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Instrução Processual – Prof.

Claudio Cintra Zalif

26.02.18 – Apresentação do Programa. Petição Inicial.

Petição Inicial
O processo existe como instrumento para solução de conflitos, e o estado intervém com a figura
do juiz para solucionar esses conflitos com base na lei.

Quais são etapas pelas quais o processo vai passar para chegar nessa finalidade de saber qual
parte tem razão, dizer o direito, onde o juiz fará isso através da sentença.

A jurisdição é inerte, só pode se mover através de uma provocação. E essa provocação se dá


através da petição inicial. Portanto, a petição inicial dá início ao processo.

1. Introdução – Art. 319

O Código de Processo Civil, prevê a necessidade de requisitos intrínsecos e extrínsecos da


petição inicial (já era assim no CPC/73). Há algumas novidades com relação aos requisitos e
também quanto a aplicação de princípios, como a cooperação das partes no processo e a
utilização de formas consensuais de solução de conflitos.

Identificar os elementos tem importância no que se refere a temas como a legitimidade, a


extensão da causa de pedir e suas implicações, como o reflexo dela nos limites da sentença e a
possibilidade de ingresso com determinada ação, considerando a litispendência e a coisa
julgada.

A petição inicial deve ser feita de forma simples e objetiva, porém clara. Como o juiz é um
terceiro que desconhece os fatos, deve haver uma boa narração dos acontecimentos, de forma
lógica e cronológica, para que possa ter a exata dimensão do ocorrido e entender a delimitação
dos pedidos que serão feitos, já que deverá respeitar o princípio da congruência ao pedido em
sua decisão.

Além disso, não devem ser utilizadas expressões ofensivas à parte contrária ou ao magistrado,
pois há previsão legal para que o juiz determine sejam excluídas dos autos do processo,
conforme artigo 78 do CPC/15.

Basicamente, as diferenças entre o CPC/73 e o de 2015 são as questões para aplicação dos
princípios no Código de Processo Civil. Ex. Princípio da Cooperação (Art. 6º).

É a petição inicial que define quais são as partes que vão participar do processo, causa de pedir
e pedido e os reflexos na sentença, pois isso delimita a sentença.

A petição deve ser simples, objetiva e clara porque o juiz não conhece os fatos. Narrar os
acontecimentos de forma lógica e cronológica. Não podem ser usadas expressões ofensivas (Art.
78).

As petições não devem ter muito longas e o advogado deve procurar observar a orientação do
Tribunal de Justiça no sentido de que a petição tenha, no máximo, dez laudas. (Artigo Flavio
Yarshel Carta Forense Petição 10 sentença 10)
As petições não devem ser muito longas. Os requisitos da petição inicial devem ser observados
nos procedimentos comum e especial.

O artigo 319 do CPC/15 é o que traz os requisitos da petição e que devem ser observados em
todos os procedimentos. Porém, não é exaustivo. No artigo 106, o legislador estabeleceu a
obrigação de o advogado que atuar em causa própria indicar, na inicial, o endereço onde
receberá intimações.

Outro requisito da petição inicial que também está fora do artigo 319 do código, é o uso da
língua portuguesa, previsto no caput artigo 192.

Tem alguns requisitos que estão fora do art. 319. Ex. Arts. 106, 192, etc.

2. Requisitos – Art. 319


a. Inciso I: O artigo fala que deve se indicar o JUÍZO ao qual é dirigida a petição, e
não mais Juiz. As ações são distribuídas conforme art 284.

Com relação ao inciso I do art. 319, apenas uma observação, no sentido de que fala em juízo e
não mais em juiz ao qual é dirigida a petição. Apesar da alteração trazida pelo novo diploma
legal, é claro que isso não ocorrerá nas comarcas em que tem mais de uma vara, pois continuará
havendo a distribuição das ações propostas, conforme previsão expressa do artigo 284 do
CPC/15.

b. Inciso II: Indicações das Partes – as partes devem indicar precisamente quem
são as partes no processo. É necessária a indicação de número de identificação,
no entanto, se o autor não tiver todos os dados do réu, isso não o impedirá de
propor a ação se for possível citar o réu. Quando o réu for desconhecido ou
incerto, a citação poderá ser feita por edital, por exemplo: na reintegração de
posse. Nos casos de litisconsórcio, todos os litisconsortes deverão ser citados,
sob pena de indeferimento da inicial, por exemplo: na ação imobiliária, deve-se
citar o cônjuge do réu, se for casado. É necessário indicar união estável e
endereço eletrônico. Os atos praticados sempre que possível devem ser
aproveitados. A parte pode ser dispensada da apresentação desses requisitos
se não atrapalhar no andamento do processo (Principio da instrumentalidade
das formas).

O inciso II do artigo 319 prevê um requisito bastante importante, porque identificará as partes
no processo, demonstrando sua legitimidade. Como compõem, junto com o pedido e a causa de
pedir, os elementos identificadores da ação, tem importância também para se verificar se houve
litispendência ou coisa julgada.

O novo CPC determina ainda a necessidade da indicação de número de identificação da parte,


como CPF, RG ou CNPJ, quando for pessoa jurídica. Caso não se tenha todos os dados do réu,
não deverá ser obstada a propositura da ação. (o § 2º do art. 319 faz referência expressa ao fato
de que a petição não será indeferida por falta deste requisito, se for possível citar o réu).

Outra exigência é que seja indicado o nome completo do autor e do réu. Não havendo tal
informação, o novo código, em seu artigo 256, prevê a citação por edital e a hipótese que está
no inciso I, trata de quando desconhecido ou incerto o citando. Este caso serve de base legal
para a solução nas ações de reintegração de posse, onde muitas vezes não se sabe quem é o
invasor (réu) e também para situações em que tivesse que ser proposta a ação contra os
sucessores de um devedor, diante do falecimento deste.

Deve-se atentar ainda para as hipóteses de litisconsórcio necessário, previstas no artigo 73, pois,
diante dessa ocorrência, se não houver a citação dos litisconsortes, haverá irregularidade no
polo passivo. Assim se a parte pretende propor uma ação reivindicatória e não tem a informação
sobre o estado civil do réu, é necessário que seja requerida a citação do cônjuge, se casado for,
por exemplo.

O novo CPC traz ainda no inciso II a necessidade de indicação de existência de união estável e o
endereço eletrônico. Este se justifica diante do avanço da utilização da informática e do processo
eletrônico.

O legislador preocupou-se com o aproveitamento dos atos e a questão do acesso à Justiça. Para
tanto, o § 3º do art. 319 prevê que não haverá o indeferimento da inicial por falta dos requisitos
do inc. II, se for impossível ou extremamente onerosa à obtenção deles.

c. Inciso III: Causa de Pedir (Fatos e fundamentos jurídicos) Os fatos devem ser
correlacionados com os fundamentos jurídicos. Não confundir a base legal com
a fundamentação jurídica do pedido, que é demonstrar a correlação entre o que
que se pede e uma norma.

Este inciso trata da causa de pedir, que é composta pelos fatos e pelos fundamentos jurídicos.

O autor deve descrever os fatos objetivamente, mas com a clareza necessária para a
compreensão dos mesmos.

A importância de uma boa descrição dos fatos decorre da vinculação que eles trarão à decisão
do juiz, diante da teoria da substanciação. Não basta afirmar a existência da relação jurídica, é
preciso fundamentar a demanda, com a precisa narração dos fatos, que levarão ao acolhimento
do pedido.

Deve haver sincronia entre a narrativa dos fatos, a fundamentação jurídica e o pedido feito pelo
autor. Caso contrário, a petição será inepta. A inadequação na narrativa de fatos não deve levar
ao imediato indeferimento, sem que antes se permita ao autor emendar a petição inicial. A
emenda à inicial é um direito subjetivo da parte autora.

Caso o autor pretenda postular a concessão de tutela de urgência de natureza antecipada,


deverá descrever fatos e juntar provas que demonstrem a verossimilhança das alegações, além
de fundamentar a possibilidade de concessão da medida.

Outro elemento que compõe a causa de pedir é a fundamentação jurídica do pedido, que não
deve ser confundida com a base legal. Normalmente os advogados tem o hábito de mencionar
o número do artigo na inicial, mas este não é requisito obrigatório, uma vez que o juiz conhece
o direto.

É comum também que o advogado coloque a transcrição de artigos, doutrina e jurisprudência


em sua petição. Fundamentar juridicamente significa fazer o enquadramento da situação fática
na previsão de uma norma. É trazer para a inicial a consequência jurídica que pode ser aplicada
no caso concreto, tendo por base a descrição dos fatos.
d. Inciso IV: Pedido imediato (o que o autor pretende, ex. procedência da ação
para condenação, declaração, constituição) e mediato (o que o autor quer
receber). O pedido tem que ser certo e determinado, estabelece alguns pedidos
implícitos (correção monetária, juros, honorários – art. 322).

O autor na inicial quando faz seu pedido, na verdade está fazendo dois: um pedido imediato, ou
seja, aquilo que ele pretende do Estado, a tutela jurisdicional; e um mediato, o que quer receber
do adversário, o bem da vida. Os dois pedidos devem constar expressamente da peça inicial.

Com relação ao pedido imediato, o advogado deve postular a procedência da ação, com a
condenação, declaração ou constituição, dependendo do tipo de ação proposta. Assim, ao invés
incluir que pede a condenação do réu ao pagamento, deve-se pedir a procedência total do
pedido, para condenar o réu ao pagamento do valor da dívida, acrescidos de juros legais e
correção monetária.

O novo CPC solucionou uma impropriedade do código anterior, que estabelecia no artigo 286
que o pedido deveria ser certo ou determinado. O artigo 322 do novo dispositivo legal prevê a
necessidade de que o pedido seja certo e estabelece hipóteses de pedidos implícitos. No artigo
324, o código trata do pedido determinado e os casos em que ele será genérico.

Essas hipóteses (pedido genérico) estabelecem casos em que, no momento da elaboração da


inicial, o autor não tem condições de indicar todos os dados. Isto ocorre quando se postula uma
universalidade de bens fungíveis ou quando não há como estabelecer, desde logo, toda a
consequência do ato ou fato ou, quando o autor, para saber o objeto ou valor da condenação
depende da atitude do réu.

O legislador estendeu a possibilidade de pedido genérico à reconvenção (§ 2º).

O pedido pode ainda ser alternativo, quando a satisfação da obrigação puder ocorrer de mais
de um modo, conforme artigo 325; ser cominatório, quando o autor postular que o juiz fixe uma
multa, com efeito coercitivo para as obrigações de fazer, não fazer ou entregar coisa. Pode o
pedido ser, inclusive, decorrente de obrigações de trato sucessivo ou prestações sucessivas,
significando, neste caso, que as prestações serão incluídas no pedido tendo ou não sido
formuladas de forma expressa, conforme artigo 323.

Na inicial é possível fazer cumulações subjetivas ou objetivas de ações. Ocorrerá cumulação


subjetiva, quando houver a formação de litisconsórcio facultativo; e cumulação objetiva,
quando, na mesma inicial, houver a cumulação de pedidos.

O autor pode, na inicial, cumular objetivamente os pedidos de três formas: em cumulação


alternativa eventual, cumulação simples ou sucessiva eventual.

A alternativa eventual significa que o autor fará dois ou mais pedidos e que estabelecerá uma
ordem de preferência. Assim, o primeiro será o principal, e os demais, subsidiários, para a
hipótese de não ser possível o atendimento do primeiro. A característica principal desta
cumulação é o fato de que o juiz jamais atenderá aos dois pedidos. Ele só analisará o subsidiário
se rejeitar o primeiro.
Uma novidade trazida pelo CPC/15 foi a previsão de um parágrafo único no artigo 326 que
permite a formulação de mais de um pedido, alternativamente, para que o juiz acolha um deles.

Na cumulação simples, o autor faz vários pedidos, que podem ser acolhidos, cada um de forma
absolutamente independente. Não há vinculação entre eles. O juiz pode julgar os dois
procedentes, improcedentes ou procedente um e não o outro. Isto ocorre por exemplo quando
o autor postula créditos decorrentes de negócios jurídicos distintos. Nesse caso nem haveria
conexão entre as ações, pois os pedidos resultam de relações materiais diversas, e apenas a
identidade de partes não gera conexão, mas a lei autorizou a cumulação por questão de
economia processual. Esta cumulação está prevista no artigo 327, onde o legislador traz as
exigências para que a cumulação seja possível.

A última alternativa de cumulação é a sucessiva eventual, que ocorrerá nos casos em que o
pedido, tido como acessório, só puder ser acolhido quando o pedido principal for acolhido
também, ou seja, o pedido acessório é dependente do principal.

Se o autor narrou fatos, para provocar uma intervenção de terceiros, como a denunciação da
lide, deve formular pedido expresso de que o juiz julgue procedente o pedido feito na ação de
denunciação. Isto precisa ser feito já que se trata de uma outra ação, para que possa haver a
condenação da seguradora ao pagamento do direito regressivo.

A doutrina sempre admitiu a possibilidade da existência de pedidos implícitos (juros, correção


monetária e encargos de sucumbência). Agora está expresso no art. 322, § 1º. Porém, é
recomendável que sejam incluídos na inicial.

O § 2º desse mesmo dispositivo fala em interpretação do pedido observado o princípio da boa


fé, o que é louvado por alguns e alvo de críticas por parte da doutrina.

e. Inciso V: Valor da Causa: Critérios no art. 292; Não existe mais a impugnação ao
valor da causa, isso deve ser feito em sede de preliminar de contestação.

Este inciso trata da indicação do valor da causa, indispensável para fixação de custas processuais,
competência, em algumas situações, e também para estabelecer as verbas de sucumbência.

Os critérios para essa atribuição estão no art. 292 e seguintes do CPC, bem como em legislações
esparsas, como na Lei de Locação, onde o artigo 58, inciso III, estabelece regras de fixação.
Quando não se tem um valor certo, atribui-se o valor de alçada.

Uma novidade relativamente ao valor da causa que merece destaque foi a inclusão do inc. V,
prevendo que na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o valor da causa será
o valor pretendido. No código anterior, como não havia previsão específica, os advogados
optavam por não atribuir um valor certo quando o pedido envolvia o dano moral. Era comum
pedir o dano moral de forma genérica com a solicitação de que o magistrado fixasse o valor do
dano ao proferir a sentença, atribuindo à causa valor simbólico. Assim procedendo, o valor de
pagamento das custas era bastante reduzido no momento da propositura da ação.

A alteração implicará que quando se for pleitear valores elevados, em razão do pedido feito, a
consequência será de pagamento de custas na mesma proporção.

Sempre existiu muita discussão a esse respeito, existindo inclusive estudos para a elaboração de
uma ‘tabela’ para fixação dos danos morais. Daniel Amorim Assumpção Neves sustenta que a
previsão do inciso V contraria a posição consolidada do Superior Tribunal de Justiça, pois era
autorizada a fixação do valor da causa de forma genérica.
Caso o autor não fixe corretamente o valor da causa, o juiz poderá determinar a correção de
ofício ou o réu impugnar o valor atribuído. Isso será feito em preliminar de contestação, sob
pena de preclusão (art. 337, III). A consequência, em razão da decisão constatando o erro no
valor da causa, será a complementação de custas. O CPC/15 simplificou bastante a forma de
impugnação do valor da causa, dispensando a realização de petição própria, com formação de
apenso.

Essa questão da possibilidade do valor da causa ser corrigido de ofício pelo juiz merece
comentário.

Na vigência do código anterior, o posicionamento doutrinário era no sentido de que o juiz podia
corrigir de ofício o valor da causa, quando ele estava determinado na legislação. Parece que a
mesma regra deve ser aplicada para o CPC/15. A doutrina apresenta uma distinção entre valores
legais e aqueles que são estimados pela parte quando não há valor econômico que possa ser de
pronto indicado. Assim, se o valor da causa estiver previsto no art. 292 ou em legislações
esparsas, o juiz poderá corrigir de ofício a inadequação do valor indicado na inicial. No entanto,
se não houver regra legal específica, o magistrado dependerá de impugnação pelo réu, em
preliminar de contestação, com possibilidade de preclusão caso ele não use esta prerrogativa.

3. Requerimentos
a. Citação do Réu: No CPC/73, o primeiro requerimento que o autor fazia era o de
citação do réu. O CPC/15 suprimiu este requisito, o que é bastante lógico, pois
se o autor ingressa com a ação e se a relação processual só se completa com a
citação do réu é mais do que evidente que a citação é ato pretendido pelo autor.
b. Requerimento de Provas: As provas devem ser especificadas, o pedido genérico
não é a forma mais adequada. Devem ser indicadas as provas que
especificadamente serão utilizadas para o caso concreto. Outro requerimento
obrigatório é o de produção de provas. Ele não deve ser feito de forma genérica
e sem a especificação das provas ‘requer a produção de todos os meios de
provas admitidos em direito’. É preciso especificar as provas que se pretende
produzir.
c. Informar o Interesse na Audiência de Conciliação: Opção do autor para
realização da audiência de conciliação ou mediação. Isso porque o art. 334 §4º
prevê que se o autor e o réu expressamente informarem que não tem interesse
na conciliação, essa poderá ser dispensada.

No art. 319 o legislador acrescentou mais um requisito (inciso VII), que é a opção do autor pela
realização da audiência de conciliação ou de mediação. Há o estímulo ao uso de meios
consensuais de resolução de conflito e, dessa forma, a doutrina entende que se o autor não fizer
qualquer menção ao seu desejo de não realizar a audiência, o juiz deve designá-la.

No art. 334, § 4º, foram estabelecidas hipóteses em que a audiência de conciliação ou mediação
não será realizada. A primeira delas envolve a disponibilidade das partes, pois se autor e réu
expressamente afirmarem que não querem a audiência, ela não será designada. Como vimos o
autor terá que manifestar-se na inicial e o réu terá que peticionar até 10 dias antes da audiência
designada, pela não realização dela, na forma do art. § 5º do mesmo artigo.

Conforme mencionado no inicio desta aula, nem todos os requisitos da petição inicial formam
listados pelo legislador no artigo 319. Segundo o art. 330, § 2º, nas ações que tenham por objeto
a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento ou de alienação de bens,
o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na petição inicial, dentre as obrigações
contratuais, aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do
débito.

Dessa forma, a petição inicial, neste caso, deverá preencher mais um requisito intrínseco que é
o cálculo, sob pena de ser considerada inepta.

Outro requisito esparso é o do artigo 106, que conforme já mencionado estabelece que na inicial
deverá constar o endereço para receber intimações, o número de inscrição na OAB e o nome da
sociedade de advogados da qual participa, quando o advogado postular em causa própria. Nesse
caso, vale destacar a alteração de prazo para a emenda da inicial. Agora o prazo será de 5 dias e
o não atendimento dele terá como consequência o indeferimento da inicial (§ 1º).

4. Complemento da Petição
a. Documentos Indispensáveis à propositura da Ação, sob pena de haver
determinação de emenda: Procuração.

Além dos requisitos internos da petição, outros existem e também precisam ser destacados. Os
documentos indispensáveis à propositura da ação são requisitos extrínsecos da inicial. Devem
acompanhá-la necessariamente, sob pena de haver a determinação da emenda e, em caso de
não cumprimento da ordem do juiz, o indeferimento da inicial, conforme artigos 320 e 321.

Dentre os documentos indispensáveis, está a procuração, exceto se o advogado estiver atuando


em causa própria. Neste caso, no item da qualificação das partes o advogado deve fazer
referência expressa a esta condição, no momento em que faria referência ao procurador
legalmente constituído.

A procuração é obrigatória, porque é o instrumento que representa a capacidade postulatória


da parte, pressuposto para que o processo possa prosseguir. Contudo, existem hipóteses de
outorga da procuração na própria audiência, bem como casos em que, pela possibilidade de
perda do direito - pela prescrição ou decadência – ou em razão da preclusão, poderá haver a
propositura da ação, sem o referido documento (art. 104).

Como o artigo 287 exige a juntada da procuração na inicial, o advogado deve fazer uma
justificativa e postular a juntada da procuração no prazo de quinze dias.

b. Documentos referidos na inicial

Existem outros requisitos extrínsecos da peça, que são os documentos que foram referidos na
petição inicial. Todos aqueles referidos pelo autor na narrativa dos fatos devem ser anexados. É
o momento oportuno para isso.

Além destes, é importante juntar os documentos pessoais das partes. Eles demonstram a
existência de regularidade quanto à capacidade das partes, e servem para que o juiz conceda
algum benefício, como na questão da prioridade de tramitação do feito, quando o postulante
for idoso.

c. Documentos Pessoais das partes

5. Emenda da Inicial – Art. 321

Art. 321 – emenda da inicial – Prazo 15 dias


Juiz deve indicar o que deve ser emendado – princípio da cooperação (art. 6º).

Grande novidade frente a regra anterior, onde o advogado ficava sem saber qual seria o
‘defeito’ de sua petição.

Portanto, o juiz deve indicar o que deve ser emendado, e esta deverá ser feita em 15 dias
sob pena de indeferimento.

6. Indeferimento da Inicial – Art. 330

Art. 331: Juízo de Retratação pode haver na apelação contra decisão de indeferimento. O
recurso tem contraditório (responder a apelação, isto é, ele deverá responder o recurso não
o objeto da ação).

Hipóteses – art. 330

Art. 331 – cabimento de apelação contra a decisão de indeferimento, com possibilidade de


retratação do juiz

Recurso com contraditório – citação do réu para responder - § 1º

Prazo para contestação em caso de reforma - § 2º

Não havendo apelação – Intimação do réu do transito em julgado - § 3º

Se intempestiva a apelação, vedada retratação – Enunciado 293 Fórum Permanente de


Processualistas

7. Improcedência Liminar do Pedido

É diferente do indeferimento da petição inicial, porque este não julga o mérito e a


improcedência liminar do pedido, julga o mérito.

§1º - É contrário ao que diz o art 10.

Hipóteses - Art. 332 e incisos

§ 1º - improcedência liminar reconhecendo prescrição e decadência – viola regra


estabelecida art. 10 (decisão surpresa)

Possibilidade de retratação - § 3º

Respeito ao contraditório - § 4º
05.03.18

Defesas do Réu no Processo de


Conhecimento
1. Formas Previstas
a. O Código de Processo Civil/73 estabelecia a contestação, reconvenção e
exceções (artigo 297 – sem correspondente ao Código de Processo Civil 15)
b. Mantida a contestação (defesa por excelência) e a reconvenção, mas
desapareceram as exceções, devendo ser arguidas em preliminar de
contestação (incompetência relativa – artigo 337, I) ou através de simples
petição (impedimento e suspeição – artigo 146)

A reconvenção é um pedido contraposto (original ideia do novo Código de Processo Civil) que
foi vedada, deixando a reconvenção.

Não existe mais um processo em apenso para tratar das exceção de suspeição e impedimento,
agora é tratada no próprio processo.

2. Outras atitudes do réu


a. Impugnação ao valor da causa ou à concessão de justiça gratuita (ambas
matérias de preliminar de contestação – artigo. 337, III e XIII)
b. Utilização de alguma das formas de intervenção de terceiros provocada: Ocorre
quando uma das partes chama um terceiro à lide.
c. A Nomeação à autoria não existe mais, uma vez que não tinha efeito no
processo.

Procedimento estabelecido no CPC/15 – arts. 338 e 339 – melhor e mais adequada técnica –
Enunciado 296 Fórum Permanente de Processualistas Civis – quando conhecer liminarmente da
ilegitimidade passiva, juiz deve conceder prazo para correção vicio, nos termos do art. 339, sem
sucumbência.

Essa situação está sendo tratada no novo Código de Processo Civil em seus artigos 338 e 339,
que é considerada melhor e mais adequada técnica. É um procedimento que será realizado se o
réu não se considerar parte legítima no processo, mas não é nomeação a autoria como tratava
o Código de Processo Civil/73.

O Enunciado 296 Fórum Permanente de Processualistas Civis: quando conhecer liminarmente


da ilegitimidade passiva, o juiz deve conceder prazo para correção do vício, nos termos do artigo
339, sem sucumbência. O juiz não deve extinguir o feito por ilegitimidade passiva, sem antes
ouvir o autor e dar prazo para este corrigir o vício (contraditório prévio).

d. Chamamento ao processo e denunciação da lide – artigo 126 e131

e. Pedido de limitação de litisconsórcio facultativo – artigo 113, §§ 1º e 2º


f. Pode ainda manter-se inerte (revelia – artigo 344) ou reconhecer juridicamente
o pedido (artigo 487, III, a)
A contestação é uma faculdade do réu e não uma obrigação. E se o réu reconhecer o pedido, o
processo será extinto com resolução do mérito.

Contestação e Reconvenção

 Prazo para defesa: 15 dias, sendo certo que o termo inicial está previsto nos incisos do
artigo 335. (artigo 231): O prazo varia de acordo com a situação de cada processo.
 Pode haver prazo em dobro, havendo litisconsórcio com procuradores de escritórios
distintos (artigo 229) não vale para processos eletrônicos.
 Princípio da eventualidade (artigo 336) deduzir toda a matéria de defesa, ainda que
contraditória (p.e. nulidade da obrigação e pagamento – AgRg no Ag 671.524 – Relator
Ministro Humberto Gomes de Barros)

Esse princípio orienta a formulação da contestação. Compete ao réu deduzir na contestação,


toda e qualquer a matéria de defesa, ainda que contraditória, sob pena de preclusão.

 Exceções – artigo 342

1. Preliminares de Mérito

Matérias que impedem que o juiz examine as pretensões do autor. Então o réu irá alegar vícios
no processo.

Matérias que envolvem prejudicialidade em relação ao processo, impeditivas ao exame da lide


–artigo 337

 Primazia do julgamento do Mérito – artigo 4º e 282, §2º: O objetivo do processo é


sempre solucionar o mérito.
 São matérias de ordem pública que podem e devem ser conhecidas de ofício pelo juiz,
independentemente de alegação do réu, exceto a incompetência relativa (artigo 65 –
exceção, artigo 63, §3º) e a convenção de arbitragem (inciso X) que dependem de
alegação (artigo 337, §5º).

O professor acha um grande absurdo a regra do artigo 63, §3º, uma vez que a lei não prevê os
critérios que o juiz deve observar, então, não poderia o juiz de ofício declarar a incompetência
por entender a cláusula de eleição de foro abusiva. Só tem pertinência nos casos das relações
de consumo (está expressamente previsto no artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor as
hipóteses).

 Podem ser arguidas em qualquer tempo e grau de jurisdição (instancias ordinárias),


exceto em Recurso Especial e Recurso Extraordinário, se pela primeira vez, por conta do
prequestionamento (a matéria não está prequestionada – STJ, AgRg nos Edcl no Recurso
Especial nº 1.469.360, Ministro Mauro Campbell – 2.014).

Atualmente o entendimento majoritário é que não pode ser arguida em sede de Recurso
Especial e Recurso Extraordinário.

 Defesas Processuais Peremptórias (Artigo 337, incisos IV, V, VI, VII, X. XI): São aquelas
que, caso acolhidas, levam a extinção do processo sem julgamento do mérito.
 Defesa Processuais Dilatórias (Artigo 337, incisos I, II, III, VIII, IX, XII e XIII): são aquelas
que não levam ao encerramento do processo, apenas ensejam a correção do vício.

 Prescrição e Decadência (artigo 487, II) também devem ser alegadas em preliminar de
mérito pois impedem que se adentre no julgamento de fundo.

Essas alegações também são prejudiciais ao exame do mérito, apesar de extinguirem o processo
com julgamento do mérito.

2. Defesas de Mérito

 Princípio do Ônus da Impugnação Especificada – artigo. 341 – artigo 374, II e III


 Exceções
o Direito Indisponível (artigo 391)
o Hipóteses: artigo 134 do Código Civil; artigo 161, cáput, da LRP; artigo 406 do
Código de Processo Civil
o Presunção juris tantum (admite prova em contrário): se o réu não contestar,
mas apresentar reconvenção, o juiz deve analisar a defesa em seu conjunto.

OBS. Parágrafo único: não se aplica ao defensor público, advogado dativo e curador especial.

OBS. Incide também de certa forma na esfera recursal (súmula 282 do STF – é inadmissível
Recurso Extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento
suficiente e o recurso não abrange todos eles.

 Defesas Materiais Diretas: Quando o réu nega os fatos constitutivos do direito do autor
ou da consequência jurídica pretendida – ônus da prova recai sobre o autor (artigo 373,
I)
 Defesas Materiais Indiretas: Causas extintivas (pagamento, prescrição), modificativas
(parcelamento) ou impeditivas (contrato não cumprido) ao direito do autor – ônus da
prova recai sobre o réu (artigo 373, II)
 Além das alegações e do requerimento de provas, a defesa deve vir acompanhada dos
documentos que possibilitem comprová-las.

Compete ao réu impugnar uma a uma das alegações feitas pelo autor na petição inicial, sendo
certo que aquelas que o réu não impugnar, serão presumidas verdadeiras.

 Exceções

Procedimento De Alegação De Suspeição Ou Impedimento

Basicamente, não houveram grandes alterações no procedimento que era adotado para as
exceções. Serão arguidas no prazo de 15 dias a contar da ciência dos motivos ensejadores, por
petição escrita dirigida ao juiz.

Reconhecida a alegação, o juiz determinará a remessa dos autos ao seu substituto legal.

Não reconhecida, deverá apresentar sua resposta e encaminhar os autos ao Tribunal


competente

Artigo 146, §§6º e 7º.


No Tribunal, relator analisará os efeitos em que é recebido o incidente (§ 2º) e em seguida irá
decidir.

Caberá ainda ao Tribunal, ao julgar a questão, definir o momento a partir do qual o juiz não
poderia ter atuado no feito (§ 6º) e decretará a nulidade dos atos praticados, se já presente o
impedimento ou a suspeição (§ 7º)

Reconvenção
1. Conceito

Ação proposta pelo réu contra o autor no mesmo feito e juízo em que é demandado, portanto,
tem natureza jurídica de ação. Ocorre a ampliação do objeto do processo (duas ações). Há uma
cumulação objetiva de ações.

Simultaneidade com a contestação (artigo 299 do Código de Processo Civil/73): Deveria ser
oferecida simultaneamente com a contestação, em peças distintas sob pena de preclusão
consumativa - opinião de Nelson Nery - possuindo autonomia com relação à ação principal, no
mesmo sentido, Marinoni.

Neste caso só havia a perda de direito de reconvir, mas não de entrar com nova ação para
discutir o assunto.

Existe acórdão da 3ª Turma do STJ, relator Waldemar Zveiter, entendendo que deve prevalecer
a instrumentalidade das formas, sendo apenas exigido sejam ambas apresentadas dentro do
prazo legal. Também nesse sentido lecionava Antonio Carlos Marcato, em seus comentários do
Código de Processo Civil. Recurso Especial nº 549.587, Felix Fisher (ambas na mesma peça,
apesar do artigo 299).

O Código de Processo Civil/15 resolve a questão ao dizer que devem ser na mesma peça
processual – artigo 343.

E se forem apresentadas em peças distintas? Parece dever prevalecer o princípio da


instrumentalidade das formas, aproveitamento dos atos, sendo o caso de ser recebida ainda
que separadamente da contestação (artigo 277, Código de Processo Civil 15)

Mas esse entendimento ainda não está totalmente pacificado – TJSP, AI. 2011729-
96.2017.8.26.0000, Relator Desembargador HAMID BDINE, julgado em 22.02.2017.

AGRAVO DE INSTRUMENTO. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE


QUOTAS SOCIAIS E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS DE PERMISSÃO DE
CASA LOTÉRICA. RECONVENÇÃO. Alegação de que a reconvenção é
tempestiva quando apresentada dentro do prazo e ainda que no dia
seguinte ao do protocolo da contestação. Regra do art. 343 do CPC/15.
Inadmissibilidade. Precedentes. Mesmo adotando posicionamento
flexível com vistas à efetividade do processo, contribuindo para o
julgamento conjuntos das ações, o caso dos autos, entretanto, não
permite a admissibilidade da reconvenção do agravante em virtude do
retrocesso provocado à marcha processual, contrariando, com isso, a
própria finalidade dessa modalidade de resposta do réu. Recurso
improvido.

2. Condições da Ação da Reconvenção


Quanto à legitimidade, algumas questões eram polemicas em nossa doutrina, como por
exemplo, a possibilidade de haver limitação do polo ativo ou passivo da ação principal na
reconvenção, ou seja, havendo mais de um ator ou mais de um réu, a reconvenção se limitar a
apenas um deles.

Para Cândido Dinamarco, poderia haver tal alteração caso o polo ativou passivo da reconvenção
comportasse litisconsórcio facultativo (apenas um réu reconvir ou ser movida a apenas um dos
autores). Para Calmon de Passos, havendo litisconsórcio unitário na ação principal, ficaria
vedada a reconvenção subjetivamente menos ampla.

No caso de apenas um autor e um réu na ação principal, poderia haver ampliação na


reconvenção?

Um autor demandando contra um réu, esse réu poderia reconvir contra o autor e outro réu?

Para Dinamarco, poderia um terceiro se juntar ao réu, para demandar em reconvenção em face
do autor do autor-reconvindo, por não existir nenhum óbice legal. Já Clito Forniciari entendia
não ser possível tal ampliação, tendo em vista o teor do artigo 315 e parágrafo único.

O mesmo entendimento manifestava Dinamarco com relação a ampliação do polo passivo, ou


seja, o réu poderia reconvir em face do autor e de terceiro que não é parte da ação principal,
não sendo contudo tal entendimento pacífico.

Para João Batista Lopes, não se admitiria qualquer alteração subjetiva na relação processual,
devendo a reconvenção correr tão somente entre autor e réu da ação principal.

O Novo Código de Processo Civil define essa questão no artigo 343,§§ 3ºe 4º.

3. Pressupostos Processuais
a. Oportunidade: deve ser apresentada no prazo de defesa, juntamente com a
contestação, sob pena de não mais ser possível, sendo somente por ação
autônoma.
b. Pendencia de Ação Principal: se o autor desiste do processo, não pode o réu
reconvir. Se já não existe o processo principal, inviabilizada a reconvenção.
Porém, proposta a reconvenção, mesmo que a ação principal seja extinta, essa
prossegue (independência e autonomia da reconvenção art. 343, § 2º).
c. Competência: é possível reconvir desde que o juiz seja competente. Sendo o
juiz da causa principal absolutamente incompetente para julgar a reconvenção,
esta não será cabível.
d. Identidade de Procedimento: os procedimentos devem ser compatíveis. Se os
procedimentos forem incompatíveis entre si, impossível a reconvenção.
e. Conexão – Deve haver conexão com a ação principal e com o fundamento de
defesa utilizado pelo réu na ação principal. Tanto no sentido estabelecido pelo
art. 55 CPC/15, como conexa com o fundamento da defesa - art. 343 CPC/15
(ampliação da possibilidade da utilização da via reconvencional).

O autor reconvindo não será citado pessoalmente para responder a reconvenção, mas apenas
haverá a intimação de seu advogado, sendo desnecessário poderes especiais para tanto (artigo
343, §1º)

Alguns entendiam que, em face do art. 316 CPC/73 falar em contestação, não seria possível
reconvenção de reconvenção (Arruda Alvim). Para outros, por não existir qualquer óbice legal,
poderia (Nelson Nery Jr., Cruz e Tucci, Calmon de Passos). CPC/15 fala em resposta, art. 343, §
1º, afastando qualquer dúvida. Porém cria uma exceção, no art. 702, § 6º.

O Código de Processo Civil 15 diz que o réu será intimado para apresentar resposta, e não só
para contestar, portanto, o réu poderá só reconvir, não sendo necessária a apresentação da
contestação.

No CPC/15, está expressamente autorizada a apresentação da reconvenção


independentemente de contestação (§ 6º, art. 334), afastando outra dúvida existente no
sistema anterior.

Artigo 354, parágrafo único e 356, §5º - entendimento mais correto para o professor.

Enunciado 45, Fórum Permanente – É dispensável o nomem iuris ou um capítulo especial para
a propositura de reconvenção, mas deve estar evidente a ampliação quantitativa ou qualitativa
do pedido e não simples pedido de improcedência da demanda.

Deveria ser julgada na mesma sentença que decidir o processo principal - simultaneus processus
- (art. 318, CPC/73). Não há no CPC/15 a exigência de que ambas sejam julgadas na mesma
sentença. Até porque o novo código permite julgamento fracionado de mérito (art. 356).

Caso fosse indeferida liminarmente a reconvenção, essa decisão punha fim à ação sem, contudo,
encerrar o processo, razão pela qual desafiava o recurso de Agravo (art. 522) sendo, porém caso
típico de aplicação do princípio da fungibilidade recursal a interposição de Apelação, já que
existiam defensores de que a decisão estaria pondo fim a uma ação (Sérgio Bermudes).

Com a definição de sentença do art. 162, § 1º após a reforma do CPC/73, essa discussão ficava
ainda mais ampliada, já que inegavelmente aquela decisão teria conteúdo de sentença e não de
decisão interlocutória (art. 162, § 2º).

No novo CPC, não está nas hipóteses de cabimento de agravo de instrumento a possibilidade
da reconvenção ser indeferida liminarmente (art. 330) ou julgada liminarmente improcedente
(art. 332)

Parágrafo 3º, art. 343 Projeto Câmara estabelecia cabimento agravo, mas foi suprimido. Cássio
diz haver 2 opções: entender-se que o tema não preclui (art. 1.009, § 1º ou entender agravável
a decisão, por ser de mérito (art. 1.015, II) e, no caso do art. 330, entender ampliativamente as
hipóteses do 1.015, III, VII, VIII e IX. Decisão do TJSP aborda essa questão

Haveria ainda a possibilidade de interpretar a incidência no caso dos arts. 354, § único e 356, §

Enunciado 154 Fórum Permanente – É cabível agravo de instrumento contra ato decisório que
indefere parcialmente a petição inicial ou a reconvenção.

12.03.18 – Izabel Pantaleão

Ata Notarial, Prova Documental e


Exibição de Documentos
Noções Gerais
Teoria Geral da Prova: Fredie Didier Jr. ensina que no processo jurisdicional, o objetivo principal
da prova é a efetivação de um determinado resultado prático favorável a quem tenha razão,
que seja produto de uma decisão judicial que se baseie nos fatos suscitados no processo

(normalmente pelas partes, mas que, algumas situações, podem ter sido suscitados pelo próprio
magistrado) e postos sob o crivo do contraditório

Teoria Geral da Prova


Efetivação de um determinado resultado prático favorável a quem tenha razão, sempre postos
ao crivo do contraditório.

Ata Notarial – Artigo 384


Os cartórios com base na Lei de Registros Públicos já faziam as atas notariais.

É uma novidade trazida pelo NCPC como prova típica. Quando precisarmos saber de alguma
informação, ou saber de atos e registros notariais, está na LRP1.

Houve uma dicotomia das funções, sendo certo que alguns atos serão objetos de escrituras
públicas ou de atas notariais.

OBS. Ata notarial não se confunde com a Escritura Pública.

Prova Documental – Artigos 405 a 429


É umas das provas mais utilizadas no processo. São documentos que acompanham a inicial,
contestações, recursos ou qualquer manifestação.

Possui três sentidos o termo documento: sentido lato, estrito e estritíssimo.

Elementos: Suporte, Conteúdo, Autoria

Documentos Autêntico e Verdadeiro

Classificação: Documento Público e Documento Particular

Essa classificação influencia a força probante do documento: efeito prático para saber a força
de cada documento como meio de prova no processo.

Documento substancial é o documento imprescindível para propositura da ação.

Quanto a oponibilidade desses documentos, será diferente conforme o tipo do documento.

O documento por si só é indivisível.

Incidente de Exibição de Documento ou Coisa – Artigos 396 a 404


O procedimento varia de acordo com quem vai exibir o documento ou coisa.

1
Artigo. 6º e 7º
19.03.18

Revelia e Providencias Preliminares,


Julgamento conforme o Estado do
Processo e Saneamento – Arts.344 a 346

1. Introdução

Revelia significa ausência de contestação. Por outro lado, não é por que o réu é considerado
revel, que os efeitos da revelia irão incidir.

No Código de 1939, a revelia não recebeu tratamento sistemático. Constava em dispositivos


esparsos, tanto que a doutrina divergia acerca da possibilidade de, como efeito da revelia, serem
considerados verdadeiros os fatos alegados pelo autor.

Entretanto, a admissão da veracidade dos fatos comportava a ressalva “se o contrário não
resultar do conjunto probatório”.

No Código de Processo Civil de 1973, a revelia estava disciplinada nos arts. 319 a 322, 320, II e
324.

Calmon de Passos em seus Comentários ao CPC: “O revel, no direito brasileiro, deixou de ser um
ausente para se tornar um delinquente.

As observações acima são importantes, na medida em que o processo civil moderno, atendendo
a garantias e princípios constitucionais, em especial o do devido processo legal, não se coaduna
com regras tão rígidas de procedimento.

Assim, pode-se dizer que ocorre a revelia, mas nem sempre surtirão os efeitos que dela se
originam.

2. Noções Gerais

De acordo com o art. 344, a revelia é a situação do réu que não contesta a ação.

Entretanto, não basta a apresentação da peça contestação.

Deverá a defesa impugnar um a um os fatos alegados pelo autor, em razão do ônus da


impugnação especificada, que não reconhece como defesa a contestação por negativa geral. De
acordo com Nelson Nery, a revelia é a ausência de contestação. Será formal na falta de
contestação ou apresentação de contestação intempestiva; será substancial, quando o réu
apresenta defesa, sob o rótulo de contestação, mas que não possuiu conteúdo de contestação,
ou quando impugna genericamente os fatos articulados pelo autor. A revelia é a situação do réu
que não contesta a ação. No entanto, não basta a apresentação da peça contestação.

Deverá a defesa impugnar um a um dos fatos alegados pelo autor em razão do ônus de
impugnação especificada, que não reconhece como defesa a contestação por negativa geral.
Formal: Ausência de contestação, ou contestação intempestiva

Substancial: Quando o réu apresenta defesa sob o rótulo de contestação, mas que não possui
conteúdo de contestação, ou quando impugna genericamente os fatos articulados pelo autor.

Não basta que o réu compareça em juízo, deverá estar acompanhado de advogado.

Temos então, as seguintes situações que representam a revelia:

 O réu não comparecer


 O réu comparece, desacompanhado de advogado
 O réu comparece com advogado, mas tardiamente
 O réu comparece com advogado, apresenta contestação no prazo, mas não impugna os
fatos especificadamente. Revelia parcial

OBS. Contumácia: ausência de manifestação de qualquer das partes, quando instada a fazer isso,
ou seja, não fazer manifestação quando intimado a fazer.

3. Revelia x Reconhecimento Jurídico do Pedido

O reconhecimento jurídico do pedido trata-se de ato de disposição do réu, que, expressamente,


manifesta a sua concordância com as consequências jurídicas dos fatos apresentados pelo autor.
Nessa situação, o juiz dica vinculado à manifestação do réu, para reconhecer pela procedência
do pedido do autor, na forma do artigo 487, III, a.

No reconhecimento não há inércia do réu. Pelo contrário, é necessário que o réu se manifeste
de forma inequívoca quanto a não resistência e concordância quanto às consequências jurídicas
dos fatos narrados pelo autor.

Se o réu reconhecer juridicamente ao pedido, o juiz está vinculado a julgar procedente a ação.

Na revelia haverá uma presunção de veracidade, que poderá ou não ocorrer a procedência da
ação.

No reconhecimento não há inercia do réu. Pelo contrário, é necessário que o réu se manifeste
de forma inequívoca quanto a não resistência e concordância quanto as consequências jurídicas
dos fatos narrados pelo autor.

4. Efeitos da Revelia
a. Presunção de Veracidade dos fatos alegados pelo autor – artigo 344

No mandado de citação há de constar expressamente, nos termos do artigo 250, II que se o réu
não contestar a ação, reputar-se-ão verdadeiros os fatos alegados pelo autor. Caso contrário,
mesmo revel o réu, não incidirão no caso os efeitos da revelia.

Há discussão inclusive sobre a nulidade da citação realizada sem essa advertência (e também
sem a advertência do prazo para a contestação), o que somente terá importância
evidentemente se ocorrer a revelia.

Não se pode falar que a simples revelia do réu tornaria fatos absurdos ou totalmente
inverossímeis em verdadeiros. O autor deve trazer um mínimo de prova do que alega.

A revelia não é fato com dons mágicos (Didier)

Assim, o raciocínio do juiz deve seguir o seguinte caminho:


 Verificação da verossimilhança das alegações
 Mínima demonstração de que os fatos ocorreram
 Não estando convencido, eventual dilação probatória para que o autor demonstre os
fatos narrados na inicial.

O juiz não é obrigado, mesmo tendo ocorrido a revelia, de aplicar os seus efeitos, ele pode
determinar dilação probatória.

Exceções – artigo 345:

- Contestações por um litisconsorte (mas não incide os efeitos da revelia, salvo se a defesa for
personalíssima, e também nos casos de litisconsorte unitário).

- Direito indisponível: Se nem a confissão do direito indisponível é válido, tampouco uma


presunção.

- Ausência de instrumento público imprescindível: se a lei diz que só aquele documento prova o
fato, não pode deixar de juntar esse documento no processo.

- Alegação de fatos inverossímeis ou em contradição com prova dos autos: o juiz não se
convence das alegações do autor, e com isso,

- Contestação apresentada pelo assistente: Se o assistente contestar a ação, ainda que o


assistido seja revel, não incidirá os efeitos da revelia, uma vez que o assistente apresentou a
defesa e será um substituto processual. A contestação ofertada pelo assistente elide o efeito da
revelia, na medida em que se torna seu gestor de negócios (art. 121), desde que apresentada
dentro do prazo estabelecido.

- Réu revel preso ou citado por edital/hora certa: O réu preso ou for citado fictamente (edital ou
hora certa), neste caso, presume-se que o réu foi citado, mas não há certeza, dessa forma, o juiz
deverá nomear curador para apresentar contestação, e este poderá apresentar contestação por
negativa geral, sem incidir na presunção da veracidade por conta do ônus da impugnação
especificada. Nos termos do art. 72, II, ao réu revel nestas hipóteses, o juiz deve nomear curador
especial, que tem o dever de apresentar defesa em nome do réu. O curador especial pode
contestar genericamente os fatos, elidindo os efeitos da revelia. Não incide, no caso, o ônus da
impugnação especificada.

b. Não Intimação do Réu – artigo 346

Independentemente de incidir ou não o efeito anteriormente mencionado, a revelia induz ao


efeito previsto do 346. Ou seja, mesmo que o juiz entenda necessária a instrução probatória,
não reconhecendo, de pronto, verdadeiros os fatos alegados pelo autor, durante todo o restante
do procedimento, o réu não receberá intimação dos atos processuais.

O réu poderá participar do processo, mesmo sendo revel, no entanto, ele não poderá retroagir
a atos já realizados, mas tão somente, do momento em diante em que ele entrar.

Julgamento Antecipado da Lide – Artigo 355, II


Se o réu for revel e for caso de incidência dos efeitos da lide, caberá o julgamento antecipado
da lide.

Se não houver a necessidade de produção de provas pelo autor, porque os fatos são verossímeis
e estão demonstrados na petição inicial, não há razão para a abertura de fase instrutória do
processo. Estabelece o art. 371, IV que independem de prova os fatos em cujo favor milita a
presunção legal de existência ou de veracidade.

Mas poderá ser o caso de o juiz não estar convencido e determinar a produção de provas pelo
autor (348), para complementar as já apresentadas com a petição inicial, para melhor formar
sua convicção.

O ingresso tardio do réu no processo


Comparecendo o réu no processo, ele poderá assumi-lo na forma em que se encontra.

Comparecendo o réu revel ainda na fase instrutória, cabe ao magistrado, antes de julgar
procedente o pedido do autor apenas com apoio nos efeitos decorrentes da revelia, sopesar a
pertinência e necessidade da produção de provas, que deverão se limitar aos fatos afirmados na
petição inicial, com o intuito de evidenciar a existência ou não dos fatos da causa

O fato, porém, de não ter contestado o pedido, não impede o réu de comparecer
posteriormente ao juízo e de fazer representar por advogado nos autos. O Código lhe assegura
o direito de "intervir no processo em qualquer fase". Mas, quando isso se der, o revel receberá
o feito no estado em que se encontrar (art. 346, § único).
Súmula 231 STF – O revel, em processo cível, pode produzir provas
desde que compareça em tempo oportuno.

Art. 349. Ao réu revel será lícita a produção de provas, contrapostas às


alegações do autor, desde que se faça representar nos autos a tempo
de praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção.

O réu pode fazer prova contraposta às alegações do autor, isto é, para provar que o que o autor
alegou não é verdade.

Dinamarco entende que as regras da revelia são técnicas de aceleração processual, pois
legitimam a dispensa de provas dos fatos alegados (374, IV) e podem acarretar o julgamento
antecipado da lide (355, II).

Só haverá julgamento antecipado se não houver requerimento de prova na forma do art. 349.

O juiz, com base no seu livre convencimento, pode entender que há elementos suficientes para
julgar desde logo o mérito.

Caso contrário, o processo será nulo por cerceamento do direito de defesa das partes.

Técnicas de aceleração consistem em dispensar atos ou procedimentos ou em abreviar


procedimentos. A revelia e seus efeitos compõem esse último grupo.

Produzindo-se os efeitos da revelia, a questão de mérito se resume exclusivamente a matéria


de direito, pois os fatos afirmados pelo autor se reputam verdadeiros.

O réu revel poderá alegar e provar que houve justa causa para não ter apresentado contestação
e, em consequência pleitear restituição integral do prazo.

Revelia e Apelação
O revel recebe o processo no estado em que se encontra e, portanto, poderá apelar, caso ainda
esteja dentro do prazo.
O réu que comparecer na fase de apelação não pode trazer fatos novos, mas tão somente, trazer
matérias de ordem pública e questionar questões que já tenham sido tratadas nos autos. Ele
também poderá alegar vícios na sentença. Ele não poderá inovar, trazer fatos novos, pois o
momento oportuno para isso já passou.

O revel recebe o processo no estado em que se encontra e, portanto, poderá apelar, caso ainda
esteja dentro do prazo.

No entanto, o efeito devolutivo da apelação por ele interposta ficará limitado a questões que o
Tribunal possa conhecer de ofício (ordem pública) e questões que forem efetivamente
apreciadas pelo juiz, na sentença.

Poderá alegar, ainda, que a sentença contém entendimento contrário ao disposto em súmula,
IRDR, ou que a sentença contém nulidades, como falta de fundamentação, por exemplo.

Fases do Processo
Postulatória: Iniciar com a propositura da ação e vai até contestação/réplica;

Ordinatória: Quando são tomadas as providencias preliminares e pode ocorrer o julgamento no


seu estado.

Instrutória: Quando se dá a produção das provas deferidas, encerrando-se após a oitiva da


ultima testemunha;

Decisória: Apresentação de Memoriais e Sentenciamento do feito;

Cumprimento: Busca-se a satisfação do direito reconhecido na sentença;

Providencias Preliminares
Juiz deve analisar acerca da incidência ou não dos efeitos da revelia – artigo 348

Possibilidade de o revel produzir provas – artigo 349

Réplica – artigo 350 e 351 – somente naquelas hipóteses (caso o réu apresente matéria
modificativa, extintiva ou impeditiva ao alegado pelo autor, ou se apresentar alguma preliminar,
somente nessas hipóteses que, tecnicamente, o autor pode se manifestar da manifestação do
réu).

Correção de Vícios Sanáveis – artigo 352: deve ser indicado o vício a ser sanado, a que parte se
dirige e a consequência do não atendimento (processo cooperativo – artigo 6º e 321). O juiz não
deve dar prazo maior que 30 dias para correção desses vícios sanáveis, para não prejudicar a
celeridade processual.

Julgamento conforme o Estado do


Processo
São 4 as possibilidades: Extinção do processo (Artigo 354); Julgamento Antecipado do Mérito
(Artigo 355); Julgamento Parcial do Mérito (Artigo 356); Saneamento do Processo (Artigo 357);
Extinção do Processo – artigo 354
Hipóteses dos artigos 485 (extinção do processo sem julgamento do mérito); 487, II e III; Extinção
parcial - § único, 354

Julgamento Antecipado do Mérito – Artigo 487, I


Termo impróprio: o correto seria julgamento imediato da lide, e não antecipado, pois nada está
sendo antecipado. O processo é julgado no momento adequado.

Quando o juiz irá conhecer ou não o pedido inicial do autor, portanto, ele estará, neste caso,
julgando o mérito da causa – artigo 355

I – matéria exclusivamente de direito ou não houver necessidade de produzir provas (CPC/73):


não há como conceber uma questão exclusivamente de direito, pois o direito incide
necessariamente sobre fatos. Ao julgar, juiz realiza processo subsuntivo (movimento pendular –
direito x fatos). Talvez queira significar que os aspectos fáticos são incontroversos, pacíficos. Na
verdade, esse inciso não trata de 2 situações, mas de uma só: desnecessidade de produzir
provas. Isso foi reconhecido no CPC/15, art. 355, I.

II – Ocorrência de revelia: mas a revelia não obriga o juiz a julgar imediatamente, nem a fazê-lo
necessariamente em favor do autor. Julgamento antecipado exige que magistrado se mostre
convencido. CPC/15 também melhorou esse inciso.

Mesmo na ausência de contestação, pode determinar que autor especifique provas (art. 348)
ou designa-las de ofício (art. 370). Pode julgar antecipadamente até contra o autor. Ou seja,
nessa hipótese também cabe o julgamento antecipado em caso de desnecessidade de produção
de qualquer outra prova.

Julgamento Antecipado Parcial do Mérito – Artigo 356


Como essa decisão não julga todo o mérito, essa decisão só poderá ser atacada por meio de
Agravo de Instrumento. No entanto, essa decisão é de mérito e faz coisa julgada material, e
poderá ser matéria de rescisória (artigo 966, §3º).
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos
pedidos formulados ou parcela deles:

I – mostrar-se incontroverso;

II – estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art.


355.

§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por


agravo de instrumento.

A ausência de contestação faz com que os fatos alegados pelo autor não restem controvertidos.
Se parte desses fatos não forem combatidos pelo réu, será possível o julgamento parcial do
mérito

Para Nelson Nery, se parte do pedido não foi contestada, ou, ainda, se houver admissão parcial
da pretensão, caberá esse julgamento parcial.

Essa decisão será de mérito e definitiva e subsistirá ainda que extinto o processo mais adiante
sem julgamento de mérito. Trata-se de decisão definitiva de mérito, que faz coisa julgada
material (rescindível - art. 966, § 3º).
Saneamento do Processo – Artigo 357
1. Antes da Reforma de 1994 – Lei 8.952/94

Encerrada a fase postulatória e estabilizado o objeto litigioso, juiz deveria avaliar pressupostos
processuais e condições da ação, e, se fosse o caso, na ausência de uma delas, proferir
julgamento com base no CPC 329 (extinção processo). No CPC/15, art. 354

Sendo positivo o exame, atingia-se um segundo momento, qual seja, exame de mérito com base
no CPC 330.(art. 355, CPC/15)

Se não fosse o caso de nenhuma das situações anteriores, juiz declarava saneado o processo,
deferindo produção de provas. Era o chamado despacho saneador.

Crítica ao nome despacho saneador: Conforme leciona Calmon de Passos, não é despacho, mas
decisão interlocutória, nem saneia nada, pois o que tivesse de ser saneado já deveria ter
saneado antes. Apenas declara saneado.

Por acúmulo de trabalho, muitas vezes o juiz dava despacho padrão, o que ainda faz, deixando
de examinar preliminares: “Deixo de examinar as preliminares suscitadas, que se confundem
com o mérito”.

O juiz fazia a primeira tentativa de conciliação apenas no início da audiência de instrução e


julgamento.

Momento inoportuno, já que:

 iniciada a instrução probatória, com gasto de tempo e dinheiro;


 iminência da sentença, o que desestimulava o acordo (quem esperou até agora e já
gastou tanto, espera mais um pouco);
 a essa altura, provável o aumento da litigiosidade.

2. Após Lei 8.952/94 e antes da Lei 10.444/02

Essa lei deu nova roupagem à fase saneadora. Não sendo as hipóteses dos arts. 329 ou 330, juiz
deveria designar audiência de conciliação, tratando-se de direitos disponíveis. Mas na verdade
não era apenas de conciliação. Correto seria chamá-la de audiência saneadora, já que também
deveria ser realizado o saneamento compartilhado.

Tucci e Dinamarco entendiam que juiz tinha que designar a audiência, cuja realização era
obrigatória, sob pena de nulidade do processo, se versasse sobre direitos disponíveis. Razão: o
CPC 331 dizia que o juiz “designará audiência de conciliação”, de maneira impositiva, não dando
escolha.

Porém, não era a opinião que prevalecia no STJ.

3. Após Lei nº 10.444/02

Art. 331 – trocou-se o nome, passando de audiência de conciliação para audiência preliminar.

Se for caso de extinção do processo (329) ou julgamento antecipado (330), não é designada a
audiência.
Só cabe se possível a transação, mostrando que a preocupação do legislador continua sendo
com a conciliação, esquecendo as demais funções.

Direitos que admitam transação: razão da mudança: o artigo antes falava em direitos
disponíveis, mas existem direitos indisponíveis que comportam, em parte, transação. ex.
alimentos, indisponível, mas seu valor comporta transação.

Improbabilidade de obtenção de transação: se juiz entender ser improvável a transação,


também não precisava designar, a audiência era facultativa. (art. 331, § 3º)

Contradição na postura: se mudou o nome para preliminar, justamente porque a audiência não
tem apenas função conciliatória, por que dispensou a sua realização, quando a conciliação não
pode ser obtida? Ela não serve para outras coisas, por isso teve o nome corrigido?

Como os juízes tem as pautas cheias, essa previsão liberou os juízes de designar a audiência. Era
mais prático, mas não era o ideal.

Audiência Preliminar

1. Objetivos:

- Tentativa de conciliação. Era o primeiro ato a ser realizado na audiência preliminar. Obtida a
conciliação, juiz homologava e era lavrado o termo de transação.

- Frustrada a conciliação, fixavam-se os pontos controvertidos pertinentes e relevantes, fixando


o objeto do processo. Era feito com a colaboração das partes com o juiz. Advogado deveria
debater com o juiz. O diálogo é salutar, para fixar o objeto da prova.

- Juiz declarava saneado o processo, momento em que proferia decisão expressa sobre as
matérias preliminares e deferia a produção de prova, à luz dos fatos controvertidos fixados,
designando audiência de instrução, se possível e necessário.

2. Momento da Conciliação

Permitia ao juiz efetuar a tentativa de conciliação antes do início da fase instrutória.

Audiência preliminar não era o único momento para conciliação.

Sua importância era tão grande que o juiz era estimulado a investir nas tentativas de conciliação
em 3 preceitos do CPC: art. 331; art. 125 IV – é dever do magistrado tentar a qualquer tempo,
conciliar as partes; art. 448 – juiz deve renovar a tentativa de conciliação no início da audiência
de instrução. Pacificação social e pronta solução.

Juiz deveria marcar, sem perguntar se partes tem interesse, como costumava acontecer. A
utilidade da audiência preliminar não se resumia ao sucesso da conciliação. Como visto, se não
houvesse conciliação, o juiz, dialogando com as partes, fixava os pontos controvertidos, deferia
a prova e declarava saneado o feito, a audiência teria sido muito útil.

Obtida a conciliação, as cláusulas eram consignadas no termo de audiência, seguindo-se a


sentença homologatória e o encerramento da audiência. Havia a formação da coisa julgada
material e de título executivo judicial.

A homologação podia alcançar matéria não posta em juízo em obediência ao princípio da


economia processual. Essa regra possibilitava a ampliação do objeto do processo, evitando a
proliferação de demandas. Art. 475-N, III dizia que é título executivo a sentença homologatória
de conciliação ou transação, ainda que incluísse matéria não posta em juízo (art. 515, § 2º,
CPC/15).

Saneamento compartilhado: realizava-se o saneamento compartilhado do feito, com a


presença das partes e diálogo entre elas e o juiz.

Dinamarco: audiência preliminar é uma versão modernizada do despacho saneador, destinada


a estimular a cooperação entre os litigantes e o juiz, já que todos são protagonistas do
contraditório. Juiz não é mais espectador do direito. Tem que ser ativo, participar do processo.
Não é apenas a boca da lei, como dizia Montesquieu.

Objetivos: além do escopo conciliatório, há o de fixar o foco essencial da controvérsia e delimitar


os horizontes da instrução probatória.

Audiência de Conciliação – artigo 334

O novo CPC cria uma nova audiência, no art. 334. É a audiência de conciliação, cuja única
finalidade é tentar obter a conciliação.

Momento: antes da apresentação da contestação, que deverá ser apresentada no prazo de 15


dias contados da audiência. Com isso aumentam as chances de êxito na conciliação, já que não
terá havido ainda a elaboração de defesa nem o aumento da litigiosidade.

Não é obrigatória, podendo ser dispensada pelas partes, quando forem contrárias a sua
realização. O desinteresse deve ser manifestado com 10 dias de antecedência pelo réu ( Art.
334, § 4º). Pelo autor, já na inicial (art. 319, VII).

O novo CPC cria uma nova audiência, no art. 334. É a audiência de conciliação, cuja única
finalidade é tentar obter a conciliação.

Momento: antes da apresentação da contestação, que deverá ser apresentada no prazo de 15


dias contados da audiência. Com isso aumentam as chances de êxito na conciliação, já que não
terá havido ainda a elaboração de defesa nem o aumento da litigiosidade.

Não é obrigatória, podendo ser dispensada pelas partes, quando forem contrárias a sua
realização. O desinteresse deve ser manifestado com 10 dias de antecedência pelo réu ( Art.
334, § 4º). Pelo autor, já na inicial (art. 319, VII).

Saneamento no novo Código de Processo Civil


Julgamento conforme o estado do processo (hipóteses dos arts. 485 e 487, II e III) e julgamento
antecipado se mantém (hipótese do art. 487, I), sem inovações, conforme já tratado.

Julgamento conforme o estado do processo.

I – Decidir preliminares, caso houver;

II – Determinar quais serão os pontos que serão objeto de prova;

III – Definir a distribuição do ônus da prova, observado artigo 373 OBS. A novidade é que o juiz
pode inverter o ônus da prova, que deve ser feito nesse momento, no saneamento.

§1º A lei não prevê recurso desta decisão.


§2º Nessa hipótese, os próprios advogados das partes estarão fazendo o saneamento do
processo.

Do Saneamento e da Organização do Processo

Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá
o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo:

I – resolver as questões processuais pendentes, se houver;

II – delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade


probatória, especificando os meios de prova admitidos;

III – definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373;

IV – delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do


mérito;

V – designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento.

§ 1º Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir


esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo comum de 5 (cinco) dias,
findo o qual a decisão se torna estável. Não é recurso. Caberia recurso
dessa decisão?

§ 2º As partes podem apresentar ao juiz, para homologação,


delimitação consensual das questões de fato e de direito a que se
referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o
juiz. (negócio processual – art. 190)

§ 3º Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de


direito, deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja
feito em cooperação com as partes, oportunidade em que o juiz, se for
o caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações.

§ 4º Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal,


o juiz fixará prazo comum não superior a 15 (quinze) dias para que as
partes apresentem rol de testemunhas.

§ 5º Na hipótese do § 3º, as partes devem levar, para a audiência


prevista, o respectivo rol de testemunhas.

§ 6º O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10


(dez), sendo 3 (três), no máximo, para a prova de cada fato.

§ 7º O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta


a complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados.

§ 8º Caso tenha sido determinada a produção de prova pericial, o juiz


deve observar o disposto no art. 465 e, se possível, estabelecer, desde
logo, calendário para sua realização.

§ 9º As pautas deverão ser preparadas com intervalo mínimo de 1


(uma) hora entre as audiências.

Art. 357, § 2º
Dentre os Enunciados doutrinários aprovados, dois merecem especial destaque e atenção, quais
sejam: Enunciado nº 19
São admissíveis os seguintes negócios processuais, dentre outros:
pacto de impenhorabilidade, acordo de ampliação de prazos das
partes de qualquer natureza, acordo de rateio de despesas
processuais, dispensa consensual de assistente técnico, acordo para
retirar o efeito suspensivo de recurso, acordo para não promover
execução provisória; pacto de mediação ou conciliação extrajudicial
prévia obrigatória, inclusive com a correlata previsão de exclusão da
audiência de conciliação ou de mediação prevista no art. 334; pacto de
exclusão contratual da audiência de conciliação ou de mediação
prevista no art. 334; pacto de disponibilização prévia de documentação
– pacto de disclosure –, inclusive com estipulação de sanção negocial,
sem prejuízo de medidas coercitivas, mandamentais, sub-rogatórias
ou indutivas; previsão de meios alternativos de comunicação das
partes entre si; acordo de produção antecipada de prova; a escolha
consensual de depositário-administrador no caso do art. 866;
convenção que permita a presença da parte contrária no decorrer da
colheita de depoimento pessoal.”) e Enunciado nº 20 (“Não são
admissíveis os seguintes negócios bilaterais, dentre outros: acordo
para modificação da competência absoluta, acordo para supressão da
primeira instância, acordo para afastar motivos de impedimento do
juiz, acordo para criação de novas espécies recursais, acordo para
ampliação das hipóteses de cabimento de recursos.”).

26.03.18

Teoria Geral a Prova e Produção


Antecipada da Prova
1. Conceito de Prova

Para o processo especificamente, clara definição de prova é encontrada em Mittermayer, para


quem “prova é o complexo dos motivos produtores da certeza”.

Moacyr Amaral Santos define prova como sendo a soma dos fatos produtores da convicção,
apurados no processo”.

Assim, às partes compete demonstrar ao juiz, através das provas que produzirem nos autos
durante a instrução processual, que suas alegações são verdadeiras, assim como as
consequências jurídicas que extraem dos fatos narrados

Isso porque o juiz deverá, ao decidir, esclarecer as razões que o levaram a proferir aquela
decisão, já que toda decisão deve ser fundamentada (arts. 11 e 489, CPC e 93, IX, CF).

2. Objeto de Prova

Momento de sua definição - Art. 357, II CPC/15.

O que se deve provar são os fatos (argumentos) que sejam relevantes e controversos.
Por fatos relevantes podemos considerar aqueles que irão influenciar o julgamento da causa,
que tenham relação direta ou indireta com a causa (pertinentes).

Fatos controvertidos são os afirmados por uma das partes e impugnados pela outra.

Fatos Notórios: são aqueles de conhecimento de todos

Estabelece o art. 374, do CPC, os fatos que não dependem de prova.

É comum se dizer que não se faz prova de negativas. Tal raciocínio serve para as negativas
absolutas (jamais esteve em determinado lugar). Mas seria perfeitamente possível provar que
não esteve naquele local, naquele dia ou horário.

Também não é necessário realizar prova de direito. Incide aqui a regra ‘iura novit cúria’, ou seja,
o juiz conhece o direito.

Porém, existe exceção a essa regra, estampada no art. 376, do CPC, que estabelece que a parte
que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário deverá provar o teor e a
vigência.

Acórdão no Recurso Especial 422.778

Consuetudinário: direito que decorre dos costumes de um determinado lugar.

3. Quem poderá produzir a prova

De acordo com o princípio dispositivo, adotado pelo legislador para o processo civil, quem
argumenta no processo e, portanto, deve provar suas alegações, são as partes envolvidas.
Assim, ao juiz incumbiria dirigir o processo, sem maiores iniciativas.

Porém, o processo civil moderno não admite essa figura inerte do juiz, preocupando-se cada vez
mais em atribuir-lhe um papel mais ativo na instrução do processo, Assim, de acordo com a
regra do art. 370, caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas
necessárias à instrução do processo.

Questões: Em que medida isso pode ocorrer, sem que se esteja ferindo princípios processuais
consagrados, como o da isonomia de tratamento e o da imparcialidade do juiz;

Réu revel também pode produzir provas – Súmula 231 STF – O revel, em processo civil, pode
produzir provas, desde que compareça em tempo oportuno. (art. 346, § único e 349 CPC)

4. Meio de Prova

Não existe limitação aos meios de prova, todos os meios de prova serão admitidos desde que
sejam moralmente legítimos.

De acordo com o art. 5º, LVI, da CF, assim como pelo art. 369 CPC, são admitidos no processo
todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados no
código, para provar a verdade dos fatos – princípio da atipicidade da prova

Assim é que o nosso sistema jurídico admite como meio de prova o interrogatório das partes
(art. 385 e art. 139, VIII), depoimento pessoal da parte (art. 385 - com a finalidade de obter a
confissão), a prova documental (art. 405), a testemunhal (art. 442) e a pericial (art. 464).
Também o meio eletrônico não pode ser afastado como meio de prova, apesar de não se
encontrar totalmente regulamentado (atualmente o assunto está tratado pela Lei 11.419/06).
(documentos eletrônicos - arts. 439 a 441 CPC/15).

Novidade do CPC/15 é a Ata Notarial (art. 384) como meio de prova. Na verdade já vinha sendo
utilizada, mas não estava expressamente prevista.

5. Valoração da Prova

O juiz poderá, dentro do sistema adotado pelo nosso legislador, atribuir à prova o valor que
entender dentro do seu livre convencimento (art. 371), devendo apenas justificar sua motivação
para a prevalência de uma prova sobre outra.

É tarefa judicial a valoração dos elementos de convicção, exteriorizada no convencimento


racional motivado. Luiz Fux – Resp 930.970/SP.

Prova legal – art. 406 CPC

A má avaliação da prova somente pode ser combatida por recurso de apelação, não ensejando
sua revisão, seja por Recurso Especial (Súmula 7, STJ), Recurso Extraordinário (Súmula 279, STF),
seja por Ação Rescisória. Existe uma decisão admitindo a rescisória pela omissão da decisão na
apreciação de determinada prova (STJ, Ag. Reg. 852/SP, 1999, Rel. Ministro José Arnaldo da
Fonseca – fundamento legal 485, IX, CPC/73 – erro de fato).

6. Princípios ligados a prova


a. Convencimento motivado do juiz e aquisição da prova – Artigo 371

A prova, uma vez produzida, passa a ser do processo.

b. Poder/Dever do Juiz – Artigo. 370, § único e Máxima Eficiência dos meios


probatórios
c. Colaboração – Artigo 378 a 380
d. Oralidade
e. Imediatidade: no CPC/15 (art. 361, caput), não é mais o juiz quem colhe os
depoimentos, mas os advogados (art. 459)
f. Identidade Física do Juiz (art. 132 CPC/73); no CPC/15 não foi repetido, mas
subsiste como princípio implícito (Cássio)

7. Proibição da Prova Ilícita

A esse respeito, existem três teorias distintas, que são;

• Obstativa: a que considera inadmissível a prova assim obtida em qualquer hipótese. É


conhecida também por teoria da árvore envenenada, pois considera que o vício na
obtenção contamina também a prova.

• Permissiva: aceita sem restrições a prova assim obtida, já que o vício estaria no meio de
sua obtenção e não nela propriamente dita.

• Intermediária: admite sua utilização em determinadas circunstâncias.

É a teoria admitida pelo nosso sistema processual


Princípio da Proporcionalidade – Valores envolvidos em determinada questão

Ex. Direito do menor, idoso, meio ambiente

Tendo sido gravada por um dos interlocutores, tem sido admitida essa escuta (Resp. 707.307-
RJ, Rel. Ministro Gilson Dipp, 5ª Turma), ainda que sem o consentimento do interlocutor (STF,
RE 583937, Rel. Ministro Cesar Peluso – 2009 – reconhecida a repercussão geral; voto vencido
Marco Aurélio).

8. Ônus da Prova

A comprovação dos fatos alegados não é uma obrigação (dever) da parte, mas sim um ônus
(carga), no sentido de que poderá sofrer as consequências adversas do seu não cumprimento.

Assim, uma obrigação seria a subordinação de um interesse próprio a outro alheio, enquanto
que um ônus seria uma subordinação de um interesse próprio a outro interesse próprio. (João
Batista Lopes)

O critério trazido por Chiovenda, adotado por nosso legislador, é o de que, em respeito à
igualdade das partes, o ônus de afirmar e provar se distribui entre as partes de modo que cada
um tem o encargo de provar os fatos que pretende ver considerados pelo juiz.

Assim, ao autor incumbe provar os fatos constitutivos de seu direito e ao réu os fatos extintivos,
impeditivos ou modificativos. Essa é a regra estabelecida no art. 373, Código de Processo Civil.

a. Regras de distribuição do ônus da prova

Por fato constitutivo, entenda-se o acontecimento da vida que serve de fundamento ao pedido
do autor. (um empréstimo, uma compra e venda)

Fato impeditivo é aquele que obsta as consequências jurídicas pretendidas pelo autor. (na
compra e venda, mesmo provado o acordo sobre a coisa e o preço, pode ocorrer um
impedimento, como a incapacidade das partes)

Fato modificativo é o que altera a relação jurídica (pagamento parcial de um crédito, novação)
e fato extintivo é o que coloca fim na relação jurídica (pagamento da dívida).

Era possível a inversão do ônus da prova nas hipóteses especificadas no parágrafo único do
artigo 333, CPC/73. Também havia previsão dessa possibilidade no CDC (arts. 6, VIII, inversão
ope judicis e art. 38, inversão ope legis- respeito a isonomia real).

No CPC/15, essa possibilidade de inversão do ônus da prova foi bastante ampliada, estando
estabelecida no art. 373, §§ 1º, 2º, 3º e 4º (ônus dinâmico da prova – cabe àquele que tiver
melhores condições da fazê-lo)

Os §§ 1º e 2º trazem situações em que pode haver a modificação legal ou judicial das regas de
distribuição do ônus da prova, estabelecendo que o juiz deverá decidir a respeito dessa inversão
previamente, evitando os riscos indicados pelo § 2º.

Essa decisão deve ocorrer por ocasião do saneamento (art. 357, III), sendo atacável por recurso
de agravo de instrumento (art. 1.015, XI).
O paragrafo terceiro trata das mesmas possibilidades previstas no parágrafo único do art. 333,
com a novidade do parágrafo quarto, que permite essa convenção antes ou no curso do
processo, aplicando a regra acerca dos ‘negócios processuais’, criada pelo art. 190, do CPC/15.

b. Ônus da Prova como Regra de Julgamento

Pouco importa quem produziu as provas, já que o juiz levará em conta todos os elementos
constantes dos autos para proferir sua decisão (art. 371 CPC). As provas produzidas passam a
pertencer ao processo. (princípio da aquisição processual)

Assim, o ônus da prova seria regra de julgamento. Seria nesse momento que o juiz deveria
verificar que, não encontrando a comprovação das alegações feitas nos autos (non liquet),
decidir em desfavor daquele a quem competia provar e não o fez. (Nelson Nery Jr.)

Isso porque o sistema não determina quem deve fazer a prova, mas sim quem assume o risco
caso não se produza. Daí a ideia de ônus e não de obrigação.

c. Momento da Inversão do ônus da prova (regra de procedimento)

Relativamente ao sistema tradicional do CPC/73, o ônus da prova era regra de julgamento.


Assim, ao receber os autos para proferir sua decisão, deveria averiguar se existiam nos autos as
provas que sustentavam os argumentos de autor e réu da demanda.

Nesse sentido, Resp. 422.778-SP, 3ª Turma, Rel. Ministro Castro Filho, Rel. para acórdão, Nancy
Andrighi. Nesse Acórdão foram proferidos dois votos vencidos sustentando tratar-se de regra
de procedimento.

Segundo Rizzato Nunes, ao abordar a questão da inversão do ônus da prova nas relações de
consumo, os elementos que devem ser considerados para implicar na inversão do ônus da prova
são lógicos e dependem da análise de cada caso em concreto.

Assim, não haveria condições de as partes saberem, de antemão, a quem incumbiria o ônus da
prova.

Com isso, conclui o desembargador, o momento para o reconhecimento pelo juiz de ser ou não
caso de aplicação da regra da inversão do ônus, seria após a apresentação da defesa do réu e
antes do saneamento do feito.

Nesse sentido sustentando ser o momento adequado o da fase instrutória, com o que se evitaria
surpresa para as partes, Resp. 662.608-SP, 4ª. Turma, Relator Ministro Hélio Quaglia.

O CPC/15 parece ter adotado essa posição (regra de procedimento), ao menos no que diz
respeito à possibilidade de sua inversão, diante do que estabelece o § 1º do art. 373 e também
o art. 357, III. Essa é a posição sustentada por Cássio Scarpinella.

A produção de provas pode suspender o curso do processo em algumas situações, previstas no


art. 377

Interessante acórdão relatado pelo Ministro Humberto Gomes de Barros a respeito do tema,
onde acata a posição do STJ, salientando que sua opinião seria um pouco distinta, sustentando
que entender se tratar de regra de julgamento afrontaria o devido processo legal (Resp 949.000-
ES).
Recurso Especial nº 949.900 – Min. Humberto de Barros

Recurso Especial nº 662.608

9. Prova Emprestada

Existia alguma discussão na doutrina e jurisprudência a respeito da utilização de prova


emprestada no processo, isto é, de se utilizar em um determinado processo prova produzida em
outro processo diverso daquele.

Não havia qualquer previsão legal, mas tal possibilidade vinha sendo bastante admitida, em
razão do principio da economia processual e até mesmo do aproveitamento dos atos
processuais, desde que respeitado o contraditório entre as partes.

Havia decisões, especialmente na Justiça do Trabalho, que, ao menos com relação a prova oral,
somente a admitiam se impossível sua realização novamente, pois em sendo possível sua
repetição, deveria ser novamente realizada (TRT 2ª Região, Proc. 00015642120105020442 –
RO).

O CPC/15, art. 372 expressamente regulamenta a utilização da prova emprestada. Admissivel


sempre, desde que respeitado o contraditório (arts. 9º e 10º, CPC/15).

10. Produção antecipada de Provas

Produção antecipada de provas está no capítulo da teoria geral da prova no CPC/15, art. 381 a
383.

Seu fundamento pode ser a urgência (I), mas também fazer uma prova para viabilizar uma
composição (II) ou evitar um litígio (III).
Art. 381, § 1º possibilita o arrolamento de bens para simples
documentação. O § 5º preve o mesmo com relação a justificação,
antigas medidas cautelares.

§ 2º trata de competência para essas medidas - juízo do foro onde deva


ser produzida a prova ou do foro de domicílio do réu

§ 3º não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser


proposta

§ 4º competência da Justiça Estadual se não houver Vara Federal,


mesmo havendo interesse da União.

11. Procedimento

O requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da prova e


mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair (art. 382)

Será determinada, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção


da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso (§ 1º). Respeito ao
contraditório

O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas
consequências jurídicas (§ 2º)
Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento,
desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva
demora (§ 3º)

Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir
totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário (§ 4º)

Os autos permanecerão em cartório durante 1 (um) mês para extração de cópias e certidões
pelos interessados. Findo o prazo, os autos serão entregues ao promovente da medida (art. 383)

02.04.18

Confissão, Depoimento Pessoal e


Prova Testemunhal
Interrogatório – art. 139, VIII do CPC
Quando o juiz, de ofício, determina o comparecimento pessoal das partes, a fim de interroga-
las sobre os fatos da causa.

Pode ser feito em qualquer instante do procedimento, determinado pelo juiz.

No interrogatório, não há pena de confissão em caso de não comparecimento ou recusa em


responder.

Depoimento pessoal – art. 385 do CPC


Ocorre via de regra na audiência de instrução e julgamento, requerido pela parte contrária.

Também pode ser determinado de ofício pelo juiz.

No depoimento pessoal, há pena de confissão caso a parte não compareça ou se recuse a


responder o que lhe for questionado.

 Pode ocorrer os dois (interrogatório e depoimento pessoal). Uma prova não exclui a
realização da outra.

O objetivo do depoimento pessoal é extrair a confissão da parte quanto aos fatos


controvertidos e relevantes da causa.

Litisconsorte pode requerer o depoimento pessoal de outro litisconsorte, conforme Enunciado


584 do Fórum Permanente de Processo Civil. Porém, não está na lei esta determinação.

A intimação para prestar depoimento pessoal precisa ser PESSOAL PARA A PARTE, não
bastando a intimação somente para o advogado (art. 274, parágrafo único, do CPC).

1. Requisitos para intimação válida:


a. A intimação deve ser dirigida ao endereço que consta dos autos, que se
PRESUME CORRETO, mesmo que a pessoa tenha mudado de endereço sim
avisar no processo.
b. Na intimação deve constar a possibilidade de pena de confissão (art. 385, §
1º). Se não houver a ressalva quanto ao risco da pena de confesso, esta não
poderá ser aplicada.

A intimação deve ser realizada com pelo menos 48h de antecedência da data agendada para o
depoimento pessoal (art. 218, § 2º).

Caso a parte compareça, mas se recuse a responder ou “fugir” das perguntas, pode ser
aplicada a PENA DE CONFISSÃO, a critério do juiz (art. 386, CPC).

2. Momento da produção do depoimento pessoal: conforme art. 385, a parte será


ouvida na audiência de instrução e julgamento. O § 3º do mesmo artigo permite que o
depoimento pessoal seja feito por meio de vídeo conferência.

A produção do depoimento pessoal está disciplinada no artigo 387 do CPC.

Ordem: primeiro o autor e depois o réu. As partes não podem ler durante o depoimento (mas
pode levar breves anotações – art. 387). Juiz faz as perguntas que entender pertinentes e,
após, o advogado da outra parte poderá formular perguntas ao depoente, buscando provocar
a confissão. Advogado da própria parte não pode fazer perguntas ao seu cliente
(entendimento da maior parte da doutrina). Há entendimento contrário, de poucos juristas.

É vedado à parte que não depôs, ouvir o depoimento da outra – art. 385, §2º do CPC.

3. Depoimento pessoal de PESSOA FÍSICA: o entendimento majoritário da doutrina é de


que não pode ser feita por outra pessoa, nem mesmo com procuração com poderes
especiais, pois é ato personalíssimo. Há entendimento diverso (minoritário),
sustentado por Cássio Scarpinella, de que seria permitido outra pessoa realizar
depoimento pessoal por meio de procuração específica

4. Depoimento pessoal de PESSOA JURÍDICA: pode ser prestado por seus representantes
legais ou por preposto, desde que tenha procuração com poderes expressos para
confessar.

Dispensa Do Depoimento (Direito ao Silêncio)


A parte será dispensada de depor sobre fatos (art. 388, I, II, III e IV, do CPC):

A. Criminosos ou torpes que lhe forem imputados;

B. Cujo respeito, por estado ou profissão, deve guardar sigilo;

C. Acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu
companheiro ou de parente em grau sucessível;

D. Que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas acima mencionadas (3).
O parágrafo único do artigo 388, diz que esta disposição acima não se aplica às ações de
estado e de família. PORÉM, professor orientou a instruir o cliente a não depor nos casos dos
incisos acima, mesmo nas ações de estado e de família, defendendo o direito da parte de não
produzir prova contra si.

Se nem no Direito Penal a parte é obrigada a depor, o oposto não deve ocorrer no Direito Civil.

Confissão – arts. 389 a 395 do CPC


Para que a confissão seja eficaz, deve atender aos seguintes requisitos:

a) Direitos disponíveis (art. 392)

b) Inexigibilidade de forma especial do fato

c) Capacidade civil

Confissão não prejudica litisconsortes – art. 391.

1. Espécies:
1.1. Confissão judicial
1.1.1. Expressa
1.1.2. Tácita (quando a parte deveria falar, mas se recusa)
1.2. Confissão extrajudicial

A confissão judicial pode ser espontânea (art. 390, §1º) ou provocada (art. 390, §2º).

A confissão extrajudicial ocorre fora do processo, mas produz efeitos nele. Pode ser feita por
escrito à parte contrária e tem a mesma força que a judicial. Pode também ser feita oralmente
(art. 394), desde que a lei não exija forma especial (Exemplo que a lei exige forma especial: art.
819 do Código Civil – fiança).

2. Irretratabilidade e indivisibilidade da confissão

A confissão é irretratável, impedindo que confidente volte atrás, exceto em caso de ERRO ou
COAÇÃO, conforme artigo 393 do CPC e artigo 214 do CC/02.

A confissão emanada da vontade viciada deve ser objeto de AÇÃO ANULATÓRIA (art. 966, §4º,
se processo está pendente, e pode até gerar suspensão dele – art. 313, V, “a”, ambos do CPC).

A confissão também pode ser anulada por meio de AÇÃO RESCISÓRIA, com fundamento no
artigo 966, III e IV, do CPC.

A confissão é indivisível, ou seja, a parte não pode usar parte da confissão que lhe é favorável
e deixar de usar parte que lhe é desfavorável.

Prova Testemunhal – arts. 442 a 463


Produzida oralmente perante o juiz mediante inquirição de pessoas estranhas ao feito, que
têm conhecimento de fatos ou atos cuja demonstração interesse à solução da causa.

A prova testemunhal é pouco prestigiada de modo geral, pois muitas vezes a prova é feita anos
depois da ocorrência dos fatos, em momento que as testemunhas podem não se lembrar bem
do ocorrido, sendo facilmente passível de erro.
Apesar disto, não há no sistema legal brasileiro uma “hierarquia” de provas. Teoricamente,
todas têm o mesmo “peso”, porém, na prática, a prova testemunhal é considerada “fraca” e
“mal vista” pelos juízes no geral, por ser a mais fácil de ser adulterada.

A testemunha não pode ter interesse na solução da lide (SUSPEITA), não pode ter grau de
parentesco com quaisquer das partes (IMPEDIDA) e não pode ser INCAPAZ.

Ou seja, não podem ser testemunhas aqueles que forem:

1. Suspeitos (amigo/inimigo da parte, ou que tenha interesse na lide)

2. Impedidos (parente de quaisquer das partes)

3. Incapazes (não só pela idade, mas também o deficiente não pode ser testemunha em
relação ao sentido que lhe falta – cego não pode ser testemunha presencial de um
acidente de veículo)

1. Classificação das testemunhas:

a. Presencial: testemunha que presenciou o fato e narrará o que viu;

b. De ouvida: testemunha que ouviu o que aconteceu por meio de outra pessoa,
mas não presenciou. Narrará o que sabe através do que ouviu;

c. Referida: artigo 461, I, CPC.

Excepcionalmente, o juiz pode ouvir testemunha SUSPEITA, IMPEDIDA ou MENOR DE IDADE,


como INFORMANTES (art. 447, §4º e §5º). Neste caso, as pessoas ouvidas não têm como
dever falar a verdade, pois não há crime de falso testemunho neste caso, e será levando em
consideração pelo juiz de maneira a formar o seu convencimento.

A testemunha deve ser intimada pelo advogado, por meio de carta com AR – art. 455 do CPC.

Porém, nos casos do §4º do 455, pode ser requerida a intimação judicial.

Dispensa da intimação: art. 455, §2º do CPC.

Reembolso de despesas às testemunhas: art. 462 do CPC.

Testemunha não pode sofrer desconto por ausência no trabalho: art. 463, p. único do CPC.

A prova testemunhal NÃO é ampla e irrestrita, pois ela está sujeita a falhas e deficiências,
conforme visto. Hipóteses de não admissibilidade: art. 443, incisos I e II do CPC.

Ver também: artigo 227, p. único do CC e 444 do CPC (revogados os artigos 227, 229 e 230 do
Código Civil).

A prova testemunhal é apresentada na audiência de instrução e julgamento (art. 453), por


carta precatória, ou por videoconferência (art. 453, §1º). Se a testemunha for autoridade
indicada no 454 do CPC, pode ser ouvida em sua casa ou no trabalho.

Rol de testemunhas: prazo de 15 dias a contar do saneamento (art. 357, § 4º do CPC), sob
pena de PRECLUSÃO.

Porém, se o juiz entender que a testemunha arrolada fora do prazo é indispensável, poderá
ouvi-la mesmo assim.
09.04.18 – Izabel Pantaleão

Prova Pericial, Inspeção Judicial e


Audiência de Instrução e Julgamento
Prova Pericial – Arts. 464 a 480
1. Conceito

O juiz, sendo o destinatário da prova, e sendo aquele que deve analisar as provas trazidas
pelas partes, a prova pericial depende de uma análise técnica a respeito de um fato especifico
que envolva a lide do processo.

2. Classificação
b. Exame: Inspeção de Coisas e Pessoas
c. Vistoria: Inspeção de Bens Imóveis
d. Avaliação: Atribuição de Valores para Bens Jurídicos Móveis e Imóveis

3. Natureza da Perícia
b. Judicial: Realizada dentro do Processo
c. Extrajudicial: Realizada fora do processo (valor de prova documental)
d. Informal

4. Cabimento: A perícia deve ser:


b. Útil: Destinada a esclarecer questões fáticas pertinentes (fatos controvertidos)
e que dependem de conhecimento técnico e científico;
c. Necessária: Fato não pode ter sido esclarecido por outro meio de prova, por
conta da especialidade que a perícia possui; Ex. Comprovação da Paternidade
só pode ser feito através do exame de DNA.
d. Praticável: Não pode versar sobre fatos em que ocorreram alterações
substanciais;

5. Perito: é um especialista em determinado ramo do saber, técnico ou científico,


convocado como auxiliar da justiça para atuar no processo onde se requereu a perícia;
 É de confiança do juiz.
 Por isso a ele se aplicam as regras de impedimento e suspeição do juiz.
 O Código de Processo Civil/15 suprimiu a exigência de nível universitário para
o perito (§1º do artigo. 145 do Código de Processo Civil de /73) privilegiando o
conhecimento técnico efetivo, que pode derivar apenas da experiência
profissional.
 Artigo. 156, §1º
 Portanto, o juiz poderá nomear para perito não apenas o profissional, pessoa
física, mas também órgãos técnicos ou científicos, como instituições
universitárias e institutos de pesquisas.
 Em qualquer situação, será condição, e eis aqui mais uma inovação do novo
Código de Processo Civil, a inscrição em cadastro mantido pelo tribunal.
 Em nome dos princípios da publicidade e da impessoalidade, a elaboração de
tal cadastro deverá ser precedida de consulta pública, por meio de divulgação
na internet ou em jornais de grande circulação, além de consulta direta a
universidade..
 O Código de Processo Civil 2015 foi além ao prever que na localidade onde não
houver perito inscrito no cadastro siponibilizado pelo tribunal..
 Será organizada a lista de peritos..

6. Nomeação do Perito
a. As partes terão 15 dias contados da intimação da nomeação do perito para:
 Arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso;
 Indicar assistente técnico;
 Apresentar quesitos: os quesitos são as perguntas formuladas pelas
partes, que o perito deverá responder. Não poderá ser perguntas
relacionadas ao mérito da questão, mas tão somente a questões
técnicas;
b. O perito, ciente da nomeação, apresentará em 5 dias:
 Proposta de honorários;
 Currículo, com comprovação de especialização
c. Feito isso, as partes serão intimadas de proposta de honorários, para,
querendo, manifestar-se no prazo comum de 5 dias, após o que o juiz arbitrará
o valor, intimando-se as partes para os fins do artigo 95.
d. O juiz poderá autorizar o pagamento de até 50% dos honorários arbitrados a
favor do perito no início dos trabalhos, devendo o remanescente ser pago
apenas ao final, depois de entregue o laudo e prestados todos os
esclarecimentos necessários.

IMPORTANTE! Se a parte não concorda com o valor dos honorários periciais, e o juiz não
acolher o seu pedido, a parte será obrigada a pagar o valor arbitrado. Poderá impetrar um
Mandado de Segurança se for o caso (tem uma decisão judicial mas não tem um recurso
cabível).

e. Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a


remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho, se o perito não cumprir
com o que for estipulado para a perícia.
f. O perito pode escusar-se ou ser recusado por impedimento ou suspeição. Os
assistentes técnicos não, porque são de confiança das partes (artigo 466, §2º).
g. Aceito o encargo, o perito tem o dever de cumprir a diligencia com zelo
h. Arcará com prejuízo sofrido pela parte
i. Negócio Jurídico Processual – Artigo 471 (NOVIDADE)
 As partes podem celebrar negócio jurídico processual para escolher
perito judicial, indicando-o mediante requerimento, desde que sejam
capazes e os direitos admitam autocomposição. Trata-se de uma
“perícia consensual” que substitui para todos os efeitos a perícia
normal.
 O §1º determina que as partes, ao escolher o perito, já devem indicar
os respectivos assistentes técnicos.
 Conforme o §3º, a perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a
que seria realizada por perito nomeado pelo juiz.
OBS. Enunciado do Fórum dos Processualistas 637

j. Substituição do Perito – Artigo 468


k. Tratando-se de perícia completa
7. Assistente Técnico
8. Procedimento – Artigo 465: Requerimento na Inicial (autor) ou na Contestação (réu)
9. Laudo Pericial – Artigo 473
10. Segunda Perícia – Artigo 480
11. Prova Técnica Simplificada – Artigo 464, §2º

Inspeção Judicial – Artigos 481 a 484


1. Conceito: É o meio de prova subsidiário pelo qual o juiz examina pessoalmente
pessoas, coisas ou locais
2. Procedimento: Deve ocorrer antes da sentença, de ofício ou a requerimento das
partes
a. A regra geral é realizada em audiência
3. Documentação: Durante a diligencia o escrivão registra tudo o que ocorreu em auto
circunstanciado.

Audiência de Instrução e Julgamento – Arts. 358 a 368


1. Conceito: Audiência é todo ato processual em que o juiz convoca as partes para
comparecerem à sede do juízo, com a finalidade de nela, serem praticados atos
processuais relevantes para o desenvolvimento procedimental.

Assim, é o ato processual solene e público, durante oqual as provas são produzidas, a causa é
debatida e o juiz profere a sentença.

2. Princípios Informativos
3. Características
a. Publicidade
b. Direção pelo Juiz
c. Poder de Polícia
d. Unicidade e Continuidade
 A audiência pode ser adiada (artigo 362):
o Por atraso injustificado por mais de 30 minutos
o Por convenção das partes (artigo 365)
o Se não puderem comparecer por motivo justificado aqueles que dela devam
necessariamente participar.
 O impedimento deve ser comprovado até a abertura da audiência; não o fazendo o juiz
procederá à instrução.
 Quem der causa ao adiamento responderá por custas acrescidas (artigo 362, §2º)
 Novidade: Artigo 363

4. Atos Preparatórios

 Rol de Testemunhas: Artigo 450


 Intimações

5. Fases da Audiência
a. Abertura
b. Instrução
c. Debates
d. Sentença

16.04.18 – Avaliação (Prova Final: Último dia do Módulo + Trabalho sobre um dos temas)

Trabalho de no mínimo de 10 folhas

Pelo menos 3 autores

Colocar Jurisprudência

Com notas de rodapé, introdução e conclusão (Trabalho científico)

Trabalho Individual

Impresso – Regras ABNT