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TORTURA: INTRODUÇÃO

- Após a 2ª Grande Guerra nasce um movimento de repúdio à tortura.


- Aprovações de várias Convenções e Tratados contra a tortura (alguns ratificados pelo Brasil).

TORTURA: INTRODUÇÃO

- No Brasil, após a CF/88, foi consagrado como direito fundamental do cidadão não ser submetido à tortura. (art.
5º III CF).
“Art. 5º III, CF - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;”
OBS.1:
OBS.2:
- Lei 8069/90 – art. 233 (ECA): 1º diploma a definir crime de tortura (vítima apenas criança e adolescente).
- Lei 8072/90: Equiparou tortura a crimes hediondos – prevê para a tortura as mesmas consequências de um cri-
me hediondo.
- Lei 9455/97: Definiu tortura no Brasil, revogando o art. 233 ECA.
- Lei 12.847/13 (institui o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura)

DETALHE:

No Brasil, a Lei de Tortura destoa dos Tratados Internacionais em dois pontos:


1º.
2º.
As hipóteses de IMPRESCRITIBILIDADE estão previstas no art. 5º, XLII e XLIV da CF/88:
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da
lei;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a or-
dem constitucional e o Estado Democrático;

# No Brasil, o crime de tortura é prescritível?

Art. 1º lei nº 9455/97 - Constitui crime de tortura:

I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:

a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;


b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
Pena - reclusão, de dois a oito anos.

ART. 1º, I:
SUJEITO ATIVO:
SUJEITO PASSIVO:
CONDUTA PUNIDA:
VOLUNTARIEDADE:

ART. 1º, I:

A) COM O FIM DE OBTER INFORMAÇÃO, DECLARAÇÃO OU CONFISSÃO DA VÍTIMA OU DE TERCEIRA


PESSOA (TORTURA PROVA)
EXEMPLO:
CONSUMAÇÃO:
TENTATIVA:

ART. 1º, I:

B) PARA PROVOCAR AÇÃO OU OMISSÃO DE NATUREZA CRIMINOSA (TORTURA CRIME)

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EXEMPLO:
CONSUMAÇÃO:
TENTATIVA:

ART. 1º, I:

B) PARA PROVOCAR AÇÃO OU OMISSÃO DE NATUREZA CRIMINOSA (TORTURA CRIME)


# Constranger com violência alguém para praticar jogo do bicho (contravenção penal), constitui tortura?

1ªC:
2ªC :

ART. 1º, I:

B) PARA PROVOCAR AÇÃO OU OMISSÃO DE NATUREZA CRIMINOSA (TORTURA CRIME)


# E se ocorrer a conduta criminosa pelo torturado?

ART. 1º, I:

C) EM RAZÃO DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL OU RELIGIOSA


(TORTURA PRECONCEITO / DISCRIMINAÇÃO)
EXEMPLO
CONSUMAÇÃO:
TENTATIVA:

ART. 1º, I:

C) EM RAZÃO DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL OU RELIGIOSA


(TORTURA PRECONCEITO / DISCRIMINAÇÃO)

# Abrange a homofobia?

Art. 1º, lei nº 9455/97 - Constitui crime de tortura:

II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a inten-
so sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.

Pena - reclusão, de dois a oito anos.

ART. 1º,II (TORTURA CASTIGO)


SUJEITO ATIVO:
SUJEITO PASSIVO:
CONDUTA:
VOLUNTARIEDADE:

ART. 1º,II: (TORTURA CASTIGO)

CONSUMAÇÃO:
TENTATIVA:

IMPORTANTE DIFERENCIAR

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Art. 1º, lei nº 9455/97:

§ 1º Na mesma pena (reclusão de 2 a 8 anos) incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segu-
rança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de me-
dida legal.

ART. 1º, § 1º: (TORTURA PELA TORTURA)

SUJEITO ATIVO:
SUJEITO PASSIVO:
CONDUTA PUNIDA:

ART. 1º, § 1º: (TORTURA PELA TORTURA)

VOLUNTARIEDADE:
CONSUMAÇÃO:
TENTATIVA:

Art. 1º, lei nº 9455/97 - Constitui crime de tortura:

I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:

a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;


b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a inten-
so sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
Pena - reclusão, de dois a oito anos.

§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou
mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal.

ESQUEMAS PARA FIXAR A MATÉRIA:

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Art. 1º, lei nº 9455/97 - Constitui crime de tortura:
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las (omissão imprópria)
ou apurá-las (omissão própria), incorre na pena de detenção de um a quatro anos.

ART. 1º, § 2º: TORTURA OMISSÃO


1ª PARTE: OMISSÃO IMPRÓPRIA (QUANDO TINHA O DEVER DE EVITAR A TORTURA)

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Figura do GARANTE ou GARANTIDOR.
EXEMPLO:
Art. 13 CP - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Relevância da omissão
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de
agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

Art. 5º, XLIII CF- a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tor-
tura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

ART. 1º, § 2º: TORTURA OMISSÃO


Conflito:
- CP prevê a mesma pena para o garantidor e executor (art. 13, § 2º CP).
- CF exige a mesma consequência do executor para o garantidor (art. 5º, XLIII CF).
# Como solucionar tal conflito?
1ªC:
2ªC:
3ªC:

ART. 1º, § 2º: TORTURA OMISSÃO

2ª PARTE: OMISSÃO PRÓPRIA (QUANDO TINHA O DEVER DE APURAR A TORTURA)

EXEMPLO:

Art. 1º, Lei nº 9455/97:

§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se
resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.

ART. 1º, § 3º: QUALIFICADORAS


TORTURA QUALIFICADA PELO RESULTADO: LESÃO GRAVE/GRAVÍSSIMA ou SEGUIDA DE MORTE
- Os resultados são culposos (crime preterdoloso).

ATENÇÃO! Não se confunde homicídio qualificado pela tortura com tortura qualificada pela morte

CUIDADO:

Art. 1º, Lei nº 9455/97:

§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:

I - se o crime é cometido por agente público;


II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta)
anos;
III - se o crime é cometido mediante seqüestro.

ART. 1º, § 4º: CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

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I- SE O CRIME É COMETIDO POR AGENTE PÚBLICO
II – SE O CRIME É COMETIDO CONTRA CRIANÇA, GESTANTE, PORTADOR DE DEFICIÊNCIA, ADOLES-
CENTE OU MAIOR DE 60 (SESSENTA) ANOS;
III - SE O CRIME É COMETIDO MEDIANTE SEQUESTRO.

# PERGUNTA DE CONCURSO: A causa de aumento do p. 4º. , inc. I, incide no crime do art. 1º, II (tortura castigo)
quando seu autor for servidor público?

1ªC
2ªC
Art. 1º, lei nº 9455/97
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo
dobro do prazo da pena aplicada.
Art. 92 CP - São também efeitos da condenação:
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com
abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.
(...)
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados
na sentença.
Efeito extrapenal específico.

Art. 1º, lei nº 9455/97:


§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

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ART. 1º, § 6º: O CRIME DE TORTURA É INAFIANÇÁVEL E INSUSCETÍVEL DE GRAÇA OU ANISTIA

INAFIANÇABILIDADE:

1ªC: Não admitindo fiança, implicitamente também não admite liberdade provisória.
2ªC (STF): Fiança não se confunde com liberdade provisória (que pode ser concedida com ou sem fiança).

- A proibição da liberdade provisória com base na gravidade em abstrato, não analisando o caso concreto é in-
constitucional.
- Apesar de não admitir fiança, admite liberdade provisória.

ART. 1º, § 6º: O CRIME DE TORTURA É INAFIANÇÁVEL E INSUSCETÍVEL DE GRAÇA OU ANISTIA

# Cabe indulto?
1ªC:
2ªC:
3ªC:

Art. 1º

§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regi-
me fechado.

ART. 1º, § 7º: REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA

No HC 123316/SE, de 9.6.2015, o Min. Marco Aurélio (relator) denegou a ordem. Considerou que, no caso, a do-
simetria e o regime inicial de cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. Asseverou não caber
articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência específica (Lei 9.455/1997) prevê expressamente que o
condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, o que não se confundiria com
a imposição de regime de cumprimento da pena integralmente fechado. Assinalou que o legislador ordinário, em
consonância com a CF/1988, teria feito uma opção válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de
tortura, a execução da pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em regime
fechado, sem prejuízo de posterior progressão.
Art. 2º, lei nº 9455/97: O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território
nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.

ART. 2º: EXTRATERRITORIALIDADE

LEI 9455/97 (art. 2º): a extraterritorialidade da lei na tortura praticada contra brasileiros é INCONDICIONADA
CÓDIGO PENAL (art. 7º, § 3º): a extraterritorialidade da lei em crimes praticados contra brasileiros é HIPERCON-
DICIONADA

Art. 7º CP - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:

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II - os crimes:

a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;

§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições:

a) entrar o agente no território nacional;


b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a
lei mais favorável.

§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reu-
nidas as condições previstas no parágrafo anterior:

a) não foi pedida ou foi negada a extradição;


b) houve requisição do Ministro da Justiça.

FORÇA GALERA!!!

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensa-
mente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” (Charles Chaplin)

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