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13/04/2018 Os Pensadores do Racismo | Identidade Cultural e Preconceito

Identidade Cultural e Preconceito

Uma Análise do Preconceito e da Identidade na História


e na Atualidade

7 DE JUNHO DE 2015
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POR MARINASANCHES PENSADORES

Os Pensadores do Racismo

É relativamente fácil se deparar com ideias extremamente racistas e preconceituosas ao longo de


inúmeras obras de pensadores extremamente conhecidos e estudados no meio acadêmico, tais
passagens são muitas vezes ocultadas, como a mancha que de fato são no currículo brilhante de
teorias inovadoras que propõem.

Mostra-se ,então, nada mais do que certo colocar como primeiro post deste blog as ideias que muitas
vezes permearam as obras de autores como Kant, Hegel e Tocqueville. Em muitas outras obras, de
inúmeros outros autores podem-se encontrar as mesmas características, porém apenas abordarei estes
três no presente momento.

O povo africano e indígena foi desde os primórdios de seu encontro com os europeus caracterizados
como bárbaros ou selvagens. Porém, tal descrição se mostra crua ao retirarmos certas passagens de
livros de autores conhecidos, como por exemplo Emmanuel Kant que, primeiramente, exalta certos
povos europeus com palavras como “sublime” e “belo”, para logo em seguida descrever o povo
africano com total desprezo, chegando a completar “que se deve dispersá-los a pauladas” (KANT,
1993: pág. 75-76).

https://preconceitohistorico.wordpress.com/2015/06/07/os-pensadores-do-racismo/ 1/5
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O trecho completo está transcrito a seguir de seu livro Observações sobre o Sentimento do Belo e do
Sublime.

Os negros da África não possuem, por natureza, nenhum  
sentimento que se eleve acima do ridículo. O senhor  
Hume desafia qualquer um a citar um único exemplo em  
que um negro tenha demonstrado talentos, e afirma : 
dentre os milhões de pretos que foram deportados de  
seus países,não obstante muitos deles terem sido postos 
em liberdade, não se encontrou um único sequer que  
apresentasse algo grandioso na arte ou na ciência,  
ou em qualquer outra aptidão; já entre brancos,  
constantemente arrojam‑se aqueles que, saídos da plebe  
mais baixa,adquirem no mundo certo prestígio,por força de 
dons excelentes.Tão essencial é a diferença entre essas 
duas raças humanas que parece ser tão grande em relação 
às capacidades mentais quanto à diferença de cores. 
A religião do fetiche, tão difundida entre eles, talvez  
seja uma espécie de idolatria, que se aprofunda tanto  
no ridículo quanto parece possível à natureza humana.  
A pluma de um pássaro, o chifre de uma vaca, uma concha, 
ou qualquer outra coisa ordinária, tão logo seja  
consagrada por algumas palavras, tornam‑se objeto de  
adoração e invocação nos esconjuros. Os negros são muito 
vaidosos, mas à sua própria maneira, e tão matraqueadores, 
que se deve dispersá‑los a pauladas.  
(KANT, 1993: pág. 75‑76)

Hegel aborda em sua obra A Filosofia da História passagens sobre os índios norte-americanos, dizendo
que eram mansos, indiferentes e submissos, também necessitando de que o homem branco (europeu)
lhe incuta algum tipo de dignidade própria, afirmando que a inferioridade desses indivíduos, sob
todos os aspectos, até mesmo o da estatura, é fácil de se reconhecer” (HEGEL, 1999: pág. 74-75). O
trecho seguinte, do mesmo livro, fala um pouco mais sobre sua visão eurocentrista acerca dos negros.

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A principal característica dos negros é que sua  
consciência ainda não atingiu a intuição de qualquer  
objetividade fixa, como Deus, como leis, pelas quais  
o homem se encontraria com a própria vontade, e onde 
ele teria uma ideia geral de sua essência [...]  
O negro representa, como já foi dito o homem natural, 
selvagem e indomável.Devemos nos livrar de toda  
reverência, de toda moralidade e de tudo o que chamamos 
sentimento, para realmente compreendê‑lo. Neles, nada  
evoca a ideia do caráter humano[...]. A carência de valor 
dos homens chega a ser inacreditável. A tirania não é  
considerada uma injustiça, e comer carne humana é  
considerado algo comum e permitido [...] Entre os negros, 
os sentimentos morais são totalmente fracos – ou, para ser 
mais exato inexistentes. (HEGEL, 1999, pág. 83‑86)

O grande clássico da ciência política Alexis de Tocqueville, em seu livro mais conhecido A democracia
na América , ao discutir na segunda parte da obra o destino das três raças nos Estados Unidos, exalta o
homem branco para logo em seguida falar sobre os índios e negros com um tom totalmente diferente,
no trecho que está transcrito a seguir pode-se notar que Tocqueville percebe tamanha opressão que
ambos os povos sofreram pelo povo europeu, porém não deixa de os caracterizar ,ainda assim, como
inferiores:

https://preconceitohistorico.wordpress.com/2015/06/07/os-pensadores-do-racismo/ 3/5
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Os homens espalhados nesse espaço não constituem, como na  
Europa, rebentos de uma mesma família. Descobrimos entre  
eles, desde o primeiro contato, três raças naturalmente  
distintas e, quase poderia dizer, inimigas.A educação,a  
lei, a origem, a própria forma exterior dos traços haviam 
 erguido entre elas uma barreira quase intransponível; 
o acaso as reuniu num mesmo solo, mas misturou‑as sem as  
poder confundir,e a cada uma segue à parte seu destino. 
Entre esses homens tão diferentes, o primeiro a atrair  
os olhares,o primeiro em luz, em força, em felicidade  
é o homem branco,o europeu, o homem por excelência;  
abaixo dele aparecem o negro e o índio. Essas duas  
raças infortunadas não têm em comum nem o nascimento, 
nem a aparência, nem a língua, nem os costumes;  
somente suas desgraças se parecem. Todas as duas ocupam  
uma posição igualmente inferior no país que habitam;  
todas as duas sentem os efeitos da tirania; e, se suas  
misérias são diferentes, podem lhes ser atribuídos os  
mesmos autores. Ao ver o que sucede no mundo, não diríamos 
que o europeu está para os homens das outras raças assim  
como o próprio homem está para os animais? Ele os faz  
servir a seu uso e, quando não os pode dobrar,  
os destrói.(TOCQUEVILLE, 1977: pág. 374)

Nota-se que a visão eurocentrista se mostra totalmente presente na visão destes três autores,
Tocqueville mostra-se no entanto, um pouco mais brando ao reconhecer a situação tirânica a qual tais
povos foram submetidos, no entanto todos os três possuem uma visão distorcida de que o homem
europeu é de alguma forma superior ao homem de outras etnias. Tal visão ainda possui resquícios em
nosso dia-a-dia, ouso até mesmo dizer que a chamada Síndrome do Viralatismo (sempre achar que os
trabalhos, obras, cultura, música e etc são superiores em outras nações) que ocorre nos dias do hoje,
tem suas raízes fundadas no conceito de eurocentrismo no qual esses autores estavam mergulhados.
Em um momento próximo, pretendo abordar como este pensamento europeu afetou o Brasil durante
sua história.

Referências Bibliográficas

PRAXEDES, Walter; Eurocentrismo e Racismo nos Clássicos da Filosofia e das Ciências Sociais.
<Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/083/83praxedes.htm>. Acessado em
07/06/2015.

KANT, Emmanuel. Observações sobre o sentimento do belo e do sublime. Campinas, Papirus, 1993.
<Disponível em: http://www.filosofia.com.br/figuras/livros_inteiros/170.txt>. Acessado em
07/06/2015.

HEGEL, G.W. Friedrich. Filosofia da História. Brasília, Editora da UnB, 1999.

TOCQUEVILLE, Alexis. A democracia na América.  São Paulo, Editora Martins Fontes , 2005.
<Disponível em: http://www.libertarianismo.org/livros/adtdnacompleto.pdf>. Acessado em
07/06/2015

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