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ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO

PROCURADORIA-GERAL FEDERAL
PROCURADORIA FEDERAL ESPECIALIZADA-INSS

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DESEMBARGADOR


PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E
TERRITÓRIOS

O INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS,


Autarquia Federal vinculada ao Ministério da Previdência Social - MPAS, por seu
Procurador Federal in fine assinado, constituído ex lege, lotado na Procuradoria Federal
Especializada do INSS no Distrito Federal, localizada nesta cidade, SAS, Quadra 04,
Bloco K, 4º andar, Asa Sul, vem, à presença de Vossa Excelência, propor

AÇÃO RESCISÓRIA,

com pedido de COM PEDIDO DE MEDIDAS LIMINARES CAUTELAR E


ANTECIPATÓRIA DE TUTELA, – pelas razões alfim declinadas –, com base nos
arts. 273, 485, III, 489, segunda parte, e 798, do CPC, e no art. 71 da Lei n. 8.212 de 1991,
contra DAVI MARQUES DA LUZ, brasileiro, casado, RG n. 505224, SSPDF, CPF n.
179.395.931-53, residente e domiciliado na QNJ 02, casa 16, Taguatinga Norte,
Taguatinga-DF, CEP 72.140-020, visando rescindir acórdão proferido pela Colenda
Quarta Turma deste Egrégio Tribunal, nos autos da ação acidentária de n.
2000.01.1.055629-8, proveniente da Vara de Acidentes do Trabalho de Brasília-DF, com
fundamento no art. 485, III, do Código de Processo Civil, com base na argumentação
fática e jurídica que segue.
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1. Preliminarmente, da admissibilidade da presente


rescisória

1.1. Da competência deste Egrégio Tribunal para processar e


julgar a presente demanda

A presente ação visa desconstituir acórdão proferido pela Colenda


Quarta Turma Cível componente deste Egrégio Tribunal, de forma que indiscutível é sua
competência para apreciá-la, tendo em vista a regra implícita, emanada da própria
Constituição Federal, de que cada tribunal é compete para julgar ação rescisória contra
provimentos judiciais por ele exarados. Por outro lado, é o que se verifica do art. 8º, I, g,
da Lei de Organização Judiciária Local, obediente ao comando constitucional.

1.2 Da tempestividade

A presente ação rescisória é ajuizada dentro do prazo decadencial de


dois anos, estabelecido pelo art. 495 do CPC, visto que o acórdão que se pretende ver
desconstituído transitou em julgado em 14.02.2006, conforme (documento 12).

Como notório, o termo inicial do prazo decadencial para propor


ação rescisória dá-se somente a partir da data em que transitou em julgado a última
decisão proferida na causa correspondente, conforme entendimento pacífico do Egrégio
Superior Tribunal de Justiça, inclusive naquelas situações em que tal provimento judicial
discutiu, tão-somente, questão atinente ao juízo de admissibilidade do recurso.

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Depreende-se, assim, por tempestiva a presente ação, merecendo


regular processamento.

1.3 Da dispensa de depósito prévio para ajuizamento da


rescisória pela Autarquia Federal

Nos termos do artigo 488, § único do Código de Processo Civil,


conjuntamente com o disposto no artigo 8º da Lei n.º 8.620/93 e da Súmula 175 do STJ,
a Autarquia Previdenciária Federal está dispensada do depósito prévio disciplinado no
inciso II do artigo 488 do CPC.

1.4 Da dispensa de pagamento de custas ou, alternativamente,


da possibilidade de sua prestçação ao final

De rigor sejam declinados argumentos a fim combater,


preventivamente, posicionamento que, baseando-se no Enunciado 178 da Súmula do STJ,
exige da Autarquia Federal o pagamento de custas na Justiça do Distrito federal.

A partir do advento do enunciado aludido, os tribunais


estaduais começaram a cobrar da Autarquia Previdenciária o valor correspondente
às custas processuais, salvo quando esta recebia isenção de lei local, como ocorre
nos Estados de Minas Gerais e Goiás.

Todavia, tem-se que tal dispositivo uniformizador deve ser


interpretado com temperamentos, e não indiscriminadamente. Nesse passo, tem-se que o
enunciado não se aplica à Justiça do Distrito Federal, que, por se tratar de ente sui generis
da Federação, é organizada e custeada pela União, conforme dispõem o arts. 21, XIII e
22, XVII, da CR/88:

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“Art. 21. Compete à União:

XIII – Organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério


Público, a Defensoria Pública do Distrito Federal e Territórios;

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

XVII – organização judiciária, do Ministério Público e da


Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios, bem
como organização administrativa destes.”

Vê-se que, dentre as peculiaridades que diferenciam o DF dos


demais entes federativos, está o fato de o Poder Judiciário local ser organizado pela
própria União, e não pelo Distrito Federal, de maneira que seu custeio é
proporcionado por aquele ente. É lícito concluir, portanto, que o INSS tem, na Justiça
do DF, as mesmas prerrogativas e privilégios que lhe são conferidos na Justiça Federal,
igualmente custeada e mantida pela União, sendo inaplicável o mencionado enunciado
sumular, que foi erigido com base em precedentes emanados dos demais entes
federativos, que não guardam as peculiaridades daquele ente da federação.

Há, por outro lado, autêntica hipótese de confusão, de maneira a


tornar inexistente a obrigação jurídica do INSS de recolher as custas e emolumentos do
processo. Tal situação é evidenciada pelo que dispõe o art. 177 do Provimento Geral da
Corregedoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que
determina seja o recolhimento efetivado via Guia de Recolhimento da União,
devendo ser o numerário endereçado ao Tesouro Nacional, via Conta Única do
Tesouro.

Observe-se que a matéria discutida é nitidamente constitucional


porque a confusão, como forma de extinção da obrigação jurídica, existe em virtude da
existência e interpretação conferida aos arts. 21, XIII e 22, XVII e não pelo inverso. Ser a

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Justiça do Distrito Federal organizada, mantida e organizada pela União é condição, é


causa, da confusão.

Portanto, tem-se que assiste à União a prerrogativa de isentar seus


entes da administração indireta de custas no DF.

Legislar sobre custas forenses é tarefa atribuída concorrentemente


aos diversos entes federativos, em razão de cada um deles ser dotado de Poder Judiciário
próprio, com peculiaridades locais a serem observadas na confecção da organização
judiciária.

As custas judiciais possuem natureza de taxa pela prestação dos


serviços forenses.1

Nesta seara, vigora a competência legiferante concorrente entre a


União, os Estados e o Distrito Federal. A União legisla sobre normas gerais e os demais
entes federativos legislam sobre questões específicas.

No caso da Justiça do Distrito Federal, que, como visto, é custeada,


mantida e organizada pela União, sendo esta detentora de competência privativa para
legislar sobre taxas de serviços seus, detém competência, também, para restringir o
alcance pessoal da norma de incidência, isentando uma autarquia sua, não se podendo
falar, nesse caso, em heteronomia na isenção, ao contrário do sustentado, implicitamente,
pela parte adversa.

1
“EMENTA: I. Taxa Judiciária: sua legitimidade constitucional, admitindo-se que tome por base de cálculo o valor da causa ou da
condenação, o que não basta para subtrair-lhe a natureza de taxa e convertê-la em imposto: precedentes (ADIn 948-GO, 9.11.95, Rezek;
ADIn MC 1.772-MG, 15.4.98, Velloso). II. Legítimas em princípio a taxa judiciária e as custas ad valorem afrontam, contudo, a garantia
constitucional de acesso à jurisdição (CF, art. 5º, XXXV) se a alíquota excessiva ou a omissão de um limite absoluto as tornam
desproporcionadas ao custo do serviço que remuneraram: precedentes (Rp 1.077-RJ, 28.3.84, Moreira, RTJ 112/34; Rp 1.074- , 15.8.84,
Falcão, RTJ 112/499; ADIn 948-GO, 9.11.95, Rezek; ADIn MC 1.378-5, 30.11.95, Celso, DJ 30.5.97; ADIn MC 1.651-PB, Sanches, DJ
11.9.98; ADIn MC 1.772-MG, 15.4.98, Velloso). III. ADIn: medida cautelar: não se defere, embora plausível a argüição, quando - dado o
conseqüentes restabelecimento da eficácia da legislação anterior - agravaria a inconstitucionalidade denunciada: é o caso em que, se se
suspende, por aparentemente desarrazoada, a limitação das custas judiciais a 5% do valor da causa, seria restabelecida a lei anterior que as
tolerava até 20%. IV. Custas dos serviços forenses: matéria de competência concorrente da União e dos Estados (CF 24, IV), donde
restringir-se o âmbito da legislação federal ao estabelecimento de normas gerais, cuja omissão não inibe os Estados, enquanto perdure, de
exercer competência plena a respeito (CF, art. 24, §§ 3º e 4º). V. Custas judiciais são taxas, do que resulta - ao contrário do que sucede aos
impostos (CF, art. 167, IV) - a alocação do produto de sua arrecadação ao Poder Judiciário, cuja atividade remunera; e nada impede a
afetação dos recursos correspondentes a determinado tipo de despesas - no caso, as de capital, investimento e treinamento de pessoal da
Justiça - cuja finalidade tem inequívoco liame instrumental com o serviço judiciário.” (STF – Pleno - ADI-MC 1926 / PE – Rel. Min.
Sepúlveda Pertence – un. – DJ 10.9.1999, p. 02).
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A respeito, transcreve-se, abaixo, as razões aduzidas pelo ilustre


membro do MPDFT, em seu parecer nos autos da APC no. 2001 01 1 075307-7, que
esposa entendimento idêntico ao acima sustentado (destacado no pertinente):

“(...) Isento, entretanto, deve ser o INSS ao pagamento das custas processuais e
emolumentos. Neste aspecto, permito-me colacionar o voto condutor do acórdão
proferido no julgamento da apelação no. 20010110899457/DF, de relatoria
da il. Desembargadora Sandra de Santis que assim se pronunciou:

“Finalmente, tenho que assiste razão ao apelante no tocante às custas e


emolumentos. A jurisprudência da Corte, tenho ciência, não é favorável ao
apelante. Entretanto, enquanto a matéria não estiver pacificada, mantenho o
entendimento de que inaplicável à hipótese em julgamento o enunciado 178 da
Súmula do Superior Tribunal de Justiça, porque não há Lei Distrital dispondo
sobre as custas relativas aos serviços forenses.

O artigo 24 inciso IV da Constituição Federal dispõe que a competência para


legislar a respeito do tema é concorrente entre a União, os Estados e o Distrito
Federal. Portanto, a União estabelece normas gerais e os demais as normas
suplementares.

O artigo 8º., § 1º., da Lei 8.620/93 tem a seguinte redação:

Art. 8º.

§ 1º. O INSS é isento do pagamento custas, traslados, preparos, certidões,


registros, averbações e quaisquer outros emolumentos, nas causas em que seja
interessado nas condições de autor, réu, assistente ou opoente, inclusive nas ações
de natureza trabalhista, acidentária e de benefícios.”

A justiça do Distrito Federal, malgrado entendimentos diversos, não pode ser


equiparada à estadual porque é organizada e mantida pela União. Tem-se que
compete, privativamente, à União, legislar acerca da Organização Judiciária no
Distrito Federal. Confiram-se os artigos 21, XIII e 22, XVII da Constituição
Federal:

(...)

Como enfocou, com razão, o apelante, o Distrito Federal, ente anômalo da


Federação, dispõe em regra de competências previstas aos Estados e Municípios,
com as ressalvas acima.

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Portanto, o ente competente para tributar as custas judiciais no


TJDF é o competente para legislar sobre a isenção de custas,
motivo pelo qual se aplica, nos processos que envolvem o
INSS junto à Justiça do Distrito Federal, o disposto no art. 8 da
Lei 8.620/93. Não se olvide que o INSS é autarquia federal e
suas verbas são provenientes dos recursos da União.

Não haveria porque lei federal que determina a isenção de


custas para o INSS não ser aplicável à Justiça do Distrito
Federal, que é organizada e mantida pela União”.

Assim, mostra-se inaplicável o enunciado da súmula 178 do


STJ no âmbito do Distrito Federal. Neste sentido, vale citar, ainda os
seguintes julgados:

PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO.


CUSTAS. HONORÁRIOS. 1 – DEMONSTRADO, POR LAUDO
OFICIAL, QUE O EMPREGADO, EM RAZÃO DE ACIDENTE
DE TRABALHO, SOFREU LESÃO OCULAR IRREVERSÍVEL
QUE RESULTOU EM PERDA DE PARTE DA VISÃO,
TORNANDO-SE INCAPAZ, DEFINITIVAMENTE, PARA O
TRABALHO QUE DESEMPENHAVA, DEVIDO-LHE O
BENEFÍCIO AUXÍLIO-DOENÇA, ASSIM COMO DEVE SER
INSERIDO EM PROGRAMA DE REABILITAÇÃO
PROFISSIONAL. 2 – O INSS NÃO SE SUJEITA AO
PAGAMENTO DE CUSTAS EM AÇÕES NA JUSTIÇA DO
DISTRITO FEDERAL. 3 – OBSERVADA A QUALIDADE
DE FAZENDA PÚBLICA DO RÉU E A SUCUMBÊNCIA DO
AUTOR, EMBORA MÍNIMA, RECOMENDÁVEL A
REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (CPC, ART.
20, § 4º.). 4 – APELAÇÕES E REMESSA EX-OFFICIO
PROVIDAS EM PARTE. APC/RMO 20010110325410-DF – 6ª.
Turma Cível – Relator: JAIR SOARES – Publicação no DJU:
25/11/2004 Pág.: 70.

ACIDENTE DE TRABALHO. LER/DORT. INSS.


CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ.
TERMO A QUO: CITAÇÃO DO RÉU. ADICIONAL DE 25%.
NECESSIDADE. JUROS DE MORA. CARÁTER
ALIMENTÍCIO DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ E
DO AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. PERCENTUAL DE
1% AO MÊS E 12% AO ANO. AUTARQUIA-RÉ: CUSTAS
PROCESSUAIS. ISENÇÃO. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS
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ADVOCATÍCIOS: SÚMULA 110 STJ E ARTIGO 20, § 4º., CPC.


PRESENTES OS ELEMENTOS ESSENCIAIS: A) A
DEMONSTRAÇÃO DA CONDIÇÃO DE EMPREGADO; B) A
OCORRÊNCIA DE UM ACIDENTE DE TRABALHO; C) O
DANO (LESÃO) – DORT/LER; D) O NEXO DE
CAUSALIDADE ENTRE A INCAPACIDADE
OCUPACIOANL ADQUIRIDA E A “FUNÇÃO”
DESEMPENHADA; E) A PERDA OU REDUÇÃO DA
CAPACIDADE LABORAL; É DEVIDA, POIS, A
APOSENTADORIA POR INVALIDEZ, CONSIDERAR-SE-Á
COMO MARCO INICIAL PARA A CONCESSÃO A DATA DA
CITAÇÃO DO RÉU. DADA A NATUREZA ALIMENTÍCIA
DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ E DO AUXÍLIO-
DOENÇA ACIDENTÁRIO, O STJ TEM ENTENDIDO SER DE
1% A.M E 12% A.A., O PERCENTUAL DE JUROS DE MORA
APLICÁVEIS AO CASO EM TELA. O INSS É ISENTO DE
CUSTAS NA JUSTIÇA DO DF, PORQUE ESTA É
MANTIDA PELA UNIÃO, E O INSS, COMO AUTARQUIA
FEDERAL, TAMBÉM AUFERE RECURSOS DA UNIÃO,
APLICANDO-SE-LHE O DISPOSTO NO ARTIGO 8º., § 1,
DA LEI FEDERAL 8.620/93. MANTIDA A CONDENAÇÃO
DA AUTARQUIA EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, COM
BASE NA SÚMULA 110 SO STJ, E ARTIGO 20, § 4º., DO CPC.
RECURSO DA AUTORA CONHECIDO E NÃO PROVIDO.
RECURSO DA RÉ CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE.
APC 200001110691710/DF – 6ª. Turma Cível – Relator: ANA
MARIA DUARTE AMARANTE – Publicação no DJU: 11/11/2004
Pág. : 77.

Assim, verifica-se que a União, ao instituir, mediante o art. 8º, § 1º,


da Lei n. 8.620, de 1993 e art. 129 da Lei n. 8.213, de 1991, a isenção de custas em todas
as instâncias judiciais, inclusive e principalmente na justiça distrital, aplicou devidamente o
art. 24, IV c/c o § 1º do mesmo dispositivo.

Ainda que, porventura, superada tal argumentação, mesmo assim


não se poderia ter o recurso aviado pela Autarquia como deserto, em face do disposto
no art. 27 do CPC, que possibilita o pagamento das custas pela Fazenda pública ao final
do processo.

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Diante do exposto, é forçoso concluir que há confusão entre o INSS


e a União no ato de recolhimento das custas à Justiça do Distrito Federal e Territórios;
que há isenção do INSS no recolhimento das custas judiciais na Justiça do Distrito
Federal; que o Enunciado n. 178 da Súmula do STJ não se aplica à Justiça do Distrito
Federal e Territórios; e que, em caso de rejeição do pedido principal, é manifesta a
possibilidade de recolhimento das custas ao final.

1.5 Da dispensa de autenticação de cópias de documentos

Ressalte-se que o INSS está desobrigado a autenticar as cópias dos


documentos que apresente em juízo.

2. Narrativa fática

A presente ação, consoante aludido acima, visa rescindir acórdão


poferido no bojo da ação acidentária de n. 2000.01.1.055629-8, proveniente da Vara de
Acidentes do Trabalho de Brasília, Distrito Federal, em que se confirmou os termos da
sentença de primeiro grau. O decisum singular concedeu aposentadoria por invalidez
acidentária ao ora réu, bem como adicional de 25% para acompanhante, em razão da
suposta impossibilidade de auxílio de terceiros.

A referida ação teve por objeto a concessão dos benefícios de caráter


acidentário cabíveis, máxime aposentadoria por invalidez, sob a alegação de o então autor
ter contraído enfermidades em razão da execução de suas atividades enquanto escriturário
e outras na Caixa Econômica Federal, que lhe acarretaram lesões por esforços repetitivos,
especificamente, hérnia de disco cervical e dores no membro superior direito. Tais
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patologias ter-lhe-iam ocasionado estado de incapacidade laborativa de índole total,


permanente, omniprofissional e irreversível, o que foi por ele sustentado em diversas
passagens no curso do processo, inclusive em seu depoimento pessoal prestado em
audiência instrutória.

Produzido laudo médico-pericial, ficou aparentemente constatada a


incapacidade no nível alegado, que, supostamente, seria hábil à concessão de
aposentadoria por invalidez acidentária, bem como a necessidade de auxílio-permanente
de terceiros, que lhe daria direito ao adicional de 25% sobre o valor do benefício, nos
termos do art. 45 da Lei n. 8.213 de 1991.

Continuamente, foi requerida pela parte autora a antecipação dos


efeitos da tutela, a fim de se converter o benefício de auxílio-doença previdenciário em
seu homônimo acidentário (documento 05), o que foi concedido, comandando-se, a partir
da data daquela decisão (30 de abril de 2002), a referida alteração, e determinando-se,
desde então, o afastamento do trabalho e a desobrigação de submissão às perícias
médicas periódicas administrativas ou a procedimento de reabilitação, até ulterior
decisão (documento 06).

Em sede de alegações finais, o então requerente deixou explícitas


suas intenções de ver concedida a aposentadoria com o adicional (documento 08).

Conforme se afere da sentença anexa, proferida em 24.04.2003,


os pleitos autorais foram julgados procedentes, de maneira que a aposentação por
invalidez foi concedida, acrescida do adicional para acompanhante, com termo
inicial na data da citação (17.04.2001). Outrossim, confirmaram-se os efeitos de
tutela antecipada concedida anteriormente, condenando-se a Autarquia a
permanecer pagando ao autor o benefício de auxílio-doença acidentário até que
fosse implantada a aposentadoria, isentando-se o requerente de submissão às
perícias médicas periódicas administrativas, consignando-se, outrossim, a
necessidade de, em sede executória, serem descontados os valores pagos a título
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do benefício temporário, no período de convivência com o permanente (documento


09).

Inconformada com r. a decisão, a Autarquia recorreu dos termos


sentenciais, postulando, preliminarmente, a nulidade da sentença em razão da
incompetência absoluta do juízo e, no mérito, requereu sua reforma, para, reconhecendo a
ausência de incapacidade permanente, julgar improcedente o pedido. Subsidiariamente,
em caso de manutenção da concessão da aposentadoria, pediu alteração do termo inicial e
a cassação da concessão do adicional de 25% para acompanhante (documento 10).

A apelação, conhecida, foi provida apenas em parte, tão-somente


para alteração do termo inicial do benefício e minoração dos honorários advocatícios,
confirmando-se, assim, em tudo o mais, o quanto decidido pelo juízo monocrático
(documento 11).

A decisão transitou em julgado em 14.02.2006 (documento 12),


estando o feito em fase de execução das parcelas atrasadas, já tendo sido, inclusive,
expedido o respectivo precatório (documentos 15 e 16).

Todo o julgado estaria incólume, devidamente fundamentado em


prova técnica, documental e oral de toda ordem, não fosse por um detalhe: a falta da parte
ora ré com a verdade sobre fato que, sem sombra de dúvida, influenciaria decisivamente a
decisão que se tomou nos autos referidos.

Houve autêntica ocorrência de expediente doloso perpetrado pelo


requerido, com o fito de induzir todos os atores do processo a erro, em especial o
julgador, através da alteração da verdade, ensejando, assim, decisão acolhedora de sua
pretensão.

Ocorre que, ao contrário do que foi copiosamente alegado pelo


então requerente, jamais houve incapacidade absoluta a ensejar a concessão de seu

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jubilamento, muito menos a permanência de incapacidade parcial que justificasse a


manutenção do auxílio-doença e a não submissão às perícias administrativas. O
desconhecimento desta realidade nos autos se deu pela conduta do ora réu, de omitir a
realidade, engendrando outra completamente oposta, quando tinha o dever ético-jurídico-
processual de bem esclarecê-la. O mecanismo ardiloso será, doravante, demonstrado.

Passado certo tempo após o trânsito em julgado da decisão que se


visa rescindir, descobriu-se, através de atuação diligente do ilustre representante do
Ministério Público da Promotoria de Justiça de Acidentes do Trabalho, que o então
requerente, não obstante a concessão da aposentadoria referida e do adicional, vinha,
desde pouco tempo após o ajuizamento da ação, inclusive antes da realização da
audiência de instrução, mantendo vínculo estatutário com a então Fundação Hospitalar
do Distrito Federal, absorvida, hoje, pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito
Federal.

O douto Promotor de Justiça, tendo verificado a ocorrência do


vínculo, oficiou à Secretaria de Estado de Saúde do DF para atestar a informação (cópia
do ofício n. 104.2007 (documentos 17 e 18), pelo que foi respondido pelo Núcleo de
Registro e Movimentação, através do então Secretário de Estado de Saúde, mediante o
ofício n. 2.135 de 2007, contíguo a esta ação.

O teor da missiva é claro ao informar que “DAVI MARQUES DA


LUZ, matrícula n. 141.049-0, exerce atualmente nesta Secretaria o cargo efetivo de Técnico
Administrativo, tendo sido admitido em 24.09.2001, estando lotado atualmente no HBDF,
conforme classificação e espelho de lotação em anexo. Informamos ainda que, segundo Ficha Funcional do
servidor, não consta nenhum registro que o mesmo tenha exercido algum cargo em comissão, ou registro
quanto a afastamentos” (documento 19).

Do que é esclarecido pelo ofício referido, verifica-se que, pouco


tempo depois do ajuizamento da ação acidentária, o réu foi aprovado em concurso
público para o cargo de Técnico Administrativo na Secretaria de Saúde do Distrito
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Federal, para o exercício de diversas das várias atribuições atinentes àquele ofício,
conforme descrição fornecida pela Secretaria, mantendo o vínculo estatutário até os dias
de hoje.

O que se infere, portanto, é que, não obstante ter ajuizado demanda


para, alegando invalidez absoluta, ver reconhecido direito à aposentadoria por invalidez,
quando apresentava, de fato, abrangente capacidade laborativa – máxime tendo em conta
estar cursando nível superior (documento 20) –, o réu manteve-se em busca de
recolocação no mercado de trabalho, tendo sido aprovado em concurso público, cujas
atribuições abrangem, inclusive, habilidades para cuja execução ele alegaou plena
inaptidão.

Tal estado de coisas vem se perpetrando no tempo, sem sequer


haver intercorrências, como afatamentos extraordináros ou similares, o que acaba por
demonstrar que apresenta capacidade laboral plena, que lhe permite exercer uma vasta
gama de atribuições.

Incrível é mesmo imaginar que uma pessoa com tal habilitação, visto
que parte integrante de uma minoria que freqüenta curso superior, que vence as
dificuldades de um concurso público – inclusive uma avaliação médica estatal que nada
constatou de impeditivo para a assunção do cargo (documento 22) –, cuja aprovação se
apresenta espinhosa não só em razão do nível intelectual exigido na avaliação, mas
também da implacável concorrência de qualquer certame que tal, se julgasse
completamente desprovida de potencial laboral mínimo para o exercício de atividade que
exigisse o mais parco esforço físico ou mental.

Mas assim ele se concebia, tanto que, nada obstante ter vencido
tantos obstáculos, que se avultam em dificuldade na nossa sociedade, nada informou ao
juízo acidentário, no momento adequado, sobre sua nova e próspera situação, mantendo-
se silente com vistas a alcançar provimento judicial que lhe ensejasse o auferimento do

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máximo de vantagens pecuniárias possível, em detrimento do Estado, na pessoa do


Instituto Previdenciário.

No entanto, não só do silêncio fez uso. Clamou copiosamente pelo


provimento que julgava justo, na medida em que defendeu, avidamente, em diversas fases
processuais, o reconhecimento de sua completa invalidez, que, de tão avassaladora, não
poderia lhe permitir sequer a mínima autonomia, não lhe possibilitaria fazer uso elementar
de suas mãos, seja para alimentar-se, vestir-se, pentear-se, conduzir veículo ou, quiçá,
locomover-se sozinho.

A defesa de tal estado de inaptidão laboral se deu, com especial


contundência, em momento no qual o autor comparece pessoalmente no feito para
defender seu interesse: o depoimento pessoal.

É especificamente neste ato de instrução processual que avulta o


dever da parte de não distorcer a realidade dos fatos que lhe são questionados, em que ele
tem a oportunidade de, pessoalmente, bem exercer seu dever de lealdade e boa-fé,
esclarecendo, com o respeito que deve à Justiça e aos outros atores do processo,
fidedignamente, aquilo que lhe for perguntado.

No entanto, foi justamente nesta oportunidade que a verdade deixou


de vir à tona, que a realidade foi transfigurada pessoalmente pelo então requerente, pois
sabendo que, agindo de maneira diferente, seu pleito não lograria sucesso.

Imprescindível, a fim de atestar o patente intuito de subtrair ao juízo


de primeiro grau a apreciação da verdade dos fatos – alterando-a, ao revés –, a transcrição
de excertos de seu depoimento pessoal na audiência de intrução, do que se depreende o
autêntico descumprimento de seu dever ético-jurídico-processual de expor os fatos ao
julgador em conformidade absoluta com a verdade (cópia em anexo, documento 04):

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“Às perguntas da MM. Juíza, respondeu que o depoente atualmente


encontra-se desempregado desde que saiu da Caixa
Econômica Federal; que o depoente vem se submetendo a
concursos públicos, mas não conseguiu passar em nenhum
concurso até o momento (...); que, atualmente, o depoente tem
dificuladades para movimentar o lado direito do corpo, envolvendo o pescoço, o
ombro, o braço e os dedos da mão; que, em razão disso, o depoente tem
dificuldades para vestir-se sozinho, tomar banho sozinho, fazer barba; que o
depoente tem dificuldades para cortar carne com a mão direita (...); que,
atualmente, o depoente não consegue imaginar nenhuma
tarefa laboral que pudesse desenvolver (...); dada a palavra à
Procuradora do réu, às perguntas respondeu que o depoente sempre teve vontade
de estudar; que obteve sempre as primeiras colocações nos concursos que fez na
Caixa; que depois que foi demitido da Caixa, o depoente
inscreveu-se em concursos públicos, mas não conseguiu
estudar como deveria, em razão de deficiência de saúde (...);
dada a palavra ao Promotor de Justiça, às perguntas respondeu
que o depoente não consegue imaginar nenhum atividade
produtiva que possa exercer e alcançar através de concurso
público, inclusive para deficiente, por que não consegue ficar
muito tempo em pé e nem muito tempo sentado (...).”

Importante observar que o depoimento foi prestado em audiência


ocorrida em 24.10.2001, exatamente um mês após a admissão na Fundação
Hospitalar do distrito Federal, em 24.09.2001, tornando nítido o menoscabo à
verdade, não só a omissão quanto a ela, mas também sua antipódica modificação.

Além do depoimento pessoal, também as testemunhas arroladas pelo


autor disseram, em declarações prestadas em dezembro de 2001, que desconheciam
qualquer atividade laborativa do autor.
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Temos, então, o quadro de um servidor público que, não obstante o


pleno exercício de suas funções, que, muito provavelmente continuem a demandar
esforços repetitivos com os membros superiores – visto que nenhum repartição
burocrática em que se situa qualquer técnico administrativo vai prescindir,
hodiernamente, da intensa utilização de meios informatizados para o desempenho de sua
finalidade –, foi considerado, graças essencialmente ao seu expediente malicioso
para modificar a realidade, um total inválido, sem possibilidade de executar sequer
atividades comezinhas de seu cotidiano, quanto mais de prover sua própria sobrevivência.
Contradição irrefutável.

É absolutamente imprescindível que tal situação seja alterada de


imediato, quer pelo mais elementar senso de justiça, quer pelo total descabimento do
benefício concedido em face da lei e de uníssona jurisprudência.

Não se pode permitir a manutenção de tal estado, quer para que se


resgate o respeito à Justiça no caso, vítima de tal indução a erro, quer para se evitar a
continuidade da sangria ao erário da Previdência Social, já tão dilapidado em razão de
expedientes maliciosos dessa natureza.

A ação rescisória, obviamente, não se presta a desconstituir decisão


injusta, mesmo por que de tal qualificação não se pode inquinar a que foi proferida nos
autos da acidentária, em face do que, até então, havia chegado ao conhecimento do juízo.
No entanto, justiça plena estará sendo feita com o reconhecimento do patente dolo
processual em comento, que induziu a equívoco os doutos julgadores que atuaram no
feito, pelo seu menoscabo ao dever de lealdade e boa-fé processuais, quer pela omissão de
sua situação laborativa, quer pela sua distorção, com o fim de locupletamento indevido.

É essa conduta, cuja análise realmente importa nesta causa, visto que
macula indiretamente a decisão que se quer rescindir, que se busca demonstrar nestes
autos, bem como toda fundamentação de direito que embasa a pretensão rescisória,
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mecanismo processual que tem por uma de suas funções precípuas combater o uso de
estratagemas que subjulguem a dignidade da Justiça.

3. Mérito

Judicium rescindens

3.1 Da configuração do dolo processual hábil à rescisão do


julgado

3.1.1 Da conduta dolosa: menoscabo à lealdade e boa-fé


processuais

Insta, doravante, fundamentar juridicamente a pretensão de rescisão


do acórdão proferido no bojo dos autos da ação acidentária de n. 2000.01.1.055629-8,
demonstrando o enquadramento da situação fática aos ditames legais que permitem sua
desconstituição.

A presente ação encontra supedâneo no art. 485, III, primeira


parte, do Código de Processo Civil, tendo por base, assim, o dolo processual verificado
na conduta da parte vencedora naquela ação, que, induzindo a erro os julgadores, logrou
provimento favorável em detrimento da parte vencida, a Autarquia Previdenciária.

Segundo ensinamento de eminente processualista, “haverá dolo


processual sempre que uma das partes, agindo sem observar o dever de lealdade e boa-fé, tentar influir no
convencimento do julgador para obter um resultado que lhe seja favorável. (...) Não se pense, porém, que a
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lei trata do caso em que a parte vencedora induz ao erro a parte vencida. O dolo da parte vencedora, que
vicia a sentença, tornando-a (após o trânsito em julhgado) rescindível é o induzimento ao erro do juiz
prolator da decisão que se quer rescindir. O juiz é, portanto, o destinatário do dolo processual.”2

Embora o dolo processual se constitua em conceito jurídico


indeterminado, há dispositivos na lei processual que balizam a extensão de sua definição,
sendo lógico supor que tal causa de rescindibilidade decorre diretamente da violação ao
dever de lealdade e boa-fé, insculpido nos incisos I e II do art. 14 do CPC. Não é demais
transcrever seus textos, para melhor elucidação:

Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma
participam do processo:

I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;

II - proceder com lealdade e boa-fé;

Além desses deveres processuais, inúmeros outros encontram-se


espalhados pleo código e legislação esparsa. Cumpre, in casu, ressaltar também o dever de
que tem a parte de comparecer em juízo, respondendo o que lhe for perguntado de
maneira fiel à verdade, insculpido no art. 340, I, do mesmo estatuto processual.

De outro lado, como não há dever jurídico sem a correspondente


sanção, tampouco sanção sem prévia determinação das ações a ela passíveis, as condutas
processuais desleais e de má-fé encontram no art. 17 extenso rol exemplificativo, que
define comportamentos que podem ser enquadrados como litigância de má-fé, dentre
eles, a alteração da verdade dos fatos:

2
CÂMARA, Alexandre Freitas; Ação Rescisória, primeira edição, Ed. Lumen Juris, Rio de Jabeiro, p. 68.
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Art. 17. Reputa-se litigante de má-fé aquele que:

I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;

II - alterar a verdade dos fatos;

III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;

V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;

Vl - provocar incidentes manifestamente infundados.

VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

De seu turno, é cediço que a falta ao dever de verdade não se


circunscreve à violação comissiva, consistente em atos positivos que busquem distorcê-la
ou alterá-la completamente, mas também engloba atitudes omissivas, como a de não
revelação de fato necessário para o esclarecimento da verdade real que se busca aferir nos
autos, fato esse conhecido pela parte que o omite ou que, pela natureza ou circunstância
das coisas, seria inadmissível sua ignorância.

Todos os dispositivos apontados constituem verdadeiro regime


jurídico a balizar o dever de ética e boa-fé processuais, visando coibir todas as
manifestações que se constituam em desvio de tais deveres.

Por mais abstrato que seja o direito de ação, não se admite que o
processo sirva de palco para se arriscarem pretensões infundadas, temerárias ou de
objetivo flagrantemente ilícito. Não seria mesmo lógico admitir que o processo, como
instituto jurídico que é, consituindo-se em um dos espectros de ciência que, por
excelência, máxime num Estado Democrático de Direito, visa promover o respeito aos
valores mais caros à sociedade, guardando, aí, viés eminentemente deontológico, servisse
para proteger interesses inescrupulosos.
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Sua finalidade precípua, portanto, é a de justa composição do litígio


posto em sua engrenagem, sendo consectário lógico de tal conclusão a necessidade
essencial de busca da verdade no grau máximo possível, subjazendo, daí, o inexorável
dever das partes de agirem sob os auspícios da lealdade e boa-fé, sendo o dever da
verdade, especificamente, pressuposto crucial para se alcançar o fim almejado.

Não à tôa o sistema processual admite que, até mesmo o provimento


judicial blindado pelos efeitos da coisa julgada seja desconstituído, se, para o que nele se
decidiu, contribuíram efetivamente expedientes dolosos que obliteraram os deveres
processuais de lealdade e boa-fé.

Eis, então, outro aspecto importante do dolo processual hábil a


rescindir coisa julgada: a lesividade.

Por certo, deve a conduta deslanchada dolosamente ser dotada de


influência decisiva, ainda que não exclusiva, sobre o convencimento do juiz. Se o
resultado da conduta dolosa nenhuma relevância teve para o julgamento em favor daquele
que a comete, não estará ele apto a ensejar a rescisão, por razões óbvias. Deve, assim, o
dolo, em algum viés, induzir o julgador a erro de forma que seu convencimento,
maculado pela influência do comportamento da parte, lhe enseje provimento favorável, o
que inocorreria na ausência do expediente.

Delineados, dessa forma, todos os aspectos do dolo processual


disposto no art. 485, III, do CPC, insta verificar seu enquadramento no caso concreto. E
isso se depreende tão-só da exposição fática acima realizada. Não custa, entretanto,
pormenorizar.

O dolo do ora réu no bojo dos autos em discussão já encontra, na


documentação contígua à presente, prova mais que irrefutável. Os expedientes emanados
da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal e o depoimento do autor em
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audiência, assim como toda a documentação ora apresentada a Vossas Excelências,


consitui-se em arcabouço probatório cabal de tal fato.

Aqueles meios de prova dão plena ciência de que o requerido, apesar


de ter sido admitido em cargo público em 24 de setembro de 2001 – menos de um ano
após o ajuizamento da ação –, estando até os dias de hoje exercendo a função de técnico
administrativo no órgão mencionado, negou, veementemente, quando inquirido em
audiência realizada em 24 de outubro de 2001, ter passado em qualquer concurso
público, bem como permanecer exercendo qualquer ofício laborativo, além de sustentar,
de forma contundente, a impossibilidade de exercer sequer elementar atividade laboral, ou
mesmo de viver autonomamente.

Por outro lado, no prosseguimento do feito, não só persistiu em seu


expediente ardil, como continuou a sustentar o direito à aposentadoria por invalidez
acrescido do adicional para acompanhamento permanente de terceiros.

É mais que evidente que tal omissão e alteração da verdade em juízo


constituiu-se em autêntica conduta violadora da lealdade e da boa-fé que devem permear
o comportamento das partes em juízo, configurando-se a litigância de má-fé, na
medida em que, quando perguntado sobre fatos de suma relevância ao deslinde da causa,
não só deixou de mencionar sua aprovação em concurso público, cujo cargo passou a
exercer plenamente, como foi incisivo em afirmar sua incapacidade absoluta.

Configurada a conduta dolosa em si, passa-se à análise de sua


influência no provimento judicial que concedeu o benefício. Nesse particular, não é
preciso grandes ilações para se ter por certo que a omissão e alteração da verdade
contribuíram decisivamente para o deslinde do feito em favor do vencedor.

O expediente doloso proporcionou-lhe provimentos que, além


de terem ensejado a aposentação precoce e o adicional, permitiram-lhe a

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manutenção do auxílio-doença acidentário, até a implantação da aposentadoria,


insentando-o, ademais, de passar pelo crivo periódico dos médicos da Autarquia.

3.1.2 Da influência da conduta dolosa na concessão da


aposentadoria por invalidez acidentária

Importante, neste subitem, tecer análise sobre o cabimento da


aposentadoria por invalidez, para daí concluir pela interferência da conduta dolosa na
decisão rescindenda. A Lei de Benefícios da Previdência Social lei regula o direito à sua
percepção em seu art. 42, cuja cabeça abaixo se transcreve com destaques no pertinente:

Art. 42. A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida, quando for
o caso, a carência exigida, será devida ao segurado que, estando ou não
em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz e insusceptível
de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a
subsistência, e ser-lhe-á paga enquanto permanecer nesta condição.

O dispositivo é claro na definição dos requisitos necessários à


aposentação precoce. Não basta a mera incapacidade permanente para o exercício do
trabalho habitual. Benefício que se caracteriza como ultima ratio do sistema previdenciário,
é nele que a seletividade própria das prestações concedidas pela Seguridade Social
encontra seu exemplar extremo, tendo em vista seu escopo de prover totalmente a
subsistência daquele que não pode, de maneira alguma, exercer ofício laborativo
oneroso para se autosustentar.

Com efeito, constitui-se em benefício exemplar do alcance Estado


Social, que visa proporcionar a sobrevivência daquele que, tendo executado trabalho

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remunerado em parte de sua vida, se torna, em razão de vicissitudes intrínsecas à


existência material, completamente inválido para prover suas necessidades
autonomamente.

Só deve, então, ser concedido, naquelas situações em que haja


plena e permanente impossibilidade do exercício de qualquer atividade laboral,
não havendo, sequer, ao menos em análise inicial, possibilidade de recolocação no
mercado de trabalho, mediante procedimento de reabilitação profissional.

Diferente não poderia ser. O benefício em comento retira


oficialmente a pessoa da vida laboral, e, em contrapartida, deixa a cargo do Estado a
obrigação de manter sua existência, ocasionando, de um lado, a perda permanente de mais
uma força ativa na construção do País e, de outro, a imposição ao Erário de suprir-lhe as
necessidades, onerando-o. O sistema há de ser assaz seletivo para impedir que tal situação
ocorra desnecessariamente, sob pena de, em larga escala, ensejar inúmeros prejuízos ao
progresso nacional, por razões autoexplicativas, e até mesmo danos de ordem mesmo
psicológica à própria pessoa aposentada, em face da sensação de inutilidade que possa vir
lhe acometer.

Dessa forma, de rigor seja dada a máxima atenção ao mínimo


potencial laborativo residual da pessoa que é acometida de patologia incapacitante, para
que, caso possível diante das circunstâncias, passe a exercitar sua capacidade em outra
seara.

Como visto, a lei não destoa desse raciocínio, sendo nítida ao


enunciar que somente a incapacidade permanente, total, omniprofissional, irreversível
e que não dê margem à reabilitação do incapacitado se afigura requisito necessário à
aposentadoria por invalidez.

Os Tribunais, de sua parte, têm aplicado o ordenamento à risca,


estabelecendo, contundentemente, que a incapacidade parcial, ou mesmo a total com
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possibilidade de reabilitação, não dão, em nenhuma hipótese, azo à concessão de


aposentadoria por invalidez. A seguir, arestos exemplares, com destaque no pertinente:

PREVIDENCIÁRIO - APOSENTADORIA POR


INVALIDEZ - INCAPACIDADE PARCIAL - ARTIGO 42 DA
LEI 8.213/91.
- O segurado considerado parcialmente incapacitado para
determinadas tarefas, podendo, porém, exercer atividades
outras que lhe garantam a subsistência, não tem direito ao
benefício da aposentadoria por invalidez.
- Para deferimento do benefício, a incapacidade há que ser
total e permanente, insuscetível de reabilitação.
- Recurso conhecido e provido.
(STJ, REsp 231093, rel. Jorge Scartezzini).

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR


INVALIDEZ. PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO.
NOVA FILIAÇÃO. CARÊNCIA. INCAPACIDADE.
REABILITAÇÃO. DOENÇA OU LESÃO ANTERIOR.
ATESTADOS MÉDICOS. PERÍCIA.
1. Havendo perda da qualidade de segurado é necessário, para
que o segurado faça jus ao benefício de aposentadoria por
invalidez, o cumprimento de no mínimo um terço da carência
regularmente exigida, além da comprovação da incapacidade e
insusceptibilidade de reabilitação para o exercício de atividade
que lhe garanta a subsistência. Havendo doença ou lesão
anterior à nova filiação, é preciso comprovar que a
incapacidade sobreveio por motivo de progressão ou
agravamento da enfermidade original.
2. Os atestados médicos apresentados não são categóricos em
afirmar a insusceptibilidade de reabilitação para outra
atividade, ou que a incapacidade não seria preexistente à nova
filiação. A perícia médica realizada pelo INSS indicou a
possibilidade de recuperação da segurada para o trabalho.
3. Apelação improvida.
(TRF 1ª Região, AC 199901000131560, rel. Miguel Ângelo de
Alvarenga Lopes).

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INFORTUNÍSTICA. PEDIDO DE APOSENTADORIA POR


INVALIDEZ. PROCEDÊNCIA NO PRIMEIRO GRAU.
INCAPACIDADE TOTAL PARA O LABOR, TODAVIA,
INCOMPROVADA. HIPÓTESE QUE CONTEMPLA, À
LUZ DA PROVA PERICIAL, O DEFERIMENTO DO
AUXÍLIO-DOENÇA. CONCESSÃO. REFORMA PARCIAL
DO DECISUM.

O artigo 42 da Lei n. 8.213/91 é de uma clareza absoluta: a


aposentadoria por invalidez é devida apenas ao segurado que
for considerado incapaz e insusceptível de reabilitação para o
exercício de atividade que lhe garanta a subsistência.

Nesse passo, atestado pela perícia que há incapacidade apenas


para a profissão habitual do obreiro, de rigor a concessão do
auxílio-doença, com a submissão do obreiro a processo de
reabilitação profissional.

(TJSC, Apelação Cível n. 2006.046128-2 Des. Relator: Vanderlei


Romer, julgado 15.02.2007).

PREVIDENCIÁRIO - AUXÍLIO-DOENÇA OU
APOSENTADORIA - INVALIDEZ - REABILITAÇÃO -
POSSIBILIDADE - DATA da INVALIDEZ

1. Sendo possível a reabilitação profissional para outras


atividades comprovada por perícia médica, a aposentadoria
por invalidez não é devida.

2. Tratando-se de hipótese de auxílio-doença, deve-se adotar o


comando da Lei 8213/91, art.62, pela qual não deve cessar o
benefício até que o segurado seja habilitado em nova atividade
laboral.

3. A concessão do benefício deve ser fixada a partir da data de


emissão do laudo médico-pericial.

4. Apelação provida parcialmente.

(TRF 1ª Região, AC 9401066086, rel. Carlos Fernando Mathias).

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PREVIDENCIÁRIO.APOSENTADORIA POR INVALIDEZ.


LAUDO PERICIAL.REABILITAÇÃO.

I.Aposentadoria por invalidez pressupõe a incapacidade


insusceptível de reabilitação para o exercício de atividade
laborativa.

II. Havendo prova médico-pericial atestando a possibilidade


de reabilitação da enfermidade impõe-se a recusa do pedido de
aposentadoria, devendo socorrer-se do benefício do auxílio
doença.

III.Apelação que se nega provimento.

(TRF 1ª Região, AC 9601134700, rel. Carlos Olavo).

Como se vê, a lei e a jurisprudência não abrem brechas para a


concessão de aposentadoria por invalidez àquele que seja portador de incapacidade
parcial, tampouco nos casos em que haja possibilidade de reabilitação profissional.

No caso em comento, os doutos julgadores, supedaneados em laudo


médico que constatou não só aparente incapacidade total, permanente e insuscetível de
reabilitação, como a impossibilidade da sobrevivência independente da ajuda de terceiros
do réu, acabaram por julgar a causa obedecendo irrestritamente aos ditames legais.

No entanto, é evidente que tal julgamento seria


diametralmente oposto caso se tivesse a notícia de que o réu, não obstante as
provas produzidas naqueles autos, imbuído de lealdade e boa-fé, não tivesse
faltado com a verdade quando lhe caberia esclarecê-la.

Nesse passo, em face do princípio livre convencimento


racionalmente fundamentado, que permite ao magistrado, não obstante as provas de
toda ordem produzidas nos autos, a busca incessante da verdade real e da justiça, os

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julgadores dessa causa decerto jamais teriam concedido aposentadoria por invalidez ao
réu.

O laudo pericial oficial, conquanto se constitua em prova técnica e,


guardando tal caráter, tenha respeitável força na análise dos fatos, jamais se sobreporia à
realidade fática eloqüente de o réu, já no curso da ação, ter obtido êxito em concurso
público, e permanecer trabalhando normalmente, sem qualquer restrição ou
intercorrência.

A perícia, per se, jamais seria hábil a gerar convicção da existência de


invalidez absoluta em face de tal quadro. A realidade, que agora é demonstrada
cabalmente, é implacável e independe de aferição por perícia técnico-científica para ser
constatada, se sobrepondo a qualquer exame de tal ordem, e, se exposta a tempo, teria
impedido que qualquer magistrado, em sã consciência, concedesse aposentadoria por
invalidez a pessoa que, não só se verifica plenamente capaz ao exercício de atividade
laborativa, como sua aptidão encontra-se acima da média, tanto pelo nível intelectual do
réu como pelo seu êxito em concurso público.

Por tal razão, nem mesmo o argumento sustentado por alguma


doutrina e jurisprudência de que, em alguns casos, dadas certas circunstâncias, como a
idade do segurado, sua profissão habitual e seu nível intelectual, a incapacidade parcial
poderia ensejar a aposentação, permitiria a concessão do benefício no caso concreto.

Demonstrada a verdade real nestes autos, o caso em análise


constitui-se, portanto, em afronta direta e insofismável tanto ao bom-senso como a todos
os atos jurídico-normativos que regulam a concessão da aposentadoria por invalidez.

3.1.3 Da influência da conduta dolosa na manutenção do auxílio-


doença acidentário até a implantação da aposentadoria, bem como na desobrigação de
submissão às perícias médicas periódicas e a procedimento de reabilitação profissional

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Como visto acima, a sentença confirmada em segunda instância não


só concedeu a aposentadoria e seu adendo, como também confirmou a antecipação
dos efeitos da tutela concedida, determinando a permanência do afastamento do
réu de seu trabalho, de maneira que lhe deveria ser pago, até a efetiva implantação
do benefício definitivo, o auxílio-doença acidentário, no bojo do qual não
poderiam ser efetuadas as perícias admnistrativas que lhe são inerentes, tampouco
procedimento reabilitatório.

A confirmação da sentença pelo acórdão rescindendo, que manteve


a aposentadoria e o adicional, acabou por manter também incólume, por razões óbvias, o
capítulo da decisão definitiva de primeiro grau que confirmou os efeitos da tutela de
urgência, nos termos acima enunciados. Com efeito, teve o efeito (in)direto de permitir a
permanência do auxílio-doença acidentário e a isenção de exames administrativos
periódicos.

No entanto, também essa parte do julgado provém da indução a erro


dos magistrados, através da conduta dolosa do réu. Se fosse outro seu comportamento, a
determinação de permanência do benefício temporário não teria lugar, senão vejamos.

A Lei n. 8.213 de 1991 regula, no artigo 59, o cabimento do auxílio-


doença. Importante reproduzir o teor de seu caput, para melhor elucidação:

Art. 59. O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido,


quando for o caso, o período de carência exigido nesta Lei, ficar incapacitado
para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze)
dias consecutivos.

É ressabido que o auxílio-doença é devido àqueles que se encontram


incapacitados temporariamente para o exercício da atividade laborativa que exercem

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habitualmente, em razão de alguma patologia que os acometa. A Previdência Social,


portanto, mantém, através deste benefício, a subsistência daquele que está, ao menos em
juízo inicial, provisoriamente inapto para se autosustentar pelo seu ofício normal.

A prestação, portanto, tem caráter eminentemente precário, sendo


concedida de maneira provisória, seja em período no qual se afere, de logo, o caráter
temporário e parcialmente incapacitante da patologia – ou pela previsibilidade de
convalescença, ou pela possibilidade de contorno da inaptidão laboral através pela
reabilitação profissional –, seja em momento no qual ainda não se possa verificar,
acertadamente, a invalidez absoluta necessária à aposentação.

Verifica-se, assim, que o auxílio-doença não terá lugar a partir


da constatação de que o beneficiário recobrou, por qualquer meio, sua
incapacidade para garantir, seja pelo trabalho habitual, seja por outro a que se
habilite, sua sobrevivência.

Essa realidade fica bem clara a partir da leitura do art. 62 da Lei


mencionada:

Art. 62. O segurado em gozo de auxílio-doença, insusceptível de recuperação


para sua atividade habitual, deverá submeter-se a processo de reabilitação
profissional para o exercício de outra atividade. Não cessará o benefício até que
seja dado como habilitado para o desempenho de nova atividade que lhe garanta
a subsistência ou, quando considerado não-recuperável, for aposentado por
invalidez.

Do dispositivo extrai-se que, mesmo nas situações em que se mostra


impossível o recobro da incapacidade para o labor ordinário, o benefício só é devido até a
recuperação para outra atividade.

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Nessa esteira, salta aos olhos que a conduta dolosa do réu obstaria a
manutenção, na sentença, do auxílio-doença acidentário, reconhecido judicialmente na
antecipação de tutela. Em verdade, se constatado ainda no curso do processo em primeira
instância que o então autor já ocupava cargo público – estando, portanto, devidamente
habilitado para trabalhar –, essa informação poderia mesmo ensejar revogação imediata
da medida de urgência, ausentes que se demonstrariam tanto a verossimilhança das
alegações, quanto o fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, dada a
constatação de falta de incapacidade parcial e temporária que impedisse o autosustento.

No entanto, o comportamento reprovável do então requerente


possibilitou não só a manutenção da medida, como sua confirmação na sentença e no
acórdão, em face do reconhecimento da invalidez absoluta, com o agravante de que ficou
vedado à Autarquia proceder não só às perícias médicas periódicas de praxe, como à
própria verificação de possibilidade de reabilitação profissional, levando a efeito o
respectivo procedimento.

No caso, todavia, esta última análise, como visto, restaria


plenamente prejudicada, vez que o segurado, de tão hábil e capaz que se
encontrava, conseguiu, sem qualquer auxílio, ingressar no serviço público e
manter muito dignamente sua sobrevivência, inclusive realizando atividades
similares á que executava na instituição financeira, de maneira que sua inserção
em programa de reabilitação seria medida completamente desnecessária.

Fica, assim, clara e exaustivamente provado que o julgado merece


rescisão também quanto ao capítulo em que se confirmou a tutela e se determinou a
manutenção do benefício temporário, isentando a parte, inclusive, de submissão a
qualquer análise administrativa.

3.1.4 Conclusão

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Em suma, é suficiente a prova e clara a configuração da conduta


dolosa necessária à rescisão do julgado, a qual, enquadrando-se perfeitamente como o
expediente malicioso execrado pela lei, desdobrou-se em conduta que influenciou
decisivamente o provimento judicial em favor da parte que a cometeu.

Não se vislumbra, portanto, outra solução a esta demanda que não a


rescisão in totum do acórdão proferido nos autos de n. n. 2000.01.1.055629-8, exarado pela
Quarta Turma cível do TJDFT, em todos os seus efeitos, presentes que se afiguram os
requisitos para tanto.

3.2 Da necessária atribuição de efeito ex tunc à rescisão do


julgado.

Verificada a necessidade de rescisão do acórdão referido, insta


perquirir, doravante, quais efeitos merecem ser atribuídos à desconstituição da decisão.

É pacífico, em sede doutrinária e jurisprudencial, que o julgamento


de procedência do pedido de rescisão tem inegável natureza (des)constitutiva, por
desfazer o julgamento anterior. Tal classificação leva, numa análise menos acurada, à
conclusão de que não lhe pode ser atribuído qualquer efeito retroativo, a não ser que a lei
assim estabelecesse.

Entretanto, como bem ensina Alexandre Freitas Câmara,


acompanhado por processualistas de escol, como Barbosa Moreira, e por torrencial
jurisprudência, “não é o texto da lei que decide se a eficácia da sentença constitutiva é “ex nunc” ou “ex
tunc”, mas as peculiaridades do caso concreto que o fazem. (...). No caso de decisão que julga procedente o

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pedido de rescisão de provimento judicial transitado em julgado, casos haverá em que seus efeitos se
operarão apenas para o futuro, e outros haverá em que a eficácia será retrooperante3”.

Com efeito, é a partir da natureza da causa e de suas peculiaridades


que se delimitam os efeitos da decisão que rescinde a coisa julgada. Assim, por exemplo,
de nada adiantaria uma decisão que anulasse determinado negócio jurídico que já tenha
produzido todos os seus efeitos, se sua eficácia fosse apenas para o futuro. Haveria, em
tese, mesmo falta de interesse de agir na postulação de tal invalidação. Por razões óbvias,
não pode ser assim, pois, em caso que tal, a sentença não surtiria na prática efeito algum,
acabando por negar eficácia às próprias normas de direito material.

Dessa forma, no balizamento dos efeitos de sentença


desconstitutiva, caso da decisão rescisória, devem ser observadas as normas jurídicas
substanciais subjacentes, sob pena de, muitas vezes, elas serem relegadas à inocuidade,
solapando-se a instrumentalidade do processo. Tal situação, evidentemente, vai de
encontro inclusive ao princípio constitucional da tutela jurisdicional adequada, emanado
do próprio direito de ação.

No presente caso, que guarda similaridade com a hipótese acima


mencionada, a atribuição de efeitos apenas para o futuro da rescisão do julgado de nada
serviria para se reaverem os valores indevidamente pagos a título de auxílio-doença e de
aposentadoria por invalidez.

Na situação concreta, conforme já exposto acima, a sentença,


confirmada pelo acórdão rescindendo, proferida em 24.04.2003, julgou procedentes os
pedidos de aposentadoria por invalidez acidentária acrescida do adicional para
acompanhante, condenando a Autarquia ao pagamento das parcelas vencidas desde a data
da citação, 17.04.2001, determinando, outrossim, a permanência do pagamento do auxílio-
doença acidentário, isentando-o de perícias periódicas, até a data de implantação da

3
Opus cit., p. 201.
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aposentadoria, devendo ser deduzidos do débito, em sede executória, o montante pago a


título de benefício temporário.

A condenação, portanto, confirmou o deferimento da tutela


antecipada, obrigando a Autarquia a manter, sem possibilidade de qualquer revisão
administrativa, o pagamento do auxílio-doença até a implantação da aposentadoria, de
maneira que o benefício foi pago, em razão da medida antecipatória, no período
compreendido entre 30.04.2002 e 24.04.2006.

Outrossim, condenou-a a arcar com as prestações vencidas relativas


à aposentadoria e ao adicional desde 17.04.2001, descontados os valores relativos ao
auxílio-doença durante a convivência com a aposentadoria, gerando débito para o
Instituto, cujo precatório, de n. 2007.00.2.007353-1, deveria ser pago no exercício de
2008, conforme cópia anexa (documento 16). Ademais, insta asseverar que a
aposentadoria e o adicional vêm sendo pagos administrativamente desde 24.04.2006, de
forma que o Instituto já arcou com valores de grande monta desde então.

Com efeito, caso os efeitos da rescisão se limitem para o futuro,


grande parte da utilidade da cassação do decisum rescindendo se perderia, uma vez que o
débito exeqüendo e os valores que já foi pagos administrativamente pela Autarquia em
razão das obrigações que ora se comprova terem-lhe sido indevidamente impostas
permaneceriam incólumes. Tal não é, certamente, o que deve suceder. Os efeitos do
julgameto pela rescisão devem, portanto, ter efeito ex tunc.

Confira-se aresto exemplar a respeito do tema, que comunga com o


entendimento acima expendido:

TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. AUSÊNCIA DE


INTERESSE DE AGIR. PRELIMINAR AFASTADA. EFEITOS
EX TUNC DA DECISÃO DE PROCEDÊNCIA DA AÇÃO
RESCISÓRIA. SÚMULA 343 DO STF. INAPLICABILIDADE.

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ART. 485, INCISO V, DO CPC. PIS. MEDIDA PROVISÓRIA


1.212/95. VALIDADE E EFICÁCIA.

1. A ação rescisória projeta efeitos ex tunc, na medida em que o


desfazimento da decisão rescindenda não se limita exclusivamente
àquele ato processual, alcançando, ainda, os efeitos por ela gerados.
Preliminar de ausência de interesse de agir, argüida pela ré,
rejeitada.

2. Sendo a controvérsia em torno da majoração levada a efeito pela


Medida Provisória 1.212/95, de índole essencialmente
constitucional, inaplicável a Súmula 343, do STF. Precedentes.

3. Certo que, reeditada a medida provisória, no prazo previsto no


parágrafo único, art. 62, da CF, ainda que não convertida em lei e
desde que não rejeitada pelo Congresso, deve ser preservada sua
eficácia, observando-se, contudo, o prazo nonagesimal contado
desde a veiculação da primeira medida provisória, no caso, a MP
1.212/95, de 28/11/95, não havendo se falar, outrossim, em qualquer
ofensa ao art. 195, § 6º, da CF.

4. Ação rescisória provida. Novo julgamento da causa. Provimento


da Apelação da União e da remessa oficial.

(TRF 1ª Região, Ação Rescisória, processo n. 200101000017632,


rel. Maria do Carmo Cardoso, julgado à unanimidade, em
28.09.2005).

Judicium rescisorium

3.3 Do necessário rejulgamento da causa pela


improcedência do pedido de aposentadoria por invalidez acidentária e
adicional para acompanhante. Do necessário cancelamento do precatório
expedido para pagamento das parcelas vencidas a título de aposentadoria
por invalidez acidentária.

Ulrapassado o juízo rescindente, quando já desconsituída a decisão


que se visa cassar, pleiteia a Autarquia, em sede de juízo rescisório, o rejulgamento da

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causa, a fim de que se decida pela improcedência do pedido de aposentadoria por


invalidez acidentária e do respectivo adicional para acompanhante, com os efeitos daí
advindos, como a cassação da medida de urgência que concedeu auxílio-doença
acidentário. As razões de tal postulação já foram, acima, exaustivamente expostas.

Restou evidenciado, quando da narrativa fática, bem como no


delineamento da conduta dolosa e sua influência na decisão rescindenda, que, poucos
meses após o ajuizamento da ação em que requereu o benefício, bem como da
antecipação de tutela, o requerido foi admitido, via concurso, na Fundação Hospitalar do
Distrito Federal, para o cargo de Técnico Administrativo, trabalhando, hodiernamente, na
Secretaria de Saúde do Distrito Federal, sem a ocorrência de qualquer afastamento.

Sua situação, portanto, jamais se enquadrou, nem mesmo em tese,


nas hipóteses insculpidas nos arts. 59 e 42 da Lei n. 8.213 de 1991, muito menos,
obviamente, na do art. 45, não fazendo, portanto, jus a qualquer dos benefícios que lhe
foram concedidos, inclusive o auxílio-doença, como já sustentado.

Desvelado está o engodo. Ficou demonstrado que o réu jamais


preencheu os requisitos para a aposentação precoce, bem como não tinha direito à
percepção do benefício temporário quando concedido, em razão mesmo de não ter
apresentado a incapacidade laborativa necessária à concessão desses benefícios. Nada
mais congruente, portanto, do que, a partir da demonstração da conduta dolosa do réu,
que enganou os nobres julgadores, seja novamente conhecida a causa e julgado
improcedente o pedido de concessão daquels prestações.

A conseqüência direta do rejulgamento da causa pela improcedência


é o cancelamento do precatório expedido para pagamento das diferenças relativas às
parcelas vincendas da aposentadoria, que teve termo inicial estabelecido em 17.04.2001.

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Importante reesaltar que, no caso do pleito de cancelamento do


precatório, descabido, liminarmente, seria o argumento de que, em se tratando de débito
de caráter alimentar, ainda que indevido, restaria vedada sua repetição, vez que o quantum
debeatur ainda não foi pago, mas tão-somente expedido o precatório, não tendo os valores
sido, ainda, incorporados ao patrimônio do réu.

Dessa feita, pugna-se, em sede de juízo rescisório, pelo novo


conhecimento da causa, julgando-se improcedente o pedido de aposentadoria por
invalidez acidentária e seu adicional, pleiteando-se, de conseguinte, o cancelamento do
precatório judicial de n. 2007.00.2.007353-1, expedido para pagamento das diferenças
relativas àqueles benefícios.

3.4 Do pedido de condenação da parte autora a devolver à


Autarquia os valores pagos administrativamente, tanto a título do auxílio-
doença acidentário, quanto a título da aposentadoria e adicional para
acompanhante.

Como já sublinhado, rescindido o julgado, imprescindível sejam


devolvidos aos cofres da Autarquia as parcelas pagas indevidamente a título dos
benefícios concedidos. Nessa esteira, necessário, antecipando-se a eventual manobra do
réu para impugnar o pedido de restituição do montante, discorrer sobre a plena legalidade
de tal pretensão.

Na situação das parcelas já adimplidas administrativamente, poder-


se-ia argüir que, em face do princípio da irrepetibilidade do indébito alimentar, não seriam
restituíveis os valores já pagos. Tal entendimento, no entanto, não merece prosperar nem
mesmo em tese, no caso concreto.

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Consoante dispõe a lei e decide a mais autorizada jurisprudência, o


mencionado princípio é inaplicável quando a verba alimentar corresponde a benefício
concedido mediante fraude ou má-fé do segurado. Tal assertiva advém, antes de tudo,
do comezinho princípio da vedação ao enriquecimento ilícito, que parte justamente da
premissa de que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza.

O princípio seria suficiente para autorizar a restituição de todos os


valores que foram percebidos indevidamente. Não se pode permitir que aquele que se
beneficie de expediente ilícito não se veja obrigado a reparar os danos que ocasionou, sob
pena de negação da noção de direito, que demanda, simetricamente, o exercício de
deveres, dentre eles o de agir com lealdade e boa-fé, respeitando a verdade, bem como da
própria noção de justiça, consolidada na máxima dar a cada um o que é seu.

Por outro lado, totalmente descabida seria eventual alegação de que,


por ter sido o benefício concedido judidicialmente, as parcelas administrativamente
percebidas o foram mediante legitimação pelo Poder Judicante. Restando evidente que a
prestação jurisdicional favorável se deu mediante indução a erro de órgão do Estado-Juiz,
faz-se ainda mais necessária a recomposição dos danos acarretados, uma vez que a
conduta não só lesou a Autarquia, como desrespeitou frontalmente o poder constituído,
lesando, assim, o próprio Estado Democrático de Direito. Permitir que tal situação se
consolide, sem a devida condenação à restituição dos valores, é estimular condutas
similares. A premissa de irrepetibilidade de verba alimentar, desdobramento da noção de
segurança jurídica, não pode servir como escudo protetor e legitimador de
comportamento de tal gravidade.

A medida de irrepetibilidade de verba alimentar não pode ser


aplicada indiscriminadamente. Esse postulado tem uma finalidade, que é a de proteger o
aquele que se encontra em estado de perigo, o que, em face do princípio da
proporcionalidade, autoriza a irrepetição, sobrelevando o direito à vida e à subsistência do
necessitado. Conquanto o benefício previdenciário tenha, de fato, caráter alimentar, no
caso concreto a parte autora teve, durante todo o período das parcelas ora reivindicadas,
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total condição de manter sua sobrevivência autonomamente, por se tratar de servidor


público. Essa situação fugiu ao conhecimento do juízo apenas em razão de má-fé. Não se
encontrava, portanto, em estado de necessidade a lhe permitir a isenção pela restituição
do que lhe foi pago indevidamente. Portanto, a incidência daquele princípio equivaleria ao
desvio à sua própria teleologia, sendo, dessarte, inaplicável na espécie.

Como se não bastasse, a própria legislação concretiza


normativamente o raciocínio principiológico apontado, autorizando expressamente sua
inaplicabilidade. Nessa linha, veja-se o que prescreve o art. 115 da Lei n.8.213 de 1991,
com destaques no pertinente:

Art. 115. Podem ser descontados dos benefícios:

I - contribuições devidas pelo segurado à Previdência Social;


II - pagamento de benefício além do devido;
III - Imposto de Renda retido na fonte;
IV - pensão de alimentos decretada em sentença judicial;
V - mensalidades de associações e demais entidades de aposentados legalmente
reconhecidas, desde que autorizadas por seus filiados.
VI - pagamento de empréstimos, financiamentos e operações de arrendamento
mercantil concedidos por instituições financeiras e sociedades de arrendamento
mercantil, públicas e privadas, quando expressamente autorizado pelo
beneficiário, até o limite de trinta por cento do valor do benefício. (Incluído pela
Lei nº 10.820, de 17.12.2003)
§ 1o Na hipótese do inciso II, o desconto será feito em
parcelas, conforme dispuser o regulamento, salvo má-fé.
(Incluído pela Lei nº 10.820, de 17.12.2003)
§ 2o Na hipótese dos incisos II e VI, haverá prevalência do desconto do inciso II.
(Incluído pela Lei nº 10.820, de 17.12.2003)

Esse dispositivo, perfeitamente constitucional e amplamente


aplicado judicialmente em situações similares, impõe, em seu inciso II – que, por maior
razão, se aplica aos casos em que o benefício é concedido indevidamente –, o dever de o
INSS descontar dos benefícios de seus segurados a restituição de parcelas pagas de forma
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irregular, ainda que por mero erro administrativo. Se mostra, entretanto, mais severo,
como não poderia deixa de ser, nas circunstâncias em que a percepção indevida se deu
mediante má-fé, vedando a possibilidade de parcelamento nessas situações.

Assim, resta legalmente autorizada a devolução das prestações de


benefícios que foram concedidos irregularmente, em razão de fraude ou má-fé, como
ocorreu no caso, em razão da indução a erro dos órgãos do Poder Judiciário.

A jurisprudência, de seu turno, é contundente ao determinar a


restituição de benefício concedido nestas condições (destaques no pertinente):

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR


IDADE. CANCELAMENTO. PRETENSÃO DE
RESTABELECIMENTO. REQUERENTE APOSENTADA
COMO PROFESSORA MUNICIPAL.
DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADA
ESPECIAL. RESTITUIÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS.
1 - O fato de a autora já receber aposentadoria municipal
como professora municipal descaracteriza a condição de
segurada especial.
2 - A omissão deliberada quanto à informação sobre a fonte de
renda como professora aposentada constitui fraude apta a
justificar o cancelamento do benefício previdenciário e a
cobrança dos valores recebidos indevidamente.
(TRF 4ª Região, AC, processo n. 200071050021313, Sexta
Turma, rel. Ricardo Teixeira do Valle Pereira, julgamento
unânime em 03.05.2006).

PREVIDENCIÁRIO. SUSPENSÃO DE BENEFÍCIO.


VALORES INDEVIDAMENTE PAGOS PELO ERÁRIO.
RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
1. Constatando a Administração Pública irregularidades
quando da concessão de benefício previdenciário, tem o direito
de retificar o respectivo ato.
2. Hipótese em que restou demonstrado, à saciedade, que o
demandante conseguiu, mediante fraude, a concessão de
aposentadoria por idade.
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3. Reposição ao erário das parcelas indevidamente recebidas


viabilizada pela ausência de boa-fé do autor.
4. Apelação improvida.
(TRF 5ª Região, AC 390117, Segunda Turma, rel. Luiz Alberto
Gurgel de Faria, julgamento unânime em 11.09.2007).

PREVIDENCIÁRIO. RECEBIMENTO DE
APOSENTADORIA POR INVALIDEZ POR LONGO
TEMPO. RECUPERAÇÃO. RETORNO AO TRABALHO
INDEPENDENTE DE COMUNICAÇÃO.
COMPLETADOS 31 ANOS DE ATIVIDADE. PEDIDO DE
APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO
INDEFERIDO. CANCELAMENTO DO BENEFÍCIO
INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
COMPENSAÇÃO DOS VALORES A SEREM
DEVOLVIDOS COM AS DIFERENÇAS ATRASADAS.
JUROS. HONORÁRIA. INDÍCIOS DE PRÁTICA DE
ILÍCITO PENAL.
I - Pedido é de concessão de aposentadoria por tempo de
serviço, no coeficiente de 76%, em face dos 31 anos e fração
trabalhados, desde 22/05/1998, com a cessação da indevida
aposentadoria por invalidez, que vem o autor recebendo, desde
1963, e devolução de todos os valores percebidos a esse título.
II - Considerado o autor inapto para o trabalho, foi deferida
aposentadoria por invalidez, no valor de um salário mínimo,
insuficiente para sua manutenção. Em condições de exercer
outra atividade, retornou ao mercado de trabalho, o que fez de
modo lícito, com contrato registrado em carteira. Permaneceu
em atividade, até completar 31 anos de serviço, quando
requereu o benefício da aposentadoria por tempo de serviço,
negada por impossibilidade de cumulação desse benefício com
o que já recebia - aposentadoria por invalidez.
III - Reconhecimento do dever de devolver aos cofres públicos
as importâncias recebidas, já que inválido não se encontrava,
não admitindo ter agido de má-fé.
IV - Processo administrativo de concessão da aposentadoria
por invalidez não veio aos autos por estar deteriorado, segundo
informações da Autarquia.
V - Comprovação da atividade exercida por 31 anos com
registro em carteira, atestados de sanidade e conseqüente
recolhimento das contribuições previdenciárias.
VI - Ninguém pode beneficiar-se da própria torpeza. Nem o
autor, recebendo, durante quase trinta anos, benefício
indevido. Nem o INSS, recebendo, durante mais de trinta
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anos, contribuições previdenciárias, sem conceder o benefício


correspondente.
VII - Imediato cancelamento da aposentadoria por invalidez e
concessão da aposentadoria por tempo de serviço, desde a data
do requerimento administrativo - 22/05/1998 - com a
compensação dos valores indevidamente recebidos e as
diferenças em atraso.
VIII - Juros fixados de modo correto, somente passando ao
percentual de 1%, a partir da vigência do novo Código Civil,
esclarecendo, apenas, que até a citação serão considerados de
forma englobada.
IX - A honorária de 10% sobre o resultado final deve
prevalecer, em face da compensação dos valores recebidos e
devidos, cujos cálculos serão efetivados em liquidação.
X - Indícios de prática de ilícito penal justificando
encaminhamento de peças ao MPF. Precedentes desta Corte.
XI - Apelo do autor provido em parte.
XII - Reexame necessário e recurso adesivo do INSS
desprovidos.
(TRF 3ª Região, AC 851367, Oitava Turma, rel. Marianina
Galante, julgamento unânime em 02.10.2006).

Esclarecida a plena possibilidade de pleito de restituição dos valores


indevidamente pagos em razão da conduta perpetrada, insta delimitar os períodos a serem
ressarcidos.

Como visto, há duas situações distintas que precisam ser reparadas a


fim de se evitar prejuízo à entidade previdenciária. Uma se refere à necessidade de a
Autarquia ver restituídas as parcelas pagas administrativamente a título de auxílio-doença
acidentário em razão da antecipação da tutela. A outra é concernente à necessidade de
reaver os valores pagos a título da aposentadoria por invalidez, após sua implantação
administrativa.

A aposentadoria e o adicional vêm sendo pagos administrativamente


desde 24.04.2006, de forma que o Instituto já arcou com valores de grande monta desde
então.
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Quanto ao auxílio-doença acidentário concedido por antecipação de


tutela, insta estabelecer o termo a partir do qual os valores pagos precisam ser devolvidos,
através da condenação respectiva na presente ação. Nessa esteira, tem-se que precisam
ser restituídos todos os valores percebidos desde a judicialização do benefício,
cuja manutenção foi determinada na decisão de deferimento da medida de
urgência, proferida em 30 de abril de 2002, até o termo final de seu pagamento
admnistrativo.

Conforme já assentado, antes daquela decisão, vinha sendo pago,


por concessão administrativa, o benefício de auxílio-doença previdenciário. O
deferimento da antecipação, com efeitos imediatos, foi no sentido de conversão para o
homônimo acidentário, bem como de manutenção do benefício até decisão ulterior,
vedando a Autarquia de proceder a qualquer perícia administrativa periódica. Aquela
decisão, de conseguinte, judicializou a prestação, impedindo, expressamente, o Instituto
de efetuar qualquer medida no sentido de revisar a concessão.

O provimento judicial jamais foi revogado. Ao contrário, restou


confirmado em sentença. Tal confirmação, por óbvio, levou a que os efeitos da
medida de urgência integrassem os próprios efeitos da sentença, dado que este
ato convalidou aquele. Ulteriormente, a sentença foi confirmada pelo acórdão,
produzindo seus efeitos até 24.04.2006, data da implantação da aposentadoria.

Ora, em se tratando de ação que visa rescindir todos os efeitos


do acórdão rescindendo, que, por sua vez, confirmou todos os efeitos da sentença,
nada mais lógico do que a rescisão atingir todas as conseqüências do ato judicial,
que remotam à data da concessão de antecipação de tutela, qual seja, 30 de abril
de 2002, momento, inclusive, posterior à falta com a verdade pelo beneficiário.

Dessa forma, os valores indevidamente pagos a título de auxílio-


doença que merecem ser restituídos pela presente via devem corresponder ao período
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compreendido entre o deferimento da tutela até a implantação da aposentadoria, ou seja,


entre 30.04.2002 a 24.04.2006.

Pugna-se, portanto, pela condenação do réu a devolver todo o


montante que percebeu indevidamente em razão de sua conduta dolosa.

4. Da necessária atribuição de efeito suspensivo à


presente rescisória. Dos pleitos de medidas liminares cautelar, para fins de
sustação do precatório judicial relativo às parcelas vencidas em razão da
concessão da aposentadoria, e de antecipação de tutela, para suspensão imediata
do pagamento deste benefício.

Com base em toda a fundamentação de fato e de direito exposta,


bem como nos argumentos seguintes, vem a Autarquia Previdenciária requerer tutelas de
urgência, a fim de assegurar a eficácia de eventual decisão final pela procedência da
presente rescisória, bem como de antecipar os efeitos da tutela ora pretendida, evitando-
se, assim, maiores prejuízos aos cofres da entidade.

Tais medidas, que visam atribuir o efeito de suspender o


cumprimento do acórdão rescindendo, têm ampla chancela legal, baseando-se nos
permissivos contidos nos arts. 273, 489, segunda parte, e 798, do CPC, e, especialmente,
no parágrafo punico do art. 71 da Lei n. 8.212 de 1991, que se transcreve a seguir:

Art. 71. O Instituto Nacional do Seguro Social-INSS deverá rever os


benefícios, inclusive os concedidos por acidente do trabalho, ainda que concedidos
judicialmente, para avaliar a persistência, atenuação ou agravamento da
incapacidade para o trabalho alegada como causa para a sua concessão.

Parágrafo único. Será cabível a concessão de liminar nas ações


rescisórias e revisional, para suspender a execução do julgado
rescindendo ou revisando, em caso de fraude ou erro material
comprovado.

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Plenamente cabível, portanto, tanto o pleito de medida liminar


cautelar incidental, como o de antecipação de tutela, nas rescisórias, desde que presentes
os requisitos de tais institutos no caso concreto, o que é especificamente autorizado em
ações dessa espécie que visem rescindir julgados concessores de benefícios
previdenciários que, em razão de expediente ardiloso ou erro material comprovado, têm-
se por indevidos. Insta demonstrar a presença dos pressupostos das medidas que se
requer.

Por primeiro, vem, com fulcro no art. 798 do Código de Processo


Civil, requerer deferimento de medida liminar cautelar inominada, a fim de assegurar a
eficácia de eventual provimento final favorável, com a sustação da exigibilidade do crédito
constante do precatório judicial de n. 2007.00.2.007353-1, expedido em sede de execução
nos autos n. 2000.01.1.055629-8, que tramitou na Vara de Acidentes do Trabalho de
Brasília, DF.

Presente se encontra o fumus boni iuris que autoriza o deferimento


da medida. Resta, aliás, cabalmente demonstrado que o benefício de aposentadoria por
invalidez apenas foi concedido em razão de conduta dolosa que induziu a erro os
excelentíssimos julgadores. Demonstrada a existência de tal expediente, que se constituiu
em falta com a verdade sobre fato decisivo para o julgamento favorável ao réu, e, dessa
feita, a ausência do direito à prestação previdenciária concedida, resta claro que o
benefício é indevido e, de conseguinte, também as parcelas retroativas, que remontam a
17.04.2001.

Com efeito, o crédito constante do precatório mencionado tem-se


por inexigível, o que está demonstrado documentalmente de maneira irrefutável nos
autos, mais que satisfazendo, portanto, o mero juízo de cognição rarefeita necessário ao
deferimento do pleito emergencial. Por outro lado, como já explanado, não tendo, ainda,
o valor respectivo sido incorporado ao patrimônio do réu, não há que se cogitar, nem
mesmo em tese, de se tratar de hipótese de repetição de indébito alimentar, observação

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que, como já argüído, demonstra-se irrelevante, visto que a restituição seria perfeitamente
cabível no caso.

Por outro lado, o periculum in mora, fundado receio de lesão grave


e de difícil reparação, se concretiza no fato de que, expedido o precatório em 27 de junho
de 2007, seu pagamento deve se dar até o fim do ano corrente (2008). Assim, caso não
haja sua sustação, extremamente provável que seu adimplemento se dê antes do deslinde
desta demanda, de maneira que o retorno de seu montante aos cofres do Instituto
demonstrar-se-á de difícil – senão impossível, a depender do entendimento de Vossas
Excelências – consecução. Isso não só pelas dificuldades inerentes ao procedimento de
execução dos valores, como pela plausível possibilidade de insolvência do devedor.
Constata-se, assim, efetiva iminência de dano, caraterizando autêntico perigo na demora,
em caso de negativa do pleito de medida cautelar, com o que se assegurará a eficácia de
eventual provimento favorável.

De outro lado, também se faz imprescindível a concessão de


medida antecipatória dos efeitos de eventual decisão pela procedência do pedido de
rescisão do julgado, para que seja determinada a suspensão imediata do benefício de
aposentadoria por invalidez acidentária de n. 140.795.613-0, em face de sua concessão
indevida.

Para lastrear a verossimilhança da alegação, viabilizando a


postulação, há prova inequívoca de sobejo. É evidente, pelas razões exaustivamente
expostas, que o benefício é indevido, pois sua concessão se deu eminentemente em razão
de dolo processual. As provas da conduta ímproba transbordam nos autos, sendo
irrebatíveis, demonstrando-se não só verossímil, mas verdadeira, a afirmação acima.

De seu turno, é evidente a iminência de dano irreparável ou de


difícil reparação. Tratando-se de benefício de prestação continuada, caso permaneçam
sendo pagas, mensalmente, as parcelas da aposentadoria, os prejuízos à Autarquia serão

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crescentes, e, pelas mesmas razões expendidas para sustação do precatório, serão de difícil
ressarcimento.

Não custa asseverar que descabe a alegação de irreversibilidade dos


provimentos emergenciais. Para o réu não haverá qualquer dano irreparável ou de difícil
reparação, vez que, no caso da remotíssima hipótese de improcedência dos pedidos ora
veiculados, o crédito constante do precatório será devidamente disponibilizado e o
benefício, restabelecido desde sua cessação. Incabível nessa última situação o argumento
de que, em razão do caráter alimentar, a suspensão transitória da aposentadoria venha
acarretar dano irreparável, máxime tendo em conta que o réu mantém sua sobrevivência
através de sua atividade como servidor público, que desempenha regularmente.

Com efeito, de rigor que seja atribuído efeito suspensivo à presente


ação, sob pena de serem gerados prejuízos irremediáveis à Autarquia.

5. Dos pedidos

Por todo o exposto, requer o INSS:

1. CONCESSÃO LIMINAR, inaudita altera pars, de MEDIDA


ANTECIPATÓRIA DE TUTELA, para que seja
suspenso, até decisão final, o benefício de aposentadoria por
invalidez acidentária percebido pelo réu;

2. CONCESSÃO LIMINAR, inaudita altera pars, de MEDIDA


CAUTELAR INCIDENTAL, a fim de suspender, até
decisão final, a exigibilidade do crédito constante do
precatório de n. 2007.00.2.007353-1, expedido nos autos de
n. 2000.01.1.055629-8;
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3. CITAÇÃO do réu, no prazo determinado por Vossa


Excelência, para, caso queira, contestar a presente ação;

4. INTIMAÇÃO do Ministério Público do Distrito Federal e


Territórios para atuar no feito;

5. RESCISÃO, com efeitos ex tunc, do venerando acórdão


exarado em sede de apelação, pela Colenda Quarta Turma
Cível deste Egrégio Tribunal, nos autos n. 2000.01.1.055629-
8, com base no art. 485, III, do CPC, tendo em vista a
demonstração de dolo processual da parte vencedora naquela
ação, ora ré, em detrimento da parte vencida, ora autora,
visto que, sem aquela conduta, não teriam sido concedidas
nem a antecipação de tutela para concessão do auxílio-
doença acidentário, confirmada em sentença, nem a
aposentadoria e seu acréscimo para acompanhante;

6. Julgado procedente o pedido de rescisão acima, requer, em


sede de juízo rescisório, seja NOVAMENTE
CONHECIDA A CAUSA ORIGINÁRIA, nos termos do
art. 488, I, do CPC, para que seja julgado
IMPROCEDENTE o pedido de aposentadoria por
invalidez acidentária com o de adicional de 25% para
acompanhante, CASSANDO-SE, outrossim, a decisão que
determinou a tutela antecipada que concedeu o auxílio-
doença acidentário, desde sua prolação;

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7. Novamente conhecida a causa originária e julgado


IMPROCEDENTE o pedido de aposentadoria por
invalidez acidentária com o de adicional de 25% para
acompanhante, requer:

a. o CANCELAMENTO do precatório
de n. 2007.00.2.007353-1, expedido em XXXX,
em que consta o crédito referente às diferenças
devidas em razão das parcelas retroativas a
17.04.2001, relativo à concessão daqueles
benefícios;

b. a CONDENAÇÃO da parte ré a
devolver aos cofres da Autarquia os valores
reconhecidos como indevidamente pagos
administrativamente em razão da concessão,
em sede de antecipação de tutela, de auxílio-
doença acidentário, desde a data da respectiva
decisão (30.04.2002) até a data de implantação
da aposentadoria indevida (24.04.2006);

c. a CONDENAÇÃO da parte ré a
devolver aos cofres da Autarquia os valores
reconhecidos como indevidamente pagos
administrativamente em razão da concessão da
aposentadoria por invalidez acidentária e do
respectivo acréscimo para acompanhante,
desde a data da respectiva implantação
(24.04.2006) até a data em que for determinada

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a suspensão ou cessação daquelas prestações


por Vossas Excelências;

8. a CONDENAÇÃO da parte ré em custas e honorários


advocatícios e de eventuais peritos e assistentes técnicos,
sendo os primeiros à razão de 20% da condenação;

9. Por fim, requer o Instituto-autor intimação pessoal na pessoa


do Procurador que esta subscreve.

6. Das provas

A Autarquia provará seu direito por todos os meios admitidos em


lei, especialmente através da inclusa documentação, protestando pela juntada de outros
novos e demais provas que se fizerem necessárias para o descobrimento da verdade;

7. Do valor da causa

Dá-se à causa o valor de 10.000,00 (dez mil reais).

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Brasília, 29 de janeiro de 2008.

PAULO RIOS MATOS ROCHA


Procurador Federal
OAB DF 25.189
Mat. n. 1.480.306

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