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FACULDADE DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO SUPERIOR


PROFISSIONAL
COORDENAÇÃO DO CURSO DE TECNOLOGIA EM SEGURANÇA DO
TRABALHO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ANTONIA ROSA VALÉRIO DA SILVA


EDIMAR FERNANDES DA SILVA
MARIA ALVES DA SILVA PAIVA E SOUZA

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DOS


OPERADORES DE CAIXA DE SUPERMERCADO

TERESINA
2017
1

ANTONIA ROSA VALÉRIO DA SILVA


EDIMAR FERNANDES DA SILVA
MARIA ALVES DA SILVA PAIVA E SOUZA

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DOS OPERADORES DE


CAIXA DE SUPERMERCADO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


banca examinadora do curso de Tecnologia em
Segurança no Trabalho, como requisito para a
obtenção do grau de Tecnólogo em Segurança
no Trabalho.

Orientadora: Profª. Débora Mendonça

TERESINA
2017
2

ANTONIA ROSA VALÉRIO DA SILVA


EDIMAR FERNANDES DA SILVA
MARIA ALVES DA SILVA PAIVA E SOUZA

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DOS OPERADORES DE


CAIXA DE SUPERMERCADO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


banca examinadora do curso de Tecnologia em
Segurança no Trabalho, como requisito para a
obtenção do grau de Tecnólogo no trabalho.

Orientadora: Prof. Débora Mendonça

Aprovada em: _____/_____ 2017

______________________________________________
Orientador do TCC – Profª. Débora Mendonça

______________________________________________
EXAMINADOR 1

______________________________________________
EXAMINADOR 2
3

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DOS OPERADORES DE


CAIXA DE SUPERMERCADO

1
ANTONIA ROSA VALÉRIO DA SILVA
2
EDIMAR FERNANDES DA SILVA
3
MARIA ALVES DA SILVA PAIVA E SOUZA

RESUMO

O presente trabalho aborda uma análise acerca da ergonomia nos postos de trabalho dos operadores de
caixa de supermercado. As práticas inadequadas no ambiente de trabalho acabam gerando problemas
de ordem física e mental. A ergonomia vem como uma ferramenta de facilitação na relação do homem
com seu ambiente. Tem-se como objetivo geral da pesquisa, analisar ergonomicamente a atividade
desenvolvida pelos operadores de caixa, analisando os agentes ergonômicos pertinentes à atividade
desenvolvida. Como objetivos específicos, buscou-se compreender o que é a ergonomia do trabalho e
seus objetivos através de uma análise ergonômica do trabalho; conhecer as reais condições em que
atualmente o operador de caixa realiza suas atividades; identificar o grau de satisfação dos
trabalhadores que compõem a população e de estudo em relação às condições físicas de trabalho;
entender a percepção dos trabalhadores relacionados aos aspectos de saúde e sua relação na execução
das tarefas; Propor sugestões dos trabalhadores para a melhoria da qualidade de vida no trabalho.
Concluiu-se que os postos de trabalho dos operadores de caixa de supermercado precisam ser
modificados a medida em que começam a afetar sua saúde e bem-estar, para que haja uma melhor
produtividade, evitando lesões e doenças crônicas futuras.

Palavras-chave: Ergonomia; Operador de caixa; Análise ergonômica; Movimentos repetitivos;


Produtividade.

ABSTRACT

The present work addresses an analysis of the ergonomics in the workplaces of the
supermarket cashiers. Ergonomics comes as a facilitating tool in man's relationship with his
environment. The general objective of the research is to analyze ergonomically the activity
developed by the cash operators, analyzing the ergonomic agents pertinent to the activity
developed. As specific objectives, we sought to understand what is the ergonomics of work
and its objectives through an ergonomic analysis of the work; Know the actual conditions in
which the cash operator currently carries out its activities; To identify the degree of
satisfaction of the workers that compose the population and of study in relation to the physical
conditions of work; Understand the perception of workers related to health aspects and their
relation in the execution of tasks; Propose workers' suggestions for improving the quality of
life at work. It was concluded that the jobs of supermarket cashiers need to be modified as
they begin to affect their health and well-being, so that there is better productivity, avoiding
future injuries and chronic diseases.

Keywords: Ergonomics; Cashier; Ergonomic analysis; Repetitive movements; Productivity.

1 E-mail: antoniarosavalerio@hotmail.com
2 E-mail: edimarfernandespmt@gmail.com
3 E-mail: jesuspaivasouza@gmail.com
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1 INTRODUÇÃO

Os modos de trabalho foram se modificando ao longo do tempo e sofreram uma serie


de adequações ao tempo e ao espaço. Como exemplo disso, tem-se a sua evolução da técnica
artesanal, onde o próprio homem mantinha domínio sobre o processo de produção dos bens
que oferecia, para um processo mecanizado e industrializado, que exige um nível muito mais
alto de especialização do trabalho.
As linhas de montagem são um verdadeiro marco na evolução do trabalho, mas como
consequência dessa evolução, o trabalhador passou a executar apenas uma parcela do produto
final. Os movimentos repetitivos passaram a gerar problemas físicos, pois obrigava o
trabalhador à adotar posturas inadequadas. A qualidade e rapidez da produtividade eram
objetivos essenciais no processo de industrialização. Assim, a mecanização e a automação,
impuseram condições desfavoráveis à saúde dos trabalhadores.
Como resultado atual dessa evolução que o trabalho e a linha de produção sofreram ao
longo de décadas, temos jornadas de trabalho muito intensas e ambientes de trabalho
ergonomicamente desfavoráveis a uma boa condução das atividades exercidas naquele local,
independentemente das funções. Como isso a produtividade, ao invés de melhorar, pode gerar
prejuízos através da saúde física e mental debilitada dos trabalhadores.
As práticas inadequadas no ambiente de trabalho e a ausência de uma estrutura que
proporcione melhor qualidade no desempenho das atividades dos trabalhadores, acabam
gerando problemas de ordem física e mental. Nesse sentido, entende-se que a falta de
produtividade automaticamente gera prejuízos de ordem financeira às empresas.
Desse modo, a ergonomia vem como uma ferramenta de facilitação na relação do
homem com seu ambiente, e no caso do estudo proposto, tendo como foco principal o
ambiente do trabalho. Através dos estudos da ergonomia no trabalho, pode-se orientar os
gestores e empregadores na estruturação de suas empresas e postos de trabalho, visando
garantir ao trabalhador melhor qualidade de vida e condições dignas de trabalho aos seus
trabalhadores.
O estudo da ergonomia preocupa-se, sobretudo com a definição do ambiente onde o
homem vive e trabalha. Essa definição ocorre por meio de diversos fatores, como:
climatização, iluminação, espaços físicos, sonorização etc. Busca-se, assim, apontar as
características e os padrões desses meios, que devem ser ser respeitados para uma boa saúde
física do trabalhador.
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Para citar como exemplo, a lesão por esforço repetitivo é uma doença que afeta aquele
profissional que exerce movimentos repetitivos durante sua jornada de trabalho, ainda que
exerça uma função leve ou mesmo uma profissão sedentária, que não exija muitos
movimentos bruscos. O risco de lesões por si já evidencia um problema que pode gerar graves
consequências tanto ao trabalhador quanto ao empresário.
Como consequência a esses movimentos repetitivos, ou mesmo à falta de estruturas e
equipamentos adequados de trabalho, a dor e o desconforto tornam a produtividade do
trabalhador cada vez mais baixa. A qualidade de vida influencia diretamente na qualidade das
funções exercidas. Como qualidade de vida, deve-se entender fatores como educação, saúde,
bem-estar físico, fatores psicológicos, emocionais, expectativa de vida etc.
Para se tratar diretamente com a dor e o desconforto, é necessário atuar na base do
problema. Uma Análise ergonômica do trabalho é a melhor opção para se combater e prevenir
as consequências de um ambiente de trabalho deficiente em estrutura de apoio ao trabalhador.
É necessário identificar, atingir e eliminar os fatores que provocam o problema. As lesões
decorrentes de movimentos repetitivos, ou de um ambiente de trabalho inadequado são
previsíveis e podem ser combatidas facilmente através do conhecimento das causas do
problema.
Como exemplo a ser tomado no presente artigo, optou-se por estudar a ergonomia no
trabalho realizado pelos operadores de caixa de supermercado. Esses profissionais estão
sempre expostos a problemas posturais. Além disso, muitos ruídos no ambiente interno e
externo do trabalho, o mobiliário que a empresa dispõe para a execução das funções, e até
mesmo a temperatura do ambiente, são alguns dos problemas enfrentados pela classe, que
precisa encontrar estrutura adequada para a execução de sua intensa jornada de trabalho.
Com objetivo geral da pesquisa, busca-se identificar ergonomicamente a atividade
desenvolvida pelos operadores de caixa, analisando os agentes ergonômicos pertinentes à
atividade desenvolvida.
Como objetivos específicos, busca-se compreender o que é a ergonomia do trabalho e
seus objetivos através de uma análise ergonômica do trabalho; conhecer as reais condições em
que atualmente o operador de caixa realiza suas atividades; identificar o grau de satisfação dos
trabalhadores que compõem a população e de estudo em relação às condições físicas de
trabalho; Conhecer a percepção dos trabalhadores relacionados aos aspectos de saúde e sua
relação na execução das tarefas; Propor sugestões dos trabalhadores para a melhoria da
qualidade de vida no trabalho.
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2 A ERGONOMIA NO TRABALHO E SEUS OBJETIVOS

A competitividade se tornou uma marca do capitalismo e da industrialização. Com o


mercado cada vez mais competitivo as empresas expandem o alcance de seus produtos e
acabam tentando suprir mercados nacionais e internacionais. Nesse sentido, a produtividade e
alta qualidade e rapidez nos serviços se torna uma característica essencial desse modelo. Para
garantir que essa produtividade continue alta, mesmo com um baixo custo, são aplicados ao
trabalhador ritmos intensos de trabalho, longas jornadas, tornando a adequação ergonômica do
trabalhador algo inviável. (VIDAL, 1993, p. 48).
Dessa forma, uma análise sobre a ergonomia no trabalho torna-se necessária para que a
produtividade de uma empresa não seja prejudicada pela debilitação da saúde de seus
trabalhadores. Da mesma forma, a saúde do trabalhador contribui para que este possa sempre
oferecer o melhor desempenho possível no serviço que oferece. Os ergonomistas,
responsáveis por essa análise, precisam fazer uma abordagem ampla, envolvendo todo o
campo de ação, tanto em questões físicas quanto cognitivas, além de ambientais e
organizacionais dentro do ambiente de trabalho (SOUZA, 2007, p. 14).
De acordo com Souza (2007, p. 17), um dos fatores que mais contribuíram para o
reconhecimento da ergonomia e seu estudo, foi o desenvolvimento de tenologias que
fizeram com que a revolução industrial tomasse proporções maiores. Durante a Segunda
grande guerra, explica o autor, que vários estudos foram realizados sobre o comportamento,
baseando-se em testes que selecionavam pessoas para desempenhar determinadas funções,
melhorando treinamentos e procedimentos.
Porém, mesmo com treinamentos específicos e procedimentos cada vez mais
avançados, as pessoas não se adaptavam a determinados sistemas complexos da época, que
excedendo a capacidade do trabalhador, acabavam gerando prejuízo na mão de obra.
Entendeu-se, assim, que o trabalho é que deveria se adaptar ao homem, e não o contrário.
Dessa forma, aumentou-se gradualmente o interesse e as pesquisas focadas nos
sistemas de produção, linhas de montagem e ambientes de trabalho, evidenciando-se que os
fatores humanos e ambientais devem se comunicar e fazer parte de um todo que tenha como
objetivo a fluidez saudável dos serviços empregados dentro de uma empresa.
Ou seja, os equipamentos e ferramentas utilizadas é que deveriam se adaptar a rotina
dos trabalhadores, facilitando e agilizando suas funções. Esse entendimento acerca da
necessidade da inclusão das condições humanas no projeto dos sistemas foi a responsável por
estabelecer de vez a ergonomia como uma ciência multidisciplinar. (SOUZA, 2007, p. 12).
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No entanto, para a compreensão total do que é a ergonomia, avançando então para o


objetivo principal do presente trabalho, é necessário entender os conceitos estabelecidos em
diversas pesquisas e os objetivos da ergonomia, principalmente no ambiente de trabalho,
onde, ao que parece, convive-se com a ideia de que os fatores humanos são determinantes
para a produção, enquanto que a ideia de se adaptar adequadamente o ambiente de trabalho
para o bem estar da empresa e do trabalhador, não recebe a devida importância.

2.1 ERGONOMIA E SEUS CONCEITOS

O termo ergonomia foi oficializado pelo inglês Murrel, em 1949, quando criou a
primeira sociedade de ergonomia do mundo, chamada de Ergonomic Research Society. A
descrição, dada, por esta sociedade, sobre o que viria a ser ergonomia é a de que seria um
estudo acerca do relacionamento do homem com o seu trabalho, relacionando-se ambiente e
equipamentos, e, de maneira multidisciplinar, aplicando conceitos básicos de fisiologia,
psicologia e anatomia, na solução dos problemas que surgem dessa relação. (FRANCESCHI,
2013, p. 15).
Identifica-se, de uma maneira um pouco mais aprofundada, que a palavra ergonomia
tem natureza no grego: ergon (trabalho) e nomos (normas, regras, leis). A disciplina, portanto,
aborda de maneira sistemática a atividade humana (FRANCESCHI, 2013, p. 14). São diversos
os conceitos existentes, apesar de a ergonomia apontar para um mesmo objetivo. Em 1960, por
exemplo, a Organização Internacional do Trabalho − OIT conceituou a ergonomia como a prática
das ciências biológicas em conjunto com a engenharia, para alcançar uma adaptação do homem ao
seu trabalho, assegurando-lhe a eficiência, saúde e o bem-estar necessários. (SOBRAL, 2014, p. 4).
De acordo com Couto (1995, p. 32), a referida ciência trata de um conjunto de estudos
e tecnologias que busca, de forma organizada, adaptar confortavelmente o ser humano ao
trabalho, auxiliando em sua produtividade e saúde. Segundo a Associação Internacional de
Ergonomia (IEA, 2000 apud Souza, 2007, p. 16), a ciência ergonômica trata da compreensão
sobre o convívio do homem e os elementos que compõem um sistema, visando otimizar o
bem-estar humano e o desempenho global dos sistemas.
Entretanto, para se entender melhor esse conceito, destaca-se a concepção de
Vidal (2002), para o conceito de Ergonomia, tratando-a, inicialmente como uma atitude
profissional que poderá vir a se conectar com a prática diária de determinada função.
Nas palavras do autor, a própria definição dada pela Associação Brasileira de Ergonomia
permite visualizar tal atitude, quando nessa definição aponta-se o objetivo de se
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modificar os sistemas de trabalho e adaptar as atividades exercidas Às habilidades


pessoais e limitações de cada trabalhador. (VIDAL, 2002, p. 3).
Desse modo, traçando um entendimento mais amplo, a ergonomia, pode ser definida,
como uma ciência que configura o trabalho, adaptando-o ao homem, transformando de certa
forma o ambiente de trabalho para que os elementos que o componham passem a favorecer o
exercício das funções do trabalhador.
A ciência é aplicada ao projeto de máquinas, sistemas, tarefas e equipamentos,
objetivando uma maior eficiência no trabalho, através da saúde, segurança e conforto do
trabalhador. (MOTTA, 2009, p. 15). Destaca-se ainda, no pensamento do autor que a
principal preocupação da ergonomia é com as questões fisiológicas do trabalho, como o
corpo humano e a maneira como ele se encaixa no ambiente em que se encontra inserido.
Tenta-se, assim, encontrar melhores condições de desempenho e conforto.
Nesse contexto, compreende-se que o estudo da ergonomia, portanto, pode
proporcionar um trabalho preventivo contra acidentes e doenças ocupacionais. Assim, a
ergonomia age no intuito de adequar o trabalho ao homem, tentando garantir-lhe o bem-estar a
máxima percepção possível de conforto n, segurança e eficácia de suas ferramentas, máquinas
e instrumentos utilizados. (GOMES et al., 2010, p. 1).
Dessa forma, percebe-se claramente que os objetivos da ergonomia são ligados à
melhora gradativa do desempenho do homem em um determinado sistema. No caso do estudo
e pesquisa desenvolvida, o foco é mantido no trabalho, onde o ambiente pode proporcionar
uma realização das atividades muito mais eficiente. (DUL, 2004, p. 17)
As capacidades que o homem possui de realizar suas atividades são um dos focos da
ergonomia, que a partir daí, faz adapta o trabalhador às máquinas e ferramentas do ambiente
de trabalho. (MÁSCULO, 2008, p. 109). A prática da ergonomia contribui para promoção da
segurança e saúde dos trabalhadores e consumidores (REBELO, 2004, p. 23).
Nesse mesmo sentido, segundo Sobral (2014), tem-se na ergonomia uma ciência
prática que vem se revelando de grande importância para a qualidade de vida, sobretudo dos
trabalhadores. Muitas vezes por conta de seu caráter interdisciplinar, pois como abrange
diversas outras áreas do conhecimento, torna-se cada vez mais ampla a sua abordagem.
(SOBRAL, 2014, p. 13).
Segundo Motta (2009), temos diversas ciências e entendimentos que participam de
uma análise ergonômica, a ergonomia, portanto, torna-se ada vez mais completa e necessária.
O autor lista algumas dessas áreas de conhecimento:
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A ergonomia baseia-se em conhecimentos de outras áreas científicas, como a


antropometria, biomecânica, fisiologia, psicologia, toxicologia, engenharia
mecânica, desenho industrial, eletrônica, informática e gerência industrial. Ela
reuniu, selecionou e integrou os conhecimentos relevantes dessas áreas, para
desenvolver métodos e técnicas específicas para aplicação desses conhecimentos na
melhoria do ambiente de trabalho e na saúde do trabalhador. (MOTTA, 2009, p.
16).

Com ela, segundo a autora, é possível reduzir o número de patologias e, inclusive, de


acidentes, além de conduzir o trabalhador à uma melhora significativa de sua produtividade
dentro da empresa. (SOBRAL, 2014, p. 13). Torna-se, portanto, necessário o estudo sobre os
objetivos da ergonomia como ciência.

2.2 DOS OBJETIVOS DA ERGONOMIA

Desde o princípio, no desenvolvimento do homem, é possível perceber que os


objetivos da ergonomia estiveram presentes. A preocupação do homem, mesmo antes de se
organizar em sociedades, era sempre a de ser eficiente em suas tarefas e manter-se seguro em
relação ao mundo externo. Quando o homem passou a criar seus próprios instrumentos de
caça, por exemplo, estava na verdade preocupando-se em ser mais eficiente naquilo que já
fazia no seu dia a dia. Sua sobrevivência dependia de seu eficiência e segurança. Assim, a
segurança, a saúde e o bem-estar, além da eficiência do sistema (um sistema que funcione
sem prejuízo dos outros objetivos) tornam-se objetivos principais da ergonomia. (REBELO,
2004, p. 27)
Nesse sentido, entende-se que a ergonomia acaba envolvendo diversos aspectos,
como os movimentos corporais, os fatores ambientais, a postura, a informação que deve ser
percebida no ambiente, cargos e tarefas etc. Assim, o objetivo na implementação da
ergonomia no trabalho, é o de conjugar adequadamente todos esses elementos, o que
proporciona um ambiente seguro, confortável, eficiente e saudável não só para o ambiente de
trabalho. (MOTTA, 2009, p. 16).
Desse modo, a ergonomia busca a satisfação do trabalhador em seu ambiente de
trabalho, proporcionando-lhe conforto e bem-estar através da sensação de segurança que ele
passa a ter quando percebe uma atmosfera favorável ao desempenho de suas funções.
Compreende-se que o homem foi, gradativamente, sendo substituído pelas máquinas e hoje
ocupa postos que são necessariamente humanos, onde a manipulação de computadores, por
exemplo, é necessária para a empresa. (Iida, 2002, p. 32).
10

3 ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO

Com tantos problemas, gerados por uma falta de organização e cuidado para com os
trabalhadores, era de se esperar que ao longo do tempo várias consequências fossem surgindo,
principalmente sobre a saúde dos trabalhadores. Pouco a pouco, a ergonomia no trabalho foi
se tornando de extrema importância para se estudar o impacto de determinadas posições,
equipamentos, horários, mobiliários etc. tanto em nível internacional quanto nacional, o
estudo desses impactos de uma má relação entre o homem e seu ambiente de trabalho tornou-
se cada vez mais necessário.
Desse modo, a Análise Ergonômica do Trabalho insere a ergonomia e aplica seus
conceitos dentro do ambiente de trabalho. Assim, destaca-se que a importância de tal análise é
a de produzir diagnósticos através dos estudos realizados no local e então emitir sugestões e
recomendações para as modificações necessárias ao ambiente, levando em consideração a
demanda do trabalho, a tarefa executada, e a atividade em si. (IIDA, 2005, p. 23).
Nesse sentido, os órgãos reguladores facilitam a percepção de determinadas
necessidades, por parte dos trabalhadores e das empresas. Assim, em 1990, o Ministério do
Trabalho e Previdência Social, na época, instituiu a Portaria nº 3.751 – Norma
Regulamentadora número 17 (NR17), que estabeleceu padrões e direcionamentos explícitos
para a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos
trabalhadores, de forma segura e confortável. Assim estabelece a norma em seus dois
primeiros itens:

17.1. Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parâmetros que permitam a


adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos
trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e
desempenho eficiente. 17.1.1. As condições de trabalho incluem aspectos
relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos
equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria
organização do trabalho. (BRASIL, NR17, 1990).

Como se verifica, de acordo com a norma, as condições de trabalho precisam, no


entendimento do órgão regulador, ser adaptadas às características físicas e psicossociais de
cada indivíduo sem eu ambiente de trabalho. O objetivo, segundo a norma, é exatamente o de
proporcionar um maior conforto e segurança ao trabalhador, tornando-o mais eficiente.
Dando seguimento, o item 17.1.1 destaca ainda que são levados em consideração todos
os instrumentos que compõem o ambiente, como mobiliário, levantamento, transporte e
descarga de materiais e demais equipamentos, além das condições físicas do local de trabalho.
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Propõe-se, assim, que seja feita uma análise no local de trabalho para que os problemas sejam
identificados e a empresa possa tomar precauções e medidas para minimizar e solucionar
problemas referentes a ergonomia, por isso a importância de uma Análise Ergonômica do
Trabalho.
Observou-se que o interesse das empresas brasileiras pela ergonomia despertou através
da referida norma. Porém, lá fora, a realidade dessa preocupação já era bem estabelecida. Na
década de 1970, os Estados Unidos da América, criaram um regulamento que exigia das
empresas um ambiente saudável e seguro para os trabalhadores. (GOMES et al., 2010).
A evolução gradativa da ergonomia desde então é cada vez mais evidente. Nesse
sentido, a Análise Ergonômica do Trabalho desenvolve papel fundamental na compreensão do
ambiente de trabalho. Sobre os equipamentos, sobre a postura, sobre o mobiliário, sobre os
movimentos repetitivos causadores de diversas lesões, enfim, a análise completa pode
proporcionar mudanças que ajudem o trabalhador a melhor se adaptar ao ambiente.
(ALMEIDA, 2012, p. 2)
Assim, o objetivo principal da Análise Ergonômica do Trabalho é desenvolver um
processo de diagnóstico em um ambiente de trabalho, buscando corrigir, através dos
resultados obtidos, as falhas estruturais que podem ser prejudiciais à saúde do trabalhador.
Para isso, é necessário aplicar os conceitos da ergonomia, analisando cada caso de acordo com
suas peculiaridades, trata-se de uma ergonomia corretiva, técnica desenvolvida por
pesquisadores franceses. (ALMEIDA, 2012, p. 2).
Para Carmello (2007), é através da Análise Ergonômica do Trabalho que a
ergonomia do trabalho se desenvolve. Com ela, torna-se possível a promoção de uma melhor
qualidade de vida para os trabalhadores, pois, em um ambiente saudável, adaptado às
exigências físicas e psicológicas de cada um, exerce influência direta nos aspectos emocionais,
intelectuais, profissionais e sociais, tornando possível uma melhor qualidade de vida.
Diante do exposto, é necessário entender que a Qualidade de vida a que se refere, é
um termo utilizado para conceituar a qualidade existente nas condições de vida de alguém,
considerando-se, para isso, fatores como saúde, bem-estar físico, psicológico e emocional,
educação, expectativa de vida, etc. Mas, além disso, é estar de bem com a própria vida,
com as relações com as pessoas queridas e com o trabalho (CARMELLO, 2007).
Ainda sobre o conceito e as características de uma Análise Ergonômica do Trabalho,
Julião (2001), trata-se não só de uma análise simples, mas sim, de um conjunto de ações que
uma empresa pratica, diagnosticando e implementando melhorias e inovações de gerência.
As mudanças físicas no ambiente, além das tecnológicas e estruturais, dentro ou fora do
12

ambiente, devem objetivar condições plenas para o desenvolvimento humano durante a


realização das tarefas de um trabalhador. (JULIÃO, 2001).
A Análise Ergonômica pode proporcionar essa qualidade não pela análise em si mas
pelos resultados gerados através das mudanças internas que a empresa proporciona
objetivando a saúde e o bem-estar do trabalhador, tentando manter sua produtividade em alta.
Para gerar Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e, consequentemente, na vida dos
trabalhadores, é necessário, segundo Souza (2007, p. 57), que o ambiente imediato no qual o
trabalho acontece, seja analisado, pois, pode influenciar a forma como ele é utilizado para a
execução do trabalho. As condições de trabalho, quando são muito quentes ou muito frias,
barulhentas ou irritantemente silenciosas, por exemplo, podem colaborar para influenciar a
forma como o trabalho é realizado. (GOMES et al., 2010, p. 3).
Nesta lógica, compreende-se na Análise Ergonômica um método que se destina ao
exame da complexidade que gira em torno dos problemas referentes à atmosfera do trabalho,
principalmente no espaço físico. É possível, através dela, compreender a rotina de trabalho e
apontar o nível de desempenho do trabalhador. Analisa-se, assim, as reais condições de
trabalho e do ambiente de labor. (SANTOS, 2012, p. 4).
Dessa forma, conclui-se que a Análise Ergonômica do Trabalho, é importante para a
verificação de como os diferentes trabalhadores vivenciam seu cotidiano no ambiente de
trabalho. As dificuldades, os obstáculos e as consequências de falhas estruturais que sofrem
todos os dias. (ALMEIDA, 2012, p. 5). Para uma compreensão mais ampla, no presente
estudo, escolheu-se o trabalho dos caixas de supermercado para uma pesquisa detalhada
acerca da avaliação ergonômica feita por diversos pesquisadores, sobre a estrutura oferecida
no ambiente de trabalho desses trabalhadores em específico. Buscando compreender, através
de outros estudos e análises, as necessidades e dificuldades existentes para eles.

4 DAS ANÁLISES ERGONÔMICAS DO POSTO DE TRABALHO DO OPERADOR


DE CAIXA DE SUPERMERCADO

Existe toda uma complexidade ergonômica que gira em torno do operador de caixa.
Por muitos, é considerada uma das atividades mais difíceis de se fazer uma análise
ergonômica, pois o ambiente de trabalho de um operador de caixa é muito complexo e
engloba diversos problemas em um único ambiente. (MELO JUNIOR E RODRIGUES,
2005).
De acordo com Sobral (2014), existem particularidades em torno de diferentes funções
13

e os instrumentos que se usa para executá-las são a principal maneira de se compreender um


ambiente de trabalho e aplicar ali os conceitos de ergonomia. Segundo a autora, trabalhadores
que se utilizam de computadores, por exemplo, estão sujeitos a posturas incômodas e a várias
situações críticas. A autora explica que:
[...] terminais com ecrãs de visualização, enquanto instrumentos de trabalho, fazem
hoje parte da vida do quotidiano de muitos de nós. O seu uso intensivo e contínuo nos
ambientes de trabalho gera situações potencialmente críticas do ponto de vista
ergonômico. Sabe-se hoje que, se o posto de trabalho for adequadamente desenhado,
o trabalhador poderá manter uma postura de trabalho correta e cómoda, sendo certo
que se isso não se verificar, poderão daí resultar várias consequências para a saúde,
nomeadamente lesões lombares, lesões por esforços repetitivos, problemas
circulatórios, entre outros. (SOBRAL, 2014, p. 17).

Nesse contexto, no caso dos operadores de caixa, a variação do movimento de pessoas


no local de trabalho é uma das características mais perceptíveis, pois as mudanças no ritmo
são proporcionadas pela quantidade de atendimento que podem ou não serem feitos em um
dia. As atividades incluem registrar todos os produtos que os clientes desejam comprar,
receber o pagamento e dar o troco conforme a compra.
Assim, o foco, a atenção e a disponibilidade do caixa devem estar voltados para o
cliente que está sendo atendido naquele momento. Desse modo, todo o ambiente em volta e as
ferramentas do trabalhador operador de caixa, devem contribuir para que a atividade exercida
tenha a fluidez necessária e, ao mesmo tempo, proporcione segurança e conforto para o bem-
estar do trabalhador, que enfrentará uma jornada intensa, com movimentos repetitivos,
arriscando-se a sofrer diferentes lesões. (FORTES, 2007, p. 32).
Avanços tecnológicos possibilitaram que o serviço oferecido ao cliente sofresse um
avanço considerável, sobretudo em relação à agilidade no atendimento do caixa, umas dessas
ferramentas foi o leitor óptico. Porém, tal elemento tecnológico acabou proporcionando
prejuízos para a saúde dos operados de caixa, causando-lhes lesões por esforços repetitivos.
(CARRASCO et al., 1995, p. 106).
De acordo com um estudo de análise ergonômica de caixas de supermercado, realizado
por Stôpa, Dabdab e Melo (2005, p. 3), a evolução tecnológica trazida pelo scanner
(ferramenta utilizada para leitura de código de barras), não auxiliou na ergonomia.
Aparentemente o objetivo foi apenas de dar agilidade ao atendimento.
No estudo, as pesquisadoras encontraram um perfil jovem na população da
amostragem, e puderam identificar uma série de problemas referentes ao posto de trabalho das
operadoras de caixa, como por exemplo, os movimentos repetitivos feitos pelos trabalhadores
observados. Os operadores de caixa realizam, segundo o estudo, uma série de movimentos
14

distintos, em um momento precisam estar de frente para a máquina registradora, em outro


precisam girar o tronco e o pescoço para escanear as mercadorias. Além disso, observaram
que mesmo com a tecnologia trazida pelo scanner, ainda é necessário digitar o número do
código quando a máquina não consegue fazer a leitura, evidenciando que a digitação ainda é
utilizada. (STÔPA; DABDAB; e MELO 2005, p. 3 e p. 4). Ainda no referido estudo, as
autoras verificaram que:

Para pegar os produtos o operador muitas vezes fica curvado. Além disto, os
repetidos estiramentos e torções do tronco resultam em posturas incorretas, tensões
musculares e queixas de dores, já que o corpo humano não está preparado para as
sucessivas compressões e trações de nervos ocorridas neste tipo de atividade. Com
isso, estes trabalhadores estão sujeitos a adquirir lesões que podem comprometer a
capacidade de realizar movimentos de forma parcial ou até total. (STÔPA;
DABDAB; e MELO 2005, p. 4).

Entende-se, portanto, que no caso do operador de caixa, a Análise Ergonômica deve


levar em consideração o cliente, pois este se configura como um elemento fundamental na
atividade exercida pelo trabalhador e, portanto, faz parte do ambiente de trabalho do mesmo.
Os movimentos repetitivos se renovam a cada novo cliente, o que impede que o trabalhador
tenha algum tipo de conforto entre um cliente e outro.
Compreende-se que muitos elementos compõem as condições de trabalho que o
trabalhador possui para desenvolver suas atividades em determinado lugar e tempo. Pode-se
afirmar que os equipamentos utilizados no dia a dia, o posto de desenvolvimento das
atividades, a organização do trabalho e o ambiente em si, são elementos que podem gerar
repercussões na saúde do trabalhador. No caso dos caixas de supermercado à uma
potencialização nos movimentos repetitivos e níveis diferentes de atenção exigidos ao longo
da jornada de trabalho.
Em uma outra pesquisa, realizada por Fortes (2007), houve uma constatação a respeito
dos movimentos efetuados pelas caixas. Levando em consideração movimentos de flexão,
flexão lateral, rotação e rotação com flexão, a pesquisadora chegou ao resultado de uma
predominância maior de rotações de tronco, mesmo com a utilização da cadeira giratória e
amplo espaço para a realização de movimentos no caixa. Dessas informações, concluiu-se na
referida pesquisa que a postura das operadoras era inadequada, pois os movimentos de rotação
que eram efetuados repetidas vezes são considerados os mais prejudiciais à integridade da
coluna vertebral. (FORTES, 2007, p. 37).
Sobre o final da jornada e as consequências dessa movimentação repetitiva ao longo
do dia, o estudo realizado por Ballardin et al. (2005), constatou que ao final da jornada da
15

jornada, cerca de 87,93% dos operadores de caixa entrevistados nos supermercados


pesquisados, apresentaram algum tipo de queixa sobre desconforto muscular, normalmente
identificado por meio do cansaço, da fadiga e, às vezes, de determinado formigamento. Dos
87, 93%, cerca de 88,23% relacionaram os sintomas ao trabalho desempenhado durante o
dia. Dentro do quadro pesquisado, cerca de 26% dos funcionários já apresentam diagnóstico
médico sobre doença relacionada ao trabalho, mas somente 15,52% foram afastados.
(BALLARDIN et al., 2005, p. 7).
Como se observa, as consequências podem ser devastadoras tanto para a empresa
quanto para o trabalhador.
Neste contexto, encontra-se, no ambiente do supermercado, muitos outros elementos
que dificultam e interferem na saúde do operador de caixa de supermercado. Conforme o
estudo realizado por SANTOS (2005), os elementos ambientais são determinantes para a
fluidez das atividades de um operador de caixa. No trabalho cotidiano, o ruído e a
temperatura provocam, também, desconforto quando não estão adequados. GRANDJEAN
(1997 apud SOUZA, 2007, p. 61) conceitua ruído como um som incômodo e perturbador.
Nessa lógica, trabalhando o conceito de ruído, entende-se que o barulho pode exercer
influência diretamente na qualidade do trabalho que está sendo executado. O desempenho,
inclusive, pode ser reduzido a níveis mais baixos, pelo simples desconforto. Como já
explanado de forma ampla, o operador de caixa necessita de foco e concentração para
conseguir dar atenção total ao cliente enquanto o atende e verifica seus produtos. O ritmo
ditado pelo supermercado já dificulta que a função seja exercida com tamanha concentração,
os ruídos deterioram ainda mais a saúde desses trabalhadores. Acrescenta-se, ainda, que o
ruído pode interferir na comunicação do trabalhador com o cliente, distraindo-o e
possibilitando o cometimento de erro que podem atrasar ainda mais o atendimento.
(SEMENSATO, 2011, p. 67).
Pontue-se que os ruídos podem vir da própria empresa, mas podem ter origem em
diversos elementos, como os próprios clientes, conversando entre si. Em uma grande rede de
supermercado esse barulho pode se tornar insuportável pela quantidade de pessoas no local.
(SEMENSATO, 2011, p. 36). Além disso, os equipamentos ligados e a ausência de
tratamento acústico também impedem interferem na saúde auditiva dos operadores.
O desconforto provocado pelo ruído está associado a altas frequências e intensidade
no mesmo Isto pode causar danos irreversíveis como surdez ou colocar em risco a
segurança do trabalhador, quando interfere com os sinais de informações sobre perigos, por
exemplo. (SEMENSATO, 2011, p. 40).
16

Para a medição do nível dos ruídos, considere-se o que diz a NR15, que indica para
uma jornada de trabalho de 8 horas, para que não seja necessário equipamento de proteção,
uma exposição a 85 dB(A). Em um estudo realizado em campo, os autores constataram que a
taxa pode variar de acordo com o local, horário e dia da semana. (GOMES et al., 2010, p. 2).
Observa-se, ainda, um outro elemento que faz parte da análise ergonômica do
ambiente de trabalho de um operador de caixa de supermercado: a temperatura. Esse
elemento afeta diretamente o trabalho a ser realizado, tendo em vista que o conforto térmico
também exerce influência sobre a concentração e consequente execução correta das funções.
Atualmente, a maioria dos estabelecimentos e supermercados possuem um bom sistema de
ventilação, muitos deles na casa dos 22° C, o que é considerado segundo a NR15, como ideal
para o ser humano (GOMES et al., 2010, p. 2).
Desse modo, pode ser considerado como termicamente confortável, o ambiente que
permite o balanço das trocas de calor entre a pele e o meio externo. O que se verifica em
jogo é a satisfação do trabalhador com o ambiente térmico em que está inserido e onde
deverá passar por uma longa jornada de trabalho. Nesse sentido, a percepção de bem-estar
dentro do ambiente de trabalho pode gerar uma satisfação capaz de aumentar potencialmente
a produtividade do trabalhador.

4.1 CONSEQUÊNCIAS PARA O OPERADOR DE CAIXA

Abordando o tema acerca das consequências trazidas por um ambiente de trabalho


que se adeque às necessidades motoras, físicas, psicológicas de um trabalhador, tem-se a
concepção de que as doenças ocupacionais e as lesões provocadas pelo trabalho, são
previsíveis e inteiramente passíveis de uma intervenção preventiva. Mas, para que a medida
preventiva seja eficiente, é necessário que esta possa atingir, minimizar ou eliminar os
elementos que provocaram o distúrbio na saúde do sujeito. (STÔPA; DABDAB; e MELO
2005, p. 4).
Registre-se como exemplo, o Japão da década de 1970. Lá, foram descritos vários
casos de lesões provocadas pelo ambiente de trabalho de operadores de checkeout (caixa).
As pessoas, no caso citado, passavam a maior parte de suas vidas no trabalho, enfrentando
jornadas exaustivas e prejudiciais à saúde de qualquer indivíduo, efetuando movimentos
repetitivos e exaustivos. A qualidade de vida, assim, passou a ser prejudicada
significativamente. (DINIZ e FERREIRA, 1998, p. 83).
17

Em sua pesquisa, Fortes (2007) constatou exatamente isso, a autora então explica
que:
Através das observações pode-se constatar que as rotações de tronco eram os
movimentos mais realizados durante a jornada de trabalho, sendo no caixa rápido
ou no normal seguida das flexões laterais. Com base no estudo e na afirmação
acima, verificamos que as posturas sentadas acompanhadas de erros posturais
aumentam os riscos de lesões na coluna, podendo afastar o funcionário do seu
setor de trabalho. (FORTES, 2007, p. 44).

Portanto, são diversas as consequências trazidas por más posturas, equipamentos


defasados, ambientes com temperaturas elevadas ou muito baixas, diversos tipos de ruídos
sem qualquer tratamento. Desse modo, torna-se impossível que o trabalhador consiga
produzir com certo nível de qualidade, pois a dor e o desconforto diminuem a produtividade
gradativamente.
Assim, a necessidade de um processo de ergonomia dentro de um ambiente assim
pode proporcionar um bem-estar maior para o trabalhador e para a empresa. A
implementação proporcionaria uma eliminação da dor e do desconforto através de uma
melhor organização do trabalho, ou simplesmente do processo. (RENNER, 2006),

4.3 SOLUÇÕES E RECOMENDAÇÕES PARA OS POSTOS DE TRABALHO DOS


OPERADORES DE CAIXA

Nos estudos realizados por Santos (2004), tem-se a percepção clara de que o operador
de caixa de supermercado, na maioria das redes, trabalha sentado a maior parte do tempo, ou
seja, necessita de uma cadeira que não lhe proporcione apenas conforto, mas que seja
anatomicamente criada para evitar problemas de ordem física. A cadeira do caixa de
supermercado, portanto, deve ser adaptada para a função, levando-se em consideração todos
os movimentos que ele precisa realizar durante o atendimento aos clientes.
Nesse sentido, as cadeiras adequadas para operadores de caixa de supermercados são
aquelas consideravelmente mais altas, possuindo cinco patas sem rodízio. Nesse exemplo,
temos uma cadeira equipada com pés fixos, para que não haja risco de queda ao subir e
descer, caso houvesse rodízios. A cadeira deve possuir também um aro para apoio dos pés, de
altura regulável (BRANDIMILLER, 2002).
Neste contexto, para Grandjean (1998 apud SOUZA, 2007), as cadeiras altas
possibilitam que o operador de caixa de supermercado alterne a execução do seu trabalho,
podendo permanecer sentado ou em pé, de acordo com sua percepção de conforto. Essa
18

iniciativa pode ajudar a evitar posições desconfortáveis e permitir a circulação adequada do


sangue.
Em seu estudo, Stôpa, Dabdab e Melo (2005), fizeram uma série de recomendações
que ocasionariam uma melhora na postura, no movimento e na saúde física dos operadores
entrevistados. Dentre as recomendações estão à altura do posto, que deve atender as
especificações, possuindo superfície compatíveis com a atividade, distância dos olhos em
relação ao campo de trabalho e a altura do assento; uma área de trabalho de alcance fácil;
dimensões que possibilitem a movimentação livre do corpo e um melhor posicionamento
durante a jornada de trabalho. (STÔPA; DABDAB; e MELO 2005, p. 6).
No mesmos sentido, o estudo realizado por Gomes et al. (2010), recomendou uma
mudança na posição do teclado, propondo adequá-lo melhor na bancada do computador. Além
disso, os autores recomendaram a reprodução de informações importantes acerca da
ergonomia no trabalho, a todos os operadores de caixa, com o objetivo de levar a eles
conhecimento sobre adequação do posto de trabalho, além de ginástica laboral no início da
jornada, buscando fortalecimento e disposição. (GOMES et al., 2010, p. 4).
Ressalte-se, ainda, que o operador de caixa trabalha se movimentando lateralmente,
tanto para realizar as verificações de caixa quando para registrar os produtos, até mesmo para
interagir, caso necessário, com algum outro colega. Essa necessidade deve ser suprida por um
movimento giratório da cadeira, que o impeça de movimentar o tronco e causar lesões na
coluna. Quanto ao estofado das cadeiras, o importante é que o material permita a transpiração
do trabalhador. (STÔPA; DABDAB; e MELO 2005, p. 6).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa buscou analisar de maneira direta a ergonomia do trabalho, tendo como


foco a função exercida pelos operadores de caixa de supermercado. O foco da Análise
ergonômica é justamente o ambiente de trabalho e os elementos que o compõem, buscando
harmonizar e provocar uma interação maior entre o trabalhador e o ambiente em que está
inserido, fazendo com que o trabalho adapte-se as características pessoais do indivíduo,
objetivando uma melhor produtividade através de um ambiente mais confortável e seguro
para o trabalhador.
Diante da pesquisa realizada, encontrou-se no conceito de ergonomia a definição de
uma ciência que se preocupa com a multidisciplinaridade, aplicando conceitos de fisiologia,
19

psicologia e anatomia, na busca por uma melhor relação entre o homem e o seu trabalho,
envolvendo ambiente e equipamentos, objetivando diminuir os elementos que interferem
diretamente na produtividade, através do cansaço, das lesões e da debilitação da saúde e do
bem-estar dos trabalhadores.
O estudo foi feito de acordo com os principais conceitos e pesquisas realizadas na
área de ergonomia e análise ergonômica do trabalho, onde se verificou a importância da
ergonomia para o desenvolvimento do homem, principalmente em seu local de trabalho.
Além disso, a compreensão de que a Análise Ergonômica do Trabalho configura uma
ferramenta indispensável para a compreensão e diagnóstico de problemas relacionados ao
ambiente de trabalho trouxe o entendimento de que é necessário aplicar os conceitos de
ergonomia no local onde as atividades de um trabalhador são exercidas, para a proteção da
sua saúde e segurança e para uma melhor produtividade do mesmo, auxiliando as empresas
na concepção da ideia de que o espaço físico em volta precisa ser modificado quando
interfere no bem-estar de seu empregado.
Os objetivos perseguidos foram sendo alcançados: pôde-se analisar os estudos
relacionados a ergonomia na atividade desenvolvida pelos operadores de caixa, identificando
os agentes ergonômicos pertinentes à atividade desenvolvida, bem como compreendeu-se o
conceito de ergonomia do trabalho e seus objetivos.
As reais condições em que o operador de caixa realiza suas atividades são
preocupantes, pois o que se observou, nas várias pesquisas relacionadas no estudo, foi que os
mesmos possuem uma jornada de trabalho muito intensa e que, durante essa jornada,
utilizam-se de movimentos repetitivos desfavoráveis a saúde da coluna e de outras regiões do
corpo. A região lombar é a que mais recebe indicadores de problemas.
Com tantas dificuldades o grau de satisfação dos operadores de caixa de
supermercado se verificou muito baixo em relação ao ambiente de trabalho e o que se
identificou foi que boa parte deles já possuem problemas médicos relacionados a suas
atividades diárias.
Constatou-se, ainda, que a ergonomia permite proporcionar ações que auxiliam a
organização do trabalho e aceleração do mesmo, aumentando, assim, a produtividade. O
cumprimento das normas vigentes ajuda a promover sempre uma política interna voltada ao
bem-estar do trabalhador e, consequentemente, à sua satisfação no ambiente de trabalho.

Observou-se que, quando a atividade laboral é exercida de maneira inapropriada, em


ambientes inadequados e com pouca ou nenhuma estrutura capaz de facilitar o sistema de
20

produção, prejudicando até mesmo a produtividade, pode gerar problemas de ordem física,
psíquica e motora. Dentro de um supermercado encontra-se diversos elementos, como
espaços inapropriados, cadeiras impróprias, movimentação limitada nos postos de trabalho,
temperaturas, ruídos de toda natureza. São elementos que interferem diretamente nas funções
exercidas pelo operador, tornando o ambiente hostil para a saúde destes.
Acentos com regulagem, com movimentos de rotação, apoio para os pés,
posicionamento diferente do teclado de computador, são algumas das soluções apontadas
pelas análises ergonômicas feitas em supermercados e utilizadas para esta pesquisa.
Constatou-se, assim, que modificações físicas na estrutura dos locais de execução das tarefas
podem proporcionar ao trabalhador um ambiente mais seguro e confortável, capaz de evitar
danos a sua saúde e provocar maiores consequências tanto para o indivíduo quanto para a
empresa.
Conclui-se, portanto, que a ergonomia, enquanto ciência, preocupa-se com o bem-
estar do indivíduo em relação ao ambiente, inserindo-o de maneira segura e confortável. A
análise Ergonômica feita em um ambiente de trabalho representa a aplicação dos conceitos
chave da ergonomia nos elementos que compõem o cotidiano dos trabalhadores de
determinada empresa, analisando, identificando, diagnosticando e recomendando mudanças
estruturais e organizacionais capazes de promover transformações significativas na relação
entre o trabalhador e o seu ambiente de trabalho.
Os operadores de caixa vêm enfrentando sérias consequências de sua rotina de
trabalho. A repetição massiva de movimentos tem provocado, como se constatou, lesões que
podem se agravar com o tempo. O cansaço impede que o trabalho seja realizado com máxima
concentração e foco. Cada vez mais se faz necessário observar e tratar as dificuldades
enfrentadas pelo trabalhador em seu dia a dia. As análises ergonômicas proporcionam uma
oportunidade de se diagnosticar à tempo esses problemas e evitar que a saúde, a segurança e
o bem-estar do trabalhador sejam comprometidos.

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