada posição e na procura e contratação
de pessoal adequado. Em alguns casos, os técnicos do órgão público que já estavam
anteriormente atuando na operação e manutenção do projeto, podem ser transferidos
para o quadro de funcionários do distrito de irrigação.

2.2.1.7 Treinamento dos Funcionários do Distrito de Irrigação

Há necessidade de um treinamento dos funcionários do distrito de irrigação. Se os


mesmos já possuírem experiência em suas atividades, basta apenas um treinamento es-
pecífico sobre o projeto a ser operado. Se, ao contrário, alguns funcionários possuírem
pouca ou nenhuma experiência, precisarão ser treinados para cumprir suas tarefas. Em
qualquer caso, o órgão público deve dar assistência ao distrito de irrigação, patrocinando
programas de treinamento. Às vezes, os próprios técnicos do órgão público que estiveram
anteriormente atuando na operação e manutenção do projeto podem ajudar muito, dando
treinamento no próprio trabalho, antes da emancipação.

2.2.1.8 Reabilitação das Estruturas do Projeto

Antes da transferência da operação e manutenção das estruturas para o distrito de


irrigação, elas devem estar em perfeitas condições, devendo ser feita uma inspeção por
equipe técnica do órgão público. Alguns funcionários do distrito devem acompanhar a
equipe e participar da decisão sobre quais as estruturas do sistema precisam de manuten-
ção ou reabilitação. A equipe deve preparar um relatório sobre as observações feitas,
contendo recomendações para a reabilitação. Em seguida, o órgão público deve planejar o
programa de reabilitação e contratar as empresas para executarem as obras. Se forem
somente obras pequenas, poderão ser executadas pelos próprios funcionários do órgão.

2.2.1.9 Transferência das Informações e Documentos

Cada projeto deve possuir manuais de operação e manutenção de suas estruturas,


sistemas e equipamentos, critérios de operação do sistema de irrigação, relatórios e plan-
tas do projeto básico e do detalhamento do projeto básico, mapas do leiaute do distrito e
outras informações pertinentes. O órgão deve transferir as informações necessárias, ma-
nuais, relatórios, plantas, etc. para o distrito, antes da emancipação do projeto, mantendo
em seu poder as cópias necessárias.

2.2.1.10 Inspeção de Transferência

A última atividade anterior à emancipação do projeto é a “inspeção de transferência”.

Essa inspeção visa a:

„ Garantir que todas estruturas e sistemas do projeto se encontrem em perfeitas


condições de operação, e que toda a reabilitação e conservação necessária tenha
sido concluída;
„ Garantir que o distrito de irrigação esteja pronto para iniciar a operação e manuten-
ção das estruturas, e o gerenciamento do projeto;
„ Garantir que todos os manuais, relatórios, desenhos, critérios, etc. tenham sido
transferidos para o distrito.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Os itens a serem conferidos na revisão são:

„ Existência e adequabilidade dos contratos em vigor para O&M, assistência técnica


e comercialização da produção, e/ou a existência e adequabilidade de funcionários
do distrito de irrigação para executar estas funções e o gerenciamento do projeto;
„ Existência e uso de: regras e diretrizes detalhadas para a operação de estruturas e
sistemas e para o plano anual de irrigação, procedimentos de O&M de emergência;
e programas de manutenção preventiva e de rotina;
„ Existência de estoque adequado de peças sobressalentes, em quantidade razoável;
„ Existência e operação adequada do sistema tarifário de água.

Essa última inspeção de transferência deve ser realizada por uma equipe
multidisciplinar composta por funcionários do órgão público e alguns do distrito de irrigação.

Os resultados dessa inspeção devem ser registrados num relatório contendo tam-
bém as recomendações. Esse relatório é entregue à gerência do órgão e ao conselho de
administração do distrito. Se forem encontradas falhas ou deficiências, devem ser corrigidas
pela entidade apropriada e, só depois disso, o projeto ser emancipado.

2.2.1.11 Cronograma de Emancipação

O cronograma da emancipação de um projeto pode variar, dependendo do tamanho


do projeto e das necessidades de reabilitação e conservação das estruturas e sistemas. A
Tabela 2.1 apresenta um cronograma típico do processo de emancipação de um projeto
anteriormente operado pelo órgão público.

2.2.2 Emancipação dos Novos Projetos Públicos de Irrigação

O processo de emancipação dos novos projetos tem início na construção do proje-


to. As diferenças mais importantes entre a emancipação dos projetos existentes e dos
novos são:

„ Os irrigantes devem ser selecionados, assentados e treinados;


„ Uma equipe reduzida de O&M do órgão público fica na área do projeto, sendo sua
principal função a seleção e o assentamento dos irrigantes;
„ As estruturas e os sistemas do projeto entram em operação em estágios, depois de
serem contruídos;
„ A produção agrícola é inicialmente baixa, e atinge a plenitude num período de pou-
cos anos;

O tempo decorrido até a emancipação é maior.

Tendo em vista que, quando se inicia a construção dos novos projetos, não existe
um escritório do órgão público, nem equipe de operação e manutenção, exceto a envolvi-
da na seleção e assentamento dos irrigantes, há dois modelos possíveis de processo de
emancipação.

Modelo I - O órgão público contrata uma ou várias empresas privadas de consultoria


para se responsabilizarem por:

1) Operação e manutenção inicial das estruturas e dos sistemas, quando prontos;


2) Assistência técnica inicial aos irrigantes;
3) Organização do distrito de irrigação.

Modelo II - O órgão público cria um escritório com a equipe necessária para a


operação e manutenção inicial das estruturas do projeto, além de dar assistência técnica
aos irrigantes e organizar o distrito de irrigação.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela 2.1 Cronograma para Emancipação dos Projetos Existentes

ATIVIDADE ANO 1 ANO 2


1. Elaboração do Programa de Envolvimento Público +
2. Execução do Programa de Envolvimento Público ++++++++++++++++++++++ ++++++++++++++++++++++++
3. Elaboração do Contrato entre o Orgão e o Distrito de Irrigação ++++
4. Organização do Distrito de Irrigação ++++++++++++
5. Negociação do Contrato entre o Órgão e o Distrito de Irrigação ++++
6. Método de O&M para o Projeto (Análise e Decisão) +
A. Através de Contrato
Preparação dos Termos de Referência do Contrato ++++
Licitação e Seleção do Contrato Vencedor ++++++
Contratação de Funcionários do Distrito de Irrigação ++++++
Treinamento dos Funcionários do Distrito de Irrigação ++++
B. Através de Funcionários do Distrito de Irrigação
Contratação dos Funcionários do Distrito de Irrigação ++++++
Treinamento dos Funcionários do Distrito de Irrigação ++++
7. O&M das Estruturas Principais (Análise e Decisão) ++++
A. Através do Órgão
Estabelecimento das Normas de Operação Coordenada ++++
Organização da Equipe do Órgão ++++
B. Através do Distrito de Irrigação (Incluído no item 6)
8. Reabilitação das Estruturas do Projeto(*) + ++++++++++++++++++++++
9. Fornecimento de Manuais e Informações sobre o Projeto +
10. Inspeção Final de Transferência +
11. Emancipação

(*)
O cronograma varia de acordo com o tamanho do projeto e as necessidades de reabilitação

Uma vez que o objetivo do órgão público é a emancipação do projeto, o modelo II


apresenta a desvantagem de mobilizar uma grande equipe do órgão no projeto, por um
período de apenas quatro ou cinco anos, a partir do qual a equipe é desmobilizada. Esse
modelo apresenta menos desvantagens somente no caso de o distrito de irrigação decidir
pela operação e gerenciamento do projeto com sua própria equipe, e uma parte da equipe
do órgão optar por ser transferida para o distrito. Entretanto, a decisão do distrito referen-
te à O&M do projeto ser feita por sua própria equipe, ou através da contratação de uma
empresa privada, não ocorre antes de alguns anos após a mobilização da equipe do órgão
e seu respectivo escritório.

Conseqüentemente, neste MANUAL, o modelo I será detalhadamente descrito. Se


o modelo II for adotado, o processo será muito parecido com aquele descrito no Item
2.2.1, com exceção da criação do escritório do órgão público e sua equipe, e a seleção,
assentamento e treinamento dos irrigantes.

As atividades e o cronograma para a emancipação de um projeto novo, de acordo


com o modelo I, são mostrados na Tabela 2.2. As atividades ali mencionadas são tratadas
nos próximos parágrafos. Os números dos parágrafos correspondem aos números das
atividades da Tabela 2.2.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2.2.2.1 Construção

Considera-se que essa atividade seja feita no período de dois anos. A firma de
consultoria responsável pelo Projeto Executivo e pela Supervisão de Obras se responsabi-
lizará, também, pelas especificações técnicas para aquisição dos equipamentos e para a
construção e pelo fornecimento de critérios e manuais de operação e manutenção das
estruturas, sistemas e equipamentos do projeto, assim como de desenhos (conforme
executado) do projeto após sua construção.

2.2.2.2 Preparação dos Termos de Referência (TOR) para o Contrato da Operação e


Manutenção Inicial (OMI)

Esta atividade refere-se à preparação, por parte do órgão público, dos Termos de
Referência para o contrato ou contratos relativos à implantação do distrito de irrigação e
à operação e manutenção inicial dos projetos.

Tais Termos de Referência exigirão das empresas contratadas:

„ A implantação do distrito de irrigação, através da determinação de sua organização,


do trabalho com os irrigantes para formação da Assembléia Geral, do treinamento
do pessoal do distrito e da supervisão da eleição do Conselho Administrativo;
„ A assistência à contratação de pessoal necessário ao distrito de irrigação;
„ O treinamento e supervisão de todo o pessoal do distrito de irrigação, no que se
refere ao desempenho de suas funções no distrito;
„ A operação e manutenção das infra-estruturas dos projetos, até o fim do período de
assentamento;
„ A elaboração de critérios de operação do projeto, ou seja, programação do uso da
água e manutenção de registros de fornecimento da água;
„ A elaboração de programas de manutenção de rotina e preventiva das estruturas e
equipamentos dos projetos. Estes programas deverão conter cronogramas de ma-
nutenção dos equipamentos e estruturas, assim como normas para a utilização dos
manuais fornecidos pelos fabricantes e pela companhia contratada para o projeto
executivo e supervisão de obras. Deverão ser elaborados sistemas de registros da
manutenção, sistemas para orçamento e manutenção e registros de custos.
„ A elaboração de um sistema de orçamento e financiamento da manutenção dos
equipamentos do projeto, o qual inclui também, um fundo de reserva para maiores
reposições e outro para emergências;
„ A elaboração do sistema de assistência técnica aos irrigantes e à comercialização,
a ser realizado pelo distrito de irrigação;
„ A provisão de serviços de assistência técnica aos irrigantes e ao sistema de
comercialização no período anterior ao distrito assume estas responsabilidades.

2.2.2.3 Licitação para o Contrato da OMI

Esta atividade inclui a concorrência, o recebimento e a avaliação de propostas das


empresas interessadas, e a seleção e a negociação com a firma que apresentar a melhor
proposta.

É necessário que esse processo termine antes do início do assentamento dos


irrigantes, a fim de que as empresas mobilizem suas forças e iniciem as atividades relacio-
nadas à implantação do distrito de irrigação, assim como a operação das estruturas e dos
sistemas do projeto que tiverem sido concluídos primeiramente.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela 2.2. Cronograma do Processo de Implantação do Distrito de Irrigação e


Emancipação do Projeto

ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4


2.2.2.1 Construção +++++++++++++ ++++++++++++
2.2.2.2 Preparação dos termos de referência (tor) para o contrato da
+++
Operação e Manutenção Inicial (OMI)
2.2.2.3 Licitação para o contrato da OMI ++++++
2.2.2.4 OMI do projeto pela empresa selecionada ++ ++++++++++++ ++++++
2.2.2.5 Elaboração dos contratos com os irrigantes +++++++
2.2.2.6 Seleção e assentamento dos irrigantes e assinatura do contrato dos
++++++++++++ +++++
irrigantes com o Órgão Público
2.2.2.7 Treinamento dos irrigantes +++ ++++++++++++ ++++++++++++ ++++++++++++
2.2.2.8 Seleção do gerente para o distrito de irrigação +++++++
2.2.2.9 Treinamento do Gerente +++++++
2.2.2.10 Trabalho do gerente com a empresa de OMI +++++ ++++++++++++ ++++
2.2.2.11 Fornecimento de manuais para operação e manutenção de estruturas
sistemas e equipamentos e projetos básico e executivo a empresa de +++
OMI
2.2.2.12 Seleção de empregados chaves para o distrito de irrigação +++
2.2.2.13 Treinamento dos empregados chaves ++++++++++++ ++++
2.2.2.14 Organização do distrito de irrigação ++++++++++++
2.2.2.15 Eleição do conselho administrativo +++++++++ +++++++
2.2.2.16 Gerente e empregados chaves - funcionários do distrito de irrigação +++++++++ ++++++++++++
2.2.2.17 Assinatura do contrato entre o distrito de irrigação e o Órgão Público ++++++ +++++++
2.2.2.18 Transferência dos contratos entre o órgão público e os irrigantes
++++++ +++++++
para o distrito de irrigação
2.2.2.19 Inspeção do projeto para emancipação ++++++
2.2.2.20 Operação e manutenção do projeto pelo distrito de irrigação com
++++++ +++++++
apoio da empresa (OMI)
2.2.2.21 Projeto totalmente emancipado +++

2.2.2.4 OMI do Projeto pela Empresa Selecionada

Esta atividade refere-se aos trabalhos da empresa selecionada em conjunto com os


irrigantes na organização do distrito de irrigação e na eleição do Conselho de Administra-
ção, no treinamento e supervisão dos funcionários do distrito, fiscalizando a operação do
mesmo, no treinamento dos irrigantes, assim como na operação e manutenção das estru-
turas e dos sistemas do projeto, até o final do período de assentamento.

2.2.2.5 Elaboração dos Contratos com Irrigantes

Deverão ser feitos contratos entre o distrito de irrigação e os irrigantes.

Devido ao fato da seleção e do assentamento dos irrigantes ocorrerem antes da


formação do distrito de irrigação, inicialmente o contrato será assinado entre o irrigante e
o órgão público. Após o distrito de irrigação ser organizado, os contratos serão transferi-
dos, legalmente, do órgão ao distrito, ou serão firmados novos contratos entre o distrito
de irrigação e os irrigantes.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2.2.2.6 Seleção e Assentamento dos Irrigantes e Assinatura do Contrato dos


Irrigantes com o Órgão Público

Esta atividade é um programa para seleção e assentamento dos irrigantes. Este


processo tem início bem antes do término do primeiro ano de construção, de forma que os
primeiros irrigantes sejam assentados nos lotes que primeiramente estiverem prontos
com água disponível. Como já foi descrito anteriormente, os irrigantes teriam que assinar
contratos com o órgão, antes de seu assentamento.

2.2.2.7 Treinamento dos Irrigantes

Corresponde ao programa de treinamento dos irrigantes nas parcelas agrícolas


irrigadas. Os tópicos a serem abordados são: práticas agrícolas (seleção de culturas, fertili-
zação, preparação da terra, colheita, etc.); manejo da água e do solo; administração dos
empreendimentos agrícolas; mercado e comercialização.

Este programa inicial de treinamento terá início após o começo do processo de


seleção e assentamento, continuando por um período razoável (aproximadamente seis
meses) após o término do processo de assentamento.

Nesse MANUAL supõe-se que estas atividades serão feitas pelo contratante de
OMI, mas poderão ser executadas também, através de um contrato especial separado.

2.2.2.8 Seleção do Gerente para o Distrito de Irrigação

Esse procedimento consiste na seleção do futuro gerente do distrito de irrigação


pelo órgão público, sendo o mesmo empregado, provisoriamente, através de contrato.
Esta seleção deverá ser feita quando do início da construção do projeto, já que, dessa
forma, haverá tempo suficiente para treinamento do gerente, no que diz respeito a prestar
apoio ao órgão público e à empresa (OMI), no assentamento e no desenvolvimento inicial
do projeto. Esta seria uma experiência que o auxiliaria amplamente em suas futuras tare-
fas como gerente do distrito de irrigação.

2.2.2.9 Treinamento do Gerente

Representa um programa formal de treinamento (de aproximadamente seis meses),


que deverá ocorrer imediatamente após a seleção do gerente, devendo ser financiado pelo
órgão.

2.2.2.10 Trabalho do Gerente com a Empresa OMI

Durante os estágios iniciais de desenvolvimento e assentamento do projeto, até


que o distrito de irrigação seja formado, o futuro gerente trabalhará muito perto com a
empresa (OMI), sendo treinado pela mesma. Durante esse período, o gerente prestará
assistência à seleção e ao assentamento de irrigantes, à organização do distrito de irriga-
ção e manutenção inicial das estruturas e dos sistemas do projeto.

2.2.2.11 Fornecimento de Manuais para Operação e Manutenção de Estruturas,


Sistemas e Equipamentos; e Projeto Básico e Detalhamento do Projeto
Básico à Empresa de OMI

O Órgão Público deverá entregar à empresa (OMI) manuais contendo regras e diretrizes
de operação e manutenção de equipamentos, estruturas e sistemas, fornecidos pelos
fabricantes dos equipamentos e pelo contratado responsável pelo projeto executivo e
supervisão de obra. Este manuais e as normas para seu uso, elaborados pela empresa
(OMI), serão entregues ao pessoal do distrito de irrigação. Também deverão ser fornecidos
ao contratante de OMI o projeto básico, seu detalhamento e outras informações relevantes.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2.2.2.12 Seleção de Empregados Chaves para o Distrito de Irrigação

Esta atividade refere-se à contratação do pessoal chave para o distrito de irrigação


como gerentes das divisões e pessoal administrativo, que será selecionado pelo órgão
público, com o apoio da empresa (OMI).

2.2.2.13 Treinamento dos Empregados Chaves

A empresa (OMI) treinará e supervisionará os empregados chaves, antes de se


tornarem funcionários do distrito de irrigação.

2.2.2.14 Organização do Distrito de Irrigação

A empresa (OMI) fará a organização do distrito, que consiste em:

„ Convocar Assembléia Geral (todos os irrigantes que foram selecionados);


„ Eleger o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal;
„ Contratar o Gerente Executivo e os empregados chaves;
„ Formar suas três unidades (Operação e Manutenção, Administração e Produção).

2.2.2.15 Eleição do Conselho Administrativo

Esta atividade consiste na eleição formal do Conselho Administrativo do distrito de


irrigação, sendo planejada e supervisionada pela empresa (OMI).

2.2.2.16 Gerente e Empregados Chaves - Funcionários do Distrito de Irrigação

Neste ponto, o distrito de irrigação já foi formado e o Conselho de Administração,


eleito. O vínculo empregatício do gerente e dos empregados chaves termina com o órgão
público e passa a ser com o distrito de irrigação, tornando-se responsabilidade do Conse-
lho de Administração.
2.2.2.17 Assinatura do Contrato entre o Distrito de Irrigação e o Órgão Público

Já pode ser assinado o contrato entre o órgão público e o distrito de irrigação


referente aos termos de operação e manutenção e ao ressarcimento dos custos do proje-
to. O Anexo 3 apresenta um modelo para esse contrato.

2.2.2.18 Transferência dos Contratos entre o Órgão Público e os Irrigantes para o


Distrito de Irrigação

Neste momento, o distrito de irrigação possui pessoal administrativo treinado, além


de um sistema administrativo já desenvolvido. O distrito está, então, em situação de
assumir a administração dos contratos com os irrigantes. O Anexo 4 é um modelo de
contrato entre os irrigantes e o distrito de irrigação.

2.2.2.19 Inspeção do Projeto para Emancipação

Essa inspeção é descrita na Seção 2.2.1.10.

2.2.2.20 Operação e Manutenção do Projeto pelo Distrito de Irrigação, com Apoio da


Empresa (OMI)

Após serem corrigidas as deficiências do projeto, notadas na inspeção para eman-


cipação, as providências e a responsabilidade pela operação e manutenção do projeto são

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

transferidas ao distrito de irrigação. As empresas (OMI) assistirão o distrito até o fim do


período de assentamento.

Se a operação e manutenção do projeto for feita diretamente por funcionários do


distrito, estes terão que ser contratados e treinados imediatamente. Se o distrito optar pela
operação e manutenção do projeto através de contrato com uma empresa, a contratação
poderá ser feita com a empresa de OMI, ou com outra.

2.2.2.21 Projeto Totalmente Emancipado


O distrito operará e manterá as estruturas e os sistemas do projeto.
Caso a operação e manutenção de algumas estruturas principais devam ser feitas
pelo órgão público, o processo para essa decisão e para sua implementação é o mesmo
descrito no Item 2.2.1.5.

2.3 Pós-Emancipação do Projeto

Após a emancipação de um projeto, os distritos de irrigação assumem a maior parte


das responsabilidades e atividades referentes à operação e manutenção das estruturas e
sistemas e ao gerenciamento do projeto. Entretanto, o departamento de O&M do órgão
público continua tendo importantes funções e responsabilidades. O órgão ainda é respon-
sável pelo ressarcimento do investimento feito pelo governo, e pela garantia de que os
projetos atingirão sua metas de produção, geração de empregos e contribuição positiva
para a economia nacional, assim como pela operação e manutenção adequada do projeto.

As funções do departamento de O&M do órgão, após a emancipação do projeto,


são as seguintes:

„ O&M das estruturas principais (somente no caso dos projetos em que a decisão de
manter essa função sob a responsabilidade do órgão tiver sido tomada durante o
processo de emancipação);
„ Gerenciamento da bacia hidrográfica (no caso das bacias em que haja barragens do
órgão que regulem as vazões);
„ Controle do uso da água;
„ Administração dos contratos entre o órgão público e os distritos de irrigação;
„ Fiscalização da O&M do projeto;
„ Assistência técnica ao distrito de irrigação em O&M e em produção agrícola;
„ Administração das terras do governo ligadas ao projeto público, mas que não são
administradas pelo distrito de irrigação;
„ Administração de um programa de empréstimo com recursos do governo, destina-
dos aos distritos de irrigação para a reabilitação das estruturas e dos sistemas do
projeto de irrigação;
„ Manutenção de um banco de dados, com informações sobre todos os projetos do
órgão público;
„ Participação no planejamento das funções de O&M dos novos projetos;
„ Estabelecimento e divulgação de normas e instruções sobre segurança de pessoal.

2.3.1 O&M das Estruturas Principais pelo Órgão

Como foi tratado no Item 2.2, nos casos em que o órgão ficou com a responsabili-
dade da operação das estruturas principais, há muitas atividades que devem ser realiza-
das no cumprimento efetivo desta função. Os Itens 2.3.1.1 a 2.3.1.5 descrevem essas
atividades dos novos projetos. Entretanto, no caso dos projetos existentes nos quais o
órgão já estava envolvido na operação do projeto, essas mesmas atividades precisam ser
revisadas e ajustadas à nova situação, quando a O&M do sistema de irrigação do projeto
for transferida aos distritos de irrigação.

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2.3.1.1 Organização

Ao exercer a função de O&M das estruturas principais, o órgão deve observar os


seguintes critérios:

2.3.1.1.1 Pessoal

O órgão deve determinar o tipo e o número de funcionários necessários. A descri-


ção dos cargos e os níveis salariais das várias funções devem ser estabelecidos. Devem
ser recrutados funcionários que possuam experiência e nível de educação necessários
para cumprir as funções, recebendo do órgão a devida orientação e treinamento, para
garantir seu bom desempenho.

Os critérios de avaliação do desempenho de cada cargo devem ser estabelecidos e


informados aos seus ocupantes, de modo que saibam o que é esperado deles.

2.3.1.1.2 Organização Funcional

Os funcionários do campo devem ser organizados nas devidas unidades funcionais,


em uma hierarquia estabelecida. Da mesma forma, também deve-se estabelecer a hierar-
quia entre o escritório de campo e o escritório regional. Por exemplo, um escritório maior
de campo poderá ter um superintendente, uma unidade de manutenção, uma de operação
e uma de administração, devendo o superintendente se reportar ao diretor regional. No
caso de um escritório de campo pequeno, seriam suficientes um supervisor e três ou
quatro funcionários das várias especialidades, devendo o supervisor se reportar também
ao diretor regional.

2.3.1.1.3 Elementos Físicos (Almoxarifado)

Pode haver necessidade de um prédio para escritório, caso as próprias obras hidráu-
licas do projeto não possuam espaço físico para isso. Deve ser mantido nesse escritório o
estoque de material, equipamentos e peças, assim como os manuais e as regras de O&M.
Deve também ser estabelecido um sistema de controle administrativo da propriedade de
terra, peças sobressalentes, equipamentos e materiais.

2.3.1.2 Operação

As estruturas principais a serem operadas pelos órgãos públicos são quase sempre
a fonte de água do projeto (barragens, estações de bombeamento principais). Represen-
tam uma parte extremamente importante do projeto como um todo, e devem ser opera-
das eficientemente e em estreita coordenação com o distrito de irrigação que distribui a
água.

Devem ser estabelecidos critérios operacionais para as estruturas principais, sendo


os seguintes os fatores fundamentais:

O método de alocação de água das estruturas principais aos sistemas de distribui-


ção de água dentro do projeto;

A tecnologia adotada para o controle da água dentro do sistema de distribuição do


projeto.

As regras de operação devem ser compatíveis com as características projetadas


das estruturas e dos sistemas, e com os manuais fornecidos pelos fabricantes, referentes
aos equipamentos. Vários itens precisam ser tratados na operação das estruturas e dos
sistemas:

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„ Normas e instruções operacionais detalhadas;


„ Plano de irrigação (fornecido pelo distrito de irrigação);
„ Procedimentos operacionais;
„ Procedimentos de emergência;
„ Medição e registros.

2.3.1.2.1 Normas e Instruções Operacionais Detalhadas

Nessas instruções, o órgão público deve expor as diretrizes essenciais e as regras


gerais de operação, que devem ser devidamente consideradas para a determinação dos
procedimentos operacionais detalhados.

Essas instruções devem abordar os seguintes aspectos:

a) Fontes de água:
„ Limites legais de disponibilidade da água;
„ Acordos de compartilhar a água disponível com outras organizações externas.

b) Prioridades de distribuição:
„ Em condições de disponibilidade normal;
„ Em condições de disponibilidade restrita.

c) Tipos de demanda a serem atendidos:


„ Demanda do projeto de irrigação;
„ Demanda municipal e industrial;
„ Vazões mínimas para o meio-ambiente;
„ Vazões mínimas para a recreação;
„ Liberações para geração de energia hidrelétrica.

d) Demanda de outros projetos ou usuários à jusante do projeto.

2.3.1.2.2 Plano de Irrigação

Deve ser elaborado um plano sazonal/anual de irrigação, em estreita cooperação


com o distrito de irrigação, de modo a equilibrar ao máximo a demanda de água com a sua
disponibilidade. Esse processo é normalmente complexo e reiterativo, e o uso do compu-
tador pode simplificar a elaboração desse plano.

A elaboração do plano abrange várias etapas:

„ Estimativa da disponibilidade de água na estação chuvosa e na seca, que deverá ser


feita pelo órgão público;
„ Estimativa da demanda de água para o sistema de irrigação, que procede do distrito
de irrigação, a partir dos planos culturais, cálculos de evapotranspiração e estima-
tivas de eficiências de aplicação e de distribuição;
„ Aplicação de critérios e normas de alocação apropriada de água. O distrito de irriga-
ção se encarrega disto dentro do projeto, porém, no caso de outros usos à jusante
de uma barragem operada pelo órgão público, é este último o responsável por tal
tarefa. Isto exige estreita coordenação entre o órgão e o distrito de irrigação;
„ Equilíbrio entre disponibilidade e demanda. O órgão público deve definir claramente
as regras para equilibrar a disponibilidade com a demanda, em estreita coordenação
com o distrito de irrigação. O distrito deve definir as regras para divisão dos déficits
de água e informá-las ao órgão. As eficiências operacionais do sistema hidráulico
também são muito importantes e devem ser bem monitoradas, a fim de garantir que
sejam usados valores corretos de eficiências no equilíbrio entre fornecimento e
demanda.

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2.3.1.2.3 Procedimentos Operacionais (PO)

O órgão deve preparar os procedimentos e as instruções especificadas, por escrito,


para cada estrutura principal por ele operada. No Anexo 5, apresenta-se um roteiro para a
preparação de POs de barragens e reservatórios.

2.3.1.2.4 Procedimentos de Emergência

Deve ser preparado um plano de emergência para cada estrutura, cuja falha ou mau
funcionamento possa causar risco à vida humana, danos sérios à propriedade, grandes
perdas da produção das culturas no projeto ou interrupções maiores das atividades da
comunidade. As partes essenciais do plano de emergência são:

„ Estabelecimento de um depósito de emergência contendo estoque de material dis-


ponível para reparos imediatos;
„ Lista dos equipamentos mecanizados disponíveis do órgão público e de outras orga-
nizações nas proximidades do local da estrutura;
„ Procedimentos internos de informação a serem seguidos, isto é, quem está autori-
zado a agir em caso de emergência, que ações são necessárias, etc.;
„ Comunicação externa e notificações que possam ser necessárias, isto é, qualquer
pessoa ou comunidade que for atingida em conseqüência de uma emergência, cor-
po policial, outras autoridades, etc.

O Anexo 5 contém as diretrizes para a preparação de planos de emergência para


barragens e reservatórios.

2.3.1.2.5 Medição e Registros

A exatidão na medição da água é muito importante na operação de qualquer estru-


tura principal. É imprescindível na determinação da eficiência, distribuição eqüitativa dos
custos e taxas e na operação efetiva da estrutura, que a determinação dos volumes e
vazões fornecidas seja exata. É importante que as descargas das barragens e estações de
bombeamento operadas pelo órgão público sejam medidas, de modo que possa ser apre-
sentado ao distrito de irrigação um registro exato da quantidade de água fornecida ao
projeto.

É recomendável usar aparelhos “standard” por exemplo, calha medidora de Parshall,


pois são, normalmente, menos dispendiosos. O aparelho “standard” é aquele que já foi
completamente descrito, calibrado acuradamente, fabricado e instalado corretamente, e man-
tido adequadamente, de modo a atender as exigências fundamentais. As tabelas ou curvas
padronizadas de descarga podem, então, ser confiáveis na medição da água. Na manuten-
ção de um aparelho “standard”, basta apenas verificar visualmente alguns itens específicos
ou dimensões, a fim de assegurar que ele não se afaste do padrão. É imprescindível a
inspeção adequada e o cuidado durante a instalação e/ou fabricação desses aparelhos.

Além da medição das descargas, é igualmente importante que sejam feitos e guar-
dados registros exatos das medições. Não havendo cuidado em registrar os números
corretos, no lugar e tempos certos, a exatidão do aparelho torna-se secundária.

2.3.1.3 Manutenção

O fornecimento eficiente de água ao distrito de irrigação, proveniente das estrutu-


ras operadas pelo órgão público, baseia-se num programa de manutenção bem planejado
e bem executado.

O órgão público deve definir seu programa de manutenção, e preparar os planos e


normas de trabalho específicas para as estruturas operadas por ele.

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2.3.1.3.1 Normas Gerais

O órgão público deve estabelecer as normas gerais de manutenção para cada estru-
tura. Os aspectos a serem abordados são:

„ Nível de manutenção preventiva confiável, para identificação e resolução dos pro-


blemas, antes que eles ocorram;
„ Conveniência de adiar a manutenção das estruturas para as quais foram aprovados
planos de modernização ou reabilitação;
„ Tentativa de modernização das obras durante as atividades de manutenção, visan-
do modernizar continuamente o sistema, e os critérios para tais decisões;
„ Relação entre manutenção, modernização e reabilitação do sistema.

2.3.1.3.2 Programas de Trabalho

A manutenção de rotina abrange todas as tarefas necessárias para assegurar a


contínua operação satisfatória das estruturas e dos equipamentos. Deve ser planejada
detalhadamente, através de programas de trabalho, que incluem as tarefas necessárias
em todos os elementos das estruturas e dos equipamentos. As tarefas devem ser execu-
tadas periodicamente e incluídas no programa de trabalho anual.

Os dados utilizados na preparação de programas de trabalho podem ser os proveni-


entes dos relatórios do pessoal de campo (operadores das estruturas, etc.) e dos relatórios
de inspeção dos registros de desempenho das estruturas, sistemas e equipamentos.

O órgão deve fornecer as instruções detalhadas referentes à formulação, conclusão


e o prazo dos programas de trabalho.

São os seguintes os assuntos a serem abordados:

„ Definição e extensão do trabalho;


„ Período do programa (um ano ou mais);
„ Estimativas de custos;
„ Tempo requerido para as tarefas e cronograma do programa de trabalho;
„ Método de execução, mão-de-obra do órgão público ou contratado;
„ Designação das responsabilidades pela execução das tarefas;
„ Estabelecimento das prioridades;
„ Prazos para fornecimento de dados;
„ Apresentação do programa de trabalho e sua aprovação;
„ Notificação e coordenação com o distrito de irrigação, ou os irrigantes, quando as
tarefas afetarem suas atividades.

2.3.1.3.3 Diretrizes

O órgão deve estabelecer diretrizes específicas de manutenção, contendo detalhes


da estratégia, padrões, critérios, procedimentos para administração dos registros, e ou-
tras informações específicas da manutenção de cada elemento ou grupo de elementos da
estrutura.

Geralmente, os manuais de manutenção dos equipamentos podem auxiliar muito na


formulação das diretrizes.

As barragens são as estruturas mais prováveis de permanecerem com a operação e


manutenção sob a responsabilidade do órgão. A O&M das barragens é uma atividade
altamente especializada, e o órgão, ao formular o programa de manutenção das barra-
gens, deve consultar as diretrizes e instruções do ICOLD - “International Committee on

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Large Dams” (Comitê Internacional de Grandes Barragens), e os seus comitês nacionais


ou organizações brasileiras similares. O Anexo 5 também pode servir como referência.

Os problemas e riscos que devem ser tratados na manutenção de barragens e


reservatórios abrangem:

„ Sedimentação;
„ Qualidade da água;
„ Erosão das margens e instabilidade dos taludes;
„ Controle da vegetação;
„ Perigos à recreação.

Os programas e as diretrizes de manutenção devem incluir monitoramento, controle


de erosão na bacia, controle das fontes de poluição, proteção das margens dos rios e
controle da vegetação.

As barragens geralmente são construídas de uma combinação de concreto, terra e


pedras. Devem ser inspecionadas periodicamente quanto à tensão e deslocamento, insta-
bilidade, vazamentos anormais, erosão, possível enfraquecimento do sopé da barragem,
estragos nas fundações e deterioração do concreto.

Os planos e as diretrizes de manutenção devem abranger programas para reparo do


concreto, manutenção das comportas, controle de vazamentos, reboco das fundações,
recuperação do “rip-rap” e manutenção das estruturas de controle.

Em alguns países, os órgãos que operam várias barragens organizaram um progra-


ma específico para avaliação da segurança e conservação corretiva de suas barragens.
Em alguns órgãos, formaram-se com equipes de vários especialistas para a execução
desse programa.

Foram preparados manuais específicos de avaliação da segurança para orientar o


programa. Em geral, os manuais contêm:

„ Histórico e objetivo do manual;


„ Explicação sobre a organização que cuida da segurança da barragem no órgão,
assim como sua responsabilidade e autoridade;
„ Escopo e conceito do programa;
„ Informações sobre modos e causas de colapso de barragens;
„ Definição das equipes de avaliação;
„ Debate sobre os registros de dados a serem preparados para cada estrutura;
„ Diretrizes para avaliação do projeto, da construção e da O&M de barragens;
„ Diretrizes para exames de campo;
„ Diretrizes para preparação do relatório dos exames;
„ Diretrizes para instrumentação das estruturas das barragens, a fim de monitorar o
desempenho da estrutura.

O órgão público deve cogitar sobre a criação de um programa para avaliação da


segurança das suas barragens.

As estações de bombeamento de grande porte são outras estruturas principais que


podem ser operadas pelo órgão público. Devem ser estabelecidas diretrizes específicas
para a manutenção das estações de bombeamento. Os cuidados específicos e os proce-
dimentos de manutenção são geralmente descritos em boletins, manuais e instruções
fornecidas pelo fabricante, devendo ser incluídos nas diretrizes. O pessoal encarregado da
manutenção deve receber treinamento específico, e deve ser mantido, no local da estru-
tura, um estoque do material mais comumente usado e de peças sobressalentes.

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Num programa de manutenção, os itens especializados são: proteção catódica,


revestimento de proteção e equipamento de comunicação e sensoreamento. Devem ser
estabelecidos os procedimentos para o grupo de funcionários responsáveis pela manuten-
ção, e o pessoal deve ser treinado para cumprir esse programa. Caso o órgão possua
outras instalações no local da estrutura, que sejam também operadas pelo mesmo, deve
ser estabelecido um conjunto de procedimentos de manutenção para todas elas.

2.3.1.4 Relacionamento do Órgão Público com os Distritos de Irrigação

Nos projetos em que uma ou mais estruturas principais são operadas pelo órgão, e
as demais são operadas pelo distrito de irrigação, deve existir uma efetiva coordenação
dessa operação. Portanto, o pessoal que faz parte do órgão público, especialmente os que
trabalham no sítio do projeto, deve ser cordial, cooperativo e objetivo com o pessoal do
distrito.

Ambas as entidades possuem funções, responsabilidades e direitos relacionados


com a operação do projeto.

O órgão público tem a responsabilidade de fornecer a água ao distrito de irrigação,


dentro da tabela e obedecendo ao acordo estabelecido com o distrito; é também respon-
sável pela manutenção das estruturas principais, assegurando o fornecimento contínuo
de água, a longo prazo. O órgão tem o direito de exigir do distrito de irrigação uma tabela
de fornecimento de água que esteja dentro do acordo feito entre eles, assim como de
receber alguns pagamentos do distrito, para cobrir os custos de O&M das estruturas
principais e algumas despesas do governo, conforme consta do contrato entre o órgão e
o distrito de irrigação.

O distrito de irrigação tem os seguintes direitos:

„ Uma quantidade razoável de água, em tempo hábil, necessária à irrigação e produ-


ção agrícola no projeto;
„ Tomar suas próprias decisões quanto à operação do sistema de distribuição;
„ Acesso a outros serviços prestados pelo órgão público;
„ Acesso à comercialização de modo livre e competitivo.

São as seguintes as obrigações do distrito de irrigação:

„ Solicitar fornecimento de água em tempo hábil, de acordo com a tabela programada


junto com o órgão;
„ Uso adequado da água, evitando perdas;
„ Manter em boas condições as estruturas e os sistemas que opera;
„ Colaborar com o órgão público na manutenção programada das estruturas princi-
pais operadas pelo mesmo;
„ Efetuar, no devido prazo, os pagamentos ao órgão público, de acordo com o contra-
to entre o órgão e o distrito de irrigação;
„ Manter a qualidade da água drenada do projeto, operando adequadamente as estru-
turas e fazendo uso apenas do material tóxico autorizado no perímetro.

O relacionamento entre as entidades depende muito das pessoas envolvidas, mas


existem medidas que podem ser adotadas visando ao bom relacionamento no trabalho.
Algumas dessas medidas são as seguintes:

„ O órgão público e o distrito de irrigação estabelecem, em conjunto, os critérios para


o funcionamento das estruturas operadas pelo órgão e aquelas operadas pelo distrito;
„ Reuniões anuais para programar o fornecimento da água (quantidade e época), e
que podem também servir para tratar de outros assuntos, tais como: programação
da manutenção, problemas na operação, etc.;

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„ Reuniões mensais, durante o período de demanda máxima da irrigação, para asse-


gurar o fornecimento adequado da água;
„ Tanto o órgão público como o distrito de irrigação devem designar um interlocutor
para as decisões, o qual poderá se articular com as demais pessoas, quanto a essas
decisões.

O supervisor do escritório de campo do órgão público deve comparecer às reuniões


do Conselho de Administração do Distrito e informar o Escritório Regional do Órgão sobre
as ações importantes.

Tanto o pessoal do escritório de campo do órgão público como o pessoal do distrito


de irrigação devem participar do programa de “Revisão da Operação e Manutenção” pe-
riódica, realizada pela equipe de fiscalização da sede do órgão (vide Item 2.3.4).

2.3.1.5 Gerenciamento das Bacias Hidrográficas

Em alguns casos, o órgão público pode operar vários açudes fornecendo água para
vários projetos de irrigação e para outros usos na área de uma bacia hidrográfica, na qual
essas estruturas são chaves na disponibilidade hídrica para os numerosos usos. Isto colo-
ca o órgão na posição de gerenciamento dessa bacia, cuja eficiência depende de como o
órgão coordena a operação das suas estruturas.

O gerenciamento eficiente da bacia exige estudos de hidrologia, modelos de precipi-


tação/escorrimento e de simulação da operação dos açudes, e coleta de dados de campo,
através de um sistema adequado. O gerenciamento da bacia é uma técnica especializada,
que precisa de um conhecimento amplo do assunto.

2.3.2 Controle do Uso da Água

O controle do uso da água, neste parágrafo, refere-se aos “direitos da água” ou


controle legal do uso da água de um rio, por uma entidade governamental. Muitos países
instituíram um sistema de gestão do uso da água. Freqüentemente, esse sistema consiste
de um processo de solicitação, concessão e licença. Por esse processo, uma entidade que
deseje desviar água de uma fonte controlada pelo governo deve apresentar uma solicita-
ção ao órgão governamental responsável pelo controle do uso da água. Essa solicitação
deve conter todas as informações referentes ao desvio. O órgão controlador examina a
solicitação e, caso seja aprovada, expede um documento autorizando o desvio. Após
alguns anos, se o desvio tiver sido feito de acordo com o documento, esse solicitante
recebe uma licença estabelecendo sua prioridade de uso da água do rio. Quando a capa-
cidade de fornecimento da água do rio estiver no limite, ficam suspensas novas autoriza-
ções de desvio.

No Brasil, a Constituição estabelece quais as fontes de água estão sob controle do


governo estadual, e quais estão sob controle do governo federal. Entretanto, na maior
parte dos rios, o suprimento de água tem sido amplo, e ainda não foi estabelecido um
sistema de controle legal.

Quando ficar decidido se estabelecer um sistema de direitos ao uso da água, o


departamento de O&M deverá aderir a esse sistema, em nome do seu órgão público.

Essa responsabilidade consiste de três atividades principais:

„ Conseguir direito ao uso da água para todos os projetos do órgão público, concedi-
do pelo órgão público responsável pelo controle do uso da água;
„ Manter esse direito ao uso da água, operando o projeto de acordo com o estabelecido.

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Monitorar periodicamente a existência de novos desvios na bacia que possam afe-


tar a disponibilidade de água, dos projetos do órgão público. Se a subscrição total da água
se aproximar do limite da disponibilidade da bacia, o departamento de O&M deve se
comunicar com o órgão público que faz o controle do uso da água, para que o mesmo
fique a par da situação e não forneça novas autorizações de desvio.

2.3.3 Administração dos Contratos entre o Órgão Público e os Distritos de


Irrigação

Durante o processo de emancipação dos projetos de irrigação, os contratos são


preparados e negociados com os distritos de irrigação, a fim de assegurar a responsabili-
dade dos distritos pela administração do projeto e pelo ressarcimento ao governo do seu
investimento. O contrato inclui, também, as responsabilidades do órgão público (Vide
Anexo 3).

Após a assinatura desses contratos, os mesmos devem ser mantidos em arquivo,


no órgão, servindo, também, como referência, quando o órgão público fiscalizar a opera-
ção, manutenção e administração do projeto, para assegurar que os distritos estão ope-
rando, mantendo e administrando os projetos de acordo com a lei e com os termos do
contrato.

Se o distrito não estiver operando, mantendo e administrando, de acordo com os


termos do contrato, o próprio contrato descreve o recurso que pode ser usado pelo gover-
no. Portanto, se o distrito não modificar seus procedimentos, de modo a cumprir os
termos do contrato, o governo poderá agir de acordo com esses termos, assegurando a
operação, manutenção e administração adequada do projeto.

Outra atividade referente à administração do contrato é a cobrança de tarifas de


uso de água. Por lei, o Ministério da Agricultura deve aprovar todas as tarifas de água dos
distritos de irrigação. O distrito propõe o valor da tarifa à Divisão de Operação, Manuten-
ção e Emancipação (Capítulo III), devendo o mesmo ser examinado, negociado com o
distrito (se necessário) e, então, submetido à aprovação do chefe do órgão, que o enca-
minha à aprovação do Ministério. Se o Ministro delegar esta responsabilidade ao órgão
público ou ao próprio distrito, estes devem tomar as devidas providências.

A administração de contratos também abrange a função de renegociar ou reescre-


ver o contrato, no caso de ambas as partes assim o resolverem, para adaptá-los às
condições. Por exemplo, se um distrito recebe um empréstimo do governo federal para
implementar um programa importante de reabilitação, o contrato pode ser renegociado
para cobrir o ressarcimento do empréstimo (além das outras obrigações) e os termos para
implementação do programa de reabilitação.

2.3.4 Programa de Revisão da Operação e Manutenção (RO&M)

Esta é uma atividade importante que possibilita ao órgão público a fiscalização da


operação, manutenção e administração dos projetos, assim como a apresentação de
recomendações técnicas úteis aos distritos de irrigação, visando ao aperfeiçoamento de
suas atividades.

Esse programa é constante e orientado por equipes técnicas da sede do órgão


público. O Anexo 6 é um conjunto de diretrizes detalhadas para esse programa e para a
composição das equipes técnicas de revisão.

2.3.5 Assistência Técnica aos Distritos de Irrigação

Durante o processo de emancipação, o órgão público dá assistência técnica aos


distritos de irrigação para auxiliá-los a assumir a operação do projeto. Entretanto, após a

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emancipação, o órgão pode continuar a auxiliar os distritos, se for necessário. Esta assis-
tência técnica seria tanto na área de operação e manutenção das infraestruturas do pro-
jeto, quanto na área de produção agrícola.

2.3.5.1 Informações mais Recentes sobre Tecnologia e Pesquisa

No programa de assistência técnica, o órgão deve coletar informações referentes


aos padrões e tecnologia mais recentes, resultados de pesquisa na área de agricultura
irrigada e na de operação e manutenção das estruturas dos projetos de irrigação.

O órgão deve fornecer, periodicamente, aos distritos as seguintes informações:

a) Os critérios mais recentes sobre a operação e manutenção das estruturas e dos


sistemas do projeto;

b) A tecnologia mais recente em irrigação parcelar e outras atividades sobre a opera-


ção, manutenção e manejo dos sistemas de irrigação;

c) As conclusões das pesquisas sobre todos os aspectos da agricultura irrigada.

As informações podem ser fornecidas através de boletins ou livretos, ou através de


reuniões e seminários periódicos, com o pessoal técnico do distrito de irrigação e das
cooperativas.

Outro tipo de assistência técnica ao distrito é o auxílio em problemas específicos,


sempre que o mesmo solicitar. Nesses casos, o órgão público pode enviar pessoal quali-
ficado para estudar o caso e fazer as recomendações técnicas apropriadas.

2.3.5.2 Programa de Manejo e Conservação da Água

Um dos principais objetivos da O&M é o manejo aperfeiçoado e o uso eficiente da


água, energia e outros recursos na operação dos projetos de irrigação. O programa de
manejo e conservação da água (MCA) é um meio não estrutural de obter melhoramentos
nos sistemas de uso comum e parcelar e em sua operação. O órgão público pode oferecer
esse tipo de programa como assistência técnica ao distrito. Além da redução do uso da
água e das perdas, o programa visa à conservação de energia e à preservação da qualida-
de da água. Esse tipo de programa abrange três tipos gerais de atividades:

a) Desenvolvimento ou adaptação de novas tecnologias para o uso eficiente da água e


energia, e preservação da qualidade da água na irrigação;

b) Estímulo à adoção de tecnologia aperfeiçoada e práticas de manejo da água pelos


irrigantes; e

c) Assistência e serviços técnicos destinados aos distritos de irrigação.

O programa de MCA de assistência do órgão abrange as seguintes atividades:

a) Demonstrações parcelares de longo prazo e programas de treinamento, nos quais


os especialistas em irrigação e manejo de água do órgão trabalham com equipes de
cada distrito em períodos de 4 meses a 2 anos para estabelecer práticas tais como
programação de irrigação parcelar e programação do fornecimento da água nos
sistemas de uso comum;

b) Demonstração de campo, de médio prazo, e treinamento, nos quais os especialistas


do órgão público podem trabalhar junto com cada distrito por 4 meses, a fim de

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

treinar os funcionários encarregados pelas operações dos sistemas de uso comum,


e estabelecer normas aperfeiçoadas para o manejo da água e operação dos siste-
mas;

c) Seminários para informação e treinamento, realizados em pontos centrais, durante


dias ou semanas, com a finalidade de apresentar novas tecnologias e práticas aper-
feiçoadas a um ou muitos funcionários do distrito de irrigação e aos irrigantes;

d) Preparação e distribuição de publicações técnicas, filmes e outros tipos, referentes


às práticas de manejo da água, programação de irrigações e programação do forne-
cimento da água;

e) Exames diagnósticos dos sistemas de irrigação parcelares e de uso comum, com a


finalidade de identificar as causas do uso excessivo ou perdas de água, e determi-
nar as medidas corretivas específicas (isto é, melhoramentos nas estruturas, mane-
jo ou operação) que devem ser tomadas;

f) Avaliação dos custos e benefícios dos melhoramentos propostos ou das práticas


para aumentar a eficiência no uso da água;

g) Aperfeiçoamento dos sistemas de medição da água nas parcelas e nos sistemas de


uso comum;

h) Aperfeiçoamento da política de manejo de água e procedimentos de operação do


sistema de uso comum pelo distrito;

i) Aperfeiçoamento das práticas de empreendimento do distrito (isto é, contabilidade


e cobrança da água);

j) Estabelecimento de planos de conservação da água para o distrito;

k) Estabelecimento de programas de emergência para o distrito, durante o período de


seca ou estiagem.

O programa deve ser iniciado, primeiramente, como um esforço demonstrativo,


pelo órgão. Os distritos de irrigação devem apoiar financeiramente esses programas,
quando forem adotados nas suas funções operacionais. O resultado desse esforço pode
também ser aplicado na elaboração de novos projetos ou na reabilitação dos sistemas de
irrigação.

O programa de MCA inclui ações relacionadas às duas áreas seguintes:

1) Manejo da água e programação de irrigações parcelares;

2) Programação do fornecimento da água através do sistema de distribuição.

2.3.5.2.1 Manejo da Água e Programação de Irrigações Parcelares

O manejo da água e a programação de irrigação parcelar são feitos para assegurar


que a aplicação de água só ocorre quando necessário e em quantidades adequadas. A
programação abrange a previsão das datas de irrigação e a quantidade de água necessária
a ser aplicada para encher a zona das raízes das culturas, em cada parcela.

Esta programação prevê os seguintes benefícios:

a) Maior rendimento na colheita;

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b) Melhor qualidade na colheita;

c) Custos de produção mais baixos;

d) Custos de operação e manutenção mais baixos;

e) Critérios aperfeiçoados de programação das necessidades futuras de água;

f) Impacto ambiental mais favorável.

Em um dos métodos de programação, é feita uma análise do balanço hídrico, usan-


do a taxa diária de evapotranspiração, as eficiências de aplicação e a precipitação efetiva.
O balanço hídrico registra a depleção diária da umidade do solo, pela soma da depleção
anterior com a evapotranspiração, subtraindo-se a irrigação e a precipitação efetivas. A
depleção diária obtida é a quantidade de água necessária para reabastecer o perfil do solo
naquele dia. Pela projeção da taxa de evapotranspiração no futuro, pode-se calcular com
precisão a data em que a depleção da umidade do solo atingirá um nível considerado
ótimo. O irrigante pode ser informado sobre quando será essa data, assim como sobre a
quantidade de água que deve ser usada para reabastecer o perfil do solo. O volume de
água necessário pode ser ajustado pela eficiência de aplicação, para que o irrigante possa
conseguir a aplicação adequada.

A taxa de evapotranspiração de uma dada cultura afeta diferentemente a taxa de


depleção da umidade do solo, ao longo da estação, dependendo também das condições
climáticas predominantes, bem como do desenvolvimento da zona das raízes da cultura.
Conseqüentemente, os intervalos da irrigação variam durante o desenvolvimento da cultura.

O procedimento para determinar a taxa de evapotranspiração (uso consuntivo) de


uma cultura específica baseia-se na determinação da taxa de evapotranspiração de uma
cultura de referência, tal como a alfafa em boa condição. Essa taxa de evapotranspiração
de referência é chamada de “taxa de evapotranspiração potencial”. A taxa de
evapotranspiração de qualquer outra cultura específica é, então, determinada pelo ajuste
da taxa de evapotranspiração potencial por um coeficiente de cultura (Kc). O coeficiente
de cultura de uma cultura específica varia de acordo com seu estágio de crescimento. Os
dados necessários para o cálculo da taxa de evapotranspiração potencial e da taxa de
evapotranspiração de uma cultura específica são os dados sobre o clima e sobre a cultura.
Entre os dados sobre o clima, estão as temperaturas máxima, média e mínima diárias, a
umidade, a velocidade do vento e a radiação solar. Esses dados devem ser coletados
diariamente, numa estação meteorológica situada em local característico dentro do perí-
metro de irrigação. Entre os dados necessários sobre as culturas, estão o tipo, a varieda-
de, as datas de plantio, a data de brotação, a data do pico de consumo e a data da
colheita. Esses dados devem ser coletados no local de uma estação experimental da área,
de fornecedores de sementes, ou do próprio irrigante.

Semanalmente, é feita uma investigação de campo para determinar a depleção da


umidade do solo. Essa depleção é comparada à estimada pelo computador, a fim de
atualizar a análise do balanço hídrico e chegar à recomendação final a ser feita ao irrigante.
O pessoal de campo faz visitas semanais ao irrigante para entregar a folha de computador
que indica quando e quanto irrigar, fazer recomendações sobre a irrigação e auxiliar o
irrigante em qualquer problema de manejo da água na parcela. Podem ser feitos ajustes
nas datas previstas para as irrigações e nas quantidades de água a serem aplicadas na
parcela, se a demanda de água for superior à capacidade do sistema de distribuição.

São também coletadas informações sobre as águas subterrâneas nas áreas onde o
lençol freático é suficientemente alto para interferir na zona das raízes das culturas. As
informações coletadas sobre o lençol freático dão a indicação sobre o prazo até o qual os

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

intervalos das irrigações podem ser estendidos. Após a época de irrigação e próximo da
época da colheita, são colhidas as últimas amostras da umidade do solo para se fazer a
correlação entre a depleção medida no campo e a estimada no computador.

O programa pode dar assistência ao irrigante utilizando os diferentes níveis de


programação de irrigação parcelar. Esses níveis variam de acordo com a intensidade do
serviço prestado, mas delegam ao irrigante as decisões finais. São dois os níveis da
programação de irrigação parcelar aqui considerados: o menos complexo, chamado “Guia
para Irrigações” e o mais complexo, chamado “Programação de Irrigação Parcelar”.

1. Guia para Irrigações - O Guia para Irrigações (Tabela 2.3) apresenta os intervalos
entre as irrigações das principais culturas, em uma determinada área, com base nas
taxas diárias de evapotranspiração dos cultivos, baseado na época de seu desen-
volvimento, e a capacidade média de retenção de água de vários solos da área.
Esse Guia é elaborado semanalmente, com dados climáticos diários provenientes
de uma estação central da área. Apresenta a média diária do uso consuntivo de
água pelos vários cultivos e oferece informações para permitir ao irrigante estimar a
quantidade e a data da próxima irrigação. A informação é estimada e fornecida para
cada cultura da área, considerando um estágio normal de crescimento das culturas
da área. Pode incluir informações para culturas com plantio adiantado, normal ou
atrasado. O Guia para Irrigações tem-se mostrado muito eficiente como serviço
suplementar. Quando os dados básicos e a experiência possibilitam definições pre-
cisas quanto às condições gerais da área, as recomendações dos intervalos entre
irrigações são bastante exatos.

2. Programação de Irrigação Parcelar - A Programação de Irrigação Parcelar (Tabela


2.4) informa ao irrigante a situação diária da umidade do solo de cada uma das
parcelas incluídas no programa. Também informa as datas recomendadas para as
irrigações e a quantidade de água a ser aplicada. Havendo informações disponíveis
favoráveis, podem, também, ser incluídas as vazões de aplicação e o tempo de
aplicação. Tendo em vista que as necessidades de dados são substancialmente
maiores nesse nível do que no nível do Guia para Irrigações, dependendo das con-
dições, há necessidade de um técnico de campo para cada 1.000 a 2.000ha aten-
didos. Esse serviço pode ser prestado, tanto com programas de uso consultivo,
feitos no computador, como por medições no campo da umidade do solo.

Tabela 2.3 Guia para Irrigações

Nome do Distrito de Irrigação:___________________


Tipo de Solo Típico:____________________ Data de Computação:________________

Quantidade de Água Quantidade de Água a Ser Usada


Usada pelas Plantas Intervalo da na Próxima Irrigação
Data da Última Data da Próxima
Culturas Média do Uso Quantidade Usada Irrigação em
Irrigação** Irrigação**
Diário da Planta Entre as Irrigações Dias* Quantidade (mm)** Quantidade (m3)**
(mm)* (mm)**
Grama
Trigo
Feijão
Batata

Esse formulário é um guia geral organizado para cada tipo de solo especifica e para
culturas selecionadas desenvolvidas no distrito de irrigação. Os irrigantes do distrito po-
dem utilizá-lo para estimar a quantidade de água a ser aplicada em cada uma de suas
parcelas, assim como quando deve ser aplicada.

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QUANTIDADE DE ÁGUA USADA PELAS PLANTAS


Média do Uso Diário da Planta (mm) * Quantidade média de água utilizada por dia por uma cultura típica, em milímetros, durante a
semana anterior.
Quantidade Usada Entre as Irrigações (mm) * Após terminar uma irrigação, essa e a quantidade de água, em milímetros, a ser usada por
uma cultura típica do tipo de solo típico, até que seja necessária uma próxima irrigação.
Presume-se que a última irrigação encheu a zona de raízes em toda sua capacidade.
Data da Última Irrigação ** Anotar aqui a data da última irrigação de cada cultura constante da tabela que ela possuir
na sua parcela.
Intervalo da Irrigação em Dias * É o período de tempo recomendado, em dias, entre a ultima irrigação e a próxima. Esse
intervalo é computado levando-se em conta as condições passadas reais climáticas e das
culturas, e uma previsão futura de cinco dias do clima e das culturas.
Data da Próxima Irrigação ** Calcular essa data, somando o INTERVALO DA IRRIGAÇÃO EM DIAS a DATA DA ÚLTIMA
IRRIGAÇÃO, com relação a qualquer cultura apresentada na tabela.
QUANTIDADE DE ÁGUA A SER USADA NA PRÓXIMA IRRIGAÇÃO
Quantidade (mm) ** Calcular essa quantidade, dividindo a QUANTIDADE USADA ENTRE AS IRRIGAÇÕES por sua
eficiência de aplicação.
Quantidade (m3) ** Calcular essa quantidade, multiplicando a QUANTIDADE DE ÁGUA A SER USADA, em
milímetros, pelo número de hectares que possui com essa cultura particular, e
multiplicando o resultado por 10.

* Fornecidos pelos preparadores do GUIA PARA IRRIGAÇÕES.


** Determinadas pela pessoa que utilizar o GUIA PARA IRRIGAÇÕES.

Tabela 2.4 Programação de Irrigação Parcelar

Nome do Distrito de Irrigação:_________________________


Número da Parcela:___________________ Data:______________
Nome do Irrigante:___________________ Endereço do Irrigante:________________

Deplexão Próxima Irrigação


Média Depleção Data da
Zona das Máxima
Campo Cultura Área (ha) Diária do de Hoje Última Quantidade
Raízes (cm) Permitida Data
Uso (mm) (mm) Irrigação
(mm) (mm) ( m 3)
1 CANA-DE-AÇÚCAR 5
2 CANA-DE-AÇÚCAR 10
3 CANA-DE-AÇÚCAR 5
4 CANA-DE-AÇÚCAR 4
5 CANA-DE-AÇÚCAR 5
6 CANA-DE-AÇÚCAR 5

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Campo Número do campo.


Cultura Cultura que está se desenvolvendo.
Área (ha) Número de hectares.
Zona das Raízes (cm) Profundidade da zona das raízes, em centímetros, da cultura particular do campo específico.
Média Diária do Uso (mm) A média diária do uso da água da cultura, em milímetros.
Depleção de Hoje (mm) Estimativa da depleção de água no solo, em milímetros, na data da PROGRAMAÇÃO DA IRRIGAÇÃO
PARCELAR.
Depleção Máxima Permitida (mm) A depleção máxima permitida antes que a zona das raízes precise ser reenchida com irrigação.
Data da Última Irrigação Data da última irrigação ocorrida na parcela.
Data da Próxima Irrigação Data em que será necessária uma próxima irrigação na parcela.
Quantidade da Próxima Irrigação (mm) Quantidade de água, em milímetros, que deverá ser aplicada para reencher a zona das raízes, numa
certa eficiência de aplicação. Essa eficiência é estimada para cada parcela.
Quantidade da Próxima Irrigação (m3) Quantidade de água, em metros cúbicos, que deverá ser aplicada para reencher a zona das raízes.

NOTA: Todos os valores dessa tabela são calculados e fornecidos pelos preparadores da PROGRAMAÇÃO DE
IRRIGAÇÃO PARCELAR. Não é necessário fazer cálculos.

PROGRAMAÇÃO DA IRRIGAÇÃO PARCELAR

Esse formulário de PROGRAMAÇÃO DA IRRIGAÇÃO PARCELAR mostra o nome do


distrito de irrigação, o número da parcela, o nome e endereço do irrigante e a data da
programação. Este agricultor particular possui seis parcelas de cana-de-açúcar irrigada. A
PROGRAMAÇÃO DE IRRIGAÇÃO PARCELAR fornece as seguintes informações específi-
cas para cada um dos campos:

A Programação de Irrigação Parcelar fornece ao irrigante, uma ou duas vezes por


semana, uma folha impressa que “atualiza” do seu programa de irrigação. Essa atualiza-
ção incorpora os parâmetros climáticos medidos e a atual umidade do solo durante o
período de atualização, que é o tempo decorrido desde a última Tabela da Programação de
Irrigação Parcelar. A evapotranspiração potencial é projetada baseada em dados históri-
cos de longo prazo, e pode ser modificada por um ajuste de curto prazo (cinco dias ou
menos) para as condições climatológicas antecipadas durante o período previsto. Junta-
mente com os dados climáticos, há uma tabela com informações para várias parcelas sob
responsabilidade do irrigante. Os dados que podem ser incluídos nessa tabela são a situa-
ção da umidade do solo em cada parcela, no final do período de atualização anterior, a
zona efetiva das raízes, a capacidade de retenção de água dessa zona e a depleção
permitida. Os dados são acompanhados pela data da última irrigação, pela data recomen-
dada para a próxima irrigação e quantidade de água a ser aplicada na próxima irrigação,
em cada parcela.

2.3.5.2.2 Programação do Fornecimento de Água pelo Sistema de Distribuição

A programação do fornecimento de água pelo sistema de distribuição é feita para


minimizar as perdas operacionais. Os sistemas de irrigação no Brasil são projetados para
fornecer água quando necessário (“Demand System”), porém, quando a demanda ultra-
passa a capacidade de fornecimento do sistema, é necessário controle e programação da
distribuição. Se não há uma programação e controle, alguns irrigantes ao longo do siste-
ma não mais receberão a quantidade necessitada. Isto pode acontecer, especialmente,
nos meses de demanda máxima e em horários de demanda máxima durante o dia.

A programação através do sistema de distribuição abrange o cálculo e a organiza-


ção do fornecimento de água às parcelas em todo o projeto, em tempo hábil e na quanti-
dade suficiente para atender as necessidades das culturas. O programa de MCA empe-

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nha-se em melhorar a operação do sistema, com entrega das reais necessidades das
parcelas.

A programação tem o propósito de ajudar o distrito de irrigação em suas tarefas de


operação do sistema. Este programa dá assistência ao distrito nas agregações das de-
mandas de água das parcelas, com base nas culturas que estão atualmente sendo cultiva-
das dentro do projeto, e os fatores climáticos requeridos. As necessidades de irrigação
diferem do uso consuntivo da cultura, pois este uso reflete as eficiências de condução,
distribuição e aplicação da água e a precipitação efetiva.

A fase mais importante deste programa é a inclusão de informações relativas ao


manejo da água parcelar, dentro das programações do fornecimento no sistema de distri-
buição para alcançar o gerenciamento total da água a nível do projeto. Para aperfeiçoar o
manejo parcelar, pode ser necessário fazer mudanças substanciais nas práticas vigentes
de irrigação e de fornecimento de água às parcelas. O irrigante deverá receber informa-
ções exatas sobre quando irrigar determinada cultura e que quantidade de água aplicar. A
programação de irrigação parcelar fornece informações sobre isso. Além dessas informa-
ções, o irrigante quase sempre necessita de assistência técnica na preparação da terra
para irrigação e na distribuição uniforme da quantidade de água adequada sobre a área.

A programação do fornecimento de água pelo sistema de distribuição deve levar em


consideração as limitações impostas pelos sistemas de entrega de água nas parcelas,
bem como as limitações do sistema de distribuição do projeto em si. O cálculo e a orga-
nização das tabelas (cronogramas) para a distribuição de água às parcelas em uma lateral
é conhecida como programação do sistema. As tabelas de distribuição às parcelas nas
laterais são calculadas e ajustadas. Isto possibilita a programação da distribuição de água
através de todo o sistema de distribuição e armazenagem, para fazer uso do suprimento
total de água da maneira mais eficiente possível. Os “printouts” com as tabelas de distri-
buição são utilizados pelos canaleiros e por outras pessoas encarregadas da operação,
permitindo-lhes fazer uma boa programação do uso da água na lateral. Em sistemas
automáticos projetados para fornecer água, nas épocas de demanda máxima e quando
necessário (“Demand Systems”), os canaleiros e pessoas encarregadas da operação têm
que estar seguros de que só os irrigantes previamente estabelecidos recebam água nas
quantidades tabeladas, assegurando, dessa forma, que o sistema automático funcione
como projetado e todos os irrigantes recebam água, quando precisarem.

Existem três níveis de precisão e intensidade para previsão das necessidades da


irrigação, visando a programação do sistema de distribuição. Esses níveis baseiam-se na
sofisticação do sistema de programação utilizado.

O nível I, que é o menos detalhado, simplesmente determina a tabela de forneci-


mento do sistema de distribuição para atender as solicitações do momento feitas pelos
irrigantes para fornecimento de água. As solicitações futuras não são estimadas. O tempo
de antecipação requerido para as solicitações depende das características físicas do siste-
ma.

O nível II determina uma tabela para fornecimento de água no sistema baseada nas
solicitações do momento para fornecimento de água, e nas solicitações estimadas para o
futuro, com base no uso consuntivo calculado teoricamente. Não são feitas visitas ao
campo para verificar o uso consuntivo e a situação da umidade do solo. Os irrigantes não
participam da programação de irrigação nas parcelas.

O nível III, que é o mais detalhado, abrange a programação das solicitações de


distribuição de água do momento, as necessidades futuras estimadas para as parcelas e
uma programação contínua das irrigações nas parcelas, com base em estimativas de

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computadores e medição nas parcelas. As necessidades futuras podem ser projetadas


com bastante exatidão, com uma semana de antecedência.

O nível III, que é o ideal, seria o método de programação mais recomendável. Entre-
tanto, nem sempre todos os irrigantes participam da programação parcelar. O nível II
pode, então, ser utilizado para as áreas onde os irrigantes não participam da programa-
ção, e o nível III, para as áreas onde há participação.

Podem ser preparados, para facilitar os trabalhos, programas de computador para a


programação de fornecimento de água no sistema de distribuição e na parcela. Os progra-
mas de computador produzem as tabelas de fornecimento nas tomadas de água, de forma
que a água seja fornecida quando prevista, e as eficiências de distribuição de água sejam
maximizadas.

Poderiam ser feitas mudanças restritivas, devido às limitações da capacidade do


sistema de distribuição e, também, a fim de manter o fluxo o mais uniforme possível
através do sistema, bem como reduzir a perda operacional. As necessidades diárias de
vazão para cada tomada são ajustadas na medida do necessário, e totalizadas para deter-
minar a exigência de desvio lateral e a demanda do sistema principal de distribuição.

A velocidade e a capacidade de armazenagem de dados dos computadores moder-


nos facilita os numerosos cálculos exigidos pelo Programa de MCA. Entretanto, não há
necessidade de centrais de computadores. Com os recentes melhoramentos na tecnologia
de micro computadores, é possível que os distritos de irrigação usem seu próprio equipa-
mento.

O ideal seria que o computador programasse inteiramente a distribuição de água e


as irrigações parcelares, e o pessoal de campo desse assistência aos irrigantes quanto
aos programas de manejo de água nas parcelas, bem como à coordenação das tabelas de
fornecimento de água junto ao pessoal do distrito, responsável pela operação, a fim de
otimizar a distribuição de água. Assim, o programa de MCA ficaria integrado ao programa
regular, dentro do programa de operação e manutenção do distrito de irrigação.

2.3.6 Administração das Terras do Governo

Os projetos públicos geralmente são construídos em terras que foram adquiridas


pelo governo para parcelas, construção das estruturas dos projetos, áreas de reservas
naturais de meio ambiente e áreas residenciais de irrigantes.

Quando o projeto é emancipado, o distrito de irrigação torna-se responsável pela


administração das terras do projeto que abrangem locais onde as estruturas do projeto
são construídas, áreas residenciais e reservas do meio ambiente. Os termos de referência
referentes à sua administração devem ser incluídos no contrato entre o distrito de irriga-
ção e o órgão público. Os agricultores adquirem parcelas, e assinam com o órgão público
um contrato para financiamento dessa compra.

A administração de algumas terras poderia permanecer como responsabilidade do


órgão público, e seriam ocupadas pelas estruturas principais, que ainda fossem operadas
pelo órgão. Em alguns casos, pode haver terras adquiridas pelo órgão para o projeto, mas
que não foram usadas nem transferidas para o distrito.

A administração das terras do governo abrange as seguintes funções:

a) Determinar o destino das terras pertencentes ao governo federal, quando elas não
mais forem necessárias aos objetivos dos projetos federais de irrigação. Isso pode

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ser feito através da venda das terras ou sua transferência para outro órgão público
que possa utilizá-las;

b) Assegurar que as terras estão preservadas para atender aos objetivos do projeto,
exigindo a saída de qualquer invasor que pretenda utilizar a terra para fins particu-
lares;

c) Assegurar que o gerenciamento das terras feito pelos distritos de irrigação está
condizente com os termos do contrato.

Deve ser mantido um registro de todas as terras administradas pelo órgão público.

Os critérios para administração das terras devem ser estabelecidos pela sede e
informados ao pessoal de campo que será encarregado pela sua guarda.

As terras administradas pelos distritos de irrigação devem ser vistoriadas durante a


revisão periódica da operação e manutenção do projeto (Item 2.3.4).

Se um distrito de irrigação apresentar problemas específicos de administração de


terra, um especialista nesse tipo de problema deve participar da equipe de revisão da
operação e manutenção.

2.3.7 Programa de Empréstimo - Reabilitação Maior

O “Bureau” e outros órgãos similares de outros países têm programas de emprésti-


mos a distritos de irrigação para efetivar reabilitações maiores ou modernizações dos
projetos de irrigação. É recomendável que a CODEVASF e o DNOCS implementem progra-
mas semelhantes.

As funções associadas à administração desse programa são as seguintes:

a) Informações a todos os distritos de irrigação referentes ao programa (procedimen-


tos para solicitação do empréstimo, condições, responsabilidades do distrito e pa-
pel do órgão público);
b) Instruções apropriadas e modelos de solicitação de empréstimo para os distritos
que desejarem fazê-lo;
c) Assistência aos distritos na conclusão do relatório de solicitação de empréstimo;
d) Revisão e aprovação ou reprovação do relatório de solicitação de empréstimo feito
pelo distrito;
e) Elaboração e assinatura do contrato para ressarcimento do empréstimo pelo distri-
to;
f) Administração dos contratos de ressarcimento, a fim de garantir que o trabalho seja
feito de acordo com o contrato, e que o ressarcimento do empréstimo esteja sendo
feito dentro dos prazos.

Geralmente, esses programas têm um processo de solicitação de empréstimo que


exigem um relatório com a descrição detalhada do trabalho a ser executado, sua estima-
tiva de custos e o plano financeiro, tanto para o financiamento como para o ressarcimento
do empréstimo. Normalmente, os distritos de irrigação devem pagar uma percentagem do
custo total do programa com seus próprios recursos (podem ser 50%).

O relatório de solicitação do empréstimo pode consistir das seguintes partes:

I. GERAL
II. O DISTRITO
III. PROGRAMA DE REABILITAÇÃO

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

IV.ESTIMATIVA DE CUSTOS
V. AVALIAÇÃO
VI.PROGRAMA FINANCEIRO
ANEXOS

A Parte I inclui um mapa do projeto, destacando as estruturas a serem reabilitadas,


e uma descrição sobre a localização do projeto e do clima (temperatura média mensal,
índice pluviométrico e velocidades eólicas).

A Parte II contem o histórico do distrito de irrigação; a relação das leis pertinentes


sob as quais o distrito foi organizado; os poderes e a autoridade do distrito sua situação
financeira; e uma descrição das estruturas existentes e sua condição.

A Parte III detalha as investigações feitas sobre o trabalho de reabilitação; os crité-


rios de elaboração e os padrões usados; as alternativas consideradas; a descrição da obra
a ser feita e o prazo para sua conclusão; os meios para prestação dos serviços no projeto
durante a obra (contratação ou utilização da mão-de-obra do distrito). Os planos estrutu-
rais, os desenhos e uma descrição da implantação do projeto devem ser incluídos nesta
parte.
A Parte IV inclui uma estimativa completa dos custos da obra a ser feita, tanto
diretos como indiretos, e uma tabela de utilização dos recursos.

A Parte V apresenta uma estimativa da capacidade dos irrigantes e do distrito


quanto ao pagamento dos custos do empréstimo. Inclui uma análise financeira e todas as
hipóteses nela usadas.

A Parte VI apresenta as fontes de renda (recursos próprios do distrito e o valor do


empréstimo solicitado), assim como a tabela de pagamento do empréstimo.

Os anexos incluem a avaliação ambiental, a resolução do Conselho de Administra-


ção aprovando o empréstimo e comprometendo-se a seu ressarcimento, os critérios de
“design” e hidráulicos, exemplos de orçamentos parcelares usados para demonstrar a
capacidade de pagamento dos irrigantes de uma tarifa de água mais elevada, e outras
informações necessárias à complementação do relatório.

2.3.8 Banco de Dados de Operação e Manutenção

O órgão público deve manter um banco de dados referentes à operação, manuten-


ção e administração de todos os projetos, consistindo de duas partes:

a) informações básicas do projeto;

b) informações referentes à operação e manutenção dos projetos.

A parte (a) é um arquivo de dados, tais como:


„ Projetos básicos e executivos;
„ Manuais de O&M específicos do projeto;
„ Relatórios dos estudos de pré-viabilidade e de viabilidade do projeto;
„ Contrato entre o órgão público e o distrito;
„ Desenhos conforme executado;
„ Registros de propriedade das terras.

A parte (b) é um banco de dados que cresce continuamente, já que recebe o acrés-
cimo periódico de novas informações referentes à operação e manutenção do projeto.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

As informações específicas que devem ser coletadas, a princípio, mensalmente,


são:

„ Área irrigada;
„ Volume de água armazenada;
„ Volume de água bombeada;
„ Volume de água fornecida às parcelas;
„ Volume de água fornecida para uso doméstico;
„ Tarifas de água cobradas;
„ Despesas de O&M;
„ Dados sobre o clima.

O dados da parte (b) são úteis para monitorar a administração do projeto e servem
como dados básicos para sua análise e para o planejamento de projetos futuros.

O banco de dados deve ser computadorizado. Com relação à parte (a), o índice das
informações e sua localização podem ser colocados no computador. Com relação à parte
(b), todos os dados podem ser mantidos em um banco de dados.

Os dados da parte (b) são coletados pelos distritos e, portanto, o contrato entre o
órgão público e o distrito deve mencionar a exigência dessa coleta e sua apresentação ao
órgão, em data predeterminada.

2.3.9 Participação no Processo de Planejamento/Elaboração de Novos Projetos

Um dos aspectos importantes do departamento de O&M é dar assistência aos


planejadores de projetos novos, durante os estágios de pré-viabilidade e viabilidade, e aos
projetistas, durante as fases de projeto básico e de detalhamento do projeto básico. A
assistência deve consistir de informações referentes à operação e manutenção das estru-
turas e à administração do projeto.

Através da experiência com os projetos existentes, o departamento de O&M tem


conhecimento de como as estruturas funcionam, que sistemas funcionam melhor, quais
as estruturas que possuem menores requisitos de manutenção e onde ocorrem problemas
de O&M. As informações coletadas do pessoal de operação e manutenção do distrito
também representam valiosa assistência aos planejadores e projetistas.

Elas podem ser fornecidas aos planejadores e projetistas através de memos e reuni-
ões, nos estágios iniciais do planejamento, assim como através de revisões e comentários
sobre os relatórios preliminares do projeto, quando estiverem prontos.

Os planejadores, os projetistas e o departamento de O&M devem estabelecer um


processo formal de participação, de modo que faça parte da rotina do desenvolvimento de
novos projetos de irrigação.

2.3.10 Normas de Segurança para o Pessoal de O&M

A segurança do pessoal deve ser um item de muita prioridade em todas as ativida-


des de O&M, e deve ser um programa estruturado e documentado.

2.3.10.1 Origens de Acidentes

As origens dos acidentes nas atividades de O&M são várias:


„ Sistemas de energia elétrica;
„ Partes móveis de equipamentos;
„ Operação de equipamentos (tratores, caminhões, etc.);

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Manutenção (tubulação grande, comportas, etc.);


„ Armazenagem de materiais (gasolina, inseticidas, etc.);
„ Construções e reparos.

Os acidentes podem provocar avarias que afetam a vida das pessoas, sendo onero-
sos e acarretando perda de tempo dos funcionários, despesas médicas, ações legais e
ineficiência na operação dos equipamentos.

Um programa eficiente de segurança e prevenção de acidentes exige apoio e ênfase


da gerência superior. O departamento de O&M do órgão público deve criar um programa
de segurança para todas as estruturas de grande porte sob sua operação e manutenção.

2.3.10.2 Elementos do Programa de Segurança

Os elementos que constam de um programa de segurança são os seguintes:

„ Estabelecimento de padrões de segurança;


„ Fornecimento de acessórios de segurança (calçados, capacetes, luvas, protetores
para os olhos, etc.);
„ Instalação de dispositivos de segurança, onde não existirem (corrimões, grades e
coberturas, etc.);
„ Implementação de um código de cores (pintura dos vários itens em determinadas
cores, por exemplo, laranja para o equipamento de alto risco; vermelho para o
material inflamável; amarelo para alertar sobre perigo, etc.);
„ Reuniões periódicas com o pessoal de O&M para enfatizar os aspectos de segurança;
„ Treinamento dos funcionários em primeiros socorros;
„ Boletins periódicos de lembretes de segurança;
„ Existência de uma relação de médicos, hospitais, postos policiais e ambulâncias na
área do projeto;
„ Análise dos acidentes ocorridos, seguida de um relatório para informar as causas e
as medidas preventivas ao pessoal de O&M;
„ Implementação de um sistema de etiquetagem no equipamento (etiquetar as válvu-
las e o equipamento durante a atividades de manutenção, avisando aos demais
trabalhadores que não os acionem);
„ Revisão do programa de segurança dos distritos, durante a revisão da operação e
manutenção das estruturas do projeto.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ORGANIZAÇÃO DA
OPERAÇÃO E
MANUTENÇÃO
(DO ÓRGÃO)
3.1 Geral

A “Resenha” apresenta a política do governo brasileiro para o futuro desenvolvi-


mento da irrigação no Brasil. Este documento enfatiza o desenvolvimento da irrigação
privada e a emancipação dos projetos públicos, modificando o papel do governo na ope-
ração e manutenção desses projetos.

Este capítulo apresenta um plano organizacional e funcional de acordo com a “Re-


senha”.

O gerenciamento eficiente de uma unidade organizacional requer uma demonstra-


ção clara, por parte da autoridade competente, da sua missão ou objetivo, e das funções
que a organização deve desempenhar, sendo responsável por elas.

Os objetivos principais da organização ou da unidade devem ser descritos de forma


concisa, para explicar por que a mesma foi criada, mostrando claramente sua finalidade
às pessoas de dentro e de fora dela.

Os objetivos principais de um departamento de O&M que esteja operando dentro da


política da “Resenha” podem ser os seguintes:

„ Emancipar os projetos dos tipos D e E recém-construídos, e três anos após o térmi-


no da construção (No Anexo 9, encontra-se uma descrição dos tipos de Projetos,
segundo a Resenha);
„ Emancipar todos os projetos existentes , de acordo com o cronograma estabeleci-
do;
„ Fazer a operação e manutenção de algumas estruturas de grande porte para o
fortalecimento de água aos projetos emancipados na área, e outras necessidades
de água na área da bacia hidrográfica;
„ Fazer a revisão e submeter à aprovação do Ministro da Agricultura e Reforma Agrá-
ria as tarifas de água propostas pelos distritos de irrigação, tanto para a operação e
manutenção como para a amortização do investimento do governo;
„ Fazer o monitoramento e a avaliação da operação, manutenção e gerenciamento
dos projetos emancipados, para assegurar que a produção planejada e os objetivos
econômicos e sociais estão sendo cumpridos, e também que os investimentos fe-
derais estão sendo ressarcidos pelos irrigantes;
„ Dar assistência na operação, manutenção e administração dos projetos aos distri-
tos de irrigação, para que estes consigam realizar a administração dos projetos
emancipados;
„ Dar assistência técnica geral na agricultura irrigada aos projetos dos Tipos B e C
(vide Anexo 9).

A medida que o objetivo e as funções da unidade organizacional mudam, os objetivos


principais também devem mudar. Por exemplo, quando todos os projetos públicos existen-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

tes estiverem emancipados, a parte dos objetivos principais referente a essa função deve
ser eliminada.

3.2 Estrutura Organizacional

A organização descrita a seguir refere-se à execução das funções ditadas pela


política da “Resenha”. Pode também haver outras organizações alternativas, ou mesmo a
organização apresentada pode precisar de modificações à medida que se adquire experi-
ência na operação dentro da nova política da “Resenha”.

A organização apresentada situa a função de O&M a nível de departamento (repor-


tando-se diretamente ao diretor do órgão). O departamento possui divisões e unidades. A
organização também mostra o relacionamento do departamento e suas funções com o
diretor regional do órgão.

A Figura 3.1 mostra a estrutura organizacional de O&M.

3.3 Funções

O Capítulo II descreve o programa do departamento de Operação, Manutenção e


Emancipação, que trabalha estreitamente com os escritórios regionais na execução das
funções de O&M.

Geralmente, o departamento estabelece a política, as normas, as diretrizes e os


programas, e as regiões implementam o programa e as atividades constantes, sob orien-
tação do departamento.

A Tabela 3.1 apresenta as funções das unidades ligadas ao departamento e o papel


das mesmas e do escritório regional em relação às funções.

À medida que os projetos existentes são emancipados, o papel da Unidade de


Desenvolvimento do Projeto diminui, porque suas atividades se reduzem às referentes aos
novos projetos dos Tipos D e E.

Da mesma forma, o papel das Unidades de Gerenciamento da Água também se


modifica, porque as mesmas não mais estarão profundamente envolvidas na operação e
manutenção das estruturas do projeto.

As funções administrativas que não aparecem na Tabela 3.1 são executadas pelos
supervisores do departamento, das divisões e das unidades. Essas funções são: progra-
mas de pessoal, programação financeira e orçamentária, fornecimento de material e pre-
paração de relatórios sobre o progresso das obras, destinados ao gerenciamento superior,
etc.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Diretor
do Órgão

Departamento
de Operação, Escritórios
Manutenção e Regionais
Emancipação

Divisão de Divisão de
Emancipação Operação e
de Projetos Manutenção

Unidade de Unidade Unidade Unidade de Unidade do Unidade de


Desenvolvimento de Terras de Contratos Gerenciamento Programa de Monitoramento
do Projeto de Água Empréstimo e Avaliação

Figura 3.1 Organização de Operação e Manutenção

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela 3.1 Funções das Unidades do Departamento de O&M e dos Escritórios


Regionais

Departamento de Operação,
Funções Unid. Dept. Escritório Regional
Manutenção e Emancipação
A. Emancipação dos Novos Projetos
1. Aquisição das terras do projeto 1. Estabelecer as normas e diretrizes e UT 1. Implementação do programa
dar a aprovação final
2. Reassentamento das pessoas 2. Estabelecer as normas e diretrizes e UT 2. Implementação do programa
deslocadas pela aquisição de terras dar aprovação final
3. Termos de Referência para contratos 3. Preparar os TOR UC 3. Dar assistência e informação
de organização do distrito de
irrigação, operação e manutenção
iniciais do projeto e assistência técnica
a irrigação
4. Licitação para o item 3 4. Administração da licitação UC 4.
5. Seleção da empresa (item 3) 5. Avaliação e seleção UC 5. Dar assistência e informação
6. O&M inicial do projeto, formação do 6. Monitorar o programa e administrar o UC 6. Fiscalização dos trabalhos no
distrito de irrigação e assistência contrato perímetro
técnica a irrigação
7. Transferência dos manuais técnicos 7. Fornecer ao escritório regional UGA 7. Entregar a empresa
de O&M e outros documentos, a
Empresa (item 3)
8. Seleção e assentamento dos irrigantes 8. Estabelecimento do programa, UDP 8. Implementação do programa no
normas, diretrizes e aprovação final perímetro
9. Treinamento dos irrigantes 9. Estabelecimento e implementação do UDP 9. Assistência a implementação do
programa programa
10. Seleção do gerente do distrito de 10. Definição das funções e seleção da UDP 10. Dar informações e assistência na
irrigação e sua equipe equipe procura de candidatos
11. Treinamento do gerente do distrito e 11. Desenvolvimento e implementação do UDP 11. Dar assistência ao programa
sua equipe programa
12. Contrato com o distrito. 12. Preparar, negociar e aprovar o UC 12. Dar assistência nas negociações do
contrato contrato
13. Desenvolvimento da agro-indústria 13. Preparar as diretrizes e normas e dar UDP 13. Implementação do programa
aprovação final
14. Estabelecimento da infra-estrutura de 14. Preparar o programa das condições UDP 14. Coordenação com outras entidades
saúde e educação essenciais públicas para fornecimento das
estruturas
15. Inspeção final das estruturas do 15. Preparar normas e diretrizes e sua UGA 15. Fazer a coordenação entre as
projeto antes da emancipação implantação empresas e o distrito e dar assistência
a inspeção
B. Emancipação dos Projetos Existentes
1. Programa de envolvimento público 1. Desenvolvimento e implementação do UDP 1. Dar assistência a implementação do
programa programa

2. Formação do distrito de irrigação 2. Preparar as diretrizes e normas e UDP 2. Implementação do programa


aprová-las
3. Assistência ao distrito nas decisões 3. Providenciar as informações e as UDP 3. Dar assistência ao distrito na tomada
referentes a operação, manutenção e diretrizes de dicisões
administração do projeto, através de
uma empresa ou diretamente por
funcionários do distrito
4. Contrato com o distrito 4. Preparar, negociar e aprovar o UC 4. Dar assistência nas negociações do
contrato contrato

5. Dar assistência ao distrito na seleção 5. Fornecer as informações, normas e UDP 5. Dar assistência ao distrito na
da equipe diretrizes localização e avaliação dos candidatos

6. Dar assistência ao distrito no 6. Realizar seminários e preparar UDP 6. Dar informação ao programa e dar
treinamento da equipe material de treinamento assistência ao programa

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela 3.1 Funções das Unidades do Departamento de O&M e dos Escritórios


Regionais (Continuação)

Departamento de Operação,
Funções Unid. Dept. Escritório Regional
Manutenção e Emancipação
B. Emancipação dos Projetos Existentes
7. Reabilitação das estruturas do projeto 7. Fazer inspeção, preparar os planos e UDP 7. Dar assistência nas inspeções, dar
antes da emancipação contratar as tarefas informações aos planos e
supervisionar a reabilitação
8. Transferência dos manuais e outros 8. Reunir o material e enviá-lo ao UGA 8. Fornecer o material para o distrito,
documentos do projeto para o distrito escritório regional orientando-o sobre esse material
9. Inspeção do projeto antes da 9. Providenciar as normas e diretrizes e UGA 9. Fazer a coordenação com o distrito, e
emancipação coordenar a inspeção participar da inspeção
C. Após a Emancipação
1. Administração das terras retidas pelo 1. Providenciar as normas e diretrizes UT 1. Implementação do programa
órgão para o gerenciamento das terras
2. Administração dos contratos dos lotes 2. Manter os arquivos e receber os UT 2. Assegurar que os termos do contrato
com os irrigantes pagamentos sejam cumpridos
3. Organização dos escritórios e a equipe 3. Preparar os planos da organização e UGA 3. Dar assistência na preparação do
para operação e manutenção das da equipe, e fazer a seleção da equipe plano e na localização da equipe
estruturas principais retidas pelo
órgão
4. Operação e manutenção das 4. Providenciar as normas e diretrizes e UGA 4. Supervisionar os escritórios de campo
estruturas principais inspeções
5. Gerenciamento da bacia hídrica e 5. Elaboração de critérios e diretrizes, UGA 5. Providenciar os escritórios de campo,
controle do uso da água manter registros dos direitos da água e operar o sistema de coleta de dados
e implementação do programa
6. Relacionamento com os distritos após 6. Elaboração de diretrizes e programas UGA 6. Implementação do programa
a emancipação
7. Programa de Revisão da Operação e 7. Desenvolvimento e gerenciamento do UGA 7. Fazer a coordenação com os distritos,
Manutenção (RO&M), para os programa dar assistência na logística e nas
projetos emancipados inspeções, e fiscalizar a
implementação das recomendações
do relatório
8. Dar assistência técnica aos projetos 8. Desenvolvimento e implementação do UGA 8. Dar assistência na implementação do
emancipados e ao desenvolvimento programa programa
dos projetos de irrigação privada dos
tipos B e C
9. Programa de empréstimo para a 9. Desenvolvimento e gerenciamento do PE 9. Dar assistência aos distritos no
reabilitação dos projetos emancipados programa processo de solicitação de
empréstimos
10. Monitoramento e avaliação dos 10. Administração do banco de dados dos UMA 10. Dar assistência nas atividades de
projetos projetos, e monitoramento e avaliação monitoramento e avaliação, e na
dos projetos coleta de dados para o banco de
dados
11. Providenciar informações para o 11. Revisão dos planos e “designs”, e dar UGA 11. Fornecer dados de experiência de
planejamento e para os projetos informações campo para os planos e “designs”
básicos e executivos dos novos
projetos
12. Segurança do pessoal 12. Desenvolvimento do programa, UGA 12. Implementação do programa a nível
critérios e diretrizes. Implementação regional
do programa a nível de gerenciamento

Código Unidades do Departamento


UDP Unidade de Desenvolvimento do Projeto
UT Unidade de Terras
UC Unidade de Contratos
UGA Unidade de Gerenciamento da Água
UPE Unidade de Programa de Empréstimo
UMA Unidade de Monitoramento e Avaliação

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MONITORAMENTO E
AVALIAÇÃO

4.1 Geral

As funções de monitoramento e avaliação (M&A) em um departamento de O&M


devem ser tratadas como parte do gerenciamento, e auxiliam os gerentes na tomada de
decisões. Monitoramento e avaliação são funções distintas, diferindo nos objetivos, períodos
de referência e necessidades de análise comparativa. Também diferem nos destinatários
das informações, sendo o monitoramento geralmente utilizado por coordenadores e a
avaliação, por gerentes. No entanto, possuem aspectos comuns. Em muitos casos, o
sistema de coleta de dados e análise é usado para ambas, e os indicadores de monitoramento
podem ser incluídos no âmbito das informações necessárias à avaliação, mas, na avalia-
ção, são revistos por um longo período, através do uso de técnicas analíticas de compa-
ração, dirigidas a um grupo maior de destinatários.

O monitoramento deve ser integrado com a estrutura de gerenciamento de O&M,


mas a avaliação, com seus horizontes mais amplos, não é necessariamente um compo-
nente integrante. As responsabilidades da avaliação podem ser localizadas numa unidade
central, como a unidade de planejamento e programação.
Com referência à função de O&M, o programa de monitoramento e avaliação con-
siste dos seguintes itens:
a) Monitoramento das atividades de reabilitações maiores;

b) Monitoramento da operação e manutenção das estruturas principais operadas pelo


órgão;

c) Monitoramento da operação, manutenção e administração dos projetos emancipa-


dos;

d) Monitoramento das atividades de emancipação dos projetos (existentes e novos);

e) Monitoramento e avaliação da produção a longo prazo e do rendimento dos projetos


emancipados;

f) Avaliação dos problemas identificados nos itens a-e.

Podem ser obtidas informações detalhadas e diretrizes, referentes ao monitoramento


e avaliação, nas duas publicações do Banco Mundial intituladas “A Coleta, a Análise e o
Uso dos Dados de Monitoria e Avaliação” e “Avaliação e Monitoramento de Projetos na
Agricultura”. Outra fonte de informação é o sistema de M&A, que se encontra em fase de
elaboração, para o Projeto Nordeste I.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

4.2 M&A - Departamento de Operação, Manutenção e Emancipação


A unidade de M&A do departamento de OM&E é responsável pelas atividades de
M&A do Departamento, assim como pela administração dos dados básicos do Departa-
mento (Item 2.3.8).
As atividades de monitoramento executadas no Departamento de OM&E são:
a) Monitoramento das atividades de reabilitações maiores;

b) Acompanhamento das atividades de O&M;

c) Monitoramento da emancipação dos projetos.

O programa de reabilitação, no item a, é a reabilitação das estruturas principais


operadas pelo órgão público (normalmente barragens e grandes estações de bombeamento)
e a reabilitação realizada nos projetos existentes, antes de sua emancipação. Geralmente
esse trabalho é feito sob contrato, portanto, o objetivo do programa de monitoramento é
acompanhar continuamente o progresso, a fim de assegurar que o trabalho seja feito
dentro do cronograma, de acordo com as especificações e dentro do orçamento. O Anexo
7 é um exemplo do tipo de dados que devem ser coletados mensalmente pela O&M do
escritório de campo ou pelo escritório regional. Esses dados são enviados sob a forma de
relatório (Anexo 7) à Unidade de M&A, do Departamento de OM&E. A Unidade de M&A
deve armazenar os dados no banco de dados, além de fornecê-los à Unidade de Contra-
tos. A Unidade de Contratos utiliza os dados na administração dos contratos de constru-
ção.

Com relação ao item b, o Anexo 13 apresenta todo o sistema de fornecimento,


processamento e análise, apresentando resultados de programas de acompanhamento
das atividades de operação e manutenção dos perímetros irrigados. Os distritos de irriga-
ção prepararão relatórios mensais indicando os índices de diferentes parâmetros a serem
acompanhados.

A diretoria regional analisará os relatórios apresentados e, com as observações


necessárias, encaminhará um relatório consolidado à sede. Na sede, se farão o
processamento e a análise final das informações, devolvendo às diretorias regionais e dos
distritos o relatório de resultados com as recomendações e observações.

Geralmente, o contrato entre o distrito de irrigação e o órgão público exige que


certos dados sejam coletados pelo distrito de irrigação e sejam enviados periodicamente
(quase sempre mensalmente) ao órgão público.

O monitoramento das atividades de emancipação (item c) é importante para asse-


gurar que as atividades do programa de emancipação sejam concluídas dentro do prazo,
na seqüência adequada, com eficiência e dentro do orçamento.

No caso da emancipação de novos projetos, os dados coletados e as exigências


para o relatório são diferentes daqueles para a emancipação dos projetos existentes. O
Anexo 10 é um exemplo de relatório mensal para monitoramento dos contratos envolvi-
dos na emancipação, bem como de outras atividades do órgão referentes à emancipação.
Esse relatório é usado pelo escritório de campo encarregado das atividades de emancipa-
ção, e também é repassado à Unidade de M&A e à Divisão de Emancipação, na Sede,
para Supervisão e monitoria.

Com referência ao monitoramento da emancipação dos projetos existentes, as ati-


vidades a serem monitoradas são as seguintes:

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Programa de envolvimento público;


„ Organização do distrito de irrigação;
„ Negociação e assinatura do contrato;
„ Seleção dos meios a serem usados na O&M do projeto (por pessoal contratado ou
por funcionários do distrito de irrigação);
„ Reabilitação das estruturas (vide item a);
„ Entrega dos manuais e informações;
„ Inspeção final de transferência.

Um relatório contendo informações sobre essas atividades deve ser preparado men-
salmente e enviado à Sede (Unidade de M&E e Divisão de Emancipação). Essas informa-
ções são também usadas pelo Escritório Regional, na administração do processo de eman-
cipação.

Os Anexos 7 e 10 contêm uma seção resumida e outras mais detalhadas. Geral-


mente, só a seção resumida é enviada à nível de administração superior, e a íntegra do
relatório detalhado é enviada somente àquelas pessoas do órgão público que necessitam
de todos os dados constantes do relatório.

As avaliações são feitas quando surgem problemas ou quando os gerentes solici-


tam uma avaliação sobre determinada situação. Podem ser feitas pela equipe da Unidade
de M&A do Departamento de OM&E ou pela Unidade Central de M&A do órgão público,
normalmente situada no Departamento de Programação e Avaliação.
A indicação da unidade que fará a avaliação vai depender do assunto, do tempo
necessário e da experiência e disponibilidade de pessoal.

4.3 M&A - Unidade Central de M&A


A maioria dos órgãos possui uma unidade central de monitoramento e avaliação,
geralmente localizada em um Departamento de Programação e Planejamento. Essa unida-
de trabalha para o gerenciamento do órgão público e está disponível para as atividades de
monitoramento e avaliação de quaisquer das unidades funcionais.
Na área de operação e manutenção de projetos, o Departamento de Programação e
Planejamento geralmente é responsável pelo monitoramento e avaliação da produção a
longo prazo e do rendimento dos projetos. Os objetivos dessa atividade de M&A são:
„ Assegurar que os projetos alcancem os objetivos econômicos e sociais, para os
quais eles foram planejados;
„ Obter dados de longo prazo, para uso no plano de futuros projetos;
„ Assegurar o ressarcimento dos custos referentes aos investimentos do governo.

4.3.1 Tipos de Informação

Os programas de monitoramento e avaliação a longo prazo podem coletar e analisar


vários tipos de dados, tais como:

„ Produção agrícola;
„ Produtividade agrícola;
„ Intensidade de cultivo;
„ Rendimento parcelar e custos de produção;
„ Uso dos serviços de extensão agrícola;
„ Disponibilidade e uso de crédito;
„ Área cultivada e colhida;
„ Situação do mercado.

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4.3.2 Fontes de Dados

Os dados podem ser coletados de várias fontes, como é demonstrado na Tabela


4.1.

Tabela 4.1 Fontes de Dados

DADO FONTE
1. Produção das culturas produtividade das culturas intensidade de 1. Agricultores, agentes de extensão agrícola, medidas de colheita,
cultivo distrito de irrigação, cooperativas
2. Renda parcelar 2. Agricultores, agentes de extensão agrícola, cooperativas, distrito de
irrigação
3. Custos de insumos nas parcelas 3. Agricultores, agentes de extensão agrícola, abastecedores de
insumos agrícolas, cooperativas
4. Uso dos serviços de extensão 4. Agricultores, agentes de extensão agrícola, distrito de irrigação
5. Situação de mercado 5. Agricultores, agentes de extensão agrícola, cooperativas
6. Disponibilidade e uso de crédito 6. Agricultores, bancos, cooperativas, agentes de extensão agrícola

4.3.3 Coleta de Informações

Existem vários métodos para coleta de dados. Os mais comuns são:

„ Fazer a colheita e medir a produção total dos lotes ou áreas;


„ Colheita das culturas em pequenas áreas, tomando-as como amostra de áreas;
„ Amostra de unidades já colhidas;
„ Entrevistar os agricultores, para obter as estimativas;
„ Utilizar estimativas aproximadas feitas pelos técnicos de extensão agrícola.

A Tabela 4.2 é um exemplo de registro de produção agrícola.

Tabela 4.2 Coleta de Informações

NOME DO AGRICULTOR:
ÁREA DA FAZENDA (ha):
Área Cultivada Data da Produção Obtida Área Produtividade Intensidade de
Cultura Data da Colheita
(ha) Plantação (Ton) Abandonada (ha) (Ton/ha) Cultivo

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Existem dois tipos básicos de coleta de informações: qualitativo e quantitativo. O


método quantitativo produz dados numéricos, e o método qualitativo produz dados que
podem ser melhor descritos em palavras.

Inicialmente, devem ser coletadas as informações quantitativas. Se os objetivos


não estiverem sendo alcançados, pode ser necessário um levantamento qualitativo para
determinar a razão pela qual não estão sendo alcançados.

O método de “levantamento estrutural” é recomendado no caso de levantamentos


quantitativos. Trata-se do método de fazer entrevistas para coletar informações, usando-
se um questionário formal.

4.3.4 Relatório
O relatório com os resultados de um estudo de monitoria e avaliação deve incluir os
seguintes itens:
a) O tipo de levantamento;

b) A fonte e o período de referência das informações apresentadas;

c) A metodologia do levantamento;

d) Um resumo das informações;

e) Comentários sobre a confiabilidade das informações;

f) Uma revisão dos pontos importantes e das implicações das informações;

g) Um esboço das conclusões, opções para considerações dos gerentes e, quando


necessárias, recomendações.

Devem ser observados os seguintes princípios na elaboração do relatório:

a) O nível de detalhes e desagregação deve ser adequado ao destinatário do relatório;

b) As definições das variáveis e das tabelas devem ser claras;

c) As referências a termos técnicos usados na análise estatística devem ser explicadas


para os leitores leigos;

d) As tabelas devem ser acompanhadas de textos que resumam os principais aspec-


tos relevados;

e) Devem ser usados gráficos e outros diagramas para focalizar o interesse do leitor e
auxiliá-lo na compreensão.

Seguem exemplos da apresentação das informações no relatório (Tabelas 4.3, 4.4,


4.5 e Figura 4.1):

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Quadro 4.3 Crédito de Custeio

PROJETO_______________

ANO AGRÍCOLA DE ______________ R$ CORRENTES

Contratos Área Valor Total Valor Médio


Culturas
(N ) o
(%) (ha) (%) (R$) (%) (R$)

Algodão
Cebola
Melão
Melancia
Feijão
Feijão Fradinho
Tomate
Arroz
Pimenta
Milho
M am ão
Banana
Abóbora
Limão
Manga
Total

150

100

50

1980 1981 1982 1983 1984 1985

Recebedores de crédito (primeira vez)

Recebedores de crédito (segunda vez em diante)

Figura 4.1 Recebedores de Crédito Anual

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Tabela 4.4 Dados Estatísticos

PROJETO__________________

Agricultores Beneficiados, Áreas Irrigadas, Produção e Produtividade


Anos Agrícolas (1986/1987) e (1987/1988)

Período Período Meta Realização (%)


Indicadores Unidade
86/87 87/88 “APPRAISAL” Meta 87 Meta 88 Ano 88
1. Agricultores beneficiados
2. Área cultivada total ha
3 Área cultivada com:
Culturas temporárias ha
Culturas permanentes ha
4. Área em rotação ha
5. Área irrigada:
Por gravidade ha
Por aspersão ha
Por gotejamento ha
6. Produção irrigada
Culturas temporais t
Culturas permanentes t
7. Intensidade do uso do solo nº
8. Produtividade média em rotação nº
9. Índice composto de produtividade nº
10. Índice composto de produtividade médio nº
11. Desvio padrão nº

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela 4.5 Características das Culturas

PROJETO_______________

Cultura Área Média (ha/lote) Produção Total (ton) Produção Média (ton/ha)
Algodão
Cebola
Melão
Melancia
Feijão
Feijão Fradinho
Tomate
Arroz
Pimenta
Abóbora
Milho
M am ão
Banana
Limão
Manga

4.3.5 Estudos Especiais

A Unidade Central de M&A pode também receber solicitação do Gerenciamento


Geral do Órgão Público ou do Departamento de OM&E para avaliar os problemas identifi-
cados ou situações especiais. Esse tipo de avaliação possui objetivos específicos e tempo
para ser realizada, utilizando as informações provenientes das atividades anteriores de
monitoramento, bem como coletando os dados adicionais necessários. Após o término da
avaliação, é preparado um relatório que define os objetivos da avaliação, os métodos
usados, a conclusão sobre o assunto e as ações recomendadas para o gerenciamento.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

CAPACITAÇÃO

5.1 Geral

Para conseguir atuar da forma apresentada neste MANUAL, os órgãos públicos


necessitam de um programa bem concebido de capacitação e treinamento, tanto para os
funcionários dos distritos de irrigação quanto para os funcionários do órgão público a nível
da sede e das diretorias regionais. Este capítulo é apresentado para fornecer algumas
idéias referentes a tal programa. Entretanto, é imprescindível uma análise e um detalhamento
bastante profundo para conceitualizar e implementar um programa de capacitação e trei-
namento referente à operação, manutenção e administração dos projetos públicos de
irrigação.

5.2 Novo Modelo

Anteriormente, os órgãos públicos no Brasil se responsabilizavam por toda a opera-


ção, manutenção e administração dos projetos públicos. Em geral, os quadros de funcio-
nários dos órgãos públicos na área dos perímetros se encarregavam de todos os aspectos
de operação, manutenção e administração com pouca supervisão, controle ou
direcionamento de parte das diretorias regionais, e ainda menos da sede dos órgãos
públicos. Neste MANUAL se apresenta um novo programa de operação e manutenção
que exige uma participação muito maior das diretorias e da sede, além de um
redimensionamento radical referente à gestão nas áreas de operação, manutenção e ad-
ministração de perímetros públicos de irrigação.

Neste “novo modelo” de atuação, as responsabilidades das diferentes entidades e


suas necessidades de capacitação e treinamento podem ser resumidas como a seguir:

„ Distritos - Para que este modelo funcione, os distritos precisam de pessoal capaci-
tado em numerosas áreas técnicas, como operação e manutenção de bombas,
canais, comportas, sistemas de tubulação, válvulas, sistemas elétricos, sistema de
automação, veículos, equipamentos de manutenção, etc. em áreas administrativas,
como contabilidade, orçamento, arquivo, cobrança e coleta de tarifas, microcom-
putadores, seleção e gerenciamento de pessoal, monitoria, assim como nas áreas
referentes a produção agrícola e comercialização. São necessários mecânicos, ele-
tricistas, carpinteiros, canaleiros, bombeiros, agrônomos e pessoal de escritório. A
melhor forma de treinar este pessoal é “em serviço”, “em loco”. A administração de
um projeto de irrigação envolve uma grande quantidade de ações e tarefas do dia a
dia, que dificilmente são assimiladas em cursos. Os indivíduos que realizam estes
trabalhos necessitam de treinamento em serviço para saber executá-los.

„ Sede - A sede do órgão público é responsável pelo desenvolvimento de políticas,


normas e diretrizes, pelo orçamento e financiamento do projeto durante a etapa de
implantação e operação e manutenção inicial, pela coordenação com bancos inter-
nacionais e outras entidades internacionais e nacionais envolvidas no projeto, e
pela inspeção periódica dos perímetros para assegurar que estão sendo administra-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

dos, operados e mantidos de forma adequada. Para fazer estas tarefas, a sede
precisa de um quadro de funcionários altamente especializados, com conhecimento
profundo de assuntos administrativos e técnicos. A inspeção periódica de períme-
tros requer a formação de um grupo de técnicos do mais alto nível e de amplo
conhecimento técnico e administrativo.

„ Diretorias Regionais - As diretorias tem a responsabilidade de prestar assistência


aos distritos em todos os aspectos de administração e operação e manutenção dos
perímetros irrigados. Os funcionários das diretorias participam das inspeções com o
grupo técnico da sede e acompanham a implementação das recomendações feitas
pelo grupo. Para cumprir estas responsabilidades, as diretorias precisam de quadros
de funcionários que conheçam todos os aspectos técnicos e administrativos dos
projetos e distritos, além de possuir bons conhecimentos técnicos, em termos ge-
rais. Para o primeiro, os funcionários devem participar do treinamento “em servi-
ço”, “in loco”, juntamente com os funcionários dos distritos. Para o segundo, o
quadro tem que ser desenvolvido através dos anos com um programa de treinamen-
to, contratações estratégicas e treinamento “em serviço”.

5.3 Treinamento “em serviço”, “in loco”

Cada projeto de irrigação, tanto os existentes quanto os novos, precisam de um


programa de treinamento que acompanhe o processo de emancipação dos perímetros.

O programa de treinamento “em serviço”, “in loco” deve ser amplo, durar vários
anos e ser muito bem planejado. A melhor fonte de consultores para promover o treina-
mento são as firmas envolvidas na construção do projeto, na operação e manutenção
inicial e na formação de distritos de irrigação. É importante que os consultores não cum-
pram as tarefas dos funcionários, e sim os assessorem na definição e execução de seus
trabalhos. Primeiramente, teriam que ser planejados e definidos os programas e sistemas
de administração e operação e manutenção dos elementos do projeto. Posteriormente, os
funcionários teriam que ser treinados e capacitados para, eventualmente, executarem
todos os trabalhos e tarefas sem auxílio. A abordagem sobre as áreas apresentada a
seguir não é abrangente, mas dá uma idéia dos tipos de trabalhos e tarefas que devem ser
considerados para o programa de treinamento.

1) Na área de operação:

„ Sistema de solicitação de água através dos irrigantes;


„ Sistemas de programação do fornecimento de água, baseado nas solicitações
e nas limitações do sistema de distribuição;
„ Conhecimento de como funcionam o sistema hidráulico e os componentes
individuais;
„ Método e técnicas detalhadas de operação dos sistemas hidráulicos e seus
componentes individuais, como bombas, válvulas, canais, comportas, siste-
ma de automação, etc.;
„ Gerenciamento e coordenação dos programas e sistemas de operação e dos
funcionários responsáveis.

2) Na área de manutenção:

„ Programas procedimentos e técnicas detalhadas de manutenção preventiva


dos sistemas hidráulicos e seus componentes individuais, como bombas,
válvulas, canais, comportas, sistemas de automação, etc.;
„ Programas e procedimentos para manutenção de estradas, prédios, veículos,
equipamentos de manutenção, etc.;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Programas de inspeções de sistemas, equipamentos, veículos, estradas, pré-


dios, etc.;
„ Programas e procedimentos de manutenção de emergência;
„ Gerenciamento e coordenação dos programas de manutenção e dos funcio-
nários responsáveis.

3) Na área de administração:

„ Programa e sistema de cobrança e coleta de tarifas de água;


„ Programa de orçamento e financiamento;
„ Administração de fundos especiais de reposição e de emergência;
„ Métodos de gerenciamento de pessoal (contratação, treinamento, definição
de salários e benefícios, monitoramento de “performance”, etc.);
„ Procedimentos para condução de reuniões dos conselhos e das assembléias
gerais;
„ Coordenação com a CODEVASF;
„ Gerenciamento e coordenação de todas as atividades do distrito.

4) Na área de produção:

„ Programas e sistemas para definir cultivos, para conseguir crédito, conseguir


e utilizar insumos de produção, mercado e comercialização, etc.;
„ Gerenciamento e coordenação dos programas de produção e dos funcionári-
os responsáveis.

Com um programa de treinamento e capacitação “em serviço”, “in loco”, a admi-


nistração e a operação e manutenção dos perímetros irrigados poderiam ser muito bem
lançados. A participação plena de funcionários da diretoria regional possibilitaria a obten-
ção de conhecimento profundo dos trabalhos, tarefas e condições essenciais do distrito.

5.4 Capacitação dos Quadros da Sede e das Diretorias Regionais

É necessário um plano de 5 ou até 10 anos para o desenvolvimento de quadros


capacitados nas áreas de operação e manutenção da sede e das diretorias regionais. Este
plano deve incluir três aspectos:
1) Quando não existirem, devem ser contratados especialistas com grande experiên-
cia em assuntos específicos, como bombas, sistemas elétricos, sistemas hidráuli-
cos, concreto, terraplanagem, geotecnia, etc., e também nas áreas administrativas
de programação, gestão de pessoal, orçamento, monitoria, etc.;

2) Funcionários bem selecionados devem receber a oportunidade de treinamento em


cursos de curta, média e longa duração nas áreas mencionadas em (1). Deve-se
assegurar que esses funcionários tenham, realmente, capacidade de assimilação.

Para este treinamento, devem-se procurar instituições brasileiras com conhecimen-


to prático nas áreas indicadas. Somente devem ser utilizados órgãos estrangeiros quando
não existirem instituições altamente competentes no Brasil. Deve ser procurado treina-
mento teórico somente quando se relacionar diretamente ao prático.

3) Os órgãos públicos devem implementar um programa de treinamento e serviço


onde novos profissionais tenham oportunidade de assimilar técnicas, metodologias
e conhecimentos dos especialistas mais experientes. Tanto os especialistas contra-
tados referentes ao item (1), quanto os funcionários treinados referidos item (2),
devem passar seus conhecimentos aos menos experientes, da melhor forma possível.

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ANEXOS
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ANEXO 1

FUNÇÕES DO DISTRITO DE IRRIGAÇÃO

A estrutura organizacional do Distrito de Irrigação é a seguinte:

a) Assembléia Geral

A Assembléia Geral é o órgão máximo do distrito, sendo formada por irrigantes de


todas as categorias, detentores ou promitentes compradores de lotes rurais no perímetro
do distrito. Compete-lhe decidir todos os assuntos relativos ao objetivo final do distrito e
definir políticas que visem sua defesa e seu desenvolvimento.

Dentre as principais competências da Assembléia Geral destacam-se:

„ Eleger ou destituir os membros do Conselho de Administração ou do Conse-


lho Fiscal;
„ Examinar, anualmente, as contas dos administradores;
„ Aprovar e reformular os Estatutos;
„ Autorizar a alienação de bens imóveis pertencentes ao distrito;
„ Deliberar sobre a transformação, fusão, incorporação, dissolução ou liquida-
ção do distrito.

b) Conselho de Administração

O Conselho de Administração será o órgão de deliberação permanente do distrito,


constituído e eleito por todas as categorias de produtores a serem beneficiados por lotes
irrigados no perímetro do projeto.

Considerando que no projeto existirão categorias diferenciadas de irrigantes, tais


como pequenos e médios produtores e empresários, é necessário instituir mecanismos
para que, no Conselho de Administração, as diversas categorias de irrigantes sejam repre-
sentadas de forma eqüitativa. Os órgãos públicos designarão um representante para inte-
grar o Conselho de Administração. Este representante não terá direito a voto, mas terá
direito de vetar decisões a respeito de matérias relevantes, definidas explicitamente no
Estatuto, que sejam contrárias ao interesse público.

A participação das entidades governamentais no Conselho dar-se-á de forma mais


efetiva e atuante por um período máximo de seis anos, durante o qual estima-se que
ocorrerá a estabilização e consolidação do projeto. Após esse período, o poder de veto
será reduzido ainda mais, chegando ao mínimo indispensável para que o projeto continue
em operação e cumprindo sua destinação social com a menor interveniência possível por
parte do órgão público.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Participará, também, das reuniões do Conselho, sem direito a voto, o Gerente Ge-
ral, que atuará como Secretário Executivo, com o intuito de prestar informações, assesso-
rar o Conselho e registrar as decisões que vierem a ser tomadas.

Independente da constituição do distrito, os irrigantes serão incentivados a consti-


tuírem entidades associativas, que representem seus interesses junto ao distrito. Estas
entidades podem ser cooperativas, associações de produtores, empresas comunitárias,
sociedades civis ou qualquer tipo de associação que congregue um número significativo
de irrigantes.

Caberá ao Conselho de Administração eleger seu Presidente e Vice-Presidente. O


período de mandato dos membros do Conselho de Administração será de três anos, não
sendo permitida a reeleição para o período seguinte. Este critério evita a dominância de
um mesmo grupo por um longo período.

Para assegurar que haja renovação anual de parte do Conselho de Administração, o


primeiro mandato após a criação do distrito será, para alguns membros, inferior a três
anos, na forma prevista pelo Estatuto.

O Conselho de Administração será composto por representantes de todas as cate-


gorias de irrigantes eleitos pelos seus representados. Um irrigante integrante da categoria
“pequeno produtor” não pode candidatar-se às vagas reservadas aos “médios produto-
res” e aos “empresários”, nem votar nos candidatos destas categorias ou vice-versa.

O Conselho de Administração reunir-se-á, ordinariamente, uma vez por mês e, ex-


traordinariamente, quando o Presidente ou 50% dos membros do respectivo Conselho o
convocarem. As decisões serão tomadas por maioria simples, com exceção dos casos
previstos no Estatuto. Os membros do Conselho de Administração não receberão remu-
neração pelo exercício de suas funções.

Cabe ao Conselho de Administração, entre outras atribuições previstas no Estatu-


to, deliberar sobre as seguintes questões:

„ Estabelecer diretrizes, objetivos e metas do distrito, visando seu desenvolvimento e


sua organização técnica, administrativa e social;
„ Estabelecer os critérios de distribuição de água entre os irrigantes, de forma que
seja preservada a sua função social e utilidade pública e atendido o Plano Anual de
Produção;
„ Propor ao órgão competente o valor da parcela da tarifa d’água correspondente às
despesas de operação e manutenção das infra-estruturas de irrigação de uso co-
mum;
„ Estabelecer normas de utilização e conservação dos solos;
„ Regulamentar, observados os critérios estabelecidos pelos órgãos executores, a
forma de implantação e implementação do processo de recrutamento, seleção,
assentamento, desligamento e sucessão dos irrigantes, bem como estabelecer as
normas para utilização e transferência dos direitos e da propriedade em relação aos
lotes, observada a legislação vigente;
„ Aprovar o Plano Anual de Produção, elaborado pela Divisão de Produção, de acordo
com os irrigantes, e definir estratégias de médio e longo prazo para a produção
agrícola e a comercialização dos produtos;
„ Aprovar o orçamento-programa anual e suas eventuais alterações;
„ Aprovar o Plano Anual de Trabalho do distrito;
„ Aprovar as operações e negócios relevantes e a contratação de empresas
especializadas e autorizar a constituição de ônus ou direitos reais sobre imóveis;
„ Convocar as Assembléias Gerais;
„ Aprovar o Regulamento Geral do distrito;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Contratar e dispensar o Gerente Executivo ou a empresa que executará essa atribui-


ção e fixar-lhes a remuneração;
„ Fixar o quadro de pessoal e a tabela de remuneração.

c) Conselho Fiscal

O Conselho Fiscal é o órgão de fiscalização do distrito, cabendo-lhe zelar pela


adequada gestão econômico-financeira, analisando as contas e a execução orçamentária,
bem como os atos econômico-financeiros da Gerência Executiva.

Será composto por três membros efetivos e respectivos suplentes, eleitos anual-
mente dentre os associados efetivos pela Assembléia Geral Ordinária. Será permitida a
reeleição de 2/3 de seus membros.

d) Gerência Executiva

A Gerência Executiva é o órgão de administração executiva do distrito, cabendo-lhe


gerir os interesses econômicos-sociais, consoante à política estabelecida pelo Conselho
de Administração.

O Gerente Executivo será nomeado pelo Conselho, a quem prestará contas e do


qual receberá orientação programática.

A Gerência Executiva deverá ser entregue a técnicos com reconhecida experiência


profissional na gestão de empresas agropecuárias e/ou perímetros privados de irrigação.

Durante os primeiros três anos de funcionamento do Distrito, o Gerente Executivo


será indicado pelos órgãos públicos para contratação pelo distrito, cabendo ao órgão a
responsabilidade de custeio das despesas com o treinamento do Gerente.

A complexidade de problemas, a dimensão dos projetos e a variedade de categorias


de produtores, exigirão que a Gerência Executiva se constitua em uma estrutura adminis-
trativa que atenda às principais demandas do distrito e ao mesmo tempo seja ágil e
flexível para atender, com eficiência, as expectativas dos irrigantes.
A estrutura da Gerência Executiva será constituída por três Unidades: Administra-
ção e Finanças, Apoio à Produção e Operação e Manutenção. Os chefes dessas Unidades
serão profissionais com experiência e competência técnico-gerencial e seus nomes serão
aprovados pelo Conselho de Administração.

A Unidade de Apoio à Produção terá, na fase de início de operação, responsabilida-


de pela organização da produção agrícola do Distrito. Na medida em que os irrigantes
passarem a se organizar em cooperativas ou associações específicas para tal fim, essa
unidade perderá suas funções executivas e passará a exercer funções de coordenação e
apoio, além de assessoramento à Gerência Executiva na análise, compatibilização e con-
solidação dos planos de exploração agrícola.

Dentre as principais atribuições da Gerência Executiva, destacam-se:

„ Executar a administração do distrito, dirigindo, coordenando e controlando os atos


inerentes à gestão e ao desenvolvimento dos objetivos econômicos e sociais, res-
salvada a competência da Assembléia Geral e do Conselho de Administração;
„ Executar a política estabelecida pela Assembléia Geral e pelo Conselho de Adminis-
tração;
„ Aprovar as normas operacionais, técnicas, administrativas e financeiras;
„ Designar membros integrantes da Gerência Executiva;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Celebrar contratos, convênios, ajustes e acordos;


„ Aprovar o plano de contas e suas alterações;
„ Representar o distrito, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, e constituir
procuradores;
„ Admitir, promover, designar, licenciar, transferir, remover e dispensar empregados,
bem como aplicar-lhes penalidades disciplinares;
„ Movimentar os recursos financeiros e contas bancárias, assinando em conjunto
com o administrador responsável pelas atividades financeiras do distrito;
„ Autorizar a instalação de empresas comerciais e prestadoras de serviços, conforme
plano e zoneamento previamente aprovados;
„ Representar os órgãos públicos nas atividades delegadas ao distrito; e
„ Secretariar as reuniões do Conselho de Administração.

d1) Unidade de Administração e Finanças

As principais funções da Unidade de Administração e Finanças são:

„ Administrar os recursos financeiros, incluindo a cobrança das diferentes tarifas,


para desenvolver operações correntes de administração do distrito;
„ Realizar os registros das operações contábeis da Administração;
„ Realizar, juntamente com o Gerente Executivo, movimentação dos recursos finan-
ceiros do distrito;
„ Fornecer à Gerência Executiva informações relativas às perspectivas financeiras
futuras da Administração do distrito;
„ Montar e manter atualizado o cadastro de recursos humanos e materiais;
„ Efetuar o pagamento de pessoal e demais despesas correntes do distrito; e
„ Elaborar o orçamento da sua unidade administrativa.

d2) Unidade de Operação e Manutenção

Dentre as principais funções da Unidade de Operação e Manutenção, destacam-se:

„ Elaborar e propor o orçamento anual da área de operação e manutenção e encaminhá-


lo ao Gerente Executivo;
„ Avaliar o desempenho dos equipamentos de uso comum, procurando minimizar sua
utilização e diminuir os custos operacionais;
„ Realizar ou fiscalizar, no caso de ser contratada uma empresa especializada, o
trabalho de operação e manutenção das infra-estruturas hidráulica, viária e elétrica;
„ Fazer a manutenção das demais infra-estruturas do projeto, tais como residências,
edificações e outras pertencentes ao distrito;
„ Programar e controlar a distribuição de água entre os participantes do projeto, de
acordo com as recomendações técnicas da Unidade de Apoio à Produção;
„ Realizar levantamentos de custos e propor à Gerência Executiva valores para as
tarifas d’água;
„ Definir e implementar, diretamente ou através de contratos, a programação anual
de reposição de máquinas e equipamentos, a ser custeada através do fundo de
reposição especialmente instituído para esta finalidade.

d3) Unidade de Apoio à Produção

Unidade de Apoio à Produção compete planejar, coordenar e executar atividades


relacionadas à produção do distrito, com pleno acordo e participação dos irrigantes, atra-
vés das suas associações. As principais atividades são:

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Orientar e preparar planos de produção, em consonância com as perspectivas de


mercado, com os contratos de vendas assinados e com outros instrumentos que
minimizem os riscos da comercialização;
„ Supervisionar a execução dos planos de exploração agrícola, aprovados pelo Con-
selho de Administração;
„ Avaliar o desempenho de equipamentos e máquinas agrícolas, objetivando diminuir
os custos de manutenção e produção do distrito;
„ Supervisionar a prestação de serviços de assistência técnica, extensão rural,
comercialização, crédito rural e pesquisa agrícola;
„ Supervisionar a prestação de serviços de moto-mecanização, através de patrulha
mecanizada própria ou contratada;
„ Zelar pela preservação dos recursos naturais do distrito;
„ Supervisionar o desempenho técnico-econômico e social dos irrigantes, com o pro-
pósito de fornecer subsídios para sua avaliação, principalmente no que diz respeito
aos compromissos assumidos nos contratos assinados.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ANEXO 2

REGIMENTO INTERNO DO DISTRITO DE IRRIGAÇÃO

DISTRITO DE IRRIGAÇÃO DE _____________________________________

ESTATUTO SOCIAL

CAPÍTULO I - DENOMINAÇÃO, SEDE E PRINCÍPIOS

Artigo 1º: O DISTRITO DE IRRIGAÇÃO DE __________________________________, doravante desig-


nado apenas como DISTRITO, entidade que congrega os irrigados assentados na área de
abrangência do Projeto de Irrigação _________________ é uma Associação Civil, de direito
privado, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica, patrimônio e administração pró-
prios, constituída com prazo de duração indeterminado, com sede e foro no Município de
__________________________________________________, Estado do ____________________,
regida pelo Código Civil Brasileiro, por este Estatuto e pelas normas legais aplicáveis.

Artigo 2º: O Projeto de Irrigação __________________________, doravante denominando apenas PRO-


JETO, foi implantado de acordo com o disposto na Lei nº 6.662, de 25/05/79, no Decreto
nº 89.496, de 29/03/84, e legislação complementar, e destina-se à irrigação de terras em
perímetro de, aproximadamente, _________________, localizadas no Município de
_________________________, no Estado _____________.

Artigo 3º: O DISTRITO poderá manter escritórios, agências ou nomear representantes em qualquer
unidade da Federação.

Artigo 4º: O DISTRITO não distribuirá parcelas de seu patrimônio, ou de suas rendas, ou de lucro,
aos Associados ou aos dirigentes, bem como não remunerará os membros do Conselho
de Administração e os Associados não serão solidariamente responsáveis perante tercei-
ros pelas obrigações contraídas em nome do DISTRITO, sendo, entretanto, responsáveis
pelo integral cumprimento das suas próprias obrigações assumidas para com o DISTRITO.

Artigo 5º: O DISTRITO aplicará os seus recursos exclusivamente no país, na manutenção e desen-
volvimento de seus objetivos.

CAPÍTULO II - OBJETIVOS E COMPETÊNCIAS

Artigo 6º: O DISTRITO tem por objetivos:

I. Administrar, operar e manter, conforme delegação de competência que lhe for con-
ferida, as obras de infra-estrutura de uso comum do PROJETO, bem como os prédi-
os de uso da administração e de apoio às atividades do DISTRITO;

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II. Definir os critérios, a forma, o volume e os horários de distribuição da água entre os


irrigantes, observando os planos de cultivo e de irrigação previamente aprovados;
III. Estimular e apoiar o associativismo, incentivando a criação de entidades cooperati-
vas ou representativas, que congreguem os irrigantes instalados nas glebas do
DISTRITO;
IV. Preservar a função social, a racionalidade econômica e a utilidade pública do uso da
água e dos solos irrigáveis;
V. Orientar os Associados no que se refere à exploração agropecuária, com vistas a
compatibilizá-la ao uso comum da água.

Artigo 7º: Para o desenvolvimento de seus objetivos, compete ao DISTRITO:

I. Defender os interesses comuns dos irrigantes e representá-los perante os órgãos


governamentais, seja da administração direta ou indireta, federal, estadual e/ou
municipal, bem como junto às pessoas físicas ou jurídicas de natureza privada, em
assuntos relacionados com os objetivos do DISTRITO;
II. Representar os órgãos governamentais da administração direta ou indireta, federal,
estadual e municipal, por delegação de competência, junto aos Associados, nos
assuntos e atividades de interesse da coletividade;
III. Acompanhar a atuação do Poder Público na administração das obras e benfeitorias
de uso social e na execução de programas de assistência social de interesse co-
mum dos irrigantes;
IV. Proceder ao zoneamento de áreas nas quais serão implantadas as unidades
habitacionais e a infra-estrutura social do DISTRITO;
V. Determinar as medidas necessárias à proteção do meio ambiente e preservação do
solo e das reservas florestais e ecológicas e estabelecer normas relativas ao contro-
le de poluição ambiental e de manutenção da qualidade da água;
VI. Orientar seu desenvolvimento institucional no sentido de se tornar entidade auxiliar
do Poder Público competente para a execução do PROJETO, com amparo no Artigo
5º da Lei nº 6.662, de 25/06/79, celebrando para tanto os instrumentos jurídicos
que se fizerem necessários;
VII. Propor ao órgão competente, observando as normas legais vigentes, a fixação da
tarifa correspondente ao consumo de água, recebê-la dos irrigantes e repassar ao
órgão a parcela de amortização dos investimentos nas obras de infra-estrutura de
uso comum, nela inserida;
VIII. Apoiar as ações e criar condições para que os irrigantes possam identificar e se
utilizar do crédito para investimentos e custeio agrícola para desenvolver seu pro-
cesso de produção e comercialização, bem como proporcionar os meios para insta-
lação de postos ou agências bancárias no DISTRITO;
IX. Propor ao Poder Público, mediante razões devidamente justificadas, desapropria-
ção, desmembramento ou remembramento dos lotes;
X. Fiscalizar as atividades desenvolvidas pelos irrigantes em seus lotes e aplicar as
penalidades e/ou as multas pela inobservância das normas regulamentares do DIS-
TRITO;
XI. Participar dos processos de recrutamento, seleção, assentamento, desligamento e
sucessão dos irrigantes, bem como as normas para utilização e transferência dos
direitos e da propriedade em relação aos lotes, observados os critérios básicos
estabelecidos pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF):
XII. Propiciar serviços de assistência técnica e extensão rural e de treinamento dos
Associados e dos trabalhadores rurais nas atividades de relevância para a comuni-
dade, notadamente nas técnicas de produção irrigada.

Parágrafo 1º: O DISTRITO, por decisão do Conselho de Administração, poderá de-


legar parte de suas atribuições, contratando, para sua execução, entidades cooperativas,
empresas privadas ou associações capacitadas.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Parágrafo 2º: Os objetivos e as competências ao DISTRITO, alinhados nos Artigos


6º e 7º, cuja competência originária seja do órgão público (DNOCS ou CODEVASF) ou de
outra entidade do Poder Público federal e estadual, serão exercitados mediante delegação
de competência, nos escritos termos do que for ajustado nos instrumentos jurídicos pró-
prios.

CAPÍTULO III - ASSOCIADOS

Artigo 8º: Poderão se associar ao DISTRITO somente os irrigantes assentados de forma legítima na
área do PROJETO, considerando-se como tais as pessoas físicas ou jurídicas titulares do
direito à exploração dos lotes agrícolas sob irrigação, conforme a legislação em vigor e as
normas internas do DISTRITO, na qualidade de proprietários, promitentes compradores,
cessionários, ou permissionários de uso;

Parágrafo único: A legitimação da condição de irrigante e a admissão como Associ-


ado do DISTRITO deverão ocorrer em atos jurídicos simultâneos, perdendo imediatamen-
te a qualidade de Associado a pessoa que, por qualquer razão, perder a condição de
irrigante.

Artigo 9º: A admissão como Associado é condição essencial ao exercício dos direitos e à obtenção
dos benefícios assegurados pelo DISTRITO.

Artigo 10: As condições de inscrição, admissão e transferência dos direitos, bem como os casos de
cancelamento e exclusão dos Associados, serão regulados pelo Regulamento Geral a ser
aprovado pelo Conselho de Administração.

CAPÍTULO IV - DIREITOS DOS ASSOCIADOS

Artigo 11: São direitos dos Associados:

I. Receber em seu lote água para fins de irrigação, em quantidade necessária às suas
atividades agrícolas, conforme planos de cultivo e de irrigação aprovados prelimi-
narmente pelo Conselho de Administração;
II. Participar das Assembléias Gerais, discutindo e votando os assuntos que nelas
sejam tratados;
III. Concorrer ao cargo de membro do Conselho de Administração ou do Conselho
Fiscal do DISTRITO;
IV. Concorrer aos financiamentos obtidos pelo DISTRITO para repasse aos irrigantes,
segundo suas reais necessidades e sua capacidade econômico-financeira e, ainda,
de acordo com plano previamente aprovado;
V. Amortizar o valor da aquisição do lote e as benfeitorias internas, nas condições,
forma e prazos estabelecidos na lei;
VI. Realizar o seu lote as obras e benfeitorias necessárias ao desempenho de suas
atividades, ressalvadas aquelas vedadas nas normas internas do DISTRITO ou in-
compatíveis com o Projeto.

CAPÍTULO V - OBRIGAÇÕES DOS ASSOCIADOS

Artigo 12: São obrigações dos Associados:


I. Cumprir e fazer cumprir as normas legais, as deliberações da Assembléia Geral e as
disposições deste Estatuto, do Regulamento Geral das normas internas do DISTRI-
TO;
II. Participar das Assembléias Gerais e votar as matérias nelas tratadas;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

III. Pagar as contribuições estipuladas pelo DISTRITO para cobertura das despesas
gerais da entidade;
IV. Desenvolver, no lote, atividade voltada exclusivamente para agricultura, exploran-
do-o direta e integralmente;
V. Adotar medidas e práticas recomendadas pelo Poder Público e pelo DISTRITO, para
o uso adequado da água e dos equipamentos de irrigação, utilização e conservação
do solo, preservação das reservas ecológicas e florestais e manutenção das condi-
ções ambientais livres de poluição;
VI. Pagar ao DISTRITO as tarifas estipuladas pelo Poder Público pelo uso da água, para
a amortização dos investimentos nas obras de infra-estrutura de uso comum e para
as despesas de administração, operação, conservação e manutenção das infra-
estruturas, e dos equipamentos de irrigação;
VII. Cumprir as obrigações assumidas no contrato pelo qual tiverem investido na posse
e exploração do lote, especialmente a realização das obras internas para irrigação;
VIII. Permitir a fiscalização de suas atividades pelos órgãos competentes do DISTRITO e
prestar-lhes as informações solicitadas;
IX. Alienar, prometer, ceder, acomodar, transferir ou comprometer os direitos de pro-
priedade ou uso do lote, exclusivamente a irrigantes selecionados pelo DISTRITO,
ou ao próprio DISTRITO, quando não houver pretendente e o DISTRITO aceitar a
transação;
X. Submeter ao Conselho de Administração questões e pendências relativas aos as-
suntos referidos no Artigo 44, respeitando, cumprindo e fazendo cumprir as deci-
sões, sem embargo da possibilidade de interposição de ação judicial.

CAPÍTULO VI - RECURSOS FINANCEIROS

Artigo 13: Constituem recursos do DISTRITO:


I. O valor das taxas de inscrição pagas pelos Associados por ocasião da sua admissão;
II. A contribuição paga pelos Associados;
III. A receita proveniente da parcela correspondente ao valor das despesas de adminis-
tração, operação e manutenção das infra-estruturas de irrigação de uso comum,
integrante da tarifa d’água, em razão da execução pelo DISTRITO de tais ações por
delegação do Poder Público;
IV. A receita da prestação de serviços de qualquer natureza aos irrigantes e às pessoas
físicas e jurídicas estabelecidas no DISTRITO, bem como ao Poder Público e suas
entidades;
V. A receita proveniente da sobretaxa, em percentual a ser fixado pelo Conselho de
Administração, incidente sobre o valor da parcela aludida no Inciso III deste artigo,
destinada a constituir reserva especial para ser utilizada exclusivamente no custeio
da reposição de equipamentos;
VI. As doações e legados recebidos;
VII. As subvenções oriundas do Poder Público;
VIII. Outras rendas de qualquer natureza.

CAPÍTULO VII - PATRIMÔNIO DO DISTRITO

Artigo 14: O patrimônio do DISTRITO, constituído pelos bens e direitos, deverá ser destinado exclu-
sivamente aos objetivos estabelecidos no Capítulo II deste Estatuto, obedecidas as diretri-
zes e planos de aplicação fixadas pelo Conselho de Administração.

Artigo 15: Serão nulos de pleno direito os atos e transações praticadas em desobediência aos precei-
tos legais e às disposições estabelecidas neste Estatuto e nas normas internas do DISTRI-
TO, sujeitando-se seus autores às sanções previstas em lei.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Artigo 16: Os bens imóveis do DISTRITO só poderão ser alienados com autorização da Assembléia
Geral e gravados com autorização expressa do Conselho de Administração.

Parágrafo único: Os bens móveis e imóveis de propriedade do DISTRITO, havidos


por doação de órgão ou entidades públicas, ou a eles vinculados, somente poderão ser
alienados após cumpridas as formalidades e encargos exigidos pelo doador.

CAPÍTULO VIII - REGIME FINANCEIRO, BALANÇO GERAL E CONSTITUIÇÃO


DE FUNDOS

Artigo 17: O exercício financeiro do DISTRITO coincidirá com o ano civil.

Artigo 18: Anualmente, em 31 de dezembro, será levantado o Balanço Geral e elaboradas as de-
monstrações financeiras do exercício.

Artigo 19: O Gerente Executivo submeterá à aprovação do Conselho de Administração, no prazo a


ser fixado pelo Regulamento Geral, o orçamento-programa do DISTRITO para o exercício
seguinte.

Artigo 20: O Gerente Executivo submeterá ao Conselho de Administração e ao Conselho Fiscal os


balancetes mensais do DISTRITO, divulgando-os aos Associados imediatamente após a
sua aprovação.

Artigo 21: O DISTRITO é obrigado a destinar, das sobras líquidas do exercício:

I. 50% (cinqüenta por cento) para constituir o fundo de reserva, para aplicação a ser
definida pelo Conselho de Administração.

Artigo 22: Caberá à Assembléia Geral Ordinária decidir sobre a destinação da parcela remanescente
de 50% (cinqüenta por cento) das sobras líquidas do exercício, devendo o Conselho de
Administração formular proposta de aplicação.

CAPÍTULO IX - ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO


Seção I

Artigo 23: São órgãos responsáveis pelas diretrizes, administração, operacionalização e fiscalização
do DISTRITO:
I. A Assembléia Geral;
II. O Conselho de Administração;
III. A Gerência Executiva;
IV. O Conselho Fiscal.

Artigo 24: Os membros do Conselho de Administração e da Gerência Executiva não serão responsá-
veis pelas obrigações que contraírem em nome do DISTRITO em virtude de ato regular de
gestão, respondendo, porém, civil e penalmente, por violação da lei deste Estatuto, do
Regulamento Geral ou das demais normas internas do DISTRITO.

Artigo 25: É vedada a participação no Conselho de Administração, na chefia dos órgãos superiores
da Gerência Executiva e no Conselho Fiscal, de parentes consangüíneos e afins até o
segundo grau.

Artigo 26: São vedadas as relações comerciais e financeiras entre o DISTRITO e empresas privadas
nas quais qualquer conselheiro ou o Gerente Executivo do DISTRITO exerça o cargo de

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

diretor ou gerente, ou figure como cotista, empregado, procurador ou acionista, salvo os


casos de ações adquiridas em Bolsas de Valores.

Artigo 27: É vedada, ao Gerente Executivo e às chefias dos órgãos superiores da Gerência Executi-
va, a realização de transações comerciais de qualquer espécie com os Associados e com
o DISTRITO, bem como a prestação de serviços aos Associados mediante remuneração.

Seção II - Assembléias Gerais

Artigo 28: A Assembléia Geral dos Associados, ordinária ou extraordinária, é o órgão máximo do
DISTRITO e, convocada e instalada de acordo com as disposições deste Estatuto e nor-
mas internas, tem competência para decidir todos os assuntos relativos ao objeto do
DISTRITO e tomar resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento.

Artigo 29: Compete, privativamente, à Assembléia Geral:

I. Eleger ou destituir os membros do Conselho de Administração e Conselho Fiscal;


II. Deliberar, anualmente, sobre a prestação de contas da Gerência Executiva, o relató-
rio da gestão, o Balanço Geral, o Parecer do Conselho Fiscal e as demais demons-
trações financeiras;
III. Deliberar sobre a destinação da parcela das sobras líquidas do exercício a que se
refere o artigo 22, bem como sobre a recomposição das perdas verificadas;
IV. Aprovar e reformar o Estatuto;
V. Autorizar a alienação de bens imóveis do DISTRITO;
VI. Deliberar sobre a transformação, fusão, incorporação e cisão do DISTRITO, sua
dissolução ou liquidação, e eleger e destituir os liquidantes e julgar-lhes as contas.

Artigo 30: As Assembléias Gerais serão convocadas pelo Conselho de Administração e dirigidas
preferencialmente pelo seu Presidente, salvo indicação diversa feita pelos Associados na
própria reunião.

Parágrafo único: A Assembléia Geral pode também ser convocada pelo Conselho
Fiscal, pelo representante do órgão público (DNOCS ou CODEVASF) no Conselho de
Administração, por 1/5 (um quinto) dos Associados ou por qualquer Associado, nos ca-
sos previstos no Regulamento Geral.

Artigo 31: As Assembléias Gerais serão convocadas com antecedência mínima de 08 (oito) dias
corridos, contados da divulgação do anúncio; não se realizando a Assembléia, notadamente
por falta de “quorum”, será feita nova convocação com antecedência mínima de 03 (três)
dias corridos da data prevista para a realização da primeira Assembléia, e em terceira
convocação, no prazo previsto no edital.

Artigo 32: As deliberações das Assembléias Gerais deverão restringir-se exclusivamente à matéria
constante do edital, ou que com a mesma tenham relação direta, sendo vedada a discus-
são sobre qualquer outro assunto não previsto no edital.

Artigo 33: A presença dos Associados será registrada em livro próprio no qual figure sua assinatura
e o número da matrícula correspondente.

Artigo 34: Ressalvados os casos especiais previstos no Artigo 41 deste Estatuto, a Assembléia
Geral instalar-se-á, em primeira convocação, com a presença de, no mínimo, a metade
dos Associados com direito a voto e, em segunda convocação, com a presença de, no

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mínimo 10% (dez por cento) dos Associados com direito a voto e em terceira convoca-
ção, com qualquer número de Associados.

Artigo 35: Com exceção do disposto no Artigo 41º, as decisões nas Assembléias Gerais serão toma-
das por maioria simples dos votos dos Associados presentes à Assembléia.

Artigo 36: Cada Associado, independentemente de sua condição de pessoa física ou jurídica, terá
direito a 1 (um) voto nas deliberações da Assembléia Geral.

Artigo 37: Os Associados poderão ser representados nas Assembléias Gerais por procuradores legal-
mente habilitados, constituídos há menos de seis meses da data da realização da Assem-
bléia.

Seção III - Assembléia Geral Ordinária

Artigo 38: A Assembléia Geral Ordinária, que deverá se realizar anualmente, no decorrer do mês de
abril, deliberará sobre os assuntos referidos nos Incisos I a III do Artigo 29º.

Artigo 39: Cópias do Balanço Geral, Demonstrações Financeiras e Relatório da Gerência Executiva,
depois de aprovados pelo Conselho de Administração, deverão ser afixadas, juntamente
com o Parecer do Conselho Fiscal, nos mesmos locais onde são divulgadas as convoca-
ções, com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da data prevista para a realização da
Assembléia.

Seção IV - Assembléia Extraordinária

Artigo 40: A Assembléia Geral Extraordinária será convocada a qualquer tempo para deliberar sobre
os assuntos de interesse do DISTRITO não compreendidos da competência da Assem-
bléia Ordinária, especialmente sobre as matérias aludidas nos Incisos IV a VII do Artigo
29º.

Artigo 41: A Assembléia Geral Extraordinária que tiver por objeto deliberar sobre a transformação,
fusão, incorporação ou cisão do DISTRITO, sua dissolução ou liquidação, e eleger ou
destituir liquidantes ou julgar-lhes as contas, somente se instalará, em primeira convoca-
ção, com a presença dos Associados que representem 3/4 (três quartos), no mínimo, dos
Associados com direito a voto, podendo instalar-se em segunda convocação, após 8
(oito) dias úteis, com a presença de 20% (vinte por cento), no mínimo, sendo necessári-
os, em qualquer dos dois casos, os votos favoráveis de 3/4 (três quartos) dos Associados
presentes para tornar válidas as decisões.

Parágrafo único: A Assembléia Geral Extraordinária que tiver por objeto a reforma
do Estatuto, deverá obebecer as mesmas condições aludidas no “caput” desta cláusula,
reduzindo-se o “quorum” mínimo, nos dois casos, para 2/3 (dois terços) dos Associados.

Seção V - Conselho de Administração

Artigo 42: O DISTRITO será administrado por um Conselho de Administração composto de sete
membros permanentes, Associados de notória idoneidade moral, eleitos pela Assembléia
Geral, com mandato de três anos, não sendo permitida a reeleição dos membros titulares
para o período imediatamente subseqüente.

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Parágrafo 1º: A Assembléia Geral que eleger os membros do Conselho de Adminis-


tração, também elegerá seus respectivos suplentes.

Parágrafo 2º: Para fim de representação no Conselho de Administração, os Associ-


ados se dividem em três grupos distintos:1

a) PEQUENOS PRODUTORES - possuidores de lotes de cerca de ________ hectares;


b) MÉDIOS PRODUTORES - possuidores de lotes de, aproximadamente, ________ hec-
tares;
c) EMPRESÁRIOS - possuidores de lotes de mais de _________ hectares.

Parágrafo 3º: O Associado pertencente a determinado grupo, na forma do parágra-


fo anterior, não poderá votar em candidato a membro do Conselho de Administração
integrante de grupo diferente do seu.

Parágrafo 4º: Dos sete membros permanentes que compõem o Conselho de Admi-
nistração, quatro serão eleitos exclusivamente por Associados classificados como “Pe-
quenos Produtores”, dois exclusivamente por Associados classificados como “Médios
Produtores” e um exclusivamente por Associados classificados como “Empresários”.

Artigo 43: São atribuições do Conselho de Administração:

I. Aprovar o Regulamento do DISTRITO e suas modificações;


II. Estabelecer a política geral de atuação do DISTRITO;
III. Estabelecer as diretrizes, objetivos e metas do DISTRITO, visando seu desenvolvi-
mento e sua organização técnica, administrativa e social;
IV. Estabelecer os critérios de distribuição de água entre os irrigantes, de forma que
seja preservada sua função social e utilização pública e atendido o Plano Anual de
Produção;
V. Propor ao órgão competente o valor da parcela da tarifa d’água correspondente às
despesas de operação e manutenção das infra-estruturas de irrigação de uso co-
mum, a serem incluídas nas tarifas d’água, bem como fixar o valor da contribuição
para constituição de fundo especial para reposição dos equipamentos;
VI. Estabelecer normas de utilização e conservação dos solos;
VII. Regulamentar, de acordo com os procedimentos estabelecidos pelo órgão execu-
tor, a forma de implantação e implementação do processo de recrutamento dos
irrigantes, bem como estabelecer as normas para utilização e transferência dos
direitos e da propriedade em relação aos lotes, observada a legislação vigente;
VIII. Aprovar o Plano Atual de Produção e definir estratégias de médio e longo prazo para
a produção agrícola e a comercialização dos produtos;
IX. Aprovar o orçamento-programa anual e suas eventuais alterações, bem como defi-
nir a aplicação dos saldos dos fundos constituídos na forma dos Incisos I, II e III do
Artigo 21;
X. Aprovar o Plano Anual de trabalho do DISTRITO;
XI. Estabelecer as normas de funcionamento e operacionalização do DISTRITO;
XII. Estabelecer as normas de prestação de serviços, comercialização e financiamento
do DISTRITO, definindo os critérios básicos de estipulação de preços e condições;
XIII. Aprovar as operações e negócios relevantes e a contratação de empresas
especializadas, e autorizar a constituição de ônus ou direitos reais sobre imóveis;
XIV. Convocar as Assembléias Gerais;
XV. Propor à Assembléia Geral a alienação dos imóveis;

1 A divisão é a denominação dos grupos de irrigantes que poderão ser alterados para adequá-los às características de cada
projeto de irrigação.

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XVI. Contratar e dispensar o Gerente Executivo ou a empresa que executará essa atribui-
ção e fixar-lhes a remuneração;
XVII. Fixar o quadro de pessoal e a tabela de remuneração;
XVIII. Aplicar aos Associados as penalidades que não estejam previstas na competência
do Gerente Executivo;
XIX. Autorizar o Gerente Executivo a oferecer bens de propriedade do DISTRITO em
garantia de transação e empréstimos realizados pelo DISTRITO;
XX. Delegar parte das atribuições do DISTRITO ou contratar para sua execução entida-
des cooperativas, empresas privadas ou associações;
XXI. Instituir norma própria de licitação e contratação para aquisição e alienação de bens
e serviços, observados os princípios básicos da igualdade, probabilidade, publicida-
de, vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e outros
correlatos;
XXII. Opinar sobre qualquer assunto submetido pelo Gerente Executivo;
XXIII. Fixar o valor da taxa de inscrição e da contribuição a serem pagas pelos Associa-
dos;
XXIV.Decidir sobre os casos omissos, normatizando a decisão.

Artigo 44: O Conselho de Administração deverá funcionar como árbitro das questões surgidas entre
os Associados, notadamente nas matérias relativas à posse e propriedade do lote, uso da
água, solo, obras de infra-estrutura de irrigação e direito de vizinhança, devendo ser
acatadas as decisões, respeitadas e cumpridas pelas partes envolvidas, após desenvolvi-
mento de processo regulado em norma própria.

Artigo 45: As normas de funcionamento do Conselho de Administração serão estabelecidas no Re-


gulamento Geral do DISTRITO.

Seção VI - Gerência Executiva

Artigo 46: A Gerência Executiva é o órgão executivo do DISTRITO, cabendo ao Gerente Executivo
administrar os interesses sociais, consoante política estabelecida pelo Conselho de Admi-
nistração.

Artigo 47: A Gerência Executiva poderá ser exercida por pessoa jurídica especialmente contratada
ou por profissionais empregados do DISTRITO cujos nomes, em ambos os casos, deverão
ser aprovados pelo Conselho de Administração, constituindo requisitos essenciais para
sua escolha possuírem reputação ilibada, capacidade técnica e experiência na administra-
ção e operacionalização de empreendimentos voltados para a agricultura irrigada.

Artigo 48: Compete ao Gerente Executivo:


I. Executar a administração do DISTRITO, dirigindo, coordenando e controlando os
atos inerentes à gestão e ao desenvolvimento dos objetivos sociais, ressalvada a
competência da Assembléia Geral e do Conselho de Administração, bem como
enviar ao órgão executor, periodicamente, relatório sobre as atividades desenvolvi-
das;
II. Fazer executar a política estabelecida pela Assembléia Geral e pelo Conselho de
Administração;
III. Aprovar as normas operacionais, técnicas, administrativas e financeiras;
IV. Designar membros integrantes da Gerência Executiva e fixar-lhes as atribuições;
V. Celebrar contratos, convênios, ajustes e acordos;
VI. Aprovar o plano de contas e suas alterações;
VII. Representar o DISTRITO, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, e constituir
procuradores;

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VIII. Admitir, promover, designar, licenciar, transferir, remover e dispensar empregados,


bem como aplicar-lhes penalidades disciplinares;
IX. Movimentar os recursos financeiros e contas bancárias, assinando em conjunto
com o administrador responsável pelas atividades financeiras do DISTRITO;
X. Autorizar a instalação de empresas comerciais e prestadoras de serviços, conforme
plano e zoneamento previamente aprovados;
XI. Representar os órgãos de Poder Público, nas atividades que forem expressamente
delegadas ao DISTRITO;
XII. Secretariar as reuniões do Conselho de Administração.

Seção VII - Conselho Fiscal

Artigo 49: O Conselho Fiscal é o órgão de fiscalização contábil, econômica e financeira do DISTRI-
TO, e será composto de três membros efetivos e respectivos suplentes, eleitos dentre os
Associados, anualmente, pela Assembléia Geral Ordinária, sendo permitida a reeleição de
apenas 2/3 (dois terços) de seus componentes para o exercício seguinte.

Artigo 50: As reuniões ordinárias do Conselho Fiscal serão mensais, e as extraordinárias ocorrerão
quando convocadas pelo Presidente.

Artigo 51: No desempenho de suas atribuições, poderá o Conselho Fiscal requerer a contratação de
assessoramento técnico, contábil ou de auditoria externa, correndo as despesas por con-
ta do DISTRITO.

Artigo 52: São obrigações do Conselho Fiscal:

I. Examinar e aprovar os balancetes do DISTRITO;


II. Emitir parecer sobre o balanço anual do DISTRITO, bem como sobre as contas e
demais aspectos econômico-financeiros dos atos da Gerência Executiva;
III. Examinar os livros e documentos do DISTRITO;
IV. Lavrar em livros de atas e pareceres o resultado dos exames procedidos, acusando
as irregularidades verificadas e sugerindo as medidas saneadoras;
V. Submeter as contas do DISTRITO ao exame de auditoria externa independente;
VI. Apresentar ao Conselho de Administração pareceres sobre os negócios e as opera-
ções sociais do exercício, tomando por base o balanço, o inventário e as contas do
DISTRITO, bem como o parecer da auditoria externa independente, aludido no Item
V acima;
VII. Acompanhar a execução do orçamento-programa do DISTRITO.

CAPÍTULO X - PESSOAL

Artigo 53: Os empregados do DISTRITO estarão sujeitos à legislação trabalhista e ao Plano de Car-
gos e Salários aprovado pelo Conselho de Administração.

Artigo 54: A admissão dos empregados no DISTRITO far-se-á através do processo seletivo, inspira-
do em sistema de mérito a ser estabelecido em ato regulamentar.

Artigo 55: O quadro de pessoal e suas alterações serão aprovados pelo Conselho de Administração.

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CAPÍTULO XI - LIQUIDAÇÃO E DISSOLUÇÃO

Artigo 56: O DISTRITO entrará em liquidação ou será dissolvido compulsoriamente nos casos previs-
tos em lei.

Artigo 57: Completada a liquidação ou dissolução, seja compulsória ou voluntária, na forma prevista
no Artigo 41º e, uma vez julgadas as contas dos liquidantes, o saldo remanescente do
patrimônio será destinado a outra associação do mesmo gênero ou a instituição indicada
em Assembléia Geral.

CAPÍTULO XII - DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Seção I - Relativas aos Órgãos da Administração

Artigo 58: Integrará também o Conselho de Administração independente de aprovação pela Assem-
bléia Geral, sem direito a voto, mas com direito a veto nas decisões colegiadas, um
membro indicado pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF).

Parágrafo 1º: O membro indicado pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF) pode-
rá ser substituído a qualquer tempo, segundo a conveniência da entidade representada.

Parágrafo 2º: O membro indicado pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF) não
poderá exercer o cargo de Presidente ou Vice-Presidente do Conselho de Administração.

Parágrafo 3º: O direito de veto pleno será exercido pelo prazo de seis anos contados
da primeira investidura de seus membros permanentes ou até o momento em que o
DISTRITO for declarado emancipado, na forma prevista na Lei 6.662/79, caso este even-
to ocorra antes de decorridos os seis anos, exclusivamente contra decisões que conflitarem
com a legislação ou com as normas do órgão público (DNOCS ou CODEVASF) nas maté-
rias relativas a:

I. Distribuição, utilização e estabelecimento de privilégios em relação ao valor das


tarifas de uso da água, nelas consideradas os valores das parcelas de amortização
dos investimentos e das despesas anuais especificadas na lei;
II. Destinação, venda, promessa de venda, cessão ou permissão de uso de lotes e
utilização dos solos irrigáveis;
III. Aplicação dos critérios de recrutamento, seleção, assentamento, desligamento e
sucessão dos irrigantes e transferência dos direitos e da propriedade;
IV. Proteção ao meio ambiente, preservação das reservas florestais e controle da polui-
ção;
V. Zoneamento das áreas do DISTRITO;
VI. Operacionalização e manutenção das obras de infra-estrutura de irrigação e de apoio
às atividades do DISTRITO;
VII. Utilização do DISTRITO para fins diversos dos objetivos sociais;
VIII. Desvio das finalidades básicas do Projeto de Irrigação;
IX. Outros itens cuja competência originária esteja afetada, na forma da lei, ao Poder
Público.

Parágrafo 4º: Após o decurso do prazo de seis anos, ou ocorrendo a emancipação


do DISTRITO, de acordo com o disposto no Parágrafo Terceiro deste artigo, o direito de
veto será restrito e só poderá ser exercido exclusivamente em relação às matérias cuja
implementação conflitem com a legislação vigente e em decisões que caracterizem manifes-
to desvirtuamento dos objetivos sociais do DISTRITO, ou em relação às decisões que
impliquem na indevida utilização das obras de infra-estrutura de irrigação e seus equipa-
mentos.

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Parágrafo 5º: A falta de indicação temporária do representante do órgão público


(DNOCS ou CODEVASF) não impedirá nova indicação futura, ficando, todavia, o repre-
sentante impossibilitado de vetar decisões tomadas em reuniões realizadas regularmente,
às quais não tenha comparecido voluntariamente depois de convocado.

Artigo 59: Poderá ser apresentado à Diretoria do órgão público (DNOCS ou CODEVASF) por delibe-
ração do Conselho de Administração, recurso contra os vetos do membro indicado.

Parágrafo 1º: É vedado ao Conselho de Administração ou ao Gerente Executivo,


implementar decisões vetadas, salvo se vierem a ser modificadas pelo órgão público
(DNOCS ou CODEVASF).

Parágrafo 2º: A forma e as condições de veto serão fixadas no Regulamento Geral.

Artigo 60: Visando assegurar a renovação anual de parte do Conselho de Administração, a primeira
eleição dos Conselheiros será processada da seguinte forma:

I. Os “Pequenos Produtores” - elegerão um membro para o mandato de um ano; dois


membros para o mandato de dois anos e um membro para o mandato de três anos;
II. Os “Médios Produtores” - elegerão um membro para o mandato de um ano e um
membro para o mandato de três anos;
III. Os “Empresários” - elegerão um membro para o mandato de três anos.

Parágrafo único: Permanecerão vagos os cargos cuja eleição seja de competên-


cia de grupos de Associados ainda não instalados no DISTRITO.

Artigo 61: Os membros do Conselho de Administração eleitos para o período de um e dois anos
poderão ser reeleitos para o período imediatamente subseqüente, aplicando-se a regra do
Artigo 42 para os períodos posteriores.

Artigo 62: Até a conclusão do assentamento de todos os irrigantes na área de abrangência do Proje-
to, poderá não se aplicar o disposto no Artigo 25, desde que a exceção seja formalmente
aprovada pelo Conselho de Administração e ratificada pela Assembléia Geral.

Seção II - Relativas aos Objetivos

Artigo 63: Até que os irrigantes se organizem convenientemente, seja em cooperativas, associações
ou outras entidades e até que o DISTRITO disponha de rede de estabelecimentos comer-
ciais e de prestação de serviços de forma que a comunidade seja atendida nas suas
necessidades, poderá o DISTRITO:
I. Promover a venda da produção agropecuária do DISTRITO nos mercados locais,
nacionais ou internacionais;
II. Adquirir em nome próprio sementes, insumos básicos, materiais de consumo e
outros produtos necessários às atividades dos Associados, repassando-os aos
irrigantes por venda direta;
III. Construir e/ou administrar armazéns, depósitos, silos e outras benfeitorias para
estocagem da produção dos Associados;
IV. Organizar o sistema de transporte de produção;
V. instalar e operacionalizar unidades de beneficiamento de sementes;
VI. Explorar comércio em geral, notadamente o de produtos utilizados ou consumidos
pelos irrigantes;
VII. Prestar serviços de qualquer natureza aos irrigantes e habitantes do DISTRITO;
VIII. Organizar e manter à disposição dos irrigantes serviços e equipamentos de mecani-
zação agropecuária;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

IX. Coordenar ou executar diretamente, quando possível, a construção de casas


residenciais, alojamentos e demais instalações para ocupação pelos irrigantes e
pelos empregados do DISTRITO.

Parágrafo único: O Conselho de Administração, no prazo máximo de um ano de


constituição do DISTRITO, deverá convocar a Assembléia Geral para que os irrigantes
deliberem sobre a organização de um e/ou mais entidades para a execução das atribui-
ções alinhadas nos Incisos I a IX deste Artigo.

Seção III - Relativas às Normas Internas

Artigo 64: O Conselho de Administração, no prazo máximo de 90 dias após a constituição do DIS-
TRITO, deverá aprovar o Regulamento Geral do DISTRITO e divulgá-lo entre os Associa-
dos.

Artigo 65: O Conselho de Administração indicará a pessoa responsável pela assinatura em conjunto
com o Gerente Executivo para movimentação dos recursos financeiros e contas bancárias
do DISTRITO, até que seja aprovado o Regulamento Geral e definidos os cargos adminis-
trativos, técnicos e financeiros.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ANEXO 3

CONTRATO ENTRE O ÓRGÃO PÚBLICO


E O DISTRITO DE IRRIGAÇÃO

CONTRATO QUE ENTRE SI CELEBRAM O________________________________________


_______________________________________________________E O DISTRITO DE IRRIGAÇÃO
____________________________________, VISANDO DELEGAR COMPETÊNCIAS A ESTE
ÚLTIMO COM RELAÇÃO À IMPLANTAÇÃO DO PROJETO ______________________.

O (caracterizar o órgão público)_________________________________________________


________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________ neste ato representado por
seu _____________________________________, _________________________________,
doravante denominado _________________________________________, e o DISTRITO DE
IRRIGAÇÃO de _____________________________________________, associação civil de di-
reito privado, sem fins lucrativos, com Estatuto registrado no Cartório competente, sediado
no Município de _____________________________, Estado de ____________________, repre-
sentado neste ato pelo seu Gerente Executivo, ______________________, devidamente
autorizado pelo Conselho de Administração na reunião realizada em ___/___/___, doravante
designado DISTRITO.

Considerando:

Que o PROJETO, situado no Município de _____________________________________,


Estado de ____________________, tem por objetivo a implantação de um perímetro público
de irrigação numa área de, aproximadamente, ___________ hectares, com fornecimento
hídrico aos lotes através da água captada do rio ______________________________.

Que o DISTRITO reúne, a juízo do órgão público (DNOCS ou CODEVASF), caracte-


rísticas satisfatórias para participar da implantação do PROJETO, como associação de
irrigantes aludida na consideração precedente;

Que o DISTRITO manifesta a sua intenção de atuar em estrito acordo com os


termos do presente contrato;

Resolvem:

Celebrar o presente contrato de acordo com as seguintes cláusulas:

CLÁUSULA PRIMEIRA - OBJETIVO

O órgão público (DNOCS ou CODEVASF), através do presente instrumento, delega


ao DISTRITO e este concorda em assumir, a partir desta data, de pleno direito, a compe-
tência originária que dispõe o órgão público (DNOCS ou CODEVASF), por força da titulação
em relação à terra e em razão do estabelecido na vigente legislação sobre a irrigação,
para:

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a) Administrar, operar e manter as obras de infra-estrutura de irrigação de uso comum


adscritas ao perímetro do PROJETO, compreendendo o Sistema Hidráulico Princi-
pal, constituído pelo canal de captação, estações de bombeamento principal e se-
cundárias, canais e equipamentos de adução, condução e distribuição até o limite
de cada lote e demais estruturas de uso comum utilizadas na distribuição da água,
inclusive de drenagem;

b) Administrar e medir a distribuição da água entre os irrigantes, preservando sua


função social, a racionalidade econômica e a utilidade pública;

c) Administrar e manter os imóveis administrativos e de apoio operacional;

d) Administrar os recursos financeiros alocados pelo órgão público (DNOCS ou


CODEVASF) ao Fundo de Apoio à Operação Inicial;

e) Promover a recuperação e, quando necessário, a reposição de máquinas e equipa-


mentos elétricos e mecânicos de uso comum do PROJETO;

f) Receber dos irrigantes as tarifas decorrentes do uso da água;

g) Intervir, junto aos irrigantes, no sentido de fazer cumprir a legislação aplicável aos
perímetros irrigados, bem como as normas de funcionamento do PROJETO
estabelecidas pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF);

h) Aplicar os processos de recrutamento, seleção, assentamento, desligamento e su-


cessão dos irrigantes, bem como as normas para utilização e transferência dos
direitos e da propriedade em relação aos lotes, observados os critérios estabeleci-
dos pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF);

i) Fiscalizar as atividades desenvolvidas pelos irrigantes em seus lotes e aplicar as


penalidades pela inobservância da legislação e das normas de funcionamento do
PROJETO;

j) Proceder ao zoneamento das áreas nas quais serão implantadas as unidades habita-
cionais e as infra-estruturas de apoio social do PROJETO, bem como das áreas
destinadas às empresas comerciais, agroindustriais e de prestação de serviços;

l) Propiciar serviços de assistência técnica e social aos irrigantes e o treinamento nas


atividades de relevância para a comunidade, notadamente nas técnicas de produ-
ção agrícola sob irrigação;

m) Determinar a adoção das providências necessárias à proteção do meio ambiente e


preservação do solo e das reservas florestais e ecológicas e estabelecer normas
relativas ao controle da poluição ambiental e de manutenção da qualidade da água.

CLÁUSULA SEGUNDA - FUNÇÕES DELEGADAS

Na gestão dos recursos hídricos e das obras de infra-estrutura de irrigação de uso


comum, o DISTRITO obriga-se a:

a) Estabelecer, de forma consensual com os irrigantes e em conformidade com as


normas de funcionamento do PROJETO, as diretrizes básicas do PROJETO, e a
elaboração dos planos de produção agrícola anuais, observada a disponibilidade
hídrica;

b) Elaborar as programações de distribuição de água aos irrigantes, compatibilizando-


as com os planos de produção agrícola;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

c) Celebrar com cada irrigante contrato de fornecimento de água, de acordo com


modelo aprovado pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF);

d) Administrar o Fundo de Apoio à Operação Inicial do PROJETO;

e) Instituir e administrar um fundo especial para reposição de equipamentos e outro


fundo especial para emergências, a serem constituídos com recursos arrecadados
dos próprios irrigantes;

f) Repassar ao órgão público (DNOCS ou CODEVASF), na forma e condições estipula-


das, as parcelas relativas à amortização dos investimentos nas obras de infra-estru-
tura de irrigação de uso comum inserida na tarifa d’água;

g) Promover, entre os irrigantes, a observância de práticas de racionalidade econômi-


ca e ambiental na utilização dos recursos hídricos e dos solos irrigáveis;

h) Contratar empresas especializadas para a operação e manutenção das infra-estru-


turas de irrigação de uso comum, bem como para os serviços de assistência aos
irrigantes, durante o período de maturação do PROJETO, mediante termo de refe-
rência e procedimento de contratação aprovado pelo órgão público (DNOCS ou
CODEVASF);

i) Não realizar, nas obras de infra-estrutura comum de irrigação, modificações subs-


tanciais sem prévio e expresso consentimento do órgão público (DNOCS ou
CODEVASF), realizando, entretanto, prontamente, todos os reparos que se fizerem
necessários ao pleno fornecimento de água aos irrigantes;

j) Facultar a realização das inspeções que o órgão público (DNOCS ou CODEVASF)


julgar necessárias.

PARÁGRAFO ÚNICO: Os serviços a que se refere o Item “I” desta Cláusula poderão
ser executados, no todo ou em parte, diretamente pelo DISTRITO, antes do término
do período de maturação do PROJETO, desde que, a juízo do órgão público (DNOCS
ou CODEVASF), o DISTRITO apresente as condições necessárias para sua execução.

CLÁUSULA TERCEIRA - OBRIGAÇÕES DO ÓRGÃO PÚBLICO


(DNOCS OU CODEVASF)

São obrigações do órgão público (DNOCS ou CODEVASF):

a) Manter como normas de seleção e assentamento no perímetro do PROJETO a


obrigatoriedade dos irrigantes de se associarem ao DISTRITO, como requisito ine-
rente à condição legítima de irrigante assentado;

b) Prosseguir, conforme o programa de implantação do PROJETO, a construção das


obras de infra-estrutura do perímetro de irrigação, incluindo: (1) as infra-estruturas
de irrigação de uso comum, básicas e prediais; (2) as infra-estruturas sociais de uso
comum; e (3) as infra-estruturas parcelares de irrigação nas glebas destinadas a
lotes familiares;

c) Entregar ao DISTRITO, conforme programas, os regimes de cessão e os procedi-


mentos a serem estabelecidos de comum acordo entre as partes contratantes, e as
obras de infra-estrutura de uso comum, básicas e prediais, cuja operação e manu-
tenção é delegada ao DISTRITO, conforme o disposto no presente contrato;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

d) Assegurar o fornecimento de água ao PROJETO, conforme as normas de funciona-


mento do projeto e os programas de irrigação aprovados;

e) Comunicar ao DISTRITO as tarifas d’água a serem aplicadas, nos termos estipula-


dos na Cláusula Quarta;

f) No financiamento das funções delegadas ao DISTRITO referentes à gestão da água,


administração, operação e manutenção das infra-estruturas, participar exclusiva-
mente mediante o repasse ao DISTRITO de recursos financeiros para constituição
do Fundo de Apoio à Operação Inicial, aludido na letra “d” da Cláusula Primeira,
entendendo-se que os restantes custos decorrentes do exercício destas funções
são de conta dos irrigantes e, conseqüentemente, coletáveis pelo DISTRITO atra-
vés da cobrança da tarifa d’água. O Fundo aludido nesta alínea corresponderá aos
seguintes percentuais: no primeiro ano após o assentamento do primeiro grupo de
irrigantes, 100% (cem por cento) do total das despesas; no segundo ano, 70%
(setenta por cento), e no terceiro ano, 40% (quarenta por cento);

g) No financiamento das funções delegadas ao DISTRITO referentes à execução de


programas de assistência aos irrigantes, responsabilizar-se por: (1) os custos dos
serviços de terceiros a serem contratados pelo DISTRITO, e (2) as despesas inter-
nas do DISTRITO correspondentes ao exercício destas funções durante o período
de maturação do PROJETO, que não será superior a seis meses após o assentamen-
to do último grupo de irrigantes;

h) Custear, no primeiro ano de organização do DISTRITO, um programa de desenvol-


vimento institucional do mesmo, consistente na provisão de consultoria de apoio e
treinamento de pessoal a ser elaborado conjuntamente pelas partes contratantes;

i) Fixar em 30 anos o prazo máximo de amortização dos investimentos nas obras de


infra-estrutura de irrigação de uso comum.

CLÁUSULA QUARTA - TARIFA D’ÁGUA

O cálculo e a fixação do valor da tarifa d’água obedecerão às disposições contidas


na Seção III, Artigo 43 do Decreto Federal nº 89.496, de 29/03/84, que regulamenta a Lei
nº 6.662/79.

PARÁGRAFO PRIMEIRO: O órgão público (DNOCS ou CODEVASF) comunicará ao


DISTRITO, oportunamente, o valor da tarifa d’água, bem como as parcelas nela contidas.

PARÁGRAFO SEGUNDO: O DISTRITO repassará ao órgão público (DNOCS ou


CODEVASF) a parcela indicada no Inciso I, Artigo 43 do Decreto acima citado.

PARÁGRAFO TERCEIRO: No caso de inadimplência no pagamento das tarifas, o


DISTRITO aplicará aos irrigantes as penalidades e sanções previstas na lei, nas normas
internas do PROJETO, no Estatuto do DISTRITO e no contrato individual de fornecimento
assinado com os irrigantes.

CLÁUSULA QUINTA - REPRESENTAÇÃO DO ÓRGÃO PÚBLICO


(DNOCS OU CODEVASF) NO DISTRITO

As partes contratantes se obrigam a manter um representante do órgão público


(DNOCS ou CODEVASF) como membro do Conselho de Administração do DISTRITO,
sem direito a voto mas com direito a veto quanto às matérias indicadas no Parágrafo
Primeiro desta Cláusula.

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PARÁGRAFO PRIMEIRO: As matérias sujeitas ao veto do Conselheiro representante


do órgão público (DNOCS ou CODEVASF) são as relacionadas diretamente com:

a) O desempenho das competências e funções delegadas ao DISTRITO mediante este


contrato e das que vierem a ser delegadas mediante futuros termos aditivos;

b) Desvio das finalidades básicas do PROJETO;

c) Utilização do DISTRITO para fins diversos dos seus objetivos sociais;

d) Outros assuntos cuja competência originária esteja afeta, na forma da lei, ao órgão
público (DNOCS ou CODEVASF) ou Poder Público.

PARÁGRAFO SEGUNDO: O DISTRITO, por deliberação do seu Conselho de Admi-


nistração, poderá apresentar recurso ao órgão público (DNOCS ou CODEVASF)
contra os vetos exercidos pelo Conselheiro representante deste.

CLÁUSULA SEXTA - EXECUÇÃO DO PRESENTE CONTRATO

As partes contratadas elaborarão de comum acordo, até 60 dias após a data de


entrada em vigor do presente contrato, um documento que estabeleça os procedimentos
a nível operacional, necessários para a sua execução, sendo que tal documento, uma vez
assinado pelas partes, passará a fazer parte deste contrato, independentemente de trans-
crição. O documento em pauta será elaborado levando em conta as seguintes estipula-
ções de caráter geral, relativas à execução do presente contrato:

a) O órgão público (DNOCS ou CODEVASF) fornecerá ao DISTRITO a documentação


ou o acesso à documentação do PROJETO, tanto a já existente, quanto a que for
produzida no futuro, incluindo a relativa a (1) estudos referentes à formulação bási-
ca e à viabilidade técnico-econômica; (2) normas de funcionamento do Projeto, que
integrarão, entre outras, as relativas à programação da irrigação, ao assentamento
de irrigantes, à operação/manutenção das infra-estruturas, e às medidas sobre pro-
teção ambiental; (3) os projetos de engenharia básicos e executivos; e (4) a atuali-
zação periódica das previsões referentes à implantação do PROJETO, incluindo,
especialmente, as relacionadas diretamente com as funções delegadas ao DISTRI-
TO;

b) O DISTRITO, com base nessa informação, elaborará e fornecerá ao órgão público


(DNOCS ou CODEVASF) o Plano Operativo Anual (POA), que deverá descrever, de
forma sistematizada, com apoio em cronogramas físico-financeiros e material
explicativo adequado, as atividades a serem executadas, incluindo com especial
detalhamento as relativas às funções delegadas;

c) O órgão público (DNOCS ou CODEVASF) comunicará anualmente ao DISTRITO, e


sempre que ocorram mudanças, os componentes relativos à tarifa d’água e às
orientações relativas à administração do Fundo de Apoio à Operação Inicial;

d) O DISTRITO preparará e submeterá à aprovação do órgão público (DNOCS ou


CODEVASF): (1) os termos de referência propostos para a contratação de serviços
especializados, relativos à gestão da água, notadamente os referentes à operação e
manutenção de infra-estruturas; (2) o Plano Anual de Demanda d’água - PADA,
baseado em previsões de exploração agrícola especialmente levantadas; e (3) a
Programação da Irrigação, por parcelas e setores do PROJETO, estabelecida sobre
horizonte de previsão adequada à operacionalização do Sistema Hidráulico Principal
e das Infra-estruturas a nível de parcelas;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

e) O órgão público (DNOCS ou CODEVASF) comunicará ao DISTRITO os termos de


referência relativos à função delegada de fiscalização da observância da norma de
funcionamento do PROJETO;

f) O DISTRITO se obriga a adotar normas próprias de licitação e contratação para


aquisição de bens e serviços, aplicáveis na execução do presente contrato;

g) As partes contratantes obrigam-se a regulamentar o regime de cessão de uso das


infra-estruturas cuja administração, conservação, operação e manutenção ficam
delegadas ao DISTRITO, tanto no referente à formalização do seu repasse para uso,
quanto no referente às condições de uso e responsabilidades assumidas;

h) As partes contratantes se obrigam a regulamentar o exercício do direito de veto do


representante do órgão público (DNOCS ou CODEVASF) no Conselho de Adminis-
tração do DISTRITO;

i) Nenhum servidor público ou empregado de órgãos ou entidades da administração


direta e indireta dos Governos Federal, Estadual ou Municipal poderá ser indicado
para se tornar irrigante ou beneficiar-se, de alguma forma, das vantagens concedi-
das por força do presente contrato por ato de liberalidade dos administradores, não
se aplicando esta restrição aos casos em que o beneficiário esteja amparado por
direito legítimo.

CLÁUSULA SÉTIMA - BENS CEDIDOS EM COMODATO

O órgão público (DNOCS ou CODEVASF) poderá ceder ao DISTRITO, em regime de


comodato, regido pelos Artigos 1.248 a 1.255 do Código Civil Brasileiro, bens imóveis,
veículos, equipamentos e máquinas, e outros bens de qualquer natureza que dispuser, os
quais serão oportunamente arrolados e as condições ajustadas em documento específico,
que, depois de assinado pelas partes contratantes, passará a fazer parte desse contrato,
independentemente da transcrição.

PARÁGRAFO PRIMEIRO: Os bens cedidos em comodato deverão ser utilizados ex-


clusivamente no desempenho das atividades próprias do DISTRITO, sob pena de serem
imediatamente retomados pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF).

PARÁGRAFO SEGUNDO: O DISTRITO deverá utilizar os bens que lhe forem cedidos
pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF) em comodato como se seus fossem, respon-
sabilizando-se pela sua guarda e manutenção.

PARÁGRAFO TERCEIRO: O DISTRITO, através de seu representante legal, firmará


o Termo de Responsabilidade referente a todos os bens móveis confiados à sua adminis-
tração.

PARÁGRAFO QUARTO: O DISTRITO responsabiliza-se pela indenização de eventu-


ais danos e prejuízos ocorridos em bens do órgão público (DNOCS ou CODEVASF) que
estejam sob sua responsabilidade.

PARÁGRAFO QUINTO: Eventuais baixas de bens poderão ser solicitadas ao órgão


público (DNOCS ou CODEVASF), mediante justificativa do DISTRITO, inserida de laudo,
sendo facultado ao órgão público (DNOCS ou CODEVASF) anuir com a dispensa de inde-
nização, se for o caso.

PARÁGRAFO SEXTO: O DISTRITO se responsabiliza pela indenização de prejuízos


causados a terceiros em decorrência da utilização dos bens cedidos em comodato, obri-
gando-se a assumir a condição de litisconsorte passivo e principal devedor, com exclusão
do órgão público (DNOCS ou CODEVASF), quando denunciada a lide.

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CLÁUSULA OITAVA - BENS DOADOS

Os bens transferidos ao DISTRITO por doação do órgão público (DNOCS ou


CODEVASF) deverão ser utilizados exclusivamente nas atividades do próprio DISTRITO
ou em apoio às atividades dos irrigantes, constituindo-se essa exigência encargo na for-
ma estabelecida no Código Civil.

PARÁGRAFO PRIMEIRO: Fica vedada a alienação, pelo DISTRITO, dos bens recebi-
dos em doação antes de expirado o prazo razoável de vida útil dos mesmos, ressalvados
os casos de alienação em operação causada com a compra de outros semelhantes ou de
melhor utilidade para o DISTRITO.

PARÁGRAFO SEGUNDO: O DISTRITO manterá os bens doados a salvo de penho-


ras, seqüestros, arrestos ou gravames de qualquer espécie, obrigando-se a oferecer bens
de sua propriedade livres de encargos, quando ocorrerem as hipóteses aqui previstas.

PARÁGRAFO TERCEIRO: O descumprimento das obrigações estabelecidas nesta


Cláusula importará em imediata revogação da doação, nos termos de legislação vigente,
retornando os bens doados ao patrimônio do órgão público (DNOCS ou CODEVASF).

CLÁUSULA NONA - PRESTAÇÃO DE CONTAS

O Distrito prestará contas trimestralmente ao órgão público (DNOCS ou CODEVASF)


dos recursos recebidos para o cumprimento das funções delegadas, bem como das recei-
tas provenientes da cobrança das tarifas d’água e das parcelas de amortização da aquisi-
ção do lote.

CLÁUSULA DÉCIMA - FISCALIZAÇÃO E AUDITORIA

A fiscalização e a auditoria da execução das atividades delegadas ao DISTRITO e de


suas contas, será efetuada pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF), sempre que
julgar conveniente, para o que o DISTRITO deverá manter registros contábeis atualizados
e demonstrativos dos recursos recebidos e de sua aplicação nas atividades delegadas,
não sendo permitido ao DISTRITO deixar de atender qualquer solicitação nesse sentido
formulada pelo órgão público (DNOCS ou CODEVASF), ou empresa por este indicada.

CLÁUSULA DÉCIMA-PRIMEIRA - PRAZO

Este contrato terá validade a partir de sua assinatura e terá vigência de cinco anos,
ficando prorrogado, por períodos iguais, mediante assinatura de termos aditivos.

CLÁUSULA DÉCIMA-SEGUNDA - ALTERAÇÃO

O presente Contrato poderá, a qualquer tempo, ser alterado por acordo das partes,
mediante a celebração de termo(s) aditivo(s).

CLÁUSULA DÉCIMA-TERCEIRA - RESCISÃO

Por descumprimento de qualquer de suas cláusulas ou condições, poderá a parte


prejudicada rescindir o presente contrato, mediante simples comunicação escrita à outra,
respondendo a parte inadimplente pelas perdas e danos decorrentes, ressalvadas as hipó-
teses de caso fortuito ou de força maior, devidamente caracterizada.

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CLÁUSULA DÉCIMA-QUARTA - FORO

Para solução de quaisquer controvérsias oriundas da execução deste contrato, em


relação às que não for possível um entendimento amigável, as partes elegem o Foro da
Justiça Federal, Seção Judiciária de ______________________, com renúncia expressa a
qualquer outro, por mais privilegiado que seja.

E, por estarem de acordo com as condições estipuladas, as partes deste contrato


assinam em três vias de igual teor e forma, na presença de duas testemunhas.

__________________, ____ de __________________ de ____.

________________________________________

________________________________________

TESTEMUNHAS:

________________________________
Nome:
CPF:

_________________________________
Nome:
CPF:

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ANEXO 4

CONTRATO ENTRE O DISTRITO DE


IRRIGAÇÃO E OS IRRIGANTES

CONTRATO DE FORNECIMENTO D’ÁGUA QUE ENTRE SI FAZEM O DISTRITO DE


IRRIGAÇÃO ______________________________________________________________________
_______________________________________ E O IRRIGANTE, SR.____________________.

O DISTRITO DE IRRIGAÇÃO DE ________________________________________________


________________________________________________________________________, doravante
denominado simplesmente DISTRITO, neste ato representado por seu Gerente Executivo,
o Sr. ___________________________________________________________________ e o Sr.
____________________________________________, (nacionalidade) _______________________,
(estado civil) _____________________________, (profissão) __________________, Carteira de
Identidade nº _________________________, expedida por ________________________________,
CPF nº _____________________, doravante denominado simplesmente IRRIGANTE.

CONSIDERANDO:

Que o DISTRITO recebeu do órgão público (DNOCS ou CODEVASF), delegação de


competência para administrar, operar e manter as obras de infra-estrutura, bem como a
distribuição da água para fins de irrigação e a cobrança da tarifa d’ água do projeto
hidroagrícola denominado Projeto ____________.

Que o IRRIGANTE encontra-se regularmente assentado no perímetro do citado Pro-


jeto e é detentor da __________ (posse/propriedade) _________ do lote de terreno nº
___________, da gleba ____________________, destinado à produção agrícola;

Que o IRRIGANTE é associado ao DISTRITO e nele foi matriculado sob o nº


____________________, em _______/_______/_______.

RESOLVEM:

De comum acordo entre si, celebrar o presente Contrato de Fornecimento d’água


para irrigação, mediante as cláusulas e condições seguintes:

CLÁUSULA PRIMEIRA

O objetivo do presente contrato é o fornecimento d’água pelo DISTRITO ao


IRRIGANTE, em quantidade suficiente para que este possa desenvolver regularmente a
exploração de atividade agrícola em seu lote, com _______________________ hectares de
superfície.

SUBCLÁUSULA ÚNICA - A produção agrícola a ser desenvolvida pelo IRRIGANTE e


o volume d’água a ser fornecido pelo DISTRITO serão estabelecidos anualmente entre as
partes e serão consubstanciados no Plano Anual de Produção.

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CLÁUSULA SEGUNDA

Além do fornecimento d’água na forma aludida na Cláusula Primeira, são, também,


obrigações do DISTRITO:

I) Instalar e manter em funcionamento aparelho medidor de consumo no ponto de


tomada d’água do lote do IRRIGANTE, ou estabelecer outra forma segura de con-
trole do consumo;

II) Apresentar ao IRRIGANTE, semestralmente, de acordo com o plano de exploração


e colheita, a conta relativa ao consumo d’água, fixando o vencimento para, no
mínimo, 30 (trinta) dias após a apresentação;

III) Fixar o valor da tarifa d’água na forma preconizada na Lei nº 6.662/79, e no Decre-
to nº 89.496/84 que a regulamenta.

CLÁUSULA TERCEIRA

São obrigações do IRRIGANTE:

I) Manter-se na condição de associado do DISTRITO, e cumprir a legislação vigente e


as obrigações consignadas no Estatuto e nas normas internas;

II) Apresentar ao DISTRITO, nas épocas previamente definidas, o plano de produção


agrícola a ser desenvolvido no seu lote, na safra subseqüente, de forma a possibi-
litar ao DISTRITO estabelecer a quantidade de água a lhe ser fornecida;

III) Utilizar a água exclusivamente para irrigação do seu lote;

IV) Adotar todas as providências recomendadas pelo DISTRITO no que se refere à


preservação da função social, racionalidade econômica e utilidade pública da água,
bem como para a manutenção da boa qualidade da mesma;

V) Manter seus equipamentos de irrigação em perfeito estado de funcionamento e


regulagem, impedindo o desperdício ou má utilização da água;

VI) Permitir que o DISTRITO realize a fiscalização da utilização da água, do funciona-


mento dos equipamentos e das atividades desenvolvidas pelo IRRIGANTE em seu
lote;

VII) Acionar os equipamentos de irrigação exclusivamente nos horários pré-estabeleci-


dos pelo DISTRITO;

VIII) Pagar ao DISTRITO, até as datas de vencimento, as importâncias consignadas nas


contas de fornecimento d’água;

IX) Pagar ao DISTRITO as importâncias estipuladas para constituição do fundo de repo-


sição de equipamentos;

X) Pagar a tarifa d’água no valor pactuado, mesmo no caso em que, colocada a água
à sua disposição, o consumo não venha a atingir a quota estabelecida;

XI) Reduzir o consumo d’água, na proporção que lhe for recomendada, sempre que o
juízo do DISTRITO houver justificada razão;

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XII) Efetuar em seu lote as obras necessárias ao recebimento e utilização da água, bem
como as obras de drenagem;

XIII) Adotar as práticas recomendadas para manutenção do solo livre da erosão, salinização
e outros danos congêneres;

XIV) Responsabilizar-se pela correta destinação das águas oriundas de suas terras irrigadas,
de forma a não prejudicar as atividades dos lotes vizinhos;

XV) Desenvolver e executar quaisquer programas de conservação e manejo de água que


venham a ser solicitados pelo DISTRITO;

XVI) Manter registros anuais com estimativas do uso da terra e da produção das cultu-
ras, bem como elaborar os relatórios solicitados ou prestar as informações necessá-
rias à sua elaboração pelo DISTRITO.

CLÁUSULA QUARTA

O DISTRITO poderá interromper temporariamente o fornecimento d’água ao


IRRIGANTE ou suspendê-lo definitivamente, independentemente de prévia notificação, no
caso de descumprimento das obrigações legais, ou das diposições estipuladas no Estatu-
to e nas normas internas, ou ainda qualquer obrigação estipulada no presente contrato.

CLÁUSULA QUINTA

A falta de pagamento das importâncias devidas pelo IRRIGANTE nas datas apraza-
das, ensejará a incidência de multa de mora de 10% sobre o valor devido, após ter sido
corrigido monetariamente de acordo com índice oficial adotado pelo Governo Federal.

CLÁUSULA SEXTA

O presente contrato entrará em vigor na data de sua assinatura e terá duração por
prazo indeterminado.

CLÁUSULA SÉTIMA

O presente contrato poderá ser rescindido de pleno direito nos seguintes casos:

I) Inadimplência de qualquer das partes em relação às obrigações legais e as ajusta-


das neste instrumento, especialmente por falta de pagamento da tarifa d’água, uso
indevido da água ou não utilização do lote para fins de exploração agrícola;

II) Perda de condição de irrigante e de associação do DISTRITO;

III) Retomada do lote do IRRIGANTE por parte do Poder Público;

IV) Rescisão do contrato de delegação de competência celebrado entre o órgão público


(DNOCS ou CODEVASF) e o DISTRITO.

SUBCLÁUSULA ÚNICA - No caso de rescisão por inadimplência de qualquer das


partes em relação às suas obrigações, a parte infratora ficará sujeita a ressarcir as perdas
e danos sofridos pela parte inocente, incorrendo, ainda, no pagamento da multa rescisória
em importância equivalente a três vezes o valor da tarifa d’água anual.

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CLÁUSULA OITAVA

Em decorrência de força maior ou caso fortuito, como, por exemplo, escassez da


água em razão de seca, colapso no funcionamento das bombas adutoras ou no forneci-
mento de energia elétrica e outras situações similares, é facultado ao DISTRITO reduzir
proporcionalmente a distribuição da água, ou interromper o fornecimento, se necessário
for, não se constituindo este fato razão para rescisão do contrato ou pagamento de
perdas e danos, ressalvada a interrupção total do fornecimento da água por período de
seis meses.

SUBCLÁUSULA ÚNICA - Havendo interrupção total do fornecimento, o IRRIGANTE


estará dispensado de pagar a tarifa d’água, até que se estabeleça a distribuição da água
em quantidade suficiente para o desenvolvimento da exploração agrícola do lote.

CLÁUSULA NONA

As condições pactuadas neste contrato obrigam as partes e seus legais.

CLÁUSULA DÉCIMA

As condições do presente contrato somente poderão ser modificadas através de


assinatura de termo aditivo.

CLÁUSULA DÉCIMA-PRIMEIRA

Integram o presente contrato, como se nele fossem transcritas, as normas


operacionais e administrativas do DISTRITO relacionadas com a utilização da água pelo
IRRIGANTE.

CLÁUSULA DÉCIMA-SEGUNDA

As partes elegem o Foro da Comarca de ______________ como o único competente


para dirimir as questões oriundas do presente contrato, renunciando expressamente a
qualquer outro, por mais privilegiado que seja.

E assim, por estarem justos e contratados, as partes assinam o presente instrumen-


to em três vias de igual teor e forma, na presença das testemunhas abaixo.

___________________, de_____________ de _____.

_________________________________________________
p/DISTRITO DE IRRIGAÇÃO
_________________________________________________
p/IRRIGANTE

TESTEMUNHAS:
__________________________________
Nome:
CPF:
___________________________________
NOME:
CPF:

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ANEXO 5

GUIA PARA A PREPARAÇÃO DE PROCEDIMENTOS


PERMANENTES (PPO) PARA A OPERAÇÃO
DE BARRAGENS E RESERVATÓRIOS

1 Objetivo

Os PPO’s de barragens e reservatórios estabelecem, em um documento e demais


documentos associados de apoio, as instruções completas para a operação de cada reser-
vatório de regulação e suas estruturas correlatas. Seu objetivo é garantir que, no decorrer
de longos períodos e durante mudanças no quadro do pessoal de operação, seja mantida
fidelidade aos procedimentos de operação que tiverem sido aprovados. Essas instruções
também permitirão que pessoas responsáveis, possuidoras de conhecimento das opera-
ções de reservatórios, mas que não estejam inteiradas das condições de certa barragem,
possam operar a barragem e o reservatório, em situações de emergência e nos momentos
em que os operadores regulares não puderem executar suas tarefas normais.

O Escritório Regional é responsável pela emissão dos PPO’s.

A quantidade de dados e instruções a serem incluídos nos PPO’s varia consideravel-


mente, dependendo, principalmente, das circunstâncias relacionadas a uma determinada
barragem, tais como a complexibilidade de sua operação e as localizações e respectivas
responsabilidades dos vários escritórios de operação. Os PPO’s e seus documentos de
apoio devem estabelecer os procedimentos completos de operação e manutenção em
todos os níveis de responsabilidade.

Deve haver disponível na barragem uma primeira versão do PPO (contendo todas as
informações disponíveis), antes do enchimento inicial do reservatório ou no momento da
inspeção para transferência da condição de construção para a de O&M (operação e manu-
tenção). Se não se encontrar na barragem uma versão atualizada dos PPO’s, deve ser
incluída no Relatório de Inspeção para Transferência ou na RO&M (Revisão da Operação
e Manutenção) uma recomendação sobre essa falha. Vide Anexo 6 deste MANUAL.

1.1 Sugestões Básicas

Cada PPO deve apresentar instruções completas, claras e concisas, já que repre-
senta o manual utilizado na operação e manutenção de barragens em condições normais
e de emergência. Os operadores de barragens devem ser capazes de seguir as instruções
contidas no PPO, sem necessitarem de um estudo detalhado do sistema para determinar
as funções de cada interruptor ou válvula. Qualquer pessoa responsável, conhecedora da
operação de reservatórios mas não inteirada da operação e manutenção de uma determi-
nada barragem, deve ser capaz de ler as instruções contidas no PPO e operar e manter,
com sucesso e segurança, a barragem, seus acessórios estruturais e os equipamentos
correlatos.

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Recomenda-se que se completem as instruções detalhadas contidas no PPO com


um quadro de parede com instruções; fotografias assinaladas; códigos de cores e nume-
ração para identificar válvulas e interruptores mencionados nas instruções de operação
das comportas, estruturas de tomada d’água e equipamentos de serviço. Usando-se es-
ses meios auxiliares, simplificam-se as instruções de operação, reduzindo-se a margem de
erros.

A seguir, são apresentadas algumas sugestões para melhorar a qualidade do PPO e


auxiliar na redação de sua primeira versão:

„ Iniciar cada seção importante em uma nova página (para facilitar as revisões);
„ Fazer a impressão em apenas um lado da folha de papel;
„ Inserir divisores coloridos antes do Plano de Prontidão para Emergências (PPE), do
“Catálogo de Contatos para Comunicação” de cada capítulo e de cada apêndice;
„ Redigir frases e parágrafos claros, concisos e completos. Lembrar que o operador
pode-se encontrar numa situação de crise e necessitar, imediatamente, de informa-
ções sobre operação;
„ Usar, sempre que possível, listas de itens, ao invés de narrativas, para esboçar as
instruções e as informações;
„ Fazer referência no texto, pelo menos uma vez, a todos os desenhos, figuras,
fotografias, etc. incluídos nos anexos;
„ Usar nomes exatos dos cargos de todo pessoal de operação das barragens (por
exemplo, superintendente de reservatório, controlador de comportas, encarregado
pela usina hidrelétrica; se não houver outro título designado, usar operador de bar-
ragem);
„ Evitar palavras indefinidas (por exemplo, intervalos regulares, freqüente, periodica-
mente, escritório de supervisão).

2 Páginas Preliminares, Plano de Prontidão para Emergências (PPE) e


“Catálogo de Contatos para Comunicação”.

2.1 Páginas Preliminares

2.1.1 Capa

O PPO e seus Documentos de Apoio devem ser encadernados com prendedores


que facilitem revisões. As capas devem ser de material firme, flexível e durável, com a
mesma dimensão dos divisores dos capítulos. Para melhor identificação dos volumes,
quando arquivados, é recomendável que as palavras “Procedimentos Permanentes de
Operação, Barragem ___________(nome)” estejam timbradas ou em etiquetas na lombada
dos livros.

Todas as cópias de uso oficial devem ser emitidas pelo Escritório Regional. Deve ser
feita apenas uma quantidade mínima de cópias, devendo cada uma ter uma numeração de
controle. Não se recomenda a reprodução de nenhum exemplar oficial do PPO, já que
somente um número fixo de cópias oficiais deve ser produzido e mantido em ordem para
facilitar revisões.

É recomendável o uso de uma foto aérea da barragem e do reservatório na capa ou,


de preferência, no frontispício.

2.1.2 Página com o Título

O PPO deve conter uma página com o título, mostrando:

„ Nome do Reservatório;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Nome da Barragem;
„ Projeto e Estado;
„ Entidade Responsável pela Operação (órgão);
„ Data de Publicação (mês e ano);
„ Número de Controle da Cópia.

2.1.3 Carta de Transmissão

A carta inicial de transmissão deve ser datada e assinada pelo Diretor Regional ou
um substituto designado, indicando que o PPO representa um documento oficial. Essa
carta deve ser mantida no PPO.

As cartas de transmissão da revisão do PPO não devem substituir a “carta de


transmissão” inicial, a menos que seja emitido um novo PPO completo.

Para se manter o controle da localização de cada cópia do PPO, a carta de transmis-


são deve também listar a relação completa da distribuição inicial do PPO e a numeração
de controle das cópias designadas a cada escritório ou divisão. Cartas subseqüentes de
transmissão de cópias oficiais também devem ser inseridas nessa parte do PPO.

2.1.4 Formulário de Revisão do PPO

O formulário de revisão do PPO deve ser transmitido com as páginas revistas do


PPO, devendo ser inserido após a carta de transmissão. Dessa forma, pode-se verificar
rápida e convenientemente se cada cópia está atualizada. Esse formulário inclui o número
e a data da revisão e instruções sobre a necessidade ou não de substituir ou adicionar
alguns números de páginas, desenhos, etc. O número e a data de revisão deve constar do
sopé de cada página ou desenho revisto.

2.1.5 Certificado da Revisão do PPO pelo Pessoal de Operação

„ Nessa parte do PPO, devem ser documentadas as seguintes ocorrências:


„ Datas de recebimento e revisão inicial do PPO e revisões subseqüentes do PPO;
„ Datas de revisão do PPE e do PPO (no mínimo, anualmente);
„ Data e nomes dos participantes dos cursos de treinamento de operadores de barra-
gens, em sala de aula e no sítio da barragem.

Quando da ocorrência de cada um dos itens acima, o pessoal de operação e o


supervisor de cada barragem deverão assinar e datar o “Diário de Operação”, para docu-
mentar a revisão e/ou o curso de treinamento. Nesse diário, devem-se anotar as informa-
ções adequadas de maneira clara e de fácil entendimento. Quaisquer comentários do PPO
enviados ao escritório de supervisão para correções ou complementações também devem
ser mencionados brevemente no certificado. Essas exigências também cabem ao novo
pessoal de operação, garantindo que o PPO seja sempre bem compreendido. Um exemplo
de “Diário de Operação” encontra-se no Apêndice 2.

A seguir, encontra-se a sugestão de um parágrafo que pode ser incluído no PPO:

CERTIFICADO DA REVISÃO DO PPO PELO PESSOAL DE OPERAÇÃO

O objetivo desse certificado é verificar se o PPO se encontra correto e atualizado,


se o PPE está adequado e se _________(cargo do operador de barragem) e seu supervisor
estão inteirados de seu conteúdo, uso e propósito. Se os procedimentos de operação
apresentados no PPO são completos, precisos e atualizados. Do contrário, serão sugeridas
algumas mudanças. O _________(cargo do operador de barragem) e seu supervisor estão

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

cientes de que, sob condições normais de comunicação, não devem ser feitas mudanças
nos procedimentos de operação sem a aprovação do Diretor Regional.

Todo pessoal de operação se certificará do mencionado acima e assinará o “Diário


de Operação”.

Quando ocorrerem mudanças no quadro do pessoal de operação, o novo funcioná-


rio e seu supervisor deverão seguir procedimentos idênticos, iniciando com uma revisão
completa do PPO.

2.1.6 Verificação do PPO pela Equipe de Exame de RO&M

Essa parte do PPO apresenta os procedimentos a serem utilizados pela equipe de


exame de RO&M em todas as visitas às barragens. Essa equipe deverá verificar se:

„ O PPO atualizado encontra-se a mão e todas as revisões foram inseridas no mesmo;


„ O “Diário de Operação” está em conformidade com as exigências do PPO;
„ Os procedimentos de operação observados durante a revisão estão de acordo com
o PPO;
„ Os Documentos de Apoio do PPO relativos à operação da barragem estão em dispo-
nibilidade para o pessoal de operação;
„ O pessoal de operação assistiu o treinamento de operadores de barragens, tanto
em sala de aula como no sítio da barragem.

As recomendações para correção de quaisquer dos itens acima serão feitas no


Relatório de Exame de RO&M.

Todos os membros oficiais da equipe de revisão assinarão o “Diário de Operação”,


comprovando sua participação no exame de RO&M ou em outra inspeção das estruturas.

2.2 Plano de Prontidão para Emergências (PPE)

Deverão ser elaborados PPE’s para todas as estruturas (barragens, estações de


bombeamento, etc.) para as quais são preparados PPO’s, quando uma falha puder colocar
a vida humana em risco ou causar danos sérios à propriedade. O PPE deverá ser feito e
apresentado em um formato padronizado.

Durante sua elaboração ou após sua finalização, cada PPE deverá ser debatido com
os líderes das comunidades locais, de forma que as pessoas diretamente responsáveis
pelo bem-estar da comunidade tenham a oportunidade de apresentar recomendações. Os
representantes oficiais locais deverão estar cientes do risco que uma barragem representa
e o pessoal do órgão deverá trabalhar estreitamente com esses representantes para man-
ter intercomunicações e desenvolver procedimentos para alertar o público. Cada PPE
deverá incluir sistemas de alerta e procedimentos para alertar a população à jusante.
Também deve incluir os mapas necessários de inundação ou uma descrição das áreas
potenciais à inundação. Deverão ser consultados outros órgãos federais e estaduais que
tiverem a possibilidade de ser afetados.

O PPE deverá conter todas as instruções iniciais para o pessoal de operação seguir
durante uma situação de emergência ou uma ocorrência incomum. Deverá ser claro,
conciso e completo, devendo ser preparado como um documento completo e separado
que pode ser reproduzido juntamente com o “Catálogo de Contatos para Comunicação”.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2.3 “Catálogo de Contatos para Comunicação”

O “Catálogo de Contatos para Comunicação” deve conter contatos específicos de


todos os níveis de responsabilidade, assim como outras entidades federais, estaduais,
locais ou privadas, órgãos de assistência para emergências, utilidades públicas e outros
cooperadores que possam ser necessários para contato do pessoal de operação ou da
supervisão, em caso de emergências.

Essas pessoas devem ser listadas por:

„ Nome;
„ Cargo;
„ Localização;
„ Número telefônico do trabalho;
„ Número telefônico da residência;
„ Outros números (se necessário).

Deverá ser feito um cartaz com alguns nomes e referências das pessoas que, em
caso de emergência, deverão ser contatadas primeiramente. Também deverá constar
desse cartaz alguns nomes alternativos.

O “Catálogo de Contatos para Comunicação” deverá ser preparado como um docu-


mento completo e separado que possa ser reproduzido separadamente.

Nesse catálogo, deverão ser usados nomes dos cargos oficiais, ao invés dos nomes
das pessoas, a fim de minimizar a necessidade de se fazerem revisões.

3 Capítulos sobre os Procedimentos Permanentes de Operação

3.1 Capítulo I - Informações Gerais

3.1.1 Objetivo do Projeto

Esse item deverá, brevemente:

„ Identificar a barragem e o reservatório;


„ Estabelecer os objetivos do projeto;
„ Todos os itens principais do projeto deverão ser identificados, assim como outros
projetos que estão interrelacionados.

3.1.2 Acesso às Barragens

Esse item deve conter informações pertinentes sobre os acessos às barragens de


pontos facilmente identificáveis (normalmente, a sede da entidade responsável pela ope-
ração), em condições normais, adversas ou de emergência. Essas informações podem
ser:

„ Descrever as vias de acesso mais fácil à barragem, do local do projeto ou da sede


da entidade responsável pela operação;
„ Descrever uma via de acesso alternativo à barragem, quando necessário;
„ Avaliar as estradas (pavimentadas, de cascalho ou de chão) e sua acessibilidade em
caso de emergência e durante todo o ano, inclusive nas estações chuvosas, em
condições normais e adversas;
„ Notar a disponibilidade e o uso de equipamentos especiais de acesso (helicóptero,
veículo com tração nas quatro rodas, etc.);
„ Mencionar a localização mais próxima de aeroportos comerciais e privados.

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Geralmente, é incluído no PPO um mapa de localização do projeto (preparado para


uso durante a construção da barragem). Entretanto, esse mapa deve ser atualizado com
as mudanças nas redes viárias. O mapa deve ser claro e preciso. Em alguns casos, os
mapas do projeto podem servir para uso como mapas de localização.

3.1.3 Designação de Responsabilidade

Esse item deve identificar, claramente, todas as áreas de responsabilidade hierár-


quicas referentes à operação e manutenção da barragem e reservatório. Devem ser des-
critas, brevemente, as áreas gerais de responsabilidade do escritório local, do escritório
regional e da Sede do órgão.

Também devem ser estabelecidas as unidades organizacionais ou as posições fun-


cionais responsáveis pelas seguintes funções:

„ Operação dos equipamentos das estruturas da barragem;


„ Previsão das afluências ao reservatório;
„ Controle das liberações durante enchentes;
„ Registro do nível de água no reservatório e dos dados referentes às liberações;
„ Vários serviços de manutenção;
„ Avisos sobre condições incomuns ou de emergência.

Deve identificar, especificamente, as responsabilidades do pessoal de operação;


caso a operação seja feita por um distrito de irrigação, identificar o distrito e as obriga-
ções de seu pessoal de operação. Também deve incluir a responsabilidade do distrito de
obter aprovação (do Escritório Regional e/ou da Sede) para fazer mudanças na estrutura.
Um texto padronizado deve constar deste item, como no exemplo a seguir:

„ “Mudanças na barragem e nas estruturas e acessórios correlatos não podem ser


feitas sem a concordância do Diretor Regional e do pessoal apropriado da sede do
órgão.”

Quanto às obrigações programadas para serem cumpridas regularmente pelo pes-


soal de operação e manutenção, incluir páginas coloridas separadas para as atividades
feitas diariamente, semanalmente e com intervalo específico de um ano. As programa-
ções servem como lista de checagem do pessoal de operação, assim como para uso de
outras pessoas que possam operar a barragem. O Apêndice 3 mostra o quadro “Obriga-
ções Programadas do Pessoal de Operação” elaborados em PPO’s publicados, represen-
tando um exemplo típico de programação para esse tipo de obrigação.

3.1.4 Sistemas de Assistência às Estruturas, Comunicação e Avisos:

Com referência à assistência às estruturas, deve constar o seguinte:

„ Identificar o indivíduo (ou unidade organizacional) responsável;


„ Notar a localização da residência ou local de trabalho, em relação à barragem.

Estabelecer a extensão da assistência à barragem; por exemplo, se a barragem:

a) É assistida continuamente;
b) É assistida por certo período de tempo (especificar o período de assistência); ou
c) Não é assistida.

Se a estrutura não for assistida, incluir:

a) A freqüência de inspeção;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

b) A freqüência de regulação de comportas e válvulas;


c) A freqüência de coleta de dados e outros fatos pertinentes (por exemplo, sistema
hidrometereológico, operação de enchimento e esvaziamento).

Identificar e descrever os diferentes meios físicos de comunicação disponíveis:


rede telefônica;

„ Rede de rádio (indicar localização e distância alcançada);


„ Localização de rede de rádio privada ou pública para uso em caso de emergência e
identificação das estações de rede local, assim como da localização da polícia esta-
dual para comunicação temporária por rádio, para avisos sobre enchentes.

Caso não haja disponibilidade na barragem de nenhum dos tipos de comunicação


acima, devem ser apontados a localização e o proprietário do telefone ou rádio mais
próximos. Esses dados, juntamente com os números telefônicos, devem constar do “Ca-
tálogo de Contatos para Comunicação” existente na barragem.

Além de identificar os meios de comunicação, esse item deve fazer referência ao


“Catálogo de Contatos para Comunicação”, constante do início do PPO, quanto a nomes,
números telefônicos, e registros e freqüência de chamadas por rádio de pessoas ou orga-
nizações ligadas à operação da barragem em condições normais ou de emergência.

OS NÚMEROS TELEFÔNICOS NÃO DEVEM APARECER EM NENHUMA PARTE DO


TEXTO DO PPO, COM EXCEÇÃO DO “CATÁLOGO DE CONTATOS PARA COMU-
NICAÇÃO”, QUE SERVE PARA CONSULTA RÁPIDA.

3.1.5 Cooperação de Outros Órgãos

Este item deve identificar as relações administrativas e de operação existentes


entre a organização operadora (Órgão ou Distrito de Irrigação) e outros órgãos, que de-
vem ser:

„ Ministério da Agricultura
X Secretaria Nacional de Irrigação (SENIR)
Companhia de Desenvolvimento do Vale de São Francisco (CODEVASF)
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS)
Departamento Nacional de Metereologia (DNMET)

„ Ministério da Infra-Estrutura
X Secretaria Nacional de Transportes
Departamento Nacional de Transportes Rodoviários
Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER)
Departamento Nacional de Transportes Ferroviários
Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA)
Departamento Nacional de Transportes Aquaviários

X Secretaria Nacional de Energia


Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE)
Eletrobrás
Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF)

X Secretaria do Meio Ambiente (SEMAM)


Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA).

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Outros órgãos podem ser:

„ Departamentos de Parques e Recreação;


„ Departamentos de Estradas Estaduais;
„ Órgãos de Irrigação ou Agricultura Estaduais;
„ Companhias Elétricas Estaduais;
„ Órgãos Municipais.

Apontar o endereço e o número telefônico de cada cooperador no “Catálogo de


Contatos para Comunicação”.

Deve ser resumido o conteúdo dos Memorandos de Entendimento ou Acordos com


outros órgãos, no que se refere aos aspectos relacionados à segurança da operação e
manutenção das barragens, assim como de outros acordos de cooperação.

3.16 Registro de Dados

Devem constar todos os procedimentos de coleta e registro de todas as categorias


de dados sobre barragem e reservatório. Devem ser incluídas breves instruções sobre as
medidas exigidas na preparação dos relatórios. Quando forem necessárias instruções
mais detalhadas sobre obtenção de dados, essas devem ser apresentadas em um item
apropriado do PPO ou em um Documento de Apoio.

Essas instruções devem incluir o tipo, a freqüência, o formato e o destinatário do


relatório de dados. Nos apêndices do PPO, devem ser incluídos exemplos de relatórios ou
cópias dos formulários de relatório.

Incluir os seguintes dados referentes às barragens com sistemas hidrometereológicos:

„ Localização;
„ Número da estação;
„ Tipo dos dados registrados;
„ Situação: automática ou manual;
„ Confiabilidade;
„ Freqüência da coleta de dados.

As instruções para o registro de dados detalhados de rotina devem incluir itens


hidrológicos como:

„ Elevação da superfície da água do reservatório;


„ Capacidade do reservatório;
„ Afluentes ao reservatório;
„ Liberações do reservatório;
„ Dados climatológicos.

Outras instruções podem ser acerca das necessidades de inspeção referentes a


desabamentos de terra.

Deve ser feita uma referência à Instrumentação das Barragens (Item 3.3), onde
apropriado.

3.1.7 “Diário de Operação”

Cada PPO deve incluir uma definição do objetivo do “Diário de Operação” que é
mantido em cada sítio da barragem. No caso de estruturas assistidas por certo período de

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

tempo, devem ser guardados registros do período em que a operação é assistida. Quanto
às estruturas não assistidas, os registros devem ser de cada visita feita à estrutura.

Deve ser mantido um registro por escrito em um livro apropriado, tanto pelo pessoal
de operação quanto pelos substitutos designados que estiverem em serviço (vide Apêndi-
ce 3). Em algumas localizações, parte das informações serão dadas por equipamentos
automáticos de registro e monitoramento. Os dados específicos variam em forma e con-
teúdo para satisfazer as necessidades e condições das diferentes estruturas. Esses dados
devem incluir:

Apontamentos Típicos sobre Operação

1 Ajustes na operação das estruturas de tomada e/ou vertedouros, inclusive mudan-


ças na posição de cada comporta, em condições normais e de emergência;

2 Elevações e descarga de água;

3 Ligação e desligamento dos equipamentos mecânicos;

4 Testes dos equipamentos ou controles das comportas de reserva;

5 Testes de aparelhos de controle de tomadas e vertedouros (comportas e válvulas);

6 Pequenas e grandes atividades de manutenção, incluindo a manutenção programa-


da;

7 Fiscalização dos reservatórios;

8 Reconhecimento inicial das condições incomuns ou de emergência;

9 Atos de vandalismo;

10 Necessidades e colaboração para mudanças na operação normal, durante as condi-


ções incomuns e de emergência;

11 Checagem da rede de comunicação;

12 Registro de nomes e endereços de visitantes;

13 Certificado da revisão do PPO pelo pessoal e pelo supervisor de operação;

14 Verificação do exame de RO&M;

15 Certificado do treinamento dos operadores da barragem;

16 Itens diversos referentes à operação em condições incomuns ou de emergência nas


estruturas.

Todas as anotações do “Diário de Operação” devem ser feitas de maneira legível, à


tinta, datadas e assinadas. Não deve ser permitido o uso de borrachas ou corretores. Os
erros devem ser riscados levemente, de forma que a anotação incorreta permaneça legí-
vel após a correta ter sido feita. O diário deve conter um registro cronológico de todos os
eventos importantes, obtendo-se, assim, um registro contínuo das atividades de opera-
ção, para futuras consultas. Dessa forma, será mais fácil se reconhecerem os indícios da
causa de problemas com o equipamento ou da ocorrência de condições incomuns na
barragem.

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3.1.8 Segurança e Saúde Pública

Deve constar do PPO um item contendo instruções de segurança, já que esta é


motivo de primeira preocupação:

„ Relacionar as condições inseguras e as áreas de perigo;


„ Apontar a localização de sinais de aviso.

Caso a barragem seja assistida durante um certo período de tempo, devem ser
fornecidos ao pessoal de operação instruções referentes às condições ou atividades não
seguras e à comunicação das mesmas às autoridades competentes, para correção.

Esse subitem também deve incluir descrições sobre:

„ Uso público da estrutura ou de seus arredores;


„ Distância da estrutura até o local de assistência médica ou policial;
„ Equipamentos de segurança presentes na estrutura, isto é, material de primeiros
socorros, extintores de incêndio, etc.;
„ Outras informações pertinentes relativas à saúde ou segurança pública.

Uma lista contendo a assistência policial, médica e de proteção contra fogo (depar-
tamento policial estadual ou da cidade, hospitais, corpo de bombeiro local) deve aparecer
no “Catálogo de Contatos para Comunicação”, com os números telefônicos.

3.1.9 Áreas de Acesso Proibido

Todas as áreas das barragens e reservatórios e a sua volta, cujo acesso não seja
permitido a pessoas não autorizadas, devem ser descritas, listadas e mostradas em um
mapa, que deverá ser incluído em um anexo do PPO.

Essas áreas de acesso proibido são as potencialmente perigosas ou sujeitas a danos


pelo público, tais como:

„ As áreas de desabamento constante devem ser demarcadas para o público;


„ Sinais de aviso e sinais que proíbam atirar pedras nas calhas e nas bacias de dissi-
pação devem ser colocados próximos às estruturas;
„ Deve-se restringir a entrada de pessoas estranhas nas calhas, bacias de dissipação
e casas de controle;
„ O acesso ao público deve ser limitado nas áreas que circundam as estruturas hi-
dráulicas, como as entradas dos vertedouros e os canais de tomada d’água.

3.1.10 Defesa Civil e Planos de Segurança contra Sabotagem

Esse item deve apresentar, em termos gerais, a necessidade da implantação de


regras de segurança, e da elaboração de planos de proteção das estruturas.

Se o PPO se referir a uma barragem operada pelo órgão, devem ser descritas as
normas referentes ao uso de armas de fogo durante serviço oficial.

Deve ser feita uma referência do PPE quanto aos procedimentos específicos a se-
rem seguidos em caso de ameaça a bomba ou sabotagem. No caso das barragens com
estações elétricas, devem ser elaborados planos específicos de segurança e mencionados
neste item.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.1.11 Distribuição do PPO

O Escritório Regional é responsável pela publicação e distribuição oficial dos PPO’s


e dos Documentos de Apoio correlatos. Essa distribuição deve ser determinada com base
na necessidade para propósitos de operação, manutenção e supervisão somente. Devem
ser guardadas no Escritório Regional várias cópias, no caso de ser necessária a substitui-
ção de alguma cópia oficial que tenha sido perdida ou danificada.

Para se assegurar que todas as cópias do PPO estão atualizadas, deve-se manter
um registro de sua localização. Esse controle deve ser mantido no próprio PPO, incluindo-
se a Carta de Transmissão com a lista completa de distribuição, e fornecendo-se um
número de controle para cada cópia de cada departamento ou órgão. Dessa forma, garan-
tir-se-á que sejam fornecidas cópias das páginas revisadas a todos os departamentos ou
órgãos que possuírem o PPO, sempre que forem distribuídas instruções revisadas.

Também é importante se identificar e mostrar a distribuição de todos os Documen-


tos de Apoio do PPO, garantindo, assim, que o pessoal de operação tenha conhecimento
de que tipos de Documentos de Apoio existem e onde estão localizados.

3.1.12 Revisões do PPO

A revisão do PPO é responsabilidade do Escritório Regional. Pelo menos uma vez


por ano, todo o PPO deve ser revisto pelo pessoal de operação, pelos escritórios respon-
sáveis pelo projeto e pelo Escritório Regional, para se ter certeza de que as instruções nele
contidas estão adequadas e atualizadas. As revisões ou os desvios nas instruções de
operação devem ser averiguados, ou então integrados no PPO ou eliminados, conforme
apropriado.

Toda página revisada deve apresentar o número e a data de revisão. Todo formulá-
rio de revisão deve ser arquivado no início de cada PPO (vide Item 2.1.4), indicando
assim, que o mesmo está atualizado.

A Carta de Transmissão revisada deve ser assinada pelo Diretor Regional ou um


substituto autorizado, indicando aprovação oficial às mudanças. Um formulário de Revi-
são do PPO deve acompanhar a carta.

3.1.13 Documentos de Apoio

O PPO é o documento principal de apoio. Outros documentos de apoio devem


conter as instruções necessárias para todas as fases e níveis de responsabilidade na
operação e manutenção da barragem e reservatório.

O PPO deve apresentar, neste item, uma lista de todos os documentos de apoio.

O título e um breve sumário de cada documento de apoio deve constar deste item,
devendo esses ser datados e serem apresentadas as datas de revisão. Quando apenas
uma pequena parte de uma publicação contiver instruções pertinentes de O&M, estas
deverão ser incluídas no PPO ou encadernadas separadamente como um documento de
apoio, ao invés de toda a publicação.

A quantidade de documentos de apoio variará de um PPO para outro.

Abaixo, apresentam-se sugestões de alguns Documentos de Apoio a um PPO:

„ Manuais de Operação e Manutenção;


„ Regras de Controle de Enchentes;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Previsões de Enchentes e Critérios de Operação;


„ Plano de Operação do Rio ou da Bacia;
„ Instruções de Operação da Usina Hidrelétrica;
„ Procedimentos Administrativos;
„ Plano de Segurança das Estruturas;
„ Acordos entre Órgãos para Operação;
„ Procedimentos Principais de Manutenção;
„ Plano de Manejo dos Reservatórios (Recreação e Vida Silvestre e Aquática);
„ Instruções e Desenhos dos Fabricantes de Equipamentos;
„ Relatórios e/ou Resultados de Instrumentação;
„ Outros, conforme apropriado.

3.1.14 Material de Referência

O material de referência deve ser:

„ Manuais;
„ Contratos;
„ Memorandos de Entendimento;
„ Cartas e relatórios que contenham informações não apresentadas nos Documentos
de Apoio.

3.2 Capítulo II - Equipamentos Elétricos, Mecânicos e Estruturais

3.2.1 Descrição Geral da Barragem

Esse capítulo do PPO deve conter instruções detalhadas sobre a operação e manu-
tenção da barragem, estruturas hidráulicas e todos os equipamentos elétricos e mecâni-
cos relacionados.

As coordenadas latitudinais e longitudinais da barragem devem ser mostradas.

3.2.2 Coordenação com os Manuais de Operação e Manutenção

NO PPO, DEVEM ESTAR BEM DETALHADAS E COMPLETAS AS DESCRIÇÕES E


INSTRUÇÕES REFERENTES ÀS BARRAGENS PARA AS QUAIS NÃO TIVEREM SIDO PRE-
PARADOS MANUAIS DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO. Os tipos de instrução a serem
incluídos em cada assunto e a quantidade de detalhes a serem usados na explanação das
instruções devem ser determinados através da referência aos Manuais de Operação e
Manutenção e a outros PPO’s que contenham instruções para equipamentos semelhan-
tes. Tais instruções deverão concordar com os procedimentos reais de operação utiliza-
dos na estrutura. Para auxiliar as instruções, devem ser incluídos desenhos e fotos das
instalações existentes (com numeração).

Nas barragens que possuírem Manuais de Operação e Manutenção que sirvam como
documentos de apoio, devem ser estabelecidas as circunstâncias e as condições das
estruturas e dos escritórios de supervisão para se determinarem quais as instruções de
operação devem ser melhor esclarecidas ou aumentadas, ou ainda repetidas no PPO. O
PPO DEVE INCLUIR TODAS AS INSTRUÇÕES DE OPERAÇÃO QUE DIGAM RESPEITO,
DIRETAMENTE, OPERAÇÃO SEGURA DA ESTRUTURA DURANTE UMA ENCHENTE.

Outras instruções dos Manuais de Operação e Manutenção que forem consideradas


para uso no PPO devem ser incluídas no mesmo, devendo ser feita uma referência nos
Manuais.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Os desenhos dos Manuais de Operação e Manutenção podem servir como dese-


nhos de referência do PPO.

Quando as instruções sobre operação dos Manuais de Operação e Manutenção


forem incluídas em um PPO (e feita referência):

RECOMENDA-SE O USO DE FOTOGRAFIAS QUE MOSTREM AS VÁLVULAS, ALA-


VANCAS, INTERRUPTORES, ETC. A TERMINOLOGIA UTILIZADA NAS LEGENDAS IDEN-
TIFICANDO VÁLVULAS, ETC. DEVE SER IDÊNTICA À DOS MANUAIS DE OPERAÇÃO E
MANUTENÇÃO.

Os sistemas como os apresentados a seguir, requerem descrição e instruções cla-


ras referentes a operação e manutenção:

„ Estruturas de tomada d’água;


„ Vertedouros;
„ Sistemas e equipamentos elétricos;
„ Equipamentos e sistemas de serviços auxiliares.

3.2.3 Instruções Especiais

É importante que seja mantida uma concordância com as instruções especiais para
que a operação das estruturas seja continuamente segura e econômica. Portanto, é impe-
rativo que o PPO contenha as instruções aplicáveis apresentadas a seguir. Sugere-se que
sejam utilizadas Instruções Especiais como uma lista de checagem na preparação dos
PPOs, para garantir que essas instruções sejam incluídas no PPO, onde aplicável.

3.2.3.1 Comportas Radiais dos Vertedouros que Extravazam

A maioria das comportas radiais dos vertedouros não foram projetadas para supor-
tar uma vazão significativa por sobre as mesmas. Devem ser fornecidas instruções de
operação explícitas que proíbam a liberação da água por sobre as comportas radiais dos
vertedouros, no item do PPO referente aos vertedouros que possuam comportas radiais
não projetadas especificamente para esse fim.

3.2.3.2 Aberturas Múltiplas de Comporta

Uma condição ótima de operação da bacia de dissipação é geralmente produzida


quando a vazão da água é distribuída uniformemente pelas calhas, ao entrar na bacia.
Uma estrutura de controle hidráulico que possua mais de uma comporta de controle faz
com que a vazão seja distribuída uniformemente pela bacia, quando todas as comportas
forem igualmente abertas. Quando não puderem ser abertas igualmente todas as compor-
tas, geralmente obtêm-se os mais desejáveis padrões de fluxo abrindo-se igualmente as
comportas localizadas simetricamente próximas ao centro da estrutura. O PPO deve con-
ter instruções específicas de operação, contendo os padrões de operação das comportas.

3.2.3.3 Aberturas Mínimas de Comportas de Alta Pressão

A fim de prevenir danos à sua folha e à sua estrutura, as comportas de regulação de


alta pressão não devem ser operadas com pequenas aberturas durante longos períodos de
tempo. No caso das comportas que não tiverem as aberturas estabelecidas anteriormen-
te, o PPO deve estabelecer uma abertura mínima conservadora, relacionada à parte infe-
rior da folha da comporta (na direção do fluxo) a não ser que condições especiais requei-
ram análises posteriores desse limite.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.2.3.4 Operação das Estruturas de Tomada d’Água com Queda

Algumas estruturas de tomada d’água com queda são danificadas quando operadas
a uma profundidade rasa de fluxo da água sobre o vertedouro da estrutura de tomada.
Esses danos são causados pela pressão violenta do ar e da água oriundos do conduíte,
resultante da pressão do ar preso no conduíte pela água corrente. Quando a superfície da
água do reservatório desce até abaixo de uma elevação crítica, forma-se um vórtice
devido ao controle do vertedouro, ao invés de pela comporta de regulação (ou válvula de
controle), resultando em entrada de ar no conduíte. Devem ser fornecidas, através do
PPO, instruções de operação referentes a todas as estruturas de tomada com queda.
Devem ser estabelecidas instruções para a elevação crítica da superfície da água. Devem
ser obtidas na Sede as instruções de operação para as estruturas de tomada com queda,
quando os critérios limitantes de operação não estiverem disponíveis para inclusão no
PPO.

3.2.3.5 Operação dos Sistemas de Ventilação

São instalados nas barragens sistemas de ventilação para refrescar o ar de áreas


confinadas, tais como túneis, conduítes, galerias e câmeras das comportas. Para garantir
que haja condições de operação de segurança nessas áreas, o PPO deve exigir a operação
de um aparelho de ventilação durante um período de tempo suficiente para permitir a
mudança completa de ar antes da entrada de pessoal. O período de tempo necessário
para essa mudança deve ser estabelecido.

3.2.3.6 Remoção de Pedras de Calhas e Bacias

As pedras de tamanho médio e grande não são levadas para fora da bacia de
dissipação, mesmo durante uma alta descarga. Ao contrário, são arrastadas pela água e
jogadas contra as paredes de concreto e o chão da bacia, causando danos. É importante,
portanto, remover todas as pedras da bacia de dissipação.

3.2.3.7 Comportas e Válvulas - Exercitação e Testes

Devem ser desenvolvidos procedimentos de exercitação e testes dos aparelhos de


controle de operação. A segurança da estrutura e as práticas de boa operação e manuten-
ção requerem que cada comporta (válvula) seja testada, para confirmar que será operada
da maneira como foi projetada. As circunstâncias ocorridas em cada estrutura ditarão a
extensão e a freqüência dos testes. Se forem utilizados critérios apresentados neste PPO
ou se forem organizados outros critérios, os procedimentos do PPO devem apresentar
instruções detalhadas que possibilitem o operador exercitar ou testar os equipamentos.
Deve aparecer no PPO uma nota de precaução semelhante à seguinte:

“ATENÇÃO: Se, durante um teste, a comporta (válvula) não fechar em alguma


posição ou se ocorrer algum mau funcionamento, parar o teste, determinar a causa do
mau funcionamento e corrigi-lo. Contatar o departamento do órgão responsável, antes de
que outros testes sejam feitos.”

A exercitação e os testes do maquinário devem ser feitos usando-se fontes de


energia normais e auxiliares, garantindo, dessa forma, que poderá haver operação de
ambas as maneiras. Todos os resultados devem ser registrados e datados no “Diário de
Operação”, na barragem.

Um teste de pressão diferencial deve ser feito anualmente em cada comporta de


vertedouro (se possível), quando a mesma estiver sujeita à pressão máxima prevista para
a estação. Os testes confirmarão se as comportas abrirão e fecharão satisfatoriamente.
Devem ser feitos na seguinte seqüência:

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Abrir 10% da comporta e fechá-la. Caso não tenha sido operada de um ano até o
momento, esse teste dos 10% deve ser feito em etapas progressivas, como a seguir:

a) Abrir ligeiramente a comporta, de modo que ela permita um pouco de vazamento -


e fechá-la.

b) Abrir 2,5 cm da comporta - e fechá-la.

c) Abrir 15 cm da comporta - e fechá-la.

d) Abrir 10% da comporta - e fechá-la. Se for impossível abrir 10% da comporta


devido a restrições de jusante, abri-la o máximo possível - e fechá-la.

Se a comporta passar bem nesse teste, deve ser programado um teste de rotina
para o ano seguinte.

A intervalos programados, cada comporta deve ser levantada até a posição total,
em condições de pressão balanceada. Essa parte do teste deve ser programada durante
condições apropriadas do reservatório. No caso de um reservatório com o nível de água
continuamente alto, o que não permite uma abertura total da comporta, os testes devem
ser adiados até que as condições os permitam ou até que possam ser instalados “stoplogs”.
Este adiamento do teste de operação de comporta com abertura máxima não deve exce-
der um período de seis anos. Se a comporta não tiver sido operada durante seis anos,
deve ser exercitada primeiramente numa condição balanceada, antes de ser feito qual-
quer teste de pressão diferencial.

Cada comporta ou válvula que faz com que a água do reservatório seja liberada
através das estruturas de tomada, incluindo as designadas como comportas de emergên-
cia e comportas ou válvulas de regulação, deve ser exercitada anualmente, usando-se um
ciclo completo de abertura e fechamento, sob uma condição de pressão balanceada ou
com as estruturas de tomada sem água. Deve ser feito um teste operacional nas compor-
tas de emergência a cada seis anos. Esse teste deve ser feito em cada instalação especí-
fica da comporta de emergência. Na maioria das estruturas, bastará o levantamento de
2,5 a 7,5 cm da posição fechada com o conduíte à jusante seco.

ATENÇÃO: OS TESTES OPERACIONAIS DE UMA COMPORTA DE EMERGÊNCIA


SOB UMA PRESSÃO NÃO BALANCEADA NÃO DEVEM SER FEITOS, A MENOS
QUE O CONDUÍTE À JUSANTE DA COMPORTA SEJA EQUIPADO COM UMA VEN-
TOSA.

A lubrificação e a manutenção necessárias nos equipamentos devem ser feitas


antes da exercitação e dos testes operacionais.

3.2.4 Manutenção e Inspeções das Barragens

Esse item deve registrar os procedimentos de operação e manutenção pertinentes à


barragem, suas ombreiras, fundações e áreas adjacentes, tais como:

„ Desmatamento de árvores e matagal dos taludes aterrados da barragem (vide Apên-


dice 4);
„ Limpeza de drenos;
„ Exercitação de válvulas e comportas;
„ Lubrificação de equipamentos;
„ Limpeza de equipamentos;
„ Pintura da parte superior dos parapeitos das barragens de concreto;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Pinturas dos diversos trabalhos em metal;


„ Outros procedimentos típicos de manutenção.

Devem ser incluídas, no quadro “Tarefas Programadas do Pessoal de Operação”


(vide Item 3.1.3 e Apêndice 3), programações regulares. Programar a manutenção diária,
semanal, mensal ou anualmente, ou de seis em seis anos, ou ainda em outros períodos de
tempo adequados.

Devem ser estabelecidas as necessidades de inspeção da estrutura e do reservató-


rio, em condições especiais. Deve ser feita uma referência no PPE às medidas a serem
tomadas pelo operador da barragem durante ocorrências incomuns. Nessa parte do PPO,
devem ser enumerados os diferentes itens das barragens, ombreiras, reservatório e áreas
vizinhas que requeiram atenção especial, e as condições e ocorrências às quais o exami-
nador deve estar alerta.

3.2.5 Procedimentos de Segurança durante a Operação dos Equipamentos

Devem ser estabelecidos procedimentos de segurança para a operação de todo


equipamento mecânico, elétrico e hidráulico, para garantir a segurança do pessoal. De-
vem ser exigidos equipamentos apropriados de segurança. Esses procedimentos devem
ser clara e detalhadamente determinados nesse item do PPO.

3.2.6 Revestimento de Proteção - Inspeção e Manutenção

Esse item deve apresentar instruções para inspeção e manutenção dos revestimen-
tos de proteção das estruturas em aço, madeira e concreto.

Geralmente, é incluído um capítulo padronizado nos Manuais de Operação e Manu-


tenção para auxiliar na preparação de instruções a serem incluídas neste item. As partes
do capítulo padronizado que claramente não pertencem à barragem em assunto não de-
vem ser incluídas no PPO.

3.3 Capítulo III - Instrumentação das Barragens

Essa instrumentação refere-se a uma variedade de aparelhos de medição do com-


portamento estrutural nas barragens de concreto e de terra. Geralmente, as barragens
são instrumentadas:

a) Para monitorar o desempenho durante a construção e o enchimento inicial;

b) Para obter dados para aperfeiçoar os futuros projetos;

c) Para fornecer meios de detectar condições anormais durante as operações que


poderiam causar maiores problemas.

Para satisfazer a essas necessidades, os PPO’s devem incluir:

„ Escopo;
„ Objetivo;
„ Tipos de instrumentação;
„ Programação de leitura;
„ Procedimentos de registro;
„ Exigências de manutenção;
„ Avaliação de dados;
„ Leituras normais e anormais.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

O capítulo sobre instrumentação deve incluir os seguintes itens:

3.3.1 Descrição Geral do Sistema de Instrumentação

3.3.2 Responsabilidades

3.3.3 Detalhes Específicos de Cada Aparelho Instalado

„ Descrição detalhada;
„ Instruções sobre programações, instruções de operação, procedimentos de avalia-
ção e transmissão de dados;
„ Variação aceitável das leituras normais;
„ Leituras anormais;
„ Exigências e programações de manutenção;
„ Mapas e desenhos de localização.

Um anexo pode incluir os mapas e desenhos específicos de localização, caso sejam


muito numerosos ou tomem muito espaço no corpo principal do PPO.

3.3.4 Tipos de Instrumentação

Os vários tipos de instrumentação que devem ser instalados próximo ou nas funda-
ções, ombreiras, aterros ou nas estruturas de concreto são:

„ Piezômetros ou tensômetros para aterros e fundações;


„ Poços de observação;
„ Aparelhos de movimento vertical;
„ Aparelhos de movimento horizontal;
„ Placa de base para medir assentamentos das fundações;
„ Pontos de medição nos taludes das ombreiras e na superfície já pronta de um aterro
ou estrutura para medir assentamentos e deflexões;
„ Vertedouros, calhas ou outros aparelhos de medição de vazamentos;
„ Aceloragráficos para medição dos movimentos sísmicos;
„ Sistema hidrometereológico (breve descrição de como se relaciona à operação es-
pecífica da barragem e às responsabilidades do pessoal de operação).

Os procedimentos detalhados de operação e manutenção para a instrumentação


instalada devem ser obtidos na Sede.

3.4 Capítulo IV - Operações do Reservatório

3.4.1 Alocações da Capacidade do Reservatório

Devem ser apresentadas no PPO as alocações atualizadas da capacidade dos reser-


vatórios, incluindo-se a ACR (Alocação da Capacidade do Reservatório) aprovada e atua-
lizada referente à estrutura (vide Apêndice 4). Dessa forma, as informações apresentadas
no texto devem ser limitadas a uma referência a esse formulário, com os comentários
apropriados.

Também é essencial incluir as curvas e tabelas área-capacidade (baseadas em inter-


valos entre as elevações de 3cm) em um anexo ou fazer uma referência a um Documento
de Apoio.
O PPO deve mencionar que o acúmulo de sedimentos, detectado durante uma nova
revisão do reservatório, pode modificar as alocações de capacidade.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.4.2 Estudo das Enchentes do Projeto, Inclusive sua Amortização

Uma descrição da EP (enchente do projeto) atual do reservatório deve constar do


PPO para dar ao pessoal de operação uma idéia do tipo e da magnitude da enchente à qual
a barragem, o vertedouro e as estruturas de tomada são considerados adequados. A EP
deve apresentar a data em que a enchente descrita foi aprovada para projeção ou revisão.
A descrição da enchente deve incluir, pelo menos, o volume, a duração e a vazão de pico.

Seriam de utilidade uma descrição do tipo de tormenta que causaria a enchente, os


meses do ano durante os quais a enchente pode ocorrer e as condições hidrológicas
anteriores previstas, para aperfeiçoar alguns procedimentos de operação e para o pessoal
de operação poder avaliar uma enchente específica.

Esse item deve conter uma descrição das premissas utilizadas quando da amortiza-
ção da enchente no reservatório, incluindo:

„ Elevação da superfície de água do reservatório, no início da enchente;


„ Operação da comporta do vertedouro;
„ Programações das liberações de água das estruturas de tomada;
„ Operação do canal alimentador;
„ Programação da remoção dos “stoplogs”.

Deve ser incluída uma descrição da elevação máxima resultante da superfície de


água do reservatório e as descargas de pico do vertedouro e das estruturas de tomada (de
preferência, com uma hidrografia).

Devem ser incluídas em um anexo e feita aqui uma referência às hidrografias,


apresentando a amortização da enchente no reservatório da EP, a vazão máxima a ser
liberada para controle de enchentes à jusante da barragem - caso o controle de enchentes
seja parte do propósito do projeto - e as enchentes principais de registro, se disponíveis.
Também deve-se fazer uma referência à amortização à jusante na calha do rio e aos
mapas de inundação mostrando as liberações de água do vertedouro e das estruturas de
tomada provenientes das enchentes, e da vazão de água causada por ruptura da barra-
gem, que serão incluídas no PPE.

3.4.3 Programação de Enchimento e Procedimentos de Liberação da Água

O plano de enchimento pelo qual as afluências ao reservatório devem ser armazena-


das e pelo qual a água armazenada deve ser liberada anualmente, para satisfazer os
objetivos diretos e incidentais do projeto, deve ser apresentado neste item do PPO. Deve
ser explicado quando a água é armazenada no reservatório e abordadas todas as restri-
ções existentes sobre taxas, quantidades e períodos de tempo em que a água deve ser
armazenada.

Os fatores que governam as liberações do reservatório para os fins do projeto


também devem ser abordados.

Essa parte do PPO deve apontar as instruções de operação específicas para cada
vez em que as comportas devem ser abertas, fechadas ou ajustadas.

Esse item deve enumerar todas as exigências estabelecidas para as liberações de


água, tais como manutenção de vazões para vários objetivos e opções de controle de
enchentes.

Os procedimentos detalhados sobre a operação do reservatório, apresentados em


outra parte do PPO, não necessitam ser aqui repetidos. No entanto, todos os procedimen-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

tos de operação do reservatório devem ser brevemente mencionados nesta parte do PPO
e feita uma referência ao item do PPO ou ao Documento de Apoio onde podem ser
encontrados maiores detalhes.

3.4.4 Previsão de Afluências ao Reservatório

As previsões de afluências devem incluir instruções e procedimentos para prepara-


ção (tanto nos meses em que ocorrerem grandes escoamentos quanto nos precedentes)
de estimativas periódicas dos volumes das afluências para a época de grande escoamen-
to.

Essas estimativas servem de base para o planejamento das operações do reservató-


rio e do projeto, antes e durante a época de grande escoamento, permitindo otimização e
coordenação do fornecimento de água e de outras funções do reservatório. Além disso,
auxiliam na obtenção de um planejamento de procedimentos de operação concordantes
com os critérios de operação, para evitar que a barragem e seus acessórios apresentem
falhas pelos altos níveis de água no reservatório e por taxas excessivas de descarga.

As instruções e os procedimentos devem ser descritos com detalhes e de maneira


completa em um Documento de Apoio, que será citado, permitindo, dessa forma, que o
pessoal recentemente contratado tenha condições de estimar as afluências e implantar
completamente os procedimentos.

Devem ser incluídos neste item os procedimentos administrativos e técnicos. Os


procedimentos administrativos devem identificar as entidades organizacionais responsá-
veis pela previsão das estimativas e coleta de dados relacionada, e pela conservação das
previsões em planos operacionais. Os procedimentos técnicos a serem considerados são:

„ Informações necessárias para monitorar as estações hidro-meteorológicas;


„ Correlações específicas, equações, procedimentos gráficos e procedimentos analí-
ticos usados na previsão de afluências;
„ Instruções sobre quando devem ser feitas as previsões sob várias condições.

O desenvolvimento de procedimentos para previsão de afluências é um processo


contínuo, já que as correlações estão sujeitas a revisão, à medida que surgem mais
dados. Por esta razão, as instruções do PPO devem conter a exigência de se examinarem
anualmente os procedimentos, após cada ano de experiência operacional, e de se fazerem
revisões e aperfeiçoamentos, quando necessário.

3.4.5 Critérios de Operação Durante Enchentes

Esse item do PPO estabelece os critérios e procedimentos de operação das barra-


gens e reservatórios durante enchentes, a serem seguidos antes e durante as enchentes,
os quais não são apropriados para inclusão nos itens anteriores “Programação de Enchi-
mento e Procedimentos de Liberação de Água” e “Previsão de Afluências ao Reservató-
rio”.

Este item deve descrever os critérios estabelecidos sobre as programações de ar-


mazenagem e liberação de água anteriores e concomitantes aos períodos de enchentes
(incluindo os parâmetros estabelecidos para o controle de enchentes à jusante), assim
como os critérios de operação do reservatório necessários para a segurança da barragem.
Os critérios de operação de enchentes e as previsões de afluências servem de base aos
planos de operação para amortização das enchentes.

Este item deve apresentar as instruções específicas detalhadas para uma operação
de emergência, a serem usadas pelo pessoal de operação nos momentos em que HOU-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

VER INTERRUPÇÃO DAS COMUNICAÇÕES durante as enchentes, exigindo uma opera-


ção independente das estruturas. Essas instruções devem ser apresentadas em forma de
texto e de gráficos, evitando possíveis interpretações errôneas.

Quando o reservatório tiver a função de controle de enchentes, este item deve fazer
referência aos documentos apropriados relacionados a enchentes.

Deve ser explicitado o objetivo dos documentos e como seu conteúdo deve ser
implantado nas operações de controle de enchentes.

3.4.6 Registro Especial Durante Enchentes ou Nível Elevado de Água

Devido à importância de registros mediatos e completos durante enchentes e perí-


odos em que a água se encontra em um nível elevado, devem ser apresentadas neste
item, para pronta consulta, instruções abrangentes sobre os registros a serem feitos pelo
pessoal das barragens durante tais períodos. Nessas instruções, deve ser estabelecido:

„ Quando os primeiros registros devem ser feitos;


„ Quem deve receber os registros;
„ Exigências de dados;
„ Intervalos de registros.

Presumivelmente, serão estabelecidos, durante o primeiro registro, procedimentos


para registros posteriores; caso contrário, devem ser determinados no PPO os intervalos
entre os registros e as determinações sobre os dados de todos os registros.

Capacidade de Sobrecarga - Os critérios usados para amortização da EP em um


reservatório requerem uma capacidade de sobrecarga para esse fim. Essa capacidade é
reservada para situações de emergência ou condições extremas do reservatório ou bacia
hídrica. Um exemplo disso é a amarzenagem de afluências que, se liberadas, excederiam
a capacidade de segurança da calha do rio à jusante, causando danos significativos. O
PPO deve incluir a necessidade de se fazer uma notificação ao Escritório Regional e à
Sede sobre a possibilidade de o nível do reservatório subir para sua capacidade de sobre-
carga.

Durante uma situação de emergência causada por altos níveis de água, se a descar-
ga à jusante estiver na capacidade máxima da calha do rio e as condições de saturação do
solo da bacia e de tempo indicarem uma situação de risco aceitável, o escritório de
supervisão poderá decidir sobre o uso do espaço de capacidade de sobrecarga, antes de
notificar o Diretor Regional. A armazenagem da água na capacidade de sobrecarga duran-
te situações de emergência será considerada temporária, e será permitida enquanto a
calha do rio à jusante fluir em sua capacidade total, contanto que haja uma capacidade de
sobrecarga no reservatório. O pessoal de operação do escritório regional será notificado
da situação, o mais rápido possível. Imediatamente, notificarão o diretor regional e a
sede.

3.4.7 Limites de Enchimento e Esvaziamento dos Reservatórios

Este item deve conter todos os limites especiais registrados de taxas e variações no
enchimento e esvaziamento dos reservatórios, estabelecidos devido às possibilidades de
desabamentos de terra ou outras condições geológicas ocorridas no reservatório, e refe-
rentes às barragens de terra, por causa das exigências de estabilidade.

Incluir descrição e localização de colinas ou outras formações geológicas incomuns.


Devem ser mostradas as localizações dos desabamentos ou dos desabamentos possíveis

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de ocorrer, que possam ser causados pelo esvaziamento do reservatório, devendo ser
anexado ao PPO um mapa.

As elevações projetadas apresentadas no Formulário de Alocação da Capacidade


do Reservatório (Apêndice 5) não precisam ser repetidas aqui.

Devem ser apresentadas as razões para as restrições das limites. Também devem
ser incluídas a exigência de registros especiais ou a necessidade de se obter aprovação
prévia - quando, por alguma razão, os limites estabelecidos devem ser excedidos. Se não
tiverem sido determinados limites especiais, este item deve estabelecer que não existem
limites.

3.4.8 Fiscalização de Desabamentos

Devem ser estabelecidos procedimentos de fiscalização de desabamentos, incluin-


do identificação, exame anual e preparação de dados e/ou registro de dados das áreas de
desabamento, por um geólogo experiente ou um representante adequado. Como resulta-
do desses e de outros exames, devem ser estabelecidos procedimentos de operação e
programação adequadas de observação e registros de desabamentos para barragens e
reservatórios específicos.

Com exceção dos procedimentos de registro e das instruções de operação de reser-


vatórios, todas as informações e instruções relacionadas aos desabamentos e à fiscaliza-
ção dos mesmos devem ser apresentadas neste item. As necessidades de inspeção refe-
rentes a desabamentos devem ser apresentadas no Item 3.1.6, “Registro de Dados”,
devendo ser feita uma referência ao mesmo neste item. A exigências da operação de
reservatórios resultantes das condições de desabamento devem ser incluídas no Item
3.4.3, “Programação de Enchimento e Procedimentos de Liberação da Água”, também
com uma referência aqui.

As instruções para o pessoal de operação e manutenção, que devem ser elaboradas


como resultado do exame anual das áreas de desabamento e ser incluídas no PPO, devem
dizer respeito a uma ou mais das seguintes providências:

„ Manter avisos de perigo nas áreas de desabamento;


„ Identificar nomes e localizações de pessoas e entidades de locais estabelecidos que
seriam afetadas pelos movimentos lentos ou bruscos de um desabamento crítico, e
estabelecimento e implementação de procedimentos de comunicação de emergên-
cia;
„ Manutenção e observação dos instrumentos de monitoração de desabamentos;
„ Medição das áreas de desabamentos através de estudos da terra;
„ Exame e registro das áreas críticas de desabamento entre os exames anuais, dirigi-
dos por um geólogo experiente;
„ Fidelidade às limitações especiais da taxa de esvaziamento dos reservatórios;
„ Registro imediato de ocorrências incomuns de desabamentos;
„ Outras.

Devem ser incluídos em um Anexo do PPO fotografias de avisos, desenhos das


áreas de desabamento e fotos ou desenhos do perfil das áreas de desabamento. Quando
ocorrerem mudanças, esse material deverá ser atualizado.

Este item deve descrever as observações e as medições de desabamentos a serem


feitas após um tremor de terra, fazendo referência ao Plano de Prontidão para Emergênci-
as quanto aos procedimentos de registro.

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3.4.9 Considerações sobre a Vida Silvestre e Aquática

Este item deve fazer referência a todos os contratos e acordos com outros órgãos
referentes ao benefício da vida silvestre. Explicar que exigências existem (se existirem) e
como os acordos afetam as operações da barragem e do reservatório. Essas exigências
devem incluir as elevações mínimas da superfície da água, os níveis do reservatório du-
rante períodos específicos do ano, e as taxas mínimas de liberação de água do reservató-
rio para atender à vazão à jusante.

3.4.10 Plano de Administração da Recreação

Citar se foi estabelecido para a área do reservatório um plano de administração da


recreação. Caso tenha sido publicado um plano, esse item deve identificar:

„ O acordo que estabelece o plano, se existir um;


„ O órgão responsável pela operação do plano;
„ Como esse plano afeta a operação do reservatório.

3.4.11 Critérios de Liberação de Água para Energia Hidrelétrica

No caso dos reservatórios que servem de antecâmera para estações hidrelétricas,


este item deve estabelecer os critérios básicos utilizados na determinação do tempo e da
quantidade de liberações de água para energia hidrelétrica, indicando a relação dessas
liberações com outras funções e critérios de operação do reservatório. Quando a única
função do reservatório for a energia hidrelétrica, ou quando o reservatório for um dos
interrelacionados - quando a operação é coordenada para maximizar a geração de energia
concordante com os outros objetivos do projeto - deve ser feita aqui uma referência aos
Documentos de Apoio sobre operações de energia, com relação aos critérios.

Este item deve estabelecer, claramente, as exigências de registro, as variações de


liberações e as demandas de energia, antes de realmente se fazerem as liberações repen-
tinas ou grandes de água. Também devem-se descrever os sinais, aparelhos, etc. de
aviso, para alertar o público à jusante das liberações maiores.

3.4.12 Critérios de Operação para Outras Funções

Os critérios de operação para outras funções do reservatório, que não tiverem sido
incluídos apropriadamente em outros itens do PPO, devem ser colocados aqui. Quando
apropriado, este item deve incluir:

„ Revisão dos critérios de operação do reservatório para diminuição da poluição à


jusante;
„ Proteção das estruturas durante os períodos do ano;
„ Controle de depósitos de silte no reservatório.

Uma apresentação detalhada dos critérios de operação, neste item, não significa
que não devam ser incluídos critérios reiterativos em outros capítulos do PPO.

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APÊNDICE 1

PLANOS DE PRONTIDÃO PARA EMERGÊNCIAS (PPE)


PARA AS BARRAGENS DOS ÓRGÃOS - DIRETRIZES

1 Considerações Gerais

1.1 Objetivo

Os objetivos destas diretrizes são servir como guia na preparação de PPE’s e garan-
tir sua uniformidade. O PPE tem como objetivo apresentar os procedimentos de operação
e de notificação a serem seguidos pelo pessoal de operação e de supervisão, em caso de
uma situação de emergência ou uma ocorrência incomum.

1.2 Escopo

Os PPE’s devem ser elaborados para todas as barragens cuja ruptura representaria
perigo à vida humana ou causaria danos materiais sérios, e para as partes das estruturas
de distribuição de água que apresentam grandes probabilidades de quebras ou rupturas,
juntamente com um grande potencial para perda de vida e/ou danos materiais sérios.

1.3 Aprovação do PPE

O diretor do órgão e cada diretor regional devem designar um “funcionário respon-


sável pelo planejamento de emergência”, que fará a supervisão do planejamento dos
procedimentos de emergência. O PPE deve ser revisto por técnicos do Departamento de
OM&E da sede, sendo, depois, aprovado pelo diretor do órgão, antes da distribuição às
autoridades locais, estaduais e federais ou ao público. Quaisquer mudanças maiores nas
diretrizes deverão ser revistas na sede, antes da aprovação. Conforme estabelecido nas
diretrizes para preparação de mapas de inundação, estes mapas devem ser aprovados
pela sede, antes de serem incluídos no PPE.

1.4 Definições

1.4.1 Situação de Emergência

Situação grave, surgida repentina e inesperadamente, que representa perigo à inte-


gridade estrutural da barragem ou às pessoas e propriedades à jusante (por exemplo, um
descontrole repentino, real ou eminente, das liberações de água, causado por ruptura da
barragem ou um acidente que afete a ela ou suas estruturas acessórias) e que requer
atenção imediata.

1.4.2 Ocorrência Incomum

Evento ou condição não normalmente encontrada na operação rotineira da barra-


gem e do reservatório e que pode arriscar a barragem ou fazer com que haja a necessida-
de de uma revisão temporária ou permanente dos procedimentos de operação.

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1.4.3 Barragens de Alto Risco

São as barragens cuja ruptura provavelmente causaria a morte de várias pessoas


(área urbana) ou uma perda econômica excessiva (agricultura, indústria ou comunidade
de alto valor).

1.4.4 Barragens de Risco Significativo

São as barragens cuja ruptura poderia causar a morte de alguém (área rural povoa-
da) ou uma perda econômica apreciável (agricultura, indústria ou estruturas de valor
médio).

1.4.5 Barragens de Pequeno Risco

São as barragens cuja ruptura provavelmente não causaria a morte de ninguém ou


causaria um dano físico mínimo (zona rural não povoada e agricultura simples).

1.5 Programa de Preparação dos PPE’s

1.5.1 Represamento Temporário Durante a Construção

Se for feito um represamento temporário durante a construção (tal como uma


ensacadeira) e um acidente ou ruptura de tal estrutura representar perigo ao público, deve
ser preparado um PPE de construção, revisto por técnicos da sede e aprovado pelo diretor
do órgão, antes do início da construção.

1.5.2 Novas Construções

Devem ser preparados, aprovados e distribuídos PPE’s para as novas barragens de


risco, alto ou significativo, antes do enchimento inicial do reservatório.

1.5.3 Estruturas Existentes

No caso de barragens existentes sem um PPE aprovado, a direção do órgão deverá:

a) Priorizar as barragens, de acordo com o risco potencial à vida humana e às proprie-


dades, considerando os estudos sobre a bacia hidrográfica e a cooperação com os
proprietários de outras barragens;

b) Preparar os PPE’s preliminares (sem os mapas de inundação) para as barragens de


alto risco, o mais rápido possível, e preparar os PPE’s finais (com os mapas de
inundação), assim que possível;

c) Preparar os PPE’s finais para as barragens de risco significativo, assim que possível;

d) Enviar ao Coordenador da Divisão de OM&E um sumário anual detalhando o anda-


mento dos PPE’s, as delineações de inundação e as atividades de planejamento
para emergências, até que todas as barragens possuam PPEs finais.

2 Elaboração do PPE

Cada PPE deve ser elaborado através da consulta e da cooperação de autoridades


locais, estaduais e federais responsáveis pelo cumprimento da lei e pelo bem-estar da
comunidade. Os representantes locais devem estar totalmente cientes do risco que a
ruptura de uma barragem representaria e da necessidade dos mesmos desenvolverem
procedimentos de comunicação, de alerta e de evacuação para proteger a vida humana e

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os itens materiais. Esses representantes devem elaborar procedimentos de emergência de


operação e aviso, com os proprietários de barragens à jusante, e incluir essas informações
no PPE.

O PPE deve conter procedimentos de notificação para que as autoridades responsá-


veis avisem prontamente, à jusante e, se afetados, à montante, os residentes ou usuários
dos meios de recreação, os operadores das estruturas hídricas e outras pessoas ou ór-
gãos das proximidades que poderiam ser afetados por uma situação de emergência no
projeto.

3 Exigências do PPE no PPO

O PPE deve ser preparado em um formato razoavelmente padronizado, ser caracte-


rístico de cada barragem, ser facilmente identificado, e estar em uma parte separada e
distinta de PPO (Anexo 5). Recomenda-se que seja impresso em papel de cor ou separado
por divisórias coloridas, de preferência vermelhas ou amarelas, para torná-lo diferenciado.

Como parte do PPO de barragens, o PPE auxilia o pessoal de operação e de super-


visão, durante uma situação de emergência ou incomum, a tomar as seguintes decisões:

„ Que providências e observações iniciais deverão ser feitas;


„ Quem deverá ser notificado;
„ Que providências deverão ser tomadas para remediar a situação;
„ Com quem permanecer em contato, para instruções;
„ Que providências tomar, no caso de perda de comunicação.

Para satisfazer as exigências mínimas, cada PPE deverá:

3.1 Conter um sumário com providências gerais a serem tomadas pelo pessoal e pelos
escritórios responsáveis, mostrando a tabela de notificações por prioridade.

3.2 Estabelecer o objetivo geral do plano, incluindo as definições das situações de


emergência ou das ocorrências incomuns, a prioridade de comunicação de operador até o
diretor do órgão, a necessidade de registros adicionais, e a necessidade de testes de
emergência dos procedimentos pertinentes (anuais) e de verificação das comunicações,
incluindo os números telefônicos e os nomes dos representantes responsáveis (pelo me-
nos trimestralmente).

3.3 Definir as situações de emergência e as ocorrências incomuns que requerem notifi-


cação imediata do escritório de supervisão e, possivelmente, dos representantes locais.
As situações de emergência podem ser:

a) Ruptura real ou iminente da barragem;


b) Enchente muito séria;
c) Tremor de terra;
d) Outras.

As ocorrências incomuns podem ser:

a) Assentamento ou rachadura da barragem ou ombreiras;


b) Ruptura ou quebra das estruturas acessórias ou do equipamento de operação;
c) Novos vazamentos ou áreas encharcadas ou drenagem aumentada;
d) Aumento rápido ou leve surgimento de infiltração;
e) Leituras anormais das instrumentações;
f) Desabamentos que possam causar perigo à barragem ou ao público;

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g) Enchentes severas;
h) Fogo nas florestas das proximidades da estrutura;
i) Manifestações, sabotagens;
j) Vazamentos de óleo ou substância tóxica;
k) Grandes ou repentinas liberações de água no canal do rio à jusante;
l) Perdas ou perigo à vida silvestre e aquática;
m) Roubo ou vandalismo às propriedades do projeto;
n) Afogamentos, acidentes graves, ou violação da lei envolvendo o público;
o) Outras.

3.4 Descrever a assistência à barragem (cargo de quem assiste, número de horas ou


freqüência, e distância da residência até a barragem), incluindo o escritório de supervisão.
Identificar o operador substituto, no caso de ausência dos operadores da barragem, como
também no caso de falta de comunicação ou nas operações de barragens de objetivos
múltiplos. Descrever, também, os sistemas de comunicação primária e secundária ou
meios alternativos de comunicação. Estabelecer quaisquer providências apropriadas para
uma comunicação após o horário diário de trabalho, ou a necessidade de uma fiscalização
de 24 horas ou diária, em condições especiais.

3.5 Apresentar uma descrição da área inundada e mapas de inundação mostrando a


área à jusante da barragem que seria inundada, no caso de uma liberação repentina e
descontrolada da água, causada por uma ruptura da barragem ou pelos fluxos resultantes
de uma grande enchente. Essa descrição deve conter uma lista das áreas habitadas, dos
desenvolvimentos principais, dos sistemas mais importantes de transporte, dos serviços
de utilidade pública principais, etc.

3.6 Detalhar os planos para alertar e notificar as pessoas potencialmente afetadas,


através das autoridades locais, estaduais e federais apropriadas, responsáveis pela seguran-
ça pública e pela notificação dos proprietários de barragens à jusante. Identificar o funci-
onário do órgão responsável por avisar as autoridades da ocorrência de uma emergência.

3.7 Identificar os equipamentos, materiais (almoxarifado, áreas de empréstimo para


construção, etc.) e mão-de-obra para construção que geralmente estão disponíveis nos
arredores dos distritos de irrigação, firmas de engenharia ou departamentos de estradas,
etc. Identificar, também, o corpo de engenheiros próximo ao escritório local, regional e à
sede, assim como os especialistas em exames subaquáticos disponíveis na região do
escritório local ou regional ou das firmas de engenharia.

3.8 Fornecer uma programação de revisão periódica do PPE com as autoridades locais,
estaduais e federais, assim como o novo pessoal de operação responsável pelas providên-
cias e notificações durante a ocorrência de uma emergência e pelas verificações dos
sistemas de comunicação.

3.9 Incluir instruções e um formulário exemplo para elaboração dos relatórios de emer-
gência, com o intuito de manter registros permanentes.

3.10 Conter referência a um catálogo completo de contatos para comunicação com o


pessoal chave de operação da barragem, local, regional e da Sede, assim como com as
autoridades locais, estaduais e federais a serem notificadas, no caso de uma emergência.

4 Sumário do PPE

Porquanto o PPE seja dirigido ao pessoal de operação da barragem e aos represen-


tantes do órgão, recomenda-se que seja preparado, também, um sumário do PPE. Esse
sumário seria dirigido às autoridades locais, que usariam na elaboração de planos de
alerta e evacuação, resumindo as informações contidas no PPE (listando funcionários e

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

departamentos do órgão, por exemplo) e, transmitindo os mapas de inundação e docu-


mentando os procedimentos de notificação programados. Também apresentaria situa-
ções de emergência, diferentes de uma ruptura da barragem ou uma enchente grave,
sobre as quais as autoridades locais seriam notificadas. Devem ser incluídos, para melhor
esclarecimento, parágrafos descritivos sobre a área, o projeto e os mapas.

5 Distribuição do PPE e Sumário do PPE

O PPE será distribuído como parte do PPO, um documento de uso exclusivo do


órgão. Como tal, será distribuído, revisto e atualizado, conforme necessário, no PPO (vide
Anexo 5.).

O Sumário do PPE deve ser distribuído a todas as autoridades locais, estaduais e


federais que seriam notificadas no caso de uma emergência e, se necessário, ao público
em geral. Recomenda-se que sejam feitas reuniões com as autoridades locais, cada vez
que o Sumário do PPE estiver para ser distribuído às mesmas e às outras autoridades,
quando serão debatidos o próprio PPE, os dados contidos nos mapas de inundações e
procedimentos de notificação durante emergências. Nestas reuniões, serão coletadas
idéias das autoridades locais e serão verificados os sistemas de comunicação identifica-
dos no PPE.

No órgão, devem ser distribuídas cópias ao departamento apropriado do projeto, ao


Escritório Regional e à Sede. Deve ser mantido um registro permanente de todos os
recebedores de cópias do PPE, no caso de os mapas ou planos serem significativamente
revisados e redistribuídos, e para o propósito de revisão.

6 Procedimentos de Revisão Periódica

Essencial a qualquer planejamento de emergência é a revisão contínua do PPE, com


o objetivo de treinar e atualizar as autoridades local, estadual e federal, assim como o
pessoal do órgão e o pessoal de operação. Recomenda-se que seja incluída, em cada PPE,
uma programação específica para uma revisão periódica.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APÊNDICE 2
Diário de Operação
Operadores
Posição Turno de Turno de Turno de
24:00 às 8:00 8:00 às 16:00 16:00 às 24:00
Diário de Operação

Dia _________ Mês _________ Ano _________


Data (1) Hora Anotações

Nota - Fazer as anotações à tinta. Riscar e rubricar todos os erros. Revisto (assinatura do supervisor - chefe)

(1) Nas operações que necessitarem de um número de anotações diárias, usar uma folha para vários dias e inserir as datas nesta coluna

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APÊNDICE 3

TAREFAS PROGRAMADAS DO PESSOAL DE OPERAÇÃO

Diariamente

Barragem e Reservatório:

1 Registrar a elevação da superfície da água.

2 Determinar as afluências ao reservatório.

3 Registrar as descargas do vertedouro.

4 Registrar as liberações de água dos canais.

5 Verificar e registrar as vazões de drenagem do sopé e nas galerias.

6 Verificar os equipamentos e acessórios de segurança.

7 Fazer a leitura dos instrumentos climatológicos e registrar os dados.

8 Fazer as mudanças necessárias em comportas e válvulas.

9 Verificar as barreiras flutuantes de segurança.

10 Verificar a calha do vertedouro quanto aos detritos.

11 Registrar as informações adequadas no Diário de Operação.

Mensalmente

Barragem e Reservatório:

1 Checar as condições de:

a) Crista da barragem;
b) Faces à montante e à jusante;
c) Partes visíveis da fundação;
d) Contatos das ombreiras;
e) Galerias;
f) Bacia de dissipação dos vertedouros;
g) Bacia de dissipação das estruturas de tomada d’água;
h) Áreas críticas de desabamento;
i) Área do reservatório;

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j) Sistemas de drenagem; drenos de sopé, drenos nas galerias, etc;


k) Aparelhos de medição;
l) Problemas de roeduras;
m) Equipamentos e acessórios de segurança.

Sistema Elétrico:

1 Gerador permanente a gasolina:


a) Ligar durante, no mínimo, 1 hora;
b) Manter a bateria carregada;
c) Checar o tanque de gasolina.

2 Substituir as lâmpadas elétricas.

Estrutura de Tomada d’água:

1 Engraxar o pêndulo hidráulico das comportas;


2 Checar os avisos de alerta ao público de perigos:
a) Próximo às grades das estruturas de tomada;
b) Bacia de dissipação das estruturas de tomada;
c) Casa de válvulas.

Vertedouros:

1 Checar o canal de tomada d’água quanto a detritos;


2 Checar a operação das comportas;
3 Checar a condição das cercas e dos avisos de perigo.

Trimestralmente

Estruturas de Tomada d’água:

1 Instruções para operação - atualizadas e legíveis;


2 Verificar as ventosas das comportas na face à jusante;
3 Limpar as caixas de controle das comportas.

Vertedouros:

1 Checar e desentupir os drenos do tabuleiro das pontes;


2 Limpar o interior do gabinete de controle dos motores.

Semestralmente

Estruturas de Tomada d’água:

1 Verificar linhas de óleo hidráulicas;


2 Verificar o nível dos reservatórios de óleo dos sistemas hidráulicos;
3 Lubrificar os rolamentos das comportas;
4 Checar os selantes de borracha;
5 Checar os cabos dos guinchos - lubrificar.

Sistemas e Equipamentos Elétricos:

1 Trocar o óleo do gerador permanente a gasolina;


2 Checar os fios elétricos expostos:

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

a) Casa de válvulas das estruturas de tomada d’água;


b) Guinchos das comportas;
c) Vertedouros.

Vertedouros:

1 Checar a pintura das comportas;


2 Checar os cabos dos guinchos - lubrificar;
3 Checar os mancais dos guinchos mecânicos e os manuais dos acoplamentos flexí-
veis;
4 Checar as caixas de marcha:
a) Engraxar as caixas de marcha dos guinchos;
b) Checar as engrenagens e seus motores.

Anualmente

Estruturas de Tomada d’água:

1 Pintura:
a) Metais;
b) Válvulas com código de cores;
c) Partes de madeira.
2 Exercitar as comportas e válvulas;
3 Verificar as condições do interior e do exterior do conduíte de tomada d’água.

Barragem e Reservatório:

1 Rever o PPO.

Vertedouro:

1 Verificar e repintar as partes de metal da ponte do vertedouro, comportas e cercas;


2 Operar e exercitar as comportas;
3 Examinar a bacia de dissipação e o canal do rio à jusante.

Sistema Elétrico:

1 Checar os conduítes, caixas de passagem e interruptores:

a) Casa de válvulas das estruturas de tomada;


b) Guinchos das comportas;
c) Vertedouros;
d) Galerias.

De 6 em 6 anos

1 Examinar a estrutura de captação e a bacia de dissipação que normalmente estão


sob a água com menor freqüência, caso a experiência assim o indique.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APÊNDICE 4

REMOÇÃO DE ÁRVORES OU OUTROS TIPOS DE


VEGETAÇÃO DAS BARRAGENS DE TERRA, DIQUES E
ESTRUTURAS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA - DIRETRIZES

Deve-se evitar a presença de árvores e outros tipos de vegetação nas barragens de


terra, diques e estruturas de distribuição, fazendo-se um controle desde o início de seu
crescimento. Quando ocorre o nascimento de vegetação, deve-se fazer manutenção das
barragens, diques e estruturas, removendo-a. Geralmente, o crescimento de árvores em
barragens de terras e diques é indesejável, podendo causar infiltrações no aterro e uma
eventual ruptura da estrutura. Raízes velhas e em decomposição são prejudiciais, e as
árvores antigas ou grandes são suscetíveis à queda, podendo seus destroços ocasionar o
início da formação de vazios, enfraquecimentos e infiltrações no aterro. A vegetação de
raízes pouco profundas pode impedir uma fiscalização apropriada das estruturas do ponto
de vista de infiltrações, assentamentos, rachaduras, etc., proporcionando, também, um
habitat adequado e servindo de alimentação para animais roedores.

As diretrizes a seguir devem ser usadas em todas as barragens de terra, diques,


estruturas de distribuição do órgão, com critério e levando-se em conta sua praticidade.

1 Todas as árvores e vegetação de raízes profundas devem ser removidas dos aterros
das barragens de terra e dos diques. Essa remoção deve chegar até, aproximada-
mente, 15m à montante e à jusante do sopé dessas estruturas.

2 As áreas das ombreiras à montante e à jusante devem estar livres de árvores e de


vegetação de raízes profundas numa extensão de cerca de 8 m de cada contacto
entre a aterro e a ombreira.

3 As barragens de terra ou os diques que apresentarem um grande crescimento de


árvores ou tocos de árvores cortadas anteriormente, neles ou próximo deles - com
base no critério acima - devem ser avaliadas por um engenheiro experiente para
providências futuras, ou seja, monitoramento, escavação e aterro, reconstrução,
etc. Geralmente, as raízes velhas de grandes árvores devem ser removidas e o
aterro substituído e compactado, para evitar a formação de infiltrações.

4 As calhas das estruturas de tomada e dos vertedouros devem estar livres do cres-
cimento de vegetação que possa impedir significativamente a vazão da água. Para
evitar danos ao vertedouro, às estruturas de tomada e a outras estruturas, deve ser
removida a vegetação de grande porte ou de raízes profundas adjacentes.

5 Deve-se usar de certo critério na decisão de remover a pequena vegetação das


barragens de terra e diques. Normalmente, a vegetação de raízes pouco profundas
não é potencialmente prejudicial à estrutura. Esse tipo de vegetação deve ser remo-
vido quando impedir o exame da estrutura quanto a infiltrações, assentamentos,
rachaduras, etc. O crescimento desse tipo de vegetação também facilita a atividade

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

de roedores, que podem ser responsabilizados pela formação de infiltrações, resul-


tando, eventualmente, em rupturas. A remoção da pequena vegetação de raízes
pouco profundas ou dos animais roedores dos aterros pode ser feita mecânica ou
quimicamente, mas somente deve ser feita após se consultar pessoal experiente ou
um especialista em controle de doenças contagiosas. A face à jusante das barra-
gens suscetíveis a erosão pode necessitar de uma cobertura de grama. Periodica-
mente, pode ser útil tirar toda a grama para facilitar uma fiscalização apropriada e a
observação de roedores.

6 Essas diretrizes devem ser aplicadas, de maneira similar, a canais abertos, laterais
e drenos, com exceção da distância mínina do sopé externo das margens, que deve
ser de cerca de 5 metros.

7 Da mesma forma, com referência ao sistema de distribuição de água, para facilitar


o acesso para operação e manutenção e para prevenir a invasão de raízes, a distân-
cia livre deve ser de, aproximadamente, 5 metros de cada lado da adutora.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APÊNDICE 5

ALOCAÇÃO DA CAPACIDADE DO RESERVATÓRIO

Instruções para uso do Formulário de Alocação da


Capacidade do Reservatório (ACR)

Devem ser mantidos, na sede e nos escritórios regionais, arquivos atualizados de


formulários de ACR, representando um registro importante das alocações oficiais da ca-
pacidade dos reservatórios, para diferentes propósitos.

Os dados constantes dos formulários de ACR sobre a capacidade e a elevação dos


reservatórios devem estar em conformidade com as Definições dos Dados sobre Reserva-
tórios do Órgão, conforme estabelecido pela sede. Devem ser indicados os propósitos do
uso em conjunto e as capacidades ativas, inserindo-se nos espaços adequados as letras
CE para controle de enchentes, I para irrigação, M&I para municipal e industrial, E para
energia, S&A para vida silvestre e aquática e S para sedimentos.

As capacidades apresentadas nos formulários de ACR devem ser computadas usando-


se a tabela oficial de capacidade com volumes arredondados, como mostrado a seguir:

Variação da Capacidade (1.000 m3) Usar Valores Arredondados para próximo a: (1.000 m3)
0-99 1
100-9.999 10
10.000-99.999 100
100.000-999.999 500
1.000.000 ou mais 4 algarismos significativos

Na lacuna “Situação da Barragem”, indicar: planejamento, construção ou em opera-


ção.

No espaço “Documentos de Referência e Comentários”, listar o material básico


usado para determinar as elevações da superfície da água do reservatório e suas capaci-
dades. Deve-se ter atenção especial para identificar as origens do material, para futuras
consultas. Sempre que possível, devem ser usadas as fontes de consulta originais. As
fontes de consulta para coleta de informações e dados são: tabelas de área-elevação-
capacidade, desenhos de construção, regras de controle de enchentes, desenhos sobre
amortização de enchentes, e estudos de viabilidade, projeto básico e detalhamento do
projeto básico Devem ser observadas a natureza e a duração de condições ou restrições
referentes à barragem, às estruturas acessórias e às operações que afetem as alocações
da capacidade do reservatório.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

A seguir, apresenta-se uma explicação das siglas utilizadas no formulário:

EL Elevação
SM da Água Superfície máxima (SM) que a água atingiria, durante a enchente do projeto.
SM Controle de Enchentes Se o reservatório tem o propósito de controlar enchentes, é a superfície máxima do volume reservado
exclusivamente para controle de enchentes.
SM Uso em Conjunto Superfície máxima do volume de uso em conjunto, ou seja, durante certas épocas do ano esse volume é
reservado para controle de enchentes; em outras épocas, é utilizado para regulação.
SM Uso Ativo Superfície máxima do volume utilizado para regulação.
SM Volume Inativo Superfície máxima do volume que fisicamente poderia ser utilizado, mas que é reservado para recreação,
psicultura, etc.
SM Volume Morto Superfície máxima do volume morto, ou seja, o volume que fisicamente não pode ser evacuado.

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Tipo de Barragem: Diretoria Regional:

Operada por: Estado:

Comprimento da Crista: (m). Reservatório:

Largura da Crista: (m) Barragem:

Volume da Barragem: (m3) Projeto:

Período de Construção: Rio:

Área do Reservatório: (m na EL) 2


Situação da Barragem:
Feito por: Aprovado por:

(Rubrica) (Função) (Data) (Rubrica) (Função) (Data)

Crista da Barragem EL

Borda Livre (metros)

SM da Água EL

Sobrecarga (1000 m3)


m

SM Controle de Enchentes EL
m

Exclusivo para Controle de Enchente (1000 m3)


(1000m3)
(1000m3)

SM Uso em Conjunto EL
(1000m3)

Uso em Conjunto (1000 m3)


Altura Acima do Leito do Rio:

SM Volume Ativo EL
Capacidade Ativa:

Volume Ativo (1000 m3)


Capacidade Viva:
Altura Máxima Estrutural:

SM Volume Inativo (1) EL


Capacidade Total:

Volume Inativo (1000 m3)

SM Volume Morto EL

Volume Morto (1000 m3)

Leito do Rio no Baixo da Barragem EL

Ponto mais Profundo na Escavação da Fundação EL

(1) Inclui _____________ (1000 m3) para acumulação de sedimentos _______ em anos.

Documentos de Referência e Comentários:

Ap. 5 Alocação da Capacidade do Reservatório

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ANEXO 6

REVISÃO DA OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO (RO&M)

1. Revisão Periódica (Programa de RO&M)

Devem ser feitas pelo órgão público revisões periódicas supervisionadas, para ava-
liar as condições do sistema e assegurar que vem sendo feita uma operação adequada,
cumprindo os objetivos do projeto. As revisões são principalmente direcionadas às condi-
ções, funcionamento e operação das estruturas do projeto, mas devem também incluir
uma revisão dos itens correlatos, tais como encharcamento ou salinização das terras,
mudanças no leito do rio e erosão das margens, sedimentação no reservatório, etc.

1.1 Responsabilidade pelo Programa de Revisão

A responsabilidade e autoridade referentes ao programa de revisão geralmente são


ligadas ao grupo da sede dos órgãos públicos responsável pela operação e manutenção.
Neste MANUAL, esse grupo é citado como Chefe do Departamento de Operação e Manu-
tenção (O&M).

O Coordenador do programa de revisão deve ser selecionado ou ter função no


Departamento de O&M na sede do órgão público, e possuir as seguintes atribuições:

„ Gerenciamento do programa;
„ Estabelecimento dos procedimentos de revisão;
„ Seleção da Equipe de Revisão;
„ Chefia de todas as Equipes de Revisão, a menos que não seja possível;
„ Seleção de um Chefe da Equipe de Revisão, na eventualidade do seu impedimento;
„ Programação de todas as revisões;
„ Providenciar a logística para todas as revisões;
„ Coordenação entre os diretores dos órgãos regionais e os distritos de irrigação e
seus gerentes;
„ Conseguir a participação de um membro ou membros da equipe da Região onde
serão feitas as revisões;
„ Preparação dos relatórios de cada revisão, utilizando membros da equipe, se neces-
sário;
„ Preparação da correspondência referente ao Programa de Revisão;
„ Monitoramento das ações dos distritos de irrigação ou do Gerente do Projeto, quan-
to ao cumprimento das recomendações feitas pelas Equipes de Revisão, buscando
a assistência dos Diretores Regionais para essa atividade, se necessário;
„ Informação das datas das revisões a todos os interessados, com o mínimo de 60
dias de antecedência;
„ Realização de seminários e programas de treinamento em operação e manutenção
de projetos, sempre que necessário;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Manter estreito contato com os Diretores Regionais, e manter o Chefe de Departa-


mento de O&M do órgão público informado sobre o andamento do programa, seus
problemas e suas realizações.

2 Classificação e Intervalos das Revisões

Os projetos possuem estruturas de diversos tamanhos e complexidade, que podem


ser classificadas como Estruturas Principais e Estruturas do Projeto.

2.1 Revisões das Estruturas Principais

São as revisões das estruturas principais específicas, tais como açudes e reservató-
rios de regulação, grandes barragens de desvio onde o armazenamento é um fator ou
equipamento principal cujas operações são complexas, grandes estações de bombeamento,
grandes sistemas de canais, complexos sistemas de conduíte fechado e grandes pontes.

2.2 Revisões das Estruturas do Projeto

As revisões das estruturas do projeto são as de todo o projeto, abrangendo os


sistemas de condução, distribuição e drenagem. As revisões dos projetos individuais
devem incluir as obras de desvio (exceto as mencionadas no Item 2.1 acima), as estações
de bombeamento, conduítes abertos e fechados, túneis, sifões, pequenos reservatórios
de regulação, vertedouros, pontes e outras estruturas.

O objetivo dessa classificação é o de separar, para fins de revisão, as poucas


estruturas principais das outras estruturas do projeto. Devido à complexidade dessas
estruturas principais, elas são submetidas a uma revisão e um relatório à parte.

A maior parte das revisões é feita em todo o projeto, com o respectivo relatório. As
revisões do projeto e as revisões das estruturas principais são igualmente importantes.

O intervalo dos exames não deve ser superior a 3 anos, para todas as estruturas
principais e as estruturas do projeto; e, possivelmente, uma vez ao ano, dependendo das
condições e das decisões tomadas pelo órgão.

3 Revisões de Operação e Manutenção

3.1 A tabela das revisões é preparada pelo Coordenador do Programa, no Departamen-


to de Operação e Manutenção na sede dos órgãos.

3.2 As revisões são programadas a cada três anos, ou menos, para cada projeto.

3.3 Os objetivos das revisões são os seguintes:

„ Verificar a segurança de todas as estruturas;


„ Detectar as condições que podem causar interrupção ou deficiência na operação;
„ Determinar a adequação das estruturas, de modo a cumprirem sua finalidade;
„ Observar a extensão da deterioração, como base para o planejamento da manuten-
ção, reparo ou reabilitação;
„ Revisar as práticas de operação em uso;
„ Obter dados provenientes da experiência da operação, visando ao aperfeiçoamento
do “design”, construção, manutenção e práticas de operação.

3.4 O Coordenador do Programa é responsável pela coordenação das revisões entre o


pessoal dos órgãos regionais e os distritos de irrigação.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.5 Os membros da equipe são selecionados pelo Coordenador do Programa entre os


funcionários da sede, além de um ou dois funcionários do escritório regional localizado na
área onde vai ser feito o exame. O número de membros da equipe e o tipo de disciplinas
técnicas vão depender do tipo e extensão da revisão a ser feita (vide Apêndice 1). Os
membros dos distritos de irrigação e das organizações de irrigantes não podem fazer parte
da equipe, mas devem acompanhá-la durante a revisão. O Chefe da Equipe é o Coordena-
dor do Programa na Sede.

3.6 Todas as estruturas do projeto devem ser revisadas. Durante as revisões dos siste-
mas de condução, distribuição e drenagem, não é necessário que cada lateral, estruturas
de queda, estruturas de retenção, tomadas nas parcelas ou outras estruturas do sistema
sejam detalhadamente revisadas. Entretanto, um número suficiente desses itens deve ser
examinado para se verificarem a qualidade do programa geral de manutenção e as condi-
ções gerais de operação de todas as unidades do projeto.

Onde houver estruturas principais, elas devem ser detalhadamente examinadas,


sendo feito um relatório de revisão à parte. O Coordenador do Programa deve determinar
que estruturas se enquadram nessa categoria.

Os procedimentos de operação das estruturas do projeto devem ser revisados, a


fim de se assegurar que ele está sendo operado de maneira eficiente.

Os Apêndices 2 e 3 são listas de checagem para a revisão das estruturas do projeto


e das estruturas principais. Contêm os tipos de estruturas que devem ser revisadas e os
itens e condições a serem observados.

3.7 Deve ser preparado um relatório separado para cada revisão, contendo os resulta-
dos, a comparação com revisões anteriores, a situação das recomendações anteriores, as
novas recomendações e sua prioridade. Os relatórios são tratados com mais detalhes no
Item 6 deste Anexo.

3.8 O Coordenador do Programa tem a responsabilidade de assegurar que os Diretores


Regionais monitorem as ações dos gerentes de projeto do órgão público ou dos distritos
de irrigação referentes à implementação das recomendações resultantes das revisões
(vide Item 7).

4 Procedimentos de Revisão

Visando a uniformidade e eficiência nas revisões de operação e manutenção, o bom


relacionamento com os distritos de irrigação e evitando-se dificuldades desnecessárias,
os seguintes procedimentos devem ser seguidos pela equipe de revisão, quando aplicá-
veis:

4.1 Se a revisão é a primeira a ser feita para um projeto, devem ser tomadas algumas
medidas preparatórias. O Chefe da Equipe deve discutir com os outros membros a finali-
dade e os objetivos do exame. Os dados devem ser coletados e revisados pela equipe,
antes do exame. Esses dados, tais como os documentos de planejamento e “design”,
devem ser revisados, de modo que os detalhes dos objetivos do projeto, o leiaute e os
sistemas sejam conhecidos. Os manuais de operação e manutenção, os Procedimentos
de Operação, os manuais dos fabricantes, no caso de equipamentos especiais, e o Rela-
tório da Inspeção de Transferência, se existir, devem ser revisados. Quanto mais informa-
ção for conhecida sobre o projeto, antes do exame, melhor a equipe estará preparada para
fazê-lo. Devem também ser feitas reuniões com a entidade de operação, antes do exame
(talvez semanas), a fim de prepará-la e informá-la sobre sua finalidade e objetivos. Nessa
fase, deve ser usada a melhor diplomacia possível, para solicitar a cooperação do distrito
e enfatizar que o objetivo do exame visa os melhores interesses dos irrigantes.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

4.2 Se não se trata da revisão inicial, antes de seu início a equipe deve examinar o
relatório anterior, os registros, desenhos, procedimentos de operação, histórico e caracte-
rísticas da operação, relatórios de instrumentação, assim como outras fontes de informa-
ção, a fim de ficar bem informada sobre as estruturas a serem examinadas.

4.3 É muito importante que seja feita uma programação adequada das viagens de exa-
me, levando-se em conta sua variação sob as diferentes condições sazonais e do reserva-
tório, e com tempo suficiente para o exame de cada estrutura visitada, evitando-se a
necessidade de longas horas de trabalho por dia. Quando o deslocamento do local de uma
estrutura até o da seguinte for muito demorado, é desejável que se use um veículo tipo
caminhonete, a fim de acomodar toda a equipe podendo, assim, esse tempo de desloca-
mento ser aproveitado para a discussão e consenso acerca das recomendações a serem
feitas à sua categorização. Equipamentos como botas de borracha, lanternas, capacetes,
etc., devem constar da bagagem, para serem usados onde forem necessários. Pode tam-
bém haver necessidade de se tomarem providências antecipadas visando à disponibilida-
de de equipamento especial, cabendo essa tarefa ao Departamento de O&M dos distritos.

4.4 Assegurar que os funcionários responsáveis pela operação estarão inteiramente


informados sobre a revisão, com a devida antecedência, de modo que as necessárias
providências locais como, por exemplo, drenagem dos condutos, remoção das ampas das
janelas de inspeção, existência de escadas, cordas, barcos, chaves, etc, possam estar
concluídas antes da chegada da equipe de revisão.

4.5 É desejável que o ambiente criado pela inspeção não seja muito formal. Os mem-
bros da equipe devem ser atenciosos e solícitos, tendo em mente que as boas relações
públicas são essenciais ao êxito do programa.

4.6 Os membros da diretoria do distrito de irrigação e os representantes da equipe de


operação devem participar da revisão, a fim de poderem observar, em primeira mão, as
discussões das equipes e suas recomendações.

4.7 Devem ser feitos elogios, quando apropriado, reconhecendo-se os melhoramentos


e o bom trabalho.

4.8 Ao término do exame de campo, a equipe deve fazer uma reunião final com todos
os demais participantes, inclusive os respectivos representantes do distrito de irrigação e
do escritório regional. O objetivo dessa reunião final é resumir as condições gerais do
projeto ou estrutura principal, assim como todas as deficiências significantes visíveis e
sua importância, e quaisquer recomendações resultantes do exame de campo. Qualquer
obra que exija recomendação formal deve ser categorizada, não só para indicar sua impor-
tância como também o cronograma para sua conclusão. Com base nas demais condições
visíveis, os membros da equipe ainda devem fazer outras recomendações potenciais re-
sultantes de outra revisão e de consultas feitas por outro pessoal técnico após o exame
de campo. Se ocorrem mudanças adicionais ou conflitantes com as conclusões tratadas
na reunião final, elas devem ser comunicadas à entidade de operação, através de canais
apropriados, antes da publicação do relatório do exame.

5 Recomendações Provenientes da Revisão

As recomendações devem ser agrupadas nas três categorias seguintes, de acordo


com a importância do problema tratado:

5.1 Categoria 1 - Recomendações referentes à correção de deficiências graves, que


exigem ações imediatas para preservar a segurança da estrutura, do pessoal e/ou da sua
integridade operacional.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Entre 5 e 10 dias úteis após o término de uma revisão que identifique uma recomen-
dação da Categoria 1, deve ser enviada uma notificação formal pelo Coordenador do
Programa os distritos de irrigação, através do respectivo Diretor Regional. A notificação
deve indicar a grande importância da deficiência e o prazo estabelecido para o término da
ação corretiva a ser executada pelo distrito de irrigação responsável. Após o recebimento
da notificação, o distrito deve informar ao Diretor Regional sobre seus planos para conclu-
são da obra dentro do prazo determinado. O Diretor Regional deve examinar os planos
quanto à adequação e prazo, e passar a informação ao Coordenador do Programa, acom-
panhada de sugestões referentes a uma assistência adequada ao distrito de irrigação,
caso isto seja desejado ou necessário para assegurar a rápida conclusão das ações corre-
tivas. O prazo para conclusão deve ser o mencionado na notificação ou o que ficar esta-
belecido entre o distrito de irrigação, o Diretor Regional e o Coordenador. Os relatórios
sobre as condições referentes às recomendações da Categoria 1 devem ser preparados
pelo distrito de irrigação e enviados ao Diretor Regional a cada seis meses, até que a obra
esteja concluída. O Diretor Regional deve manter o Coordenador informado sobre o anda-
mento da obra.

5.2 Categoria 2 - Recomendações abrangendo uma ampla variação de importantes as-


suntos de O&M, quando houver necessidade de ação para prevenir novas avarias, evitar
falência operacional ou situações que afetem a segurança do pessoal.

Com referência aos itens que não necessitem de orçamento feito pela entidade
operadora, o prazo para cumprimento das recomendações da Categoria 2 deve ser ante-
rior ao próximo período de operação (se for possível), ou antes, se as condições permiti-
rem ou a situação justificar, mas esse prazo não deve passar de um ano após o distrito de
irrigação ter recebido o relatório. Quanto aos itens principais que necessitem de orçamen-
to adicional, feito pelo distrito de irrigação, o prazo para cumprimento não deve ser maior
do que 2 anos.

A existência de ações incompletas referentes às recomendações da Categoria 2


deve ser anualmente informada pelo distrito ao Coordenador, a fim de ser incluída no
relatório anual a ser enviado à sede do órgão.

5.3 Categoria 3 - Recomendações abrangendo assuntos de O&M, quando houver ne-


cessidade de ações ou quando estas seriam benéficas para aperfeiçoar ou dar prossegui-
mento à operação segura e eficiente da estrutura.

As recomendações da Categoria 3 devem estar cumpridas dentro de 1 ano após o


distrito de irrigação ter recebido o relatório da revisão. Na revisão seguinte, se nenhuma
providência tiver sido tomada, a situação resultante dessa recomendação deve ser reavaliada
e, se necessário, a recomendação elevada à Categoria 2. As recomendações da Categoria
3 devem ser transferidas de um relatório ao seguinte, mas não devem ser incluídas no
relatório anual enviado à sede do órgão público.

5.4 Cada recomendação deve ser identificada do seguinte modo:

Os primeiros dois dígitos indicam o ano (89) no qual a recomendação 1, 2 ou foi


feita; o terceiro dígito é a categoria (por exemplo, 1), e acrescenta-se uma letra (A, B,
C...), para individualizar cada recomendação(89-1-A).

5.5 Antes de um relatório ser submetido à aprovação do Chefe do Departamento de


O&M, deve haver um acordo com os encarregados responsáveis pela operação, no distri-
to de irrigação, em relação a todas as recomendações das Categorias 1 e 2. A equipe de
revisão deve discutir todas as recomendações identificáveis das Categorias 1 e 2 com o
Diretor Regional ou seus representantes, bem como com representantes do distrito de
irrigação, antes de deixar o projeto. Imediatamente após a revisão, deve ser preparado,

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

pela equipe de revisão, um memorando que será assinado pelo Chefe do Departamento de
O&M, e enviado ao distrito de irrigação, com cópia para o Diretor Regional (ou através do
Diretor Regional) descrevendo as recomendações que irão constar do relatório. Dessa
forma, o distrito de irrigação toma conhecimento, logo após a revisão, dos pontos impor-
tantes e das conclusões que constarão do relatório. O memorando deve também apresen-
tar o cronograma para conclusão das ações recomendadas, as alternativas possíveis, as
soluções para as deficiências, além de oferecer assistência técnica. Deve ficar bem claro
que as recomendações deverão ser seguidas e cumpridas pelo distrito de irrigação e que
portanto, quando o relatório for recebido pelo distrito, não haverá “surpresas”.

6 Relatório da Revisão

6.1 Deve ser preparado um relatório para cada revisão do projeto, bem como para cada
uma das estruturas principais revisadas (por exemplo, grandes barragens e estações de
bombeamento).

6.2 O objetivo do relatório é oferecer ao distrito de irrigação um documento de trabalho


que possa ser usado para corrigir as deficiências na operação e manutenção das estrutu-
ras do projeto.

6.3 O relatório deve conter as seguintes informações:

6.3.1 Uma descrição do que foi revisado (com detalhes, se for o primeiro exame do
projeto ou da estrutura principal).

6.3.2 Uma descrição das informações anteriores que foram utilizadas (isto é, registros de
O&M, desenhos do Projeto, relatórios, etc.).

6.3.3 Resultados da revisão.

6.3.4 Recomendações para a ação corretiva priorizada nas Categorias 1, 2 e 3, descritas


na Item 5 deste Anexo.

6.3.5 Cronograma para conclusão das medidas corretivas.

6.3.6 Situação das ações referentes às recomendações anteriores. Caso não tenha sido
providenciado o cumprimento, deve ser fornecida uma explicação.

6.3.7 Nomes e títulos dos membros da equipe.

6.4 Os relatórios devem ser bem ilustrados com fotografias, quadros, mapas e gráficos.

6.5 Devem ser enviadas cópias dos relatórios, em número suficiente, ao distrito de
irrigação e ao Diretor Regional da região onde se localiza o projeto ou a estrutura.

6.6 O relatório deve ser acompanhado de uma carta que resume as recomendações
feitas no relatório.

6.7 O formato do relatório de revisão de um projeto deve ser o seguinte:

6.7.1 Descrição geral do projeto, inclusive sua localização no mapa.

6.7.1.1 Hectares servidos (em relação aos sistemas de distribuição).

6.7.2 Documentação sumária do exame anterior.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

6.7.3 Data do exame atual e nomes dos examinadores.

6.7.4 Situação operacional da(s) instalação(ões) na ocasião do exame.

6.7.5 Situação da manutenção dos itens da instalação que está sendo examinada. por
exemplo:

„ Barragem de desvio
X Instalações hidráulicas
X Comportas
„ Canais
X Tomadas d’água
X Estruturas de retenção
X Sobredesvios
X Sifões
X Túneis
X Pontes
„ Estações de Bombeamento
X Bombas e motores
X Grades (estruturas de detrito)
X Tubulação
„ Sistema de Conduíte Fechado
X Tubo
X Abóbadas
X Chaminés de equilíbrio
X Válvulas de alívio de pressão
„ Controle do crescimento de ervas nas estruturas

„ Condições gerais dos prédios e dos equipamentos na sede do distrito

6.7.6 Conclusões.

6.7.7 Situação das recomendações anteriores.

6.7.8 Registro das novas recomendações, com a explicação sobre as suas categorias.

6.7.9 Assinaturas dos examinadores e revisores.

6.7.10 Fotografias com legendas, para ilustrar a situação atual e as observações.

6.8 O formato do relatório da revisão de uma estrutura principal deve ser o seguinte:

6.8.1 Descrição geral da estrutura, inclusive sua localização no mapa.

6.8.2 Dados de referência (desenhos e outras informações pertinentes).

6.8.3 Dados históricos de desempenho da estrutura.

6.8.4 Documentação sumária dos exames anteriores, inclusive os exames subaquáticos e


exames com a água totalmente removida.

6.8.5 Data do exame atual e nomes dos examinadores.

6.8.6 Itens das estruturas examinadas. Exemplo: ombreiras das barragens, faces à mon-
tante e à jusante, vertedouros, estrutura de saída, estruturas auxiliares, etc., ou estação
de bombeamento, prédio, bombas e motores, tubulação, canal de entrada, etc.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

6.8.7 Operações das estruturas examinadas. Exemplo: procedimentos específicos de ope-


ração ou manuais de operação e manutenção concluídos, documentos de comunicação
organizados, livros de registros atualizados, treinamento dos operadores em dia, etc.

6.8.8 Situação das recomendações anteriores.

6.8.9 Registro das novas recomendações.

6.8.10 Assinaturas dos examinadores e revisores.

6.8.11 Fotografias com legendas, para ilustrar a situação atual e as observações.

7 Monitoramento

O Diretor Regional é o responsável pelo monitoramento do distrito de irrigação em


relação ao cumprimento das recomendações contidas no relatório da revisão. Ele deve
manter regularmente o Coordenador do Programa informado sobre o andamento das ati-
vidades.

Os distritos de irrigação são responsáveis pelo cumprimento das ações recomenda-


das no relatório da revisão. Caso o distrito não se empenhe em fazer as correções dentro
do tempo previsto, o órgão poderá executar o trabalho ou contratar a sua execução, e
apresentar a conta ao distrito, para pagamento. Em última instância, o órgão público
poderá assumir a operação do projeto, fazendo as correções necessárias e recuperando
os gastos através das taxas de água cobradas dos beneficiários do projeto.

Normalmente, quando a equipe de revisão do órgão público e seus gerentes, assim


como os Diretores Regionais, apresentam boas explicações sobre os benefícios para os
irrigantes, em relação às condições adequadas de operação do projeto, o distrito se empe-
nha em realizar as tarefas necessárias.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APÊNDICE 1

QUALIFICAÇÃO DOS MEMBROS DA EQUIPE


CANDIDATOS A MEMBROS DA EQUIPE QUALIFICAÇÃO DESEJÁVEL

(CE) CHEFE DA EQUIPE - Engenheiro experiente, com capacidade de liderança e


coordenação, familiarizado com o processo e os objetivos do programa de RO&M, deven-
do ter prática na preparação de relatórios (Coordenador Permanente do Programa de
Revisão - Departamento de O&M).

(EM) ENGENHEIRO MECÂNICO - Engenheiro experiente, familiarizado com pequenas


e grandes estações de bombeamento, bombas, motores, sistemas de controle, comportas,
válvulas, tanques, etc.

(EC) ENGENHEIRO CIVIL - Engenheiro experiente, familiarizado com obras civis


para projetos de irrigação, isto é, canais revestidos e não revestidos e suas estruturas
pertinentes, tais como vertedouros, estações de bombeamento, reservatórios de com-
pensação, drenos, estruturas de controle, saídas d’água, sifões, canaletas, etc. Deverá
ser também familiarizado com pequenas barragens, diques e barragens de regulação.

(EA) ENGENHEIRO AGRÍCOLA - Engenheiro experiente, familiarizado com obras


civis e sistemas de irrigação, processo de monitoramento de agricultura irrigada, isto é,
eficiência do sistema de aplicação da água.

EXPERIÊNCIA SUPLEMENTAR DESEJÁVEL


PARA REALIZAR EXAMES ESPECÍFICOS

(EE) ENGENHEIRO ELETRICISTA - Engenheiro experiente, familiarizado com os sis-


temas elétricos das estações de bombeamento, motores, controladores de comportas e
sistemas de controle.

(EPc) ENGENHEIRO DE PROJETOS (CONCRETO) - Engenheiro experiente em “design”


de concreto, construção e reabilitação de barragens e outras estruturas de concreto.

(EPt) ENGENHEIRO DE PROJETOS (TERRA) - Engenheiro experiente em “design” de


barragem e outras estruturas, sua construção e reabilitação.

(EPp) ENGENHEIRO DE PROJETOS (PONTES) - Engenheiro experiente em “design”,


construção e manutenção de pontes de grande e pequeno porte.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APÊNDICE 2

LISTA DE CHECAGEM PARA EXAMES DE UM PROJETO

VERIFICAÇÃO DA CONDIÇÃO DE:

1 Barragem de Desvio

1.1 Concreto

1.2 Vertedouro

1.3 “Riprap”

1.4 Muros

1.5 Fundação do sopé da jusante da barragem

1.6 Escadas para peixes

1.7 Vazamentos

1.8 Aterros
„ À montante
Vegetação
“Riprap”
„ À jusante
Vegetação
Rocha
Crista

1.9 Obras da tomada d’água na cabeça dos canais


„ Concreto
„ Comportas
Revestimento (pintura)
Guinchos e cabos
Operação
Vazamentos
Disponibilidade, no local, de instrução sobre operação
„ Estruturas para peixes
„ Guarda de corpos
„ Estruturas de transição
„ Estruturas de controle

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

1.10 Canal de descarga para “by pass” de sedimentos


„ Concreto
„ Comporta radial
Revestimento (pintura)
Guinchos e cabos
Operação
Vazamentos
„ Guarda de corpos
„ Canal de aproximação
„ Canal de saída

1.11 Comportas
„ Operação no momento do exame
„ Freqüência em exercício
„ Sistema mecânico
„ Sistema elétrico
„ Revestimento de proteção
„ Disponibilidade, no local, de instrução sobre operação

1.12 Força “stand by”

2 Canais

2.1 Drenos subterrâneos

2.2 Assentamento

2.3 Crescimento de vegetação

2.4 Sedimentação

2.5 Vazamentos

2.6 Revestimento da superfície (concreto, etc.)


„ Juntas
„ Fissuras

2.7 Estruturas de entrada d’água e controle de nível


„ Estruturas
„ Comportas
„ Guinchos
„ Cabos
„ Equipamentos elétricos
„ Revestimento de proteção (pintura)
„ Controles manuais

2.8 Tomadas d’água


„ Comportas
„ Estruturas

2.9 Pontes
„ Piso
„ Guarda de corpos
„ Estrutura

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2.10 Estradas de operação e manutenção

2.11 Aspectos de segurança

3 Sistema de Tubulação

3.1 Válvulas e ventosas

3.2 Vazamentos ou umidade ao longo de alinhamento

3.3 Drenos superficiais

3.4 Controle de crescimento de ervas e árvores

3.5 Material de reaterro sobre as tubulações

3.6 Sifões

3.7 Chaminés de equilíbrio e tanques unidirecionais

3.8 Reservatórios

3.9 Proteção catódica

3.10 Exames internos

ITENS GERAIS A SEREM VERIFICADOS, COM REFERÊNCIA


CONSCIENTIZAÇÃO DE TODA A OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO

1 Pessoal de O&M no Sítio da Estrutura

1.1 Treinamento dos operadores


„ Programa de treinamento anterior e atual

2 Manual de Operação e Manutenção

2.1 Data da última revisão

2.2 A cópia que se encontra na estrutura é atual?

2.3 O documento satisfaz os critérios e diretrizes atuais?

2.4 Há disponibilidade de documentos de apoio, por exemplo, critérios dos fabri-


cantes, etc.?

2.5 As instruções são adequadas? Foram feitas mudanças para refletirem as mu-
danças nas operações?

2.6 As instruções são compreensíveis? Os operadores foram treinados, adequa-


damente?

2.7 Há necessidade de mudanças?

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3 Registro de Operação (documentação de atividades, isto é, grandes mudanças nas


operações, registros de manutenção, etc.)

3.1 Estão sendo mantidos registros de operação na estrutura?

3.2 Certificação da existência de uma revisão documentada e um treinamento


(datados e assinados pelo operador e pelo chefe).

4 Comunicação na Estrutura

4.1 Tipo
„ Normal
„ “Stand By”

4.2 Adequação

5 Força Elétrica Auxiliar

5.1 Teste durante exames

5.2 Condição

5.3 Adequação

6 Estradas de Acesso

6.1 Adequação sob condições adversas

7 Áreas de Desabamento

7.1 Localizações

7.2 Medições

7.3 Análise de perigo

7.4 Restrições de acesso e uso

8 Faixa de Domínio para Pessoas de O&M

8.1 Acesso garantido

8.2 Acesso restrito para terceiros

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

APÊNDICE 3

LISTA DE CHECAGEM PARA EXAMES DAS ESTRUTURAS PRINCIPAIS

VERIFICAÇÃO DA CONDIÇÃO ATUAL DE:

1 Barragem de Concreto

1.1 Face à montante

1.2 Face à jusante

1.3 Crista
„ Rodovia
„ Caminhos
„ Muro de parapeito
„ Iluminação
„ Guarda de corpos

1.4 Galerias
„ Concreto
„ Peças metálicas
„ Sistemas elétricos
„ Ventilação
„ Drenos e drenagem

1.5 Elevador(es)
„ Peças metálicas
„ Equipamentos
„ Registro de inspeção de segurança

1.6 Ombreiras

1.7 Fundação ao sopé à jusante da barragem

1.8 Vazamentos na barragem ou nas ombreiras


„ Localização
„ Quantidade
„ Medição
Método
Quantidade
Mudança de vazão
Registros

1.9 Instrumentação e aparelhagem


„ Medições piezométricas
„ Registros de vazões dos drenos

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2 Barragem de Terra

2.1 Face à montante


„ “Riprap”
„ Erosão e deposição
„ Crescimento de vegetação
„ Assentamentos
„ Detritos

2.2 Face à jusante


„ Material da face (rocha, etc.)
„ Crescimento de vegetação

2.3 Crista
„ Rodovia
„ Muro de parapeito
„ Assentamentos
„ Iluminação
„ Guarda de corpos

2.4 Ombreiras

2.5 Vazamento e drenagem


„ Localização
„ Dreno de sopé
„ Medição
Método
Quantidade
Mudança nas vazões
Registros

2.6 Instrumentação e aparelhagem


„ Pontos de assentamento da superfície
„ Medições piezométricas
„ Registros de vazões dos drenos

3 Vertedouro

3.1 Canal de aproximação


„ Canal
„ Sistema de segurança do público

3.2 Estruturas de controle


„ Crista
„ Muros

3.3 Escoadouro
„ Muros
„ Fundo
„ Drenos

3.4 Bacia de dissipação


„ Muros
„ Fundo

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.5 Canal de saída d’água


„ “Riprap”
„ Erosão
„ Crescimento de vegetação

3.6 Elementos estruturais


„ Pontilhão do guincho
„ Pontes
„ Etc.

3.7 Comportas
„ Detalhes mecânicos
Guinchos
Cabos de aço
Comportas
Revestimento de proteção
„ Detalhes elétricos
Sistema de fornecimento de força elétrica
Força de “stand by”
„ Disponibilidade no local de instruções sobre operação
„ Freqüência de exercício
„ Controles automáticos

3.8 Outros

4 Obras de Saída D’Água

4.1 Estruturas de tomada d’água


„ Grades
„ Concreto
„ Câmara das comportas
Comportas
Operação no momento do exame
Freqüência de exercício
Sistema mecânico
Sistema elétrico
Revestimento de proteção
Disponibilidade no local de instruções sobre operação

4.2 Ventilação

4.3 Vazamentos

4.4 Concreto

4.5 Túnel de acesso


„ Concreto
„ Peças metálicas

4.6 Conduítes de saída d’água


„ Peças metálicas
„ Revestimento de proteção
„ Concreto
„ Cavitação

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

4.7 Sistema de controle


„ Casa de controle
Condições estruturais
Telhado
Paredes
„ Limpeza
„ Peças metálicas
„ Sistema elétrico
„ Revestimento de proteção
„ Comportas
Operação no momento do exame
Freqüência de exercício
Sistema mecânico
Sistema elétrico
Revestimento de proteção
Disponibilidade, no local, de instruções sobre operação

4.8 Escoadouro
„ Fundo
„ Muros
„ Drenos

4.9 Bacia de dissipação

4.10 Canal de saída d’água


„ Condição “riprap”
„ Crescimento de vegetação
„ Erosão
„ Depósitos de cascalho, etc.

5 Estações Principais de Bombeamento

5.1 Detalhes estruturais (madeira, concreto, metal)


„ Paredes
„ Telhados
„ Pisos
„ Drenagem
„ Guindaste e cabos
„ Portas, janelas
„ Ventilação
„ Iluminação
„ Segurança

5.2 Sistema de captação


„ Canal de captação
„ Concreto
„ “Riprap”
„ Detritos ou barras de silte
„ Grades
„ “Stoplogs” e ranhuras
„ Condições do poço de sucção
„ Peças metálicas

5.3 Bombas
„ Procedimentos de manutenção
„ Vibrações

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Cavitação
„ Lubrificação
„ Temperaturas de mancais
„ Vazamento da caixa de vedação
„ Revestimento de proteção
„ Montagem e fundação
„ Sistema de desligamento quando o nível da água for baixo
„ Sistema de escovar bombas
„ Outras dificuldades de operação
„ Disponibilidade, no local, de instruções para operação

5.4 Válvulas de descarga (manuais, motorizadas ou hidráulicas)


„ Operação
„ Vibrações
„ Procedimento de manutenção
„ Lubrificação
„ Revestimentos de proteção
„ Montagem e fundação
„ Disponibilidade, no local, de instruções para operação
„ Outras dificuldades de operação

5.5 Equipamentos elétricos de controle


„ Manutenção (limpo e seco)
„ Revestimento de proteção
„ Procedimentos de manutenção
„ Outras dificuldades de operação
„ Disponibilidade, no local, de instruções para operação

5.6 Condições do sistema de descarga


„ Tubulação de descarga
„ Interior da tubulação
„ Exterior da tubulação
„ Blocos de ancoragem
„ Caixas de descarga
„ Válvulas “flap”
„ Peças metálicas
„ Disponibilidade no local de instruções para operação

6 Estruturas da Casa de Força e da Estação de Bombeamento

6.1 Detalhes estruturais


„ Construção
„ Telhado
„ Pisos
„ Parapeitos
„ Paredes
„ Subestrutura
„ Superestrutura

7 Pontes

7.1 Identificação e localização

7.2 Apoios das pontes


„ Fundação
„ Subestruturas - pilares

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Pontos de apoio
„ Peças móveis
„ Limpeza
„ Inspeção visual da proteção contra erosão
„ Revestimento de proteção

7.3 Principais membros estruturais


„ Membros deteriorados e/ou danificados
„ Capacidade para carga viva

7.4 Tabuleiros das pontes


„ Tabuleiro
„ Drenagem
„ Juntas de expansão
„ Guarda de corpo
„ Sinalização

7.5 Condições gerais

7.6 Vegetação nas ombreiras e pilares

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ANEXO 7

ESBOÇO DO RELATÓRIO DE MONITORAMENTO


PARA AS OBRAS DE REABILITAÇÃO

RELATÓRIO MENSAL DE ANDAMENTO DAS OBRAS CONTEÚDOS


DESCRIÇÃO DAS INFORMAÇÕES A SEREM FORNECIDAS

Parte A - Relatório Sumário

1. Início dos Contratos

Número do Contrato Nome do Contrato Descrição do Contrato Data do Início

Todos os Contratos - Obras Civis, Fornecimento de Equipamentos, Instalação dos Equipamentos).

2. Progresso da Execução Física (Vide Cronograma - exemplo afixado)

3. Progresso dos Contratos de Equipamentos

Descrição dos Data Programada de


Número do Contrato Nome do Contrato Data Real de Chegada
Equipamentos Chegada

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

4. Custos dos Projetos


Custo (R$)

Item Deste Mês Acumulados

Obras Civis Terminadas

Equipamentos Entregues

Equipamentos Montados

TOTAL

5 Pagamentos dos Contratados

1 2 3 4 5 6
% Pago
Pagamento Pagamento
Número do Contrato Pagamento deste Mês Preço da Licitação Col. 4%
Contratado Acumulado
Col. 5%

(Todos os Contratados)

6. Problemas

(Descrever os problemas encontrados que necessitem de ações e decisões dos


órgãos.)

Nota: O Relatório Sumário (Parte A) deve ser preparado de maneira tal que possibi-
lite o seu destacamento da Parte B do Relatório, para um envio, em separado,
às sedes dos órgãos pelos escritórios de campo.

Parte B. Relatório Detalhado

I. Programa de Implantação

(Para cada contratado (obras civis e montagem dos equipamentos), fornecer infor-
mações relativas ao progresso da implantação, conforme segue.)

1.1. Contratado nº 1
„ Nome;
„ Número do Contratado;
„ Descrição do Contrato, isto é, “Obras civis, instalação dos equipamentos”,
etc.;
„ Data em que o Contratado iniciou o trabalho;
„ Descrição de todas as atividades de trabalho do Contratado, durante o mês;
„ Localização das atividades de trabalho por exemplo, localização do canal X;
„ Uso de Recursos:
X mão-de-obra - homens/horas
X equipamentos - tipo de equipamentos/horas (Vide exemplo afixado).
„ Tempo utilizado para a atividade de trabalho durante o mês, isto é,
X escavação 20 dias
X colocação de concreto, estação

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

X de bombeamento nº 2 10 dias
„ Quantidades Implantadas:
X terraplanagem
X concreto
X “riprap”
X etc.
„ Quantidade de equipamentos instalados nas estruturas, isto é,
X tubos
X bombas
X válvulas
X etc.

„ Trechos dos sistemas de distribuição de água terminados, isto é,


X reparação de canais
X revestimento de canais
X escavação de trincheiras de tubos
X novos tubos instaldos

„ Qualidade do Trabalho:
X Descrever a qualidade do trabalho e sua conformidade ao “design”.

„ Mudança do “design”:
X descrever as estruturas implantadas, caso defiram do “design” origi-
nal.

„ Comparação da programação planejada de atividades de trabalho (vide exem-


plo afixado).
X Resultados dos Testes

„ Testes de Laboratório:
X Fornecer informações a respeito dos resultados dos testes de solos, de
concreto, etc., feitos durante o mês.

„ Teste de Campo:
X Fornecer informações referentes aos testes de campo, de solos, de
concreto, de investigações geológicas, etc., feitos durante o mês.

„ Teste de Aceitação:
X Fornecer informações relativas aos testes de aceitação de equipamen-
tos e estruturas, ou seja, estação de bombeamento, canais, subestações,
tubulações, etc.

II Contratos de Fornecimento de Equipamentos

Descrição dos Data de Chegada


Número do Contrato Nome do Contrado Data Chegada Real
Equipamentos Programada

Fornecer informações referentes à condição dos equipamentos, quando entregues, equipamentos faltantes e razões
relativas a uma entrega com atraso.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

III Custos - Estruturas dos Projetos

Custos
Código Descrição das Obras Preço Licitação
Deste Mês Acumulados Finais
1
2
3

IV Pagamentos dos Contratados

Pagamentos deste Mês Pagamentos Acumulados % Pago


Nº do Preço de
Contratados Col. 7%
Contratado Pagos Retidos Pagos Retidos Licitação
Col. 5%

V Manuais de Operação e Manutenção

Descrever a situação da preparação e/ou envio de alguns novos manuais de opera-


ção e manutenção, exigidos por contrato para certas partes do projeto.

VI Problemas

Descrever os problemas encontrados durante a construção do projeto, entrega de


equipamentos e montagem; e resolução dos problemas, isto é, descrição dos problemas,
alternativas consideradas, decisão final, justificativas, data, pessoal envolvido; problemas
mais sérios que necessitem de intervenção do órgão executor.

VII Atividade - Supervisão da Construção

7.1 Descrever as atividades do decorrer do mês de fiscalização e inspeção da constru-


ção e instalação de equipamentos.

7.2 Fornecer informação a respeito dos recursos utilizados, isto é, mão-de-obra, equi-
pamentos.

VIII Fotografias

Incluir fotografias que mostrem as atividades-chave de construção, durante o mês.

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Tabela A7.1 Cronograma de Execução Física

I t em Descrição Comparação % MESES


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
1 Mobilização Prevista 100
Atual 100 100
2 Estação de Bombeamento

Manual de Irrigação
Principal
2.1 Obra Civil Prevista 100 50 25 25
Atual 40 35 25
2.2 Montagem Prevista 100 38 38 24
Atual 25 35
3 Adutora Bombeamento Prevista 100 15 15 15 15 15 15 10
Atual 5 20 15
4 Canal Adutor
4.1 Canal Prevista 100 40 40 20
Atual
4.2 Estrutura Transição Prevista 100 100
Atual
5 Canais de Irrigação
5.1 Canal Primário A1 Prevista 100 53 40 27
Atual
5.2 Canal Primário A2 Prevista 100 1 20 20 20 20 19
Atual
5.3 Comportas Automáticas Prevista 100 10 20 20 20 20 10

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Atual
et c.
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Nota: Colocar a Situação na Linha “Atual”

151
Tabela A7.2 Uso de Equipamento

Item Descrição Comparação MESES


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
1 Trator Cat D 9H Prevista - - - - - 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 - - - - - - - - -
Atual - - - -

Manual de Irrigação
2 Trator Cat D 8k Prevista 1 2 2 2 2 3 3 3 4 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 2 2 2 2
Atual - 1 2 2
3 Trator Cat D 4 Prevista - 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2
Atual - - 1 1
4 Pa Carregadedira Cat 930 Prevista - - - - - 1 1 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 - -
Atual - - - -
5 Caminhão 14 Ton Prevista 2 4 4 4 7 8 9 15 15 15 10 9 6 6 6 5 5 5 4 3 2 2 - -
Atual 1 3 4 4
et c.

Nota: Colocar a Situação na Linha “Atual”

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

152
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela A7.3 Análise de Tempo

Previstas Atual
Dur. Cedo Tarde
Item Descrição - Atividade Crit
Dias
Comp. Comp. Comp.
Fim Dia Fim Dia Fim Dia
Dia Dia Dia
1 Mobilização 30 1 30 1 30 1 28 X
2 Estação Bomb. Princ. - Obra Civil 200 21 220 21 220 22 X
3 Estrada de Manutenção (P.P) 60 31 90 41 100 34
4 Adutora Bombeamento Principal 210 31 240 71 280
5 Pontilhões (P.P) 280 61 340 101 380
6 Canal Adutor - Reparação Canal 80 121 200 151 230
7 Ponte Canal 200 121 320 191 390
8 Drenos 70 151 220 151 220 X
Et c .

NOTA: COLOCAR DATAS ATUAIS DE INÍCIO E FINALIZAÇÃO DO ÍTEM NA COLUNA “ATUAL”.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ANEXO 8

ESBOÇO DO RELATÓRIO DE MONITORAMENTO


DA EMANCIPAÇÃO DOS NOVOS PROJETOS

RELATÓRIO MENSAL DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO INICIAL DESCRIÇÃO


DAS INFORMAÇÕES A SEREM FORNECIDAS

Parte A - Relatório Sumário

1 Pessoal da Contratante

Número
ITEM
Programado Atual
Pessoal Empregado
Pessoal Treinado

2 Procedimentos da Contratante

%
ITEM
Programado Atual
Preparação dos Procedimentos para Operação
do Sistema
Preparação do Plano de Manutenção
Preventiva

3 Inventário:

(Listar as infra-estruturas construídas e os equipamentos recebidos ou instalados


que foram enviados pelo consultor para operação e manutenção, durante o mês)

Infra-Estruturas Recebidas para O&M Data de Recebimento


1.
2.
3.
Etc.
Equipamentos Móveis
1.
2.
3.
Etc.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

4. Operação e Manutenção

Área Irrigada (HA)


Este Mês
Irrigantes Acumulado Atual
Programado Atual
1. Colonos
2. Empresários
Total

Nº de Usuários
Este Mês
Irrigantes Acumulado Atual
Programado Atual
1. Colonos
2. Empresários
Total

Volume (1.000 m3)


Este Mês
Irrigantes Acumulado Atual
Programado Atual
1. Captado
2. Fornecido
2.1 Colonos
2.2 Empresários
3. Uso Urbano
4. Psicultura
5. Bombeamento (drenagem)

Eficiência do Sistema %
Mensal Acumulado

Uso de Energia (Kva)


Mensal Acumulado

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

5. Custos

Custo O&M (R$)


Este Mês Acumulado
Item
Orçamento Atual Orçamento Atual
1. Operação
1.1 Pessoal
1.2 Veículos
1.2.1 Despesas-Custeio
1.2.2 Depreciação
1.3 Energia
1.4 Serviços
1.5 Subtotal
2. Manutenção
2.1 Pessoal
2.2 Veículos
2.2.1 Despesas-Custeio
2.2.2 Depreciação
2.3 Serviços
2.4 Materiais e Partes
2.5 Subtotal
3. Total

6. Problemas

(Descrever os problemas encontrados nas estruturas, sistemas e equipamentos, e


na operação e manutenção dos mesmos durante a inspeção de transferência, e indicando
os problemas que necessitam de ações e decisões dos órgãos públicos).

NOTA: O relatório (Parte A) deve ser preparado de maneira tal que possibilite o seu
destacamento da Parte B do Relatório, para um envio, em separado, às sedes dos órgãos,
pelos escritórios de campo.

Parte B: Relatório Detalhado

Esta parte do relatório deverá conter uma descrição detalhada das atividades men-
sais dos itens listados aqui. Também deverá apresentar as realizações acumuladas do
programa, comparando-as com o programa inicial planejado.

I. Administração:

1.1 Pessoal
(Situação da seleção e treinamento do pessoal de O&M.)

Data da Contratação
Posição
Programado Atual
1. Canaleiros
2. Mecânicos
3. etc.

(Apresentar a situação do treinamento de pessoal - Quantidade e tipo de pessoal treinado, tipo de treinamento, duração
e data.)

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

1.2 Coordenação:
(Apresentar um relatório das atividades de coordenação com os consultores
para assistência técnica e implementação de um distrito de irrigação. Estas
atividades devem ser: planos de culturas anuais; necessidades de água; in-
corporação de procedimentos de O&M e documentos na administração dos
distritos de irrigação, etc.)

1.3 Receitas
(Pagamentos Recebidos dos Irrigantes)

Pagamentos (R$)
Tipo de Pagamento
Este Mês Acumulado
1. Operação e Manutenção
2. Amortização dos Custos das Obras de Uso Comum
3. Lote
TOTAL

II. Inventário:

(Uma lista inicial contendo: 1. infra-estruturas dos projetos prontas para operação;
2. equipamentos móveis; 3. peças e materiais; 4. equipamentos de escritório e 5. siste-
mas de comunicação, deverá ser enviada ao consultor pela Comissão Local de
Gerenciamento do órgão público. O consultor deverá, então, atualizar esta lista mensal-
mente, redigindo um relatório sobre a situação do desenvolvimento de um sistema de
inventário, a ser utilizado permanentemente pelo distrito de irrigação).

Adesões ao Inventário Novo Este Mês


Descrição Quantidade Data
1.
2.
3.
4.

III. Operação

3.1 Procedimentos:
(Apresentar uma descrição detalhada das atividades de preparação dos pro-
cedimentos de operação, critérios de programação de fornecimento de água,
procedimentos de operação de emergência e critérios de operação dos siste-
mas de comunicação).

% Cumprimento
Item
Programado Atual
1. Procedimentos de Operação
2. Procedimentos de Operação de Emergência
3. Critérios de Programação do Fornecimento da água
4. Critérios de Operação dos Sistemas de Comunicação
5. Etc.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.2 Operação do Sistema:

Área Irrigada (HA)


Este Mês
Irrigantes Acumulado Atual
Programado Atual
1. Colonos
2. Empresários
Total

Nº de Usuários
Este Mês
Irrigantes Acumulado Atual
Programado Atual
1. Colonos
2. Empresários
Total

Volume (1.000 m3)


Este Mês
Irrigantes Acumulado Atual-Ano
Programado Atual
1. Captado
2. Fornecido
2.1 Colonos
2.2 Empresários
3. Uso Urbano
4. Psicultura
5. Bombeamento (drenagem)

Eficiência do Sistema %
Mensal Acumulado

Uso de Energia (Kva)


Mensal Acumulado

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Dados Climatológicos
Média Mensal de Registros Diários
1. Temperatura
1.1 Média C
1.2 Máxima C
1.3 Mínima C
2. Precipitação mm
3. Umidade Relativa %
4. Evaporação mm
5. Velocidade Vento km / h

Operação das Infra-Estruturas

Tempo de Operação Falhas Tempo de Preparo


Item
(HRS) Data Duração das Falhas (HRS)

1. Bombas
A-
B-
C-
Etc.
2. Canais
A-
B-
C-
Etc.

Qualidade da Água
Estação a ser Medida Data TDS (ppm) Herbicida Pesticida
Drenos
1.
2.
3.
Etc.
Canais
1.
2.
3.
Etc.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

IV Manutenção:

4.1 Programa de Manutenção Preventiva


(Preparar uma descrição detalhada das atividades de preparação de um pro-
grama de manutenção preventiva, comparando as realizações com o progra-
ma original.)

4.2 Incorporação dos Manuais


(Descrever as atividades referentes à incorporação dos manuais de manuten-
ção nos sistemas de mautenção e de administração do projeto e do distrito de
irrigação. Descrever as atividades de coordenação com o consultor para de-
senvolvimento do distrito de irrigação).

4.3 Manutenção ao Sistema

Estações de Bombeamento - Manutenção de Rotina


Estação de Bombeamento Descrição de Manutenção Data do Início Tempo Necessário (horas)
EB A
Unidade 1
Unidade 2
Unidade 3
Unidade 4
Etc.
EB B
Unidade 1
Unidade 2
Unidade 3
Unidade 4
Etc.

Manutenção dos Canais


Desmatado Descrição do Tempo de Reparo
Trecho do Canal Localização Data
Prog. Atual Trabalho (Horas)

1.
2.
3.
Etc.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Manutenção de Drenos e Diques


Desmatado
Dreno ou Dique Descrição do Trabalho
Prog. Atual
A.
B.
C.
Etc.

Manutenção das Estradas


Localização Descrição do Trabalho Execução do Programa
1.
2.
3.
Etc.

Manutenção dos Prédios


Prédios Descrição do Trabalho Execução do Programa(%)
1.
2.
3.
Etc.

Manutenção dos Equipamentos


Equipamentos Descrição do Trabalho Reposição Razão da Reposição
1.
2.
3.
Etc.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

V Custos:

Custo de Manutenção Custo (R$)


Item Este Mês Acumulado
Rotina Reparo de Quebras Rotina Reparo de Quebras
Estações de Bombeamento
1.
2.
3.
Canais
1.
2.
3.
Estruturas dos Canais
1.
2.
3.
Sistema Elétrico
1.
2.
3.
Drenos
1.
2.
3.
Estruturas dos Drenos
1.
2.
3.
Es t r a da s
1.
2.
3.
Diques
1.
2.
3.
Prédios
1.
2.
3.
Equipamentos Móveis
1.
2.
3.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Custo de Reposição
Item Justificativa Custos(R$)
1.
2.
3.
Etc.

Custo de Operação do Sistema (R$)


Este Mês Acumulado
Item
Orçamento Atual Orçamento Atual
Pessoal
Veículos
Despesas-Custeio
Depreciação
Energia
Serviços
Total

Sumários dos Custos


Custo
Item
Acumulado Este Mês Acumulado
Operação
Manutenção
Reposição
Total

VI Pagamentos Contratuais:
(Pagamentos Feitos aos Contratados)

Pagamentos Este Mês Data Pagamentos Acumulados

VII Problemas:

7.1 (Descrever problemas, deficiências e discrepâncias na transferência das infra-


estruturas dos projetos, da construção até a situação de operação e manu-
tenção.)

7.2 (Descrever os problemas de O&M, alternativas consideradas, decisões toma-


das, justificativas, datas e pessoal envolvido. Detalhar os sérios problemas
que necessitem de atenção do órgão público.)

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ANEXO 9

TIPOS DE PROJETOS

1 Tipos de Projeto

O Governo Brasileiro, através de um documento intitulado “Resenha Setorial da


Irrigação no Brasil”, caracterizou os projetos nos Tipos A a E, com base no nível de
envolvimento e despesas do governo.

A lei da irrigação define os projetos públicos aqueles que tiverem a sua infra-estru-
tura de irrigação planejada, projetada, construída e operada direta ou indiretamente por
um órgão público; e como projetos privados, aqueles cuja infraestrutura de irrigação tiver
sido implantada e operada pelos agricultores, com ou sem assistência do governo. Para
cada um desses dois tipos de projetos prevalecem normas diferenciadas, no que se refere
ao uso, aquisição e desapropriação das terras, bem como ao ressarcimento dos custos.
No entanto, os diversos tipos de projetos de irrigação desenvolvidos nos últimos dez anos
nem sempre podem ser enquadrados na dicotomia setor público/setor privado prevista na
Lei. Assim sendo, a “Resenha” propôs uma nova classificação dos projetos de irrigação,
apresentada a seguir, baseada no grau de envolvimento do setor público no planejamen-
to, implantação, operação, manutenção e financiamento dos projetos de irrigação.

Projetos do Tipo A - São projetos totalmente privados, de um ou diversos irrigantes,


que não recebem nenhum apoio especial do governo, quer técnico ou financeiro; e que
utilizam fontes hídricas localizadas na propriedade, no subsolo da mesma, ou próximo a
elas. Os agricultores destes projetos podem aproveitar dos sistemas convencionais de
assistência técnica, crédito, armazenagem, transporte, venda de insumos, mercado e
comercialização, etc.

Projetos do Tipo B - São perímetros privados (um ou mais irrigantes), que, além dos
serviços normais acima citados, recebem apoio do governo através de investimentos em
estradas, pequenas obras hidráulicas, drenagem e eletrificação, com o pleno ressarcimen-
to dos investimentos feitos em benefício da irrigação, exceto as estradas.

Projetos do Tipo C - Trata-se de cooperativas, ou de associações de agricultores,


que, além de receberem, em geral, um apoio infra-estrutural semelhante ao dos projetos
do Tipo B, usufruem de créditos especiais e de assistência técnica do governo, para se
organizarem e implantarem obras de adução de água coletivas. Nestes projetos, a fonte
hídrica pode estar a uma certa distância dos limites da área.

Projetos do Tipo D - São projetos mistos, parte públicos e parte privados, onde,
face ao porte do projeto, ou à distância até a fonte hídrica, as obras principais são implan-
tados pelo governo, através de financiamentos concedidos aos beneficiários, ou utilizan-
do recursos orçamentários (a serem plenamente ressarcidos). O governo poderá, eventu-
almente, arcar, inicialmente, com parte dos custos de operação e manutenção do siste-
ma. Se as terras forem públicas, os lotes irrigados poderão ser vendidos, seja a agriculto-

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

res individuais, seja a empresas agrícolas. Parte da área seria reservada para colonos. A
“Resenha” considera, ainda, que, em regiões áridas, onde outras formas de produção
agrícola forem inviáveis, poderiam ser implantados alguns projetos Tipo D especiais, onde
o governo construiria as obras de irrigação de uso comum, que permaneceriam sendo de
sua propriedade. Os custos das mesmas seriam ressarcidos através das tarifas d’água.
Nestes projetos, próximo à metade da área seria destinada para “pequenos agricultores”,
com lotes de até 20 ha; a área restante seria para empresas agrícolas, com lotes de até
200 ha. No entanto, o financiamento das obras parcelares para os pequenos agricultores
ficaria limitado a 5 ha. Os custos totais de tal financiamento, incluindo os juros, seria
ressarcido pelos beneficiários, devendo ser assinados contratos específicos para esse fim
com a entidade responsável pelo projeto.

Projetos do Tipo E - Trata-se de perímetros públicos, para implantação de pequenos


irrigantes (colono); o governo proveria a totalidade de infra-estrutura, inclusive a parcelar
e os serviços de apoio à agricultura, com ressarcimento parcial dos investimentos em
infraestrutura.

2. A Lei de Irrigação

A Lei de Irrigação e sua regulamentação indicam que o ressarcimento dos investi-


mentos e dos custos de operação e manutenção dos projetos de irrigação implantados
com apoio do governo deverá ser feito através das tarifas d’água cobradas dos beneficiários.
As mesmas incluem um componente relativo ao volume consumido, para cobrir os custos
de operação e manutenção; e um componente por hectare, para propiciar o retorno dos
investimentos públicos em obras de uso comum. Em princípio, a legislação estabelece
que as tarifas deveriam cobrir 100% dos custos operacionais, bem como 100% dos
investimentos, este amortizados, com correção monetária, porém sem juros, num período
de 50 anos.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

ANEXO 10

ADMINISTRAÇÃO, GERENCIAMENTO E
OPERAÇÃO DE PERÍMETROS IRRIGADOS

A Administração, Operação e Manutenção das áreas Irrigadas, denominadas Distri-


to de Irrigação ou Perímetros Irrigados, exigem tecnologias e metodologias técnicas e
econômicas que permitam alcançar alta eficiência operacional e racional uso dos recursos
disponíveis, independente de quem tenha a responsabilidade de gerir esta administração.

Existe uma grande quantidade de técnicas e instrumentos, na ciência econômica e


de administração, que ajudam na busca de um desenvolvimento harmônico e sustentado,
tendo a planificação como subsídio de grande importância. Já as ciências sociais vêm
despertando preocupação acerca da problemática social e sobre a participação dos
beneficiários na tomada de decisões.

Até o ano de 1986, os Perímetros Irrigados no Brasil vinham sendo administrados,


integralmente, por organismos públicos, porém, a partir desse ano, foi iniciado um pro-
cesso denominado “emancipação”, o qual procura que os próprios beneficiários se orga-
nizem para administrar os projetos a serem auto-suficientes técnica e economicamente,
ficando o organismo público na ação de apoio, supervisão e controle da eficiência funci-
onal.

Este processo de emancipação uma ação progressiva que se inicia com a co-gestão
até atingir a autogestão.

Independente da modalidade que seja adotada, a administração, operação e manu-


tenção destas unidades, exige sempre instrumentos que orientem os procedimentos e
seqüências a serem implementados na execução das ações.

Em geral, pode-se indicar que, em muitos casos, a falta de êxito na execução de


projetos e/ou programas no setor agropecuário tradicional resulta de algumas
desvinculações, entre as quais podem ser consideradas:

„ Desvinculação entre a etapa de elaboração do projeto e sua execução;


„ Desvinculação entre projetista e executores do projeto com os usuários ou
beneficiários do mesmo;
„ Desvinculação entre o que se quer fazer e a maneira de fazê-lo.

Resulta, pois, que estas desvinculações incidem também nos critérios e procedi-
mentos para administrar, operar e manter os projetos de irrigação.

Com base na situação geral no país e as experiências e conhecimentos da proble-


mática enfrentada no gerenciamento dos Perímetros Irrigados, elaborou-se este Anexo
que, em conjunto com os Anexos 11 e 12, proporciona as ferramentas, as técnicas e as

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

habilidades necessárias para a eficiente, eficaz e racional administração, seja esta gerida
por organismos públicos ou pelos produtores.

Os Anexos 10, 11 e 12 dirigem-se aos gerentes de Perímetros Irrigados, chefes ou


responsáveis pela distribuição da água e pela manutenção nos Perímetros Irrigados. Apre-
senta pautas e critérios a serem considerados e propõe metodologias comprovadas em
vários projetos, além de contribuir como instrumento prático para ser usado pelos técni-
cos no campo.

Para fins didáticos, está dividido em três partes a fim de fazê-lo mais prático, a
saber:

„ Administração, gerenciamento e operação de Perímetros Irrigados;


„ Planejamento, execução e controle da manutenção das obras de irrigação nos Perí-
metros irrigados;
„ Cálculo dos custos de operação e manutenção e determinação das tarifas de água
nos Perímetros Irrigados.

Espera-se que o conteúdo ajude, além dos gerentes de campo, os responsáveis


pelas instituições que tenham a incumbência de administrar os Perímetros Irrigados, pois
devem atender e respaldar os executores.

1 INTRODUÇÃO

1.1 Generalidades

A implantação de um projeto de irrigação tem por objetivo o abastecimento de água


a nível parcelar, de sorte a permitir a cada irrigante a possibilidade de estabelecer siste-
mas de produção eficientemente conduzidos e manejados, que permitam a obtenção de
altas produções e produtividade que o propósito final destes projetos.

Geralmente, no estabelecimento de um projeto de irrigação dada toda a ênfase,


apoio institucional e alocação de recurso à fase de planejamento e construção das obras;
porém, pouco se faz no que diz respeito etapa de funcionamento.

Não se deve perder de vista que a operação e manutenção envolve uma série de
atividades técnicas e administrativas que, executadas eficiente e racionalmente, permi-
tem atingir os fins e as metas do projeto.

Em alguns casos, pelo desejo de que o projeto opere de imediato, as obras são
recebidas do jeito como foram implantadas, faltando detalhes que irão prejudicar a opera-
ção e manutenção, e ás vezes, até iniciar o funcionamento, sem terem sido cumpridas
ações prévias de recebimento da documentação do projeto, e sem ter sido efetuado o
reconhecimento das obras para a formulação dos documentos básicos operação.

Em outros casos, pode acontecer que, em termos físicos, o sistema foi bem conce-
bido e executado, mas, como o funcionamento depende de pessoas e de formas de
atuação, está sujeito a deficiências no cumprimento dos propósitos do projeto, as quais
podem levar ao não atendimento das metas fixadas, e até prejudicar o sistema e os
beneficiários do projeto.
A complexidade na operação dependerá das características físicas do projeto e dos
tipos de uso, já que o projeto pode ser só para fins agrícolas ou para usos múltiplos.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

1.2 Operação de um Sistema de Irrigação

Na maioria dos países da América Latina, os resultados de um projeto de irrigação


não têm atingido as metas esperadas. Pode-se apreciar um desenvolvimento local e regi-
onal, como resultado do projeto, porém ainda possível melhorá-lo. Em alguns destes
países, encontram-se também alguns projetos nos quais os resultados são pobres, o que
deixa em evidência a importância de outros fatores, de tipo institucional, operacional e
humano, o que geralmente têm grande incidência no êxito ou fracasso do projeto.

Pelo exposto, fica evidente que a operação de um sistema envolve atividades do


tipo agronômico, de engenharia hidráulica, de gerenciamento, econômico, institucional e
social, o que lhe dá um caráter de complexidade.

Todas estas ações enunciadas permitem a obtenção de diversos resultados, entre


os quais podem ser caracterizados os seguintes:

„ Bens diretos: os resultados do processo produtivo, que vem a ser a produção dos
diversos cultivos e/ou criação.
„ Bens sociais: melhoramento sócio-econômico dos irrigantes, permitindo maiores
rendimentos e melhores serviços.
„ Bens indiretos: referem-se ao manejo racional e eficiente das obras do projeto,
conservação dos recursos naturais (água-solo).

Geralmente define-se sistema: como “o conjunto de objetos físicos, pessoais e


modos de atuação, combinados para atuar sobre alguns insumos, para produzir algo,
baixo certas restrições”.

Adequando esta definição a um sistema de irrigação, Lobo (1974) estabelece os


seguintes elementos:

„ Objetos físicos: terra, clima, obras civis.


„ Pessoais: os irrigantes, pessoal de Operação e Manutenção do sistema, instituições
atuantes.
„ Modos de ação: metodologia, normas para a operação e manutenção.
„ Produção: bens diretos, indiretos e sociais.
„ Restrições: normas legais ou conservacionistas.

Conseqüentemente, estes são os elementos que devem ser considerados no


gerenciamento dos Projetos de Irrigação.

1.3 Objetivos da Operação

Em função das considerações expostas nos itens anteriores, pode-se afirmar que o
objetivo da operação é a administração, distribuição e fornecimento da água para irriga-
ção, de forma racional, eficiente e de acordo com as reais necessidades do cultivo, bem
como dirigir o pessoal do projeto e gerenciar adequadamente os recursos (equipe, instala-
ções, orçamento, estruturas, etc) a fim de que seja possível alcançar os objetivos do
projeto.

1.4 Obras que Compõem o Sistema de Irrigação

Todo projeto de irrigação é constituído por uma série de obras que, a todo instante,
exigem uma adequada operação e oportuna manutenção.
Existem diversas classificações destas obras que, segundo C.Grassi (1977), são
agrupadas em:

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Infra-estrutura geral de irrigação (obras hidráulicas);


„ Rede viária e sistema de comunicação;
„ Obras auxiliares.

1.4.1 Obras Hidráulicas

Referem-se às obras de captação de água das fontes de abastecimento (rio, lago e


subsolo), pontos de armazenamento (reservatórios de regularização), rede de distribuição
e condução (canais) até a tomada parcelar, bem como a rede de evacuação de exceden-
tes de água (drenos). Em cada uma destas redes existe uma série de estruturas de contro-
le (comportas), de medição (medidores), e de proteção (extravasores), etc.

As obras hidráulicas podem ser agrupadas em:

i. Obras de captação;
ii. Obras de condução e distribuição;
iii. Obras de controle e eliminação de excedentes;
iv. Estruturas na rede de canais e drenos.

A complexidade operacional destas obras não depende só do seu tamanho nem da


magnitude do projeto, pois existem outras condicionantes topográficas, hidrológicas e de
engenharia.

i. Obras de Captação

As fontes de água mais comuns nos Perímetros Irrigados são geralmente as


superficiais, que podem ser de rio, lago, represa, etc., nos quais a captação pode ser
feita:

„ Por bombeamento: através de uma estação de bombeamento que eleva a água


desde a fonte até os terrenos a serem irrigados.
Em alguns perímetros irrigados, esta estação pode estar localizada em uma represa
onde, além de captar, pressuriza a água até a tomada parcelar (hidrante);
„ Por diques de derivação: que permitem interceptar um fluxo de água, elevar seu
nível e logo captá-la através de uma tomada que pode controlar a carga de água em
função das demandas;
„ Por tomada direta: a captação realizada através de comportas instaladas diretamen-
te na margem da fonte de água (rio), já que esta mantêm uma carga que satisfaz as
necessidades sem requerer represamento.

ii. Obras de Condução e Distribuição

Estas obras constituem a rede que faz, na realidade, a entrega de água a nível
parcelar. Referem-se a todos os canais cujas características hidráulicas (dimensionamento,
capacidade), correspondem as necessidades hídricas calculadas para o projeto em função
dos parâmetros determinados.

Esta rede de canais pode ser construída aberta ou fechada, podendo ser usados
diversos tipos de materiais para seu revestimento (concreto, solo-cimento, pedra arga-
massada, plástico, etc.).

Em alguns projetos, a distribuição da água pode ser feita mediante tubulação a


pressão, a qual conduz até o hidrante parcelar.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

iii. Obras de Controle e Eliminação de Excedentes

Neste caso, referem-se à rede de drenagem, que é indispensável em todo sistema


de irrigação, já que permite manter o balanço hídrico, assim como preservar o solo, evi-
tando-se a salinização.

iv. Estruturas na Rede de Canais e Drenos

Estas estruturas têm diversas finalidades e, entre elas, pode-se referir às seguintes:

„ De Operação: neste grupo são consideradas estruturas que ajudam no funciona-


mento da rede, e entre elas as comportas, partidores ou repartidores, tomadas,
estruturas medidoras;
„ De Proteção: são aquelas construídas para evitar deteriorações nas redes abertas,
fechadas ou as pressurizadas: ventosas, válvulas, extravasores, etc;
„ De Cruzamento: estas são construídas para transpassar acidentes naturais, ajudar
no cruzamento de obras: aqueduto, ponte, canal, sifões.

1.4.2 Rede Viária e de Comunicação

Todo sistema de irrigação deve dispor de uma rede viária que permita a manutenção
das obras e o acesso aos lotes, para inspeções e para o escoamento da produção.

A densidade da rede viária, em geral, depende do tamanho do loteamento do proje-


to e da distribuição das obras hidráulicas a serem operadas e mantidas.

É importante que esta rede se encontre devidamente sinalizada e receba uma corre-
ta atenção, já que essencial mantê-la sempre em condições de tráfego.

Além da rede viária, para a comunicação externa, os projetos são dotados de meios
como rádio e telefone, o que permite atuar oportunamente.

1.4.3 Obras Auxiliares

Além das obras hidráulicas, rede viária e de comunicação, na implantação dos


projetos de irrigação são construídas obras necessárias ao funcionamento dos mesmos,
que são denominadas auxiliares.

Entre elas, encontram-se:

„ Edificações próprias para a administração central e outras distribuídas no projeto;


„ Alojamento e/ou guarita dos canaleiros e/ou inspetores de irrigação;
„ Edificações da unidade de manutenção (oficinas, postos, lavagem, galpões das
máquinas e veículos);
„ Estações de meteorologia e as hidrométricas;
„ Cerca perimetral do projeto.

2 ORGANIZAÇÃO TÉCNICO-ADMINISTRATIVA DO SETOR DE OPERAÇÃO

A operação dos sistemas de irrigação exige, a cada dia, o melhoramento da eficiên-


cia geral do projeto, bem como o funcionamento racional e econômico, tendo em vista
que, em conjunto, permitirá:

„ Maior duração das obras;


„ Menores custos de manutenção;
„ Evitar a reabilitação prematura;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Irrigação oportuna e adequada, com o conseqüente aumento na produção e produ-


tividade;
„ Uso racional de consumo de energia, nos casos de projetos com bombeamento,
com o conseqüente barateamento do custo;
„ Incremento na intensidade de uso da terra, que permite maior distribuição de água
e menor custo unitário das tarifas.

Além das considerações técnicos-administrativas que ajudam a alcançar o anterior-


mente expresso, necessária se faz a definição de uma estrutura orgânica e funcional ágil,
leve e de alta capacidade gerencial.

No caso de projetos públicos, a instituição promotora deve estabelecer uma organi-


zação que permita a execução dos serviços, e as ações de programação, execução e
controle, no máximo em três níveis: nacional, regional e local. O primeiro nível teria uma
atuação normativa e de supervisão; o segundo nível, de apoio, acompanhamento e avali-
ação e o terceiro, de execução. Em alguns casos, pode-se omitir o nível regional, quando
os projetos são muito dispersos, o que dificultaria uma atuação regional.

Para os projetos implantados pelo setor público, onde o funcionamento tenha sido
transferido aos produtores ou irrigantes, a organização da ente público ficaria limitada a
uma atuação em dois níveis: o nacional, que teria função de implantação e de apoio na
organização e avaliação; e o regional, para o acompanhamento e apoio imediato, porém
este nível deve ser eficiente e enxuto.

O nível local, neste caso, passa a ser responsabilidade dos produtores através do
Distrito de Irrigação, Cooperativa e/ou Associação, porém, em todo caso, deve dispor de
uma estrutura orgânica e funcional, que lhes permita executar a operação e manutenção
do projeto e receber, quando necessário, o apoio institucional do organismo público res-
ponsável pela implantação do projeto .

Contudo, em ambos os casos, a participação dos produtores ou irrigantes assenta-


dos no projeto deve ser ativa em todas as fases da organização e funcionamento do
Perímetro Irrigado.

2.1 Estrutura Orgânica e Funcional

Deve-se considerar que as atividades de operação e manutenção são do tipo perma-


nente, isto é, duram toda a vida do projeto. Isto requer um esforço contínuo e avaliações
permanentes que viabilizem, ajustem e aprimorem constantemente a estrutura orgânica e
funcional, evitando cair em ações rotineiras.

A administração ou gerenciamento de um projeto de irrigação constitue uma ação


final, que viabilizará o êxito do propósito da sua implantação. Assim sendo, se faz neces-
sário estudar a estrutura orgânica e funcional mais adequada à eficiente e racional opera-
ção e manutenção do Perímetro Irrigado.

Este documento não apresenta uma estrutura única, e considerando que a mesma
varia em função de uma série de fatores específicos a cada projeto, limitar-se-á a oferecer
alguns critérios gerais que permitam adequá-los à realidade específica.

A seguir expõem-se alguns critérios, não exclusivos, que podem ajudar na definição
da estrutura orgânica em cada Perímetro Irrigado:

„ A estrutura deve ser compatível com os objetivos e responsabilidades assumidos


pela entidade responsável pela Operação e Manutenção (Setor Público, Associa-
ção, Cooperativa e/ou Distrito) frente à instituição que implantou o projeto;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Caso a administração seja exercida pelo setor público, este deve analisar a estrutu-
ra que possa, a fim de usar ao máximo as estruturas orgânicas já em funcionamen-
to e adequá-las à nova responsabilidade assumida;
„ Caso a administração seja delegada aos produtores, deve-se avaliar, de forma con-
junta, as organizações de produtores já existentes no projeto e suas atividades
desenvolvidas e, em função disto, utilizar uma das existentes com prévia adequa-
ção da estrutura e estatutos, ou a criação de uma outra com esta finalidade;
„ Conhecidas as atividades a serem executadas, deve-se definir as que seriam
implementadas diretamente e aquelas que seriam contratadas por terceiros;
„ Quando a estrutura que vai operar o projeto tiver que executar, também, outras
atividades (produção, assistência técnica, comercialização), deve conter mecanis-
mos específicos para isso e/ou de coordenação, que evite duplicidade de ação ou
esforços desnecessários e/ou antagônicos, caso permaneçam outras instituições
atuando na área;
„ Para projetos novos em implantação, deve-se conhecer o cronograma de ocupação
para estabelecer a estrutura final e as diversas fases.

2.1.1 Critérios que Ajudam a Definir Cargos e Funções

Para a definição dos cargos e funções, a serem considerados na organização da


unidade responsável pela operação de um Perímetro Irrigado, recomendam-se algumas
ações prévias. Entre elas, podem-se enunciar as seguintes:

„ Analisar a modalidade de irrigação e o nível de controle na medição de água;


„ Conhecer o nível técnico das obras do projeto, pois um sistema mais sofisticado
requer pessoal mais especializado;
„ Tomar conhecimento das características e inventários das obras a serem operadas
e mantidas, a fim de avaliar a qualificação dos serviços e a modalidade de execução
(direta ou indireta através de firma).

2.1.2 Critérios para a Quantificação do Pessoal

Definida a estrutura, os cargos e as funções, deve-se estudar a quantificação do


quadro de pessoal. A seguir, alguns critérios que ajudam nesta quantificação:

„ A administração de um perímetro irrigado deve ser técnica e econômica. Procurar


dimensionar um quadro reduzido porém qualificado e remunerado adequadamente.
Isto garante estabilidade e eficiência;
„ Em função da forma operativa do projeto e do período diário de funcionamento, ser
definido o quantitativo de operadores de bombas, canaleiros e inspetores;
„ Nos projetos cuja condução e distribuição da água seja pressurizada, e o forneci-
mento a nível de lote, feito pela modalidade de demanda livre e medição por
hidrômetro, não será necessário quantificar o cargo de canaleiros. O dimensionamento
de pessoal administrativo deve ser o mínimo necessário;
„ O quantitativo de operadores da maquinaria pesada para manutenção dependerá do
dimensionamento da patrulha mecanizada com o mínimo de um operador por má-
quina, salvo no caso de se levar em conta a utilização por mais de um turno;
„ No caso de operadores de máquina, é mais racional efetuar pagamento mensal
mínimo e dar bonificação por hora efetiva de trabalho, já que isto pode evitar exces-
so de operadores e levar a uma maior produção;
„ De acordo com as características do projeto e a forma de realizar os serviços de
manutenção, muitas vezes é conveniente contar com um grupo braçal para os
serviços rotineiros;
„ Nas Tabelas A.10.1, A.10.2 e A.10.3, apresentam-se alguns parâmetros para esta
quantificação, em função das características dos projetos.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela A10.1 Parâmetros para Quantificação Pessoal de Operação e Manutenção


P.I. Tipo 1

Manutenção
Distribuição-Fomento Operação Estações Manutenção Canais,
Descrição Gerenciamento O&M Estações
Água Nível Parcelar Bombeamento Drenos e Estradas
Bombeamento
a. Perímetro a. Técnico Agrícola Canaleiro para cada 50 Geralmente estes
Irrigado Tipo 1 quanto P.I. tem menos usuários com 350 ha. serviços são
de 100 usuários com executados através de
700 ha. contratos com
terceiros ou pelo
menos usuários nos
períodos fixos.
- Sistema b. Engenheiro quando há Inspetor para cada 3 ou Porém recomenda-se
Captação, mais de 100 usuários 4 canaleiros ou para ter uma equipe mínima
condução e ou 700 ha, porém cada 150 ou 200 de 5 a 10 braçais.
distribuição por menos de 250 usuários com 1.050 ou
gravidade usuários ou 1.750 ha. 1.400 ha.
- Modalidade de c. Engenheiro com Nota: Pode-se ajustar NÃO NÃO Caso canais revestidos
Fornecimento de Auxiliar Técnico em para mais ou para em mais de 10 km,
Água por Turno Operação e Auxiliar em menos, em função da pode-se dispor de
Manutenção quanto há distância, deslocamento, pedreiro e/ou ajudante
mais de 250 usuários média de transporte pedreiro.
ou 1.750 ha, porém (bicicleta e motocicleta).
menos de 1.000
usuários com 7.000
ha.
- Estruturas de d. Engenheiro na Operadores de
Controle gerência e engenheiro maquinária pesada
comportas de operação e outro (patrol, escavadeira,
manuais de manutenção etc.), em função
quando em mais de dimensionamento da
1.000 usuários com patrulha.
7.000 ha e menos que
2.000 usuários e
14.000 ha.
- Estruturas de e. Pessoal do “d”
medição Parshal, ajudados por auxiliares
orifícios ou operação e auxiliar de
calhas medidoras manutenção, quanto
ha mais de 2.000
usuários com 14.000
ha.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela A10.2 Parâmetros para Quantificação Pessoal de Operação e Manutenção

Manutenção
Distribuição-Fomento Operação Estações Manutenção Canais,
Descrição Gerenciamento O&M Estações
Água Nível Parcelar Bombeamento Drenos e Estradas
Bombeamento
A. Perímetro a. Técnico Agrícola Canaleiro para cada 50 Em geral, para cada Mecânico e eletricista Geralmente estes
Irrigado Tipo 2 quanto P.I. tem menos usuários com 350 ha. EB, considerar 1 práticos quando se serviços são
de 100 usuários com operador por cada tem mais de uma e executados através de
700 ha. 6 horas de menos de 3 EB com contratos com
funcionamento/dia. mais de 4 e menos terceiros ou pelo
de 10 conjuntos. menos usuários nos
períodos fixos.
- Sistema Captação b. Engenheiros quanto há Inspetor para cada 3 ou A qualificação do Técnico mecânico e Porém recomenda-se
bombeamento mais de 100 usuários 4 canaleiros ou para operador depende técnico eletricista ter uma equipe mínima
ou 700 ha, porém cada 150 ou 200 do tamanho e com ajudantes, de 5 a 10 braçais.
menos de 250 usuários com 1.050 ou complexidade da quando se tem mais
usuários ou 1.750 ha. 1.400 ha. EB; pode ser que, de 3 e menos de 12
em alguns casos, EBs com mais de 10
seja necessário e menos de 40
pessoal nível médio conjuntos.
em mecânica ou
eletricidade.
- Com ou sem c. Engenheiro com Nota: Pode-se ajustar EB muito grandes Caso canais revestidos
recalque Auxiliar Técnico em para mais ou pra menos, podem requerer 2 em mais de 10 Km,
Operação e Auxiliar em em função da distância, operadores por pode-se dispor de
Manutenção quando deslocamento, média de turno. pedreiro e/ou ajudante
há mais de 250 transporte (bicicleta e pedreiro.
usuários ou 1.750 ha, motocicleta).
porém menos de
1.000 usuários com
7.000 ha.
- Sistema d. Engenheiro na Operadores de
Condução - gerência e engenheiro maquinaria pesada
distribuição por de operação e outro (patrol, escavadeira,
gravidade. de manutenção etc), em função
quando há mais de dimensionamento da
1.000 usuários com patrulha.
7.000 ha e menos que
2.000 usuários e
14.000 ha.
- Estruturas de e. Pessoal do “d”
controle ajudados por auxiliares
comportas operação e auxiliar de
manuais manutenção, quando
há mais de 2.000
usuários com 14.000
ha.
- Estruturas de
medição parshal,
orifícios ou
calhas medidoras

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela A10.3 Parâmetros para Quantificação Pessoal de Operação e Manutenção


P.I. Tipo 3

Manutenção
Distribuição-Fomento Operação Estações Manutenção Canais,
Descrição Gerenciamento O&M Estações
Água Nível Parcelar Bombeamento Drenos e Estradas
Bombeamento
A. Perímetro a. Técnico Agrícola Não é necessário Em geral, para cada Técnico mecânico e Além do indicado no
Irrigado Tipo 3 quando P.I. tem menos canaleiros EB, considerar 1 técnico eletricista caso dos Perímetros
de 50 usuários com operador por cada quando se tem mais Irrigados, tipo 1 deve-
350 ha. 6 horas de de 3 ou menos de 12 se considerar:
funcionamento/dia. EB com mais de 10 e
menos de 40
conjuntos.
- Sistema b. Engenheiro quando há Inspetor para cada 3 ou A qualificação do Engenheiro mecânico dispor de uma equipe
Captação, mais de 50 usuários 4 estações de operador depende e engenheiro para a manutenção
bombeamento ou 350 ha, porém pressurização que do tamanho e eletricista quando se das tubulações e
menos de 750 atende 1.500 a 2.000 ha complexidade da tem mais de 12 e acessórios (ventosas,
usuários ou 5.250 ha. EB; pode ser que, menos de 32 EB com válvulas);
em alguns casos, mais de 40 e menos
seja necessário de 120 conjuntos.
pessoal nível médio
em mecânica ou
eletricidade.
- Com ou sem c. Engenheiro com Nota: Pode-se ajustar EB muito grandes O pessoal anterior estarem estruturados
recalque Auxiliar Técnico em para mais ou para podem requerer 2 apoiado por auxiliares para a manutenção
Operação e Auxiliar em menos, em função da operadores por quando se tem mais dos hidrômetros.
Manutenção quando distância, deslocamento, turno. de 32 EBs e mais de
há mais de 750 média de transporte. 120 conjuntos.
usuários ou 5.250 ha,
porém menos de
1.500 usuários com
10.500 ha.
- Sistema de d. Engenheiro na Caso seja sistema Caso todo o sistema
condução e gerência e engenheiro automático com seja automatizado e
distribuição de operação e outro operação tenha telemetria e
pressurizada de manutenção computadorizada telemedição, pode ser
quando há mais de pode-se ter um necessário técnico
1.500 usuários com técnico para esta eletrônico.
10.500 ha e menos função.
que 2.500 usuários e
17.500 ha.
- Modalidade e. Pessoal do “d”
fornecimento ajudados por auxiliares
água por operação e auxiliar de
demanda livre manutenção, quando
há mais de 2.500
usuários com 17.500
ha.
- Estruturas de
controle
comportas
elétricas ou por
telemetria
- Estruturas de
medição por
hidrômetro nas
EBs
pressurização e
nível parcelar.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2.2 Administração e Gerenciamento dos Projetos de Irrigação

Até poucos anos, era costume que a administração dos projetos de irrigação ficas-
se sob a responsabilidade direta do organismo público que havia construído o projeto. A
participação dos irrigantes era muito reduzida. Em alguns casos nem existia e, em outros,
o próprio pessoal da administração limitava sua participação, para manter um maior con-
trole das ações.

Diante de problemas operacionais, o alto custo e as contínuas reivindicações dos


irrigantes, no que diz respeito às tarifas de água levaram, em 1986, a se iniciar um
processo de transferência da administração dos projetos para os próprios irrigantes.

No caso de projeto em funcionamento há vários anos, esta transferência torna-se


mais lenta pela grande dependência existente, porém, no caso dos projetos novos em que
a participação dos produtores se faz presente desde a fase de implantação, mais fácil.

Existem várias vantagens na participação dos usuários na administração dos proje-


tos de irrigação. Entre elas:

„ Considerando que existem decisões fundamentais no funcionamento do sistema


que requerem a participação dos usuários, é importante que eles intervenham na
administração;
„ Os usuários reunidos, organizados e participando da administração de forma com-
partilhada e coordenada com o quadro de pessoal encarregado da Operação e Ma-
nutenção constituem um forte elo para se alcançarem as metas propostas;
„ A participação dos usuários evita ou reduz algumas influências políticas ou de ami-
zade na tomada de decisões em favor de determinados irrigantes ou setores de
irrigantes;
„ Os usuários podem executar diretamente alguns serviços de manutenção e/ou con-
tratar outros com a conseqüente redução de custo;
„ Assumindo a administração, os usuários podem, através de suas organizações,
conseguir o apoio ou a participação de outros setores públicos na solução dos
problemas, como saúde, educação, estradas de acesso de uso municipal, etc.

Trata-se de um processo paulatino, gradual, que cresce em importância e resulta-


dos, na medida em que os usuários adquirem os conhecimentos e experiências necessá-
rias e, sobretudo, entendam a razão física, econômica e social do sistema de irrigação,
implantado pelo setor público.

Por esta consideração final, é fácil se compreender que os resultados são mais
positivos, quando a participação do produtor é dada desde a fase de implantação do
projeto.

2.3 Documentos Necessários na Organização da Operação do Sistema

A administração de um Perímetro Irrigado exige, em geral, a elaboração de alguns


documentos e a formulação de outros, indispensáveis para a organização da operação, já
que fornecem a informação requerida na implantação das atividades diárias e são chama-
dos como documentos básicos ao funcionamento dos projetos de irrigação.
Dentro deste grupo de documentos estão os seguintes:

„ Projeto Executivo e Leiaute do Projeto;


„ Delimitação e Setorização;
„ Codificação;
„ Registro ou Cadastro de Usuário;
„ Inventário da Infra-estrutura.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

O primeiro desta relação é uma recompilação de dados técnicos para se conhecer o


projeto e se terem os elementos indispensáveis para a formulação dos restantes da lista.
Para que os documentos sejam formulados, necessário contar com a participação do
pessoal que vai operar o projeto. Assim sendo, este pessoal deve ser contratado com
antecedência e, dentro do possível, participar (alguns deles) do recebimento das obras.

A formulação destes documentos implica no seguimento de uma série de critérios e


metodologias constantes nos Manuais Técnicos, que geralmente são formulados a nível
nacional, pelo Ministério ou Setor Público encarregado pela implantação dos Projetos de
Irrigação.

Este documento limita-se a explicar o princípio técnico e a utilidade que estes terão
na administração do Perímetro Irrigado, já que o detalhe de como elaborá-los poder ser
encontrado no Anexo 1, que basicamente refere-se ao Manual elaborado e implementado
na CODEVASF.

2.3.1 Delimitação - Setorização

É o procedimento para a definição em planta dos limites do perímetro e a subdivisão


de sua área visando racionalizar os serviços de operação, delimitando-se área do pessoal.

De acordo com os critérios adotados na setorização dos Perímetros Irrigados, as


subdivisões previstas podem ser:

Unidade de Irrigação: quando o projeto é grande e quando existem duas ou mais


captações diretas do rio e que atendem áreas distantes e totalmente separadas uma das
outras;

Seção de Irrigação: área atendida por um ou mais canais secundários e seus deriva-
dos e que pode ser atendida por um canaleiro em função das distâncias, número de
usuários e meio de transporte;

Zona de Irrigação: superfície constituída por duas ou mais seções de irrigação e que
pode ser eficientemente controlada por um inspetor.

A importância deste documento que permite definir claramente a área de atuação


do pessoal de campo, localizar os pontos de medição para avaliar a eficiência operacional
a nível de inspetor, canaleiro, e dimensionar o quadro de pessoal.

2.3.2 Codificação

Refere-se à identificação das subáreas resultantes da setorização, bem como da


infra-estrutura hidráulica e de serviços existentes no perímetro irrigado.

Esta identificação geralmente se faz usando código de letras e números, a fim de


facilitar a hierarquização e a utilização de sistemas informatizados.

Além do indicado, a codificação permite uniformizar a identificação, de modo que


gerentes de diversos perímetros possam-se familiarizar rapidamente com os dados dos
outros perímetros, sobretudo quando da elaboração do inventário geral das obras.

2.3.3 Registro ou Cadastro de Usuários

É a relação atualizada de todos os usuários de água de um perímetro irrigado con-


tendo os principais dados dos lotes que os diversos níveis técnicos administrativos reque-
rem na operação diária.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Trata-se de um documento muito importante para o planejamento da irrigação,


fornecimento da água a nível parcelar e na aplicação das tarifas de água.

Em função da utilidade que este documento tem no funcionamento do projeto, se


faz necessário manter a sua atualização, e neste sentido devem ser imediatamente
registrados cada mudança ou novos cadastramentos.

2.3.4 Inventário da Infra-Estrutura

É a relação sistemática das obras de infra-estrutura de um perímetro irrigado,


complementada com os dados das principais características físicas, com vista a que os
níveis técnicos possam dispor dos subsídios para a preparação dos planos de irrigação e
plano de manutenção.

Este documento é importante pois:

„ Permite comprar as características físicas das obras com seu estado atual, de modo
a avaliar o estado operacional;
„ Facilita a formulação do plano de manutenção, já que fornece dados para dimensionar
serviços a executar;
„ Permite identificar a necessidade de obras complementares e/ou de melhoramento.

Entende-se por operação de um sistema de Irrigação o conjunto de ações técnico-


administrativas que permitem a captação e condução da água necessária ao atendimento
das necessidades hídricas, para a irrigação das culturas plantadas em cada lote agrícola.
Deve-se considerar que estas ações são realizadas por diversas pessoas e que o forneci-
mento de água a nível parcelar tem que ser na quantidade e na oportunidade necessária
para a obtenção de boas produtividades, bem como que o fornecimento deve ser racional,
visando baixo custo e boa conservação das obras.

Na operação, não se deve perder de vista que o quantitativo e o dimensionamento


das obras dos projetos de irrigação obedecem a parâmetros obtidos nos estudos básicos
ou fixados pelos técnicos. Porem, sempre considera-se que o funcionamento deve res-
ponder ao período máximo previsível por dia (entre 18 a 20 horas/dia), a fim de que o
dimensionamento das obras não seja excessivo e que os custos não sejam exagerados.

As considerações levam a afirmar que, para que o funcionamento do Perímetro


Irrigado cumpra seus objetivos e atenda, de forma conciliada, os interesses dos produto-
res e as necessidades operacionais, é indispensável que a operação do sistema responda
a um planejamento racional e integrado.

Para esta ação de planejamento da operação do sistema de irrigação do Perímetro


Irrigado, é necessário conhecer a priori as seguintes informações:

„ O projeto executivo e as informações complementares ( estudos básicos), que per-


mitem conhecer os parâmetros para o dimensionamento das obras, características
construtivas e operacionais;
„ O leiaute do projeto, que permite observar detalhes de localização, distribuição da
rede de irrigação e drenagem, bem como os pontos de medição e as obras de
controle, etc.;
„ O inventário ou diagnóstico geral do Perímetro Irrigado e outros documentos bási-
cos operação, tais como registro de usuários, regulamento de operação e manuten-
ção e a setorização e codificação do projeto.

Quanto ao planejamento da operação, a experiência têm demonstrado que esta


deve estar sustentada nas seguintes ações:

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Planejamento de demanda de água através de planos de cultivo e irrigação, a fim de


estabelecer as possibilidades de atendimento em função das disponibilidades;
„ Planejamento da distribuição que contemple os calendários de irrigação e seqüência
no processo de solicitação e fornecimento da água para irrigação.

A seguir se faz referência ao detalhamento de como executar as duas ações que o


planejamento da operação exige, e em cada caso se especifica o fundamento técnico, a
seqüência prática e as vantagens de sua implementação.

3 PLANEJAMENTO DA OPERAÇÃO DO SISTEMA

Entende-se por operação de um sistema de Irrigação o conjunto de ações técnico-


administrativas que permitem a captação e condução da água necessária ao atendimento
das necessidades hídricas, para a irrigação das culturas plantadas em cada lote agrícola.
Deve-se considerar que estas ações são realizadas por diversas pessoas e que o forneci-
mento de água a nível parcelar tem que ser na quantidade e na oportunidade necessária
para a obtenção de boas produtividades, bem como que o fornecimento deve ser racional,
visando baixo custo e boa conservação das obras.
Na operação, não se deve perder de vista que o quantitativo e o dimensionamento
das obras dos projetos de irrigação obedecem a parâmetros obtidos nos estudos básicos
ou fixados pelos técnicos. Porém, sempre considera-se que o funcionamento deve res-
ponder ao período máximo previsível por dia (entre 18 a 20 horas/dia), a fim de que o
dimensionamento das obras não seja excessivo e que os custos não sejam exagerados.

As considerações levam a afirmar que, para o funcionamento do Perímetro Irrigado


cumpra seus objetivos e atenda, de forma conciliada, os interesses dos produtores e as
necessidades operacionais, é indispensável que a operação do sistema responda a um
planejamento racional e integrado.

Para esta ação de planejamento da operação do sistema de irrigação do Perímetro


Irrigado, é necessário conhecer a priori as seguintes informações:

„ O projeto executivo e as informações complementares (estudos básicos), que per-


mitem conhecer os parâmetros para o dimensionamento das obras, características
construtivas e operacionais;
„ O leiaute do projeto, que permite observar detalhes de localização, distribuição da
rede de irrigação e drenagem, bem como os pontos de medição e as obras de
controle, etc.;
„ O inventário ou diagnóstico geral do Perímetro Irrigado e outros documentos bási-
cos à operação, tais como registro de usuários, regulamento de operação e manu-
tenção e a setorização e codificação do projeto.

Quanto ao planejamento da operação, a experiência têm demonstrado que esta


deve estar sustentada nas seguintes ações:

„ Planejamento de demanda de água através de planos de cultivo e irrigação, a fim de


estabelecer as possibilidades de atendimento em função das disponibilidades;
„ Planejamento da distribuição que contemple os calendários de irrigação e seqüência
no processo de solicitação e fornecimento da água para irrigação.

A seguir se faz referência ao detalhamento de como executar as duas ações que o


planejamento da operação exige, e em cada caso se especifica o fundamento técnico, a
seqüência prática e as vantagens de sua implantação.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.1 Planejamento da Demanda de Água

Na maioria dos projetos de irrigação existem demandas de água para diversos usos
(irrigação, consumo humano, indústria, gado, piscicultura, etc.), porém, a maior demanda
corresponde irrigação.

A operação deve prever as ações desde a captação, seja esta por gravidade ou
bombeamento, a condução e distribuição em toda a rede de canais do sistema até a
tomada parcelar. Assim, além da demanda de água das culturas implantadas pelos produ-
tores, dever-se-ão levar em consideração as perdas que acontecem a nível da rede de
condução e distribuição e/ou perdas de algumas deficiências operacionais.

O sistema de cálculo das demandas de água plenamente aceitável com fins de


planificação e desenho das obras, porém, na prática, é fundamental que, além de se
conhecerem as técnicas e os métodos de cálculo das necessidades hídricas das culturas,
se tenha o conhecimento preciso das reais perdas e desperdícios na rede geral, bem como
as que se registram nos lotes parcelares.

Neste item, antes de se iniciar a explicação dos procedimentos para a determinação


das demandas de água de um Perímetro Irrigado, faz-se referência a alguns fatores que
incidem nesta demanda.

3.1.1 Fatores que Afetam as Demandas de Água do Perímetro Irrigado

Os fatores que afetam as demandas hídricas de um perímetro irrigado são dos mais
variados: aspectos climáticos, técnicos, econômicos, sociais e operacionais.

I. Aspecto Climático

A necessidade de água das culturas dá-se em função da evapotranspiração, que


vem a ser a quantidade de água usada pelas culturas que inclui a evaporação da umidade
do solo e a transpiração das plantas, este requerimento é conhecido também como uso
consuntivo.

Esta evapotranspiração varia em função das condições climáticas, sendo os fatores


de temperatura, evaporação, umidade relativa, os que têm maior incidência.

Dentro do aspecto climático tem-se a precipitação como fator de aporte hídrico e


redutor da demanda de água, porém, necessário observar a regularidade da precipitação e
o cálculo da quantidade que seria aproveitável.

II. Aspecto Técnico

Engenharia do Projeto - quando a concepção do projeto, desenho e construção das


obras respondem a estudos profundos, onde é prevista a maioria das necessidades
operacionais, com certeza estão assegurando um bom manejo e fornecimento de água
até a tomada parcelar, o que permitirá operar o sistema com alta eficiência, em razão das
reduções nas perdas e desperdícios de água.

Porém, nem sempre acontece o anteriormente indicado. Geralmente aparecem al-


gumas deficiências que levam quem opera o sistema a ter que adaptar as obras para
tentar o melhoramento da eficiência operacional.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Estudos Básicos - dentro deste grupo, o fator que deve ser mais enfatizado é o
aspecto edáfico, já que o solo, em função das características topográficas, físicas e
químicas incide notadamente na demanda de água.

Deve-se considerar que a seleção das culturas a serem implantadas, o método de


irrigação, bem como o tempo e a quantidade de água a ser aplicada dependem das carac-
terísticas edáficas.

Quando a topografia é irregular e com alta pendente, com certeza a eficiência de


aplicação a nível parcelar será baixa, conseqüentemente a demanda de água ser maior.

Desenvolvimento Físico Parcelar - geralmente as demandas de água a nível de pro-


jeto são estimadas considerando altas eficiências de aplicação, já que supõem que o
acondicionamento ou sistematização do lote serão feitos dentro dos padrões ótimos e
que o produtor seguirá as melhores técnicas no desenho da irrigação parcelar e o máximo
controle no manejo da água.

Porém, na prática, sempre encontram-se deficiências no manejo da água parcelar,


que vão afetar a eficiência de aplicação, situação esta que altera as demandas de água do
projeto.

III. Aspecto Econômico

Dentro deste aspecto, deve-se ressaltar que a cobrança de tarifas de água, em


função do volume de água fornecido, ajuda a racionalizar a demanda de água a nível
parcelar e, de certa forma, contribui para que a Administração do Projeto melhore o
sistema de controle a nível do Perímetro Irrigado.

Verifica-se também que, quando o produtor estabelece culturas de alto retorno


econômico e que exigem tratos culturais eficientes, estas induzem a uma maior eficiência
no uso da água de irrigação.

Neste item, devem ser consideradas situações inerentes ao processo produtivo


como o plano de cultivo, época e duração do ciclo agrícola, condições de mercado e
oportunidade do crédito, já que todos tem incidência no retorno econômico das culturas.

IV. Aspecto Social

Não se deve perder de vista que, na maioria das vezes, os beneficiários dos projetos
de irrigação implantados pelo setor público são pessoas acostumadas a manejar o lote
isoladamente e, quando têm experiência em irrigação, referem-se a modalidades diferen-
tes das que terão de operar nos projetos de irrigação.

Esta situação incide na demanda de água, já que as perdas pelo manejo serão
maiores. Assim sendo, é recomendável prever ações de capacitação, de organização e de
regulamentação.

É igualmente importante considerar o elemento humano que, além do produtor, ser


o pessoal que vai atuar na administração e no gerenciamento do projeto, o qual deve
conhecer as condições operacionais do mesmo.

Não se deve perder de vista a forma ou a instituição que assumir a administração do


projeto e como será a participação dos produtores nesta administração.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

V. Aspecto Operacional

A operação do sistema deve responder a uma organização eficiente, planejamento


oportuno e controle correto a todos os níveis.

Este item têm incidência sobre aspectos já tratados, tais como o social, no que diz
respeito à capacidade dos recursos humanos, e os técnicos, no que se refere à engenharia
em geral.

3.1.2 Demanda de Água do Plano de Cultivo e Irrigação

Como foi dito anteriormente, o planejamento da operação do sistema deve partir do


conhecimento das necessidades de água para atender o plano de cultivo que os produto-
res se propõem a implantar no ano agrícola.

Este planejamento inicia-se com a determinação das necessidades reais de água


pelas diversas culturas a serem estabelecidas no projeto de irrigação.

Com relação aos métodos para o cálculo do uso consuntivo (que vem a ser a
verdadeira quantidade de água usada pela cultura, incluindo a evaporação do solo e a
transpiração das plantas), a literatura técnica faz referência a diversos métodos para a
sua determinação, entre os quais destacam-se o de Penman modificado, Blaney e Criddle,
Christiansem e Hargreaves.

A seguir, serão apresentados em detalhes, os procedimentos mais usados, o de


Blaney e Criddle e o de Hargreaves.

3.1.2.1 Determinação do Uso Consuntivo das Culturas

a) Método de Blaney e Criddle

É um método simples que exige dados meteorológicos fatíveis de serem obtidos


com facilidade: temperatura e horas de sol; porém, tem o inconveniente de sua aplicação
evidenciar algumas deficiências na exatidão dos resultados, em função de não considerar
outros fatores que alteram o cálculo.

Mediante a aplicação de coeficientes K de culturas, ajustados por região e/ou obti-


dos para a área do projeto, possível obter o uso consuntivo com uma consistência razoá-
vel para a formulação das curvas de necessidades de água.

A seguinte equação foi proposta por Israelsen para a obtenção do uso consuntivo
usando dados de temperatura em grau centígrado:

U.C. = K [p (8,12 + 0,45 tº)]

Onde:

K = coeficiente cultura
p = insolação
tº = temperatura em ºC

Para facilitar o cálculo seguindo este método, a seguir detalha-se o procedimento


desenvolvido pela ex-Secretaria de Recursos Hidráulicos do México, e que está baseado
na utilização de tabelas que foram confeccionadas para este fim.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

O registro dos dados a serem obtidos no procedimento de cálculo ser feito na Figura
A10.1, e os passos são os seguintes:

„ Registrar a temperatura média mensal em graus centígrados da área do Perímetro


irrigado na coluna 2;
„ Para o ajuste da fórmula de graus Fahrenheit em graus centígrados e para introduzir
o ajuste para regiões áridas, usar a Tabela A10.4, para cada dado da coluna 2
obtendo-se, assim, o novo valor, que registrado na coluna nº 3;
„ A seguir, se obtêm o valor “p” insolação, neste caso se usa a Tabela A10.5, entran-
do com a latitude sul do lugar do projeto, e esta leitura registrada na coluna nº 4;
„ Calcula-se o fator de uso consuntivo potencial mensal “F.UC”, para o qual multipli-
cam-se os valores “p” da coluna no. 4 pelos valores “Ta” da coluna nº 3, e o
resultado registra-se na coluna nº 5;
„ Para cada mês do ciclo vegetativo do cultivo cujo uso consuntivo mensal se preten-
de conhecer, selecionam-se os valores do coeficiente de ajuste “K” constantes na
Tabela A10.6 e registra-se na coluna nº 6 da Figura A10.1. Finalmente, calcula-se
o uso consuntivo mensal da cultura expressado em mm de lâmina, aplicando-se a
equação:

UC = F.UC x K x 10
UC = coluna 5 x coluna 6 x 10

Tabela A10.4 Valores para a Fórmula Kt t + 7,9/21,8 Entrando com a Temperatura


Média C (Fórmula de Blanney-Criddle)
C 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
7 0,520 0,526 0,531 0,537 0,543 0,549 0,554 0,560 0,566 0,572
8 0,578 0,584 0,590 0,596 0,602 0,608 0,614 0,620 0,626 0,633
9 0,638 0,645 0,651 0,657 0,664 0,670 0,676 0,682 0,689 0,696
10 0,702 0,708 0,715 0,722 0,729 0,735 0,742 0,748 0,755 0,762
11 0,768 0,775 0,782 0,789 0,796 0,803 0,810 0,817 0,824 0,830
12 0,838 0,845 0,852 0,859 0,866 0,874 0,880 0,889 0,895 0,902
13 0,910 0,917 0,925 0,932 0,939 0,947 0,954 0,962 0,970 0,977
14 0,985 0,992 1,000 1,008 1,016 1,024 1,031 1,039 1,047 1,055
15 1,063 1,071 1,079 1,086 1,095 1,103 1,111 1,119 1,127 1,135
16 1,143 1,152 1,160 1,168 1,176 1,185 1,193 1,202 1,210 1,209
17 1,227 1,235 1,244 1,253 1,262 1,270 1,279 1,287 1,296 1,304
18 1,313 1,322 1,331 1,340 1,349 1,359 1,367 1,375 1,384 1,393
19 1,403 1,412 1,421 1,430 1,439 1,448 1,458 1,467 1,476 1,485
20 1,495 1,505 1,514 1,523 1,533 1,542 1,551 1,561 1,571 1,580
21 1,590 1,600 1,609 1,619 1,629 1,639 1,648 1,658 1,668 1,678
22 1,688 1,698 1,708 1,718 1,728 1,738 1,748 1,758 1,768 1,779
23 1,789 1,800 1,810 1,820 1,830 1,840 1,850 1,860 1,871 1,882
24 1,892 1,903 1,914 1,924 1,935 1,945 1,956 1,967 1,977 1,988
25 1,999 2,010 2,020 2,031 2,042 2,053 2,064 2,075 2,086 2,096
26 2,108 2,119 2,130 2,141 2,153 2,164 2,175 2,186 2,198 2,208
27 2,220 2,232 2,243 2,255 2,265 2,277 2,289 2,300 2,312 2,323
28 2,335 2,346 2,358 2,370 2,382 2,394 2,405 2,417 2,430 2,441
29 2,453 2,464 2,477 2,489 2,500 2,513 2,525 2,537 2,549 2,561
30 2,574 2,586 2,598 2,610 2,623 2,635 2,647 2,660 2,672 2,685

IDIA - Fevereiro 1970.

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Cultura: Distrito: Setor

to+17.8 f.s.ta x p. uc. cultivo Prepcipitação Efetiva Lâmina Líquida de


Coeficiente de cultivo
Temperatura Média Mensal ta.kl Isolação ou respl. solar (u.c. potencial) fuc. x k x 10 (O.xx.p) Reposição (u.c-pe)
MESES 21.6 k
6m mm mm mm
2 3 4 5 6 7 8 9

Janeiro ( 1)

Manual de Irrigação
Fevereiro (2)

M ar ço ( 3)

Abril ( 4)

Maio ( 5)

Junho ( 6)

Julho ( 7)

Agosto ( 8)

Setembro ( 9)

Outubro (10)

Novembro (11)

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Dezembro (12)
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Ano (t)

Figura A.10.1 Registro Dados do Cálculo do Uso Consultivo Usando a Fórmula Blaney - Criddle

184
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela A10.5 Valores de Insolação e Resplendor Solar, Valores P Para Latitude Sul

Latitude
Sul JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
(Graus)
0 8,49 7,67 8,49 8,22 8,49 8,49 8,49 8,49 8,19 8,49 8,22 8,49
2 8,55 7,71 8,49 8,19 8,44 8,17 8,43 8,44 8,19 8,52 8,24 8,55
4 8,64 7,76 8,50 8,17 8,39 8,08 8,20 8,41 8,19 8,56 8,33 8,65
6 8,71 7,81 8,50 8,12 9,30 8,00 8,19 8,37 8,18 8,59 8,38 8,71
8 8,79 7,81 8,51 8,11 8,24 7,91 3,13 8,32 8,18 8,62 8,47 8,84
10 8,85 7,86 8,52 8,09 8,18 7,84 8,11 8,28 8,18 8,65 8,52 8,96
12 8,91 7,91 8,53 8,06 8,15 7,79 8,08 8,26 8,17 8,67 8,58 8,95
14 8,97 7,97 8,54 8,03 8,07 7,70 7,08 8,19 8,16 8,69 8,65 9,01
16 9,09 8,02 8,56 7,98 7,96 7,57 7,91 8,14 8,14 8,76 8,72 9,17
18 9,18 8,06 8,57 7,93 7,99 7,05 7,88 8,90 8,14 8,80 8,80 9,24
20 9,25 8,09 8,58 7,92 7,83 7,41 7,73 8,05 8,13 8,83 8,85 9,32
22 9,36 8,12 8,58 7,89 7,74 7,30 7,75 8,03 0,13 8,60 8,90 9,38
24 9,44 8,17 8,59 7,87 7,60 7,24 7,58 7,99 8,12 8,89 8,96 9,47
26 9,52 8,28 8,00 7,81 7,56 7,07 7,49 7,87 8,11 8,94 9,10 9,61
28 9,61 8,31 8,61 7,79 7,49 6,99 6,40 7,85 8,10 8,97 9,19 9,73
30 9,69 8,33 8,63 7,75 7,43 6,94 7,30 7,80 8,09 9,00 9,24 9,80
32 9,76 8,36 8,63 7,70 7,39 6,85 7,20 7,73 8,08 9,01 9,31 9,87
34 9,88 8,41 8,65 7,68 7,30 6,73 7,10 7,69 8,06 9,07 9,38 9,99
36 10,06 8,53 8,67 7,61 7,10 6,59 6,99 7,59 8,06 9,15 8,51 10,21
38 10,14 8,61 8,68 7,59 7,03 6,46 6,87 7,51 8,05 9,19 9,60 10,34
40 10,24 8,65 8,70 7,54 6,95 6,33 6,76 7,46 8,04 9,23 9,69 10,42
42 10,39 8,72 8,71 7,49 6,85 6,20 6,60 7,39 8,01 9,27 9,79 10,57
44 10,52 8,81 8,72 7,44 6,73 6,04 6,45 7,30 8,00 9,34 9,91 10,72
46 10,68 8,88 8,73 7,39 6,61 5,87 6,30 7,21 7,98 9,41 10,03 10,90
48 10,85 8,98 8,76 7,32 6,45 5,69 6,13 7,12 7,96 9,47 19,17 11,09
50 11,03 9,06 8,77 7,25 6,31 5,48 5,98 7,03 7,95 9,53 10,32 11,30

IDIA - Fevereiro 1970.

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Tabela A10.6. Valores do Coeficiente “K”


Fórmula de Blanney - Criddle

Cultura Ciclo Vegetativo Valores de K


Algodão 7 m eses 0,60 a 0,65
Alfafa entre geadas 0,80 a 0,85
em inverno 0,60
Arroz 3 a 5 m eses 1,00 a 1,20
Cereais 3 m eses 0,75 a 0,85
Cítricos 7 m eses 0,50 a 0,65
Feijão 3 m eses 0,60 a 0,70
Tomate 4 m eses 0,70
Milho 4 m eses 0,75 a 0,85
Batata 3 a 5 m eses 0,65 a 0,70

Observação: Os valores menores são para regiões litorais e os maiores para zonas áridas (baseado em Blanney e Criddle,
Determining Water Needs from Climatological Data U.S.D.A. Soil Conservation Services.

b) Método baseado na Equação de Hargreaves

É mais divulgado no Brasil e inclusive existem diversos trabalhos realizados no país.

A equação ajustada a dados em unidades métricas e temperatura em graus centí-


grados fica assim:

ET = 17,37 x K x d x T (1,0 - 0,01 Hn)

Onde:

ET = evapotranspiração real em mm/mês


k = coeficiente empírico da cultura
d = coeficiente mensal de duração do dia
T = temperatura média mensal
Hn = umidade relativa média ao meio-dia

„ Para obter “d”, deve-se relacionar com o valor “p” da equação de Blaney e
Criddle (Tabela A10.5), multiplicado por 0,12; d = 0,12 p;
„ Como o dado de umidade relativa que se obteve nos registros climáticos
corresponde a valores médios diários, se fazem necessários ajustes para a
umidade relativa média ao meio-dia. Esta relação foi obtida por Banok (1964),
a qual se apresenta na Figura A10.2;
„ Os valores de K para diversas culturas segundo o período de crescimento
obtidos por Hargreaves apresentam-se na Tabela A10.7;
„ A Figura A10.3 apresenta a seqüência para o cálculo da ET aplicando-se a
fórmula de Hargreaves.

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Tabela A10.7 Valores do Coeficiente “K” (Fórmula de Hargreaves)

Estação de
Crescimento Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Grupo E Grupo F Grupo G Arroz
(%)
0 0 0 0 0 0 0 0 0
5 0.20 0.15 0.12 0.08 1.00 0.60 0.55 0.90
10 0.36 0.27 0.22 0.15 1.00 0.60 0.60 0.92
15 0.50 0.38 0.30 0.19 1.00 0.60 0.65 0.95
20 0.64 0.48 0.38 0.27 1.00 0.60 0.70 0.98
25 0.75 0.56 0.45 0.33 1.00 0.60 0.75 1.00
30 0.84 0.63 0.50 0.40 1.00 0.60 0.80 1.03
35 0.92 0.69 0.55 0.46 1.00 0.60 0.85 1.06
40 0.97 0.73 0.58 0.52 1.00 0.60 0.90 1.08
45 0.99 0.74 0.60 0.58 1.00 0.60 0.95 1.10
50 1.00 0.75 0.60 0.65 1.00 0.60 1.00 1.10
55 1.00 0.75 0.60 0.71 1.00 0.60 1.00 1.10
60 0.99 0.74 0.60 0.77 1.00 0.60 1.00 1.10
65 0.96 0.72 0.58 0.82 1.00 0.60 0.95 1.10
70 0.91 0.68 0.55 0.88 1.00 0.60 0.90 1.05
75 0.85 0.64 0.51 0.90 1.00 0.60 0.85 1.00
80 0.75 0.56 0.45 0.90 1.00 0.60 0.80 0.95
85 0.60 0.45 0.36 0.80 1.00 0.60 0.75 0.90
90 0.46 0.35 0.28 0.70 1.00 0.60 0.70 0.85
95 0.28 0.21 0.17 0.60 1.00 0.60 0.55 0.80
100 0 0 0 0 0 0 0 0

GRUPO A: Feijão, Milho, Algodão, Batata e Tomate


GRUPO B: Oliveira, Pêssego, Ciriguela, Nozes
GRUPO C: Melão, Cenoura, Uva, Amêndoa
GRUPO D: Aspargos, Aipo, Aveia, Trigo e outros cereais menores, Sorgo
GRUPO E: Pasto Trebol, Hortas com Culturas de Cobertura, Banana
GRUPO F: Laranja, Limoeiro e Pomelos
GRUPO G: Cana de açúcar, Alfafa.

3.1.2.2 Determinação da Necessidade de Água das Culturas

Determinado o uso consuntivo das culturas, é preciso definir a necessidade de água


para a irrigação das mesmas e que é a lâmina de irrigação.

A demanda líquida para irrigação é o déficit de água que as culturas apresentam em


um determinado período de tempo (semana, mês e/ou ciclo vegetativo), e que precisa ser
restituído ao solo dado o consumo de água resultante da evapotranspiracão.

Para obter esta demanda de água para o mês, devem-se seguir os seguintes proce-
dimentos:

„ Anota-se na Figura A10.4, na coluna 2, o valor do uso consuntivo da cultura para o


mês indicado. Este valor obtido no procedimento descrito anteriormente ou por
outro dos métodos existentes;
„ A seguir, determina-se a precipitação efetiva (“Pe”). Os dados de precipitação (P)
obtidos nos registros das séries históricas meteorológica multiplicados pelo coefici-
ente de ajuste nos permite obter a precipitação efetiva.

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Este coeficiente de ajuste (Kr) permite reduzir aquela quantidade de água de chuva
que, por diversos fatores, passa a perder-se por escoamento superficial e/ou percolação
profunda. Neste caso, a precipitação efetiva vem a ser:

Pe = P (1 - Kr)

Geralmente, assume-se que o valor de Kr é de 0,20, porém existem curvas especí-


ficas para achar este valor.

Como os solos têm capacidade de retenção e infiltração de água, recomenda-se


corrigir ou ajustar pela equação Pe = P x 0,80, a partir de 20mm mensais como valor
mínimo. Os valores entre 10 e 20mm anotam-se sem ajustar, e os valores menores que
8mm de precipitação mensal não devem ser levados em consideração.

Obtida a precipitação efetiva, é registrada na coluna 3 da Figura A10.4.

„ A seguir, se obtêm a lâmina líquida que vem a ser a diferença entre os valores
anotados nas colunas 2 e 3 da Figura A10.4.

Ln = Et - Pe

Esta lâmina corresponde às necessidades de irrigação em lâmina, e refere-se ao


volume de água requerido pela cultura no mês para cobrir as perdas de evapotranspiração.

a) Lâmina Bruta

Na aplicação da lâmina líquida, registra-se uma série de perdas que devem ter-se
presentes na determinação da lâmina bruta, que será o volume de água a se considerar
nos planos de irrigação.

As perdas mais significativas para efeito do cálculo da lâmina bruta são as per-
das de aplicação, resultantes do manejo da água na parcela. Porém, a fixação do valor
destas perdas não é muito fácil, desde que são vários os fatores que incidem sobre elas e
entre os quais destacam-se a habilidade do agricultor, o sistema de irrigação, a textura do
solo, o nivelamento das terras e os tempos de aplicação.

Geralmente, a maioria dos erros na fixação da lâmina bruta está centralizada no


desconhecimento da eficiência total do Perímetro Irrigado, por isso, é recomendável que,
ao final de cada ciclo agrícola, seja estimada esta eficiência através da relação entre a
lâmina de necessidades de irrigação média (ponderada em função das áreas das diversas
culturas) com a lâmina bruta total de irrigação usada no ciclo agrícola.

Eft= Nrm/Lbc

Onde:

Eft = eficiência média do perímetro irrigado


Nrm = necessidade de irrigação média em lâmina
Lbc = lâmina bruta total no ciclo agrícola

Depois dos critérios enunciados, passa-se a explicar o cálculo da lâmina bruta men-
sal. Este procedimento continuará sendo registrado na Figura A10.4 e consiste em:

„ O valor adotado como eficiência de aplicação registrado na coluna 5 da Figura


A10.4. A fim de facilitar a seleção deste valor, são apresentadas as Tabelas A10.8

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

100

90

80
Unidade relativa medida de valores ao meio dia

70

60

Hn = 1.0 0.4 H 0.00 H2


50

40

30

20

10

0
10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Unidade relativa média de 24 h (H)

Figura A.10.2 Relação entre Unidade Relativa Média Diária entre Umidade Relativa
ao Meio-Dia (Alarrak - 1964)

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Cultura:

Coeficiente k de Coeficiente mensal Temperatura méd. Umidade relativa


Equação (0.-0,01 Hn) E T de cultivo mm
M eses cultivo duração-dia: d mensal oC média meio-dia Hn
1 2 3 4 5 6

Janeiro

Fevereiro

M ar ço

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

Ano

Et.mm.= 17.37 K.d.T (1.0-0,01 Hn)

Figura A.10.3 Registro de Dados no Cálculo do Uso Consultivo Usando a Fórmula


de Hargreaves

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

e A10.9 que mostram, para diversas condições, as eficiências de aplicação para


irrigação superficial e por aspersão;

„ A seguir, determina-se a lâmina bruta usando a equação:

Lâmina bruta (mm) = Lâmina líquida (mm)/Eficiência de Aplicação

Neste caso, o valor da eficiência expressa-se em forma unitária, assim sendo na


tabela acha-se o valor de 55%. O valor a ser usado na equação será 0,55.

O valor de lâmina bruta registrada na coluna 6 da Figura A10.4.

b) Demanda de Água expressa em volume ou Coeficiente de Irrigação Mensal

Determinada a lâmina bruta mensal em mm, procede-se a transformar estes


dados a m3/ha/mês, o que vem a ser o volume de água mensal a ser entregue a nível de
lote para cada hectare de uma cultura determinada. Este requerimento mensal é chamado
por outros como coeficiente de irrigação mensal, que é o dado final usado no cálculo do
plano de irrigação.

Para a obtenção desta demanda ou coeficiente de irrigação, multiplica-se a lâmi-


na bruta em mm por 10, e o valor resultante expressa-se em m3/ha e registra-se na coluna
7 da Figura A10.4.

Terminado este procedimento para cada uma das culturas previstas no plano de
produção do Perímetro Irrigado, formula-se uma planilha geral dos coeficientes mensais,
levando-se em consideração o período do ciclo vegetativo.

Quando o perímetro irrigado tem um elenco de culturas definido e com ciclo


vegetativo rígido, pode-se tabular os dados dos coeficientes de irrigação mensal usando-
se a Figura A10.5. Caso contrário, ter-se-ia que formular uma tabela diferente na qual
estejam previstos diversos períodos de plantio. Neste segundo caso, usa-se a Figura
A10.6.

3.1.2.3 Determinação da Demanda de Água a Nível do Perímetro Irrigado de


Acordo com o Plano de Cultivo

A programação das demandas de água mensais a nível de Perímetro Irrigado, tam-


bém denominada Plano de Cultivo e Irrigação, é vital para o funcionamento racional do
sistema, sobretudo quando as disponibilidades hídricas são escassas ou quando a capta-
ção e distribuição feita por bombeamento já que uma operação deficiente elevaria demais
o custo da energia elétrica.

Quando a fonte de abastecimento permite uma disponibilidade de água maior que a


demanda, a limitante pode ser a capacidade das obras de irrigação e/ou medidas de
racionamento da energia elétrica. Nestes casos, também é importante a previsão anteci-
pada das demandas de água.

O Plano de Cultivo e Irrigação tem como base o Plano de Produção de cada produtor
e as necessidades de água de cada uma das culturas a serem plantadas.
O Plano de Cultivo e Irrigação constitui um dos principais instrumentos técnicos da
administração e distribuição de água para irrigação.

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Perímetro irrigado Cultura

1 2 3 4 5 6 7 8
7
MÊS uc Precipitação Lâmina Efic. Lâmina Demanda Resultado Coeficiente de irrigação
Total
mm efetiva (pe) líquida Aplic. bruta em volume m3 dm / f m3/ha irrigação
horas
mm mm % mm ha mês

Manual de Irrigação
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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Figura A.10.4 Determinação das Necessidades de Água das Culturas

192
Distrito: Perímetro Irrigado:
Ano ou período agrícola: (Unidade m3/ha x 103)

Meses do Ano
Cultura Média Anual
Jan Fev M ar Abr M ai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

( 1)

Manual de Irrigação
( 2)

( 3)

( 4)

( 5)

( 6)

( 7)

( 8)

( 9)

(10)

(R)

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Cédula x
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Figura A.10.5 Registro do Coeficientes Volumétricos Mensais das Culturas para o Ano Agrícola

193
Distrito: Perímetro Irrigado: Cultura

Período Irrigação Segundo ciclo agrícola coef. em m3 / ha


Meses Plantio Total
Jan Fev M ar Abr M ai Jun J ul Ago Set Out Nov Dez

Janeiro

Manual de Irrigação
Fevereiro

M ar ço

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

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Dezembro
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Figura A.10.6 Registro dos Coeficientes Mensais por Cultura e Diversos Períodos de Plantio

194
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

a) Critérios a serem considerados na formulação do Plano de Cultivo e Irrigação.

„ Considerar o desejo do usuário, compatibilizando-o com os diversos aspectos


implícitos programação das culturas, tais como diretrizes de produção, fato-
res agroclimatológicos, facilidades de comercialização, diretrizes de crédito,
etc.;
„ Considerar os procedimentos e datas determinadas no Regulamento Específi-
co de Operação e Manutenção do Perímetro Irrigado para o planejamento
agrícola;
„ Manter estreita coordenação com as entidades de crédito, assistência técni-
ca, pesquisa, comercialização e usuários.

Para a formulação do plano, deve-se também ter conhecimento prévio dos seguin-
tes aspectos:

„ Avaliação das disponibilidades hídricas do perímetro irrigado;


„ Calendário agrícola das culturas a serem plantadas;
„ Coeficiente de irrigação mensal das culturas ou demandas de água;
„ Características hidráulicas das obras do perímetro irrigado;
„ Método de distribuição e eficiência de condução na rede de canais;
„ Registro de usuário.

b) Seqüência na formulação do Plano de Cultivo e Irrigação

O Plano de Cultivo e Irrigação é o instrumento que permite identificar a demanda de


água mensal a nível do perímetro irrigado.

O procedimento e a metodologia completa estão contidos nos manuais específicos


neste documento, só serão enunciadas a seqüência ou as etapas que fazem parte do
processo:

„ Difusão das preferências, facilidades e calendários concernentes ao plantio


das diferentes culturas que, de acordo com os estudos agroclimatológicos e
econômicos, são viáveis;
„ Preenchimento, pelos usuários, dos formulários para solicitação de culturas a
serem implantadas; classificação e agrupamento desses formulários por ca-
nal de irrigação;
„ Processamento e tabulação das culturas solicitadas pelos usuários e determi-
nação das demandas mensais de água, em função do calendário agrícola e
coeficientes de irrigação;
„ Consolidação das demandas de água por canal, seção, zona e perímetro irri-
gado;
„ Aos volumes de água consolidados em cada nível (canal, seção, zona e perí-
metro), acrescentar os valores das perdas de água por condução e distribui-
ção;
„ Determinação do balanço hídrico (disponibilidade - demanda d’água). Na hi-
pótese de a demanda exceder as disponibilidades, serão adotadas alternati-
vas de reajustes, tais como diminuição da área, defasagem do plantio, subs-
tituição de culturas de alto consumo hídrico por outras de menor exigência,
etc.;
„ Apresentação do plano ao Conselho do Distrito de Irrigação e/ou Cooperativa
do Perímetro Irrigado, para fins de aprovação;
„ Devolução dos planos aprovados aos usuários para que estes possam trami-
tar o crédito agrícola e conheçam o que foi aprovado e possam preparar em
tempo o lote agrícola.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela A10.8 Valores da Eficiência de Aplicação ou Manejo para Sistemas de


Irrigação por Superfície. (Manual Ames, Keller, Mc Culloch e outros).

Sistemas Gerais de Irrigação


Textura do Solo e Topografia
Melgas (%) Sulco ou Corrugação (%) Sistema Contorno (%)
I. SOLO ARENOSO
Bem nivelado 60—65 45—55 40—45
Com nivelação insuficiente 45—55 35—40 30
Sem nivelação - com declividade 15—20 25—35 20—25
II SOLO FRACO MÉDIO
Bem nivelado 65—75 60—65 50—55
Com nivelação insuficiente 50—60 55 40—50
Sem nivelação - com declividade 25 30—40 35
III. SOLO FRACO MÉDIO POUCO PROFUNDO
Bem nivelado 55—60 45—55 45
Com nivelação insuficiente 45—55 35—40 30—35
Sem nivelação - com declividade 25—30 30 30
IV. SOLO COMPACTO PESADO
Bem nivelado 55—65 65 45—55
Com nivelação insuficiente 45—55 55 45
Sem nivelação - com declividade 25—35 35—45 25—35

Tabela A10.9 Eficiência de Aplicação ou de Manejo para os Sistemas de Irrigação


Mecanizados e com Aspersão. (Manual Ames, Keller, Mc Culloch e
Outros).

Evapotranspiração Máxima em mm/DIA


Lâmina de Água Aplicada (mm)
5mm ou menos 5 a 7,5 mm 7,5 mm a mais
Velocidade de vento de 0 a 6,5 km/h
Aproximadamente 25 mm 68% 69% 62%
Aproximadamente 50 mm 70% 68% 65%
Aproximadamente 100 mm 74% 70% 67%
125 mm a mais 80% 75% 70%
Velocidade de vento entre 6,5 e 15 km/h
Aproximadamente 25 mm 65% 62% 60%
Aproximadamente 50 mm 68% 65% 62%
Aproximadamente 100 mm 70% 67% 65%
125 mm a mais 75% 70% 66%
Velocidade de vento entre 15 e 25 km/h
Aproximadamente 25 mm 62% 60% 58%
Aproximadamente 50 mm 65% 62% 60%
Aproximadamente 100 mm 68% 65% 62%
125 mm a mais 70% 67% 65%
Aplicação geral em irrigação por
92% 94% 96%
gotejamento

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

c) Eficiência de Condução e Distribuição

Com o objetivo de uma aproximação o mais exata possível situação real que ocorre
na operação das unidades de irrigação, é necessário considerar as perdas de água que se
registram na condução e na distribuição.

Estas são as eficiências que devem ser consideradas quando da consolidação das
demandas de água a nível de canal, seção, zona e perímetro irrigado. Em geral, trata-se de
um valor estimado dentro de determinados limites e de pleno conhecimento das condi-
ções operativas e características das obras de irrigação.

A eficiência operacional dos Perímetros Irrigados depende, entre outras, do tipo dos
canais de irrigação (revestidos, fechados em terra, etc.), das características dos canais
(perímetro molhado, comprimento), do tipo de estruturas de controle na distribuição, da
existência ou não de reservatórios de regularização e da estrutura de controle de nível nos
canais de irrigação e outros fatores adicionais que podem incidir nestas perdas.

É possível afirmar que, em determinadas circunstâncias, pode ser adotada uma


eficiência de condução e distribuição única para o Perímetro Irrigado e, em outros casos,
será necessário estabelecer eficiências diferenciadas, segundo o caso, a nível de canal,
seção ou zona de irrigação.

Desta forma, a determinação da demanda de água mensal do perímetro irrigado ou


do canal, obtida aplicando-se a seguinte equação:

Vbm = Vn/Ecd

Onde:

Vbm = Volume bruto mensal (m3)


Vn = Volume líquido a nível de canal, seção ou Perímetro (m3)
Ecd = Eficiência Condução Distribuição (0,xx)

3.2 Planejamento da Distribuição da Água

A distribuição e o fornecimento da água para irrigação através da rede de canais do


sistema deve observar um ordenamento que assegure o aproveitamento mais integral do
recurso hídrico em cada seção, canal e lote.

A forma mais racional para fazer este ordenamento, na distribuição e fornecimento


da água para irrigação, é através de calendários ou turnos de irrigação, já que permite
levar em consideração as diversas variáveis da operação do sistema.

A distribuição e o fornecimento de água nos perímetros irrigados devem ser plane-


jados levando-se em conta:

„ Que a avaliação volumétrica do recurso deve estar de acordo com as necessidades


dos cultivos;
„ Um ordenamento que assegure o aproveitamento integral do recurso a nível dos
canais principais, secundários e das parcelas, segundo uma seqüência predetermi-
nada de operação;
„ Um processo de fornecimento mediante entregas volumétricas por demanda sema-
nal ou turno, a fim de torná-las mais aplicáveis às premissas anteriores;
„ Um controle máximo do aproveitamento e eficiência em todos os pontos da rede de
distribuição, tendo em vista que o recurso água sempre atua como fator limitante;
„ Um plano de melhoramento da irrigação a nível das parcelas.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Antes da formulação dos calendários de irrigação, será conveniente fazer referência


a alguns princípios ligados aos métodos de distribuição, frequência e coeficientes de
irrigação.

3.2.1 Modalidade na Distribuição de Água

Efetuado o planejamento da previsão de água, através do plano de irrigação, o


passo seguinte será a sua execução, que permitirá satisfazer as demandas de água em
quantidade e oportunidade em plena concordância com as disponibilidades.

A experiência com a operação de Perímetros Irrigados e com a literatura permite


considerar como métodos de distribuição de água os seguintes:

„ Demanda Livre;
„ Demanda Semanal;
„ Turno ou Rotação;
„ Lâmina e Frequência Única.

Porém, o método a ser adotado dependerá de uma série de fatores, que C. Grassi
agrupa em:

„ Características das Obras - Muitas vezes no planejamento e dimensionamento das


obras já se decide o método de distribuição que deve ser adotado no perímetro
irrigado;
„ Plano de Culturas - Caso exista monocultura em solos uniformes, os métodos mais
adequados podem ser turno ou lâmina e frequência única;
„ Preferências - Existem preferências de alguns usuários com relação a quanto, quan-
do e como desejam receber a água, porém estas preferências devem ser compatí-
veis com as demais atividades agrícolas na parcela e com as possibilidades de
atendimento que o sistema oferece;
„ Habilidade e Experiência dos Usuários - A adoção do método de distribuição requer,
por parte dos usuários, um conhecimento sobre as práticas de irrigação;
„ Disponibilidade e Capacidade de Pessoal - Os métodos de vazão contínua têm como
base sua rigidez, a qual determina que possa ser atendido por um quadro de pessoal
reduzido e menos capacitado do que quando se aplica um método de demanda e/ou
de turno.

a) Método Demanda Livre

É um método pouco usado, não recomendável, já que não permite o controle da


quantidade e do uso da água. Este método determina a obtenção de eficiência operacional
baixa e prejudica as medidas de conservação do solo. Este sistema é usado no caso de
condução por tubulação forçada e existência de hidrômetro em cada parcela.

b) Método Demanda Semanal

Pode ser considerado um processo intermediário, que exige um controle mais rígi-
do. Visto que o usuário deve efetuar a solicitação de água a cada período de sete dias, o
controle torna-se mais fácil, já que possível reduzir o número de alterações na movimen-
tação das comportas de controle e regularização. O fornecimento de água, de acordo com
a área e a demanda das culturas, permite programar o período de funcionamento das
estações de bombeamento. O problema que ocorre na adoção deste método é que nem
todos os usuários fazem a necessária solicitação, sendo preciso discipliná-los.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

c) Turno ou Rotação

Geralmente o fornecimento responde a uma frequência fixa, vazão contínua e pelo


tempo de uso, proporcional à área e cultura a ser irrigada em cada lote. O turno estabele-
ce a ordem lógica do atendimento de acordo com a localização do lote. E um método
coercivo, que fixa a ordem da distribuição, permitindo assim a programação integral da
operação e exige um amplo conhecimento das obras e condições do Perímetro Irrigado.

d) Lâmina e Frequência Única

É aplicável fundamentalmente no caso de um zoneamento perfeito de cultivos e/


ou quando existirem monoculturas que permitam efetuar a distribuição, em função de
uma frequência única, e uma lâmina fixa em cada irrigação. Trata-se de um turno onde
lâmina e frequência não variam.

Cabe lembrar que em todos os casos a distribuição e o fornecimento de água


devem responder ao sistema volumétrico, consoante com o estabelecido nos regulamen-
tos de operação e manutenção e com as exigências do sistema de tarifas de água. Isto é
possível no caso dos três últimos métodos, mas não, no método da “demanda livre”,
devido ao seu pouco uso, salvo no caso de ser um sistema pressurizado em que, a nível
de cada lote agrícola, exista um hidrômetro que permita registrar o volume de água utili-
zado na parcela.

3.2.2 Frequência de Irrigação

Denomina-se frequência de irrigação o período que deve transcorrer entre uma


irrigação e a seguinte. Esta frequência varia de acordo com a cultura, capacidade de
retenção do solo, fatores climáticos e estado vegetativo da cultura. Por estas condições,
a frequência de irrigação não pode ser considerada como uniforme durante todo o ciclo da
cultura, nem para todas as culturas de um Perímetro Irrigado.

Cada irrigação, preferentemente, deve ser aplicada quando a planta necessitar.


Geralmente um agricultor experiente possui alguns índices que, associados com a aparên-
cia das plantas, tais como intensidade de coloração e a turgência das folhas, ajudam a
definir o momento da irrigação.

De forma teórica, a frequência pode ser obtida da seguinte maneira:

Partindo-se do cálculo da lâmina de água que atinge a zona radicular efetiva da


cultura a ser irrigada

L = ((CC-CM)/100)X(Dap)X(Pr)

Onde:

CC = capacidade campo em base a peso (%)


CM = coeficiente murcha em base a peso (%)
Dap = densidade aparente
Pr = profundidade da raiz

Neste cálculo, obtemos a quantidade máxima de água, num solo, disponível às


plantas. Na prática, esse volume possui aplicabilidade parcial, pois não se deixa o solo
chegar ao ponto extremo de murchar. Geralmente volta-se a irrigar todas as vezes que
existe perda no solo, na ordem de:

„ 50% - 40% da água disponível para solos arenosos;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ 60% - 50% da água disponível para solos barro-arenosos e barro-limosos;


„ 70% - 60% da água disponível para solos barro-argilosos e argilosos.

Neste caso podemos dizer que:

Lf = LxAd

Onde:

Lf = lâmina de água disponível às plantas, limite no qual se irrigar


novamente;
L = lâmina disponível total, até a profundidade das raízes;
Ad= porcentagem de água disponível a partir da qual se reinicia a rega.

Agora, considerando a eficiência de aplicação, definir-se-á a lâmina bruta a ser


aplicada na rega:

Lb = Lf/Efa

Onde:

Lb = lâmina bruta;
Efa= eficiência de aplicação.
Finalmente, a frequência de irrigação ser:

F = lf/Etpd

Onde:

F = freqüência de irrigação em dias;


Lb = lâmina de água disponível às plantas, limite no qual se irrigar
novamente;
Etpd = evapotranspiração potencial diária em mm/dia.

3.2.3 Coeficiente por Irrigação

Determinada a frequência de irrigação do mês, procede-se a determinar o coeficiente


por irrigação (Cpi) que vem a ser o volume de água a ser aplicado em cada irrigação por
culturas e unidade de área (hectare). Este coeficiente pode ser expresso em m3/ha ou em
mm.

Cpi = (Cim/dm)X(F)

Onde:

Cpi = coeficiente por irrigação m3/ha/irrigação;


Cim = coeficiente irrigação por mês m3/ha mês;
dm = dias do mês;
F = frequência de irrigação em dias.

Os valores do coeficiente de irrigação mensal (Cim) são registrados na Figura A10.4


e, caso seja necessário o coeficiente em m3/ha, adotam-se os valores da coluna 7; e
ainda, se se referir à lâmina, usam-se os valores da coluna 6 da indicada Figura.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

O valor obtido como coeficiente por irrigação registra-se na coluna 9 da Figura


A10.4.

Este coeficiente determinado para ser usado na formulação do calendário de irriga-


ção, já que para a programação do turno de irrigação, seja este semanal, quinzenal ou
mensal, é necessário conhecer a frequência de irrigação, o número de irrigações por mês
e o volume de água a ser fornecido em cada irrigação por hectare-cultura.

3.2.4 Calendário de Irrigação

A operação eficiente dos perímetros irrigados exige que a distribuição e o forneci-


mento de água para irrigação obedeçam a uma seqüência e a um ordenamento que permi-
tam otimizar o uso do recurso e o controle da aplicação. Esta programação é possível
através da formulação de calendários de irrigação.

Na formulação deste calendário de irrigação, devem ser considerados alguns dos


princípios técnicos descritos nos Itens 3 e 3.2 e dentre estes, os seguintes:

„ Cálculo das necessidades de água das culturas;


„ Eficiências da condução-distribuição;
„ Frequência de irrigação;
„ Coeficientes por irrigação/cultura.

Como informação adicional, é necessário conhecer alguns dados relativos ao siste-


ma operacional do Perímetro Irrigado que permitem determinar a seqüência no forneci-
mento de água e o número de usuários que podem ser atendidos simultaneamente em
cada canal. Assim sendo, é necessário conhecer:

„ O módulo de irrigação previsto no projeto executivo;


„ Croquis dos canais de cada Seção de Irrigação com indicação da vazão de cada
trecho e localização das tomadas parcelares;
„ Registro de usuários contendo dados do lote, vazão da tomada parcelar, área do
lote e canal que irriga.

O calendário de irrigação pode ser formulado semanal, quinzenal ou mensalmente,


dependendo das possibilidades operacionais de cada perímetro. Em alguns casos, quando
o número de usuários é reduzido e as variações na execução da programação de irrigação
é frequente, pode ser necessária a formulação de calendários semanais.

Atualmente, com o auxílio de microcomputador, é possível formular calendários de


irrigação com a periodicidade mais adequada às necessidades operacionais. Porém, de
acordo com a modalidade de distribuição da água e a forma de programação, o calendário
de irrigação poder ser formulado tomando-se como base:

„ O plano de cultivo e irrigação;


„ As demandas dos usuários;
„ Turno rígido.

3.2.4.1 Calendário de Irrigação na Base do Plano de Cultivo e Irrigação

Como mencionado no item 3.1, o planejamento da demanda de água é feito em


função da elaboração do plano de cultivo e irrigação, o qual permite conhecer, a nível de
cada usuário, a demanda de água mensal para atender satisfatoriamente o plano de culti-
vo que se pretende implantar no ano agrícola.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Para a formulação do calendário de irrigação com base do plano de cultivo e irriga-


ção, parte-se do formulário OM-004 - “Volume Mensal Necessário por Seção”, no qual, a
nível de cada usuário, dado o volume mensal de água que este deve receber.

A seguir, em função da frequência de irrigação adotada pelo Perímetro ou do pedido


específico do usuário, determina-se o volume de água para cada irrigação, o que permitir
obter o tempo de irrigação em função da vazão da tomada parcelar.

A descrição do procedimento especificar-se-á a seguir e, para tanto, usa-se a Figura


A10.7, que constituir documento de trabalho para o preenchimento do formulário OM -
“Programação de Irrigação por Tomada Parcelar” (Figura A10.8).

A Figura A10.7 consta de seis colunas a serem preenchidas da seguinte forma:

„ Coluna 1: registra-se o código do primeiro canal da seção de irrigação e, a seguir, os


nomes dos usuários na seqüência da localização da tomada parcelar (de jusante à
montante). E assim sucessivamente com o segundo canal;
„ Coluna 2: o código ou número do lote que conduzido pelo usuário;
„ Coluna 3: o volume de água que, de acordo com o plano de irrigação, foi calculado
para o mês correspondente;
„ Coluna 4: o volume a ser fornecido por irrigação, obtido da divisão do volume do
mês pelo número de irrigações do mês ou pela forma indicada no item 3.2.3;
„ Coluna 5: o dado da vazão da tomada parcelar ou módulo de irrigação adotado no
perímetro; expresso em litros por segundo (l/seg);
„ Coluna 6: as horas de irrigação para fornecer o volume de água constante na coluna
4, o cálculo deste valor: coluna 6 = coluna 4/(coluna 5 x 3,6 ).

A seguir, com os dados deste documento de trabalho (Figura A10.7) procede-se ao


preenchimento do formulário “Programação de Irrigação por Tomada Parcelar” ou Figura
A10.8, porém devem-se manter a vista os croquis ou a planta dos canais que identificam
a seqüência dos lotes a serem atendidos por módulo de irrigação. Desta maneira, será
mantida a ordem de irrigação em função da localização da tomada e da vazão do canal,
evitando-se as perdas excessivas por condução.

Este formulário com a programação de irrigação por tomada parcelar constitui o


calendário de irrigação, cuja forma de preenchimento é feita da seguinte maneira:

Colunas 1-5: referem-se aos dados gerais.

„ Coluna 6: anota-se o canal da seção de irrigação e sua vazão operativa e, a seguir,


relacionam-se os lotes atendidos por este canal;
„ Coluna 7: registra-se a vazão da tomada parcelar em l/seg;
„ Coluna 8: anota-se o horário de fornecimento da água, sendo a linha superior para
o início do fornecimento e a inferior para o término do turno;
„ Coluna 9: indica-se o dia do fornecimento do turno. Cabe ressaltar que, na fixação
da seqüência de fornecimento, é necessário levar em conta a vazão do canal, assim
sendo, o somatório das vazões a serem entregues no período por canal não deverá
superar a capacidade máxima do mesmo.

A primeira via deste formulário destinada ao canaleiro, a fim de que o mesmo


execute a distribuição da água em função da seqüência estabelecida no calendário. Uma
segunda via pode ser fixada em local predeterminado para que os usuários tomem conhe-
cimento da programação; e a terceira via ficar com a chefia para a supervisão da execução.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

3.2.4.2 Calendário de Irrigação na Base das Demandas dos Usuários

Em muitas ocasiões, pode ser que se tenha formulado o Plano de Cultivo e Irriga-
ção, porém, em razão da defasagem na execução do plano de produção, seja pela falta de
semente, maquinaria ou excesso de chuvas, torna-se impossível o uso deste documento
para a programação do turno de irrigação.

Neste sentido, para sanar esta deficiência, é possível a formulação do calendário


mediante solicitação ou demanda de irrigação feita por usuário, seja para períodos sema-
nais ou quinzenais.

Neste caso, a metodologia proposta é a seguinte:

„ Determina-se o período para o qual ser formulado o calendário de irrigação; a data


deve constar no Item 22 do formulário “Solicitação de Água” (Figura A10.9). Em
função deste período, os usuários devem preencher e devolver o formulário com
quatro dias de antecedência da data inicial do calendário;
„ O preenchimento do formulário deve ser realizado por todos os usuários, levando
em conta o seguinte:

X Colunas 1-7: referem-se aos dados gerais sobre o nome do distrito, períme-
tro, canal que irriga, o lote e o nome do usuário;
X Colunas 8-11: correspondem aos dados da solicitação, nas quais o usuário
especifica o dia que está pronto para irrigar, a vazão desejada e o volume
total de água necessário por irrigação. Em função da frequência de irrigação
e do período de vigência do calendário, este formulário poder ser usado para
vários turnos;
X Colunas 12-15: referem-se aos dados complementares, que o usuário deve
fornecer sobre a cultura; estado vegetativo, data da última irrigação e a área
a ser irrigada. Estes dados são importantes para que o chefe do perímetro
possa definir as prioridades no atendimento, sobretudo quando existirem vá-
rias solicitações para o mesmo dia;
X Colunas 16-21: Serão preenchidas pelo chefe do perímetro de acordo com o
processamento de todas as solicitações e a definição do calendário de aten-
dimento;
X Coluna 22: ser utilizada para registrar o período abrangido pelo calendário de
irrigação;
X Colunas 23-24: referem-se assinatura do usuário e do chefe do perímetro,
respectivamente.

O formulário “Solicitação de Água” entregue pelos usuários ser processado pelo


Chefe do Perímetro Irrigado e/ou encarregado da operação. Neste sentido, o formulário
deve ser agrupado por canal e ordenado na seqüência da irrigação (jusante à montante).

Este processamento pode ser feito diretamente, analisando a solicitação do usuário


e registrando nele as possibilidades de atendimento; isto é fatível em função da prática e
do conhecimento que se tem sobre a seqüência no fornecimento. Em outros casos, pode-
se buscar auxílio de um quadro de trabalho que permita tabular a informação por canal e
a ordem de atendimento e também possa ajudar na determinação da data de aprovação,
cuidando-se para não exceder a capacidade máxima do canal.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Perímetro irrigado Zona de Irrigação

Secão de Irrigação Mês/Ano

___________________________/_________________________
1 2 3 4 5 6
Nome usuário Nº do lote Vol. m6es PCR Vol. irrig. Vazão da tomada ou Nº horas
m 3 / m ês m3 módulo l/seg irrigação

Figura A.10.7 Documento Trabalho p/ Calendário de Acordo Plano de Irrigação

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Operação Programação de
1 D.P. 2 Distrito 3 Perímetro 4 Seção 5 Período Irrigação por
Tomada Parcelar
6. Tomada parcelar 7. Vazão (1/3) 8. Horário

9. 9. 9. 9. 9. 9. 9. 9. 9. 9.

Figura A.10.8

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Operação
1 D.P. 2 Distrito 3 Perímetro Solicitação de Água
4 Seção 5 Canal 6 Lote 7 Usuário

Solicitação Data da Cultura Aprovação

Manual de Irrigação
8. Dia Início 9. Dia término 10. Vazão L/seg 11. Volume m3 12. Cultura 13. Estado 14. Data última 15. Área Início Término 20. Vazão 21. Volume
Vegetativo irrigação Has 16. Dia 17. Hora 18. Dia 19. Hora

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Figura A.10.9

206
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Usuário por Nº Lote Vol Solicitado Data que Vazão canal ou Horas Data última Período Seqüência p/
Canal m3 / turno solicita irrigar tomada l/seg necessárias irriagada v e ge t a ç ã o atendimento
m ês culturas

Figura A.10.10

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400 36
30 3

Manual de Irrigação
1 450 42
20
10 30 3
CT
EB0503
TP (Tomada parcelar)

401
CT10

2
10
10
CT

03 EB0404
101
CT

CS1
1

01
10

02
T10
C

CS1
CS104

EB0306

EB0203

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CS103
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

2350 236 Vazão canal Nº lotes


30 3 Módulo irrig. Freqüência

Figura A.10.11 Representação Esquemática - Rede Canal e Localização de Tomadas Parcelares

208
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Este quadro de trabalho (Figura A10.10) consta de nove colunas cujo preenchimen-
to o seguinte:

„ Coluna 1: registram-se o código do canal e os nomes dos usuários que irrigam por
ele, em seguida registra-se o segundo canal e assim sucessivamente;
„ Coluna 2: anota-se o número do lote conduzido pelo usuário;
„ Coluna 3: o volume de água que o usuário solicita por irrigação ou turno;
„ Coluna 4: a(s) data(s) para a(s) qual(is) o usuário solicita a irrigação;
„ Coluna 5: a vazão do canal e/ou tomada parcelar;
„ Coluna 6: determina o número de horas necessárias para o fornecimento do volume
de água solicitado, neste caso: coluna 6 = coluna 3/(coluna 5 x 3,6);
„ Colunas 7-8: registram-se informações da data da última irrigação e do período
vegetativo da cultura, dados estes contidos na solicitação apresentada pelos usuários;
„ Coluna 9: deverão ser anotadas a ordem do fornecimento e a data, as quais facili-
tarão o preenchimento do calendário.

Finalmente, preenche-se o formulário da Figura A10.8, “Programação da Irrigação


por Tomada Parcelar” da mesma forma como foi indicado no item 3.2.4.1.

Concluída a programação, pode-se optar por preencher os campos 16-21 da “Soli-


citação de Água”, a qual devolvida aos usuários para que tomem conhecimento do dia,
horário e tempo de irrigação aprovados. Para que os canaleiros conheçam e executem a
programação, estes devem receber uma via do calendário de irrigação parcelar.

Outra modalidade que pode ser adotada o preenchimento do formulário da Figura


A10.8 em três vias sendo destinada a 1a. via aos canaleiros; a 2a. via deve ser colocada
em lugar visível para conhecimento dos usuários; e a 3a. via, chefia para supervisão.

3.2.4.3 Calendário de Irrigação na Base de Turno Rígido

Do ponto de vista da programação, o método fica mais fácil de ser formulado,


porém, ao mesmo tempo, se torna mais exigente nas informações e na aplicação de
determinadas situações operacionais rígidas, tais como:

„ Conhecimento dos parâmetros técnicos usados no dimensionamento das obras e


aqueles previstos para a operação do sistema (horas de irrigação por dia, módulo de
irrigação, número de lotes a serem atendidos pelo módulo de irrigação, etc.);
„ É necessário que os usuários sejam disciplinados e que sempre estejam em condi-
ções de receber o turno de irrigação na data, hora e tempo previamente fixados.
„ As estruturas, obras e sistema de captação do perímetro irrigado devem receber
sempre uma eficiente e oportuna manutenção, com a finalidade de que o turno não
seja interrompido por paralisações no bombeamento, por danos nos canais, etc.;
„ Turno rígido, onde a frequência e a lâmina de água são únicas, exige o estabeleci-
mento de culturas cujas demandas de água sejam idênticas;
„ Adequação da frequência de irrigação no turno, em função do módulo de irrigação
e número de lotes a serem atendidos pelo módulo, por exemplo: sendo o módulo de
30 l/seg e os canais dimensionados no sentido de que, para cada três lotes, foi
prevista uma vazão de 30 l/seg; neste caso, a frequência do turno seria de três dias.

A metodologia proposta para a formulação do calendário de irrigação com base de


turno rígido é a seguinte:

„ Em uma planta do perímetro que tenha informações sobre a vazão de cada trecho
do canal, o loteamento e a localização das tomadas parcelares, fixa-se a seqüência
do fornecimento de água para cada grupo de lotes atendidos pelo módulo de irriga-
ção considerando a ordem de jusante a montante;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Caso não exista uma planta geral, pode-se levantar um croqui de cada canal com os
dados de vazão por trecho e localização da tomada parcelar e nele seria estabelecida
a seqüência do turno (Figura A10.11));
„ A seguir, determina-se o número de horas de irrigação por dia, que não deve ser
maior do que o tempo previsto no detalhamento do projeto básico. No caso de
perímetros cuja captação por estação de bombeamento, devem-se levar em consi-
deração as horas de maior demanda de energia, período este em que recomenda-se
não bombear para evitar custos excessivos de energia.

4 EXECUÇÃO DA OPERAÇÃO DO PERÍMETRO IRRIGADO

4.1 Operação do Sistema de Captação

Na maioria dos projetos de irrigação, a captação da água é feita através de represas


de armazenamento (reservatórios), barragem reguladora e/ou estações de bombeamento.
Pode acontecer que, em alguns casos, o ponto de captação reúna mais de uma das
formas enunciadas.

4.1.1 Captação por Gravidade

Quando a captação é por gravidade através de represas de armazenamento ou por


barragem reguladora, os procedimentos e cuidados para operar estas estruturas são mais
simples, podendo-se limitá-los as seguintes ações:

„ Controle de nível do volume armazenado que permita adotar decisões para o funci-
onamento de extravasores ou das comportas de descarga;
„ Abrir e fechar comportas do canal de captação, em função das necessidades e da
programação do calendário de irrigação;
„ A movimentação das comportas nestes tipos de estruturas de captação pode ser
por sistema manual ou elétrico;
„ Devem-se conhecer os tempos que as diversas vazões captadas demoram para
chegar aos pontos de distribuição. Isto é importante para prever a hora de abrir e
fechar comportas para atender a programação da distribuição da água.

4.1.2 Captação por Sistema de Bombeamento

A captação através de estações de bombeamento exige uma operação mais cuida-


dosa em razão dos diversos componentes eletro-mecânicos e, em alguns casos, até me-
canismos eletrônicos.

Não basta que o mecanismo da estação de bombeamento tenha sido bem especifi-
cado e bem fabricado, em todo caso necessário que seja devidamente instalado, operado
e mantido.

É necessário que o pessoal que opera as estações de bombeamento fique a par dos
problemas relativos a instalação, operação e manutenção, bem como dos detalhes conti-
dos nos manuais do fabricante para conseguir integrar-se com todos os componentes
destes sistemas.

Considerando que a predominância dos conjuntos de bomba é do tipo bombas


centrífugas, a seguir abordam-se os aspectos gerais destas e, em especial, das bombas
de eixos horizontais.

Para a operação de estações de bombeamento, é necessário conhecer alguns as-


pectos da instalação, montagem e funcionamento (curvas de performance, potência e
curva do sistema), que a seguir serão explicados.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

a) Aspectos de Instalação:

É necessário conhecer o seguinte:

„ Verificar se o desenho de conjunto (dimensões externas do conjunto bomba-


motor, dimensões da base, locação e diâmetro dos chumbadores, conexões
de sucção e descarga, conexões elétricas, etc.), foi seguido no projeto de
montagem;
„ Observar se na instalação foram seguidas as instruções do manual do fabri-
cante.
„ No caso de bombas horizontais, recomendam-se as seguintes providências:
„ O alinhamento do conjunto motor-bomba é feito geralmente na fábrica, po-
rém, pelo transporte e/ou pela montagem, pode sofrer desalinhamento. Entre
os desalinhamentos que podem ocorrer entre o eixo do motor e o da bomba,
existem espaço entre as duas meias luvas, maior que o permitido; desalinha-
mento angular e desalinhamento entre o eixo da bomba e o do motor;
„ Na operação devem-se seguir os manuais de lubrificação (tipo de lubrificante,
viscosidade e vida útil), e se ter em conta que tanto o excesso como a falta
de lubrificação afetam a vida dos mancais ao produzir aquecimento excessivo;
„ A colocação e aperto das gaxetas devem ser feitos com alguns cuidados
especiais, tais como: na montagem dos anéis de gaxeta devem ser evitadas
as coincidências com as emendas dos anéis, assim como os apertos excessi-
vos; prestar atenção quanto ao número de gotas que devem ser pingadas nas
gaxetas, para garantir um bom estado de resfriamento e lubrificação das
gaxetas; o número de gotas deve ser o previsto no manual;
„ Cuidar para que todos os pontos de drenagem do equipamento sejam ligados
num local de despejo adequado.

b) Aspectos de Locação e Montagem do Equipamento

No início da operação das estações de bombeamento, é importante verificar a ins-


talação para que:

„ O acesso para inspeção e manobras durante o funcionamento seja adequado;


„ As bombas tenham sido instaladas com traçado de tubulação de sucção e
descarga simplificado;
„ No caso de bombas de grande porte, exista espaço suficiente para usar siste-
ma de levantamento e transporte (monovias, pontes rolantes, etc.).

Para que a bomba tenha um bom funcionamento, a montagem deve ter seguida as
seguintes observações:

„ Na tubulação de sucção:
X deve ser totalmente estanque, de modo a evitar a entrada e a formação
de bolhas de ar;
X a redução entre a bomba e a tubulação dever ser excêntrica, para evitar
a formação de bolhas de ar;
X a válvula da gaveta dever estar na posição horizontal (haste na horizon-
tal), para evitar a formação de bolha de ar;
X a altura de sucção e o diâmetro da tubulação deverão ser verificados
em função da NPSH requerido;
X quando existir válvula de pé, esta deve ter sido bem dimensionada e
especificada;
X para impedir que corpos estranhos danifiquem a bomba, deve existir
um crivo na área de passagem.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ Na tubulação de recalque

X verificar a instalação da válvula de retenção e válvula de gaveta, já que


a primeira protege a bomba contra a pressão excessiva (efeito do golpe
de aríete quando a bomba para de funcionar), e ainda elimina a possibi-
lidade da mesma girar em sentido contrário;
X a válvula de retenção permite a partida da bomba com a válvula de
gaveta aberta;
X a válvula de gaveta serve para realizar a manutenção e, em determina-
das oportunidades, regular a vazão.

„ No aspecto de funcionamento

O sistema da estação de bombeamento deve operar como um todo e não isola-


damente. Portanto os operadores das estações de bombeamento têm a necessidade e a
obrigação de conhecer o funcionamento do sistema de forma integral.

A seguir, citam-se procedimentos principais e de rotina no caso das bombas


centrífugas:

„ Escovar a bomba, que significa remover o ar, gás ou vapor da tubulação de


sucção e da carcaça; deve-se levar em conta que algumas peças internas
cuja lubrificação dependem da água podem apresentar engripamentos se a
bomba não for previamente cheia de líquido;
„ Caso necessário, verifique se o rotor está “preso” ou “raspando”, para tanto
pode girar o eixo com a mão, não operar a bomba até localizar a causa do
defeito, até que o mesmo tenha sido corrigido;
„ Verificar e/ou complementar o lubrificante, cuidando para que fique na medi-
da exata, bem como que a graxa ou o óleo a ser usado se encontrem isentos
de água, impurezas ou quaisquer outros contaminantes;
„ Deve-se abrir a válvula do “selo hidráulico”, quando este existir;
„ Seguidamente, procede-se a ligação do motor;
„ Feita a ligação, necessário abrir a válvula de descarga lentamente;
„ Recomenda-se observar o gotejamento das gaxetas e ajuste válvula do selo
hidráulico para se ter um fluxo adequado de lubrificação;
„ Quando a unidade tiver uma válvula de retenção de gaveta, os procedimentos
serão os mesmos, só se prestando atenção para que a válvula seja aberta
antes do motor ser ligado;
„ A parada da bomba é feita através do processo inverso de fechar lentamente
a válvula de descarga e logo desligar o acionador.

Os sistemas modernos estão contemplando controles automatizados, que aju-


dam na operação normal, porém são instrumentos que exigem o máximo controle e opor-
tuna manutenção, para evitar danos nos equipamentos das estações de bombeamento.

4.1.3 Cuidados na Operação de Estações de Bombeamento

Podem-se enunciar os seguintes cuidados a serem tomados durante a operação das


estações de bombeamento:

„ Na limpeza de rolamentos e sistema de lubrificação, não se devem usar estopas,


devem-se usar panos limpos;
„ Controlar e observar periodicamente o painel dos quadros de comando e instrumen-
tos (amperímetros, voltímetros, etc.), a fim de verificar se estão sendo mantidos os
níveis operacionais;

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„ Acompanhar o funcionamento do motor e da bomba para detectar oportunamente


aquecimento e barulhos anormais;
„ Verificar e acionar periodicamente os sistemas de alarmes existentes na estação de
bombeamento;
„ Operar os conjuntos da estação em forma escalonada para que cada um deles
tenha um número de horas de funcionamento mensal equivalentes;
„ Verificar os sistemas elétricos para dar a estes os serviços necessários, bem como
iluminação interna e externa da estação de bombeamento;
„ Preencher os formulários que permitam levar o controle da operação e manutenção
de cada conjunto da estação de bombeamento;
„ Ter arquivo, revisar com frequência e seguir o manual de instruções fornecido pelo
fabricante.

4.1.4 Problemas Operacionais

Dentre os problemas operacionais mais frequentes, podem-se relacionar os seguin-


tes:

a) Operação da bomba com vazão reduzida

Cabe indicar que as bombas centrífugas têm limitações para operar com vazão
reduzida. Deve-se verificar no manual qual o gasto (Q) mínimo recomendado.

A operação da bomba com gasto (Q) reduzido apresenta os seguintes problemas:

„ Aumento do empuxo radial, com problemas no rolamento e nas gaxetas;


„ Aumento da temperatura do líquido bombeado;
„ Retorno.

A Figura A10.12-A representa o fluxo normal da água através do rotor quando


opera com vazão máxima.

Na Figura A10.12-B representa-se o fluxo quando o mesmo rotor bombeia água em


vazão bem reduzida. A parte inferior da palheta do rotor tenta levantar uma quantidade de
água correspondente da máxima eficiência. Neste caso, o fluxo não pode chegar periferia
do rotor, já que a altura manométrica maior que a altura no ponto de máxima eficiência.

Essa quantidade de fluxo o excesso que retorna para a sucção em alta velocidade.
Como existem duas direções de fluxo, estas produzem turbulências no encontro dos dois,
e o resultado é uma turbulência localizada associada com o barulho e muitas vezes com o
desgaste da palheta do rotor.

Verificar a conservação de níveis de sucção, já que a variação pode fazer com que
o NPSH disponível (de instalação) seja menor que o NPSH requerido, o qual ocasiona
cavitação que leva ao desgaste prematuro da bomba (rotor e carcaça), tubulações, válvu-
las e até comprometimento da estrutura civil, tendo em vista níveis de vibrações, e em
geral registra-se queda na eficiência.

b) Operação da bomba com vazão excessiva

O funcionamento com vazão excessiva em geral provoca os seguintes efeitos:

„ Aumento do BHP e danos no motor:


„ Aumento do NPSH requerido e perigo de cavitação.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

A
B

Figura A10.12 Fluxo de Água Através do Rotor

c) Entrada de ar na bomba

Neste caso, a vazão diminui e perde a escorva, e são provocados danos nas
gaxetas, buchas e na própria tubulação de sucção.

d) Material estranho na bomba

Podem aparecer sólidos e produzir conseqüências hidráulicas ou mecânicas, como


desalinhamento e outros.

4.2 Operação do Sistema de Condução e Distribuição

O sistema de condução e distribuição dos Perímetros Irrigados pode ser equiparado


ao sistema arterial, já que através deles que a água levada para a irrigação de todas as
parcelas agrícolas do projeto.

A distribuição da água de irrigação é um dos aspectos complexos da operação, que


não só implica em levar água da fonte de abastecimento às parcelas dos usuários, como
também conduzi-la com um mínimo de perda e fornecê-la na quantidade solicitada ou
requerida e no momento preciso.

No caso de reservatórios ou fontes deficitárias, para a extração, deve-se levar em


conta a disponibilidade em diferentes épocas do ano e estabelecer o balanço hidráulico
entre disponibilidade e demandas.

Pelo dito, depreende-se que a operação do sistema de condução e distribuição deve


procurar a maior eficiência de distribuição, sobretudo quando a água é valiosa, seja por
sua escassez ou pelo custo, como no caso da água bombeada.

Geralmente, a eficiência operacional destes sistemas varia com o tempo e com a


superfície a irrigar.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Na maioria dos projetos, para a operação dos canais existem estruturas de controle
de nível, de vazão, de distribuição, com sistema de manobra mecânica ou manual, en-
quanto que, em alguns projetos, se dispõe de comportas de controle de nível cuja movi-
mentação automática, através de sistemas de telemetria e telemedição.

Feitas estas considerações, a seguir se expõem algumas observações a serem leva-


das em conta na operação dos canais, sejam estes de condução e/ou de distribuição:

„ A operação dos sistemas de captação e distribuição do perímetro irrigado deve


responder a um plano de fornecimento de água, a nível parcelar, que permita conhe-
cer com antecedência a vazão operativa diária. Este fato permite o aumento da
eficiência e evita o transbordamento ou a falta de água nos canais;
„ O responsável pela operação e o pessoal de campo que opera os canais, devem ter
conhecimento dos tempos de recorrido ou tempo em que a água demora a chegar
de um ponto a outro, em função da vazão ou da altura de água no canal. Isto
permite determinar as horas de abertura ou de fechamento das comportas e tam-
bém a hora de início da distribuição;
„ Considerando que a eficiência operacional pode mudar em função das variações de
vazão, do comprimento do canal, dos níveis de operação dos canais, do tempo ou
horário de funcionamento; recomenda-se que o setor de operação formule gráficos
que permitam visualizar as variações de eficiência;
„ A operação dos canais com carga constante (altura de água), permite melhorar a
eficiência e evitar danos nos taludes dos canais, já que operando com tirante de
operação do projeto, se estar trabalhando com o canal na máxima eficiência e
mínima infiltração e, por não ter variações de tirante, evita-se o efeito de supressão
lateral sobre as placas do canal;
„ Sobretudo em canais de terra, deve-se procurar operar com o menor perímetro
molhado para o atendimento de uma área agrícola. É recomendável distribuir água
para áreas concentradas, tendo em vista que isso ajuda a diminuir os percursos;
„ A operação dos canais que permite alta eficiência, exige revisões periódicas das
juntas e vedações das comportas na rede de distribuição e nas tomadas parcelares,
a fim de evitar as perdas de água sem controle;
„ Em geral, a operação da rede de canais deve ter como apoio a instalação e o
acompanhamento permanente da rede de hidrometria;
„ Deve-se evitar ao máximo esvaziar freqüentemente os canais, pelos danos nos
taludes e pelas perdas de água, ao se ter que encher o sistema novamente (canal ou
tubulação), além dos danos indiretos que levam demora no reinício da irrigação;
„ Acompanhar diariamente a utilização pelos usuários da água captada e, quando um
produtor deixar de usar a vazão prevista, esta deve ser redistribuída ou, diminuir a
captação ou derivação.

4.2.1 Concepção Geral do Automatismo na Operação e Controle

Os objetivos na implantação destes sistemas são:

„ O monitoramento de vazões e níveis d’água;


„ A supervisão da operação dos equipamentos;
„ O funcionamento automático do processo;
„ A geração de arquivo de operação, fornecendo subsídios para a otimização da
operação e o planejamento da manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos.

Normalmente o funcionamento do processo de teletransmissão se compõe de três


níveis hierárquicos:

a) Nível de tomada de informações de base

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Este ponto pode ser a estação de pressurização (aspersão), as tomadas de deriva-


ção ou as parcelares, as comportas de controle de nível. Este o nível hierárquico 1;

b) Nível de decisão localizada ou centro secundário de telecontrole

Este é o nível hierárquico 2. Neste nível, recebem-se as informações dos diferentes


dispositivos, efetuam-se os cálculos hidráulicos e enviam-se novamente as ordens de
comando às comportas (canais de distribuição, canais de adução);

c) Nível de gestão ou centro principal de telecontrole

Este é o nível hierárquico 3, onde centralizam-se as informações dos níveis d’água,


vazões liberadas, mudanças, alarmes de nível e os alarmes de alerta e/ou perigo das
estações de bombeamento.

O centro deve, ainda, estar capacitado para o arquivamento desses dados, criação
de quadros diários, mensais e anuais de vazões, tempo e funcionamento das bombas
incidentes.

O sistema facilita a operação, porém exige cuidados especiais, pessoal técnico


especializado, manutenção e revisões técnicas periódicas e oportunas.

4.3 Hidrometria na Operação do Perímetro Irrigado

A operação de um Perímetro Irrigado exige o conhecimento das vazões instantâne-


as e volume de água captada, o qual é entregue na rede de distribuição e fornecido aos
usuários. Esta ação cada dia torna-se mais importante em função da crescente necessida-
de de melhorar a eficiência operacional. Pelo enunciado, possível, através da hidrometria,
hoje indispensável em todos os projetos de irrigação, em razão da distribuição de água de
forma volumétrica, a cobrança de tarifas de água em função do volume fornecido e
devido à necessidade de controlar a eficiência no funcionamento diário.

Hidrometria, na operação dos Perímetros Irrigados, pode-se definir como sendo “as
atividades tendentes ao conhecimento dos volumes de água conduzidos através das divi-
sões da setorização do Perímetro Irrigado, a fim de alcançar a correta distribuição e o
melhoramento gradativo da operação do sistema”.

Para um controle integral, é necessário que existam estruturas de medição tanto na


rede de captação-distribuição como a nível de cada tomada parcelar. Em alguns projetos
de irrigação podem ter sido previstas e instaladas as estruturas nos dois níveis; em outros
casos, pode ter sido somente instalada, total ou parcialmente, a nível da rede distribuição,
e finalmente há casos onde inexistem ambos os níveis.

É imprescindível que exista a preocupação em instalar um eficiente sistema de


hidrometria, ainda que este não seja plenamente exato, porém o procedimento deve ser
simples, rápido e econômico.

4.3.1 Métodos de Medição de Água

Existem diversos métodos de medição de água e que se classificam em dois gran-


des grupos:

„ De seção e velocidade;
„ Diretos.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Pela forma como é medida a velocidade, este tipo se subdivide em:

„ Molinete;
„ Tuçãos de Pitot;
„ Flutuadores;
„ Pêndulo de Castelli;
„ Uso de corantes e outros produtos químicos;
„ Método balístico;
„ Fórmulas para estimar a velocidade em função da pendente, rádio;
„ Hidráulico e coeficiente de rugosidade.

Os métodos diretos se subdividem em:

„ Volumétricos e gravimétricos;
„ Vertedores;
„ Orifícios;
„ Medidores tipo Parshall ou de tirante crítico;
„ Fórmulas empíricas ou monogramas deduzidas das relações entre a escala;
„ (Régua), perímetro molhado e o gasto.

De todos os métodos enunciados, serão descritos aqueles que são mais fatíveis de
serem construídos ou instalados nos Perímetros Irrigados.

4.3.1.1 Métodos de Medição por Seção e Velocidade

Estes métodos de medição baseiam-se na fórmula:

Q=AxV

Onde:

Q = vazão, geralmente expressado em m3/seg ou l/seg;


A = área da secção;
V = velocidade média na indicada secção em m/seg.

Antes de explicar os métodos, definir-se-ão alguns termos mais usados na medição


de água e critérios para a instalação de uma estação de medição.

Definição de Termos

„ Estação de Medição: lugar no qual praticam-se observações sistemáticas para co-


nhecer o registro de uma corrente de água;
„ Medição: série de operações pelas quais se determina a descarga (Q) ou o volume
de água que passa pela seção transversal de uma corrente em uma unidade de
tempo;
„ Linígrafo: aparelho que permite o registro contínuo dos níveis de água em um perío-
do de tempo e fornece com maior aproximação as variações da corrente de água;
„ Mira: régua graduada instalada na estação de medição ou na corrente de água que
permite medir as alturas de água nessa secção;
„ Sondagens: determinação da distância vertical existente entre a superfície de água
e um ponto do fundo do leito. Pode ser feita com sondas rígidas ou flexíveis;
„ Descarga: produto de multiplicação das áreas parciais da seção de medição e suas
velocidades médias. O somatório das descargas parciais dar a descarga total da
corrente.

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Princípios para Instalar e Operar uma Estação de Medição

„ A estação de medição deve estar localizada em um trecho reto e uniforme do canal


(50m), não deve apresentar curvas nas imediações;
„ Deve permitir uma velocidade constante para uma mesma altura na escala
limnimétrica, a qual permita medição com molinete hidráulico;
„ O leito do canal deve ser estável e o perfil transversal relativamente constante
seguindo o perfil longitudinal;
„ As influências dos itens anteriores incidem mais nos cursos pequenos de água.

Critérios básicos na determinação da descarga de uma corrente

„ As medições devem ser executadas em seção firme e invariável não afetada por
represas ou remansos;
„ A seção transversal de uma corrente está limitada na parte superior pela superfície
da água, (praticamente reta e horizontal), pela parede do canal (talude) e o fundo
que pode variar e que é preciso determinar pela sondagem;
„ O intervalo das sondagens varia de acordo com a largura da seção e a irregularidade
do fundo, porém recomenda-se:

Largura da Seção Espaçamento da Sondagem


até 1,20m 0,10m
de 1,20 a 3,00m 0,20m
de 3,00 a 5,00m 0,30m
de 5,00 a 8,00m 0,40m
de 8,00 a 12,00m 0,50m
de 12,00 a 18,00m 0,80m
de 18,00 a 25,00m 1,00m

X caso a velocidade seja maior que 2,5m/seg, devem-se suprimir as sondagens


por sua dificuldade na execução;
X a distribuição da velocidade em uma seção de uma corrente variável e vai
aumentando da margem ao centro, e na vertical vai crescendo da superfície
até os 2 décimos da profundidade, onde registra-se a velocidade máxima
para logo decrescer até chegar ao fundo, onde é mínima;
X a velocidade que interessa para o cálculo do gasto (Q) a velocidade média, a
qual encontra-se, aproximadamente, aos 6/10 da profundidade a contar da
superfície; corresponde, também, à média das velocidades medidas aos 0,2 e
0,8 da profundidade da superfície. Esta velocidade equivale a entre 0,8 e
0,95 da velocidade superficial.

A) Medição com Molinete Hidráulico

Molinete é um aparelho composto de um sistema de hélice e copos, que giram com


o fluxo das águas e em função do número de revoluções no tempo determinado. Através
dele se obtêm a velocidade da água no momento e lugar em que se pratica a medição.

Por ser um método baseado na fórmula de Q = A x V, é necessário executar duas


operações, uma das quais consiste na determinação da área da seção e a outra em
determinar a velocidade. Com esses dois elementos, se fazem os cálculos da descarga
em cada trecho e, depois, a soma das descargas dará o gasto total.

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1) Determinação da área da Seção - a área da seção se determina por sondagens, que


darão a altura da lâmina de água em cada ponto de medição, e em função da
distância entre cada sondagem, se tem a área de cada trecho da seção;

2) Determinação da Velocidade - a velocidade determina-se com o molinete e em


função da precisão que se pretende. Esta velocidade pode ser obtida através dos
seguintes métodos:

„ Método de 0,6 profundidade - consiste em colocar o molinete aos 6/10 da


profundidade, contados partir da superfície da água e ao centro de cada
trecho da seção. Tem como base o fato de que é a velocidade aos 6/10 muito
semelhante velocidade média da vertical (Figura A10.13);
„ Método dos 0,2 e 0,8 - também conhecido como método dos dois pontos e
procura obter maior precisão quando a velocidade da corrente superior a 0,5
m/seg. Consiste em praticar duas medidas, uma aos 2/10 e outra aos 8/10
da superfície sobre a mesma vertical do centro do trecho da seção; a média
de ambas as medidas ser a velocidade procurada;
„ Método de vários pontos - caso deseje uma maior precisão e profundidade da
seção, sendo esta superior aos 3,00 metros, e as condições de escorrimento
o permitir, pode-se optar por praticar um número maior de observações sobre
a vertical que passa pelo centro do trecho da seção. Uma medida da velocida-
de deve ser feita perto da superfície, atentando-se para que as hélices não
sobressaiam da água, e outra perto do fundo, sem que as hélices batam no
mesmo. Entre uma e outra, um certo número de observações, cuidando para
que os intervalos sejam entre 1/4 a 1/10 da profundidade, sem que o maior
espaçamento exceda a 1,00 metro (Figura A10.14);
„ Método da superfície - usado quando a velocidade da água maior do que
2,5m/seg, a qual dificulta manter o molinete na posição correta. Geralmente
se faz a 0,15m da superfície e atentando-se para que o molinete não seja
golpeado pelos corpos flutuantes. Neste caso, para obter a velocidade média,
multiplica-se a velocidade superficial por 0,85 a 0,95.

3) Procedimento da Operação

Para o registro dos dados do processo de medição, usa-se formulário específico


(Figura A10.15), cujo preenchimento é o seguinte:

„ Coluna 1: distância do bordo da origem da medição ao ponto da sondagem; este


será repetido em cada ponto da seção;
„ Coluna 2: partindo do primeiro ponto, se faz a sondagem, e nesta coluna anota-se
a profundidade. Geralmente no primeiro ponto a profundidade nula (anota-se 0,00),
exceto nos canais com talude vertical em que se tem uma profundidade;
„ Coluna 3: método adotado seja o de 6/10, 2/10 ou 8/10, etc.;
„ Coluna 4: de acordo com o método adotado, calcula-se a profundidade de observa-
ção e registra-se o resultado nesta coluna. Exemplo: Profundidade do ponto 1,10m,
método 6/10, logo a profundidade de observação ser: 1,10m x 0,6 = 0,66;
„ Coluna 5 e 6: seguidamente coloca-se o molinete em cada ponto na altura da
observação determinada anteriormente, e mede-se o número de revoluções obtidas
em um determinado tempo (recomenda-se um mínimo de 40 segundos). Na coluna
5, registra-se o número de revoluções e na coluna 6, o tempo; isto repete-se em
cada ponto das seções em que foi dividida a largura do canal.

Com os dados obtidos e registrados nas colunas de 1 a 6, fazem-se os cálculos


necessários, tais como:

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Velocidade na vertical

MI MD
x x
x x
x x
x x
x

Legenda
Largura da seção
Sondagem
x Molinete p/ velocidade

Figura A.10.13 Método de um Ponto

Figura A.10.14 Método de Vários Pontos

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Sondagem Molinete Velocidade Seção
Descarga
Distr. do Profundidade da Média do parcial
Profund. Nº de Tempo No ponto Larg. Prof. Média Área Observações
ponto inicial observação Coefic. trecho
revoluções segundo
m m m é t od o m m/s m/s m m m2 m3/s

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

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Estação de Medição Molinete Área total m2

Data Início H min. leitura mira Veloc. média m/s

Observador Término H min. leitura mira Decarga total m3/s

Figura A.10.15 Registro Medição de Água com Molinete

221
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„ Velocidade: com os dados 5 e 6 se determina a velocidade no ponto usando-se as


tabelas de velocidade que cada molinete está provido. Existem duas formas de
manipular esta tabelas:

Leitura Direta:

Neste caso, a tabela apresenta em um eixo o número de revoluções mais usuais e


no outro o tempo, procura-se a interseção destes e obtêm-se, assim, a velocidade procu-
rada.

Leitura Indireta:

É observado o número da hélice usada e na tabela acha-se a fórmula para obter a


velocidade:

V = K1 x n + K2

Onde:

V = velocidade da corrente em m/seg


K1 = passo real da hélice em metros
(o valor depender da hélice usada)
K2 = velocidade de rotação em m/seg
n = número de voltas da hélice por seg.

„ Coluna 7: tratando-se de um molinete OTT tipo Arkansas a fórmula para a


hélice 1: V = 0,2590 n + 0,006. Esta a velocidade do ponto que deve ser
registrada nesta coluna;
„ Coluna 8: registra-se o fator de correção, para tal considera-se a coluna 3,
pois, se o método usado foi o superficial, se anota na coluna 8 um valor de
0,9, caso seja o método 6/10, 2/10 ou 8/10, se coloca na coluna 1;
„ Coluna 9: registra-se o resultado do produto da coluna 7 pela coluna 8;
„ Coluna 10: registra-se a largura do trecho, que vem a ser a distância entre um
ponto e outro;
„ Coluna 11: a profundidade média se obtém pela média entre duas sondagens
consecutivas; e o resultado dever ser registrado nesta coluna;
„ Coluna 12: anota-se nesta coluna a área do trecho que o produto da coluna
10 pela coluna 11;
„ Coluna 13: anota-se a descarga do trecho que o produto de cada uma das
áreas parciais pelas velocidades médias do trecho (coluna 9 x coluna 12). O
somatório das descargas parciais dará a descarga total da corrente.

B) Medição com Flutuadores

É um método prático usado para algumas verificações rápidas, em canais peque-


nos. É fácil e apresenta uma precisão aceitável.

Primeiramente, determina-se a área da seção e, neste sentido, se leva em consi-


deração a forma geométrica da seção. Em todo caso, sempre deve-se medir o fundo do
canal, a largura do espelho da água e a profundidade média.

„ Sendo seção trapezoidal: A = ((B + h)/2) x h;


„ Sendo seção retangular: A = B x h

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Em seguida, determina-se a velocidade. Para tal efeito, determina-se um trecho


do canal que seja uniforme, sem curvas próximas à montante nem à jusante. Medem-se
uns 25 metros colocando marcas no ponto inicial e no ponto final.

A dois metros à montante do ponto inicial, solta-se um material flutuante no


meio da largura do canal, e no momento que passa pelo ponto inicial (Pi) se faz funcionar
o cronômetro, o qual ser desligado quando o flutuador passar pelo ponto final (Pf).

Registra-se o tempo gasto no percurso da distância e faz-se o cálculo para deter-


minar o avanço em metros e na unidade de tempo em segundos.

V = (Espaço Percorrido)/(Tempo)

Com o flutuador, determina-se a velocidade superficial no meio da seção, po-


rém, como necessário obter-se a velocidade média, será preciso ajustar a velocidade
encontrada:

Vx = Vsup. x K

Onde:

Vx = velocidade média
Vsup = velocidade superficial
K = coeficiente (varia de 0,85 a 0,95)

Finalmente, determina-se a descarga e, para o efeito, multiplica-se a área da seção


pela velocidade média:

Q=AxV

4.3.1.2 Métodos de Medição Direta

A) Medição com Vertedores

O vertedor é um dispositivo hidráulico que consiste em uma abertura de forma


regular, feita através de um muro, por onde a água circula, fazendo contato com a borda
inferior denominada “crista umbral”, e com as paredes laterais da referida abertura que
deve estar colocada perpendicular direção da corrente a ser medida.

Os vertedores podem apresentar:

„ Duas contrações laterais, quando a longitude da crista menor que a largura do canal
de condução;
„ Sem contrações, quando as paredes do vertedor coincidem com as paredes do
canal;
„ Uma contração, quando só uma das paredes laterais do vertedor coincidir com uma
das paredes do canal;
„ A crista pode ser delgada ou grossa; neste segundo caso, as paredes também irão
influenciar na descarga.

Tipos de vertedores:

„ Pela forma, podem ser retangulares, trapezoidais ou triangulares;


„ Pela condução hidráulica, podem ser: de descarga livre, submergida (afogados),
com contração lateral, contração de fundo ou sem elas;

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Figura A.10.16 Modelos de Molinete Hidráulico

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Nota-se que o nível de água, ao se aproximar do vertedor, sofre uma depressão


superficial, que se inicia aproximadamente a uma distância igual a três ou quatro vezes a
carga (H); ao mesmo tempo, produz desvios dos filetes líquidos ao centro e que pode ser
em ambos os lados, ou em um deles (contração lateral) ou para cima, quando é contração
de fundo.

As condições para se ter um vertedor perfeito são as seguintes:

„ Condição de fundo máxima Z 3H (a altura crista sobre o fundo do canal deve ser
maior que 3 vezes a carga);
„ Contração lateral nula (L = b);
„ Velocidade de chegada praticamente nula V 0,15 m/seg;
„ Crista bem nivelada e bordo agudo;
„ Parede delgada, vertical e normal à corrente;
„ Crista horizontal e perpendicular à direção corrente da água;
„ Queda livre da veia líquida.

Cálculo da descarga (Q) de acordo com o tipo do vertedor:

„ Vertedor retangular: a fórmula de Francis tem a seguinte expressão:

Q = 1,84 (L - 0,1 nH) x (H(3/2))


Onde:

L = longitude da crista (m)


n = número de contrações laterais, corresponde de 0 a 2
H = carga do vertedor

Nota: (H(3/2)) significa H levado ao exponente 3/2.


Quando não existirem contrações no vertedor, a fórmula será:

Q = 1,84 (L) x (H(3/2))

„ Vertedor Triangular: o mais usual, tem ângulo de 90º em seu vértice inferior, a
fórmula de Horace W. King:

Q = 1,34(H(2,47))

Onde:

H = carga do vértice em m

Nota: (H(2,47)) significa H levado ao exponente 3/2.

Vertedor Trapezoidal de Cilopetti: os taludes laterais têm inclinação de 4:1.

Q = 1,859(L) x (H(3/2))

Em função das fórmulas, para cada tipo de vertedor se preparam tabelas para
leitura direta do gasto.

B) Medição com Orifício

Aberturas de forma regular feitas através de um obstáculo por onde a água circula
fazendo contato com todo o perímetro da abertura.

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O orifício perfeito é aquele que reúne as seguintes condições:

„ Encontra-se em parede delgada (cortado em bisel);


„ Tem contração completa;
„ A parede ou lâmina que contém o orifício plana e vertical.

Os tipos de orifícios são:

„ Com descarga livre: quando o nível de água à jusante da parede que contém
o orifício encontra-se a um nível mais baixo que este;
„ Submergido, quando o nível de água à montante e jusante do orifício o enco-
bre;
„ Semisubmergido, quando encontra-se parcialmente submerso e o nível de
água à montante é ligeiramente maior que a jusante e cobre parcialmente o
orifício à jusante e totalmente montante.

Cálculo da descarga nos orifícios:

Q = (cd) x (A) x (2g) x (H)

Onde:
Q = descarga em m3/seg
cd = coeficiente de descarga
A = área do orifício (m2)
g = gravidade (9,81)
H = carga em m.

Em todo caso, para a determinação da área do orifício, se tem em consideração a


forma ou seção teórica do orifício:

„ Orifício circular:

A = ((pi) x (D2))/4

Onde:

pi (equivale a 3,1416)
D = diâmetro

„ Orifício retangular ou quadrado

A=bxh

Onde:

b = base
h = altura

Porém os filetes líquidos por inércia seguem sua trajetória e se separam da borda
das paredes do orifício reduzindo-se a área da seção da veia líquida.

Contração da Veia Líquida

Conforme foi dito no item anterior, existe um coeficiente de contração, que é a


relação entre a área real da veia líquida, que é menor e a área teórica do orifício (maior),
que equivale a um valor menor do que um.

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Cc = Ar/At

Onde:

Cc = coeficiente de contração
Ar = área da seção real
At = área da seção teórica

Logo, para obter a área real (Ar) do orifício, a partir da área teórica (At), deve-se
aplicar o coeficiente de contração que, obtido experimentalmente, é de:

„ Para orifícios circulares: 0,657;


„ Para orifícios retangulares: 0,63.

Ar = (At) x (Cc)

Fatores que influem na variação do Cd

„ Espessura da parede do orifício;


„ Forma do escorrimento do curso líquido (livre, submergido, etc.);
„ Forma do orifício (circular, quadrado, retangular);
„ Valor da carga H;

O Cd em um orifício perfeito tem um valor prático de 0,60, porém, no caso de não


reunir as condições de orifício perfeito, o coeficiente de descarga (Cd) varia de acordo
com as seguintes tendências:

„ A igualdade de forma e carga, o Cd diminui quando a área aumenta;


„ A igualdade de forma e área, o Cd diminui quando aumenta a carga;
„ A igualdade de área e de carga, o Cd aumenta quando aumenta o perímetro do
orifício.

C) Medidor Parshall

É uma estrutura hidráulica medidora de vazão, que se baseia na perda de altura do


nível de água produzida pela passagem fora da da água através dele.

Na Figura A10.20 se apresenta a descrição da estrutura e as características hidráu-


licas para diversos tamanhos do medidor.

Vantagens deste tipo de medidor.

„ Desenho simples;
„ Trabalha eficientemente ainda em grandes variações de descarga;
„ Não tem problema de assoreamento, visto que o aumento de velocidade o mantém
livre de obstruções;
„ A velocidade de chegada não tem influência na determinação da descarga, conse-
qüentemente, pode-se prescindir da câmara de repouso;
„ A perda de carga pequena comparada com outras estruturas medidoras.

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Limnógráfo

Para o registro contínuo das


variações do nível de água no
ponto de medição

Figura A.10.17

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Figura A10.18 Vertedouros e Orifícios

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Figura A.10.19 Estrutura do Medidor Pashall

Gastos limites
W A B C D E F G K N X Y p. descarga livre
Máxima Mínima
7.6 46.6 45.7 17.8 25.9 38.2 15.2 30.5 2.5 5.7 2.5 3.8 34.0

15.2 62.2 61.0 39.4 39.4 45.7 30.5 61.0 7.6 11.4 5.1 7.6 109.2 1.4

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30.5 137.0 134.2 61.0 84.5 91.5 61.0 91.5 7.6 22.8 5.1 7.6 454.0 9.8

50.0 140.0 140.2 70.0 100.0 92.0 61.0 91.5 7.6 22.8 5.1 7.6 720.0 15.0
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75.0 158.0 154.0 100.0 140.0 92.0 61.0 91.5 7.6 22.8 5.1 7.6 1.200.0 25.0

100.0 170.0 165.0 120.0 165.0 92.0 61.0 91.5 7.6 22.8 5.1 7.6 1.450.0 28.0

150.0 194.0 190.0 175.0 225.0 92.0 61.0 91.5 7.6 22.8 5.1 7.6 2.240.0 45.0

200.0 215.0 215.0 225.0 285.0 92.0 61.0 91.5 7.6 22.8 5.1 7.6 3.000.0 90.0

250.0 242.0 250.0 285.0 340.0 95.0 61.0 91.5 8.5 24.5 9.0 10.0 4.000.0 120.0

Figura A.10.20 Dimensões Standart Aproximadas para Medidores Parshall

230
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Funcionamento

„ Na entrada do medidor, como resultado do estreitamento do mesmo, a velocidade


vai aumentando;
„ Na saída, acontece o processo inverso do item anterior, conseqüentemente a velo-
cidade vai diminuindo, além de que existe uma perda de carga produzida na queda;
„ Na garganta, ao chegar a água na crista, precipita-se segundo o plano inclinado
formando um ressalto cuja localização varia com:
„ A vazão que passa pelo medidor;
„ Elevação da crista sobre a rasante do canal;
„ Diferença da elevação na rasante do canal, à montante e à jusante da estrutura.

Medição no Parshall: a medição realiza-se da seguinte forma:

„ São medidas as cargas Ha e Hb a partir da cota da crista, considerando-se que o


zero está no nível do piso da entrada;
„ Se determina o grau de submersão (S). Grau de submersão é a relação:

S = Hb/Ha

De acordo com a tabela seguinte, determina-se a forma de descarga:

Tamanho do Medidor Descarga Livre Descarga Submersa


W menor de 0,30m S 0,60 S de 0,60 a 0,95
W entre 0,30 e 2,50m S 0,70 S de 0,70 a 0,95
W entre 2,50 e 15,00m S 0,80 S de 0,80 a 0,95

Observação: quando o grau de submersão é maior que 0,95, a medição é duvidosa.

Feitos os três passos anteriores, recorre-se ao monograma ou tabela corresponden-


te para fazer a leitura da descarga.

4.4 Instalação Prática e Econômica de Pontos de Medição na Rede de Condução


e Distribuição

Considerando que em muitos Perímetros Irrigados faltam estruturas de medição da


água na rede de distribuição, e que na maioria das vezes estas não podem ser construídas
agora, seja pela falta de recursos ou por algumas limitações, em razão de estarem as
obras em funcionamento, a seguir descreve-se uma modalidade econômica e fácil de ser
instalada em todos os canais de distribuição sem ter que paralisar a operação para a
instalação.

Este sistema refere-se a instalação de réguas em pontos estratégicos que, devida-


mente calibrados, permitem conhecer a vazão instantânea e que, gradativamente, deve
ser ajustada através de aferição com molinete hidráulico.

4.4.1 Instalação de Pontos de Medição na Rede de Distribuição

Para que a localização e a quantidade dos pontos de medição estejam de acordo


com as necessidades operacionais do Perímetro Irrigado, deve-se conhecer as informa-
ções técnicas, sobretudo:

„ Planta geral do sistema de irrigação;


„ Inventário das obras e suas características hidráulicas;

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„ Definição, juntamente com o pessoal do Perímetro, dos critérios básicos para


dimensionamento e instalação dos referidos pontos de controle.

Cabe indicar que a informação do inventário das obras é necessária, porém não
indispensável, já que no caso dela faltar, levantar-se-iam especificamente as característi-
cas hidráulicas de cada ponto selecionado na rede de canais.

4.4.1.1 Critérios Básicos para a Instalação

a) A localização dos pontos de controle a serem instalados, deve ser compatível com
a setorização do perímetro; isto para que a informação permita avaliar a eficiência
operacional por cada responsável pela área (Zona ou Secção de Irrigação);
b) Cobrir toda a rede de canais de condução e distribuição, visando poder avaliar
sistematicamente a eficiência de condução e de distribuição dos trechos do canal;
c) A localização definitiva do ponto de medição a ser instalado, deve atender, entre
outras, as seguintes exigências:
„ Estar próximo a uma captação, derivação e/ou via de acesso, que permita ao
pessoal de operação efetuar as leituras diárias;
„ Estar localizado em um trecho reto e uniforme do canal, que não apresente
curvas ou barramento nas imediações;
„ Que a velocidade da água no ponto, seja suficientemente adequada para uma
medição com molinete hidráulico, a ser usado no aferimento;
„ Apresentar leito do canal estável e perfil transversal relativamente constante;
„ Aproveitar ao máximo as estruturas hidráulicas existentes no Perímetro Irrigado.

4.4.1.2 Ações na Instalação dos Pontos de Medição

Nesta fase, se faz a implementação dos critérios anteriormente definidos para que
os pontos de medição fiquem no lugar mais adequado. Entre estas ações, enunciam-se as
seguintes:

„ Obtenção de uma planta geral do perímetro que mostre todo o sistema de irrigação,
bem como a setorização, para que em função dos critérios “a” e “b” (4.4.1.1.)
possa ser definida a primeira aproximação da localização dos pontos;
„ Coleta de dados das características hidráulicas dos canais para análise da localiza-
ção dos pontos adicionais, no casos de canais telescópicos e/ou que possuem
várias derivações;
„ Com a planta de localização em primeira aproximação, fazer uma visita de reconhe-
cimento em cada lugar para ver as características próprias, o acesso ao ponto, etc.;
„ Ajustada a localização do ponto, levantar as características hidráulicas do canal e
fazer um perfil da seção em um trecho de 100 metros para obter a declividade real
do canal nesse trecho;
„ Analisar os dados do levantamento topográfico e o perfil da seção e, em função
destes, estabelecer a localização definitiva da régua de controle;
„ Instalar as réguas graduadas confeccionadas para cada ponto; estas são graduadas
de centímetro em centímetro, pintadas com cores de fácil leitura e instaladas no
talude do canal.

4.4.2 Calibração do Ponto de Medição

Pode ser usado para tal o método através de fórmulas como a Manning, na qual a
velocidade é determinada em função da declividade e do raio hidráulico.

Para seguir um procedimento uniforme de acordo com a realidade do Perímetro


Irrigado, é necessário definir os critérios básicos, o procedimento de cálculo e as ações
complementares.

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4.4.2.1 Critérios Básicos para a Calibração

a) Usar de preferência os dados obtidos no levantamento das características hidráuli-


cas de cada ponto;

b) Como sempre os canais operam com lâminas superiores a 10 centímetros, a


calibração seria feita a partir desta altura;

c) Como em muitos casos os canais operam acima da lâmina máxima prevista no


projeto, as tabelas devem ser feitas para a altura total do canal, indicando-se qual a
lâmina ou vazão operativa máxima prevista;

d) Em função das características dos canais e do material do canal, adotar para a


fórmula de Manning o coeficiente “n” (caso revestimento de concreto, conservação
regular n = 0,014);

e) Verificar a declividade obtida no perfil levantado no trecho de 100 metros do ponto


selecionado; caso este perfil seja muito variável, deve optar-se pela declividade do
projeto, já que, ao levantar-se o perfil com o canal com água, impedem-se observar
alguns cuidados que incidem nestas variações.

4.4.2.2 Ações na Calibração dos Pontos de Medição

„ Elaborar um programa que permita aplicar a fórmula a ser usada na calibração do


ponto;
„ Calcular a vazão de centímetro x centímetro de cada ponto de medição e registrar
em formulário próprio para constituir a tabela de vazão de cada ponto. Registrar
neste formulário as características da seção para observações futuras (Tabela
A10.10);
„ Pode-se trabalhar com ou sem tabelas, ou em todo caso elaborar as curvas de cada
ponto, usando-se papel logarítimico.

4.4.3 Ações Complementares para Aferir e Ajustar a Calibração

„ Em função da setorização e distribuição do pessoal de campo, é necessário fazer


quadro indicando o responsável de cada grupo de postos de medição;
„ Instruir o pessoal de campo de forma a utilizar as tabelas e o registro diário das
leituras de régua, bem como as variações no dia;
„ Aferir periodicamente com molinete hidráulico a vazão nestes pontos para diversas
alturas de água;
„ Registrar no formulário de acompanhamento os resultados destas aferições que,
posteriormente, serão transferidos para o gráfico;
„ Depois de um certo número de aferições com molinete hidráulico e transferidos os
pontos para o gráfico, poder ajustar-se a curva de vazão de cada ponto.

4.5 Controle e Acompanhamento da Operação

O processo dinâmico de funcionamento de um Perímetro Irrigado exige que se


efetuem ou estabeleçam ações corretivas de apoio ou complementação oportunas. Para
viabilizar tal medida, é necessário um acompanhamento sobre a marcha, informação com-
pleta dos resultados e dificuldades enfrentadas e controle das atividades no funcionamen-
to diário do sistema de irrigação.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Tabela A.10.10 Distrito de Irrigação de Juazeiro


Tabela e Gráfico de Calibração de Pontos de Medição

Perímetro irrigado: Maniçoba


No. do ponto: P.6 Localização: canal “A” a jusante derivação A1
CT 20102 Jusante CS 201

H régua Vazão l/s H régua Vazão l/s H régua Vazão l/s H régua Vazão l/s H régua Vazão l/s H régua Vazão l/s
10 9.61 26 5l.74 42 128.65 58 245.89 74 90
11 11.31 27 55.48 43 134.74 59 254.69 75 91
12 13.13 28 59.35 44 140.99 60 263.67 76 92
13 15.07 29 63.36 45 147.39 61 272.83 77 93
14 17.14 30 67.51 46 153.96 62 282.17 78 94
15 19.33 31 71.79 47 160.69 63 291.70 79 95
16 21.64 32 76.23 48 167.58 64 301.42 80 96
17 24.07 33 80.80 49 174.65 65 311.32 81 97
18 2664 34 85.52 50 181.87 66 321.42 82 98
19 29.32 35 90.38 51 189.27 67 331.70 83 99
20 32.14 36 95.40 52 196.84 68 342.18 84 100
21 35.08 37 100.56 53 204.58 69 352.84 85 101
22 38.15 38 105.87 54 212.49 70 363.71 86 102
23 41.35 39 111.34 55 220.58 71 87 103
24 44.68 40 116.95 56 228.84 72 88 104
25 48.15 41 122.73 57 237.28 73 89 105

Observações: Q. max. projeto I/s

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

O sistema de informação refere-se ao conjunto de procedimentos, mecanismos e


instrumento mediante os quais é obtida, registrada, processada e fornecida a informação
mínima necessária e adequada execução das atividades.

A informação deve ser sobretudo seletiva, prática, indispensável, fidedigna, corre-


ta, oportuna, ordenada e lógica.

Entre os instrumentos de informação, consideram-se os relatórios e o intercâmbio


pessoal; no primeiro, se têm os relatórios de andamento ou avanços, os de precaução ou
prevenção, os de realizações e os especiais.

O intercâmbio pessoal permite a tomada de decisões rápidas e eficientes, e, neste


sentido, a gerência deve promover a realização de reuniões ou visitas de inspeção.

As reuniões representam um meio de comunicação eficiente, porém é importante


que se faça o registro dos pontos nelas tratados, conclusões, responsabilidades e outros
dados que sirvam de retroalimentação.
A prática, experiência e circunstâncias internas verificáveis nos Perímetros Irriga-
dos determinam que quem administra o projeto deve estabelecer indispensavelmente um
efetivo acompanhamento diário do funcionamento, que lhe permita obter a eficiência
operacional a diversos níveis do sistema, já que:

„ O acompanhamento adequado permite motivação do pessoal de campo a esforçar-


se para mostrar eficiência;
„ O acompanhamento melhor é aquele que permite conhecer dia a dia a eficiência na
distribuição de água, permitindo efetuar ajustes oportunos e atendimento imediato
de qualquer situação emergencial;
„ O controle das ações exige um adequado sistema de informação que forneça os
dados para avaliação e sobretudo deve ser:
X seletivo, que mostre as ações e os resultados dos eventos de maior interesse
para as estações de bombeamento;
X prático, que reduza ao mínimo o volume de documentos e trâmites;
X fidedigno e legível, para ser o mais confiável e claro possível;
X útil, deve responder às interrogativas de que, quem, onde, quando e por que.

4.5.1 Formulários para o Acompanhamento da Operação

O sistema de acompanhamento que permite manter o controle do processo de


captação, distribuição e fornecimento de água aos usuários exige o preenchimento de
formulários aplicáveis a diversos níveis da execução, que possibilite Gerência o conheci-
mento geral das ações e a obtenção da eficiência operacional.

Em geral, na maioria dos Perímetros Irrigados se faz necessário o controle diário e,


nestes casos, os formulários propostos são:

a) Na captação d’ água
„ Controle diário da operação das estações de bombeamento;
„ Controle mensal de operação das estações de bombeamento.

b) Na distribuição e fornecimento d’ água a nível parcelar


„ Controle de água a nível parcelar;
„ Controle mensal de volumes fornecidos.

A seguir, se efetua uma breve descrição de cada um dos formulários e as principais


instruções para o preenchimento dos mesmos.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

CONTROLE DIÁRIO DE OPERAÇÃO DAS ESTAÇÕES DE BOMBEAMENTO -


FIGURA A10.21

„ OBJETIVO: registrar diariamente os dados da operação de cada um dos conjuntos


da estação de bombeamento.
„ RESPONSÁVEL: deve ser preenchido pelo operador da estação de bombeamento.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DOS CAMPOS:
X Campos 1-5: referem-se aos dados gerais que especificam o nome do distri-
to, do perímetro e o código da estação de bombeamento e o número do
conjunto;
X Campo 6: indicação dos dias correspondentes;
X Campo 7: finalidade do funcionamento do conjunto nesse dia, seja para irri-
gação (I) ou para drenagem (D), marcar com “x”;
X Campo 8: registrar o nível da água no poço de sucção;
X Campo 9: vazão de operação do conjunto em litros por segundo;
X Campo 10: horário em que teve início o funcionamento do conjunto;
X Campo 11: horário de término do funcionamento;
X Campo 12: número de horas de funcionamento;
X Campo 13: leitura do horômetro após o término de funcionamento;
X Campo 14: volume de água captado em m3, que igual ao Campo 9 x 3,6 x
Campo 12;
X Campos 15-18: para registro de leituras do painel, referem-se a voltagem e
amperagem mais freqüente;
X Campo 19: observações para indicar por que não operou, se foi por estar em
manutenção, por não ser necessário, ou se está com algum defeito, etc;
X Campo 20: rubrica do operador da estação de bombeamento.

CONTROLE MENSAL DA OPERAÇÃO DA ESTAÇÃO DE BOMBEAMENTO -


FIGURA A10.22

„ OBJETIVO: manter o controle mensal da operação da estação de bombeamento.


„ RESPONSÁVEL: a ser preenchido pelo responsável pela operação do Perímetro Irri-
gado em função do formulário anterior, preenchido diariamente pelo operador da
estação de bombeamento.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DOS CAMPOS.
X Campos 1-5: referem-se aos dados gerais, que por si só explicam-se;
X Campo 6: identificação do conjunto;
X Campo 7: tempo de funcionamento do conjunto no mês, obtido através do
formulário de controle diário especificando as horas para irrigação e as horas
para drenagem;
X Campo 8: para cada conjunto, especificar quando operou para irrigação e
quando operou para drenagem, marcando com um “x”;
X Campo 9: volume captado para irrigação em m3;
X Campo 10: volume captado para drenagem em m3;
X Campo 11: observações, indicar o material usado pelo operador da bomba ou
dado adicional do conjunto;
X Campo 12: quando relaciona-se material no campo 11, deve-se indicar neste,
a unidade de medida;
X Campo 13: registra-se a quantidade de material usado no mês pelo operador;
X Campo 14: registra-se o valor desse material usado.

CONTROLE DIÁRIO DE MEDIÇÕES - FIGURA A10.23

„ OBJETIVO: manter o registro diário dos volumes derivados nos diversos canais ou
por estrutura da rede de controle; registrar as variações de vazões que normalmen-
te se dão no funcionamento diário do sistema.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ RESPONSÁVEL: pode ser preenchido pelo operador da estrutura, pelo inspetor ou


pelo canaleiro.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DOS CAMPOS:
X Campos 1-5: referem-se aos dados gerais do nome do distrito, perímetro e
código da zona e da seção de irrigação;
X Campo 6: código do canal;
X Campo 7: código do ponto de medição;
X Campo 8: horário de início da medição ou da abertura da comporta do canal;
X Campo 9: horário de término da medição ou do fechamento da comporta do
canal;
X Campo 10: diferença horária ou número de horas do funcionamento do canal;
X Campo 11: vazão inicial ao abrir a comporta;
X Campo 12: variações de vazão no período de funcionamento, registra-se a
vazão e a hora de leitura;
X Campo 13: vazão média ponderada;
X Campo 14: volume em m3 de água entregue ou controlada no ponto;
X Campos 15-16: rubrica do funcionário responsável pela operação da estrutu-
ra e de quem recebeu o volume de água;
X Campo 17: volume de água total a nível de seção ou zona;
X Campos 18-19: assinatura e data do responsável pelo controle e pela revisão.

CONTROLE DE ÁGUA A NÍVEL PARCELAR - FIGURA A10.24

„ OBJETIVO: que cada canaleiro tenha o controle diário dos usuários que estão irri-
gando, bem como das variações de vazão; permitir certificar que o usuário recebe
água durante o dia e nos tempos e vazões indicados; documento comprobatório da
informação constante no formulário “Avaliação Diária do Fornecimento de Água”.
„ RESPONSÁVEL: o canaleiro nas áreas de colonização ou o inspetor, em algumas
seções de empresas.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DOS CAMPOS:
X Campos 1-5: referem-se aos dados gerais de nomes e/ou códigos;
X Campo 6: código ou número do lote que está irrigando;
X Campo 7: área irrigada no dia;
X Campo 8: vazão inicial entregue em l/seg;
X Campo 9: registro das variações de vazão observadas no período da irrigação
e indicação da hora em que se produziu;
X Campo 10: determinar e registrar a vazão média ponderada de acordo com as
variações e com os tempos;
X Campo 11: horário de início e término do fornecimento de água e tempo de
rega;
X Campo 12: volume efetivamente fornecido de acordo com a vazão média
ponderada e tempo de rega;
X Campo 13: estágio em que se encontra a cultura irrigada no dia;
X Campo 14: assinatura do usuário confirmando os dados relativos irrigação
realizada;
X Campos 15-16: data e assinatura;
X DISTRIBUIÇÃO DAS VIAS: uma única via será entregue diariamente e anexa-
da ao formulário de “Avaliação Diária do Fornecimento de Água”.

CONTROLE MENSAL DE VOLUMES FORNECIDOS - FIGURA A10.25

„ OBJETIVO: informar unidade de emissão de contas de água o volume de água


mensal fornecido a cada usuário.

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1 Distrito 2 Perímetro 3 Estação 4 Conjunto 5 Período

________/______

7 Fim 8 Nível 9 Vazão Horário 13 14 Volume Leitura painel


6 Dia 19 Observações 20 Rubrica
I D s uc ç ã o l/seg Início Fim Dif Horômetro m3 15 Volt 16 Amp 17 Amp 18 Amp

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Figura A.10.21 Controle Diário da Operação da Estação Bombeamento

238
Controle Mensal de Operação da Estação de Bombeamento
1 Diretoria 2 Distrito 3 Perímetro 4 Estação 5 M ês

________/______

8 Condição 9 Volume para 10 Volume para


6 Nº do Conjunto 7 Tempo de Func. (h) 11 Observação 12 Unit 13 Quant 14 Valor Cr$
I D irrigação m3 irrigação m3

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Figura A.10.22

239
Operação Controle Diário
1 D.R 2 Distrito 3 Perímetro 4 Zona 5 Seção
de Medições

7 Ponto Horário Vazão em L/seg 13 Vazão média 15 Rubrica 16 rubrica


6 Canal 14 Volume (m3)
Medição ponderada fornecedor recebedor
8 Início 9 Fim 10 Dif 11 Inicial 12 Variação no período q/hora leitura

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Figura A.10.23

240
Operação Controle de Água a
1 Perímetro 2 Seção 3 Canal 4 Sub-seção 5 Data
Nível Superior

Varia da Vazão 10 Irrigação Realizada


14 Assinatura do
6 Lote 7 Área (ha) 11 Tempo (horas) 13 Fase de Irrigação
8 Vazão (l/s) Vazão (l/s) 12 Volume Usuário

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9 Leitura de vazão / hora
(inicial) (Média Início Fim Dif (1.000 m3)

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

TOTAL

15 Ass. Canaleiro Data 16 Visto Chefe Perímetro Data

Figura A.10.24

241
Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Controle Mensal de Volumes Fornecidos


1 D.R. 2 Distrito 3 Perímetro 4 M ês

5. Nº Lote 6. Nome Usuário 7. Área Irrigada 8 Vol. Fornecido

Figura A.10.25

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

„ RESPONSÁVEL: Chefe da Unidade de Operação do Distrito, tomando como base o


formulário “Controle de Água a Nível Parcelar” e o formulário “Avaliação Mensal da
Execução do Plano de Irrigação”.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DOS CAMPOS:
X Campos 1-4: referem-se a informações gerais;
X Campo 5: identificação do lote;
X Campo 6: nome do usuário;
X Campo 7: área irrigada durante o mês em ha;
X Campo 8: volume fornecido durante o mês em m3;
X DISTRIBUIÇÃO DAS VIAS: a 1a. via deve ser entregue Gerência do Distrito
ou Perímetro Irrigado para revisão; a 2ª via, para a Unidade que emite as
contas de água. ; a 3ª via, arquivada na Unidade de Operação.

OBSERVAÇÃO: Quando as contas de água são emitidas pelo sistema


computadorizado, mensalmente se emite uma listagem com os dados dos campos de nos
1 a 6, para que o responsável pela operação preencha os campos de no 7 e 8.

5 MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DA OPERAÇÃO

Esta é uma função gerencial extremamente importante na tomada de decisões, já


que a ela cabe as ações de comparar, analisar e recomendar ajustes, porém executada no
decorrer de todas as etapas da administração do Perímetro Irrigado.

A avaliação oportuna dos resultados do funcionamento visa proporcionar ou detec-


tar, em tempo, os critérios e recomendações que, implementados, permitirão alcançar o
propósito final desta atividade.

A supervisão das ações exige a avaliação contínua da eficiência no funcionamento


e, neste sentido, é recomendável que a gerência programe avaliações periódicas e facilite
a realização de avaliações episódicas.

As avaliações periódicas nos Perímetros Irrigados, podem ser programadas para o


início e o término do ano operativo, ser feitas de forma integral, desde que mensalmente
a gerência também proceda as verificações regulares.

As avaliações episódicas serão feitas quando for detectado um possível empecilho


à consecução do objetivo ou quando um fator externo não previsto constituir obstáculo
ao cumprimento de uma meta.

A gerência local deve manter sempre uma avaliação da marcha sobretudo no relati-
vo eficiência operacional e ao estado das obras, já que nestes casos são fundamentais
ações de reajuste imediatos.

5.1 Instrumentos de Avaliação

Para que a gerência exerça a função de avaliação são necessários os seguintes


instrumentos:

„ Um instrumento que indique o objetivo final e a estratégia de ação;


„ Um instrumento de programação das atividades, metas e disponibilidades dos re-
cursos correspondentes a execução (programação, planos operativos);
„ Um instrumento de informação gerencial que canalize os dados pertinentes de for-
ma ordenada e oportuna.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

O primeiro dos instrumentos, no caso dos Perímetros Irrigados, está contido no que
diz respeito concepção geral do projeto, onde ficam definidos os objetivos da implantação
do projeto e que, durante o funcionamento, é complementado com os lineamentos de
política do governo e do organismo normativo, bem como pelos instrumentos assinados
entre a entidade gestora do projeto e os produtores, quando estes assumem a administra-
ção e o gerenciamento do projeto.

O segundo instrumento é produto da programação anual que a gerência do períme-


tro irrigado deve formular, bem como os detalhes contidos no plano operativo anual.
Neste grupo existe, além da programação geral, a formulação dos planos de cultivo,
planos de irrigação e calendários de irrigação.

O terceiro instrumento refere-se a todo o sistema de informação e controle propos-


to neste documento, pois nele estão todos os formulários que permitem ordenar os resul-
tados diários obtidos na operação do perímetro irrigado.

5.2 Níveis de Avaliação da Operação

A avaliação da operação dos Perímetros Irrigados pode ser realizada através de três
níveis: Local, Regional e Sede Central, segundo seja a estrutura da(s) entidade(s)
responsável(is) pelo funcionamento destes.

5.2.1 Avaliação Local

A avaliação local deve ser desenvolvida pela gerência do Perímetro Irrigado e, de


preferência, que seja constante em função do acompanhamento diário das atividades
executadas pelo pessoal de campo.

Este nível de avaliação deve estar orientada tanto à avaliação quantitativa através
dos formulários de controle, que permitem obter a eficiência operacional, bem como pelas
visitas e verificações que a gerência deve realizar às estruturas, no diálogo com os usuári-
os e mediante as verificações feitas nas inspeções dos lotes agrícolas.

5.2.1.1 Formulários para a Avaliação Quantitativa

Ao nível local, é fundamental à gerência o conhecimento diário de como está sendo


executado o plano de irrigação, e qual é a eficiência operacional diária a nível de Seção e
Zona de Irrigação. Com estes elementos, ela disporá de elementos para introduzir ajustes
na execução da operação.

Neste sentido, os formulários propostos para esta avaliação local podem ser:

„ Avaliação diária do fornecimento de água a nível de canal/seção de irrigação;


„ Avaliação diária da eficiência operacional a nível de Zona de Irrigação;
„ Avaliação da execução do plano agrícola e plano de irrigação.

AVALIAÇÃO DIÁRIA DO FORNECIMENTO DE ÁGUA - FIGURA A10.26

„ OBJETIVO: manter informação consolidada diária por canal e seção da distribuição


de água e da eficiência de condução-distribuição; avaliar a eficiência a nível de
Seção e adotar medidas corretivas oportunas.
„ RESPONSÁVEL: o canaleiro de cada Seção de Irrigação.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DOS CAMPOS:
X Campos 1-7: referem-se aos dados gerais, contendo nome do Distrito, do
Perímetro, os códigos da Zona e Seção de Irrigação, bem como a data do dia
de fornecimento de água e nome do canaleiro da Seção;

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

X Campo 8: número do lote que recebeu a água no dia por canal;


X Campo 9: para cada canal indica-se o nome do usuário do lote;
X Campo 10: vazão média ponderada em l/seg entregue no dia (obtida através
do formulário “Controle a Nível Parcelar”);
X Campo 11: horário de início da irrigação;
X Campo 12: horário de término da irrigação;
X Campo 13: diferença ou período de recebimento da água;
X Campo 14: para o canal indica-se o volume recebido no dia (obtido através do
formulário “Controle de Medições”);
X Campo 15: volume de água fornecido ao usuário;
X Campo 16: eficiência a nível de canal e seção;
X DISTRIBUIÇÃO DAS VIAS: uma única via ser entregue ao responsável pela
operação e dever ser anexada ao formulário de “Controle a Nível Parcelar”.
Após a verificação e a assinatura do responsável pela operação, dever ser
entregue ao auxiliar para o registro no formulário “Avaliação do Plano de
Irrigação”.

AVALIAÇÃO DIÁRIA DA EFICIÊNCIA OPERACIONAL - FIGURA A10.27

„ OBJETIVO: manter informação consolidada dos volumes diários entregues em cada


canal secundário de uma Zona de Irrigação; determinar a eficiência operacional de
cada inspetor.
„ RESPONSÁVEL: o inspetor de cada Zona de Irrigação.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO:
X Campos 1-6: referem-se aos dados gerais;
X Campo 7: código do canal secundário;
X Campo 8: código do ponto de medição correspondente ao canal secundário;
X Campo 9: leitura média da régua do ponto de medição;
X Campo 10: vazão média ponderada em l/seg registrada no dia (obtida através
do formulário de “Controle Diário de Medições”);
X Campo 11: horário de início da entrega da água no canal (abertura comporta);
X Campo 12: horário de fechamento da comporta, ou término da entrega;
X Campo 13: diferença de horas ou tempo em que se entregou a água no canal;
X Campo 14: volume de água entregue no canal, no dia, em função da vazão
média ponderada e o tempo de operação (Campo 14 = Campo 10 x 3,6 x
Campo 13);
X Campo 15: somatório do volume de água total entregue nos canais secundá-
rios da Zona de Irrigação;
X Campo 16: dados da vazão, horário de início, término e volume total entregue
no ponto de medição que registra o início da outra Zona de Irrigação;
X Campo 17: diferença do volume de água recebido na Zona ou distribuído e o
entregue próxima Zona ou que fica perdida. D = Recebido Zona - (Distribui-
ção + entregue jusante);
X Campo 18: fórmula para obter a eficiência da condução-distribuição;
X Campo 19: registrar as observações ou dados de interesse para melhor aná-
lise;
X DISTRIBUIÇÃO DAS VIAS: uma única via dever ser entregue ao Chefe de
Operação, juntamente com o formulário de “Controle Diário de Medições”.

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

AVALIAÇÃO MENSAL DA EXECUÇÃO DO PLANO AGRÍCOLA E PLANO DE


IRRIGAÇÃO - FIGURA A10.28 E FIGURA A10.29.

„ OBJETIVO: registrar para cada mês do ano agrícola o volume de água entregue por
dia e o total por mês; subsidiar o preenchimento do formulário de Controle Mensal
de Volume Fornecido; estabelecer o índice de execução do programado e avaliar o
consumo por hectare.
„ RESPONSÁVEL: levada pelo auxiliar da Unidade de Operação tendo como fonte o
formulário de Avaliação Diária do Fornecimento de água e Plano de Cultivo e Irriga-
ção.
„ INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DOS CAMPOS:

a) Frente: Controle de Execução da Irrigação


X Campos 1-5: referem-se aos dados gerais;
X Campo 6: registram-se os dias do mês, de 01 a 31;
X Campo 7: quando o sistema de fechamento do relatório antes do último dia
do mês, será necessário registrar os dias do mês de dezembro do ano anterior
que entrarem na conta do mês seguinte;
X Campo 8: de acordo com o mês e o dia que se recebeu água, registra-se o
volume fornecido;
X Campo 9: para cada mês, se anota o volume total fornecido no mês ou no
período.

b) Verso: Controle da Execução do Plano Agrícola e de Irrigação


X Campo 1: nome das culturas programadas no plano e as que irão ser implan-
tadas fora do plano;
X Campo 2: superfície em ha para cada cultura programada e/ou realizada;
X Campo 3: volume de água previsto por mês para a superfície da cultura pro-
gramada;
X Campo 4: total do volume de água de cada cultura aprovada;
X Campo 5: total da área programada e realizada e total do volume de água
programado no plano agrícola;
X Campo 6: volume médio programado por ha/mês (volume total programado
por mês: área total programada);
X Campo 7: registra-se o volume de água que o usuário recebeu no mês, dado
contido na frente da ficha;
X Campo 8: diferença entre o programado e o realizado em m3;
X Campo 9: anota-se a área total irrigada no mês;
X Campo 10: consumo médio por hectare que o produtor está aplicando (Cam-
po 7: Campo 9);
X Campo 11: valor total a ser cobrado por conceito de tarifas de água;
X Campo 12: valor pago pelas tarifas de água e data de pagamento (incluem-se
o valor principal, multas e juros);
X Campo 13: registra-se qualquer dado complementar importante que permita
obter outros índices de avaliação;
X DISTRIBUIÇÃO DAS VIAS: preenchido em via única, válido para todo o ano
agrícola ou calendário, segundo seja o caso.

5.2.2 Avaliação Regional

Geralmente, as estruturas dos organismos públicos estabelecem uma Unidade Re-


gional que se encarrega de orientar, apoiar, acompanhar e avaliar o funcionamento dos
Perímetros Irrigados implantados no âmbito geográfico da regional.

Quando o nível local estiver a cargo da organização dos produtores do Perímetro


Irrigado, o nível regional deve manter uma postura participativa e compartilhada, porém

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Operação Avaliação Diária do


1 D.P. 2 Distrito 3 Perímetro
Fornecimento de Água
4 Seção 5 Seção Irrigada 6 Data 7 Canaleiro

__________/__________/_________

Horário Volume
8. Nº 16. Eficiência Canal
9 Canal / Usuário 10. Vazão 14. Recebido 15. Fornecido
Lote 11. Inicial 12. Final 13. Dif. Seção
Canal Usuário

TOTAL SEÇÃO

Observação

Canaleiro

Figura A.10.26

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Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação

Operação Avaliação Diária da


1 D.P. 2 Distrito 3 Perímetro
Eficiência Operacional
4 Zona Irrigação 5 Data 6 Inspetor

__________/__________/_________

Vazão média Horário


8. P