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FACULDADE TECNOLÓGICA DO PIAUI – FATEPI


CURSO: BACHARELADO EM DIREITO

JOSELINA ROCHA DA SILVA CAMPELO

A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA POR TRANSTORNOS MENTAIS E O DEVIDO


PROCESSO LEGAL: O caso do Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu

TERESINA
2015
1

JOSELINA ROCHA DA SILVA CAMPELO

A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA POR TRANSTORNOS MENTAIS E O DEVIDO


PROCESSO LEGAL: O caso do Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Faculdade de Tecnologia
do Piauí- FATEPI, como requisito parcial à
obtenção de grau em Bacharel em Direito.
Orientador: Prof.º Esp. Afonso Lima da
Cruz Júnior

TERESINA – PI
2015
2

JOSELINA ROCHA DA SILVA CAMPELO

A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA POR TRANSTORNOS MENTAIS E O DEVIDO


PROCESSO LEGAL: O caso do Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Faculdade de Tecnologia
do Piauí- FATEPI, como requisito parcial à
obtenção de grau em Bacharel em Direito.

Aprovado em: _____/____/ 2015.

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________________________________
Profº. Esp. Afonso Lima da Cruz Júnior
Orientador

_______________________________________________________________
1ª Examinador(a)

______________________________________________________________
2ª Examinador(a)
3

RESUMO

O presente trabalho trata da Internação Compulsória e visou analisar os aspectos


legais e processuais da internação compulsória por transtornos mentais em Teresina
refletindo se o tratamento dado a pessoa com transtorno mental internada
compulsoriamente atende ou não aos objetivos da lei e à expectativa de cura do
paciente. Destaca-se ainda que o interesse por este fenômeno surgiu do intuito da
pesquisadora em entender o instituto jurídico que dá respaldo à internação
compulsória de pessoas com transtornos mentais. A pesquisa caracteriza-se como
uma pesquisa qualitativa e dividiu-se em dois momentos: a pesquisa bibliográfica,
que visava recolher subsídios teóricos para fundamentar o estudo em questão e a
pesquisa de campo, com a realização de entrevistas semiestruturadas com os
profissionais que trabalham diretamente com o acompanhamento da pessoa com
transtorno mental, em instituições especializadas e com os detentores das decisões
monocráticas. Dentre os autores pesquisados para a constituição conceitual deste
trabalho, destacaram-se Ludmila Correia, Sirley Costa, Gina Ferreira, Alda
Gonçalves e José Mesquita. Constatou-se que a internação compulsória em
Teresina não atende aos objetivos da lei e à expectativa de cura do paciente.

PALAVRAS-CHAVE: Internação Compulsória. Aspectos Processuais. Aspectos


Legais. Objetivos da Lei.

ABSTRACT
4

This work deals with the Compulsory Admission and aimed to analyze the legal and
procedural aspects of compulsory hospitalization for mental disorders in Teresina
reflecting the treatment of the person with mental disorder admitted compulsorily
meets or not the objectives of the law and the expectation of cure of the patient. It is
noteworthy also that the interest in this phenomenon arose from the researcher in
order to understand the legal principle that gives support to the compulsory
hospitalization of people with mental disorders. The research is characterized as a
qualitative research and divided into two stages: in literature, which aimed to collect
theoretical basis to support the research in question, and field research, with the
completion of semi-structured interviews with professionals working directly to the
monitoring of mental patients in specialized institutions and with the holders of
monocratic decisions. Among the authors searched for the conceptual constitution of
this work, stood out Ludmila Correia, Sirley Costa, Gina Ferreira, Alda Gonçalves
and José Mosquita. It was found that the compulsory hospitalization in Teresina does
not meet the objectives of the law and the expectation of cure of the patient.

KEYWORDS: Compulsory hospitalization. Procedural aspects. Legal aspects.


Objectives of Law.
5

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................6
2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL..............9
2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO CONJUNTURAL DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO
BRASIL..........................................................................................................................9
2.2 A 8ª CONFERÊNCIA NACIONAL DA SAÚDE E A POLITICA DE SAÚDE
MENTAL......................................................................................................................12
2.3 MOVIMENTOS SOCIAIS ANTIMANICONIAL NO BRASIL..................................13
3 MODELOS DE INTERNAÇÃO EM SAÚDE MENTAL E INTERNAÇÃO
COMPULSÓRIA.........................................................................................................17
3.3 INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA...........................................................................17

3.2 INTERNAÇÃO INVOLUNTÁRIA ..........................................................................18

3.1 INTERNAÇÃO VOLUNTÁRIA ..............................................................................18

4 PARÂMETROS LEGAIS PARA A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA NO BRASIL


.....................................................................................................................................19
5 OS CASOS DE INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA EM TERESINA......................23
5.1 TRAGETÓRIA DA ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA NO HOSPITAL AREOLINO DE
ABREU........................................................................................................................23
5.1.1 Serviços oferecidos pelo Hospital Areolino de Abreu ................................25
5.1.2 Aspectos físicos do espaço e atendimento .................................................26
5.2 ATENDIMENTO E PERFIL: O CAMPO DE PESQUISA E A REALIDADE DA
INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA NO HOSPITAL AREOLINO DE ABREU.................27
5.2.1 Secretário e assessor da direção geral: A.....................................................28
5.2.2 Assistente social: B.........................................................................................30
5.2.3 Assistente Social Encarregada: C..................................................................31
5.2.4 Psiquiatras Forenses: D e E............................................................................32
5.3 A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO.............................................................34
CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................42
REFERÊNCIAS...........................................................................................................45
6

1 INTRODUÇÃO

Por muito tempo, especificamente durante a Antiguidade e Idade Média, as


pessoas com transtornos mentais eram isoladas do meio social e postas em celas
ou calabouços. Para a Igreja essas pessoas eram tidas como endemoninhadas e
não careciam de tratamento de saúde, mas sim religioso, sendo submetidas aos
mais horrorosos suplícios em nome de Deus. Desse modo observa-se que as
pessoas com transtornos mentais não recebiam tratamento em conformidade com
sua alienação.

Diante desse contexto, verifica-se que a pessoa com transtorno mental não
tinha amparo do Estado, até porque durante a Antiguidade e a Idade Média não
existiam sistemas de saúde com o que hoje se vê no Brasil. Assim, é possível frisar
que a internação compulsória anterior à instituição de mecanismos jurídicos como a
Constituição Federal e a Lei 10.216/2001 eram realizadas sem o devido processo
legal. Isto é sem a intervenção estatal.

A internação compulsória de pessoas com transtornos mentais é um dos


temas mais discutidos, na atualidade, no âmbito jurídico porque envolve aquelas
situações em que há necessidade de intervenção estatal (questão de saúde
pública). Destaca-se que a questão da internação do paciente acometido de
transtorno mental é regida pela Lei 10.216/2001. Nesse contexto não será demais
salientar que a referida lei representou um marco no processo de valorização da
vontade do paciente, mesmo tendo reconhecido que, momentaneamente, a
expressão da vontade pode não ser possível.

Internação compulsória é um dispositivo legal respaldado pela Lei


10.216/2001 e refere-se às pessoas com transtorno mental que devem ser
internadas mediante intervenção estatal (questão de saúde pública). O art. 1º da Lei
supracitada traz em seu texto que os direitos e a proteção das pessoas acometidas
de transtorno mental, são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto
à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade,
família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu
transtorno, ou qualquer outra.

Principia-se por chamar atenção ao fato de que: “A palavra, compulsório


advém do substantivo, ‘feminina de compulsório’ que significa a ação de tomar conta
7

de registros judiciais por ordem superior que compele ou obriga” (RAMOS, 2014, p.
01). Assim é possível interpretar a internação compulsória como aquela em que a
pessoa é obrigada à internação. Nessa linha de intelecção segue que a internação
compulsória de pacientes com transtornos mentais é hoje uma realidade em solo
nacional.

Também merece ser dito que a internação compulsória tem como objetivo
principal o tratamento da pessoa com transtorno mental, buscando possibilitar-lhe
condições para sua reintegração social. Assim deve-se entender que a internação
compulsória é uma medida que somente deve ser utilizada durante o período que se
mostrar necessária e quando os demais recursos restarem ineficientes às
necessidades terapêuticas do paciente

Como se nota a internação compulsória não trata da restrição de liberdade da


pessoa com transtornos mentais. Tanto é assim que o art. 2º da Lei 10.216/2001
esclarece que nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa
e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos
enumerados no parágrafo único do referido artigo, incluindo aquele direito de ser a
pessoa com transtornos mentais tratada com humanidade e respeito e no interesse
exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção
na família, no trabalho e na comunidade.

Observe-se ainda que a internação contra a vontade da pessoa com


transtornos mentais está prevista no Código Civil desde 2001, pela Lei da Reforma
Psiquiátrica 10.216, mas a novidade agora é que o procedimento seja adotado não
caso a caso, mas como uma política de saúde pública, o que tem levantado os mais
diversos debates.

Ressalta-se que a Lei 10.216/2001 dispõe sobre a proteção e os direitos das


pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em
saúde mental. Desse modo, tem-se que a referida lei em seu art. 9º preconiza que a
internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz
competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento,
quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários .

A partir dessa perspectiva cabe analisar os aspectos legais e processuais da


internação compulsória por transtornos mentais refletindo se o tratamento dado aos
8

doentes mentais internados compulsoriamente atende ou não aos objetivos da lei e


à expectativa de cura do paciente.

Nesses termos resulta dizer que a presente pesquisa surgiu do interesse da


pesquisadora em entender o instituto jurídico que dá respaldo à internação
compulsória de pessoas com transtornos mentais. Surgiu também de suas leituras
em livros, revistas e demais literaturas que tratam do assunto.

Destarte, o objetivo principal da referente pesquisa é analisar os aspectos


legais e processuais da internação compulsória por transtornos mentais. A partir
desse contexto faz-se uma análise da legislação sobre a internação compulsória,
identificando os casos de internação compulsória e analisando as condições de
cumprimento da legislação. Por fim, demonstrar que a internação compulsória por
transtornos mentais não atende aos objetivos da lei.

Entende-se que a relevância da discussão aqui proposta está em debater a


internação compulsória de pessoas com transtornos mentais, objetivando chamar a
atenção do meio acadêmico para a questão de se essa modalidade de internação
atende aos objetivos da lei e à expectativa de cura do paciente com transtornos.

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa e divide-se em dois


momentos. O primeiro trata da exposição das ideias contidas na leitura pertinente ao
assunto, buscando subsídios teóricos que fundamente a pesquisa em questão. Para
tanto, aponta-se os aspectos históricos da Reforma Psiquiátrica no Brasil, que
aborda a categoria loucura e as formas de tratamento da pessoa com transtorno
mental. O segundo capítulo faz referência aos modelos de internação em saúde
mental, especificamente a internação compulsória.

O terceiro capítulo apresenta os parâmetros legais para a internação


involuntária no Brasil. O quarto aborda os parâmetros legais para a internação
compulsória no Brasil, mostrando o embasamento legal e a discussão em torno do
tema, relacionando-se com os aspectos da pesquisa de campo efetuada para a
produção deste estudo. O quinto e último capítulo expõe a análise dos dados obtidos
na pesquisa de campo propriamente dita que analisa os casos de internação
compulsória em Teresina, destacando as condições de cumprimento da legislação.
9

2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL

O enfoque da loucura como doença e da psiquiatria como especialidade


médica é recente na história da humanidade, datando aproximadamente 200 anos.
Foi a partir do século XVIII que o homem inventou uma nova maneira de vivenciar a
condição humana. A loucura sempre existiu, assim bem como o lugar para se tratar
dos loucos: templos, domicílios e instituições, mas a instituição psiquiátrica,
propriamente dita, é uma construção do século XVIII. Desde os tempos mais
remotos, a pessoa com deficiência mental era excluída do convívio dos ditos
normais e para tratá-la havia a compreensão de exclusão, de reclusão e asilamento.
(GONÇALVES E SENA, 2001).

Hoje, esta realidade ainda existe, porém de forma menos excludente e tratada
de forma mais consciente. Por não se admitir a exclusão, corre-se o risco de não se
admitir a diferença. Esta não pode ser negada, é necessário reconhecê-la e conviver
com ela sem ter que excluir, conforme a grande aspiração da reforma psiquiátrica.

2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO CONJUNTURAL DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO


BRASIL

A Reforma Psiquiátrica, de acordo com Ferreira (2006), iniciou seu percurso


na década de 70, durante a ditadura militar, época em que a medicalização era o
modelo básico de intervenção. O poder centralizador do hospitalpsiquiátrico e o
elevado índice de internações passaram a ser consideradas as causas estruturais
das condições desumanas a que eram submetidos os pacientes psiquiátricos. A forte
recessão, derivada da política econômica que obedecia a grupos de pressão
internacionais, tinha como consequência a precariedade do trabalho, a acelerada
baixa da renda familiar e o índice alarmante de miséria absoluta, o que exigia maior
atenção da saúde.

Paralelamente, percebia-se a falta de recursos especialmente no aparato dos


serviços sanitários onde havia ainda, o clientelismo na esfera pública, o investimento
da rede privada favorecendo o desmonte da coisa pública e o pouco interesse do
poder legislativo em valorizar as políticas sociais. Todos esses são fatores que
contribuíram para a ineficácia e a não resolução dos serviços.
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Neste contexto configurava-se a crise do setor saúde com graves


conseqüências para a saúde mental. O hospital psiquiátrico passa a ser a resposta
de intolerância social com aqueles que não podem administrar sua enfermidade por
meios próprios, ou seja, a população de maior precariedade econômica e social.
Nestes casos o diagnóstico muitas vezes é apenas a grande oportunidade para
legitimar a exclusão social.

O início da Reforma é paralelo às necessidades de mudanças no panorama


econômico, político e cultural do país. Ocorreu, pois, no contexto de reivindicações
de mudanças políticas concretas e se desenvolveu no campo da luta dos
movimentos sociais, na conjunção da sociedade civil e do Estado, ante o
fortalecimento da sociedade civil que Gramsci chamou de “a hegemonia política e
cultural de um grupo cultural sobre todaa sociedade, como conteúdo ético do
Estado” (BOBBIO, 1999, p.56 apud FERREIRA, 2006).

Portanto, pode-se dizer que a Reforma Psiquiátrica segue o processo de


redemocratização do país. O sistema de financiamento do setor sanitário na década
de 70 revelava a estrutura perversa da gestão administrativa e a irresponsabilidade
do Estado frente à proteção social, com a finalidade de cumprir as exigências de
grupos financeiros internacionais. Isto levava o governo a ampliar o espaço do setor
privado para a oferta de serviços de capital lucrativo, tal como expressava a
orientação do Banco Mundial.

Percebe-se assim a retração do papel do Estado em relação à proteção social


de toda a população, o que é visível na proposta de uma ordem política baseada na
desigualdade e na exclusão de direitos como o acesso à distribuição da riqueza e
aos bens públicos.

Com essa preocupação, em 1976 é criado o CEBES (Centro de Estudos


Brasileiro de Saúde), organizado por sanitaristas e intelectuais que, através do meio
acadêmico, começam a manifestar o ideário da Reforma Sanitária. Nesse período,
técnicos mais visionários do Ministério do Bem Estar Social, influenciados pelo
modelo de Psiquiatria Comunitária Americana, começaram a propor mudanças no
modelo assistencial.

Passa-se então do modelo clássico, de atenção à doença já constituída, ao


preventivista, implicando na criação de alternativas extra hospitalares como as
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oficinas terapêuticas, hospitais-dia, programas de atenção primária, entre outros. No


entanto, essa proposta não cumpriu seu objetivo, porque se dedicou na ampliação
da rede ambulatorial sendo pouco significativa a redução das internações.

Outro fato relevante é que tampouco se evitava a cronificação e o


hospitalismo. Em 1986, organizava-se a 8ª Conferência Nacional da Saúde. A
intenção era promover a saúde tomando por base a melhoria da qualidade de vida
através de vários fatores como educação, moradia, alimentação, bem como o direito
à liberdade e cabendo ao Estado o papel de facilitador dessas condições
reivindicando-se a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) com a separação do
Ministério da Saúde da Previdência Social.

Esse sistema estabelece as diretrizes que permitirão construir as bases


necessárias de uma reforma sanitária e psiquiátrica gerando, de maneira objetiva, a
reformulação do setor de saúde com propostas efetivas de redefinição das
políticassociais. O lema defendido é “a saúde como um direito de todos” e são
adotados os seguintes princípios básicos:

a) A universalidade, que permite à população o acesso, sem restrições, aos


serviços e ações de saúde;
b) A descentralização do sistema e a hierarquização das unidades de
atenção à saúde, o que propicia a fragmentação de responsabilidade entre
níveis de governo, além de romper com a concepção de territórios
burocráticos das instâncias federativas;
c) A participação e o controle da população na reorganização do serviço.
(BRASIL, Ministério da Saúde, 2000).

São criadas instâncias de controle colegiadas com a função de se sobrepor à


ordem burocrática, criando uma cultura de participação dos setores populares, para
a qual é necessário o conhecimento do direito social (Fernandes, 1996). Esse
princípio aponta claramente a qualidade de uma democracia participativa: as
decisões se democratizam quando os usuários de saúde têm acesso às informações
e direito a expressar suas opiniões em defesa do interesse coletivo, tornando-se
sujeitos ativos na construção de políticas sociais, sobretudo as de saúde.

A 8ª Conferência continuou seu trabalho mediante comissões


compostasparitariamente por entidades do governo e segmentos da sociedade civil,
como partidos políticos de esquerda, entidades representativas do movimento
popular em saúde, movimentos sindicais, representantes do movimento sanitário e
da Academia, além de entidades de cada Estado e Municípiosfavoráveis à Reforma.
12

Com a aprovação de um conjunto de leis referentes à saúde na Assembléia


Constituinte de 1988, foi possível caracterizar a saúde como direito universal. A Lei
Federal nº 8080 criou os Sistemas Únicos de Saúde, estabelecendo uma política
para o setor privado que obedecesse as normas do Poder Público.

2.2 A 8ª CONFERÊNCIA NACIONAL DA SAÚDE E A POLITICA DE SAÚDE


MENTAL

Sem dúvida, a criação do SUS propiciou mecanismos de financiamento que


ofereceram incentivos para a adesão dos municípios ao SUS, o que se deu
proporcionalmente. A 8ª Conferência de Saúde é uma resposta à ausência de
políticas sociais no país voltada à Saúde com efeitos na política de Saúde Mental.
Oimpacto dessa conferência tem sua raiz na participação de integrantes de vários
setores e segmentos sociais, ampliando os espaços de participação e incluindo, na
Agenda do Estado, propostas que remodelaram o campo social. Isto significa que o
fundamento técnico e ideológico na construção de novas formas de políticas
públicas ressaltava a importância da conjunção Estado/Sociedade.

A 8ª Conferência estabeleceu também as bases para a 1ª Conferência


Nacional de Saúde Mental, realizada em 1987. Denúncias foram apresentadas sobre
a violência e os maus tratos a que estão expostos os internos dos hospitais
psiquiátricos. Exigiu-se a Reforma Psiquiátrica. A partir dessas duas conferências e
da criação do SUS vêm à luz fatos importantes para a história da Reforma
Psiquiátrica (FERRREIRA, 2006):

 Santos é um dos primeiros municípios a aderir ao SUS e em 1989


propõe a intervenção na Casa de Saúde Anchieta em função de denúncias
de maus tratos. Uma comissão de reorientação da assistência foi criada,
construindo uma rede alternativa de atenção até que se pôde fechar o
hospital.
 Em 1990, a Organização Panamericana de Saúde promove a
Conferência Regional para a reestruturação da assistência psiquiátrica na
América Latina, da qual resultou a Declaração de Caracas, em que se
destaca.

Porém, cabe enfatizar que ésomente no ano de 2001, após 12 anos de


tramitação no Congresso Nacional, que a Lei Paulo Delgado é Aprovadano país. A
concordância, no entanto, é uma emenda do Projeto de Lei original, que traz
alterações importantes no texto normativo. (MESQUITA et. al, 2010).
13

Assim, a Lei Federal 10.216/2001 redireciona o amparo em saúde mental,


privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária, dispõe
sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, no entanto,
não estabelece estruturas claras para a progressiva extinção dos manicômios. Ainda
assim, a publicação da lei 10.216 impõe novo impulso e novo ritmo para o processo
de Reforma Psiquiátrica, no Brasil, pois mesmo antes de sua aprovação, suas
consequências já eram visíveis por meio de diferentes ações, tais como a de criação
das SRTs e de programas, tal como “De volta pra casa”.

Novas modalidades para o tratamento do usuário de saúde mental foram


postas em prática. A Luta Antimanicomial possibilitou o desenvolvimento de pontos
extremamente importantes para a desinstitucionalização da loucura. Podemos
destacar aqui o surgimento de relevantes serviços de atendimentos Extra-
Hospitalares oriundos da Reforma Psiquiátrica: Núcleo de Atenção Psicossocial
(NAPS); Centro de Atendimento Psicossocial (CAPs I, CAPs II, CAPs III, CAPsi,
CAPs ad); Centro de Atenção Diária (CADs); Hospitais Dias (HDs); Centros de
Convivência e Cultura (MESQUITA et. al, 2010).

2.3 MOVIMENTOS SOCIAIS ANTIMANICONIAL NO BRASIL

O Manicômio, de acordo com Correia (2006), se configura como uma


instituição total, e, desde seu surgimento se revelou como um espaço de violência e
arbitrariedade sobre as pessoas que acolhia. A estrutura manicomial se apresenta
como desumana e ineficiente por seus resultados desastrosos, constituindo-se um
lugar de sofrimento e dor, onde os pacientes, sem direito à defesa, são submetidos a
maus tratos, privação de sua liberdade, de seu direito à cidadania e à participação
social.

Durante a década de 1960, tal instituição passou a ser utilizada por grupos
econômicos como instrumento de “fabricação da loucura”, haja vista que estavam
interessados muito mais em fomentar a cronificação para manter uma clientela do
que oferecer tratamento a esses pacientes. Isso ocorreu a partir do golpe militar de
1964, quando a assistência à saúde foi caracterizada por uma política de
privatização maciça. No campo da assistência psiquiátrica, fomentou-se o
surgimento das “clínicas de repouso”, denominação dada aos hospitais psiquiátricos
14

de então, além de métodos de busca e internamento de pessoas. Dessa forma,


alguns segmentos da sociedade passaram a se manifestar sobre os efeitos nocivos
das práticas manicomiais.

Dessa forma, iniciou-se no Brasil, primeiramente, através dos profissionais


que atuavam na área da assistência psiquiátrica, uma série de questionamentos
sobre o sistema psiquiátrico. Os mesmos se transformaram numa articulação em
rede que envolveu usuários/as do serviço e seus familiares; setores da sociedade
civil organizada e a sociedade em geral, se configurando como um verdadeiro
movimento social.

Nesse período, especificamente na década de 60, houve a organização, do


Movimento Nacional dos Trabalhadores de Saúde Mental, formado por associações
profissionais. O Sindicato dos Psicólogos, o Sindicato dos Enfermeiros e o Sindicato
dos Assistentes Sociais criam tal Movimento reivindicando melhores condições de
trabalho nos manicômios, a ampliação do quadro de funcionários e o aumento dos
investimentos do setor público na área da saúde mental. (CORREIA, 2006).

Já em 1986, paralelamente à realização da VIII Conferência Nacional de


Saúde, citada anteriormente, aconteceu uma plenária nacional dos trabalhadores em
saúde mental, em que aquele Movimento Nacional, enfim, foi fundado. E, em julho
de 1987, após a realização da I Conferência Nacional de Saúde Mental, um grupo
de profissionais de vários Estados brasileiros, decepcionado com o fracasso dos
esforços realizados para transformar o modelo da assistência à saúde mental
oferecida no país, investiu na realização do II Congresso Nacional dos
Trabalhadores de Saúde Mental, como necessidade de construir um movimento
social.

O Movimento consolidou-se de fato, em 1993, na realização do I Encontro


Nacional do Movimento da Luta Antimanicomial, em Salvador - BA, que teve como
lema: “O Movimento Antimanicomial como movimento social”. Nesse evento são
reafirmados princípios básicos da sua identidade: independência do aparelho de
Estado, compromisso de transformação social, luta por uma sociedade sem
manicômios e caráter não partidário. Foram promovidos ainda debates acerca da
formulação de diagnósticos sobre a situação de sofrimento da pessoa com
15

transtorno mental, as possibilidades de novas práticas terapêuticas e a


especificação de seus direitos.

Ressalte-se que se realizaram vários Encontros Nacionais para a discussão


da problemática. Destaca-se ainda que o Encontro Nacional seja a instância
deliberativa máxima do movimento, no qual, dentre outras questões, se definem
suas propostas nas áreas da assistência, do direito, do trabalho e da cultura. O
Movimento Antimanicomial, que enfatizou a necessidade de transformações do
modelo da assistência à saúde mental oferecida no país, conta com a participação
de técnicos, de usuários dos serviços de saúde mental e de familiares desses
usuários, e organizou sua estrutura administrativa como fórum nacional,
congregando várias entidades, como Organizações Não-Governamentais e
Conselhos de familiares de usuários. (CORREIA, 2006).

Ressalta-se que no Brasil, o Movimento Antimanicomial passou a discutir as


bases de uma Reforma Psiquiátrica. Na década de 80, tal Movimento, conforme já
colocado, se organizou e encampou a luta pelo fim dos manicômios. Esse
movimento passou a reivindicar uma profunda mudança no modelo assistencial
psiquiátrico, envolvendo as ciências, as técnicas e a própria cultura vigente em
relação ao “louco” e à loucura.

Cabe ressaltar, que a mobilização dos integrantes do Movimento


Antimanicomial foi essencial para a formulação e aprovação da Lei nº 10.216/2001.
De acordo com Correia (2006, p.89), esse contexto propiciou o surgimento de novos
atores e sujeitos de direitos:

[...] Isso confirma que há uma emergência de novos sujeitos, novos atores,
que, cada vez mais, ganham visibilidade no cenário público
instituído,demandando o reconhecimento de suas ações como legítimas no
exercício da cidadania, bem como o reconhecimento das condições sociais
de sua existência como circunstâncias injustas do cotidiano. Fruto da
emergência desses novos sujeitos é o processo de instituição de novos
direitos. Esses novos sujeitos coletivos podem ser reveladores de uma nova
fonte de produção jurídica. E a forma de ação desses sujeitos acaba
redefinindo, sob os liames de um pluralismo político e jurídico comunitário,
um espaço que minimiza a institucionalização e exige uma participação
constante do corpo social, quer seja na tomada de decisões, quer seja na
concretização das execuções.

Constata-se que diante de todo aparato histórico disposto até então, que o
Direito realiza-se e efetiva-se de acordo com as transformações sociais. Nesse
sentido, destaca-se que o reconhecimento dos diversos direitos das pessoas com
16

transtornos mentais é resultado de uma ação efetiva, e coloca em questão, o campo


jurídico, da cidadania, das relações sociais, do trabalho e dos complexos
mecanismos de exclusão social. Importante assinalar, na atuação do Movimento
Antimanicomial, que a luta que se desenvolve é contra uma “instituição manicomial”.
Mais propriamente falando, é contra uma lógica interna à instituição que tende à sua
própria auto-reprodução, anulando os atores enquanto sujeitos de transformação.
17

3 MODELOS DE INTERNAÇÃO EM SAÚDE MENTAL E INTERNAÇÃO


COMPULSÓRIA

Quando se aborda o tratamento para pessoa com Transtorno Mental, deve-se


atentar para os direitos de cidadania do indivíduo e seu acesso aos serviços de
saúde em geral, consoante Santos argumenta:

Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e


temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos
descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as
diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as
desigualdades. (SANTOS, 2003, p. 56).

A Lei 10.216/01, respeitando o capítulo V do Código Internacional de Doenças


(CID-10), dispõe sobre a proteção e os direitos dos portadores de transtorno mental
e redireciona o modelo assistencial no tratamento destas pessoas, entendendo as
doenças mentais como uma das condições de diagnósticos que caracterizam os
chamados transtornos mentais.

Esta legislação entende o Transtorno Mental como todas as alterações no


funcionamento da mente que prejudiquem o desempenho da pessoa na vida familiar,
social e pessoal, no trabalho, nos estudos, na compreensão de si, no respeito aos
outros e na tolerância aos problemas.

Nas internações que ocorrem no Brasil, sob o regime da Lei nº 10.216/2001,


não há previsão para a internação psiquiátrica que passe regularmente pelo Poder
Judiciário, entretanto, é direito constitucional de qualquer pessoa a possibilidade de,
a qualquer momento, questionar judicialmente a referida internação.

De acordo com a legislação vigente, a internação deve realizar-se mediante


apresentação de laudo médico, caracterizando a necessidade desta e o médico
deve estar devidamente registrado junto ao seu conselho (CRM). Consoante com o
parágrafo único, do art. 6°, da lei supracitada existem três tipos de internação:
voluntária; involuntária e a compulsória, especificadas nas seções que seguem.

3.1 INTERNAÇÃO VOLUNTÁRIA


18

A pessoa que solicita voluntariamente a própria internação, ou que a


consente, deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou
por esse regime de tratamento. O término da internação se dá por solicitação escrita
do paciente ou por determinação do médico responsável. Uma internação voluntária
pode, contudo, se transformar em involuntária e o paciente, então, não poderá sair
do estabelecimento sem a prévia autorização (BRASIL, 2001).

3.2 INTERNAÇÃO INVOLUNTÁRIA

É a que ocorre sem o consentimento do paciente e a pedido de terceiros.


Geralmente, são os familiares que solicitam a internação do paciente, mas é
possível que o pedido venha de outras fontes. O pedido tem que ser feito por escrito
e aceito pelo médico psiquiatra. (BRASIL, 2001).

A lei determina que, nesses casos, os responsáveis técnicos do


estabelecimento de saúde têm prazo de 72 horas para informar ao Ministério Público
do estado sobre a internação e os motivos dela. O objetivo é evitar a possibilidade
de esse tipo de internação ser utilizado para o cárcere privado.

3.3 INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA

Nesse caso não é necessária a autorização familiar. A internação compulsória


é sempre determinada pelo juiz competente, depois de pedido formal, feito por um
médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a própria condição
psicológica e física. O juiz levará em conta o laudo médico especializado, as
condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos
demais internados e funcionários. (BRASIL, 2001).
19

4 PARÂMETROS LEGAIS PARA A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA NO BRASIL

A finalidade da internação psiquiátrica tem como objetivo principal o


tratamento da pessoa portadora de transtorno mental, buscando possibilitar-lhe
condições para sua reintegração social, bem como o convívio familiar. É uma
medida que somente deve ser utilizada durante o período que se mostrar necessária
e quando os demais recursos restarem ineficientes às necessidades terapêuticas
submetidas ao paciente.

Os internamentos compulsórios mostram-se cabíveis somente quando os


recursos extra-hospitalares restarem insuficientes, com risco à integridade física, à
saúde ou à vida dos portadores de transtorno mental ou a terceiros. Sérgio Deodato
ressalta, ponderando que o internamento contra a vontade da pessoa portadora de
deficiência mental somente deve ocorrer “quando esta se encontre num estado
particularmente grave e corra sérios riscos, para si e para terceiros”.

Nesse contexto, ao tratar do processo legal para a internação compulsória


faz-se importante discutir a origem histórica do devido processo legal (due process
of law) que associa-se à proteção da liberdade. Tal cláusula impõe que qualquer
restrição à liberdade somente pode ocorrer por meio de processo e julgamento
previstos previamente em lei.

O princípio da dignidade humana, por ser o fundamento da República


Federativa do Brasil (art. 1º, III, CF), e dada sua importância e magnitude no direito
constitucional brasileiro, dever ser o norte principal ao direito processual, que
também deve observar os princípios constitucionais gerais. Tal princípio não constitui
apenas uma tábula rasa de interpretação, mas acima de tudo tem no ser humano
como marca de justiça, princípio e razão de ser de todo o Direito.

Os direitos fundamentais, cujo núcleo essencial é a dignidade humana,


exercem tripla função em uma sociedade constituída sob o modelo do Estado
Democrático de Direito, como é o caso do Estado brasileiro: i) função
fundamentadora da ordem jurídica; ii) função hermenêutica; e iii) função norteadora
na formulação de políticas públicas.
20

Na seara processual, tem-se como uma das mais importantes garantias da


dignidade humana o due process of law,previsto no art. 5º, LIV, da CF/88, nos
seguintes termos: “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal”. A garantia da proteção jurídica efetiva também consiste em proteção
da dignidade humana (SCHWARTZ, 2001, p.35).

O devido processo legal assume especial destaque no presente estudo pelo


fato de que as medidas restritivas de direitos, como é o caso da internação forçosa,
além de estarem sujeitas à observância dos preceitos legais, deverem de maneira
geral, ser precedidas do exercício do direito de defesa

Conforme salientado por Gilmar Mendes, a ideia genérica constante da


cláusula constitucional do devido processo legal é a de que, no Estado Democrático
de Direito, entre o indivíduo e a coação estatal sobre seus bens e sua liberdade,
sempre deve ser interposto um processo a ser conduzido por um juiz. Destaca
ainda, retrocitado jurista, que o devido processo legal possui um valor instrumental,
constituindo-se em um meio adequado para assegurar que as leis sejam aplicadas
de modo imparcial e equânime.

Não se pode desconsiderar que há uma intrínseca relação entre o princípio do


devido processo legal e a dignidade humana, sendo inadmissível, no Estado
Democrático de Direito, um tratamento da pessoa humana como simples objeto dos
processos estatais.

O direito fundamental ao devido processo legal não deve ficar adstrito


somente ao procedimento legal, ordenado ou regular, mas também ao direito
fundamental a um processo justo e adequado, cuja inobservância impede que
alguém possa ser privado de sua liberdade ou de seus bens.

A evolução da garantia do devido processo legal, estendendo-se à análise do


conteúdo material das normas, termina por ampliar seu campo de atuação, fazendo
com que não fique simplesmente adstrito na garantia de um processo formal, mas,
sobretudo, que o processo seja um instrumento de realização de justiça.

É ponto pacífico na doutrina constitucional o papel desempenhado pelos


direitos fundamentais e as normas principiológicas, inclusive as programáticas, que
se afiguram como diretrizes materiais permanentes, vinculando positivamente todos
21

os órgãos concretizadores, incluindo os encarregados de exercerem a função


jurisdicional, em qualquer momento de sua atividade concretizadora.

A garantia constitucional do acesso à justiça (art. 5º, XXXV, da CF), ao dispor


que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”,
confere não somente o monopólio da jurisdição ao poder público, mas a própria
garantia da Constituição. (MACEDO, 2005, p.150).

Embora a internação psiquiátrica constitua uma medida restritiva à liberdade,


há de se observar que o ordenamento jurídico-constitucional brasileiro assegura o
direito à liberdade como regra geral. As hipóteses excepcionais de restrição à
liberdade encontram-se prevista na Carta Magna de 1988, e se referem às prisões
penais, processuais, civis e disciplinares, sem nenhuma alusão específica à
internação psiquiátrica compulsória.

Contudo, ainda que a internação obrigatória não esteja entre as exceções à


liberdade assegurada pela Constituição, não se pode ter tal medida como
inconstitucional, posto encontrar guarida no entendimento doutrinário mundial - em
especial dos Estados Unidos, Espanha e Argentina -, que a reconhece, antes de
tudo, como um direito do paciente, dentro da “teoria do direito ao tratamento”, cuja
justificação demanda a necessidade de um meio terapêutico humano.

O internamento compulsório - pelo fato de dar-se contra a vontade da pessoa


que se encontra com anomalia psíquica grave, trazendo sérios riscos para si e para
terceiros, e decorrente de decisão judicial somente deve ser determinada nas
situações em que não houver possibilidade de tratamento extra-hospitalar.

A imposição da medida, por constituir limitação à liberdade individual, deve


observar o caso concreto, havendo uma ponderação em que a avaliação da saúde
do portador de transtorno mental articula-se com a proteção jurídica dos direitos
visados.

Conforme já apontado, o art. 6º, caput, da Lei nº 10.216/2001, preconiza que


a internação compulsória somente se realizará por meio de laudo médico que
caracterize seus motivos. Possui, pois, a internação a natureza de “ato médico” que
têm consequências jurídicas, podendo, dado seu caráter não absoluto, ser
contestado perante o Poder Judiciário, de acordo com o art. 5º, XXXV, da CF.
22

Deve haver observância de requisitos para a efetivação da internação, os


quais se constituem em garantias conferidas aos portadores de transtorno mental,
com fins de evitar internações indevidas ou seu prolongamento necessário.

É de salientar-se que o tratamento em regime de internação deve ser


estruturado de forma a oferecer um atendimento multidisciplinar aos pacientes,
oferecendo-lhe assistência integral, incluindo serviços médicos, de assistência
social, de psicólogos, de terapeutas ocupacionais, dentre outros (art. 4º, § 2º, da Lei
nº 10.216/2001). Em não havendo observância destas imposições previstas, mostra-
se incabível a internação, pois o § 3º do mesmo dispositivo legal veda sua
ocorrência em instituições com características asilares que não assegurem aos
portadores de transtornos mentais um tratamento digno.

Não se pode, forma alguma, desconsiderar que a internação obrigatória, por


decorrer de ordem judicial, deve observar aos princípios da legalidade e do devido
processo legal, posto haver, na compulsoriedade, ausência de consentimento do
paciente.

A jurisprudência pátria tem se posicionado acerca da obrigatoriedade da


internação psiquiátrica compulsória quando a mesma se fizer necessária, havendo
situações em que, a depender da peculiaridade do caso, restar comprovada a
periculosidade do portador de transtorno mental mediante laudo médico, não se
fazendo sequer necessária a utilização, antes, de medidas extra-hospitalares.

Havendo necessidade da internação compulsória, deve ser conferido ao


internando todos os meios necessários ao tratamento digno, mostrando-se incabível
sua utilização como meio coercitivo ou asilar, por não se coadunar com a dignidade
inerente a todo e qualquer ser humano.

Em sendo a liberdade um dos corolários da dignidade humana. Não resta


nenhuma dúvida que a internação forçosa deva observar, sob todos os aspectos, tão
relevante fundamento da Constituição da República Federativa do Brasil, previsto
expressamente em seu art. 1º, III.
23

5 CASOS DE INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA EM TERESINA.

De acordo com o perfil Hospitalar disponibilizado pela administração do


próprio Hospital Areolino de Abreu, foi possível colher informações importantes sobre
o histórico da instituição, bem como a evolução nos tratamentos, desde as
semelhanças com um prisão até os dias atuais, com um quadro de funcionários mais
amplo e com diversos tipos de especialidades.

Os tipos de serviços oferecidos dentro do hospital, hoje, também foram


disponibilizados, demonstrando ainda mais a evolução sofrida no tratamento
psiquiátrico no Estado. Dessa maneira, na pesquisa, encontrou-se um quadro um
tanto quanto diferente daquele quadro comum do imaginário popular. Apesar de
melhor estruturado, porém, não se pode falar em uma atendimento ideal por
enquanto, pois a demanda não condiz com o número atual de funcionários e
serviços oferecidos.

5.1 TRAGETÓRIA DA ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA NO HOSPITAL AREOLINO DE


ABREU.

No Piauí foi construído em 1906 o primeiro Asilo de Alienados, localizado na


capital Teresina e objetivando o recolhimento e tratamento de enfermos com
perturbações mentais. Tal Asilo situava-se na Praça Campo de marte, nas próximo
ao rio Parnaíba. Antes de serem colocados em Asilos especializados, os doentes
vagavam pelas ruas ou eram mantidos trancados em um cômodo em suas
residências construídas pelos familiares.

Foi então, que o médico Areolino Antônio de Abreu, que era vice-governador
na época, preocupado com as questões da mente e com as condições em que se
encontravam os doentes mentais no Estado, propôs na primeira oportunidade a
abertura de uma subscrição para conseguir fundos necessários à construção de
estabelecimento específico para tratamento dos doentes mentais.
24

Nesse sentido, iniciou-se uma preocupação do Estado no tratamento de


pessoas com algum tipo de transtorno mental. O que antes parecia ser uma situação
incontrolável, diante do número cada vez mais crescente de indivíduos que vagavam
pela cidade, sem o devido tratamento mental adequado, agora começa a ganhar
uma política de desenvolvimento e um plano de internação e manutenção do
sistema de tratamento psiquiátrico no estado do Piauí.

Dentro dessa história, muitos Asilos antecederam o atual hospital referência


no Estado para determinados tipos de tratamento, Hospital Psiquiátrico Areolino de
Abreu. O primeiro deles, o Asilo de Alienados de Teresina, tinha uma capacidade
máxima de 80 indivíduos de ambos os sexos, possua semelhanças e traços de
presídio e os tratamentos não eram condizentes com preocupações médicas, mas
com a simples contenção dos doentes que ali eram internados.

Até o ano de 1941, o Asilo de Alienados funcionou na dependência e


coordenação da Santa Casa de Misericórdia de Teresina e só passou a ser
vinculado ao Instituto de Assistência Hospitalar do Estado do Piauí em agosto de
1941, momento em que passou a ser denominado Hospital Psiquiátrico Areolino de
Abreu.

Dentro desse contexto histórico, encontra-se na historicidade da entidade que


o tratamento médico, de fato, era quase inexistente. A preocupação não se baseava
na doença psíquica em si, mas na contenção e no controle de outras doenças e em
tratamentos baseados na manipulação de equipamentos de choque, como a
eletroconvulsoterapia (ECT), dentre outras técnicas criadas para controle dos danos
mentais. Até mesmo a atividade de enfermagem era exercida para a manutenção
das atividades internas do hospital, como a providência de equipamentos e roupas,
a direção dos outros funcionários e, por vezes, elaboração de atividades
ocupacionais para os pacientes.

Durante os períodos iniciais, sob nova administração, o Hospital passou a


evoluir no tratamento, deixando de lado muitos aspectos prisionais como as
correntes que eram utilizadas para prender os pacientes mais agressivos. Pouco a
pouco, mais atividades ocupacionais eram introduzidas no programa de tratamento,
além de horticultura e sessões de cinema dentro da própria unidade. Na década de
60, por exemplo, as terapias de choque foram reforçadas, enquanto outros
25

tratamentos eram deixados de lado e pouco a pouco abandonados, como a


malarioterapia.

Ainda segundo os dados fornecidos no relatório perfil do hospital, criou-se na


cidade uma Colônia que objetivava acima de tudo, servir como um local de
atividades agrícolas e pastoris para os pacientes do Hospital. Dessa maneira, a
ocupação auxiliaria na recuperação e no tratamento geral dos pacientes. O nome da
colônia (Colônia de Psicopatas Areolino de Abreu), porém, causava certo espanto e
ausência de interesse em se trabalhar no local. O espaço físico foi considerado
inadequado para a função inicialmente pretendida e, assim, apenas em 1968 foi
realmente possível prosseguir com o funcionamento do local.

O nome da Colônia foi alterado na tentativa de diminuir o impacto relacionado


ao nome, passando assim a ser denominada de Hospital Areolino de Abreu. Nos
anos seguintes, o hospital se integraria a outras entidades de saúde, ampliando
ainda mais o rol de atendimento e o alcance de especialidades no Estado do Piauí.
Com a direção de Anfrísio Neto Lobão Castelo Branco, várias mudanças foram
processadas e estabelecidas diante da situação ainda precária para a época. Tais
mudanças, como relaciona o perfil hospitalar foram: Abolição do uso indiscriminado
da ECT; Criação de plantões médicos; Assistência médica individualizada ao
paciente e; Implantação do prontuário médico.

Na década de 80 as atividades foram efetivamente ampliadas com a


ampliação do espaço físico, a integração de áreas arborizadas e a qualificação ainda
maior do tratamento de semi-internação. Porém, ainda existia uma restrição dentro
da capital, algo que ainda perdura.

O Hospital Areolino de Abreu hoje funciona no bairro Primavera, na rua Joe


Soares Ferry, nº 2420 e é considerado referência em Saúde Mental no estado do
Piauí, prestando assistência a pessoas portadoras de transtorno mental,
proporcionando meios para a reabilitação do indivíduo na sociedade e prestando
assistência integral para a promoção da saúde mental, recuperação e reabilitação
dos pacientes, objetivando o atendimento das necessidades básicas dos mesmos.

5.1.1 Serviços oferecidos pelo Hospital Areolino de Abreu


26

Dentro deste quadro, diversos serviços são oferecidos dentro do Hospital


Areolino de Abreu, principalmente com o aumento gradativo de funções e de
profissionais que passaram a ser envolvidos no quadro de funcionários, deixando de
lado os aspectos unicamente psiquiátricos do tratamento e envolvendo outras
especialidades, como odontologia, serviço social entre outros.

O H.A.A. conta, hoje, com um serviço ambulatorial composto por diversos


profissionais e um atendimento ao usuário, por meio de marcação de consultas no
horário de 06h30minh as 17h00minh. Conta com serviços de psiquiatria, através de
plantões diários e consultas; psicologia, com terapias em gruo para dependentes
químicos; odontologia, atendendo pacientes internos e a comunidade em geral, com
cirurgias, radiologia, dentística etc.; terapia ocupacional, com oficinas do movimento,
de teatro, agrícola, pintura etc. além de atividades extra hospitalares.

Além desses serviços, encontra-se ainda um laboratório para análises


clínicas, serviço social com visitas domiciliares, enfermagem, serviços de nutrição,
hospital – dia adulto e serviços de internação e urgência.

5.1.2 Aspectos físicos do espaço e atendimento

O espaço físico do Hospital Areolino de Abreu, hoje, visa atender a uma


demanda que crescia expressivamente desde a década de 80. A abrangência no
atendimento e o aumento expressivo no número de especialidades contribuíram
para que o fluxo de pacientes, sobretudo da comunidade em geral, aumentasse,
além de ter ampliado o atendimento também a pacientes de outros estados.

Hodiernamente, o H.A.A. atende a todo o Estado do Piauí, além, claro da


capital e interior. Estados vizinhos, em parceria, também são atendidos quando
existe a necessidade do paciente permanecer em solo piauiense por alguma razão,
visando manter o direito ao tratamento de saúde.

A área total do hospital é de 8.926,13 m², em um pavimento apenas, este,


distribuído em duas unidades masculinas e duas femininas, um hospital-dia, uma
unidade geriátrica, além de apartamentos (muitos para planos de saúde privados) e
uma enfermaria clínica. São, segundo o relatório fornecido pela entidade, 160 leitos
integrais (SUS), 30 semi-integrais (SUS) e 12 leitos particulares, utilizados através
de convênios e planos privados de saúde.
27

As informações oferecidas ainda demonstram a alta capacidade de


atendimento do Hospital Areolino de Abreu, verificando-se que o número de
atendimentos é maior que de muitos outros hospitais públicos estaduais e hospitais
de ensino. São cerca de 3 a 4 mil atendimentos por mês em serviços ambulatoriais,
220 internações por mês e cerca de 500 atendimentos de urgência por mês. É
evidente que a estrutura hospitalar é, de fato, uma das melhores do Estado.

5.2 ATENDIMENTO E PERFIL: O CAMPO DE PESQUISA E A REALIDADE DA


INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA NO HOSPITAL AREOLINO DE ABREU

Dando início à coleta de dados, inicialmente foi necessário constatar a


situação no quadro de funcionários e a atual equipe responsável pelos principais
aspectos organizacionais do Hospital Areolino de Abreu, principalmente em relação
ao tratamento de internados compulsoriamente no hospital. Os sujeitos analisados e
submetidos ao questionário foram um secretário e assessor da direção geral do
hospital, uma assistente da assistente social chefe, uma assistente social
encarregada e dois psiquiatras forenses, que terão suas identidades resguardadas e
serão, ao longo da exposição sobre a coleta de dados, identificados como sujeitos A,
B, C, D e E, respectivamente.

Desse modo, buscou-se posteriormente, identificando os agentes a serem


submetidos às questões previamente formuladas, marcar entrevistas feitas através
de roteiro semiestruturado, visando obter o maior número possível de
esclarecimentos acerca das internações compulsórias por transtornos mentais que
são realizadas no H.A.A. , principalmente pontuando a forma como essa internação
acontece, além de buscar compreender as outras especialidades dentro desse
processo, como a assistência social. Por fim, os questionamentos abordaram a
aplicação da lei 10.216, em sua eficácia e aplicação.

Dessa maneira, constatou-se através de informações dos próprio corpo de


funcionários, que existem atualmente cerca de 179 internos, sendo que o número
total de psiquiatras encontra-se insuficiente diante deste número, sendo 20
profissionais ao todo, de um total de 25, considerado o n´mero ideal para um bom
atendimento na unidade.
28

Da mesma forma, o hospital possui apenas 10 assistentes sociais, um


número que não possui o efeito necessário diante da demanda elevada nos serviços
assistenciais. Completando o quadro atual, são 18 técnicos, 16 enfermeiros e 30
auxiliares, além de médicos de outras especialidades como neurologista (1),
fisioterapeutas (2), educadores físicos (5) e dentistas (8), dentre outros.

5.2.1 Secretário e assessor da direção geral: A

Ao ser questionado acerca da origem das Internações compulsórias que são


realizadas no Hospital Areolino de Abreu, o secretário A responde que:

“Que a maioria dos pacientes que estão internados no momento são


oriundos da Penitenciária Major Cézar. Existe um centro de saúde dentro da
penitenciário, quando eles estão tendo algum tipo de surto, são
encaminhados a esse centro de saúde, porém dentro desse centro não
havia estrutura suficiente para abrigar esses internos. Por conta disso o juiz
determina que eles sejam transferidos ara o hospital afim de receber o
tratamento adequado.”

Nesse sentido, verifica-se que a determinação da internação inicialmente vem


do juiz. Acerca da internação de pacientes de outros municípios, A, responde que:

“No caso dos pacientes oriundos do interior, o juiz entende que o município
não possui estrutura suficiente para tratar esses pacientes naquela cidade,
pois existem apenas postos de saúde e alguns hospitais, mas não existe
recurso para tratar a psiquiatria lá. Ocorre também, quando famílias
possuem um paciente no interior do estado, que está dando trabalho, a
própria família procura o juiz, para que este venha fazer o tratamento no
hospital especializado, objetivando se resguardar e tratar o paciente.”

Diante dessa questão, o secretário A, aborda que a lei 10.216 não tem sido
obedecida quanto aos critérios de determinação de uma internação compulsória,
pois, em muitos casos os pacientes têm sua internação determinada
compulsoriamente, sem o laudo médico que determine tal atitude do Estado. O art.
6º da lei 10.216, determina que: “A internação psiquiátrica somente será realizada
mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.” O que foi
afirmado em entrevista, é que os pacientes vêm sendo submetidos a esse tipo de
internação, no Hospital Areolino de Abreu, sem o laudo médico que comprove tal
necessidade.
29

Ainda segundo o secretário A, existe uma demanda muito grande atendimento


psiquiátrico não só de pacientes do Piauí, mas também de outros Estados, como o
Maranhão, por exemplo. Desses pacientes, o número de internados
compulsoriamente cresce de maneira gradativa e no caso de pacientes
encaminhados pelo sistema carcerário do Estado a situação é ainda amis
preocupante, pois segundo o entrevistado, a recuperação o paciente fora do H.A.A.
é quase impossível, pois não há um acompanhamento ambulatorial, ou seja, o
paciente não fará o uso correto da medicação após sua alta médica, o que resultará
em uma reincidência, ou seja, um retorno do paciente ao hospital posteriormente.

Pode-se constatar, dentro das instalações e através das entrevistas, que o


Hospital dispõe de uma equipe de profissionais multidisciplinares que dão
assistência 24 horas aos internos, garantindo dessa forma o melhor tratamento
adequado, ainda que as estruturas físicas do centro, não estejam de acordo com a
alienação de cada paciente como preceitua a lei.

Dentre as cidades do interior do Piauí, a que mais tem sofrido com problemas
de portadores com transtornos mentais é Picos e seus arredores, ainda que existam
os CAP’s, a demanda de picos é muito grande, especialmente em internações
compulsórias de apenados da justiça e com casos de esquizofrenia paranóide, que é
um dos casos mais complicados de transtorno mental e casos depressivos, além de
casos de sociopatas em crise ou até mesmo de bipolaridade, quando o transtorno de
humor é muito agudo. Quando questionados, nenhum dos entrevistados soube
relatar a razão por que a cidade de Picos tem apresentado tantos problemas com
casos de internação compulsória.

Com a fala do secretário, o que se verifica é que a demanda é maior por não
haver ainda uma política eficaz de descentralização do atendimento à essas
pessoas. O que evidencia ainda mais que a internação das mesmas deve ser
evitada a todo custo, pois mantê-las fora do convívio social, muitas vezes, pode
piorar os quadros dos pacientes, segundo MESQUITA et. al, (2010), os CAP’s
possuem uma função fundamental nessa atual reforma.

Além de toda a demanda do Piauí, mais precisamente das cidades do


interior, o hospital ainda recebe pacientes dos estados do Tocantins e Maranhão, por
determinação judicial, tendo em vista que nos mesmos, não há um centro
30

especializado em tratamento para doentes mentais com referência como o H.A.A.


Torna-se evidente a necessidade de descentralização do atendimento, para que a
demanda de internações, voluntárias ou compulsórias, diminua.

Buscando situações específicas e exemplos dentro do próprio Hospital


Areolino de Abreu, de internações compulsórias, pode-se constatar diversas
histórias peculiares. Uma delas diz respeito ao caso de um jovem Advogado, de 42
anos que foi internado compulsoriamente há 3 meses. O quadro relatado pela
equipe médica e de bipolaridade, com alguns ataques que vinham tendo certa
frequência. Em seu perfil, o paciente apresenta uma Inteligência muito grande e não
oferece perigo à sociedade, pois não apresenta agressividade.

Outro caso presenciado foi o de um jovem, internado compulsoriamente e se


encontra em tratamento já há um período de dois anos. O paciente antes havia sido
preso em Picos, e após três meses, o juiz determinou sua internação compulsória
por conta de um transtorno mental, consequência de um alto grau depressivo. A
mãe, que se encontrava em São Paulo, foi informada da situação do filho através de
uma Assistente Social do hospital e persuadida a vir à Teresina acompanhar o
tratamento do filho, sobretudo diante da possibilidade de alta.

5.2.2 Assistente social: B

Ao ser questionada sobre as atividades recreativas feitas no interior do


Hospital Areolino de Abreu, a assistente social B respondeu que existem várias
atividades recreativas:

“aos Sábados, de 10h às 11h, existe uma atividade recreativa com música.
Durante toda a semana existem atividades com pintura, futebol (inclusive
com campeonatos), caminhadas, alongamentos, ou seja, eles desenvolvem
várias atividades e tudo feito dentro do hospital. Além disso, os terapeutas
ocupacionais desenvolvem diversas atividades, objetivando uma eficiência
maior do tratamento.”

Ainda nesse sentido, ao ser questionada sobre como acontece o


acompanhamento social, se é realizado somente com o paciente ou se a família
também é abrangida, respondeu que: “os assistentes sociais fazem um
acompanhamento desde a internação do paciente, passando pelo tratamento e
posteriormente, com a alta, o processo de acompanhamento do paciente em sua
31

vida fora do Hospital”. São as assistentes sociais que ficam encarregadas, por
exemplo, de ligarem para a família, nos casos de pacientes que são internados sem
o consentimento dos mesmos. Ou quando o paciente recebe alta, então os parentes
são comunicados.
Acerca do projeto de residências destinadas aos pacientes que não possuem
família, a assistente B, explica que:

“Existem muitos abandonos de pacientes com transtornos mentais e alguns


pacientes são moradores, ou seja, estão há mais de 20 anos internados.
Pensando nisso, estão sendo abertas residências terapêuticas, numa
parceria entre Estado e Município, que servem para esses moradores
provenientes de hospitais psiquiátricos, que não possuem familiares
próximos. Cada casa possui no máximo 7 pacientes.”

Trata-se de mais uma intervenção que busca descentralizar o atendimento e o


acompanhamento de pacientes. Da mesma forma em que as internações vão
tomando um caráter cada vez mais emergencial, os pontos de atendimento
ambulatorial e as casas, para pessoas sem famílias, fazem parte de uma mudança
necessária para uma abordagem cada vez mais humana. Assim o tratamento
através da internação compulsória será feito de maneira cada vez mais específica
(ZIMMER, 2010).

5.2.3 Assistente Social Encarregada: C

A assistente social C, é a encarregada da assistência social no Hospital


Areolino de Abreu. Ela acompanha de perto os principais casos de internação no
hospital, dentre elas as de caráter compulsório e explica que:

“normalmente os indivíduos tem um surto já em suas comunidades, e


normalmente já possuem desvio de comportamento, ao serem presos e
transferidos para os estabelecimentos prisionais e caso o comportamento
anômalo continue, o mesmo é transferido à um local onde seja possível a
realização do tratamento e a verificação da situação mental real do
indivíduo. Afirmou ainda, que sempre que existe uma necessidade de
internação compulsória, é de suma importância que seja realizado um
exame de sanidade mental, para que o laudo possa dar base legal à
internação.”

Além dos dados periciais, a família, quando existente, também é chamada


para depor sobre a situação mental o indivíduo. Caso o laudo seja negativo, o então
paciente volta para a instituição prisional de origem. Caso aconteça o contrário, o
32

juiz decreta a medida de segurança para que o mesmo seja submetido ao


tratamento adequado. Ressalta ainda, que no Piauí, o Hospital Areolino de Abreu é o
único com estrutura capaz de providenciar tal tratamento.
Segundo a assistente C, ao ser questionada sobre o número de pacientes
internados compulsoriamente, o número é impreciso, mas varia entre 12 e 20
pacientes, ainda diante disso, a assistente esclarece que a lei não garante que o
paciente será curado, pois transtornos mentais não possuem uma cura, mas tão
somente um estabilização. O que a lei, contudo, vem a garantir é um tratamento
adequado nesse sentido, afirma ainda que: “todo laudo vai dizer que o paciente tem
condições de ser acompanhado em CAP’s ambulatório, ou seja, que ele pode ser
tratado fora e não que não precisa mais se tratar.”
De acordo com Correia (2006), o caráter emergencial da situação manicomial
no país começou a mudar a partir de movimentos dirigidos pelos próprios
profissionais da área psiquiátrica. Todas essas mudanças passaram a ocorrer de
fato aquando cada vez mais, gradativamente, profissionais de diversas áreas foram
sendo inseridos no tratamento de pessoas com transtornos mentais (CORREIA,
2006). Os profissionais de serviço social desempenham papel fundamental,
principalmente em relação às intervenções compulsórias, pois na maioria dos casos
a família não tem conhecimento sobre o paciente interno, talvez por ter abandonado
o mesmo, sem perspectiva de mudança.
Essa visão exposta pela entrevistada demonstra que muitos aspectos da lei
são respeitados em sua aplicação diária, como, por exemplo, na atividade
assistencial dada à família, que é informada da internação de seu parente. Diversos
aspectos identificados anteriormente na pesquisa bibliográfica foram realmente
vistos nas visitas ao Hospital, onde se constatou que a lei mantém sua eficácia,
embora nem sempre se consiga uma estrutura que abranja de fato todos os seus
elementos essenciais. Mas o que se vê é que os profissionais envolvidos, mesmo
com algumas deficiências estruturais, conseguem realizar suas atividades seguindo
os preceitos legais.

5.2.4 Psiquiatras Forenses: D e E

Ainda diante do questionário apresentado aos sujeitos da pesquisa, as figuras


dos psiquiatras forenses que trabalham na produção dos laudos médicos utilizados
33

para dar base a internação compulsória de pacientes, é de suma importância para


se garantir o funcionamento da lei 10.216/01. Além disso, esses laudos determinam
e garantem de fato a necessidade ou não da internação, pois, como se tem
percebido, torna-se cada vez mais necessária a diminuição destas, pois o que se
verifica é que muitos Centros de Atenção Psicossocial (CAP) possuem estrutura
ambulatorial capaz de fazer com que os pacientes continuem seus tratamentos sem
a necessidade de uma intervenção compulsória.
Dessa maneira, reforçam a afirmação de que o juiz só determina a internação
compulsória, mediante um laudo circunstanciado apresentado pelo médico que
justifique a internação. Porém, o que os mesmo afirmam é que a realidade não
condiz exatamente com aquilo que determina a lei, afirmando que:
“quando o mandado de internação compulsória chega ao Hospital, está
implícito que algum médico fez a avaliação e definiu o paciente preenche os
critérios de internação e para contestar se foi ou não caso de internação é
necessário primeiro acatar a decisão do juiz e proceder com o tratamento e
somente após iniciado o tratamento, é que os médicos do Hospital podem
contestar e afirmar se o paciente deve ou não ser submetido a tratamento.”

Assim, entende-se que muitos casos que são entendidos como de internação
compulsória podem não ser, uma vez que o laudo médico dos profissionais do
Hospital Areolino de Abreu pode constatar a não necessidade e o não
preenchimento dos critérios de internação.
O que se verifica diante do que foi explicado, é que cada vez mais a
dignidade da pessoa humana tem colocado as pessoas com transtornos mentais em
uma situação de direitos, advindos do dever do Estado em prestar a assistência
necessária a essas pessoas. O tratamento tem se tornado cada vez mais
humanizado, nesse sentido, como comenta (SCHWARTZ, 2001).
Nessa perspectiva, os psiquiatras afirmam que os quadros mais comuns de
internação compulsória são os de pacientes com esquizofrenia e que, geralmente, o
medo da família em lidar com esses pacientes, que algumas vezes representam
risco à vida de seus familiares, leva ao pedido de internação compulsória, além
disso, muitas vezes essa determinação vem depois que o indivíduo já praticou
algum crime, ou seja, foi preso e, posteriormente, encaixado nos critérios de
internação compulsória.
Os psiquiatras forenses D e E explicam ainda que

“o número de peritos psiquiatras forenses no Piauí é de apenas 03, sendo


01 oficial, e dois para atendimento em toda a região do Piauí, além do
atendimento feito a alguns outros estados como Maranhão, Tocantins e boa
34

parte do Pará. O Hospital Areolino de Abreu é o único hospital de toda essa


região especializado em tratamento para internados com transtornos
mentais.”

Como se verifica, o número de psiquiatras forenses além de ser insuficiente


para a demanda do Piauí atende a outros estados que não possuem centros de
tratamento especializados em transtornos mentais com a estrutura suficiente para a
demanda que tem aumentado muito nos últimos anos.
A distribuição dos pacientes nas residências para tratamento e a liberação
dos mesmos para um acompanhamento ambulatorial, são as medidas que
apresentam uma possibilidade de se diminuir gradativamente o número de
internações em hospitais psiquiátricos. No caso do Paiuí, as internações feitas no
Hospital Areolino de Abreu.

5.3 A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Diante do exposto, vale ressaltar que o Ministério Público, buscando a


efetivação da lei, vem se mantendo cada vez mais atuante em relação a internação
compulsória e ao tratamento dado à pessoas com transtornos mentais nos locais
apropriados para essa função. Nesse sentido, a entidade busca manter uma certa
vigilância não somente em relação ao acompanhamento de presos transferidos para
Hospitais Psiquiátricos, mas também na garantia da humanização e da assistência
social necessária dentro desses estabelecimentos (ALBUQUERQUE, 2014).
Nesse contexto, o que se verificou no Hospital Areolino de Abreu foi que a
atuação do Ministério Público é bastante efetiva, pois semanalmente, sempre as
Quartas-feiras, o Ministério faz uma visita ao Hospital, a fim de verificar os
procedimentos, os tratamentos oferecidos e os procedimentos jurídicos necessários
em relação aos pacientes internados compulsoriamente.
35

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do crescimento dos transtornos mentais no Brasil, cabe ao Estado, não


somente por intermédio do Legislativo e do Executivo, mas também do Judiciário, o
dever de assumir importante função na concretização das políticas públicas de
saúde mental, dispondo de todos os meios necessários com fins de proporcionar
uma vida digna aos portadores de transtornos mentais.

Nessa esteira, o Estado não pode se escusar de lhes proporcionar o direito à


saúde, umbilicalmente ligado com o direito à própria vida, e, na falha do Legislativo e
do Executivo, não há falar em interferência indevida do Poder Judiciário.

Não que o Poder Judiciário possa vir apreciar toda e qualquer questão
jurídica relativa à saúde mental que lhe seja posta. Contudo, restando demonstrada
a omissão ou abuso estatal, ou até mesmo de clínicas e instituições hospitalares
particulares, quando do internamento compulsório, sem observância da Constituição
e da legislação infraconstitucional, não resta dúvida ser cabível a interferência
judicial.

Cabe ao Judiciário, ao ser invocado, decidir se a internação obrigatória do


portador de transtorno mental realmente é a medida terapêutica mais condizente
com a patologia, bem como verificar se houve observância a um processo
justo,especialmente quanto à existência de um laudo médico atestando a
necessidade da devida internação, com respeito à dignidade humana, não
constituindo a medida em mera restrição à liberdade, mas sim em um procedimento
terapêutico necessário.

Salienta-se que mesmo a internação compulsória podendo ser também


voluntária, porém o que normalmente se efetiva nas instituições é a involuntária.
Nesse contexto apreende-se as concepções de Quevedo, Schmitt, Kapczinski
(2008), que defende que a Internação Involuntária deve preencher dois critérios:
Doença mental, exceto transtorno de personalidade antissocial; e no mínimo um dos
seguintes riscos - Risco de autoagressão; Risco de heteroagressão; Risco de
agressão à ordem pública; Risco de exposição social; Incapacidade grave de
autocuidados.
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Ao destacar algumas partes da Lei 10.216/2001, procura-se evidenciar que


as internações do tipo compulsórias, estão configurando uma nova porta de entrada
“legal” para o asilo, ou dito em outra perspectiva, elas estão produzindo e
reproduzindo antigos espaços de confinamento, já que “ordem judicial não se
discute, se cumpre, é a nova camisa de força”.

Destaca-se que os mecanismos de internação compulsória, reforçam práticas


velhas, que deveriam ser superadas, como o coronelismo por parte de alguns
magistrados, considerando a Reforma Psiquiátrica, visto que Permite a exclusão dos
portadores de transtorno mental ao trancafiá-los em instituições com características
asilares, uma vez que os processos judiciais transformam-se em “sentença perpétua
com o arquivamento dos processos”. Nesse tipo de internação retira-se a autonomia
do usuário, sua liberdade e sua participação na vida social e comunitária e atribui-se
uma suposta periculosidade ao usuário.
37

REFERÊNCIAS

BRASIL, Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os


direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o
modelo assistencial em saúde mental. Brasília, DF, 2001.

CORREIA, Ludmila Cerqueira. O movimento antimanicomial: movimento social


de luta pela garantia e defesa dos direitos humanos. 2006. Disponível em: <<
http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/primafacie/article/viewFile/7186/4326>>.
Acesso em: 07/03/2015.

COSTA, Sirley Martins da. A Lei da internação compulsória. 2013. Disponível em:
http://asmego.jusbrasil.com.br/noticias/100385057/a-lei-a-internacao-compulsoria.
Acesso em: 06 nov. 2014.

FERREIRA, Gina. A Reforma Psiquiátrica no Brasil: Uma análise sócio política. In:
Psicanálise & Barroco –Revista de Psicanálise. v.4, n.1: 77-85, jun. 2006.

GONÇALVES, Alda Martins; SENA, Roseni Rosângela de. A reforma psiquiátrica


no Brasil: contextualização e reflexos sobre o cuidado com o doente mental na
família. In: Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.9 n. 2. Ribeirão Preto, 2001.

MACEDO, Elaine Harzheim. Jurisdição e processo: crítica histórica e perspectivas


para o terceiro milênio. Porto Alegre: Livraria do Advoga do, 2005. p.150.

MACIEL, Amanda Luiz. Aspectos gerais sobre internação compulsória em


saúde mental nos últimos 10 anos: revisão bibliográfica. Disponível em: <<
http://repositorio.unesc.net/handle/1/1444 >> Acesso em abril de 2015.

MESQUITA, José Ferreira de; NOVELLINO, Maria Salet Ferreira; CAVALCANTI,


Maria Tavares. A Reforma Psiquiátrica No Brasil: Um Novo Olhar Sobre o
Paradigma da Saúde Mental. Disponível em: <<file:///H:/Monografia/Cap
%C3%ADtulo01/abep2010_2526.pdf>> Acesso em maio de 2015.

MONTEIRO, Fábio de Holanda, et al. O direito Fundamental ao Devido Processo


legal dos Portadores de Transtornos Mentais na Internação Compulsória
Psiquiátrica. Disponível em << http://www.tex.pro.br/home/artigos/285-artigos-set-
2014/6704-o-direito-fundamental-ao-devido-processo-legal-dos-portadores-de-
transtornos-mentais-na-internacao-psiquiatrica-compulsoria >> Acesso em maio de
2015.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Reconhecer para libertar: os caminhos do


cosmopolitanismo multicultural. Introdução: para ampliar o cânone do
reconhecimento, da diferença e da igualdade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2003.

SCHWARTZ, Germano. Direito à saúde: efetivação em uma perspectiva sistêmica.


Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2001.
38

ZIMMER, Fernanda; LAVRADOR, Maria Cristina Campello; VICENTINNI, Nielson


Ernobis . Saúde Mental e as Práticas Jurídicas de intervenção na vida: Uma
experiência no Espírito Santo. 2010. Disponível em
<<http://abrapso.org.br/siteprincipal/index.php?
option=com_content&task=blogcategory&id=0&Itemid=61&limit=9&limitstart=9>>
Acesso em maio de 2015.
39

ANEXOS
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PESQUISA DE CAMPO

QUESTIONÁRIO EM ROTEIRO SEMIESTRUTURADO APLICADO NO HOSPITAL


AREOLINO DE ABREU.

Questionário sobre Internação Compulsória por Transtornos Mentais e o


devido Processo Legal.

1 – Quais os casos de diagnóstico mais frequentes com necessidade da internação


compulsória por transtorno mental?

2 – Como é feita a avaliação do portador de transtorno menta?

3 – Quais as maiores dificuldades da avaliação para detectar o grau da doença


mental?

4 – O tratamento oferecido está em conformidade com a lei?

5 – Qual a maior dificuldade dos funcionários no trato com doentes mentais dentro o
hospital?

6 – A família dos pacientes comparecem às visitas?

7 – quanto as instalações do centro de internação, elas são adequadas para o


acolhimento dos internos conforme o grau de alienação de cada um?

8 – O Estado fornece toda a medicação necessária ao correto tratamento dos


internos?

9 – O Estado tem dado suporte suficiente para o bom desempenho da função do


perito psiquiátrico no Piauí?

10 – O número de peritos psiquiátricos no Hospital é suficiente para a demanda?

11 – Há sobrecarga de trabalho para o perito psiquiátrico no centro de tratamento?

12 – Qual a sua opinião a respeito da lei da reforma psiquiátrica no Brasil, ela


corresponde aos objetivos de cura?

13- As internações compulsórias ´por transtornos mentais são oriundas de onde?


E por que?

14- Como funciona a internação compulsória determinada pelo juiz?

15- De que forma o paciente abandonado pela família, é assistido pelo hospital
quando tem alta e não tem onde morar?
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16- Como funciona o projeto de residências destinadas aos portadores de


transtornos mentais abandonados pelas famílias ao serem desinternados?

17- O acompanhamento social se realiza somente com o paciente, ou ele


acontece também com a família?

18- Quais as atividades desenvolvidas pelo serviço social no Hospital Areolino de


Abreu atualmente?

19- A lei nº 10.216 atende á expectativa de cura do doente mental? O estado


tem dado suporte para o tratamento direcionado ao doente mental?

20- Fale sobre as internações compulsórias por transtornos mentas, a demanda,


a situação atual de lotação do hospital.

21- Quais os casos mais frequentes de internação compulsória por transtornos


mentais no Hospital Areolino de abreu?

22- A internação compulsória por transtornos mentais, é em conformidade com a


lei 10.216